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Comunicando 52 Publicação Trimestral • Ano XXI • 2012 (Janeiro/Março)

ASSEMBLEIA GERAL (Relatório e Contas de 2011)

EDITORIAL Quando uma crise económica, política ou social, desafia o futuro colectivo ficamos de mãos atadas e sem espaço para a vivência de outras angústias! Isto porque, bem o sabemos(!), a vida moderna é uma confusão de vários sentimentos e de interesses em permanente conflito. Resistir, não baixar os braços e procurar as soluções mais adequadas a cada situação nem sempre se afigura fácil, mas é, sem dúvida, o melhor caminho a seguir! Tem sido este, desde sempre, o propósito da equipa que assumiu a responsabilidade de dirigir os destinos da ANAC no triénio que acaba em breve. Mas também serão estas as linhas de actuação de quem teve o ‘atrevimento’ e a coragem de se submeter a um novo sufrágio. Basicamente assente e estruturado a partir da equipa anterior, o próximo elenco directivo, uma vez eleito e investido nas funções, sabe que não vai ter uma vida desafogada; reconhece, antes sim, que tem pela frente alguns desafios. Todavia, mesmo com as dificuldades próprias da conjuntura actual, está preparado para dar continuidade ao projecto com que iniciou o seu primeiro mandato.

No cumprimento das normas estatutárias e tendo em vista a discussão e aprovação do Relatório e Contas da Direcção e do Parecer do Conselho Fiscal referentes ao exercício de 2011, realizou-se na Sede da ANAC, no passado dia 6 de Março, a respectiva Assembleia-Geral. Por motivos de saúde do presidente em exercício [Sr. António Serra], a sessão foi dirigida pelo sócio Sr. Abílio Alves Silva. De acordo com a “Ordem de Trabalhos” proposta na respectiva convocatória, destacamos como mais importante: 1. A aprovação por unanimidade e aclamação dos documentos submetidos a votação desta Assembleia-Geral; e • o registo de um voto de louvor do Conselho Fiscal, também subscrito pela Mesa, à Direcção e Delegação da Zona Norte, pelos bons resultados que a ANAC vem obtendo no âmbito das suas actividades. 2. Quanto a outros assuntos de interesse geral, ficou ainda registado em acta: • A apresentação à Mesa, por parte do Presidente da Direcção da ANAC, que em breve terminará o seu mandato, de uma carta contendo a lista de sócios candidatos aos novos órgãos sociais da ANAC - única lista recebida no prazo estipulado e que em breve irá ser submetida a escrutínio [v. informação na pág. seguinte]; e • as intervenções de alguns associados que abordaram assuntos de índole diversa e do maior interesse para a nossa Associação.

De

entre as diversas actividades programadas para o ano em curso, suscitam a melhor atenção: - O Euroencontro que, pela primeira vez, terá lugar já no próximo mês de Abril em Lisboa; e - O Encontro Nacional dos sócios efectivos, agendado para o mês de Outubro. A sua organização, tendo em conta a difícil conjuntura, terá de ser encarada de forma mais criativa no corrente ano.

O sucesso depende da colaboração e empenhamento de todos. Acompanhem-nos! A Direcção

Raul Medeiros Furtado Director e Presidente-Substituto da ANAC [de 1994 a 1997 e de 1998 a 2000], o Sr. Raúl Furtado é uma figura ainda presente na memória de muitos dos colegas que trabalharam a seu lado e faz parte do quadro de honra desta Associação que ajudou a construir. Por ter deixado o nosso convívio no passado mês de Janeiro, cumpre a esta Direcção o dever de endereçar à família as mais sentidas condolências.


ELEIÇÕES PARA OS ÓRGÃOS SOCIAIS DA ANAC Aquando da candidatura aos Órgãos Sócias da ANAC para o triénio 2009/2012 propusemo-nos modernizar a nossa Associação, dignificando-a e promovendo o reconhecimento interno e externo da mesma.

