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Publicação Trimestral da ANAC AQo ;;9 ‡ Nž  ‡ -uQKo  6etembro  0(0%52 '2 *5832 (8523(8 '( 3(16,21,67$6 '$6 &$,;$6 (&21Ă?0,&$6 ( %$1&26

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MANUAL DE BOAS PRĂ TICAS

cional, um dos pontos altos que Ê vivido pela nossa Associação. É um momento desejado e vivido com grande intensidade, por um significativo número dos nossos associados, pois permite aos que se dispþem a deslocar-se ao Grande Auditório da Culturgest, a possibilidade EF DPOWJWÆODJB  EP FODPOUSP EF NVJUPT antigos colegas e amigos, com as históSJBT  BT WJWÆODJBT  BT BMFHSJBT F UBNCÅN os momentos menos bons vividos ao longo das suas carreiras profissionais. A Direção espera e deseja que no fim do dia, todos regressem a suas casas felizes e com a esperança de que, do dia 8 de outubro a dois anos, todos nos voltemos a encontrar com saúde e as mesmas recordaçþes da grande Instituição a que pertencemos, com aquela cultura própria que tanto marcou sucessivas geraçþes.

Pråticas de suporte e prevenção de diagnóstico de fragilidade e declínio físico e cognitivo nas pessoas em idade sÊnior.

Nos Ăşltimos meses, as luzes da comuniDBĂƒĂ€PTPDJBMUÆNJMVNJOBEPJOUFOTBNFOte a Caixa Geral de DepĂłsitos, revelando contornos obscuros que nos surpreenderam e deixaram o coração apertado. Infelizmente esses contornos continuam difusos, num nevoeiro que se tem adensado sobre a Instituição, e mantĂŠm o horizonte carregado, com as ameaças que começam a desenhar-se e que, infelizmente, mais uma vez serĂŁo os trabalhadores a pagar a fatura, de uma despesa para a qual nĂŁo contribuĂ­ram, mas serĂŁo as primeiras vĂ­timas a ser atingidas. O A Direção

Este documento promovido pela AGE, descreve o trabalho dos parceiros do “Grupo de Açãoâ€? que o produziu e concentra-se nos seus resultados. Avança conclusĂľes para a configuração dos cuidados de saĂşde e potenciais implicaçþes das polĂ­ticas ao nĂ­vel da UniĂŁo Europeia. Este relatĂłrio foi realizado sob a supervisĂŁo de Maria Iglesia Gomez, Diretora Geral para a SaĂşde e Consumidores. A necessidade de ter um quadro claro das intervençþes no conhecimento e prevenção da fragilidade dos idosos na Europa, impeliu o “Grupo de Açãoâ€? a elaborar um manual de boas prĂĄticas neste campo. O texto final reĂşne 98 orientaçþes a ser seguidas em 14 dos Estados Membros. Para simplificar a estrutura e melhor conseguir o propĂłsito do manual, foram as mesmas agrupadas, por paĂ­s, nos tĂłpicos em que a maioria dos parceiros se focou: t 'SBHJMJEBEFFNHFSBM t %FDMÉOJPGVODJPOBM t %FDMÉOJPDPHOJUJWP t /VUSJĂƒĂ€P t %FQFOEÆODJBFQSFTUBEPSFTEFDVJEBEPT t &YFSDÉDJPGÉTJDP FRAGILIDADE EM GERAL É alcançåvel e necessĂĄrio identificar a prĂŠ-fragilidade em idosos na comunidade, fragilidade em situação clĂ­nica e integrĂĄ-los num programa de intervenção. Estas tarefas podem ser orientadas de acordo com os tipos de fragilidade e desempenhadas corretamente. 0QSPDFTTPCBTFBEPOBFWJEÆODJBQBSBEFUFUBSFHSBEVBSBGSBHJMJEBde ĂŠ a observação do comportamento geral, porĂŠm ĂŠ um processo consumidor de recursos, o qual exige o encontro de vias, igualmente fiĂĄveis mas mais eficientes, em cuidados de saĂşde de rotina e apoio domiciliĂĄrio. Existe porĂŠm falta de indicadores claros para a fragilidade, sendo necessĂĄria pesquisa avançada nesta ĂĄrea. É portanto Ăştil e eficiente a implementação de manuais e protocolos como suporte Ă s decisĂľes dos profissionais de saĂşde.

Ficha TĂŠcnica Propriedade EB "/"$ o "TTPDJBĂƒĂ€P /BDJPOBM EPT "QPTFOUBEPT EB $BJYB (FSBM EF %FQĂ?TJUPT Sede: Rua Marechal Saldanha, OÂ? Â?    -JTCPB  5FMT      'BY      &NBJM anac@cgd.pt, Blogue: http://anaccgd.blogspot.com Coordenação:$BSMPT(BSSJEPPublicação:5SJNFTUSBMImpressĂŁo: GrĂĄfica ExpansĂŁo - Artes GrĂĄficas, Lda., Rua de S. TomĂŠ, 23-A, 2685-373 13*037&-)0Tiragem:FYFNQMBSFTDepĂłsito Legal: OÂ?Distribuição: HSBUVJUBBPTTĂ?DJPTColaboraram neste nĂşmero: $BSMPT(BSSJEP$ÂżOEJEP7JOUĂ…N+PTĂ…$PJNCSB %FMFHBĂƒĂ€PEB3FHJĂ€P/PSUF -VÉT%JPHP.BSJBEF'žUJNB.FOEPOĂƒB.BOVFM-JOP


DECLĂ?NIO FUNCIONAL Presentemente existe um melhor entendimento na ligação entre o estado de fragilidade e a desestabilização GVODJPOBM GÉTJDBFDPHOJUJWB/BJEBEFTĂ…OJPSĂ…GSFRVFOUF QBTTBSEPFTUBEPEFJOEFQFOEÆODJBBPEFGSBHJMJEBEFF EFQFOEÆODJB )ž QPSĂ…N VN FTQBĂƒP BNQMP EF QSFWFOção e intervenção que permite reduzir a vulnerabilidade a esta situação.

novas tecnologias de comunicação, criação de ligaçþes entre o sistema de cuidados de saĂşde e a comunidade, bem como o estabelecimento de protocolos e guia de recomendaçþes em tĂłpicos especĂ­ficos. DECLĂ?NIO FĂ?SICO A atividade fĂ­sica regular foi reconhecida como tendo impacto nos diferentes componentes do sĂ­ndrome da fragilidade, desde a vida cognitiva, depressĂŁo e enfraquecimento Ăłsseo, tendo sido reconhecido que a inatividade ĂŠ o caminho mais curto para a fragilidade. Contudo algumas questĂľes remanescentes nĂŁo resolvidas, necessitam do aprofundamento da investigação das formas corretas da eficĂĄcia de execução para a população idosa na situação de fragilidade. O exercĂ­cio fĂ­sico regular tem demonstrado a sua imQPSUÂżODJB OB QSFWFOĂƒĂ€P EP FOWFMIFDJNFOUP QSFDPDF  F portanto da situação de fragilidade. Tem mostrado ser uma boa prĂĄtica para comprovação da fiabilidade de testes fĂ­sicos, desenvolvimento de programas de treino e orientação para a criação de rotinas diĂĄrias de atividade fĂ­sica, e promover a ligação entre o sistema de cuidados de saĂşde e a comunidade. GRUPO DE AĂ‡ĂƒO

DECLĂ?NIO COGNITIVO "T GVOĂƒĂ‘FT DPHOJUJWBT EFDMJOBN DPN NBJPS GSFRVÆODJB OBT JEBEFT NBJT BWBOĂƒBEBT .BOJGFTUBTF QFMB EFNÆODJBEFEJWFSTBTPSJHFOT "M[IFJNFS EFNÆODJBEFPSJHFN WBTDVMBS  RVF BUJOHF ESBNBUJDBNFOUF B WJEB QFTTPBM F familiar. A prevenção ĂŠ fundamental para uma possĂ­vel recuperação, ou retardar o aparecimento da doença por intermĂŠdio de programas de reabilitação. Estes programas podem dar um importante contributo atravĂŠs de suporte psicolĂłgico, consultas mĂŠdicas, pesquisas de marcadores biolĂłgicos, estudos de novos medicamentos, exercĂ­cios de estimulação da memĂłria, estabelecer ligaçþes entre o sistema de saĂşde e a comunidade, implementar protocolos e programas de treino para profissionais e pacientes e desenvolvimento EBJOUFSWFOĂƒĂ€PFTQFDÉGJDBOBžSFBEBEFNÆODJB NUTRIĂ‡ĂƒO Parece haver uma ligação clara entre fragilidade e nutrição nos idosos, dado que uma alimentação inadequada, contribui para o enfraquecimento Ăłsseo e muscular, bem como a falta de hidratação. Existe o consenso que deve ser definido, pelos serviços de saĂşde e cuidados, um programa a ser aplicado aos idosos, nos diferentes contextos, comunitĂĄrio, hospitalar, no fornecimento de alimentação adequada, e que incentive a pesquisa de novos produtos alimentares e suplementos. CUIDADORES E DEPENDĂŠNCIA A sustentabilidade de cuidados a longo prazo, requer uma importante contribuição de cuidadores informais, que na maioria dos casos sĂŁo mulheres. É de extrema necessidade esta disponibilidade, pois ĂŠ uma forma de FWJUBSPJTPMBNFOUP QFSNJUJOEPBQFSNBOÆODJBEFNVJUPTJEPTPTOBTTVBTSFTJEÆODJBT RVFDBTPDPOUSžSJPTFriam levados a uma institucionalização precoce. Estas “Boas PrĂĄticasâ€? podem contribuir para a criação de empregos, treino e formação de cuidadores, utilização das

