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Ano IV - Nº 63 - Outubro de 2017

Conectados em Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes LGBTI

Lutar e cuidar: Para um bem viver de todas as mulheres Por Girlane Martins Machado Professora da rede estadual do RN Mestre em educação com enfoque em gênero e sexualidade Integrante do Coletivo Autônomo Feminista Leila Diniz e da Articulação de Mulheres Brasileiras

Na sociedade moderna avançada em que vivemos, o Estado e suas instituições, os espaços políticos, culturais, religiosos, são atravessados pela cultura do patriarcado, sistema no qual as relações de poder desiguais favorecem os homens. Nas estruturas de poder, os direitos e as políticas públicas de enfretamento à violência contra a mulher não têm conquistados avanços, ao invés de progressões, temos lutado para impedir que caminhemos retrogradamente e que o aparato legislativo que nos protege não seja liquidado por completo. Frente à atual conjuntura sóciopolítico-econômica, que condiciona mulheres, pessoas negras, população LGBTI, indígenas, quilombolas e outras minorias políticas, a situação de vulnerabilidade, os mais diversos feminismos vêm mobilizado ações e reações de resistências nas redes e nas ruas. Uma verdadeira efervescência feminista ocorre mundialmente como resposta aos conservadorismos que naturalizam e promovem expressões de ódio às mulheres, especialmente as mulheres lésbicas,

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não cicatrizadas que colocam mulheres negras nos índices mais alarmantes de feminicídio, de casos de estupro e mortalidade materna ( ocasionada, muitas vezes, por racismo institucional e negligência estatal).

Imagem retirada da internet

bissexuais, travestis e transexuais. Campanhas virtuais, paradas nacionais, vigílias, intervenções artísticas, geram denúncia e empatia entre meninas e mulheres que foram vítimas de violência e são potentes aglutinadores de resistência. Em todos os espaços políticos, nós mulheres, estamos mais alertas e pró-ativas às opressões ao gênero feminino, sejam elas físicas, sexuais, simbólicas, psicológicas, institucionais, sobretudo estamos mais atentas às violências que atravessam as vidas das mulheres negras e botamos o dedo nas feridas escravocratas

Enquanto feminista militante do Coletivo Autônomo Feminista Leila Diniz, pude problematizar variados relatos de mulheres, sobre agressões sistêmicas e individuais, que me fizeram perceber o quando as violências estão imbrincadas e se conectam com o discurso machista hegemônico.

EXPEDIENTE COORDENAÇÃO Lídia Rodrigues SECRETÁRIA EXECUTIVA Suely Bezerra ASSESSORES DE CONTEÚDO Paula Tárcia

Rodrigo Corrêa Rosana França DIAGRAMAÇÃO Tatiana Araújo

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Por exemplo, uma expressão da violência sistêmica ocorre quando uma mulher é sub representada na mídia, quando nossos corpos são mercantilizados, silenciados, expostos como enfeites do cenário, apresentados como corpos mudos e sem agência. Essa forma de violência potencializa agressões, estupros e mortes, pois quando uma população só visualiza nossos corpos publicamente através da ótica sexual masculina, corrobora para uma cultura de estupro que diz que somos objetos violáveis, vendáveis, à serviço sexual. Desse modo, os meios de comunicação de massa, a publicidade, a arte e até mesmo a literatura com suas personagens ultrasexualizadas, alimentam representações muito fortes do imaginário popular, imagens que nos violentam, como a da "mulata tipo exportação", a da adolescente "ninfeta" ou da "mulher adulta infantilizada e subestimada". Nesse sentido, as reflexões feministas nos fazem conectar a mentalidade machista no nível macro, arraigada na nossa cultura e nas mais diversas esferas sociais, ao machismo que acontece no campo individual, isto é, na esfera privada e no cotidiano das mulheres. As relações afetivas, que envolvem família, companheiras e companheiros, filhas/os, amizades, entre outros, estão permeadas pelas violências e conseguem atingir meninas e mulheres de diferentes identidades sexuais, escolaridades, poder aquisitivo, raça e etnia. Ao ouvirmos tantos relatos de que as relações de afeto estão perdendo o aspecto do cuidado e do respeito mútuo para dar vazão ao desrespeito completo pela integridade física e psicológica da parceira, pensamos: O que fazer diante de tantos casos? Sem dúvida, ouvir é o maior exercício de afeto e os feminismos sempre se ocuparam de escutar as mulheres, porém se faz necessário irmos além. O auto cuidado e o cuidado entre ativistas tem sido considerada uma boa estratégia de resistência e transformação

