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Publicação Trimestral da ANAC

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(',72 5,$ / (stamos a viver tempos de grande dificuldade, sem vislumbrarmos a saĂ­da para uma crise que nĂŁo foi provocada pela “peste grisalhaâ€? (como, despudorada e impunemente, um dos “ilustresâ€? deputados da nossa Assembleia da RepĂşblica nos apodou). 3ara os prĂłximos tempos sĂŁo anunciadas novas ameaças para a dignidade dos que trabalharam para construção da nossa casa e do paĂ­s. NĂŁo podemos calar nem podemos desagregar-nos. 3ela nossa parte manteremos os contactos com as organizaçþes de trabalhadores da CGD (ComissĂŁo de Trabalhadores e Sindicatos) no sentido da defesa dos reformados. (mbora afetada tambĂŠm pelos reflexos da crise, a vida da ANAC prossegue no caminho que consideramos o mais correto tendo em vista a defesa dos nossos SĂłcios. ,nternamente, foi reforçada a presença junto dos SĂłcios residentes na regiĂŁo da Beira Interior (distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu) com a abertura de uma delegação na Guarda. Trata-se de uma delegação instalada em edifĂ­cio gratuitamente cedido pela Caixa, com acesso exclusivo e ao serviço de todos os SĂłcios. 7ambĂŠm as instalaçþes da Delegação Norte foram mudadas para um local com mais espaço e muito mais adequadas Ă s necessidades dos SĂłcios da regiĂŁo. A partir do momento em que esteja concluĂ­da a transferĂŞncia, os SĂłcios passarĂŁo a ter um local central (Rua 31 de Janeiro, no centro do Porto) com instalaçþes de utilização exclusiva dos SĂłcios da ANAC, sem os constrangimentos anteriores. (xternamente, a nĂ­vel do Grupo Europeu, pela primeira vez sob direção da representação portuguesa, vamos celebrar os seus 20 anos no Euroencontro que decorrerĂĄ de 02 a 09 de maio de 2014 em Fuengirola. $ssim, apesar da crise e das dificuldades inerentes, reafirmamos a presença da ANAC nĂŁo sĂł junto dos seus SĂłcios mas tambĂŠm a nĂ­vel internacional. (stamos vivos, ativos e queremos continuar como tal. Contamos consigo‌

&ULVHHFRUWHVQDVSHQV}HV,QIRUPDomRHPDQLSXODomR Quem estĂĄ atento ao que alguns dos denominados “meios de comunicação socialâ€? (ou media na sua versĂŁo latino-britânica‌) publicam sobre as supostas chorudas reformas por nĂłs auferidas nĂŁo poderĂĄ deixar de se indignar. A indignação cresce ainda mais quando aqueles pretendem fazer crer que os aposentados da CGD estĂŁo imunes aos cortes brutais que a troyka que nos governa quer impor aos mais fracos (os reformados, sem poder reivindicativo), deixando de lado os BPNs, as PPPs e as fugas aos impostos dos amigos do poder. A tĂŠcnica de manipular e confundir a opiniĂŁo pĂşblica ĂŠ muitĂ­ssimo antiga e tem nomes bem conhecidos na sua utilização, seja na Alemanha seja em Portugal ou noutros paĂ­ses. Ela ĂŠ relativamente fĂĄcil de utilizar, sobretudo em ĂŠpocas de dificuldades. Temos assistido, em Portugal, Ă sua utilização atravĂŠs de intervençþes de polĂ­ticos, de tĂ­tulos de jornais, na televisĂŁo ou na rĂĄdio onde se dĂĄ relevância, por vezes de forma bombĂĄstica e espetacular, a situaçþes distorcidas que podem causar fraturas na coesĂŁo geracional ou mesmo social, no sentido lato. Quando se anuncia que a crise foi motivada por uma geração que “viveu acima das suas possibilidadesâ€? ou que a culpa dela ĂŠ da “peste grisalhaâ€? o que se pretende dizer ĂŠ que nĂłs (os mais velhos) nĂŁo respeitĂĄmos a herança e os valores dos nossos antepassados mas que os delapidĂĄmos de forma a que os mais novos nĂŁo tivessem futuro. Portanto, para esses manipuladores, a nova geração sĂł terĂĄ de ver-se livre dessa “peste grisalhaâ€? para que passe a viver no melhor dos mundos. NĂƒO É VERDADE. ChegĂĄmos a este ponto porque, de forma desavergonhada, os polĂ­ticos e os banqueiros manobraram nĂŁo sĂł Portugal mas tambĂŠm toda a Europa e os EUA. De igual forma, querer imputar aos aposentados p da CGA a responsabilidade pela insustentabilidade da mesma NĂƒO É VERDADE. Se a CGA nĂŁo ĂŠ sustentĂĄvel nos moldes atuais ĂŠ porque o Estado (gerido pelos polĂ­ticos) nĂŁo entregou a parte que lhe competia e/ou utilizou o nosso dinheiro para fins diferentes dos que devia. Como solução para pagar os erros que eles cometeram (por prĂĄtica ou omissĂŁo) resolveram que serĂĄ a mesma “peste grisalhaâ€? condenada a viver sem dignidade e mendigando o apoio dos filhos que nĂŁo podem trabalhar para lhe poder dar algum suporte na velhice. Com o anunciado corte nas pensĂľes previsto no OE para 2014, em nome de uma pseudo convergĂŞncia com o sistema da Segurança Social, dando continuidade Ă  polĂ­tica de extinção dessa “pesteâ€?, assistimos a mais uma manipulação da opiniĂŁo pĂşblica desta vez visando-nos concretamente. NĂƒO É VERDADE que os aposentados da CGD estarĂŁo isentos desses cortes. E nĂŁo ĂŠ verdade porque nĂłs jĂĄ os sofremos mesmo antes de todos os outros aposentados. Se algum dos nossos SĂłcios se deu ao trabalho de confrontar o documento da CGA com os valores que recebe no fim do mĂŞs, jĂĄ se deu conta de que esse corte consta no valor nominal da pensĂŁo que lhe ĂŠ atribuĂ­da desde março de 2013. Num caso concreto, que chegou Ă  Direção da ANAC, o valor da pensĂŁo em janeiro de 2013 era de 2.635,73 e em setembro era de 2.439,03. Portanto, esta pensĂŁo jĂĄ estĂĄ “cortadaâ€? no seu valor logo g Ă  partida. p NĂŁo poderemos deixar-nos manipular. É fundamental que nos mantenhamos devidamente informados e unidos Ă  volta das entidades que melhor nos podem representar – sejam as associaçþes de aposentados sejam os sindicatos. (Cândido VintĂŠm)

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Veja a circular dentro deste boletim e inscreva-se


)LFKD7pFQLFD Propriedade da ANAC – Associação Nacional dos Aposentados da Caixa Geral de Depósitos Sede: Rua Marechal Saldanha, nº. 5-1º. 1200-259 Lisboa Tels. 21 324 50 90/3 Fax 21 324 50 94 E-mail: anac@cgd.pt @ g p Blogue: http://anaccgd.blogspot.com p // g g p Coordenação: Carlos Garrido Publicação: Trimestral Impressão: Gráfica Expansão Artes Gráficas, Lda. Rua de S. Tomé, 23-A 2685-373 PRIOR VELHO Tiragem: 3.500 exemplares Depósito Legal: nº. 55350/92 Distribuição: gratuita aos sócios Colaboraram neste número: Cândido Vintém; Carlos Garrido; Orlando Santos; Antónia Serrano; António Barata; Fátima Mendonça; Francisco Pestana; Mariana Santos; Inácio Lagarto; José Coimbra (Deleg. ANAC Norte).

