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Adrielle ThaĂ­s

Uma dose a mais de sonho


Uma dose a mais de sonho


Uma dose a mais de sonho MemĂłrias de um leitor Adrielle ThaĂ­s


Copyright © 2017 by Adrielle Thaís Todos os direitos reservados Capa Ana Cláudia Muniz Soares Valério Projeto e diagramação Ana Cláudia Muniz Soares Valério Preparação Juliana Matos Adrielle Thaís

Revisão Juliana Matos Imagem da capa LittleSonrisa Imagens do miolo P.áginas 8, 16, 20, 28 e 35 Google Images Restante das imagens - Acervo pessoal da autora

Coordenação Editorial Ana Elisa Ribeiro Oséias Silas Ferraz

CEFET-MG 2017


Uma dose a mais de sonho Desde pequena meu pai me incentivou muito a ler, toda semana ele comprava uma pasta que continha dez livros infantis. Lembro-me de esperá-lo ansiosa para começar aquela aventura, pois ler é viajar, é se imaginar em outro mundo, é esquecer-se de todos os problemas e se preocupar com a mocinha da história, é temer que vilão vencesse, mesmo sabendo que ele sempre se dá mal no final da história. Foi assim que eu aprendi a sonhar e me imaginar nas aventuras: voar como Peter Pan, ver crescer o nariz do Pinóquio, dançar como a Cinderela na noite em que ela perdeu o sapatinho, chorar ao lado dos sete anões quando a Branca de Neve foi 9


envenenada, torcer para Chapéuzinho não ser enganada pelo lobo mau, escolher três desejos com a lâmpada de Aladim, querer voar como a fada Tinker Bell. E assim sonhei durante toda a minha vida, a minha infância foi rodeada de aventuras e personagens maravilhosos, no qual me recordo até hoje.

(Personagens principais dos clássicos infantis)

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É ótimo quando alguém te incentiva à leitura, mas é melhor ainda quando chega a sua vez de repassar esse incentivo a alguém, e foi assim comigo, pois eu tenho uma irmã cinco anos mais nova, e todos os livros que eu tinha, foram repassados para ela. Lembro-me da época em que ela ainda não lia, mas amava me escutar contar os clássicos, adorava apreciar as imagens dos livros, e ela conseguiu virar amante dos livros, confesso que até mais do que eu. Meu segundo grande incentivo foi uma professora de português, chamada Eliane. Imagina uma professora que fazia com que uma turma de 40 alunos lesse um livro por semana. O mais incrível é que com a sua didática ela conseguiu fazer com que os alunos lessem clássicos como A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. A melhor parte era quando fazíamos teatro interpretando os personagens. Além disso, ela premiava o aluno que melhor contasse a história do livro lido da semana e dentro dessa avaliação havia vários critérios 11


que os alunos deviam seguir. É impossível esquecer um evento chamado o dia do livro que a professora Eliane fez na escola, com o intuito dos alunos trocarem livros. Funcionava da seguinte maneira: se você tinha 10 livros, você tinha direito de trocar por outros 10 e assim você poderia trocar os livros que você já havia lido por novas histórias. Com isso, minha mãe tinha muitos livros antigos, separamos todos e fui trocá-los. Alguns que troquei foram chatos, confesso que até hoje, depois de oito anos, ainda não li. Mas em compensação, troquei também por alguns que eu nunca havia ouvido falar e que eram simplesmente INCRÍVEIS. Dos livros que troquei, o primeiro que li e jamais vou esquecer é A menina de cabelo azul, de Ivani Versiani. Esse livro conta a história de primos e primas que foram passar as férias em uma fazenda. Todos estavam com muita expectativa, porém choveu praticamente todos os dias e eles 12


decidiram aproveitar as férias de outra maneira, e com isso eles vivem uma aventura com muita fantasia. Essa foi uma leitura que me prendeu muito durante todo o enredo. O mistério faz parte do livro do o início ao fim, e por isso, a sensação de quando você começa a ler é de não parar mais, ir até o fim, porque a curiosidade prende o leitor. O mais interessante nessa obra literária são as suas abordagens: motivos de reflexão sobre a vida familiar: preconceitos, valores, histórias da família através de documentos, objetos e fotos. Outro livro que adquiri nessa troca e que ficou marcado foi de Odette de Barros Mott, “E agora?”. Esse livro já estava bem velhinho quando troquei, e hoje está mais ainda, bem amarelado e a capa já esta se desfazendo como você pode observar na imagem abaixo. Apesar da precária condição do livro, a minha atenção se despertou principalmente pela capa. A imagem divida do rosto branco/negro ativou a minha 13


