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Publicação Trimestral da ANAC Ano XXIII • N.º 62 • Julho / Setembro 2014 MEMBRO DO GRUPO EUROPEU DE PENSIONISTAS DAS CAIXAS ECONÓMICAS E BANCOS

ED IT O R I A L EDITORIAL O Verão terminou e o fim da ilusão

das férias trouxe-nos, no seu despertar abrupto, a nossa realidade coletiva, onde a chegada do Outono que, paradoxalmente, este ano não nos abandonou, está bem de acordo com o ambiente político e social em que vivemos. A crise social continua grave, presente nos lamentos bem audíveis das instituições que no nosso país carregam o fardo, cada vez mais pesado, dos apoios a uma população necessitada, cada vez mais numerosa, impelida pelos cortes nos subsídios de desemprego, no rendimento social de inserção, no complemento solidário a algumas dezenas de milhares de idosos, nos abonos de família, na ação social em geral.

Com a aprovação do orçamento retificativo deste ano e se pensa no do próximo, continua a falar-se em cortes nos serviços públicos, com redução do número de funcionários e o consequente aumento do desemprego, em reduzir salários, reduzir pensões, porém não se corta nas tão faladas gorduras do Estado, como as rendas a empresas fornecedoras de serviços essenciais, as parcerias público-privadas e os subsídios aos partidos, logo a injusta distribuição dos sacrifícios está para continuar. Pela

sua atualidade, são também incluídas neste número questões que neste momento estão a ser preparadas para ser discutidas nos órgãos recentemente eleitos da UE e que são preocupações da AGE, tais como o reforço dos direitos das pessoas idosas que necessitem de assistência e cuidados de longa duração, a protecção da sua dignidade e o combate aos maus tratos de que este grupo etário é muitas vezes alvo.

Também nos debruçaremos na rubrica de saúde, sobre um dos problemas da idade sénior, a confusão e demência. l

A G E - P L ATA F O R M A E U R O P E I A Pela sua pertinência e atualidade, inclui-se neste boletim um conjunto de artigos publicados pela AGE, respeitantes a questões relacionadas com as pessoas idosas. ATUALIDADE POLÍTICA DA UE As futuras prioridades do Conselho incluem questões demográficas que não estão suficientemente identificadas. Por ocasião da sua última reunião, em fins de Junho de 2014, o Conselho europeu tomou uma série de decisões importantes, entre as quais a adoção oficial de recomendações por país. A notar igualmente a publicação de um documento definindo as principais prioridades para os próximos anos, intitulado « Agenda Estratégica para a União em tempos de mudança ». Tendo em vista os resultados das recentes eleições europeias e da próxima nomeação da nova Comissão europeia, o Conselho julgou oportuno revelar as suas prioridades estratégicas nos cinco domínios prioritários seguintes: 1.  Uma União de emprego, crescimento e competitividade 2.  Uma União capaz de proporcionar a todos os cidadãos os meios de realizar as suas aspirações e assegurar a sua proteção 3.  Para uma União da energia dotada de uma política em favor do clima tendo em vista o futuro 4.  Uma União de liberdade, de segurança 5.  A União, um ator mundial de primeiro plano Para cada um destes domínios, o Conselho Europeu estabeleceu ações específicas a pôr em prática, subordinadas aos princípios da subsidariedade e proporcionalidade. A ação da UE deve completar as iniciativas e reformas empreendidas à escala nacional. Entre os principais desafios a relevar, o Conselho menciona a mudança demográfica. Permanece no entanto muito vago a este respeito, e insiste exclusivamente sobre a ameaça que o envelhecimento demográfico representa para os sistemas de proteção social. Tratando-se de política social em geral, os pontos mais interessantes são as ações anunciadas no quadro objetivo « Uma União capaz de dar a todos os cidadãos os meios de realizar as suas aspirações e assegurar a sua proteção». O documento faz explicitamente referência à pobreza («…Numerosos são os que conhecem e temem a pobreza e a exclusão social»), insistindo na importância do papel de «fonte de proteção » da União. O texto exige que a União concentre a sua ação sobre os jovens, que é o grupo em maiores dificuldades neste período de crise. O Conselho reconhece igualmente o papel das « redes de segurança para acompanhar a mudança e remediar as desigualdaes ». O documento (que é antes de mais uma enumeração geral de prioridades) não precisa quais as ações concretas, por exemplo propostas legislativas, ou um reforço de cooperação entre os Estados membros, que devem ser colocados a nível europeu para executar os objetivos mencionados. Não explica como a estratégia Europa 2020 contribuirá para a realização das


prioridades após o exame intermédio que será realizado nos próximos meses. Por outro lado, é difícil avaliar o impacto final da estratégia anunciada, e de determinar como e em que medida ela será executada pela nova Comissão e o novo Parlamento europeu. As prioridades gerais propostas devem elas ser interpretadas como uma tentativa de impor aos Estados membros a visão de integração europeia da nova Comissão que em breve entrará em funções? A atenção atribuída às desigualdades sociais será suficiente para reforçar as medidas visando atingir o objetivo de redução da pobreza, da estratégia Europa 2020? Ou este documento será, ao contrário, o sinal de uma maior mudança de política, a passagem de uma estratégia de luta contra a pobreza a uma noção mais larga de desigualdades? Enfim, pelo que respeita às pessoas idosas e às prioridades da AGE, este programa estratégico permitirá à UE fazer melhor face às mudanças demográficas? Em que a promoção de um «clima de empreendedorismo e de criação de emprego» pode estar ligada à mão de obra mais idosa e à necessidade de adaptar o mercado de trabalho ao aumento do número de trabalhadores com mais de 50 anos? Em que contribuirá este programa para a realização dos objetivos sociais da estratégia Europa 2020, nomeadamente no que respeita aos trabalhadores ou pessoas idosas em situação de pobreza? A AGE defende que a União europeia adote uma estratégia em favor do envelhecimento, promovendo a criação de ambientes para todas as idades, e fundada numa cooperação estreita entre todos os atores envolvidos, por intermédio de um Pacto demográfico da UE. A AGE permanecerá atenta às ações e iniciativas tomadas aos níveis nacional e europeu. O programa estratégico do Conselho acima mencionado deverá traduzir-se em atos concretos, que seguiremos de perto e tentaremos influenciar. l

