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Matérias para o Prêmio 1 a 15 de abril Jornal de Brasília e Correio Braziliense


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JORNAL DE BRASÍLIA

Cidades.

Brasília, terça-feira, 1 de abril de 2014

VICENTE PIRES

Padrasto está foragido Polícia Civil investiga morte de criança de um ano e professor de artes marciais é procurado FOTOS: KLÉBER LIMA

Estela Monteiro estela.monteiro@jornaldebrasilia.com.br

A Polícia Civil expediu mandado de prisão temporária contra Dyrell Dicson Menezes Xavier, 25 anos. O professor de artes marciais é suspeito de matar o enteado Miguel Estrela Maceno, de um ano e 11 meses. O suposto crime ocorreu na última quinta, em Vicente Pires. De acordo com a polícia, a mãe do menino, Gabrielli Baptista Estrela, 23, teria deixado a criança com o padrasto e o meio-irmão, de quatro anos - filho de Dyrell – e saído. Aproximadamente 40 minutos depois, ela recebeu uma ligação do marido, dizendo que a criança teria caído e estava desacordada. Miguel foi levado a um hospital de Taguatinga, com convulsões. Ali, a equipe médica identificou um traumatismo craniano e acionou a polícia. Um laudo preliminar

apontou que a lesão foi causada por uma ação contundente, o que indica que o garoto teria sofrido uma agressão externa. Na manhã seguinte,

o garoto morreu após uma parada sua versão até o fim”. Foi quando a respiratória. O casal prestou depoimento na polícia suspeitou de que havia algo 38ª DP (Vicente Pires) na sexta-fei- errado. Dyrell, em nenhum mora passada. De acordo com a dele- mento, foi acusado de ter batido no gada Tânia Dias Soares, a hipótese garoto, mas mesmo assim, negava que isso tivesse ocorrido. de queda foi descartada tanto peUm familiar da vítima lo laudo como pelos depoiteria afirmado que o mentos de testemunhas. garoto ultimamente Ela diz que o garoto não rejeitava o padrasapresentava lesões to. “O familiar disvisíveis, mas o laudo dias é o prazo para se que teve que fiapontava traumatisa conclusão do laudo car com a criança, mo craniano grave. sobre o óbito três dias antes, por“Uma lesão muito que ela não queria volgrave e que não deixou tar para casa”, conta a devestígios. O exame indica legada. que o causador do trauma seria um O filho de Dyrell foi encaminhafator externo, por uma força extredo à perícia, e um exame constatou ma”, afirma a delegada. algumas lesões pelo corpo. O menino teria contado à mãe que sofreu “ATÉ O FIM” Em depoimento, o padrasto re- agressões por parte do pai. Ele será forçou várias vezes a hipótese de ouvido, pela delegacia especializaqueda e afirmou que “manteria a da, como testemunha do crime.

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LUTO » Dyrell Dicson Menezes Xavier trabalha em uma academia de ginástica em Taguatinga. Ontem, foi colocado um cartaz na fachada, preto, escrito “luto”. » A mulher dele, mãe da criança, teria dito à polícia que o jovem está acima de qualquer suspeita. Mas, para a polícia, ele deixou a delegacia após o depoimento para não voltar mais.

Família mora em um apartamento na Rua 7 de Vicente Pires

Uma lesão muito grave e que não deixou vestígios. O exame indica que o causador do trauma seria um fator externo, por uma força extrema. Temos todos os indícios de que houve homicídio doloso.

Tânia Dias Soares, delegada

Abuso ainda investigado O laudo preliminar do Instituto Médico Legal indicou também uma fissura anal, mas não apontou a causa da lesão. A delegada Tânia Dias afirma que ainda é cedo para considerar um suposto abuso sexual. “Esta lesão pode ter sido causada por qualquer coisa. Até mesmo uma prisão intestinal. É preciso aguardar resultados para afirmar que houve abuso”, explica. O laudo deve ficar pronto em 15 dias. Até o momento, Dyrell é suspeito de ter matado Miguel. “Nós temos todos os indícios

de que houve um homicídio doloso e o padrasto é o principal suspeito”, afirma a delegada. “Pela natureza da lesão, pela força que teria sido aplicada, e até mesmo com uma certa técnica, já que não deixou nenhum vestígio externo, acreditamos que foi o padastro o autor do crime. Até porque ele estava sozinho com a criança”, completa Tânia. NÃO FOI A ENTERRO Desde a noite de sexta-feira, Dyrell está desaparecido. Ele também não compareceu ao enterro do enteado, que ocorreu no domingo. A delegada afirma que ele já foi convocado para prestar depoimento novamente, mas que não compareceu. Os familiares também não sabem do paradeiro do rapaz. Como a polícia já expediu mandado de prisão temporária, Dyrell é considerado foragido. A delegada disse que está preparando também o indiciamento do rapaz. Caso seja condenado pelas acusações, Dyrell pode responder por homicídio doloso, além do suposto abuso sexual. A pena para o crime de homicídio é de 12 a 30 anos de reclusão.


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Brasília, terça-feira, 1 de abril de 2014

Cidades.

REGIÃO METROPOLITANA

Delegado e policiais atrás das grades FOTOS: RAFAELA FELICCIANO

Grupo é suspeito de se apropriar de bens e obter vantagens Patrícia Fernandes patricia.fernandes@jornaldebrasilia.com.br

Extorsão, corrupção passiva, prevaricação, sonegação e associação criminosa. Estes são alguns dos crimes cometidos por uma quadrilha encabeçada por agentes da lei. Ou seja, pessoas que deveriam garantir segurança à população são suspeitas de agir de forma inescrupulosa, direcionando investigações e tirando todo o tipo de vantagem. Supostamente encabeçado pelo ex-delegado-chefe Planaltina (GO), Fernando Alves Barbosa, o esquema na Região Metropolitana do DF contaria com a participação de dois agentes, um escrivão, um advogado e de um servidor da prefeitura municipal. Comandada pela Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a Operação Voo Livre prendeu sete pessoas. A ação contou com o apoio do Ministério Público do Estado de Goiás para identificar o esquema, que teria funcionado do início de 2011 até junho de 2013, na delegacia de polícia de Planaltina (GO). Uma das ordens de prisão ainda continua em aberto.

Delegado atuava em Planaltina (GO) e depois foi transferido de cidade

chassis, e encaminhado à Delegacia de Planaltina (GO). Segundo testemunhas, incluindo o condutor do caminhão responsável pelo guincho, o automóvel se encontrava em excelente estado de conservação. Na mesma época, um segundo veículo, apreendido nas mesmas circunstâncias, ganhou o mesmo destino. Em ambos os casos, os proprietários sequer foram ouvidos e questionados acerca da origem do automóvel. Nos

EQUIPAMENTOS As investigações dois carros, encontiveram início em trados no pátio da abril de 2013, delegacia, laudos ano faz que as quando uma depericiais confirinvestigações núncia revelou que maram a transfecomeçaram Fernando Alves rência dos objeBarbosa, valendo-se tos. de sua função à frente Para materializar as da delegacia municipal, tedenúncias, o mecânico resria retirado o aparelho de ar-condi- ponsável pela transferência das pecionado e outras peças de um veí- ças para a viatura foi ouvido e disse culo apreendido para usá-los ma que o valor do serviço foi pago por viatura policial de uso exclusivo. As Barbosa. 'Tendo recebido o valor de informações estão no Inquérito Po- R$ 100 em dinheiro, pagos pelo delicial 143/2013. legado”, mostrou o relatório. Com a “Instaurado o procedimento cor- testemunha, foram encontrados os reicional apurou-se a veracidade forros da porta dianteira da viatura dos fatos apontados na denúncia”, para a instalação das peças subtraídiz o documento. O veículo, um das. Também foram ouvidos poliGol, foi apreendido em 2011, sob a ciais militares responsáveis pela suspeita de adulteração de lacres e apreensão dos automóveis.

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Fiquei oito dias preso e sofri extorsão por parte de um advogado, representando Fernando Barbosa. Eles me pediram R$ 100 mil. Todos os inquéritos foram montados por ele. Rômulo Gonçalves, advogado

PRISÕES » Foram detidos ontem o delegado de polícia Fernando Alves Barbosa, suspeito de comandar o esquema criminoso; os agentes policiais Diurinê Abreu de Lacerda e Antônio José Augusto Paes de Andrade Neto; o escrivão Estevão Rodrigues de Rezende; o advogado Rivael Borges, além dos servidores Thiago de Oliveira e Adenilson Pias de Almeida. » Eles foram presos por peculato, corrupção passiva, prevaricação, sonegação, condescendência criminosa e associação criminosa. Estão em análise casos de lavagem de dinheiro, porte de arma e exploração à prostituição. » Os suspeitos foram capturados em diferentes cidades, e ficarão presos em Goiânia. O processo criminal tramitará em Planaltina, onde os delitos foram cometidos. A expectativa é que a denúncia possa ser oferecida na semana que vem.


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JORNAL DE BRASÍLIA

Cidades.

Brasília, quarta-feira, 2 de abril de 2014

MÁRCIA REGINA, 56 ANOS

À espera de laudo REPRODUÇÃO / TV GLOBO

Exames vão confirmar se corpo encontrado é de professora

Relação levantava suspeitas

Patrícia Fernandes patricia.fernandes@jornaldebrasilia.com.br

As dúvidas acerca do desaparecimento da professora Márcia Regina, 56 anos, desaparecida há 25 dias, podem estar mais perto de serem elucidadas. A Polícia Civil suspeita que um corpo encontrado em um matagal entre Formosa (GO) e Planaltina (GO) é da docente. Considerado o principal suspeito do crime, o namorado da vítima, Luiz Carlos Coelho Penna, preso desde a última sexta-feira, acompanhou as buscas. De acordo com agentes da corporação, havia indícios de fratura no crânio, provavelmente após uma pancada com o extintor de incêndio do carro dela – um Ford Ka preto. O suspeito foi indiciado por homicídio e ocultação de cadáver, e já tinha em seu histórico crimes como injúria, ameaça de morte, dano ao patrimônio, incêndio, lesão corporal e violência doméstica. Até o momento, segundo o diretor-geral da Polícia Civil, Jorge Xavier, o namorado da vítima não confessou nem colaborou com as investigações. Ainda de acordo com Xavier, populares ajudaram a encontrar o corpo. "Os moradores da região auxiliaram nas investigações desde o princípio", disse. ANEL Segundo o irmão da educadora, Eudmar Curado Lopes, 60 anos, o corpo encontrado estava em avançado estado de decomposição e, por

Resultado na sexta-feira

O resultado dos exames de DNA e da arcada dentária do corpo encontrado, que comprovam a identidade da vítima, ficarão prontos até a próxima sexta-feira, segundo estimativa da Polícia Civil. O corpo encontrado em um matagal (foto) na Região Metropolitana do DF estava parcialmente queimado, em avançado estado de decomposição. Por isso a necessidade da realização de exames que vão comprovar a identidade da vítima. As motivações do crime ainda estão sendo investigadas. O suspeito nega participação no assassinato.

isso, não foi possível fazer o reconhecimento. No entanto, ele acredita que o corpo seja de Márcia. “Estava com um anel muito parecido com o que ela usava", diz. Em meio à tristeza, os familiares pedem que a justiça seja feita.

