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AMBIENTAL Edição EspEcial

Edição bilÍnguE inglês E português

O BRASIL NA TRILHA dA ECONOMIA VERdE • ESTUdO EXCLUSIVO Estabelecemos os

padrões das práticas de gestão ambiental do setor produtivo nacional com base em mais de 50 mil informações coletadas pág. 31

• LEGISLAÇÃO Uma reportagem especial

traz a análise das leis ambientais do Brasil e de dez outros países que estão na lista das maiores economias do mundo pág. 15

Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no estado do Amazonas

28 840 1.200

setores analisados

empresas entrevistadas

indicadores de gestão

www.analise.com

Distribuição DirigiDa Edição nº 34 ISSN 1808-9240


O Brasil reafirma, com orgulho, o compromisso com a sustentabilidade do seu desenvolvimento e defesa do meio ambiente. Rio+20: o grande encontro mundial do desenvolvimento sustentável, em busca de melhores caminhos para o crescimento econômico, com inclusão social e proteção ambiental. Rio+20: crescer, incluir, proteger.


Rodrigo Baleia/Folhapress

ÍNDICE

AMBIENTAL

Edição especial

15 LEGISLAÇÃO Ambiental Os desafios enfrentados pelo Brasil e a análise comparada da legislação ambiental de dez países

 08 APRESENTAÇÃO Na rota entre a Eco-92 e a Rio+20, a Análise Editorial dá sua contribuição na busca pela sustentabilidade

 06    EDITORIAL Uma das contribuições mais inovadoras da Análise Editorial para o debate do desenvolvimento sustentável

 31     Avaliação Setorial A análise da atuação ambiental de 28 ramos da economia brasileira em nove assuntos relevantes

36 Gestão Ambiental

A implementação das práticas e a sua relevância nas empresas

4

Especial RIO+20

Depois de 20 anos, a discussão do novo Código Florestal voltou à pauta no Brasil

42 Stakeholders

70 Emissões e clima

46 ISO 14000

74 Áreas verdes

O relacionamento com os públicos interno e externo

A certificação entre as empresas e a adoção de normas da série

As políticas para monitorar e reduzir emissões atmosféricas

Conservação de áreas nativas e plantio de árvores

50 Água

Uso e monitoramento do recurso no processo produtivo

56 Eficiência energética Medidas para reduzir e monitorar o consumo

60 Fontes renováveis

Os tipos de fonte usados e a participação no consumo

64 Resíduos

Ações para reduzir, reciclar e gerenciar o lixo gerado

web www.analise.com

Para encontrar a Análise Editorial na internet, acesse um dos endereços abaixo. Mais informações sobre nossos produtos, conteúdos exclusivos e nossa loja online podem ser encontradas no nosso site facebook.com/AnaliseEditorial linkedin.com/company/analise-editorial twitter.com/analise_edit

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ÍNDICE

90 Tabela de resultados 54

Energia limpa

88

  O mapa da gestão de resíduos

78 DEstaques O desempenho ambiental de indústria, comércio, serviços e bancos

97 ONGs O perfil de 330 entre as mais atuantes ONGs ambientais do país e os seus projetos

102 Totalização

NOTE TO the ENGLISh READERS This publication is also available in its entirety in English format starting on page 119

108 Perfil

78 Indústria

Metodologia

10

80 Serviços

Colaboradores

13

82 Comércio

Expediente

14

84 Agroindústria

Foto da capa: Bruno Maia/naturezafotos.org - Foto ao lado: Pedro Silveira/Folhapress

86 Concessão de crédito

T

his first edition of ANÁLISE ENVIRONMENTAL MANAGEMENT - RIO+20 EDITION is a complete bilingual publication (Portuguese-English) designed to provide an objective and practical structure to readers of both languages. As such, the Portuguese and English content is completely separated, in effect providing the reader with two magazines in one. The first section of the magazine (which starts at the table of contents and ends on page 118) contains the Portuguese content in its entirety. The English part starts on page 119 and contains the same content, including all texts, tables, graphs and photographs. Adjustments have been made on some pages to accommodate the particulars of each language without affecting the content. A reference to the page number where the same text can be found in the other language is included at the beginning of each section of the magazine in both the English and the Portuguese parts. The symbol indicates the page where the content is located. Análise Editorial offers bilingual editions of most of its publications to help foreign readers better understand the role of Brazil, its cities, companies and policies, within the global market. Current publications available in English include Análise Environmental Management, Análise Global Brazil, São Paulo Outlook and Análise Energy. For more information about Análise Editorial and its publications visit us at www.analise.com or www.analise.com/site/english.

Brasil é pioneiro na tecnologia de carros flex: 40% da frota com motores bicombustíveis www.analise.com

especial RIO+20

5


editorial

No caminho da evolução English version page 122

É

com grande orgulho que apreutilizam como fonte primária de inforsentamos esta edição especial mação em suas pesquisas, avaliações e do anuário ANÁLISE GESapresentações sobre as potencialidades do mercado brasileiro. TÃO AMBIENTAL, desenvolAMBIENTAL EDIÇÃO ESPECIAL vida com base em uma análise Com isso, a Análise Editorial tornoudos dados coletados em cinco se referência no mundo da advocacia. anos de pesquisa, e lançada por ocasião Pioneira na sistematização de informada RIO+20. Esta é, possivelmente, uma ções sobre as práticas ambientais das EDIÇÃO BILÍNGUE INGLÊS E PORTUGUÊS das contribuições mais inovadoras da maiores empresas do Brasil. E acaba O BRASIL NA TRILHA Análise Editorial para o debate do dede ganhar seu primeiro prêmio de jor28 DA ECONOMIA VERDE SETORES ANALISADOS senvolvimento sustentável no Brasil. nalismo com o anuário Análise Ener840 Com a criação do Índice Análise de gia. Ou seja, estamos efetivamente EMPRESAS ENTREVISTADAS Gestão Ambiental, o que apresentamos contribuindo com o esforço para cons1.200 INDICADORES DE GESTÃO nas páginas seguintes é um trabalho de truir um ambiente de negócios mais orfôlego e inédito. Obra de um grupo de ganizado e mais transparente, no qual mais de 25 pessoas, a execução ficou a as empresas consigam produzir mais, cargo da jornalista Inaiê Sanchez, que lucrar mais e conquistar novos mercahá seis anos participou do desenvolvidos, livrando-se dos entraves que retarmento do anuário ANÁLISE GESTÃO dam o desenvolvimento do país. É importante que se diga que o nosso AMBIENTAL, e a edição foi coordenada por Gabriel Attuy, editor-executivo trabalho se viabiliza com o apoio coENVIRONMENTAL da Análise Editorial. mercial de parceiros. Apoio esse funMANAGEMENT O índice é uma ferramenta de medamental, uma vez que grande parte da BRAZIL SPECIAL EDITION dição que permite estabelecer padrões circulação é distribuída gratuitamente de gestão ambiental, e comparar o dea milhares de leitores escolhidos por sempenho de 28 ramos de atividade nós, por serem tomadores de decisão e dos quatro setores econômicos: indúsformadores de opinião. Aos nossos paBILINGUAL ENGLISH AND PORTUGUESE EDITION tria, agroindústria, comércio e serviços. trocinadores que, como nós, acreditam BRAZIL IS ON ITS WAY 28 O resultado é uma analise objetiva dos que o ambiente de negócios e, por conTO A GREEN ECONOMY SECTORS ANALYZED pontos em que as empresas brasileiras sequência, o próprio Brasil, beneficia840 COMPANIES INTERVIEWED mais avançaram e quais os desafios que se com informação de qualidade e inoainda têm de enfrentar no caminho da vadora, o nosso muito obrigado! 1.200 MANAGEMENT INDICATORS economia verde. A avaliação de desempenho, por meio Esta publicação resume em sua esda identificação de padrões de atuação sência tudo aquilo que motivou o surdos setores produtivos, é complemengimento da Análise Editorial: pioneiristada nesta edição com a apresentação mo, profundidade, seriedade, visão de da lista Análise de ONGs ambientais. futuro e sobretudo fé no Brasil! A atuação conjunta dessas duas ponHá pouco mais de sete anos, três jornalistas – Eduardo tas tem sido cada vez mais frequente e seguramente contriOinegue, Alexandre Secco e eu, Silvana Quaglio – se jun- bui para que empresas e sociedade organizada encontrem o taram com o objetivo de desenvolver publicações que aju- caminho do desenvolvimento sustentável. O conceito que dassem o Brasil a explorar melhor suas potencialidades e tomou forma na Eco-92 chega à Rio+20 ainda como um a superar suas limitações. A maneira de fazer isso, todos ideal a ser alcançado. Esperamos que este ANÁLISE GESconcordaram, era coletar, tabular, cruzar e analisar grandes TÃO AMBIENTAL ESPECIAL RIO+20 seja útil, mostrando massas de dados sobre áreas pilares da economia. o que já virou prática, o que caminha para se tornar e o que As 35 edições de anuários, que a Análise Editorial pu- ainda é teoria. Boa leitura! blicou até agora, comprovam que o caminho estava certo. Silvana Quaglio Publisher As publicações são aguardadas por nossos leitores, que as • ESTUDO EXCLUSIVO Estabelecemos os

padrões das práticas de gestão ambiental do setor produtivo nacional com base em mais de 50 mil informações coletadas

• LEGISLAÇÃO Uma reportagem especial

traz a análise das leis ambientais do Brasil e de dez outros países que estão na lista das maiores economias do mundo

www.analise.com www.analise.com

• EXCLUSIVE The environmental management practice standards of the Brazilian productive sector according to more than 50,000 data points collected by Análise Editorial

• ENVIRONMENTAL LAW A special report

with an in-depth analysis of Brazilian law and a comparison with the environmental laws of ten of the world’s largest economies

www.analise.com www.analise.com

6

Especial RIO+20

www.analise.com


Para o Grupo Andrade Gutierrez, responsabilidade socioambiental e sistema de gestão integrada com foco em diretrizes sustentáveis são tão relevantes quanto soluções complexas de infraestrutura, padrões de excelência, qualidade e solidez financeira. O setor privado é o maior provedor das inovações necessárias para a transição para uma economia verde, e assumimos nosso papel como protagonistas desse movimento. Só em 2011, foram 121 projetos de inovação tecnológica pelo mundo. Também somos um grupo investidor com empresas presentes em carteiras como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), o Índice Carbono Eficiente (ICO2) e o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). Porque é assim que deixamos nossa marca pelo desenvolvimento sustentável.


APRESENTAÇÃO

uma aNÁLISE INÉDITa PaRa um NOVO BRaSIL

Barcos no Rio Amazonas: a experiência brasileira é valiosa para a discussão da sustentabilidade

Esta edição especial da Análise Editorial compila dados de cinco anos de pesquisa para traçar um panorama e definir os padrões das políticas de gestão ambiental das maiores empresas do Brasil

8

EspEcial RiO+20

as convenções da Biodiversidade, do Clima e de Combate à Desertificação. Essas questões foram incorporadas nas agendas dos governos nacionais e se ramificaram pelos vários setores das sociedades até chegar ao nível local. Desde então, foram realizadas muitas conferências e assinados vários protocolos. É inegável a importância de uma cúpula internacional como a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20 – em que líderes mundiais, juntamente com milhares de participantes de governos, do setor privado e organizações não governamentais, sentam-se para discutir meios de reduzir a pobreza, tornar o mundo menos desigual e procurar assegurar proteção ao meio ambiente. Ainda mais porque demonstra continuidade dos esforços da comunidade internacional na busca de soluções. Para explicar e mostrar os avanços já consolidados por algumas das maiores economias do mundo, realizamos uma análise comparada da legislação ambiental do Brasil e de outros

dez países, que pode ser consultada a partir da página 15. As discussões no início de 2012, contudo, mostram que os resultados de duas décadas de acordos deixaram muito a desejar. A Rio+20 começa no clima de que é chegado o momento de colocar em prática tudo o que foi posto no papel e buscar abordagens de desenvolvimento possíveis de serem aplicadas. Muitos dos agentes da discussão sugerem que os gigantescos e burocráticos governos nacionais já extrapolaram a sua capacidade de realização, e que é necessário concentrar esforços em grupos que atuem em escalas menores, assumindo compromissos locais e objetivos mais manejáveis – ao invés de buscar um consenso global para realidades tão diversas quanto as do Brasil, China, Estados Unidos ou Rússia. São governos municipais, ONGs e outras organizações da sociedade civil, e companhias – de capital privado e público – as entidades vistas hoje como as que serão capazes de promover e incentivar as mudanças que queremos ver no mundo. www.analise.com

Alberto CésAr ArAújo/Ae

N

os 20 anos que separam as duas conferências da Organização das Nações Unidas (ONU) no Rio de Janeiro, muita água passou por debaixo da ponte. No que diz respeito ao Brasil, os progressos são incontestáveis. O país avançou tanto do ponto de vista ambiental – com conquistas como a redução dos índices de desmatamento na Amazônia e a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos – quanto de uma perspectiva política, social e econômica, com a redução do nível de pobreza, a quitação de dívida com o FMI e sua maior projeção internacional como um player global. A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, conhecida como Eco-92, organizou uma série de ideias que estavam no ar. Foi essencial para a conscientização do público sobre a necessidade de integrar os cuidados com o meio ambiente e ao desenvolvimento. De lá, saíram três tratados internacionais importantes:

English version page 124


APRESENTAÇÃO

É nesta discussão que a Análise Editorial vem dar a sua contribuição. Na publicação que você tem em suas mãos estão apresentados dados inéditos e exclusivos, resultado de cinco anos de pesquisas extensas realizadas com as maiores companhias brasileiras, que jogam luz em um ponto crucial e difícil de ser avaliado: as políticas ambientais das empresas. Na prática, a equipe da Análise Editorial realizou mais de três mil entrevistas entre 2007 e 2011, coletando – em todo o período – mais de 250 mil dados a respeito das políticas de gestão ambiental das 1.500 companhias brasileiras por receita líquida. Os resultados desses levantamentos anuais são publicados no anuário ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL. É, de longe, o levantamento jornalístico mais abrangente sobre o assunto feito no Brasil. Com todas essas informações em mãos – e o auxílio de um time de estatísticos, advogados e especialistas em gestão e certificação ambiental – criamos um índice que mede o comprometimento de 28 ramos econômicos brasileiros (representados pelas companhias entre as 1.500 maiores do país) com nove tópicos-chave da gestão ambiental corporativa. O resultado pode ser consultado a partir da página 31. Para entender em detalhes como é feita a pesquisa e como o índice foi calculado, consulte a metodologia na página 10. O segundo grupo articulador pesquisado pela Análise Editorial é o composto das ONGs ambientais brasileiras. De ativistas na Eco-92, essas organizações passaram a ser verdadeiros articuladores e veiculadores globais. A partir da página 97 desta edição é possível conferir o resultado de cinco anos de levantamentos aprofundados no universo dessas entidades. Estão perfiladas 334 entre as mais atuantes organizações do Brasil com detalhes a respeito de seus programas e os seus sistemas de financiamento. O conteúdo é riquíssimo e a análise apresentada nesta edição – limitada pelo espaço do papel – destaca apenas algumas das possíveis observações e conclusões. O que fica claro é que a conversa está só começando. O desenvolvimento sustentável – termo que se tornou popular e dá nome à confewww.analise.com

Os AvANÇOs Confira, a seguir, a progressão de alguns entre os principais indicadores ambientais brasileiros da Eco-92 até a Rio+20 ABAsTECIMENTO DE ÁgUA

COLETA DE LIXO

Em % de municípios com acesso

Em % do total gerado

99

96

COLETA DE EsgOTO 98

80

1989

2008

Em % de municípios com acesso

47

1992

2008

1989

rECICLAgEM DE ALUMÍNIO

LICENCIAMENTO AMBIENTAL

ÁrEA vErDE PrOTEgIDA

Em % do total de latas produzidas

Em número de licenças novas emitidas pelo Ibama

Em milhões de hectares

98 39 1992

gAsEs NOCIvOs à CAMADA DE O3 Emissão em mil toneladas

0,4 2009

2008

75

67

1992

2011

1992

2010

POPULAÇãO BrAsILEIrA Em milhões de habitantes

8

1990

624

2 2010

55

192

147 1991

rência da ONU apelidada de Rio+20 – é uma meta, não uma realidade. No mundo dos negócios, o que define a sustentabilidade é o chamado triple bottom line, conceito que mede a viabilidade financeira, social e ambiental de empreendimentos. Se eles forem sustentáveis nesses três pontos a conta fecha. Entre as companhias em atividade hoje em todo o mundo, é raro que isso aconteça. A boa notícia é que os indicadores apresentados nas próximas páginas mostram um quadro positivo. As determinações da política de resíduos sólidos sancionada em 2010, por exemplo, já começam a aparecer nas práticas empresariais. As companhias têm investido mais no relacionamento com

2011

seus públicos, os chamados stakeholders, demonstrando um aumento de preocupação com a sociedade em geral. A adoção de fontes renováveis de energia, como a solar, hídrica e os biocombustíveis, aumentou. Tudo aponta para o caminho da sustentabilidade, e a Rio+20 é mais um passo nessa direção. Esperamos que as informações apresentadas nesta edição sejam úteis para esta conferência e as muitas que serão realizadas no futuro. Contribuindo para que governos, empresas, ONGs e indivíduos possam participar de discussões esclarecedoras e objetivas, baseadas em dados confiáveis e que tracem metas reais para que alcancemos, de fato, a sustentabilidade. 0 EspEcial RiO+20

9


metodologia

CRITÉRIOS ADOTADOS NA EDIÇÃO English version page 126

A publicação e a base de dados

− ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL ESPECIAL RIO+20 é uma edição es-

pecial elaborada pela Análise Editorial com o objetivo de contribuir com as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho no Rio de Janeiro. As informações apresentadas nesta edição têm como base os dados levantados entre 2007 e 2011 pela equipe da Análise Editorial durante a realização da pesquisa do anuário Análise Gestão Ambiental (saiba mais na página 12). Em cada ano, as 1.500 maiores companhias brasileiras por receita líquida foram procuradas pela equipe de pesquisa da Análise Editorial para responder a um questionário detalhado – com mais de 70 perguntas objetivas – a respeito de suas práticas e políticas de gestão ambiental. O resultado, no decorrer desses cinco anos, foi mais de três mil entrevistas realizadas. Os dados dessas entrevistas foram compilados para gerar as análises apresentadas nas páginas desta edição, fruto de uma base de dados exclusiva e abrangente, o que permitiu traçar um panorama preciso de atuação das companhias brasileiras de 28 ramos econômicos em nove recortes de atuação ambiental. O campo de pesquisa – Os 28 ramos econômicos selecionados para análise podem ser conferidos na tabela apresentada na página 11. Também está apresentado o número de companhias que foram procuradas em cada ano e quantas efetivamente responderam ao questionário. Em 2011, na edição mais recente da pesquisa até o fechamento desta publicação, 1.836 companhias e bancos foram convidados a participar do levantamento. Ao todo, foram entrevistadas 850 empresas com sede em 20 estados brasileiros e no Distrito Federal. Os estados do Acre (AC), Amapá (AP),

10

Especial RIO+20

Mato Grosso do Sul (MS), Rondônia (RO), Roraima (RR) e Tocantins (TO) não foram representados na pesquisa. A análise comparada – A análise dos ramos econômicos está dividida nos seguintes nove assuntos: 1) Gestão ambiental: referente à formalização da adoção de práticas ambientais pelas companhias; 2) Stakeholders: referente ao relacionamento das companhias com seus públicos internos e externos; 3) ISO 14000: referente à certificação e adoção de práticas necessárias para obtê-la; 4) Água: referente às políticas de uso e conservação da água; 5) Eficiência energética: referente às políticas de uso e conservação de todos os recursos energéticos utilizados; 6) Fontes renováveis: referente ao uso de fontes de energia renováveis; 7) Resíduos: referente às políticas de gerenciamento e redução da produção de resíduos; 8) Emissões: referente às políticas de controle, redução e compensação na emissão de gases que provocam o efeito estufa e outros; 9) Áreas verdes: referente às políticas para conservação de áreas verdes para uso como insumo ou não. Consulte na página 12, para cada um dos nove assuntos analisados, uma descrição detalhada de quais os fatores considerados na composição do índice. O índice Análise Gestão Ambiental – Com o objetivo de poder comparar o desempenho dos 28 ramos econômicos em cada um dos nove assuntos analisados nesta edição, foi desenvolvido um índice com pontuação entre 0 e 100% para cada grupo de empresas. Esse indicador foi criado com a consultoria de Avelino Pereira, Humberto Moura Ribeiro e Galo Lopez Noriega. Avelino criou um sistema de pesos específicos para o questionário aplicado pela Análise Editorial e determinou, com base em uma série de critérios de cada ramo de atividade, um peso para

cada resposta dada, que varia de 0 a 10. Foram levados em consideração o nível de impacto que cada ramo pode causar ao meio ambiente e se as práticas desenvolvidas pelas companhias são ou não obrigatórias para seu tipo de atividade. Para definir o grau de impacto ambiental dos ramos, foi utilizada a classificação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por exemplo: uma companhia que atua no ramo de papel e celulose tem uma pontuação mais baixa quando afirma que planta árvores, já que essa ação está diretamente relacionada à sua atividade fim. Se uma transportadora logística, por exemplo, tem um programa que promove reflorestamento, essa ação tem um peso maior para o ramo no índice. Os pesos foram aplicados às respostas de todas as empresas. Caso a resposta tenha sido positiva, a companhia soma o número de pontos correspondentes àquela pergunta para aquele ramo. Caso tenha sido negativa, não soma nenhum ponto. Então, a pontuação final das companhias de um mesmo ramo foi somada e foi calculado que percentual do máximo possível de pontos foi atingido, o que resultou no índice. Os dados e o processo foram revisados com a consultoria de Galo Lopez Noriega, gerente-geral na Trevisan Escola de Negócios, mestre pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em controle estatístico de processos. As ONGs ambientais – A partir da página 97 esta edição apresenta uma análise detalhada do universo das principais ONGs ambientais que atuam no país. As informações mostradas também são exclusivas e têm como base os dados levantados pela equipe da Análise Editorial durante a realização da pesquisa do anuário Análise Gestão Ambiental. Para chegar à lista de ONGs apresentadas nesta edição, a Análise www.analise.com


metodologia

www.analise.com

Respondentes

Procuradas

Respondentes

2011

Procuradas

2010

Respondentes

conteúdo é apresentado em português e inglês. A versão em inglês começa na página 119. O símbolo é utilizado no início de cada seção para indicar em que página está o conteúdo traduzido. A Análise Editorial oferece edições bilíngues da maioria de suas publicações com o objetivo de auxiliar leitores estrangeiros interessados em compreender o papel do Brasil, de suas cidades, suas empresas e suas políticas, no mercado global. Para mais informações sobre Análise Editorial e nossas publicações, visite-nos em www.analise.com.  0

2009 Procuradas

LISE GESTÃO AMBIENTAL - ESPECIAL RIO+20 é bilíngue e todo seu

2008 Respondentes

Edição bilíngue – A edição ANÁ-

2007

Procuradas

As convenções e nomenclatura – Para facilitar a leitura, os valores e as quantias foram arredondados e publicados em números inteiros ou com até uma casa decimal, de acordo com a informação em questão. Os percentuais referentes aos resultados de pesquisas foram ponderados e englobam somente as instituições que lidam com o problema ou ação abordada. Portanto, foram eliminados da base de cálculo das questões os respondentes que assinalaram a alternativa “não se aplica à atividade da empresa”.

empresas entrevistadas em cada ano Respondentes

Editorial se baseia nas entidades que responderam à pesquisa nas edições anteriores e nas que foram citadas por companhias ou por outras ONGs ao mencionarem parcerias e projetos. Essas informações são cruzadas com a lista de organizações cadastradas no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), no Programa Estadual de Apoio às ONGs (Proaong) da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e na Rede de ONGs da Mata Atlântica. Em 2011, na edição mais recente da pesquisa até o fechamento desta publicação, 916 ONGs foram convidadas a participar do levantamento. Ao todo, foram entrevistadas 334 empresas com sede em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal. Os estados do Amapá (AP) e Roraima (RR) não foram representados na pesquisa. De 2007 a 2011, a equipe da Análise Editorial conduziu mais de 1,8 mil entrevistas com ONGs.

Açúcar e Álcool

13

34

18

71

25

56

37

55

35

Água e Saneamento

8

12

12

20

15

20

15

24

15

Alimentos

34

93

58

149

59

144

55

155

74

Bancos

13

37

15

60

14

63

21

290

24

Bebidas e Fumo

13

18

13

27

15

28

18

28

13

Comércio Atacadista

1

20

2

30

4

25

6

25

8

Comércio Varejista

5

44

14

93

13

79

21

88

22

Concessões Rodoviárias

6

24

12

30

10

26

17

27

26

Construção e Engenharia

17

33

28

81

27

82

33

97

53

Educação

3

9

7

25

22

18

5

31

8

Eletroeletrônica

16

49

26

67

24

59

23

55

36

Energia Elétrica

29

91

38

151

38

111

81

147

79

Farmacêutica e Cosméticos

17

30

27

47

22

37

21

40

24

Mat. Construção e Decoração

11

16

11

25

10

18

10

22

13

Mecânica

5

13

9

21

10

18

9

17

9

Metalurgia e Siderurgia

38

78

53

124

52

94

47

105

44

Mineração

5

32

5

45

7

43

17

50

26

Papel e Celulose

15

20

17

29

17

22

17

23

11

Petróleo e Gás

13

26

16

43

18

39

24

41

24

Plásticos e Borracha

13

22

20

31

19

28

17

28

19

Química e Petroquímica

35

70

53

100

44

16

43

73

39

Serviços Especializados

9

14

12

39

12

28

12

30

20

Serviços Médicos

10

24

17

58

18

43

16

55

20

Tecnologia da Informação

5

22

9

46

11

34

8

38

10

Telecomunicações

7

19

12

43

11

30

14

34

13

Têxtil, Couro e Vestuário

12

30

20

49

22

36

15

29

17

Transportes e Logística

19

38

29

80

32

66

32

80

38

Veículos e Peças

14

58

42

110

38

88

43

98

43

Outros

39

118

68

297

83

223

81

312

87

425

1.094

663

1.991

692

1.574

758

2.097

850

RAMO

TOTAL

* A base de empresas foi criada no decorrer da primeira edição da pesquisa em 2007, por isso o número de companhias procuradas não está disponível

especial RIO+20

11


metodologia

OS NOvE gRupOS TEmáTICOS DO íNDICE DE gESTÃO AmbIENTAl Consulte, a seguir, quais pontos foram considerados para calcular o índice dos ramos econômicos em cada grupo GESTÃO AMBIENTAL

ÁGUA

ca ambiental dentro da companhia; • A área em que a responsabilidade pela gestão ambiental está ligada e a quem se reporta; • Os processos em que o impacto ambiental é reconhecido pela administração da empresa; • A implementação de programas de gestão voltados para a melhoria de objetivos e metas ambientais.

mo de água.

• A definição da gestão ambiental e da políti-

• As práticas adotadas em relação ao consu-

• As práticas adotadas em relação ao consu-

mo de energia elétrica, combustíveis fósseis e lenha e carvão.

ENERGIA RENOVÁVEL

• As fontes renováveis de energia utilizada pela

empresa.

mentos ambientais dos seus fornecedores;

RESÍDUOS

relativo à gestão ambiental; • Os projetos destinados a públicos externos; • A divulgação da gestão e das ações ambientais ao público externo; • O valor despendido para corrigir os passivos ambientais formalizados; • Os programas e as parcerias com entidades não governamentais; • A empresas que possuem uma instituição voltada para o meio ambiente.

os do processo produtivo, aos efluentes e aos ruídos e vibrações.

• A abrangência dos processos de treinamento

• As práticas adotadas em relação aos resídu-

EMISSÕES E CLIMA

• As práticas adotadas em relação às emissões atmosféricas; • A incorporação de uma política corporativa voltada para a mudança climática e de projetos de redução de emissão de gás; • O rótulo ecológico “Selo Verde” para neutralização de carbono.

ISO 14001

• Conta, e há quanto tempo, com a certificação ISO 14001; • Aplica outras normas da série ISO 14000.

• Concessão de crédito; • Políticas de risco socioambiental para a con-

cessão de crédito;

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

STAKEHOLDERS

• A exigência de comprovações de procedi-

BANCOS

ÁREAS VERDES

• Os programas de plantio de árvores; • As áreas verdes nativas mantidas.

• Aplicações dos Princípios do Equador; • Métodos aplicados em sua política de crédito

para operações que envolvam risco ambiental; • Profissionais específicos para análise de gestão e riscos ambientais dos clientes; • Procedimentos operacionais documentados e implementados para o monitoramento dos clientes, avaliando o risco de geração de impactos ambientais em cada setor; • Inclusão da avaliação de riscos ambientais no cálculo do rating financeiro de seus clientes; • Avaliação de oportunidades ambientais como fonte para o desenvolvimento de novos produtos; • Área responsável pela gestão e riscos socioambientais dos clientes; • Treinamento dos profissionais com vistas à aplicação da política de risco socioambiental; • Procedimentos para estimular a melhoria das práticas de gestão socioambiental dos clientes; • Procedimentos adotados no processo de análise de gestão e risco socioambiental na concessão de crédito para pessoa jurídica; • Percentual da carteira de clientes que abrange a política de risco socioambiental.

Saiba maiS Sobre a análiSe GeStão ambiental

O

s dados utilizados como base para produzir esta edição são levantados anualmente desde 2007 pela Análise Editorial e publicados na revista ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL, a maior fonte de informação a respeito das práticas das maiores empresas brasileiras, o perfil das ONGs ambientais e as políticas concessão de crédito dos principais bancos nacionais. Para saber mais sobre essa e outras publicações visite www.analise.com.

12

EspEcial RiO+20

ANUÁRIO

2011/2012

AMBIENTAL O RETRATO DO BRASIL QUE RECEBE A RIO+20

Confira nesta edição os indicadores e as análises que explicam as ações do setor privado e os avanços institucionais que irão ditar o desenvolvimento ambiental do país

• A nova lei de resíduos sólidos e o que será necessário para atingir as metas página 22

• Os exemplos das empresas que preservam as maiores áreas verdes do país página 36

+

As boas práticas de

837 EMPRESAS

O perfil de

334 ONGs AMBIENTAIS

A opinião de

120 MEMBROS DO MP

As políticas de

24 BANCOS

52.000 dados são coletados anualmente pela equipe da Análise Editorial. É o maior levantamento jornalístico sobre gestão ambiental do Brasil

ANUÁRIO

2010/2011

GESTAO AMBIENTAL As boas práticas de

750

EMPRESAS BANCOS: As políticas de crédito de 21 instituições

O perfil de

330

ONGS AMBIENTAIS

+

A composição dos conselhos

MEIO AMBIENTE NO BRASIL: da Eco-92 à Rio+20

www.analise.com


Colaboradores

créditos: 1: guilherme gomes; 2: claudio rossi; 3: cláudio gatti; 4, 5 e 6: divulgação

contribuição valiosa

English version page 129

2

1

3

grande parceiro. E a Werner Grau Neto, um dos mais reconhecidos advogados ambientais do país que repetidamente tem nos assessorado no entendimento do complexo universo da legislação ambiental nacional.

4

A

produção desta primeira edição especial Rio+20 de ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL contou com a contribuição de consultores, especialistas e técnicos cuja participação foi fundamental para que pudéssemos chegar aos resultados apresentados nas próximas páginas. A Análise Editorial gostaria de agradecer a esses profissionais pela sua atenção, pelo seu tempo e paciência, e por suas observações pertinentes e esclarecedoras. www.analise.com

55

6

Em especial, estendemos os nossos agradecimentos a Avelino Pereira e Humberto Moura Ribeiro, do Grupo NBS, que contribuíram com o seu extenso conhecimento a respeito de gestão ambiental corporativa no Brasil, não apenas para esta revista, mas para a pesquisa ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL como um todo. Ao estatístico Galo Lopez Noriega, colaborador da Análise Editorial em uma série de projetos desde o início das nossas atividades e um

1 Avelino Pereira, gerente de projetos do Grupo NBS; 5 Charles Kazaz, sócio e advogado ambiental do Fasken Martineau DuMoulin LLP, de Toronto (Canadá); 4 Dirk Uwer, advogado e sócio do Hengeller Mueller, de Düsseldorf (Alemanha); 2 Galo Lopez Noriega, gerente-geral na Trevisan Escola de Negócios; Humberto Moura Ribeiro, diretor sênior do Grupo NBS; 6 Sajai Singh, advogado e sócio do J. Sagar Associates, de Bangalore (Índia); Soumya Patnaik, advogado associado do J. Sagar Associates, de Bangalore (Índia); Tomoki Debari, sócio e advogado do Anderson Mori & Tomotsune, de Tóquio (Japão); 3 Werner Grau Neto, sócio do Pinheiro Neto Advogados.  0

especial RIO+20

13


A ANÁLISE EDITORIAL FALA COM QUEM FAZ O BRASIL CRESCER

e

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Conselho editorial Eduardo Oinegue, Silvana Quaglio e Alexandre Secco

Diretora-presidente Silvana Quaglio

1.500 Empresas

A

s companhias brasileiras e seus executivos são as principais fontes de infor� mação consultadas pela Análise Editorial em seus projetos. Com a meta de produzir conteúdo que analisa, explica e apresenta con� clusões a respeito do Brasil, cria� mos Análise 1.500 Empresas. Um banco de dados constante� mente atualizado e resultado de um esforço editorial para repre� sentar a economia brasileira de forma abrangente e criteriosa. Esse grupo de empresas inclui

as maiores companhias do país por receita líquida e as principais instituições financeiras: bancos, seguradoras, corretoras e com� panhias de crédito. Além disso, o conjunto de en� tidades consultadas agrega seg� mentos da economia que mo� vimentam um volume financeiro menor, mas possuem uma pers� ����� pectiva e opinião extremamente relevantes para entender o país. Alguns exemplos são universi� dades, ONGs, entidades benefi� centes, institutos de pesquisa, hospitais, agências de publici� dade e propaganda, e auditores. Essas empresas e entidades foram selecionadas criteriosa� mente pela equipe da Análise Editorial com o objetivo de retra� tar a elite dos administradores e empreendedores que atuam no país e suas companhias. A Análise Editorial fala com um universo de pessoas que en� frentam diariamente o desafio de crescer e melhorar. O resultado é uma visão única do Brasil e seu lugar no mundo.