OS DIREITOS DAS PESSOAS IDOSAS

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eforçar os direitos das pessoas idosas que necessitem de assistência e cuidados de longa duração, para proteger a sua dignidade e combater os maus tratos a que possam ser sujeitos. No quadro da Jornada mundial de sensibilização para os maus tratos sobre as pessoas idosas, a AGE coorganizou um seminário de alto nível sobre os direitos dos idosos no domínio dos cuidados de longa duração. Este acontecimento foi ocasião para apresentar as novas iniciativas europeias pertinentes, e de debater os meios de reforçar a proteção jurídica dos idosos que necessitem assistência e cuidados, e de proteger a dignidade durante a velhice. Se é verdade que os direitos do homem se aplicam a todos sem limite de idade, na prática a realização dos direitos dos idosos é entravada pelos preconceitos e discriminação a que são sujeitos muitas vezes. Este grupo etário, necessitando assistência e cuidados são particularmente vulneráveis às violações dos direitos do homem. São frequentemente expostos ao risco de maus tratos, por motivo da sua situação específica, ligada ao isolamento social, aos problemas de saúde, à fragilidade e a limitações financeiras. Os maus tratos aos idosos, são um fenómeno que toca a todos os países europeus, podendo tomar formas diferentes, particularmente a intimidação psicológica ou ameaças, a negligência, exploração financeira ou material, e outras formas menos visíveis de maus tratos. A maior parte das vezes acontece no meio onde a pessoa vive, mas também pode acontecer nas estruturas de acolhimento, assim como noutros locais de prestação de cuidados. Embora os dados relativos à sua prevalência nos diferentes países da Europa sejam incompletos, vários inquéritos permitiram melhor delimitar a natureza e entendimento do problema. Torna-se muitas vezes difícil avaliar a sua amplitude real em razão não somente das estatísticas, mas também do facto de os casos de maus tratos serem raramen-

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te assinalados e as sociedades terem dificuldade em reconhecer a verdadeira dimensão desses casos e de negligência. Estas ações sobre os idosos não consistem somente na tentativa deliberada de fazer mal. Na prática são muitas vezes os hábitos, a rotina e a má qualidade dos serviços que conduzem a cuidados inadequados, isto é, a violações dos direitos do homem. A aplicação aos idosos dos instrumentos existentes em matéria de direitos do homem depende da autoregulação pelos decisores nos diferentes níveis, o que significa também que existem disparidades consideráveis entre os países e no seio deles próprios. A ligação entre os instrumentos de direitos do homem e a sua aplicação prática nos diferentes serviços de cuidados existentes (instituições, serviços de cuidados ao domicílio e outro tipo de cuidados) na Europa, está longe de ser evidente. A crise económica na Europa pesa sobre os sistemas de apoio social e de saúde, que muitas vezes não podem mais fornecer cuidados apropriados, e impede os idosos de fazer valer e exercer os seus direitos. É a sua dignidade, e nalguns casos a sua vida, que estão em jogo. Duas novas iniciativas têm em conta os dois aspetos do problema: a recomendação do Conselho da Europa sobre a promoção dos direitos das pessoas idosas, que é o primeiro instrumento europeu consagrado especificamente aos direitos dos idosos; e o relatório do Comité de proteção social intitulado «Uma proteção social capaz de responder à necessidade de cuidados de longa duração numa sociedade em envelhecimento», que comunica uma análise do contexto, os desafios e as propostas de soluções para «colmatar o fosso» na Europa. Para discutir estes instrumentos e celebrar a Jornada mundial da sensibilização para a luta contra os maus tratos a idosos, a AGE Plataforma Europa organizou, em colaboração com o Conselho da Europa e a DG do emprego e assuntos sociais da Comissão Europeia, um seminário de alto nível sobre o tema «Direitos do Homem dos Idosos: quem se preocupa?», mais particularmente orientado para os direitos dos idosos que necessitam assistência e cuidados. l


OS SENIORES E A SAÚDE CONFUSÃO E DEMÊNCIA Com o avançar da idade, a ideia de perdermos o controlo de nós próprios torna-se assustadora. Embora a frequência das demências aumente com a idade, muitas são reversíveis e além disso a sua evolução depende das caraterísticas individuais. A confusão mental não é sinónimo de demência. Esta carateriza-se por um declínio das capacidades mentais, que evolui lentamente e pode levar a alterações, nomeadamente da memória, do pensamento, dos juízos, da capacidade de atenção e aprendizagem. Os estados confusionais podem ter muitas causas tais como a desidratação, a intoxicação medicamentosa ou alcoólica, passando por infeções graves como a pneumonia, traumatismos cranianos, acidentes vasculares cerebrais entre outras. Perante um quadro destes, deve confirmar-se a exclusão de todas estas causas antes de considerar a hipótese de demência senil. Apresenta-se de seguida uma das demências mais comuns, a doença de Alzheimer. Identificada em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer, é sem dúvida a demência mais frequente e que se carateriza por uma degradação do tecido cerebral. Estima-se que atinja entre 20 a 50 por cento das pessoas com mais de 85 anos. Existem várias hipóteses de natureza diversa, que pretendem explicar as causas do aparecimento da doença, umas biológicas, outras genéticas e até fatores ambientais foram considerados, porém nenhum até agora, foi cientificamente demonstrado. Os sintomas consistem numa degradação progressiva e global das funções mentais, concretamente da memória, concentração, dos afetos, da linguagem, comportamento, orientação e abstração, que se vão agravando com o passar do tempo. Não existe cura para a doença de Alzheimer, mas existem medicamentos que retardam a progressão da doença, porém com efeitos secundários que exigem um rigoroso controlo. Em conjunto com os tratamentos com medicamentos, o apoio e cuidados dos familiares são extremamente importantes no apoio aos doentes. A comunicação da verdade ao doente pode motivá-lo a aderir aos esforços para retardar a evolução da patologia, tais como o esforço mental repetido, cálculo, leitura, jogos e paciências. Permite também que na fase inicial, possa ser revelada a vontade do paciente quanto à gestão da sua dependência. Muitos peritos aconselham os cuidadores a falar pausadamente e evitar que o paciente seja colocado perante diversas escolhas, o que pode desencadear ataques de irritabilidade e manifestações de agressividade. É necessário agir de forma tranquilizante e digna. Os doentes de Alzheimer podem ter tendência para se ausentarem de casa e vaguear sem rumo, o que obriga muitas vezes os familiares a terem de controlar as portas. Outro aspeto muitas vezes negligenciado, é o apoio a prestar aos cuidadores. Com a doença toda a família sofre perturbações que se prolongam por muitos anos e podem vir a ter consequências negativas na saúde dos mesmos, muitas vezes também já idosos e fragilizados. Quando se torne muito difícil manter o doente em casa, deverá procurar-se uma estrutura residencial, que tenha programas específicos com as competências necessárias para doentes com demências. O risco da doença parece estar relacionado com uma alimentação rica em gorduras, pelo que seguir uma alimentação abundante em frutas e legumes pode ser excelente como prevenção. O exercício de actividades intelectuais e o estudo, bem como a actividade física, mesmo em idades avançadas também parece diminuir o risco. Como curiosidade não existem casos conhecidos de Alzheimer entre mestres de xadrez que tenham jogado até tarde. O envolvimento em redes sociais e de amizade parece também manter as capacidades cognitivas, bem como os níveis socioeconómico e educacional ao longo da vida. l C.G.

