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REESCREVENDO E “RABISCANDO” SYLVIA ORTHOF!

Coletânea de reescritas


1° ano 2014

Dedicatória Aos nossos queridos familiares, à nossa professora Ana Antunes e à Sylvia Orthof, dedicamos esta coleção de textos. E às professoras Lília e Bruna, da Casa de Leitura, nossas grandes incentivadoras.


Apresentação “Oba! Tem livro da Sylvia hoje!” Depois de tanto ler histórias tão “maluquinhas” e de aprender a gostar cada vez mais de Sylvia Orthof, chegou a vez de recontar suas histórias tão divertidas com as nossas próprias palavras e de desenhá-las, assim como Sylvia fazia, simplesmente “rabiscando”, como ela preferia dizer! Aqui, em nosso grupo, já somos todos seus fãs... E, a partir da leitura de seus vários livros, fomos capazes de perceber um pouco da sua forma de escrever, da sua irreverência, do seu vocabulário e principalmente da sua alegria contagiante. E, através de tudo isso, fomos capazes de escrever esta Coletânea de textos. Foi através do trabalho dessa escritora maravilhosa que aprendemos a gostar ainda mais de ler e descobrimos, ao longo dessas quinze reescritas, que podemos brincar com as palavras para dar sentido e colorido a nossa imaginação. Ana Lúcia Antunes


E por falar em Sylvia... Personalidade de destaque no movimento literário e teatral ligado às crianças, Sylvia Orthof é de descendência austríaca, nascida no Rio de Janeiro, em 03 de setembro de 1932, e falecida em Petrópolis, em 24 de julho de 1997. Escrevendo histórias curtas e “maluquinhas”, como diziam os alunos do 1º ano, Sylvia usa com leveza o verso, a rima, o ritmo e a cadência das frases... inventa, reinventa, inventa... Sua imaginação? Inesgotável!!! Ela percebe e nos leva a perceber de outras formas o que quer que seja. Seus personagens? Em toda a sua obra eles atuam, respondem, reagem de modo diferente daquele que o leitor espera. Seu humor? Não nos faz apenas rir, ele é superior, porque nos revela novas possibilidades, ao reduzir em pedacinhos o que é lugarcomum. Sua cabeça livre, sem preconceitos, sem viseiras, faz com que tudo ganhe vida, com que tudo ande fora dos trilhos... Relembrar Sylvia Orthof através de suas narrativas é maravilhança pura! Porém, ver várias delas sendo motivo de reescrita pelos alunos do 1º ano escolar, é pura gostosura!] Assim como cada livro de Sylvia é sempre saudado como um acontecimento, porque já sabemos que vem coisa boa, divertida, instigante, cutucante, o mesmo acontece com o presente livro, resultado da provocação literária causada pelas suas histórias nos alunos do 1º ano escolar, através das vozes das profª s Ana Lúcia, Lília e Bruna. Conhecendo Sylvia, como tive o prazer de conhecer, acredito que deve ter se emocionado, junto de São Jorge, em “Saracotico no céu”, ao ler as suas histórias, recontadas pelos alunos da profª Ana Lúcia, pois conseguiram manter, nas suas reescritas, as qualidades essenciais da escrita orthofiana: criativa, questionadora, engraçada, dinâmica e sonora. O resultado ai está. Pura belezura. Vale a pena conferir! Profª Lília Rodrigues de A. Mello Profª de Língua Portuguesa Especialista em Literatura Infantojuvenil Contadora de histórias


Autores e ilustradores Ana Carolina da Paz Constantino Angelo Emanuel da Costa Rabello Evangelina M. Medeiros Fonseca Gabriel Ferreira Alves Gabriel Henrichs Venâncio Heloisa Gonçalves André João Vitor Gomes Garcia Kethlen Murta Fonseca Larissa Fonseca Ribeiro Leonardo Aquino Ferreira Luis Felipe Rodrigues de Oliveira

