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vSão Paulo

Outlook

METRÓPOLE

GLOBAL PIB

População

Mobilidade

A área de influência

Bolsa de valores

A região metropolitana

O sistema de trens do

de São Paulo gera

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388 bilhões de dólares

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as cidades do mundo

de valores do mundo

urbana do globo

15 maiores do planeta

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SÃO PAULO É CHEIA DE ATRAÇÕES.


A MELHOR DELAS SÃO AS PESSOAS DAQUI.

SÃO PAULO. ELEITA, COM A SUA AJUDA, A MELHOR CIDADE TURÍSTICA DO PAÍS.*

cidadedesaopaulo.com

*Pesquisas: Ministério do Turismo/Sebrae Nacional/FGV e Prêmio O Melhor de Viagem e Turismo – A Escolha do Leitor.


São Paulo

paulo liebert/ae

ÍNDICE

Outlook

14 FUTuRO DE SÃO PAULO A opinião dos empresários paulistanos sobre a cidade e suas perspectivas

16 Para entender São Paulo 18 Influência da cidade

38 oportunidades Análise dos setores mais promissores para investimentos

40 Mercados promissores

Crianças brincam durante aula em centro gerido pela prefeitura de São Paulo: cerca de um milhão de alunos estudam na rede municipal

42 Motor do Brasil 48 Centro global de negócios 56 Inteligência logística 62 Mobilidade e infraestrutura

64 desafios O que precisa melhorar na cidade e quais as ações em curso

66 Cidade de soluções

80 metrÓPOLES

120 telecomUNICAÇÃO

82 As capitais do desenvolvimento

122 Mercado conectado

84 Cidades emergentes

126 Expansão móvel

86 financeiro

128 MOBILIDADE

88 Potência financeira

130 A cidade que nunca para

94 Centro de negócios

134 Frota paulistana

96 imobiliário

136 saúde

98 Rentabilidade em alta

138 Avanço da saúde paulistana

72 A indústria da segurança

102 Morar em São Paulo

142 Pacientes importados

104 Constante renovação

144 acontece 112 AdvocacIA

4

São Paulo OUTLOOK

146 Um evento a cada seis minutos

114 Advocacia de ponta

150 Ocupação máxima

118 Concentração de profissionais

152 Agenda www.analise.com


ÍNDICE

166 população

204 renda

168 Diversidade e qualificação

206 Entre as 10 mais ricas

172 População estável

210 Vendas em alta

174 Famílias paulistanas

212 consumo 188 pesquisa e desenvolvimento 190 Ciência de qualidade 194 Perfil do cientista

214 Os novos consumidores 218 Mercado de luxo

Editorial

07

Colaboradores

08

Apresentação

10

Expediente

13

Metodologia

13

220 A metrópole que não dorme

226 gestão ambiental

198 Educação continuada

228 Um passo à frente

202 Foco no mercado

232 Inspeção veicular

divulgação/BM&FBovespa

196 educação

Estudantes visitam a sede da BM&FBovespa, no centro da cidade: a bolsa paulistana está entre as cinco maiores do mundo, e seu principal índice, o Ibovespa, foi um dos que mais se valorizaram no ano de 2009 www.analise.com

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SÃO PAULO É CHEIA DE ATRAÇÕES.

A MELHOR DELAS SÃO AS PESSOAS DAQUI.

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*Pesquisas: Ministério do Turismo/Sebrae Nacional/FGV e Prêmio O Melhor de Viagem e Turismo – A Escolha do Leitor.


EDITORIAL

um levantamento inédito sobre A CIDADE DE São Paulo

Q

uando surgiu, na Análise Edizenas de especialistas e executivos, pesquisou v torial, a oportunidade de fazer quase uma centena de fontes, entre organismos um raio X da cidade de São do governo, entidades e instituições nacionais Outlook Paulo, logo percebemos estar e internacionais, em busca de dados e estatísdiante de um projeto desafiaticas. Além disso, mais de 200 empresários e METRÓPOLE dor e fascinante. Desafiador executivos foram ouvidos pela equipe da Anáporque as possibilidades de lise Editorial, entre os meses de março e abril temas, abordagens e fontes de 2010. O intuito foi procurar quem faz, para são imensas. Antes de pensar na apuração dos saber como é fazer negócios em São Paulo. dados, definir o que é verdadeiramente imporO resultado confirma a vocação da cidade tante tratar e como as informações devem ser como centro irradiador de negócios para o apresentadas já é razão para muita pesquisa. país, para a região e para várias partes do munFascinante porque se trata justamente de merdo. A maior parte dos entrevistados, de empregulhar na complexidade de uma das maiores sas brasileiras e estrangeiras com atuação na v metrópoles do mundo. cidade, afirma não haver cidade melhor para O resultado é esta edição de SÃO PAULO abrigar seus negócios. E três em cada quatro Outlook OUTLOOK que você tem em mãos, uma publienxergam uma cidade ainda mais pujante em cação que explica como a cidade funciona para dez anos. o mundo dos negócios. Um trabalho exuberanOutros dados, na publicação, comprovam a te que tem, ainda, uma peculiaridade notável. grandiosidade da cidade e suas características METROPOLIS Além da versão em inglês, voltada para o púcosmopolitas. Seis em cada dez multinacioblico internacional, a Análise Editorial produnais em atuação no país têm sua sede em São ziu uma edição integralmente em mandarim. Paulo. As 16 fotos de um dos ensaios fotoTrata-se de uma iniciativa única, que aproxima gráficos produzidos especialmente para esta ainda mais a cidade de São Paulo de um dos edição identificam grupos de imigrantes que mercados mais importantes do mundo. escolheram a cidade para construir sua vida. O processo de confecção desta edição é, por si só, uma Eles contribuem para compor um dos principais diferendemonstração do vigor de São Paulo. Quantas cidades po- ciais de São Paulo e também uma de suas grandes riquezas: deriam gerar mais de 1.500 indicadores, 124 fotografias sua diversidade. Outro ensaio retrata um pouco do que se de temas diferentes e quase 240 páginas de informações pode fazer, no meio da madrugada, numa cidade que é cirelevantes direcionadas para quem investe e precisa de es- tada como a “mais 24 horas” do mundo. trutura para seus negócios? Não muitas. Basta folhear a Queremos, neste espaço, agradecer a prefeitura da cidade publicação para notar que a metrópole aqui apresentada de São Paulo e a SPTuris, que viram nesta publicação uma tem muito a oferecer. ferramenta importante para explicar a cidade para quem São Paulo enfrenta problemas próprios das grandes ci- nunca a visitou e para quem precisa de um conjunto subsdades que cresceram sem planejamento. A cidade abriga a tancial de dados, organizados numa mesma publicação para sexta maior aglomeração humana do mundo. Este projeto embasar suas decisões. Por isso tornaram-se os patrocinadobusca retratar quão complexa é a cidade. SÃO PAULO OU- res do projeto. Esta edição de SÃO PAULO OUTLOOK foi TLOOK procura apresentar quais são, qualitativamente, os distribuída pela Análise Editorial aos dirigentes das maiores diferenciais da cidade para os negócios e mostra como a empresas do Brasil, formadores de opinião e tomadores de cidade se compara a outros grandes centros de negócios decisão. Ela será utilizada pela prefeitura de São Paulo e do mundo. A publicação busca indicar como os desafios pela SPTuris em missões internacionais e eventos, como que São Paulo ainda tem de vencer impactam ou podem a Feira Internacional de Xangai, entre maio e outubro de impactar o funcionamento da cidade e como autoridades e 2010, além de ser disponibilizada em versões eletrônicas. sociedade civil respondem a eles. Esperamos que o conteúdo a seguir esteja à altura da Para compor esse raio X, foram mobilizados mais de grandiosidade da cidade de São Paulo. Boa leitura.  0 40 profissionais, sob a coordenação do editor-executivo Silvana Quaglio Gabriel Attuy. Durante três meses, a equipe consultou de2 0 1 0

São Paulo

GLOBAL PIB

A área de influência

BOLSA DE VALORES

POPULAÇÃO

MOBILIDADE

A região metropolitana

O sistema de trens do

de São Paulo gera

São Paulo abriga a

de São Paulo possui

metrô de São Paulo

388 bilhões de dólares

sede da BM&FBovespa,

cerca de 20 milhões

transporta cerca de

em riqueza por ano, a

que está entre as

de habitantes e é a

1 bilhão de pessoas por

10ª MAIOR cifra entre

5 MAIORES bolsas

3ª MAIOR aglomeração

ano e está entre os

as cidades do mundo

de valores do mundo

urbana do globo

15 MAIORES do planeta

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São Paulo

GLOBAL São Paulo and its area

STOCK EXCHANGE

The metropolitan region

São Paulo’s subway

of influence generate

GDP

São Paulo is home to

of São Paulo shelters

POPULATION

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MOBILITY

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LARGEST

exchanges in market

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capitalization

on the planet

in the world

10

amount worldwide

LARGEST

1 billion passengers every year and is

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São Paulo OUTLOOK

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COLABORADORES COLABORADORES

contribuição de peso A produção de SÃO PAULO OUTLOOK contou com a colaboração de centenas de profissionais. Por sua disposição em compartilhar seu conhecimento e nos ajudar a melhorar esta edição, deixamos nossos sinceros agradecimentos. A Prefeitura da Cidade de São Paulo, seus órgãos e secretarias foram fontes de informação especialmente relevantes para esta edição. Pela disposição em atender a nossos pedidos e pelo auxílio na árdua tarefa de apresentar um panorama completo da cidade de São Paulo, os profissionais dessas instituições merecem nosso agradecimento especial.

divulgaçãO

Acácio Queiroz-presidente da Chubb Seguros, Adriano Cândido Stringhini-superintendente de comunicação da Sabesp, Adriano Lima-presidente da Cerâmica Gyotoku, Afonso Carneiro Lima-coordenador de pesquisa da Fundação Instituto de Administração, Alberto K. Takahashi-diretor financeiro da Rede Duque, Alberto Mantuanele-gerente geral da Icaterm, Aldo de Paula Junior-sócio do Sacha Calmon, Misabel Derzi Advogados, Alejandro Miguel Roig-diretor de comunicação da Repsol Brasil, Alessandra Faria-diretora regional da Axis Communication, Alessandro Vay-gerente de recursos humanos da Samsung Eletrônica, Alexandre Bertoldi-CEO do Pinheiro Neto Advogados, Alexandre Kaknis Neto-gerente

financeiro da Rolls-Royce do Brasil, Alexis Stepanenko-Ex-ministro de Minas e Energia, Almir Martinez-diretor da Global Investiment, André Almeida-gerente de vendas na América Latina da EF Corporate, Andrea Guasti-vice-presidente de negócios da Cisa Trading, Andrea Matarazzo-secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Angelo Derenze-diretor da Casa Cor, Antônio Eduardo Rodrigues-vice-presidente de operações da BRQ IT Services, Antônio Emílio Clemente Fugazza-diretor financeiro da Ez Tec, Antônio Fadiga-presidente da Fischer + Fala, Antônio José Claudio Filho-diretor comercial da Bycon, Antonio Marcílio Oliveira Silva-diretor comercial da Mark Flex, Antônio Sérgio Martins Mello-diretor de relações institucionais da Fiat Automóveis, Astor Milton Schmitt-diretor financeiro da Randon Implementos, Augusto Vianna-diretor de estratégia e operações da Motorola Industrial, Benjamin Quadros-presidente da BRQ, Boris Tabacof-vice-presidente da Suzano Papel e Celulose, Cândido Malta Campos Filho-diretor da Urbe Planejamento, Carl Emberson-diretor geral da Seminars, Carlos Eduardo Camargo-diretor de comunicação externa da Embraer, Carlos Leãodiretor comercial da Saint Gobain, Carlos Rubens Ferro Vieira-sócio da TGV Consultoria, Carlos Schad-presidente da Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná, Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi-diretor presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Cesar Sanner-diretor da Sanner Importadora

de Pneus, Charles P. Martins-vice-presidente da Wizard Brasil, Chieko Aoki-presidente da Blue Tree Hotels, Claudio Borges-vicepresidente técnico da ArcelorMittal Tubarão, Claudio Luiz da Silva Haddad-diretor presidente da Insper, Cláudio Luiz Lottemberg-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Manassero-presidente da Tectrain, Claudio Oliveira-diretor geral da Redecard, Clóvis Ailton Madeira-sócio da Directa Auditores, Cristina Ferraz-diretora da Casa Cor, Cyro Magalhães-diretor de capital humano da Watson Wyatt Brasil, Dacio Damiani-gerente da Golden Cross, Daniel Bueno-gerente de marketing da HDC, David Augusto Rodrigues Perna-analista do Banco Safra, David Barioni Neto-presidente da Facility, David José Santaliestra de Figueiredo-diretor jurídico do Banco de Lage Landen Brasil, Décio Ricardo Galvão-diretor executivo da BHS, Denise Nader Porcelli-vice-presidente jurídica da Rhodia América Latina, Dilezio Ciamarro-diretor da Ciamarro Têxtil, Dirceu Varejão-diretor comercial da Vitopel, Domingos Figueiredo de Abreu-diretor de relações com investidor do Bradesco, Dorival Oliveira-diretor de desenvolvimento da Arcos Dourados, Edgard Antonio Pereira-consultor da Edgard Pereira & Associados, Eduardo de Oliveira-superintendente de operações da CIEE, Eduardo Faci-diretor de negócios da MedLink Saúde, Eduardo Henrique de Lima Peralta-sócio do Grupo Peralta, Eduardo Pocetti-CEO da BDO Trevisan, Élio Bergemann-presidente da Estre Ambiental, Emerson Bonfim Ribeiro-diretor jurídico da Ford Credit, Emerson Casali-gerente executivo da CNI, Evaldo Barbosa-gerente de vendas da REP, Evandro Araújo-superintendente da Coo-

No sentido horário, a partir da fileira superior: Dorival Oliveira, diretor de desenvolvimento da Arcos Dourados; Alessandra Faria, diretora regional da Axis Communication; Sérgio Diniz, diretor financeiro do Banco GMAC; Maria Laura Santos, diretora de marketing da BDF NIVEA Brasil; Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour; Nestor Castro Neto, presidente da Voith Paper América do Sul; Boris Tabacof, vice-presidente da Suzano Papel e Celulose; Wagner Ferrari, diretor executivo da rede de agências do Grupo Santander; Juan Quirós, presidente do Grupo Advento; Márcia Nakahara, diretora comercial da Symantec Brasil

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COLABORADORES

perfloresta, Evandro Moraes-gerente comercial da Aleusa Brasil, Evandro Orsi-diretor de economia da Abimaq, Expedito Borges da Fonseca-diretor executivo da Editora San Borges, Fabiano Cespe Barbosa-supervisor de meio ambiente da Delta Construção, Fábio Medeiros-diretor comercial da Gran Sapore, Fábio Nascimento-gerente de negócios da Air Liquide Brasil, Fábio Tanaka-gerente de vendas da Akzo Nobel, Fabrício Bueno-executivo da Cargo World Logística Internacional, Fernando Arbache-sócio da Arbache Serviços Educacionais e Treinamento, Fernando Barreto Bergamin-gerente de estratégia corporativa da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, Fernando Moura-conselheiro do Banco Alfa de Investimentos, Flávia Alves Bravin-diretora editorial da Saraiva, Galo López Noriega-coordenador Acadêmico da Insper, Gil Duartesócio da Leblon Green, Glaydon Mendes Coelho-diretor comercial da DIB do Brasil, Henrique Rodrigues-diretor comercial da Madevale, Hitoshi Castro-diretor do Banco Fator, Horacio Lafer Piva-conselheiro da Klabin, Humberto Gómez Rojo-presidente da Bridgestone América Latina e Brasil, Ireno de Carvalho-gerente comercial da Kodo, Jailton de Abreu-presidente da Marilan Alimentos, Jaime Vergani-diretor da Randon, Jammes Rossi-sócio da Turbimoendas, Jandir Santin-diretor geral da Laminados Triunfos, Jayme Nigri-consultor, João Carlos Senise-vice-presidente de recursos humanos da Pepsico do Brasil, João Dória Júnior-presidente da Doria Associados, John Lin-sócio da Fama Private Equity, Jorge da Cunha Lima-presidente do conselho da Fundação Padre Anchieta, Jorge Parente Frota Júniorpresidente do Conselho de Responsabilidade social da CNI, José Américo Braz-gerente de vendas da EMIC, José Henrique do Prado Fay-superintendente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, José Mário-gerente geral da CSN, José Roberto Lettiere-diretor de administração e finanças da Alpargatas, Josef Barat-sócio diretor da Planam, Juan Quirós-presidente do Grupo Advento, Julião Flaves Gaúna-diretor presidente do Conselho de Responsabilidade Social da FIEMS, Junior Carrara-gerente de vendas de Segurança da Anixter, Khalil Kaddissi-diretor jurídico da TOTVS, Leandro A. de Conto-gerente de inovações da Cya, Leomar Luiz Somensi-diretor comercial da Aurora Alimentos, Leonardo Martinez-sócio da Lorumara Importadora e Exportadora, Leonel Andrade-presidente da Credicard, Eduardo Wilson Bar-diretor comercial da Lincx Sistemas de Saúde, Lucy Aparecida de Sousa-presidente da Apimec Nacional, Luis Carlos Bonfim-executivo de vendas da Whitford, Luis Eduardo Moehlecke-diretor da Evasola, Luis José Santos Cabral-consultor da Transpetro, Luiz Alberto Ferreira-diretor de Negócios da MGI, Luiz Alves de Lima Filhogerente executivo da Petrobras Distribuidora, Luiz Antonio Biazolli-diretor comercial da ALE Combustíveis, Luiz Antônio Mame-

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ri-presidente da Odebrecht América Latina e Angola, Luiz Aubert Neto-presidente da ABIMAQ, Luiz F. M. Vieira-vice-presidente da Booz&Company, Luiz Fernando Christe Roschel-gerente jurídico da Voith, Luiz Gebrim-diretor médico do Hospital Pérola Byington, Luiz Ongaratto-diretor superintendente da Tramontina, Luiz Sérgio Correia-engenheiro da Panasonic, Lydia Sayegpresidente da Casa Leão, Maílson Ferreira da Nóbrega-sócio da Tendências Consultoria, Manoel Horácio Francisco da Silvapresidente do Banco Fator, Marcelo Alecrim-presidente da ALE Combustíveis, Marcelo Doria Durazzo-diretor presidente da M D Durazzo Serviços Médicos, Marcelo dos Santos Campos-gestor do núcleo jurídico da Delta Construção, Marcelo Finotti-gerente corporativo da Serasa Experian, Marcelo Mendes-vice-presidente comercial da SAS, Marcelo Noll Barboza-presidente da Dasa, Márcia Nakahara-diretora comercial da Symantec Brasil, Márcio Percival Alves Pintovice-presidente de finanças da Caixa Econômica Federal, Marco Antônio Branquinho Junior-diretor adjunto da Cedro Têxtil, Marco Antônio Coelho Filho-diretor executivo da Empresa Brasil de Comunicação, Marcos Fonseca-diretor da RFR Reciclagem, Marcos Hashimoto-sócio da Lebre Consultoria, Marcos Rimoli Próspero-vice-presidente de capital humano do Walmart Brasil, Maria Elisa Gualandi Verri-sócia da TozziniFreire Advogados, Maria Laura Santos-diretora de marketing da BDF NIVEA Brasil, Mariana Palha-diretora da Prime International Medical Concierge, Mário Allan Ferraz Mafra-diretor administrativo da Wheaton Brasil Vidros, Maurício Bacellar-diretor de comunicação e Sustentabilidade da TIM Brasil, Mauro Daffre-diretor de novos negócios da NÓS, Mauro Gama-diretor presidente de serviços da Rolls-Royce Brasil, Maximiliano Guimarães Fischer-diretor administrativofinanceiro da Profarma, Michael Lenn Ceitlin-diretor presidente da Mundial, Miguel Abuhab-presidente do Conselho de Administração da NeoGrid, Milto Portiguione-diretor da Remac, Murilo Moreno-diretor de produção da MAJ Moreno, Nelson Duartevice-presidente administrativo da Helbor Empreendimentos, Nelson Falavina-vicepresidente de vendas da Tetra Pak, Nestor Castro Neto-presidente da Voith Paper América do Sul, Norberto Antônio Camargo-gerente administrativo da Proquitec, Octavio Ratto Júnior-vice-presidente do Banco Luso Brasileiro, Odair Renosto-diretor industrial da Caterpillar Brasil, Osmar Elias Zogbipresidente da EAZ Participações, Otávio Carvalheira-diretor de crescimento e estratégia de mercado da Alcoa, Othniel Lopespresidente da Parmalat, Paulo César Furlanetto-diretor financeiro da Liquigás, Paulo Sérgio Kakinoff-presidente da Audi Brasil, Paulo Pianez-diretor de sustentabilidade do Carrefour, Paulo Veras-conselheiro do Instituto Empreender Endeavor, Paulo Ximenessócio da Ximenes Engenharia, Pedro M.

Martins-diretor da Brazilian Business School, Plínio Assmann-sócio da Brain Engenharia, Rafael Mendes Gomes-vice-presidente jurídico do Walmart Brasil, Ramiro Gonçalez-diretor de inteligência de mercado da FIA-USP, Reginaldo Silva-gerente de qualidade da Orion, Reinaldo Moreno-sócio da Captania, Renato Astolfi-diretor comercial da Euroamerica Pneus, Renato de Brittogerente da Semp Toshiba, Renato Nizo-gerente de contas do Banco do Brasil, Renato Pelissaro-gerente de desenvolvimento de mercado do Yahoo! Brasil, Ricardo Alves Bastos-vice-presidente de assuntos legais e corporativos da Johnson&Johnson América Latina, Ricardo Loureiro-presidente da Serasa Experian, Ricardo Magalhães Simonsen-diretor da Mineral Engenharia e Meio Ambiente, Ricardo Miranda Apa-assessor da diretoria da GE Química, Ricardo Verona-gerente de unidade de borracha da Quantiq, Roberta Gonzaga-gerente de contas da Lanxess, Roberto Faldini-presidente da Faldini Participações, Roberto Vertamatti-sócio diretor da Apus Serviços Contábeis, Robson Tuma-diretor de planejamento corporativo da Liquigás, Rodrigo Pinheiro de Campos-gerente de vendas da Apolo Tubos e Equipamentos, Roger Shoji Miyake-diretor comercial da Abbott Laboratórios do Brasil, Romeu Tuma-senador da República, Ronaldo Megda-vice-presidente da Tracker do Brasil, Ronnie Peterson C. Bitencourt-gerente técnico da Lab System, Rosana Lima Zanini-diretora jurídica da Droga Raia, Rubens Lopes da Silva-sócio da Macso Legate Consultores, Rubens Ogawa-gerente de crédito do Banco Panamericano, Sandra Barbosa-diretora operacional da Vantine Solutions, Sérgio Borriello-vice-presidente financeiro da Sul América Seguros, Sérgio Dinizdiretor financeiro da Banco GMAC, Sergio Pereira-diretor de comércio exterior da Nitroquímica, Sergio Pinheiro Rodrigues-vice-presidente de logística da Caixa Econômica Federal, Sergio Souza-diretor geral da Interfile, Sérgio Waib-presidente do Grupo Maior, Sidney Matos-vice-presidente da JCB do Brasil, Silvio Guitti-gerente comercial da Schneider Eletric, Silvio Lima-gerente comercial da Inebras, Simone Caggiano-embaixadora da marca Audi, Solano Magno da Silva Neiva-presidente da Wtorre, Soraya Rosar-gerente executiva da CNI, Telma Sobolh-presidente do departamento de voluntários do Hospital Albert Einstein, Valéria Sepulveda da Costa-gerente de recursos humanos da Semp Toshiba, Valmir Jorge Gibipresidente da Madeireira Santa Rita, Vilmar Teixeira-diretor geral da Regional Química, Wagner Ferrari-diretor executivo da rede de agências do Grupo Santander, Waldir Luiz dos Santos-diretor comercial do Espaço da Madeira, Walter Lazzarini-diretor da Walter Lazzarini Consultoria Ambiental,Walter Romano-gerente executivo da Sicetel, Wanderson Crisp-gerente de vendas da Equipabor Comércio de Máquinas, Wanks de Souza-gerente financeiro da Simbras  0

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Itaci BATISTA/AE

Apresentação Apresentação

Edifício Altino Arantes, também conhecido como prédio do Banespa, na região central, é o terceiro mais alto da cidade e foi concluído em 1947: o banco estadual foi vendido para o espanhol Santander em 2000

ENTENDEndo UMA CIDADE Classificar e comparar os grandes centros urbanos mundiais é uma tarefa complexa que ainda carece de metodologias padronizadas 10

São Paulo OUTLOOK

S

ão Paulo é uma cidade grandiosa sob diversos aspectos. Na geração de riqueza, a aglomeração urbana centrada na capital paulista já é a décima maior do mundo, segundo estimativa da consultoria PricewaterhouseCoopers e, em 2025, deve atingir o sexto maior Produto Interno Bruto (PIB). Com quase 20 milhões de habitantes, a região metropolitana de São Paulo é a terceira maior do globo, de acordo com a ONU. Além disso, a cidade é a 12a em eventos de negócios internacionais, segundo a International Congress and Convention Association (ICCA), www.analise.com


Apresentação

está entre as 25 mais caras para um estrangeiro viver, de acordo com a consultoria canadense Mercer, e possui a segunda maior frota de táxis, atrás apenas de Nova York. A relevância dos principais centros urbanos para moldar as tendências econômicas mundiais é indiscutível. Eles são aglomerações de consumidores, empresários, sedes de empresas, decisões, capital, mão de obra e uma série de outros valores que, analisados, podem dar uma pista de que local é o mais caro, mais atraente, mais conservador ou arrojado. O desafio, nesse aspecto, é produzir uma visão abrangente para classificar esses centros. Os pontos que podemos medir e ranquear com facilidade são indicadores sociais, econômicos e culturais. Esses dados dizem respeito a cada cidade, mas grande parte do que torna um local relevante é sua interação e influência sobre o restante do mercado. Como avaliar, então, cidades como São Paulo, Xangai e Mumbai e compará-las com centros de negócios estabelecidos, como Nova York, Londres ou Tóquio? Uma das classificações mais abrangentes de cidades foi formulada pelo Globalization and World Cities Research Network (GaWC), grupo de estudos centrado na universidade de Loughborough, na Inglaterra, mas que conta com colaboração de diversas instituições e pesquisadores. Na análise, as cidades mais influentes são denominadas como alpha++. Nessa categoria estão apenas Nova York e Londres, “claramente mais integradas que todas as outras cidades”, segundo o relatório da instituição. O grupo das alpha+ é composto de oito cidades, entre elas Paris, Tóquio, Milão e Xangai, que “complementam” as duas principais. As cidades alpha e alpha-, conjunto no qual São Paulo está incluída, são 31, que “ligam grandes regiões econômicas e nações na economia mundial”. Desse ponto de vista, as principais cidades do mundo atuam como o elo entre sua região ou área de influência e o resto do mercado. Numa via de duas mãos, elas agregam informação local e a distribuem para a rede, ao mesmo www.analise.com

tempo que permitem acesso regionalizado à inteligência global. A relevância de uma cidade, portanto, depende também de sua localização, se ela está próxima a outra mais influente e qual o interesse global na sua região.

Se olharmos as cidades através dessa lente, a importância desses centros fica um pouco mais clara. Por eles, necessariamente, transita o fluxo de informação e capital que move a economia global. Os pontos de contato dessa rede tornam-se importantes, passam a demandar serviços e infraestrutura de alta qualidade e a concentrar tomadores de decisão.


Grande parte do que torna uma metrópole relevante é a sua influência O outro lado dessa equação é o social. A crescente presença de empresas e serviços nas cidades significa mais pessoas, o que gera outras demandas no campo da qualidade de vida. Segurança, infraestrutura de transporte, serviços públicos e educação, apenas para citar alguns exemplos. Essas questões não são diretamente relacionadas aos negócios, mas às pessoas que os conduzem. Nos dois aspectos – ambiente de negócios e social – São Paulo apresenta indicadores impressionantes. Em maio de 2010, a cidade foi classificada como a sexta no mundo que mais deve atrair investimentos nos três anos seguintes, segundo estudo da consultoria KPMG. A amostra da pesquisa foi composta de mais de 500 executivos de multinacionais solicitados a falar sobre os planos das suas companhias. Ao serem perguntados a respeito de quais cidades devem aumentar a sua atratividade nos próximos três anos, independentemente das perspectivas das suas empresas, São Paulo foi novamente a sexta, à frente de Londres, Paris e Dubai. Nessa discussão, a Análise Editorial buscou contribuir por meio de uma pesquisa realizada com mais de 200 empresários paulistanos. Esses profissionais apontaram – embasados

na sua experiência em conduzir negócios em São Paulo – os principais pontos positivos da cidade na comparação com outros centros, e onde o município deve avançar de forma mais significativa na próxima década. O resultado pode ser consultado a partir da página 14 desta edição. No campo social, a cidade deu um salto na qualidade nos últimos anos. O número de médicos em atuação no município, por exemplo, avançou 31% de 2000 a 2009, enquanto a população cresceu apenas 5%. A cidade já possui 84% de seu esgoto coletado – 14 pontos percentuais de avanço em relação aos últimos 15 anos – e 70% tratado, à frente de países europeus como Espanha. Entre 2000 e 2009, o número de homicídios registrados na cidade caiu 77%, para uma taxa de 11 para cada 100 mil habitantes. Em alguns bairros, o índice já é próximo de quatro para cada 100 mil moradores, equiparado ao de algumas das cidades mais seguras do mundo. O município possui Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,841 – considerado elevado e indicativo de uma região de desenvolvimento alto. No coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda, a cidade registra 0,45, próximo à taxa dos Estados Unidos. Isso não quer dizer que a cidade de São Paulo não possua ainda uma série de desafios a serem atacados e problemas que ainda carecem de soluções eficientes. Algumas dessas questões são analisadas a partir da página 64 desta edição. No que diz respeito à mobilidade, segurança e gestão ambiental, por exemplo, a capital paulista ainda enfrenta problemas característicos de uma cidade em desenvolvimento. Independentemente da metodologia utilizada para avaliar e comparar cidades, o quadro geral de São Paulo é indiscutivelmente positivo. Mais do que proeminência nesse ou naquele ranking, o conjunto de indicadores mostra que a capital paulista passou por uma década de profundas transformações e colhe hoje os resultados desses avanços. Para comprovar, basta conhecê-la.  0 gabriel attuy

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METoDOLOGIA

Critérios adotados 1) Fontes de informação

2) Comparando cidades

As fontes utilizadas para dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB), população, serviços públicos e outras informações relacionadas a indicadores oficiais do município, região metropolitana e estado de São Paulo, além do Brasil, foram apuradas com órgãos oficiais ligados às respectivas esferas governamentais. Os principais consultados estão listados a seguir. Municipais: Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Empresa de Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo (SPTuris), São Paulo Conventions & Visitors Bureau, São Paulo Transportes (SPTrans), além das secretarias municipais. Estaduais: Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além das secretarias estaduais. Federais, autarquias e empresas estatais: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Banco Central (BC), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além dos ministérios. Estudos, relatórios e profissionais de instituições de ensino também foram consultados, principalmente da Fundação Getulio Vargas (FGV), Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Além das associações Viva o Centro e Movimento Nossa São Paulo. Os dados referentes a setores específicos da economia foram apurados com entidades de classe e empresas privadas. Os principais consultados foram: Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi), Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), BM&FBovespa, Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi), União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe).

Em relação aos dados apresentados nesta edição que fazem comparações entre cidades de diferentes países, é importante ressaltar que grande parte das fontes de informação não faz distinção entre municípios propriamente ditos e regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas. Isso ocorre porque o conceito de região metropolitana não é padronizado, podendo indicar situações diferentes, dependendo do país. Na maioria dos casos, as informações apresentadas dizem respeito a) ao dado disponível e b) ao recorte que mais se assemelha às outras do ponto de vista metodológico. Esse critério é o utilizado por relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) e seus órgãos relacionados, e da consultoria PricewaterhouseCoopers, as principais fontes de informação para os dados que comparam cidades desta edição. Também foram consultados a Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Câmara de Arbitragem Internacional (CCI) e o Banco Mundial, Joint Commission International (JCI), Internacional Congress & Convention Association (ICCA), J. P. Morgan, Cushman & Wakefield, London Business School, Morgan Stanley, International Data Corporation (IDC) e Deloitte.
 No contexto de cidades em desenvolvimento, o critério adotado foi, sempre que possível, comparar São Paulo às principais cidades dos países do Bric, principalmente Xangai (China), Mumbai (Índia) e Moscou (Rússia). No caso de cidades em países desenvolvidos, a preferência adotada foi por comparações a Nova York e Londres, que mantêm características semelhantes às da capital paulista enquanto importantes centros financeiros.

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3) Estrutura da publicação A publicação São Paulo Outlook está dividida em cinco principais seções. A seção Futuro de São Paulo (pág. 14) inclui pesquisa de opinião com 200 dos principais empresários paulistanos a respeito do ambiente de negócios e futuro da cidade. A seção Oportunidades (pág. 38) destaca 14 segmentos de atuação em crescimento no município que apresentam boas oportunidades de investimento. A seção Desafios (pág. 64) destaca dez entre as principais questões que São Paulo precisará enfrentar na próxima década. A seção Cidades Emergentes (pág. 80) destaca e compara a capital paulista com outras metrópoles em países emergentes. A partir da página 86, são analisados 13 grandes temas econômicos e sociais por meio de seções organizadas com reportagens, infográficos e fotografias.   0

e

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Conselho editorial

Eduardo Oinegue Silvana Quaglio e Alexandre Secco

Diretora-presidente Silvana Quaglio

Diretor de conteúdo Alexandre Secco

Diretor comercial Alexandre Raciskas

Rua Major Quedinho, 111, 16° andar CEP 01050-904, São Paulo-SP Tel. (55 11) 3201-2300 Fax (55 11) 3201-2310 contato@analisecom

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São Paulo Outlook

PUBLISHER Silvana Quaglio EDITOR Alexandre Secco Editor-executivo: Gabriel Attuy Editoras-assistentes: Ana Paula Marques e Célia Almudena Reportagem: Carlos Larios, Giselle Godoi, Juliane Almeida, Larissa Martins, Paula Quintas, Valquiria Oliveira e Vivian Stychnicki Pesquisa: Aline Fraga, Bruna Abjon, Diogo Leite, Monique Abranches, Paulo Andrade, Renata Marins, Ricardo Simões, Sumaya Oliveira e Thaís Teles Tecnologia da informação/Gerência: Cristiano Carlos da Silva Tecnologia da informação: Henrique Dergado Diagramação: Cesar H. Paciornik e Régis Schwert Colaboradores: Alisson Avila, Ana Landi, Andréa Háfez, Cássio Bittencourt, Cláudio Gatti, Claudio Rossi, Eduardo Belo, Françoise Terzian, Gilda Castral, Henrique Morais, Josélia Aguiar, Leonardo Pimenta Mourão, Lia Vasconcelos, Marcio Caparica e Tatiana Petit Revisão: Mary Ferrarini Tradução: Sogl Traduções Circulação/ Gerência: Lígia Donatelli

Publicidade/gerentes de negócios: Alessandra Soares e Márcia Pires

São Paulo OUTLOOK

13


JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE

Crianças em sala de aula no Centro Educacioinal Catarina Kentenich, na zona norte: 55% dos executivos entrevistados na pesquisa apontaram o alto nível educacional como uma das vantagens em investir em São Paulo


Or at laorem ilisi tio do commodo odion ver si. Andit autpatem eraessim quat. Magna coreet loreet lumsandit exeril eugait nis ex essi blaore molor si. Riliquipsusto dunt praessendre digna aliquissequi er ad doleseq uisisisisim zzril

Futuro

de São Paulo Confira, nas páginas seguintes, as projeções para a cidade de São Paulo na próxima década A opinião de executivos sobre os negócios de hoje e do futuro

Os principais setores com maior potencial de crescimento na cidade


Paulo Liebert/AE

PERSPECTIVA saúde PERSPECTIVA

Eventos esportivos, profissionais e amadores, atraem milhares de turistas para a cidade, como o Passeio Ciclístico Pedalando e Aprendendo (foto), que teve a participação de oito mil ciclistas, em 2009

para entender SÃO PAULO A Análise Editorial consultou 200 empresários paulistanos para explicar as qualidades e os desafios desse centro global de negócios 16

São Paulo OUTLOOK

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PERSPECTIVA

S

ão Paulo é uma cidade em transição. A terceira maior aglomeração urbana do mundo em número de habitantes e a décima em geração de riqueza, oferece uma ampla gama de oportunidades de investimento e situase em um dos mercados que mais devem crescer nos próximos anos. As economias emergentes devem crescer ao redor de 6% ao ano na próxima década, ante previsão de 2% entre os países desenvolvidos, segundo previsão do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla em inglês). O bloco dos Bric, no qual a capital paulistana se insere, deve liderar o avanço econômico mundial. De acordo com projeção do banco Goldman Sachs, em 2020 esses quatro países juntos devem chegar a 50% do Produto Interno Bruto (PIB) das nações que compõem o G7. Em 2050, a expectativa é que o Brasil seja o quinto maior PIB do mundo. Além de estar em um dos mercados em desenvolvimento mais promissores, a cidade já apresenta algumas características de regiões desenvolvidas, proporcionando níveis melhores de qualidade de vida, qualificação de mão-de-obra e disponibilidade de serviços que a maioria de seus pares na América Latina e Ásia. Para entender melhor os atrativos de São Paulo, a equipe da Análise

Editorial realizou, para a publicação São Paulo Outlook, uma pesquisa de opinião com 200 empresários e executivos que atuam em algumas das principais companhias sediadas na cidade. Os resultados, opiniões e indicadores apresentados nas próximas páginas refletem, portanto, a perspectiva de quem já atua em São Paulo, conduz negócios no Brasil e possui uma perspectiva privilegiada da cidade.

Inteligência corporativa e turismo de negócios A cidade de São Paulo, o principal centro financeiro da América Latina, também é reconhecida por abrigar os centros de decisões das principais empresas que atuam na região. Semelhante ao que aconteceu com os grandes centros urbanos de países desenvolvidos, a produção industrial paulistana tem se deslocado para o interior do estado ou para outras regiões do país. Além de atrair empresas, São Paulo também possui uma confiável estrutura de apoio ao ambiente de negócios. Quando perguntados quais setores têm maior potencial para se desenvolver na próxima década, os entrevistados destacaram os serviços financeiros, de tecnologia da informação (TI) e jurídicos. Nesses três segmentos, a infraestrutura e a mão-de-obra disponível na cidade rivalizam com os oferecidos nas principais cidades do mundo.