A Delegação Norte está ressuscitada e desenvolve uma actividade digna de registo com várias centenas de Sócios a participarem em momentos de convívio, cultura e enriquecimento pessoal.

Obviamente que o balanço final da nossa actuação é da competência dos Sócios. No entanto, permitimo-nos realçar algumas das áreas onde consideramos ter cumprido e, mesmo, ultrapassado as nossas expectativas:

• Reconhecimento externo:

• Reconhecimento interno: A ANAC era vista apenas como uma associação de pessoas idosas que se reunia em momentos muito concretos e organizava viagens. Após três anos temos o grato prazer de ser contactados por várias organizações congéneres no sentido de troca de experiências. A Administração da CGD tem apoiado claramente todas as actividades que envolvem os nossos Sócios. Concretizaram-se as sonhadas obras de beneficiação da Sede. Estão em andamento algumas iniciativas conjuntas com os SSCGD que visam a dignificação dos menos jovens. As instalações da Sede estão a ser cada vez mais utilizadas pelos Sócios quer para momentos de convívio quer para formação. Foram criados “blogues” que são meios de comunicação fundamentais com os Sócios numa época de mudanças rápidas.

A ANAC detinha, há vários anos, a Vice-presidência do Agrupamento. No entanto, por inércia, essa função não estava, efectivamente, a ser exercida. A língua portuguesa era desconhecida e até houve Euroencontros onde a bandeira nacional simplesmente não existia. As comunicações à Assembleia-Geral eram feitas em “portunhol”, o que não nos dignificava. Após um esforço enorme, a nossa posição no Agrupamento é de grande relevo, com uma Vicepresidência activa e reconhecida. O português é já uma língua utilizada nos vários meios de comunicação (boletim “Euroencontros”, site do Agrupamento e documentos). As comunicações são feitas em português e traduzidas nas diversas línguas. Como grandes apostas para o mandato 2012/2015 propomos três áreas fundamentais: • Revisão dos estatutos, de forma a torná-los mais eficazes e modernos; • Lançamento das bases para a criação de uma Academia Social, com os Serviços Sociais; • Lançamento de um programa de apoio aos Sócios isolados, em ligação com os Serviços Sociais.

Ficha Técnica Propriedade da ANAC – Associação dos Aposentados da Caixa Geral de Depósitos II Sede: Rua Marechal Saldanha, n.º 5 - 1.º 1200-259 Lisboa • Tels. 21 324 50 90/1 • Fax 21 324 50 94 • http://anaccgd.blogspot.com • E-mail: anac@cgd.pt Coordenação: Carlos Pereira II Publicação Trimestral II Impressão: Marsil – Artes Gráficas, Lda. - Rua Central de Carvalhido, 374 - 4470-907 Moreira; II Tiragem: 3 500 exemplares II Depósito Legal n.º 55350/92 II Distribuição gratuita aos sócios II Colaboraram neste número: Cândido Vintém; Carlos Pereira; Cremilda Cabrita; João Oliveira; Carlos Garrido; Jorge Sebastião e José Coimbra (Deleg. ANAC Norte).


