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Fiema 2012 Por Anahi Fros

Fio condutor de necessidades e soluções

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s quatro dias dedicados à Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente (Fiema) ficaram pequenos para quem acompanhou de perto a 5ª edição do evento, ocorrido em Bento Gonçalves (RS), nos pavilhões da Fundaparque. A diversidade da programação, distribuída entre os dias 24 e 27 de abril, além do alto número de expositores nacionais e internacionais– foram mais de 300 estandes espalhados em uma área 50% maior que em 2010 –, exigiram fôlego dos 22 mil visitantes que passaram pelo local. O interessante é que, em meio a tantas coisas para ver e ouvir, os assuntos convergiam, levando uma coisa à outra, em uma espécie de fio condutor. No rescaldo de todas as atividades, ficou clara a conectividade, mesmo que nem sempre intencional, mas certamente positiva, entre empresas, pessoas e iniciativas, entre elas um intenso networking. A definição de uma visão ecológica, defendida por Fritjof Capra no livro A Teia da Vida, qu e co n ceb e o mundo como um

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Feira ocorrida na Serra Gaúcha conectou soluções, ideias e pessoas em torno da temática ambiental, indo além do fechamento de negócios


todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas, cabe bem para definir a energia circulante na Fiema. A feira conseguiu gerar a interdependência necessária entre as necessidades de mercado, oferecendo soluções ambientais para a indústria, com os anseios da sociedade, que está despertando para a busca de um convívio sustentável, onde homens, mulheres e desenvolvimento possam dialogar sem prejudicar o entorno. Na contramão do que ocorria na Serra Gaúcha, o público da feira, assim como o restante do País, viu com perplexidade a Câmara dos Deputados aprovar, no dia 25 de abril, o relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) para o novo Código Florestal. O texto, que ainda precisava da sanção da presidente Dilma Rousseff até o fechamento desta edição, favoreceu a bancada ruralista. Entre os pontos polêmicos estão a suspensão das sanções e anistia a quem praticou crimes ambientais e a maior vulnerabilidade das áreas de preservação permanetne (APPs) em torno de nascentes e rios. A lição que fica da Fiema é que, enquanto a vontade política demonstra desconhecer os riscos de um retrocesso, empresas e corporações provam que estão à frente quanto ao futuro dos negócios, cada vez mais focados na busca da sustentabilidade, praticando que a terminologia indica: usar os recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.

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Espaço de convivência Vila + Sustentável encantou quem passou pela feira, ocorrida na Serra Gaúcha

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decorada nvívio foram Praças de co is reciclados com materia

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Salão de Arte Ambiental contou com mais de 80 trabalhos

Ao final do evento, música típica animou corredores

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Verde: um bom ne

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Área da feira aumentou 50% em relação a 2010

gócio

A Fiema é uma unidade de negócios da Fundação Proamb, criada em Bento Gonçalves em 1991, tendo como foco de atuação soluções ambientais. O evento se une a outras três linhas de atuação da entidade: aterro industrial, assessoria técnica e coprocessamento. Idealizada e consolidada a partir da iniciativa de um grupo de empresários que se reuniu em busca de uma alternativa para a destinação correta dos resíduos industriais, nada mais natural do que encontrar na feira um mix variado de expositores oferecendo soluções e serviços focados no meio ambiente e no desenvolvimento sustentável. Os stakeholders – interessados por projetos, gerenciamento, mercado e produtos de uma

