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Ana Naddaf’s portfolio


UM ® MODA

T: ANA NADDAF ® | I: NICOLAS GONDIM ®

STATEMENT-MAKING PIECES. PARA ESTA ESTAÇÃO, OS ACESSÓRIOS GANHAM VOZ PRÓPRIA. TUDO SERÁ SOBRE PEÇAS QUE FAÇAM ALGUM TIPO DE “AFIRMAÇÃO”. FALEM POR SI MESMAS. E RESPONDAM, MUITAS VEZES, POR TODO O VISUAL. COMO UM GRANDE COLAR QUE PARECE DESPENCAR DO PESCOÇO, SUAS TIRAS A FORMAR UMA ESCULTURA. UM ANEL QUE GANHA O ZIGUEZAGUE DE ELEMENTOS CONTÍNUOS E REPETITIVOS A LEMBRAR UMA DOBRADURA ENROLADA NO DEDO. OU AINDA UM BRACELETE QUEENVOLVA BOAPARTEDO BRAÇO,ADUPLICAR FORMASGEOMÉTRICAS. EXAGERE,MASCOMUMTOQUEDE MINIMALISMO. CRIESEUPRÓPRIODISCURSO,COMTEXTURAE FORMA. MESMO QUEEMMÍNIMOSDETALHES. MASCOMOTUDO NA MODA É EFÊMERO, TRANSFORMAMOS AS PRINCIPAIS REFERÊNCIAS PARA ACESSÓRIOS EM DELICADO PAPEL DOBRADO. ENTRE A ESCULTURA E O ORIGAMI, COM A ASSINATURA DO ARTISTA PLÁSTICO E DESIGNER DE PRODUTOS ÉRICO GONDIM.

Nada discretos, os broches ganharam proporções ainda mais exageradas quando a referência foi o ícone fashion Sarah Jessica Parker. No dia-a-dia, apareceram em versões um pouco mais modestas, como os apresentados no desfile da marca Maria Bonita. Vestido tomara-que-caia Arroz de Festa

030

OUT|DEZ

This mini-book brings Ana Naddaf’s portfolio and curriculum vitae together to show her abilities in journalism, visual culture, and publishing. The publication explores her strengths as a crosscultural educational experience, showcasing versatility, and lateral thinking for creative solutions. Also, it brings her relevant accomplishments as a developer of editorial projects for magazines, newspaper, and books. Please, be free to explore.


PERSONAL statement

A

s a Brazilian journalist and editor with a cross-cultural education and professional experience, I am seeking a challenging internship in order to collaborate with an editorial or design team in a major American publishing company. I graduated with a bachelor’s degree in journalism from São Judas University, in Brazil, and my education was fostered with a postgraduate degree in visual culture from University of Barcelona, in Spain. Currently I am enrolled in the Arts Program at Essex County College, where I have been in the Honor’s Program, Alpha Theta Theta Chapter, for three semesters. My academic experience has been complemented with courses in journalistic photography, fundamentals of digital design, and languages (Spanish at the Escuela Oficial de Idiomas del Gobierno de la Catalunya in Spain, and English at the Program in American Language Studies at Rutgers University). In my professional practice I have developed a large diversity of projects. At O Povo, one of the leading newspapers in the North and Northeast regions of Brazil, I participated in several editorial projects. In magazine publishing, my most recent work appeared in Seven, a Brazilian bimonthly culture magazine. I am also a co-author of Fashion Brazil – Fragments of a Tropical Vesture, for Anhembi-Morumbi University; and author of Land Made by People, for the nonprofit organization Cetra (Center and Support for Workers). Both books were published in Brazil. In order to achieve new opportunities in publishing, I recently enrolled in an immersive program offeredy by the Center for Publishing at New York University. These learning experiences, combined with my professional past, will allow me to become a valuable team member in a renowned company like yours.