$12(8523(8'2&,'$'­2 A declaração de 2013 como o Ano Europeu de Cidadãos foi apresentada pelo Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, acompanhado por representantes da Presidência Irlandesa. A conferência decorreu no Dublin City Hall, perante 200 pessoas de diferentes setores, que se tinham inscrito para participar no primeiro encontro de cidadãos do ano. O debate centrou-se na crise económica em curso, direitos e vantagens de ser cidadão da UE e do que é possível que esta consiga alcançar em 2020. Ser cidadão europeu tem implicações na sua vida diária, das quais se destaca um conjunto de direitos, tais como a liberdade de deslocação e estadia nos diversos países da União, podendo estudar, trabalhar e ter acesso a diversos sistemas de saúde e preços mais baixos nas chamadas telefónicas O estatuto de cidadão europeu permite-lhe também votar e ser eleito para cargos municipais no país da União em que resida. As eleições para o próximo Parlamento Europeu terão lugar em 2014. Verifica-se porém, como um estudo de 2010 evidencia, que estes direitos ainda não são bem conhecidos, revelando que apenas 43% dos contactados sabiam o verdadeiro significado do estatuto de cidadão europeu e, cerca de 48%, sentiam que não estavam bem informados acerca dos seus direitos. O objetivo mais significativo do Ano Europeu dos Cidadãos 2013, que celebra o 20º aniversário da cidadania europeia, conceito introduzido pelo Tratado de Maastricht em 1993, é elevar o conhecimento dos direitos como cidadãos da UE e estimular o debate sobre o desenvolvimento da cidadania europeia, acerca do que esta deveria desejavelmente ser, em 2020. Será uma grande oportunidade para fazer acontecer o diálogo entre os vários níveis governamentais, sociedade civil, negócios e outros interessados e olhar para os obstáculos que os cidadãos da UE, ainda encontram na vida diária, para o efectivo exercício desses direitos, nomeadamente a livre circulação, direitos políticos e a necessária discussão de soluções para remover esses obstáculos. O conjunto de questões levantadas no estudo, “Cidadania Participativa na União Europeia”, publicada em maio de 2012 e a consulta pública sobre a cidadania europeia apresentada no último verão, incluídas no Relatório de 2013 da Cidadania Europeia, oficialmente divulgadas em maio pela Comissão da UE, foi a maior contribuição até agora, para o Ano Europeu do Cidadão.

Tendo em vista contribuir para a inclusão da perspetiva sénior na cidadania europeia, a AGE juntou-se à Aliança para o Ano Europeu de Cidadãos 2013, que reune um conjunto de organizações civis, representativas do acordo de cidadãos, num quadro alargado de entendimento sobre diversas áreas. O objetivo da Aliança, é fazer ouvir a voz da sociedade civil, no debate respeitante à cidadania europeia, incentivando o seu conhecimento pelos cidadãos, para além da dimensão económica e social. Promover a noção de cidadania ativa e democrática no sentido de apoiar o envolvimento dos cidadãos na participação dos negócios públicos, assuntos sociais e capacidade de decisão na vida das suas comunidades. Esta noção de cidadania, originada no estatuto legal do cidadão, inclui todos os aspetos da vida e encoraja os cidadãos (incluindo os mais desfavorecidos), a tomar parte nos processos de decisão a todos os níveis. O Tratado de Lisboa já apresenta um vasto quadro para o desenvolvimento da cidadania europeia, tendo por base uma comunidade com valores, e reforça a dimensão política e social, garantindo à Carta de Direitos Fundamentais, o mesmo valor legal que os tratados da UE, melhorando o envolvimento dos cidadãos e as organizações da sociedade civil nos processos europeus. A Aliança contribuirá para assegurar que o Ano Europeu do Cidadão, reflete esta aproximação e promoverá ao longo de 2013, atividades que possam facilitar e servir de suporte a várias formas de expressão e mobilização para a cidadania ativa na Europa. A mensagem chave da Aliança para o Ano Europeu de Cidadãos 2013, está resumida no seu Manifesto, publicado na página www.ey2013-alliance.eu

Texto em tradução livre da página da AGE Platform Europe, onde a nossa ANAC, por ser membro e deter a presidência do Grupo Europeu de Pensionistas das Caixas Económicas e Bancos, se encontra representada. C. Garrido

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Grupo Europeu de Pensionistas das Caixas Económicas e Bancos (Associação sem fins lucrativos - CIF: G-53731964)

INTRODUÇÃO

XConvenção internacional dos direitos dos idosos

Durante mais de uma década os nossos governos quiseram fazer-nos crer que poderíamos hipotecar o futuro. A crise financeira originada nos Estados Unidos, devido à inaptidão dos organismos bancários e à sofisticação extrema dos produtos financeiros, contaminou o conjunto dos sistemas bancários estando a provocar perdas colossais e obrigando os Estados a intervir de forma massiva.

Os direitos dos idosos devem ser definidos em função do conceito de envelhecimento e não pelo limite de idade.

Estas intervenções acarretaram profundas consequências. Os planos de austeridade adotados por todos os países europeus não só vão resultar socialmente dolorosos mas também provocarão altos riscos económicos, pela necessidade de impor medidas de austeridade sem precedentes. Atuemos para que sejam instauradas medidas que permitam aos idosos da nossa sociedade viver com dignidade.

A CRISE E OS IDOSOS Por toda a Europa o poder de compra dos idosos vê-se drasticamente reduzido; as pensões mínimas de velhice estão abaixo do limiar de pobreza. No marco de umas prestações mínimas, além daquelas de caráter monetário, resulta problemático o acesso aos serviços (cuidados domiciliários, ajudas, transportes, mobilidade, habitação...) Uma vez impostas as restrições pelos governos, um dos sectores mais afetados é o de Saúde. A crise financeira varreu os grandes projetos. A reforma prometida das leis de dependência parece ter sido enterrada, e não obstante é de caráter urgente. A deficiência é outro dos temas que afeta uma boa parte dos idosos, porque cresce ao mesmo tempo que a idade, fazendo com que os que a sofrem dependam de terceiros para a realização das suas atividades quotidianas. O envelhecimento da população provocou uma explosão das patologias vinculadas com a idade. Imediatamente apareceu uma série de medidas relativas ao não reembolso de certos medicamentos e ao aumento da fatura obrigatória hospitalar. Temos a impressão de nos encontrarmos perante um sistema de saúde a duas velocidades.

CONCLUSÕES O impacto da crise financeira entre os idosos é evidente; os aspetos relativos à proteção social mostram que o nível de busca da felicidade tem sido substituído pelo nível de busca da austeridade. A ação dos membros do Agrupamento Europeu junto com a Plataforma AGE de Bruxelas e junto com as instâncias nacionais deverá dar os seus frutos nos seguintes temas:

XSolidariedade intergeracional

A crise afeta os jovens da mesma forma que afeta os idosos. Isto pode provocar tensões entre as diferentes gerações. Por este motivo é importante, de novo, encorajar a solidariedade intergeracional. XInstauração de um novo Pacto Intergeracional

Hoje em dia, o processo do envelhecimento da população, que apresentam as atuais sociedades desenvolvidas, coloca um importante desafio face aos sistemas de saúde e provoca uma importante preocupação social em relação às finanças públicas. O envelhecimento da população europeia impõe uma solidariedade reforçada entre as diferentes gerações. É urgente adotar, então, as medidas sociais e económicas necessárias para integrar o êxito que representa o prolongamento da vida.

AQUECIMENTO GLOBAL Quan Qu u an a do d o u m ho h me m m sonh so o nh h a. a ... AC A C RE REDI DII TA D A! M nt Ma ntém ém m a f or orça ça a d o ve e nc n er e – Pens Pe n a, ns a n a ne n grr ur ura a da v id d a, a, Nass al Na a te e ra r a çõ raçõ ções ess c llii má m ti t ca c s, s Na r ea eali lida li d a de m edon da dade ed d on n ha h a.. S br So b e oa am m bii en e te t .. ... ME E DI DITA TA A! Te e m ve e rrg g on o ha ha.. . ... Da D a a ra ranh n a qu nh u e te t ce e F lor Fl ores or ess ce c Se e m te t me m r. r... . Na c ob o biç iç iça ç a de d sm m ed e id ida! a!! Qu u e deix d e ix i a o cl c im m a na naus u ea us eabu bu u nd d o. o Faze Fa zemze m se ms e C im m ei e ra r s Di D pl p om o mát átt ic átic icas a as ... O ho o rrr o orr a rr r asta ass ta o m al – O ce cená ná á rio rii o é de d p ob obre reza z , za Porr in Po i cú ú rii a de t en e ta t çõ õ es L vi Le v a n as a Qu u e se e a la a st stra ra a m pe pelo lo M un undo do;; do Pelo Pe lo a qu q ec ecim imen im ento en to o G llo o ba b l Traz Tr az a mo az orr te e a t ri rist stez st ez z a; O se s nt ntir ir a nd d a au u se sent ntt e n P ef Pr e fer ere er e a ve velh lh ha b brr an n du u ra a A tr t ag agéd éd d ia v iv i v e pr p ess en n te C or Ch o am m O ce e an n os p ell a se s cu c ra r E a Te Terr rra. a . ... F ic c ará arr á se sem m ge g ent nte! nt e! Sett úba b l, l 10/12/ 10/ 0/ 12/ 2 200 009 09 Iná á cio c J. J M. M. L La a gar g to o

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( 63$d2 ' ( 5()/(;­2 CULTURA DEMOCRÁTICA

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funcionamento da vida em democracia, nos tempos que correm, é suposto apoiar-se em princípios de sinceridade e transparência, nas vertentes social, política, económica e laboral. Aliás, o funcionamento do sistema democrático só faz sentido se agregar de forma implícita um conjunto de valores que constituem a génese da sua existência pois doutro modo será apenas uma farsa.

