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Boletim Justo n.º 01 | Newsletter trimestral - A. Reviravolta | Jan-Fev-Mar 2012 | www.reviravolta-comercio-justo.blogspot.com

Afundar ou remar junto Comércio Justo e Soberania Alimentar Um rosto Nina Pacari: «o fogo de um amanhecer»

Sabia que Portugal já perdeu dezenas de variedades de cereais, frutos e legumes?

Novidades na prateleira Green Net

Make trade fair A importância da implementação do comércio livre

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01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 1 Tema da capa

Nesta edição: A campanha Make Trade Fair foi lançada com o objetivo de ressaltar a importância da implementação do comércio livre.

AFUNDAR OU REMAR JUNTO – pág.2

Rostos famosos participam na campanha, como Chris Martin, o líder da banda Coldplay. Os artistas aparecem cobertos de alimentos, mostrando o

COMÉRCIO JUSTO E SOBERANIA ALIMENTAR – pág.3

quanto é diariamente desperdiçado por países ricos sem ter em conta o trabalho e a qualidade dos produtores. Pretendem usar as imagens em todo o mundo para pressionar

Um rosto – pág.4

os políticos para o que, segundo a organização, é uma crise sem precedentes na agricultura. A campanha pede um comércio livre e justo.

Nas fotos Chris Martin, vocalista dos Coldplay apanhou um

Sabia que … pág.5

Novidades na prateleira – pág.8

banho de arroz.

Para saber mais consulte: http://www.oxfam.org

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01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 2

AFUNDAR OU REMAR – JUNTO

Como comunidade global, afundamos ou remamos juntos. As nações mais pobres conseguiram melhorar os padrões de vida dos seus povos, conseguiram-no reconhecendo que a interdependência na comunidade global funciona. É precisamente porque parte do mundo em desenvolvimento é posto de parte no que se refere à riqueza crescente gerada através do comércio que alguns se sentem desesperados. Não nos surpreende que tal desespero perante as desigualdades na riqueza alimente raivas e tensões social que podem mesmo enfraquecer a segurança global e criar as condições para o terrorrismo emergir. A resposta é fazer com que a globalização trabalhe para permitir às pessoas nos países em desenvolvimento que produzam as suas mercadorias para um mercado mundial a uma taxa justa de retorno. Assim, se sabemos que os trabalhadores que produzem para o mercado global são explorados, a responsabilidade recai sobre os consumidores – e sobre os governos – para pressionar as empresas a pagar salários justos e a fornecer boas condições de trabalho. Se as empresas simplesmente saírem dos países, então os empregos e as perspectivas de melhorias económicas vão com estas. Podemos mudar as regras É errado imaginar que o sistema internacional de comércio é alguma força da natureza que nós não podemos adaptar ou melhorar. Se as pessoas sentem que o sistema está a trabalhar para uma minoria em vez de uma maioria, então são as vozes dessas pessoas que irão mudar os sistemas. As regras dos organizações como a organização mundial do comércio ou do fundo monetário internacional são apenas as que são criadas por políticos ao longo do tempo – e os políticos são eleitos pelos eleitores, e devem, ao longo do tempo, escutar e reflectir as suas preocupações. É o poder da união de pessoas comuns, que expressam a sua voz através das urnas, através das suas compras e da acção, que irá gerar tal mudança. Como disse Gandhi: “Primeiro ignoram-te. Depois riem de ti. Depois dão-te luta. Depois tu ganhas.”

Para saber mais consulte: WROE, M. & DONEY M., 2003, The rough guide to a better world – And how you can make a

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Comércio Justo e soberania alimentar Falar de comércio justo implica abordar a perspectiva da soberania alimentar. Quando nos referimos ao comércio justo, consideramos uma série de critérios de produção na origem: respeito pelo meio ambiente, pagamento de salário digno, igualdade de género, reivindicando a aplicação a toda a cadeia comercial. Que sentido teria estabelecer critérios para o produtor e não para os pontos de venda? Estes critérios devem ser tidos em conta no percurso de um produto, e estão ligados ao princípio da soberania alimentar, isto é, ao direito dos povos de controlar as suas políticas agrícolas e alimentares; ao direito de decidir o que cultivar, o que comer e como comercializar; de produzir localmente respeitando o território; de ter o controlo dos recursos naturais: a água, as sementes, a terra... O que comemos é determinado por interesses económicos que não têm em conta as nossas necessidades alimentares nem os limites de produção do planeta; os recursos naturais estão privatizados. Os alimentos converteram-se em