Ficha Técnica Propriedade da ANAC – Associação Nacional dos Aposentados da Caixa Geral de Depósitos; Sede: Rua Marechal Saldanha, nº. 5-1º. 1200-259 Lisboa, Tels. 21 324 50 90/3, Fax 21 324 50 94, E-mail: anac@cgd.pt, Blogue: http://anaccgd.blogspot.com; Coordenação: Carlos Garrido; Publicação: Trimestral; Impressão: Gráfica Expansão - Artes Gráficas, Lda., Rua de S. Tomé, 23-A, 2685-373 PRIOR VELHO; Tiragem: 3.500 exemplares; Depósito Legal: nº. 55350/92; Distribuição: gratuita aos sócios; Colaboraram neste número: Cândido Vintém; Carlos Garrido; José Coimbra (Deleg. ANAC Norte); Antónia Serrano; Cremilda Cabrito; Orlando Santos; Vital Veríssimo

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E SPAÇO D E REFLEXÃO A au s t e r i da d e e a s n o s s a s v i da s

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ela experiência do dia a dia que os cidadãos, principalmente os do sul da Europa, têm em relação à austeridade a intuição imediata, pela incerteza e insegurança que provoca, que estão a lidar com uma ideia perigosa. Sentem-no pelas consequências dolorosas que origina, a pobreza, o desemprego, a exclusão, a precariedade, o controlo das suas vidas ao dispor de políticos e patrões. Na angústia da sobrevivência, de não perceberem o que de repente aconteceu às suas vidas e iludidos por justificações inquinadas de ideologia, ignoram as causas e os interesses que geram a austeridade. De acordo com Mark Blyth, professor de Economia Política na Universidade de Brown nos Estados Unidos, é importante a desmistificação das ideias dominantes, não esquecendo que a crise começou por ser bancária e se transformou em económica, com os terríveis efeitos sociais que hoje se fazem sentir. Para além da ideologia, as razões da sua perigosidade são muito concretas. A tentativa de destruição do Estado Providência com o argumento de que é irrealista, demasiado grande, despesista e se encontra fora de controlo, ignora os seus enormes aspectos positivos na erradicação da fome, igualdade de oportunidades que possibilita, as melhorias no acesso à saúde e ao aumento da esperança de vida que proporciona, tornando possível a muitos o acesso à educação e condições de vida impensáveis sem a sua existência, o aumento da igualdade entre os cidadãos, tudo isto sem o assistencialismo paternalista, mas uma conquista civilizacional da história recente, que se espera seja irreversível. Para Mark Blyth as políticas que têm sido seguidas por toda a Europa, têm feito regredir a sociedade para níveis de desigualdade que já tinham sido ultrapassados, sendo os mais desfavorecidos e as classe médias os únicos a pagar a crise. Considera Blyth que são várias as razões que levam a austeridade a ser considerada uma ideia perigosa. Os países da sul da Europa com a Irlanda, aplicaram medidas de austeridade rigorosas na esperança de que os cortes orçamentais levassem ao restabelecimento da confiança e consequentemente ao crescimento económico. Como se sabe não se conseguiu a confiança dos mercados, sem o apoio do BCE, nem o crescimento económico. O resultado tem sido o

crescimento da dívida e a instabilidade nos juros dos empréstimos obtidos. As consequências das políticas aplicadas têm penalizado os mais pobres, que pagam pelos erros dos mais ricos, substituindo-os na maior parte dos sacrifícios que têm sido exigidos. À chamada consolidação fiscal favorável às políticas de crescimento, considera Mark Blyth, é uma grande mistificação, pois retira serviços públicos a quem mais deles depende, o que é mais um fator penalizador para a maioria dos cidadãos.

Tendo em conta que a economia se contrai quando todos os países aplicam em simultâneo medidas de austeridade, o que tem como consequência a diminuição do PIB, logo aumentando o fosso para a dívida que não tem cessado de crescer sugere, conjugando todos estes factores, que a austeridade é uma ideia perigosa. Assim ao problema criado pelos bancos, juntou-se o moralismo ideológico que levou à tão falada crise da dívida soberana. O problema com origem no sistema bancário que, por opção política, levou os países a lançar milhões na banca, expondo-os ao crescimento da dívida de forma brutal, originou pedidos de resgate que a ampliaram, tendo como saída as políticas de austeridade. Mark Blyth defende assim que a atual crise não foi originada por gastos excessivos, mas sim pela decisão de salvar os bancos, logo a ultrapassagem da atual crise passa, em larga medida, pelo investimento público e privado e não pela redução da despesa pública a qualquer preço. l C.G.

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ATIVID AD ES Estepona Playa Hotel I Turno Mudou o nome e modificaram-se todos os serviços. Isso foi constatado por mais um grupo de Sócios que há alguns anos vinham a frequentar ISDABE e mais alguns novos que beneficiaram da modalidade praticada por hotéis de 4 estrelas. Foi uma surpresa para todos nós, aliado aos passeios que se realizaram diariamente, nesta deslocação a esta zona de férias, quer em Junho quer em Setembro.