A maioria dos cidadãos, estou convicto, gostaria de viver nessa verdade e por isso, mantem a esperança de que os desvios que acontecem, serão apenas exceções a essa regra geral, que com tanta esperança se vem disseminando pelo mundo. Porém, a realidade impõe-se de forma tão dramática, que esse sonho de transparência se torna apenas isso mesmo, um sonho. O segredo, o secretismo, a forma enviesada de atuação e o caminho ínvio, parecem infelizmente ser a regra e não a exceção. Existem demasiadas zonas de sombra, organizações secretas, segredos na vida social e política, cuja divulgação é sonegada, processos nebulosos, onde a manipulação e a desinformação são a norma. No entanto, nestes tempos em que a informação é tão valorizada, e supostamente um importante poder na defesa da democracia, em que a mesma se transmite e circula com grande facilidade, tomamos consciência de que faltam muitas vezes elementos fundamentais e determinantes para possíveis escolhas e decisões, que tornassem verdadeira a proclamada igualdade de oportunidades, tão necessária e até essencial à vivência em sistema democrático. A prática por um número significativo de cidadãos de falta de sinceridade e ocultação de facetas importantes das suas vidas, permite que sejam construídas imagens diferentes das realidades pessoais. Tudo isto possibilita que ascendam a lugares de destaque e poder, os que defendendo valores e causas que nos são importantes, por intermédio de técnicas de marketing e publicidades enganosas, escondem muitas vezes factos graves que originam graves desordens sociais. A dicotomia entre as normas que exigem a existência de transparência nas relações sociais no seu sentido pleno e o refinamento da criatividade para ludibriar o que está estabelecido, seja no aspeto social, profissional e até emocional, permite que no seu conjunto a sociedade seja vítima dos que de forma mais ou menos visível, tirando benefício dessa contradição, se legitimem com base na incoerência dos que agindo dessa forma, estão na origem das grandes desigualdades que se manifestam na nossa vida coletiva. Temos que decidir se queremos uma vida em sociedade mais clara e transparente do que o comportamento que uma boa parte dos cidadãos legitima, ou apenas uma extensão das nossas próprias contradições íntimas que se possam projetar no exercício da nossa condução coletiva. C. Garrido

EQUILÍBRIO E JUSTIÇA

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velocidade da vida moderna habituou-nos à rapidez com que pessoas, empresas, governos, negócios se entrecruzam no panorama atual. Um momento de reflexão porém, leva-nos a pensar nas raízes de tudo isto e no porquê dos movimentos, enormemente contraditórios com que nos confrontamos no dia a dia. Vivemos um tempo de encruzilhadas e sobreposições. Nas décadas anteriores, especialmente na segunda metade do século passado, verificou-se um contínuo e intenso fenómeno de interdependência entre os diferentes países. Constata-se a velocidade surpreendente de mudança, mas também a permanência de um conjunto de problemas das mais diversas origens. Dos principais problemas que existiam, nenhum foi definitivamente ultrapassado, tendo diminuído em alguns deles alguma tensão e o confronto iminente. O caso da guerra nuclear, a não resolução do problema da alimentação, da água potável e principalmente da energia, cuja localização das fontes permite compreender as confrontações locais que permanecem latentes ou estão mesmo em curso. Tudo se enraíza no longo caminho que, nos últimos séculos, nos conduziu ao conjunto de aquisições técnicas e formas de viver por elas permitidas, e se apoia na existência de três entidades que têm a enorme capacidade de se auto-reproduzir: a Terra, a Humanidade e o capitalismo. Nenhuma destas entidades é uniforme ou homogénea. A Terra reproduz-se na sua globalidade e na pluralidade das suas regiões. A Humanidade reproduz-se pelas sociedades humanas, sua diversidade e evolução. O capitalismo toma formas múltiplas, apresentando funcionamento diverso nos países em que se tornou a realidade dominante, produzindo sociedades avançadas, nas suas múltiplas vertentes. Antes de aparecerem os homens, a Terra reproduzia-se sem necessidade da sua existência. Antes do capitalismo, as sociedades humanas eram reproduzidas sem ele. Hoje em dia, estes três processos de reprodução – Terra, Humanidade, capitalismo, encontram-se cada vez mais interdependentes e interativos. Com a sua demografia e correspondentes necessidades crescentes, as sociedades humanas alteram de forma cada vez mais significativa, a reprodução da Terra de que dependem. O capitalismo também contribui para isso de forma crescente, pois através das suas dinâmicas de transformação, modula a reprodução de um número cada vez maior de sociedades, desestabilizando outras, promovendo o distanciamento entre elas. O capitalismo focaliza as suas dinâmicas num conjunto de 1 a 2 mil milhões de seres humanos com capacidade de compra, deixando os outros milhares de milhões sem essa capacidade, mais ou menos à sua sorte. No entanto, sempre que daí possa tirar vantagem, entra no seu mundo, modificando ou destruindo as sua condições de vida, mentalidades e respectivas culturas, pela criação artificial de necessidades muitas vezes inúteis, porém indispensáveis à manutenção do processo reprodutivo capitalista. Tudo isto é origem do aparecimento e mesmo aprofundamento de desigualdades, pelas mudanças que induz. A mercantilização de todos os aspectos da vida privada e social, impõe-se, e o endeusamento do dinheiro torna-se praticamente o único valor. Algumas pessoas enriquecem e inúmeras são obrigadas à pobreza, à miséria e à angústia pelo medo do futuro. E tudo isto em simultâneo com o aparecimento de oportunidades de desenvolvimento, novos perigos e novas ameaças, que surgem originadas pelo modo de funcionamento do próprio sistema. Este, subordinando o conhecimento científico aos interesses empresariais, lança no mercado de consumo produtos muitas vezes mal testados, sem a certeza das consequências no futuro, sem ter tido em conta o princípio da prudência (transgénicos, vacas loucas, efeito de estufa)!...Consequências deste com-

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portamento, as alterações climáticas, são a face mais visível da reprodução desequilibrada da Terra. O desenvolvimento (se é que se pode chamar desenvolvimento), desequilibrado de muitas sociedades com o crescimento, sem gerar empregos, em simultâneo com as crises associadas, que caracteriza a atual fase do capitalismo, torna instável o relacionamento equilibrado entre a Humanidade e a Terra. Acelerou-se o processo de mundialização que já vinha acontecendo desde o século XV, tendo-se aprofundado, por intermédio dos impérios europeus nos continentes africano e asiático. A Revolução Tecnológica surgida com o aperfeiçoamento das telecomunicações, cujo expoente máximo é a Internet, foi determinante como alicerce para a globalização. Estes meios tecnológicos mostraram-se extremamente eficientes na ligação do mundo, permitindo um rápido fluxo de capitais e negociações, tornando possível a existência do funcionamento do mercado de forma flexível e dinâmica em praticamente todo o globo. Todos estes meios, utilizados com eficácia pela corrente económica que lidera, o neoliberalismo, ajudam este sistema a impor-se nos governos de quase todos os países do mundo, beneficiando da vitória ideológica e política que conseguiu, no início dos anos noventa do século passado, após a queda da antiga União Soviética. Apresentado pelos seus ideólogos como o expoente máximo da organização humana, o fim da História, não é possível fazer esquecer que o seu modelo não consegue assegurar a existência e uma vida digna a toda a Humanidade. O seu modo de funcionamento ao fazer competir no mercado global, mercados desenvolvidos, onde existe, ou pelo menos existia, vida digna e trabalho com direitos, com mercados em formação em países em desenvolvimento, enfraquece as condições de vida de uns, sem se vislumbrar qualquer melhoria nas condições de trabalho e de vida dos outros. Em consequência, aumenta o desemprego, destrói-se a classe média onde ela existia, promovem-se as desigualdades, destrói-se o sonho a uma possível ascensão social, conseguida pela educação e pelo trabalho. Poderão existir porém outras alternativas. O humanismo, nascido da cultura judaico cristã, que ainda existe nos países europeus, poderá conseguir criar uma outra globalização, que utilizando as conquistas da revolução científica e técnica, possa descobrir o caminho para uma comunidade mundial mais justa, livre e democrática, no sentido total do conceito, estimulando a união entre as nações, a cooperação no desenvolvimento do saber, a distribuição mais justa da riqueza produzida, a tolerância entre as diferentes culturas e costumes para toda a Humanidade. Não pode deixar-se morrer a esperança.

