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Quando parei para pensar em todos os livros que deveriam ganhar um espacinho aqui neste texto, os que marcaram a minha infância foram, sem dúvida, os mais numerosos. Ser criança é ser alegre, é ver o maravilhoso no mais trivial, é querer aprender tudo ao mesmo tempo, é ser incansavelmente curioso. Pensar na infância sempre me traz uma alegria, um sorriso ao rosto, embora eu saiba que, no fundo, é um sorriso meio ingênuo. Ingênuo porque a fartura de boas memórias é, com toda certeza, resultado da distância temporal e do esquecimento seletivo. Prefiro não aprofundar nessa linha de pensamento porque é muito bom pensar em uma época e só se lembrar de coisas boas. Ninguém precisa estragar a própria felicidade com a verdade. Memórias não são verdades, por sorte nossa. Minha primeira recordação ligada aos livros se deu quando eu estava aprendendo a ler na escola. Aliás, parece óbvio, mas o ato de 14

Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
Memória, sentimentos e leitura - Paula Serelle  
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