Agradou a todos de uma maneira geral e trocaram-se votos de regresso nos próximos anos. A ANAC agradece a forma amiga e comportamental de todos, desejando que regressem em anos vindouros. l Antónia Serrano

Circuito nos Países Bálticos Nos dias 14 e 18 de Junho, dois grupos de sócios da ANAC participaram numa viagem aos países bálticos, atividade amplamente publicitada e com muita adesão. Durante dez dias de salutar convívio e amizade, os participantes percorreram os três países e o norte da Polónia que surpreenderam pelas suas belezas naturais e arquitetura dos monumentos. Se bem que de pequena dimensão territorial e população pouco numerosa, possuem uma significativa dimensão cultural e elevado potencial económico. A viagem iniciou-se por Helsínquia e nos dias seguintes percorreu a cidade de Tallin na Estónia, a região de Vizeme no norte da Letónia com as fortalezas medievais de Turaida, Sigulda e Krimulda, e Riga a capital.

Seguiu-se a Lituânia, tendo sido visitada com algum pormenor a capital Vilnius e, no dia seguinte, a Polónia com a passagem por Gdansk, célebre pelo Monumento ao Solidariedade nos estaleiros da cidade, o castelo de Malbork, sede da Ordem Teutónica e o términus em Varsóvia que precedeu o regresso. Orientados por guias competentes, visitámos os centros históricos, castelos e alguns palácios nos arredores das diferentes cidades. No fim todos estavam satisfeitos, podendo a viagem considerar-se um êxito. l C.G.

FESTIVAL CASTELLI INCANTATI - ROMA Os grupos coral e de cantares da ANAC participaram, entre os dias 02 e 07 de julho, no Festival Coral Internacional de Canto Popular, Folclórico e Polifónico, que decorreu em Roma e na região dos “Castelli Romani”. Foram dias de grande aprendizagem, marcados sobretudo por três momentos: - A audição d”A Portuguesa” no momento da abertura do Festival (em Castel Gandolfo); - A abertura do Festival foi dada por um dos Grupos da ANAC, com o Maestro Manuel Matos a dirigir todos os coros na interpretação do “Ave Maria”;

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ATIVID AD ES mais altos da visita foi a entrada na Capela da Nª Sª das Neves e no Convento Dominicano cujos acessos estão muito limitados. Tivemos o privilégio de ser acompanhados por técnicos do Instituto da Natureza que nos deram uma panorâmica muito interessante dos monumentos e da fábrica. l

Estepona Playa Hotel II Turno

-  A participação de todos os grupos na missa da Basílica de S. Pedro, no dia 05. Houve algumas falhas, aqui e ali, mas podemos afirmar que é com elas que aprendemos. O nosso país e a ANAC foram bem representados. No final, a organização transmitiu-nos a satisfação pela nossa participação. Na componente cultural/turística podemos dizer que ficámos instalados num pequeno pedaço de paraíso (Lagos Nemi e Castel Gandolfo). Roma continua igual a si mesma, orgulhosa do seu passado e ... muito quente. l

BEM-VINDOS A BEIRAIS Um grupo de 37 Sócios, familiares e amigos deslocou-se, no passado dia 09 de julho, à região Oeste. A visita teve como principais objetivos conhecer a aldeia do Carvalhal (onde decorre a ação da série “Bem-vindos a Beirais”), ver a Quinta dos Loridos (Buddha Eden), conhecer a Real Fábrica do Gelo e a Serra de Montejunto. O dia esteve excelente e só foi pena não podermos visitar “Beirais” na sua totalidade porque havia filmagens da série e o acesso era restrito. No entanto, visitámos a Ermida da Nª Sª do Socorro e o Santuário do Senhor Jesus, com explicação por pessoas da terra. O Buddha Eden está melhor e o almoço servido no seu restaurante foi muito bom. De tarde visitámos a Serra de Montejunto com a sua real fábrica do gelo muito bem conservada. Um dos pontos

Decorreu entre os dias 1 e 15 de Setembro, no local supracitado, o 2º Turno de férias organizado pela Direção da ANAC para os seus associados e familiares. Saímos como habitualmente de Lisboa, pelas 08,30 horas. Parámos no restaurante Chaminé para pequeno almoço e fomos almoçar à linda cidade de Vila Real de Santo António. Após o almoço seguimos para Espanha por óptimas estradas e conduzidos por um competente motorista até ao local destinado ao desfrute das nossa férias. Ali chegados fomos agradavelmente surpreendidos pelas grandes transformações operadas no empreendimento turístico: nova receção, zonas verdes bem preparadas e limpas, o espaço vedado ao exterior e até o pessoal nos pareceu mais atencioso e mais profissional. Outra boa surpresa: a alimentação. Esta beneficiou, tanto em qualidade como em variedade, de uma mudança radical: auto-serviço, pratos variados à escolha, desde saladas, grelhados ao momento incluindo peixe e carne, pratos frios, boas frutas e doces etc., tudo de comer e chorar por mais. Outra obra-prima da culinária foram os pequenos almoços, compostos, para além do tradicional, por bons e variados frutos, doces, salgados, enfim por tudo o que de melhor se possa imaginar. Penso que todos os participantes ficaram satisfeitos. Fizemos as tradicionais saídas diárias pela manhã, visitando principalmente as praias e localidades vizinhas de Estepona, Porto Banús, Marbelha, locais maravilhosos que os nosso sócios continuam a adorar, apesar de anualmente visitados. Com efeito, aquelas ruas e ruelas, todas floridas e limpíssimas como que engalanadas para receber o visitante, são uma atração permanente que seduz o mais exigente dos visitantes. Quanto ao grupo dos nossos associados que teve o privilégio de participar no evento, devo confessar que foram sem exceção, pessoas maravilhosas: sempre bem dispostas, sempre pontuais, sempre compreensivas. Tive um enorme prazer em os acompanhar, e a todos agradeço com um forte abraço. l Vital Veríssimo

