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Revisão Final: Geovanna Leitura Final: Niquevenen e Ayashi Mikage Formatação: Niquevenen


De # 1 New York Times best-seller autor Jennifer L. Armentrout vem uma nova e fascinante história sobre amizade, sobrevivência e como encontrar sua voz.

Para algumas pessoas, o silêncio é uma arma. Para Mallory "Mouse" Dodge, é um escudo. Ao crescer, ela aprendeu que a melhor maneira de sobreviver, era não dizer nada. E mesmo que já se passaram quatro anos desde que seu pesadelo acabou, ela está começando a se preocupar que o medo que carrega nas costas vai durar uma vida inteira. Agora, depois de passar dois anos estudando em casa, com seus amorosos pais adotivos, Mallory terá que enfrentar um novo desafio. Seu último ano na escola pública. Mas, de todos os cenários terríveis e emocionantes que ela imaginou, há algo que nunca sonhou que aconteceria. Encontrar Rider Stark — o amigo e protetor que ela não tinha visto desde a infância, em seu primeiro dia de aula. Não demorou muito para Mallory perceber que a conexão que ela dividia com Rider nunca realmente desapareceu. No entanto, quanto mais profunda sua ligação com ele crescia, mais se tornava evidente que ela não é a única lutando com persistentes cicatrizes do passado. E enquanto ela observa sua vida entrar em uma espiral fora de controle, Mallory deve fazer uma escolha entre permanecer em silêncio e falar — para as pessoas que ama, a vida que ela quer e as verdades que precisam ser ouvidas.


Para todos que ainda estĂŁo encontrando a sua voz e para aqueles que tĂŞm encontrado a deles.


Prólogo

As caixas de sapato, empoeiradas e vazias empilhadas mais alto e mais largo que seu corpo esbelto, vacilaram quando ela apertou suas costas contra elas, dobrando os joelhos ossudos no seu peito. Respire. Apenas respire. Respire. Encolhida na parte de trás do armário sujo, ela não se atreveu a fazer um único som quando chupou o lábio inferior entre os dentes. Concentrandose em forçar cada respiração para fora de seus pulmões, ela sentiu as lágrimas se formando nos olhos. Oh, Deus, ela tinha cometido um erro tão grande, e a senhorita Becky estava certa. Ela era uma menina má. Ela já havia mexido no sujo e manchado frasco de biscoitos antes. Ele era engraçado, tinha o formato de um urso de pelúcia e escondia cookies. Ela não tinha autorização para pegar os cookies ou qualquer alimento, mas ela tinha estado com tanta fome que sua barriga doía, e a senhorita Becky estava doente de novo, dormindo no sofá. Ela não tinha intenção de derrubar o cinzeiro do balcão, quebrando-o em pedaços minúsculos. Alguns se pareciam com o gelo que se agarrava ao telhado durante o inverno. Outros não eram maiores do que chips. Tudo o que ela queria era um cookie. Seus ombros delicados empurram ao som da parede sendo rachada, no outro lado do armário. Ela mordeu o lábio com mais força. Um gosto


metálico explodiu em sua boca. Amanhã haveria um buraco do tamanho da grande mão do Sr. Henry no reboco, e senhorita Becky choraria e ficaria doente novamente. O rangido suave da porta do armário era como um trovão em seus ouvidos. Oh não, não, não... Ele não deveria encontrá-la aqui. Este era o seu lugar seguro sempre que o Sr. Henry estava com raiva ou quando ele... Ela ficou tensa, os olhos ampliando quando um corpo mais alto e mais largo do que o dela deslizou para dentro e, em seguida, ajoelhou-se na sua frente. No escuro, ela não poderia ver muito suas características, mas ela sabia, em sua barriga e em seu peito quem ele era. "Sinto muito," ela engasgou. "Eu sei." Uma mão se estabeleceu em seu ombro, o peso era reconfortante. Ele era a única pessoa que a fazia se sentir bem com o simples toque. "Eu preciso que você fique aqui, ok?" A senhorita Becky tinha dito uma vez que ele era apenas seis meses mais velho do que os seus seis anos de idade, mas ele sempre pareceu muito maior, mais velho do que ela, porque em seus olhos, ele consumiu seu mundo inteiro. Ela assentiu com a cabeça. "Não venha para fora," ele disse, e então ele apertou nas mãos a boneca ruiva que ela deixou cair na cozinha depois de quebrar o cinzeiro e correr para o armário. Assustada demais para recuperá-la, ela a deixou para trás, e tinha estado tão chateada porque a boneca tinha sido um presente dele muitos e muitos meses antes. Ela não tinha ideia de como ele tinha conseguido Velvet, mas um dia ele simplesmente a trouxe, e era dela, só dela. "Você fica aqui. Não importa o que aconteça."


Segurando a boneca perto, presa entre os joelhos e o peito, ela balançou a cabeça novamente. Ele mudou, endurecendo quando um grito de raiva sacudiu as paredes em torno deles. Era o seu nome, fazendo escorrer gelo por sua espinha; seu nome que foi gritado tão furiosamente. Um pequeno gemido escapou de seus lábios e ela sussurrou: "Eu só queria um cookie”. "Está tudo bem. Lembra? Eu prometi que iria mantê-la segura para sempre. É só não fazer barulho." Ele apertou seu ombro. “Basta ficar quieta, e quando eu... Quando eu voltar, eu vou ler para você, ok? Tudo sobre aquele coelho estúpido." Tudo o que ela podia fazer era acenar de novo, porque nunca houve um momento em que ela não ficasse quieta e ela sabia quais eram as consequências disso. Se ela ficasse quieta, sabia o que estava por vir. Ele não seria capaz de ler com ela naquela noite. Amanhã ele iria faltar à escola e ele não estaria bem, mesmo que dissesse que estava. Ele permaneceu por mais um minuto e então saiu do armário. A porta do quarto fez um som alto ao fechar, e ela levantou a boneca, pressionando o rosto manchado de lágrimas nela. Um botão no peito de Velvet cutucou seu rosto. Não faça barulho. Sr. Henry começou a gritar. Não faça nenhum som. Passos soou no fim do corredor. Não faça nenhum som. Carne bateu. Algo caiu no chão, e a senhorita Becky deve ter se sentido melhor, porque ela subitamente começou a gritar, mas no armário, o único


som que importava era a pancada, o som de carne batendo, que veio mais e mais. Ela abriu a boca, gritando silenciosamente para a boneca. Não faça nenhum som.


Capítulo 1

Muita coisa poderia mudar em quatro anos. Era difícil acreditar que tinha sido há tanto tempo. Quatro anos desde que eu tinha posto os pés em uma escola pública. Quatro anos desde que eu tinha falado com alguém fora de um grupo muito pequeno, muito unido de pessoas. Quatro anos de preparação para este momento, e havia uma boa chance de que estava indo lançar as poucas colheradas de cereais que eu tinha sido capaz de forçar na minha boca e em todo o balcão. Muita coisa poderia mudar em quatro anos. A questão era, eu tinha? O som de um rangido de colher de encontro a uma caneca puxou-me dos meus pensamentos. Essa foi à terceira colher de açúcar que Carl Rivas tentou despejar discretamente em seu café. Quando ele pensasse que ninguém estaria olhando, ele iria tentar adicionar mais duas. Para um homem de cinquenta e poucos anos, ele até que estava bem, mas tinha um significativo vício por açúcar. Seu escritório em casa cheirava revistas médicas de espessura, e havia uma gaveta em sua mesa que parecia que uma loja de doces tinha sido despejada lá dentro. Pairando perto do açucareiro, ele estendeu a mão para a colher novamente, mas quando olhou por cima do ombro, sua mão congelou. Eu sorri um pouco de onde estava sentada à ilha enorme, uma tigela de cereal integral na minha frente.


Ele suspirou quando me encarou, recostando-se contra a bancada de granito e me olhando por cima da borda de sua caneca quando tomou um gole do café. Seu cabelo preto escuro, penteado para trás da testa, tinha começado a ficar prateado nas têmporas apenas recentemente, e com sua pele morena com um tom profundo, pensei que o fazia parecer bastante distinto. Ele era bonito, e assim também sua mulher, Rosa. Bem, bonita não era a palavra certa para ela. Com sua pele escura e cabelo grosso, ondulado que ainda não tinha sequer um fio cinzento, ela era muito bonita. Impressionante, realmente, especialmente na maneira orgulhosa que ela destacava. Rosa nunca tinha tido medo de falar por si mesma e aos outros. Eu coloquei minha colher na tigela, com cuidado, para que não batesse contra a cerâmica. Eu não gosto de fazer ruídos desnecessários. Um velho hábito que tinha sido incapaz de quebrar e que, provavelmente, seria uma parte de mim para sempre. Olhando por cima da tigela, encontrei Carl me observando. "Tem certeza de que está pronta para isso, Mallory?" Meu coração pulou instável em resposta ao que pareceu uma pergunta inocente, mas foi realmente o equivalente a ser atingido por um rifle de assalto carregado. Eu estava pronta em todas as maneiras que deveria estar. Como uma idiota, eu tinha imprimido minha agenda de aulas e o mapa da escola, e Carl tinha me ajudado, conseguido meu armário também, então eu sabia exatamente onde estava tudo. Estudei esse mapa. A sério. Como se minha vida dependesse disso. Não haveria necessidade de perguntar a ninguém onde seriam minhas aulas e não teria que me movimentar sem rumo. Rosa me levou para conhecer o caminho da escola ontem, então estou familiarizada com a estrada e sei quanto tempo de viagem terei. Esperava que Rosa estivesse aqui esta manhã, já que hoje seria uma espécie de grande negócio, algo que tinha sido trabalhado por todo o ano


passado. Tivemos muito tempo de preparação, e essa manhã era a nossa meta. Mas Carl e Rosa são ambos, médicos. Ela é uma cirurgiã do coração, e uma cirurgia não planejada a tinha chamado antes de eu sequer ser puxada para fora da cama. Eu meio que tinha que relevar por isso. "Mallory?" Dei um breve aceno de cabeça quando apertei os lábios e deixei minhas mãos caírem no meu colo. Carl baixou a caneca, colocando-a sobre o balcão atrás dele. "Você está pronta para isso?" ele perguntou novamente. Pequenos feixes de nervos se formaram no meu estômago e eu realmente queria vomitar. Parte de mim não estava pronta. Hoje ia ser difícil, mas eu tinha que fazer isso. Encontrando o olhar de Carl, eu assenti. Seu peito subiu com uma respiração profunda. "Você sabe o caminho para a escola?" Assenti novamente e pulei do banquinho do bar, agarrando a minha tigela. Se eu saísse agora, eu chegaria quinze minutos mais cedo. Provavelmente uma boa ideia, eu imaginei, enquanto despejava as sobras de cereal no lixo e colocava a tigela e a colher na máquina de lavar louça de aço inoxidável. Carl não era um homem alto, talvez cerca de 1,72 de altura, mas eu ainda só cheguei até a altura dos seus ombros quando ele se moveu para ficar na minha frente. "Use as palavras, Mallory. Sei que está nervosa e você tem uma centena de coisas acontecendo em sua cabeça, mas você precisa usar as palavras. Não agite a cabeça, use sua voz e diga sim ou não." Use as palavras. Apertei meus olhos com força. O terapeuta que eu costumava ver, Dr. Taft, havia dito essa mesma frase um milhão de vezes, assim como o


fonoaudiólogo que tinha trabalhado comigo três vezes por semana durante dois anos. Use as palavras. Esse mantra contradisse tudo o que tinha sido ensinado a mim por quase 13 anos, porque as palavras se igualavam ao barulho, e o ruído era recompensado com medo e violência. Usada para igualar as coisas, mas não mais. Eu não tinha passado quase quatro anos em terapia intensiva apenas para não usar as minhas palavras, e Rosa e Carl não tinham dedicado cada momento de seu tempo livre para apagar um passado cheio de pesadelos só para ver os seus esforços falharem. As palavras não eram o problema. Elas voavam pela minha cabeça como um bando de pássaros migrando para o sul no inverno. As palavras nunca foram o problema. Eu as tinha, sempre tive, mas arrancar cada palavra para fora e colocar uma voz nela é o que sempre tinha sido complicado. Respirei fundo e, em seguida, engoli secamente. "Sim. Sim. Eu estou... pronta." Um pequeno sorriso se formou nos lábios de Carl quando ele pegou uma longa mecha de cabelo do meu rosto. Meu cabelo, que costumava ser mais laranja do que vermelho e foi mudando conforme eu crescia. Agora havia se transformado em fogo carmesim, um estranho ruivo. "Você pode fazer isso. Eu acredito totalmente nisso. Rosa acredita nisso. Você também precisa acreditar nisso, Mallory." Minha respiração engatou na minha garganta. "Obrigada." Duas palavras.1 Elas não eram poderosas o suficiente, porque como elas poderiam ser quando Carl e Rosa tinham salvado minha vida? Literal e figurativamente.

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No Inglês, Thank You.


Quando cheguei a eles, eu estava no lugar certo no momento certo por todas as razões erradas no universo. Nossa história foi algo saído de um especial da Oprah ou um filme ABC Family. Irreal. Dizer obrigada nunca seria o suficiente depois de tudo o que eles tinham feito por mim. E por causa de tudo o que tinham feito por mim, todas as oportunidades que me deram, eu queria ser tão perfeita para eles como eu poderia ser. Eu devia isso a eles. E era o que eu faria hoje. Corri para a ilha e agarrei minha mochila e as chaves antes que eu quebrasse e começasse a chorar como uma criança que tinha acabado de descobrir que Papai Noel não existe. Como se pudesse ler a minha mente, Carl parou-me à porta. "Não nos agradeça," disse ele. "Mostre-nos." Comecei a acenar com a cabeça, mas me contive. "Certo," eu sussurrei. Ele sorriu, enrugando a pele ao redor dos olhos. "Boa sorte." Abrindo a porta da frente, saí na varanda estreita, para o ar quente e o sol brilhante de mais uma manhã de agosto que estava chegando ao fim. Meu olhar vagou sobre o jardim da frente perfeitamente paisagístico que combinava com a casa do outro lado da rua, e era idêntico em cada casa na subdivisão Pointe. Cada casa. Às vezes ainda me chocava que eu estava vivendo em um lugar como este, uma grande casa com um quintal e flores artisticamente plantadas, com um carro na garagem recentemente asfaltada, e que era meu. Em alguns dias não parecia real. Como se eu fosse acordar e encontrar-me de volta... Balancei a cabeça, empurrando esses pensamentos quando me aproximei do Honda Civic de uma década. O carro tinha pertencido à verdadeira filha de Rosa e Carl, um presente de formatura do ensino médio


dado a Marquette antes que ela fosse para a faculdade se tornar uma médica, como eles. A verdadeira filha. Dr. Taft sempre me corrigiu quando me referi a Marquette daquela maneira, porque ele acreditava que eu, de alguma forma, estava diminuído o que eu era para Carl e Rosa. Eu acreditava que ele estava certo, porque em alguns dias eu me sentia estranha na grande casa com quintal bem cuidado. Em alguns dias eu não me sentia real. Marquette nunca chegou a ir para a faculdade. Um aneurisma. Em um minuto tudo aconteceu e no próximo... Não havia nada que alguém pudesse fazer. Eu imaginava que era algo que Rosa e Carl sempre tinham lutado contra. Eles salvaram muitas vidas, mas não conseguiram salvar a que significava mais a eles. Era um pouco estranho que o carro pertencia a mim agora, como se eu fosse de alguma forma, uma filha substituta. Eles nunca me fizeram sentir desse jeito e eu nunca diria isso em voz alta, mas ainda assim, quando cheguei ao volante, eu não podia deixar de pensar em Marquette. Coloquei minha bolsa no banco do passageiro. Meu olhar se arrastou para o interior, olhei para o meu reflexo no espelho retrovisor. Me vi de uma forma muito ampla. Eu parecia um cervo prestes a ser atingido, isso se um cervo tivesse olhos azuis, mas seja como for... A pele ao redor dos meus olhos estava pálida, as sobrancelhas juntas. Olhar assustado. Suspirei. Isso não era como eu queria parecer no meu primeiro dia de aula. Comecei a olhar para longe, mas o medalhão de prata pendurado no espelho retrovisor atraiu novamente a minha atenção. Não era muito maior do que 1/4. Um homem de barba foi gravado dentro. Ele estava escrevendo em


um livro com uma pena. Acima dele foram gravadas as palavras de SÃO LUCAS e abaixo estava ORAI POR NÓS. São Lucas era o patrono dos médicos. O colar tinha pertencido a Rosa. Sua mãe tinha dado a ela quando ela entrou na escola de medicina, e Rosa tinha dado a mim quando eu disse a ela que estava pronta para ir à escola pública em meu último ano. Imaginei que ela tinha dado a Marquette, em algum momento, mas eu não tinha perguntado. Acho que havia uma parte de ambos, Rosa e Carl, que esperava que eu fosse seguir seus passos, assim como Marquette estava planejando. Mas para tornar-se um cirurgião era necessária assertividade, confiança e o mínimo de personalidade destemida, que eram três adjetivos que, literalmente, ninguém jamais usaria para me descrever. Carl e Rosa sabiam que eles estavam me empurrando na direção da medicina. Uma vez que, de acordo com eles, eu tinha apresentado uma aptidão durante meus anos de estudo em casa, assim como Marquette tinha. E enquanto eu não tinha protestado sua insistência, gastando bastante tempo estudando micróbios ou células soou tão interessante quanto gastar meu tempo para repintar as paredes do meu quarto branco. Mas eu não tinha ideia do que eu queria estudar na faculdade, porque até Rosa e Carl entrarem em minha vida, faculdade nunca tinha sido uma parte da equação. O caminho para a Lands High levou exatamente 18 minutos, assim como eu esperava. O momento em que os três prédios de tijolos vieram à vista além dos campos de beisebol e futebol, eu fiquei tensa, como se uma bola de beisebol em alta velocidade estivesse indo para o meu rosto e eu tivesse esquecido minha luva. Meu estômago revirou enquanto minhas mãos apertaram o volante. O prédio da escola era enorme e relativamente novo. Seu website disse que tinha


sido construído na década de noventa, e em comparação com outras escolas, ainda era brilhante. Brilhante e enorme. Passei por um ônibus que estava indo na direção oposta e segui um carro que entrava para o estacionamento do tamanho de um shopping. Estacionar o carro não foi difícil, já que eu cheguei um pouco mais cedo, por isso, usei esses quinze minutos para fazer algo semelhante a uma afirmação diária, extravagante e embaraçosa. Eu posso fazer isso. Eu farei isso. Mais e mais, repeti essas palavras enquanto saia do Honda, jogando minha mochila no ombro. Meu coração batia tão forte e tão rápido que eu pensei que ficaria doente quando olhei ao meu redor, vendo o mar de corpos fluírem em direção à passarela que levava até a entrada dos fundos da Lands High. Diferentes características, cores, formas e tamanhos cumprimentou-me. Por um momento, foi como se meu cérebro estivesse a um segundo de um curto-circuito. Prendi a respiração. Algumas pessoas olharam para mim, algumas persistentes e algumas deram apenas uma olhada rápida, como se nem sequer me notaram ali de pé, o que foi ótimo, de certa forma, porque eu estava acostumada a ser nada mais do que um fantasma. Minha mão escorregou para a alça da mochila e, com a boca seca, forcei minhas pernas a se moverem. Entrei no meio das pessoas, colocandome ao lado deles. Me concentrei em um rabo de cavalo louro da menina na minha frente. Meu olhar mergulhou nela. Ela estava vestindo uma saia jeans e sandálias strappy laranja brilhante, em estilo gladiador. Elas eram bonitas. Eu poderia dizer isso a ela. Puxar conversa. O rabo de cavalo também era bastante surpreendente. Tinha um inchaço ao longo do alto da cabeça, do tipo que eu nunca poderia imitar, mesmo depois de assistir a uma dúzia de tutoriais no YouTube sobre como fazê-lo. Sempre que eu tentava, mas parecia que eu tinha um crescimento desigual na minha cabeça.


Mas eu não disse nada a ela. Quando levantei meu olhar, meus olhos colidiram com um rapaz ao meu lado. Sono marcava sua expressão. Ele não sorriu ou franziu a testa ou fez outra coisa senão voltar sua atenção de volta para o telefone celular que tinha na mão. Eu mal tive certeza se ele me viu. O ar da manhã estava quente, mas no momento em que entrei na escola, no ar gelado, eu estava grata pelo cardigan fino que cuidadosamente combinei com a blusa e calça jeans. A partir da entrada, todos se espalharam em direções diferentes. Alunos menores que tinham mais ou menos a minha altura, mas eram definitivamente muito mais jovens, se apressaram sobre as linhas vermelho e azul pintadas no chão, suas mochilas batendo nas costas conforme eles se esquivavam dos corpos mais altos e mais amplos. Outros caminhavam como zumbis, com passos lentos e aparentemente sem rumo. Eu estava em algum lugar no meio, me movendo com o que parecia ser um ritmo normal, mas foi realmente o que eu tinha praticado. E houve alguns que andavam em grupos, se abraçando e rindo. Imaginei que eram amigos que não se viram durante as férias de verão, ou talvez eles fossem realmente muito sociáveis. De qualquer maneira, olhava para eles enquanto andava. Vê-los me fez lembrar a minha amiga Ainsley. Como eu, ela tinha sido educada em casa — e ainda era — mas se ela não tivesse, imaginei que ela estaria como estas crianças, pulando em direção ao outro, rindo e animada. Normal. Ainsley provavelmente ainda estava na cama. Não porque ela ficou brincando ontem o dia todo, mas porque o nosso instrutor fez o verão ser um pouco diferente para nós duas. Ela ainda estava de férias, mas uma vez que seu ano recomeçar, suas horas de estudo serão tão rigorosas e exaustivas quanto as minhas.