mercadorias, ficando o valor de nos alimentar, relegado para segundo plano. Estes princípios levam-nos a falar de um comércio justo de proximidade: um comércio justo local, seja no norte seja no sul, ou seja, comer fruta e legumes da época produzidos por camponeses com princípios de justiça social e ambiental, ter acesso a esses produtos nos mercados locais e da rede de economia solidária. E a falar de um comércio justo internacional, do sul ao norte e vice-versa, para os produtos que não são produzidos localmente. Se adquirimos produtos como café, açúcar, quinoa, entre outros, devemos assegurarnos que respondem aos princípios de soberania alimentar, em que a sua comercialização internacional seja um complemento para a sua distribuição local, uma vez que a compra desses produtos em estabelecimentos solidários nos garante a transparência e a justiça em todo o percurso do produto. A consecução da soberania alimentar e de um comércio justo somente será possível com o trabalho conjunto de organizações de base camponesas, de consumidores, de sindicalistas, de ecologistas que apostem num outro modelo de agricultura, de comércio e de consumo ao serviço dos povos e do meio ambiente. Para consegui-lo, a aliança campo e cidade, Sul e Norte é imprescindível.

Soberania Alimentar: é o direito dos povos de definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos, que garantam o direito à alimentação para toda a sua população, com base na pequena e média produção, respeitando as próprias culturas e a diversidade dos modos camponeses, pesqueiros e indígenas de produção agropecuária, de comercialização e de gestão dos espaços rurais, nos quais as mulheres desempenham um papel fundamental.

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01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 4 Um rosto Nina Pacari: «o fogo de um amanhecer»

Nina Pacari (em kichwa: nina significa "fogo" e paqariy "aparecer, amanhecer"), antes María Estela Vega Conejo é uma advogada, dirigente indígena e política equatoriana de nacionalidade kichwa. Em 1998, foi a primeira mulher indígena a ganhar as eleições para a Assembleia Nacional do Equador. Foi eleita vice-presidente da assembleia, e através desta posição conseguiu uma maior presença para todos os grupos indígenas no Equador. Pacari enfrenta aquilo que ela designa uma discriminação tripla: discriminação por ser uma mulher, uma índia, e uma advogada mulher, uma profissão que tradicionalmente é de homens. Salienta que o machismo é uma importação europeia, pois a discriminação de género quase não existe nas comunidades índias. Acredita que abraçar valores índios tradicionais é um caminho para a libertação humana. Por isso, continua a vestir-se com a indumentária indígena da sua comunidade, e fala a sua língua nativa Quichua. Trabalha activamente com o movimento indígena do Equador, defendendo as comunidades indígenas das devastadoras consequências das reformas económicas neoliberais e das tentativas de assimilação das elites para suprimir as identidades éticas. Defende consistentemente os direitos indígenas à auto-determinação e à preservação da identidade cultural, valores, e língua.

Nina Pacari é uma indígena equatoriana. Eleita deputada federal por uma coaligação dos movimentos indígenas, no seu primeiro mandato ocupou a vice-presidência do Parlamento Equatoriano. É a primeira vez que uma mulher (e que um indígena) ocupa esta ©anlu


01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 5 posição. O seu discurso, na conferência de abertura do Fórum Fórum Mundial sobre Soberania Alimentar, que ocorreu em Havana, Cuba, entre os dias 3 e 7 de setembro de 2000, enfatizou a revolta dos povos que representa com o papel que lhes é atribuído nas decisões sobre o desenvolvimento no seu país: são aqueles que sofrem as consequências, que ficam com os prejuízos, sem desfrutar dos benefícios, de um modelo que exclui e concentra. Habitantes e guardiães do território, desde muito antes da chegada dos colonizadores espanhóis, os indígenas equatorianos são hoje os mais pobres entre os pobres, os mais analfabetos, com menos acesso à saúde, com maiores índices de baixa nutrição. O país depende fortemente de ajuda alimentar trazida pelos órgãos internacionais, mas, como ela afirma: "essa ajuda alimentar ofende e humilha, porque queríamos estar a produzir o nosso próprio alimento, de acordo com a nossa cultura, com os nossos hábitos alimentares. Mandam-nos produtos industrializados que não queremos, contaminados e geneticamente modificados, usam-nos como cobaias humanas". Para esta advogada, a presença dos indígenas no poder é importante mas não é suficiente: "queremos mudar a forma de pensar o desenvolvimento. Não estamos nestas instâncias somente para referendar o que os outros estão fazendo, apenas para enfeitar a mesa com a nossa 'cara de diversidade'. Queremos influenciar as decisões, e isso só é possível com a mobilização popular". Nina é uma das maiores defensoras de uma visão pluricultural do desenvolvimento: "é preciso admitir que existem racionalidades distintas e conseguir conviver com elas como parte de uma política real, não só de segurança alimentar mas pensando em todo o desenvolvimento." É um grande desafio para todos.

