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O Tal de Fernando Pessoa

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Desenho de Fernando Pessoa

AUTORES: Ana Carolina e Sara Martins Disciplina: PortuguĂŞs Professora: Fernanda Lamy Escola Secundaria de Albufeira Data: Dezembro


Índice

Capa Introdução Nota Biográfica Fotobiografia . Breve Antologia Época de Fernando Pessoa em imagens Pessoa visto pelos outros Lista bibliográfica Atividade de seleção Conclusão Bibliografia/Webgrafia

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Desenho de Fernando Pessoa

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Introdução Fernando Pessoa, o grande e notável poeta português, aquele que honrou de forma explêndida a literatura portuguesa e colocou nela os poemas mais belos que alguma vez se vira. Pois bem, foi-nos pedido, no âmbito da disciplina de Português, que elaborássemos um livro online onde tentássemos contar e mostrar tudo aquilo que este poeta construiu desde 13 de Junho de 1888 até à data que vira ser marcada pela sua morte, 30 de Novembro de 1935. Neste breve trabalho vamos tentar contar a vida e apresentar a obra deste poeta. Iniciamos o trabalho, com uma breve nota biográfica sobre Pessoa, passaremos, depois, por apresentar fotos da vida do mesmo, destacamos alguns dos seus poemas, mostramos os principais acontecimentos ocorridos na sua época e, por fim, completamos o nosso trabalho uma atividade elaborada por nós próprias. Através da realização deste trabalho pretendemos ficar a conhecer mais acerca deste poeta português de forma criativa, recorrendo, para isso, a várias técnicas de pesquisa e recolha de informação. Organizando a informação recolhida e com o nosso empenho e dedicação neste trabalho desejamos que esteja bem feito. Destacamos a realização do poema da atividade de seleção, talvez, como a tarefa com mais dificuldade neste trabalho.

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Desenho de Fernando Pessoa


Nota Biográfica A 13 de Junho 1888 nasceu e viveu na casa do Largo de São Carlos, em Lisboa, o tal de Fernando António Nogueira Pessoa. Aos cinco anos vira o seu pai morrer, vítima de tuberculose e, posteriormente, o irmão. Em 1896 foi para a África do Sul, onde concluiu um ano de universidade. Em 1905, regressou a Lisboa sozinho e começou a frequentar o Curso Superior de Letras. Durante trinta anos dedicou-se exclusivamente à escrita e é nesta fase que escreveu todos os poemas que hoje fazem parte da sua obra. O poeta português falecera a 30 de Novembro de 1935.

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Desenho de Fernando Pessoa


Fotobiografia de Pessoa

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Fernando Pessoa com a mãe

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Fernando Pessoa em bebé

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Fernando Pessoa em criança


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Fernando Pessoa com 9 anos

Fernando Pessoa em crianรงa

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Fernando Pessoa em crianรงa


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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa em Lisboa


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A Ăşltima foto do poeta

Fernando Pessoa


Breve antologia Poemas do ortónimo

Como Te Amo Como te amo? Não sei de quantos modos vários Eu te adoro, mulher de olhos azuis e castos; Amo-te com o fervor dos meus sentidos gastos; Amo-te com o fervor dos meus preitos diários. É puro o meu amor, como os puros sacrários; É nobre o meu amor, como os mais nobres fastos; É grande como os mares altisonos e vastos; É suave como o odor de lírios solitários. Amor que rompe enfim os laços crus do Ser; Um tão singelo amor, que aumenta na ventura; Um amor tão leal que aumenta no sofrer; Amor de tal feição que se na vida escura É tão grande e nas mais vis ânsias do viver, Muito maior será na paz da sepultura!

Fernando Pessoa, "Inéditos – Poemas de Lança-Pessoa – Manuscrito (Junho/1902)"

Caricatura de Fernando Pessoa

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Teus Olhos Entristecem

Sorriso Audível das Folhas

Teus olhos entristecem Nem ouves o que digo. Dormem, sonham esquecem... Não me ouves, e prossigo.

Sorriso audível das folhas Não és mais que a brisa ali Se eu te olho e tu me olhas, Quem primeiro é que sorri? O primeiro a sorrir ri.

