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Boletim Justo7

A Newsletter da Associação Reviravolta

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| Dezembro 2011 | n.º 52 | www.reviravolta-comercio-justo.blogspot.com

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Comércio Justo em Acção: A loja de comércio justo no Porto

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Boletim Justo

O futuro do consumismo ético

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7 A compra certa

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Esta newsletter é publicada com o objectivo de informar, consciencializar e mobilizar as pessoas para as temáticas relacionadas com o Comércio Justo e não só. Nesta newsletter encontrará informação sobre Comércio Justo e a Associação Reviravolta assim como notícias relacionadas com o Consumo Responsável e com o Desenvolvimento Sustentável. Visa também servir de inspiração através de exemplos positivos como é possível criar um mundo mais justo.

Novidades na prateleira

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Feedback e sugestões quanto à newsletter são sempre bem-vindos e podem ser enviados para: inforeviravolta@gmail.com

7COMÉRCIO JUSTO EM ACÇÃO: Loja de Comércio Justo No Porto 7 No parque da cidade do Porto existe um espaço onde se respira solidariedade. É a loja de Comérco Justo do Porto!

A loja do Comércio Justo do Parque da Cidade estará aberta no mês de Dezembro Quintas, Sextas, Sábados e Domingos no seguinte horário: 10:0018:00 até dia 23/12, no dia 24/12 a loja fechará às 16:00.

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7 O Futuro do consumismo ético 7 Rob Harrison

editor da revista

britânica “Ethical Consumer”

Não há nada como uma situação de quase colapso do sector bancário internacional para reflectirmos noutras formas de gerir as sociedades humanas, diferentes da actual que é dominada

pelas empresas que têm como objectivo o lucro. Seria provável que um mundo repleto de bancos éticos tivesse sido apanhado no frenesi que deu origem à actual recessão? Estes, muito simplesmente, não têm enraizado no seu âmago a ganância para obter bónus e dividendos cada vez mais elevados. De facto, o colapso leva-nos a questionar de forma aprofundada o plano do

capitalismo internacional na sua totalidade… que é precisamente onde entra em cena o consumo ético. Por um lado, o consumo ético consiste na descoberta de soluções práticas para problemas imediatos, tais como a desflorestação ilegal ou a pobreza nas regiões produtoras de café de todo o mundo. Por outro lado, consiste numa visão do futuro… que envolve um ideal

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diferente em relação ao habitual modelo empresarial que pretende manter o status quo e que é dominado por empresas que têm como objectivo o lucro. A revista “Ethical Consumer” avalia os produtos éticos contabilizando todas as actividades desenvolvidas pelas empresas que os produzem. Tentando apresentar aos consumidores uma análise mais aprofundada que lhes permita agir, se assim desejarem, de forma a apoiar as organizações que não têm como único objectivo o lucro. Como seria o mundo se a maior empresa de vestuário fosse única e exclusivamente de Comércio Justo e se os maiores supermercados vendessem apenas e só produtos biológicos? E se os construtores de edifícios sem emissões de dióxido de carbono substituíssem os habituais construtores e a energia pudesse ser produzida por empresas que recorrem apenas às energias renováveis? Poderia a linguagem simples do lucro e ganhos pessoais ser substituída por outra que apreciasse e tivesse em consideração outros valores, tais como a sustentabilidade e o bem comum? Será que tais alterações afectariam, na sua essência, a forma como as pessoas pensam e se comportam relativamente às outras?

