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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

Este Manual é dedicado a todos os artistas com deficiência que, apesar das dificuldades que enfrentam, teimam em participar e enriquecer o nosso património cultural com a sua arte.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

ÍNDICE

1. Introdução

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1.1. Objectivos do Manual

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2. Participação na vida cultural e artística: Direitos Humanos, Direitos das Crianças e Direitos das Pessoas com Deficiência

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3. As potencialidades transformadoras da Arte na pessoa com deficiência e na sociedade

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3.1. Projectos como Exemplos de Boas Práticas

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Artes Plásticas Arte e Movimento | Associação de Paralisia Cerebral de Odemira

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Arte, Inclusão e Sustentabilidade | APPDA – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Lisboa

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Atelier de Expressão Plástica da CERCICA | CERCICA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais

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Ateliers de Expressão Plástica | Comunidade Sócio-Terapêutica Casa João Cidade

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Círculo Azul | CERCICA – Atelier de Expressão Plástica

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Concurso e Exposição de Arte e Criatividade | Câmara Municipal de Almada

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Duas Mãos Um Sentimento | APACI – Associação de Pais e Amigos das Crianças Inadaptadas, Barcelos

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Encontro D’Arte | NECI – Núcleo de Educação da Criança Inadaptada

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Exposição Itinerante | APPDA-Norte – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo

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Expressões Construídas a Mil Mãos | OASIS – Organização de Apoio e Solidariedade para Integração Social

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Fragmentos d’Arte | Equipa Comunitária de Cascais (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental)

36

Oficina de Artes | CERCIBEJA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados

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Toma lá – Objectos Diferentes | CPD Comissão para a Pessoa com Deficiência do Concelho de Cascais

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Dança Actividades de dança inclusiva | Associação Pédexumbo

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CiM – Companhia Integrada Multidisciplinar | Associação Vo’Arte

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Dançando com a Diferença | Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença

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De Escola em Escola a Dançar | APERCIM – Associação para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Mafra

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PLURAL| Núcleo de Dança Contemporânea | Fundação LIGA

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Ritmos d’Alma | Centro de Actividades Ocupacionais – Casa do Sol e Centro de Apoio Social do Pisão Santa Casa da Misericórdia de Cascais

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Escrita Histórias para (En) Cantar | Lurdes Breda

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Música 5ª Punkada | Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra

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Orquestra Juvenil da DREER | Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação Núcleo de Inclusão pela Arte (NIA)

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ZABUMBAR – Percussão | CERCIAG – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Águeda

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Teatro A Cigarra e a Formiga | Comunidade socio-terapêutica Casa João Cidade

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Companhia Era uma vez… teatro | Associação do Porto de Paralisia Cerebral

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CRIARTE – Grupo de Teatro do CRIA | Centro de Recuperação e Integração de Abrantes

57

Crinabel Teatro | Crinabel, Cooperativa de Ensino Especial e Solidariedade Social

58

FNATES – Festival Nacional de Teatro Especial | Centro de Recuperação e Integração de Abrantes

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Grupo de Mímica e Teatro Oficina Versus (Teatro Inclusivo) - Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação – Núcleo de Inclusão pela Arte (NIA)

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Grupo de Teatro e Animação da ACAPO de Braga | ACAPO de Braga

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Grupo de Teatro INpressões | CERCICAPER

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Grupo de Teatro Raios e Coriscos | APPACDM do Porto

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Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos | Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa

65

O Rótulo – Reflexão sobre os direitos do Homem | OASIS – Organização de Apoio e Solidariedade para Integração Social

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Oficina de Teatro - Os amigos do teatro | Joana Cardoso

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Retalhos da Vida – Peça Teatral | Associação Cultural de Surdos de Águeda

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Teatro da Nave - Oficinas e Representação | Artenave, Atelier – Associação de Solidariedade

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Teatro Fantasia | APPACDM de Santarém – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental

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TocÓ´palco | APEDV – Associação Promotora do Emprego para Deficientes Visuais – Centro de Actividades Ocupacionais

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Multi – Artísticos AgitArte as Ideias | C.E.C.D. MIRA SINTRA - Centro de Educação para o Cidadão Deficiente

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Bienal Festival dos Sentidos | CEDEMA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Mentais Adultos

75

Campus Artísticos | Associação do Porto de Paralisia Cerebral

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Companhia do sótão – colectivo de artes da ASMAL | Associação de Saúde Mental do Algarve – ASMAL

77

Corpo Evento – Ciclo de Espectáculos em Teatro e Dança | Espaço T – Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária

78

CriArte | Centro de Reabilitação de Ponte de Lima da APPACDM de Viana do Castelo

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Espaço ContagiAR.TE | Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal

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Está na hora | Luís Baião, CERCIGAIA

82

Extremus – Festival Internacional de Expressões Teatrais, Musicais e Dança | Associação do Porto de Paralisia Cerebral

83

Festival de Expressões Complementar-te | CERCIDIANA – Cooperativa para a Educação, Reabilitação e Inserção de Cidadãos Inadaptados de Évora

84

História Extraordinária de gente pouco ordinária | Artenave Atelier – Associação de Solidariedade

86

História do pincel mágico | Isabel Bernardes Silva – Monitora de Cerâmica e Artes Plásticas na CEDEMA

87

Navegar com os sons | APPACDM de COIMBRA – Unidade Funcional de Montemor-o-Velho

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Pote Vazio | APPACDM de COIMBRA

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Tempo de ser | Centro de Reabilitação e Integração de Fátima

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Toca a (En) cantar | APPACDM de Coimbra

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Um Outro Olhar | Câmara Municipal e Equipa DAP de Vila do Conde (Deficiência, Abordagem Plurinstitucional)

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4. Acesso a Bens Culturais

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4.1. Projectos como Exemplos de Boas Práticas

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Arte Acess | ANACED – Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência

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Arte em Movimento – O Expandir da Cor | Museu Municipal Jorge Vieira de Beja

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Border Control | Serviço Educativo da Casa da Música

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Cerâmica com Pés e Cabeça | Museu da Cerâmica

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Com a Ciência e a Arte nas mãos…vês as cores como elas são | Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

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Construa Pontes e Não Barreiras | Museu Nacional de Machado de Castro

103

Embarcação de Sonhos | Museu Dr. Joaquim Manso

104

EU no museu | Museu Nacional de Machado de Castro

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Exposição Táctil “O Oriente na Ponta dos Dedos” | Museu do Oriente

106

Museu ensina | Serviço Educativo do Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira

107

Museus e Acessibilidade | Instituto dos Museus e da Conservação

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O Museu da Cerâmica nas Pontas dos Dedos | Museu da Cerâmica

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Oficina de Olaria | Museu Municipal de Faro

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Olhar Táctil, Fotografias de Paulo Abrantes – Exposição Temporária | Museu da Guarda

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Outras Percepções – Percursos Multi-sensoriais | Museu Nogueira da Silva

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Percurso Táctil | Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea

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Percursos Tácteis na Casa-Museu | Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

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SELO ACESSO – Edifício Sede Fundação Calouste Gulbenkian | Fundação LIGA

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Tateando o Museu | Museu Nacional de Machado de Castro

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Tesouros do MNAz ao Alcance de Todos | Instituto dos Museus e da Conservação

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Viagem | Serviço Educativo da Casa da Música

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5. Contactos

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6. Agradecimentos

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1. Introdução

É com grande satisfação que a ANACED, com o co-financiamento do Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P., no âmbito do seu Programa de Financiamento a Projectos, apresenta a 3ª Edição revista e aumentada do Manual de Boas Práticas Artísticas e Culturais – A Arte Pertence a Todos.

Desde 2010, que a ANACED convida as Instituições de Solidariedade Social e as Entidades Culturais Nacionais, que têm procurado criar um conjunto de oportunidades de participação para a população com deficiência, a descreverem Projectos bem sucedidos que foram ou que estão a ser desenvolvidos em Portugal com o intuito de facilitarem a inclusão social destas pessoas.

Dos 160 projectos recebidos, reveladores de uma crescente inclusão das pessoas com deficiência através da Arte, comprovada pelos bons resultados obtidos com a realização dos mesmos, foram seleccionados para ilustrar os capítulos 3 e 4 deste Manual, os que a ANACED considera terem mais impacto como exemplos de Boas Práticas.

Trata-se de projectos que contribuem para o desenvolvimento motor e intelectual das pessoas com deficiência, permitindo-lhes desenvolverem ideias, sensações, capacidades, imaginação e criatividade, possibilitando-lhes a experiência de auto-realização e estimulando-os, através do contacto com a realização dos outros, à vivência em comunidade, para que possam apropriar-se dos espaços sociais, como autores das suas histórias de vida. 9


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1.1. Objectivos do Manual

Divulgar experiências bem-sucedidas que têm tido um papel fundamental no processo de inclusão social das pessoas com deficiência; Chamar a atenção da comunidade em geral e das entidades responsáveis para as capacidades e direitos das pessoas com deficiência de modo a favorecer a redução de estereótipos e preconceitos, que as impede de participar, em igualdade de condições com as outras pessoas, na vida cultural e artística do seu país.

Incentivar à troca de experiências e à realização de novas práticas. Constituir o manual, em si mesmo, num modelo de boa prática

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2. Participação na vida cultural e artística: Direitos Humanos, Direitos das Crianças e Direitos das Pessoas com Deficiência

As declarações e convenções internacionais têm por objectivo assegurar para todos os indivíduos, sem excepção, o direito à educação e a oportunidades que lhes garantam um desenvolvimento completo e harmonioso e uma participação na vida cultural e artística.

A cultura e a arte são componentes essenciais de uma educação completa que conduz ao pleno desenvolvimento do indivíduo. Estas afirmações encontram-se reflectidas nas declarações sobre direitos humanos, direitos das crianças e direitos das pessoas com deficiência.

Declaração Universal dos Direitos do Homem Artigo 27 “Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.”

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Convenção sobre os Direitos das Crianças Artigo 31 1. Os Estados Partes reconhecem à criança o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística.

2. Os Estados Partes respeitam e promovem o direito da criança de participar plenamente na vida cultural e artística e encorajam a organização, em seu benefício, de formas adequadas de tempos livres e de actividades recreativas, artísticas e culturais, em condições de igualdade.

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Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Artigo 30.º

Participação na vida cultural, recreação, lazer e desporto

1 - Os Estados Partes reconhecem o direito de todas as pessoas com deficiência a participar, em condições de igualdade com as demais, na vida cultural e adoptam todas as medidas apropriadas para garantir que as pessoas com deficiência: a) Têm acesso a material cultural em formatos acessíveis; b) Têm acesso a programas de televisão, filmes, teatro e outras actividades culturais, em formatos acessíveis; c) Têm acesso a locais destinados a actividades ou serviços culturais, tais como teatros, museus, cinemas, bibliotecas e serviços de turismo e, tanto quanto possível, a monumentos e locais de importância cultural nacional.

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2 - Os Estados Partes adoptam as medidas apropriadas para permitir às pessoas com deficiência terem a oportunidade de desenvolver e utilizar o seu potencial criativo, artístico e intelectual, não só para benefício próprio, como também para o enriquecimento da sociedade.

3 - Os Estados Partes adoptam todas as medidas apropriadas, em conformidade com o direito internacional, para garantir que as leis que protegem os direitos de propriedade intelectual não constituem uma barreira irracional ou discriminatória ao acesso por parte das pessoas com deficiência a materiais culturais. 4 - As pessoas com deficiência têm direito, em condições de igualdade com os demais, ao reconhecimento e apoio da sua identidade cultural e linguística específica, incluindo a língua gestual e cultura dos surdos. 5 - De modo a permitir às pessoas com deficiência participar, em condições de igualdade com as demais, em actividades recreativas, desportivas e de lazer, os Estados Partes adoptam as medidas apropriadas para:

a) Incentivar e promover a participação, na máxima medida possível, das pessoas com deficiência nas actividades desportivas comuns a todos os níveis;

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b) Assegurar que as pessoas com deficiência têm a oportunidade de organizar, desenvolver e participar em actividades desportivas e recreativas específicas para a deficiência e, para esse fim, incentivar a prestação, em condições de igualdade com as demais, de instrução, formação e recursos apropriados;

c) Assegurar o acesso das pessoas com deficiência aos recintos desportivos, recreativos e turísticos; d) Assegurar que as crianças com deficiência têm, em condições de igualdade com as outras crianças, a participar em actividades lúdicas, recreativas, desportivas e de lazer, incluindo as actividades inseridas no sistema escolar;

e) Assegurar o acesso das pessoas com deficiência aos serviços de pessoas envolvidas na organização de actividades recreativas, turísticas, desportivas e de lazer.

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3. As potencialidades transformadoras da Arte na pessoa com deficiência e na sociedade

Mais do que perceber os conceitos e a função social da arte, que pela sua complexidade, são temas que ao longo dos anos, artistas, filósofos, críticos e outros cientistas e investigadores têm debatido, num esforço incansável de apropriação nunca conseguida, importa aqui reflectir sobre a arte e a actividade artística e as suas potencialidades transformadoras na pessoa com deficiência e na sociedade. Apesar de haver um reconhecimento crescente da importância da inclusão e da participação das pessoas com deficiência na sociedade, e de esta ter evoluído material e culturalmente, ampliando o espaço de actuação dos seus grupos, continua no quotidiano das suas práticas e costumes a associar deficiência ao preconceito de dependência, inutilidade e improdutividade, fazendo com que persista nestas pessoas o traço da desvantagem e da supervalorização das suas diferenças, como características mais visíveis, que assim inviabilizam uma percepção delas mesmas como sujeitos humanos globais conduzindo à sua exclusão.

Nestas circunstâncias torna-se difícil para estas pessoas construir uma auto-imagem positiva necessária para ultrapassar a sua situação e garantir activamente a igualdade de oportunidades. A sua sub-participação em todos os aspectos da vida social e o sub aproveitamento das suas capacidades são formas de exclusão geradoras de angústia, sentimentos de inferioridade e desespero pois a auto-estima constrói-se na relação interpessoal, a partir da forma como o grupo acolhe e valoriza a participação de cada um dos seus membros. A rejeição, ignorância, indiferença ou esquecimento, formais ou informais, mais ou menos difusas ou claras, são formas de levar as pessoas em situação de desvantagem a aceitar e interiorizar uma imagem desvalorizante de si e manter a relação de dependência e um estatuto de inferioridade. 16


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Se a maioria das actividades sociais é influenciada negativamente pelo preconceito que marca a pessoa com deficiência, a arte tem, neste processo de socialização um papel fundamental, porque para além de manifestação de cultura é por excelência o campo de expressão e de comunicação.

A arte envia-nos para uma outra dimensão do social, da inovação expressiva, da renovação das formas e dos conteúdos, da marginalidade e do inconformismo, da afirmação identitária, do que é único e excepcional e, deste modo, saí claramente da normalidade. Abre-se assim o horizonte das possibilidades, da participação, da realização pessoal e da cidadania para aqueles que, socialmente excluídos, lhes são negados estes direitos.

O espaço da arte é um espaço de criação de sentidos. Um espaço de significação livre tanto para o artista como para os que se projectam na interpretação. Torna-se assim um espaço ideal de diálogo do eu com os outros, livre das restrições impostas pelas situações quotidianas. Ele sugere e implica todas as formas “outras” de relação do homem com a realidade pois, marcado pela ambiguidade, abre-se a múltiplas interpretações.

Não existem na esfera da arte as dicotomias redutoras de normal e anormal, de eficiência e deficiência, de capacidade ou incapacidade. O que valem são as preocupações estéticas, o esforço de criar o novo, partilhar a emoção e materializar a esperança. 17


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Sendo a Arte a linguagem dos sentimentos e das emoções, não pode por isso ser expressa em definições. A sua compreensão está na sensibilidade e subjectividade, não podendo cingir-se às opiniões de quem tem o poder de validar o que é ou não Arte.

Pesquisas recentes da psicologia revelam que cada vez mais a expressão artística é extremamente importante para o ser humano e que deve ser dirigida a todos os indivíduos.

As expressões artísticas permitem, de facto, escapar ao estabelecido pelas convenções sociais e às regras dos que detêm o poder de determinar o que é ou não politicamente correcto. A expressão artística é para muitos a única forma de comunicar sentimentos, emoções, visões do mundo e da realidade e finalmente, afirmar-se e reconhecer-se como pessoa, demonstrando a sua singularidade.

Todos nós guardamos coisas que não conseguimos expressar, sejam sentimentos de amor, ódio, angústia e medo ou formas muito pessoais de compreender e interpretar o mundo e a relação com os outros. Todos temos os nossos segredos íntimos que não ousamos confiar a ninguém porque para viver com os outros conformamo-nos aos constrangimentos sociais impostos pelas normas e valores do nosso grupo de pertença. A expressão artística pelo contrário, abre para a autenticidade do sentir e do pensar oferecendo caminhos de expressão e libertação.

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Ao usarem a expressão artística através das múltiplas experiências rítmicas, verbais, corporais ou manuais em que esta se traduz, as pessoas com deficiência estão, não só a ampliar o seu leque de capacidades, mas também a favorecer a sua auto-determinação.

No entanto, a criação artística das pessoas com deficiência não encontra uma demanda fácil, porque está quase sempre prejudicada pelo facto de se olhar para ela como mera terapia.

Embora a terapia pela arte seja um processo importante para trabalhar a auto-imagem, a superação de obstáculos e a estimulação da desinibição, que conduz ao desenvolvimento de competências pessoais que aprimoram o desempenho da pessoa com deficiência, a criação artística, isto é, a obra de arte final, não deve ser vista como mera repetição estereotipada. Na posse dessas competências, estas pessoas aprendem a construir espaços de autoria, reconhecendo-se como autores e desfrutando do prazer de criar, valorizando a criação de obras originais.

A criação artística institui uma relação lúdica entre o indivíduo e a realidade onde se joga com o efeito produzido e a produção de efeitos. Como num jogo de espelhos reflectem-se reciprocamente o sujeito e a realidade. A obra de arte é mais o resultado desta relação do que uma projecção do próprio indivíduo ou da realidade que é o seu objecto.

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O artista é livre de representar um objecto real mas pode também criar universos apenas imaginados mas nunca vividos realmente o que abre possibilidades nunca acabadas de novas experiências e emoções. As barreiras da incapacidade podem desta forma ser derrubadas e permitir pela imaginação a experiência de viver os desejos mais profundos e os impossíveis.

A sensação de produzir, de participar, de se rever na obra, de se oferecer e abrir ao mundo e aos outros e, de poder finalmente ser visto, traz às pessoas com deficiência a consciência e o prazer de se (re) conhecer e ser (re) conhecido como participante da sociedade a que pertence.

Para que a criação artística destas pessoas possa efectivamente ser reconhecida e valorizada é preciso conquistar espaço na direcção da construção de uma sociedade que, efectivamente, tendo já alcançado o respeito pela alteridade, acolha todos os cidadãos que dela fazem parte, com as suas diferenças, respeitando as suas necessidades específicas e assegurando a igualdade de direitos e oportunidades.

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No entanto, o direito à diferença, e o respeito pela diferença assim como a igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência são expressões que rapidamente se podem tornar perversas e inúteis se ficarem ao nível da palavra e não inspirarem novas formas de acção e reacção para melhorar a situação social destas pessoas e contribuir para uma sociedade verdadeiramente integradora onde, em nome da dignidade humana, todos tenham voz e espaço de participação.

É por isso fundamental, que a arte produzida pelas pessoas com deficiência não seja rotulada de “arte do deficiente” isolada do seu contexto social, senão ela mesma reforça a sua exclusão acabando por se criarem subcomunidades cada vez mais isoladas. Um grupo de teatro de autistas, um coral de cegos, uma exposição de pintura de pintores surdos, não é o que se deseja.

O que é desejável é que a sociedade veja o Paulo como um actor. Não como um actor com deficiência. O Luís não deve ser visto como um pintor com Síndrome de Down, mas simplesmente como um pintor, porque não são as suas diferenças ou situação social que limitam a sua criatividade.

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Cabe então ao meio social a responsabilidade de oferecer as condições de aproveitamento das limitações funcionais das pessoas com deficiência, através dos apoios necessários que ampliem o leque das suas capacidades e as ajudem na concepção da sua obra, para que possam participar efectivamente dentro do seu contexto sociocultural, contribuindo produtivamente com a sua Arte e exercendo, assim, a sua cidadania.

Por último para que a criação artística destas pessoas possa efectivamente ser reconhecida e valorizada é igualmente fundamental desmistificar a noção de deficiência, normalmente existente, construindo uma nova concepção através das apresentações públicas das criações artísticas dentro do contexto dos diferentes circuitos artísticos existentes.

De forma geral, pode afirmar-se que, quando isso acontece, as pessoas repensam as suas concepções sobre deficiência, na medida em que passam a ver esta pessoa como um ser que, apesar das suas limitações, possui inúmeras capacidades.

É esta mudança na concepção de deficiência que pode indicar o início de um processo de minimização do preconceito e, em consequência, da promoção da inclusão social, que não é mais do que aprender a respeitar, a compreender e a saber aceitar.

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No capítulo anterior, concluiu-se que a arte surge como um canal capaz de gerar mudanças. O produto final, isto é, uma pintura, uma peça teatral, por exemplo, pode ser utilizado como uma poderosa ferramenta pedagógica e de comunicação. Ela comunica a partir do momento em que é pensada, produzida e até quando é contemplada por outras pessoas, ocasionando reações, reflexões e sentimentos distintos.

Com a criação artística e a divulgação da mesma, as pessoas com deficiência assumem o papel de produtoras de bens culturais. Elas passam, assim, a expor as suas idéias e concepções do mundo. Por meio da arte, estas pessoas dialogam com a sociedade na qual estão inseridos e enriquecem a produção cultural do seu País. Por isso, é de extrema importância a criação e desenvolvimento de iniciativas que se utilizem da arte para garantir a inclusão das pessoas com deficiência.

