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04 newsletter trimestral A. Reviravolta

Boletim Justo n.º 04 | Newsletter trimestral - A. Reviravolta | outubro-novembro-dezembro 2012 | www.reviravolta-comercio-justo.blogspot.com

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Afundar ou remar junto Compras responsáveis Um rosto: Bunker Roy Sabe o que é o esverdeamento? Novidades na prateleira

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04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 2 Tema da capa

Nesta edição: Cartaz de 2012 a promover o Comércio Justo Os membros da Organização Mundial de Comércio Justo (World Fair Trade Organization (WFTO)) são pioneiros de Comércio Justo há mais de cinco décadas, apoiados por redes nacionais e regionais para combater a pobreza, as alterações climáticas e a crise económica que têm maior impacto nas 1 populações mundiais mais vulneráveis; lembre-se que /3 da população do mundo vive com menos de 2 dólares por dia. A crise global confirma a necessidade de uma economia justa e sustentável localmente e globalmente. O Comércio deve beneficiar os mais vulneráveis e fornecer vidas sustentáveis desenvolvendo oportunidades para pequenos produtores e produtores desfavorecidos. Milhões de produtores, comerciantes, negociantes e políticos, organizações e voluntários contribuíram para o crescimento do Comércio Justo.

Para saber mais consulte: http://www.wfto.com/

AFUNDAR OU REMAR JUNTO – pág.2

Compras Responsáveis – pág.4

Um rosto: Bunker Roy – pág.7

Sabe o que é o esverdeamento?– pág.9

Quem se importa - pág.12

Fonte imagem: http://www.tree-nation.com/trees/572812

Novidades na prateleira – pág.16

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04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 3

AFUNDAR OU REMAR – JUNTO Ao entrar em qualquer loja nos dias de hoje vemos prateleiras repletas de marcas a competir entre si, muitas a fazer afirmações de responsabilidade ambiental na medida em que visam atrair e ganhar. São os consumidores capazes de dizer quais as afirmações que são verdadeiras e quais as que são greenwashing? Um novo estudo mostra que a percepção do público da pegada ecológica de uma empresa muitas vezes não espelha a realidade. A revista New Scientist recentemente publicou os resultados de uma investigação que examinou as visões dos consumidores dos Estados Unidos sobre as “auras verdes” de determinadas empresas e as compara com a verdadeira actuação das empresas. Olhando para nove setores da economia, o estudo classificou o “impacto ambiental” dos negócios individuais relativos a outros no seu setor e auscultou os consumidores para obter as opiniões sobre estas mesmas empresas. De entre as 22 empresas a categoria da comida e bebidas, por exemplo, Fresh Del Monte Produce ficou classificada em último entre os seus pares devido à sua actuação real mas ficou em segundo lugar de acordo com a percepção dos consumidores americanos em relação ao ser verde. No entanto, Unilever – detentora da primeira propriedade de chá Rainforest Alliance CertifiedTM certificada no mundo e jura que irá buscar todo o seu chá para as saquetas de chá Lipton das quintas certificadas Rainforest Alliance Certified até 2015 – foi classificada em 21º lugar pelos consumidores, ao lado da última, apesar de receber o segundo lugar quanto à sua actuação relativa ao impacto ambiental. Dada a barreira entre a informação de marketing que visa os consumidores, não surpreende ficar a saber que estão a ter dificuldade em distinguir realidade da ficção. E muitas das próprias empresas não facilitam esta tarefa. De acordo com um relatório de 2009 da empresa de marketing ambiental TerraChoice, que examinou 2219 produtos de retalho vendidos nos Estados Unidos e no Canadá, 98% dos produtos fazia uma afirmação que podia ser categorizada de greenwashing, activamente enganando o consumidor ou dando uma impressão falsa ao omitir pormenores chave. O que estes estudos salientam é a importância de informação credível e independente que conduz os consumidores a saber quando um produto é verdadeiramente verde – o que é o que fazem exactamente programas de certificação com a Rainforest Alliance. O selo da Rainforest Alliance Certified fornece aos consumidores que se preocupam uma avaliação digna de confiança feita por terceiros que lhes diz se o produto foi feito de maneira responsável quer ambientalmente quer em termos sociais. Ao encontrar este selo numa loja saberá que é um selo de confiança.

Fonte: Rainforest Alliance

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Compras Responsáveis

04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 4 produto, os ganhos dos fornecedores e as condições de trabalho justas: A necessidade de produzir com rapidez.

O ambiente de compra é cada vez mais competitivo e estimulante, mas a forma de comprar pode involuntariamente ser uma ameaça à estabilidade e à eficiência da actividade dos fornecedores dos quais dependem os compradores. As compras podem ter um impacto forte sobre os fornecedores, em especial nos que são provenientes dos países em vias de desenvolvimento. No mundo 1,2 mil milhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia, o que significa em condições de pobreza extrema cuja sobrevivência depende da agricultura. Assim, a oportunidade de vender a compradores internacionais é de vital importância para milhões de pessoas. A necessidade de garantir um fornecimento que assegure a qualidade dos produtos, o prazo de validade e o preço sem gerar outros custos internos é a chave para uma melhor compra. Entretanto, os riscos associados à reputação e à importância de construir relações comerciais estáveis e de longa duração no sector induziram algumas centrais de compras a rever as suas próprias metodologias. De que forma os compradores podem melhorar os seus fornecimentos, de modo a tornar mais eficiente a sua actividade comercial e a dos fornecedores do outro lado do oceano? É justo esperar que as empresas comprem de forma responsável? O que significa “compras responsáveis”?