Maria Cecília Ferreira de Medeiros Maria Luisa André Pinto Melissa da Silva Costa Bertoldo Pedro Antônio Oliveira da Paz Rian Bryan Brand Ryan Bento Christ Samira Nogueira Lemos Sarah Julia Vieira Gasparini da Silva Tainan Guilherme Dias Gonçalves Valdir Francisco de S. do N. Filho Willian Souza do Carmo


Índice: História avacalhada Maria-vai-com-as-outras Tumebune, o vaga-lume Um pipi choveu aqui Gato pra cá, rato pra lá História engatada Pomba Colomba Que raio de história! História enroscada História de arrepiar o cabelo Fada Fofa em Paris Bagunça total na Cidade Imperial Ervilina e o Princês Fada Fofa, onça-fada Papai Bach, família e fraldas!


História Avacalhada Sylvia Orthof Dona Maricota é uma vaca muito elegante e muito vaidosa. Porém, anda muito aflita porque deseja agradar ao Touro Gordo, seu namorado. Numa manhã, ela abriu o seu armário e resolveu se enfeitar. Botou laço de fita, blusa de cocota, saia de cetim bordada de margarida, usou batom vermelho, calçou luvas e sapatos, meias de seda rendada fina e esburacada. Maricota queria ficar bonita e ser notada por todos! Ela se encharcou com um perfume de violetas e foi para a feira, mas não percebeu que tinha exagerado na produção! A caminho da feira, mais de doze borboletas seguiram o cheiro da Maricota. As pessoas ficavam olhando espantadas para o “look” da vaca. Maricota estava “se achando”! Ao chegar à feira, para finalizar, comprou um cordão de ouro daqueles bem “fajutos”! Depois, sentou-se para esperar por seu grande amor, seu namorado, seu xodó, seu tesouro! Touro Gordo chegou e levou um susto bem grande com aquele espantalho! Ele avançou na namorada, deu chifrada e voou laço, fita, sapato, luva, saia, óculos, bolsa, cordão de ouro... A vaca ficou toda desarrumada! E foi naquele momento que Touro Gordo percebeu que era Maricota, o grande amor da sua vida! E, finalmente, ao se abraçarem, ela disse: “Aquilo tudo era eu!”

Reescrita coletiva


Maria-vai-com-as-outras Sylvia Orthof Era uma vez um rebanho de ovelhas. Dentre elas, havia uma, chamada Maria. Ela era um pouco diferente das outras porque ficava pensando porque precisava seguir as amigas. Quando as amigas subiam ou desciam, ela sempre ia com as outras. Um dia, elas viajaram para o Pólo Sul. Era um lugar muito longe e frio para ovelhas, mas Maria foi com as outras e acabaram todas gripadas. Outra vez, resolveram viajar para o deserto. Era um lugar muito longe e escaldante para ovelhas, mas Maria seguiu as outras e todas tiveram ensolação. Certa vez, as ovelhas resolveram comer salada de jiló. Foi então, que Maria começou a pensar melhor por que tinha que fazer tudo o que as amigas faziam, mesmo sem gostar. Mas mesmo depois de refletir, ela não conseguiu mudar de atitude. Em uma outra ocasião, elas resolveram subir até o alto do Corcovado e, de lá, pular até a lagoa. Elas caíam na pedra quebravam o pé e choravam: mé! Depois de quarenta e duas ovelhas, chegou a vez de Maria. Ela olhou para baixo, pensou bem, deu uma requebrada, entrou no restaurante e foi comer uma feijoada. Dessa dia em diante, Maria aprendeu e só vai para onde caminha seu próprio pé! Reescrita coletiva


