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Publicação Trimestral da ANAC

Ano XXIII • N.º 61 • Abril / Junho 2014 MEMBRO DO GRUPO EUROPEU DE PENSIONISTAS DAS CAIXAS ECONÓMICAS E BANCOS

ED IT O R I A L EDITORIAL Colegas e amigos, como é do conhecimento geral, realizou-se de 2 a 9 de Maio num hotel de Fuengirola no sul de Espanha, o XX Euroencontro o qual, para além do ambiente de confraternização e camaradagem que suscitou, teve como ponto alto da sua vertente lúdica, as visitas às cidades de Granada e Córdova.

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tema deste ano marcante, o vigésimo dos Euroencontros, “Por uma União Europeia para todas as idades”, foi debatido na Reunião Plenária, onde esteve presente a maioria dos participantes neste encontro anual do Grupo Europeu dos Pensionistas das Caixas Económicas e Bancos, do qual presentemente detemos a presidência.

São publicadas as intervenções do Presidente do Grupo, da Secretária adjunta da presidência, assim como as conclusões a que chegaram os representantes sobre o tema debatido no Euroencontro de 2013, “Como sairá a Europa da crise e o papel dos reformados no futuro”.

É de salientar a notável comunicação do conferencista convidado, Dr. Henrique de Melo, o qual realizando uma profunda análise sobre o tema, refere em síntese que “A primazia da pessoa é o pilar que deve sustentar a construção de solidariedade intergeracional, que é o caminho para uma U.E. de todas as idades”. Para além de nos referirmos às atividades realizadas no trimestre, publicamos no Espaço Cultural, a parte final do artigo sobre cinema, com satisfação certa para os amantes da sétima arte.

Continuamos

a contar consigo. l

XX EUROENCONTRO Uma das principais razões dos nossos encontros anuais é o debate de ideias sobre os assuntos que dizem respeito a todos, independentemente da visão nacional que cada um possa ter. Nos últimos anos debatemos assuntos como a crise que afeta a Europa, a solidariedade intergeracional, o papel dos reformados na recuperação da crise, entre outros. Neste vigésimo encontro vamos debater as vias que cada um considera que devem ser seguidas para que a União Europeia seja um espaço para os cidadãos de todas as idades. O Tratado de Roma, que criou a “Comunidade Europeia”, definia como seus objetivos fundamentais: “A Comunidade tem como missão, através da criação de um Mercado Comum e de uma União Económica e Monetária e da aplicação das políticas ou ações comuns promover, em toda a Comunidade, o desenvolvimento harmonioso e equilibrado das atividades económicas, um crescimento sustentável e não inflacionista que respeite o ambiente, um alto grau de convergência dos comportamentos das economias, um elevado nível de emprego e de proteção social, o aumento do nível e da qualidade de vida, a coesão económica e social e a solidariedade entre os Estados-membros.” Como se vê, as primeiras preocupações tiveram que ver com os mercados, a união monetária e só depois vêm as preocupações ambientais e sociais. Se recordarmos os nossos tempos de estudantes, concluímos que o espaço europeu foi palco de constantes conflitos, alguns deles muito sangrentos e fraturantes. As suas origens foram muitas vezes por razões nacionalistas ou económicas mas também houve fundamentação religiosa. Os vários conflitos e os tratados que lhes puseram fim raramente consideraram as aspirações e a cultura das populações, pelo que criaram alguns países artificiais, no centro da Europa e nos Balcãs, sobretudo, com as consequências que a longo prazo sentimos quer nos territórios do extinto império Austro-Húngaro, quer da antiga Jugoslávia quer nos da antiga URSS. A Ucrânia/Crimeia que nos trazem preocupados nos últimos tempos é mais um exemplo da irracionalidade das decisões tomadas em gabinetes, longe das pessoas. Ao contrário, a criação da União Europeia (ou as suas antecessoras CECA e CEE), pese embora o seu “pecado original”, muito contribuiu para que os países politicamente mais instáveis, com histórias recentes algo atribuladas (casos de Portugal, Espanha, Grécia e, em certa medida, a Itália) consolidassem as suas democracias, constituindo-se assim como que uma espécie de “seguro de vida democrático” para eles. No entanto, os cidadãos europeus continuam a sentir-se longe das instituições comunitárias o que representa um risco. O desinteresse dos cidadãos, que tem origem na falta de informação sobre o funcionamento das instituições comunitárias, poderá levar ao aprovei-


XX EUROENCONTRO

(Cont.)

tamento político de forças de sinais opostos mas extremistas, as quais poderão conduzir a Europa para caminhos indesejáveis e, eventualmente, já percorridos anteriormente. Assim, a participação efetiva dos cidadãos nas eleições que vão decorrer muito proximamente é de importância fundamental para todos. Como a democracia não se esgota no momento da colocação do voto na urna, os cidadãos têm outros meios para a exercer de forma atenta e continuada. O sentimento de “pertença” a um espaço comum será o primeiro a cultivar. Desde logo nas escolas primárias mas, também, simultaneamente nos estratos etários menos jovens. É um facto que as gerações mais jovens (sejam estudantes, trabalhadores, cientistas ou outros) já se sentem europeus mesmo sem perderem o seu sentimento nacional. Eles exercem da mesma forma a sua atividade em Londres, Bordéus, Praga, Dortmund, Madrid, Roma ou Lisboa e trabalham facilmente em equipas multinacionais sem distinção de origens. Isso é fruto de intercâmbios salutares que resultam em benefício do espaço comum europeu. Esta democratização do dia-a-dia é seguramente mais importante do que o simples ato de votar pois a vivência democrática produz efeitos a mais longo prazo. As gerações menos jovens, em consequência da sua menor mobilidade física, têm mais dificuldade em ver os efeitos imediatos desses intercâmbios. O sentimento nacionalista (entendido no sentido mais conservador do termo) é mais marcado nestas gerações porque, não nos esqueçamos, nos últimos cem anos a Europa foi martirizada por duas guerras devastadoras e pelo aparecimento de regimes ditatoriais extremistas ditos “nacionalistas” em vários países. Daí que, em cada país, haja um trabalho importante a fazer no sentido de serem saradas as feridas. É certo que a atual divisão norte/sul ou países ricos/países pobres não ajuda muito a ultrapassar estes traumas… No entanto, se soubermos cultivar a solidariedade intergeracional, todos teremos muito a ganhar. Os menos jovens são portadores de saberes, práticas e culturas que não podem ser perdidos. Se os Estados e as empresas fizerem, de forma sábia e racional, o relacionamento destes valores com os novos valores proporcionados pela globalização, certamente que todos assumiremos com orgulho o nosso estatuto de “cidadãos da Europa” sem esquecer os verdadeiros valores nacionais e culturais que caracterizam cada uma das partes que constituem o “velho continente”. Em Portugal há experiências muito interessantes desta relação intergeracional salutar seja em escolas seja em pequenas comunidades. Temos algumas escolas primárias que partilham o espaço com locais de convívio para menos jovens. Aí trocam-se saberes de vida de forma muito aberta e participada. O voluntariado é outra das formas de os menos jovens participarem ativamente na construção de uma “Europa para todas as idades”. A existência de entidades como o nosso Grupo Europeu, onde a discussão é livre e baseada no respeito mútuo, é fundamental para que os órgãos de governação comuns não se desliguem da realidade dos seus governados. É por esta razão que existimos e que estamos aqui a trabalhar solidariamente. Portanto, temos a responsabilidade de nos fazer ouvir por quem dirige os destinos deste “velho continente”. É isso que esperam de nós os amigos que connosco vêm celebrar o nosso vigésimo Euroencontro. l Cândido Vintém Presidente do Grupo Europeu