Através de exemplos sugerem-se procedimentos através dos quais as empresas podem avaliar as próprias compras, introduzir melhorias, mas também se evidencia o facto de não se poder esperar que as empresas façam tudo e considera-se o papel que os governos podem desempenhar. Não existem respostas fáceis a tais questões. Fornecimentos de países em vias de desenvolvimento? Compras e pobreza: existe alguma correlação? A sobrevivência de milhões de pessoas nos países em vias de desenvolvimento depende dos compradores internacionais. Muitas empresas reconhecem ter uma grande responsabilidade nesta matéria e decidiram tomar iniciativas que permitam diminuir as práticas de exploração ao longo das suas cadeias de abastecimento. Algumas empresas adoptaram códigos de conduta para os seus fornecedores. No entanto e, na maioria dos casos, as suas próprias compras acabam por esbater as tentativas de atingir esses padrões, com consequências desastrosas para os produtores mais pobres. Se as empresas adoptassem medidas específicas para efectuar as suas próprias compras de modo responsável, as condições de trabalho poderiam ser melhoradas, os direitos dos trabalhadores respeitados, o direito dos pequenos produtores a uma vida mais digna, os custos e os danos ambientais reduzidos. A crescente concentração dos compradores na cadeia de abastecimento pode reduzir o poder negocial dos fornecedores mais pobres. Em nenhum outro sector isto é mais difícil do que no sector das compras. A natureza altamente competitiva das compras coloca sobre pressão quer os compradores quer os fornecedores e na maioria dos casos são os camponeses e os operários os que sofrem mais. Pressão sobre os compradores As compras e práticas actuais estão sujeitas a três factores que podem involuntariamente agir contra a qualidade do

A flexibilidade da procura no âmbito da actividade comercial ou do cliente, incluindo a necessidade de escoar picos sazonais nas encomendas. A contínua procura de preços sempre mais baixos e de melhores condições comerciais. Pressão sobre os fornecedores Em resposta a estas pressões os compradores tendem a dirigir os riscos para os seus fornecedores. A cadeia de abastecimento gerida pelos compradores impõe os próprios standards aos fornecedores. Rapidez e flexibilidade constituem sérios obstáculos a uma planificação correcta das actividades: - poucos fornecedores recebem um adiantamento no momento da encomenda e os prazos de pagamento após a entrega da mercadoria podem ser muito longos. Outras compras podem ser efectuadas com uma cláusula de “venda à consignação”. - muitos fornecedores, especialmente na indústria alimentar, não possuem contratos escritos com os seus compradores e devem aceitar e confiar em acordos meramente verbais. Os fornecedores devem ser bastante flexíveis para poder fazer frente às alterações nas encomendas, cancelamentos, aumentos ou diminuição das quantidades, variação das datas de entrega – e tudo isto acontece muitas vezes em cima da hora. Compra responsável Os bons compradores têm necessidade de fornecedores de longa duração uma base de fornecimento eficaz constitui um ponto central para o sucesso duma empresa. A habilidade dos compradores em garantir para a sua empresa fornecimentos regulares depende da vitalidade e da eficiência dos seus fornecedores. Todavia, algumas modalidades de compra podem pôr em questão estes fundamentos, prejudicando a eficiência dos fornecimentos e a capacidade de assegurar o bem-estar dos trabalhadores. Isto pode significar uma elevada rotatividade dos trabalhadores e uma diminuição da produtividade, que poderá também conduzir a uma descida do nível de qualidade dos produtos, a entregas fora de prazo e a custos acrescidos para a empresa. Além do mais, fica em causa o fornecimento a longo prazo de produtos de qualidade provenientes da mesma fonte de abastecimento. Fornecimentos que desrespeitam os direitos humanos e laborais aumentam os riscos ligados à reputação da empresa. Os consumidores estão cada vez mais atentos aos aspectos ligados a quem produziu os seus produtos e ao modo como foram fabricados. O rápido crescimento do sector de Comércio Justo de 40% ao ano mesmo nos mercados em fase de saturação é prova disso. Existe um risco para a própria reputação da empresa ao ficar associada a um fornecedor que tenha pouca consideração pelo respeito dos direitos humanos. É importante que os clientes façam uma distinção entre compradores e fornecedores, já que compradores importantes podem ser responsabilizados pelos padrões adoptados pelos próprios fornecedores. A compra nas diferentes cadeias de abastecimento pode influenciar as populações dos países em vias de desenvolvimento. Existem linhas genéricas que podem contribuir para a definição do que é a compra responsável. E existem outros factores no comércio internacional com os