VIAGEM À FRANÇA E BÉLGICA Um grupo de sócios da ANAC, visitou de 20 a 27 de Setembro a Bélgica e a França. Em Bruxelas visitámos os pontos mais turísticos e de interesse, tais como o Centro da Comunidade Europeia, o Arco Cinquentenário, o Atómium, o Parlamento, etc. No museu Hergé foram apreciadas as histórias em quadradinhos do Tintim. Depois do almoço dirigimo-nos a Brugges que é uma das mais pitorescas cidades da Europa. É também um autêntico museu romântico ao vivo, com as suas Igre-

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jas e canais, onde fizemos um cruzeiro. Foi considerada património da Humanidade e é uma das cidades mais bem conservadas da época medieval da Europa. Em Amiens visitámos a Catedral e o edifício da Câmara, em estilo gótico e renascentista. Havia muitas expectativas em visitar as Praias do Desembarque, o cemitério militar americano, não esquecendo o Museu do Desembarque em Arromanches. Depois do pequeno almoço, no 6º dia da viagem, rumou-se até Caen, Mont S. Michel e S. Malo. O Mont S. Michel, uma ilha rochosa na foz do rio Covenon, onde foi construído um santuário em homenagem ao Arcanjo S. Miguel. Depois da subida pedestre de centenas de degraus, realizou-se a visita da Abadia. Em S. Malo, típica cidade bretã, cujos monumentos e muralhas se estendem ao longo de uma costa de extraordinária beleza e de marés muito perigosas, pela sua força e rapidez com que aparecem. Fez-se também um passeio de comboio pela localidade. No 7º dia, depois da visita à catedral gótica, seguimos em direção a Versalhes onde foi visitado o palácio de Luís XIV, considerado um dos maiores palácios do mundo, possui 2.153 janelas, 352 chaminés, 700 quartos, 1250 lareiras e 700 hectares de belos jardins.

Depois de Versalhes, Paris esperava-nos com 32 graus de temperatura, fez-se a visita panorâmica da cidade com destaque para os Champs Elisées, Torre Eiffel, Praça da Concórdia, Arco do Triunfo, Ópera, Bairro Latino entre outros locais.

O jantar em Paris foi muito animado, onde todos cantaram (e fizeram cantar) as inconfundíveis canções de Édith Piaf e Jacques Brel. Os tocadores surpreenderam-nos com canções portuguesas. Foi um super final de viagem. l Cremilda Cabrito

E SPAÇO CU LTU RAL JOAHN SIBELIUS Sibelius, (1865 – 1957), foi um grande compositor finlandês, cujas sinfonias e poemas sinfónicos refletem intensamente o pendor nacionalista da sua abordagem à musica. Nasceu em Hameenlinna a 8 de Dezembro de 1865, tendo-lhe sido dado o nome de Joahn Julius Christian Sibelius. Estudou no Conservatório de Helsínquia, tendo também estudado composição em Viena sob a orientação do compositor húngaro Karl Goldmark. Sibelius ensinou teoria no Conservatório de Helsínquia de 1892 a 1897, quando recebeu uma bolsa do governo que lhe possibilitou concentrar-se exclusivamente na composição. Com a excepção de algumas deslocações ao estrangeiro, ele viveu o resto da sua vida em Jarvenpaa nas imediações de Helsínquia. Deixou de compor em 1929 e morreu a 20 de Setembro de 1957, com a idade de 91 anos. Sendo um dos melhores compositores da Finlândia, Sibelius foi também considerado um dos mais notáveis do século XX. A sua música largamente inspirada pela natureza e pelas lendas, tal como o épico finlandês Kalevala. Embora não tenha utilizado canções populares do seu tempo, nas suas composições, Sibelius usou padrões melódicos e rítmicos caraterísticos das poesia e música finlandesa. Uma das suas mais famosas peças, Finlândia, de 1899, revista em 1900, foi banida pela administração russa porque despertava o fervor patriótico entre os finlandeses. O traço caraterístico do estilo de Sibelius é a utilização frequente de motivos curtos que são continuamente transformados e que acabam por envolver toda a melodia. Consagrado em sinfonias e poemas sinfónicos, também foi um mestre em orquestração. Um dos últimos expoentes da música Romântica do século XIX, preocupou-se com a preservação formal da estrutura, mostrando assim a influência de Johannes Brahms. A sua visão da sinfonia complementou a de Gustav Mahler, que disse que Sibelius, era “o mundo – podia incluir tudo”. Para Sibelius, por contraste, a coisa importante foi a “lógica profunda criando a ligação entre todos os motivos”. Assim as suas sinfonias tendem para a austeridade e a compressão da forma, o que se tornou mais pronunciado com o avançar da idade. Os dois primeiros movimentos da quinta sinfonia, foram eventualmente condensados num único movimento, e na sétima sinfonia, a tradicional estrutura de quatro andamentos em toda a obra foi reduzida a um único andamento. Os principais trabalhos de Sibelius incluem sete sinfonias (1899-1924), os poemas sinfónicos En Saga (1892), The Swan of Tuonela (1893), Nightride and Sunrise (1909), The Oceanides (1914) e Tapiola (1925). Sibelius também escreveu um concerto para violino (1903), música de câmara e coral, peças para piano e canções. l

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E SPAÇO CU LTU RAL

lisboa cidade de encantos O Largo do Carmo pertence à freguesia do Sacramento, englobado na zona do Chiado. Neste largo, resistem as ruínas do Convento do Carmo, construído no século XIV, onde se encontra atualmente instalado o Museu Arqueológico do Carmo. Em 1389, Dom Nuno Álvares Pereira, o fidalgo mais abastado de Portugal, compra terrenos à família Pessanha (antigos grandes proprietários da zona por doação do Rei D. Dinis), e aos frades do Convento da Trindade, para aqui construir o Convento que dá nome ao largo. No século XVI já esta zona está urbanizada em torno dos dois conventos: da Trindade e do Carmo, sendo este um exemplo da destruição que o terramoto de 1755 causou.

retirado da internet por Orlando Santos

Entre o Convento do Carmo e o Palácio Valadares, ergue-se o portão de acesso do Elevador de Santa Justa, construído em 1902, ligando o Largo do Carmo à Baixa Pombalina, nomeadamente à Rua do Ouro. Ainda neste largo, encontramos a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, que habitualmente passa despercebida como sendo um vulgar prédio de habitação. Nesse mesmo edifício, foi fundado o atual Montepio Geral, no século XIX. Este largo tem-se tornado conhecido também pelas suas esplanadas, para além de ser palco de diversas filmagens, tanto de filmes de ficção ou documentários, como de filmes publicitários..