Alexandre Secco

Diretor comercial Alexandre Raciskas Rua Major Quedinho, 111, 16° andar CEP 01050-904, São Paulo-SP Tel. (55 11) 3201-2300 Fax (55 11) 3201-2310 contato@analisecom

www.analise.com AMBIENTAL Edição especial

PUBLISHER Silvana Quaglio EDITOR Alexandre Secco Editor executivo: Gabriel Attuy Gerente de pesquisa e distribuição: Ligia Donatelli Editora colaboradora: Inaiê Sanchez Coordenadora de conteúdo: Paula Quintas Coordenadora de pesquisa: Valquíria Oliveira Coordenadora de distribuição: Juliane Almeida Coordenador de arte: Cesar Habert Paciornik Equipe de conteúdo: Abrahão de Oliveira, Bruna Abjon, Patrícia Silva e Sumaya Oliveira Equipe de pesquisa: Adrieli Garzim, Alberto Barbosa, Ana Carolina Marquez, Ana Claudia Coelho, Anna Carolina Romano, Bianca Barros, Claudia Barbosa, Daniela Trindade, Danilo Souza, Fernanda Chiarato, Iuri Salles, Jessica Cidrao, Juliana Colognesi, Lucas Rodrigues, Paula Moreira, Raquel Aderne, Ricardo Borges, Taiane Silva, Tais de Souza, Thaís Bueno, Vinícius Oliveira, Yasmin Gomes e Yuri Damacena Designers: Bruna Pais, Danilo Pasa e Régis Schwert Coordenador de TI: Cristiano Carlos da Silva Equipe de TI: Felipe Cavaliere e Leandro Akira Colaboradores: Henrique Gonçalves do Carmo e João Carlos de Oliveira Revisão: Mary Ferrarini Tradução: Sogl Traduções Publicidade/Gerentes de negócios: Alessandra Soares e Márcia Pires Assistente: Felipe Ricelle

O peso das 1.500 fatia do pib do brasil

Diretor de conteúdo

Atendimento e apoio administrativo: Fábio Lopes e Giseli Monteiro

Por atuação

Auditoria

Agroindústria

9% 62%

Comércio

9%

Indústria

38%

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Especial RIO+20

Serviços

44%

ISSN 1808-9240

Tiragem: 30.000 Impressão: Log & Print Gráfica e Logística S.A. Impresso em maio de 2012 Operação em Bancas: Assessoria: EdiCase www.edicase.com.br Distribuição Exclusiva em Bancas: FC Comercial e Distribuidora S/A Manuseio: FG Press www.fgpress. com.br Distribuição Dirigida: Door to Door www.d2d.com.br

www.analise.com


reportagem especial

1

Legislação ambiental

O desafio de passar as leis ambientais do papel à prática

16

Análise comparada das leis de 11 países

18


especial

Legislação

O desafio de passar as leis ambientais do

papel A prAtica Desde os anos 1980 – passando pela Eco-92 e o Protocolo de Kyoto – as maiores nações do planeta implementaram e consolidaram sua legislação ambiental. Agora, no ano da Rio+20, a hora é de agir inaiÊ SANCHEZ English version page 132

N

as últimas três décadas, a maioria das grandes nações – em população e tamanho da economia – consolidou sua legislação ambiental após muitos debates e acordos. A discussão atingiu uma plataforma global a partir de 1992, com a realização da primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro, e pressionou os que ainda não estavam nesse caminho. No Brasil, por exemplo, o processo ocorreu em 1981 por meio do estabelecimento da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA). Os Estados Unidos deram esse passo ainda no fim dos anos 1960, estabelecendo padrões que serviram de modelo para outros países, e a Itália, por exemplo, viu seu arcabouço legal tomar consistência apenas em 2006. Nesse meio-tempo, tratados internacionais de peso emergiram – como as convenções da Biodiversidade, do Clima e de Combate à Desertificação –, todos assinados na Eco-92, e o Protocolo de Kyoto, em 1997. Na prática, contudo, os resultados que deveriam ser fruto da aplicação das leis ambientais ainda deixam muito a desejar. Mais do que nunca, especialistas, empresários e governos locais apontam que a hora é de achar as soluções práticas para a aplicação das regras que foram desenvolvidas nas últimas décadas. E, no ano da realização da conferência Rio+20 no Brasil, encontrar novas abordagens de desenvolvimento sustentável. As discussões no Brasil — A prin-

cipal mudança recente na legislação ambiental nacional foi a adoção da Política Nacional de Resíduos Sóli-

16

Especial RIO+20

dos (PNRS), em vigor desde agosto de 2010. A lei define uma série de novas obrigações para diferentes atores no gerenciamento de resíduos sólidos – o poder público, o cidadão comum e, principalmente, as empresas. Fruto de 20 anos de maturação, além de pretender ajudar o meio ambiente, a política é um instrumento de ordem econômica e social, à medida que busca criar um ciclo de aproveitamento e reinserção dos resíduos sólidos na cadeia produtiva – o conceito conhecido como logística reversa –, como também inserir na sociedade os catadores de resíduos, categoria profissional até hoje excluída do mercado formal. As duas outras principais discussões são as normas de licenciamento ambiental para projetos e a revisão do Código Florestal. No caso do licenciamento, atualmente, a competência divide-se entre um órgão federal, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), e órgãos estaduais e municipais. Tal multiplicidade de agentes licenciadores acaba gerando confusão e prejuízo para as empresas, que enfrentam gastos extras no processo e dificuldades para fazer seus planejamentos. A Lei Complementar 140, de dezembro de 2011, pretendeu minimizar tal confusão definindo quem faz o quê. No entanto, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra ela deixou o assunto em compasso de espera. A reforma do Código Florestal (Lei nº 4.771, de 1965) brasileiro é um debate desde meados da década de 1990, mas apenas em 2011 uma versão com alterações foi discutida, de fato, pelo Congresso. Após um período acalorado de debates e interferência do Executivo, o projeto foi aprovado em abril de 2012. Até o fechamento desta edição, em 25 de maio de 2012, a presidente www.analise.com


paulo whitaker/reuters

Logística reversa: Plano Nacional de Resíduos Sólidos diminui impostos para a criação de tecnologias de reciclagem de eletrônicos

Dilma Rousseff havia anunciado que vetaria 12 artigos do código e faria outras 32 modificações ao texto aprovado no Congresso. As mudanças seriam editadas por medida provisória. As alterações discutidas no código geraram insatisfação nos mais diversos setores da sociedade por diferenças relacionadas à área de terra de desmate, ao reflorestamento dessa área e à punição para quem já desmatou. Na verdade, a polêmica deve-se a uma falha na Política Nacional de Meio Ambiente, que prevê vários instrumentos para a aplicação do Código Florestal. Um deles, o zoneamento ecológicoeconômico, poderia pôr fim ao debate definindo áreas de desenvolvimento do agronegócio e áreas de conservação ou recuperação florestal. Ocorre, entretanto, que tal instrumento nunca foi devidamente definido, gerando uma discussão polarizada entre os interesses do agronegócio e outros setores sociais no âmbito da legislação de conservação florestal. A questão, portanto, está longe de ser resolvida. www.analise.com

15%

das empresas entrevistadas no levantamento de 2011 têm projetos atrasados por questões ambientais Cenário internacional – As polêmicas não se restringem ao Brasil. No fim de 2011, o Canadá retirou-se do Protocolo de Kyoto para evitar pagar multas de até 13,6 bilhões de dólares por não ter reduzido suas emissões. Após dizer que “Kyoto não funciona” – já que países como os Estados Unidos, China e Índia não estão sujeitos a ele –, o ministro canadense do Meio Ambiente, Peter Kent, foi criticado por muitos. Ao mesmo tempo, integrantes

da União Europeia, como Polônia, Suécia e Alemanha, têm sido chamados à atenção pelas autoridades ambientais do bloco pelo não cumprimento de compromissos assumidos. Em fevereiro de 2012, a França foi levada à Corte de Justiça Europeia por poluição de água com nitratos. Em março, foi a vez de Chipre ir parar nos tribunais da UE também pelo não cumprimento de regras do bloco. O momento, portanto, é de colocar na prática o que já foi discutido, aprovado e consolidado. Consulte, a seguir, uma análise da legislação ambiental de 11 países: Brasil, Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia. O levantamento realizado pela Análise Editorial destaca 24 pontos principais das normas aplicadas em cada nação, incluindo como estão definidas as competências do governo e de agências reguladoras, alguns dos principais obstáculos enfrentados para a aplicação da legislação e explica as regras para licenciamento ambiental de projetos. 0 especial RIO+20

17


especial

legislação

Alemanha Idade da legislação consolidada: 22 anos

(1990). 

Estrutura para aplicação das leis: Competên-

cia federal, regional e municipal. Regulação feita pelo Ministério do Meio Ambiente e Segurança Nuclear e por agências regionais.

nDiretrizes básicas 

As preocupações ambientais iniciaram-se nos anos 1970, com a criação de diversos departamentos de meio ambiente em diferentes ministérios até a unificação do tema no Ministério do Meio Ambiente, em 1986. A proteção ambiental no país é feita por uma série de leis nacionais, aprovadas em 1990, para água, resíduos, emissões e licenciamento ambiental. Entretanto, normas ambientais da União Europeia (UE) gradualmente harmonizam a legislação dos países membros, sendo que hoje a maioria de sua legislação ambiental já é a determinada pelo bloco.

nCompetência 

As normas para a emissão de licenças de operação são as mais rígidas, bem acima dos padrões europeus. Os regulamentos mais restritivos referemse ao setor de energia nuclear – que será eliminado até por volta de 2022 – e à contaminação de solo, já que, independentemente de quem causou a poluição, o proprietário de uma terra contaminada é obrigado a fazer a reparação dos danos.

nPrincipal obstáculo 

As empresas promovem um intenso questionamento sobre os custos com o meio ambiente, incluindo impostos, que consideram danosos à atividade econômica.    nÓrgãos reguladores  Em nível federal, os principais órgãos são o Ministério do Meio Ambiente e Segurança Nuclear e seu braço executivo, a Agência Ambiental Alemã. Nas 16 regiões, estruturas semelhantes são encontradas.  

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  As leis específicas sobre crimes ambientais são consideradas o principal meio de defesa. Qualquer cidadão pode mover processos civis por dano ambiental. Embora não existam promotorias específicas para as questões de meio ambiente, há os procuradores-gerais que podem instaurar processos criminais.    

nFundos para financiar prevenção e política

ambientais  Vêm, principalmente, de fontes governamentais, financiados, normalmente, por impostos 

nImpostos e taxas ambientais 

As taxas impostas sobre o uso de recursos naturais e a emissão de poluentes são numerosas. Resíduos, água e emissões possuem taxas específicas. No campo dos incentivos, o principal instrumento refere-se aos benefícios fiscais e tarifários para a geração de energia renovável. 

nExigência de plano preventivo contra riscos

ambientais  Qualquer risco eventual será examinado durante o processo de licenciamento. Os solicitantes da licença devem apresentar documentos sobre a segurança técnica da instalação. O plano preventivo é obrigatório nas plantas de geração de energia nuclear e em aterros de lixo tóxico. Também existem obrigações para o transporte e manuseio de produtos perigosos. Os empreendedores devem provar capacidade financeira para lidar com emergências.  

nAcidentes 

Não há, na legislação, uma obrigação de informar todos os acidentes ocorridos. Mas esse dever existe, em particular, em casos de sérios riscos a pessoas ou ao meio ambiente. Contudo, nas licenças de emissão de efluentes, frequentemente as autoridades locais introduzem cláusulas que obrigam o empreendedor a notificar danos ambientais.    nVenda de ativos  A prática comercial obriga a abertura de dados ambientais nas negociações. Se o comprador não for informado sobre passivos ambientais, ele pode processar os antigos proprietários, tanto pelo dano como por fraude. Por isso, em princípio, uma negociação não transfere o passivo ambiental ao Michaela Rehle/REUTERS

Federal, regional (16 regiões) e municipal.    nTipo de responsabilidade  Administrativa, com responsabilidade monetária por danos. Em caso de responsabilidade civil, há uma lei específica para violação ambiental. Já a responsabilização penal não se estende a pessoas jurídicas, apenas a físicas. Os crimes ambientais mais graves podem ser punidos com até dez anos de prisão.   

nRegras mais restritivas 

Após diversos protestos populares a Alemanha se tornou, em 2011, o primeiro país europeu a renunciar ao uso de energia nuclear 18

Especial RIO+20

www.analise.com


especial

comprador, mas este frequentemente busca uma indenização do vendedor no caso de tais passivos se materializarem.   nVenda de ações  Na aquisição de participação, o comprador herda todos os passivos ambientais, mas não a responsabilidade pela causa do dano. A responsabilização civil ou penal pode ocorrer se a companhia não estiver cumprindo as normas de licenciamento. 

nPrincipais desafios 

O fechamento de todas as plantas nucleares do país até 2022, a redução das emissões de CO2 e o desenvolvimento e a distribuição de fontes de energia renovável são os principais focos de atenção e de grande parte do debate público.  

Brasil

  Licenciamento

Idade da Legislação ambiental consolidada: 31

nÓrgãos responsáveis 

Estrutura para aplicação das leis: Competên-

anos (1981).  

De acordo com a Lei de Avaliação Ambiental do país, as autoridades regionais são responsáveis pela Avaliação de Impacto Ambiental.    nEstudos ambientais  O principal estudo é a Avaliação de Impacto Ambiental, que analisa de forma geral instalações industriais, projetos de infraestrutura e aterros sanitários. Depois de concluído, o estudo faz parte do processo de licenciamento para a operação, que incluiria a permissão de emissões de gás do efeito estufa.     nRegistros públicos  A Lei de Informação Ambiental garante a qualquer pessoa o acesso a documentos e pareceres referentes ao processo de licenciamento ambiental.   

nTempo médio para obtenção de licença ambiental 

Nos projetos de maior impacto ambiental previsto, a licença demora, em média, sete meses para ser concedida. Contudo, para grandes projetos, como instalações de energia nuclear, a licença pode demorar até anos para sair. Para empreendimentos de menor impacto ambiental em potencial, é emitida em três meses e meio.    

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  A maioria das licenças não possui validade temporal. Apenas algumas outorgas com regras especiais, como no caso dos recursos hídricos, podem necessitar de renovação. Se uma empresa não operar em três anos com as licenças obtidas, elas perdem a validade.   nNecessidade de auditoria ambiental  As licenças ambientais normalmente detalham as condições para se relatar monitoramentos às autoridades. Já os relatórios públicos sobre questões ambientais geralmente são exigidos apenas de umas poucas instalações que lidam com substâncias perigosas.    

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim. A legislação alemã segue diretivas europeias que preveem a participação popular e da iniciativa privada em processos nos quais a emissão da licença segue procedimentos formais, ou no caso de um estudo de impacto ambiental ser obrigatório. Em processos mais simples, as autoridades decidem sobre a participação de indivíduos que tenham seus interesses afetados.    

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de meio ambiente  Não há nenhuma previsão legal de participação da sociedade em órgãos normativos, a não ser por meio de audiências públicas.    www.analise.com

cia comum de União, Distrito Federal, estados e municípios. Regulação feita pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama e secretarias do Meio Ambiente estaduais e municipais.

nDiretrizes básicas 

Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) – Lei nº 6.938, de 1981. Instituiu uma rede de órgãos governamentais conhecida como Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e consolidou a obrigação de licenciamento prévio de atividades potencialmente poluidoras. Em 2010, entrou em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos. 

nCompetência 

Comum de União, estados, Distrito Federal e municípios.    nTipo de responsabilidade  Estabelece a responsabilidade objetiva para reparação do dano ambiental, ou seja, não é necessário mostrar que o transgressor causou o estrago. Para o réu ser responsabilizado, é preciso apenas que seja estabelecida uma ligação causal entre sua conduta e o dano ambiental. Traz a possibilidade de responsabilidade penal, além de administrativa e civil.    nRegras mais restritivas  Restrições ao corte de vegetação em áreas rurais. Zoneamento urbano (municípios) e regras sobre bacias aéreas (zonas que não comportam aumento do nível de emissões atmosféricas).    nPrincipal obstáculo  Dificuldade de aplicação por falta de recursos e pessoal; interação insuficiente entre os órgãos ambientais.    nÓrgãos reguladores  Em nível federal, o Ministério do Meio Ambiente e sua agência, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os estados possuem secretarias de Meio Ambiente, assim como os municípios.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  Por intermédio do Ministério Público federal e estadual.   

nFundos para financiar prevenção e política ambientais 

Fundo Nacional de Compensação Ambiental, cujos recursos são obtidos com taxa sobre empreendimentos com significativo impacto ambiental. Há, também, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal e o Fundo Nacional de Meio Ambiente, com recursos orçamentários, dos royalties do petróleo e de empréstimos internacionais.    

Legislação

nImpostos e taxas ambientais 

Em nível estadual há o ICMS Ecológico, que beneficia municípios com grandes áreas de preservação. Há um projeto de lei em tramitação para a criação do Imposto de Renda Ecológico e, também, uma Proposta de Emenda Constitucional para a imunidade tributária de produtos reciclados.   

nExigência de plano preventivo contra riscos

ambientais  Sim. Durante o processo de licenciamento.    nAcidentes  A empresa tem a obrigação de reparar o dano ambiental, minimizar seu impacto e contê-lo.    nVenda de ativos  A responsabilidade ambiental é controversa. Em algumas decisões, um indivíduo que adquire um ativo e não remedia passivos existentes é considerado transgressor. Em outras, os juízes julgam que a ligação causal prevalece e, portanto, o vendedor é o responsável.    nVenda de ações  O princípio geral é o de que a companhia permanece responsável pelos passivos ambientais incorridos antes da venda.    Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

O Ibama licencia empreendimentos cujo impacto potencial tenha alcance nacional, internacional ou regional (dois ou mais estados). O órgão estadual atua em caso de impacto potencial em dois ou mais municípios, e o órgão municipal, dentro dos limites de um só município.   

nEstudos ambientais 

Empreendimentos com maior potencial de impacto ambiental devem ser licenciados por meio de Estudo de Impacto Ambiental – Relatório de Impacto Ambienta (EIA-Rima). Os menos complexos, por meio de estudos mais simples.    nRegistros públicos  Os órgãos reguladores põem à disposição do público informações sobre licenciamento, existência de áreas de preservação permanente, EIA-Rima e audiências.   

nTempo médio para obtenção de licença  ambiental 

Um ano e meio, se necessário EIA-Rima. Para casos mais simples, de seis meses a um ano.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  Para licença prévia e de instalação, cerca de dois anos. Para licença de operação, de cinco a 10 anos.    nNecessidade de auditoria ambiental  Só é obrigatória quando o Ibama solicita a atualização do Cadastro Técnico Nacional.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim, em audiências públicas. Além disso, o processo deve ficar disponível para consulta pública.   

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de Meio Ambiente.  Como membro de conselho nacional (Conama), estadual (Consema) e conselhos municipais.  

especial RIO+20

19


especial

legislação

nPrincipais desafios 

As desigualdades regionais existentes na infraestrutura de saneamento fazem com que a universalização e a melhoria dos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, coleta de lixo e drenagem figurem entre os principais objetivos a ser alcançados pelo Estado. De acordo com o IBGE, a quantidade de lixo que recebe destinação final adequada no Brasil, por exemplo, ainda é menos da metade do total; e o percentual do esgoto coletado que recebe algum tipo de tratamento é baixo, em torno de um terço. Outro grande desafio refere-se ao desmatamento, que atinge não somente a Amazônia como também outros biomas, como a caatinga, a Mata Atlântica e o cerrado.   O Brasil ainda é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa do mundo.

Em nível federal, o Ministério do Meio Ambiente (Environment Canada) aplica as leis ambientais federais. A Agência de Avaliação Ambiental Canadense faz a avaliação de impacto ambiental de empreendimentos. As províncias possuem suas próprias agências ambientais.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  Os ministérios federal e das províncias para o meio ambiente têm o poder de inspecionar e investigar o não cumprimento da legislação ambiental. A aplicação da legislação pode ser feita por meio de processo ou pela emissão de ordem administrativa. Isso pode resultar em multas, prisão ou custos para remediar ou prevenir o dano ambiental. Em algumas jurisdições, os cidadãos têm o direito de iniciar investigações.    

nFundos para financiar prevenção e políticas

Canadá Idade da legislação ambiental consolidada: 24

anos (1988). 

  Estrutura para aplicação das leis: Normalmen-

te, as leis ambientais federais são aplicadas pelo Ministério do Meio Ambiente (Environment Canada) e as leis ambientais das províncias são aplicadas por ministérios do meio ambiente provinciais. Em geral, as leis das províncias baseiam-se em um sistema de comando e controle, em que os descartes no meio ambiente são proibidos, a não ser que permitidos pelo governo. Portanto, as atividades industriais geralmente requerem uma autorização do governo antes de ser implementadas.  

nDiretrizes básicas 

O primeiro ato foi a lei de criação do Departamento de Meio Ambiente, em 1971. A legislação ambiental federal do país, a Lei Ambiental Canadense, foi aprovada, pela primeira vez, em 1988 e reformada em 1999. Enfoca o controle dos impactos de substâncias tóxicas sobre o meio ambiente e a saúde humana. As diretrizes baseiam-se nos conceitos do princípio da precaução e do poluidor pagador.   nCompetência  Divisão de poderes entre o governo federal e dez províncias autônomas. Há acordos entre os dois níveis de governo para evitar duplicidade, mas os projetos podem ter de passar pelo escrutínio de ambos.    nTipo de responsabilidade  Geralmente, a legislação ambiental se faz cumprir de uma forma que pode resultar em multas ou prisão, ou por poderes de ordem administrativa que dão às autoridades ambientais o poder de exigir que o dano ambiental seja prevenido ou corrigido. A maioria das jurisdições também prevê penalidades monetárias administrativas que permitem a imposição de penas sujeitas a um processo de revisão administrativa. A responsabilização também pode ser imposta por meio de uma ação civil por danos.

nRegras mais restritivas 

Proibições sobre a disposição de resíduos tóxicos.   nPrincipal obstáculo  Dificuldade de aplicação da legislação, que varia dependendo do distrito, província ou cidade.   20

nÓrgãos reguladores  

Especial RIO+20

ambientais  O principal é o Fundo para Danos Ambientais, instituído em 1999 pela Lei de Proteção Ambiental.   nImpostos e taxas ambientais  Não há uma taxa ecológica específica. Entretanto, algumas províncias têm implementado um imposto de carbono ou taxa para financiar medidas de redução de gases do efeito estufa.    

nExigência de plano preventivo contra riscos ambientais 

Os reguladores podem impor condições como parte do processo de licenciamento. Planos de prevenção podem ser incluídos como uma condição para a licença. Os planos de prevenção também podem ser solicitados em regulamentos que tratam de emergências ambientais.    nAcidentes  As multas são aplicadas no ato quando o dano ambiental é mínimo e não apresenta risco maior para a saúde humana e o meio ambiente. A aplicação de multa e a defesa do acusado são regulamentadas pela Lei de Contravenção. Os órgãos ambientais também possuem poder de embargo nas situações em que advertências e multas não forem suficientes para cessar o dano ambiental.    nVenda de ativos  Em geral, a responsabilidade recai sobre a pessoa que causou a poluição em uma propriedade. As leis ambientais também impõem a responsabilidade sobre os ocupantes ou as pessoas que tenham a custódia da propriedade. Portanto, um comprador poderá ser responsável por remediar danos preexistentes. Geralmente, questões ambientais são negociadas entre as partes em qualquer venda de ativo.   

nVenda de ações 

A venda de ações não extingue qualquer passivo existente antes da transação.     Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

Cada ministério ambiental das províncias exigirá uma licença para tratar de atividades industriais ou comerciais que poluam o meio ambiente. O processo de licenciamento também pode incluir um estudo de impacto ambiental, informação pública, consulta ou participação na decisão sobre a licença, dependendo da natureza do projeto.    

nEstudos ambientais 

O órgão federal tem autoridade limitada. Sua jurisdição envolve o uso de certas substâncias tóxicas, proteção do habitat aquático, parques nacionais e terras aborígines. Em geral, as empresas lidam com os órgãos ambientais das províncias para obter suas licenças.   nRegistros públicos  Algumas províncias, como Ontário, possuem registro público de informação ambiental. Além disso, todas as jurisdições têm legislação de liberdade de informação que permite à população acessar dados mantidos pelos órgãos governamentais.  nTempo médio para obtenção de licença ambiental 

Pode variar de três meses, para negócios de impacto potencial pequeno, até três anos, para projetos mais complexos.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  Em geral, não precisa ser renovada. Contudo, há exceções que dependem do tipo da licença e das províncias.     nNecessidade de auditoria ambiental  Não é obrigatória.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim. A Lei de Proteção Ambiental. A Avaliação de Impacto Ambiental é discutida nas audiências públicas.   

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de Meio Ambiente  Não existe um conselho deliberativo em nível federal com participação da sociedade.  

nPrincipais desafios 

O governo federal retirou-se do Protocolo de Kyoto, em 2011, por não ser capaz de cumprir suas metas. Algumas provisões, entretanto, comprometem-se a seguir as metas de Regulação dos Gases de Efeito Estufa, apesar da decisão do governo federal. Outras questões referem-se à qualidade da água e do ar, principalmente nas áreas urbanas.   

China Idade da Legislação ambiental consolidada:

23 anos (1989).  

Estrutura para aplicação das leis: A competência é de responsabilidade do governo central. Contudo, as províncias têm autonomia limitada para criar regras próprias. A regulação é feita pela Administração Estatal de Proteção Ambiental, ligada ao Conselho de Estado. Também há órgãos regionais e locais.    

nDiretrizes básicas 

O ato regulatório geral para questões de meio ambiente é a Lei de Proteção de Meio Ambiente, de 1989. Além dela, existem 35 leis separadas para cada tema. As mais antigas são as de proteção do ambiente marinho e de controle de poluição hídrica de 1982 e 1984, respectivamente. Ainda nos anos 1980, foram aprovadas leis para a gestão de recursos florestais e minerais. Tal legislação paswww.analise.com


Aaron Black/Corbis

especial

Legislação

Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

A Administração Estatal de Proteção Ambiental é o orgão que regula grandes projetos. Nas províncias, os departamentos regionais ou municipais fazem a avaliação de impacto ambiental.    nEstudos ambientais  A Lei de Avaliação de Impacto Ambiental, de 2003, obriga os departamentos do Estado, as províncias e cidades a promover a avaliação de projetos, com estudos sobre terrenos a ser utilizados e planos de consumo de recursos naturais. Já a Lei de Fomento da Produção Mais Limpa, também de 2003, obriga empresas a planejar a construção e o fornecimento de matéria-prima.    nRegistros públicos  Os departamentos responsáveis por avaliar o impacto ambiental devem elaborar registros de suas conclusões.  

nTempo médio para obtenção de licença ambiental 

A avaliação governamental é rápida e sempre inferior a um ano. Em média, um empreendimento é autorizado em seis meses.   

nQual o período para renovação da licença ambiental?  Não há necessidade de renovação.   

nNecessidade de auditoria ambiental  O Canadá saiu do Protocolo de Kyoto porque teve um aumento de 17% em suas emissões de gases, sendo que o acordo previa uma redução total de 6% até o ano de 2012 sou por revisão no início dos anos 2000, quando foi aprovada também a Lei de Avaliação de Impacto Ambiental (2003).     nCompetência  A proteção e o controle do meio ambiente são de responsabilidade do governo central. Contudo, as províncias têm autonomia para criar regras próprias, contanto que não sejam mais restritivas que a lei nacional.    nTipo de responsabilidade  As leis preveem sanções administrativas às empresas, com fechamento por descumprimento da legislação. Causar dano ambiental também implica responsabilidade civil e penal.    nRegras mais restritivas  O Projeto de Proteção de Bosques Naturais, criado em 1998, proíbe totalmente o corte de vegetação em áreas com floresta nativa.    nPrincipal obstáculo  Baixa implementação das leis em razão da autonomia das províncias. A prioridade ao tema social, com destaque para a geração de empregos, dificulta o embargo de empresas poluidoras.     nÓrgãos reguladores   O órgão superior de Meio Ambiente é federal. Trata-se da Administração Estatal de Proteção Ambiental, ligada ao Conselho de Estado. Ela, no entanto, não está presente em diversas regiões. O controle regional é feito por órgãos das províncias e, principalmente, por órgãos municipais.    www.analise.com

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  Os promotores públicos são os principais responsáveis por denúncias de dano ambiental.  

nFundos para a prevenção e política ambientais 

Fundo formado por taxas de poluição.    nImpostos e taxas ambientais  Toda a disposição de resíduos, seja de poluentes hídricos ou substância tóxica, é taxada pelo governo.  

nExigência de plano preventivo contra riscos ambientais 

Sim. Deve haver a notificação e o cadastro de operações de risco, como no caso do transporte de cargas tóxicas.     nAcidentes  Aplicação de multas de baixo valor é o procedimento mais usual. O país possui um centro nacional de emergência e de investigação de acidentes.    nVenda de ativos  Não existem regras específicas para transações. Geralmente, o passivo ambiental pode ser solucionado com o pagamento de multas de baixo valor.    nVenda de ações  Empresas listadas na bolsa de valores não são obrigadas a reportar informações ambientais. Como na venda de ativos, os passivos ambientais não são considerados detalhes importantes em razão da responsabilização pouco efetiva.   

Sim. Emissões de poluentes devem ser reportadas à Administração Estatal de Proteção Ambiental.    

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Não existe na legislação uma indicação de participação direta da sociedade. Mas, em caso de projetos específicos, o governo promove consultas populares.    

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de meio ambiente.  Não há participação em órgãos normativos.    nPrincipais desafios  A poluição do ar tornou-se o principal desafio ambiental dos chineses que, juntamente com os EUA, são os maiores poluidores do mundo. A matriz energética chinesa é considerada suja, já que se baseia na queima de carvão. Entre outros desafios a ser encarados pelas autoridades estão a falta de água e energia elétrica, poluição dos recursos hídricos, desertificação e perda de biodiversidade.    

Estados Unidos Idade da Legislação ambiental consolidada:

43 anos (1969) 

  Estrutura para aplicação das leis: Competên-

cia dividida entre autoridades federais, estaduais e municipais. Regulação feita pelo órgão federal EPA e agências estaduais.

nDiretrizes básicas  

São baseadas na Lei de Proteção Ambiental de 1969, que posteriormente foi regulada pelas leis do Ar Limpo (1970) e Água Limpa (1977), entre outras.   especial RIO+20

21


especial

legislação

nCompetência 

Dividida entre governos federal, estadual e municipal.    nTipo de responsabilidade  Pode ser administrativa, por meio do embargo de empresas; civil, punida com multa por dano ambiental; ou penal, por dano comprovado.     nRegras mais restritivas  Lançamento de efluentes líquidos e emissão de gases poluentes, além de atividades nas proximidades de áreas protegidas. O país também é conhecido por possuir a lei mais rígida do mundo para o gerenciamento de solos contaminados.    nPrincipal obstáculo  Não existe um sistema integrado de licenças para outorgas de emissão, uso da água e disposição de resíduos.    nÓrgãos reguladores   A Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency) é o órgão executor de políticas ambientais em nível federal. O Departamento do Interior também tem atuação sobre o controle de terras públicas e recursos naturais. Os estados possuem suas próprias agências.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos ambientais? 

Existem procuradores-gerais nos estados que podem ajuizar ações por danos ambientais. O país também é sede das mais importantes organiza-

ções não governamentais com considerável atuação pública.   

nExigência de plano preventivo contra riscos ambientais 

Os planos são exigidos pelas leis federais e, em geral, pelos estados.  

nAcidentes 

Devem ser comunicados ao Centro Nacional de Emergências, e a limpeza dos locais afetados é cobrada dos responsáveis. A Lei sobre Poluição de Óleo (1990) entrou em vigor um ano após o vazamento da Exxon Valdez no Alaska.   

nFundos para financiar prevenção e política ambientais 

O principal fundo é federal e destinado à descontaminação de solo em casos em que os responsáveis não podem ser encontrados, Compensation and Liability Act (1980), conhecida como “Superfund Law”. 

  nImpostos e taxas ambientais 

Existem taxas estaduais para a disposição de resíduos tóxicos e incentivos fiscais podem ser concedidos pelo uso de energia renovável.    nVenda de ativos  O comprador geralmente torna-se responsável pelos danos ambientais presentes na propriedade adquirida. Nos casos de contaminação de solo, o comprador tem o direito de responsabilizar os antigos proprietários. Mas se esses não forem en-

contrados ou comprovarem a incapacidade de pagar pelo dano, a responsabilidade continua a ser do comprador. Não existe lei federal que obrigue os vendedores a fornecer informações ambientais, embora em grandes transações uma investigação seja comum.    Venda de ações 

A responsabilidade por dano ambiental permanece atrelada à empresa vendida e, portanto, é herdada pelos novos compradores. A exceção é quando se reconhece claramente o papel de um ou mais indivíduos na ocorrência de um dano ambiental.   Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

Agência de Proteção Ambiental (EPA) e órgãos estaduais.   

nEstudos ambientais 

Em caso de projetos de importância federal, a EPA solicita um Relatório de Impacto Ambiental, como prevê a Lei Nacional de Proteção Ambiental (Nepa, 1969). Contudo, o governo pode decidir por dispensar a avaliação. Cerca de 20 estados possuem legislação semelhante.   

nRegistros públicos 

Tanto órgãos federais quanto estaduais são obrigados a manter registros dos processos de avaliação ambiental.   

nTempo médio para obtenção de licença ambiental 

Handout/ REUTERS

A primeira fase de análise dura cerca de 45 dias, e a decisão final mais 30 dias úteis.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  Não existe uma regularidade estabelecida para a renovação. Mas empreendedores devem se adaptar a novos padrões e regras de proteção.    nNecessidade de auditoria ambiental  Não é obrigatória, mas recomendada pelo governo, o que pode abrandar eventuais penalidades.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim. A Lei Nacional de Proteção Ambiental estipula que as opiniões públicas sejam consideradas em audiências públicas.   

nParticipação da sociedade nos órgãos

Estados Unidos reciclam, aproximadamente, 95% dos veículos que saem de circulação 22

Especial RIO+20

normativos de Meio Ambiente  Não há um conselho deliberativo com participação da sociedade.    nPrincipais desafios  Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de um quarto do total das emissões globais de dióxido de carbono ou de outros gases do efeito estufa, como o metano. O país não aderiu ao Protocolo de Kyoto, mas vários estados americanos encaram o desafio de combater o aquecimento global e estão adotando voluntariamente medidas de redução dos gases poluentes. Também são desafios manter em funcionamento os sistemas de água e esgoto, originários da década de 1940, lidar com a perda da biodiversidade e com acidentes como o vazamento de óleo no Golfo do México em 2010, considerado o maior desastre ecológico do país.    

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especial

nImpostos e taxas ambientais 

França Idade da Legislação ambiental consolidada: 12

anos (2000).  

A cobrança pelo uso da água é a principal taxa. Contudo, a disposição de resíduos em aterros também é taxada com valores elevados. 

Estrutura para a aplicação das leis: As Diretri-

nExigência de plano preventivo contra riscos

zes básicas são formuladas pelo governo nacional. Contudo, as prefeituras têm liberdade para legislar. O gerenciamento dos recursos hídricos fica por conta dos distritos. A regulação é feita pelo Ministério do Meio Ambiente, pelas agências de gestão ambiental nas prefeituras e pelas agências de bacias hidrográficas nos distritos.   

nDiretrizes básicas 

O Código Ambiental de 2000 conjuga leis diversas de proteção. O Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais foi criado em 1971. Contudo, a legislação de parques nacionais data de 1960, e a de proteção de Recursos Hídricos, de 1964. As leis francesas que cuidam de transtornos causados pelas indústrias vêm de longa data. A legislação a esse respeito no Código Ambiental tem suas origens em um decreto assinado por Napoleão, em 1815.

nCompetência 

As diretrizes gerais são dadas pelo governo nacional. No entanto, a responsabilidade das prefeituras é grande, pois têm liberdade para legislar em nível local. No gerenciamento de água, a responsabilidade é dos distritos.  

nTipo de responsabilidade 

A responsabilização por violar a lei ambiental pode ser administrativa, com sanções que incluem uma notificação para que o empreendedor cumpra com seus deveres ou suspensão de atividades. Também há a responsabilização criminal, com multas, prisão ou até o fechamento das instalações. A responsabilidade civil é menos aplicada, mas pode ocorrer a compensação a terceiros por dano causado.    nRegras mais restritivas  A regulamentação para plantas industriais químicas tornou-se mais rígida desde 2001, com controle de procedimentos administrativos e tecnologia aplicada.    nPrincipal obstáculo  O tempo de emissão de licenças varia de acordo com cada prefeitura e distrito.     nÓrgãos reguladores   Ministério do Meio Ambiente, agências de gestão ambiental nas prefeituras e agências de bacia hidrográfica nos distritos.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  Os ofensores devem ser formalmente identificados por inspetores ambientais, que enviam um relatório ao promotor público. As comarcas locais têm poder de interromper empreendimentos que estejam causando danos ambientais.   

nFundos para financiar prevenção e política ambientais 

As empresas podem destinar recursos para um fundo de descontaminação de terrenos e obter abatimento fiscal.    

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ambientais 

Desde 2005, as licenças são emitidas apenas mediante plano de medidas de descontaminação.    nAcidentes  As autoridades administrativas devem ser avisadas imediatamente sobre qualquer acidente. Desde a explosão de uma indústria química em Toulouse, em 2001, as regras de controle têm ficado cada vez mais severas.     nVenda de ativos  As empresas são obrigadas a fornecer informações ambientais aos compradores, que podem herdar a responsabilidade por instalações contaminadas.    nVenda de ações  Empresas inscritas na bolsa devem prestar contas aos acionistas sobre questões ambientais. As compras de participação implicam a transferência de responsabilidade pelos passivos ambientais.    Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

Os licenciamentos são feitos pelas prefeituras.    nEstudos ambientais  Estudos de impacto ambiental são obrigatórios para obras públicas e civis, bem como para a operação de empreendimentos.  

nRegistros públicos 

O Ministério do Meio Ambiente desenvolveu diversos bancos de dados sobre contaminação de áreas. O código ambiental permite acesso a documentos públicos relevantes mediante um pedido por escrito ao órgão competente. Contudo, papéis que ainda estejam sendo avaliados pelas autoridades não são disponibilizados.    

nTempo médio para obtenção de licença

ambiental  A autoridade competente deve se pronunciar sobre a licença após três meses das audiências públicas. Em casos mais complexos, esse prazo pode ser estendido.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  A validade das licenças não é limitada por tempo, com exceção das atividades que envolvam disposição de resíduos sólidos.     nNecessidade de auditoria ambiental  As atividades que exigem licença integrada, ou seja, para diferentes tipos de emissão, devem ser avaliadas a cada cinco anos. O governo tem o direito de exigir relatórios e fazer inspeções nas plantas.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  As audiências públicas são obrigatórias, de acordo com o Código Ambiental. Após as autoridades decidirem sobre a emissão de uma licença, qualquer pessoa tem o direito de contestar a decisão dentro de um período de dois meses a quatro anos.   

Legislação

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de meio ambiente.  Não ocorre. Contudo, em casos nos quais uma atividade pode significar sérios riscos para a saúde pública e o meio ambiente, comitês de informação local podem ser instalados e contar com a população local.   nPrincipais desafios  Cumprimento da estratégia nacional para o desenvolvimento sustentável. Isto inclui a redução e reciclagem de lixo doméstico; a diminuição do consumo de energia, especialmente do transporte privado; e a priorização de fontes de energia renováveis em oposição aos combustíveis fósseis. No início de 2012, a Comissão Europeia anunciou que levaria a França à Corte de Justiça da UE por não combater apropriadamente a poluição de águas por nitratos.   

Índia Idade da Legislação ambiental consolidada:

26 anos (1986). 

