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Juventude e sexualidade: papo reto e necessário Reprodução do site ACSC Por Fernanda Godinho com colaboração de Bárbara Pansardi e Viviane Coelho. Integrantes do Fórum das Juventudes da Grande BH

A juventude, fase da vida que compreende dos 15 aos 29 anos, é marcada por transformações de diversas ordens: mudanças no corpo, maior independência da família, construção da autonomia, ingresso no mercado de trabalho… Trata-se de um período de desenvolvimento (pessoal e social) e constituição da nossa identidade. Por isso mesmo, jovens demandam particular atenção ao conjunto integrado de suas necessidades físicas, emocionais, psicológicas, cognitivas e sociais. A sexualidade, cujo florescimento se dá na adolescência, é um campo que merece especial cuidado e atenção entre nossas/os jovens. A despeito da importância do corpo e seus afetos como aspectos relevantes e constituintes do mundo juvenil, o assunto ainda é encarado como tabu. A não discussão desses temas, seja no contexto da escola, da família, da saúde, dentre outros espaços de socialização das juventudes, perpetua a naturalização

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de piadas, brincadeiras e humilhações deflagradas contra a população LGBTIQ, que se dão tanto de forma expressamente homofóbica quanto através de manifestações mais sutis. Vejamos um exemplo. Eu nunca fui um padrão de feminilidade. Desde cedo já não me sentia confortável com cores, roupas, comportamentos e brincadeiras que as pessoas entendem como femininas. Eu reclamava de ter que usar saias, vestidos e laços cor de rosa; gostava mesmo dos moletons, bermudas e tênis, que me faziam sentir mais à vontade. Obviamente, isso também se manifestou no ambiente escolar. Os momentos de maior sofrimento vinham, contraditoriamente, na aula que eu mais gostava: Educação Física. Como eu tinha boas habilidades, era muito solicitada e ovacionada por minhas/meus colegas de turma nesses momentos, mas logo que as competições passavam eu novamente me tornava a “mulher macho”, “maria sapatão”, “paraíba masculina” da escola. Era confrontada sobre minha sexualidade e identidade de gênero todo o tempo.

Ano III - Nº 51 - Outubro de 2016

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Nunca me senti acolhida no ambiente escolar. A escola nunca problematizou o que acontecia comigo e com outras/os várias/os colegas que também eram como eu. Com isso, muito da violência sexista e heteronormativa foi internalizada e eu não me permiti sequer entender o que os meus desejos por outras mulheres significavam. Apenas aos 22 anos, já na graduação, me reconheci como lésbica. Esse entendimento — de me reconhecer lésbica e feminista — ainda está em construção, numa busca constante por informação e espaços de discussão, que, aos poucos, vencem a violência dessa cultura na qual estamos todas/os imersas/os. Assim como eu, milhões jovens passam por conflitos e sofrimentos parecidos – e possivelmente de uma forma mais intensa e violenta — em nome de uma conduta que corresponde à expectativa social de feminilidade e masculinidade. É urgente que sejamos capazes de escutar e dialogar com as crianças, adolescentes e jovens sobre sua sexualidade, seja na família, na escola ou em outros espaços comunitários, tornando-os ambientes democráticos e dialógicos, nos quais as diferenças entre as pessoas não se desdobrem em desigualdades, hierarquias e marginalizações. O direito à diversidade é imprescindível para garantir o desenvolvimento integral das/os jovens e a construção das identidades de maneira saudável e respeitosa. (Texto na íntegra no blog da Ana.)

Expediente Coordenação Lídia Rodrigues Secretária Executiva Labelle Rainbow Assessores de Conteúdo Paula Tárcia; Rodrigo Corrêa;Rosana França Diagramação Ed Borges

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Conhecendo

a Rede

Você sabe o que é Conjuve? O Conjuve é o Conselho Nacional de Juventude que foi criado em 2005 pela Lei nº 11.129, que também instituiu a Secretaria Nacional de Juventude, vinculada à Secretaria Geral da Presidência da República e ao Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem). O Conselho tem como uma de suas atribuições formular e propor diretrizes voltadas para as políticas públicas de juventude e desenvolver estudos e pesquisas sobre a realidade socioeconômica dos jovens. O Conjuve é composto por 1/3 de representantes do poder público e 2/3 da sociedade civil, contando, ao todo, com 60 membros, sendo 20 do governo federal e 40 da sociedade civil. Essa composição foi estruturada para que as ações sejam articuladas em todas as esferas governamentais (federal, estadual e municipal), o que contribuirá para que a política juvenil se transforme, de fato, no Brasil, em uma política de Estado.