(Capa do livro “E agora?� - Odette de Barros Mott)

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curiosidade em saber do que se tratava o livro, pois ele não tinha nenhum resumo na quarta capa. Então comecei a ler, posso dizer que é um livro que retrata muito sobre o preconceito existente até mesmo dentro da família, das diferenças sociais e da realidade das pessoas menos favorecidas financeiramente. Eu estava curiosa para saber o final da história e quando cheguei quase no fim, descobri que faltavam páginas. Procurei esse livro para comprar na internet, procurei em bibliotecas e não tive sucesso. Hoje ao escrever esse texto, me veio à mente de procurar mais uma vez, e consegui encontrá-lo para comprar no site Livro Nauta, somente usado. Além disso, encontrei no mesmo site uma descrição do livro: A protagonista Camila é uma adolescente pobre que nasceu na Bahia. Algum tempo depois mudou para São Paulo com sua família. Seu pai conseguiu emprego em uma fábrica e as duas irmãs mais velhas foram trabalhar como

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domésticas, enquanto Camila ficava em casa com sua mãe. A jovem tinha vive alguns dramas: a falta de dinheiro dos pais, não gosta de viver em uma vila pobre onde as vizinhas despejam a sujeira dos seus pinicos no quintal, tem pavor de pedir fiado na venda do seu Manoel e ainda enfrenta o próprio preconceito, ela tem vergonha da mãe e das duas irmãs, por serem negras, já que ela tem a aparência mais parecida com seu pai que é português. Então Dona Janda, amiga de sua mãe oferece uma proposta de emprego para Camila na casa de uma professora (Dona Marcela). O serviço é leve, na verdade serve mais como uma companhia para Dona Marcela. Suas irmãs ficam indignadas com a sorte de Camila, chamam de estrelada, descascada de tão branca que era. A jovem vê este emprego como oportunidade, uma fuga para todos seus problemas. (Disponível em: https://www.livronauta.com.br/ livro-Odette_de_Barros_Mott-E_Agora-Brasiliense-Lena_Livros-Goiania-48279461)


Além da descrição acima, lembro-me que Camila começou a namorar com o sobrinho de Dona Marcela, que era estudante de medicina. Mas não pude saber qual foi o final da história, pois o livro faltava muitas páginas, então eu mesma criei o meu próprio final. O tempo foi passando, fui comprando e ganhando outros livros e acabou que empolguei com outras histórias deixando a do livro que faltava páginas no esquecimento. Ao mudar de escola minha nova professora de português era muito desanimada, era notório que ela estava na escola somente para cumprir a sua carga horária. As aulas eram sempre monótonas, e todo semestre era o mesmo trabalho: ler o clássico que ela escolhia e fazer uma análise crítica. Os alunos não queriam ler os livros, a maioria fazia a leitura do resumo na internet e apresentavam o trabalho. Hoje paro para refletir, será que era falta de incentivo? Falta de uma aula mais animada? Mais dinâmica? Lembro-me que 17


nesse período fiz menos leituras do que nos anos passados. Mas é claro que não deixei de ler, principalmente os clássicos solicitados pela querida professora, como: os Lusíadas, de Luís de Camões; Iracema, de José de Alencar; Macunaíma, de Mário de Andrade entre outros que não me recordo no momento. Os anos foram passando e as leituras foram se modificando, os gostos foram sendo alterados, mudei de