Tumebune, o vaga-lume Sylvia Orthof Por aqui, vivia um vaga-lume chamado Tumebune. Ele tinha esse nome estranho porque nasceu em Quito, capital do Equador. Esse vaga-lume era muito diferente, pois era um poeta apaixonado por eletricidade e estava sempre muito apaixonado. Quando Tumebune via uma enceradeira ou uma vitrola não resistia, desenhava corações e ficava encantado. Ao chegar à escola, se enamorou por uma lâmpada muito acesa. Quando ela se apagava, Tumebune fazia lindas poesias. Depois, com o passar do tempo, ele apaixonou-se perdidamente por uma pilha que vivia escondida em uma lanterna. Foi uma paixão quase eterna, afinal pilha dura muito! Porém, essa paixão foi diminuindo, diminuindo até que se apagou! Foi aí que o vaga-lume viu passar um cometa brilhante. Logo se apaixonou pela luz. Agarrou sua cauda e foram namorar. Passaram por vários lugares. Viram o vulcão da Lua e seu dragão. Voaram para tão longe que chegaram ao Portal do Céu! São Pedro e os anjinhos disseram que podiam entrar, mas não deveriam reparar a bagunça. Enquanto o Santo dava as boas vindas, Tumebune ficou enlouquecido pela auréola que piscava sem parar. São Pedro ficou zangado, colocou a auréola debaixo do braço, disse que o céu era lugar de respeito e mandou Tumebune embora. Triste, o vaga-lume deu um salto daqueles e caiu em uma casa que tinha uma geladeira defeituosa. Mais uma vez, Tumebune começou a amar, porém a geladeira não ligava para ele. O vaga-lume passava os dias chorando em um canto da casa, louco por um beijo. Com pena, a geladeira resolve atender o desejo do tal inseto e requebrando tasca um beijo gelado em Tumebune. No exato momento do beijo, a geladeira dá um curto e manda o vaga-lume direto para o céu. Tumebune teve um final feliz: casou-se com a faísca da auréola de São Pedro. O casal teve três lindos pirilampos que atualmente namoram as Três Marias.

Reescrita coletiva


Um pipi choveu aqui Sylvia Orthof Um dia, Pedro Pedroca estava na escola, participando da aula de dona Carola. Ela estava explicando sobre o tempo, a chuva, o calor, a evaporação... Ela queria que seus alunos aprendessem como chove. Dona Carola não parava de falar. Era tanto assunto de água, de rios, de lagos, de mares... Que Pedro Pedroca ficou com muita vontade de fazer pipi! Então, ele pediu à professora para ir ao banheiro, mas a velhota, muito zangada, não deixou porque estava explicando um assunto muito importante e ele estava interrompendo a aula. A professora continuava falando, falando e falando. Foi aí, que Pedro teve a ideia de fazer três pinguinhos de xixi de cada vez, pois dessa forma ninguém ia perceber o que ele estava fazendo e o xixi ia evaporar. Quando colocou a ideia em prática, não deu certo porque o xixi saiu igual a um jato, molhou o chão da sala de aula e toda a roupa de Pedro. Quando a professora percebeu aquela “molhadeira” no chão, ficou furiosa! Pedro Pedroca, sem jeito, pediu desculpas para dona Carola e disse que só estava experimentando a lição. Muito irritada, a velha apontou para a porta e mandou Pedro para casa, sem demora! No caminho de casa, Pedro percebeu que havia muitas nuvens no céu e começou a se sentir vingado porque, seu xixi evaporado, ia inundar a escola. Ele ficou feliz e foi saltitando para casa. Logo depois, começou a chover sem parar. O menino pensou se seria possível um xixi no chão evaporar, virar nuvem, inundar a escola e encharcar a dona Carola... E, ao mesmo tempo, pensou que se fosse mesmo possível, bem-feito pra ela! Reescrita coletiva


Gato pra cá, rato pra lá Sylvia Orthof Era uma vez um gato que viajava muito pelos telhados da cidade. Uma noite, durante um passeio, ele encontrou um rato cinzento, tristonho e perdido. O gato avançou no rato que queria pegar seu eterno inimigo. Porém, acabou observando a tristeza daquele pobre ratinho e acabou comovido com aquela situação, pois o rato chorava demais. Dona lua, redonda e brilhante, que assistia ao sofrimento do rato, resolveu descer apressadamente lá do céu, usando uma escada rolante de prata, e pousou no telhado. Vendo a Lua tão brilhante, o gato ficou encantado, amoroso, miando poesia. Enquanto o gato estava enrabichado, o rato aproveitou o sossego, deu um pulo no ar e virou morcego! Era o gato pra cá e o rato pra lá. Reescrita coletiva


