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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

ANA CLARA ALVES DOS SANTOS MEZEJEWSKI

TÉCNICAS CONSTRUTIVAS INDUSTRIALIZADAS EM MADEIRA UM PANORAMA SOBRE O USO DA MADEIRA NO BRASIL

SÃO PAULO 2017


ANA CLARA ALVES DOS SANTOS MEZEJEWSKI

TÉCNICAS CONSTRUTIVAS INDUSTRIALIZADAS EM MADEIRA UM PANORAMA SOBRE O USO DA MADEIRA NO BRASIL

Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a Obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

Orientador: Prof. Ms. Guilherme Antonio Michelin


ANA CLARA ALVES DOS SANTOS MEZEJEWSKI

TÉCNICAS CONSTRUTIVAS INDUSTRIALIZADAS EM MADEIRA UM PANORAMA SOBRE O USO DA MADEIRA NO BRASIL Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a Obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.

São Paulo, 11 de dezembro de 2017

BANCA EXAMINADORA

Prof. Ms. Guilherme Antonio Michelin Universidade Presbiteriana Mackenzie

Prof. Dr. Silvio Stefanini Sant’Anna Universidade Presbiteriana Mackenzie

Profa. PhD. Andrea Bazarin Vosgueritchian Universidade


Dedico este trabalho à minha família, Nazaré de Lourdes, Aparecido Alves, em especial à minha mãe Inês Alves pelo apoio incondicional. Às amigas Cecília, Luana, Mariana, Mônica e Nathalia que sempre me incentivaram.


AGRADECIMENTOS Agradeço a minha família por ter me tornado quem eu sou e fazer de tudo para que eu chegasse até aqui. Impossível imaginar como seria sem o carinho, os cuidados, a educação e os valores que cada um de vocês me transmitiu. À minha doce e guerreira avó, Nazaré de Lourdes Silva, por ter me abrigado durante a faculdade e por ter cuidado de mim. Ao meu tio, Aparecido Alves dos Santos, por ter me inspirado com seus lindos trabalhos em madeira e por ter me acompanhado todos os dias de manhã até o ponto de ônibus, seja com seu icônico Chevette ou com nosso cão de guarda, Bruno. À minha mãe, Inês Alves dos Santos, a pessoa mais maravilhosa que me colocou no mundo e nunca mediu esforços para me criar da melhor forma, você é meu exemplo, muito obrigada por tudo. Agradeço ao meu pequeno grande companheiro Sam, um porquinho-da-índia adorável que me acompanhou em todas as maratonas de entrega, por quatro anos você tornou minhas madrugadas menos vazias. A todos os professores que me acompanharam nessa formação e dedicaram seu tempo para compartilhar seus conhecimentos e suas experiências. Cada um contribuiu para o desenvolvimento deste trabalho, especialmente meu orientador, Guilherme Antonio Michelin, o professor que me recepcionou no primeiro semestre de faculdade e aceitou me preparar para o encerramento dessa jornada. A todos os colegas de faculdade, principalmente às minhas amigas Cecília Neves pela sua doçura e delicadeza, Luana do Vale pela sua intelectualidade e bom humor, Mariana Teodoro por ter sempre uma boa conversa e ser sempre um bom ouvido, Nathalia da Mata pela capacidade incrível de nos fazer rir mesmo em momentos difíceis e Mônica El Khouri por ter se tornado uma excelente companhia que sempre me incentivou a seguir em frente. Ao engenheiro Carlito Calil Neto, por sua atenção e receptividade ao permitir minha visita à fábrica da Rewood, ajuda que contribuiu enormemente na produção deste trabalho. Meu muito obrigada a todos vocês!


RESUMO A presente monografia objetiva expor as técnicas construtivas industrializadas em madeira dentro do cenário da indústria e da construção civil nacional, assim como os principais fatores históricos e culturais responsáveis pela baixa expressividade quantitativa no emprego da madeira na construção no Brasil. Aborda as propriedades do material, desde a sua obtenção até a sua manipulação pela indústria e aplicação na construção. Expõe sua aplicabilidade e expressividade através da análise da produção arquitetônica de alguns grandes nomes da arquitetura brasileira chegando até a produção contemporânea. Levantamentos estatísticos expõem as urgentes demandas por equipamentos e habitação, demonstrando a importância que os métodos construtivos industrializados exercem na supressão dessas carências, por meio disso, o trabalho aborda a questão do déficit educacional na cidade de São Paulo e a importância do ambiente de ensino no desenvolvimento da criança e, consequentemente da sociedade. Por fim, demonstra a possibilidade da aplicação do material em larga escala através do projeto de um Centro Municipal de Educação Infantil e uma Biblioteca Pública, visando transmitir a importância do uso da madeira como ferramenta para o desenvolvimento industrial, social e ambiental do país. Palavras-chave: Estrutura de madeira. Arquitetura brasileira. Arquitetura escolar.


ABSTRACT This monograph aims to expose the industrialized constructive techniques in wood within the national industry and civil construction scenario, as well as the main historical and cultural factors that are responsible for the low quantitative expressiveness in the use of wood in the construction in Brazil. Addresses the properties of the material, from its obtainment until its manipulation by the industry and application in the construction. It exposes its applicability and expressivity through the analysis of the architectural production of some great names of Brazilian architecture arriving at the contemporary production. Statistical surveys expose the urgent demands for public equipment and housing, demonstrating the importance of industrialized construction methods in eliminating these deficiencies. Therefore, the paper addresses the issue of the educational deficit in the city of São Paulo and the importance of the teaching environment for child development and, consequently, the development of society. Finally, it demonstrates the possibility of applying the material in large scale through the project of a Municipal Center for Early Childhood Education and a Public Library, aiming to convey the importance of using wood as a tool for the industrial, social and environmental development of the country. Keywords: Wood structure. Brazilian architecture. Educational architecture.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Templo Horyuji, no Japão............................................................................................................... 22 Fonte: <http://www.nippobrasil.com.br/3.turismo/n070/horyuji1.jpg> (acessado em 08/11/2016 às 22:05) Figura 2 - Museu da Madeira, obra de Tadao Ando. Fonte: <https://www.inexhibit.com/mymuseum/the-museum-of-wood-culture-japan-tadao-ando/> (acessado em 29/03/2017 às 20:32).......................................... 24 Figura 3 - Odate Dome e Biblioteca de Gifu, obras de Toyo Ito. Fonte: <https://www.designboom.com/> (acessado em 29/03/2017 às 19:45)......................................................................................................................... 24 Figura 4 - Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou, projeto de Renzo Piano. Fonte: <1bp.blogspot.com> (acessado em 29/03/2017 às 23:07).................................................................................................................................. 24 Figura 5 - Abrigo indígena na Aldeia de Xingu. Fonte: <brasiliaconreta.com.br/o-que-e-arquitetura-vernacular> (acessado em10/04/2016 às 22:23)................................................................................................................. 26 Figura 6 - Estação de Paranapiacaba, exemplar de edificação pré-construída e importada em madeira. Fonte: < http://www.estacoesferroviarias.com.br/p/fotos/paranapiacaba9001.jpg> (acessado em 10/04/2017 às 00:32)............................................................................................................................................................... 27 Figura 7 - Shopping Iguatemi de Fortaleza. Fonte: <https://i1.wp.com/www.carpinteria.com.br/wp-content/ uploads/2015/04/Iguatemi_Fortaleza_logo_2015-7.jpg?fit=900%2C600> (acesso 30/10/2016 às 17:15)..... 29 Figura 8 - Estrutura de madeira suportando vigas de aço derretidas após incêndio. Fonte: <https://madeiraestrutural.files.wordpress.com/2009/07/falencia.jpg?w=510&h=325> (acessado em 30/09/2017 às 21:55).... 31 Figura 9 - Principais direções das fibras da madeira. Fonte:Ritter (1990) in CALIL (2003)........................... 31 Figura 10 - Infográfico de manejo de baixo impacto. Fonte: AMATA............................................................. 32 Figura 11 - Mapa e tabela com dados estatísticos de florestas plantadas de espécies no Brasil. Fonte: IBGE .........................................................................................................................................................................33 Figura 12 - Infográfico de plantio de espécies exóticas. Fonte: AMATA........................................................ 34 Figura 13 - Da esquerda para direita: face tangencial, face radial e fotomacrografia 10x a madeira pinus. Fonte: IPT............................................................................................................................................................... 35 Figura 14 - Da esquerda para direita: Face tangencial, face radial e fotomacrografia 10x da madeira eucalipto. Fonte: IPT......................................................................................................................................................... 36 Figura 15 - Ilustração esquematizada dos fatores de risco (fonte: CALIL, 2003- Obs: os números foram editados de acordo com a atualização da tabela 22 da NBR 7190/2012 que se encontra ao lado)..................... 38 Figura 16 – Quadro de agentes bióticos em função da categoria de uso da madeira FONTE: NBR 7190/2012 .........................................................................................................................................................................38 Figura 17- Tabela de pré-dimensionamento de estruturas de madeira. Autor: Eng. Alan Dias. Fonte: Carpinteria...................................................................................................................................................................... 40 Figura 18 - Peças em Madeira Laminada Colada........................................................................................... 42 Fonte: <https://i0.wp.com/www.carpinteria.com.br/wp-content/uploads/2016/04/MLC-Rewood-900x600.jpg?resize=900%2C627> (visto em 25/10/2016 às 20:12) Figura 19 - Foto de Hélio Olga Junior. Fonte: <http://www.amatabrasil.com.br/arquivos/novidades/detalhe/ foto30rel_101_capasustenta_f1_7356.jpg> (acessado em 10/10/2017 às 17:10).......................................... 43 Figura 20 - Foto tirada na visita à fábrica. Da esquerda para direita: Carlito Calil Neto e Ana Clara Alves. Fonte própria.............................................................................................................................................................. 44 Figura 21 - Processo de checagem. Fonte: <http://itaconstrutora.web1259.kinghost.net/wp-content/ uploads/2014/11/mlc_02_otimizacao.jpg> Acesso em 07/11/2017 às 20:05................................................. 46 Figura 22 - Emendas dentadas. Fonte: <http://itaconstrutora.web1259.kinghost.net/wp-content/ uploads/2014/11/mlc_03_emenda2.jpg> Acesso em 07/11/2017 às 20:05.................................................... 46 Figura 23 - Processo de colagem e prensagem. Fonte: <http://itaconstrutora.web1259.kinghost.net/wp-content/uploads/2014/11/mlc_05_cola_prensagem.jpg> Acesso em 07/11/2017 às 20:05................................. 46 Figura 24 - Painéis de CLT. Fonte: <http://www.crosslam.com.br/home/sites/default/files/processo.png> Acesso em 07/11/2017 às 19:35.............................................................................................................................. 47 Figura 25 - Da esquerda para a direita, processo de checagem das tábuas e realização das emendas dentadas. Fonte: < http://www.crosslam.com.br/home/?q=content/processo> Acesso em 07/11/2017 às 19:40.. 48


Figura 26 - Da esquerda para a direita, processo de montagem dos painéis e realização da colagem e prensagem à vácuo. Fonte: < http://www.crosslam.com.br/home/?q=content/processo> Acesso em 07/11/2017 às 19:40................................................................................................................................................................ 48 Figura 27 - Máquina Pórtico CNC, responsável pela realização de cortes precisos. Fonte: < http://www. crosslam.com.br/home/?q=content/processo> Acesso em 07/11/2017 às 19:40.......................................... 49 Figura 28 - Quadro de configuração dos painéis. Fonte: Cartilha “Informações Técnicas” disponível em <http:// www.crosslam.com.br/home/?q=downloads> Acesso em 28/03/2017 às 19:16............................................ 49 Figura 29 - Sistema de camadas de painel wood frame. Fonte: <http://atosarquitetura.com.br/wp-content/ uploads/2015/07/esquema.jpg> Acesso em 07/11/2017 às 17:26................................................................. 50 Figura 30 - Comparação de custos entre as diferentes técnicas construtivas. Fonte: <http://www.gazetadopovo.com.br/ra/grande/Pub/GP/p3/2012/08/19/Imoveis/Imagens/compare_construir_170812.jpg> Acessado em 05/04/2017 às 18:55.........................................................................................................................................51 Figura 31 - Lucio Costa. Fonte: <https://images.adsttc.com/media/images/54ee/294b/e58e/ce69/2c00/0001/ newsletter/65692.jpg?1424894281> Acesso em 03/09/2017 às 18:44........................................................... 54 Figura 32 - Park Hotel, projeto de Lúcio Costa. Fonte: <https://www.archdaily.com.br/br/763167/classicos-da-arquitetura-park-hotel-lucio-costa> Acessado em 08/08/2017 às 14:25....................................................... 55 Figura 33 – Casa de Thiago de Mello, projeto de Lúcio Costa. Fonte: <https://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/05/casa-thiago-de-mello-2-barreirinho-am-l-costa-84-vista.jpg Acessado em 08/08/2017> às 15:05................................................................................................................................................................ 55 Figura 34 – Foto do arquiteto Severiano Porto. Fonte: <https://images.adsttc.com/media/images/54e5/cbe5/ e58e/ce21/e000/00fe/slideshow/severiano_porto.jpg?1424346081> Acessado em: 25/03/2017 às 15:37... 56 Figura 35 – Residência do Arquiteto Severiano Porto. Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.074/335.................................................................................................................................................. 57 Figura 36 - Pousada Ilha de Silves. Fonte: https://cleidianesantos.files.wordpress.com/2015/06/au_137-segre2. jpg.................................................................................................................................................................... 58 Figura 37 - Vista geral do Centro de Proteção Ambiental da Balbina. Fonte: Divulgação acervo Severiano Porto .........................................................................................................................................................................59 Figura 38 - Vista aérea do conjunto Aldeias Infantis SOS Brasil. Fonte: https://vivianarquiteta.files.wordpress. com/2015/05/smp_aldeia-sos_01.jpg (acesso em 05/09/2017)...................................................................... 59 Figura 39 - Banco da Amazônia, vista da fachada principal à esquerda e vista do ambiente interno à direita. Fonte: <https://c1.staticflickr.com/5/4350/36873957991_62b56a532c_b.jpg> Acessado em 07/11/2017 às 16:42................................................................................................................................................................ 59 Figura 40 - José Zanine Caldas. Foto retirada do livro “Zanine, fazer e sentir”.............................................. 60 Figura 41 - Residência no Rio De Janeiro. Fotografia de José de Paula Machado in SILVA, 1995............... 61 Figura 42 - Residência em Itaipava, à direita detalhe da tesoura. Fotografia de José Paula Machado in SILVA, 1995................................................................................................................................................................. 61 Figura 43 - “Casa do Nilo”, residência popular. Fotografia de: Pedro Henrique in SILVA, 1995................... 62 Figura 44 - Desenho feito à mão por Zanine. Fonte: Fotografia de Pedro Henrique in SILVA, 1995............. 62 Figura 45 - Marcos Acayaba. Fonte: <http://www.anualdesign.com.br/images/blog/anualdesign-residencias-de-arquitetos-20140930113049.jpg>. Acesso em 22/09/2017 às 08:25....................................................... 63 Figura 46 - Casa Hélio Olga, projeto de Marco Acayaba. Fonte: <www.itaconstrutora.com.br> Acesso em 08/09/2017 às 20:52......................................................................................................................................... 64 Figura 47 - Casa na Praia do Félix. Fotografia de Fran Parente. Disponível em: <https://images.adsttc.com/ adbr001cdn.archdaily.net/wp-content/uploads/2012/04/1334772439_praia_do_felix_beach_house_vidal_santanna_1324366290_img_1529.jpg>................................................................................................................65 Figura 48 - Casa Grelha, FGMF. Fotografia de Alexandre Schneider............................................................ 66 Figura 49 - Casa Fazenda Catuçaba. Studio MK27. Fotografia de Fernando Guerra|FG+SG....................... 66 Figura 50 - Edifício AMATA. Fonte: Triptyque................................................................................................. 68 Figura 51 – Vista geral das Moradias Estudantis. Rosenbaum e Aleph Zero. Fotografia: Leonardo Finotti... 69 Figura 52 – Infográfico do desenvolvimento da educação. Baseado na ordem cronológica do Capítulo 1 de KOWALTOWSKI, 2017..................................................................................................................................... 74