Digo o que já, de triste, Te disse tanta vez... Creio que nunca o ouviste De tão tua que és. Olhas-me de repente De um distante impreciso Com um olhar ausente. Começas um sorriso. Continuo a falar. Continuas ouvindo O que estás a pensar, Já quase não sorrindo. Até que neste ocioso Sumir da tarde fútil, Se esfolha silencioso O teu sorriso inútil. Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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Ri e olha de repente Para fins de não olhar Para onde nas folhas sente O som do vento a passar Tudo é vento e disfarçar. Mas o olhar, de estar olhando Onde não olha, voltou E estamos os dois falando O que se não conversou Isto acaba ou começou? Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


Poemas dos heterónimos

Segue o teu destino Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias. A realidade Sempre é mais ou menos Do que nós queremos. Só nós somos sempre Iguais a nós-próprios. Suave é viver só. Grande e nobre é sempre Viver simplesmente. Deixa a dor nas aras Como ex-voto aos deuses. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode Dizer-te. A resposta Está além dos deuses. Mas serenamente Imita o Olimpo No teu coração. Os deuses são deuses Porque não se pensam. Ricardo Reis

Amo o que Vejo Amo o que vejo porque deixarei Qualquer dia de o ver. Amo-o também porque é. No plácido intervalo em que me sinto, Do amar, mais que ser, Amo o haver tudo e a mim. Melhor me não dariam, se voltassem, Os primitivos deuses, Que também, nada sabem. Ricardo Reis, in "Odes" (Inédito) Heterónimo de Fernando Pessoa

Cumpre-te Hoje, não Esperando Não queiras, Lídia, edificar no spaço Que figuras futuro, ou prometer-te Amanhã. Cumpre-te hoje, não 'sperando. Tu mesma és tua vida. Não te destines, que não és futura. Quem sabe se, entre a taça que esvazias, E ela de novo enchida, não te a sorte Interpõe o abismo? Ricardo Reis, in "Odes" Heterónimo de Fernando Pessoa

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Ricardo Reis


Não, não é cansaço...

Ah, um Soneto...

Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar. É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Como tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos

A Frescura Ah a frescura na face de não cumprir um dever! Faltar é positivamente estar no campo! Que refúgio o não se poder ter confiança em nós! Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros, Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo, Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que'eu saberia que não vinha. Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida. Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação. E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora, Deliberadamente à mesma hora... Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico. É tão engraçada esta parte assistente da vida! Até não consigo acender o cigarro seguinte... Se é um gesto, Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

Meu coração é um almirante louco que abandonou a profissão do mar e que a vai relembrando pouco a pouco em casa a passear, a passear... No movimento (eu mesmo me desloco nesta cadeira, só de o imaginar) o mar abandonado fica em foco nos músculos cansados de parar. Há saudades nas pernas e nos braços. Há saudades no cérebro por fora. Há grandes raivas feitas de cansaços. Mas — esta é boa! — era do coração que eu falava... e onde diabo estou eu agora com almirante em vez de sensação? ... Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa

Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa

Álvaro de Campos

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A Espantosa Realidade das Cousas A espantosa realidade das cousas É a minha descoberta de todos os dias. Cada cousa é o que é, E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, E quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo. Tenho escrito bastantes poemas. Hei de escrever muitos mais. Naturalmente. Cada poema meu diz isto, E todos os meus poemas são diferentes, Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto. Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra. Não me ponho a pensar se ela sente. Não me perco a chamar-lhe minha irmã. Mas gosto dela por ela ser uma pedra, Gosto dela porque ela não sente nada. Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo. Outras vezes oiço passar o vento, E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido. Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto; Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo, Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar; Porque o penso sem pensamentos Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Esqueço do Quanto me Ensinaram Deito-me ao comprido na erva. E esqueço do quanto me ensinaram. O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio, O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa. O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos. O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava. Alberto Caeiro, in "Fragmentos" Heterónimo de Fernando Pessoa

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela, Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela, E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela. Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança. Amar é pensar. E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela. Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. Tenho uma grande distracção animada. Quando desejo encontrá-la Quase que prefiro não a encontrar, Para não ter que a deixar depois. Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela. Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