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04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 5 quais os fornecedores e os compradores se devem confrontar de igual forma: Factores económicos Excesso de oferta no mercado global que gera a descida e instabilidade dos preços. Poder de compra concentrado nas mãos das empresas comerciais, revendedores e marcas. Implicações sociais e ambientais dos abusos ao longo das cadeias de abastecimento Relações instáveis entre trabalhadores, produtores e compradores. Ausência de liberdade sindical e direito à contratação colectiva. Condições de trabalho críticas: número excessivo de horas de trabalho e precariedade no emprego. Discriminação e assédio sexual na relação com os trabalhadores. Falta de informação sobre os riscos associados ao trabalho e sobre os contratos. Segurança e protecção sanitária insuficiente. Desflorestação, empobrecimento da biodiversidade e dos solos. Utilização perigosa dos pesticidas. Poluição dos cursos de água. O que significa compra responsável? Perspectivas sobre a compra responsável nas cadeias produtivas internacionais. Os compradores operam em ambiente de constantes alterações no que diz respeito à procura e à oferta e normalmente constituem somente uma parte da cadeia produtiva mais longa. Estes podem favorecer ou impedir a obtenção de padrões sociais e ambientais na cadeia, mas não são os únicos responsáveis. A compra responsável poderá introduzir alterações positivas ao nível dos fornecedores de modo a que todas as partes da cadeia de produção sejam beneficiadas. Tal requer obviamente uma relação de confiança, directa e honesta, na qual as partes estejam no mesmo patamar negocial, partilhem de modo equilibrado os riscos associados e onde os compradores se empenhem em manter o respeito pelos direitos humanos na base da cadeia. O que poderiam fazer os compradores? Seis fases para um fornecimento responsável Não é fácil para os compradores assegurarem um impacto positivo e correcto sobre os fornecedores estrangeiros dos seus produtos. Não existem soluções rápidas e pré-definidas, nem respostas fáceis. De qualquer modo os compradores enquanto “detentores da decisão de compra” têm um certo poder e assim uma oportunidade de manter ou prejudicar as boas condições de trabalho nos lugares de produção. O objectivo desta consulta é ajudar os compradores e os governos a empenharem-se na prossecução deste processo e estimular um debate construtivo e coerente sobre esta questão. A mudança não terá lugar de hoje para amanhã mas são possíveis algumas melhorias.

Propõem-se uma série de acções que os compradores e as empresas devem considerar, através das quais podem melhorar as suas práticas de compra e fazer a diferença na vida dos trabalhadores, dos camponeses e das suas famílias. Fase 1. Conhecer a legislação existente. Deve garantir-se aos compradores que a sua fonte de abastecimento cumpre as leis nacionais e os acordos internacionais (convenções fundamentais da Organização Internacional de Trabalho e os protocolos internacionais sobre ambiente: liberdade de associação sindical, abolição de trabalho forçado e de trabalho infantil por exemplo). Isto não é fácil e é por esse motivo que foram tomadas várias iniciativas que colocam em evidência o caminho a percorrer para obter melhores condições e assegurar a adequação a procedimentos simples de controlo. Fase 2. Nomear uma comissão no seio da direcção para verificar as práticas de compra e desenvolver uma estratégia empresarial Fase 3. Desenvolver linhas de conduta empresarial. Desenvolver uma série de linhas de conduta claras e coerentes que incluam o empenho na manutenção dos direitos humanos ao longo da cadeia de abastecimento e nos aspectos fundamentais no tratamento dos fornecedores, por exemplo na definição de contratos escritos, na troca de informações sobre tendências do mercado, na visita aos lugares de produção. Fase 4. Formação dos compradores. Educar para a compreensão do impacto que as suas decisões de compra podem ter no sentido de manter ou prejudicar as condições de trabalho nos lugares de produção. Fase 5. Recolher dados e fixar termos de referência que encorajem a melhoria contínua das práticas de compra. O controlo da conduta social dos fornecedores pode ser inútil se as empresas tiverem a intenção de afastar um fornecedor que não consiga adaptar-se no curto prazo às alterações solicitadas. Podem, no limite, promover a desonestidade já que os fornecedores seriam “tentados” a dar respostas “certas” para não arriscarem uma possível eliminação. O feed-back dos fornecedores – sem temer represálias – sobre o impacto da gestão das compras e dos fornecimentos dará informação muito útil às empresas no sentido de ajudarem os seus compradores a melhorar. A recolha de informação que torne evidente a “dificuldade dos fornecedores” pode indiciar práticas de compra particularmente prejudiciais. Fase 6. Avaliação e reconhecimento do valor das acções levadas a cabo pelos compradores e pelos fornecedores no sentido da compra responsável. Elementos para uma compra responsável Boas relações com os fornecedores – os compradores pretendem criar relações comerciais estáveis e de longo prazo, baseadas na confiança e na partilha dos riscos; baseiam-se na relação de lealdade existente com os seus fornecedores. Comunicações claras e atempadas – os fornecedores conhecem os termos que determinam a relação comercial, recebem comunicações claras sobre as expectativas dos compradores e estão em condições de dar feedback sobre as suas próprias necessidades numa relação bilateral. ©anlu