Sabia que … Portugal já perdeu dezenas de variedades de cereais, frutos e legumes, devido à globalização de sementes híbridas, transgénicas e às monoculturas?

Apesar do abandono agrícola e de multinacionais pretenderem alcançar o controlo mundial da produção e comércio de sementes, algumas associações e estudiosos têm-se dedicado a ressuscitar e a proteger variedades tradicionais. Sabia que 2011 a Comissão Europeia propôs uma nova regulamentação relativa à reprodução e comercialização de sementes, a chamada “Lei das Sementes”?

anteriormente pertencendo ao bem comum em patentes e ilegalizar as variedades não registadas. A nova 'Lei das Sementes' visa retirar o papel de curador da semente ao agricultor, papel esse que desempenhou, com proveito para toda a humanidade, desde o nascimento da agricultura e da civilização há 10 000 anos! Porquê preservar variedades tradicionais?

Estas novas regras terão força de lei e sobrepor-se-ão às leis nacionais de cada estado-membro, vão limitar drasticamente a livre circulação de sementes, impedir os agricultores de guardar sementes e tornar ilegal todas as variedades de plantas não homologadas.

A perda da biodiversidade agrícola, em todo o mundo, é da ordem dos 75%, segundo estudo da FAO em 1984. A situação portuguesa contribui certamente para este panorama.

O que podemos fazer para que isto não aconteça?

A generalização do uso de sementes híbridas na agricultura contribui para aumentar a pobreza varietal e também para a dependência dos agricultores: devido à degeneração e perda natural de vitalidade destas sementes logo à segunda geração, a sua compra anual torna-se necessária. O comportamento actual dos agricultores que deixam de colher sementes das suas culturas, preferindo comprar os pacotes.

Soluções: promover e associar-se a uma das associações que mais tem feito pela protecção da biodiversidade em Portugal, como a Colher para Semear; participar no site das Sementes Livres (http://www.seed-sovereignty.org/PT/index.html). A Campanha pelas Sementes Livres é uma iniciativa europeia com núcleos na maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é dinamizada pela Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus, para além de várias dezenas de subscritores. Unindo cidadãos preocupados, agricultores, criadores independentes e organizações e associações sem fins lucrativos por toda a Europa, esta campanha visa inverter o rumo da agricultura na Europa, onde os modos de produção intensivos se sobrepõem cada vez mais à agricultura tradicional e de pequena escala e onde as variedades agrícolas e as próprias sementes, a base da vida, estão a ser retiradas da esfera comum e a ser entregues nas mãos de multinacionais do agro-negócio. A expressão mais recente desta tendência é a legislação a ser proposta pela Comissão Europeia para restringir a livre reprodução e circulação de sementes, fechar variedades de plantas agrícolas

Quais as razões para esta situação?

Por outro lado, a aglutinação das pequenas casas de sementes, geralmente por parte das multinacionais do ramo, reduziu drasticamente a oferta de variedades regionais e tradicionais, pois estas não têm qualquer interesse económico num sistema globalizado. Por essa razão, hoje cultivam-se as mesmas variedades por todo o mundo, não se adaptando estas a todos os climas, microclimas e tipos de solos existentes. Consequentemente, necessitam de uma gama enorme de biocidas para completar o seu ciclo, contribuindo assim para a poluição a vários níveis, e para a redução da qualidade alimentar. As variedades que empreenderam uma viagem ao longo de inúmeras gerações para chegarem até nós, foram cuidadosamente criadas e acompanhadas, muitas vezes com grandes sacrifícios, pelos nossos antepassados. São a nossa herança mais preciosa. Cabe-nos portanto dar continuidade a essa herança que nos foi tão generosamente cedida, ©anlu