empresa que circulavam pelo local – puderam conhecer de perto novas tecnologias, bem como travar negociações. O conceito que a Fiema vende, o chamado green is green (o verde é bom negócio), acaba se tornando um benefício também para o planeta. Nessa busca das empresas para tentar reduzir o impacto ambiental daquilo que produzem, seja por compreensão da necessidade, seja por cumprimento à legislação ou exigência de fornecedores, a Terra, e todos os seus habitantes, saem ganhando. Vale lembrar que, segundo pesquisa divulgada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) – também presente no evento, viabilizando a participação de micro e pequenas empresas e consultores gaúchos na feira – em 2011, 48% dos consumidores estavam dispostos a pagar até 10% a mais por produtos ou serviços que atendam a requisitos ecológicos e sociais. “A Fiema apresenta a cada ano novas tendências e práticas ambientais bem sucedidas no setor, que transformaram o evento em um gerador de experiências e de negócios importantes para o sul do País”, destacou o diretor comercial da Fiema Brasil, Neri Gilberto Basso. O presidente da Fiema Brasil 2012, Marcio Chiaramonte, reiterou a afirmação e comemorou os resultados. Ao final da feira, ele contou ter observado os estandes e eventos com o olhar de visitante, já que buscava, entre os expositores, parceiros para a construção da nova planta da Meber, líder no mercado gaúcho na fabricação de metais decorativos e utilitários, da qual é um dos proprietários. “Encontrei ótimas empresas e tecnologias. Também recebi o feedback positivo dos expositores e sugestões de melhorias, que sempre são bem-vindas e fazem com que a feira se qualifique a cada edição”, comentou, destacando o aumento da participação de comitivas internacionais, como vindas da Alemanha e Itália. A Fiema Brasil contou com a participação de representantes de dez países, entre expositores e palestrantes. No dia 24 de abril, por exemplo, ocorreu o Seminário para Soluções Ambientais das Empresas Alemãs, quando representantes da Küttner, grupo empresarial internacional dedicado à engenharia e construção de instalações industriais, mostraram que é possível fazer aproveitamento de resíduos urbanos para geração de energia elétrica. Já a Business With Brasil revelou as novas tecnologias de Hamburgo para o tratamento de lodo, coleta de lixo e reciclagem de sucata.


Gilmar Gomes/Fiema

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Fiema 2012

sarial tratou Primeiro Meeting Empre sustentável ça ran lide de

Eventos simultâ

neos

Além de centenas de expositores, cada um com interessantes experiências e soluções diversas para mostrar, a Fiema abriu espaço para 11 eventos simultâneos. Entre eles, destaque para o Meeting Empresarial, estreante na programação. Cerca de 230 líderes empresariais da região prestigiaram as apresentações do consultor Ricardo Voltolini, do gerente de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Braskem, Mário Pino, e do presidente da Tetra Pak para o Brasil e América da Sul, Paulo Nigro.

O espaço serviu de palco para o primeiro encontro da Plataforma Liderança Sustentável fora de uma capital brasileira. Voltolini, idealizador do projeto, abriu o meeting com uma análise das características comuns aos líderes selecionados para integrar o livro Conversas com Líderes Sustentáveis, origem da plataforma. Pino, da Braskem, defendeu que o líder sustentável é aquele que inverte a lógica tradicional e faz perguntas a si mesmo, antes de tomar decisões, e que as empresas têm de ter a coragem de “não vender para qualquer um”, cercando-se de cuidados em toda a cadeia produtiva. Paulo Nigro usou a sua história de vida para defender que tudo tem valor e pode ser transformado. Quando criança, ele acompanhava o pai, trabalhador da construção civil, recolhendo fios de cobre e outros objetos para vender, motivo que o fez despertar para as questões ambientais e sociais. “Palavras emocionam. Mas o que arrasta as pessoas é o exemplo”, aconselhou o empresário. A Fiema também abriu espaço para o debate da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), que até o mês de agosto deste ano obriga todos os municípios brasileiros a

A Fiema 2012 contou com 11 eventos simultâneos, abrindo espaço para o debate de diversos temas, como governança sustentável

