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Informativo

Comportare

Volume 01 Edição 01 Agosto - 2013

O QUE POSSO FAZER PARA PARAR DE FUMAR? Ms. Bruna de Moraes Aguiar (Psicóloga); Dr. Eduardo Prado (Psiquiatra); Dra. Sandra Vargas (Psiquiatra)

NESSA EDIÇÃO

Parar de fumar 1

Quem Somos 2

Pergunte ao Psicólogo

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Cursos 6

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No que diz respeito à psicologia, atualmente, uma nova forma de intervenção vem sendo usada em casos em que o problema tem como foco a ansiedade, medo, entre outros. É a chamada ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso), proposta por Steven Hayes e tem como objetivos ensinar o indivíduo a lidar com a esquiva dos seus sentimentos e pensamentos desagradáveis, incentivando-o a assumir e aceitar o que sente e manter compromisPercebemos que a decisão e parar de so com a mudança. fumar pode, para certas pessoas, ser tomada da noite para o dia, mas a mudança, de fato, A pessoa aprende a aceitar e tolerar as geralmente ocorre enquanto um processo, que sensações corporais desagradáveis. Muitos muitas vezes apresenta oscilações, em termos fumantes dizem que quando tentam parar sende recaídas e melhoras. tem uma imensa “vontade” de fumar, um imenso desconforto e mal estar. A ausência de niA nicotina é uma droga poderosa, tão cotina no corpo é identificada pelo cérebro copoderosa que pode atuar no cérebro em apemo um perigo causando, portanto, ansiedade. nas 7 segundos, causando uma sensação de O que é comum, visto que quando o cérebro bem estar. Por isso é comum que os primeiros recebe um sinal de perigo ele coloca o corpo dias sem fumar sejam relatados como os mais em estado de alerta., ativado para enfrentar difíceis, visto que todo o organismo estará reaproblemas. Porém esta condição corporal não gindo à ausência da droga. Os sintomas poé interpretada pelas pessoas como algo bom e dem variar entre dor de cabeça, tontura, agitaé difícil de ser tolerada e mantida por muito ção, etc. e, por isso, também a ocorrência destempo. O fumar pode ser compreendido como sas oscilações. No entanto, também são couma forma de eliminar essas sensações desamuns relatos de que, com o passar do tempo, gradáveis. Na verdade, a pessoa esta elimias dificuldades tendem a ser menores. nando o mal-estar temporariamente. Logo, ele Nós aconselhamos que a cessação do voltará e ocorrerá um ciclo vicioso: precisar tabagismo deve ser acompanhada por profissi- fumar de novo. onais da área da saúde, preferencialmente, por A ACT treina a pessoa a parar de fugir uma equipe multidisciplinar: psicólogo, psiquiaou eliminar sensações desagradáveis. Como? tra, farmacêuticos, dentre outros. Atualmente, sabemos os prejuízos que o uso constante do cigarro ao longo de anos pode causar ao corpo e a qualidade de vida de qualquer pessoa. O INCA (Instituto nacional do Câncer) realizou uma pesquisa em que constatou que 18,8% da população brasileira é fumante. Muitas pessoas querem parar de fumar, mas tomar a decisão não é tão fácil quanto pode parecer.


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Bom, é um processo bastante complexo e pode ser feito de diversas formas. É impossível explicá-lo em poucas linhas. De forma bem resumida, a ideia geral é (1) mostrar a ausência de controle que temos sobre sensações, sentimentos e pensamentos: “se você conseguir, só irá eliminá-los temporariamente e armará uma armadilha para si mesmo: vai voltar logo” e ensinar a aceitar essa condição de incontrolabilidade e (2) mostrar a necessidade de que a pessoa tem de fugir de algo desagradável, visto que foi ensinada a fazer isso pela cultura em que vive. Cabe ressaltar, que a ACT, dentro do âmbito da psicologia, pode ser usada como uma das frentes de intervenção que, somadas ao tratamento da equipe multidisciplinar, pode maximizar efeitos e contribuir para a cessação do tabagismo.