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O Grupo “Prevenção e diagnĂłstico precoce da fragilidade e declĂ­nio funcional, fĂ­sico e cognitivo em pessoas idosasâ€?, reĂşne um total de 128 parceiros que em conjunto pretendem compreender e melhorar os fatores fundamentais da fragilidade sĂŠnior, que associam fragilidade e mĂĄ qualidade dos cuidados de saĂşde, e prevenir com maior eficĂĄcia o sĂ­ndrome de fragilidade e as suas DPOTFRVÆODJBT Estes parceiros representam autoridades de saĂşde pĂşblica, associaçþes de prestadores de cuidados, academias, centros de pesquisa, indĂşstrias, associaçþes de doentes e corpos profissionais de toda a U.E., sendo o maior nĂşmero pertencente a ItĂĄlia, Portugal, PaĂ­ses Baixos, Reino Unido e Espanha. O Retirado da Plataforma AGE


OS SENIORES E A SAĂšDE O LONGO CAMINHO DA LUTA CONTRA O CANCRO O cancro como realidade que se tem tornado cada vez mais presente, ĂŠ uma das grandes causas de morbilidade e mortalidade e como todos sabemos, uma proliferação anormal de cĂŠlulas nos tecidos constituintes dos ĂłrgĂŁos do nosso corpo. Em condiçþes normais, no seu ciclo de vida, as cĂŠlulas envelhecem, morrem e sĂŁo substituĂ­das por novas cĂŠlulas. Por razĂľes que ainda sĂŁo mal conhecidas este processo nĂŁo decorre normalmente: GPSNBNTFDĂ…MVMBTOPWBT GPSBEPDJDMPFFNTJNVMUÂżOFP as cĂŠlulas velhas nĂŁo morrem. SĂŁo estes conjuntos de cĂŠlulas extra que formam os tumores, que na sua variedade maligna correspondem ao cancro. As cĂŠlulas do tumor maligno podem invadir e danificar os tecidos e Ă?SHĂ€PTDJSDVOEBOUFTQPEFNBJOEBMJCFSUBSTFEPUVNPS primitivo e entrar na corrente sanguĂ­nea ou no sistema MJOGžUJDPoGPSNBOEPBHMPNFSBEPTEFDĂ…MVMBTDBODFSÉHFnas, designadas por metĂĄstases, que podem originar novos tumores noutros ĂłrgĂŁos, cujas cĂŠlulas sĂŁo da mesma natureza do tumor primitivo, devendo ser tratadas como tal. Sem ser uma doença especĂ­fica dos seniores, devido ao aumento da longevidade, manifesta-se cada vez mais nas idades avançadas. Para ajudar a encontrar as causas de sintomas que surgem muitas vezes associadas Ă  presença de cancro, sĂŁo utilizadas vĂĄrias tĂŠcnicas, muitas vezes especĂ­ficas para DBEBUVNPS NBTRVFNPEFSOBNFOUFUÆNFWPMVÉEPQBSB mĂŠtodos de diagnĂłstico que se encontram em projetos de ponta da investigação cientĂ­fica oncolĂłgica. Os testes sanguĂ­neos vĂŁo tornar disponĂ­veis novas tĂŠcnicas que poderĂŁo despistar tumores antes que estes se manifestem, e seguir a sua evolução durante ou depois do tratamento. SĂŁo simples recolhas de sangue, capazes de fazer essa despistagem precocemente, qualquer que seja o seu tamanho e localização. SerĂŁo tambĂŠm capazes de contribuir para o estudo de anomalias genĂŠticas e que possam propor terapias personalizadas e de prevenir riscos de recaĂ­da. Este objetivo importante de saĂşde pĂşblica, poderĂĄ tornar-se realidade graças a progressos recentes em genĂŠtica e em biologia molecular. Esta tĂŠcnica visa ser mais eficaz que a biĂłpsia clĂĄssica que, como ĂŠ sabido, consiste em retirar uma amostra no tecido tumoral. Este novo teste pode ser visto como uma “biĂłpsia lĂ­quidaâ€?, visando pesquisar no sangue partĂ­culas libertadas pelo tumor, para as caracterizar do ponto de vista genĂŠtico e molecular. As pesquisas mais marcantes incidem sobre as cĂŠlulas tumorais circulantes $5$ RVFTFMJCFSUBNEPUVNPSMPHPRVFGPSNBEP DJSculando no corpo pelo sistema sanguĂ­neo, antes de se implantar em diferentes ĂłrgĂŁos para aĂ­ criar metĂĄstases. Estas CTC podem encontrar-se no sangue anos antes da BQBSJĂƒĂ€PEFNFUžTUBTFT/PFOUBOUPQBSBRVFTFUPSOFN preditoras da doença, ĂŠ necessĂĄrio ser possĂ­vel isolĂĄ-las no sangue. Para o efeito estĂŁo a ser desenvolvidas vĂĄrias tĂŠcnicas que permitem identificar uma cĂŠlula tumoral entre 50 mil milhĂľes de cĂŠlulas sanguĂ­neas. /PDBTPDPODSFUPEPDBODSPEPQVMNĂ€PFTUĂ€PFNFTUVdo situaçþes que permitem abordar o ataque Ă  doença em diversas fases de desenvolvimento: ž"OUFTEBNBOJGFTUBĂƒĂ€PEBEPFOĂƒBoŠGVOEBNFOUBMP despiste precoce capaz de detetar um tumor antes dele se tornar invasivo, pois permitiria o inĂ­cio do tratamento mais cedo, aumentando as suas possibilidaEFTEFTPCSFWJWÆODJB

ž+ž DPN B EPFOĂƒB EFDMBSBEB  P UFTUF QPEF QFSNJUJS B personalização dos cuidados, estudando as mutaçþes genĂŠticas do tumor que possibilitem a elaboração de medicamentos dirigidos, e avaliar a sua eficĂĄcia. žDepois da remissĂŁo das cĂŠlulas cancerĂ­genas possibilitaria a prevenção de recaĂ­das detetando um aumento do nĂşmero de CTC, sendo assim o tratamento retomado mais cedo. Testes sanguĂ­neos de diagnĂłstico precoce poderiam salvar milhares de vidas por ano. E, mais importante, este tipo de teste oferece tambĂŠm a possibilidade de personalizar os tratamentos. Como cada tumor cancerĂ­geno ĂŠ caracterizado por mutaçþes especĂ­ficas, utilizar terapias personalizadas tornaria o tratamento mais eficaz assegurando uma avaliação mais rigorosa. Contrariamente Ă  biĂłpsia de tecidos clĂĄssica, a anĂĄlise sanguĂ­nea ĂŠ nĂŁo invasiva e realizĂĄvel sempre que necessĂĄrio. É sob o impulso de terapias personalizadas que a pesquisa por anĂĄlises sanguĂ­OFBT CJĂ?QTJB MÉRVJEB  TF EFTFOWPMWF +ž Ă… QPTTÉWFM EFBDPSEPDPNPPODPMPHJTUB+FBO*WFT1JFSHB  do Instituto Curie, depois de 2014, recorrer a um teste sanguĂ­neo para determinar se um doente de cancro pulmonar especĂ­fico ĂŠ portador de uma determinada mutação. Existem vĂĄrios mĂŠtodos que nĂŁo detetam exatamente o mesmo tipo de CTC e nĂŁo sĂŁo todos eficazes no mesmo tipo de cancro, no entanto tendo em conta a duração das cĂŠlulas, estas diferentes tĂŠcnicas podem UPSOBSTFDPNQMFNFOUBSFT +FBO*WFT1JFSHB  É visĂ­vel que uma revolução estĂĄ em marcha, tendo como objetivo produzir um teste fiĂĄvel, com eficĂĄcia demonstrada com um grande nĂşmero de pacientes, no entanto ĂŠ necessĂĄrio comprovar, que este tipo de ferramentas permite efetivamente contribuir para o aumento da sobrevida dos pacientes. Porque despistar um tumor com a ajuda de um teste sanguĂ­neo, nĂŁo garante por si sĂł um diagnĂłstico mais eficaz, nem um impacto positivo no prognĂłstico. /PFOUBOUP Ă…EFSFGFSJS RVFBEFUFĂƒĂ€PEFDĂ…MVMBTUVNPrais circulantes no sangue de uma pessoa, nĂŁo significa que este venha a desenvolver um tumor ou metĂĄstases, mas que existe um maior grau de probabilidade. Em conclusĂŁo a detecção precoce nĂŁo ĂŠ garantia de maior sobrevida, pelo que serĂŁo necessĂĄrios estudos prolongados a longo prazo, com muitos milhares de pacientes. O caminho ĂŠ longo, mas havia muito tempo que a DJÆODJB OĂ€P EBWB UĂ€P MPOHP QBTTP OB DBNJOIBEB  OFN dava tamanha esperança na luta contra o cancro. O Retirado de parte de um artigo da revista Science e Vie