“Desde que fiquei sabendo do

Como o Luiz, afirmando que era o namorado dela, não pôde fazer um boletim de ocorrência? Eudmar Curado, irmão de Márcia

REPRODUÇÃO / TV GLOBO

desaparecimento, eu tinha certeza que era ele. Afinal, como o Luiz, afirmando que era o namorado dela, não pôde fazer um boletim de ocorrência? Ele sequer comunicou a família”, diz Eudmar. Morador de Formosa (GO), ele garante que a distância física nunca atrapalhou a proximidade da família. “Minha outra irmã mora no Guará, outro no Espírito Santo, mas sempre mantínhamos contato, pelo menos uma vez por semana”.

Márcia dava aula em uma escola do Sudoeste

Contato menos frequente Os contatos com a professora, segundo o irmão dela, foram ficando menos frequentes nos últimos tempos. “Nos últimos meses, percebi que só eu ligava. Pedia para ela vir me visitar e ela sempre dava uma desculpa”, conta Eudmar. Ao olhar para trás, ele relembra que durante o feriado de Carnaval, Márcia já dava sinais de que havia algo diferente. “Minha esposa a convidou para passar o feriado conosco, ela nunca recusava esse tipo de convite. Porém, disse

ELIO RIZZO

que veria com o Luiz e depois afirmou que não iria”, conta. Para Eudmar, a professora estava sendo coagida. “A informação que tínhamos é de que eles tinham terminado. Ela sempre foi discreta com a vida pessoal e nunca nos contou dessa relação”, diz. A principal suspeita da família é de que Márcia tinha alguma informação comprometedora sobre o suposto assassino. “Por isso, ele impedia a qualquer custo o contato dela com outras pessoas”, declarou.

Segundo o irmão da vítima, em 2012, quando a professora trabalhava Cavalcante (GO), Luiz a teria extorquido. “Ele veio a Brasília e, para tirar o dinheiro dela, disse que tinha câncer. Ela passou dois anos pagando uma fortuna para o tratamento de quimioterapia”, disse. No entanto, quando a docente retornou a Brasília, teria descoberto que era uma farsa. Para Eudmar, o fato de Luiz estar morando com Márcia pode ser outra farsa. “Quando entramos no apartamento dela, vimos claramente que a cena foi montada. Ela era extremamente organizada, tinha sapato dele na mesa, roupa jogada na sala”, disse. No entanto, ele não descarta a possibilidade de o suspeito ter livre acesso à residência. “O porteiro afirmou que nos últimos dias ele ia até lá com frequência”, diz. RELEMBRE A educadora, que dava aulas para turmas do Ensino Fundamental no Sudoeste, desapareceu sem deixar rastros, depois de supostamente deixar o namorado no Parque da Cidade, no dia 9 de março. Desde o início das investigações, o titular da Divisão de Repressão a Sequestros, delegado Leandro Ritt, informou que havia um suspeito. O carro de Márcia Regina foi encontrado em Sobradinho após 13 dias de desaparecimento. Em perfeito estado, o Ford Ka foi levado ao pátio do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil. Segundo familiares, a perícia revelou vestígios de sangue e gasolina no interior do automóvel. O namorado da professora, Luis Carlos Coelho Pena, 41 anos, foi preso na última sexta-feira, como principal suspeito. De acordo com a polícia, ele tem em sua ficha criminal dez processos, sendo a maioria por ameaça ou agressão contra mulheres.

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dias faz que a família e a polícia procuram Márcia


Cidades. SEXTA-FEIRA

Metrô deve ter nova paralisação Decisão foi tomada após assembleia no último domingo Renan Bortoletto renan.bortoletto@jornaldebrasilia.com.br

O sistema público de transporte do Distrito Federal deve ter uma nova paralisação. Desta vez, os metroviários prometem cruzar os braços a partir da zero hora da próxima sexta-feira. A decisão foi tomada após assembleia ocorrida no último domingo. Enquanto isso, o Metrô deve operar com pelo menos 30% dos profissionais.

Na pauta de reivindicações à Companhia do Metropolitano do DF, os profissionais pedem correções salariais do plano de carreira, redução da jornada de trabalho, reajuste salarial em 10%, instituir a previdência complementar e o aumento da quebra de caixa da bilheteria. Além disso, a categoria também reivindica melhorias nas condições de trabalho e cumprimento das normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Na terça-feira passada, os metroviários rejeitaram contraproposta do Metrô-DF que propunha reajuste salarial linear, a partir de 1º de abril, com a aplicação do INPC acumulado no período de 1º de abril de 2013 a 31 de março de 2014. A assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Pública informou que somente hoje a pasta se manifestaria sobre o assunto. RAPHAEL RIBEIRO

Metrô deve operar com pelo menos 30% dos servidores

Brasília, terça-feira, 1 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

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MEMÓRIA » A última greve dos metroviários ocorreu em outubro do ano passado. Na época, a categoria deixou de trabalhar por três dias. A principal reivindicação era a realização de um concurso público.

» Havia sido feito um acordo no Tribunal Regional do Trabalho, quando o governo garantiu que publicaria um edital para o concurso. Caso descumprisse o acordo, o governo teria de pagar multa de R$ 1 milhão.


Cidades.

Brasília, quarta-feira, 2 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

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ARQUIVO PESSOAL/FACEBOOK

VICENTE PIRES

Polícia prende padrasto Professor de jiu-jitsu se entregou. Ele é investigado pela morte do enteado de um ano e 11 meses Renan Bortoletto

Ele matou meu filho, ele machucou tanto meu filho até a morte, e já quase sem vida ele me ajudou a leA Polícia Civil prendeu na noite var meu filho ao hospital e lá meu de ontem, por volta das 20h30, o príncipe ficou entre a vida e a morprofessor de artes marciais Dyrell te, lutando por três dias”, diz trecho Dicson Menezes Xavier, de 25 anos. do desabafo da mãe, que até ontem O rapaz é investigado pela morte do à noite tinha mais de quatro mil enteado Miguel Estrêla, de um ano compartilhamentos. Mais adiante, a mãe de Miguel e 11 meses. Ele era considerado foragido desde o último domingo. diz que sua vida acabou. “Agora eu Xavier se apresentou à 38ª Delega- não tenho mais nada, eu não tenho mais vida, meu coração até cia de Polícia (Vicente Pires) e hoje não para de doer. Ele passou a noite preso na está comigo o tempo toDelegacia de Polícia do, eu sinto, mas a Especializada (DPE). saudade da carne dói, A delegada Tânia Dias a saudade do corpo é Soares disse que ouano e 11 meses muito grande. Eu só viria o suspeito na era a idade peço por justiça, para manhã de hoje. da criança que não exista mais vítiO sentimento de jusmas nessa história.” tiça era o único que ainda motivava a família do pequeno Miguel Estrêla a colaborar com as HERÓI A avó de Miguel, num primeiro investigações da polícia e a divulgação ampla do caso na imprensa. momento, achou que o genro tinha O suposto crime, que aconteceu na tido uma ação heroica. “Quando última quinta-feira, chocou fami- cheguei no hospital, para mim ele liares e moradores de Vicente Pires era o salvador do meu neto. Fizemos orações com a família dele, ele (leia mais no quadro). Nas redes sociais, a mãe de Mi- se mostrou atencioso, carinhoso, guel clamou por justiça e chamou o beijava minha testa e parecia muito ex-namorado de assassino. “Esse preocupado com o Miguel. Não homem um dia decidiu, ape- imaginávamos que ele poderia ter nas por crueldade, tirar meu causado tudo isso. Nem um animal coração de dentro do corpo. faz isso”, diz Márcia Batista, 44. renan.bortoletto@jornaldebrasilia.com.br

Mãe de Miguel fez desabafo nas redes sociais: quatro mil compartilhamentos KLÉBER LIMA

ENTENDA O CASO

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KLÉBER LIMA

Família mora na Rua 7 de Vicente Pires, onde o suposto crime teria ocorrido

» À polícia, a mãe de Miguel contou que deixou a criança com o padrasto e o filho dele, de quatro anos, e saiu de casa. Aproximadamente 40 minutos depois, Xavier teria ligado para a namorada e dito que a criança caiu e estava desacordada.

Avó de Miguel pede justiça no caso da criança

» O bebê foi levado para o Hospital Anchieta, em Taguatinga, apresentando quadro de convulsões. No local, os médicos identificaram um

traumatismo craniano. » O pequeno Miguel, primeiro e único neto da família, não suportou e morreu às 8h do último sábado, após sofrer uma parada cardíaca. » Um laudo preliminar apontou que a lesão na vítima foi causada por uma ação contundente, o que indica que o garoto teria sofrido uma agressão externa.

Equipe médica fez alerta A suspeita de que o namorado poderia ter sido o assassino da criança foi levantada pela própria avó, após conversa com as enfermeiras e médicos que cuidavam de Miguel. “Uma médica chegou e perguntou para minha filha e para mim quem costumava limpar as necessidades da criança. Respondemos que só a mãe, e foi então que ela revelou que havia uma fissura anal”, contou a avó. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve ficar pronto em até 15 dias e comprovar se houve abuso sexual. Naquele momento, Márcia foi até a sala de espera e falou abertamente com todos da família que estavam rezando para o menino. “O

Não imaginávamos que ele poderia ter causado isso. Nem um animal faz isso”. Márcia Batista, avó de Miguel

Dyrell começou a se entregar quando ele chegou para a minha filha e disse que eu falei aquilo tudo olhando para ele. E minha filha sequer tinha perguntado alguma coisa. Eu sabia que algo de errado estava acontecendo, pois a polícia tinha me dito que a pancada foi tão forte

que só se o bebê caísse de uma altura de três metros para mais”, diz. Ainda assim, Dyrell passou a noite com a sogra e a namorada prestando apoio. “Os médicos acharam melhor nós comunicarmos a polícia, que foi até o local em 20 minutos. Prestamos depoimento, e no dia seguinte ninguém mais teve notícia do Dyrell”, diz a avó. A reportagem tentou contato com a mãe do rapaz, que é dona de uma academia na QND 14, em Taguatinga, onde Dyrell dava aulas. Uma funcionária disse que ela não se encontrava. Um professor da academia disse que Dyrell era um homem simpático e que nunca apresentou comportamento agressivo.


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JORNAL DE BRASÍLIA

Cidades.

