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UFPR

DESIGN DE PRODUTO

ORIENTADOR

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RONALDO CORRÊA

COORIENTADORA

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ANNA VÖRÖS


É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consiste em aprender a dar o devido tempo às coisas.

Carlo Petrini


ESTE PROJETO BASEIA-SE NA PRODUÇÃO DE QUATRO OBJETOS PARA CASA, DESTINADOS À JOVENS CASAIS CURITIBANOS DECORANDO SEU PRIMEIRO APARTAMENTO JUNTOS, NO CONCEITO DE SLOW LIVING.


AOS QUERIDOS Ronaldo Corrêa Anna Vörös André Gomide Izair Zanotti Claudio Bazani O Cara do Ferro Velho Heloisa Strobel Jorge Rodrigo Lemos Eduardo Iatski Gabriela Takiuchi Marcelo Straiotto Michele Farran Loire Nissen Ken Fonseca Claudia Zacar Sergio Scheer Priscila Busato Victor Uchoa Camila Villanova Zezinho Tok & Stok


QUEBRANDO GALHOS DESDE 2015


CADA COISA NO SEU LUGAR CADA COISA NO SEU LUGAR CA

TUDO COMEÇOU QUANDO MANIFESTOU

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A TECNOLOGIA FACILITOU A VIDA?

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SL O W

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ESTRUTURANDO EMOÇÃO

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OBJETO + USUÁRIO

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FEITO À MÃO

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ECONOMIA CRIATIVA

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CONTEXTO CURITIBANO

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PRODUTORES

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COM AMOR PARA

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COLEÇÃO

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ADA COISA NO SEU LUGAR CADA COISA NO SEU LUGAR CADA COISA NO

PRA ONDE VAI ESSA TAL COLEÇÃO? INFLUÊNCIAS E FORMAS

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PROCESSO CRIATIVO

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DESIGN ESCANDINAVO + DESIGN BRASILEIRO

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DE VOLTA AOS DESENHOS

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ÚLTIMOS DETALHES COADOR MORINGA EXTENSOR LUMINÁRIA

118 124 134 144 154W

E AI, O QUE ACHARAM?

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CONCLUSÃO

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PARTE CHATA

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REFERÊNCIAS

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Lá vem... Queremos desenhar a partir da leitura de mundo onde compreendemos tecnologias de ponta, entendemos a importância delas no mundo e não as negamos. Porém com a globalização do movimento slow living observamos que há uma certa carência por objetos que expressam humanidade. Seja pela ausência de olhar sobre a cultura, pela cara de objeto artificial, ou até mesmo pela homogeneidade em relação a produtos da mesma categoria. Queremos um produto feito a partir de materiais e de pequenos produtores de nossa região, onde o consumidor desse objeto tome consciência de como ele é precioso, honesto em sua construção e sustentável em uma esfera social regional. O objeto se torna precioso na quantidade de tempo para o produzir, nas possíveis imperfeições vindas do material e do processo artesanal, nos formatos próximos porém que se diferenciam sutilmente através de texturas um tanto quanto incontroláveis e que por vez tornam o objeto único, porém ainda mais único quando ele, através dessa conexão humana com o seu consumidor, é vivido.

PRA COMEÇAR 8

Buscamos ainda um objeto que se configure em produção de pequena série, quase provinciana, porém sem perder a possibilidade de alcançar um contexto global, contudo levando e manifestando essa carga de valorização da economia e produtores locais a fim de abrir espaço para a maior diversidade de produtos e expressão da confecção específica e pessoal de cada produtor.


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// quando eu tomo cafĂŠ fico meio agitada assim 10


Hoje Pra começar acho que deveríamos entender quem são as pessoas que vão construir esse projeto, uma delas é a Ana. Quem? Uma mulher nos seus vinte e poucos anos, nascida no bairro Mercês, de Curitiba - uma cidade de climas confusos - na qual, em sua infância, caminhava todas as manhãs até a escola observando as rachaduras no concreto das calçadas, passando gravetos nos portões pra ouvir o som que cada um deles fazia, não podendo pisar em ladrilhos brancos - eles eram a lava - quando haviam pretos pontes super seguras a prova de lava, ela também colecionava casulos de borboletas que estavam se formando, montava armadilhas com seu vizinho pra pegar seu gato tico, fazia “poções” esmagando folhas e pequenos frutos para salvar sua prima “envenenada” pela bruxa da garagem, entre outras milhares de coisas fascinantes que toda a criança é capaz de criar em qualquer situação. Tudo era uma aventura. E assim essa garota que “inventava moda”, segundo sua avó, cresceu se redescobrindo e reinventando para chegar em seus 17 anos e escolher cursar design de produto. 11

Hoje em dia ela continua sendo uma estudante, porém em seu último ano de curso, também está começando um ateliê de produtos pequenos, ainda um tanto tímido, além desses dois rótulos, estudante e designer de produtos, Ana também é a mulher que viaja sempre que possível desvendando o desconhecido mundo para ela. Seja num retiro numa fazenda no interior de Santa Catarina. Pulando em uma cama elástica numa noite fria - com fome - em Berlim. Balançando na rede de uma varanda sob o céu estrelado de Umuarama, cidade de seus avós. Conversando com um senhor inglês em um avião sobrevoando o interior da França. Comendo pizza com um amigo, numa noite de céu aberto, sobre um deck qualquer a beira de um canal em Veneza. Desatolando o carro da estrada de barro, no calor do meio dia, a caminho de uma cachoeira da Lapa. Numa doceria chamada serendipity na época de halloween, em Nova York. Servindo um jantar italiano acompanhado de um bom vinho, numa noite de tempestade com seus mais novos amigos, no perímetro de uma praia Catarina. Ouvindo dois senhores conversar, numa reserva com vários trailers e música sulista, na cadeia de ilhas de Key West. Ou no cume do Anhangava, numa noite de superlua, em meditação... E em tantos outros momentos, extraordinários ou mesmo ordinários, colocando as lentes da infância mediante a cada uma das situações (mesmo que ela possa parecer boba) pois acredita que todo lugar tem algo fascinante que podemos enxergar, aproveitar e viver.


Co vis m u ed ão, ma c qu itand a qu âme de e am o te e po ra n ap smo a m xtos de a mã as rese ntar onta , fot pass o a Qu cois ntaç e m r ce ogra ar h que err e am as q ões. ont nten fias oras ador na o e p a ac ue g A qu ar r as d e ví olh a re ma er im ost al ela e deo and gis ss sist a d a e não tóri pai s. o trar u a ( ir, e t n o se ain ud pens cans s, e éis Ela é ma sua ja na da m o apr ar e a de dita fotog aqu tela ofi ai en rep pe r e ráfi ela cin s q der en sq ui ree cos a o ua a s u n ndo lóg ar so sar s dita , a c o ica br ob r oz ass atr e e re inh un av las a). to és . é m do ão

Inspirações

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POR QUE? Isso partiu da observação de tudo ao nosso redor, mas acho que no meu caso particularmente começou mesmo quando eu voltei pra casa do meu mochilão no inverno passado. Quando eu com a minha mochila 45 litros, cheia de roupas sujas e memórias, entramos juntas no meu quarto... Tive vontade de jogar tudo fora, pintar as paredes e começar de novo. Era como se nada naquele espaço fizesse sentido, eu não precisava de quase nada ali. Queria um quarto em branco, um colchão, um armário, minha caixinha de memórias e só. Sentia que nenhum daqueles objetos me traduzia, não conseguia enxergar eles fazendo sentido comigo naquele espaço. A vontade era de começar de novo, pendurar as minhas memórias na parede, espalhar elas pelo chão, percebi que nesse quarto - único e exclusivamente meu - queria coisas que expressassem quem eu era, o que vivi, conheci, coletei, os objetos que eu amava, não os que eu havia comprado simplesmente por comprar, ou gostando mais ou menos, para preencher o vazio. Foi então que comecei a entender o quão pouco a gente realmente precisa para viver a vida. 13


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// pega leve, a vida ĂŠ uma sĂł 14

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O outro elemento desse projeto é o Heitor. Quem? Um homem que ainda se considera um menino no mundo adulto, mesmo que com seus latentes 22 invernos no currículo. Leva o mundo dia após dia como um penetra de jeans em uma festa blacktie, sempre admirando (ou lamentando) a velocidade na qual sua vida passa. Parecia ontem o dia em que viajou de ônibus sozinho pela primeira vez, como se nunca mais fosse ver sua mãe, a qual se despedia com um beijo em sua testa enquanto ele se sentia como um bezerro a caminho do seu antecipado abate. Natural de Foz do Iguaçu e criado na cidade das estações-tubo, passou a maior parte da infância na frente de um quadrado colorido exibindo diferentes e vibrantes cores em 16-bits controlados por um garoto com os pés cruzados como índio, calos nos dedos (de tanto apertar botões) e a bunda roxa (de tanto ficar sentado). Quando não estava hipnotizado pela cultura estadunidense e japonesa diante de seus olhos em canais de desenho animado, gostava de desenhar e colecionar besteirinhas, de pares de meias até brindes da Coca-Cola. Gastava todos os seus dez reais mensais de mesada com nada além desses objetos que hoje, jogados em um caixa, nem sabe mais aonde está, mas guarda no seu coração a memória de abrir e zelar por eles. Desde que se lembra por gente, vive no mesmo apartamento na divisa do Centro e Mercês, em Curitiba, onde nessas quadras conhece cada metro quadrado. Não trocaria essa infância por nada, da visão de sua janela no segundo andar as casas não tinham a grama mais verde — verde mesmo era o cabelo de alpiste do seu bonequinho de meia de nylon estufado com lascas de madeira, que crescia conforme ele regava. 15

Hoje

Hoje é um estudante com notas médias e sonhos altos, dividindo a vida entre seus trabalhos, seu estágio e namorada, e ainda arranjando tempo para ver aquele filme ilegalmente copiado da Internet. Sonha em trabalhar para um empresa de brinquedos, desenhando o futuro dos jovens, como se estivesse alongando sua infância que passou sem se despedir a anos atrás, ou na criação de imagens para o espaço publicitário, sempre achou isso genial. Tímido, sempre foi de poucas amizades, tem os mesmos três amigos eternos que o seguem por mais de dez anos, recentemente incluindo a Ana, hoje sua melhor amiga, extremamente diferentes nos seus gostos mas com corações iguais. Fez do seu quarto seu pequeno mundo, como o Jacob Tremblay no filme Room. Sua tela em branco, reformando, mudando as coisas de lugar, a cor das paredes e nelas desenhando, construía, desconstruía e destruía esse espaço, que hoje pinta o retrato de Heitor. Cada objeto escolhido por ele constitui uma parte da sua trajetória até aqui, em cada canto uma história, pode escrever um livro sobre cada um. Provavelmente o mais íntimo espaço da sua vida, impenetrável em entendimento, mesmo por suas pessoas mais próximas.


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POR QUE? Se abrir minha primeira gaveta, a que está mais próxima a mim a todo tempo, vai encontrar um amontoado desorganizado de objetos que cumprem excepcionalmente a sua função. Eles são úteis e por isso preciso deles à minha mão o tempo todo, porém, quando algum deles falha em me ajudar, é de maneira fria descartado como se não fosse nada. Como se eu não tivesse o segurado em minhas mãos por tanto tempo, tanto que o único pesar no meu coração será o valor a ser desembolsado para adquirir outro igual. Mas por que? É o objeto que gosto de ter sempre ao meu lado, mas de maneira obrigada, friamente funcional, como um remédio azedo que desce rasgando a garganta, mas que mantém vivo. Sentiria mais pesar se perdesse um brinquedo que comprei em um encontro com uma garota que gostava. Nunca brinquei com ele, ele continua sentado na minha estante, nunca sequer mexi nele, mas é mais próximo a mim do que qualquer objeto nessa gaveta de utilidades. Esses objetos unicamente funcionais não representam ninguém, e assim como vários objetos dentro do meu, do seu, e de vários apartamentos por Curitiba e pelo mundo. 17


INFÔ


TUDO COMEÇOU QUANDO... O homem sempre almejou meios que lhe proporcionassem um menor esforço na fabricação de seus produtos, com um melhor acabamento, grandes quantidades e homogeneização dos mesmos. Com isto conseguiu mais conforto e segurança na execução de suas tarefas laborais, além do aumento de qualidade no produto final.

Desde a Revolução Industrial até os dias atuais temos presenciado as inovações tecnológicas facilitadoras dos desafios a que o homem moderno se propôs a solucionar. Devido ao desenvolvimento obtido através da criação e desenvolvimento de maquinário tecnológico a relação indústria-consumidor tornouse cada vez mais distante deixando a humanização do consumo em segundo plano. As revoluções industriais possibilitaram diversos avanços nos campos de produção e tecnologia. A partir delas tivemos automações de processos tornando o trabalho humano repetitivo, dispensando a diversidade de técnicas manuais, possibilitando a produção em massa, com os princípios fordistas, podendo atender a grande massa da população, tais processos tornaram acessível produtos que uma vez eram inalcançáveis a uma parte da população.