CURRICULUM vitae

* Photography – SENAC 1995 Graphic designer assistant Scipione Publishing House (São Paulo, Brazil)

1993 - 1996 B.A. in Communication major: Journalism São Judas Tadeu University (São Paulo, Brazil)

1997 - 2001 Reporter O Povo newspaper (Brazil)

1996 Graphic designer assistant NEW Publishing House (São Paulo, Brazil)

2001 - 2003 Editor O Povo newspaper (Brazil)

1999 - 2001 Colaborated in television programs, catalogs, and documentaries

* QuarXpress, Design Digital – Dragão do Mar Art and Culture Institute

2001 Co-author: Fashion Brazil Fragments of a Tropical Vesture Anhembi-Morumbi University Publishing House (Brazil)


EDUCATION

PROFESSIONAL EXPERIENCE

PUBLICATIONS

LANGUAGES / OTHER SKILLS

2003 - 2004 Post-graduate degree in Studies of Visual Culture University of Barcelona, Barcelona (Spain)

2003 Author Land Made by People. Book for the nonprofit organization Cetra (Centre and Support for Workers) and Federal University of Cearรก (Brazil)

2004 - 2005 Articles for magazines and newspaper in Brazil and Spain

* Spanish Escuela Oficial de Idiomas del Gobierno de la Catalunya (Barcelona/Spain)

* English Rutgers University (USA)

2005 Executive Editor Extra - Brazilian-American weekly newspaper (USA)

Expected 2010 A.A. in Arts Honors Program ECC (USA)

2007 - 2009 Editor-in-chief Seven - bimonthly culture magazine (Brazil)

Summer 2009 Certificate Program in Publishing - Book, Magazine and Digital New York University (USA)


SEVEN

MAGAZINE This bimonthly culture magazine is my recent project. The magazine was born with the idea of using behavioral tendencies as a premise. The graphic design prioritizes the image and encourages collaboration among visual artists. As a request from the publisher, the magazine was called Seven. Because the name, a concept was created to divide the magazine into seven editorial areas: fashion, culture, design, food, lifestyle, travel, and “social club.� An initial section has been included to dedicate space to new artists and a profile/interview.


COMPLE7AMENTE NÚMERO TRÊS MAR | ABR 2008 R$ 10

DESEJOS DA CARNE

LIRISMO NAS PALAVRAS. NECESSIDADES NO CORPO. MORDIDAS NA MAÇÃ. CURIOSIDADES NO FINAL.

ZERO Lira Neto UM Delicatessen DOIS Arte em Xeque TRÊS Um, dois, feijão com arroz QUATRO Regras do Jogo CINCO Estressei, e agora?! SEIS Mordida na Maçã SETE Curiosidade


Uma trilha sonora para acompanhar seu café preferido? A dica, então, é a coletânea Café Espresso - Swinging Coffee (2003). Jazz e R&B são os estilos predominantes no CD ao longo das 19 faixas, que contém artistas como Duke Ellington.

CAFÉ em pó

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60ml de leite

20g de chocolate em pó e, para decorar, calda de chocolate

UM ® MODA UM ® MODA

TRÊS ® GASTRONOMIA

Você é louco por café? Então demonstre sua adoração por esta frutinha no melhor estilo. Assim como esta, uma infinidade de t-shirts podem ser adquiridas neste site feito para quem não vive sem um bom “pretinho”. Além de outros produtos como calendários, bottons e até blusinhas para o seu dog.

30ml de caramelo em essência ou xarope de caramelo

D

Dentro deste espírito, a convite da Seven, Mark Greiner utilizou-se da sua aproximação com a arquitetura e com a moda para criar “roupas assistidas”. Costurar visões. Greiner valeu-se dos códigos da indumentária propostos pelos estilistas da semana de moda cearense e fez uma espécie de colagem virtual de tecidos e texturas em croquis que não pretendem apenas apropriar-se da linguagem da moda pela arte ou viceversa. E sim, mostrar que ambas são linguagens que se integram, que navegam por suportes comuns. “A moda é uma arte que se usa, que se leva para a rua. É uma arte de consumo a que todos têm acesso,” como bem definiu o filósofo espanhol Manuel Fontán de Junco. Seu uso, no entanto, determina o que é arte, o que é moda, ou se, por fim, é outra coisa. Como páginas de um magazine, por exemplo.

As formas de Mark Greiner são referências explícitas da sua formação em arquitetura e urbanismo. A inspiração para a sua moda autoral, assim como seus croquis de linguagem única, aparece de suas memórias, experiências e pretensão de imprimir sentimentos. A união destas duas atividades transformou-se em importante forma de expressão. Sua técnica une lápis, papel e photoshop. Para conhecer mais, visite o site: www.markgreiner.com.br

T-SHIRT para “cafemaníacos”

200ml de gelo esmagado e triturado

CD com aroma

Encontro casual. Seja em New York City, como em um estilizado e tracejado Sex and the City. Ou tomando fresca brisa em uma fictícia Praia de Iracema de papel, como um retorno nostálgico ao velho lar do Dragão Fashion, evento ao qual estas bonecasmodelos pertencem. A passarela parece se refazer nestas páginas, através das imagens produzidas pelo estilista e arquiteto Mark Greiner. A relembrar parte dos 25 desfiles com criações de estilistas locais e nacionais que, nesta última edição, centraram-se na premissa do encontro da identidade da moda brasileira, sob o tema D.N.A. - Dragão, Nobre Arte. Uma espécie de tradução e união dos conceitos da moda, da arte e da cultura.