04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 6 Os preços devem permitir benefícios mútuos quer ao fornecedor quer ao comprador e, para além disso, devem permitir que os restantes intervenientes da cadeia beneficiem de um preço que cubra adequadamente os custos de produção e assegure um ganho justo. Termos claros sobre os prazos de entrega e de pagamento – os fornecedores devem ter condições de pagamento claras, regulares e transparentes e uma planificação das encomendas que inclua todos os termos relativos ao envio e entrega da encomenda. Respeito pelos direitos humanos na cadeia produtiva Os compradores e os fornecedores conhecem e operam no respeito pelos standards mínimos dos direitos humanos. É dada preferência aos fornecedores que demonstrarem uma atitude de melhoria das condições sociais e ambientais em

que operam. Apoio aos pequenos produtores e aos trabalhadores no domicílio A quantidade de produtos comprados a pequenos proprietários e trabalhadores, cooperativas democráticas e em áreas deprimidas não pode ser alterada involuntariamente. Uma relação estável com o fornecedor traz benefícios mútuos e não só é essencial para a entrega do produto como promove uma melhoria contínua, quer na eficiência quer na inovação aplicada a novos produtos. As alterações frequentes de fornecedor criam perdas de tempo e de dinheiro. Uma comunicação escassa pode comprometer a chegada das encomendas e a qualidade do produto. Os fornecedores bem informados sentir-se-ão reconhecidos pela empresa e empenhar-se-ão na melhoria da relação comercial e do produto. A pressão gerada pelos custos provoca muitas vezes cortes nas despesas relacionadas com a saúde e a segurança no trabalho, facilitando práticas de gestão viradas para a exploração. Estas práticas, se adoptadas pelos fornecedores, podem ter um impacto na qualidade do produto aliado ao risco da reputação. Prazos apertados na entrega podem colocar em risco a qualidade dos produtos, enquanto que pagamentos em atraso podem condicionar toda a actividade dos fornecedores e potencialmente a entrega da própria encomenda. Os fornecedores que registraram melhorias nas suas práticas sociais têm na maioria das vezes associada uma elevada produtividade, oferecem melhor qualidade e geram um risco menor sobre a reputação dos compradores. Parceiros importantes na cadeia produtiva, como os pequenos proprietários e trabalhadores no domicílio, muitas vezes são inseridos em sectores de mão-de-obra intensiva e produzem encomendas com um valor qualitativo mais elevado, porventura com um custo unitário inferior (por exemplo, o algodão da África Ocidental). Os preços devem permitir benefícios mútuos quer ao fornecedor quer ao comprador e, para além disso, devem permitir que os restantes intervenientes da cadeia beneficiem de um preço que cubra adequadamente os custos de produção e assegure um ganho justo. Fonte: www.responsible-purchasing.org Projecto conduzido por quatro organizações europeias de Comércio Justo e Solidário: Traidcraft (Reino Unido), Ideas (Espanha), Ctm-altromercato (Itália) e Oxfam Wereldwinkels (Bélgica) e com a parceira da Equação (Portugal)

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04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 7 Um rosto Bunker Roy

Bunker Roy, fundador e director da Universidade dos Pés Descalços (Barefoot College) em Tilonia, perto de Ajmer, no Rajasthan, na Índia. Trabalha há quatro décadas a favor do ambiente. Raramente fala aos media. No entanto, este aspecto não impediu que os media aplaudissem os seus contributos: a Time magazine, reconhecendo o seu trabalho humanitário, colocou-o na sua lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. O Barefoot College foi fundado em 1972 e funciona totalmente a energia solar. Foi construído por arquitectos e pedreiros “pés descalços”, e já formou mais de 3 milhões de pessoas para trabalhar em zonas rurais em todo o mundo. Abriu escolas noturnas para rapazes e raparigas pastores, capacitou mulheres para ganharem algum rendimento através do seu artesanato feito em casa, e instalou centrais de dessalanização a energia solar em aldeias, formou mulheres iletradas de zonas rurais para serem engenheiras solares. Bunker Roy nasceu em Burnpur, Asansol a cerca de 225km de Calcutá, a 30 de junho de 1945, filho de Aruna e Amal Nath. Com 5 anos foi para o colégio interno St Xaviers em Patna, Bihar. Estudou na Escola Doon, Dehradun de 1956 a 1962. Foi para a universidade St Stephens, Universidade de Deli e formou-se em inglês de 1962 a 1967. Foi campeão nacional de squash em 1965, 1967 e 1971. Visitou Bihar, onde havia fome, em 1965 e 1966. Trabalhou a escavar e a abrir poços em 1967, em Ajmer. Casou com Aruna em 1970. Foi para a aldeia de Tilonia perto de Ajmer e começou o projeto de água potável em 1971. Concebeu o Barefoot College em 1972. Trabalhou com a Comissão de Planeamento, Governo da Índia, cobrando apenas 1 cêntimo por mês. Escreveu o 1.ª Declaração sobre o setor voluntário, incluída no 7.º Documento de Planeamento de1984-89. Ajudou vários milhares de aldeões na Índia e no estrangeiro a tornarem-se auto-suficientes.