Estrutura para aplicação das leis: Competên-

cia comum ao governo central e estados.  

nDiretrizes básicas 

A Lei de Proteção Ambiental é considerada a diretriz para a autorização de atividades que envolvam o meio ambiente e a regulamentação do uso de diversos recursos naturais. Após sua introdução, foram aprovadas leis de combate à proteção atmosférica (1987), de gerenciamento de resíduos sólidos perigosos (1989, com emenda em 2003) e de controle de substâncias danosas à camada de ozônio (2000).    nCompetência  Comum ao governo central e estados.    nTipo de responsabilidade  A responsabilidade direta por acidentes ou danos ambientais não precisa ser provada para que a empresa ou pessoas envolvidas sejam responsabilizadas administrativamente, conforme a Lei de Seguro sobre Responsabilidade Pública, de 1991. A responsabilização civil e penal depende da gravidade da ofensa à Lei de Proteção Ambiental.   nRegras mais restritivas  A Lei de Proteção Ambiental permite que o governo central intervenha em territórios e empresas para controlar a poluição. Isso inclui a proibição do funcionamento de qualquer indústria em regiões consideradas inadequadas e a diligência em empresas suspeitas de causar poluição.    nPrincipal obstáculo  Baixa participação popular nos processos de licenciamento ambiental.    nÓrgãos reguladores   O governo central possui uma Pasta específica para o tema, o Ministério do Meio Ambiente e Florestas, mas a questão ambiental também é tratada em diversos ministérios e comitês, como o de biossegurança. Além disso, possui uma instância deliberativa, o Conselho Central de Controle de Poluição. Todos os governos estaduais também têm órgãos de controle, principalmente os Conselhos Estaduais de Controle da Poluição.   especial RIO+20

23


especial

legislação

nFundos para financiar prevenção e políticas ambientais 

Cada projeto submetido à avaliação de impacto ambiental deve constituir um fundo de monitoramento, que é composto de recursos do empreendedor para financiar um grupo multilateral que vistoriará o projeto. O governo também coordena um fundo para emergências ambientais, que funciona como um seguro pago por empresas.    nImpostos e taxas ambientais   Há vários mecanismos de abatimento fiscal para investimentos em tecnologia ambiental. Por exemplo, desconto de até 100% pode ser concedido para a instalação de instrumentos de controle de poluição. Há, também, uma dedução no imposto de renda, de até 25% do valor total, para pessoas que apoiam instituições de conservação da natureza.  

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  A população pode acionar a Promotoria Ambiental e, consequentemente, o Tribunal Nacional Ambiental para investigações de casos de dano ambiental.  

nExigência de plano preventivo contra riscos

ambientais  Quando um empreendimento oferece risco ao meio ambiente e à população local, a lei determina que a empresa deve constituir um Fundo de Garantia Ambiental, que será usado em caso de emergências.   nAcidentes  O responsável é intimado imediatamente a mitigar ou prevenir o dano ambiental. Os custos do governo para remediar o dano serão recuperados da pessoa que detém a propriedade ou a concessão pública. O governo, tanto em nível central como estadual, constituiu Grupos para Crises com o objetivo de lidar com emergências com produtos químicos.   nVenda de ativos  A responsabilidade sempre é transferida ao comprador, segundo a Lei de Seguro sobre Responsabilidade Pública (1991).   nVenda de ações  Não há obrigação de abrir informações ambientais na compra de participação. A companhia que é o objeto da aquisição permanece responsável por danos ambientais.    Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

O governo central, por meio do Ministério do Meio Ambiente, aprova projetos que estão a até 10 quilômetros das fronteiras e empreendimentos que possam afetar parques nacionais e santuários naturais. Todos os outros tipos de empreendimento passam pelo escrutínio dos Comitês Estaduais de Controle de Poluição.     nEstudos ambientais  De acordo com a Lei de Proteção Ambiental, 24 setores são obrigados a realizar um estudo de impacto ambiental. Os setores e projetos que se instalam em áreas críticas ou têm grande potencial de impacto devem preparar tal avaliação. Já aqueles que não se enquadram nessa categoria necessitam apenas de um relatório de impacto ambiental.    24

Especial RIO+20

nRegistros públicos 

A legislação prevê que os documentos do processo de avaliação de impacto ambiental sejam abertos à consulta pública.  

nTempo médio para obtenção de licença ambiental 

O tempo está condicionado à entrega e à análise completa dos documentos na primeira fase do licenciamento. Uma vez que esta fase esteja finalizada, o governo tem 45 dias para a realização de audiências públicas e, depois, 60 dias para a resposta final sobre o projeto.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  As licenças são válidas por um período específico de tempo, que é determinado no ato do licenciamento.     nNecessidade de auditoria ambiental  Todos os anos, as empresas devem submeter um relatório ambiental ao Conselho Estadual de Controle de Poluição responsável. A verificação deve seguir os parâmetros da legislação sobre água, ar e resíduos perigosos.    

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim. O Ministério do Meio Ambiente e Florestas convoca uma consulta pública para projetos que estão sendo licenciados, conforme prevê emenda às regras de avaliação de impacto ambiental.  

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de Meio Ambiente.  Existem órgãos consultivos, como o Comitê Nacional de Especialistas. A participação popular é mais efetiva nos comitês de gerenciamento de bacias hidrográficas e nos comitês de cidadãos para controle de poluição.  

nPrincipais desafios 

Existem órgãos consultivos, como o Comitê Nacional de Especialistas. A participação popular é mais efetiva nos comitês de gerenciamento de bacias hidrográficas e nos comitês de cidadãos para controle de poluição.  

Itália   Idade da Legislação ambiental consolidada: 6

anos (2006).  

Estrutura para a aplicação das leis: Competências de autoridades federais, regionais e municipais. A regulação é feita pelo Ministério do Meio Ambiente e da Tutela do Território e do Mar e por agências de proteção ambiental nas regiões e municípios.    

  nDiretrizes básicas 

A Lei do Ar Limpo – a primeira lei ambiental italiana -foi estabelecida em 1966. Em 1976, foi aprovada a Lei de Controle de Poluição Hídrica. Contudo, o Código de Meio Ambiente foi criado por decreto legislativo em 2006, unificando legislações de temas diversos, como proteção de solo, água, emissões, resíduos e avaliação ambiental.    nCompetência  Federal, regional e municipal. Governos locais podem ter regras mais rígidas que o federal.   

nTipo de responsabilidade 

Na responsabilização administrativa, as autoridades locais podem emitir ordens para a limpeza de solos contaminados. A lei civil prevê que as partes afetadas exijam a compensação pelos danos sofridos e o fim das atividades que causaram a violação. Já as sanções pela responsabilidade criminal são multas e até a prisão.

nRegras mais restritivas 

Geração e disposição de resíduos. Exige-se que as operações gerem o menor nível de resíduos dentro das possibilidades tecnológicas e que a disposição cause o menor impacto possível.    nPrincipal obstáculo  As iniciativas para fazer com que as leis ambientais sejam cumpridas, muitas vezes, são pautadas pela preocupação de não prejudicar as economias locais e o nível de emprego.    nÓrgãos reguladores   O principal órgão federal é o Ministério do Meio Ambiente e da Tutela do Território e do Mar. Existem também agências especiais de proteção ambiental nas regiões e nos municípios.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos ambientais? 

Por meio de procuradores públicos e da polícia ambiental.    

nFundos para financiar prevenção e política

ambientais  Um dos principais fundos, instituído em 2000, financia a implantação de energias renováveis.    nImpostos e taxas ambientais  Existem taxas para resíduos sólidos, aplicadas para cobrir custos de disposição em aterros sanitários. As indústrias que usam combustíveis fósseis, como óleo mineral e carvão, também pagam mais imposto.    

nExigência de plano preventivo contra riscos

ambientais  De acordo com o Código Ambiental, para obter a licença, o empreendedor precisa apresentar medidas que serão adotadas para prevenir a poluição.    nAcidentes  Todos os tipos de ocorrência devem ser notificados ao Ministério do Meio Ambiente e às agências ambientais regionais e municipais. O empreendedor deve tomar medidas em menos de 24 horas para conter o dano.    nVenda de ativos  O comprador pode ser responsabilizado pela propriedade que possui passivos ambientais. As transações incluem a checagem de licenças ambientais e acordos para tratamento do dano ambiental pelo vendedor.     nVenda de ações  O comprador pode herdar a responsabilidade corporativa por danos causados no passado.     Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

O Ministério do Meio Ambiente responsabiliza-se pelos projetos nacionais. Já os órgãos regionais e municipais cuidam dos empreendimentos de interesse local.    www.analise.com


Legislação

Kazuyoshi Nomachi/Corbis

especial

nEstudos ambientais 

Cada região do país pode tomar decisões sobre seus processos de estudo de impacto ambiental. Muitas regiões, contudo, seguem o modelo nacional de avaliação.  

nRegistros públicos 

Existem dados acessíveis ao público sobre as emissões atmosféricas das plantas industriais, das licenças emitidas e sobre processos de avaliação ambiental. Há, também, registros sobre geração e disposição de resíduos.   

nTempo médio para obtenção de licença

ambiental  A avaliação pelo governo federal é concluída, em média, em 90 dias. Em casos mais complexos, o prazo pode aumentar.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  As licenças devem ser renovadas em caso de esgotamento da capacidade de aterros sanitários e para a adaptação a novos parâmetros. Mas, em geral, têm validade ilimitada.    nNecessidade de auditoria ambiental  Não é obrigatória, mas a adoção garante alguns benefícios: facilita a renovação de licenças e reduz despesas com a disposição de resíduos.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim. O Código Ambiental determina a participação e garante o direito de consulta pública durante o processo de avaliação de empreendimentos.   

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de meio ambiente  A participação direta da população não está prevista em lei. Contudo, a sociedade toma parte por meio de organizações não governamentais que podem ajudar a elaborar políticas e vetar projetos.    nPrincipais desafios  Especialmente no sul da Itália, a desertificação é uma ameaça crescente para o fornecimento de água potável e também para a agricultura. No norte, é grande o número de terrenos contaminados em antigas áreas industriais. O país também trabalha em programas nacionais para reduzir suas emissões de CO2. A Itália tem sido advertida pela Comissão Europeia em questões relacionadas à proteção de águas e aos resíduos da extração de minérios. O órgão também pede que sejam fortalecidas as leis que tratam de passivos ambientais.

Japão Idade da Legislação ambiental consolidada: 19

anos (1993). 

Estrutura para aplicação das leis: O governo

nacional é o principal gestor da política ambiental. A regulação é tarefa do Ministério do Meio Ambiente. 

nDiretrizes básicas 

As primeiras ações de regulação da questão ambiental ocorreram em 1965, com a criação do Serviço Corporativo de Controle de Poluição Ambiental, do Ministério da Saúde. Contudo, em 1993, com a Lei Ambiental Básica, são estabelecidos os www.analise.com

Um dos principais problemas da Índia, uma das maiores economias crescentes do mundo, é a política de descarte de efluentes ineficiente por parte das empresas do país princípios para a conservação do meio ambiente, identificando-se objetivos de longo prazo, bem como as medidas para alcançá-los. Reconhecemse legalmente a prática da Avaliação de Impacto Ambiental e o princípio do poluidor pagador.     nCompetência  O governo nacional é o principal órgão gestor da política ambiental, mas delega a emissão de permissões a autoridades locais.     nTipo de responsabilidade  Administrativa, civil e penal.    nRegras mais restritivas   Depende do setor em questão, mas normas para contaminação de solo e emissões são as que mais afetam a iniciativa privada.    nPrincipal obstáculo  As agências locais ligadas ao governo nacional têm baixa capacidade de planejamento e atuação na liberação de projetos.    nÓrgãos reguladores   O Ministério do Meio Ambiente é o principal órgão regulador. A ele estão atreladas agências que planejam e executam políticas ambientais em nível local. Os governos locais podem optar por criar órgãos ambientais.    

nComo a sociedade se defende no caso de danos ambientais?  Por meio de promotores públicos.  

nExigência de plano preventivo contra riscos ambientais 

Não há. Contudo, o plano é recomendado pelo governo.   

nAcidentes 

A primeira medida prevista em lei é a de que o governo deve ser informado. Depois disso, o responsável deve reparar o dano e pagar as despesas correspondentes e multas. A legislação também prevê a assinatura de acordo de conduta e a responsabilização criminal.   

nFundos para financiar prevenção e política

ambientais  O governo possui diversos fundos para promover investimentos em tecnologia limpa, para a descontaminação de áreas poluídas e conservação de ecossistemas.    nImpostos e taxas ambientais  Revisão fiscal feita a cada ano incluiu a taxação sobre produtos que causam a emissão de gases de efeito estufa, bem como incentivos a tecnologias limpas. Um exemplo é a redução de impostos sobre veículos com baixa emissão. Há, também, incentivos para tecnologia de reciclagem de resíduos sólidos.    nVenda de ativos  O comprador possui o direito de exigir informações sobre possíveis passivos ambientais do vendedor. Os governos locais também podem solicitar à empresa que está sendo vendida informações sobre o uso de recursos naturais.    

especial RIO+20

25


especial

legislação

nVenda de ações 

Se a empresa está listada na bolsa de valores, ela deve liberar o acesso a informações ambientais e produzir relatórios para os seus acionistas. A responsabilidade permanece atrelada à empresa mesmo depois de a transação ter sido efetuada.     Licenciamento 

nÓrgãos responsáveis 

O governo nacional é responsável por todos os projetos que necessitam de Avaliação de Impacto Ambiental. As prefeituras participam da fase inicial do projeto com opiniões que são agregadas ao processo de avaliação. Se a administração nacional decidir por dispensar o empreendedor de fazer o Estudo de Impacto Ambiental, a responsabilidade por liberar o projeto passa a ser dos governos locais.     nEstudos ambientais  A Lei de Avaliação de Impacto Ambiental foi aprovada em 1997 e implementada em 1999. Treze tipos de projeto que podem causar um grande impacto no meio ambiente sempre precisam ter estudo ambiental, como no caso de construção de estradas, rodovias, aeroportos e barragens de grande porte. Já a apresentação de estudo de impacto para projetos do mesmo tipo, mas que sejam de menor porte, nem sempre é obrigatória. Sua necessidade é avaliada caso a caso pelas autoridades.     nRegistros públicos  Projetos que passam pelo escrutínio do governo nacional devem ser divulgados à sociedade conforme as etapas de avaliação, segundo a Lei de Avaliação de Impacto Ambiental (1997). Em 2004, foi aprovada legislação que facilita o acesso à informação sobre meio ambiente.   

nTempo médio para obtenção de licença

ambiental  Não há um prazo oficial estabelecido caso o projeto necessite de licença. Contudo, a definição sobre a necessidade de Estudo de Impacto Ambiental é feita em menos de 60 dias.   

nQual o período para renovação da licença ambiental? 

Não existe o procedimento de renovação de licença, pois a avaliação de impacto ambiental é considerada permanente.    nNecessidade de auditoria ambiental  Sim, há. As auditorias ambientais começam a ser conduzidas já na fase de implantação do projeto, com pesquisa sobre as condições ambientais durante as obras.  

nA lei prevê a participação da sociedade no processo de licenciamento? 

Sim. De acordo com a Lei de Avaliação de Impacto Ambiental, qualquer pessoa pode emitir opiniões sobre o projeto dentro de um mês e meio a partir do anúncio da audiência pública.    

nParticipação da sociedade nos órgãos normativos de Meio Ambiente 

O Comitê Central de Meio Ambiente foi criado pela Lei Básica, de 1993. É composto de 80 membros, entre eles pesquisadores.    nPrincipais desafios  Após o desastre na usina de Fukushima, em 2011, 26

Especial RIO+20

cresce o apoio da população para o uso de outras fontes de energia que não a nuclear. Hoje, os reatores japoneses fornecem 30% da eletricidade utilizada. Lidar com a contaminação radioativa após o terremoto é uma prioridade, mas também preocupa a poluição do ar e dos rios que cortam áreas urbanas, lagos e reservatórios. O país precisa ainda lidar com o lixo atômico e combater suas emissões de gases de efeito estufa.   

Reino Unido Idade da Legislação ambiental consolidada: O

país não possui um código de leis unificado para a proteção ambiental.    Estrutura para aplicação das leis: Competên-

cia do governo nacional e autoridades locais. regulação feita pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais; Agência de Meio Ambiente e órgãos locais. 

  nDiretrizes básicas 

O sistema de proteção ambiental britânico baseiase em um grande número de provisões, como a Lei de Proteção Ambiental (1990) e a Lei de Planejamento de Cidades e do País (1990). A Grã-Bretanha adotou boa parte das leis ambientais da União Europeia. Em 2010, novas Regulações de Licenciamento Ambiental ampliaram as de 2007 na Inglaterra e em Gales, que tratavam apenas da prevenção e do controle de poluição e gerenciamento de resíduos. Seu escopo passou, então, a incluir o descarte de água e atividades de lençol freático, substâncias radioativas e várias outras provisões, como a Norma de Resíduos de Mineração.    nCompetência  Governo nacional e autoridades locais.    nTipo de responsabilidade  Criminal, com punição por meio de multas e prisão de até cinco anos. A responsabilidade civil acarreta pagamento por danos causados e, em caso de responsabilidade administrativa, advertências são os casos mais comuns, sendo extremas as situações de fechamento de instalações.     nRegras mais restritivas  Referem-se a emissões de usinas termelétricas e à proibição de geração de energia com carvão mineral.    nPrincipal obstáculo  A Agência Ambiental nem sempre tem os recursos necessários para fazer com que a lei seja cumprida. Portanto, acaba por dar prioridade aos casos mais sérios.     nÓrgãos reguladores   A Agência de Meio Ambiente, que cobre a Inglaterra e o País de Gales, e é responsável pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais. Trabalha em contato com a Agência de Proteção Ambiental Escocesa e o Departamento Ambiental na Irlanda do Norte.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos

ambientais?  O secretário de Estado da Agência de Meio Ambiente tem o direito de apelar contra uma licença emitida se julgar que ela não cumpre os requisitos legais. Qualquer interessado tem o direito de parti-

cipar dessa apelação. Organizações não governamentais costumam pressionar por investigações por meio de ações judiciais.

nFundos para financiar prevenção e política

ambientais  Fundo sustentável para reparar danos ambientais causados pela mineração.

nImpostos e taxas ambientais 

São três as principais taxas aplicadas no Reino Unido: sobre emissão de gases de efeito estufa, mineração e disposição de resíduos sólidos. A compra de equipamentos que auxiliem na redução do consumo de recursos naturais pode ser deduzida do Imposto de Renda.    

nExigência de plano preventivo contra riscos

ambientais  O processo de licenciamento segue uma abordagem interativa de prevenção e redução de impactos ambientais negativos. Os solicitantes da licença devem produzir um relatório descrevendo a situação original do local e sempre reportar às autoridades qualquer caso de poluição danosa em potencial para que as medidas de prevenção e descontaminação possam ser tomadas em tempo hábil.     nAcidentes  Todas as empresas que lidam com cargas tóxicas devem ser cadastradas nas autoridades ambientais. Em caso de acidente, os responsáveis estão sujeitos a prisão e são obrigados a recuperar as áreas afetadas.    nVenda de ativos  Não há obrigação para a abertura de informações relacionadas ao meio ambiente. Contudo, o vendedor pode ser processado se levar o comprador a adquirir uma instalação contaminada. Em princípio, toda a responsabilidade por passivos ambientais recai sobre os antigos proprietários.    nVenda de ações  Na compra de participação acionária, o comprador adquire também o passivo ambiental da companhia.     Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

Agência Ambiental e autoridades regionais e locais.    nEstudos ambientais  A avaliação de impacto ambiental é uma obrigação desde 1999. As empresas só podem operar se submeterem um relatório de impacto ambiental às autoridades locais.     nRegistros públicos  Tanto a Agência de Meio Ambiente quanto as autoridades regionais e locais são obrigadas a ter registros públicos sobre informações ambientais.   

nTempo médio para obtenção de licença

ambiental  Projetos normais são analisados, em média, em seis meses. No entanto, grandes empreendimentos com um alto impacto ambiental em potencial passam por uma análise rigorosa, o que pode levar mais tempo.   

www.analise.com


especial

nQual o período para renovação da licença ambiental? 

Uma condição que limite o tempo da licença pode existir, caso as autoridades julguem que isso seja necessário para prevenir danos à saúde humana ou ao meio ambiente. Normalmente, contudo, as licenças são emitidas por um período de tempo ilimitado e podem ser transferidas de um operador para o seu sucessor, contanto que certas exigências legais sejam cumpridas. Os operadores das instalações são obrigados a reportar qualquer poluição causada por sua atividade para dar condições às autoridades de decidir sobre quais medidas tomar, incluindo a possível revogação da licença emitida.

nNecessidade de auditoria ambiental 

Os empreendedores devem mandar relatórios constantemente às autoridades sobre a poluição gerada por suas atividades.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  O país segue a diretiva européia Regulação de Informação Ambiental, de 2004. As autoridades são obrigadas a organizar os dados solicitados por qualquer pessoa ou instituição e disponibilizá-los, normalmente, dentro do prazo de 20 dias. Tais solicitações só podem ser negadas por um número limitado de razões. Os interessados também podem participar da apelação de um solicitante contra uma decisão que lhe negou a licença e submeter seus comentários em audiências públicas. Além disso, quanto aos estudos de impacto ambiental, o público pode submeter suas opiniões por escrito sobre o projeto em questão.   

nParticipação da sociedade nos órgãos normativos de Meio Ambiente 

Não há.   

nPrincipais desafios 

Diminuir a emissão dos gases de efeito estufa e encorajar o uso de energia renovável. O Reino Unido instituiu um “imposto de mudança climática” sobre o consumo de combustíveis fósseis e tem incentivado o uso de energias limpas. O Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais redigiu um projeto de lei que visa reduzir as emissões de CO2 em 60%, por volta do ano 2050.  

Rússia Idade da Legislação ambiental consolidada: 21

anos (1991).  

Estrutura para aplicação das leis: Competên-

cia dividida pelas autoridades federais, regionais e locais.  

nDiretrizes básicas  

A Lei de Proteção Ambiental, aprovada em 1991, divide as responsabilidades para o controle ambiental entre os níveis federal, regional e local e cria o sistema de taxas de poluição, que são a fonte orçamentária para políticas de meio ambiente e para os órgãos executores. A lei também instala o procedimento de avaliação ambiental para a liberação de projetos. Visando ao consumo eficaz, o país adotou, em 1996, a Lei Sobre Conservação de Energia, que falhou em obter resultados significativos. Em 2009, com o mesmo propósito, aprovouse a Lei para Eficiência Energética.    www.analise.com

nCompetência  

Dividida entre os níveis federal, regional e local.     nTipo de responsabilidade  A Lei de Proteção Ambiental não faz referência às leis penais e civis que guiam a responsabilização. No entanto, estabelece que as pessoas culpadas por uma violação serão responsabilizadas administrativa e criminalmente.     nRegras mais restritivas  Os padrões de concentração de poluentes são considerados rígidos por serem extremamente baixos.    nPrincipal obstáculo  O grande número de atores envolvidos na criação da legislação- que vai desde o presidente até governos regionais e locais- contribui para a fragmentação e inconsistência do arcabouço legal. Além disso, as medidas nas políticas propostas parecem ser insuficientes para alcançar as metas de eficiência energética, assim como o orçamento destinado para sua implementação.    nÓrgãos reguladores   Em nível federal, o Ministério de Recursos Naturais possui agências para cada tema (subsolo, gerenciamento ambiental, florestas e recursos hídricos). Em nível local, existem os Comitês Regionais de Proteção Ambiental. Em 2009, foi criada a Agência de Energia Russa, responsável pela Estratégia de Eficiência Energética até 2020.   

nComo a sociedade se defende no caso de danos ambientais? 

As organizações da sociedade civil são as mais atuantes nas denúncias de dano ambiental. O procurador-geral da Federação Russa é responsável por investigar casos de violação nas avaliações de impacto ambiental.   

nExigência de plano preventivo contra riscos ambientais 

Sim, onde houver risco potencial de contaminação química.   

nFundos para financiar prevenção e política

ambientais  De acordo com a Lei de Proteção Ambiental, os investimentos em proteção ambiental devem ser financiados por um fundo formado com recursos das multas aplicadas por danos ambientais. Em uma resolução de 2010, o governo estipulou financiamento federal para apoiar o programa “Conservação de Energia e Eficiência Energética até 2020”.    nImpostos e taxas ambientais   As taxas mais comuns referem-se a poluentes. Estipulam que o empreendedor pague um imposto por unidade emitida até um limite preestabelecido. Se ultrapassar o limite, o tributo será mais alto.  

nAcidentes 

Em caso de poluição hídrica e contaminação de solo, o empreendedor é obrigado a reembolsar o Estado pela limpeza.    nVenda de ativos  Não existem, nas leis, artigos que definam, com clareza, como a questão ambiental deve ser tratada em transações comerciais. Tampouco existe a obrigação para a abertura de dados ambientais.    

Legislação

nVenda de ações 

De acordo com a determinação de responsabilidade ambiental na Lei de Proteção do Meio Ambiente, a responsabilidade pertence aos culpados pelo dano ambiental.    Licenciamento 

  nÓrgãos responsáveis 

A responsabilidade por avaliar o impacto ambiental de atividades econômicas é genericamente imputada a todo o Estado russo. Contudo, a maior parte das avaliações é feita pelo governo federal. A cada projeto deve ser formado um Conselho Especialista Ecológico do Estado, que avaliará os documentos do processo.     nEstudos ambientais  A Lei de Avaliação de Impacto Ambiental (1995) instituiu o Estudo de Impacto Ambiental, que se destina a avaliar projetos privados. Existe, também, a Avaliação Estratégica de Impacto, que geralmente é feita por governos locais.   

nRegistros públicos 

A Lei de Proteção Ambiental dá direito aos cidadãos de requererem informação sobre poluição de agentes públicos. A Lei da Informação da Federação Russa (1995) facilita a publicação de dados pela administração pública. Entretanto, a própria Lei de Avaliação de Impacto Ambiental cria exceções e, na prática, os registros públicos muitas vezes não estão disponíveis para a população.   

nTempo médio para obtenção de licença

ambiental  O tempo para emissão será determinado pelo Conselho Especialista Ecológico do Estado mas, em média, a avaliação do processo é feita em um ano.   

nQual o período para renovação da licença

ambiental?  As licenças não precisam ser renovadas.    nNecessidade de auditoria ambiental  Sim. O monitoramento do desempenho ambiental é feito pelas próprias empresas e reportado às agências ligadas ao Ministério de Recursos Naturais.   

nA lei prevê a participação da sociedade no

processo de licenciamento?  Sim. Uma determinação governamental de 2000 prevê que deve haver consulta pública no processo de avaliação ambiental.   

nParticipação da sociedade nos órgãos

normativos de meio ambiente  Por meio dos conselhos de especialistas, a sociedade tem participação deliberativa nas decisões ambientais.    nPrincipais desafios  Melhorar a eficiência energética de sua economia altamente emissora de carbono com mecanismos para precificar o impacto negativo do uso de combustível fóssil. Para tanto, é preciso pôr em prática medidas como a cobrança de tributos e de sistemas de limitação de emissões e de comércio de licenças de emissão. O país tem uma das mais altas taxas do mundo de mortalidade prematura devido à poluição do ar, significativa contaminação de terra com metais pesados em áreas residenciais e alta poluição em sua água potável.  0

especial RIO+20

27


BRASIL: DA ECO-92 À RIO+20

SiStema de Saúde English version page 144

O

Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro atende cerca de 125 milhões de pessoas, o equivalente a 65% da população nacional. Em 1988, o atendimento chegava a 30 milhões de brasileiros: ao redor de 22% da população total da época. O SUS conta com 6,1 mil hospitais credenciados e rea-

liza, por ano, quase dez milhões de procedimentos de quimioterapia e radioterapia, 230 mil cirurgias cardíacas e 20 mil transplantes. Um dos destaques do sistema é o programa Programa Nacional de DST e Aids, considerado o mais avançado do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e um destaque mundial na luta contra o HIV.


evelson de freitas/ae

3bi 45mil 163mi

de procedimentos ambulatoriais são feitos todo ano, suficiente para atender 40% da população global

postos e centros de saúde faziam parte do SUS em 2012. Em 1990 eram 23 mil

de medicamentos antirretrovirais foram produzidos no Brasil em 2011, ante 36 milhões em 1996

ALA InfAntIL DO InStItutO DO CORAçãO (InCOR), nO hOSpItAL DAS CLínICAS, Em SãO pAuLO


avaliação setorial

2

o indice anAlise de gestão ambiental

Desempenho do setor produtivo brasileiro

32

Práticas de gestão ambiental

36

Relacionamento com stakeholders

42

Certificação ISO 14001

46

Uso e gestão da água

50

Eficiência energética

56

Fontes renováveis de energia

60

Gerenciamento de resíduos

64

Emissões e clima

70

Preservação de áreas verdes

74


AVALIAÇÃOSEtorial SETORIAL Avaliação

índice compara desempenho do setor produtivo A Análise Editorial desenvolveu indicador a partir dos dados coletados entre 2007 e 2011 em mais de 3 mil entrevistas com companhias brasileiras; avaliação mostra o avanço das empresas em nove pontos fundamentais da gestão ambiental corporativa

A

English version page 148

té os anos 1960, a questão ambiental era um tema de interesse restrito a pequenos grupos, como o de ecologistas, considerados então visionários entretidos com temas que não faziam parte dos problemas concretos da sociedade. Muita água passou por debaixo dessa ponte e, hoje, a questão ambiental ocupa o topo da lista dos assuntos que mobilizam o planeta. A ocorrência de desastres ambientais provocados por fenômenos naturais – como chuvas excessivas, invernos rigorosos e secas prolongadas – tem crescido à medida que a própria urbanização se acelera. Apesar disso, levantamentos substanciais de práticas ambientais são escassos, e para lidar com a grave crise ambiental que está aí e assola todos nós é preciso saber o que está sendo feito. Movida, portanto, por essa urgência, a Análise Editorial foi pioneira em pesquisar em profundidade as práticas ambientais das maiores empresas do Brasil, que vêm sendo publicadas nos anuários ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL desde 2007. Nos levantamentos, as maiores empresas do Brasil são convidadas a responder a um questionário com cerca

32

Especial RIO+20

de 70 perguntas, que traçam seu perfil, quais os procedimentos adotados e como organizam sua gestão ambiental. Nesta edição especial de ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL, a Análise Editorial foi além e, pela primeira vez, utilizou todos os dados de pesquisa coletados entre 2007 e 2011 para publicar aspectos específicos das práticas ambientais desenvolvidas pelas maiores companhias do Brasil, a partir de recortes setoriais e de ramos de atividade econômica. Para comparar o avanço da implementação de práticas de gestão ambiental em cada ramo, desenvolvemos um índice baseado nas informações obtidas em nossa pesquisa (saiba mais na página 10). Assim, foi possível verificar quais segmentos se destacam, quais avançaram mais e quais ainda têm desafios pela frente. Dividimos o trabalho em nove grupos temáticos: estrutura de gestão ambiental, relacionamento com stakeholders, ISO 14000, uso da água, eficiência energética, uso de fontes renováveis de energia, gerenciamento de resíduos, políticas referentes a emissões atmosféricas, e conservação de áreas verdes. As respostas das empresas ganharam um peso específico de acordo com seu ramo, envolvendo critérios

como potencial poluidor e dificuldade de implantação das medidas. Dessa maneira, é possível comparar o desempenho dos 28 ramos econômicos analisados na pesquisa em cada um dos nove grupos temáticos. As porcentagens apresentadas sinalizam o quanto um ramo conseguiu em relação ao total da pontuação possível para as respostas, sendo o mínimo zero e o máximo 100%. Os números, inéditos, revelam como a produção brasileira busca a sustentabilidade a partir das questões ambientais. Uma grande e boa notícia – Qua-

se todos os segmentos apresentaram progresso nos temas tratados ao longo dos anos. Na estrutura da gestão ambiental, a média da pontuação alcançada por todos saltou de 78,9%, em 2007, para 83,2%, em 2011. No relacionamento com stakeholders, passou de 37,7% para 41%; uso da água, de 56,6% para 65,4%; eficiência energética, de 39,7% para 45%; gerenciamento de resíduos, de 50% para 54,9%; e uso de fontes renováveis de energia, de 15,3% para 18,4%. No caso de ISO 14000 e políticas referentes a emissões atmosféricas, as amostragens foram consideradas a partir www.analise.com


R. KOLLAR/UN PHOTO

Metade das empresas ouvidas declara ter programa de controle de emissões de gases; mineração é o setor mais bem posicionado

de 2008. Suas médias cresceram, respectivamente, de 24,5% para 32,2% e de 36,9% para 41,8%. A conservação de áreas verdes foi o único tema que apresentou uma ligeira queda, com sua média deslizando de 41,3%, em 2007, para 40,5%, em 2011. Tais médias foram, em geral, ascendentes ano a ano. Contudo, em certos casos apresentaram alguma variação, relacionando-se, em maior ou menor grau, a fatores econômicos – como os advindos da crise internacional iniciada em 2008 – regulatórios, como a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010; e à dinâmica dos próprios negócios dos ramos abordados. Este é um ponto primordial a ser considerado nesta apresentação. O fato de um segmento não se destacar muito em determinado tema não significa, necessariamente, que a questão em pauta está sendo ignorada por aquele grupo econômico. Os assuntos mais diretamente ligados às atividades de um determinado setor recebem www.analise.com

mais atenção do que os não tão relacionados ao seu processo produtivo. O próprio arcabouço das leis ambientais prevê enfoques específicos para os diferentes casos. Em outras pa-

64 %

das empresas entrevistadas em 2011 possuem uma política ambiental integrada com as demais políticas da companhia

lavras: não se pode esperar que o setor de bancos, por exemplo, apresente um sistema de controle de resíduos complexo e sofisticado como o de petró-

leo e gás, obrigado a lidar em seu dia a dia com rejeitos que exigem processamento especial em seu descarte. Da mesma forma, ramos nos quais existem empresas cujas atividades implicam desmatamento ou uso de solo terão uma performance mais significativa, por exemplo, em plantio de árvores. É o caso de mineração e açúcar e álcool, que registram os desempenhos mais altos quando somada a pontuação de todos os anos. O primeiro segmento registrou 74,5% dos pontos possíveis da somatória das respostas, e o segundo, 69,1%. Quando a performance dos ramos é analisada por esse enfoque, ou seja, os que obtiveram os melhores scores durante toda a amostragem, nota-se, em geral, que entre os cinco primeiros colocados sempre se encontram alguns setores com alto impacto ambiental. Mineração, por exemplo, alcançou a pontuação mais alta em todos os temas, exceto em fontes renováveis de energia (liderado por açúcar e álcoespecial RIO+20

33


Avaliação SEtorial

ol), relacionamento com stakeholders (energia elétrica) e gerenciamento de resíduos (material de construção e decoração). Entre os cinco primeiros, nos diversos temas, nota-se aqui e ali a presença de metalurgia e siderurgia, química e petroquímica, papel e celulose, e petróleo e gás. Enfoque na evolução – Optamos por

dar o enfoque editorial não aos melhores absolutos de cada tema, mas, sim, aos que apresentam a melhor evolução ao longo dos cinco anos de dados analisados. O motivo é simples. Já se espera dos setores de maior impacto, até por uma questão de cumprimento de leis específicas, um sistema de gestão ambiental mais bem implementado e mais eficiente em todos os seus aspectos. Por outro lado, ao mostrarmos os que mais estão evoluindo em determinados aspectos conseguimos desvendar as tendências e os caminhos trilhados pelas empresas nas mais variadas práticas ambientais. Vemos, assim, que a Política Nacional de Resíduos Sólidos já transparece na performance de setores como o de eletroeletrônica e de construção e engenharia. Tendo de lidar com grande quantidade de lixo eletrônico e resíduos dos canteiros de obras, respectivamente, ambos trabalham agora com a logística reversa instituída pela nova lei. Passaram, assim, a ter a obrigação de implantar procedimentos para retorno desses descartes, com a consequente e indispensável destinação final adequada. No que diz respeito a áreas verdes, por exemplo, chama a atenção agora a

Os maiores avanços no índice da Análise Os três temas em que as empresas mais avançaram de 2007 a 2011 Uso da água

+8,84pp

Eficiência energética

Políticas de gestão

+5,26pp

+4,38pp pp pontos percentuais

34

Especial RIO+20

tendência de companhias com médio impacto ambiental – que não enfrentam grandes pressões no assunto – estarem se dedicando a elas, assim como, em fontes renováveis de energia, o fato de o empresariado estar utilizando mais a energia solar em suas instalações, além dos também preferidos recursos hídricos e biocombustíveis. Outra questão a ser notada é que as companhias que administram concessões rodoviárias aparecem entre os ramos que mais avançaram em cinco dos nove assuntos apresentados – stakeholders, gestão ambiental, resíduos, água e eficiência energética. Com o advento das privatizações, o segmento começou praticamente do zero na implementação de várias práticas de controle ambiental. O fato de estar entre os que mais evoluíram, portanto, não o coloca nem de longe entre os melhores desempenhos, já que começou o período a partir de uma pontuação muito baixa. Só para se ter uma ideia, na lista de 2011 vem em 21º lugar, no quesito água. Ou seja, ainda há muito espaço para crescer nas diversas práticas. Estabilidade – Há, também, de ser observada aqui a situação de alguns ramos que já se encontram com determinadas práticas estabilizadas em um patamar compatível com suas atividades. Sendo assim, não aparecem nem entre os que mais evoluíram, nem entre os que alcançaram a melhor pontuação em 2011. É o caso, por exemplo, de açúcar e álcool, que consta em nono lugar na categoria de fontes renováveis de energia em 2011 e não figura entre os que mais evoluíram. Contudo, quando se considera a soma das pontuações de todos os anos, aparece em primeiro lugar. O setor se destaca pelo uso da biomassa (bagaço de cana) em suas caldeiras para produzir energia. Situação parecida é a de papel e celulose, que surge na 13a colocação na lista de uso da água de 2011. O segmento já está com seu sistema de gerenciamento implementado nesse quesito e não se destaca mais. Tal estabilidade levou-o, também, a figurar entre os que menos evoluíram no tema emissões atmosféricas. Ocorre, entretanto, que na classificação em que se considera a soma das pontuações de todos

Número de empresas participantes O avanço do número de companhias que responderam ao levantamento

840

840

824

730

730

620

620

510 510 400 2007

2011

os anos, as empresas de papel e celulose aparecem em terceiro lugar. Cruzamentos – O cruzamento dos dados apurados nos cinco anos consecutivos de pesquisa para a publicação ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL possibilita tirar uma série de conclusões a respeito da implementação de políticas ambientais. Um exemplo é que os ramos de empresas que mais evoluíram no gerenciamento de resíduos (transporte e logística, concessões rodoviárias, e construção e engenharia) encontram-se, também, entre os que mais avançaram na estruturação de sua gestão ambiental. O mesmo acontece com comércio varejista, que se destacou em políticas referentes a emissões atmosféricas. Uma coisa, por assim dizer, leva à outra. Verificou-se, também, que não existe, necessariamente, uma relação direta entre as empresas que fazem gestão e as que se certificam. O ramo de educação foi o que menos evoluiu no tema ISO 14000, mas, ao mesmo tempo, foi o segundo que mais avançou na estrutura de gestão ambiental. Obviamente que a certificação tem o seu valor ao mostrar uma preocupação com o meio ambiente, que agrega valor aos produtos da empresa. Pode representar uma coroação a seus esforços no gerenciamento de riscos ambientais ou uma ferramenta de negócios, já que sem ela alguns setores enfrentam dificuldades até para conseguir empréstimos bancários. Contudo, há quem simplesmente não precise da certificação para realizar seus negócios. www.analise.com


Avaliação SEtorial

Comparativo – Os dados colhidos pela Análise Editorial mostram que a gestão ambiental se consagrou como uma questão primordial dentro das empresas brasileiras. Considerando-se a pontuação máxima obtida, em 2011, por todos os ramos pesquisados nos nove temas abordados, a estrutura de gestão ambiental ficou em primeiríssimo lugar, com 94% do total da pontuação possível para as respostas. O segundo tema em que os segmentos mais investiram foi uso da água, com 93,1%, e o terceiro, eficiência energética, com 79,9%. Em seguida vieram áreas verdes (75,1%), gerenciamento de resíduos (72,8%), controle de emissões atmosféricas (65,5%), ISO 14000 (63,7%), relacionamento com stakeholders (63,3%) e fontes renováveis de energia (36,4%). É importante dizer aqui que, com a apresentação dos números da pesquisa, não se tenciona, em momento algum, simplesmente apontar quem adota ou não uma ou outra prática. Como já dissemos, as ações abordadas nos temas são aplicadas de acordo com vários fatores, como a ligação que têm com o processo produtivo das empresas. Nosso objetivo é, portanto, contribuir para o debate ambiental e sinalizar tendências, até como uma ferramenta para o próprio empresariado saber o que está sendo feito e onde seu determinado negócio se situa nesse cenário. Trata-se de uma equação que visa criar o equilíbrio entre a manutenção da rentabilidade e a redução do impacto ao meio ambiente. Os números aqui apresentados demonswww.analise.com

jonne roriz/Ae

Outra correlação interessante aparece ao se cruzar dados dos temas eficiência energética e uso de fontes renováveis de energia. Onde há grande quantidade de energia disponível para o processo produtivo com o uso da biomassa, por exemplo, o nível de eficiência energética é menor. Ou seja, quando se tem algo de sobra, não é necessário controlar tanto. Este é o caso dos que contam com grande disponibilidade de resíduos agrícolas para jogar em suas caldeiras, como papel e celulose e açúcar e álcool. Eles ocuparam, respectivamente, a 21a e a última posição na lista de 2011.

