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perder no vibrante jardim de Cecília. Trago também na memória as inúmeras revistinhas em quadrinho que li. Com a intenção de saciar minha vontade de leitura, minha mãe fez uma assinatura das revistinhas da Turma da Mônica. A cada quinze dias chegavam impreterivelmente (e para a minha total alegria) uma ou duas revistinhas novas. Lendo, entrei para a turma também, e me sentia mesmo como um deles. Odiava o jeito como o Cebolinha e o Cascão tratavam a Mônica; entendia, sem problema algum, a fome eterna da Magali; ficava encucada com o jeito estranho de falar do Chico Bento. Foram anos e anos de amizade. Ao longo do tempo, os livros começaram a ter mais letras e menos figuras. Me deparei com as primeiras coleções, que tinham vários volumes. Era uma sensação incrível saber que, quando um livro acabava, tinha outro, e outro, e outro. Devorei a “Coleção Vagalume” e “Para Gostar de Ler”. Da primeira, o preferido foi o livro “Escaravelho do Diabo”, um mistério intrigante, que me deixou naquela desesperante expectativa (quem é o assassino??), e despertou aquilo que se transformaria em um vício em literatura policial. As memórias são muitas, mas, infelizmente, todos os meus livros de infância foram perdidos. Trancados num quartinho escuro para “não entulhar muito a casa”, foram, tris18

Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
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