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ESPAÇO DE REFLEXĂƒO A D E SVA LO R I Z A Ç Ăƒ O D O T R A B A L H O Previa-se nas primeiras dĂŠcadas do sĂŠculo XX que o futuro, apoiado no grande desenvolvimento cientĂ­fico-tĂŠcnico, e com a generalização da robĂłtica, seria a sociedade do lazer e o homem teria a oportunidade de ser livre para alcançar a felicidade. A robĂłtica permitiria aumentar a produtividade mundial, libertando o homem e criando assim condiçþes que lhe possibilitassem o desenvolvimento pleno das suas capacidades e aspiraçþes. SĂł que se esquecia, ou se fazia por ocultar, que numa sociedade subordinada aos interesses do capital, o trabalho nunca serĂĄ um fator de libertação, em que a tecnologia ĂŠ posta ao serviço do lucro e nĂŁo do homem, incitando Ă  competição e nĂŁo Ă  cooperação. É verdade que muitos trabalhos penosos ou rotineiros foram substituĂ­dos por tecnologia, mas tambĂŠm houve quem tenha aproveitado as mĂĄquinas para despedir pessoas, sobrecarregando outras, o que leva Ă  exaustĂŁo que ĂŠ caracterĂ­stica dos tempos presentes. A legĂ­tima aspiração a uma vida mais feliz e menos miserĂĄvel, transformou-se nos Ăşltimos 30 anos, no princĂ­pio muito menos sonhador da maximização do lucro e minimização dos custos, nos quais tem cada vez menos peso a força de trabalho. /Ă€P TFSJB JNBHJOžWFM RVF P QSJODÉQJP EBT  IPSBT TFNBOBJT de jornada de trabalho, conseguida em 1919, e vĂĄrias revoluçþes tecnolĂłgicas depois, quase 100 anos passados, seria uma questĂŁo reputada pelas entidades patronais, como decisiva para o aumento da produtividade. Por este caminho se chegou Ă  flexibilidade das relaçþes de trabalho, tĂŁo flexĂ­veis que praticamente nĂŁo existem, e com elas Ă  precariedade laboral. É verdade que esta forma de relaçþes de trabalho estĂĄ generalizada no mundo mas, no nosso paĂ­s, atinge para alĂŠm da população ativa desempregada, cerca de 2 milhĂľes sob diversas formas: falsos recibos verdes, contratos a prazo, subcontrataçþes, “outTPSDJOHwQBSBFNQSFTBTDPNUSBCBMIP½UBSFGBNBTNFTNPPT trabalhadores com contratos sem termo, tambĂŠm sĂŁo de certa forma atingidos, por força das novas leis laborais, que permitem Ă s empresas despedir de forma fĂĄcil e barata. Este fenĂłmeno de rotatividade na força de trabalho, pela sua FOPSNFBCSBOHÆODJB Ă…Ă”OJDPOBIJTUĂ?SJBEP1BÉT/PTBOPT  com nĂ­vel de precariedade semelhante, a situação histĂłrica e social era entĂŁo diferente. Com a ocupação maioritĂĄria na agricultura, a guerra colonial e a emigração, chegou a haver falta de força de trabalho total. Esta escassez, com as reformas que FYJHJVOB&EVDBĂƒĂ€P 4BĂ”EF 'PSNBĂƒĂ€P QFSNJUJVVNBDFSUBNPbilidade social. Hoje, ao que se assiste ĂŠ Ă  imobilidade, se nĂŁo mesmo Ă  regressĂŁo social. Com estas escolhas, que como tudo o que ĂŠ escolha social ĂŠ fundamentalmente polĂ­tica, irĂĄ fazer com que as geraçþes atuais, tenham piores condiçþes de vida que as anteriores. Excetuando o desemprego estrutural, existente mas nĂŁo maioritĂĄrio, ao falarmos de desemprego e precariedade estamos a falar da mesma realidade do mercado laboral, pois parte do tempo estĂŁo desempregados e a outra precariamente empregados. Este mecanismo ĂŠ ideal para a acumulação do capital, pois permite uma pressĂŁo constante sobre os salĂĄrios, levando os precariamente empregados a aceitar permanentemente inferiores condiçþes de trabalho, dada a facilidade de substituição. Consegue-se assim uma redução salarial mĂŠdia de 35% a 40% do salĂĄrio. É esta situação que torna crĂ­tica a sustentabilidade da Segurança Social, e nĂŁo a alegação frequente das alteraçþes demogrĂĄficas, devido ao aumento de esperança de vida e decrĂŠscimo da natalidade.

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Este modelo de “competitividadeâ€? baseado no trabalho a baixo custo, tem-se imposto pelo alastramento da globalização, olhando como exemplo a seguir as relaçþes de trabalho do tipo asiĂĄtico. A nĂ­vel nacional tem sido apresentado como grande conquista, a contração da procura interna, por força da redução salarial e a orientação da economia para a exportação. Assim o crescimento de riqueza resultante da atividade econĂłmica ĂŠ devida, nĂŁo Ă  integração de novas tecnologias e melhoria da formação profissional, mas ao aumento do tempo de trabalho e redução ao mĂ­nimo do nĂşmero de trabalhadores. É corrente no nosso paĂ­s uma duração do tempo de trabalho entre as 40 e as 70 horas semanais. Com estas condiçþes, a regulação de salĂĄrios nĂŁo precisa do antigo controlo polĂ­tico e sindical, impĂľe com alguma facilidade o congelamento da concertação social, sendo hoje em dia o mecanismo regulador do preço do trabalho o “clĂĄssicoâ€? desemprego, pois o grande nĂşmero de desempregados existente, leva por si sĂł, e pela facilidade de substituição a uma queda geral dos salĂĄrios. As condiçþes atuais aqui refletidas, começaram a ganhar contornos com a flexibilização laboral, que teve inĂ­cio a partir de 1985-1987, com a facilitação dos despedimentos colectivos, a utilização dos fundos da Segurança Social para compensação aos despedimentos, mais tarde a facilitação dos despedimentos individuais, com as alteraçþes legais de 2003, 2009 e 2012. &TUBTBMUFSBĂƒĂ‘FT UÆNDPNPPCKFUJWPPFOGSBRVFDJNFOUPEBFGJcĂĄcia das conquistas laborais do 25 de Abril, com o qual nasceu o efetivo direito ao trabalho. Com essas conquistas, a massa salarial cresceu de forma significativa, tendo 18% da mesma sido transferida do fator capital para o fator trabalho, atravĂŠs do salĂĄrio indireto que o alargamento do Estado Social e da Segurança Social permitiu. As alteraçþes sociais resultantes de mudanças, que apresentam como progresso a destruição dos direitos laborais conquistados com Abril, podem ser observadas no Ă­ndice de Gini, que mede a desigualdade social e que passa de 0,316 em 1974, para 0,174 em 1978, o ano em que atingiu o valor mais baixo, depois das polĂ­ticas de proteção de emprego de 1974-1975. A desigualdade recomeça a aumentar a QBSUJSEFFNRVFĂ…EF  UFOEPNBOUJEPVNBUFOEÆODJB ascendente para hoje chegar ao valor de 0,338, um dos mais elevados da UniĂŁo Europeia. /Ă€PQPEFNPTFTRVFDFSRVFBNBSDBEBNPEFSOJ[BĂƒĂ€PQPSUVguesa foi sempre o atraso, que nĂŁo diminui o recurso ao trabalho barato e Ă  utilização do Estado para ajudar a concentrar a riqueza, modelo que ainda infelizmente se mantĂŠm. C. Garrido


$7 ,9 ,'$'( 6 VIAGEM Ă€ RĂšSSIA Decorreu entre os dias 15 e 21 de julho, a segunda viagem Ă  3Ă”TTJB SFBMJ[BEB FTUF BOP  FN RVF RVBSFOUB F USÆT TĂ?DJPT EB Anac e alguns convidados, tiveram a satisfação de visitar duas das mais emblemĂĄticas cidades da RĂşssia, SĂŁo Petersburgo e Moscovo. 'VOEBEBOPBOPEFQPS1FESP* P(SBOEF BTVBSFBMJ[BĂƒĂ€P para alĂŠm da ousadia e determinação que exigiu, foi destinada a capital do ImpĂŠrio Russo e sĂ­mbolo da RĂşssia moderna e ocidentalizada, que queria construir. A cidade foi planeada com objetivos determinados, com amplas e largas avenidas perpendiculares, em que se desUBDB QFMPTFVDPNQSJNFOUP B"WFOJEB/FWTLJ 'F[ QBSUF EB WJTJUB B WJTUB FYUFSOB EB 'PSUBMF[B EF 1FESP F Paulo com a sua Catedral, construĂ­da na ilha ZĂĄiatchi, que pela TVBQPTJĂƒĂ€PFTUSBUĂ…HJDBKVOUPBPSJP/FWB DPOTUJUVÉBPOĂ”DMFP da futura cidade. /BEB Ă… QPSĂ…N DPNQBSžWFM BP )FSNJUBHF  DPOTJEFSBEP VN dos maiores museus do mundo, em que a sua imensa coleção espelha de forma inequĂ­voca e indescritĂ­vel, a histĂłria da cultura mundial e a sua interligação com a HistĂłria da RĂşssia. /PEJBTFHVJOUFGPJWJTJUBEP OBDJEBEFEF1VTILJO P1BMžDJPEF Catarina a Grande, no estilo barroco russo, e onde se destaca a mundialmente famosa Sala de Ă‚mbar. O PalĂĄcio ĂŠ rodeado de fabulosos jardins geomĂŠtricos ao estilo de Versalhes.