P O R U M A U N I Ã O E U R O P E I A PA R A T O D A S A S I D A D E S O maior desejo de todos nós, Europeus, é que a nossa comunidade se mantenha sólida, unida e solidária. Queremos igualmente que esses desejos se tornem uma realidade. Temos pela frente grandes desafios. É do conhecimento de todos nós que o envelhecimento da população ativa é uma realidade. É dever da nossa geração transmitir aos nossos filhos e netos, que nasceram a dominar as novas tecnologias, como nós aprendemos a ler e a escrever. Será que conseguimos transmitir às novas gerações que também existem os afetos, o amor ao próximo, a solidariedade intergeracional? É fundamental que comunguemos com eles as nossas vivências e experiências da nossa juventude, pois não nascemos menos jovens, e que a Família é o pilar mais importante das nossas vidas. O envelhecimento suscita igualmente questões importantes em matéria de igualdade de oportunidades. Nos anos 60, no Banco onde trabalhei durante 37 anos, as mulheres não tinham acesso a cargos de chefia. Isso só foi alterado depois da Revolução de Abril. Neste século, as mulheres continuam a ser discriminadas pois em toda a Europa, trabalho igual ainda não significa salário igual. A prestação de cuidados de saúde e bem-estar na velhice varia consideravelmente entre os Estados Membros. De um modo geral, a maior parte das pessoas que necessitam de assistência e cuidados permanentes, pre-

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ferem receber esses cuidados no seu próprio domicílio seja por parte do cônjuge, seja por outros familiares. O internamento em casas de saúde ou lares de 3ª. Idade (muitas vezes com funcionamentos duvidosos) é a hipótese menos valorizada pelos idosos. Preferem o ambiente onde viveram as suas vidas. Mas, uma simples queda pode rapidamente transformar um idoso independente e ativo num indivíduo profundamente dependente, cuja saúde se deteriora rapidamente. Não podemos ignorar as potencialidades de contenção de custos e melhoria da qualidade de vida que podem advir da existência de serviços de reabilitação acessíveis a todos. Muitos dos menos jovens participam já ativamente em organizações não-governamentais. O reforço desta participação poderá constituir um instrumento importante das estratégias de envelhecimento ativo. Embora trabalhando em regime de voluntariado, beneficiam dessa atividade pois recebem estímulos físicos e intelectuais com os contactos e adquirem um sentimento e realização individual. A aplicação de boas práticas para um envelhecimento ativo, para viver mais e melhor nas diversas fases exige a contribuição de todos. Queremos que os jovens de hoje tirem partido do nosso trabalho e ensinamento, para conseguirem uma velhice com mais qualidade e igualdade em toda a Europa. Muito Obrigada l Cremilda Cabrito


C O M O S A I R Á D A C R I S E E Q U A L S E R Á O PA P E L D O S A P O S E N TA D O S N O F U T U R O ? INTRODUÇÃO: Como foi reconhecido durante o debate no Euroencontro de Lisboa, a crise que afeta a Europa já desde o ano de 2008 teve origem na especulação imobiliária que levou à sobrevalorização dos ativos dos bancos, tornando-os “tóxicos”. Em determinado momento a “bolha imobiliária” implodiu levando à falência de alguns bancos importantes nos EUA – Lehman-Brothers – e também de alguns bancos em vários países da Europa. Diremos que estes resultados são consequência das teorias de economistas liberais que levaram a que a política fosse submetida ao jogo do “livre mercado”. As teorias revelaram-se falsas e, com a desregulamentação do mercado financeiro e a má gestão dos responsáveis destes bancos, todo o mundo ocidental foi afetado. Por outro lado, na Europa, o denominado “Pecado original do Euro” (isto é, a sua criação baseada em desigualdades entre países, com a presunção de que através da criação de uma moeda única se teria criado uma área economicamente homogénea) teve consequências muitas vezes dramáticas em alguns países com economias mais fragilizadas. Com efeito, a generalidade dos países da “zona Euro” dá prioridade às aspirações nacionais e não às aspirações comunitárias, não havendo uma ideia clara de união de países o que levou ao agravamento das assimetrias económicas e sociais entre os vários países que compõem esta zona. No momento de enfrentar a crise, foram desenvolvidas políticas de austeridade que levaram a que o homem comum pagasse o saneamento dos bancos através de maior desemprego, pior saúde, pior educação e mais emigração, em especial a partir dos países economicamente mais fragilizados. Contudo, as medidas que a União Europeia tem vindo a tomar para fazer face à crise estão longe de lhe por fim.

COMO SAIR DA CRISE?  Mais investimento na economia real, produtiva, e modernização da mesma para estimular a economia da “Zona Euro”, reduzindo a dívida e a especulação financeira. A Europa deslocalizou muita da sua indústria para zonas onde a mão-de-obra era mais barata mas não mediu as consequências dessa política e só pelo reinvestimento produtivo e sem especulação financeira poderá voltar a ter o peso que já teve no pós-guerra até aos anos 90.  Extinção dos “paraísos fiscais”. O fim da evasão e da fraude fiscais só podem ocorrer se houver ação concertada em toda a Europa. A existência de paraísos fiscais, que escondem e “lavam” dinheiro de origens bem conhecidas, através dos quais é fácil os especuladores e traficantes leva a fácil evasão e fraude fiscais. A sua eliminação só será possível através de uma ação concertada de todos os países, especialmente dos que os abrigam e deles também beneficiam.  Fim do sigilo bancário e criação de mecanismos de intercâmbio automático de informações sobre investimentos de capital. Ligado à questão dos paraísos fiscais, está o sigilo bancário e a liberdade que ele dá aos que movimentam capitais de forma ilegal. Seria necessária a criação de um sistema eficaz de intercâmbio de informações sobre os movimentos de capitais entre os vários países.  Caminharmos unidos na renovação de uma União Europeia mais democrática, mais legítima, mais centrada nos cidadãos de forma a que eles se sintam europeus de pleno direito. Por outro lado, a Europa dos cidadãos ainda não existe porque os mecanismos e instituições comunitários estão muito longe dos cidadãos e estes não sentem os problemas globais como seus.

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 Europa para todos os países e pessoas mas respeitando as realidades culturais e históricas de cada um. A “União Europeia” ainda não é uma realidade porque existem muitos egoísmos nacionais e mesmo fraturas sociais e culturais em algumas regiões da Europa que impedem a concretização dessa ideia de Europa para todos. Haverá que respeitar a história e a cultura de cada um dos países sempre com o objetivo de os unir mas não os massificar.  Rápida convergência de políticas sociais e fiscais.