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Em frente ao convento, encontra-se o Chafariz do Carmo que data de 1796, integrado na obra do Aqueduto das Águas Livres, é recoberto por um baldaquino de pedra composto de quatro arcos redondos sobre pilares. É abastecido pelo Aqueduto das Águas Livres, através da Galeria do Loreto. Paredes meias com o convento, encontra-se o Quartel do Carmo, pertencente à Guarda Nacional Republicana que teve um papel muito importante aquando do 25 de Abril de 1974, por ter sido escolhido por Marcello Caetano para se refugiar, acabando este largo por ser o palco principal da revolução, como local da rendição do Estado Novo perante os militares do MFA. Para perpetuar este momento, encontra-se no chão do largo uma inscrição, dedicada a Salgueiro Maia. No outro lado do convento, encontramos o antigo Palácio Valadares, edifício que teve já várias utilizações. Este palácio ergue-se no local onde foi fundada a primeira universidade portuguesa, no tempo de D. Dinis, antes de ser transferida para Coimbra.

expressões populares: ”Cair o Carmo e a Trindade” Significado: Cair o Carmo e a Trindade é uma expressão popular portuguesa que se refere a factos que provocam grande surpresa ou confusão ou, por ironia a factos sem importância de que se receiam consequências graves. Origem: A expressão tem origem, segundo se crê, no sismo de Lisboa de 1755, em que desabaram os conventos/igrejas do Carmo e da Trindade.

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SILÊNCIO

ALIENAÇÃO COLETIVA

Há um silêncio de chumbo Que nos oprime e esmaga Há um mal estar profundo Há uma angústia velada Feita de silêncio e aço A vida fica adiada Fecha-se o Tempo e o Espaço Das profundezas do chão Um silêncio sepulcral São os mortos em convulsão Que querem ressuscitar Por terem morrido em vão Vindos do fundo do tempo De um sono julgado eterno Sofrem na alma o tormento Dessa subida ao Inferno

À toa desorientados Ao Deus dará, sem rumo De olhos esbugalhados Nas catedrais do consumo Entre sonhos e ilusões Dum paraíso perdido Vamos rezando orações A um Deus desconhecido Os olhos no infinito Mostram um ar inseguro Um presente indefinido Sem passado, nem futuro

E em silêncio vão gritar Com raiva e indignação Até um novo alvorecer Para por fim descansar E em Paz voltar a morrer

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Nesta crise, sem igual Possessos de ansiedade Sem valores e sem moral Perdemos a IDENTIDADE

Manuel Lino


D E L E G A Ç Ã O N O RT E

DA

A NA C

Resposta à Rubrica “Quem é o Autor ?” A resposta à rubrica “Quem é o Autor?” publicada no último boletim da Delegação Norte da Anac, é a seguinte: Carlos Rebelo. A resposta à rubrica deste número, deverá ser dirigida à Delegação Norte da Anac e será divulgada no próximo número deste jornal.

Por Né do

Influência da Religião na Causa da Humanidade A religião do Evangelho, da qual disse Rousseau, “que se não fosse divina, merecia sê-lo” é a natural protectora dos direitos do homem, declarativa de sua igualdade, funda-se em sua liberdade, prega, aconselha, ordena o amor da ordem e da justiça. Uma religião que declara e professa ser o Criador o único árbitro e senhor do Universo, todos os homens iguais diante dele, que promete amparo ao fraco e desvalido, castigo ao soberbo e opressor, que declara uma comum origem, uma lei comum, um comum juiz de todos os homens, é a maior e mais certa e mais poderosa base de liberdade que pode entrar na moral pública dos povos. O espírito do Cristianismo quebra os ferros dos escravos, consola os oprimidos, conforta os fracos, promete justiça aos agravados; e a espada de seu Deus vingador está como a de Dâmocles, suspensa por um fio sobre a cabeça dos reis, lembrando-lhes a todo o instante que há leis superiores às deles, leis que igualam os homens na presença do supremo Árbitro de tudo.

Quem é o Autor ?

Os conselheiros dos déspotas, a oligarquia que os rodeia, bem viram onde o espírito de tal religião havia de levar os homens apenas eles tivessem luz bastante para o conhecerem, e entenderem sua verdade e purezaExterminá-la, não podiam: adulterá-la e pervertê-la, foi seu expediente. Então se formou essa funesta liga sacrilegamente chamada do trono e do altar, como se o trono alevantado para padrão e tribunal de justiça, o altar erguido à majestade de Deus, pudessem jamais prostituir-se para tais fins, sem perder sua augusta natureza. Formou-se a liga; mais foi entre os tiranos que abusavam e deturpavam o trono, e entre os sacerdotes que profanavam o altar (…) Assim a religião cristã, que tanto favorece, que tanto protege a liberdade, que a ensina, que a prega, que a manda guardar, - a religião cristã foi feita o maior e mais poderoso auxiliar dos déspotas. Escusemos deduzir mais documentos: nomeemos a Inquisição, e tudo está dito e provado.