Figura 53 - Infográfico de correntes pedagógicas. Baseado na ordem cronológico do Capítulo 1 de KOWALTOWSKI,2017................................................................................................................................................... 75 Figura 54 - Anísio Teixeira. Fonte: <http://www.caetiteinfoco.com.br/foco/wp-content/uploads/2016/03/An%C3%ADsio.jpg> visto em 07/11/2017 às 17:30...............................................................................................78 Figura 55 - Interior da Escola Parque da Bahia. Fonte: <https://c1.staticflickr.com/8/7309/8869850092_38fa8c97f8_z.jpg>acessado em 07/11/2017 às 17:52............................................................................................... 79 Figura 56 - Localização da escola. Fonte da base: Google Maps. Trabalho gráfico: autoria própria........... 85 Figura 57 – Implantação pavimento térreo. Fonte: Perkins+Will....................................................................86 Figura 58 - Planta do Pavimento superior. Fonte: Perkins+Will......................................................................86 Figura 59 - Corte transversal. Fonte: Perkins+Will.......................................................................................... 71 Figura 60 - Cortes longitudinais. Fonte: Perkins+Will...................................................................................... 87 Figura 61 - Detalhe da estrutura da cobertura. Fonte: Perkins+Will............................................................... 88 Figura 62 - Interior do edifício, hall de circulação livre, generoso e bem iluminado. Fonte: Perkins+Will..... 88 Figura 63 - Vista geral para o edifício inserido no contexto. Fonte: <http://www.archello.com/en/project/ds-nursery-0 Acessado em 07/11/2017> às 08:40.................................................................................................... 89 Figura 64 - Implantação de cobertura. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017............................. 90 Figura 65 - Planta Térrea. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017................................................. 90 Figura 66 - Cortes. Fonte: <designoom.com>. Acesso em: 07/11/2017........................................................ 91 Figura 67 - Elevações. Fonte: <designoom.com>. Acesso em: 07/11/2017.................................................. 91 Figura 68 - Vista para o refeitório. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017..................................... 92 Figura 69 - Vista interna dos sanitários. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017............................ 92 Figura 70 - Vista para o corredor interno. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017......................... 92 Figura 71 - Localização no Google Maps. Trabalho gráfico da própria autora.............................................. 93 Figura 72 - Implantação. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017................................................... 94 Figura 73 – Plantas dos 1º, 2º e 3º pavimentos. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017............... 95 Figura 74 - Corte. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017.............................................................. 96 Figura 75 - Corte. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017.............................................................. 96 Figura 76 - Fotos da obra, detalhes de conexão e laje com ferragem para receber concreto. Fonte: <http://bct. eco.umass.edu/about-us/the-design-building-at-umass-amherst/design-building-virtual-construction-site-visit/> Acesso em 25/10/2016..................................................................................................................................... 97 Figura 77 - Detalhe do sistema estrutural aplicado a laje que cobre o hall. Fonte: <http://cdnassets.hw.net/ dims4/GG/caa876f/2147483647/resize/876x%3E/quality/90/?url=http%3A%2F%2Fcdnassets.hw.net%2Ffc%2F05%2F4b9b455f4baea0ddf2ab6fe9b6ac%2Fumassdesign-leersweinzapfel-detail.jpg> visto em 07/11/2017 .........................................................................................................................................................................97 Figura 78 - Vista do hall, onde é notável a presença do sistema estrutural único. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017..................................................................................................................................... 98 Figura 79 - Vista externa geral da edificação pronta. Fonte:<archdaily.com>visto em 05/11/2017.............. 98 Figura 80 - Vista externa, onde é possível ver a escola cercada por um muro e as dimensões reduzidas do terreno. Fonte: <https://www.galeriadaarquitetura.com.br/slideshow/newslideshow.aspx?idproject=3018&index=23> visto em 07/11/2017......................................................................................................................... 99 Figura 81 - À esquerda, vista do canteiro de obras, e à direita, 3D do sistema estrutural misto. Fonte: ITA Construtora..................................................................................................................................................... 100 Figura 82 - Materialidade evidente, concreto, madeira e cores. Fotografia de: Pedro Vannucchi.............. 100 Figura 83 - Planta do térreo. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/uploads/2015/10/BES_PLANTA-DO-T--RREO.jpg visto em 27/11/2017...................................................................................................... 101 Figura 84 - Planta pavimento superior. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/uploads/2015/10/ BES_PLANTA-PAV.-SUPERIOR.jpg Visto em 07/11/2017............................................................................. 101 Figura 85 - Planta da quadra. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/uploads/2015/10/BES_ PLANTA-PAV.-COBERTURA.jpg Visto m 07/11/2017.................................................................................... 102 Figura 86 - Corte. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/uploads/2015/10/BES_CORTE.jpg Visto em 07/11/2017................................................................................................................................................ 102 Figura 87 - Localização da escola no Google Maps. Trabalho gráfico da própria autora............................103 _


Figura 88 - De cima para baixo, mosaico de imagens que mostram as intervenções na quadra e antes e depois do pátio. Fonte: http://baseurbana.arq.br/portfolio/escola-vera-cruz-ef/. Visto em 10/04/2017............ 104 Figura 89 – Vista externa do pavilhão de artes. Fonte: http://baseurbana.arq.br/wp-content/ uploads/2017/01/20131204_base3arquitetos_verao_artes_353-1.jpg. Visto em 10/04/2017....................... 105 Figure 90 - À esquerda, foto da construção do pavilhão de artes, à esquerda, pavilhão em funcionamento. Fonte foto da obra: Divulgação ITA Construtora. Fotografia do pavilhão: Pedro Vannucchi........................ 105 Figura 91 - Esquema de montagem e 3D do sistema estrutural. Fonte: ITA Construtora............................ 106 Figura 92 - Planta do térreo. Pavilhão de artes. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/ uploads/2015/09/VCA_planta-t--rreo.jpg....................................................................................................... 107 Figura 93 - Planta pavimento superior. Pavilhão de artes. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/ uploads/2015/09/VCA_planta-superior.jpg.................................................................................................... 107 Figura 94 - Corte. Pavilhão de artes. Fonte: http://www.itaconstrutora.com.br/wp-content/uploads/2015/09/ VCA_corte.jpg................................................................................................................................................ 107 Figura 95 - Mapa da Região Metropolitana de São Paulo com suas principais vias de acesso e conexão. Produção gráfica da autora................................................................................................................................. 110 Figura 96 - Foto aérea do bairro em 1954. Cód. faixa da imagem pra baixar no Geosampa: FX02-150.... 112 Figura 97 - Cartografia de equipamentos de cultura, lazer e educação. Produção da autora. Fonte da base: MDC 2010...................................................................................................................................................... 113 Figura 98 - Infográfico estatístico. Produção própria.................................................................................... 114 Figura 99 - Mosaico de fotos tiradas pela autora em visita ao local............................................................. 116 Figura 100 - Mapa de gabarito, mobiliário e condicionantes legais. Produção própria............................... 117 Figura 101 - Mapa de uso e ocupação do solo, transportes e infraestrutura. Produção própria. Fonte da base: Mapa Digital da Cidade................................................................................................................................. 117 Figura 102 - Quadro com programa do CMEI.............................................................................................. 118 Figura 103 - Quadro com programa da Biblioteca....................................................................................... 119 Figura 104 - Diagrama de usos. Produção própria....................................................................................... 119 Figura 105 - Diagrama do terreno e da volumetria. Produção própria......................................................... 120 Figura 106 - Vista frontal e posterior do modelo 3D mais desenvolvido....................................................... 121 Figura 107 - Análise da incidência solar em cada fachada. Produção própria........................................... 121 Figura 108 - Planta do térreo com demonstração gráfica da ventilação cruzada. Produção própria......... 122 Figura 109 - Cartografia de identificação da materialidade local. Produção própria................................... 123 Figura 110 - Imagem renderizada da entrada da escola e da biblioteca ao fundo..................................... 126 Figura 111 - Implantação do Pavimento Térreo............................................................................................ 128 Figura 112 - Planta de cobertura................................................................................................................... 128 Figura 113 - Planta do pavimento superior. Biblioteca................................................................................. 129 Figura 114 - Planta do pavimento intermediário........................................................................................... 129 Figura 115 - Planta do pavimento inferior..................................................................................................... 130 Figura 116 - Imagem do playground............................................................................................................. 130 Figura 117 - Corte longitudinal AA................................................................................................................ 131 Figura 118 - Corte transversal CC................................................................................................................. 131 Figura 119 - Corte transversal DD................................................................................................................. 131 Figura 120 - Elevações.................................................................................................................................. 132 Figura 121 - Detalhe da fachada ventilada................................................................................................... 133 Figura 122 - Ampliação da escada............................................................................................................... 134 Figura 123 - Ampliação de trecho da fachada. Caixilho da fachada principal da escola........................... 135 Figura 124 - Detalhe da clarabóia................................................................................................................. 136 Figura 125 - 3D esquemático da estrutura.................................................................................................... 136 Figura 126 - Detalhes de conexão em 3D, à esquerda viga-pilar, à direita, pilar-solo................................137 Figura 127 - Maquete do esqueleto estrutural do bloco da escola..............................................................137 Figura 128 - Maquete volumétrica geral.......................................................................................................137 Figura 129 - Imagem interna da sala de aula...............................................................................................138 Figura 130 - Vista para a biblioteca renderizada.......................................................................................... 138


SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................................19 1 A MADEIRA.................................................................................................................22 1.1 A MADEIRA NO BRASIL – ASPECTOS HISTÓRICOS..............................................25 1.2 PROPRIEDADES DA MADEIRA................................................................................30 1.2.1 Madeira Nativa.......................................................................................................31 1.2.2 Madeira de Reflorestamento..................................................................................33 1.2.2.1 Pinus....................................................................................................................35 1.2.2.2 Eucalipto..............................................................................................................36 1.2.3 Fatores de Risco e Tratamentos Preventivos.........................................................37 1.2.4 Pré-dimensionamento e Concepção Estrutural.....................................................39 1.3 INDUSTRIALIZAÇÃO DA MADEIRA VOLTADA PARA CONSTRUÇÃO CIVIL..........41 1.3.1 Madeira Laminada Colada (MLC)..........................................................................42 1.3.2 Madeira Laminada Cruzada (CLT- Cross Laminated Timber)...............................47 1.3.3 Sistema Wood Frame.............................................................................................50 2 ARQUITETURA EM MADEIRA NO BRASIL..............................................................54 2.1 LUCIO COSTA...........................................................................................................54 2.2 SEVERIANO PORTO.................................................................................................56 2.3 JOSÉ ZANINE CALDAS............................................................................................60 2.4 MARCOS ACAYABA.................................................................................................63 2.5 PRODUÇÃO CONTEMPORÂNEA.............................................................................65 3 ARQUITETURA ESCOLAR.........................................................................................72 3.1 HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO.........................................................73 3.2 SISTEMATIZAÇÃO DO ENSINO – O DESENVOLVIMENTO DAS CORRENTES PEDAGÓGICAS.................................................................................................................. 75 3.3 A PEDAGOGIA NO CENÁRIO BRASILEIRO.............................................................78 3.4 CONSIDERAÇÕES PRÓPRIAS SOBRE AS CORRENTES PEDAGÓGICAS.............80


4 ESTUDOS DE CASO – EQUIPAMENTOS EDUCACIONAIS EM MADEIRA.............84 4.1 NO EXTERIOR...........................................................................................................85 4.1.1 Samuel Brighouse Elementary School, Canadá....................................................85 4.1.2 Creche D.S., Japão................................................................................................89 4.1.3 University of Massachusetts Design Pavilion, EUA................................................93 4.2 NO BRASIL................................................................................................................99 4.2.1 Escola em Alto e Pinheiros, São Paulo...................................................................99 4.2.2 Escola de Ensino Médio Vera Cruz, São Paulo....................................................103 5 PROJETO DO CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E BIBLIOTECA.110 5.1 LEITURA DO TERRITÓRIO......................................................................................110 5.1.1 O Terreno.............................................................................................................115 5.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES..........................................................................118 5.3 PARTIDO ARQUITETÔNICO...................................................................................120 5.4 FUNDAMENTAÇÃO................................................................................................124 5.5 O PROJETO.............................................................................................................126 5.5.1 Ficha Técnica.......................................................................................................126 5.5.2 Peças Gráficas.....................................................................................................128 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................................139 REFERÊNCIAS.............................................................................................................142

NOTA DE OBSERVAÇÃO: Por motivos de diagramação, algumas imagens ficaram sem indicação de fonte na legenda, porém, os devidos créditos e fontes podem ser verificados na Lista de Ilustrações, cuja numeração de figuras corresponde à identificação da imagem dentro do texto.


INTRODUÇÃO Este trabalho parte do interesse em analisar as técnicas construtivas industrializadas em madeira, sob a perspectiva do cenário da indústria e da construção civil brasileira. Busca, também, visualizar os principais fatores responsáveis pela baixa expressividade quantitativa no emprego deste material no país. As problemáticas do crescimento populacional e, consequente, das cidades e da demanda por infraestrutura, moradia e equipamentos básicos, somam-se às discussões acerca da fragilidade do meio ambiente e da finitude dos recursos naturais. Dentre as problemáticas, está a questão do ensino no Brasil. Devido ao papel fundamental que a educação exerce para o desenvolvimento da nação, esta deveria ser tratada com prioridade, o que muitas vezes não acontece. Só em São Paulo, o déficit de vagas em creche e escolas da rede de ensino infantil chegou a 124,7 mil vagas1 no final da gestão Gilberto Kassab. O resultado é um cenário de exigências que só podem ser conciliadas com um sistema industrializado de construção. A indústria se apresenta como a opção mais eficaz para suprir as demandas, por assegurar rapidez, qualidade e precisão, evitando, desta forma, o desperdício. Dentro deste cenário, a madeira tem sido cada vez mais desenvolvida e, juntamente com a tecnologia industrial e as técnicas de reflorestamento, tem apresentado soluções estruturais e de vedação que ampliaram sua aplicabilidade e sua capacidade estrutural e compositiva. Técnicas como a Madeira Laminada Colada (MLC), a Madeira Laminada Cruzada (CLT - Cross Laminated Timber) e o sistema Wood Frame, são alguns exemplos da industrialização da madeira voltada para construção civil. Seguindo essa linha, os capítulos abordarão aspectos históricos do uso da madeira no Brasil, a sua industrialização e aplicação na arquitetura, levando a uma discussão acerca das demandas construtivas onde essas técnicas são consideradas para aplicação em larga escala de forma a contribuir para o desenvolvimento do país.

1 Dados da Secretaria Municipal de Educação de 2015 in CAMBRICOLI, Fabiana; FELIX, Paula; VEIGA, Edison; VIEIRA, Victor. Uma Gestão Inacabada, 2015. Disponível em: <http://infograficos.estadao.com.br/ cidades/uma-gestao-inacabada/educacao.php>. Acesso em: 21 de set. 2017 às 21:37

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1 A MADEIRA


1 A MADEIRA Encarada muitas vezes como um material pouco nobre e frágil, a madeira tem sido aplicada às edificações desde os primórdios da civilização. O Templo Horyuji (figura 1), localizado na cidade de Ikaruga no Japão, é a prova de que a madeira pode ter uma durabilidade excepcional. Com cerca de 1.300 anos de idade, este templo é considerado o edifício em madeira mais antigo do mundo.

Figura 1 - Templo Horyuji.

O XV Encontro Brasileiro em Madeiras e em Estruturas de Madeira que aconteceu em 2016, na cidade de Curitiba, tinha como tema “Madeira para a construção no Brasil - Tecnologia para minimizar impactos ambientais” abordando os aspectos da madeira e os ganhos que o material oferece para a sociedade. Alguns dos benefícios destacados no encontro foram: a fixação de gás carbônico nas construções, a renovação de áreas de floresta plantada, geração de emprego e renda, pelo grande número de empregados envolvidos em todos os processos, promoção de ganhos econômicos e ambientais, devido ao uso dos resíduos na própria indústria para geração de energia, baixa dependência de insumos e matérias-primas importadas tornando-se um sistema menos custoso e que fortalece a economia nacional. 22


O arquiteto chileno Martin Hurtado, convidado para o evento, também argumentou sobre a liberdade compositiva arquitetônica que o material oferece. As técnicas desenvolvidas pela indústria permitem a formação de peças retas e curvas, com variação ou não de espessura e diversos acabamentos. Além disso, o arquiteto destaca a questão do conforto e das características sensoriais e simbólicas que a madeira transmite. A versatilidade do material pode ser comprovada a partir da escolha feita por arquitetos de grande repercussão e produção mundial como Toyo Ito, marcado pelo uso da tecnologia em suas obras, Tadao Ando, marcado pelo uso abundante e expressivo do concreto aparente e Renzo Piano, com suas obras de materialidades distintas umas das outras. No caso de Tadao Ando, a madeira pode ser vista na obra do Museu da Madeira (Figura 2). Já Toyo Ito usou-a de formas muito expressivas, e sem deixar de lado a questão da tecnologia, na cobertura do Odate Dome e na cobertura da Biblioteca Municipal de Gifu (Figura 3). Renzo Piano se destaca pela aplicação da madeira na complexa estrutura do Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou (Figura 4). São várias as vantagens sobre o uso da madeira em projetos arquitetônicos, tais como: preservação do meio ambiente (pelo uso de madeiras provenientes de reflorestamento), sequestro de CO2 da atmosfera, renovabilidade, versatilidade, durabilidade, resistência ao fogo, elevado nível de pré-fabricação além do conforto térmico, acústico e visual. A sustentabilidade na construção vai além dos efeitos ambientais, chegando a envolver questões de saúde humana, bem-estar e desempenho, seja profissional, de aprendizado ou na recuperação e reabilitação de pacientes. O uso da madeira é capaz de melhorar a qualidade do ar dos ambientes internos, pelo fato de o material ser um regulador de umidade natural. Ao contrário do que se pensa, a madeira é considerada hipoalergênica e de fácil limpeza quando sua superfície é lisa. No Canadá, os produtos de madeira maciça, em especial para revestimentos de piso, são frequentemente especificados em ambientes onde se sabe que os ocupantes têm alergia a poeiras ou outras partículas2.

2 Os benefícios apresentados foram comprovados a partir de uma pesquisa realizada pela Universidade da Colúmbia Britânica em parceria com o instituto FPInnovations, que envolveu uma série de estudos de caso em escolas e hospitais canadenses. O artigo “Wood in Healthcare: A Natural Choice for Enhancing Human Well-Being” publicado em 2012 encontra-se disponível em <https://www.naturallywood.com/sites/default/files/documents/resources/wood-in-healthcare_0.pdf>

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Figura 2 - Museu da Madeira, obra de Tadao Ando.

Figura 3 - Odate Dome e Biblioteca de Gifu, obras de Toyo Ito.

Figura 4 - Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou, projeto de Renzo Piano.