Saindo do meu devaneio, tomei a escada no final do amplo corredor, perto da entrada para a cafeteria. Mesmo sendo próximo ao refeitório, senti meu pulso acelerar, fazendo com que meu estômago se torcesse com náuseas. Almoço. Oh, Deus, o que vou fazer no almoço? Não conhecia ninguém, nem uma única pessoa, e eu seria... Eu me cortei, incapaz de realmente pensar sobre isso agora. Se eu pensasse, havia uma boa chance de eu virar e correr de volta para a segurança do meu carro. Meu armário estava no segundo andar, no meio do corredor, número dois-três-quatro. Eu o localizei sem problema, e bônus, ele abriu na primeira tentativa. Torci minha mochila para frente, retirando um fichário que só estaria usando nas minhas aulas da tarde e o coloquei na prateleira de cima, sabendo que receberia alguns livros enormes hoje. O armário ao lado do meu se fechou, fazendo-me saltar e ficar tensa. Meu queixo se ergueu. Uma menina alta com pele escura e pequenas tranças em toda a cabeça deu um sorriso rápido na minha direção. "Ei." Minha língua ficou presa na boca e eu não poderia me ajudar, não pude repetir essa pequena palavra estúpida antes dela girar e sair. Falhei. Sentindo-me estúpida de dez formas diferentes, revirei os olhos e fechei meu armário. Virando-me, meu olhar pousou nas costas de um cara indo na direção oposta. Meus músculos ficaram tensos novamente enquanto olhava para ele. Nem sequer sei por que ou como acabei olhando para ele. Talvez fosse porque ele era uma boa cabeça mais alto do que qualquer um ao seu redor. Como uma trepadeira total, fixei meus olhos nele, incapaz de desviá-los. Ele tinha o cabelo ondulado, algo entre castanho e preto, terminava na altura da


nuca bronzeada, mas no topo era maior. Eu me perguntei se caia na testa dele, e houve um puxão instável no meu peito enquanto eu me lembrava de um menino que conhecia de anos atrás, cujo cabelo sempre fazia isso, caia para frente não importava quantas vezes ele o empurrava para fora do rosto. Um menino que fazia meu peito doer só de pensar nele. Seus ombros eram largos sob uma camiseta preta, os bíceps definidos de uma maneira que me fez pensar em alguém que praticava esportes ou fez um monte de trabalho manual. Sua calça jeans estava desbotada, mas não da maneira cara, customizada. Eu sabia a diferença entre calça jeans de marca que foram projetadas para parecerem desgastadas e calça jeans que desgastaram simplesmente pelo tempo de uso. Ele carregava somente um caderno na mão, e até mesmo de onde eu estava, o caderno parecia tão velho quanto suas calças. Algo estranho se moveu através de mim, um sentimento de familiaridade, e enquanto estava parada na frente ao meu armário, eu me vi pensando em algo brilhante dentro de um passado cheio de sombras e escuridão. Pensei sobre o rapaz que fez meu peito doer, aquele que tinha me prometido o para sempre. Fazia quatro anos desde a última vez que o tinha visto ou mesmo ouvido falar dele. Quatro anos de tentativas para apagar tudo o que tinha a ver com aquela parte da minha infância, mas me lembrava dele. Gostaria de saber sobre ele. Como não poderia? Eu sempre lembraria. Ele tinha sido o único motivo de eu ter sobrevivido na casa que tinha crescido.


Capítulo 2

Uma coisa que aprendi rapidamente depois do meu primeiro período foi que a fila de assentos na parte de trás da sala de aula era o melhor lugar para se sentar. Perto o suficiente para ver o quadro, mas longe o suficiente para diminuir as chances de o professor chamar você durante a aula. Tive que me apressar em chegar antes de todos em cada uma das minhas classes AP2 para poder conseguir uma mesa na parte de trás, me misturando antes de alguém me perceber. Ninguém falou comigo. Não até pouco antes do almoço, no início da aula de Inglês, quando uma menina de pele morena escura sentou-se na cadeira vazia ao meu lado. "Oi," disse ela, batendo um caderno espesso sobre a superfície plana ligada à cadeira. "Eu ouvi que o Sr. Newberry é um verdadeiro idiota. Dê uma olhada nas fotos." Meu olhar piscou para frente da sala de aula. Nosso professor ainda não tinha chegado, mas o quadro tinha sido alinhado com fotos de autores famosos. Shakespeare, Voltaire, Hemingway, Emerson e Thoreau foram alguns que eu reconheci, embora provavelmente não fosse reconhecê-los se não tivesse tido muito tempo estudando sobre eles. "Mas todos os caras são, certo?" ela continuou, e quando olhei para ela, os cachos pretos saltaram quando ela balançou a cabeça. "Minha irmã teve aula com ele há dois anos. Ela me avisou que ele, basicamente, pensa que você precisa ter um pau para produzir qualquer coisa de valor literário." 2

Advanced Placenment (AP) é um curso especialmente criado pelo College Board, nos Estados Unidos, para ajudar estudantes colegiais a se prepararem para os exames e as seleções das universidades norte-americanas.


Meus olhos se arregalaram. "Então, estou pensando que esta classe deve ser muito divertida." Ela sorriu, exibindo dentes brancos retos. "A propósito, eu sou Keira Hart. Não me lembro de você aqui no ano passado. Não que eu conheça todo mundo, mas acho que teria pelo menos te visto por aí." O suor cobria as palmas das minhas mãos, enquanto ela continuava a olhar para mim. A pergunta que ela estava jogando era simples. A resposta era fácil. Mas minha garganta estava seca e eu podia sentir o calor subindo em meu pescoço enquanto os segundos passavam. Use as palavras. Meus dedos dos pés enrolaram contra as solas de couro macio das minhas sandálias e senti minha garganta arranhar quando forcei as palavras. "Eu sou... Eu sou nova." Eu fiz! Eu falei. Tomem isso, todos! As palavras eram totalmente minhas, cadela. Tudo bem, talvez eu estivesse exagerando minha percepção desde que, tecnicamente, eu só falei algumas palavras. Mas não ia desmanchar minha própria alegria sobre isso, porque falar com novas pessoas era difícil para mim. Tanto quanto seria difícil para alguém andar nua dentro da classe. Keira não pareceu notar o meu questionamento interno. "Isso é o que eu pensava." E então ela esperou, e por um momento não entendi por que ela estava olhando para mim com expectativa. Mas então eu entendi. O meu nome. Ela estava esperando por meu nome. Ar escapou por entre os meus dentes. "Eu sou Mallory... Mallory Dodge." "Legal." Ela assentiu com a cabeça enquanto balançava os ombros curvos contra o encosto da cadeira. "Oh. Aí vem ele." Nós não falamos de novo, mas eu estava me sentindo muito bem sobre a soma total de palavras ditas, mesmo as repetidas. Rosa e Carl ficariam orgulhosos.


Sr. Newberry falou com um ar de pretensão que mesmo um novato como eu poderia entender, mas isso não me incomodou. Eu estava flutuando em uma alta realização. Então, veio o almoço. Caminhar para o grande e barulhento refeitório era como ter uma experiência fora do corpo. Meu cérebro estava gritando para que eu encontrasse uma saída. Um lugar calmo e seguro para ir, mas me forcei a continuar, um pé na frente do outro. Meu estômago ficou torcido em nós. Tudo o que eu peguei foi uma banana e uma garrafa de água. Havia tantas pessoas ao meu redor e tanto barulho, riso, gritos e um baixo zumbido constante de conversa. Estava completamente fora do lugaro. Todos sentados nas mesas retangulares, amontoados em grupos. Ninguém estava realmente sentado sozinho pelo que eu podia ver, e eu não conhecia ninguém. Eu seria a única pessoa sentada sozinha. Horrorizada com a percepção, senti meus dedos tremer em torno da banana. Eu a apertei. O cheiro de desinfetante e comida queimada tomou conta de mim. Senti a pressão descer por baixo no meu peito, apertando a minha garganta. Chupei no ar, mas não pareceu inflar meus pulmões. Uma série de tremores dançou ao longo da base do meu crânio. Eu não poderia fazer isso. Havia muito barulho e muitas pessoas no que agora se parecia com um pequeno espaço, confinado. Nunca foi tão alto em casa. Nunca. Meu olhar correu por toda parte, sem realmente ver qualquer detalhe. Minha mão tremia tanto que eu tinha medo de deixar cair a banana. Meu instinto voltou, e meus pés começaram a se mover. Corri para o corredor um pouco mais silencioso e continuei, passando por algumas crianças persistentes contra os armários e o cheiro fraco de cigarros que os rodeavam. Forcei respirações profundas, calmantes, que realmente não me acalmaram. Ficar mais longe do refeitório é o que iria me acalmar, e não a estúpida respiração. Dobrei a esquina e fiz


uma parada, evitando por pouco uma colisão de frente com um menino não muito mais alto que eu. Ele tropeçou para o lado, com os olhos vermelhos arregalados de surpresa. Senti um perfume, que no começo pensei que era fumaça, mas quando inalei, percebi que era algo mais rico, como terra espessa. "Desculpe,

chula3,"

ele

murmurou.

Seus

olhos

deslizaram

lentamente desde as pontas dos meus dedos dos pés até voltarem para cima. Então ele sorriu. No final do corredor, um menino mais alto acelerou o passo. "Jayden, que diabos você está fazendo, mano? Nós precisamos conversar." O cara que eu assumi que era Jayden virou, esfregando uma mão sobre seu cabelo escuro e curto, quando ele murmurou: "Mierda, hombre". A porta se abriu e um professor saiu, franzindo a testa enquanto seu olhar saltou entre os dois. "Já, Sr. Luna? É assim que vamos começar este ano?" Achei que era hora de sair do corredor, porque nada sobre o rosto do garoto mais alto, disse que ele seria amigável, e a careta profunda que se fixou no rosto do professor quando Jayden continuou andando fez parecer como se ele quisesse cortar alguém. Corri em torno de Jayden e mantive meu queixo para baixo, não fazendo contato visual com ninguém. Acabei ficando na biblioteca, jogando Candy Crush no celular até que a campainha tocou, e passei para minha próxima aula — história — furiosa comigo mesma, porque não tinha sequer tentado. Essa era a verdade. Em vez disso eu tinha ficado escondida na biblioteca como uma idiota, com um jogo estúpido que só poderia ter sido criado pelo diabo, porque fui seriamente sugada para ele. Dúvida caiu sobre mim como um cobertor muito pesado e grosso. Eu tinha chegado tão longe nos últimos quatro anos. Eu não era nada como a garota que costumava ser. Sim, eu ainda tinha algumas questões

3

Gíria em espanhol que significa “Gata”.


penduradas, mas eu estava mais forte do que a casca que eu costumava ser, não estava? Rosa teria ficado tão decepcionada. Minha pele começou a coçar no momento em que fui a minha última aula, o meu ritmo cardíaco estava, provavelmente, em algum lugar perto de um acidente vascular cerebral, porque o último período foi o pior período de sempre na história. Classe de oratória. Também conhecida como Comunicação. Quando eu tinha feito o registro para a escola na primavera passada, estava me sentindo valente, enquanto que Carl e Rosa me olharam como se eu estivesse meio louca. Eles disseram que poderiam me tirar da aula, apesar de ter sido uma exigência em Lands High, mas eu tinha algo a provar. Não queria que eles intercedessem por mim. Eu queria, não, eu precisava fazer isso. Urgh. Agora eu gostaria de ter utilizado algum senso comum para deixálos fazer o que quer que tivesse resultado em me dispensar dessa aula, porque este era um pesadelo esperando para acontecer. Quando vi a porta aberta para a classe no terceiro andar, que se abriu para mim, e uma sala ultra brilhante dentro. Meus passos vacilaram. Uma menina andou em torno de mim, seus lábios franzindo enquanto me analisou. Eu queria virar e fugir. Entrar no Honda. Ir para casa. Ficar a salvo. Não. Apertando os dedos em torno da alça da minha mochila, me forcei a continuar, e foi como andar com lama até os joelhos. Cada passo era lento. Ficando cada vez mais ofegante. As luzes do teto zumbiam e minhas orelhas eram hipersensíveis à conversa em torno de mim, mas eu fiz isso.


Meus pés chegaram à fileira de trás e meus dedos estavam dormentes, os nós dos dedos brancos quando deixei a mochila cair no chão ao lado da minha mesa e deslizei para o meu lugar. Puxando meu caderno agarrei a borda da mesa. Estava na aula de oratória. Eu estava aqui. Eu tinha feito isso. Eu ia me dar uma festa quando chegasse em casa. Do tipo que as pessoas falsificam identidade para poder entrar. Esse tipo de festa. Radical. As juntas dos meus dedos começaram a doer, então afrouxei o aperto de morte, enquanto olhava para a porta, deslizando minhas mãos úmidas na parte de cima da mesa. A primeira coisa que vi foi o peito largo envolto em preto, em seguida, os bíceps bem construídos. E havia aquele caderno detonado que parecia a segundos de cair aos pedaços, batendo contra uma coxa revestida com jeans desgastados. Era o menino que vi esta manhã, no corredor. Mais do que curiosa para ver como ele era de frente, levantei meus cílios, mas ele tinha virado para a porta. A menina do corredor, aquela que andou em torno de mim, estava caminhando até ele. Agora que eu estava sentada e tinha acalmado a minha respiração, pude verificar a menina. Ela era bonita. Muito bonita, como Ainsley. Esta menina tinha cabelos cor de caramelo liso que era tão longo quanto o meu, o seu passava dos seios. Ela era alta e o top que usava exibia uma barriga lisa. Seu olhar castanho escuro não estava focado em mim desta vez. E sim no cara na frente dela. A expressão no seu rosto disse que ela teve uma visão completa dele, e quando ele riu, seus lábios rosados se dividiram em um largo sorriso. Seu sorriso ficou ainda mais bonito, mas minha atenção se afastou dela quando minúsculos pelos subiram por todo o meu corpo. Aquela risada... Era profunda, rica e de alguma forma familiar. Um arrepio rastejou sobre meus ombros. Que risada...


Ele estava andando de costas, e eu estava um pouco surpresa por ele não tropeçar em qualquer coisa, na verdade, um pouco de inveja desse fato. E então eu percebi que ele estava indo em direção à última fileira. Direto para mim. Olhei em volta. Havia apenas alguns lugares vagos, dois à minha esquerda. A menina o estava seguindo. Não apenas seguindo. Agarrada nele. Agarrada como se tivesse feito isso muitas vezes. Seu braço magro foi estendido, a mão plantada no centro de seu estômago, logo abaixo do peito. Ela mordeu o lábio inferior enquanto sua mão derivava mais para o sul. Pulseiras de ouro penduradas em seu pulso terrivelmente perto do cinto de couro desgastado. Minhas bochechas aqueceram quando o menino saiu de seu alcance. Havia alguma coisa lúdica em seus movimentos, como se esta dança fosse uma rotina diária para ambos. Ele virou-se, no final das mesas, dando um passo atrás da cadeira ocupada, e meu olhar vagueou pelos quadris estreitos, sobre o estômago que a menina tinha tocado, para cima e para cima, e então eu vi seu rosto. Parei de respirar. Meu cérebro não conseguia perceber o que eu estava vendo. Não processou. Olhei para ele, realmente o vi, vi um rosto que me era familiar e ainda novo para mim, mais maduro do que me lembrava, mas ainda dolorosamente bonito. Eu o conhecia. Oh meu Deus, eu o reconheceria em qualquer lugar, mesmo que tenha sido há quatro anos a última vez que o vi. Que na última noite tinha sido tão horrível, e tinha mudado a minha vida para sempre. Foi muito surreal. Agora, a razão por que ele apareceu na minha cabeça esta manhã fazia sentido, porque eu tinha visto ele, mas não tinha percebido que era ele. Não podia me mover, não conseguia ar suficiente nos meus pulmões e não podia acreditar que isso estava acontecendo. Minhas mãos


escorregaram da mesa, caindo frouxamente no meu colo quando ele afundou no assento ao meu lado. Seu olhar estava sobre a menina que tomou o assento ao lado dele, e seu perfil, a mandíbula forte, que era só uma sugestão na última vez que vi inclinada enquanto seus olhos se moviam sobre a frente da sala, em frente ao quadro negro no comprimento da parede. Parecia que ele era o mesmo, só que maior e com tudo mais... mais definido. As sobrancelhas estão mais escuras do que a mistura de cabelo castanho e preto, os cílios grossos, as maçãs do rosto largas e o pescoço seguindo a curva de sua mandíbula. Deus, ele havia crescido da maneira que pensei que aconteceria quando eu tinha doze anos e comecei a realmente olhar para ele, vê-lo como um menino. Eu não podia acreditar que ele estava aqui. Meu coração estava tentando saltar para fora do meu peito quando os lábios — mais cheios do que eu lembrava — inclinaram para cima, e um nó se formou na minha barriga enquanto a covinha apareceu em sua bochecha direita. A única covinha que ele tinha. Nenhum conjunto correspondente. Apenas uma. Minha mente correu de volta através dos anos, e eu só conseguia pensar em um punhado de vezes que o tinha visto relaxado. Inclinando-se para trás na cadeira que parecia pequena demais para ele, ele lentamente virou a cabeça para mim. Os olhos que eram castanhos com pequenas manchas de ouro encontraram os meus. Olhos que eu nunca tinha esquecido. O sorriso fácil, quase preguiçoso que nunca tinha visto em seu rosto antes, congelou. Seus lábios se separaram e uma palidez se infiltrou sob sua pele morena. Aqueles olhos se arregalaram, as manchas de ouro pareciam se expandir. Ele me reconheceu; eu tinha mudado muito desde então, mas ainda assim, o reconhecimento estava em suas características. Ele estava se movendo novamente, inclinando-se em seu assento para mim. Quatro palavras rugiram fora do passado e ecoaram na minha cabeça. Não faça nenhum som.


“Mouse?” Ele ofegou.


Capítulo 3

Mouse. Ninguém mais me chamava assim. Eu não ouvia esse apelido há muito tempo, e não pensei que iria ouvi-lo novamente. E eu nunca, em um milhão de anos me atrevi a ter esperança de que iria vê-lo novamente. Mas ali estava ele, e eu não conseguia parar de olhar. Nenhum dos outros meninos de treze anos de idade tinha ficado na minha memória, mas ele sim. Eram aqueles olhos quentes, castanho com pintas douradas e a mesma pele bronzeada, um traço do seu pai tinha sido, possivelmente, metade branco, metade hispânico. Ele não sabia de onde era a sua mãe ou qualquer outro membro de sua família. Um dos nossos... nossos assistentes sociais tinham pensado que sua mãe poderia ter vindo da América do Sul, talvez brasileira, mas ele provavelmente nunca saberá. De repente, o vi garoto, quando éramos pequenos e ele tinha sido a única parte estável em um mundo de caos. Na idade de nove anos, um pouco mais velho que eu, mas ainda tão pequeno, ele ficou entre o Sr. Henry e eu na cozinha, como ele tinha feito muitas vezes antes, quando eu segurava a boneca ruiva — Velvet — que ele trouxe de volta para mim. Eu tinha abraçado ela, tremendo, enquanto ele estufou o peito, pernas separadas. "Deixe-a em paz," ele rosnou, mãos enrolando em punhos. "É melhor você ficar longe dela." Eu me afasto da memória, mas havia tantas outras. Ele vindo em meu socorro em várias situações, até que ele não podia, até que a promessa de sempre tinha sido quebrada, e tudo... Tudo tinha desmoronado.


Seu peito subia profundamente, e quando ele falou, sua voz era baixa e áspera. "É realmente você, Mouse?" Vagamente consciente da menina sentada ao seu lado nos observando, vi seus olhos se arregalarem enquanto me analisava. Minha língua era inútil, o que pela primeira vez foi estranho, porque ele... Ele tinha sido a única pessoa que nunca tinha tido qualquer problema em falar, mas estávamos em uma situação diferente, uma vida diferente. Isso foi antes. "Mallory?" ele sussurrou. Virou completamente para mim, eu pensei por um segundo que ele poderia sair de sua cadeira. E assim seria ele, porque ele não tinha medo de fazer nada. Nunca tinha. Estávamos tão perto que vi a pequena cicatriz acima da sobrancelha direita, um tom ou dois mais leve do que o seu tom de pele natural. Lembrei-me de como ele tinha conseguido e meu peito doeu de novo, porque a cicatriz simbolizava um cookie obsoleto e um cinzeiro quebrado. Um cara na frente de nós tinha virado em sua cadeira. "Ei." Ele estalou os dedos quando não obteve uma resposta. "Ei, cara? Olá?" Ele ignorou o cara, ainda olhando para mim como se estivesse vendo um fantasma bem na frente dele. "Que seja," o garoto murmurou, mudando sua atenção para a menina, mas ela também o ignorou. Ela estava focada em nós. O sino tocou atrasado, e eu sabia que o professor tinha entrado, porque a conversa na sala foi acalmando. "Você me reconhece?" Sua voz ainda era quase um sussurro. Seus olhos continuaram a segurar os meus, e eu falei o que acabou por ser a palavra mais fácil que eu já disse em minha vida. "Sim." Ele balançou para trás em sua cadeira, endireitando seus ombros tensos. Seus olhos se fecharam. "Jesus Cristo," ele murmurou, esfregando a palma da mão contra o esterno.


Pulei no meu lugar quando o professor bateu a mão na pilha de textos empilhados sobre a mesa de canto, forçando meu olhar para frente. Meu coração ainda estava agindo como se uma britadeira fora de controle estivesse dentro do meu peito. "Tudo bem, todos vocês devem saber quem eu sou, uma vez que vocês estão na minha classe, mas apenas no caso de alguns de vocês estarem perdidos, eu sou o Sr. Santos." Ele encostou-se à mesa, cruzando os braços. "E esta é a classe de oratória. Se você não deveria estar aqui, você provavelmente deve estar em outro lugar." O Sr. Santos continuou a falar, mas o sangue correndo através de mim abafou suas palavras, e meus pensamentos também ficaram presos pelo fato de que ele estava sentado ao meu lado. Ele estava aqui; após todos esses anos, e estava bem ao meu lado como tinha sido desde que tínhamos três anos de idade. Mas ele não parecia feliz em me ver. Eu nem sequer sei o que pensar. Uma mistura de esperança e desespero rodava dentro de mim, misturando-se com memórias amargas e doces que eu tanto desejava esquecer. Era ele... Eu fechei os olhos e engoli o caroço alojado na minha garganta. Livros didáticos foram entregues, seguido por um programa. Ambos ficaram na minha mesa, intocado. O Sr. Santos passou por cima do tipo de discursos que estaríamos escrevendo e entregando ao longo do ano, tudo a partir de um discurso informativo para um que seria baseado em entrevistar um colega de classe. Enquanto estava a segundos de distância de surtar por completo quando entrei na classe, a perspectiva de ter que dar vários discursos na frente de trinta pessoas era agora a coisa mais distante de meus pensamentos. Eu olhei para frente, percebendo que Keira também estava nesta aula, sentada na frente do cara que tinha tentado obter a atenção dele no início. Eu não tinha certeza se ela reparou em mim quando entrei na classe.