O QUE POSSO FAZER PARA PARAR DE FUMAR? - Mude a marca do seu cigarro para uma que tenha menos nicotina. Se trocar por uma marca mais fraca você não poderá aumentar a quantidade de cigarro que costuma fumar por dia; - Compre um pacote de cada vez; - Reduza o número de cigarros por dia. Conte o número de cigarros fumados por dia e passar a fumar um número menor a cada dia. - Adie a hora em que fuma o primeiro cigarro do dia. Comece a atrasar cada dia mais para fumar o primeiro cigarro; - Fume um terço a menos do cigarro, contando do filtro; - Reduza a profundidade da inalação ao tragar o cigarro; - Leve o cigarro a boca somente quando for tragá-lo; - Não aceite cigarro oferecido por outras pessoas; - Use a medicação prescrita pelo médico; - Planeje atividades prazerosas para você para colocar "no lugar do cigarro": ouvir música, praticar jardinagem, assistir TV, cozinhar, tomar suco, navegar na internet, mascar chicletes, chupar bala, chupar gelo, escovar os dentes, beber água gelada, comer uma fruta, manter as mãos ocupadas com elásticos ou pedaços de papel, rabisque ou manuseie objetos, converse com amigos, não fique parado. Exemplo: “Em vez de fumar um cigarro depois do almoço eu vou.....” - No período inicial é melhor evitar ingerir alimentos ou estar em situações que te levam a fumar: bebidas alcoólicas, café, bares, etc;

Colaboradores (as) Patricia Motta Cordeiro Cintia Cristiane M B da Rocha Renata Trovarelli Mariana Chagas

Quem Somos? Sócias Nione Torres (CRP 08/02333) Kellen M. E. Fernandes (CRP 08/09270) Luciana Ap. Zanella Gusmão (CRP 08/06382) Bruna Moraes Aguiar (CRP 08/12450) Luciana Helena Silva (CRP 08/15219) Priscila Araújo Taccola (CRP 08/09743)

Estagiários (as) Laís Rodrigues Paes Giuliana Inocente Ana Carolina Zuanazzi Lucas Franco Carmona Elisabete Altini

Secretária Patricia Silva

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Sublocatários (as) Cristhiane de Almeida Mitsi Gisele Bueno de Farias Mayara Petri Martins Rafaela Conde de Souza Géssica Denora Ribeiro


- Não fique perto quando alguém estiver fumando; - Não fique em ambientes fechados que tenham pessoas fumando; - Avise sua família que você tomou a decisão de parar de fumar, peça para que eles te apóiem e não façam julgamentos. Avise seus familiares que você pode ficar mais irritado enquanto estiver parando de fumar; - Pratique exercícios físicos: se precisar comece devagar com uma curta caminhada. - Faça 30 a 40 minutos de atividade física de 3 ou 4 vezes por semana; Quem decide parar de fumar passa pela fissura, a vontade intensa de fumar que dura mais ou menos 5 minutos. Quando isso acontecer, inspire pelo nariz muito lentamente e expire lentamente pela boca. Passe a fumar fora de casa, do carro ou do ambiente de trabalho, assim você reduz o cheiro do cigarro no ar e se obriga a ter mais trabalho para fumar. Você pode retirar de dentro de casa ou do ambiente de trabalho os produtos relacionados ao cigarro: cinzeiros, isqueiros – isso dificulta o fumar dentro desses ambientes. Acredite em si mesmo! Lembre-se das coisas mais difíceis que você já viveu... SIM, você é forte e pode abandonar o cigarro!

