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CONVERSA DE PSICÓLOGO

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CONVERSA DE PSICÓLOGO

Entrevistada:

Entrevistadora:

Bruna Aguiar

Giuliana Inocente

TEMA: RELACIONAMENTO SOCIAIS

Psicóloga analista do comportamento, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina. Atua na área clínica como psicóloga infantil, de adolescentes e de adultos no IACEP Londrina, onde também é sócia-proprietária. Na área acadêmica atua como docente colaboradora do Departamento de Análise do Comportamento (PGACUEL) desde 2010. Também foi docente na Universidade Filadélfia (Unifil).

Olá Bruna, gostaria de iniciar nosso bate papo com você nos dizendo quais são seus objetivos dentro da psicologia? Meus objetivos estão e estarão sempre relacionados ao comportamento humano. Sempre tive uma enorme curiosidade em saber por que as pessoas fazem o que elas fazem e busquei por anos estudar esse tema. Descobri que não existe uma resposta, e sim, muitas respostas. No começo da minha carreira me direcionei mais à prática em psicoterapia infantil e de adolescentes, com o tempo descobri um grande interesse em atender adultos também e hoje eles são meu maior

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público. Gosto muito do universo da psicoterapia, principalmente quando se trata de temas como ansiedade, stress e relacionamentos interpessoais. Atualmente também estou me envolvendo com o tema tabagismo. Hoje, junto a psicóloga Kellen E. Fernandes, coordeno e sou supervisora clínica do Grupo de atendimento infantil à clientela de baixa renda, que é um dos projetos de alcance social que o IACEP mantém. Eu me lembro com muito carinho que, durante a graduação, por volta de 2004, iniciei minha participação como aluna em alguns desses projetos sociais. Tais projetos (na verdade, são vários) partiram de uma proposta da psicóloga Nione Torres, fundadora do nosso Instituto, há muito tempo atrás. Neles, alunos do quarto e quinto anos de graduação em psicologia, juntamente com alunos do terceiro ano como co-terapeutas, atendem pessoas que por questões econômicas não podem assumir o custo de uma psicoterapia. É uma troca com a comunidade – ou seja, essas pessoas recebem atendimento terapêutico tornando melhor a qualidade de suas vidas e os alunos dos últimos anos de graduação, por sua vez, recebem supervisão e aprendem a desenvolver habilidades terapêuticas, melhor dizendo, a serem psicoterapeutas.

Você citou que gosta muito do tema relacionamentos interpessoais. Assim, gostaria que você falasse um pouco sobre como a Análise do Comportamento aborda este tema. Nós entendemos que relacionar-se é um dos grandes desafios da vida. Por um lado, quando nascemos ninguém nos entrega um manual ensinando-nos quais são as melhores atitudes ou as habilidades que precisamos desenvolver para termos bons relacionamentos com as pessoas. Por outro lado, hoje há vários estudos que apontam quais as possíveis habilidades que nós, seres humanos, podemos aprender para promover formas mais saudáveis de viver ou interagir em grupo. Quando alguém procura psicoterapia por dificuldades de conviver com o outro ou com outros, isso quer dizer que possa estar percebendo que sua forma de relacionar com o outro está causando algum grau de sofrimento em si mesmo e/ou no outro. Em primeiro lugar, como psicoterapeuta, eu busco identificar quais as dificuldades específicas de cada pessoa, uma vez que seres humanos apresentam diferentes dificuldades nos relacionamentos que mantém em sua vida e, que, obviamente, estão relacionadas à própria história de vida. Podemos citar algumas:

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o cliente pode demonstrar dificuldades em colocar sua opinião para o outro ou para o grupo (o que pode estar relacionada à timidez), ou pode ainda, colocar sua opinião de forma muito brusca ou agressiva, causando um mal estar no grupo, ou ele pode apresentar dificuldades em se colocar no lugar do outro e tentar entender o que ele sente (o que denominamos de falta de empatia), o que pode afastar o outro, assim como, pode também apresentar dificuldades em ouvir as pessoas, interrompendo-as ou simplesmente não mantendo contato visual, o que gerará a impressão de não se preocupar com o que o outro tem a dizer. Algumas pessoas podem também indicar dificuldades em expressar seus sentimentos, em fazer ou receber elogios, em fazer amizades, em iniciar, manter ou encerrar uma conversa, etc. Volto a afirmar que cada caso tem sua particularidade.