Então, novamente, talvez ela tivesse e não se importava. Por que ela se importaria? Só porque ela falou comigo em outra aula não significava que ela estava na fila para ser minha BFF. Minha tentativa de almoço fracassada parecia que tinha sido anos atrás. Cada vez que eu respirava, estava ciente dele. Incapaz de me parar, eu prendi o cabelo para trás quando olhei à minha esquerda. Meu olhar se chocou com o dele, e eu chupei uma respiração instável. Quando éramos mais jovens, eu sempre podia ler a sua expressão. Mas agora? Seu rosto estava completamente impassível. Ele estava feliz? Irritado? Triste? Ou tão confuso quanto eu? Eu não sabia, mas ele não tentou esconder o fato de que estava olhando. Calor invadiu minhas bochechas quando desviei o olhar, e de alguma forma acabei olhando para a garota ao lado dele. Ela estava olhando para frente, os lábios pressionados em uma linha fina e firme. Meu olhar caiu para onde suas mãos estavam fechadas em punhos, descansando em cima da mesa. Desviei o olhar novamente. Talvez cinco minutos se passaram antes de eu ceder e olhar para ele novamente. Ele não estava olhando na minha direção, mas sua mandíbula estava trabalhando, fazendo um músculo vibrar em sua bochecha. Tudo o que eu podia fazer era ficar de boca aberta para ele como uma idiota total, incapaz de muito mais. Quando ele era mais novo, todos poderiam dizer que iria crescer e ficar com uma aparência de parar o coração. Ele tinha isso. Grandes olhos, lábios expressivos e uma estrutura óssea definida. Às vezes isso tinha sido uma... Uma coisa muito ruim para ele. Ele tinha recebido todos os tipos de atenção. Parecia que o Sr. Henry queria quebrá-lo como se ele fosse porcelana fina. Então havia os homens que vagavam dentro e fora da casa. Alguns deles tinham... Estado muito interessados nele.


Com a boca seca, lancei esses pensamentos para fora. Eu não deveria estar tão chocada com o quão atraente ele ficou, mas como Ainsley diria, ele era estupidamente quente. Enquanto o Sr. Santos estava distribuindo cartões, por algum motivo eu tinha perdido que o cara na frente de nós virou-se novamente, seu olhar cor de musgo. "Tudo certo para depois da aula?" Eu não poderia evitar. Meu olhar se virou para ele. Com os lábios tensos e os braços cruzados sobre o peito, ele assentiu secamente. O cara levantou as sobrancelhas escuras antes que ele olhasse na direção do Sr. Santos. "Nós precisamos falar com Jayden." Jayden? Eu pensei sobre o menino que tinha quase atropelado no corredor. A menina olhou para cima, com a cabeça inclinada para o lado. "Entendi, Hector," ele respondeu, voz entrecortada, e fiquei impressionada com o quão profunda a sua voz era agora. Um momento depois ele inclinou o queixo em minha direção. Corei e desviei o olhar, mas não antes de pegar um olhar curioso de Hector em mim. Durante o resto da aula fiquei roubando olhares para ele, como se precisasse vê-lo para me lembrar de que ele estava mesmo sentado lá. Eu não era muito boa em ser discreta, porque eu tinha certeza que a garota do outro lado dele, a menina que tinha tocado ele muito intimamente no caminho para os acentos, me pegou cerca de meia dúzia de vezes. À medida que os minutos passavam, os nós no meu estômago se formavam cada vez mais. Ansiedade me cercou como uma víbora esperando para atacar com seu veneno paralisante. Pressão fechou minha garganta, um aperto de aço que tirava cada última respiração fora de mim. Uma queimadura de gelo se arrastou até a volta do meu pescoço e depois espirrou em toda a base do meu crânio. Minha próxima respiração engatou, e senti que estava perdendo todo o meu controle. Respire.


Eu precisava respirar. Enrolando os dedos nas mãos, forcei meu peito a subir e descer de forma uniforme e tentei fazer meu coração desacelerar. Quando estava em terapia, o Dr. Taft tinha me ensinado que não estava perdendo controle do meu corpo quando isso acontecia. Era, basicamente, tudo na minha cabeça, às vezes desencadeada por um determinado som alto ou um perfume que iria me jogar de volta no tempo. Às vezes, não tinha certeza do que estava causando isso. Hoje eu sabia. O gatilho estava sentado ao meu lado. Esse pânico era real, porque ele era real, ele simbolizava o passado. Não era um produto do meu cérebro. O que eu diria a ele quando a campainha tocasse para o fim da aula? Quatro anos se passaram desde aquela noite. Será que ele ainda quer falar comigo? E se ele não quiser falar comigo? Oh Deus. E se o fato de eu estar de volta aqui não fosse algo que ele esperava ou mesmo pensava? Ele tinha... Ele tinha tomado um monte de porcaria por mim, por minha causa. Embora houvesse bons momentos ao longo dos nossos dez anos juntos, havia um monte de coisas ruins também. Muita coisa. E seria horrível... Sim, seria péssimo se ele se levantasse e caminhasse para fora da classe sem dizer mais nenhuma palavra, mas seria melhor de qualquer forma. Pelo menos agora eu sabia que ele estava vivo e fisicamente ileso, e ele parecia estar familiarizado com a menina do seu outro lado. Talvez ela fosse sua namorada. Isso significava que ele estava feliz, certo? Feliz e inteiro. Sabendo que estava tudo bem com ele significava que eu poderia oficialmente fechar esse capítulo da minha vida. Só que eu tinha pensado que já tinha fechado o capítulo. E agora foi reaberto, lançando todo o caminho até o início.


Quando a campainha tocou, o modo de proteção levou a melhor, como tantas vezes no passado. Não estava nem mesmo ciente do que estava fazendo. Um velho instinto elevou sua cabeça como um dragão adormecido, um instinto que passei quatro anos lutando contra, mas eu já tinha cedido uma vez hoje. De pé, peguei meu livro e minha mochila do chão. Meu coração bateu contra as costelas enquanto corri em torno de nossos assentos, e não olhei para trás, não lhe dei a chance de ir embora primeiro. Minhas sandálias bateram no chão enquanto corria pelo corredor, contornando os estudantes mais lentos que andavam pelo corredor, quando empurrei o livro na mochila. Eu provavelmente parecia uma idiota. Bem, eu me sentia como uma idiota. Saí do prédio, para o sol quente. Queixo para baixo, segui o caminho para o estacionamento, minhas mãos tremendo enquanto as abria e fechava, porque parecia que o sangue havia parado em meus pulsos. As pontas dos meus dedos formigavam. O Honda prata brilhou à frente, e eu soltei uma respiração irregular. Gostaria de ir para casa e era isso que eu faria. "Mallory." Meu pulso disparou ao som do meu nome, e meus passos vacilaram. Fiquei ali, em pé, na frente do meu carro, desejando escapar, mas ao invés disso, me virei lentamente. Ele estava ao lado de uma caminhonete vermelha que não estava lá quando estacionei esta manhã e que ainda não tinha notado na minha corrida louca para o carro. Na luz do sol seu cabelo era mais castanho do que preto, e sua pele mais bronzeada, suas feições nítidas. Havia tantas perguntas que de repente desejei puder fazer. O que ele tinha feito nos últimos quatro anos? Será que ele tinha sido finalmente adotado? Ou ele ainda estava morando em um lar adotivo? E o mais importante, ele estava em um lugar seguro agora?


Nem todas as casas do grupo eram ruins. Nem todos os pais adotivos eram horríveis. Olhe para Carl e Rosa. Eles me fizeram ter esperança. Eles me adotaram, mas antes deles, este menino de pé diante de mim e eu não tivemos sorte. Nós tínhamos sido adotados pelo pior tipo de pessoas que de alguma forma conseguiu passar na inspeção. Os assistentes sociais foram subfinanciados, ou seja, recebiam pouco apoio financeiro. A maioria fazia o melhor que podia, mas havia um monte de rachaduras no sistema, e nós tínhamos caído na maior delas. A maioria das crianças não permanecia no sistema ou em uma casa mais de dois anos. A maioria das crianças acabava na casa de familiares próximos, ou eram adotados. Ninguém além do Sr. Henry e a Srta. Becky nos quis, e eu ainda não consigo entender por que eles nos quiseram e ainda assim nos trataram tão mal. Nossos assistentes sociais iam e vinham com a frequência das estações. Os nossos professores devem ter percebido o que estava acontecendo em casa, mas nenhum deles arriscou seus empregos para intervir. A amargura de ser esquecido e pisado por tanto tempo em um sistema sobrecarregado e quebrado ainda se agarrava a mim como uma segunda pele, e me perguntava se um dia eu deixaria ir. Mas havia bom e mau em tudo. Será que ele finalmente encontrou algo bom? "Sério?" Ele disse enquanto seus dedos apertavam em torno do velho caderno que segurava. "Depois de tudo, depois de quatro anos sem saber o que diabos aconteceu com você, você simplesmente aparece na porra da classe de oratória, e em seguida, foge? De mim?" Inalei bruscamente quando abaixei os braços. Minha mochila escorregou do meu ombro, batendo no asfalto quente. Choque fluiu através de mim, mas no fundo da minha mente, não estava surpresa que ele tinha vindo atrás de mim. Ele nunca fugiu. Ele nunca se escondeu de nada. Sempre tinha sido eu. Nós tínhamos sido yin e yang. Minha covardia e a sua bravura. Sua força para a minha fraqueza. Mas isso não era mais eu.


Eu não era Mouse. Eu não era covarde. Eu não era fraca. Ele deu um passo para frente e depois parou, balançando a cabeça enquanto seu peito subia e descia sem firmeza. "Diga algo." Eu lutava para conseguir dizer uma palavra. "O quê?" "O meu nome." Eu não tinha certeza do por que ele queria ouvir isso, e não sabia como seria a sensação de dizê-lo novamente depois de todo esse tempo, mas tomei uma respiração profunda. "Rider." Outra respiração estremeceu através de mim. "Rider Stark." Sua garganta trabalhava e, por um instante, nenhum de nós se moveu quando uma brisa cheia de vapor jogou fios de cabelo no meu rosto. Em seguida, ele deixou cair seu caderno no chão. Fiquei surpresa por ele não explodir em pedaços. Seu ritmo com as pernas longas diminuiu a distância. Em um segundo havia vários pés entre nós, e no momento seguinte ele estava bem ali na minha frente. Ele era muito mais alto agora. Eu mal chegava aos seus ombros. E então seus braços estavam ao meu redor. Meu coração explodiu no momento que aqueles braços fortes me puxaram contra o seu peito. Houve um momento em que congelei, e então meus braços envolveram seu pescoço. Agarrei-me a ele, apertando os olhos com força quando inalei o aroma limpo e o traço persistente de loção pósbarba. Este era ele. Seus abraços eram diferentes agora. Mais forte e mais firme. Ele me levantou do chão, sem dificuldade. Um braço em volta da minha cintura, a outra mão embrenhando no fundo do meu cabelo, e os meus seios ficaram amassados contra seu peito surpreendentemente duro. Uau.


Seus abraços eram definitivamente diferentes do que eram quando tínhamos doze anos. "Jesus, Mouse, você nem sabe..." Sua voz estava rouca e grossa quando me colocou de volta no chão, mas ele não me soltou. Um braço instalado em volta da minha cintura. Sua outra mão brincando com as pontas do meu cabelo. Seu queixo roçou o topo da minha cabeça enquanto eu deslizava minhas mãos em seu peito. "Eu nunca pensei que iria vê-la novamente." Descansei minha testa entre minhas mãos, sentindo seu coração bater mais rápido. Eu podia ouvir as pessoas ao nosso redor, e eu imaginava que alguns estavam, provavelmente, olhando, mas eu não me importei. Rider estava quente e sólido. Real. Vivo. "Inferno, eu nem estava planejando vir à escola hoje. Se eu não tivesse..." Sua mão se soltou do meu cabelo, e o senti puxar alguns fios. "Olhe para o seu cabelo. Você não é mais um emaranhado de cenoura." Um riso sufocado me escapou. Quando era jovem, meu cabelo tinha sido uma confusão vermelho alaranjado, cheio de nós maltrapilhos e ondas indisciplinadas, e graças a Deus, o tom tinha se acalmado um pouco. Uma visita a um salão de cabeleireiro tinha ajudado. Embora os nós e as ondas ainda estivessem em debate sempre que estava úmido. Rider recuou apenas o suficiente para que pudesse me olhar melhor. "Olhe para você," ele murmurou. "Você está crescida." Sua mão esquerda foi para o meu rosto, e um calafrio dançou ao longo da minha espinha quando seu polegar varreu meu lábio inferior. O toque me assustou. "E você ainda é quieta como um ratinho." Minha coluna endureceu. Mouse. "Eu não..." Qualquer coisa que eu estava prestes a dizer teve uma morte ardente, porque o seu polegar tinha seguido o seu caminho em toda a minha maçã do rosto, a ponta de seu dedo era caloso e áspero, mas o toque era delicado e afetuoso. Meus olhos foram para os seus. Eu nunca pensei que o veria de novo, mas ele estava realmente aqui. Meu Deus, Rider estava aqui, e tantos


pensamentos estavam me enlouquecendo. Eu só podia agarrar alguns deles, mas as memórias vieram à tona como o sol coroando uma montanha. Uma noite, eu acordei assustada com as vozes vindas do escuro lá em baixo. Escapei para o quarto ao lado do meu, que tinha sido de Rider, e ele me deixou rastejar na cama com ele. Ele leu para mim, um livro que eu tinha amado, um livro que Rider chamava de "a história do coelho estúpido." Isto sempre me fazia chorar, mas ele lia para mim, para me distrair dos gritos enchendo a parte de baixo da casa. Eu tinha cinco anos, e daquele momento em diante, ele se tornou meu mundo inteiro. Rider, de repente deu um passo para trás e agarrou meu braço direito. Quando ele levantou, virou-o e empurrou a manga do casaco de lã fina para cima. As sobrancelhas se juntaram quando franziu a testa. "Eu não entendo." Meu olhar seguiu o seu, para onde sua mão rodeou meu pulso. A pele perto do interior do meu cotovelo era um rosa mais profundo do que era a pele do lado de dentro dos meus braços e ambas as palmas das minhas mãos, mas era pouco perceptível. "Disseram que você tinha se queimado muito." Levantando seu olhar, ele procurou meu rosto. "Eu vi eles a levarem na maca, Mouse. Lembro-me disso, como se tivesse acontecido ontem." "Eu...

Carl...". Balancei a cabeça enquanto seu

cenho

se

aprofundou, percebendo que ele não tinha ideia de quem era Carl. Concentrei-me, levou alguns momentos e, em seguida, tentei novamente. "Os médicos do Johns Hopkins. Eles... fizeram enxertos." "Enxertos de pele?" Balancei a cabeça. "Eu tive... Os melhores médicos. Não restou... Quase nenhuma cicatriz." Bem, o meu traseiro, de onde tiraram a pele para o enxerto, também era um rosa diferente, mas eu duvidava que alguém veria em algum momento em breve.


Seu polegar alisou sobre o interior do meu pulso em um golpe lento, enviando um espiral de sensações pelo meu braço. Ele não disse nada por um longo momento enquanto seu olhar segurou o meu. As manchas de ouro em seus olhos eram mais brilhantes agora, tornando-os mais avelã do que castanho. "Eles disseram que eu não poderia vê-la. Eu tentei. Eu fui até o hospital do município." Meu coração caiu. "Você foi?" Rider assentiu enquanto a tensão aliviou ao redor de sua boca. "Você não estava lá. Ou, pelo menos, eles disseram que você não estava. Uma das enfermeiras chamou a polícia. Eu acabei..." Ele balançou a cabeça. "Não importa." "Você acabou... O quê?" Eu perguntei, porque ele iniciou o assunto. Tudo o que tinha acontecido com Rider importava, mesmo quando ele sentia que o mundo não poderia se importar menos. Seus cílios grossos varreram para baixo por um momento. "A polícia e o CPS4 pensou que eu ia fugir, o que foi estúpido como a merda. Por que eu iria querer fugir para um hospital?" Provavelmente porque o Serviço de Proteção a Criança tinha um arquivo sobre nós, do tamanho do meu Honda. E também provavelmente porque Rider e eu tínhamos fugido antes. Mais de uma vez. Eu tinha oito anos e ele acabara de completar nove quando nós decidimos que iríamos ficar melhor sozinhos. Nós mal tínhamos conseguido chegar a dois blocos, na rua do Mc Donalds, antes que o Sr. Henry nos encontrasse. Em seguida, houve outros momentos, muitos para contar. Rider riu então, e houve um puxão no meu peito, porque quando olhei para ele, não havia mais um sorriso marcando seu rosto. "Naquela noite..." Ele engoliu em seco. "Sinto muito, Mouse."

4

Do inglês Child Protective Services (Serviço de proteção à criança).


Eu vacilei, recuando um pouco, mas ele se manteve segurando o meu braço. "Eu teria parado ele, mas não fiz." Seus olhos ficaram mais escuros. "Eu não deveria ter tentando..." "Não foi culpa sua," eu sussurrei, enojada pelo que ele estava dizendo. Olhei para ele. Ele acreditava mesmo que o que tinha acontecido foi por causa dele? A cabeça inclinada para o lado. "Sim, eu fiz uma promessa. Eu não cumpri essa promessa, não quando era mais importante." "Não," eu disse, e quando ele começou a responder, puxei meu braço livre. Surpresa marcando seu rosto. "Isso... não era uma promessa que você deveria ter que fazer. A ninguém." Ele prometeu estar lá para mim para sempre, e ele tinha feito todo o possível para não quebrar sua palavra. Havia coisas que não poderiam ser controladas, especialmente por uma criança. Suas sobrancelhas subiram, em seguida, seus lábios fizeram uma onda lenta. Um pequeno sorriso. "Eu não acho que você já tinha me dito não antes." Abri minha boca para salientar que nunca tinha tido uma razão para isso, mas a batida de uma música me intrometeu. Isto era um despertar estranho, lembrando-nos que não estávamos em nossa própria pequena bolha. Havia um mundo a nossa volta. Enquanto a música se aproximava, vi que o som sacudia as janelas. Rider olhou para algo atrás de mim. Então ele chegou mais perto, tão perto que seu tênis desgastado escovaram as minhas sandálias. Ele baixou o queixo quando chegou mais perto, puxando um telefone celular do bolso de trás. "Qual é o seu número, Mouse?" Era óbvio que ele já estava indo, e eu não queria que ele fosse embora. Eu tinha tantas perguntas, um milhão delas, mas dei-lhe o meu número enquanto alisava as palmas das mãos úmidas no meu jeans.


"Ei, Rider, você está pronto?" veio uma voz do carro barulhento. Reconheci-o da classe de oratória. Hector. "Nós temos que ir." Rider olhou para mim novamente e suspirou. Recuando, ele pegou seu caderno e, em seguida, pegou minha mochila do chão. Avançando, colocou sobre meu ombro, seus dedos ágeis quando tirou os fios do meu cabelo para fora sob a alça. Um meio sorriso apareceu quando o seu olhar se moveu sobre o meu rosto. "Mouse." "Alguém vai chutar o seu traseiro," Hector chamou, e meu coração pulou no meu peito. Mas relaxei quando percebi que o tom era leve. Ele estava brincando. Rider deixou cair a mão e deu um passo ao meu redor. E como se ele tivesse algum tipo de força gravitacional, eu virei. O carro estava em marcha lenta, um Ford Escort mais velho com listras azuis de corrida. Hector estava no banco do motorista, sorrindo amplamente com um braço para fora da janela, batucando os dedos ao longo da porta. "Ei, mami,5" Hector gritou, seu sorriso se espalhando quando ele mordeu o lábio inferior. "Que cuerpo tan brutal.6" Eu não tinha ideia do que ele tinha acabado de dizer, mas parecia ser dirigido a mim. "Cale a boca," Rider respondeu, plantando sua grande mão no rosto de Hector e empurrando-o de volta para dentro do carro. "No la mires7." Eu ainda não tinha ideia do que qualquer um queria dizer, mas havia algo sobre as palavras que ele e Hector falaram que não soaram como o típico espanhol que ouvi de Rosa e Carl em casa. Então, novamente, poderia ter sido o Espanhol e eu não saberia, desde que eles tinham desistido de tentar me ensinar a língua há muito tempo.

5

Mulher bonita/sedutora.

6

Corpo tão incrível.

7

Não olhe para ela.


Um estrondo de risadas masculinas graves saiu de dentro do carro, com Hector batendo a cabeça para trás, contra o assento. Um segundo depois, vi um rosto mais jovem que eu reconheci. Jayden. Ele estava inclinado a partir do assento do passageiro, através de Hector. "Ei," ele gritou. "Acho que te conheço." "Você não conhece ela," Rider respondeu quando abriu a porta de trás. Virando no banco, ele me olhou uma última vez. Nossos olhares se encontraram por um breve momento e, em seguida, a porta se fechou, vidros escuros o protegendo. O Escort foi embora. Fiquei ali, vagamente consciente de alguém subir na caminhonete estacionada ao lado do meu carro. Atordoada, entrei no meu carro e coloquei minha mochila no banco do passageiro. "Caramba," Eu sussurrei quando olhei para fora do para-brisa. "Puta merda."