História Engatada Sylvia Orthof

Era uma vez um gato. Esse gato era muito engraçado porque era listrado. As suas listras eram horizontais do focinho até o rabo. Mesmo assim, ele era muito bonito. Era uma vez uma gata. Essa gata era muito engraçada porque era listrada. As suas listras eram verticais, de baixo para cima. O seu nome era Mina. Um dia, o gato e a gata se encontraram e assim que se viram, miaram e se apaixonaram. Eles viviam miando e andando pelos telhados das casas durante a noite, porém, depois de um tempo, se casaram. Desse amor, da mãe com listras pra cima e do pai com listras deitadas, nasceu um lindo gatinho.. Não poderia ter sido diferente. Era um filhotinho muito fofinho. Um gatinho xadrez! Reescrita coletiva


Pomba Colomba Sylvia Orthof Pomba Colomba estava fazendo uma faxina em sua casa. Ela estava tirando a poeira. Quando resolveu abrir a porta para molhar as roseiras, achou uma cesta e dentro dela havia uma carta muito triste, soluçando bem baixinho. A pomba pensava se seria capaz de cuidar de uma carta abandonada, quando ouviu a carta que chorava muito. E a pomba tentou embalar e cantar para ela. Dona Pomba Colomba resolve perguntar o motivo de tanta choradeira e a carta responde que ela é uma carta de amor, mas que não sabe o endereço. Ela explica ainda, que queria chegar até a sua dona, mas não sabia como e queria a ajuda da pomba. Colomba pensa: “Se ela não sabe o endereço, como é que eu vou saber?” A tristeza era tanta que a pomba começou a pensar em como poderia ajudá-la, mas não sabia como! A pomba ficou imaginando para quem seria a carta de amor. A própria carta teve a ideia da pomba ir voando e quando ela, a carta, avistasse o grande amor, começaria a gritar. Pomba Colomba abriu as asas, agarrou a carta e saiu voando à procura do tal de “meu amor”! Ela passou por um palácio cercado de goiabeiras com uma princesa no jardim, passaram por uma pastora de ovelhas e, mais adiante, avistaram uma onça. Naquele momento, a carta ficou tremendo e disse que era a dona da carta. Pomba Colomba não acreditou naquilo porque morria de medo de onça e resolveu largar a carta para que fosse voando. A carta começou a chorar porque o vento poderia levá-la até a boca do jacaré. A pomba ficou voando em círculos e via a onça lambendo os beiços. Muito arrepiada, Pomba Colomba voltou depressa com a carta no bico. Ela ficou brava porque perdera um dia inteiro com aquela carta maluca. A carta chorou uma semana inteirinha e Colomba não sabia mais o que fazer. Foi aí que teve uma grande ideia! Endereçou a carta, colocou um selo e disse: “ Você vai pelo correio, sua chata!”

