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Meninos d`oiro

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Título: O primeiro cinco Autor: Rita Faria Ilustração: Liliana Martins Paginação: Ana Paiva Editor: Alberto Sousa 1ª edição 2010

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Para ti… príncipe Kamehameha do reino Kinau. Obrigada por teres seguido um coelho branco gigante e voado até à Wonderland. Aqui o tempo não existe, existe apenas a certeza da eternidade… Enquanto caminhamos lado a lado, maior se torna a luz que nos mostra por onde ir, mais forte se sente o delicioso Amor que nos abraça!! Simplesmente, 5 letras…

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ra uma vez um menino que se chamava Miguel. Ele vivia nas montanhas verdes e silenciosas, cúmplice dos momentos de reflexão…. e das traquinices que ele tanto gostava de fazer!!! Alegre e brincalhão, sempre com um sorriso e uma gargalhada contagiante, lá corria ele sem parar, o dia inteiro. Era muito amigo do seu avô, sempre foi, ainda é… e o que mais gostava era de passar horas naquela ponte mágica em frente à casa dos seus avós. Ai passava tempo com a sua “cana de pesca” a pescar pedrinhas e outros objectos perdidos pelas terras que encontrava na sua brincadeira. Ele tinha uma fisga… mas não era uma fisga qualquer, era um legado, uma caixa de recordações de gerações sucessivas que viam com olhos diferentes o mesmo alvo. Adorava a sua fisga! ZÁS… ZÁS… saltitava ele à procura do seu alvo! Tinha amigos muitos especiais, daqueles para a vida inteira, amigos que conquistou com a sua honestidade e amizade, a transparência de quem é muito humilde (mas que” tem sempre razão”!!!!!). Onde quer que fosse levava a alegria, ao seu redor ninguém ficava triste, ninguém fica triste! Uma guitarra apenas e a leveza de quem vive cada momento como se fosse o único eram suficientes para renascer um pequeno mundo em seu redor!

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Adorava a terra, o aroma a sol nascente… Tinha sede de provar os sabores de cada instante, de cada lugar, de cada tempo! Incrédulo na invisibilidade do seu olhar, mas curioso… fonte de uma curiosidade imensa que se fundiam com o perfeccionismo para originar uma persistência invulgar. Um belo dia, enquanto caminhava de mãos dadas com a sua alegria, cruzou-se com uma menina que nunca antes vira. Olhou-a de relance e continuou o seu caminho…. Mas levou consigo aquela imagem. Ela tinha um cabelo liso e longo que lhe escondia o rosto. Solitária e de poucas palavras. Seria triste ou pouco comunicativa? Sorria pouco o rosto que espreitava envergonhado entre o cabelo liso e longo.

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ita, era como se chamava a menina nova… “De onde é que ela apareceu?” – pensava ele quando a via. Sonhadora e lutadora, mas com um traço de melancolia a rasgar a alma. Passava horas sozinha no seu quarto, com um livro escrito ou um livro em branco onde escrevia. Tinha muitos amigos, era boa ouvinte e boa conselheira…. Mas não era de muitos desabafos. Detestava sentir-se presa às coisas e às pessoas… precisava do seu espaço a fazer eco quase sempre e só saía dele quando sentia saudades de brincar! Tinha uma guitarra que nunca aprendeu a tocar, não era o seu forte tocar instrumentos musicais, mas cantava todos os dias, como um remédio que lhe sarava a nostalgia. Acreditava no invisível e em tudo o que rasa o limite da compreensão humana, de uma forma sólida mas flexível. E dizia-o sem preconceito, com uma tranquilidade inquietante para quem não sabe e para quem não vê.