Brasília, quinta-feira, 3 de abril de 2014

INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA

Última cartada quando ainda há esperança Número de pedidos na Defensoria Pública cresceu 58%. No DF, medida precisa do aval de juiz FOTOS: RAFAELA FELICCIANO

Renan Bortoletto renan.bortoletto@jornaldebrasilia.com.br

Você internaria um familiar envolvido com drogas contra a vontade dele? A medida divide opiniões de especialistas e da população. Enquanto a questão é discutida com cautela por parte do Estado, no Distrito Federal, muitas famílias enxergam nesta medida a possibilidade de transformar vidas. Dados da Defensoria Pública do Distrito Federal revelaram que o número de pedidos de internação compulsória – contra a vontade do paciente – aumentou 58% no ano passado em relação a 2012. De janeiro a dezembro de 2012, a instituição recebeu 974 pedidos para que dependentes químicos fossem submetidos a tratamentos de recuperação. Já no mesmo período do ano seguinte, o órgão contabilizou 1.548 pedidos de internação compulsória. Entre os contabilizados em 2012, 93 se tornaram ações com o mérito julgado por um juiz de Direito, enquanto que no ano passado o número foi reduzido para 60. A Defensoria Pública não informou, no entanto, quantos casos foram deferidos com a decisão do magistrado. TENTATIVA A alta dos números traz à tona um embate polêmico principalmente quando os envolvidos são menores. Na maioria dos casos, os pais veem a internação compulsória como a última cartada para tentar tirar seus filhos do mundo do crime e do tráfico de drogas. O tema ganhou destaque nas páginas do Jornal de Brasília com o caso da garota Marília (nome fictício), de 13 anos, que se envolveu com o crime e as drogas aos 12 anos. No ano passado, o caso do jovem Tiago – hoje com 26 anos – ganhou destaque nacional. Viciado em

drogas desde os 14, os pais tiveram de acorrentá-lo em sua N Ú M E ROS

974

foi a quantidade de pedidos de internação em 2012

Tiago já não fica mais preso a correntes, mas ainda luta para se livrar do vício

Nossas forças quase chegaram a se esgotar, mas um pai e uma mãe não deixam um filho por pior que seja o problema.”

luta dos pais ainda é diária.

com passagens em cinco clínicas de reabilitação no DF, Goiás e Minas Gerais e também pelo extinto Caje – ele fugiu de todas as unidades –, a

DIFERENÇA Em casa, ele recebeu o JBr. com uma aparência bem melhor do que há um ano. Mais gordo e com menos sinais no corpo provocados pelas drogas, Tiago ainda tem recaídas, mas a família já consegue ver uma evolução. A corrente, que antes servia para mantê-lo em casa, hoje está jogada em um quartinho de ferramentas. “Quem o viu há um ano e vê agora nota a diferença. Ainda há muito o que melhorar e a recuperação não para. Nós nunca desistimos dele, as nossas forças quase chegaram a se esgotar, mas um pai e uma mãe não deixam um filho por pior que seja o problema”, confessou a mãe.

1.548

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Mãe de Tiago, usuário de crack

cama a pedido do próprio filho para conter a fissura do crack. Um ano após ser internado

pedidos foram recebidos pela Defensoria em 2013

pedidos se tornaram ações com o mérito julgado no ano passado

MEMÓRIA » O Jornal de Brasília contou a história de Tiago em 22 de fevereiro de 2013. Sem o auxílio do Poder Judiciário para uma internação compulsória, o rapaz pedia ao pai para que acorrentasse os pés com cadeados. O objetivo era evitar a recaída de sair em busca da droga. Depois de várias tentativas, ele finalmente conseguiu vaga em uma clínica particular de Anápolis (GO). “Achei que conseguia me livrar do crack sozinho, mas não posso”, admitiu na época.

Trabalho para “ocupar a cabeça” Há dois meses, Tiago passou a trabalhar com o pai na instalação de ar-condicionado e fazendo bicos com equipamentos de automação. “Ocupar a cabeça dele com o trabalho é o que tem funcionado. Se eu pudesse ficar com ele as 24 horas do dia, não passaríamos por esse problema”, afirma o pai. Mesmo com o apoio familiar, Tiago ainda tem dificuldades para controlar o vício. Há alguns dias, ele recebeu R$ 200 de pagamento do pai e se embrenhou pelas ruas. “Tomei duas cervejas e aí não aguentei. Fui atrás do crack”, relata. Ele conta que só consegue fazer o uso do crack se ingerir antes rohypnol – remédio usado para causar sonolência e vendido sob prescrição médica. “Ele potencializa os efeitos, mas dura pouco tempo e é aí que tomo uma nova dose”, diz.


Cidades.

Brasília, quarta-feira, 2 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

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FOTOS: MATHEUS OLIVEIRA

EXPRESSO DF

Hora de testar eficiência Ônibus vão circular em corredores exclusivos pela Estrada Parque Indústria e Abastecimento

Sistema de ônibus será posto à prova hoje, do Terminal do Gama rumo à Rodoviária do Plano Piloto Eric Zambon eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

O Expresso DF inicia sua fase de testes hoje e a população pode experimentar os veículos Leves sobre Pneus (VLPs), que saem do Terminal do Gama, pouco antes da entrada da cidade, até a Rodoviária do Plano Piloto. A linha de Santa Maria ainda não foi concluída, mas deve ser ativada no próximo mês. A obra é uma tentativa de agilizar o percurso dos passageiros que saem dessa região rumo ao Plano Piloto. A expectativa do governo é que o tempo de viagem não ultrapasse 40 minutos. Nessa fase inicial, apenas uma das paradas ao longo da Epia está aberta, a Granja do Ipê, próxima ao Country Club de Brasília.

Alguns potenciais usuários aprovam a medida e acreditam em uma eventual melhora do sistema de transporte público, mas apontam alguns problemas já evidentes. O Terminal do Gama, por exemplo, fica

O problema maior é para quem precisa pegar ônibus depois das 21h. Alguns ônibus ficam mais modernos, mas o serviço não avança”.

José Sérgio, aposentad

dizaí

afastado. “A pessoa vai ter que pegar um ônibus para chegar lá”, aponta a farmacêutica Edna Alves, 26 anos. Ela mora em Luziânia (GO), mas viveu por muito tempo no Gama e faz planos para voltar. “Quando eu era daqui, sempre vi que tinha mais gente do que ônibus”, critica. ALTERNATIVAS Para Edna, além do Expresso DF, deveria haver mais opções de vans e micro-ônibus para a região. “Ontem mesmo gastei mais de duas horas para ir da Rodoviária ao Gama. Tinha que ter mais uma faixa de carro também, especialmente no trecho do Balão do Periquito, nos dois sentidos”, sugere. A agilidade do transporte será testada por volta das 12h, na estação do Gama. Procurado pela reportagem do Jornal de Brasília, o secretário de Transportes, José Walter Vazquez, não foi encontrado até o fechamento desta edição para tirar dúvidas ou comentar os questionamentos da população.

Quais suas expectativas sobre o Expresso DF?

Veículos são diferentes dos ônibus convencionais do DF

PASSAGEM GRATUITA » Durante o primeiro mês, o Expresso DF será gratuito a todos os cidadãos. É a chamada fase de testes, que se inicia hoje com viagens apenas das 12h às 14h. » Cada ônibus será adaptado a deficientes e comportará quase 150 pessoas. Eles estão equipados com ar-

condicionado e suspensão especial para nivelar o transporte com a parada. » Estima-se que serão 20 mil passageiros atendidos em horários de pico e 200 mil beneficiados por dia, após o início das operações completas. Ainda não foi divulgado um cronograma de obras definitivo.

Passageiro aguarda melhorias O aposentado José Sérgio Farias Cardoso, 66 anos, espera poder se beneficiar do Expresso DF, tanto da etapa que inicia hoje quanto do ainda inacabado terminal de Santa Maria. Morador da capital desde 1971, ele viveu no Gama por muitos anos antes de se mudar para Santa Maria, em 2010. Mesmo assim, vive transitando entre as cidades e é

Felipe Gustavo Santos, 22 anos, estudante

categórico ao avaliar o transporte. “No horário de pico, o transporte de Santa Maria é eficiente, assim como o do Gama. O problema maior é para quem precisa pegar ônibus depois das 21h”, avalia. “Desde que vim para cá, nunca houve melhora real no sistema de transporte. Alguns ônibus ficam mais modernos, mas o serviço não avança tanto”.

Para o aposentado, o Expresso DF, caso cumpra o prometido, “resolverá 70% dos problemas”, mas ele também se preocupa com um detalhe: “Existe uma dificuldade de locomoção até o terminal”, disse, referindo-se tanto ao Gama quanto a Santa Maria. “Vai ter congestionamento para chegar lá, isso me deixa um pouco desconfiado”, diz.

Rafael Ramos, 19 anos, estudante

Victor Hugo Severino, 25 anos, estudante

Eupídea Vieira, 50 anos, telefonista

Vai funcionar bem nos horários de pico, mas quem mora longe dos terminais terá problemas.

A curto prazo será ótimo, mas poderiam aproveitar e investir em um metrô para o Gama e Santa Maria.

Será bom, pois cada VLP tem muitos assentos e isso ajuda a reduzir o número de gente em outras linhas.

A linha convencional está cada vez pior, então é obrigatório que o Expresso DF melhore alguma coisa.


Cidades. RIO DESCOBERTO

Quatro dias de buscas ao pastor Almir de Carvalho foi levado pela correnteza no último sábado Eric Zambon eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

O pastor Almir Marques de Carvalho, 52 anos, segue desaparecido após ter sido levado por correnteza no Rio Descoberto, próximo a Águas Lindas (GO), na Região Metropolitana do DF, na tarde do último sábado. Ele é pastor da Igreja Evangélica Poço de Água Viva, cuja sede está em Ceilândia, e verificava as condições do rio para fazer um batismo no local. Conforme noticiou o JBr., o Corpo de Bombeiros do DF, acionado para buscar o homem, afirmou que as condições não eram seguras, ainda mais para alguém sem habilidades de natação, como era o caso de Almir. “Podemos dizer que é irresponsabilidade”, disse um dos homens responsáveis pela busca. De

acordo com a corporação, novas tentativas de encontrá-lo foram feitas ontem, sem sucesso. “As buscas ao pastor Almir

continuam e estão sendo coordenadas por militares do Comando Operacional”, limitou-ser a informar a corporação, que encerrou as atividades no período da noite. CHAMADO Hoje, por volta das 8h, a equipe de salvamento deve voltar à ativa. O irmão da vítima, pastor Edvaldo, disse que Almir “sabia o que estava fazendo” e creditou o incidente a um chamado divino. GUSTAVO MACEDO/TV CMN

Almir se afogou enquanto verificava condições do rio

Brasília, terça-feira, 8 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

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PROCEDIMENTO COMUM » De acordo com seguidores da Igreja Poço de Água Viva, batismos na região do incidente são comuns. A vítima do acidente já teria realizado o procedimento ali em várias outras ocasiões.

» A correnteza forte é um dos fatores de dificuldade para o trabalho dos bombeiros. É procedimento de segurança habitual não fazer buscas no período noturno, por isso a ação é sempre retomada de manhã.


Política&Poder. Brasília, terça-feira, 1 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

REVOADA

Chegou a hora de enfrentar as urnas Secretários e administradores que concorrerão às eleições deste ano começam a deixar os cargos e preparar suas campanhas suzano.almeida@jornaldebrasilia.com.br

Com a proximidade do prazo limite de descompatibilização eleitoral, as baixas no quadro de secretários do Governo do Distrito Federal já começaram. Quem deseja disputar as eleições deste ano e ocupa cargo no Executivo tem até sexta-feira para deixá-lo, mas muita gente já está se despedindo. Ontem, foram publicadas no Diário Oficial do DF as exonerações dos secretários de Justiça, Alírio Neto, e de Desenvolvimento da Região Metropolitana, Eurípedes Júnior. Presidentes regional do PEN e nacional do Pros, respectivamente, eles trabalharão na articulação de suas chapas. OS PLANOS Alírio reassume a cadeira de deputado distrital, que por mais de três anos — período em que ele esteve a frente da Secretaria de Justiça — foi ocupada pela suplente Luzia

saiba mais » A descompatibilização para ministros, secretários de Estado e órgãos ligados ao Executivo é de até seis meses antes da eleições - este ano, 5 de abril. » Em relação a dirigentes da OAB e de sindicatos, que também precisam deixar os postos, o afastamento das funções deve ocorrer quatro meses antes - 5 de junho. » Servidores públicos que queiram participar do pleito devem tirar licença até três meses antes das eleições.

de Paula.

D e a c o rd o c o m o a g o ra ex-secretário, o seu objetivo é aproveitar os meses que lhe restam para desenvolver projetos na Câmara Legislativa, organizar seu partido e a candidatura a deputado federal. “Acredito na renovação e por isso subi, de distrital para federal, para dar oportunidades outros bons nomes que temos em nosso partido. Temos pessoas de muita qualidade que me impressionam no discurso e no debate político, por isso acredito que poderemos fazer entre dois e quatro distritais”, afirma.