Capítulo 4

Eu não conseguia lembrar exatamente como cheguei em casa, o que provavelmente não era uma coisa boa. O caminho de volta tinha sido ofuscado. No momento em que entrei na casa, ainda pensava em Rider, mas não sentia mais que era real. Como se eu tivesse sonhado. Tomei uma respiração profunda, calmante. Quatro anos. Quatro anos retirando as camadas desgastadas e danificadas. Quatro anos de ruína, dez anos de porcaria, de fazer o que pude para esquecer tudo. Tudo, exceto Rider, porque ele não merecia ser esquecido. Mas ele era o passado, boa parte do meu passado, mas ainda assim um passado que eu não queria lembrar. Caminho pela casa, parando na cozinha. Rosa está lá, usando uniformes azul-claro, decorados com patas de gatinho e seu cabelo puxado para cima em um rabo de cavalo. Ela tinha falado que iria estar em casa mais cedo hoje. Ela ergueu as sobrancelhas quando virou pra mim. “Ei, apressadinha, você está indo para onde?” Ela perguntou, colocando sua taça sobre o balcão. De onde estava podia sentir o cheiro do molho italiano. Tantas palavras borbulhavam em mim, e o desejo de contar a ela sobre Rider me bateu forte, porque eu precisava sentir que era real novamente, mas a minha garganta estava selada. Se eu dissesse a ela sobre Rider havia noventa e nove por cento de chance que ela iria entrar em pânico. Porque Rosa estava lá quando todas as camadas desgastadas e danificadas tinham sido arrancadas de mim. E embora o Dr. Taft tenha


sido a favor de eu aceitar o passado e aprender a conviver com ele; ela e Carl eram do time que o passado é passado. Eles acreditavam firmemente que todas as partes do referido passado deveriam ficar onde eles pertenciam. E Rider era definitivamente o passado. Então, tudo o que eu fiz foi dar de ombros e desviar até a geladeira pegando uma Coca-Cola. “Como foi seu primeiro dia?” ela perguntou, mesmo quando franzia a testa para a minha escolha de bebida. Virando-me para ela, eu sorri, embora parecesse que havia pequenas cobras se agitando em torno do meu estômago. Elas estavam lá desde que tinha chegado ao carro. Rosa inclinou a cabeça para o lado e esperou. Suspirei e passa a lata de uma mão para a outra. “Foi tudo bem.” Seus lábios se curvaram em um sorriso, e pequenas linhas se formaram ao redor dos seus olhos. “Isso é bom. Formidável na realidade. Então, não há problemas?” Balancei a cabeça. “Conheceu alguém?” Segundos depois ainda balançando a cabeça, me lembrei. “Eu... Há uma menina na minha classe de Inglês.” Surpresa cintilou em seu rosto. “Você falou com ela?” Isso teve um encolher de ombros da minha parte. “Mais ou menos.” Ela me olhou como se tivesse crescido um terceiro braço e atualmente estava acenando para ela. “O que mais ou menos quer dizer, Mallory?” Abri a Coca-Cola “Ela está na minha classe e se apresentou para mim. Eu disse talvez... sete palavras para ela”. O olhar de surpresa deu lugar a um largo sorriso, e eu estava um pouco mais aliviada, momentaneamente esquecendo a aparição inesperada


de Rider. O sorriso em seu rosto estava cheio de orgulho e isso me aqueceu. Mostre-nos. Isso foi o que Carl tinha dito essa manhã, e aquele sorriso me disse que eu estava mostrando a eles. Rosa sabia, em primeira mão, de quão longe eu tinha vindo, e como era um grande importante me sentir confortável o suficiente para falar com um estranho, mesmo que fossem apenas sete palavras. “Isso é tão bom.” Andando até mim, ela colocou os braços em volta de mim e me apertou forte. Respirei fundo, acolhendo o cheiro estranho de sabão antibacteriano e o leve rastro de maçãs da loção que ela usou. Ela escovou os lábios sobre minha testa e depois puxou para trás, apertando meus braços. “O que foi que eu disse?” “Que isso... Isso não seria difícil.” Eu disse. “E por quê?” Eu brincava com a aba do meu refrigerante. “Porque eu já... tinha feito o trabalho duro.” Ela piscou. “Essa é minha garota.” Ela me deu outro abraço. “Eu sinto muito que não pude estar presente essa manhã. Eu realmente queria estar.” “Eu entendo.” Meu sorriso cresceu, esticando tanto que meu rosto quase doía. Rosa não poderia ter sido minha mãe de sangue, mas ela era tudo que uma mãe deve ser, e eu era tão sortuda. Sua boca se abriu, mas o celular dela tocou. Segurando sua mão, ela pegou-o fora do balcão, para responder rapidamente. Sua postura ficou rígida quando se virou para o lado. “Droga,” disse ela. “Você pode esperar por um segundo?” Ela apertou o botão mudo. “Eu tenho que ir para o hospital. Há algumas complicações da cirurgia dessa manhã.” “Oh, não,” eu sussurrei, esperando que ela não houvesse perdido o paciente. Se você procurar a palavra forte, eu juro que Rosa Rivas aparecerá ao lado dela, porque ela senti a perda de cada paciente como se fosse um membro da sua família. Foi à única vez que a vi beber. Ela pegou


uma garrafa de vinho e desapareceu no escritório, de portas fechadas até Carl persuadi-la a sair. Eu sempre me perguntei se era por causa de Marquette ou se cada médico era assim. Marquette faleceu cinco anos antes da noite em que eu entrei em suas vidas, então já ia fazer quase dez anos desde a sua morte, mas eu sabia que não poderia fazer a perda mais fácil de suportar. “Essas coisas acontecem,” disse Rosa com um suspiro. “Carl voltará tarde. Não há sobras na geladeira.” Balancei a cabeça. Ambos trabalham no Johns Hopkins, onde a cirurgia cardíaca era realmente algo grande, algo que eu aprendi com eles. Hopkins era um dos melhores hospitais do mundo, e quando eles não estavam em cirurgia, estavam fortemente envolvidos em programas de ensino. Ela hesitou, olhando para a chamada ainda em espera. “Falaremos de manhã, ok?” seus olhos escuros permaneceram nos meus por um momento e então ela me enviou um sorriso rápido e começou a se virar. ”Espere,” eu disse, surpreendendo a mim mesma quando ela me encarou, os olhos arregalados. Minhas bochechas aqueceram. “O que... No la mires o que significa?” Eu tinha massacrado totalmente as palavras como uma menina branca típica que não podia falar qualquer frase de espanhol. Suas

sobrancelhas

se

ergueram

novamente.

“Porque

está

perguntando isso?” Ergui os ombros. “Alguém disse isso a você?” Quando não respondi, porque já não tinha certeza se queria que ela soubesse o que significava, ela suspirou. “Basicamente se traduz como não olhe para ela.” Oh. Duplo Oh.


Ela estreitou os olhos para mim, e eu tinha a sensação de que essa seria a nossa próxima conversa, amanhã de manhã. Dando-lhe um aceno, corri para fora da cozinha e subi dois degraus de cada vez. Meu quarto era no final do corredor, com vista para a rua, e na porta ao lado do corredor ficava o banheiro que eu usava. Rosa certa vez o chamou de um espaço decente. Eu considerei um palácio. Meu quarto consiste em uma cama de tamanho natural, um grande armário e mesa. O assento da janela com sacada para a baía era meu favorito. Ótimo para observar as pessoas. A melhor coisa sobre este quarto, e que me faz sempre sentir horrível por me sentir assim, era que ele não tinha pertencido a Marquette. Já era difícil estar dirigindo seu carro e contemplando a maior faculdade que uma vez tinha sido seu sonho. Dormir em sua cama velha teria sido demais. Deixando cair minha mochila na cama, apanhei o notebook da mesa e mexi no canto do assento na janela, colocando o refrigerante na borda. Assim que o computador saiu do modo de descanso, recebi um som de mensagem instantânea. Ainsley. Seu ícone de perfil tinha sua foto de verão com cabelo loiro riscado pelo sol e óculos de sol gigantes cobrindo metade do seu rosto. Ela estava olhando para a câmera fazendo um biquinho. Sua mensagem dizia: Você está viva? Sorri quando respondi com um curto: Sim Como foi? Mordendo o lábio, fechei os olhos por um breve instante e, em seguida, digitei o que estava morrendo de vontade de gritar a plenos pulmões. Rider está na minha escola. Meu notebook imediatamente explodiu com variações diferentes de OMG que não paravam de chegar. Ainsley sabia sobre Rider. Ela sabia como eu cresci. Nem tudo, porque algumas coisas não eram tão fáceis de digitar como eram de falar, e ela também entendia que às vezes eu não era


a pessoa mais falante. Mas ela tem que saber que isso não era um muito importante. Você ficou 4 anos sem vê-lo. Estou prestes a fazer xixi nas calças, Mal! Isto é tão épico. Conte-me tudo! Ainda mordendo o lábio, digitei uma recapitulação que foi periodicamente interrompida por seus OMGs. Quando terminei, Ainsley atirou de volta: Diga-me que você tem o número dele!? Uh. Eu não tenho o número dele, eu digitei de volta. Ele que tem o meu. O que parecia ser aceitável para ela, então nós conversamos até ela tinha que ir. A atividade online com Ainsley tinha sido limitada após sua mãe descobrir as imagens que ela estava enviando para seu namorado, Todd, em julho. Não eram tão ruins, ela estava somente de biquíni, mas sua mãe tinha se apavorado, para minha diversão e horror, e fez Aisnley assistir vídeos de parto como uma forma de educação sexual. Desnecessário dizer que, Ainsley foi positiva quando disse que nunca iria ter filhos, mas que ela ainda estava superinteressada em sexo. Ela firmou depois de me fazer prometer que iríamos nos ver nesse fim de semana. Passei o resto da noite arrumando a casa descontroladamente, também fiquei muito irritada de comer as sobras de frango da Rosa, apesar dela ter cozinhado em fatias de laranja e limão. Eu tentei não pensar na escola ou em Rider ou olhar para o meu celular porque estava muito silencioso durante a tarde toda e a noite, mas era quase impossível manter minha mente fora dessas coisas, porque caramba, hoje as coisas não tinham acontecido da maneira que eu esperava. Quer dizer, eu não queria terminar o dia em lágrimas, e se eu fizesse o balanço do dia, mesmo que tenha falhado no almoço, eu tinha conseguido falar com Kiera. Sete palavras eram melhores do que nenhuma. Tinha passado meu primeiro dia sem nenhum grande dano. Isso era algo para se sentir bem, e realmente me senti bem, mas... Eu não


sabia o que pensar quando se tratava de Rider. Andando na frente da minha cama, preguiçosamente passei a mão sob a pele ligeiramente levantada na parte interior do meu braço. Uma esmagadora mistura de desespero e antecipação rodando dentro de mim. Eu estava animada para vê-lo, para falar com ele novamente, mas eu... Deus era tão difícil até mesmo pensar realmente sobre ele, porque quando penso em Rider outra emoção inflama dentro de mim. Culpa. Parando em frente à janela, fecho meus olhos com força. Rider tinha... Ele tinha apanhado por minha causa. Vez após vez, ele tinha ficado entre punhos e eu, e a única vez que ele não conseguiu me salvar, acabei escapando dessa vida. Eu tive uma segunda chance, foi me dado uma casa nova com médicos pelo amor de Deus, e eu praticamente tinha tudo o que queria dentro do meu alcance. E Rider? Eu não fazia ideia. Por dentro, eu sabia que ele não tinha esse tipo de vida, no entanto, e como era justo? A queimadura ácida na boca do meu estômago aumentou. Como ele poderia sequer conseguir me olhar nos olhos sem lembrar tudo que ele sacrificou por mim? Urgh. Balancei minhas mãos e comecei a andar novamente. OK. Eu precisava relaxar e olhar para o lado positivo de tudo isso. Rider estava vivo. Ele estava na escola, podia até estar em um relacionamento com alguma menina bonita da classe de oratória, e mesmo que eu saiba que lesões, por piores que fossem, poderiam ser escondidas, não havia qualquer contusão fresca que eu poderia ver. Ele não pareceu me odiar. Eu contaria tudo isso como uma vitória. Em última análise, a coisa mais importante para se concentrar foi o fato de eu ter concluído com êxito o meu primeiro dia na escola. Isso era mais importante. Falando nisso, eu tive que ler o capítulo atribuído na aula de história. Acabei de ler, até que eu ouvi a porta da garagem abrindo lá em baixo. Fechando o livro rolei e desliguei a luz,


sabendo que Carl ou Rosa não iam entrar se pensassem que eu estava dormindo. Também muitos meses de insônia tinha feito com que eles fossem cuidadosos para não me acordar. Então, quando comecei a cochilar, meu celular apitou na mesa de cabeceira, onde estava. Meu braço disparou como uma bala para pegá-lo, meu coração pulando na garganta. Havias duas palavras no texto de um número desconhecido, e local. Noite, Mouse.


Capítulo 5

Na manhã seguinte eu podia praticamente ver as rodas se agitando atrás dos olhos de Rosa quando ela me questionou sobre o porquê da pergunta que lhe fiz no dia anterior. Deveria ter mantido minha boca fechada. Rosa era brilhante e tão observadora quanto um gato amarrado, e o fato de que estava lhe pedindo para traduzir o que me informou de manhã ser porto-riquenho, isso a deixou alerta. Tinha olhado para o texto — aquelas duas palavras — por uma quantidade de tempo ridícula. Absolutamente paralisada por... Pela quantidade infinita de coisas que poderia ter mandado em uma mensagem de volta, pelo tempo que fiquei pensando em uma resposta semelhante, já era uma hora da manhã, e eu estava muito preocupada que fosse acordálo com a minha resposta. Eu era uma idiota. De verdade. Agora eu estava com sono e aprendi muito rapidamente que tentar navegar pelos corredores lotados da escola, enquanto andava meio adormecida, poderia ter ser facilmente um enredo de um romance distópico que eu gostaria de ler. Despejei meu livro de oratória para dentro do armário de aço cinza, peguei meus textos para as duas primeiras aulas, sabendo que teria tempo de mudar os livros mais tarde. Fechei a porta, fazendo de tudo para evitar pensar em Rider, enquanto dizia a mim mesma que se Kiera falasse comigo hoje, eu poderia responder totalmente como uma pessoa normal. A porta


ficou presa. Suspirando, a puxei e coloquei um pouco mais de força para bater. E nesse momento ela se fechou. Satisfeita, pego minha mochila do chão e começo a me virar. “Você?” Virando-me, procurei o som da voz e, em seguida, eu vi. A menina da classe de oratória. A menina que tinha tocado Rider de uma forma que deixou claro que aconteceu muita coisa entre eles, e que Rider estava bem com tudo isso. “É você?” Seus olhos castanhos se estreitaram. “Eu gostaria de estar enganada, mas é realmente você.” Pelo o canto do olho, vi a menina com as pequenas tranças que tinha falado oi para mim ontem, estava um pouco próxima de nós, olhando para o armário que essa menina estava na frente. Ela se virou e foi para o lado oposto. Oh, cara, isso não era um bom sinal. A menina na minha frente apertou os lábios cor de rosa brilhante. “Você não tem ideia de quem eu sou, não é?” Lentamente, balancei a cabeça. “Bom, mas eu sei quem você é, e não é porque você está na minha classe de oratória. Eu simplesmente não posso acreditar que é você,” ela continuou. “Achei que você estaria morta ou algo assim a essa altura.” Meu coração caiu nos meus pés. Meu segundo dia de escola e já estava recebendo ameaças de morte? A alça da sua surrada mochila estilo mensageiro de cor verde-oliva deslizou uma polegada em seu ombro. “Eu sou a namorada de Rider,” ela disse, sem rodeios. Oh. Oh.


Bem, isso explica porque ela estava tocando ele. Havia uma sensação estranha no meu peito. Não foi bem desapontamento. Era mais como aceitação. Naturalmente, achei o máximo ontem quando o vi entrando na classe. E ele era lindo. Esta menina era impressionante. Fazia todo sentindo, mesmo para alguém como eu, que não tinha nenhuma experiência com essa coisa de namorado. Mas eu assisto TV, leio livros. Eu tinha Ainsley. Eu sabia que o relacionamento de Rider com essa menina fazia sentido. Ela me olhou especulativamente, como se estivesse tentando descobrir alguma coisa. “Ele falou sobre...”. “O que está acontecendo?” Jayden apareceu ao lado da menina. Como se surgisse do ar. De perto desta vez, percebi que ele provavelmente era mais jovem do que esta menina e eu. Talvez um calouro ou da turma do segundo ano? Seus olhos têm a mesma cor verde assim como de Hector, mas não estavam vermelhos como ontem, quando o vi no corredor. A menina olhou para ele, tão surpresa quanto eu estava de vê-lo ali. “O que você quer?” “Não seja uma puta, Paige.” Aqueles olhos verdes rolaram, mas seus lábios se contraíram em um sorriso quando ele chegou mais perto e puxou sua trança grossa. “O que você é hoje? A Katniss do gueto?” Ela puxou sua trança da mão dele. “Você nem sabe quem é Katniss, você é um pouco punk. Você provavelmente acha que Jogos Vorazes é o que acontece depois que saímos da escola.” Hum. “Parece correto.” Jayden piscou para mim, seu sorriso malicioso. “Eu conheço você. Nós nos esbarramos no corredor ontem.” Ele fez uma pausa. “E eu vi você falando com Rider depois da aula no estacionamento.”


Meu olhar correu do menino para Paige. Seu olhar era glacial. “Você é muda ou algo assim? Você não disse uma palavra pra mim,” disse ela. Eu não era totalmente muda. As sobrancelhas de Jayden se juntam quando olhou para ela. “Essa é uma pergunta estúpida, Paige. Eu só disse que a vi conversando com o Rider.” “Quer saber?” Seu rosto estava amassado e de alguma forma ela ainda conseguiu ter boa aparência. Ela correu seu olhar para ele, plantando as mãos nos quadris. “Garoto, você tem merda o suficiente acontecendo, você não precisa se meter em tudo sobre os meus assuntos.” Ele inclinou a cabeça para o lado. “Palavras corajosas de uma garota que se mete em tudo que é meu.” Eles estavam, obviamente, distraídos um com o outro, e da maneira que os dois se questionavam, eu diria que essa não era a primeira, e nem seria a última vez. Eu girei e fiquei aliviada ao ver que a massa de estudantes estava se dirigindo para a sala. Você é muda? Minhas bochechas estavam queimando pelo tempo que eu alcancei minha classe, e o embaraço rapidamente se transformou em raiva dentro de mim. Eu poderia ter dito algo a ela, qualquer coisa, em vez de só ficar lá como eu fiquei e ainda sem ter uma língua que funciona. E Deus. Ela era namorada de Rider. Sério. A menina que me perguntou se eu era muda, a garota que eu tinha acabado de ficar frente a frente, como um predador, era sua namorada. Eu resisti á vontade de bater a cabeça na mesa. Muda. Eu odiava essa palavra com paixão. Todo mundo acreditava que eu era muda, senhorita Becky e Sr. Henry, os funcionários da casa, do grupo CPS. Até Carl tinha pensado que eu era muda, quando ele e Rosa me conheceram. Apenas Rider sabia que


não era verdade. Que eu poderia falar muito bem. Mas eu não queria falar hoje. Dr. Traft manteve essa fantasia para explicar porque eu ainda não tinha falado, a síndrome longa do estresse pós-traumático, ele a chamou assim, por causa de... De tudo que eu tinha experimentado quando era uma criança pequena. Metade das nossas sessões de terapia era dedicada a trabalhar esses mecanismos de defesa e enfrentar formas de combatê-la. Tinha levado muito tempo e esforço para chegar onde eu estava. Hoje, eu sentia que estava em um ponto onde não precisava mais das sessões de terapia, mas em poucos minutos me senti como se tivesse andado vinte passos para trás. Como se eu fosse a Mallory aos cinco anos de idade, e em seguida aos dez, e aos treze anos, a Mallory que fez e não disse nada. A Mallory que apenas ficava em silêncio, porque esse parecia ser o caminho mais seguro. Eu odiava esse sentimento. Apertei a caneta, ignorando o modo como meus dedos doíam. Lágrimas de frustração queimando na parte de trás da garganta, e foi difícil me concentrar na minha aula de química, ainda mais difícil foi esconder a bola confusa de emoção, especialmente quando me ocorreu que eu estava sentada na parte de trás da classe novamente. Não atraindo qualquer atenção para mim mesma. *** Kiera imediatamente virou para mim no momento em que ela se sentou na aula de inglês. “Ok. Eu tenho uma pergunta muito estranha para você.” Pega de surpresa, pisquei enquanto meu estômago torceu um pouco, ela estava indo me perguntar se eu era muda? Ela sorriu quando enfiou um cacho atrás da orelha. Ele saiu do lugar novamente. Brincos azuis brilhante pendiam em seus pequenos lóbulos. “Alguma vez você já pensou em entrar para o time das líderes de torcida?”


Olhei para ela. Isso era totalmente uma piada, certo? Então, olhei ao redor da sala de aula. Ninguém estava olhando para nós ou segurando seus telefones, para gravar o momento e usar depois. “Quero dizer, olha como você é resistente. Você poderia ser a base ou um ponto em volta,” disse ela, encolhendo os ombros como se não tivesse apenas falado que eu parecia resistente. “Olha, nós estamos, tipo, desesperadas. Não tem um monte de meninas por aqui, e uma das minhas companheiras de equipe quebrou o pulso ontem, na prática, então eu pensei em você.” Ela passou a mão pelo seu braço magro, torcendo o bracelete azul no pulso. “Então, pensou sobre o que você quer fazer?” Uh. “Você é muito bonita e o uniforme azul e vermelho iria combinar com seu cabelo comprido,” sugeriu ela, olhando para a porta. Minha língua parecia grossa e minha garganta inchada quando cheguei lá no fundo da minha cabeça e me forcei a viver de acordo com o trabalho que eu tinha feito para chegar neste ponto. “Hum, eu... Eu não sou realmente o tipo rah-rah.8” Sua sobrancelha marrom arqueou elegantemente. “Eu me pareço com o tipo rah-rah?” Balancei a cabeça, sem saber se era a resposta certa ou não. Eu não tinha nada em comum com líderes de torcida. Elas eram barulhentas e falavam muito, eram populares e bonitas e tinham cerca de mil coisas que eu não tinha absolutamente nenhuma experiência. Então, novamente, eu realmente não tinha certeza se todas as líderes de torcida eram barulhentas e falantes, e também populares e bonitas. Kiera foi a primeira que conheci, então estava me baseando em minhas suposições de filmes e livros, e Deus sabia que os filmes e livros formavam uma ideia generalizada das coisas.

8

Rah-rah: Marcado por grande entusiasmo ou excitação.


