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CRISE, CORTES NAS PENSÕES E FELICIDADE

EDITORIAL Os sinais da crise, um fenómeno da vida real que nos leva a pensar sobre qual a melhor opção para sairmos desta encruzilhada, são mais que evidentes e já se fazem sentir nos orçamentos domésticos de quem não a pode evitar. Fazemos parte deste grupo! E a partir de agora como vai ser?

Portugal está a atravessar mais uma fase crucial da sua história, tal como em 1383, 1580, 1640 ou no final do Século XIX. Como todos sabem, o nosso país está em permanente crise (já Fernão Lopes, Padre António Vieira, Eça de Queiroz, Bordalo Pinheiro e outros a retrataram muito bem, há m u it o s sé cul o s…) mas se mpre sobreviveu a elas.

Não abordar o tema é ignorar as dificuldades que já atingem os colegas aposentados, em particular os economicamente mais débeis.

Sucede que a actual fase crítica não é sentida apenas pelos portugueses. As suas consequências têm eco um pouco por toda a Europa e pelo Mundo fora.

A

Em seu nome se estão a fazer profundas reformas que atingem todas as populações, mas de formas diferentes. Os mais desfavorecidos (crianças, pobres, desempregados, idosos…) são os que sentem mais duramente os custos destas reformas e os que têm menos quem os defenda.

tomada de consciência deste problema que a todos nos afecta fica bem expressa na comunicação [aqui ao lado] que o Presidente da ANAC levou à recente Assembleia de Delegados dos Serviços Sociais.

Mas

vamos tentar esquecer por momentos esta onda de pessimismo e admitir que melhores dias virão; e mais! Que ainda vamos a tempo de usufruir das nossas merecidas pensões, com um mínimo de dignidade!

Resta-nos, por fim, o consolo de que o nosso fado foi promovido à categoria de “Património Imaterial da Humanidade”! Orgulhemo-nos, pois !…

A todos os associados

desejamos

um

Novo e próspero Ano de 2012, Com saúde e muita esperança no futuro! A Direcção

No caso concreto do universo ANAC, com mais de 70% de Sócios aposentados, somos muito directamente afectados. Fruto da indefinição legal da nossa situação (por vezes somos funcionários públicos, outras somos bancários, conforme os interesses dos poderes do momento), os antigos e actuais trabalhadores da Caixa são particularmente atingidos. A perspectiva de, em 2012, haver o corte dos subsídios de férias e de Natal é muito forte, tal como vai acontecer aos trabalhadores do sector público. No entanto, as negociações entre as partes continuam e acreditamos que,

com persistência e unidade, os aposentados da Caixa sairão dignificados. Sobretudo nestes momentos difíceis não é altura de esquecermos os que, de entre os nossos, têm uma situação ainda mais difícil – os que vivem sós e os que estão dependentes de terceiros. Não queremos que sejam “invisíveis” e esse apelo foi mais uma vez reforçado junto dos representantes das entidades presentes na “Assembleia de Delegados” dos nossos SSCGD – Administração da CGD, Direcção dos Serviços Sociais, Delegados, CT e Estruturas Sindicais – aos quais se dirigiu a comunicação que transcrevemos abaixo. Não estamos a falar de reivindicações salariais mas atenção, carinho e disponibilidade para lhes (nos) dar “vida aos anos de vida”. Neste contexto, também saudámos, na referida comunicação, a proposta da Direcção dos nossos SSCGD de vir a ser criada uma “Universidade Sénior”. Esta ideia “encaixa” perfeitamente na iniciativa por nós lançada no ano passado e que denominámos de “Banco de Conhecimentos e Apetências”. Com ela poderemos também aproximar ainda mais os nossos Sócios, mesmo os que vivem sós. Ainda que em época de crise, com indesejáveis cortes nos nossos rendimentos, poderemos ser felizes. Assim o queiramos nós e as entidades de quem depende o nosso futuro…

2012 é ano de eleições para os Órgãos Sociais da ANAC! O prazo para apresentação das listas e a data das eleições constarão de convocatória da M.A.G., a enviar oportunamente nos precisos termos estatutários. Esteja atento(a) e participe na vida associativa da ANAC!