Alberto Caeiro

Uma vez chamaram-me poeta materialista, E eu admirei-me, porque não julgava Que se me pudesse chamar qualquer cousa. Eu nem sequer sou poeta: vejo. Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho: O valor está ali, nos meus versos. Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade. Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" Heterónimo de Fernando Pessoa

Alberto Caeiro

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Época de Fernando Pessoa em imagens

Mapa cor-de-rosa (1886)

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Ultimato Inglês (1890)

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Regicídio (1907)

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Implantação da República (1910)


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Sid贸nio Pais (1918)

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Revolução 28 de Maio de 1926

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Pessoa visto pelos outros “Domingo, 5 de Outubro de 2008

Sobre Fernando Pessoa Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, como se fosse a primeira vez. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um camões muito maior que o antigo, mas, sendo uma pessoa conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca visto antes em Portugal. Naturalmente, a sua vida era feita de dias, e dos dias sabemos nós que são iguais mas não se repetem, por isso não surpreende que em um desses, ao passar Fernando diante de um espelho, nele tivesse percebido, de relance, outra pessoa. Pensou que havia sido mais uma ilusão de óptica, das que sempre estão a acontecer sem que lhes prestemos atenção, ou que o último copo de aguardente lhe assentara mal no fígado e na cabeça, mas, à cautela, deu um passo atrás para confirmar se, como é voz corrente, os espelhos não se enganam quando mostram. Pelo menos este tinha-se enganado: havia um homem a olhar de dentro do espelho, e esse homem não era Fernando Pessoa. Era até um pouco mais baixo, tinha a cara a puxar para o moreno, toda ela rapada. Com um movimento inconsciente, Fernando levou a mão ao lábio superior, depois respirou fundo com infantil alívio, o bigode estava lá. Muita coisa se pode esperar de figuras que apareçam nos espelhos, menos que falem. E porque estes, Fernando e a imagem que não era a sua, não iriam ficar ali eternamente a olhar-se, Fernando Pessoa disse: “Chamo-me Ricardo Reis”. O outro sorriu, assentiu com a cabeça e desapareceu. Durante um momento, o espelho ficou vazio, nu, mas logo a seguir outra imagem surgiu, a de um homem magro, pálido, com aspecto de quem não vai ter muita vida para viver. A Fernando pareceu-lhe que este deveria ter sido o primeiro, porém não fez qualquer comentário, só disse: “Chamo-me Alberto Caeiro”. O outro não sorriu, acenou apenas, frouxamente, concordando, e foi-se embora. Fernando Pessoa deixou-se ficar à espera, sempre tinha ouvido dizer que não há duas sem três. A terceira figura tardou uns


segundos, era um homem daqueles que exibem saúde para dar e vender, com o ar inconfundível de engenheiro diplomado em Inglaterra. Fernando disse: “Chamo-me Álvaro de Campos”, mas desta vez não esperou que a imagem desaparecesse do espelho, afastou-se ele, provavelmente tinha-se cansado de ter sido tantos em tão pouco tempo. Nessa noite, madrugada alta, Fernando Pessoa acordou a pensar se o tal Álvaro de Campos teria ficado no espelho. Levantou-se, e o que estava lá era a sua própria cara. Disse então: “Chamo-me Bernardo Soares”, e voltou para a cama. Foi depois destes nomes e alguns mais que Fernando achou que era hora de ser também ele ridículo e escreveu as cartas de amor mais ridículas do mundo. Quando já ia muito adiantado nos trabalhos de tradução e poesia, morreu. Os amigos diziam-lhe que tinha um grande futuro na sua frente, mas ele não deve ter acreditado, tanto assim que decidiu morrer injustamente na flor da idade, aos 47 anos, imagine-se. Um momento antes de acabar pediu que lhe dessem os óculos: “Dá-me os óculos” foram as suas últimas e formais palavras. Até hoje nunca ninguém se interessou por saber para que os queria ele, assim se vêm ignorando ou desprezando as últimas vontades dos moribundos, mas parece bastante plausível que a sua intenção fosse olhar-se num espelho para saber quem finalmente lá estava. Não lhe deu tempo a parca. Aliás, nem espelho havia no quarto. Este Fernando Pessoa nunca chegou a ter verdadeiramente a certeza de quem era, mas por causa dessa dúvida é que nós vamos conseguindo saber um pouco mais quem somos.” - Publicado por Fundação Saramago