Estremecendo, percebi o quão ofensiva minha declaração parecia com ela. O tipo rah-rah? Ás vezes era melhor não falar. Ela riu suavemente. “É muito divertido. Pelo menos pense nisso, ok?” A caneta que eu estava apertando estava a segundos de explodir tinta azul por todo os meus dedos. “Ok.” O sorriso dela se espalhou por suas bochechas. “Legal. Eu vejo você no almoço, certo? Segundo período? Pensei ter visto você ontem, mas eu acho que você deixou o refeitório. E eu vi você na classe de oratória, certo? Então, novamente, é difícil ver qualquer coisa diferente do que o Quente Hector.” Balançando a cabeça, eu não tinha certeza de onde esta conversa estava indo. “Bem, se você se cansar ou qualquer coisa na hora do almoço, me encontre.” Lançando o olhar para seu caderno, ela anotou a data no topo do canto direito. “Eu sento normalmente em frente à mesa alta. Difícil de nos perder.” Ela estava me convidando para almoçar? Oh Meu Deus, Paige e sua trança Katniss poderia me encontrar. Isso era importante. Com um enorme passo na direção certa, e como Ainsley diria, se eu não falar, eu poderia muito bem costurar minha boca e mantê-la fechada. “Ok,” eu respirei, me sentindo como uma espécie de idiota, mas esta era equivalente a quatro manhãs de Natal em uma só. Kiera me lançou um sorriso rápido. Quando o sino tocou depois de quarenta longos minutos ouvindo Sr. Newberry ser poético sobre escritores homens que já estavam mortos, ela mexeu os dedos para mim e depois desapareceu no corredor. Eu fiz uma parada no meu armário, troquei os livros e fiquei aliviada que Paige não estava parada em uma das portas. Eu não estava querendo pensar sobre ela ou quem era Rider.


Com um sermão um pouco estúpido jogando mais e mais na minha cabeça, fui até o primeiro andar e passei por um painel com troféus empilhados. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso. Quando eu entrei no refeitório lotado, minha garganta apertou, e decidi que provavelmente deveria pegar meu almoço primeiro. Mas eu não podia deixar de olhar para a mesa que tinha visto Kiera antes. Ela estava sentada ao lado de uma menina, mas o assento ao lado dela estava vazio. Minha respiração ficou presa. Eu posso fazer isso. Eu comecei a andar em direção ao restaurante. “Você está partindo meu coração.” Ao som da voz de Rider, eu me viro, agarrando minha mochila mais forte. A primeira coisa que eu notei foram os corvos desbotados no emblema esticado sobre seu peito largo, e então eu forcei meus olhos para cima. A sombra de barba ao longo da sua mandíbula estava desaparecida. Não havia nada, apenas a pele lisa hoje. O caderno estava em baixo do seu braço e suas mãos estavam enfiadas nos bolsos da calça jeans. Com uma inclinação leve da boca, fazendo com que a covinha na bochecha direita aparecesse, ele deu um passo para frente, e meu coração deu um salto mortal enquanto ele falava. “Você não respondeu meu texto na noite passada,” disse ele, e em seus olhos havia uma luz, provocando um som que eu não fiz antes. “Eu pensei que talvez você não percebesse que era eu, mas isso significaria que mais alguém te manda mensagem de boa noite te chamando de Mouse. Eu não sei como me sinto sobre isso.” Balancei a cabeça tão rapidamente que estava surpresa pelas pontas do meu cabelo não bater no seu rosto. Ele riu baixinho. “Estou apenas brincando. Você vai pegar algo para comer ou...?” Meu olhar se desviou para a mesa, e eu vi Kiera. Ela estava olhando para nós. Assim como a loira ao lado dela. Kiera ergueu as


sobrancelhas para mim enquanto seus olhos escuros estavam parados entre Rider e eu. Rider se abaixou e pegou a minha mão na sua. O contato enviou uma sacudida através de mim, e meu olhar voou de volta para o seu. “Vem comigo?” ele perguntou. Distraída por sua aparência e pelo seu toque, o deixei me levar até a fila do almoço mais curta para onde tinha pizza. Meu olhar foi saltando entre todos os rostos daqueles na fila, e sentado nas mesas. Então percebi que Kiera e metade da sua mesa também estavam olhando para nós. Os músculos do meu estômago se apertaram. Eu estava de mãos dadas com Rider e ele tinha uma namorada. Minha boca ficou seca, puxei minha mão livre de Rider. Mesmo que ele tenha segurado minha mão mil vezes no passado, eu não me sentia bem depois que tinha descoberto sobre ele e Paige. Tudo era... Era diferente agora. Rider olhou para mim com uma expressão curiosa. Eu desviei o olhar. Ele pegou duas bandejas. Minha mão formigava quando ele pegou uma garrafa de água e um leite. “Você ainda bebe leite com tudo?” ele perguntou, examinando as bebidas com a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, e então ele olhou para mim. Nossos olhares se encontraram. “Como se você precisasse dele para sobreviver?” Concordei e meu coração se transformou em uma bagunça pegajosa. Na verdade ele se lembrou que eu bebia leite em todas as chances que eu podia, e Coca-Cola, quando Rosa e Carl me deixaram ficar com eles. Ele segurou meu olhar por um momento e, em seguida, antes que eu pudesse pegar minha carteira, ele tirou um punhado de dinheiro amassado e pagou o caixa. Comecei a protestar, mas ele me enviou esse olhar de sobrancelhas abaixadas que já me enviou um milhão de vezes quando éramos mais jovens. E seu olhar não se discute. Era estranho ver a versão dele aos dezoito anos de idade, e eu pensava sobre isso, enquanto


ele equilibrava o prato e as bebidas. Ele balançou a cabeça em direção à entrada do refeitório, e olhei na direção de Kiera. A cabeça dela estava inclinada em direção à loira, com seus cachos em todas as direções. Parecia que ela estava em uma conversa profunda, e ela não olhou para cima. Amanhã, eu prometi a mim mesma. Segui Rider para fora da lanchonete, curiosa sobre onde ele estava nos levando. Passamos o ginásio. As portas estavam abertas, e eu pensei ter tido um vislumbre de Hector jogando com uma bola de basquete nas mãos enquanto gritou algo, o que parecia ser espanhol, mas foi um pouco diferente. Rosa tinha dito que era porto-riquenho, e eu ia ter que acreditar na palavra dela. “Eu almoço no primeiro horário, mas eu ouvi que você almoça no segundo,” Rider disse, retardando sua caminhada para que eu estivesse do lado dele. “Lembra-se do cara que estava sentado em frente a nós na aula de oratória ontem? O asno no carro? É Hector, e ele tem um irmão mais novo que você, aparentemente você o conheceu ontem, Jayden. Ele estava no carro também. De qualquer forma, Jayden disse que viu você no corredor ontem, durante o almoço.” Mesmo que eu já sabia disso, não digo nada. O tempo todo ele falou, enquanto caminhava pelo corredor, eu continuei roubando olhares rápidos para ele. Tanto que eu estava surpresa que consegui não derrubar qualquer coisa. “Então, caso você esteja se perguntando...” ele fez uma pausa, abrindo as portas para o pavilhão de fora. “... Sim, eu estou matando aula agora.” Meu queixo caiu. “Rider.” Ele mantem a porta aberta, a cabeça inclinada para o lado enquanto passo por ela. Paro, por que... Bem, porque ele estava apenas ali, com os nossos pratos e bebidas. Seus olhos procuraram os meus. “Sabe, ouvir você dizer meu nome é algo que não esperava ouvir novamente. Eu


não dou a mínima por estar faltando a uma aula se isso significa que temos algum tempo juntos.” Quando ele começou a caminhar em direção a um conjunto de pedra de piquenique vazia minha língua finalmente se desprendeu do céu da minha boca. “Você... não vai ficar em apuros?” Olhando por cima do ombro, ele dá de ombros. “Vale a pena.” Isso não me tranquilizou, mas eu estaria mentindo se dissesse que meu coração não deu um salto feliz dessa vez. Ele colocou nossas coisas sobre a mesa e, em seguida, sentou-se, alcançando a bancada. Batendo no local ao lado dele, ele sorriu. Larguei minha mochila sobre a mesa e como ele, passei uma perna sobre o banco. Então parei e olhei para ele. Ele estava me olhando através dos cílios grossos, com a cabeça ainda inclinada, sorrindo mostrando a covinha solitária implorando para ser tocada. Percebi que esta era a primeira vez que Rider e eu estávamos tendo um momento sozinho. Sem erguer os olhos um do outro. Nenhum adulto cuidando de nós. Ninguém passando por nós, como tinha sido no estacionamento ontem. Estávamos sozinhos, só ele e eu, como tinha sido tantas vezes no passado. Eu não sei por que fiz o que fiz depois, mas tinha uma década de emoção rodando dentro de mim. Talvez isso tivesse a ver com tudo o que ele tinha feito por mim no passado. Talvez fosse apenas porque ele estava sentado ali e nós estávamos no presente. E eu me senti mais no presente do que jamais estive até aquele momento. Curvando-me, eu passei meus braços ao redor de seus ombros largos e o apertei, provavelmente o abraço mais falho na história, mas me senti bem. Parecia magnífico, levantando-se um pouco ele circulou os braços em volta da minha cintura. Seu abraço era melhor. Quando me inclino para trás, suas mãos deslizam da minha cintura, para meus quadris, e permaneceram lá por um momento. Uma


sensação estranha estava curvando em meu estômago. Ele soltou, mas a consciência aquecida permaneceu. “O que foi isso?” Dando de ombros, me sentei, colocando ambas as pernas debaixo da mesa. Meu rosto estava quente. “Eu... eu só queria.” “Bem, você pode fazer isso sempre que quiser. Eu não me importo.” Eu sorri para ele, e quando ele riu, outra coisa estranha aconteceu. Eu tremi. Eu não estava com frio, na verdade, muito pelo contrário. “Mouse...” Nossos olhares colidiram, e caramba, era como se de repente eu tivesse treze anos novamente. Roubando alimentos em um mundo em que era apenas Rider e eu, exceto que éramos mais velhos agora, e não era só ele e eu contra o mundo. Eu não era uma menina. Ele não era um menino. E naquela época ele tinha sido... Bem, ele tinha sido meu. Não era como agora. Ele tinha uma namorada que pensou que eu era muda, para começar. Essa percepção foi realmente como um chute no meu estômago. Então eu provavelmente precisava parar com os abraços. Os sentimentos estranhos ondulando permaneciam no meu estômago, e mais definitivamente também os arrepios. Tudo isso precisava parar. A forma como meus lábios curvados para cima nos cantos não estavam indo a qualquer lugar, embora. “Você tem que me dizer o que você tem feito esse tempo todo.” Ele empurrou uma das fatias para mim, e, em seguida, entregou um guardanapo, eu ainda não tinha o visto pegar o dele. O sorriso que eu estava usando como uma idiota se espalhou como sabia que seria. Ele pegou o pedaço da pizza de pepperoni, e começou a comer a fatia. Ele me lançou um olhar me encarando pacientemente, sua voz veio, uma vez que já tinha sido ao mesmo tempo em que terminou de comer seu pedaço de pepperoni. “Mouse.”


Meu olhar piscou até a cicatriz acima da sobrancelha e meu sorriso desapareceu um pouco. Eu me concentrei na fatia de pizza e respirei fundo. “Naquela noite... Hum, na última noite, eu conheci alguém no hospital. Carlos Rivas. Carl ele era... ele é um especialista em queimaduras.” Agarrando o leite, ele descansa a mão aberta com os dedos longos. Notei o que parecia tinta vermelha sobre seu dedo indicador. Ele entregou a caixa para mim, e eu continuei. “Ele é casado com Rosa. Ela é uma cirurgiã cardíaca. Eles... Trabalham no hospital, e eu acho que CPS lhes disse que eu era... muda ou que algo estava errado comigo.” Ele franziu a testa enquanto pegava sua pizza. “Você não é muda. E não há nada de errado com você. Você é simplesmente brilhante. Pare com essa merda.” Dei de ombros. “Eles me visitaram muito depois que eu... eu falei com eles.” Pressionando os lábios, tirei uma enorme fatia de pepperoni. “Quando acordei após a cirurgia, eu... eu chamei por você. Eu perguntei sobre você para Carl.” Tinha sido a primeira vez que eu tinha falado com alguém de fora daquela casa em anos. Sua cabeça virou na minha direção bruscamente, os olhos tinha um reflexo de ouro no sol ao invés de marrom. “Eu realmente precisava de você, Mallory. Como eu te disse, eu fui para o hospital do município. Ninguém quis me dizer onde você estava. Só que...” Ele respirou profundamente. “Só que você não estava voltando... E eu desejava... eu precisava encontrar uma maneira de te ver. Eu ficava me perguntando, mas... Mas tudo era assustador e esmagador. O que aconteceu com você?” Suas sobrancelhas baixaram. “Eu fui enviada para uma casa do grupo de proteção.” Dobrando o que restava da minha fatia, eu olhei para ele. “Então, não sei muito sobre essa história. Conte-me.”


Pressão estabeleceu-se em meu peito quando eu ofereci o pedaço de pepperoni para ele. Seus lábios se contraíram em um pequeno sorriso. “Passei um pouco do tempo no hospital e então... Acabei sendo colocada em uma casa do grupo.” “Onde?” Conversando... Conversar com ele fez com que a inquietação fosse embora. Ficou mais fácil a cada segundo que passava conversar com ele. “Perto do porto... Não muito longe do hospital. Carl e Rosa... Eles me visitavam, e eventualmente foram capazes me de adotar.” Seus olhos se arregalaram quando ele parou no meio do caminho com a sua fatia de pizza próxima à boca. “Você foi adotada por médicos?” Eu fiquei tensa, me perguntando se ele estava achando tudo isso injusto. Eu não fiz nada sobre tudo o que tinha acontecido com ele. E se ele ainda estava em uma casa de proteção... Ou pior, porque ainda existiam coisas piores. Eu não podia parar a sensação de culpa. Eu balancei a cabeça. Ele deixou cair à pizza na bandeja e seus ombros se aliviaram. Sua boca relaxou. “Merda, Mallory, estou tão... Médicos? Isso é bom.” Quando ele olhou pra mim, eu vi o alívio em seu olhar e me perguntei se ele pensou no que tinha acontecido comigo esse tempo todo. “Eles realmente tomaram conta de você, não foi?” Concordei e arranquei outro pedaço de pizza, e ele estendeu a mão, seus dedos roçando nos meus quando ele também pegou a dele. Houve outro tiro nos meus nervos. Eu não me lembrava que seu toque provocava esse tipo de resposta em mim antes, mas com certeza agora era muito agradável. “Aquele carro que você estava ontem? O Honda é seu?” “Era da filha deles.” Uma sobrancelha subiu. “Era?”


“Ela morreu antes de eu conhecê-los. Quase dez anos atrás. Eu acho que é por isso que eles me acolheram,” eu expliquei, mastigando lentamente. Suas sobrancelhas arquearam. “Quero dizer, eles nunca... tiveram qualquer outro filho.” Um momento se passou. “Eles são muito bons, Rider. Eu tive muita sorte.” “Eu invejo que você nunca teve que procurar.” Acabando com sua fatia, ele limpou as mãos no guardanapo e depois inclinou seu corpo na minha direção. “Quero dizer, eu estou feliz que você conseguiu, Mouse, porque você merece esse tipo de vida, mas...” “Eu sei o que você quer dizer.” Alívio me inundou. Não havia um pingo de inveja na sua voz ou na maneira que ele olhou para mim. Tomei um gole do meu leite. “Quando eles conseguiram minha custódia, eu estava estudando em casa”. Eu expliquei. “E então eu... eu decidi que queria ir para a escola.” Ele arqueou as sobrancelhas. “O que fez você mudar de ideia?” “Eu quero ir para a faculdade,” eu disse a ele enquanto olhava para o céu sem nuvens. A faculdade era uma ambição, considerando que falar com o professor me faz querer fugir, mas era um grande negócio para mim. Faculdade significava, esperançosamente, que eu teria um emprego, e não teria uma vida onde eu tinha que me preocupar sobre minha próxima refeição ou se teria alguém para cuidar de mim. A faculdade era liberdade. “E Rosa e Carl... eles querem isso também. Quer dizer, eu ainda podia estudar em casa e ainda assim ir para a faculdade, mas...”. Rider esperou. “Mas você sabe como eu era antes.” Minhas bochechas aqueceram então abaixei meu olhar para a caixa de leite. “Eu não era boa... em conversar com as pessoas... e então eles pensaram que eu deveria tentar o ensino médio antes de tudo.”


Ele ficou em silêncio por um momento, mas eu podia sentir seus olhos em mim. “Bem, eu estou feliz que você decidiu fazer isso. Se não...” Se não, os nossos caminhos, provavelmente nunca teriam se cruzado. Meu estômago mergulhou com o pensamento. Olhei para ele, e minha respiração ficou presa. Ele estava olhando para mim de uma forma que eu não estava exatamente acostumada, mas que eu já tinha visto antes. Era à maneira que o namorado de Ainsley fazia quando olhava para ela. Talvez não tão familiar, mas definitivamente muito intensa. Eu me contorci, não porque estava desconfortável, mas porque de repente me senti excessivamente consciente dele. “E você?” Apoiando o cotovelo na mesa, ele apoiou o queixo na palma da mão. “Eu não estou mais em uma casa do grupo de adoção.” Quando eu comecei a me virar para ele, ele olhou incisivamente para a minha pizza. “Agora você vai comer.” Meus olhos se estreitaram. E ele esboçou um rápido sorriso. “Eu estou com uma família que acolhe crianças.” Ele se aproximou e deu uma mordida enorme no seu pedaço. “É, na verdade, a família de Hector. Sua avó tem ajudado crianças por anos. Ajuda com as contas e outras coisas.” Eu pensei sobre o caderno riscado e as bordas desgastadas da calça jeans. “Não que ela faz isso só por essa razão, sabe? Ela é realmente uma grande mulher e muito boa também. De qualquer forma, é assim que eu conheci Hector e Jayden. Vivi com eles por um par de anos.” Estendendo o braço, ele colocou apenas a ponta do seu dedo no meu rosto, me fazendo chupar uma respiração suave. “Para onde é que suas sardas foram?” “Eu não sei,” eu disse minha voz soando como um sussurro estranho. “Elas fugiram.” A risada profunda dele veio de novo, entrando sobre a minha pele. “Você costumava ter três bem aqui.” Ele tocou minha bochecha levemente.


“E duas aqui.” Seu dedo roçou a ponta do meu nariz e em seguida, ele baixou a mão. “Posso lhe dizer uma coisa?” “Sim.” Eu gostaria de poder dizer que estava tudo bem, para que ele continuasse a tocar meu rosto, mas provavelmente seria estranho. Soou totalmente estranho na minha cabeça. E seria muito inapropriado. Totalmente inadequado. Seus cílios baixaram e o sorriso torto apareceu. “Eu sempre soube que você seria linda um dia.” Minha respiração ficou presa enquanto me endireitava. O que restava da pizza era somente a casca e estava esquecida. Meus ouvidos fumaram crack, só pode. Um rubor começou em suas bochechas e um lado dos seus lábios se esticou para cima. “E eu nunca pensei que iria conseguir ver o quão linda você se tornou.” Uau. Ele realmente tinha falado isso. Linda. Rider disse que eu era linda. A declaração me confundiu, ele ficou me encarando pelo canto do olho. Eu sabia que não parecia a pior coisa. Ainsley amava a combinação do meu cabelo e meus olhos, um produto que todo mundo adivinhou que era totalmente Irlandês, mas eu achava que minha beleza era média. Meu rosto médio, corpo normal, nem grande e nem pequeno. Linda não era uma opção que passou pela minha cabeça. “Você é lindo também. Quero dizer, você é quente,” eu soltei. “Mas eu sempre soube que você seria.” Meus olhos se arregalaram quando eu percebi que só falei o que estava na minha cabeça, e seu simples sorriso se transformou em um grande sorriso. “Oh, meu Deus, eu não acredito que eu disse isso... isso em voz alta.” “Você fez.” “Urgh.”


Inclinando a cabeça para trás, ele riu profundamente. E ele riu como se tivesse raras ocasiões em que algo verdadeiramente o divertia. Ele fez isso com uma liberdade que eu senti inveja. Eu comecei a colocar minhas mãos sobre o rosto que estava queimando, mas ele pegou meus pulsos, segurando entre nós. Seus olhos eram mais leves, estavam dançando. “Eu posso fingir que você não falou isso, se for te fazer sentir melhor,” sugeriu ele. Oh, sim isso seria fabuloso. Eu concordei com a cabeça. “Mas isso não quer dizer que eu vou esquecer, no entanto.” Constrangimento me inundou, mas Rider estava sorrindo. Ele se aproximou e me puxou para perto. Antes que eu soubesse o que ele estava fazendo, ele tinha enfiado meus quadris entre suas coxas e circulou seus braços em volta de mim, me segurando apertado contra seu peito. Seu peito era realmente duro. O contato me abalou como tocar um fio de eletricidade. Demorou alguns segundos para eu relaxar. Ele ficou em silêncio, enquanto apoiou o queixo no topo da minha cabeça, e eu não disse nada enquanto mantive meus olhos fechados contra a crescente onda de emoção. Estando tão próxima dele novamente foi algo como uma conexão poderosa e compreensível, uma terceira essência. Uma mão se afastou das minhas costas, e passou levemente pelo meu cabelo. Ele fechou os dedos na minha nuca. Seu queixo se moveu, pousando na minha testa, e a intimidade do ato era tão diferente do que qualquer das outras vezes que estivemos próximos. Um calor estranho se estabeleceu em meus músculos. Como a sensação de sair ao sol pela primeira vez depois de um longo inverno. Houve um momento em que eu não tinha certeza se ele respirou, porque eu não senti o movimento do seu peito sob minhas mãos. Na parte de trás da minha cabeça, eu me perguntava como... Como isso era bom. Eu não queria me afastar e interromper a conexão, mas eu pensei que talvez eu devesse. Isso era inocente. Tinha que ser, mas também era diferente.


“Você tem alguém para almoçar com você normalmente?” ele perguntou, e sua voz parecia mais profunda para mim. Mantendo os olhos fechados, não tinha certeza de como responder a isso e eu também não me afastei. Eu não tinha certeza do que ele quis dizer ou se ele simplesmente só perguntou. “Mouse?” “Há uma menina na minha aula de Inglês. Ela... me convidou para sentar com ela.” O braço em volta da minha cintura parecia ter apertado mais. “Quem?” “Kiera... não me lembro do sobrenome dela.” Um batimento cardíaco passou. “Eu a conheço. Ela está na nossa aula de oratória. Menina muito legal. Você vai aceitar sua oferta? Se não, eu posso te encontrar para o almoço.” Mas ele tinha uma aula agora, que ele deveria assistir. Então tudo me bateu. Rider... Uau, ele realmente não tinha mudado. Mesmo depois de quatro anos, mesmo quando ele deveria estar na sala de aula, e embora ele tivesse uma namorada, ele estaria lá para mim se lhe dissesse que precisava dele. Lágrimas estúpidas picavam meus olhos. “Você não precisa fazer isso. Eu vou me sentar com ela.” Seus dedos se moviam ao longo do meu pescoço, procurando os músculos. “Tem certeza disso?” Meu coração estava uma poça de mingau. “Sim. Ela me convidou... Ela perguntou se eu queria entrar para o time de líder de torcida.” A mão de Rider se acalmou. “Mouse...” Eu sorri.