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3.1. Projectos como Exemplos de Boas Práticas


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Este é, no entanto, apenas o primeiro passo na busca de um modelo de sociedade mais justo. É preciso perceber a necessidade de criar oportunidades para que as pessoas cresçam, ocasionando, consequentemente, o desenvolvimento da sociedade como um todo, porque por mais acentuada que a diferença seja não representa um problema para a humanidade, e sim, mais uma possibilidade na infinita pluralidade humana. A partir desta perspectiva, têm sido desenvolvidos inúmeros projectos com o objectivo comum e principal de participar na construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Os resultados desses projectos têm demonstrado que as diferentes linguagens artísticas são um eficiente meio de informar a sociedade sobre as reais potencialidades das pessoas com deficiência, além de fortalecerem a auto-estima, a autoconfiança e a valorização pessoal das mesmas, conferindo-lhes a oportunidade de validar as suas competências juntos dos outros e experimentar o reconhecimento do seu trabalho, factores indispensáveis à sua inclusão social.

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Projecto Arte e Movimento

Promotor Associação de Paralisia Cerebral de Odemira

Descrição Integra 3 acções principais: 1.Implementação de um Programa de Intervenção na área das Artes, com clientes do CAO – Tecelagem e Artes Plásticas; 2.Concurso de Artes; 3.Feira de Actividades. Estas acções têm como objectivos facilitar novas formas de expressão através da arte e manter uma iniciativa que reforça o uso do processo criativo; utilizar uma metodologia de intervenção terapêutica inovadora, através da arte, sendo promotora do desenvolvimento cognitivo, pessoal social, da auto-expressão e reeducação psicomotora; promover contacto e conhecimento mútuo entre as pessoas com e sem deficiência proporcionando momentos que permitam a mudança de atitudes face às pessoas com deficiência; promover a participação das pessoas com deficiência em actividades na e para a comunidade. As sessões de artes, além dos objectivos terapêuticos que integram, dão origem a aprendizagens e realização de produtos. O Concurso de Artes resulta numa exposição de trabalhos a concurso e culmina com a Feira de Actividades.

Resultados As sessões de expressão plástica e tecelagem revelam-se promotoras da arte enquanto terapia comportamental. Em 2010 dos trabalhos realizados nas sessões de artes plásticas e colocados a concurso, dois foram contemplados com prémios monetários. Em 2011 a Associação foi convidada a participar com trabalhos numa exposição de Banda Desenhada. O Concurso de Artes que culmina com a exposição das obras e a feira de actividades realizadas em local de excelência da comunidade tem impacto sobretudo ao nível do aumento da consciência pública para a inclusão das pessoas com deficiência. As actividades realizadas têm vindo a promover a sensibilização da comunidade, nomeadamente a população mais jovem, para a inclusão das pessoas com deficiência. Resultado disso é a aproximação de jovens estudantes à APCO, para se tornarem voluntários ou mesmo em realizar trabalhos académicos e promover a interacção com os nossos clientes do CAO. As opiniões deixadas na caixa de sugestões também reforçam a valorização da comunidade.

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Projecto Arte, Inclusão e Sustentabilidade

Promotor APPDA – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Lisboa

Descrição do Projecto Este projecto pretende estimular a criatividade e as potencialidades de trabalho das pessoas com perturbações do espectro do autismo, desenvolvendo também as suas competências sociais através de interacção com a comunidade em geral e os parceiros em particular; promover melhor consciencialização pública da problemática do autismo; intensificar parcerias e contribuir para a sustentabilidade das actividades de expressão plástica realizadas em oficinas da APPDA de Lisboa. Em parceria com o atelier Promontório Arquitectos, são realizados projectos conjuntos para colocar peças cerâmicas criadas e/ou produzidas por pessoas com perturbações do espectro do autismo. No âmbito desta parceria foram desenhados e produzidos mosaicos e objectos decorativos cerâmicos que estão aplicados nos quartos e em exposição na zona do bar do Hotel Vila Lara no Algarve. Para o Hotel Inspira Santa Marta em Lisboa foram produzidas peças cerâmicas que estão aplicadas no SPA. Este Hotel tem em permanência uma venda de peças produzidas por pessoas com perturbações do espectro do autismo nas oficinas da APPDA de Lisboa. No Centro de Lazer do Campo Pequeno em Lisboa são proporcionadas exposições/vendas dos produtos das oficinas (cerâmica, tecelagem).

Resultados A exposição permanente das peças provenientes das oficinas da APPDA de Lisboa em espaços públicos contribui para uma maior divulgação da criatividade e da capacidade de trabalho das pessoas com perturbações do espectro do autismo. Por esta via é possível estabelecer contactos com outras entidades, o que proporciona oportunidades de participação em novos projectos, permitindo a actividade contínua e sustentável das oficinas de artes. A execução de encomendas de peças realizadas por estas pessoas na APPDA de Lisboa permite a cada uma delas a utilização do seu potencial artístico, criativo e de trabalho, bem como a interacção com a comunidade, contribuindo simultaneamente para a sua realização pessoal e inclusão e para o enriquecimento da sociedade no que respeita ao seu património artístico e humano.

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Projecto Atelier de Expressão Plástica da CERCICA

Promotor CERCICA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais Descrição do Projecto O Atelier de Arte e Criatividade surgiu em 2002 e é uma actividade complementar e transversal aos três pólos do CAO (Terapêutico, Ocupacional e Oficinal). Pretende dar uma resposta centrada nas características e capacidades de cada cliente, estimulando a experimentação e a criatividade; proporcionar aos clientes um ambiente agradável e facilitador da expressão de sentimentos e ideias, num espaço em que os clientes dos diferentes pólos se cruzam, partilhando experiências e “modos de fazer”, sejam os trabalhos de âmbito individual ou colectivo. No âmbito do CAO Oficinal, alguns clientes desenvolvem um trabalho artístico consistente porque consolidaram a sua identidade artística e são autónomos no processo criativo. Também revelam um crescente empenho que se traduziu no reforço da carga horária nesta actividade. Na sua maior parte, os clientes do CAO Ocupacional e Terapêutico usufruem desta actividade com objectivos ocupacionais e terapêuticos, tendo ao seu dispor todos os materiais e ferramentas disponíveis para se exprimirem plasticamente. O critério de selecção mais relevante é a motivação do cliente. Sendo transversal aos três pólos, a vertente de produção é tão valorizada como a vertente expressiva, ocupacional e, em alguns casos, terapêutica. A liberdade e o respeito pelo indivíduo, as suas ideias, processos, motivações e interesses são o princípio orientador desta actividade.

Resultados Os resultados têm-se revelado muito positivos, com a participação dos clientes em inúmeras exposições e diversos projectos e com a conquista de prémios.

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Projecto Ateliers de Expressão Plástica

Promotor Comunidade Sócio-Terapêutica Casa João Cidade

Descrição do Projecto Esta IPSS tem desenvolvido na parte da animação, actividades com um grupo de jovens com deficiência mental, não institucionalizados. Para os ateliers com a artista plástica Ana Marchand partiu-se do pressuposto que, a artista dominando várias técnicas e sensível à criatividade (mas não tendo formação especializada na deficiência,) proporcionaria uma relação com os jovens da qual surgiria um trabalho comum. Os ateliers decorreram no espaço criativo da artista e foi uma experiência nova para os jovens envolvidos onde o objectivo, a satisfação no prazer da criação, foi atingido. No seguimento destes ateliers foi organizada em 2010 uma exposição de pinturas e fotografias em papel, apresentada ao público no âmbito da Comemoração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Em 2011 o resultado do trabalho executado nos ateliers foi a apresentação pública da exposição “100% Remix” no âmbito do evento “Cidade Preocupada” promovido pelas Oficinas do Convento, associação cultural de Montemor-o-Novo.

Resultados Para alem dos efeitos indiscutíveis da melhoria de auto-estima dos jovens que participaram nestes ateliers e exposições, do enriquecimento exprimido pela artista, do orgulho das famílias perante os trabalhos apresentados e da visibilidade das capacidades dos artistas, foi encontrado na comunidade um publico interessado ao qual se mostrou que o direito à cultura é uma dimensão fundamental de qualquer ser humano, garantido pela Convenção das Nações Unidas.

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Projecto Círculo Azul

Promotor CERCICA – Atelier de Expressão Plástica

Descrição do Projecto Círculo Azul é um projecto de Land Art realizado no Atelier de Expressão Plástica da Cercica, transversal aos três pólos do CAO: ocupacional, terapêutico e oficinal. Consiste numa forma circular, constituída por pedras pintadas em diversos tons de azul, integrada no jardim da Cercica. Foi inicialmente determinado o local, as dimensões do círculo e a cor de base da peça. No entanto, mesmo sendo uma peça colectiva, cada cliente teve oportunidade de expressar a sua criatividade através da escolha de diferentes tons de azul, diferentes texturas na superfície das pedras e mesmo palavras e símbolos escolhidas pelos próprios ou retiradas de uma caixa com papéis (criada para o efeito) e que eram trabalhadas com o cliente, não só na vertente gráfica e na aplicação na pedra, mas também como mote para estabelecer conversas e reflexões sobre os significados das palavras.

Resultados Esta ideia surgiu da necessidade de envolver todas as pessoas com quem trabalhamos. Círculo Azul, pela simplicidade nas diferentes fases do processo, permitiu que todos os clientes participassem, independentemente das suas capacidades. O facto de ter sido integrada no jardim da Cercica reforçou a motivação e o empenho dos participantes, que entenderam esta intervenção como uma forma de melhorar um espaço que é comum a todos.

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Projecto Concurso e Exposição de Arte e Criatividade

Promotor Câmara Municipal de Almada

Descrição do Projecto Esta iniciativa assume particular importância no contexto das Estratégicas Municipais de Orientação, no âmbito das quais se pretende “assegurar o sistema de incentivos á criação artística” e “(...) desenvolver e aprofundar a solidariedade entre todos. Individual ou colectivamente, este evento, reveste-se de grande significado para quem participa pois constitui a expressão livre da sensibilidade, do sentimento, da estética e do pensamento do(s) autor(es), artistas, para além de evidenciar as potencialidades e capacidades criativas e artísticas de cada indivíduo perante a comunidade, com reconhecimento e valorização recíprocos. A Câmara Municipal de Almada pretende contribuir para a valorização e promoção da cultura nos domínios das Artes junto das pessoas com deficiência, nos contextos local e nacional, manifestando o seu reconhecimento, divulgando e promovendo os seus talentos; contribuindo para a sua Inclusão Social. É elaborado/actualizado, anualmente, um regulamento que é divulgado por todo o país, no âmbito do qual são definidos critérios, montante dos prémios, o período de recepção dos trabalhos, avaliação pelo júri (composto por 5 pessoas), a data de entrega dos prémios e da exposição dos trabalhos. De 2 em 2 anos é elaborado catálogo com os trabalhos premiados.

Resultados Tem-se verificado grande adesão por parte das Escolas e Instituições de/para deficientes e das próprias pessoas e famílias, pois anualmente concorrem com inúmeros trabalhos (na totalidade, oscilam entre os 100 e os 130) em diversos domínios das artes: pintura, desenho, escultura, tapeçaria, barro/cerâmica/azulejaria, madeiras, colagens, etc). Participam alunos de escolas/instituições e pessoas individualmente, de várias zonas do país, e tem repercussão em boletins locais, portefólios individuais e institucionais. São procurados por pessoas interessadas em comprar os respectivos trabalhos, algumas vezes aquisições/vendas concretizadas no âmbito deste certame. Nas avaliações escritas deixadas no livro, esta iniciativa é bem acolhida e desejada pelas pessoas, participantes e visitantes e pelos técnicos e responsáveis das escolas/instituições.

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Projecto Duas Mãos Um Sentimento

Promotor APACI – Associação de Pais e Amigos das Crianças Inadaptadas, Barcelos

Descrição do Projecto Este projecto surgiu da necessidade dos clientes do Centro de Actividades Ocupacionais da APACI que frequentam a actividade de pintura, contactarem de uma forma mais directa, com os artistas plásticos do concelho e de a própria instituição poder mostrar as capacidades artísticas e criativas dos seus clientes om necessidades especiais à comunidade Barcelense e também fora do Concelho. O projecto serviu também para promover a sensibilidade para as artes visuais; explorar a criatividade dos clientes, aprofundando também os seus conhecimentos sobre os artistas barcelenses. Ao nível das actividades desenvolvidas foi realizada uma sessão de pintura ao vivo ao ar livre no centro da zona histórica da cidade entre clientes da APACI e Pintores convidados. Seguiram-se sessões individuais entre clientes e pintores, quer nas instalações do CAO da APACI, quer nos Ateliers dos pintores. As telas daí resultantes foram expostas pela primeira vez ao público numa exposição com o mesmo nome do projecto na Câmara Municipal de Barcelos em Abril de 2008. Desde aí que a exposição tem estado em itinerância.

Resultados Foram muitas as evidências resultantes deste projecto. A projecção das capacidades criativas dos jovens clientes participantes foi muito positiva, quer no concelho, quer nas cidades por onde a exposição passou. A possibilidade destes jovens poderem contactar com realidades e pessoas diferentes do habitual no seu dia-a-dia, nomeadamente, no contacto com os pintores nos seus ateliers, nas montagens da exposição, visitas às cidades onde a exposição se realizou vivendo experiências enriquecedoras para as suas vivências. Aprofundaram também os seus conhecimentos sobre a arte, sobre técnicas de pintura, sobre correntes artistas, convivendo e trocando impressões com os artistas.

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Projecto Encontro D’Arte

Promotor NECI – Núcleo de Educação da Criança Inadaptada

Descrição do Projecto A exposição “Encontro D’Arte” teve como principal objectivo a promoção do trabalho artístico de Carlos Frausto, jovem que frequenta o Centro de Actividades Ocupacionais da NECI, onde tem vindo a desenvolve competências nesta área, tendo já participado em diversas exposições e concursos. Embora tendo como artista principal, Carlos Frausto, o projecto para a realização desta exposição teve também como objectivo a integração do artista no contexto artístico lacobrigense, promovendo-se uma exposição colectiva contando com a participação de artistas locais: Amanda Almeida D’Eça, Bernardete Bishop, David Haines, Arez Viegas, Linovaro, Tina Gonçalves.

Resultados Do prisma individual do artista, a exposição permitiu a possibilidade deste assistir ao reconhecimento do seu trabalho artístico na sua cidade natal, promovendo a sua auto-estima e motivação. Numa perspectiva mais geral, nomeadamente, no que concerne à inclusão da pessoa com deficiência na área artística, a exposição contribuiu no sentido da integração, mostrando que a diferença que pode ser associada à deficiência não se manifesta no valor artístico das obras.

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Promotor APPDA-Norte Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo

Descrição do Projecto O projeto teve como objetivo o de dar a conhecer a temática do autismo e ao mesmo tempo o trabalho artístico desenvolvidos pelos nossos clientes/artistas. Ações desenvolvidas: Implicação dos nossos clientes, jovens/adultos com autismo, em todo o processo de organização da exposição, desde os primeiros contatos com as escolas, participação em reuniões, na logística e montagem, e finalmente a amostra das peças artísticas (pintura, olaria e tecelagem).

Resultados - Trocas de experiências e amizades que surgiram com esta iniciativa - Procura, por parte dos alunos das escolas, em visitar a Instituição e pensar em novos projetos.

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Projecto Exposição Itinerante


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Projecto Expressões Construídas a Mil Mãos

Promotor OASIS – Organização de Apoio e Solidariedade para Integração Social Descrição do Projecto O projecto foi desenvolvido durante as sessões da Actividade de Expressão Plástica, tendo em conta as diferentes capacidades e incapacidades dos participantes, de forma a todos poderem participar. Objectivos Gerais: Apresentar à comunidade obras elaboradas na Instituição; Responder às solicitações/propostas dos parceiros; Promover a Interacção com a comunidade e Sensibilizar para a problemática Ambiental. Objectivos Específicos: Activar a participação e motivação pelo universo da expressão plástica; Desenvolver a capacidade de Expressão gráfica; Desenvolver e treinar as capacidades de motricidade fina (através de representação e construção de objectos); Contactar com diversos materiais e técnicas; Desenvolver o relacionamento interpessoal; Activar o sentido de pertença, de equipa e de cooperação, e, ao mesmo tempo dar significado ao todo e às partes; Realizar Obras colectivas, Desenvolver a auto-estima e o bem-estar dos participantes. Descrição das Acções: 1.Dinamização do “Workshop Painel de Mosaico”. Construção de um painel de azulejos no qual participaram clientes da OASIS, alunos de diferentes escolas e professores. 2. Elaboração de “Faixa para III Encontro do Projecto Rios”, tendo sido reutilizado um poster cinematográfico. 3. “Construção de Mão” para a qual foram reutilizados resíduos.

Resultados Este projecto contribuiu para exercitar as capacidades dos clientes, fortalecer o espírito de cooperação entre participantes, que interagiram com outros grupos e com a comunidade, sentindo o reconhecimento pelos exercícios realizados, que promoveu a sua auto-estima e sentido de presença. A troca de experiências e diversidade de perspectivas em relação, tanto à expressão artística como à cultural, fortaleceu o relacionamento com as entidades parceiras, abrindo caminho a futuras colaborações. Ao mesmo tempo, foi possível mostrar à comunidade, que independentemente dos condicionalismos inerentes às patologias, também as pessoas com algum tipo de incapacidade são capazes de ser criativas e expressar-se através da arte.

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Projecto Fragmentos d’Arte

Promotor Equipa Comunitária de Cascais (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental)

Descrição do Projecto Exposição colectiva de pintura que apresentou trabalhos de vários autores com problemática de saúde mental. Emergiu da constatação de que inúmeras pessoas com esta problemática recorrem ao processo criativo ao longo das suas trajectórias de recuperação, procurando explorar o significado do acto criativo no seu percurso pessoal. Teve como objectivo quebrar barreiras, a promoção da auto-estima e da valorização pessoal e a desmistificação da pessoa com problemática de saúde mental promovendo a valorização na comunidade. Participaram 9 artistas, de diferentes respostas institucionais do concelho de Cascais (Unidade de dia de Lisboa – consulta externa de psiquiatria da Equipa Comunitária de Cascais do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, Santa Casa da Misericórdia de Cascais – Centro de Apoio Social do Pisão e Associação de Reabilitação e Integração da Ajuda – ARIA). Foram seleccionadas 4 obras de cada autor representado na exposição que foram expostas consoante os locais e espaços disponíveis.

Resultados Este projecto contribui para a cada vez mais premente “normalização” de iniciativas que permitam diluir fronteiras convergindo-se para boas práticas de inclusão artística, onde cada obra e o seu autor tenham as mesmas oportunidades independentemente de terem ou não uma doença mental. A projecção e reconhecimento por parte da comunidade das obras criadas por estes artistas contribuiu para uma valorização do empenho, criatividade, esforço e dedicação que todos eles demonstraram no seu processo criativo.

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Projecto Oficina de Artes

Promotor CERCIBEJA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados

Descrição do Projecto A Oficina de Artes existe há umas dezenas de anos e tem como objectivo a promoção e valorização do trabalho artístico dentro e fora da Instituição. Funciona de uma forma completamente livre em que os clientes são apenas encaminhados e iniciados no conhecimento de técnicas, trabalhando com uma grande diversidade de materiais quase todos recuperados.

Resultados Os clientes têm ganho muitos prémios nacionais e internacionais sendo os casos com maior visibilidade os dos artistas Florival Candeias (3º Prémio no Concurso Europeu EUWARD, Munique) e João Vítor (Grande Prémio da APPACDM, Porto).

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Projecto Toma lá – Objectos Diferentes

Promotor CPD Comissão para a Pessoa com Deficiência do Concelho de Cascais Descrição do Projecto A Marca “Toma Lá” nasceu em 2010 de uma vontade determinada e visionária da Comissão para a Pessoa com Deficiência (CPD) em qualificar os recursos humanos e os produtos desenvolvidos no contexto dos Centros de Actividades Ocupacionais (CAO). Aceitaram o repto oito Instituições membros desta Comissão que integra mais de 30 entidades dos diversos sectores e se constitui como órgão consultivo junto da Câmara Municipal e visa ainda o diálogo interinstitucional. A Câmara Municipal de Cascais acreditou no esboço, ainda, inicial deste projecto e desde esse momento tem vindo a dar um apoio fundamental para o crescimento desta ideia que assenta em 3 pilares: Inovação, Integração e Empatia. Das visitas aos CAO e da interacção com os monitores, a Susana António criou oito peças únicas e originais, que foram produzidos pelos clientes das oito Instituições. E assim nasceram os objectos da primeira edição e as suas primeiras parcerias: Visando a criação de produtos de qualidade e de reconhecido valor, a "Toma lá", projecta uma imagem dignificante das competências das pessoas adultas com deficiência ou doença mental.

Resultados A “Toma Lá” já participou em vários eventos e recebeu em Outubro de 2011 o reconhecimento público de mérito educativo, na 2ª Gala de Solidariedade “Sorrir na Educação” promovido pela “Clínica da Educação”. Aposta na Inovação através da parceria com a designer Susana António, rompendo com o dito tradicional assistencialismo, dignificando o trabalho realizado por estes públicos vulneráveis, aliando metodologias artesanais que já existiam nos CAO às metodologias inovadoras do design; Aposta na Integração qualificando e reconhecendo os recursos humanos, envolvidos, promovendo elos colaborativos e apostando na qualidade dos produtos realizados; Aposta na Empatia, gerando valor, emoções, um conjunto de percepções que abre caminho ao estabelecimento de redes sociais emocionais com determinadas entidades do mundo privado que se tornaram patrocinadores do projecto.