Perfil das companhias pesquisadas Setor de atuação

Estrutura em São Paulo 14%

6%

Sede e base industrial

Comércio

33%

Indústria

2%

Base industrial

61%

Serviços

29% Filial

Entre as 208 empresas que responderam ao questionário www.analise.com

55%

Sede

Entre os pontos fortes da infraestrutura paulistana, destacam-se, segundo os executivos entrevistados, os equipamentos referentes ao setor de turismo de negócios. São Paulo possui experiência e estrutura para a realização de congressos e feiras e é a 12ª cidade no mundo em número de eventos internacionais, segundo o ranking da International Congress and Convention Association (ICCA). Os principais desafios com que a cidade de São Paulo terá de lidar na próxima década para continuar se destacando como destino de investimentos e melhorando seu ambiente de negócios são a mobilidade e a segurança pública. Entre os executivos entrevistados, 49% acreditam que a mobilidade não será mais fácil na cidade nos próximos dez anos. O elevado tempo de deslocamento é um problema característico de grandes metrópoles, e um com que a cidade de São Paulo está lidando principalmente por meio de investimento na ampliação do transporte público, questão fundamental segundo 57% dos entrevistados.

Perfil dos entrevistados e metodologia Para a realização da pesquisa, a equipe da Análise Editorial entrevistou empresários, executivos, consultores, analistas e sócios de companhias sediadas no município ou que realizam negócios frequentes na cidade. Ao todo, foram 208 entrevistas realizadas em março e abril de 2010. O objetivo da pesquisa foi obter a opinião dos executivos a respeito da situação atual da cidade e das perspectivas para os próximos dez anos na condição de profissionais experientes, e não uma opinião que refletisse a posição oficial das companhias nas quais eles atuam. Os 208 entrevistados atuavam em companhias de 55 segmentos, com destaque para a área financeira e de seguros (10,6% da amostra), TI (7,3%), máquinas e equipamentos (7,3%) e construção e imobiliário (4,4%). Do total de empresas ou grupos empresariais que participaram da pesquisa, 55% possuem sua sede na cidade.  0

São Paulo OUTLOOK

17


A influência dA CIDADE A cidade de São Paulo é o centro do que será a terceira maior aglomeração urbana do mundo ao final de 2010, segundo estimativa do relatório World Urbanization Prospects da ONU. Entenda a dimensão e a importância dessa metrópole

Francisco Morato Mairiporã

Franco da Rocha Cajamar Pirapora do Bom Jesus

Caieiras

A cidade A 6ª maior cidade do mundo em habitantes

População

11,04 mi

Área

1.523 km²

PIB

R$ 320 bi

Santana de Parnaíba Barueri Jandira Itapevi

US$ 161 bi

12% do PIB do Brasil 35% do PIB do estado

Vargem Grande Paulista

Osasco Carapicuíba

São Paulo

Taboão da Serra Embu

São Caeta do Su Diadema

600 mil empresas

Cotia

Itapecerica da Serra

São Berna do Campo São Lourenço da Serra

Embu-Guaçu

Juquitiba

Fontes: A composição da região metropolitana de São Paulo e os dados de população são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referentes a 2009. As informações de Produto Interno Bruto (PIB), inclusive per capita, são da Fundação Seade – instituição vinculada à Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado de São Paulo – e referentes a 2007


SP São Paulo

Santa Isabel

PR OCEANO ATLÂNTICO

Arujá Guararema

Guarulhos

ano ul

ardo o

Itaquaquecetuba Mogi das Cruzes Poá Salesópolis

Ferraz de Vasconcelos Biritiba Mirim

Suzano Mauá Ribeirão Pires Rio Grande da Serra Santo André

A região metropolitana A 3ª maior aglomeração urbana do mundo

O A N E O C

L Â T A

N

T

I

C

O

Municípios

39

População

19,8 mi

Área

7.943 km²

PIB

R$ 509 bi US$ 255 bi

19% do PIB do Brasil 56% do PIB do estado

infográfico/Cássio Bittencourt

MG


perspectiva Perspectiva

Investimento

centro de negócios

A

cidade de São Paulo tem consolidado sua vocação como uma agregadora de empresas prestadoras de serviços na última década. Como acontece em quase todos os grandes centros urbanos espalhados pelo mundo, a produção industrial tem se deslocado para cidades periféricas e outras regiões do país. A produção sai, mas os centros de decisão ficam. Foi o que constatou o levantamento realizado pela Análise Editorial para esta edição de São Paulo Outlook. Quase três quartos dos 200 executivos ouvidos afirmaram que, se tivessem de escolher hoje, alocariam a sede de suas empresas no município. O perfil da cidade como o centro de inteligência das empresas é confirmado pelos segmentos citados como os que têm maior potencial para crescimento. Entre os entrevistados, 66% afirmaram que o setor de serviços financeiros é o mais promissor na próxima década. O segundo mais votado foi o setor de tecnologia da informação (TI). A cidade já possui alta concentração de companhias e profissionais, e abriga, entre outras multinacionais, sedes da IBM, Dell, HP e SAP. A demanda interna brasileira é alta e consome a maior parte desses serviços, por enquanto. A expectativa é que a expertise dos paulistanos abra oportunidades no mercado internacional.

Sede Onde alocaria a sede de sua empresa hoje?

28 %

Outras cidades brasileiras

72%

São Paulo

Áreas de atuação Quais os setores com maior potencial de expansão?

66% 56%

Serviços financeiros

Serviços de TI

40% 30% 27% P&D

Publicidade Serviços e propaganda jurídicos

Benjamin Quadros, presidente da BRQ

São Paulo é a capital de negócios do Brasil “ e tende a se destacar pelo crescimento da economia e sua relevância no mundo ”

20

São Paulo OUTLOOK

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perspectiva

Recursos

Os pontos fortes da cidade

S

ão Paulo tem a maior renda per capita do país – 22,6 mil reais por ano, enquanto a média nacional é de 17,9 mil reais. A alta renda gera um mercado consumidor forte e diversificado, influencia a permanência de pessoas na escola, o que tende a produzir mão-de-obra mais qualificada. A alta renda per capita é, portanto, um ponto forte e o principal diferencial da cidade para os negócios, segundo os executivos. Sete em cada dez dos entrevistados pela Análise Editorial apontaram a oferta de mão-de-obra qualificada como o maior atrativo do município para os negócios. Quando se busca saber qual a principal razão para uma empresa se instalar ou se manter em São Paulo, a resposta dos entrevistados é inequívoca: 80% apontam o fato de a cidade ser o principal centro financeiro da América Latina. O município também se destaca por estar no centro de um sistema logístico eficiente, que favorece o acesso a clientes e fornecedores. E, sem dúvida, o mercado consumidor paulistano também merece destaque. Enquanto o consumo de artigos e serviços de luxo coloca a cidade em pé de igualdade com metrópoles como Nova York e Londres, o desenvolvimento do consumo das classes C, D e E cria um mercado novo de milhares de novos compradores.

Infraestrutura e social As vantagens de São Paulo

74% 65% 60%

55% 55%

Trabalho Comunicação Renda Alta qualificado per capita escolaridade

Logística

A cidade Por que estar em São Paulo?

80% 80% 71% 60% 52% Centro financeiro

Próximo a clientes

Centro de consumo

Networking

Próximo a fornecedores

Paulo Kakinoff, presidente da Audi Brasil

comparação com outras metrópoles, “NaSão Paulo terá os melhores custos de operação e mão-de-obra na próxima década ”

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SPTuris

estação da luz Marco arquitetônico da cidade, passou por ampla obra de revitalização e hoje abriga o Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006: em seus três primeiros anos recebeu mais de 1,6 milhão de visitantes

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perspectiva

Desafios

o que precisa melhorar Infraestrutura e social Q uando se pensa nos desafios que a cidade de São Paulo ainda tem de vencer, o item segurança é um que logo vem à cabeça. Ele está entre os grandes, mas é apenas o quinto na lista resultante da enquete com altos executivos de empresas instaladas na capital paulista. Para oito em cada dez entrevistados, o maior desafio da cidade e a mais forte razão que poderia levá-los a instalar seus negócios em outro lugar é a dificuldade de locomoção. O problema da mobilidade é realmente uma das grandes questões para esta que está entre as maiores metrópoles do mundo. Os outros três itens decorrem, em grande parte, do avanço econômico da cidade nas últimas duas décadas. O encarecimento da mão-de-obra, dos serviços disponíveis e dos preços dos imóveis praticamente empatam, na opinião dos entrevistados, como fatores que podem pesar contra a cidade na decisão de onde instalar um novo negócio. Em termos de infraestrutura, locais para a realização de eventos e a qualidade da rede hoteleira já atendem à demanda dos executivos, no entanto, ainda necessitam de melhorias e de expansão. São apontados como itens fundamentais para o crescimento da cidade, além de facilitarem o networking – um ponto forte de São Paulo.

Os desafios de São Paulo

17 %

35%

Transporte urbano

Infraestrutura para eventos

27%

21 %

Rede hoteleira

Serviços médicos

O negócio Por que estar em outra cidade brasileira?

82%

Trânsito e mobilidade

70% 63% 62% 52%

Custo de serviços

Custo de mão-de-obra

Preço de imóveis

Segurança

Manoel Horácio Francisco da Silva, presidente do Banco Fator

O ponto mais relevante para o “ desenvolvimento de São Paulo é a profissionalização de sua mão-de-obra ”

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perspectiva

Comparação

as mais desenvolvidas

N

a comparação com grandes cidades de países desenvolvidos, a cidade de São Paulo se destaca principalmente nos segmentos de gastronomia, entretenimento e turismo. Dos 200 executivos entrevistados, mais da metade citou os restaurantes paulistanos como uma vantagem em relação às metrópoles desenvolvidas. A cidade possui a gastronomia mais diversificada do mundo, além de oferecer serviços de hotelaria de qualidade. No quesito hospedagem, equiparase às cidades mais desenvolvidas do mundo. Mesmo com o aumento do preço da mão-deobra em São Paulo, nos últimos anos, o mercado de trabalho da cidade ainda pratica valores abaixo dos de outras cidades que são referência no mundo dos negócios. Segundo os executivos consultados, o custo e a oferta de mão-de-obra no município são considerados vantajosos. Na comparação com cidades desenvolvidas, São Paulo ainda precisa melhorar a qualidade da segurança, da mobilidade e da infraestrutura de comunicação, principalmente no que diz respeito às redes de banda larga e dados. Esses pontos já são alvo de investimentos e ações de melhoria por parte da administração pública e do setor privado, com expectativa de avanços significativos na próxima década.

As vantagens Em que a cidade está melhor?

57%

45% 39% 37% 37%

Restaurantes Oferta de Custo de Oferta de Rede imóveis mão-de-obra mão-de-obra hoteleira

As desvantagens Em que a cidade está pior? Segurança

Transporte

79% 75%

Banda larga

Rede de dados

P&D

48% 39% 38%

Chieko Aoki, presidente da Blue Tree Hotels

O mercado consumidor paulistano é “ formado por pessoas atentas às novidades e dispostas a desembolsar altas quantias ”

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perspectiva

Comparação

entre as emergentes

N

a comparação com cidades em desenvolvimento – considerando principalmente metrópoles de outros países do Bric como Mumbai, Moscou e Xangai –, os executivos entrevistados consideraram a gastronomia (75%) e o alto padrão da rede hoteleira (64%) como grandes destaques da capital paulista. A cidade também aparece em vantagem na prestação de serviços médicos e jurídicos. Os hospitais mais bem equipados e os principais escritórios de advocacia do Brasil estão alocados na capital paulista. No campo jurídico, a cidade também conta com o serviço de bancas estrangeiras, como Baker & McKenzie, Clifford Chance LLP, Linklaters, e Thompson & Knight, que possuem filiais no município. Nos quesitos mão-de-obra e imóveis, São Paulo perde para cidades que seriam suas concorrentes diretas. O custo, que é considerado competitivo em relação às cidades desenvolvidas, é apontado como alto na comparação com outras cidades importantes do mundo em desenvolvimento. Segurança e mobilidade também são itens que, segundo os executivos consultados, desfavorecem a metrópole paulista na comparação com outras de países em desenvolvimento.

As vantagens Em que a cidade está melhor?

75%

Restaurantes

64% 57% 56% 56%

Rede hoteleira

Serviços Infraestrutura Serviços médicos para eventos legais

As desvantagens Em que a cidade está pior? Segurança

Custo de Compra de Transporte mão-de-obra imóveis

49% 42%

Aluguel de imóveis

32% 31% 30%

Humberto Gómez, presidente da Bridgestone Latam e Brasil

avançará ainda mais nos próximos “O Brasil anos, e São Paulo tem a infraestrutura para suportar esse crescimento ”

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Eduardo Nicolau/AE

catedral da sé Maior igreja de São Paulo e um dos cinco maiores templos neogóticos do mundo, a catedral foi reaberta em 2002, após três anos de reformas, e tem à sua frente o Marco Zero, que representa o centro geográfico da cidade

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perspectiva

Futuro de São Paulo

A cidade em 10 anos

S

ão Paulo continuará sendo a capital dos negócios da América Latina por muito tempo. Quase três quartos dos executivos consultados afirmaram que a maior parte das companhias que atuam no Brasil manterá suas sedes ou centros de decisão na cidade nos próximos dez anos. O perfil econômico da capital paulista como prestadora de serviços e geradora de negócios está consolidado. Em 1970, a capital respondia por mais de 70% do PIB industrial do estado de São Paulo. Atualmente, quase nove de cada dez reais da economia paulistana provêm dos setores de serviços e de comércio. Um dos principais destaques é o segmento financeiro. A BM&FBovespa é uma das maiores bolsas do mundo em valor de mercado, e a capital paulista concentra mais de 60% da atividade bancária do país. Na opinião de 34% dos entrevistados, a base de produção dos seus negócios na cidade tende a diminuir ou permanecer no patamar atual nos próximos dez anos. Somando-se aos 26% que entenderam que a questão base de produção não se aplica ao seu negócio, 60% dos entrevistados não veem aumento da base produtiva em São Paulo. Ou seja, a economia da capital paulista registra padrão de mudança semelhante ao de grandes cidades desenvolvidas.

Sede Em dez anos, sua sede estará em São Paulo

8%

3%

Provavelmente não

Não souberam dizer

17 %

55%

Não

Sim

17%

Provavelmente sim

Base de produção Em dez anos, sua base em São Paulo terá...

12%

2%

Mesmo peso

Tende a desaparecer

20 %

40%

Menos peso

Mais peso

26 %

Não se aplica ao negócio

Leonel Andrade, presidente da Credicard

Paulo irá se destacar como prestadora “São de serviços entre as metrópoles mundiais, principalmente no setor financeiro ”

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perspectiva

Futuro de São Paulo

o ambiente de negócios

O

s 200 executivos entrevistados foram praticamente unânimes em relação à consolidação do município de São Paulo como centro de inteligência e principal cidade da região nos próximos dez anos. Isso indica uma cidade menos importante para a produção industrial e mais relevante para a decisão. É o centro natural para servir de base às operações de grandes grupos empresariais, nacionais e internacionais, na América Latina. No entanto, a cidade não crescerá só em importância para quem quer fazer negócios na América Latina. Na opinião de três em cada quatro dos empresários entrevistados, o ambiente de negócios em São Paulo também estará melhor nos próximos dez anos. Contribuirão para isso o avanço da infraestrutura de logística e de comunicação na cidade, a redução da burocracia oficial, a simplificação da tributação, a consistência dos marcos regulatórios, da fiscalização e da Justiça. Todos esses fatores devem culminar para tornar a capital paulista uma cidade cada vez mais conectada ao ambiente corporativo mundial e, consequentemente, um local para novos negócios.

Relevância Em dez anos, São Paulo continuará como centro da América Latina

2 %

Não sei

2 %

96 %

Não

Sim

Ambiente de negócios Em dez anos, o ambiente em São Paulo será...

13 % Pior

75%

Melhor

12 % Igual

Ricardo Bastos, VP de assuntos legais da Johnson & Johnson

Eficiência na comunicação e melhora “ dos serviços de TI são os pontos mais importantes para o futuro da cidade ”

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perspectiva

Futuro de São Paulo

mão-de-obra e serviços

P

erguntados sobre o que se poderia melhorar na cidade de São Paulo em relação à mão-de-obra oferecida e aos serviços de apoio aos negócios, os entrevistados convergiram em apenas um ponto. Para 75% deles, a qualificação dos trabalhadores paulistanos é o item que precisa avançar mais nos próximos dez anos. Para 15% dos executivos ouvidos, um aumento na quantidade da oferta de trabalhadores será bem-vindo e apenas um em cada dez apontou que o custo da mão de obra deveria baixar na próxima década. Em relação aos serviços de apoio aos negócios oferecidos pela cidade, a opinião dos entrevistados ficou bastante equilibrada, dividindo-se entre os cinco quesitos apresentados como possíveis alvos de melhoria, no período de dez anos. Ou seja, entre a infraestrutura para eventos paulistana, rede hoteleira, serviços oferecidos de tecnologia da informação (TI), estrutura de pesquisa e desenvolvimento científico e restaurantes, não há nada que precise melhorar muito. Todos os itens, no entanto, são merecedores de algum incremento, de acordo com os executivos ouvidos, para que São Paulo cumpra bem o seu papel de centro internacional de geração de negócios.

Mão-de-obra Em dez anos, o que deve melhorar

10 % Custo

75 %

Qualificação

15 %

Oferta

Apoio ao negócio Em dez anos, o que deve melhorar

20%

Infraestrutura para eventos

17% 15% 15% 13% Rede hoteleira

Serviços de TI

P&D

Restaurantes

Horacio Lafer Piva, conselheiro da Klabin

Uma das principais características da “cidade de São Paulo é sua capacidade de aceitar a diversidade cultural ”

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Jefferson Pancieri/SPTuris

teatro municipal Cartão-postal inspirado na Ópera de Paris, hoje abriga a Orquestra Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório, Balé da Cidade, Quarteto de Cordas da Cidade, Coral Lírico e o Coral Paulistano

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perspectiva

Futuro de São Paulo

infraestrutura

O

s serviços de telecomunicação já possuem grande penetração em São Paulo. No estado, existem mais linhas de celulares ligadas do que habitantes. Essa proporção é tecnicamente medida por um índice que se chama teledensidade. No caso de São Paulo, a teledensidade móvel é de 109, o que significa que existem 109 linhas ativas para cada 100 pessoas no estado. Mesmo tendo mais celulares do que gente, o mercado de telefonia ainda tem um bom espaço para crescer. Mas melhorias substanciais são esperadas na expansão da oferta de serviços de última geração. Quatro em cada dez executivos afirmam que os serviços de banda larga e redes de transmissão de dados são os segmentos que deverão se desenvolver mais na próxima década. São Paulo já concentra 60% dos imóveis comerciais do Brasil. Ainda assim, quase metade dos executivos consultados apontou que a oferta de imóveis é o item nesse mercado que mais deverá melhorar em dez anos. Do ponto de vista do preço, entretanto, as opiniões são mais cautelosas. Apenas 16% acreditam que os custos de aquisição ou aluguel devem apresentar melhorias, ou seja, preços mais baixos para quem quer comprar ou alugar imóveis.

Telecomunicações Em dez anos, o que deve melhorar

20%

Networking

40%

40%

Banda larga

Rede de dados

Imóveis Em dez anos, o que deve melhorar

47 %

16 %

Oferta

Custo de aquisição

16%

21%

Custo de aluguel

Lançamentos

Miguel Abuhab, presidente da NeoGrid

O principal destaque de São Paulo é o “ mercado consumidor, que cresce mais do que em cidades como Londres e Nova York ”

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São Paulo OUTLOOK

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perspectiva

Futuro de São Paulo

a relevância da cidade

A

vocação da cidade de São Paulo para ser uma agregadora de inteligência corporativa e concentrar as sedes de empresas que operam no Brasil e na América Latina é indiscutível. Entre os 200 executivos entrevistados, 89% afirmaram que a cidade terá mais centros de decisão de empresas na próxima década. Atualmente, o município já concentra cerca de 65% das sedes de multinacionais que atuam no Brasil, além de 61% das matrizes dos bancos em operação no mercado brasileiro. Mais de 90% dos entrevistados indicaram que a cidade ampliará seu perfil de prestadora de serviços, principalmente no que diz respeito a atividades de apoio aos negócios.Isso quer dizer que estarão disponíveis mais e melhores serviços financeiros e bancários, de publicidade e propaganda, tecnologia da informação (TI) e serviços jurídicos no município. Os números corroboram as opiniões apuradas entre os empresários. No ano de 2009, registraramse 4% menos empresas desenvolvendo atividades industriais na cidade do que em 2000. Enquanto isso, o número de empresas prestadoras de serviços subiu 43% no mesmo período, passando de 214 mil para 305 mil companhias em atuação na cidade.

Serviços Em dez anos, São Paulo ampliará o perfil de prestadora de serviços

3 %

Não sei

94 % Sim

3 %

Não

Centro de inteligência Em dez anos, São Paulo agregará ainda mais centros de decisão de empresas

4 % Não

89 % Sim

7%

Não sei

Luiz Antônio Mameri, presidente da Odebrecht para a AL

A cidade de São Paulo, na próxima década, “ será um centro de excelência empresarial com foco na inovação e criatividade ”

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São Paulo OUTLOOK

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perspectiva

Futuro de São Paulo

custo e segurança

S

e a opinião da maioria dos entrevistados se confirmar, em dez anos a cidade de São Paulo estará mais cara tanto do ponto de vista da moradia quanto dos negócios. O processo de expansão vivido em São Paulo resulta em serviços de melhor qualidade e uma estrutura de apoio aos negócios mais sólida em relação ao que se encontra na média das cidades. A elevação dos custos acaba sendo decorrência natural desse processo, da mesma maneira como ocorreu com outros centros corporativos em países desenvolvidos, como Nova York e Londres. Um dos grandes desafios de São Paulo é a segurança pública. Está entre as principais preocupações dos empresários e da população em geral, mas os executivos entrevistados mostram certo otimismo. Quase quatro em cada dez veem São Paulo como uma cidade mais segura nos próximos dez anos. O número dos que dizem que a segurança não aumentará na cidade é de 24%. Mas, cautelosa, uma parte significativa dos consultados (37%) preferiu não arriscar uma opinião. A estatística está a favor dos otimistas. Entre 2000 e 2009, por exemplo, o número de homicídios caiu 77% na capital, registrando, no último ano, 11 ocorrências por 100 mil habitantes.

Custo Em dez anos, São Paulo será uma cidade mais cara

6 %

3 %

Não sei

Mais barata

17 %

74 %

Igual

Sim

Segurança Em dez anos, São Paulo será uma cidade mais segura

24 % Não

39 % Sim

37 %

Não sei

Denise Nader Porcelli, VP jurídica da Rhodia

possui um mercado consumidor “São Paulo vigoroso e conquista cada vez mais credibilidade para atrair investimentos ”

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São Paulo OUTLOOK

33


Sérgio Castro/AE

museu de arte moderna de são paulo (masp) O edifício é um ícone de São Paulo e o museu, com oito mil peças, que contemplam os mais representativos períodos da arte, é uma referência cultural e um dos mais frequentados da cidade, com 50 mil visitantes ao mês

34

São Paulo OUTLOOK

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perspectiva

Futuro de São Paulo

mobilidade

A

dificuldade de se locomover pela cidade, apontada pelos executivos consultados como a principal desvantagem da cidade em relação a outros grandes centros, permanece como uma incógnita para o futuro. Apenas pouco mais de três em cada dez entrevistados disseram que a mobilidade será mais fácil em São Paulo em dez anos. Praticamente a metade (49%) não vê melhora nessa área. O item que levou 32% dos ouvidos a apostar que o trânsito da cidade fluirá melhor é o avanço no transporte público. Para 57% dos executivos, essa é a saída para melhorar a mobilidade na cidade. No campo do transporte de massa, São Paulo já possui uma série de investimentos em curso que devem atender essas expectativas. Contabilizando aportes no metrô, trens urbanos e ônibus, os projetos no início de 2010 somavam 20 bilhões de reais. De qualquer forma, todos concordam que tirar carros das ruas é a maneira mais eficiente de conferir fluidez ao trânsito. Assim, medidas de restrição à circulação de carros de passeio e de transporte de carga nas regiões centrais da cidade, bem como estímulo para que se façam menos reuniões presenciais, com maior utilização de sistemas de comunicação virtual, terão de ser incrementadas para a cidade andar melhor.

Mobilidade Em dez anos, São Paulo será uma cidade com mobilidade mais fácil

19 %

Não sei

49 % Não

32 % Sim

Avanço Em dez anos, que fatores irão contribuir para a melhoria na mobilidade

16 %

11 %

Restrições ao tráfego

Menos veículos de carga

16 %

57 %

Melhorias em comunicação

Transporte público

Marcos Próspero, VP de capital humano do Walmart Brasil

A qualidade dos serviços em São Paulo é “ uma das melhores do mundo, e a cidade tem alto índice de retorno em investimentos ”

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São Paulo OUTLOOK

35


conexão INTERNACIONAl AL EM A N HA Berlim

REIN O U N ID O

10h40 9.471 km +3h

Londres 10h40 9 .471 km +3h Nova York 8h40 7 .652 km -1h

E S TA D O S U N I D O S Miami 7h20 6.548 km -2h

MÉXICO Cidade do México 8h20 7.421 km -3h

CO L Ô M B I A Bogotá 4h50 4 .312 km -2h

BR AS IL

C H I LE

São Paulo

Á F RI C A DO SUL

Santiago 3h 2 .587 km -1h

Buenos Aires 1h50 1 .675 km 0h

ARG ENTINA

Mobilidade aérea Médias diárias nos aeroportos de São Paulo

1,1 mil voos • 200 internacionais • 144 sem escala 96,5 mil passageiros • 23 mil internacionais


Os dois aeroportos paulistanos oferecem uma média de 200 voos internacionais por dia, 144 deles sem escala. Entenda em quanto tempo é possível ir e voltar de São Paulo para as principais capitais mundiais LEGENDA Tempo de voo Distância

Moscou

Diferença de horário em relação a São Paulo

RÚSSIA

13h20 11 .789 km +7h

Pequim

CHINA

Mumbai 15h30 13.771 km +8h

ÍNDIA

J AP ÃO Tóquio

23h15 17.685 km +11h

21h 18 .528 km +12

CO REIA DO SUL Seul 20h40 18 .336 km +12h

AU S TRÁLIA Joanesburgo 8h20 7.442 km +5h

Sydney 15h 13.379 km +13h

Fonte: Os dados dos aeroportos são da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), referentes ao ano de 2009. O tempo de voo refere-se a uma estimativa da duração de uma viagem de avião sem escalas, a velocidade média de 800 km/h. O fuso horário está baseado na hora de São Paulo, que está a -3 horas do Meridiano de Greenwich. O número de voos e passageiros toma como base a soma das médias do Aeroporto de Guarulhos (Cumbica) e do Aeroporto Internacional de Congonhas, considerando os dados do ano de 2009


RICHARD ZUPPA/AE

Mercados

e oportunidades


Ciclistas competem na categoria masculina da IX Copa América de Ciclismo, edição 2009, realizada no Autódromo de Interlagos, zona sul da capital paulista, local que também recebe as corridas da Fórmula 1

Confira, nas próximas páginas, as principais oportunidades de investimento que São Paulo tem a oferecer

O crescimento da oferta de imóveis comerciais de alto padrão A diversidade cultural e o consumo de grifes internacionais A estrutura para eventos e o incentivo ao turismo de negócios


J. F. Diorio/AE

oportunidades oportunidades

Visitantes observam a exposição OSGEMEOS – Vertigem, realizada no Museu de Arte Brasileira, na Fundação Armando Álvares Penteado, que abriga cerca de três mil obras de artistas brasileiros e estrangeiros

MERCADOS PROMISSORES

Conheça algumas das principais oportunidades de investimento da cidade, por que elas são atraentes e como entrar nesses mercados 40

São Paulo OUTLOOK

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oportunidades

A

ssim como a maioria das cidades em desenvolvimento, São Paulo concentra oportunidades de investimento e perspectivas de crescimento acelerado na próxima década. Além de ser uma das capitais do Bric, ela é o principal centro de negócios da América Latina e a porta de entrada do importante mercado consumidor brasileiro, que a cada ano amplia seu poder aquisitivo. Se, por um lado, São Paulo se assemelha a cidades como Xangai, Mumbai e Joanesburgo, por outro algumas características da metrópole brasileira a destacam em termos de desenvolvimento do mercado e das oportunidades existentes. O desenvolvimento da capital, no início, foi impulsionado pela indústria. Hoje, é o setor de serviços que acelera a economia do município. A cidade é responsável por 52% do Produto Interno Bruto (PIB) de serviços de todo o estado de São Paulo, o maior do país. Considerando apenas os serviços médicos e de saúde, 71% da receita dessas operações é gerada na metrópole, segundo dados da Fundação Seade, sistema de análise de dados ligado ao governo paulista. Além dos serviços de saúde, outras áreas já são destaque na cidade, oferecendo alto nível de competência e qualificação de mãode-obra que rivalizam com centros desenvolvidos como Nova York e Londres. Nesse âmbito estão os escritórios de advocacia paulistanos, agências de publicidade e prestadores de serviços de tecnologia da informação (TI). Um dos principais destaques é o segmento de serviços financeiros e bancários. A cidade sedia a BM&FBovespa, entre as cinco maiores bolsas de valores do mundo em valor de mercado e a sexta em contratos negociados, e concentra cerca de 60% da atividade bancária do Brasil e uma rede de gestores de recursos que administram ao redor de 500 bilhões de dólares. Esses e outros setores representam uma dupla vantagem para os investidores estrangeiros. A primeira é que, ao montar sua operação na cidade de São Paulo, pode-se contar com uma www.analise.com

estrutura de serviços de apoio de altíssima qualidade, tanto para lidar com o mercado brasileiro quanto para usar a cidade como base para explorar outros mercados no Brasil e no exterior. A segunda questão é que, com a expectativa de incremento dos investimentos em São Paulo e no Brasil, a demanda por todos esses serviços cresce e abre ainda mais oportunidades. A cidade já conta com filiais das principais bancas de advogados estrangeiras, é a sede latino-americana de companhias de TI e software, como Microsoft, IBM e Intel, e é onde os principais bancos multinacionais de investimento, como Goldman Sachs, Merrill Lynch e Credit Suisse mantêm seus principais escritórios no país.

Mercado consumidor e Copa do Mundo 2014 Nas páginas a seguir, o leitor encontrará análises de algumas das áreas onde há claras oportunidades de investimento, seja por conta da demanda por serviços no município, pelo crescente mercado consumidor ou por características específicas de cada setor, que tornam a capital paulista atraente. Alguns pontos merecem destaque porque permeiam várias das oportunidades apresentadas e evidenciam a tendência de crescimento de São Paulo na próxima década. A mobilidade entre as classes sociais – fruto do mercado de trabalho aquecido, da criação e formalização de empregos e do ambiente econômico estável – vem transformando o Brasil e, principalmente, a cidade de São Paulo. O aumento de renda proporcionado pela aquecimento econômico tem feito com que grande parte da população de baixa renda amplie seu poder de consumo, passando a níveis mais altos de consumo. Entre 2005 e 2009, a participação das classes B e C no consumo total do Brasil, por exemplo, subiu de 61% para 66%. No mesmo período, a renda média domiciliar avançou 21% na capital paulistana. O aumento do poder de compra cria novas demandas e impulsiona outras já existentes, favo-

recendo a instalação de novos empreendedores em diversas áreas. Nesse aspecto, podemos destacar os segmentos de telefonia – principalmente serviços móveis e de dados –, serviços bancários e gastronomia. Nesse contexto também estão inseridos alguns dos mais importantes eventos esportivos mundiais. A cidade será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, com a perspectiva de atrair uma gama de investimentos, que, estima-se, superarão os 100 bilhões de dólares. A expectativa é que o evento gere demanda nos mercados imobiliário, de construção, de publicidade e propaganda, de turismo, além de muitas outras oportunidades, especialmente na prestação de serviços. Ao lado das etapas de Fórmula 1 e Fórmula Indy, que ocorrem anualmente em São Paulo, e das Olimpíadas de 2016, que serão sediadas no estado vizinho do Rio de Janeiro, o setor de eventos esportivos deve contribuir de forma significativa para o desenvolvimento de novas oportunidades de negócios na cidade nos próximos anos. 0

Índice 44

Gestão de recursos

45

Serviços bancários

46

Mercado imobiliário

47

Serviços jurídicos

50

Turismo de negócos

51

Publicidade e propaganda

52

Telefonia

53

Tecnologia da informação

54

Saúde

55

Energias renováveis

58

Esporte

59

Cultura

60

Gastronomia

61

Moda São Paulo OUTLOOK

41


motor do Brasil

A

maior cidade brasileira também está no maior estado do país, responsável por mais de 33% de todo o Produto Interno Bruto (PIB). Além da relevância econômica, São Paulo também concentra, com cerca de 40 milhões de habitantes, mais de 20% da população do Brasil. Entre os seus 645 municípios é significativa a presença de indústrias automotiva, aeronáutica e farmacêutica.