apresentarem planos para resíduos sólidos locais. No dia 24 de abril, ocorreu o encontro intitulado “Gestor público: como adequar seu município às novas políticas”. Para discutir a legislação, foram convidados o diretor do Departamento de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Silvano Silvério da Costa, que falou sobre “A Política Nacional de Resíduos Sólidos: Exigências e Custos para o Atendimento da Lei”. Silvério é considerado referência nacional em relação à gestão de resíduos sólidos. Também esteve presente o atual secretário estadual de Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul, Hélio Corbellini, que apresentou o Projeto do Plano de Resíduos Sólidos do RS. Segundo o secretário, o Rio Grande do Sul está entre os quatro melhores projetos do Brasil. Já no dia 27 de abril, o tema pautou o 3º Simpósio de Legislação Ambiental. O evento reuniu cerca de 250 participantes e foi uma iniciativa da Comissão Estadual de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS). Participaram do encontro os técnicos da Proamb, Taísa Trevisan e Evandro Schweig, que explicaram sobre todos os processos que envolvem os resíduos sólidos. Como mediador estava o presidente da OAB/ RS subseção de Bento Gonçalves, Felipe Panizzi Possamai, e Sulamita Santos Cabra, representando o presidente da OAB/RS, Cláudio Lamachia. A lei determina, entre diversos pontos, o fechamento de lixões até 2014, a implantação da logística reversa, o reaproveitamento energético dos resíduos, a elaboração de planos de resíduos sólidos nos estados e municípios e a responsabi-

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Congresso Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente lotou auditório

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lidade compartilhada entre todos os integrantes da cadeia produtiva em relação à destinação dos materiais. O debate foi pertinente, já que os dados não são nada animadores. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, apenas 37% das cidades brasileiras possuem aterros sanitários controlados, o que significa que 63% ainda utilizam os chamados lixões. Cerca de 60% dos municípios não possuem qualquer tipo de coleta seletiva e 80% não desenvolvem programas para compostagem de lixo orgânico.

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Congresso Internacional de Tecnologia chamou a aten ção de estudantes universitários e pesquisadore s

Fórum de Jornalismo Ambiental debateu cobertura

Diversidade de temas Empresas que desenvolvem soluções para preservar o meio ambiente podem gerar lucros. Sabendo disso, centenas de empresas visitantes que buscavam soluções em tecnologias e serviços na área ambiental estreitaram laços com expositores durante a Rodada de Negócios, outro dos eventos simultâneos da Fiema. Foram 250 reuniões, todas focadas no econegócio. Mais de 140 pessoas participaram, na tarde de 25 de abril, da abertura do 3º Seminário de Gestão Ambiental na Agropecuária. O evento, presidido pelo pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Luciano Gebler, seguiu até o dia 26, tendo como eixo temático a gestão de resíduos. Palestraram o presidente da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera), Julio César Palhares, também pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, o consultor Luiz Carlos Ferreira Lima, representando a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), a pesquisadora Maria Cristina Diez Jerez, da Universidad de La Frontera, Chile, e o engenheiro agrônomo Ricardo Furtado, fiscal federal agropecuário no Rio Grande do Sul. Em paralelo, no dia 26, ocorreu o 3º Congresso

Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente. O auditório ficou lotado de acadêmicos de diversas universidades do RS e público em geral. Mais de mil pessoas assistiram às quatro palestras do dia. Entre os destaques internacionais, estava a especialista italiana que faz parte do Centro de Documentação e Pesquisa Sobre Tecnologias para Gestão Ambiental em países em Desenvolvimento (Cetamb), da Universidade de Bréscia, Sabrina Sorllini. O tema da palestra foi “Tecnologias para a utilização de resíduos industriais no setor da construção civil”. Ela mostrou ao público a eficiência na utilização de matérias-primas e insumos na construção civil. Em sua segunda edição, o Seminário de Segurança do Trabalho, ocorrido entre os dias 24 e 27 de abril, apontou que o setor é uma das principais bases de sustentação das corporações. Entre as falas esteve a abordagem das Normas Regulamentadoras (NRs) existentes e seu cumprimento, como a NR-12, que trata da Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos. Todos os temas discutidos na Fiema têm pautado com cada vez mais frequência os veículos de comunicação. Debater a forma como os assuntos são tratados pela mídia foi uma das tônicas do 1º Fórum de Jornalismo Ambiental, ocorrido no dia 25. A iniciativa contou com a participação de Ricardo Voltolini, Alan Dubner, Paulina Chamorro, Cláudia Piche, Vilmar Berna, Henrique Camargo e Reinaldo Canto, jornalistas experientes na área ambiental.