Lista Candidata à Eleição dos Órgãos Sociais da ANAC 2012/2015 ASSEMBLEIA GERAL

N.º Sócio

António Edmundo B Sirgado Serra

850

Abílio Alves Silva

1000

Dr. António Matos Pereira

2632 SUPLENTE

Fernando Almeida Rebelo Jerónimo

965

CONSELHO FISCAL

N.º Sócio

José Maria Fernandes

1521

António do Ó Gonçalves da Silva

1187

José Domingos Vieira

1078 SUPLENTE

Júlio Pedro Gonçalves

117

DIRECÇÃO

N.º Sócio

Dr. Cândido Trabuco Vintém

2729

Antónia Gertudes Cambita Serrano

1290

Carlos Daniel Serrano Garrido

2649

João Daniel Sousa

1340

João Martins Oliveira

3145

Jorge Carreiro Sebastião

1874

Mª Cremilda A. P. Alves Cabrito

2834

Orlando Medeiros Santos

3182

Vital Pires Veríssimo

1733 SUPLENTES

Armando da Purificação Diegues

2990

João Manuel Martins Ribeiro

1882

Olinda de Fátima C. Trabuco Piedade

2629


ACTIVIDADES PASSAGEM DO ANO EM S. PEDRO DO SUL

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA

A 30 de Dezembro, ao romper do dia, um grupo de sócios da Anac,  reuniu-se junto da sede da Caixa, para tomar o autocarro que os levaria até São Pedro do Sul,  com vista a entrar no Novo Ano, com a alegria e boa disposição que o momento requer. Feita a chamada, verificou-se a falta do amigo Artur Filipe, a braços com uma arreliadora gripe que o impediu de festejar o seu 93º aniversário na nossa companhia.

O nosso auditório foi de novo o local privilegiado para mais uma exposição fotográfica da autoria do colega Vítor Rocha, desta vez subordinada ao tema “A Gente e o Mar”.

A primeira paragem foi em Coimbra, onde o grupo teve oportunidade de apreciar a beleza daquela cidade, a partir do miradouro Vale do Inferno. Seguiram-se visitas guiadas ao Convento de SantaClara-a-Nova, Universidade e Igreja de Santa Cruz. No final do dia o grupo rumou a São Pedro do Sul, onde iria instalar-se por dois dias, num hotel local. No dia seguinte, pela manhã e aproveitando o dia maravilhoso que São Pedro oferecia, partimos até Viseu, onde descobrimos o Palácio do Gelo, a Igreja dos Terceiros de São Francisco, a Igreja do Carmo, a muralha Romana, a Sé de Viseu e a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Pelo final da tarde regressámos ao hotel, onde durante as doze badaladas do virar do ano, comemos as 12 passas e pedimos um desejo por cada uma para o Novo Ano, ao mesmo tempo que erguíamos as nossas taças de champanhe. No último dia e antes do regresso a Lisboa aproveitou-se para dar um ligeiro passeio pelas Termas, onde sobressaía o cheiro sulfuroso das suas águas, que já eram aproveitadas pelos romanos, conforme atestam os vestígios que nos deixaram nas margens do Rio Vouga. A animação do autocarro esteve a cargo do Joaquim Amado, do Diamantino Santos e do casal Prata que mais uma vez nos brindou com o "Chapéu Preto".

A referida “mostra fotográfica” decorreu de 5 a 25 de janeiro, período durante o qual muitos dos nossos sócios tiveram a oportunidade de a apreciar e reconhecer até que ponto é possível, com uma câmera em punho, captar pormenores da vida real e transformá-los em autênticas obras de arte. Parabéns Vítor Rocha! \CP VISITAS GUIADAS: - MUSEU DE S. ROQUE No âmbito dos passeios temáticos programados, visitámos o Museu de S. Roque, no Largo da Misericórdia, aqui bem perto da nossa Sede. Foi uma visita muito agradável, acompanhada por um guia que nos deu a conhecer praticamente toda a história deste museu ao longo dos cerca de cem anos da sua existência. Desde a recepção ao acompanhamento, não podíamos exigir mais! Por isso voltámos lá, desta vez acompanhados dos netos – visita efectuada em 30 de Março, conforme o anunciado em data oportuna. Jorge Sebastião - FESTA DE CARNAVAL NA ANAC Cerca de 60 sócios, familiares e amigos, juntaram-se na nossa Sede numa noite de alegre convívio para festejar o Carnaval. Foi mais uma jornada de confraternização, com muita música, muita alegria e o necessário alimento para o corpo.