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(Capa do livro “Querido Jhon” – Nicholas Sparks)


escola e fui para o ensino médio. Assim, comecei a ler bastante Best Sellers, e alguns ficaram marcados como Querido Jhon. O que você faria com uma carta que mudasse tudo? Essa é a frase que está escrita na capa do livro que foi lançado em 2007, mas que eu tive a oportunidade de ler em 2008. Esse livro também tem a versão em filme, e muitas pessoas conhecem a história pelo filme. Trata-se de um romance que tem uma história linda e que me surpreendeu muito no final, pois o amor vence de uma maneira diferente das histórias tradicionais. Sempre quando lemos um livro de romance temos a expectativa é de que o casal apaixonado do início do livro ficará junto e feliz. Porém, a história de Querido Jhon traz outro final. Jhon é um rapaz sem muitos objetivos na vida, sem muitos planos, vivia com seu pai, pois sua mãe havia o abandonado quando ele era criança. Após concluir o ensino médio, decide alistar-se no exército e durante a sua licença conhece Savanah, a garota dos seus sonhos. A atração mútua cresce rapidamente e logo se transforma em

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um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperálo concluir seus deveres militares. Porém, ninguém previa o que estava para acontecer, por causa dos atentados de 11 de setembro Jhon teve que voltar para o exército e começou a se comunicar com Savanah por cartas. Com o tempo, o relacionamento dos dois vai se desgastando e um dia ele recebe uma carta de Savanah lhe pedindo desculpas, pois ela havia se apaixonado por outra pessoa. Depois dessa parte que consegui compreender a frase escrita na capa do livro: “O que você faria com uma carta que mudasse tudo?”, pois uma carta fez com que Jhon ficasse desnorteado. Durante esse período Jhon também perde o pai e se alista novamente no exército e tenta ficar nos lugares mais perigosos para tentar esquecer o futuro que planejara. Depois de alguns anos ele volta para a cidade onde Savanah morava, e os dois se reencontram, Jhon descobre que Savanah está casada e que seu marido está muito doente. Acredito que 20


para a surpresa de todos os leitores, Jhon faz uma doação da coleção de moedas do seu pai para ajudar no tratamento do marido de Savanah. Esse livro fez muito sucesso no público adolescente, e acredito que surpreendeu todos os leitores, pois eu mesma imaginava que Jhon fosse voltar e que ele ficaria com Savanah. Além disso, o autor consegue em um mesmo livro falar de vários temas, que apesar de Querido Jhon ser um romance, ele também fala de guerra, do difícil relacionamento entre pais e filhos e até mesmo da síndrome de asperge, que é a doença que o marido de Savanah estava tratando. Com isso, Querido Jhon não fui o único de autoria do Nicholas Sparks que eu li, logo em seguida li também, um amor para recordar, que faz jus à frase que acompanha o título na capa do livro: “Esta é a minha história e prometo contar tudo. No início você vai sorrir e, depois, chorar – não diga que não avisei.” 21


(Capa do livro “Um amor para Recordar” – Nicholas Sparks)

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(Nas primeiras páginas do livro, encontra-se esta pequena mensagem de Landon)

Um amor para recordar é um livro pequeno de apenas 187 páginas, que me fez sorrir muito no início e me emocionar no final, como o próprio Landon havia avisado. Esse livro foi o terceiro publicado por Nicholas Sparks e o oitavo de ficção mais vendido no Brasil em 2011. A protagonista desse livro, Jaime, foi inspirada na irmã do Nicholas Sparks, Daniella 23


Sparks, e essa história foi transformada em filme três anos após a publicação do livro. Sparks deixa claro que deixou o final do livro em aberto, para que cada leitor tivesse a sua própria interpretação sobre que aconteceu. Com isso, eu não irei relatar a história desse livro, como fiz no Querido Jhon, pois concordo com o autor e acho que cada um precisa ter sua interpretação. Os últimos anos do ensino médio chegaram e os professores pediram para cada turma criar um chá literário. Cada sala ficou responsável por um escritor, a minha foi Machado de Assis, e representamos esse escritor da melhor maneira, com paródias, teatros e muita música além de termos decorado toda a sala. A turma toda trabalhou em sintonia e fomos destaque da escola. O teatro que fizemos em sala foi da obra A mão e a luva, que é o segundo romance escrito por Machado de Assis, publicado em 1874, e conta a história de Guiomar, moça de origem simples e ambiciosa 24


que é cortejada por três pretendentes, com personalidade e caráter distintos. Em permanente conflito entre a emoção e a razão, a decidida Guiomar vai ter de escolher a “luva” que melhor se ajustará à sua mão. Abaixo segue a foto da minha turma em 2013 no dia do chá literário:

(Café Literário. Apresentação sobre o escritor Machado de Assis.)