“Você não está considerando isso né?” ele perguntou depois de um momento. Então ele parou de falar e de repente puxou seus braços para trás com tudo. A perda repentina da proximidade forçou meus olhos a abrirem. Seu perfil para mim mostrava a mandíbula tensa, e ele estava olhando para fora do pavilhão, em direção ao estacionamento. Havia um carro perto de onde estavam estacionados os veículos, era um modele sedan. De onde podia ver, as janelas eram tão escuras ao ponto que você não saberia dizer quem estava lá dentro. Um som de porta fechando fez a minha atenção se voltar para o portão. Vi Jayden saindo, erguendo as calças enquanto atravessava o estacionamento, em direção ao carro. “Merda,” Rider murmurou sob sua respiração. Endureci com o sentimento de desconfiança que caiu sobre ele. “Está tudo bem?” “Sim.” Ele observou Jayden escorregar para fora do portão e fazer seu caminho até o carro. O menino mais jovem dobrou a cintura quando a janela do motorista desceu. Rider deu um tapinha na minha perna, puxando meu olhar. “O sinal está prestes a tocar. Porque você não vai indo na frente?” Algo frio e duro estava gravado nas linhas do seu rosto. Eu não gostava disso. “Rider...” “Está tudo bem. Eu prometo,” disse ele, tocando na minha perna novamente, e então ele ficou duro quando as portas duplas se abriram novamente. Dessa vez foi Hector que saiu e o olhar em seu rosto disse que ele não estava feliz. Rider pegou minha mão, me puxando para cima. “Vejo você na sala de aula.” Balançando a cabeça, juntei minhas coisas e passei por cima do banco. Hector não olhou para mim quando se juntou a Rider, e nenhum dos dois falou enquanto eu girava, indo em direção ao portão. Eu os observei, sabendo que no fundo algo estava acontecendo e o que quer que fosse não estava tudo bem.


Capítulo 6

Eu não vi Rider na classe de oratória. Seu lugar estava vazio, e eu não poderia evitar, mas acho que tinha algo a ver com aquele carro que tinha aparecido. Embora ainda vá levar algum tempo para nós nos reaproximarmos. Isso me incomodou. Eu não sabia nada sobre o que Rider esteve fazendo durante esses quatro anos, além de estar com a avó de Hector. Alguns

provavelmente

discordariam,

mas

eu

não

era

completamente ingênua ou protegida. Eu cresci em uma casa onde vi um monte de coisas. O mês que passei na casa do grupo também foi muito educativo. Caras apareciam na casa, buscando recrutar crianças mais jovens para distribuição de drogas. Eu tinha escutado algumas conversas, de crianças mais velhas. Algumas começaram a ficar ausentes, e em questão de um mês, elas simplesmente desapareciam ou eram perdidas para as ruas. Eu também tinha uma boa ideia do porque os olhos de Jayden estavam vermelhos ontem, e um veículo matizado andando em torno do estacionamento da escola, provavelmente não estava cheio de pessoas que vendem cookies. Um bolo de preocupação se formou na minha barriga enquanto me perguntava em que tipo de coisas Rider poderia estar envolvido. Mas, sob a preocupação, estava outra coisa, algo que não tinha certeza se eu deveria reconhecer. Porque Paige também não estava na aula, quer dizer, e eu não era estúpida. Rider tinham saído da escola. Então, Paige também. O que significava que estavam provavelmente, juntos. A sensação de queimação acertou o centro do meu peito, e eu disse a mim mesma que era indigestão,


que não tinha nada a ver com Rider segurando a minha mão, me dizendo que eu era linda quando sabia que tinha de estar dizendo a Paige o mesmo, só que de uma forma totalmente diferente. Levou grande esforço para eu conseguir me concentrar na palestra do Sr. Santos sobre diferentes tipos de discursos. Suas mãos se movendo freneticamente enquanto ele falava. Excitação praticamente despejada do homem. Olhei para meu fichário, vendo apenas a metade de uma página de notas. Não é bom. Concentrei-me, escrevendo tanto quanto pude. Quando o sinal tocou me senti um pouco melhor sobre minhas notas. Fui para o corredor, ocupada, empurrando meu caderno na mochila, e eu não sabia que Keira estava esperando por mim até que ela se esgueirou ao meu lado. "Então, você conseguiu uma chance de pensar sobre a torcida?" ela perguntou. Fechando a aba na minha mochila, eu estremeci. Eu seriamente não tinha pensado duas vezes sobre sua oferta. Abanei cabeça. Ela suspirou quando colocou os dedos em torno da alça da mochila. "Sim, eu percebi que provavelmente era forçar demais, mas ei, não custa tentar." Não,

definitivamente

não custa tentar. Essa teoria inteira

praticamente resumia a minha vida agora. "De qualquer forma," disse ela, pegando a porta da escada e mantendo-a aberta. "Eu vi você na hora do almoço hoje." Houve uma batida enquanto estávamos sendo espremidas pela quantidade de pessoas nos degraus. "Você estava com Rider Stark." Sinos de alerta explodiram quando olhei para ela bruscamente. Seu sorriso permaneceu completamente aberto e amigável. "Você o conhece?" Balancei a cabeça enquanto atravessava a multidão, para o segundo andar, supondo que ela ia me seguir até o meu armário.


"Uma vez que você é nova," disse ela, levantando um ombro enquanto ela olhou para mim, "como você o conhece?". Parte de mim sentiu que não era da conta de ninguém, mas, novamente, ela estava curiosa, e eu provavelmente estaria, também, se eu estivesse no seu lugar. Falando com ela me deixou nervosa, mas eu entrei na dança. "Nós... nós nos conhecemos quando éramos mais crianças." "Sério? Isso é legal." Keira inclinou contra o armário ao meu lado quando ela pegou o telefone, olhando para a tela. "Achei que você dois se conheciam. Ele foi realmente... uh, cheio de mãos com você, o que é estranho." Empurrando meu texto de história dentro do armário, peguei meu livro de Inglês desde que tinha lição de casa. Olhei para ela enquanto fechava a porta. "Por que é estranho?" "Nós estivemos na mesma escola desde que éramos calouros, e eu não acho que eu já o vi segurar a mão de outra garota, incluindo Paige," disse ela, sorrindo. "E eles estão juntos." E por que isso me deixa quente e feliz por dentro? "Ou algo assim," acrescentou. O que isso significa? O que me fez pensar, porque eu não tinha lhe perguntado sobre Paige durante o almoço? Isso teria sido uma pergunta normal. Mas ele me manteve ocupada, respondendo a todas as suas perguntas. Ela riu, porque o que eu estava pensando deve ter sido estampado no meu rosto. "Quero dizer, eu não acho que o que ele e Paige têm é realmente sério." O quente e feliz começou a crescer, e eu empurrei o sentimento para baixo. Ele não tinha lugar aqui nesta conversa. “De qualquer forma, ele estava em uma das minhas aulas no ano passado, e você sabe, ele meio que se exibiu sempre que ele queria. Eu e Maggie — você não a conhece — mas de qualquer maneira, estamos


habituadas a dizer que ele estava nos agraciando com a sua gostosura. Ele também não iria tomar notas ou realmente participar na aula. Às vezes eu poderia jurar que ele dormia," ela continuou. "Mas sempre que ele era chamado, ele sabia a resposta. Ninguém podia descobrir como ele fazia isso, especialmente o professor. O que era suficiente para deixá-lo louco e entreter o resto de nós. Um dos meus outros amigos, Benny, estava em sua classe quando eles foram fazer os exames ano passado, e ele ouviu a professora dizendo que Rider ultrapassou totalmente o resto da classe, em termos de pontuação. Um dos mais altos de toda a classe juniores supostamente." Isso soou como Rider. "É estranho, considerando que ele é uma criança adotada e...". "Eu sou uma criança adotada." Essas palavras saíram de dentro de mim. Seus olhos se arregalaram quando ela levantou a mão. "Uau. Eu não quis dizer nada de ruim sobre isso. Eu sou a última pessoa a ser julgadora. Dã. É só que...". Ela olhou ao redor antes de continuar. "Ele sai com algumas pessoas estranhas e eu sei que são pessoas suspeitas. Meu irmão, Trevor? Ele está na cadeia agora, por causa das pessoas ruins dessa cidade.” Sua voz quebrou. “Meu primo? Morto porque ele andava com pessoas assim." Ela fez uma pausa, franzindo o nariz. "Bem, meu primo também era ruim, então...". Eu pensei sobre o carro no estacionamento, e me perguntei se Hector e Jayden foram incluídos nessa definição de pessoas suspeitas. “De qualquer forma, eu tenho que ir para o treino." Ela fez uma pausa, me olhando esperançosa. "Eu não poderia convencê-la a tentar e ver o que você acha?" Balançando a cabeça, reprimi um sorriso ao ver o suspiro dramático de Keira. Ela mexeu os dedos e começou a girar quando forcei minha língua e os lábios a funcionar. "Vejo você na hora do almoço... amanhã?"


OK. Isso foi estúpido, porque eu a veria em Inglês antes do almoço, mas ela balançou a cabeça. "Sim. Traga Rider com você, se quiser. Podemos sempre usar alguma gostosura na mesa." Felizmente, Rider estaria em aula amanhã durante o almoço, mas depois do que Keira disse, fiquei em dúvida. Parte de mim não se surpreendeu com o fato de que ele fazia o que queria quando queria. Isso era tão ele, mas apenas como quando éramos mais jovens, esse lado intencional dele sempre o colocou em uma montanha de problemas. *** Eu saí do computador com Ainsley exatamente quando o jantar ficou pronto. Quatro anos atrás? Eu não comia em uma mesa de jantar. Nem mesmo uma vez. Esta mesa, com a sua superfície de madeira polida, foi o primeira que já comi, com exceção da escola. Sentei-me, alisando as mãos sobre a superfície. Quando cheguei à casa dos Rivas, eu me sentia como... Como um animal. Selvagem. Desconfortável. Enjaulado. Incerto. Eles tinham expectativas e horários. Eles oravam. Não tinha havido um jantar especificado na casa do Sr. Henry, também não houve um prato de comida à espera de Rider e eu. Nós comemos tudo o que restava. Isso se alguma coisa restasse para nós. Mas, frequentemente não, não sobrava. Sentar em uma mesa à noite e ouvir Carl e Rosa realmente falar um com o outro em vez de gritar maldições tinha sido uma experiência nova para mim. A mesa da cozinha na minha última casa tinha sido coberta com marcas de queimaduras de cigarro e jornais não lidos. Sr. Henry trazia um com ele todas as noites depois de completar seu turno e receber do armazém, mas eu nunca o tinha visto ler um. Mas esta mesa era quase sempre clara e tinha uma peça central que mudava com as estações. Agora, eram flores azuis e brancas de plástico, juntamente com o candelabro de vidro. Era raro, durante a semana, Rosa e Carl estarem ambos em casa para o jantar, e eu sabia que eles dois estariam fora da casa novamente em algum momento. Mas


enquanto não havia cirurgias de emergência no fim de semana, eles sempre tiveram sábado e domingo de folga. "Eu estava pensando que poderíamos ir até o porto, no sábado." Carl cutucou sua costeleta de porco à parte, quase como se estivesse dissecando-a. Ele adorava ir para o porto, no centro de Baltimore. "Eu acredito que será realizado algum tipo de feira neste fim de semana." Rosa deu um gole no copo de água. "Ou nós poderíamos ir para Catoctin. Também deve ser muito bom, um pouco mais frio." Ela sorriu para o marido. "E nós gastaríamos menos dinheiro indo para um parque onde as pessoas não vão estar vendendo alguma coisa." Ela era realmente uma pessoa da natureza — caminhadas, mountain bike, sudorese. Em outras palavras, experimentando algum tipo de dor. Eu estava realmente em leitura, ficar sentada e não recolher o suor em locais onde o suor não deve criar uma poça. Carl olhou para mim, colocando os dedos sobre a boca para esconder o sorriso. "O que você acha, Mallory?" Rosa perguntou. Dei de ombros quando espetei um pedaço de brócolis com o garfo. Se nós formos para Catoctin, eu provavelmente terminarei o dia com dor nos músculos que nem sabia que existiam. "Ainsley queria sair neste fim de semana." "Então, definitivamente, o Porto." Carl baixou a mão, nem mesmo tentando esconder o sorriso. "A última vez que a levou a um parque, tenho certeza de que foi a primeira e última vez que ela foi a um." Meus lábios se curvaram em um sorriso, Rosa revirou os olhos. Foram feitos planos para passar à tarde no Porto, o que iria fazer Ainsley feliz. "Você têm esculpido?" Rosa perguntou, brincando com o vidro. "Você não me pediu para comprar mais sabão." Meu olhar voou para ela. Eu não tinha feito nenhuma escultura desde julho, aproximadamente em torno do tempo que eu comecei a me preparar mentalmente para escola.


Carl me olhou. "Você realmente deve praticar. Você não quer perder esse talento." Eu quase ri. Entalhar coisas em barras de sabão com lápis ou palitos de sorvete realmente não era algo que eu consideraria um talento. Foi apenas algo que eu tinha feito... bem, por tanto tempo quanto eu poderia lembrar, sempre que eu estava sozinha. Rider nem sequer sabe que eu costumava fazer isso. Depois que eu terminava de esculpir algo, eu o destruía. Agora Carl e Rosa mantiveram a maioria das minhas criações, mais de três dúzias na sala de jantar, escondidos no armário de vidro que cheirava a primavera irlandesa. O engraçado é que todo o estranho passatempo de escultura-sabão foi o que realmente chamou a atenção de Carl, enquanto eu tinha estado no hospital Johns Hopkins. Ele tinha visto tantas vítimas de queimaduras, tantas crianças, por isso não foi minha personalidade vencedora que chamou sua atenção. Mesmo com os dedos torrados e penosos, enfaixados, eu peguei uma barra de sabão do banheiro e, usando uma espátula que tinha roubado de uma das enfermeiras, eu tinha esculpido um gato dormindo ao longo de alguns dias. Eu não sei o que havia sobre esculpir alguma coisa, mas era sempre uma fonte de... paz. Eu pensei que era um talento coxo, e Rosa e Carl tinha tentado por eras me fazer passar para madeira sem sorte. "Falando de grandes realizações, você sobreviveu seus dois primeiros dias na escola," disse Carl, sentindo claramente que eles estavam chegando a lugar nenhum em frente ao sabão. "Quer nos contar como está indo?" Meu coração começou a pesar e eu olhei para o meu prato. Rider, de repente entrou em meus pensamentos. Agora seria um bom momento para trazê-lo. Eu queria. Eu não gosto da ideia de não lhes dizer, e eu queria... Eu queria falar sobre ele. Eu queria compartilhar o meu entusiasmo sobre a reconexão com ele.


Este poderia ser um grande erro. Um grande, mas eu queria que eles soubessem. Mentir para eles depois de tudo o que tinham feito para mim seria tão errado. Dobrei minhas mãos no meu colo. "Então... na escola, eu encontrei alguém..." Parei, porque quando eu olhei para cima, os dois estavam olhando para mim. Eles pararam de comer e tudo mais. Muita atenção. Minha língua parou de funcionar. Meu cérebro gritou Abortar! Abortar! Carl falou primeiro. "Você encontrou quem?" Eu provavelmente deveria ter mantido minha boca fechada. Rosa se inclinou para frente, colocando seu copo de água na mesa. "Quem você encontrou, querida?" Quando não respondi, eles esperaram e eu sabia que eles iriam esperar para sempre. "Eu encontrei... Rider." Silêncio. O único barulho da sala, vinha do relógio oval na parede, passando. Carl colocou o garfo sobre a mesa. "Rider? O garoto que viveu com você?" Eu balancei a cabeça. "Ele está na sua escola?" Rosa endureceu. Tudo o que eu podia fazer era acenar. "Isso é... inesperado," Carl afirmou, em seguida, olhou para Rosa antes de continuar. "Vocês dois se falaram?" Não havia nenhum ponto em mentir. Eu balancei a cabeça. "Ele está em... uma casa melhor agora." Desta vez eles trocaram um longo olhar, e eu só podia imaginar o que eles estavam pensando. "Eu estou um pouco chocado," Carl disse finalmente. "Nunca passou pela minha mente que Rider estaria em Lands High."


A maneira como ele disse o nome de Rider levantou os minúsculos pelos ao longo dos meus braços. Não que seu tom tinha qualquer maldade, mas a palavra foi dita com um significado pesado. Passou um momento e depois Rosa perguntou: "Como você se sente sobre isso? Aliviada, eu imagino?" Ela olhou para Carl novamente. Um pouco da rigidez desapareceu de sua postura. "Ele significou muito para você." Concentrei-me sobre ela. "Eu estou. Eu estou contente de ver que... ele está bem. Nós conversamos um pouco no almoço hoje." Eu alisei minhas mãos ao longo das minhas pernas. "Foi bom... ver ele." Carl assentiu lentamente, enquanto tomava um gole de água. Eu ainda não tinha ideia do que ele estava pensando. "É bom saber que ele está indo bem." Forcei um sorriso, e meus olhos atiraram para Rosa. Ela estava me observando de perto. Depois de outro breve silêncio, Carl mudou de assunto, mas eu me senti estranhamente presa. Eu sabia que eles não estavam felizes, e eu odiava que se sentiam assim. Desapontá-los era a última coisa que eu queria. Tentei pensar em alguma maneira de compensar isso, então acabei a limpeza após o jantar. Não era muito, mas era algo. Quando saí da cozinha, eles estavam no escritório, a porta estava fechada, e eu tive um sentimento de afundamento. Eu sabia o que eles estavam discutindo. Eu fui lá para cima e abri meu laptop. Eu queria dizer a Ainsley como Rosa e Carl reagiram à notícia de Rider, mas ela não estava online. Ela provavelmente estava com Todd. Quando fechei meu laptop e comecei a abrir minha mochila, houve uma batida na porta aberta. Olhei para cima e vi Rosa. "Podemos conversar?" ela perguntou. Meus ombros ficaram tensos. "Claro." Ela entrou enquanto eu me sentava na cama, cruzando as pernas. "Rider."


Isso era tudo o que ela disse, então eu assenti. Rosa à beira da cama, com o corpo inclinado para mim. "Como você está se sentindo realmente sobre isso, Mallory? Rider foi muito importante para você. Por meses, quando você veio pela primeira vez para viver aqui, você perguntou sobre o menino. Foi, durante muito tempo, a única coisa que você dizia. Então, eu sei que isso é grande." Mordisquei o interior da minha bochecha, perguntando se deveria dar de ombros à coisa toda, mas uma espiada em Rosa me disse que eu não sairia sem resposta. Ela sabia melhor. "Eu estou... animada," eu admiti. "Estou feliz. Principalmente porque sei que ele está bem, e eu posso vê-lo." Ela assentiu com a cabeça. "Eu entendo isso. Eu entendo que se sinta assim." Expirando lentamente, peguei o grampo de cabelo espesso fora da mesa de cabeceira e torci o cabelo para cima. Eu sabia que haveria mais. Eu tinha razão. "Carl e eu, fomos pegos um pouco desprevenidos no jantar," ela continuou com o tom suave. "Por que você não o mencionou ontem?" Ah, boa pergunta. "Eu não... Eu não sei. Pensei que poderia deixar vocês... preocupados." Seu olhar escuro procurou meu rosto. "Preocupados com o quê?" Dei de ombros. Rosa olhou para onde minhas mãos descansavam entre as minhas pernas cruzadas. "Existe algo que deveria estar nos preocupando?" Bem, essa parecia uma pergunta carregada. Ela estendeu a mão e tocou minha perna. "Eu vou ser honesta com você, como sempre fui, ok?" Balancei a cabeça. Aqui está — pensei.


"Estamos preocupados. Um pouco. Seu último ano na mesma escola com Rider nunca passou pela nossa mente. Começar a escola é uma mudança grande o suficiente, mas acrescentando Rider na equação? Nós não queremos que você seja sobrecarregada." "Eu não estou," eu respondi, enrolando minhas mãos juntas. Ela sorriu levemente. "A escola é muito para lidar. E Rider é um monte para lidar. Você pode se sentir confusa neste momento, querida. Ele vem de um momento da sua vida que eu não quero que você pense mais." "Eu estou... Não mais focada no meu passado." Rosa não disse nada. Meu pulso começou a pegar. "Rider é do meu passado, mas vê-lo não me faz... Eu não sei. Não me faz sentir mal". "Eu sei disso." Ela fez uma pausa, parecendo escolher suas próximas palavras cuidadosamente. "Nós apenas nos preocupamos em como isso vai afetar todo o progresso que você fez. Ninguém está negando que seu passado é uma parte importante de quem você é. E eu sou a primeira a admitir que estou grata a Rider por tudo o que ele fez para protegê-la, especialmente desde que ele era uma criança também. Mas você já percorreu um longo caminho desde a menina apavorada que nós conhecemos. Você trabalhou tão duro para se tornar a jovem equilibrada que é agora. Nós não queremos que a presença de Rider... interfira com nada disso." Abri a boca, mas eu realmente não tinha ideia do que dizer. "Talvez ele não vá ser demais", acrescentou. "Talvez nós estejamos apenas nos preocupando por nada." Houve uma pausa e então ela sorriu. "De qualquer forma, estamos felizes que você nos disse sobre ele." Eu não estava. "E nós queremos que você continue falando sobre ele," acrescentou. Rosa deu um tapinha na minha perna e, em seguida, levantou-se,


movendo-se em direção à porta. "Que tal um pouco de sorvete? Eu acho que há um pouco de caramelo. Parece bom?" Sorvete com cobertura de caramelo sempre soou bom, então eu assenti. Quando Rosa silenciosamente fechou a porta atrás dela, fechei os olhos e caí de costas na cama. Olhando para o teto, pensei sobre o minúsculo quarto que eu costumava ficar com Rider. O teto aqui era suave como a neve. Na outra casa, tinha sido rachado e lascado, lembrando-me de uma teia de aranha. Mordi o lábio. Dizendo-lhes sobre Rider tinha sido a coisa certa a fazer. Os deixou orgulhosos. Meu lábio escapou dos dentes. Mas dizendo-lhes também não era a ideia mais brilhante que já tive, porque mesmo que Rosa estava bem com

Rider

estar

de

volta,

eu

sabia

Carl não ia ficar bem com Rider em tudo.

que

Carl

não

estava.