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Um estudo3 realizado no Canadá, estabeleceu relação entre madeira e bem-estar. A pesquisa descobriu que a presença visual da madeira em um ambiente reduzia nos seus ocupantes a ativação do sistema nervoso simpático (SNS), sistema responsável por respostas de estresse fisiológico nos humanos. Um número crescente de instalações de saúde está fazendo uso da luz natural, de aberturas voltadas para ambientes naturais e de madeira exposta para criar uma estética quente e natural que provoca nos pacientes uma sensação de aconchego e tranquilidade, melhorando as respostas do organismo e levando à cura de forma mais rápida. Estas mesmas técnicas também estão sendo usadas em escolas e escritórios para melhorar o desempenho, a produtividade e o bem-estar dos ocupantes. Os subcapítulos que se desenvolvem a seguir irão abordar aspectos históricos do uso da madeira no Brasil e irão tratar, de forma mais aprofundada, as propriedades do material e sua posterior manipulação e desenvolvimento pela indústria, chegando até à sua aplicação na construção civil.

1.1 A MADEIRA NO BRASIL – ASPECTOS HISTÓRICOS Em um país cujo nome se origina de uma espécie arbórea (pau-brasil), largamente explorada pelos portugueses, o reconhecimento da madeira como potencialidade de desenvolvimento da economia e consequentemente da sociedade por parte dos brasileiros deixa muito a desejar. No Brasil pré-colonial, a madeira era utilizada na construção de abrigos (figura 5), na confecção de utensílios e ferramentas, além de ser fonte de luz e calor. Até que, com a chegada dos portugueses, essa matéria prima passou a ser explorada tornando-se uma atividade muito rentável. A valiosa madeira do pau-brasil foi explorada de forma predatória chegando quase a seu extermínio e levando toda sua riqueza para fora do território brasileiro. Apesar da riqueza neste recurso, a madeira no Brasil se resumiu a estruturas escondidas pela taipa ou na confecção de assoalhos, acabamentos, móveis, tapumes, formas de concreto e pontaletes, não sendo assumida em sua plenitude estrutural e estética.

3 Estudo realizado em 2015 pelo instituto FPInnovation. Referência: AUGUSTIN, Sally; FELL, David. Wood as a restorative material in healthcare environments. Versão 1.2 Canadá: FPInnovation, 2015. Disponível em: <https://fpinnovations.ca/media/publications/Documents/health-report.pdf>

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“O Brasil, entretanto, deve sua entrada no mundo ocidental a uma árvore-tinteiro, o pau-brasil, que forneceu aos portugueses o único motivo para fincar o pé na nova terra descoberta em 1500. A origem da nação é uma lição para a correção do imenso erro de tratamento que há séculos é dispensado às florestas brasileiras. Valorizar as árvores e a madeira é a única alternativa possível para fazer cessar a devastação florestal no país. Ensinar à nossa população a explorar racionalmente as florestas, a criar novas riquezas e belezas com a madeira, a depender da natureza para avançar na vida, é algo que poderá ser feito com êxito até o fim do século. [...] Temos tudo para conseguir: energia humana e florestas maravilhosas” (CALDAS, 1988, pg.12)

Figura 5 - Abrigo indígena na Aldeia de Xingu.

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A segunda metade do século XIX foi marcada pelas transformações no modo de construir no Brasil. Devido ao desenvolvimento dos meios de transporte sobre trilhos e fluviais, surgem edifícios importados produzidos pela indústria europeia, que, vinham desmontados em navios e atingiam o interior do país pelas ferrovias. Alguns exemplos eram em estrutura metálica, porém a maioria era em madeira. A madeira mais utilizada era o pinho de riga e essas construções eram principalmente residenciais, no estilo chalé suíço, cujos alguns exemplares ainda podem ser vistos nas cidades de Santos e Guarujá. Entretanto, construções de maior porte como a Estação de Paranapiacaba (Figura 6) também são exemplares dessa fase (REIS FILHO, 2013).


Figura 6 - Estação de Paranapiacaba, exemplar de edificação pré-construída e importada em madeira.

A montagem era rápida, pois o edifício era importado integralmente e suas peças eram marcadas para uma rápida identificação. Engenheiros europeus eram enviados para ler os desenhos técnicos e manuais, que eram feitos na língua inglesa e com unidade de medida em pés e polegadas, pouco usual para nós. Desta forma, a mão de obra local era desprezada, pois não tinha nenhum tipo de especialização do tipo. REIS FILHO (2013) relata a importância das ferrovias para o desenvolvimento de novas técnicas e pela chegada de novos materiais ao Brasil. Entretanto deixa claro o preconceito que a sociedade sempre demonstrou em relação ao uso da madeira de forma mais expressiva ao evitar sua aplicação em paredes, por exemplo. Devido a isso, desenvolveu-se um tipo de chalé único com paredes estruturais em tijolo aparente, limitando o uso da madeira a esquadrias e forro. Apesar da madeira não ter ganhado muito espaço, esse período foi importante para o desenvolvimento da técnica, juntamente com a industrialização da construção alcançando um nível de precisão que antes não poderia ser alcançado com os métodos tradicionais em taipa, tijolo e cal. O modernismo chegou ao Brasil reforçando o protagonismo do concreto e do aço, materiais que representavam tecnologia e desenvolvimento, enquanto a madeira era associada à autoconstrução de baixo padrão ou ao retrocesso (REIS FILHO, 2013).

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De acordo com o Serviço Florestal Brasileiro a perspectiva de crescimento do mercado madeireiro do Brasil é muito positiva. Com 7,8 milhões de hectares em árvores plantadas, menos de 1% do território, a indústria madeireira representa 6% do PIB Industrial, sendo o 4º produto mais exportado do país. Em relação a capacidade produtiva florestal do Brasil, os números expostos por CALIL JUNIOR (2003) mostram que o país tem um enorme potencial para se apoiar nesse ramo, desde que seja bem manejado. A produtividade volumétrica exposta por ele gira em média de 50 m³/ha/ano na região da Floresta Amazônica, 25 m³/ha/ano de Pinus e 30 m³/ha/ano de Eucalipto nas áreas de reflorestamento localizadas na região Sul e Sudeste. Se comparados com dados de outros países onde a demanda madeireira é muito expressiva, esses números se sobressaem, pois são muito superiores à capacidade média produtiva de países como a Finlândia (5 m³/ha/ano), Estados Unidos (15 m³/ha/ano) e África do Sul (18 m³/ha/ano). “Sem dúvida, são números que expressam a vocação florestal do Brasil. Sua importância é ainda maior num momento histórico em que mais do que a conscientização do nosso potencial, é preciso o convencimento de que usá-lo inteligentemente não é uma utopia inalcançável, mas sim uma necessidade inadiável. ” (CALIL JUNIOR, 2003, pag. 5)

Apesar disso, o Brasil apresenta um grande atraso no setor da industrialização da madeira voltada para a construção, devido à falta de conhecimento, resultando em uma aplicação de expressividade numérica muito aquém do necessário para impulsionar a indústria do ramo. Se for considerada a data de 1901, em que o alemão Friedrich Otto Hetzer recebeu a primeira patente pelo desenvolvimento da técnica da madeira laminada colada utilizando o adesivo caseína, pode-se dizer até que o Brasil está cerca de um século atrás. O atraso do Brasil é gritante quando comparada a quantidade de indústrias daqui com as da França. O território francês equivale a uma área um pouco menor que o estado da Bahia e sua população é bem menor que a do Brasil, 66 milhões contra os 200 milhões daqui, e mesmo assim, na França há mais de 40 indústrias especializadas na fabricação de estruturas em madeira. Devido à falta de concorrência o custo ainda é alto se comparado com países como Canadá e EUA (1000 dólares/m³) e Chile (750 dólares/m³), girando em torno de 2000 dólares/m³, sendo concorrente apenas do aço4.

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4 Fonte: CALIL NETO, Carlito. MLC A madeira Laminada Colada, 2010. Disponível em: < http://www.remade.com.br/br/revistadamadeira_materia.php?num=1473&subject=MLC&title=A%20madeira%20la


É de fundamental importância o papel que muitos profissionais do ramo da construção desenvolveram ou vêm desenvolvendo para mudar o cenário brasileiro. Nomes como Severiano Porto, Lúcio Costa, José Zanine Caldas e Marcos Acayaba na arquitetura, além de, Hélio Olga Junior, Carlito Calil, Alan Dias e Paulo Bastos na engenharia, estão contribuindo para o avanço e disseminação da técnica construtiva em madeira. Um exemplo dessa influência pode ser visto na obra do Shopping Iguatemi de Fortaleza, montado no ano de 2014. A obra de proporções tão grandiosas necessitaria da união das três principais fábricas de MLC existentes no Brasil para dar conta de produzir tantas peças em um curto espaço de tempo, afinal, a indústria brasileira ainda não estava desenvolvida o suficiente para tal. Essa foi uma hipótese considerada a princípio, mas por questões de logística e também pela ausência de fábricas que produzissem peças de conexões metálicas próprias para madeira e nessa escala e dimensão, optou-se pela produção integral da estrutura na fábrica italiana Moretti Interholz.

Figura 7 - Shopping Iguatemi de Fortaleza.

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O sucesso da obra impulsionou o desenvolvimento da indústria brasileira e trouxe também a Rothoblaas ao país, pois foi possível perceber um mercado em ascensão. Hoje, a Rewood, indústria de madeira engenheirada localizada no município de Taboão da Serra, seria capaz de produzir as peças do Shopping de Fortaleza. Além da ampliação da capacidade produtiva, a indústria investiu na tecnologia de curvatura da madeira em duas direções. Essa história deixa claro que o desenvolvimento da indústria depende da demanda e, com o desenvolvimento da tecnologia e o aumento da concorrência, a madeira passa a ser um grande concorrente das estruturas de aço e talvez até do concreto. “A racionalização e a mecanização dos métodos construtivos parece ser o caminho para integrar extensos contingentes de mão-de-obra não qualificada; a máquina pode ser operada por trabalhadores cujo treinamento é muito curto, e a economia de escala pela produção em massa é o único meio para baratear o custo final” [...] (BRUNA, 2002, pág.14).

1.2 PROPRIEDADES DA MADEIRA As madeiras encontradas no Brasil podem ser classificadas em madeiras provenientes de florestas nativas e madeiras provenientes de florestas plantadas. Há diferenças significativas nas propriedades de cada uma e na forma como são obtidas. A madeira classificada como macia é proveniente da classe das coníferas (gimnospermas) que, no Brasil, é representada pela espécie nativa conhecida como Pinho-do-Paraná (Araucaria angustifólia), presente nos estados da região Sul, e, pelas exóticas do gênero Pinus, com destaque para as espécies de origem norte-americana Pinus taeda e Pinus elliottii, cuja introdução foi mais bem-sucedida em regiões de clima temperado no Brasil. A madeira classificada como dura é proveniente da classe das dicotiledôneas (angiospermas) que são maioria nas florestas tropicais. Muitas espécies nativas possuem elevado valor comercial. Alguns exemplos mais conhecidos popularmente são: Peroba Rosa, Ipê, Mogno, Cedro, Imbuia, Angico, Cerejeira, Itaúba, Maçaranduba, Jequitibá Rosa, entre outros. Dentro dessa classificação, encontram-se as espécies exóticas do gênero Eucalyptus, originárias da Austrália, que foram introduzidas no Brasil e se adaptaram muito bem tendo maior representatividade dentro das florestas plantadas. 30


Uma característica importante, e muitas vezes interpretada de forma errada, é a resistência da madeira em relação ao fogo. Por ser um material de baixa condutividade térmica, a madeira cria uma crosta carbonizada na face externa que impede que o miolo seja atingido pelo fogo, além disso, ela não deforma como o aço. Devido ao comportamento previsível, no momento do cálculo estrutural essa espessura de carbonização é dimensionada para assegurar a estabilidade estrutural do sistema. Outras propriedades que devem ser levadas em conta para fins estruturais são: a anatomia (principalmente em relação às direções de suas fibras – Figura 9), a umidade, a densidade e variação dimensional, que diz respeito às propriedades de retração e inchamento nas direções longitudinais, radiais e tangenciais (CALIL JUNIOR, 2003).

Figura 8 - Estrutura de madeira suportando vigas de aço derretidas após incêndio.

Figura 9 - Principais direções das fibras da madeira. Fonte:Ritter (1990) in CALIL (2003)

1.2.1 Madeira Nativa A madeira nativa é normalmente extraída através das técnicas de manejo florestal. Há também extração a partir de florestas plantadas de espécies nativas, mas essa forma de obtenção ainda é pouco expressiva e encontra-se em desenvolvimento. O manejo pode acontecer em uma área de floresta nativa desde que haja permissão legal para isso. No caso de uma área privada é feito um contrato de parceria entre a empresa que vai realizar o manejo e o proprietário da terra. Caso a terra seja pública, essa autorização é feita por meio de licitação. A partir disso, é feita uma série de análises e estudos da área concedida para a elaboração do Plano de Manejo Florestal que deve ser apresentado à órgãos de

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regulamentação e fiscalização, como a Secretaria do Meio Ambiente e o IBAMA, para então ser feito o mapeamento das árvores que poderão ser extraídas e a subdivisão da área em unidades menores para que possa acontecer um revezamento que respeite o limite máximo de exploração do território, assim como também o seu tempo de recuperação. O infográfico (Figura 10), realizado pela AMATA (empresa que atua no ramo de obtenção de produtos florestais certificados), sintetiza de forma didática todo o processo de manejo de baixo impacto.

Figura 10 - Infográfico de manejo de baixo impacto. Fonte: AMATA

As madeiras do Brasil, em geral pesadas, apresentam entre si diferenças por pé cúbico, de duas arrobas e nove arráteis (64 libras) e uma arroba e 5 arráteis (32 libras mais ou menos)5 [...] a vegetação colossal do Brasil fornece peças de madeira de dimensões desconhecidas na Europa. (DEBRET, págs. 10 e 11)6

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5 Conversão das unidades: 64 libras = 29 kg e 32 libras = 14,5 kg. 6 Trecho do texto original de “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, escrito por Debret e publicado entre 1834 e 1839, in CALDAS, José Z. “Sentir e fazer”, 1988 in SILVA, Suely F. Zanine, sentir e fazer, Editora Agir: São Paulo. 4ª edição, 1995.


1.2.2 Madeira de Reflorestamento A madeira de reflorestamento é proveniente de árvores de florestas plantadas formadas a partir do plantio de mudas em uma área que, na maioria das vezes, já sofreu com ações predatórias. No Brasil, predomina o cultivo de espécies exóticas (Eucalyptus sp. e Pinus sp.), mas também há áreas de cultivo de espécies nativas em números menos expressivos (Araucária, Paricá e outras). Assim como o manejo de florestas nativas, as áreas de florestas plantadas também devem atender a um plano de manejo sustentável, buscando reduzir os impactos no meio ambiente, além de envolver em sua cadeia produtiva a população local de forma a promover o desenvolvimento econômico e social da região. O Brasil é uma potência quando o assunto é plantio de florestas para fins comerciais, principalmente em Eucalipto, impulsionado pela indústria da celulose que consome cerca de 81,2% do setor7.

Figura 11 - Mapa e tabela com dados estatísticos de florestas plantadas de espécies no Brasil. Fonte: IBGE

Esses números podem ser justificados por diversos fatores, como o domínio da atividade de plantio há mais de um século (tendo início por volta de 1903 com o plantio de Eucalipto impulsionado pelo silvicultor Edmundo Navarro Andrade e com a inserção 7 Dados da ABRAF expostos na matéria “Eucalipto no Brasil”, disponível em <http://www.imaflorestal.com/noticias/eucalipto-no-brasil-02-03-2015>. Acessado em 29/09/2017 às 22:34.

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do Pinus por volta de 1947), a boa adaptação das espécies ao clima e ao solo brasileiro, investimento em pesquisa no ramo da silvicultura e desenvolvimento genético das espécies para maior produtividade. As árvores plantadas são a melhor opção para suprir a demanda em escala industrial, pois seu ciclo é mais rápido que o de manejo de florestas nativas e a produtividade é maior, devido ao maior controle que se tem sobre toda a cadeia produtiva, desde à produção de mudas geneticamente melhoradas até o plantio, manutenção, colheita e transporte. Outras vantagens ambientais são: o sequestro de gás carbônico da atmosfera, diminuição da exploração de florestas nativas e reaproveitamento de áreas já degradadas.