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04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 8 “As pessoas têm medo de errar” A aldeia “Barefoot” estar na lista da Time magazine, que diferença fez para a aldeia? Muito pouca. Ninguém lê a Time magazine nas aldeias da Índia. Pode ter feito alguma diferença nas metrópoles uma vez que mais algumas pessoas devem ter lido sobre a Universidade dos Pés Descalços (Barefoot College). Mas com isto, nem a minha vida nem as minhas prioridades irão mudar. O que o fez ir para Ajmer e trabalhar a cavar e a abrir poços depois de acabar a faculdade? De 1965 a 1966, enquanto ainda estava na faculdade, houve fome em Bihar. Desloquei-me a Bihar com os meus amigos Ashwini Saith e Suman Dubey. Ouvíamos falar tanto sobre o assunto e diziase que nunca se tinha visto nada assim antes. Centenas de pessoas estavam a morrer e tentámos fazer o que podíamos. Esta experiência marcou-me e decidi trabalhar no que quer que fosse nas aldeias na Índia. Como é que a sua mãe reagiu quando lhe disse a sua decisão? Reagiu muito mal. O primeiro pensamento dela foi como é que ela iria explicar a sua família e o que é que eles iriam dizer: "Nenhum trabalho fixo. Nenhum salário. Nenhuma segurança". Pensou que eu ia desperdiçar a minha vida e disse que eu não estava a pensar na minha família. Um trabalhar a escavar poços nos desertos do Rajasthan não era a ideia que ela tinha de um trabalho decente. Deixou de me falar durante muitos anos. O meu pai tinha morrido em 1957 e a minha mãe tinha-me dado possivelmente a melhor e a mais cara educação. Mas a minha viagem para Bihar e o ter visto os horrores da fome tinha mudado tudo. Mas o que o fez escolher apenas Ajmer? Podia ter sido em qualquer lado. Aconteceu que a primeira abertura foi em Ajmer a escavar e a abrir poços para água potável. Trabalhei e foi pago como qualquer outro trabalhador. É difícil explicar a sensação de ver a água a sair do poço, escavado a 100 pés abaixo do solo. Saber que foi responsável por isto deu-me uma satisfação e prazer imensos. Foi a scores de aldeias nos 5 anos seguintes. O projecto entailed deepening 500 poços. Um dos escavadores, Meghraj, que me ensinou a arte da escavação, era de Tilonia. Frequentemente ele falava da sua aldeia e convenceu-me a visitá-la. Foi assim que aconteceu Tilonia em 1971. Quais foram as suas primeiras impressões de Tilonia? Tilonia é uma aldeia num dos estados mais secos e mais pobres da Índia, Rajasthan. Achei que o que precisava era de água potável. Havia água, mas como conseguir aprofundar os poços era uma grande campanha. Ir de aldeia em aldeia para ver o que podíamos fazer, explorámos 110 aldeias. Era de grande importância para mim existir alguma coisa apenas para os pobres e nada me iria parar. Mas os aldeões não confiavam. Perguntaram-me "O que é que exactamente o traz por cá? Está a fugir da polícia? Não arranjou trabalho na cidade?" Explicar que eu estava lá voluntariamente não os fez confiar em mim. Nenhum homem no seu perfeito juízo iria deixar a vida na cidade para viver numa aldeia. Finalmente, pensavam que eu ambicionava entrar na política. Só após muitos anos é que eles perceberam que eu não era nenhuma ameaça nem iria prejudicar os seus interesses. Como é que é diferente das outras aldeias? A Universidade dos Pés Descalços faz toda a diferença. O que estamos a fazer na universidade é precioso, valioso e futurista. Durante os 5 anos que estive a construir poços, deparei-me com incríveis conhecimentos que os muito pobres têm nas aldeias. Actualmente, a universidade tem um bloco administrativo, salões, uma biblioteca, uma casa de hóspedes, uma sala de jantar, um teatro ao ar livre, um hospital com 10 camas, um laboratório de patologias, um laboratório de testes à água, uma unidade de formação de professores, uns correios, uma loja de artesanato, um internet café, uma oficina de bonecos e um dormitório para formandos residentes.


04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 9 Captura de águas pluviais, tema muito abordado nas cidades actualmente foi implementada pelos aldeões na Universidade dos Pés Descalços há duas décadas. Na verdade, nas áreas rurais, existem inúmeros exemplos de estruturas de captura da água da chuva para água potável sendo usado actualmente mas com mais de cem anos quando não havia ainda arquitectos ou engenheiros. De que forma as aldeias circundantes beneficiaram da abordagem da Universidade dos Pés Descalços? A qualidade de vida e o nível de confiança das pessoas melhorou. A capacidade de tomar decisões e fornecer serviços foi melhorada. Onde a maquinaria governamental não foi capaz de fazer estradas, os profissionais da universidade preencheram as falhas. As mulheres constituem uma grande parte das actividades de desenvolvimento da Universidade dos Pés Descalços. Reparam bombas manuais, fazem fogões e lanternas solares, aldeias e casas a energia solar e trabalham em computadores. Quase todos são iletrados e alguns semi-letrados. O que falta no nosso sistema que explique por que razão temos tão poucos Bunker Roys? Relativamente ao trabalho que faço, sinto que frequentei a escola e a universidade erradas. Na Universidade dos Pés Descalços, não damos importância aos graus ou qualificações. As pessoas com qualificações formais são desqualificadas. As pessoas aqui são formadas para ser engenheiros, professores, arquitectos, designers, artesãos, médicos e informáticos. E o método de ensino desafia a noção que seja necessária uma educação formal para se tornar qualquer um destes. Nós temos uma alternativa que é difícil para as pessoas entender, aceitar e aplicar. A lacuna no sistema mundial é que as pessoas têm medo de errar. Têm medo de ser motivo de troça e de se provar que estavam errados. Fontes: http://gulfnews.com/news/world/india/people-are-scared-of-making-mistakes Legenda das imagens:

Sabe o que é o ESVERDEAMENTO?