lisboa cidade de encantos retirado da internet por Orlando Santos

O Largo onde termina a rua da Sede da ANAC O LARGO DO CALHARIZ onde já funcionou a Sede da CGD, pertence às freguesias, de Santa Catarina e de S. Paulo, partilhando ainda com a freguesia da Encarnação e fica entre o cimo da Calçada do Combro e a Rua do Loreto. Neste largo iniciam ou terminam as seguintes ruas: Loreto, Chagas, Bica de Duarte Belo, Marechal Saldanha (rua da sede da ANAC), Luz Soriano, Rosa, Atalaia e a Calçada do Combro. Existem neste largo diversos pontos de interesse, entre outros os seguintes:

Carlos Garrido

Exposição de Pintura, no Centro Cultural de Sousel, a partir de 23 de outubro, com inauguração às 17 horas, dos colegas de secção de pintura da ANAC, Francisco Pestana e Mariana Santos.

O Elevador/Ascensor da Bica com mais de um século de existência, é o ascensor mais típico da cidade de Lisboa e, embora não tenha a mesma afluência do Elevador da Glória, constitui nos dias de hoje uma das atrações turísticas da capital, estando classificado como Monumento Nacional. O Palácio Valada-Azambuja construído no século XV no sítio da Quinta do D. Álvaro Vaz de Almada, sofreu várias modificações ao longo de três séculos. No primeiro andar do imóvel está instalada a Biblioteca Municipal Camões. Neste mesmo andar funciona a 6ª Conservatória do Registo Civil. O Palácio Sobral mandado construir entre 1770 e 1780 por Joaquim Ignácio da Cruz Sobral, lº Administrador dos bens dos Sobrais. Neste palácio ficou instalado o Quartel Geral de Wellington em 1811 e o Marechal Beresford entre 1812 e 1813. Durante alguns anos e até 1879 aí esteve, ocupando parte das instalações o Hotel Mata. Em 1887, foi adquirido pela Caixa Geral de Depósitos para aí instalar a sua Sede, entretanto já transferida para a Av. João XXI. O Palácio do Sousa Calharizes, que deu o nome ao largo é hoje uma construção do início do século XVIII e foi erguido pelo Morgado do Calhariz, e nele habitou o conhecido diplomata D. Pedro de Sousa Holstein, mais tarde lº Duque de Palmela., Em 1882 funcionou nele o Ministério dos Negócios Estrangeiros. A partir de 1947, passou para a posse da Caixa Geral de Depósitos e depois de várias alterações, é ligado por um arco ao vizinho Palácio Sobral. Em 1997 sofre novamente obras de recuperação as quais lhe valeram a atribuição do Prémio Eugénio dos Santos. Hoje os dois Palácios, do Calhariz e do Sobral, fazem parte do mesmo conjunto arquitetónico, estando neles instalados alguns serviços do Grupo Caixa Geral de Depósitos, nomeadamente a Fidelidade Seguros e uma Agência da CGD. !!!!!!!

AG UA R E L A S Se a Vida é uma aguarela E se a luz sugere a cor, Nada melhor que uma tela P’ra mostrar que uma aguarela É sempre um ato de amor; Amor pelo Alentejo Que, em facetas, recria Qualquer pintor, sem ter pejo De que, a saudade e o desejo, O encham de nostalgia… Fátima Mendonça Set/2013

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$7,9,' $' (6 ESTADIA EM ISDABE DE 1 A 15 DE JUNHO ISDABE – cumpriu-se mais uma estadia, conforme é habitual há cerca de uma vintena de anos. Fomos cinquenta pessoas, entre sócios e convidados, tendo corrido tudo bem, sem ninguém a adoecer ou a perder-se. A ida às praias e “mercadihos” decorreu a contento de todos, tanto para os habituais, como para os iniciados.

madeiras, metal, encadernação e decoração de livros, pintura decorativa, douramento, desenho, têxteis e estofador. Recomenda-se a quem tiver disponibilidade e gosto pela arte, uma visita mesmo sem integração num grupo, pois sairá esclarecido quanto a muitas dúvidas que possa ter, em relação a técnicas usadas nas artes decorativas, e que nunca teve oportunidade de ver executar de perto. Seguiu-se o almoço nas instalações da Fundação. C. Garrido

IDA AO TEATRO

Também se realizaram algumas viagens culturais: - Gibraltar, Torremolinos, Fuengirola, Marbelha, Mijas, e os chamados “Pueblos Blancos” – Olvera; Setenil de las Bodegas e Ronda, assim como saídas à noite a Porto Banus e Marbelha, que nesta altura do ano estava em festa. Festejamos o 10 de junho, com um lanche muito bem servido pela cafetaria de ISDABE, fartura de bocadilhos e muita sangria. Depois dos comes e bebes, houve cantares, música portuguesa e fados, para alegrar todos os presentes, nesta tarde de convívio. Acrescento que ISDABE, tem servido em self–service, o que se tornou mais agradável aos portugueses. Termino, informando que o regresso a casa decorreu com normalidade e com vontade de voltar no próximo ano. Antónia

VISITA À FUNDAÇÃO RICARDO ESPÍRITO SANTO SILVA Integrado no programa de atividades para o ano em curso, dois grupos de sócios da ANAC, efetuaram nos dias 26 e 28 de Junho, visitas guiadas à Fundação Ricardo Espírito Santo Silva. Nascida do espírito sensível e culto do fundador, empenhado na divulgação cultural e preservação das Artes Decorativas Portuguesas, e dos ofícios que lhes dão corpo, a Fundação está instalada no Palácio Azurara, no Largo das Portas do Sol, no antigo Bairro de Alfama em Lisboa. Doado ao Estado Português em 1953, com parte da coleção privada do fundador, nele está instalado o Museu da Fundação, estando as Oficinas e Ateliers a funcionar num edifício próximo da sede. O grupo, dividiu-se em dois subgrupos, que visitaram alternadamente as duas instalações, guiadas de forma esclarecida e competente por uma funcionária da Instituição. O Museu encontra-se instalado no Palácio, que procura representar uma casa aristocrática do séc. XVIII. A coleção encontra-se exposta em núcleos temáticos, Mobiliário, Têxteis, Prataria, Porcelanas e Faianças, Azulejos, Pintura, Desenho, Escultura, Encadernação. Na Oficina, são reproduzidas e recuperadas peças originais, no que respeita à conservação e restauro do património cultural, nas áreas das

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Na noite de 24 de julho, compareceu um grupo de sócios e amigos da ANAC, respondendo à proposta constante do Plano de Atividades, para uma ida ao Teatro Politeama, assistir ao espetáculo “Grande Revista à Portuguesa” de Filipe la Féria. A proposta permitia, antes da sessão, incluir jantar ou não na Casa do Alentejo, opção pela qual se decidiram dezasseis participantes. O espetáculo propriamente dito, é muito satírico e vivo, com a movimentação que um grande musical impõe, e momentos de crítica social e política oportuna, na antiga linha da revista à portuguesa. No elenco brilham nomes como João Baião e Marina Mota, em conjunto com artistas e bailarinos da nova geração. Todos os participantes gostaram do espetáculo e pessoalmente acho que vale a pena uma ida ao Politeama. C. Garrido