Política Nacional de Resíduos Sólidos, Legislação Ambiental, cobertura jornalística de temas ambientais foram alguns dos assuntos na feira


Fiema 2012 em prol da qualidade de vida e do meio ambiente”, explicou Gabriela. Na edição anterior, ocorrida em 2010, a Casa Sustentável também foi um dos chamarizes da Fiema. O projeto ganhou sobrevida em 2 de abril, quando a construção foi doada para a Associação Beneficente de Apoio ao Autista Gota D’Água, de

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Projetos Vila + Sustentável e Salão de Arte Ambiental chamaram a atenção dos visitantes que passaram pela feira por sua beleza e inovação

Viva a Natureza atende u 10 mil estudantes de diversos municípios da região de Bento Gonçalves durante a Fie ma

Bento Gonçalves. O destino das edificações da Vila + Sustentável ainda não foi definido. O 3º Salão de Arte Ambiental foi mais uma vez um dos destaques da feira. Maior e com novos nuances, o evento contou com 86 trabalhos, proporcionando momentos de reflexão sobre a transformação da natureza através da arte. Cultivando consciência Relacionar a temática meio ambiente com o futuro, questio-

nando que mundo deixaremos para nossos filhos, já virou um clichê quando se fala em mudança de hábitos. A Fiema vem saindo do discurso desde sua primeira edição e ensinando na prática que é possível atingir os principais interessados por um planeta melhor: as crianças. O projeto Viva a Natureza se consolidou e, neste ano, abordou o Consumo Consciente, relacionando a nem sempre necessidade de aquisição de bens com a realidade infantojuvenil. Os instrumentos utilizados foram duas oficinas lúdico-pedagógicas, uma de jogos virtuais com conteúdos produzidos pela ONG Akatu Mirim, e outro de customização de sacolas retornáveis, e a peça teatral O segredo de Maria Amália, baseada no livro homônimo de autoria de Rudáia Correia e Cris Guimarães, desenvolvido especialmente para o evento. A peça foi dirigida e encenada pelo Grupo Teatral Orelhas de Abano, de Bento Gonçalves. O Viva a Natureza atendeu 10 mil estudantes de diversos municípios da região durante o projeto, por meio de quatro programações diárias, dividas durante a manhã e tarde. No período de uma hora e meia, os pequenos assistiam à apresentação teatral para, logo depois, participarem das oficinas. O espaço contou ainda com a exposição Recicla Arte, composta por obras elaboradas por alunos da rede pública e privada do município gaúcho com material reciclado. O resultado de tanto esforço podia ser medido na fala do público presente, que saiu com o recado na ponta da língua. “É importante separar o lixo para deixar a natureza limpa. Se não fizer isso, o mundo fica poluído, a sujeira entope os bueiros e a cidade fica alagada quando chove”, ensinava, animado, Chrigor da Silva Barreto, seis anos, do Colégio Scalabriniano Nossa Senhora Medianeira.

no Nossa Scalabrinia io g lé o C duas o Alunos d rovaram as ianeira ap d jeto e ro M p ra o o d h Sen l exclusiva eça teatra p e as n ci ofi

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A Fiema vai além de se apresentar como uma feira de negócios, abrindo espaço para a arte, a fruição e o lúdico. Entre os eventos paralelos, três deles chamaram a atenção por seu foco de interação, muito mais do que de vendas: os projetos Vila + Sustentável, Viva a Natureza e Salão de Arte Ambiental. Cada um, ao seu modo, mostrou que a preocupação dos organizadores foi além de atender a cadeia produtiva. Espaço de convivência criado com base nos princípios da sustentabilidade, a Vila+Sustentável era um dos locais mais fotografados pelos visitantes. Repassando a ideia de uma rua comercial, com aproveitamento de meio quarteirão, as construções reproduziram um condomínio de parceiros unidos para dividir algumas facilidades, multiplicar iniciativas e somar interesses, totalmente aplicável ao cotidiano das grandes cidades. O telhado verde de uma das construções – jardim suspenso que consiste na aplicação e uso de solo e vegetação sobre uma camada impermeável na cobertura de edificações, facilitando a drenagem e fornecendo isolamento acústico e térmico – se destacava pelo diferencial estético e ambiental. O projeto teve a assinatura das arquitetas Gabriela Pizzetti e Cristiane Kaiser, do escritório Toni Backes Paisagismo&Arquitetura, de Nova Petrópolis. “A Vila+Sustentável congregou os elementos arquitetônicos em torno de uma grande praça, com atividades culturais e comerciais, com ações