Homeless, “sem teto” em inglês, é também o nome de uma loja espanhola de roupas que doa parte de sua renda para ONGs que trabalham com projetos de ajuda para os desfavorecidos. Parte de sua coleção ganha a etiqueta S.O.S. e boa parte do valor da venda é revertido em doação para estas instituições. Para saber mais: www.homeless.es

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1 café espresso ou 50ml de café forte

A famosa marca italiana Illy fornece uma gama enorme de produtos na linha do café, além de utensílios para casa. Pela loja virtual, você pode adquirir o carro-chefe da empresa que é o café em formato de espresso, como este – torrado e moído – numa charmosa lata de 125g, sem glúten. JULHO 2007

01 Imaginarium | www.imaginarium.com.br R$ 13,90 ,50 ,00 02 Rede Pão de Açúcar | www.paodeacucar.com.br R$ 8 • 03 Mercado Livre | www.mercadolivre.com.br R$ 149 ,90 ,99 04 Mercado Livre | www.mercadolivre.com.br R$ 39 • 05 Café Press | www.cafepress.com US$ 24 ,90 ,68 06 Submarino | www.submarino.com.br R$ 18 • 07 Rede Pão de Açúcar | www.paodeacucar.com.br R$ 18 000

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JULHO 2007

SET | OUT 2007

SET | OUT 2007

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JULHO 2007

BEM-VINDO À CASA DE BONECAS

T: ANA NADDAF ® | I: MARK GREINER

UM ® MODA

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MODO DE PREPARO Ccoloque todos os ingredientes em um liquidificador. Despeje o espresso e bata imediatamente até se tornar grosso ao ponto que possa ser bebido com canudinho. Coloque a mistura em um copo especial, decore com chantilly batido, calda de chocolate e chocolate em pó por cima de tudo.

O termo italiano “espresso” (escrito com s) significa “sob pressão”, e não o café feito ou para ser tomado rapidamente.

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GRAN CARBENET DEMENZIAL

MOEDOR como antigamente Direto da Fazenda Canoinhas (SC) e feito em madeira, com mecanismo em ferro fundido e latão, ter hoje um moedor manual de café dá até um charme a mais no preparo do café. Ah, por ser em baixa velocidade, não agride os grãos, produzindo aquele sabor!

sem aquele adoçante (que não engorda e tal...), a opção de açúcar pode ser esta da marca União. No formato de cubos, tem o tamanho desenvolvido para adoçar na medida certa não só cafés, como também bebidas em geral.

Tudo começa calmo e realista. Pura farsa. Os contos de Gran Cabaret Demenzial, o segundo livro da gaúcha Veronica Stigger, recebem um corte abrupto e mostram um erotismo quase escatológico e situações que beiram ao nonsense. Sexo, tragédia e violência são tratados com ironia e certo humor corrosivo, negro. O projeto gráfico, que conta com a participação do artista plástico Eduardo Verderame, tenta traduzir as gradações dos tons da narrativa. Por isso, a edição alterna-se em dois temas e foi impressa em duas cores. O primeiro conto “Domitila” pode ser lido no site da editora (www.cosacnaify.com.br). De Veronica Stigger | Cosac Naify | 144 páginas | Preço Médio R$ 29,50

Cadence prepara não só o típico café espresso em minutos, como também um belo capuccino. Com design arrojado na cor preta, possui bandeja para manter as xícaras (já inclusas) quentes, sendo removível.