COMUNICAÇÃO À ASSEMBLEIA DE DELEGADOS DOS SERVIÇOS SOCIAIS Em primeiro lugar gostaria de, em nome da ANAC, saudar todos os presentes e desejar que desta Assembleia resultem decisões que engrandeçam ainda mais os nossos Serviços Sociais. Repetindo as palavras dirigidas à Assembleia do ano anterior digo: Gostaria também de manifestar a satisfação por, uma vez mais, a ANAC estar presente nesta Assembleia, num momento em que se adivinham nuvens negras no horizonte dos aposentados e de todos os trabalhadores. Os nossos Serviços Sociais certamente não passarão ao lado dessas dificuldades.” Infelizmente a realidade superou os nossos receios e as nuvens transformaram-se em borrasca. Felizmente os Serviços Sociais mantêm-se vivos e activos, num contexto ainda mais difícil que o referido há um ano. Este contexto vai tendo reflexos terríveis nos reformados em geral e, por consequência, nos nossos colegas mais idosos. Poderá parecer que esta comunicação é um “remake” da do ano passado. Provavelmente até será, mas ela pretende ser um novo e reforçado pedido de atenção para a situação dos mais idosos porque eles são a parte mais vulnerável de uma cadeia já de si frágil. Não nos esqueçamos de que não existem sindicatos de idosos para os defender publicamente. Daí o apelo para que não sejamos invisíveis para a sociedade. Os problemas dos menos jovens passam muito por esta “invisibilidade” e pelo abandono. A fragilidade dos idosos poderá ser minorada com alguma criatividade e, provavelmente, com meios financeiros escassos. Num tempo em que as tecnologias tornam o longe perto, com a conjugação de esforços e de boas vontades das diversas entidades que têm como missão dar bem-estar às pessoas, poderemos fazer chegar os idosos ao mundo e tornar o seu quotidiano mais feliz.

Reparem que não estamos a falar de reivindicações monetárias pois este não é o local apropriado. No entanto, parece-nos que, se as várias entidades aqui presentes (ANAC, SSCGD, CGD, Séniamor, Sindicatos), conjugarem esforços, poderemos proporcionar muito mais conforto àqueles que dele necessitam. Hoje é relativamente barata e fácil a utilização de meios tecnológicos (vídeo-conferência, vídeovigilância, telemóveis entre outros…) e para os pormos ao serviço dos idosos seria interessante criar uma “rede social Caixa” onde todos nos encontremos e compartilhemos sentimentos, afectos, amizades… Deixamos este desafio no ar com a esperança de que, no próximo ano, possamos dizer que já temos os nossos idosos menos abandonados e mais visíveis, pesem embora as dificuldades sociais que vão perdurar. Neste contexto de conjugação de vontades e esforços, fiquei muito satisfeito ao ler o bem elaborado “Plano de Actividades” pois nele é dada relevância a dois aspectos muito importantes para nós. Refiro-me ao desenvolvimento de parcerias para apoio aos aposentados em situação social precária e a ideia de analisar a viabilidade de criação de uma “Universidade sénior dos SSCGD”. Esta enquadra-se no espírito do “Banco de Conhecimentos e Apetências” por nós lançado. Só há que seguir em frente pois temos instalações (na Ajuda ou na Marechal Saldanha), alunos interessados e abundância de conhecimentos entre os Sócios. Termino, desejando que os trabalhos desta Assembleia sejam muito proveitosos para todos – aposentados e activos. Obrigado 03 de Dezembro de 2011 (Cândido Vintém)

Ficha Técnica Propriedade da ANAC – Associação dos Aposentados da Caixa Geral de Depósitos II Sede: Rua Marechal Saldanha, n.º 5 - 1.º 1200-259 Lisboa • Tels. 21 324 50 90/1 • Fax 21 324 50 94 • http://anaccgd.blogspot.com • E-mail: anac@cgd.pt Coordenação: Carlos Pereira II Publicação Trimestral II Impressão: Marsil – Artes Gráficas, Lda. - Rua Central de Carvalhido, 374 - 4470-907 Moreira; II Tiragem: 3 500 exemplares II Depósito Legal n.º 55350/92 II Distribuição gratuita aos sócios II Colaboraram neste número: Cândido Vintém; Carlos Pereira; Jorge Sebastião; José Coimbra (Deleg. ANAC Norte); Maria Eduarda Cruz.