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individual/coletiva, sobre isso, Guaia Monteiro (2017) reflete: O potencial subversivo do cuidado apropriado por nós, mulheres ativistas, quando interrompemos nossas tarefas, apoiadas por redes de solidariedade, para simplesmente nos olhar, nos amar e cuidar de nós mesmas. Deste modo, o cuidado por nós e entre nós tem se tornando alternativa possível para a sustentabilidade do ativismo feminista, enquanto nos transforma e, nesse ciclo contínuo, permite a transformação das realidades de opressões de gênero, raça, classe e sexualidade em que vivemos.

Dentro dessa estratégia de fortalecimento individual para consequente mudança coletiva, também pode se adequar à realidade que encontro nas turmas de crianças da escola pública onde atuo enquanto professora alfabetizadora. Não é raro em minha prática docente me deparar com cenas em que a reprodução do machismo está visível nas ações das crianças. No contexto, muitas vezes, já violento em que a criança vive, apenas reprimir ações violentas não surte efeitos positivos para abranger uma pedagogia anti-machista e antilgbtfóbica. É necessário ir mais além, aguçar o olhar para as falas, gestos, risos e expressões de raiva das crianças. Enxergálas como sujeitos políticos, na tentativa de desconstruir a lógica adultocêntrica. Ao valorizar a autonomia reflexiva da criança, estaremos incentivando-as a pensar nos motivos de ela estar agindo de maneira machista, em que pessoas estão se espelhando. Esse olhar para a auto reflexão e o estímulo à construção de sua autonomia pode ser um caminho para ressignificar práticas violentas que se perpetuam nos lares das famílias brasileiras. De maneira geral, no ambiente escolar, as ofensas machistas são direcionadas às crianças que se identificam com o gênero feminino, isto é, independente do sexo, as que apresentam comportamentos lidos como pertencentes à feminilidade, como exemplo: gestos delicados, fala doce, gesticulação mais

acentuada. Além disso, são comuns as agressões físicas decorrentes da “guerra entre os sexos”, na qual meninos e meninas se veem como naturais inimigos. Muitas práticas podem ajudar a construir o olhar cuidadoso para a infância e incentivar que elas olhem cuidadosamente para si e para as outras/os. As conversas em roda favorecem a noção de que elas estão no mesmo patamar, apesar de serem diferentes. O trabalho em roda também ajuda a criança exercitar a escuta e respeitar a vez de cada uma falar, privilegia a atenção e a reciprocidade. Nessa perspectiva, que privilegia a escuta, o reconhecimento mútuo, a solidariedade e a empatia, é possível que as crianças encontrem seus próprios caminhos de agir e se comunicar de uma maneira não violenta, de interagir respeitosamente com aquela menina ou aquele menino que resistem às normas de gênero e experimentam a diversidade de papéis, como também possibilita que veja o gênero feminino com outras lentes, não mais tão sujas pelo senso de inferioridade, submissão e objetificação, mas com as lentes da igualdade, do respeito e do cuidado. Nessa perspectiva, a infância se torna uma fase de recriação e não mais de reprodução, ideal para a construção de valores, atitudes e visões de mundo contrárias às que reproduzem violência de gênero e que não toleram a diversidade sexual. Cuidar das crianças para que elas não se tornem machistas, racistas, lgbtfóbicos, futuros agressores, pais ausentes e companheiros abusivos, é uma tarefa árdua, mas essencial para a construção de um novo amanhã, no qual impere o bem viver das diversas mulheres. REFERÊNCIAS: MONTEIRO, Guaia. Autocuidado e cuidado entre ativistas: uma estratégia de enfretamento às violências contra as mulheres. CFMEA, 2017. Disponível em: http://www.cfemea.org.br/index.php/artig os-e-textos/4668-autocuidado-e-cuidadoentre-ativistas-uma-estrategia-deenfrentamento-as-violencias-contra-asmulheres.htm>.Acesso em: 25 nov. 2017.

