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S495

Os 70 anos da Cientec. – Porto Alegre :

Pluralcom, 2012.

132 p. ; Il.

1. Ciência. 2. Tecnologia. 3. Pesquisa.

4. Inovação. I. Cientec. II. Fundação de Ciência e Tecnologia.

Catalogação elaborada por: Evelin Stahlhoefer Cotta – CRB 10/1563

CDU 6


Expediente Produção Executiva Pluralcom | Inteligência Corporativa Gerência Executiva Greta Mello Coordenação de Arte e Produção Gráfica Wagner Lettnin Textos e pesquisa Paulo César Teixeira Design Felipe Knop e Marcelo Almeida Revisão Lígia Halmenschlager


Índice 18 A criação 24 Como chegamos até aqui 40 O que fizemos e fazemos 41 48 56 58 60 64 68 76 78 82 84 92 96

Um direito de cidadania Energia em abundância Ganho em dobro Os benefícios da era digital Corrente de credibilidade Absorção atômica: dos primórdios aos dias de hoje O protagonismo da Cientec Destaques no campo A natureza como prioridade Um trabalho sólido e reconhecido A preservação da identidade A proteção do trabalho intelectual na Cientec Notas

98 Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro 99 104 106 110 116 122

Uma questão de qualidade Em defesa do consumidor Selo de garantia Inovação a bordo Em nome da natureza Um abrigo para a inovação

128 Depoimentos


Prefácio

Uma trajetória marcada pela inovação É com imensa satisfação que passamos às mãos dos leitores a publicação que reconstitui a trajetória de 70 anos da Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec. Resgatar a história desta entidade, desde as suas origens, é retratar uma importante etapa da história do desenvolvimento econômico e social do povo gaúcho. Desde que foi criada, em dezembro de 1942, com a denominação de Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul – Iters, a Cientec ganhou destaque no cenário nacional em função do excelente conceito que alcançou entre as instituições brasileiras voltadas para a pesquisa e a prestação de serviços tecnológicos. Desse modo, nas últimas sete décadas, ela vem prestando suporte ao movimento de Luiz Antonio Antoniazzi, presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec

crescimento e inovação da economia do estado e do país. Como uma entidade pública de direito privado, que atualmente está vinculada à Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Estado do Rio Grande do Sul, a Cientec busca contribuir para o desenvolvimento da sociedade através de ações em tecnologia industrial básica, pesquisa e inovação tecnológica. Em última instância, tem como objetivo qualificar a produção industrial e aumentar a competitividade dos produtos gaúchos. Transformada em fundação por meio da Lei n° 6.370, de 6 de junho de 1972, a instituição possui modernas instalações em sua sede em Porto Alegre e no campus avançado de Cachoeirinha, as quais totalizam mais de 18 mil metros quadrados construídos, onde atuam cerca de 300 profissionais. A Cientec possui um legado de credibilidade e competência técnica, e este legado constitui seu maior patrimônio, o qual deve ser preservado. Uma das mais antigas entidades dedicadas à pesquisa tecnológica no Brasil, ela construiu ao longo de sua trajetória uma cultura com base nas premissas da isenção e da independência. Assim, quando é necessário assumir a posição de laboratório de

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Os 70 anos da CIENTEC

terceira parte para arbitrar e mediar divergências, estes dois atribu-

Sede da Cientec em Porto Alegre

tos se mostram preponderantes. É exatamente esta postura consolidada em sua longa história que faz com que a instituição resista ao tempo e às mudanças constantes provocadas pelo desenvolvimento econômico e social do estado. Além de realizar ensaios para verificar a conformação de produtos ou processos às normas ou às especificações determinadas pela legislação, a Cientec desenvolve novos produtos ou melhorias em produtos já existentes.

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Prefácio A cada ano, a entidade produz 85 mil ensaios tecnológicos, os quais geram 14,8 mil laudos. O universo de clientes da entidade abrange desde grandes empresas, especialmente do setor industrial, até órgãos do poder público, incluindo também pessoas físicas. Cerca de 80% dos clientes estão em território gaúcho. O restante se distribui em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Uma das características da atuação da Cientec é a diversificação das áreas de conhecimento nas quais está presente. Esse caráter multidisciplinar é característica dos institutos tecnológicos industriais. Atualmente, a Fundação atua com vigor nas áreas de Campus avançado de Cachoeirinha

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eletroeletrônica, alimentos, química e metal-mecânica. Fora isso,


Os 70 anos da CIENTEC

desenvolve importantes atividades junto à indústria da construção civil, que estão relacionadas à geotecnia em grandes obras viárias, como rodovias e pontes, além de edificações e materiais de construção. Trabalha ainda em projetos que contribuem para a redução de danos ao meio ambiente, os quais envolvem fontes renováveis de biomassa e biocombustíveis. Ao longo do tempo, a Cientec realizou pesquisas pioneiras na América Latina, como, por exemplo, os trabalhos promovidos para a elevação da qualidade do arroz parboilizado produzido no Brasil. Boa parte da legislação formulada no país a respeito dos processos de higienização da produção de arroz foi determinada pelos estudos realizados pelos pesquisadores da Cientec. Em função da experiência acumulada, a entidade é também uma das instituições de pesquisa com maior expertise na pesquisa sobre o carvão mineral no Brasil. Já na década de 1970, desenvolveu trabalhos relevantes com as pesquisas de combustão e gaseificação do carvão em leito fluidizado borbulhante, tecnologia que demonstrou estar perfeitamente adequada às características peculiares do carvão brasileiro. Efetuada através dos processos Cicom, Civogás e Cigás, estas tecnologias patenteadas junto ao INPI foram transferidas para o setor industrial. Além disso, a Cientec elaborou valiosos estudos para a transformação de resíduos em material de maior valor agregado. Um exemplo é a aplicação de cinzas de carvão para a produção de blocos para a indústria da construção civil. Por fim, em 2012, a atuação da Cientec neste setor ganhou um ingrediente ainda mais inovador com a inauguração da Planta-Piloto de Pesquisa em Leito Fluidizado Circulante, a qual possui características que permitem gerar maior eficiência energética com menor impacto sobre o meio ambiente. A Cientec é pioneira ainda em programas interlaboratoriais que asseguram a confiabilidade dos resultados de ensaios químicos na área de alimentos. Desse modo, vem contribuindo intensamente para o fortalecimento da rede laboratorial brasileira, bem como para a saúde e a segurança alimentar da população. Além disso, a

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Prefácio

Vista aérea da sede da Cientec em Porto Alegre, na rua Washington Luiz

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Os 70 anos da CIENTEC

instituição é apontada como referência técnica também na área de restauração de prédios de importância histórica, artística e cultural. Exemplo marcante da atuação da Cientec nesta área, a restauração das fachadas do Palácio Piratini representou um marco na área de recuperação de prédios históricos no Rio Grande do Sul. Cabe destacar ainda que a Cientec foi um dos primeiros institutos tecnológicos do país a implantar um sistema da qualidade, já no começo dos anos 1990, o que reforçou ainda mais sua imagem de competência e confiabilidade. Fruto deste trabalho pioneiro, o primeiro laboratório da entidade a ser acreditado pelo Inmetro foi o de Interferência Eletromagnética, em 1998. Atualmente, a Cientec conta com nove laboratórios e mais de 500 serviços, ensaios e calibrações acreditados junto ao Inmetro nas áreas de geotecnia, alimentos, engenharia eletroeletrônica, química e de combustíveis. Outra preocupação sempre presente nas atividades da Cientec é a de incentivar o empreendedorismo de agentes que buscam a inovação em produtos e processos. Não por acaso, a ITCientec – criada em 1999 – foi uma das primeiras incubadoras de base tecnológica constituída em solo gaúcho. Desde sua fundação, já abrigou 51 empresas em áreas de ponta como biotecnologia e nanotecnologia, só para citar dois exemplos. Preservar os princípios básicos que norteiam a trajetória da Cientec, como os conceitos de credibilidade, isenção e independência, agregando a eles o estudo avançado das novas tecnologias que se mostram imprescindíveis nos dias atuais, de modo a conciliar passado e futuro. Este é o objetivo da Cientec ao completar 70 anos de vida. Boa leitura!

Luiz Antonio Antoniazzi Presidente da Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec

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Linha do tempo

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1942

1946

1948

Em 11 de dezembro, é criado o Instituto Tecnológico do Estado do Rio Grande do Sul – Iters, que se instala dentro do campus da Ufrgs.

O Iters é elevado à condição de primeira autarquia do estado no dia 13 de fevereiro.

Após organizar a seção de Metrologia, o Iters passa a ser o órgão metrológico oficial do RS por determinação do Instituto Tecnológico Nacional.

1962

1963

1969

Com a colaboração do professor Boris Alpern, a Cientec promove o primeiro curso realizado em toda a América Latina sobre Petrografia de Carvão e sobre Palinologia.

No Congresso Internacional de Geologia e Estratigrafia, realizado em Paris, foi apresentado o Estudo Químico e Petrográfico dos Carvões Brasileiros, iniciado dois anos antes na Cientec, que representa importante base para trabalhos desenvolvidos posteriormente sobre o tema. Cabe destacar ser esta a primeira publicação em que os carvões brasileiros são estudados sob o ponto de vista petrográfico.

Os tecnologistas Alfieri Felix Gobetti e Arnaldo Scarrone desenvolvem tecnologia sobre adição de cinzas da combustão do carvão da Usina Termoelétrica de Charqueadas ao cimento Portland. O resultado é economia aliada ao aumento da resistência final do novo produto. Esse conhecimento foi estendido às cinzas de casca de arroz na década seguinte pela Votorantin.


Os 70 anos da CIENTEC

1949 O Iters consolida sua atuação como instituto prestador de serviços tecnológicos para órgãos públicos e para a iniciativa privada no RS.

1971/72 Em colaboração com o professor Boris Alpern e Jean Pierre Ybert, foi apresentado no Congresso de Schefield, Inglaterra, o primeiro estudo realizado sobre Palinologia de carvão brasileiro. O Iters é transformado na Fundação de Ciência e Tecnologia, através da Lei n° 6.370, de 6 de junho de 1972, ao mesmo tempo em que ganha maior autonomia administrativa.

1952 O pesquisador Nélson Gutheil, último diretor do Iters, publica na Alemanha estudos que viriam a ser aproveitados no Pró-Álcool e aprovados posteriormente pelo Instituto Pasteur – França. Por demanda da Varig e da Sud-Aviation – França, Gutheil desenvolve pesquisa sobre um fungo que causava danos às turbinas a jato surgidas no pós-guerra.

1974 É promulgada a Lei 6.719/74, a qual determina que a Cientec execute compulsoriamente a verificação da qualidade de todas as obras contratadas pelo governo do estado do RS cujo valor total exceda o equivalente a 3 mil saláriosmínimos.

1959 Iniciam as obras para a construção da sede própria na rua Washington Luiz, no Centro de Porto Alegre. A transferência para a nova área ocorre por etapas a partir da década seguinte.

1976 Começam as pesquisas de combustão e gaseificação do carvão em leito fluidizado através dos processos Cicom, Civogás e Cigás. Patenteadas junto ao INPI, as tecnologias serão transferidas para o setor industrial nos anos 1980 e 1990.

A Cientec realiza Pesquisa Exploratória juntamente com o Instituto Francês de Petróleo para a implantação do Polo Petroquímico em Triunfo, visando ao desenvolvimento da petroquímica no Rio Grande do Sul.

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Linha do tempo

16

1978

1979

1982

Uma área de 90 hectares junto ao Distrito Industrial de Cachoeirinha é doada em regime de comodato para construção do campus avançado da Cientec. As obras começam ainda em 1978. Mais tarde, a entidade ganha a posse definitiva do terreno.

O Departamento de Engenharia de Processos é o primeiro a se transferir para o campus de Cachoeirinha. A seguir, outras áreas se instalam na nova sede.

Milton Luiz Laquintinie Formoso recebeu o Prêmio Mérito à Pesquisa como Pesquisador pelo governo do RS.

2000

2002

2004

Tem início o trabalho realizado pela Cientec para a restauração das fachadas do Palácio Piratini, que se estende até 2006, constituindo um marco na área de recuperação de prédios históricos no Rio Grande do Sul.

A Cientec promove na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – Fiergs o 160o Congresso

Os pesquisadores da Cientec desenvolvem projetos na área do biodiesel, que se estendem ao longo da segunda metade da década.

Internacional das Instituições de Pesquisa Tecnológica – Waitro. É a primeira vez que um evento desse porte acontece na América Latina. Com o tema O Papel das Instituições de Pesquisa Tecnológica no Mundo Globalizado, o encontro reúne representantes de 34 países.


Os 70 anos da CIENTEC

1991

1993

1998

Inicia o processo de capacitação em qualidade dos servidores da Cientec. Dois anos depois, estes funcionários criam a Comissão Executiva da Qualidade, que se transforma em Programa Qualidade Cientec em 1994.

A Cientec completa três dezenas de transferências da tecnologia Cicom, utilizando como combustível carvão mineral, casca de arroz, casca de castanha do Pará e madeira picada.

O Laboratório de Interferência Eletromagnética é o primeiro da Cientec a ser acreditado junto ao Inmetro. Atualmente, a entidade conta com nove laboratórios e mais de 500 serviços, ensaios e calibrações acreditados junto ao Instituto.

2006

2010

2012

A Cientec participa do Sistema de Avaliação de Conformidade de Componentes Eletrônicos (SAC-CE), projeto coordenado pelo Centro de Tecnologia da Informação da Unicamp. É o primeiro passo para a montagem de uma estrutura para testes de circuito integrado.

É criado o primeiro protótipo do Sisnavega, programa que busca desenvolver, construir e testar um sistema de controle e operação para embarcações e navios composto de subsistemas eletrônicos integrados.

É inaugurada a Planta-Piloto de Pesquisa em Leito Fluidizado Circulante, que atende às soluções ambientalmente adequadas para a geração termoelétrica à base de carvão mineral.

A Cientec recebe o prêmio Gerdau na Expointer com o desenvolvimento de uma carreta agrícola tracionada em conjunto com a Fundição Jacuí e o Irga. No ano seguinte, recebe o prêmio Distinção Indústria da Fiergs.

O Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia – Nitt da Cientec é instituído na entidade para encaminhar os pedidos de patentes junto ao INPI.

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A criação

A criação

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Os 70 anos da CIENTEC

Embora oficialmente o calendário ainda estives-

Com a marca da inovação, o Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul – embrião da Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec – surgiu em 1942 com a missão de produzir pesquisa tecnológica para dar suporte ao desenvolvimento econômico-social do Rio Grande do Sul

se posicionado na estação da primavera, o dia 11 de dezembro de 1942 foi abafado, como os mais característicos dias de verão em Porto Alegre. Na época, a cidade contava com pouco mais de 350 mil habitantes. Desde que tivera início a 2ª Guerra Mundial, em 1939, os porto-alegrenses enfrentavam a escassez de vários bens de consumo, o que – em contrapartida – incentivou o aparecimento de novas indústrias, principalmente metalúrgicas, químicas e de tecelagens. No contexto dessa incipiente industrialização, surgiam no horizonte novas exigências no campo da pesquisa e do conhecimento. Não é de admirar, portanto, que, naquele dia de calor de dezembro de 1942, o Interventor Federal do Rio Grande do Sul, Oswaldo Cordeiro de Farias, tenha assinado na capital gaúcha o ato de criação do Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul – Iters, através do Decreto-Lei nº 282. Com uma proposta inovadora, o Iters – que

Indústrias

daria origem à Fundação de Ciência e Tecnologia –

A maioria das indústrias tinha se instalado na área da várzea do rio Gravataí, na zona norte de Porto Alegre, que estava sendo ocupada em grande parte por pessoas que haviam abandonado o campo em busca de emprego e melhores condições de vida na capital.

Cientec, criada em 1972 – chegava para dotar o estado de uma instituição capaz de realizar pesquisas tecnológicas de interesse da indústria, especialmente do setor de construção civil. A entidade estava ca-

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A criação pacitada ainda para colaborar na elaboração de padrões e normas para o fornecimento de materiais, além de desempenhar a função de laboratório oficial do estado do RS para ensaios de materiais e metrologia. Os registros da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (constituída em 1930) indicam que já na década anterior à fundação do Iters havia um questionamento quanto à necessidade da criação de um organismo voltado para a pesquisa tecnológica. Na sessão do Conselho Diretor da entidade, realizada em 31 de janeiro de 1934, por exemplo, o engenheiro Gabriel Pedro Moacyr se pronunciou a respeito da montagem do Laboratório de Ensaios em Materiais para alavancar o desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul. De acordo com o depoimento prestado pelo ex-diretor do Iters, Franklin Gross, a origem do Instituto Tecnológico remonta ainda a 1937, ano em que foi fundado o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do RS – Daer, com quem o Iters manteve, e, mais tarde, a Cientec continuou mantendo estreita relação. Coube ao primeiro diretor-geral do Daer, José Baptista Pereira, a ideia da instalação de um Laboratório de Ensaios de Materiais no órgão estadual, tarefa que ele executou com a preciosa colaboração de Gross. Assim, o Laboratório de Ensaios de Materiais do Daer, sob a coordenação de Gross, foi instalado dentro da Escola de Engenharia da Universidade de Porto Alegre (que seria transformada em Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1950), a qual já dispunha de um Gabinete de Ensaios de Materiais, dirigido por Frederico Werner Grundig. Até a cria-

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Em 1941, Antonio Meireles Leite, que ocupava o cargo de secretário de Estado dos Negócios das Obras Públicas, nomeou uma comissão para elaborar o projeto de regulamentação de um instituto de pesquisas técnicas Pátio interno do Iters no campus da Ufrgs


Os 70 anos da CIENTEC

Instalações do Iters dentro da Universidade

ção do instituto, eram estes dois laboratórios que

na efetiva instalação do Iters a partir de dezembro

atendiam à demanda de ensaios solicitados pelo co-

do ano seguinte. A entidade ocupou o prédio que

mércio, pela indústria e pelas repartições públicas no

atualmente abriga o Museu da Ufrgs, alojando-se a

território gaúcho.

seguir em pavilhões distribuídos no interior do cam-

Em 1941, Antonio Meireles Leite, que ocupava o cargo de secretário de Estado dos Negócios das Obras

pus da Universidade, conforme ampliava o espectro de suas áreas de pesquisa.

Públicas, nomeou uma comissão para elaborar o pro-

Em sua fase inicial, o Iters foi administrado por

jeto de regulamentação de um instituto de pesquisas

um Conselho Deliberativo, o qual exercia as funções

técnicas, conforme consta no parecer de 16 de junho

de orientar e controlar suas ações. O primeiro presi-

daquele ano. Os trabalhos dessa comissão resultaram

dente deste órgão foi Írio do Prado Lisboa. Naquele

O Iters chegava para dotar o estado de uma instituição capaz de realizar pesquisas de caráter experimental de interesse da indústria e do setor de construção civil 21


A criação período, o organograma previa também a figura de um diretor, encarregado de gerir os negócios da instituição com autonomia, embora estivesse subordinado às diretrizes que eram estabelecidas pelo Conselho Deliberativo e aprovadas pelo governo do estado. Ivo Wolf foi designado para cumprir a função neste momento inicial. Havia ainda um Conselho Técnico, presidido pelo diretor e constituído pelos chefes de Seção, que prestavam assistência à direção da entidade. Logo após a criação do Iters, foram chamados para colaborar na organização do instituto outras personalidades, como os professores Alexandre Martins da Rosa e Batista Pereira, da Escola de Engenharia,

A entidade inicialmente instalou-se onde atualmente está abrigado o Museu da Ufrgs, alojandose a seguir em outros prédios distribuídos no interior do campus da Universidade, conforme ampliava o espectro de suas áreas de pesquisa

e os engenheiros João Protásio Pereira da Costa, da Secretaria de Obras Públicas; Ângelo Pereira da Silva,

classe trabalhadora nacional, composta especial-

do Daer; Álvaro Ribas Velho, da Viação Férrea do Rio

mente pela população rural de São Paulo e do Rio de

Grande do Sul – VFRGS; e Homero de Oliveira, da

Janeiro que, em função da crise do café, abandonava

Prefeitura Municipal de Porto Alegre, entre outros.

o campo. A ela se somavam os primeiros movimentos

Todos deram sua parcela de contribuição para a cria-

migratórios de nordestinos para o centro do país.

ção de um organismo de pesquisa que passaria a pa-

O êxodo rural propiciou ainda a formação de um

vimentar o caminho do desenvolvimento econômico

mercado consumidor nas principais cidades brasileiras,

e social do estado, empunhando sempre a bandeira

abrindo caminho para a expansão do capitalismo. Além

do conhecimento, da tecnologia e da inovação.

disso, a diminuição do volume de importações devido às dificuldades do comércio exterior ocasionadas pela

Aplicação no dia-a-dia

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2ªGuerra Mundial possibilitou o desenvolvimento de

A criação do Iters está vinculada ao começo do

novas indústrias, sem a concorrência estrangeira, espe-

processo efetivo de industrialização do país, na déca-

cialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais

da de 1930, que acabaria por determinar a criação de

e Rio Grande do Sul. Neste contexto, Getúlio Vargas

institutos de pesquisa tecnológica em várias regiões.

investiu na implantação de uma infraestrutura ca-

Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, perdeu

paz de dar suporte à incipiente industrialização do

força a oligarquia rural que até então dominava a

país, com a criação de organismos como o Conselho

economia brasileira, em favor de uma classe indus-

Nacional do Petróleo (1938), Companhia Siderúrgica

trial ascendente. Ao mesmo tempo, a mão-de-obra

Nacional (1941), Companhia Vale do Rio Doce (1943) e

imigrante foi aos poucos sendo substituída por uma

Companhia Hidrelétrica do São Francisco (1945).


Os 70 anos da CIENTEC

Prédio onde tudo começou abriga hoje o Museu da Ufrgs

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Como chegamos até aqui

Como chegamos até aqui

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Os 70 anos da CIENTEC

Criado a partir de um movimento de modernização do Rio Grande do Sul, o qual demandava a

Da criação do Iters à transformação em Cientec, passando pela transferência para a nova sede na área central da capital gaúcha e a construção do campus de Cachoeirinha, consolidou-se a trajetória de uma entidade de referência na região Sul do Brasil

realização de grandes obras de infraestrutura, como pontes e estradas, o Iters foi alçado em 13 de fevereiro de 1946 à condição de autarquia estadual. Na realidade, o Instituto Tecnológico constituiu-se na primeira autarquia do estado, o que demonstra a importância que ganhou em seus primeiros anos de existência. Sem dúvida, este foi um período de expansão de suas atividades, no qual a entidade passou a contar com mais recursos disponíveis, além de maior autonomia administrativa. Dessa forma, pôde reunir as condições necessárias para incrementar os serviços prestados tanto aos órgãos do governo do estado quanto ao comércio e à indústria do RS. Logo após o começo de suas atividades, o Iters incorporou em seus quadros profissionais procedentes, em sua maioria, dos laboratórios que lhe serviram de base – a saber, o Laboratório de Ensaios de Materiais do Daer e o Gabinete de Ensaios de Materiais da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com suas instalações dentro do campus­da Ufrgs, o Instituto esteve fortemente vinculado à instituição de ensino em suas

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Como chegamos até aqui primeiras décadas de existência.

da Seção de Aglomerados e Concretos, ganhando

As atividades se concentraram nesse período em

autonomia a área de Metais e Metalografia. Um

algumas áreas específicas, como o setor de materiais de

ano depois, foi a vez de a Seção de Identificação

construção, com a criação da Seção de Aglomerantes e

Micrográfica de Madeiras desmembrar-se com a cria-

Concretos; de madeiras, com a Seção de Identificação

ção da Seção de Madeiras, de imediato encarrega-

Micrográfica de Madeiras; de solos, com a Seção de

da de proceder ao estudo das propriedades físicas e

Solos e Fundações; e a de Química e de Combustíveis.

mecânicas, bem como das aplicações, tratamento e

Constituída como área própria em 1945, esta última

preservação de nossas madeiras. Com o surgimento

trabalhava com uma série de itens, a exemplo de ce-

da Seção de Botânica Tecnológica, foi extinta a de

râmica, couro, combustíveis, tecidos e outros materiais.