T: ANA NADDAF ® | F: SXC.HU

DOIS ® CULTURA POP

PARA RIR “SUAVEMENTE TRITURADO” ABRIMOS AÇÚCAR em cubos O LIVRO DA GAÚCHA VERONICA STIGGER COM SUA02 Lançamento no mercado, a cafeteira da marca Se o caso for tomar café LITERATURA PECULIAR E NARRATIVA PERTUBADORA

PARA A SEVEN, A BOUTIQUE CEARENSE CAFFÉ CASTAGNO DÁ A DICA DO MOCHA CARAMELO, UMA ESPÉCIE DE “CAFÉ PARA OS DIAS QUENTES”. MISTURANDO CHOCOLATE (EM PÓ E EM FORMA DE CALDA) E LEITE AO JÁ CONHECIDO CAFÉ ESPRESSO, TEM-SE O DRINQUE. O CARAMELO, OU SUA ESSÊNCIA NO FORMATO DE XAROPE, DÁ O TOQUE FINAL DA BEBIDA.

TRÊS ® GASTRONOMIA

CAFÉ PARA DIAS QUENTES

“zzz... ahn?... aham... opa... uhuu!” Assim, com essas indicações pelo “cafeinômetro”, esta simpática canequinha de cerâmica pode servir de pretexto para bons momentos de bate-papo e, o que é melhor, a dois... à luz de velas... Você é quem dita a ocasião!

UMA PÁGINA CAFETEIRA esperta

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RECEITA

TOP SEVEN

01 CANECA com “cafeinômetro”

CAFÉ NA VIDA

SET | OUT 2007

000 Moda Mark ter

Editor-in-chief * Created editorial projects and coordinate design projects for the magazine launch. * Selecte collaborators and editorial staff, which include writers, photographers, and illustrators. * Write articles and develope fashion editorials. * Final-edit articles, prepare layout for the design team, and review page proofs.

a-feira, 21 de agosto de 2007 21:59:22

Weider Silveiro, Mark Greiner e Cândida Lopes em clima Sex and the City estilizado.


ZERO ® START

ZERO ® START

PRA COMEÇAR

EM UM PISCAR DE OLHOS SEM ROSTOS, SEM IDENTIDADES. COMO NO MITO DA CAVERNA DE PLATÃO. ASSIM É A VISÃO DE NOVA YORK PARA O FOTÓGRAFO ROBERTO MACHADO. FALSAS E VERDADEIRAS REALIDADES VISTAS ATRAVÉS DE SOMBRAS. TALVEZ NÃO REGISTRADAS APENAS NO NOMENTO DO “CLICK”, MAS SEGUNDOS ANTES OU MINUTOS DEPOIS QUE O OBTURADOR DEIXA PASSAR O FEIXE DE LUZ EXTERIOR.

016

A rede vista por Pero Vaz de Caminha numa maloca de Tupiniquim em Porto Seguro não existe mais. No Brasil, era chamada de ini. Feita rudimentarmente em tucum ou cipó, a rede indígena ganhou varandas pelas mãos das mulheres de colonos portugueses. Com a chegada dos teares, o fio também mudou. O algodão tornou a o tecido mais compacto, a rede mais leve, o ambiente mais ornamental e o cochilo mais gostoso. Mas no Brasil Colônia, ela não representava descanso para todos. Para os escravos, era o meio de transporte de seus donos que eles eram obrigados a carregar em passeios pela cidade e até mesmo em viagens. A história se encarregou de inverter os papéis para que a rede suporte o corpo do trabalhador no fim do expediente. Não apenas isso. No interior do Nordeste e do Norte, há quem não conheça outro jeito de dormir que não seja suspenso. A vida se desenrola no ar. O sertanejo nasce, sonha, ama, pare e morre sobre uma rede. Nas capitais nordestinas contemporâneas, mostram-se em cores, padronagens e detalhes diversos. Os turistas se encantam, mesmo temerosos em cair. Logo concordam com Câmara Cascudo, que nos lembra que a rede é solidária, se amolda ao nosso corpo, macia e acolhedora, distanciando-se da resignação que nos leva à cama "hirta, parada, definitiva". O alpendre sertanejo já divide a rede, agora chamada de produto, com o mercado internacional, que a descobriu. Fios de algodão puro e rígidos padrões de exigência para o comprador estrangeiro em produção de base artesanal. Essa é a rede, que passa pelas mãos de pelo menos seis pessoas em um trabalho de até 20 dias antes de ser comprada e enfeitar algum ambiente. Sua feitura e comercialização fazem parte da história econômica e cultural do Nordeste, sobretudo do Ceará e Rio Grande do Norte, que se destacam pelo cuidado e bom gosto desde o século XIX.