Monumento às Bandeiras, em São Paulo, homenagem aos desbravadores do ESTADO

A

São Paulo OUTLOOK

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marcos hirakawa/SPTURIS

São PAulo em Números

US$

47 bi

foram exportados em 2009, 31% do total do Brasil

51%

do PIB de serviços bancários e de seguros do país estão no estado

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3 mi

de imigrantes, provenientes de 70 países, vivem no estado

250 mil

km2 é a área total do estado, maior que o Reino Unido

São Paulo OUTLOOK

A


oportunidades

Gestão de recursos

Ciclo virtuoso de novos investimentos Especialistas preveem um novo ciclo de investimentos que deve levantar 30 bilhões de dólares em uma década

mais devem atrair a atenção desse mercado. A cidade de São Paulo concentra mais de 60% das sedes de bancos de investimentos do Brasil e quase 70% das instituições estrangeiras, incluindo J. P. Morgan, Morgan Stanley, Merrill Lynch e Goldman Sachs. A expectativa é que setor de private banking no até 2014 o total de capital comprometido pelos Brasil se concentra em cerca de fundos de private equity chegue a 3,5% do Pro130 mil famílias com um patriduto Interno Bruto (PIB) do país, em linha com a mônio de 400 bilhões de reais média mundial, atingindo 70 bilhões de dólares. investidos no país e outros 150 A participação do mercado de capitais foi bilhões de dólares no exterior, muito relevante nesse avanço, considerando que segundo estimativas de analistas. Com a eleem um período de cinco anos, até 2009, foram vação do Brasil ao status de Investment Grade, realizados quase 40 IPOs (lançamento inicial de em 2008, o país também passou a representar ações, na sigla em inum importante foco de glês) na BM&FBovespa oportunidades para inPrivate Equity no PIB de empresas que manvestidores externos. tinham fundos de partiEm 2009, a indústria Participação no PIB do Brasil cipação como sócios. de private equity (fun2,2% 2,2% Em linha com essa dos que investem em perspectiva, a bolsa paucompanhias de capital 1,7 lista, em conjunto com fechado) no Brasil atina Associação Brasileira giu um novo recorde, das Entidades dos Mercom total de capital 1,2 cados Financeiro e de comprometido em investimentos de 34 bilhões Capitais (Anbima) e a de dólares, 50% a mais 2000 2009 Federação Brasileira de do que em 2007 e quase Bancos (Febraban) – toseis vezes maior do que das com sede em São o montante em 2004. Do total de capital, cerca Paulo –, anunciou no começo de 2010, a criação de 58% pertencem a investidores estrangeiros. da Brasil Investimentos & Negócios (Brain). A participação dos private equities nas fuO objetivo da iniciativa é consolidar o país sões e aquisições brasileiras ainda não passa como polo internacional de investimentos e de 10%. Há, por isso, grande expectativa de negócios para a América Latina. Com o procrescimento. Nos Estados Unidos, por exemjeto, pretende-se fazer com que negócios com plo, a participação é de 30%. Especialistas ativos brasileiros que hoje são feitos em Lonavaliam que haverá um grande ciclo de indres e Nova York sejam realizados no país. vestimentos nos próximos anos. As áreas de Fontes: Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), Anbima, Febraban, Fundação Getulio Vargas (FGV), PricewaterhouseCoopers e Deloitte turismo, energia e imóveis estão entre as que

O

44

São Paulo OUTLOOK

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oportunidades

Serviços bancários

Banco online e novos clientes Investimentos em serviços na internet e produtos para atendimento das classes C, D e E são nichos que devem crescer

O

mercado brasileiro de serviços bancários de varejo é encabeçado por quatro principais instituições: o estatal Banco do Brasil e os privados nacionais Itaú Unibanco e Bradesco, além do espanhol Santander. Juntos, esses bancos são responsáveis por mais de 75% das agências do país, 62% do total de depósitos e, somados, representam mais da metade do lucro líquido do sistema bancário brasileiro. A exemplo do Santander, a participação de bancos estrangeiros no país tem crescido nos últimos cinco anos. Entre as instituições multinacionais no Brasil, destacam-se o HSBC e o Citibank, que figuraram entre os dez maiores do país em 2009. Apesar de já robusta, a indústria de bancos continua a crescer: o número de contas correntes e poupança mais que dobrou na última década. O valor médio das transações bancárias cresceu em torno de 30%, mesmo percentual do incremento de transações realizadas com cartões de crédito. A cada ano, os brasileiros utilizam mais a internet e a rede de correspondentes bancários. As operações nesses canais tiveram altas de 25% e 14,5%, respectivamente, em 2008. As transações feitas por meio do internet banking somaram oito bilhões de reais e as realizadas em correspondentes, 2,3 bilhões de reais. No total, o sistema bancário contabilizou 44 bilhões de reais de transações em 2008, avanço de 7%. Os investimentos em TI também têm crescido, não só para ampliar a mobilidade das operações, mas também aumentar a segurança dos sistemas www.analise.com

bancários. Existe, ainda, uma nova onda de bancarização, em decorrência do aumento da renda e do poder de compra das classes baixas. Do total de pessoas que possuem conta corrente, 72% estão nas classes C, D e E. Em relação à posse de cartão de crédito, o panorama é semelhante – de cada 100 usuários, 60 pertencem à classe C e 22 às classes D e E. O espaço para aumento no número de contas e na utilização de serviços bancários é significativo, pois 50% da população economicamente ativa ainda não tem conta bancária. Fontes: Banco Central do Brasil (BC), Febraban, KPMG, Deloitte, Datafolha e Data Popular

São Paulo OUTLOOK

45


oportunidades

Mercado imobiliário

Demanda para construção de novos bairros Imóveis para classe média, escritórios e shoppings de conveniência são as principais oportunidades até 2020

mentando. A Caixa Econômica Federal (CEF), banco público e maior financiador de imóveis do país, concedeu 47 bilhões de reais em empréstimos imobiliários em 2009, a maior contratação habitacional de sua história. O valor mercado imobiliário de São é o dobro do de 2008 e quase dez maior do Paulo viveu, entre 2006 e 2008, que o realizado em 2003 em todo o Brasil. um período de euforia: foram Por último, a cidade ainda conta com uma disvendidas quase 100 mil novas ponibilidade grande de áreas para a construção unidades, entre residenciais e co- de novos edifícios. As principais oportunidades merciais, mantendo uma média estão em antigos bairros industriais próximos anual acima de 30 mil. As boas perspectivas para ao centro, onde ainda existem terrenos amplos o setor continuam para a próxima década, mas e áreas ocupadas por galpões desativados, por com um perfil diferente. O crescimento aceleraexemplo. Por outro lado, bairros mais afastados do ocorreu principalmenestão se valorizando e te na oferta de imóveis de atraindo consumidores Avanço de imóveis comerciais alto padrão – com preços com maior poder de comsuperiores a 500 mil reais Novas unidades e preço do m2 na cidade pra. Nessas regiões existe –, no setor de shopping outro nicho importante, 135% Unidades 130 % centers e hipermercados. mas ainda pouco exploraCom isso, esses nichos do: o de imóveis comer90 agora se encontram satuciais para escritórios de rados, e as construtoras e nível médio e pequenos 45 incorporadoras atuantes shoppings de conveniPreço 82% na capital paulista estão ência, com cerca de dois se voltando para o mermil metros quadrados, cado de apartamentos 2005 2009 onde devem se concenresidenciais populares trar farmácias, agências e de padrão médio. bancárias e supermercaNessa faixa do mercado, três outros fatores dos para atender à nova demanda dos bairros. convergem para garantir expectativas de bons Instaladas na cidade de São Paulo, as empresas retornos. Em linha com o que aconteceu no país, do setor imobiliário também têm capacidade a população paulistana teve um salto de renda para atender outros mercados da Região Sudeste, na última década, com uma parcela significatique abriga os maiores déficits habitacionais do va passando das classes D e E para um patamar Brasil. Cidades próximas, como Santos e Cammais elevado. No fim de 2009, 70% dos habipinas, também devem continuar a se expandir. tantes da cidade ocupavam as classes A, B e C. Fontes: Secovi-SP, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo Além disso, a disponibilidade de crédito para (SindusCon), Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Fundação Getulio Vargas (FGV), empresários e consultores do setor esse mercado consumidor também vem au-

O

46

São Paulo OUTLOOK

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oportunidades

Serviços jurídicos

Para entender como investir A demanda por serviços jurídicos vem crescendo com a consolidação do Brasil no cenário internacional

N

a década de 1990, o Brasil passou por uma profunda reestruturação em sua economia. Quase 50 grandes empresas, até então controladas pelo Estado passaram a ser geridas por grupos privados. Desde então, a ampliação de investimentos estrangeiros, o avanço do país como um dos mais importantes players na agroindústria internacional e, mais recentemente, o mapeamento de importantes reservas de petróleo e gás consolidaram a estatura internacional do país. Tal cenário repercutiu sobre a demanda por serviços jurídicos, indispensáveis para atender às crescentes e complexas interações entre os participantes dessa dinâmica econômica. Na cidade de São Paulo, onde estão as mais tradicionais bancas de advocacia e cerca de metade dos escritórios especializados em Direito Empresarial do país, esse é um mercado importante. O aumento do interesse de advogados estrangeiros em atuar no Brasil é comprovado por sua crescente presença. Escritórios estrangeiros, como o inglês Linklaters e o americano Baker & Mckenzie, investiram no país por intermédio da associação com empresas locais, estabelecendo suas sedes na cidade de São Paulo. Outros, como o Clifford Chance e Shearman & Sterling, estruturaram bancas próprias, também na capital paulista, para atuar como consultores em Direito Internacional. Advogados e sociedades estrangeiras interessados em atuar no Brasil são obrigados a celebrar acordos de cooperação com escritórios www.analise.com

brasileiros, uma vez que o exercício da advocacia no país é privativo aos inscritos nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). As oportunidades de aumento do investimento estrangeiro no setor de serviços jurídicos referem-se principalmente ao atendimento da demanda interna, notadamente para as empresas multinacionais atuantes no Brasil. Nos próximos anos, novas oportunidades irão surgir, especialmente em relação às licitações para a implantação da infra-estrutura necessária para a realização da Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, que certamente contarão com a participação de empresas internacionais. Segundo estimativa do anuário Análise Advocacia, as 100 maiores bancas de advogados do Brasil faturam, juntas, cerca de dois bilhões de reais ao ano, sendo que 54 delas estão sediadas em São Paulo. Fontes: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) e Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados


Centro GLOBAL DE negócios

Eletroeletrônicos

Estão listadas, a seguir, apenas algumas das companhias multinacionais com sede na cidade de São Paulo. Cerca de 65% de todas as empresas de capital estrangeiro presentes no Brasil mantêm suas operações no município Automotivo

Financeiro

Alimentação


Informática e TI Energia

Produtos de consumo Agroindústria

Publicidade e propaganda

Química

Farmacêutica

Vestuário


oportunidades

Turismo de negócios

Setor importante e em crescimento participam tradicionalmente do setor, como Hyatt, Hilton, Marriott, Renaissance, Sofitel, Meliá e Radisson, que disputam a clientela ao lado de personalizados “hotéis-butique” brasileiros, como Fasano, Emiliano e Unique. ão Paulo sedia 75% das feiras de Mesmo com a crise financeira entre 2008 e negócios realizadas no Brasil. São 2009, o setor hoteleiro de São Paulo comemorou: 90 mil eventos por ano e quase fechou 2009 com uma taxa de ocupação acima quatro milhões de visitantes, entre de 60% – 12,3% superior ao registrado em 2004. expositores e compradores – mais Especialistas do setor afirmam que empresas que o número de habitantes de estrangeiras estão prospectando o mercado pauBerlim, capital alemã. Esses eventos movimenlistano não só para participar do que já existe, tam cerca de 2,9 bilhões de reais em negócios mas para realizar na cidade suas próprias feiras. ao ano, agrupam 32 mil emSeguiriam, assim, trilha de gipresas expositoras e envolvem gantes como a anglo-holandesa Entre os dez maiores Reed Exhibitions, que em 2007 aproximadamente 500 mil empregos diretos e indiretos. comprou a Alcântara MachaPor eventos internacionais A capital paulista detém o tído, o maior grupo brasileiro rk País  Eventos tulo de maior destino de evendo setor, e a alemã Nürnberg1º Estados Unidos  507 tos internacionais das Américas Messe, que em 2009 adquiriu a 2º Alemanha  402 e 12º lugar do mundo, à frente Nielsen Business Media Brasil, de cidades como Madri e do grupo Nielsen. Pioneira, 3º Espanha  347 Sydney, por exemplo, segundo a londrina United Business 4º França  334 ranking da International ConMedia Limited (UBM) está no 5º Inglaterra  322 gress & Convention AssociaBrasil desde a década de 1990. 6º Itália  296 tion (ICCA) em 2008. O avanEmpresários e consultores ço da cidade nos últimos anos afirmam, ainda, que há opor7º Brasil  254 foi impressionante. Entre 2003 tunidades para investimentos 8º Japão  247 e 2008, São Paulo subiu 68 na infraestrutura paulistana. 9º Canadá  231 posições entre os municípios Existe uma grande demanda da lista, e o número de eventos por novos espaços para ex10º Holanda  227 internacionais cresceu quase posições de grande e médio setes vezes, chegando a 75. portes, na oferta de serviços de O turismo de negócios é predominantecnologia e telefonia dentro dos pavilhões e no te na cidade, e foi a razão da visita de 56% nicho de máquinas e equipamentos, como guindos turistas em 2009. Os eventos justificadastes, escadas mecânicas e palcos especiais. ram a viagem de outros 22%, enquanto 10% Fontes: Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Empresa Brasileira de Estubuscaram a capital paulista por lazer. dos de Patrimônio (Embraesp), São Paulo Convention & Visitors Bureau, União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe) e ExpoSystems Grandes cadeias internacionais de hotéis

A cidade, uma das maiores do mundo em feiras e eventos, apresenta boas oportunidades para o capital estrangeiro

S

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São Paulo OUTLOOK

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oportunidades

Publicidade e propaganda

Expectativa de resultados recordes Após crescer durante a crise internacional, o mercado publicitário paulistano se prepara para a Copa do Mundo e as Olimpíadas

O

Brasil é uma das joias da coroa da publicidade mundial, e São Paulo é a capital deste mercado. Em 2009, ainda sob os efeitos da crise econômica mundial, o investimento em mídia no país cresceu 4%; enquanto a média mundial registrou queda ao redor de 10%. Entre compra e produção de espaços, este segmento movimentou 31 bilhões de reais em 2009, e espera-se um aumento recorde de 8,5% para 2010. Segundo dados da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), as empresas do estado de São Paulo respondem por mais de 60% do faturamento total do setor publicitário no Brasil. O universo dos serviços de marketing, incluindo promoção, varejo e eventos, entre

outros, faturou 26 bilhões de reais em 2009 e projeta alta de 15% para 2010. Os resultados seguirão na casa dos dois dígitos até 2016, por conta da infinidade de ações de comunicação realizadas pelas marcas em direção à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Os dois megaeventos trarão empresas e investimentos em ritmo acelerado para o Brasil, e a cidade de São Paulo deve receber ao menos 30% desses recursos. A internet é exemplar para mostrar o potencial inexplorado de São Paulo e do Brasil na área. O meio responde por apenas 4,3% do bolo publicitário nacional, ante uma média global de 12,6%. Os usuários brasileiros são os que permanecem por mais tempo online no planeta (quase 72 horas por mês), mesmo com a web atingindo somente 35% da população. A recente chegada de grandes empresas digitais, como R/GA e Razorfish, ao lado da consolidação de pequenas operações locais, ilustram as oportunidades. Fontes: Associação de Marketing Promocional (Ampro), Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), Projeto Inter-Meios e Results International


oportunidades

Telefonia

Mercado consumidor à espera de serviços sável por quase 80% do mercado de banda larga, vem perdendo espaço para a internet móvel, que cresceu 82% em 2009 no país. Um nicho em franca ascensão é o mercado de serviços. Entre os mercados que começam a surgir está a operadora virtuBrasil, ao lado de seus parceiros al, produto que agrega aplicações e conteúdo Bric e Estados Unidos, está do específicos que está atraindo o interesse entre os cinco países no mundo de grupos de investidores estrangeiros. com o maior número de teleCom a banda larga, é possível oferecer esfones celulares. O país possui te serviço remotamente, o que vai demandar 177 milhões de linhas móveis e fornecedores de soluções para WiFi, bluetoouma densidade de quase 92 aparelhos para cada th, dispositivos mó100 habitantes. No esveis e aplicativos. tado de São Paulo, esse Além disso, a tendência número sobe para 109 Internet no Bric é que aplicativos para cecelulares para cada gruUsuários por 100 habitantes lulares e outras plataforpo de 100 moradores. mas móveis sejam cada O grande contingente vez mais regionalizados. populacional com acesso Isso demandará invesà telefonia celular pastimentos em produção de sa a ideia de saturação, conteúdo local, com olhar mas, na verdade, o mercuidadoso em relação cado brasileiro é ainda à cultura da cidade, ao um dos menos exploidioma e às expressões rados entre os países Brasil Rússia China Índia em desenvolvimento. utilizadas naquela região. Consultores aponSão Paulo tentam que a média nacional é elevada por de a concentrar a produção desses conum grande número de pessoas que utilizam teúdos para o mercado brasileiro. mais de uma linha. O dado indica, ao mesO setor é rigorosamente regulado no pamo tempo, a existência de uma gama inexís e o acesso a novos espectros de telecoplorada de consumidores e a tendência de municações, por exemplo, só é possível por elevado consumo entre os brasileiros. meio da participação em leilões de concesNão é só a comunicação por voz que vem são para operação do serviço público. avançando. A troca de dados também cresce Desta forma, a maneira mais rápida e fáa passos largos. As novas conexões de bancil de entrar no país é estabelecendo parda larga cresceram na casa de dois dígitos cerias com empresas já instaladas. em 2009, incluindo as ofertas advindas das redes fixa e móvel. O acesso via DSL, responFontes: Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e PromonLogicalis

Os paulistanos estão entre os maiores usuários de internet e telefonia móvel, mas o setor ainda é carente de serviços

O

37,5

32

22,2

4,3

52

São Paulo OUTLOOK

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oportunidades

Tecnologia da informação

Pronto para atender o mercado externo Cidade deve apostar ainda mais na valorização do segmento de terceirização dos processos de negócios

O

Brasil é um sólido usuário de tecnologia da informação e Business Process Outsourcing (TI-BPO) há quase 60 anos e um dos pioneiros no uso e desenvolvimento da informática. Em alguns setores, o país está na vanguarda mundial. Os bancos brasileiros, por exemplo, estão entre os mais informatizados do planeta. As eleições para cargos do Executivo e do Legislativo são integralmente informatizadas. E os órgãos do governo federal estão, também, entre os que mais utilizam informática entre todos os países. São Paulo tem um papel de destaque nesse cenário. Possui a mão-de-obra mais qualificada do Brasil na área de TI, as melhores universidades e uma constelação de pequenas empresas

Fontes: Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom) e International Data Corporation (IDC)

nas quais trabalham as cabeças mais criativas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 66% dos profissionais e 65% do faturamento do setor no país estão na Região Sudeste. São Paulo concentra as sedes de multinacionais como Microsoft, IBM e Intel, além das principais companhias brasileiras, como a Totvs. Na próxima década, especialistas apontam que as principais oportunidades devem surgir em projetos para exportação de serviços e soluções. Atualmente, a Índia domina cerca de 60% desse mercado de 100 bilhões de dólares anuais, mas a percepção dos consumidores corporativos é que a concentração em uma única região pode começar a prejudicar seus negócios. Nesse ambiente, o Brasil e a cidade de São Paulo são opções competitivas. E o país já está se preparando para essa nova demanda. A meta para 2010 é aumentar as exportações de TI-BPO, dos 2,2 bilhões de dólares de 2009 para 3,5 bilhões de dólares, avanço de 37%.


oportunidades

Saúde

Rota internacional do turismo médico A cidade possui infraestrutura de saúde altamente desenvolvida e mantém preços atraentes para pacientes estrangeiros

Aproximadamente 200 mil estrangeiros vieram ao país para tratamento médico nos últimos anos. São poucas as empresas brasileiras atuantes no setor de turismo médico. Associar-se às que já operam nesse mercado na cidade ão Paulo é o centro da medicina de São Paulo é a melhor porta de entrada pabrasileira e um dos principais ra potenciais investidores. Afinal, elas já têm polos de produção de ciência, mapeados todos os fornecedores de servitecnologia e atendimento médiços e conhecem os meandros do negócio. co da América Latina. O turismo Estudo de 2008 dimensiona os custos dos tratamédico – definido como o tratamentos médicos no Brasil entre 40% e 50% dos mento do paciente realizado fora de seu local de valores registrados nos Estados Unidos. A estruresidência – é um dos segmentos da economia tura hospitalar apta a absorver o turismo médico paulistana que oferecem as melhores oportunina cidade de São Paulo é formada por cerca de dades para novos inves12 hospitais de grande timentos, tendo em vista porte – com capacidade Perfil do turista de saúde o retorno no curto prazo. instalada de, no mínimo, O mercado mundial 500 leitos por unidade, Motivação da visita, em 2008 do turismo em saúde é infraestrutura hoteleiatrativo: em 2008, era ra de primeira linha e 12% Farmácia estimado em 60 bilhões equipamentos de última de dólares. Em 2010, geração. Desses, sete são deve chegar a 100 bilhões credenciados pela Joint 17% 52 % de dólares. O Brasil está Commission InternatioOdontologia Medicina inserido no ranking dos nal (JCI). No Brasil, exisgeral players mundiais nesse tem 20 hospitais acreditasegmento de negócio. dos pela JCI, o que colo19% São Paulo é o carro-chefe ca o país na quarta posiEstética desse mercado no país. ção do ranking mundial. A cidade é reconhecida Um desses estacomo polo médico de nível internacional em car- belecimentos credenciados, o Hospital do diologia, cirurgia bariátrica, cirurgia plástica, or- Coração (HCor), registrou, em 2009, autopedia, reprodução assistida, tratamento estético mento de 40% no número de atendimentos e em métodos de diagnóstico de última geração. a estrangeiros, em comparação ao ano anteDados do Ministério do Turismo brasileirior. Para 2010, o hospital estima crescimenro dão conta de que o estrangeiro que vem ao to de 50% nesse segmento de negócios. Brasil por motivos de saúde é o que permaneFontes: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Deloitte ce por mais tempo no país (cerca de 22 dias), Center for Medical Solutions, Ministério do Turismo, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Sphera International com gasto médio de 120 dólares por dia.

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oportunidades

Energias renováveis

Centro tecnológico e de consumo Tanto na exportação de tecnologia quanto no consumo de equipamentos, o setor de energia paulistano só tende a crescer

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Brasil é um grande produtor e consumidor de energias renováveis e biocombustíveis. Cultiva cana-de-açúcar e produz o álcool a partir do seu bagaço desde o fim do século 16, e usa o etanol como combustível de veículos em larga escala desde a década de 1970. O estado de São Paulo, por sua vez, é um grande produtor de etanol. Embora boa parte das usinas fique concentrada no interior do estado, é na capital onde se encontram as sedes das companhias e os centros de inteligência do setor. Com a evolução das restrições ambientais em todo o mundo, há uma clara tendência de aumento dos investimentos no setor de energias renováveis no país. Quem possuir tecnologia ou estiver interessado em investir

para produzir combustível ou cogerar energia elétrica terá muitas oportunidades na próxima década. Os aportes de capital externo para construir hidrelétricas, usinas eólicas e complexos de produção de etanol e biodiesel, por exemplo, foram intensos em 2008 e 2009. Além da participação direta na produção de combustíveis e energia, a cidade de São Paulo também é um centro de pesquisa e inovação no campo de energia renovável, etanol, biodiesel e outras fontes. A experiência mercadológica da cidade de São Paulo na produção e comercialização de biocombustíveis também é ímpar no mundo. Os fabricantes de equipamentos são outra categoria que encontrará boas oportunidades na cidade na próxima década. Uma lei municipal tornou mandatória a instalação de aquecimento solar em todas as novas edificações da cidade, por exemplo. Fontes: Organização das Nações Unidas (ONU), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Enercons Consultoria em Energia


Inteligência LOGÍSTICA

Operário observa carregamento de contÊiner no porto de Santos

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São PAulo em Números

US$

6 bi

lugar é a posição entre as cidades exportadoras brasileiras

8%

das exportações do Brasil têm origem na região metropolitana

80 km

é a distância do centro até Santos, o maior porto do país

Jonne Roriz/AE

foram exportados pelo município em 2009

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São Paulo OUTLOOK

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oportunidades

Esporte

Demanda em infraestrutura e marketing Copa do Mundo, Olimpíadas e outros grandes eventos esportivos garantem um mercado em ebulição na próxima década

país. O modelo de negócio previsto é uma parceria público-privada estimada em até 300 milhões de reais. O Palmeiras aprovou, em 2008, a transformação de seu estádio, o Parque Antarctica, em uma arena multiuso ao custo de 300 milhões de reais, em sociedade com a construtora WTorre. opa do Mundo de 2014 e OlimAlém da construção e gestão desses espaços, a píadas de 2016: os dois eventos promoção e o marketing dos grandes clubes de resumem a miríade de oportunifutebol ainda são oportunidades abertas, uma vez dades que o segmento esportivo que a paixão pelos times ainda é pouco exploraapresenta para o Brasil, e naturalda. O São Paulo Futebol Clube foi o mais lucramente para São Paulo, nos próxitivo do Brasil em 2009, com uma receita total de mos anos. A indústria do esporte engloba cerca 90 milhões de dólares. de 3% do Produto Interno Clubes como o espanhol Bruto (PIB) brasileiro, O negócio do futebol Real Madrid, por exemou um montante de 94 plo, chegam a faturar bilhões de reais. Como a Histórico e projeção de receita no Brasil acima de 570 milhões cidade de São Paulo resUS$ 3,2 bi ponde por mais de 12% 275% de dólares em um ano. O potencial de negóda economia nacional, cios também é grande enpode-se estimar que a ca- 2,4 tre os esportes olímpicos, pital paulista movimente especialmente porque os cerca de 11 bilhões de 1,6 Jogos de 2016 garantem reais ao ano com todas posições ao Brasil em as atividades da indústria todas as competições e o esportiva, ainda carente 2003 2014 de profissionalização. processo de formação e É inevitável dar desqualificação desses atletaque ao futebol, que representa 65% das ativitas demanda investimentos. São Paulo é sede de dades esportivas no Brasil. São Paulo concentra um dos principais clubes brasileiros na formação três das mais conhecidas equipes brasileiras, de atletas, o Pinheiros. É possível a atuação no é cidade-sede da Copa do Mundo e deverá ser setor sem parcerias, embora um sócio com coa sede do esporte na Olimpíada, que será reanhecimento local torne o processo mais rápido e lizada no estado vizinho do Rio de Janeiro. simples. Existem várias empresas de marketing Para tanto, a cidade tem uma demanda imedia- esportivo com credibilidade e capacidade operata de modernização de seus estádios. O Morumcional disponíveis para assessoria ou associação. bi, do São Paulo Futebol Clube, está em processo de adequação às exigências da Fifa, e o Pacaembu, estádio público, negocia sua concessão forFontes: Secretaria Municipal dos Esportes, Instituto Brasileiro de Marketing Esportivo, J. Cocco, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Traffic e Cheil mal ao Corinthians, outro dos grandes times do

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oportunidades

Cultura

Consumo de arte e entretenimento em alta A cidade possui demanda, um mercado cultural desenvolvido e diversos projetos em busca de financiamento

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ão Paulo tem na promoção da cultura um de seus pilares de atração de turistas. Estima-se que a metrópole movimente 17 bilhões de reais ao ano com este mercado. A cidade é o destino garantido de toda e qualquer atração cultural estrangeira, incluindo grandes musicais e performances. Muitos dos principais shows acontecem em estádios, estacionamentos e no complexo do Anhembi, existindo uma demanda por espaços para oito mil a 20 mil pessoas. Entre os grandes eventos já consolidados, uma das iniciativas mais bem-sucedidas de São Paulo é a Virada Cultural, que oferece 24 horas de programação gratuita pelas ruas e equipa-

mentos culturais da cidade. A Virada movimenta mais de 100 milhões de reais por edição. A cidade ainda conta com o Museu da Língua Portuguesa, um dos mais visitados da América do Sul. Graças ao aumento do potencial de consumo da classe média nos últimos anos, espaços culturais como a Oca, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a Pinacoteca do Estado vêm desenvolvendo projetos de exposições de alta repercussão, que são sucesso de público. O aumento de renda também contribuiu para o mercado de musicais na cidade, que passou a atrair produções da Broadway, além de grupos como o Cirque du Soleil. O ambiente de negócios é bastante fragmentado, o que torna as parcerias locais altamente recomendáveis. A produção cultural é sustentada pela iniciativa privada, que patrocina projetos mediante renúncia fiscal. Fontes: Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), São Paulo Turismo, São Paulo Conventions & Visitors Bureau, Ministério da Cultura


oportunidades

Gastronomia

O salto da refeição fora de casa O crescimento do hábito de comer na rua deve ampliar ainda mais a demanda por serviços de alimentação

realidade local, como também o tipo de serviço. Além de serviços de fast-food e refeições básicas, São Paulo é a cidade com a maior variedade de cozinhas e opções gastronômicas do mundo. O município concentra alguns dos melhores ão Paulo tem cerca de 11 milhões restaurantes e mais renomados chefs do globo, de habitantes e quase 13 mil rese proporciona o ambiente ideal também para taurantes. A cidade está entre as investimentos em restaurantes de alto nível, maiores do mundo em número tanto do ponto de vista do público consumidor de estabelecimentos que servem quanto da mão-de-obra disponível. No ranking refeições, mas isso não significa mundial elaborado pela londrina The Time, o saturação do mercado. A perspectiva, na verdade, Top 100 Eating Experiences, estão os restaurané de uma demanda em acelerado crescimento. tes paulistanos D.O.M., na 24ª colocação, e o Nos últimos quatro anos, o número de morado- Fasano, no 83º posto, segundo a lista de 2009. res da cidade que fez refeiNo que se refere à ções fora de casa cresceu alimentação, a legisRefeições fora de casa dois dígitos por ano, chelação brasileira é uma gando a atingir a taxa de das mais rigorosas, Alimentação na rua no gasto com comida 50%. Atualmente, o brasi27% com regras sanitárias 27 leiro faz, em média, quatro bastante rígidas na refeições por dia, e pelo comparação com ou26 menos uma delas fora de tros mercados. E, em casa. Nos próximos quatro São Paulo, onde os 25 anos, a tendência é que consumidores são mais essa média passe para duas exigentes, a fiscalizarefeições, proporcionando ção costuma ser rígida. um salto na demanda por É preciso demonstrar 2003 2010 serviços de alimentação. com frequência a fiscais O investimento é proque os processos opemissor, mas demanda planejamento amplo. Alracionais de cozinha atendem às regras de gumas cadeias americanas instalaram-se em São manipulação, conservação e limpeza. Paulo no passado – caso do Arby’s e KFC – e Consultores apontam que a valorização da tiveram experiências negativas. Simplesmente saúde deverá direcionar o setor de gastronomia reproduzir o que oferecem em seus países de na próxima década. Essa tendência já se comorigem é um erro que pode ser fatal aos negóprova com a expansão acelerada da alimentação cios. Nesse caso, o mais recomendado é contrasaudável, que registrou um crescimento global tar uma consultoria ou iniciar as operações em de quase dez vezes nos últimos dez anos. parceria com empreendedores locais. É preciso Fontes: Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi), Universidade Anhembi Morumbi e ECD Food Service adaptar não só sabores e texturas dos pratos à

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oportunidades

Moda

Alta-costura atende o mercado popular O setor oferece opções de investimento no varejo popular de vestuário e se mantém como um dos centros globais da moda

D

as passarelas da São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda da América Latina, ao crescente mercado popular de moda, a cidade reúne os melhores e mais importantes estilistas, modelos, patrocinadores, tecelagens, universidades e técnicos do país. As principais oportunidades para investidores encontram-se no varejo e desenvolvimento de linhas e tendências. O segmento varejista tem obtido sucesso nos últimos anos, impulsionado pelo crescente poder aquisitivo médio dos paulistanos. Redes de lojas departamento, como a holandesa C&A, investem no estabelecimento

de parcerias com modelos e estilistas e promovem linhas próprias para a classe média e baixa. Por outro lado, o mercado de produtos e marcas de luxo também cresce, com a presença de todas as principais grifes internacionais no país. Especialistas apontam que as maiores oportunidades para se conquistar clientes estão em um estágio intermediário de consumidores, que não compram artigos considerados de luxo, mas também estão fora do escopo dos grandes magazines. Outro segmento a ser explorado é o de vestimentas específicas, como roupas para jogadores de golfe, por exemplo, esporte que cresce cerca de 18% ao ano no Brasil. O domínio de logística, para poder atender todo o mercado brasileiro, e o conhecimento dos fornecedores mais eficientes são características fundamentais para se destacar no mercado paulistano. Fontes: Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Faculdade de Moda Santa Marcelina e São Paulo Fashion Week


Mobilidade e infraestrutura Os principais aeroportos, portos e cidades brasileiras se concentram ao redor de São Paulo. Entenda onde está e a relevância da infraestrutura que torna a capital paulista a mais interligada da América Latina

Aeroporto Internacional de Campinas (Viracopos)

CAMPINAS

3,4 milhões 192 mil toneladas

1,06 milhão $

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427 km

 Rodovia pedagiada ovi

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Sistema AnhangueraBandeirantes

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R$ 27 bi (US$ 15 bi)

Aeroporto Internacional de Congonhas 13,7 milhões 29,3 mil toneladas

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Sistema Ayrton SennaCarvalho Pinto 135 km

 Rodovia pedagiada

SÃO PAULO Sistema Anchieta-Imigrantes

R$ 320 bi (US$ 161 bi)

Rodovia Presidente Castello Branco 302 km

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Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica)

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11 milhões

176 km

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21,7 milhões 352 mil toneladas Porto de Santos 76 milhões de toneladas

 Administração pública

Porto de São Sebastião 50 milhões de toneladas

 Administração pública


RJ Rio de Janeiro

SP São Paulo

OCEANO ATLÂNTICO

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Rodovia Presidente Dutra 402 km

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RIO DE JANEIRO 6,2 milhões $

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R$ 140 bi (US$ 80 bi)

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LEGENDA $

População PIB Passageiros em 2009 Carga em 2009 Extensão

Fontes: Os dados de população são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referentes a 2009. As informações dos aeroportos são da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e referentes a 2009. As informações dos portos são da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e referentes a 2009. As informações das rodovias são das empresas concessionárias. As informações de Produto Interno Bruto (PIB) são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referentes a 2007

infográfico/Cássio Bittencourt

MG


Desafios

filipe araĂşjo/AE


Congestionamento na Avenida 23 de Maio, que interliga as zonas norte e sul da cidade de São Paulo; alcançar maior fluidez do trânsito é um dos maiores problemas a serem resolvidos — atualmente são mais de 6 milhões de veículos

Confira, nas próximas páginas, os principais desafios que São Paulo ainda tem de enfrentar

As principais dificuldades e os projetos para melhorar a locomoção Os investimentos e as medidas para garantir segurança aos cidadãos O crescimento desordenado e a expansão territorial na cidade


saúde DESAFIOS

CIDADE DE SOLUÇÕES São Paulo enfrenta os desafios de uma metrópole em crescimento e articula ações para atacar os problemas de frente

O

s desafios que uma metrópole como São Paulo tem de superar a cada dia não cabem em uma pequena lista. Para encontrar soluções para os problemas da cidade é preciso, primeiramente, mapear cada obstáculo, aferindo sua verdadeira dimensão, para então adotar medidas que tenham validade de longo prazo. Em muitos casos, a cidade pode se beneficiar da história de outras metrópoles. Muitos dos desafios apresentados nas páginas a seguir podem ser classificados como “dores de crescimento”. O aumento expressivo da população nas décadas de 1970 a 1990 impulsionou São Paulo a atingir a posição de terceira maior aglomeração urbana do mundo, segundo projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2010. Uma década depois de estabilizado esse surto populacio-

Jonne Roriz/AE

A região do Viaduto do Chá – que já foi cartão-postal da cidade –, além do Vale do Anhangabaú e do Teatro Municipal, no centro, passagem obrigatória para os 11,3 milhões de turistas que visitam São Paulo


DESAFIOS

nal, a cidade trabalha para solucionar questões como a mobilidade prejudicada, resultado de uma frota total de quase sete milhões de veículos e 14,5 milhões de viagens realizadas diariamente no transporte público. Essa é uma questão enfrentada por cidades como Nova York e Londres, que já adotaram medidas bem-sucedidas, mas ainda continuam em busca de soluções para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes.
 A representatividade dos 11 milhões de moradores do município e quase 20 milhões da região metropolitana demanda ampliação em habitação, serviços públicos (acesso a água tratada e rede de esgoto, energia elétrica, iluminação de ruas e áreas coletivas, coleta de lixo, só para citar alguns), atendimento de saúde e dezenas de outros pontos que passam, em sua maioria, pela formulação de políticas públicas. Nesse âmbito, a cidade de São Paulo conta com uma espécie de guia de desafios a serem encarados. A iniciativa passou a ser prevista em lei no início de 2008 e estabelece que toda gestão municipal precisa apresentar um plano de metas e manter a população informada sobre o avanço dos indicadores. A iniciativa inspira-se nos modelos de administração por resultados implantados nas cidades de Bogotá, na Colômbia; Barcelona, na Espanha; Minneapolis, nos Estados Unidos; e Sydney, na Austrália. Utiliza como referência os conceitos de eficácia, eficiência e efetividade adotados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e Banco Mundial para a avaliação de políticas públicas. O programa atualmente em curso, batizado de Agenda 2012: Programa de Metas para a Cidade de São Paulo, baseia-se em seis grandes áreas de atuação: 1) Cidade dos Direitos busca promover a universalização dos serviços públicos e a melhoria de sua qualidade; 2) Cidade Sustentável tem como objetivo compatibilizar a busca por melhor qualidade de vida com a redução dos impactos ambientais gerados pelas atividades urbanas; 3) Cidade Criativa incentiva atividades culturais e esportivas, turismo, prewww.analise.com

servação do patrimônio histórico e a recuperação de espaços públicos; 4) Cidade de Oportunidades tem a meta de estimular geração de empregos e de negócios, ampliar a qualificação da mão-de-obra e promover a descentralização das atividades produtivas; 5) Cidade Eficiente busca assegurar agilidade, transparência e responsabilidade fiscal às políticas municipais por meio de formas inovadoras de gestão; e 6) Cidade Inclusiva, que busca reduzir as desigualdades entre as regiões da cidade por meio da articulação de políticas públicas. Ao todo, o programa inclui 223 metas cujo andamento pode ser acompanhado pela população.

Desafios conhecidos Os desafios apresentados a seguir refletem os principais pontos levantados por empresários, executivos e administradores públicos procurados pela Análise Editorial e questionados a respeito dos aspectos que mais demandam atenção na cidade. As questões tratadas são vistas como possíveis empecilhos ao estabelecimento de novos negócios, além de tocarem em pontos relacionados ao desenvolvimento econômico e social da cidade. Em alguns casos, no entanto, é preciso desmistificar impressões equivocadas a respeito da cidade. São Paulo possui hoje um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,841, segundo o indicador desenvolvido pela ONU. Na América do Sul, apenas Santiago, no Chile supera o índice paulistano. Nos distritos mais centrais do município, o índice atinge taxas superiores a 0,96, equivalente ao IDH da Noruega, o mais alto do mundo. Os dados servem meramente para ilustrar que, se por um lado São Paulo enfrenta problemas que refletem o seu tamanho, o município também já colocou em prática soluções bemsucedidas. Questões como segurança pública, emprego informal, pirataria e a recuperação do centro da cidade são alvo de ações concretas e discussão do poder público e de órgãos da sociedade civil há anos. E essa movimentação já gerou frutos. O que São Paulo enfrenta

agora é a tarefa de manter a trajetória de melhoria, profissionalizar cada vez mais sua gestão e buscar soluções dentro e fora de suas divisas.

Reconhecimento internacional A atenção que a cidade de São Paulo e o Brasil têm recebido nos últimos anos, como alvo de investimentos estrangeiros entre as economias do Bric, também impulsiona a urgência de solucionar problemas. Um dos catalisadores, nesse contexto, certamente é a Copa do Mundo de Futebol de 2014, da qual São Paulo será cidade-sede. Com isso, alguns desafios se apresentam de forma mais urgente, uma vez que a capital paulista precisará desenvolver projetos específicos para melhorar sua infraestrutura. Um deles é modernizar a estrutura aeroportuária da cidade. A Infraero, estatal brasileira responsável pelo setor, já desenvolveu planos de modernização dos três aeroportos que servem a cidade: Congonhas, Guarulhos, na região metropolitana, e Viracopos, na vizinha Campinas. Outro projeto em discussão é o de um trem de alta velocidade ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Nas páginas a seguir, buscamos apontar esses desafios e o que está sendo feito para enfrentá-los de forma objetiva. 0

Índice 68

Mobilidade

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Emprego

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Verticalização

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Moradia

74

Segurança

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Centro

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Carga tributária

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Burocracia

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Propriedade intelectual

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Gestão ambiental São Paulo OUTLOOK

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desafios desafios

Mobilidade

Soluções para o trânsito São Paulo adota medidas e projetos para lidar com um dos principais problemas de grandes metrópoles: a dificuldade de locomoção

A

ssim como Nova York, Londres e Tóquio, São Paulo enfrenta o desafio de gerenciar uma massa de mais de 11 milhões de habitantes e cerca de cinco milhões de veículos pessoais que se deslocam diariamente pela cidade. Estima-se que, em média, o paulistano gaste de duas a três horas na ida e volta do trabalho somadas. O pico de lentidão médio na cidade em 2009 foi de 108 quilômetros, o que representa quase 10% das vias monitoradas. 
A principal medida hoje é o rodízio de veículos, esquema que restringe o tráfego de 20% da frota no centro expandido nos horários de pico. Medidas semelhantes são aplicadas a veículos de carga e de transporte de massa privados.

Uma das saídas encontradas para garantir a mobilidade na última década foi o fenômeno dos couriers de motocicleta. No início de 2010, a cidade tinha cerca de 200 mil desses profissionais. Obras para a ampliação de vias e reengenharia de tráfego na cidade também tentam driblar a lentidão. A maior obra viária, nos últimos anos, foi a ampliação da Marginal Tietê, a principal via expressa de São Paulo. A inauguração, em 2010, do trecho sul do Rodoanel Mário Covas também promete dar a São Paulo maior fluidez. A obra interliga algumas das principais rodovias que passam pela cidade, evitando que veículos de carga trafeguem pelo município, e deve representar redução de 15% nos índices de lentidão. No transporte público, os investimentos em curso chegam a 20 bilhões de reais para ampliar o metrô, linhas de trens urbanos e frota de ônibus. Um dos principais objetivos é quadruplicar a rede sobre trilhos dos 60 quilômetros de 2007 para 240 quilômetros até o fim de 2010. Fonte: Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)


desafios

Emprego

Mercado de trabalho em transição Mas o panorama é de avanço. Graças ao dinamismo da economia local, o índice de desemprego tem mostrado uma tendência constante de queda desde 2003, quando atingiu quase 20%. O emprego informal, fenômeno global que atinge metade dos trabalhadores de todo o as últimas três décadas, a cidade mundo, também está presente de forma intende São Paulo passou por uma transformação profunda. O antigo sa. Mesmo com a recuperação dos índices de ocupação decorrentes do crescimento econôparque fabril perdeu importância mico, com criação de vagas formais em ritmo e a cidade consolidou-se como acelerado, o contingente de informais da cidade o principal centro financeiro é elevado, em torno de 11% no início de 2010, do país, assumindo sua vocação de prestadora chegando a aproximadamente um milhão de de serviços e importante centro comercial. pessoas. Além disso, do 1,6 milhão de profissioPor ser um processo relativamente recente, esnais autônomos, metade sa mudança de perfil não atua na informalidade. permitiu, ainda, a acomoQueda no desemprego O comércio clandestidação completa dos agenno tem sido o principal tes que gravitavam em Na região metropolitana de São Paulo destino dos informais. torno do antigo modelo. 19,5% A prefeitura tem cerca Uma parcela trocou de 20 mil ambulantes de atividade, dirigindo17 cadastrados, mas as se ao setor de serviços. estimativas indicam Outra parte acabou mais de 80 mil pessoas na informalidade. 14,5 Ao contrário da déca12% vivendo do comércio da de 1970, quando o clandestino na cidade. 12 emprego industrial era A prefeitura tem 2003 2010 dominante na cidade, os procurado regulaA taxa de 2010 refere-se ao mês de fevereiro números mais recentes rizar a situação. de 2010 apontam o seA regulamentator de serviços como responsável por 54% dos ção consiste no cadastramento dos venpostos de trabalho da região metropolitana. dedores ambulantes e na restrição de Comparado ao de outras grandes metrópoles, suas atividades a determinadas áreas. o desemprego da região metropolitana de São O cadastrado pode se beneficiar de um proPaulo, de quase 14% da população ativa em grama de microcrédito, com vistas a facili2009, ainda é elevado. Nova York, por exemtar sua transição para a economia formal. plo, encerrou o ano com índice um pouco acima de 8%, Londres chegou perto de 10% e a Fontes: Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Prefeitura Municipal de São Paulo vizinha Buenos Aires registrou taxa de 8,5%.