João Oliveira

(Continua na página seguinte)


(Continuação da página anterior)

- MUSEUS BORDALO PINHEIRO E DA CIDADE No âmbito dos programas culturais que a Anac vem proporcionando aos seus associados, visitámos, no passado dia 24 de Fevereiro, o Museu Rafael Bordalo Pinheiro e o Museu da Cidade. No “Bordalo Pinheiro”, vimos parte da sua obra, onde, entre outras coisas, nos foi explicado o significado do “Zé Povinho”, que retrata a revolta do povo português. Com o seu “manguito” critica tudo e todos pelos principais problemas políticoeconómicos do País. O Museu da Cidade, situado num palácio no Campo Grande, também conhecido por Palácio Pimenta, foi classificado como imóvel de Interesse Público em 1936. Este Museu conserva importantes colecções que mostram a evolução histórica nas suas vertentes urbanística, social, simbólica e económica de Lisboa. Foi um dia de agradável convívio e dado o elevado número de inscrições, este programa foi repetido no dia 8 de Março.

Seguiu-se o almoço num restaurante existente no interior das instalações do museu, que a todos satisfez, antes do qual o grupo teve oportunidade de apreciar uma exposição de literatura infantil, de autores de várias nacionalidades, entre os quais o conceituado António Torrado. Carlos Garrido

Cremilda Cabrito - MUSEU DA ELECTRICIDADE No dia 28 de Março pelas 10 horas, um grupo de cerca de 40 sócios da Anac, deslocou-se ao Museu da Electricidade, situado no edifício da Central Tejo, antiga fábrica de produção de energia eléctrica à região entre Lisboa e Santarém.

PASSEIO À COMPORTA COM VISITA GUIADA ÀS RUÍNAS DE TRÓIA - 14 e 21/3 Mais de 50 “dos nossos” deslocaram-se no passado dia 14 à península de Tróia, a fim de visitar as ruínas romanas e o porto palafita da Carrasqueira. Após uma breve paragem em Alcácer do Sal, chegámos às ruínas onde fomos excelentemente esclarecidos e acompanhados por duas Patrícias (de seu nome, que não de estatuto social romano...) e ficámos a conhecer este local industrial com cerca de 2 000 anos. Depois de um retemperador almoço muito bem servido no restaurante “A Escola” com iguarias de nível universitário, deslocámo-nos até ao porto palafita da Carrasqueira. Ali tivemos a oportunidade de conhecer algo muito “medieval”. O contacto com alguns dos pescadores foi muito esclarecedor sobre a sua forma de vida. Este passeio correu tão bem que tivemos de agendar um outro para a semana seguinte e no qual participou mais um grupo de cerca de meia centena de sócios e amigos.

O edifício inicial, mais pequeno, foi construído no princípio do século XX, mas devido ao rápido aumento do consumo iniciou-se em 1914 a construção da nova e grande Central, edifício industrial desenhado no estilo Barroco, no dizer da guia, que funcionou de 1919 até 1972, a qual, após a construção da Barragem de Castelo de Bode, existiu já só como reserva de produção. Explicado pela jovem guia, desfilou perante os olhos do grupo a composição, funcionamento e o conjunto de equipamentos que ainda hoje se encontram num estado de conservação notável, bem como as terríveis condições de trabalho que ali se viviam.