T: ANA NADDAF ® | F: NICOLAS GONDIM ®

000

MAR|ABR

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À LA ANTOINETTE CABELO_ EDUARDO FERREIRA MAQUIAGEM_ EDUARDO FERREIRA (COM PRODUTOS LANCÔME) MODELO_ ERICA MONTEZUMA LOOK_ LUGAGE 060

JUN|AGO

TRÊS ® GASTRONOMIA

TRÊS ® GASTRONOMIA

JULHO 2007

LA LAQUE

1 “Podemos dizer que o binômio feijão-e-farinha estava governando o cardápio brasileiro desde a primeira metade do século X VII”, atesta Luís da Câmara Cascudo no livro História da Alimentação no Brasil.

TÃO ANTIGA, FAMILIAR E COTIDIANA, A REDE DE DORMIR SE TORNA QUASE BANAL A OLHOS TÃO ACOSTUMADOS. MAS NÃO APENAS A NÓS, USUÁRIOS MALEMOLENTES. APESAR DE FAZER PARTE DO NOSSO IMAGINÁRIO E CULTURA, ESSA FORMA DE DORMIR PORTÁTIL QUE SE ADEQUA AO CORPO E AO NOSSO CLIMA QUENTE, QUE MUITAS VEZES FUNCIONA AINDA COMO MOCHILA E FARNEL, NÃO É BEM LEVADA A SÉRIO PELO DESIGN TRADICIONAL. NO ENTANTO, UM NOVO CONCEITO, O DE ETNODESIGN, PROMETE INVESTIGAR E DEBATER QUESTÕES RELATIVAS À CRIAÇÃO ANTES DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. O QUE INCLUI A NOSSA REDE DE CADA DIA, AQUELA QUE TODO BOM ALPENDRE EXIGE PARA SER COMPLETO.

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CINCO ® VIDA

T: MÔNICA LUCAS ® | F: SHEILA OLIVEIRA

primeiro relato data de 27 de abril de 1500, quando Pero Vaz de Caminha percebeu a semelhança entre a hamaca sul-americana e a rede de pescar. Ao contrário de tantas outras coisas, a rede não se perdeu no tempo, apesar de suas transformações. Pelo contrário, toda boa casa nordestina tem uma. Mas, tão cotidiana que é, nem nos damos conta dela. O folclorista Câmara Cascudo fez bem em remeter a Cícero logo no prefácio de sua pesquisa etnográfica "Rede de Dormir". O filósofo romano nos brinda com o pensamento de que, familiarizados com os objetos vistos todos os dias, não os admiramos mais. Talvez só nos demos conta de seu caráter singular na sua ausência, como a amiga impossibilitada de balançar pelas paredes frágeis de Nova York ou o cearense que constatou tarde demais a impossibilidade de uma rede entre duas paredes tão próximas no bairro de Botafogo.

Direção de Arte: Rodrigo Vieira, Link Propaganda. Redação: Antônio de Pádua, Slogan Propaganda. Atendimento: Chico Neto Aprovação: Lucileila Cardoso

QUATRO ® DECORAÇÃO&DESIGN

DORMIR PORTÁTIL

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SETE ® SOCIAL CLUBE

OBRA SOCIAL GRANDES RESULTADOS, PEQUENO RECONHECIMENTO SOCIAL. PENSANDO NA REALIDADE DO CONSELHO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - INTEGRASOL, A INSTITUIÇÃO FOI ESCOLHIDA PARA GANHAR UM BRILHO EXTRA NA BUSCA DE NOVOS PARCEIROS NO SETOR PRIVADO. OS PUBLICITÁRIOS RODRIGO VIEIRA E ANTÔNIO DE PÁDUA FORMAM A DUPLA CONVIDADA PARA ESTE PROJETO.

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arroz chegou ao Brasil trazido por mãos portuguesas, depois que o grão já havia se espalhado da Ásia para África e Europa. Por aqui, os índios já comiam feijão, originário da América tropical. Já a mistura dos dois, essa é brasileiríssima. No livro O que Faz o Brasil, Brasil?, o antropólogo Roberto da Matta constrói a metáfora da miscigenação racial num prato de feijão e arroz: “De tal modo que o feijão, que é preto, deixa de ser preto, e o arroz, que é branco, deixa também de ser branco”. Ao juntar culinária com sociedade, essa relação adquire paladares na mesma profusão que os sotaques regionais.