São Paulo vive um processo de acomodação da antiga mão-de-obra industrial para o setor de serviços, que cresce a cada ano

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desafios

Verticalização

O planejamento necessário para crescer A intensa verticalização criou distorções que devem ser corrigidas com novo Plano Diretor, que prevê ‘micro-cidades’ autossustentáveis

dos pontos. Por outro lado, defensores de um adensamento menor alegam que a verticalização excessiva prejudica a cidade. Por isso, o valor adequado do coeficiente para as regiões de São Paulo continua em discussão. Desde a criação da lei, em 1972, diversos insprocesso de verticalização e trumentos foram utilizados para promover um adensamento da cidade de São melhor aproveitamento do espaço da cidade, Paulo teve início por volta de como as Operações Urbanas. Por meio delas, 1910, e em 1940 assumiu um as companhias pagam para poder ultrapassar caráter residencial, expandindoa restrição de construção, e os recursos são se para bairros adjacentes ao aplicados pela prefeitura em infraestrutura nos centro. Em 1972, entrou em vigor a primeira bairros, incluindo obras viárias e saneamento. lei paulistana de zoneamento, que impôs regras Em 2010, existiam quatro operações em ane limitações ao uso do solo. A regulamentação damento e outras quatro devem ser iniciadas determinou um coeficiente de aproveitamento, no decorrer do ano. número que multiplicado Muitos desses instrupela área do lote indica mentos foram oficialia quantidade máxima de Verticalização comparada zados em 2001 com a metros quadrados que Número de edifícios em cada cidade edição do Estatuto da podem ser construídos Cidade, mas a expectativa no local, somando-se é que avanços concretos as áreas de todos os sejam feitos na revisão do pavimentos. O adensaPlano Diretor da cidade, mento, no entanto, foi prevista para 2012. O obconcentrado no centro, e a maior parte do municíjetivo é que São Paulo, a pio, cerca de 86%, tinha exemplo de outras metrócoeficiente máximo igual poles, incorpore o conceiNova York Cidade do México Xangai São Paulo a 2, considerado baixo. to de criar cidades dentro Para se ter uma ideia, da cidade. Com isso, a esem Nova York ou Chicago, cidades também trutura imobiliária e urbana permitiria um adenconhecidas por sua verticalização, os coeficiensamento adequado, proporcionando mais opções tes máximos chegam a 20 nas regiões centrais. de moradia e permitindo aos habitantes reduzir Segundo especialistas, a limitação acaba não seu tempo de deslocamento. Com isso, pretendelevando em conta o potencial da infraestrutuse atacar de forma objetiva os problemas de mora das áreas ou a saturação do sistema viário, bilidade e moradia, além de reverter a degradafavorecendo uma ocupação menos racional da ção urbana e o êxodo dos moradores do centro. cidade, que comportaria índices de densidade Fontes: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, Associação Viva o Centro e Prefeitura Municipal de São Paulo e de verticalização maiores em determina-

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70

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Moradia

Organização do espaço urbano Ocupação de áreas precárias desafia o poder público a criar programas que melhorem a qualidade de vida da população

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crescimento acelerado da população e a constante expansão além de seus limites territoriais são características de metrópoles em desenvolvimento. A cidade de São Paulo viveu um período de avanço dos habitantes a partir da década de 1970 até meados dos anos 1990. Em razão de altas taxas de natalidade e de um intenso processo de imigração, principalmente da Região Nordeste do Brasil, a população da cidade praticamente duplicou em um período de 40 anos, chegando ao patamar de mais de 10 milhões de habitantes. O crescimento desordenado da cidade, principalmente na periferia, gerou áreas com alta densidade populacional, mas desprovidas www.analise.com

de infraestrutura. Agora, o município lida com o desafio de urbanizar essas áreas e levar serviços básicos, como saneamento, água e uma rede elétrica adequada.

 A estimativa de 2008 é que cerca de 12% dos domicílios localizados em São Paulo estejam em regiões denominadas como favelas, em que a infraestrutura mínima não está presente. Além da falta de condições básicas aos moradores, a situação causa problemas ambientais, principalmente no que diz respeito à contaminação de mananciais de água. É o caso da Billings, represa que produz 11% da água para abastecimento público da região metropolitana de São Paulo, atendendo cerca de 1,8 milhão de pessoas. A população que vive ao redor da bacia é de um milhão de pessoas, e a grande maioria não conta com infra-estrutura adequada de coleta e tratamento de esgotos.

 Para enfrentar esse desafio, a prefeitura implantou programas que compreendem obras de infraestrutura, como abertura de ruas e pavimentação, implantação de redes de água e de esgoto, de praças e quadras esportivas, além de acesso aos serviços e equipamentos públicos, como escola, posto de saúde e transporte público. Entre 2005 e 2008, esses programas beneficiaram quase 50 mil famílias, entre moradores de favelas e de loteamentos irregulares. No início de 2010, havia obras em andamento em 81 áreas que beneficiarão outras cerca de 60 mil famílias. Fontes: Secretaria de Habitação Municipal de São Paulo e Movimento Nossa São Paulo

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A INDÚSTRIA DA segurança

oficina de blindagem de carros na cidade de São Paulo

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Divulgação

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companhias especializadas em segurança atuam na capital

71%

dos clientes são empresários ou executivos e 67% são homens

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106 mil seguranças treinados trabalham na cidade

9 mil

carros blindados circularam por São Paulo em 2009

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Monomo/XXXXXXXX

São PAulo em Números

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desafios

Segurança

Desenvolvimento para combater a violência ção, que levam a um maior índice de punição. Os altos índices de crimes eram reflexo, em grande parte, da baixa atividade econômica, excesso de armas sem controle das autoridades e transformação abrupta do perfil demográcidade de São Paulo sofreu um fico da cidade, com duplicação da populaprocesso similar ao de Nova York ção, na última década, sem planejamento.

 nos anos de estagnação econômiAlém da retomada do ciclo de crescimento ca da década de 1980 até meados do Brasil e, principalmente, de São Paulo, oude 1990. Nesse período, o munitras medidas pontuais foram bem-sucedidas, cípio viu seus índices de violência como a Campanha Nacional do Desarmamensubirem e chegou a registrar 38 homicídios para to que retirou de circulação 500 mil armas. cada 100 mil habitantes Para alcançar esses em um ano, taxa maior resultados positivos, Homicídios em queda que a da Colômbia. foram realizados pesados Seguindo os passos da investimentos em tecnoNúmero de homicídios na cidade ao ano metrópole americana, logia. Apenas em 2008 5.500 que superou o problee 2009, o estado de São ma, São Paulo vem Paulo investiu 160 mi4.000 melhorando progressilhões de reais em mevamente nos últimos 15 didas inovadoras. Uma anos. A partir de 2000, delas é o Sistema de 2.500 o município registrou Informações Criminais -77 % uma redução de 77% (Infocrim), um banco de 1.000 no número de homicídados dos boletins de 2000 2009 dios, chegando a um ocorrência que permite patamar de 11 para caque a polícia crie mapas da 100 mil habitantes em 2009, similar ao para o patrulhamento das áreas de maior crimido México. Em todo o estado paulista, a nalidade. A outra é uma rede de 102 câmeras que queda foi de 70% no mesmo período.

 vigiam pontos problemáticos da cidade. SoluPara se ter um parâmetro, a cidade de Nova ções simples como o incremento do policiamenYork chegou a registrar mais de 2,6 mil homito comunitário, também têm sido importantes. cídios por ano e índices acima de 14 para cada As medidas tomadas e os índices indicam 100 mil habitantes na década de 1990. Hoje, que a cidade de São Paulo deve continuar a cidade está em um patamar ao redor de cinavançando. Em alguns bairros, como o de co homicídios para cada 100 mil moradores. Perdizes, na zona oeste, a média registraA melhoria da segurança foi motivada, prinda de homicídios já é igual à de Estocolmo, cipalmente, pelo avanço econômico e social na Suécia, de três por 100 mil habitantes. Fonte: Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo e pelo investimento em sistemas de fiscaliza-

Redução da violência é reflexo da retomada do crescimento econômico, além de programas como o de desarmamento

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desafios

Centro

Caminho para a recuperação O centro da cidade de São Paulo promete sofrer, na próxima década, uma completa metamorfose para melhor

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centro da cidade de São Paulo sofreu um processo de sucateamento a partir do fim dos anos 1990, do qual apenas começa a se recuperar. Nas últimas duas décadas, os escritórios e as corporações que ocupavam a região iniciaram um processo de migração para novos centros comerciais em outros pontos da cidade. As avenidas Brigadeiro Faria Lima, Engenheiro Luiz Carlos Berrini e Presidente Juscelino Kubitschek, além da própria Avenida Paulista, são alguns exemplos.

 A região central perdeu presença comercial e viu o valor de seu metro quadrado despencar. Nesse processo, os índices de criminalidade subiram e o patrimônio imobiliário foi degradado.

 A recuperação do centro é um tópico de discussão há mais de uma década.
Uma das medidas mais relevantes é o projeto Nova Luz, que prevê a revitalização de cerca de 2,3 milhões de metros quadrados. Além de criar novas opções de mo-

radia e equipamentos públicos, o projeto busca preservar o patrimônio arquitetônico existente, ao mesmo tempo em que respeita e estimula a vocação econômica da região. A Rua Santa Ifigênia, conhecida pelo comércio de aparelhos eletroeletrônicos, é um exemplo. O projeto prevê a concessão de incentivos fiscais para atrair empresas da área tecnológica para o local. O poder público tem investido na criação de aparelhos culturais no centro da cidade e já concluiu algumas intervenções, como a transformação da antiga estação de trem Júlio Prestes na Sala São Paulo – uma das salas de espetáculos mais modernas do mundo. E o prédio vizinho, a estação da Luz – exemplo da arquitetura inglesa na cidade –, foi recuperado e hoje, além das linhas de trens urbanos, abriga o Museu da Língua Portuguesa. O complexo tem, ainda, o Jardim da Luz e a Pinacoteca do Estado, centro de referência das artes plásticas na cidade. A criação do complexo da Escola de Música no bairro da Luz e a tomada da Praça Roosevelt por grupos teatrais independentes, também trouxeram nova vida à região. O polo cultural paulistano passou a pulsar na região central com vantagens logísticas, baixo valor de locação, grande concentração humana e fácil acesso. Fontes: Prefeitura Municipal de São Paulo e Associação Viva o Centro


desafios

Carga tributária

Uma reforma necessária Projeto pretende racionalizar a cobrança, simplificar a estrutura tributária e combater a sonegação e a bitributação

O

Brasil tem uma das estruturas tributárias mais complexas do mundo. Engloba 61 impostos e contribuições, além de cerca de 95 obrigações acessórias para empresas. O tratamento tributário das empresas sofre variações conforme o tamanho do negócio, a natureza das operações e a região em que se encontram instaladas.

 A carga tributária em 2009 alcançou 35% do Produto Interno Bruto (PIB), e a maior responsável por ela é a União, que cobra Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Atividade Rural, além do Imposto de Renda e contribuições federais.
 Parte da arrecadação é dividida com

estados e municípios. Mesmo assim, eles também cobram impostos. Os estados tributam o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Transportes de Longa Distância, comunicações, energia e a propriedade de veículos e máquinas. Para os municípios, cabem basicamente os impostos sobre imóveis urbanos e prestação de serviços. O país tenta encaminhar uma solução para o problema por meio de uma reforma tributária, cujo objetivo é simplificar a estrutura tributária e combater a sonegação, a bitributação e a guerra fiscal entre estados e municípios. A reforma prevê, também, a redução da tributação sobre a mão-de-obra, com a redução da contribuição das empresas à Previdência Social de 20% para 14% sobre o salário bruto. O conflito para a aprovação do projeto é grande e o debate no Congresso Nacional já dura duas décadas, mas acredita-se que o projeto em discussão possa ser votado em 2011. Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT)


desafios

Burocracia

Menos entraves ao crescimento Órgãos vêm adotando a informatização e a simplificação de modo a reduzir prazos e eliminar etapas de processos burocráticos

na e em desenvolvimento, como a Rússia. Nos últimos dois anos, a Prefeitura Municipal de São Paulo adotou medidas para tornar mais rápida a regularização de empresas. Desde 2008, é possível obter pela internet a licença de funcionamento para negócios como farmácias, brir uma empresa no Brasil é lanchonetes ou cabeleireiros que estejam instaum processo lento e complexo. lados em edifícios com menos de cinco anos. Em 2009, a média nacional foi No âmbito nacional, também houve avanços. de 20 dias. Na cidade de São Nas relações trabalhistas, o principal até o moPaulo, o prazo varia de 25 a 30 mento foi introduzido em 2010: os contratos dias. Comparando com países de trabalho temporários já podem ser renocomo Estados Unidos, média de quatro dias, vados por até seis meses e pela internet. Até ou Austrália, onde é possível abrir uma empreentão, a renovação poderia demorar 45 dias. sa em um dia, a demora e o excesso de regras Outro alvo é a burocracia alfandegária. O goainda constituem um desafio importante. verno federal pretende A demora no procesinformatizar e integrar toso se deve, em grande das as operações portuáparte, ao fato de que é Peso da burocracia rias do país, de forma que necessário se cadastrar Média de dias para abrir uma empresa as liberações de carga e enviar informações a sejam feitas eletronicaórgãos federais, estaduais mente. O primeiro porto e municipais. Os estados, a ser totalmente integrado responsáveis por iniciar será o de Santos, o maior o processo, também condo Brasil, e a expectativa tribuem para a demora. Cada um dos estados é que até o fim de 2010 conta com sua própria o sistema seja disponilegislação, o que dificulta bilizado para todos os Rússia Chile Brasil EUA Austrália padronizar os processos portos públicos do país. e trocar informações. A burocracia também Apesar da burocracia ainda ser considerável, afeta o sistema judiciário. A cobrança de dívidas a situação vem melhorando de forma consispor via judicial pode demorar três anos ou mais, tente. Em 2005, o tempo médio para se abrir o que encarece as operações em até 20%, como uma empresa era de 152 dias, segundo dados forma de proteção contra a inadimplência. Nesse do Banco Mundial, cinco vezes mais do que âmbito, a implementação gradativa do processo o prazo máximo na cidade de São Paulo em eletrônico nos próximos anos – o fim do uso do 2009. Além disso, São Paulo já mantém nípapel nos trâmites processuais – deve fazer cair veis bem abaixo da média mundial, que é de pela metade o prazo para uma ação transitar. 57 dias, e de outros países da América LatiFontes: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
e Banco Mundial

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desafios

Propriedade intelectual

Esforços contra a pirataria São Paulo investe em fiscalização e educação para combater a pirataria e o uso indevido de propriedade intelectual



em 2008 não são originais nem licenciados. Trata-se de um índice ainda elevado se comparado à média mundial, de 41%, mas bem abaixo de outros países do Bric, nos quais o menor índice é de 68%, podendo superar os 80%.

 ois fatores fragilizam a defeOs altos índices de pirataria vêm sendo comsa da propriedade intelectual batidos no país e na cidade de São Paulo. Em no Brasil e na cidade de São 2008, o Brasil registrou a apreensão de 1,6 miPaulo: o consumo de produtos lhão de CDs com softwares piratas, um aumento piratas e a decisão do goverde 5% na comparação com 2007. Em 2009, no federal de quebrar patentes com a fiscalização intensificada, a apreensão de medicamentos para barateá-los no país. recuou para 1,1 milhão de unidades, indicando A quebra de patentes é uma questão circunsretração do mercado ilegal. O uso de software crita à indústria farmacêutica em circunstâncias de forma ilegal também caiu. Em 2005, o índiespecíficas do combate à aids. Embora o prece era de 64%, 6 pontos percentuais acima do cedente esteja aberto, registrado em 2008. trata-se de um gesto O Brasil não é um isolado, que não conta país produtor, mas conSoftware ilegal com apoio do setor prisumidor de produtos Uso de programas piratas em 2008 vado e que dificilmente piratas. Por isso, a Reterá dimensão maior do ceita Federal e órgãos % que a que já adquiriu. federais, desde 2004, % % Já o consumo de provêm intensificando a % dutos pirateados, uma % fiscalização em portos, tendência mundial, é aeroportos e fronteiras. acentuado no Brasil A prefeitura de São pela renda limitada do Paulo aderiu, em 2009, brasileiro perante as ao programa de combate China Índia Rússia Brasil Mundo economias desenvolvià pirataria realizado pelo das. Estimativas indiMinistério da Justiça. cam que a pirataria movimenta ao redor de 500 Além de reprimir o comércio ilegal, o programa bilhões de dólares por ano em todo o mundo.

 visa também a educar a população e criar incenNo Brasil, segundo dados do Ministério da tivos econômicos para o fomento de mercadorias Justiça, o valor está em torno de 38 bilhões de legalizadas. A expectativa do Ministério é de que dólares anuais (65 bilhões de reais). Apenas a o programa colabore para modernizar a legislacidade de São Paulo estima suas perdas ao ano ção do setor, incluindo uma tipificação mais riem mais de 30 bilhões de reais com a pirataria. gorosa para crimes de falsificação e contrabando. Na área de software, por exemplo, 58% dos Fontes: Associação Brasileira de Empresas de Software (Abes), Business Software programas de computador instalados no país Alliance (BSA), International Data Corporation (IDC) e Ministério da Justiça

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desafios

Gestão ambiental

Saneamento e reciclagem O gerenciamento da água e a ampliação do reaproveitamento de resíduos serão o foco da cidade na próxima década

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maior desafio da gestão ambiental em São Paulo é um tema que preocupa o mundo: a preservação dos recursos hídricos. Proteger mananciais, evitar o assoreamento e despoluir seus principais rios são os pontos principais dessa tarefa.

 O problema mais complexo é a recuperação dos rios Tietê e Pinheiros e da Represa Billings, um dos mananciais mais importantes para a cidade. Desde 1992, vem sendo implementado um programa para reduzir o descarte de esgoto doméstico e dos resíduos de 1.250 indústrias localizadas na área da bacia do Tietê, na região metropolitana. Paralelamente, foi introduzido um plano de controle da poluição industrial. Até 2000, praticamente a totalidade das indústrias já havia adotado os sistemas de controle exigidos. As obras consumiram 2,5 bilhões de dólares nos últimos 25 anos.

 Os resultados mostram que as medidas to-

madas até o momento estão no caminho certo. Desde 1995, a capacidade de coleta do esgoto na bacia do rio na região metropolitana subiu de 66% para 84%. O tratamento do esgoto avançou de 24% para 70%.
 Como em toda metrópole, a qualidade do ar na cidade também é insatisfatória, principalmente devido à grande frota de veículos. A prefeitura também criou um programa de inspeção veicular que envolve todos os tipos de veículos. Em 2010, a expectativa é que perto de quatro milhões de veículos sejam vistoriados.
 Uma meta importante para a próxima década é a ampliação da coleta seletiva e reciclagem de resíduos na cidade. Em 2009, a coleta seletiva ainda era limitada a apenas 1% do lixo produzido. Ao todo, 7% do lixo passível de reciclagem era coletado, ante 50% no Japão e 11% nos Estados Unidos. A prefeitura está investindo em novas estações de reciclagem e pretende chegar a 61 ao fim de 2010, com um total de 400 toneladas recicladas ao dia, ampliando a coleta seletiva para cerca de 2,3% do lixo produzido. Fontes: Cetesb, Sabesp, Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente


JONNE RORIZ/AE

Cidades

emergentes


Detalhe do interior do Auditório Ibirapuera, localizado no parque de mesmo nome, na zona sul da cidade, abriga um instituto que mantém a Escola do Auditório, com o objetivo de revelar e apoiar novos talentos

Confira, nas próximas páginas, quais as principais cidades emergentes do mundo e suas vocações

O que é uma economia emergente e onde estão as maiores do mundo A vocação econômica e o tamanho dessas cidades em desenvolvimento Os próximos países que vão despontar no cenário econômico global


Ho New/Reuters

saúde CIDADES CIDADESEMERGENTES EMERGENTES

A margem do Rio Huang Pu (foto) abriga o novo distrito financeiro de Xangai, China; em São Paulo, a Av. Faria Lima reúne os mais sofisticados edifícios comerciais, onde o preço do metro quadrado chega a 80 dólares

as CAPITAIS DO DESENVOLVIMENTO As grandes metrópoles são os centros agregadores de decisões e negócios que moldam as economias dos países emergentes 82

São Paulo OUTLOOK

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CIDADES EMERGENTES

A

relevância das economias emergentes no cenário econômico global atingiu um novo patamar na década de 2000. Os países que exibem características como mão-de-obra em grande quantidade e em processo de qualificação, níveis de produção e exportação em crescimento, Produto Interno Bruto (PIB) em franca expansão e acelerado processo de diminuição das desigualdades sociais já são responsáveis por mais da metade da riqueza gerada do mundo. O termo emergente, cunhado por analistadas do Banco Mundial na década de 1980, transformou-se em um rótulo utilizado para descrever uma série de grupos econômicos. Entre eles estão o Bric – formado por Brasil, Rússia, Índia e China –; a região do Leste Europeu, incluindo Polônia e Turquia, entre outros; países da América Latina que ganharam importância na última década, como México, Chile e Colômbia; além de algumas nações africanas, do Oriente Médio e Sudeste Asiático. A influência desses países nas tendências do mercado nas próximas décadas deve alterar o mapa do poder econômico mundial. Um indicativo recente se deu em abril de 2010, quando o Banco Mundial anunciou que pretende mudar sua estrutura decisória para dar mais poder aos emergentes que, mesmo com pouco mais de 50%

do PIB global, detêm apenas 44% dos votos na instituição.

As cidades O peso do PIB dos países em desenvolvimento é impressionante, e são as metrópoles e grandes cidades que moldam o avanço econômico dessas nações. Elas concentram pessoas em quantidade e em qualificação, centros de decisões e, por conseguinte, os maiores negócios. O motor do crescimento global dos emergentes está em suas cidades, locais que interligam os mercados no mundo inteiro. Os dados apresentados nas próximas páginas buscam salientar essas características e apontar onde estão a relevância econômica e populacional e as vocações de algumas das principais cidades nessas condições.

Nesse mapa de metrópoles emergentes não estão apenas retratadas cidades estritamente localizadas em países em desenvolvimento, mas em locais identificados como de rápido crescimento e que mantêm alguma competição por investimentos dentro desse perfil. Na comparação com São Paulo, por exemplo, a cidade americana de Miami é um oponente no quesito atração de sedes de multinacionais com operações na América Latina. Em relação a Dublin, na Irlanda, é possível identificar oportunidades semelhantes no mercado de tecnologia da informação

PIB do Brasil e mundo desenvolvido 7 6 5 4 3 2 1 0 -1 -2

Crescimento percentual sazonalizado do PIB em cada ano

Brasil

6% 4 2 0

EUA

Inglaterra

2000

Japão

União Europeia

2008 www.analise.com

(TI) e desenvolvimento de software. Essas cidades são as que devem atrair mais investimentos, exercer mais influência e ser o centro das novas ideias e tendências do mercado nas próximas décadas. O avanço é claro. Um estudo elaborado pela operadora de cartões de crédito MasterCard aponta que Xangai já está entre as 25 cidades que mais influenciam a economia global. A cidade saltou oito posições no ranking de 2008 – o maior ganho entre todas as metrópoles analisadas na lista que é liderada por Londres. A pesquisa também mostra que Los Angeles ficou fora das dez primeiras cidades no ranking, restando apenas as cidades de Nova York e Chicago para representar a América do Norte nesse grupo, também um indicador da mudança dos centros de influência mundiais.


Os próximos da lista 
Ao lado do bloco Bric, outros grupos de países emergentes já começam a despontar como os próximos a tomar a liderança no crescimento de geração de riqueza. Entre as regiões mais cotadas para ocupar o lugar de países como China e Índia – que mantiveram níveis de crescimento do PIB ao redor de 8% ao ano durante a primeira década dos anos 2000 e impulsionaram a economia mundial – estão economias como México, Coreia do Sul, Turquia, Polônia, Indonésia, Arábia Saudita, Taiwan, Irã, Argentina e Tailândia. Esses dez países tinham, em conjunto, um PIB de 5,6 trilhões de dólares em 2008, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). O valor é maior que o PIB do Japão ou China, e equivale à terceira economia do Unidos planeta, atrás da Estados União Europeia e Estados Unidos. Inglaterra A perspectiva não é uma ameaça aos países do Bric, mas um indicador Japãomais equilibrado do de um ambiente ponto de vista da distribuição União Europeiade capital. A expectativa é que essa tendência fortaleça asBrasil relações entre países em desenvolvimento, o chamado comércio Sul-Sul, criando novos caminhos para o avanço da economia, que não necessariamente precisem de um elo com as nações desenvolvidas.  0

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cidades emergentes O tamanho e a vocação das 15 entre as principais cidades emergentes no mundo

IR L AND A Dublin

1,1 mi $ US$ 61 bi Serviços de TI Serviços financeiros Indústria farmacêutica Mão-de-obra qualificada

ESTA D OS UNID O S

Miami

M É X I CO Cidade do México

8,8 mi $ US$ 390 bi Indústria automotiva Indústria de eletrodomésticos Comércio exterior Turismo de lazer

2,4 mi $ US$ 292 bi Serviços financeiros Mercado imobiliário Comércio exterior Centro voltado para a América Latina

COLÔM B IA Bogotá

7,4 mi $ US$ 100 bi Turismo de lazer Construção civil Centro educacional Comércio exterior

B R AS I L

São Paulo

C H ILE Santiago

5 mi $ US$ 120 bi Serviços financeiros Comércio exterior Concentra sedes de multinacionais Alta qualidade de vida

Buenos Aires

ARGENTIN A

11 mi $ US$ 320 bi Serviços financeiros Serviços jurídicos Turismo de negócios Centro de inteligência da América Latina

3 mi $ US$ 362 bi Setor imobiliário Construção civil Serviços culturais Turismo de lazer


10,6 mi $ US$ 321 bi Serviços financeiros Mercado imobiliário Serviços em energia Centro educacional

12,6 mi $ US$ 166 bi Mercado imobiliário Centro industrial Centro de logística Centro cultural e político da China

LEGENDA População $

PIB

R ÚSSIA Moscou

9,6 mi $ US$ 291 bi Indústria automotiva Indústria eletroeletrônica Capital intelectual Mão-de-obra qualificada

Pequim Seul

CO R EI A DO S U L

C HIN A Xangai

ÍND IA

16,4 mi $ US$ 233 bi Serviços financeiros Comércio exterior Centro de inteligência da China Maior cidade do mundo

Mumbai Bangalore

13,8 mi $ US$ 209 bi Serviços financeiros Indústria de entretenimento Serviços de saúde Segunda maior cidade do mundo

Cingapura

5,6 mi $ US$ 215 bi Mercado de capitais Comércio exterior Turismo de lazer Alta qualidade de vida

5,4 mi $ US$ 69 bi Serviços de TI e software Serviços de telecomunicação Centro educacional Serviços de engenharia Joanesburgo

ÁFRICA D O S UL

3,9 mi $ US$ 110 bi Indústria de base Serviços financeiros Turismo de lazer Exploração mineral

Fontes: As informações de Produto Interno Bruto (PIB) e das populações são dados oficiais dos governos dos locais analisados. Os setores das economias foram pesquisados em estudos, tais como Cities of Opportunity, da PriceWaterhouseCoopers de 2010; City Development Strategies da UN-Habitat, United Nations Development Programme (UNDP)


Financeiro Confira, nas prรณximas pรกginas, o que Sรฃo Paulo tem a oferecer no setor de serviรงos financeiros e bancรกrios


Em sua estreia na Bovespa, em 30 de novembro de 2007, as ações da BM&F tiveram valorização de 25%, superando as estimativas iniciais; esse IPO levantou 6 bilhões de reais e levou a bolsa a bater recorde de negociações

A relevância da BM&FBovespa e suas expectativas

Os principais bancos nacionais e estrangeiros instalados em São Paulo

EDUARDO NICOLAU/AE

O crescimento do setor de private equity na cidade de São Paulo


Paulo Whitaker/REUTERS

mercado saúde mercadofinanceiro financeiro

A BM&FBovespa realizou a maior oferta pública inicial de ações de sua história ao movimentar, em outubro de 2009, mais de oito bilhões de dólares para 600 milhões de ações ofertadas pelo Santander Brasil

POTÊNCIA financeira São Paulo já é um centro financeiro de porte global e deve liderar o crescimento no setor na próxima década

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São Paulo OUTLOOK

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cidade de São Paulo é uma potência financeira, sedia a BM&FBovespa, entre as cinco maiores bolsas do mundo, a segunda maior das Américas e líder na América Latina. Mesmo sob os efeitos da crise econômica internacional, os bancos de investimento atuando no país – que incluem os principais nomes internacionais, como J. P. Morgan, Morgan Stanley, Merrill Lynch e Credit Suisse – continuaram crescendo nos últimos anos e preveem que São Paulo seja um de seus principais mercados de expansão na próxima década.
 Entre os bancos de varejo, as previsões também são otimistas. O avanço econômico do Brasil criou um novo www.analise.com


mercado financeiro

mercado consumidor de serviços bancários, que tende a continuar crescendo. Os principais bancos do país acompanham o movimento com novos investimentos, na esteira de uma série de fusões e aquisições que consolidaram o setor nos últimos anos.

Mercado de capitais e a BM&FBovespa A BM&FBovespa lista empresas e fundos, negocia ações, títulos e contratos derivativos. A sua estrutura a posiciona entre as cinco maiores, e a expectativa é que ela se torne a segunda maior bolsa do mundo até 2012. Ficará atrás apenas da americana CME Group, a maior e mais diversificada de todas as bolsas de valores.
 Ao fim de março de 2010, 469 empresas eram listadas na Bolsa de São Paulo. Destas, 159 companhias integravam os níveis diferenciados de governança corporativa, que atendem aos mais rigorosos critérios de transparência nas informações aos acionistas. Juntas, essas empresas responderam por mais de 75% dos negócios realizados à vista no primeiro trimestre de 2010, representaram 71% do volume financeiro de 127 bilhões de reais no período, e quase 68% do valor de mercado da bolsa.
 Em 2009, o valor de mercado da BM&FBovespa alcançou 2,3 trilhões de reais, tendo por base as 385 empresas negociadas – 64% acima do 1,4 trilhão de reais representados pelas 393 companhias listadas no ano anterior. Apesar da falta de liquidez mundial, a bolsa paulista realizou a maior oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua história e que bateu o recorde mundial entre todas as bolsas ao movimentar, em outubro, 14 bilhões de reais (mais de oito bilhões de dólares) para um total de 600 milhões de ações ofertadas pelo Santander Brasil. Antes do banco espanhol, a marca pertencia à China State Construction Engineering, que obteve 7,35 bilhões de dólares.
 A BM&FBovespa também bateu seus próprios recordes em volume de negócios, com 81,75 milhões de reais. www.analise.com

O saldo dos investimentos estrangeiros chegou a 26 bilhões de dólares, em 2009. Também foram os investidores estrangeiros os responsáveis por 66% dos 46 bilhões de reais captados por 24 empresas, somados seis IPOs e 18 follow-ons, realizados em 2009. Entre 2005 e 2009, 115 empresas abriram o capital na bolsa paulista. Até meados de abril de 2010, seis novas empresas buscaram se capitalizar por meio do mercado de capitais. O número de companhias listadas na BM&FBovespa tende a aumentar rapidamente, contribuindo para reforçar a posição de São Paulo como polo regional do mercado financeiro e de capitais. Até meados deste ano, a bolsa brasileira deve ampliar consideravelmente a negociação de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) – de grandes empresas americanas, que serão trazidos por instituições financeiras.


A BM&FBovespa, em 2009, bateu seu recorde de negócios: 82 milhões de transações Com a iniciativa, é possível que um número maior de empresas brasileiras, que ainda hoje procuram a New York Stock Exchange (Nyse), para, por meio de American Depositary Receipts (ADRs) obter maior liquidez e visibilidade aos olhos dos investidores estrangeiros, passe a concentrar seus negócios no Brasil. São 34 as empresas brasileiras que negociam ADRs níveis 2 e 3, que têm de atender às exigências da rigorosa Sarbanes-Oxley, a lei societária americana. Desse time fazem parte gigantes como Petrobras, Vale, Itaú Unibanco e Santander Brasil, responsáveis pela movimentação de valores que perdem apenas para as empresas americanas negociadas no pregão nova-iorquino.
 Em fevereiro deste ano, a BM&FBovespa ampliou sua parceria com a CME Group, a maior bolsa do mundo. A parceria prevê o desenvol-

Fusões e aquisições Bancos por operações no 1º tri de 2010 rk Banco e sede

Total US$ bi

1º BTG (RJ)

8

10,8

2º J. P. Morgan (SP)

6

8,0

3º Deutsche Bank (SP)

4

6,6

4º Credit Suisse (SP)

5

6,0

5º Morgan Stanley (SP)

7

5,8

6º Santander (SP)

7

5,0

7º Bradesco (SP)

6

4,5

8º Estáter (SP)

3

4,2

9º Bank of America

2

1,7

1

0,8

10º Citibank (SP)

vimento de uma nova plataforma eletrônica de negociação para integrar todos os segmentos operados pela bolsa até o fim de 2011. A partir do segundo semestre de 2010, está previsto o início do funcionamento de uma nova plataforma para distribuição internacional dos preços dos ativos negociados na bolsa brasileira, resultado de parceria feita com a Nasdaq OMX. Além disso, a bolsa paulista fechou um acordo com a Bolsa do Chile, por meio do qual desenvolverá uma rede de conectividade. Acordos semelhantes estão em curso com as bolsas da Colômbia, Peru, México e Argentina.

Home Broker e financiamento Ao mesmo tempo em que trabalha para alargar suas fronteiras além dos limites do Brasil, a BM&FBovespa também quer ampliar, de modo ambicioso, a participação dos investidores individuais no total de seus negócios. Faz parte de seus projetos, por exemplo, ampliar dos atuais 558 mil para cinco milhões as contas de pessoas físicas que transacionam com a instituição até 2015. Em 2009, o volume total negociado no Home Broker foi de 468 bilhões de

São Paulo OUTLOOK

89


mercado financeiro

reais, enquanto o volume médio mensal aumentou de 27,5 bilhões de reais para 39 bilhões reais. A média mensal de negócios subiu de 2,9 milhões de reais em 2008 para 4,1 milhões de reais. Vale ressaltar que o desenvolvimento do mercado de capitais entre os brasileiros também está balizado pela existência de marcos regulatórios claros e de uma sólida regulamentação, já conhecida entre investidores, institucionais e estrangeiros. A expansão significativa dos negócios por meio de Home Broker é um indício importante de que a busca por esse mercado tende a se intensificar, tanto em razão do aumento do número de investidores, como pelas empresas, que se mostram mais propensas a recorrer à bolsa como instrumento de financiamento. Nesse sentido, a realiza-

ção da Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, dois anos depois, no país, devem exercer forte impacto sobre a economia brasileira e, consequentemente, sobre o mercado de capitais. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) estima que, até o ano de 2014, os investimentos necessários em transporte urbano, portos, aeroportos, energia elétrica, comunicação, saneamento, segurança, saúde e hotelaria serão de 110 bilhões de reais. Há, também, os investimentos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal: para a área de infraestrutura são calculados em 583 bilhões de reais, nos próximos cinco anos. Somadas as cifras, chegase perto de 350 bilhões de dólares (em torno de 650 bilhões de reais).

Crescimento acelerado entre bancos de investimento A presença de bancos de investimento em São Paulo corresponde ao seu peso econômico e financeiro no Brasil. Têm sede na cidade dez das 16 instituições atuantes no país, entre elas todos os grupos internacionais, como os americanos J. P. Morgan, Morgan Stanley, Merrill Lynch e Goldman Sachs, o suíço Credit Suisse, o inglês Rothschild, o alemão Deutsche Bank e o espanhol Santander. Essa poderosa indústria disputa um mercado concorrido, que, neste ano, deve movimentar 1,3 bilhão de dólares na prestação de serviços de assessoria às operações de fusão e aquisição de empresas e à emissão pública de ações. Esse valor é 30% superior ao registrado em 2009.


Werther Santana/AE

Consumidora observa produto em loja de eletroeletrônicos: aumento da participação no total da população da classe C contribuiu para que as vendas no comércio varejista superassem as expectativas do mercado

A

São Paulo OUTLOOK

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mercado financeiro

A estabilidade econômica e a credencial de grau de investimento concedida pelas três maiores agências de risco – Standard & Poor’s, Fitch e Moody’s – têm acirrado a competição entre os bancos de investimento no Brasil. Os atores, inclusive os estrangeiros, estão fortalecendo suas operações, disputando profissionais e, em alguns casos, ampliando suas instalações físicas com o objetivo de aumentar sua participação no mercado paulistano.
 O Morgan Stanley, por exemplo, vem aumentando seu quadro de especialistas desde 2008. O Goldman Sachs segue o mesmo caminho, e atribui a toda a equipe a missão de dobrar a operação no Brasil até 2013. O J. P. Morgan dobrou sua participação no mercado em 2009 e está ampliando suas instalações físicas na Avenida Faria Lima. O Santander, além da emissão dos próprios papéis, os da Visanet – empresa de meios de pagamentos eletrônicos rebatizada como Cielo, da qual é um dos acionistas –, participou de outras dez emissões de ações na BM&FBovespa em 2009.
 O vigor é compreensível. Apenas no primeiro bimestre deste ano, houve 98 operações de fusão e aquisição, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers. Os negócios foram liderados por grupos nacionais (70%), sendo 49% aquisições de controle. Para 2010, a consultoria estima que o Bra-

sil poderá ultrapassar as 721 operações realizadas em 2007, ano em que se verificou o maior volume de negócios registrado desde 2002, quando a empresa começou a pesquisa.