PAPEL DOS REFORMADOS NO FUTURO:  Grupo imprescindível para o futuro da Europa pois é o suporte para a geração anterior e para os jovens cada vez mais ameaçados pelo desemprego e a pobreza. Os atuais reformados (geração sanduíche como somos denominados em muitos países) são cidadãos que dão suporte a gerações anteriores que sofreram as dificuldades da guerra e do pós-guerra e também à geração mais nova que está a sofrer as consequências da crise, com ameaças de desemprego e de empobrecimento. Somos nós, que transportamos ainda os valores solidários, que poderemos dar forma a uma Europa dos cidadãos.  Lutar contra a discriminação que os poderes instituídos que em alguns países nos impõem considerando-nos como egoístas insensíveis aos esforços exigidos ao conjunto dos cidadãos. As teorias liberais e neo-liberais estão a tentar cavar uma fratura entre a nossa geração e a dos nossos filhos dando-lhes a ideia de que nós estamos a viver muito bem e de que não queremos prescindir um pouco do nosso bem-estar para que eles possam viver melhor. Tal não é verdade e os bens materiais acumulados durante uma vida de trabalho estão, de facto, ao servi��o dos nossos filhos seja através do apoio financeiro que lhes damos seja através da boa gestão que fazemos desses bens para que eles possam vir a utilizá-los no futuro.  Envelhecimento ativo = “Não somos um peso para o país nem para a Europa”. O “poder grisalho” tomando consciência do seu peso social e político pode ajudar a Europa a reerguer-se. A idade não pode ser um fator de afastamento dos cidadãos relativamente ao futuro da Europa. Os seniores são a maior percentagem de cidadãos europeus. Temos a experiência de muitos anos de trabalho e de sofrimento. Por isso, se tomar em mãos os desafios que se colocam à Europa, o “poder grisalho” pode aportar novas forças para que a Europa se reerga.  Trabalho em tarefas adaptadas, sem limite de idade e voluntariamente. Os mais idosos serão um fator importante na transmissão da cultura das empresas para os mais jovens. Uma boa percentagem de cidadãos, quando se reforma, seja aos 60, aos 65, aos 67 ou aos 70 anos, ainda tem energia e capacidade para transmitir a “cultura de empresa” às gerações mais novas. É claro que haverá algumas tarefas que exigem qualidades que nós já não temos mas uma gestão criteriosa será uma mais-valia para as empresas e instituições.  Voluntariado seja no setor social seja no da saúde criando uma “economia social” em benefício de toda a comunidade. Embora não trabalhando nos setores tradicionais, os seniores têm capacidade e estão disponíveis para continuarem a produzir bens e serviços no que se denomina já como “terceiro setor”, ou seja, na “economia social”. Ela deve ser dirigida ao bem-estar de todos os cidadãos.  Solidariedade intergeracional, com apoio mútuo entre diferentes grupos etários para construção da sociedade que permita a todos darem o seu contributo de acordo com as suas necessidades e capacidades em favor do progresso económico e social comuns. A Europa só poderá ultrapassar a crise se acabar com a clivagem virtual entre “velhos” e “novos” e colocar as capacidades de todos ao serviço de todos de forma a conseguir o progresso económico e social dos seus cidadãos.  Formação contínua seja no ensino convencional seja nas chamadas “Universidades Seniores”. A passagem à situação de “reformado” não pode ser considerada como o fim da necessidade de formação. Pelo contrário, a maior disponibilidade de tempo deverá ser aproveitada para melhorar a formação nas áreas onde não foi possível fazê-lo anteriormente. Há cada vez mais alunos seniores nas escolas tradicionais e o papel das chamadas “Universidades Seniores” é fundamental pois elas transmitem ensinamentos de forma muitas vezes pouco “académica” mas sempre muito eficaz. l

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ATIVID AD ES BAIXA POMBALINA No passado dia 9 de Abril, de acordo com o programa de atividades em vigor, reuniu-se um grupo de sócios e amigos da ANAC que, acompanhado pelo especialista em história de arte, Dr. Miguel Soromenho, visitou três lugares emblemáticos da baixa pombalina e da cidade de Lisboa.

O primeiro a ser visitado foi a Igreja da Conceição Velha, localizada na Rua da Alfândega, perto da Praça do Comércio na freguesia da Madalena, resultando da recombinação dos escombros de diferentes igrejas, após o terramoto de 1755. Foi reconstruída sobre a antiga Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia de Lisboa que tinha uma configuração diferente, tendo os elementos que se salvaram sido colocados na atual fachada de estilo manuelino, que combina motivos decorativos tardo-góticos e renascentistas. A sua fachada é, em conjunto com o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, uma das estruturas manuelinas que resistiram ao terramoto. A Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia era o templo em Lisboa com maior dimensão, a seguir ao Mosteiro dos Jerónimos. O portal tem esculpida a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, o seu manto cobre a figura do rei D. Manuel I, a rainha D. Leonor, outras figuras da realeza e o Papa. O interior pombalino é de uma só nave com capelas colaterais, coro-alto e a capela-mor retangular. O portal lateral no estilo manuelino, duas janelas, um baixo-relevo de Nossa Senhora da Misericórdia, foram aproveitados e a capela do Santíssimo Sacramento, esta já do século XVII, constitui o altar-mor da nova Igreja da Conceição. A Irmandade da Misericórdia foi transferida para a Igreja Jesuíta de S. Roque. Recebeu este nome para a distinguir da nova igreja da Conceição De seguida, o grupo dirigiu-se ao Arco da Rua Augusta, monumento pombalino e neoclássico, classificado como Monumento Nacional, fechando os arcos da referida praça e abrindo a Rua Augusta. De acordo com o sítio da Câmara Municipal de Lisboa, foi programado em 1759, na época da reconstrução pombalina, com desenho de Eugénio dos Santos. O arco subia apenas à altura da cimalha, num jogo de colunatas, colocadas em 1815, ficando a aguardar o coroamento que veio a acontecer em 1844 com o projeto do arquiteto Veríssimo José da Costa, que teve início em 1873 e ficou concluído em 1875. No arco destacam-se as estátuas de Viriato, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira e o Marquês de Pombal, ladeados pelas alegorias representativas dos rios Tejo e Douro, todas elas da autoria do escultor Vitor Bastos. Acima do arco é visível uma composição escultórica em relevo, tendo por motivo central a pedra de armas de Portugal. O remate é efetuado por um grupo escultórico alegórico, “A Glória coroando o Génio e o Valor”, modelado pelo escultor francês Anatole Calmels. Completando o conjunto observa-se uma inscrição em latim, que exalta os nossos antepassados pelos seus atos heroicos e que se tornaram exemplo para as gerações posteriores. “VIRTVTIBVS/ MAIORVM/VT SIT OMNIBVSCOCVMENTO. PPD” (que significa “Às virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas”), e no alçado norte está colocado um relógio em posição correspondente à pedra de armas real. A partir de 9 de Agosto de 2013 é possível, usando um elevador e dois lances de escadas íngremes, chegar ao miradouro no topo do Arco.