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os Fruição e exempl

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Empresa gera soluções ambientais há 18 anos

Enfil dá conta de toda cadeia de atendimento

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exterior faz com que a corporação garanta total conformidade com rigorosas especificações técnicas requeridas pelo mercado. O diferencial da Enfil está Engenheiro Alderico Marchi ligado principalmente ao fato de a empresa oferecer A Enfil, especialista em tecnologias ambien- não somente os equipamentos demandados, tais, mostrou na Fiema suas quatro áreas de muitos deles customizados ao negócio, mas no negócio, levando à feira a expertise de quem, apoio a toda estrutura operacional necessária. “Definimos o processo, desenhamos, fornehá 18 anos, gera soluções para o controle da poluição atmosférica, tratamento de águas e cemos e montamos o equipamento e a estrutuefluentes líquidos, cogeração a partir do lixo ra operacional”, destaca o diretor de Negócios, e gestão de resíduos e recuperação de áreas Gestão de Resíduos e Recuperação de Áreas contaminadas. Na carteira de clientes, gigantes Contaminadas, o engenheiro Alderico Marchi. Pioneira no País na cogeração a partir do recomo a Petrobrás, Vale, Klabin, OSX – empresa de estaleiros do grupo EBX, do empresário Eike síduo, uma alternativa para os lixões, a empresa oferece tecnologia para manipular a matéria Batista –, entre outras. A aliança estratégica com fornecedores orgânica do resíduo para a geração de energia e parceiros técnico-comerciais no Brasil e no elétrica. Marchi explica que 90% dos resíduos

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contêm carbono, matéria-prima na obtenção do de energia. Apesar de o Brasil ainda usar de forma incipiente esse elemento, o especialista acredita que haverá avanços no setor. “O País tem trabalhado forte na área de matriz energética. A sociedade tem de compreender e se preparar para a adoção de novos padrões”, complementa o gerente de Marketing da Enfil, Marco Fernandes. A emp re s a co nt a co m duas áreas fabris no estado de São Paulo, uma na capital e outra em Itu. Certificada pela TÜV Rheinland Brasil, sob a supervisão do Inmetro, a Enfil está em conformidade com a NBR ISO 9001.


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Foco no setor público

Líder no segmento

A Fiema contou com diversos expositores referência em seus segmentos. Foi o caso da B&F Dias, presente pela segunda vez na feira. Com 20 anos de operações no Brasil, ela é líder em sistemas de aeração por ar difuso na América Latina, com mais de 1,5 mil plantas de tratamento de efluentes fornecidas no País e exterior. A linha de sistemas e equipamentos, produzidos em Vinhedo, no interior de São Paulo, também oferece sistemas de geração de ar (sopradores) e linha de acessórios. O assistente de vendas Raphael Alencar indica que diversas pesquisas e estudos consolidaram a utilização de sistemas de aeração por ar difuso para aplicações em diversos tipos de processos em estações de tratamento de efluentes e em processos industriais por conta de sua elevada eficiência e baixo custo de operação. “E, especialmente, pelo menor custo de energia necessário”, destaca.

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A norte-americana Parkson trouxe para o Brasil, na década de 1990, sua tecnologia para tratamento de água industrial, potável, reúso, tratamento de esgotos industriais e sistemas de drenagem de esgotos sanitário e industrial. Em 2001, passou a fabricar os equipamentos em Curitiba (PR), oferecendo uma linha completa, que cobre todas as fases de um projeto. Pela primeira vez na Fiema, a empresa tem como um dos focos a prestação de serviços para os municípios brasileiros que ainda não contam com tratamento de água e esgoto. “Hoje, 50% dos nossos negócios são voltados ao setor público”, revela o gerente comercial da Parkson do Brasil, Anderson Silvano. Ele elogiou a feira, que considerou um ótimo espaço de networking.