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1 Através da revolução industrial na década de 1970, com o desenvolvimento de tecnologia high-tech e o toyotismo, as grandes empresas tornaram possível o atendimento de demandas e requisitos de diversos clientes ao redor do mundo, levando a produção a um nível global. Além de obter um sistema fabril computadorizado diminuiu a necessidade de recursos humanos, possibilitou o trabalho mais flexível, integrado em equipe, menos hierárquico, com sistemas de rodízio de tarefa que restabeleceram a possibilidade de uma ação criativa dos trabalhadores de cada setor. Consequentemente tornando os processos industriais um tiquinho mais humano. Porém, com esse pensamento de revolução industrial, continuaram as produções em massa onde milhares de produtos são produzidos distantes 21

de seus consumidores, de maneira homogênea, onde as formas acabaram atendo-se a facilidade de produção e a minimização de custos em função de lucros. Perde-se muito do humano, isso fica claro quando os produtores da maioria dos seus produtos estão do outro lado do mundo. Compreende-se que eles podem até fazer pesquisas e tentar entender o consumidor, mas estando longe de estabelecer uma conexão humana próxima, direta. Isso fica claro quando colocamos em contraste a uma economia local, na qual você pode estar em contato com o produtor, ter acesso ao processo e a indústria, além de tornar o consumo consciente em termos de onde seu dinheiro está circulando e incentivando a consciência quanto comunidade.


indivíduo distancia-se também Distanciando-se do objeto, o ões de produção capitalistas de seu semelhante. As relaç dispensam os homens de se conhecerem mutuamente.alho, a ao outro pelo seu trab O artesão se define e se mostr m da sua atividade prática. Co no processo e no resultado o ideal é retroceder ao trabalh isso não está dizendo que o a o próprio devir-humano. artesão - romantismo que neg o social r aspectos da transformaçã O que se pretende é explica za lidade. Com a industriali ção que configuram a individua al, no sentido de que já não o produto torna-se impesso de quem o fez. contém as particularidades Isilda Palangana,

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2002


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M A N I F E S T O U A desumanização em função de lucros por parte das grandes e médias indústrias se tornou fonte de revolta para produtores locais. Essa revolta tornouse sólida a partir da indústria alimentícia, com o surgimento do manifesto slow food, quando o jornalista Carlo Petrini se deparou a uma lanchonete McDonalds no centro de Roma. Nesse contexto global o movimento slow se encontra muito próximo ao reavivamento da economia local, pois o slow movement busca exatamente essa reumanização no cotidiano e em todas as áreas que envolvem seres humanos. A ideia é colocar os recursos humanos - que se configura como a grande massa de trabalhadores, tratados como recursos, sem nome, adquirida como números e sem carga individual - como seres humanos - aqueles que trabalham, tem nome, gostos, sentimentos e ritmos distintos. 24


O NOSSO SÉCULO, QUE SE INICIOU E TEM SE DESENVOLVIDO SOB A INSÍGNIA DA CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL, PRIMEIRO INVENTOU A MÁQUINA E DEPOIS FEZ DELA O SEU MODELO DE VIDA. SOMOS ESCRAVIZADOS PELA RAPIDEZ E SUCUMBIMOS TODOS AO MESMO VÍRUS INSIDIOSO: A FAST LIFE, QUE DESTRÓI OS NOSSOS HÁBITOS, PENETRA NA PRIVACIDADE DOS NOSSOS LARES E NOS OBRIGA A COMER FAST FOOD. UM FIRME EMPENHO NA DEFESA DA TRANQUILIDADE É A ÚNICA FORMA DE SE OPOR À LOUCURA UNIVERSAL DA FAST LIFE. QUE NOS SEJAM GARANTIDAS DOSES APROPRIADAS DE PRAZER SENSUAL E QUE O PRAZER LENTO E DURADOURO NOS PROTEJA DO RITMO DA MULTIDÃO QUE CONFUNDE FRENESI COM EFICIÊNCIA. NOSSA DEFESA DEVERIA COMEÇAR À MESA COM O SLOW FOOD. REDESCUBRAMOS OS SABORES E AROMAS DA COZINHA REGIONAL E ELIMINEMOS OS EFEITOS DEGRADANTES DO FAST FOOD. EM NOME DA PRODUTIVIDADE, A FAST LIFE MUDOU NOSSA FORMA DE SER E AMEAÇA NOSSO MEIO AMBIENTE. PORTANTO, O SLOW FOOD É, NESTE MOMENTO, A ÚNICA ALTERNATIVA VERDADEIRAMENTE PROGRESSIVA. A VERDADEIRA CULTURA ESTÁ EM DESENVOLVER O GOSTO EM VEZ DE ATROFIÁ-LO. Manifesto Slow Food, Folco Portinari, 1989 25


A I G O L O N A TEC

2 FACILITOU A VIDA? E m 1930, um senhor chamado John Maynard Keynes, um economista inglês, previu que seus netos trabalhariam algo em torno de três horas por dia.

Essa era a previsão de alguém que viveu no meio da revolução industrial, quando máquinas começaram a facilitar a vida de todos, tecidos teados com rapidez facilidade e outros poupatempos iriam propor mais velocidade em todos os aspectos da vida. Mas, se está lendo isso, você sabe que não foi exatamente o que aconteceu. Se décadas atrás, se escrevia cartas e passava-se as roupas à mão, seria lógico pensar que e-mails e máquinas de lavar tirariam tempo gasto em serviço e traduziria em tempo de lazer. Qualquer um pensaria assim. Mas, na contramão de o que todos pensavam, hoje trabalha-se mais do que nunca, com e-mails que chegam às 10 da noite e a demanda por atendimentos 24h. 26

Não só isso, hoje existe uma cultura de ansiedade e imediatismo muito maior. E-mails devem ser respondidos em até 24 horas, consumidores têm que ser atendidos em até 30 segundos, em centrais de SAC. Se entramos em algum vídeo no YouTube, a maioria das pessoas desiste de ver algum vídeo quando o tempo de espera para carregar é maior que 5 segundos. Segundo o periódico The Economist, chegamos até a quantificar nosso tempo de lazer de maneira monetária, como se cada hora que passamos dormindo, vendo um filme, sendo voluntário, fosse dinheiro perdido. Trabalha-se mais e mais para arrecadar dinheiro, enquanto a posse mais finita, irreversível e irrecuperável - o tempo, vai diminuindo. Em consequência e revolta ao pensamento dessa ebulição tecnológica e alienação à super produção industrial temos o slow living, tema do próximo tópico.


Inventamos um monte de consumos supérfluos e há que continuar a comprar e a deitar fora. E o que estamos a gastar é tempo de vida, porque quando compramos algo não o compramos com dinheiro, pagamos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter esse dinheiro. Mas com esta diferença: a única coisa que não se pode pode comprar é a vida. A vida gasta-se. E é lamentável desperdiçar a vida para perder a liberdade.

José Mujica 27


S L O O movimento slow food começou com Carlo Petrini em protesto contra a abertura de uma lanchonete do McDonald’s, localizado na Piazza di Spagna, Roma , em 1986.

Em oposição à cultura do fast-food, buscava incentivar o consumo de produtos regionais, os alimentos tradicionais, que muitas vezes são cultivados orgânicamente, variando de acordo com cada estação do ano e a localização em que são plantados. Além de incentivar o momento de desfrutar esses alimentos na companhia de outros, tornando o ato de comer algo além do mecânico, mas ligado a vivência, emoções, estímulos, além de ser algo celebrável e reconfortante. Hoje, indo contra a maré da construção social contemporânea temos o slow living - movimento derivado do slow food que engloba todos os aspectos do viver - nada mais é do que a tentativa de se levar uma vida mais calma, sem glorificação 28

do status de ocupado. Instigando saborear, com todos os sentidos, os aspectos da vida e o tempo, o qual nos dias atuais se apresenta limitado. Com a inserção e constante inovação da tecnologia temos uma enxurrada de informações e atualizações por segundo, acabamos tendo amplo acesso a todo o tipo de informação e menos afinco à conteúdos tornando tudo um tanto quanto descartável. Talvez um dos maiores desafios da vida moderna seja se adequar totalmente à esse estilo, pra alguns é muito difícil, segundo Cris Guerra, vlogueira de Belo Horizonte. ilidades para se A vida é hoje é recheada de fac o com mundo trapacear cada vez mais o contat o encontro real. É a rede social que substitui sobre o mundo pessoal, o avião que o faz voar sozinha na ar ao invés de através dele, o jant o em família. frente da TV sobre à refeiçã

Cris Guerra


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Para Honoré (2005) escritor natural da Escócia, em seu livro “Slow - Como um movimento mundial está desafiando o culto da sociedade”, nós nos esquecemos como nos desconectar, pois o mundo em que vivemos hoje é obcecado por velocidade, até as coisas que são naturalmente lentas, buscamos acelerá-las. Perto de sua casa, há uma academia que oferece classes de speed-yoga, que significa yoga veloz, o que, para ele, era a mais absurda manifestação desse movimento “papa-léguas”. Até ele saber de um funeral drive-thru. Duas horas da manhã, se espera que a maioria dos trabalhadores esteja dormindo, ou tendo seu momento de lazer, com seu filho, cachorro, marido ou esposa, se preparando para o dia seguinte logo cedo, para trabalhar, mas na capital chinesa, essa pessoa está trabalhando - esse é o cenário de algumas startups de tecnologia em Pequim. Uma hora depois, ela monta sua cama improvisada em algum canto mais escuro do lado de sua mesa, para descansar, mas não o suficiente, já que 8:30h da manhã eles acordam e tomam banho na pia da banheiro do escritório, já 30

que os outros funcionários chegam na hora seguinte, e começam a trabalhar. Assim que vivem alguns chineses, morando nas empresas onde trabalham, evitando as duas horas de transporte diário para suas casas, para poderem ter o final de semana em casa, com incentivo do chefe, que financia as as camas e alguns outros incentivos. Muitos investem toda sua existência para aquele momento, atraídos pelo potencial monetário, mas à um custo social. Do outro lado do mundo, no Brasil, propostas de leis são fixadas e aprovadas afim de colocar uma idade mínima para a aposentadoria, independente de quantos anos já foram trabalhados. Corte de horas, apenas para proteger o bolso empresarial. Também na mesma cidade, uma particular empresa de tecnologia foi além para suprimir gastos extras ao colocar redes por fora do prédio, ao objetivo de salvarem os ocasionais funcionários que pulam para o seu suicídio, dessa forma, evitam gastos processuais e manchetes nos jornais - a Foxconn, que produz a montagem de celulares para diversas empresas internacionais.


Nos Estados Unidos, há uma lei que obriga empresas à disponibilizar banheiros quando o funcionário precisasse, se não for possível parar a produção por causa destas interrupções, um funcionário extra assume o posto enquanto o outro sai, porém, essas corporativas exploram ao máximo o limite legal. Em alguns casos, porém, o trabalhador extra nunca chega, e essas pessoas se vêem obrigadas a usar fraldas para adultos, para evitar fazer o #1 e o #2 em pé, no chão da empresa. Porém, há uma tendência em ascensão, que avança com passos de formiga, que contrasta essa velocidade desenfreada na qual o mundo se acostumou. Por exemplo, em uma tentativa de melhorar o balanço entre vida e trabalho, o escritório Heldergroen, na Holanda, introduziu uma ideia diferente, diz a CNBC, um conceito de “escritório que desaparece”, onde a mesa de trabalho é erguida por um sistema automático no fim do expediente. Todos os objetos da mesa, computadores, papeis, são escondidos no teto e aparecem exatamente como estavam no dia seguinte, assim os funcionários não têm escolha senão ir pra casa.

Em Trabiju, interior de São Paulo, segundo reportagem no Globo Repórter, a cidade intitulou a sesta, que é um tempo pessoal reservado, depois do almoço, quando a cidade fecha as portas. Assim, pessoas podem almoçar com suas famílias, tirar um breve cochilo, levar os filhos às escolas. Coisa que no mesmo estado, em sua capital, é algo impensável. Porém, essas atitudes mostram-se se encontrando mesmo em grandes cidades como Curitiba, no estado do Paraná, onde, embora não haja incentivo empresarial amplo, pessoas adeptas a um estilo de vida mais calma balanceiam o ritmo acelerado natural da cidade com uma proposta de estilo de vida mais inclinado à desfrutar o essencial da vida, algo que é conhecido mundialmente como slow living. Com isso concluímos que apesar da correria brutal que cruza o cotidiano da sociedade contemporânea as pessoas estão tomando cada vez mais consciência de que o que nós precisamos abrir espaço para as raízes do ser em equilibrio ao mundo tecnológico exterior.


Ao longo de nossas vidas temos a necessidade de utilizar diversos objetos, os objetos em si tem como finalidade atender as necessidades de seus usuários, seja em função ou estética. Cada indivíduo através do tempo consome diversos objetos seja pela sua necessidade em relação a função, apego emocional estético ou em relação a status, quando há um interesse de uma grande quantidade de pessoas pelo objeto ou quando o objeto toma algum grande significado social. Isso se dá segundo Norman (2004) a partir de três níveis da compreensão da relação objeto/usuário.

Ligado diretamente a aparência. O visceral é o que esta intrínseco o que é natural, quando recebemos diversos sinais emocionais automáticos e a nossa reação é a de capta-los instintivamente pelo âmbito visceral. Apesar de ser a camada mais primitiva de interpretação é significantemente mais sensível onde usualmente se expressa a dualidade de ligações afetivas positivas ou negativas.

VISCERAL

PRIMEIRO NÍVEL

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ESTRUTURANDO EMOÇÃO ESTRUTURANDO EMOÇÃO ESTRUT


Ligado diretamente a facilidade de uso. O comportamental ocorre quando o usuário está em contato direto com o objeto, aferindo sua usabilidade, as diversas formas de uso do objeto, a facilidade de compreensão do produto e a maneira em que ele é fisicamente sentido. Nesse nível Norman (2004) deixa clara a necessidade do usuário estar em contato direto com o designer desde a concepção do objeto a fim de ter um produto que cumpra seu objetivo.

COMPORTAMENTAL

SEGUNDO NÍVEL

Tem como essência a auto imagem e memória. Esse nível traduz as influências que a cultura exerce sobre a nossa forma de enxergar, onde o objeto toma outros significados diferentes de sua função e estética como nos primeiros níveis. Compreende também os dois primeiros níveis relacionados a experiências e vivências, onde os dois primeiros níveis podem perder o sentido quando relacionados a âmbitos individuais. Segundo Lígia Fascioni esse é o nível mais vulnerável às influências externas como a cultura, a experiência, o grau de instrução e as diferenças individuais.

REFLEXIVO

TERCEIRO NÍVEL

ESTRUTURANDO EMOÇÃO ESTRUTURANDO EMOÇÃO ESTRUT

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o i r á su u OBJETO+ Objetos são mais do que meras possessões materiais. Nos orgulhamos deles, não necessariamente porque estamos ostentando riqueza ou um status, mas por causa do sentido que eles trazem às nossas vidas.

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A busca por individualidade é de extrema importância porque se vê necessária para mostrar ao mundo o que nos diferencia uns dos outros. Uma das maneiras que nos distinguimos dos outros se dá através do consumo de produtos e estilos de vida. Um artefato é além de suas funções práticas quando fala algo sobre a pessoa o qual o está consumindo, seus relacionamentos, valores, quando representa sua idêntica (ISHERWOOD, 2004). 34

Donald. A.

Norman

Um objeto por si só é apenas um volume desenhado para uma função, mas ele só se torna propriedade quando é feita a ligação do objeto ao ser humano por consumo, por afeto, atração estética ou prática, etc. Só então o objeto completa sua missão, que é de ser consumido. O psicólogo Mihaly Csiksgentmihalyi (1995) também toca no ponto de identidade através dos materiais ao dizer que: “o sentido da nossa vida privada é construída por esses objetos de casa”. Por isso ele quer dizer que os artefatos que estão ao nosso redor falam muito sobre nós, a personalidade, as coisas que gostamos e apreciamos, o jeito que queremos e amamos viver.


USUÁRIO Aquele que serve-se de algo ou desfruta de suas utilidades;

adultos. Ambos oferecem uma forma de expressar individualidade.

OBJETO Coisa mental ou física para qual converge o pensamento, um sentimento ou uma ação;

Outro exemplo é o “Do Hit” (Golpeie) criado pela Droog Design, que é uma cadeira em formado de cubo feito com chapas de aço, acompanhado de uma marreta, para que o usuário deforme e crie uma peça única. Estranhamente, também se oferece um cubo pré-marretado . Objetos desenhados para a interferência são um exemplo forte do que a expressão humana age em todos os objetos, não só aqueles desenhados para tal. É a geladeira de metal que criou-se uma cultura de composição de ímãs - minha própria mãe faz esse tipo de arranjo, com ímãs de todas as viagens, o vidro traseiro do carro - repleto de adesivos infantis do lado de dentro, os vários desenhos nos papéis protetores de mesa em churrascarias, as declarações de amor esculpidas em árvores, o pinguim em cima do freezer, e a coleção de botons na alça da mochila. Até quando se proíbe a interferência, ela é inevitável, como as pichações nos muros e prédios. A expressão humana nas coisas se mostra impossível de se conter.