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Projecto Actividades de Dança Inclusiva

Promotor Associação Pedexumbo Descrição do Projecto A Associação Pedexumbo tem por missão a promoção da música e dança tradicional, acreditando que as danças sociais promovem o contacto e a sociabilização, contribuindo para a estruturação de comunidades saudáveis. A Pedexumbo organiza festivais pontuais (Andanças em Castelo de Vide, Solstício em Odemira, Entrudanças em Entradas, Planície Mediterrânia em Castro Verde, Encontro de Tocadores/Aqui Há Baile em diferentes localidades), actividades regulares (aulas de dança em Évora e Castro Verde), investe em investigação (com o registo de coreografias de baile tradicional e recuperação de práticas desaparecidas), desenvolvendo ainda trabalho comunitário com populações dos locais onde realiza os festivais. Entre as actividades que envolveram pessoas com deficiência incluem-se: - aulas regulares de dança com pessoas portadoras de deficiência profunda (em parceria com instituições de Évora), formação de formadores (técnicos que trabalham com pessoas com deficiência), produção de espectáculos realizados por pessoas com deficiência, inclusão de oficinas promotoras da inclusão (por exemplo ensino da língua gestual no Festival Andanças) - adaptação de oficinas de dança disponibilizadas em festivais, para inclusão de participantes em cadeiras de rodas (nunca é negada a participação de alguém, qualquer que seja a incapacidade), inclusão de voluntários portadores de deficiência (seleccionados em pé de igualdade com os outros, pois essa característica é omitida a quem faz a selecção dos voluntários para os festivais).

Pela sua própria natureza, a Pedexumbo é uma entidade inclusiva: todos podem e devem participar, novos ou velhos, homens ou mulheres, pessoas com mais ou menos capacidades. Dado que "a participação" e o voluntariado estão também no âmago da associação, este envolvimento ocorre tanto ao nível da Direcção da própria Associação, da operacionalização dos eventos (apesar destes serem produzidos por um núcleo duro de profissionais especializados e dedicados, são sempre necessárias dezenas ou centenas de voluntários para diferentes tarefas) como da participação nos mesmos.

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Resultados O principal resultado é a concretização da missão da Pedexumbo: a consolidação de comunidades (mais ou menos tradicionais, mais ou menos fixas) através da dança, não deixando ninguém de fora. Apesar de nunca termos divulgado iniciativas no sentido de promover a inclusão, tem crescido o número de pessoas com deficiência que propõem actividades, ou pessoas com deficiência que se oferecem como voluntárias. Por seu lado, é o feedback do envolvimento destas pessoas que tem conduzido a alterações de logística, nomeadamente melhorando acessos por cadeiras de rodas. Em alguns casos, são factores alheios à Pedexumbo que impedem alguns avanços (como o pedido pendente à Câmara de Évora, renovado desde 2005, de colocação de uma rampa de acesso à casa de banho que serve o espaço usado pela Associação, de propriedade camarária).

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Projecto Actividades de Dança Inclusiva


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Projecto CiM – Companhia Integrada Multidisciplinar

Promotor Associação Vo’Arte

Descrição do Projecto A CiM une intérpretes, bailarinos e actores com e sem necessidades especiais, promovendo uma abordagem pioneira da criação artística face à inclusão, através da dança, imagem e som. Nasceu em 2007 de uma parceria, que se mantém, entre a APCL – Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, Vo’Arte e o CRPCCG – Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian. A CiM procura a diversidade de caminhos e um constante enriquecimento com experiências, onde a multidisciplinaridade surge como impulso de novos métodos e respostas à produção e exploração artísticas. Ana Rita Barata, coreógrafa, desenvolve um trabalho próprio focado nas particularidades do movimento e expressividade únicas de cada intérprete, de forma a integrar no palco o que cada um tem como força. Este método tem sido partilhado com o realizador Pedro Sena Nunes e outros criadores. O trabalho da CiM já foi apresentado em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Brasil e E.U.A., onde assistiram mais de 43.000 pessoas em 4 anos de actuações. Detém em repertório 6 espectáculos de palco, 1 de rua, 2 performances, uma instalação vídeo e uma exposição de desenho, e orienta frequentemente formação em Dança Inclusiva, com o objectivo de incrementar a consciência para o potencial expressivo da unicidade do movimento. A CiM persiste na procura de novas motivações e desafios, baseada na reflexão da arte associada à pessoa com necessidades especiais, como meio integrador e de desenvolvimento de competências.

Resultados A Companhia CiM tem como pressuposto artístico o trabalho com intérpretes com deficiência, tendo desenvolvido desde 2007 um trabalho centrado na Paralisia Cerebral mas abrindo a cada nova criação a possibilidade a todos quantos desejem integrarem o processo. Os intérpretes da CiM praticam regularmente, em ensaios semanais, pelo que desenvolveram uma consciência corporal no mesmo grau de bailarinos profissionais, autonomia de movimentos e uma iniciativa excepcionais. Com a Companhia, tem-lhes sido dada a oportunidade de viajar por diversos países. Integraram a programação de reputados festivais internacionais como seja o VSA – Very Special Arts Festival, Chalon Dans la Rue e assinalaram relevantes momentos históricos como a Expo Zaragoza 2008 ou o Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, aclamados pela crítica e acarinhados pelo público. Uma prova de superação constante partilhada com mais de 43.000 pessoas de público e 900 formandos, que faz com que muitos se auto-intitulem como bailarinos de profissão. A Companhia CiM tem não somente advogado activamente a possibilidade de profissionalização artística da pessoa com deficiência como também contribuído significativamente para a não estigmatização associada à sua imagem, através da criação e exibição artística.

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Projecto Dançando com a Diferença

Promotor Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença Descrição do Projecto O Projecto Dançando com a Diferença iniciou-se em 2001 na Ilha da Madeira, fruto de uma proposta de autoria e responsabilidade de Henrique Amoedo. Desta iniciativa constituíram-se grupos secundários (com focos de acção nos âmbitos educacionais e de apoio terapêutico) e também um grupo principal que acabou por ser homónimo ao projecto mãe, o Grupo Dançando com a Diferença (GDD), direccionado à performance artística em dança. O GDD teve a sua primeira apresentação pública em 2002 e, desde então, seguiu-se a constituição de um importante repertório com criações de diferentes coreógrafos, destacando-se Henrique Amoedo, Ivonice Satie, Clara Andermatt, Henrique Rodovalho, Elisabete Monteiro, Rui Horta e Arthur Pita. Com o principal objectivo de modificar a imagem social das pessoas com deficiência através da dança, este projecto de Dança Inclusiva e, consequentemente o GDD, tem inserido os seus espectáculos em eventos direccionados às questões da deficiência e naprogramação regular de diferentes teatros e/ou festivais na Madeira, no continente português e também no estrangeiro, nomeadamente no Brasil, França, Bélgica, Rússia e Holanda. Em 2010 representou Portugal na Istambul 2010 – Capital Europeia da Cultura.

Resultados A internacionalização dos espectáculos do Grupo Dançando com a Diferença e a constituição de um repertório com criações de importantes coreógrafos, além da expansão das actividades do Projecto Dançando com a Diferença para outros públicos, nomeadamente crianças e jovens (GDD – Júnior e Grupos dos Centro de Actividades Ocupacionais da DREER) e seniores (GDD – Sénior), são três dos objectivos inicialmente traçados e que foram atingidos. A participação de intérpretes do elenco do Grupo Dançando com a Diferença, como convidados, em produções de outros grupos, de âmbito nacional e internacional, também já é uma realidade. Objectivo este que não estava inicialmente previsto, mas que demonstra a abertura à inclusão artística gerada por esta iniciativa. Por fim, a implementação da actividade de Dança Inclusiva na Região Autónoma da Madeira através deste projecto e o reconhecimento da sua qualidade artística pelo público e pela crítica especializada devem ser aspectos ressaltados e também as inúmeras parcerias estabelecidas com instituições públicas e privadas para a manutenção e expansão desta actividade, em Portugal e no estrangeiro.

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Projecto De Escola em Escola a Dançar

Promotor APERCIM – Associação para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Mafra

Descrição do Projecto Promover apresentações diversas do rancho folclórico da APERCIM nas Escolas do 1º Ciclo do Agrupamento de Mafra, possibilitar a ida dos clientes da APERCIM às escolas demonstrar e colaborar no ensino de coreografias de danças tradicionais a alunos e respectivos professores, promover a inclusão das pessoas com deficiência, tornando-os promotores de divulgação das raízes culturais da sua região/ concelho, promover o intercâmbio entre pessoas com deficiência e crianças ditas normais, contribuindo para desmistificar ideias preconcebidas acerca da deficiência e suas implicações e contribuir para o desenvolvimento local e (re) surgimento dos ranchos folclóricos nas colectividades locais, são os objectivos deste projecto.

Resultados Dar a conhecer as tradições culturais da zona saloia às crianças e jovens do concelho através da divulgação da dança folclórica. Contribuir para a integração sociocultural e valorização pessoal das pessoas com deficiência através da criação de condições para a divulgação das suas capacidades e potencialidades.

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Projecto PLURAL| Núcleo de Dança Contemporânea

Promotor Fundação LIGA Descrição do Projecto Plural – Núcleo de Dança Contemporânea é uma companhia de dança inclusiva que tem como principal objectivo a pesquisa, formação e criação artística na área da dança, promovendo a integração e interacção de intérpretes com e sem deficiência, numa abordagem multicultural e pluridisciplinar do movimento. O Plural núcleo dança contemporânea desenvolve a sua actividade artística desde 1995 no contexto da Fundação LIGA e surgiu inicialmente com o objectivo geral de proporcionar à pessoa com deficiência a oportunidade de participação e acesso ao nível da expressão e criação artística no domínio da dança contemporânea. Na sua actividade incluem-se projectos de criação coreográfica, residências de pesquisa e apresentação/produção/circulação de espectáculos; formação para estudantes e profissionais das áreas da dança, reabilitação e educação; acções de sensibilização; participação em encontros temáticos, seminários e congressos; exposições de fotografia; edição de livros e DVD’s temáticos; formação/aulas regulares de dança inclusiva. O plural é constituído por intérpretes com e sem deficiência.

Resultados No decorrer das diversas actividades do PLURAL (projectos de criação coreográfica e difusão, aulas regulares, workshops temáticos, acções de sensibilização, formação avançada e pesquisa coreográfica) cumprem-se os objectivos centrais deste projecto: - Promoção de oportunidades para população portadora de deficiência em contexto artístico, onde os valores da Diversidade e Pluralidade são a base e essência do trabalho de pesquisa e criação assente num processo colectivo e cooperativo. - Sensibilização/Formação conduzindo à mudança de atitudes sociais e culturais face á pessoa portadora de deficiência ou em situação de desvantagem social e das suas potencialidades enquanto intérpretes/criadores, dirigindo-se em especial aos estudantes e profissionais das artes performativas (em particular na área da dança), programadores e outros profissionais do espectáculo e público em geral.

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Projecto Ritmos d’Alma

Promotor Centro de Actividades Ocupacionais – Casa do Sol e Centro de Apoio Social do Pisão Santa Casa da Misericórdia de Cascais

Descrição do Projecto Este projecto nasceu da necessidade de criar um grupo, com patologias ao nível da doença mental, direccionado para um trabalho de consciencialização ao nível das relações entre o corpo, o movimento, o ritmo, o equilíbrio e o espaço. Esta abordagem assenta numa dinâmica de comunicação essencialmente não verbal, possibilitando estimular a criatividade quer individual quer colectiva, muitas vezes latente, sob a forma de movimento corporal não direccionado. Pretende-se trabalhar a imagem pessoal, a auto-estima, o sentido de responsabilização e a coesão de grupo, assim como a inacção e institucionalização factores inerentes à própria doença e a internamentos de longa duração.

Resultados Este projecto teve um impacto muito positivo no grupo, conseguindo-se criar um espírito e vontade de conhecer e descobrir novos ritmos, desenvolver diferentes coreografias, atingindo outros níveis de expressão corporal. A apresentação da coreografia no 10º Encontro de Saúde Mental de Cascais em Novembro de 2009, possibilitou uma maior visibilidade do grupo ao nível da comunidade assim como um acréscimo ao nível da responsabilização, motivação e valorização colectiva. Estes sentimentos ajudam a melhorar a auto-estima, auto-confiança e acima de tudo ajudam a desmistificar a problemática da Saúde Mental assim como a criar oportunidades de inclusão social.

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Projecto Histórias para (En) Cantar

Promotor Lurdes Breda Nasceu em 1970 no concelho de Montemor-o-Velho, onde reside. Frequenta o curso de Línguas e Literaturas Modernas – Variante Estudos Portugueses, da Universidade Aberta. Foi premiada em vários certames literários, quer a nível nacional, quer internacional. Em 2005 foi, também, distinguida com o Prémio “Mulheres de Valor”, uma iniciativa da Associação Fernão Mendes Pinto, em parceria com a autarquia de Montemor-o-Velho. É autora e co-autora de várias obras literárias. Julga que à literatura cabe um papel de intervenção social. Gosta por isso de empregar as faculdades literárias que possui, em iniciativas que despertem, por exemplo, a consciência da sociedade para a problemática da integração da pessoa com deficiência.

Descrição do Projecto Este projecto caracteriza-se pela realização de sessões de leitura, pela autora (portadora de deficiência motora), em várias bibliotecas públicas e escolares do país, onde as diferentes obras são exploradas de acordo com as idades e contextos das crianças e têm como objectivos principais: Cultivar, através da literatura, o gosto pela leitura, escrita, expressão dramática, música e ilustração; Criar hábitos de socialização através da interacção, com respeito pelas diferenças; Facilitar a descoberta da criança e a sua compreensão do mundo, tendo em consideração a diversidade étnica, religiosa, social e cultural; Fomentar atitudes inclusivas e de cidadania; Ajudar a criança a descobrir valores como: justiça, paz, liberdade, igualdade e solidariedade, através das obras abordadas; Auxiliar ainda crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) de forma a permitir a sua inclusão na sociedade, como membro de pleno direito, e a livre expressão das suas ideias.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Histórias para (En) Cantar

Resultados Através das várias sessões de leitura, que funcionam como partilha de histórias, emoções e experiências com crianças das mais diversas origens, a autora promove a afectividade e esbate as diferenças. A literatura é usada como ferramenta para promover a inclusão, quer no que diz respeito à sua própria deficiência, quer, algumas vezes, no encontro com crianças igualmente deficientes. A troca de ideias entre todos os intervenientes estimula o conhecimento e o desenvolvimento cognitivo. Fortalece a autoconfiança e a autoestima. Por outro lado, há a valorização da literatura e das artes em geral, uma vez que, aliada à leitura, a autora explora áreas como a música, a expressão dramática e a ilustração. São estratégias lúdicas de aprendizagem que fomentam o saber e o conteúdo pedagógico dos textos produzidos. Por esse motivo, um dos livros da autora é, nas categorias de “Pré-Leitores” e “Leitores Iniciais”, aconselhado pela “Casa da Leitura” da Fundação Calouste Gulbenkian.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto 5ª Punkada

Promotor Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra Descrição do Projecto 5ª Punkada é um grupo de música portuguesa, constituído por clientes da A.P.C.C. (Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra). O grupo existe desde finais de 1993 e compõe temas originais, oscilando entre a Pop, o Rock, o Blues, o Funk e o Jazz. Os principais objectivos deste projecto musical foram definidos a partir de dois pontos essenciais: da vontade intrínseca de expressão pela música (Potenciar capacidades, desenvolver competências e usufruir dos prazeres da Música através do processo de construção e execução musicais) e da busca pelo reconhecimento social (Reforçar o sentimento de pertença social e desmistificar o conceito de

pessoa com deficiência). Desde a sua formação o grupo já realizou mais de 300 actuações por todo o país e estrangeiro (Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Espanha, França, Itália e Grécia), desenvolveu iniciativas culturais em parceria (Grotox; Dia Mundial da Música; Concerto de Natal com a Orquestra Clássica do Centro,...) e iniciativas de carácter inclusivo (projecto de actividade musical inclusiva com crianças do 1º ciclo do Ensino Básico).

Resultados Manifestam-se a três níveis: o primeiro relacionado com cada elemento do colectivo; o segundo, com o grupo propriamente dito e o terceiro com a relação que se estabelece entre ele e o público (que assiste às suas actuações e/ou que estabelece com ele um espaço/momento de partilha através da música). Relativamente ao primeiro nível, deverá considerar-se que qualquer elemento do grupo está integrado porque: valoriza, sente a necessidade de se expressar e quer envolver-se numa situação da vida real, através da música. A satisfação destas necessidades, através de um processo de habilitação pela música, permite potenciar capacidades e desenvolver competências. No que concerne ao segundo nível, o trabalho de grupo (processo de criação musical conjunta), conduz à constituição de um repertório que lhe permite uma participação na sociedade (através da realização de concertos, apresentações públicas e projectos de parceria). A um terceiro nível, surge a inclusão, que se reflecte, não só pelo reconhecimento social (patente no número de solicitações para concertos, convites para participação em projectos e reportagens), mas também pelo sentimento de pertença social de cada elemento do grupo (valorização pessoal, contínua motivação e interesse e melhoria da produção musical conjunta). Uma vez iniciado, o processo de habilitação, participação e inclusão alimenta um ciclo em que as suas componentes se cruzam, se influenciam e se potenciam no alcance de objectivos musicais e não musicais.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Orquestra Juvenil da DREER Promotor Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação Núcleo de Inclusão pela Arte (NIA) Descrição do Projecto A ORQUESTRA JUVENIL DA DREER, é uma orquestra Orff, composta actualmente por cerca de 30 elementos. Teve a sua génese, sob o impulso dos professores Agostinho Bettencourt, Benvinda Carvalho, João Atanásio e José António Camacho, tendo iniciado a sua actividade formal em 1986, sob a orientação de João Atanásio que a dirigiu pedagógica e artisticamente até 2009. No momento actual, a orquestra é dirigida por Hector Teixeira, perspectivando-se novas sonoridades, novos valores musicais para a sua estrutura, assim como a adopção de novas estratégias para o redimensionamento da sua acção inclusiva. Inspirada na pedagogia musical de Pierre Van Hawve e nos métodos Orff e Kodaly, a Orquestra Juvenil tem desenvolvido temas tradicionais do folclore português (nacional e regional) e estrangeiro, assim como temas de composições e arranjos inéditos, na maioria, da autoria de João Atanásio. Em Dezembro de 2000, editou e lançou o seu primeiro CD. Actuou na Holanda, Dinamarca, Lisboa, Açores, Porto Santo e Madeira. Apresentou diversos Concertos Inclusivos nos últimos quatro anos, em parceria com o CORO DE CÂMARA DE LOBOS e com a banda musical “BANDA DÁLÉM”, no concelho de Machico, C. Lobos, Calheta e Funchal.

Resultados - Contributo na Formação Musical e Pessoal de cada uma das Pessoas envolvidas; - A persistência no vencer os limites individuais e a afirmação de um resultado colectivo, com retorno individual; - O reconhecimento manifesto pelas plateias, em cada actuação, com ganhos na auto-confiança e realização pessoal: - A possibilidade de interagir com outros músicos e de esses músicos os reconhecerem como iguais, num desempenho conjunto; - A participação em eventos de reconhecido mérito, contribuindo para uma “mudança de olhar” (por parte da comunidade) para com as possibilidades artísticas e humanas das pessoas com NE; - O contributo individual e colectivo para um modelo de orquestra, que se quer cada vez mais ajustado á realidade inclusiva contemporânea.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto ZABUMBAR – Percussão Promotor CERCIAG – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Águeda

Descrição do Projecto A Fanfarra “Zabumbar” foi fundada em Dezembro de 2004, sendo constituída por cerca de vinte e cinco percussionistas de três Unidades da CERCIAG – Educativa, Centro de Actividades Ocupacionais e Formação Profissional. É um projecto pedagógico que, pela sua natureza artística, constitui terreno propício para o desenvolvimento de actividades de trabalho interdisciplinar, individual e em grupo. Objectivos: • Utilizar a música e /ou seus elementos (som, ritmo), num processo sistematizado de forma a promover a auto-estima, a comunicação, o relacionamento e a mobilização do indivíduo com o intuito de recuperar as suas funções e melhorar a sua qualidade de vida. • Participar em eventos na comunidade aumentando o número de experiências sociais e recreativas com a finalidade de combater processos de exclusão social.

Resultados O grupo soma um total de 121 actuações, uma das participações realizou-se em Espanha e outra na Alemanha, ambas no âmbito do Projecto Grundtvig 2 “Creative Friendship in Europe. Actuou ainda em: arruadas, festas, festas populares, feiras, eventos desportivos. Efectuou acções de sensibilização em escolas públicas e privadas com o seu reportório e troca de experiências. Fez uma apresentação do projecto no primeiro Encontro Nacional de Técnicos que enquadram as Pessoas com Deficiência no Desenvolvimento do seu processo Artístico, promovido pela ANACED. Todo o incentivo e receptividade do público que os tem acolhido é a maior compensação para o esforço incansável e empenhamento dos elementos do grupo, trazendo efeitos de motivação e afirmação pessoal e de integração social únicos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto A Cigarra e a Formiga Promotor Comunidade socio-terapêutica Casa João Cidade

Descrição do Projecto Ensaios e apresentação de uma peça de teatro "A cigarra e a Formiga" de Carlos Cebola, pelos clientes do Centro de actividades ocupacionais da Casa João Cidade e dos alunos da Universidade Sénior do Grupo dos Amigos de Montemor.

Resultados Este projecto permitiu aos jovens com deficiência tal como aos seniores uma vivência mais real da inclusão.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Companhia Era uma vez… teatro Promotor Associação do Porto de Paralisia Cerebral

Descrição do Projecto Esta Companhia tem por objectivo fundamental a criação artística teatral, desenvolvendo com os actores um trabalho psico-físico numa linha experimental, que pelo seu impacto no universo individual, transforma, amplia e enriquece tanto no que diz respeito à capacidade interpretativa, como à focagem imaginativa. Todos aqueles que estabelecem contacto com a expressão artística, qualquer que ela seja, tendem a adquirir e a produzir uma visão menos estreita da vida. A especificidade deste trabalho permite desenvolver estratégias aumentativas de autonomia e dinamismo das pessoas com deficiência, a par da pública divulgação das suas capacidades. Esta companhia conta já com 20 criações, centenas de espectáculos, participações em festivais nacionais e internacionais. Para além da criação artística a companhia, organiza anualmente vários workshops onde se pretende explorar a sensibilidade artística, reflectir nos gostos dominantes da sociedade e redescobrir padrões de normalidade, não tendo medo de ir ao fundo das coisas e de transformar o que está preestabelecido. Durante a formação, cada participante tem a oportunidade de explorar as suas capacidades físicas e intelectuais, descobrindo novos limites.