Bancos de investimento estão fortalecendo suas operações no Brasil Outros setores também se destacaram no início deste ano. O de açúcar e álcool, por exemplo, está em pleno processo de consolidação e atraindo investidores nacionais e estrangeiros. Uma operação de destaque no segmento foi a joint-venture entre a holandesa Shell e a brasileira Cosan, que alcançou aproximadamente 12 bilhões de dólares. No setor financeiro, destacaram-se a aquisição de 25 corretoras de seguros por parte da Gulf Capital Partners e algumas parcerias, como a realizada entre o Banco do Brasil e a Bradesco Seguros.

Private Equity avança no Brasil A indústria de fundos de participações em empresas foi abalada em todos os países emergentes em 2009. Encolheu no Oriente Médio e Norte da África (84%), na Europa Central e Les-

te Europeu (71%), na Ásia (60%) e na América Latina e Caribe (50%), segundo dados da Emerging Markets Private Equity Association (Empea). No Brasil, contudo, os fundos de private equity tiveram excelente desempenho.
 Em 2009, esses fundos investiram 34 bilhões de dólares – cinco vezes mais que os seis bilhões de dólares registrados em 2004. Com isso, sua participação saltou de 1% para 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no intervalo de cinco anos e registrou um incremento de 26% sobre o ano anterior. Apesar do expressivo avanço em tão curto espaço de tempo, o Brasil ainda está abaixo das médias internacionais do setor, equivalentes a 3,5% do PIB.
 Segundo a Empea, o Brasil atrairá mais investidores do que qualquer outro país emergente nos próximos dois anos, e a expectativa é que o país alcance o patamar de 3,5% do PIB até 2014, quando as gestoras de private equity esperam ter 70 bilhões de dólares para investir em empresas brasileiras.

Gerenciamento de fortunas O Brasil tem 131 mil milionários, segundo dados do banco de investimento Merrill Lynch relativos a 2008. Apenas nas contas do Bradesco, um dos maiores bancos nacionais, o número registrado no início de 2010 era de 200 mil. Nesse nicho, o Brasil está no centro da atenção dos bancos por

Mercado financeiro paulistano Concentração bancária

Acima da média

Bolsa em casa

Participação de sedes de bancos no país

Valorização nominal em 2009

Volume médio do home broker por ano

61%

São Paulo

83%

38 R$ mi

26

44% 23% 22% 39%

Demais cidades brasileiras

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Ibovespa

Nasdaq

1.850%

19%

S&P 500 FTSE 100 Dow Jones

14

2000

2009

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Keiny Andrade/AE

mercado financeiro

O varejo bancário registra um total de 81 milhões de contas correntes, detidas por cerca de 40 milhões de pessoas físicas que a cada dia utilizam mais os meios de pagamento eletrônico, como os cartões de débito conta de um cenário virtuoso, em que contracenam processos de abertura de capital, um ambiente de taxa de juros mais baixa, o aumento de fusões e aquisições e a proliferação e o crescimento de médias empresas.
 Em 2010, a expectativa é que o private banking no Brasil cresça ao menos 15%, o que é extremamente atrativo para um setor que viu a rentabilidade de gestão de fortunas cair significativamente em 2008 e 2009, com a fuga dos investidores para ativos mais seguros. Agora, quase todos os grandes bancos estão revendo suas estratégias e fortalecendo equipes para crescer e disputar a liderança desse mercado, hoje encabeçado pelo Itaú Unibanco, que administra 110 bilhões de reais e planeja encerrar 2010 com crescimento de 22,5%.
 As perspectivas de crescimento têm feito com que estrangeiros, como os

92

São Paulo OUTLOOK

americanos Bank of America, Merrill Lynch, J. P. Morgan, Morgan Stanley, BNY Mellon e Royal Bank of Canada, reforcem ou criem essa área por aqui.

Fusões impulsionam os grandes bancos Centro financeiro do Brasil, São Paulo exibe números superlativos no setor bancário. A capital paulista concentra 54% dos bancos atuantes no país, abriga 61% dos 139 bancos múltiplos e 66% dos 18 bancos comerciais. Além de bancos de investimento estrangeiros, a cidade é ainda endereço das instituições de financiamento de montadoras de veículos, como das americanas General Motors e Ford; das alemãs Volkswagen e Mercedes-Bens; e das japonesas Toyota e Honda. O município agrupa 36% das 2,5 mil agências bancárias do estado – o mais rico da

federação – e quase 21% de todas as 120 mil existentes no Brasil.
 Por causa dessas características, São Paulo foi palco de negócios recentes que consolidaram o setor. Com a compra do banco ABN-Amro pelo Santander, na Holanda, o banco espanhol se fundiu no Brasil, com o Banco Real, que era do ABN-Amro. A operação foi em outubro de 2007. Depois vieram as operações que uniram as instituições públicas Banco do Brasil e Nossa Caixa, e os bancos privados Itaú e Unibanco. Enquanto dão curso à integração das instituições adquiridas, Banco do Brasil, Itaú e Santander tratam de ganhar musculatura para atender consumidores e empresas por meio da ampliação das respectivas redes de agências, pontos de atendimento eletrônico, além de reestruturar, ampliar e especializar suas equipes encarrewww.analise.com


mercado financeiro

gadas de atender, especialmente, o universo de empresas que compõem o chamado middle market.
 Foi a primeira tacada do maior banco brasileiro para, a partir de julho, segundo as próprias previsões, começar a brigar em condições de igualdade pelo público de altíssima renda com Bradesco e Itaú, há tempos, fortemente presentes em São Paulo. Entre outras iniciativas, a instituição já desenhou novos produtos, ampliou contratos com escritórios de advocacia e quer usar as sinergias com outras áreas, especialmente as de atacado e de mercado de capitais, para atrair clientes situados no topo da pirâmide socioeconômica. E também vem investindo em seu processo de internacionalização, com a recente compra do Banco da Patagonia, na Argentina.
 Para 2010, o Santander projeta mais 180 novas agências em território nacional, das quais 60 na cidade de São Paulo. O Itaú planeja 150 novos endereços no Brasil, e o Bradesco tenciona ampliar sua rede com 250 novas agências. Na mesma linha se comporta o HSBC, sexto maior no Brasil. Sua rede crescerá em 130 unidades, principalmente nas capitais do Sudeste do país, onde o banco é mais forte.

Crescimento econômico e a classe C O mercado de varejo bancário brasileiro registra um total de 81 milhões de contas correntes, detidas por cerca de 40 milhões de pessoas físicas, segundo estimativa da PricewaterhouseCoopers, o equivalente a aproximadamente 40% da população economicamente ativa do país, de 99,5 milhões de pessoas.
 O crescimento econômico dos últimos anos tem introduzido no mercado um novo tipo de consumidor. A classe C, em 2009, ampliou sua participação no total da população brasileira de 45% para 49% – ou quase 93 milhões de pessoas –, e tornou-se o principal mercado de novos usuários de serviços bancários. A estimativa é que, nos últimos cinco anos, esse estrato tenha ganhawww.analise.com

do 30 milhões de consumidores, dos quais oito milhões se somaram ao grupo entre 2008 e 2009. Essa parcela da população sofreu menos com a crise financeira iniciada em 2008. Teve sua renda elevada e contribuiu para que as vendas no comércio varejista, bem como os negócios com veículos, peças e material de construção superassem a expectativa do mercado e continuassem alimentando a produção industrial. 


A classe C tornou-se o principal mercado de novos usuários de serviços bancários Com as perspectivas de crescimento da economia brasileira, a tendência é de que os novos consumidores da classe C continuem a crescer em todo o país, e principalmente em São Paulo, cidade que oferece maiores oportunidades à mobilidade social. Para 2010,

o Instituto de Finanças Internacionais (IFF) estima que o Brasil crescerá 5,4%, índice superior aos 4,8% que prevê para a América Latina. Em meados de abril, pesquisa realizada pelo Banco Central do Brasil (BC) entre as 100 maiores instituições financeiras do país, apontou expectativa de expansão de 5,6% da economia brasileira. Já a pesquisa divulgada pelo J. P. Morgan é ainda mais otimista. Indicou que, a depender do comportamento da taxa básica de juros e do controle de gastos pelo governo brasileiro, o crescimento poderá chegar a 7% em 2010.
 O avanço também deve ampliar a disponibilidade de crédito no mercado, que impulsionará ainda mais esses consumidores. O BC prevê que o total de crédito a ser concedido pelo sistema financeiro no país deverá aumentar 20% na comparação com 2009. A estimativa está em linha com aquela preconizada pelas instituições financeiras que, em média, indicam aumento ao redor de 20% a 25% para pessoas física e jurídica.  0

COMO FUNCIONA

A

regulação e supervisão do sistema financeiro brasileiro se dá por intermédio de três órgãos normativos: o Conselho Monetário Nacional (CMN), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC). Eles atuam no mercado por meio do Banco Central (BC), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a Secretaria de Previdência Complementar (SPC).

O BC, ligado ao CMN, supervisiona instituições financeiras captadoras de depósitos à vista, bancos de câmbio e demais instituições

financeiras e outros administradores de recursos de terceiros A CVM, também ligada ao CMN, fiscaliza a operação das bolsas de mercadorias e futuros e das bolsas de valores

● A Susep, braço supervisor do CNSP, supervisiona o IRB - Brasil Resseguros, as sociedades seguradoras, as sociedades de capitalização e as entidades abertas de previdência complementar

● A SPC, vinculada ao CGPC, fiscaliza entidades fechadas de previdência complementar, chamadas de fundos de pensão

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CENTRO DE NEGÓCIOS

Painel de cotações da BM&FBovespa, sediada em São Paulo

A

São Paulo OUTLOOK

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Ricardo Lisboa/AE

São PAulo em Números

R$

2,3 tri

foi o valor de mercado da BM&FBovespa no fim de 2009

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R$

1,3 tri

foi o movimento total de ações negociadas na bolsa no ano

83%

foi a valorização do índice geral da bolsa, o Ibovespa, em 2009

42%

foi o avanço do volume negociado no home broker em 2009

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A


Imobiliário Confira, nas próximas páginas, o que o mercado imobiliário paulistano e suas empresas têm a oferecer


Vista da Avenida Paulista, na região central de São Paulo, que é um dos símbolos da cidade e ponto obrigatório de visita para os turistas: além da vocação econômica, oferece rica variedade de programas culturais

As oportunidades para quem procura se instalar em São Paulo

O preço do metro quadrado cobrado por escritórios bem localizados

KEINY ANDRADE/AE

O posicionamento do setor imobiliário na crise econômica mundial


ANTôNIO MILENA/AE

mercado saúde mercadoimobiliário imobiliário

A região da Avenida Faria Lima concentra os maiores e mais sofisticados edifícios corporativos da cidade e recentemente passou a abrigar as sedes dos bancos de investimento e de outras empresas financeiras

RENTABILIDADE EM ALTA O mercado imobiliário de São Paulo cresceu com solidez nos últimos anos, abrindo oportunidades para investimentos e opções para quem quer se instalar na cidade 98

São Paulo OUTLOOK

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mercado imobiliário

O

mercado imobiliário paulistano vem dando uma significativa demonstração de solidez desde 2008, quando, apesar da crise econômica que derrubou preços em todo o mundo, continuou crescendo. Entre as capitais dos países do Bric, foi a única em que os preços de aluguéis de imóveis comerciais continuaram a crescer. Em 2009, a cidade já mostrou uma forte recuperação e voltou a registrar o número de lançamentos residenciais e comerciais de dois anos antes.
 No campo do crédito imobiliário, o resultado foi ainda mais impressionante. O principal banco público responsável por empréstimos nesse nicho duplicou seu volume de concessões em 2009, em relação ao ano anterior, e quase dez vezes na comparação com o montante de 2003. Medidas adotadas pelo governo federal – entre elas, a redução de impostos sobre material de construção e o lançamento de programas de habitação popular – também ajudaram no fortalecimento do setor.

abrigar empreendimentos com lajes de 800 metros quadrados, como exigem os escritórios de alto padrão. Em 2009, o preço médio do metro quadrado de área útil dos lançamentos ficou em 3,7 mil dólares, mais de 60% superior se comparado aos 2,1 mil dólares cobrados em 2005, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O 4º mercado mais rentável das Américas São Paulo não precisou reduzir os preços de imóveis e de aluguel para passar praticamente incólume pela crise imobiliária mundial. O valor de 55 dólares, em média, por metro quadrado para a locação de escritórios de alto padrão, coloca a cidade na quarta posição entre os mercados mais rentáveis das Américas.


Crise não afetou preços

Nos próximos cinco anos, a oferta de escritórios deve crescer 40% na cidade

A crise financeira que abalou o mundo mostrou que o mercado imobiliário de São Paulo é bastante sólido, tendo sido menos afetado pela crise que os de Pequim, Mumbai e Moscou. Enquanto a capital russa, por exemplo, vivenciou uma queda de mais de 60% nos preços de aluguéis dos imóveis desde o início de 2008 – apesar de ainda manter preços mais altos –, a cidade de São Paulo mostrou resistência. No auge da crise financeira, o comportamento dos aluguéis corporativos na cidade mostrou o melhor desempenho entre os principais centros de negócios dos países que compõem o Bric. Os valores médios recuaram ligeiramente no quarto trimestre de 2008, mas voltaram a subir em 2009, fechando o ano acima das referências existentes no eclodir da crise.
 O preço do metro quadrado manteve a trajetória de alta, devido, sobretudo, ao rareamento de terrenos capazes de

Esse preço médio – obtido no levantamento da consultoria Cushman & Wakefield, realizado em 132 cidades de 63 países no último trimestre de 2009 – inclui despesas com condomínio e taxas municipais e foi influenciado pelo comportamento do câmbio. 
 A lista é liderada por Nova York (94 dólares) e inclui, entre outras cidades, Miami, na quinta posição (49 dólares), Buenos Aires (31 dólares), Cidade do México (27 dólares) e Santiago do Chile (24 dólares). O preço do metro quadrado cobrado por escritórios na capital paulista pode chegar a 80 dólares se o endereço for, por exemplo, a Avenida Faria Lima. Na região estão os maiores e mais sofisticados edifícios corporativos da cidade, comparáveis aos encontrados em Nova York, Tóquio, Hong Kong, e concentram-se sedes de bancos de investimento e outras empresas atuantes no mercado financeiro.

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60% dos imóveis comerciais do Brasil São Paulo concentra 60% do total de imóveis comerciais do Brasil e, diante de outras capitais de negócio no mundo, tem imenso potencial de crescimento e oferece muitas oportunidades no mercado de alto padrão corporativo.
 Estima-se que, nos próximos cinco anos, a oferta de prédios de escritórios cresça cerca de 40%, mantendo a atratividade para investidores institucionais e estrangeiros, que aí têm aplicado, reaplicado e feito novos aportes de recursos desde 1999, por conta da rentabilidade obtida e das perspectivas de crescimento da economia brasileira e da capital de São Paulo.
 No primeiro trimestre de 2010, o estoque de escritórios na capital paulista era de 2,5 milhões de metros quadrados, o equivalente a 27% dos 9,5 milhões de metros quadrados disponíveis. Em 2009, 23 novos edifícios comerciais foram entregues em São Paulo e, no ano anterior, 27.
 A disputa pelo espaço é grande. No ano de 2007, por exemplo, quase a totalidade dos edifícios com esse perfil eram pré-locados antes de serem entregues. Para 2010, a entrega do novo estoque projetada é de até 200 mil metros quadrados, e a expectativa é que cerca de 70% desse espaço seja alocado até o fim do ano. A taxa de vacância em São Paulo – percentual de escritórios vagos em relação ao estoque total – tende a ficar ao redor de 9%, abaixo do ponto de equilíbrio, que varia entre 12% e 15%.

Setor residencial continuou a crescer em 2009 Os temores em relação à crise mundial causaram poucas mudanças no mercado de imóveis residenciais na cidade de São Paulo em 2009. As vendas atingiram quase 36 mil unidades e cresceram 9% em comparação com 2008, voltando ao patamar de 2007.
 No mesmo período, as construtoras entregaram 329 novos edifícios de apartamentos e condomínios residen-

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mercado imobiliário

ciais, adicionando 30,1 mil unidades ao mercado paulistano. Até o fim de 2010, estima-se que os volumes de lançamentos e de vendas cresçam, respectivamente, 10% e 5%.
 Além das providências pontuais e setoriais, a soma de alguns fatores que se consolidaram ao longo desta década contribuiu para o resgate da confiança dos agentes do setor e dos consumidores: estabilidade econômica, crescimento do poder real de compra, aperfeiçoamento de marcos regulatórios, especialmente o arcabouço da alienação fiduciária, e expansão nacional da oferta de crédito por parte de instituições financeiras, que saltou de 4,9 bilhões de reais em dezembro de 2005 para 34 bilhões de reais em 2009, segundo dados do Banco Central.
 Medidas adotadas pelo governo federal – entre elas, a redução de impostos cobrados sobre a compra de material de construção e o anúncio do programa Minha Casa, Minha Vida, que objetiva facilitar o acesso da população de menor renda à aquisição de imóveis – também colaboraram para a manutenção do crescimento no setor.

Mudança de perfil em lançamentos de apartamentos O mercado imobiliário residencial paulistano foi marcado por uma recente mudança no perfil dos lançamentos. A retomada dos negócios, ainda no

primeiro semestre de 2009, evidenciou uma tendência já detectada em 2008: a redução significativa da produção de imóveis de alto padrão com quatro ou mais dormitórios, que haviam inundado o mercado em 2007 e 2006. Nesses dois anos, lançamentos com esse perfil somaram 282 empreendimentos, superando o total ofertado na cidade durante toda a década de 1990. Em 2009, no entanto, o total de novas edificações de alto padrão encolheu 60%, cedendo espaço para imóveis menores e de mais rápida absorção pelo mercado.


O volume de lançamentos residenciais deve crescer 10% e o de vendas, 5% Ao longo dos anos de 1980 e 1990, a forte demanda por imóveis de luxo não foi atendida pela modesta produção. E, no início desta década, à demanda local somou-se a chegada de novas multinacionais que se instalaram em São Paulo, aumentando a procura por apartamentos de luxo e de alto luxo, cujos preços podem variar de 1,5 milhão a 3,5 milhões de dólares nos bairros mais valorizados da cidade, como Vila Nova Conceição, Itaim Bibi, Ibirapuera e parte do Morumbi.


Essa mudança foi uma resposta do mercado a dois fenômenos ocorridos nas classes sociais. O avanço da classe C, que, por iniciativas públicas, começou a adquirir a casa própria, e a queda no poder aquisitivo das faixas econômicas das classes média e alta, que foram as mais afetadas com a crise financeira mundial. Assim, o perfil imobiliário muda para imóveis de médio padrão, sem que a significativa redução de lançamentos de alto padrão no ano passado signifique que a construção civil – e, junto com ela, o mercado imobiliário – tenha perdido terreno na cidade de São Paulo e no Brasil.
 Estudo feito pela Fundação Getulio Vargas e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), entidade que representa as construtoras, prevê que o PIB da construção civil crescerá 8,8% em 2010, bem acima dos 5,5% projetados para o PIB nacional. O setor imobiliário residencial, segundo a entidade, está entre os que devem receber mais recursos públicos e privados.

Perspectiva do crédito imobiliário Um dos fatores que vêm impulsionando e alimentando o mercado imobiliário brasileiro é o aumento de crédito para o setor, que vem crescendo de forma impressionante. E a perspec-

Mercado imobiliário paulistano Preços de aluguel pelo mundo

Recuperação residencial

Valor mensal por m2 em dólar

Unidades vendidas e preço do m2

2º trimestre de 2008 4º trimestre de 2009

158

60

58 28

Moscou

100

41

São Paulo

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30

Pequim

56%

Unidades

50%

45

55 38

Preço do m2

30

25 Mumbai

15

2005

2009

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Germano Luders/Exame

Com o aumento expressivo da concessão de crédito, não falta trabalho para os operários da construção civil: só a Caixa Econômica Federal concedeu 47 bilhões de reais em empréstimos imobiliários em 2009 tiva é que o volume continue subindo.
 Apenas a Caixa Econômica Federal (CEF) – banco público orientado para o desenvolvimento econômico e social – concedeu 47 bilhões de reais em empréstimos imobiliários em 2009, a maior contratação habitacional de sua história. E a previsão para 2010 é ainda maior: 60 bilhões de reais em crédito imobiliário. O montante de 2009 foi 102% superior ao registrado em 2008 e quase dez vezes o realizado em 2003. Com isso, a instituição federal respondeu por mais de 70% de todos os financiamentos dessa modalidade.
 As instituições privadas ainda têm muito espaço para crescer nesse setor, e sem correr riscos semelhantes aos que levaram à formação da bolha imobiliária americana, especialmente por conta do controle do Banco Central sobre as instituições financeiras. No Brasil, excluindo-se a participação da CEF, o crédito imobiliário representa apenas 4,3% do total das operações de crédito. Essa proporção chega a 24% na Inglaterra 0 e 37% nos Estados Unidos.   www.analise.com

COMO FUNCIONA

O

mercado imobiliário em São Paulo tem três atores: incorporadoras, administradoras de imóveis e construtoras. As administradoras, também chamadas de imobiliárias ou corretoras, compõem um segmento extremamente fragmentado e encarregado de intermediar compra, venda e locação de imóveis residenciais e comerciais. Há milhares de imobiliárias na cidade. Poucas, de grande porte, têm presença em toda a cidade. Entre as maiores, há as que também atuam como incorporadoras e construtoras.

685 empresas atuaram em todos os empreendimentos lançados em São Paulo em 2009: 281 incorporadoras, 168 imobiliárias e 236 construtoras

21 construtoras são negociadas na BM&FBovespa, todas no Novo Mercado, o mais exigente em regras de governança corporativa

11 corporações voltadas para a exploração comercial de shopping centers e intermediadoras imobiliárias são negociadas na BM&F Bovespa

23 foi o número de operações de fusão e aquisição entre incorporadoras, construtoras e corretoras de imóveis no Brasil em 2009

9 mil é o número de construtoras associadas ao SindusCon-SP, o maior sindicato de sua categoria na América Latina

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101


Morar em São Paulo

maquetes de edifícios expostas em salão imobiliário no parque anhembi, zona norte

A

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MáRCIO FERNANDES/AE

São PAulo em Números

11

US$

dias é o tempo médio que um apartamento fica desocupado

3,5 mi

compram uma cobertura de 300 metros quadrados em São Paulo

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US$

3,6 mil

é o valor do aluguel de um apartamento de alto padrão

56%

dos edifícios de alto padrão estão nos bairros de Moema e Jardins

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A


em construção


em construção

constante renovação Entre a construção de torres comerciais, novos shopping centers, a verticalização dos bairros residenciais e a expansão das linhas de Metrô, o município de São Paulo encontra-se em pleno processo de expansão. Além da tradicional Avenida Paulista, as regiões da Faria Lima e Funchal já despontam como centros de concentração de escritórios, gerando novas demandas e oportunidades no mercado imobiliário  Fotos Claudio Rossi

Operários trabalham em obra de edifício comercial na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul da cidade. A região, que concentra os aluguéis mais caros de São Paulo, é um dos novos polos de prédios de escritório no município

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O Largo da Batata, na zona sul, é uma das regiões que passam por um processo de revitalização em consequência do avanço do Metrô. O largo abrigará a nova estação Faria Lima e um terminal de ônibus Detalhe da entrada da futura estação Faria Lima da Linha 4-Amarela, do Metrô de São Paulo. As novas estações contam com portões inteligentes, umidificadores de ar e mecanismos para reúso da água da chuva

Obras da futura estação Pinheiros da Linha 4-Amarela, do Metrô. O plano de expansão inclui 11 novas estações, que ficarão prontas até 2012, com investimento de 21 bilhões de reais

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Estrutura do novo shopping JK Iguatemi na Avenida Juscelino Kubitschek, zona sul. Em um terreno de 33 mil metros quadrados, o centro terá 240 lojas voltadas para produtos de luxo e três torres de escritório


em construção

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São Paulo OUTLOOK

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Escavadeiras em obras na Rua Funchal, zona sul da cidade. A região, que incorporou parte do centro financeiro do município, recebeu mais de 190 edifícios comerciais nas últimas duas décadas

Edifícios residenciais em construção no bairro do Campo Belo, zona sul da cidade. A região, antes tradicionalmente composta de casas, é uma de muitas em São Paulo que passam por um processo intenso de verticalização

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Advocacia Confira, nas próximas páginas, o que São Paulo tem a oferecer nos serviços jurídicos e de advocacia


Sessão solene realizada no Palácio da Justiça, no centro da capital paulista: o edifício projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo é considerado monumento histórico de valor arquitetônico e de interesse cultural

Os maiores escritórios da América Latina por número de advogados As universidades que mais formam esses profissionais no país

JONNE RORIZ/AE

A cidade responde por 20% das câmaras de arbitragem do Brasil


Cláudio Rossi/divulgação

SERVIÇOS saúde SERVIÇOSJURÍDICOS JURÍDICOS

Em número de escritórios de advocacia (na foto, biblioteca do escritório Souza Cescon), a estimativa é que 70% das 13,4 mil bancas nacionais estejam no estado, metade com sede na capital


SERVIÇOS JURÍDICOS

ADVOCACIA DE PONTA Com 14% dos advogados do país, São Paulo conta com assessoria jurídica de qualidade equivalente à de grandes mercados jurídicos internacionais

B

erço da cultura jurídica nacional – foi na cidade que se instalou um dos dois primeiros cursos de Direito do país – São Paulo conta hoje com 14% dos advogados do Brasil, atuantes em todos os setores, atendendo a interesses tanto de pessoas físicas como de empresas.
 O resultado é um mercado jurídico altamente especializado, que tem participado ativamente das grandes operações econômicas realizadas no Brasil, assessorando companhias estrangeiras que se instalam no país e oferecendo um serviço equiparado ao de outras grandes metrópoles mundiais.

Mercado jurídico de São Paulo São Paulo abriga cerca de 82 mil advogados e responde por 14% de todos os profissionais em atuação no Brasil. Em todo o território nacional, são mais de 617 mil advogados, dos quais 222 mil estão no estado de São Paulo. O estado do Rio Janeiro, segundo no ranking, possui metade do número de profissionais paulistas. Em número de escritórios, a estimativa é de que 70% www.analise.com

das 13,4 mil bancas nacionais estejam no estado, metade sediadas na capital. São Paulo também concentra o maior número de escritórios especializados em Direito Empresarial: são 900 bancas no estado e 450 na capital. A cidade oferece serviços jurídicos equivalentes aos disponíveis em grandes mercados, como Nova York e Londres, mas a estrutura de seus escritórios é diferente. Enquanto nos Estados Unidos e na Europa existem megabancas com até três mil profissionais, os escritórios brasileiros mais conceituados no Direito Empresarial possuem uma estrutura mais econômica, com cerca de 40 bancas registrando acima de 100 profissionais – metade delas sediada em São Paulo – e ao redor de 15 com mais de 200 advogados.
 Para abastecer esse mercado, o território paulistano também concentra o maior número de cursos de Direito do país. São 36 faculdades no município, entre elas algumas das mais tradicionais: Universidade de São Paulo (USP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade Presbiteriana Mackenzie. São aproximadamente seis mil novos bacharéis formados todo ano.

Reconhecimento dos escritórios brasileiros No contexto da América Latina, o reconhecimento do mercado jurídico brasileiro é destaque, como no ranking da publicação Latin Lawyer com as maiores firmas da região.

Maiores da América Latina Por número de advogados, em 2010 RK Escritório e sede

Advogados

1º Siqueira Castro (SP)

454

2º Tozzini Freire (SP)

365

3º Machado, Meyer (SP)

339

4º Pinheiro Neto (SP)

337

5º Marval, O’Farrell (ARG)

325

6º Demarest & Almeida (SP)

274

7º Barbosa, Müssnich (RJ)

249

8º Veirano Advogados (RJ)

207

9º Mattos Filho (SP)

197

10º Muñiz R. Pérez (PER)

182 Fonte: Latin Lawyer

São Paulo OUTLOOK

115


SERVIÇOS JURÍDICOS

A instituição, que monitora os mercados jurídicos na América Latina, aponta que oito entre os dez primeiros colocados são brasileiros, sendo que todos estão presentes em São Paulo e cinco têm sua sede no município. O mercado jurídico paulistano tem assessorado e participado ativamente de grandes operações econômicas nos últimos anos, e se colocado à frente de escritórios estrangeiros internacionais. No ano de 2009, com o fortalecimento das fusões e aquisições nos países emergentes, a América Latina foi palco de várias negociações que envolveram diferentes países e mais de 100 bilhões de dólares. No ranking de participação de escritórios de advocacia em operações de fusões e aquisições efetivamente realizadas na América Latina, dos dez primeiros colocados, cinco são brasileiros e assessoraram 134 operações, do total de 250 que contaram com a colaboração de bancas jurídicas.

Avanço na profissionalização e especialização Os escritórios de São Paulo deram um salto de qualidade desde a década de 1990 e hoje estabeleceram um mercado maduro, com ampla oferta de serviços. O desenvolvimento e a profissionalização do mercado jurídico na área empresarial tiveram início com a abertura econômica comercial do Bra-

sil, quando os antigos escritórios de perfil familiar começaram a se profissionalizar e ter contato com operações sofisticadas na esfera empresarial. Hoje, o mercado é altamente desenvolvido e oferece profissionais especializados em mais de 50 áreas de atuação, incluindo nichos como petróleo e gás, telecomunicações, biotecnologia e arbitragem. O avanço do mercado também trouxe conceituados escritórios estrangeiros ao país. São Paulo sedia 12 dessas bancas, e a maioria trabalha em parceria com as bancas nacionais. Entre eles estão Clifford Chance LLP, Linklaters, Baker & McKenzie e Thompson & Knight.

62% das sociedades de advogados mais respeitadas têm sedes em São Paulo Aumento da estrutura jurídica nas empresas O aumento no número de novas empresas se instalando no Brasil está provocando mudanças nítidas no mercado jurídico nacional, que não ocorrem apenas nos escritórios de advocacia. Na cidade de São Paulo, onde estão

Advocacia paulistana Concentração de escritórios

Avanço da arbitragem

Entre bancas de Direito Empresarial

Valor negociado nas câmaras da cidade

50%

435 R$ mi

800%

São Paulo 305

170

50%

45

Demais cidades brasileiras

116

São Paulo OUTLOOK

2006

2009

instaladas as sedes das maiores empresas nacionais e cerca de 63% das multinacionais com sede no país, está ocorrendo um processo de internalização dos serviços jurídicos. De acordo com a consultoria Michael Page, que trabalha com o recrutamento de profissionais da área jurídica para escritórios e empresas, houve um aumento de 45% na demanda por advogados para ocupar posições de diretoria e gerência em companhias no ano de 2009. Da demanda total, 60% são provenientes da cidade de São Paulo.

O mercado de arbitragem São Paulo também conta com serviços jurídicos que atendem à necessidade de representação de interesses de empresas em processos de arbitragem, regulamentados no país por uma lei específica desde 1996. Desde então, a aplicação da arbitragem tem crescido expressivamente no país. A cidade responde hoje por 20% do total de 250 câmaras de arbitragem em funcionamento no país, estimado segundo dados do Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem (Conima). O que representa melhor a relevância do município nesse setor é que das cinco principais câmaras brasileiras, três estão em território paulistano. De 2005 a 2009, foram 191 procedimentos sob a responsabilidade das câmaras paulistanas. Os valores referentes às discussões nas três câmaras paulistanas foram de 2,9 bilhões de reais, 62% do total de 4,7 bilhões, atingidos no somatório das cinco principais câmaras do país. No cenário internacional, São Paulo é vista, ao lado da Cidade do México, como principal centro de arbitragem na América Latina e se faz presente na Câmara de Arbitragem Internacional (CCI). Além de o Brasil ser o primeiro no ranking da América Latina no número de partes que recorrem à arbitragem da CCI, no ranking de todos os países, em 2008, ficou em nono lugar. Na classificação de países que tiveram seus árbitros escolhidos para decidirem casos levados à CCI, o país ficou em 11º lugar no ranking mundial.  0 www.analise.com


paulo liebert/ae

SERVIÇOS JURÍDICOS

A Faculdade de Direito do Largo São Franscisco é o berço da cultura jurídica nacional, com um dos primeiros cursos de Direito do país: hoje, seis mil novos bacheréis se formam todos os anos na cidade

COMO FUNCIONA

O

sistema Judiciário brasileiro é formado por cinco principais grupos que tratam de diferentes temas e contam com uma estrutura própria de organização de tribunais, sempre contando com um tribunal superior que representa a última instância em cada esfera. O tribunal máximo do país é o Supremo Tribunal Federal (STF) que se dedica principalmente a questões referentes à constitucionalidade.

A Justiça Federal, que conta com duas instâncias, trata de assuntos pertinentes a

www.analise.com

todo o país, principalmente envolvendo a União, empresas federais e autarquias A Justiça do Trabalho, parte do sistema Federal, aborda conflitos entre trabalhadores e empregadores. A sua última instância é o Tribunal Superior do Trabalho (TST)

A Justiça Eleitoral, parte do sistema Federal, aborda questões relacionados a eleições e candidatos. A sua última instância é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

A Justiça Militar, parte do sistema Federal, lida exclusivamente com questões relacionadas a crimes militares. A sua última instância é o Superior Tribunal Militar (STM)

A Justiça Estadual, com duas instâncias, dedica-se a todos os assuntos não abordados pelo sistema federal

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) é a última instância para todas as questões não relacionadas à constitucionalidade

São Paulo OUTLOOK

117


cONCENTRAÇÃO de profissionais

Sessão do Tribunal de Justiça de São Paulo, na região central da cidade

A

São Paulo OUTLOOK

www.analise.com


DANIELA SMANIA/TJSP

São PAulo em Números

36

cursos de Direito estão instalados na cidade de São Paulo

6 mil

bacharéis de Direito se formam todos os anos na capital paulista

www.analise.com

82 mil

advogados estão registrados e podem atuar no município

4,7 mil

escritórios de advocacia estão instalados na cidade

São Paulo OUTLOOK

A


PAULO WHITAKER/REUTERS

Participantes da Campus Party 2008 testam software que permite tocar música por meio de peças exibidas em tela; o evento de uma semana reuniu mais de três mil usuários de internet nesse seu ano de estreia em São Paulo


Telecom

Confira, nas próximas páginas, o que São Paulo tem a oferecer no setor de serviços de telecomunicações e TI Uma das maiores teledensidades do mundo

O crescimento do uso de tecnologias móveis e banda larga

O salto dos usuários de internet e das conexões sem fio


Delfim Martins/Pulsar

saúde TELECOMUTELECOMUNICAÇÕES e redes

Vista da Av. Paulista: a cidade responde por 24% dos acessos móveis do Brasil, 33% das linhas fixas, tem 40% dos assinantes de serviços em banda larga e 99,8% da população atendida por serviço de telefonia


TELECOMUNICAÇÕES e redes

mercado CONECTAD0 Cenário paulistano surpreende pelo crescimento extraordinário de novos usuários de internet e a alta densidade de telefones móveis

A

estrutura de serviços de telecomunicações de São Paulo, uma de suas principais vantagens competitivas, integra o município ao restante do mundo com qualidade e rapidez. A maior parte de sua região metropolitana conta com cobertura completa de serviços, com celular, telefonia fixa e banda larga. Em termos de conexão com a internet, em 2009 o Brasil contava com 10,8 milhões de endereços IP. Na cidade, o acesso à web está em invejável expansão, com o maior índice mundial de crescimento, de 7,3% ao ano. O acesso à banda larga no país cresce em ritmo mais surpreendente: de 2008 para 2009 aumentou 82%.

O peso de São Paulo na telefonia e TI São Paulo impressiona pela concentração de serviços e uso de tecnologias de telecomunicação. A cidade responde por 24% dos acessos móveis do Brasil, 33% das linhas fixas, tem 40% dos assinantes de serviços em banda larga e 99,8% da população atendida por serviço de telefonia, além de abrigar as sedes das maiores empresas de equipamentos de telecomunicações do Brasil. Estão na cidade IBM, Nokia, www.analise.com

Samsung, Motorola, LG Electronics, entre dezenas de outras. Região com maior peso econômico do Brasil, São Paulo é responsável pela maior parte do crescimento que o setor tem apresentado nos últimos anos. De acordo com a edição 2010 do ranking Connectivity Scorecard, relatório da London Business School, o Brasil e, em particular São Paulo, ocupa a sexta posição entre os países em desenvolvimento que mais utilizam Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC), à frente de China e Índia. Na área de uso de tecnologia pelo governo, o Brasil tem um dos melhores desempenhos mundiais, inclusive se equiparando às nações desenvolvidas.

cada grupo de 100 moradores. Apenas como comparação, Paris tem 89 linhas por 100 moradores e Londres, 121. Nas projeções da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de linhas fixas em serviço no Brasil terá aumento médio de 1,5 milhão ao ano nos próximos seis anos. O montante é semelhante ao que o mercado de celulares cresce em um

Os mais conectados Avaliação do uso de TI, de 0 a 10 rk País

Avaliação

1º Malásia

7,14

Telefonia celular bate recordes

2º África do Sul

6,18

Em abril de 2010 havia 177 milhões de celulares habilitados no Brasil, ante 41 milhões de linhas fixas. Dentro do Brasil, o estado de São Paulo só perde para o Distrito Federal quando o assunto é teledensidade de linhas móveis. Brasília tem 161 aparelhos para cada 100 habitantes. O estado de São Paulo reúne 45 milhões de aparelhos de telefonia móvel, mais de um para cada habitante, ou 109 para cada 100 habitantes. A teledensidade móvel na cidade de São Paulo é de 120 para

3º Chile

6,06

4º Argentina

5,90

5º Rússia

5,82

6º Brasil

5,32

7º Turquia

5,09

8º México

5,00

17º China

3,14

21º Índia

1,82 Fonte: London Business School

São Paulo OUTLOOK

123


TELECOMUNICAÇÕES e redes

único mês. A Vivo, uma das principais operadoras de telefonia móvel do Brasil, estima que até 2012 o número de celulares supere 200 milhões, o que significa que, na média, cada brasileiro terá seu telefone móvel.