01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 6 semeando estas variedades, dando-lhes vida e utilidade, podendo assim ser vistos com orgulho por aqueles que nos antecederam, e também pelas gerações vindouras. Na União Europeia, apenas oito países (dos 27) cultivam comercialmente organismos geneticamente modificados (OGM). As superfícies cultivadas têm, no entanto, vindo a diminuir de forma constante desde 2009, excepto em Espanha e Portugal onde as culturas de milho geneticamente modificado Bt aumentaram ligeiramente entre 2010 e 2011, sendo os países que cultivam mais de 90% das culturas transgénicas na União Europeia. Nos outros países, a tendência é uma redução significativa de terra dedicada a cultivos transgénicos, milho Bt Mon810 ou batata Amflora. Na Alemanha, e segundo o ministério de protecção dos consumidores e da Segurança Alimentar, a área cultivada com a GM caiu para uma área de 2 hectares contra 15 hectares em 2010 (uma diminuição de 87%). Sabia que actualmente mais de 1 milhão de pessoas no mundo, uma de cada seis, que passam fome? Sabia que nos últimos 20 anos enquanto a população crescia a um ritmo de 1,14% ao ano, a produção de alimentos aumentava mais de 2%? Assim pode concluir-se que atualmente se produz comida suficiente para alimentar a população mundial. Então, onde está o problema? Quem não tem dinheiro suficiente para pagar o seu preço, não come. As políticas aplicadas a agricultura nos últimos 30 anos (revolução verde, deslocalização, livre comércio, …), converteram a comida num negócio, um bem privatizado, nas mãos de algumas empresas da indústria agro-alimentar, com a concordância de governos e instituições internacionais. Perante esta situação, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação ( FAO), o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, o G20, e as principais empresas do setor, afirmam que para sair da crise é necessário uma nova revolução verde, mais transgênicos e livre comércio. Querem fazer-nos crer que as políticas que nos conduziram e conduzem a esta situação, nos irão tirar da mesma. Agricultura local, camponesa e ecológica

Knowledge, Science and Technology for Development), um sistema de avaliação impulsionado precisamente pelo Banco Mundial em parceria com a FAO, o PNUD, a UNESCO, representantes de governos, instituições privadas, científicas, sociais, entre outros … tomando como modelo o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática e a Avaliação dos Ecossistemas do Milênio. É interessante observar como se concluiu que a produção agroecológica provia recursos alimentares e monetários aos mais pobres, uma vez que gerava excedentes para o mercado, sendo melhor garantia de segurança alimentar do que a produção transgênica. O resultado do IAAST aponta para a aposta na produção local, camponesa e familiar e na redistribuição das terras nas mãos das comunidades rurais. Mas foi arquivado pelo Banco Mundial, apesar da discreta aprovação de 61 governos, com excepção dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, entre outros. Na mesma linha, posicionou-se um estudo da Universidade de Michigan (2007), que concluía que as quintas agroecológicas são muito produtivas e capazes de garantir a segurança alimentar em todo o planeta, contrariamente à produção agrícola industrializada e ao livre comércio. Nas suas conclusões indicava que a agricultura biológica poderia prover tanta comida em média como a que se produz na atualidade. No âmbito da comercialização tem sido fundamental, para romper com o monopólio das grandes cadeias de distribuição, a aposta em pequenos circuitos de comercialização (mercados locais, venda direta, grupos e cooperativas de consumo agroecológico…), evitando intermediários e estabelecendo relações de proximidade entre produtor e consumidor, baseadas na confiança e no conhecimento mútuo, que nos conduzam a uma crescente solidariedade entre o campo e a cidade. A soberania alimentar apresenta-se, deste modo, como a melhor alternativa para acabar com a fome no mundo. Devolve o controlo das políticas agrícolas e alimentares aos camponeses, trabalhadores, consumidores, mulheres…, assim como o seu acesso à terra e aos bens comuns (água, sementes…) Uma soberania alimentar que reconhece o papel da mulher como garantia da alimentação à escala mundial, e que luta contra a opressão.