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MURALIDADE

Fique

por dentro ONU Brasil lançou no Mês da Consciência Negra de 2017, a campanha nacional "Vidas Negras’’

A iniciativa busca ampliar, junto à sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça, setor privado e movimentos sociais, a visibilidade do problema da violência contra a juventude negra no país. O objetivo é chamar atenção e sensibilizar para os impactos do racismo na restrição da cidadania de pessoas negras, influenciando atores estratégicos na produção e apoio de ações de enfrentamento da discriminação e violência. Não permita que o racismo deixe a juventude negra para trás. No Brasil, sete em cada dez pessoas assassinadas são negras. Na faixa etária de 15 a 29 anos, são cinco vidas perdidas para a violência a cada duas horas. De 2005 a 2015, enquanto a taxa de homicídios por 100 mil habitantes teve queda de 12% para os não-negros, entre os negros houve aumento de 18,2%. A letalidade das pessoas negras vem aumentando e isto exige políticas com foco na superação das desigualdades raciais. Fonte: nacoesunidas.org

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dICIONÁRIO DE DIREITOS HUMANOS

notÍcias

da rede

16 dias de ativismo pelo o fim da violência contra a mulher

Feminicídio: a perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino, classificado como um crime hediondo no Brasil. Alguns estudiosos do tema alegam que o termo feminicídio se originou a partir da expressão "generocídio", que significa o assassinato massivo de um determinado tipo de gênero sexual.

Misoginia: a repulsa, aversão, desprezo ou ódio contra as mulheres. Esta forma de aversão mórbida e patológica ao sexo feminino está diretamente relacionada com a violência que é praticada contra a mulher.

No dia 25 de novembro, começa em todo o mundo a campanha anual de 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Baseada mulher. Devido a isso, a ONU lançou no Brasil um documentário que reúne relatos de mulheres que viveram situação de violência. A violência contra mulheres e meninas é o desrespeito contra os direitos humanos mais penetrante no mundo – afeta todos os países e todas as comunidades. Uma em cada três mulheres vai passar por alguma forma de abuso ao longo da vida, segundo a agência da ONU. Desde outubro, milhões de mulheres em mais de 80 países compartilharam testemunhos de assédio, agressão e terror – apenas um vislumbre da terrível magnitude do problema. A violência baseada em gênero inclui de abuso psicológico e privação econômica a espancamento, estupro e privação da liberdade.

Olá pessoal! Vocês sabiam que no mês de novembro nós tivemos duas datas muito importante para direitos humanos, a primeira foi dia 20 de novembro, dia da consciência negra e outra foi dia 25 de novembro, dia internacional da não violência contra a mulher.

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www.anamovimento.blogspot.com

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entrevista

Entrevista nesse mês de novembro foi com Lola Aronovich. Lola Aronovich, tem 50 anos, nasceu em Buenos Aires, veio para o Brasil com menos de 4 anos, é naturalizada brasileira. Morou no Rio, São Paulo, Joinville, um ano em Detroit, e desde 2010 mora em Fortaleza. Fez mestrado e doutorado em Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal de Santa Catarina, e hoje leciona na Universidade Federal do Ceará. Em janeiro de 2008 começou um blog, o Escreva Lola Escreva, que se tornou um dos maiores blogs feministas do Brasil. C. Ana: Campanha Ana: Lola você tem um blog e nele você fala de diversos assuntos. E uma das pautas constantes é sobre a violência contra as mulheres. O seu blog é sua arma contra o feminicídio? Lola: Considero o meu blog, que está prestes a completar dez anos de idade – uma eternidade na internet – um blog pessoal, já que tem até meu nome no título. Mas como sempre fui feminista, desde criança, praticamente tudo que falo e escrevo tem este viés feminista. Portanto, imediatamente o meu blog foi definido como feminista. Lá eu falo de inúmeros assuntos, mas um dos mais frequentes é realmente o combate à violência contra a mulher. O feminicídio é um tema muito