Foco em conteúdo móvel Levantamentos feitos pelas operadoras mostram forte interesse dos clientes em migrar para aparelhos de terceira geração. Em apenas um ano, segundo a Anatel, o número de terminais 3G cresceu vertiginosamente em todo o país, passando de 2,1 milhões em dezembro de 2008 para 6,9 milhões em dezembro de 2009. São Paulo responde por mais de um milhão deles. Pesquisa realizada em 2010 pelo Morgan Stanley sobre o mercado de telefonia celular mostra a produção de vídeos para internet móvel como a grande demanda para os próximos anos. Hoje, o recurso já é responsável por 69% do tráfego de dados móveis no mundo. No caso do Brasil, só a venda de ringtones para telefones móveis deve gerar este ano 300 milhões de reais. E os números das operadoras de telefonia no Brasil confirmam que os usuários passaram a utilizar o aparelho móvel com mais frequência para outros fins, além da voz. Em alguns casos, como os das operadoras Vivo e TIM, a transmissão de dados já representa ao redor de 10% da receita total de serviços.

panhias que atuam na cidade – Telefônica, Embratel e CTBC – procuram oportunidades entre os consumidores de baixa renda. São oferecidos, por exemplo, pacotes de uso controlado – linhas fixas que funcionam com cartões pré-pagos ou que bloqueiam as chamadas após a conta atingir determinado valor.

A transmissão de dados já é 10% da receita de serviços das operadoras de telefonia Banda larga em franca expansão Estudo da consultoria IDC Brasil mostra que no ano de 2009 mais de três milhões de novas conexões em banda larga foram comercializadas no país, resultando em um total de 15 milhões de acessos, um crescimento de 82% em relação ao ano anterior. O acesso via DSL (por meio da linha telefônica, o chamado acesso discado) ainda é predominante no mercado, mas está perdendo a hegemonia. A banda larga utilizou estratégias agressivas de preço para conseguir aumentar sua representatividade. E tem conseguido. O governo busca encorajar esse movimento de inclusão com a

implantação de planos de incentivo à oferta de banda larga para a população de menor renda. Em 2009, o Brasil possuía 10,8 milhões de IPs, segundo o relatório trimestral The State of the Internet Report, divulgado pela empresa norteamericana Akamai. O IP, do inglês internet protocol, é o endereço de cada um dos computadores ou dispositivos conectados à rede mundial. Os Estados Unidos, por exemplo, contam com quase 120 milhões de IPs, mais que o dobro do segundo colocado, a China com 49 milhões, e 11 vezes maior que o do Brasil. Mas é no Brasil que ocorre o maior índice de crescimento mundial no número de endereços IP: 7,3% no último trimestre de 2009, superando a segunda colocada China, com 6,3%. O estado de São Paulo também é responsável por 45% dos registros de domínio no Brasil, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI).

Cloud computing e terceirização Novos serviços estão transformando muitos modelos de negócio tradicionais. O cloud computing (modelo no qual aplicativos são armazenados na rede e acessados remotamente, via internet) é um exemplo. Com a entrada nesse mercado, as operadoras podem alavancar suas redes e oferecer ainda mais vantagens a

Novo panorama para a telefonia fixa

Conectividade paulistana

Com mais de cinco milhões de terminais, São Paulo tem a maior rede de telefonia fixa do Brasil. Para se ter uma ideia de sua importância, a Telefônica, empresa líder na oferta desses acessos no estado de São Paulo, informa que 13,7% dos 77 bilhões de dólares de receita anual de sua controladora, a espanhola Telefónica, vem da operação. O segmento, no entanto, mantém-se estabilizado desde 2006, e a causa está na migração para o celular. Apesar de não esperarem um aumento significativo na venda de linhas fixas, as com-

Banda larga

Teledensidade móvel no Bric

Participação dos usuários do país

Linhas de celular por 100 habitantes

124

São Paulo OUTLOOK

40%

150

Rússia 143

105

Brasil 91

São Paulo

China 56

60%

Demais cidades brasileiras

Índia 43

20 2007

2009

www.analise.com


TELECOMUNICAÇÕES e redes

seus assinantes, criando novos serviços de valor agregado e experiências ao integrar conteúdo da indústria e aplicações. Companhias como IBM, Microsoft, Cisco e HP também investem nesse segmento no Brasil. A computação nas nuvens e o aumento na oferta de serviços de voz e dados ampliaram o parque de telecomunicações dentro das companhias e também a complexidade para gerenciar esses ativos. Várias companhias de telecomunicações já prestam atenção em oportunidades de negócios nesse segmento. A British Telecom (BT), por exemplo, oferece no Brasil serviços de gestão de recursos para multinacionais como Unilever, AmBev, Nestlé e Fiat. Já a Telefônica fornece soluções de TI sob medida para empresas como o grupo Carrefour. 0

COMO FUNCIONA

E

m 1997 foi criada a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autarquia responsável por gerir o sistema de telecomunicações no Brasil. Entre suas atribuições está criar políticas e normas para o setor, certificar produtos de acordo com os padrões por ela estabelecidos e controlar infrações econômicas das empresas. Nos serviços considerados públicos, a Anatel tem o poder de regular tarifas; no privado – como a telefonia celular – a regulação vem do mercado. A telefonia fixa é considerada um serviço misto. Há empresas com

a tarifa controlada pela Anatel e uma série de obrigações a cumprir, mas também outras que prestam serviços privados. 3 empresas operam telefonia fixa na cidade: Telefônica, Embratel e CTBC

4 companhias oferecem serviços de telefonia móvel: Claro, TIM Celular, Vivo e Oi

3 principais companhias oferecem serviços de banda larga: Net São Paulo, TVA e a Telefônica

Paulo Whitaker/Reuters

Telas gigantes no Museu do Futebol: a produção de vídeos para internet móvel, hoje responsável por 69% de todo o tráfego de dados móveis no mundo, deve ter grande demanda nos próximos anos


iPhone 3G, da Apple, em exposição em loja de telefones celulares

expansÃO MÓVEL A

São Paulo OUTLOOK

www.analise.com


Filipe Araújo/AE

São PAulo em Números

1,2

celular para cada habitante é a média na cidade de São Paulo

www.analise.com

24%

dos acessos móveis do Brasil ocorrem no município

1,2 mi

de linhas móveis são comercializadas por mês no Brasil

4 mi

de novas linhas 3G foram vendidas no Brasil em 2009

São Paulo OUTLOOK

A


Mobilidade Confira, nas prรณximas pรกginas, a magnitude do sistema viรกrio de transporte da cidade de Sรฃo Paulo


Usuários caminham pela estação Sé, na região central de São Paulo, onde ocorre a integração de duas linhas do metrô da cidade e que tem capacidade para atender 100 mil passageiros por hora no horário de pico

O tamanho de uma das maiores frotas de táxis e helicópteros do mundo

Como funciona a estrutura do transporte público na região metropolitana

PAULO WHITAKER/REUTERS

As principais obras e estratégias para aliviar o trânsito na cidade


Márcio Fernandses/AE

mobilidade mobilidade

Operários trabalham na fábrica de trens e metrôs da empresa Alstom: investimento de 16 bilhões de reais, de 2006 a 2010, no transporte sobre trilhos é a maior aposta para melhorar a mobilidade na cidade

A

São Paulo OUTLOOK

www.analise.com


mobilidade

A CIDADE QUE NUNCA PARA São Paulo enfrenta, com investimentos e ações concretas, os desafios da mobilidade em uma das maiores cidades do mundo

A

capital do estado de São Paulo possui uma considerável malha de transporte público, uma das maiores frotas de táxis e de helicópteros do mundo, além de contar com modernos aeroportos e sistemas intermodais que garantem sua competitividade e impulsionam negócios e exportações. Principal produtora e consumidora do Brasil, a cidade conta com uma ampla infraestrutura de locomoção e logística. Em um país que depende majoritariamente do transporte rodoviário, São Paulo encontra-se na confluência das principais rodovias do país.

Frota gigantesca Só mesmo uma frota gigantesca de veículos pode atender a maior cidade da América Latina. Em fevereiro de 2010, São Paulo chegou ao registro de 6,8 milhões de veículos, incluindo todas as categorias. Só de automóveis são cinco milhões. O número equivale a quase toda a frota da vizinha Argentina e é muito superior ao das mais populosas capitais do mundo, como Cidade do México e Tóquio, que contam com cinco milhões e 3,7 milhões www.analise.com

de veículos no total, respectivamente.
 A frota de táxis paulistana também responde ao tamanho do município. Em dezembro de 2009, a cidade contava com 32 mil táxis licenciados, atrás apenas de Nova York, com 48 mil veículos de serviço. Os últimos dados disponíveis sobre circulação mostram que são feitas pouco mais de 78 mil viagens diárias de táxi na cidade.
 Se os números do transporte terrestre surpreendem, os da mobilidade aérea não ficam atrás. A capital paulista abriga a segunda maior frota de helicópteros do mundo, atrás de Nova York. O estado de São Paulo possui 542 helicópteros, praticamente a metade da frota brasileira. Destes, a maioria – 432 – opera na capital, segundo dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). Até 2004 a cidade ocupava o terceiro lugar, com Tóquio à frente.

Investimentos e transporte público Para absorver esse imenso volume de veículos, várias obras estão sendo realizadas pelos governos estadual e municipal. Entre elas está a construção do Rodoanel Mário Covas. Com ex-

tensão total de 170 quilômetros, esse anel viário tem função estratégica de aliviar o tráfego, ao desviar os caminhões e veículos pesados do centro da cidade e prover acesso a grande parte das rodovias que passam pela cidade.
 Entretanto, o investimento no transporte sobre trilhos é a maior aposta para melhorar a mobilidade na cidade.

Maiores redes de metrô Em passageiros transportados ao ano rk Cidade

Passageiros (bi)

1º Tóquio

3,2

2º Moscou

2,4

3º Seul

2,1

4º Nova York

1,6

5º Pequim

1,5

6º Cidade do México

1,4

7º Paris

1,4

8º Hong Kong

1,3

9º Xangai

1,3

17º São Paulo

0,97 Fonte: Metrô de São Paulo

São Paulo OUTLOOK

131


mobilidade

De 2007 a 2010, os investimentos somam 16 bilhões de reais no metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A modernização e ampliação do metrô irão resultar no aumento da rede paulistana de 61,3 quilômetros para 84 quilômetros já em 2010.
 Ao fim do ano, São Paulo terá o 23º maior metrô do mundo em extensão das linhas, com 84 quilômetros. Londres é líder desse ranking, com 415 quilômetros. Na classificação dos metrôs por número de passageiros transportados anualmente, o sistema paulista está na 17ª posição – com 974 milhões de usuários em 2009. O primeiro lugar é de Tóquio, que movimenta mais de três bilhões de pessoas por ano.
 Outro desafio para os administradores da cidade de São Paulo é a ampliação das linhas de ônibus urbanos. Entre 2007 e 2009, o governo municipal adquiriu cerca de cinco mil novos ônibus e micro-ônibus para engordar a frota, de 15 mil veículos. De acordo com a prefeitura, foi investido mais de 1 bilhão de reais, por parte das concessionárias do sistema, nessa ampliação.

Concentração do transporte aéreo Na região metropolitana de São Paulo estão os dois aeroportos de maior volume de passageiros do país: o Aeroporto de Congonhas, na capital, e o Aeroporto Internacional de São Pau-

lo, na cidade vizinha de Guarulhos. Em 2009, passaram por ambos pouco mais de 34 milhões de passageiros, o equivalente a 30% do movimento dos aeroportos no Brasil inteiro. O número de passageiros é semelhante ao dos aeroportos de Orlando (35 milhões) e Miami (35 milhões), nos Estados Unidos, de Roma (35 milhões) e de Gatwick, em Londres (34 milhões).

Em fevereiro de 2010, São Paulo chegou a uma frota de 6,8 milhões de veículos O Aeroporto Internacional de São Paulo também é destaque em movimentação de cargas, ao lado do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, a 99 quilômetros da capital. Em 2009, os dois terminais responderam juntos por 49% de todo o movimento de cargas do país, com 352 mil e 192 mil toneladas, respectivamente.
 Desde 2004, São Paulo passou a ser a única cidade do mundo a ter um centro de controle para voos de helicópteros, que funciona na torre do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade. O aeroporto do Campo de Marte, na zona norte, concentra o maior movimento de helicópteros da cidade. São

Transporte paulistano Frota de peso

Fenômeno do courier

Veículos particulares em milhões

Média de viagens de motos diárias

6,8

400 mil

5

3,7

223%

300 200

São Paulo

132

Cidade do México

Tóquio

São Paulo OUTLOOK

100 1987

2007

240 pousos e decolagens por dia, em média, num total de sete mil por mês. Isso sem contar as saídas e chegadas aos helipontos particulares espalhados pela cidade. Do Aeroporto de Congonhas saem cerca de 50 voos de helicópteros por dia.

Opções em transporte de carga Em todo o país, o transporte de cargas é feito principalmente por via rodoviária. Assim, a proximidade das principais estradas do país é um ponto favorável da capital paulista. Entre elas estão: vias Anhanguera e Bandeirantes – que garantem acesso ao norte do estado, Minas Gerais e Centro-Oeste do país –; Rodovia Presidente Dutra e Sistema Ayrton Senna-Carvalho Pinto, que chegam à região do Vale do Paraíba, ao litoral norte e ao Rio de Janeiro; e o Sistema Anchieta-Imigrantes, que liga a cidade ao Porto de Santos. Em 2008, o Porto de Santos – distante apenas 80 quilômetros do centro de São Paulo – movimentou cerca de 81 milhões de toneladas de carga.
 A malha ferroviária do estado é administrada pelas concessionárias MRS Logística S.A. e América Latina Logística (ALL). Essas empresas conectam as regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aos portos de Santos, em São Paulo, Itaguaí e Guaíba, no Rio de Janeiro. A MRS Logística opera o corredor São Paulo-Rio de Janeiro, na região de maior concentração industrial do país, e é responsável pelo transporte de grande volume de produtos siderúrgicos, minério, carvão, soja e farelo de soja, entre outros.

Soluções locais Como todas as grandes metrópoles do mundo, São Paulo enfrenta os problemas decorrentes do grande volume de veículos, como congestionamentos e falta de vagas para estacionar em vias públicas. Para resolver este último, a prefeitura regulamenta o tempo em que os motoristas podem permanecer parados adotando um sistema de www.analise.com


alex silva/ae

mobilidade

O Aeroporto de Congonhas (foto), localizado na zona sul de São Paulo, recebeu, juntamente com o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, 34 milhões de passageiros em 2009 talões, chamado Zona Sul, em algumas ruas da cidade. Por um preço de aproximadamente 2 dólares, o dono do veículo pode permanecer estacionado por duas horas.
 Já para organizar o tráfego, é adotado forte sistema de fiscalização, eletrônica e por meio de guardas e fiscais de trânsito. A cidade também utiliza, desde 1997, o sistema de rodízio. Dependendo da placa do carro, uma vez por semana, entre 7 e 10 horas e entre 17 e 20 horas, o carro está proibido de circular pelo centro expandido. Fenômeno que surgiu para driblar o trânsito paulistano é o serviço de courier – em que motociclistas transportam cargas e documentos de forma rápida. Ao fim de 2009, a cidade mantinha uma frota de cerca de 200 mil desses profissionais. A frota total de motocicletas registradas no município, incluindo veículos particulares, também teve um avanço expressivo. São 820 mil rodando pela cidade, uma frota mais de duas vezes maior que a de 2000.  0 www.analise.com

COMO FUNCIONA

O

transporte público na capital paulista divide-se em três principais modalidades: o sistema de ônibus – gerido pela prefeitura – e as linhas férreas, incluindo metrô e trens, que são coordenadas pelo governo estadual. Esses três meios de transporte público são os mais utilizados pela população paulistana, seguidos por transporte coletivo privado e, em seguida, automóveis e motocicletas.

● 261 quilômetros de linhas férreas ligam 22 municípios da região metropolitana

3,3 milhões de passageiros são transportados, em média, nos dias úteis pelo metrô de São Paulo

Até o fim de 2012, o plano de expansão do metrô prevê mais 20 quilômetros

São 89 estações de trem, por onde passa uma média diária de 2,15 milhões de passageiros

61 quilômetros de metrô, dividido em quatro linhas e 56 estações

15 mil ônibus circulam diariamente pela cidade em mais de 1,3 mil rotas

8 milhões de pessoas são transportadas diariamente por ônibus na capital

Há 28 terminais de ônibus urbanos e três rodoviários

São Paulo OUTLOOK

133


frota paulistana

São PAulo em Números

5 mi

de automóveis trafegam na cidade, um para cada dois habitantes

32 mil

táxis cadastrados rodam diariamente pelo município

542 helicópteros têm licença para voar no estado, 432 estão na cidade

200 mil entregadores prestam serviços pela cidade em motocicletas A

São Paulo OUTLOOK

www.analise.com


Ho New /Reuters

jogadores de futebol freestyle treinam sobre heliponto em edifício de são paulo

www.analise.com

São Paulo OUTLOOK

A


Laboratório de exercícios do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, um dos principais centros médicos do país - entre os 120 hospitais de referência no Brasil, 32% estão em São Paulo


Saúde

Confira, nas próximas páginas, o que São Paulo tem a oferecer no setor de serviços médicos e de saúde A estrutura e expertise da cidade que mais faz transplantes de órgãos

As universidades que formam os médicos mais qualificados

TIAGO QUEIROZ/AE

Os principais hospitais paulistanos credenciados


saúde saúde

Cirurgia de próstata realizada com auxílio de um robô Da Vinci, no Hospital Albert Einstein, o primeiro fora dos EUA a receber selo da Joint Commission International, que certifica a qualidade de instituições de saúde

O AVANÇO DA SAÚDE PAULISTANA Na última década, a cidade de São Paulo cresceu em número de médicos e hospitais, e na qualidade de seus serviços 138

São Paulo OUTLOOK

www.analise.com


Ricardo Correa/Exame

saúde

O

sistema de saúde e serviços médicos de São Paulo avançou de forma consistente na década de 2000, ampliando tanto sua estrutura em termos de número de médicos, hospitais e clínicas especializadas quanto a qualidade de seus serviços. A cidade já pode ostentar o título, por exemplo, de referência mundial em transplante e doação de órgãos. No município de São Paulo são transplantados mais órgãos do que em qualquer cidade americana. www.analise.com

Em 10 anos, 31% mais médicos Um dos principais feitos do sistema de saúde paulistano, na última década, foi manter um alto índice de formação e entrada de novos médicos no mercado. Em 2009, o município atingiu o patamar de 4,3 médicos atuantes para cada mil habitantes, segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Isso significa que para cada 232 munícipes existe um médico. O índice está mais de quatro vezes acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O patamar mínimo é de um médico para cada grupo de mil habitantes. Entre 2000 e 2009, enquanto a população paulistana cresceu ao redor de 5%, para mais de 11 milhões, o número de médicos avançou seis vezes mais rápido: 31%. Em grande parte, esse crescimento se deve ao fato de São Paulo atrair a mão-de-obra mais qualificada do Brasil. Dos 101 mil médicos que atuam nos 645 municípios do estado de São Paulo, 38% se formaram em cursos de medicina localizados em outros estados brasileiros. Metade desse grupo atua na cidade de São Paulo, que registra um índice quase três vezes maior que a média do Brasil, que é de 1,8 profissional por mil habitantes. Existem 11 escolas de medicina localizadas na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Entre 1998 a 2008, houve um crescimento de quase 13% no número de graduados em medicina na cidade. O número de novos médicos formados no município de São Paulo é de cerca de 500 todo ano. Segundo o anuário Análise Saúde Os mais admirados da medicina 2009 – publicação de referência na área médica no Brasil – entre os 120 hospitais considerados referência em todo o país, 32% estão situados em São Paulo. E considerando os mais de 2,2 mil médicos que se destacam, 38% se formaram em cursos de medicina na região metropolitana. A pesquisa agrega as opiniões de três mil dos principais médicos que atuam em âmbito nacional.

Os hospitais certificados As sete instituições acreditadas pela Joint Commission International (JCI) Hospital do Coração Médicos 933 • Leitos 260 (40 em UTI) Atendimentos 985 mil • Cirurgias 4.643 Acreditado 2006 • Fundado 1967

Hospital Israelita Albert Einstein Médicos 6 mil • Leitos 530 (32 em UTI) Atendimentos 186 mil • Cirurgias 29.316 Acreditado 1999 • Fundado 1955

Hospital Sírio Libanês Médicos 2.961 • Leitos 333 (72 em UTI) Atendimentos 273 mil • Cirurgias 15.398 Acreditado 2007 • Fundado 1921

Hospital Samaritano Médicos 1.300 • Leitos 200 (49 em UTI) Atendimentos 148 mil • Cirurgias 11 mil Acreditado 2004 • Fundado 1894

Hospital Alemão Oswaldo Cruz Médicos 4.756 • Leitos 273 (34 em UTI) Atendimentos 250 mil • Cirurgias 15.700 Acreditado 2009 • Fundado 1897

Clínica Pronep Médicos 20 • Leitos Atendimentos 29 mil • Cirurgias Acreditado 2007 • Fundado 1992

Amil Total Care Berrini Médicos 21 • Leitos Atendimentos 18 mil • Cirurgias Acreditado 2005 • Fundado 2000 Atendimentos e cirurgias são referentes a um ano

São Paulo OUTLOOK

139


saúde

Estrutura hospitalar ampla A cidade de São Paulo conta com uma estrutura de 204 hospitais e ao redor de dez mil clínicas, que oferecem serviços em mais de 50 especialidades e realizam tratamento clínico e cirurgias eletivas. Para se ter ideia do tamanho desse sistema, são 154 hospitais de aten dimento geral no município, mais que o dobro das 62 instituições existentes na cidade americana de Nova York, por exemplo. São Paulo conta também com 14 hospitais-dia, que realizam procedimentos cirúrgicos de baixa e média complexidade, sem a necessidade de internação. No Brasil, o conceito de hospital-dia ainda é relativamente recente, mas ele é popular no mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 75% das intervenções cirúrgicas ocorrem nos chamados day hospitals. O modelo permite que hospitais gerais possam a se dedicar mais aos procedimentos complexos e casos de urgência. Ao todo, o município conta com 33,2 mil leitos em hospitais, sendo que 9,5 mil são cirúrgicos. Isso significa que existem três leitos hospitalares para cada grupo de mil habitantes, índice 20% acima do recomendado pela OMS, de 2,5 leitos por mil moradores. E, até o fim de 2010, a expectativa é que surjam 1,8 mil novos leitos.

Centro mundial de transplante de órgãos Os médicos e as instituições de saúde da cidade de São Paulo construíram, ao longo dos últimos anos, um nível de expertise ímpar em um dos mais complexos campos da área: o transplante de órgãos. Em 2009, o município chegou à posição de liderança mundial em número de doações, ultrapassando a média registrada pela Espanha, a mais alta na comparação entre países, de 35 doações para cada milhão de habitantes. De janeiro a outubro, São Paulo registrou uma média de 39,4 doadores para cada milhão de pessoas.

São Paulo é líder mundial em doação de órgãos: 35 para cada milhão de habitantes A capital paulista também detém o recorde no número de operações de transplante de órgãos realizadas. Em 2009, foram 2.216 procedimentos, quase 15% a mais que as 1.939 operações realizadas em todo o estado americano de Nova York. Ao todo, São Paulo contabilizou 5.668 cirurgias em 2009, considerando procedimentos envolvendo órgãos, células e tecidos.

A saúde paulistana Transplante de órgãos

Avanço no número de médicos

Participação da cidade nas cirurgias

Crescimento em relação à população

37%

São Paulo

30%

Médicos 31%

20 10

63%

Outras cidades brasileiras

140

São Paulo OUTLOOK

2001

População 5% 2009

Isso representa pouco mais de 13% de todas as operações feitas no Brasil. O Brasil detém o maior sistema público-privado de transplantes do mundo, que proporcionou a realização de quase 43 mil procedimentos em 2009. Ao todo, existem 1.380 equipes médicas autorizadas no país, e um total de 548 estabelecimentos de saúde credenciados no Sistema Nacional de Transplantes (STN), criado em 1997. A eficiência do sistema proporcionou um salto sem precedentes na cidade de São Paulo. Em um período de apenas quatro anos – entre 2006 e 2009 –, o número de doações realizadas no município mais que dobrou.

Reconhecimento internacional em qualidade Além de manter um sistema de saúde com um número significativo de médicos e instituições, São Paulo também oferece serviços médicos de qualidade comprovada por órgãos internacionais. A cidade é a sexta em número de hospitais acreditados pela Joint Commission International (JCI), o mais importante órgão do segmento que, desde 1994, certifica padrões de qualidade de instituições de saúde. A JCI avalia hospitais de 80 países, com exceção de Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, que são acreditados pela The Joint Commission.

Em 1999, o Hospital Israelita Albert Einstein foi o primeiro fora dos Estados Unidos a receber o certificado da JCI. Dez anos depois, outros seis hospitais paulistanos alcançaram nível de excelência para merecer a certificação. No Brasil existem 20 hospitais acreditados pela JCI, o que coloca o país na quarta posição do ranking, atrás de Turquia, Emirados Árabes e Arábia Saudita. Na produção de conhecimento, os brasileiros também se destacam. Na lista das 100 instituições mais bem avaliadas pelo Conselho Superior de Investigações Científicas – órgão de pesquisa ligado ao governo da Espanha – estão o Instituto Nacional de Câncer (Inca) na 46ª posição e o Hospital das Clínicas (HC) em 96º, os dois ligados à Universidade de São Paulo (USP). www.analise.com


Antônio Milena/AE

saúde

Recém-nascidos são vistos em berçários da maternidade Pro Matre, na região central de São Paulo: entre 2000 e 2009, a população paulistana cresceu 5%, e o número de médicos avançou seis vezes mais rápido

Medicina diagnóstica passa por consolidação Mais de 17 mil laboratórios de análises clínicas operavam no Brasil em 2008, de acordo com informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O setor emprega cerca de 150 mil pessoas e, em 2007, somente através do Sistema Único de Saúde (SUS), foram realizados 370 milhões de procedimentos laboratoriais em todo o país. O setor vem passando por um processo de consolidação desde o fim dos anos 1990 por meio de uma série de fusões e aquisições realizadas por grandes grupos do segmento, fenômeno similar ao que ocorreu nos Estados Unidos. São Paulo é sede das duas maiores empresas do setor: a Diagnósticos da América (Dasa) e o Fleury, ambos listados na BM&FBovespa. Nos últimos anos, os dois grupos apostaram nas aquisições. Só o Fleury adquiriu 15 laboratórios entre 2002 e 2005.  0 www.analise.com

COMO FUNCIONA

O

sistema de saúde da cidade de São Paulo, assim como o de todo o Brasil, é baseado em uma estrutura que disponibiliza serviços públicos e privados à população. O objetivo do Sistema Único de Saúde (SUS), como é denominado, é oferecer atendimento médico gratuito a toda a população. O meio mais comum de obter acesso ao sistema privado é por um plano de saúde. Oferecidos por companhias operadoras em todo o país, os planos apresentam diferentes níveis de acesso a serviços privados mediante o pagamento de uma taxa mensal.

26 milhões de consultas médicas foram realizadas pelo SUS em 2009 na cidade

● São Paulo possui mais de mil unidades que atendem pelo SUS

● 16% dos paulistanos possuem planos odontológicos

36% foi o avanço do número de consultas realizadas no SUS entre 2004 e 2009
 ●

250 mil pessoas são internadas todo ano, em média, em hospitais públicos na cidade ●

58% dos paulistanos possuem um plano de saúde ●

● 41%, em média, da população das capitais brasileiras possui um plano de saúde

São Paulo OUTLOOK

141


Patrícia Santos/AE

pacientes importados A

São Paulo OUTLOOK

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tomografia computadorizada no hospital de campo limpo, na zona sul de são paulo

São PAulo em Números

18%

dos hóspedes da hotelaria procuram a cidade por razão de saúde

45 mil

estrangeiros vêm ao Brasil se tratar, em média todo ano

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5 mi de pessoas viajam a outros países ao ano em busca de tratamento médico

22 dias

é a média de permanência de turistas no país por razão de saúde

São Paulo OUTLOOK

A


JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE


A Estação Pinacoteca abriga mostras concorridas, como Andy Warhol, Mr. América, e está localizada na região central, objeto do Projeto Nova Luz, que prevê a revitalização de 2,25 milhões de metros quadrados

Acontece Confira, nas próximas páginas, o que São Paulo tem a oferecer nos setores de turismo, eventos e feiras Os principais eventos esportivos, culturais e de negócios

Os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol em 2014

Uma das cenas gastronômicas mais diversas do mundo


acontece

UM EVENTO A CADA SEIS MINUTOS A cidade é a principal da América Latina em eventos de negócios e a 12ª no mundo, além de ter ampla estrutura de esportes, cultura e lazer

A

negócios a cada três dias, a São Paulo Fashion Week – um dos mais importantes eventos da moda mundial –, e será uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Com invejável estrutura hoteleira, a cidade também se destaca pela ampla oferta de atividades culturais e opções gastronômicas. Isso

tudo garante atividade 24 horas por dia para o turista mais exigente.

Centro de turismo de negócios O maior centro econômico-financeiro do Brasil não poderia ficar atrás no mercado de turismo de negócios e de

Tiago Queiroz/AE

cidade de São Paulo sedia mais de 90 mil acontecimentos todo ano. A única cidade do mundo em que é possível assistir a corridas do circuito de Fórmula 1 e de Fórmula Indy, também abriga uma feira de

O garoto Pedro Barros durante a final de campeonato internacional de skate realizado no Sambódromo do Anhembi, na zona norte: São Paulo responde por 75% dos 245 eventos internacionais que ocorrem no Brasil

146

São Paulo OUTLOOK

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ACONTECE

eventos. São Paulo responde por 75% dos 245 eventos internacionais que ocorrem no Brasil, o que lhe confere a primeira colocação na América Latina e a 12ª no ranking das cidades no mundo em relação a esse quesito, segundo a International Congress and Convention Association (ICCA). O Salão Internacional do Automóvel, a São Paulo Fashion Week, a Adventure Sports Fair e a Francal são apenas algumas das referências. Esse mercado movimenta 2,4 bilhões de reais ao ano na cidade.
 No mercado de feiras de negócios nacionais, a cidade responde por mais de 112 eventos, 66% do total do país. Os números do setor, segundo a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), em 2009, apontam para uma geração de receita de 3,4 bilhões de reais, com a participação da cidade de São Paulo em 85,3%: 2,9 bilhões de reais de receita.
 No total, incluindo todos os tipos de evento – congressos, convenções, feiras, shows internacionais e outras iniciativas culturais –, um evento a cada 6 minutos. Entre os atrativos da cidade estão a disponibilidade de centros de convenção e espaços para grandes eventos. Quase 700 milhões de reais, um quarto do total da receita com feiras em 2009, foi resultado de locação de áreas para exposições.
 Todos os sinais apontam para o avanço da cidade no setor. Com oferta de infraestrutura – de aeroportos a áreas para a realização dos eventos – e o segmento de serviços em expansão, da estrutura hoteleira a restaurantes e profissionais, São Paulo deve ganhar fatia cada vez maior do mercado internacional.
 A capital paulista abrigava, em 2002, 15 eventos de negócios internacionais, segundo dados do ICCA e, em seis anos, quintuplicou esse número, deixando para trás cidades como Tóquio, Londres e Buenos Aires.
 Entre os principais acontecimentos na cidade, a área médica ganha destaque. Em 2008, esse setor foi responsável por 27% dos mais de mil eventos cadastrados pela São Paulo Turismo, ligada à prefeitura. Em segundo lugar, estão os eventos ligados a tecnologia www.analise.com

e comunicação, com 18,5%, seguidos pelos técnicos e científicos, com 6%.

O perfil dos visitantes Em 2009, a cidade recebeu 11,3 milhões de turistas, um crescimento de 3% em relação ao ano anterior e 20% em relação a 2005. Do total, 9,7 milhões eram brasileiros e 1,6 milhão estrangeiros. A pequena redução dos turistas do mercado internacional em 2009 – ocasionada principalmente pela crise econômica mundial – foi compensada pelo crescimento interno de 4,3%, o que resultou em um incremento de 200 mil visitantes. Os gastos desses turistas com hospedagem, alimentação, compras e lazer trouxeram para a cidade uma renda de 8,5 bilhões de reais. Enquanto a permanência dos turistas internacionais em São Paulo registrou uma média de 5,3 dias, com desembolsos de dois mil a cinco mil reais, a estadia dos turistas do Brasil foi em média de 3,3 dias. Nesse caso, os gastos variaram de 1,6 mil a 3,5 mil reais.
 Independentemente da origem, é o turista de negócios que predomina no mercado paulistano. Mais de 56% dos que visitaram a cidade, em 2009, vieram por conta de negócios. Os eventos justificaram a viagem de 22% deles, enquanto 10% buscaram o território paulistano por lazer. Com o reconhe-

cimento de São Paulo como polo acadêmico e científico, 452 mil turistas vieram à cidade para estudos.

Estrutura hoteleira O setor hoteleiro de São Paulo com uma oferta insuperável em relação a qualquer outra cidade brasileira, está bem colocado entre os principais centros turísticos mundiais. A cidade conta com mais de 410 hotéis e 42 mil apartamentos disponíveis. 
 A taxa de ocupação média no ano de 2009 foi de 62%, um avanço de 7 pontos percentuais desde 2004. Com diárias médias da ordem de 197 reais e uma demanda de ocupação concentrada na categoria de hotéis midscale (69%), observa-se uma alta competitividade, o que impediu um maior aumento no preço das diárias. Mas a oferta paulistana tem acompanhado a demanda, tanto em termos de quantidade como em qualidade. Até para atender as outras faixas de hóspedes: a categoria econômica representa hoje 24% do mercado e a de luxo, 7%. As principais redes hoteleiras internacionais estão na cidade.
 Entre os turistas estrangeiros, que em sua maioria preferem se hospedar em hotéis de luxo, as redes internacionais como Hyatt, Hilton, Marriott, Sofitel, Radisson disputam espaço com estabelecimentos brasileiros sofistica-

Turismo paulistano Turista a negócios

Evolução dos visitantes

Motivos que trazem pessoas à cidade

Em milhões de turistas na cidade Nacional Internacional

10% 11%

10,7 11,0 11,3 10,2 9,4

Outros

Lazer

79%

Negócios e eventos

8,0

8,7

9,1

9,3

9,7

1,4

1,5

1,6

1,7

1,6

2005

2006

2007

2008

2009

São Paulo OUTLOOK

147


ACONTECE

dos e que ganharam reconhecimento internacional, como Fasano, Emiliano e Unique. Cerca de 50% da ocupação de hotéis de luxo na cidade é formada por turistas internacionais, enquanto na midscale eles representam 8,2% e na econômica, 3,7%.

que por 24 horas ininterruptas transforma a cidade em um palco com mais de 800 atrações a céu aberto e em casas de espetáculos. O evento, que aconteceu pela primeira vez em 2005, já atrai cerca de 330 mil turistas e movimenta 90 milhões de reais.


Os maiores públicos

São Paulo conta com 12,5 mil restaurantes e 52 especialidades culinárias

O perfil diversificado de São Paulo, tanto econômico como cultural, viabiliza o crescimento do mercado de turismo de eventos em diversas frentes. Dois acontecimentos já tradicionais são o Salão Internacional do Automóvel e a São Paulo Fashion Week. No primeiro é possível verificar as novas tendências do setor automotivo. É a feira com o maior público da cidade, uma média de 650 mil visitantes, dos quais 200 mil são de fora do município, e o quarto evento no ranking em atração de turistas.
 Muito importante para a inserção da cidade no cenário internacional é a São Paulo Fashion Week. Para ver em primeira mão o lançamento das coleções dos estilistas de todo o país, o evento reúne 100 mil pessoas, 16% delas turistas. Em razão da relevância do evento, São Paulo foi incluída no ranking elaborado pela The Global Language Monitor com as “Top 10 Capitais Fashion do Mundo”, ocupando o oitavo lugar.
 No campo cultural, a cidade também conta com eventos de peso. A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, costuma atrair um total de 730 mil participantes – desses 240 mil turistas –, e resulta em uma receita de 92 milhões de reais. A Bienal Internacional de Artes de São Paulo gera cerca de 120 milhões de reais por edição e atrai, em média, 530 mil visitantes, um quinto formado por turistas. Para garantir a exposição das novas produções nacionais cinematográficas entre os maiores nomes do cinema mundial, a Mostra Internacional de Cinema contou, em sua última edição, com 200 mil espectadores, que contribuíram com 30 milhões de reais para a cidade. Uma das iniciativas inovadoras da cidade no setor é a Virada Cultural,

148

São Paulo OUTLOOK

São Paulo também é palco da Parada do Orgulho LGBT, que teve sua primeira edição em 1997 e tornou-se a maior do mundo do gênero com um público de 3,5 milhões, sendo 400 mil turistas. O evento gerou cerca de 190 milhões de reais na edição de 2009.

Eventos esportivos O gosto dos paulistanos por carros é de tal magnitude que a cidade é a única no mundo que sedia dois dos maiores eventos automobilísticos mundiais: o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 e a prova São Paulo 300 de Fórmula Indy. A primeira já é parte tradicional

do calendário paulista: todo mês de novembro as atenções se voltam para o Autódromo de Interlagos, que recebe mais de 85 mil turistas, representando 60% do público total do evento. A prova é o acontecimento que gera a maior movimentação econômica na cidade: 230 milhões de reais, gastos em seus três dias de realização. Os fãs do esporte passaram a contar, a partir de 2010, com a Fórmula Indy nas ruas da capital paulista. Em 2010, a prova passou a ter um lugar fixo no calendário da cidade, no mês março. A estimativa é de que sua primeira edição tenha colaborado com 126 milhões de reais para a economia paulista, atraindo um público de 50 mil pessoas, entre elas 14 mil turistas.
 Com alguns dos maiores times do país, cinco estádios e o Museu do Futebol, a cidade é uma das 12 que vão sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014, com o estádio do Morumbi. A cidade está entre as concorrentes para sediar a abertura da Copa.

Capital mundial da gastronomia Se o primeiro motivo de grande parte dos turistas de São Paulo são os negócios e a participação em eventos, muitos acabam aproveitando a estadia,

COMO FUNCIONA

A

vida cultural paulistana se destaca no cenário internacional, e a cidade tem ofertas de cinemas, shows, restaurantes e casas noturnas para atender aos mais variados interesses. O turista se surpreende ao encontrar opções a qualquer hora do dia ou da noite.