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“Fernando Pessoa O escritor Fernando Pessoa expõe-nos as suas ideias… AS NOSSAS ENTREVISTAS O escritor Fernando Pessoa expõe-nos as suas ideias sobre os vários aspectos da arte e da literatura portuguesas. Entrevistar Fernando Pessoa não é fácil. Só é fácil entrevistar os que não pensam, os que não se importam de jogar palavras, ao acaso, atirando-as impudicamente ao vento. Fernando Pessoa, quer como Fernando Pessoa, quer como Álvaro de Campos - o engenheiro alucinado que comporta o seu segundo eu, e que aparece em toda a parte, enchendo a voz de louvores e raios para a Vida - raios partam a Vida e quem lá ande! -é sempre um voluptuoso do raciocínio, um amante da inteligência, podemos dizer: um criador duma nova Razão. Paradoxal? Sem dúvida. Mas há tantas maneiras de ser paradoxal! A entrevista que se segue, toda escrita por Fernando Pessoa - nem podia deixar de ser, visto Fernando Pessoa possuir uma sintaxe própria para a lógica própria dos seus pensamentos, misto de seriedade e de ironia, vai decerto prender o espírito dos leitores... Atenção! Fernando Pessoa vai responder às perguntas que lhe fizemos: - Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos - político, moral e intelectual? - A nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradição, não envolve contradição nenhuma. Eu explico.”

Documentário sobre Fernando Pessoa

http://www.youtube.com/watch?v=3b2Q_DJDMho


“FERNANDO PESSOA - O POETA PORTUGUÊS por José de Almada-Negreiros Publicado no Diário de Lisboa, em 6 de Dezembro de 1935, em homenagem póstuma.

Não tenho uma carta de Fernando Pessoa. A nossa convivência de vinte cinco anos foi exclusivamente feita pela Arte. E faz-me crer que Fernando Pessoa não manteve, fora da sua família, intimidade de outra espécie com ninguém. Ou de Arte ou nenhuma. Na dedicatória da "Cena do Ódio" escrevi: "A Álvaro de Campos com a dedicação intensa de todos os meus avatares". Por seu lado, na mesma época (1915) Fernando Pessoa dedicava-me "A passagem das horas" com estas palavras: "Almada-Negreiros, você não imagina como eu lhe agradeço o facto de você existir". Estas dedicatórias são as das nossas próprias obras. Nunca eu admirei mais a alguém, e nunca ninguém soube ser tão francamente generoso para comigo! Ao entregar-lhe um exemplar do nº 1 dos meus cadernos SW, escrevi esta linha: "A Fernando Pessoa, ao melhor companheiro literário que um autor possa alguma vez encontrar". Fiz a citação destas dedicatórias para que melhor se veja como apenas a Arte é o bastante para fornecer a amizade. Quero lembrar-me nas nossas conversas de alguma coisa que melhor sirva de seu retrato para hoje, e recordo estas palavras de Fernando Pessoa: "Você não me verá nunca escrever sobre quem quer que seja senão literariamente acerca do literato. O espírito crítico afasta-se da convivência com os que conhecemos mais perto e chegamos a estimar. É indispensável que alguém fique de fora para julgar. Ficar fora do que se sabe que fica lá dentro é ser crítico. À parte isto, há outros sobre os quais nunca escreverei: aqueles que têm voz própria. Acho que juntar mais uma opinião à de um autor que já a tem, não é fazer crítica, é querer ser crítico. São bem raros aqueles que puseram o dedo em si próprios, e a crítica não pode ir mais longe do que isto. Mas quanto um poeta nasce nos seus próprios versos, devemos querê-lo através de tudo; e o crítico, sem deixar de o ser, cede espaço ao arauto. Porque a idade perigosa dos poetas é a dos versos. Quantos poetas morreram nos seus próprios versos! Quantos versos ficaram sem o seu poeta." Não conheci exemplo igual ao de Fernando Pessoa: o do homem substituído pelo poeta! Esta sobreposição do poeta ao homem, outro que não Fernando Pessoa poderia têla feito mal. Mas ele tinha posto efectivamente toda a sua vida na Poesia; ele é exactamente o poeta dos seus versos. A esta cedência do homem ao poeta, chamem-lhe renúncia, convento, morfina, clausura, segredo de resistir, chame-lhe o que quiser, mas Fernando Pessoa fê-lo bem,