Resultados O balanço de 12 anos de trabalho, permite a esta Associação concluir com grande satisfação, que o público heterogéneo e anónimo tem vindo a aumentar ao longo dos anos, com uma enorme tendência a fidelização aos espectáculos da companhia. Por todas as sinergias que só as linguagens da cultura ou da arte permitem reunir, está convicta de que este é um dos melhores caminhos de integração social.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto CRIARTE – Grupo de Teatro do CRIA Promotor Centro de Recuperação e Integração de Abrantes Descrição do Projecto Este grupo de trabalho iniciou o seu trabalho em 1999, na sequência de um projecto de expressão dramática e criação teatral. Trata-se de um projecto de trabalho, transversal às diferentes valências que integram a Instituição e conta com o trabalho e envolvimento de utentes e técnicos. O grupo de teatro estreia uma peça anualmente e mantém um trabalho regular, com ensaios semanais. Actua em escolas, instituições, festivais de teatro e eventos, sempre que é solicitado. Até ao momento conta já com oito peças levadas à cena:

Resultados Um dos resultados visíveis deste trabalho é despertar nos actores um gosto imenso pela Arte de representar. Subir ao palco, incendiar de alegria o rosto de um actor, que se envolve nas palmas, vive as emoções, faz rir e chorar o público imenso. Quando cai o pano, surgem os abraços fortes e a certeza em cada actor: “eu fui capaz”! Em grupo aprendem a representar, a agir em grupo, a respeitar o outro e a criar fortes laços nas relações interpessoais. Os actores são jovens e adultos com deficiência, vestiram-se da personagem do seu imaginário e exigiram de si próprios o melhor desempenho. Um palco, uma história, as luzes e as palmas, são passos de gigante na integração e valorização de cada um dos actores. Uma janela aberta ao mundo das emoções e também para a integração social e cultural destes actores e para o reconhecimento público das suas capacidades de trabalho e do direito à igualdade no mundo da cultura e da arte de representar.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Crinabel Teatro Promotor Crinabel, Cooperativa de Ensino Especial e Solidariedade Social Descrição do Projecto O Grupo Crinabel Teatro é um colectivo com 23 anos de existência, criado no seio da Crinabel, Cooperativa de Ensino Especial, e que tem vindo ao longo do seu percurso a desenvolver um trabalho artístico com jovens portadores de deficiência mental, procurando potenciar as suas capacidades artísticas, pessoais e sociais. Este projecto tão singular e pioneiro no nosso país, tem vindo cada vez mais a assumir-se como um objecto de profunda validade cultural em Portugal e no estrangeiro, tendo desenvolvido inúmeros projectos Europeus com Itália, Espanha, Inglaterra, e realizado espectáculos um pouco por todo o mundo. Para além do trabalho de criação realizado dentro deste colectivo, os actores deste projecto têm tido cada vez mais a possibilidade de se juntarem a outros projectos artísticos, tanto no cinema, no teatro ou na televisão.

Resultados Durante estes 24 anos de existência, o projecto Crinabel Teatro levou a algumas das mais significativas salas de espectáculos a nível nacional e internacional, 30 produções teatrais e 8 trabalhos coreográficos. Esta continuidade na sua produção artística, possibilita uma fruição do trabalho individual dos elementos que constituem este colectivo, levando-os a integrar outras produções cinematográficas, televisivas e teatrais. No ano de 2006, a quando das comemorações do 20º aniversário do grupo Crinabel Teatro, o documentário Metamorfoses, realizado por Bruno Cabral e produzido pelos Filmes do Tejo II, surgiu como um dos primeiros objectos identificativos da realidade colectiva e artística deste projecto tão singular. Este documentário acompanhou o dia a dia dos actores e da equipe técnica, durante a encenação do espectáculo A Metamorfose, dirigido por Marco Paiva e co-produzido com o Teatro Helena Sá e Costa (Porto). Este trabalho mereceu um primeiro prémio no Festival de Artes Performativas em 2008. Também em 2008 o actor do grupo Crinabel Teatro Tomás de Almeida mereceu o prémio de Melhor actor no Festival de Cinema de Monreal, pelo seu trabalho na longa-metragem de Luís Filipe Rocha, A Outra Margem. No mesmo ano, a actriz Carolina Mendes, recebeu o Prémio António Pedro, atribuído pelo Museu Nacional do Teatro.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

Promotor Centro de Recuperação e Integração de Abrantes Descrição do Projecto O FNATES – Festival Nacional de Teatro Especial é promovido pelo Centro de Recuperação e Integração de Abrantes desde 2002. Este evento de âmbito nacional, assume-se como factor de inclusão numa sociedade marcada pela diversidade e tem como principal objectivo promover a arte como meio de inclusão, uma vez que todos os grupos participantes são constituídos por actores com deficiência. Promove o intercâmbio entre instituições de reabilitação e integração, divulga o trabalho realizado, estimula a criatividade e sensibiliza o público para as capacidades artísticas dos actores e grupos participantes. Em 2007 foi distinguido com o Prémio “Igualdade na Diversidade”, no âmbito do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos. Em 2009 rasgou horizontes e atravessou fronteiras ao assumir a dimensão internacional. Em 2010 o Festival atingiu uma dimensão maior do que ele próprio, com o envolvimento directo da Câmara Municipal de Abrantes numa parceria com o CRIA, uma vez que o Município elegeu o FNATES como um evento representativo para lançar o projecto “Redes do Tejo”, envolvendo a quase totalidade dos municípios da Comunidade Urbana do Médio Tejo e a UDIPSS, no âmbito do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão.

Resultados Concretizar a inclusão pela arte como forma de combater o preconceito social e a discriminação face à diferença têm sido apostas deste Festival, que conseguiu o reconhecimento do público pela qualidade do trabalho desenvolvido.

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Projecto FNATES Festival Nacional de Teatro Especial


A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

Promotor Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação – Núcleo de Inclusão pela Arte (NIA)

Descrição do Projecto Este projecto pratica uma filosofia de inclusão sociocultural através da arte, envolvendo nas suas práticas, indivíduos com e sem necessidades especiais. O processo criativo é sustentado pela formação contínua, apostando no trabalho conjunto com outros profissionais (convidados) e constituindo parcerias com outros grupos e/ou entidades culturais. Este modelo de acção, tem como objectivo a mudança de atitudes sociais face às pessoas com NE, apresentando uma programação contínua de Teatro, enquadrada anualmente no panorama cultural da região autónoma da Madeira. Como artistas e como cidadãos, os indivíduos que integram o elenco deste Grupo de Teatro, têm uma participação activa no meio sociocultural, experimentando novas linguagens, novas formas de olhar o corpo e a sua expressão, desafiando formatos convencionais, envolvendo instituições, cidadãos e profissionais, e cruzando técnicas e competências de pessoas com e sem necessidades especiais.

Resultados - Processo criativo Inclusivo, permitindo a pessoas com e sem necessidades especiais, vivenciarem experiências artísticas conjuntas, tanto na formação como no desempenho, com resultados visíveis na convivência e entreajuda diárias, na confiança mútua e na realização pessoal, manifestas e evidenciadas nos resultados apresentados.

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Projecto Grupo de Mímica e Teatro Oficina Versus (Teatro Inclusivo)


A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

- Conhecimento e análise de algumas das obras literárias mais significativas do painel literário e dramatúrgico, contributos notáveis na formação cultural dos artistas implicados. - Envolvimento numa dinamização cultural activa, dando a conhecer os autores e o desempenho deste grupo de Teatro Inclusivo, ao público em geral e ao público escolar, para quem se apresenta com regularidade, criando também e desta forma uma inclusão e formação de novos públicos. - Contributo nos programas de 2º e 3º ciclo e Secundário, tendo em conta a apresentação de Textos integrantes do Plano Nacional de Leitura “Ler +”, ou outros de leituras aconselhadas ou obrigatórias (Ex: Dom Duardos de Gil Vicente, a estrear no início do próximo ano lectivo) - Experiências partilhadas com outros grupos, em parceria, trocando experiências, desempenhos e processos criativos. - Aumento da visibilidade do grupo, evidenciada pela assistência crescente do público nos espectáculos, em diferentes espaços onde o grupo se apresenta (dentro e fora da Madeira). - Apresentação anual, de um calendário de Espectáculos (2 a 3 produções diferentes), com Estreia e diversas reposições, em itinerância, pelos diferentes concelhos da Ilha, acedendo a diferentes espaços culturais.

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Projecto Grupo de Mímica e Teatro Oficina Versus (Teatro Inclusivo)


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Projecto Grupo de Teatro e Animação da ACAPO de Braga

Promotor Acapo de Braga Descrição do Projecto Este Grupo de Teatro e Animação, que foi constituído em 2004, é composto por 15 elementos sendo que 13 são pessoas portadoras de deficiência visual (cegas e amblíopes). Um dos objectivos principais que esteve na génese da criação do grupo foi o de sensibilizar e valorizar a imagem das pessoas cegas e com baixa visão perante a comunidade, demonstrando a sua capacidade de realização artística e que a cegueira ou a ambliopia não são entraves à representação, levando ao público um espectáculo com um grau de exigência similar aos restantes grupos de produção artística.

Resultados Através deste projecto, obtiveram-se resultados bastante positivos no que concerne ao desenvolvimento global e harmonioso de um grupo de pessoas portadoras de deficiência visual, ao desenvolvimento de atitudes e valores como a tolerância, a liberdade, a amizade, a aceitação, a confiança, a solidariedade, a cooperação e o companheirismo, a promoção duma melhor interacção e inclusão social, autonomia e auto-estima, assim como à promoção da imagem destas pessoas. Para a comunidade em geral a representação das três peças de Teatro produzidas pelo grupo têm-se revelado, através dos testemunhos, comentários e feedbacks recolhidos no final de cada actuação, ser uma iniciativa eficaz na sensibilização sobre a deficiência visual e na promoção das pessoas com este tipo de deficiência sensorial, sendo um importante contributo para o aumento da valorização da imagem das mesmas. Nos locais onde já decorreram actuações, verifica-se mais sensibilidade, receptividade e disponibilidade para apoiar os cidadãos com deficiência visual.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Grupo de Teatro INpressões

Promotor CERCICAPER Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Castanheira de Pera

Descrição do Projecto Grupo de teatro amador, que se encontra uma vez por semana e trabalha no sentido de desenvolver pequenas peças de Teatro a serem apresentadas na comunidade envolvente. Participação em festivais e encontros relacionados com o tema. Deste modo é possivel trabalhar diferentes competências de comunicação/interação, cognitivas e motoras dos participantes, para além de aumentar a visibilidade da pessoa com deficiencia perante a sociedade.

Resultados Convite para apresentação em várias escolas da comunidade envolvente bem como por diferentes instituições por todo o país. Estes convites aumentam a motivação destes atores para dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Desta forma, todas as pessoas podem verificar o que as pessoas com deficiência têm para oferecer.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Grupo de Teatro Raios e Coriscos

Promotor APPACDM do Porto

Descrição do Projecto Grupo de teatro amador, que se encontra uma vez por semana e trabalha no sentido de desenvolver pequenas peças de Teatro a serem apresentadas na comunidade envolvente. Participação em festivais e encontros relacionados com o tema. Deste modo é possivel trabalhar diferentes competências de comunicação/interação, cognitivas e motoras dos participantes, para além de aumentar a visibilidade da pessoa com deficiencia perante a sociedade.

Resultados Convite para apresentação em várias escolas da comunidade envolvente bem como por diferentes instituições por todo o país. Estes convites aumentam a motivação destes atores para dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Desta forma, todas as pessoas podem verificar o que as pessoas com deficiência têm para oferecer.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

Projecto Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos – Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa

Promotor Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa Descrição do Projecto O G.T.T. é um grupo de teatro com fins terapêuticos. O seu objectivo formal consiste em trabalhar um projecto de teatro cujos actores são pessoas com experiência de doença mental e apresentá-lo ao público em geral em salas de espectáculo, que inclui uma conversa/debate final com o público. Em termos terapêuticos, o seu objectivo é, para além de proporcionar prazer e bem-estar aos próprios participantes, envolvê-los no processo dramático e grupal de modo a que consigam ultrapassar dificuldades pessoais e sociais. Deste modo tornam-se mais competentes no desempenho dos vários papéis na sua vida. Pretende-se igualmente levar ao conhecimento do exterior e ultrapassar estigmas ancestrais sobre a doença mental. Ao longo de 42 anos o G.T.T. apresentou 22 peças, entre outras produções.

Resultados Dadas as características do grupo devem-se salientar 2 áreas distintas, mas interligadas: a Terapêutica e a Artística/Cultural. Na área Terapêutica, o que se pretende é a recuperação (recovery) e a (re) integração dos participantes em termos familiares, ocupacionais/profissionais e sociais. Verifica-se que a maior parte dos utentes do GTT participam em 1 ou 2 projectos e de pois prosseguem a sua vida. No domínio Artístico e Cultural, o GTT procura desde sempre a qualidade artística e técnica dos trabalhos apresentados. O resultado disso é um crescente interesse do público em geral e das entidades (da cultura e da saúde), nacionais e internacionais, pelo seu trabalho. Isto permitiu um percurso no sentido da inclusão e um contributo importante para a destruição do estigma da doença mental e dos hospitais psiquiátricos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural

Projecto O Rótulo – Reflexão sobre os direitos do Homem

Promotor OASIS – Organização de Apoio e Solidariedade para Integração Social

Descrição do Projecto Este projecto apoia-se na vertente construtivista, em que independentemente dos diferentes percursos de vida, do estádio de desenvolvimento psicológico e do grau de capacidade de interagir socialmente, cada elemento tem um papel a desempenhar no processo de aprendizagem e na edificação do mesmo. O objectivo foi dar aos intervenientes formação em cidadania e noção de direitos humanos, permitindo-lhes o desenvolvimento de competências, de capacidades de tolerância e de sentido critico e auto-estima, para a construção de um espectáculo de intervenção que tem sido apresentado ao público em variados locais.

Resultados Os participantes desta actividade desenvolveram as suas capacidades de tolerância e o seu sentido crítico, assim como a auto-estima. Conseguiu-se construir um espírito de equipa e complementaridade, assim como a noção de responsabilidade profissional. O feedback tem sido positivo, tendo sido inserido o projecto num programa mais alargado direccionado à população escolar, de sensibilização para a diferença.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Oficina de Teatro - Os amigos do teatro Promotor Joana Cardoso Descrição do Projecto O projecto foi posto em prática em Setembro de 2011, sendo o primeiro ano experiencial. Este projecto pretende proporcionar aos clientes do centro de dia do Centro Nuno Belmar da Costa a possibilidade de participar em aulas de drama e movimento. Estas têm como focos principais as dinâmicas de grupo, a expressão corporal e a gestualidade, no contexto dos quais os utentes podem desenvolver as suas capacidades de escutar, imaginar e criar. A Oficina de Teatro é complementada por idas ao teatro, que permite enquadrar a sua actividade, confrontar-se com formas diversas de expressão dramática e relacionar-se com o meio artístico. A Expressão Dramática, enquanto exercício das capacidades acima mencionadas, e o Drama, como processo e resultado deste exercício, têm como uma das suas características definidoras incentivar a colaboração de todos os participantes. Deste modo, fomentam a união do grupo, ingrediente indispensável para que os objectivos comuns sejam atingidos. A população-alvo a que este projecto se destina tem, na grande maioria dos casos, dificuldades a nível comunicacional, o que torna esta característica ainda mais relevante. O processo de colaboração não tem um padrão ou um método definidos, sendo adaptável às diferentes capacidades de cada um. O objectivo geral é e sempre será melhorar a qualidade de vida dos nossos utentes. Os objectivos especificos são os mais variados: Objectivos individuais: - Promover a auto-estima; - Desenvolver e estimular a imaginação; - Estimular os sentidos e explorar emoções; - Estimular o indivíduo a exprimir livremente os seus sentimentos, desejos e tensões interiores; Objectivos sociais: - Promover a inter-ajuda e a união entre os participantes; - Ajudar os participantes a conhecerem-se melhor, a interagir com o espaço circundante e com as pessoas que os rodeiam; - Privilegiar a interacção com a comunidade no sentido de promover a inclusão social dos clientes e a sua participação na sociedade; - Estimular a fala e a capacidade de comunicar; Objectivos artísticos: - Promover o contacto com a expressão dramática e com a arte de fazer teatro; - Respeito pela consciência artística; Nestes 2 anos lectivos apresentamos 2 Sketchs ("Carta ao Pai Natal" e "We all stand together") e 3 pequenas peças ("Um pequeno pinheiro"; "O Estranho mundo de Jack" e "Uma casa cheia de vida, um lugar priviligiado" ). Participámos nas festas de Natal, no Festival da Primevera e no encerramento das comemorações dos 30 anos da Instituição. A peça "O Estranho Mundo de Jack" foi apresentada no Teatro da Malaposta no âmbito do Festival dos Sentidos, vento realizado pela Cedema em Fevereiro deste ano.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Oficina de Teatro - Os amigos do teatro

Resultados A constante participação activa dos membros desta oficina de teatro, em todo o processo de criação artística dos vários projectos em que estivemos envolvidos, indicam resultados positivos e evolutivos a nível de coesão de grupo e trabalho de actor. A participação no Festival dos Sentidos proporcionou-nos a possibilidade de apresentar o nosso trabalho fora da Instituição e à comunidade, dando um passo em frente na inclusão artística e cultural. A dinâmica do trabalho teatral é conseguida através do trabalho colectivo, da distribuição de papéis e responsabilidades. As reflexões, as revisões, os ensaios, tudo isso contribuiu para um enriquecimento a nível artístico e cultural. A participação na Formação “Laboratório Teatral Inclusivo” permitiu-nos desenvolver um trabalho de exploração e criação teatral, cruzando as experiências profissionais e pessoais dos intervenientes. Foi uma semana de partilha que reuniu técnicos e utentes de diversas instituições de ensino especial, proporcionando assim o intercâmbio entre as mesmas. Apresentação de ambas as dramatizações (Festival da Primavera e Festa de Natal) à comunidade local, familiares e amigos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Retalhos da Vida – Peça Teatral Promotor Associação Cultural de Surdos de Águeda

Descrição do Projecto Este projecto resultou de um desafio da Autarquia Aguedense para a Associação Cultural de Surdos participar activamente no AgitÁgueda 2009, com o objectivo de promover a inclusão de pessoas surdas num evento cultural e, ao mesmo tempo, sensibilizar e consciencializar a comunidade para os seus problemas comunicacionais. O Grupo Teatral da Associação Cultural dos Surdos de Águeda protagonizou “Retalhos da Vida”, uma peça que retrata o dia-a-dia das pessoas surdas, que desta forma expuseram as limitações a que estão sujeitas (incompreensão dos ouvintes e incapacidade de se fazerem compreender), mas que também revelou as potencialidades que elas possuem. A representação teatral foi toda executada em Língua Gestual e traduzida pela intérprete Susana Cortes.

Resultados Os espectadores da peça teatral reagiram satisfatoriamente ao espectáculo. Além do silêncio que caracterizou todo o momento, verificou-se que os próprios observadores procuravam replicar alguns dos gestos dos artistas, tomando consciência da dificuldade dos mesmos. Durante 90 minutos, a Associação transmitiu as suas mensagens de sensibilização em breves momentos teatrais.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Teatro da Nave - Oficinas e Representação Promotor Artenave, Atelier – Associação de Solidariedade Descrição do Projecto O Teatro da Nave – Oficina de Expressão Dramática e Representação, envolve jovens com deficiência que frequentam o Centro de Actividades Ocupacionais ou Cursos de Formação Profissionais da Artenave, bem como alunos do Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira e pessoas da comunidade, com o objectivo de garantir uma ocupação a quem frequenta as valências da instituição e possibilitar uma actividade de Tempos Livres à população local, permitir aos seus participantes a descoberta e o desenvolvimento de competências no domínio da expressão dramática, favorecer o desenvolvimento de competências sociais e atitudes de cooperação e entreajuda e contribuir, através das peças já apresentadas publicamente, para a divulgação e valorização das aptidões das pessoas com deficiência ou incapacidades.

Resultados Ao longo da sua existência, o Teatro da Nave tem dado provas de que constitui uma mais valia para todos os que nele participam e que deles beneficiam. Ao nível individual, este projecto revelou-se um factor importante na promoção da auto-estima e valorização pessoal dos jovens que o integram. Ao dar visibilidade à eficiência para além da deficiência, esta actividade confere-lhes a oportunidade de validar as suas competências junto dos outros e de experimentar o reconhecimento do seu trabalho. Por outro lado, o carácter inclusivo desta oficina tem possibilitado aos utentes da instituição um convívio mais alargado com pessoas da comunidade. Ao nível comunitário, acredita-se que esta experiência tem contribuído para mudanças significativas na percepção da deficiência e consequentemente, para facilitar a integração social dos jovens que frequentam a instituição na comunidade local.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Teatro Fantasia Promotor APPACDM de Santarém Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental

Descrição do Projecto O projecto de “Expressão Dramática e Criação Teatral” teve início em 1996. A primeira, das muitas apresentações públicas que o Grupo tem realizado, quer a nível nacional, quer a nível internacional ocorreu em 1997 com o espectáculo de Gualberto Silva “Circo Fantasia”. Como objectivos este projecto pretende proporcionar às pessoas com deficiência/incapacidade a sua participação efectiva e activa em actividade na área do teatro e preparar/construir/realizar espectáculos de teatro, divulgando-os e apresentando-os na comunidade.