O afastamento de Alírio também servirá para articular com a Executiva Nacional do PEN sua permanência na chapa PT-PMDB, que terá como candidato a governador Agnelo Queiroz, à procura da reeleição. Presidente nacional do Pros, Eurípedes Júnior quer conhecer a realidade de cada um dos estados, para só então definir como a legenda recém-criada irá se portar. “Somente depois que eu tiver visto cada um devo voltar para cuidar da minha candidatura”, afirma. Ele deverá ser candidato a deputado federal pelo estado de Goiás.

Ainda aguardo uma posição da Executiva sobre quem ela vai apoiar nacionalmente, mas tudo indica que permaneceremos com o governo do DF, como nos últimos três anos. Alírio Neto, ex-secretário de Justiça do governo Agnelo

Saída no apagar das luzes De outro lado, há quem vá esperar o apagar das luzes para só então deixar suas pastas, como é o caso da secretária da Mulher, Olgamir Amância (PCdoB), que pretende lançar o 1° Plano Distrital de Políticas para as Mulheres, uma aposta eleitoral antes de sair. Ela anunciou que só deixa o cargo na sexta-feira. “O governador já assinou o decreto que institui o plano, mas queremos fazer a entrega política do documento que norteará as políticas deste ano e de 2015. Ainda aguardo a volta dele, para só então fazermos esse lançamento”, afirma Olgamir. Sandro Avelar, secretário de Segurança Pública, também deixará a

sua saída para a última hora. O secretário irá ficar no cargo até o fim da semana para, assim que deixar a pasta, dedicar-se à candidatura a deputado federal. Na Secretaria de Habitação a expectativa é que Geraldo Magela, pré-candidato ao Senado pelo PT, deixe a pasta amanhã, mas ainda não há certeza, de acordo com a sua assessoria. Candidato ao Buriti contra o governador Agnelo Queiroz, em 2010, Newton Lins (PSL), secretário de Assuntos Estratégicos do GDF, ainda não decidiu nem sobre a sua saída e nem qual cargo disputará. Provavelmente concorrerá a deputado federal.

RAPHAEL RIBEIRO

Suzano Almeida

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JORNAL DE BRASÍLIA

Brasília, sexta-feira, 4 de abril de 2014

Cidades. FOTOS: RAPHAEL RIBEIRO

CHUVAS

Prejuízos em vários pontos da capital No Gama, teto do Mercado Leste desabou. No Setor Sol Nascente, casas foram ao chão MATHEUS OLIVEIRA

Júlia Carneiro e Ludmila Rocha redacao@jornaldebrasilia.com.br

As chuvas dos primeiros dias de abril causaram transtornos pelo Distrito Federal. Ruas alagadas e desabamentos são alguns exemplos. E vem mais chuva por aí. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo só deve abrir no domingo. Segundo o Climatempo, em março, choveu 69% a mais do que o esperado. Após uma semana de chuvas intensas, o teto e a marquise do Mercado Leste, na Área Especial 1 do Gama, não resistiram e desabaram por volta das 4h45 de ontem. Famílias moram no segundo andar do prédio, mas ninguém ficou ferido. A construção tem cerca de 50 anos e é mais antiga do que o próprio Gama. De acordo com os bombeiros, a falta de um reforço na laje após tantos anos e instalações indevidas de ar-condicionado podem ter afetado a estrutura e ajudado a ocasionar o desabamento. INTERDIÇÃO Homens do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil estiveram no local, auxiliados por um caminhão equipado com um guindaste. Eles isolaram a área e vistoriaram o interior do prédio. A reabertura das lojas só deve ser autorizada após a conclusão de um laudo sobre as condições estruturais do espaço, que deve sair nos próximos dias. Segundo os agentes, uma drogaria, na esquina do centro comercial, parece ter sido uma das mais afetadas. A parede

da frente da loja está condenada e pode ceder a qualquer momento.

Mercado foi interditado após problemas na marquise e no teto

Vi que as marquises estavam desabando em sequência, como em efeito dominó”. Arnaldo César, açougueiro

Arnaldo César do Santos, 34 anos, é funcionário de um açougue atingido. Ele divide um apartamento no segundo andar com um amigo e estava em casa na hora do desabamento. “Ouvi um estrondo e achei que estavam tentando assaltar uma das lojas. Quando olhei pe-

la janela, vi que as marquises estavam desabando em sequência, como em efeito dominó. Foi só o tempo de chamar meu colega e descermos. A escada quase não dava para passar pelos escombros, mas conseguimos sair”, conta. Rodrigo Soares Oliveira, 20 anos, é açougueiro na mesma loja e também mora no prédio. “Dormi fora de casa, e quando cheguei pela manhã levei o maior susto. Estou esperando a liberação da perícia para buscar umas coisas”. Alzina Nunes, moradora de uma casa em frente ao supermercado, também pensou em assalto quando ouviu o barulho. “Estou assustada até agora”, contou.

N Ú M E ROS

189 mm

é a média história de chuvas no mês de março no DF

319 mm

foi a quantidade de chuvas registrada em março deste ano

27 ºC

é a temperatura máxima prevista para hoje

Possível causa: falta de manutenção O coronel Sérgio Bezerra, subsecretário de Operações da Defesa Civil, disse que, ao que tudo indica, o desabamento foi causado por sobrepeso e falta de manutenção. “Instalações indevidas de aparelhos de ar-condicionado podem ter contribuído”, explicou. Por volta das 10h30, proprietários das lojas foram autorizados a entrar rapidamente nos estabelecimentos para retirar mercadorias. “Não será necessário cortar a energia, mas ainda há risco de desabamento. Com a chuva, a situação piora, por isso a retirada do material precisa ser rápida”, advertiu. Vando Batista, 53 anos, é dono de uma joalheria em funcionamento no mercado há mais de 30 anos. Ele foi avisado pelos vizinhos sobre o incidente. “Agora é aguardar a avaliação da Defesa Civil para contabilizar os prejuízos e saber quando poderemos voltar ao trabalho. Faz muito tempo que não tem manutenção ou reforma aqui”, diz. O síndico do edifício, Osmo Roberto, confirmou que não ocorrem reformas ou manutenção no prédio há muito tempo, mas disse que não havia sinais de problemas. “Apesar de o prédio ser antigo, não apresentava rachaduras ou qualquer sinal de que a estrutura estivesse prejudicada. Acredito que as fortes chuvas dos últimos dias ajudaram”. Só por volta do meio-dia, o prédio de trás, que não foi afetado, foi liberado para funcionamento.


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Brasília, segunda-feira, 7 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

RIO DESCOBERTO

É só chegar e se arriscar Bombeiros não são informados previamente sobre eventos onde pastor foi arrastado pela água FOTOS: ELIO RIZZO

MEMÓRIA

Carla Rodrigues carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

“Se a pessoa sabe nadar e vem mergulhar aqui, a chamaríamos de corajosa. Não sabendo nadar e se arriscando na correnteza deste local, podemos dizer que é irresponsabilidade”. A afirmação é de um bombeiro. Ele se refere ao acidente no qual 33 homens estão mobilizados, além de cães farejadores, na Barragem do Rio Descoberto, próximo a Águas Lindas (GO). O local é muito procurado para a realização de batismos, assim como o que estava prestes a ocorrer quando o pastor Almir Marques de Carvalho, 52 anos, foi arrastado pela correnteza. O segundo dia de buscas pela vítima se encerrou às 17h. Segundo os bombeiros, as chances de encontrá-la com vida são mínimas. Os trabalhos serão retomados hoje. Fiéis da igreja Poço de Água Viva, de Ceilândia, contam que os batismos eram feitos no local sempre no primeiro sábado de cada mês. “Hoje (ontem) mesmo, outras pessoas estavam aqui para outro batismo”, disse uma moradora da região. No início da Barragem, assim que chegam, os visitantes são alertados por placas sobre o perigo das correntezas: “Área com risco de afogamento”. Mesmo assim, é comum ver pessoas nadando no local. TRAGÉDIA “Meu irmão era um servo do Senhor. Ele estava acostumado a fazer batismos aqui. Só podemos crer que foi um chamado de Deus. Porque ele sabia o que estava fazendo”, disse o irmão da vítima, pastor Edivaldo. Muito abalado, ele era consolado por amigos da família. “Jesus volta a qualquer momento. E ele fazia essa obra de Deus com amor”, afirmou. Chama a atenção o fato de que os bombeiros afirmam não serem avisados sobre os rituais no local.

“Não fazíamos ideia de que esse tipo de coisa era feita aqui. Normalmente, isso é feito em piscinas e não em locais como esse, que, claramente,

» Em abril de 2012, um jovem de 23 anos morreu afogado no Rio Descoberto, próximo de Ceilândia. Carlos Augusto Oliveira teria mergulhado e não emergiu. Os colegas perceberam o afogamento e acionaram os bombeiros, mas já era tarde demais. » No mesmo mês, Ariston Dourado também se afogou no rio. As pessoas que estavam por perto na hora do acidente disseram à polícia que ele havia ingerido bebidas alcoólicas antes de entrar na água. Correnteza é forte no local do acidente. Mesmo assim, banhistas se aventuram

saiba mais » O Rio Descoberto nasce dos córregos do Barracão e Capão da Onça, em Brazlândia. Divide o Distrito Federal do estado de Goiás pelo lado oeste. O rio é represado formando o Lago Descoberto, que é responsável por aproximadamente 60% da água utilizada para abastecimento do DF.

não é seguro”, salientou a corporação. O controle na área, contudo, não existe. Enquanto as equipes faziam as buscas, vários visitantes entravam e saíam da água. Segundo familiares, a intenção do pastor ao entrar no rio era saber se o local estava apropriado para o ritual, pois muitos fiéis, além dele, não sabem nadar. “Meu marido era uma pessoa boa, que gostava de ajudar a todos. Ninguém vai poder dizer que ele não tinha boas intenções”, desabafou a mulher de Almir, Claudia das Mercês.

Mergulhadores do DF foram mobilizados para o caso

» Em 2010, Wilson Barbosa Ramos, 29 anos, foi levado pela correnteza do rio. Ele e um grupo de amigos estacionaram o carro na BR-070, por volta das 3h da madrugada, com a intenção de nadar no local. » Em dezembro de 2009, um jovem de 20 anos morreu afogado na Barragem do Rio Descoberto, em Águas Lindas. Rodrigo Altino do Nascimento foi socorrido por oficiais do Corpo de Bombeiros que faziam serviço de prevenção no local. No entanto, o jovem já foi resgatado sem vida.