Indústria farmacêutica destaca-se entre setores de maior pontuação nos temas: ISO 14000, relacionamento com stakeholders, eficiência energética e controle de emissões

tram, em primeiro lugar, a derrocada da falsa ideia de que a responsabilidade ambiental se traduz necessariamente por um custo adicional e, segundo, enfatizam a viabilidade econômica das atividades empresariais que induzem à sustentabilidade. Nas próximas páginas, o leitor poderá consultar uma análise detalhada do avanço e dos principais pontos de companhias de 28 ramos econômicos nos nove temas analisados na pesquisa. Entre 2007 e 2011, a Análise Editorial realizou mais de três mil entrevistas com empresas entre as 1.500 maiores do Brasil em receita líquida. Essas companhias responderam a um questionário extenso e detalhado a respeito de suas políticas de gestão ambiental.

E enquanto em número de empresas a pesquisa representa uma pequena parcela do empresariado brasileiro (em 2011 foram 830 companhias que efetivamente responderam à pesquisa), é importante lembrar que essas companhias estão entre as maiores do país e representam os maiores multiplicadores de boas práticas em suas respectivas cadeias de valor. As 1.800 empresas buscadas em 2011, por exemplo, representam mais de 60% do PIB brasileiro. Os dados apresentados a seguir são, portanto, um indicador valioso para entender de que maneira as preocupações de outrora e as leis vêm se materializando nas práticas das companhias brasileiras, além de mostrar onde os avanços ainda estão por vir. 0 especial RIO+20

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Marcos de Paula/AE

gestão ambiental

Obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro: ramo da construção registra o maior avanço nas ações de gestão ambiental

A busca por metas ambientais tornou-se regra e não exceção A instituição de políticas formais de gestão ambiental foi o aspecto que mais avançou entre as companhias brasileiras de 2007 a 2011 na comparação entre os nove temas analisados nesta edição English version page 152

O índice de 2007 a 2011

19

ramos avançaram em gestão ambiental

6

ramos ficaram estagnados

o

3

ramos regrediram

 s dados colhidos de 2007 a 2011 pela Análise Editorial mostram que o sistema de gestão ambiental se consagrou como um aspecto essencial da própria governança cor-

36

Especial RIO+20

porativa. Não apenas pelas razões de responsabilidade social e cuidados com o meio ambiente, mas também por uma visão estratégica: as companhias que incorporam ao seu dia a dia práticas ambientais mais desenvolvidas agregam valor e segurança a seus ativos e proporcionam maior retorno aos investidores. E o empresariado brasileiro tem pagado para ver.. Considerando-se a pontuação máxima obtida por todos os ramos econômicos pesquisados nos nove temas abordados, a definição de uma política ambiental corporativa no período ficou em primeiro lugar, com 94% do total da pontuação possível após as

maiores empresas do país responderem a um questionário sobre suas práticas ambientais. A metodologia para a formulação do índice considera quais são as práticas adotadas pelas companhias no que diz respeito a implementação de uma política ambiental, a sua relevância dentro do organograma da empresa, qual o nível de conhecimento dos impactos ambientais da atividade da companhia e quem é responsável pelos resultados. A relevância de cada ação é medida de acordo com o impacto específico para cada um dos 28 ramos de atuação analisados, o que permite comparar atividades econômicas diferentes. www.analise.com


gestão ambiental

Nesse estudo inédito e exclusivo, a Análise Editorial mostra que todos os cinco segmentos que mais evoluíram no tema nos últimos cinco anos implementaram, de maneira documentada, mais programas de gestão voltados para a melhoria de objetivos e metas ambientais. Não é pouca coisa. Entre os cinco que mais avançaram, o setor de construção e engenharia aparece em primeiro lugar, com um aumento significativo na implementação da estrutura de gestão ambiental. Em 2007, atingiu 77,6% do máximo possível de pontuação no questionário e 91,4% em 2011 (+13,7 pontos percentuais). O número de empresas que reconheceram ter uma política ambiental integrada com as demais políticas da empresa passou de 60%, em 2007, para 94,7%, em 2011. Já as que declararam ter a responsabilidade pela gestão declarada no organograma pularam de 66,7% para 94,7%. Os impactos ambientais dos processos, atividades e serviços da empresa são conhecidos pela administração, de acordo com 73,3% dos respondentes em 2007, e 96,5% em 2011. E a implementação de programas de gestão que buscam a melhoria de objetivos e metas passou de 60% para 89,5% delas no período. De acordo com especialistas consultados pela Análise Editorial, o aumento dos números do ramo de construção e engenharia deve-se, em parte, a uma grande pressão de mercado para a realização de construções sustentáveis e da legislação de âmbito federal e, até, municipal. A aprovação da nova Lei de Resíduos Sólidos, de 2010, já pode ter influenciado o desempenho do setor, que naquele mesmo ano registrou um aumento em sua porcentagem do total de respostas possíveis para 90,1%, ante 84,4% de 2009. Em segundo lugar, veio o ramo de educação, com um total de respostas possíveis indo de 63,8% para 76,3% (+12,5 pontos percentuais). Aí a evolução em gestão pode estar ligada a dois fatores: a conscientização sobre a importância da gestão ambiental, não só como ferramenta de governança empresarial, mas também na construção de uma mentalidade voltada para a sustentabilidade. O número de empresas do setor que declararam ter a www.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram nas práticas de gestão ambiental entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 92 92%

Construção e Engenharia +14

86 86

Transportes e Logística +10 Concessões Rodoviárias

80 80

+12

educação +12

74 74

Comércio Varejista 68 68

+10

62 62 2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 92% 92

Plásticos e borracha

86 86

80 80

(-0,5)

telecomunicações

(-1)

74 74

serviços Médicos

(-2)

Banco (-10)

68 68

Comércio Atacadista

(-6)

62 62 2007

2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

37


gestão ambiental

responsabilidade pela gestão definida em organograma passou de nenhuma, em 2007, para 62,5%, em 2011. Os impactos ambientais dos processos da empresa são conhecidos pela administração segundo 33,3% dos participantes, em 2007; e 50%, em 2011. E a implementação de programas de gestão que buscam a melhoria de objetivos e metas pulou de 33,3% para 75% das empresas no período. Em seguida, em terceiro lugar, aparece o ramo de concessões rodoviárias, com um aumento da porcentagem do total possível de respostas de 68,9%, em 2007, para 81%, em 2011 (+12,1 pontos percentuais). De acordo com consultores de mercado, a exigência de editais de concessões influenciou tais resultados, assim como a pressão de consumidores – que pedem melhoria das estradas e redução de acidentes – e dos exigentes contratos de transporte para produtos perigosos. Há, também, o caso de rodovias que têm grande sensibilidade ambiental, como o caso da Ecovias, no estado de São Paulo, e da Rota dos Coqueiros, em Pernambuco. Os respondentes que reconheceram ter uma política ambiental específica passaram de nenhum, em 2007, para 45,8%, em 2011. Os impactos ambientais dos processos, atividades e serviços da empresa são conhecidos pela administração, de acordo com 75% dos respondentes, em 2007, e 91,7% em 2011. E a implementação de programas de gestão que buscam a melhoria de objetivos e metas passou de 25% das companhias para 87,5% delas no período.

Ramos partiram de patamar alto em 2007

De olho nos fornecedores Cresce fatia de empresas que exigem comprovação de práticas ambientais 5858

56%

58%

5454

54

5050

50

4646

46

4242

2007

38

2011

Especial RIO+20

O aumento dos resultados do ramo de comércio varejista, em quarto lugar, pode ser explicado, por exemplo, com a promoção de produtos rastreáveis para garantir a qualidade desde a produção até o transporte dos alimentos. O segmento teve um aumento da porcentagem do total possível de respostas de 62%, em 2007, para 71,9%, em 2011 (+9,9 pontos percentuais). As empresas que afirmaram ter uma política ambiental específica para o meio ambiente cresceram de 20%, em 2007, para 52,2%, em 2011. Já 40% delas reconheceram, em 2007, implementar programas voltados para a melhoria de objetivos e metas, enquanto 56,5% fizeram o mesmo em 2011. Em quinto lugar, vêm o setor de transportes e logística, registrando 73% da pontuação máxima, em 2007, e 83%, em 2011 (+10 pontos percentuais). O número de empresas que reconheceram ter uma política ambiental integrada com as demais políticas da empresa passou de 52,4%, em 2007, para 68,4%, em 2011. As com política específica subiram de 9,5% para 21,1%. Já os participantes que declararam ter a responsabilidade pela gestão declarada no organograma foram de 66,7% para 84,2%. Os impactos ambientais dos processos, atividades e serviços da empresa são conhecidos pela administração, de acordo com 76,2% dos respondentes, em 2007, e 84,2%, em 2011. Finalmente, a implementação de programas de gestão passou de 57,1% das companhias para 73,7% delas no período.

A questão da desaceleração nos sistemas de gestão ambiental pode estar ligada a vários fatores. Determinadas empresas começaram em um patamar muito alto e diminuíram o ritmo de algumas práticas posteriormente, outras estão estabilizadas e há, ainda, as que não sofrem grande pressão da sociedade, inclusive em termos de legislação, porque não causam grande impacto ambiental. Cada caso, portanto, deve ser visto dentro de uma perspectiva que envolva esses fatores. Entre os

Quem cuida da gestão ambiental Departamento dentro das empresas ao qual a área de gestão se reporta

Vicepresidência

Outros

6% 9%

Gerência 15% Presidência

51%

Diretoria

19%

que menos evoluíram, vem bancos, em 28º lugar, com 84,4% do total de respostas possíveis em 2007, declinando para 74,1%, em 2011 (-10,3 pontos percentuais). No entanto, como se vê, começou o período em um ritmo bem elevado. A média de pontuação em 2007 dos 28 setores para gestão ambiental era de 78,9%. O setor de bancos, portanto, estavam 5,5 pontos percentuais acima daquele patamar, sendo conhecido por fomentar consideravelmente a gestão ambiental com financiamentos para gerenciamento de resíduos, entre outros. Em seguida, aparece comércio atacadista, cuja porcentagem caiu de 70% para 63,75%, entre 2007 e 2011 (-6,25 pontos percentuais). Quando perguntadas se possuíam política ambiental, as empresas dos ramos, entretanto, registraram avanços. Em 2007, 50% delas responderam que possuíam uma política, e que ela estava integrada às demais políticas da empresa. Essa taxa subiu para 62,5% em 2011. Além disso, o número de participantes que disseram ter uma política específica para meio ambiente saltou de nenhum para 12,5% no período. Serviços médicos, em 26º, deslizou de 75,6% para 73,8% (-1,8 ponto percentual). Seus destaques em melhora na gestão foram em política ambiental, quando o número de empresas que reconheceram ter política ambiental específica subiu de nenhum, em 2007, para 10,5%, em 2011; e a implementação de programas de gestão voltados para a melhoria de objetivos e metas. Estes receberam a adesão de 60% das www.analise.com


gestão ambiental

companhias, em 2007, e 73,7%, em 2011. O próximo ramo, em 25º, é telecomunicações, cuja pontuação caiu de 77,3% para 76,3% (-1 ponto percentual) e, finalmente, plásticos e borracha, indo de 87,5% para 87%. Entretanto, como se vê, pelo seu início com uma alta porcentagem e diminuta variação em ponto percentual, a gestão ambiental em plásticos e borracha já está consolidada. Daí, portanto, estar no grupo dos que menos evoluíram no período.

Política ambiental é comum entre maiores empresas Quando analisamos os segmentos por sua performance no ano de 2011, percebemos o quanto as empresas têm se empenhado em evoluir em sua gestão ambiental. Dos 28 ramos, 19 deles aparecem na lista com uma pontuação acima de 80%, e outros oito acima de 70%. Mineração vem em primeiro lugar, com 94% do total possível de respostas. Os impactos ambientais dos processos, atividades e serviços da empresa são conhecidos pela sua administração, de acordo com 96,3% dos respondentes, e a implementação de programas de gestão que buscam a melhoria de objetivos e metas foi abraçada por 92,6% das companhias. Eletroeletrônica ficou em segundo lugar em 2011, com 93,2% do total possível de respostas. O número de empresas que afirmaram ter uma política ambiental integrada com as demais políticas da empresa foi de 66,7%. Já 97,4% delas declararam contar com a responsabilidade pela gestão declarada no organograma, ter seus impactos ambientais conhecidos pela administração e implementar programas de gestão. Em terceiro lugar, veio construção e engenharia, com 91,4% da pontuação, sendo que 94,7% das empresas afirmaram ter uma política ambiental integrada com as demais políticas da empresa e a responsabilidade pela gestão declarada no organograma. Seus impactos ambientais são conhecidos pela administração de acordo com 96,5% dos participantes, e 89,5% deles implementaram programas de gestão buscando a melhoria de objetivos e metas.  0 www.analise.com

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema gestão ambiental, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Mineração 94% Eletroeletrônica 93% Construção e engenharia 91% Energia elétrica 91% Bebidas e fumo 91% Farmacêutica e cosméticos 90% Metalurgia e siderurgia 90% Petróleo e gás 89% Veículos e peças 89% Mecânica 88% Papel e celulose 88% Química e petroquímica 88% Material de construção e decoração 88% Plásticos e borracha 87% Transportes e logística 83% Têxtil, couro e vestuário 83% Concessões rodoviárias 81% Alimentos 81% Água e saneamento 80% Açúcar e álcool 78% Telecomunicações 76% Educação 76% Tecnologia da informação 76% Serviços especializados 75% Bancos 74% Serviços médicos 74% Comércio varejista 72% Comércio atacadista 64% especial RIO+20

39


BRASIL: DA ECO-92 À RIO+20

Virada social English version page 156

A

zona rural brasileira agora tem luz. Em 2003, foi inaugurado o programa “Luz para Todos”, que, em dez anos, atendeu cerca de três milhões de famílias e tem a meta de ligar todas as residências do país na rede de energia elétrica até 2014. Em meados de 2012, apenas 1,3% dos domicílios do país não contam com energia elétrica. Em 2003 eram 12%. O programa foi referenciado pela Organização das Nações

Unidas (ONU) e o Brasil já estabeleceu intercâmbios técnicos com pelo menos 17 países na América Latina, África e Ásia para trocar experiência e ajudar a desenvolver iniciativas similares. Na frente social também estão em funcionamento os programas “Minha Casa, Minha Vida” – que oferece crédito habitacional subsidiado – e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudo em instituições privadas para a graduação ou formação específica.


vitché palacin/folhapress

CASAS Em PORtO SEguRO, nA BAhIA

1%

dos domicílios rurais do país não possuíam energia elétrica em 2011. Em 2003 eram 80%

1mi

de famílias já foram atendidas no Minha Casa, Minha Vida. A meta é chegar a 2 milhões até 2014

1mi

de jovens receberam bolsas de estudo através do ProUni entre 2004 e 2012


STAKEHOLDERS

companhia aberta se relaciona melhor Setores com grande número de empresas negociadas em bolsa se destacam no relacionamento com seus públicos internos e externos English version page 158

O índice de 2007 a 2011

20

ramos avançaram na gestão de stakeholders

7

1

ramos regrediram

ramo ficou estagnado

A

análise de 28 ramos econômicos na pesquisa realizada pela Análise Editorial de 2007 a 2011 aponta que os segmentos cujas empresas têm ações negociadas em bolsa estão nas melhores posições quando o tema é relacionamento com stakeholders – ou seja, a relação que a companhia mantém com seus funcionários diretos e terceirizados, fornecedores, clientes e comunidades. As companhias foram convidadas a responder a um questionário com perguntas sobre a exigência de comprovação de adoção de procedimentos de gestão ambiental por parte de fornecedores; programas de treinamento e de comunicação relativos à área com todos os participantes; publicação de informações sobre sua própria gestão ambiental; instituições voltadas para o meio-ambiente; parcerias com ONGs e projetos destinados a públicos externos, entre outras. Com base nas respostas, foi criado um índice que vai de 0 a 100% e considera o impacto específico das ações para cada um dos 28 ramos de atuação analisados, o que permite comparar atividades econômicas diferentes. A tendência a respeito das empresas de capital aberto foi detectada tanto na lista de 2011 dos ramos com maiores pontuações no tema (energia elétrica,

42

Especial RIO+20

mineração e bebidas e fumo, entre outros), como também entre os que mais evoluíram desde 2007. No período, as empresas de petróleo e gás registraram a melhor performance, com seu índice passando de 41,2%, em 2007, para 53,9% (+12,7 pontos percentuais). Entre um dos principais avanços nas práticas adotadas por essas companhias está a exigência de procedimentos ambientais por parte dos fornecedores como requisito para contratação. A fatia de empresas que adotaram tal procedimento pulou de 33,3%, em 2007, para 76%, em 2011. O requisito mais comum – assinalado por todas as empresas que exigem procedimentos de alguma forma – é o atendimento da legislação por meio de licenças de operação, transporte e outras. O número de companhias proporcionam treinamento relativo à gestão ambiental subiu consideravelmente. Para funcionários e terceirizados, de 91,7% para 100%, e para a comunidade, de 33,3% para 68%. Apenas para fornecedores a porcentagem de respondentes deslizou de 25% para 16%.

Como as empresas divulgam informações Os três meios mais populares para publicar dados ambientais em 2011 Site da empresa

73%

Relatório anual

59%

Balanço social: Modelo GRI

38%

No que diz respeito a programas de comunicação das ações ambientais a seu público externo, petróleo e gás registraram aumento em quase todos os grupos-alvos. O número de empresas com programas em escolas subiu de 50% para 92% de 2007 a 2011. Em vizinhança, de 58,3% para 76%; para autoridades, de 58,3% para 80%; entidades não governamentais, de 33,3% para 60%; e público em geral, de 41,7% para 64%. Para clientes e fornecedores cujas perguntas foram introduzidas a partir de 2010, essas porcentagens foram de 61,5% a 56% e 50% a 52%, respectivamente. O ramo também investiu na publicação sistematizada de informações sobre sua gestão ambiental, com 75% de participantes assinalando esse item em 2007 e 96% em 2011. As formas que mais cresceram foram o informativo anual à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de 22,2% para 58,3% respondentes; o balanço social modelo Ibase (de 22,2% para 25%) e o site da empresa (de 55,6% para 87,5%). Além disso, a taxa de participantes que possuem parcerias com entidades não governamentais pulou de nenhum para 84% da amostra, e os com projetos ambientais destinados aos seus públicos externos subiram de 66,7% para 96%. O segundo ramo que mais evoluiu no tema stakeholders foi eletroeletrônica, passando de 34,7% do total de respostas possíveis, em 2007, para 46,9%. Ou seja, essa variação positiva de 12,2 pontos percentuais deixou o segmento praticamente empatado com petróleo e gás, com uma diferença inferior a meio ponto percentual. Não é à toa, portanto, que suas respostas demonstraram um alto nível de relacionamento com todos os atores envolvidos no seu dia a dia. O número de empresas que exigem de seus fornecedores uma conduta ambiental adequada antes de contratá-los, por exemplo, cresceu de 50% para 76,9% no período, ao passo que a exigência de forma não sistemática deslizou de 37,5% para 23,1%. O requisito mais pedido, também, foi o atendimento da legislação, assinalado por 100% dos respondentes em 2011. Os que oferecem treinamento de gestão ambiental a funcionários cresceram de 87,5% para 100%; a terceiros, www.analise.com


STAKEHOLDERS

de 81,3% para 97,4%; e a comunidades, de 31,3% para 46,2%. Para fornecedores, esses números ficaram praticamente estáveis em 56,4%. Quanto a programas de comunicação das ações ambientais com seu público externo, eletroeletrônica registrou aumento em todos os grupos-alvos. O número de empresas com programas em escolas subiu de 50% para 66,7%, de 2007 a 2011. Em vizinhança, de 18,8% para 35,9%; para autoridades, de 37,5% para 53,8%; entidades não governamentais, de 25% para 46,2%; e público em geral de 43,8% para 66,7%. Para clientes e fornecedores, essas porcentagens foram de 28,6% para 46,2% e de 28,6% para 56,4%, respectivamente, entre 2010 e 2011. As empresas de eletroeletrônica também têm valorizado a publicação sistematizada de informações, crescendo de 56,3% para 84,6% entre 2007 e 2011. E essa prática ocorre, principalmente, a partir da publicação de relatórios anuais, conforme assinalaram 55,6% das empresas em 2007 e 78,8% em 2011. Quanto a projetos destinados ao público externo, o número de respondentes cresceu de 50% para 64,1% no período.

Esforço para promover ações com a comunidade Em terceiro lugar, veio o ramo de serviços médicos, cuja porcentagem do total possível de respostas evoluiu de 26%, em 2007, para 37,8%, em 2011 (+11,8 pontos percentuais). O segmento destacou-se, em geral, por atividades promovidas para seu público externo, como comunidades e vizinhança. O número de empresas que adotaram o processo de treinamento relativo à gestão ambiental para terceiros foi de 60% para 63,2%; para fornecedores, de 20% para 21,1% e para a comunidade, de 10% para 42,1%. A vizinhança foi o principal alvo de programas de comunicação, uma vez que nenhuma empresa adotava essa prática em 2007, mas, em 2011, 52,6% assinalaram tal alternativa. No início do período, o balanço social era a escolha de 25% dos respondentes para divulgar suas informações ambientais, crescenwww.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram nas ações com seus stakeholders entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 65% 65

57

PETRÓLEO E GÁS +13

49

Eletroeletrônica

+12

Açúcar e Álcool +10

41

Concessões Rodoviárias 33

+11

Serviços Médicos +12

25 25 2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 50% 50

45 45

40 40

Têxtil, Couro e Vestuário (-11) Mecânica (-5)

35 35

Educação (-14) Telecomunicações

30 30

(-8)

Serviços Especializados 25 25

2007

2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

(-4) 43


Rodrigo Capote/Folhapress

STAKEHOLDERS

Projeto Tamar em festival da Natura: empresas de cosméticos estão entre as que mais investem no relacionamento com público externo

do para 50% em 2011. Já os que abraçaram tanto o relatório anual como o site da empresa para divulgar informações ambientais foram de 62,5% para 64,3%. A porcentagem de empresas que passaram a promover projetos relacionados ao meio ambiente destinados a seus públicos externos cresceu substancialmente, indo de 20% para 73,7% no período. As empresas de concessões rodoviárias em geral não estão em bolsa, mas têm de entregar muitos relatórios ao poder concedente, além de também promover uma significativa relação com seu público externo. O segmento ocupou o quarto lugar entre os ramos que mais evoluíram no tema, com a porcentagem do total de respostas possíveis passando de 28,3% para 39,4%. Os programas de comunicação voltados para escolas foram implementados por 50% em 2007, e 91,7% em 2011. Para a vizinhança, essa porcentagem pulou de 33,3% para 45,8%. Seguindo a mesma tendência, o número de 44

Especial RIO+20

empresas que passou a ter uma instituição voltada para o meio ambiente cresceu de nenhuma para 8,3% da amostra e parcerias com entidades não governamentais também não existiam e passaram a ser prática de 79,2% das empresas. Os projetos voltados para o público externo saltaram de 75% para 100% das companhias. As empresas

Companhias ganham mais transparência Avanço da fatia de empresas que publicam dados sobre gestão ambiental 77,0

77

75%

74,5

74,5

72,0

72

69,5

69,5

67,0

2007

2011

administradoras de concessões rodoviárias também passaram a publicar mais informações de forma sistemática: de 75% para 91,7% dos respondentes entre 2007 e 2011. Em quinto lugar está o ramo de açúcar e álcool, cujas empresas que começaram a exigir de seus fornecedores comprovação de adoção de procedimentos de gestão ambiental para contratá-los subiram de 15,4% para 20,6% e, de forma não sistemática, de 53,8% para 70,6%. Também chamaram a atenção o aumento das empresas que implementaram programas de comunicação de suas ações ambientais destinados a escolas (de 61,5% para 88,2%), entidades não governamentais (de 15,4% para 44,1%) e público em geral (de 46,2% para 79,4%). Os que formaram parcerias com ONGs também cresceram de nenhum para 38,2% e os que desenvolveram projetos destinados a público externo, de 76,9% para 85,3%. O ramo também tem publicado mais informações www.analise.com


STAKEHOLDERS

de forma sistemática (de 61,5% para 73,5%). O número dos respondentes que adotaram o site da empresa saltou de 50% para 84%, balanços sociais modelos GRI de nenhum para 36% e modelo Ibase de nenhum a 24%.

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema stakeholders em 2011 para todos os 28 ramos analisados Energia elétrica 63% Mineração

Menores índices apostam em parcerias com ONGs A questão do relacionamento com os stakeholders também perpassa pelo tipo de negócio da empresa, que pode se sentir mais ou menos estimulada, ou pressionada, a se relacionar mais com seus participantes. Tendo isso em vista, veremos agora os cinco ramos que menos evoluíram e que, portanto, ainda podem criar várias oportunidades para incrementar esse relacionamento. Em 28º aparece educação, cuja porcentagem do total de respostas possíveis caiu de 47,5%, em 2007, para 33,3%, em 2011. Em seguida vêm têxtil, couro e vestuário (de 47,5% para 36%), telecomunicações (de 38,4% para 30,5%), mecânica (de 39% para 34,4%), e serviços especializados (de 31,2% para 26,7%). Os números, entretanto, mostram avanços em certas práticas nesses segmentos. Por exemplo, cresceram de 30% para 62,5% os respondentes de serviços especializados que puseram em prática programas de comunicação com o público em geral. Em mecânica, as companhias que adotaram tais programas em escolas pularam de 50% para 84,6% e para o público em geral, de 50% para 61,5%. Já em telecomunicações, os que fecharam parcerias com ONGs subiram de nenhuma, em 2007, para 50%, em 2011. No setor têxtil, de couro e vestuário, os respondentes que adotaram programas de comunicação com o público em geral passaram de 53,8% a 56,3%. E na área de educação, os que fecharam parcerias com ONGs foram de nenhuma, em 2007, para 37,5%, em 2011. Se considerarmos a pontuação máxima obtida por todos os nove tópicos abordados desde o início do levantamento da Análise Editorial, vemos que stakeholders ocuparam o 7º lugar, com 63,3% do total da pontuação possível para as respostas.  0 www.analise.com

60% Bebidas e fumo 54% Petróleo e gás 54% Farmacêutica e cosméticos 48% Eletroeletrônica 47% Material de construção e decoração 46% Água e saneamento 45% Papel e celulose 44% Metalurgia e siderurgia 43% Veículos e peças 43% Química e petroquímica 41% Plásticos e borracha 40% Açúcar e álcool 40% Concessões rodoviárias 39% Alimentos 39% Construção e engenharia

93%

das empresas de água mantêm programas de comunicação com escolas e com o público em geral

39% Comércio varejista 38% Serviços médicos 38% Transportes e logística 36% Têxtil, couro e vestuário 36% Mecânica 34% Tecnologia da informação 34% Educação 33% Bancos 33% Telecomunicações 31% Serviços especializados 27% Comércio atacadista 22%

50%

das empresas de comércio atacadista não publicam dados sistemáticos sobre sua gestão ambiental especial RIO+20

45


iso 14000

adoção de normas da série ISO avança Os índices de certificação e aplicação de normas da série ISO 14000 foi o tema em que o maior número de ramos avançou de 2008 a 2011 English version page 162

O índice de 2008 a 2011

23

ramos avançaram na certificação ISO 14001

0

nenhum ramo ficou estagnado

A

4

ramos regrediram

Rodrigo Capote/Folhapress

certificação de companhias através da ISO 14001 manteve uma ligeira tendência de alta entre 2008 e 2011. No primeiro ano da pesquisa realizada pela Análise Editorial, 48% das

companhias consultadas afirmaram ser certificadas e outras 13,6% que estavam passando pelo processo para obter o certificado. Em 2011, 53,3% tinham a certificação e 11,8% estavam no caminho para obtê-la. Os ramos que mais evoluíram na certificação também estão adotando cada vez mais outras normas da família ISO 14000. Trata-se de uma notícia relevante nesse desafio de criar o equilíbrio entre a manutenção da rentabilidade e a redução do impacto ambiental.. A ISO 14001 foi criada para auxiliar as empresas a identificar e a manejar seus riscos ambientais, com o comprometimento de toda a organização.

Para tanto, requer planejamento de implementação e operação, verificação e ações corretivas, além da constante análise crítica administrativa. Em outras palavras, é uma norma de gerenciamento e sua certificação atesta que a organização possui responsabilidade ambiental, valorizando, assim, seus produtos e marcas. Com a certificação em mãos, o empresário demonstra, tanto para órgãos reguladores como para o governo, seu comprometimento em obter conformidade legal e regulatória. E, além disso, reduz potencialmente seus custos de seguros por responsabilidade pública. Em 1996, foi emitido o primeiro certificado em conformidade com a ISO 14001 no Brasil. Entretanto, esse sistema faz parte de um grupo maior, o da família ISO 14000, que engloba também outras normas que definem diretrizes para a gestão ambiental nas empresas definidas pela International Organization for Standardization – ISO (Organização Internacional para Padronização). E são essas normatizações que estão sendo, cada vez, mais adotadas pelos ramos da economia brasileira que mais evoluíram em questões sobre

Rochaverá Corporate Towers, em São Paulo: Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial de construções sustentáveis 46

Especial RIO+20

www.analise.com


iso 14000

a adoção ou não das regras da família 14000 no período analisado. A 14001, entretanto, é a única norma da família que permite a certificação. É importante observar que o setor de bancos não faz parte dessa análise, uma vez que o conjunto de regras da ISO 14000 não se aplica a esse grupo. O segmento de mineração liderou o índice em 2011 – entre 27 ramos econômicos analisados – no que diz respeito à obtenção da certificação e da adoção de práticas da série ISO 14000. A relevância de cada ação é medida de acordo com o impacto específico para cada ramo, o que permite comparar atividades econômicas diferentes. De uma taxa máxima possível de 100%, as mineradoras analisadas registraram 64%. Na comparação com 2008, o índice representou um ganho de quase 23 pontos percentuais. Em seguida, aparece tecnologia da informação, que subiu de 17,8% para 40,4% (+22,6); energia elétrica, de 21,2% para 38,9% (+17,7); farmacêutica e cosméticos, de 27,2% para 44,8% (+17,6); e eletroeletrônica, de 39,4% para 54,3% (+14,9). Quando perguntados se aplicavam outras normas da série ISO 14000 em seus processos e atividades, esses segmentos responderam “sim”. Quando questionados sobre quais eram essas regras, a opção “auditorias ambientais” foi a mais assinalada por quase todos, seguida da alternativa “avaliação de performance ambiental com indicadores verificáveis” e por “comunicação ambiental”. Os segmentos tiveram um aumento contínuo das porcentagens do total de pontuação possível para as respostas ao longo dos anos, com exceção de mineração, que em 2011 registrou queda em relação a 2010, quando marcara 70,6%; e tecnologia da informação, cujos 26,9% de 2009 caíram para 22,4% em 2010, antes de subir para 40,4% em 2011. Em termos de variação positiva entre 2008 e 2011, ambos estão praticamente empatados, na casa dos 22 pontos percentuais. Mineração foi o único ramo cujo número de partipantes com certificação caiu entre 2008 e 2011, quando passou de 100% a 96,3%. Em tecnologia da informação, essa parcela cresceu de 33.3% para 50%; em energia elétrica, cresceu www.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram em relação ao certificado ISO 14001 entre 2008 e 2011

Os que mais avançaram 70 70% Mineração +23 59 59

Eletroeletrônica

+15

48 48

Farmacêutica e Cosméticos +18 Tecnologia da Informação +23

37 37

Energia Elétrica

26 26 15 15

2008

2009

2010

+18

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2008 a 2011

Os que menos avançaram 40 40%

32 32

Mecânica (-2)

24 24

Têxtil, Couro e Vestuário (+1) Açúcar e Álcool Serviços (-2) Especializados

16 16

(-21)

88

0 0

Educação (-7) 2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

47


iso 14000

de 34,2% a 69.2%; em farmacêutica e cosméticos de 48,1% a 66,7% e, em eletroeletrônica, de 80% a 92,3%. Uma variedade de motivos pode ter impulsionado esses ramos a serem os que mais evoluíram no tema família ISO 14000, de forma geral. Um consultor de mercado entrevistado pela Análise Editorial aponta que, no caso de mineração, pode se tratar tanto de uma ferramenta de gestão como de uma consequência do trabalho realizado, já que o segmento tem mostrado evolução em diversos temas. No caso de tecnologia da informação e eletroeletrônica, observou que há muitas empresas transnacionais no setor, e que estas devem seguir o direcionamento das matrizes no que diz respeito à regulação ambiental. E mais: eletroeletrônica enfrenta um desafio crescente quanto à destinação de seus resíduos sólidos. Por ter de lidar, por exemplo, com o lixo eletrônico, o setor já conta com a certificação há muito tempo. Em 2011, constatou-se que 66,7% de suas empresas tinham a certificação ISO 14001 entre cinco e dez anos, enquanto outros 27,8% a possuíam havia mais de dez anos. Em energia elétrica, além de outros fatores, o ramo pode estar sendo impulsionado por exigências para ganhar ou manter concessões. O número de quase todos os participantes desses cinco ramos subiu ao longo do período em que a Análise Editorial realizou seu levantamento. As empresas de mineração saltaram de 6 para 27, de 2008 a 2011; as de tecnologia da informação de 9 a 10; e as de energia elétrica de 38 para 78. Eletroe-

A abrangência da certificação O status das empresas em relação à certificação ISO 14001 em 2011

Em processo de certificação

Possui a certificação

12% 35%

53%

Não possui a certificação 48

Especial RIO+20

letrônica subiu de 25 a 39 companhias no período, enquanto farmacêutica e cosméticos deslizaram de 27 a 24.