Resultados A participação no projecto tem também proporcionado o domínio de linguagens e técnicas teatrais a par de uma extraordinária valorização pessoal. A participação cultural com espectáculos na comunidade surge como oportunidade privilegiada de integração social e exercício de cidadania efectiva resultando no reconhecimento das pessoas com deficiência com efeito reflexivo nas suas estruturas familiares e na própria associação.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto TocÓ´palco Promotor APEDV – Associação Promotora do Emprego para Deficientes Visuais Centro de Actividades Ocupacionais

Descrição do Projecto Este projecto insere-se numa oficina de teatro que os utentes deficientes visuais do CAO desta instituição frequentaram em 2008. Desde essa data o grupo, constituído por 8 utentes da Instituição e 3 idosos do centro paroquial, já preparou dois projectos com apresentação ao público: uma peça mais destinada ao público infantil e uma peça destinada a todos.

Resultados Esta identidade dá ao grupo um sentido de pertença que eleva a auto-estima de todos os que já fazem parte dele assim como consegue seduzir novos candidatos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto AgitArte as Ideias Promotor C.E.C.D. MIRA SINTRA Centro de Educação para o Cidadão Deficiente Descrição do Projecto Este projecto com vertente de teatro, dança e movimento, visa desenvolver competências ao nível da expressão artística bem como o desenvolvimento de competências cognitivas, afectivo/relacionais e de intervenção, tendo todas elas como domínio de aplicação o próprio sujeito e o que o rodeia. O grupo de Movimento e Dança iniciou a sua actividade em 2003 com 11 clientes do CAO, tendo-se juntado o grupo de drama em 2008 com 10 clientes surgindo assim o AgitArte “as ideias”. As acções desenvolvidas neste projecto têm sido: sessões semanais com cada um dos grupos e apresentações na comunidade. Até à data o Agitarte dança criou 5 coreografias que apresentou ao público em diversos contextos e o Agitarte drama apresentou 1 peça de teatro.

Resultados Ao longo destes anos foram realizadas aproximadamente 25 apresentações na comunidade do Agitarte dança e 1 do Agitarte drama. Em cada actuação sentimos que estamos a promover a socialização, criar a coesão do grupo, trabalhar as competências relacionais e dignificar a imagem da pessoa com deficiência intelectual na nossa sociedade. Temos sentido que o nosso trabalho tem vindo a ser cada vez mais apreciado pelos nossos públicos, reflectindo-se num maior número de convites para apresentações. Nos nossos clientes temos observado: aumento do interesse na actividade; aumento da capacidade de iniciativa, maior receptividade a outras formas de expressão e aumento da auto-estima..

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Bienal Festival dos Sentidos Promotor CEDEMA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Mentais Adultos Descrição do Projecto O Festival dos Sentidos tem como base a Integração pela Arte, permitindo a partilha de experiências e visões de contexto cultural e expressivo entre artistas, pessoas com deficiência, associações/instituições e o público geral. Durante a semana cultural, que se realiza no Centro Cultural da Malaposta, em Odivelas, acontece a divulgação dos diversos trabalhos realizados por pessoas portadoras de deficiência mental, bem como a partilha dos conhecimentos adquiridos pelos utentes da CEDEMA, com o público que visita o Festival. Durante a semana cultural do Festival dos Sentidos são expostos os trabalhos realizados pelos utentes da CEDEMA, paralelamente com demonstrações e workshops relacionados com actividades de expressão artística. Existem também diversos espectáculos musicais e várias apresentações de peças de teatro, tanto da CEDEMA, como de outras instituições ou grupos de teatro.

Resultados A organização, realização e participação neste Festival é uma fonte de inspiração aos utentes da CEDEMA, permitindo a sua expressão emocional pela via artística, seja com base no tema do Festival, seja pela realização de trabalhos livres, a serem expostos, apresentados ou divulgados no certame. A apresentação e exposição destes trabalhos aumentam a auto-estima, confiança, expressão emocional e, como tal, melhoram a integração social dos seus autores, além de permitirem uma divulgação do real valor artístico de cada pessoa responsável por cada peça de arte, permitindo criar um elo de ligação com a sociedade em que estão, cada vez mais, inseridos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Campus Artísticos Promotor Associação do Porto de Paralisia Cerebral Descrição do Projecto Espaço de formação, lazer, criação artística, divertimento, onde são abrangidas diversas linguagens artísticas, teatro, artes plásticas, dança, música e multimédia, criando um elo comum que as unam. Durante sete dias de trabalho é criado um diálogo artístico que culminará com apresentação de um produto final. Os objectivos deste projecto passam pela formação e desenvolvimento da pessoa com deficiência, proporcionando lhe o acesso às artes e à cultura. Identificar igualdade de oportunidades reais nas artes do espectáculo para a pessoa com deficiência, conferir visibilidade e promoção de projectos artísticos de e para pessoas com deficiência, criar futuras parcerias institucionais com grupos ligados às artes do espectáculo e descobrir, estimular e promover a criação artística, são outros dos objectivos desta iniciativa.

Resultados Foi assumido o risco do não convencional e criado um laboratório onde as diferenças individuais se misturam. Deste Laboratório novas experiências surgiram no âmbito do interrelacionamento artístico tendo o campus sido como uma porta que se abriu e mostrou uma nova realidade que engloba um espaço em que a prenoção foi abolida. A dinâmica do campus proporcionou um diálogo inter - artístico, sendo a qualidade artística uma das ferramentas mais importantes. A possibilidade de pesquisa, e da reflexão responsabilizando todo os participantes pelos momentos mais e menos conseguidos, parece-nos dar um grande salto quantitativo na evolução das mentes mais conservadoras, em que o processo criativo deixa de ter “hierarquias” e une as diferenças num processo de um produto artístico, dinâmico em que cada um escolhe a possibilidade de criação como um momento de descoberta projecta no futuro.

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Projecto Companhia do Sótão – Colectivo de Artes da ASMAL

Promotor Associação de Saúde Mental do Algarve – ASMAL Descrição do Projecto Este projecto propôs-se a reabilitar e reduzir na sua população alvo, os danos inerentes às diferentes experiências de doença mental através de processos criativos de intervenção. As dificuldades de relacionamento interpessoal, a tendência para a alienação psicosocial, o embotamento afectivo, a ideação persecutória, a baixa auto-estima, a fraca resistência à frustração entre outras características, sobressaem diariamente entre os elementos do grupo contribuindo para alimentar o estigma presente na sociedade e por conseguinte a exclusão social da população com problemas de saúde mental. Foi com intuito de capacitar os diferentes elementos ao nível da gestão das características acima referidas que justificou a utilização de técnicas de intervenção artística como complemento à terapêutica medicamentosa. Este projecto visou sobretudo promover a reabilitação e a inclusão pela arte. Por conseguinte, com o financiamento atribuído foi possível formar uma equipa técnica capacitada para a criação uma performance intitulada "Pestanejar". Esta consistiu num espectáculo de dança-teatro que foi apresentado em seis ocasiões em cinco locais distintos, nomeadamente, auditório do IPDJ de Faro, Teatro Municipal de Faro, auditório municipal de Castro Verde, de Albufeira e de Vila Real de Santo António.

Resultados Criação, produção e apresentação de um espectáculo de teatro-dança; - Aumento da coesão do grupo; - Interesse, empenho e participação dos utentes; - Estímulo das capacidades mnésicas dos elementos do grupo através da memorização das "frases" de movimento que compõem a coreografia; - Desenvolvimento da coordenação motora dos elementos; Promoção do grupo pelo meio da apresentação do espectáculo; - Estruturação e afirmação psicossocial do grupo; - Obtenção de um nível desejado de receptividade por parte de parceiros e público; - Contribuição para a desmistificação do estigma associado às pessoas com experiência de doença mental; - Fortalecimento dos meios técnicos do projecto, através da aquisição de equipamento profissional;

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Projecto Corpo Evento – Ciclo de Espectáculos em Teatro e Dança

Promotor Espaço T – Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária

Descrição do Projecto O Corpo Evento é um ciclo de espectáculos em teatro e dança que pretende dar a conhecer ao público em geral a consolidação dos projectos ao nível da expressão dramática e corporal desenvolvidos pelo Espaço t no conjunto das actividades lúdico – terapêuticas. Estes projectos têm como objectivo potenciar capacidades criativas, sociais e comunicacionais em pessoas com dificuldades de integração social, desenvolvendo a sua auto-estima e auto-conceito. Realizado desde 1998, criou já um publico assíduo que segue este evento. Este projecto tem igualmente por base a criação de novos públicos, permitindo a pessoas que normalmente não têm acesso a este tipo de actividades culturais o possam fazer. Aqueles que muitas vezes são considerados incapazes, demonstram aqui que a arte de representar não é apenas atributo dos ditos normais, mas sim de todos aqueles que sentem, vivem e comunicam, independentemente das suas particularidades físicas, psíquicas ou sociais.

A população alvo do projecto é constituída por 70 participantes, que na sua maioria são portadores de deficiência mental e/ou física e provenientes de diversas instituições do distrito do Porto, incluindo o Espaço T e CERCI Gaia, Instituto S. Manuel, Centro Costa Cabral, Centro Condessa Lobão, Centro Latino Coelho e APPACDM Trofa. Envolve também famílias e técnicos/as, bem como aqueles/as que pretendam fazer parte de um projecto que assenta num modelo integrador e transversal. A metodologia empregue suporta-se sobretudo em métodos activos/participativos, através da realização de 7 grupos-arte nas áreas de teatro e expressão corporal, baseados no modelo HUMA. Os/as participantes integrarão os 7 grupos, frequentando aulas semanais ao longo dos 9 meses que antecedem a apresentação do produto final, o Corpo Evento, um ciclo de espectáculos em teatro e dança.

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Projecto Corpo Evento – Ciclo de Espectáculos em Teatro e Dança

Resultados A promoção, em simultâneo, da interacção entre os públicos das diferentes instituições, através do envolvimento em diversos espectáculos de teatro e dança, potenciando competências criativas, relacionais e comunicacionais, dando a possibilidade a estas pessoas de uma participação activa, enquanto cidadãos de pleno direito para questões de índole sociocultural

Como resultados evidentes destacam-se os seguintes:

- Envolvimento de 1000 espectadores no Ciclo de Espectáculos em Teatro e Dança, com uma média de 90 por dia; - Participação dos 70 participantes, enquanto actores/actrizes, nos diversos espectáculos a desenvolver; - Elaboração de 500 brochuras, 3 mil convites, 250 cartazes e 100 muppies; - Realização de 7 espectáculos de teatro e dança resultantes dos trabalhos desenvolvidos ao longo do ano nos ateliês de teatro e expressão corporal do Espaço t; - Solidificação de parcerias; - Apresentação de 3 espectáculos, de instituições ou companhias convidadas, que desenvolvam trabalhos na área da dança ou teatro, em particular com públicos da área da deficiência e/ou saúde mental.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto CriArte Promotor Centro de Reabilitação de Ponte de Lima da APPACDM de Viana do Castelo Descrição do Projecto O CriArte é um projecto que se realiza desde o ano 2000 em Ponte de Lima, partindo do princípio da importância que a criação artística tem no desenvolvimento humano, através da promoção da valorização pessoal, autoconfiança e auto-responsabilização. As acções desenvolvidas incluem: Exposição de pintura/escultura/fotografia/artesanato/outros em diferentes materiais (nomeadamente materiais recicláveis) e espectáculos de rua e em sala, conferencias, workshops, nas quais participam amadores e profissionais de diferentes áreas (com e sem deficiência). Os principais objectivos passam por, promover a criatividade através de diferentes formas de expressão artística, facilitar a utilização da arte como mediador terapêutico na consciencialização e partilha de emoções, permitir uma maior interacção com (e na) comunidade, potencializar os recursos locais e regionais com a participação activa da comunidade e promover a Pessoa em toda a sua envolvência.

Resultados Ao longo das várias edições do CriArte tem-se verificado maior abertura da comunidade para praticas artísticas inclusivas, melhorando assim a integração e participação comunitária das pessoas com deficiência. Esta maior abertura tem-se traduzido na crescente afluência de visitantes / espectadores não só do concelho como de todo país conquistando novos parceiros em cada realização. Tem deste modo trazido à comunidade limiana experiências diversificadas, permitindo, em Igualdade de Oportunidades para todos, vivenciar, experimentar ou simplesmente observar. Os resultados são aferidos através de um questionário de satisfação dirigido aos participantes do projecto, os quais tem sido muito positivos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Espaço ContagiAR.TE Promotor Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal Descrição do Projecto O Espaço CONTAGIAR.TE (criatividade e arte para a reinserção social) é um espaço de intervenção comunitária através da arte para o desenvolvimento social e o combate ao estigma da doença mental, integrado nos serviços de Reabilitação Psicossocial da Casa de Saúde do Telhal. Abraçando as mais variadas linguagens artísticas (artes plásticas, dança, escrita e poesia, fotografia, grafiti, música, teatro e vídeo), com o apoio de artistas, conceituados ou em início de carreira, promove actividades criativas que possibilitem a elaboração conjunta de uma obra partilhada entre diferentes gerações, diferentes camadas sociais e pessoas com e sem doença mental, para (re) formular mentalidades e promover a (re) descoberta do potencial criativo da diferença. Em actividade desde 2003, tem realizado acções abertas a toda a população, dos 8 aos 88 anos, com ou sem doença mental, em articulação directa, tais como concursos de criatividade, exposições de artes plásticas, feiras de artesanato, oficinas criativas, residência artística, animação do conto, curtas-metragens, encontros científico-culturais, e lançará brevemente um caderno de poesia.

Resultados Junto das crianças, jovens e adultos que têm participado nas nestas actividades tem-se observado manifesta alteração de atitudes face à pessoa com doença mental, com expressão de positiva surpresa e descoberta do potencial criativo e humano da população com doença mental com a qual interagiram na experiência criativa, e a valorização do encontro e da relação estabelecida (e algumas vezes mantida). Em todos os participantes, observou-se o desenvolvimento da motivação para continuar a envolver-se em actividades criativas e artísticas, e para procurar novas oportunidades de interagir com o outro diferente de si, quer se tratasse de um participante vindo da comunidade envolvente, quer de um utente dos serviços de Saúde Mental. Para alguns utentes de serviços de Reabilitação e Saúde Mental, a participação nas actividades abriu portas para outras participações noutros contextos; para outros, resultou em oportunidade concretizada de actividade profissional remunerada. Para todos, participantes, artistas ou equipas técnicas, estimulou o desenvolvimento a que apenas a Diferença é capaz de apelar.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Está na Hora Promotor Luís Baião | CERCIGAIA Descrição do Projecto “Está na Hora” é um projecto para com alunos e clientes das respostas sociais da instituição que pretende desenvolver actividades nas áreas das expressões artísticas (musical, plástica, dramática e corporal) direccionadas ao público infanto-juvenil, promovendo assim a inclusão e as capacidades das pessoas portadoras de deficiência. O projecto contempla cinco áreas: “A Hora do Conto” – que pretende levar às escolas uma história original de Luís Baião ilustrada pela Marta Sampaio, uma jovem da instituição portadora de paralisia cerebral. O objectivo no final é proporcionar um debate sobre a vontade humana na luta contra as adversidades da vida. “A Hora da Borrada” – workshop sobre Van Gogh que acaba em pintura colectiva. “A Hora da Movida” – grupo de DJ´s da Cercigaia que anima festas “A Hora da Rockada” – uma banda composta por alunos, clientes e funcionários da instituição que compõe musicas originais a partir de poemas de autores portugueses e que é o mote para falar de poesia, “A Hora do Teatro” – um grupo de teatro que conta já com duas peças originais, uma delas em coprodução com a APPC do Porto. Este projecto está assente num conceito de sustentabilidade. Os donativos eventualmente recolhidos no desenvolvimento destas acções são geridos pelo grupo de duas formas: por um lado destinam-se a investir em materiais com o objectivo de realizar novos ou melhorar os workshops existentes; por outro lado destinam-se a proporcionar actividades escolhidas pelo grupo que de outra forma seriam difíceis de concretizar.

Resultados Desde a existência do projecto com o reforço da auto estima via exposição pública e reconhecimento do esforço que os clientes aplicam nas actividades, que se verifica uma maior autonomia e uma aquisição de competências e automatismos, necessários para o desenvolvimento deste trabalho. Por outro lado existem também resultados do lado do público com quem interagimos. Segundo relatos dos professores e até de alguns pais a aceitação pela diferença é notória.

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Projecto Extremus – Festival Internacional de Expressões Teatrais, Musicais e Dança

Promotor Associação do Porto de Paralisia Cerebral

Descrição do Projecto Tendo começado inicialmente em 1999 com a participação apenas de grupos nacionais, rapidamente e face ao sucesso obtido, manifesto quer pelo público quer pelas instituições/companhias envolvidas, cresceu no ano de 2000 para um Festival Internacional, alargando o número de performances e os dias do evento. Ao Festival acrescentou-se um espaço especialmente vocacionado para o público infantil denominado Extreminhus, e um espaço de formação e troca de experiências através da realização de vários workshops.

Resultados Nestes últimos anos o EXTREMUS apresentou em palco 59 companhias/grupos de pessoas com deficiência, 69 espectáculos de criação em dança, teatro, multimédia e música. O pú b l ic o d e a no p ar a a n o tem v i nd o a a um ent ar ( des d e 1 9 99 qu e m ais d o qu e q u adr u p l ic o u) , é h e ter o gé n eo e a n ón im o, c o m um a en or m e te n dê nc ia a f i d e l i zar - s e a o e ve n to . P or t o das as s i ner g i as qu e s ó as li n gu a g ens da c u l tur a ou d a ar t e per m i tem r e un ir , a or g an i za ç ão d es t e e ve n to es t á c on v ic ta d e qu e es t e é um d os m elh or es c am in hos d e i n te gr aç ã o e inc l us ã o s oc i a l.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Festival de Expressões Promotor CERCIDIANA – Cooperativa para a Educação, Reabilitação e Inserção de Cidadãos Inadaptados de Évora, C.r.l.

Descrição do Projecto O Festival de Expressões conta com sete edições que se realizam anualmente. Baseia-se na apresentação de espectáculos de teatro, musica e dança, performances de teatro e animação de rua em locais públicos. Este Festival consiste num encontro entre varias organizações que desenvolvem trabalho na área artística com as pessoas com deficiência. O projecto promove os seguintes princípios: o principio da inclusão na medida em que integra pessoas pessoas com e sem deficiência. Há um envolvimento de toda a comunidade neste projecto. As acções são desenvolvidas em diversos espaços públicos, frequentados por todos os cidadãos; Principio da não.descriminação: este projecto salienta a capacidade de realização das pessoas com deficiência, pretendendo sobretudo que a comunidade as veja, não pela perspectiva da incapacidade mas na óptica da competência; Principio da igualdade de oportunidades: este princípio é promovido essencialmente a nível cultural, pois as pessoas com deficiência são agentes na produção artística. É também uma mais-valia deste projecto a capacitação das pessoas com deficiência para o exercício dos seus direitos na medida em que o trabalho que está na base da elaboração dos materiais de divulgação e nas apresentações artísticas sobre são realizados pelos próprios. São inclusivamente as pessoas com deficiência o veiculo de transmissão destas mensagens à comunidade significando empoderamento.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Festival de Expressões

Resultados Das avaliações sucessivas, realizadas nas edições anteriores os resultados têm sido bastante positivas. Esta avaliação consiste na apreciação da satisfação ao nível dos participantes, do público, das entidades envolvidas, do número de espectadores e da recolha de testemunhos. Consideramos que por via deste evento contribuímos para a consciencialização da comunidade para a existência dos direitos das pessoas com deficiência provocando um debate informal na opinião pública. É também a oportunidade charneira de exibir o trabalho desenvolvido pelas pessoas com deficiência pela forma de materiais artísticos que se diluem com as competências de qualquer cidadão vocacionado para a arte.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto História Extraordinária de gente pouco ordinária Promotor Artenave Atelier – Associação de Solidariedade Descrição do Projecto O projecto envolveu a participação de 5 utentes do CAO da instituição, 2 colaboradores internos, com a finalidade de construir e editar um livro infantil. O processo de recolha e estruturação do material literário (texto) e gráfico (ilustrações) foi operacionalizado através da realização de sessões individuais e em grupo com os utentes. O desenvolvimento das sessões foi orientado pelo psicólogo e pela monitora do Ateliê de Expressão Plástica da instituição. O projecto teve por objectivos principais “cristalizar” num produto permanente e acessível a todos as expressões individuais e colectivas dos utentes envolvidos, bem como divulgar as competências de pessoas com deficiência para comunicar ideias e emoções através da expressão oral, escrita e desenho. O produto final pretendia ser o reflexo do imaginário dos utentes, pelo que o papel dos intervenientes consistiu em maximizar a sua participação e estruturar a matéria-prima produzida pelos participantes, excluindo qualquer intervenção no sentido de aperfeiçoar a sua qualidade. O projecto contemplou, por fim, a edição do livro, bem como a sua distribuição a infantários, ATL’s e escolas do concelho, bem como a outras entidades/instituições identificadas através das parcerias do projecto.

Resultados Livro "O Mundo de Lucas". (disponível para quem o desejar adquirir) Internamente o projecto mobilizou os autores e, com estes, os demais utentes de CAO para a continuidade de actividades, plásticas e de animação, à volta do “Mundo de Lucas”: Foram já concebidas maquetas do personagem nas suas diferentes situações a serem reproduzidas e preparada uma canção a ser interpretada nas sessões de divulgação do livro, sobretudo nas escolas. No exterior, o acolhimento por parte da Câmara Municipal, inclusive do senhor presidente, assegurou não só a divulgação, mas a continuidade das actividades pedagógicas associadas ao projecto, em concreto ao livro e à história.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto História do pincel mágico Promotor Isabel Bernardes Silva – – Monitora de Cerâmica e Artes Plásticas na CEDEMA

Descrição do Projecto A História do Pincel Mágico foi escrita pela ceramista Isabel Silva com base nos diálogos e experiências diárias, nas esperanças e frustrações sonhos e objectivos dos alunos da Oficina das Artes do CAO da CEDEMA. A história, que gira em torno dos sonhos de uma artista plástica, portadora de deficiência mental, transformado em duras realidades por um dos seus pincéis que é magico, dá origem à construção das personagens e cenários em Teatro de Marionetas e trabalhado como teatro de rua com ensaios em espaços públicos, e apresentação da peça no Festival dos Sentidos. Todas as marionetas e cenários são produzidos pelos alunos desta Oficina. Foi trabalhada a reciclagem, construindo-se as personagens com pasta de papel e os cenários com desperdícios.