Seguiu-se a cidade de Moscovo. É no ano de 1147 que surgem BTQSJNFJSBTSFGFSÆODJBTIJTU�SJDBT½FYJTUÆODJBEFVNDPOKVOUP de povoados cujo centro ficava na colina onde hoje se situa o Kremlin. De acordo como o programa foram visitados os locais emblemåticos e míticos da cidade como a Praça Vermelha, o Kremlin com o seu importante conjunto de palåcios, e o Museu da Armaria o mais antigo museu russo, cuja coleção teve início no sÊculo XIV. Hoje conta com um enorme conjunto de coleçþes de obras de arte decorativa, nacionais e estrangeiras, do sÊculo IV ao início do sÊculo XX. /ÀPTFQPEFEFJYBSEFSFGFSJSPDÅMFCSF.FUSPEF.PTDPWP DVKB construção se iniciou nos anos 30 do sÊculo passado, e em

cujas estaçþes a decoração em materiais nobres e obras de arte do realismo soviÊtico, Ê única. A viagem terminou com a visita à cidade de Serguei Prosad, considerada a capital espiritual da Rússia, onde se situa o Mosteiro de São SÊrgio que desempenhou um papel importante na História Russa. A viagem terminou sem incidentes, tendo os participantes manifestado satisfação geral por estes dias que lhes possibilitaram a visão privilegiada de muitas obras e locais do seu imaginårio. O C. Garrido

VIAGEM AO CABO NORTE E NORUEGA (SEMPRE ACIMA DO CĂ?RCULO POLAR Ă RTICO) Um conjunto de 34 SĂłcios, familiares e amigos deslocou-se atĂŠ ao “fim do mundoâ€? para assistir ao sol da meia noite no local NBJTBQSPQSJBEPP$BCP/PSUF

Antes de lĂĄ chegarem, porĂŠm, foi cruzado o CĂ­rculo Polar Ă rtico OB UFSSB EP 1BJ /BUBM  3PWBOJFNJ  F WJTJUBEP 4BOUB ,MBVT na sua casa. Depois, foi o admirar das lindas paisagens que BDPNQBOIBSBN UPEP P QFSDVSTP DPN NVJUBT SFOBT  BMHVNBT WBDBT DPFMIPTFPWFMIBT TFNQSFDPNPTGJPSEFTFBTNPOUBOIBT a oferecerem oportunidades Ăşnicas para fotografias. /BT JMIBT -PGPUFO GPJ FODPOUSBEP P OPTTP iGJFM BNJHPw OP TFV habitat natural e falĂĄmos com os que lidam com ele desde a DSJBĂƒĂ€P BUĂ… ½ TFDBHFN  TBMHB F FYQPSUBĂƒĂ€P TPCSFUVEP QBSB *UžMJBF1PSUVHBM  Em Tromso vibrĂĄmos com a vitĂłria da nossa seleção e o seu apuramento para a final da glĂłria. /PSFHSFTTP PBWJĂ€PEB5"1QFSEFVPHSVQPNBTUPEBBHFOUF chegou a casa antes da final do Euro, apesar de termos sido iFTQBMIBEPTwQPSNFJB&VSPQB "NFTUFSEĂ€P 'SBOLGVSU .VOJRVF  ;VSJRVF FUDFUDFUD  O

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E SPAÇ O C UL T UR AL LEVANTADOS DO CHĂƒO Quando o teu avĂ´ pressentiu a companhia gelada da senhora de negro e gadanha nas mĂŁos, saiu para fora de casa, andou pelo caminho e abraçou-se a uma ĂĄrvore. /Ă€PTBCJBMFSOFNFTDSFWFS EJ[JBN.BTTBCJBMFSBQVMsĂŁo fervilhante da vida da terra, da natureza, da força telĂşrica e seminal que emana de todos os seres vivos, dos animais, das plantas, e tambĂŠm das rochas, areias, ĂĄguas, ares que nos rodeiam e nos enchem, pulsando ininterruptamente. /Ă€PTBCJBFTDSFWFS NBTOFTTFNPNFOUPFTDSFWFVVNB EBT NBJT CFMBT PEFT BP TFOUJEP EB FYJTUÆODJB  B VNB devoção ao natural, que nĂŁo necessita de grandes interpretaçþes teolĂłgicas sobre questĂľes de fĂŠ, ou de intermediĂĄrios entre o humano e o que determina a vida de todos os dias. HaverĂĄ algo que nos transmita tĂŁo bem a força da criação melhor do que uma ĂĄrvore, que começa numa pequena e buliçosa semente, e se transforma num bom gigante de mĂşltiplos braços abertos para nos acolher? Por estas e por outras, e por outros exemplos que todos os dias nos sĂŁo dados por pessoas ditas “analfabetasâ€?, as forças naturais influenciam-nos mais do que nĂłs, os ditos “cultosâ€?, podemos adivinhar. Leiam, por exemplo, i"VNEFVTEFTDPOIFDJEPwEF+PIO4UFJOCFDL TFFTUJWFSFTEFBDPSEP+PTĂ… E existe algum assunto que seja tabu ou nĂŁo possa ser posto em causa? SĂł se forem aqueles que, por falta de argumentos, se receie que possam ser alvo de discussĂŁo, da qual, segundo os antigos, e sĂĄbios, nascia a luz. A luz que traria a cultura, o conhecimento, a todos OĂ?T 'SVUP QSPJCJEP  5BMWF[ P TFKB  QBSB PT RVF BJOEB DSÆFNRVFPIPNFNOĂ€PFTUžQSFQBSBEPQBSBUPEBTBT revelaçþes. Como sĂŁo cegos, deixando-se arrebanhar por outros cegos, como melhor se leria no “Ensaio sobre a cegueiraâ€?. .BMTBCJBT +PTĂ… WJOEPEB"[JOIBHBEP3JCBUFKP TFSSBMIFJSP NFDÂżOJDP DPNP QSJNFJSB QSPGJTTĂ€P  BT BOEBOĂƒBT em que, felizmente para todos nĂłs, te iriam meter. O curioso ĂŠ que, ao mexeres em assuntos em princĂ­pio tĂŁo delicados como a religiĂŁo ou a morte, assuntos que muitos nĂŁo querem ver tocados, porque, sabemo-lo, ĂŠ chato, para esses muitos, ĂŠ que nada ĂŠ absoluto, e o que ressalta, pelo menos para o escriba agora de serviço, ĂŠ que a humanização dos atores principais das obras que a tua imaginação, sensibilidade e cultura nos iam oferecendo salta para a ribalta do leitor. &OUĂ€P B OFHSB  B DSVFM  B UJSÂżOJDB NPSUF  BGJOBM BQBJYPna-se como qualquer mortal, despindo os trajes executĂłrios com que a cobriam, e vestindo as roupagens de uma bela e sensual mulher, revelando, tambĂŠm, as fragilidades que qualquer simples mortal assume no dia B EJB  EF BDPSEP DPN P UFV MJWSP i"T JOUFSNJUÆODJBT EB