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sério, que uma parte da mídia ainda comete o equívoco de chamar de “crime passional”. Os dados da ONU são alarmantes: 38% de todas as mulheres mortas no planeta são assassinadas pelo marido, namorado ou ex-parceiro. Todos nós devemos lutar contra essa epidemia que ocorre em todos os lugares do mundo, não apenas nos países pobres. C. Ana: Ao final deste mês começa mais uma edição dos 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero, mais precisamente o 25 de novembro que marca dia Internacional de Não Violência contra as Mulheres. Qual a importância você vê nesse momento, tanto na data quando nos dias de ativismo? Lola: É uma data muito importante, realizada no mundo desde 1991 e, no Brasil, desde 2003. A campanha internacional tem início no dia 25 de novembro -- data que marca o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres -- e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. É uma das datas mais importantes para os movimentos feministas, assim como o 8 de março (Dia Internacional da Mulher) e o dia 28 de setembro (Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto). São datas em que avaliamos conquistas e avanços, denunciamos retrocessos, e tentamos conscientizar a sociedade da necessidade de mudanças. C. Ana: Você vê algum progresso que minimiza as relações dos sistemas de opressão das mulheres? É possível falar em avanços nos dias de hoje? Lola: Sem dúvida há muitos avanços. O feminismo é forte hoje. Em toda universidade, inclusive as particulares, tidas como mais conservadoras, há no mínimo um coletivo feminista, um coletivo LGBT, um coletivo do movimento negro. E, cada vez mais, alunas criam coletivos em suas escolas. Os conservadores ficam desesperados ao ver meninas de 11, 12 anos tão cheias de iniciativa e com tanta vontade de lutar. O feminismo é tão forte que nós ativistas

somos atacadas diariamente. Estamos vivendo tempos sombrios, em que um governo que não foi eleito nas urnas (e, com essa agenda, nunca seria eleito) aproveita o Congresso mais reacionário dos últimos 50 anos para aprovar várias leis que tiram direitos de trabalhadoras e trabalhadores. O fim da Previdência, o fim dos direitos trabalhistas, a falência programada do SUS, o desmantelamento das instituições de educação públicas, são péssimos para todos os brasileiros, mas pior para as mulheres e negros. E os deputados fundamentalistas cristãos estão empenhados em proibir o aborto no Brasil em todos os casos. Imagina uma mulher ou menina ser estuprada e engravidar e ser forçada a parir o filho do estuprador. Ou uma mulher que corre risco de vida ao prosseguir com a gravidez ser obrigada a prosseguir, já que, para os conservadores, um feto é muito mais importante que uma mulher adulta. É este o pesadelo que estamos vivendo. C. Ana: Qual a melhor maneira de uma mulher agir em relação a violências, sejam domésticas, sexuais e ou no campo profissional? Lola: O importante é não se calar. Denunciar a violência nem sempre funciona, mas é necessário. Também é fundamental se unir a outras mulheres, exercer sua sororidade. Uma mulher pode aprender muito da experiência de outras mulheres. C. Ana: Como as organizações que atendem crianças e adolescentes podem contribuir no seu cotidiano contra as violências cometidas às mulheres? Lola: Em primeiro lugar, ouvindo e acreditando nas mulheres. Já existem muitas organizações que fazem isso, e evidentemente devem continuar o bom trabalho. Mas cada um de nós pode fazer a sua parte, se posicionando todos os dias contra o machismo, o racismo, a homofobia e tantos outros preconceitos. C. Ana: Por fim, há alguma questão que gostaria de acrescentar? Lola: A internet é uma ferramenta poderosa para todos nós. Em vez de espalhar ódio, como tantos fazem, vamos divulgar conteúdo de quem luta para mudar o mundo. E vamos criar o nosso próprio conteúdo. Sem temer.

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Fica dica

Livros Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil

Filmes O silencio das inocentes O documentário silencio das inocentes, mostra como se processa no Brasil a aplicação da Lei nº 11.340/2006, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, considerada uma das três leis mais completas do mundo no gênero. Também relata a vida e história de mulheres vítimas de violência doméstica é o foco deste documentário. A obra relata também o caso de violência contra a farmacêutica Maria da Penha, cujo nome batiza a lei que pune com mais rigor os agressores

Entre 1999 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro – fundadora do Geledés Instituto da Mulher Negra – produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Este livro reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Em cada linha, a autora convida o leitor a refletir criticamente sobre a sociedade brasileira, explicitando de forma contund ente como o racismo e o sexismo têm estruturado – de modo vergonhosamente desigual – as relações sociais e políticas do país.

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Sorriso de Monalisa Katherine Watson é uma recém-formanda da UCLA que foi contratada, em 1953, para lecionar História da Arte na prestigiosa Wellesley College, uma escola só para mulheres. Determinada a confrontar valores ultrapassados da sociedade e da instituição, Katherine inspira suas alunas tradicionais, incluindo Betty e Joan, a mudarem a vida das pessoas como futuras líderes que serão.

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Boletim da ana edição 64 (1)  
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Resistir e cuidar: Uma busca cotidiana para o bem viver de todas as mulheres.... Essa é nosso tema do boletim além dessa duas grandes contri...

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