– o preço –, apesar de aparentemente ser uma tarefa quixotesca, parecia ir ao cerne de alguns dos problemas sistémicos que podíamos observar. Se a maioria dos consumidores efectuasse outro género de perguntas para além de “quanto custa?”, então a tendência para recompensar o mais eficiente empregador de trabalho infantil acabaria por desaparecer. No entanto, a revista “Ethical Consumer” teve início no auge do Thatcherismo, no Reino Unido. A linguagem do preço encontrava-se disseminada por toda a parte, e em claro ascendente. As empresas estatais eram privatizadas e os mercados aclamados à medida que se introduziam em novas áreas, tais como as pensões, a educação e a saúde. E, ao mesmo tempo que os mercados se centravam cada vez mais na questão do preço, a linguagem da ética e dos valores sociais foi progressivamente desaparecendo dos debates diários. Contudo, o aspecto positivo desta questão é que a “Ethical Consumer” não foi a única a identificar estes problemas sistémicos. Era parte integrante de um movimento que começava a contrariar a tendência de afastar a ética de todas as áreas agora ocupadas pelas empresas e pela economia.

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A revista “Ethical Consumer” Uma das razões pela qual nos sentimos atraídos pelo projecto “Ethical Consumer”, nos anos 80, foi o facto de parecer abordar uma “falha estrutural do capitalismo”. Apesar da ajuda proporcionar algum alívio à pobreza e da regulamentação estatal conseguir dominar alguns poluidores, havia uma preocupação latente de que essas abordagens se limitavam a tratar os sintomas e não as causas. Mas, num mercado global, as empresas limitaram-se a deslocar para países com medidas de controlo ambiental menos dispendiosas ou continuaram a apoiar regimes opressivos que lhes vendiam recursos minerais a preços extremamente reduzidos. Nessa época, tal como agora, havia algo na forma de funcionamento dos mercados que parecia estar a premiar os produtores menos éticos e a punir os melhores. Existia uma sensação disseminada de falha do sistema. Abordar a cultura da compra bens e serviços de acordo com um único critério

Medir o crescimento Ao longo dos anos, compilámos inúmeros dados relativos a inquéritos para demonstrar que a maioria dos consumidores afirma estar a agir de forma ética nos mercados, pelo menos parcialmente. [1] Actualmente efectuamos uma medição anual do estado dos mercados éticos do Reino Unido, compilada pelo Ethical Purchasing Índex (Índice Ético de Aquisições) do Banco Co-op. Esta medição, apesar de revelar que £25.8 mil milhões são dirigidos à ética (apenas £9.2 mil milhões em 1999), a base de referência é baixa e na maioria dos mercados os produtos éticos perfazem apenas 5% das vendas. [2] No entanto, os inquéritos realizados por todo o mundo revelam um interesse generalizado nas questões relacionadas com o consumo ético e começam a surgir projecções sobre mercados predominantemente éticos provenientes dos locais menos esperados. Em Novembro de 2005, por exemplo, um porta-voz da Kraft General Foods (a

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segunda maior multinacional na área alimentar) previu que no prazo de 10 anos, 60 a 80 por cento do mercado europeu do café seria dominado por produtos com certificação independente de comércio justo. Será que estamos perto de atingir um “ponto de viragem” na adopção da cultura ética, em que esta sofrerá um aumento exponencial, ou estarão os produtos éticos condenados a ser um nicho de mercado? Existem quatro factores fundamentais que indiciam um domínio cultural da ética e que importa destacar: as grandes empresas, as grandes opções dos governos, as grandes associações de consumidores e o grande aumento do petróleo.

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As grandes empresas Nos últimos dez anos houve uma evolução gigantesca na compreensão que o público em geral demonstra relativamente aos comportamentos nocivos para o ambiente, por parte das grandes empresas. Tal facto ficou a dever-se, pelo menos em parte, aos protestos emblemáticos anti-globalização (actualmente designados por justiça global). Ao mesmo tempo, e com consequências discutíveis, houve um passo das grandes empresas na direcção dos mercados éticos. Para os leitores do Reino Unido, talvez este possa ser personificado pela aquisição da Green & Blacks pela Cadbury’s, e é esta mudança, acima de qualquer outra, que faz com que as quotas de mercado para os produtos éticos se tornem muito prováveis. As grandes empresas possuem os recursos e o acesso a mercados que lhes possibilitam a distribuição de produtos éticos de elevada qualidade, a preços competitivos e de forma rápida, por todo o mundo. Como é óbvio, ainda se desconhece se esta mudança é inequivocamente positiva, e muito do nosso planeamento futuro na Ethical Consumer Research Association (ECRA) está direccionado para a melhor resposta a dar a estas transformações. Por fim, e apesar de muita Responsabilidade Social das Empresas (RSE) continuar a ser greenwash, deuse um rápido desenvolvimento de ideias e ferramentas que abordam a questão da RSE a um nível bastante aprofundado. Ao fim de dez anos de programas de RSE em algumas