Figura 12 - Infográfico de plantio de espécies exóticas. Fonte: AMATA

A seguir são apresentadas fichas resumidas com características técnicas fornecidas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) das madeiras de reflorestamento pinus e eucalipto, respectivamente. A escolha dessas espécies se deve ao fato de serem as mais utilizadas na indústria de sistemas construtivos em madeira. As madeiras pinus e eucalipto são espécies que foram introduzidas no Brasil e apresentaram excelente adaptação às condições naturais do país. É fundamental conhecer as características de cada uma para especificá-las de forma mais consciente na hora de projetar. 34


1.2.2.1 Pinus Nome científico: Pinus elliottii Engelm., Pinaceae. Nomes populares: pinheiro, pinheiro-americano, pinus. Ocorrência no Brasil: Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo. Origem: Estados Unidos

Figura 13 - Da esquerda para direita: face tangencial, face radial e fotomacrografia 10x a madeira pinus. Fonte: IPT

Características gerais: os ensaios e as observações feitas pelo IPT concluíram que essa madeira é susceptível ao ataque de fungos, cupins, brocas-de-madeira e perfuradores marinhos, porém é fácil de tratar e de secar. Trabalhabilidade:  é fácil de ser trabalhada e permite bom acabamento.  Densidade de massa a 15% de umidade (r): 480 kg/m³  Resistência a flexão (fM): Madeira verde: 48,0 MPa Madeira a 15% de umidade: 69,6 MPa Resistência a compressão paralela às fibras (fc0): Madeira verde: 18,5 MPa Madeira a 15% de umidade: 31,5 MPa Usos:  uso amplo na construção civil, também é usada na produção de móveis e pequenos objetos de utilidade, além da produção de celulose, carvão, lenha e extração de resina. 35


1.2.2.2 Eucalipto Nome científico: Eucalyptus grandis Outros nomes populares: eucalipto. Ocorrência no Brasil: Amapá, Bahia, Espírito Santo, Góias, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo. Origem: Austrália

Figura 14 - Da esquerda para direita: Face tangencial, face radial e fotomacrografia 10x da madeira eucalipto. Fonte: IPT

Características gerais: madeira considerada com moderada durabilidade aos fungos apodrecedores e cupins (SILVA,2001) e com baixa durabilidade aos fungos de podridão e cupins-de-solo. O cerne é difícil de ser tratado, entretanto, o alburno é permeável. Em geral são difíceis de secar, recomenda-se a secagem ao ar, ou o uso de pré-secador, antes da secagem em estufa para evitar empenamentos e rachas. Apresenta boa trabalhabilidade. Densidade

de

massa

a

15%

de

umidade

(r):

500

kg/m³

Resistência a flexão (fM): Madeira verde: 53,8 MPa Madeira a 15% de umidade: 75,6 MPa  Resistência a compressão paralela às fibras (fc0): Madeira verde: 26,3 MPa Madeira a 15% de umidade: 42,1 MPa 

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Usos: muito voltada para a produção de papel e celulose, a madeira de eucalipto é bem versátil e é usada também pelo setor da construção civil, produção de móveis, obtenção de lenha, dormentes e carvão vegetal.


1.2.3 Fatores de Risco e Tratamentos Preventivos A durabilidade da madeira pode ser comprometida por alguns elementos e agentes ambientais, reduzindo seu desempenho e colocando em risco a estabilidade da construção. Tendo conhecimento destes elementos, uma série de fatores e tratamentos devem ser levados em consideração. De acordo com CALIL (2003) uma combinação de três fatores é suficiente para garantir o sucesso da obra, são eles: 1. Detalhamento do projeto: é na fase de projeto que questões como escoamento das águas pluviais, proteção contra insolação direta e ventilação eficiente em áreas úmidas devem ser resolvidas. 2. Tratamento preservativo: engloba tratamentos superficiais (aplicação de verniz por exemplo) e tratamento por pressão (autoclave) da madeira. 3. Manutenção: como toda obra, as construídas em madeira também necessitam de avaliações periódicas, manutenções e eventuais reparos que abrangem de simples limpezas de calha até reaplicação de camadas de proteção contra umidade e raios UV. Em relação aos agentes de deterioração, estes se dividem em bióticos8 (seres vivos como fungos, insetos xilófagos e furadores marinhos) e abióticos9 (não vivos como raios ultravioleta, umidade, fogo, agentes químicos, deformações e nós da própria madeira). A seguir, nas figuras 15 e 16, é possível ver de forma clara e espacializada quais são os agentes de deterioração da madeira em função da categoria de uso. Os tratamentos contra agentes bióticos devem ser de ação prolongada. Tratam-se de preservativos químicos que podem ser aplicados por pincelamento, aspersão, pulverização, imersão, banho quente-frio, substituição de seiva e autoclave. Madeiras provenientes de coníferas devem ser tratadas por autoclave (como a pinus), enquanto, as provenientes de dicotiledôneas, devem ser tratadas por pincelamento. 8 Em ecologia, são considerados fatores bióticos tudo que é causado por um ser vivo a um determinado ecossistema. Ou seja, são relações ecológicas que podem ser observadas entre elementos da natureza, por exemplo, a relação predatória entre cupins e a madeira. Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Ecologia/abioticosebioticos.php <visto em 07/11/2017 às 15:20> 9 Em ecologia, são considerados fatores abióticos tudo que é causado por agentes físico-químicos do meio ambiente a um ser vivo. Por exemplo, o apodrecimento da madeira devido à ação da umidade. Fonte: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Ecologia/abioticosebioticos.php <visto em 07/11/2017 às 15:20>

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Figura 15 - Ilustração esquematizada dos fatores de risco. Fonte: CALIL, 2003 - Obs: os números foram editados de acordo com a Tabela 22 da NBR 7190/2012.

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Figura 16 – Quadro de agentes bióticos em função da categoria de uso da madeira. Fonte: NBR 7190/2012


1.2.4 Pré-dimensionamento e Concepção Estrutural O pré-dimensionamento das vigas de madeira pode ser efetuado de forma simplificada a partir da tabela produzida e disponibilizada pelo Engenheiro Alan Dias (figura 17, a seguir). Nela, são mostrados, de forma didática, diversos esquemas estruturais, que devem ser determinados pelo projetista, para então ser efetuado o cálculo para se ter uma noção das dimensões dos elementos estruturais. É importante lembrar que o pré-dimensionamento é uma forma simplificada de cálculo, usada na fase inicial do projeto para que se tenha uma visão básica do sistema estrutural. Mas uma série de fatores, como força dos ventos, presença de agentes químicos na edificação, abalos sísmicos, tipo de madeira, conexões, dentre outros, podem interferir nas dimensões e até mesmo na concepção do sistema como um todo. Nunca deve ser dispensada a participação de um engenheiro calculista especializado para determinação precisa de cada elemento estrutural. Outra fonte importante e obrigatória de consulta para concepção estrutural é a norma brasileira NBR 7190/2012, que estabelece índices de seguranças, cálculos e muitas outas informações que são de fundamental importância para assegurar o funcionamento pleno, seguro e duradouro da edificação em madeira.

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Figura 17- Tabela de prĂŠ-dimensionamento de estruturas de madeira. Autor: Eng. Alan Dias. Fonte: Carpinteria


1.3 INDUSTRIALIZAÇÃO DA MADEIRA VOLTADA PARA CONSTRUÇÃO CIVIL As técnicas de industrialização da madeira para construção avançaram nas últimas duas décadas e hoje o mercado oferece muitas opções que podem se adequar a qualquer tipo de obra. Destacam-se entre essas opções: a Madeira Laminada Colada, a Madeira Laminada Cruzada e o sistema Wood Frame. A Madeira Laminada Colada (MLC) resulta da disposição de lâminas de madeira de forma paralela e posterior colagem e prensa, podendo assumir curvas em até dois sentidos diferentes e dimensões variadas dando mais liberdade para o projeto arquitetônico. A estrutura industrializada possui maior resistência a envergamentos e torções se comparada a estruturas sem tratamento industrial. A Madeira Laminada Cruzada (CLT – Cross Laminated Timber) é o produto mais recente da engenharia em madeira. Sua produção consiste na disposição de lâminas de madeira maciça em sentidos opostos e alternados, sendo coladas e prensadas. Essa trama amplia significativamente a resistência estrutural do material, eliminando qualquer possibilidade de deformação dos painéis. Esse sistema possibilita a construção de edifícios com vários pavimentos, tamanha sua eficiência. Já o sistema wood frame, largamente utilizado nos Estados Unidos e no Canadá, consiste num sistema construtivo estruturado em frames de peças de madeira maciça serrada, que recebem fechamento em chapas (OSB, placas cimentícia ou chapas de gesso). Esse tipo de sistema tem tido uma aceitação muito boa na região Sul do Brasil, devido, principalmente, a herança cultural e construtiva Europeia que faz largo uso da madeira na construção, sem deixar de citar o sistema enxaimel (de onde evoluiu o sistema wood frame), tipo de construção tradicional presente em muitas colônias europeias dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e também no Paraná. Dentre todos esses métodos de construção em madeira industrializada, o sistema wood frame ainda é o mais barato, sendo um excelente concorrente em relação ao sistema de construção em alvenaria estrutural. E a madeira de reflorestamento que prevalece aqui são as espécies de Eucalipto, mais pesadas que a madeira das espécies de Pinus. É importante antecipar que nenhuma das indústrias, destacadas nos subcapítulos a seguir, funciona sozinha. Todas dependem, não só de incentivo governamental, mas também de realização de parcerias entre produtores e fornecedores de matérias primas, e indústrias de apoio, como a Rothoblaas, responsável pelo fornecimento de conexões e ferramentas específicas para madeira. 41


Trata-se de um sistema que emprega um elevado número de mão de obra em diversos setores. A cadeia produtiva da industrialização em madeira gera renda e promove o desenvolvimento econômico e social do país sem provocar grandes impactos ao meio ambiente, dando conta de uma demanda urgente e crescente.

1.3.1 Madeira Laminada Colada (MLC) O embrião da Madeira Laminada Colada encontra-se no século XIX com o fabrico de vigas compostas por tábuas sobrepostas na França por meio da figura do Coronel Emy. Essas tábuas eram unidas por elementos de conexão metálica como pregos e cintas. O laminado colado tal como se tem conhecimento hoje só foi desenvolvido a partir do surgimento das colas adesivas de alta resistência e isso data de 1901, ano em que o alemão Friedrich Otto Hetzer recebeu a patente do método desenvolvido usando cola adesiva caseína10. Até que em 1940 surgem as colas sintéticas impulsionando o desenvolvimento da Madeira Laminada Colada e ampliando as possibilidades de aplicação em grandes estruturas como pontes e construções marinhas.

Figura 18 - Peças em Madeira Laminada Colada.

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10 Cola produzida a partir do leite de origem animal.


Em paralelo à indústria está o desenvolvimento da técnica de reflorestamento que se mostrou ser fundamental para suprir a demanda industrial e garantir o maior controle do produto final. Espécies de Pinus, encontradas em larga escala em países do hemisfério norte, são a maioria neste cenário, por se tratar de uma espécie de rápido crescimento, fácil manuseio e mais leve se comparada a outras. O desenvolvimento conjunto da indústria e da técnica de reflorestamento em países da Europa e da América do Norte, levou ao domínio da técnica por parte dessas nações e consequentemente a uma ampla aplicação do material em diversas escalas da construção, de cabanas e passarelas a aeroportos e pontes. Apesar de ter sido desenvolvida no século XIX, no Brasil, só há 3 indústrias que produzem elementos estruturais em MLC, são elas: a ITA Construtora e a Rewood no estado de São Paulo e a Esmara Estruturas de Madeira Ltda. no Paraná. A primeira fábrica a produzir estruturas em madeira laminada colada no país foi a Esmara Estruturas de Madeira Ltda. Fundada em 1954, na cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, pelo engenheiro alemão Fritz Georg Karl Hösch, onde permaneceu até 1984, ano em que teve suas instalações transferidas para a cidade de Viamão. Hoje a fábrica é administrada pelo filho do fundador, Andreas Hösch, também engenheiro. Dentro desse contexto, a ITA Construtora, especializada em edificações de madeira, destaca-se por sua história e pelas diversas obras realizadas em madeira. Um dos fatores que definiu sua fundação, em 1980, por Hélio Olga Junior11 e seu pai, foi a parceria com o arquiteto baiano José Zanine Caldas. Por volta desse período, Zanine necessitava de alguém que fizesse a montagem de uma residência na Granja Viana, projetada por ele. As peças, numeradas e prontas para serem montadas, vinham de Viçosa na Bahia, onde ficava seu ateliê. Foi a partir desse evento que Hélio Olga Junior (figura 15) passou a fazer parte do mundo da construção em madeira.

“O rapaz se aproximou da pilha de madeira coberta por uma lona, ergueu o tecido, viu a madeira serrada e teve certeza: era isso que queria fazer pelo resto da vida. ” (MARTINS, pag. 19 in GAÜZIN-MÜLLER, 2005) Figura 19 - Foto de Hélio Olga Junior.

11 Formado em engenharia pela Politécnica da USP em 1978

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O uso da madeira nativa em suas obras ocorreu até o ano de 1987, momento em que a empresa deixa a produção artesanal e evolui para o método industrial. A ITA passa então a produzir estruturas na fábrica própria localizada no município de Vargem Grande Paulista, estado de São Paulo, empregando a madeira de reflorestamento de Eucalipto em suas estruturas de MLC. A BRA Rewood é outra referência em produção de madeira laminada colada no cenário brasileiro. Localizada no município de Taboão da Serra, a indústria está estrategicamente posicionada próxima de uma importante via de escoamento, a Rodovia Régis Bittencourt, por onde chega a maior parte da matéria prima empregada em sua fábrica, e que liga a capital à região sul do Brasil, de onde vem a maior parte da madeira de Pinus, muito usada em suas estruturas. Hoje, ela pode ser considerada a empresa mais desenvolvida em estruturas laminadas por deter maquinário de última geração que consegue curvar a madeira em duas direções distintas, tecnologia adquirida há cerca de dois anos, e usinar peças inteiras de até 25 metros de comprimento.

Figura 20 - Foto tirada na visita à fábrica. Da esquerda para direita: Carlito Calil Neto e Ana Clara Alves.

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Em visita à fábrica da Rewood, o engenheiro industrial e sócio proprietário, Carlito Calil Neto, esclareceu alguns pontos fundamentais em relação às propriedades das madeiras utilizadas, que afetam diretamente na garantia estrutural fornecida pela empresa. A estrutura feita em madeira do tipo pinus recebe garantia de trinta anos, enquanto a estrutura feita com eucalipto recebe uma garantia de vinte anos. Essa diferença se dá principalmente pelo fato de a madeira pinus ser menos densa, o que garante uma melhor aderência do adesivo estrutural entre as lâminas. Além disso, ela é tratada em autoclave, podendo ser usada em ambientes externos. Outras questões abordadas foram em relação à velocidade da construção e ao custo da estrutura. Sobre a velocidade da obra, Calil informou que a construção avança de 10 a 30 m² por dia. Já o custo é calculado em metros cúbicos e o valor varia muito de acordo o tipo da madeira (pinus ou eucalipto), acabamento, curvatura e porte da obra, mas gira em torno de 6000 reais/m³. Quanto ao processo de produção, pode-se subdividi-lo em três fases principais: a primeira composta por processos de checagem, a segunda que dá início à transformação das peças e a terceira de finalização. Na checagem dimensional, feita manualmente, nós e trincas são removidos. Peças com comprimento maior que 80 centímetros são usadas para confecção de vigas, menores que isso, são aproveitadas para confecção de painéis. Após essa seleção, são checadas a umidade (os dados da medição são exigidos por organismo de certificação de qualidade) e a resistência da madeira. Ao fim dessa primeira etapa, as tábuas passam para a fase de transformação. Onde emendas dentadas, chamadas de finger joints, são realizadas por uma máquina fresna de origem alemã que realiza com máxima rapidez e precisão essas emendas. Após isso, as placas são levadas a uma prensa hidráulica para sua união. Estas peças são armazenadas por pelo menos seis horas para garantir a união adequada. Na terceira etapa, as peças são levadas para a colagem e prensa. A colagem é feita com cola adesiva de alto desempenho, aplicada em apenas um dos lados da peça por uma máquina que distribui o produto de forma uniforme e constante. Após a aplicação da cola, as lâminas vão para uma “cama de prensa”, onde ficam por cerca de cinco dias. A peça, então, passa por uma máquina de aplainamento que remove as irregularidades indesejadas. E por fim, segue para o acabamento e tratamento da superfície, com aplicação de produtos preservativos, e instalação de conexões metálicas, ficando pronta para ser identificada e transportada à obra. 45


Figura 21 - Processo de checagem.

Figura 22 - Emendas dentadas.

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Figura 23 - Processo de colagem e prensagem.


1.3.2 Madeira Laminada Cruzada (CLT- Cross Laminated Timber) Este produto, considerado recente, foi desenvolvido na Alemanha e na Áustria há cerca de vinte anos. Consiste em painéis compostos por diversas camadas de lâminas de madeira maciça que são coladas em sentidos alternados. Tal processo amplia as propriedades estruturais dos painéis devido à distribuição das forças em ambos os sentidos das fibras da madeira.

Figura 24 - Painéis de CLT.

No Brasil essa tecnologia chegou há cerca de quatro anos apenas e, até agora, a única empresa que oferece esse material é a Crosslam, localizada no município de Suzano, Grande São Paulo. Segundo informações da fabricante brasileira, o CLT “Tem aplicações ilimitadas para construção civil e projetos em diversas áreas. Tudo o que é construído em aço, concreto e alvenaria tradicional, pode ser construído com CLT.”. Isso torna o material competitivo em relação aos demais sistemas construtivos. Além disso, os painéis possuem alto desempenho térmico e acústico.

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O processo de produção pode ser resumido em cinco etapas principais. A primeira é a etapa de checagem, onde é feita uma análise visual a procura de defeitos nas tábuas de madeira. Caso haja detecção de grandes nós, sobras de resina ou pedaços de casca, estes são removidos. A segunda etapa consiste na realização das emendas dentadas (finger joint) nas lâminas. A terceira e a quarta etapas consistem, respectivamente, na montagem dos painéis, onde as lâminas são posicionadas uma ao lado da outra, e na colagem e prensa dos mesmos, onde cada camada recebe o adesivo estrutural formando um “sanduíche” que é prensado à vácuo. E por fim são feitos os cortes, nas medidas especificadas pelo projeto, em uma máquina chamada Pórtico CNC (figura 27). O acabamento dos painéis é feito através do micro aparelhamento e lixamento.

Figura 25 - Da esquerda para a direita, processo de checagem das tábuas e realização das emendas dentadas.

