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ler requer, primeiramente, adquirir a habilidade de leitura e escrita, o que implica em dominar uma tecnologia de representação da linguagem. Passar pelo processo de alfabetização é trabalhoso, mas tem recompensas incríveis. O primeiro “livro” ao qual me apeguei era uma apostila de alfabetização da escola, com pequenos textos e exercícios. Ela se chamava “Tal e Qual”. Lembro direitinho da encadernação com espiral preta, do símbolo de Yin-Yang da capa. Nunca parei para pensar por que algo relacionado à filosofia chinesa estaria na capa desse material, mas só de pensar naquela imagem, me dá um frio na barriga. Um friozinho bom, de ansiedade, de vontade de conquistar o mundo das palavras. Filha de pais muito jovens, ainda estudantes na universidade, nunca tive aquela experiência que sempre relaciono aos filmes, em que mãe e filha escolhem um livro antes de dormir, apagam as luzes, ligam o abajur e juntinhas, aconchegadas nas cobertas, compartilham histórias. É algo do qual sinto saudades, mesmo nunca tendo acontecido comigo. Meu contato com a leitura começou mesmo na escola, que comecei a frequentar com apenas seis meses de vida. Lá para os seis ou sete anos, quando as letrinhas do “Tal e Qual” estavam começando a fazer sentido, as primeiras paixões “livrísticas” começaram a surgir. Primeira a chegar na 15

Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
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