INTERFERIR Tomar parte (numa situação) com a intenção de influir no seu desenvolvimento e desfecho. Um exemplo extraordinário de interferência humana em um objeto foi o “Do Create” (algo traduzido como “Crie”, no sentido de incentivo), criado por uma empresa holandesa chamada Droog Design, e o intuito foi criar objetos comuns, mas que convidam o usuário a interferir. Segundo a missão do projeto “Você compra uma experiência “é o que você faz com o objeto ou o que ele faz com você que conta”. No produto “The color in Dress”, dos designers Soepoer Berber e Michiel Schuurmans, as pessoas recebem um vestido com uma padronagem preta e banca, junto com canetinhas de tecido. Da mesma forma que hoje muitos consomem livros anti-estresse, basicamente livros de colorir para 35


FEITO Todo ano desde 2010, uma evento multicultural se instala por alguns dias em Curitiba, se chama o Emporium Handmade, feira que reúne artistas, artesãos, designers, músicos e gastronomia para incentivar a produção e comercialização dos negócios de pequenos produtores da economia criativa da região.

Na contramão do consumo de produtos industriais, o Emporium Handmade oferece qualidade e diferenciação do artesanato contemporâneo. Mesmo um produto que tenha similares, não é igual ao outro porque o ato de fazer com as . mãos transforma cada peça em única. Idealizadores do Emporium Handmade 36

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MÃO

Divagando bastante do caminho da globalização, em que a velocidade do dinheiro rapidamente atinge distâncias intercontinentais, a produção local alimenta um motor econômico regional que impacta positivamente todos da comunidade, seja você, o seu vizinho, o cachorro, o vendedor de vina da esquina. Em uma pequena cidade no interior do Piauí, chamada São João do Arraial, o aumento de promoção local foi incentivada de modo diferente (o que geralmente é feito pela economia criativa), pela criação de uma moeda própria, que circula apenas dentro do município, o Cocal, o qual substituiu parcialmente o Real nas transações financeiras da região e foi bem aceito por comerciantes e consumidores da cidade, o qual teve seu crescimento explodir com o aumento de empregos e facilidade na vida dos seus cidadãos. Comerciantes de regiões próximas começaram a migrar para o local e adotar o Cocal, o que valorizou a moeda e enriqueceu a comunidade e ajudou o desenvolvimento de São João do Arraial.


6 A produção local não é só sobre trabalhar com empresas da região, com matéria prima da cidade, com produtores artesanais e pelo trabalho à mão. Claro, existe um valor que não é palpável no bem de consumo, valor que não são materiais mais sofisticados, embalagens com papéis mais nobres, pedras mais preciosas, mas o sentimento de que aquilo foi feito com calma e carinho, sem exploração de trabalho escravo ou infantil que é comum do mercado tradicional de bens. É pela valorização da comunidade e que os investimentos, não aqueles somente econômicos, mas também sociais, são o diferencial que torna esse tipo de modelo de negócio um mercado sustentável, onde o valor aplicado volta para o consumidor em formato de desenvolvimento e qualidade de vida na comunidade a qual ele se encontra inserido.

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A V I T A I R C

ECONOMIA

É O CICLO CRIAÇÃO, PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS QUE USA A CRIATIVIDADE E O CAPITAL INTELECTUAL COMO MATÉRIA PRIMA. É O CONTEÚDO CRIATIVO COM VALOR ECONÔMICO [...] QUE GERA EMPREGOS, CONTRÓI REDES, INFRAESTRUTURA E COLABORATIVIDADE [...] REÚNE E INCLUI COMUNIDADES E INDIVÍDUOS COLETIVOS E IMPULSIONA NOVAS IDEIAS, CONEXÕES E MODELOS DE NEGÓCIOS. REAVIVA ÁREAS URBANAS DECADENTES, DESENVOLVE ÁREAS REMOTAS E PRESERVA O PATRIMÔNIO CULTURA DO PAÍS. Estúdio Datadot


Segundo dados do Estúdio Datadot, são 14 (no Brasil) os sub-setores dessa economia: arquitetura e urbanismo; artesanato; artes cênicas; artes e antiguidades; audiovisual; editoração; fotografia; gastronomia; moda; música; publicidade; software; rádio e tv e por fim, o design. Com crescimento, chegando a 20% ao ano, a economia criativa é o caminho no qual 865 mil brasileiros tem seguido como forma de viver na área criativa. Segundo Datadot R$ 110 bi são os recursos provenientes deste setor, no ano de 2015, somente no Brasil. O design é o único setor que existe dentro de todos os outros setores e é o mais relevante, devido à sua multidisciplinalidade . Em Curitiba, são cerca de 3 mil os profissionais atuantes e escritórios de design, aliados aos mais de 4 mil estudantes em 49 cursos do setor. 39

Em abril de 2016, foi proposto o “Plano setorial municipal de design” na cidade de Curitiba, que já foi eleita “Cidade do design” pela Unesco, devido aos esforços de startups e iniciativas voltadas à economia criativa. Segundo Tulio Filho, conselheiro do Centro Brasil Design, isso irá impulsionar ainda mais este mercado local e regionalmente. Com essas informações vimos a oportunidade de investir nossos esforços em algo que acreditamos dentro de uma economia ja estabelecida e em nossa região.

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CONTEXTO

CURITIBANO Ao andar pelas ruas de CURITIBA conseguimos perceber o aumento e a valorização de produtores criativos locais. Prova disso é a quantidade de casas criativas, atelies e coletivos que estão presentes em nossa capital, como o Atelier SOMA, Das Nuvens, Casa 102, NexCoworking, Arca Aliança Criativa, Casa Base, Arnica Cultural, CasaTreze Studio, Wake Up Colab, entre outros.

Esses espaços reúnem artistas, designers, arquitetos, músicos, jornalistas, ceramistas, produtores áudio/visuais, publicitários, pequenos empresários e empreendedores afim de promover projetos integrados e possibilitar um espaço físico comunitário. O interessante também é que esses lugares fomentam eventos periódicos onde a comunidade possa ter acesso aos trabalhos de seus residentes e de outros produtores, unindo muitas vezes à comida regional e música de artistas da cena contemporânea local. 40

Outro indicador da integração da capital e seus produtores criativos foi a iniciativa para participação e, posteriormente, recebimento do prêmio Capital Mundial do Design, em 2014. O concurso ocorre a cada dois anos e é gerido pelo ICSID, o qual tem como objetivo principal o reconhecimento das cidades com altos índices de inovação por meio do uso do design como uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento e integração social, cultural, ambiental e econômica.


Por 50 anos, Curitiba tem sido líder em projetos distintos em áreas de planejamento urbano, mobilidade, e design, bem como a preservação ambiental, sustentabilidade e qualidade de vida. É hora de Curitiba consolidar-se como um polo de design, conectando os vários segmentos relacionados ao design, a fim de recompensar projetos inovadores que melhoram a qualidade do ambiente urbano e vida das pessoas. Gustavo Fruet

Além disso outro incentivo aos produtores locais é o evento Feira do Artesanato, que esse ano reuniu cerca de 75 artesões da região.

Esses produtores valorizam a cultura handmade, o famoso feito pelas mãos, cuja produção normalmente parte de matéria prima local, sem grandes maquinários, diferente das grandes fábricas com suas automações e produções em massa. A partir disso reunimos alguns pequenos produtores e eventos da região que temos conhecimento e consideramos relevantes para a percepção do mercado no qual se aplicam os conceitos, citados nesse e em outros capítulos desse relatório, no contexto curitibano.

Comparando a média de vendas por artesão, em 2016 houve um aumento de 9% nos valores, fazendo com que, no geral, a feira fosse novamente muito boa. Isso mostra o potencial dos nossos artesãos que a cada ano encontram na feira uma forma de incrementar suas rendas 41

Fernando Tureck

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s e r o t u prod E

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Ateliê criativo criado pela ceramista Julie Inada focado em peças utilitárias feitas essencialmente em cerâmica. Todas as peças são feitas a mão utilizando a confecção através do torno de oleiro para modelar cada peça. Além disso a ceramista cria seus próprios vidrados dando cores e acabamentos únicos.

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Marca independente curitibana, fundada pelas amigas Milena Baobá e Leticia Dalmolin, em Julho de 2014, que tem a proposta de desenvolver produtos de decoração e utilitários para casa. As peças prezam pelo feito a mão mantendo o acabamento rústico. Produtos que buscam valorizar o trabalho criativo e comércio local.


A Ontwerp é uma loja viajante, que se instala apenas por alguns dias em um local, depois disso ela arrumas suas trouxas e vai embora, para outro lugar completamente diferente. Eles chamam de “Pop Up Store”. quer outra, ja como qual lo a m u , o tr cendo Por den ndedores ofere ve s, te n ta es aior. Lá produtos nas m aconchego m u m co o d tu e, ajuda, mas cal são destaqu lo e o ir le si ra b n objetos peças do desig já que outros s, vo si u cl ex caras. porém, não dão por lá suas ém b m ta s ai n io resas internac is, vemos emp ca lo s to je b o e Pellanda No cenário d Holaria (de Luiz a o m co , as de id estabelec ado em Design rm fo e, u q ri en Germer e Aleverson H presa ligada à em ), R P F U a da Produto pel s na capital o ic m râ ce e d o alguns (forte no ram , no Paraná); o rg La o p am C estilo do porcelana e estampam o u q s ai ri st u d o, in produtos formato de polv em s ra ei et n o b as placas Fun Design - sa ivos cômicos n es ad , ô ic tr cactus em s com impressão o it fe s o ri só es ac r duas dos banheiros; oiga (criada po N a an b ti ri cu p , 3D da startu de séries únicas s to u d ro p e ) R -P itos garotas da PUC s de tomada, fe re so n te ex a ar p de linho. como as luvas ludo, trançados ve , o an p e d s o com retalh

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Marca de produtos decorativos de designers curitibanos, a qual trabalha com os materias tecido, madeira e cerâmica. A marca produz copos, pratos, bowls almofadas, tapetes, tabua de frios, aventais, kimonos e panos de prato.

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inseridos vimos . os am est ue q e ad cid a re sob r ha ol do a partir do público alvo o fic cí pe es is ma rte co re um de de da a necessi

Começamos então com uma pesquisa sobre estilos de decoração, o que poderia estar em alta no design de interiores brasileiro e se possível curitibano, dentre os diversos sites acabamos nos deparando com o blogue Tudo Orna e o projeto fotográfico Não repare a bagunça. Ambos foram grandes achados, pois mostram o interior de apartamentos curitibanos e suas vivências através de registros fotográficos. No blog tudo orna, as irmãs Alcântara falam sobre estilo de vida, moda, tendências e inspiração para decoração. Elas também mostram algumas das inspirações abordadas no blog aplicadas em seus apartamentos. 46

O projeto fotográfico não repare a bagunça, feito pela fotógrafa Mariana Alves, que segundo ela foi pensado a partir da ideia de que por trás de toda boa pessoa existe um cantinho bacana. Ela acredita que a personalidade se materializa de alguma forma e que segundo ela os objetos que compõe os ambientes que vivemos tem uma porção enorme de nós.


COM AMOR PARA:

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& Fer

O APARTAMENTO APRESENTA UMA PALETA DE CORES NEUTRAS COM SEUS BRANCOS, OFFWHITES, CREMES, MARRONS E PRETOS. OBSERVAMOS PRIMEIRAMENTE O USO DE MATERIAIS CRUS RÚSTICO/INDUSTRIAIS COMO A MADEIRA NOS REVESTIMENTOS E ELEMENTOS ESTRUTURAIS - PRESENTE NAS VIGAS APARENTES DO TETO, NA ESTRUTURA DA HORTA VERTICAL E NO PISO COM UM TOM ACASTANHADO E NA PAREDE DA SALA NUM TOM CREME ESBRANQUIÇADO - TAMBÉM VEMOS A PRESENÇA DELA EM ALGUNS MÓVEIS E OBJETOS - COMO NA ESTANTE DA SALA, NO ILHA DA COZINHA E NAS TABUAS DE CORTE. OUTRO MATERIAL CRU BASTANTE USADO NO AP

O PRIMEIRO APARTAMENTO QUE ANALISAMOS FOI O DO CASAL DÉBORA ALCÂNTARA E SEU MARIDO FERNANDO VIEIRA, AMBOS FORMADOS EM RELAÇÕES PÚBLICAS.

APÊDé

AS PLANTAS SÃO OUTRO ELEMENTO DE CONTRASTE MUITO UTILIZADO NOS DIVERSOS CÔMODOS, ALÉM DE DAR UM AR DE VIDA AOS AMBIENTES. OUTROS DETALHES INTERESSANTES SÃO O PISO COM PADRÕES TRIANGULARES DO AZULEJO DO BANHEIRO - COMPONDO PADRÕES EM CONTRASTE A NEUTRALIDADE DAS CORES, COMO O ROSA QUARTZO DA PAREDE, E PESO VISUAL - O NEON ESCRITO TOGETHER NO QUARTO - PASSANDO A IDEIA DE CANTO DO CASAL COM UM AR INDUSTRIAL, OUTRO ELEMENTO INTERESSANTE NO LAVABO É O ESPERLHO QUE QUEBRA A FORMA RETANGULAR/ QUADRADA CLÁSSICA.

FOI O CONCRETO - NAS PAREDES E TETOS DO QUARTO, ALÉM DE NO PISO DE PORCELANATO TEXTURIZADO DO BANHEIRO, NO VASINHO DA SUCULENTA E NO PÉ DA LUMINÁRIA DE BANCADA. SUAS MADEIRAS E CONCRETOS CRIAM CONTRASTANTES COM A PALETA NEUTRA E LIMPA DE BRANCOS, OFF-WHITES E PRETOS, NAS TEXTURAS OPACAS DAS TINTAS E NAS LISAS E ESMALTADAS DOS AZULEJOS.


Nosso apartamento foi inspirado no design escandinavo. Quando começamos a pesquisar referências, tudo caminhava e simplicidade design, aliar para is ipa inc pr as funcionalidade. Essas são características do estilo “nórdico”, como também é conhecido. Escandinávia é uma região formada pela Dinamarca,Noruega, ito Suécia, Finlândia e Islândia, onde faz mu frio (como aqui em Curitiba). Por isso, os escandinavos passaram grande parte do tempo em suas casas que geralmente são ambientes muito acolhedores. lcântara Débora A


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& Ric

O APARTAMENTO DO CASAL É EM UM PRÉDIO ANTIGO POR ISSO MAIS AMPLO, OS DETALHES QUE CHAMAM A ATENÇÃO NOS ACABAMENTOS DA CONSTRUÇÃO SÃO O PISO DE TACOS DE MADEIRA, NORMALMENTE ENCONTRADO EM APARTAMENTOS BRASILEIROS ANTIGOS, O BANHEIRO COM AZULEJOS PORTUGUESES. EM CONTRASTE A ESSES DETALHES, TEMOS A PALETA DE CORES NEUTRAS NA PAREDE, MANTEDO BRANCOS E OFF-WHITES, E TORNANDO-OS MAIS INTERESSANTES COM TEXTURAS, COMO A DE TIJOLOS A VISTA, PROPORCIONANDO UM AR MAIS RÚSTICO, AZULEJOS, BRANCOS E LISOS, TINTAS FOSCAS E COBERTURA DE

O SEGUNDO APARTAMENTO QUE ANALISAMOS FOI O DA BÁRBARA ALCÂNTARA, DESIGNER DE PRODUTO E COMUNICADORA EMPRESARIAL, COM SEU MARIDO RICARDO PEDRONI, RELAÇÕES PÚBLICAS E COMUNICAÇÃO.