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Figura 26 - Da esquerda para a direita, processo de montagem dos painéis e realização da colagem e prensagem à vácuo.


Figura 27 - Máquina Pórtico CNC, responsável pela realização de cortes precisos.

As configurações possíveis de painéis estruturais em CLT variam de 5,7 a 25 centímetros de espessura, podendo ter 3, 5 ou 7 camadas. É preciso atentar para a disposição das lamelas em relação à finalidade do painel. Para lajes, as lamelas externas ficam posicionadas no sentido longitudinal, já para paredes, as lamelas externas ficam posicionadas no sentido transversal.

Figura 28 - Quadro de configuração dos painéis. Fonte: CROSSLAM

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1.3.3 Sistema Wood Frame O sistema construtivo wood frame é derivado de uma evolução dos sistemas leves em madeira. Impulsionado pelo sistema de construção do tipo enxaimel, muito presente nas regiões de colonização alemã no Brasil, a técnica europeia foi levada por imigrantes para a América do Norte, onde sofreu mutações, principalmente no período da Revolução Industrial. Mas foi após a Segunda Guerra, por volta da década de 1960, que foi dado início aos sistemas de painéis, de onde surgiram as casas modulares e posteriormente as casas industrializadas (DIAS, 2005; VELLOSO, 2010)12. Essa técnica construtiva é baseada na montagem de um esqueleto de perfis de madeira com seção que varia de 4 a 12 polegadas, permitindo uma construção mais barata, leve e de montagem rápida e fácil. Apesar dessa tecnologia estar no Brasil há mais de 13 anos, só agora ela está sendo mais disseminada, principalmente em locais com grandes áreas de reflorestamento de madeira Pinus, como Paraná e Espírito Santo.

Figura 29 - Sistema de camadas de painel wood frame.

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12 In Manual da Construção Industrializada, Conceitos e Etapas, Volume 1. Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial: 2015. Disponível em <http://www.tecverde.com.br/wp-content/uploads/2016/04/ Manual_versao_digital.pdf> Acessado em 25/10/2017 às 15:18


A Tecverde é uma das indústrias brasileiras que se destacam nesse setor. Considerada a maior fábrica de casas em wood frame da América Latina, teve sua primeira fábrica instalada em 2010 em Pinhais, no Paraná. Um salto importantíssimo conquistado pela empresa foi a mudança nas regras de financiamentos de residências, passando a produzir, posteriormente, moradias em larga escala para o programa de habitação de interesse social Minha Casa Minha Vida. Seu sistema de produção garante que cerca de 70% das etapas se passem na fábrica, tendo um maior controle da produção e, consequentemente, da qualidade do produto final. Assim como nos sistemas anteriores, a madeira que chega para a produção dos frames passa por uma série de checagens e testes. As etapas de produção podem ser divididas em: Produção do frame (usa madeira de reflorestamento com tratamento de durabilidade superior a 50 anos), fechamento do painel (feito com chapa OSB e membrana hidrófuga), instalações prediais (toda a fiação e encanamento são inseridos no painel), fixação das chapas e usinagem de aberturas, finalização e carregamento. Uma vez que todo o material chega ao canteiro de obras, os painéis são içados e montados por uma equipe especializada. Tornando a obra limpa e até três vezes mais rápida que o método em alvenaria convencional.

Figura 30 - Comparação de custos entre as diferentes técnicas construtivas.

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2 ARQUITETURA EM MADEIRA NO BRASIL


2 ARQUITETURA EM MADEIRA NO BRASIL Dentro do cenário da arquitetura brasileira, são notáveis os trabalhos realizados em madeira por arquitetos que contribuíram para a construção de um novo olhar para o material em questão. Lúcio Costa, Severiano Porto, José Zanine Caldas e Marcos Acayaba podem ser considerados um dos principais precursores no uso da madeira de forma expressiva na arquitetura brasileira.

2.1 LUCIO COSTA

Figura 31 - Lucio Costa.

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Lucio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima e Costa, nasceu na França em 1902 e morreu em 1998 na cidade do Rio de Janeiro no Brasil. Arquiteto e urbanista formado pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, no ano de 1924. Mais conhecido pela sua participação no projeto do edifício do Ministério da Educação e Saúde em 1936 e, também, pela elaboração do Plano Piloto de Brasília vencedor do concurso em 1957, Lucio Costa coleciona poucas obras construídas, porém de expressividade e identidade únicas. Tornando-o um importante elemento na consolidação da arquitetura moderna brasileira. Partindo da análise de suas obras, alguns críticos o consideram um adepto do Regionalismo Crítico, um conceito, que segundo Kenneth Frampton diz respeito à adoção da arquitetura moderna sem deixar de levar em consideração o contexto em que ela é inserida.


Esse tipo de argumento fica mais claro ao observar algumas de suas obras, como a do Park Hotel de Friburgo (figura 32) e a da Casa do poeta Thiago de Mello (figura 33). Em relação ao edifício do Park Hotel, construído por volta de 1944, na cidade de Friburgo, pode-se dizer que sua concepção é claramente modernista, entretanto faz uso das técnicas e materiais que o local disponibilizava. O uso de pedras locais nos embasamentos, elementos cerâmicos provenientes de uma olaria próxima ao terreno e o uso expressivo dos troncos de eucalipto, configuram uma arquitetura moderna enraizada no Brasil. Uma proposta buscada por ele que se concretiza neste projeto. (BRITTO, 2017) Outro exemplo é o projeto da residência do poeta Thiago de Mello que fica localizada na idade de Barreirinha no Amazonas. A técnica construtiva utilizada para o sistema estrutural é semelhante ao sistema enxaimel. Um esqueleto de madeira nativa local é preenchido com pau-a-pique. Internamente, o resultado é de um espaço fluido, configura-se na típica planta livre moderna (COLIN, 2010).

Figura 32 - Park Hotel, projeto de Lúcio Costa.

Figura 33 – Casa de Thiago de Mello, projeto de Lúcio Costa.

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2.2 SEVERIANO PORTO

Figura 34 – Foto do arquiteto Severiano Porto.

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Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto, nasceu no ano de 1930 em Uberlândia, Minas Gerais. Mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos cinco anos de idade. De 1950 a 1954 estudou Arquitetura na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trabalhou por onze anos em escritório próprio no Rio de Janeiro, até que em 1965, dois anos após realizar uma viagem pela Amazônia, foi convidado pelo governador do Amazonas, Arthur Cezar Ferreira Reis, a realizar a reforma do Palácio do Governo e o projeto da Assembleia Legislativa do Estado, ambas não foram concretizadas. Outros projetos foram encomendados ao arquiteto durante o tempo em que esteve em Manaus, ele então opta pela mudança para a capital amazonense, deixando o escritório do Rio de Janeiro sob a responsabilidade de seu sócio, colega e coautor de alguns projetos de destaque, Mário Emílio Ribeiro. A época em que Severiano chegou à Manaus foi marcada pela implantação de órgãos de desenvolvimento e de toda uma infraestrutura necessária para o melhor desenvolvimento econômico e aproveitamento dos recursos da região, permitindo que o arquiteto atuasse intensa e ativamente pelo estado. Alguns exemplos de infraestruturas projetadas por ele são: a Companhia Amazonense de Telecomunicações em Manaus (1966) e outras 23 Centrais Telefônicas pelo interior do estado, e o projeto da sede da


Superintendência da Zona Franca de Manaus (1971), empreendimento que contribuiu para o rápido crescimento do município. Os anos 1970 foram marcados por crises nos setores energéticos, principalmente no setor petrolífero, gerando uma discussão acerca dos recursos do planeta e da preservação ambiental. Dentro deste cenário, o campo da arquitetura voltou a abordar as vantagens do uso de sistemas alternativos tradicionais que fazem uso de materiais locais e técnicas tradicionais que são mais baratos e não causam tanto impacto à natureza. Severiano Porto já se utilizava destes métodos em suas obras, a madeira, material abundante na região, foi muito aplicada pelo arquiteto. Dentro destes métodos destacam-se obras como: a Residência do Arquiteto (1971), a Pousada Ilha de Silves (1979-83), o Centro de Proteção Ambiental de Balbina (1983-88), o Banco da Amazônia (1974) e o Aldeias Infantis SOS Brasil (1994). A Residência do Arquiteto (figura 35), localizada na capital do estado do Amazonas, simboliza o regionalismo crítico por unir aspectos ambientais do local com os materiais e técnicas da região, sem deixar de lado aspectos do modernismo da escola carioca da qual o arquiteto fez parte. Toda a madeira foi trazida da mata próxima. Foram empregadas: itaúba, maçaranduba, sucupira-vermelha, sucupira-amarela, sucupira-preta, cedro, mogno, louro-aritu e macaúba.

Figura 35 – Residência do Arquiteto Severiano Porto.

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A Pousada Ilha de Silves (figura 36), localizada a 350 quilômetros de Manaus, foi implantada de forma a intervir o mínimo possível no entorno. Seu formato remete a uma grande oca indígena e a disposição dos ambientes levou em consideração condicionantes ambientais. Sua construção aproveitou das técnicas, materiais e mão-de-obra locais.

Figura 36 - Pousada Ilha de Silves.

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Dando início aos exemplos de equipamentos de interesse público projetados pelo arquiteto, tem-se dois projetos grandiosos, o Centro de Proteção Ambiental de Balbina (figura 37) e o Aldeias Infantis SOS Brasil (figura 38) No Centro de Proteção Ambiental, a madeira foi trabalhada livremente, sendo utilizada de diferentes formas. O edifício foi implantado de maneira a se adaptar ao relevo do terreno e aos ventos Leste-Oeste predominantes. Já no conjunto da Aldeias Infantis, nota-se a presença marcante de uma circulação sinuosa que interliga as dez unidades de casas aos demais equipamentos implantados. A madeira é usada nas esquadrias, forros e estrutura do telhado, enquanto a vedação é feita em elementos de alvenaria.


E por fim, o Banco da Amazônia (figura 39), que foi construído com um sistema híbrido de concreto e madeira. Porto defendeu o uso da madeira da região para expressar umas das principais finalidades do banco: o desenvolvimento regional e a integração com a realidade local. A fachada resulta de condicionantes bioclimáticas, tendo o arquiteto optado por treliças em madeira que protegem da insolação direta e ao mesmo tempo permitem a ventilação constante.

Figura 37 - Vista geral do Centro de Proteção Ambiental da Balbina.

Figura 38 - Vista aérea do conjunto Aldeias Infantis SOS Brasil.

Figura 39 - Banco da Amazônia, vista da fachada principal à esquerda e vista do ambiente interno à direita.

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2.3 JOSÉ ZANINE CALDAS

Figura 40 - José Zanine Caldas. Foto retirada do livro “Zanine, fazer e sentir”

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José Zanine Caldas, foi um arquiteto, designer e maquetista, que nasceu na cidade de Belmonte no estado da Bahia em 1919, e faleceu em Vitória no Espírito Santo em 2001, aos 82 anos de idade. Autodidata, desenvolveu o dom da arquitetura por meio de seus trabalhos como maquetista e assistente de grandes nomes da arquitetura como Oswaldo Bratke e Alcides da Rocha Miranda.


“Minha escola foi a obra e a maquete. Minhas bibliotecas foram as estruturas antigas e as serrarias. Minha briga, que continua foi contra o colonialismo cultural. Até hoje reclamo contra a vinda dos arquitetos estrangeiros que D. João VI trouxe da Europa temperada no início do século XIX, para ‘civilizar’ a nossa cultura tropical” (CALDAS, pág. 9 in SILVA,1995)

Era reconhecido pelo forte traço de brasilidade em seus trabalhos. Na arquitetura, prezava pelo uso da madeira nativa brasileira e reconhecia a importância e a presença da autoconstrução de residências no país. Ao fundar, em 1983, o Centro de Desenvolvimento das Aplicações de Madeiras do Brasil (conhecido pela sigla DAM), Zanine, tinha como intenção desenvolver trabalhos com apelo social, onde buscava formar construtores que pudessem levar seu conhecimento e sua filosofia adiante. Por outro lado, a maioria de suas obras são formadas por residências de alto padrão e implantadas em sítios grandiosos e paradisíacos como poderá ser visto alguns exemplos a seguir.

Figura 41 - Residência no Rio De Janeiro. Fotografia de José de Paula Machado in SILVA, 1995

Figura 42 - Residência em Itaipava, à direita detalhe da tesoura. Fotografia de José Paula Machado in SILVA, 1995.

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A obra residencial mostrada a seguir (figura 43) é um exemplo de obra popular desenvolvida por ele, conhecida como “Casa do Nilo”. Seus desenhos eram feitos sobre papel milimetrado como mostrado abaixo (figura 44). Chama a atenção a forma aparentemente simples de projetar, seguindo a rigidez das linhas e da simetria, e, ao mesmo tempo, quando feita uma análise de suas obras, percebe-se o domínio da técnica, da materialidade e da percepção de espaço que só um arquiteto com muito talento e sensibilidade consegue ter.

Figura 43 - “Casa do Nilo”, residência popular. Fotografia de: Pedro Henrique in SILVA, 1995

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Figura 44 - Desenho feito à mão por Zanine. Fonte: Fotografia de Pedro Henrique in SILVA, 1995


2.4 MARCOS ACAYABA

Figura 45 - Marcos Acayaba.

No Brasil, destaca-se também, a figura do arquiteto Marcos Acayaba, formado na FAU-USP e considerado um dos expoentes da chamada “escola paulista”, Acayaba é hoje um dos arquitetos brasileiros com maior projeção internacional. Composta predominantemente de construções residenciais, sua obra surge com o projeto da Residência Milan, em 1972, uma casca de concreto armado com uma plasticidade muito expressiva. Deste ponto em diante sua produção arquitetônica continuou usando largamente o concreto, o aço e a alvenaria. Entretanto, em um ponto de sua carreira, surge o projeto de uma residência em um terreno muito acidentado próximo à represa do Guarapiranga na cidade de São Paulo, a casa Hélio Olga, feita para o engenheiro dono da ITA construtora em 1991. Este projeto é um marco na carreira de Marcos Acayaba, além da expressividade formal, dos grandes balanços sucessivos e das dificuldades vencidas pelo projeto, chama atenção a escolha pelo uso da madeira industrializada. Essa casa direciona os holofotes, nacionais e internacionais, para as obras de Acayaba, ligando-a ao movimento de valorização da arquitetura sustentável, ambientalmente responsável, e atenta às particularidades culturais, climáticas e paisagísticas dos locais em que se implanta. 63


Figura 46 - Casa HĂŠlio Olga, projeto de Marco Acayaba.

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2.5 PRODUÇÃO CONTEMPORÂNEA Dentro do cenário da produção contemporânea da arquitetura brasileira, surge a dificuldade em selecionar apenas um único nome com um repertório de projetos que represente de forma substancial a produção arquitetônica em madeira no Brasil. Isso não significa que a produção é inexistente ou não tem qualidade, pelo contrário, muitos escritórios e arquitetos de renome estão gradativamente especificando a madeira como principal elemento do projeto e vêm obtendo elogios por parte de críticos de arquitetura, assim como uma boa aceitação do público geral. Serão listados a seguir alguns exemplos que obtiveram maior repercussão, seja pela aceitação e procura por parte do público, seja pela grandiosidade projetual que impulsiona o desenvolvimento das leis e da indústria do ramo. O primeiro exemplo é a Casa na Praia do Félix (figura 47), projeto do escritório de arquitetura Vidal & Sant’Anna, cuja obra foi finalizada em 2010. Implantada em uma encosta íngreme da Serra do Mar, na cidade litorânea de Ubatuba, a casa “pousa” com extrema leveza preservando ao máximo essa área ambientalmente protegida. A especificação da madeira foi fundamental para garantir que todas as intenções projetuais fossem concretizadas, chegando a ser reconhecida com o prêmio na categoria “Projeto Arquitetônico Sustentável” no concurso Planeta Casa em 2011.

Figura 47 - Casa na Praia do Félix. Fotografia de Fran Parente.

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A seguir tem-se um dos maiores e mais influentes escritórios da atualidade, o FGMF, com o projeto da Casa Grelha. A estrutura da casa é formada por uma grelha estrutural em madeira modulada por vãos de 5,5 x 5,5 metros, que é apoiada em pilares de concreto que surgem do morro. A madeira contribuiu para efetivar algumas questões impostas ao projeto como, a maior relação com o terreno e a natureza e ao obrigatório afastamento em relação ao solo devido a alta umidade da região.

Figura 48 - Casa Grelha, FGMF. Fotografia de Alexandre Schneider.

Seguindo a linha das residências, está a Fazenda Catuçaba (figura 49), projeto do Studio MK27, realizado em 2016. Marcio Kogan, conhecido pela configuração monolítica e minimalista, com uso marcante do concreto aparente, surpreende ao optar pelo sistema construtivo em madeira desta residência. A madeira laminada colada configura a estrutura principal, o deck de madeira permite a criação de uma generosa varanda ao logo de toda fachada principal e as divisórias são feitas em wood frame. Essa casa foi o primeiro projeto a receber certificado Platina pelo Green Building Council Brasil.