Resultados Todos os alunos têm adquirido confiança e autonomia e são conduzidos ao raciocínio através das múltiplas experiências sensoriais, que lhes possibilitam o prazer da criação e o desenvolvimento da criatividade, através da experiência e aperfeiçoamento de técnicas e práticas artísticas. O único objectivo deste trabalho é o desenvolvimento das capacidades artísticas dos alunos e o seu reconhecimento e gratificação pelo público.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Navegar com os sons Promotor APPACDM de COIMBRA – Unidade Funcional de Montemor-o-Velho

Descrição do Projecto Este projecto tem uma componente pedagógica de motivação para aspectos importantes da expansão marítima portuguesa. Tem, também, uma componente lúdica levada a cabo pelo Grupo Instrumental Orff que nos transporta, por instantes, para sonoridades da música (tradicional) portuguesa; da música (tribal) africana e da música oriental, do Japão. O Oriente assume-se como uma viagem que paira no horizonte. Viagem cheia de dificuldades e perigos. Sobre os navios caem tempestades violentas. Muitos homens morrem atacados pelo escorbuto. Mas os portugueses vencem todos os perigos, orientados pela bússola e pelo astrolábio. Objectivos: Contribuir para a Qualidade de Vida dos intervenientes – jovens com deficiência intelectual; Promover a aceitação da diferença; Fomentar a socialização. Dar a conhecer aspectos importantes da expansão marítima portuguesa; Aumentar a motivação e interesse por poetas/escritores portugueses; Motivar os ouvintes para a audição de música da época dos descobrimentos; Divulgar a música de compositores/intérpretes portugueses; Estar receptivo a diferentes formas de música. Acções desenvolvidas: duas aparições públicas no Teatro Esther de Carvalho, em Montemor-o-Velho em Dezembro de 2011, uma por ocasião da Festa de Natal da Unidade Funcional de Montemor-oVelho, da APPACDM de Coimbra e outra por ocasião da Comemoração dos 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Navegar com os sons

Resultados Ainda hoje se verifica que os indivíduos com deficiência intelectual sofrem um estigma devido à ignorância, preconceitos e tabus acerca das suas capacidades. Um meio de desmitificar esse estigma pode ser através da participação efectiva em actividades culturais que envolvam as artes de palco. Este projecto veio contribuir para minimizar esse estigma. Por outro lado, o “Navegar com os Sons” promove o princípio de inclusão nomeadamente integrando os cidadãos deficientes com pares não deficientes na concepção e execução do próprio espectáculo; proporciona, ao mesmo tempo, o contacto com o público assistente que é muito diversificado. Trata-se de um espectáculo acessível a todos grupos sociais respeitando na sua plenitude o princípio da inclusão. Todos os jovens com deficiência intelectual intervenientes no projecto sentem uma grande satisfação pessoal nos dias em que se deslocaram ao meio exterior, considerando-se cidadãos capazes de mostrar aos pares não-deficientes que têm capacidades e que, portanto, são cidadãos válidos. O grupo de trabalho do “ Navegar com os sons” considera imprescindível proporcionar aos indivíduos com quem trabalha actividades que demonstrem em público o seu potencial criativo, artístico e intelectual, não só para benefício próprio mas, também, para enriquecimento da comunidade. Visto que, nestes jovens, o acesso a este tipo de actividades de maior visibilidade e contacto social está limitado estamos convictos que a apresentação deste espectáculo minimiza estas barreiras sociais.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Pote Vazio Promotor APPACDM de Coimbra Descrição do Projecto O Projecto «Oriente» foi criado no âmbito da V Gala da APPACDM de Coimbra, que decorreu em 2009, no teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra. É um projecto bastante inovador, quer pela temática que aborda – o Oriente, quer pelos valores que preconiza - a honestidade, a verdade, a justiça – como pelos intervenientes que utiliza – 55 cidadãos com incapacidade intelectual. Tendo como base o espírito da tradição oriental, o espectáculo “Poete Vazio” foi construído tentando conciliar as diferentes formas de expressão artística omo a música, a dança, o teatro e a poesia. Promover a imagem da pessoa com deficiência mental através das suas capacidades; estabelecer o intercâmbio cultural, diminuir eventuais barreiras de pré-conceitos perante a pessoa portadora com deficiência mental; dar a oportunidade aos utentes de vivenciarem o palco como meio de comunicação com o público, são os objectivos deste projecto, que tem sido apresentado em várias cidades, com grande sucesso junto do público que modifica a sua ideia sobre deficiência após as actuações realizadas.

Resultados Este projecto tem tido resultados bastante positivos para a qualidade de vida destes indivíduos. Fica assim demonstrada a importância das expressões artísticas, como a música, o teatro, a dança na harmonia e bem-estar físico e psíquico dos seus participantes. É, também, intenção pedagógica deste grupo de trabalho potenciar nos cidadãos com incapacidade intelectual com quem trabalha as suas capacidades. Outro dos resultados deste projecto tem sido contribuir para esbater os preconceitos relativos à incapacidade intelectual. Após a performance do grupo as reacções do público alteram-se, positivamente, o que torna possível inferir que houve modificação dos seus comportamentos antes e após as actuações realizadas. A alteração da percepção dos ouvintes durante os espectáculos parece influenciar de forma, bastante, significativa todos os intervenientes, que depositam todo o seu empenho, em cada espectáculo e, vão, melhorando, cada vez mais o seu desempenho.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Tempo de ser Promotor Centro de Reabilitação e Integração de Fátima Descrição do Projecto Grupo de artistas com deficiência intelectual e outras associadas que num espaço com intervenção de TSEER e Psicóloga transformam tempo em vida, em arte, num momento especial em que cada um pode ser o que quiser, porque neste espaço o Tempo é De Ser. O Grupo de Teatro/Dança “Tempo de Ser” surgiu como uma intervenção terapêutica do CRIF dinamizada por uma psicóloga e uma técnica superior de educação especial e reabilitação. Os principais objectivos são a estimulação do movimento criativo e da espontaneidade do corpo; desenvolver a expressão corporal e dramática como meio de comunicação de sentimentos e emoções; valorizar as capacidades expressivas dos nossos clientes; promover a ligação entre o concreto e o abstracto através do movimento do corpo; desenvolver noções de espaço interpessoal; compreender jogos de comunicação verbal e não verbal; estimular atenção, concentração e memória e o relacionamento interpessoal. O objectivo último é a inclusão dos clientes, levando as artes da dança e da representação a espaço e festivais que nos aproximem da comunidade.

Resultados Desde que este projecto foi iniciado têm sido evidentes os ganhos dos clientes, sobretudo ao nível do relacionamento interpessoal, expressão de sentimentos e expressão corporal. A intervenção neste domínio faz toda a diferença no trabalho com esta população. A inclusão acontece no momento em que sobem ao palco e sentem o reconhecimento da comunidade. Sempre que possível procuram integrar nos espectáculos um artista da comunidade de forma a que os clientes contactem, se aproximem, aprendam e se identifiquem com alguém que faz da arte a sua forma de vida.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Toca a (En) cantar Promotor APPACDM de Coimbra

Descrição do Projecto O Projecto TOCA A (EN) CANTAR é uma produção colectiva da APPACDM de Coimbra que surgiu em 2011 com a finalidade da realização de digressões a nível regional e nacional da peça de teatro musical “Toca a (en) cantar”, tendo como objectivo a promoção da imagem da pessoas com deficiência mental através das suas capacidades. O projecto contou com a fase de concepção, ou seja, a escolha e teatralização do conto, a selecção das danças e a composição das músicas envolvidas. O respectivo guião da peça foi apresentado ao escritor António Torrado, autor do conto “ Toca que toca, dança que dança” que autorizou a sua utilização.

Após a selecção dos papéis teatrais e a experimentação in loco, contaram com a orientação do actor e encenador Marco Paiva, do CRINABEL Teatro. É um projecto bastante inovador quer pela forma como são apresentados determinados valores humanos - a solidariedade, a cooperação, a resiliência – como pelos intervenientes que os preconizam – cidadãos com deficiência mental. Ao longo de 45 minutos de espectáculo pretende-se dar continuidade à tradição portuguesa dos contos orais. Para isso foram recriadas tonalidades e timbres dramático-musicais daqueles tempos. A banda musical que suporta a actuação dramática é constituída por timbres diversificados (como o acordeão, a flauta de bisel, o órgão, o trompete e alguns instrumentos Orff) contribuindo para uma interacção eficaz entre actores e músicos. Todo o guarda-roupa deste teatro musical retrata os usos e os costumes da tradição portuguesa e das suas especificidades, quer nos adereços como nos acessórios. Este trabalho resulta do esforço conjunto, que concilia a participação, de quatro pólos da APPACDM de Coimbra, nomeadamente, o Centro de Actividades Ocupacionais de S. Silvestre, a Unidade Funcional da Tocha, a Unidade Funcional de Arganil e a Unidade Funcional de Montemor-o-Velho, num total de 49 intervenientes.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Toca a (En) cantar

Resultados Através deste projecto tenta-se demonstrar a importância das terapias expressivas, como a música, o teatro e a dança na harmonia e bem-estar físico e psíquico dos seus participantes. É também intenção pedagógica deste grupo de trabalho potenciar as capacidades dos cidadãos com deficiência mental com quem trabalha. E porque a Qualidade de Vida do deficiente mental também se faz através da dinamização de actividades culturais, é necessário que cada vez mais emirjam grupos similares a este que possibilitem àqueles indivíduos alcançar uma plena satisfação e realização pessoais. Do ponto de vista do público pode-se observar que após a performance do grupo as reacções alteraram-se positivamente, o que torna possível inferir que houve modificação dos seus comportamentos antes e após as actuações realizadas. A alteração da percepção dos ouvintes durante os espectáculos parece influenciar de forma significativa os intervenientes que depositam todo o seu empenho em cada espectáculo e melhoram cada vez mais o seu desempenho. Na globalidade, todos os clientes intervenientes na actividade TOCA A (EN) CANTAR sentem uma grande satisfação pessoal nos dias em que se deslocaram ao meio exterior, considerando-se cidadãos capazes de mostrar aos pares não deficientes que têm capacidades e que, portanto, são cidadãos válidos.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Um Outro Olhar Promotor Câmara Municipal e Equipa DAP de Vila do Conde (Deficiência, Abordagem Plurinstitucional) Descrição do Projecto Projecto organizado no âmbito do trabalho desenvolvido na problemática da deficiência e integrado no Programa de Comemoração da Pessoa com Deficiência, com início em 3 de Dezembro e terminus em Maio, é uma iniciativa que envolve jovens com deficiência das duas instituições do Concelho (MADI de Vila do Conde e Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde – Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência de Touguinha) e alunos de duas das cinco Escolas EB 2,3 existentes, que anualmente e de forma alternada participam. Trata-se de uma iniciativa que proporciona momentos únicos e irrepetíveis e que revela o potencial criativo das pessoas com deficiência e de quem com elas trabalha diariamente. É um instrumento de sensibilização e consciencialização de toda a comunidade para a inclusão das pessoas com deficiência. Este espectáculo, onde a música, a dança e a representação se cruzam, ocorre sempre em Maio, num auditório superlotado, proporcionando magníficos momentos repletos de cor, graciosidade, alegria, com ocasiões de grande emoção e sensibilidade, onde ninguém fica indiferente à mensagem que estes jovens e “pequenos actores” a todos transmite, exemplo bem demonstrativo de que todos somos capazes.

Resultados “UM OUTRO OLHAR” é uma manifestação artística e cultural que tem já um espaço conquistado na comunidade de Vila do Conde, quer pelo crescente público que atrai, quer pela cumplicidade que se estabelece entre os participantes, a assistência e quem com eles trabalha. Esta iniciativa gera um forte envolvimento entre as pessoas com deficiência, os profissionais que com eles trabalham, a comunidade educativa onde estão inseridos e potencia elos de proximidade e inclusão não só com quem convivem no dia-a-dia, mas também com a comunidade em geral que “descobre” as capacidades que apresentam, incluindo muitas vezes, a descoberta pela própria família.

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4. Acesso a Bens Culturais

Assegurar às pessoas com deficiência as condições de acesso às indústrias culturais (como as de música, cinema e televisão entre outras) e às instituições culturais (como os museus, auditórios de música, centros culturais, galerias de arte e teatros), é condição essencial de garantia plena da cidadania dessas pessoas, uma vez que representa o direito à liberdade, ao lazer e a todos os bens e valores imprescindíveis à sua inclusão social.

No entanto, é sabido que numerosos obstáculos sociais, físicos e comunicacionais impedem a plena fruição dessas indústrias e desses espaços culturais, quer pelas inúmeras barreiras arquitectónicas, quer pela falta de estratégias comunicacionais alternativas, quer ainda por atitudes préconcebidas face às pessoas com deficiência, tanto por parte do pessoal responsável como do público em geral, que as impedem de desfrutar autonomamente das experiências enriquecedoras que o contacto com a criação de outros lhes proporcionam.

Embora esta seja ainda uma realidade, felizmente, a sensibilidade para este assunto, por parte dos responsáveis, é cada vez maior, encontrandose já muitos espaços acessíveis a pessoas com necessidades especiais.

Somente com essas preocupações, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência será plenamente respeitada, especialmente porque ela impõe que estas pessoas sejam cidadãos completamente integrados na sociedade. 95


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4.1. Projectos como Exemplos de Boas Práticas

A existência de museus, galerias, salas de espectáculos, centros culturais não faria sentido se não houvesse público. São lugares de encontro entre os artistas e as pessoas. São espaços de estímulo, diálogo, confronto, emoções; espaços de descoberta, aprendizagem, entretenimento. São também espaços onde as pessoas entram de livre vontade e não por obrigação; e são também livres de gostar de experiência ou não, de voltar ou não. A preocupação em criar acesso a estas experiências para cada vez mais pessoas tem a ver com a missão desses espaços, a sua razão de existir; mas é também uma necessidade.

A fruição das artes é um direito das pessoas. As nossas instituições estão ao serviço deste direito. Existem não só para aqueles com hábitos de frequentação, como também para aqueles que não têm este hábito, ou porque apreciam outras formas de participação cultural ou porque essa participação nunca fez parte da vida deles e por isso desconhecem-na ou consideram-na irrelevante. Construir pontes, dialogar com as pessoas, conhecê-las melhor, dar a conhecer a nossa oferta, procurar adaptá-la a diferentes necessidades e conhecimentos são algumas das formas através das quais as instituições culturais procuram cumprir a sua missão. Por outro lado, é também uma necessidade. Se não nos preocuparmos com a renovação, o alargamento e a diversificação dos nossos públicos, vamos estagnar. Estaremos todos a trabalhar para as mesmas pessoas e chegará o momento, se não chegou já, em que a oferta será superior à procura. Não haverá público para todos os espectáculos, exposições, concertos e outros eventos que produzimos.

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Não existem formas mais ou menos legítimas de fruição e criação artística e cultural. As pessoas são livres de escolher a que melhor responde às suas necessidades e interesses. Mas nós estamos no ‘negócio’ da experiência ao vivo, acreditamos no seu valor, queremos mantê-lo vivo, trabalhamos para que as pessoas possam usufrui-lo. No entanto, a forma como o temos feito continua a demonstrar algum distanciamento e desconhecimento do ‘outro’ e também alguma arrogância. Posicionamo-nos como guardiões únicos e absolutos da ‘verdadeira cultura’, daquela que tem qualidade e valor. Muitos de nós continuamos satisfeitos em trabalhar para e com os ‘poucos, mas bons’, os entendidos, os iniciados; e eles também apreciam este estatuto e, não poucas vezes, reagem a qualquer tentativa de abertura por parte da instituição, àquilo que consideram popularização e baixar de nível. Por outro lado, também muitos de nós advogamos o ‘acesso’, mas o acesso àquilo que nós definimos como cultura válida. E se procurássemos conhecer melhor as comunidades nas quais estamos inseridos? E se abríssemos os nossos espaços (que são também os delas), envolvendo-as, criando conforto (físico, psicológico e intelectual) e um sentimento de pertença? E se desenhássemos juntamente com elas a nossa programação? E se fossem elas os artistas?

(Vlachou, Maria*. Mudanças: Estaremos suficientemente atentos? Em: «http://musingonculture-pt.blogspot.pt/2011_02_01_archive.html» Acesso em: Setembro de 2012).

* Mestre em Museologia (University College London, 1994), com tese sobre a temática do marketing de museus. Directora de Comunicação do São Luiz Teatro Municipal desde 2006. Membro dos Corpos Gerentes do ICOM Portugal (International Council of Museums) desde 2005. Membrofundador do GAM – Grupo para a Acessibilidade nos Museus. 97


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Projecto Arte Acess

Promotor ANACED – Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência

Descrição do Projecto Projecto piloto desenvolvido em 1997 pela ANACED, Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência em parceria com o IPM, Instituto Português de Museus, o IPPAR, Instituto Português do Património Arquitectónico e a ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e com o apoio da Comissão Europeia, no sentido de criar condições de acessibilidade para cegos e surdos nos Museus Nacionais de Arte Antiga e dos Coches, em Lisboa, no Museu de José Malhoa nas Caldas da Rainha e no Palácio Nacional de Queluz.

Resultados No âmbito deste projecto foram feitos vídeos em que a informação sobre os edifícios e as colecções foram também fornecidas em língua gestual. Plantas dos museus e palácio em relevo e textos sobre a história dos edifícios e das colecções foram disponibilizadas em Braille, bem como em formato ampliado. Foi também elaborada a miniatura de um coche.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Arte em Movimento – O Expandir da Cor Promotor Museu Municipal Jorge Vieira de Beja Descrição do Projecto Esta iniciativa surgiu com o pretexto de juntar um conjunto de artistas de vários municípios, entre eles o pintor Florival Candeias, cliente da CERCIBEJA, para exporem as suas obras num ano de itinerância, dando, assim, espaço de participação a artistas de relevo que, de outra forma, não teriam a oportunidade de apresentarem a sua obra, de forma mais generalizada, a novos públicos, a novos olhares.

Resultados - Criação de conjunto de oportunidades de participação para a pessoa com deficiência e/ ou incapacidade; - Direito de participação em igualdade de condições, na vida cultural, usando as suas potencialidades artísticas e intelectuais e colocando-as na sociedade como uma mais valia para a mesma; - Participação na sociedade através do seu valor artístico conduzindo à atenção da comunidade; - Contribuição para inclusão social das PCDI, através da sua arte, na participação destas na vida da comunidade.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Border Control Promotor Serviço Educativo da Casa da Música Descrição do Projecto Projecto artístico e educativo que consistiu numa nova criação, dentro da área do teatro musical, orientada por Tim Yealland e Rachel Leach. Pretendeu-se explorar o papel da música enquanto instrumento de comunicação, reabilitação, geração de afectos e integração de todos os indivíduos. Foi desenvolvido um conjunto de sessões exploratórias e de criação colectiva, envolvendo cerca de 25 utentes da CERCIGaia. O processo culminou com 2 espectáculos apresentados no "Ao Alcance de Todos 2010", uma semana temática levada a cabo todos os anos, em Abril, pelo Serviço Educativo da Casa da Música, dedicada à música, tecnologia e necessidades especiais. Trata-se de uma formação promovida pelo Serviço Educativo da Casa da Música que visa preparar músicos para o desenvolvimento de actividades musicais com comunidades diversas. Com a duração de um ano lectivo, esta formação assenta na construção de experiências musicais e performativas fortes e no trabalho de reflexão que essas experiências potenciam.

Resultados O resultado mais visível e concreto traduziu-se nos 2 espectáculos apresentados na Casa da Música em Abril de 2010. Para além disso, o projecto permitiu uma integração de indivíduos provenientes de contextos muito diversos, cruzando músicos profissionais e pessoas com deficiência num mesmo projecto com objectivos comuns. Em relação aos formandos do 5º Curso de Formação de Animadores Musicais, o projecto permitiu o desenvolvimento de experiências efectivas de trabalho artístico com um grupo de pessoas com necessidades especiais, aumentando assim o seu leque de experiências que estarão na base de um exercício efectivo da animação musical no futuro. Relativamente à CerciGaia, os seus utentes puderam vivenciar uma experiência artística muito significativa e gratificante, a qual irá servir como factor de inspiração e como modelo para projectos artísticos futuros que sejam organizados a nível interno nesta instituição. Por outro lado, incrementou os níveis de autoestima dos utentes, através do reconhecimento da qualidade artística do espectáculo e do trabalho realizado por parte do público que pôde assistir. Quanto ao colectivo R de Nós, a experiência traduziu-se numa vivência plena da arte ao serviço das pessoas.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Cerâmica com Pés e Cabeça Promotor Museu da Cerâmica Descrição do Projecto Das acções desenvolvidas destacam-se as sessões na Oficina Cerâmica, onde os jovens do Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor executam novas obras criativas usando técnicas de trabalho simples e pastas diversificadas. Trata-se de um Projecto com uma importante vertente pedagógica e lúdica, que tira partido da plasticidade do material de eleição do museu, o barro. É importante referir o aumento de empenho e alegria que cada peça foi provocando nas suas várias etapas de execução, até chegar ao resultado final.

Resultados A Oficina Cerâmica é um lugar de referência para estes jovens, também pelo contacto que têm com outros públicos que visitam o Museu, integrando-os no meio social, enriquecendo e sensibilizando a sociedade comum, podendo conduzir à partilha de conhecimentos e experiências diferentes, na qualidade de vida de cada um.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Com a Ciência e a Arte nas mãos…vês as cores como elas são Promotor Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves Descrição do Projecto Objectivos: 1- Motivar para as relações entre a Ciência e a Arte: a importância da inovação tecnológica e das descobertas científicas no domínio das artes – neste caso na utilização de pigmentos, corantes e ligantes – e vice-versa; 2 - Promover a integração de população surda. Actividades: - Visitas comentadas à Casa-Museu com observação de pinturas a óleo do século XVII e de pinturas Naturalistas da viragem do século XIX para o século XX; - Sessões práticas de demonstração e preparação de tintas, à maneira dos séculos XVII e XIX; - Pintura sobre tela com as tintas feitas.