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Meu último ano na escola foi de muitas incertezas. O ano de escolher qual vestibular prestar, qual curso fazer. Como nunca fui muito fã da área de exatas optei por fazer Letras, porque sempre gostei muito de ler, e sempre fui muito paciente para ensinar. Então tive a certeza de que queria ser professora. Com isso, me inscrevi em duas faculdades para cursar Letras: CEFET-MG e UEMG. Para a realização da prova era necessário que o aluno lesse um livro, não me recordo qual foi o da UEMG, mas sei que o do CEFET foi Uma Vida Em segredo de Autran Dourado. Esse livro conta a história da moça Biela, que, depois da morte do pai e já órfã de mãe, é obrigada a deixar sua terra, a Fazenda do Fundão, para morar na cidade, em casa de parentes. Durante o enredo o narrador evidencia a simplicidade, o desapego aos bens matérias de Biela e através do fluxo de consciência, o autor mostra a inadaptação da personagem ao espaço urbano. Além de ter lido esse livro 26


(Capa do livro “Uma vida em Segredo – Autran Dourado)

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para fazer o vestibular, também fiz um trabalho na escola no terceiro ano do ensino médio com apresentação e teatro. Depois de ter lido os livros necessários para o vestibular, fiz a prova e fui aprovada nas duas seleções. A dúvida era: qual das duas instituições escolher? A maioria dos meus professores me orientou escolher o CEFET, pois é mais “reconhecido” do que a UEMG. Com isso, escolhi o CEFET mesmo sabendo que não era um curso de licenciatura e sim um curso focado para área de edição. Até hoje carrego um sentimento de frustração, pois depois que dei inicio ao curso não tive mais tempo de ler os livros que eu tinha costume de ler, e a bagagem que carrego comigo das leituras feitas a partir do ano de 2014 foram os livros teóricos solicitados pelos professores. Quase não tive aula de literatura, afinal esse curso não é de licenciatura. Porém, o pouco que tive, pude fazer uma segunda leitura de livros que eu já havia lido no ensino médio, 28


como por exemplo, Macunaíma, que é uma mistura de lendas e mitos indígenas e folclóricos. A primeira leitura desse livro foi bastante confusa principalmente por ter vocabulários que eu não conhecia, e por precisar fazer constantes buscas no dicionário, pois Mário de Andrade tenta aproximar a escrita da língua falada, então no meio do texto encontrase “milhor” em vez de melhor, “sinão” em vez de senão, ele utiliza também muitas gírias e expressões indígenas. Além disso, o livro possui características que o torna diferente dos demais, como por exemplo, a construção do tempo e do espaço que não seguem as regras de uma narrativa tradicional, pois ao mesmo tempo em que Macunaíma está em São Paulo, ele cavalga até Manaus e na linha seguinte ele já está na Argentina. Outro detalhe que na primeira leitura me deixou confusa, é que Macunaíma nasce negro e no meio da história ele se banha em uma poça de água que o transforma em homem branco, e também morre duas vezes ao longo da narrativa.

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(Foto comparativa de Macunaíma negro e após o banho milagroso, Macunaíma Branco)

O mais interessante é que ler Macunaíma me fez relembrar de outros índios retratados na literatura brasileira, principalmente no período do romantismo, como por exemplo, José de Alencar em O Guanari, que era uma figura totalmente idealizada, com toda sua bravura e nobreza. Portanto, a experiência que tive da primeira leitura de Macunaíma foi de estranheza, mas na segunda leitura eu já havia acostumado com a narrativa e fiquei surpresa de 30


como gostei do livro. O mais interessante é que Mário de Andrade conseguiu encaixar dentro da história várias lendas populares e ele mesmo classificava a obra como antologia do folclore brasileiro. Agora fugindo um pouco de literatura e entrando mais na área da sociolinguística, li alguns livros do escritor Marcos Bagno, dentre eles A língua de Eulália, que foi o primeiro que me fez despertar a curiosidade por essa área. Esse livro fala de três universitárias que são professoras e que viajam para o interior de São Paulo para passar as férias na casa de Irene, uma linguista. A empregada de Irene, Eulália, tem o português falado muito criticado pelas universitárias. Com isso, o enredo é desenvolvido com Irene explicando questões linguísticas, mostrando que não faz sentido existir o preconceito linguístico, uma vez que a língua portuguesa está em constante alteração, e que além de variar geograficamente, no espaço, também muda com o tempo, ou seja, toda língua 31