Segundo o TerraChoice (empresa canadiana consultora em marketing e sustentabilidade), em 2009, 98% de todas as afirmações de 'verde' feitas por empresas e marcas pecavam, ou seja, cometiam um ou mais dos 'sete pecados do esverdeamento', que são: Pecado do Custo Ambiental Camuflado (“hidden trade-offs”), Pecado da Falta de Prova (“no proof”), Pecado da Incerteza (“vagueness”), Pecado do Culto a Rótulos Falsos, Pecado da Irrelevância, Pecado do “Menos Pior” (“lesser of two evils”) e Pecado da Mentira (“fibbing”). A definição directa do dicionário de 'greenwash' ou esverdeamento é “o acto de enganar os consumidores no que diz respeito a práticas ambientais de uma empresa ou aos benefícios ambientais de um produto ou serviço”. É um novo conceito, os consumidores podem ter sido enganados sobre os benefícios ambientais dos produtos e serviços durante anos, mas agora existe uma lista cada vez maior de práticas de marketing dúbias. O verde já não é apenas uma cor mas tornou-se um movimento para fazer dinheiro. Não existe regulamentação na África do Sul para combater afirmações 'verdes' e é necessário um corpo regulador para monitorizar ou combater as afirmações. Actualmente a única associação a dar passos para dar apoio quanto a estes aspectos é a Advertising Standards Authority e mesmo assim o impacto resultante não é completamente útil. Precisa ser feito mais para fiscalizar o greenwashing na África do Sul, por exemplo. O governo deve controlar dos processos de estandardização e certificação, câmaras de comércio precisam estabelecer padrões maiores e a indústria da publicidade deveria fiscalizar os seus membros. Algumas das marcas da África do Sul fazem greenwashing, usando afirmações vagas, como 'biológico' quando os produtos podem conter químicos prejudiciais e suspeitos. Outras afirmações incluem 'amigo do ambiente' e mesmo


04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 10 'eco-safe' quando não são. Consumidores devem exigir a verdade, uma vez que falsas afirmações podem ser mesmo fraude. Incerteza da Reciclagem A afirmação mais frequente na África do Sul encaixa no Pecado da Incerteza e este é o “Mobius loop”, o símbolo de reciclagem que pretende significar que o produto é feito de material reciclado. Este pequeno símbolo de reciclagem, encontrado em quase todas as embalagens, não tem uma declaração de fiabilidade o que pode conduzir em erro o consumidor. Significa que o produto é completamente de material reciclável ou é a apenas a embalagem que é reciclável ou ainda ambos? Significa que é de material 100% reciclado ou menos? É feito a partir de resíduos de consumo ou de resíduos pré-consumo? Porque há uma grande diferença. Consumidores precisam ser novamente avisados quanto à compra de produtos que têm símbolos. Verifique o conteúdo e como foi reciclado, apenas quando um produto é reciclado a partir de grande quantidade de desperdício pós-consumo pois só assim pode afirmar-se verde, na medida que tem mesmo impacto no ambiente. Não há nenhum rótulo para este tipo de informação, parece que a responsabilidade do consumidor para verificar cuidadosamente os produtos e decidir com bases, acontece com informação limitada. A única forma de saber se um produto faz uma afirmação verde genuína é examinando a linha completa de fornecimento e não apenas o produto final. No caso de conteúdo reciclado é importante analisar a entrada de matéria-prima para ver que impacto ambiental o produto tem na verdade e finalmente o que pode afirmar. Como detetar greenwashing: Ler entre os rótulos – verificar o enunciado na embalagem cuidadosamente. Na África do Sul o movimento verde ainda não está regulamentado e por isso não existe nenhuma certificação ou selos verdes para produtos por isso os fabricantes podem muito bem fazer o que eles quiserem. Se um produto diz natural, mas contém arsénio, não quer dizer que seja seguro. Usar o bom senso – algumas empresas fazem afirmações verdes quando sabem que os seus produtos estão a destruir o ambiente – precisa exercer o seu direito à escolha. Suspeitar – não confie em tudo a não ser que o tenha verificado. Procurar clichés – biológico, orgânico, desenvolvimento sustentável, limpo, amigo do ambiente, “eco-friendly” etc. A maioria do esverdeamento ocorre devido a ignorância ou desleixo e não por intenção maliciosa. Agências de negócios e de publicidade podem dar passos simples para evitar escorregar no greenwash. Enquanto consumidor, pode detectar os piores sintomas de esverdeamento e tomar a sua decisão. Rótulos ecológicos = problema + solução Os últimos três anos assistiram ao maior crescimento de produtos de casa e para a família “mais verdes” do que até ao momento. As afirmações verdes dispararam assim como a opinião do consumidor, a exigência de mais evidência de afirmações e – consequentemente – a exigência da aprovação de terceiros. Padrões e certificações ambientais (“eco-labels” = rótulos ecológicos) surgiram como proteção contra greenwashing do nascimento em massa dos produtos verdes nos anos 1980. Na verdade, a “international organization for standards (iso)” estabeleceu boas práticas de rotulagem ecológica há mais de uma década, na ISO 14024. Normas e certificação ambientais serão essenciais para continuar o progresso nos produtos “mais verdes”. Ironicamente, a importância potencial de rótulos ecológicos conduziu à proliferação destes, e vários tipos e graus de significação e integridade. Nos estudos anteriores sobre os pecados do greenwashing o problema foi reconhecido como um novo pecado: o “pecado da adoração de rótulos falsos” Mas as normas verdes ajudam a combater o esverdeamento.