Seguiu-se o passeio ao célebre café Matinho da Arcada, situado na arcada nordeste da Praça do Comércio e que conta mais de dois séculos de história, mas só em 1845 é que recebeu o nome pelo qual é conhecido. Frequentado com assiduidade por intelectuais e artistas da sociedade lisboeta, foi-se transformando numa tertúlia cultural. Foi Fernando Pessoa que lhe trouxe maior notoriedade, onde escreveu alguns dos poemas que o tornaram famoso, sendo por isso ali recordado através de um painel de azulejos. Seguiu-se uma leitura de poemas de alguns dos mais célebres poetas portugueses, tendo o passeio terminado com um pequeno lanche antes do regresso a casa. l (CG)

PASSEIO À ARRÁBIDA Realizou-se mais uma atividade programada, com duas visitas realizadas por um grupo de sócios e amigos da ANAC, nos dias 14 e 28 do mês de maio passado. Os locais a visitar, próximos na localização, foram a Quinta da Bacalhôa, reconhecida pela qualidade dos vinhos que produz, e o Convento da Arrábida, monumento não muito conhecido, mas com uma longa história, iniciada no século XVI. De acordo com a descrição do IGESPAR, foi em 1427 que o infante D. João, mestre da Ordem de Santiago e Condestável do Reino, mandou construir em Azeitão uma propriedade da qual restam apenas alguns vestígios, que se resumem a algumas abóbadas ogivais. Por herança, a quinta mudou para a propriedade dos pais do futuro rei D. Manuel I que mandaram proceder à remodelação da casa, de acordo com os novos gostos de fins do século XV e início do século XVI, incluindo a cerca torreada e alguns revestimentos em azulejos quatrocentistas. A quinta foi então conhecida por Vila Fresca e foi vendida a Brás de Albuquerque, filho do vice-rei da Índia, Afonso de Albuquerque, o qual tendo promovido a ampliação de construções, revestidas a azulejos e dos pavilhões junto ao tanque, que podemos admirar presentemente, faz da Quinta da Bacalhôa um dos mais representativos e belos exemplares da arquitetura civil renascentista do país. A planta em L, que representa uma inovação arquitetónica, que se supõe de influência italiana, bem como a regularidade da planta e a preocupação de simetria no desenho dos vãos e ainda elementos clássicos como galerias e colunatas. A cerca torreada e os torreões cilíndricos com cúpulas de gomos parecem mostrar influências de construção das fortalezas das Índias.

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ATIVID AD ES Acede-se à casa por um pátio quadrangular murado, diante da fachada principal, com uma galeria de arcos sobre colunas lisas. A construção estende-se em torno do jardim, que ocupa o interior do L, acedendo a um labirinto de buxo.

No edifício principal, com proporções e alçados renascentistas e arcarias ao estilo italiano, existe uma decoração de nichos e medalhões com bustos. Os temas da decoração são de cariz clássico, exibindo heróis da Antiguidade e outras referências mitológicas e são obra de Rafael Bordalo Pinheiro. O morgadio onde a Quinta estava inserida foi herdado por D. Maria Mendonça de Albuquerque, casada com D. Jerónimo Manuel, conhecido pela alcunha de “Bacalhau”. O nome de Bacalhôa resultará certamente do facto da proprietária, esposa de D. Jerónimo, ser também sarcasticamente assim designada. Em 1973 o Palácio e a quinta foram comprados por uma família norte-americana, que os tornou num dos maiores produtores de vinho conhecido pela sua qualidade. Presentemente, a Quinta da Bacalhoa pertence à Fundação Berardo, tendo sido classificada pelo IPPAR em 1996 como Monumento Nacional. Depois de uma prova de vinhos nas instalações da Quinta, teve lugar o almoço a que se seguiu a segunda parte do passeio, o Convento da Arrábida. Este, construído no séc. XVI, num local com uma área de 25 hectares, contém o Convento Velho situado na zona alta da serra e o Convento Novo, localizado a meia encosta, o Jardim e o Santuário do Bom Jesus. No alto, o Convento Velho, como se convencionou designar, é constituído por quatro capelas, as guaritas da veneração dos mistérios da Paixão e as celas escavadas na rocha. O Convento foi fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria, franciscano a quem o primeiro Duque de Aveiro, D. João de Lencastre, cedeu as terras da encosta da serra. As obras, as quais incluíram uma hospedaria, foram continuadas ao longo dos tempos por vários descendentes da família Lencastre, até 1650, em que foi edificado por D. António de Lencastre, o Santuário do Bom Jesus. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o Convento, as celas e as capelas dispersas pela serra, foram pilhadas e sofreram danos com o abandono. Em 1836, a Casa de Palmela, adquiriu o convento mas as obras só tiveram início nos anos 40 e 50 do século passado. Em 1990 o então proprietário vendeu o convento e a área envolvente, com 25 hectares, à Fundação Oriente que desde então prossegue a manutenção e a gestão do monumento. Entre uma visita e outra, os grupos almoçaram no restaurante D. Isilda, em Palmela, onde foram servidas refeições que muito agradaram a todos não só pela quantidade mas sobretudo pela qualidade e variedade. Terminadas as visitas, os grupos regressaram a Lisboa onde chegaram cerca das dezanove horas. l C.G.

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PASSEIO A VILA NOVA DE FOZ CÔA Ontem, dia 22, rumámos a Vila Nova de Foz Côa. Com algumas incertezas e também várias desistências a viagem teve, mesmo assim, a participação de 32 pessoas. Fundão viu sair o autocarro pelas 8H30 rumo à Covilhã e Guarda, tendo chegado a esta pelas 9H40, ficando assim o grupo completo. O objetivo era e foi Vila Nova de Foz Côa. Chegados a esta preciosa terra, o Sr. Presidente da Câmara Municipal, Eng. Gustavo Duarte, deu-nos a honra de nos receber e de nos acompanhar até à Igreja Matriz onde o Pároco, Padre Ferraz, nos explicou ao pormenor, a história desta igreja classificada Monumento Nacional desde 1910. Feita a visita, eis-nos a caminho do Museu do Côa, inserido de forma notável nas paisagens dos rios Côa e Douro, que documenta o longo período de arte rupestre representada no Parque Arqueológico do Vale do Côa. Visita fabulosa, com descrição minuciosa de todas as salas, chegámos à hora do almoço. Desfrutando de um requintado espaço, o “Côamuseu Restaurante”, com gastronomia típica extraordinária que contou, o que muito nos agradou, com a presença do Sr. Presidente da Edilidade. Bem alimentados caminhámos então para o “Centro de Alta Competição de Remo” no Pocinho. Estrutura do mais moderno e eficaz que existe no nosso país, com condições ímpares para a prática/treino desta modalidade, utilizada por atletas de alta competição, sobretudos estrangeiros, digno de todos ser conhecido, eis que a hora de outra “atividade” surgiu. Chegados à foz do rio Sabor, viagem de barco, rio acima, passando mesmo as comportas, saboreando os produtos locais, vinho, amêndoa, bolos, chouriça, salpicão, queijo… com que fomos presenteados pelo Eng. Gustavo Duarte - simplesmente maravilhoso, panorama indescritível… recordá-la-emos ao longo das nossas vidas. O Sr. Eng. Gustavo recebeu-nos de forma superior, surpreendeu-nos pela disponibilidade, maneira de ser e de estar, é digno de todos nos curvarmos perante ele dizendo, “Bem-haja Sr. Presidente: A partir de agora, tal como certamente outros, seremos agentes divulgadores do bom nome desta terra de Vila Nova de Foz Côa. Nós, por nós e para os colegas, amigos e sócios da ANAC Beira Interior, continuaremos a trabalhar no sentido de podermos propiciar bons momentos como este….. “Bem-haja a todos”. Um bom abraço l Peres de Almeida