muda e varia. Gostei muito do livro, pois encontramos diariamente com pessoas que se queixam por não saber falar o português corretamente. Ao pesquisar sobre o Marcos Bagno, encontrei uma entrevista feita com o autor para o Jornal do Commercio, em 29 de outubro de 1998 no Recife, sobre a publicação do livro em 1997. Ao ser indagado do que se trata a obra, Bagno refere-se a ela como: “um livro sobre alguns problemas de ensino da língua portuguesa, e principalmente um livro sobre o preconceito linguístico que impera na nossa sociedade contra as pessoas que falam uma língua diferente da ensinada nas escolas. Para tornar a leitura mais agradável e fácil para não especialistas, decidi abordar esses temas na forma de uma narrativa romanceada, com peripécias de enredo e personagens dinâmicos, que falam muito o tempo todo”.

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Agora vou falar dos livros que me marcaram, mas não por serem bons, mas por serem ruins. Na verdade o que seria um livro bom ou ruim? Como definir? Acredito que não existam livros ruins, mas sim livros que não seja do assunto de seu interesse, livros que não conseguem prender a atenção do leitor. Eu por exemplo não gosto de livros que detalham demais, acho que me perco na história. Porém, há pessoas que reclamam quando o escritor é muito objetivo. Portanto, gostar ou não de um livro é totalmente subjetivo, e isso irá depender de diversos fatores, o primeiro que me influenciou nos livros que citarei abaixo é a escrita do autor, aquela escrita pesada que dificulta muito a leitura me faz ter uma leve preguiça de seguir adiante, outro fator são as características da diagramação, como por exemplo: fonte e tamanho da letras, espaçamento entre linhas e design da capa. Um livro que possui a letra pequena e pouco espaçamento entre linhas, além de cansar as minhas vistas, 33


me passa a impressão de que o texto não está bem organizado e realmente a leitura se torna cansativa. Lembro-me de quando fiz o catecismo em 2006, o padre sorteou um livro de textos bíblicos, e adivinha quem foi sorteada? Pois é, eu fui a sortuda. Apesar de ter lido o livro por inteiro, achei que o espaçamento merecia ser um pouco maior, principalmente por ser um livro voltado para o público infantil. Entretanto, não estou afirmando que o livro era ruim, mas sim que poderia ser melhor, caso a editora tivesse intervindo antes da publicação. Apesar do detalhe do espaçamento, o livro possui uma linguagem de fácil entendimento e é bastante ilustrativo, o que posso dizer que incentiva a criança a querer lê-lo até o fim. Dessa forma, segue uma foto da página, com uma belíssima ilustração e com o texto escrito, que em minha opinião precisava ter um espaçamento de linha maior:

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(Foto do livro adquirido em sorteio. Espaçamento e letras pequenos)

Tive uma fase na minha vida que eu queria muito ser professora de inglês. Com isso, para aprimorar o meu vocabulário, comprei vários livros em inglês na internet. Confesso que não li nada sobre eles e nem procurei 35


informações antes de comprá-los. Da compra realizada, o que mais me decepcionou foi o Fangirl de Rainbow Rowell, pois é um livro GIGANTE, extremamente descritivo e me fez cansar durante a leitura. Sabe quando você está lendo, mas seu pensamento está em outro lugar? Era exatamente isso o que eu sentia. O livro não traz nenhuma novidade, então se você já possui uma bagagem de leitura, provavelmente você vai achar ele sem graça. Cath, a protagonista, é fá da série de livros Simon Snow, escrita por Gemma T. Leslie. Com isso, ela escreve fanfics durante boa parte do livro. Esses fanfics são bem longos, e os capítulos do livro começam com um trecho da série Simon ou então com um trecho da fanfic. Por fim, não terminei a leitura do livro, e para ser bem sincera não devo ter lido nem a metade, pois o livro não se encaixa no perfil das minhas leituras e acredito que seja um livro mais voltado para o público adolescente. 36


(Foto da capa do livro “Fangirl – Rainbow Rowell)