VIAGEM À ALEMANHA ROMÂNTICA Um grupo de 50 Sócios, familiares e amigos deslocou-se à Alemanha, entre os dias 04 e 12 de julho. A primeira cidade visitada foi Berlim, cidade cheia de história e com muitas marcas de um passado ainda muito vivo, especialmente visíveis no muro que ainda resta e nas ruas que ele dividia. Mas também conhecemos a sua nova face consumista, com muito relevo para o “Sony Centre” erguido no antigo “corredor da morte” e onde atualmente se situa o centro financeiro da cidade. Dresden foi uma das cidades mais martirizadas no decorrer da guerra. Ela ergueu-se das cinzas e hoje é um local de uma beleza que leva o visitante a refletir muito seriamente sobre o que o Homem é capaz de fazer. Em Potsdam visitámos os locais onde decorreu a conferência que colocou um fim (esperamos que definitivo…) ao horror. Em Nuremberga, cidade com um centro histórico medieval lindíssimo, visitámos o sítio onde foram julgados alguns dos responsáveis por esse horror. A Alemanha imponente foi sentida em Munique, cidade muito agradável que assume o seu papel de grande centro de decisão dos destinos do seu país (e do nosso, também…). A “outra Alemanha” apresentou-se com esplendor nas jornadas que fizemos através da floresta negra e da estrada romântica – Heidelberg, Rotemburg-aub-der-Tauber, Füssen ou Oberammergau. As construções religiosas mais inesperadas foram apreciadas no trajeto – Abadia de Ettal e, sobretudo, as Igrejas de Wies e de S. Sebaldo (Nuremberga). Os castelos que tornaram a Baviera famosa – Linderhof, Nymphemburg e Neuschwasnstein – deslumbraram os visitantes com as suas arquiteturas e decorações típicas de uma época com um rei controverso – Luís II da Baviera. A cerveja alemã não causou baixas no grupo. A pesada e saborosa gastronomia, com alguns sabores menos agradáveis ao nosso paladar, foi


um desafio por vezes difícil de engolir mas como o grupo está sempre aberto a novas experiências, o resultado final foi positivo. Como momento mais complicado para o grupo temos de referir o “mistério do desaparecimento do autocarro” que foi ultrapassado com grande profissionalismo pelo guia Bruno Fernandes e pelas guias locais, em Munique. Como opinião final, ficámos com a ideia de que os participantes tiveram a oportunidade de conhecer uma Alemanha mais acolhedora, também ela com a capacidade de nos mostrar o seu lado romântico.

PARTICIPAÇÃO DO GRUPO DE CANTARES NO II WORLD MUSIC FESTIVAL

Cândido Vintém

NOTÍCIAS DA ANAC: DELEGAÇÃO DA BEIRA INTERIOR No passado dia 28 de junho foram inauguradas as instalações da Delegação da ANAC na região da Beira Interior (abrange os distritos de Viseu, Guarda e Castelo Branco). Esta inauguração representa o fim de uma etapa que se iniciou na Assembleia-Geral da ANAC de março de 2011 com a aprovação do lançamento desta Delegação. Ela representa, simultaneamente, uma nova etapa de desafios para os “três Mosqueteiros” (que, como acontecia na célebre obra, também são quatro) que tomaram para si a tarefa de desenvolver atividade num local nobre que dignifica a nossa Associação e os seus Sócios (em primeiro lugar os da região, mas também todos os outros). Após excelentes obras de restauro, adaptação e de melhoria das instalações, efetuadas pela Caixa, podemos sentir-nos orgulhosos pela qualidade do local que ficou ao dispor dos nossos Sócios. Na cerimónia contámos com a presença de uma forte representação da CGD através do Administrador da Caixaimobiliário (Dr. José Gonçalves), dos Diretores Centrais da DPE (Dr. Henrique de Melo) e o Diretor Coordenador da DPC (Dr. João Rodrigues), do Diretor Comercial da Guarda (Dr. Luís Beiral), dos Gerentes das agências da cidade, da equipa de Engenheiros que tão bem concebeu a recuperação do espaço e também com a participação de alguns colegas no ativo. Esta demonstração de apoio que a estrutura da Caixa deposita na nossa Associação dá-nos força para continuarmos a trabalhar pelo bem-estar dos nossos Sócios. Os nossos colegas da Delegação Norte (José Coimbra e Coelho Lemos) também marcaram presença como forma de incentivar o trabalho da nova equipa. A Direção da ANAC fez-se representar pelo seu Presidente e pela Vice-Presidente Cremilda Cabrito. Cerca de duas dezenas de Sócios marcaram presença na inauguração do seu novo local de convívio. Em nome da Direção da ANAC só podemos agradecer a disponibilidade da “nossa casa”, dos seus gestores e técnicos para que os nossos colegas tenham um lugar digno para conviverem e prepararem atividades. As instalações dispõem de acesso gratuito à internet, jornais diários para leitura, zona de atendimento e, muito brevemente, de uma biblioteca. Com esta nova Delegação vamos poder dar cumprimento ao lema “dar vida aos anos de vida dos Sócios”, dando oportunidade aos residentes na região para saírem de casa e participarem nas muitas iniciativas que, estamos certos, irão decorrer a partir de agora.

O Grupo de Cantares da ANAC marcou presença no II World Music Festival que decorreu em Praga, na República Checa, entre os dias 25 e 28 de agosto. Este festival reuniu muitos grupos vindos de três continentes - desde a Venezuela à Arménia e da Indonésia a Portugal, passando pela Rússia, Itália, Turquia ou República Checa. O nosso grupo foi um dos primeiros a atuar, no dia 25, na NámČstí Míru (Praça da Paz). Este dia foi particularmente marcado pela chuva, o que causou alguns contratempos à organização e aos grupos. Durante a atuação do Grupo da ANAC fomos agradavelmente surpreendidos por dois espetadores especiais – os nossos Sócios e colegas “globetrotters” José e Ju Désirat que, desde maio, percorriam a Europa na sua autocaravana e estavam de passagem por ali... No segundo dia a atuação do nosso grupo decorreu nas instalações do “Hotel Olympic” para nos abrigarmos da chuva que ameaçava. Esta foi uma verdadeira jornada de confraternização como mostra uma das fotos com os grupos português, italianos, russo e outros a cantarem em conjunto temas de todos conhecidos, perante uma plateia que praticamente enchia o auditório. No terceiro dia a atuação foi finalmente feita “a seco”, numa parada pela zona central da cidade de Praga, desde a cercania da “Praça Velha” até à travessia da Ponte Carlos. Tivemos o grato prazer de encontrar alguns portugueses que vibraram com a presença da nossa bandeira e das nossas cantigas.

Foi com indisfarçado orgulho que vimos o nosso grupo a atravessar a Ponte Carlos (lugar icónico de Praga) entoando o “Velho Pimentinha” ou o “Era o vinho…”, sendo fotografado e aplaudido por gente de todo o mundo. Na componente turística, embora não se tratasse de uma excursão temática, todos os participantes se maravilharam com as belezas que a cidade de Praga nos proporciona. Julgamos que a ida de quase todo o grupo ao Teatro Negro (outro dos ícones da cidade) foi um dos momentos muito interessantes da viagem. Como a cidade tem uma vasta oferta de concertos (nas praças, igrejas, palácios ou teatros), alguns dos nossos tiveram a oportunidade de se deliciar com momentos mágicos. O nosso País, a nossa Associação, a nossa cultura e os nossos cantores foram dignificados em terras distantes. Foi bom recebermos tantos aplausos sobretudo de portugueses e brasileiros na lindíssima cidade de Praga. Em 2014 é possível que um festival deste tipo decorra em Portugal. Os nossos Grupos de Cantares e Coral já estão convidados a participar… Cândido Vintém

As instalações situam-se na Rua do Comércio nº 44, por cima da Agência João Almeida, bem no centro da cidade da Guarda. Cândido Vintém

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N OT Í C I A S

DO

N O RT E

DELEGAÇÃO

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P O RTO



Resposta à Rubrica ³Quem é o Autor "´ A resposta à rubrica ͞Quem é o Autor?͟publicada no último boletim da Anac, é a seguinte: Álvaro Cunhal. Álvaro Barreirinhas Cunhal foi um políƟco e escritor português, conhecido por ser um resistente ao Estado Novo, e ter dedicado a vida ao ideal comunista; Eugénio de Andrade, pseudónimo de José FonƟnhas foi um poeta português. O nosso Colega António Barata, descobriu a resposta correta à pergunta ͞Quem é o Autor?͘͟Parabéns e o agradecimento da Anac-Norte pela sua colaboração. A resposta à rubrica deste número, deverá ser dirigida à Delegação da AnacNorte e será divulgada no próximo número deste jornal.