Cândido Vintém


HISTÓRIA BREVE DE UMA VIDA LONGA JOÃO DANIEL SOUSA Sócio n.º 1340-1 PERFIL Idade: 81 anos Naturalidade: Moçambique Tempo ao serviço da CGD: Agosto de 1978 a Dezembro de 1993 Aposentação: 31 de Dezembro de 1993 Na ANAC: desde 1997 - 15 anos! Ao tempo [1997] convidado para assessor da direcção, foi posteriormente eleito director em sucessivos mandatos. A sua dedicação à ANAC e o trato pessoal definem o colega e o amigo; sem exageros e para quem se sente mais próximo, destacamos, por nossa conta, a lucidez e a discrição que o caracterizam. Quem (aos 81 anos!) ainda sente que pode ser útil no desempenho de funções de responsabilidade, merece-nos todo o respeito e, também, uma justa homenagem (*). Depois de muito instado”, segundo o próprio, conseguimos finalmente que o Senhor João Daniel Sousa [JDS], nos permitisse ler umas quantas páginas da sua biografia, onde revela alguns pormenores muito pessoais. As suas raízes estão em África, onde nasceu, cresceu e se fez à vida. Que recordações guarda desse tempo? [JDS] Nasci em Moçambique no ano de 1930, tendo passado a minha infância e mocidade em João Belo, onde, não obstante as limitações existentes em termos escolares - só havia o ensino primário - com o recurso a explicações dadas fora do horário laboral, consegui fazer o 1º. e o 2º. ciclos liceais que me deram a possibilidade de entrar no mundo do trabalho. Tanto quanto entendemos começou a trabalhar muito cedo! [JDS] Sem dúvida, tínhamos de nos fazer à vida! Uma vez terminados os estudos liceais, fui admitido, em Março de 1952, nos serviços da Secretaria das Secções Distritais de Gaza dos Sindicatos ao tempo existentes em Moçambique, onde me mantive durante 14 anos; durante mais dois anos exerci funções públicas, como oficial dos Registos e do Notariado, no Norte de Moçambique. Enquanto se desenrolava a contestação estudantil em Paris, decidiu também dar um novo rumo ao seu destino. Deixa a função pública e vai trabalhar para um Banco. [JDS] É verdade, foi exactamente em Maio de 1968 que iniciei a minha carreira como empregado bancário, mas que viria a ser interrompida em Outubro de 1976, ocasião em que tive de vir com a família para a “Metrópole” - era assim que na altura se dizia. E a sua admissão na CGD aconteceu quando? [JDS] Entrei para os quadros da CGD em 21 Agosto de 1978. Mas até essa data ainda trabalhei com carácter temporário nos escritórios de duas empresas fabris no Barreiro, desde Setembro de 1977 a Agosto de 1978 – digamos que este período foi o começo de uma nova vida! Podemos saber como decorreu a sua integração CGD? [JDS ] De certo que sim. Considero que a minha integração e todo o meu percurso na Caixa foram muito pacíficos, dado que foi sempre preocupação minha manter um óptimo relacionamento quer com as chefias, quer com os demais colegas, tanto no Serviço de Títulos como na DEO, onde também desempenhei funções. Depois de todo este longo percurso surge-lhe a ANAC no caminho. [JDS] E ainda bem que tal aconteceu! Aqui presto colaboração desde 1997, inicialmente como assessor de Direcção e posteriormente como elemento eleito. Saliento como ponto de honra e fruto do bom relacionamento que sempre mantive com todos os elementos dos corpos sociais, quer actuais, quer anteriores, que depois da minha aposentação em 31.12.93, é na ANAC onde me sinto totalmente realizado, (*) Sendo 2012 o “Ano Europeu para o Envelhecimento Activo e da Solidariedade Intergeracional”, não podia vir mais a propósito esta breve entrevista! Muito Obrigado Sr. João Daniel Sousa Carlos Pereira