EXPOSIÇÃO NAS INSTALAÇÕES DA DELEGAÇÃO DA BEIRA INTERIOR O trabalho dos nossos colegas da região da Beira Interior começa a mostrar os seus frutos. Com as excelentes condições das instalações, o trabalho da equipa da ANAC na região e a criatividade do artista plástico Aníbal Monteiro, foi possível expor um número razoável dos seus trabalhos nas nossas instalações. A exposição do artista egitaniense esteve patente entre os dias 02 de Maio e 02 de Junho, tendo sido muito apreciada por todos os que tiveram oportunidade de a visitar. Esta foi a primeira de muitas outras exposições que os “nossos talentos” ou outros irão ter com o apoio da equipa local e aproveitando as potencialidades do espaço. Fica aqui o convite para os “nossos talentos” da região ou de qualquer parte do país para exporem as suas obras na Guarda. l Cândido Vintém


E SPAÇO D E REFLEXÃO

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A C r i s e e a E u r o pa

História portuguesa ao longo dos séculos, com a exceção de curtos períodos, tem seguido uma estratégia que pode ser designada por busca de apoio externo. A História portuguesa ao longo dos séculos, com a exceção de curtos períodos, tem seguido uma estratégia que pode ser designada por busca de apoio externo. A integração na Comunidade Económica Europeia, inserindo-se nessa estratégia, configurou um comportamento normal da política portuguesa. Por outro lado, a adesão à União Económica e Monetária, resultado de uma decisão que se revelou impreparada e voluntarista e que pretendia não deixar Portugal fora dos países da linha da frente mostrou-se, como a atual crise veio a revelar, arriscada, cujas pesadas consequência estamos presentemente a sofrer. Prescindindo da soberania em matéria monetária e cambial e sem garantia de calendário e perspetivas de que o funcionamento do sistema fosse progressivamente aperfeiçoado, a UEM, em vez de conduzir à convergência das economias dos países por intermédio do apoio solidário esperado, agravou o risco de ampliação dos desequilíbrios existentes na nossa estrutura económica, devido à tentação do aumento da dívida externa, facilitado por um crédito barato, canalizado pelo sistema bancário para as empresas e famílias. Em simultâneo, foram sucedendo vários acontecimentos de grande impacto com consequências negativas para o nosso país, que se podem evidenciar: - Em 2001, a União Europeia negociou a entrada da China na Organização Mundial de Comércio (OMC), o que permitiu à Alemanha o enorme aumento das exportações para esse país de automóveis, máquinas e outros equipamentos industriais. Em consequência, para setores tradicionais da indústria portuguesa (têxteis, calçado e vestuário), o resultado foi extremamente negativo, pois expôs subitamente as respetivas exportações a uma concorrência muito desfavorável, com o correspondente cortejo de despedimentos e falências. - O alargamento da União Europeia a leste em 2004, ao possibilitar a ampliação da esfera de influência alemã, teve como contrapartida para Portugal a concorrência no acesso aos fundos comunitários e a deslocalização de empresas e investimentos para esses países, aproveitando a mão-de-obra qualificada e de baixo custo. - A valorização excessiva do euro em relação ao dólar, agravada pela subida contínua do preço do petróleo, que passou de 20 dólares o barril em 2001 para 140 dólares em 2008, levou à perda de competitividade das nossas exportações, face a países com as mesmas especializações fora da Zona Euro. A economia em geral, apostando no setor de bens não transacionáveis, foi progressivamente perdendo competitividade. As necessidades de financiamento privado foram satisfeitas por um crédito externo barato, agravando sucessivamente a dívida externa, aplicado no imobiliário e construção de infraestruturas, em áreas que não contribuíram para a alteração qualitativa da competitividade e para a necessária inovação. Contrariando a convergência, a Zona Euro aumentou o fosso entre os países com maior capacidade de produção de bens transacionáveis de alto valor acrescentado, como a Alemanha, e os países com estruturas produtivas menos qualificadas, cuja posição externa se degradou com a moeda única. Com o desencadear da crise de 2007/2008, todas as fragilidades do sistema ficaram mais nítidas, apesar da opinião fantasiosa de alguns dos principais obreiros da UEM, que defendiam que numa união monetária a balança de pagamentos dos Estados membros já não era um problema como anteriormente. As dificuldades da ZE põem em causa o próprio projeto europeu. O descontentamento grassa nos povos dos diferentes países, insatisfeitos com a ideia e o ideal europeu, esquecidos de que a Europa faz parte da sua própria identidade. Assiste-se à falta de solidariedade entre os povos do norte e do sul, em que os primeiros recusam o apoio aos segundos, por considerarem que os problemas do sul são devidos ao despesismo estatal e aos excessivos gastos privados. Esquecem, porém, que a destruição das economias dos países da periferia atinge também áreas saudáveis do corpo europeu a que todos pertencem. Tudo isto porém se deve a decisões políticas dos Estados que se desarmaram do poder democrático, que os cidadãos lhes confiaram, e o entregaram às forças anónimas dos mercados. A causa da crise global, reside no deficiente funcionamento da democracia, que mais facilmente cede aos interesses do poder económico-financeiro do que à representatividade e defesa da soberania popular. Desde os anos 80 que a adesão às ideias neoliberais tem obtido consenso entre as forças políticas nos diferentes países, fazendo com que cada um se mostre mais disponível e eficaz na aplicação dos conceitos dessa escola económica. A Alemanha é hoje, indiscutivelmente, o país dominante na Europa. A sua economia e sistema bancário têm-se tornado cada vez mais sólidos, enquanto os países da periferia tendem a definhar cada vez mais, não apontando porém o caminho, nem apresentando soluções que possam contribuir para tirar a Europa do declínio em que se encontra. Por intermédio do recente Tratado Orçamental, entrincheira-se numa posição defensiva, considerando como risco a possibilidade de ter de contribuir para o pagamento da dívida externa dos países periféricos. Recusa rever o estatuto do BCE e outras regras da UEM. Não defende como boa política para a Europa as soluções federais que usa no seu país, nomeadamente o orçamento federal que acorre solidariamente às regiões mais pobres, por transferência de parte do rendimento das mais ricas. A manutenção da austeridade a qualquer preço, exclusivamente ao serviço dos credores, onde se incluem bancos alemães, origina uma hostilidade crescente não só contra si própria, mas também contra a própria ideia de Europa, como pátria comum, para a qual as quebras do PIB e o crescimento do desemprego bem contribuem. Contra esta política já nos anos 60 e 80 do século passado, presidentes do Banco Central Alemão chamaram a atenção para a imprudência de realizar uma união monetária, tirando aos países a possibilidade de utilização de uma política cambial reguladora, sem uma união política prévia. Sem federalismo era arriscado juntar, na mesma moeda, economias com indicadores de desenvolvimento muito desiguais. Devemos exigir a introdução de reformas que levem à união fiscal e orçamental e à coordenação das políticas económicas esquecidas no Tratado de Maastricht. Devemos lutar pelo fim da austeridade, em que nos querem perpetuar, pela criação de um fundo europeu que se destine à realização de políticas de interesse comum, prosseguidas por um governo eleito pelos europeus, com um orçamento adequado bem maior que o atual. A dívida pública deverá ser contida pela criação de um mecanismo, mesmo que temporário, de mutualização. A união bancária europeia, já deveria estar em funcionamento garantindo a supervisão adequada de todo o sistema bancário, subordinada ao sistema político democrático, liderada pelos representantes eleitos pelo povo europeu, enquadrada numa constituição debatida e aceite por todos, que motivasse a adesão à ideia de Europa e não a indiferença, incompreensão e muitas vezes receio. Tudo isto, numa linha estratégica comum, que garanta o desenvolvimento sustentável tendo em conta a defesa do ambiente e as alterações climáticas e, fundamentalmente, o combate ao desemprego crescente em todos os países. A Europa que desejamos no futuro deverá ser a que tenha como ideário fundamental a liberdade, cidadania e solidariedade e que rejeite, de forma categórica, a imposição do poder e dos interesses dos mais fortes. l C.G.