Ele estava acostumado a fazer batismos aqui. Só podemos crer que foi um chamado de Deus. Porque ele sabia o que estava fazendo. Pastor Edivaldo, irmão da vítima

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Brasília, terça-feira, 8 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

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BRASÍLIA, 54 ANOS

Duas semanas de festa Artistas locais e convidados se apresentarão em 11 locais diferentes Júlia Carneiro julia.carneiro@jornaldebrasilia.com.br

Cultura e diversão para todos os gostos em uma festa de duas semanas. Essa é a proposta da comemoração dos 54 anos de Brasília. A “capital de todas as artes”, como indica o tema deste ano, pretende incentivar o crescimento da cultura local por meio da contratação de mais de 130 artistas da cidade. O custo para a festa será de R$ 12,6 milhões e haverá 11 locais diferentes para os eventos, que começam na próxima sexta-feira e vão até 26 deste mês. Haverá sete atrações convidadas, entre elas o cantor Thiaguinho e a dupla Humberto e Ronaldo, ambos no domingo; e na segunda-feira, Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi. Haverá também ampla

Programação completa Palco Instrumental

Palco MPB e Samba

Parque da Cidade Sábado (19) e domingo (20) » Das 16h às 20h

Torre de TV Sábado (19) e domingo (20) » Das 12h às 18h

Arena Eletrônica

Feira de Vinil, Mostra Candanga e DJs Espaço Dança e Teatro Complexo Cultural Funarte, sempre das 21h às 23h Terça (22) – Teatro Quarta (23) – Dança Quinta (24) – Teatro Sexta (25) – Dança Sábado (26) – Teatro

Asa Norte

Cine Drive-In Domingo (20) » Das 18h às 06h

Palco Principal Esplanada dos Ministérios Domingo (20) » Das 20h às 2h Atrações principais: Thiaguinho e a dupla Humberto e Ronaldo Segunda (21) » Das 17h30 às 0h

Atrações: DJs

Palco Gospel Estacionamento nto do Ginásio Nilson on Nelson n » Segunda (21) 21) » Das 16h às 23h50

Atrações principais: Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi

Atrações nacionais: ionais: Damares e Thales hales Roberto

participação de artistas da cidade. No total, 132 grupos de Brasília participarão da festa. Os estilos musicais vão desde o axé ao rock, passando por batalhas de rima em espaço montado para o Hip Hop no Conic e atrações do mundo gospel ao lado do Ginásio Nilson Nelson. “Vamos oferecer uma cesta de ofertas musicais que passa pelas diferentes linguagens que o Brasil cultiva, traz para Brasília e a gente acolhe. Brasília não é apenas destinatária da oferta cultural, ela produz cultura e oferece para a sociedade”, comenta o secretário de Cultura, Hamilton Pereira. DITADURA MILITAR A comemoração iniciará com a retomada do Bienal Brasil do Livro e da Leitura. A segunda edição do evento terá seminários, debates, palestras, lançamentos e mostra de cinema e uma lista de 128 escritores nacionais e internacionais. A programação dará uma atenção especial aos 50 anos do golpe da ditadura militar no Brasil com relatos de artistas que utilizaram da arte para lutar contra a repressão. “Estamos chamando grupos musicais que foram importantes figuras no mundo artístico naquele período em que a gente passou pelo golpe militar”, explica a subsecretária da Política do Livro e Leitura, responsável pela Bienal, Ivanna Sant’Ana.

Asa Sul

II Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Espaço Audiovisual Palco Brasília Capital de Todos os Ritmos Ao lado da Biblioteca Nacional Domingo (20) – Rock e Blues » Das 18h às 2h » Segunda (21) – Forró, axé e sertanejo Das 15h30 à 0h Atrações: bandas locais

Cine Brasília De 14 a 18 de abril Mostra de cinema: 50 anos do Golpe » 19 de abril, das 12h às 23h

Palco Hip Hop Conic Domingo (20) » Das 14h às 22h30 Atração principal: Gerson King Combo

Arena Infantil Ao lado do Museu Nacional e da II Bienal do Livro » Domingo (20) e segunda (21) » Palco Circo e Palco Picadeiro, das 10h às 17h

Abertura: Dia 11 de abril, Museu Nacional, às 20h Esplanada dos Ministérios, ao lado da Rodoviária » De 12 a 21 de abril » Das 9h às 22h Shows a partir das 22h Principais shows: Carlos Lyra (12), MPB-4 (13), Ivan Lins (14), Quinteto Violado e Canta Vandré (15), Liga Tripa, Renato Matos e Beirão (16), Plebe Rude e Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (17) e Quarteto em CY (18) Homenageados: Ariano Suassuna e Eduardo Galeano INFOJBR/BAGGI

N Ú M E ROS

12 milhões de reais é o custo estimado da festividade

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seguranças privados foram contratados

Segurança e transporte A Secretaria de Segurança ainda está programando o efetivo para cobrir os eventos comemorativos. Porém, a Secretaria de Cultura já contratou 285 seguranças privados e 105 brigadistas. O metrô e os ônibus trabalharão com um efetivo ampliado para

atender o público, principalmente, de madrugada. No domingo de Páscoa o metrô funcionará até meia-noite, a partir da estação central, e até 22h para o embarque em outras estações. Na segunda-feira, o horário na estação central será estendido até 1h e nos outros locais,

até meia-noite. REFORÇO Também haverá reforço de ônibus da Rodoviária do Plano Piloto. O corujão, que já foi utilizado no Carnaval, terá veículos saindo da Rodoviária a cada 30 minutos.


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Brasília, quarta-feira, 9 de abril de 2014

JORNAL DE BRASÍLIA

FOTOS: RAPHAEL RIBEIRO

SANTA MARIA

Pediatria tem, só falta o pediatra

Gabriela esperava para ser atendida por mais de uma hora no Hospital do Gama

Médicos do hospital regional da cidade foram transferidos para a unidade do Gama, sem aviso prévio Júlia Carneiro julia.carneiro@jornaldebrasilia.com.br

Quadros infantis nas paredes, uma placa bem divertida e colorida na porta do médico e o título na fachada do hospital: pediatria. Só faltou o pediatra. Os familiares que foram acompanhar as crianças no Hospital Regional de Santa Maria na manhã de ontem tiveram que ser redirecionados para o Hospital Regional do Gama, para onde os médicos foram transferidos. A Secretaria de Saúde informa que a mudança é definitiva.

Quando indagada sobre o fechamento da pediatria de Santa Maria, a Secretaria de Saúde informou que a transferência só aconteceria no final da semana, após a publicação no Diário Oficial. Depois, confirmou que o atendimento teria sido encerrado às 13h de ontem, mas a reportagem do JBr. verificou que os pacientes já estavam sendo recusados antes disso.

SEM INFORMAÇÃO “Que triste, não tem pediatria”, lamentou Cleriane Pereira, com o filho no colo. “Falaram que tiraram daqui e não estão atendendo. Agora, só no Gama”. Ela tinha decidido levar o filho para o Hospital de Santa Maria pela primeira vez. Luiz Henrique, 3 anos, está com infecção na garganta e febre. “Geralmente eu vou ao Gama, mas lá está sempre cheio. Achei que aqui fosse melhor. Só fiquei sabendo que estava fechando depois de entrar”, conta a mãe, que teve de levar o filho até a outra região administrativa para ser atendido. Mas a situação no Gama não era

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N Ú M E ROS

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pediatras constam no quadro do Hospital do Gama

das melhores. Próximo do horário do almoço, Gabriela, 5 anos, esperava havia mais de uma hora para ser atendida no hospital regional da cidade. Os pais também tinham tentado levá-la ao Hospital de Santa Maria antes de serem informados sobre a transferência. VERGONHA “Eles simplesmente falaram: fechou a pediatria. O funcionário público não é o culpado, e sim a administração do hospital. É uma vergonha um hospital grande e novo ficar fechado”, cobra o pai de Gabriela, Mario Claro Filho, 35 anos.

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transferidos do Hospital de Santa Maria completam o quadro

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temporários serão acrescidos, somando 31 pediatras Pacientes foram pegos de surpresa com a mudança

Até prioridade aguardava por várias horas

Mesmo as pessoas com pulseira laranja estão esperando há muito tempo. É uma vergonha Sérgio Silva, porteiro

Resultado da alteração: espera por atendimento durou horas

versãooficial Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, para resolver a carência de pediatras na região, resolveu lotar os médicos do corpo clínico do Hospital Regional de Santa Maria no Hospital Regional do Gama. “Visando o pleno funcionamento da unidade de pediatria daquele hospital, que atenderá os casos de urgência e emergência das duas Coordenações Gerais de Saúde”, explica. Além disso, a SES irá convocar nesta semana mais 12 médicos pediatras, com contratos temporários “para reforçar a estrutura pediátrica da rede pública, sendo que seis deles serão designados para o Hospital do Gama. A SES informa ainda que o atendimento do ambulatório da Regional de Santa Maria continuará nos dois centros de saúde local”, conclui.

O porteiro Sérgio Silva, 38 anos, garante que estava por volta das 10h no Hospital Regional de Santa Maria e a pediatria já estava fechada. A filha, que estava com dor de cabeça, febre e quadro sintomático de sinusite, recebeu uma pulseira verde, ou seja, não teria o atendimento prioritário. “Mesmo as pessoas com pulseira laranja estão esperando há muito tempo. Eu estou aqui há uma hora, e a mulher do meu lado, gestante, com um bebê de colo, chegou aqui às 2h e não conseguiu ser atendida, teve que voltar agora. É uma vergonha”, afirma. PUBLICAÇÃO A Secretaria de Saúde informa que a decisão será publicada no Diário Oficial até o final desta semana e que somente a pediatria do Hospital do Gama será suficiente para atender aos pacientes que antes se dividiam entre os dois hospitais próximos.


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Brasília, quarta-feira, 9 de abril de 2014

FOTOS: EDILSON RODRIGUES

ERROS MÉDICOS

FOTOS: REPRODUÇÃO

Em cinco anos, aumento de 200% Processos na Justiça e casos que levaram à morte preocuparam advogado, que fez levantamento Carla Rodrigues e Raphael Costa redacao@jornaldebrasilia.com.br

“Se eu não tivesse o levado para o hospital, meu filho estaria vivo. A cautela me traiu”. Há exatos dois anos e dois meses, Marcelo, filho mais novo do ex-deputado federal Flávio Dino, teve uma crise asmática. Atendido na emergência pediátrica do Hospital Santa Lúcia, às 5h45 da madrugada, a aplicação errada de um medicamento levou à morte o menino de apenas 13 anos. Desde então, as falhas dentro de clínicas e hospitais só se agravaram. Em cinco anos, aponta levantamento do advogado especialista em Direito Médico, Raul Canal, os processos envolvendo danos médicos aumentaram 225%. No ano passado, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) julgou 88 casos envolvendo erros médicos. Já em 2012, foram 76. O

índice aumentou 15% em apenas um ano. Cinco anos

atrás, em 2008, o número de processos não passou de 27. Os dados chamaram a atenção do advogado Raul Canal, que decidiu fazer um livro sobre o assunto. A publicação, lançada ontem em Brasília, faz uma

análise profunda sobre o preocupante tema “erro médico”. Para o advogado, o aumento no número de erros médicos deve-se aos seguintes fatores: ensino médico de péssima qualidade, falta de treinamento, falta de investimento do Estado, sobrejornadas de trabalho e ausência de carreira de estado. “Das 172 faculdades de medicina avaliadas pelo MEC em 2012, apenas 70 foram aprovadas. Além disso, os hospitais estão sem equipamento adequado, sem os fármacos necessários. Os médicos fazem dois ou três plantões consecutivos. Então, o estresse, o cansaço físico e mental e todos os demais fatores contribuem para o erro”, aponta. ERRO GROTESCO No caso da morte de Marcelo, conta Flávio Dino, o maior erro foi a médica estar há 24 horas dentro do hospital, com um detalhe: grávida de três meses. Depois da morte do filho, ele recorreu à Justiça. “Na verdade, fiz isso exatamente para que outras pessoas não passem pelo que passei. Um erro grotesco. O resultado disso, até agora, foi uma multa de R$ 10 mil ao hospital”, conta.

pens e niss o Já diz o ditado que é melhor prevenir do que remediar. Ainda mais quando se trata de vidas. Identificados os problemas que podem causar tantos erros médicos, o ideal seria que os corrigissem. Punir, somente, não vale. Vidas já se foram antes de a Justiça determinar o pagamento de indenização. É preciso fiscalizar as faculdades, os hospitais, os plantões e pensar numa maneira de avaliar, com frequência, os profissionais.