Identificação Micrográfica de Madeiras.

Em julho de 1946, houve o desmembramento

Em outubro de 1948, organizou-se a Seção de Metrologia, por meio do Decreto-Lei Federal no 592,

Em 1946, o Iters se transformou na primeira autarquia do estado do Rio Grande do Sul

de 04/8/1948, que dispunha sobre o sistema legal de unidades de medida. Por delegação federal concedida pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT, o Iters passou a ser oficialmente o órgão metrológico estadual no RS.

Começo das obras da sede própria

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Os 70 anos da CIENTEC

Fase inicial da construção da sede em Porto Alegre

A publicação Iters/Cientec – 50 anos de histó-

1952 caracterizou-se por uma ampla autonomia ad-

ria, publicada em 1992, informa que, já em 1949,

ministrativa, que proporcionou o crescimento acen-

o Instituto Tecnológico contava com um expressivo

tuado do volume e das áreas de pesquisa desenvolvi-

número de trabalhos realizados. Entre eles, desta-

das pelo Iters. Cabe mencionar ainda que, em 1949,

cavam-se as pesquisas sobre a caracterização física

foram adquiridos equipamentos modernos para to-

e mecânica de madeiras de essências nativas do es-

dos os serviços da instituição.

tado; composição de concretos; pontes; fundações de edifícios; pistas de aeroportos; pavimentação de

Projetos em destaque

estradas de rodagem; matérias-primas cerâmicas;

Em 1952, a exemplo dos demais órgãos do go-

combustíveis; processos de curtimento; fertilizantes;

verno do RS, o Iters foi enquadrado na Lei Estadual

tintas; vernizes; farelo de arroz; industrialização de

nº 2020, que reduziu bastante a autonomia admi-

cana-de-açúcar; álcool; tecidos e fibras, entre outros.

nistrativa da entidade, a qual passou a submeter-se

Em síntese, o período que se estende de 1946 até

às normas do serviço público do Estado. Contudo, de acordo com a publicação comemorativa ao cinquen-

Por delegação federal concedida pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT, o Iters passou a ser oficialmente o órgão metrológico estadual no RS

tenário do Iters, embora com menor intensidade, o Instituto Tecnológico continuou apresentando profícua produção nos anos subsequentes até a sua transformação em fundação, no começo dos anos 1970. Neste período, merecem destaque os estudos sobre refratários sílico-aluminosos; comportamento de barragens de terra, pontes e grandes estruturas; obtenção de gás de carvão mineral; corrosão por fungos;

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Como chegamos atĂŠ aqui

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Os 70 anos da CIENTEC

Início das obras do campus avançado de Cachoeirinha

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Como chegamos até aqui fragilização de armaduras para concreto protendido, produzida por hidrogênio; chapas e tiras finas de aço-carbono para estampagem; estudos minuciosos sobre as árvores do RS; estudos petrográficos dos carvões nacionais; aproveitamento de cinzas de carvão mineral na produção de cimento pozolânico; desenvolvimento de processo industrial da inativação da lipase e extração

A Lei n° 6.370, de 6 de junho de 1972, constituiu a Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec como sucessora do Iters

do óleo de farelo de arroz; caracterização físico-me-

ratórios e áreas administrativas. O início das obras da

cânica, de preservação e aproveitamento de essências

sede localizada na rua Washington Luiz, no Centro

florestais do estado; área de couros e caracterização de

de Porto Alegre, data de 11 de dezembro de 1959.

argilas gaúchas, visando seu aproveitamento industrial.­

Porém, a transferência definitiva para as novas insta-

Convém salientar que o Iters esteve ainda presente

lações somente iria se consumar 13 anos depois.

em projetos importantes para o RS e o país, prestan-

Em paralelo à construção da nova sede, foram

do serviços como o controle tecnológico do concreto

iniciados os estudos para a transformação do Iters

utilizado nas obras de construção da Refinaria Alberto

em fundação, em virtude das dificuldades que a

Pasqualini – Refap, em Canoas; do Terminal Marítimo

instituição enfrentava como autarquia estadual. Os

Almirante Soares Dutra – Tedut, próximo a Tramandaí;

planos foram transformados em realidade através da

e na parte final do arco da Ponte Internacional Brasil-

Lei n° 6.370, de 6 de junho de 1972, que constituiu

Paraguai. Nesta última obra, o Iters realizou também o

a Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec como

controle do cimbre metálico. A entidade efetuou igual

sucessora do Iters. Funcionários e patrimônio do

procedimento no aterro das obras da Central Estadual

Instituto Tecnológico foram colocados à disposição

de Abastecimento S/A – Ceasa do RS e na instrumenta-

da nova entidade, que passou a contar com plano de

ção da Barragem do Passo Real, entre outros relevantes

pessoal, estatutos próprios e maior autonomia admi-

projetos. Esteve igualmente presente na construção do

nistrativa. É importante salientar que os estatutos da

vão móvel da Travessia Getúlio Vargas.

Fundação determinam explicitamente que a Cientec funcione como laboratório e consultoria técnica ofi-

Transformação e recomeço

cial do Estado do Rio Grande do Sul. A transforma-

Frente à ampliação de suas atividades de pesqui-

ção do Iters em Cientec é acompanhada pela conclu-

sa, a Cientec passou a necessitar de um espaço pró-

são do processo de transferência para a sede própria

prio, desvinculado da Ufrgs, para instalar seus labo-

na rua Washington Luiz.

Travessia Getúlio Vargas Conhecida popularmente como Ponte do Guaíba, a Travessia Getúlio Vargas foi inaugurada em 1958. Antes de sua construção, o transporte entre Porto Alegre e Guaíba era feito através de barcas que partiam da Vila Assunção, na zona sul da capital gaúcha.

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Os 70 anos da CIENTEC

Placa de inauguração das obras para construção da sede

Entre 1972 e 1975, a Cientec promoveu a reestru-

de capacitação de recursos humanos, o que permitiu

turação e o planejamento de sua forma de atuar, em

o desenvolvimento de importantes projetos, como o

um período de transição dos antigos serviços e seto-

que foi implantado na área do carvão, a partir da

res do Iters para o trabalho de equipe em que se cons-

segunda metade da década de 1970.

tituem os projetos de Pesquisa e Desenvolvimento

Dentre as atividades desenvolvidas pela Cientec,

da Fundação. Nesta fase, houve grande autonomia

logo após sua criação, destacam-se as de Diagnósticos

e abundância de recursos, o que propiciou a aqui-

Setoriais da Indústria de Conservas Vegetais de

sição de diversos equipamentos. Já de 1975 a 1980,

Pelotas/RS e do Setor Metal-Mecânico do RS, além de

como fruto desta reestruturação, ocorreu um grande

várias pesquisas exploratórias, como tijolos sílico-alu-

salto de qualidade nas atividades da Cientec, quan-

minosos, produtos farmacêuticos e ferramentas ma-

do foram constituídos os Programas de Pesquisa e o

nuais. Nos anos subsequentes, dezenas de produtos e

Programa de Assistência às Indústrias – PAI. Pela pri-

processos inovadores foram repassados para o setor

meira vez, a entidade desenvolveu um plano efetivo

empresarial, com destaque para a Proteína Vegetal

31


Como chegamos até aqui

Nova sede em construção nos anos 1970

32


Os 70 anos da CIENTEC

Texturizada – PVT, novos materiais para a construção civil e as linhas de pesquisa associadas aos estudos sobre a conversão do carvão mineral gaúcho através da combustão e da gaseificação. A Cientec contribuiu ainda com grandes obras, como a construção do Túnel da Conceição e dos edifícios do Centro Administrativo do Estado do RS – Caergs e do Instituto de Previdência do Estado do RS – Ipergs, em Porto Alegre. No começo da década de 1990, de forma pioneira, a Cientec dá início ao projeto de implantação do Sistema de Qualidade da entidade, que resulta na filiação de muitos de seus laboratórios à Rede

Com um espaço privilegiado e de fácil acesso, o campus de Cachoeirinha propiciou a montagem de plantas de maior escala para o desenvolvimento das atividades de pesquisa da instituição

Metrológica-RS e na acreditação junto ao Inmetro. Com certeza, essas credenciais ajudaram a tornar a

montagem de plantas de maior escala para o desen-

Cientec uma entidade de referência na região Sul

volvimento das atividades de pesquisa da instituição.

do Brasil naquilo que diz respeito a ensaios e calibra-

As obras tiveram início já em 1978, com a im-

ções, especialmente nas áreas de eletroeletrônica,

plantação de calçamento e das redes de água e esgo-

alimentos, química, materiais de construção civil e

to. No ano seguinte, o Departamento de Engenharia

mecânica e tecnologia de rochas e solos. Além disso,

de Processos foi o primeiro a se transferir para

desde então, há um contínuo crescimento no núme-

Cachoeirinha. A seguir, foi a vez do Departamento

ro de ensaios e laudos produzidos pela instituição.

de Engenharia Eletroeletrônica, além do Laboratório de Cromatografia, que pertencia ao Departamento

Campus de Cachoeirinha

de Química. Atualmente, o campus abriga ainda

Em 1978, a Cientec recebeu a doação de uma

um setor administrativo, com auditório e refeitó-

área de 90 hectares junto ao Distrito Industrial de

rio, o almoxarifado, o Laboratório de Materiais

Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto

de Saneamento (vinculado ao Departamento de

Alegre, uma vez que as instalações na sede no

Engenharia Metal-Mecânica) e a Incubadora da

Centro de Porto Alegre já não comportavam a

Cientec, além da oficina mecânica pertencente ao

grande expansão verificada na área de Pesquisa e

Departamento de Manutenção. Ali estão instaladas

Desenvolvimento. Com um espaço privilegiado e de

ainda diversas plantas, como as de gaseificação, com-

fácil acesso, o campus de Cachoeirinha propiciou a

bustão, calcinação, unidade de preparação de sóli-

Área de 90 hectares O terreno foi doado em regime de comodato pelo antigo Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais – Deprc para a construção do campus. Atualmente, a Cientec detém a posse definitiva da área.

33


Como chegamos atĂŠ aqui

34


Os 70 anos da CIENTEC

Campus avanรงado nos dias de hoje

35


Laboratório de Vidros, que mantém-se em atividade até os dias atuais, em foto dos primórdios da Cientec

Áreas históricas de apoio

36

Alguns setores básicos de apoio administra-

vada nos anos 1990, a oficina contribuía, no seu

tivo e infraestrutural desempenharam papel pre-

auge, com a fabricação de pequenas peças, uten-

ponderante na trajetória do Iters/Cientec ao dotar

sílios e ferramentas, bem como com a produção

a instituição de autonomia e agilidade, atributos

de grandes equipamentos, tais como reatores,

necessários ao bom desempenho de suas funções.

moegas, implementos agrícolas, acessórios etc.

Um exemplo é o setor de madeiras, desativado

Já o Laboratório de Vidros mantém-se em ati-

nos anos 1990, que se localizava em uma área ex-

vidade até os dias atuais no Prédio 8 da sede cen-

terna à entidade, na rua Passo da Pátria (bairro

tral da Cientec. O laboratório produz peças espe-

Bela Vista, em Porto Alegre). Até a data de sua

ciais e providencia consertos em todos os tipos de

desativação, dedicava-se, entre outras coisas, à

vidrarias de uso laboratorial. Além das demandas

confecção de todos os móveis necessários para o

internas, atende também a solicitações externas,

funcionamento da instituição. Igualmente desati-

constituindo-se em uma referência no RS.


Os 70 anos da CIENTEC

dos e unidade de limpeza de água de processos, bem Dinamômetro usado na antiga oficina

como as salas de controle dos equipamentos.

Experiência que ensina Em setembro de 2012, Ivo da Rosa completou nada menos do que 64 anos de atividades profissionais na Cientec. “Entrei no antigo Iters em 1948, com 18 anos de idade”, conta ele, orgulhoso. Antes, dos 12 aos 15, havia realizado um curso de artífice de mecânico na Aeronáutica. Ainda trabalhou durante dois anos na metalúrgica Nossa Senhora do Carmo, que ficava no edifício Santo Onofre, na avenida Alberto Bins, na área central da capital gaúcha. “Naquela época, pouca gente falava em tecnologia, mas eu já havia aprendido muita coisa sobre o assunto no curso da Aeronáutica”. Desse modo, quando o rapaz ouviu o namorado de uma prima falar que trabalhava em um instituto

Quando o Iters completou 15 anos, em 1957, foram realizadas competições esportivas na sede campestre da Sociedade Ginástica de Porto Alegre – Sogipa. O pessoal da oficina se juntou com os carpinteiros para formar um time de voleibol, que se sagrou campeão 37


Como chegamos até aqui tecnológico, ele não perdeu tempo. Pensou em voz

tivas na sede campestre da Sociedade Ginástica de

alta: “Tenho que conseguir uma vaguinha nesse lu-

Porto Alegre – Sogipa. O pessoal da oficina se juntou

gar”. Dito e feito. Mal se apresentou ao gerente da

com os carpinteiros para formar um time de voleibol,

oficina do Iters, foi convocado de pronto. “Queria

que se sagrou campeão. “No primeiro jogo, contra os

que eu começasse a trabalhar naquela hora mesmo.

pesquisadores do Departamento de Química, ganha-

Tinha muito serviço e pouca gente para dar conta”.

mos de 20 pontos a zero”, recorda, sorrindo. Nas ho-

Ele começou como auxiliar de mecânico. Logo pas-

ras de folga, o colorado Ivo jogava futebol no Esporte

sou a mecânico, depois a artífice de mecânico, antes de

Clube Brasil, de Canoas, cidade onde vive desde 1940.

assumir o posto de técnico de manutenção de equipa-

“Eu era muito tímido. Arrumei uma atividade esporti-

mento científico. Hoje, trabalha no laboratório de PVC,

va para ver se descontraía um pouco”. Ele tem sauda-

montando e fazendo inspeção de caldeira. “Aprendi

des da companhia dos antigos colegas, que já se apo-

muita coisa aqui dentro”. O pessoal da oficina do Iters

sentaram ou faleceram. “O pessoal era muito unido

estava encarregado tanto de fabricar novos instrumen-

no tempo antigo”.

tos como de cuidar da manutenção dos já existentes.

Outro funcionário com uma longa trajetória na

“Não existia quase importação nesse ramo. Às vezes,

Cientec é Eugenio Hoinacki, que começou a trabalhar

o pesquisador trazia uma máquina do exterior e pe-

no antigo Iters em 1955, quando estudava Química

dia que fizéssemos alguma coisa igual ou parecida.

Industrial na Ufrgs. “Os laboratórios ficavam na área

Precisava ter muita criatividade”, conta Seu Ivo.

entre o atual Colégio de Aplicação, a Faculdade de

No final da década de 1950, o Iters ofereceu

Arquitetura e a rádio da Universidade”, relembra.

um curso de extensão de dois anos de duração para

Já a sede administrativa estava localizada no prédio

funcionários interessados em aprofundar seus co-

hoje ocupado pelo Museu da Ufrgs. Ele ingressou no

nhecimentos em Matemática, Português, História e

Iters como aluno-assistente, como era chamado o es-

Ciências, entre outras matérias. Quem dava as aulas

tagiário na época, mais precisamente no Núcleo de

eram os engenheiros do próprio instituto. Ao final do

Curtumes, que fazia parte do Laboratório de Química,

curso, Ivo ganhou as melhores notas. Não por acaso,

situado no porão do Instituto de Química da Ufrgs.

coube a ele fazer o discurso de agradecimento da

“Fazíamos ensaios de tanino e couro. Naquele tempo,

turma à direção do Instituto Tecnológico, no dia da

não havia muitas instituições com este tipo de pes-

formatura. Foi um acontecimento e tanto. Saiu até re-

quisa. Então, as indústrias do setor coureiro-calçadista

portagem no Correio do Povo, com a foto dos alunos

recorriam direto ao nosso pessoal para testar a quali-

com os diplomas nas mãos nas escadarias da Escola de

dade de materiais e componentes”.

Engenharia da Ufrgs. “Tenho o maior orgulho disso”, emociona-se Ivo. Quando o Iters completou 15 anos, em 1957, em comemoração foram realizadas competições espor-

38

Quando o setor de couros do Iters foi extinto, na década de 1960, Eugênio passou a atuar na área de borracha e plástico. Atualmente, ele coordena o Laboratório de Ensaios em Materiais da Cientec.


Os 70 anos da CIENTEC

Monumento construĂ­do na sede da Cientec em homenagem aos 60 anos da entidade

39


O que fizemos e fazemos

40


Os 70 anos da CIENTEC

Ao longo de sua trajetória, a Cientec prestou e continua prestando relevantes serviços tecnológicos em áreas estratégicas para o desenvolvimento do estado

Um direito de cidadania Investimentos que estão sendo realizados na área de saneamento básico resgatam uma dívida social histórica no país Desde o momento em que é coletada, até chegar à torneira do consumidor, a água potável percorre um longo caminho, no qual se depara com uma infinidade de equipamentos dos mais variados tipos – válvulas, tubos, conexões etc. Manter a qualidade da água durante este percurso é uma tarefa que envolve órgãos públicos e empresas privadas, as quais produzem uma gama de materiais, como aço carbono, poliéster reforçado com fibra de vidro, polietileno de alta densidade – Pead, PVC, concreto, ferro fundido, só para citar alguns exemplos. Para que tudo dê certo, normas técnicas na fabricação dos materiais precisam ser rigorosamente adotadas com o intuito não apenas de preservar a qualidade do produto entregue ao consumidor, mas também de evitar perdas que impliquem desperdícios e consequentes prejuízos para a rede de distribuição.

41


O que fizemos e fazemos As exigências quanto à qualidade e à estanquei-

Saneamento: futuro promissor

dade (ausência de vazamentos) da rede de esgoto

O setor de saneamento no Brasil está concluin-

não são menores. Quanto menos perdas houver, me-

do uma fase de reordenamento político e jurídico,

nor será o custo da empresa que realiza o serviço e,

que busca a universalização do acesso da população

em consequência, também menor será a tarifa paga

aos serviços públicos essenciais. “Não resta dúvida de

pelo consumidor. Aqui, o cuidado deve ser redobra-

que este reordenamento, juntamente com as demais

do para evitar a migração de qualquer elemento no-

políticas públicas adotadas desde a década de 1990,

civo para o solo ou para a água que será distribuída.

representa um importante passo para a redemocra-

Portanto, os materiais utilizados devem resistir, e

tização efetiva do Estado brasileiro”, afirma Arnaldo

muito bem, aos mais agressivos efluentes.

Dutra, diretor-presidente da Companhia Riograndense

A Cientec contribui com esse processo ao anali-

de Saneamento – Corsan. “A falta de saneamento cria

sar a conformidade dos equipamentos utilizados nas

duas classes de cidadãos e transforma pessoas em nú-

redes. O objetivo é verificar se eles estão de acordo

meros frios na estatística de quem ainda não conta

com as normas técnicas determinadas pela legislação.

com esses serviços essenciais à vida. É preciso vencer

Atualmente, a área de materiais de saneamento da

esta lacuna, uma ferida histórica que nos divide. O sa-

Cientec produz cerca de 500 laudos por ano. Outra

neamento está vivendo uma nova realidade, com um

atribuição da área de materiais de saneamento da

presente próspero e um futuro ainda mais promissor”,

Cientec é avaliar se o fornecedor do órgão público

acrescenta ele.

tem condições técnicas de fabricar o equipamento

Neste sentido, a criação da Secretaria Nacional de

que deverá ser utilizado nas redes. O trabalho da en-

Saneamento Ambiental, em 2003, foi extremamen-

tidade nesta área é igualmente reconhecido por sua

te importante à medida que propiciou ao governo

isenção e qualidade técnica. Entre as empresas inspe-

federal assumir o papel de articulador nacional do

cionadas, estão Tigre, Amanco, AVK (líder mundial

consenso para a fundação de um novo marco legal,

na fabricação de válvulas e equipamentos em ferro

que foi sancionado quatro anos depois com a Lei

fundido e aço inoxidável, com sede na Dinamarca),

no11.445/2007. “A Secretaria Nacional reorientou a

Grupo InterAtiva, dos Estados Unidos e a multinacio-

política com a criação de programas que chegaram

nal de origem francesa Saint-Gobain.

para fortalecer técnica e financeiramente os prestadores públicos de serviço de saneamento”, comple-

O trabalho da Cientec na área de saneamento é reconhecido por sua isenção e qualidade técnica 42

menta Dutra. Em paralelo, o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC se transformou em um instrumento de definição de linhas permanentes de financiamento das políticas públicas do setor. No PAC I, entre 2007 e 2010, foram contratados R$ 40 bilhões para saneamento. Até 2015, o PAC II deverá disponibilizar


Os 70 anos da CIENTEC

Obras de saneamento trazem desenvolvimento e qualidade de vida

43


O que fizemos e fazemos mais R$ 45 bilhões para serem investidos no setor. Este novo cenário trouxe para a Corsan a possibilidade de captar cerca de R$ 3 bilhões até o ano de 2015. “Garantimos também recursos inéditos para cidades com menos de 50 mil habitantes. Assim, faremos saneamento de maneira descentralizada e democrática, investindo em locais que pela primeira vez são colocados na rota dos grandes investimentos para o setor”, assinala o diretor-presidente da Corsan. Em curto prazo, estes investimentos prioritários permitirão que o tratamento de esgoto dê um salto significativo de qualidade. Grandes obras já estão em andamento tanto na região metropolitana de Porto Alegre quanto em outros municípios do Rio Grande do Sul. Através desses empreendimentos, em dez anos essas cidades poderão atingir a universalização do serviço, assegura Dutra.

Uma história de conquistas Mas como tudo isso começou? Na realidade, o crescimento das cidades gaúchas, com o consequente incremento da demanda por saneamento, determinou a criação da Corsan, que foi fundada em 21

A avaliação da conformidade dos equipamentos contribui para preservar a qualidade das redes de água e esgoto, evitando perdas que impliquem desperdícios e consequentes prejuízos 44

Equipamentos passam por avaliação de conformidade


Os 70 anos da CIENTEC

de dezembro de 1965 e oficialmente instalada em 28 de março de 1966. Ela foi constituída como uma empresa de economia mista, sendo que 99,9% do seu capital pertence ao governo do estado do RS. O restante está dividido entre os municípios de Lajeado,

A Corsan possui 24.000 km de redes de água, número que supera a distância entre o Brasil e a Austrália

Estrela, Rosário do Sul, Quaraí, Muçum, São Marcos, Carazinho e Cerro Largo.

meta universalizar os serviços de saneamento (água,

Atualmente, a Corsan está consolidada como

esgoto, drenagem e resíduos sólidos) no país em 20

uma das mais importantes companhias de saneamen-

anos. Para isso, são necessários recursos da ordem de

to do país. Em recente estudo publicado em uma re-

R$ 400 bilhões. No Rio Grande do Sul, para garantir

vista de economia e negócios, ela foi apontada como

a universalização do sistema de esgoto, será necessá-

a maior empresa de serviços públicos da região Sul

rio investir cerca de R$ 7 bilhões nas próximas duas

do Brasil e também como a 16 maior Companhia do

décadas. “Entendemos que é possível atingir este ob-

Rio Grande do Sul. As redes de água da Corsan totali-

jetivo”, garante Arnaldo Dutra.

a

zam uma extensão de 24.000 km. Esse número supera a distância que existe entre o Brasil e a Austrália.