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(I PARTE) morteâ€?, e onde as fronteiras FOUSF P NBM BCTPMVUP B NPSUF FPCFN PVGFMJDJEBEF  P DPSQPEBCFMBNVMIFS TFDPOfundem e se interpenetram. Afinal, onde estĂĄ fronteira entre o mal e o bem? ExistirĂĄ? E P RVF QBSFDF IPSSÉWFM TÆMPž tanto, como o que parece belo, tambĂŠm o serĂĄ assim tĂŁo maravilhoso? Ou dependerĂĄ, apenas, dos olhos e TFOUJEPTEFRVFNWÆ UPDBFTFOUF 0VEFDPNPPOPTTP cĂŠrebro descodifica as mensagens que lhe chegam de todos os lados? Isto ĂŠ, nada existe de absoluto, e tudo ĂŠ SFMBUJWP PRVFOPTMFWB +PTĂ… FTFFTUJWFSFTEFBDPSEP  BFTTFQFSUVSCBOUFGJMNFEF/FJM+PSEBOi&OUSFWJTUBDPN PWBNQJSPw FBPNJUPEFBCFMBFPNPOTUSP  & BTTVNBNPMP FNi0&WBOHFMIPTFHVOEP+FTVT$SJTtoâ€?, ĂŠ-nos apresentado um homem frĂĄgil, com dĂşvidas, que tambĂŠm quer e tem o direito a amar, a viver, mesmo que seja uma vida simples, sem altos nem baixos, apenas a vida. Iam-te crucificando na praça pĂşblica. De novo a pequenez, a mediocridade de espĂ­rito, a “culturaâ€? de papagaio, a sebenta de banco de escola e mocidade portuguesa, caduca. E a proibição. Ter fĂŠ nĂŁo serĂĄ, propriamente, sinĂłnimo de cruzada, de espada em SJTUF  EF TBOHVF  EF FUFSOB QFOJUÆODJB  EF FYQJBĂƒĂ€P EB culpa, de martĂ­rio do corpo e da alma. Ter fĂŠ pode ser, por exemplo, e lĂĄ voltamos, apenas abraçar uma ĂĄrvore. /Ă€P UF QFSEPBSBN  PT DFOTPSFT EF TFSWJĂƒP 5BM DPNP nĂŁo perdoariam, essas ervas rasteiras, a “blasfĂŠmiaâ€? de Martin Scorcese com “A Ăşltima tentação de Cristoâ€?, sendo os mais ferozes perseguidores precisamente os que nunca viram o filme. Mas afinal, o que ĂŠ o pecado? Quem o define? Quem pode condenar o pecador e perdoar o dito puro? O que Ă… RVF  FN Ă”MUJNB JOTUÂżODJB QPEF EFGJOJS  TFN EJSFJUP B dĂşvidas, o que pode ser considerado um pecado e o que pode ser considerado uma virtude? Uma qualquer etĂŠrea entidade que nem sequer habita as agruras do nosso viver e do nosso quotidiano? Um qualquer humano subitamente iluminado? QuestĂľes que se colocam desde que o humano e o chamado divino se enfrentam FJODMVJOEP BRVJ PBOUJEJWJOP PTFYUSFNPTUPDBNTF  MžEJ[PQPWP RVFTBCFNPTTFSFNEFMJDBEBTFEJTDVUÉWFJT NBTRVFUV +PTĂ… CVSJMBTUFDPNPQPVDPTPGJ[FSBN na lĂ­ngua portuguesa e na tessitura da criação literĂĄria. Graças Ă  censura que te lançaram como mastim açulado, e talvez por mais razĂľes que sĂł tu conhecerĂĄs e nĂŁo dizes, deixaste o teu paĂ­s e rumaste Ă  inĂłspita Lanzarote, cidadĂŁo de Portugal e de Espanha, daquela QFOÉOTVMBi+BOHBEBEF1FESBw RVFMBSHBBWFMIB&VSPQB para se situar entre as jovens Ă frica e AmĂŠrica, metĂĄfora de um poderio que jĂĄ foi e de outro que se adivinha, e se parece concretizar.


E nĂŁo deixa de ser curioso que, deixando Portugal, tambĂŠm deixaste atrĂĄs de ti, um dos mais belos livros de viagens sobre o nosso paĂ­s e do qual, curiosamente, pouco se fala. Referimo-nos a “Viagem a Portugalâ€? ‹ &EJĂƒĂ€P    $ÉSDVMP EF -FJUPSFT  RVF  DPN UPEB B oportunidade, dedicaste tambĂŠm a Almeida Garrett, “mestre de viajantesâ€?, no teu falar. O prefĂĄcio de tal obra revela desde logo o que nos espera. â€œĂ€s pĂĄginas adiante nĂŁo se hĂĄ-de recorrer DPNP B BHÆODJB EF WJBHFOT PV CBMDĂ€P EF UVSJTNPyw F “Esta Viagem a Portugal ĂŠ uma histĂłria. HistĂłria de um WJBKBOUFOPJOUFSJPSEBWJBHFNRVFGF[y0WJBKBOUFWJBKPV no seu paĂ­s. Isto significa que viajou por dentro de si NFTNP QFMBDVMUVSBRVFPGPSNPVFFTUžGPSNBOEPyw Percorremos, assim, do Minho ao Algarve, mais do que as estradas e caminhos do paĂ­s, mais do que os montes, planĂ­cies, rios, cidades, vilas e aldeias, as gentes que o habitam, o seu dia a dia, a sua cultura transmitida de boca a boca, os seus falares, os seus anseios, os seus sonhos. Recomendado a quem goste de ser feliz, pois como tambĂŠm consta do citado prefĂĄcio “A felicidade, fique o leitor sabendo, tem muitos rostos. Viajar ĂŠ, provavelmente, um deles. Entregue as suas flores a quem TBJCB DVJEBS EFMBT F DPNFDF 0V SFDPNFDF /FOIVNB viagem ĂŠ definitivaâ€?. Como tambĂŠm nada ĂŠ definitivo no mundo dos homens. Ou das mulheres, as quais, nos teus escritos, assumem o protagonismo que as suas dores, o seu sangue, a sua NBUFSOJEBEF BTVBDMBSJWJEÆODJBNFSFDFN BNVMIFSRVF Ă…BĂ”OJDBRVFWÆOVNNVOEP OVNBTPDJFEBEFEFDFHPT manipulados e manipuladores, nesse espantoso “Ensaio

sobre a cegueiraâ€?, ou aquela que ĂŠ uma das mais ricas F QFSUVSCBOUFT F QFSUVSCBEPSBT  GJHVSBT GFNJOJOBT EB nossa histĂłria literĂĄria, mesmo da histĂłria literĂĄria a nĂ­WFMNVOEJBM #MJNVOEB4FUF-VBT RVFWÆQBSBBMĂ…NEP que ĂŠ visĂ­vel, que percebe mais do que seria perceptĂ­vel, que entende o que os outros nĂŁo enxergam. Que assume a feminilidade. Que assume o sexto sentido de que tanto se fala e do qual nĂłs homens, porque o somos, nĂŁo o sentimos. 'JHVSB Ă”OJDB  DPNP Ă”OJDP Ă… i.FNPSJBM EP $POWFOUPw  onde a paranĂłia real se cruza com o esforço escravo dos homens comuns para erguer um monumento de HMPSJGJDBĂƒĂ€P½PQVMÆODJB POEFVNTPOIBEPSUFOUBCBUFS as asas da sua passarola para levantar voo desta pobre UFSSB #BSUPMPNFV -PVSFOĂƒP EF (VTNĂ€P  BDPNQBOIBdo pela mĂşsica de Scarlatti e por Baltazar Sete SĂłis e Blimunda Sete Luas. E onde tudo acaba num auto de GĂ…  DMBSP  NBJT VN BUVBMNFOUF OĂ€P Iž GPHVFJSBT  BQFOBTVNBBTTJOBUVSBTPCTFMPCSBODP RVFUBNCĂ…NOĂ€P QPVQPVPHSBOEFESBNBUVSHP"OUĂ?OJP+PTĂ…EB4JMWBiP +VEFVw i(VFSSBT EP "MFDSJN F EB .BOKFSPOBw  DPNP consta do penĂşltimo parĂĄgrafo do livro. Livro que, como poucos, apela, visceralmente, Ă  inteliHÆODJB

/05""TPCSBTDJUBEBT EF+PTĂ…4BSBNBHP TĂ€PUPEBTFEJĂƒĂ‘FTEB Editorial Caminho, com a excepção, citada, de “Viagem a Portugalâ€?. AlĂŠm disso consultaram-se as obras “DicionĂĄrio Ilustrado da HistĂłria de Portugalâ€?, Publicaçþes Alfa, 1985, e “A aventura das LĂ­nguas do Ocidenteâ€?, de Walter, Henriette, edição Terramar, de 1996. LuĂ­s Diogo – 30/06/2012

O SONHO E A VIDA 'PJOPT DPODFEJEB B DBQBDJEBEF EF WFS  QPSÅN  DFHPT para a profundidade das coisas, sonhamos viver. Ao amor, ao ódio, ao sentimento a que chamamos amizade, que foi a disponibilidade incondicional, presente, solidåria, feliz na alegria de dar, chamamos a vida. Alimenta-se a esperança com imagens EFTPOIP OBBQBSÆODJBSFBJT UÀPGVMHVSBOUFT de terror e prazer, projetando o futuro que nos espera.

cendo o pó que somos, ao encontro da destruição e do esquecimento, no regresso ao Universo a que sempre QFSUFODFNPT OÀPDPOGPSNBEPT DPNPTFEFTDPOIFDÆTsemos o destino da viagem. Atento

De olhos abertos, vendo sem reparar, seguindo os caminhos que contornam as montanhas sem as enfrentar, correndo seguros de nós e das aventuras que acreditamos ser destino. Satisfazendo a curiosidade e a ambição, foi sendo construído o edifício coerente com a teia dos desejos em que nos enredåmos, e deTFNQFOIBNPT DPN EJTQMJDÆODJB P QBQFM RVF nos Ê exigido, para não destoarmos. Obsessivamente vamos caminhando, sem descanso, não paramos de caminhar, esque-