APÊ Bá

BÁ AINDA AFIRMA QUE GRANDE PARTE DAS REFERÊNCIAS PRA DECORAÇÃO DO APARTAMENTO VEM DO SITE PINTEREST, ONDE ELA VÊ DIVERSOS DETALHES DE DIVERSOS ESTILOS E ACABA TENTANDO APLICAR AS IDEIAS QUE GOTA EM CASA.

SEGUNDO A BÁRBARA, NUM VÍDEO PUBLICADO NO YOUTUBE EM MARÇO DESSE ANO, O APARTAMENTO NÃO FOI ACONTECENDO PLANEJADO, JUSTAMENTE POR CAUSA DA PLANTA AMPLA, A ESCOLHA DOS MÓVEIS FOI ACONTECENDO DE FORMA ORGÂNICA, COM A MAIORIA DELES SENDO DE DOAÇÕES DE PARENTES COM MÓVEIS RELÍQUIAS DA ANTIGA FÁBRICA CIMO DE CURITIBA, COMO A MESA DE CENTRO DA SALA, O APARADOR DE MADEIRA COM OS PÉS PALITO.

QUADRO NEGRO.


casa é Todo mundo fala que a nossa tar ten a meio hipster, meio folk, pr design enquadrar ela em uma linha de tem… não ela porém a verdade é que Bárbara Alcântara


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O QUARTO APARTAMENTO ANALISADO FOI O DO CASAL EDUARDA GUIMARÃES, QUÍMICA AMBIENTAL E EMPREENDEDORA E BRUNO TRINDADE, PROFESSOR DE YOGA, FISIOTERAPEUTA E EMPREENDEDOR. O APARTAMENTO REÚNE UMA DECORAÇÃO NATURALISTA, ONDE VEMOS A PRESENÇA DE DIVERSAS FIBRAS NATURAIS, MADEIRAS E PLANTAS, COMO OS CACTOS, BABOSA, ERVAS E UM PEDAÇO DE GRAMA, NO QUAL O CASAL COLOCA OS PÉS PARA SENTIR A

APÊ u r B e Duda

GRAMA. NO APARTAMENTO O CASAL TAMBÉM REÚNE DIVERSOS OBJETOS DAS MAIS DIFERENTES ETNIAS COMO AS MÁSCARAS AFRICANAS, ESTÁTUA DE IEMANJÁ, TECIDOS COM PADRÕES PERUANOS, LANTERNAS INDIANAS, CESTOS INDÍGENAS ENTRE OUTROS. A PALETA DE CORES DO APARTAMENTO APRESENTA TONS QUENTES COM BEGES, AMARELOS QUEIMADOS, MARRONS E ALGUNS PONTOS DE COR.


O MÓVEIS E ARMÁRIOS SÃO OS MESMOS DE QUANDO ERA PEQUENA, PORÉM OS OUTROS OBJETOS FOMOS NÓS QUE COLOCAMOS. TUDO FOI A GENTE QUE MONTOU OU REINVENTOU, OBRAS ANTIGAS DA MINHA MÃE, OU DE MINHA VÓ, OU DE NÓS MESMOS DE OUTRAS VIDAS, HAHAHA.

+ VOCÊS MESMO ESCOLHERAM TODOS OS OBJETOS E MÓVEIS OU ALGUNS VIERAM COM A CASA?

O APARTAMENTO É DA FAMÍLIA, MORAMOS NO AP QUE MOREI QUANDO ERA PEQUENA.

+ O SEU APÊ É COMPRADO OU ALUGADO? QUANTOS METROS QUADRADOS APROXIMADAMENTE?

A PAPO COM DUD

NOS INSPIRAMOS NO QUE TEMOS E NO QUE COLETAMOS NO CAMINHO, NO CAMINHAR DO DIA A DIA, PLANTAS, FRAGMENTOS E AFETO.

+ QUAIS FORAM SUAS INSPIRAÇÕES PARA A DECORAÇÃO?

A PEGADA NATURAL E COM MENOS RESÍDUO POSSÍVEL.

+ VOCÊS ESTAVAM PROCURANDO UM ESTILO ESPECÍFICO AO DECORAR, E SE SIM, QUAIS FORAM SUAS INSPIRAÇÕES?


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O APARTAMENTO ESBOÇA UMA IDENTIDADE BEM ECLÉTICA, AO REDOR DA MESA DE JANTAR, CADEIRAS DO DESIGNER ITALIANO HARRY BERTOLA, COM LINHAS SIMPLES E ESTRUTURADAS, E EM CIMA DA MESA, UMA FRUTEIRA ARTESANAL DE CERÂMICA EM FORMATO DE FOLHA. NA SALA CADEIRAS DE

PARA O TERCEIRO APARTAMENTO ANALISADO, USAMOS OS DE HELOISA STROBEL E RODRIGO LEMOS - ELA, ESTILISTA E ARQUITETA, ELE, MÚSICO.

APÊ os m e L Helo &

VIME, MÓVEIS ANTIGOS, TOCADOR DE VINIS E UMA ENORME SAMAMBAIA (A COSTELA DE ADÃO E UM JARDIM DE SUCULENTAS). A PAREDE COR CREME, AZULEJOS BRANCOS E PISO LAMINADO DE MADEIRA CLARA, CONTRASTANDO COM OBJETOS VERMELHO NEON E AMARELO MOSTARDA O APÊ DELES TEM UMA PALETA TÃO VARIADA DE CORES E TÃO BRUSCA ENTRE UMA COR E OUTRA, QUE É IMPOSSÍVEL ENQUADRAR EM UM ESTILO DE DECORAÇÃO ESPECÍFICA, MAS SIM UMA GRANDE MESCLA DE VÁRIOS ESTILOS, JUNTO E MISTURADO.


Tanto eu como o Rodrigo gostamos de explorar os contrastes entre construído e não construído, concreto e orgânico – nossa casa tem essa cara! Heloisa Strobel


VOCÊS ESTAVAM PROCURANDO UM ESTILO ESPECÍFICO AO DECORAR, E SE SIM, QUAIS FORAM SUAS INSPIRAÇÕES?

+

QUANDO ENTRAMOS NO APÊ TODOS OS 3 QUARTOS, BANHEIROS E COZINHA ESTAVAM MOBILIADOS. FOI BASTANTE PRÁTICO, PORQUE SÓ PRECISAMOS MOBILIAR A SALA. MAS A PARTE RUIM É QUE OS MÓVEIS EXISTENTES ERAM TODOS PRÉ-FABRICADOS (DA TODESCHINI) – ENTÃO FALTAVA PERSONALIDADE. PARA DAR A NOSSA CARA COLOCAMOS VÁRIOS OBJETOS PESSOAIS, E NA SALA APROVEITAMOS TODA A LIBERDADE PARA COLOCAR OS MÓVEIS QUE A GENTE AMA (SOFÁ, RADIOLA ANTIGA, PIANO, MESA).

OU A MAIORIA VEIO COM A CASA?

+ VOCÊS MESMO ESCOLHERAM TODOS OS OBJETOS

COMPRADO, MAS É DO MEU PAI – TEM CERCA DE 200 M² (3 QUARTOS)

QUANTOS METROS QUADRADOS APROXIMADAMENTE?

+ O APÊ DE VOCÊS É COMPRADO OU ALUGADO? TEM

+ QUAIS OS OBJETOS QUE VOCÊS ACHAM MAIS BONITOS E GOSTAM DE USAR NA CASA DE VOCÊS?

ALGUNS EU TROUXE COMIGO, OUTROS O RODRIGO TROUXE DA CASA ANTERIOR DELE. OUTROS COMPRAMOS JUNTOS EM VIAGENS (A MAIORIA DELES NA VERDADE) OU GARIMPAMOS AQUI EM CURITIBA (NAS LOJAS DE USADOS). TANTO EU COMO O RODRIGO GOSTAMOS DE EXPLORAR OS CONTRASTES ENTRE CONSTRUÍDO E NÃO CONSTRUÍDO, CONCRETO E ORGÂNICO – NOSSA CASA TEM ESSA CARA!

+ VOCÊS ESCOLHERAM ESSES OBJETOS JUNTOS OU FOI UMA PESSOA QUE ESCOLHEU? ROLOU BRIGA?

ACUMULAR DE PASSEIOS PARA O SUPERAGUI E CACHOEIRAS – ISSO, ALIÁS, É QUASE UMA PIADA INTERNA: OS AMIGOS VIAJEM E TRAZEM GALHOS, PEDRAS, CONCHAS E OSSOS PRA MIM! JÁ O PIANO É UMA PEÇA QUE ESTÁ NA FAMÍLIA HÁ MUITAS GERAÇÕES, E A VITROLA É UM CASO QUE CONTO MAIS ALÉM.

APÓS ANALISARMOS O APARTAMENTO DO CASAL ATRAVÉS DAS FOTOS DO BLOG E SURGIRAM ALGUMAS QUESTÕES RELACIONADAS AO APARTAMENTO, SOBRE A RELAÇÃO DELES COM OBJETOS DA CASA, A FORMA QUE ELES CONSTRUÍRAM O LAR E A FORMA COM A QUAL CONSUMIRAM OS OBJETOS. A PARTIR DISSO ENTRAMOS EM CONTATO COM O CASAL E ENVIAMOS O QUESTIONÁRIO COM AS DÚVIDAS E ESSAS FORAM AS RESPOSTAS:

PAPO COM HELO


NO INÍCIO PESQUISEI MUITA COISA PELA INTERNET. EU AINDA NÃO TINHA MUITA CONSCIÊNCIA DE CONSUMO, ENTÃO VÁRIOS OBJETOS E UTILIDADES DE COZINHA EU IMPORTEI PELO ALIEXPRESS- HOJE NÃO FAÇO MAIS ISSO! GOSTO DE PESQUISAR E COMPRAR O TRABALHO DE AMIGOS ARTISTAS – TEMOS XÍCARAS DA BAOBÁ HOME (DA MINHA AMIGA MILENA), ARTES DO GUSTAVO FRANCESCONI E DA MAYA WEISHOF, ALMOFADAS DA ASTOR (DA MINHA AMIGA LIANA CAROLINA), ENTRE OUTROS. NOSSOS AMIGOS NOS INSPIRAM MUITO! JÁ OS MÓVEIS GRANDES (SOFÁ, MESA, ETC) EU PESQUISO BASTANTE E TAMBÉM COSTUMO IR DIRETO NOS FABRICANTES (CASO DAS PEÇAS DE DESIGN CLÁSSICO, EAMES, SAARINEEN, ETC), OU PEGAR PROMOÇÕES (CASO DO SOFÁ, DA INOVE STORE). TAMBÉM GOSTAMOS MUITO DE TRAZER COISAS DE VIAGENS E GARIMPAR AS LOJAS DE USADOS NA RIACHUELO. TEMOS AINDA VÁRIOS OSSOS E GALHOS QUE EU ADORO

+ ONDE VOCÊS COSTUMAM COMPRAR ESSES OBJETOS? (NA INTERNET, NA LOJA DA ESQUINA, BAZARES ETC)

EU SOU ARQUITETA E JÁ TRABALHEI BASTANTE COM INTERIORES. NO NOSSO APÊ EU NÃO QUIS TER MUITO TRABALHO E TAMBÉM ESTAVA COM ORÇAMENTO REDUZIDO. CASA DE FERREIRO NÉ? ENTÃO A GENTE SE VIROU COM O QUE TINHA, MUITA COISA FOI PRESENTE DOS PAIS E AMIGOS – ISSO DIRECIONOU A DECORAÇÃO. ENTRETANTO, NÓS DOIS TRABALHAMOS COM CRIATIVIDADE, ENTÃO O DÉCOR ACABA SENDO UM RESULTADO DESSAS MÚLTIPLAS INFLUÊNCIAS E DOS NOSSOS TRABALHOS.

COMO ARQUITETA E DESIGNER EU CARREGO UM APREÇO ÓBVIO PELOS CLÁSSICOS, POIS PASSEI MUITO TEMPO ESTUDANDO A IMPORTÂNCIA DELES. MAS NA NOSSA CASA PREFERIMOS QUE ELES SEJAM O PANO DE FUNDO PARA ESSES ACHADOS QUE REVELAM A NOSSA PERSONALIDADE. SE VOCÊ FICA SÓ NOS RECONHECIDOS, A SUA CASA VAI PARECER UMA CASA DE REVISTA, UM CENÁRIO DE CASA COR, TOTALMENTE SEM PERSONALIDADE!

+ VOCÊS PREFEREM ADQUIRIR OBJETOS SUPER RECONHECIDOS PELO MUNDO DE DECORAÇÃO E DESIGN, OU OBJETOS LOCAIS QUE FORAM UM “ACHADO” SEU ? VOCÊ SE IMPORTA COM ESSE TIPO DE COISA?

QUANDO AS PLANTAS COMEÇARAM A CRESCER SOZINHAS (E ELAS CRESCEM MUITO, VÁRIAS VEZES TEMOS QUE MUDAR UM SOFÁ POR CONTA DA SAMABAIA, OU UMA CADEIRA PARA DAR ESPAÇO PARA A COSTELA DE ADÃO).

+ QUANDO VOCÊ ACHA QUE A CASA QUE VOCÊS ADQUIRIAM/ALUGARAM COMEÇOU A VIRAR UM LAR?

TODOS OS QUE ESTÃO NAS FOTOS – MAS O QUE NOS ENVOLVE MAIS SÃO AS ARTES NAS PAREDES: SEMPRE PASSAMOS UM BOM TEMPO DISCUTINDO A MELHOR DISPOSIÇÃO PARA OS QUADROS.


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CONCEITUÔ


REUNIÃO DE OBJETOS DA MESMA NATUREZA: COLEÇÃO DE LIVROS. CONJUNTO DE OBJETOS ESCOLHIDOS POR SUA BELEZA, RARIDADE, VALOR: COLEÇÃO DE REUNIÃO DAS CRIAÇÕES E DOS MODELOS FEITOS POR UM ESTILISTA OU COSTUREIRO PARA UMA

COMPILAÇÃO; REUNIÃO DAS OBRAS DE VÁRIOS AUTORES COM UM MESMO TÍTULO. COLETÂNEA; CONJUNTO DE VÁRIAS OBRAS OU DE TRECHOS

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ACÚMULO; EM QUE HÁ EXCESSO: COLEÇÃO DE GORDURA NUM TECIDO.