No momento, a Corsan possui 73 estações de tratamento de esgoto. Com os novos investimentos

Até 2015, a Companhia está prevendo investi-

previstos nos PACs 1 e 2, entre obras em andamen-

mentos na ordem de R$ 132 milhões em um progra-

tos e recursos que estão assegurados, a previsão é de

ma que irá viabilizar a substituição de 2.400 km de

construção de 42 novas ETEs, contabilizando cerca de

redes de água. Realizada com recursos próprios, a

93 milhões de m³ ao ano que serão tratados a mais.

iniciativa visa a aperfeiçoar os sistemas de abasteci-

Algumas cidades, como Canoas, Esteio, Sapucaia

mento, propiciando mais segurança na distribuição

do Sul, Passo Fundo, Cachoeirinha, Santa Rosa,

de água. Somente em 2012, R$ 33 milhões estão sen-

Rio Grande, Bento Gonçalves, Viamão, Carazinho,

do licitados. Historicamente, a Corsan sempre prio-

Alegrete, Venâncio Aires, Gramado, Canela e

rizou universalizar o serviço de abastecimento de

Cachoeira do Sul, que já estão recebendo recursos

água no estado – em 2012, o percentual de cober-

do PAC, poderão universalizar o serviço de esgota-

tura é de 98%. Mas existe outra frente de batalha

mento sanitário dentro de uma década.

para a qual são dirigidos esforços concentrados da Companhia atualmente. O Plano Nacional de Saneamento tem como

Além disso, mais de 300 obras de melhorias no sistema de abastecimento de água e esgoto dos municípios estão em curso. Somente nas obras do PAC 1, a

Corsan A Corsan abastece cerca de 7 milhões de pessoas que vivem em 325 cidades do Rio Grande do Sul. Com 5.286 funcionários, produz em média cerca de 42 bilhões de litros de água por mês.

45


O que fizemos e fazemos

Em recente estudo publicado em uma revista de economia e negócios, a Corsan foi apontada como a maior empresa de serviços públicos da região Sul do Brasil

mações à população. Uma das ações desenvolvidas pela empresa nesse sentido é o projeto de trabalho socioambiental, que pretende conscientizar os cidadãos sobre os benefícios gerados pelas obras de água e esgotamento sanitário. As atividades socioambientais da Corsan, de viés educativo e informativo, buscam proporcionar uma reflexão sobre a forma como a comunidade tem se relacionado com o saneamento. Além disso, fomentam a construção de canais de comunicação e de diálogo entre o cidadão e o poder

Corsan irá chegar ao final de 2015 com 100 km de no-

público, visando a incentivar o controle social.

vas redes de água e 478 km de novas redes de esgoto

Todas essas iniciativas estão diretamente relacio-

assentadas. “A Corsan é um dos órgãos do estado com

nadas ao objetivo do governo do estado de fortale-

maior potencial de investimento, e está promovendo

cer cada vez mais a Corsan. “Estamos realizando uma

um enorme ganho em qualidade de vida, inserção so-

série de mudanças administrativas, descentralizando

cial, desenvolvimento e sustentabilidade no estado”,

os serviços, agilizando os processos e ampliando os

salienta o diretor-presidente da empresa. “A água é

canais de comunicação com o usuário. Queremos

um direito de todos e sua gestão deve ser estritamen-

prestar um serviço público, eficiente e ao alcance de

te pública. Porém, para alcançarmos a universalização

todos”, conclui Arnaldo Dutra.

do esgotamento sanitário, é preciso estudar alternativas de capitalização”, ressalva ele. Com a finalidade de alavancar ainda mais a capacidade de investimento da Corsan, foi aberto no segundo semestre de 2011, via edital público, o Procedimento de Manifestação de Interesse – PMI. A iniciativa oportuniza ao mercado a apresentação de opções para viabilizar a universalização do acesso ao sistema de esgotamento sanitário, abrindo ainda a possibilidade de novos negócios, como geração de energia e atuação na área de resíduos sólidos. Por fim, cabe salientar que, com o objetivo de estimular a participação da sociedade na discussão do saneamento, a Corsan vem promovendo diversas iniciativas voltadas à prestação de contas e de infor-

46

Mais de 300 obras de melhorias no sistema de abastecimento de água e esgoto dos municípios estão em curso. Somente nas obras do PAC 1, a Corsan irá chegar ao final de 2015 com 100 km de novas redes de água e 478 km de novas redes de esgoto assentadas


Os 70 anos da CIENTEC

Estação da Corsan

47


O que fizemos e fazemos

Energia em abundância Há quatro décadas, a Cientec investe em tecnologias limpas e adequadas às características peculiares do carvão mineral do Rio Grande do Sul, que concentra 90% das reservas do país No início da década de 1970, a crise do petróleo

carvão do Brasil, o que corresponde a um volume de

introduziu na agenda mundial a necessidade de uma

28 bilhões de toneladas, de acordo com a Associação

mudança de rumos no setor de energia. Em apenas

Brasileira de Carvão Mineral – a seguir, aparecem

cinco meses (entre outubro de 1973 e março de

Santa Catarina (3,3 bilhões de toneladas) e Paraná

1974), o preço do barril de petróleo no mercado in-

(104 milhões de toneladas).

ternacional sofreu um acréscimo de nada menos do

Em função da importância histórica do carvão

que 400%. Com as economias abaladas, as autorida-

para a economia gaúcha, a Cientec já trabalhava

des em todo o mundo trataram de buscar soluções.

com ensaios de caracterização do combustível des-

Uma das alternativas em discussão consistia em am-

de o princípio dos anos 1940, época em que ainda

pliar a participação do carvão na matriz energética.

se denominava Iters. Quatro décadas depois, com o

A opção fazia sentido. Afinal, entre os diver-

objetivo de aumentar e qualificar o aproveitamen-

sos combustíveis fósseis, o carvão mineral é o mais

to do recurso natural disponível em abundância no

abundante na natureza. Para a economia do Sul do

Estado, a Fundação passou a investir fortemente em

Brasil, a perspectiva de aumento da demanda abria

uma tecnologia limpa, que comprovou ser a mais

novas oportunidades. Afinal, o Rio Grande do Sul de-

apropriada às características do carvão gaúcho, o

tém em seu território cerca de 90% das reservas de

qual possui altos teores de enxofre e cinzas.

Carvão O carvão do Rio Grande do Sul teria sido descoberto em 1795, na localidade de Curral Alto, na Estância do Leão, pelo soldado português Vicente Wenceslau Gomes de Carvalho, morador de Rio Pardo, que conhecia o carvão de pedra por ser ferreiro de profissão, conforme Aramis J. Pereira Gomes, autor de Carvão do Brasil Turfa Agrícola: Geologia, Meio Ambiente e Participação Estratégica na Produção de Eletricidade no Sul do Brasil, publicado em 2002. Combustíveis fósseis Os combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) foram constituídos a partir da degradação e compactação de restos de plantas e animais quimicamente alterados pelo calor e a pressão ao longo de milhões de anos.

48


Os 70 anos da CIENTEC

Carvão mineral no Memorial da Cientec

Em função da experiência acumulada, a Cientec é uma das instituições de pesquisa com maior conhecimento na área do carvão mineral no Brasil Formação de recursos humanos Em meados da década de 1970, as primeiras ações da Cientec em relação à pesquisa na área do carvão envolveram a formação de recursos humanos por meio da participação de seus pesquisadores em cursos de pós-graduação, em níveis de especialização e mestrado, no Brasil e na Alemanha. No Brasil, os cursos foram realizados na Comissão de Pós-Graduação em Engenharia – Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Ufrj. Além disso, os pesquisadores da entidade se deslocaram em viagens técnicas até os mais importantes centros de pesquisa do mundo sobre a conversão de carvões da época, localizados nos Estados Unidos, África do Sul, Alemanha, Inglaterra e França. Com base nos conhecimentos adquiridos, a Cientec passou a projetar, confeccionar e operar

Deste modo, alinhada ao plano de diversificação

unidades de pequena escala (laboratório e banca-

da matriz energética nacional que se estabeleceu na

da) voltadas para estudos associados especialmente

época, a Cientec deu início em 1976 às pesquisas de

à combustão e à gaseificação de carvões gaúchos

combustão e gaseificação do carvão em leito fluidi-

em leito fluidizado na sede da instituição em Porto

zado para a geração tanto de vapor quanto de gases

Alegre. As pesquisas foram custeadas com recursos

quentes (secagem). A tecnologia foi desenvolvida

do governo do estado do Rio Grande do Sul e tam-

através dos processos Cicom, Civogás e Cigás, sendo

bém com verbas captadas junto à Financiadora de

patenteada junto ao INPI e transferida para o setor

Estudos e Pesquisas – Finep. Com a inauguração do

industrial nos anos 1980 e 1990.

campus de Cachoerinha, se tornou possível ampliar

49


O que fizemos e fazemos

Desenvolvida nos anos 1970 nas plantas da Cientec, a tecnologia foi transferida para o setor industrial nas décadas de 1980 e 1990

foi utilizada na geração de gás combustível nos fornos cerâmicos da empresa.

Projeto Cigás Projeto pioneiro na América Latina, o Cigás possui o intuito de produzir gás de médio poder calorífico em reator pressurizado do tipo leito fluidizado borbulhante, com a utilização de vapor d’água e oxigênio

a escala das pesquisas através da montagem dos

como agentes reagentes. O projeto se desenrolou em

projetos Civogás, Cicom e Cigás, os quais foram de-

várias etapas, sendo que, de 1976 a 1983, foram re-

senvolvidos pelo Departamento de Engenharia de

alizados estudos básicos de cinética química e testes

Processos da entidade.

em escala de bancada. Entre 1984 e 1992, as pesquisas tiveram lugar em plantas-piloto, incluindo uma uni-

Projeto Civogás

dade atmosférica com capacidade para processar 17 t/

No processo Civogás, iniciado em 1978, o com-

dia de carvão (Cigás-ATM) e outra unidade pressuriza-

bustível sólido é gaseificado em reator de leito fluidi-

da com capacidade para processar 2,4 t/dia de carvão

zado borbulhante pela ação de agentes gaseificantes

(Cigás-100).

(ar e vapor d’água) em temperaturas de até 1.000ºC

Em paralelo, foram desenvolvidos estudos de

e em pressão próxima à pressão atmosférica. Como

dessulfuração do gás gerado; pesquisas para o tra-

resultado, a operação produz gás combustível de

tamento dos efluentes líquidos e resíduos sólidos

baixo poder calorífico. Mais tarde, o projeto teve seu

gerados; desenvolvimento de equipamentos apro-

escopo ampliado para abrigar testes de gaseificação

priados ao processo; além de estudos dos materiais

de casca de arroz, casca de babaçu e madeira, entre

empregados nos diversos instrumentos e de sistemas

outras biomassas, alcançando igualmente excelentes

de controle e automação gradual dos processos. O

resultados. Na planta foram desenvolvidos ainda tra-

gás que resulta do processo pode ser utilizado como

balhos para a limpeza do gás combustível gerado no

gás redutor, gás de síntese e gás combustível (indus-

processo, o qual foi testado em motores com sucesso.

trial e doméstico).

No segundo semestre de 1981, a Cientec procedeu a transferência da tecnologia Civogás para a fá-

50

Transferência de tecnologia

brica de cerâmica Eldorado, do grupo Cecrisa, com

Em 1982, a empresa Mernak, de Cachoeira do

sede em Criciúma (SC). Na oportunidade, quatro en-

Sul, recebeu a transferência da tecnologia de gera-

genheiros e cinco técnicos da Fundação se dirigiram

ção de vapor para uso industrial por meio de uma

até a indústria catarinense para participar da cons-

caldeira de leito fluidizado. A seguir, uma iniciativa

trução e montagem e dar a partida da planta, que

semelhante foi adotada junto à Industrial Conventos,


Os 70 anos da CIENTEC

Planta do projeto Civogรกs

51


O que fizemos e fazemos

A tecnologia de leito fluidizado circulante implica baixas emissões de compostos nitrogenados (NOx), facilitando ainda a remoção de compostos sulfurosos (SOx)

combustão de casca de arroz com capacidade de 5 megawatts elétricos. É a única no mundo a utilizar esta matéria-prima em processo de leito fluidizado para geração de energia elétrica.

Projeto Cicom Entre 1977 e 1980, a Cientec desenvolveu a pesquisa acerca da combustão fluidizada de carvão mineral através do projeto Cicom. Iniciado com o estudo de fluidização a frio, o programa prosseguiu

empresa sediada em Criciúma (SC). A transferência

com a montagem de uma unidade de bancada para

da tecnologia de combustão em leito fluidizado para

queima de carvão mineral à vazão de 3 a 5 kg/h,

a geração de vapor em centrais térmicas também

trabalhando a temperaturas de 700º a 900oC. A se-

foi realizada em indústrias paulistas, como HPB, de

guir, foram projetadas, construídas e montadas duas

Sertãozinho e Mitre Engenharia. Cabe destacar ain-

unidades-piloto em leito fluidizado, sendo uma for-

da que, atualmente, existem cerca de 70 unidades

nalha com 1,5 m2 de leito com capacidade de gera-

no país funcionando com a tecnologia da Cientec na

ção de 1,5 Gcal/h e uma caldeira fumo-tubular com

área de secagem.

capacidade de 1 t/h de vapor. As duas instalações permitiram a coleta de dados e o aprendizado que,

Caldeira multicombustível Instalada

na

Usina

Termoelétrica

posteriormente, possibilitaram o estudo de novos de

São

processos, como a cal Aglotec.

Jerônimo, a Caldeira multicombustível para a geração de eletricidade é uma unidade de demonstração das características do processo de combustão em

Desenvolvido em várias etapas, entre 1980 e

leito fluidizado. Única no Brasil, ela opera com ca-

1986, o Projeto Conserg realizou diagnósticos ener-

pacidade de 1,5 megawatts elétricos. Os combustí-

géticos em 78 indústrias gaúchas de pequeno e mé-

veis a serem utilizados (carvão mineral e biomassas,

dio portes. Os diagnósticos tinham como objetivo a

incluindo resíduos agrícolas e industriais) podem ser

redução do consumo de energia e/ou a substituição

testados tanto puros quanto misturados, visando à

de energéticos importados na época (derivados de

retirada de dados de combustão e de emissões am-

petróleo). Os setores priorizados foram os de alimen-

bientais. Além dos recursos oriundos da Finep, o pro-

tos (laticínios, grãos e biscoitos, entre outros), bebi-

jeto conta também com verbas da própria Cientec e

das (incluindo vinícolas) e curtumes. Como parte das

da CGTEE e Rede Nacional do Carvão.

atividades do projeto, os pesquisadores e técnicos da

Já em Alegrete, foi instalada uma unidade de

52

Economia de energia

Cientec elaboraram um manual de conservação de


Os 70 anos da CIENTEC

Caldeira multicombustível na Usina Termelétrica de São Jerônimo

53


O que fizemos e fazemos energia para ser aplicado gratuitamente nas empresas. O Projeto Conserg evidenciou ao final dos trabalhos um potencial de redução de consumo de energia

Reator do projeto Cigás

entre 12% e 14% nas companhias que dele participaram. A iniciativa contou com aporte financeiro da Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério de Indústria e Comércio. Em outra atividade relacionada à economia de energia, de 1982 a 1986, a Cientec procedeu a uma avaliação da eficiência dos equipamentos operados por grandes consumidores de carvão mineral. O intuito da iniciativa financiada pela Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras – Caeeb consistia em buscar a melhoria de rendimento na utilização do combustível. Entre as organizações atendidas, estavam Candiota, Charqueadas, Riocell e Copesul, no Rio Grande do Sul, além de Carlos Lacerda, em Santa Catarina.

Planta inovadora A base tecnológica utilizada pela Cientec desde a década de 1970 envolveu plantas de gaseifica-

ção. A exemplo da tecnologia em leito fluidizado

ção ou combustão em leito fluidizado borbulhante.

borbulhante, ela possui característica flex, à medida

Em maio de 2012, a Fundação inovou ao inaugu-

que opera com carvão ou biomassa ou ainda com a

rar a Planta-Piloto de Pesquisa em Leito Fluidizado

mistura das duas matérias-primas.

Circulante.

54

Como se não bastasse, a tecnologia de leito flui-

Primeira unidade com estas características no

dizado circulante implica baixas emissões de compos-

país, ela destina-se à aplicação das mesmas tecnolo-

tos nitrogenados (NOx), facilitando ainda a remoção

gias empregadas nas plantas de leito fluidizado bor-

de compostos sulfurosos (SOx). A iniciativa foi de-

bulhante, como combustão e gaseificação. Porém, a

senvolvida pela Cientec como entidade integrante

nova planta possui a vantagem de propiciar o tra-

da Rede Nacional de Carvão Mineral, com financia-

balho com combustíveis de granulometria inferior

mento do CNPq e em parceria com os laboratórios de

(mais finos), além de apresentar taxas superiores de

Siderurgia – Lasid e Produção Mineral – Laprom da

conversão, principalmente no processo de gaseifica-

Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


Os 70 anos da CIENTEC

Planta-piloto em Leito Fluidizado Circulante

55


O que fizemos e fazemos

Ganho em dobro Criação de novos produtos a partir das cinzas do carvão gera benefícios para outros segmentos da economia No início dos anos 1980, a Cientec elaborou o

fabricação de blocos, ladrilhos e refratários; pavi-

Aglotec, projeto que consistia em uma planta de

mentação e preenchimento de cava de mina de car-

bancada com capacidade de processar aproxima-

vão. Muitos estudos de utilização de cinzas volantes

damente 10 kg/h de carvão. A finalidade era de-

estão sendo conduzidos ao redor do mundo, como a

senvolver um aglomerante hidráulico que poderia

extração de metais de interesse, como Al, Si, Fe, Ge,

substituir com vantagens a mistura de cal e cimen-

Ga, V, Ni; extração de carbono não queimado; adsor-

to empregada na construção civil em argamassas de

ventes para gases de combustão; produtos cerâmicos

assentamento ou revestimento. A mistura de carvão

especiais e painéis anti-incêndio; condicionamento

mineral com alto teor de cinzas e calcário dolomítico

de solos; controle de erosão; e, por fim, síntese de

foi usada como matéria-prima do produto. O proje-

zeólitas com alta capacidade de troca catiônica.

to tinha a intenção de proporcionar o ingresso no

As zeólitas, em particular, englobam grande

mercado de componentes construtivos com menor

número de minerais naturais e sintéticos que apre-

custo e qualidade superior para a construção de ha-

sentam características comuns. No presente caso são

bitações populares. A partir da tecnologia Aglotec,

aluminossilicatos hidratados de metais alcalinos e al-

foi construído um calcinador de três estágios com

calinos terrosos (principalmente Na, K, Mg, e Ca), es-

capacidade de produção de 100 kg/h de cal Aglotec.

truturados em redes cristalinas tridimensionais, que têm como principais propriedades que lhes conferem

Zeólitas de cinzas de carvão Entre as principais aplicações de cinzas volantes, podem ser citadas: aditivos em cimento e cerâmicas;

interesse industrial a troca catiônica, a absorção reversível de água e os sítios ácidos para desenvolvimento de reações catalíticas.

O projeto Aglotec buscou proporcionar o ingresso ao mercado de componentes construtivos com menor custo e qualidade para a construção de habitações populares 56


Os 70 anos da CIENTEC

Tijolo ecológico fabricado a partir de cinzas de carvão mineral

A Cientec desenvolveu a partir de 1997 um pro-

(especialmente sabão em pó) em substituição aos fos-

cesso para sintetizar zeólitas de cinzas de carvão por

fatos (altamente poluidores) e como aditivo para mis-

tratamento hidrotérmico em meio alcalino. Foram

turas asfálticas mornas. Neste último caso, o objetivo

testadas com sucesso as zeólitas de cinzas de carvão

é a economia de energia na fabricação por meio da

assim produzidas na nutrição de plantas e no trata-

redução da temperatura de trabalhabilidade de 140º-

mento de drenagem ácida de mina de carvão (DAM) e

-150oC para 100º-110oC, com a consequente diminui-

de efluentes (principalmente amônia). Também estão

ção das emissões de orgânicos durante a aplicação dos

sendo testadas para uso em formulações detergentes

pavimentos asfálticos em ruas e estradas.

57


O que fizemos e fazemos

Os benefícios da era digital As pesquisas realizadas com o carvão abriram as portas para a implantação do controle automático destes processos em todas as áreas da Cientec Na década de 1990, a Cientec ingressou na era da

Um dos principais ganhos do processo de auto-

automação dando início à implantação dos processos

mação e controle é justamente a possibilidade de

de controle. A princípio, esse processo foi introduzido

uma leitura instantânea e on-line de todos os dados

nas atividades de pesquisa de combustão e gaseifica-

envolvidos em cada tarefa, o que ocorre em média

ção do carvão mineral, que implicavam a necessidade

a cada 10 segundos, e não a cada 30 minutos, como

de desenvolvimento de novos equipamentos.

no processo analógico. Além disso, diante de qual-

Antes disso, o controle de dados das plantas,

quer desvio ou anomalia, os equipamentos realizam

como temperatura, pressão, vazão etc., era realizado

a correção automática do percurso, ou emitem um

de modo analógico. Como isso era feito? Os opera-

alarme. Desse modo, o operador recebe o aviso para

dores de cada equipamento trabalhavam com plani-

realizar os ajustes necessários.

lhas de papel, nas quais anotavam todas as variáveis

Inicialmente instalado na planta-piloto de gasei-

envolvidas nas operações a cada 1/2 hora. Dessa for-

ficação do carvão, o processo de automação e contro-

ma, havia necessariamente um intervalo de 30 mi-

le foi ampliado para as demais plantas e equipamen-

nutos entre uma leitura e outra dos indicadores que

tos da Fundação. Dessa forma, a instrumentação e o

deveriam ser avaliados e monitorados.

controle de todos os processos da Cientec são efetu-

Com o advento da era digital, os dados passa-

ados através de Controladores Lógicos Programáveis

ram a ser indicados automaticamente pelos equi-

(CLPs), o que reforça ainda mais o rigor e a precisão

pamentos. Um exemplo prático poderá ilustrar com

de ensaios e calibrações realizados na instituição.

propriedade o salto qualitativo que essa mudança representou. Para alterar a vazão da massa de ar durante uma operação, o operador até então precisava se deslocar para acionar manualmente a válvula correspondente, além de conferir o resultado da ação no rotâmetro (medidor de vazão). Atualmente, a válvula em questão é acionada remotamente a partir da simples leitura de dados na tela do computador.