O

Embora ninguém conteste a importância do arroz, o feijão foi e continua sendo o protagonista da refeição nacional. Encontramos uma enorme variedade de cores, espécies e tamanhos de feijão. Tem o preto, mulatinho, branco, carioca, fradinho, de corda... Isso só para ficar em alguns dos 4 mil tipos colhidos no País. Segundo dados da Embrapa, o brasileiro come, em média, 17 quilos do produto, por ano, sendo bem mais no interior. Consome muito, mas não consome igual. Em cada região, sua história local contribuiu para um gosto diferenciado. Carne seca e farinha também entram como coadjuvantes ao lado do arroz na nossa peculiar culinária. Em Minas Gerais, por exemplo, o deslocamento constante dos tropeiros levou ao preparo de um feijão preto com menos caldo, seco pela mistura com farinha de mandioca e guarnecido com pedaços de lingüiça frita e torresmo. Já em São Paulo, o feijão carioquinha misturado à farinha de mandioca1 e com caldo era comida dos bandeirantes, que a levava em farnéis, sendo a origem do virado a paulista. Na Bahia, o popular azeite-de-dendê e outros temperos picantes determinam a escolha do feijão mulatinho como o que combina melhor com os pratos típicos.

œ E TODO MUNDO DIZ QUE ELE COMPLETA ELA E VICE-VERSA, QUE NEM FEIJÃO COM ARROZ Œ RENATO RUSSO | EDUARDO E MÔNICA (1986)

O gosto pela feijoada faz do feijão preto o grande favorito no Rio de Janeiro, ainda que não represente mais de 20% da produção brasileira. A preferência nacional é do feijão carioca, que representa 70% do consumo. No extremo norte do País, o feijão conhecido como manteiguinha é que faz a festa. Essa variedade do feijão branco americano pode ser pouco conhecida em outras regiões, mas foi introduzida na época do ciclo da borracha da Amazônia, quando grandes empresas estadunidenses negociavam látex com o Brasil. O arroz vai se consolidando no prato do brasileiro em meados do século XIX, quando os maranhenses fomentam a produção para exportação. Precursores na produção do cereal no Brasil, os maranhenses foram apelidados de “papa-arroz”. Naquela época, eles nem podiam imaginar que estavam lançando as bases da mistura mais trivial da história da alimentação brasileira. Os boiadeiros paulistas se encarregaram de consolidar o casamento do arroz de carreteiro com o feijão tropeiro. Eles carregavam essas comidas em caixas de couro para conservação, apelidadas de “bruacas”. Em Minas Gerais, além do tradicional tropeiro, surge o arroz para formar o tutu, acompanhado ainda de bacon, ovos cozidos e couve. Os cariocas, por sua vez, não dispensam o cereal na feijoada, ao lado de couve e laranja.

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UM ® MODA

DEVANEIOS DE CIORAN T: ANA NADDAF ® | F: CAIO FERREIRA

a Terra dos Monólitos, Cioran mistura histórias e utopias ao buscar sua própria identidade e a memória de seus antepassados. E assim transforma-se em personagem central em Siri-Ará, a Invenção do Paraíso - produção cinematográfica dirigida por Rosemberg Cariry que, em narrativa épica entre a ficção e o tom documental, procura encontrar e recontar a história da colonização do Ceará, tendo como contraponto as reflexões filosóficas do homônimo pensador. Assim como o filósofo romeno, o pintor Cioran do filme, que volta ao sertão do Cariri, enfrenta com insistência o desespero e o vazio que ronda o homem contemporâneo. Enquanto esta imersão no tempo revela-se na película, suas visões oníricas ganharam interpretações em jérsei e organza, em devoré de algodão e tule, ou em lamê, no delírio lírico do estilista Mark Greiner.

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A BELA ADOLESCENTE VESTIDO EM JÉRSEI E ORGANZA, FAIXA E LUVAS EM MALHA LAMÊ DOURADA, E MEIA-CALÇA REBORDADA COM PAETÊS METÁLICOS 030

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Let’s talk fashion One of my roles in the magazine was also to create themes and stories for the fashion pages. Coordination of the entire process (briefing / photo shoot / page layout), including selecte photographers, models and designers


MAQUIAGEM: JOÃO ZABALETA

ASSISTENTE DE DIREÇÃO: FELIPE NAUR

TRATAMENTO DE IMAGEM: LEANDRO FIÚZA

ASSISTENTE DE ST YLING: ANDERSON CLEYTON

ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA: JULIANA XAVIER E JOÃO LUIS

ST YLING: MARK GREINER

DIREÇÃO DE SET: CHARLES W.