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E SPAÇO CU LTU RAL (CONTINUAÇÃO NO NÚMERO ANTERIOR)

CASABLANCA

- O FILME

CASABLANCA é um filme de guerra, de facto, porque o palco é a situação criada pela II Guerra Mundial, então a decorrer, mas é também um filme, diríamos, o mais belo filme romântico da história do cinema. Um romantismo que aproveita a guerra para a exorcizar e para se elevar acima e por causa dela. Tal como os românticos imaginavam Camelot e a corte do Rei Artur. A Pureza, o Sacrifício, o Amor sublimado pela Renúncia. E é, definitivamente, um filme político, na mais nobre acepção do termo. No início da acção, perante a multidão que enche o seu café, Rick, em conversa, afirma “I stick my neck out for no one”. Ou seja, Rick aparece como um neutral e cínico comerciante, que não se importa com quem ou como lhe pagam, aparentemente sem coração e sentimentos. Puro engano. O capitão Renault lembrar-lhe-á que, em 1936, vendia armas aos etíopes, em luta contra a invasão italiana e, em 1938, lutava ao lado dos republicanos contra os franquistas. Rick ainda dirá que foi muito bem pago, ao que Renault conclui, acertadamente, que os vencedores pagariam muito mais. Isto é, quando Rick chega a Casablanca, já tinha um passado político bem marcado, e sempre do lado da liberdade contra os ditadores. Não é por acaso que a sua lua-de-mel com Ilse (e poderia ser noutra cidade, que não Paris, neste filme romântico?), acontecimento transversal ao filme, tem lugar na capital francesa, já que fora para França que fugiram muitos dos resistentes a Franco. E é com este homem, que comprara a um pobre larápio (Ugarte) as “cartas de trânsito”, que têm de conversar Victor e Ilse, sob a vigilância de Renault e Strasser. A simples presença de Ilse (de que a cena de “As Time Goes By” é apenas um sintoma) abre feridas em Rick o que, num filme medíocre, o faria retaliar, por ciúmes, junto de Victor. Nada disso, a única retaliação é junto de uma garrafa de Bourbon: “Of all the gin joints in all the towns in all the world, she walks into mine”. A dúvida implícita que nos fica, porque se fosse explícita todo o espírito do filme seria traído, é a de um possível reencontro amoroso entre Rick e Ilse. A partir daqui, o crescendo romântico e encadeado (“Os clichés são o que está a dar”, Ecoi) é vertiginoso. Os chamados clichés vão-se encaixando como num puzzle, com timing exacto para entrarem. Não por acaso, Claude Chabrol, outra figura de proa da nouvelle vague e dos Cahiers du Cinéma, dirá, acertadamente: “Descobri o segredo do sucesso da realização de filmes: timing”. Victor tenta obter, e pagar, as “cartas”. Rick faz-se artificialmente caro, mas, Victor, acertadamente, confronta-o: “You know how you sound, Mr. Blaine? Like a man who´s trying to convince himself of something he doesn’t believe in his heart”. É o mesmo Victor que, numa conversa, agora sobre Ilse, dirá a Rick: “Apparently you think of me only as the leader of a cause, Well, I’m also a human being. Yes, I love her that much”. Não há, nem houve, qualquer triângulo amoroso. Como, nos dois minutos mais belos do cinema, Rick dirá a Ilse: “We’ll always have Paris”. O triângulo é outro, é Victor, Rei Artur de Camelot, Ilse /Guinevere, Rick/Lancelot (ou alter ego de Victor/Artur ?), e a demanda do Santo Graal /A Vitória, ferindo o inimigo com a espada Excalibur / A Resistência. Não será por acaso que após o último diálogo, Victor e Rick ouvem os oficiais nazis em altos berros a entoar “Die Wacht am Rhein”. Victor pede à orquestra que toque “A Marselhesa”. A orquestra aguarda a ordem de Rick. Este acena que sim, e o hino revolucionário de 1789, da Liberdade, Igualdade, Fraternidade abafa completamente a soberba teutónica. É o Rick político, inexoravelmente, e mais uma vez. Sacrificando-se, e ao Café (que será fechado pelos nazis), por lealdade para com Victor e a sua demanda, e por amor a Ilse, que sabe não ter oportunidade de reaver. A título de curiosidade, refira-se que a emoção e as lágrimas provocadas por “A Marselhesa”, visíveis na cena, são genuínas, já que a maior parte dos figurantes eram refugiados europeus fugidos à ocupação nazi. E é assim, que, nas cenas finais, assistimos ao fabuloso diálogo, rostos em primeiro plano, olhos nos olhos (“Here’s looking at you kid”), entre Rick e Ilse, quando esta, numa última tentativa o tenta convencer a acompanhá-la (existem só 2 “cartas”…para Mr. e Mrs. Victor Lazlo, dirá Rick). Rick, sacrifica-se, amando e por tal renunciando à mulher desejada, lembrando-lhe a imperiosa necessidade de acompanhar Victor na sua missão, ou demanda: “… Ilsa, I’m no good at being noble, but it doesn’t take much to see that the problems of three little people don’t amount to a hill of beans in this crazy world. Someday you’ll understand that”. O diálogo atrás referido, e o final do filme, em que Strasser ainda tenta prender ou aniquilar Rick e os Lazlo, e acaba morto às mãos de Renault (“Prendam os suspeitos do costume”), revela o futuro, Renault e Rick vâo-se juntar à resistência, ou, pelo menos, apoiá-la, e a água de “Vichy”ii acaba no caixote do lixo, num gesto que significa a catarse de Renault, finalmente expurgado das cadeias do comando e da propaganda impostas pelo ocupante. E Rick, pelo sacrifício, é o outro lado do espelho de Victor, Lancelot transfigurado em Artur. E todas estas emoções e acções se desenrolam perante nós, em apenas 102 minutos. No final, talvez não consigamos ler as legendas, já que algo nos turva a vista… “É muito filme, uma antologia.”iii “Se isto não for o cinema, é porque o cinema não existe. Nem eu, nem tu. Nem nenhum de nós”.iv Casablanca foi lançado oficialmente, nos Estados Unidos a 26/11/1942, mas com pouco êxito. Somente depois da conferência entre Churchill e Roosevelt, em 1943, precisamente em Casablanca, o interesse pela película sobe exponencialmente, e é reexibido com sucesso. Em 1944 conquista três Óscares: Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Original. Espantosamente, Bogart não ganhou o prémio de melhor actor (vingar-se-ia, anos mais tarde, e esplendorosamente, com A Rainha Africana , de John Huston, e ao lado de Katherine Hepburn). Em Portugal, e “compreensivelmente”, só é estreado após o fim da II Guerra, no cinema Politeama, a 17/05/1945. Consta que a cena de “A Marselhesa” foi aplaudida de pé durante minutos. Escusado será dizer que circularam e circulam diversas histórias sobre possíveis remakes deste filme, desde intenções de Madonna (!), que situaria o cenário no Iraque (!!) ao cinema indiano de “Bolywood”, passando pela inefável Paris Hilton. A título de curiosidade, refira-se que uma “coisa” chamada “Barb Wire” (em português “Bela e Perigosa”), de 1996, dirigida por David Hogan, com Pamela Anderson, que interpreta a proprietária de um night club na única cidade livre (Steel Harbour) de um país, dirigido, no século XXI, por métodos autoritários, tenta passar como inspirada em Casablanca . O que vale é que o crime não compensa! Perdão, e abra-se aqui um parêntesis, às vezes compensa e até ganha estatuetas. São uns “artistas”… não é verdade, Gene Kelly, Martin Scorcese? Mas voltemos àquele que, na nossa modesta opinião, consideramos o mais belo e emotivo filme da história do cinema, socorrendo-nos das sempre sábias palavras do saudoso João Bénard da Costa: “Quem o vir impassível, ou já perdeu a alma, ou já perdeu o coração, ou já perdeu um e outro. É ser humano de companhia a evitar cuidadosamente”v. Só nos resta recomendar, pedir, que vejam, ou revejam, “Casablanca”. De mãos dadas, de preferência. Pode ser o princípio de uma bela amizade... Até porque “… the world will always welcome lovers / as time goes by”. Luís Diogo – 20/07/2012 Id., Ib. Por Vichy, designamos o governo fantoche instalado pelos nazis após a invasão da França. Os alemães ocuparam o Norte da França, e o sul foi “governado” por esse governo francês colaboracionista – prendia e executava opositores, deportava prisioneiros para os campos de concentração. A 11/11/1942 os alemães ocuparam toda a França e acabou a fantochada. iii “Casablanca, or, The Clichés are Having a Ball”, Eco, Umberto, in Signs of Life in the U.S.A.: Readings on Popular Culture for Writers, edição de Sonia Maasik e Jack Solomon, Bedford Books, Boston 1994, pgs. 260-264 – tradução de Filomena Diogo iv Os Filmes da Minha Vida; Os Meus Filmes da Vida- 1º. Volume, da Costa, João Bénard, Assírio & Alvim, 2ª. Edição, 2003 v Os Filmes da Minha Vida; Os Meus Filmes da Vida- 1º. Volume, da Costa, João Bénard, Assírio & Alvim, 2ª. Edição, 2003 i