E como uma pessoa pode saber se ela precisa de psicoterapia para esses problemas? Eu costumo dizer que terapia é um investimento em si próprio, é dedicar tempo, raciocínio e amor a si mesmo. Não é preciso “estar sangrando” para pedir ajuda. Uma pessoa pode fazer terapia quando algo lhe traz sofrimento e ela não tem conseguido sozinha encontrar soluções, ou quando suas atitudes começam a causar sofrimento em quem está ao seu redor, ou ainda, uma pessoa pode buscar terapia quando quiser se conhecer melhor. Eu acredito que não é a gravidade do problema que deveria apontar quem precisa ou não de terapia; não que a gravidade não seja importante, mas penso que as pessoas deveriam parar de pensar que terapia é só para quem está muito mau, com um problema muito grande. Basta querer crescer e ser uma pessoa melhor.

Bruna, isto nos leva a uma outra questão: o que poderíamos pensar então, sobre o que é felicidade? Seria, por exemplo, se relacionar bem com as pessoas que amamos? Nossa, eu acho difícil definir o que é felicidade assim, de forma geral. Mas, vamos tentar...Em primeiro lugar é preciso dizer que o conceito de felicidade dependerá de cada pessoa e da forma como ela vê o mundo. Pessoalmente, o que me incomoda é perceber que na nossa cultura muitas pessoas acreditam que felicidade é uma coisa, ou uma fase da vida que um dia todos irão chegar,

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que será continua, cheia de bem-estar dia após dia, cheio de ganhos e aquisições. Eu acredito que a nossa cultura ensina que a felicidade “está dentro de um pote no fim do arco-íris” e isso poderá levar às pessoas a terem atitudes inadequadas para si mesmo ao longo de suas vidas. Eu compartilho a visão de que a vida é intercalada por momentos de bem-estar, mas também de momentos difíceis que nos levam a superação pessoal. Penso realmente que a dor faz parte da vida e, que ser feliz não quer dizer viver na ausência de dor, mas saber lidar e crescer com ela. E respondendo sua pergunta: relacionar-se bem com as pessoas que amamos ou que estão ao nosso redor faz parte de uma classe de atitudes que devemos aprender e apresentar para ter uma vida de qualidade, mas ter problemas de relacionamento também faz parte da vida, a questão é aprender a lidar melhor, de forma mais saudável com esses problemas. Dedico-me a tentar ensinar isso as pessoas, mas, novamente, cada caso é um caso. Vale lembrar que eu jamais posso impor ao cliente o que eu acredito que seja felicidade, porém, certamente, eu posso lhe dar ferramentas para construir sua história com atitudes que possam trazer bem-estar para si e para os outros. E claro, sem esquecer de que o objetivo final é torná-lo autônomo: aquele que pede ajuda precisa aprender a lidar com os momentos difíceis que farão parte da vida em seu futuro.

Giuliana Inocente Estudante do 5º ano de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina. Estagiária do IACEP há um ano e estagiária em RH na CONFEPAR. Desde 2010, bolsista do projeto de extensão: Comportamentos inadequados e adequados em pessoas com deficiência múltipla: capacitação de profissionais através de instrumento informatizado, orientado pela prof. dr. Silvia Aparecida Fornazari.

Rua: Malba Tahan, 420 Jardim Nova Londrina Londrina – Paraná. Fone (43) 3029-8001

Editoria Laís Rodrigues Paes estagiária IACEP

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Conversa de Psicólogo - junho 2013