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15 de Abril de 2008, 3ª feira

DESPORTO

A CABRA

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Taekwondo - Estágio Primavera 2008 ANA COELHO

Espírito de equipa num treino amigável A Associação de Taekwondo do Centro (ATC) e a Secção de Taekwondo da Associação Académica de Coimbra (ST/AAC) promoveram no sábado, 12, um estágio que pretendeu ser um treino para o Torneio da Queima das Fitas Reportagem por Inês Almeida e Ana Coelho O “Estágio Primavera 2008” consistiu na preparação para o torneio da Queima das Fitas que ainda está em negociação com a Direcção-Geral da AAC. Num evento onde só podiam participar atletas da modalidade, esteve também presente outra equipa, a “Maximus Team”, proveniente da Maia, no Porto. Com um total de 27 atletas, o estágio dividiu-se em duas componentes: uma técnica e uma de combate. A manhã de sábado, 12, foi direccionada para os mais novos com alguns jogos, de modo a exemplificar um pouco da modalidade e a mostrar que o desporto não é apenas baseado no combate. “Fizemos um treino de aquecimento e alguns exercícios específicos”, explica o instrutor do “Taekwondo Kids”, Carlos Barradas. Por volta das 15 horas, a hora marcada para começar a primeira parte da componente de combate, apareceram os primeiros atletas. Finalmente, uma hora mais tarde, alinharam-se no “tatami” (tapete de combate) para ouvir as palavras do mestre Acácio Gaspar, com “4ª Dan” (quatro cinturões negros) e fundador da Associação Taekwondo do Centro. Os mais novos, embora um pouco mais distraídos, acataram o parecer do mestre com muita atenção. No fim da intervenção, o técnico de Acácio Gaspar teve de se ausentar do estágio. “Estes eventos são apenas uma revisão da matéria”, realça o mestre, pois “têm de ter uma continuidade”.

As diferentes formas de ensino Em relação à modalidade em Portugal, o fundador da ATC revela que “tem vindo a piorar, porque cada um adapta o ensino à sua maneira”. Já Pedro Machado discorda, afirmando que “a federação está a fazer um esforço para melhorar o ensino da modalidade no País, promovendo cursos de treinadores e de árbitros”. Esta futura melhoria visa a padronização do ensino para não haver desvios. É por isso que a ST/AAC adoptou “um livro que pensamos ser o mais correcto”, realça o presidente de ambas as entidades organizadoras, Pedro Machado. O instrutor da equipa “Maximus Team”, José Monteiro, seis vezes campeão nacional, orientou o aquecimento com alguns alongamentos e passos básicos. Finalizada esta parte inicial, os atletas alinharam-se em duas filas frente-a-frente e ouviram as ordens do instrutor. Depois, equiparam-se com alguns acessórios necessários. “O colete, o capacete, as cotoveleiras, as caneleiras e a protecção dos pés são indispensáveis num contexto de combate ou num treino mais puxado, embora neste caso não fosse exigido”, explica Pedro Machado. No público estavam maioritariamente os pais e os amigos, e apenas alguns curiosos da modalidade, que compunham as bancadas do Pavilhão 1, do Estádio Universitário de Coimbra. José Monteiro explica aos atletas,

novamente ordenados em duas filas, que o que vão fazer é apenas um jogo, que consiste em tocar no adversário e evitar ser tocado, máxima primordial do taekwondo. Os atletas espalharam-se pelo “tatami”, formando uma mancha branca, e fizeram o exercício pedido. Ao longo deste aquecimento mais complexo realizaram vários exercícios básicos com os membros inferiores, até porque “o taekwondo é uma arte de pernas e pés”, como explica o mestre Acácio Gaspar. Pedro Machado, hepta-campeão nacional da modalidade, confessa que “se estivermos de fora, cria-se um bichinho de querer experimentar”. Acrescenta ainda, que o objectivo “não passa por treinar criminosos, pois a intenção é criar adultos responsáveis, numa aprendizagem condigna”.

Formar desde o início No “Estágio Primavera” estiveram presentes muitas crianças, e por isso foram “utilizados jogos para as motivar”, como afirma Carlos Barradas. O instrutor do projecto da Academia explica também que com crianças “é necessário utilizar técnicas diferentes e mais cativantes”. E este acompanhamento nota-se nos números: “em Setembro tínhamos apenas cinco, agora treinam 16”. O “Taekwondo Kids” tem crianças dos quatro aos seis anos e dos sete aos dez. Outro dos objectivos da iniciativa é angariar futuros

atletas, “treinamos a coordenação motora, a disciplina e sobretudo a auto-disciplina”. Funciona como uma iniciação à fase seguinte, porque “se os meninos se magoam, ganham medo e podem tornar-se violentos”, alerta Carlos Barradas. Para que não hajam desvios, todas as crianças têm controlo das notas, pois “aqui incentivamos os alunos a estudar, deixando treinar consoante os bons resultados”, assegura o treinador Pedro Machado. A partir dos dez anos, os mini-atletas passam para “as mãos” do instrutor academista, Telmo Amado, que “ exige mais rigor e mais disciplina para a competição”. O monitor dos cadetes ajuda na educação desportiva dos atletas, também um pouco à distância, pois estuda na Covilhã. No fim do estágio, os atletas começaram a combater e, divididos em dois grupos, rodavam o adversário. Aconteceram algumas lesões ligeiras pelo meio, mas os atletas não desistiam de combater. Notava-se o espírito de equipa entre eles e reinava um ambiente agradável. No final do estágio, Pedro Machado faz um balanço positivo uma vez que “foi importante que os atletas pudessem competir sem a pressão de haver árbitros e existir uma rodagem”. Também para Carlos Barradas “correu muito bem, melhor que as expectativas. Os atletas corresponderam positivamente”.

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As diferentes formas de ensino Formar desde o início ANA COELHO

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