OS SÉNIORES QUE SE CUIDEM

OS “SEXALESCENTES” “Se estivermos atentos, podemos notar que está a aparecer uma nova franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade, os “sexalescentes”- é a geração que rejeita a palavra sexagenário, porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer. Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica – parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que veio a dar identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se. Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta ou mais, teve uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram há muito a actividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida. Talvez seja por isso que se sentem realizados. Alguns nem sonham reformar-se. E os que já se reformaram gozam plenamente cada dia sem medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro quer num, quer na outra. Disfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, falhanços e sucessos, sabe bem olhar para o mar sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5º. andar. Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e activas, a mulher tem um papel destacado. Após décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar. Esta mulher “sexalescente” sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram tantas as mudanças, parou e reflectiu sobre o que na realidade queria. Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que sempre tinham sido exclusivamente para homens; umas escolheram ter filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas, diplomatas. Mas cada uma fez o que quis: reconheçamos que não foi fácil e no entanto continuam a fazê-lo todos os dias. Algumas coisas podem dar-se por adquiridas. Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos “sessenta”, homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e vêm-se), e até se esquecem do velho telefone para contactar os amigos – mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências. De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil ou, quando não estão, não se conformam e procuram mundálo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais. Ao contrário dos jovens, os “sexalescentes” conhecem e pesam todos os riscos. Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflecte, toma nota e parte para outra!... Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas superlativas, quase insolentes de beleza; mas não se sentem em retirada. Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo. Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto ou dos que ostentam um fato “Armani”, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência. Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao longo da sua vida, estão a estrear uma idade que não tem nome, Antes seriam velhos e agora já não o são, Hoje estão de boa saúde, física e mental, recordam a juventude mas sem nostalgias parvas, porque a juventude, ela própria, também está cheia de nostalgias e de problemas. Celebram o Sol em cada manhã e sorriem para si próprios!... Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam ao 60 no século XXI…!” Este artigo foi obtido a partir da “NET”, onde circula há algum tempo. E veio na melhor altura porque, como é sabido, 2012 foi designado por “Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade Intergeracional”. Ao seu autor, apesar de não conhecermos o seu nome, deixamos uma palavra de agradecimento.


ESPAÇO CULTURAL O texto que compõe este ensaio resulta duma adaptação de uma série de crónicas publicadas na imprensa, tomando agora um sentido mais homogéneo e coerente de forma a proporcionar uma visão global dos acontecimentos descritos. Sem ser obra original, procura-se nestes textos explorar a particularidade de envolver ou misturar os actos com os agentes locais e nos contextos onde decorreram, servindo-se da bibliografia existente acessível ao leitor ou ao investigador mas também da oralidade, da tradição, dos costumes da região, digamos que um pouco do coração e da razão empírica que de algum modo deixou marca até aos dias de hoje, quando se relembram a duzentos anos de distância, os invasores e os invadidos. São fenómenos com alma própria porque na realidade foram vividos e suportados por uma geração que deixou aos presentes, via família e comunidade, uma memória ainda não irremediavelmente perdida. Agradeço ao Carlos Alberto, Beto, o apoio que nunca deixou de me dar na preparação e concretização do trabalho. Luso, 22 de Maiode 2011 O Autor

Prefácio do livro “Bussaco, A Batalha e o Convento” sobre os “200 anos da Guerra Peninsular”, que corresponde a mais um trabalho de pesquisa histórica do nosso colega Fernando Ferraz da Silva [sócio nº. 2268-1]. Os sócios interessados em adquirir esta obra poderão contactar directamente o autor pelo email: ferrazsilva@sapo.pt

O Sonho e a Vida

ESCADA DA VIDA

Façam versos, poesia, Nunca deixem de sonhar, Pois a vida com magia, É mais fácil de levar! Faz versos que cantem odes, Ao céu, à terra, ao mar! Sente que ainda podes, Viver, sentir e amar! Nunca deixes de sonhar, Porque o sonho é uma luz, Como um farol que no mar, A bom porto te conduz! Vive a vida com magia, Procura-a em cada flor, Sente a cor da alegria, Cheira o aroma do amor! É mais fácil levar a vida, Sempre a sorrir e a cantar, Porque a tristeza incontida, Pode fazer-te chorar! Façam versos, poesia, E não parem de sonhar! Sintam que em cada dia, Nova esperança vai chegar! Diamantino Santos - Sócio 1958-1 Março de 2011

Subindo a escada da vida, degrau a degrau, chegamos ao alto; olhamos o sonho em sobressalto sem a viagem estar percorrida. O sonho dá força ao nosso viver, percorre entre a mentira e a verdade; cavalga, como corcel em liberdade, por verdes campos ao alvorecer. Amor veloz, de espada ao vento, grita e beija o pensamento rasgando horizontes e rochedos. Um dia, no tempo, a razão acordou e no silêncio a voz falou... exalando palavras com segredos.