12,5 mil restaurantes oferecem 52 especialidades culinárias

1,5 mil pizzarias, 500 churrascarias e 250 restaurantes japoneses estão instalados na cidade

319 salas de cinema, 280 salas de teatro e 294 salas para shows e concertos compõem o palco da vida cultural agitada de São Paulo

600 espetáculos teatrais são montados, em média, todo ano na cidade

64 parques e áreas verdes na cidade oferecem lazer variado ao visitante

110 museus de temáticas variadas estão à disposição do turista

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ACONTECE

e até a prolongam, para conhecer melhor a cidade. A capital paulistana tem mais de 12,5 mil restaurantes, com 52 tipos de cozinha, além de 15 mil bares. Um dos pratos mais tradicionais é a pizza paulistana, servida em mais de 1.500 pizzarias pela cidade.
 Em meio a tantas opções, é preciso destacar duas que constam do ranking mundial elaborado pela londrina “The Time”, o Top 100 Eating Experiences: os restaurantes D.O.M., na 24ª colocação, e o Fasano, no 83º posto, segundo a lista de 2009.

Entretenimento e cultura A indústria cultural e de entretenimento de São Paulo conta com 319 salas de cinema, 280 salas de teatro, 294 salas de shows e concertos, incluindo 184 casas noturnas. Com mais de 600

peças por ano, a cidade recebeu recentemente produções internacionais, como O Fantasma da Ópera, Cats e o Cirque du Soleil.
 Também não é difícil estar em São Paulo e poder assistir a um show de música pop internacional. Entre alguns dos que subiram aos palcos paulistanos nos últimos anos estão Madonna, Elton John, B.B. King e U2. No campo da música clássica, o Balé da Cidade e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) são reconhecidos internacionalmente pela qualidade de suas apresentações.
 A cidade possui ainda 110 museus. O Museu de Arte de São Paulo (Masp), que além de estar instalado na arrojada construção com um dos maiores vãos livres do mundo, possui em seu acervo obras de Monet, Renoir, Van Gogh, além de artistas brasileiros.  0

Eventos internacionais Ranking por número de eventos em 2008 rk Cidade e país

Eventos

1º Paris (França)

139

2º Viena (Áustria)

139

3º Barcelona (Espanha)

136

4º Cingapura (Cingapura)

118

5º Berlim (Alemanha)

100

6º Budapeste (Hungria)

95

7º Amsterdã (Holanda)

89

8º Estocolmo (Suécia)

87

9º Seul (Coreia do Sul)

84

12º São Paulo (Brasil)

75

Fonte: International Congress and Convention Association (ICCA)

José Patrício/AE

Competidores na primeira volta da corrida do Grande Prêmio de São Paulo, realizado no Jockey Club paulistano, na zona sul da capital paulista: o tradicional evento atrai milhares de turistas para a cidade

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São Paulo OUTLOOK

A


divulgação

OCUPAÇÃO MÁXIMA A

São Paulo OUTLOOK

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São PAulo em Números

410

hotéis com 42 mil apartamentos estão disponíveis na cidade

62%

foi a taxa de ocupação média de hotéis e flats em 2009

50%

da ocupação de hotéis de luxo é de turistas internacionais

R$

197

foi o valor da diária média nos hotéis paulistanos em 2009

Hotel Unique, situado na Avenida brigadeiro Luís Antônio, na zona sul de São Paulo www.analise.com

São Paulo OUTLOOK

A


Tiago Queiroz/AE

AGENDA AGENDA


AGENDA

capital de negócios e lazer A capital paulista é o centro de eventos culturais, esportivos e de entretenimento da América Latina, além de ser a 12a no mundo em número de feiras internacionais e encontros de negócios. Conheça, a seguir, alguns dos principais acontecimentos que ocorrem periodicamente na cidade

São Paulo Fashion Week www.spfw.com.br

Criada em 1996, a SPFW tornou-se referência e está entre as principais semanas de moda do mundo, ao lado de Paris, Milão, Londres e Nova York. Em 2009, as duas edições do evento receberam cerca de 100 mil pessoas cada.

Periodicidade Semestral Data Janeiro e Junho

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São Paulo OUTLOOK

153


Cesar HABERT PACIORNIK/ANÁLISE


Jefferson Pancieri/SPTuris

AGENDA

Carnaval de São Paulo www.spturis.com/carnaval

Salão do Automóvel www.salaodoautomovel.com.br A maior e mais importante feira da indústria automotiva da América Latina realiza sua 26ª edição em 2010. O evento, que apresenta esportivos, utilitários e carros conceito, recebe cerca de 650 mil visitantes por edição.

O Carnaval é a mais famosa festa popular brasileira e atrai turistas de todo o mundo. Em São Paulo, o evento é marcado por dois dias de desfile das escolas de samba com apresentações temáticas e luxuosas. Em 2010, a festa recebeu 35 mil turistas, sendo 20% estrangeiros.

Periodicidade Anual Data Fevereiro e Março

Periodicidade Bianual Data Outubro e Novembro

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Maurício Lima/AFP Photo

AGENDA

circuito de shows www.cidadedesaopaulo.com São Paulo é destino certo nas turnês de músicos internacionais, conta com dezenas de casas de show e possui estrutura para apresentações com até 70 mil espectadores. Nos últimos anos, a cidade recebeu artistas como Madonna (foto), Elton John, B.B. King. e Beyoncé.

FÓRMULA 1 e FÓRMULA INDY www.gpbrasil.com www.saopauloindy300.com.br Periodicidade Anual Data Março (F-Indy) e Novembro (F-1)

Periodicidade O ano todo 156

São Paulo OUTLOOK

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Rickey Rogers/REUTERS

São Paulo é a única cidade do mundo a sediar etapas dos dois principais campeonatos internacionais de automobilismo. Desde 1972, o Autódromo de Interlagos recebe a Fórmula 1 e, em 2010, a cidade passou a ser palco da Indy 300

Marcelo Maragni/Foto Arena


J. F. Diorio/AE


AGENDA

circuito de música Erudita

teatro e espetáculos

www.salasaopaulo.art.br

www.cidadedesaopaulo.com

A cidade conta com apresentações de música erudita praticamente todos os dias do ano. A principal casa de concertos, a Sala São Paulo, é o berço da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), que é regida pelo maestro Yan Pascal Tortelier (foto).

Com 280 salas de teatro e casas de espetáculo, a cidade de São Paulo conta com uma ativa produção teatral local, além de ser destino de grandes espetáculos internacionais, como os musicais da Broadway Cats, Les Misérables, O Fantasma da Ópera e A Bela e a Fera, e o mundialmente famoso Cirque du Soleil (foto).

Periodicidade O ano todo

Paulo Liebert/AE

Periodicidade O ano todo


AGENDA

Futebol e esportes www.copa2014.org.br

São Paulo abriga dois dos principais estádios brasileiros e será, em 2014, umas das cidadessede da Copa do Mundo no Brasil. Além de abrigar três dos principais clubes de futebol do país, o município também é palco de campeonatos nacionais e internacionais de vôlei, judô, além de ser um tradicional centro de treinamento de nadadores e ginastas olímpicos.

Periodicidade O ano todo 160

São Paulo OUTLOOK

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Divulgação

AGENDA

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São Paulo OUTLOOK

161


MÁRCIO FERNANDES/AE


AGENDA

FEIRAS DE NEGÓCIOS www.anhembi.com.br

São Paulo agrega 75% do mercado brasileiro das feiras de negócios e, em 2010, a perspectiva é de que receba 112 grandes eventos com 28 mil empresas expositoras e público de quase 4 milhões de visitantes. Na foto, feira de calçados no Anhembi.

www.paradasp.org.br A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo teve sua primeira edição em 1997 e cresceu para se tornar o maior evento de seu gênero no mundo. Na edição de 2009, a parada atraiu cerca de 3,5 milhões de pessoas, sendo 400 mil turistas do Brasil e de outros países.

Periodicidade Anual Data Junho

Valéria Gonçalvez/AE

Periodicidade O ano todo

Parada do orgulho Gay

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São Paulo OUTLOOK

A


COMER EM Sテグ PAULO

Pizza napolitana recテゥm-saテュda do forno, na pizzaria Esperanza, no centro da cidade

A

Sテ」o Paulo OUTLOOK

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São PAulo em Números

US$

10

é o custo médio da refeição na região metropolitana de São Paulo

US$

22

é o custo médio de uma refeição no município de São Paulo

92% dos turistas gastronômicos aprovam os restaurantes paulistanos

59%

Agliberto Lima/AE

dos turistas em geral aprovam os restaurantes paulistanos

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São Paulo OUTLOOK

A


População

CLAYTON DE SOUZA/AE


Movimentação intensa durante a comemoração do Ano Novo Chinês, no bairro da Liberdade, em São Paulo, em janeiro de 2009: o fim do ano chinês do Rato coincidiu com o aniversário da capital paulista

Confira, nas próximas páginas, as características da população paulistana

Os indicadores populacionais e o perfil da sociedade brasileira As diferentes etnias e culturas que compõem a população paulistana A melhoria nos níveis de renda e na qualidade de vida na cidade


Divulgação

POPULação saúde POPULação

A taxa de mortalidade infantil na região metropolitana recuou: de 15,79 óbitos a cada mil nascidos vivos em 2000 para 12,48 em 2009, enquanto a média do Brasil é de 23,59 mortes por mil nascimentos


POPULação

DIVERSIDADE E QUALIFICAÇÃO São Paulo possui uma população de perfil extremamente variado, gerando uma gama expressiva de talentos, vocações e consumidores

S

ão Paulo e sua região metropolitana formam a terceira maior aglomeração urbana do mundo, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2010. A quantidade aqui se traduz não só em números, mas em diversidade populacional, com uma larga faixa na idade produtiva, boa qualificação e predominância de domicílios nas classes econômicas B e C, com alto poder aquisitivo.
 Centro econômico e financeiro, São Paulo tornou-se a cidade dos executivos e dos tomadores de decisão. A metrópole concentra 37% dos executivos médios de empresas nacionais, dentro de um universo de 106 cidades brasileiras. Já a participação dos profissionais paulistanos no total dessas ocupações em multinacionais no Brasil representa 53%.

Mudança no perfil da população Os 11 milhões de habitantes da capital paulista representam 5,7% da população total do Brasil e 26% do estado de São Paulo. Ao se juntar aos 38 municípios ao seu redor, a maior ciwww.analise.com

dade do país forma a chamada região metropolitana, que soma quase 20 milhões de pessoas.
 Desde a década de 1950, o padrão etário da população paulistana demonstra uma tendência de amadurecimento. A participação dos idosos no total da população dobrou, e o número de jovens com menos de 15 anos caiu ao redor de 5%.

4 milhões de habitantes não nasceram na cidade, que reúne pessoas de 70 etnias A idade média dos habitantes de São Paulo aumentou em seis anos, de 27 para 33 anos. Metade do contingente populacional encontra-se com idades até 32 anos. Já os idosos – habitantes de 60 anos ou mais – representam 11% da população.
Essa mudança na pirâmide populacional é reflexo do desenvolvimento da cidade e da consequente melhora nas condições sociais, que elevam a esperança de vida ao nascer. Dados do Instituto Brasileiro de Geo-

grafia e Estatística (IBGE), de 2008, indicam que a expectativa de vida brasileira está em 72,86 anos, enquanto a do estado de São Paulo é de 74,5 anos, a mesma da cidade de São Paulo, um avanço de quase cinco anos em relação ao índice de 69,13 anos registrado em 1991. A média mundial, segundo a ONU, é de 67,2.
 A redução significativa da mortalidade infantil, referente às mortes entre crianças menores de 1 ano, também contribuiu. A taxa, que considera o número de óbitos em mil nascidos vivos, evoluiu de 26,03 em 1991, para 15,79 em 2000, e em 2008 atingiu 11,99 na cidade de São Paulo. Neste último ano, a região metropolitana da cidade registrou 12,48, e o estado paulista, 12,56.
A média do Brasil é de 22,80 mortes por mil nascimentos, à frente de cidades emergentes como Mumbai, na Índia, e Cidade do México, no México. A primeira registrou 34,57 em 2006, e a segunda 24,41 em 2000, de acordo com órgãos locais. Por outro lado, as cidades de países desenvolvidos revelam uma média na metade do índice paulista. Nova York registrou 5,4 para o período de 2001 a 2007; Londres registrou, em 2002, 5,6.

São Paulo OUTLOOK

169


POPULação

Crescimento controlado Somada a esses indicadores está a redução da taxa de fecundidade decorrente, principalmente, de dois fatores: melhorias no setor de saúde, com acesso a informações sobre planejamento familiar e a métodos contraceptivos, e a mudança do perfil feminino, acompanhando a tendência de grandes centros econômicos e financeiros, nos quais as mulheres dão maior importância às suas carreiras e acabam optando por ter filhos mais velhas e em um número menor.
 Em 2009, o índice de fecundidade foi de 56 nascidos vivos para cada mil mulheres em idade fértil – de 15 a 49 anos – bem menor que a de 2000, quando foi de 66. A população de São Paulo continua a crescer, mas em níveis menores do que no passado. Nos últimos anos, a taxa anual foi de 0,6%, praticamente a metade da taxa de 1,1% registrada na década de 1980.

Qualidade de vida em alta Com uma acomodação melhor entre a estrutura e a população, a cidade de São Paulo viabilizou, na última década, uma distribuição de renda mais equilibrada e consequente redução da pobreza.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade é de 0,841, superior ao brasileiro, de 0,813.

A cidade de São Paulo apresenta índice bem acima de outros centros globais emergentes, como Mumbai, na Índia, que em 2006 obteve 0,56. Na América do Sul, a cidade de Santiago, no Chile, é a única com índice maior que a capital paulista, de 0,912. Buenos Aires, na Argentina, tem 0,81.
 Nos distritos mais centrais do município, o índice chega a níveis muito mais altos, como Moema e Pinheiros, com taxas superiores a 0,96. Para efeitos de comparação, a Noruega, país com maior nível de desenvolvimento humano do mundo, tem o índice de 0,96.

Melhoria nos níveis de renda No ano 2000, 23% dos domicílios paulistanos tinham uma renda média familiar abaixo de 600 reais. Em 2009, essa participação caiu para 12% dos domicílios. Houve um deslocamento da população para a classe C, que inclui domicílios com renda média de 1,4 mil reais, e mais ainda para a faixa de renda média superior, nas quais o valor médio é de 2,3 mil reais. No início da década, essa parte da população representava 18,7% dos domicílios, hoje já atinge 24,5%. Além de a renda ter melhorado, o número de moradores por casa também é menor. Em 2009, a média foi de três habitantes por domicílio, em um total de 3,2 milhões de domicílios.

Profissionais qualificados O perfil do paulistano contemporâneo – nem tão jovem, nem tão idoso, com maior poder aquisitivo e com o orçamento disponível para o consumo, além de uma boa qualificação educacional – facilita sua colocação no mercado de trabalho. A cidade de São Paulo concentra 65% das sedes de empresas brasileiras e multinacionais do país por ser um centro financeiro e econômico, mas também é onde vivem e se formam os principais profissionais que atuam nessas companhias. 
 Dentro de um mundo globalizado, outra observação interessante e significativa é que o número de expatriados – executivos que migram de outros países – foi reduzido, de acordo com a consultoria Michael Page, especializada em recrutamento de executivos. Os profissionais da cidade são vistos como qualificados o suficiente para ocupar as funções. Mesmo nos casos em que as empresas estrangeiras vão iniciar seus projetos, a preferência tem sido por executivos brasileiros.

Diversidade cultural e racial A população de São Paulo é uma mistura das mais diversas culturas do mundo. A cidade foi construída a partir de uma grande corrente imigratória de estrangeiros e se consolidou com a

População paulistana Representatividade

Projeção de crescimento

Aglomeração urbana em milhões de habitantes

Participação na população do Brasil

10%

Região metropolitana de São Paulo

2010 2025

36,7 37,1 28,6 22,7

90%

Demais cidades brasileiras

170

São Paulo OUTLOOK

Tóquio

Nova Délhi

20,3 21,7

São Paulo

25,8 20,1

Mumbai

www.analise.com

19,5 20,7

Cidade do México


Monaliza Lins/AE

POPULação

A participação dos idosos no total da população da cidade dobrou, e hoje os habitantes de 60 anos ou mais, como esse grupo de frequentadores do Parque da Água Branca, representam 11% da população chegada de migrantes de outras partes do país e do próprio estado. Desde as últimas décadas do século 19 até a metade do século passado, foram aproximadamente 2,3 milhões de imigrantes que chegaram ao estado, boa parte permanecendo na capital. Hoje, São Paulo é a cidade com as maiores populações de origens japonesa, espanhola, portuguesa e libanesa fora de seus respectivos países. A colônia italiana transformou o território paulista na terceira maior cidade em número de descendentes no mundo. Com a redução da imigração europeia e asiática, principalmente depois da década de 1950, a cidade começou a receber mais brasileiros, principalmente do Nordeste.
 Ao todo, são mais de 70 etnias e culturas que participaram da construção de uma das maiores cidades multiculturais e ecumênicas do mundo. O que colabora para que São Paulo fale muitos idiomas, encurtando a rota do entendimento com outras nações, e viabilize intercâmbios em diversas frentes.  0 www.analise.com

COMO FUNCIONA

A

população paulista tem a pirâmide etária dividida em: 24% de 0 a 14 anos, 64% de 15 a 59 anos e 11% acima de 60 anos. As mulheres são maioria, compreendem 52% do total, pela maior expectativa de vida desse sexo. Com isso na faixa acima de 60 anos a participação aumenta e chega a 61%. Os habitantes residentes em área urbana compreendem 94% do total e, dentre os habitantes da cidade mais de quatro milhões não são naturalmente paulistas.

infantil paulistana medida em 2008. No ano 2000, o número era de 15,79 e, em 1991, de 26,03 ● 3,3 pessoas é o tamanho médio de uma família que mora na cidade de São Paulo ● 78% dos domicílios da cidade são chefiados por homens ● 196 mil estrangeiros vivem no município

A composição racial da cidade de São Paulo é de brancos (68%), pardos (25%), pretos (5,1), asiáticos (2%) e indígenas (0,2%), segundo classificação do IBGE

0,841 é o IDH da cidade de São Paulo segundo o censo de 2000. Em 1991, o índice era de 0,805 ●

11,99 é a taxa de mortalidade

São Paulo OUTLOOK

171


população estável

Consumidores em corredor de shopping localizado na zona norte de São Paulo

A

São Paulo OUTLOOK

www.analise.com


Ernesto Rodrigues/AE

São PAulo em Números

0,6%

é a média anual de crescimento da população

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15%

foi a queda da taxa de fecundidade em dez anos

24%

foi a queda da mortalidade infantil em oito anos

75,5

anos é a expectativa de vida no município de São Paulo

São Paulo OUTLOOK

A


diversidade

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FAMÍLIAS PAULISTANAS

Conheça, a seguir, 16 famílias que contribuem para a diversidade cultural dessa metrópole acolhedora e cheia de oportunidades  Fotos Cláudio Gatti

líbano

Ahmad Ibraim Saad, que adotou o nome Armando, chegou à cidade em 1951

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diversidade

A

cidade de São Paulo é uma autêntica mistura de nacionalidades, etnias e culturas que refletem no perfil de sua população. Muito além dos cerca de 200 mil estrangeiros que vivem no município – provenientes de mais de 70 países –, a maior parte dos paulistanos consegue traçar a origem de sua família de volta a imigrantes de uma ou várias nacionalidades. A capital paulista concentra as maiores populações de origem japonesa, espanhola, portuguesa e libanesa fora de seus respectivos países. A colônia italiana também é destaque, o que transforma o município no terceiro maior do mundo em descendentes provenientes do país europeu. Mais recentemente, a cidade recebeu um afluxo de imigrantes corea-

nos e chineses, além de atrair moradores de países vizinhos, principalmente Chile, Argentina e Bolívia. Esse ambiente contribui para uma cidade multicultural, que fala muitos idiomas e resulta em um perfil muito particular de profissional, com talentos e recursos variados. A capacidade de adaptação e compreensão das necessidades de clientes estrangeiros é refletida em diversos setores em São Paulo. É possível observar essa conjuntura de fatores na gastronomia e hotelaria, por exemplo, ou no perfil dos escritórios de advocacia paulistanos. O resultado é que a mão-de-obra formada em São Paulo é uma das mais qualificadas para atuar em um ambiente de negócios que, cada vez mais, deixa de fazer distinção entre países em busca de melhores mercados e oportunidades.

Perfil dos imigrantes Entre os 200 mil estrangeiros da cidade

32%

40%

Portugal

Outros

7%

Espanha

10%

A

São Paulo OUTLOOK

Japão

Itália

21% 4%

Naturalizados

Bolívia

79%

Estrangeiros

ÍNDIA

Itália A família Stippe em sua cantina no centro, fundada em 1931 pelo imigrante italiano Francesco Stippe

11%

Guchi Kukreja e sua esposa Bani, de Nova Délhi, visitaram a cidade em 1998 e decidiram ficar

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diversidade

Coreia do sul In Sik Park e Mi Sook Lee, que se conheceram em São Paulo após imigrarem de Seul, com os filhos Julia, 2, Fernanda, 5, e Eric, 8

Nigéria Chibuzor Nwaike veio ao Brasil em 1983 e seis anos depois casou-se com a brasileira Ana Paula. Na foto, o casal com os filhos Sofia, 11, e Arthur, 9

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São Paulo OUTLOOK

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espanha

Grupo de dança flamenca El Rocio, da Sociedade Hispano-Brasileira, fundada em 1898 em São Paulo

china Wei Chang Qing chegou à cidade, em 1991, com a mulher e seu filho Bob Wei (dir.). Oscar Wei nasceu em São Paulo

PORTUGAL Paula Almeida, que chegou à cidade em 1976, com a filha Julia em seu ateliê de cerâmica

180

São Paulo OUTLOOK

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grécia

Nicolas Papadimitropoulos, que veio à cidade em 1963, na foto com a esposa Ana Matheopoulus – filha de gregos – e os filhos Alexandra, 17, e Emmanouil, 15

frança Jeanne Bourguignon nasceu em Versalhes e chegou a São Paulo em 1964

méxico Antonieta Pozas, que se casou com um brasileiro na cidade mexicana de Querétaro e veio a São Paulo em 2006, com a filha Maria Paulina


diversidade

inglaterra Steve Wingrove, de Liverpool, veio a S達o Paulo em 1996 e decidiu ficar. Casou-se com uma brasileira, com quem tem tr棚s filhos: Helena (esq.), Mel e Tommy

jap達o A matriarca Haruko Arakaki, de Okinawa, desembarcou na cidade em 1966. Na foto com a filha Maria Saito e os netos Satoro e Yumi

184

S達o Paulo OUTLOOK

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hungria Gyorgy Bernad veio a São Paulo no ano de 1988 com seus pais, então diplomatas. A família decidiu ficar na cidade e hoje tem uma importadora de produtos húngaros

escócia Colin Pritchard nasceu em Edimburgo e veio em 1990 a São Paulo a trabalho. Ao se aposentar, abriu uma escola de inglês com sua mulher, que é brasileira

bolívia Beatriz Cruz (esq.), Cirilo Santos, e as irmãs Fabiana, Suely e Valéria Flores (à frente), da comunidade boliviana do bairro da Casa Verde, na zona norte


ed viggiani/ae

Operário instala carenagem móvel do jato Legacy, na fábrica da Embraer, no interior do estado de São Paulo: a empresa já produziu cerca de cinco mil aeronaves, que hoje operam em 88 países, nos cinco continentes


Pesquisa

e desenvolvimento Confira, nas próximas páginas, o que São Paulo desenvolve no setor de pesquisa público e privado O aumento da produção científica e as expectativas positivas

As renomadas universidades, centros técnicos e de pesquisa

A criação de parques tecnológicos e outros projetos


DIVULGAÇÃO

pesquisa pesquisaeedesenvolvimento desenvolvimento

Instalações do laboratório da indústria farmacêutica Aché, na região metropolitana de São Paulo: no município existem aproximadamente 3,4 mil empresas com programas voltados à inovação


pesquisa e desenvolvimento

CIÊNCIA DE QUALIDADE Na última década o país dobrou sua produção científica, concentrada em São Paulo, e caminha para se consolidar entre os dez maiores em pesquisa e desenvolvimento no mundo

A

cidade de São Paulo mantém a mais avançada estrutura de pesquisa e desenvolvimento da América Latina, agregando conceituadas universidades, centros técnicos e educacionais, núcleos de pesquisas e laboratórios. O desenvolvimento científico no estado combina importantes incentivos governamentais e financiamento do setor privado.
 Desde 2008, com a aprovação da Lei Paulista de Inovação, foi iniciada a criação de um conjunto de parques tecnológicos no estado denominado Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). Ao fim de 2009, já existiam 30 projetos para a implantação desses parques, dois deles na cidade de São Paulo.

Produção científica em ascensão O sistema de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do estado de São Paulo é o mais avançado do país – responsável por quase a totalidade da produção científica e 45% dos doutores formados no Brasil. www.analise.com

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as principais universidades instaladas em São Paulo são responsáveis por praticamente toda a produção científica do país, o que representaria quase 2% de tudo o que é registrado no mundo. O percentual ainda é pequeno se comparado ao de países como Estados Unidos e Inglaterra, que respondem por 20% e 6% da produção mundial, respectivamente, mas é o dobro da representatividade do Brasil há dez anos.
 Em número de artigos publicados, o Brasil saltou da 20ª para 14ª posição no mundo, de 1998 a 2008, com mais de 33 mil documentos no ano. Com isso, ultrapassou a Rússia pela primeira vez nesse quesito, mas continua atrás da Índia e da China.
 Na análise qualitativa, no entanto, o país desbanca seus parceiros do Bric. De todos os documentos publicados por pesquisadores brasileiros em 2008, 31% foram citados em outros artigos científicos, ante 28% da Índia, 22% da China e 19% da Rússia. Em termos de colaboração entre cientistas de diferentes países, o Brasil também é destaque. Cerca de um terço da pro-

dução do país foi realizado de forma colaborativa, índice ligeiramente superior ao da Rússia e bem acima dos 21% da Índia e 16% da China. Na última década, a produção científica brasileira triplicou, em grande parte graças aos centros de pesquisa e cientistas paulistanos.

O desafio da formação de pesquisadores O principal desafio para o avanço da área de pesquisa e desenvolvimento em São Paulo é o incremento na formação de cientistas. Em 2009, o estado mantinha uma média de 0,8 pesquisador para cada mil habitantes, cerca de três vezes menos do que países como Espanha, Itália e Canadá, entre os dez maiores produtores de conhecimento científico do mundo.
 A relação entre o número de graduados no ensino superior e o número de habitantes é de 30% em São Paulo e 23% no Brasil, ante uma média de 55% na Espanha, França e Estados Unidos. O país já supera seus vizinhos latinoamericanos como México (20%) e Argentina (13%), mas precisa continuar investindo em educação superior para

São Paulo OUTLOOK

191


pesquisa e desenvolvimento

abastecer o mercado de novos e qualificados profissionais.
 A evolução dos últimos anos mostra que São Paulo está no caminho certo. A quantidade de pesquisadores no estado dobrou entre 1995 e 2008 para cerca de 50 mil profissionais.

trajetória ascendente, atingindo 1,52% em 2008. A meta é chegar à média registrada pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2,3% do PIB, até 2020.

Fontes de financiamento

São Paulo gastou 13,5 bilhões de reais em 2008 com pesquisa e desenvolvimento

O estado de São Paulo já conta com uma estrutura de financiamento de pesquisa e desenvolvimento similar à de países desenvolvidos, com a maior parte dos recursos sendo provida pelo setor privado.
 Em 2008, o dispêndio total no setor em São Paulo foi de 13,5 bilhões de reais, três vezes mais que em 2000, segundo dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). As companhias privadas contribuíram com 9,5 bilhões de reais, 62% do total, e as instituições de ensino superior estaduais com 2,6 bilhões de reais, cerca de 17%. As agências de fomento e instituições de pesquisa federais e estaduais foram responsáveis pelo restante dos recursos.
 Além de ampliar as fontes de financiamento, o estado de São Paulo viu um aumento real dos recursos para produção científica em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB). A partir de 2000, o dispêndio chegou a cerca de 1% do PIB e entrou em uma

Parques tecnológicos O governo do estado de São Paulo criou o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec) para dar apoio e suporte aos parques tecnológicos, com o objetivo de atrair investimentos e gerar novas empresas intensivas em conhecimento ou de base tecnológica. As empresas que se instalarem em áreas do SPTec podem se beneficiar de incentivos fiscais e outros facilitadores para a produção de conhecimento científico.
 Em 2010, a prefeitura de São Paulo e o governo estadual credenciaram o primeiro parque na cidade, no SPTec localizado no zona leste do município. O complexo – que abrigará institui-

ções de ensino e pesquisa, laboratórios, empresas incubadas e um centro de convenções – será voltado para pesquisa nos setores de tecnologia da informação e software, medicina, inteligência de mercado e mídia e têxtil. Com esse parque, já chegam a 15 os projetos cadastrados no estado.
 O segundo parque do município será localizado na zona oeste e instalado junto ao maior polo de ciência e tecnologia da América Latina, que agrega a Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto Butantan – vinculados ao governo do estado de São Paulo –, além do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Incubadoras e empresas inovadoras Paralelamente aos grandes projetos e parques tecnológicos na cidade, São Paulo também agrega uma diversidade de iniciativas menores que contribuem para capilarizar o desenvolvimento científico e que trazem resultados mais imediatos em termos de retorno financeiro para os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
 Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no município existem cerca de 3,4 mil empresas com programas voltados à

Pesquisa paulistana Concentração de recursos

Produção científica

Referência entre os Bric

Gastos federais em bolsas de pesquisa

Participação do país em artigos no mundo

Artigos citados em 2008, em milhares

28%

1,75%

Demais estados brasileiros

32

29

1,5

22

19

1,25

72%

São Paulo

192

São Paulo OUTLOOK

1 1998

2008

Brasil

Índia

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China

Rússia


Paulo Whitaker/Reuters

pesquisa e desenvolvimento

Pessoas aproveitam a conexão de alta velocidade à internet na Campus Party: este ano, a cidade vai contar com parque tecnológico voltado para pesquisa nos setores de tecnologia da informação e software inovação. Entre elas, 66% são companhias de pequeno porte que investem diretamente em aplicações práticas para seus projetos de pesquisa. Nesse meio, quatro áreas respondem juntas por mais da metade dos gastos: produtos químicos (16,6%), montagem de veículos automotores (15,6%), material eletrônico e equipamentos de comunicação (12,2%) e outros equipamentos de transporte (11,9%). Os dois primeiros têm grande participação na receita líquida de vendas da indústria do estado, 19,1% e 13,6%, respectivamente, o que confirma a influência dos gastos de pesquisa no esforço de vendas.
 Assim como ocorre em todo o mundo, as próprias empresas são responsáveis pela maior parte do investimento. Em São Paulo, 86% dos dispêndios com essas atividades correspondem a recursos próprios. A taxa é muito próxima aos 90% registra  0 dos por países da OCDE. www.analise.com

COMO FUNCIONA

A

cidade de São Paulo abriga as mais renomadas universidades e centros técnicos e educacionais do país, que produzem ensino e pesquisa de alta qualidade. As principais universidades paulistanas são responsáveis por praticamente toda a produção científica do Brasil. Além disso, a área de pesquisa e desenvolvimento recebe grandes investimentos empresariais, e também conta com o suporte de projetos de incentivo com recursos públicos, tanto federais quanto estaduais.

70 incubadoras de empresas estão em operação no estado de São Paulo

50 mil pesquisadores atuam em São Paulo, 60% deles no setor privado

3.373 empresas paulistanas possuem programas voltados à inovação

45% dos profissionais titulados como doutores no Brasil provém da cidade de São Paulo

2% de toda a produção científica mundial é brasileira, dessa participação quase tudo vem de São Paulo

13,5 bilhões de reais foi o gasto paulista com pesquisa e desenvolvimento em 2008

São Paulo OUTLOOK

193


SEBASTIテグ MOREIRA/AE

PERFIL DO CIENTISTA A

Sテ」o Paulo OUTLOOK

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Laboratório do departamento de microbiologia de Ciências BiomÉdicas da USP

São PAulo em Números

398 mil

pessoas atuaram em pesquisa e desenvolvimento no país em 2008

13%

dos pesquisadores atuam em tempo integral no setor privado

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98%

foi o avanço dos pesquisadores paulistas em 13 anos

72%

das bolsas de pesquisa federais são concedidas no estado

São Paulo OUTLOOK

A


EDUARDO NICOLAU/AE

Educação Confira, nas próximas páginas, a qualidade da educação e da mão-de-obra que São Paulo tem a oferecer


Laboratório de Biologia do Centro Federal de Educação Tecnológica, que lidera a lista de escolas públicas de São Paulo no Exame Nacional do Ensino Médio: as escolas técnicas destacam-se no ensino público brasileiro

A estrutura e a qualidade do ensino básico ao profissionalizante As principais universidades públicas e privadas do país estão na cidade O crescente mercado de MBAs e pós-graduação em São Paulo


Alexandre Battibugli/Abril

educaçãO saúde EDUCAÇÃOeeMÃO-DE-OBRA MÃO-DE-OBRA

Aula de curso de ensino superior na Fundação Getulio Vargas (FGV): em 2005 São Paulo oferecia aproximadamente mil cursos de pós-graduação; em 2010, esse número duplicou para dois mil

A

São Paulo OUTLOOK

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educaçãO e MÃO-DE-OBRA

EDUCAÇÃO CONTINUADA A cidade possui uma sólida estrutura de ensino básico e técnico, e avança agora na graduação e especialização de seus profissionais

A

qualificação e o nível de instrução da população levam São Paulo a se destacar nos cenários nacional e internacional. A alta escolaridade funciona como um importante diferencial competitivo nos negócios, sendo fator determinante para a escolha da cidade para a instalação de empresas multinacionais.
 Quando comparado a outros lugares do mundo no quesito tempo médio de escolarização de um adulto, de acordo com dados da Unesco, o Brasil, com 11 anos, está em sexto lugar. Atrás somente de Estados Unidos (12), Noruega (11,8), Nova Zelândia (11,7), Canadá (11,6) e Suécia (11,4).
 A situação é ainda melhor no estado de São Paulo, que, segundo o Censo Escolar de 2008 do Ministério da Educação (MEC), é a região com a menor evasão escolar desde a infância – 0,8%. Possui, ainda, a menor taxa de reprovação (5,8%), enquanto as taxas médias do Brasil são, respectivamente, 4,4% e 11,8%. Nesses quesitos, a educação paulista se assemelha aos indicadores dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento www.analise.com

Econômico (OCDE).
 No município de São Paulo, dados do MEC apontam que cerca de 50% dos ocupados têm 11 ou mais anos de estudo, e 13% deles contam com ensino superior completo. Em outras partes do Brasil, esses índices ficam em 41% e menos de 10%, respectivamente.

Educação infantil em expansão Na educação dos jovens, a capital paulista também ganha destaque. Entre os jovens de 15 a 17 anos, 87% estão na escola, índice similar aos 82% registrados em todo o Brasil.
 Em São Paulo, no entanto, 70% desses alunos estão matriculados no ensino médio, o que indica que estão cursando a série apropriada para sua idade. O índice é próximo ao observado nos países da OCDE, de 80%, e muito acima dos 50% da média brasileira, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
 Para atender à demanda, muitas escolas privadas foram abertas na última década. Alguns desses colégios, principalmente os associados a cursos

de pré-vestibular, vêm crescendo e se transformando em redes, como o Colégio Objetivo, que tem milhares de alunos em todo o Brasil e uma visão de negócio bastante empresarial.
 Seguindo este mesmo modelo, outros grupos cresceram e criaram imensas redes de franquias que hoje dominam mais de 30% do mercado educacional do Brasil: o Pitágoras de Belo Horizonte, o Positivo e o Expoente do Paraná, os paulistas COC e Anglo, os cariocas CEL, MV1 e GPI. Juntos, eles movimentam um negócio de mais de seis bilhões de reais por ano.

90 mil graduados por ano São Paulo conta com ampla rede de universidades de excelente nível. Há, na cidade, duas universidades públicas federais, quatro públicas estaduais e 142 instituições privadas.
 A Universidade de São Paulo (USP) é a mais notória entre elas e consta da lista das 200 melhores instituições de ensino superior do mundo. No ranking anual elaborado pelo jornal inglês The Times a instituição paulistana aparece em 175º lugar. Desde sua fundação, em 1934, a USP é mantida por verbas

São Paulo OUTLOOK

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educaçãO e MÃO-DE-OBRA

federais e já formou 213 mil estudantes, além de ter concedido 89 mil títulos de mestre ou doutor.
 Entre as dez universidades particulares do país com o maior número de matrículas, cinco estão na capital. A Universidade Paulista (Unip) lidera o ranking, com cerca de 167 mil alunos, seguida pela Universidade Nove de Julho (Uninove), com 93 mil, esses números somam unidades na capital e na região metropolitana.
 Todos os anos, as faculdades instaladas na capital formam 90 mil alunos, de acordo com um balanço do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao MEC.

impacto da pós-graduação na remuneração. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas indica que cada ano de estudo adicional representa um aumento médio de 15% no salário no Brasil.