com inteireza, com altura e com as suas próprias posses. E até que um dia de 1935 o poeta foi pessoalmente enterrar o corpo que o acompanhou toda a vida. Ficou só o poeta, aceso em olhos perenes de Portugal, do Mundo e do Futuro. Ficou só o poeta, o único poeta que não viu as suas próprias aventuras naturais de homem. [...] É nestas circunstâncias que reconheço em Fernando Pessoa o melhor exemplo do português de hoje, e o menos passageiro. Um exemplo de português no mundo e no futuro, aqui no Portugal de hoje. Foram também assim desta maneira todos os melhores exemplos na História Portuguesa e nas outras. Mas se por ventura Portugal é uma terra de Poetas, oficialmente não o é: O heroísmo da independência espiritual do homem, só um poeta o saberá ver noutro poeta. Mais ninguém! Os portugueses parece estarem ainda no momento de não suporem a independência senão quanto à sua nacionalidade, isto é, ainda não supõem a independência da nossa nacionalidade. Em todo o caso eu, que sou pelo menos tão português como qualquer outro, tenho a honra de publicar que não fomos nunca nós, os seus companheiros, que, em nenhuma circunstância da vida, lhe negámos o seu primeiro lugar! Os mortos têm uma paz que chega a ser a inveja dos vivos. Dessa paz ergue-se o silêncio que fala a quem o escute. Aos que me possam crer aqui lhes juro ter ouvido o silêncio dizer: "A grande diferença entre Arte e Política é a de que a Arte não tem ódios." E não haja confusões, senhores! Fernando Pessoa foi exclusivamente poeta: o poeta português Fernando Pessoa.”

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Fernando Pessoa por Almada Negreiros


Lista bibliográfica “Potência e Negatividade em Fernando Pessoa” Autor: Duarte, Lelia Parreira Editora: Veredas & Cenários “Fernando Pessoa - Uma quase autobiografia” Autor: Cavalcanti Filho, José Paulo Editora: Record “O paganismo em Fernando Pessoa - e sua projeção” Autor: Castro, Ernesto Manuel de Mello e Editora: Annablume

“Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo” Autor: Martins, Fernando Cabral Editora: Leya Brasil

“Fernando Pessoa, o menino da sua mãe” Autor: Pais, Améria Pinto Editora: Companhia das Letras “Cartas Astrológicas de Fernando Pessoa” Autor: Pizzaro, Paulo C. Editora: Bertrand (Portugal) “Poesia de Fernando Pessoa para todos” Autor: Abreu, Estela dos Santos Editora: Martins Editora “Conversa com Fernando Pessoa” Autor: Moises, Carlos Felipe Editora: Ática


Atividade de seleção Atividade E Não, não é Cansaço... Não, não é cansaço... É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, E um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo... Não, cansaço não é... É eu estar existindo E também o mundo, Com tudo aquilo que contém, Como tudo aquilo que nele se desdobra E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais. Não. Cansaço por quê? É uma sensação abstrata Da vida concreta — Qualquer coisa como um grito Por dar, Qualquer coisa como uma angústia Por sofrer, Ou por sofrer completamente, Ou por sofrer como... Sim, ou por sofrer como... Isso mesmo, como...

36 Álvaro de Campos

Como quê?... Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. (Ai, cegos que cantam na rua, Que formidável realejo Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) Porque oiço, vejo. Confesso: é cansaço!...

37 Assinatura de Álvaro de Campos

Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa


Um sentimento confuso Que exerce em mim um abuso Apesar da tua exigência Permanece em mim maior resistência.