04 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 11 Dos produtos certificados pelo programa baseado na norma ISO 14024 (Ecologo, Green seal e o Nordic Swan foram os 3 que encontrámos neste estudo) mais de 30% não tinham pecados. Por outras palavras, bom rótulo ecológico ajuda a prevenir (mas não elimina) o esverdeamento. Falsos Rótulos Ecológicos estão a aumentar. O uso de falsos rótulos (um pecado identificado pela primeira vez em 2009 e apelidado de “Pecado do Culto a Rótulos Falsos”) está a aumentar. Mais de 32% dos produtos “mais verdes” descobertos neste estudo tinham um rótulo falso, comparado com 26,8% em 2009. Rótulos Falsos são uma bagatela. Fácil acesso a Rótulos Ecológicos falsos, completamente sem significado tornou-se quase cómico. Ao procurar num banco de imagens “verde certificado em inglês “certified green”” na internet, aparecem inúmeros Rótulos Ecológicos falsos que se podem descarregar por apenas alguns euros.

Ecologo faz parte da certificação e norma ambiental ISO 14024. Foi fundado em 1988, e hoje certifica milhares de produtos em mais de 70 normas. As duas variações de certificação são para mercados canadianos e internacionais. Para mais informação: www.ecologo.org

Fonte: www.sinsofgreenwashing.org Legenda das imagens: Logos – Ecologo (canadiano e internacional); Green seal e Nordic Swan.


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Legenda das imagens: Logos de Comércio Justo: internacional, um espanhol e o principal italiano.

| Documentário Quem se importa | Direção: Mara Mourão | Sinopse: QUEM SE IMPORTA é um documentário sobre os empreendedores sociais no Brasil e no mundo. Apresenta diversas (felizes) histórias sobre empreendedorismo social.Pessoas que criaram uma organização inovadora capaz de mudar a sociedade ao seu redor e causar impacto social suficiente para que ideias possam tornar-se políticas públicas aplicadas em várias partes do mundo. Um filme que, através das suas personagens, mostra o mundo por detrás de pessoas que oferecem simples soluções para as mais graves questões que nos afetam profundamente. O filme conta com grandes nomes internacionais do Empreendedorismo Social como Muhammad Yunus (Prémio Nobel da Paz), Bill Drayton (fundador da Ashoka), Al Etmanski, Bart Weetjens, Dener Giovanini, Eugenio Scannavino Netto, Isaac Durojaiye, Jehane Noujaim, Joaquim Melo, Joaquín Leguía, John Mighton, Karen Tse, Mary Gordon, Oscar Rivas, Premal Shah, Rodrigo Baggio, Vera Cordeiro e Wellington Nogueira. As filmagens aconteceram em sete países. | País: Brasil | Narração Rodigo Santoro | Duração: 125 min


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Aulas de Dança Cubanas e Caribenhas Salsa, Merengue, Mambo, Son, Chá Chá Chá

Aprenda danças típicas de Cuba e das Caraíbas tal como o povo as dança. Venha sentir os ritmos das ruas de Cuba e conhecer parte da história das suas danças. Use as danças como terapia para o seu bem-estar pessoal e desfrute do convívio, da música e de toda a boa disposição que cultura cubana transmite! Todas as Quartas-feiras das 19:30 às 21:30 Preço: 20€/pessoa e 35€/casal. || Voluntariado || 8 dezembro | 15:00 | Bar do Mundo Para assinalar o Dia Internacional do Voluntariado, que se comemorou no dia 5 de dezembro, a Reviravolta está a organizar uma palestra, que se realizará no ábado, dia 8 de dezembro, pelas 15:00, no Bar do Mundo. Estarão presentes na palestra Filipa Pais, coordenadora da CASO, o núcleo de voluntários da Universidade Católica do Porto, e Joana Mendes, coordenadora dos alunos que realizam voluntariado através da CASO. As nossas convidadas irão testemunhar as suas experiências de coordenação de voluntários e das suas próprias experiências de voluntariado. Exposição - A idade dos Azulejos De Marisa Alves e Joaquim Pombal Os mais recentes trabalhos de azulejaria realizados pelos autores no centoecatorze e expostos na Bienal de cerâmica Artística de Aveiro e na Galeria ApuntodFuga Arte Contemporânea - Santiago de Compostela. Contactos: 935968229 / 968029727 / 918955043 Centoecatorze@gmail.com www.centoecatorze.blogspot.pt

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O Natal já não tarda, é tempo de repensar e reinventar a linguagem das prendas. Uma prenda do Comércio Justo oferece dignidade a quem a recebe e a quem a produz, é um produto de qualidade que ultrapassa os limites geográficos e culturais. Descubra a ampla oferta de propostas para um Natal solidário: cestos, produtos alimentares, presépios e enfeites de Natal, objectos de artesanato, brinquedos, entre muitos outros.

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Erradicação da pobreza, sustentabilidade ambiental, igualdade de género, são alguns dos objectivos traçados pelas Nações Unidas para os próximos anos. Ajude a concretizar estes objectivos: adquira Produtos, peça um Cabaz de Natal Solidário com artigos originários de países desfavorecidos, produzidos com respeito pelos direitos humanos e pelo ambiente (Comércio Justo).