O salto da especialização

Outra frente de formação bastante requisitada no Brasil é a do ensino profissionalizante. E São Paulo conta com uma ampla rede de instituições, com excelente infraestrutura voltada para a qualificação de sua mão de obra. Em todo o estado, são 1.191 estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio – 35% do total nacional, que atendem cerca de 200 mil alunos todo ano. Em 2010, 21 novas unidades serão inauguradas, segundo projeções do governo estadual.
 O setor deve continuar a se beneficiar de fortes investimentos governamentais. Na esfera federal, o orçamento para o setor cresceu 28% de 2009 para 2010, ultrapassando dois bilhões de reais. No governo paulista, a previ-

são é aplicar um bilhão de reais neste ano, o mesmo valor de 2009. O Centro Paula Souza, por exemplo, que administra as Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) de ensino médio e as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) de ensino superior, pretende inaugurar quatro novas unidades de ensino em 2010. O estado de São Paulo investe nessa área e alcança uma proporção do número de matrículas no ensino técnico em relação ao ensino médio de 12%, enquanto a média brasileira é de 7%. Já nos países desenvolvidos esse número fica acima de 30%.
 As Etecs somam 186 unidades em todo o estado e formam 180 mil estudantes em 91 habilitações nos setores de indústria, agropecuária e serviços. Já as 49 Fatecs atendem mais de 40 mil alunos, em 148 municípios, em 51 cursos superiores em áreas como construção civil, mecânica, informática, tecnologia da informação e turismo. 
 Segundo pesquisa de monitoramento do Centro Paula Souza – autarquia estadual responsável pela administração de todas as Etecs e Fatecs, ex-alunos têm uma remuneração média de 2,2 salários mínimos (de 1.232 a 1.276 reais). Na pesquisa de 2008, a média era 1,8 salário mínimo, ou seja, houve um avanço de 22% – a inflação acumulada do período foi de 4%. Os estudantes costumam ser procurados ainda durante os estudos, assim o nível de empregabilidade dos ex-

Vagas no ensino superior

Tempo na escola

Evolução universitária

Participação no total do país

Média de anos de estudo de um adulto

Vagas por mil habitantes maiores de 18 anos no estado de São Paulo

O imenso contingente de egressos do ensino superior gera uma demanda cada vez maior por cursos de Master Business Administration (MBA), pósgraduação e especialização na cidade, o que refletiu em um aumento significativo da oferta dessa modalidade de curso nos últimos anos. Em 2005, São Paulo oferecia aproximadamente mil cursos de pós-graduação. Em 2010, esse número duplicou para dois mil. Considerando apenas cursos de MBA, a capital conta com mais de mil, segundo a Associação Nacional de MBA (Anamba). Segundo a entidade, um dos principais fatores que explicam esse fenômeno é o

As 179 instituições de ensino superior da região formam 90 mil profissionais por ano Estrutura sólida de ensino técnico

Educação paulistana

37%

Estado de São Paulo

12

11,8

11,6

37,5

11

10,9

37,4

30

22,5

63%

Demais estados brasileiros

200

São Paulo OUTLOOK

15

EUA

Noruega

Canadá

Brasil

Austrália

2001

2008

www.analise.com


educaçãO e MÃO-DE-OBRA

alunos atinge 73,7% – considerando no máximo um ano após a formatura. A maioria desses vínculos empregatícios, 88%, é formal.
 Os dois principais programas federais são o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), parte da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e das Federações das Indústrias dos Estados, e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O Senai atua em conjunto com o setor industrial e oferece serviços de ensino, assessoria, centro de pesquisa e apoio em mais de 28 áreas industriais em todo o país. O Senac possui parceria com quase cinco mil organizações e conta com centros de estudo de qualidade nas mais variadas áreas – em 2008 mais de um milhão de alunos se formaram e mais de 21 mil foram encaminhados ao mercado de trabalho.  0

COMO FUNCIONA

O

sistema de ensino no Brasil é dividido em infantil, para crianças de até 6 anos; fundamental, com nove anos de duração, para crianças entre 6 e 14 anos; e médio, com três anos de duração; além do ensino superior. No país, o sistema público é obrigado por lei a oferecer o ensino fundamental. A educação infantil é de responsabilidade dos municípios, o ensino fundamental dos municípios e dos estados, e o médio dos estados.

3 mil estabelecimentos fazem parte da rede municipal paulistana

● 1 milhão de alunos, aproximadamente, estudam em escolas municipais ● 6,6 mil escolas compõem a rede administrada pelo governo estadual de São Paulo ● 3,2 mil colégios privados atendem cerca de 643 mil alunos na cidade ● o ensino superior soma um total de 179 instituições, na cidade e região metropolitana de São Paulo. Juntas, essas instituições formam 90 mil profissionais por ano

Paulo Whitaker/Reuters

Estudantes visitam o Museu da Língua Portuguesa: cidade tem 181 estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio, 35% do total nacional, que atendem cerca de 200 mil alunos ao ano

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São Paulo OUTLOOK

A


FOCO NO MERCADO A

S達o Paulo OUTLOOK

www.analise.com


Vidal Cavalcanti/AE

Sala de aula da faculdade Ibmec São Paulo, na zona sul da cidade

São PAulo em Números

1.000

cursos de MBA são oferecidos na cidade de São Paulo

49%

das melhores pós-graduações do Brasil estão em São Paulo

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97%

foi o avanço nos cursos de pósgraduação em cinco anos

200 mil

alunos se formam na educação profissionalizante estadual ao ano

São Paulo OUTLOOK

A


FILIPE ARAÚJO/AE


Supermercado localizado na zona sul da capital paulista utiliza alta tecnologia, entre elas preços em etiquetas eletrônicas e carrinhos munidos de computadores, para difundir a alta tecnologia no varejo

Renda

Confira, nas próximas páginas, os indicadores da renda e do poder de compra da cidade de São Paulo A décima cidade do mundo em geração de riqueza

São Paulo representa mais de 10% do PIB do Brasil

Os executivos mais bem pagos da América Latina


saúde RENDA RENDAeePODER PODERDE DECOMPRA COMPRA

Supermercado lotado na zona norte: a cidade deve ter crescimento médio do PIB de 4,2% ao ano até 2025, índice que é mais que o dobro do esperado para cidades desenvolvidas como Nova York, Londres e Tóquio

ENTRE AS 10 MAIS RICAS São Paulo concentra 12% do PIB brasileiro e é a 10a aglomeração urbana no mundo em geração de riqueza, superando Miami e Xangai. Até 2025, a estimativa é de que ocupe a 6a posição

206

São Paulo OUTLOOK

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Robson Fernandjes/AE

RENDA e PODER DE COMPRA

N

ão é difícil confundir São Paulo com um país. Em termos de geração de riqueza não é diferente. O município concentra 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e 35% do estado de São Paulo. Em 2007, o montante gerado foi de 320 bilhões de reais. E, se a cidade fosse efetivamente um país, seu PIB corresponderia ao quinto da América do Sul e estaria entre os 50 maiores do mundo.

A caminho de ser a 6ª cidade mais rica do mundo Em termos de geração de riqueza, a região metropolitana de São Paulo é hoje a décima mais rica aglomeração www.analise.com

urbana do mundo, à frente de Buenos Aires, Moscou, Hong Kong, Miami, Xangai e Mumbai. Em 2008, o PIB da região alcançou 388 bilhões de dólares, em paridade do poder de compra (PPP na sigla em inglês). Segundo projeções da consultoria PricewaterhouseCoopers, em 2025 a aglomeração deve passar a ocupar a sexta colocação, com 782 bilhões de dólares, ultrapassando Paris, Osaka, Filadélfia e Cidade do México.
O avanço de São Paulo está dentro do contexto de crescimento de cidades emergentes e o deslocamento de geração de riquezas dos centros tradicionais para os em desenvolvimento. Em 2008, 39 cidades de países emergentes estavam entre as 100 maiores cidades por PIB no mundo. Para 2025, a estimativa é de que cheguem a 48.
 Todos os sinais indicam que São Paulo continuará acompanhando o crescimento do país. Enquanto a média de variação do PIB nos países da América Latina foi negativa em 2,9%, de 2008 para 2009 – segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) da Organização das Nações Unidas (ONU) –, no Brasil a queda foi relativamente menor, de 0,2%. No último trimestre de 2009, a economia do país já indicava um cenário de recuperação com crescimento de 2% sobre os três meses anteriores. A estimativa para 2010 é que o PIB do Brasil cresça ao menos 4%. Nas projeções feitas para a cidade de São Paulo pela PricewaterhouseCoopers, o crescimento médio do PIB da cidade de São Paulo será de 4,2% ao ano, até 2025. O índice é mais que o dobro do esperado para cidades desenvolvidas como Nova York, Londres, Tóquio e Paris e acima de economias em desenvolvimento como Moscou e Cidade do México.

A importância de São Paulo e o avanço em serviços O município de São Paulo e sua área de influência são tão relevantes no cenário nacional que respondem por 40% do PIB industrial e 56% do setor de serviços do estado de São Paulo, o mais representativo do Brasil.

A região metropolitana de São Paulo, composta de 39 municípios, é o sexto maior agrupamento humano no mundo e caminha para ocupar a terceira posição, chegando a quase 20 milhões de pessoas já em 2010, segundo projeção da ONU. Apesar de ainda ter grande representatividade na área industrial, a vocação da cidade se voltou para os serviços nas últimas duas décadas. No fim de 2009, existiam 64 mil indústrias na cidade, ante 62 mil em 2000, crescimento de menos de 4%. A expansão na área de serviços foi dez vezes maior no período, de 214 mil para 305 mil companhias, um avanço de 43%. Na geração de riqueza a situação é a mesma. O município de São Paulo sozinho responde por 26% do PIB industrial de todo o estado – 59 bilhões de reais de um total de 225 bilhões de reais – mas o PIB de serviços da cidade nessa área representa 40% do total da unidade federativa, chegando a 209 bilhões de reais.

Os executivos mais bem pagos da América Latina Por conta da sua relevância econômica, a cidade de São Paulo concentra os executivos mais bem pagos da América Latina. Os presidentes de grandes companhias – com faturamento anual superior a um bilhão de reais – têm remuneração base, sem incluir benefícios ou gratificações variáveis, na faixa de 80 mil a 100 mil reais ao mês. A maioria das grandes empresas do Brasil está baseada no município, que detém 65% das sedes de multinacionais com operações no país.
 Na comparação com países europeus e Estados Unidos, os salários de CEOs de companhias brasileiras continuam menores, mas, considerando executivos de nível médio, o patamar da capital paulista já é maior. Segundo a consultoria Hay Group, na comparação com centros econômico-financeiros, como Nova York e Londres, os valores dos salários em São Paulo chegam a ser 20% maiores. Isso ocorre porque os executivos desse perfil em São Paulo têm mais responsabilidade do que em empresas nova-iorquinas e londri-

São Paulo OUTLOOK

207


RENDA e PODER DE COMPRA

nas, locais onde costuma haver mais níveis de comando do que nas empresas que operam no Brasil, o que reflete em remunerações maiores. Além disso, a demanda por esses profissionais também tem crescido no município, e o aumento no número de vagas elevou os salários. Nos mercados de Nova York e Londres há uma disponibilidade maior desse tipo de mão-de-obra. 
Os executivos brasileiros recebem o sexto melhor salário do mundo, segundo levantamento realizado pela consultoria americana Mercer, especializada em recursos humanos. Segundo os dados, os diretores financeiros brasileiros ganham, em média, 161 mil dólares por ano. O maior salário médio da categoria – 249 mil dólares, recebido pelos executivos norte-americanos – é ainda 1,5 vez superior. Ainda na frente do Brasil estão o Reino Unido (201 mil dólares), Canadá (191 mil dólares), Alemanha (170 mil dólares) e Hong Kong (164 mil dólares).

Melhor distribuição de renda A renda do trabalhador paulista é 26% maior que a média brasileira. Enquanto no país o rendimento médio é de 1.494 reais ao mês, segundo dados de 2008, na cidade de São Paulo esse valor chega a 1.880 reais. Em São Paulo, o piso salarial de base também é superior ao nacional. O salário mínimo estadual é de 560 a 580 reais, des-

de abril de 2010, enquanto o piso nacional é de 510 reais. Mais relevante, ainda, é dimensionar os ganhos reais que vêm ocorrendo na remuneração das camadas de menor renda da população, principalmente entre as famílias das classes econômicas C e D.

Os valores do potencial de consumo das classes C e D subiram para 158 bi de reais Nos últimos anos, a remuneração subiu 20% nesse nicho e, em 2009, o rendimento médio domiciliar residencial está entre 600 e 1.400 reais. Os valores do potencial de consumo também subiram de 113 bilhões de reais para 158 bilhões de reais. A estimativa para 2010 é que os valores disponíveis para compras no mercado paulistano cheguem a 211 bilhões de reais. As políticas para melhorar a distribuição de renda levaram à expansão do consumo por essas classes, mesmo em um ano de crise, como 2009. Dados da Target Marketing mostram que houve um avanço de mais de 5 pontos percentuais, entre 2005 e 2009, na participação das classes B e C no consumo, de 61% para 66%. No período, houve ainda um expressivo desloca-

mento de famílias da classe D para um patamar acima. No Brasil, a cidade de São Paulo é a única que já atingiu o patamar considerado adequado pela ONU no coeficiente de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de renda de uma cidade ou país. O município registra um índice de 0,45 em uma escala que vai de 0 (completa igualdade de renda) a l (completa desigualdade).

O estado de São Paulo registra um índice de 0,47, indicando uma desigualdade ligeiramente maior, mas uma evolução significativa em relação a 1991, quando a taxa era de 0,67. No Brasil, o índice é de 0,55. Entre todos os países medidos pela ONU, a Noruega possui o melhor coeficiente com 0,25, seguida por Japão e Suécia, com o mesmo índice. Os Estados Unidos têm taxa de 0,41.

Crédito deve crescer de 15% a 20% em 2010 O aumento do poder de compra verificado nos últimos anos no país deve se refletir na oferta de crédito, tanto para pessoas físicas como para empresas. E São Paulo deve superar o restante do país. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) avalia que o crescimento chegue a 15% ao ano, dando suporte a um aumento de consumo de 7% na capital paulista. A estimativa da Federação Brasileira dos Bancos

A renda paulistana O peso de São Paulo

PIB em ascensão

Projeção do PIB em bilhões de dólares

Participação no PIB do Brasil

2008

12%

São Paulo

2025

1.915 1.406 565

88%

Demais cidades brasileiras

208

São Paulo OUTLOOK

Nova York

821

Londres

782 388 São Paulo

692 233 Xangai

594 209 Mumbai

www.analise.com

321

546

Moscou


Reinaldo Canato/AE

RENDA e PODER DE COMPRA

O trabalhador paulista ganha 26% mais que a média brasileira: a renda média é de 1.880 reais mensais – no país é de 1.494 reais, segundo dados de 2008 –, o que favorece o consumo de eletrodomésticos (Febraban) é ainda mais otimista: que a oferta de crédito para empresas aumente em mais de 20% em 2010. Em 2009, já houve uma melhora de 15% no crédito total no mercado brasileiro.
 O crédito total hoje no Brasil é de aproximadamente 830 bilhões de dólares, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), perto de 47% do PIB. Um patamar ainda baixo em comparação com economias desenvolvidas, como Estados Unidos e Japão, que chegam a disponibilizar para empréstimos mais de 100% de seus PIB.

 O ritmo de crescimento nos últimos anos foi acelerado. De 2000 a 2005, o crédito evoluiu no Brasil, mas não ficou longe da linha de 25% do PIB. Com o cenário econômico mais favorável e expectativa de manutenção do crescimento, ele quase duplicou de 2005 a 2009 e existe uma perspectiva de contínua expansão na próxima década    0 www.analise.com

COMO FUNCIONA

A

massa assalariada da região metropolitana de São Paulo corresponde a mais de quatro milhões de pessoas e concentra-se em sua maior parte – cerca de 70% – na chamada classe média, que possui renda entre 1,1 mil e 4,8 mil reais mensais. Em todos os 39 municípios que compõe a região metropolitana de São Paulo, são cerca de 4,7 milhões de trabalhadores com vínculo formal de emprego e outros 1,6 milhão atuando como autônomos.

26% é o ganho da renda média do paulistano em relação ao índice do Brasil

● O setor de serviços garante a maior renda média na cidade, de 1.447 reais mensais

1.265 reais mensais foi o rendimento médio apurado em São Paulo no ano de 2007

560 reais é a menor faixa do salário mínimo em São Paulo, 10% acima do nacional

27% dos moradores de São Paulo têm renda entre 1 e 2 salários mínimos

238% foi o avanço do salário mínimo no Brasil na última década

São Paulo OUTLOOK

209


TIAGO QUEIROZ/AE

vendas em alta

A

S達o Paulo OUTLOOK

www.analise.com


Movimento na Rua 25 de março, no centro da cidade de sÃO PAULO

São PAulo em Números

21%

foi o avanço na renda domiciliar de 2004 a 2008

70%

da população paulistana se encontra nas classes A, B e C

12% foi o desemprego na cidade em 2010. Em 2000, a taxa era de 17%

10 mi

de novos consumidores entraram no mercado brasileiro em 2009

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São Paulo OUTLOOK

A


ANTテ年IO MILENA/AE

As principais lojas de grifes nacionais e internacionais concentram-se nos arredores da Rua Oscar Freire, na zona oeste da cidade, uma das dez mais luxuosas do mundo, e tambテゥm localizadas no Shopping Iguatemi e na Daslu


Consumo Confira, nas próximas páginas, o potencial do consumo na cidade de São Paulo O crescimento do mercado de shopping centers na cidade

A migração de famílias de baixa renda para as classes B e C no Brasil

O crescimento do mercado de produtos e serviços de luxo


consumo consumo

Em 2009, foram mais de 4,2 bilh천es de d처lares gastos no mercado de luxo da cidade, que conta com lojas de grifes como Vittorio Missoni, Chanel, Louis Vuitton, Diesel, Tiffany & Co. e Bulgari, entre outras

214

S찾o Paulo OUTLOOK

www.analise.com


consumo

OS NOVOS CONSUMIDORES São Paulo tem o maior potencial de consumo do Brasil e avança rapidamente em duas frentes: no mercado de produtos e serviços de luxo e no segmento popular

S

ão Paulo manteve, mesmo durante a crise global em 2008 e 2009, índices de crescimento significativos no poder de compra e nível de consumo da população. O resultado é que, em 2010, a expectativa é de um incremento de 33% no nível de consumo da cidade, que passará a representar 10% do total do Brasil, com menos de 6% da população.
 No mercado de luxo, São Paulo deve ganhar posições no ranking mundial na próxima década, ultrapassando municípios na Europa e Ásia que foram mais afetados pela crise econômica.

Concentração do poder de compra

aquisição de bens, alimentação, moradia, impostos e gastos relacionados – deve ultrapassar dois trilhões de reais. O montante significa um avanço de 22% em relação a 2009, mas a projeção para a cidade de São Paulo é muito mais significativa, de 33%. O consumo no município deve chegar a 212 bilhões de reais em 2010. 
 O avanço é relevante, mas o poder de consumo dos paulistanos ainda está em torno de metade da média de moradores de cidades como Nova York e Londres. Por isso, existe ainda muito espaço para expansão, e com a expectativa da manutenção do crescimento econômico, a previsão é de que essa diferença deve diminuir na próxima década.

Mais consumidores

A cidade de São Paulo mantém o maior nível de consumo do Brasil. Para 2010, a expectativa é que cada habitante do município gaste um total de 20 mil reais, enquanto a média brasileira será de 13 mil reais per capita.
 Além de ser líder, o município também está crescendo mais rápido do que o resto do país. Ao fim de 2010, o consumo total dos brasileiros – incluindo www.analise.com

Um dos principais fatores que levaram ao avanço da participação paulistana no consumo brasileiro foi a mudança recente no perfil da população. Nos últimos cinco anos, caiu quase pela metade o número de domicílios que se enquadram nas classes D e E. Em 2005, essa faixa representava 22% das famílias da cidade, responsáveis por 5,6% do total de consumo.


Em 2009, o índice caiu para 12% dos domicílios, que respondem por 3% do consumo, e grande parte das famílias migrou para as classes B e C, que aumentaram sua participação de 68% para 78%. Elas foram responsáveis por 66% do consumo total no ano.

As regiões mais luxuosas Por locais de compras no mundo em 2009 rk Local  1º Rua Serrano  2º Quinta Avenida 

Cidade Madri Nova York

3º Av. Champs-Élysées 

Paris

4º Vila Montenapoleone 

Milão

5º Deira City Center 

Dubai

6º Oxford Street 

Londres

7º Rua Parliament 

Beirute

8º Av. Jungfemstieg 

Hamburgo

9º Rua Oscar Freire 

São Paulo

10º Av. da Liberdade 

Lisboa

Fonte: Excellence Mystery Shopping International

São Paulo OUTLOOK

215


São Paulo desponta no mercado de luxo Nos próximos dez anos, analistas apontam que a cidade de São Paulo deve ingressar na lista das dez maiores cidades do mundo no que diz respeito ao tamanho do seu mercado de produtos e serviços de luxo.
 Em 2009, foram mais de 4,2 bilhões de dólares gastos nesse nicho na cidade, segundo estimativas da MCF Consultoria e Conhecimento, especializada no segmento. Isso representa cerca de 65% de todo o mercado nacional, mais ainda é apenas cerca de 1% dos 500 bilhões de dólares gastos em todo o mundo.
Atualmente, o mercado de luxo paulistano figura entre os 40 maiores e está atrás de cidades indianas, do Leste Europeu, e equiparado à Cidade do México, por exemplo, atualmente líder na América Latina.
 A crise financeira prejudicou o mercado de luxo de forma mais significativa na Europa, Japão, Estados Unidos e China, do que no Brasil e, consequentemente, em São Paulo. Do crescimento que girava em torno de 17% ao ano antes da crise, o país passou a uma alta de 8% em 2009, ante a média mundial de 5%. Para 2010, a expectativa é que o Brasil volte a crescer ao redor de 12%, viabilizando um faturamento de 7,2 bilhões de dólares no país e 4,7 bilhões de dólares em São Paulo.


Nos Estados Unidos houve estagnação no mercado de luxo; na Europa o avanço não ultrapassou 2%; no Japão houve queda; e a China ficou abaixo de 5% de crescimento. Esse cenário deve colaborar para mudar o desenho do mercado mundial do luxo, levando São Paulo a ganhar mais destaque.

Em 2010 haverá aumento de 20% na oferta de crédito para pessoas físicas

Disponibilidade de crédito impulsiona mercado

O avanço dos shopping centers O bom momento do consumo no Brasil está levando a uma clara expansão nos investimentos em shopping centers. Até 2012, o país deve ganhar 100 novos empreendimentos, sendo 37 no estado de São Paulo e pelo menos dez no município. O investimento previsto para esse período é de quase nove bilhões de reais. Em 2009, havia 77 empreendimentos em atividade na cidade de São Paulo, enquanto no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), esse número chegava a 711. O Brasil já é o oitavo

Consumo paulistano Fatia paulistana

Avanço do PIB ao ano

Participação no consumo do país

Crescimento projetado de 2009 a 2025

10%

São Paulo

3,2% 3,2% 1,8%

Demais cidades brasileiras

216

São Paulo OUTLOOK

Para alimentar o avanço do consumo no Brasil e em São Paulo, o mercado tem visto um avanço na disponibilidade de crédito. Segundo projeções da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em 2010 haverá um aumento de 20% na oferta a pessoas físicas.
 No ano de 2009, foram disponibilizados 830 bilhões de dólares em crédito no país, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), cerca de 47% do Produto Interno Bruto (PIB). Apenas o crédito para o consumidor final representa cerca de 15% do PIB, o triplo do registrado em 2002.
 O crescimento acelerado dos últimos anos deve continuar e trazer o Brasil mais próximo de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, e em desenvolvimento, como China e Coreia do Sul, em que o crédito já supera 100% do PIB. Em relação a outras economias da América Latina, o país já se destaca. O México tem relação de 20% entre crédito e PIB e a Argentina, 12,5%, por exemplo.

Fenômeno do consumo popular

6,6% 6,3% 4,2%

90%

país do mundo em número total de shoppings construídos.
 Não é só a presença física dos shoppings que vem aumentando. Em 2009, a receita dos shoppings cresceu 6% – chegando a 76 bilhões de reais – enquanto o setor de varejo como um todo teve alta ao redor de 4%. E ainda existe muito espaço para crescer. No território americano, por exemplo, as vendas em shoppings representam 70% do total do varejo, bem acima dos 24% registrados no Brasil.

Xangai Mumbai São Paulo Moscou Londres Nova York

Na outra ponta do mercado, o consumo popular também demonstra bons resultados. A capital paulista conta, por exemplo, com o maior centro de compras a céu aberto da América Latina: a Rua 25 de Março e seus arredores. A região, localizada no centro da cidade e de forte apelo popular, conta com mais de três mil pontos de vendas www.analise.com

Na página anterior, no sentido horário: Evelson de Freitas/AE, Raul Júnior/Exame, Robson Fernandjes/AE, João Sal/VIP, Marcelo Barabani/AE, Leo Feltran/Veja, Jair Magri/Abril, Leo Feltran/Veja, stringer brasil/Reuters

consumo


Paulo Whitaker/Reuters

consumo

A crise prejudicou o mercado de luxo na Europa, Japão, Estados Unidos e China, enquanto São Paulo – que conta com concessionária da Ferrari – espera crescer e faturar 4,7 bilhões de dólares no segmento em 2010 e recebe 400 mil pessoas diariamente.
 A cidade possui dezenas de centros de varejo popular e de rua especializados em diversos produtos e segmentos. Os bairros do Brás e do Bom Retiro, por exemplo, possuem comércio dedicado a roupas femininas e infantis com um faturamento anual de mais de dois bilhões de reais. A rua bicentenária Santa Ifigênia concentra mais de 500 lojas em oito quarteirões dedicadas a produtos eletroeletrônicos e de informática. Ao todo, são 59 ruas especializadas em mais de 50 segmentos.
 O crescimento do poder de compra da população de baixa renda é um nicho que recebeu especial atenção nos últimos anos. Hoje, 38% da classe C – com renda familiar média de quatro salários mínimos – possui cartão de crédito ou utiliza sistemas de crediário disponibilizados diretamente por redes de varejo, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).  0 www.analise.com

COMO FUNCIONA

S

ão Paulo é um centro de consumo completo que oferece uma gama ampla de produtos e serviços – do mercado de luxo ao popular – além de opções variadas de locais de compra como shopping centers, regiões e ruas que agregam lojas especializadas, feiras de rua e centros de consumo a céu aberto. São 240 mil lojas, dessas, nove mil estão distribuídas nos 77 shoppings que existem na cidade.

240 mil lojas estão espalhadas pela cidade

100 novos shopping centers devem ser inaugurados no país até 2012, 37 no estado de São Paulo, e dez na cidade

59 ruas e regiões especializadas em mais de 50 segmentos de produtos e serviços

A região da Rua 25 de Março movimenta quase 20 bilhões de reais ao ano no maior polo de compras a céu aberto da América Latina

145 marcas de luxo estão presentes na cidade, entre elas Dior, Louis Vuitton, Cartier, Armani, Versace e Lamborghini

77 shopping centers, 11% do total do Brasil, com cerca de nove mil lojas ●

São Paulo OUTLOOK

217


MERCADO de luxo

Feira de jatos executivos na zona sul da cidade de S達o Paulo

A

S達o Paulo OUTLOOK

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Paulo Whitaker/Reuters

São PAulo em Números

9a

rua mais luxuosa do mundo, a Oscar Freire, está em São Paulo

12%

deve ser o avanço do consumo de luxo na cidade em 2010

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US$ 4,7 bi será o gasto com produtos de luxo no município em 2010

65%

é a participação de São Paulo no mercado de luxo brasileiro

São Paulo OUTLOOK

A


24 horas


24 horas

a metrópole QUE NÃO DORME São Paulo, como toda grande metrópole, conta com opções de entretenimento e gastronomia que se estendem até altas horas da madrugada. O que diferencia a cidade é a diversidade e o número de opções disponíveis todos os dias da semana, 24 horas por dia. Não só para o lazer, mas também para fazer compras, se exercitar, encontrar uma opção de leitura, e até levar seu animal para tosar. Por isso, São Paulo ocupa o posto da cidade mais 24 horas do mundo  Fotos Claudio Rossi

2:00 am

Pista de dança de uma das mais de 180 casas noturnas da cidade de São Paulo. Para quem quer se divertir, existem opções para todos os dias da semana que funcionam até o nascer do Sol

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São Paulo OUTLOOK

221


O legítimo restaurante de cozinha francesa Paris 6, localizado na zona sul da cidade, nunca fecha as portas. O cardápio se adapta ao horário e contempla do café da manhã ao jantar 2:00 am

222

São Paulo OUTLOOK

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24 horas

A rede americana McDonald’s mantém 129 restaurantes na cidade de São Paulo, dos quais 30 ficam abertos 24 horas. É uma das opções mais disputadas para uma refeição rápida na madrugada 12:30 am

Movimentação de madrugada na Rua Avanhandava, centro da cidade, que agrega bares e restaurantes de luxo. A via é uma referência em gastronomia 24 horas

1:30 am


24 horas

Loja da rede de supermercados Pão de Açúcar, na zona sul da cidade. A empresa foi a primeira, em 1969, a manter unidades abertas 24 horas 12:30 am por dia e 365 dias por ano em São Paulo

O costume de realizar compras de madrugada tornouse comum entre os paulistanos

Inicialmente destinadas a atender situações de emergência, as farmácias 24 horas já são comuns também para quem busca produtos de perfumaria e cosméticos de madrugada

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São Paulo OUTLOOK

1:00 am

www.analise.com


A rotina acelerada leva muitos paulistanos a buscar academias abertas 24 horas para fazer exercícios físicos na madrugada 11:30 pm

Livraria na zona sul da cidade mira o público notívago ao estender seu horário de funcionamento até a madrugada

12:30 am


Gestão

ambiental Confira, nas próximas páginas, as principais ações ambientais em São Paulo Os principais desafios da cidade na área ambiental

Os indicadores da inspeção veicular e da coleta seletiva


MARCOS HIRAKAWA/SPTURIS

Vista aérea da região do Parque do Ibirapuera, localizado na zona sul da capital: seu projeto teve a participação do renomado arquiteto Oscar Niemeyer, em parceria com o famoso paisagista Roberto Burle Marx


Marcio Fernandes/AE

GESTÃO GESTÃOAMBIENTAL AMBIENTAL

Todos os veículos em circulação em São Paulo submetem-se ao Programa de Inspeção Veicular Ambiental (na foto, carros passam por checagem), que reprovou 400 mil veículos em 2009

A

São Paulo OUTLOOK

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GESTÃO AMBIENTAL

UM PASSO À FRENTE Com atuação em diversas frentes e forte investimento em combustíveis renováveis, a cidade busca soluções para conciliar desenvolvimento e gestão ambiental

A

cidade de São Paulo já caminha para reduzir o impacto ambiental e a poluição causada pela atividade econômica típica de grandes centros urbanos. Desde 2005, as medidas adotadas pelo município reduziram em 20% as emissões de gases de efeito estufa e a expectativa é que o índice continue a cair.
 Entre as principais ações está a aprovação, em 2009, da Política Municipal de Mudança do Clima. A legislação determina metas para a redução da poluição, substituição gradual do uso de combustíveis fósseis pela frota de veículos utilizados no transporte público e toma medidas para melhorar o manuseio de lixo e entulho, além de metas para a ampliação da coleta seletiva na cidade.

Metas claras e resultados objetivos Conciliar desenvolvimento econômico com gestão ambiental é um desafio contemporâneo. Para a cidade de São Paulo não é diferente. O centro econômico-financeiro ainda concentra 20% de seu PIB na produção industrial e abriga uma das maiores frotas www.analise.com

mundiais de veículos. Para combater os efeitos nocivos ao ambiente, o município já adotou uma série de medidas e participa de iniciativas pioneiras no combate às mudanças climáticas.
 Grande parte dos gases de efeito estufa é proveniente, no ambiente urbano, de queima de energia – principalmente combustível de veículos – e do próprio lixo. Nestas duas frentes, o município obteve excelentes resultados nos últimos anos e prevê um corte de mais 30% nas emissões desses gases até 2012. A meta está prevista na lei aprovada em 2009.
 As práticas paulistanas têm sido reconhecidas internacionalmente. O município é parte da direção mundial do Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (Iclei) e a única cidade latino-americana que integra o comitê executivo do C-40, grupo de grandes cidades lideradas por Londres e Nova York, articuladas para a neutralização do aquecimento global.
 São Paulo acompanha o país na melhoria de políticas para a gestão ambiental. No ranking Living Green, da Reader’s Digest, divulgado em 2007, a cidade consta como a 62ª mais “verde” do mundo. A primeira é Estocolmo, na Suécia, seguida principalmente por cidades de países desenvolvidos. São

Paulo está à frente de centros econômicos como Mumbai (70º), Xangai (71º) e Pequim (72º).
 As melhorias são consequência de medidas adotadas desde os anos 1970, quando se intensificou o crescimento industrial das grandes cidades brasileiras. No município, podem-se citar duas medidas principais: o rodízio de veículos e o programa de coleta seletiva. O rodízio, estabelecido em 1997, restringe a circulação de caminhões e automóveis – de acordo com os números finais das placas e os dias da semana – nos horários de pico, no centro expandido da capital. A coleta seletiva, regulamentada em 2007, é realizada por meio de uma parceria entre órgãos municipais, condomínios e cooperativas de catadores de lixo. Segundo o anuário Análise Gestão Ambiental 2009 – publicação que detalha as ações ambientais das quase 700 maiores empresas brasileiras – as companhias instaladas em São Paulo têm indicadores acima da média brasileira. Entre as empresas paulistanas, 57% possuem certificação ISO 14001, ante média de 50% no país. Quase 42% das empresas da capital paulista possuem programas estruturados para otimizar o uso de água, ante 34% na média nacional.

São Paulo OUTLOOK

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GESTÃO AMBIENTAL

Redução na poluição do ar

seis milhões – devem passar por essa inspeção. A legislação, que já existe em formatos similares em 51 países, determina que aqueles que não realizam o procedimento ou não estejam adequados às exigências não podem ser licenciados. Em 2009, 400 mil veículos foram retirados de circulação. A inspeção tornou-se obrigatória nacionalmente em 2010.
 A Política Municipal de Mudança do Clima prevê que o transporte público reduza o uso de combustíveis fósseis de forma progressiva – a partir de 2009 pelo menos 10% ao ano. A meta é que em 2017 haja apenas a utilização de combustíveis renováveis por todos os ônibus do transporte público do município. Como 75% da emissão de gases de efeito estufa tem sua origem no uso de energia, sendo 90% derivados do uso de petróleo – principalmente na queima de combustível por veículos – esse ponto é um dos focos das medidas adotadas no município.

gia elétrica para 700 mil habitantes.
 A prefeitura vende créditos de carbono com lastro nessa ação. Já foram realizados dois leilões desses créditos, totalizando 71 milhões de reais. Os recursos são destinados a projetos socioambientais. Este projeto é um dos cinco maiores de controle de gases de efeito estufa emitidos por lixo urbano aprovados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Com ele, a cidade de São Paulo reduziu em 20% suas emissões de gases, de 2005 a 2008.
 Para a melhor gestão do lixo nos aterros sanitários e o reaproveitamento de material com potencial reciclável é preciso melhorar a coleta seletiva. Em 2009, dos 96 distritos da cidade, 74 eram atendidos pela coleta seletiva. Até 2012, a meta é conseguir estender o serviço a todos. São Paulo gera, em média, 17 mil toneladas de lixo diariamente, 10% do total do país. A estimativa é que apenas 7% do total que poderia ser reciclado é coletado seletivamente.

Energia do lixo e coleta seletiva

Tratamento do esgoto avança

O lixo urbano é responsável por cerca de um quarto do total de emissões de gases de efeito estufa na cidade e, por isso, o tema recebe atenção especial. Os aterros sanitários receberam usinas de biogás, que coletam gás metano – um dos responsáveis pelo efeito estufa – e o transformam em ener-

Outra frente com grande impacto no meio ambiente e na saúde da população é o consumo de água. Os indicadores de saneamento básico – abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto – colocam o município de São Paulo no mesmo patamar de países europeus. A cidade já atin-

Saneamento básico

Emissões de CO2

Avanço da coleta seletiva

População atendida pelos serviços

CO2 emitido em bilhões de toneladas métricas, em 2006

Volume do material recolhido na cidade

Como a maior cidade do Brasil e o centro da terceira maior aglomeração urbana do mundo, São Paulo registra os maiores índices de poluição do ar do país. No entanto, a melhoria nos indicadores nas últimas duas décadas indica um esforço real para combater o problema.
 A redução foi significativa desde 1995. Nesse ano a região metropolitana de São Paulo registrou 114 ocorrências de violação do considerado adequado na concentração de monóxido de carbono (CO) no ar. Dez anos depois, em 2006, o número de ocorrências caiu para sete, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ranking que analisa o desempenho de 21 metrópoles realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers, São Paulo aparece em 11º lugar na variável “qualidade do ar”, ficando à frente de Nova York, Chicago, Santiago do Chile, Dubai, Mumbai, Xangai e Cidade do México.

Inspeção veicular e combustíveis renováveis No que diz respeito à poluição do ar proveniente da frota particular de veículos, uma das principais ações é o Programa de Inspeção Ambiental, iniciado em 2008. A partir de 2010, todos os veículos em circulação – mais de

Gestão paulistana

95%

87%

Coleta de esgoto

6,1

5,8

50 mil ton.

84%

35

Tratamento de esgoto 45

1,6

1,5

Rússia

Índia

20

1992

230

2015

São Paulo OUTLOOK

674%

China

EUA

20

0,4 Brasil

2003

2008

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Paulo Whitaker/Reuters

GESTÃO AMBIENTAL

Garrafas gigantes alertam para a poluição do Rio Tietê, objeto de um dos maiores projetos ambientais do planeta, que prevê investimentos de 2,6 bilhões de dólares para chegar a 87% do esgoto coletado giu a meta de universalização do abastecimento de água, e agora investe para avançar nos índices de coleta e de tratamento de esgoto. A coleta de esgoto na capital paulistana apresenta o mesmo percentual de países como Itália (80%) e Espanha (80%). Quanto ao tratamento do esgoto coletado, São Paulo, com 75%, está à frente da Espanha, que atende 59% da população. Reino Unido e Alemanha apresentam os melhores índices de coleta e tratamento – 92% e 87%, respectivamente. Uma das principais frentes de ação no que diz respeito à água em São Paulo é o Projeto Tietê. Desde 1992, para tentar recuperar o mais importante rio do estado, o Tietê, foi criado um dos maiores projetos ambientais do planeta e o maior já realizado no país. Duas das três etapas do projeto já foram realizadas, e a terceira (de 2009 a 2015) está em fase de negociação. Ao todo, o investimento previsto é de 2,6 bilhões de dólares para chegar a níveis de 87% do esgoto coletado e 84% tratado.  0 www.analise.com

COMO FUNCIONA

A

gestão ambiental na cidade de São Paulo conta com a participação de diferentes órgãos, tanto da administração municipal como estadual, com competências específicas. Muitos dos serviços estão terceirizados e ficam sob a responsabilidade de empresas privadas. As normas que regem o segmento também são de origens distintas: há a legislação municipal, estadual e federal para questões de meio ambiente. Entenda como funciona essa estrutura.

A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente cuida da política ambiental do município e fiscaliza atividades que envolvam impacto ambiental

Todas as empresas instaladas no estado devem receber licença da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada ao governo estadual

Os empreendimentos devem verificar na prefeitura se há a necessidade de uma declaração de uso e ocupação de solo

A coleta de resíduos domiciliares, seletivos e hospitalares é executada em São Paulo por concessionárias

Os resíduos sólidos industriais são de responsabilidade das empresas que devem contratar serviços de coleta e tratamento

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inspeção veicular

A

São Paulo OUTLOOK

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São PAulo em Números

1,6 mi

de veículos realizaram a inspeção veicular em 2009

5%

dos que passaram por inspeção em 2009 foram reprovados

56%

da frota paulistana deve ser inspecionada em 2010

51

países adotam sistemas de inspeção veicular similares

Paulo Whitaker/Reuters

Ativistas pedalam na avenida Paulista no dia Mundial sem carro

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São Paulo OUTLOOK

A


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São Paulo Outlook 2010 - Português  

São Paulo Outlook é uma publicação da Análise Editorial que traz um retrato abrangente de uma das maiores metrópoles mundiais. Entenda como...