Capítulo 7

Paige não estava à espreita do meu armário na quinta de manhã. Jayden estava enquanto trocava meus livros. Um ato de Deus o fez levantar as calças largas. Aquele cheiro de terra fraca agarrou-se a sua camiseta Ravens. Seus olhos estavam sonolentos quando ele se inclinou contra o armário ao lado do meu. "Ei." Surpreendida pela sua presença, eu sorri em resposta. "Eu só queria parar e dizer-lhe que eu sei o que é Jogos Vorazes," ele anunciou, com um sorriso rastejando ao longo de seu rosto de menino. "Eu não sou estúpido, embora Paige goste de fazer parecer assim." Enfiando as mãos nos bolsos da calça jeans, ele torceu o nariz. "Então, eu ouvi que você e Rider têm um... passado interessante." Olhei para ele, com as sobrancelhas subindo enquanto eu fechava a porta do armário. Eu não tinha certeza de como responder a isso ou quanto Jayden realmente sabia. Uma vez que sua avó deu um lar à Rider, imaginei que tanto Jayden quanto Hector sabiam muito, mas será que Rider contou tudo? "Eu acho que é muito legal que você saiu dessa merda e conseguiu ser adotada. Minha abuelita — minha avó — iria adotá-lo, mas o estado não pagaria por isso, sabe?" Ele olhou para o teto enquanto se balançou sobre seus pés. "Mas sim, eu ouvi e vi algumas histórias de horror. E não sei como Rider saiu do jeito que ele fez."


Endureci, sabendo tudo sobre essas histórias de terror, tendo experimentado um bom número delas eu mesma. "Quero dizer, Rider... Ele é legal." Jayden deu de ombros quando baixou o olhar. "Muito melhor do que alguns garotos que abuelita teve em casa antes. Rider é forte, mas ele nunca se aproveitou ou qualquer coisa. Assim como um irmão mais velho que eu nunca pedi." Um sorriso brilhou em seu rosto. "Ele pode ser..." Calor começou a fluir através de minhas bochechas. "Ele pode ser muito... protetor." Os olhos de Jayden alargaram quando sua boca abriu um pouco. O rubor nas minhas bochechas se aprofundou quando eu apertei os lábios. "Huh. Essa é a primeira vez que ouvi você falar." Ele se empurrou do armário, caminhando ao meu lado. Menor do que seu irmão e Rider, mas ainda era alguns centímetros mais alto que eu, então meu pescoço apreciou não ter de olhar para cima para vê-lo. "Legal. Eu sou quieto, também." Eu arqueei uma sobrancelha. Ele riu. "Ok. Eu não sou quieto. Eu tenho certeza que você pode tirar a Wikipédia da minha bunda, eu poderia mostrar-lhe como sou o oposto de quieto. Mas tudo bem. Você e eu poderíamos nos dar bem como tequila e limão. Você pode ser a pessoa quieta, eu poderia compensar sua falta de palavras." Ele cutucou meu braço com o dele. "Somos uma equipe perfeita!" O sorriso voltou para o meu rosto. Eu realmente não o conheço, mas gostava dele. Ele era bonito de uma forma encantadora e o fato de que ele era bom adicionou cerca de mil pontos de bônus. Ele conversou sobre algum jogo de futebol neste fim de semana, e depois nos separamos, pois estávamos indo para escada, e depois disso, eu não o vi novamente pelo resto da manhã. Nem mesmo antes de chegar ao


refeitório, mas Jayden era a coisa mais distante dos meus pensamentos quando passei pelas portas abertas. Keira estava em sua mesa, o espaço vazio ao lado dela como tinha sido ontem. Ela tinha se atrasado para a aula Inglês, deslizando em seu assento assim que o sino tocou e ela correu para fora da sala depois que a aula terminou, por isso não tivemos a oportunidade de conversar ou qualquer coisa. Eu não tinha visto Rider ou ouvido falar dele, e também não tinha certeza se ele iria aparecer. E se Keira mudou de ideia? E se eu caminhar até a mesa dela e ela rir de mim? Soou totalmente louco, mas também possível, porque eu senti que tudo era possível. Enquanto me dirigia para a fila do almoço, tentando determinar o que diabos estava no menu, porque o que vi um cara levando não se parecia com frango assado, Keira olhou para cima e acenou. Alívio quase teve minhas pernas se dobrando. Se ela acenou, provavelmente não iria rir de mim quando eu andasse até sua mesa. Meu sorriso foi, provavelmente, muito assustador, então corri para a fila do almoço, não mais preocupada com o fato do que estava sendo derramado no meu prato realmente cheirava a peixe em vez de frango. Ainda assim, minhas mãos tremiam enquanto segurava a bandeja. Enfrentei o refeitório, desejando que Rider fosse aparecer e me levar para longe. Esperança cresceu no meu peito enquanto pensava nisso. Então prendi a respiração. Isso era errado — tudo isso era errado — a esperança e, em seguida, desânimo me encheu. Contando com ele para lutar por mim, ao invés de fazer isso eu mesma não era o que eu queria ou precisava. Meu aperto cresceu na bandeja quando arrumei meus ombros. Os nós do meu estômago se multiplicaram, não deixando espaço para algum apetite.


Eu posso fazer isso. Respirando fundo, forcei meus pés a me levar até a mesa. Dei dois passos. Eu tinha que andar em torno da mesa, para chegar ao lado de Keira, e tinha de ser uma das coisas mais difíceis que já tive que fazer. Olhos levantaram dos telefones celulares, pousando em mim. Os olhares estavam curiosos e confusos, e o peso deles dificultando cada um dos meus passos. Meu peito estava apertado com pânico quando ouvi uma menina sussurrar na mesa, e Keira olhou para mim. O tempo parecia ter parado. E então um largo sorriso irrompeu no rosto de Keira. "Ei, menina, guardei um assento." Ela deu um tapinha no espaço ao lado dela. Houve um zumbido na minha cabeça, como se um exército de abelhas tivessem estourado de uma colmeia. Tomou cada gota de concentração e esforço para colocar a bandeja sobre a mesa sem derramar nada e me sentar sem cair. Quando a minha bunda, finalmente atingiu o plástico duro da cadeira, me senti como se tivesse acabado de escalar uma montanha. "Esta é Mallory Dodge — seu sobrenome é Dodge, certo?" perguntou ela, olhos escuros brilhando nas luzes brilhantes. Balancei a cabeça, tentando fazer meus lábios formar um sorriso sem fazer as pessoas correrem para se esconder ou algo assim. "Mallory está em minhas aulas de Inglês e Oratória. Este é o primeiro ano dela aqui," Keira continuou, inclinando-se para trás na cadeira. Ela apontou para a menina de olhos verdes ao lado dela. "Esta é Rachel." A loira bonita mexeu os dedos em minha direção. "E essa é Jo." Keira balançou a cabeça através da mesa para uma menina de pele escura com cabelo encaracolado como o dela. "E


esta é Anna. Ela que quebrou o pulso. Ela é normalmente uma base, mas ela estava se exibindo. Todos nós sabemos como isso acabou." A morena ao lado de Jo levantou o braço esquerdo, mostrando um gesso rosa quente que circulou seu antebraço e metade de sua mão. "Eu provavelmente deveria ter apenas deixado meu rosto quebrar na queda." Ouch. "Sim, se você quebrar o nariz ainda pode torcer." Jo sorriu para ela. Anna gesticulou com a mão boa. Keira riu. Esfreguei as palmas das mãos úmidas ao longo das minhas coxas. Eu realmente esperava que ninguém apertasse minha mão. Será que as pessoas ainda apertam as mãos? Acho que não. Pelo menos não na escola, porque isso seria estranho. "Você

acha?"

Anna

respondeu

secamente,

levantando

as

sobrancelhas marrons. "De qualquer maneira." Keira chamou a atenção para ela, e depois continuou a introduzir as outras pessoas na mesa. Todo mundo sorriu ou acenou, e eu tentei pensar que a careta no meu rosto pareceria mais como um sorriso. Minhas mãos estavam dobradas tão apertadas no meu colo que meus dedos estavam sem circulação sanguínea. Durante a rodada rápida de introduções, dois rapazes terminaram na nossa mesa. Um deles, que eu reconheci de uma de minhas aulas e pensei que se chamava Peter, passou um braço sobre o ombro de Anna. O outro sentou ao lado de Jo. "Você está na minha classe de história, certo?" Possivelmente Peter perguntou, estreitando os olhos, prestando atenção em mim. Minha língua era um tubo de chumbo na boca e tudo o que eu podia fazer era acenar.


"Legal," respondeu ele quando tirou uma uva do prato de Anna. Inclinando-se para o lado, ele pegou seu telefone. "Eu pensei que vi você lá antes de adormecer." O outro cara bufou. Anna riu. "Eu não tenho ideia de como você consegue ser aprovado nos testes. Sério." Ele piscou para ela. "É o meu charme." "Isso é duvidoso," Keira respondeu com ironia quando olhou para Peter. "Eu vi sua foto nesta manhã no Instagram. Será que sua camisa sumir convenientemente?" Peter levantou os olhos do telefone. "Este corpo?" Ele acenou com a mão livre sobre o peito. "Precisa ser compartilhado com o mundo. Veja. Duzentas já curtiram." Jo revirou os olhos. "Duzentas curtidas não é algo para se gabar." Eu não tenho uma conta no Instagram. Principalmente porque não tinha ideia do que iria tirar para as fotos. Esculturas de sabão? Isso seria coxo, mas agora senti como se realmente precisasse disso. O grupo caiu em uma conversa fácil que eu ridiculamente invejei. A camaradagem e brincadeiras, o carinho genuíno um pelo outro, era algo em que eu tinha uma experiência limitada. Eu os assisti como se eu fosse uma cientista que estuda uma espécie desconhecida. Quer dizer, eu tinha Ainsley, mas nós não íamos para a escola juntas assim. Eu sobrevivi o almoço, remexendo o que pensei ser frango e o que poderia ter sido batatas. O som das conversas me cercou. De vez em quando alguém fazia uma pergunta ou fazia um comentário, e eu concordava ou balançava a cabeça em resposta. Se alguém pensou que eu era estranha, ninguém disse nada ou agiu de forma diferente, mas eles tinham que ter notado que eu não tinha falado uma única palavra.


Frustração floresceu dentro de mim, porque eu sabia que poderia falar, mas cada vez que era o momento perfeito para eu falar, fiquei muito presa no que poderia dizer. Eu fiquei em silêncio, como se houvesse uma tampa obstruindo a minha garganta, permitindo apenas a passagem de uma quantidade mínima de ar. As palavras não eram o inimigo ou o monstro debaixo da minha cama, mas eles tinham tal poder sobre mim. Elas eram como o fantasma de um ente querido, para sempre me assombrando. O almoço terminou sem que eu dissesse qualquer coisa, mas também sem um grande desastre, e eu queria apagar da minha cabeça, o estilo musical que tocava na cafeteria. Eu era uma idiota completa, mas quando Keira e eu nos despedimos, houve um zumbido feliz em minhas veias. Hoje foi a primeira vez. Eu poderia não ter falado, mas eu nunca tinha estado sentada em uma mesa de almoço com meninas antes. Anos atrás, quando eu ia para escola com Rider, eu tinha comido o almoço com ele e, por vezes, com as outras crianças que entravam e saíam da nossa mesa, mas nunca como isto. Nunca na minha própria. Nunca sem alguém lá para falar por mim. Isso era importante. Dei, provavelmente, um salto coxo enquanto ia para a aula, e um sorriso pequeno, quase triunfante estava estampado em meu rosto. Hoje foi um sucesso médio. Para mim. Quando cheguei a classe de Oratória e entrei, vi Paige em seu assento, e isso me fez perder os passos. Ela não disse nada enquanto eu tomava o meu lugar, mas eu podia sentir seu olhar enquanto me ocupava puxando o livro. Uma vez que estava em minha mesa, respirei fundo e olhei para cima. Um momento se passou. "Ele não está vindo. Nem Hector." Pisquei para o som da voz de Paige, e meu olhar saltou para ela.


Paige estava recostada na cadeira, suas longas pernas esticadas debaixo da mesa e cruzadas nos tornozelos. Seus olhos escuros estavam fixos em mim. "Então, você sabe, já pode parar de olhar para a porta o tempo todo." Sugando uma respiração afiada, eu abri minha boca para dizer a ela que eu não estava olhando, mas isso... Isso seria uma mentira. O calor invadiu minhas bochechas. Um lado de seus lábios enrolou quando ela colocou suas pernas por baixo da mesa e se inclinou, colocando a mão no assento vazio de Rider. Sua voz era baixa quando ela falou. "Eu não tenho certeza se você percebeu isso ou não, mas Rider não está disponível." O ar ficou preso na minha garganta enquanto eu ouvia. "Como eu disse no outro dia, sou namorada dele," ela continuou. "E eu tenho que dizer, ficar aqui sentada e assistir você esperar por ele chegar, não é legal." Ela estava certa. Não era legal. "E ver vocês dois tendo o reencontro do século no primeiro dia de aula também não vai estar na lista das cem melhores coisas que eu quero repetir na minha vida," Paige acrescentou, e eu também poderia entender isso. Essa conversa não estaria na minha própria lista. "Então, eu vou repetir apenas para garantir que não há confusão. Ele é meu namorado. Pare de agir como se ele fosse seu." O sino tocou. Paige se endireitou e abriu seu caderno quando o Sr. Santos começou a aula. Meu olhar se arrastou ao longo dos assentos em frente de nós. Ninguém parecia ter ouvido o que ela me disse, mas eu tinha ouvido alto e claro. Mensagem recebida. ***


Rosa e Carl normalmente não chegavam em casa até depois das nove, e às terças e quintas, às vezes mais tarde, dependendo do que tinha no hospital. Isso significava que eu tinha que preparar meu próprio jantar; eu não tinha muito apetite, no entanto. Nem Rosa e nem Carl trouxe a questão de Rider durante o café da manhã, mas ele não estava longe da minha mente. O que Paige tinha dito na aula ficou na minha cabeça, e cada vez que suas palavras surgiam, eu me encolhia, mas isso não me impediu de me preocupar com ele. Onde ele tinha se escondido? Ele estava ferido ou em apuros? Claro, minha mente foi para o pior cenário possível, mas Paige saberia se algo de ruim tivesse acontecido, e não teria gasto seu tempo praticamente me avisando para ficar longe de seu namorado. Eu mal toquei a tigela de arroz do microondas, embora tenha despejei tanto sal que Rosa teria arrancado a garrafa de molho de soja das minhas mãos. Desistindo de comer, arrumei a tigela na geladeira e subi as escadas. Tirei meu telefone da mochila e bati na tela. Nenhuma mensagem. Abri a última e único texto de Rider. Devo enviar uma mensagem a ele? Seria estranho se eu fizesse? Urgh. Joguei meu telefone na cama e, em seguida, amarrei o cabelo em um nó frouxo. Muito inquieta para fazer o meu dever, andei até meu armário no corredor, peguei uma barra de sabão e uma espátula de dentro do pacote que Rosa tinha guardado para mim no armário e levei o pacote pequeno de volta para o quarto. Eu precisava amolecer o sabão com água morna. Eu também precisava conseguir uma sacola de supermercado ou algo para prender as aparas, então eu não deixaria uma enorme bagunça para trás. Olhando para a barra de sabão, tentei pensar em algo para esculpir. Eu já tinha feito árvores, estrelas, bolas de futebol, patos, barcos, e Deus sabe o que mais. Alguns eram bastante simples, levando


apenas uma hora ou assim. Outros tinham levado dias, se fossem mais intrincados. Eu comecei a descascar o embrulho do sabão, mas parei. Eu não queria sujar minha roupa da escola, o que inevitavelmente aconteceria. Deixei o sabonete e a espátula de lado sobre a mesa, em seguida, troquei para shorts de dormir e uma regata. Agarrando uma camisa velha do armário, passei pela cabeça. Muito grande. A gola caía nos ombros. Virando-me para a mesa, avistei meu reflexo no espelho pendurado no interior da porta do armário. Eu parecia uma bagunça quente. Me aproximando do espelho, exalei quando me virei para o lado. Pressionando a mão no meu ventre, eu fiz uma careta. Minha barriga era suave. Meu olhar caiu, e eu estremeci. Os shorts provavelmente não eram uma boa ideia. Eles eram soltos, mas minhas pernas eram definitivamente... robusta. Minhas coxas eram grossas. Puxei a barra da minha camisa, e a levantei. A regata tinha um sutiã embutido, mas o material era muito fino, assim como a camisa. Não escondia as protuberâncias. Eu definitivamente não era pequena. Eu era robusta. A barra de sabão permaneceu intocada sobre a mesa. Quantas pessoas da minha idade esculpia sabão? Keira provavelmente apenas chegava em casa depois do treino na torcida. E Ainsley, se não estava com Todd, estava escrevendo — ela estava sempre rabiscando contos. Ou fazendo compras. Para alguém que não tem um emprego, ela faz muito disso, também, graças a um grande subsídio. Se ela estava com Todd, então ela provavelmente estava fora. Outra coisa que ela faz muito. Algo que eu também tinha uma espécie de ciúmes. Fator embaraçoso que eu não gostava de pensar era que nunca tinha sido beijada. Inferno, eu nunca conversei com um cara no telefone, e definitivamente nunca saí com um. Ainsley tinha tentado me


arrumar com um amigo de Todd, mas eu tinha totalmente corrido disso. A ideia de encontrá-lo me fez querer vomitar. A poucos meses de completar dezoito anos, e eu não sabia qual era a sensação de ser beijada ou o que era ser... ser desejada — ser amada desse jeito. Tinha algo faltando em mim? Olhei para mim mesma e mexi os dedos dos pés quando eu estreitei os olhos. Robusta. A forma do meu corpo era robusta, mas Rider tinha dito que eu era linda. Sem qualquer aviso, uma imagem dele se formou na minha cabeça. Olhos castanhos com manchas de ouro, maçãs do rosto e lábios incríveis — lábios que aposto que davam ótimos beijos. Meu Deus. Eu não poderia, não deveria, estar pensando nisso. Agitando esses pensamentos fora da minha mente, eu abri meus olhos. O que estava faltando não eram coxas magras ou um estômago mais liso. Era coragem. O fato era que eu era um grande e assustado gato. Como eu poderia estar pensando nos lábios de um cara quando não poderia mesmo formar palavras? Meu olhar se voltou para o sabão. Eu imaginava que esculpir sabão era um hobby, mas era silencioso e não eram necessárias palavras para completar, nem pensamentos. Era apropriado. Eu não tenho que ser como todos os outros. Não como Keira, que é líder de torcida. Fazer compras realmente não era um hobby e escrita não envolve ficar lá fora, mas Ainsley era franca, simpática e falante. Ela não apenas deu um passo para fora da caixa, ela se jogou feliz para fora dela. Eu? Eu esculpia sabão. Talvez eu devesse... Da mesa de cabeceira, meu celular apitou. Imaginando que era Ainsley já que eu não estava online. Fui até onde estava meu celular. Não era Ainsley.


Está em casa? Era Rider. Minha respiração ficou presa. Outro texto veio antes que eu pudesse conseguir que meu cérebro respondesse. Sozinha? Senti meus olhos crescerem tão grande, como planetas, enquanto eu olhava para o meu celular. Desta vez eu não ia ser prejudicada por indecisão. Eu enviei de volta rapidamente, Sim. Um par de segundos se passou. Um minuto se transformou em cinco anos, e comecei a me perguntar se eu estava imaginando coisas, mas, em seguida, um novo texto apareceu e meu coração parou. Duas palavras9. Estou do lado de fora.

9

No original: I’m outside.


Capítulo 8

Puta merda. Por um segundo eu estava completamente congelada enquanto olhava para o texto. Ele estava do lado de fora? Não, ele não poderia. Isso significa que ele estava do lado de fora... A campainha tocou, ecoando no andar de baixo, e eu girei, expandindo meu pulmão rapidamente. Caramba. Meu cérebro ordenou um clique e eu avancei para fora do quarto, no corredor. Meus pés descalços voando para baixo. Quase passei direto pela sala de estar, parando timidamente, apenas antes de arremessar a porta aberta. Eu não era estúpida. Alongando as pontas dos meus dedos, eu olhei pelo olho mágico enquanto mordia meu lábio. Tudo que podia ver era a parte de trás da sua cabeça e a largura dos seus ombros. Era Rider. Ele realmente estava aqui. Ainda segurando o telefone e não tendo a mínima ideia de como isso estava acontecendo, engoli em seco enquanto destravei a porta para abri-la. Rider virou, e meus olhos ficaram no nível do seu peito. “Eu estava começando a pensar que você não estava vindo me atender.”


Meu olhar se voltou para o seu, e um som estrangulado escapou de mim. Estendi a mão, agarrando seu braço e o arrastando para dentro. Ele pegou a porta com a outra mão, fechando-a atrás de nós. “Seu rosto.” Meu punho apertou em seu antebraço. “O que aconteceu?” Suas sobrancelhas franziram quando estendeu a mão, tocando a pele ao redor da ferida com poucos centímetros de comprimento acima de sua sobrancelha esquerda. O sangue tinha secado ao redor do corte e um tom roxo-azulado já estava começando a se espalhar em torno dele. “Isso? Oh, isso não é nada.” Olhei para ele. “Não me parece com nada.” “Não é grande coisa.” Olhando em volta do hall de entrada, ele tirou meu aperto fora do seu braço. Em vez de deixar cair a minha mão, ele enfiou os dedos nos meus. “Eu achei que você ia perguntar como eu sabia qual era sua casa. Estou bastante impressionado com a minha travessura.” Sim, eu estava curiosa sobre isso, mas ele acabou vindo com uma cicatriz acima da sobrancelha esquerda agora. “Rider, sua testa...”. Ele olhou para mim quando apertou minha mão sorrindo. “Você me disse que vivia no Pointe, por isso, tomei o metrô para o Centro e andei o resto do caminho. Não foi muito difícil descobrir.” Com a outra mão, ele correu as pontas dos dedos sobre as margaridas falsas colocadas nos vaso sobre a mesa de entrada. “Eu procurei o seu carro. Sorte minha, estava na calçada, talvez eu não seja tão esperto.” Esperto ou não, ele estava ferido e isso faz eu me sentir mal. Comecei puxando-o para a sala de estar. “O que você está vestindo?” Ele perguntou, deixando-me puxálo.