COMO RECLAMAR

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A melhor indicação é o paciente ou a família dele procurar primeiro o Conselho Regional de Medicina (CRM), que, ao contrário do que todos pensam, não é protecionista e nem "passa a mão na cabeça" dos médicos. O CRM instaura uma sindicância e, caso haja indícios, transforma em processo ético disciplinar, que pode FONTE: Raul Canal

até cassar o médico.

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Caso haja resultado positivo para o paciente na sindicância, que costuma ser rápida, ele já tem uma prova pré-constituída para instruir um processo indenizatório. A vantagem de procurar primeiro o CRM a é que é de graça e nem precisa de advogado. Melhor que se

aventurar judicialmente, que é caro e pode não dar em nada.

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Também pode procurar o Ministério Público, onde há uma promotoria especializada (Pro-vida) em erros médicos. Também é de graça.

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A Justiça seria o último passo a ser seguido pelo paciente.

Marcelo e Gabriela (à esquerda): erro resultou em morte. Terezinha ficou com sequelas

Principais queixas Óbito de criança internada, sem o diagnóstico, no prazo adequado, de miocardite (inflamação do miocárdio, a camada muscular grossa da parede do coração), à ausência dos exames Fratura de clavícula e consequente paralisia do braço do bebê, devido à pressão nas manobras do parto Infecção urinária provocada por fístula retovaginal não diagnosticada Encurtamento da perna, devido à fratura de cabeça de fêmur e acetábulo, não diagnosticada Amputação de dedo, devido ao não tratamento no prazo adequado

Quadro infeccioso anêmico e cicatrizes decorrentes de histerectomia e anexetomia bilateral Óbito do feto gemelar, devido à equivocada opção do obstetra pelo parto normal Meningite erroneamente diagnosticada como escarlatina e tratada dessa forma, gerando danos pelo tratamento tardio Bloqueio atrioventricular durante ablação por radiofrequência para fechamento de via nodal, com instalação de marca-passo, sem consentimento do paciente Óbito de paciente com meningoencefalite herpética, devido à ausência de leito de UTI


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Brasília, quarta-feira, 9 de abril de 2014

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FOTOS: RAFAELA FELICCIANO

CEILÂNDIA

Sem ter onde parar

Motoristas não têm alternativa e gramado é tomado por carros

Problema na QNM 16 se arrasta há seis anos. Nem abaixo-assinado sensibilizou autoridades Júlia Carneiro julia.carneiro@jornaldebrasilia.com.br

Com média de um carro para cada duas pessoas no DF, a falta de estacionamento se torna um problema cada vez mais comum. Mas e quando a ausência de vagas deixa os moradores reféns dentro das suas próprias casas? Por esse motivo, a QNM 16 de Ceilândia pede socorro ao Estado. Os lojistas também reclamam da falta de espaço para os clientes. Para tentar reverter a situação, mais de cem pessoas se juntaram para reivindicar a construção de estacionamentos, mas há seis anos esperam resposta da administração regional. O morador Ronaldo Lopes Matias já cansou de ser impedido de sair da própria casa devido aos carros estacionados na frente do portão. Situação preocupante principalmente em casos de emergência. “Teve uma vez que meu pai, que é diabético, estava passando mal e havia um carro fechando a saída. Tive que procurar o dono do carro pelo comércio”, lembra. GRAMADO A dor de cabeça é diária, principalmente de quinta-feira a domingo, quando o comércio está mais movimentado. Além das entradas

Teve uma vez que meu pai, que é diabético, estava passando mal e havia um carro fechando a saída. Tive que procurar o dono no comércio.

das garagens e calçadas, os motoristas utilizam o gramado do canteiro central para estacionar. Preocupado com o bem-estar da vizinhança, Ronaldo começou um abaixo-assinado para exigir melhorias. Do outro lado da rua de onde Ronaldo mora trabalha Victor Hugo, um dos assinantes do pedido da construção do estacionamento. “Às

vezes, um carro vai fazer a manobra no meio da rua, para tentar estacionar em um lugar inventado, e acaba acontecendo um acident e” conta o comerc i a n te. Ele perdeu a conta de quantas situações de risco presenciou nas vias próximas à loja, em 15 anos de trabalho. Victor Hugo acredita que a clientela seria maior se houvesse mais vagas no local. “Muitos não querem deixar o carro no gramado para não correr o risco de levar multa”, diz. Os funcionários que vão trabalhar de carro também passam pela mesma dificuldade. O serralheiro Welton Barros Franco, 38, trabalha na região há sete anos e sempre enfrentou esse problema. “Muitas vezes eu tenho que deixar o carro na entrada da casa de algum morador que eu já conheço. Já tive vários problemas com fiscalização por estacionamento irregular”, afirma.

Ronaldo Lopes, criador do abaixo-assinado

saiba mais » Segundo dados do Departamento de Trânsito do DF, a capital tem mais de 1,5 milhão de carros. O número é ligeiramente maior do que o de condutores habilitados: 1,49 milhão. » A maior parte dos veículos do DF é composta por automóveis (72,6%), seguidos das motocicletas (11,2%) e das caminhonetes (5,9%). » Somente no ano passado, foram vendidos mais de 125 mil veículos zero-quilômetro na capital.

Projeto em estudo Segundo a assessoria de comunicação da Administração Regional de Ceilândia, o pedido foi protocolado apenas no início de março e já teria sido informado aos demandantes que algo será feito. “Se a necessidade for um estacionamento e puder ser feito, ele será feito. Antes de fazer, a administração precisa verificar o que fica mais viável. Isso já está sendo estudado”, alega o assessor do órgão, Rodrigo Almeida. A respeito de prazos, a administração só poderá estimar datas a partir da finalização do projeto, que deve ser entregue até o final deste mês. “A administração estuda um tipo de projeto para todos os espaços públicos que hoje estão vazios, que é o caso deste. Mas nem todos os es-

paços são de poder da administração. Além disso, se você faz uma pesquisa com a comunidade, você vai ter uma grande quantidade de pedidos distintos. Mas vai ser construído algum equipamento público naquele local”, ressalta. ESPAÇO FRACIONADO Enquanto isso, os comerciantes se viram como podem. Em frente a um salão de beleza luxuoso, o dono criou quatro vagas, mas tenta fazer caber até seis carros para não perder nenhum cliente. “As casas ao lado colocaram até estacas para evitar o estacionamento na frente. Na idade que a cidade tem, era para ter mais estrutura. Estamos largados”, diz o serralheiro Welton Barros.


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Cidades.

Brasília, quinta-feira, 10 de abril de 2014

CIDADE PARADA

Confusão nas vias e no transporte público FOTOS: MATHEUS OLIVEIRA

Manifestação parou o Pistão Sul. No metrô, quebra-quebra e correria

Consequência dos vagões lotados

Ludmila Rocha ludmila.ribeiro@jornaldebrasilia.com.br

Trânsito parado, manhã de caos. O brasiliense, mais uma vez, teve a mobilidade comprometida – e não apenas por um único motivo. Moradores de cidades como Taguatinga e Ceilândia se depararam ontem com duas confusões: uma no metrô, devido à greve dos servidores; e outra no Pistão Sul, por conta de um protesto de universitários. Ambos os episódios complicaram a rotina de milhares de pessoas. A Companhia do Metropolitano (Metrô-DF) alega que representantes do Sindmetrô-DF tentaram impedir que empregados que não aderiram à greve tivessem acesso aos postos de trabalho. A confusão provocou atraso de quase uma hora na liberação dos trens. Irritados

com a demora e a superlotação, passageiros acionaram o botão de emergência “soco” na estação Ceilândia Centro e quebraram vidros, cadeiras, lixeiras e extintores.

A Polícia Militar foi acionada para conter os manifestantes e cerca de 40 pessoas foram levadas à 15ª DP, em Taguatinga, para prestar escla-

Uma mulher come��ou a passar mal, avisamos os funcionários do metrô e eles não fizeram nada.

Estação de Ceilândia precisou ser fechada para reparos após o tumulto

recimentos. A estação precisou ser fechada para reparos e deve ser reaberta nesta manhã. A situação nas demais estações foi normalizada às 8h20, com 30% do efetivo em circulação novamente, como determina a Lei de Greve. Em Ceilândia, porém, a confusão se estendeu. Após a depredação da estação, passageiros fecharam a Avenida Hélio Prates, na altura da caixa d'água, nos dois sentidos. Cerca de 50 homens da PM, Batalhão de Trânsito e Detran-DF foram mobilizados. Eles ajudaram a controlar o trânsito, bloquearam as pistas com as viaturas e formaram um cordão de isolamento. Os passageiros mais exaltados, que lançaram pedras na direção dos militares e depredaram viaturas, foram contidos com bombas de gás lacrimogêneo e detidos.

Vidros quebrados foram parte dos estragos

Enquanto alguns usuários foram socorridos, outros foram detidos

O passageiro do metrô Antônio dos Santos Sobrinho, de 30 anos, disse que o problema começou quando uma passageira passou mal na estação Ceilândia Centro. “Saí de casa às 5h50, peguei o metrô na estação Terminal Ceilândia e quando chegou em Ceilândia Centro estava tão cheio que as portas não fechavam. Uma mulher começou a passar mal, avisamos os funcionários do metrô e eles não fizeram nada. Diante disso ficamos irritados, acionamos o botão de emergência e começou o quebra-quebra”, relata Antônio. A passageira foi atendida cerca de 40 minutos depois por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A mulher sofreu uma queda de pressão e sentiu tontura, mas foi liberada em seguida. PARADAS CHEIAS Por volta das 10h20 o protesto já havia acabado e o trânsito da região foi normalizado. As paradas de ônibus, porém, continuavam cheias de passageiros sem outra alternativa de transporte. “Sempre pego metrô, mas com os problemas dos últimos dias estou tendo que recorrer aos ônibus. Já estou esperando há uma hora na parada. Tive que ligar avisando que vou chegar atrasado no trabalho”, contou Abel Lisboa da Silva, de 50 anos, balconista. Jane Maria da Silva, de 32 anos, também enfrentou uma longa espera. “Saí de casa às 9h50 e até agora nada do meu ônibus. Já perdi o dentista em Taguatinga e agora tento ir para o Plano resolver assuntos pessoais”, disse.

SINDICATO X METRÔ-DF Antônio dos Santos, passageiro do metrô

» O Sindmetrô alega que uma diretora sindical que compareceu ao Centro de Controle para uma fiscalização foi agredida por seguranças privados e policiais, que apagaram as luzes da sala para

que não pudesse haver identificação, a agrediram e retiraram-na a força. » Já o órgão defende-se dizendo que a representante sindical invadiu a sala de acesso

restrito. “Ela tentou impedir que sete trens autorizados pela Justiça a circular fossem injetados à via às 6h. Após tentativas de diálogo, a manifestante foi retirada por policiais”.


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Cidades Cidades.