Não sou eu quem escreve Mas sim quem vê como deve Na ironia do repouso Nem o pensamento descanso.

Entre os meus pensamentos Que decerto não domino Recordo momentos Que por pouco ilumino.

Neste meu dilema Descubro que num abraço Cabe todo um poema onde Confesso: é cansaço!...

Decidimos escolher este poema de Álvaro de Campos pois nos pareceu um poema bastante interessante e diferente de todos os outros que lemos. Ao ler este poema verificamos um “eu” poético triste, cansado, desanimado e desiludido. O oposto do poeta que escreveu a “Ode Triunfal”. Tentámos demonstrar num poema nosso uns sentimentos um pouco melhores do que no “Não, não é cansaço...”.

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Conclusão Fernando António Nogueira Pessoa, o poeta. Concluído o dossier temático de Pessoa, podemos afirmar que este senhor foi, sem qualquer dúvida, o grande Fernando Pessoa. Possuímos, agora, mais informações acerca do tal de Fernando Pessoa. Tentámos relatar, de forma breve, a sua vida, tanto em imagens como em textos, e apresentámos neste trabalho alguns poemas da sua vasta obra literária. Concluímos o trabalho com mais informações acerca deste poeta português.

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Bibliografia/Webgrafia  Catarino, Ana et al (2013). Outros Percursos. Porto: Edições ASA  Gaspar, Luís. Fernando Pessoa: Biografia. Recuperado em 14 de Novembro de 2013 de http://www.truca.pt/ouro/biografias1/fernando_pessoa.html  Fernando Pessoa- Poeta.(2008) Recuperado em 14 de Novembro de 2013 de http://www.biografia.inf.br/fernando-pessoa-poeta.html  CITADOR. Fernando Pessoa: Como Te Amo. Recuperado em 14 de Novembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/como-te-amo-fernando-pessoa  CITADOR. Fernando Pessoa: Teus Olhos Entristecem. Recuperado em 14 de Novembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/teus-olhos-entristecem-fernando-pessoa  CITADOR. Fernando Pessoa: Sorriso Audível das Folhas. Recuperado em 14 de Novembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/sorriso-audivel-das-folhas-fernando-pessoa  Siqueira, Rodrigo Fernando Pessoa e os seus heterónimos. Recuperado em 16 de Novembro de 2013 de http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/pessoa.html  Tinna.(2008) Qual contexto histórtico de portigal na época de Fernando Pessoa? Recuperado em 16 de Novembro de 2013 de http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20070928113412AAKHO4Z

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 


 CITADOR. Fernando Pessoa: Cumpre-te Hoje, não esperando. Recuperado em 8 de Dezembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/cumprete-hoje-nao-esperandoricardo-reisbrheteronimo-de-fernando-pessoa  CITADOR. Fernando Pessoa: Ah, um soneto... Recuperado em 8 de Dezembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/ah-um-soneto-alvaro-de-camposbrbheteronimo-defernando-pessoa  CITADOR. Fernando Pessoa: A frescura. Recuperado em 8 de Dezembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/a-frescura-alvaro-de-camposbrbheteronimo-defernando-pessoa  CITADOR. Fernando Pessoa: Esqueço do quanto me ensinaram. Recuperado em 8 de Dezembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/esqueco-do-quanto-meensinaram-alberto-caeirobrheteronimo-de-fernando-pessoa  CITADOR. Fernando Pessoa: A espantosa realidade das cousas. Recuperado em 8 de Dezembro de 2013 de http://www.citador.pt/poemas/a-espantosa-realidade-das-cousasalberto-caeirobrheteronimo-de-fernando-pessoa