58

Um dos principais ganhos do processo de automação e controle é a possibilidade de uma leitura instantânea e on-line de todos os dados envolvidos


Os 70 anos da CIENTEC

Anal贸gico X digital

59


O que fizemos e fazemos

Corrente de credibilidade A Cientec é pioneira em programas interlaboratoriais que asseguram a confiabilidade dos resultados de ensaios químicos na área de alimentos A Cientec possui um histórico de trabalhos na

passaram a se reunir mensalmente. Cada um deles

área de alimentos. Entre eles, estão os numerosos

recebia duas amostras entregues pessoalmente a

ensaios químicos, centralizados no Laboratório

um representante para que fossem procedidas as

de Química de Alimentos, do Departamento de

determinações constantes na descrição de cada ro-

Química. Nos anos 1980, porém, havia muitas dú-

dada. Entre 1988 e 1990, foram executadas ao todo

vidas quanto às escolhas de métodos para a deter-

30 rodadas, relativas às determinações de proteína,

minação das diversas características químicas desse

gordura, fibra bruta, cinzas e outras. Ano após ano,

tipo de amostra. O próprio Sistema da Qualidade

foram sendo focalizados novos ensaios, em amos-

da Cientec consistia ainda em um objetivo a ser al-

tras secas, tais como farinhas e farelos, cereais, lác-

cançado. Neste contexto, eram muitos os questio-

teos em pó, rações, vegetais, massas alimentícias,

namentos de resultados por parte de clientes da

produtos de confeitaria e outros.

entidade, quase sempre oriundos do setor indus-

Reestruturado

e

expandido,

o

programa

trial. Por causa dessa realidade, surgiu a ideia de

Interlab passou a ser executado nos anos 2000 de

congregar laboratórios da área de alimentos no Rio

acordo com os requisitos estabelecidos pelas nor-

Grande do Sul para um programa de intercompara-

mas ABNT ISO/IEC Guia 43-1, ABNT ISO/IEC 17025,

ção de resultados. Foi assim que, em 1987, iniciou-

ISO/DIS 13528 e Anvisa Proc. GGLAS nº 02/43. Já

-se o projeto Interlab, coordenado pela Cientec.

então os laboratórios participantes não precisavam

No total, cerca de 20 laboratórios estabelecidos

buscar as amostras, uma vez que elas eram envia-

no estado pertencentes a indústrias, órgãos fisca-

das pelo correio. Outra alteração foi a possibilida-

lizadores, institutos tecnológicos e universidades

de de que laboratórios de outros regiões do país se

Com a utilização de programas de intercomparação de resultados, a Cientec está contribuindo para o fortalecimento da rede laboratorial brasileira, bem como para a saúde e a segurança alimentar da população 60


Os 70 anos da CIENTEC

Laboratório de Microbiologia em Alimentos

integrassem ao projeto. Assim, em poucos anos, o

mo aplicado nos ensaios químicos em alimentos

Interlab passou a ter participantes de quase todos

acreditados no Inmetro pela Cientec e permane-

os estados do Brasil.

ce assim até hoje. Em 2006, o Interlab foi inserido

Em 2004, o programa foi habilitado pela

no Programa Brasileiro de Metrologia, financiado

Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa

pela Finep, sendo considerado uma das melhores

e passou por duas auditorias. O escopo era o mes-

iniciativas de programas de proficiência na área de

61


O que fizemos e fazemos

Em 2006, o Interlab foi inserido no Programa Brasileiro de Metrologia, sendo considerado um das melhores iniciativas de programas de proficiência na área de Química de Alimentos do Brasil

guiram-se mais seis rodadas do Interlab. Neste período, o projeto agregou mais um objetivo, qual seja, o de auxiliar na coleta de dados para obtenção da acreditação de Material de Referência Certificado – MRC, serviço disponibilizado pelo Inmetro com o intuito de contribuir para o aumento da confiança das medições dos laboratórios. Desde 2009, foram realizadas outras seis rodadas do Interlab, a mais recente delas encerrando-se em janeiro de 2012. Com a utilização contínua e crescente desta poderosa ferramenta, a Cientec está contribuindo para o fortalecimento da rede laboratorial brasileira, no sentido de gerar informações confiáveis, referentes à identidade e à qualidade de produtos e

Química de Alimentos do Brasil.

processos, fundamentais para a competitividade no

Desde então, os objetivos expandiram-se e

comércio nacional e internacional. Da mesma for-

aprofundaram-se. Um deles é o de fornecer subsí-

ma, contribui para a saúde e a segurança alimentar

dios para o controle de resultados. Outro consiste

da população. Sem dúvida, trata-se de relevante

em ter uma avaliação externa, regular e indepen-

forma de atuação da Cientec no cumprimento de

dente a respeito da qualidade dos resultados pro-

seu papel social.

duzidos. Outro item que passou a fazer parte do conjunto de objetivos é a comparação de desempenho com outros laboratórios e a averiguação da competência individual dos laboratoristas. Buscouse ainda validar a metodologia analítica empregada e obter subsídios para avaliação de resultados por organismos de credenciamento e clientes. O programa se preocupou também em fornecer subsídios para a implantação de melhorias ou ações corretivas no laboratório participante, além de funcionar como um fórum para a discussão dos resultados obtidos e para que houvesse uma orientação acerca de problemas técnicos relacionados aos ensaios. Entre março de 2006 e dezembro de 2008, se-

62

A análise interlaboratorial gera informações confiáveis, referentes à identidade e à qualidade de produtos e processos, fundamentais para a competitividade no comércio nacional e internacional


Os 70 anos da CIENTEC

Laborat贸rio de Microscopia de Alimentos

63


O que fizemos e fazemos

Absorção atômica: dos primórdios aos dias de hoje Técnica para identificar baixos teores de metais é empregada na área da saúde, na indústria e no setor de serviços, além de ser usada para fins agropecuários Em 1952, o físico australiano Alan Walsh publi-

dos às premissas de Walsh.

cou as bases do que seria a espectrometria de ab-

Entretanto, sem os recursos de eletrônica e robó-

sorção atômica, técnica instrumental utilizada para

tica, que ficariam disponíveis somente a partir do fim

a determinação de baixos teores de metais e outros

do século 20, os aparelhos eram pouco confiáveis. O

elementos em quase todo o tipo de amostras sólidas

próprio modelo adquirido pela Cientec na década

e líquidas. Por conta de suas características e aplica-

de 1970, um dos primeiros Perkin-Elmer, devido à

bilidade, esta viria a ser uma técnica amplamente

falta de controle automático de gases (ar, acetile-

usada no mundo inteiro.

no e óxido nitroso), provocava sustos memoráveis.

Nos anos 1960, quando a Cientec aderiu de for-

Acomodado no quarto piso do Prédio 5 da sede cen-

ma pioneira à absorção atômica, não existiam mais

tral da entidade, surpreendia os funcionários com

do que protótipos de espectrômetros à disposição

pequenas explosões, cujos estampidos podiam ser

no mercado. O primeiro modelo adquirido pela en-

ouvidos em todos os andares. Apesar dos contratem-

tidade foi o aparelho da marca Hilger-Watts, que

pos, mesmo assim havia muito trabalho a se fazer.

representa a primeira tentativa comercial de ma-

A demanda de diversos setores industriais manteve-

terializar a ideia de Alan Walsh. Contudo, além de

-se bastante aquecida naquele período. Como se não

antieconômico, o equipamento não correspondia

bastasse, somente a Cientec oferecia o recurso ins-

às expectativas do próprio físico australiano. Como

trumental capaz de, em poucos dias, alcançar resul-

se não bastasse, o funcionamento ainda era manu-

tados impensáveis por outras técnicas.

al e, portanto, dependia muito do operador. Pouco

Nos anos 1980, um novo espectrômetro Varian

tempo depois, a fabricante do modelo, a Techtron,

foi adquirido pela Cientec, já com o devido controle

da Austrália, foi comprada pela Varian, dos Estados

de gases e calibração por meio de microprocessador,

Unidos. Essa aquisição deu grande impulso à fabrica-

antecipando a modernidade do gerenciamento feito

ção de espectrômetros de absorção atômica alinha-

por computador. Houve, de fato, um grande avan-

Alan Walsh Em função dos serviços prestados à ciência, Alan Walsh ganhou o título de Sir em 1976, vindo a falecer em Melbourne, em 1998, aos 82 anos de idade.

64


Os 70 anos da CIENTEC

ço instrumental da Química Analítica na década de

absorção atômica com forno de grafite para deter-

1980. Com isso, tornou-se necessário um considerável

minar concentrações de metais ainda mais baixas.

investimento por parte da Cientec tanto no que diz

Em seguida, foi adquirido um modelo para uso com

respeito ao preparo de profissionais habilitados para

chama, sendo a ele agregados acessórios de ponta,

esse trabalho como na aquisição de equipamentos.

graças ao aporte de recursos federais.

A partir do início dos anos 1990, com auxílio da

Ao longo de todo este tempo, a espectrome-

Fapergs, a Cientec adicionou um espectrômetro de

tria de absorção atômica foi se disseminando cada

Laboratório de Absorção Atômica

65


O que fizemos e fazemos vez mais no Rio Grande do Sul. Em 2012, pode-se

metais alcalinos em sua composição, cuja quantidade

afirmar que ela está bastante difundida na indús-

precisa estar de acordo com normas estabelecidas.

tria e no setor de serviços, além de ser usada como

No caso de fertilizantes e corretivos de solo usa-

apoio na área da saúde e para fins agropecuários.

dos na agricultura, não é diferente. Adubos, em es-

Considerada uma técnica de boa precisão e exatidão,

pecial, possuem micronutrientes, como zinco e cobre,

apresenta ainda a vantagem de trabalhar com bai-

já que algumas plantas necessitam destes elementos

xos custos. Sem dúvida, a Cientec teve um papel de

em doses específicas. Rações animais destinadas a su-

catalisador neste processo ao prestar serviços, atuar

ínos, bovinos e equinos igualmente incluem metais

como paradigma, apoiar estabelecimentos que esta-

em sua composição química.

vam montando seus próprios laboratórios e treinar pessoal para o mercado.

Quando uma metalúrgica adquire matéria-prima para produzir equipamentos de cozinha, pode também utilizar a técnica da absorção atômica a fim

Aplicação no dia-a-dia

de averiguar o teor de níquel em liga metálica. Além

A técnica da absorção atômica é aplicada em

disso, quando uma indústria utiliza polímeros para a

vários procedimentos que podem interferir direta-

fabricação de copos, por exemplo, ela precisa estar

mente em nossa vida, como a identificação de baixos

certa de que o material não contém elementos tóxi-

teores de metais em alimentos, polímeros, efluentes,

cos. Para dirimir a dúvida, uma das opções é recorrer

rochas etc. É capaz de detectar ainda elementos tó-

a um espectrômetro.

xicos como chumbo no solo ou mercúrio na água de

Os fartos exemplos demonstram que a técnica da

rios e mares ou em peixes. Na saúde, a técnica ajuda

absorção atômica é extremamente útil para que pos-

a determinar os níveis de metais como o sódio em

samos verificar se determinados metais estão presen-

alimentos comercializados nas gôndolas dos super-

tes ou não e em que quantidade na composição quí-

mercados. Sabe-se que, em excesso, esta substância

mica de matérias-primas ou produtos em áreas tão

faz mal à saúde. Igualmente, a água mineral – es-

diferentes da economia. Por essa razão, ela é uma

pecialmente a água alcalina bicarbonatada, que é

importante ferramenta utilizada para fins de saúde,

muito consumida no Rio Grande do Sul – apresenta

industriais e comerciais.

A Cientec desempenhou um papel importante na disseminação da espectrometria de absorção atômica, ao apoiar instituições que estavam montando seus próprios laboratórios e treinar pessoal para o mercado 66


Os 70 anos da CIENTEC

Espectr么metro de absor莽茫o at么mica

67


O que fizemos e fazemos

O protagonismo da Cientec Com pesquisas pioneiras na América Latina, a Cientec contribuiu fortemente para elevação da qualidade do arroz parboilizado produzido no Brasil Quando se realiza, em qualquer lugar no mun-

tubérculos. A principal razão é a facilidade para o

do, algum evento sobre o arroz parboilizado, se-

plantio, a colheita, a secagem, o armazenamento, o

guramente aparece o nome da Cientec. Não é por

transporte e a distribuição.

acaso. De seus pesquisadores e seus laboratórios,

Quando se examina o passado, percebe-se que

surgiram aportes significativos para o conhecimen-

os cereais abasteceram grande parte das civilizações.

to deste produto e do processo que torna ainda

A cultura egípcio-greco-romana, por exemplo, carac-

mais nobre o arroz nosso de cada dia. Para se ter

terizou-se pelo cultivo do trigo. Já boa parte dos ín-

ideia, dos quatro livros técnicos publicados em nível

dios das Américas escolheu o milho, ao passo que a

global sobre o arroz parboilizado, três deles foram

maioria dos países asiáticos elegeu – e continua ele-

coordenados pela Cientec. Pioneiras na América

gendo – o arroz como fonte de carboidratos. Muito

Latina, as pesquisas desenvolvidas pela instituição

em função de suas características de solo e clima, o

privilegiam uma tecnologia limpa, que usa tão so-

Brasil também elegeu o arroz como principal fonte

mente água e calor, além de aumentar a disponi-

de carboidatro. Oitavo maior produtor no cenário

bilidade de vitaminas, sais minerais, fibras e prote-

internacional, é também o primeiro país fora do con-

ínas, o que contribui para uma vida mais saudável

tinente asiático no que diz respeito à produção e ao

da população.

consumo do alimento. Em particular, o Rio Grande

Historicamente, cada civilização tem – e sempre

do Sul é responsável por nada menos do que 2/3 do

teve – uma fonte de carboidratos a caracterizá-la

arroz produzido em território brasileiro devido aos

e sustentá-la. Nos tempos modernos, a preferência

esforços despendidos pelos gaúchos por mais de um

recai sobre os cereais, em detrimento de raízes e

século na lavoura e na agroindústria.

Em 1978, apenas 5% do arroz produzido no Brasil era parboilizado. Atualmente, este percentual situa-se entre 25% e 30% 68


Os 70 anos da CIENTEC

Pesquisas Iniciaram no ano de fundação Sensível à vocação local de solo e clima, a Cientec promoveu importantes atividades de pesquisa do arroz ao longo de sete décadas. Desenvolvido já em 1942 – o primeiro ano de funcionamento do Iters –, pelo pesquisador Oscar Maximilian Homerich, um dos trabalhos pioneiros na área consistia em obter álcool

Desde os anos 1980, os estudos da Cientec influenciam diretamente a legislação sobre procedimentos de higiene da industrialização do arroz

a partir do farelo de arroz. A pesquisa justificava-se mais ainda em face de uma circunstância histórica. Em

era parboilizado. Atualmente, este percentual situa-

meio aos conflitos da 2ªGuerra Mundial, que contur-

-se entre 25% e 30%, atingindo excelente qualida-

bavam a economia e a logística de todos os países en-

de. A maior parte da produção está concentrada no

volvidos, Homerich demonstrou que valia mais a pena

Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os gaúchos,

obter o álcool a partir do farelo do arroz produzido

sozinhos, produzem metade do grão parboilizado

no Rio Grande do Sul do que trazê-lo de São Paulo.

do país. Grande parte do avanço tanto quantitati-

No século 21, a Cientec voltou ao tema, com a participação de seus pesquisadores – através da

vo quanto qualitativo da produção está vinculada à contribuição da Cientec na área de pesquisa.

Câmara Técnica do Arroz do RS – em trabalhos de

No final da década de 1970, os pesquisadores

agregação de valor ao grão, como o aproveitamento

da instituição realizaram cursos de pós-graduação

da quirera para obtenção de álcool. Outros estudos

a respeito do processo de parboilização no Instituto

realizados pela instituição abrangem o aproveita-

de Agroquímica e Técnica de Alimentos, de Valencia

mento da casca, resultando em processos de combus-

(Espanha), e na Unicamp, considerada ainda hoje

tão e gaseificação em leito fluidizado. Além disso, a

como o maior centro latino-americano em pesquisa

Cientec desenvolve também o atendimento de diver-

de alimentos. A aquisição deste conhecimento espe-

sificada faixa de demandas, a exemplo de métodos

cífico ganhou amplitude interna quando, no começo

analíticos específicos para o parboilizado ou proces-

dos anos 1980, foram promovidos seis encontros pela

sos para inativação do farelo, entre outros itens.

Cientec para discutir a parboilização, com a participação de palestrantes de outros estados e também

Arroz: vocação e oportunidade Em 1978, apenas 5% do arroz produzido no Brasil

do exterior. Os trabalhos iniciais de pesquisa no tema se de-

Circunstância histórica Na década de 1940, submarinos alemães e italianos atacaram embarcações do Brasil, inicialmente junto à costa dos Estados Unidos, depois em águas brasileiras, o que motivou Getúlio Vargas a declarar guerra ao eixo nazi-fascista em agosto de 1942.

69


O que fizemos e fazemos

70


Os 70 anos da CIENTEC

senvolveram através de parcerias com empresas como a Treichel, de Cachoeira do Sul – de propriedade de Alfredo Treichel, um dos fundadores da Associação Brasileira das Indústrias de Arroz Parboilizado – Abiap –, e a Josapar, de Pelotas, detentora da marca Tio João. Um dos benefícios imediatos resultantes dos estudos foi a higienização do processo de produção. Se, por um lado, a industrialização do arroz branco é conduzida em base seca, o produto parboilizado é gerado através de um processo de água e calor, o que favorece a proliferação de micro-organismos ou de atividade enzimática. Por essa razão, os cuidados com relação à higiene, durante a produção do arroz parboilizado, devem ser redobrados. Não à toa, desde a década de 1980, as pesquisas realizadas pela Cientec influenciaram diretamente a legislação que regula os procedimentos de higiene que devem ser adotados no processo de industrialização do arroz. Além da contribuição para a regulamentação técnica da fabricação do produto, dentro e fora do Brasil, a Cientec teve participação significativa na criação do Selo de Qualidade da Abiap. Através dele, o consumidor brasileiro pode identificar as marcas disponíveis no mercado que efetivamente obedecem a um rigoroso padrão de qualidade. A instituição de pesquisa contribuiu também para o desenvolvimento do primeiro sistema de secagem de arroz parboilizado através de leito fluidizado no país. Cabe enfatizar ainda que as pesquisas realizadas pela Cientec constituem referência no tratamento de efluentes do processo industrial do arroz. Pesquisa da Cientec contribuiu para qualificar o arroz produzido no país

Outra investigação que merece destaque foi realizada em parceria com a Universidade Federal de Pelotas – UFPel com o objetivo de determinar a im-

71


O que fizemos e fazemos

Ao preservar vitaminas do complexo B, magnésio, fósforo e potássio, o arroz parboilizado abre espaço para uma vida mais saudável da população

partial e boiled. A expressão inglesa indica algo que é “parcialmente fervido”. Tecnicamente, o produto é resultado de um processo que internaliza as vitaminas existentes naturalmente no grão, as quais se perdem no processo de polimento que vai resultar no arroz branco. A parboilização consiste basicamente no tratamento hidrotérmico a que é submetido o arroz em

portância do grau de intensidade da gelatinização no

casca pela ação da água e do calor sem a utilização de

que se refere à qualidade do produto final. O estudo

qualquer agente químico. Como funciona? O cereal é

intitulado Efeitos da Intensidade de Gelatinização

tratado durante algumas horas em tanques com água

sobre a Qualidade do Arroz Parboilizado, concluído

sob uma temperatura em torno de 65°C. Neste proces-

em 2008, demonstrou objetivamente os ganhos nu-

so, as vitaminas e os sais minerais localizadas na pelícu-

tricionais e funcionais da parboilização, bem como

la e no germe aderem ao grão. A seguir, o arroz úmido

a aceitação do produto por parte do consumidor.

é submetido a uma temperatura ainda mais elevada

Conforme os resultados do trabalho, o aumento da

sob a pressão de vapor, o que provoca uma alteração

área de gelatinização implica ampliação de 21% do teor de proteínas do alimento. No caso de fibra, a elevação é de 147%. Sais minerais, até 36%. Amido resistente, até 233%. Em 2010, a Cientec passou a prestar assessoria para a Câmara Setorial do Arroz do RS com a finalidade de desenvolver técnicas de parboilização em pequena escala com arroz orgânico em assentamentos de trabalhadores rurais. Trata-se de um trabalho duplamente inovador – além de gerar benefícios sociais, envolve um produto cultivado através de procedimentos que respeitam integralmente a preservação do meio ambiente.

Os benefícios da parboilização De acordo com publicações da Cientec, a palavra parboilizado é uma adaptação do termo inglês

parboiled, que, por sua vez, representa a junção de

72

Cientec possui tradição em pesquisas que envolvem a produção de arroz


Os 70 anos da CIENTEC

As vantagens nutricionais do arroz parboilizado foram reconhecidas no país na década de 1990

na estrutura do amido. O grão torna-se mais compacto,

pas aquecidas, o alimento era descascado. Nos anos

ao mesmo tempo em que as vitaminas e sais minerais

1940, Huzenlaub associou-se ao norte-americano

são fixados em seu interior. Por fim, o arroz é secado

Gordon L. Harwell para fundar, nos Estados Unidos,

antes de ser descascado, polido e selecionado.

a Converted Rice Inc., primeira empresa de arroz do

De acordo com a Abiap, um processo primitivo

mundo a utilizar a tecnologia da parboilização. Esta

de parboilização foi descoberto pelo químico e nu-

tecnologia chegou ao Brasil na década seguinte atra-

tricionista britânico Eric Huzenlaub no inicio do sé-

vés da Integral Arroz.

culo 20, ao visitar algumas tribos da Índia e de países

Em 1948, a Organização das Nações Unidas para

da África. Ele constatou que o cereal em casca era

Agricultura e Alimentação – FAO já havia afirmado

mergulhado em potes de barro com água à tempe-

oficialmente que, com a parboilização, se obtém

ratura ambiente. Depois de secado ao sol ou em cha-

“mais arroz polido, com menos quebrados, conser-

73


O que fizemos e fazemos

Laboratório de Análise Sensorial de Alimentos

vando-se por muito mais tempo e com mais vitaminas

74

servadas no processo de parboilização.

e minerais”. Embora o produto parboilizado tenha

Além de manter nutrientes do arroz integral

sido introduzido no Brasil 40 anos antes, somente no

como vitamina B, magnésio, fósforo e potássio, o pro-

começo dos anos 1990 as vantagens de seus aspectos

duto parboilizado rende mais na panela em compara-

nutricionais foram reconhecidas no país. Sem dúvida,

ção com o tradicional arroz branco. Como se não bas-

uma das pesquisas que contribuiu para o reconheci-

tasse, requer menos óleo no cozimento, podendo ser

mento das qualidades do arroz parboilizado foi de-

reaquecido sem perder suas propriedades naturais. O

senvolvida pela Cientec em parceria com a Embrapa

preço geralmente é cerca de 20% mais caro, mas a

Agroindústria Alimentar (RJ), com patrocínio da

diminuição do índice de grãos quebrados compensa o

Abiap, abordando as vitaminas do complexo B pre-

valor superior pago no caixa do supermercado.


Os 70 anos da CIENTEC

Mecenas do saber O industrial, produtor rural e comerciante

tão de Otávio Rocha, em 1926. Dois anos depois, com

Alberto Bins (1869/1957) foi o primeiro porto-ale-

a morte de Rocha, assumiu a intendência municipal,

grense a ocupar o cargo de intendente da capital

mantendo-se até 1937, quando ele se afastou não

gaúcha, em 1928. Filho de um alfaiate alemão que se

apenas do cargo, mas também da política, após a de-

radicou no Sul do Brasil, ele estudou na Inglaterra e

cretação do Estado Novo.

na Alemanha. De volta a Porto Alegre, ingressou na

Alberto Bins passou a dedicar-se exclusivamen-

área de ferro bruto e materiais de construção. Como

te aos negócios, entre os quais a produção de arroz.

industrial, importou máquinas e equipamentos da

Foi um dos fundadores e presidentes da Associação

Europa e dos Estados Unidos, além de modernizar os

Comercial de Porto Alegre, além de ter participado

processos de produção.

da criação do Sindicato Arrozeiro do Rio Grande

O sucesso dos negócios, aliado à amizade com

do Sul. A orizicultura, aliás, mereceu especial aten-

políticos como Júlio de Castilhos, contribuiu para

ção. Apontado como um verdadeiro “mecenas do

que Alberto Bins fosse nomeado major da Guarda

saber”, ele doou parte das terras que possuía em

Nacional, apesar de nunca ter portado uma arma.

Cachoeirinha para o Instituto Riograndense do Arroz

Após eleger-se deputado estadual, sucessivamente,

– Irga. Em 1978, a entidade iria ceder parte da área

durante 13 anos, a partir de 1913, assumiu a função

recebida de Bins para a instalação do campus da

de vice-intendente de Porto Alegre, durante a ges-

Cientec. O Irga havia sido fundado em 1940, com o ob-

A única biografia a respeito do empresário e político disponível no mercado editorial, Alberto Bins, o Merlense Brasileiro, de Erich Fausel, publicada pela editora Rotermund, de São Leopoldo, destaca no título os descendentes da cidade alemã de Merl, de onde procedia a sua família.

jetivo de defender os interesses dos produtores de arroz, mas também com foco no desenvolvimento de pesquisa e assistência técnica. Na época, Alberto Bins ajudou o instituto dos arrozeiros a montar um centro de pesquisa para realizar as investigações precursoras a respeito da cultura do arroz no estado, além de financiar a capacitação de pesquisadores no exterior.