Quando comprei o Fangirl, ele estava incluso em uma promoção, que comprando um livro da autora Rainbow Rowell, e pagando por mais um pequeno valor, o livro Eleanor & Park sairia por um preço bem mais em conta. Então eu aproveitei e comprei os dois, mas confesso que não tive ânimo

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ainda de ler Eleanor & Park, após ler Fangirl. Porém, a minha irmã que gosta muito de ler, comprou os mesmo na versão em Português, e mesmo com a nossa diferença de idade ela teve a mesma impressão que eu tive do Fangirl, mas ela amou Eleanor & Park. Então, pode ser que quando eu estiver mais animada eu consiga ter interesse em ler o segundo livro até o final. Para finalizar, lembra os livros que troquei em uma feira na escola? Então, dentre os livros escolhidos, teve um que o design da capa é tão sem graça que eu não tive interesse de nem começar a lê-lo. Acho que a capa do livro é o cartão postal, pois quando vou à biblioteca o que mais me chama atenção é a capa, pois o leitor irá supor o conteúdo de acordo com a estética. O primeiro contato que o leitor tem com o livro é a capa e o título, o que irá fazer com que o leitor decida se irá realizar a compra ou não. Dessa forma, observe a capa do livro: 38


(Foto da capa do livro “ Namoro Problemas e Experiências” – Mariele e Pino Quartana)

Ao olhar para capa, me passa a impressão de que qualquer pessoa poderia realizar este trabalho. O primeiro passo seria ir ao Google e escolher um fundo amarelo, 39


depois selecionar a imagem que combinasse com o tema, que no caso seria um casal, pois afinal, parece que o livro irá discorrer sobre tema relacionamento. Depois disso, seria necessário escolher uma cor para a fonte da letra do título e por fim posicionar todos dentro da margem do fundo amarelo. Agora sem ironias, acredito que se o design do livro tivesse sido mais trabalhado, o livro teria chamado atenção de mais leitores, afinal a capa do livro traz uma sensação para o leitor, podendo esta ser negativa ou positiva. Posso afirmar que a leitura foi muito decisiva nas escolhas da minha vida, começando pela faculdade, pois jamais escolheria um curso de Letras se eu não gostasse de ler. Com isso, posso afirmar o quanto é importante o incentivar a leitura, e é por saber exatamente o tamanho dessa relevância que eu e minha amiga Juliana, também estudante de Letras no CEFET, criamos um projeto de leitura para crianças com câncer, pois acreditamos que a leitura pode ser utilizada 40


como um refúgio de determinadas situações e entrada para um novo mundo, no qual ela poderá viajar e viver diversos personagens, esquecendo os problemas da sua própria vida. O projeto chamado uma dose a mais de sonho foi realizado no ano de 2016, com o objetivo de doar livros e fazer rodas de leituras para levar a essas crianças um pouco mais de alegria. Quando comecei a escrever Memórias de um leitor, citei o meu pai como grande incentivador de leitura na minha infância, pois ele me dava livros semanalmente, e esses livros foram repassados a minha irmã. Porém, chegou um momento que ela também decidiu repassá-los, e com isso, doamos quase todos os livros a essas crianças. Ver a alegria estampada no rosto de cada um, não tem preço. O mais emocionante é que mesmo as crianças que ainda não sabiam ler, tinham interesse nos livros, e queriam nos ouvir contando as histórias. Logo após finalizarmos as histórias, as crianças brincavam como se fossem os 41


personagens do livro e isso nos trouxe uma alegria imensa. São pequenos detalhes que podem fazer uma diferença enorme na vida de uma pessoa, principalmente se essa pessoa for uma criança. Abaixo segue a foto do dia do projeto uma dose a mais de sonho:

(Projeto uma dose a mais de sonho)

