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ARQ1318 INFRAESTRUTURA, PAISAGEM E FRONTEIRAS

AEROPARQUE A REINSERÇÃO DA PAISAGEM DOS PAMPAS Ana Paula Corradi / Luisa Lara

Concepção Na era das infraestruturas, onde o tempo se vê subordinado à ação humana, a implementação de um aeroporto se traduz na indução de um ponto nodal na rede de mobilidade em escala internacional. Esta rede, logicamente impossibilitada de aproximar de maneira física tais pontos nodais, se vê alimentada pela tentativa de uma proximidade temporal, à qual grandes infraestruturas servem de suporte. Atrelada a isso, desenvolve-se naturalmente uma rede em escala regional, formada por pontos que impulsionam raios de influência mais contidos, como atrações turísticas ou espaços de domínio público na escala da cidade, por exemplo. A nossa proposta surge de um cruzamento destas ideias já conectadas por conceito. A implementação de um parque de gestão binacional no devastado terreno de entorno do aeroporto que serve a Rivera (UY) e Santana do Livramento (BR), servirá como um enorme espaço verde de contemplação e repouso para os que por ali passarem. Ainda que em território uruguaio, o fluxo atual é movimentado não só pelos moradores das cidades gêmeas de fronteira seca como também por aqueles que atravessam a cidade com o objetivo de seguir por algum outro caminho dos desdobramentos daquela teia. O aproveitamento deste posicionamento estratégico junto à uma iniciativa de recuperação de uma condição primordial se traduz na implementação de um espaço público projetado através de um estudo das cicatrizes deixadas no solo dos territórios pampeanos.

Apesar de priorizada a reprodução dos desenhos formados pelos mosaicos terrestres e plantações que compõem a paisagem do bioma Pampa, a inserção do terreno em um dos cenários mais devastados e a proximidade de diversas áreas de proteção ambiental, dentre elas a APA do Ibirapuitã, sugerem a recuperação deste bioma natural e de seus ecossistemas. A vegetação foi portanto implantada sob o estudo das seguintes tipologias que fazem parte deste ramo da savana estépica: Estepe arborizada, que apresenta características fitofisionômicas de formação caracterizadas por micro e/ou nanofanerófitos com média de até 5 metros, ultrapassando excepcionalmente os 7 metros de altura. São mais ou menos densos, com grandes clarões entre um indivíduo e outro, grossos troncos e esgalhamento bastante ramificado em geral provido de espinhos e/ou acúleos, com total decidualidade na época desfavorável. Estepe parque, também bastante comum, apresenta nanofanerófitos de um mesmo ecotipo posicionados espaçadamente apesar de uma pseudoordenação de plantas lenhosas raquíticas, sobre denso tapete gramíneo-lenhoso de hemicriptófitos e caméfitos.

1.

2.

E estepe gramíneo-lenhosa, grupo de formação também conhecido como campo espinhoso, apresenta típicas características florísticas e fisionômicas, tais como extensos tapetes graminosos salpicados de plantas lenhosas anãs espinhosas.

LEGENDA 1. ESTEPE ARBORIZADA 2. ESTEPE PARQUE 3. ESTEPE GRAMÍNEO-LENHOSA 3.

CENTRO ESPORTIVO UNIVERSITARIO HARAS VIVEIRO APIÁRIO VINICOLA

LEGENDA A.P.A. IBIRAPUITÃ AQUIFERO GUARANI EIXO MERCOSUL-CHILE

SISTEMA DE REDES

1. PLANTAÇÃO DE ARROZ

2. PLANTAÇÃO DE ARROZ

3. SILVICULTURA

4. PLANTAÇÃO DE SOJA


Sobreposição de camadas

Matriz

O encontro destas vegetações, notoriamente de pequeno porte, se dá através da sobreposição dos diferentes tipos da região fitoecológica. Ao mesmo tempo, trabalham com as noções criadas pelas camadas que atribuímos ao parque a partir das marcas deixadas por atividades passadas sobre o solo: o manto, as manchas, as ilhas, e as artérias, que costuram as diferentes ambiências propostas por cada um dos tecidos. Enquanto o manto reproduz os vastos campos sulinos e seus tipos de estepe, as manchas abrigam densas plantações de pinus e eucalipto, representando as sistemáticas florestas de silvicultura local.