Gestão ambiental sem certificação No grupo dos ramos que menos evoluíram nas questões referentes à família ISO 14000 encontram-se, em 27º lugar, serviços especializados, passando de uma porcentagem do total de respostas possíveis de 35,9%, em 2008, para 15,4%, em 2011 (-20,5 pontos percentuais). É interessante notar, entretanto, que educação foi o segundo ramo que mais evoluiu na definição de uma política ambiental corporativa no período (leia mais na pág. 36). Isso significa que não existe uma relação direta entre as empresas que gerenciam as suas práticas ambientais e as que se certificam. Os segmentos que mais evoluíram em sua estrutura de gestão ambiental - construção e engenharia, concessões rodoviárias, comércio varejista e transportes e logística - não são os que mais cresceram quando o assunto é a família 14000. No caso específico de educação, as empresas do ramo não necessitam da certificação para realizar seus negócios, o que não quer dizer que não se preocupem com a redução de seu impacto ambiental ou não pensem em obter a certificação um dia. Em 2011, 50% das empresas da área declararam não ter a ISO 14001, mas planejam implementá-la. Em 2008, essa porcentagem era de 71,4%. É por exemplos como esse que um consultor ambiental questionado pela Análise Editorial aponta que, atualmente, está ocorrendo no mercado um questionamento do valor agregado da certificação em alguns casos. Em outras palavras, haveria certa “desvalorização” da importância dos certificados em determinadas circunstâncias. Prosseguindo com os ramos que menos evoluíram no tema, encontramos mecânica, com a desaceleração de uma porcentagem de 34,7% do total de respostas possíveis em 2008, para 32,4% em 2011 (-2,3 pontos percentuais). Nesse caso, vemos que o ramo já está consolidado no assunto. O número de empresas do setor que possuem

Influência do ISO na gestão das empresas Que outras normas da série ISO 14000 as companhias aplicam? 65

65%

60

60

55

55

Indicadores ambientais

62%

Comunicação ambiental

51%

50

50

45

2008

2011

a certificação ISO 14001 passou de 80%, em 2008, para 84,6%, em 2011. Além disso, em 2011, 63,6% das empresas afirmaram possuir o certificado entre cinco e dez anos, enquanto outras 9,1% declararam tê-lo há mais de dez anos. O ramo seguinte é açúcar e álcool, que registrou queda de 19,8% para 17,9% no período em que os levantamentos foram realizados. O próximo segmento, apesar de estar entre os que menos evoluíram, apresentou variação positiva. Trata-se de têxtil, couro e vestuário, que subiu de 23,2%, em 2008, para 24,3% (+1,1 ponto percentual), em 2011; e serviços médicos, de 11% para 15,4% (+4,4). Quando perguntados se aplicavam outras normas da série ISO 14000 em seus processos e atividades, os representantes de educação responderam que “sim” apenas em 2008 (14,3% das empresas) e 2009 (12,5%), assinalando “auditorias ambientais”. Em 2010 e 2011, nenhuma empresa desse ramo disse aplicar outras normas da série. Os outros quatro segmentos responderam “sim”. Quando questionados sobre quais eram essas regras, a opção “auditorias ambientais” foi a mais assinalada, seguida pela alternativa “avaliação de performance ambiental com indicadores verificáveis”, e por “comunicação ambiental”. O número de quase todas as empresas que participaram da pesquisa desses cinco ramos também subiu ao longo do período. As de serviços especializados subiram de 12 a 16; enquanto as de educação saltaram de 7 para 8, de 2008 a 2011. Por sua vez, os www.analise.com


iso 14000

representantes de mecânica subiram de 10 para 13 participantes. Já açúcar e álcool cravaram um aumento de 18 para 34 representantes; e têxtil, couro e vestuário participaram com 21 empresas, em 2008, e 16 em 2011.

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema ISO 14001, em 2011, para os 27 ramos analisados Mineração 64% Eletroeletrônica

Certificação fica entre extremos nos 27 ramos Em uma análise do desempenho dos 27 segmentos econômicos apenas em 2011, observamos que a disparidade entre os primeiros colocados e os últimos é muito grande. Se comparados os dois extremos da lista, a diferença é de 60,7 pontos percentuais. Esses resultados, entretanto, devem ser vistos do ângulo de que nem todas as empresas precisam da certificação em seus negócios, ou seja, não dependem dela para conseguir empréstimos bancários, participar de licitações ou simplesmente conquistar clientes. O que não significa que o gerenciamento de suas atividades ambientais não possa ou deva ser feito. A lista dos segmentos ordenados por seu desempenho nas questões referentes à ISO 14000, em 2011, sinaliza que algumas indústrias de base investem na implantação desses sistemas de gestão porque sofrem pressão de várias formas e fontes. E então multiplicam a exigência desses requisitos para a cadeia de produção. Em primeiro lugar, aparece novamente mineração, com 63,7% do total das respostas possíveis no tema no ano passado. É seguida por eletroeletrônica, com 54,3%, metalurgia e siderurgia (48,7%), veículos e peças (45,4%) e farmacêutica e cosméticos (44,8%). Em 27º vem educação (3%), concessões rodoviárias (13,9%), serviços médicos (15,4%), serviços especializados (15,4%) e comércio atacadista (17%). A média da pontuação anual de todos os setores subiu ininterruptamente durante o período dos levantamentos, alcançando as seguintes marcas: 24,52% (2008), 27,5% (2009), 30,23% (2010), 32,2% (2011). Considerando-se a pontuação máxima obtida nos nove temas abordados, vemos que ISO 14000 ocupou o 7º lugar, com 63,7% do total da pontuação possível para as respostas.  0 www.analise.com

54% Metalurgia e siderurgia 49% Veículos e peças 45% Farmacêutica e cosméticos 45% Material de construção e decoração 43% Bebidas e fumo 41% Tecnologia da informação 40% Petróleo e gás 40% Construção e engenharia 40% Energia elétrica

81%

das fabricantes de veículos disseram, em 2011, que têm a certificação ISO 14001

39% Plásticos e borracha 38% Química e petroquímica 37% Mecânica 32% Papel e celulose 32% Telecomunicações 30% Alimentos 26% Água e saneamento 25% Têxtil, couro e vestuário 24%

32%

das empresas sucroalcooleiras estão cumprindo as etapas para obter a certificação ISO 14001

Transportes e logística 24% Açúcar e álcool 18% Comércio varejista 18% Comércio atacadista 17% Serviços médicos 15% Serviços especializados 15% Concessões rodoviárias 14% Educação 3%

50%

das empresas de educação disseram que pretendem implementar a certificação ISO 14001 especial RIO+20

49


água

treinamento leva a consumo consciente As ramos que mais avançaram investiram na conscientização de seus funcionários e no monitoramento do uso da água com indicadores English version page 166

O índice de 2007 a 2011

20

ramos avançaram na gestão da água

7

1

ramos regrediram

ramo ficou estagnado

O

segmento de mineração liderou o índice ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL em 2011 – entre os 28 ramos econômicos analisados nesta edição – no que diz respeito a implementação de práticas para reduzir, reusar e controlar o consumo de água em seus processos. De uma taxa máxima possível de 100%, as mineradoras analisadas registraram 93%, seguidas pelo segmento de bebidas e fumo com 84,6%, mecânica (83,3%) e eletroeletrônica (82,9%). A metodologia para formulação do índice considera quais são as práticas adotadas pelas companhias no que diz respeito ao seu uso de água, incluindo o monitoramento sistemático do consumo, políticas de reúso, a adoção de metas de redução e como esses objetivos estão inseridos na estrutura de gestão das empresas, além de ações para conscientizar funcionários e colaboradores. A relevância de cada ação é medida de acordo com impacto específico para cada um dos 28 ramos de atuação analisados, o que permite comparar atividades econômicas diferentes. As altas pontuações não representam simples altruísmo, mas estratégia. Levando-se em conta as características de seus negócios, ser mais verde é ser mais rentável. E quando o assunto é água, essa equação é ainda mais

50

Especial RIO+20

verdadeira. As respostas colhidas pela Análise Editorial de 2007 a 2011 mostram que cada um dos 28 setores pesquisados buscou um caminho próprio, o mais adequado ao seu tipo de negócio e ao papel que a água desempenha no seu ciclo produtivo, para reduzir ou otimizar seu consumo. Em mineração, por exemplo, trata-se de uma questão crucial, já que muitas vezes a água precisa ser utilizada no processo de beneficiamento do mineral. Além disso, o ramo também tem que lidar com o grande aporte de água nas cavas, o que envolve bombeamento. A evolução na gestão desse tema, portanto, é essencial e não foi à toa que os programas estruturados de uso racional da água fizeram parte da gestão de 85% das mineradoras entrevistadas em 2011, ante apenas 25% em 2007. Água é insumo básico em qualquer atividade. Pode servir de ingrediente dos seus produtos – como no caso do segmento de bebidas –, para o resfriamento e a lavagem de seus equipamentos, como solvente ou ainda na diluição de emissões poluentes. Em termos

Gerenciamento corporativo da água As três ações mais difundidas em relação ao uso de água em 2011 Monitora com indicadores

campanha para funcionários

80%

77%

Meta de redução

66%

globais, a indústria é responsável por 22% de toda a água doce consumida. No Brasil, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em 2007, dos 840 mil litros retirados dos mananciais por segundo, 69% vão para a irrigação, 11% para o consumo urbano, 11% para o consumo animal, 7% para a indústria e 2% pela população rural. Alguns setores são especialmente grandes consumidores de água. Segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), são necessários, por exemplo, 3,5 mil litros de água, em média, para produzir alimentos que forneçam um mínimo de 3 mil calorias. A produção de um simples hambúrguer consome cerca de 11 mil litros de água. Outro exemplo de setor gastador é o do aço. Mas o detalhe é que, antes da Segunda Guerra Mundial, eram necessárias até 100 toneladas de água para produzir uma tonelada do metal. Hoje, com as novas tecnologias, são necessárias menos de 5 toneladas de água. Ou seja, consumir menos água também significa produzir de forma mais competitiva. E é este o caso dos setores que mostraram melhor desempenho de acordo com dados da pesquisa Análise Gestão Ambiental, de 2007 a 2011. Entre os nove temas relacionados para avaliar os setores que participam da pesquisa anual da Análise Editorial, o desempenho deste, que mede as ações e o comprometimento das companhias brasileiras com redução e eficiência no consumo de água está acima da média. Considerando os 28 ramos de atividade econômica pesquisados, o índice médio é de 65,4%. Isso coloca o indicador na segunda posição entre nove assuntos globais analisados. No geral, os 28 setores avaliados apresentaram significativa melhora no trato com a água entre 2007 e 2011, com a média do total de respostas possíveis crescendo 8,8 pontos percentuais no período. Em 2007, a média do índice foi de 57%, subindo para 63,9% em 2009 e 65,8% em 2011.

Preocupação com uso da água passa por educação Os cinco ramos que mais evoluíram enwww.analise.com


água

tre 2007 e 2011 têm investido desde o monitoramento com indicadores específicos até em campanhas de conscientização dos funcionários. Em primeiro lugar estão as empresas administradoras de concessões rodoviárias, que em 2011 alcançaram 53,5% do total de pontuação possível para as respostas, contra 8,3% registrados em 2007. Trata-se de uma variação de mais de 45 pontos percentuais no período. O desempenho deve-se, sobretudo, a uma aposta em educação. Em 2007, 66,7% das empresas tinham algum programa para conscientizar seu pessoal sobre o uso da água. Em 2011, esse número saltou para quase 75% dos participantes da pesquisa. Cabe apontar que o ramo de concessões rodoviárias exibe um desempenho inferior ao da média dos 28 analisados nesta edição e partiu de um patamar muito baixo em 2007, o que só serve para reiterar que a privatização, pelo menos do ponto de vista do uso racional e sustentado da água, representou um avanço indiscutível. O segundo segmento que mais avançou, entre 2007 e 2011, foi o de companhias de água e saneamento, cuja porcentagem de respostas do total possível no período passou de 43% para 79%. Mineração vem a seguir, com uma evolução de 23 pontos percentuais, de 70%, em 2007, para 93%, em 2011. Os ramos que menos evoluíram têm em comum o fato de a água não ter função essencial em seu negócio: educação passou de 58,6%, em 2007, para 42%, em 2011; tecnologia da informação caiu de 62,4% para 47%. Em ambos os casos, todos os indicadores de desempenho do índice apontaram desaceleração. Como se tratam de atividades pouco gastadoras, o impacto dessa redução no consumo não é tão dramático como em outras atividades. Mas sendo água um recurso precioso, é de se esperar que todos aumentem seus esforços para conter o consumo.

Qualidade da água e investimentos A boa notícia é que, em conjunto, os índices de ecoeficiência no trato com a água avaliados pela pesquisa da Análiwww.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram nas práticas de gestão da água entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 98% 98

Mineração +23 Eletroeletrônica

80

Água e Saneamento

+19 +36

Serviços Médicos +21

62

Concessões Rodoviárias

44

+45

26

88 2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 75 75%

68 68

61 61

54 54

Comércio Varejista (-9) Tecnologia da Informação

47 47

Comércio Atacadista

40 40

(-15)

(-9) Banco (-13) Educação (-17) 2007

2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

51


água

mo água, tão fundamental para a vida como é para a economia, está mais escasso e cada vez mais caro. Finalizado em 2010 pela ANA, o “Atlas Brasil: Abastecimento Urbano de Água” revela que, até 2015, serão necessários investimentos de pouco mais de 22 bilhões de reais somen-

Reúso de água ganha adeptos A fatia das empresas que afirmam fazer reúso de água passou da metade 56

56%

53

55%

53

50

50

47

47

44

2007

2011

joonas antikainen/istockphoto

se Editorial mostram que as empresas evoluíram. Ganhos também aparecem nos levantamentos feitos pela ANA, que calcula o Índice da Qualidade da Água (IQA). Segundo relatório de 2011, o IQA tem aumentado em algumas regiões do país, como nas Bacias do Paraná (com destaque para o rio Uberabinha e para a represa Billings), do Rio das Velhas, em Minas Gerais, do Paraíba do Sul, e nas bacias dos rios Piracicaba, Sorocaba e Grande. Segundo a ANA, os motivos dessa melhora são os investimentos já realizados em saneamento, retomados desde 2007 com a criação de um marco regulatório (Lei 11.445) e o lançamento do PAC, além do controle da poluição industrial e da gestão das vazões de efluentes. Em resumo, as melhores práticas das empresas já começam a produzir resultados na natureza, e também em seus próprios balanços. Mas há ainda muito que as empresas podem e devem fazer. Já que o insu-

te para garantir a oferta de água para 55% dos municípios brasileiros. Além disso, os resultados apontam para a necessidade de novos investimentos nos sistemas de esgotos (coleta e tratamento), a serem destinados a 2.926 municípios, de forma a evitar o comprometimento da qualidade da água. Para universalizar o sistema de esgoto é necessário, calculam os especialistas, um aporte total de cerca de 240 bilhões de reais. Significa que se o país conseguisse investir (o que não tem sido realizado) a totalidade do que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previa, de cerca de 10 bilhões de reais anuais, seriam necessários mais 24 anos para completar a universalização. Até lá, a qualidade da água corre sério risco de deterioração. A ANA mantém hoje pouco mais de 2,3 mil pontos monitorados da qualidade de água em todo país. Como era de se esperar, as categorias péssima e ruim do IQA são encontradas, em sua maioria, nas proximidades de regiões Metropolitanas (São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador) e de cidades de médio porte (como, por exemplo, Campinas, em São Paulo, e Juiz de Fora, em Minas). É também onde se localizam os mais importantes mercados consumidores do país, com parte ponderável da estrutura produtiva. Para as empresas, a implicação óbvia é o aumento de custo. E ele ocorre não só pela escassez de água, como pela crescente exigência social e legal em relação à qualidade dos efluentes.

Reduzir vazamentos é o maior desafio para o setor

Abastecimento de água e saneamento: o Brasil alcança índice de 99,4% dos municípios beneficiados pelo serviço de distribuição e 55% pela coleta de esgoto 52

Especial RIO+20

O detalhe é que, enquanto tudo isso acontece, para as empresas que atuam no setor de água e saneamento, o maior desafio tem sido o de reduzir perdas e desperdícios de água, que escapam pelos vazamentos, ligações clandestinas e hidrômetros desregulados. O último dado divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, demonstra que essas perdas contabilizadas em receita significariam um rombo aproximado no faturamento www.analise.com


água

do setor de quase R$ 7 bilhões. Desse total, 60% poderiam ser recuperados, se houvesse mais eficiência. De fato, as companhias de saneamento básico estão muito distantes das metas estabelecidas para o país, de uma perda ao redor de 20%. A média brasileira é da ordem de 37,2%, variando entre 18% e inacreditáveis 70%. O reflexo dessa realidade é identificado nas respostas dadas ao questionário proposto pela Análise Editorial. As empresas do setor demonstrea apoiar suas estratégias e esforços em dois pilares: metas de redução (cujo número de respondentes que adotam essa prática passou de 37,5%, em 2007, para 86,7% em 2011) e programas de conscientização (com incremento de 37,5% para 80% no mesmo período). E, sim, a estratégia foi relativamente bem-sucedida. Em 2007, a porcentagem do total de respostas possíveis do segmento, de 43,18%, era inferior à média dos vinte e oito setores analisados e, no ano passado, já ficou em sétimo lugar na colocação geral. Os índices melhoraram 35,8 pontos percentuais no acumulado do período. No caso dessas companhias, reduzir a perda de água equivale a injetar sangue novo na rentabilidade e, além disso, pode contribuir para reduzir as necessidades de novos investimentos e ajudar a combater graves problemas de abastecimento. A chamada macrometrópole paulista, área que agrega as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista abriga 28 milhões de habitantes. Com oferta de água potável próxima à demanda, existe um potencial gargalo para o crescimento da produção industrial. A meta da Sabesp é reduzir em dez pontos percentuais suas perdas e chegar a 15% até 2020. Para se ter uma ideia do que isso significa, basta dizer que reduzir 1% das perdas por ano equivale à água necessária para atender a 300 mil pessoas. Entre as empresas de água e saneamento que responderam a pesquisa em 2011, 13% são de capital privado. Essas companhias já conseguem resultados significativos. A Foz do Brasil, por exemplo, por meio da primeira concessão privada do país, na cidade de Limeira, registra a menor perda na distribuição de água no Brasil: 15%. 0 www.analise.com

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema água, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Mineração 93% Bebidas e fumo 85% Mecânica 83% Eletroeletrônica 83% Plásticos e borracha 81% Material de construção e decoração 80% Água e saneamento 79% Farmacêutica e cosméticos 78% Veículos e peças 76% Metalurgia e siderurgia 75% Serviços médicos 75% Química e petroquímica 72% Papel e celulose 68% Têxtil, couro e vestuário 68% Alimentos 65% Petróleo e gás 63% Comércio Varejista 58% Telecomunicações 56% Açúcar e álcool 55% Energia elétrica 55% Concessões rodoviárias 53% Construção e engenharia 53% Bancos

75%

das empresas de alimentos disseram ter metas de redução no consumo de água

50% Comércio atacadista 48% Transportes e logística 48% Tecnologia da informação 47% Serviços especializados 43% Educação 42% especial RIO+20

53


ENERGIA LIMPA

O Brasil vem investindo muito para manter sua matriz energética como uma das mais limpas do mundo. Entenda a evolução da energia brasileira e a evolução nacional no ramo de energia

ENERGIA RENOVÁVEL

O QUE AS EMPRESAS FAZEM

da matriz energética do Brasil é renovável

das empresas monitoram o consumo de energia elétrica com indicadores específicos

83%

73%

66%

71%

de toda energia elétrica consumida no país vem de hidrelétricas

delas têm metas de redução no consumo

Geração total de energia eólica brasileira

2.177

(Em GWh de 2006 a 2011)

1.183

Utilização de combustíveis fósseis

47% das empresas tem metas de redução do consumo

1.238

668

53

342 56

63

74 74

2001 02

03

04

05

06

07

08

09

Investimento em energia renovável em 2011

2010

(US$ bilhões)

8,3

Os maiores avanços da geração de energia renovável em seis anos

PÚBLICO PRIVADO 6

China 92%

Turquia 85%

3

Brasil 49%

0,7 Itália

Itália 47%

54

Especial RIO+20

(Em GW de 2006 a 2011)

EUA

China

Alemanha

www.analise.com

0,3 Brasil


English version page 170

A ENERGIA USADA PELAS EMPRESAS

FROTA

das empresas utilizam energia hídrica

de veículos flex foram vendidos desde 2003 no país

52%

15,3 milhões

41%

75%

das empresas usam biomassa

é a estimativa de carros flex na frota nacional para os anos 2017/2018

Fatia das empresas que usam biocombustíveis

Brasil 23%

40% da frota é flex

24%

17%

13%

14%

2007

2008

40,4 milhões é a frota total de carros 2009

2010

2011

Investimento por tipo de energia em 2011 42,7

(US$ bilhões) 41,9

BIOCOMBUSTÍVEL SOLAR EÓLICA 30

4% da frota americana é flex

27,8

8,6

China

EUA

Alemanha

www.analise.com

Itália

Estados Unidos

250 milhões é a frota total de carros

Brasil

especial RIO+20

55


Agência Vale

Eficiência energética

Mineração: 93% das empresas têm programas de melhoria dos objetivos ambientais; e 89% possuem metas de redução do consumo

Empresas brasileiras mudaram de patamar no uso de energia Ramo de mineração é o mais bem colocado no índice que mede o uso eficiente de energia em 2011; e as companhias administradoras de concessões rodoviárias foram as que mais evoluíram em cinco anos English version page 172

O índice de 2007 a 2011

18

ramos avançaram em eficiência energética

2

ramos ficaram estagnados

56

Especial RIO+20

8

ramos regrediram

P

ouco a pouco, as empresas brasileiras estão se tornando mais eficientes no uso de energia. Em 2007, quando a Análise Editorial iniciou sua pesquisa sobre as práticas ambientais das maiores companhias brasileiras em 28 ramos de atuação, a performance de sete segmentos ainda estava abaixo do patamar de 30% no índice ANÁLI-

SE GESTÃO AMBIENTAL. Em 2011,

foram apenas dois. Outra boa notícia é que setores que estavam bem atrás nesse quesito em 2007, como empresas que administram concessões rodoviárias e água e saneamento, galgaram posições a ponto de se destacar entre os cinco que mais evoluíram no tema. No que diz respeito ao uso eficiente de energia o índice indica que minewww.analise.com


Eficiência Energética

ração foi o grupo que registrou, com grande folga, a maior porcentagem do total de pontuação possível para as respostas, com quase 80%. O índice, que vai de 0 a 100%, considera as políticas adotadas pelas empresas para monitorar o consumo de energia elétrica, combustíveis, lenha e carvão. Ao identificar suas práticas em relação ao consumo de energia elétrica, 100% das empresas do ramo de mineração declararam realizar monitoramento com indicadores específicos. E isso não acontece à toa, pois o processo de britagem nas rochas é elétrico e qualquer desperdício pode custar muito. Além disso, 89% perseguem meta de redução e também 88,9% contam com um programa estruturado com recursos, cronograma e responsabilidades. Adicionalmente, 81,5% fazem campanha de conscientização de funcionários. Quanto ao consumo de combustíveis fósseis, 96,3% fazem monitoramento com indicadores específicos, 88,9% têm meta de redução, também 88,9% contam com um programa estruturado e 66,7% adotam outras práticas. Finalmente, quando o assunto é lenha e carvão o desempenho é ainda melhor. Todas as empresas respondentes realizam monitoramento com indicadores específicos, têm meta de redução e programa estruturado. Para finalizar, 7,1% delas assinalaram que adotam outras alternativas. Com números tão significativos, o ramo de mineração registrou vantagem de mais de 20 pontos percentuais em relação ao segundo colocado, bebidas e fumo, que alcançou 59,9%. Em seguida vêm farmacêutica e cosméticos, com 57,8%; eletroeletrônica, com 56,7%; têxtil, couro e vestuário, com 56% e veículos e peças, com 54,6%. Por outro lado, o ramo que apresentou o mais baixo resultado em 2011 foi o de açúcar e álcool, com 20,8%. Esse dado sinaliza algo relevante: em setores onde há grande disponibilidade de energia, a eficiência é menor. Em açúcar e álcool, nas caldeiras usa-se o próprio bagaço, que é abundante, como fonte de energia. Também no setor de papel e celulose as caldeiras funcionam com biomassa, e o ramo ocupou, em 2011, a 21ª posição em eficiência energética. www.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram em práticas de eficiência energética entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 85% 85

mineração +20

71

Eletroeletrônica

57

PETRóleo +18 e gás +23

43

29 29

água e saneamento

+16

Concessões Rodoviárias

+23

15 15 2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 65% 65

57 57

Materiais de Construção e Decoração

(-9)

49 49 Banco (-8) 41 41

Comércio Atacadista

(-17)

33 33

Educação (-6)

25 25

(-11)

Tecnologia da Informação 2007

2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

57


Eficiência Energética

Vejamos como açúcar e álcool assinalaram suas práticas: em relação ao consumo de energia elétrica, 61,8% das empresas do ramo declararam realizar monitoramento com indicadores específicos, 23,5% perseguem meta de redução e 14,7% contam com um programa estruturado com recursos, cronograma e responsabilidades. Além disso, 29,4% fazem campanha de conscientização de funcionários. Quanto ao consumo de combustíveis fósseis, a preocupação não é alta, já que o ramo produz álcool. Sendo assim, 50% fazem monitoramento com indicadores específicos, 26,5% têm meta de redução, 5,9% contam com um programa estruturado e 14,7% adotam outras opções. Nas práticas que dizem respeito a lenha e carvão, nenhuma empresa faz monitoramento com indicadores específicos nem tem programa estruturado, 20% têm meta de redução e 100% delas assinalaram que adotam outras alternativas. Resultado: açúcar e álcool não se preocupam muito com lenha e carvão porque não os utilizam. Bem simples assim. Na relação dos ramos que menos se destacaram em 2011 no tema eficiência energética aparecem, ainda, tecnologia da informação (28,2%); educação (34,9%); serviços especializados (35,4%) e energia elétrica (35,5%), estes últimos com uma diferença pequena entre si. Por outro lado, a distância entre o último e o penúltimo colocados ultrapassa os 7 pontos percentuais. Sobre tais performances, um consultor de mercado ouvido pela Análise Editorial observou: “Entende-se que setores

Cresce uso de fontes renováveis Avanço da fatia das empresas que usam algum tipo de energia renovável 60

60%

58%

55

55

50

50

45

40

40

2007

58

2011

Especial RIO+20

como energia elétrica e álcool sejam, principalmente, eficientes na geração de energia e não tanto no consumo”. Se considerarmos a pontuação máxima obtida por todos os ramos pesquisados nos nove temas abordados, vemos que eficiência energética ocupou o terceiro lugar, com 80% do total da pontuação possível para as respostas. Ficou abaixo de gestão ambiental e água, respectivamente primeiro e segundo colocados. Assim como já vimos em outros temas, os ramos tendem a se destacar em questões que são importantes para seu negócio, seja do ponto de vista financeiro, ou do impacto ambiental que suas atividades podem causar. Nesse caso não é diferente. Os cinco ramos que pouco se destacaram em eficiência energética é porque esta não pesa em sua folha de custos. Além disso, nenhum deles pertence a categorias de alto impacto ambiental. As diferenças entre eles aparecem, contudo, entre as suas pontuações. Em 28º lugar temos comércio atacadista como o segmento que apresentou a menor eficiência energética, com seu percentual de pontuação possível caindo de 54,9% em 2007, para 37,5% em 2011. Ou seja, uma variação negativa de 17,4 pontos percentuais.

Ramos menos eficientes ganharam mais em 5 anos Concessões rodoviárias foi o segmento que mais apresentou evolução, tendo registrado 38,4% do total de pontuação possível para as respostas em 2011, ante 15% em 2007. Em outras palavras, isso significou uma variação positiva de 23,4 pontos percentuais. De acordo com especialistas ouvidos pela Análise Editorial, em parte esse salto pode ser explicado pelo fato de que, após a saída de cena do governo com as privatizações, a iniciativa privada teve de começar do zero em muitos aspectos. Daí a acentuada evolução agora revelada. Em segundo lugar no grupo dos que mais evoluíram vem o ramo de petróleo e gás, passando de 28,2% em 2007, para 50,8% em 2011, ou um ganho de 22,6 pontos percentuais no período.

Gerenciamento corporativo da energia As três ações mais difundidas em relação ao uso de energia em 2011 Monitora com indicadores

83%

campanha para funcionários

Meta de redução

72%

71%

Ou seja, vemos que a diferença entre os dois primeiros ramos é bem pequena, não chegando a 1 ponto percentual. Em terceiro lugar aparece mineração, que em 2011 alcançou 80% do total de pontuação possível, ante 60% em 2007. Para as mineradoras, a questão de eficiência energética é crucial na questão de logística, principalmente no que diz respeito à otimização do transporte dos minérios. O quarto ramo que mais evoluiu entre 2007 e 2011 foi eletroeletrônica, pulando de 38,9% para 56,7%, seguido por água e saneamento, que subiu de 24,3% para 40%. A diferença entre os que mais evoluíram, portanto, não é muito grande, nem sequer chegando a 8 pontos percentuais. Dentre o grupo desses cinco ramos que mais evoluíram, o único que registrou um desempenho sempre melhor a cada ano foi o de eletroeletrônica. Os outros apresentaram flutuação em algum momento. Empresas administradoras de concessões rodoviárias, por exemplo, registraram 17,2%, em 2009, ante 25,4% em 2008. Petróleo e gás marcou 27,3% em 2008 ante 28,2% em 2007, e mineração subiu todos os anos para registrar queda em 2011, quando cravou 80% ante os 84,3% alcançados em 2010. As companhias de água e saneamento tiveram queda por dois anos. Seus 40,3% registrados em 2008 caíram para 38,8% em 2009 e 34,5% em 2010, para finalmente subir a 40% em 2011. O número dos participantes desses cinco ramos subiu ao longo do período em que a Análise Editorial realiwww.analise.com


Eficiência Energética

zou seu levantamento. As empresas de concessões rodoviárias saltaram de 4 para 24, de 2007 a 2011. As de petróleo e gás passaram de 12 a 25 participantes, o dobro, e as de mineração registraram um aumento de 4 para 27 ao longo dos cinco anos. Em eletroeletrônica o número evoluiu de 16 empresas, em 2007, para 39, em 2011, e as companhias que atuam em água e saneamento subiram de 8 para 15 participantes no período. Os cinco ramos que pouco se destacaram em eficiência energética é porque esta não pesa em sua folha de custos. Além disso, nenhum deles pertence a categorias de alto impacto ambiental. As diferenças entre eles aparecem, contudo, entre as suas pontuações. Em 28º lugar temos comércio atacadista como o segmento que apresentou a menor eficiência energética, com seu percentual de pontuação caindo de 54,8% em 2007, para 37,5% em 2011. Ou seja, uma variação negativa de 17,3 pontos percentuais. Em seguida, em 27º, vem tecnologia da informação, cujo desempenho caiu de 39,2% em 2007, para 28,2% em 2011, ou menos 11 pontos percentuais. Vemos, portanto, que a diferença de variação negativa entre os dois ramos com um desempenho mais modesto nesse quesito é significativa, passando dos 6 pontos percentuais. O terceiro e quarto colocados entre os ramos que menos evoluíram, por sua vez, estão praticamente empatados. Os bancos, em 26º, passaram de 52,3% em 2007 para 43,7% em 2011 (-8,6 pontos percentuais), enquanto material de construção e decoração, em 25º, deslizaram de 60% para 51,4% no mesmo período (-8,6 pontos percentuais). Finalmente, em 24º lugar aparece o setor de educação, que registrou 40,7% do total de pontuação possível, em 2007, e 34,9% em 2011 (-5,8 pontos percentuais). Vemos, portanto, que a diferença entre os cinco ramos que menos evoluíram no período estudado em eficiência energética é significativa, ficando em 11,5 pontos percentuais. Outro dado a ser notado é que nenhum desses cinco ramos apresentou queda constante ao longo do período, sempre registrando flutuações em um ou mais anos.  0 www.analise.com

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema eficiência energética, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Mineração 80% Bebidas e fumo 60% Farmacêutica e cosméticos 58% Eletroeletrônica 57% Têxtil, couro e vestuário 56% Veículos e peças 55% Alimentos 54% Material de construção e decoração 51% Plásticos e borracha 51% Petróleo e gás 51% Telecomunicações 48% Química e petroquímica

100%

das mineradoras monitoram o seu consumo de energia elétrica com indicadores específicos

48% Bancos 44% Metalurgia e siderurgia 43% Transportes e logística 41% Serviços médicos 41% Mecânica 40% Água e saneamento 40% Concessões rodoviárias 38% Comércio varejista 38% Papel e celulose 38% Comércio atacadista 38% Construção e engenharia 36% Energia elétrica 36%

27%

das empresas de papel e celulose têm alguma campanha direcionada a funcionários com relação ao consumo de energia elétrica

Serviços especializados 35% Educação 35% Tecnologia da informação 28% Açúcar e álcool 21% especial RIO+20

59


Fontes REnováveis

produtores de biomassa saem na frente mas não avançam Os ramos que já mantinham altos níveis de uso de energia renovável em 2007 permaneceram relativamente estáveis e perderam a liderança para aqueles que não utilizam biomassa em seus processos produtivos English version page 172

O índice de 2007 a 2011

16

ramos avançaram no uso de fontes renováveis

2

10

ramos regrediram

ramos ficaram estagnados

e

 mpresas de ramos como o de açúcar e álcool e papel e celulose são velhas conhecidas quando o assunto é o uso de fontes renováveis de energia, já que seus próprios negócios geram biomassa utilizada largamente na produção do insumo. A pesquisa realizada pela Análise Editorial de 2007 a 2011 entre 28 grupos econômicos mostra, entretanto, que empresas brasileiras de outros segmentos estão adotando cada vez mais variadas alternativas energéticas com base em nossos recursos naturais. E a energia solar tem sido uma aposta constante – uma opção que, na verdade, vai ao encontro de uma tendência internacional. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), metade de toda a demanda por energia no mundo, por volta de 2060, poderia ser suprida por essa alternativa. A entidade não minimizou o papel de outras fontes renováveis, como a biomassa, hídrica e eólica, mas baseia essa estimativa no fato de que as tecnologias têm melhorado cada vez mais, ao mesmo tempo em que os preços dos equipamentos caem em vários países. No cenário brasileiro, o segmento de mineração liderou o índice ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL em 2011 – entre 28 ramos econômicos analisados

60

Especial RIO+20

– no que diz respeito ao uso de fontes de energia renovável. A relevância de cada ação é medida de acordo com o impacto específico para cada um dos ramos de atuação, o que permite comparar atividades econômicas diferentes. Em primeiro lugar, vejamos quem são esses grupos e como se saíram. Os cinco segmentos que mais evoluíram entre 2007 e 2011 foram telecomunicações, cuja porcentagem em relação ao total de pontuação possível para as respostas passou de 3,2% para 30,3% (+27,1 pontos percentuais), petróleo e gás, que subiu de 14,3% para 36,4% (+22,1), farmacêutica e cosméticos, de 12,5% para 27,1% (+14,6), tecnologia da informação de 0% para 11,36% e eletroeletrônica, de 5,4% para 16,3% (+10,9). Nenhum desses ramos, entretanto, registrou o crescimento da adoção de fontes renováveis em todos os anos da pesquisa. Telecomunicações, tecnologia da informação, e eletroeletrônica registram uma queda discreta em 2010 ante 2009, o mesmo acontecendo com petróleo e gás, e farmacêutica e cosméticos, em 2008 ante 2007.