Brasília, sexta-feira, 11 de abril de 2014

307 SUL

Apelo por segurança Vizinho colocou faixa com o objetivo de chamar os moradores para reunião

Moradores da quadra se mobilizam após a ocorrência de crimes na região Carla Rodrigues carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Uma faixa denuncia o medo da criminalidade. Há um ano, a realidade era outra. De acordo com moradores da 307 Sul, a região agora se tornou um ponto de venda de drogas, que acaba atraindo assaltantes. “A situação chegou ao ápice mesmo. Está desagradável, nos deixa inseguros. Chegamos ao ponto de ter que chamar a atenção dessa forma”, desabafa o morador da quadra André Vieira da Cunha. Depois de várias situações de violência, conta André, “um outro morador decidiu colocar a faixa na entrada do local com os dizeres: “Em dez dias babás foram assaltadas no parquinho e o Bloco E foi invadido. Comunidade, vamos nos mobilizar?”. A ideia é organizar uma reunião para discutir a insegurança amanhã, às 10h, no parquinho da quadra. “A polícia vem eventualmente. Mas o negócio parece estar sem controle mesmo. As babás e em-

pregadas estão sendo assaltadas direto. A gente já não sabe mais a quem recorrer”, enfatiza ainda André, morador do Bloco E, prédio que recentemente foi arrombado. “Nossa sorte foi que o vigia viu a tempo de agir. Porque, senão, sabe lá Deus o que o bandido iria fazer”.

FOTOS: RAPHAEL RIBEIRO

O criador da faixa, Leandro Coelho, também morador do Bloco E, ressalta a necessidade de chegar a uma solução para o problema, que se agrava a cada dia. “Contratar uma vigilância comunitária, chamar atenção da população para ficar mais alerta... O que eu sei é que algo precisa ser feito”, diz.

Até o parquinho é palco de assaltos na quadra

A polícia vem eventualmente. Mas o negócio parece estar sem controle mesmo. A gente já não sabe mais a quem recorrer. André Vieira, morador

MEMÓRIA » No início do ano, um homem de 23 anos foi baleado duas vezes na barriga durante um assalto a um posto de combustíveis na 307 sul, local onde há outra filial da lanchonete. Outras dois comércios dividem o espaço da conveniência. Os criminosos roubaram R$ 280 da lanchonete, além de uma bolsa de um dos clientes com documentos, cartões e R$ 300. O caso foi registrado na 1ª DP (Asa Sul) como tentativa de latrocínio.

Prédio abandonado serve de abrigo para usuários de drogas

Assaltos preocupam vizinhança Enquanto esperam uma solução efetiva, os moradores e comerciantes relatam o que vem acontecendo no último mês. “Trabalho há 14 anos aqui. Nunca tinha acontecido nada. Há um mês, fui assaltada e agredida. O bandido me deu uma coronhada, dizendo que meu celular não era bom o bastante para ele”, conta a dona da banca de revistas da quadra Edileusa da Silva, 42 anos. De acordo com ela, a polícia chegou a ser chamada, porém, ninguém atendeu a ocorrência. “E isso acontece direto. A quantidade de roubos é tanta que nem eles estão dando conta dos chamados”, diz a comerciante, que mora no Bloco C. O vice-prefeito comunitário da quadra, Ricardo Williams, confirma que a violência vem aumentando. “Os usuários de crack estão tomando conta da quadra. É visível a quantidade de gente que usa droga por aqui. Acho que isso coopera para a ação dos bandidos”, analisa. Em frente à quadra, um prédio antigo da polícia está abandonado. Segundo os moradores, é lá que muitos usuários de drogas moram. “Tinham que dar um jeito. Não dá, simplesmente, para desativarem a unidade, e o prédio servir de abrigo para pessoas viciadas”, critica o morador André Cunha. Procurado, o 1º Batalhão da PM não retornou à reportagem.


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Brasília, sexta-feira, 11 de abril de 2014

CARRETA OFTALMOLÓGICA

Pânico, corre-corre e dúvida em Ceilândia FOTOS: KLÉBER LIMA

Administração concedeu licença, mas tenda não teria sido vistoriada Eric Zambon e Renan Bortoletto redacao@jornaldebrasilia.com.br

A tenda da Carreta da Oftalmologia, que desabou ontem em Ceilândia, não tinha toda a documentação exigida para estar ali. Apesar de a administração regional ter emitido licença eventual (nº 113/2014), que autorizou a instalação da estrutura por 14 dias na QNN 27, Área Especial D, não foram apresentados documentos que comprovem a realização de vistorias por parte da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Ambos os órgãos não confirmam se o procedimento, essencial e obrigatório, foi feito.

Cento e trinta e sete pessoas aguardavam consulta no instante do colapso e outras 136 esperavam cirurgia. Ao todo, 150 pacientes foram atendidos por equipes do Samu após o ocorrido. A tenda em questão foi montada pela Mega Show eventos, sob responsabilidade do Instituto de Olhos Fábio Vieira, empresa de Ribeirão Preto (SP), contratada para fazer os mutirões de cirurgia de catarata pelo programa do GDF. Ela presta o mesmo tipo de serviço em outras unidades da Federação e, segundo o secretário-adjunto de Saúde, Elias Fernando Miziara, usa uma estrutura semelhante que nunca havia dado problemas antes. “Uma tromba d'água foi a causa de a tenda cair. Na verdade, mais do que a água, foi o vento”, afirmou o

Samu e Corpo de Bombeiros foram acionados para socorrer os feridos

Uma tromba d'água foi a causa. Na verdade, mais do que a água, foi o vento”. Elias Miziara, secretário-adjunto de Saude chefe da pasta. Testemunhas do incidente confirmaram que as condições climáticas provavelmente fizeram a estrutura desabar. “Do total de socorridos, apenas

dez precisaram ser encaminhados ou ao Hospital de Ceilândia ou à UPA aqui ao lado”, informou a chefe de comunicação do Samu, Mirian Machado. “Como a maioria dos pacientes eram idosos, eles tiveram quadros de nervosismo agravados pela idade”, completou. FRATURA Segundo Mirian, apenas dois pacientes tiveram danos físicos consideráveis – um vendedor ambulante fraturou a tíbia e uma senhora sofreu entorse no tornozelo – enquanto um terceiro, uma idosa, foi atendida com quadro mais acentuado de hipertensão.

“Aquilo parecia que ia cair” Adefran Faustino, de 70 anos, aguardava sua cirurgia de catarata sentado quando um barulho o assustou. “Só vi quando empurraram todo mundo. Acho que fui o primeiro a sair. As pessoas gritavam”, relatou o idoso, que marcou a operação na última segunda-feira e esperava resolver o problema ontem. Ele se sentiu privilegiado por não

ter passado pela cirurgia antes do ocorrido. “Fico imaginando se não seria pior sair do procedimento e ter que correr ainda por cima”, disse. O aposentado Francisco das Chagas Pereira, de 62 anos, precisou sair debaixo da tenda, pois estava em um ponto que, posteriormente foi esmagado pelo teto. “Primeiro teve muito vento, depois veio

a chuva. Eu até cheguei a falar para umas pessoas que aquilo parecia que ia cair. Uns minutos depois, não deu outra”, contou o senhor. Ele esperava por uma consulta e revelou ter ficado assustado com a situação. “Foi uma coisa muito rápida, mas deu medo. Passa um filme pela cabeça e fico imaginando se eu não tivesse sido rápido”.

Exigências

No documento apresentado pela Administração de Ceilândia à reportagem, não consta o aval da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. De acordo com informações divulgadas no site da Defesa Civil, as vistorias devem ocorrer logo após a montagem de equipamentos e estruturas; é preciso ainda fazer inspeção nas áreas destinadas ao público; e deverá ser observado se o sistema de travamento de segurança do material utilizado para montagem das estruturas foi executado com material adequado.


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Brasília, sábado, 12 de abril de 2014

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FOTOS: RAPHAEL RIBEIRO

VIOLÊNCIA

Cada um se vira como pode para se proteger

Escolas de Taguatinga dizem que, após ofício ao Batalhão Escolar, rondas aumentaram

Cansados de esperar somente pelo estado, moradores do DF se mobilizam em busca de paz Carla Rodrigues carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Cansados de serem vítimas da violência, os moradores do Distrito Federal decidiram se mobilizar. A população vem buscando formas de chamar a atenção do poder público para o problema. Enquanto aguarda alguma solução efetiva, tenta mudar a realidade, convocando vontades para atuar em busca de um propósito comum: a paz. Para especialistas, ainda que tardias, as ações aproximam o cidadão das decisões e podem, sim, interferir no futuro.

“Finalmente, os moradores do DF acordaram. É uma grata surpresa que isso esteja acontecendo, mesmo que tardiamente, mas ainda dá tempo de mudar o cenário”, avalia o docente da Universidade Católica de Brasília (UCB), Nelson Gonçalves, especialista em violência, democracia e segurança cidadã. Em Taguatinga Sul, duas instituições privadas de ensino decidiram combater a violência que ron-

dava as escolas. Uma delas contratou agentes patrimonialistas para vigiar o lado de fora do colégio. A atitude foi tomada após vários assaltos nos arredores da unidade. RONDA NÃO INTIMIDA “Chegamos ao limite. Pais e alunos estavam reclamando. Foi preciso isso para que nos sentíssemos menos reféns da violência”, explica a assessora da escola, Gabrielle Garcia. O diretor da instituição, que preferiu não ter o nome revelado, conta, ainda, que reforçaram a iluminação do lado de fora, podaram árvores e enviaram um ofício ao Batalhão Escolar, pedindo auxílio. Em apenas duas semanas de trabalho, contam os agentes da escola, já deu para perceber que, realmente, o local é perigoso. “Mesmo com a nossa presença, os assaltantes não se intimidam. Por isso, já presenciamos roubos, ameaças. Até menores armados passam na frente da escola. É uma situação complicada, que precisa de apoio e reforço do poder público”, afirmam Francisco e João, parceiros de ronda do lado de fora da escola.

Escola em Taguatinga contratou agentes patrimonialistas após roubos

pontodevista “As mobilizações sociais são válidas, importantes e chamam a atenção do poder público para as demandas da sociedade. Por isso, é importante manter as atitudes e levar os problemas aos interessados”, avalia o especialista em segurança pública, Antônio Flávio Testa. Para ele, mais importante do que levantar bandeiras e fazer

barulho, é planejar os passos a serem dados. “Quando você se organiza, junta forças e leva a demanda adiante, mostra a seriedade e o compromisso com o que está sendo feito. Por isso, essas pequenas mobilizações são extremamente importantes. Elas mostram o poder de transformação dos cidadãos”, aponta.


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Brasília, domingo, 13 de abril de 2014

PORTE DE ARMA

Um jeito de tentar se proteger da violência Em um ano, foram liberadas 72 autorizações para defesa pessoal, no DF Ludmila Rocha ludmila.ribeiro@jornaldebrasilia.com.br

ARQUIVO PESSOAL

de fogo municiada em via pública – só é concedido mediante necessidade relacionada à atividade profissional de risco ou ameaça à integridade física. Além de enfrentar um processo lento e burocrático (pelo menos 30 dias de espera), o interessado em adquirir o porte precisa passar pelo crivo do delegado responsável pela análise. “Você pode preencher toda a documentação atestando a necessidade, mas se o delegado entender que você não precisa do porte, a autorização não é concedida”, conta o analista técnico Tiago Gripp, 27 anos, que já tentou o porte.