BAILARINA /MODELO: WILEMARA BARROS

PRODUÇÃO: CAROL GAUCHE E CLAUDIA HOLANDA

UM ® MODA

A MORTE VESTIDO EM ORGANZA CRISTAL NEGRA

O recurso dramático da maquiagem teatral do blackface – usado por muitos atores, principalmente em Hollywood, mas que caiu em desuso por ser considerado racista – foi a idéia estética pensada pela stylist Isadora Pontes Gallas para um convite anterior da Seven, em um editorial que falava sobre penteados glamourosos à la Antoinettes e Winehouses. “Acho esteticamente muito bonita a técnica (do blackface), abstraída de valor moral ou étnico”, esclarece a stylist. A idéia não foi usada, mas ficou guardada na gaveta da memória. Foi então adicionada a uma pesquisa de moda sobre acessórios, que ganhou ainda a referência de origamis e esculturas. O resultado final da concepção visual é o que se vê neste “kabuki em negativo” como background para peças feitas de papel branco em dobradura.

As curvas da Prada ou as estrelas de todos os tamanhos de Yves Saint-Laurent. O “over the top” dos colares tem um certo ar de minimalismo. Ou recai totalmente para a idéia do colar-escultura. Lanvin e Reinaldo Lourenço seguiram este rumo. Vestido em cetim Ruth Aragão

UM ® MODA

KABUKI NEGATIVO

UM ® MODA

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UM ® MODA

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CONCEPÇÃO E REFERÊNCIA DE MODA Isadora Pontes Gallas e Ana Naddaf CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS PEÇAS Érico Gondim e Julie Gadelha PRODUÇÃO DE MODA Marcos Marla CABELO Salão Linda Mulher MAQUIAGEM Corcina Leite MODELO Grazie ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA Victor Pickman TRATAMENTO DE IMAGEM Walter Winner

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JÓIAS DE PAPEL Tomando como ponto de partida os acessórios lançados nesta temporada, fizemos uso da leitura pessoal e estética de um artista/designer para criar uma “coleção” exclusiva de anéis, brincos, colares e até óculos. “Em função da própria propriedade e característica que o papel proporciona acaba que o resultado sai diferente com relação às referências das jóias encontradas”, explica o artista plástico e designer de produtos Érico Gondim1 . Uma pesquisa em esculturas de papel, com referência também no origami, foi a base para construir o aspecto tátil e visual das peças. “O mais interessante com o papel é conseguir relevos proporcionando texturas, pois só assim se consegue as riquezas nos detalhes”, detalha Gondim, que já construiu, em conjunto com o também designer Sérgio Melo, um cenário todo de papel para um desfile de moda.

1

O dedo não é o limite. Os anéis aparecem com texturas ou com elementos contínuos e repetitivos que lembram dobraduras. Como os da americana Kimberley Baker. Ou as esculturas em formato de jóias, do cearense Cláudio Quinderé. Vestido com babados Ayres Jr.

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Flores e penas foram parar na cabeça. Assim como “pequenas esculturas”, que lembram as peças imaginadas pelo designer Philip Treacy e imortalizadas pela editora de moda Isabella Blow. Casaco de retalhos Ayres Jr.

OUT|DEZ

OUT|DEZ 034

OUT|DEZ

UM ® MODA

NOSSA CARNICERIA “SURREALISTA”, NA VERDADE, SÃO CÂMERAS FRIAS ENCONTRADAS NOS EXTREMOS DA CIDADE. A EQUIPE PERCORREU OS EXTREMOS DE FORTALEZA, DA LAGOA REDONDA À CEASA, DA CEASA À ALDEOTA, DA ALDEOTA À BARRA DO CEARÁ. FORAM USADAS TRÊS LOCAÇÕES: FRIGORÍFICO O CHICÃO, FRIGORÍFICO MARUPIARA E BARRA CARNES. DOIS DIAS ENFRENTANDO OS MENOS DE DOIS GRAUS CENTÍGRADOS – TEMPERATURA USADA PARA CONSERVAR AS CARNES.

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BIQUÍNI EM ELASTANO (MEIO TOM) E CARTEIRA EM COURO COM MAXIPLACAS DE METAL (SAAD PARA MEIA SOLA)

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Segundo Érico Gondim, é possível usar as peças como jóias de verdade, apenas com um tratamento de impermeabilização para melhor durabilidade. Ou há a possibilidade de produzir as peças de papel em outros materiais. Interessado? Entre em contato com o artista: ericogondim@gmail.com

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NEWSPAPER as a reporter Since I started a carrer in journalism, my main concerns were not only narrative style or journalistic process, but how to deliver and organize content and graphic aspects. In most of my journalistic projects I was involved in the production of images with photographers and visual artists, as well as in the developement of page layouts with a design team.