O QUE PODE ACONTECER QUANDO EU TENTAR PARAR DE FUMAR? AS PRIMEIRAS SEMANAS, O GRANDE DESAFIO: A nicotina é uma droga que causa grande dependência levando ao estado de euforia, prazer e relaxamento quando consumida. Esses efeitos da nicotina em seu corpo acontece rapidamente (em torno de 10 segundos), mas a substancia também é queimada rapidamente pelo seu organismo, precisando ser consumida novamente. É preciso que você saiba que as primeiras semanas de interrupção serão as mais difíceis por que seu corpo vai sentir muita falta dessa droga poderosa. CUIDADO COM A ALIMENTAÇÃO: é comum que seu peso aumente ate 2 quilos porque seu paladar vai melhorando e seu metabolismo se normalizando, mas cuidado para não aumentar muito. Muitas pessoas quando param de fumar abusam dos doces. Evite doces ou alimentos gordurosos e tente não comer mais que o necessário. Tome muito líquido (água ou sucos). Evite café ou bebidas alcoólicas porque eles podem ser um convite para fumar, troque-os por chás ou bebidas sem álcool. O CORPO REAGE A FALTA DA NICOTINA: você precisa saber que ao parar de fumar, ou diminuir a quantidade de cigarros fumados, você pode se sentir ansioso, com dificuldade de concentração, irritado, mau humorado, ter dores de cabeça, sentir aquela vontade intensa de fumar, mal-estar ou fraqueza, insônia, maior apetite e tosse. Tudo isso é muito difícil, mas esses sintomas fortes vão desaparecer em torno de duas a quatro semanas. Quando sentir esses sintomas, faça exercícios respiratórios por aproximadamente 5 minutos (puxar vagarosamente o ar em 4 segundos e soltar, mais vagarosamente ainda, em 8 segundos) e procure atividades para “colocar no lugar” do cigarro. MOMENTOS DE STRESS: você precisa saber que problemas financeiros, problemas no trabalho, problemas em relacionamentos como brigas com amigos ou parentes podem ser um convite para o cigarro. Esses problemas vai te deixar tenso e o corpo vai pedir pelos efeitos relaxantes e prazerosos da nicotina. Você precisa se lembrar que momentos difíceis sempre vão ocorrer e o cigarro não irá resolver seus problemas e sim criar outro no futuro – comprometer sua saúde! CILADAS: muitos ex- fumantes acreditam que já superaram seu vício e que já estão fortes o suficiente. Eles acabam fumando um cigarro ou tragando o cigarro de outra pessoa, alguns dizem que vão apenas acender o cigarro de um amigo. Isso é uma cilada chamada à você acha que tem controle sobre o comportamento de fumar, mas não tem!

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Pergunte ao Psicólogo Existe o “felizes para sempre” nos relacionamentos? Amor, um modo de agir... Na música “Amor e Sexo” interpretada pela cantora Rita Lee há um trecho que diz “Amor é sorte”. Esta visão faz parte de uma cultura idealizadora do amor. Desde criança, principalmente nós meninas, somos bombardeadas com finais de histórias infantis que terminam com “E eles foram felizes para sempre”, na adolescência essas idealizações ainda são alimentadas pelas revistas teens e se não bastasse na fase adulta, com a influência das novelas, continuamos a acreditar que basta encontrar o verdadeiro amor para sermos felizes. Encontrá-lo parece ser o maior desafio. Se fossemos pensar na perspectiva da Análise do Comportamento poderíamos dizer que esta cultura (do feliz para sempre, após encontrar o grande amor) nos faz agir de forma passiva frente o amor, nos fazendo pensar que não é necessário nenhum esforço, nenhuma atitude para manter uma relação afetivo-amorosa. O amor é ação, é ação consciente. Se após encontrarmos “o grande amor”, acreditarmos que não basta mais nada, esse será o presságio para o fim. O amor necessita ser alimentado e alimentado da maneira correta. Gary Chapman em seu livro “As cinco linguagens do amor” apresenta cinco formas de expressar o amor ao parceiro, mas não de qualquer forma. Expressar de forma que o outro entenda essa linguagem e se sinta amado. Prestar atenção no outro, saber o que ele valoriza é o primeiro passo para alimentar um amor. A palavra amor é tão difícil ser definida por envolver uma gama de sentimentos e também comportamentos. É necessário respeito, cuidado, apreço, segurança, empatia. É necessário fazer-se presente e também “ausente”: o jogo de bola é um momento dele, assim como o shopping é o momento dela. É necessário valorizar o que o outro faz de bom ao invés de apenas tecer críticas ao comportamento dele ou dela. É importante sentir amor, mas apenas senti-lo não garante sua permanência. A cultura atual nos impulsiona para a passividade nas relações afetivo-amorosas, encontrar um namorado ou casar-se jamais deve ser o ponto final. O amor não se autoalimenta, ele precisa ser alimentado sempre, senão enfraquece e até desaparece. É possível aprender outro modo de relacionar-se. Sentir não basta, deve-se agir. Parafraseando Hélio Guilhardi, o repertório de amar inclui necessariamente atos e sentimentos, de forma inseparável.

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Não !!! Perca

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a ê r c o a P V

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