ACTIVIDADES ROTA DOS ESCRITORES DO DOURO Entre os dias 3 e 6 de Outubro, os nossos sócios tiveram a oportunidade de visitar os caminhos percorridos por cinco escritores ligados à região duriense. Começaram por uma breve visita à casa de Miguel Torga (pseudónimo literário do médico Adolfo Rocha), em Coimbra. Fomos a Tormes, onde almoçámos “à maneira de Eça”. Depois visitámos Teixeira de Pascoaes em Amarante e ficámos a conhecer melhor João de Araújo Correia (na Régua). A passagem por S. Martinho de Anta (terra de Miguel Torga), Vila Real e Vilarinho da Samardã, onde “encontrámos” Camilo era parte obrigatória do nosso roteiro. Provámos o vinho na Quinta do Panascal (Pinhão) e, já no Porto, visitámos Serralves com a sua exposição de arte moderna e os lindos jardins. Foi, enfim, uma excelente jornada de cultura, gastronomia e amizade. A repetir!…

VIAGEM AOS ESTADOS UNIDOS E CANADÁ No tempo de espera para o embarque rumo aos Estados Unidos [que foi longo!], valeu-nos o acordeon doTino Costa! Mas acabou por ser uma viagem boa! Chegados a Nova Iorque, conduziram-nos ao hotel- que é uma referência da cidade – é ali que Obama costuma ficar, quando comparece nas Nações Unidas! À noite fomos a pé até Times Square e à Broadway ver as iluminações e jantar. No dia imediato, bem cedo, rumámos a Boston. Passadas cerca de duas horas fizemos uma paragem técnica e ao regressar ao autocarro fomos surpreendidos com um pneu furado. Daqui resultou que tivemos de ficar no local cerca de três horas a aguardar a chegada de carro de apoio; isto em New York!!! Boston é uma cidade interessante e gostámos especialmente de ter estado na Universidade de Harward e de recordar os nomes de alguns portugueses que ali se doutoraram. Para finalizar a jornada fomos ao porto degustar lagosta (uma para cada um). No dia seguinte partimos em direcção a Montreal, no Canadá. Esta cidade, localizada na confluência dos rios S. Lourenço e Ottava , foi fundada no sec. XVII por católicos franceses e tornou-se uma cidade comercial próspera. Destacamos, como locais dignos de visita, a Basílica de Notre Dame e o Estádio Olímpico. (Continua na página seguinte)


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Regressámos aos EUA para visitar Washington. Vimos a Casa Branca (por fora!), bem como a tenda em frente, onde reside, há cerca de oito anos, a activista galega dona Conceição. Fomos depois ao Capitólio e ao mítico cemitério de Arlington onde estão sepultados os heróis americanos. Nesta cidade vimos ainda os monumentos aos mortos das diferentes guerras em que a América esteve envolvida. O mural aos mortos da guerra do Vietname contém milhares de nomes.

Ottava foi a nossa nova paragem. Merece referência o Parlamento com os telhados em cobre e o Museu da Civilização Canadiana. Daqui partimos para um agradável passeio de barco pelo arquipélago das mil ilhas. Seguimos depois para Toronto donde destacamos a Casa Loma e a cidade subterrânea, isto é, os centros comerciais por baixo dos prédios de habitação que abrangem uma area de 27 km2. De notar que estando próxima a festa do “Halloween” as lojas e entradas das residências estavam decoradas com abóboras e outros enfeites alusivos à festa.

O monumento mais recente é dedicado ao activista Luther King e foi inaugurado no dia seguinte à nossa visita. De tarde visitámos o Monte Vernon onde morou e morreu George Washinghton . De regresso a Nova Iorque passámos por Filadélfia para ver o Sino da Liberdade. Na cidade que nunca dorme e que é bastante segura fomos à ilha onde está a Estátua da Liberdade e fizemos uma visita panorâmica com passagem pelo Ground Zero, Chinatown, Harlem, Little Italy, Wall Street, etc; e uma breve paragem no Central Park. À noite e para encerramento da viagem fomos de “limousine” até ao World Yacht jantar e passear de barco pelo rio Hudson. Em síntese podemos dizer que gostámos da viagem. Os percursos de autocarro foram, contudo, bastante extensos e seguidos. Mas a época do ano foi excelente e tivemos muito bom tempo. Os hotéis e restaurantes foram bons, embora os jantares fossem sempre tardios, isto é, entre as 21 e as 22 horas, mas sempre muito bem servidos. O grupo foi homogéneo, pontual e divertido. Relativamente aos guias há a referir que quer a guia da agência quer os guias locais foram competentes e mostraram-se sempre disponíveis e atentos.