C Ç

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SELOS, COLEÇÃO DE QUADROS. TEMPORADA: COLEÇÃO OUTONO/INVERNO. QUANTIDADE EXCESSIVA: COLEÇÃO DE CARROS.

PERTENCENTES A OBRAS DISTINTAS: COLEÇÃO DE PENSAMENTOS; COLEÇÃO DE REGRAS.

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ETM. DO LATIM: COLLECTIO.ONIS

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Pausa pra coar um cafezinho...

COADOR DE CAFÉ Suporte para filtro (de papepel, pano, sintético, aço) no qual é depositado uma certa porção de café. Onde é depositada água quente para extrair o café do pó proveniente da trituração de grãos.

INFOS Café é o produto mais consumido em nosso país, segundo IBGE, cerca de 80% da população saboreiam a bebida em território nacional. No contexto mundial nosso país é considerado o maior produtor e exportador de café. Conforme a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), o índice apontado pela pesquisa do IBGE representa uma média de consumo diário por pessoa de três a quatro xícaras de 50 ml e de 78,5 litros por ano. 70

Em Curitiba a produção e venda de café vem se diferenciando do cenário nacional ao concentrar um número significante de profissionais especializados no assunto. Isso porque, segundo a editora Luise Takashina, dos últimos dez vencedores do Campeonato Brasileiro de Barista três atuam no mercado local curitibano. Segundo Edenilso Gavlak, criador do Drink Good Coffee - movimento que busca divulgar a cultura do café na região - essa quantidade de baristas premiados é algo nenhuma outra cidade do país oferece. Os especialistas curitibanos ainda trazem um trabalho mais autoral e exclusivo, onde se encaixando ao contexto slow saem à caça de grãos, visitando fazendas e produtores locais para escolher o café que servirão em seus estabelecimentos, ainda segundo Luise, eles determinam pessoalmente a torra e o tipo de moagem, processo que torna o café oferecido algo exclusivo.


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Grande parte do surgimento dessa cultura se deve a Georgia Franco - chefe da equipe de barista e treinadora do Lucca, nos campeonatos regionais, nacionais e mundiais - pois segundo ela a conscientização do consumo de cafés especiais se deu no boca a boca com os clientes do estabelecimento.

Segundo Hida Lambros, um dos donos do estabelecimento Rause Café, cafeteria curitibana, embora bastante variado os consumidores passaram a demonstrar, não só a vontade de tomar o café no estabelecimento, mas a vontade levar um pacote do produto para casa.

Prova disso é o crescimento do consumo de cafés especiais no estabelecimento, onde antes era de 100 kg por mês e hoje alcança 500kg. Criadora também do Lucca Lab que em seus cinco anos chega a produzir 3 toneladas de grãos por mês.

POR QUE?

Hoje, utilizamos uma parte para coados, expressos e drinques servidos na cafeteria. A outra, em torno de 350 quilos, é vendida com o selo de edição limitada ou regional. Georgia Franco 73

O coador de café foi um dos objetos escolhidos por simbolizar em diversos contextos a pausa seja no café da manhã, o cafezinho da tarde, quando queremos reencontrar um amigo que não vemos a meses marcamos um café. O consumo dessa bebida esta intrínseca ao aproveitar o tempo, sentir prazer, o viver nem que seja por uns minutinhos o seu dia seja ele amargo ou doce, quente ou gelado.


CLASSIC

Desenhado pela Chemex e comercializada por ela e outras redes de varejo. Vidro, madeira e cordão de couro.

38 a 47 dólares O que mais encanta nesse suporte de coador é o desenho de ampulheta e os detalhes que dão aquele ar de naturalidade, como a madeira e o couro, o que combina com o ritual de fazer café. Também é prático, com 5 estrelas na Amazon.

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MANUAL COFFEMAKER

Criado por Craighton Berman e comercializado pela TRNK. Vidro e bambu. 99 dรณlares Quando se despeja a รกgua quente, o vapor que vai saindo lentamente torna o vidro mais opaco, transformando o visual do coador.

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Calma, vou encher a moringa!

MORINGA Recipiente, de diversos materiais, contedor de água que na maioria das vezes possui copo acoplado servindo como tampa. Vaso poroso, que primordialmente era feito de barro, para que a água se refrescasse em virtude da evaporação.

INFOS Bilha, moringue, quartião, purrão, moringa, esses são os diversos nomes dados a esse recipiente que levamos para lá e para cá contendo água. Esse contedor feito nos mais diversos materiais veio a tona na moda decorativa, segundo Lígia Azevedo em sua matéria para A CASA museu do objeto brasileiro, em Setembro de 2011, pois traz um apelo 76

a sustentabilidade quanto à redução do uso de garrafas e copos plásticos, além de manter á água fresca, quando nas clássicas moringas de barro. Além disso o gerente de marketing da rede de lojas Imaginarium, Gilberto Carvalho, afirma que a moringa sempre foi um produto bem aceito pelo consumidor, o faturamento geral cresceu na faixa de 25%.


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e da água nfiam na qualidad As pessoas não co uas filtros nem das ág s do s io ór at rv se dos re aquilo rque muitas vezes po , as ad iz al ci er m co voltando a existir ão st E . al er in m ua não é ág ua, por os de ferver a ág ir se ca s ai m os it b há menos oas têm cada vez exemplo. E as pess ra o as mais baratas pa íd sa r te de ha on verg a vez da ga está tomando dia-a-dia. A morin ambiente de escritório. E, garrafa térmica no se tornando um bibelô ao em casa, ela acaba questão vezes é mais uma lado da cama, às é uma corativa. Também de ça pe a um r . se de ol ter uma moringa co é o, ism od m questão de s terem r moda para todo o. ra vi r isa ec pr se Mas ótim ente na vida, que uma atitude coer Olívia Yassudo Fari

POR QUÊ? A moringa foi selecionada por trazer essa ideia de objeto amigo, aquele que está sempre por perto, que mantém a água fresca, retorna a ligação a um hábito saudável, está ao lado da cama, com água e algumas frutas da estação na mesa com os amigos, na escrivaninha enquanto você digita o seu tcc (risos), são inúmeros lugares onde ela pode ser inserida dentro das vivências cotidianas e ela acaba trazendo. 79


JÖDJA

Desenhada por The Led Project comercializada por Jodja.

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Inteiro de porcelana vidrada. 90 reias Ganhadora do IF Design Award 2009 Gostamos das formas curvas e simples, da não-simetria e como é um pouco antropomórfica, parecendo um corpinho e uma cabeça, mas não explícito o suficiente pra dizer com certeza.

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CORK THERMAL CARAFE

Desenhado por Ying Cahn - ainda não comercializado. Finalista do prêmio Hey Talent de 2014 Nos interessou o uso da cortiça, não só por ser um baita isolante térmico, mas é macio ao toque, tem também uma aparência linda e é perfeito para ter ao lado da cama. E, ah! Também não quebra... O que acaba sendo ótimo para os desastrados.

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Você tem uma extensão de tomada?

EXTENSÃO DE TOMADA Consiste em um cabo elétrico transmissor de energia com plug, para captar energia, e saídas para tomada e também, nos modelos mais recentes, usb.

INFOS Dependemos da arquitetura do lugar e de onde há tomadas, senão o desespero de não ter energia nos atinge. Para isso existem extensores de tomada. Algo cada vez mais necessário, visto que hoje tudo precisa de uma tomada, o que antes era a TV e a luminária, hoje também é o barbeador, a escova de dente, o smartwatch, o roteador, cobertores que aquecem. 82

POR QUÊ? Escolhemos esse objeto não só pela falta de estiticidade, mas mais pela falta de conexão emocional com o seu usuário, ele é frio, sem identidade. Ele não diz nada sobre você, nem sobre mim. E na decoração, tudo que procura-se é realçar a própria identidade, com objetos que pintam sua personalidade. Seja para poder assistir um filme na cama no laptop, ligar o som do lado de fora da casa, na empresa quando precisamos ligar diversos aparelhos ou até quando estamos em casa fazendo trabalho com os amigos compartilhamos da nossa energia através de uma extensão de tomada. Todas as casas tem um, é necessário na vida contemporânea, e esta lá, atrás do sofá, escondido do lado da geladeira e despensa, estrategicamente organizado lá no pé da sua estação de trabalho. Escondemos, porque é feio.


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STROMER

Criado e comercializado pela Njustudio. Madeira, plástico e fio colorido. 119 euros Interessante porque não é só uma extensão ou um hub, é um móvel inteiro destinado para essa função. Com a altura pouco acima do braço da cadeira, é perfeito para carregar objetos portáveis como celulares e tablets. Também usa-se o contraste das cores vibrantes com tons neutros e naturais.

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ONKTO KATUH

Criado e comercializado pela Selekkt.com Concreto e fio colorido. 280 euros Gostamos da simplicidade da forma e da mistura do tom natural do concreto e das cores vibrantes do cabo de energia. Ele é baseado também em 4 módulos agrupados, dessa forma, várias outras formas também são comercializadas, em forma de T e em L, por exemplo.

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Acende a meia luz pra dar um charme...

LUMINÁRIA Conjunto de lâmpadas ou focos de luz. Tudo que alumina. Contedora de luz.

INFOS que habitamos a Terra, a luz vem Desde afetando nossas funções biológicas. Mas a nossa compreensão de que tipo de luz tem um impacto maior ou como isso acontece é algo novo e ainda não temos todas as respostas Mariana Figueiro

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A luz sempre foi associada, historicamente, à coisas boas. Não só pela necessidade óbvia de enxergar, mas inconscientemente ao bem-estar. Estudos recentes debatem sobre a ligação da falta de luminosidade, ou naquela luz fria, à depressão.

Não há motivos específicos para o surgimento da depressão sazonal, porém, observa-se um maior número de casos em dias escuros, nublados e com menor incidência de raios solares. Maria Celina Nicoletti

Um fator que também influência no nosso estado de espírito são os estímulos causados essencialmente de acordo com a cor da luz.


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POR QUÊ? O usuário deve ter em mente que a cor da luz tem influência direta no seu estado emocional e pode ser uma grande aliada para o seu bem-estar. A iluminação amarelada no quarto, por exemplo, irá ajudá-lo a relaxar depois de um dia de trabalho. Da mesma forma que a luz fria, branca, facilitará a visualização de alimentos e utensílios na cozinha, onde se requer mais atenção Gilberto Grosso

Esperamos utilizar essas informações para construir uma luminária que permita ao usuário ficar tranquilo, se sentir acolhido, aquecido, que permita ao usuário ficar tranquilo a sós, ou enquanto conversa com alguém ao inverso da velocidade da luz, ou nem tanto, porém bem de boa... 89

Luz também é sentimento, o que ela proporciona pra gente. Sentar no banco de parque, logo depois do almoço, naquele frio Curitibano, e aquele sol escaldante para aquecer as bochechas. Luz é aconchegante. Especialmente em casa, abrindo aquele livro, com um chá quentinho no criadomudo, o gato no colo. A luz cria. Criadora de formas inesperadas, o arco-íris, aquele reflexo quase que artístico vindo de objetos dos mais comuns. Quem nunca segurou o ar no fundo da piscina por alguns segundos e olhou pra cima só pra ver aqueles padrões formando aleatoriamente na superfície da água? Escolhemos a luminária mais precisamente aquelas que estão no ambiente simplesmente para serem observadas, pelo efeito da luz ou sobre nós.


LUNAR

Comercializada pela Tok&Stok. Madeira e cúpula de metal. 1.495 reais Paixão à primeira vista quando visitamos a loja. Tão elegante. Na cúpula, um acabamento de metal desgastado, que refletindo com a luz causa um efeito inesperado. A limpeza das linhas e das formas também cativam.

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RUBI

Luminária pendente Rubi, desenhada pelo designer canadense Eindhoven grad Lukas Peet. Comercializada pela Roll & Hills. Bronze e tubo de vidro. 2.700 dólares O grande destaque dessa luminária é a simplicidade. É impossível não ficar atraído por quão simples é. Essa simplicidade se converte em beleza Não parece, mas tem 1 metro de altura.

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PRA ONDE VAI ESSA TAL COLEÇÃO?

POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ? POR QUE ? QUEM ? COMO ? QUANDO? O QUÊ ? ONDE ?

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Slow living. Minimalismo. Objetos-chave.


12 Curitiba

Em procuramos espaços onde essa coleção poderia ser vivenciada a partir do contexto que estamos inseridos ou próximo a ele. Jovens que apreciam arte que transita em museus locais ou fora deles, que curtem música, apreciam design, adoram ir em festivais, fazem aquelas viagens ali pra Morretes e (por sorte ou oportunidade) la pra Shangai, os que constroem seus espaços a partir de vivencias e descobertas cotidianas… Nesse contexto pensamos naqueles jovens casais que estão saindo da casa dos pais, dos apartamentos sozinhos ou das repúblicas com os amigos e indo alugar seu primeiro apartamento juntos. Casais tem uma renda suficiente para constituir um lar de forma autônoma, buscando investir sua renda em algumas parcelas para móveis essenciais - sofá, poltrona, estantes, tvs, masa, cadeiras - e outra parte em objetos funcionais, porém com apelo estético, para que além do uso expressem sua personalidade. 93


O QUÊ ? Coleção composta por quatro peças - moringa, luminária, suporte para coador de café e extensão de tomada - projetadas a partir da observação de tendências do mercado atual de decoração e dos apartamentos de jovens casais curitibanos na faixa etária de 20 a 35 anos. Os objetos serão inspirados por esses ambientes contemporâneos, buscando apelo visual através de seus materiais, texturas e cores, no entanto, com tendência ao monocromático e minimalista. Propomos a criação de peças que transitam em diversos espaços como foco da decoração de cada um deles, buscando também um vínculo afetivo com o seu dono através de formas, texturas, materiais e cores que despertam a sensação de aconchego, familiaridade e identidade. Objetos seriados produzidos em baixa/média escala, utilizando-se de técnicas manuais e industriais. Para 94

a construção das peças utilizaremos 6 materiais madeira, vidro, tecido, metal, pvc, cortiça - unidos de maneira equilibrada para criar objetos que despertem a atenção e explorem a sensação. Buscamos nestes materiais sua beleza natural bruta, desprovida de grandes acabamentos, mas também propor novas identidades para estes materiais, sem mascarar sua natureza. A coleção parte da ideia de decoração a partir de objetos de identidade, colecionados, estimados, queridos. Como de uma pessoa que viaja pelo mundo e compra uma peça de cada lugar e juntas elas fazem sentido. Uma descoleção colecionada.