75


O que fizemos e fazemos

Destaques no campo Pesquisa que determinava índices de resíduos de defensivos agrícolas em alimentos ganhou reconhecimento internacional nos anos 1970 a 1990 A Cientec adquiriu posição de destaque no Rio

sadas. Pioneiro em sua época, o trabalho envolvia não

Grande do Sul e no Brasil com seus projetos de análi-

apenas os alimentos da Ceasa enviados para a mesa do

se de defensivos agrícolas em frutas, hortaliças, trigo,

consumidor brasileiro, mas também os produtos que

soja e grãos importados. As pesquisas foram efetuadas

eram destinados ao mercado internacional.

pelo Laboratório de Cromatografia, do Departamento

A experiência foi reconhecida por publicações in-

de Química da Cientec, no período compreendido en-

ternacionais, como o Journal of Agricultural and Food

tre 1975 e 1989, contando com uma equipe técnica

Chemistry (ACS Publications), que destacou as técni-

especializada composta por químicos e laboratoristas,

cas analíticas alternativas que foram desenvolvidas e

além de uma infraestrutura instrumental de ponta. A

utilizadas pelos pesquisadores da Cientec. Cabe des-

metodologia aplicada foi a da cromatografia gasosa.

tacar que, naquele período, a entidade fazia parte do

A finalidade da pesquisa efetuada com recursos a

Grupo de Analistas de Resíduos de Pesticidas – Garp,

fundo perdido da Finep era a de mapear e determinar

gerido pelo Instituto Adolfo Lutz (SP), que realizava

os índices de resíduos de pesticidas nas culturas anali-

reuniões periódicas para troca de informações entre os centros de pesquisa do país que trabalhavam na

Pioneiro em sua época, o trabalho envolvia não apenas os alimentos da Ceasa enviados para a mesa do consumidor brasileiro, mas também os produtos que eram destinados ao mercado internacional 76

área de defensivos agrícolas.

Pesquisas com implementos agrícolas Depois de se destacar nacionalmente com alguns trabalhos de engenharia agrícola a respeito de perdas de grãos pós-colheita, a Cientec concentrou esforços na área da mecanização no campo. As pesquisas desenvolvidas propiciaram a criação de novos produtos, entre os quais, a Carreta Agrícola Tracionada e o Subsolador Torpedo Asa. A Carreta Agrícola Tracionada (foto) recebeu


Os 70 anos da CIENTEC

Carreta agrícola desenvolvida em conjunto com a Cientec

o Prêmio Gerdau Melhores da Terra, na Categoria

ra o processo da colheita de arroz irrigado e permite

Destaque, em 1991, e o Prêmio Distinção Indústria,

a utilização de cargas bastante significativas.

que foi concedido pela Federação das Indústrias do

Já o Subsolador Torpedo Asa ganhou o Prêmio

Estado do Rio Grande do Sul – Fiergs, em 1992. O

Gerdau Melhores da Terra, na Categoria Novidade,

implemento é dotado de mecanismo de transmissão

em 1989. Ele pode cumprir a função de abrir dutos

acionado desde o trator, que confere tração às suas

no solo de modo a propiciar a drenagem de lavouras

rodas. Desta forma, ao esforço do trator soma-se o

alagadas. Em sentido contrário, o implemento tam-

esforço dos rodados da carreta, o que contribui para

bém pode ser usado com o objetivo de facilitar o

superar as dificuldades do terreno. Devido às suas

ingresso da água a partir de canais abertos em áreas

características, a Carreta Agrícola Tracionada acele-

próximas às lavouras que devem ser irrigadas.

Prêmio Gerdau Melhores da Terra O Prêmio Gerdau Melhores da Terra aponta as máquinas e os equipamentos agrícolas mais modernos e eficientes há cerca de três décadas.

77


O que fizemos e fazemos

A natureza como prioridade Desde a metade da década de 1980, a Cientec participa de projetos na área do meio ambiente De origem grega, a palavra ecologia é a junção de

eco, que remete à “casa”, e logos, com o significado de “saber” ou “estudar”. Portanto, nada mais é do que o estudo do local ou meio em que vivemos. Em nível mundial, o avanço desta área do conhecimento ocorreu especialmente nos anos 1970, muito em função da ampliação da consciência a respeito da necessidade de preservação da natureza, que determinou a realização de estudos e projetos que implicassem a redução dos impactos ambientais.

Em especial, o trabalho realizado para o projeto da Usina Termelétrica de Candiota III, efetuado entre 1987 e 1989, se destacou por representar o maior estudo ambiental já executado na região

No Brasil, porém, este processo se acelerou somente a partir da década seguinte. Desse modo, a

Sobre o Meio Ambiente – Rimas referentes à Usina

metade dos anos 1980 marcou o início da participa-

Termelétrica de Candiota III – UTC III – e à ampliação

ção da Cientec em grandes programas na área de

da Refinaria Alberto Pasqualini a partir da instala-

meio ambiente. Em 1985, por exemplo, a entidade

ção de sua nova unidade de destilação atmosférica.

elaborou o projeto básico para o tratamento dos

Trabalho com finalidade semelhante foi executado

efluentes líquidos da Usina Termelétrica Presidente

na Mina de São Vicente (Companhia Riograndense

Médici – UTPM, em Candiota, após um levantamen-

de Mineração, 1989-1990) e no projeto de ampliação

to completo tanto na área da usina como no seu

da Malha VII da Mina de Candiota (CRM, 1998-1999),

entorno. A seguir, em parceria com universidades e

bem como na Usina Termelétrica de Uruguaiana

empresas locais, a Fundação elaborou os Estudos de

(AES Uruguaiana, 1997).

Impacto Ambiental – EIAs e os Relatórios de Impacto

Em especial, o trabalho relativo ao EIA/Rima da

Ecologia Consta que a palavra ecologia teria sido introduzida na área científica, em 1866, pelo naturalista alemão Ernst Haeckel, que ajudou a disseminar as teorias evolucionistas de Charles Darwin. Haeckel compreendia a ecologia como o estudo da relação dos seres vivos com o ambiente no qual eles vivem.

78


Os 70 anos da CIENTEC

Cientec elaborou o Rima das obras de ampliação da Refap

79


O que fizemos e fazemos

Em Candiota, Cientec realizou importantes trabalhos na รกrea ambiental

80


Os 70 anos da CIENTEC

Vista aérea da Refap

UTC III, executado entre 1987 e 1989, se destacou

em 1995, a construção do complexo Usina-Mina não

por representar o maior estudo ambiental já efetua-

saiu do papel. O projeto foi substituído pela Fase C

do na região. O trabalho contou com a participação

da Usina Termelétrica Presidente Médici-UTPM –

de mais de 90 pessoas, resultando em um minucioso

Candiota II, com a entrada em operação de uma má-

levantamento da fauna e da flora da área ao longo

quina de 350 megawatts em 2010.

das quatro estações do ano. A iniciativa contemplou

Cabe destacar ainda que, em 2003, a Cientec

ainda a avaliação de ar e solo, além do estudo do

desenvolveu o Projeto Dessulfuração Direta junto

meio antrópico, o qual consiste no levantamento de

à Usina Termelétrica de Charqueadas, em parceria

informações e avaliações a respeito do impacto so-

com a Tractebel. A finalidade da iniciativa foi avaliar

bre o meio socioeconômico e o patrimônio cultural,

as condições necessárias para a remoção de SOx dos

histórico e arqueológico, entre outros itens. Apesar

gases emitidos através da adição de calcário ao leito

de o EIA/Rima ter sido revisado pela própria Cientec,

de combustão.

Uma das iniciativas realizadas foi a avaliação das condições necessárias para a remoção de SOx dos gases emitidos através da adição de calcário ao leito de combustão da Usina Termelétrica de Charqueadas 81


O que fizemos e fazemos

Um trabalho sólido e reconhecido Com uma trajetória ligada às raízes da instituição de pesquisa, a área de engenharia de edificações da Cientec presta relevantes serviços para a indústria da construção Com uma atuação bastante ligada às origens da

As novas atribuições concedidas determinaram a

Cientec, a área de edificações da entidade é herdei-

exigência de uma maior qualificação dos profissionais

ra da antiga Seção de Aglomerados e Concretos do

ligados às áreas de industrialização das edificações,

Instituto Tecnológico do RS – Iters. No passado, a

conforto ambiental e avaliação por desempenho. Esse

atuação dos pesquisadores estava mais voltada para

processo de qualificação apresentou excelentes resul-

a análise de estruturas metálicas e de concreto arma-

tados, uma vez que os ensaios e as recomendações

do. Todavia, já no início da década de 1980, houve

feitas pela equipe da Cientec a respeito de sistemas

um aumento substancial na demanda por serviços

construtivos foram aceitos em todo o Brasil.

e consultorias relacionadas a uma maior diversida-

Já com maior experiência em patologia e alve-

de de segmentos da indústria da construção civil.

naria estrutural, a Cientec passou a trabalhar em um

Nesta época, foram incrementados, por exemplo, os

espectro mais amplo de atividades, que inclui des-

trabalhos nos setores de patologia das construções

de o diagnóstico de manifestações patológicas em

e de avaliação de sistemas construtivos não conven-

edificações até o reforço de estruturas e fundações,

cionais. Estes últimos haviam surgido em consequên-

particularmente em prédios vinculados ao patrimô-

cia principalmente das exigências feitas pela Caixa

nio histórico do Rio Grande do Sul. Esse trabalho é

Econômica Federal para a concessão de financiamen-

realizado em atendimento às demandas de prefei-

to para a aquisição de habitações.

turas municipais e do próprio governo do estado. Como ilustração, pode ser citado o acompanhamen-

Os ensaios e as recomendações feitas pela equipe da Cientec a respeito de sistemas construtivos passaram a ser aceitos em todo o Brasil 82

to do projeto de recuperação da Ponte de Pedra, situada em Dois Irmãos, estrutura que foi construída em 1855. Ao mesmo tempo, tiveram prosseguimento as tarefas relacionadas à infraestrutura de transportes, tais como provas de carga em pontes e viadutos. No complexo viário do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, por exemplo, foi efetuada prova de carga de viga protendida.


Os 70 anos da CIENTEC

Testes estruturais na área da construção civil

83


O que fizemos e fazemos

A preservação da identidade Cientec é apontada como referência técnica na área de restauração de prédios de importância histórica, artística e cultural Restaurar os prédios históricos de uma cidade

ficando a edificação. Esta é uma das tarefas executa-

é como restituir o encanto que ela originalmente

das pelo Departamento de Materiais de Construção

possuía. O trabalho de restauro preserva, ao mesmo

Civil – Demacc da Cientec, que também realiza en-

tempo, a arte, a cultura e a história construídas pela

saios em laboratório para identificar os materiais

população – em outras palavras, sua própria identi-

que foram originalmente usados na construção. Com

dade. Para atender aos pedidos de prefeituras mu-

isso, ficam asseguradas as condições necessárias para

nicipais e de órgãos como o Instituto do Patrimônio

uma reconstituição o mais fiel possível dos traços e

Histórico e Artístico Nacional – Iphan e o Instituto do

dos materiais empregados em argamassas.

Patrimônio Histórico do Estado do Rio Grande do Sul

Entre os trabalhos realizados nesta área pela

– Iphae, a Cientec participa de grupos de trabalho e

entidade, merecem destaque o restauro das facha-

comissões, além de prestar consultoria na elaboração

das do Palácio Piratini e a restauração do Solar dos

de projetos de restauração, atendendo ainda a de-

Câmara, em Porto Alegre. Na capital gaúcha, a ins-

mandas específicas de empresas da iniciativa privada

tituição de pesquisa teve participação igualmente

envolvidas em ações desta natureza.

na recuperação do prédio no qual está sediada a

Todos os projetos de restauração são planejados

Secretaria de Estado da Fazenda e do antigo Cine

a partir da identificação das causas da deterioração

Teatro Imperial, além da Igreja do Bom Fim, Casa

do edifício que será restaurado. O trabalho de res-

de Cultura Mario Quintana e da fachada da Casa

tauro inicia invariavelmente com uma investigação

Lutzenberger (pertencente ao ambientalista José

cuidadosa, que vai apurar, por exemplo, como a

Lutzenberger, falecido em 2002). Devem ser citadas

água tem acesso e de que modo ela pode estar dani-

ainda as obras de restauração do Museu Histórico,

A Cientec estuda as técnicas e materiais empregados no passado para possibilitar a restauração das edificações no tempo presente da maneira mais fiel possível às práticas da época 84


Os 70 anos da CIENTEC

Cientec contribuiu para a restauração da Casa Lutzenberger

85


O que fizemos e fazemos de Piratini; do Theatro União, de Triunfo; da Casa de Cultura, de Esteio; da Catedral de Bom Princípio e do Paço Municipal de Santa Rosa. A Cientec também forneceu apoio laboratorial a uma quantidade significativa de projetos de restauro desenvolvidos principalmente no Rio Grande do Sul.

Resgate do passado A Cientec estuda as técnicas e materiais empre-

A restauração das fachadas do Palácio Piratini constituiu um marco na área de recuperação de prédios históricos no Rio Grande do Sul

gados no passado para possibilitar a restauração das edificações no tempo presente da maneira mais fiel

abrigado o Banco Santander, o Cine Teatro Imperial

possível às práticas da época.É o caso do resgate de

e até o Viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges

uma técnica que deixou de ser utilizada há mais de

de Medeiros. Nos anos 1950, com o advento dos re-

seis décadas e que, por essa razão, tornou-se pratica-

vestimentos cerâmicos, a aplicação do Cirex caiu em

mente desconhecida até mesmo de profissionais do

desuso. Porém, em função da contribuição prestada

setor da construção.

ao restauro de prédios históricos da capital gaúcha,

No final do século 19, começou a se propagar

a Cientec estudou exaustivamente este material, o

por todo o mundo o uso de uma argamassa pro-

que possibilitou que a instituição acumulasse conhe-

duzida a partir do cimento Portland, com origem

cimento e desenvolvesse consistente capacitação a

na Inglaterra. Em função de sua resistência e du-

respeito do tema.

rabilidade, ela foi muito aplicada em detalhes de fachadas de prédios ao longo da primeira metade do século 20.

Fachadas do Palácio Realizado de 2000 a 2006, o trabalho de restau-

No Rio Grande do Sul, o material ficou conheci-

ração das fachadas do Palácio Piratini constituiu um

do como pedra reconstituída, argamassa raspada ou

marco na área de recuperação de prédios históricos

simplesmente Cirex, como se denominava a marca

no Rio Grande do Sul. Entre as edificações existentes

comercial que produzia o revestimento no estado.

em Porto Alegre, esta é a que ostenta as fachadas mais

Como exemplos de sua aplicação em Porto Alegre es-

ricas no que se refere à ornamentação. A tarefa foi

tão o Palácio Piratini, o prédio onde atualmente está

executada por uma equipe multidisciplinar, integra-

Cimento Portland Em 1824, o químico britânico Joseph Aspdin percebeu que a mistura obtida com a queima conjunta de pedra calcária e argila, após a secagem, tornava-se tão dura quanto as pedras empregadas nas construções. O material recebeu o nome de cimento Portland por apresentar cor e propriedades de durabilidade e solidez semelhantes às rochas da ilha de Portland.

86


Os 70 anos da CIENTEC

Outra obra de restauração que contou com a participação da Cientec foi a do Solar dos Câmara, em Porto Alegre

87


O que fizemos e fazemos

A principal tarefa executada pela Cientec é a de prospectar materiais e técnicas e, com isso, alimentar as diferentes etapas de um projeto de restauração

revestimento; fissuras; fraturas com perda de partes de peças e elementos das fachadas; corrosão das armaduras de reforço; manchamento; vandalismo e pichações; intervenções mal conduzidas; e, por fim, uso inapropriado. O procedimento de restauro foi desenvolvido em várias etapas, todas elas precedidas de investigações e testes para uma perfeita avaliação do impacto sobre a edificação e para a definição da técnica mais apropriada em cada situação. Inicialmente, foi feita uma limpeza por lavagem

da por representantes da Assessoria de Arquitetura

com jatos de água sob pressão, associada a um leve

do Palácio Piratini, Iphae, Iphan, Secretaria das Obras

escovamento. Com a utilização de bisturis e espátu-

Públicas e Saneamento do Estado e Cientec. Coube

las, foram removidos materiais aderidos à superfície

especificamente à equipe da instituição de pesquisa

da argamassa. A seguir, a equipe de trabalho execu-

desenvolver os materiais e as técnicas empregadas

tou a limpeza química com o uso de algicidas, fun-

no restauro.

gicidas e sabões aplicados diretamente por aspersão

Como um revestimento sem proteção, a argamas-

88

ou com o auxílio de compressas.

sa Cirex fica exposta permanentemente aos agentes

A recuperação da argamassa de revestimento

responsáveis por sua deterioração. A velocidade e a

iniciou no laboratório com a identificação dos ma-

intensidade deste processo de desgaste dependem

teriais e a determinação da composição granulomé-

das características da própria argamassa. A deterio-

trica do agregado, a areia. Desse modo, foi possível

ração está vinculada ainda à movimentação da água

aplicar um material de reposição o mais parecido

em seu interior, caracterizada por ciclos alternados

possível com o original, tanto em coloração como em

de molhagem e secagem, determinando a expan-

textura, por meio da reprodução de uma argamassa

são e a contração do material com esfarelamento.

semelhante à original.

Além disso, a redução do pH do substrato permite a

A grande dificuldade enfrentada na restauração

instalação de colônias de micro-organismos e expõe

desse tipo de revestimento é a ação do tempo, cujo

o aço (empregado como reforço em peças de arga-

efeito não pode ser reproduzido, apenas imitado.

massa armada ou concreto armado) ao processo de

Para que as características da nova argamassa utiliza-

corrosão.

da se aproximassem o máximo possível da existente,

No caso das fachadas do Palácio Piratini, foi

foram produzidas inúmeras amostras para compara-

possível relatar a presença de danos relacionados

ção direta com o material original nos locais onde

aos seguintes fatores: instabilização da argamassa

seria necessária a reposição. Para atingir a meta, a

de revestimento; perda de aderência da camada de

Cientec desenvolveu mais de 60 diferentes amostras.


Os 70 anos da CIENTEC

Restauração das fachadas do Palácio Piratini: marco histórico

89


O que fizemos e fazemos

A Cientec desenvolveu capacitação a respeito da argamassa tipo Cirex, bastante utilizada como revestimento até os anos 1950, cuja técnica de preparo e aplicação é desconhecida até mesmo de profissionais da área

resina acrílica foi aplicada em uma demão para não produzir brilho na superfície e não impermeabilizá-la completamente, permitindo algum tipo de transpiração ao revestimento e à própria parede.

Obras especiais Ao lado da restauração de prédios históricos, as chamadas obras especiais representam uma das principais demandas do Departamento de Materiais de Construção Civil da Cientec. Um exemplo é a torre da Claro (operadora de telefonia celular) erguida na rua Corrêa Lima, no morro Santa Tereza, em Porto Alegre, obra que rompeu com vários paradigmas da construção civil. Foi uma das primeiras vezes em que

Deste universo, 25 foram tomadas como referência.

se utilizou no Brasil o concreto autoadensável em

Além disso, as técnicas desenvolvidas pela

uma estrutura com tal altura – quase 90 metros, ou

Cientec propiciaram a estabilização do revestimento

o equivalente a um prédio com cerca de 30 andares.

e dos inúmeros elementos de fachada, desde ador-

Por essa razão, a torre representou um grande de-

nos, balaústre e peças estruturais. Com isso, ficou

safio para a empresa que executou a obra, a qual

preservada a segurança estrutural, sendo interrom-

encontrou respaldo técnico no Departamento de

pido o processo degenerativo. Em algumas situações,

Materiais de Construção Civil da Cientec.

foi necessária a substituição parcial ou total de ele-

A Cientec participou ainda do desenvolvimento

mentos. Essa técnica é adotada sempre como última

do concreto empregado na produção dos elementos

alternativa, quando a peça a ser substituída é de fácil

pré-moldados que compõem as torres de aerogera-

remoção, não desempenha função estrutural de res-

dores dos parques eólicos de Osório e Santana do

ponsabilidade ou apresenta elevado grau de dificul-

Livramento, no Rio Grande do Sul, e de Bom Jardim

dade ou alto custo.

da Serra, em Santa Catarina. A entidade desenvolveu

A impermeabilização teve como objetivo im-

o mesmo trabalho em torres de aerogeradores de

pedir a infiltração das superfícies horizontais, como

parques eólicos implementados na região Nordeste

parapeitos e cimalhas. Como acabamento final, uma

do país.

Concreto autoadensável Com enorme fluidez, o concreto autoadensável foi desenvolvido inicialmente no Japão, na década de 1980, mas sua aplicação em obras civis ocorreu com mais intensidade em nível mundial a partir do final da década de 1990.

90


Os 70 anos da CIENTEC

Construção da Torre da operadora Claro, na capital gaúcha, rompeu paradigmas

91


O que fizemos e fazemos

A proteção do trabalho intelectual na Cientec A entidade e seus pesquisadores registram seus trabalhos no INPI para evitar cópias ilegais A Cientec investe fortemente na busca de pro-

lista de projetos na página 95).

dutos e processos inovadores, que possam trazer

Em 2010, a Cientec instituiu o Núcleo de Inovação

benefícios para a sociedade. Boa parte do produto

e Transferência de Tecnologia – Nitt. Vinculado dire-

desses projetos é objeto de registro, visando à pro-

tamente à Presidência da entidade, o órgão é respon-

teção da propriedade intelectual dos pesquisadores

sável pelo encaminhamento dos pedidos de patentes

da entidade. Com isso, o trabalho fica protegido

ao INPI, trabalhando sempre em parceria com a con-

contra cópias ilegais.

sultoria jurídica. A criação do Nitt é consequência da

A natureza das patentes requeridas e/ou con-

promulgação da Lei de Inovação Federal, de 2004, e

cedidas pelo Instituto Nacional de Propriedade

da Lei de Inovação do Rio Grande do Sul, de 2009.

Intelectual – INPI à Cientec envolve, de um lado,

Ambas objetivam incentivar a criação de núcleos

Modelos de Utilidade (UM), que dizem respeito ao

de inovação nos institutos de pesquisa. No caso da

aperfeiçoamento de produtos já existentes, nas áre-

Cientec, a instalação do Nitt foi realizada através de

as de energia, mecânica de fluidos e transportes; de

projeto financiado pela Finep.

outra parte, abrange Privilégios de Invenção (PI), que implicam a criação de produtos inéditos, nos

Tijolo ecológico

setores de construção civil, energia, materiais, me-

Em novembro de 2009, a Cientec obteve a car-

cânica e química. No total, sete patentes requeridas

ta-patente de invenção junto ao INPI de um bloco

pela Cientec estão em fase de tramitação ou vigên-

intertravado produzido a partir da mistura das cin-

cia, sendo que cerca de 20 já foram extintas (veja a

zas de carvão mineral e cal hidratada. O produto é

Patentes A patente consiste em um título de propriedade temporária sobre uma invenção. Este título é concedido pelo poder público aos pesquisadores que são responsáveis pela inovação, com a finalidade de proteger sua criação por um determinado período de tempo. O pedido de registro de patente precisa ser encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI. O prazo de vigência das patentes é de 20 anos, de acordo com a Lei de Propriedade Industrial, promulgada em 1996. Antes da entrada em vigor da atual legislação, o período previsto era de 15 anos.

92


Os 70 anos da CIENTEC

Documento de uma das primeiras patentes concedida Ă  Cientec

93


O que fizemos e fazemos destinado à aplicação em construções habitacionais.

nimas emissões de NOx, SOx e particulados sólidos,

Dotado de um sistema de encaixe vertical a seco,

os quais são capturados e integrados aos materiais

o bloco intertravado dispensa o uso de argamassa

cimentantes. Além disso, em virtude do uso de com-

no assentamento. Além da facilidade de aplicação, o

bustíveis de baixo custo, a invenção permite a obten-

produto agrega benefícios ambientais, contribuindo

ção de aglomerantes e cimentantes com menor custo

para o aproveitamento de resíduos e reduzindo os

de produção, em comparação aos processos conven-

danos ao meio ambiente. Cabe ressaltar que, para

cionais aplicados pela indústria da construção.

os próximos anos, a expectativa é que ocorra uma expansão das termoelétricas a carvão no Rio Grande do Sul, tendo como resultado a ampliação do volume de cinzas originadas da combustão.

