Page 22

A minha adolescência não foi um período no qual li muito, especialmente se comparado à minha infância e vida adulta. Diria que essa é uma fase bem confusa, na qual você não é criança, mas também não é adulto; não sabe de nada, mas tem certeza de que sabe de tudo. Nesse período, alguns aspectos ganham um enorme foco: a vida social e o vestibular. Parece não sobrar espaço para mais nada. Tudo é incerto, é urgente, é desarranjado. Com as pressões estudantis e os famigerados dramas adolescentes, sobra pouco tempo para leitura. Com exceção das leituras obrigatórias da escola. Está aí um tipo de leitura horrendo que me fez questionar se eu gostava mesmo de ler. Qualquer coisa obrigatória, especialmente na adolescência, perde todo o charme. Os livros que eu tinha que ler — “obras primas” de consagrados autores brasileiros — não tinham nem chance, pois eu já a lia com maus olhos. E os exercícios e provas que vinham depois da 22

Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
Advertisement