A relocalização da agricultura nas mãos do camponês, irá permitir e garantir o acesso universal aos alimentos. Assim constatam os resultados de uma exaustiva consulta internacional que durou 4 anos e envolveu mais de 400 cientistas, realizada pela Avaliação Internacional do Papel do Conhecimento, a Ciência e a Tecnologia no Desenvolvimento Agrícola (IAASTD – International Assessment of Agricultural

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01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 7 O que são Organismos Geneticamente Modificados, também conhecidos por OGM ou transgénicos? Os transgénicos, ou OGM, são seres vivos - plantas, animais, microrganismos - que foram sujeitos a técnicas de engenharia genética. Esta tecnologia permite que os genes (pedaços de uma molécula chamada ADN e que têm informação importante para o funcionamento das células) sejam extraídos de um organismo, alterados, agregados de novas formas e depois injectados num outro organismo, que vai adquirir novas características e transmiti-las a toda a sua descendência. De acordo com a Directiva 2001/18, os OGM são "qualquer organismo, com excepção do ser humano, cujo material genético tenha sido modificado de uma forma que não ocorre naturalmente por meio de cruzamentos e/ou de recombinação natural." O anexo 1A dessa Directiva discrimina as técnicas que são/não são legalmente consideradas como conduzindo à produção de transgénicos. Há muitos transgénicos em Portugal? Em Portugal os primeiros testes experimentais de cultivo de transgénicos iniciaram-se em 1993. Em 2009 estão em curso ensaios de milho transgénico nos concelhos de Monforte (pelas empresas Pioneer e Syngenta), Ferreira do Alentejo (Syngenta), Salvaterra de Magos (Monsanto) e Évora (Monsanto). Os ensaios da Pioneer e Syngenta devem durar até 2010, os da Monsanto até 2011. Os primeiros transgénicos com luz verde para circulação geral e para consumo começaram a entrar no mercado a partir de 1996 e são os mesmos que estão autorizados para toda a União Europeia. Em termos de cultivo Portugal autorizou duas variedades de milho transgénico que só foram cultivadas em 1999. Depois, em 2005, iniciou-se e dura até hoje o cultivo de milho MON 810 autorizado pela Comissão Europeia. Segundo números oficiais, em 2008 foram cultivados 4856,2 hectares de MON 810 no continente. Não há cultivo transgénico nas Regiões Autónomas.

Documentário: As Nossas Sementes Filmado em onze países com vinte grupos tribais, “As Nossas Sementes” (Our Seeds: Seeds Blong Yumi), mostra que as ameaças à saúde e qualidade alimentar têm soluções locais. Realizado e produzido pelos Seed Savers, o filme celebra os guardiões de sementes, os agricultores e hortelões que preservam e partilham a fonte da nossa herança alimentar diversa. Vivemos um contexto de crise sistémica múltipla: económica, ecológica, alimentar, de cuidados, energética…E o sistema capitalista, longe de dar resposta a uma crise que ele mesmo criou, aposta em mais do mesmo: maior privatização dos serviços públicos, espoliação dos recursos naturais, soluções tecnológicas à mudança climática, ajudas às empresas privadas e aos bancos.

Para saber mais:

Quinta do Olival, Aguda 3260 Figueiró dos Vinhos José Miguel Fonseca - 236 622 218 Graça Ribeiro - 91 490 9334 colherparasemear@gmail.com Fontes: http://www.brasilautogestionario.org/agricultura-familiar/soberania-alimentar-podemos-alimentar-o-mundo/ e http://esthervivas.wordpress.com adaptado a partir de artigo de Esther Vivas, co-coordenadora dos livros "Supermercados, não obrigada"(Icaria, 2007) e "Para onde vai o comércio justo?" (Icaria, 2006). Artigo divulgado no suplemento Altermundo n°13 do periódico Galicia Hoxe, 25/05/2008; Agroecol.e Desenv.Rur.Sustent.,Porto Alegre, v.2, n.4, out./dez.2001 (traduzido e adaptado); http://stopogm.net/ (adaptado); http://zonalivredeogm.blogspot.com/ (traduzido e adaptado)

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Novidades na Prateleira GREEN NET, Tailândia

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01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 9 “No que respeita ao comércio justo, o maior benefício será a garantia de preço que vai mais do que ao encontro dos custos de produção, permitindo ao produtor ter uma vida através da agricultura.” — Boonjira Tanruang, gerente da Green Net

Situada na “taça de arroz da Ásia the rice bowl of Asia,” Green Net foi fundada em 1993 para apoiar o movimento pela agricultura sustentável na Tailândia. Foi pioneira ao criar o corpo de certificação biológico Thai ACT, divulgando informação sobre práticas de agricultura biológica e fazendo a ligação entre cooperativas de agricultores e os mercados biológicos e de Comércio Justo. Enquanto uma cooperativa regional exporta inúmeras variedades de arroz, incluindo o arroz Thai Jasmin rice.

ambiente e aumenta o nível de vida do agricultor ao diminuir os custos decorrentes da agricultura.