Setúbal, 31/01/2012 Inácio J. M. Lagarto http://otragal.blogspot.com


Quadro-resumo (NÃO EXAUSTIVO) das alterações gráficas em função do Novo Acordo Ortográfico Como prometido no nº 51 do nosso “Comunicando”, damos um quadro que pretende sintetizar, ainda que de forma não exaustiva, as alterações gráficas de palavras, em função da aplicação do Novo Acordo Ortográfico: Palavras de uso frequente cuja grafia o Acordo Ortográfico alterou FORMA NOVA abril abstração abstrato ação acionar acionista aceção ata ativação ativamente atividade ativista ato ator atriz atuação atual atuar adjetivo adoção afetar afetividade afeto agosto agroalimentar Antártida anteprojeto antirracista antirregionalista antissemita antissemitismo Ártico arquiteto arquitetura aspeto asteroide atração atrativo autoestima autoestrada autorretrato autossuficiente Batismo Batizado boia braço de ferro cabeça de lista cabeça de série caminho de ferro ceticismo cético cetro coação coautor coautoria cofundador coleção colecionador coletânea coletável conceção confeção contração contraceção contracetivo contraespionagem contraofensiva contraordenação contrarrelógio coprodução correção corretamente correto creem deceção dececionante deem dejeto desativação descontração detetar detetive detetor detrator

FORMA ANTIGA Abril abstracção abstracto acção accionar accionista acepção acta activação activamente actividade activista acto actor actriz actuação actual actuar adjectivo adopção afectar afectividade afecto Agosto agro-alimentar Antárctida anteprojecto anti-racista anti-regionalista anti-semita anti-semitismo Árctico arquitecto arquitectura aspecto asteróide atracção atractivo auto-estima auto-estrada auto-retrato auto-suficiente baptismo baptizado bóia braço-de-ferro cabeça-de-lista cabeça-de-série caminho-de-ferro cepticismo céptico ceptro coacção co-autor co-autoria co-fundador colecção coleccionador colectânea colectável concepção confecção contracção contracepção contraceptivo contra-espionagem contra-ofensiva contra-ordenação contra-relógio co-produção correcção correctamente correcto crêem decepção decepcionante dêem dejecto desactivação descontracção detectar detective detector detractor

FORMA NOVA dezembro dia a dia dialética dialeto didático direção diretamente diretivo diretor diretório diretriz distração ecletismo efetivação efetivamente efetuar eletricidade elétrico eletrodoméstico eletrónico ereção espetacular espetáculo espetador espermatozoide estupefação eurocético exatamente exato exceção excecionalmente exceto extração extrato fação fator fatura faturação fevereiro fim de semana fiscal de linha fogo de artifício fora de jogo fração fratura frente a frente gaita de foles heroico hidroelétrica inatividade incorreção incorreto indefetível indiretamente indireto infeção infetado infração infrator infraestrutura injeção injetar inseto inspeção inspetor interação interativo interceção intercetado inverno jato janeiro joia julho junho lecionar letivo leem lua de mel maio mão de obra março mini-série neorrealismo

FORMA ANTIGA Dezembro dia-a-dia dialéctica dialecto didáctico direcção directamente directivo director directório directriz distracção eclectismo efectivação efectivamente efectuar electricidade eléctrico electrodoméstico electrónico erecção espectacular espectáculo espectador espermatozóide estupefacção eurocéptico exactamente exacto excepção excepcionalmente excepto extracção extracto facção factor factura facturação Fevereiro fim-de-semana fiscal-de-linha fogo-de-artifício fora-de-jogo fracção fractura frente-a-frente gaita-de-foles heróico hidroeléctrica inactividade incorrecção incorrecto indefectível indirectamente indirecto infecção infectado infracção infractor infra-estrutura injecção injectar insecto inspecção inspector interacção interactivo intercepção interceptado Inverno jacto Janeiro jóia Julho Junho leccionar lectivo lêem lua-de-mel Maio mão-de-obra Março minissérie neo-realismo