3RU1pGR

Quem é o Autor ? ͞Sou comunista pensando num socialismo do futuro completamente diferente do passado, muito mais humano e com uma verdadeira democracia de base em que possa haver eleições, sem dúvida, e parlamentos em que haja formas de democracia mais autênƟcas e profundas. Nem sempre nas democracias capitalistas há uma relação entre aqueles que elegem e aqueles que são eleitos. Parece-me que este Ɵpo de eleição é insuĮciente para uma verdadeira democracia. Tem de haver uma mobilização da base, uma parƟcipação da base. Não

acredito já hoje no homem novo. Acreditei. Tive uma profunda admiração por Ernesto Che Guevara, que tentou ser um homem novo e criar homens novos, mas acho que os homens rapidamente adormecem e que os esơmulos morais não bastam. É preciso esơmulos materiais. Também não acredito no estaƟsmo total, na estaƟzação total de um país como a União SoviéƟca. Acredito sim que tem de haver um sector empresarial forte para que possa haver cultura. Não uma cultura dirigida, mas uma cultura apoiada para que possa haver saúde, assistência social; para que possa haver trabalho criaƟco e amor

pelo trabalho. E acredito que tam de haver necessariamente iniciaƟva privada, mas não do Ɵpo monopolista e que, nesse aspeto, as ideias marxistas têm de ser adequadas às realidades do homem de hoje. Que o senƟmento de propriedade não é ter uma casa ou uma terra. É perfeitamente legíƟmo. Que não deva transformar-se numa opressão dos homens pelos outros homens. Portanto aí não importa muito saber-se que, no futuro, chamar-se-á comunismo a essa sociedade que será a globalização socialista. Que essa sociedade será a única capaz de defender o ambiente, também o acredito.

Caldo de Letras / Urbano Tavares Rodrigues 3UpPLR9LGD/LWHUiULD A Caixa Geral de Depósitos entregou o Prémio Vida Literária ao escritor Urbano Tavares Rodrigues na cerimónia pública que teve lugar na Culturgest, em 7 de Fevereiro, e que foi presidida pelo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, e em que parƟciparam o Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Dr. José Manuel Mendes e o Presidente da CGD, Prof. Dr. António de Sousa. Este prémio insƟtuído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), em 1992, e patrocinado desde o início, pela Caixa Geral de Depósitos, entregue a Urbano Tavares Rodrigues, veio destacar tanto a obra do escritor no domínio da Įcção e do ensaio como a ͞extrema lucidez e generosidade com que, em mais de meio século sempre leu os autores de sucessivas gerações͘͟ Nas edições anteriores, este galardão foi atribuído a Miguel Torga (1992), José Saramago (1993), SoĮa de Mello Breyner Andersen (1994), Óscar Lopes (1996), José Cardoso Pires (1998) e Eugénio de Andrade (2000).  &RPHPRUDomRGRVDQRVGH9LGD/LWHUiULD Por iniciaƟva da CooperaƟva Árvore -Porto decorreram na sua sede, de 1 a 4 de Julho, várias reuniões -cuja temáƟca versava ͞O intelectual empenhado no limiar do século XXI͟- em que parƟciparam, para além do homenageado, José Manuel Mendes, Helena Buescu, Luís Adriano Carlos, BapƟsta Bastos, Isabel Pires de Lima, Maria João Raynaud, José Barata Moura, Mário Soares, Miguel Veiga e o coro Madrigália. Todos os intervenientes realçaram os 50 anos de literatura do grande criador de uma vasta obra Įccionista, professor, ensaísta e jornalista, em que sempre esƟveram presentes as suas opções ideológicas e a sua descrença no sistema neocapitalista liberal, que entende ͞estar agonizante e prestes a provocar grandes convulsões sociais͘͟ Como em qualquer destas reuniões não foi referido o inesƟmável contributo do homenageado para a formação e dinamização de grupos de teatro de amadores, achei oportuno, na qualidade de um dos fundadores de ͟Os Hipopó-

tamos͟ intervir para focar a primordial importância que teve o 1º colóquio promovido pelo grupo da Secção Cultural dos Serviços Sociais da CGD, precisamente orientado por Urbano Tavares Rodrigues. Nesse 1º colóquio –que se seguiu a um espetáculo em 6/3/71, pelo Teatro Estúdio de Lisboa, no Teatro Vasco Santana, exclusivo para os empregados da CGD a que assisƟram cerca de meio milhar de espectadores– foi analisada, sobre diferentes perspeƟvas, a peça ͞A Cozinha͟do dramaturgo inglês Arnold Wesker, internacionalmente famosa e aplaudida, tendo o original e fecundo escritor dissertado sobre as realidades estéƟcas, arơsƟcas e sociais do Teatro, da sua evolução e tendências mais marcantes na panorâmica portuguesa e universalista. Na década de 70 ͞Os Hipopótamos͟orientados por Costa Ferreira levaram à cena mais de uma dezena de espetáculos para adultos e um para crianças em Lisboa e no Norte e Sul do País, os quais foram muito bem recebidos pelo público e pelos críƟcos mais exigentes. Na década de 80, já denominado o grupo de ͞Teatro da Caixa͟ contou mais de meia centena de espetáculos em Lisboa e também nos Açores (Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta), Madeira (Funchal), Coimbra e Porto (para encerramento do FITEI). Com ͞O Tio Vânia͟de Tchekov, encenação de Rogério de Carvalho, cenograĮa de José Castanheira, obteve em 1981, 3 prémios da críƟca e o 1º prémio do FesƟval Sindical de Teatro de Amadores. Com ͞O Avarento͟de Moliére obteve o 1º prémio do FesƟval Sindical de Teatro de Amadores de 1984, apresentouse ao público de Lisboa (em mais de 30 espetáculos), da Covilhã, de Castelo Branco e Porto (encerramento do FITEI) e exclusivo para empregados da CGD. Em toda a parte foi recebida com agrado esta exemplar experiência dos empregados da maior InsƟtuição de Crédito do nosso País que jamais esqueceu a contribuição do Urbano para a fundação do seu Grupo de Teatro. WŽƌƚŽ͕ϭϬͬϬϳͬϮϬϬϯ ŽƐƚĂEĞǀĞƐ

Setembro 2013 - Anac Norte

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Atividades, Passeios e Viagens

N OT Í C I A S

DO

N O RT E

dŽƌŶĞŝŽĚĞ:ŽŐŽƐĚĞ^ĂůĆŽ Vamos dar início a um novo Torneio de Jogos de Salão da AnacNorte. Os jogos terão início em Novembro de 2013 e prolongar-seão até Maio de 2014, Įnalizando com um almoço de confraternização e entrega de Troféus, em Castro Laboreiro. As modalidades em disputa serão as seguintes: Bilhar Snoker; Bilhar Livre; Dominó Simples; Dominó Belga; King: Sueca: Copas; Damas; Xadrez e Crapô.

DELEGAÇÃO

DO

P O RTO

Podem parƟcipar todos os Sócios da Anac e respeƟvos Familiares. 

WĂƐƐĞŝŽƐŶŽWŽƌƚŽ 

Iniciamos em 25 de Setembro o novo ciclo, de Outono, dos passeios à descoberta do Porto͙ Este ciclo de Outono será consƟtuído por 4 passeios e privilegiará a visita a ediİcios, museus e monumentos da cidade do Porto.

WĂƐƐĞŝŽĚĂŶƚƌĞŐĂĚŽƐdƌŽĨĠƵƐ No dia 29 de Junho, realizamos um passeio, a

grande nação Russa: S. Petersburgo, a cidade imperial (a Fortaleza de Ped Pedro e Paulo, o Palácio de Ver Verão, o Hermitage e os seus imensos palácios), a ͞verdadeira jóia dos Cza͞ver res͖͟ e Moscovo, a cidade do Pós-Revolução, a praça Pó Vermelha, o Kremlin e os Verme ediİcios ediİcio estalinistas que deĮnem deĮne a carácter da capital Russa. Rus

sŝĂŐĞŵĂ>ŽŶĚƌĞƐ s ŝĂŐĞ Uma das d capitais mais fanfan São Leonardo de Galafura, de confraterniconfraterrnização de troféus ã e entrega d fé aos vencedod dores do Torneio de Jogos de Salão de 2013. 13. Este torneio decorreu entre Novembro de 2012 e Maio de 2013, sendo parƟcipado do por cerca de 45 Colegas .

sŝĂŐĞŵăZƷƐƐŝĂ Decorreu de 9 a 15 de Julho a viagem às duas mais ricas e importantes cidades da

tásƟca as da Europa, cheia de histásƟcas tória, realeza, riquezas, museus e palá palácios maravilhosos! Oxford Street, o Soho, Covent Garden e Piccad Piccadilly Circus, a Abadia de Westminster, o Museu de CeWestm ra, o Museu M Britânico, o Palácio de Buckingham, Buc a Torre de Londres. TTivemos muito para ver e aprecia apreciar nesta viagem a Londres. SSetembro 2013 - Anac Norte 