Nem tudo quanto é vida preocupa o Episcopado

Caldo de Letras

Há quem estranhe pelo menos o aparente silêncio – presumo que não haja desinteresse- do Episcopado sobre temas de candente atualidade na vida de todos nós, como seja a crise económica por que passa o país, com toda a sorte de problemas que daí resultam, o menor dos quais não é certamente o drama do desemprego e dos salários em atraso, questões sobre as quais os bispos deveriam, uma e outra vez, tomar posição, para que a vida e o sofrimento de tantas pessoas não lhes passe ao lado. (…) Os imperativos éticos e espirituais, decorrentes da vida e do Evangelho, são mais do que suficientes para que a teoria e a prática da Igreja, em todos os seus membros e instâncias, que não sejam redutoras, antes daí venham razões para esperar e para viver. Rui Osório, in “Jornal de Notícias” Seria interessante ver como é que dentro da crise se está a refazer a grande acumulação capitalista. A Igreja julga-se à imagem de Deus… Dá a impressão de que numa situação de extrema miséria é que encontra o seu campo preferido, que é o da assistência. Parece que fica toda contente quando tem de realizar uma obra de caridade, pelo que ao nível pastoral, nas paróquias, as forças que se investem são de ordem assistencial. Mas quando há necessidade de formas militantes para viver de uma forma empenhada o Evangelho e estar de uma forma actuante no meio das estruturas a Igreja não investe aí. Tem medo! Não aposta nos movimentos de Acção Católica, tem um medo danado de que os militantes da AC não sejam para trabalhar nas paróquias, na catequese, mas que vão para os partidos ou para os sindicatos. Em vez de investir, retira-lhes as instalações, não lhes dá lugar onde reunir… O que tem é medo desse empenhamento! Reúne-se o dinheiro para mandar para as vítimas das inundações em Lisboa e, se calhar, até se vão fazer peditórios para resolver a crise dos salários em atraso… Mas quanto a resolver a fundo as questões, analisá-las e incentivar os cristãos para viver… No fundo, os agentes da pastoral e aqueles que mandam na Igreja não estão a sentir, nem estão ao lado dos que sofrem. Vivem bem, não têm problemas – por que se hão-de incomodar?... Esta falta de solidariedade com a situação dos mais pobres é que leva a Igreja a estar calada e não ajudar à transformação da situação. A Igreja não é sinal de mudança, mas de herança… Nós, padres operários, não adiantamos nada de novo. A Igreja actual é que incarna o papel dos doutores das leis que Jesus condenou. Padres operários Gaspar, Crespo e Martins, De Alto de Ferreiros a Manuel Dias, repórter do JN Actualmente, todo o esforço para encarnar o Evangelho é taxado de atitude comunista ou pelo menos favorável ao comunismo. Esta tendência é rigorosamente intolerável dentro da Igreja. Se não lutarmos permanentemente contra a hipocrisia da nossa sociedade, que ousa baixar uma cortina oficialmente cristã sobre a revoltante tragédia da exploração do homem pelo homem, então, sim, o comunismo será fatal. Dominicano Frei Thomas Cardonnel, In “Metropolitano” em 16/10/1960 Nota: Estes textos fazem parte do livro “Canto Livre”, que vai ser apresentado brevemente aos Colegas pelo organizador desta secção—Costa Neves.

Delegação Norte da Anac / Setembro 2014

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Atividades, Passeios e Viagens

D E L E G A Ç Ã O N O RT E

DA

A NA C

Viagem à Roménia e Bulgária

tes. À noite, fizemos um cruzeiro com jantar a bordo pelo rio Vítava. Continuamos em Viena, a encantadora capital Austríaca, passando pelos vales e florestas checos. É uma cidade magistral, cheia de história, cultura e arte. À noite, assistimos a um concerto de música clássica com valsas e polkas. Saímos para Bratislava, capital Eslovaca, situada nas margens do Danúbio. Finalmente visitamos Budapeste, famosa pela sua arquitetura, termas, museus, galerias de arte e palácios. Com um cruzeiro no Danúbio e, à noite, jantar típico com música e danças húngaras.

Passeio às Varandas do Douro De 4 a 13 julho de 2014 realizamos uma viagem à Roménia e Bulgária. Na Roménia visitamos Sinaia com destaque para o seu mosteiro e para o Castelo de peles, obra-prima da arquitetura neo-renascentista germânica, Sighisoara, cidade medieval, situada no coração da Transilvânia, terra natal do príncipe VIad Tepes, O Empalador, os mosteiros de Bucovina, dos séculos XV e XVI que são únicos na Europa pela sua autenticidade e bom estado de conservação e Humorului na Moldávia do Norte. Visitamos também Agapia com o maior mosteiro da Roménia, e Brasov fundada pelos Cavaleiros Teutónicos em 1211 que é uma das cidades mais bem preservadas de toda a Europa. Visitamos a capital da Roménia, também conhecida como a "Pequena Paris do Leste", com visita ao Palácio do Parlamento, o segundo maior edifício do mundo. Na Bulgária visitamos Veliko Tarnovo, uma das cidades mais antigas e mais visitadas da Bulgária, Rila com o seu mosteiro, património da Humanidade e Sofia, capital da Bulgária.

No dia 05 de Setembro, realizamos um passeio às “Varandas do Douro”, para apreciar as magníficas paisagens que o Douro nos oferece a partir dos seus miradouros. Deste passeio constou uma visita ao miradouro de São Salvador do Mundo, uma receção, com “porto de honra”, nos Paços do Concelho de S. João da Pesqueira, uma breve visita ao certame “Vindouro” e a visita à Quinta das Carvalhas. O almoço decorreu no restaurante Cantiflas em S. João da Pesqueira.

Viagem/Férias a Oropesa del Mar

Passeio à Póvoa de Lanhoso

Passeio à Póvoa de Lanhoso, no dia 26 de Julho, com passagem por Braga e subida no elevador do Bom Jesus do Monte. Visitamos o Santuário do Bom Jesus e o Sameiro. Na Póvoa de Lanhoso tivemos uma visita guiada ao Castelo, Castros e Núcleo Museológico. Finalizamos com a visita ao Museu do Ouro.