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ESPAÇO CULTURAL RESISTO LOGO EXISTO

O “RABISCOâ€? (EVOCAĂ‡ĂƒO)

/BFTRVJ[PGSFOJBEPNPNFOUP Em que o parecer destrói o ser 'BMUBNFUFNQPQBSBUFSUFNQP Para ter tempo para viver Carrego em mim este mundo Que me esmaga e me destrói É um Mal-Estar profundo É a Alma que me dói Resisto, logo Existo +žRVF%FTJTUJSÅ.PSSFS Estou Vivo, porque Resisto Resistir:-Uma Razão para viver Eremita/2016

Quem sabe o que ĂŠ um rabisco, Garatuja, ao desenhar, Deve atentar no “rabiscoâ€? Que nĂŁo era apenas isto Mas a forma de alcançar, A razĂŁo de obter, Expedientes que ajudavam "MHVĂ…NBTPCSFWJWFSy /BRVFMFUFNQP EFIžUFNQPT /P"MFOUFKPQSPGVOEP As pessoas eram gente 7JWFOEP½RVFNEP.VOEPy /BEBNBJTUJOIBNEFTFV Pr’alĂŠm do parco salĂĄrio, -JNJUFFDPSSFTQPOEÆODJB Dum trabalho ĂĄrduo, diĂĄrio. Por isso, se algures ficavam, Maduras, na terra aguada, Azeitonas, negrejando, Perdidas nas “folharascasâ€?, Sujeitando-se Ă  chuvada 0VBWFOUPTFCPSSBTDBT GrĂŁos caĂ­dos das “paveiasâ€?, &TNJHBMIBEPTOPDIĂ€P Espigas, de bagos, cheias, -BSHBEBTOBTPMJEĂ€P Bocadinhos de cortiça, Paus de azinho e outros que tais, O pouco que alguns perdiam &OUSFIFSEBEFTFRVJOUBJTy &SBBÉRVFPTQPCSFTJBNy P’ra eles nunca era demais!... Quando o trabalho escasseava E a crise apertava, Ia a gentinha, em grupelhos, P´elas courelas e herdades, +VOUBOEPSFBMJEBEFT 0TNPĂƒPTyBTNVMIFSFTyPTWFMIPT 4FNB[žGBNByTFNCBSVMIPy 4FNBMNPĂƒPyTFNQFUJTDPy 4PGSFEPSFT TFNGJOHJNFOUPy Enquanto morria o Tempo, *BNFMFTBPiSBCJTDPwy Maria de FĂĄtima Mendonça

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D E L E G A Ç Ã O N O RT E

DA

A NA C



Resposta à Rubrica ³Quem é o Autor "´ As respostas à rubrica ͞Quem é o Autor?͟publicada no último boletim da Delegação Norte da Anac, são as seguintes: Alexandre O͛Neil e Carlos Franco Figueiredo. Os Sócios Filinto Manuel Peixoto Vieira, António Barata e Maria Manuela Boavida responderam acertadamente à rubrica ͞Quem é o Autor?͘͟A todos eles os nossos parabéns. Neste número não temos essa rúbrica. Esperamos retomá-la na próxima edição.

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Por Né do



Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral ĞdžƚƌĂşǀĞůĚŽĞƉŝƐſĚŝŽŶĆŽƚĞƌĄĚĞĞƐƉĞƌĂƌŽĮŵĚŽƌĞůĂƚŽ͕ƐĂůƚĂƌvos-á ao rosto não tarda. ƐƚĂǀĂŵ ŽƐ ŚĂďŝƚĂŶƚĞƐ ŶĂƐ ƐƵĂƐ ĐĂƐĂƐ ŽƵ Ă ƚƌĂďĂůŚĂƌ ŶŽƐ ĐƵůƟͲ vos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria ŚĂǀĞƌŵŽƟǀŽĚĞĞƐƚƌĂŶŚĞnjĂ͕ƉŽƌĠŵĂƋƵĞůĞƐŝŶŽĚŽďƌĂǀĂŵĞůĂŶͲ ĐŽůŝĐĂŵĞŶƚĞĂĮŶĂĚŽƐ͕ĞŝƐƐŽ͕Ɛŝŵ͕ĞƌĂƐƵƌƉƌĞĞŶĚĞŶƚĞ͕ƵŵĂǀĞnj que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaramse as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês. "Mas então não morreu ninguém?", tornaram os ǀŝnjŝŶŚŽƐ͕ĞŽĐĂŵƉŽŶġƐƌĞƐƉŽŶĚĞƵ͗ΗEŝŶŐƵĠŵƋƵĞƟǀĞƐƐĞŶŽŵĞ ĞĮŐƵƌĂĚĞŐĞŶƚĞ͕ƚŽƋƵĞŝĂĮŶĂĚŽƐƉĞůĂ:ƵƐƟĕĂƉŽƌƋƵĞĂ:ƵƐƟĕĂ está morta." Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) ĂŶĚĂǀĂĚĞƐĚĞŚĄƚĞŵƉŽƐĂŵƵĚĂƌĚĞƐşƟŽŽƐŵĂƌĐŽƐĚĂƐĞƐƚƌĞͲ mas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O ůĞƐĂĚŽƟŶŚĂĐŽŵĞĕĂĚŽƉŽƌƉƌŽƚĞƐƚĂƌĞƌĞĐůĂŵĂƌ͕ĚĞƉŽŝƐŝŵƉůŽͲ ƌŽƵĐŽŵƉĂŝdžĆŽ͕ĞĮŶĂůŵĞŶƚĞƌĞƐŽůǀĞƵƋƵĞŝdžĂƌ-se às autoridades e acolher-ƐĞăƉƌŽƚĞĐĕĆŽĚĂũƵƐƟĕĂ͘dƵĚŽƐĞŵƌĞƐƵůƚĂĚŽ͕ĂĞdžƉŽͲ ůŝĂĕĆŽ ĐŽŶƟŶƵŽƵ͘ ŶƚĆŽ͕ ĚĞƐĞƐƉĞƌĂĚŽ͕ ĚĞĐŝĚŝƵ ĂŶƵŶĐŝĂƌ Ƶƌďŝ Ğƚ orbi (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem ƐĞŵƉƌĞ ŶĞůĂ ǀŝǀĞƵͿ Ă ŵŽƌƚĞ ĚĂ :ƵƐƟĕĂ͘ dĂůǀĞnj ƉĞŶƐĂƐƐĞ ƋƵĞ Ž seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no ĚŽďƌĞĂĮŶĂĚŽƐƉĞůĂŵŽƌƚĞĚĂ:ƵƐƟĕĂ͕ĞŶĆŽƐĞĐĂůĂƌŝĂŵĂƚĠƋƵĞ ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido͙ Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a ŵŽƌƚĞĚĂ:ƵƐƟĕĂ͘EƵŶĐĂŵĂŝƐƚŽƌŶŽƵĂŽƵǀŝƌ-se aquele fúnebre ĚŽďƌĞĚĂĂůĚĞŝĂĚĞ&ůŽƌĞŶĕĂ͕ŵĂƐĂ:ƵƐƟĕĂĐŽŶƟŶƵŽƵĞĐŽŶƟŶƵĂ a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a ĞƐƚĄŵĂƚĂŶĚŽ͘ĞĐĂĚĂǀĞnjƋƵĞ ŵŽƌƌĞ͕ĠĐŽŵŽƐĞĂĮŶĂůŶƵŶĐĂ ƟǀĞƐƐĞ ĞdžŝƐƟĚŽ ƉĂƌĂ ĂƋƵĞůĞƐ ƋƵĞ ŶĞůĂ ƟŶŚĂŵ ĐŽŶĮĂĚŽ͕ ƉĂƌĂ ĂƋƵĞůĞƐ ƋƵĞ ĚĞůĂ ĞƐƉĞƌĂǀĂŵ Ž ƋƵĞ ĚĂ :ƵƐƟĕĂ ƚŽĚŽƐ ƚĞŵŽƐ Ž ĚŝƌĞŝƚŽ ĚĞ ĞƐƉĞƌĂƌ͗ ũƵƐƟĕĂ͕ ƐŝŵƉůĞƐŵĞŶƚĞ ũƵƐƟĕĂ͘ EĆŽ Ă ƋƵĞ ƐĞ ĞŶǀŽůǀĞĞŵƚƷŶŝĐĂƐ ĚĞƚĞĂƚƌŽĞ ŶŽƐĐŽŶĨƵŶĚĞĐŽŵŇŽƌĞƐĚĞǀĆ ƌĞƚſƌŝĐĂ ũƵĚŝĐŝĂůŝƐƚĂ͕ ŶĆŽ Ă ƋƵĞ ƉĞƌŵŝƟƵ ƋƵĞ ůŚĞ ǀĞŶĚĂƐƐĞŵ ŽƐ olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma ũƵƐƟĕĂ ƉĞĚĞƐƚƌĞ͕ ƵŵĂ ũƵƐƟĕĂ ĐŽŵƉĂŶŚĞŝƌĂ ƋƵŽƟĚŝĂŶĂ ĚŽƐ ŚŽͲ ŵĞŶƐ͕ƵŵĂũƵƐƟĕĂƉĂƌĂƋƵĞŵŽũƵƐƚŽƐĞƌŝĂŽŵĂŝƐĞdžĂĐƚŽĞƌŝŐŽͲ ƌŽƐŽ ƐŝŶſŶŝŵŽ ĚŽ ĠƟĐŽ͕ ƵŵĂ ũƵƐƟĕĂ ƋƵĞ ĐŚĞŐĂƐƐĞ Ă ƐĞƌ ƚĆŽ ŝŶͲ dispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é