In O Povo, one of the leading newspapers in the North and Northeast regions of Brazil, I participated in several special editorial projects. Oftentimes, my participation started in production, passing through the reportage, editing, and graphic concept.


NEWSPAPER as an editor After some years working as a reporter, I was invited to become a Deputy Editor in the culture and lifestyle areas. As an editor, I was responsible for leading a group of journalist and designers, and also to start new products for the company like the weekly cultural supplement Allmanaque, or updated existing products as the children’s supplement Clubinho.


ALLMANAQUE One of my first “experiment” in the field of magazine publishing was the project of the weekly cultural supplement called Allmanaque (“Allmanac”). Even using newspaper paper as base, the product got a magazine’s look because its format, bold design, and diverse content.


JUST FOR KIDS

Deputy Editor * Created editorial project for Allmanaque, a weekly cultural magazine. * Selected editorial members (writers, photographers, and illustrators). * Final-edited articles, prepared layout, and reviewed page proofs. * Updated children’s supplement Clubinho.

One of the projects that I updated was the children’s supplement Clubinho (“Little Club”). Children begun having more active participation in the content, and the supplement got more colors and priority images.


PUBLICATIONS

books


TERRA FEITA DE GENTE (“Land Made of People”) * Author Project, production, and text of the book for the nonprofit organization Cetra (Center and Support for Workers), active in development in Brazil’s semiarid Northeast. The project Terra Feita de Gente gathered narratives from the main protagonists about the struggle for fair access to land, and for social emancipation in the cultural, political, and economic fields. The central idea of the publication was based in the concepts of personal narratives, portraits, and travel reports.

MODA BRASIL (“Fashion Brazil”) * Co-Author Moda Brasil: Fragmentos de um Vestir Tropical (“Fashion Brazil: Fragments of a Tropical Vesture”) is an overview of Brazilian fashion, noting the relationship of clothing to the history, culture, traditions, folklore, and social life. The book was published by Anhembi-Morumbi University. The publication is as a collection of texts signed by journalists in ten Brazilian states.


PUBLICATIONS


EXTRA Created editorial projects and coordinated the design project for the Brazilian-American newspaper Extra, dedicated to the Brazilian and Portuguese communities of the eastern coast of the USA.

TRAMAS Updated editorial project for Santana Textil Industry’s publication. The magazine provided information on releases, products, and events about fashion and culture. The product also functioned as a newsletter of the company


OTHER works


TRAPOS & FIAPOS Coordinated production and journalism for Trapos & Fiapos’ catalog. The publication shows products made on manual looms, from natural fibers. It also talks about the work with a rural community around the handicraft production. The design celebrated the experimentation of the textures, and the editorial explored the work of the benefited people.

CEARÁ ORIGIAL SOUNDFASHION Executive-coordinatior of the project that included events, a CD, and a series of postcards about Brazilian music and fashion design. The material was distributed first-hand to specialized journalists and fashion producers presented in fashion weeks at São Paulo Fashion Week, Fashion Rio, and other promotions of the segment in the United States and Spain.


CENTURY SUN Executive-coordinatior of the exhibition Século Sol (“Century Sun”) about 100 years of swimwear in Brazil was developed for the Iguatemi Fashion Week (Brazil). Developmed the concept, coordination of products, and explicative texts. EATING WITH THE EYES Documentary developed at the University of Barcelona, with the Center for Visual Productions Hangar, in Spain. The proposal of Comer con los Ojos (“Eat with the Eyes”) dealed with the concepts of art and food from the perspective of Visual Culture. The project mixed journalism, design, video, and photography.


LINDEBERGUE FERNANDES Art direction and coordination of products for the fashion designer Lindebergue Fernandes. In addition to his collections and development of costumes for musicians and theater, the designer had his work displayed in the Premiere Vision, in Paris. His collections seek inspiration mainly in the regional universe and folklore. One of the projects developed with Lindebergue Fernandes was working with cooperatives of artisans, and partnerships with artists and designers for development of prints (like the one illustrated on this page), and production of accessories.


Layout Seven #3 - Fashion Editorial / Cinema and Fashion

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