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Para
Entender
as
Mídias
Sociais



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fomos
assim.
Mas
hoje,
quase
sempre
somos
assim.
Na
 etiqueta
do
prestígio
digital,
menos
não
é
mais.
 Comentários,
cliques,
followers,
“amigos”,
“fãs”,
retweets
 e
repercussões
fermentam
o
desejo
de
ver
e
de
ser
visto.
 
 O
surto
narcizesco
nos
livra
da
frustração
da
realidade,
 porque
nele
concretizamos
a
fantasia
que
nos
protege:
 somos
homens
e
mulheres
nota
mil.
Em
pixels,
 configuramos
medidas
e
características
perfeitas
 intangíveis
fora
da
manipulação
dos
bytes.
Nos
 refugiamos
em
uma
realidade
paralela
cujos
códigos
 computacionais
alteram
nosso
DNA
digital
e
nos
fazem
 renascer
como
gostaríamos
–
o
que
nem
silicone,
 próteses,
injeções
e
megahairs
conseguem
com
tanta
 precisão
e
em
tão
pouco
tempo.
Atualizamos
a
vida
num
 segundo
apagando
qualquer
marca
do
passado.
 Estimulados
pelos
ícones
exteriores,
geramos
uma
cópia
 fiel
dos
desejos
internos
projetados
no
endeusar
dos
 mitos.
Não
mais
somos
nós,
como
Narciso
era
para
si,
 mas
de
que
isso
importa
numa
vida
que
se
tornou
a
cena
 de
um
espetáculo?
Se
restar,
qualquer
semelhança
com
 os
personagens
pode
ser
mera
coincidência.
O
que
 importa
nessa
atuação,
no
final,
são
as
palmas
e
as
flores
 jogadas
pelo
público.
Que
sejam
Narcisos,
os
únicos
que
 ainda
parecem
ser
de
verdade,
se
não
forem
de
plástico.
 
 


Para Entender as Midias Sociais  

Livro coletivo sobre assuntos transversais as redes de relacionamento, produzido e publicado por profissionais e pesquisadores da área em ab...