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“O dos castelos”

Mensagem Fernando Pessoa Ano letivo 2013/14 12.º A Ana Barros


Mapa Europa-Rainha - Heinrich Bünting (1581)

De acordo com o mapa de Bünting, de 1581:  no centro do mundo localizava-se a península ibérica, as coroas de Castela e Portugal unidas e soberanas com seus impérios. a Rainha Europa reinava soberana, a sua cabeça era Castela e Portugal o seu rosto.  o seu campo de visão, abarcava tudo o que o século XVI produziu em termos de descobertas e inovações tecnológicas.


A Europa jaz, posta nos cotovelos: De Oriente a Ocidente jaz, fitando, E toldam-lhe românticos cabelos Olhos gregos, lembrando. O cotovelo esquerdo é recuado; O direito é em ângulo disposto. Aquele diz Itália onde é pousado; Este diz Inglaterra onde, afastado, A mão sustenta, em que se apoia o rosto. Fita, com olhar sfíngico e fatal, O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.


A Europa jaz, posta nos cotovelos: De Oriente a Ocidente jaz, fitando, E toldam-lhe românticos cabelos Olhos gregos, lembrando. O cotovelo esquerdo é recuado; O direito é em ângulo disposto. Aquele diz Itália onde é pousado; Este diz Inglaterra onde, afastado, A mão sustenta, em que se apoia o rosto. Fita, com olhar sfíngico e fatal, O Ocidente, futuro do passado. O rosto com que fita é Portugal Itália (braço esquerdo) Inglaterra (braço direito)

jazer – estar deitado, estar morto ou como morto traduz imobilidade; poderá significar a necessidade de “despertar um continente adormecido”, que será conduzido por Portugal na procura de um novo império espiritual.

A Europa surge personificada, descrita como uma figura feminina de “românticos cabelos” e “Olhos gregos” heranças do Norte (românticos) e do Sul (gregos) – deitada sobre os cotovelos; apoiando o rosto, que é Portugal, na mão direita, a Europa olha fixamente o Ocidente. A Europa jaz, estática, contemplativa, como se estivesse parada, morta, à espera de um novo impulso vital que o seu olhar procura na distância. Simbolicamente, esta postura representa o velho continente como um espaço decadente e sem vigor. É a Portugal que cabe a missão predestinada da construção do futuro.


O dos castelos  O título é uma perífrase de Portugal, “O [país] dos Castelos”, castelos esses que figuram no seu brasão – nome da primeira parte de Mensagem, em que se integra o poema e que remete para a fundação da nacionalidade.  Os sete castelos do brasão nacional representam os sete castelos conquistados aos mouros para garantir a demarcação do território nacional.  Assim, “O dos castelos” é Portugal, definido no poema como o rosto da Europa, o olhar e guia da Europa, Portugal cujo brasão ostenta os castelos, referenciais do passado, mas cuja missão é a construção do futuro.


Em síntese:  «O poema introdutório de Mensagem sintetiza em doze versos simples e líricos a totalidade da «Mensagem» presente no livro: no passado como no futuro, Portugal assume na Europa o papel de país escolhido por desígnio divino. No passado, revelando a unidade da Terra, unindo continentes, povos e culturas através da ousadia de seus marinheiros e da majestade do seu império; no futuro, assumindo a figura de nação messiânica, propiciadora da Instauração do Quinto Império.» Miguel Real, In Mensagem comentada por Miguel Real


Correção dos exercícios – pág. 204 1.1. A Europa surge deitada (“jaz”, vv. 1 e 2) e apoiada “nos cotovelos” (v. 1), com a mão direita apoiando o rosto (vv. 8-9), figuração que, simbolicamente, apresenta o velho continente como um espaço decadente e sem vigor.

1.2. A repetição das formas verbais dos verbos “jazer” e “fitar” intensifica a imagética de decadência que envolve a descrição da Europa. O verbo “jazer” destaca a imobilidade, associando-se a realidades inativas ou mortas, ao passo que o verbo “fitar” reforça a ausência de vitalidade e o estatismo do olhar da figura personificada (vv. 10-11). Assim, a repetição destas duas formas verbais intensifica a o sentido de contemplação, de expectativa.


1.3. Portugal é apresentado como o “rosto” da Europa, numa posição superior face às restantes nações e com um olhar enigmático que antecipa um renascimento de que apenas ele será capaz. Por outras palavras, neste retrato simbólico, Portugal é o “rosto” da Europa que “fita” o “futuro”, situado a Ocidente, sendo o futuro do passado porque as Descobertas gerarão uma novo império que revitalizará o velho continente. 2. O título do poema é uma perífrase de Portugal, “O [país] dos Castelos”, castelos esses que figuram no seu brasão – nome da primeira parte de Mensagem, em que se integra a composição. Os sete castelos que marcam presença no brasão nacional representam os sete castelos conquistados aos mouros para garantir a demarcação do território nacional.


Pós-leitura – pág. 204 - Intertextualidade 1. Os versos correspondem aos momentos iniciais do discurso de Vasco Gama – narrador heterodiegético – ao Rei de Melinde, dando-lhe conta da situação geográfica de Portugal. 1.1. Nas estâncias de Camões, à semelhança do que se verifica no poema de Pessoa, a Europa aparece personificada, cabendo a Portugal o lugar cimeiro desse corpo: ele é o “rosto” (v. 12), em “O dos Castelos”, e “quasi cume da cabeçaa / De Europa toda” (est. 20, vv. 1-2), n’Os Lusíadas. Também quanto à missão de que se encontra incumbido o “Reino Lusitano”, ambos os poetas coincidem no seu carácter elevado e preponderante: em Mensagem, Portugal está investido duma missão messiânica que recuperara a Europa decadente; n’ Os Lusíadas, Portugal assume o espírito de cruzada como missão definidora.


Mensagem poema o dos castelos