Resultados As sessões foram todas avaliadas por questionários entregues aos professores e preenchido com os alunos; o feed-back foi estimulante: Alguns alunos pediram para repetir a actividade; alguns professores disseram considerar a participação nessa actividade a melhor visita de estudo já feita com alunos; foi também pedido que a Casa-Museu continuásse a desenvolver projectos de ligação entre arte e ciência. Os alunos surdos do Instituto Jacob Rodrigues Pereira participaram nas visitas e experiências com apoio duplamente especializado e através de alguém que pôde constituir um estímulo ao desenvolvimento da sua auto-estima. A observação concluiu terem sido estes os alunos mais entusiasmados. A formadora surda, dotada de uma enorme capacidade empática, foi uma das chaves para o sucesso da actividade.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Construa Pontes e Não Barreiras Promotor Museu Nacional de Machado de Castro Descrição do Projecto Projecto-piloto cujo grande objectivo é tornar a arte acessível a pessoas com deficiência mental. Através das colecções do MNMC, e da sua adaptação às necessidades específicas desta população, tem sido trabalhada a temática “Os Romanos” com o grupo de expressão dramática “Brinkasério”, do Centro de Actividades Ocupacionais de São Silvestre da APPACDM-Coimbra. Dentro da temática, são organizadas visitas dramatizadas, dinamizadas pelo Sr. Chaves (actor Ricardo Kalash) através de muitas peripécias e jogos. Cada visita é precedida de sessões preparatórias cujo objectivo é introduzir no guião as obras de arte a explorar, realizando uma análise de necessidades, e de conhecimentos relacionados com as peças. Das acções realizadas, salienta-se ainda a actividade “Teatro de Sombras”, para a qual cada elemento do grupo pode convidar um amigo para partilhar o projecto. “Construa Pontes e Não Barreiras” pretende, assim, ser uma ponte para a Inclusão.

Resultados Escutando opiniões e observando reacções, fica claro que se trata de uma experiência enriquecedora e vivida com muita motivação e interesse. Ao nível dos factores sócioemocionais permitiu novos contactos e uma aprendizagem do saber estar em novos contextos. O aspecto emocional tem sido especialmente valorizado pelos participantes: o gosto pela saída, a oportunidade de conhecimento de um novo local e a empatia estabelecida com as pessoas ligadas ao projecto, são factores motivacionais importantes. A satisfação pessoal foi ainda reforçada pela confiança que a personagem do “Sr. Chaves” neles depositou. Globalmente o projecto tem proporcionado novos conhecimentos, sobre o museu e sua localização (p.e. o Criptopórtico e seu contexto histórico). O facto de os participantes poderem reconhecer as obras e ouvir as explicações históricas no contexto do próprio museu, aumentou o interesse e reforçou o conhecimento. Tendo sido uma vivência bastante diversificada, constituiu um estímulo de comunicação, ao nível da expressão oral e escrita. A experiência foi explorada e relatada pelos participantes na área das TIC, no jornal e na página Web do Centro.

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Projecto Embarcação de Sonhos

Promotor Museu Dr. Joaquim Manso

Descrição do Projecto O projecto inseriu-se no programa comemorativo do Dia Internacional dos Museus 2010 que teve como tema “Museus e Harmonia Social”. A actividade “Embarcação de Sonhos” desenvolveu-se nos jardins do Museu e constou da apresentação da peça teatral Lenda do Milagre de N. Sra. da Nazaré (fantoches) e da construção de barcos em origami, que foram fixados numa “paisagem de praia” pintada em papel cenário.

Resultados Esta actividade decorreu com sucesso, permitindo um melhor conhecimento do património cultural, material e imaterial por parte de um público que, até ao momento, não frequentava o Museu Dr. Joaquim Manso. De uma forma lúdico-pedagógica, os participantes tiveram oportunidade de desenvolver capacidades criativas de expressão plástica e corporal, ao mesmo tempo que ampliaram a sua aprendizagem sobre aspectos etnográficos da região. Quer os participantes, quer os promotores da iniciativa saíram mais enriquecidos nas estratégias a desenvolver em prol da inclusão cultural das pessoas com deficiência.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto EU no musEU Promotor Museu Nacional de Machado de Castro Descrição do Projecto O projecto EU no musEU resulta de uma parceria entre o Museu Nacional de Machado de Castro (MNMC) e a Alzheimer Portugal – Delegação do Centro (APDC), a partir do modelo de estimulação cognitiva aplicado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). Tem como objectivos principais estimular ao nível cognitivo o indivíduo com Demência e seu Cuidador mediante a fruição e interpretação de obras de arte do MNMC e promover o bem-estar e a integração social de indivíduos com demência. As sessões são realizadas na segunda quarta-feira de cada mês, no Museu. Os cuidadores e as pessoas com demência integram grupos distintos que, não se cruzando, partilham o momento inicial de acolhimento (“hora do chá”). Estas sessões incluem trabalho em atelier, para o grupo de pessoas com demência, e actividades de dinâmica de grupo para os cuidadores. A orientação das sessões está a cargo de uma equipa transdisciplinar, composta por 13 elementos das instituições envolvidas.

Resultados Apesar da inexistência de instrumentos eficazes para medir a reacção e evolução da demência após a fruição de obras de arte, a equipa tem realizado reuniões de avaliação póssessão, adoptando grelhas de observação do comportamento e visualizando o material recolhido (fotos e vídeos). Tem-se registado uma crescente identificação dos participantes com o projecto, maior confiança na equipa e no espaço do museu, reflectindo-se num incremento no bem-estar quotidiano das pessoas com demência envolvidas, de acordo com os relatos pós-sessão dos cuidadores informais (familiares). Na sequência do trabalho desenvolvido, este projecto envolverá, a breve trecho, novas parcerias que permitirão reforçar o seu impacto cultural, nomeadamente através de novos estudos científicos, que visam desenvolver instrumentos de medição e de promoção de bem-estar e autonomia para a pessoa com demência.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Exposição Táctil “O Oriente na Ponta dos Dedos” Promotor Museu do Oriente Descrição do Projecto Destinada a invisuais e organizada e produzida em estreita colaboração com a equipa do serviço de leitura para deficientes visuais da Biblioteca Nacional, a exposição, que decorreu em 2009 no âmbito das comemorações do bicentenário do nascimento de Louis Braille, contou com a exposição de 30 peças originais (esculturas, marionetas, trajes, brinquedos, instrumentos musicais, objectos rituais, máscaras, entre outras peças) pertencentes à Colecção Kwok On e provenientes da China, Índia, Indonésia e Tailândia, em materiais como a madeira, bambu, tecido, pele de búfalo e metal. As legendas e um pequeno texto introdutório estiveram disponíveis em Braille.

Resultados A exposição permitiu o contacto directo de invisuais com objectos originais e não réplicas, que puderam ser tocados e manipulados. Esta experiência proporcionou ao público-alvo uma abordagem mais próxima das formas e texturas dos objectos. Esta experiência foi, a par e passo, engrandecida pela apresentação das histórias e funções dos objectos expostos. Em conclusão, estabeleceu-se uma rede de trabalho e de amizade que se revelou eficaz na transmissão de conhecimentos, e saber-fazer, entre instituição acolhedora, instituições de colaboração e público-alvo. Todos os intervenientes ganharam conhecimento e novas competências; os invisuais ao nível da organização de exposições, ao nível artístico pelo contacto directo com formas de arte diferentes das quotidianas e do contexto ocidental, e ao nível intelectual com a apresentação oral de diferentes modos de ver e conceber a religião e práticas culturais em povos geograficamente distantes.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Museu ensina Promotor Serviço Educativo do Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira Descrição do Projecto Museu Ensina é o programa educativo anual das actividades do Museu do Neo-Realismo, que tem como missão dar a conhecer o património e o ambiente político – cultural do período neo-realista da História de Portugal. O Serviço Educativo do MNR desenvolve estratégias de comunicação para os variados públicos que o visitam, apresentando um conjunto de actividades educativas que dinamizam as diversas exposições, contribuindo também para a fruição do espaço físico do museu. Para além de visitas guiadas às exposições desenvolve um conjunto de actividades inseridas sobretudo na Temática da Arte. Arte com memórias é um conjunto de actividades que exploram as obras expostas nas diversas exposições patentes no Museu do Neo-Realismo. Dentro desta temática inserem-se as oficinas de monotipia e gravura

Resultados De acordo com a avaliação feita junto das organizações de pessoas com deficiência do concelho, que têm usufruído deste programa, considerou-se o seguinte:

Impacto extremamente positivo porque permite uma maior interacção com a comunidade em geral; Enriquecimento cultural através do conhecimento do movimento neo-realista e do escritor Alves Redol, entre outros; Criação do hábito de partilha de saberes, entre populações diferentes; Maior apropriação do espaço físico do museu e, desde logo, uma maior proximidade e familiarização com o mesmo; Saber ouvir e saber estar; Promover a atenção/concentração; Exercitar a memoria a curto prazo e a memoria imediata; Orientação Espacial e temporal; Promover a linguagem oral / compreensão de enunciados simples; Raciocínio/promover a argumentação; Desenvolvimento de competências sociais; Desenvolver a criatividade e motricidade.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Museus e Acessibilidade Promotor Instituto dos Museus e da Conservação Descrição do Projecto O Projecto Museus e Acessibilidade nasceu em 2003, Ano Europeu da Pessoa com Deficiência, com o objectivo contribuir para promover a acessibilidade nos Museus tutelados. Assentou num protocolo com associações representativas de pessoas com deficiência motora, visual, auditiva e mental: FENACERCI (Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social), pela deficiência mental; ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal), pela deficiência visual; IJRP (Instituto Jacob Rodrigues Pereira), pela deficiência auditiva; APPC-NRS (Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral – Núcleo Regional do Sul), pela deficiência motora; ANACED (Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência). A parceria tem sido desenvolvida em várias áreas, como a edição, a montagem de exposições acessíveis e a formação de profissionais de museus. Envolve uma equipa alargada que integra consultores das associações com as quais o IMC estabeleceu o protocolo acima referido, a Divisão de Documentação e Divulgação e a Divisão de Museografia do Instituto e alguns Museus. Na área da edição, publicou o IMC em 2004 o livro Museus e Acessibilidade, segundo volume da Colecção Temas de Museologia. É um manual de boas práticas que pretende ajudar os profissionais de museus, arquitectos e designers a conceber exposições mais acessíveis do ponto de vista do espaço e da informação.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Museus e Acessibilidade

Resultados No que toca à montagem de exposições acessíveis, as boas práticas recomendadas foram experimentadas e avaliadas em algumas exposições temporárias. É de salientar o caso da exposição temporária do Museu de Évora na Igreja de Santa Clara, em 2004, e o da exposição temporária do Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha sobre Rafael Bordalo Pinheiro, em 2005. Em 2008 começou já a ser preparada uma intervenção na exposição permanente do Museu Nacional de Soares dos Reis e para 2009 está prevista a criação de uma Galeria de Escultura Comparada acessível a pessoas com deficiência visual no Palácio de Mafra.

Relativamente à formação, têm sido levadas a cabo anualmente acções de formação para sensibilizar os profissionais dos museus integrados na Rede Portuguesa de Museus às questões de acessibilidade.

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Projecto O Museu da Cerâmica nas Pontas dos Dedos

Promotor Museu da Cerâmica

Descrição do Projecto O Museu da Cerâmica apresentou ao público em Dezembro de 2010, o projecto O Museu da Cerâmica nas Pontas dos Dedos, em parceria com o CRID – Centro de Recursos para A Inclusão Digital do IPL – Instituto Politécnico de Leiria. Trata-se de uma iniciativa de elevado cariz sóciocultural que beneficiou da consultadoria especializada da Dra. Josélia Neves, visando abrir o Museu a novos públicos, nomeadamente a visitantes cegos ou com baixa isão, através da oferta de visitas tácteis e materiais em Braille. Do projecto consta um Guia em Braille e em Formato aumentado com o percurso do Museu da Cerâmica em geral, e em particular da apresentação e descrição de 10 peças de cerâmica que podem ser tocadas e explorada durante a visita, com tabelas em Braille e com letras aumentadas, permitindo conhecer melhor o acervo do Museu O Museu da Cerâmica acolhe com muito empenho e satisfação o desenvolvimento desta valência da sua actuação, permitindo assim dinamizar um novo tipo de visitas temáticas e guiadas.

Resultados Este projecto tem sido muito enriquecedor para a dinâmica do Museu, com uma afluência muito positiva a nível de escolas, associações específicas e de público espontâneo, cegos e de baixa visão, motivo que leva o Museu da Cerâmica a empenhar-se em mais uma iniciativa, dando continuidade ao projecto O Museu da Cerâmica na Ponta dos Dedos, através da produção de áudio guias e equipamento complementar.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Oficina de Olaria Promotor Museu Municipal de Faro Descrição do Projecto Objetivo: - Contribuir para a promoção social dos deficientes permitindo-lhes um melhor acesso a actividades socioculturais, bem como proporcionar-lhes contacto com a cultura e património através da experimentação.

Actividade: Oficina de cerâmica, com a duração de 5 sessões / 1 vez por semana, onde os utentes da ASMAL tiveram oportunidade de usufruir de uma aprendizagem contínua das várias técnicas de trabalhar o barro, manualmente e na roda de oleiro, a pintura e a vidragem em cerâmica. Este projecto culminou com uma exposição, no Museu, das peças realizadas pelos utentes da ASMAL durante a oficina.

Resultados Esta oficina permitiu às pessoas com deficiência experimentar as várias técnicas de manusear o barro, bem como a pintura e a vidragem. Permitiu-lhe também sentirem que o trabalho por eles realizado foi valorizado e alvo de uma exposição no Museu. Foi um projecto que para além de incluir as pessoas com deficiência conseguiu trazer ao museu familiares e amigos para verem os trabalhos realizados durante a oficina.

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Projecto Olhar Táctil, Fotografias de Paulo Abrantes – Exposição Temporária

Promotor Museu da Guarda Descrição do Projecto Esta exposição proporcionou uma nova linguagem fotográfica permitindo às pessoas invisuais aceder à interpretação de imagens através do sentido táctil, tendo remetido os visitantes para um imprescindível meio de inclusão: a proximidade entre as “diferenças”. Pensada para quem não vê, procurou ser um exercício de cidadania e de inclusão, de modo a permitir o acesso de todos à arte fotográfica. Para serem interpretadas por invisuais, as fotografias tinham relevo. A tridimensionalidade da imagem fotográfica é uma técnica que tem contado com a adesão entusiástica dos invisuais.

Resultados A exposição teve grande sucesso, nomeadamente junto do público escolar, dos jovens adolescentes e da associação ACAPO. O envolvimento e participação dos jovens nesta actividade foi positiva, a visita dos invisuais ou amblíopes excedeu as metas propostas.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Outras Percepções – Percursos Multi-sensoriais Promotor Museu Nogueira da Silva

Descrição do Projecto O Museu Nogueira da Silva abriu a sua exposição permanente a pessoas com deficiência visual, através do Projecto “Outras percepções – percursos multi-sensoriais”.

Um conjunto de peças, representativo das diferentes colecções do museu, está disponível para uma abordagem multi-sensorial.

Resultados Participação de pessoas com deficiência visual na vida cultural da cidade.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Percurso Táctil Promotor Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea

Descrição do Projecto O Museu do Chiado, criou em 1997, em parceria com o Instituto António Feliciano de Castilho, um percurso táctil na exposição permanente de Escultura do séculos XIX e XX, que pressupõe o manuseamento das peças com as luvas apropriadas, criando condições para uma visita de pessoas com deficiência visual. Está disponível uma planta táctil da sala, um catálogo em Braille e outro ampliado para amblíopes.

Resultados Apesar dos atractivos da visita autónoma orientada por plantas individuais para cada cego, das visitas guiadas em grupo ou individualmente, dos catálogos em Braille e amblíope, este projecto não colheu uma adesão positiva, talvez por deficiência de divulgação.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Percursos Tácteis na Casa-Museu Promotor Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves Descrição do Projecto Percurso táctil pelas principais colecções de arte da Casa-Museu, complementado por plantas de cada piso da Casa em braille e caracteres ampliados, e tabelas das peças integradas no circuito em braille e a negro, e outros dispositivos de apoio. Mobiliário: 6 Peças originais e diferentes tipos de encaixes para mostrar como, dos séculos XVII a XIX se montavam móveis, muitas vezes sem recurso a pregos ou cola. Pintura: Adaptações multisensoriais, de três pinturas da colecção: o “Convite à Valsa”, de Columbano Bordalo Pinheiro, “A praia”, de João Vaz e “Ceifa (Lumiar)” de Silva Porto, no que é um projecto pioneiro em Portugal. Porcelana: Disponibilização de um original e oito réplicas de porcelanas da China dos séculos XVI a XVIII, pasta de modelar protótipos em porcelana, barbotina líquida e um molde.

Resultados A disponibilização de adaptações multisensoriais de pintura a óleo do século XIX é pioneira no panorama nacional e é um dos aspectos do percurso que cria mais expectativa. O facto de, além das peças propriamente ditas, existirem dispositivos de apoio (trajes para vestir, encaixes de madeira para experimentar, fragmentos de molduras antigas, pasta de porcelana e moldes, entre outros), permite uma compreensão da obra de arte não só como “produto acabado” mas também como fruto de um processo que se torna fácil de descodificar, o que poderá ser bom igualmente para visitantes sem deficiência visual (na linha do acess for all). Cada visitante, portador ou não de deficiência visual, é pessoalmente acompanhado por um vigilante na visita à Casa-Museu, o que permite que as visitas de público cego ou com baixa visão não tenham que ser obrigatoriamente agendadas com o Serviço Educativo, se assim não o pretenderem.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto SELO ACESSO – Edifício Sede Fundação Calouste Gulbenkian Promotor Fundação LIGA Descrição do Projecto A Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da procura da excelência na prestação de serviços à comunidade e na promoção das condições de acessibilidade ao público desta instituição, apresentou a candidatura do Edifício Sede ao projecto Selo Acesso, no dia 11 de Março de 2011. Iniciativa da Fundação LIGA, o Selo Acesso nasce da consciência da importância de um ambiente acessível na promoção de uma melhor qualidade de vida a cada membro da sociedade. Projectar o ambiente com condições de acessibilidade é um pressuposto para a igualdade de oportunidades na participação em actividades económicas, sociais, culturais, de lazer e recreativas e no acesso, utilização e compreensão do meio envolvente à diversidade dos cidadãos. Identificar as condições das diferentes formas de acesso e propor as melhorias conducentes à excelência de acessibilidade ao ambiente construído e do conhecimento é o âmbito deste projecto.

Com este objectivo, a Fundação LIGA apresentou em 27 de Julho de 2011 o Relatório Final que considera um conjunto de recomendações que a Fundação Calouste Gulbenkian implementou no decorrer do ano 2012 no seu objecto de candidatura – Edifício Sede – para obter o Selo Acesso que será atribuído em Setembro. As recomendações apresentadas no presente relatório tiveram como objectivo primordial a articulação entre as acessibilidades nos domínios físico, equipamento/mobiliário, comunicacional e assistência personalizada e a preservação da imagem e identidade arquitectónica deste edifício pioneiro e singular na Arquitectura Moderna Portuguesa da década de 60, distinguido com o prémio Valmor, em 1975, e classificado Monumento Nacional, em 2010. São recomendações de carácter não intrusivo com a intenção de não descaracterizar o património construído.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto SELO ACESSO – Edifício Sede Fundação Calouste Gulbenkian

Resultados Através do Projecto SELO ACESSO, a Fundação LIGA pretende dar respostas significativas para a melhoria das acessibilidades no sentido de proporcionar a plena realização à diversidade humana que compõe o mundo em que vivemos, designadamente ao crescente número de pessoas seniores proporcionando o bom envelhecimento a esta faixa etária. O acesso à cultura e ao conhecimento permite a capacitação das pessoas, integrando-as plenamente na sociedade. Os resultados serão amplamente partilhados com a sociedade no sentido de promover e impulsionar outras iniciativas congéneres no âmbito da implementação de boas práticas na área das acessibilidades.

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Tateando o Museu Promotor Museu Nacional de Machado de Castro Descrição do Projecto Este projecto materializou-se, numa 1ª fase, numa maqueta de corticite (instrumento multissensorial), para a apreensão e exploração do criptopórtico romano. A maqueta acessível permite, através da exploração táctil, uma prévia apreensão do espaço, e o reconhecimento da sua funcionalidade. Desenvolvido com o apoio do voluntariado do MNMC, resulta de um protocolo de colaboração estabelecido entre o Museu e a ACAPO – Delegação de Coimbra da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal. Visando a aproximação a públicos cada vez mais heterogéneos e promovendo a acessibilidade e inclusão, esta proposta de comunicação acessível procura, sobretudo, fomentar a participação assídua de pessoas com necessidades especiais na vida do museu. Paralelamente, tem permitido promover acções de sensibilização e/ou formação, para normovisuais, nomeadamente para alunos do ensino superior, em contexto de formação prática esta área.

Resultados A avaliação por parte do público com deficiência visual tem sido muito positiva, definida como uma mais-valia para a compreensão do criptopórtico romano, que de outro modo se tornaria muito difícil. Segundo intervenção de José Mário Albino (Psicólogo da ACAPO) “O criptopórtico romano é uma estrutura relativamente complexa em termos de morfologia, em termos geométricos, para que seja explicado de uma forma simples às pessoas cegas, ou que seja explicada a qualquer pessoa apenas por palavras, e daí a importância da visualização. A visualização sem qualquer deficiência visual é relativamente fácil com maquetes e com imagens recolhidas, a questão é: como mostrar toda esta riqueza de pormenor a uma pessoa cega? Esta maqueta tem na sua origem um elemento nuclear de concepção que é a ideia de fazer uma ferramenta modelar, a possibilidade de nós quase desmontarmos a maqueta, de desviarmos para o lado peças, de montarmos outras, de manipularmos toda a estrutura. Isso permite uma exploração do que se pretende representar de uma forma fabulosa. Nunca antes teria sido possível uma percepção tão rica.” – Revista C.