Reescrita coletiva


Que raio de história! Sylvia Orthof Um dia, a Lua estava penteando seus cabelos de seda lunar. De repente, passou um raio bem perto do pente e a assustou. Nesse mesmo instante, a Noite gritava sem parar, dizendo que ia cair um temporal! Mesmo assim, ela sabia que estava preparada, pois tinha o seu guarda-chuva e o seu chapéu. Um dragão roncador lançou um trovão tão alto que três estrelinhas despencaram do céu num grande tombo. A Lua e a Noite começaram a conversar sobre a tempestade. Nisso, a Lua pediu uma carona no guarda-chuva da outra. A noite ficou escura de tanta raiva e explicou nervosa que o guarda-chuva só servia para uma e saiu empurrando a Lua gorducha. A Lua se desequilibrou e quase caiu na faísca do dragão. Ela achou a atitude da Noite muito egoísta e estava preocupada, pois não queria ficar encharcada no céu. Então, elas começaram a brigar pelo guarda-chuva. A briga foi tão séria que a Lua levou guarda-chuvadas na cabeça e a Noite levou vários beliscões. Enraivecida, a Lua atirou o guarda-chuva no chão que ficou em pedaços. A Noite acabou sem saia e chapéu e a Lua ficou sem a peruca de luar. O céu estava numa tremenda confusão. Eram raios, trovões e nuvens apavoradas com aquela situação. Para resolver o problema, veio o Vento Inventado e assoprou as nuvens para bem longe. E no final da história, depois de tanta briga e confusão, nem choveu!

Reescrita coletiva


História Enroscada Sylvia Orthof Dona Porquinha é muito envergonhada. Quando precisa falar sobre si mesma, fica rosa encabulada, avermelhada e acaba arroxeada. Ela usa brinquinhos nas orelhas, seus olhos são como jabuticabas, as bochechas parecem duas almofadas. O seu nariz é muito engraçado, parece até uma tomada! O rabo parece um abridor de garrafas e pra onde ela vá, leva o rabo, pois sem ele, sente-se muito sozinha. Na barriga ela tem tetas para os seus filhos capetas poderem mamar. Dona Porquinha tem três lindos filhotes: Lelé, Tutu e Mascote. Lelé é um porquinho todo pintado. Mascote é liso e rosado e Tutu é preto azulado. Um dia, eles inventaram uma travessura: quando foram mamar, resolveram assoprar as tetas. A mamãe foi inchando, inchando, estufando, levantando do chão e virou um balão. Dona Porquinha subiu no vento. Desesperada pediu para fecharmos o livro com cuidado para que ela não estourasse! Reescrita coletiva


História de arrepiar o cabelo Sylvia Orthof Zanguito é um vampiro bem pequeno, é moreno e toma banho de sereno numa lata enferrujada. Ele se alimenta de sangue bem docinho e não gosta de sal e pimenta. Ele é filho da tia madrugada e pertence à família ensanguentada. Zanguito mora na casa do anão e da bruxa e fica sempre atrás da cortina. Na noite bem escura, o vento apaga a luz da lamparina, o rato fica com soluço de tanto medo, a coruja faz careta de espanto e da trança da bruxa salta um piolho. O anão fica deitado em sua cama doido para amanhecer, pois treme de medo do monstrinho que chupa sangue. Certa hora, Zanguito vem e dá gemidos bem finos em seus ouvidos. Parece até som de violinos. O anão pensa que o vampiro é imenso. Ele fica muito tenso! Mas, na verdade, ele não sabe que Zanguito é bem pequetito, pois afinal ele é apenas um mosquito! Reescrita coletiva


Fada Fofa em Paris Sylvia Orthof Fofa é uma fada muito gorda e peituda. Seus cabelos são compridos, cacheados e alaranjados. Ela é legal, divertida e muito maluquinha. Um dia, Fofa foi até a farmácia. Na calçada estava Henriqueta, a pulga, grudada em um poodle. A pança de Fofa era tão enorme que Henriqueta não conseguiu se controlar. Pulou direto na barriga da fada e deu uma deliciosa dentada! Neste instante, Fofa pulou e caiu na balança, deu outro salto com Henriqueta e juntas foram parar direto em Paris, sobre a Torre Eiffel que acabou se inclinando com tanto peso! Depois que estavam no chão da França, resolveram ser amigas e visitar a cidade. Foram conhecer o belo Arco do Triunfo, mas Fofa ficou entalada no monumento e não conseguia mais sair. A pulga tentava ajudar puxando a gorducha, porém, nada acontecia. De repente, borboletando, surgiu uma outra fada bem idosa e charmosa chamada Hedy. Ela viu que aquele puxapuxa não ia dar em nada. Então, deu uma ideia para Henriqueta. A fada idosa sugeriu que ela desse uma boa mordida no bumbum de Fofa. A pulga, prontamente obedeceu e a fada logo se desprendeu. As duas fizeram um combinado com a pulga: Chega de mordidas! Assim, Henriqueta passou a usar um esparadrapo na boca. Em Paris, Fofa comprou e vestiu roupas de alta-costura, mas não conseguia respirar por causa de tanto aperto! Certa hora, a pulga quebrou o combinado, tirou o esparadrapo e lascou uma picada no papo da Hedy que deu um verdadeiro faniquito! No meio da confusão, as três, Fofa, pulga e Hedy, deram um salto gigantesco e da França vieram parar no Brasil! Reescrita coletiva