FORMA NOVA noturno novembro objeção objetivo objeto oitavos de final ótico otimismo otimista ótimo outono outubro para para-brisas paranoia pelo pera perceção percetível peremtório perspetiva perspetivar ponta de lança predileção preveem primavera projeção projetar projeto prospeção prospeto proteção protecionismo protecionista protetor radioatividade radioativo reação reacionário reator receção recetação recetividade recetivo reta retângulo retificar redação refletido refletir rés do chão respetivamente respetivo retração retroativos retrospetiva rutura Sabóia seleção selecionador selecionar seletivo subjetividade subjetivo suscetível tabloide tático tato teto tração trator trajeto trajetória transação transacionado transacionáveis transato Troia ultraortodoxo vetor veem verão reativação reativar

FORMA ANTIGA nocturno Novembro objecção objectivo objecto oitavos-de-final óptico optimismo optimista óptimo Outono Outubro pára pára-brisas paranóia pêlo pêra percepção perceptível peremptório perspectiva perspectivar ponta-de-lança predilecção prevêem Primavera projecção projectar projecto prospecção prospecto protecção proteccionismo proteccionista protector radioactividade radioactivo reacção reaccionário reactor recepção receptação receptividade receptivo recta rectângulo rectificar redacção reflectido reflectir rés-do-chão respectivamente respectivo retracção retroactivos retrospectiva ruptura Saboia selecção seleccionador seleccionar selectivo subjectividade subjectivo susceptível tablóide táctico tacto tecto tracção tractor trajecto trajectória transacção transaccionado transaccionáveis transacto Tróia ultra-ortodoxo vector vêem Verão reactivação reactivar

"Fonte - "Guia do Acordo Ortográfico" publicado pelos Ministérios da Cultura e da Educação em Agosto de 2011".


ÚLTIMA PÁGINA Embora sujeito a alterações, apresentamos o Plano de Actividades já decididas pela Direção para 2012: 2012 Abril

– dias 13 a 20 EUROENCONTRO 2012 em Lisboa (v. Circular n.º 22/11 de 22.10.11)

Junho

– dias 4 a 15 ISDABE - I TURNO (v. Circular n.º 21/11 de 29.10.11)

Julho

– dias 7 a 16 CIRCUITO PELAS CAPITAIS DO CENTRO DA EUROPA (v. Circular n.º 08/12 de 08.03.12)

Setembro

– dias 3 a 14 ISDABE - II TURNO (v. Circular n.º 04/12 de 06.02.12)

Outubro

– dia 13 ENCONTRO NACIONAL (*) – dia 19 a 30 CRUZEIRO CARAÍBAS/MIAMI (v. Circular n.º 24/11 de 12.12.11)

Novembro

– dia 10/11 FESTA DE S. MARTINHO (*)

Dezembro

– ALMOÇO-CONVÍVIO DE NATAL (*)

Passeios e Viagens da iniciativa da Delegação da ANAC - PORTO já anunciados, mas também sujeitos a alterações Abril

– dia 22 VISITA AO BACALHOEIRO STº. ANDRÉ (MUSEU) (*)

Maio

– dias 18 a 20 ALENTEJO / ALQUEVA E FLUVIÁRIO (*)

Junho/Julho

– dias 24/6 a 4/7 VIAGEM À ESCANDINÁVIA

Julho

– dia 12 PASSEIO/CONVÍVIO DE ENTREGA DE TROFÉUS (*)

Agosto

– dias 6 a 9 VIAGEM A BERLIM (*)

Setembro

– dias 2 a 14 ISDABE II TURNO

Outubro

– (3 dias) GALIZA (*)

Novembro

– dia 10 FESTA DE S. MARTINHO (*)

Dezembro

– dia 13 PASSEIO/CONVÍVIO DE NATAL (*)

(*) Programas a divulgar oportunamente

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COMUNICANDO Nº 52  

Ediç¿ao nº 52 do boletim Comunicando

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