Artesã Nair Brezolin

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Moda sustentável

Restos da indústria viram moda

Raphael Alencar destaca diferenciais

Eco-design e moda sustentável na prática. A gaúcha Nair Brezolin cuidava de idosos até fazer um curso de reciclagem de materiais na década de 1990. “Na época, vi que não havia preocupação com o resíduo têxtil, que era descartado com o lixo orgânico”, recorda. Habilidosa no crochê, criativa e acostumada a costurar e reformar as roupas dos três filhos, hoje adultos, Nair perce-

beu ali uma oportunidade de negócio. Surgiu assim a San Nathorius, localizada em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. As belas peças, que incluem bolsas e acessórios, são desenvolvidas artesanalmente por meio do aproveitamento de resíduo da indústria têxtil. “Cada peça é única, nenhuma se repete”, destaca a artesã. O insight que Nair teve quanto ao aproveitamento de tecidos há mais de uma década hoje é realidade local. Desde 2009, a cidade conta com o Banco do Vestuário, que aproveita resíduos do setor para a geração de trabalho e renda em comunidades socialmente excluídas, iniciativa da prefeitura municipal em parceria com autarquias, universidade e sindicatos.

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Gerente comercial Anderson Silvano

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Sidnei Almeida e as caixas ecológicas

Legislação na nuvem

Lixeira de tubo de creme dental

Portugueses Daniel Afonso (esquerda) e Antônio Oliveira

Não houve quem não parasse para olhar o estande da Metagreen. Não era para menos. A empresa, com sede em Santa Bárbara do Oeste (SP), fabrica coletoras e lixeiras, ou caixas ecológicas, como são oficialmente denominadas, que têm como matéria-prima 30% de tubos de creme dental, 25% de alumínio e 75% de plástico, tudo reciclado. Atualmente, são fabricadas cerca de 600 unidades por mês. “A Fiema é uma porta de entrada para empresas potencialmente interessadas no produto. Aqui elas podem ver de perto o que produzimos, além de reforçarmos nossa marca”, comentou o diretor da empresa, Sidnei Almeida, participando pela segunda vez do evento.

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Uma plataforma que dá conta da gestão de legislação ambiental, gestão do risco e planejamento e controle do negócio. O software RiskOff foi a novidade levada à Fiema pelos portugueses Antônio Oliveira, responsável comercial, e Daniel Afonso, responsável operacional da EnviSolutions. Focados na busca por parceiros locais, eles apresentaram aos visitantes uma forma viável de buscar na nuvem – dados que podem ser acessados pela Internet em qualquer lugar do mundo – informações centralizadas e alterações nas leis ambientais, diminuindo o extenuante trabalho de verificação do cumprimento das normas.

Cristian Cirveletto aproveita resíduos

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A Serra Gaúcha é reconhecida pela qualidade de sua uva e vinhos. A Adubare, de Veranópolis, viu no setor uma fonte de compostos orgânicos de excelente qualidade, obtidos por meio do recolhimento e transformação de resíduos sólidos de agroindústrias da região. A empresa implantou um sistema de recolhimento da sobra dos resíduos das vinícolas, indústria de suco concentrado e incubatórios. “Esses resíduos largados na natureza provocam sobrecarga com graves danos ao meio ambiente. Além disso, o produto final da compostagem é uma forma econômica de agregar carbono ao solo, melhorando suas características físicas, químicas e biológicas”, destacou o engenheiro agrônomo da empresa, Cristian Zandoná Criveletto.

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Sobras de vinícolas viram compostos

Engenheiro Fábio Rahmeier explica processo


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Visão do todo

Tetra Pak mostrou processo de reciclagem

Reduzindo impacto dos pesticidas Pequenos estandes também guardavam gratas surpresas. A tecnologia desenvolvida pela OZ Engenharia e apresentada pela primeira vez na Fiema impressionou quem parou para ouvir as explicações do engenheiro Fábio Rahmeier sobre o equipamento que transformava o líquido de coloração verde em água límpida. A empresa porto-alegrense desenvolveu um equipamento que degrada pesticidas em pátios de descontaminação de aviação agrícola, que poluem o solo e colocam em risco a biodiversidade. Considerando que o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos, e que a aplicação via aviação agrícola representa 10% da pulverização da produção no Brasil, é possível dimensionar a importância do sistema criado pela OZ, sediada em Cruzeiro do Sul, com filial na TecnoPUC, em Porto Alegre.