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Novidades na Prateleira Kuapa Kooko – Gana ©anlu


Chocolate Biológico Grande parte do chocolate do Comércio Justo é biológico e puro, apenas com manteiga de cacau. Um prazer que respeita o trabalho, o ambiente e a dignidade. Entramos aqui no mundo do cacau. Chocolate: a verdadeira história A história que queremos contar começa no México, milhares de anos antes da conquista espanhola, no ano de 1500 a.C. na civilização paleoamericana, dos Olmechi, os primeiros a cultivar a planta chamada kakawa. Para encontramos informações sobre o cacau damos um salto para a civilização Maia (de 250 a.C.a 900 d.C.), que consideravam o cacau a comida dos deuses. Também os Aztecas eram grandes consumidores de cacau, que aromatizavam com mel, baunilha, pimentão, flores de magnólia. Mas o cacau não é só uma sobremesa da corte e dos guerreiros, é também uma moeda, algo que os espanhóis aprenderam e puseram em prática: uma taça vale 200 favos. Os espanhóis, no entanto consideram o cacau um alimento e começam logo a impor à população local culturas e animais da Europa. Mas quando é que o chocolate e o cacau começa a ser um alimento de elite? Depois da Revolução Industrial. A primeira fábrica artesanal de chocolate nasce na França em 1776 e um século depois, em 1879, Rudolphe Lint inventa a conchagem (uma das etapas de produção de chocolate). O chocolate assim não é granuloso, é fino e cremoso, um bom motivo para o chamar “fundente”. Come nasce o chocolate A planta do cacau é típica da faixa equatorial do planeta, do Brasil à Indonésia, da Costa do Marfim ao Gana. Pode chegar aos 6 metros mas cresce à sombra de árvores mais elevadas. Do tronco de cada planta saem os frutos: as “cabossas”. Cada

cabossa tem 30 a 40 sementes de cacau e uma planta produz cerca de 80 cabossas/ano. São necessárias 20 cabossas para obter 1 kg de favos de cacau. As cabossas, apanhadas manualmente, abertas e ficam a repousar alguns dias. Neste período ocorre a fermentação das favas, fundamentais para a qualidade do cacau. Seguidamente é lavado e seco. E segue para a indústria do chocolate. A pasta de cacau é o pilar do chocolate: a esta adiciona-se açúcar e manteiga de cacau para obter chocolate preto ou açúcar, leite, manteiga de cacau para o chocolate de leite. No chocolate branco não se usa a pasta de cacau, usase apenas manteiga de cacau, leite e açúcar. O mercado do cacau A história do cacau de há mais de quarenta anos aparece um pouco retratada no romance de Jorge Amando no qual se baseia a novela brasileira “Gabriela”. Terras de grandes proprietários, em que lida com uma matéria-prima muito preciosa e objecto de especulação. O Comércio Justo em todos os seus anos de atividade apoia e apoiou os produtores de cacau com que colabora com préfinanciamento e transparência. O chocolate de Comércio Justo: Mascao É um puro chocolate, ou seja, sem gorduras vegetais mas com manteiga de cacau. São ingredientes de agricultura biológica adquiridos no sul do mundo de acordo com princípios de Comércio Justo. A particularidade do Mascao é ser um produto sem lecitina de soja e com açúcar mascavado. A qualidade dos ingredientes, o fabrico artesanal elimina a acidez, tornando o chocolate uniforme e aveludado. Mais informações (em italiano): www.altromercato.it (traduzido)

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Colabore com a Associação Reviravolta como VOLUNTÁRIO. A Lei n.º 71/98 de 3 de Novembro, regulamentada pelo Decreto-lei n.º 389/99 de 30 de Setembro, enquadrou juridicamente o trabalho voluntário. Voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar acções de voluntariado no âmbito das actividades da Associação Reviravolta. A Associação Reviravolta está receptiva e interessada na colaboração de voluntários.

Ajude-nos e valorize-se! inforeviravolta@gmail.com

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O QUE É O COMÉRCIO JUSTO?

| Boletim Justo – Newsletter trimestral da

| «O Comércio Justo é uma parceria comercial baseada no diálogo,

Associação Reviravolta

transparência e respeito. Contribui para o desenvolvimento

| Edição: Ana Luísa Coelho & Associação Reviravolta

sustentável oferecendo melhores condições de comércio tendo em

| Coordenação, Redacção e Desenho Original: Ana

conta os direitos dos produtores e trabalhadores marginalizados,

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especialmente no Sul do mundo.» Definição da FINE – Fair Trade Initiative for Europe, plataforma informal onde estão representadas

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ajuda-nos a avançar. Avança e escreve-nos!

| É, sobretudo, uma alternativa ao comércio convencional, pois

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promove a justiça social e económica, o desenvolvimento sustentável, e o respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente, através do

| Esta publicação pode ser reproduzida e divulgada

comércio, da sensibilização dos consumidores, e de várias acções de

desde que citada a fonte.

educação e informação. O Comércio Justo estabelece uma relação paritária entre os participantes na cadeia comercial: produtores,

| Comércio Justo no Porto

trabalhadores, importadores, lojas do Comércio Justo e consumidores.

| Parque da Cidade

| O Comércio Justo assume-se como uma alternativa em que a

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produção e o comércio se encontram ao serviço das pessoas. Prova

| Beco de Carreiras

que os lucros, os direitos dos trabalhadores e o respeito pelo meio

| 4150-158 PORTO

ambiente não são objectivos incompatíveis.

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