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Figura 49 - Casa Fazenda Catuçaba. Studio MK27. Fotografia de Fernando Guerra|FG+SG


Os dois projetos a seguir, se destacaram pela igual grandiosidade, mas, apesar dessa característica em comum, cada um apresenta interesses e estágios distintos de realização. O Edifício Amata (figura 50), projetado pelo escritório de arquitetura Triptyque, é um edifício verticalizado de interesse privado que ainda se encontra em fase de estudo. O projeto parte de uma iniciativa da empresa florestal brasileira AMATA, que pretende construir um edifício de uso misto e de volumetria escalonada com 13 pavimentos no total. Sua implantação será no bairro da Vila Madalena em São Paulo. O cálculo estrutural do edifício está sendo realizado pela equipe da Carpinteria Estruturas de Madeira. O Engenheiro Alan Dias tem divulgado nas redes sociais do escritório os avanços que estão sendo feitos para a concretização desta obra. Ele também foi buscar assessoria com o engenheiro canadense especializado em cálculo de estruturas de madeira, Eric Karsh, responsável por muitas obras de grande porte, dentre elas, a obra da University of Massachusetts Design Pavilion, abordada nos estudos de caso mais adiante. O sistema estrutural fará largo uso da Madeira Laminada Cruzada (CLT). O edifício Moradias Estudantis (figura 51), projetado por Rosenbaum e Aleph Zero, é um equipamento público horizontal de grande porte que foi concluído ainda esse ano em 2017. Localizado no Formoso do Araguaia no estado do Tocantins, este equipamento é um espaço de ensino rural e moradia para crianças de 13 a 18 anos que habitam a região e não desfrutam de condições dignas de sobrevivência. O projeto já recebeu dois prêmios, o prêmio de arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel e como projeto vencedor na categoria Habitação Social do American Architecture Prize 2017. Com 25.000 m² de área construída, foi considerado o maior edifício com estrutura de madeira do país. A escolha da madeira laminada colada para o sistema estrutural do prédio, se deve às complicações logísticas apresentadas. O local possui acesso por rodovias, mas é muito isolado em relação aos centros de produção. A malha estrutural foi feita então em módulos quadrados de 5,9 metros e as peças vinham em carretas desde a fábrica da ITA Construtora. Os pilares esbeltos (seção quadrada de 15 centímetros) totalizaram 288 unidades. Ao todo foram usados 1000 m³ de madeira. O engenheiro Hélio Olga declarou que esse projeto possibilitou a melhor visualização do potencial produtivo e da eficiência do sistema como um todo.

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Figura 50 - Edifício AMATA. Fonte: Triptyque


Figura 51 â&#x20AC;&#x201C; Vista geral das Moradias Estudantis. Fotografia de Leonardo Finotti. E 3D estrutura. Fonte: ITA Construtora

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3 ARQUITETURA ESCOLAR


3 ARQUITETURA ESCOLAR Considerando que a escola é o primeiro ambiente com o qual as crianças entram em contato com a vida coletiva e passam a adquirir conhecimento, este deve proporcionar espaços para o seu desenvolvimento e estimular o aprendizado explorando forma, textura e ambientes amplos e integrados com o meio, sem deixar de lado questões funcionais e de segurança. O déficit de vagas em creche e escolas de ensino infantil chegou em alarmantes 124,7 mil vagas no final da gestão Gilberto Kassab no município de São Paulo (VEIGA, CAMBRICOLI, FELIX, VIEIRA, 2015) sendo a Zona Sul a região mais afetada e, dentro desta, a subprefeitura do Campo Limpo foi a que apresentou maior número de crianças sem vagas, totalizando 13.136 crianças (MELIM, 2012). Para suprir tamanha demanda de equipamentos com rapidez, eficiência, qualidade e segurança, a industrialização da construção não só é fundamental como também exigida pelos órgãos competentes que regularizam as obras de equipamentos educacionais. Porém, a concepção projetual com qualidade arquitetônica, o pensamento a longo prazo e a questão da sustentabilidade da construção deixam a desejar nos equipamentos produzidos sob as políticas e diretrizes estabelecidas pelos órgãos gerenciadores. Dentro dos materiais e técnicas pré-estabelecidos pelas normas e manuais publicados pelo FDE e FNDE, não há menção da possibilidade de aplicação da madeira na construção, fruto de um atraso industrial e intelectual do país. O desempenho dos alunos, principalmente nas escolas da rede pública, deixa muito a desejar. São várias as consequências sociais da falta de qualidade na educação brasileira, impedindo o progresso do país, intelectualmente, economicamente e tecnologicamente. Sem contar com problemas de segurança pública, cuja raíz está, na maioria dos casos, na falta de oportunidades geradas pela desigualdade de acesso à informação e, consequentemente, a uma dificuldade na integração do indivíduo na sociedade. É fundamental priorizar os recursos públicos na educação para a formação de cidadãos mais civilizados e capazes de contribuir para o desenvolvimento de uma nação mais igualitária. Além do material didático e dos recursos humanos que uma instituição de ensino demanda, é preciso também atentar ao espaço construído desta. É ali que todas as atividades serão realizadas, e todos os usuários, sejam alunos ou profissionais, serão abrigados e passarão boa parcela do seu tempo de vida, dedicando-se na evolução dos diversos setores que compõem o ser humano, preparando-o para a vida. Um equipamento que possui essa carga de responsabilidade não pode ser tratado apenas sob 72


aspectos quantitativos e funcionais, mas sim como resultado da pedagogia adotada e expressão cultural do local onde está inserido. Sabendo que a arquitetura pode expressar e determinar nos espaços projetados o conceito de ensino da escola, assim como também dar suporte de forma mais ampla ao local onde está implantada, cabe ao profissional conhecer os aspectos pedagógicos adotados para definir o programa de necessidades, a disposição dos ambientes e a estética, assim como também os aspectos físicos e culturais do entorno para dar suporte de forma mais ampla às demandas sociais do local (KOWALTOWSKI, 2017).

3.1 HISTÓRICO DA FORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO A origem da palavra vem do latim “ex”, que significa fora/externo, e “ducere”, que significa conduzir/guiar, ou seja, dar a um indivíduo ou a uma sociedade a possibilidade de expressar conteúdos internos e trazer as ideias para fora. A educação sistematizada, tal como é conhecida hoje, teve sua origem já nas sociedades primitivas quando a quantidade de conhecimentos passou a se acumular de forma a tornar a especialização do saber uma necessidade. Sua evolução pode ser vista no infográfico a seguir:

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Figura 52 – Infográfico do desenvolvimento da educação.


3.2 SISTEMATIZAÇÃO DO ENSINO – O DESENVOLVIMENTO DAS CORRENTES PEDAGÓGICAS

Figura 53 - Parte 1 - Infográfico de correntes pedagógicas. Baseado na ordem cronológica do Capítulo 1 de KOWALTOWSKI,2017

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Figura 53 - Parte 2 - Infográfico de correntes pedagógicas. Baseado na ordem cronológica do Capítulo 1 de KOWALTOWSKI,2017

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Figura 53 - Parte 3 - Infográfico de correntes pedagógicas. Baseado na ordem cronológica do Capítulo 1 de KOWALTOWSKI,2017

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3.3 A PEDAGOGIA NO CENÁRIO BRASILEIRO As teorias aplicadas nas escolas brasileiras, apesar de terem influências dos teóricos estrangeiros apresentados no subcapítulo anterior, também contam com a atuação de importantes educadores brasileiros, como Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro. Anísio Teixeira foi um intelectual e educador de grande importância para a educação brasileira. Foi aluno de John Dewey e, ao retornar ao Brasil, introduziu os conceitos pedagógicos aprendidos com o americano. Sempre esteve engajado com os movimentos em prol do desenvolvimento da educação.

Figura 54 - Anísio Teixeira.

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Conseguiu reunir muitos pensadores para dar início a uma reconstrução da pedagogia brasileira, defendendo que a educação é um tripé formado pela escola, pela biblioteca e pelo museu. Mas foi em 1946, quando volta para o estado da Bahia, que Anísio surge com o conceito de Escola Parque (figura 55). Uma grande experiência com equipamentos de ensino primário que, inclusive, chamou a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU).


Anísio planeja a municipalização do ensino por volta dos anos 1950 e 1960. Para conseguir uma melhor integração com a realidade cultural brasileira, ele passa a adaptar a pedagogia de forma a torná-la mais conectada com o meio, introduzindo a ciência da pedagogia no país.

Figura 55 - Interior da Escola Parque da Bahia.

Paulo Freire é outro nome de destaque, respeitado inclusive fora do Brasil. Defensor da educação popular, ou seja, daquilo que era aprendido além do ambiente da escola, desenvolveu métodos inovadores de alfabetização rápida sem nenhum auxílio de apostila. O método baseava-se na reflexão sobre a realidade e a origem das palavras. Grande estimulador do pensamento crítico individual, Freire sofreu com a época do regime militar, tendo muitas de suas atuações reprimidas pela censura. E por fim, Darcy Ribeiro, responsável pela elaboração de metas no ensino como a maior oferta de escolas públicas com tempo integral, incentivo ao ensino técnico profissionalizante e na criação de especializações nas universidades. Além da inclusão de recursos tecnológicos, como a televisão, que por meio de cursos a distância poderia dar conta dos problemas no ensino.

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3.4 CONSIDERAÇÕES PRÓPRIAS SOBRE AS CORRENTES PEDAGÓGICAS Diante das diferentes correntes pedagógicas apresentadas, nota-se que, apesar de os métodos serem diferentes, os objetivos são praticamente os mesmos. Em todos os casos há uma busca pelo desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais, emocionais e sociais de cada indivíduo em formação. Pretende-se com isso, inserir seres capazes de pensar por si próprios e terem consciência do coletivo para um convívio harmonioso em sociedade. Reconhecer as capacidades e a individualidade de cada criança, assim como ter uma leitura da realidade local e das influências que esta exerce sobre um grupo específico de pessoas a ser atendido, é fundamental na hora de discernir qual o melhor caminho a ser adotado para um maior sucesso no processo de ensino e aprendizagem. É preciso atentar à forma como a arquitetura escolar pode traduzir um determinado pensamento e ideal pedagógico, buscando dar o melhor suporte ao ensino, aos usuários e à comunidade local. “Os aspectos físicos do ambiente escolar são pouco citados nas discussões pedagógicas ou em estilos de aprendizagem. Como pelo menos 20% da população passam grande parte do dia dentro de prédios escolares, é pertinente indagar a respeito do impacto de elementos arquitetônicos sobre os níveis de aprendizagem de alunos e de produtividade dos professores ao transmitir conhecimentos.” (KOWALTOWSKI, 2017, pág. 40) “Assim, para dar voz à arquitetura como elemento significativo na determinação da qualidade do processo educacional, necessita-se focalizar a adequação do processo de trabalho dos projetistas às novas demandas. Os grandes avanços tecnológicos e as mudanças globais, sociais e econômicas que ocorrem constantemente influenciam os trabalhos realizados na área da arquitetura, ao aumentar a complexidade e a exigência quanto à qualidade final dos edifícios, o que não é diferente quando se trata de edifícios escolares (Kowaltowski et al., 2006a). Exigem-se novas posturas dos profissionais com decisões de projeto, justificadas com diversos com diversos pontos de vista, tais como conforto, funcionalidade e humanização do ambiente construído, e soluções no conceito da sustentabilidade.” (KOWALTOWSKI, 2017, pág. 201)

Diante das considerações e dos trechos de Kowaltowski aqui transcritos, o capítulo a seguir visa abordar aspectos da materialidade e espacialidade dos estudos de 80


caso selecionados para tentar entender de que forma esses elementos podem interferir no bem-estar fĂ­sico e mental do usuĂĄrio. Os estudos selecionados buscaram fundir o tema de maior enfoque, o das tĂŠcnicas construtivas em madeira, ao tema correlacionado, o educacional.

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4 ESTUDOS DE CASO


4 ESTUDOS DE CASO – EQUIPAMENTOS EDUCACIONAIS EM MADEIRA Os estudos de caso a seguir foram escolhidos sob alguns critérios, o primeiro deles, é a necessidade de estudar equipamentos educacionais e, o segundo, é que estes aplicassem madeira em seu sistema construtivo. Busca, assim, analisar a viabilidade em aplicar sistemas construtivos industrializados em equipamentos públicos de grande porte, como escolas, além de avaliar o uso da madeira como elemento humanizador da construção, contribuindo para a formação de um ambiente adequado para o processo de ensino e aprendizagem. No exterior, são apresentados três casos. O primeiro, é uma escola de ensino infantil canadense, uma obra de grande porte que incluiu a participação da comunidade local na concepção do projeto, resultando em um equipamento generoso. A escola também recebeu certificados por eficiência energética devido a uma série de medidas tomadas para tal, mas a escolha da madeira foi fundamental que se somassem pontos para essa certificação. O segundo caso, é um jardim de infância que fica no Japão, cujo escritório costuma especificar constantemente o uso da madeira em seus projetos. O escritório que desenvolve esse projeto é especializado em equipamentos voltados para a educação infantil e seguem uma linha de pensamento própria. O terceiro caso, se trata de um pavilhão de design para a Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos. Apesar de não ser um equipamento voltado para o ensino seriado de crianças e adolescentes, ele é um equipamento de grande porte e aberto ao público. O que mais chama a atenção é a larga aplicação do sistema de painéis CLT em lajes e núcleos rígidos de circulação vertical. A observação do seu esqueleto estrutural foi de fundamental importância para a resolução de algumas questões estruturais do projeto desenvolvido ao final deste trabalho. No Brasil, houve uma maior dificuldade em encontrar exemplos que unissem os dois critérios acima, mas dois estudos de caso são trabalhados aqui, o primeiro, é uma escola de ensino infantil particular que optou pelo sistema construtivo em madeira laminada colada devido às limitações de tempo e espaço para obra. E o segundo caso, é uma escola de ensino fundamental que passou por uma série reformas e ampliações, onde mais uma vez, as limitações de espaço físico para a logística da obra e o tempo reduzido em que esta deveria ser concluída, levaram à escolha pelo sistema construtivo em madeira laminada colada. 84


4.1 NO EXTERIOR 4.1.1 Samuel Brighouse Elementary School, Canadá

Figura 56 - Localização da escola. Fonte da base: Google Maps. Trabalho gráfico de autoria própria.

Projetada pelo escritório Perkins+Will e concluída em 2011 a Samuel Brighouse Elementary School, localizada na cidade de Richmond na província da Colúmbia Britânica, provocou um impacto muito positivo na comunidade onde está inserida antes mesmo de ser inaugurada, pois a construção foi planejada com a participação dos moradores locais e com a criatividade das crianças, futuros usuários do equipamento. A escola foi pensada para se adaptar a várias necessidades, pois era um desejo da vizinhança ter um centro de aprendizagem comunitário, inclusivo, acolhedor e sustentável. Para atender a esse pedido foi projetado um “Centro de Aprendizagem de Vizinhança” que oferece serviços de assistência à infância e programas de alfabetização comunitária. Quanto à sustentabilidade, além do largo uso da madeira na construção, o edifício conta com ventilação e iluminação naturais, uso de vegetação nativa no projeto paisagístico, captação e armazenamento de água da chuva e telhado verde, recebendo certificado LEED.

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Figura 57 - Implantação pavimento térreo. Fonte: Perkins+Will

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Figura 58 - Planta do pavimento superior. Fonte: Perkins+Will


Figura 59 – Corte transversal. Fonte: Perkins+Will

Figura 60 - Cortes longitudinais. Fonte: Perkins+Will

A estrutura é um elemento marcante nesse projeto. Os pilares de madeira laminada colada de altura variável nas fachadas mais longilíneas, permite a ondulação do sistema da cobertura como um todo trazendo movimento à fachada. Para garantir a estabilidade da cobertura, um sistema de peças metálicas em “V” cravadas ao painel de CLT da cobertura são empurradas para cima pelos tirantes metálicos que estão ligados às suas pontas. Esse sistema assegurou uma maior permeabilidade visual e circulações mais livres. Como pode ser visto na figura 61 adiante. Tanto a organização dos espaços, quanto os materiais aplicados, buscam transmitir transparência, conexão com a natureza, conexão com a comunidade e aprendizagem colaborativa. Grandes áreas envidraçadas das fachadas trazem a transparência e integração. As cores são usadas de formas pontuais, destacando volumes específicos no interior do edifício, que facilitam numa melhor localização dos ambientes por parte do usuário. Estas entram em harmonia com o tom quente da madeira que confere estímulos visuais agradáveis.

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Figura 61 - Detalhe da estrutura da cobertura. Fonte: Perkins+Will

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Figura 62 - Interior do edifício, hall de circulação livre, generoso e bem iluminado. Fonte: Perkins+Will


4.1.2 Creche D.S., Japão Localizada na cidade de Ibaraki, no Japão, A Creche D.S. foi projetada pelo escritório de arquitetura Hibinosekkei em parceria com Youji no Shiro. Por não divulgar o endereço exato, não foi possível localizar o edifício no Google Maps. Para entender a relação com o entorno, segue uma imagem do equipamento inserido no contexto.

Figura 63 - Vista geral para o edifício inserido no contexto.