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D E L E G A Ç Ã O N O RT E

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A NA C

Atividades, Passeios e Viagens

Por Né do

Resposta à Rubrica “Quem é o Autor ?”

A resposta à rubrica “Quem é o Autor?” publicada no último boletim da Anac, é a seguinte: Padre António Vieira, In “Sermão de Santo António, pregado em 1642”. Padre António Vieira, foi um religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Deixou uma obra complexa que exprime as suas opiniões políticas, não sendo propriamente um escritor, mas sim um orador. Além dos Sermões redigiu o Clavis Prophetarum, livro de profecias que nunca concluiu. Entre os seus sermões, alguns dos mais célebres são: o "Sermão da Quinta Dominga da Quaresma", o "Sermão da Sexagésima", o "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda", o "Sermão do Bom Ladrão", "Sermão de Santo António aos Peixes" entre outros. Vieira deixou cerca de 700 cartas e 200 sermões. Os nossos Colegas António Barata, Maria Manuela Boavida e Duarte Azevedo, descobriram a resposta correta à pergunta “Quem é o Autor?”. Parabéns a todos e o agradecimento da Delegação Norte da Anac pela vossa preciosa colaboração.

Passeios no Porto Terminamos no dia 17 de Maio o ciclo da Primavera dos passeios à descoberta do Porto. Este passeios “à descoberta do Porto…” tiveram início em 29 de Março com a visita à Quinta de Vilar D’Allen, seguindo-se a visita ao Jardim Botânico em 12 de Abril, a visita ao Centro do Porto (Igreja Santo Ildefonso, Capela das Almas, Rua de Santa Catarina, Capela de Fradelos, Edifício da Culturgest, Congregados, Porta dos Carros e Edifício da Delegação Norte da Anac) em 03 de Maio e Afurada (com passagem pelo Jardim do Calém, Capela de Santa Catarina e travessia de barco para a Afurada) em 17 de Maio.

Viagem a Lisboa de 1 a 3 Abril O Tejo e o Sol, quase sempre presente, fazem da capital portuguesa um espelho de cor, em que a beleza e singularidade arquitetónica não passam despercebidas. Caminhar por uma Lisboa com mil anos de história, rica em monumentos, bairros característicos onde a cidade nasceu e permanece a mais genuína. A Delegação Norte da Anac efetuou uma viagem a Lisboa, entre 1 e 3 de Abril, com uma boa participação de Sócios e seus Familiares, que permitiu aos participantes ficarem a conhecer um pouco melhor a capital e as suas muitas atrações culturais, arquitetónicas e paisagísticas. Assim, os participantes puderam ver e apreciar a baixa Pombalina e a margem do rio Tejo, subir ao Arco da Rua Augusta e seu miradouro e visitar o Museu da cidade, inaugurado em 1942 no Palácio da Mitra, tendo sido criado com o objetivo de documentar e divulgar a História de Lisboa nas diferentes etapas da sua evolução. Visitaram também a encantadora Vila de Sintra subindo ao Palácio Nacional da Pena, fantástico monumento que constitui o mais completo e notável exemplar de arquitetura portuguesa do Romantismo, e o Palácio Nacional, em Mafra, que é o mais importante monumento barroco em Portugal, ocupando 38.000 m², com 1.200 divisões, 4.700 portas e janelas e 1 56 escadarias, magnificência apenas tornada possível pelo afluxo de ouro do Brasil. A viagem muito preenchida, que satisfez a curiosidade cultural dos participantes, contemplou também a visita ao Museu Nacional do Teatro, instalado no Palácio Monteiro-Mor, o Museu Nacional do Azulejo, um dos mais importantes museus nacionais, pela sua coleção singular e um jantar numa típica Casa de Fados no Bairro Alto. Delegação Norte da Anac / Junho 2014

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Atividades, Passeios e Viagens

D E L E G A Ç Ã O N O RT E

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A NA C

Passeio a Montalegre

No dia 10 de Maio, com muita participação de Sócios e seis Familiares, visitamos Montalegre e a Barragem do Alto Rabagão. Começamos com a visita ao Ecomuseu do Barroso - Pólo de Salto (Casa do Capitão). O Pólo do Ecomuseu de Salto é dedicado aos ofícios tradicionais e respetivas alfaias, aos ciclos do linho e da lã, a matança do porco e a festa de São Sebastião. O pólo está instalado na casa do Capitão, em tempos a casa mais importante da localidade. Após almoço (um excelente e típico “Cozido Barrosão”), visitamos a Barragem do Alto Rabagão incluindo o seu interior que é alimentada pelo rio Rabagão. Continuamos com a visita a Montalegre e ao Ecomuseu de Barroso - Espaço Padre Fontes. O Ecomuseu do Barroso assume-se como elemento âncora da estratégia de desenvolvimento integrado e sustentável do território barrosão. Integra funções de documentação, investigação e interpretação dos valores culturais e naturais da região. Está situado na zona envolvente ao Castelo de Montalegre, sendo parte integrante da sua linha de muralha.