Devido a esta atribuição de espaços morfologicamente contrastantes, definidos majoritariamente pela densidade, as fronteiras entre um e outro são retrabalhadas de forma a quebrar barreiras visuais tão rigidamente delimitadas, e a compor espaços de transição entre os mesmos, com tipos de vegetação que transitam entre as duas camadas. Esta sobreposição pode acontecer de duas maneiras: primeiro, entre elementos que trabalham em planos verticais distintos, ou seja, que possuem diferença de altura relevante. Estes criariam um espaço derivado da interação harmônica entre as duas tipologias onde nenhuma quebra ou interrompe o tecido original da outra, uma vez que não disputam um mesmo plano. Depois, entre elementos que convivem em um mesmo plano vertical, ou seja, que possuem a mesma altura ou diferença de altura desconsiderável. Estes terão o tecido original interrompido pelo segundo elemento, que não consegue se impor de outra forma senão esta.

Marcas de silvicultura no entorno do terreno

Silvicultura

Estepe arborizada

Faixa de transição

Título de Desenho escala 1:1000

Estepe parque

Esquema conceitual do sistema de matriz

Estepe gramíneo-lenhosa Pista de pouso


Sobreposição das camadas

ARTÉRIAS Composto pelo anel, principal circulação do parque, e por vias secundárias, ramificações do anel. ILHAS Pontos de marco visual que servem como orientadores e direcionadores do parque. Serão propostos vazios que se contrapõem ao entorno. MANCHAS

Planta baixa escala 1:8000

Acesso 01

Torre mirante Acesso à vinícola existente

Espaços de natureza efêmera proposta pela silvicultura, que se diferencia do manto pela densidade da vegetação e pela proposição de percursos menos livres devido à plantação das árvores. PISTA

Garagem e área técnica Terminal do aeroporto Pátio de aeronaves Silvicultura

Área de proteção da pista Espaço dedicado à atividades esportivas.

Pista Torre mirante

Campo dedicado à preparação e pouso de balões.

Corte AA’ escala 1:5000

Corte BB’ escala 1:5000

Campos arenosos

Espaço linear central que, quando não utilizado pelo aeroporto para pouso e decolagem, comporta atividades de lazer diversas. Promove trocas entre os dois lados do parque. MANTO São criados mosaicos que remetem às paisagens dos Pampas, de onde surgem percursos e grandes superfícies de espaços verdes que englobam diversos tipos de gramíneas.

Acesso 02 Torre mirante

FAIXA DE PISTA Faixa de 300 metros paralela à pista (60 da cabeceira) dos dois lados da mesma que limita o gabarito das construções e atividades.


AMBIENTAÇÕES

Fulano de Tal / Ciclano Beltrano

Croqui de perspectiva da pista

Mobilidade Estas relações abrangem evidentemente a questão da altura e porte das plantas do parque, o que nos leva a implantação de um segundo parâmetro que age paralelamente a este. A regulamentação dos solos de entorno do aeroporto nos impõe uma faixa paralela à pista de 300 metros que atua como área de proteção. Por isso, foram estabelecidas faixas secundárias com gabaritos que funcionam de maneira crescente partindo da pista até as bordas do parque. A presença da pista ainda que como elemento atrativo de integração, atua como desaceleradora do fluxo de pedestres. Um anel pavimentado conecta portanto estes dois lados, resultando desta forma em um espaço fluido e com leves desníveis de uma topografia predominantemente linear, ainda que permeados por uma vegetação que caracteriza um organismo heterogêneo.

Croqui de vista aérea do parque

TORRE MIRANTE Edificações multiuso localizadas em pontos estratégicos do parque. Projetadas para serem faróis, possuem intuito de mirante e alerta de segurança para visitantes que usam a pista. Abrigam também em sua base banheiros e pequenos cafés que servem de suporte aos visitantes.

Título de Desenho escala 1:1000

The south america project  

Iniciativa internacional de pesquisa promovida pela Universidade de Harvard, The South America Project, sobre os impactos da implementação d...

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