O terreno é rodeado por plantações de arroz e encontra-se numa área com fortes incidências de vento. O conceito do projeto é baseado nessa força da natureza, segundo o próprio escritório afirma. O edifício se volta para o pátio interno e os volumes de sala foram concebidos como partes de um moinho de vento. Todos os blocos são interligados pela circulação comum. A ventilação e iluminação naturais são asseguradas pelas aberturas das salas. A edificação térrea é toda em madeira. Nas salas, corredores e refeitório a estrutura é aparente e, juntamente com as generosas aberturas, a materialidade se integra com a paisagem externa do pátio, resultando em um ambiente agradável que se aproxima da natureza. O banheiro é pensado para ser um espaço lúdico, essa é umas das filosofias do escritório que se concretiza neste projeto. O espaço possui uma grande abertura para o pátio, algo que tem também um efeito de higienização devido à abundante incidência solar no ambiente. E os corredores são generosos, permitindo atividades simultâneas. 89


Figura 64 - Implantação de cobertura. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017

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Figura 65 - Planta Térreo. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017


Figura 66 - Cortes. Fonte: <designoom.com>. Acesso em: 07/11/2017

Figura 67 - Elevaçþes. Fonte: <designoom.com>. Acesso em: 07/11/2017

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Figura 68 - Vista para o refeitรณrio. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/08/2017

Figura 69 - Vista interna dos sanitรกrios. Fonte: <archdaily.com>. Figura 70 - Vista para o corredor interno. Fonte: <archAcesso em 05/08/2017 daily.com>. Acesso em 05/08/2017

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4.1.3 University of Massachusetts Design Pavilion, EUA Localizado em Amherst, nos EUA, o novo pavilhão de Design da Universidade de Massachusetts construído em 2016 e projetado pelo escritório Leers Weinzapfel Associates, optou pelo uso da madeira como sistema estrutural principal, mas também faz uso do concreto e do aço onde necessário.

Figura 71 - Localização no Google Maps. Trabalho gráfico da própria autora.

Busca fazer integração com o entorno através dos tons dos materiais aplicados à fachada (chapas de alumínio na tonalidade cobre) e faz alusão ao ritmo da vegetação nas suas aberturas, o paisagismo valoriza elementos e espécies locais e foram feitas bacias de detenção de águas pluviais em pontos estratégicos do jardim. A paginação do piso fez uso de pedras locais.

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O projeto exemplifica o compromisso da Universidade com o design sustentável e inovador, unindo três programas acadêmicos. O uso intensivo e marcante da madeira foi fundamental para garantir uma construção limpa e sem desperdícios. Expôs ao mundo as técnicas mais avançadas da construção em madeira. Usa um sistema híbrido estrutural em madeira laminada colada, para vigas e pilares, e painéis de CLT para lajes (onde desenvolvem um método novo que aplica concreto amado sobre os painéis), cobertura e núcleo de circulação vertical. Devido ao uso da madeira em grande quantidade, o edifício acabou por sequestrar cerca de 2000 toneladas de gás carbônico da atmosfera. As imagens 77 e 78 adiante chamam atenção para um elemento desenhado especificamente para esse projeto. Essa estrutura sofisticada que se assemelha a uma treliça espacial, permite que o grande vão seja vencido sem haver necessidades de inserção de pilares no saguão, espaço que foi projetado para ser o mais livre possível para garantir fluidez e a realização de diversas atividades e apresentações.

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Figura 72 - Implantação. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017


Figura 73 - Plantas dos 1ยบ, 2ยบ e 3ยบ pavimentos.

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Figura 74 - Corte. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017

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Figura 75 - Corte. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017


Figura 76 - Fotos da obra, detalhes de conexĂŁo e laje com ferragem para receber concreto.

Figura 77 - Detalhe do sistema estrutural aplicado a laje que cobre o hall.

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Figura 78 - Vista do hall, onde é notável a presença do sistema estrutural único.

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Figura 79 - Vista externa geral da edificação pronta. Fonte: <archdaily.com>. Acesso em 05/11/2017


4.2. NO BRASIL 4.2.1 Escola em Alto de Pinheiros, São Paulo

Figura 80 - Vista externa, onde é possível ver a escola cercada por um muro e as dimensões reduzidas do terreno.

O projeto de ampliação de uma escola em Alto de Pinheiros, bairro nobre da cidade de São Paulo, feito em 2014 pelo escritório Base Urbana, teve como exigência a rapidez da construção (6 meses). Para isso, foi escolhida a estrutura em madeira laminada colada que foi ancorada nas estruturas de concreto realizadas no local. O projeto buscou traduzir a visão pedagógica da escola contratante, que exigia áreas abertas e flexíveis onde todos os espaços podem ser usados em prol do ensino. O programa conta com quatro salas, uma biblioteca, um espaço de artes e apoio, além de toda a parte administrativa e a quadra. O sistema estrutural misto, em concreto e madeira laminada colada, permitiu que grandes vãos fossem vencidos e que os esforços de carregamento da laje dupla da quadra (que impede a reverberação de ruídos causados pelo impacto), locada no pavimento superior, fossem absorvidos. A madeira recuperou o tempo tomado pela cura do concreto, por permitir que a equipe de montagem entrasse com as peças para finalização das lajes intermediárias, ao mesmo tempo em que outras questões relacionadas ao concreto eram finalizadas.

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A madeira garantiu máxima eficiência e limpeza no canteiro. Fundamentais para o bom desenrolar da obra em um terreno de apenas 15 metros de largura. A plasticidade fica evidente com o uso do concreto e da madeira aparente. Os fechamentos foram feitos em placas cimentícias e os brises coloridos trouxeram graça e um tom lúdico, ao permitir que sejam manipulados livremente pelas crianças. O brise eliminou o uso de ar condicionado nas salas. As cores usadas buscaram remeter à natureza do céu e das árvores muito presentes na vizinhança. Enquanto os tons quentes aplicados à sala de artes remetem às balas jujuba.

Figura 81 - À esquerda, vista do canteiro de obras, e à direita, 3D do sistema estrutural misto. Fonte: ITA Construtora

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Figura 82 - Materialidade evidente, concreto, madeira e cores. Fotografia de: Pedro Vannucchi


Figura 83 - Planta do tĂŠrreo.

Figura 84 - Planta pavimento superior.

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Figura 85 - Planta da quadra.

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Figura 86 - Corte.


4.2.2 Escola de Ensino Médio Vera Cruz, São Paulo

Figura 87 - Localização da escola no Google Maps. Trabalho gráfico da própria autora.

A infraestrutura original do complexo da Escola de Ensino Médio Vera Cruz, localizada em São Paulo, enfrentava muitos problemas de conforto e espaço. Até que em um concurso, realizado em 2008 pela equipe pedagógica, ficou definida a equipe de arquitetos que iriam trabalhar para a reforma e ampliação de todo o conjunto: os escritórios Base Urbana e Kipnis Arquitetos Associados. Dois lotes residenciais foram unidos para a readequação dos espaços. Um muro de arrimo foi necessário para igualar a diferença de nível do terreno. O projeto, que foi finalizado em 2013, realizou intervenções nos espaços esportivos e de convívio. Dentre as intervenções está a quadra, que sofria muito com a falta de luminosidade e a reverberação dos ruídos. O resultado das intervenções desta pode ser visto na figura 88 adiante. A construção do edifício de salas de artes, principal intervenção, envolveu a demolição de pequenos anexos existentes que deram lugar a um galpão que abriga espaços amplos e flexíveis. O bloco de concreto foi usado para vedação apenas nas empenas laterais em conjunto com a estrutura de madeira que sustentas as lajes e a cobertura.

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Em todos os ambientes a questão do conforto térmico é eficiente, não havendo uso de ar condicionado em nenhuma sala, com exceção do laboratório de informática. Para seguir nessa linha, o edifício de artes recebeu em sua fachada mais crítica um painel de brises de madeira fixo, que permite a visibilidade do exterior com sombreamento total nos períodos de maior insolação. A rapidez e o controle eficiente de gastos só foram possíveis graças ao uso de sistemas industrializados de construção. A madeira usada na estrutura conferiu uma materialidade mais natural, aconchegante e contemporânea, além de assegurar que tudo fosse realizado de acordo com as demandas pedagógicas dos clientes.

Figura 88 - De cima para baixo, mosaico de imagens que mostram as intervenções na quadra e antes e depois do pátio.

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Figura 89 - Vista externa do pavilhão de artes.

Figura 90 - À esquerda, foto da construção do pavilhão de artes, à direita, pavilhão em funcionamento. Fonte foto da obra: Divulgação ITA Construtora. Fotografia do pavilhão: Pedro Vannucchi.

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Figura 91 - SequĂŞncia de montagem e 3D do sistema estrutural. Fonte: ITA Construtora


Figura 92 - Planta do térreo. Pavilhão de artes.

Figura 93 - - Planta pavimento superior. Pavilhão de artes.

Figura 94 - Corte. Pavilhão de artes.

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5 PROJETO DO C.M.E.I. E BIBLIOTECA MUNICIPAL


5 PROJETO DO CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E BIBLIOTECA MUNICIPAL 5.1 LEITURA DO TERRITÓRIO Com cerca de 36,7 km² a subprefeitura do Campo Limpo localiza-se na região Sul do município de São Paulo, fazendo fronteira ao norte com a subprefeitura do Butantã, à leste com a subprefeitura de Santo Amaro e ao sul com a subprefeitura do M’Boi Mirim, e também com outros dois municípios da grande São Paulo, Taboão da Serra a oeste e Itapecerica a sudoeste (ver mapa abaixo).

Figura 95 - Mapa da Região Metropolitana de São Paulo com suas principais vias de acesso e conexão. Produção gráfica da autora.

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O mapa acima destaca em laranja a localização da subprefeitura do Campo Limpo em relação à Região Metropolitana de São Paulo. Em linhas cinzas pode-se ver as principais vias de conexão: o Rodoanel em formato circular, a Marginal Tietê no sentido horizontal e a Marginal Pinheiros no sentido vertical. E em linhas pretas destacam as rodovias que ligam a Capital aos outros municípios e estados do país. A subprefeitura é composta pelos distritos do Campo Limpo, Capão Redondo e Vila Andrade com uma população estimada em 650.000 habitantes.


Sua história ainda é incerta13 assim como o ano de sua criação, seu passado é marcado pelas fazendas e chácaras, a maioria pertencente a colônias de japoneses, italianos e portugueses devido ao baixo custo de suas terras. A área também era marcada por uma por uma grande área de pastagem para os cavalos do Jóquei Clube, de onde especula-se o surgimento de seu nome, Campo Limpo. Moradores antigos relatam que o distrito se originou da fazenda de Pombinhos, da família Reis Soares por volta de 1937. Em 1950 já havia muitas fazendas e chácaras, e a partir disso pequenos comércios e instituições religiosas e educacionais foram se instalando. Com o passar do tempo as propriedades foram sendo vendidas, loteadas, desapropriadas e ocupadas. A chegada das olarias marca a passagem da atividade rural para a industrial na região. Ao perceberem o potencial do solo para a confecção de tijolos, as indústrias de barro cresceram rapidamente. A existência dessa indústria ainda persiste, mas não com tanta expressividade, porém esta atividade deixou marcas na região que podem ser vistas inclusive em nomes de comunidades e no córrego que passa pelo terreno do projeto, o córrego Olaria, um afluente do Pirajuçara. O desenvolvimento do Distrito ocorreu principalmente nas décadas de 1950 até o final de 1960, com a chegada da energia elétrica em 1958, das primeiras linhas de ônibus em 1963, calçamento das primeiras ruas em 1968 e da Administração Regional Campo Limpo (ver figura 96). Os moradores que foram se estabelecendo ali eram a maioria de origem pobre, atraídos pelo baixo custo dos lotes. Muitos vinham do interior de São Paulo. O crescimento populacional se intensificou entre as décadas de 1970 e 1980. Quando o planejamento começa a ser necessário, porém falha, gerando áreas ocupadas irregularmente em situações de risco, com falta de infraestrutura e saneamento básico. A partir da década de 1990, o mercado imobiliário passou a atuar criando grandes empreendimentos para a classe média a alta. A proximidade do Distrito em relação ao grande pólo empresarial da Marginal Pinheiros e da Avenida Luiz Carlos Berrini, além de bairros nobres como o Morumbi e a Vila Andrade influenciou nesse aspecto. O meio ambiente vem sofrendo com essa ocupação desordenada e gananciosa. Áreas verdes são fechadas em condomínios clubes, área íngremes com risco de deslizamento são desmatadas e ocupadas por favelas, os córregos sofrem com o despejo de esgoto doméstico e com a ocupação de suas margens. 13 In HISTÓRICO DO CAMPO LIMPO, 2009. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/regionais/campo_limpo/historico/index.php?p=131>. Acessado em 07/08/2017 às 17:40

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O resultado é um bairro desigual e desordenado com muros, áreas precárias e que sofre com deslizamentos e enchentes.

Figura 96 - Foto aérea do bairro em 1954. Código faixa da imagem para ser baixado Geosampa: FX02-150

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As opções de lazer e cultura ainda são muito limitadas (ver figura 97), mesmo com a construção do CEU, a população ainda não consegue ser atendida e representada pelos poucos equipamentos existentes. Há presença de clubes particulares fechados apenas para membros de uma sociedade muito restrita, destacam-se aqui dois grandes clubes: o Clube das Pernambucanas e o Clube Circolo Italiano.

Figura 97 - Cartografia de equipamentos de cultura, lazer e educação. Produção da autora. Fonte da base: MDC 2010

A cartografia produzida acima tem o intuito de mostrar quantos equipamentos relacionados a cultura, lazer e educação são encontrados dentro de um raio de 1 quilômetro a partir do terreno de projeto. Em roxo destacam-se equipamentos públicos e, em cinza, equipamentos particulares. Dentro dessa análise foram encontradas muitas escolas estaduais que abrangem o ensino fundamental e médio, uma biblioteca pública, uma creche e praças com espaços subutilizados. 113


A escassez no número de creches ainda é um grave problema, mostrando que a primeira infância não é bem atendida no local e os números estão resumidos no infográfico de produção própria adiante (figura 103).

Figura 98 - Infográfico estatístico. Produção própria.

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5.1.1 O Terreno O terreno escolhido para a implantação do projeto está inserido no bairro Jardim Ingá, pertencente ao distrito do Campo Limpo. Com uma área edificante de 5373,0 m², ele é cercado por três ruas: a Rua Andréa de Firenze (local de tráfego calmo) ao norte, a Rua Dr. Hugo Lacorte Vitale (coletora de tráfego intenso) a oeste e a Rua Diogo Martins (coletora de tráfego moderado) ao sul. Cortado pelo Córrego Olaria ao norte, ele exige uma área de preservação ambiental de 30 metros a partir da margem do córrego (ver de fotos do local - figurra 99). Em relação ao uso e ao gabarito do entorno imediato, predominam edificações residenciais de 1 a 3 pavimentos e pequenos espaços comerciais para suprir as necessidades locais. Apesar disso, chama atenção o surgimento de duas torres residenciais com 19 pavimentos cada localizadas a leste em relação ao terreno, estima-se que com a finalização dessa obra, mais 920 moradores cheguem ao bairro (ver mapa na figura 100). Há também o orfanato Lar Batista, localizado a uma quadra do terreno. Trata-se de um grande equipamento gerenciado pela Igreja Batista, que atua na região dando suporte a crianças que sofrem com a violência e o abandono. Extensas áreas de favela se mesclam às áreas residenciais regulares de classe média baixa (ver mapa na figura 101). A maior parte está assentada em terrenos que sofrem com enchentes e deslizamentos. Em visita ao local foi possível perceber dinâmicas sociais que denunciam a carência por equipamentos e infraestrutura. Muitas crianças brincam nas ruas; uma pequena biblioteca comunitária (improvisada na garagem de uma residência) promove atividades de leitura e educação ambiental; Lan Houses ainda são muito solicitadas pelos moradores e, pela manhã, peruas de transporte escolar chegam a congestionar as ruas estreitas, tamanha a quantidade de crianças que são transportadas diariamente.

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Figura 99 - Mosaico de fotos tiradas pela autora em visita ao local.


Figura 100 - Mapa de gabarito, mobiliário e condicionantes legais. Produção própria. Base: MDC 2010

Figura 101 - Mapa de uso e ocupação do solo, transportes e infraestrutura. Produção própria. Base: MDC 2010.

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5.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES O programa de necessidades do Centro Municipal de Educação Infantil foi desenvolvido a partir do programa básico estabelecido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o Projeto Proinfância Tipo 1. Essa tipologia tem a capacidade de atender 188 crianças em período integral, podendo chegar a até 376 crianças, se divididas em dois turnos. A esse programa básico foram somadas áreas de atividades extra na intenção de proporcionar ambientes mais espaçosos e dinâmicos que possam ser usados também pela comunidade local nos períodos em que a escola não funciona regularmente (finais de semana, por exemplo).

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Figura 102 - Quadro com programa do CMEI.


Já o programa da biblioteca foi estabelecido a partir de observações das dinâmicas e carências do local. A pré-existência de uma biblioteca comunitária (que não tem suporte físico para fortalecer suas atividades), as solicitadas Lan Houses e os movimentos artístico-culturais existentes foram levados em consideração para estabelecer o programa que segue no quadro abaixo.

Figura 103 - Quadro com programa da Biblioteca.

Legenda: Escola Escadaria Biblioteca Figura 104 - Diagramas de usos. Produção própria.

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5.3 PARTIDO ARQUITETÔNICO Para dar início ao ato projetual, foi fundamental estabelecer diretrizes de implantação a partir do entendimento do terreno e seu entorno. Primeiro foi preciso entender as características geomorfológicas. Para isso, além das cartografias já apresentadas anteriormente, foi feito um modelo tridimensional do terreno isolado com suas curvas de níveis “extrudadas” em platôs, para posterior posicionamento dos volumes.

Figura 105 - Diagrama do terreno e da volumetria. Produção própria.