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empresas, alguns ambientalistas de reputação inquestionável – como Jonathan Porritt – argumentam que existe uma grande diferença entre as melhores e as piores multinacionais em relação à ética. [5] A velha certeza – de que todas as grandes empresas são igualmente más – é cada vez menos credível, tornando as aquisições éticas uma ferramenta ainda mais eficaz para a mudança.

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As grandes opções dos governos Até à data, o governo britânico tem um atrasado, de dez anos no mínimo, relativamente aos seus próprios cidadãos face à incorporação da ética nas decisões de aquisições. Em 2001, a ECRA publicou o “Manifesto pela Mudança” que delineava em pormenor algumas das mudanças que acreditamos que o governo britânico deve implementar para evoluirmos para uma sociedade mais orientada para a ética.[13] No manifesto, e em inúmeras consultas que se seguiram, argumentámos que tornar as cadeias de fornecimento do governo mais ecológicas poderia funcionar como um percursor fundamental no sentido de exortar os consumidores a agir de uma forma sustentável. Como é possível esperar que os consumidores levem a sério o consumo sustentável quando é óbvio que o governo não dá o exemplo? Finalmente, parecem estar a ocorrer algumas mudanças nas políticas governamentais de aquisições, não só no Reino Unido mas também na Europa. Mudanças de relevo que eliminam os ridículos obstáculos legais às aquisições éticas que impediram, até ao momento, o desenvolvimento nesta área. A mudança cultural de que falamos conduziu nitidamente a uma posição em que ninguém está preparado para argumentar, tal como na era Thatcher, que as aquisições éticas são um pernicioso obstáculo ao comércio livre. Independentemente da situação, as aquisições éticas vão aumentar de forma significativa na Europa, durante os próximos três anos, o que por sua vez levará as grandes empresas a agir de forma ainda mais rápida na direcção correcta.

7 As grandes associações de consumidores A outra mudança significativa que teve lugar desde a nossa última revisão foi as movimentações das grandes associações de consumidores europeias no sentido de introduzir notações éticas empresariais relativas ao consumo, em alguns dos seus guias do consumidor. Estas associações de consumidores, frequentemente com mais de meio milhão de membros cada, podem exercer muito mais pressão nos mercados do que modestas publicações, como a “Ethical Consumer”. Para além disso, as associações de consumidores coordenam com frequência a investigação e as publicações através de uma associação – a International Consumer Research & Testing (ICRT). Em Fevereiro de 2002, as associações de consumidores da Áustria, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e Islândia publicaram em simultâneo um relatório acerca do comportamento ético dos fabricantes de calças de ganga – pressionando-os no sentido da mudança.[7] O grande aumento do petróleo O último factor de debate consiste na emergência de novos argumentos que sugerem que os efeitos mais profundos do estilo de vida insustentável das sociedades ocidentais se encontram, não num futuro longínquo, mas antes ao virar da esquina. Com um preço do petróleo entre os 10 e os 40 euros por galão [14], os consumidores não só seriam forçados a tomar decisões no sentido do consumo sustentável a um ritmo impossível de alcançar através da exortação moral, como para além disso, várias economias, na sua totalidade, sejam devastadas devido a profundos efeitos sociais no curto espaço de quatro anos. Se tais factos vierem a ocorrer, e já estamos a vislumbrar alguns indícios do aumento significativo do custo do petróleo, isso contribuirá para o aumento da credibilidade política dos ambientalistas que têm vindo a prever esses mesmos resultados há já algum tempo. Isto é, na realidade, o que se passou no final dos anos 80 após as notícias de