Viagem aos Açores

Viagem aos Açores, S. Miguel, organizada pela Delegação Norte da Anac, entre os dias 5 e 8 de Junho, com a participação de Colegas de várias regiões do país. A nossa viagem começou com a visita a Ponta Delgada, a maior cidade dos Açores, o Centro Histórico, a Praça Gonçalo Velho Cabral, as Portas da Cidade, a Igreja de São Sebastião, a Igreja de São José e o Mercado da Graça. Visitamos todos os pontos de interesse da Ilha de S. Miguel: a Vila Franca do Campo; as Furnas; o Parque Terra Nostra, com o seu fascinante Jardim Botânico; a Lagoa das Furnas, para observação do famoso cozido que foi o nosso almoço desse dia. Visitamos o Miradouro do Ferro, a Fábrica do Chá Gorreana, o Miradouro Stª Iria, a cidade da Lagoa, com paragem na Fábrica da Cerâmica Vieira, subimos ao Pico da Barrosa onde podemos contemplar a vista da Lagoa do Fogo, o Monumento Natural e Regional da Caldeira Velha com observação da sua fauna endémica e visita a pé aos pontos mais interessantes da cidade da Ribeira Grande, com Prova de Licores. Tivemos também um Jantar típico com animação de grupo de folclore local.

Delegação Norte da Anac / Junho 2014

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D E SAFIO AOS SÓCIOS:

VA MO S PASSAR AS NO S S A S MEMÓ R I A S A O PA P E L A nossa Associação vai completar 30 anos no próximo dia 10 de julho de 2015. Esta efeméride não poderá passar sem a condigna comemoração. Seguindo algumas sugestões que chegaram à Direção, inclusive durante o último Encontro Nacional, decidimos tomar em mãos uma tarefa que poderá revelar-se de muito difícil execução mas que por isso mesmo é mais desafiante. Todos nós temos histórias, estórias e imagens que nos marcaram durante as nossas vidas de trabalho seja nos serviços seja nas agências da Caixa. Algumas serão picarescas, outras serão dramáticas, outras serão mesmo muito enternecedoras. Todas elas revelarão, estamos certos, o ambiente de trabalho, a relação interpares e também com os clientes e, no final, a história social da “nossa casa” e do nosso país nos últimos cinquenta ou sessenta anos. Nas diversas edições dos boletins da ANAC já foram sendo publicadas algumas dessas memórias dispersas. Dos trabalhos recebidos na organização dos “nossos talentos” também podemos recuperar alguns textos. Estes serão os primeiros contributos para a tarefa a que nos propomos. Mas queremos muito mais – sabemos que você tem algo para dar a todos e é por essa razão que esta página é dedicada a si, que guarda na sua gaveta (física ou da memória) momentos importantes para todos, sejam eles sob a forma de uma fotografia, de um desenho, de um poema ou de um texto em prosa. Os que fizeram e estão a fazer a nossa casa precisam deles. Portanto, não hesite, envie-nos o seu contributo pois ele é muito importante para todos. A Direção da ANAC não fará qualquer tipo de ajustamento aos documentos recebidos salvo a eventual substituição de nomes por abreviaturas (sobretudo no caso de referência a colegas que possam ter falecido entretanto) e aqueles que tecnicamente forem necessários para os harmonizar de forma a serem publicados em livro. As únicas exigências são que os documentos tenham a ver com o tempo que passámos na Caixa, seja durante o trabalho seja durante os momentos de convívio e de lazer e também que o seu autor seja devidamente identificado. Damos-lhe o prazo até ao fim do ano de 2014 para arejar as suas memórias e pô-las ao serviço de todos. Participe enviando-nos os documentos para a sede da ANAC, fazendo a entrega numa das nossas Delegações ou mesmo enviando-os por mail. Não se retraia - a sua participação é fundamental para que a nossa história seja preservada e divulgada. Esta é a nossa forma de comemorarmos os 30 anos da nossa Associação e de homenagearmos o contributo que todos demos para que a CGD seja ainda uma instituição de referência.

Ficha Técnica Propriedade da ANAC – Associação Nacional dos Aposentados da Caixa Geral de Depósitos; Sede: Rua Marechal Saldanha, nº. 5-1º. 1200-259 Lisboa, Tels. 21 324 50 90/3, Fax 21 324 50 94, E-mail: anac@cgd.pt, Blogue: http://anaccgd.blogspot.com; Coordenação: Carlos Garrido; Publicação: Trimestral; Impressão: Gráfica Expansão - Artes Gráficas, Lda., Rua de S. Tomé, 23-A, 2685-373 PRIOR VELHO; Tiragem: 3.500 exemplares; Depósito Legal: nº. 55350/92; Distribuição: gratuita aos sócios; Colaboraram neste número: Cândido Vintém; Carlos Garrido; José Coimbra (Deleg. ANAC Norte); Luís Diogo; António Peres Almeida

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PLANO DE ATIVIDADES EM 2014 junho

– dias 1 a 15 – dias 14 a 27

estepona Playa – 1º Turno Capitais Bálticas

julho

– dia 9 – dia 23

BEM-vINDOS A BEIRAIS PASSEIO FESTA MARROQUINA

setembro

– dias 1 a 15 – dias 17 e 18 – dias 20 a 27

estepona Playa – 2º Turno vindimas no douro Bélgica, Normandia e Paris

outubro

– dia 4

encontro nacional

novembro

– dias 10 a 12

S. MARTINHO

dezembro

– dia 13

ALMOÇO DE NATAL

da iniciativa da delegação NORTE DA anac junho

– dias 5 a 8 – dia 28

açores - s. miguel entrega de prémios

julho

– dias 4 a 13 – dia 26

roménia e bulgária póvoa de lanhoso

agosto

– dias 4 a 10

capitais da europa central

setembro

– dia 6 – dias 13 a 23

Ferradosa – Viagem Ferroviária Férias em Espanha – Oropesa de Mar

outubro

– dia 4 – dias 10 a 12 – dia 18

encontro nacional Galiza-Encontro com a Ribeira Sacra arouca

novembro

– dia 8

S. MARTINHO

dezembro

– dia 13

ALMOÇO DE NATAL

ATIVIDADE NA SEDE DA anac - 2014/2015 Estamos a preparar o calendário para o ano de 2014/2015. Temos previstas as seguintes atividades: • Danças (às terças feiras) • Ensino da viola (às segundas e terças feiras) • Ensino de informática (às sextas feiras, em princípio) • Ensino do espanhol (às sextas feiras, em princípio) • Ensino do francês (às quintas feiras) • Fotografia (a determinar) • Grupo Coral (ensaios às segundas feiras) • Grupo de Cantares (ensaios às segundas feiras) • Pintura com aguarela (em dias diversos) • Yoga (às quintas feiras) Outras que os Sócios pretendam e onde haja no mínimo 10 inscritos.

— CONTACTE A ANAC E INSCREVA-SE —

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Anac boletim 61 final