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Quando vi a famigerada ilustração, fui inundada pelas emoções. Descobri, finalmente, o nome daquele ilustrador: Cláudio Martins, um desconhecido amigo que marcou um período de tantas descobertas em minha vida. Ele e também a Ruth Rocha, autora desses livros “desenhados” pelo Cláudio. Além do Cláudio e da Ruth, o Ziraldo também foi um velho amigo de infância. Me lembro muito de um livro que ele escreveu que se chama “Flicts”. Não sei se termina bem ou mal, mas sei que contava a história de uma cor, chamada Flicts, que não era nenhuma das cores do arco-íris, mas tinha seu charme próprio. Como era bom começar a pensar que ser diferente pode ser tão maravilhoso como ser Flicts. Os livros começaram a abrir novas portas, portas para mundos imensos e desconhecidos. Quanto mais eu lia, mais fácil ficava ler e mais difícil ficava não ler. Minha mãe, pedagoga de formação, não lia muito na época, mas fazia questão de sempre trazer livros novos para a leitora voraz que a escolinha tinha criado. Por causa dela, me enveredei na poesia doce de Cecília Meireles. Até hoje lembro de cor o verso “Quem me compra um jardim com flores, borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos, ovos verdes e azuis nos ninhos?”. Na minha cabeça ele ecoa em ritmo próprio, como uma melodia que convida o leitor a se 17

Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
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