Viagem à Europa Central

De 4 a 10 agosto visitamos quatro capitais da Europa Central. Começamos por Praga, a cidade mágica, dos palácios, das praças, dos cantos e recantos e das pon-

De 13 a 23 de Setembro realizamos uma viagem de férias nas Costas de Valência, Oropesa del Mar, Marina d’Or. Visitamos a cidade de Madrid, incluindo o interior do vasto e elegante Palácio Real. Em Oropesa del Mar ficamos instalados a 100 metros da praia. Visitamos Castelló de la Plana, capital da província de Castellon, o centro de Oropesa del Mar e a famosa Praia de la Concha, a bonita cidade de Benicássim, importante centro de veraneio, a pequena localidade de Vall d’Uixo, com visita às Grutas de São José onde efetuamos um passeio de barco no rio subterrâneo. Visitamos Valência, onde apreciamos o Centro Histórico, a Catedral, com o seu campanário de base octogonal – El Micalet, o interior de La Lonja, construção de estilo gótico do séc. XV, e a Cidade das Artes e das Ciências, obra projetada pelo arquiteto valenciano Santiago Calatrava. Visitamos ainda a antiga e bonita cidade fortificada de Peñiscola, com o labirinto de ruas estreitas e tortuosas. A praia, as águas quentes e o esplendido sol desta região espanhola, completaram a nossa viagem de férias que tiveram a aprovação de todos os participantes, nos quais ficou a vontade de regressar o mais rapidamente possível…

Delegação Norte da Anac / Setembro 2014

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X XI E U R OE N C ON T RO – A CORU NHA (GALIZ A) 1 7 A 24 D E ABRIL D E 2015 O nosso Euroencontro de 2015 vai decorrer na região Noroeste da Península Ibérica – a Galiza. Iremos trabalhar e descansar na Corunha, num dos hotéis mais emblemáticos de toda a Espanha – o Hotel María Pita. Depois de termos conhecido a cultura mu-çulmana muito marcada na Andaluzia, vamos à Galiza e esta é provavelmente a região espanhola onde mais fortemente se cruzam as culturas célticas e ibéricas. Vamos ter oportunidade de conhecer a sua excelente gastronomia, a música tradicional, as paisagens sempre verdes e o seu mar por vezes tão belo e por vezes tão traiçoeiro. A religião também fará parte do nosso itinerário, pois estamos em terras de Santiago. Como é habitual, teremos as reuniões de trabalho do Conselho de Administração, da Assembleia de Delegados, do Grupo de Estudos e Trabalho (GET) que irá preparar a síntese das conclusões do tema discutido em Fuengirola (“Por uma União Europeia para todas as idades”) e também a Assembleia Geral Plenária, onde serão apresentadas as comunicações de cada país sobre o tema proposto e onde todos poderão expressar livremente a sua opinião. Vamos conhecer a cidade da Corunha, com a sua torre-farol de Hércules (Património da Humanidade), os museus mais variados, a sua belíssima baía, o Domus e também María Pita (que dá o nome ao hotel onde vamos alojar-nos). Na sequência do Euroencontro de Fuengirola, vamos cruzar-nos com Pablo Picasso que também viveu nesta cidade. As “Rías Altas” são um dos ex-libris da Galiza. Em jornada de dia completo vamos conhecer a beleza não só das terras mas também do mar. Em Ferrol vamos visitar o bairro da Magdalena, um dos melhores exemplos de construções no estilo neoclássico, com edifícios modernistas. Depois, vamos até Cedeira, um dos portos de pesca mais importantes da Galiza, onde iremos almoçar. Ainda nesse dia visitaremos Santo André de Teixido, onde nos espera uma capela no estilo gótico-barroco à volta do qual existe uma lenda que termina por “quen non vai de vivo a Santo Andrés

vai de morto, convertido en réptil”. Mesmo não acreditando em lendas, o melhor é irmos visitar a capela… Santiago de Compostela é um dos locais onde os católicos e os não católicos se sentem bem. O culto ao Apóstolo sente-se em todo o lado e a chegada de um grupo de peregrinos é um momento inolvidável. Vamos visitar a sua Catedral, a Praça do Obradoiro, as ruazinhas estreitas e as construções características da cidade. Trata-se de uma jornada de dia completo e ao almoço poderemos ter alguma surpresa… Betanzos (a cidade dos cavaleiros, por ser uma das principais cidades medievais galegas) já foi cidade de residência da aristocracia galega. Os seus palácios, a torre do relógio do século 16 e as suas muralhas vão receber-nos para nos mostrarem as suas belezas. Em Pontedeume vamos poder passear pelas ruas medievais e constatar como a família Andrade (senhores medievais com enorme poder na região) conseguiu fazer desta localidade o ponto mais importante da região galega. No dia previsto para a visita decorrerá a tradicional feira medieval e aí teremos oportunidade de ver como se faziam as trocas comerciais na época. Depois visitaremos o Pazo Mariñan - conjunto declarado como património histórico-artístico em 1972. Neste “pazo” são dignos de visita os jardins e também o vinho nele produzido é digno de uma nota especial. Outras surpresas poderão ser acrescentadas a este primeiro esboço de programa no sentido de dar maior proximidade às tradições, cultura e gastronomia galegas. Com esta informação prévia apenas queremos que marque na sua agenda as datas de 17 a 24 de Abril de 2015 para poder estar presente no XXI Euroencontro e reencontrar os amigos de vários países. Esperamos por si na Galiza. l Cândido Vintém (Presidente); Jean Claude Chrétien e Francisco Ramírez Munuera (Vicepresidentes)

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PLANO DE ATIVIDADES EM 2014 outubro

– dia 4

encontro nacional

novembro

– dias 10 a 12

S. MARTINHO

dezembro

– dia 6

ALMOÇO DE NATAL

da iniciativa da delegação NORTE DA anac outubro

– dia 4

encontro nacional

– dias 10 a 12

Galiza-Encontro com a Ribeira Sacra

– dia 18

arouca

novembro

– dia 8

S. MARTINHO

dezembro

– dia 13

ALMOÇO DE NATAL

d u t n e v u J a r aniza g r o é r e c e h l Enve nos. a s o d o g n o l ao

e

Paul Éluard

ATIVIDADES NA SEDE DA anac - 2014/2015 Estamos a começar as atividades do ano de 2014/2015. Temos em funcionamento as seguintes atividades: •  Chi Kung (às terças feiras) •  Danças (às terças feiras) •  Desenho (às quintas feiras) •  Ensino da viola (às segundas e terças feiras) •  Ensino do francês (às quintas feiras) •  Fotografia – dois níveis (um às quartas feiras e outro às quintas feiras) •  Grupo Coral (ensaios às segundas feiras) •  Grupo de Cantares (ensaios às segundas feiras) •  Pintura com aguarela (em dias diversos) Estamos a procurar monitores para •  Ensino de informática •  Ensino do espanhol •  Ensino de inglês Outras que os Sócios pretendam e onde haja no mínimo 10 inscritos.

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Anac boletim 62  

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