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lguns dias passaram… Viram-se algumas vezes ao longe, sem falar, um “Olá!” que ficou sempre por dizer. Ele pensava que ela era demasiado solitária e de poucas conversas, que não sabia sorrir… Ela pensava que ele era um palavra que só sabia fazer brincadeiras tolas, que não sabia pensar… Até que um dia, o “Olá!” surgiu! Nesse instante abriu-se uma porta escondida entre duas dimensões que pareciam intocáveis… agora, indissociáveis! O relógio não parou, e enquanto todos dormiam, Miguel e Rita conversavam surpreendidos e mergulhados em êxtase naquela noite fria. Ela falou-lhe de um admirável mundo novo, cheio de ideias invulgares, certezas suas sobre as incertezas dos outros… luzes de várias cores, a inexistência do acaso, o destino…

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Ele falou-lhe do outro mundo que ela negligenciava, onde a simplicidade de cada instante não rouba a complexidade do pensamento, onde a alegria cura mais do que qualquer introspecção solitária, onde o hoje tem muito mais força do que o amanhã! Ele ensinou-a a sorrir… Eles descobriram que o Amor morava ali, que o destino tinha esperado pacientemente por uma sequência perfeita do número cinco, que culminou na noite que mudou as suas vidas.

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esde esse dia que o pensamento de cada um só tinha um nome (o do outro) e várias emoções (inquietude, curiosidade, alegria, surpresa, carinho, saudade…). Foram construindo um castelo pelo base, de forma inesperadamente perfeita e robusta, orquestrada por um suceder de coincidências (ou apenas a plenitude da fusão de dois seres (AS)simetricamente recíprocos). Nasceu a necessidade da partilha diária, mudaram-se rotinas para a introdução de um novo elemento da equação das suas vidas. Instante a instante foram caminhando em profundidade (ora para o centro da sua existência, ora para o ápex da sua essência), continuamente arrebatados pela progressão dos seus sentimentos. A certeza tornou-se rainha, acompanhada pela confiança inabalável, alicerces para uma vida inteira!

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Foram tantos os espaços e recortes que simbolicamente tatuaram os momentos de conversa e hoje as memórias: “ O barril azul”, “O pneu”, “O carro no breu”, “O café mais surreal das nossas vidas”, “Uma carrinha e uma viagem”, “55 cêntimos”, “Aquela praia e a beleza discordante do mar”, “Um ovo Kinder e a surpresa”, “O nosso banco e o madrugador”, “Viagens sem destino num C2”… Certo dia Rita teve que mudar de cidade, foi morar para outra casa… Suficientemente longe para ter saudade, suficientemente perto para nunca se sentir demasiado longe. E agora onde ficariam todos os momentos de proximidade, a partilha de um sorriso em directo sempre que lhes apetecesse? Descobriram uma nova palavra no seu dicionário: distância! Mas da mesma forma que a escreveram, assim também a ignoraram. O seu castelo era robusto e a sua linha temporal, intemporal… Uma vida inteira para saborear a beleza da relação, para degustar o sabor do verdadeiro Amor… um aroma raro e inconfundível. Cada segundo que estavam juntos era tão importante como uma hora… mas sempre com um gradiente que deixava a saudade inacabada. A magnitude do valor recíproco amplificou-se, como uma aura imensa e colorida que se expande pelo sinergismo da proximidade. Nalguns momentos Rita chorava, pelo abraço que desejava ter naquele segundo, mas depressa as lágrimas desciam o rosto até aos lábios onde se transformavam num belo sorriso, naquele que Miguel lhe ensinara.

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tempo foi passando e Miguel e Rita foram crescendo juntos e individualmente. São um só mas sempre dois! Miguel nunca pensara em desejar partilhar intensamente e de forma tão carinhosa todos estes momentos, Rita nunca pensara conseguir inverter prioridades e por alguém que amasse sempre em primeiro lugar … Hoje caminham lado a lado, num delicioso crescendo de vivências, escrevem diariamente o livro das suas vidas. Um só dia bastou para mudar tudo, tantos dias fazem falta para sentir tanto (mais). A “toca do coelho” foi apenas um bilhete simples mas indispensável. Hoje percorrem um labirinto surpresa que nasceu do primeiro passo, a cada passo, construído numa linha de tempo que não é recta, mas curva, circular e a 3 dimensões. E mesmo quando o destino os guia para caminhos com uma parede ao fundo, lá encontram mais uma razão para sentir, crescer, aprender… O olhar é cada vez mais cúmplice, o abraço cada vez mais quente, o sorriso cada vez mais belo, com a certeza da vontade de compor uma sinfonia em sintonia, beber da mesma fonte… Como se as cores se amplificassem numa interminável gama de tonalidades que se transformam em recortes de momentos que já foram, que sempre são e que serão ainda…

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