ƐƚĞŵƵŶĚŽĚĂŝŶũƵƐƟĕĂŐůŽďĂůŝnjĂĚĂ :ŽƐĠ^ĂƌĂŵĂŐŽ ŽĂůŝŵĞŶƚŽĚŽĐŽƌƉŽ͘hŵĂũƵƐƟĕĂĞdžĞƌĐŝĚĂƉĞůŽƐƚƌŝďƵŶĂŝƐ͕ƐĞŵ dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e ƐŽďƌĞƚƵĚŽ͕ ƵŵĂ ũƵƐƟĕĂ ƋƵĞ ĨŽƐƐĞ Ă ĞŵĂŶĂĕĆŽ ĞƐƉŽŶƚąŶĞĂ ĚĂ ƉƌſƉƌŝĂƐŽĐŝĞĚĂĚĞĞŵĂĐĕĆŽ͕ƵŵĂũƵƐƟĕĂĞŵƋƵĞƐĞŵĂŶŝĨĞƐƚĂƐͲ ƐĞ͕ĐŽŵŽƵŵŝŶŝůƵĚşǀĞůŝŵƉĞƌĂƟǀŽŵŽƌĂů͕ŽƌĞƐƉĞŝƚŽƉĞůŽĚŝƌĞŝƚŽ a ser que a cada ser humano assiste. ,ŽƵǀĞƐƐĞ ĞƐƐĂ ũƵƐƟĕĂ͕ Ğ Ă ĞdžŝƐƚġŶĐŝĂ ŶĆŽ ƐĞƌŝĂ͕ ƉĂƌĂ ŵĂŝƐ ĚĞ ŵĞƚĂĚĞ ĚĂ ŚƵŵĂŶŝĚĂĚĞ͕ Ă ĐŽŶĚĞŶĂĕĆŽ ƚĞƌƌşǀĞů ƋƵĞ ŽďũĞĐƟǀĂͲ mente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, ĐĂĚĂ ǀĞnj ŵĂŝƐ ĨŽƌƚĞ͕ ƉŽƌ ƚŽĚŽŽŵƵŶĚŽ ƐĆŽ ŽƐ ŵƷůƟƉůŽƐ ŵŽǀŝͲ mentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabeleĐŝŵĞŶƚŽ ĚĞ ƵŵĂ ŶŽǀĂ ũƵƐƟĕĂ ĚŝƐƚƌŝďƵƟǀĂ Ğ ĐŽŵƵƚĂƟǀĂ TXH WR GRV RV VHUHV KXPDQRV SRVVDP FKHJDU D UHFRQKHFHU como ŝŶƚƌŝŶƐĞĐĂŵĞŶƚĞ ƐƵĂ͕ ƵŵĂ ũƵƐƟĕĂ ƉƌŽƚĞĐƚŽƌĂ ĚĂ ůŝďĞƌĚĂĚĞ Ğ ĚŽ direito, não de nenhuma das suas negações. E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingéŶƵŽƐ ƉĂƌĂ ƋƵĞŵ ĞůĂ ƐŝŐŶŝĮĐĂƌŝĂ͕ ŶĂƐ ĐŝƌĐƵŶƐƚąŶĐŝĂƐ ƐŽĐŝĂŝƐ Ğ ƉŽůşƟĐĂƐĞƐƉĞĐşĮĐĂƐĚŽƚĞŵƉŽ͕ĞƐĞŐƵŶĚŽĂĞdžƉƌĞƐƐĆŽĐŽŶƐĂŐƌĂͲ da, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Se fosse ĞĨĞĐƟǀĂŵĞŶƚĞ ĚĞŵŽĐƌĄƟĐŽ Ž ƐŝƐƚĞŵĂ ĚĞ ŐŽǀĞƌŶŽ Ğ ĚĞ ŐĞƐƚĆŽ da sociedade a que vimos chamando democracia. Mas não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos escolher ŽƐŶŽƐƐŽƐƌĞƉƌĞƐĞŶƚĂŶƚĞƐŶŽƉĂƌůĂŵĞŶƚŽ͕ĠǀĞƌĚĂĚĞ͕ĞŶĮŵ͕ƋƵĞ da relevância numérica de tais representações e das combinaĕƁĞƐ ƉŽůşƟĐĂƐ ƋƵĞ Ă ŶĞĐĞƐƐŝĚĂĚĞ ĚĞ ƵŵĂ ŵĂŝŽƌŝĂ ǀŝĞƌ Ă ŝŵƉŽƌ ƐĞŵƉƌĞ ƌĞƐƵůƚĂƌĄ Ƶŵ ŐŽǀĞƌŶŽ͘ K ĞůĞŝƚŽƌ ƉŽĚĞƌĄ ƟƌĂƌ ĚŽ ƉŽĚĞƌ um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e porƚĂŶƚŽŽƐĞƵƉĂşƐĞĂƐƵĂƉĞƐƐŽĂ͗ƌĞĮƌŽ-me, obviamente, ao poder económico, sempre em aumento, gerida pelas empresas ŵƵůƟŶĂĐŝŽŶĂŝƐ ĚĞ ĂĐŽƌĚŽ ĐŽŵ ĞƐƚƌĂƚĠŐŝĂƐ ĚĞ ĚŽŵşŶŝŽ͘ dŽĚŽƐ sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automaƟƐŵŽǀĞƌďĂůĞŵĞŶƚĂůƋƵĞ ŶĆŽŶŽƐĚĞŝdžĂǀĞƌĂ ŶƵĚĞnjĐƌƵĂĚŽƐ ĨĂĐƚŽƐ͕ĐŽŶƟŶƵĂŵŽƐĂĨĂůĂƌĚĞĚĞŵŽĐƌĂĐŝĂĐŽŵŽƐĞƐĞƚƌĂƚĂƐƐĞ de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando ĐĂĚĂ ǀĞnj ŵĂŝƐ Ğŵ ŵĞƌŽƐ ΗĐŽŵŝƐƐĄƌŝŽƐ ƉŽůşƟĐŽƐΗ ĚŽ ƉŽĚĞƌ ĞĐŽͲ ŶſŵŝĐŽ͕ ĐŽŵ Ă ŽďũĞĐƟǀĂ ŵŝƐƐĆŽ ĚĞ ƉƌŽĚƵnjŝƌĞŵ ĂƐ ůĞŝƐ ƋƵĞ Ă esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da ƉƵďůŝĐŝĚĂĚĞ ŽĮĐŝĂů Ğ ƉĂƌƟĐƵůĂƌ ŝŶƚĞƌĞƐƐĂĚĂ͕ ƐĞƌĞŵ ŝŶƚƌŽĚƵnjŝĚĂƐ no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes... YƵĞĨĂnjĞƌ͍KƐŝƐƚĞŵĂĚĞŵŽĐƌĄƟĐŽ͕ĐŽŵŽƐĞĚĞƵŵĚĂĚŽĚĞĮŶŝͲ ƟǀĂŵĞŶƚĞ ĂĚƋƵŝƌŝĚŽ ƐĞ ƚƌĂƚĂƐƐĞ͕ ŝŶƚŽĐĄǀĞů ƉŽƌ ŶĂƚƵƌĞnjĂ ĂƚĠ ă consumação dos séculos, não se discute. Entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a inƚĞƌǀĞŶĕĆŽ ĚŽƐ ĐŝĚĂĚĆŽƐ ŶĂ ǀŝĚĂ ƉŽůşƟĐĂ Ğ ƐŽĐŝĂů͕ ƐŽďƌĞ ĂƐ ƌĞůĂͲ ĕƁĞƐĞŶƚƌĞŽƐƐƚĂĚŽƐĞŽƉŽĚĞƌĞĐŽŶſŵŝĐŽĞĮŶĂŶĐĞŝƌŽŵƵŶĚŝͲ Ăů͕ ƐŽďƌĞ ĂƋƵŝůŽ ƋƵĞ ĂĮƌŵĂ Ğ ĂƋƵŝůŽ ƋƵĞ ŶĞŐĂ Ă ĚĞŵŽĐƌĂĐŝĂ͕ sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo. Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.