Em fase de tramitação Entre os pedidos de patentes em fase de tramitação, está o projeto de zeólitas e sílica. A pesquisa

Os tijolos fabricados por empresas como a Cinza

se destina à obtenção de zeólitas artificiais por trata-

Vida, a partir do carvão queimado pela Braskem,

mento térmico, em presença de água e álcalis, a par-

são destinados à construção de conjuntos habita-

tir de compostos inorgânicos que contenham sílica

cionais projetados por prefeituras municipais.

e alumínio. É o caso de cinzas de carvão mineral em um único processo hidrotérmico e com geração de

Aglomerante de menor custo

94

resíduos quase zero.

A invenção de um equipamento de calcinação

Outro exemplo de patente já encaminhada ao

de materiais cálcicos em leito fluidizado recebeu

INPI é a da composição de material de construção ob-

carta-patente do INPI em julho de 2012. A tecno-

tido a partir de cinzas de carvão fóssil e resina. Aqui, a

logia desenvolvida pelos pequisadores da Cientec

pesquisa busca uma nova composição de material de

propicia a obtenção de produto cimentante ou

construção alternativo, em especial de bloco pré-mol-

aglomerante aplicado no setor da construção civil,

dado para pavimentos intertravados, que compreen-

especificamente em trabalhos não estruturais, como

de a mistura de cinzas de carvão mineral e aglutinan-

assentamento de tijolos em alvenarias diversas, re-

te do tipo resina sintética termoplástica ou termofixa.

vestimentos, assentamento de pisos e contrapisos.

Já o compósito de cinzas de carvão fóssil e cal

Os materiais cálcicos usados como matérias-primas

hidratada, para uso de sucedâneo de concreto com-

são calcários, mármores e dolomitos, entre outros.

pactado com rolo, emprega a cinza volante de car-

Dentre os combustíveis empregados no processo es-

vão mineral com cal hidratada como aglomerante

tão o carvão mineral com alto teor de cinzas, a casca

(cimento) e a cinza de fundo como agregado miúdo.

de arroz e o xisto betuminoso.

É destinado à aplicação como camada de base ou

A exemplo do bloco intertravado, o equipamen-

de sub-base de vias urbanas e rodovias, bem como à

to de calcinação de materiais cálcicos em leito flui-

construção de barragens que dispensa a aplicação de

dizado apresenta baixo impacto ambiental, com mí-

cimento Portland.


Os 70 anos da CIENTEC

Patentes em tramitação e vigência •

Aperfeiçoamento em Briquetes de Carvão com Alto Poder Calorífico

Processo e Equipamento de Calcinação Rápida de Materiais Cálcicos em Forno de Leito Fluidizado

Processo e Equipamento para Calibração de Instrumentos de Medição

Processo de Obtenção de Amina Etoxilada e seu Sal de Amônio Quaternário a partir de Glicerol

Processo de Obtenção de Zeólitas e Sílicas

Composição de Materiais de Construção obtida de Cinzas de Carvão Fóssil e Resina

Compósito de Cinzas de Carvão Fóssil e Cal Hidratada para Uso de Sucedâneo de Concreto Compactado em Rolo.

Combustor a Leito Fluidizado

Carreta Agrícola Polivalente

Patentes concedidas e extintas •

Material de Construção Obtido a partir de Resíduo de Carvão

Processo Construtivo Pré-Fabricado

Composição Aglomerante para Construção Civil

Distribuidor de Gases para Reatores de Leito Fluidizado

Equipamento Controlador Programável de Processos

Equipamento para Cozimento Rápido de Arroz Encharcado com Casca

Argamassa sem Cimento

Processo de Purificação de Areia do Mar para sua Utilização como Recheio de Colunas Cromatográficas de Purificação de Extratos a serem Analisados

Aglomeração com Material Pulverulento e Processo de Obtenção

Equipamento para Medir Perda de Carga e Acessório de Tubulação

Material Blindante Composto de Resina e Reforçado com Elementos Metálicos

Equipamento para Testes de Dinâmica de Fluidização à Temperatura Ambiente

Aglomeramento com Material Fibroso e Processo de Obtenção

Processo de Obtenção de Cal Hidráulica a partir de Carvão com Alto Teor de Matéria Mineral

Processo e Equipamento para Calcinação de Materiais e Minerais Carbonatados

Sistema Suspenso de Transporte Urbano

Cal Hidráulica Pozolâmica

Módulo Distribuidor para Leito Fluidizado

Distribuidor de Ar ou Gás para Leito Fluidizado

95


O que fizemos e fazemos

Notas

Publicações

Promoção de cursos e eventos

Desde a sua criação, ainda sob a denominação de

A promoção de cursos, simpósios, congressos e ou-

Instituto Tecnológico do RS – Iters, até os dias de hoje,

tros eventos associados às suas áreas de atuação é tam-

a Cientec mantém a tradição de publicar livros, traba-

bém uma tradição construída ao longo da trajetória

lhos técnicos, teses, bibliografias, cadastros, revistas e,

da Cientec, com destaque para os encontros que en-

principalmente, boletins técnicos.

volvem os setores de energia, química, meio ambiente,

No período do Iters, foram publicados 59 bole-

eletroeletrônica, materiais da construção civil e alimen-

tins, ao passo que outros 33 tiveram sua publicação

tos. Muitos dos cursos e eventos são promovidos em

já pela Cientec. As publicações cobrem praticamente

parceria com entidades com as quais a Fundação man-

todas as áreas do conhecimento às quais a instituição

tém estreita relação, a exemplo da Rede Metrológica,

já se dedicou, incluindo materiais de construção civil,

Sebrae e Associação Brasileira de Química.

edificações, química, engenharia química, meio ambiente, biologia, geotecnia, arquitetura, alimentos, engenharia eletroeletrônica e engenharia mecânica, entre outras. No final da década de 1970, em decorrência de

Biblioteca & Memorial A Biblioteca da Cientec possui um valioso acervo com livros, boletins informativos, revistas e normas da ABNT. Um dos destaques deste acervo é o con-

sua forte atuação na área do carvão mineral do Rio Grande do Sul, foi criado o Centro de Informação sobre o Carvão – CIC, órgão responsável pela produção de 19 revistas específicas sobre o tema. Estas revistas tinham o título de Carvão, Informação e Pesquisa, sendo divulgadas no período compreendido entre julho de 1978 e março de 1984. Outras publicações da Cientec envolveram parcerias com entidades como a Fundação Estadual de Proteção Ambiental do RS – Fepam, na área de meio ambiente, e Sebrae, na área de alimentos.

96

Livro de assinaturas de visitantes da Biblioteca da Cientec


Os 70 anos da CIENTEC

junto de Boletins Informativos publicados pela pró-

Boa parte da história da entidade está guardada

pria entidade com a apresentação de estudos téc-

no Memorial da Cientec, que foi inaugurado em 13

nicos realizados por seus pesquisadores. O livro de

de dezembro de 2010. No local, podem ser vistos mi-

assinaturas de visitantes evidencia a importância do

croscópios, balanças e outros instrumentos usados

órgão desde as origens da entidade de pesquisa. Em

pelos pesquisadores ao longo da história da insti-

28 de maio de 1955, por exemplo, o então governa-

tuição de pesquisa. Um computador remanescente

dor Ildo Meneghetti registrou sua “viva satisfação”

da década de 1980 faz parte do acervo, assim como

em visitar a Biblioteca, que – conforme ele – servia

uma xiloteca (coleção de amostras de madeira) e a

de modelo para as demais bibliotecas do governo

maquete da planta do projeto Civogás, um dos prin-

do estado do RS. O público externo tem acesso ao

cipais trabalhos realizados pela Cientec na área de

acervo de 2ª a 6ª feira no período da manhã.

carvão mineral.

Biblioteca da Cientec

97


Vis達o renovada, novos tempos e desafios do futuro

Vis達o renovada, novos tempos e desafios do futuro

98


Os 70 anos da CIENTEC

Com a marca da confiabilidade, a Cientec avança sua pesquisa para áreas inovadoras como as de química fina, eletroeletrônicos e biodiesel, além de contribuir para a preservação do meio ambiente

Uma questão de qualidade A confiabilidade dos resultados de ensaios e calibrações é assegurada pelo Programa Qualidade Cientec No início da década de 1990, a Cientec começou a aperfeiçoar suas práticas de gestão e de processos administrativos e técnicos para assegurar a qualidade dos serviços prestados a pessoas físicas, empresas privadas e órgãos governamentais. Hoje plenamente consolidado, o processo reforça a confiança dos clientes da instituição e dá suporte à avaliação de conformidade de diversos produtos disponíveis para consumo da população. A abertura de mercado e a globalização da economia haviam propiciado o surgimento de um ambiente favorável ao debate acerca do tema da qualidade no

Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade

Brasil no começo dos anos 1990. O que se pretendia

Em novembro de 1990, foi lançado o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade. Dois meses antes, havia sido instituído como lei federal o Código de Defesa do Consumidor, que entrou em vigor em março de 1991.

era promover a melhoria de gestão e o incremento da competitividade das organizações públicas e privadas do país. Esta ideia foi reforçada em novembro de 1990, quando o governo lançou o Programa Brasileiro de

99


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro Qualidade e Produtividade, que preconizava a “ins-

A seguir, a atitude adotada foi a de formar um

tituição de prêmios destinados ao reconhecimento

corpo técnico capacitado para liderar o processo de

das contribuições em prol da qualidade e produti-

implantação das novas ideias. Desse modo, uma pri-

vidade”.

meira turma de servidores participou do curso de

Assim, a Fundação Prêmio Nacional da Qualidade

Engenharia da Qualidade (apesar da denominação, o

foi constituída em 1991 (em 2005, o nome seria alterado

foco era Gestão da Qualidade), em nível de especia-

para Fundação Nacional da Qualidade). Cabe ressaltar

lização, na Unisinos. A atividade foi desenvolvida no

que, em nível mundial, existem mais de 75 premiações

período 1991/1992, totalizando 500 h/aula. Não por

adotadas com a mesma finalidade, a exemplo do Japan

acaso, o trabalho de conclusão da equipe da Cientec

Quality Award, no Japão; o Baldrige National Quality

foi a implementação dos conhecimentos adquiridos

Programe, nos Estados Unidos; o Canada Awards For

ao longo do estudo dentro da instituição. O treina-

Excellence, no Canadá; e o German National Quality

mento teve continuidade no período de 1991 a 1992,

Award, na Alemanha, entre outros.

quando a Unisinos alterou o nome da especialização para Gestão da Qualidade, e entre 1992 e 1993, atra-

Processo de implantação

vés do curso de Engenharia da Qualidade, atividade

Durante o período de implantação do movimen-

realizada na PUC/RS. Além disso, o pessoal da Cientec

to em favor da qualidade, em nível nacional, uma

realizou também cursos de curta duração, sempre

das instituições que se posicionou na linha de frente

com o propósito de ampliar sua capacitação no tema.

do processo foi o Instituto Brasileiro da Qualidade

No início de 1993, a equipe que já havia

Nuclear – IBQN, o qual realizou palestras em dife-

sido treinada constituiu a Comissão Executiva da

rentes regiões do país com a finalidade de motivar

Qualidade, que deu início à tarefa de disseminar in-

outras entidades a aderirem à iniciativa. Após a rea-

ternamente os novos conceitos e técnicas. Uma das

lização de uma das reuniões em sua sede, em Porto

atividades promovidas pela Comissão naquele ano

Alegre, a Cientec tomou a decisão institucional de

foi a I Semana da Qualidade, que atraiu um con-

investir fortemente na área da qualidade.

tingente expressivo de funcionários e palestrantes. Em 1994, a Comissão transformou-se em Programa

O processo reforça a confiança dos clientes e dá suporte à avaliação de conformidade de diversos produtos disponíveis para consumo da população 100

Qualidade Cientec. No ano seguinte, foi instituída a Superintendência da Qualidade. De lá para cá, a estrutura organizacional do setor foi sendo continuamente aprimorada. Atualmente, a área está subordinada ao Departamento da Qualidade. É possível afirmar sem medo de errar que o processo de implantação da qualidade na Cientec foi marcado por dois atributos – esforço e criatividade.


Os 70 anos da CIENTEC

Laborat贸tio de Fusibilidade

101


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro No começo dos anos 1990, não havia referências de outras instituições nas quais a equipe da Cientec pudesse se espelhar. A internet não havia sido popularizada no país. Como se não bastasse, a bibliografia disponível era pouca. Cabe destacar ainda que a Cientec não só desenvolveu internamente o seu processo de qualidade, como também contribuiu para a consolidação de uma cultura de qualidade no Rio Grande do Sul e no Brasil. A instituição participou ativamente, em 1992, por exemplo, da criação do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade – PGQP, que se transformou em referência em nível nacional. Além disso, colaborou para a definição dos critérios do Prêmio

da Qualidade RS. Atuou também na implantação de

havia lançado um programa de excelência direcionado às instituições de pesquisa. Já para assegurar

programa da qualidade do setor da construção civil

a qualidade dos serviços prestados aos clientes, fo-

do estado. Dessa forma, o sistema de qualidade da

ram adotados os requisitos da NBR ISO/IEC 17025 e

Cientec surgiu alinhado às primeira iniciativas adota-

os requisitos do Instituto Nacional de Metrologia,

das nesta área em nível nacional. Neste sentido, não

Qualidade e Tecnologia – Inmetro no que se re-

resta dúvida de que a instituição assumiu uma pos-

fere a dois itens – ensaios e calibração. O primei-

tura pioneira entre os institutos de pesquisa do país.

ro laboratório a ser acreditado pelo Inmetro foi o

Laboratórios acreditados

Laboratório de Interferência Eletromagnética, em 1998. Atualmente, a Cientec conta com nove labo-

Para alcançar a melhoria de suas práticas de ges-

ratórios e mais de 500 serviços, ensaios e calibrações

tão, a Cientec contou com a ajuda da Associação

acreditados junto ao Inmetro e habilitados junto à

Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica

Rede Metrológica nas áreas de geotecnia, alimentos,

e Inovação – Abipti, da qual é uma das entidades

engenharia eletroeletrônica, química e combustíveis.

fundadoras. No inicio da década de 1990, a Abipti

Nas áreas de alimentos e engenharia eletroele-

Abipti A Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação – Abipti é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, que congrega instituições públicas e privadas de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico. A entidade está presente em 27 unidades da Federação, distribuídas em cinco regiões do país, mantendo estreita parceria com os conselhos nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I – Consecti e das Fundações de Amparo à Pesquisa – Confap, além do Fórum de Secretários Municipais da Área de C&T.

102


Os 70 anos da CIENTEC

O sistema de qualidade surgiu alinhado às primeiras iniciativas adotadas nesta área em nível nacional

trônica (equipamentos eletromédicos), a Cientec integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde. Participa também da Rede Metrológica do RS e de outras cinco redes do Sistema Brasileiro de Tecnologia – Sibractec, que apoia atividades de P&D voltadas para a inovação em produtos e processos, nos setores de compatibi-

e contínua na disseminação do modelo de gestão

lidade eletromagnética, tecnologia da informação e

proposto pelos critérios de excelência através de se-

comunicação, produtos para a saúde, produtos e dis-

minários internos, cursos e execução do Programa

positivos eletrônicos e Rede Nacional de Análises de

Qualidade Cientec. As atividades de acreditação e re-

Alimentos – Renali. Paralelamente, a entidade está

conhecimento pelos órgãos oficiais vêm sendo man-

credenciada pela Fundação Estadual de Proteção

tidas e ampliadas com a inserção de novos ensaios

Ambiental (Fepam) para atuar na área de análises

aos escopos iniciais reconhecidos e a adequação a

ambientais e pelo Ministério do Trabalho para a rea-

novas exigências e regulamentos. A caminhada que

lização de ensaios em equipamentos de proteção do

teve início há mais de duas décadas está consolidada,

trabalhador (tapetes, botas, capacetes, ferramentas

rendendo frutos para a Cientec, seus clientes e para

de eletricidade, alicates etc.).

a sociedade gaúcha.

Cultura da qualidade

Selo de confiança

Para atingir os resultados desejados, um trabalho sistemático é realizado com o objetivo de con-

Os laboratórios da Cientec acreditados pelo Inmetro são os seguintes:

solidar uma cultura organizacional voltada para a qualidade dentro da Cientec. Não custa lembrar que

Laboratório de Microbiologia

um dos requisitos básicos para se renovar a acredi-

Laboratório de Análises Microscópicas, Físicas e

tação é a constante capacitação dos recursos huma-

Sensoriais

nos. Entre as atividades desenvolvidas neste sentido,

Laboratório de Química de Alimentos

merece destaque o Programa Anual de Treinamento

Laboratório de Ensaios em Combustíveis

para a Qualidade – PAT Qualidade, realizado anual-

Laboratório de Termometria

mente com o envolvimento da totalidade dos servi-

Laboratório de Calibração Elétrica

dores. Como consequência de iniciativas como esta,

Laboratório de Interferência Eletromagnética

a cultura da qualidade está incorporada à rotina da

Laboratório de Mecânica e Tecnologia de

instituição em todos os níveis hierárquicos. Assim, a Cientec prossegue de forma intensa

Rochas •

Laboratório de Solos

103


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Em defesa do consumidor Testes e ensaios realizados na Cientec ajudam a coleta de provas em caso de adulteração de combustíveis Em sua fase inicial, o Laboratório de Ensaios em

com normas técnicas (internacionais e nacionais), de-

Combustíveis – LEC, vinculado ao Departamento de

vidamente regulamentadas. A partir desse trabalho, o

Química da Cientec, se deteve na realização de análi-

laboratório deu início à emissão de pareceres técnicos

ses, testes e ensaios de combustível sólido, em especial

com base na legislação vigente, que fornecem as pro-

carvão fóssil e seus derivados, atendendo a produtores,

vas necessárias para autuações e apreensões em caso

consumidores e centros de pesquisa do insumo para a

de irregularidades.

geração de energia elétrica. A partir do ano 2000, o

Para melhor atender à demanda desses servi­

LEC foi reestruturado e equipado para dar suporte téc-

ços técnicos, a Cientec investiu no Sistema de Ges­

nico aos órgãos públicos na defesa dos consumidores

tão­da Qualidade, o que possibilitou ao LEC rece­ber

de combustíveis automotivos (gasolina, álcool combus-

Acreditação junto ao Inmetro (CRL 145) e Reconhe­

tível hidratado e óleo diesel), tendo em vista o número

cimento pela Rede Metrológica (Nº 310E), relativos a

crescente de autuações decorrentes da adulteração dos

ensaios em combustíveis automotivos e em carvão e

produtos. Neste sentido, o Ministério Público Estadual

coque. Dessa forma, o laboratório está plenamente ca-

do RS foi pioneiro ao adotar a estratégia de montar

pacitado a realizar coleta de amostras de combustíveis

uma força-tarefa para o combate às fraudes no se-

em caminhão-tanque, depósito de combustíveis, refi-

tor. Assim, o LEC passou a exercer papel fundamental

narias, posto de gasolina e botijões de gás apreendidos

na realização de ensaios de caracterização de acordo

pela polícia.

Acreditado pelo Inmetro, o Laboratório de Ensaios em Combustíveis oferece suporte técnico aos órgãos públicos para identificar possíveis alterações dos produtos que abastecem os veículos automotivos 104


Os 70 anos da CIENTEC

Laboratório de Análise de Combustíveis

105


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Selo de garantia Para a sociedade gaúcha, a Lei 6.719/74 representa a garantia de qualidade técnica na execução de importantes obras contratadas pelo governo do estado A sociedade gaúcha possui um instrumento efe-

ção deve averiguar tanto as obras quanto os materiais

tivo de garantia da qualidade das obras executadas

usados após a entrega dos empreendimentos. Outros

pela administração estadual. Regulamentada através

serviços de apoio incluem ensaios físico-químicos e

do Decreto 32874/1988, a Lei 6.719/74 estabelece que

microbiológicos, além de calibrações. No artigo 3º, a

a Cientec execute a verificação da qualidade de todas

Lei define que cabe ao órgão fiscalizador ou contra-

as obras contratadas pelo governo do estado do Rio

tante – a título de exemplos, podem ser citados Daer,

Grande do Sul cujo valor total exceda o equivalente a

CEEE, Sulgás, Metroplan, Corsan, DAP, SPH etc. – fazer

3 mil salários-mínimos.

a solicitação dos serviços e decidir quais ensaios e testes

Como funciona? Nestes casos, as empresas encarre-

precisam ser efetuados. Vale lembrar que o Decreto re-

gadas de executar os projetos devem obrigatoriamen-

gulamentador determina que a exigência do depósito

te depositar a quantia correspondente a 1% do valor

antecipado de 1% para a Cientec conste tanto no edi-

total da obra em nome da entidade de pesquisa. Em

tal como no contrato de execução da obra.

contrapartida, a Cientec fica obrigada a realizar, por si

As vantagens que a aplicação adequada da Lei

ou por terceiros, o acompanhamento da execução das

6.719/74 traz para a economia do estado são traduzi-

obras e a verificação dos diversos materiais emprega-

das por obras de qualidade garantida, que são execu-

dos (solos, rochas, concreto etc.). Igualmente, a institui-

tadas de acordo com as exigências técnicas definidas previamente nos projetos licitados. A verificação de

A verificação de qualidade efetuada pela Cientec confere isenção ao processo de avaliação e fornece ao Estado a segurança de que os investimentos foram bem-aplicados 106

qualidade efetuada pela Cientec (na condição de um terceiro independente) confere isenção ao processo de avaliação e fornece ao Estado a segurança de que os investimentos foram bem aplicados.

Caráter visionário A Lei 6.719/74 foi proposta e aprovada em uma época na qual não havia sido desenvolvida de forma adequada a sistemática para a verificação da qualida-


Os 70 anos da CIENTEC

Ao longo do tempo, os focos da ação da Cientec motivada pela Lei 6.719/74 acompanharam a dinâmica da economia e da administração do estado

Companhia Riograndense de Mineração – CRM. A partir da década de 1980, os trabalhos de verificação da qualidade convergiram para o setor de transporte rodoviário, com a construção e/ou pavimentação de rodovias em território gaúcho. Cabe ressaltar, neste quesito, a pesquisa promovida no início dos anos 1980 com a utilização de recursos advindos da Lei 6.719/74 para o desenvolvimento de um tipo de pavimentação de estradas obtido a partir da mistura das cinzas de car-

de das obras públicas. Na verdade, o próprio conceito

vão com cal hidratada e solo. Denominado Cicasol, o

de sistema de gestão da qualidade não estava devida-

projeto de pesquisa aproveitava a forte demanda e as

mente consolidado. Por essa razão, pode-se afirmar

características peculiares do carvão do Rio Grande do

que a Lei 6.719/74 apresentou um caráter visionário, à

Sul (o qual possui grande quantidade de cinzas) para

medida que antecipou procedimentos que, atualmen-

obter a matéria-prima necessária à fabricação deste

te, são considerados imprescindíveis.

tipo de pavimentação. A tecnologia implicava benefí-

Ao longo do tempo, os focos da ação da Cientec motivada pela Lei 6.719/74 acompanharam a dinâmica

cios para a preservação do meio ambiente com o reaproveitamento de resíduos da exploração do carvão.

da economia e da administração do estado. Logo após

Na década de 2000, a Corsan passou a concen-

a aprovação, por exemplo, o governo estadual estava

trar grande parte dos serviços da Cientec requisitados

fortemente empenhado na criação de distritos indus-

através da Lei 6.719/74, com a verificação de obras

triais. Assim, durante cerca de dez anos, a instituição de

como a de Estações de Tratamento de Esgoto – ETEs

pesquisa avaliou a qualidade de obras contratadas pela

e Estações de Tratamento de Água – ETAs. No caso

hoje extinta Companhia Estadual de Desenvolvimento

do Departamento Aeroportuário do Rio Grande do

Industrial e Comercial (Cedic). Mais tarde, foi a vez de

Sul – DAP, os projetos verificados abrangem principal-

atender à Companhia Estadual de Habitação do Rio

mente a construção de pistas de aeroportos. Os recur-

Grande do Sul – Cohab, que construía núcleos habita-

sos da Lei são aplicados também no apoio a obras do

cionais em cidades como Canoas, Pelotas, Rio Grande

Daer que envolvem taludes e encostas junto a rodo-

e Uruguaiana, entre outras. Nesse período, a Cientec

vias, bem como construção de pontes. Recente estudo

também concentrou suas iniciativas em obras do se-

demandado à Cientec pela Sulgás analisou a viabilida-

tor energético, relacionadas principalmente à explo-

de da manutenção de gasoduto sob o leito da BR 290

ração do carvão, que haviam sido contratadas pela

no trecho entre Guaíba e Pantano Grande.