E terminámos a visita ao Canadá nas Cataratas de Niagara. Estas cataratas são metade canadianas e metade americanas. São muito bonitas e pudemos admirá-las do alto da Torre Skylon, onde almoçámos e, de mais perto, no passeio de barco. Aqui deram-nos umas capas plásticas azuis para vestir - parecíamos os “estrunfes”.

Até breve colegas e amigos. Três Marias


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O S. MARTINHO NO ALTO TÂMEGA Um grupo de 140 dos nossos sócios, familiares e amigos deslocaram-se “para lá do Marão” em época de S. Martinho. Foi uma jornada de 3 dias de mais um alegre convívio e de descoberta de uma zona pouco conhecida da maioria dos participantes. Por terras de Barroso contactámos com a poderosa gastronomia associada ao gado da região e aos produtos da terra.

inscrições num curto espaço de tempo. Estiveram presentes cerca de 80 sócios e convidados, que depois de um bom e animado jantar, ouviram com bastante atenção e silêncio os belos fados interpretados pelos artistas convidados. Porém, dado o interesse e a projecção deste evento e face à extensa lista de colegas inscritos (cerca de 70 pessoas), que não puderam participar neste dia, devido às limitações da sala e gestão do serviço de bar, a Direcção da ANAC marcou para o dia 16 de Dezembro uma nova noite de fados também com jantar e o mesmo elenco de artistas.

“Descobrimos” o Padre Fontes e a cultura que ele muito justamente preserva – a das gentes da raia.

Enfim, foram uns dias bem passados (…), para recordar mais tarde. Jorge Sebastião

ALMOÇO/CONVÍVIO DE NATAL Foi no ambiente acolhedor da Quinta dos Gafanhotos, em S. Domingos de Rana, que decorreu o almoço-convívio de Natal no passado dia 11, tal como oportunamente tínhamos anunciado.

NOITE DE FADOS NA ANAC Acompanhando a eleição do nosso Fado a Património Imaterial da Humanidade, também a ANAC se associou a esta distinção ao realizar, nas suas instalações mais uma noite de fados a quarta, no passado dia 25 de Novembro. Os nossos sócios estiveram solidários com este evento, ao ponto de se esgotarem as (Continua na página seguinte)


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Entre sócios, familiares, amigos e convidados, a ANAC reuniu no mesmo espaço 230 participantes da região de Lisboa. Do conjunto de convidados destacamos a presença de representantes da CGD, dos Serviços Sociais, do SBSI, Grupo de Dadores de Sangue, Séniamor e das Associações amigas do Montepio Geral e da Império-Bonança. Foram lidas as mensagens endereçadas pela Comissão de Trabalhadores da CGD e pelos nossos Delegados da Região Norte e atentamente ouvidas as palavras de saudação e felicitações proferidas pelo Dr. Henrique de Melo que, de há muito tempo a esta parte, é presença assídua nos nossos mais diversos encontros, quer a título pessoal, quer em representação da Administração da CGD.

Foi uma alegre e fraterna tarde de convívio, de boa disposição e de espírito natalício, onde não faltaram os momentos de animação proporcionados pelos Grupos Coral e de Cantares da ANAC que, mais uma vez, actuaram ao seu melhor nível.