ONDE? COMO? Levando em consideração a complexidade de cada ser, sua vivência ao longo dos anos, acúmulo bruto de memórias e refinamento de referências, multiculturalidade, multireferencialidade e construção do ser. Queremos que esses objetos estejam em espaços pessoais, com usuários que os observem, enfeitem, amem, virem de ponta cabeça, pendurem, cansem, odeiem, quebrem. Que através desses objetos eles enxerguem que estão vivos e livres para expressão em suas diversas maneiras e vivências. 95

O lar de uma pessoa que busca se expressar, que vive, viaja. Não uma pessoa que decora, mas uma pessoa que coleciona objetos de memória. Objetos que tem um vínculo emocional, que tem vida, peças que estão no espaço com um propósito, com um apego, com amor. Espaços vivos, contrastantes, sem aquele silêncio que evita desconforto, mas com o barulho de conversa, das cebolas e alho fritando na frigideira, da música envolvente vinda das caixas de som, da finesse do barulho da chuva que acalma... Ambientes que tenham em si o bruto - feito a mão, pão caseiro, farinha no avental, flores colhidas, marcas das taças de vinho e xícaras de café na mesa, riscos de arrastar móveis no piso - e refinado - com vasos de porcelana chinesa, vinil de jazz raro, cafeteira italiana, café local artesanal, óculos alemão, vinho chileno, quadros emoldurados.


13 INFLUÊNCIAS E FORMAS

A partir da análise feita dos apartamentos vimos três influências de estilo de design de interiores: escandinavo, new yorker e brasileiro. Eles também serviram como fonte essencial de inspiração para os nossos sketchs. Apesar desses estilos terem partes que se permeiam eles apresentam características específicas que vamos explanar nos tópicos a seguir. 96


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DESIGN ESCANDINAVO

Com a sua origem lá nos anos 30, o design escandinavo é um estilo de decoração marcada pelo funcionalismo e a simplificação das formas. Hoje em dia é visto pelo mundo como um símbolo elegância sólida e uma tendência no mercado atual. Madeira, cerâmica, vidro, couro, metal, concreto. O visual de robustez natural destes materiais estampam a textura dos objetos criados nesse estilo. Usando técnicas simples mas inovadoras, o movimento democratiza esses objetos por oferecerem peças lindas com um preço mais acessível. Escandinavos são especialmente dotados no design. Eles são mundialmente famosos por seus desenhos inimitáveis, democráticos, que preenchem a lacuna entre artesanato e produção industrial. O casamento de belas formas orgânicas com funcionalidade do dia-a-dia é um dos principais pontos fortes 98

do design escandinavo e um dos motivos pelos quais as criações escandinavas são tão queridas e procuradas.

Charlotte & Peter Fiell


REQUISITOS

(DO ESTILO E COMO ENXERGAMOS O PAINEL)

Minimalismo. Funcionalidade. Cores neutras. Materiais aparentes. Acabamentos refinados. Limpeza visual. Formas simples. Linhas retas. Contraste.

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DESIGN NEWYORKER

Segundo publicação de 2014 no site Casa Vogue foi entre os anos 1950 e 1970 que o estilo industrial surgiu em Nova Iorque. Interligado à uma característica decoração o design novaiorquino teve seus princípios definidos graças à disponibilidade de espaço nos prédios da cidade onde se tinham galpões e estúdios que com o aumento da população foram sendo habitados e transformado em lares. Os lofts geralmente com espaços amplos, repletos de tijolos e tubulações aparentes com alguns pontos de cor, madeira, metal e muito concreto, peculiar às construções, tornaram referência para a criação das casas contemporâneas, que dispensam paredes em prol de ambientes integrados. A ideia era trabalhar de baixo para cima, expondo elementos estruturais o tanto quanto o prédio me deixava no térreo, enquanto nós nos movíamos para cima, 100

assim a textura ficava mais significante. A combinação de incríveis ladrilhos, tijolos lavados com ácido expostos e chão de concreto impermeabilizado e polido criam um fantástico fundo para uma peculiar coleção de arte, tapetes e móveis ocasionais. Jodi York


REQUISITOS

(DO ESTILO E COMO ENXERGAMOS O PAINEL)

Acabamentos rusticos. Imperfeições. Cores vibrantes em contraste. Detallhes aparentes. Elementos industriais. Concreto + Metal. Bruto. Cru.

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DESIGN BRASILEIRO

O Brasil é híbrido - É uma forma atenuada de falar que aqui tem de tudo, povos de todas as raças, gostos de todos os tipos, religiões de todas as etnias. … impossível dar uma identidade, ainda mais nos dias de hoje, nos quais: “[...] sob os efeitos da globalização, o domínio cultural e as questões locais de cada país passaram a ser de suma importância, uma vez que as identidades deixaram de existir e passam a ser globais” Esculturas de madeira como as do Atelier Hugo França trazem uma naturalidade que é incomum de se ver em espaços fechados, as formas orgânicas, que valorizam a natureza dos troncos, os buracos, rachaduras, nós, as marcas de queimada destoam da pureza e refino do material procurado por designers como Sérgio Rodrigues, ou, mais próximo, como da asaDesign, um pequeno estúdio localizado 102

em Curitiba e no qual um dos integrantes desse que vos escreve já estagiou, que sempre utiliza formas mais retas, com acabamentos de alta qualidade e atenção na perfeição. Roizembruch


REQUISITOS

(DO ESTILO E COMO ENXERGAMOS O PAINEL)

Materiais naturais. Fibras. Diversidade. Madeira. Multiculturalidade. Pluralidade. Familiaridade. Aquelas peças que a gente vê na casa dos amigos e fica: Putz, Brasil...

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DETALHÔ


CRIATIVO 14

PROCESSO

A partir dos três conceitos definidos iniciamos a produção de sketches em maior intensidade (além de alguns rabiscos de ideias geradas ao longo do processo). Os desenhos se deram primeiramente a partir da construção de painéis dos conceitos, similares e pesquisas dos estilos, de forma livre, ao longo das semanas. Tivemos dificuldade em gerar um volume interessante de alternativas com o processo simples do tipo sentar e desenhar. Com isso sentimos a necessidade de desenhar juntos e produzir sketches utilizando métodos de geração de alternativas aprendidos nas disciplinas de gestão ao longo do curso. Porém ao invés de pegarmos um método pronto como de costume geramos o nosso próprio a partir de memórias dos que mais gostamos de utilizar. 106


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O S S E C O R P

CRIATIVO

Primeiramente relemos as características do conceito escândinavo, então, com o conceito selecionado, observamos seu painel em conjunto aos requisitos e similares de cada objeto por cerca de 20 minutos. Nesse tempo discutimos e analisamos os elementos formais presentes e características interessantes que se mostraram relevantes de acordo com o briefing proposto. Em seguida marcamos 10 minutos cronometrados, para produzir 10 alternativas, ou seja, uma alternativa por minuto, de cada produto da coleção, o que daria 80 alternativas por conceito. Fizemos esse processo também separadamente com os outros dois conceitos, new yorker e brasileiro, para as 4 peças da coleção - moringa, coador, luminária e extensor. Esse método demoraria cerca de três horas (não exatamente, porque afinal de contas somos 109

humanos) e gerou teoricamente 120 alternativas, porém, na real, ele acabou gerando mais de 200 alternativas e durou em média 5 horas. Isso se deu pelo fato de desenharmos todas as rodadas juntos e nos pegarmos dando pitacos no desenho um do outro e acabar gerando novas alternativas. Para não se tornar exaustivo, o produzir dos três conceitos num mesmo dia, decidimos dar um ar pra cabeça e dividir a geração dos desenhos com no mínimo dois dias de respiro entre uma geração e outra. Por fim, como o objeto que teve mais alternativas geradas foi a luminária tivemos mais facilidade em selecionar três alternativas para a primeira bateria de produção dos mockups. A seleção se deu através da análise em relação aos requisitos de cada conceito e painéis dos apartamentos do nosso público-alvo.


MOCKUPS

teria primeira ba

brasileiro

Após a seleção de alternativas, através dos requisitos dos conceitos e análise dos apartamentos do público alvo, escolhemos apenas três delas para darmos andamento a confecção dos mockups. Essa primeira bateria de mockups foi feita com a intenção de compreendermos nossas alternativas e seus desenhos dentro de cada conceito com o auxílio da primeira banca. Como nossa coleção é composta de quatro objetos concluímos que ficaria mais claro de entender os elementos visuais dos diferentes conceitos escandinavo, brasileiro e new yorker - se a distinção dos elementos fosse através de apenas um objeto, a luminária, ao invés de misturar os quatro. Com o feedback da apresentação para a primeira banca, de análise de andamento do projeto, conseguimos compreender, com as críticas construtivas de cada professor, onde tinhamos acertado e onde precisáriamos aprimorar e explorar os desenhos de cada conceito dentro dos requisitos de cada conceito.

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new yorker


escandinavo

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DESIGN ESCANDINAVO + DESIGN BRASILEIRO

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Após concluirmos a primeira banca começamos a nos questionar, quanto aos conceitos e de que forma haviamos conseguido traduzir toda a carga de conteúdo e conceito dentro da construção prática e como uma coleção de produtos. Será que apenas um desses conceitos conseguiria traduzir os elementos que o nosso público requisita? Será que todos os três não seria querer demais? Não perderíamos a essência do projeto?

da região escandinava, isso seria desconstruir tudo que viemos a meses refletindo. Com isso vimos a relevância dos elementos brasileiros dentro desse desenho escandinavo, dos materiais aqui acessíveis, valorizando o que está disponível localmente, além dos fornecedores da região os quais também estariam aptos para trabalhar com os materiais da região. Nós somos brasileiros é claro que seria meio brasileiro em suas minúcias.

Foi então que, analisando os três conceitos, entendemos que o design escandinavo estava muito intrínseco a nossa proposta de simplicidade, de honestidade quanto aos materiais, se aliando ao slow com a simplicidade de produção, com desenhos mais limpos. Porém não queríamos trazer materiais

E foi assim que tivemos a certeza e segurança de continuar desenhando um projeto onde foi possível alinharmos a nossa forma de projetar, nosso gosto, com o nosso público e os conceitos que se mostraram relevantes em uma leitura do contexto atual, contemporâneo, em que estamos inseridos.


D E V O LTA A O S

desenhos

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Como já haviam sido gerados vários desenhos e conseguimos refinar os conceitos, alinhando com os requisitos e briefing do projeto, ao rever as alternativas anteriores sob essa renovada perspectiva tornouse fluido desenhar novas alternativas refinando a primeira geração. O resultado desse refinamento foi a seleção de desenhos muito mais limpos e pensados, configurando elementos dos conceitos selecionados e além disso traduzindo nossa forma de ler o mundo, através do desenho, olhar sobre o contexto e dos nossos gostos tanto quanto os do nosso público. 114


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MOCKUPS

eria segunda bat

Com os desenhos refinados e selecionados nos reunimos com nosso orientador e vimos a necessidade de começar uma segunda produção de mockups, agora muito mais próximos das alternativas finais. Os mockups auxiliaram a trazer pro real os volumes e com isso conseguimos dimensionar os desenhos, testar algumas funções, enxergar as possíveis dificuldades de execução de cada produto. Começamos também a pensar as possibilidades de materiais, métodos, conformações nos devidos limites de dimensionamento e forma.

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ÚLTIMOS DETALHES

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Frio na barriga + Mão na massa + Muito amô


DEPOIS DE TODO ESSE AUÊ, ENTRE ESTUDOS E ANÁLISES, VIEMOS AQUI DESCREVER A ÚLTIMA ETAPA DE PRODUÇÃO, ONDE OS OBJETOS DESENHADOS EM PAPEL GANHARAM CORPO FÍSICO E VIDA NAS OFICINAS E ATELIERS.

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PRO DUTO RES

DÉ GOMIDE COM JEITO DE MOLEQUE, MAS MUITA EXPERIÊNCIA E VIVÊNCIA, ENCONTRAMOS O ANDRÉ PELO PROFESSOR RONALDO CORRÊA, ORIENTADOR DESTE PROJETO. GRADUADO EM DESIGN DE PRODUTO PELA UFPR EM 2009, FUNDOU DA LENHA - TRANSFORMANDO MADEIRA (WWW.ESTUDIOLENHA.COM.BR), UM ESTÚDIO QUE SE ESPECIALIZA NA PRODUÇÃO ARTESANAL DE ÓCULOS DE MADEIRA, MAIS ESPECIFICAMENTE LÂMINAS DE MADEIRAS MOLDADAS, O QUE SE ENCAIXAVA PERFEITAMENTE COM A PROPOSTA DE UM DOS NOSSOS PRODUTOS, O COADOR DE CAFÉ. 120


IZAIR ZANOTTI E CLAUDIO BAZANI NATURAL DE CURITIBA, NASCIDO EM 1943, É FUNDADOR E FAZ-TUDO NA ZANOTTI - ARTEFATOS EM MADEIRA (WWW.ZANOTTIARTESANATO.COM.BR), SEMPRE COM UM SORRISO NO ROSTO, TRABALHA E SE ESPECIALIZA EM OBJETOS TORNEADOS E, ADQUIRINDO CONHECIMENTO POR MAIS DE 30 ANOS NA ÁREA AO LADO DE SEU COLEGA E AMIGO CLAUDIO BAZANI, O QUAL ATUALMENTE PRODUZ AS PPEÇAS EM TORNO. TEM SUA PEQUENA FÁBRICA NO BAIRRO TANGUÁ, LÁ EM ALMIRANTE TAMANDARÉ. HOJE JÁ QUASE APOSENTADO, TEM AJUDA DE SEUS FILHOS QUE SEGUIRAM A TRADIÇÃO FAMILIAR. 121


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CA


SÔ O 123


C O A D Ô Nosso primeiro contato, de alguém que pudesse nos ajudar, foi o André Gomide, dono e produtor do estúdio Lenha. Batemos em sua porta, ele de cara adorou o projeto e topou em nos ajudar. Daquele dia em diante, foi um bate-volta diário de modelagens e ideias para viabilizar a produção, muitas alterações no desenho foram feitas e conseguimos então chegar a um resultados que tínhamos segurança de que daria certo. Com o André, tivemos contato também com o Izair, um senhorzinho de 74 anos, especialista em tornearia de madeira, e que tinha sua microempresa também em Santa Felicidade, lá estávamos com alguns desenhos técnicos debaixo do braço e tocando a campainha. Izair abraçou o projeto e se colocou à disposição para produzir nossas peças. Logo de início avaliamos que para o desenho seria interessante monomaterial, mantendo o coador 124


minimalista e harmônico visualmente. Para isso foi considerado vidro, acrílico, plástico e madeira, sendo o último e o primeiro os mais desafiadores de serem produzidos. Geramos algumas imagens de como ficariam no computador e debatemos com o orientador sobre qual seria a melhor escolha. Decidimos então por madeira com um detalhe em vidro. O vidro de cara já não rolou... Contatamos uma artesã local, a Loire Nissen, que cria algumas peças de vidro para a região, mas ela desencorajou a ideia, pela falta de praticidade e fragilidade da peça. Foi assim que ficou 100% em madeira. Inicialmente optamos por uma madeira clara para manter aquela cara de escandinavo, e assim pedimos ao Izair, nosso torneiro, para produzir as primeiras peças que seriam o funil do coador. Dias depois, chegamos em sua oficina e nos deparamos com uma peça de Imbuia, bem escura, venho aqui lhes dizer que foi amor à primeira vista, por mais que 125


fosse completamente o oposto do que queríamos. Um acidente feliz que nos fez refletir de que forma estávamos traduzindo o conceito nos materiais tanto quanto no desenho. Complicando a nossa vida nossa peça requer três tipos completamente diferente de produção. Uma peça é feita pelo Izair, torneada, que chamamos de funil, a peça onde se passa o café efetivamente. A segunda peça são os pés, feitas em compensado. A última peça é o anel, usinado em Imbuia e compensado. O funil foi a primeira peça produzida através de torneamento com o Izair. Ele já havia gostado da ideia e criou 3 protótipos para nós. Logo de cara alguns ajustes precisavam ser feitos, pois queríamos uma parede bem mais fina do que era possível (4mm), e foi preciso ser feita com 7mm. Ficou até melhor. Os pés e o anel foram produzidos pelo André Gomide, ele possui uma máquina de usinagem CNC em casa, o que facilita bastante. Na verdade, o André liderou a produção toda em seu estúdio e nós o ajudamos com o que foi necessário, como ajustes inesperadas no projeto e compra de materiais. 126

Para o compensado que forma os pés, utilizamos folhas de Imbuia na superfície e no “sanduíche” folhas de madeira Balsa e cola de poliuretano para grudar tudo. Criamos todo o modelo no computador usando o Rhinoceros e usinamos um molde e um contramolde com esse arquivo. Prensamos tudo e a peça estava pronta. Para o anel, o processo foi similar, usamos a CNC para cortar o anel em um bloco formado de compensado e Imbuia.