Cicasol A tecnologia do programa Cicasol foi testada na área interna do Polo Petroquímico de Triunfo e no complexo termelétrico de Candiota.

107


108


Os 70 anos da CIENTEC

Cientec contribuiu para a construção da Rota do Sol

109


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Inovação a bordo A área de engenharia eletroeletrônica da Cientec participa de projetos inovadores em segmentos como semicondutores e indústria naval, que se diferenciam pela constante atualização tecnológica A área de eletroeletrônica da Cientec iniciou

ao Inmetro. Atualmente, também estão acreditados

suas atividades como integrante do Departamento

os Laboratórios de Termometria e de Calibração

de Engenharia de Projetos. Em 1987, em função da

Elétrica, que, juntamente com os Laboratórios de

crescente demanda de serviços por parte das indús-

Ensaios em Baixa Tensão e em Alta Tensão, integram

trias do setor eletroeletrônico, a entidade deu início

o Departamento de Engenharia Eletroeletrônica.

ao projeto de criação de um laboratório de interfe-

Ao longo dos anos 1990, as ações do Departa­

rência eletromagnética, contando para isso com a

mento estiveram voltadas prioritariamente para a

parceria do BRDE.

realização de ensaios e testes em equipamentos da

O Laboratório de Interferência Eletromagnética

Marinha do Brasil, como os sistemas eletrônicos das

foi montado em 1990 em uma área de mil metros qua-

fragatas. A partir da metade da década, contudo,

drados, no campus de Cachoeirinha. No ano seguin-

o setor passou a atender cada vez mais a iniciativa

te, o Departamento de Engenharia Eletroeletrônica

privada visando ao desenvolvimento de produtos.

foi transferido para o campus.

Entre os setores comerciais atendidos, destacam-se

Em 1998, o Laboratório de Interferência Eletro­

o de telecomunicação e de automação industrial.

magné­tica foi o primeiro da Cientec e também o pri-

Outra área bastante requisitada é a de equipamen-

meiro em sua área no país a receber acreditação junto

tos eletromédicos (bombas de infusão, aparelhos de ultrassom e desfibriladores cardíacos, entre outros

O Laboratório de Interferência Eletromagnética da Cientec foi o primeiro em sua área no Brasil a ser acreditado pelo Inmetro 110

itens). Merecem citação também os setores automotivo (com módulos eletrônicos embarcados, como computadores de bordo e sistemas de navegação por GPS), de tecnologia da informação (computadores, notebooks, no-Breaks etc.) e de eletrodomésticos (refrigerador, freezer e ar-condicionado). O Departamento realiza ainda ensaios em taxímetros eletrônicos e medidores de velocidade e energia.


Os 70 anos da CIENTEC

Atualização tecnológica

de Tecnologia da Informação Renato Archer – CTI,

Não é surpresa a forte demanda por ensaios e por

que envolve ainda o Instituto Nacional de Pesquisas

desenvolvimento de produtos na área de eletroele-

Espaciais – Inpe e o Centro de Tecnologia para

trônicos no Rio Grande do Sul. Afinal, a indústria gaú-

Produtos das Indústrias de Manaus – CT-PIM.

cha ocupa o segundo lugar no ranking nacional do

Além de melhorias de infraestrutura, o projeto

setor. A partir da segunda metade da década de 2000,

abrangeu atividades de capacitação de recursos hu-

surgiram novas vertentes nesse segmento da econo-

manos, das quais participaram todos os pesquisadores

mia marcado pela constante atualização tecnológica.

e bolsistas do CNPQ vinculados ao Departamento de

Um exemplo de inovação é o setor de semi-

Engenharia Eletroeletrônica da Cientec. Em termos

condutores, que abarca os circuitos integrados, os

de infraestrutura, foram providos equipamentos para

chamados chips, que atualmente são utilizados em

testes em circuito integrado. As atividades de capaci-

quase todos os equipamentos eletrônicos. O Rio

tação compreenderam tanto estudos teóricos quanto

Grande do Sul está constituindo um polo de semi-

testes de componentes eletrônicos em laboratório.

condutores a partir da instalação em São Leopoldo

Não é difícil mensurar a importância da pesquisa

da HT Micron, joint-venture formada pela sul-core-

na área de semicondutores no Brasil. Este é um dos

ana Hana Micron e a gaúcha Altus. Faz parte deste

segmentos que determina o saldo negativo da ba-

também o Ceitec S/A, fábrica de chips com sede em

lança comercial do país na área eletroeletrônica em

Porto Alegre e vinculada ao Ministério da Ciência,

função do excessivo volume de importação de compo-

Tecnologia e Inovação.

nentes. O desequilíbrio poderá ser reduzido por meio

A Cientec está montando uma estrutura para

do incremento da pesquisa, que permitirá à indústria

testes em componentes eletrônicos semicondutores

nacional ter domínio tecnológico do processo de fa-

para dar suporte às empresas desse segmento da in-

bricação de chips, ampliar e qualificar sua produção.

dústria eletroeletrônica. O objetivo é realizar ensaios de conformidade e análises laboratoriais em seus

Retomada da indústria

produtos. Para isso, a entidade vem se preparando

Quando decretou a abertura dos portos brasilei-

já há algum tempo. Entre 2006 e 2012, a instituição

ros às nações amigas de Portugal, em 28 de janeiro

participou do Sistema de Avaliação de Conformidade

de 1808, Dom João VI estava focado em três obje-

de Componentes Eletrônicos – SAC-CE, um projeto

tivos. O primeiro deles era o de incrementar o co-

em rede desenvolvido sob a coordenação do Centro

mércio das riquezas naturais aqui existentes, como o

Chips Em 1965, o co-fundador da Intel Corporation, Gordon Moore, constatou que o número de transistores que poderiam ser acomodados em um chip de silício (e, em consequência, a capacidade do microprocessador dos computadores) dobrava a cada dois anos. A descoberta que identifica a constante atualização da tecnologia ficou conhecida no meio científico como a Lei de Moore.

111


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro ouro e a madeira. Outro objetivo consistia em trazer

possui a segunda maior indústria naval do país, atrás

especiarias para deleite da nobreza de Portugal pro-

apenas do Rio de Janeiro, a área de petróleo e gás é

visoriamente instalada na colônia tropical. Por fim,

estratégica. Os aportes de recursos que estão feitos

pretendia facilitar o tráfego de escravos procedentes

beneficiam especialmente a região sul do território

da África. Dom João VI talvez não imaginasse, contu-

gaúcho, que tem a oportunidade de se recuperar de

do, que com aquela medida estaria dando um passo

um longo período de dificuldades econômicas. Entre

importante para a implantação do transporte portu-

os empreendimentos em curso, destaca-se o Estaleiro

ário brasileiro, peça-chave na inserção da economia

Rio Grande 1 – ERG1. Inaugurado em outubro de

do futuro país no comércio internacional.

2010, o ERG1 é detentor do maior dique seco da

Sem dúvida, um dos protagonistas do transporte

América Latina, com 350 metros de comprimento e

portuário do Brasil é a indústria da construção naval,

13,8 metros de profundidade (comparado com o ní-

que já foi considerada a 2ª maior do mundo, nos anos

vel médio do canal). Além disso, figura como terceiro

1970. Após um longo período de estagnação, as em-

colocado entre os maiores do mundo. Nele, está sen-

presas do setor conseguiram dar um grande salto na

do construída a plataforma P55, além de oito cascos

década de 2000, o que possibilitou a elas registrar um

para plataformas do tipo FPSO (navio-plataforma).

crescimento que não era verificado há mais de 40 anos.

Ao lado do ERG1, encontra-se em fase de instalação

Em grande parte, a responsabilidade por esta

um segundo estaleiro, o ERG2, onde serão constru-

retomada é a Petrobras, que planeja realizar inves-

ídas algumas partes dos cascos dos FPSOs replican-

timentos da ordem de US$ 236 bilhões (até o ano de

tes, além de três sondas de perfuração. Uma terceira

2015) na indústria da construção naval e de offshore.

unidade – ERG3 passa pela etapa de montagem de

Em 2012, o país passou a contar com a quarta maior

projeto. O complexo da região sul do estado inclui

carteira de encomendas de navios petroleiros em

ainda o Estaleiro Honório Bicalho, no qual está em

nível mundial, de acordo com o Sindicato Nacional

construção a plataforma P58, também do tipo FPSO,

da Indústria da Construção e Reparação Naval e

e o Estaleiro São José do Norte, que já recebeu licen-

Offshore – Sinaval. Explica-se: o programa de inves-

ça ambiental da Fepam para iniciar suas obras.

timentos estabelecido pela empresa estatal prevê a aplicação de um percentual mínimo de 65% de conteúdo nacional na renovação da frota do setor. Em

Diante deste cenário, que movimenta toda a ca-

outras palavras, mais da metade dos componentes

deia da indústria naval e de offshore, incluindo as

precisam ser fabricados em território brasileiro. Já

indústrias de peças e componentes, a Cientec vem

existem proposições para que a porcentagem au-

empenhando esforços no sentido de contribuir com

mente para 75%, o que abriria ainda mais espaço

a nova frente econômica que está se abrindo no es-

para as empresas nacionais.

tado. Um dos projetos em destaque é a criação de

Para o Rio Grande do Sul, em particular, que já

112

Navegação digital

um sistema integrado de navegação dotado de tec-


Os 70 anos da CIENTEC

Polo naval de Rio Grande

113


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro nologia digital, comparável aos mais modernos do

Cientec estudaram em profundidade a legislação in-

mundo. Iniciado em meados da década de 2000, com

ternacional, detendo-se em particular nas resoluções

financiamento da Finep, o Sisnavega busca desen-

da International Maritime Organization – IMO, or-

volver, construir e testar um sistema de controle e

ganismo das Nações Unidas, com sede em Londres,

operação para embarcações e navios composto de

que é responsável pela codificação e padronização

subsistemas eletrônicos integrados.

de procedimentos relacionados à segurança maríti-

O Sisnavega possui componentes para assegurar

ma. Paralelamente, foi realizada uma capacitação in-

o monitoramento eletrônico-digital das condições

terna para o manuseio de equipamentos eletrônicos

de navegação e da própria embarcação. Assim, o pi-

usados na indústria da construção naval e offshore.

loto terá acesso às informações analógicas, numéri-

A Cientec planeja realizar no futuro ensaios de

cas e gráficas através de um painel, ao mesmo tempo

conformidade para certificação e desenvolvimento

em que uma bússola GPS enviará e receberá dados

de produtos neste setor da indústria. Cabe destacar

via satélite, utilizando normas internacionais de co-

que, diferente da cadeia automotiva, na qual as pró-

municação. Desse modo, os armadores poderão mo-

prias empresas certificam seus produtos, a cadeia da

nitorar o deslocamento do navio, procedimento que

indústria naval é submetida a normas de certifica-

ajudará a reduzir a ocorrência de crimes como roubo

doras globais. Desde o parafuso até o equipamento

de combustíveis e carga. O Sisnavega deverá ainda

eletrônico de comando, todos os componentes preci-

propiciar a comunicação entre os navios equipados

sam receber a certificação internacional.

com o produto, diminuindo o risco de acidentes. O

Em parceria com a empresa Technomaster, a

projeto foi realizado em parceria com as empresas

Cientec está desenvolvendo um sistema simulador

Technomaster e Dtecto, ambas de São Leopoldo (RS),

para navegação que reproduz o ambiente do passa-

as quais serão responsáveis pela comercialização dos

diço de uma embarcação, com diversos instrumentos

subsistemas desenvolvidos. Em 2010, foi montado o

para controle e comando. Este será o primeiro simu-

primeiro protótipo do Sisnavega, o qual foi apresen-

lador do país para pilotagem de embarcações, que

tado na Navalshore, uma das principais feiras do se-

reproduzirá situações vivenciadas em alto mar. O

tor, que é promovida anualmente no Rio de Janeiro.

Console para Estudo de Navegação e Manobrabilidade

Para realizar o trabalho, os pesquisadores da

– Conavega será destinado ao Centro de Instrução Almirante Graça Aranha – Ciaga, que possui equipa-

A Petrobras planeja investir US$ 236 bilhões até o ano de 2015 na indústria da construção naval e de offshore 114

mentos antigos, importados ou de tecnologia analógica. O projeto está sendo desenvolvido junto com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Ufrgs. Além disso, a Cientec pretende criar um centro de apoio à inovação e à competitividade para a indústria naval e oceânica no campus de Cachoeirinha.


Os 70 anos da CIENTEC

Laboratório de Interferência Eletromagnética

115


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Em nome da natureza Pesquisas buscam ampliar a participação de combustíveis limpos e renováveis na matriz energética do RS Alternativa renovável e menos poluente em rela-

tanto técnica quanto economicamente. Além disso, o

ção aos derivados do petróleo, o combustível originá-

PNPB propõe medidas de inclusão social e desenvol-

rio de óleos vegetais – o biodiesel – está na pauta de

vimento regional por meio da geração de emprego e

iniciativas governamentais desde a década de 1970.

renda. Para atingir esses objetivos, o programa coor-

Desde então, ficou demonstrado que as vantagens

denado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia busca

do biodiesel em relação ao óleo diesel convencional

garantir preços competitivos, além de qualidade e su-

não se restringem à questão ambiental. Situado em

primento, produzindo o biodiesel a partir de diferen-

uma região tropical, com altas taxas de luminosidade

tes fontes oleaginosas em diversas regiões brasileiras.

e de temperaturas médias anuais, o Brasil apresenta

Na época, foi constituída a Rede Brasileira de

enorme potencial para a produção da energia reno-

Tecnologia de Biodiesel – RBTB na tentativa de

vável. Como se não bastasse, possui uma diversida-

consolidar um sistema gerencial de articulação dos

de de culturas para a produção do biocombustível,

diversos atores envolvidos na pesquisa, desenvolvi-

como palma, babaçu, soja, canola, algodão, girassol

mento e produção do biodiesel. Os esforços envol-

e amendoim, entre outras. Apesar disso, o uso do

viam a disponibilização de recursos a fundo perdido

biodiesel em escala comercial pouco havia evoluído

da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep para a

até o início do século 21. As dificuldades estavam

realização de pesquisas em 22 estados.

concentradas principalmente em aspectos técnicos e nos elevados custos de produção.

Em julho de 2003, com o propósito de implementar no Rio Grande do Sul a produção de biodiesel,

Para solucionar o impasse, o Programa Nacional

a Cientec, a Secretaria de Ciência e Tecnologia do

de Produção e Uso do Biodiesel – PNPB foi adotado

RS (atualmente denominada Secretaria da Ciência,

no país, em 2003, com a finalidade de implementar a

Inovação e Desenvolvimento Tecnológico) e a Uni­

produção e o uso do biodiesel de forma sustentável,

ver­sidade Federal do RS – Ufrgs encaminharam ao

Óleos vegetais Um motor diesel à base de óleo de amendoim foi apresentado na Exposição Mundial de Paris, em 1900. A seguir, porém, o uso de óleos vegetais foi posto em segundo plano, em favor do óleo diesel derivado do petróleo por fatores econômicos e técnicos.

116


Os 70 anos da CIENTEC

Cromatógrafo para análise de biodíesel

Ministério da Ciência e Tecnologia a proposta de

tivas: o Probiodiesel-RS e o Projeto Estruturante de

implementação do Programa Gaúcho de Biodiesel

Agroenergia para o RS. Para a realização desses dois

– Probiodiesel-RS. Integrado ao PNPB, o projeto visa

projetos, a Cientec produziu o biodiesel em escala

à introdução gradual do biodiesel na matriz ener-

de bancada no Laboratório de Reatores e Cinética

gética através da mistura deste biocombustível ao

Aplicada e em escala-piloto no Laboratório de

diesel de petróleo. Desde então, pesquisadores da

Desenvolvimento de Processos, contando com o apoio

Cientec desenvolveram em parceria tecnológica

analítico do Laboratório de Ensaios em Combustíveis

com universidades gaúchas duas importantes inicia-

e do Laboratório de Desenvolvimento Analítico.

Além de incrementar a produção e o uso do biodiesel, o PNPB propõe medidas de inclusão social e desenvolvimento regional por meio da geração de emprego e renda 117


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Produção de biodiesel

118


Os 70 anos da CIENTEC

Qualificação de recursos humanos Coordenado pela Cientec e inserido na Rede

tamento de coprodutos e a caracterização e o controle de qualidade de insumos e produtos.

Bra­si­leira de Produção e Uso de Biodiesel, o Probio­

Para atingir os objetivos do programa, os pesqui-

diesel-RS foi realizado em parceria com o Instituto

sadores estudaram as metodologias para a caracteri-

de Química da Ufrgs no período de 2004 a 2007,

zação de insumos e produtos do processo de produ-

sendo financiado pela Finep. Pioneiro e inovador, o

ção de biodiesel, estabelecendo protocolos analíticos

projeto propiciou o estudo de processos para a ob-

de controle de qualidade. Ao mesmo tempo, desen-

tenção do biodiesel através da rota metílica a partir

volveram processos de produção a partir dos óleos de

dos óleos de soja e girassol. A meta de produzir o

canola, soja e girassol. Foram adotadas duas rotas: de

biocombustível dentro das especificações requeridas,

um lado, a rota etílica, com catalisadores homogêne-

com excelente rendimento, foi plenamente atingida.

os em escala de bancada e piloto; de outro, a rota me-

Além disso, o Probiodiesel-RS propiciou a melhoria

tílica, usando, neste caso, catalisadores heterogêneos

da infraestrutura de equipamentos para análise do

a partir dos óleos de soja e girassol. Foi possível avaliar

combustível renovável e qualificou os recursos hu-

a estabilidade do biodiesel obtido e o desempenho de

manos envolvidos na pesquisa do setor.

motor utilizando diesel e misturas de biodiesel. Entre

De 2009 a 2012, foi desenvolvido o Projeto Estru­

os resultados alcançados, podem ser citados a amplia-

turante de Agroenergia para o RS, também sob a co-

ção do conhecimento a respeito do processo de pro-

ordenação da Cientec, em parceria com o Instituto de

dução do biodiesel com o aproveitamento das tortas

Química da Ufrgs e o Instituto de Química e Geociências

das oleaginosas, o desenvolvimento de tecnologias

da Universidade Federal de Pelotas – UFPel. Dessa vez,

para o aproveitamento da glicerina e a qualificação e

o trabalho recebeu financiamento não só da Finep,

a atualização de profissionais químicos e engenheiros

mas também da Fundação de Amparo à Pesquisa do

químicos no processo de obtenção e controle de qua-

Estado do Rio Grande do Sul – Fapergs. Os objetivos

lidade de biodiesel, coprodutos e insumos.

da pesquisa abrangiam, além da produção de biodiesel, o desenvolvimento de tecnologias para o aprovei-

Aumenta a competência analítica A Cientec participou também da Rede de Labo­

O objetivo é garantir preços competitivos, além de qualidade e suprimento, produzindo o biodiesel a partir de diferentes fontes oleaginosas

ratórios de Caracterização e Controle de Quali­dade de Biodiesel para a Região Sul – Redesulbio, formada para incrementar a competência analítica com vistas à determinação da qualidade dos produtos oriundos da cadeia produtiva do biodiesel na região Sul do país. Coordenada pela Universidade Federal de Blumenau, a Redesulbio foi composta ainda pela Ufrgs e a Universidade Federal do Paraná, além da

119


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

A participação da Cientec nos projetos relacionados ao biodiesel permite a melhoria da infraestrutura dos laboratórios envolvidos nas pesquisas

como a melhoria da infraestrutura analítica dos laboratórios envolvidos nas pesquisas. Vale ressaltar que, em 2012, os ensaios executados no Laboratório de Ensaios de Combustíveis da Cientec estão acreditados sob o número CRL 0145 junto ao Inmetro e em processo de solicitação de extensão de escopo para acreditação. Além disso, a Cientec participa dos programas interlaboratoriais em biocombustíveis promovidos pela ANP e pretende incrementar ainda

instituição de pesquisa Tecpar, do Paraná. No perío-

mais sua infraestrutura analítica de forma a aumen-

do de 2007 a 2012, foram implementados dois proje-

tar o número de ensaios executados.

tos, os quais proporcionaram o aperfeiçoamento da

A experiência e o conhecimento acumulados na

infraestrutura analítica das instituições participantes,

área foram disponibilizados ao público através da

de forma a atender à legislação da Agência Nacional

Escola de Biodiesel, iniciativa que foi implantada em

do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP,

parceria com a Ufrgs e a UFPel, em 2011 e 2012. Nesse

no que se refere à especificação dos parâmetros de

período, a Fundação promoveu cursos dirigidos a es-

qualidade do biodiesel.

tudantes de graduação de Química e Engenharia e a

Já no período de 2008 a 2010, a Cientec contri-

funcionários de usinas de biodiesel instaladas no Rio

buiu com o Projeto Confiabilidade de Laboratórios

Grande do Sul. Com turmas de 25 alunos e duração

em Análises em Biodiesel – Celab, que tinha o ob-

de três dias, as atividades se desenrolaram na sede da

jetivo de prover aos laboratórios participantes ser-

Cientec, em Porto Alegre, e no campus da UFPel, em

viços de capacitação e assistência para realizarem

Pelotas, envolvendo aulas práticas e teóricas, além de

ensaios em biocombustíveis, de forma harmonizada

visitas aos laboratórios da instituição de pesquisa.

e de acordo com requisitos internacionalmente acei-

Outra iniciativa importante na área de bio-

tos. Com isso, os laboratórios envolvidos no traba-

diesel foi a realização do 5º Simpósio Nacional de

lho se prepararam para receber acreditação junto

Biocombustíveis – Biocom, encontro organizado

ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e

anualmente pela Associação Brasileira de Química

Tecnologia – Inmetro, por meio da implementação

– ABQ. A reunião ocorreu em março de 2012, na

dos requisitos da norma ABNT ISO/IEC 17025/2005.

Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, em Canoas (RS), como parte do calendário de eventos para a

Escola de biodiesel

120

comemoração dos 70 anos da Cientec. Participaram

Sem dúvida, a participação da Cientec nos pro-

igualmente da organização do simpósio Ufrgs,

jetos relacionados ao tópico biodiesel desde 2004

UFPel, Ulbra e Pontifícia Universidade Católica do

permitiu a qualificação de seus pesquisadores, bem

Rio Grande do Sul – PUCRS.


Os 70 anos da CIENTEC

Estudos com biodiesel utilizaram 贸leos de canola, girassol e soja

121


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Um abrigo para a inovação Desde 1999, a ITCientec oferece suporte para o desenvolvimento de empreendimentos inovadores As incubadoras foram criadas como resposta às políticas nacionais de estímulo à inovação lançadas com o intuito de promover a aproximação e a integração das entidades de pesquisa com o setor produtivo. A finalidade é ajudar microempresas ou pessoas físicas que pretendem produzir um novo produto ou uma nova ideia, mas que não contam com a infraestrutura necessária para realizar o empreendimento. As incubadoras cumprem o papel de oferecer espaço físico e apoio administrativo para que os empreendedores transformem suas ideias em realidade. No caso da Cientec, principal instituição pública de P&D do estado do Rio Grande do Sul,

As empresas instaladas na ITCientec compartilham sala de reuniões, oficina de modelos, área de convívio e auditório, dispondo de acesso ilimitado à internet, estacionamento e segurança durante 24 horas por dia são materializadas em novos produtos e processos.

esta integração com os empreendedores é realizada

Atualmente, a ITCientec conta com duas unida-

através do Departamento de Incubadoras e Extensão

des em funcionamento – uma delas no campus cen-

Tecnológica – Deinet, ao qual está vinculada a incu-

tral da Fundação, em Porto Alegre, com 11 módulos

badora multissetorial ITCientec.

de 20 metros quadrados. Uma segunda incubadora

Fundada em 1999, a ITCientec abriga empresas de base tecnológica constituídas em sua maioria por pro-

está situada no campus avançado em Cachoeirinha, dispondo de 13 módulos de 34 metros quadrados.

fissionais jovens egressos de cursos de pós-graduação.