“Justiça com as próprias mãos inviabiliza a vida em sociedade”. A frase é de Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e nomeia um artigo de sua autoria que trata sobre as razões que têm levado a MOTIVOS sociedade a se defenO rapaz conta que der por conta pródesde muito novo pria. O fenômeno é nacional e parece autorizações de porte de tem paixão por armais forte do que arma foram liberadas no mas e esse foi o primeiro fator que o fez nunca também no DF entre 2012 e 2013 querer adquirir um Distrito Federal, uniexemplar. Em segundo dade da Federação que vem a violência. “Resguarpossui o maior número de armas de fogo registradas no País. do-me como posso. A burocracia Mas que motivos levam uma pes- no Brasil é muito grande para conseguir o porte, mas tenho a posse soa a adquirir uma arma? Dados da Polícia Federal mos- (autorização expedida pela Polícia tram que, entre 2012 e 2013, foram Federal para possuir arma carregaliberadas 881 autorizações de porte da e utilizá-la nos limites de sua rede arma na capital federal, uma sidência ) e a uso para proteger a média de 352,4 para cada um mi- mim e a minha família”. Ele explica ainda que precisou de lhão de habitantes. Destas, 652 (ou 74%) foram destinadas a vários ti- uma autorização do Exército para pos de uso, como segurança privada transporte da arma de fogo para poe caça esportiva, e as demais 72 para der levá-la, pelo menos, às revisões periódicas. Para isso, desembolsou defesa pessoal. Entretanto, o porte – libera- mais R$ 20 com cada uma das lição para transitar com arma cenças.

881

Resguardo-me como posso. Mas tenho a posse (autorização expedida pela Polícia Federal ) e a uso para proteger a mim e a minha família. Tiago Gripp analista técnico

Processo burocrático As motivações para adquirir uma arma de fogo no Distrito Federal vão desde a proteção pessoal à caça e prática esportiva. O empresário Victor Fazollo, 26 anos, por exemplo, é praticante de tiro esportivo. “Atiro em estandes e áreas rurais. Não posso sair com uma arma na cintura pela rua”, diz. Mas, mesmo para a prática meramente esportiva, é preciso ter autorização de posse de arma e regis-

tros junto ao Exército Brasileiro como caçador, atirador e colecionador (CAC) e a Federação Brasiliense de Tiro Esportivo, que também não são nada baratas e fáceis de conseguir. DEMORA A autorização junto ao Exército, por exemplo, exige a apresentação de uma extensa lista de documentos e há relatos de pessoas que levaram até um ano para consegui-la.

Exigências para conseguir o porte O interessado precisa ir a uma unidade da Polícia Federal munido de um requerimento (disponível no site) preenchido e apresentar os seguintes documentos e condições: » Ter idade mínima de 25 anos; » Apresentar cópias autenticadas ou original e cópia do RG, CPF e comprovante de residência; » Estar munido de declaração escrita da efetiva necessidade, expondo fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido, principalmente no tocante ao exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça a integridade física;

» Apresentar comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões negativas de antecedentes criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual (incluindo Juizados Especiais Criminais), Militar e Eleitoral e de não estar respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, que poderão ser fornecidas por meios eletrônicos; » Apresentação de documento

comprobatório de ocupação lícita » Comprovação de capacidade e técnica e de aptidão psicológica ca para o manuseio de arma de fogo, realizado em prazo não superior a um ano, que deverá ser atestado por instrutor de armamento e tiro e psicólogo credenciado pela Polícia Federal; » Cópia do certificado de registro de arma de fogo; » Uma foto 3x4

Lei

1.O art. 6o. da Lei 10.826/03 dispõe que “o d porte de arma de fogo é proibido em todo o território nacional, salvo em casos especiais. Portanto, excepcionalmente, a Polícia Federal poderá conceder porte de arma de fogo desde que o requerente demonstre a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física. INFOJBR/BAGGI


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Brasília, domingo, 13 de abril de 2014

PORTE DE ARMA

Um jeito de tentar se proteger da violência Em um ano, foram liberadas 72 autorizações para defesa pessoal, no DF Ludmila Rocha ludmila.ribeiro@jornaldebrasilia.com.br

ARQUIVO PESSOAL

de fogo municiada em via pública – só é concedido mediante necessidade relacionada à atividade profissional de risco ou ameaça à integridade física. Além de enfrentar um processo lento e burocrático (pelo menos 30 dias de espera), o interessado em adquirir o porte precisa passar pelo crivo do delegado responsável pela análise. “Você pode preencher toda a documentação atestando a necessidade, mas se o delegado entender que você não precisa do porte, a autorização não é concedida”, conta o analista técnico Tiago Gripp, 27 anos, que já tentou o porte.

“Justiça com as próprias mãos inviabiliza a vida em sociedade”. A frase é de Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e nomeia um artigo de sua autoria que trata sobre as razões que têm levado a MOTIVOS sociedade a se defenO rapaz conta que der por conta pródesde muito novo pria. O fenômeno é nacional e parece autorizações de porte de tem paixão por armais forte do que arma foram liberadas no mas e esse foi o primeiro fator que o fez nunca também no DF entre 2012 e 2013 querer adquirir um Distrito Federal, uniexemplar. Em segundo dade da Federação que vem a violência. “Resguarpossui o maior número de armas de fogo registradas no País. do-me como posso. A burocracia Mas que motivos levam uma pes- no Brasil é muito grande para conseguir o porte, mas tenho a posse soa a adquirir uma arma? Dados da Polícia Federal mos- (autorização expedida pela Polícia tram que, entre 2012 e 2013, foram Federal para possuir arma carregaliberadas 881 autorizações de porte da e utilizá-la nos limites de sua rede arma na capital federal, uma sidência ) e a uso para proteger a média de 352,4 para cada um mi- mim e a minha família”. Ele explica ainda que precisou de lhão de habitantes. Destas, 652 (ou 74%) foram destinadas a vários ti- uma autorização do Exército para pos de uso, como segurança privada transporte da arma de fogo para poe caça esportiva, e as demais 72 para der levá-la, pelo menos, às revisões periódicas. Para isso, desembolsou defesa pessoal. Entretanto, o porte – libera- mais R$ 20 com cada uma das lição para transitar com arma cenças.

881

Resguardo-me como posso. Mas tenho a posse (autorização expedida pela Polícia Federal ) e a uso para proteger a mim e a minha família. Tiago Gripp analista técnico

Processo burocrático As motivações para adquirir uma arma de fogo no Distrito Federal vão desde a proteção pessoal à caça e prática esportiva. O empresário Victor Fazollo, 26 anos, por exemplo, é praticante de tiro esportivo. “Atiro em estandes e áreas rurais. Não posso sair com uma arma na cintura pela rua”, diz. Mas, mesmo para a prática meramente esportiva, é preciso ter autorização de posse de arma e regis-

tros junto ao Exército Brasileiro como caçador, atirador e colecionador (CAC) e a Federação Brasiliense de Tiro Esportivo, que também não são nada baratas e fáceis de conseguir. DEMORA A autorização junto ao Exército, por exemplo, exige a apresentação de uma extensa lista de documentos e há relatos de pessoas que levaram até um ano para consegui-la.

Exigências para conseguir o porte O interessado precisa ir a uma unidade da Polícia Federal munido de um requerimento (disponível no site) preenchido e apresentar os seguintes documentos e condições: » Ter idade mínima de 25 anos; » Apresentar cópias autenticadas ou original e cópia do RG, CPF e comprovante de residência; » Estar munido de declaração escrita da efetiva necessidade, expondo fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido, principalmente no tocante ao exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça a integridade física;

» Apresentar comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões negativas de antecedentes criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual (incluindo Juizados Especiais Criminais), Militar e Eleitoral e de não estar respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, que poderão ser fornecidas por meios eletrônicos; » Apresentação de documento

comprobatório de ocupação lícita » Comprovação de capacidade e técnica e de aptidão psicológica ca para o manuseio de arma de fogo, realizado em prazo não superior a um ano, que deverá ser atestado por instrutor de armamento e tiro e psicólogo credenciado pela Polícia Federal; » Cópia do certificado de registro de arma de fogo; » Uma foto 3x4

Lei

1.O art. 6o. da Lei 10.826/03 dispõe que “o d porte de arma de fogo é proibido em todo o território nacional, salvo em casos especiais. Portanto, excepcionalmente, a Polícia Federal poderá conceder porte de arma de fogo desde que o requerente demonstre a sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física. INFOJBR/BAGGI


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JORNAL DE BRASÍLIA

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Brasília, terça-feira, 15 de abril de 2014

#BRASÍLIAQUERANDAR

Todo instante é horário de pico Retenções no tráfego antes se restringiam a poucos períodos do dia. Agora, há sempre uma surpresa Ludmila Rocha ludmila.ribeiro@jornaldebrasilia.com.br

A combinação de mais carros nas ruas com as deficiências do transporte público tem culminado em uma novidade incômoda para os habitantes do Distrito Federal: a extensão do horário de pico. O fluxo intenso de carros, que antes durava pouco mais de duas horas em cada período do dia – das 6h15 às 8h30 e das 17h45 às 19h45 –, agora dura três ou até quatro horas. Cansados de enfrentar o trânsito de cada dia, os brasilienses clamam por alternativas. Em tempos de greves dos rodoviários ou metroviários, quando ocorrem manifestações ou quando faltam ônibus na Região Metropolitana do DF, o momento delicado pelo qual o trânsito do DF passa fica ainda mais evidente. MOTIVOS Trânsito intenso no Eixo Monumental, Avenida Hélio Prates (Taguatinga) e Setor Policial Sul é considerado um evento dentro da normalidade pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). Segundo o órgão, em

todas essas vias os engarrafamentos se devem, principalmente, às inúmeras retenções

semafóricas e a pontos de afunilamento da pista. Quem tenta acessar a W3 Sul, no sentido Plano Piloto, também sente os efeitos do trânsito intenso. O mesmo ocorre com motoristas que se dirigem ao Setor Policial Sul. Neste, a junção das obras de mobilidade com a faixa exclusiva para ônibus faz com que toda a via que margeia o Cemitério Campo da Esperança fique engarrafada. ESTRADAS PARQUE Nas rodovias que ligam as regiões administrativas e as cidades goianas da Região Metropolitana a Brasília, a situação é ainda pior. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) “o grande volume diário de veículos que transitam no Distrito Federal

Só para sair de Taguatinga, pela Elmo Serejo ou Hélio Prates, levo cerca de 25 minutos. Não tem para onde correr. Alexandre Augusto, empresário

faz com que praticamente todas as rodovias que ligam as cidades ao centro de Brasília fiquem com trânsito intenso”. Entre elas destacam-se: Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG); Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB); Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia); Estrada Parque Juscelino Kubitschek (EPJK); Estrutural; DF-001; DF-047 e DF-025.

Mapa dos

gargalos Vias que registram mais engarrafamentos

DESABAFO Em tempos de greve dos metroviários, motoristas e passageiros indignados desabafam nas redes sociais. “Trânsito a essa hora Avenida Hélio (22h43) é sacanagem!”, Prates reclamou uma condutora (Taguatinga) que seguia pela Estrada Parque Taguatinga (EPTG), no sentido Taguatinga. “Estou há uma hora tentando ir do Núcleo Bandeirante para Taguatinga pela Estrada Parque Núcleo BanEstrada Parque deirante (EPNB)”, Taguatinga desabafou outro.

(EPTG)

VIADUTOS EM ÁGUAS CLARAS » Condutores que trafegam pelas avenidas Araucárias e Araçá, em Águas Claras, contam com dois novos viadutos que facilitam o acesso à Estrada Parque Taguatinga (EPTG). » Localizados sobre a linha do metrô, os viadutos receberam investimento de R$ 5,6 milhões e foram construídos em um período de dez meses. O que está localizado na Avenida Araucárias tem 35m. Já o da Avenida Araçá possui comprimento de 38m.

DF-001

Via Estrutural

Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB)

Setor Policial Sul

Eixo Monumental

DF-025 DF-047 Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia)



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