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m o r i n g ô A moringa foi complicado… Era o elefante branco na sala de cada reunião que fazíamos, depois de centenas de sketches e rabiscos, refinamos a ideia em uma moringa que já sabíamos que seria um pesadelo de produzir. Pedra polida, vidro conformado sob medida, base de madeira. Não sabíamos o que fazer. Primeiro fomos atrás de algum lugar que conformasse vidro, rodamos a cidade inteira sem sucesso. Encontramos a Raiar da Aurora, a qual já havíamos tido contato no passado, porém o acabamento deles era grosseiro e os custos de produção inviáveis para nós, meros estudantes. Depois de muito bater a cabeça, acabamos que em uma conversa de poucos minutos num café do centro, alteramos completamente o desenho e emprestamos algumas linhas de nosso outro produto, a extensão de tomada. 134


No novo desenho, ainda precisávamos do mais difícil, o vidro. Sabíamos que não iríamos conseguir conformálo do zero. O formato era simples, talvez houvesse outro modo de materilizar-lo, então procuramos por uma alternativa e decidimos comprar um produto já no mercado, para então adaptá-lo à nossa moringa. Muitas lojas de decoração, de artefatos de vidro, e nada. Estávamos quase desistindo. Acabou sendo em uma floricultura que achamos, e era exatamente o que queríamos. No fundo da loja haviam alguns vasos que as pessoas compravam para colocar suas flores, e lá estava. Compramos. Fomos medir o quanto de água cabia no vaso, dava quase 800ml, achamos muita coisa, e ele afunilava bastante, se tentasse beber a ponta de até o menor dos narizes já batia do outro lado. Decidimos que meio litro era uma medida ótima e que também batia com o que outros produtos no mercado usavam. Utilizamos uma pequena balança de precisão e colocamos água 135


até bater 500 gramas, medimos a altura que isso dava no vaso, adicionamos 1,5 centímetro para a entrada da tampa e de uma folga e fizemos uma marcação. A Raiar da Aurora acabou tendo sua utilidade, já que lá que cortamos o vaso para ter a altura que queríamos. Cortar vidro tem seus riscos e pode quebrar a peça, esse era o último vaso na loja, e a fábrica na qual ela era produzida fica em São Paulo, ou seja, tínhamos apenas uma chance de acertar, ou atrasar pelo menos algumas semanas no nosso já atrasado cronograma. Deu certo, ufa! Levamos o vidro para o nosso já conhecido, quase íntimo, amigo Izair, que fez a peça que seria encaixada embaixo do vidro, a base e a tampa da moringa. Devido ao método de torneamento, totalmente artesanal, a base não ficou perfeitamente o que queríamos, uma meia esfera, mas no final a peça funcionou mesmo assim. Usamos uma cola industrial de silicone para a união da madeira e do vidro e voilà. 136


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e x t e n s ô Tínhamos uma ideia bem clara já no começo de como esse produto seria. Criamos quatro mockups, três de volume e um deles funcional. Usamos foam intertravado para os de volume e isopor com massinha de modelar no interior para o modelo funcional, para funcionar como um “João Bobo”, aquele brinquedinho que todos nós já brincamos. Tentamos criar o modelo funcional já no formato que queríamos mas ele, sem querer, ficou baixinho e gordinho, mas era só um teste, o produto final não iria ter essa cara. Levamos para o nosso orientador todos os mockups e ele caiu em amores pelo tal baixinho e gordinho, e ele nos convenceu que realmente aquele era o mais interessante. Ironicamente, um dos mockups rejeitados para a função de extensor acabou sendo escolhido como a base da nossa moringa. Louco né? Para o efeito de “João Bobo” precisávamos de um material que fosse leve, assim, menos peso seria necessário para que ele funcionasse. Impressão 3D 144


em PLA foi a escolha perfeita para este protótipo. Tínhamos acesso à uma impressora dessas da própria universidade, no setor de Engenharia Mecânica, no campus Politécnico. Desenhamos as peças no Rhinoceros e fomos lá imprimir com a ajuda do professor Sergio Scheer, que acompanhou o processo todo. Muita tentativa e erro depois, tínhamos as nossas peças em plástico. Usamos pequenas esferas de chumbo encontradas em qualquer loja de artigos de pesca, que são baratas e bem pesadas, para criar o peso necessário na base do extensor, e folhas de cortiça escolar para o revestimento da parte superior da extensão. Usando o Rhinoceros, dividimos a superfície que seria de cortiça em três, planificamos e imprimimos os moldes para aplicar a cortiça na peça. Para a parte elétrica, desmontamos plugues de tomada fêmeas já existentes e retiramos a liga 145


metálica que conduz a eletricidade e desenhamos nosso protótipo para acomodar este exato formato, com a impressão 3D essa tarefa foi tranquila. Para simular um plástico injetado (a impressão 3D gera uma superfície com várias camadas e rugosa) com aquele liso perfeito, usamos massa acrílica para dar acabamento à peça. Tentamos utilizar pincel e rolinho mas estes não davam resultados os quais esperávamos. Levamos a peça à uma oficina de pintura automotiva e pedimos que pintassem. Nos olharam estranho, mas o resultado ficou ótimo. 146


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l u m i n ô Nossa luminária foi o objeto mais mudado e transformado de todos. Na nossa primeira sessão de desenhos, ela apareceu em uma das dezenas de páginas que entupimos de sketches, estava ali, bem pequenininha em um rodapé. O engraçado foi que ela passou despercebida e acabou só vindo à luz nas etapas finais deste projeto. Na nossa primeira apresentação da banca, fechada para professores apenas, foram apresentadas três propostas de luminárias, cada uma refletindo um estilo de design. As três foram descartadas e esta pode ter sido a melhor decisão que tomamos. Os professores não ficaram convencidos, nós, com o sorriso torto, também não. Elas não eram nem versões primitivas da nossa ideia final, eram outros quinhentos. Enfim, com o desenho pronto, voltamos a incomodar nosso bom amigo Izair. Ele conseguiu fazer duas das peças de madeira, que eram de tornearia, mas uma 154


delas estava fora do escopo do que ele trabalhava. Ele recomendou um amigo que poderia ajudar, o Leandro, da Marcenaria Straiotto. Mas essa era a parte fácil, o pepino ainda estava para chegar. Estávamos montando e desenhando a luminária ao mesmo tempo, não sabíamos exatamente com quais materiais fazer, quais estavam no nosso alcance. A fonte de luz foi a primeira preocupação. Queríamos um luz quente e uniforme no tubo. Concordamos que uma fita de LED seria a melhor alternativa. Compramos 1 metro da primeira que vimos, ela era toda envolta em silicone e tinha um brilho médio, o que era isso que achávamos que queríamos. Pensamos em criar um tubo e envolver essa fita em volta, em testes, viuse que ficava bem ruim, cheio de marcas dos pontos de LED na fita, e o pior, essa era praticamente a única fita no mercado que não suportava cortar, ou seja, estávamos presos com esse 1 metro, e é um negócio super caro. Repensamos como essa luz ficaria e 155


compramos outra fita, essa dava para cortar a cada 5 centímetros e deu certo. E aquela outra fita? Hoje ilumina a cabeceira da cama da namorada do Heitor. Procuramos a cidade inteira e lá no Boqueirão (bairro em Curitiba) encontramos o plástico que fez o tubo, ele era branco, opaco e só um pouco translúcido para funcionar, e tinha a espessura certa que desse para manusear. Chegamos em casa, enrolamos o nosso plástico branco em um tubo e colocamos nossa fita de LED com luz amarela para ver como ficava. Ficou rosa. Rosa neon e brilhante. Nós dois nos olhamos, confusos, rimos, depois choramos. Voltamos a loja, o funcionário, que trabalhava com aquele material há anos, ficou igualmente espantado. Por sorte, a loja tinha outra chapa de plástico, essa ficou amarela, ainda bem. 156


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18 E AI, O QUE ACHARAM?

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VIDA TRANSITANTE DA COLEÇÃO ENTRE CASAS E LOJAS AQUI EM CURITIBA.

Marcamos um contato com dois casais para que eles dessem uma olhadinha nos nossos objetos e falar o que acharam. Um deles você já conhece, a Heloisa e o Rodrigo. O outro, um casal (bem) jovem que conhecemos em uma noite ao acaso por Curitiba. Fomos visitar também a Ôda Design Club, uma pequena e linda loja na Rua Prudente de Moraes que vende objetos de designers de Curitiba e de todo o Brasil. Fizemos algumas perguntas básicas e que encorajassem respostas sinceras. Nesse capítulo a transcrição dos trechos mais interessantes. 165


CAFÉ DA MANHÃ

com Helo e Lemos L - Ah, e é uma coisa permanente né, e é o que vocês buscam também né…

H - Super funciona pra gente, ainda mais que a gente passa café para dois né! Não precisa ser grandona… L - Além de ser bonita né? Quando você não tá usando dá pra por pra decorar H - É lindo, gente! E vocês têm ideia da faixa de preço? (falamos o preço sugerido pelo André Gomide R$150) H- É, porque às vezes a gente vê produtos muito legais e às vezes eles são muito caros né, então acho que R$150 é um valor legal… 166

H - Muito lindo gente, adorei! L - Aqui a gente usaria aqueles filtros de metal mesmo, ou tipo de papel? H - Acho que seria legal usar aqueles de pano, sabe? Nós usamos lá no trabalho e fica delicioso, quanto mais velho e usado mais gostoso fica, fica outro gosto assim. H - E o bacana também é que vocês podem comercializar isso aqui em cafés e tal, a moringa também! Tipo no Supernova (cafeteria ao lado da loja da Helo, e Reptilia).


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(explicamos sobre como funciona a base pra ficar como um João Bobo, com chumbo e plástico na base)

L - Qual o princípio, basicamente? (explicamos como funciona) H - Que linda gente…muito bonita. Essa a gente só tem que cuidar porque o nosso criado-mudo ele é pequenininho, daí se dá uma batidinha já cai…Mas bem bonita.

H - Acho que até agora esse seria o mais útil pra gente mesmo. L - Eu acho legal que ele tem meio que a cara de uma outra coisa…Não parece uma coisa que você vai usar para eletricidade. No momento ele parece um acessório…sei lá…parece uma outra coisa. A (nossa) cachorra podia pensar que seria um brinquedo pra ela. É bem divertido né.

(corrigimos o problema da “batidinha” com antiderrapante na base da moringa) L - Eu até fiquei na dúvida (risos), quando vocês disseram que o vidro também era o copo, eu imaginei que teria que virar de um jeito assim. Mas é melhor com uma tampa assim do que com um copo assim, que fica pingando depois…Não precisa complicar o ato de tomar alguma coisa né?

L - Legal que ela tem uma onda meio que de luneta, assim…Parece uma coisa para você observar. Eu tenho essa coisa de ver uma coisa e de associar com outras, e às vezes me lembra um cigarro, que também não é um problema, mas é interessante assim. H - Nossa, ela é linda. Demais. Os acabamentos estão bem bonitos assim.

H - Hmmmm…Essa também é super útil pra gente. Isso é legal tipo a gente deixa em cima da mesa e liga na tomada que tem lá embaixo, na parede. Bem bonito. L - É tipo cortiça e madeira né? 168

L - Tem uma coisa complementar que eu tô sentindo nas peças assim, tipo uma identidade da coisa toda. L - Até aqui na mesa de jantar dava pra usar ela, tipo receber os amigos, fazer um janta. A nossa luz aqui é muito forte, você não consegue olhar ela diretamente, daí incomoda um pouco, e essa luz (da Luminô) é boa até pra criar um clima mais aconchegante assim.


Comentários Legais L - As peça de vocês parece que visam isso também (de dar identidade pessoal ao ambiente), tipo, não é só o lado funcional, mas são bonitos esteticamente também. H - Acho que dos quatro que vocês trouxeram, o que eu achei mais útil e que me surpreendeu foi a extensão, porque é uma coisa que (para a gente) realmente é um problema. O coador também, mas se fosse pra escolher de todos, o que a gente precisa mais é a extensão mesmo. H - Eu super vejo no nosso apartamento aqui, mas também é uma coisa que eu poderia dar pro meu pai assim, por ser de madeira e tal, toda diferente assim. E assim, se vocês quiserem, quando estiver tudo pronto, deixar umas peças lá no meu ateliê e vender com consignação. 169


CONVERSINHA

com Du e Gabi

ELE, 22, E ELA 19, MORAM JUNTOS HÁ 1 ANO E DIVIDEM UM MICROAPARTAMENTO NO CENTRO. OS DOIS SÃO VENDEDORES NA CHILLI BEANS E SE CONHECEREM PELO SHOPPING. SE APAIXONARAM E HOJE VIVEM JUNTOS. SIMPLES ASSIM. levar em viagem assim, e ele sempre levaria um desse, mas claro, não tão bonito quando esse. E eu não tomo café, então… G - Nossa aqui aqui tá muito legal! Pequeno né? Legal que não ocupa muito espaço. E - Esse aqui, na hora que você tirou (da sacola que levamos) eu imaginei meu vô comprando esse até, porque ele tem muitos daqueles equipamentos de chimarrão, sabe, e ele tem até coisas de café pra 170

G - Isso daqui eu deixaria tipo do lado da minha cama assim, eu adorei, sério! Até porque aquele de plástico grandão, aí tem que colocar em cima de um copinho minúsculo. Bem bonito, seria ótimo. Eu nem guardaria, nunca (risos). E - Eu deixaria em cima da mesa toda hora. Esse aqui é realmente muito bacana.


aquela coisa feia que sempre tem. Que legal cara… (explicamos sobre o efeito de João Bobo) E - E esse aqui, o que que é? Tô curioso. E - Ahhh! Nossa “moringa” é essa garrafa da Nike aqui… G - Que lindo, e tomar água em coisa de vidro é bem mais gostoso. Nossa, muito legal, muito show mesmo. E - Nossa, muito da hora, porque tipo você tá morrendo de sono não precisa deixar certinho assim, só jogar aqui que ele fica. Ela é tão simples que funciona. Super simples e objetivo, perfeito…Legal que não tomba também, trava aqui né.