As empresas instaladas na ITCientec comparti-

Neste contexto, órgãos como Finep, CNPq e Sebrae

lham sala de reuniões, oficina de modelos, área de

contribuem com serviços de apoio às novas ideias que

convívio e auditório, dispondo de acesso ilimitado

Incubadoras No Rio Grande do Sul, o processo teve início com a criação da Incubadora Empresarial Tecnológica de Porto Alegre – Ietec, vinculada à Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre – Smic, em dezembro de 1991.

122


Os 70 anos da CIENTEC

à internet, estacionamento e segurança durante 24 horas por dia. Além de consultoria técnica, design gráfico e apoio à gestão empresarial e mercadológica, os empreendimentos acolhidos têm a oportunidade de contratar os trabalhos de consultoria, ensaios, aferição/calibração e inspeção realizados pelos demais departamentos da Cientec a custos subsidiados. As empresas recebem ainda orientações quanto à forma de proceder para a obtenção de patentes na

O período de incubação é de 24 meses, sendo possível estender este prazo para mais 12 meses, totalizando no máximo três anos de duração

Incubadora da Cientec

123


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro área de propriedade intelectual. O período de incu-

625.000,00 em capital de risco para a sua empresa.

bação é de 24 meses, sendo possível estender este

Assim, a FK Biotecnologia transformou-se na primei-

prazo para mais 12 meses, totalizando no máximo

ra companhia em sua área no país a ser capitalizada

três anos de duração.

com esta modalidade de recursos.

A seleção dos empreendimentos é feita por meio

Atualmente, a FK investe mais de 60% de seu or-

de edital público. Aqueles que operam em áreas de

çamento anual em atividades de pesquisa, desenvol-

atuação da Cientec têm preferência. Os empreende-

vimento e inovação para produtos de alto valor agre-

dores que se candidatam devem montar um plano

gado em diversas áreas estratégicas de biotecnologia

de negócios (no próprio edital, existe um modelo a

e saúde. Além disso, possui um braço no Canadá

ser seguido), que é avaliado por uma comissão no-

através da FKX, empresa com sede em Toronto, fo-

meada pelo presidente da Fundação.

cada especificamente em vacinas terapêuticas contra o câncer. A FKX está avaliada em US$ 75 milhões.

Biotecnologia

“Quando criamos a FK, há mais de dez anos, ela foi

Uma das primeiras empresas incubadas na

avaliada ao equivalente a US$ 1 milhão”, compara

ITCientec foi a FK Biotecnologia, criada em 1999,

Fernando, dando uma medida do crescimento de

com atuação na área de imunodiagnóstico huma-

sua trajetória empresarial em tão pouco espaço de

no e vacinas terapêuticas anticâncer. O fundador da

tempo.

companhia é o médico Fernando Kreutz, doutor em

Para essa evolução, contribuiu bastante o perío-

Biotecnologia pela Universidade de Alberta, localiza-

do de incubação na Cientec: “O jovem empreende-

da em Edmonton, no Canadá.

dor geralmente tem boas ideias, mas nem sempre

Uma coincidência contribuiu para que optasse

consegue botar o pé no chão. A incubadora oferece

pela ITCientec, ao retornar para Porto Alegre, aos 31

informações técnicas e gerenciais para que ele possa

anos de idade, em 1998. Ele morou durante algum

viabilizar o negócio”, conclui Fernando.

tempo na rua Fernando Machado: “Passava com frequência em frente à sede da Cientec e pensava que seria importante conhecer a instituição devido à sua importância estratégica como mola propulsora do desenvolvimento do estado”.

124

Nanotecnologia voltada para o agronegócio Localizada atualmente na ITCientec, em Porto Alegre, a Tecnano é uma empresa pioneira na apli-

Após a FK Biotecnologia ser acolhida na ITCientec,

cação da nanotecnologia direcionada à agricultura

uma das atividades consistia em assistir a palestras so-

no país, que propicia a obtenção de efeitos mais pro-

bre capital de risco. Entusiasmado, Fernando propôs

longados na aplicação de pesticidas. Com isso, o pro-

um plano de negócios que foi submetido – e aceito

dutor ganha em economia e, ao mesmo tempo, são

– pelo Fundo RSTEC, administrado pela Companhia

reduzidos os impactos do uso dos defensivos agríco-

Riograndense de Participações – CRP, atraindo R$

las sobre o meio ambiente.


Os 70 anos da CIENTEC

Tecnano: pioneira na aplicação da nanotecnologia na agricultura

125


Visão renovada, novos tempos e desafios do futuro

Fernando Kreutz, da FK Biotecnologia: pesquisa de ponta nas áreas de imunodiagnóstico humano e vacinas terapêuticas anticâncer

126

A partir de um treinamento realizado na Alema­

Pesquisa Agropecuária – Fepagro, além do primeiro

nha, em 2009, os sócios da Tecnano trouxeram para

dispersor de feromônio em nanofibras. A empresa

o Brasil uma tecnologia de aplicação de fibras de po-

desenvolve ainda pesquisa para o controle de fungos

límeros em nanoescala, o que tornou possível efe-

em frutos colhidos e armazenados ou revestimento

tuar a deposição de agroquímicos como pesticidas,

de frutas, com o objetivo de melhorar a sua conser-

assim como microorganismos ou micronutrientes em

vação no período pós-colheita.

fibras poliméricas. Essa aplicação em micro ou nano-

A Tecnano conta atualmente com 18 pesquisa-

escala permite a liberação controlada dos ingredien-

dores, entre químicos, farmacêuticos, biólogos, en-

tes ativos ou a sua utilização durante maior período

genheiros, advogado e administradores. De acordo

de tempo.

com Cláudio Pereira, um dos sócios da empresa, a

Entre outras pesquisas inovadoras, a Tecnano re-

incubação na Cientec permite “a estruturação de

alizou também o primeiro encapsulamento de bac-

um moderno laboratório com equipamentos de

térias fixadoras de nitrogênio nas raízes de plantas,

química e farmácia, onde as pesquisas pioneiras são

em parceria com a Ufrgs e a Fundação Estadual de

realizadas”.


Os 70 anos da CIENTEC

Toalheiros térmicos da Metais Seccare: produto começou a ser desenvolvido na ITCientec

Toalheiro térmico Outro caso de sucesso é o da Metais Seccare, empresa que passou por um período de incubação na ITCientec ao final da década de 1990. “Naquela época, eu era muito jovem e não tinha ideia de mercado. A incubação na Cientec foi essencial para que pudesse conhecer tanto a área do negócio como a parte técnica e, assim, conseguir viabilizar o produto que tinha em mente”, afirma Pablo Josué Fontana, sócio diretor da Metais Seccare. Desse modo, aos 18 anos de idade e incentivado pelo pai, Marco Antônio Fontana, empresário do setor calçadista, Pablo Josué buscou apoio e suporte na ITCientec para criar um produto inovador – o toalheiro térmico. Desenvolvido em aço tubular, o toalheiro produz aquecimento através de um sistema de irradiação de calor. Com isso, mantém as toalhas em uso sempre secas e aquecidas, além de desumidificar o ambiente. O produto também é usado para secar outros tipos de tecidos ou roupas, com baixo consumo de energia e com aquecimento controlado e permanente, sem ressecar ou danificar as peças.

127


Depoimentos

Depoimentos As políticas de ciência e inovação estão na raiz do desenvolvimento das grandes nações e das ditas “emergentes” dos últimos cinquenta anos. Este também é o entendimento do Governo do Estado, que compreende e insere o setor de forma estratégica na elaboração de nossas ações, tendo como exemplos maiores a inédita Política Industrial, e os promissores Polos e Parques Tecnológicos que se consolidam pelo Rio Grande. A partir deste contexto, gostaria de prestar as minhas homenagens aos 70 anos da nossa Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec, instituição de vasta e respeitada trajetória no campo da inovação, a partir do nosso desafio de levar o estado a um novo patamar de desenvolvimento econômico, social e tecnológico. Longa vida aos colaboradores e à comunidade vinculada à Cientec. Tarso Genro Governador do Estado do Rio Grande do Sul

A ciência e a tecnologia no Rio Grande do Sul estão intimamente ligadas à Cientec, que sempre exerceu uma importante liderança tecnológica nos principais momentos históricos do estado, como por exemplo, na criação do Polo Petroquímico de Triunfo. É, sem dúvida, um patrimônio de todos os gaúchos. A marca dos 70 anos da Cientec é motivo de orgulho para nós, porque ela possui uma grande história e um grande futuro. Cleber Cristiano Prodanov Secretário de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do RS

128


Os 70 anos da CIENTEC

129


Relação de funcionários que trabalhavam na Cientec no fechamento do livro

130

•  Abílio Saraiva Pereira

•  Claudia Fraga Teixeira

•  Geraldo César Machado dos Reis

•  Abrão Rubinsztein

•  Claudomiro de Souza Machado

•  Geraldo Mário Rohde

•  Adair Boeira da Silva

•  Clenilda de Oliveira Contiero

•  Getúlio Walter Lehmann

•  Adair Paulo Dorneles Severo

•  Clóvis Gonzatti

•  Gilberto Wageck Amato

•  Adão Moisés Borba

•  Cristina Loss Aguiar

•  Gilnei Pestano Arnold

•  Agner Grion

•  Daisy Maria Cavalet Pompermayer

•  Gilnei Soares Ferraz

•  Alberto Vieira de Azevedo

•  Daniel Moreira dos Santos

•  Gilvan Gonçalves Vargas

•  Alcenir Cavalheiro Matos

•  Denise Paulete Heidrich

•  Goldemir Pereira

•  Alessandra Bairros Rodrigues

•  Denise Tardi Salvador

•  Guilherme Alfredo Noschang

•  Alexandre Gonçalves Escobar

•  Diana Isabel Schossler do Canto

•  Guilherme Pantaleão da Priebe

•  Ana Carolina Kamura de Lucca

•  Dilton Bolzoni Pereira da Luz

•  Gustavo Knetig

•  Ana Maria de Souza Mello

•  Edison Luiz Teixeira Severo

•  Hamilton Lima Hoefel

•  Andressa Mendes de Almeida

•  Edson Luiz Monteiro Maestri

•  Henrique Arlindo Franzmann Schuster

•  Andrise Taiquiara França de Lima

•  Eduardo Schonarth Ludwing

•  Henrique Francisco D'Ávila

•  Ângela Maria Fernandes Farias

•  Eliane Maria Manara Rossoni

•  Hermes Borges da Fontoura Júnior

•  Ângela Rita Pfingstag

•  Elisabeth Albertina Stumpf Viegas

•  Iolanda Dill Fernandes

•  Antônia Nely Pedroso Rocha

•  Elisete Teresinha Farias da Silva

•  Iraçu de Souza Ferreira

•  Antônio Adão Bobik

•  Elizabeth Goulart de Souza

•  Irami José Melo dos Santos

•  Antônio Carlos da Silva Moreira

•  Elmo Guimarães Lencina

•  Irineu Manara

•  Antônio Carlos de Oliveira Sarmento

•  Elton Baumgartner Gerlack

•  Itamar de Freitas

•  Antônio Felipe Miguel Pepe

•  Eraldo Ferreira dos Santos

•  Ivo da Rosa

•  Antônio Luiz Souza Melo

•  Ernesto Diestel Junior

•  Ivone Rosales Machado

•  Aristides da Rosa

•  Eugênio Hoinacki

•  Jerônima Daltro Milton

•  Bernadete Silveira Ramos

•  Everson dos Santos Silveira

•  João Alberto Fiorentini

•  Caio Flávio Gerzson Jardim

•  Everton Conceição da Silveira

•  João Carlos Goulart Firme

•  Camila Reis de Oliveira

•  Fábio Luís Alminhana de Oliveira

•  João Carlos Jardim Bueno

•  Carla Coleraus Andara

•  Fátima Barbosa Silveira

•  João Carlos Kober

•  Carlos Alberto da Silva Larré

•  Fernanda Macedo Pereira

•  João Carlos Machado

•  Carlos Alberto Krahl

•  Fernanda Marques de Souza Godinho

•  João Carlos Rocha da Silva

•  Carlos Alberto Prade

•  Fernando Antônio Piazza Recena

•  João Carlos Sasso Simões

•  Carlos Miguel Schantz

•  Flávia Carlini Batista

•  João Gabriel Rosa dos Santos

•  Catarina Milnizki

•  Flávio D'Arriaga Tarragô

•  João Gilberto Veiga Ramos

•  Celia Rosa Tondolo

•  Flávio Ferreira Presser

•  João Leal Vivian

•  Cesar Augusto Bilha de Carvalho

•  Floriseu Ciochetta

•  João Nelson Goldenberg

•  César Augusto de Souza Vargas

•  Francieli Tiecher Bonsembiante

•  João Paulo de Lima Vieira

•  César Luiz Oliveira da Cunha

•  Francisco Cloir Ribeiro Alves

•  João Pedro Vila Nova

•  Cézar Augusto Antunes Pedrazani

•  Francisco Schneider Neto

•  Jocelino Leandro Nobre

•  Cirlei dos Santos Fernandes

•  Fridolino Christiano Meyer

•  Joel Duarte Borges

•  Clarice Pinto Soares

•  Gabriel José Machado de Lemos

•  Jonathan Vaz Martins Silva

•  Claudemiro Aparecido Moreira

•  Gabriel Meneghetti Faé Gomes

•  Jorge Alberto de Souza Cunha


Os 70 anos da CIENTEC

•  Jorge Alfredo Borba Silveira

•  Márcio da Siva Pereira

•  Pedro Roberto Mari

•  Jorge Augusto da Cruz

•  Marcio Lopes de Oliveira

•  Peron Martins Barbosa

•  Jorge Pedro Metz

•  Márcio Luis Rebello

•  Rafael Andrade da Silva

•  José Aloisio Kunzler

•  Marco Antônio Franke

•  Régis Aurélio de Oliveira

•  José Eduardo Corrêa Mallmann

•  Marcos Torres Formoso

•  Régis Valdemar de Lima Hasperoy

•  José Eduardo Rodrigues Sanz

•  Margarete Holzbach

•  Rejane Mendes Pujol

•  José Idevar dos Santos Soares

•  Maria Aparecida Fernandes

•  Renato Cesar Susin

•  José Luiz Giumelli Marquezan

•  Maria Candida Silveira Mendes

•  Ricardo Girardi

•  José Ricardo Piber dos Santos

•  Maria Carolina Nogueira Cirio

•  Ricardo Lehdermann

•  José Terlino Boeno

•  Maria da Graça Paiva de Sousa

•  Rita de Cássia Barboza Fernandes

•  José Vilson Klunck

•  Maria de Lourdes Dias Lay

•  Roberto Fonseca Silveira Filho

•  José Virgílio Santos Gonçalves

•  Maria Jorgina Silveira Soares

•  Roberto Nunes Vanacôr

•  Josué de Moraes dos Santos

•  Maria Lúcia D'ávila

•  Roberto Ribarcki

•  Joyce Nunes Bianchin Dutra

•  Maria Marta Vagner de Oliveira

•  Rodnei Gomes Pacheco

•  Juarez da Silva Prado

•  Maria Salete Selaimen Satte

•  Rodrigo Martins Saraiva

•  Juarez Ramos Santana

•  Marina Beatriz de Souza Meirelles

•  Rogério Dutra Soares

•  Júlio César Mendonça Farias

•  Marino Luiz Fiorenza Viana

•  Roque Fernando Nascimento Sanabria

•  Júlio César Trois Endres

•  Mauro Lopes Morem

•  Rosângela Ghan

•  Jussara Maria Leite Mattuella

•  Max Marcel Salgueiro

•  Rubens Antônio Thomaz

•  Juvenil Cardoso da Silva

•  Miguel Antônio Pompermayer

•  Sandra Regina Quintana Fonseca

•  Kevin Caselani de Siqueira

•  Nair Maria Seibel

•  Sandro Rozales Rodrigues

•  Lauro Ribeiro da Silva

•  Nara Suzete Dornsbach Nordin

•  Sérgio Leandro Prass

•  Leandro Dalla Zen

•  Nedi Vargas Raschcowetzki

•  Sérgio Luis Réus Rodrigues

•  Leandro Franco Taborda

•  Nelson Luiz Silva de Souza

•  Sérgio Nunes da Luz

•  Leandro Nunes de Souza

•  Nelson Ozório Oliveira de Souza

•  Solange Maria Scharcow

•  Leandro Pereira Costa

•  Nelson Postal

•  Sônia Martinelli

•  Lia Carolina Gonçalves

•  Neri Borba de Oliveira

•  Sussila Rangel

•  Liane Barcellos Thedy

•  Newton Drassy Romeiro da Fonseca

•  Teylor Samuel Pitana

•  Lina Yamachita Oliveras

•  Niazi Fernandes

•  Valci Martins

•  Lionel Roth

•  Nilva Leal Barbosa

•  Valter Antunes da Rosa

•  Lizete Senandes Ferret

•  Noemi de Oliveira Borges

•  Vanderlei Paz Munhoz

•  Liziane dos Santos Amandio

•  Norma Magalhães Duarte Mergel

•  Vanderley de Oliveira Vasconcellos

•  Lourdes Lorena Leuze

•  Onildo Neves Guimarães

•  Vera Lúcia Chaves Oliveira

•  Lourdes Matias

•  Otto Gabriel Salomão Schroeder

•  Vera Maria da Costa Dias

•  Luciano Rochefort Vianna

•  Paulo César Azarini

•  Vera Regina Morandi Sehn

•  Luis Abel Tejeira Fagundez

•  Paulo José Gallas

•  Vicente Butkus Polinário

•  Luís Carlos Ribeiro de Moraes da Luz

•  Paulo Renato Amaral

•  Vladimir da Silva Santana

•  Luiz Antonio Antoniazzi

•  Paulo Ricardo Durães

•  Vladimir Marcelo Moreira Corrêa

•  Luiz Antônio Mazzini Fontoura

•  Paulo Ricardo Oliveira de Souza

•  Zeferino Madeira Chaves

•  Luiz Guilherme Souza Dias

•  Paulo Roberto de Castro Gonzalez

•  Marcelo Gerhardt Faber

•  Pedro Luís Avila Chiarelli

131


Bibliografia 1 – Crea – 75 Anos de História, Crea, 2009. 2 – Iters/Cientec – 50 anos de história, Cientec, 1992.

Crédito das fotos André Cavalheiro Fotos da linha do tempo, além das imagens das páginas 8, 9, 12, 23, 24, 39, 40, 49, 55, 57, 59 (embaixo), 61, 63, 65, 74, 75 (arroz), 96, 97, 98, 101, 102, 105, 115, 117, 118, 121 e 123 Belfoto Produções Fotos da linha do tempo, além das imagens das páginas 10, 34 e 35 Arquivo Cientec Fotos da linha do tempo, além das imagens das páginas 18, 20, 21, 26, 27, 28 e 29, 31, 32, 36, 37, 51, 53, 54, 59 (em cima), 67, 77, 83 e 93 Divulgação Corsan Fotos da linha do tempo, além das imagens das páginas, 43, 44 e 47 iStockPhoto.com Página 70 Sxc.hu Páginas 72 e 73 Acervo Fotográfico Museu Joaquim José Felizardo Página 75 (Alberto Bins) Cristiano Sant´Anna/indicefoto.com Página 79

132

Arquivo Eletrobras CGTEE Página 80 Divulgação Páginas 81 e 113 Bruna Cabrera/Especial Palácio Piratini Páginas 85 e 87 Gustavo Gargioni/Especil Palácio Piratini Página 89 Leonid Streliaev Página 91 Jefferson Bernardes/Palácio Piratini Páginas 108 e 109 Divulgação Tecnano Página 125 Divulgação FK Biotecnologia Página 126 Divulgação Metais Seccare Página 127


Desde que foi instalada, em 28 de março de 1966, a Companhia Riograndense de Saneamento – Corsan investe fortemente para melhorar a qualidade de vida dos gaúchos. Não por acaso, ela tornou-se referência em serviços de abastecimento de água e de tratamento de esgoto sanitário não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil. Atualmente, a Corsan abastece cerca de 7 milhões de pessoas distribuídas em mais de 321 localidades do Rio Grande do Sul, o que representa 2/3 da população do estado. Hoje, o percentual de universalização do abastecimento de água é de 98% no RS. A produção de 42 bilhões de litros de água por mês é feita através de redes cuja extensão atinge 24.000 km, percurso que supera, por exemplo, a distância entre o Brasil e a Austrália. Por sua vez, os investimentos previstos para ampliar os serviços de tratamento de esgoto sanitário estabelecem a instalação de 42 novas ETEs, as quais se juntarão às 73 estações já existentes, totalizando um acréscimo de 93 milhões de metros cúbicos de esgoto tratado ao ano. Todos esses investimentos estão dirigidos ao cumprimento da meta de alcançar altos índices de desempenho no saneamento, com a prestação de um serviço público eficiente e ao alcance de todos.


A Companhia Riograndense de Artes Gráfica – Corag cumpre a missão de publicar os atos oficiais e de prestar serviços gráficos e de preservação documental com tecnologia avançada e qualidade diferenciada. Desse modo, presta relevantes serviços para o governo do estado do Rio Grande do Sul e para a sociedade gaúcha, contribuindo para que a população disponha de informações exatas e serviços confiáveis. Criada através da Lei 6.573, publicada no Diário Oficial do Estado em 5 de junho de 1973, a Corag atualmente está vinculada à Secretaria de Administração e de Recursos Humanos. Os serviços disponibilizados abrangem impressão em offset, digital, rotativa e tipográfica, além da impressão de documentos de segurança. Ao mesmo tempo, a Corag Editora Expressa viabiliza a impressão de livros, revistas, apostilas, álbuns ou qualquer tipo de peça gráfica com a qualidade da Imprensa Oficial do Estado.


Relação de parceiros da Cientec Atuais Anvisa Agência Nacional de Vigilância Sanitária

PUCRS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do

Banrisul Banco do Estado do Rio Grande do Sul

Sul

CEEE Companhia Estadual de Energia Elétrica

Satc Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de

CGTEE Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica

Santa Catarina

CNPQ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e

Sebrae Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas

Tecnológico

Empresas

Corsan Companhia Riograndense de Saneamento

SpyBuilding – Inspecção de Edifícios, Ltda.

CRM Companhia Riograndense de Mineração

Ucs Universidade de Caxias do Sul

CSC Carbonífera Santa Catarina

Uergs Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

CTI Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer

UFPel Universidade Federal de Pelotas – RS

CT-PIM Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Polo

Ufrgs Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Industrial de Manaus

UFSM Universidade Federal de Santa Maria

Fapergs Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do

Ulbra Universidade Luterana do Brasil

Rio Grande do Sul

Unijuí Universidade Regional do Noroeste do Estado do

Fepam Fundação Estadual de Proteção Ambiental

Rio Grande do Sul

Fepps Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em

Unilasalle Centro Universitário La Salle

Saúde

Unipampa Universidade Federal do Pampa

Fiergs Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande

Univates Universidade do Vale do Taquari de Ensino e Desenvolvimento Social

do Sul

Finep Financiadora de Estudos e Projetos Fortec Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia

Associados

Furg Universidade Federal do Rio Grande

Abipti Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa

IFCT-F Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia

Tecnológica

- Farroupilha

Inmetro Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e

Anprotec Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores

Tecnologia

Rede Metrológica Associação Rede de Metrologia e

Inpe Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Ensaios de Rio Grande do Sul

MP-RS Ministério Público do Rio Grande do Sul

Reginp Rede Gaúcha de Incubadoras de Empresas e

Petrobras Petróleo Brasileiro S.A.

Parques Tecnológicos

Procergs Companhia de Processamento de Dados do

Waitro World Association of Industrial and Technological

Estado do Rio Grande do Sul

Research Organizations


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