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Chernobyl e do buraco na camada de ozono. Como é óbvio, e a julgar pela prevista perturbação social e um ambiente de escassez, parece que a cultura e a linguagem da ética chegaram mesmo a tempo. De facto, existem alguns indícios que sugerem que com as correctas ferramentas culturais, um futuro de maior escassez material poderá conduzir a sociedades mais felizes, abnegadas, inclusivas e centradas na comunidade. [10] Quer os próximos dez anos tragam uma era nuclear, mais biotecnologia e nanotecnologia ou, muito simplesmente, uma injustiça grosseira, as pessoas não podem pressionar de forma eficaz no sentido da mudança se simultaneamente continuam a financiar os seus mais perniciosos opositores, através da aquisição dos seus produtos. Enquanto os mercados permanecerem globalizados, os consumidores terão de efectuar uma análise para além do preço de modo a impedir as empresas mais perniciosas de assumirem o controlo e, nesse percurso, “capturarem” governos eleitos democraticamente.[11]

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por Rob Harrison, editor da revista britânica “Ethical

Consumer”, descreve o aumento do comportamento ético dos consumidores. Este artigo é uma versão editada e actualizada de uma crítica de Rob Harrison ao desenvolvimento do consumo ético, publicada pela primeira vez na 100ª edição da revista “Ethical Consumer”, referente aos meses de Maio e Junho de 2006. Para informações adicionais em relação à revista “Ethical Consumer” www.ethicalconsumer.org [1] Ethical Consumer, edição 50 – “The rise and rise of ethical consumerism”. ECRA, Dezembro de 1997. [2] Banco Co-operative – “Ethical Consumerism Report”, 12 de Dezembro de 2005. [3] Annemieke Wijn (Kraft Foods). Discurso na Conferência TBLI em Frankfurt, 3 de Novembro de 2005. [5] “Capitalism as if the world matters”. Jonathan Porritt, Earthscan, 2005. [6] ENDS Report 370 – “Morely rejects green procurement targets for councils”, Novembro de 2005 [7] “Corporate Social Responsibility and the Consumer Movement”. Rob Harrison, crítica à política do consumidor, Julho/Agosto de 2003, Volume 13, Nº4. [8] Conversa telefónica com Andrea Klag na ICRT. 6 de Março de 2006. [10] Consulte o número 5 – Jonathan Porritt. [11] Para um debate sobre o modo através do qual as empresas “capturam” os governos democráticos, consulte “Captive State”. George Monbiot. Macmillan, 2000. [12] André Malraux foi escritor, filósofo e Ministro francês dos Assuntos Culturais entre 1958 e 1969. [13] “The ECRA 2001 Manifesto for Change”. Ethical Consumer, edição 70, Setembro de 2001 e em www.ethicalconsumer.org/aboutec/manifesto.htm. [14] Consulte as imagens em www.lifeaftertheoilcrash.net/, visualizadas a 12 de Março de 2006.

Fonte: www.impactus.org Novembro | Janeiro 2009 N.º 13 (adaptado)

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Café do Comércio Justo e Solidário Utopias em curso: Ao escolher este café participa também na construção de uma economia solidária a terra não é uma entidade estranha a desfrutar o mais possível, mas uma Terra Mãe a respeitar porque dela depende a nossa sobrevivência e a das gerações futuras Unión de las Comunidades Indígenas de la Región del Istmo (Uciri) – México Segundo a tradição indígena dos sócios da Uciri, a terra não é uma entidade estranha a desfrutar o mais possível, mas uma “Pacha Mama”, uma Terra Mãe a respeitar porque dela depende a nossa sobrevivência e a das gerações futuras. Daí a escolha de uma agricultura biológica para os agricultores da Uciri ter