Crescimento da energia solar e eólica Avanço da fatia das empresas que usam as fontes de energia Solar 28,5%

30

30%

23

23

Eólica

17%

16

16

9

9

2

2007

2011

O ramo líder em evolução, telecomunicações, passou por um processo de diversificação de suas fontes renováveis. Em uma pergunta que permitia aos participantes assinalarem, concomitantemente, várias opções, a única fonte adotada por 100% das empresas em 2007 era a de biocombustíveis. Nos anos seguintes, entretanto, outras alternativas foram sendo implementadas para, em 2011, a principal delas ser a solar, abraçada por 70% dos participantes, seguida por biocombustíveis (60% dos respondentes), hídrica (30%) e eólica (30%). Já em petróleo e gás, cujo próprio negócio é energia, em 2007 já se notava uma diversificação nas fontes renováveis, com 66,7% dos respondentes reconhecendo utilizar energia solar, eólica, hídrica e biocombustíveis, enquanto 33,3% também assinalavam o uso de fontes geotérmicas. Em 2011, entretanto, a energia solar ganhou a dianteira, sendo utilizada por todas as empresas que participaram do levantamento, enquanto eólica, geotérmica, hídrica e biocombustíveis foram citadas igualmente por 92,9% dos respondentes no ano. O ramo de farmacêutica e cosméticos, que tem investido em uma imagem ecologicamente correta, de forte apelo ambiental, foi uma exceção do grupo entre os que mais evoluíram. O uso da energia solar ficou em terceiro lugar, tendo sido adotada por 50% das empresas em 2007 e 58,8% em 2011. Em segundo vieram os biocombustíveis, passando de 50% para 70,6% no fim do período. Em primeiro lugar ficou a energia hidrelétrica, que tinha 33,3% de empresas adeptas em 2007 e chegou a 82,4% em 2011. Em tecnologia da informação, a www.analise.com


fontes renováveis

Análise Editorial verificou que o uso de energias renováveis entre os participantes começou apenas a partir de 2008, quando 100% dos respondentes assinalaram energia solar e 50% marcaram energia hídrica. Em 2011, o cenário já estava mais diversificado, com 50% dos participantes optando pela solar, sendo que 25% deles também assinalaram as alternativas “eólica”, “hídrica”, “biocombustíveis” e “biomassa”. Por fim, em eletroeletrônica, a liderança da energia solar consolida-se em 2011, com a adesão de 72,2% dos participantes. Em seguida, veio energia hídrica (61,1%), biocombustíveis (44,4%) e eólica (33,3%). O número dos participantes desses cinco ramos subiu ao longo do levantamento. As empresas de telecomunicações saltaram de 9 para 12, de 2007 a 2011. As de petróleo e gás passaram de 12 a 25 participantes e as de farmacêutica e cosméticos registraram um aumento de 17 para 24 ao longo dos cinco anos. Já tecnologia da informação subiu de 5 para 10 respondentes, e eletroeletrônica de 16 para 39 participantes no período.

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram no uso de fontes renováveis entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 40% 40

32

telecomunicações

+27

Farmacêutica e Cosméticos +15

24

Eletroeletrônica

16

+11

Tecnologia da Informação +11

8

00 2007

Biocombustível é praxe mesmo entre quem caiu A pesquisa feita pela Análise Editorial também detectou os cinco ramos que menos evoluíram no tema nos últimos cinco anos. O segmento comércio atacadista foi o que menos abraçou as fontes renováveis entre 2007 e 2011, passando de uma porcentagem de 21,4% de respostas do total possível para 4,3% no fim do período (-17,1 pontos percentuais). Em seguida, vieram têxtil, couro e vestuário, que caíram de 26% para 13,8% (-12,2); educação, de 14,3% para 7,1%; plásticos e borracha, de 10% para 3,2%; e mecânica, de 19,6% para 13,4%. Contudo, isso não quer dizer que esses segmentos não adotem os recursos naturais como fonte energética. Pelo contrário. Todos os integrantes do grupo vêm utilizando de duas a três fontes renováveis por ano. Em 2011, todas as empresas de comércio atacadista declararam utilizar tanto biocombustíveis como biomassa www.analise.com

Petróleo e Gás +22

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 30% 30

24 24

18 18 Têxtil, Couro e Vestuário (-12) 12 12

MECânica (-6) EDUCAÇão (-7)

66

00 2007

2008

2009

2010

2011

Comércio Atacadista (-17) Plásticos e Borracha (-7)

especial RIO+20

61


fontes renováveis

Rodrigo Baleia/AE

como fontes de energia. Já em têxtil, couro e vestuário, também no ano passado, a participação foi de 75% em biomassa, 50% em hídrica e 12,5% em biocombustíveis. Já 50% dos participantes de educação reconheceram fazer uso de energia solar, geotérmica e hídrica. Em plásticos e borracha, 50% também optaram por hídrica, ao mesmo tempo em que 100% assinalaram biomassa. Finalmente, 100% dos participantes do segmento de mecânica afirmaram fazer uso de energia solar e de biocombustíveis, e 20% de hídrica. O número dos participantes desses cinco ramos também cresceu ao longo do período. As empresas de comércio atacadista saltaram de 2 para 8, de 2007 a 2011. As de têxtil, couro e vestuário passaram de 13 para 16 participantes, e educação registrou um aumento de 3 para 8 respondentes ao longo dos cinco anos. Já plásticos e borracha participaram com 13 empresas em 2007 e 18 em 2011, enquanto mecânica passou de 6 para 13 no período.

Empresas de energia fazem mais uso de renováveis A grande extensão territorial e a enorme quantidade de recursos naturais garante ao Brasil o posto de líder mundial no uso de fontes renováveis de energia, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Aproximadamente 46% da energia consumida no país vem de fontes renováveis, enquanto a média em outros países é de apenas 13%. Os grandes fatores que impulsionam esse desempenho residem na utilização de cana-de-açúcar, responsável por 16% do total de energia renovável, a produção de hidrelétricas, que corresponde a 15%, e ao uso de lenha e carvão vegetal (12%). A análise de todos os 28 segmentos econômicos em 2011 na pesquisa da Análise Editorial confirma essa tendência de liderança, pois mostra que as empresas estão investindo em novas tecnologias e em energia renovável. O primeiro da lista é petróleo e gás, que registrou a porcentagem de 36,4% do total possível de respostas. Já checamos as fontes utilizadas pelo segmento acima, uma vez que faz par62

Especial RIO+20

Parque Eólico de Osório (RS), a maior usina da América Latina: a capacidade de geração desse tipo de energia renovável aumentou 15 vezes entre 2000 e 2011 no Brasil

te do grupo que mais evoluiu nos últimos cinco anos. Em segundo lugar, aparece energia elétrica, com 34,4% do total de respostas possíveis. Como não podia deixar de ser, a opção “hídrica” foi assinalada por 95,5% das empresas do ramo, seguida por “eólica” (72,7%), “biomassa” (54,5%), biocombustíveis (24,2%)

e solar (9,1%). Em seguida vem telecomunicações, com 30,3% do total de respostas possíveis. Em quarto lugar, aparecem as companhias de papel e celulose, com índice de 29,4%. O ramo se destaca notadamente pelo uso da biomassa como combustível, conforme assinalado por todas as empresas participantes. www.analise.com


fontes renováveis

A sua segunda fonte de energia renovável mais utilizada é a hídrica (55,6% dos respondentes), seguida pelo uso de biocombustíveis (44,4% das empresas) e hidrogênio (22,2% das empresas). O quinto lugar na lista de 2011 é ocupado por mineração, com 29,3% do total de respostas possíveis. Tal segmento tem tanto na energia hídrica como nos biocombustíveis, ambos assinalados por 87% dos participantes da pesquisa, suas duas principais fontes de energia renovável. As outras duas opções adotadas são energia solar (17,4%) e biomassa (4,3%). Em 2011, todos os cinco primeiros colocados ficaram bem acima da média do total de respostas possíveis para os 28 ramos, que foi de 18,41%. É interessante notar aqui, entretanto, que se deixarmos de lado, por um momento, o ano de 2011 e focarmos nossa análise no ramo que teve a maior média entre 2007 e 2011, o primeiro colocado é açúcar e álcool, justamente por as caldeiras funcionarem com biomassa. No processo utiliza-se o próprio bagaço da cana, que é abundante, como fonte de energia. Absolutamente todas as empresas do ramo informaram utilizar biomassa tanto em 2007 como em 2011. A segunda fonte de energia mais utilizada no período pelo segmento foi a de biocombustíveis, seguida por energia hídrica. Voltando, especificamente, aos dados de 2011, uma análise dos mesmos mostra que existe espaço para vários ramos investirem mais no tema. Os últimos colocados foram plásticos e borracha, com 3,2% do total de respostas possíveis; comércio atacadista (4,3%); educação (7,1%); química e petroquímica (9,2%); e serviços especializados (10,6%). Levando-se em conta a pontuação máxima obtida por todos os ramos pesquisados nos nove temas abordados, o uso de fontes renováveis de energia ocupou o último lugar, com 36,4% do total da pontuação possível para as respostas. Isso demonstra que, apesar de variadas fontes energéticas com base em recursos naturais já estarem sendo utilizadas por todos os segmentos, ainda existe muito espaço para investimentos em processos e inovação tecnológica para se tornar mais verde.  0 www.analise.com

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema fontes renováveis, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Petróleo e gás 36% Energia elétrica 34% Telecomunicações 30% Papel e celulose

10

29% Mineração 29% Concessões rodoviárias 28% Bebidas e fumo 28% Farmacêutica e cosméticos 27%

dos 28 ramos analisados, incluindo petróleo e gás, disseram utilizar energia eólica

Açúcar e álcool 27% Alimentos 26% Bancos 22% Comércio varejista 18% Água e saneamento 17% Eletroeletrônica 16% Veículos e peças 15% Têxtil, couro e vestuário 14% Transportes e logística 14% Mecânica 13% Metalurgia e siderurgia 13% Material de construção e decoração 11% Tecnologia da informação 11% Construção e engenharia 11% Serviços médicos 11% Serviços especializados 11% Química e petroquímica 9% Educação 7% Comércio atacadista 4% Plásticos e borracha 3%

90%

das empresas do comércio varejista disseram, em 2011, que utilizam energia solar

21%

das empresas químicas e petroquímicas usam hidrogênio como uma fonte de energia

especial RIO+20

63


Hélvio Romero/AE

resíduos

De latas de alumínio a PET e papelão: país se destaca na reciclagem de embalagens, mas transforma apenas 12% dos resíduos gerados

nova lei impacta gestão do lixo Os segmentos que lidam com lixo eletrônico e entulho de construção registraram os maiores avanços no que diz respeito a políticas de tratamento de resíduos sólidos nos últimos cinco anos English version page 180

O índice de 2007 a 2011

21

ramos avançaram na gestão de resíduos

1

ramo ficou estagnado

E

6

ramos regrediram

 m vigor desde agosto de 2010, mas com previsão de estar completamente implantada em todos os setores produtivos até 2014, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) já se faz sentir no desempenho de segmentos que lidam com grandes quantidades de descarte. Dentre os 28 ramos de atividade pesquisados pela Análise Editorial entre 2007 e 2011, o grupo dos cinco setores que mais evoluíram na forma como tratam seus resíduos conta com eletroeletrônica, e constru-

64

Especial RIO+20

ção e engenharia. A matemática não é difícil de entender. O Brasil joga fora sete milhões de televisores e 5,5 milhões de computadores por ano. E, em 2010, 31 milhões de toneladas de lixo vieram de construções e de demolições, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). A metodologia para a formulação do índice de pontuação considera as práticas adotadas pelas companhias no que diz respeito ao monitoramento e destino dado aos resíduos do seu processo, tanto sólidos como efluentes, ruídos e vibrações. Entre os pontos considerados está o estabelecimento de metas de redução e reciclagem, além da implementação de tecnologia para reúso no próprio processo produtivo. A relevância de cada ação é medida de acordo com o impacto específico para cada um dos 28 ramos de atuação analisados, o que permite comparar atividades econômicas diferentes.

Nesse indicador, o setor de eletroeletrônica lidera o grupo, com a porcentagem do total possível de respostas indo de 53%, em 2007, para 70,3%, em 2011. O desempenho do setor em resíduos subiu ininterruptamente ano a ano. Contudo, deu um grande salto entre 2010 e 2011, quando registrou aproveitamento de 70,3%, coincidindo com a entrada em vigor da PNRS. Abrindo os dados da pesquisa Análise de Gestão Ambiental por questões, identificamos que o ramo de eletroeletrônica apresentou evolução em absolutamente todas as práticas avaliadas sobre resíduos sólidos, efluentes e ruídos e vibrações. O número de empresas que adotou monitoramento de resíduos do processo produtivo cresceu de 81,3% para 94,9%; das que implementaram reúso, subiu de 31,3% para 69,2%; e para metas de redução, de 64% das empresas que disseram adotar a prática em 2008 (ano em que a pergunta foi incluída na pesquisa), a www.analise.com


rESíduos

taxa subiu para 87,2%, em 2011. Além disso, a taxa de respondentes que instituíram metas de reciclagem cresceu de 62,5% para 66,7%; processo para diminuir geração, passou de 75% para 84,6%; e coleta seletiva de lixo, de 87,5% para 100%, entre 2007 e 2011. Adicionalmente, a participação de companhias com investimentos em novas tecnologias voltadas para a redução de geração subiu de 62,5% para 69,2% do total de respondentes. As com processo para diminuir o impacto ambiental passaram de 75% para 82,1% do total; e com garantia de plena conformidade legal no manuseio, transporte, trato e destinação dos resíduos foi de 87,5% para 94,9% do total de participantes, no período. Em relação aos efluentes, as evoluções também foram significativas. Com as porcentagens aqui sempre representando o número de empresas participantes da pesquisa, o monitoramento com indicadores subiu de 68,8% para 92,3% do total; o reúso de 12,5% para 53,8% das participantes; e, enquanto 12,5% das respondentes diziam ter metas de reciclagem em 2007, o percentual chegou a 30,8% em 2011. As companhias com processo para diminuir geração de resíduos saíram de 37,5% do total das participantes em 2007 para 71,8%. As que declaram investir em novas tecnologias subiram de 37,5% para 56,4% do total. As que afirmam manter unidade de tratamento de efluentes atingiram 92,3% do total, em 2011, contra 62,5%, em 2007. E o percentual das empresas que afirmam apresentar garantia de conformidade legal em relacão ao tratamento de resíduos e efluentes passou de 68,8% para 87,2% do total. Já em relação aos ruídos e vibrações, os números para monitoramento foram de 76,9% para 89,2% do total das participantes. O percentual de empresas que afirma ter processo para diminuir a geração de ruídos e vibrações passou de 61,5% para 75,7% do total. Afirmaram investir em novas tecnologias 70,3% das participantes, contra 53,8% em 2007. Em segundo lugar, entre os ramos que mais evoluíram, aparece o de petróleo e gás. O índice de desempenho do setor passou de 41,58% para 58,33% entre 2007 e 2011, porém não www.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram em ações de gestão dos resíduos entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 72% 72

Eletroeletrônica

59

Petróleo e Gás +17

+17

Construção e Engenharia +13

46

Transportes e Logística +18 33

Concessões Rodoviárias+19

20

77 2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 72% 72

62 62

52 52

banco (-20) Comércio Atacadista (-25) Telecomunicações

42 42

(-8) Educação (-34)

32 32

22 22

Serviços Especializados

(-6)

2007

2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

65


REsíduos

de forma constante ano a ano. O maior desafio do segmento é lidar com as borras oleosas que, devido à sua alta toxicidade, não podem ser processadas como os demais resíduos gerados. Vamos conferir, então, as práticas em que o ramo se destacou, com as porcentagens referindo-se ao número de respondentes da pesquisa Análise Gestão Ambiental. O monitoramento cresceu de 66,7% para 88% das empresas. O percentual de empresas que afirmaram reutilizar seus resíduos subiu de 25% para 56% do total. E a taxa de adoção de metas de reciclagem passou de 41,7% para 80%. Subiram também os percentuais de respondentes que dizem investir em tecnologia e em processos para reduzir o impacto ambiental dos seus resíduos. Mas foi o item garantia de conformidade legal que apresentou o maior crescimento. Metade das empesas afirmou adotar a prática em 2007, contra 92% em 2011. Em termos de efluentes, cuidados especiais devem ser dispensados ao tratamento das águas residuais procedentes do processo de refino e da exploração do petróleo. O número de empresas com monitoramento subiu de 58,3% para 84% do total. Das empresas que reutilizam seus resíduos, o percentual foi de 33,3% para 64%. Das que têm processo para diminuir a geração, o aumento foi de 41,7% para 60% do total. E das que investem em novas tecnologias, passou de 33,3% para 60% do total. Em 2011, 72% das empresas de petróleo e gás afirmaram manter unidade de tratamento de efluentes, ante 66,7% em 2007. O monitoramento de ruídos e vibrações subiu de 42,9% das respondentes em 2007 para 87,5% do total, em 2011.

Setor de transportes começa adequar-se à lei Em terceiro lugar, vem o setor de transportes e logística, cuja porcentagem do total de respostas possíveis subiu de 30,11%, em 2007, para 48,1%, em 2011. O desempenho do setor só não cresceu ininterruptamente ano a ano porque, em 2009, registrou 38,4% ante os 39% alcançados em 2008. É interessante notar o fato de que os três 66

Especial RIO+20

ramos que completam o grupo dos que mais evoluíram em resíduos – ou seja, transportes e logística; concessões rodoviárias; e construção e engenharia –, também ficaram entre os cinco que mais se desenvolveram em relação à definição de uma política ambiental corporativa no período (leia mais na pág. 36). Tal correlação é natural, já que uma prática leva à outra. Voltando a transportes e logística, um dos desafios com que o setor tem de lidar, principalmente após a logística reversa prevista na PNRS, refere-se ao retorno das embalagens utilizadas no transporte dos materiais. Provavelmente, por essa razão, o setor evoluiu em todas as práticas relacionadas aos resíduos sólidos. Com as porcentagens

Gerenciamento corporativo de resíduos As três ações mais difundidas na disposição de resíduos em 2011 Faz coleta seletiva

92%

Tem garantia de destinação

Monitora com indicadores

83%

80%

referindo-se ao número de respondentes da pesquisa Análise Gestão Ambiental no setor de transportes e logística, entre 2007 e 2011, o monitoramento cresceu de 38,1% para 71,1% das participantes do setor; e o reúso, de 9,5% para 36,8% das empresas. Já o número de companhias deste ramo que adotaram metas de redução passou de 30% (2008) para 52,6% no fim do período. Por sua vez, entre 2007 e 2011, as empresas com metas de reciclagem saltaram de 33,3% para 52,6% do total. Quanto ao processo para diminuir geração, de 28,6% das empresas foram 50%, em 2011; em coleta seletiva, de 66,7% para 89,5%; e em investimentos, de 9,5% para 28,9%. Já as empresas do ramo com processo para di-

minuir o impacto ambiental foram de 42,9% para 63,2%; e as com garantia de plena conformidade legal passaram de 57,1% para 81,6% . Nos destaques de efluentes, as empresas com monitoramento subiram de 28,6% para 52,6%; com reúso, de 23,8% para 34,2%; processo para diminuir geração, de 19% para 57,9%; investimentos em tecnologias, de 14,3% para 39,5%; e conformidade legal, de 47,6% para 60,5%. Já em relação aos ruídos e vibrações, os números para monitoramento foram de 47,4% para 62,9%; processo para diminuir geração, de 26,3% para 40%; investimentos, de 26,3% para 37,1%; e procedimentos para diminuir impacto, de 15,8% para 45,7% das participantes.

Preocupação é recente para alguns segmentos Em quarto lugar, vem o setor de concessões rodoviárias, cuja porcentagem do total de respostas possíveis cresceu de 8,7%, em 2007, para 28,2%, em 2011. O segmento evoluiu seguidamente, ano a ano, mas iniciou em um patamar bem baixo, com a gestão ambiental ganhando impulso só após a privatização. Em relação aos resíduos sólidos, começou com nenhuma ação específica em 2007, para várias práticas adotadas. Em 2011, os porcentuais eram os seguintes, em: monitoramento (16,7%), reúso (33,3%), metas de reciclagem (16,7%), processo para diminuir geração (33,3), investimentos (20,8%) e garantia de plena conformidade legal (70,8%). Já o número de companhias que adotou coleta seletiva subiu de 75% para 91,7%; e processo para diminuir o impacto ambiental, de 25% para 66,7%. As que abraçaram meta de redução passaram de 22,2%, em 2008, para 33,3%, em 2011. Em relação a efluentes, o setor também começou praticamente com nenhuma ação em 2007. Chegou a 2011 com as seguintes porcentagens de empresas com: monitoramento (20,8%), processo para diminuir geração (12,5%) e unidades de tratamento (37,5%). Em garantia de plena conformidade legal, os respondentes cresceram de 25%, em 2007, para 62,5%, em www.analise.com


rESíduos

2011. Quanto aos ruídos e vibrações, em 2007 nenhuma companhia monitorava, investia ou tinha procedimentos para diminuir o impacto ambiental. Já em 2011, o número de participantes que adotou tais ações, foi, respectivamente, de 20,8%, 20,8% e 29,2%.

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema resíduos, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Mineração 75% Metalurgia e siderurgia 73%

Reúso de materiais avançou na construção O quinto colocado foi construção e engenharia, cuja porcentagem do total possível de respostas subiu de 41,8%, em 2007, para 54,8%, em 2011. O segmento apresentou evolução praticamente seguida em todos os anos, mas subiu significativamente entre 2010 e 2011 (início da PNRS), quando registrou aproveitamento de 46,1%. Com as porcentagens referindo-se ao número de respondentes, entre 2007 e 2011, o monitoramento cresceu de 66,7% para 87,7%; e o reúso, de 20% para 68,4% das participantes. Já o número de companhias que adotaram metas de redução passou de 26,9% (2008) para 50,9% em 2011. As empresas com metas de reciclagem subiram de 46,7% para 59,6% do total do ramo. Com processo para diminuir a geração, o número foi de 40% para 68,4% do total; em coleta de lixo, de 80% para 98,2%; e em investimentos, de 33,3% para 43,9%. As empresas com processo para diminuir impacto ambiental foram de 66,7% para 75,4% e as com garantia de conformidade legal, de 66,7% para 82,5%. Em efluentes, o destaque foi para as empresas que declaram fazer reúso: de 6,7% das participantes em 2007 para 40,4% do total e em meta de reciclagem, de nenhuma para 7%. As com processo para diminuir a geração saltaram de 33,3% para 57,9% do total. Quanto aos cinco ramos que menos evoluíram entre 2007 e 2011, são eles: educação, que deslizou de 65,6% do total de respostas possíveis para 31,8%; comércio atacadista, de 59% para 34%; bancos, de 66,2% para 45,6%; telecomunicações, de 40,9% para 33,1%; e serviços especializados, de 36,3% para 30,5%. Mas, diferentemente da maioria dos ramos acima citados, seus negócios não estão tão ligados à geração de descartes.  0 www.analise.com

Têxtil, couro e vestuário 72% Bebidas e fumo 72% Material de construção e decoração 71% Plásticos e borracha 70% Eletroeletrônica 70% Farmacêutica e cosméticos 70% Veículos e peças 70% Papel e celulose 66% Química e petroquímica 64% Mecânica 61% Alimentos 58% Petróleo e gás 58% Construção e engenharia 55% Serviços médicos 51% Água e saneamento 50% Açúcar e álcool 48% Transforte e logística 48% Bancos 46% Energia elétrica 45% Comércio varejista 45%

79%

dos bancos disseram realizar coleta seletiva de lixo e 25% têm metas de reciclagem

Tecnologia da informação 42% Comércio atacadista 34% Telecomunicações 33% Educação 32% Serviços especializados 31% Concessões rodoviárias 28% especial RIO+20

67


BRASIL: DA ECO-92 À RIO+20

Distribuição DE rEnDa English version page 184

N

os últimos 20 anos o Brasil tomou passos efetivos para distribuir melhor a sua renda e diminuir a desigualdade social. Em 1992, a classe C correspondia a pouco mais de 32% de toda a população nacional. Em meados de 2012 a classe média já representa metade dos brasileiros, reforçada por aqueles que deixaram para trás a linha de pobreza.

Uma das medidas que contribuiu para essa mudança foi o programa “Bolsa Família”, classificado como o maior programa de distribuição de renda do mundo pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em funcionamento desde 2003. Em 2012 foi aprovado o programa “Brasil Carinhoso” que complementa o programa para aumentar a renda de famílias na linha de extrema pobreza e que tenham crianças de até seis anos.


leonardo wen/folhapress

8,5% 13,5mi 93%

da população do Brasil vive abaixo da linha da pobreza em 2012. Em 1990 eram 26%

é o número de famílias no “Bolsa Família”. Desde 2005, os participantes aumentaram em 43%

dos lares brasileiros possuíam uma geladeira em 2010. Em 2000 o índice era de 83%

gELADEIRAS E fOgõES ExpOStOS nO ShOppIng ELDORADO, Em SãO pAuLO


Emissões

comércio e serviços entram no jogo Os setores registraram as maiores taxas de avanço em ações para reduzir emissões atmosféricas e de gases causadores do efeito estufa English version page 186

O índice de 2008 a 2011

22

ramos avançaram na gestão das emissões

2

ramos ficaram estagnados

C

4

ramos regrediram

 omércio varejista, eletroeletrônica, tecnologia da informação, petróleo e gás, e farmacêutica e cosméticos. Esses cinco ramos foram os que mais evoluíram quando o assunto é emissões e clima, entre 2008 e 2011, na pesquisa realizada pela Análise Editorial, em que as maiores empresas brasileiras foram convidadas a responder sobre suas práticas ambientais. Todos esses segmentos registram crescimento na implementação de pelo menos três ações no controle de emissões atmosféricas, possuem ou planejam implementar uma política corporativa voltada para a mudança climática e, ainda, desenvolvem algum projeto para a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Além disso, têm outra característica em comum: no período entre 2008 e 2011, registraram avanço contínuo na implementação de ações. A metodologia para a formulação do índice ANÁLISE GESTÃO AMBIENTAL considera quais são as práticas adotadas pelas companhias no que diz respeito a ações para medição e para redução de emissões atmosféricas. A relevância de cada ação é medida de acordo com impacto específico para cada um dos 28 ramos de atuação analisados, o que permite comparar atividades econômicas diferentes.

70

Especial RIO+20

O líder, comércio varejista, marcou 19,9% do total possível de respostas em 2008, e 40,1% em 2011 (+20,2 pontos percentuais). O número de empresas que adotaram monitoramento de emissões atmosféricas com indicadores cresceu de 18,8% para 65%; as que implementaram processo para diminuir geração subiram de 37,5% para 65% e as que investiram em novas tecnologias para a redução de geração saltaram de 12,5% para 60%. Além disso, os respondentes que adotaram processo para diminuir seu impacto ambiental cresceram de 31,3% para 80% no período. Quanto à política corporativa voltada para a mudança climática, o número de participantes que afirmou possuí-la passou de 12,5% para 26,1%; e os que desejam implementála, de 6,3% para 13%. Para completar esse quadro positivo, as companhias que desenvolvem algum projeto para a redução de emissão de GEE subiram de 31,3% para 52,2%. O segundo colocado, eletroeletrônica, não ficou muito atrás, já que tem investido em matéria-prima mais

Gerenciamento de combustíveis fósseis As três ações mais difundidas no uso de combustíveis fósseis em 2011 Monitora com indicadores

64%

Tem meta de redução

47%

Tem um programa estruturado

30%

verde. A pontuação do segmento, de 37% do total de respostas possíveis em 2008, subiu para 54,7% em 2011 (+17,7 pontos percentuais). Segundo especialistas, o ramo tem se destacado, ultimamente, pelo uso de materiais menos poluidores. Essa iniciativa aparece em suas respostas. A porcentagem de respondentes que adotaram monitoramento de emissões atmosféricas com indicadores cresceu de 65,2% para 88,6%. Os que abraçaram processo para diminuir geração subiram de 39,1% para 71,4% e os que investiram em novas tecnologias para a redução de geração saltaram de 47,8% para 57,1%. Ao mesmo tempo, as companhias que adotaram processo para diminuir seu impacto ambiental cresceram de 52,2% para 68,6% no período. Sobre a política corporativa para mudança do clima, as empresas que afirmaram possuí-la passaram de 44% para 71,8%; e as que desejam implementá-la, de 4% para 5,1%. Quanto a projetos para a redução de emissão de GEE, os respondentes cresceram de 44% para 69,2%. Além disso, em 2008, nenhuma empresa do setor eletroeletrônico possuía o selo verde, ou seja, tinha sido atestada por uma terceira instituição por adotar práticas de neutralização de carbono. Em 2011, essa porcentagem era de 2,6%. O ramo seguinte, tecnologia da informação, também tem procurado utilizar materiais que não agravem o efeito estufa. Além disso, encontra-se entre os que mais evoluíram porque começou em um patamar baixo, em 2008, com 17,5% do total de respostas possíveis. Em 2011, entretanto, já havia alcançado 33,9% (+16,4 pontos percentuais). A parcela de empresas que adotaram monitoramento de emissões atmosféricas com indicadores cresceu de 14,3% para 62,5%; a que implementou processo para diminuir geração subiu de 28,6% para 37,5% e a que investiu em novas tecnologias para a redução de geração saltou de 28,6% para 50%. Quanto à política corporativa voltada à mudança climática, o número de participantes que afirmaram possuí-la caiu de 11,1% para 10% mas, em compensação, os que desejam implementá-la subiram de 22,2% para 40%. Os respondentes www.analise.com


Emissões

que desenvolvem algum projeto para a redução de emissão de GEE saltaram de 33,3% para 60%, e os com selo verde, de nenhum para 10%. Em quarto lugar, vem o setor de petróleo e gás, cujas iniciativas para diminuir emissões fazem parte de seu próprio negócio. O segmento registrou um aumento em sua pontuação de 38,6% para 54,6%, entre 2008 e 2011 (+16 pontos percentuais). A porcentagem de respondentes que adotaram monitoramento de emissões atmosféricas cresceu de 57,1% para 84%; a que instituiu processo para diminuir a geração subiu de 57,1% para 68%; e a que investiu em novas tecnologias e também criou processos para diminuir seu impacto ambiental saltou de 50% para 64%. Quanto a políticas para mudança do clima, as empresas que afirmaram possuí-la passaram de 21,4% para 52%. No caso de projetos para a redução de emissão de GEE, os participantes cresceram de 42,9% para 76%. E as empresas que possuíam o selo verde de 7,1% para 16%. O segmento de farmacêutica e cosméticos, na quinta colocação, tem investido muito em ações de apelo ambiental, inclusive com várias campanhas de marketing voltadas para o tema. Justifica-se, então, o desempenho positivo de sua pontuação, que passou de 43,2%, em 2008, para 54,2% (+11 pontos percentuais). O número de empresas que instituíram monitoramento de emissões atmosféricas com indicadores cresceu de 65,4% para 91,3%; as que implementaram processo para diminuir geração subiram de 46,2% para 69,6% e as que investiram em novas tecnologias saltaram de 42,3% para 73,9%. Ao mesmo tempo, as que instituíram processo para diminuir seu impacto ambiental cresceram de 65,4% para 78,3% no período. No que diz respeito a já possuir políticas corporativas voltadas para a mudança climática, o número de participantes passou de 44,4% para 50%. Para finalizar, os respondentes que desenvolvem algum projeto para a redução de emissão de GEE subiram de 55,6% para 70,8%. O número dos participantes, na maioria desses cinco ramos, subiu ao longo da pesquisa de 2008 a 2011. www.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram em controle e redução das emissões entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 55% 55

Petróleo e Gás +16 Eletroeletrônica

47

+18

Farmacêutica e Cosméticos +11

39

Comércio Varejista

31

+20

Tecnologia da Informação +16 23

15 15 2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 75% 75

62 62

Papel e Celulose

(+1) banco (-17)

49 49

Bebidas e Fumo

36 36

(-11)

Plásticos e Borracha

(-3)

Comércio Atacadista

(-10)

23 23

10 10 2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

71


Emissões

As empresas de comércio varejista saltaram de 16 para 23; as de eletroeletrônica de 25 para 39; e as de tecnologia da informação de 9 para 10 respondentes. Já as de petróleo e gás foram de 14 para 25; e farmacêutica e cosméticos, de 27 para 24.

Ramos já estabelecidos têm avanço modesto

em novas tecnologias, cujo número de participantes subiu de 57,1% para 73,3%. Além disso, os respondentes que afirmaram possuir política voltada para a mudança climática cresceram de 14,3% para 22,2%, e os com projetos para redução de emissão de GEE foram de 23,8% para 27,8%. O ramo de papel e celulose permaneceu estável entre 2008, com 55,3%, e 2011, com 55,4%, o que indica uma política implementada estabilizada. Em 2011 o setor ficou 13,7 pontos percentuais acima da média dos 28 ramos estudados. As empresas do setor que adotam monitoramento de indicadores subiram de 89% para 100% no período, e as que obtiveram o selo verde, de 5,6% para 9,1%. O número dos participantes entre os cinco grupos que menos evoluíram variou ao longo da pesquisa. Os bancos saltaram de 15 para 24. Já as empresas de bebidas e fumo passaram de 14 para 13 participantes; as de comércio atacadista, de 4 para 8 respondentes; Marcos Issa/Argosfoto

Dos cinco setores que menos evoluíram no período, três deles – bancos, bebidas e fumo, e papel e celulose – tiveram um desempenho bem acima da média dos 28 setores analisados em todos os anos entre, 2008 e 2011. Tal média foi de 36,9%, em 2008; e de 41,8%, em 2011. Vejamos: bancos foi o segmento que apresentou a maior desaceleração entre os cinco que menos evoluíram, caindo de 69,2% do total possível de respostas, em 2008, para 52,4% em 2011 (-16,8 pontos percentuais). Contudo, não estão entre os

grandes emissores e, na lista de 2011, ocupam a sétima melhor colocação. Em seguida, veio o setor de bebidas e fumo, passando de 57,1% para 46,6% (-10,5 pontos percentuais) no período, destacando-se pelo monitoramento de suas emissões com indicadores. As empresas que adotaram tal prática, no setor, subiram de 78,6%, em 2008, para 92,3%, em 2011. A seguir, aparece comércio atacadista, deslizando de 21,4% para 11,6% (-9,8 pontos percentuais). Os respondentes que adotaram o monitoramento de suas emissões, entretanto, subiram de 25% para 50%, enquanto os que implementaram processos para a diminuição de geração ficaram estáveis nos 25%. Já a pontuação do total de respostas possíveis de plásticos e borracha caiu de 39,9% para 36,5% (-3,4 pontos percentuais), entre 2008 e 2011. O destaque, no ramo, ficou por conta das empresas com processo para diminuir seu impacto ambiental, que passaram de 57,1% para 80%; e das que investiram

Transportes e logística: a frota nacional responde por 9% do total de emissão de gases que causam o efeito estufa no Brasil 72

Especial RIO+20

www.analise.com


Emissões

de plásticos e borracha, de 21 para 18; e de papel e celulose, de 18 para 11.

Mineradoras e setor de papel lideram em 2011 A análise do desempenho dos 28 ramos econômicos em 2011 mostra que a distância entre os primeiros colocados e os últimos é muito grande. Essas diferenças, contudo, devem ser vistas com cautela, já que alguns setores têm muito mais problemas com emissões do que outros. No topo da lista aparece mineração, que enfrenta o desafio de gerenciar a emissão atmosférica por material particulado, com 65,5% do total de respostas possíveis em 2011. De acordo com as informações colhidas pela Análise Editorial, todas as companhias do segmento monitoram suas emissões com indicadores, e 85,2% desenvolvem processos para reduzir a emissão de GEE. Além disso, 88,9% das companhias implementam processos para diminuir o impacto ambiental de sua produção e investem em novas tecnologias. Em 2011, 63% das empresas do setor tinham uma política corporativa voltada para a questão das mudanças climáticas. O controle das emissões atmosféricas com acompanhamento e redução dos materiais particulados também é o principal desafio da indústria de papel e celulose, que veio em segundo lugar, em 2011, com 55,4% do total de respostas possíveis. Em 2011, todos os participantes monitoram suas emissões com indicadores específicos. E outros 63,6% implementam processos para diminuir a geração, investem em novas tecnologias e têm projetos para a redução da emissão de GEE. Além disso, 72,7% adotam processos para diminuir seu impacto no meio ambiente e 9,1% obtiveram o selo verde. Se considerarmos a pontuação máxima obtida em 2011 por todos os ramos pesquisados nos nove temas abordados, vemos que emissões ocuparam o sexto lugar, com 65,5% do total da pontuação possível, atrás de de políticas corporativas de gestão ambiental (94%), uso da água (93,1%), áreas verdes (75,1%), eficiência energética (79,9%) e gerenciamento de resíduos (72,8%).  0 www.analise.com

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema emissões, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Mineração 66% Papel e celulose 55% Eletroeletrônica 55% Petróleo e gás 55% Farmacêutica e cosméticos 54% Açúcar e álcool 53%

Bancos 52% Material de construção e decoração 52% Energia elétrica 51% Química e petroquímica 50% Alimentos 48% Metalurgia e siderurgia 48% Veículos e peças 48% Bebidas e fumo 47% Transportes e logística 42% Têxtil, couro e vestuário

78%

das siderúrgicas disseram que estão investindo em novas tecnologias para reduzir emissões atmosféricas

41% Comércio varejista 40% Plásticos e borracha 37% Telecomunicações 35% Tecnologia da informação 34% Construção e engenharia 34% Mecânica 32% Educação 30% Água e saneamento 30% Serviços médicos 27% Concessões rodoviárias 22% Serviços especializados 22% Comércio atacadista 12%

13%

das empresas de transporte e logística têm uma política corporativa voltada para a mudança climática especial RIO+20

73


áreas verdes

empresa de médio impacto planta mais Setores de menor impacto ambiental avançam mais na preservação de áreas verdes nativas e programas de plantio de árvores English version page 190

18

ramos avançaram na gestão de áreas verdes

2

8

ramos regrediram

ramos ficaram estagnados

O

s segmentos econômicos cujas atividades exercem médio ou pequeno impacto ambiental estão aderindo mais a programas de plantio de árvores, uma prática liderada tradicionalmente por ramos com maior impacto ambiental. De acordo com pesquisa realizada pela Análise Editorial entre 2007 e 2011 entre 28 ramos de atuação econômica, o segmento que mais evoluiu em relação à plantação de áreas verdes foi o de bebidas e fumo, considerada uma atividade de médio impacto pelo Instituto Brasileiro de Meio-Ambiente (Ibama). A metodologia para formulação do índice considera quais são as práticas adotadas pelas companhias no que diz respeito à conservação voluntária de áreas verdes e programas de plantio de árvores. A relevância de cada ação é medido de acordo com impacto específico para cada um dos 28 ramos de atuação analisados, o que permite comparar atividades econômicas diferentes. Em 2011, o ramo de bebidas e fumo alcançou 67,7% do total de pontuação possível para as respostas, contra 35,6% registrados em 2007. Tratase de uma evolução positiva de mais de 32 pontos percentuais. Em segundo lugar, veio o ramo de eletroeletrônica, também de médio

74

Especial RIO+20

impacto, com 49% em 2011 contra 30% em 2007, ou um crescimento de 19 pontos percentuais. Logo em seguida, aparecem plásticos e borracha, de pequeno impacto, com 42,6% em 2011, acima dos 25,6% registrados em 2007, com um ganho de 17 pontos percentuais; e materiais de construção e decoração, em geral de médio impacto, passando de 47,3% para 61,2%, ou uma variação positiva de 13,9 pontos percentuais nos cinco anos de pesquisa. O quinto ramo que mais se empenhou no plantio de árvores foi o de telecomunicações, passando de 11,9% para 22,8% no período, com um ganho

Juca Varella/Folhapress

O índice de 2007 a 2011

de 11 pontos percentuais. Ao analisarmos as pontuações, vemos que a diferença entre o primeiro colocado, bebidas e fumo, e o segundo, eletroeletrônica, é grande, chegando praticamente a 13 pontos percentuais. A distância entre o líder e o terceiro colocado, plásticos e borracha, passa dos 15 pontos percentuais e, entre o quinto colocado, telecomunicações, ultrapassa a casa de 21 pontos percentuais. Tais resultados, de qualquer forma, refletem o fato de que setores de médio impacto ambiental estão se empenhando para melhorar seu desempenho em áreas verdes, diminuindo a distância que os separam de ramos de alto impacto com tradição no quesito, como mineração e papel e celulose. Para se ter uma ideia, em 2011, o número de empresas desses cinco ramos que possuía programa de plantio de árvore como contribuição espontânea variou de 42,3% a 72,7%, dependendo do segmento. É interessante notar que em 2008, ano em que se iniciou a crise mundial, com exceção do líder bebidas e fumo, os próximos três ramos registraram

Alerta verde: resta, no Brasil, apenas 11,6% da área de Mata Atlântica original www.analise.com


áreas verdes

queda em sua performance, para depois voltar a subir ininterruptamente até 2011. Já o quinto colocado, telecomunicações, registrou números mais fracos tanto em 2008 como em 2010. O número dos participantes desses cinco ramos subiu ao longo do período em que a Análise Editorial realizou seu levantamento. As empresas de bebidas e fumo saltaram de 12 para 13, de 2007 a 2011. As de eletroeletrônica passaram de 16 a 39 participantes, as de plástico e borracha registraram um aumento de 13 para 18 ao longo dos cinco anos . Já materiais de construção tiveram variação zero, com 11 empresas tanto em 2007 como em 2011; e telecomunicações subiram de 9 para 12 participantes no período.