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Projecto Tesouros do MNAz (Museu Nacional do Azulejo) ao alcance de todos

Promotor Instituto dos Museus e da Conservação

Descrição do Projecto O projecto teve como objectivo dar melhores condições de acesso ao espaço e à informação do Museu Nacional do Azulejo, criando um circuito de visita que oferece ao visitante individual sem visita guiada informação simples e/ou mais aprofundada sobre peças e espaços escolhidos, sendo essa informação acessível a pessoas com incapacidade motora, sensorial (visual e auditiva) e mental/intelectual.

Resultados Espaço acessível Este museu possui acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, através da instalação de rampas que permitem visitar os vários espaços abertos ao público, desde o restaurante aos espaços expositivos e igreja. O balcão da recepção é adaptado, de modo a permitir a aproximação de uma pessoa em cadeira de rodas.

Acesso à informação O Museu Nacional do Azulejo disponibiliza guias multimédia que permitem a visita autónoma a pessoas com deficiência visual e auditiva: Audioguias (português e inglês); Videoguias (língua gestual portuguesa e sistema de signos internacional).

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A ARTE PERTENCE A TODOS | Boas Práticas de Inclusão Artística e Cultural Projecto Viagem Promotor Serviço Educativo da Casa da Música Descrição do Projecto Este projecto teve início em 2008, quando uma equipa do Serviço Educativo da Casa da Música, dirigida po Rolf Gehlhaar, concebeu e construiu instrumentos musicais adaptados a indivíduos com necessidades especiais A construção dos instrumentos foi precedida de uma auscultação a vários utentes de instituições que trabalham nesta área. Após esta fase, realizaram-se sessões regulares nas instituições, nas quais foi trabalhada uma peça musical com os instrumentos construídos. Esta peça foi apresentada em concerto no "Ao Alcance de Todos 2010", uma semana temática levada a cabo todos os anos, em Abril, pela Casa da Música, dedicada à música, tecnologia e necessidades especiais. A peça inspirou-se no livro de José Saramago A Viagem do Elefante. No palco estiveram 70 pessoas com necessidades especiais, que participaram no espectáculo quer através dos instrumentos musicais construídos, quer através de instrumentos musicais já existentes mas adaptados às suas características, quer através da voz. O espectáculo contou ainda com a projecção de imagens e texto, que contextualizaram e facilitaram a compreensão da história.

Resultados O resultado mais visível e concreto traduziu-se no espectáculo final: 70 pessoas com necessidades especiais puderam apresentar-se num concerto na Casa da Musica, executando instrumentos musicais adaptados às suas características específicas. Os instrumentos musicais construídos ficaram para as instituições, permitindo assim que os seus utentes possam fazer música de uma forma continuada nos locais onde passam o seu dia-a-dia. Por outro lado, os técnicos das instituições participantes tiveram uma experiência efectiva de trabalho com os instrumentos musicais construídos, a qual poderá servir de base para que possam desenvolver projectos futuros nos seus locais de trabalho. Este projecto também deu visibilidade à questão da música e das necessidades especiais, reforçando a necessidade de se dar respostas adequadas a pessoas que vêem, muitas vezes, o acesso a este tipo de experiências limitado. Por último, os participantes puderam vivenciar uma experiência artística gratificante e apreciada pelo público, o que terá reforçado positivamente os seus níveis de auto-estima.

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ACAPO de Braga Rua Cruz de Pedra nº114. 4700-219 Braga Tel: 253 267 766 E-mail: braga@acapo.pt Website: www.acapo.pt

APACI – Associação de Pais e Amigos das Crianças Inadaptadas, Barcelos Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) Rua Joaquim Castro Gomes; Tamel São Veríssimo 4750 - 872 Barcelos Tel.: 253 843 685 E-mail: apaci@sapo.pt Website: www.apaci.maisbarcelos.pt

APEDV – Associação Promotora do Emprego para Deficientes Visuais – Centro de Actividades Ocupacionais Av. João Paulo II Lote 525 1º - Bairro do Condado 1950 - 159 Lisboa Tel.: 21 831 07 60 E-mail: info@apedv.org.pt Website: www.apedv.org.pt

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5. Contactos


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APERCIM – Associação para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Mafra Rua Santa Casa da Misericórdia, n.º 5 2640-528 MAFRA Tel.: 261818200 E-mail: info@apercim.org.pt Website: www.apercim.org.pt

APPACDM de Coimbra - Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental CAO- São Silvestre Quinta da Varela 3020-728 São Silvestre Tel.: 239960140 E-mail: appacdm.cao.silvestre@gmail.com Website: www.appacdmcoimbra.pt

APPACDM de Coimbra – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental – UF de Montemor-o-Velho Rua do Hospital 3140-250 Montemor-o-Velho Tel. 239680697 E-mail: montemor.geral@appacdmcoimbra.pt

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APPACDM de Santarém – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental Quinta Nossa Sr.ª do Rosário 2005-032 Vale de Santarém Tel. 243 767 050 E-mail: appacdm.santarem@mail.telepac.pt Website: www.appacdm-santarem.com APPACDM do Porto – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental Travessa da Costibela, 85 4100-186 Porto Tel. 226 197 460 E-mail: appacdmporto@mail.telepac.pt APPDA de Lisboa - Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo Rua José Luis Garcia Rodrigues - Bairro Alto da Ajuda, 1300 LISBOA Tel.: 21 361 62 50 E-mail: info@appda-lisboa.org.pt Website: www.appda-lisboa.org.pt

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APPDA Norte - Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo Rua D. Carlos I, n.º 110 4430-258 Vila Nova de Gaia Tel.: 22 716 9550 E-mail: geral@appda-norte.org.pt Artenave, Atelier – Associação de Solidariedade Avenida Amadeu Batista Ferro 3620 – 360 Moimenta da Beira Tel.: 254 583 522 Email: atelier@artenave.org Website: www.artenave.org

ASMAL - Associação de Saúde Mental do Algarve Fórum Sócio-Ocupacional de Faro R. Aboim Ascensão, 47 8000-199 Faro Tel.: 289 825 858 E-mail: forum@asmal.org.pt

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Associação Cultural de Surdos de Águeda Av. 25 de Abril, Mercado Municipal – 1º piso 3750-101 Àgueda E-mail: acsa@surdosagueda.org.pt Website: www.asurdosagueda.org.pt

Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra Rua Garcia de Horta, Vale das Flores 3030-188 Coimbra Tel. 239 792 120 E-mail: geral@apc-coimbra.org.pt Website: www.apc-coimbra.org.pt Associação de Paralisia Cerebral de Odemira Horta dos Reis - Apartado 106 7630-150 Odemira Tel. 283 320 121 E-mail: geral@apco.pt Website: www.apcodemira.blogspot.pt

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Associação do Porto de Paralisia Cerebral Rua Delfim Maia, 276 4200 – 253 Porto Tel: 225573790 E-mail: nrn@appc.pt Website: www.appc.pt

Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença Rua dos Barcelos, nº. 9 - R/Chão 9020-391 -Funchal – Madeira Tel.: 291 752 157 Email: geral@aaaidd.com Associação Pédexumbo Antigos Celeiros da EPAC Rua Eborim, 18 7000 Évora Tel.: 266 732 504 Email: pedexumbogeral@pedexumbo.com

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Associação Vo’Arte Rua São Domingos à Lapa. 8N 1200-835 Lisboa Tel.: 213032410 E-mail: voarte@voarte.com Website: www.voarte.com

C.E.C.D. MIRA SINTRA Centro de Educação para o Cidadão Deficiente Avenida 25 de Abril, nº190 – Mira Sintra 2735 - 418 Cacém Tel: 219 188 560 E-mail: agitarte@cecdmirasintra.org Câmara Municipal de Almada Direcção Municipal de Desenvolvimento Social/ Divisão de Acção Sóciocultural Rua dos Bombeiros Voluntários de Almada,nº5 2800-035 Almada Tel: 212738249 E-mail: mprudencio@cma.m-almada.pt Website: www.m-almada.pt

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Câmara Municipal de Vila do Conde e Equipa DAP de Vila do Conde Câmara Municipal de Vila do Conde – Divisão de Acção Social Praça Vasco da Gama 4480-454 Vila do Conde Tel.: 252 248 400 E-mail: geral@cm-viladoconde.pt Website: www.cm-viladoconde.pt

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves Serviço Educativo da CMAG Avenida 5 de Outubro, 6-8 1050-055 Lisboa Tel.: 213540823 E-mail: cmag.se@imc-ip.pt CEDEMA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Mentais Adultos Rua Varela Silva, lote 6, loja A, 1750 - 403 Lisboa Tel.: 21 755 24 60 E-mail:cedemacao@hotmail.com Website: www.cedema.org.pt

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Centro de Actividades Ocupacionais – Casa do Sol e Centro de Apoio Social do Pisão Santa Casa da Misericórdia de Cascais Estrada Nacional 247 – 5, Quinta do Pisão, 2755 – 138 Alcabideche Tel.: 214 603 892 E-mail: cao.casp@scmc.pt Website: www.scmc.pt

Centro de Reabilitação de Ponte de Lima da APPACDM de Viana do Castelo Rua Agostinho José Taveira 4990-072 Ponte de Lima Tel.: 258931500 E-mail: dir-plima@appacdm-viana.pt Centro de Reabilitação e Integração de Fátima Apartado 216, 2496-908 Fátima Tel: 249530150 E-mail: c.r.i.f@iol.pt Website: www.crif.org.pt

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Centro de Recuperação e Integração de Abrantes Quinta das Pinheiras -Apartado 73 2204-906 Alferrarede Tel.: 241 379 750 E-mail: cria-dir@mail.telepac.pt / cria-infor@mail.telepac.pt Website: www.cria.com.pt

Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa Av. do Brasil, Nº53 1749-053 LISBOA Tel. 21 317 7400 – Ext. 1220 (Manhã) E-mail: grupoteatro@chpl.min-saude.pt CERCIAG – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Águeda Raso de Paredes 3750-316 Águeda Tel.: 234 612 020 E-mail: cerciag@cerciag.pt mariacarvalho@cerciag.pt Website: www.cerciag.pt

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CERCIAMA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Amadora Rua Roque Gameiro, 22 - 1ºDto. 2700-578 AMADORA Tel.: 214986830 E-mail: cerciama@netcabo.pt

CERCIBEJA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados Quinta dos Britos -Apartado 6115 7801-908 BEJA Tel: 284 311 390 E-mail: geral@cercibeja.org.pt Website: www.cercibeja.org.pt CERCICA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais, CRL Rua Principal, nº 320/320 A – Livramento 2765-383 Estoril Telefone: 21 465 8590 E-mail: cercica@cercica.pt Website: www.cercica.pt

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CERCICAPER – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Castanheira de Pêra Variante do Troviscal – Dordio, Apartado 38 3280-050 Castanheira de Pêra Tel.: 236 434 227 E-mail: cercicaper@sapo.pt

CERCIDIANA – Cooperativa para a Educação, Reabilitação e Inserção de Cidadãos Inadaptados de Évora Quinta do Feijão ao Espinheiro Apartado 92 7002-502 Évora Tel.: 266759530, E-mail: cercidiana@portugalmail.pt Website: www.evora.net/cercidiana

CERCIGAIA – Cooperativa para a Educação, Reabilitação e Inserção de Cidadãos Inadaptados de Gaia Escola Primária de S. Paio, Rua de Bustes, Canidelo 4400-394 Vila Nova de Gaia Tel.: 227 812 416 E-mail: cercigaia@cercigaia.org.pt http://www.cercigaia.org.pt/index.php/projetos/estanahora

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Comunidade Sócio-Terapêutica Casa João Cidade Rua do Caldeirão, n.º5 7050-213 Montemor-o-Novo Tel.: 266 087 082 E-mail: joaocidade@gmail.com CPD- Comissão para a Pessoa com Deficiência do Concelho de Cascais Edifício Central Office Av.ª Eng. Adelino Amaro da Costa, n.º 189 - loja I 2750-000 Cascais Telefone: 214658594 E-mail: cpdcascais.org@cm-cascais.pt Website: www.toma-la.com Website: www.cpdcascais.org

Crinabel, Cooperativa de Ensino Especial e Solidariedade Social, CRL Quinta Frades 1 1600-674 LISBOA Tel.: 21 394 33 50 E-mail: crinateatro@gmail.com Website: www.crinabelteatro.blogspot.com

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Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação – Núcleo de Inclusão pela Arte (NIA) Caminho de Santo António, 291 9020-002 Funchal Tel.: 291.740560 (NIA) E-mail: ester-vieira@netmadeira.com ou nia.dreer@madeira-edu.pt Website: www.madeira-edu.pt Equipa Comunitária de Cascais (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental) Estrada Nacional 247 – 5, Quinta do Pisão, 2755 – 138 Alcabideche Tel: 214 603 890 E-mail: cas.pisao@scmc.pt

Espaço t – Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária Rua do Vilar, 54/54ª 4050-625 Porto Tel.226081919 E-mail: dci@espacot.pt Website: www.espacot.pt

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Fundação LIGA Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda 1349-011 Lisboa Tel. 21 361 69 23 E-mail: cpassos@fundcaoliga.pt Website: www.fundacaoliga.pt Instituto dos Museus e da Conservação Divisão de Documentação e Divulgação do IMC - Instituto dos Museus e da Conservação Palácio Nacional da Ajuda, Ala Sul 4º | 1349 - 021 Lisboa Tel.: 21-365.08.29 Email: claramineiro@imc-ip.pt Website: www.ipmuseus.pt

Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal Estrada do Telhal, Algueirão, 2725-588 Mem Martins Tel.: 129 179 200 E-mail: maria.moreira@isjd.pt Website: www.isjd.pt/cst.telhal/site.html

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Isabel Bernades Silva Rua Guerra Junqueiro, edif.6-2º I – Cidade Nova 2660-264 S.A.C. Loures E-mail: ceramistica@hotmail.com Joana Cardoso Tel.: 933632550 E-mail: joanacscardoso@gmail.com Lurdes Breda Rua José Rodrigues Azenha, Raseira 3140-148 Liceia - Montemor-o-Velho Tel. 239623271 E-mail: lurdes.breda@gmail.com Website: lurdesbreda.wordpress.com

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Museu da Cerâmica Rua Dr. Ilídio Amado - Ap. 97 2500-910 Caldas da Rainha Tel.: 262 840 280 E-mail: mceramica@imc-ip.pt Website: museudaceramica.blogspot.pt

Museu da Guarda Serviço Educativo Rua General Alves Roçadas, 30 6300-663 Guarda Tel.: 271 213 460 E-mail: mguarda@imc-ip.pt Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea Rua Serpa Pinto 4, 1200 Lisboa Tel.: 213 432 148 E-mail: mnac-mc.catarinamoura@imc-ip.pt Website: www.museudochiado-ipmuseus.pt

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Museu do Oriente Avenida Brasília, Doca de Alcântara (Norte) 1350-352 Lisboa Tel: +351 213 585 299 E-mail: servico.educativo@foriente.pt Website: www.museudooriente.pt

Museu Dr. Joaquim Manso Rua D. Fuas Roupinho - Sítio 2450 – 065 NAZARÉ Tel. 262 562 801 /2 E-mail: mdjm@imc-ip.pt Museu Municipal de Faro Largo Afonso III, nº 14 8000-167 Faro Tel.: 289870827 E-mail: dmar.dc@cm-faro.pt

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Museu Municipal Jorge Vieira de Beja Rua do Touro 33 7800-489 BEJA Tel.: 284311920

Museu Nacional de Machado de Castro Largo Dr. José Rodrigues 3000-236 Coimbra Tel.: 239853070 E-mail: mnmachadodecastro@imc-ip.pt Webmail: mnmachadodecastro.imc-ip.pt Museu Nogueira da Silva Avenida Central 61 4710 Braga Tel.: 253 601 275 E-mail: sec@mns.uminho.pt Website: www.mns.uminho.pt

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NECI – Núcleo de Educação da Criança Inadaptada Montinhos da Luz 8600-119 Luz – Lagos Tel. 282788692 E-mail: info@neci.pt Website: www.neci.pt

OASIS - Organização de Apoio e Solidariedade para Integração Social Rua do Oásis, n.º1 -Vale Sepal – Pousos 2410-279 Leiria Tel.: 244 814 173 E-mail: oasisleiria@sapo.pt Santa Casa da Misericórdia de Mértola Edifício da Divisão da Cultura Desporto e Turismo da Câmara Municipal de Mértola Rua Profº Baptista da Graça, nº 1 7750-295 Mértola Tel.: 286610100 ext. 1900 E-mail: unidade.mertola.scmm@gmail.com Website: www.scmmertola.wordpress.com

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Serviço Educativo da Casa da Música Av. Boavista nº 604-610 4149-071 Porto Tel. 220 120 290 E-mail. seducativo@casadamusica.com Website: www.casadamusica.com Serviço Educativo do Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira Rua Alves Redol, nº 45 2600 -099 Vila Franca de Xira Tel.: 263 285 626 E-mail: neorealismo@cm-vfxira.pt Website: www.museudoneorealismo.pt

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6. Agradecimentos

ANACED agradece a todas as Instituições, Entidades e pessoas que colaboraram para a apresentação deste Manual, com a partilha e divulgação das suas realizações bem sucedidas. Ao fazê-lo, contribuíram para alcançarmos os nossos objectivos. Esta não é uma edição fechada, encontrando-se por isso aberta a novas contribuições de forma a promovermos a partilha de conhecimentos e o reconhecimento público dos projectos que trazem uma mais-valia substancial à inclusão social das pessoas com deficiência. AAAIDD – Associação dos Amigos da Arte Inclusiva – Dançando com a Diferença ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal – Delegação de Braga Agrupamento de Escolas Mestre Domingos Saraiva APACI – Associação de Pais e Amigos das Crianças Inadaptadas, Barcelos APEDV – Associação Promotora de Emprego de Deficientes Visuais APERCIM – Associação para Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Mafra. APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Coimbra APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Coimbra – UF de Montemor-o-Velho APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Santarém APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental do Porto APPDA – Lisboa – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo APPDA – Norte – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo Artenave, Atelier – Associação de Solidariedade ASMAL – Associação de Saúde Mental do Algarve Associação Cultural de Surdos de Águeda

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Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães Associação de Paralisia Cerebral de Odemira Associação de Surdos do Porto Associação do Porto de Paralisia Cerebral Associação Pédexumbo Associação Vo’Arte Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco Biblioteca Municipal D. Dinis Biblioteca Municipal de Espinho C.E.C.D. Mira Sintra – Centro de Educação para o Cidadão Deficiente, C.R.L. Câmara Municipal de Albufeira Câmara Municipal de Almada Câmara Municipal de Coruche Câmara Municipal de Faro Câmara Municipal de Mafra Câmara Municipal de Resende Câmara Municipal de Vila do Conde Câmara Municipal de Vila Franca de Xira Câmara Municipal de Vila Real de Santo António Câmara Municipal do Entroncamento

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Câmara Municipal do Porto Cáritas Paroquial de Coruche – CLDS Casa da Música – Serviço Educativo Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves CEDEMA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Mentais Adultos Centro de Actividades Ocupacionais – Casa do Sol Centro de Apoio Social do Pisão – Santa Casa da Misericórdia de Cascais Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira Centro de Reabilitação de Ponte de Lima da APPACDM de Viana do Castelo Centro de Reabilitação e Integração de Fátima Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa CERCIAG – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Águeda, C.R.L. CERCIAMA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptadas da Amadora CRL CERCIBEJA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos de Beja, CRL. CERCICA – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais, CRL CERCICAPER – Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Castanheira de Pera CERCIDIANA – Cooperativa para a Educação, Reabilitação e Inserção de Cidadãos Inadaptados de Évora, C.R.L. CERCIGUI – Cooperativa p/ Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas do Concelho de Guimarães CERCIGAIA – Cooperativa para a Educação, Reabilitação e Inserção de Cidadãos Inadaptados de Gaia CERCINA – Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Crianças Inadaptadas da Nazaré CERCIPÓVOA – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas CRL – Povoa de Santa Iria Comunidade Sócio-Terapêutica Casa João Cidade

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CPD Comissão para a Pessoa com Deficiência do Concelho de Cascais CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes CRIC – Centro de Reabilitação e Integração de Coruche Crinabel – Cooperativa de Ensino Especial e Solidariedade Social Direcção Regional de Cultura do Algarve Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação – Núcleo de Inclusão pela Arte (NIA) Espaço T Fundação LIGA Instituto dos Museus e da Conservação Instituto S. João de Deus – Casa de Saúde do Telhal Isabel Bernardes da Silva Joana Cardoso João Matias Luís Baião Luís Oliveira Lurdes Breda Museu da Cerâmica Museu da Cidade Museu da Guarda Museu do Chiado Museu do Oriente Museu Dr. Joaquim Manso

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Museu Municipal de Faro Museu Municipal Jorge Vieira de Beja Museu Nacional Machado de Castro Museu Nogueira da Silva NECI – Núcleo de Educação da Criança Inadaptada OASIS – Organização de Apoio e Solidariedade para a Integração Social Rede Social de Castelo de Paiva Santa Casa da Misericórdia de Mértola Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio Serviço Educativo do Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira Teatro Virgínia

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ANACED Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda 1349 -011 Lisboa Tels. 21 363 68 36 – 21 361 69 10 E.mail: anaced@net.sapo.pt Website: http://anacedarte.wix.com/anaced Facebook: http://www.facebook.com/pages/ANACED-Arte-e-Criatividade-Pessoas-com-Defici%C3%AAncia/108277345933518

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3ª edição do manual de boas práticas artísticas e culturais a arte pertence a todos