OS SÉNIORES QUE SE CUIDEM

Ser idoso e ser velho ! Idoso é quem tem muita idade; Velho é quem perdeu a jovialidade. A idade causa a degeneração das células; A velhice, a degeneração do espírito. Uma pessoa é idosa quando pergunta se vale a pena; É velha quando, sem pensar, responde logo que não. Uma pessoa é idosa quando ainda sonha; É velha quando apenas dorme. É idosa quando ainda é capaz de aprender; É velha quando não aprende nem ensina. É idosa quando ainda pratica exercícios; é velha quando apenas descansa. É idosa quando ainda sente amor; é velha quando só sente ciúmes. É idosa quando o dia de hoje é o primeiro do resto da sua vida; É velha quando todos os dias parecem ser o último de uma longa jornada. Você é idoso quando o seu calendário só tem amanhãs; Mas é velho quando o seu calendário só tem “ontens”! O idoso renova-se em cada dia que começa; O velho acaba-se em cada noite que termina. Pois, enquanto o idoso tem os olhos postos no horizonte, De onde desponta o Sol e se ilumina a esperança, O velho sofre de miopia e só se volta para as sombras do passado. O idoso tem planos; o velho só vive de saudades. O idoso aproveita o que lhe resta da vida; O velho sofre o que o aproxima da morte. O idoso leva uma vida activa cheia de planos e esperanças; Para ele o tempo passa rapidamente e a velhice nunca chega; Para o velho as horas arrastam-se destituídas de sentido. As rugas do idoso são bonitas, porque foram marcadas pelo sorriso; As rugas do velho são feias porque foram todas vincadas pela amargura e pela tristeza. Idoso e velho podem ter a mesma idade no BI, mas têm idades muito diferentes no coração. Um voto muito sincero para si, que é idoso! Viva uma vida longa e nunca fique velho!... Do “Almanaque Popular” - 2010 Voltaremos no próximo número com outros conselhos.

Boas Festas! CP


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ESPAÇO CULTURAL ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 – O QUE É E O QUE NOS TRAZ DE NOVO? (continuação) USO DO HÍFEN (Bases XV A XVII) Algumas regras de utilização do hífen são clarificadas e sistematizadas. Podem dividir-se as alterações em três grandes grupos: - As palavras que incluem unidades não autónomas; - As palavras que se juntam a outras; - o verbo “haver”.

AS PALAVRAS QUE INCLUEM UNIDADES NÃO AUTÓNOMAS – BASE XV Emprega-se o hífen: • Nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjectival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és-sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma-piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo-infeção, segunda-feira; conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva. Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc. • nos topónimos compostos iniciados pelos adjectivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Abre-Campo, Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes, Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes. Obs.: Os outros topónimos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc. O topónimo Guiné-Bissau é, contudo, uma excepção consagrada pelo uso.

• Nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde, bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio, bem-me-quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer), andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca, andorinha-do-mar, cobra-d'água, lesma-de-conchinha, bem-te-vi (nome de um pássaro). • Nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado, mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado, bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-nascido (cf. malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto). Obs.: Em muitos compostos o advérbio bem aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc. • Nos compostos com os elementos além, aquém, recém e sem: além-Atlântico, além-mar, além-fronteiras, aquém-mar, aquém-Pirenéus; recém-casado, recém-nascido, sem-cerimónia, sem-número, sem-vergonha. • Para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares (a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-Moçambique) e bem assim nas combinações históricas ou ocasionais de topónimos (Austria-Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.). (Continua na página seguinte)


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AS PALAVRAS QUE SE JUNTAM A OUTRAS (prefixação, sufixação e recomposição) – BASE XVI: Emprega-se o hífen: Nas formações com prefixos (como, por exemplo: ante-, anti-, circum-, co-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-, pós-, pré-, pró-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, etc.) e em formações por recomposição, isto é, com elementos não autónomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina (tais como: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-, macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto, pseudo, retro-, semi-, tele-, etc.), só se emprega o hífen nos seguintes casos: • Nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-higiénico, circum-hospitalar, co-herdeiro, contra-harmónico, extra-humano, pré-história, sub-hepático, super-homem, ultra-hiperbólico, arqui-hipérbole, eletro-higrómetro, geo-história, neo-helénico, pan-helenismo, semi-hospitalar. Obs.: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em geral os prefixos des- e in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc. • b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante, infra-axilar, supra-auricular, arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica, micro-onda, semi-interno. Obs.: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupante, coordenar, cooperação, cooperar, etc. • c) Nas formações com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa por vogal, m ou n (além de h, caso já considerado atrás na alínea a): circum-escolar, circum-murado, circum-navegação, pan-africano, pan-mágico, pan-negritude. • d) Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando combinados com elementos iniciados por r: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista. • e) Nas formações com os prefixos ex- (com o sentido de estado anterior ou cessamento), sota-, soto-, vice- e vizo-: ex-almirante, ex-diretor, ex-hospedeira, expresidente, ex-primeiro-ministro, ex-rei; sotapiloto, soto-mestre, vice-presidente, vice-reitor, vizo-rei. • f) Nas formações com os prefixos tónicos/tônicos acentuados graficamente pós-, pré- e pró-, quando o segundo elemento tem vida à parte (ao contrário do que acontece com as correspondentes formas átonas que se aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tónico/pós-tônicos (mas pospor), pré-escolar, pré-natal (mas prever), pró-africano, pró-europeu (mas promover).