sido natural desde o início. Obter um preço justo para o próprio café é o objectivo económico principal da Uciri, mas inserido numa intervenção mais ampla; os agricultores empenham-se em melhorar a próprias condições de vida: aumento dos recursos alimentares de base, prevenção e tratamento das doenças, estruturação de uma rede hidráulica potável, activação de programas educativos e de escolarização, tomada de consciência e luta pela afirmação dos próprios direitos civis e políticos. A cooperativa Uciri foi constituída em 1983 por cinquenta famílias de indígenas Zapotecos, Mixes e Chontales residentes

em três aldeias diferentes da região montanhosa de Oaxaca, a sul do México; depois de apenas dois anos, as famílias eram mil e quinhentas, originárias de dezassete comunidades. Hoje é uma das realidades mais representativas do comércio justo. O mercado do café Os preços dos produtos tropicais como o café, cacau e açúcar formam-se em mercados financeiros especializados, onde são negociados títulos e contratos de entrega não imediata, nos quais operam não só as grandes empresas de comercialização do sector, mas também os sujeitos financeiros que gerem os

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fundos de investimento, fundos de pensões e especuladores profissionais. Contra esta lógica, o comércio justo e solidário prevê preços mínimos garantidos aos produtores, que asseguram de forma contínua remunerações dignas e atenuam as oscilações especulativas do mercado; por outro lado concede préfinanciamentos e contratos duradouros para a estabilidade financeira e uma melhor planificação das actividades. (Central de Cooperativas cafetaleras del Norte) Cecocafen – Nicarágua A Cecocafen foi fundada em 1997, com quatro Uniões de Cooperativas (UCAs) às quais se juntaram cinco cooperativas de base: as novas organizações reagrupam cerca de 1500 sócios. Os objectivos principais são: a comercialização do café dos sócios, mas

Jardins de Chá de Ambootia O Chá Ambootia é um projecto de culturas de chá biológico e biodinâmico com mais de 100 produtores. Produz o Chá Darjeeling do Comércio Justo, um chá 100% biológico e biodinâmico – na agricultura e reflorestação e utiliza fertilizantes e métodos de cultivo tradicionais. No sopé dos Himalaias Cultivado no sopé dos Himalaias, na região Indiana de Darjeeling, o chá produzido pelos Jardins de Chá de Ambootia é um dos melhores do mundo. As plantações estão situadas entre os

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também as cooperativas exteriores, a exportação directa, a procura e a oferta de financiamentos concedidos aos sócios, a assistência técnica e a formação, a melhoria da produção Os cafés Uciri e Nicarágua são os cafés “históricos” do comércio justo e solidário, com os quais foi iniciada a actividade de importação desde 1989. Trata-se de um café 100% de qualidade arábica, uma variedade muito preciosa, como é preciosa a luta política e de resistência às pressões dos mercados internacionais dos pequenos produtores de café na América Latina. A variedade arábica fornece mais de 75% da produção mundial dos grãos e é muito divulgada na América Central e do Sul; o robusta ou C. Canephora, ao invés, outra variedade muito conhecida, é cultivada sobretudo em África.

O café arábica é o mais apreciado e tem menor teor de cafeína.

430 e os 1350 metros de altitude. 350 hectares são ocupados com a cultura do chá; 29 hectares com laranjas e agricultura de subsistência; 162 hectares estão cobertos por floresta e pertencem ao programa de reflorestação de Ambootia que procura responder aos problemas das derrocadas; 23 hectares são de cultivo de cardamomo e gengibre. O Darjeeling Ambootia é um chá de primeira colheita, isto é, as folhas são colhidas no primeiro crescimento da estação. Jardins de Chá de Ambootia

Os Jardins de Chá de Ambootia oferecem oportunidades de alojamento durante o período das colheitas a todos os empregados (tanto aos permanentes como os sazonais). Todas as casas têm casas de banho comuns. A aldeia tem vinte lojas. A Ambootia disponibiliza aos seus empregados assistência médica gratuita (há um farmacêutico e uma enfermeira na aldeia) e os medicamentos essenciais. Os trabalhadores estão afiliados no Sindicato dos Trabalhadores das Plantações dos Himalaias.