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( 63$ d2 &8 /78 5$/ UM PORTUGUÊS ILUSTRE Está presente no atual discurso político, o apelo permanente à elevação da autoestima dos portugueses. Uma das formas será recordar os que no passado, pela sua iniciativa, trabalho e dedicação contribuíram para o avanço do conhecimento, projetando-se no contexto histórico em que viviam e desenvolveram a sua atividade, enaltecendo o nome de Portugal. Garcia de Orta foi um desses portugueses, numa época em que a afirmação de algo que contrariasse uma pretensa verdade, firmemente estabelecida, poderia causar grandes dissabores ou custar a própria vida. O seu espírito crítico, independente, procurava pela observação direta a descoberta de novas drogas e medicamentos, colocando-o entre os pioneiros da botânica médica e da ciência atual. Nasceu no ano de 1501, em Castelo de Vide, filho de mercadores judeus, expulsos de Espanha pelo Reis Católicos, tendo-se instalado naquela localidade. Estudou nas Universidades de Salamanca e Alcalá de Henares, diplomando-se em Artes, Filosofia Natural e Medicina. Tendo exercido a sua arte em Lisboa, como médico de D. João III e conhecido o grande matemático Pedro Nunes, foi professor de Filosofia Natural na Universidade de Lisboa. Como médico pessoal de Martim Afonso de Sousa, capitão-mor do mar da Índia, acompanhou este durante durante os anos em que comandou as várias campanhas militares que decorreram nestes territórios entre 1534 e 1538 e mais tarde como governador de 1542 a 1545. Depois do regresso de Afonso de Sousa a Portugal, Garcia de Orta estabeleceu-se como médico em Goa, onde vive e pratica medicina, durante cerca de trinta anos, até à sua morte por volta de 1568. É no entanto como p pioneiro da botânica médica que o seu nome ficou perpetuado, no livro com o nome Colóquio dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia, editado em Goa em 1563. É a natureza que nos fornece há séculos, os componentes das mais diversas drogas e medicamentos, que nos permitem curar-nos ou pelos atenuar os efeitos das doenças que atormentam a humanidade. Aos chás, mezinhas e emplastros de folhas e flores maceradas, sucederam-se modernamente as pílulas e injeções, mas sempre o aproveitamento do poder curativo de algumas plantas. O contributo de Garcia de Orta como médico e botânico, é de destacar na divulgação g ç das p plantas do Oriente e a sua utilização ç medicinal, o que constitui uma importante base de suporte na aquisição de conhecimentos nesta área do saber. Durante a sua estadia na Índia, recolheu, descreveu e estudou as aplicações dessas plantas, descobrindo novas espécies e constatando a falsidade de muitas ideias que na época vigoravam. O livro Colóquios q …acima referido, escrito em p português, g contempla p um vasto repositório p de informações ç descrevendo em p pormenor as plantas e remédios da Índia. Este trabalho, é estruturado em forma de diálogo p g entre Garcia de Orta e Ruano, médico, antigo g colega g em Salamanca e Alcalá de Henares. É dividido em cinquenta e oito colóquios, organizado por ordem alfabética, onde se estuda um número idêntico de drogas orientais, de origem vegetal, como o aloé, a cânfora, a canafístula, o ópio, os tamarindos e muitas outras. Neles são descritas com rigor as características botânicas, tamanho e forma das plantas, descrevendo de seguida as suas propriedades terapêuticas. Muitas das plantas medicinais, apesar de conhecidas na Europa, eram-no de forma errónea e muito incompleta. Garcia de Orta, foi o primeiro europeu que de forma tão completa e precisa, descreveu o que observou, que ainda hoje permite identificar a planta descrita, mantem atuais muitas das suas indicações terapêuticas. Garcia de Orta estudou o coqueiro, fala das especiarias, como a canela, o cravo-índia, o gengibre, de grande importância económica e comercial. Destaca a importância do aloé, planta célebre desde os tempos antigos, pelas suas qualidades terapêuticas, pelos seus efeitos gástricos e purgativos, ação sobre o fluxo sanguíneo e uso externo que ainda hoje se utiliza em afeções de pele. Desfazer erros foi uma das suas mais importantes tarefas e um dos maiores contributos para o desenvolvimento moderno do medicamento. As plantas orientais conhecidas no ocidente, eram-no por descrição de comerciantes e marinheiros e não pela observação direta das suas qualidades, que Garcia de Orta teve a oportunidade de realizar. Com a revolução tecnológica, o tratamento através das plantas, deu lugar à indústria farmacêutica, que isola as suas substâncias ativas e sintetiza-as em medicamentos que presentemente curam e possibilitam o aumento da esperança de vida e continua a procura de plantas ainda desconhecidas, principalmente nas florestas tropicais, e o seu futuro aproveitamento no tratamento e cura de doenças novas e antigas, para as quais a cura tem tardado. Porém, para chegar a este momento de progresso científico, foi necessário subir vários degraus, entre os quais se encontra seguramente “Os Colóquios” de Garcia de Orta, pela influência que tiveram no futuro da investigação. O seu livro, teve grande divulgação na Europa, tendo sido editado, para além do português, em latim e castelhano. Até à sua morte, Garcia de Orta não teve problemas com a Inquisição, apesar de esta estar presente na índia desde 1565. Não aconteceu o mesmo à sua família que foi ferozmente perseguida, tendo a sua irmã Catarina sido condenada por judaísmo e queimada num Auto-de-Fé em Goa em 1569. Os seu próprios restos mortais foram exumados em 1580 da Sé de Goa, e condenados à fogueira por judaísmo. C. Garrido

HUMOR NO TRABALHO Durante vários anos, antes e depois da informatização das Agências, exerci funções de tesoureiro/caixa (na CGD o termo mais utilizado era o de tesoureiro). Ao longo desses anos tive oportunidade de observar e de viver vários episódios pitorescos e até cómicos, quer nas tesourarias quer na área administrativa. Gostaria de partilhar com os colegas leitores do “A Nossa Voz” alguns desses momentos que achei mais interessantes. Atente-se que isto se passa num tempo anterior ao CaixaAutomático e ao Multibanco havendo, por isso, um enorme volume de pagamentos e recebimentos feitos pelos caixas tradicionais. OBRIGADO! Havia um colega, tesoureiro, que um dia desabafou com o colega do lado: - Detesto que os clientes depois de eu lhes pagar me digam “obrigado!” - Mas porquê? p q - indagou g o outro. - É que fico logo desconfiado que lhe dei dinheiro a mais... e que me estão a agradecer. O PRÉMIO Na Rua do Ouro - Serviço de Transferências e Cobranças emitia-se centenas/milhares de cheques S/ o País (um cheque com garantia de pagamento em qualquer parte do País) cujo serviço tinha associado o pagamento dum prémio, uma comissão e até portes de correio, nos casos em que o cheque fosse enviado pela Caixa ao beneficiário do mesmo.

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Após eu ter atendido um cliente no que respeitava ao recebimento do dinheiro, entrega do comprovativo e do respetivo cheque, o mesmo mantinha-se em espera de fronte da caixa. Até que eu lhe disse que da minha parte o atendimento estava completo. Aí, ele com toda a convicção diz-me: - Ora essa! Ali ao balcão, disseram-me que tinha um prémio... Estou à espera para o receber! DISTRAÇÃO Anteriormente à informatização, a certificação dos documentos de caixa era feita através de carimbo a óleo molhado na respetiva “almofada”. Quando se carimbava grandes quantidades de documentos aquela operação exigia rapidez e alguma destreza no manuseamento dos cheques e do carimbo, sincronizadamente. Contava-se de um colega muito distraído, que certa vez acertou com o carimbo no polegar da mão esquerda... E que pediu desculpa ao cliente que tinha em frente da caixa. Não assisti ao caso, mas a história assentava bem na pessoa em apreço que, aliás,, era um colega g de g grande g generosidade e companheirismo. É justo fazer esta referência ao V.T.J.