Imagens presentes no trabalho: 1- http://1.bp.blogspot.com/_uj-3sa16990/TPjpL6GCSI/AAAAAAAAAKg/lPWjxglv9E4/s1600/fernando-pessoa2.jpg 4- http://mizebeb.files.wordpress.com/2012/01/fernando-pessoa.jpg 5- http://biografia.inf.br/wp-content/uploads/2008/11/personalidades-poetas-portugal-fernandopessoa-ainda-bebe-com-a-mae-maria-magdalena.jpg 6- http://img100.imageshack.us/img100/1138/scanpes.jpg 8- http://2.bp.blogspot.com/-usvR4Ob9IE/TjxjOU7uDII/AAAAAAAAFyg/tLBKEbUo3Y0/s1600/personalidades-poetas-portugalfernando-pessoa-aos-10-anos-em-durban-africa-do-sul.jpg 9- http://static.hsw.com.br/gif/fernando-pessoa-5.jpg 10- http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/fernando-pessoa/imagens/fernando-pessoa-10.jpg 11- http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/42/216_2310-FernandoPessoa.jpg/200px-216_2310-Fernando-Pessoa.jpg 12- http://www.fpessoa.com.ar/imagens/pessoan.jpg 13 - http://mskong.files.wordpress.com/2010/08/010-exercicio-com-pontos-fernando-pessoaclaudia-rosete-aput-007.jpg 14- http://fotos.sapo.pt/UEipZtpCOuIdNeLSoU1K/ 15- http://www.decoracaocasa.com/public/images/produtos/5710/variantes/5711/pt/galeria/fernando%20pessoa_decorativo s%20de%20parede_m-ms4.jpg 16- http://espacoastrologico.files.wordpress.com/2011/05/fernando-pessoa-heteronimos-costapinheiro-oleo-sobre-tela-1978.jpg


17- http://www.cfh.ufsc.br/~magno/creis.gif 18- http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Acampos.jpg/150pxAcampos.jpg 19- http://4.bp.blogspot.com/ufD4V6pzPe0/TyhNsVy8JGI/AAAAAAAAA6I/Ca93LkystHQ/s400/alberto%2Bcaeiro.jpg 21- http://itinerante.pt/wp-content/uploads/2010/12/31jan1891_1.jpg 22- http://historiaaberta.com.sapo.pt/graf/doc012_01.jpg 23http://1.bp.blogspot.com/_2R3MJ0Y9LVY/TNd2yeJxZ5I/AAAAAAAAJnA/ehMqSU9jtAw/s1600/Repub lica.jpg 24- http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e4/Austrians_executing_Serbs_1917.JPG 25- http://bigpicture.ru/wp-content/uploads/2011/07/1161-990x663.jpg 26- http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2007/09/primeira-guerra-mundial1.jpg 27- http://picpost.mthai.com/pic/17797/264605.jpg 29- http://www.vidaslusofonas.pt/sidonio_pais1.jpg 30http://1.bp.blogspot.com/_dMk5Rmt0EyI/S2xnynY0mbI/AAAAAAAAGOc/cTVd0EOd868/s320/sidoni o_pais.jpg 31- http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b0/Desfile_de_tropas_28_de_Maio_1926.jpg 32- http://1.bp.blogspot.com/_w5tiyeHBJ94/ShgF9_z3OI/AAAAAAAABPE/KEbZ3ACruvU/s320/Antonio_granjo_funeral_lisboa.jpg 33- http://www.areamilitar.net/historia/images/28Maio1926_GomCosta.jpg 34- http://omeupessoa.files.wordpress.com/2013/02/fernando-pessoa-stencil1.jpg 35- http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/gif-store/fernando.pessoa.gif 36- http://triplicarte.files.wordpress.com/2011/05/fernandopessoaalvarodecampos.jpg 37- http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/uploads/RTEmagicC_Alvaro_de_Campos.jpg.jpg 38- http://1.bp.blogspot.com/uin_GI6AL6M/TtFsHOM9hzI/AAAAAAAABbc/YzJHK9UIKFU/s400/caneta.jpg 39- http://moodle.epafbl.edu.pt/file.php/1/201112/FernandoPessoaAulaApicultura/fernando_pessoa.jpg 40- http://projectoadamastor.org/wp-content/uploads/2013/10/Fernando-Pessoa-na-Baixa.jpg 41- http://www.querofrases.com/img/assinaturas/FernandoPessoaAssinatura.png


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Assinatura de Fernando Pessoa

O Tal de Fernando Pessoa  

Ana Carolina e Sara Martins, 12ºD