Comércio justo e solidário Garante a importação dos produtos a preços justos, superiores ao mercado tradicional, que valorizam os custos reais da produção e permitem uma retribuição digna do trabalho: concede préfinanciamentos das encomendas, assegura a transparência nas relações de cooperação e continuidade nos contractos. Apoia activamente a agricultura biológica e apoia projectos locais de desenvolvimento do ambiente e social. Ao consumidor oferece preços transparentes e informações sobre os desequilíbrios entre norte e sul do mundo.

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A Ambootia disponibiliza bolsas de estudo, melhorarias nas escolas da aldeia, organiza actividades de lazer para os trabalhadores e para a compra de vacas que representam para muitos lavradores uma fonte adicional de rendimento. Todas as aldeias possuem canalização de água, saneamento básico adequado,

água potável e um sistema de recolha de resíduos. As casas são melhoradas anualmente. Após a catástrofe provocada por uma grande derrocada, a Ambootia iniciou há alguns anos diversos programas de protecção do ambiente, o que significa que parte do prémio gerado pelo comércio justo é utilizada na construção de uma fábrica

de biofuel e num programa de reflorestação.

O Comércio Justo vai buscar a camomila, o hibisco e a erva príncipe à MERU HERBS no Quénia

Committee melhoraram as condições de vida da população e o projecto expandiu incluindo a construção de um sistema de irrigação. A proposta foi preparada e submitida a subsídios com o apoio da Diocese Católica de Meru (DOM). E este Water Project foi, mais tarde, implementado em 3 fases com subsídios do governo italiano (através da AES uma ONG de Padova) e da União Europeia. Fornece actualmente água a quase 500 casas. A central de irrigação é uma resposta eficiente às secas periódicas e permite o cultivo de legumes, que são vendidos em troca de dinheiro. Os agricultores são contratados pela Meru Herbs – um projecto da DOM localizado perto do Ng’uuru Gakirwe Water Project – e cultivam hibisco, camomila, papaias e mangas para infusões e compotas. Parte do rendimento das vendas é utilizada na manutenção da estação de irrigação.

Cooperação descentralizada Durante um longo período de cooperação de 10 anos, a Meru Herbs e o Comércio Justo implementaram vários projectos de desenvolvimento. Em 1994, o Comércio Justo obteve da província italiana de Bolzano o subsídio necessário para a aquisição de uma máquina de embalamento de chá, capaz de produzir mais de 9600 saquetas de chá por dia e, assim, garantir uma maior e mais estável produção de tisanas. Como resposta à procura crescente de produtos da Meru, principalmente por parte da rede de Comércio Justo japonesa, foi comprada mais uma máquina, em 2000. O projecto teve início em 2000 e foi financiado pela Província Autónoma de Bolzano (Itália). O Comércio Justo através dos produtos da Meru Herbs propõe-lhe um excelente “chá das cinco” com tisanas com aromas P familiares e exóticos. á

Pequenos agricultores envolvidos no projecto de irrigação Ng’uuru Gakirwe Water Project trabalham para a Meru Herbs, são mais de 470 pequenos agricultores da província de Meru, no sudeste do Quénia. Cultivam camomila, hibisco e frutos para infusões e compotas. Toda a produção, processamento e embalagem é artesanal. As tisanas e compotas são importadas pelo Comércio Justo e vendidas nas lojas do mundo. A água do Monte Quénia Em 1982, um grupo de pequenos agricultores que vivia no sopé do Monte Quénia fundou o Ng’uuru Gakirwe Water Committee e deu início a planos de extracção de água do rio mais próximo para abastecimento doméstico e para a agricultura. As actividades do Water