Não se emprega o hífen: • Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes aos domínios científico e técnico: antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia. • b) Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente, prática esta em geral já adoptada também para os termos técnicos e científicos: antiaéreo, coeducação, extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, agroindustrial, hidroelétrico, plurianual. O VERBO “HAVER” – BASE XVII: Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, hão de, etc Terminamos, com este texto, a divulgação sistematizada das alterações que o novo acordo ortográfico vai trazer ao nosso quotidiano, a curto prazo. Esperamos ter trazido, de alguma forma, algum esclarecimento para todos. No próximo número publicaremos uma listagem comparativa (mas não exaustiva…) das palavras cuja ortografia muda em função do novo Acordo. Para dar continuidade a este trabalho, a Presidente da Sociedade da Língua Portuguesa (SLP) disponibilizou-se para a criação de uma rubrica sobre a nossa língua em cada uma das edições futuras do “Comunicando”. Portanto, se tem qualquer dúvida, não hesite em escrever-nos (via fax, carta, mail,…) e colocar-nos a questão. Nós fá-la-emos chegar à SLP e, no primeiro número, publicaremos a sua dúvida e a resposta de quem sabe. (Cândido Vintém)


Ú LT I M A P Á G I N A Embora sujeito a alterações, eis o primeiro esboço do Plano de Actividades já decididas pela Direção para 2012: 2012 Abril

– dias 13 a 20 EUROENCONTRO 2012 em Lisboa (v. Circular n.º 22/11 de 22.10.11)

Junho

– dias 4 a 15 ISDABE - I TURNO (v. Circular n.º 21/11 de 29.10.11)

Julho

– Circuito pelas Capitais do Centro da Europa (*)

Setembro

– ENCONTRO NACIONAL (*)

Setembro

– dias 3 a 14 ISDABE - II TURNO (*)

Outubro

– CRUZEIRO CARAÍBAS/MIAMI (v. Circular n.º 24/11 de 12.12.11)

Novembro

– FESTA DE S. MARTINHO (*)

Dezembro

– ALMOÇO-CONVÍVIO DE NATAL (*)

Passeios e Viagens da iniciativa da Delegação da ANAC - PORTO já anunciados, mas também sujeitos a alterações Janeiro

– dias 7 e 8 Jardim da Paz e Cirque du Soleil - Lisboa

Fevereiro

– dia 25 Palácio da Brejoeira – Valença (*)

Março

– dia 24 Passeio a S. Leonardo de Galafura (*)

Abril

– dia 22 Visita ao Bacalhoeiro Stº. André (Museu) (*)

Maio

– dias 18 a 20 Alentejo / Alqueva e Fluviário (*)

Junho/Julho

– dias 24/6 a 4/7 Viagem à Escandinávia

Julho

– dia 12 Passeio/Convívio de Entrega de Troféus (*)

Agosto

– dias 6 a 9 Viagem a Berlim (*)

Setembro

– dias 2 a 14 ISDABE II turno

Outubro

– (3 dias) Galiza (*)

Novembro

– dia 10 Festa de S. Martinho (*)

Dezembro

– dia 13 Passeio/Convívio de Natal (*)

(*) Programas a divulgar oportunamente

SABIA QUE: As aulas de língua francesa, entretanto suspensas em Dezembro, serão retomadas a 5 de Janeiro na sede da ANAC [quintas-feiras das 14,30 às 16 horas] ?

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Comunicando nº 51  

Edição nº 51 do nosso boletim "Comunicando"

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