Delegação Norte da Anac / Setembro 2016

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Atividades, Passeios e Viagens

D E L E G A Ç Ã O N O RT E

DA

A NA C

WĂƐƐĞŝŽĂ>ĂŵĞŐŽ No dia 9 de Julho, a Delegação o Norte da Anac realizou um passeio o a Lamego. Do programa constou a visita ao Castelo de Lamego, à Cis-terna, à Sé Catedral de Lamego e ao Museu de Lamego. Visitamoss também durante a tarde o Mostei-ro de São João de Tarouca e a Ponte da Ucanha. O nosso pas-seio em Lamego terminou com m uma Prova de presunto, enchidos e vinhos do Douro na Presunteca. 

 WĂƐƐĞŝŽĂŽŶƚƌŽŶĐĂŵĞŶƚŽ No dia 27 de Agosto, a Delegação Norte da Anac realizou um passeio a Almourol, com passeio de barco no rio Tejo e visita ao Castelo de Almourol, e ao Entroncamento com visita ao Museu Nacional Ferroviário, o mais importante museu ferroviário do país. Nesta interessante visita ĂŽĐĞŶƚƌŽĚŽƉĂşƐƟǀĞŵŽƐĂƉĂƌƟĐŝƉĂĕĆŽĚĞŵƵŝƚŽƐ^ſĐŝŽƐĞĨĂŵŝůŝĂƌĞƐ͘ ĂŽĐĞŶƚƌŽĚŽƉĂşƐƟǀĞŵŽƐĂƉĂƌƟĐŝƉĂĕĆŽĚĞŵƵŝƚŽƐ^ſĐŝŽƐĞĨĂ ĚĞŵƵŝƚŽƐ^ſĐŝŽƐĞĨĂĂŵŝůŝĂƌĞƐ͘ 

 s ŝĂŐĞŵĚ ĚĞ&&ĠƌŝĂƐĂĂs sŝŶĂƌſƐ sŝĂŐĞŵĚĞ&ĠƌŝĂƐĂsŝŶĂƌſƐ ĞϭϬĂϭϵĚĞ^ĞƚĞŵďƌŽĚĞϮϬϭϲ (10 dias), as), a D Delegação elleg el eggaçção ão N Norte orte or te da da Anac Anac realizou An rea ealililizo zou zo u a sua sua já j traditra radi didi ĐŝŽŶĂů ǀŝĂŐĞŵ ĚĞ ĨĠƌŝĂƐ ;ƉƌĂŝĂͿ͘ ĞƐƚĂ ǀĞnj ǀĞnj ĨŽŝ ĨŽŝ ŶĂ ŶĂ ĐŝĚĂĚĞ ĐŝĚĂĚĞ ĚĞ ĚĞ sŝŶĂƌſƐ sŝŶĂƌſƐ͕ ĂĂ ŶŽƌƚĞ ŶŽƌƚĞ ĚĞ ĚĞ sĂůġŶͲ cia. sŝŶĂƌžƐ͕ ĠƵŵĂĐŝĚĂĚĞŵĞĚŝƚĞƌƌąŶĞĂĚĂŽƐƚĂnjĂŚĂƌ͕ĂƐƚĞůůſŶ͕ƋƵĞƉŽƐƐƵŝĂůŐƵŵĂƐĐĂͲ ƌĂĐƚĞƌşƐƟĐĂƐĞƐƉĞĐŝĂŝƐƋƵĞĂƚŽƌŶĂŵĚŝĨĞƌĞŶƚĞ͘ ƋƵŝƉŽĚĞŵŽƐĞŶĐŽŶƚƌĂƌĞŶƐĞĂĚĂƐĐŽŵƉĞƋƵĞͲ nas falésias e praias intercaladas, trilhos para caminhar a pé ao longo da costa e no interior. ŽŶŚĞĐĞŵŽƐ Ă ƐƵĂ ŚŝƐƚſƌŝĂ Ğ ĚĞƐĨƌƵƚĂŵŽƐ ĚĂƐ ƐƵĂƐ ĞdžĐĞůĞŶƚĞƐ ƉƌĂŝĂƐ ŶĞƐƚĞƐ ƉŽƵĐŽƐ ĚŝĂƐ ĚĞ lazer e, ĐůĂƌŽ͕ĂƉƌĞĐŝĂŵŽƐĂƐƵĂĞdžĐĞůĞŶƚĞĐŽnjŝŶŚĂ͕ĐŽŵĚĞƐƚĂƋƵĞƉĂƌĂĂƐsŝŶĂƌžƐĚĞĐĂŵĂƌĆŽ͘

Delegação D Del elega legaçã ção ão Norte Nortee da Nort da A Anac nacc / Sete na S Setembro etemb mbro bro 22016 016 01 6

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XXIII EUROENCONTRO ² DE 28 DE MAIO A 04 DE JUNHO DE 2017 OFIR ² PORTUGAL A região Norte de Portugal estende-se maioritariamente entre dois rios - o Douro (a Sul e a Leste) e o Minho (a Norte) e é composta por três sub-regiões naturais (Minho, Douro e Trás-os-Montes). Historicamente é o berço de Portugal, nascido a partir da independência do Condado Portucalense do Reino de Leão e Castela, no século XII. No entanto, passaram por aqui muitos povos (nomeadamente os indo-europeus celtas, os romanos, suevos, visigodos e árabes). Ainda é possível distinguir muitas das características destes povos nas manifestações culturais da região, particularmente na agricultura e nas ricas tradições populares. É uma região com paisagem muito diversa e teremos oportunidade de verificar isso mesmo numa viagem de menos de 100 Km, onde passaremos de uma região onde predomina o verde, densamente povoada a uma região montanhosa, com pouca população, chegando ao maravilhoso Alto Douro Vinhateiro (cuja paisagem é Património da Humanidade desde 2001). É nesta região que iremos celebrar o XXIII Euroencontro, entre 28 de maio e 04 de junho. Como habitualmente, reuniremos o Conselho de Administração Ğ Ă Assembleia de Delegados. Cada uma das Delegações apresentará uma comunicação sobre o tema a debater na Assembleia Plenária, onde todos os participantes poderão manifestar livremente a sua opinião sobre esse mesmo tema e também sobre a intervenção do conferencista convidado. O Grupo de Estudos e de Trabalho (GET) elaborará as conclusões a que chegarmos durante este Euroencontro e que serão apresentadas na Assembleia-Geral da Plataforma AGE, em Bruxelas. Na região do Minho iremos visitar as cidades de Viana do Castelo (do ”Coração de Viana” um dos símbolos de Portugal), Barcelos (com a história do seu famoso galo, outro dos símbolos portugueses), Braga (segundo centro religioso mais importante do país, depois de Fátima) e Guimarães (onde nasceu Portugal). O Porto e o seu vinho famoso será o centro das atenções em duas deslocações programadas (uma durante o dia e outra à noite, com jantar-surpresa e visita a uma das “Caves”). Mas o Vinho do Porto produz-se na região do Alto Douro Vinhateiro e ela será o motivo de um dia inteiro de visita, com almoço numa das suas formosas “Quintas”, onde se produz este delicioso néctar. As regiões limítrofes do Rio Douro farão parte do roteiro desse dia, com uma rápida visita a Lamego (Santuário da Senhora dos Remédios) e a Vila Real (Casa de Mateus). Com esta informação prévia apenas queremos que reserve na sua agenda as datas indicadas e, desta maneira, poder participar no XXIII Euroencontro, onde reencontrará amigos de longa data e também fará novos amigos que virão de vários países da Europa para conviver e debater ideias num ambiente deslumbrante. Esperamos por si, no Norte de Portugal. Cândido Vintém (Presidente); Michel Pageault e Francisco Ramírez Munuera (Vicepresidentes)

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PLANO DE ATIVIDADES EM 2016 setembro

- dias 04 a 14

FUENGIROLA – HOTEL FUENGIROLA PARK ****

outubro

oEJB

XV ENCONTRO NACIONAL DE SÓCIOS EFETIVOS

- dias 14 a 27

VIAGEM À ÍNDIA

novembro

oEJBTB

SÃO MARTINHO

dezembro

oEJBTB

MERCADOS DE NATAL

oEJB

ALMOÇO DE NATAL

PROGRAMA DE PASSEIOS EM 2016 DA DELEGAÇÃO NORTE DA ANAC setembro

- dias 10 a 19

FÉRIAS EM VINARÓS (ESPANHA) COM VISITA A MADRID

outubro

- dias 15 a 20

ANDALUZIA (GRANADA, SEVILHA E CÓRDOVA)

novembro

- dia 10

SÃO MARTINHO

dezembro

- dia 10

ALMOÇO DE NATAL

VISITAS CULTURAIS setembro

UM DIA COM A FERROVIA

outubro

FAMALICÃO E S. MIGUEL DE SEIDE

JÁ SE INSCREVEU NAS ATIVIDADE DA SEDE DA ANAC PARA O ANO DE 2016/2017? Grupo Coral

‹TGFJSBTEFUBSEF

Grupo de Cantares

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Ensino de: Informática

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Língua francesa

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Língua inglesa

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Viola

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Chi Kung

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Danças

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Fotografia

em dias a confirmar

Expressão Cénica

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Pintura com aguarela

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Anac boletim 70  
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