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PUSHPANJALI: Uma organização de apoio aos artesãos que praticam artesanato típico da cidade de Agra, na Índia. As razões a que se deve a sua constituição remontam a 1979 após o encontro entre vendedores de artesanato e um responsável por uma organização de desenvolvimento inglesa. A amizade entre ambos fundou-se no objectivo comum de apoiar e coordenar as famílias de artesãos de Agra e da área circundante através de projectos de

desenvolvimento de modo a conseguir criar uma organização especificamente dedicada ao apoio da produção artesanal. O primeiro contacto entre a Pushpanjali e o Comércio Justo surge em 1997 e rapidamente se consolidou numa parceria comercial. Pushpanjali permite aos artesãos realizarem produtos de elevada qualidade e a sua comercialização de forma eficiente e directa, evitando a dependência de intermediários. Aumentando o

rendimento obtido através da actividade artesanal, os produtores de Pushpanjali melhoram assim as suas próprias condições de vida. O Comércio Justo adquire à Pushpanjali objectos em pedra e em vidro. Trata-se de um trabalho artesanal com antiga tradição ainda viva em Agra e que representa a fonte de subsistência para milhares de pessoas.

Selyn do Sri Lanka é uma organização que nasceu do empenho na dignidade justa da tradição artesanal cingalesa. Foi fundada pelo advogado cingalês Sandra Wanduragala em 1994. Inicialmente, a actividade contava com três pequenos laboratórios com teares manuais. Agora envolve quatrocentos artesãos e artesãs, estrutura centros de tecelagem também nas zonas rurais, evitando a

necessidade de migrar para as cidades nas comunidades isoladas. O objectivo é criar ocupações nas áreas rurais e marginais. Produz brinquedos de tecido, feitos à mão em telas tradicionais. Sandra Wanduragala desenha pessoalmente os jogos, que são realizados respeitando a normativa europeia para a segurança e são jogos testados. Através destes produtos

inovadores, a Selyn deu vigor à longa tradição cingalesa da tecelagem à mão. Um verdadeiro desafio, visto que o mercado têxtil do Sri Lanka estava em grande risco devido à concorrência indiana e chinesa. Graças à vontade de produzir jogos, Selyn conseguiu não deixar morrer a arte da tecelagem cingalesa, restituindo valores e dignidade a todos.

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Valorização ética Selyn é uma empresa privada gerida de forma correcta económica e socialmente, particularmente atenta às problemáticas económicas nacionais e ao respeito pelas leis do trabalho, prevê sempre uma série de vantagens adicionais para os seus trabalhadores e consegue valorizar

também do ponto de vista económico a tradição da tecelagem em tear graças a uma grande capacidade empreendedora. Investir no futuro Cria condições de trabalho favoráveis, já que garante cobertura médica, empréstimos facilitados, benefícios para os trabalhadores de longe (comida,

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alojamento, transporte). Além disso, existe o projecto de uma escola que fornece educação de qualidade em inglês, desde a creche até à universidade, para dar total possibilidade aos jovens cingaleses que não podem ir estudar para a capital.

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Novidades na Prateleira

7 O Comércio Justo

propõe-lhe imensas ideias de presentes onde prazer rima com voluntariado e desenvolvimento sustentável. Os produtos do Comércio Justo São bons para quem os consome, bons para quem os produz E bons para o Ambiente!

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BOAS FESTAS, Festas Justas, Solidárias e Sustentáveis!

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Colabore com a Associação Reviravolta como VOLUNTÁRIO. A Lei n.º 71/98 de 3 de Novembro, regulamentada pelo Decreto-lei n.º 389/99 de 30 de Setembro, enquadrou juridicamente o trabalho voluntário. Voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar acções de voluntariado no âmbito das actividades da Associação Reviravolta. A Associação Reviravolta está receptiva e interessada na colaboração de voluntários. Ajude-nos e valorize-se!

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Boletim Justo | Newsletter Mensal da Reviravolta | Dez 2011  

O boletim mensal da ass. Reviravolta, entidade promotora e comercio justo na cidade do Porto, Portugal

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