Page 33

bém aquele que antes era o imprevisível, incomunicável e aberto. Finalmente, o que o autor tenta elucidar é que “o talento do cineasta para administrar o convencional e/ou o anticonvencional, e não o modelo de cinema adotado, parece ser a resposta, quando quer que as preocupações deixem de ser meramente culturais, ideológicas, sociológicas, historiográficas ou de qualquer outra ordem, para serem efetivamente estéticas.”(BRITO,1995 P.199) O cinema como produto cultural engendra uma grande cadeia de condicionantes. Perpassa a questão da arte comercial e não comercial, que por vezes pode confundir-se com os conceitos de modelos de cinema clássicos-hollywoodianos e de arte-cults. CINEMA COMO PRODUTOR DE ESPAÇOS O cinema, entendido como equipamento de lazer, possui formas de apropriação que traduzem o espaço onde são instalados. Atualmente no Brasil, podemos dizer que o mercado exibidor é modelado por duas tipologias: os cinemas multiplex, que se localizam majoritariamente em shopping-centers e possuem uma programação baseada em filmes convencionais Hollywoodianos e alguns filmes populares brasileiros. Entram nessa categoria redes como Kinoplex, Cinemark, Cineflix, as quais detêm grande porcentagem das salas de cinema disponíveis nas regiões metropolitanas. Tem como características básicas salas como distribuição padronizada, largo corredor de acesso, bonbonnière e uma tecnologia de exibição moderna e atualizada. Enquanto isso, no segundo modelo exibidor, temos os cinemas de arte, complexos com menos salas de exibição -via de regra menos de 6- e que se localizam em galerias e vias públicas. Ocupam uma porcentagem muito menor do mercado exibidor e oferecem uma programação de filmes alternativos. Tem como característica salas irregularmente dispostas, um público menor porém, fomentam práticas sociais apropriativas.(STEFANI,2009) Segundo Pintaudi(2002), os shopping centers, templos da mercadoria, se estabeleceram na sociedade não só como local de consumo mas de lazer. São, via de regra, espaços de encontro social, porém, estabelecem relações menos duradouras, controladas, privadas do espontâneo que não alcançam as possibilidades apropriativas e simbólicas oferecida pela rua. Stefani(2009), baseado em pesquisas que mostram que os frequentadores dos cinemas multiplex, em geral, enxergam o filme como mercadoria de lazer, consumido em resposta ao marketing ou ao espaço onde está inserido; sugere que a diferenciação entre os cinemas multiplex e de arte, superam o âmbito da programação e capacidades de reflexão, recaindo sobre a espacialidade. Enquanto os cinemas multiplex se aproveitam do espaço normatizado e controlado dos shopping centers, rompendo sua “existência física com o restante da cidade”; os cinemas de arte, coexistem com o espaço urbano e relacionam-se com as possibilidades oferecidas pelo espaço público. A pesquisa citada, conduzida pela Professora Ana Paula Simioni e redigida por Maria Gabriela Ribeiro e Rafael Esteves Gomes pela FAAP em 2001, buscou analisar o público dos cinemas multiplex. Segundo eles, os motivos apontados para a escolha do filme a ser assistido recaiam em fatores como: publicidade vista na televisão, outdoors ou dentro das salas de cinema, o horário de exibição ou acompanhar amigos. O que, segundo os pesquisado-

[ 33 ]

Cinema: da produção às ruas  

TFG 2015

Cinema: da produção às ruas  

TFG 2015

Advertisement