“A aplicação de ozônio é a tecnologia limpa utilizada no processo. “Comprovamos a ação oxidante sobre os pesticidas, mas é um processo minu-cioso, que exige cnhecimento”, comentou Rahmeier. O empreendimento é oúnico no país gerador de material técnico-científico nas mais diversas áreas de aplicação de ozônio, mantendo convênios com seis importantes universidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Agora, o que falta para a empresa é ver a necessidade de descontaminação transformada em exigência legal, o que exige vontade política de cada Estado da Federação.

Cultura do reaproveitamento Lourdes e Glaci Nichetti, tia e sobrinha, integravam o espaço destinado à Economia Solidária de Bento Gonçalves na Fiema, espaço que atraiu milhares de visitantes por seu caráter artesanal e de valorização da cultura local. As artesãs, integrantes da Associação Pinto Bandeirense de Turismo, são de um tempo em que se praticava a sustentabilidade antes mesmo de a palavra virar jargão nos mais diversos setores. “Somos descendentes de italianos, que vieram para esta terra com poucas condições financeiras. Eles nunca jogaram nada fora, aproveitando restos de linha, palha do trigo, entre outros, e transformando-os em peças úteis, como bolsas e roupas”, recordava Glaci.

Lourdes (esquerda) e Glaci Nichetti

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dissemina o conhecimento socioambiental junto a educadores e estudantes. A empresa fornece produtos para mais de 170 países ao redor do mundo, contando com aproximadamente 22 mil funcionários em mais de 85 países.

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A Tetra Pak, líder mundial em soluções para processamento e envase de alimentos, apresentou na Fiema suas principais ações na área de meio ambiente. No estande da companhia, o visitante conheceu o processo de reciclagem das embalagens longa vida – separação do papel e dos outros elementos que compõem o envase (plástico e alumínio) –, bem como os produtos que podem ser feitos com os materiais reciclados. O público também teve a oportunidade de acessar as plataformas digitais criadas pela empresa, com destaque para o Rota da Reciclagem, p or tal desenvolvido para conscientizar a população sobre a importância da coleta seletiva, e o Portal Cultura Ambiental nas Escolas, que

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Nova unidade no RS

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Reciclagem de fluorescentes

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Um dos destaques da Fiema, e assunto nos corredores da feira, era o estande da Apliquim Brasil Recicle, empresa especializada em tratamento de resíduos mercuriais, descontaminação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Um painel extremamente didático, acompanhado da explicação detalhadas dos expositores, mostrava todo o processo de recuperação do mercúrio das lâmpadas para seu estado líquido elementar, evitando a extração do metal de transição tóxico e fazendo com que o produto volte à indústria, gerando a tão falada logística reversa. A matéria-prima é utilizada para a fabricação de revestimento cerâmico, vidro, mercúrio engarrafado, aço inox, alumínio, latão, entre outros. Com unidades fabris em Indaial (SC) e Paulínia (SP) e administração central em Porto Alegre (RS), possui uma carteira de mais de 3 mil clientes em todo o Brasil. Segundo o diretor da Apliquim Brasil Recicle, Eduardo Sebben, a participação no evento foi importante para a empresa: “É essencial estar sempre em contato com nossos clientes, expor nosso trabalho para o público que ainda não o conhece, além de ter a oportunidade de trocar ideias e experiências com pessoas de outras companhias, inclusive de fora do Brasil”.