E - Nossa que legal, eu até achei conveniente o plug ficar sempre pra cima assim. Essa extensão com toda certeza a gente compraria. G - Nossa, a extensão, tipo, super! (perguntamos onde eles acham que veriam esse objeto à venda) E - Acho que parece aquelas coisas de lojas de Design mesmo sabe, ou coisa que você vê em filme assim. Aqui em Curitiba eu não conheço nenhuma na verdade… (Recentemente a Tok&Stok introduziu uma extensão de tomada chamada Andaluz e Da Casa, ambas finalistas do Prêmio Salão Design 2016, feitas de madeira, que serviram de inspiração para a ideia do Extensô)

(mostramos como ela funciona, como ela recolhe o cabo quando não está usando) E - Cara, é ótimo porque fica aquele emaranhado de cabo e você tem que ficar catando né! G - Nossa bem melhor mesmo. A gente tem uma aqui ela tem 4 metros e fica aquela bola jogando na gaveta, eu tenho que prender com um elástico senão nunca daria pra desenrolar. E é aquela coisa que você deixa no meio da casa de boas assim, não é 171

E - Esse abajur aqui também achei do caralho aqui! G - Dá pra colocar do lado aqui, na cozinha, na cama e tal, é super quentinha. E - Eu só acho, que como o cabo fica aqui atrás, é


fácil até de bater e ela cair assim, acho que se colocar um pedacinho a mais de cada lado já evita isso sabe, mas resolvido isso daí…E se fosse um pouco mais pesadinha. Se fosse de bateria também seria tranquilo. Mas o design dele é sensacional. E - Isso aqui é tipo incandescente? Ah não…nem tá quente. Ah, que legal, achei que estaria pelando assim, eu tinha uma luminária que derreteu. Eu fiquei até pensando, nossa, que material eles vão fazer pra não esquentar assim, faz todo sentido ser de LED. E - Eu acho esse abajur muito bonito, tipo a estética em si é perfeita, a madeira, a luz. Até o interruptor eu achei bonito, parece aqueles de guitarra assim, old school. G - É super prática assim também, a cor é muito legal também. (eles sugeriram que pudesse dar pra trocar a cor, com LED RGB, que permite isso) E - A gente até tem uma aqui (Lâmpada Philips HUE) que a gente coloca tipo vermelho assim quando quer fazer uma graça assim e azul quando vai ficar em casa no dia assim, e amarelinho de noite. 172


Comentários Legais (perguntamos à eles quais eles gostaram mais) E - O abajur, com certeza. Eu ia fazer questão de colocar no criado-mudo e toda hora eu ia mudar ele, ia colocar um dia de um jeito e outro dia do outro, isso que eu achei legal, é uma coisa que combina muito bem em qualquer lugar. Seria legal na cama assim, cada um com um criado-mudo e esse abajur, só de cada um colocar do seu jeito já ia mudar totalmente o desenho. Então eu acho que com um objeto só já da pra trabalhar muita coisa. A extensão eu achei genial, mas mais por ela ser funcional, ela sempre com o bocal pra cima, ser João Bobo assim, mas uma coisa mais pela utilidade em si, acho ela muito bonita mas é uma coisa mais de praticidade mesmo. A moringa com certeza também, ainda mais por ser de vidro. Mas o abajur é foda! Bem foda… G - Esse aqui (aponta para o Coadô), eu tô apaixonada! (risos). Ah, eu gosto da extensão, também. 173


visitinha

ODA DESIGN CLUB

FALAMOS COM A MICHELE FHRRAN, QUE FAZ PARTE DO TIME DA ÔDA, E ELA ANALISOU OS PRODUTOS COMO UM TODO E DIRECIONAMOS A CONVERSA PARA A QUESTÃO DE VIABILIDADE COMERCIAL. (perguntamos de cara se ela acha que eles têm a ver com a loja) M - Tem, tem mesmo. Eu acho que vocês tão super no caminho certo, tem super potencial, e assim, eu acho que o produto de vocês tem a ver com o nosso conceito que é…não é tão popular, né, então, só se atentar aos detalhes, porque é isso que vende, os consumidores olham TUDO. (perguntamos se ela acha que compraria, se tem mercado para esses objetos, e qual seria o preço deles) 174

M - Quanto à preço assim, acho que o coador sairia por uns R$200, e a extensão por R$250, a luminária e a moringa não sei ao certo. Tipo, a gente tem umas moringas aqui de cerâmica de R$150, mas madeira desse jeito que vocês fizeram tem um valor agregado maior, então acho que mais que isso mesmo. M - Acho que o desafio mesmo é a questão de achar os fornecedores, mas como vocês disseram que isso já tá um pouco encaminhado acho que vocês já estão na reta final mesmo, quero muito ver eles no mercado. M - Esse cabo é lindo, sabe, uma galera acaba comprando o produto só por causa desses cabos assim, tipo é uma coisa que nem alguns produtos da loja aqui se atentam, todos com esse cabo padrão preto. Achei uma sacada legal de vocês já pensarem nisso.


Comentários Legais M - A maior parte dos produtos que a gente tem de madeira aqui, vem com um papel que tem que vir junto, porque madeira você tem que passar óleo, pra conseguir durar, porque senão não vai durar as coisas. Isso é legal, dá um guia assim, é uma ideia interessante. M - Vou mandar pra Tici (dona da loja) aqui da Ôda também. Mas já posso adiantar que gostamos muito e se tudo der certo e vocês produzirem podem contar com a Ôda para colocarmos aqui. 175


CONCLUSÃO

A

N

A

L

I

N

O

Gostei muito de fazer esse projeto, do resultado de cada produto, a gente acha que tem ideia do que vai dar, mas eu sinceramente não esperava por isso. Cada objeto tem uma história, uma trajetória pela cidade, um jeito único de produzir, um espaço único dentro de casa e isso é lindo, é real. Foi uma oportunidade ótima também de correr atrás, de explorar o que a gente queria produzir, de poder ser sincero e falar “putz isso aqui não ta tão bom assim, a gente pode melhorar”, de entender que nem tudo que a gente imagina é possível e que as vezes as coisas ficam melhores que a gente imaginava! A moringa foi meu objeto favorito, pra mim ela é tão linda e interessante, olho o desenho e não acredito que conseguimos tamanha simplicidade e limpeza. Mas ainda temos que fazer um ajuste na parte da base, pra ela não deslizar com facilidade, também pensar melhor na fixação do vidro com a meia esfera da base, pra não ficar aparente. O coador de café é outra paixão né, não só pelo fato de eu amar café, hahaha, mas também pelo cheiro da embuia, por ele representar esse ritual que tenho todas as manhãs, além do desenho ser lindo e todo 176


19 feito em madeira. A única coisa que precisamos pensar melhor é na transição das madeiras e se realmente precisamos do anel. A extensão é objeto mais divertido, sem dúvidas, ja perdi as contas de quantas vezes usamos ela após sua confecção, pra mim esse objeto foi uma sacada. Acredito só que o ideal seria usar outro material que não o plástico pra ela dialogar melhor com a coleção, talvez pensa-la em madeira. E a luminária, que foi a peça mais charmosa, que da vontade de nunca desligar, a intensidade da luz e o tom do amarelo ficaram perfeitos! A unica coisa que precisamos pensar melhor é meios de torna-la mais estável. Esse projeto só foi possível com a orientação do Ronaldo, porque nos momentos difíceis, ou de falta de ânimo ele trazia luz e ensinava que tem que ter amor, se não não vale a pena e aos pouco nos vi criando coragem, confiança e autonomia tanto que no fim ja estávamos voando por ai sozinhos, mas nunca vou esquecer da orientação dele, não somente nessa última fase, mas ao longo de todo curso, ele 177

se tornou um amigo. Uma pessoa forte tanto quanto delicada que instiga a alma e faz a vida mais bonita. Agradeço também a Anna nossa coorientadora que se mostrou sempre tão querida e empenhada em ajudar, além do super apoio a continuidade do projeto. Ao Dé Gomide, que se desdobrou pra tornar tudo viável, além de se tornar parceiro na produção do coador. Ao Izair e Claudio, por terem interesse na produção dos objetos, pela boa vontade e por estarem dispostos a fazerem algumas peças de protótipo, quando a fábrica deles é voltada a grandes tiragens. E também por serem tão fofinhos, nha. Aos meus pais por me apoiarem tanto financeiramente quanto emocionalmente, não é fácil passar por um tcc! A Pri por acalmar aqueles ataques de ansiedade e o medo de não dar certo. E ao Heitor por respeitar o meu tempo, ser aberto a mudar tudo, ajudar com as partes que eu não fWWazia ideia e ser parceiro nos momentos do A - meu olha essa chuva, to com um soninho, vamos deixar pra amanhã? H - tava pensando a mesma coisa!


H

E

I

T

O

R

B

O

R

I

N

O projeto mais inspirado que eu fiz, poder fazer o que queremos é uma coisa rara, até academicamente, e poder fazer este projeto do jeito que fizemos, foi, sem melhor palavra para expressar, libertador. Deixamos de seguir ordens e começamos a ouvir nossos corações. A melhor parte desse projeto foi poder seguir o feeling e deixar a coisa fluir. Claro, nem tudo foi um mar de rosas, houve muitos engasgos que a gente não conseguia superar, algumas discussões não tão dignas de melhores amigos comigo e com a Ana principalmente naquelas horas finais, vários sustos, mas no final, tudo se encaixou e eu não poderia estar mais feliz.

essa ideia, mas quando apresentei ela, as pessoas me olharam com uma cara de : “Hmmm, legal…né….”, então eu e a Ana persistimos no desenho e deu no que deu. Ficou do caralho!

É irônico, o meu objeto preferido é literalmente o único que eu “não” usaria. Eu não suporto café, não sei como as pessoas gostam, é quente demais, forte demais, o cheiro até que é bem agradável, mas de resto, sem chance pra mim…O Coadô, sei lá, eu sinto que é o objeto com mais Heitor na sua essência, amei cada etapa dele, do rabisco ao produto final, e sinto que vai ser o primeiro objeto a de fato ser produzido.

A Moringa foi como férias pra nós, ela foi tão natural e gostosa de criar, cada pecinha de madeira a gente ficava cheirando e alisando. Acho que no primeiro dia que eu pus ela à teste tomei quase 3 litros de água, só pra ficar usando, e é também um dos produtos que estou mais satisfeito com o resultado, ficou perfeito.

O Extensô tem um lugar especial no projeto pra mim, eu tive a ideia de ser João Bobo e eu tinha amado 178

D

O Luminô foi o que mais demos nosso sangue, literalmente. O desenho era limpo e simples, nem sabíamos o que íamos enfrentar na produção, foi um sufoco. Mas quando ligamos, ah, que amor! Admito que usei no meu quarto alguns dias, a Ana não sabe, hehe, mesmo com o perigo de quebrar ela de novo, ainda mais com meu gato atrapalhado, foi mais forte do que eu, não resisti.

Não consigo descrever o quanto esse projeto teria sido uma grande bagunça sem o nosso querido Ronaldo e a Anna, que sempre nos apontavam para a direção certa. Sempre que nós nos atrasávamos eu


já ficava pra baixo, pensava no começo que éramos quase um incômodo para ele. Nossas reuniões eram sempre final de tarde, e eu só pensava que cada minuto que a gente atrasava era um minuto a menos que ele podia estar passando em casa, fazendo as coisas que ele realmente gosta, mas ele sempre nos atendia com um sorriso no rosto, apesar de tudo, e quanto mais tempo passava mais eu via a dedicação e o carinho que ele nos dava e dava para o nosso projeto. No final, não consigo pensar em duas pessoas que teriam sido melhores para nos orientar. obrigado Ronaldo e Anna, vocês foram perfeitos ❤ Ter feito esse projeto com a Ana foi uma das melhores escolhas da minha vida. Nós éramos melhores amigos na época, eu sabia que ia dar certo, mas tinha medo, eram tantas histórias de discórdia e briga entre as duplas, eu não queria perder essa amizade tão preciosa pra mim, mas ao mesmo tempo não conseguia me ver sem ela. Nós somos diferentes como designers, ela tem as piras dela, e eu tenho as minhas piras, mas a gente se completa, entende? Obrigado miga, te amo.

179


N

Ó

S

Por fim

acreditamos que esse trabalho de conclusão de curso se tornou algo muito além do esperado mesmo com todas as mudanças que ocorreram, os reajustes, contra tempos, noites mal dormidas e algumas canecas de café forte. Valeram a pena. (nem acreditamos que já acabou) É um projeto que não esperávamos ir além do papel, além do meio acadêmico... Acabou que tudo se encaminhou pra continuarmos com esse projeto além dos prédios da universidade. Hoje conseguimos enxergar esses objetos sendo de fato produzidos, sendo objetos realmente da casa desses jovens casais com vivências que tanto idealizamos, também vemos que são objetos muito pé no chão, factivéis e que dão forças aos principios slow como um manifesto no cotidiano. Se engana quem acha que acaba por ai, com os protótipos em mãos junto ao feedback da galera entendemos onde as mudanças tem que ser feitas e de fato o que ainda falta ser refinado para finalmente estar nas lojas. Com certeza teremos que mudar o projeto mais algumas vezes. Aprendemos que é assim, que não tem jeito, o projeto nunca acaba, mesmo estando nas lojas, mesmo dentro dos lares, sempre temos o que mudar, reinventar, sempre queremos mais tempo. Engraçado né? 180


181

cabô

oh! não!


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COADÔ técnico

PARTE CHATA

PRANCHAS

1

VISTAS ORTOGONAIS

2 CORTE 3 FUNIL 4 ANEL 5 PÉS

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MORINGÔ técnico

PRANCHAS

1

VISTAS ORTOGONAIS

2 VIDRO 3 TAMPA 4 DOMO 5 BASE

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LUMINÔ técnico

PRANCHAS

1

VISTAS ORTOGONAIS

2 CORTE 3

BASE VISTAS

4

BASE CORTE

5 TAMPA

194

6

INTERRUPTOR VISTAS

7

INTERRUPTOR CORTE


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EXTENSÔ técnico

PRANCHAS

1 CORTE 2 BASE 3 CORPO

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4

PLUG DETALHE

5

PLUG VISTAS


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Relatório  
Relatório  
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