Giro

DE NOTÍCIAS

Transenem: o cursinho de BH que está colocando trans e travestis na universidade O transenem é um cursinho preparatório para Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em Belo Horizonte voltado para pessoas trans e travestis. O projeto surgiu em agosto de 2015, com aulas apenas aos sábados, por inciativa de Ana Isabel Lemos, assistente social e de Adriane Valle, advogada trabalhista. Em 2016, o projeto ampliou as atividades: as aulas passaram a acontecer todos os dias à noite em uma sala cedida pela Secretaria de Estado da Educação. A equipe conta com 12 professores e mais 30 monitores, todos voluntários. A iniciativa visa abrir portas para indivíduos cujas dificuldades ultrapassam as fronteiras da sala de aula. Fonte: http://www.clippinglgbt.com.br/transenem-ocursinho-de-bh-que-esta-colocando-trans-e-travestis-nauniversidade/

Fique por DENTRO

Olá, galera! Não sei se vocês sabem, mas 30/10 é o Dia Nacional da Juventude, surgido em 1985, durante o Ano Internacional da Juventude, promovido pela ONU. Estava evidente que a juventude precisava mobilizar-se para pensar e repensar uma nova sociedade.

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Nos dias 28, 29 e 30 de novembro, estará acontecendo em Brasília uma formação sobre direitos sexuais de crianças e adolescentes LGBTI para a Rede ECPAT Brasil e parceiros de outras redes nacionais de defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes. Essa formação tem como intuito de fortalecer a incidência política na defesa dos diretos sexuais de crianças e adolescentes LGBTI.

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Instagram da ANA Envie suas fotos para o Boletim da Campanha ANA Para enviar as fotos é simples. Basta marcar a Campanha ANA nas suas fotos com a frase #ANA_INSTAGRAM com uma pequena legenda que iremos publicar em nossas redes e no Boletim mensal da campanha. Para seguir o perfil da ANA Acesse: http://instagram.com/anamovimento

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não oas, e s s e p ão soas s 1. Pes s; ante: rótulo er gig s é a o crianç oraçã m e 2. Ser m o mc gem e mensa iança; da Cr Tô a i D o lar? ao d e a atad grafia a, rec ie Bio 3. Bel r é s a d a irinha tunist r a c fora: t o ura, d na Isa o D a d ; sagem Junião : men o ã n s o dizem a do 4. Nós cultur a a r a cont da An o. estupr


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Fica dica

Livros 1968: O ano que não terminou (1988), de Zuenir Ventura

Filmes Frutos do Brasil: Histórias de Mobilização Juvenil (2013) O documentário, juntamente com o livro homônimo (ambos produzidos pela jornalista Neide Duarte), faz parte do Projeto Frutos do Brasil – Juventude em Debate, da Aracati – Agência de Mobilização Social, em parceria com a Fundação Kellogg. O projeto tem o objetivo de incentivar a participação juvenil e o debate sobre a condição de vida dos jovens. No documentário, são contadas 8 histórias de jovens que desenvolvem projetos em suas comunidades nas mais diversas áreas. O filme está disponível em: https://goo.gl/Ee99na

Bichas, o documentário (2016) O webdoc, dirigido por Marlon Parente, narra a vida de seis jovens gays brasileiros e retrata como eles vivenciam sua sexualidade no ambiente em que estão inseridos. O filme se centra na ideia do empoderamento e do amor próprio, partindo da palavra "bicha", usada, em geral, com uma conotação negativa, para ressignificá-la e enxergá-la como sinônimo de resistência e liberdade. O documentário foi produzido com baixo orçamento e viralizou nas redes sociais. Para assisti-lo, veja em: https://goo.gl/SHdUIa

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Esse clássico livro-reportagem retrata os acontecimentos que se passaram no Brasil no emblemático ano de 1968, mundialmente lembrado pelas manifestações estudantis contra o sistema. Tal ano no Brasil foi marcado por fatos como o assassinato do estudante Edson Luis Lima Souto, de 18 anos, pela PM, a famosa Passeata dos Cem Mil, impulsionada pela morte do jovem, e a decretação do sangrento Ato Institucional nº 5. O livro também aborda a contracultura hippie, a atividade de artistas de destaque da época, a pressão dos radicais pelo endurecimento do regime, entre outros tópicos.

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Boletim ana edição nº 51 pdf juventude e sexualidade  

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