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As cores aplicadas nos modelos acima têm suas finalidades: o verde representa a área de proteção ambiental, o laranja representa o recuo obrigatório de 5 metros e, em branco, está a área edificante. A volumetria foi disposta de forma a buscar uma conexão, tanto visual quanto física, entre a rua mais alta e a rua mais baixa, preservando também a vista para o vale esculpido pelo córrego. Na esquina ficou implantado o bloco da biblioteca, por ser um equipamento de acesso menos restrito, se comparado com a escola. Além disso, a Rua Dr. Hugo Lacorte Vitale (faixa cinza íngreme a direita) possui um fluxo intenso de veículos, tornando esse trecho mais perigoso para o acesso de um equipamento educacional infantil. A escola, portanto, se desenvolve ao longo do volume em “L” à esquerda. O formato em “L” ajuda na formação de um nicho protegido, eliminando a necessidade de muros nesse perímetro. Para unificá-los esteticamente, a biblioteca se estende em um bloco linear superior que se sobrepõe ao volume da escola. E o vazio entre os dois equipamentos estabelece a conexão física e visual pretendida. Os acessos principais foram situados na Rua Diogo Martins, que é mais alta e tranquila. E uma escadaria começou a ser desenvolvida no vazio formado entre os dois equipamentos.


Figura 106 - Vista frontal e posterior do modelo 3D mais desenvolvido.

A setorização e disposição dos ambientes foi resultado da análise da insolação e ventilação (figuras 107 e 108). As salas de aula foram posicionadas ao longo das fachadas leste e nordeste e todas se abrem para generosos solários que, ao mesmo tempo em que ofertam espaços ensolarados (sendo que o maior solário é beneficiado por sol quase o dia todo durante o inverno), também protegem as salas e berçários da incidência direta do sol por funcionarem como beirais de 3,75 metros de largura. Já a ventilação natural é favorecida pela linearidade do projeto permitindo que os ventos predominantes vindos de sudeste atinjam a fachada principal e atravessem todos os ambientes da escola saindo pelas aberturas da fachada posterior, promovendo a ventilação cruzada, muito importante para a troca constante do ar dos ambientes. Quando o sentido do vento muda (noroeste) acontece o processo inverso ao descrito anteriormente.

Figura 107 - Análise da incidência solar em cada fachada. Produção própria.

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Figura 108 - Planta do térreo com demonstração gráfica da ventilação cruzada. Produção própria.

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A divisão das faixas etárias por pavimento partiu do conceito de epistemologia genética desenvolvido por Jean Piaget, que aborda os diferentes estágios de desenvolvimento das crianças. Portanto, as etapas chamadas de Creche I e Creche II (0 a 2 anos de idade – estágio sensório-motor) foram locadas no pavimento térreo, enquanto as demais etapas (2 a 6 anos de idade – estágio pré-operatório) se dispõem entre os pavimentos intermediário e inferior. O projeto busca, por meio dessa divisão, respeitar as diferentes capacidades cognitivas de cada fase da criança, facilitando a rotina e a dinâmica da escola. O projeto buscou aplicar a madeira o máximo possível, reconhecendo suas limitações e potencialidades e usando de forma comedida o concreto e as conexões metálicas onde necessários. Por ser um terreno com topografia e solos um tanto delicados, o uso da madeira foi muito pertinente, pois resulta numa construção mais leve. A estrutura é resultado de um sistema híbrido de vigas e pilares em madeira laminada colada, lajes em painéis de madeira laminada cruzada (CLT- cross laminated timber) e divisórias em wood frame com fechamento em chapas de gesso para áreas internas e chapa cimentícia impermeável para áreas externas.


Figura 109 - Cartografia de identificação da materialidade local. Produção própria.

A partir da cartografia responsável pela leitura da identidade material do entorno imediato dois elementos se destacaram e foram fundamentais na concepção dos acabamentos aplicados ao projeto: a predominância da cerâmica e dos tons quentes e a presença de uma densa plantação de pinheiros na fábrica de móveis próxima ao terreno. Daí parte a escolha uso do pinus na estrutura e a fachada ventilada com placas cerâmicas em tons terrosos, buscando uma maior integração com o meio.

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5.4 FUNDAMENTAÇÃO No discurso “Projeto, ética, ecologia e a produção das coisas” proferido em 1993, o arquiteto William McDonough, afirma que, uma vez que estudos comprovaram a toxicidade de muitos materiais comumente aplicados à construção, não seria uma postura ética por parte dos profissionais continuar a especificá-los (MCDONOUGH, 1993). Sua visão sugeria ir além dos interesses imediatistas do sistema capitalista, sendo preciso levar em conta as consequências a longo prazo de cada escolha (NESBITT, 2010). Partindo deste pressuposto, seria mais adequado usar materiais que provocassem o menor dano possível ao meio ambiente e nenhum dano ao usuário da edificação. É com base nesse pensamento e em apoiado nos diversos estudos apresentados anteriormente que o projeto foi desenvolvido usando as técnicas construtivas industrializadas em madeira. A divisão das crianças por pavimentos foi fundamentada no conceito de desenvolvimento cognitivo e epistemologia genética de Jean Piaget. Estudo que partiu da observação do desenvolvimento natural da criança e, chegou à conclusão de que o pensamento infantil passa por quatro estágios. Dentro do programa do projeto do Centro Municipla de Educação Infantil (creche e pré escola) dois estágios se fazem presentes, são eles: sensório-motor (0 a 2 anos, reflexos neurológicos básicos e construção da noção de espaço-tempo é direta com o meio) e pré-operatório (2 a 7 anos, inteligência simbólica e conquista da linguagem como forma de comunicação). De acordo com essa divisão de etapas de desenvolvimento, o pavimento térreo ficou dedicado às crianças de 0 a 2 anos, enquanto no pavimento intermediário ficam as crianças de 2 a 6 anos. A volumetria leva em consideração o conceito de Panóptico de Jeremy Bentham, apesar de uma conotação negativa, o panóptico é aqui considerado a partir do momento em que se percebe a importância de uma vigia constante sobre as crianças que usufruirão deste equipamento. A arquitetura do Panóptico é desenvolvida de forma a permitir a observação total dos indivíduos, o conceito dele diz respeito também a um poder de controle psicológico baseado no autocontrole dos indivíduos e na fiscalização que estes exercem uns sobre os outros. Essa técnica de controle psicológico tinha por finalidade eliminar as oportunidades que o indivíduo poderia encontrar para fazer algo considerado fora da ordem. No caso do projeto, esse conceito foi aplicado de forma a garantir a permeabilidade do olhar, do corredor para a sala, da sala para o solário e do solário pro pátio e vice-versa, evitando ao máximo “pontos-cegos”. O 124


formato “L” além de fazer com que o próprio edifício seja o elemento de cercamento da área de acesso restrito às crianças, volta todos os ambientes para o pátio aberto. Para quebrar essa “frieza” do controle constante, a materialidade e a abertura para o meio externo e a natureza buscam propiciar espaços amplos e lúdicos para garantir o desenvolvimento motor, intelectual e social na primeira infância. Fundamentado no conceito de fenomenologia e sociointeracionismo, de Lev Vygotsky e Merleau-Ponty, percebe-se que é de extrema importância as relações sociais no processo de construção do conhecimento e desenvolvimento da criança, além do papel do ambiente no desenvolvimento intelectual das crianças. Explorá-lo é uma das formas mais eficientes que a criança tem como forma de aprendizado. A base do conhecimento está na capacidade de perceber o que nos cerca, o que implica também o processo de dar significado ao que foi captado pelos sentidos, para que se possam realizar as necessárias conexões entre os objetos perceptíveis, o que torna possível vê-los como um todo. Para isso, a escola projetada oferece diversas possibilidades em cada ambiente. O corredor não é apenas um eixo de circulação, mas também um espaço lúdico de permanência e atividades, pois possui largura suficiente para tanto. O amplo ambiente externo e os pátios internos de atividades também visam a descompressão e uma maior interação. A materialidade foi definida a partir da cartografia responsável pela leitura da identidade material do entorno imediato, apresentada anteriormente, onde dois elementos se destacaram e foram fundamentais na concepção dos acabamentos aplicados ao projeto. A estrutura é resultado de um sistema híbrido de vigas e pilares em madeira laminada colada e lajes em paineis de madeira laminada cruzada (CLT- cross laminated timber). Além de ser tema principal desta monografia, a escolha pelo sistema construtivo composto por madeira industrializada se mostrou muito pertinente devido às características do solo do terreno. Por ser próximo à margem de um córrego, o terreno deve ser o mais preservado possível, com poucas interferências, para isso, apenas uma construção que pesa cerca de 40% a menos que uma em alvenaria tradicional seria capaz de cumprir tamanha exigência.

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5.5 O PROJETO O projeto do Centro Municipal de Educação Infantil e da Biblioteca será apresentado em sua versão final nos subcapítulos adiante.

5.5.1 Ficha Técnica ÁREA DO TERRENO: 5.373,0 m2 LOCALIZAÇÃO: CAMPO LIMPO - SÃO PAULO, BRASIL ÍNDICES URBANÍSTICOS: CA= 1,2 (6.634,0 m2) | TO= 56% (3.017,0 m2) ÁREA PERMEÁVEL= 19% (1020,5 m2) GABARITO= 12m Figura 110 - Imagem renderizada da entrada da escola e da biblioteca ao fundo.


5.5.2 Peças Gráficas

Figura 111 - Implantação do Pavimento Térreo

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Figura 112 - Planta de cobertura.


Figura 113 - Planta do pavimento superior. Biblioteca.

Figura 114 - Planta do pavimento intermediรกrio.

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Figura 115 - Planta do pavimento inferior.

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Figura 116 - Imagem do playground


Figura 117 - Corte longitudinal AA.

Figura 118 - Corte transversal CC.

Figura 119 - Corte transversal DD.

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Figura 120 - Elevações.

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Figura 121 - Detalhe da fachada ventilada.

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Figura 122 - Ampliação da escada.


Figura 123 - Ampliação de trecho da fachada. Caixilho da fachada principal da escola.

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Figura 124 - Detalhe da clarabรณia.

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Figura 125 - 3D esquemรกtico da estrutura.


Figura 126 - Detalhes de conexão em 3D. À esquerda, vigas-pilar e, à direita, pilar-solo. Produção própria.

Figura 127 - Maquete do esqueleto estrutural do bloco da escola.

Figura 128 - Maquete volumétrica geral.

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Figura 129 - Imagem interna da sala de aula.

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Figura 130 - Vista para a biblioteca renderizada.


CONSIDERAÇÕES FINAIS Com esse estudo, foi possível reconhecer o potencial que o Brasil tem para desenvolver a indústria madeireira voltada para a construção civil. Os números denunciam a alta produtividade das florestas brasileiras, superando a produção de países onde a madeira é protagonista nas construções, como nos países norte americanos e europeus. Entretanto, deve-se ressaltar que grande parte desta produção é voltada para a indústria da celulose e de outros materiais compostos como: pisos laminados, chapas de MDF, entre outros. A falta de zelo para com os recursos florestais do território nacional é histórica e perdura. Desde o início da colonização a exploração foi predatória e, com o desenvolvimento do setor agropecuário e dos aglomerados urbanos, o desmatamento se agravou. Verificou-se que um equívoco comumente cometido é a associação entre desmatamento e uso da madeira na construção. Em primeiro lugar, deve-se observar que a madeira é o único material que pode ser reposto na natureza e, acima de tudo, estoca carbono ao longo de sua vida. Outro ponto a ser notado é que para a produção em escala são usadas madeiras provenientes de áreas reflorestadas. Estas por sua vez, costumam ser cultivadas em áreas que já se encontravam degradadas. Toda a cadeia produtiva é acompanhada por órgão ambientais e especialistas. Já em relação à obtenção de madeiras nativas, os estudos apresentados retrataram a redução, ou até a não ocorrência, de desmatamentos em áreas onde é feito constante monitoramento para extração responsável de espécies nativas. Este foi um, dentre tantos outros equívocos, que o trabalho buscou analisar. Resistência ao fogo, relação com umidade, resistência do material, durabilidade, aplicabilidade e ataque por insetos, todas essas questões foram abordadas. Através da exposição das propriedades do material, dos tratamentos disponíveis e dos cuidados que devem ser tomados, além da análise dos diversos exemplos construídos, foi possível perceber todo o potencial da madeira. Junto com o desenvolvimento das técnicas industrializadas, o material se mostrou ser mais versátil e eficaz. Sua industrialização permitiu a produção em larga escala, com total controle do produto do início ao fim, tornando-se um material mais eficiente, tanto em relação à liberdade formal quanto em relação à sua capacidade estrutural. A madeira tem sido cada vez mais aplicada nas produções arquitetônicas. As preocupações ambientais muitas vezes nortearam essa decisão, devido a um aumento no nível de exigência em relação ao desempenho ambiental e energético das edifica139


ções. Assim como cada vez mais são exigidas construções de moradias e equipamentos para a crescente população, principalmente em meios urbanos de países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. A união dos fatores madeira, indústria e demanda levou ao desenvolvimento da monografia. Nesta ordem os assuntos foram abordados e buscaram se correlacionar. A questão da demanda pode ser entendida de duas formas: como algo que leva ao desenvolvimento da indústria e como uma exigência construtiva devido ao crescimento e desenvolvimento da população. De qualquer forma, a demanda mostrou ser a resposta para alavancar o desenvolvimento do setor industrial madeireiro no Brasil. Os custos ainda são altos, devido à falta de concorrência e também à necessidade de importação de tecnologias ainda não dominadas pelo país, como o maquinário e a cola adesiva estrutural. Para esse cenário melhorar, é preciso trazer conhecimento e disseminá-lo, incentivar o uso da madeira nas construções de forma mais expressiva, atualizar as legislações e diretrizes construtivas, além de incentivar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico para que o país dependa cada vez menos de importação de matérias-primas. Apesar do custo ainda ser uma barreira, deve-se levar em conta uma série de fatores que muitas vezes são esquecidos e implicam em atrasos, desperdícios e gastos desnecessários. A redução do peso da edificação reduz os gastos com fundação, a limpeza e segurança do canteiro de obras garantem um andamento mais eficiente da obra e com baixo impacto na vizinhança, o total controle e planejamento da obra elimina o desperdício de materiais e acelera o processo de montagem. Dentre todas as técnicas apresentadas, o sistema de construção wood frame ganhou no quesito custo. O uso da madeira em edificações na Região Sul do Brasil é mais expressivo devido a uma maior aceitação por parte da população local, fruto da herança construtiva europeia. Essa mentalidade levou ao maior desenvolvimento e aplicação do sistema na região. Hoje, a construção de unidades habitacionais de interesse social em larga escala no Paraná utiliza integralmente essa técnica construtiva, graças ao reconhecimento e apoio por parte do governo federal. Medidas como essa contribuem para a mudança do cenário futuro da indústria e da construção. Seguindo a linha das demandas construtivas, chegou-se à questão do ensino no Brasil. O déficit educacional atinge, principalmente, as regiões mais pobres, tornando cada vez maior a barreira entre as classes sociais. O desenvolvimento social só será possível a partir do momento em que todos os cidadãos tiverem acesso à educação de qualidade. A escolha do território de estudo e intervenção levou a especificação do tipo de 140


escola a ser projetado. Não só as estatísticas mostravam o grave problema em relação às vagas na rede de ensino infantil, como também as observações feitas no local expressavam esses números. Para se projetar uma escola foi preciso adquirir conhecimento acerca das correntes pedagógicas e de suas influências no ambiente de ensino. De forma breve, os principais pedagogos e estudiosos da área foram apresentados e, foi possível estabelecer uma relação entre todos eles. A arquitetura escolar influencia diretamente na dinâmica do ensino e no convívio entre os usuários, por isso, é preciso conhecer as intenções pedagógicas e sociais para levar a ações projetuais mais certeiras. O desenvolvimento do projeto foi de fundamental importância para o entendimento das técnicas construtivas. Buscou-se sintetizar nos objetos de projeto todos os aspectos abordados ao longo de todo esse trabalho. Os sistemas construtivos foram utilizados nos locais mais apropriados, a relação entre pensamento teórico e prática projetual foi constantemente praticada, a materialidade foi explorada e o uso da madeira foi justificado. A experiência demonstrou a importância do planejamento, da contribuição de outros profissionais e do detalhamento técnico construtivo, mas principalmente, demonstrou que é possível e necessário fazer uso das técnicas construtivas industrializadas em madeira em larga escala. Como citado ao longo deste trabalho, Zanine afirmou que a partir do momento em que reconhecemos o valor de uma determinada fonte de vida e riquezas passamos a respeitá-la para que esta possa coexistir com a espécie humana e impulsionar seu desenvolvimento. É preciso primeiramente conhecer para reconhecer o valor desta matéria-prima. “Aprendi que a madeira tem duas vidas. A primeira, como árvore; a segunda, como mesa e cadeira, cama e armário, assoalho e vassoura, gamela e colher de pau, casa e curral, berço e caixão. A madeira vive a sua primeira vida para si mesma, deixando-nos colher suas frutas, que os passarinhos disputam conosco e com outros bichos. As florestas compõem chuvas, rios, cachoeiras e se alimentam de si mesmas e dos raios de sol. A segunda vida da madeira é gerada pela mão e pelo espírito humanos. São objetos de madeira que saem da nossa imaginação e ganham formas reais, passando a conviver conosco e continuam assim durante gerações, transformando-se, impregnando-se de vivência, servindo de testemunho e mantendo a utilidade. [...]. Há muitos milhares de anos, a madeira revive em forma de objetos, desaparece no fogo por vontade do homem ou apodrece ao ar livre por vontade dos deuses.” (CALDAS, in SILVA,1995, pag. 6)

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Técnicas Construtivas Industrializadas em Madeira. Um Panorama sobre o Uso da Madeira no Brasil.  

Monografia desenvolvida por mim, sob orientação do Professor Guilherme Antonio Michelin, para obtenção do título de bacharel em Arquitetura...

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