Bagunça Total na Cidade Imperial Sylvia Orthof A velhota cocoroca estava morando em Petrópolis, onde havia hortências e alecrim. Na casa dela existia um armário velho. A velhota tinha um sobrinho que era bebezinho e banguelo, seu nome era Pedrinzinho. Todos os dias ela abria o armário para se enfeitar, colocando seu vestido, anágua, laços e chapéu para passear com Pedrinzinho na Cidade Imperial. O armário ficava em casa com saudade da sua velhota. Um dia, a saudade foi tanta, que ele resolveu correr atrás dela. Enquanto estavam caminhando, ouviram o armário gritando. Levaram um susto tão grande, que nasceu o primeiro dente do bebê. Eles saíram correndo e entraram no Museu Imperial. O armário andava tão rápido que todas as coisas da velhota foram caindo pelo caminho. Quando chegaram à porta do Museu, viram o guarda Irineu que colocava as pantufas para não arranhar o chão. Já com as pantufas, a velhota e o bebê, dentro do carrinho, correram pelos corredores do museu. O armário também entrou correndo, mas teve que colocar as pantufas nos quatro pés. Nesse corre-corre, o carrinho bateu na vitrine da Coroa Imperial. Com o susto, nasceu o segundo dente do menino e a coroa foi parar na cabeça dele. Naquele momento, o armário virou gaveta, mas depois cresceu de novo; a velhota voltou a ser mocinha e o bebê virou menino com todos os dentes. O armário, que não gostava de mocinha, se apaixonou pela Coroa Imperial.

Reescrita coletiva


Ervilina e o Princês Sylvia Orthof Era uma vez um castelo de pássaros que ficava numa montanha lisa, cheia de cristais. O Princês morava no tal castelo, porém, estava triste por não ter uma esposa. Certo dia, o rei chegou em sua carruagem d’água e a rainha em sua rede de estrelas. Os pais perguntaram para o princês por que estava triste. Ele explicou que queria se casar. Então, os pais chamaram muitos generais e ministros para colocar o anúncio em jornais, para encontrar uma esposa para o filho. No dia seguinte, apareceram várias moças fatais, chatas, aproveitadoras e irritantes para se tornarem a esposa do Princês. O rei e a rainha chamaram três bruxos para fazerem um teste com as concorrentes. Eles colocaram uma pedrinha pontuda debaixo de três colchões, mais vinte cobertores e por cima um lençol com quatro ramos de flores. Nenhuma das mocinhas tinha conseguido sentir a pedrinha pontuda, quando, por último, chegou Ervilina, empurrada pelos guardas, toda desarrumada e despenteada. A rainha viu a cena e ficou rindo. A rainha pegou uma ervilha bem redondinha e verde, trocando pela pedrinha pontuda. Ervilina tomou um banho de espumas na banheira e vestiu a camisola para dormir. Na manhã seguinte, Ervilina reclamou que não tinha conseguido dormir, pois sentia uma coisa redonda em sua cama que a incomodou a noite inteira. Neste momento, o Princês se animou porque soube que ela era a pessoa certa para casar com ele. Entretanto, Ervilina não aceitou se casar com o Princês, pois já tinha namorado. Ela voltou para cuidar das suas ovelhas porque era pastora. O princês ficou triste, de novo botou a língua de fora, disse adeus e foi-se embora.