Green Net foi uma das primeiras organizações produtoras de arroz a receber certificação de comércio Justo pela Fairtrade Labelling Organizations International (FLO) em 2002, o que permitiu rendimentos maiores e mais estáveis aos agricultores, tornando o viver do cultivo de arroz viável. Green Net também trabalha com produtores de côco, chá e algodão.

• Apoiam a educação. Programas iniciados por cooperativas de agricultores incluindo arroz gratuito para escolas locais e mesmo bolsas de estudos.

Graças Comércio Justo, a cooperativa Green Net Cooperative e as suas cooperativas parceiras: • Divulgam os benefício de uma agricultura sustentável. 1/3 do «Fair Trade premium» apoia a fundação «Earth Net Foundation» que forma agricultores e fornece técnicos que apoiam a conversão em agricultura biológica, no desenvolvimento da agricultura biológica, e nas questões de certificação. Cultivar num modo biológico melhora o

• Apoiam o desenvolvimento da comunidade. Actividades específicas são apoiadas pela cooperativa local como ajudar a plantar uma diversidade de culturas para assegurar segurança alimentar, criar um banco de animais, nomeadamente búfalos/vacas para permitir o uso deste por parte dos agricultores,o que garante também fertilizantes orgânicos.

• Fornecem recursos. Cooperativas locais fornecem frequentemente materiais gratuitos aos agricultores. Fundos de emergência foram criados para apoiar os agricultores quando ocorrem graves problemas de saúde e/ou tragédias. • Criam um banco de sementes. Uma cooperativa parceira criou um banco de sementes. Assim, os agricultores podem obter as sementes que pagam com as suas novas sementes na estação seguinte. Fonte: http://www.greennet.or.th/en/about/greennet (traduzido)

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01 newsletter trimestral A. Reviravolta | pág. 10 Colabore com a Associação Reviravolta como VOLUNTÁRIO. A Lei n.º 71/98 de 3 de Novembro, regulamentada pelo Decreto-lei n.º 389/99 de 30 de Setembro, enquadrou juridicamente o trabalho voluntário. Voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada se compromete, de acordo com as suas aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar acções de voluntariado no âmbito das actividades da Associação Reviravolta. A Associação Reviravolta está receptiva e interessada na colaboração de voluntários.

Ajude-nos e valorize-se!

inforeviravolta@gmail.com

O QUE É O COMÉRCIO JUSTO? | «O Comércio Justo é uma parceria comercial baseada no diálogo,

| Boletim Justo – Newsletter trimestral da

transparência e respeito. Contribui para o desenvolvimento

Associação Reviravolta

sustentável oferecendo melhores condições de comércio tendo em

| Edição: Ana Luísa Coelho & Associação Reviravolta

conta os direitos dos produtores e trabalhadores marginalizados,

| Coordenação, Redacção e Desenho Original: Ana

especialmente no Sul do mundo.» Definição da FINE – Fair Trade

Luísa Coelho

Initiative for Europe, plataforma informal onde estão representadas FLO, WFTO (exIFAT), NEWS e EFTA.

| A tua colaboração ajuda-nos a melhorar, a tua opinião

| É, sobretudo, uma alternativa ao comércio convencional, pois

ajuda-nos a avançar. Avança e escreve-nos!

promove a justiça social e económica, o desenvolvimento sustentável,

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e o respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente, através do comércio, da sensibilização dos consumidores, e de várias acções de

| Esta publicação pode ser reproduzida e divulgada

educação e informação. O Comércio Justo estabelece uma relação

desde que citada a fonte.

paritária entre os participantes na cadeia comercial: produtores, trabalhadores, importadores, lojas do Comércio Justo e consumidores.

| Comércio Justo no Porto

| O Comércio Justo assume-se como uma alternativa em que a

| Parque da Cidade

produção e o comércio se encontram ao serviço das pessoas. Prova

| Núcleo Rural de Aldoar

que os lucros, os direitos dos trabalhadores e o respeito pelo meio

| Beco de Carreiras

ambiente não são objectivos incompatíveis.

| 4150-158 PORTO | T: 22 61 00 622

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1-Boletim Justo - Newsletter Jan-Fev-Mar-2012  

Boletim Justo, a Newsletter trimestral do Comércio Justo no Porto

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