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Empresário Eduardo Sebben

Atuando e cinco frentes, a Essencis reservou espaço de destaque na Fiema, da qual participou pela segunda vez. Em 2010, a empresa paulista, fruto da parceria entre os grupos Solví e Cavo, e líder no mercado de soluções ambientais, ainda não contava com unidade no Rio Grande do Sul. Desta vez, levou para o evento serviços que agora também são gerados em Capela de Santana, município gaúcho, fábrica inaugurada em 2011. O parque fabril conta com infraestrutura e sistemas necessários para selecionar a melhor tecnologia para o processo produtivo industrial, tratamento e a destinação final dos resíduos, de acordo com a política ambiental do cliente e o tipo de resíduo gerado. O espaço conta com Aterro de Resíduos Industriais Classe I e II, ambos cobertos,

Claudineia Cilião valida feira

e Pavilhão de Triagem de Materiais Recicláveis. A coordenadora comercial da regional Sul da Essencis, Claudineia Cilião, considerou a feira um importante espaço para o contato com potenciais clientes. “A Fiema foi válida e gerou a prospecção de novos negócios”, revelou.


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Silvia Blumberg faz do resíduo luxo

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Tinta de caneta esferográfica dá tom à jóia

Inspiração A coordenadora de Educação e Mobilização Comunitária no Instituto Akatu, Mirna Castro Folco, se dizia encantada com o que viu e ouviu. A ONG, que busca mobilizar as pessoas para o uso do poder transformador dos seus atos de consumo consciente como instrumento de construção da sustentabilidade da vida no planeta, foi parceira pela primeira vez da Fiema no projeto Natureza Viva, voltado à conscientização de crianças e jovens quanto ao tema. Ela achou tudo super organizado e ficou impressionada com a quantidade de crianças recebidas – foram 10 mil nos quatro dias de evento – e a qualidade do atendimento prestado e da peça teatral apresentada. “É sensacional ver a ludicidade e a temática ambiental dentro de uma feira industrial, de negócios. Saio daqui inspirada”, comentou.

Garrafa por cupom A Holanda tem apenas 3% do seu lixo descartado em aterros. O país conta com uma máquina que troca garrafas PET vazias por dinheiro. Funciona da seguinte forma: a pessoa coloca o recipiente no equipamento, a máquina pesa e, ao final, recebe um cupom. Em Amsterdã, três garrafas pet devolvidas para a máquina valem o equivalente a R$ 3.

tidas com massa de espinafre e beterraba, criando tonalidades exclusivas. Misturadas a ouro, prata e pedras brasileiras, as criações embelezam celebridades como Suzana Pires, Juliana Paes, Eva Vilma, Luiza Brunet e Glória Maria. “Agora, estou trabalhando minha nova coleção, feita com bagaço da palha da cana-de-açúcar”, adiantou Silvia.

O Brasil já oferece tecnologia similar. Foi o que mostrou a ECO RVS, de São Paulo, representante da alemã Wincor-Nixdorf. Ela levou à feira a chamada Solução de Venda Reversa (RVS), por meio de um equipamento similar ao holandês. Ele também gera um cupom na hora do descarte de garrafas PET, latinhas de alumínio e plásticos em geral, revertendo em algum benefício ao consumidor, como recebimento de um brinde na troca do comprovante. A gestora ambiental da ECO RVS, Leandra de Mattos Spezzano, revela que os principais clientes são empresas de envases de bebidas, que patrocinam a tecnologia, já utilizada em grandes eventos, como festas e jogos esportivos.

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A Fiema acabou abrindo espaço para uma joalheira sustentável. Materiais que seriam jogados no lixo se transformam em joias nas mãos da designer carioca Silvia Blumberg, iniciativa que lhe conferiu prêmios nacionais e internacionais. A reação dos visitantes era de perplexidade, ao serem informados pela artista de que as luxuosas e bonitas peças eram feitas de materiais como prata reciclada de radiografia, pó de madeira, cimento, tijolo, pirita, pedras e até mesmo restos de tinta de caneta esferográfica. Algumas colorações foram ob-

Mirna Castro Folco, do Akatu

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Resíduo luxuoso

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Revista Visão Ambiental - Especial Fiema 2012  

Reportagem especial da Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente (Fiema), ocorrida entre os dias 24 e 27 de abril, no Parque de...

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