Ramo sucroalcooleiro vai de líder para 5º lugar Considerando-se ainda a questão de evolução, o grupo que mais declinou em seu desempenho no plantio de áreas verdes entre os 28 participantes foi o de açúcar e álcool. Dos 86,7% do total de pontuação possível para as respostas, em 2007, caiu para 54,7% em 2011, com um declínio de 32 pontos percentuais. No cenário geral, entretanto, deve ser considerado que açúcar e álcool já contavam com uma pontuação alta desde o início do período. Na média entre 2007 e 2011, o ramo obteve uma porcentagem de 69% do total possível, ficando em segundo lugar no tema áreas verdes entre os 28 ramos. Como o segmento depende do uso do solo em seus negócios, consequentemente tem que cumprir vários regulamentos. É justificável, portanto, que registre uma boa porcentagem no plantio de áreas verdes. Tomando-se o ano de 2011 isoladamente, sua performance garantiu-lhe estar entre os cinco primeiros nesse quesito. Contudo, a crise financeira internacional iniciada em 2008 pode ter levado o ramo a cortar parte das áreas verdes mantidas além das exigências legais. Em seguida, no 27º lugar, vem o setor de mecânica, que caiu de 46,7% para 24,1% no período (-22,5 pontos percentuais). Aparece então tecnologia da informação, no 26º, com queda www.analise.com

A Movimentação dos ramos Os gráficos abaixo mostram os cinco ramos que mais avançaram e os que menos avançaram na preservação de áreas verdes entre 2007 e 2011

Os que mais avançaram 70% 70

Bebidas e Fumo +32 Materiais de Construção e Decoração +14 Eletroeletrônica

57

+19

44 Plásticos e Borracha

+17

31

Telecomunicações

+11

18

5 2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação em pontos percentuais de 2007 a 2011

Os que menos avançaram 88% 88

72 72

Açúcar e Álcool (-32) Energia Elétrica (-16)

56 56

Têxtil, Couro e Vestuário (-14)

40 40

Mecânica (-23)

24 24

Tecnologia da Informação

(-17)

88 2007

2008

2009

2010

2011 especial RIO+20

75


de 37,3% para 20% (-17,3 pontos percentuais); energia elétrica, no 25º, que passou de 63,1% para 47,3% (-15,8) e o setor de têxtil, couro e vestuário, no 24º, indo de 48,7% para 35% (-13,7 pontos percentuais). O impacto ambiental exercido por esses segmentos, entretanto, é médio, com exceção da indústria de couro e de determinadas atividades do setor de energia elétrica. Contudo, a soma de toda a pontuação do setor elétrico nos cinco anos da pesquisa garantiu-lhe a sétima colocação entre os ramos. A evolução desses cinco segmentos não aconteceu de forma uniforme. Açúcar e álcool tiveram uma queda constante em todos os anos analisados, enquanto mecânica registrou um declínio praticamente contínuo, tendo apenas subido ligeiramente de 37,3%, em 2008, para 37,8%, em 2009. Já as performances de tecnologia da informação e energia elétrica caíram de 2007 a 2010, para subir em 2011. Têxtil, couro e vestuário, por sua vez, flutuaram ao longo do período. O número dos participantes desses cinco ramos também cresceu durante os cinco anos de pesquisa. As empresas de açúcar e álcool saltaram de 13 para 34, de 2007 a 2011. As de mecânica passaram de 6 a 13 participantes e as de tecnologia da informação registraram um aumento de 5 para 10 ao longo dos cinco anos. Já o número de empresas do ramo de energia elétrica quase triplicou passando de 28 em 2007 para 78 em 2011; enquanto têxtil, couro e vestuário subiram de 13 para 16 participantes no período.

Companhias que plantam árvores Cresce fatia das que têm programas para plantio sem ser como insumo 68,0

68%

67%

64,5

64,5

61,0 61

57,5

57,5

54,0

2007

76

2011

Especial RIO+20

alberto césar araújo/folhapress

áreas verdes

Agroindústria: o número de empresas que mantêm área verde nativa sob o seu domínio de forma voluntária, caiu de 73% para 26% entre os anos de 2007 e 2011

96% das mineradoras tem ações de plantio de árvores Quando analisamos o desempenho dos 28 segmentos econômicos em 2011, vemos que a diferença entre os primeiros colocados e os últimos é muito grande. Esses resultados, entretanto, devem ser vistos com cuidado, uma vez que, como já observamos, alguns ramos impactam mais o meio ambiente que outros e, portanto, precisam seguir uma regulação mais rígida que determina o plantio. Este é o caso da mineração, ramo que lidera o tema nos cinco anos de pesquisa. Em 2011, registrou a maior porcentagem do total de pontuação possível para as respostas, com 75%. De acordo com os dados coletados, analistas consultados pela Análise Editorial avaliam que, para minimizar os aspectos negativos, existe também a preocupação com a imagem no relacionamento com as comunidades no entorno. Vejamos as informações: para a pergunta sobre possuir ou não programa de plantio de árvores, 96%

das empresas de mineração disseram que sim. Sobre a finalidade do plantio de árvores para as empresas, nenhuma respondeu que o objetivo era a neutralização das emissões para tornar-se “carbono zero”. A ação compensatória por outros impactos ambientais foi assinalada por 15,4% dos participantes. Já a produção de matéria-prima e insumos para atividades ficou com 3,8%. A contribuição espontânea foi a resposta mais escolhida, tendo sido assinalada por 50% dos participantes. Na terceira e última pergunta, 81,5% das empresas de mineração responderam “sim” sobre manter voluntariamente área verde nativa sob seu domínio. É interessante notarmos, ainda, que o desempenho de mineração, assim como os de outros ramos, provavelmente também foi afetado pela crise mundial. Em uma análise ano a ano, verificamos que os 73,3% do total das respostas possíveis alcançados em 2007 subiu para 75,6% em 2008, antes de cair para 70,8% em 2009. Sendo um setor exportador de commodities, não teria como ficar imune aos mowww.analise.com


áreas verdes

vimentos de baixa do mercado internacional, enfrentado, possivelmente, dificuldades em manter constante sua alta porcentagem de área verde. Ainda sobre a performance dos cinco ramos que mais se destacaram em 2011, a vantagem de mineração foi de 7,4 pontos percentuais em relação ao segundo colocado, bebidas e fumo, com os já citados 67,7%. Em seguida vêm materiais de construção e decoração, com 61,2%, água e saneamento, com 57,3%, açúcar e álcool, com 54,7% e educação, com 50,8%. Por outro lado, o ramo que apresentou o mais baixo resultado em 2011 foi o de serviços médicos, com 15,8%. Mas isso não significa que o setor não se preocupe com as áreas verdes. É preciso lembrar que se trata de uma atividade não ligada ao uso do solo. Mesmo assim, para a pergunta sobre possuir ou não programa de plantio de árvores, 68,4% das empresas do ramo disseram que “não”. Nenhuma respondeu que tal plantio tinha por finalidade a neutralização de emissões para tornar-se “carbono zero”. A ação compensatória por outros impactos ambientais foi assinalada por 16,7% dos participantes e plantio por contribuição espontânea foi assinalada por 50% dos respondentes. Nenhuma empresa de serviços médicos disse manter voluntariamente área verde nativa sob seu domínio. Na lista dos ramos que menos se destacaram no plantio de áreas verdes em 2011 ainda aparecem serviços especializados (18,8%); comércio varejista (18,8%); tecnologia da informação (20%) e transportes e logística (21,9%). Contudo, assim como em serviços médicos, o exercício de suas atividades e produção não estão ligados à necessidade de uso de solo ou desmatamento. Se considerarmos a pontuação máxima obtida, em 2011, por todos os ramos pesquisados nos nove temas abordados, vemos que áreas verdes ficaram em quarto lugar, com 75% do total da pontuação possível para as respostas. Ficou na frente apenas do tema fontes renováveis de energia. Isso mostra que, guardadas as devidas proporções, para se ganhar um Brasil mais verde ainda há muito espaço para tal prática de plantio crescer. 0 www.analise.com

os ramos em 2011

O gráfico abaixo indica o valor do índice Análise Gestão Ambiental no tema áreas verdes, em 2011, para todos os 28 ramos analisados Mineração 75% Bebidas e fumo 68% Material de construção e decoração 61% Água e saneamento 57% Açúcar e álcool 55% Educação 51% Concessões rodoviárias 50% Papel e celulose 50% Eletroeletrônica 49% Química e petroquímica 48% Alimentos 48%

55%

das empresas de material de construção mantêm voluntariamente uma área verde nativa sob seu domínio

Energia elétrica 47% Metalurgia e siderurgia 46% Petróleo e gás 45% Plásticos e borracha 43% Veículos e peças 42% Farmacêutica e cosméticos 36% Têxtil, couro e vestuário 35% Construção e engenharia 32% Bancos

79%

das concessionárias plantam árvores para compensar outros impactos ambientais

29% Comércio atacadista 24% Mecânica 24% Telecomunicações 23% Transportes e logística 22% Tecnologia da informação 20% Serviços especializados 19% Comércio varejista 19% Serviços médicos 16%

25%

das empresas de telecom que plantam árvores o fazem para neutralizar emissões e se tornar "carbono zero" especial RIO+20

77


IndústrIa

O

setor industrial brasileiro tem dois principais focos no que diz respeito à instituição de políticas ambientais, de acordo com o índice Análise Gestão Ambiental (veja o quadro ao lado). O uso da água e a disposição de resíduos – sejam eles sólidos ou efluentes – são preponderantes no índice (que vai de 0 a 100%) ao lado da preocupação geral com a instituição de políticas de gestão ambiental. Entre 2007 e 2011, as ações para melhorar o uso da água foram as que mais avançaram, ao lado de medidas para ampliar a eficiência no uso de energia. A utilização de fontes renováveis de energia é a questão menos desenvolvida entre os nove assuntos analisados.

bruno veiga/divulgação petrobras

ÁGUA E LIXO

English version page 194

Polo Industrial de Urucu, na região do Amazonas


Indústria

A indústria em 2011

Desempenho do setor nos nove temas do índice Análise Gestão Ambiental

Gestão Ambiental

89%

Água

76%

Resíduos

68%

Eficiência Energética

52%

50%

Emissões Áreas Verdes

94%

46%

ISO 14000

45%

Stakeholders

45%

Fontes Renováveis

é a taxa alcançada pelas mineradoras no índice de gestão ambiental, a maior da indústria

18%

O avanço da indústria Os quatro temas em que o índice mais cresceu entre 2007 e 2011

90 90

%

+5

GESTÃO AMBIENTAL ÁGUA

78 78

66 66

54 54

42 42

2007

2008

2009

+10

Resíduos

+6

Eficiência Energética

+8

2010

91%

das companhias de papel e celulose têm metas formalizadas para redução do consumo de água

2011

Os números em destaque indicam a variação, em pontos percentuais, de 2007 a 2011 www.analise.com

especial RIO+20

79


servIços

POLÍTICAS E RELACIONAMENTO

O

gundo o índice Análise Gestão Ambiental (veja o quadro abaixo). A natureza das atividades do setor, predominantemente de baixo impacto ambiental, justifica os resultados do índice (que vai de 0 a 100%). Ao lado do setor industrial, o de serviços é o mais atento ao seu relacionamento com seus stakeholders no que diz respeito às suas políticas ambientais.

setor de serviços brasileiro, em contraste com os outros setores da economia analisados nesta seção, concentra majoritariamente o foco de suas ações ambientais na implementação de políticas de gestão, em vez de pontos específicos, como o uso de energia, recursos naturais ou a preservação de áreas verdes, se-

English version page 196

os seRvIços eM 2011

Desempenho do setor nos nove temas do índice Análise Gestão Ambiental 84%

Gestão Ambiental 55%

Água

Stakeholders

44%

38%

Eficiência Energética

37%

Emissões

das empresas de construção e engenharia exigem de seus fornecedores comprovação de adoção de procedimentos de gestão ambiental

36%

Áreas Verdes 28%

ISO 14000 Fontes Renováveis 80

58%

45%

Resíduos

especial RiO+20

20%

www.analise.com


Vista geral de uma central de atendimento de telemarketing, em Taubaté (SP) nilton Cardin/Folhapress

o AvANço dos seRvIços 56 56

55%

Os quatro temas em que o índice mais cresceu entre 2007 e 2011 %

ÁGuA 44 44

das empresas de transportes e logística têm metas de redução no consumo de combustíveis fósseis

+12

efIcIêNcIA eNeRGéTIcA

+9

eMIssões

+7

foNTes ReNovÁveIs

+7

32 32

20 20

88

2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação, em pontos percentuais, de 2007 a 2011 www.analise.com

especial RiO+20

81


comércIo

A

s companhias brasileiras do setor de comércio avançaram, de 2007 a 2011, no que diz respeito à instituição e formalização de políticas ambientais, segundo o índice Análise Gestão Ambiental (veja o quadro ao lado). Além da preocupação geral com a instituição de políticas de gestão ambiental, as ações referentes ao

uso da água também recebem destaque no índice (que vai de 0 a 100%). Entre os setores econômicos analisados nesta seção, o comércio foi o que manteve a maior estabilidade do índice no périodo. Dos nove indicadores medidos, apenas dois registraram algum avanço em cinco anos, como é possível verificar no gráfico de evolução apresentado ao lado. English version page 198

Shopping Center Norte, na zona norte de São Paulo

mateus bruxel/Folhapress

ESTABILIDADE


Comércio

O comércio em 2011

Desempenho do setor nos nove temas do índice Análise Gestão Ambiental

Gestão Ambiental

79%

Água

62%

Resíduos

48%

Eficiência Energética

41%

Stakeholders

39%

Emissões

52%

38%

Áreas Verdes

24%

ISO 14000

das empresas de comércio varejista afirmaram, em 2011, ter políticas de reúso de resíduos

19%

Fontes Renováveis

16%

O avanço do comércio Os quatro temas em que o índice mais cresceu entre 2007 e 2011

80 80

%

+4

Gestão ambiental

63%

65 65

das empresas de comércio atacadista afirmaram, em 2011, ter uma política de gestão ambiental integrada com as demais políticas da companhia

Eficiência energética

50 50

35 35

20 20

(-1)

+1

Stakeholders

Áreas verdes 2007

2008

2009

2010

0

2011

Os números em destaque indicam a variação, em pontos percentuais, de 2007 a 2011 www.analise.com

especial RIO+20

83


indústria AGROIndústria

ÁREAS VERDES

A

agroindústria brasileira é o setor que tem maior foco em questões referentes a áreas verdes, segundo o índice Análise Gestão Ambiental (veja o quadro abaixo), entre os setores da economia analisados nesta seção. O uso da água e a disposição de resíduos também são preponderantes

no índice (que vai de 0 a 100%), e foram os pontos que tiveram os maiores avanços de 2007 a 2011. A natureza das atividades do setor justifica a atenção ao uso da terra. A certificação ambiental e o uso de fontes de energia renováveis são as questões menos desenvolvidas pelas companhias agroindustriais entre os nove assuntos analisados.

English version page 200

A agroindústria em 2011

Desempenho do setor no índice Análise Gestão Ambiental 79%

Gestão Ambiental 61%

Água

Áreas Verdes

51%

Emissões

51%

44%

Eficiência Energética

Stakeholders

das empresas do setor sucroalcooleiro disseram manter programas para o plantio de árvores

41%

27%

Fontes Renováveis 22%

ISO 14000 84

97%

55%

Resíduos

Especial RIO+20

www.analise.com


paulo whitaker/reuters

Colheita de soja em Tangará da Serra, Mato Grosso do Sul

o AvANço dA AGRoINdúsTRIA Os quatro temas em que o índice mais cresceu entre 2007 e 2011 90 90

85%

%

75 75

das companhias de bebidas e fumo afirmaram, em 2011, que contam com ações para promover reúso de água

GesTÃo AMBIeNTAL

+6%

ÁGuA

+14

60 60

Resíduos

+9

StakeholderS

+8

45 45

30 30

2007

2008

2009

2010

2011

Os números em destaque indicam a variação, em pontos percentuais, de 2007 a 2011 www.analise.com

especial RiO+20

85


riCardo lisboa/ae

crédIto

SOBE E DESCE

M

ais de 70% dos bancos brasileiros possuem políticas para medir riscos ambientais na hora de conceder crédito, mas poucos empregam regras formais ou são abrangentes na aplicação dessas normas em todo o seu processo. Esta é a conclusão de pesquisa realizada pela Análise Editorial, em 2011, com 24 instituições financeiras entre as maiores do

English version page 202

país. No gráfico de evolução ao lado, é possível consultar a progressão do índice Análise Gestão Ambiental para a concessão de crédito a partir de 2007 – o primeiro ano em que o levantamento foi conduzido. O índice (que vai de 0 a 100%) sofre uma queda a partir de 2010. No quadro “Os altos e baixos”, é possível identificar algumas das políticas mais comuns entre os bancos e as ações que eles menos adotam.

Painel de ações da BM&FBovespa, em São Paulo


crédIto

íNdIce ANÁLIse: PoLíTIcAs AMBIeNTAIs PARA coNcessÃo de cRédITo O índice tem como base mais de 50 dados apurados junto aos bancos. Atingir 100% significa que o banco implementa um grupo de políticas considerado abrangente por especialistas em gestão ambiental 59

A queda no índice, a partir de 2010, tem relação com a ampliação do número de bancos entrevistados. Os bancos com políticas sólidas participam da pesquisa desde a primeira edição.

%

56

53

50% 50

13

15

2007

número de bancos entrevistados

2008

os ALTos...

14

21

24

2009

2010

2011

As práticas mais populares e as ações menos adotadas pelos bancos pesquisados em 2011

Tem produtos de crédito com foco ambiental

75%

Tem política de risco socioambiental para a concessão de crédito

71%

Estimula a melhoria das práticas socioambientais dos clientes

71%

Aplica política de risco no financiamento do agronegócio

67%

Monitora clientes para verificar política de risco socioambiental

62,5%

...e BAIxos NAs PoLíTIcAs de ANÁLIse de RIsco de cRédITo Aplica os Princípios do Equador a projetos menores que US$ 10 mi

50%

Avalia oportunidades ambientais para desenvolver novos produtos

50%

Considera riscos ambientais para rating financeiro de clientes É signatário dos Princípios do Equador

33%

Tem profissionais especializados para análise de riscos na gestão de fundos www.analise.com

10

46%

25%

é o número médio de profissionais por banco que se dedicam à análise de gestão e risco sócioambiental na área de crédito especial RiO+20

87


OPERAÇÃO LIMPEZA É necessário um verdadeiro batalhão de trabalhadores, empresas e equipamentos para manter o Brasil limpo. Entenda quem participa dessa gigantesca operação diária

243 mil toneladas equivalente a 45 mil caminhões de lixo de lixo são coletadas diariamente no Brasil

Papel

Plástico 41% 42%

COLETA SELETIVA

9% 8%

Metal Vidro

9,3 m

i

utro lhões s tip os d de tonel e lixo adas

de o

28,5

milh

33 m i

ões

AS PESSOAS

17,7

lhõe s de t

312 mil

de to milhõ nela das d es adas e lixo de li recic xo o lável rgân ico

de t onel

onel

empregos no setor de limpeza urbana

adas

de e

ntul

ho

57% no setor de limpeza privada

VAGAS EM 2011

13,5 mil

novas vagas em 2011 43% no setor de limpeza pública

55% foram geradas no setor público

45% foram geradas no setor privado

R$ 21 bilhões

foram gerados pelo mercado de serviços de limpeza urbana em 2011

88

EspEcial RiO+20

59%

das cidades do Brasil possuem iniciativas de coleta seletiva

90%

foi o índice de coleta de lixo no Brasil em 2011

www.analise.com


English version page 204

24%

DESTINO DO LIXO

aterro controlado

58%

aterro sanitário

PARTICIPAÇÃO NA COLETA DO LIXO POR REGIÃO

18% lixão

6% 22% 8% 53% 11%

EVOLUÇÃO DA COLETA DE LIXO

EVOLUÇÃO DA COLETA DE LIXO HOSPITALAR

Coleta de lixo comum, em milhões de toneladas

Em milhares de toneladas

54,1 51,4

228

221

55,5

237

209

50,2

46,5 123 2007

2008

2009

Crescimento 2007/2011:

www.analise.com

2010

+8%

2011

2007

2008

2009

2010

Crescimento 2007/2011:

2011

+94%

EspEcial RiO+20

89


tabela de resultados

OS NOVE ÍNDICES EM 2011

English version page 206

Gestão ambiental

Stakeholders

ISO 14001

Água

Eficiência energética

Fontes renováveis

Resíduos

Emissões

Áreas verdes

O desempenho comparado de 28 ramos nos nove assuntos medidos pelo Índice Análise Gestão Ambiental

Açúcar e Álcool

78%

40%

18%

55%

21%

27%

48%

53%

55%

Água e Saneamento

81%

45%

25%

79%

40%

17%

50%

30%

57%

Alimentos

81%

39%

26%

65%

54%

26%

58%

48%

48%

Banco

74%

33%

-

50%

44%

22%

46%

52%

29%

Bebidas e Fumo

91%

54%

41%

85%

60%

28%

72%

47%

68%

Comércio Atacadista

64%

22%

17%

48%

38%

4%

34%

12%

24%

Comércio Varejista

72%

38%

18%

58%

38%

18%

45%

40%

19%

Concessões Rodoviárias

81%

39%

14%

53%

38%

28%

18%

22%

50%

Construção e Engenharia

91%

39%

40%

53%

36%

11%

55%

34%

32%

Educação

76%

33%

3%

42%

35%

7%

32%

30%

51%

Eletroeletrônica

93%

47%

54%

83%

57%

16%

70%

55%

49%

Energia Elétrica

91%

63%

39%

55%

36%

34%

45%

51%

47%

Farmacêutica e Cosméticos

90%

48%

45%

78%

58%

27%

70%

54%

36%

Material de Construção e Decoração

88%

46%

43%

80%

51%

11%

71%

52%

61%

Mecânica

88%

34%

32%

83%

40%

13%

61%

32%

24%

Metalurgia e Siderurgia

90%

43%

49%

75%

43%

13%

73%

48%

46%

Mineração

94%

60%

64%

93%

80%

29%

69%

66%

75%

Papel e Celulose

88%

44%

32%

68%

38%

29%

66%

55%

50%

Petróleo e Gás

90%

54%

40%

63%

51%

36%

51%

55%

45%

Plásticos e Borracha

87%

40%

38%

81%

51%

3%

70%

37%

43%

Química e Petroquímica

88%

41%

37%

72%

48%

9%

64%

50%

48%

Serviços Especializados

75%

27%

15%

43%

35%

11%

31%

22%

19%

Serviços Médicos

74%

38%

15%

75%

41%

11%

51%

27%

16%

Tecnologia da Informação

76%

34%

40%

47%

28%

11%

42%

34%

20%

Telecomunicações

76%

31%

30%

56%

48%

30%

33%

35%

23%

Têxtil, Couro e Vestuário

82%

36%

24%

68%

56%

14%

72%

41%

35%

Transportes e Logística

83%

36%

24%

48%

41%

14%

41%

42%

22%

Veículos e Peças

89%

43%

45%

76%

55%

15%

70%

48%

42%

RAMO

90

Especial RIO+20

www.analise.com


tabela de resultados

Índice gestão ambiental

Índice Stakeholders

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de práticas de gestão ambiental de 2007 a 2011

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de relacionamento com stakeholders de 2007 a 2011

RAMo

2007 2008 2009 2010

2011

RAMo

2007 2008 2009 2010

2011

Açúcar e Álcool

72%

78%

77%

87%

78%

Açúcar e Álcool

30%

33%

37%

39%

40%

Água e Saneamento

80%

75%

78%

74%

80%

Água e Saneamento

45%

43%

47%

42%

45%

Alimentos

74%

75%

77%

79%

81%

Alimentos

31%

30%

32%

35%

39%

Banco

84%

90%

76%

66%

74%

Banco

36%

38%

44%

36%

33%

Bebidas e Fumo

83%

86%

86%

86%

91%

Bebidas e Fumo

50%

49%

51%

46%

54%

Comércio Atacadista

70%

75%

79%

72%

64%

Comércio Atacadista

20%

29%

31%

29%

22%

Comércio Varejista

62%

65%

69%

71%

72%

Comércio Varejista

36%

29%

36%

39%

38%

Concessões Rodoviárias

69%

69%

73%

71%

81%

Concessões Rodoviárias

28%

35%

34%

35%

39%

Construção e Engenharia

78%

83%

84%

90%

91%

Construção e Engenharia

35%

33%

37%

38%

39%

Educação

64%

67%

66%

78%

76%

Educação

48%

38%

34%

37%

33%

Eletroeletrônica

85%

86%

85%

91%

93%

Eletroeletrônica

35%

38%

39%

42%

47%

Energia Elétrica

86%

88%

87%

89%

91%

Energia Elétrica

54%

54%

55%

61%

63%

Farmacêutica e Cosméticos

85%

82%

85%

88%

90%

Farmacêutica e Cosméticos

43%

37%

41%

41%

48%

Material de Construção e Decoração

85%

84%

84%

86%

88%

Material de Construção e Decoração

37%

41%

42%

44%

46%

Mecânica

84%

86%

83%

88%

88%

Mecânica

39%

33%

34%

37%

34%

Metalurgia e Siderurgia

85%

87%

87%

92%

90%

Metalurgia e Siderurgia

42%

40%

44%

45%

43%

Mineração

88%

89%

91%

92%

94%

Mineração

51%

56%

57%

61%

60%

Papel e Celulose

79%

81%

78%

86%

88%

Papel e Celulose

38%

40%

41%

41%

44%

Petróleo e Gás

83%

84%

85%

86%

89%

Petróleo e Gás

41%

45%

43%

60%

54%

Plásticos e Borracha

87%

82%

82%

83%

87%

Plásticos e Borracha

43%

39%

40%

38%

40%

Química e Petroquímica

86%

86%

88%

87%

88%

Química e Petroquímica

40%

39%

39%

36%

41%

Serviços Especializados

74%

68%

70%

74%

75%

Serviços Especializados

31%

35%

30%

26%

27%

Serviços Médicos

76%

75%

76%

73%

74%

Serviços Médicos

26%

30%

32%

37%

38%

Tecnologia da Informação

76%

71%

69%

77%

76%

Tecnologia da Informação

30%

25%

23%

23%

34%

Telecomunicações

77%

75%

73%

80%

76%

Telecomunicações

38%

34%

31%

31%

31%

Têxtil, Couro e Vestuário

82%

77%

79%

83%

83%

Têxtil, Couro e Vestuário

47%

39%

37%

38%

36%

Transportes e Logística

73%

75%

79%

86%

83%

Transportes e Logística

28%

33%

35%

37%

36%

Veículos e Peças

83%

86%

82%

89%

89%

Veículos e Peças

34%

37%

37%

40%

43%

www.analise.com

especial RIO+20

91


tabela de resultados

índice ISO 14001

índice Água

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de certificação da série ISO 14000 de 2008 a 2011

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de uso e gerenciamento de água de 2007 a 2011

RAMo

2008 2009 2010

2011

RAMo RAMo

2007 2007 2008 2008 2009 2009 2010 2010 2011 2011

Açúcar e Álcool

20%

21%

16%

18%

Açúcar e Álcool

41%

55%

59%

62%

55%

Água e Saneamento

13%

22%

20%

25%

Água e Saneamento

43%

69%

71%

76%

79%

Alimentos

14%

17%

25%

26%

Alimentos

47%

56%

62%

62%

65%

-

-

-

-

Banco

63%

66%

59%

55%

50%

Bebidas e Fumo

31%

29%

37%

41%

Bebidas e Fumo

71%

76%

89%

84%

85%

Comércio Atacadista

8%

8%

18%

17%

Comércio Atacadista

58%

55%

55%

45%

48%

Comércio Varejista

9%

7%

8%

18%

Comércio Varejista

67%

50%

52%

73%

58%

Concessões Rodoviárias

8%

9%

20%

14%

Concessões Rodoviárias

8%

22%

19%

31%

53%

Construção e Engenharia

34%

32%

33%

40%

Construção e Engenharia

39%

38%

44%

41%

53%

Educação

11%

9%

3%

3%

Educação

59%

42%

45%

59%

42%

Eletroeletrônica

39%

46%

49%

54%

Eletroeletrônica

64%

68%

76%

79%

83%

Energia Elétrica

21%

27%

34%

39%

Energia Elétrica

40%

43%

45%

49%

55%

Farmacêutica e Cosméticos

27%

34%

37%

45%

Farmacêutica e Cosméticos

64%

66%

67%

63%

78%

Material de Construção e Decoração

31%

40%

48%

43%

Material de Construção e Decoração

81%

81%

82%

83%

80%

Mecânica

35%

31%

35%

32%

Mecânica

69%

58%

76%

83%

83%

Metalurgia e Siderurgia

38%

36%

48%

49%

Metalurgia e Siderurgia

71%

73%

74%

78%

75%

Mineração

41%

40%

71%

64%

Mineração

70%

70%

81%

96%

93%

Papel e Celulose

25%

38%

31%

32%

Papel e Celulose

61%

64%

70%

65%

68%

Petróleo e Gás

27%

33%

26%

40%

Petróleo e Gás

46%

49%

47%

65%

63%

Plásticos e Borracha

33%

36%

38%

38%

Plásticos e Borracha

78%

72%

73%

84%

81%

Química e Petroquímica

32%

37%

36%

37%

Química e Petroquímica

64%

67%

73%

67%

72%

Serviços Especializados

36%

27%

16%

15%

Serviços Especializados

35%

39%

48%

42%

43%

Serviços Médicos

11%

12%

13%

15%

Serviços Médicos

54%

65%

71%

68%

75%

Tecnologia da Informação

18%

27%

22%

40%

Tecnologia da Informação

62%

51%

49%

45%

47%

Telecomunicações

23%

28%

31%

30%

Telecomunicações

50%

48%

47%

52%

56%

Têxtil, Couro e Vestuário

23%

28%

33%

24%

Têxtil, Couro e Vestuário

68%

68%

73%

79%

68%

Transportes e Logística

16%

22%

22%

24%

Transportes e Logística

34%

39%

46%

45%

48%

Veículos e Peças

39%

43%

47%

45%

Veículos e Peças

78%

73%

73%

79%

76%

Banco

92

Especial RIO+20

www.analise.com


tabela de resultados

índice Eficiência Energética

índice Fontes Renováveis

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de eficiência energética de 2007 a 2011

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de fontes renováveis de energia de 2007 a 2011

RAMo

2007 2008 2009 2010

2011

RAMo

2007 2008 2009 2010

2011

Açúcar e Álcool

26%

31%

27%

35%

21%

Açúcar e Álcool

32%

33%

32%

29%

27%

Água e Saneamento

24%

40%

39%

35%

40%

Água e Saneamento

7%

6%

13%

14%

17%

Alimentos

41%

42%

45%

45%

54%

Alimentos

22%

19%

20%

19%

26%

Banco

52%

56%

53%

50%

44%

Banco

12%

16%

16%

20%

22%

Bebidas e Fumo

50%

52%

63%

59%

60%

Bebidas e Fumo

21%

26%

25%

26%

28%

Comércio Atacadista

55%

46%

48%

32%

38%

Comércio Atacadista

21%

16%

13%

4%

4%

Comércio Varejista

44%

33%

41%

44%

38%

Comércio Varejista

20%

12%

22%

23%

18%

Concessões Rodoviárias

15%

25%

17%

23%

38%

Concessões Rodoviárias

18%

13%

11%

29%

28%

Construção e Engenharia

24%

27%

28%

32%

35%

Construção e Engenharia

16%

11%

15%

14%

11%

Educação

41%

26%

29%

50%

35%

Educação

14%

9%

0%

9%

7%

Eletroeletrônica

39%

46%

46%

52%

57%

Eletroeletrônica

5%

6%

4%

4%

16%

Energia Elétrica

25%

25%

26%

33%

36%

Energia Elétrica

28%

25%

27%

29%

34%

Farmacêutica e Cosméticos

43%

46%

44%

47%

58%

Farmacêutica e Cosméticos

12%

10%

15%

18%

27%

Material de Construção e Decoração

60%

54%

63%

57%

51%

Material de Construção e Decoração

9%

15%

23%

26%

11%

Mecânica

39%

36%

48%

47%

40%

Mecânica

20%

11%

15%

15%

13%

Metalurgia e Siderurgia

42%

42%

43%

47%

43%

Metalurgia e Siderurgia

16%

10%

15%

16%

13%

Mineração

60%

61%

69%

84%

80%

Mineração

26%

29%

24%

33%

29%

Papel e Celulose

34%

41%

41%

42%

38%

Papel e Celulose

24%

29%

27%

25%

29%

Petróleo e Gás

28%

27%

29%

50%

51%

Petróleo e Gás

14%

14%

17%

36%

36%

Plásticos e Borracha

52%

41%

43%

46%

51%

Plásticos e Borracha

10%

10%

7%

3%

3%

Química e Petroquímica

44%

43%

47%

41%

48%

Química e Petroquímica

10%

8%

8%

6%

9%

Serviços Especializados

27%

30%

36%

32%

35%

Serviços Especializados

7%

11%

13%

11%

11%

Serviços Médicos

32%

38%

39%

38%

41%

Serviços Médicos

3%

5%

5%

9%

11%

Tecnologia da Informação

39%

29%

35%

28%

28%

Tecnologia da Informação

7%

7%

3%

11%

Telecomunicações

36%

35%

39%

44%

48%

Telecomunicações

3%

8%

19%

19%

30%

Têxtil, Couro e Vestuário

61%

52%

54%

60%

56%

Têxtil, Couro e Vestuário

26%

16%

20%

21%

14%

Transportes e Logística

33%

36%

35%

42%

41%

Transportes e Logística

15%

9%

12%

16%

14%

Veículos e Peças

45%

46%

48%

52%

55%

Veículos e Peças

15%

6%

9%

13%

15%

www.analise.com

especial RIO+20

93


tabela de resultados

índice Resíduos

índice Emissões

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de gerenciamento de resíduos de 2007 a 2011

A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de emissões atmosféricas de 2008 a 2011