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Depois desse lindo projeto, entrei de férias na faculdade e decidi ser Camp Counselor nos Estados Unidos durante três meses. A minha função era criar atividade que fossem criativas para crianças de 5 a 8 anos no horário de 8h da manhã até 16h da tarde. Na primeira semana, criei diversas brincadeiras recreativas, algumas mais animadas e outras mais calmas. Porém, o que eu percebi é que no final do dia as crianças estavam muito cansadas, e no meu Camp havia uma biblioteca imensa que era muito utilizada pelos adultos, mas havia pouca presença de crianças. Então juntei o útil ao agradável, porque não criar um tempo de leitura para as crianças? Porque não deixá-los entrar na biblioteca e ter o contato com o livro? Entrei em contato com o meu coordenador e pedi autorização para levar 30 crianças à biblioteca, e adivinha o que ele achou? Uma loucura! Como uma brasileira iria conseguir olhar 30 crianças juntas na biblioteca? Com isso, 43


criei um roteiro para trabalhar com atividades simultâneas, pois eu tinha co-counselors que poderiam me ajudar. Dessa forma, eu levaria 10 crianças de cada vez à biblioteca enquanto as outras 20 estariam no parque brincando com as atividades recreativas, e esse roteiro iria se repetindo até todas as crianças irem à biblioteca. Portanto, conversei novamente com o coordenador, e ele aceitou o meu roteiro, e assim comecei a levar as crianças. O melhor de tudo é que elas paravam de brincar para poder ir à biblioteca, e às vezes até queriam ir mais de uma vez. Além disso, os outros grupos com crianças maiores passaram a utilizar a biblioteca também, e eu fiquei extremamente feliz com o resultado. Nesse ano de 2017, não

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estarei no acampamento, mas recebi um recado de que o próprio coordenador aderiu a minha ideia e que agora todos os grupos iram ter visitas à biblioteca. É muito gratificante ver uma criança ler, perguntar e ficar apaixonada por cada nova descoberta, por cada nova


história, e o melhor de tudo é saber que eu contribuí para que isso acontecesse. A foto abaixo foi tirada na biblioteca de Oklahoma em um dia de acampamento, e é notório o interesse de cada pequenino pelos livros:

(Fotografia das crianças na biblioteca em Summer Camp – Oklahoma.)

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Durante os três meses, nunca tive nenhum problema com eles na biblioteca, pois antes de entrar eu explicava que eles deviam escolher um livro e que após terminar a leitura deviam colocá-los em cima da mesa para que a bibliotecária guardasse em seus devidos lugares. E após frequentar a biblioteca, descobri diversos eventos para o público infantil, como shows de música, teatro entre outros, no qual também pude encaixá-los nos meus roteiros para que as crianças tivessem além da leitura outras atrações. Depois de todo caminho traçado acima, percebe-se que comecei a leitura com os clássicos infantis, como qualquer outra criança, logo após fui tendo um amadurecimento nas leituras e comecei a ler livros com mais páginas, com uma linguagem mais formal. Ao entrar na escola foram apresentados pelos professores de literatura livros importantes de autores renomados, como Machado de Assis e José de Alencar. No ensino médio, além de ter lido livros 46


solicitados pelos professores, também li alguns para prestar vestibular, como o de Autran Dourado e Graciliano Ramos. Ao ingressar na faculdade, fiquei atrelada aos livros teóricos, e tive um grande interesse nos livros de Marcos Bagno. Dessa forma, percebe-se que a leitura sempre esteve presente na minha vida, e a todo o momento tento levar o mundo dos livros para outras pessoas. A leitura tem que ser prazerosa, ou seja, o leitor tem que identificar qual o gênero que ele gosta de ler, pois quando gostamos do livro a tendência é de não querer parar de lê-lo, para saber logo qual será o final. Além disso, a leitura é muito importante para o aprendizado do ser humano, pois o contato com o livro ajuda a organizar a linha de pensamentos e contribui até mesmo com a melhora da escrita. É por esses e tantos outros motivos que leio, e sempre incentivo outras pessoas a lerem, pois a leitura é entrar em um mundo de conhecimento sem fim.

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Referências: SUMAN. Ana Ligia, Análise do livro a língua de Eulalia. Disponível em: <http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/ edicao13/res_suman.php> acesso em: 10 de Abril de 2017 Livro Nauta. Disponível em: <https://www.livronauta.com. br/livro-Odette_de_Barros_Mott-E_Agora-Brasiliense-Lena_Livros-Goiania-48279461> Acesso em: 2 de Abril de 2017

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Esta plaquete foi elaborada para a disciplina de Oficina de Edição e Revisão de Textos II, no CEFET-MG, em 2017 e impressa em papel couche, em tipologia Minion Pro e Marguerite.


Uma dose a mais de sonho - Adrielle Thaís  
Uma dose a mais de sonho - Adrielle Thaís  
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