Este último caso referido não foi por mim presenciado: DIZIA-SE QUE:...; Nos dois anteriores fui parte na ação. António Barata, sócio n.º 2993-1 Agosto de 2013


2 6 6 ( 1 ,2 5( 64 8 ( 6( & 8 , ' (0 O IDOSO E O PAPEL DA FAMÍLIA Recentemente foi publicado no Jornal Sénior um artigo referente à recolocação da família no lugar que lhe compete na Sociedade. A Presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, consultora da Direção Geral de Saúde, Maria João Quintela defende que a forma como a Sociedade lida com os seus idosos, não é correta do ponto de vista social e até moral. O envelhecimento nos tempos de hoje, encarado pelos poderes públicos como um problema, um fardo, é uma dádiva que o progresso civilizacional recente possibilitou à Humanidade e tem que ser considerado um ganho extraordinário. O aumento da esperança média de vida, com qualidade, é o resultado das condições de vida conseguidas na segunda metade do século passado, cuja defesa nos exige a luta contra as transformações que nos pretendem impor, o que nos obriga a mudar a mentalidade actual, corporizada na animosidade, que infelizmente se tem manifestado na convivência entre gerações. Atualmente, o comportamento familiar padrão, passa por entregar os idosos da família ao cuidado de outros, em lares, onde muitas vezes são abandonados à solidão e à tristeza. Para minorar o problema, procura-se canalizar o investimento para apoio aos idosos no aumento do número de camas em instituições e quase nunca no aumento do número de serviços à disposição das famílias. A Presidente da Associação acima referida, apoiada na vasta experiência que possui nesta área, opõe-se com clareza à ideia de ingresso, entendido como natural, dos idosos no lar. Chama a atenção para a baixa qualidade de vida existente em muitos deles, com os utentes a passar a maior parte do tempo sentados em cadeirões, sem receber estímulos físicos e mentais que lhes permitam uma vivência plena, muitas vezes num isolamento permanente, sem contactos com os outros utentes, e até com muito poucas visitas da própria família. Este comportamento tem tendência a agravar as consequências das doenças que nestas idades costumam manifestar-se, com perda progressiva da autonomia e o consequente decréscimo da qualidade de vida. Para quem decide esta questão deveria ser simples, bastaria pensar como gostaria de ser tratado no futuro quando a sua vez chegar. Ninguém quer ir para um lar, logo qual a razão porque continuamos a insistir nesta resposta? É verdade que não é possível acabar com os lares nas condições presentes. No entanto, seria possível incentivar as diversas instituições a olhar o problema de forma diferente, destinando uma fracção crescente do financiamento para a implementação de serviços envolvendo mais as famílias, em detrimento do aumento da capacidade de instalação. As respostas têm que ser procuradas na comunidade, transformando gradualmente os lares em serviços de proximidade. Para funcionar este modelo seria necessário reunir equipas multissectoriais e multidisciplinares em ligação com a família e os idosos, como elementos essenciais para apoio, acompanhamento e cuidados. Seria necessário a adesão de múltiplos sectores a este modelo, tendo em vista a saúde dos seniores, a diminuição da pobreza, promover a convivência social para prevenção da solidão, e da depressão que muitas vezes a acompanha. Os acidentes que ocorrem com muita frequência nas idades seniores, seriam muito reduzidos se as habitações fossem preparadas de acordo com as suas necessidades, principalmente quando vivem sós. Serviços de proximidade que os podem apoiar em compras, idas aos centros de saúde e farmácias, protecção do frio no inverno, articulados com as autoridades locais. O mais importante porém está na mudança das mentalidades e do desequilíbrio de valores que infelizmente se instalou na actual forma de viver. A ideia de que os custos relacionados com o envelhecimento são exageradamente elevados, deverá ser combatida. A ausência de saúde, com as incapacidades que origina, é que os agrava. Quanto melhor a condição física e emocional dos idosos, maior será a poupança de recursos que poderão ser aplicados noutras necessidades. Somos Som mo oss um m gru rupo p ate po atento nto o nos no os so so c cla l morr es e tá t pre p esen sente; sen te; não ão o ap p aga a ag o pen p ensam en sam s ento ent o man n ten en n do o a c ham am a m a a rde d e nte n . nt A C aix x a é of ofici ic na ici n de ami amizad z ad e e un zad zade za união ião o; no o que e re rer e qu que e iilum lum lumina m ina na a o resp r esp espeit eit itt o ao a o irmã i rmã ã o. o ANAC ANA C é n no o ssa a vo v z d dum pa passa a ssa sssado d a b rill har do har;; liga lig a a fo força rç rça ç de d to t doss nó n s, s não ã si silen len e cia en c .... o son ci sonhar har a . Nosso Nos so ris r o f oi gua ri a rda rd do d em m fut uturo u ur uro c m guar co g u ar ida da;; a a lma d do o ap p ose e nta t do o é a lu luta ta a pel p a V ida pe i . id Dem m oss vig v or ao a sab saber sa er e a o jove j ove e m n a e str t ada a; hojj e v ive vemos ve mos m os do d la lazer zer... zer ... . da can an n dei eia ei a a pag p ada ada!! ANA NA AC é no n ssa a vo voz dum m passa pa a ssa s do a b ril r har har;; liga lig a a fo força rça rç ça de ç e to todos do nó dos nós, s s, n não s len si encia c ... o son cia so o har har. Sett úba ú b l, 11/ 1 07/ 07/201 2011 3 Iná nácio c Jo cio ci J osé sé é M. M Lag Lagart art rto o htt h t p:/ p://ot /ott rag ragal. al. l blo o gsp g ot. t.com com om m

O Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas, deverá ser considerado uma componente importante de qualquer programa de desenvolvimento do país, ao considerar essenciais a promoção do envelhecimento ativo, a adaptação dos cuidados de saúde as necessidades próprias dos idosos e pela criação de ambientes favoráveis à sua autonomia e independência. O paradigma actual tem de evoluir da sua forma passiva de encarar o envelhecimento e mudar para uma atitude proativa e participativa. É necessário ultrapassar o distanciamento, incentivar a autonomia e independência, considerando o actual aumento da esperança de vida. A crise actual, com o drama do desemprego e o corte brusco de rendimentos familiares que origina, tem levado muitas famílias a retirar os seus idosos dos lares, por incapacidade de pagamento das mensalidades e reintegrá-los no seio da família. É verdade que muitas destas atitudes, têm a ver com a utilização das pensões dos familiares idosos, que muitas vezes passam a ser o sustentáculo essencial do agregado familiar. Bom seria que esta tendência fosse permanente e se mantivesse quando as condições económicas melhorarem e as famílias voltassem a cuidar dos seus idosos, devidamente apoiadas pelos serviços e equipamentos adequados. Para que isto se possa tornar realidade, muita coisa terá que mudar. O fenómeno da inversão da pirâmide demográfica está a acontecer há muito tempo, não tendo sido pensadas políticas públicas condizentes com esta realidade. A construção da vida de progresso e desenvolvimento democrático a que todos aspiramos, só faz sentido se tiver em conta a importância que todos os seus cidadãos merecem, em todas as idades, de acordo com o progresso civilizacional já alcançado. C. Garrido

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3/$12'($7,9,'$'(6(0 outubro

– dia 5

ALMOÇO NACIONAL

novembro

– dias 10 a 12

S. MARTINHO (vidé circular n.º 24/13)

dezembro

– dia 14

ALMOÇO DE NATAL (*)

'$,1,&,$7,9$'$'(/(*$d­21257('$$1$& outubro

– dias 10 a 13

VIAGEM À MADEIRA

novembro

– dia 9

FESTA DE S. MARTINHO

dezembro

– dia 14

PASSEIO/CONVÍVIO DE NATAL

(*) Programa em preparação e a divulgar oportunamente.

DÊ ASAS À SUA CRIATIVIDADE E COLABORE COM “A NOSSA VOZ” Lançamos daqui um desafio aos nossos Sócios para que nos enviem colaborações para publicação no nosso boletim. Poderão assumir a forma de texto, desenho ou fotografia. PARTICIPE!

ATIVIDADES NA SEDE – 2013/2014 Interessam-lhe temas como as culturas pré-clássicas, a história das religiões, os mitos da cultura grega? ENTÃO ESTÁ NA HORA DE FAZER A PRÉ-INSCRIÇÃO PARA AS SESSÕES QUE DECORRERÃO NA SEDE DA ANAC, A PARTIR DO DIA 16 DE OUTUBRO. Gostaria de treinar o seu francê ncês, de pintar, ntar aprender render a tocar viola, viola praticar aticar yoga ou dançar? FAÇA JÁ A SUA INSCRIÇÃO PARA ESTAS ATIVIDADES QUE SE PRATICAM NA N NOSSA SEDE Gosta de cantar? COMPAREÇA AOS ENSAIOS DOS GRUPOS CORAL E DE CANTARES QUE DECOR DECORREM TODAS AS SEGUNDAS FEIRAS.

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Anac boletim 58  

Edição nº 58 do boletim "A Nossa Voz"

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