RAMo

2007 2008 2009 2010

2011

RAMo

2008 2009 2010

2011

Açúcar e Álcool

36%

50%

52%

57%

48%

Açúcar e Álcool

48%

51%

63%

53%

Água e Saneamento

41%

42%

51%

47%

50%

Água e Saneamento

20%

31%

31%

30%

Alimentos

49%

47%

51%

54%

58%

Alimentos

42%

42%

42%

48%

Banco

66%

57%

57%

52%

46%

Banco

69%

71%

53%

52%

Bebidas e Fumo

60%

71%

72%

72%

72%

Bebidas e Fumo

57%

51%

49%

47%

Comércio Atacadista

59%

41%

42%

35%

34%

Comércio Atacadista

21%

21%

18%

12%

Comércio Varejista

39%

30%

35%

48%

45%

Comércio Varejista

20%

27%

42%

40%

5%

10%

15%

22%

18%

Concessões Rodoviárias

20%

21%

15%

22%

Construção e Engenharia

42%

43%

46%

46%

55%

Construção e Engenharia

33%

32%

36%

34%

Educação

66%

40%

27%

43%

32%

Educação

27%

20%

29%

30%

Eletroeletrônica

53%

61%

63%

65%

70%

Eletroeletrônica

37%

38%

53%

55%

Energia Elétrica

41%

39%

40%

42%

45%

Energia Elétrica

41%

39%

44%

51%

Farmacêutica e Cosméticos

65%

57%

63%

64%

70%

Farmacêutica e Cosméticos

43%

48%

48%

54%

Material de Construção e Decoração

66%

68%

70%

75%

71%

Material de Construção e Decoração

51%

47%

54%

52%

Mecânica

57%

52%

66%

63%

61%

Mecânica

30%

38%

38%

32%

Metalurgia e Siderurgia

66%

67%

69%

72%

73%

Metalurgia e Siderurgia

47%

44%

47%

48%

Mineração

60%

62%

66%

76%

69%

Mineração

57%

67%

78%

66%

Papel e Celulose

55%

61%

62%

63%

66%

Papel e Celulose

55%

53%

52%

55%

Petróleo e Gás

36%

36%

36%

53%

51%

Petróleo e Gás

39%

39%

53%

55%

Plásticos e Borracha

72%

67%

69%

68%

70%

Plásticos e Borracha

40%

38%

38%

37%

Química e Petroquímica

63%

61%

61%

56%

64%

Química e Petroquímica

44%

49%

44%

50%

Serviços Especializados

36%

43%

43%

38%

31%

Serviços Especializados

21%

27%

24%

22%

Serviços Médicos

45%

50%

51%

51%

51%

Serviços Médicos

20%

19%

20%

27%

Tecnologia da Informação

31%

28%

26%

34%

42%

Tecnologia da Informação

17%

19%

20%

34%

Telecomunicações

41%

33%

41%

38%

33%

Telecomunicações

24%

26%

33%

35%

Têxtil, Couro e Vestuário

70%

66%

68%

74%

72%

Têxtil, Couro e Vestuário

37%

41%

46%

41%

Transportes e Logística

26%

34%

32%

39%

41%

Transportes e Logística

33%

32%

42%

42%

Veículos e Peças

69%

65%

60%

65%

70%

Veículos e Peças

40%

40%

49%

48%

Concessões Rodoviárias

94

Especial RIO+20

www.analise.com


tabela de resultados

ÍNDICE ÁREAS VERDES A evolução do desempenho dos 28 ramos no índice de conservação de áreas verdes de 2007 a 2011 RAMO

2007 2008 2009 2010

2011

AçúcAr e Álcool

87%

78%

66%

60%

55%

ÁguA e SAneAmento

48%

56%

49%

60%

57%

AlimentoS

54%

45%

39%

38%

48%

BAnco

22%

43%

46%

31%

29%

BeBidAS e Fumo

36%

44%

49%

53%

68%

comércio AtAcAdiStA

33%

17%

17%

20%

24%

comércio VArejiStA

19%

41%

32%

30%

19%

conceSSõeS rodoViÁriAS

63%

58%

61%

60%

50%

conStrução e engenhAriA

32%

29%

28%

37%

32%

educAção

42%

56%

53%

62%

51%

eletroeletrônicA

30%

25%

32%

34%

49%

energiA elétricA

63%

51%

50%

46%

47%

FArmAcêuticA e coSméticoS

38%

29%

35%

35%

36%

mAteriAl de conStrução e decorAção

47%

37%

50%

61%

61%

mecânicA

47%

37%

38%

28%

24%

metAlurgiA e SiderurgiA

54%

47%

49%

53%

46%

minerAção

73%

76%

71%

78%

75%

PAPel e celuloSe

62%

59%

45%

49%

50%

Petróleo e gÁS

35%

34%

28%

40%

45%

PlÁSticoS e BorrAchA

26%

23%

28%

34%

43%

QuímicA e PetroQuímicA

46%

43%

43%

34%

48%

SerViçoS eSPeciAlizAdoS

20%

36%

18%

7%

19%

SerViçoS médicoS

21%

16%

23%

17%

16%

tecnologiA dA inFormAção

37%

24%

13%

9%

20%

telecomunicAçõeS

12%

5%

25%

21%

23%

têxtil, couro e VeStuÁrio

49%

35%

45%

54%

35%

trAnSPorteS e logíSticA

22%

26%

27%

29%

22%

VeículoS e PeçAS

41%

www.analise.com

31%

32%

44%

42%

As empresas mais ativas no comércio internacional e os principais

parceiros comerciais

do Brasil

O anuário ANÁLISE BRASIL GLOBAL traz o mais completo guia da atuação brasileira no mercado internacional. Apresenta a lista das principais exportadoras e importadoras do país, os produtos mais vendidos ao exterior, os parceiros comerciais e a participação de cada estado brasileiro no resultado da balança comercial

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EspEcial RiO+20

95


Na aNGlo americaN, sabemos que, para fazer a difereNça, é preciso fazer as coisas de um jeito difereNte. Na década de 1980, começamos a cultivar eucalipto, que iNicialmeNte era traNsformado em carvão veGetal a fim de Gerar eNerGia para Nossa operação em NiquelâNdia, Goiás. era eNerGia reNovável, mas Não era limpa o suficieNte. depois de muita pesquisa e iNvestimeNto, podemos dizer que valeu a peNa: parte da eNerGia que utilizamos em NiquelâNdia é produzida a partir do cavaco do eucalipto cultivado em uma área de reflorestameNto, substituiNdo o uso de carvão veGetal. é a primeira operação de Níquel No muNdo a utilizar eucalipto como biomassa, uma tecNoloGia que vem seNdo aperfeiçoada com a ajuda da GeNética. é a iNovação GaraNtiNdo uma miNeração mais verde – mais um exemplo de como estamos fazeNdo as coisas de um jeito difereNte para o beNefício de todos. elias albuquerque anglo american, Goiás

primeira miNeração de eucalipto do muNdo

saiba mais No historiacompleta.com.br


o perfil das

3

ONGs AMBIENTAIS

De ativistas a articuladores

98

Totalização de 102 resultados As respostas 108 de 334 ONGs


RODRIGO CAPOTE/FOLHAPRESS

ongs

Código florestal: protestos de ONGs em todo o país alegam que a nova lei coloca em risco as florestas e os ecossistemas do Brasil

De ativistas a articuladores Apesar de ainda contar com recursos escassos e concentrados, a organização das ONGs avançou de 2007 a 2011 com aportes em comunicação e sob a bandeira da educação ambiental English version page 214

98

Especial RIO+20

www.analise.com


ONGs

O

papel das ONGs ambientais brasileiras mudou significativamente desde a Eco-92 – histórico evento realizado no Rio de Janeiro que validou a atuação dessas organizações não governamentais como reais agentes nas questões ambientais. De lá para cá – às vésperas da Rio+20 –, as ONGs passaram de ativistas a articuladoras de uma tendência global. A pesquisa exclusiva realizada pela Análise Editorial de 2007 a 2011, que contatou ONGs de atuação ambiental de norte a sul do Brasil, mostra esse avanço. E, ao mostrar quem são e como atuam, chegou a conclusões inéditas. Primeiro: As ONGs têm ampliado a abrangência de sua atuação, investido mais na comunicação e organizado sua estrutura de gestão. Segundo: seu foco está quase que completamente voltado para a Mata Atlântica, e não para a floresta amazônica. Terceiro: as principais atividades estão ligadas à educação ambiental, e os objetivos, ao estímulo da consciência crítica. Notou-se, ainda, que nas áreas temáticas em que as ONGs trabalham, os povos indígenas aparecem apenas em 20º lugar. As verbas estão concentradas em algumas organizações, sendo que mais da metade declarou como origem de seus recursos a contribuição de sócios. Avanços – A atuação das ONGs am-

bientais cresceu em quase todas as regiões do Brasil nos cinco anos da pesquisa. Em 2007, por exemplo, apenas 9% das 315 organizações consultadas desenvolviam projetos na Região Norte do país, e 10% no Nordeste. O número saltou para 32% e 43%, respectivamente, em 2011. O Sudeste, entretanto, continua concentrando a maior parte das atividades, com 71% das ONGs operando na região. As ONGs estão se comunicando mais com a sociedade. Em 2011, apenas 1% das organizações não contava com um sistema organizado para informar suas atividades, ante 3% em 2008. Para divulgar seu trabalho elegeram a internet. Das entidades que participaram da pesquisa desde o seu início, em 2007, 72% divulgavam suas atividades em sites. Em 2011, esse www.analise.com

número já era 84%. A produção de publicações próprias também saltou de 61% para 70%. Cada vez mais, as ONGs contam com uma estrutura organizada. Em 2007, 18% das entidades que participaram do levantamento do anuário Análise Gestão Ambiental não possuíam nenhum tipo de conselho gestor. A parcela caiu para 11% em 2011, sendo que 56% contam com um conselho fiscal, ante 47% em 2010. Mata Atlântica – A Mata Atlântica

As ONGs mais citadas pelas empresas Associação Mineira do Meio Ambiente CEBDS Cempre Conservação Internacional - CI Brasil Copati Doe seu Lixo Emcantar Instituto Corredor Ecológico (INCECC)

continua sendo o alvo do maior número de projetos. Em 2011, 72,5% das organizações informaram ter programas focados na área, seguida pelos centros urbanos do país, que recebem atenção de 60% das entidades. Em 2007, esses dois biomas também assumiram a liderança, com 73% e 58%, respectivamente. Os menos entusiasmados poderão sempre dizer que a Amazônia, o centro de atenção do mundo, foi posta em segundo plano, já que os números para a região foram, no período em questão, de 16% para 18% apenas. Quem é fã do cerrado brasileiro, entretanto, tem o que comemorar, já que os programas voltados para sua preservação foram os que mais avançaram. Em 2011, 38% das ONGs afirmaram atuar nesse ambiente, ante 29% em 2007.

Iniciativa Verde

Atividades e objetivos – As ONGs têm apostado na educação e informação como forma de patrocinar e defender as suas causas, e mudar o panorama do Brasil. Nos cinco anos de análise de dados, a principal atividade desenvolvida é a educação ambiental, com dedicação de 90,5% das organizações, em 2007; e 95%, em 2011. O maior avanço ocorreu entre as ONGs que atuam com políticas públicas, que passaram de 40% para 56% das entidades pesquisadas de 2008 (a primeira vez em que a informação foi apurada pela Análise Editorial) a 2011. Os programas focados em pesquisa e desenvolvimento e na reciclagem também se destacaram pelo aumento de interesse das entidades. Com esse perfil de atividades, o objetivo campeão em todos os anos da pesquisa não poderia ser outro: o de estimular a onsciência crítica.

Anglogold Ashanti

Instituto Akatu Instituto Ethos Instituto Ipê Instituto Recicle Instituto Triângulo Projeto Tamar SOS Soc. Pesq. Vida Selvagem (SPVS) The Nature Conservancy WWF Brasil

As empresas mais citadas pelas ONGs Alcoa Alumínio

ArcelorMittal Banco do Brasil Coca-Cola Brasil Fibria Celulose Fundo Vale HSBC Natura Petrobras Samarco Mineração Sorocaba Refrescos Suzano Papel e Celulose Unimed Vale Walmart Brasil

especial RIO+20

99


Luciana Whitaker/Folhapress

ONGs

No que diz respeito às áreas temáticas em que possuem projetos, a biodiversidade brasileira (fauna e flora) continua sendo o foco das organizações. Quase 77% das entidades disseram tratar da questão, seguida por unidades de conservação (68%), água doce (66%) e legislação e políticas ambientais (65%). Dois temas de menor concentração foram os que mais avançaram. A fatia de organizações que atuam em áreas que tratam do clima passou de 22% para 29%, e as que se especializam em segurança alimentar de 17,5% para 22%, entre 2007 e 2011. Já a questão dos povos indígenas atraiu 11% das ONGs, em 2007, e 13% em 2011, alcançando, neste último ano, apenas o 20º lugar entre as áreas de trabalho das organizações. Recursos – Muitas organizações

continuam dependendo da sua própria carteira para tocar em frente suas organizações. No que diz respeito à origem de recursos, tanto em 2007 (67%) como em 2011 (52%), as alternativas mais assinaladas foram “contribuição dos sócios”. No levantamento de 2007 já era grande a distância entre ONGs e empresas. As organizações argumentavam que as companhias evitavam fechar parcerias com elas. E as empresas, por sua vez, comentavam que havia ONGs demais e desconhecidas. Em respostas de múltipla escolha sobre origens de recursos, considerando-se os anos de 2007 e 2011, o item “convênio com empresas ou instituições privadas” caiu de 43,5% para 36,5%, e “convênio por meio de edital com governos no Brasil” declinou de 43% para 33%. A opção de vendas de serviços e produtos diminuiu de 49% para 36%, sendo que também caiu a captação doações, tanto de organismos nacionais como internacionais. Em média, as organizações que informaram seu orçamento contaram, em 2011, com 1,6 milhão de reais em recursos para financiar seus projetos. O montante é similar ao de 2010, porém cerca de 50% maior que o registrado em 2007. O gasto médio com projetos, em 2010, foi de 1,2 milhão de reais, mais de 60% da estimativa feita na primeira edição da publicação. Ocorre que o dinheiro está na mão de

100

Especial RIO+20

Na Eco-92, as ONGs tinham caráter ativista, com participação menor nas decisões. Na Rio+20, elas fazem parte dos principais grupos de discussão das questões ambientais

poucos. As 150 ONGs que informaram seu orçamento em 2011 somaram 237 milhões de reais. Mais da metade do montante está concentrada em nove entidades, entre elas a Fundação Amazonas Sustentável – FAS (25 milhões de reais), Instituto Socioambiental –

Origem dos recursos das ONGs ambientais Avanço do uso das duas principais fontes financiadoras

56 56%

50 50

Contribuição de sócios

52%

Venda de serviços

36%

44

44

38

38

32 2007

2011

ISA (20 milhões de reais), Conservação Internacional Brasil (15 milhões de reais) e o Instituto Brasileiro de Florestas – IBF (15 milhões de reais). Só para se ter uma ideia das disparidades em relação ao orçamento para 2011, das 334 organizações que responderam à pesquisa, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) informou a maior quantia de 50 milhões de reais. No outro extremo o Grupo de Ação Verde estimou orçamento de 300 reais. Além disso, o percentual de ONGs que não possui funcionários remunerados ainda é alto: 44% em 2007 e 48% em 2011. Não é à toa, portanto, que as entidades entrevistadas se queixam da falta de recursos financeiros e, consequentemente, de recursos humanos. O número de ONGs que respondeu à pesquisa da Análise Editorial foi 315 em 2007, 408 (2008), 368 (2009), 328 (2010) e 334 (2011).  0 www.analise.com


TOTALIZAÇão ONGs

QUALIFICAÇÃO DA AMOSTRA

ONDE ATUAM

1 Tipo de organização

9 O âmbito da atuação TOTAL DE EMPRESAS

Em % do total

Oscips

ONGs

2011

Outras

66,2

28,7

67,4

2010

334 328

29

5,1

3,7

2011201O

Não

2011 12,2

2010

87,8

89,9

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

2011 334

2010 328

3 As que possuem, que tipo de conselho têm?

2011 2010

Em % do total

Conselho diretor

57,8 56,7

Conselho consultivo

25,4 24,7 56 46,6

Conselho fiscal Não possui conselho

11,1 12,2 25,5 21,3

Outros TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

334 328

4 Possuem auditoria externa?

2011 2010

Em % do total

6,6

7,6

Nacional

26,3 23,2

Regional

28,4 31,4

Estadual

25,4 24,4

Local

13,2 13,4 334 328

Em % do total

2011 2010

Sim

52,1

50

Não

47,9

50

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

Em % do total

334 328

6 Contam com voluntários? Em % do total

2011 2010

Sim

88,9 88,4

Não

11,1 11,6

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

2011 2010

Sim

81,7 78,4

Não

18,3 21,6

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

Sudeste

71 68,7

Nordeste

42,6 35,2

Sul

26,8 26,8

Centro-Oeste

35 29,1 32,2 25,7

Norte TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

183 179

334 328

11 Os biomas onde atuam Em % do total

Amazônia

8 As que possuem como é?

2011 2010

2011 2010 18 16,8

Caatinga

18,3 17,7

Mata Atlântica

72,5 69,8

Pampas

Em % do total

2011 2010

334 328

7 Possuem assessoria jurídica? Em % do total

10 As que declaram ter atuação regional

Pantanal Cerrado

6,6

6,1

11,1

9,5

38 34,8

Sim

35,3 34,5

Própria

50 53,3

Centro Urbano

60,2 59,5

Não

64,7 65,5

Externa

50 46,7

Zona Costeira

37,4 33,8

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

102

2011 2010

5 Possuem funcionários remunerados?

Sim

11,1

Internacional

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

COMO SE ORGANIZAM 2 Possuem conselho?

Em % do total

334 328

Especial RIO+20

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

273 257

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

www.analise.com

334 328


TOTALIZAÇão ONGs

O QUE FAZEM 12 Tipos de atividade que desenvolvem

13 Em quais áreas temáticas trabalham?

2011 2010

Em % do total

Educação ambiental

94,9 95,1

Projetos com comunidades locais

85 84,8

Projetos de conservação ambiental Campanhas de mobilização

86,2 83,5 74,9 74,4

Assessoria e consultorias técnicas

60,8 61,9

Turismo sustentável

39,5 36,6

Pesquisa e desenvolvimento

58,4 55,5 44,6 42,1

Reciclagem Viagens e expedições Oferecimento de prêmios Publicações científicas

25,4 25,9 9,3

29 25,9 49,4 48,8

Políticas públicas

55,7 52,7

Outras

25,7 22,9 334 328

61,7 57,9

Água doce

65,6 64,3

Oceanos

18,9 18,3

Fauna e flora (biodiversidade)

76,6 71,6

Poluição

44,9 44,8

Lixo (resíduos)

56,9 55,2

Produtos químicos

9,3 10,1

Agrotóxicos

16,5 14,3

Segurança alimentar

22,2 21,6

Alimentos transgênicos

5,4

5,5

Saneamento

39,2 34,5

Tecnologias alternativas

31,1 29,6

Energia

21,6 22,3

Espeleologia

4,5

Em % do total

2011 2010

Estimular a consciência crítica

92,2 90,9

Transformar suas ações em políticas públicas

82,9 82,9

Fortalecer outras organizações ambientais Solucionar problemas imediatos Barrar formas de desenvolvimento econômico não sustentáveis

62 59,8 54,8 57,3

53 53,4

33,8 31,1

Outras TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

334 328

4

Agricultura sustentável e/ou orgânica

41,9 39,3

Pesca

16,8 18,9

Clima

29 26,5

Unidades de conservação

67,7 63,1

Legislação ambiental e políticas públicas

65,3 62,5

Povos indígenas

13,2 12,5

Populações tradicionais e extrativistas

26,6 25,6

Meio ambiente urbano (habitação, transporte, arborização, etc.)

61,1 59,5

Outras

18,9 18,3

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

www.analise.com

2011 2010

Florestas

9,1

Publicações diversas

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

Em % do total

14 Qual o objetivo dos programas desenvolvidos?

334 328

especial RIO+20

103


TOTALIZAÇão ONGs

PARCERIAS 15 Mantêm parceria com instituições?

16 Com que tipo de instituição mantiveram parceria?

Em % do total

Sim

10,8

Não

2011 12,2

2010

87,8

89,2

Em % do total

2011 2010

Setor público

90,3 88,2

Empresas

74,8 72,6

Comunidades

61,4 60,1

Outras

81,2 80,2

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

298 288

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

2011

334 328

201O

17 Mantêm parceria com organizações no Brasil ou no exterior? Em % do total

2011 2010

Sim

69,8 65,9

Não

30,2 34,1

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

334 328

20 Contam com sistema para informar a sociedade sobre suas atividades?

Em % do total

Sim

2011 2010 99,1 99,1 0,9

Não

COMUNICAÇÃO COM A SOCIEDADE

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

18 Tornam público o relatório sobre seus projetos?

10,5

Sim

Em % do total

Não 2010 11,6

89,5

19 Tornam público o balanço financeiro dos recursos?

88,4

Em % do total

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

2011 201O

104

Especial RIO+20

334 328

21 As que têm sistema que canais usam?

Em % do total

2011

0,9

334 328

2011 2010

2011 2010

Site na internet

84,4 82,3

Encontros com comunidade

78,4 72,6

Publicações próprias

70,4 68,9

Anúncios na mídia

46,1 45,1

Sim

80,5 80,8

Marketing e assessoria de imprensa

41,3 39,9

Não

19,5 19,2

Outras formas

43,4

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

334 328

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

www.analise.com

39

334 328


TOTALIZAÇão ONGs

SOBRE AS EMPRESAS 22 Como avaliam o trabalho das empresas na área ambiental? Em % do total

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES Insatisfatório

Satisfatório

2011

Não opinaram

59

201O

Bom

21,3

61

Ótimo

334 328

12,3 6,6 0,9

2011201O

12,2 5,5 0,9

20,4

SOBRE SUAS FINANÇAS 23 A origem dos recursos segundo as próprias organizações Em % do total

24 Informaram o orçamento (total ou estimado) para 2011

2011 2010

Contribuição de sócios

51,8 52,4

Doações de organismos nacionais

33,2 31,4

Em % do total

Total

Não informaram

Estimativa

2011 2010

13,8 Doações de organismos internacionais

Convênio por meio de edital com governos no Brasil

13,8 12,5

17,1

55,1

31,1

49,1

33,8

32,9 32,3 TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

Convênio por meio de edital com organismos internacionais

8,7

8,2

2011

334 328

201O Convênio com empresas ou instituições privadas

36,5 37,5

Vendas de serviços e/ou produtos

35,6 34,8

Outras Não informaram TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

www.analise.com

9,3 10,1 16,5 15,9 334 328

25 Informaram qual foi o gasto em projetos em 2010

2011 2010

Em % do total

Sim

44,3 45,1

Não

55,7 54,9

TOTAL DE ORGANIZAÇÕES

especial RIO+20

334 328

105


BRASIL: DA ECO-92 À RIO+20

Água e saneamento English version page 222

D

urante a realização da Eco92, cerca de 96% dos domicílios brasileiros contavam com abastecimento de água potável, 37% tinham acesso à coleta de esgoto e apenas 20% ao tratamento do esgoto coletado. O quadro mudou drasticamente em 20 anos. A taxa de tratamento de esgoto saltou para 70%, e o abastecimento de água foi universalizado. Em 2007, foi regulamentada

a Lei de Saneamento Básico, que coloca no papel as metas de universalização dos serviços de saneamento. Em linha com os padrões de desenvolvimento da ONU, o objetivo é reduzir pela metade a fatia de pessoas que não contam com o serviço básico de saneamento até 2015. Para acelerar as medidas, foi criado, em 2011, o PAC do Saneamento, programa específico dentro do Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal.

55% 70% 2,6bi

dos municípios do país possuem coleta de esgoto sanitário. Em 1992, a taxa era de 47%

da demanda de saneamento básico atendida é a meta do Brasil para 2015

de reais é o investimento previsto no PAC para o setor de saneamento básico


eduardo lara/sambaphoto


Perfil Ongs Biomas e/ou ambientes em que a ONG declara atuar 

o perfil de 334 das principais ONGs ambientais do brasil

Ano de fundação

Número de funcionários remunerados

Número de voluntários

Amazônia

Caatinga

Mata Atlântica

Pampas

Pantanal

Cerrado

Centro Urbano

Zona Costeira

Educação ambiental

Projetos com comunidades locais

Projetos de conservação ambiental

Campanhas de mobilização

Assessoria e consultoria técnica

Turismo sustentável

Pesquisa e desenvolvimento

Reciclagem

Viagens e expedições

Oferecimento de prêmios

Publicações científicas

Publicações diversas

Políticas públicas

LEGENDAS

5 Elementos

1993

30

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

ABIOS - Associação Biosfera - Reserva da Serra

2004

-

2

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Acácia Pingo D’ouro

2000

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ação Popular Campos Gerais - Apong

2002

1

2

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ação Verde - TO

2000

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

ADEMAVI - Associação Bra. de Defesa e Recuperação do Meio Ambiente

1993

-

15

-

-

-

-

Agência Brasileira de Meio Ambiente e TI - ECODATA

1997

11

20

-

-

-

-

Agência Costeira - Agência Brasileira 2001 de Gerenciamento Costeiro

1

4

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Agência de Desenvolvimento de Monte Carmelo - ADEMCAR

2001

-

11

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Agência Nacional de Desenvolvimento Eco-Social - ANDES

2005

-

84

-

-

-

-

-

-

-

Água na Jarra - ONG Igtiba

2009

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Aliança Internacional do Animal - AILA

1999

12

40

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ambiente Brasil

1999

22

8

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Anauá Grupo de Educação Sócio-Ambiental

2005

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Aprender Entidade Ecológica

2000

-

5

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Apta Ação

2001

-

8

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Arrastão Movimento de Promoção Humana - Projeto Arrastão

1968 115

60

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Am. dos Bairros S. Clara, V. Grande, Gaguaçu e Paiol Velho

1984

-

28

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Amb. Amigos da Paisagem Preservada de Quintão - APAIPQ

2005

-

198

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Ambiental Paiquerê

1988

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Ambientalista Copaíba

1999

8

26

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Amigos da Natureza da Alta Paulista

2004

-

60

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Amigos de Icarambi

1999

-

50

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Amigos do Camanducaia - AMICA

1996

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Amigos do Peixe-Boi - AMPA 2001

9

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Amigos do Recicriança - RECICRIANÇA

1998

11

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Andiroba

1999

1

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Asa Branca

2003

2

3

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Barco Escola da Natureza 2000

9

50

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Bento Gonçalvense de Prot. ao Ambiente Natural - ABEPAN

2

25

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

✔ = Resposta escolhida - = Não desenvolve a ação

Nome da organização A

Atividades que desenvolve 

108

Especial RIO+20

1989

www.analise.com


PERFIL ongs Biomas e/ou ambientes em que a ONG declara atuar 

o perfil de 334 das principais ONGs ambientais do brasil

Ano de fundação

Número de funcionários remunerados

Número de voluntários

Amazônia

Caatinga

Mata Atlântica

Pampas

Pantanal

Cerrado

Centro Urbano

Zona Costeira

Educação ambiental

Projetos com comunidades locais

Projetos de conservação ambiental

Campanhas de mobilização

Assessoria e consultoria técnica

Turismo sustentável

Pesquisa e desenvolvimento

Reciclagem

Viagens e expedições

Oferecimento de prêmios

Publicações científicas

Publicações diversas

Políticas públicas

LEGENDAS

Atividades que desenvolve 

Associação Bichos da Mata

2005

3

-

-

-

-

-

-

-

Associação Bike Brasil

1997

-

20

-

-

-

-

-

-

-

Associação Brasileira para o Desenv. de Lideranças - ABDL

1991

3

1

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Caatinga

1998

32

14

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Caiçara Juqueriquerê - Acaju

2000

-

250

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Catarinense de Preservação da Natureza - Acaprena

1973

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Cicloverde de Ciclismo

2003

-

35

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Civil Eco Mantiqueira

2003

-

8

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Civil Eco Vida Ambiental - EVA

2005

-

17

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Comunitária Habitacional 1991 Vargem Grande - ACHAVE

1

2

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Cultural Cabrália Arte e Ecologia - Ascae

1991

-

18

-

-

-

-

-

-

-

Associação Cultural e Comunitária Zagaia - ACCZ

2001

-

3

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Cultural e Ecológica - Ogawa Butoh Center

1997

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Cultural, Artística e Ambiental Guardiões do Curuperê

1998

-

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta - ACIA

1996

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Defesa do Meio Ambiente - Vale Verde

1988

-

35

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Defesa EtnoAmbiental - KANINDÉ

1992

12

5

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Pesq. e Preservação de Ecossistemas Aquáticos

1994

9

16

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - APREMAVI

1987

21

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Prop. de Reservas Part. 2003 Do Patri. Natural de MS - REPAMS

6

1

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Proteção Ambiental Amigos do Rio Piratini - APARP

1998

-

140

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte - APROMAC

1985

4

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Proteção aos Ecossistemas Costeiros - APREC

1994

-

30

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Recu. Florestal da Bacia do Rio Piracicaba - Florespi

1988

20

50

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Rec. Florestal e Ecológica de Bauru - ACIFLORA

1989

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Reposição Florestal Cantareira - Florestal Cantareira

1988

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Reposição Florestal do Pardo Grande - Verde Tambaú

1990

16

11

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação de Surfistas, Ami. e Ecologistas da Praia do Porto - ASAEP 2003

-

70

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação do Grupamento Ambientalista - AGA

1993

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação do Município de Lagamar para a Proteção à Natureza

2002

-

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

✔ = Resposta escolhida - = Não desenvolve a ação

Nome da organização

www.analise.com

especial RIO+20

109


PERFIL ongs Biomas e/ou ambientes em que a ONG declara atuar 

o perfil de 334 das principais ONGs ambientais do brasil

Ano de fundação

Número de funcionários remunerados

Número de voluntários

Amazônia

Caatinga

Mata Atlântica

Pampas

Pantanal

Cerrado

Centro Urbano

Zona Costeira

Educação ambiental

Projetos com comunidades locais

Projetos de conservação ambiental

Campanhas de mobilização

Assessoria e consultoria técnica

Turismo sustentável

Pesquisa e desenvolvimento

Reciclagem

Viagens e expedições

Oferecimento de prêmios

Publicações científicas

Publicações diversas

Políticas públicas

LEGENDAS

Atividades que desenvolve 

Associação do Pat. Histórico, Art. e Ambiental de Belo Vale - APHAA-BV

1985

1

100

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação do Verde e Proteção do Meio Ambiente - AVEPEMA

1986

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação dos Amigos do Parque São Bartolomeu/Pirajá

1990

-

15

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação dos Amigos e Moradores das Áre. Verdes de Itanhaém - AAMAVI

1997

7

6

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Lavras

1998

33

6

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação dos Prod. de Florestas Plantadas do Estado da Bahia

2004

2

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação dos Protetores do Mar - ONG Guardiões do Mar

1998

31

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Ecológica Águas Limpas Para-ty

2004

-

5

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Ecológica Brasil Verde - Assebrave

1992

1

30

-

-

-

-

-

-

Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar - APOENA

1988

5

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Fernando G. Guidotti para Est. e Pre. da Natureza - AFG

1992

1

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Flora Brasil

1997

10

3

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Global de Desenvolvimento Sustentado - AGDS

1984

3

4

-

-

-

-

-

-

-

Associação Holística de Part. Comunitária e Ecológica - AHPCE

1997

4

8

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Instituto Papel Solidário 2007

-

5

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Internacional para o Des. 2001 Econômico Interambiental - AIDEIA

-

5

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Jaguamimbaba para o Des. Sustentável - AJADES

2001

-

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Maranhense para a Conservação da Natureza - AMAVIDA

1990

-

27

-

-

-

-

-

-

-

Associação Mata Ciliar

1987

5

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Mico Leão Dourado

1992

19

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Mineira de Defesa do Ambiente - AMDA

1978

9

80

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico

1990

2

150

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Oisca Brasil

1999

8

500

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação para Proteção Ambiental de São Carlos - APASC

1977

3

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste - AMANE

2005

6

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Para Valorização Amb. e Social Cachoeirense - AVASC

2005

1

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Paraibana dos Amigos da Natureza - APAN

1978

-

25

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Parque do Zizo - APAZ

1998

2

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Pelo Meio Ambiente de Juiz de Fora

1996

3

12

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Pernambucana de Escoteiro

1915

-

1.200

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

✔ = Resposta escolhida - = Não desenvolve a ação

Nome da organização

110

Especial RIO+20

www.analise.com


PERFIL ongs Biomas e/ou ambientes em que a ONG declara atuar 

o perfil de 334 das principais ONGs ambientais do brasil

Ano de fundação

Número de funcionários remunerados

Número de voluntários

Amazônia

Caatinga

Mata Atlântica

Pampas

Pantanal

Cerrado

Centro Urbano

Zona Costeira

Educação ambiental

Projetos com comunidades locais

Projetos de conservação ambiental

Campanhas de mobilização

Assessoria e consultoria técnica

Turismo sustentável

Pesquisa e desenvolvimento

Reciclagem

Viagens e expedições

Oferecimento de prêmios

Publicações científicas

Publicações diversas

Políticas públicas

LEGENDAS

1994

8

1

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Proj. Lagoa de Marapendi 1990 - Ecomarapendi - Recicloteca

2

6

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Protetores do Amigo Bicho - PROAMBI

2006

-

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Universidade da Água - Uniagua

1998

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Verde de Angatuba - AVA

1989

-

300

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Verdever

1992

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Vidas Verdes de Estudos Ambientais - AVV

1999

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Viva Bicho de Proteção aos Animais - AVIB PRABC

2003

6

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Associação Viva o Centro

1991

7

4.468

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

ASSU - Ubatuba

1999

-

6.000

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Aventureiros Águia

1985

-

20

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

AVIDEPA - Associação Vila-Velhense de Proteção Ambiental

1984

7

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas - CAA

1989

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Apoio aos Trabalhadores e Ins. Não Gov. Alternativas - CAAT

1988

32

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá - Centro Sabiá

1993

39

44

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Estudo de Meio Ambiente & Integração Social - CEMAIS

2003

4

40

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria ao Trabalhador - CETRA

1981

65

12

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Estudos Ornitológicos - CEO

1984

-

50

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Orientação Ambiental Terra Integrada - COATI

1992

-

40

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste - CEPAN

2000

3

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro de Reali. Sociais e Ecológicas 1998 Vida Nordeste - Vida Nordeste

-

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

✔ = Resposta escolhida - = Não desenvolve a ação

C

Atividades que desenvolve 

Nome da organização Associação Plantas do Nordeste - APNE

Centro de Referência em Informações Ambientais - CRIA

2000

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Centro Golfinho Rotador - CGR

1992

8

6

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

CHAPADA - Centro de Habili. e Apoio ao Pequeno Agricultor de Araripe

1994

24

3

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Comissão de Defesa de Preservação da Espécie e do Meio Ambiente

1977

-

1.350 ✔

-

Comunidade Educacional de Pirenópolis - COEPI

1996

2

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Conselho Empresarial Brasileiro para Des. Sustentável - CEBDS

1997

14

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Conservação Internacional - CI Brasil

1990

50

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Consórcio para o Des. Sustentável da Bacia do Rio Taquari - Cointa

1997

7

13

-

-

-

-

-

-

-

-

Consórcio PCJ

1989

12

-

-

-

-

-

-

-

www.analise.com

especial RIO+20

111


PERFIL ongs Biomas e/ou ambientes em que a ONG declara atuar 

o perfil de 334 das principais ONGs ambientais do brasil

Ano de fundação

Número de funcionários remunerados

Número de voluntários

Amazônia

Caatinga

Mata Atlântica

Pampas

Pantanal

Cerrado

Centro Urbano

Zona Costeira

Educação ambiental

Projetos com comunidades locais

Projetos de conservação ambiental

Campanhas de mobilização

Assessoria e consultoria técnica

Turismo sustentável

Pesquisa e desenvolvimento

Reciclagem

Viagens e expedições

Oferecimento de prêmios

Publicações científicas

Publicações diversas

Políticas públicas

LEGENDAS

Cooperativa de Reciclagem Crescer

2006

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Cooperativa de Reciclagem de tatuí - cooreta

2006

-

3

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Defesa da Natureza e dos Animais

2001

-

145

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ecoa - Ecologia e Ação

1989

6

35

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ecoassociação Para Estudos do Ambiente

1982

-

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ecos do Vitória - Educação e Gestão Ambiental

2002

-

10

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Ekko Brasil

2004

3

4

-

-

-

-

-

Elo Ambiental

1994

7

23

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Espeleo Clube de Avaré - ECA

1980

-

15

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Espeleo Grupo de Rio Claro - EGRIC

1982

-

25

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Flora Tietê Associação de Recuperação Florestal

1986

28

30

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Floresta Brasil

2004

-

5

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Fórum Carajás

1991

3

4

-

-

-

-

-

-

-

-

Fundação Amazonas Sustentável - FAS 2008

74

8

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

✔ = Resposta escolhida - = Não desenvolve a ação

Nome da organização

D E

F

G

Atividades que desenvolve 

Fundação de Pro. ao Meio Ambiente e Ecoturismo do Piauí - FUNPAPI

2002

-

131

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

Fundação Educacional, Assis. e de Prote. ao Meio Ambiente - FEAMA

2001

12

63

-

-

-

-

-