Reescrita coletiva


Fada Fofa, Onça-Fada Sylvia Orthof Um dia, a fada Fofa resolveu ser bailarina. Para isso, comprou vários acessórios: corpetes, saiotes, sapatilhas... Ela queria criar um bailado e convidou o vento para participar. Ele ficou feliz e aceitou o convite. O vento e a fada Fofa começaram uma ciranda bem brasileira cheia de ventania. Que alegria! Eles encontraram uma onça que estava se maquiando para ir à festa festejante. A onça convidou o vento e a fada Fofa para lhe acompanhar. Eles aceitaram. Fofa foi logo se arrumar e pintou sobre o ar bolotas para o vento espalhar. Ele não gostou, mas teve que se conformar. Por onde eles voavam tudo se transformava, tudo ficava cor-de-onça! Eles voaram para a Alemanha e a neve ficou “onçada” e respingava as fachadas. Depois eles voaram para a Áustria, passaram por Viena e tudo se onça-mudava. Um cachorro quis latir, mas miou e fez pipi cor-de-onça. Voaram para Salzburg, voltaram no tempo e também pintaram Mozart! Pediram desculpas, mas ele bem que gostou! O vento adormeceu, o amarelo desbotou e as pintas pretas viraram noite. A Lua, também pintada, tentava tirar as bolinhas. Sylvia Orthof já não sabia como finalizar a história, então resolveu pedir ajuda à Editora para colocar outra cor no papel da fantasia. Tudo se azulou: o cachorro, Mozart e até a onça. Fada Fofa foi embora numa nuvem azul celeste. O vento se inventa numa brisa e a onça se maquia de amarelo e toda pintadinha de bolinhas, pois não ficou satisfeita com aquele azul.

Reescrita coletiva


Papai Bach, família e fraldas! Sylvia Orthof Era uma vez um músico chamado Johann Sebastian Bach. Casou-se duas vezes e teve uma filharada: 20 filhos no total! A casa de Bach era muito bagunçada porque tinham muitas crianças. Eles mexiam em tudo, eram curiosos e trocavam tudo de lugar. A senhora Bach cuidava da filharada e lavava as fraldas que enfeitavam os varais. A família de Bach era musical. Todos tocavam instrumentos e dançavam, até os animais ficavam animados. Era uma grande alegria! Certo dia, a vizinha Frida pediu emprestado à senhora Bach a partitura de um oratório de Natal. A esposa emprestou a partitura, porém, pediu segredo para Frida, pois Bach não poderia saber. Quando estava grávida, a esposa de Bach ficava muito nervosa e agitada por causa da bagunça da filharada. Logo que frida pegou a partitura, foi direto para a igreja para organizar e ensaiar o oratório de Natal. Entretanto, antes do ensaio, Frida mudou as notas da partitura criada por Bach. Ela acreditou que dessa forma ficaria mais bonito. Frida convidou o vigário, um anjo, um menino, um touro e um burro para ensaiar o oratório, porém, o ensaio ficou muito desafinado! O anjo começou a se depenar, o menino sentou-se no violino e o quebrou. O ensaio foi um fracasso! Enquanto isso, na casa dos Bach, Johan estava bravo, pois não encontrava sua partitura. A sua esposa colocou a culpa nas crianças, dizendo que eles mexiam em tudo! Naquela confusão, Bach decidiu escrever uma nova partitura com a ajuda da família. Naquele momento, chegaram os componentes do oratório. Eles estavam tristes porque não conseguiram organizar o espetáculo. Então, a esposa de bach confessou que havia emprestado a partitura para a vizinha. Naquele instante ela começou a perceber que o bebê estava nascendo. No corre-corre, todos começaram a ajudar a mulher! Depois do nascimento do bebê, fizeram uma grande comemoração, pois toda criança que nasce é um presente de Natal.

Reescrita coletiva


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