Meus olhos se arregalaram. Eu tinha esquecido completamente que eu estava vestida para dormir e que o pijama mostrava meu robusto corpo. “Eu estava ficando... pronta para dormir.” Ele arqueou as sobrancelhas e depois fez uma careta. “Que horas são? Sete?” “Sete e meia,” eu murmurei, guiando-o para fora do salão da sala de estar. O levei pelo cômodo espaçoso, sua atenção permanecia em todos os vasos de plantas na janela de frente para a baía, em seguida, mudou para a prateleira com os livros embutidos. E então ele se virou para mim. Seu olhar mergulhado, tomando um lento deslize para baixo do comprimento do meu corpo, e eu senti meus dedos enrolar contra o piso de madeira. Uma onda de calor inebriante seguiu seu olhar e o arrepio apertado correspondendo fez coisas estranhas para certas partes de mim. Nossos olhos trancaram. O olhar fixo segurou o mesmo nível de intensidade do dia anterior. A temperatura na sala compactando vários graus e minha respiração de repente parecia curta. Ele se aproximou mais. Ele ainda estava segurando a minha mão. “Eu provavelmente não deveria ter vindo aqui.” “Não deveria?” Sua cabeça inclinou para o lado e vi então que o colarinho da sua camisa estava rasgado. Meu coração caiu, e ele sacudiu a cabeça quando soltou minha mão. Eu pensei que ele poderia ir embora, então eu dei um passo adiante praticamente fechando a distância entre nós. “Sente-se.” Rider olhou para mim, sua expressão indecisa. “Sente-se.” Eu repeti. “Por favor?”


Ele olhou atrás de mim, parecia ter estremecido, e depois moveu uma almofada para o lado antes de se sentar. “E agora?” Ele perguntou, olhando para mim com os olhos estranhos, ainda que familiares. “Fique aqui.” Quando ele se inclinou para trás no sofá, deslocando sua atenção de volta para a estante, corri para fora da sala de estar. No banheiro do andar de baixo, agarrei a água oxigenada e algumas bolas de algodão e não me deixei pensar muito sobre, ou me preocupar com Carl e Rosa. Eu sabia que eles viriam para casa mais cedo, e eu estaria em sérios problemas que não iriam ser nada engraçado, especialmente depois da conversa de ontem. Embora a presença de Rider possa ser um fósforo para acender, eu sinceramente não sabia como eles reagiriam se chegassem em casa, e encontrassem um menino aqui. Tenho certeza de que era outra coisa que nunca passou pela cabeça deles. Ou na minha. Rider estava onde tinha o deixado, e eu exalei suavemente enquanto contornava a mesa de café. Ele olhou para o que eu tinha trazido, e um meio sorriso apareceu. “Eu estou bem, Mouse. É sério.” Dei de ombros e fui em sua direção, ficando entre os seus joelhos e a mesa de café. “O que aconteceu?” “Apenas alguns... alguns problemas,” disse ele, esfregando sua mão ao longo da mandíbula. “Não é nada que eu queira que você se preocupe.” Desenroscando a tampa da água oxigenada, molhei uma bola de algodão e coloquei a garrafa sobre a mesa. O aroma acentuado foi direto para o meu nariz. “Você... você sempre fez tudo soar como se não fosse grande coisa. Você está fazendo isso agora.”


Seus lábios continuaram a curvar para a direita e a covinha apareceu. Então, ele suspirou e se inclinou para frente, espalhando suas pernas. Suas mãos de repente pousam em meus quadris, e eu quase deixei cair a bola de algodão com o contato inesperado. Minha respiração ficou presa quando ele me abaixou, assim eu estava sentada na beira da mesa de café e ele continuava a avançar, o interior das suas pernas correu contra o exterior da minha. O material grosso da calça jeans tocando minha pele nua enviou uma corrida, encharcando de sensações as minhas veias. “Está melhor?” ele perguntou, olhando para mim através de cílios abaixados. Eu pisquei, sem ter ideia do que ele estava falando, e então eu percebi que sentada desse jeito, era mais fácil alcançá-lo. Suas mãos caíram dos meus quadris para descansar sobre suas coxas, e elas foram tão perto das minhas. Esticando-me em direção a ele, gentilmente bati ao longo do corte, e quando ele respirou fundo, eu puxei a minha mão de volta. “Está tudo bem,” disse ele. Tentei novamente, e dessa vez ele não se moveu ou fez qualquer som. “Você vai me dizer... o que aconteceu?” Um momento se passou, e eu olhei para ele. “Isso me fez lembrar os velhos tempos,” ele disse, levantando os cílios. Enquanto seu olhar se desviou por cima de mim, ele se concentrou, mas muito brevemente, porque ele desviou o olhar, trabalhando a musculatura da sua mandíbula. “Mais ou menos.” Um rubor correu pelo meu rosto enquanto eu mudei para fora a bola de novo. Ele estava certo, isso foi como todas as outras vezes que eu tinha cuidado dele. Na época, não tinha ideia do que estava fazendo, mas nós crescemos e ficamos mais velhos, e ele se envolvia em brigas para me defender ou por algum outro motivo, então essa foi a nossa rotina.


Só que eu tinha certeza de que quando seu olhar vagou em cima de mim agora, ele tinha verificado meus seios e foi definitivamente algo que não tinha acontecido antes. Naquela época, eu duvidava que ele mesmo percebeu que os tinha. Provavelmente porque eles não apareceram até cerca de dois anos atrás. Meu pensamento mudou para o carro no estacionamento — e pensei no que Kiera tinha dito no dia anterior — enquanto eu limpava o corte. Foi esse o resultado da sombra das pessoas que ele estava saindo?

Será

que

agora

ele

tem

cicatrizes

acima

das

duas

sobrancelhas? Eu não gosto dessa ideia. “Porque você não foi para aula?” “Eu tinha algumas coisas para cuidar.” “Isso não é uma resposta.” Quando ele não disse nada, eu tentei novamente. “Você... você está em segurança, Rider?” Ele virou o rosto para mim, e eu quase limpei seu globo ocular. “Isso teria ardido,” ele murmurou, pegando meu pulso. Ele arrancou a bola da minha mão e jogou-a na mesa de café. “Eu estou sempre seguro.” Eu balancei a cabeça. “Todas as vezes que você colocava a si próprio...” “Mouse...” “Você se colocava em perigo por mim. Você fez, uma e outra vez.” A raiva bateu conforme os saltos de preocupação brotavam em meu peito. “Você nunca parou para pensar sobre... o que poderia acontecer com você.” Ele inclinou a cabeça para trás, encontrando meu olhar. “Eu sabia o que estava fazendo.”


“Você...” Minha garganta engrossou quando memórias subiram como uma onda vermelha, manchando. “Você tomou surras por mim. Você...” “Mouse,” disse ele suavemente. “Eu sabia o que estava fazendo e eu sei o que estou fazendo agora.” Era basicamente ele me dizendo que agora estava tomando uma surra por outra pessoa? Ele não estava me dizendo, mas eu sabia disso. Eu sabia que a ferida sangrando na testa não foi por causa de algo que ele tinha feito, mas algo que alguém menor, mais fraco tinha feito. “Você é um masoquista?” Ele olhou para mim por um momento e depois riu, o fundo da sua risada me fez estremecer. “Essa é uma boa pergunta.” “Não é engraçado.” Eu comecei a puxar meu braço, mas ele segurou meu pulso. Nossos olhares se prenderam novamente, e palavras borbulharam na minha garganta como champanhe. “Eu não gosto de ver você se machucar agora mais do que não gostava naquela época.” “Mas não estou ferido.” Sua voz era baixa. “Veja? Você cuidou de mim.” Havia um sentimento de inchaço no meu peito novamente, mas desta vez era diferente. Como uma espécie de balão sendo cheio. “É por isso que você veio aqui?” Ele não respondeu imediatamente. “Eu não sei. Eu acho que senti sua falta. Não ver você durante tanto tempo depois... depois de ter você todos os dias para, inferno, por uma década, e então... então eu perdi você. Mas agora você está de volta.” Ele alisou a outra mão por cima da minha. “Não parece real. As chances de nós cruzarmos o caminho um do outro de novo tinha que estar contra nós, mas aqui estamos.” Aqui estamos.


“Então, quanto tempo eu tenho antes — quais são seus nomes? Carl e Rosa? Sim, isso mesmo. Quanto tempo eu tenho antes que eles voltem?” “Eu não sei. Talvez... talvez uma hora ou algo assim?” Minhas mãos eram incrivelmente pequenas perto da sua. Seu sorriso torto estava de volta. “Eu duvido que eles fiquem felizes em me encontrar aqui.” “Por quê?” Ele arqueou as sobrancelhas. “Talvez eu esteja errado. Eles costumam voltar para a casa para encontrar um cara sentado em seu sofá?” Eu revirei meus olhos. “É isso, não é?” Rider puxou minhas mãos, e eu me levantei, deixando ele me puxar para baixo, para o sofá ao lado dele. Ele se inclinou para trás, deslizando um braço ao redor dos meus ombros e me colocando contra o seu lado. “Apenas para interromper você, hein?” Eu não sabia o que fazer com minhas mãos desde que ele as deixou irem, então eu as dobrei no meu colo. “Eu não tenho, nunca tive... um cara aqui.” Rider endureceu e, em seguida, ele torceu o pescoço para que estivesse olhando para mim. Eu admiti isso em voz alta, sério? Apertando os olhos fechados, eu suspirei. “Eu estou apenas... calando a boca agora.” Ele riu. “Não faça isso. Eu gosto de ouvir você falar.” Com nossos lados pressionados junto e seu braço em volta dos meus ombros, foi como ter um pé no passado e um no presente. Estar tão perto agora parecia totalmente diferente de antes. Eu tinha referências apenas pela TV, eu imaginei que estaria seguindo os passos de casais em todo mundo, aconchegados como estávamos.


Exceto que não éramos um casal. Eu realmente precisava tirar esse pensamento da minha cabeça. “Você não, huh, não perdeu muito da nossa aula. Temos que ler exemplos de... palestras informativas.” “Parece divertido.” Nossos olhares se encontraram brevemente, e eu desviei o olhar. “Onde você esteve Rider?” Rider ficou em silêncio enquanto deslizava a mão pelo meu braço. Seus dedos roçaram a pele nua do meu ombro enquanto ele curvou sua mão lá. Parecia um movimento tão inconsciente, mas pequenas saliências formaram na minha pele, perseguindo a carícia. “Hector e eu precisávamos falar com algumas pessoas.” Meu olhar se deslocou até o seu novamente. “Será que falar envolve os punhos?” Um sorriso irônico se formou. “Às vezes.” Ele estendeu a mão, balançando o nó dos cabelos empilhados em cima da minha cabeça. “O irmão de Hector... ele é jovem. Jayden tem apenas quinze anos, mas às vezes ele parece ainda mais jovem do que isso. Você sabe, mentalmente. Ele se mete em alguns problemas.” Olhando para ele, fiquei impressionada novamente pelo fato de que algumas coisas não mudaram. Ou talvez fossem alguns traços nas pessoas que não mudavam. “Então, você está ajudando ele a sair de problemas?” “Tentando,” ele murmurou descansando a cabeça contra a parte de trás da almofada. Seus olhos encapuzados, ele continuou a mexer no meu cabelo preguiçosamente. Eu não tinha ideia do ele que estava fazendo. “De qualquer forma, o que nós falamos ontem. Fez com que Jayden levasse sua bunda para a aula hoje. A conversa não foi tão boa esta tarde.” Oh meu Deus, eu queria abraçá-lo e socá-lo. “Rider...”


“Você já pensou que eu estaria sentado aqui?” ele perguntou. “Você está mudando de assunto,” eu apontei. “Eu estou.” Ele brilhou um rápido sorriso travesso. “Mas então?” “Não,” eu admiti, engolindo o repentino nó contra a minha garganta. “Eu nunca pensei... que veria você mais uma vez. Eu esperava que pudesse.” “Esperar nunca realmente nos levou a qualquer lugar, não é?” Balancei minha cabeça. Crescer como fizemos, aprendendo rápido demais como lidar com a nossa realidade — o que nos levou à aceita-la. Coisas como a esperança e aspirações pareciam como sonhos e fantasia. Os dedos de Rider continuaram se movendo ao longo do nó do meu cabelo e antes que eu percebesse, ele tinha deixado o coque frouxo. Meu cabelo caiu passando meus ombros, em um emaranhado de ondas. “Eu gosto dele solto,” disse ele, e a covinha da sua bochecha piscou quando ele deixou cair sua mão. Seus dedos roçaram meu braço. “Embora eu meio que sinto falta do laranja. Tornava fácil localizá-la em uma multidão.” “Obrigada.” Ele riu. “Ah, eu estou mentindo. Ainda é fácil encontrá-la lá fora. Uma milha de distância,” acrescentou quase como uma reflexão tardia. “Porque eu sou menor... do que todos na multidão,” eu respondi secamente. Seu olhar cintilou sobre meu rosto naquele modo estranho, concentrado. “Não, não é nada disso.” Moldando seu olhar para minhas mãos, suas sobrancelhas baixaram. “Então, como foi os primeiros três dias de aula?” Apenas três dias? Pareceu mais que isso. Levantei meus ombros. “Tudo certo.”


“Isso não é muito convincente.” Levantando o olhar para o dele, de repente eu pensei em Paige. Eu me afastei, colocando um espaço entre nós. Como eu tinha me esquecido dela? Eu tinha sido pega de surpresa pela súbita aparição de Rider e a condição dele, mas isso não era uma desculpa boa suficiente. Olhei para ele, uma centena de perguntas subindo a superfície. Sendo uma delas porque ele veio aqui ao invés de ir para Paige em primeiro lugar. Meu coração começou a bater. Parte de mim não queria falar dela, porque se não fizesse, então eu ainda podia... O quê? O que eu ainda poderia fazer? Mesmo que ele nunca tenha me contado sobre Paige, isso não muda a realidade. E ter uma namorada não muda o que éramos. Que éramos amigos. Tomei uma respiração profunda. “Você... você tem... uma namorada, certo?” “O quê?” Rider olhou para mim por um momento e então ele balançou a cabeça. “Esse tipo de coisa saiu do nada.” Verdade. Eu não deixei que isso me impedisse. “É... é a menina da nossa aula de oratória.” Rider olhou para mim por um momento. “Você está falando de Paige. Sim, nós temos visto um ao outro.” Dobrei minhas mãos no meu colo, eu sorri nervosamente. “Isso é... é bom.” Ele desviou os olhos, lábios franzidos. “Nós nos conhecemos por um tempo. Ela é conhecida de Hector desde a escola primária, então ela está sempre ao redor, sabe?” Eu realmente não sei, mas poderia imaginar. “E ela é muito legal. Não é tensa,” disse ele, e eu perguntei se ele achava que eu era tensa. “Eu posso... apenas relaxar com ela, realmente não me preocupar com nada. De qualquer forma, começamos


a ficar na primavera passada.” Ele parou e olhou para mim. “Como você sabia? Ela falou para você?” Oh, cara. Eu não quero que ele saiba sobre a conversa de hoje. Fechei minhas mãos e disse que nada disso era da minha conta. “Não, eu só... Eu vi o jeito que vocês dois estavam... juntos no primeiro dia de aula.” Ele arqueou as sobrancelhas. “De que jeito foi isso?” Olhando para longe, eu meio que queria ter mantido minha boca fechada. “Ela foi muito... delicada com você.” “Huh.” Houve uma pausa. “Eu estou tocando em você e isso não significa que estamos vendo um ao outro.” Ar gelado bateu no centro do meu peito enquanto as palavras dele batiam em minha consciência. Uau. Ele tem um ponto, um ponto muito bom, e enquanto eu não acho que ele queria dizer qualquer coisa quando disse isso, o ar gelado estava queimando, no entanto. “Quer dizer,” ele disse, batendo seu ombro no meu. “Você e eu, nós sempre fomos assim”. “Verdade,” murmurei, sorrindo de novo quando olhei para ele. Nossos olhos mantidos durante alguns segundos e ele estreitou. “Ela não disse nada para incomodar você, não é?” “Por que... porque você acha isso?” Um lado dos seus lábios levantou. “Ela é... Vamos apenas dizer que Paige é uma menina difícil.” A queimadura irradiava para fora do meu peito. Claro, Rider deveria gostar de uma menina difícil. Ele era difícil, e Paige não tinha problemas em me colocar no meu lugar muito merecido hoje. Se eu tivesse no lugar dela, eu teria sentado lá e não teria falado nada. “Então, ela pode ser um pouco dura com as pessoas,” completou. Dei de ombros.


Seu olhar se voltou afiado quando se concentrou em mim. “Ela te disse alguma coisa? Eu posso falar com ela. Ter a certeza de que ela sabe como...” “Não.” Eu empurrei, surpreendendo a mim mesma. A palavra saiu um pouco mais alto do que eu pretendia. Eu praticamente gritei com ele. “Você não precisa falar com ela.” Um olhar de dúvida apareceu em seu rosto. “Mallory...” “Tudo bem.” Mexendo com a borda do sofá, peguei um algodão não usado na mesa. “Quero dizer... ela não disse nada para mim. Você não precisa dizer nada para ela.” Olhei por cima do ombro para ele, o que significava que eu estava dizendo. Por mais que eu... Eu amei que ele manteve ferozmente minha proteção, eu não podia contar com ele sempre, para estar lá a minha volta. Nos últimos quatro anos, ele não esteve lá, e nós não poderíamos voltar. Eu não podia permitir isso, não importa quão fácil seria. “Eu não... Eu não quero isso assim.” “Como você quer?” ele pediu e ergueu os dedos na testa, esfregando ao redor do corte. Seus lábios se torceram em uma fachada dura de um sorriso. “Não responda a isso.” Eu não tinha certeza do que significava isso. Confusa, eu olhava para ele, sentindo como se tivesse perdido alguma coisa realmente importante. “Eu deveria ir. Eu não quero te deixar em apuros.” Ele fugiu para a beira do sofá. Antes que pudesse protestar, o que não seria sábio, mesmo que eu quisesse que ele passasse mais tempo, ele colocou as mãos no meu rosto. Minha respiração parou em algum lugar entre a minha garganta e meu peito. Inclinando-se, ele apertou seus lábios contra minha testa, deixando cair um beijo que apertou meu coração como lama. Meus olhos se fecharam quando seus lábios demoraram contra minha pele. Bati fora de ordem, eu não me movi quando ele se afastou e levantou.


Uma eternidade poderia ter passado antes que arrastasse meus olhos abertos e o encontrei olhando para mim, seus olhos castanhos dourados brilhante, seus lábios se separaram. Limpei a garganta. “Eu posso... te dar uma carona.” Seu olhar mergulhou, e então ele arqueou uma sobrancelha. “Não há necessidade. Eu vou me cuidar.” Ficando de pé, o segui pela sala de estar. Ele estendeu a mão para a porta e se virou para mim. “Estou feliz que você abriu a porta.” Meu sorriso vacilou. “Estou feliz... que você mandou uma mensagem.” Rider inclinou a cabeça para o lado. “Sim?” Balancei a cabeça, provavelmente um pouco ansiosamente, mas quando a covinha na bochecha direita tomou forma, era como se estivesse sendo recompensada. Nossos olhos se encontraram por um momento, e eu não queria que ele saísse. Um impulso me levou a ele, como foi no almoço, e então, saltei para frente. Segurando seus braços, me estiquei e beijei sua bochecha. Foi praticamente apenas um beijo, então percebi que não estava cruzando todas as linhas, mas a sensação da sua pele sob meus lábios ainda era inebriante e inesperada. “Tenha cuidado,” eu sussurrei, recuando. O sorriso de Rider desapareceu de seu rosto bonito. Passou um momento antes de ele falar. “Sempre, Mouse.”


Capítulo 9

Eu ando na ponta dos pés para cima, as escadas rangem, estremecendo a cada passo em que a borda geme sob os meus passos. Eu tinha que ser tranquila ou o Sr. Henry me pegaria. Isso seria ruim. Muito ruim. Desci o corredor escuro. Senhorita Becky está doente de novo, na cama, mas se eu pudesse levá-la para cima, ela iria ajudar Rider. Avançando na porta, abro lentamente, de modo que não faça nenhum som. Olho em volta do quarto. A lâmpada na cabeceira estava inundando a sala com a luz amarela silenciosa. Garrafas marrons vazias cobriam o topo do armário. O quarto cheirava engraçado. Paralisada. Eu me movo em direção à cama, apertando as mãos fechadas. Senhorita Becky estava deitada paralisada, mas ela não parecia normal. Ela parecia um desses manequins de loja, pálida e quieta. “Senhorita Becky,” eu sussurrei quebrando uma regra. Eu nunca iria acordá-la, mas Rider precisava de ajuda. Não houve nenhum movimento na cama. Eu cheguei mais perto. “Senhorita Becky?” Assustada, hesitei perto da cama. O quarto ofuscava. Lágrimas ardentes encheram meus olhos enquanto mudei o peso da minha perna esquerda para direita. Eu tentei dizer seu nome novamente, mas não havia nenhum som. A alça de sua regata estava quase baixa em seu braço e o seu peito parecia não se mover. Eu começo a me virar, para me esconder, porque algo estava muito errado, mas Rider estava fora e estava frio o suficiente para que minha luva sem dedos doesse no parque infantil na escola mais cedo. Eu


levantei meu ombro magro e corri de volta para a cama. Estendi a mão, agarrando os braços da Senhorita Becky. Senti a pele fria e... E plástico. Eu puxei minhas mãos para trás e girei, correndo para fora do quarto. Senhorita Becky... Ela não ia ser capaz de ajudar. Isto iria depender de mim e eu não ia deixar Rider lá em baixo. Voltei para baixo movendo os passos em silêncio passando pelo mofado cheiro do banheiro. Sr. Henry gritou um palavrão da sala de estar, fazendo o meu coração saltar, mas eu insisti atingindo a porta atrás. Esticando-me, destranco a porta, o som do barulho era como um trovão em toda a cozinha. Virei à maçaneta. “O que diabos você está fazendo aqui, menina?” Eu vacilei, encolhendo-me como se meu corpo estivesse trancado. Eu preparei meus punhos quando abri a minha boca. Gritos rasgaram o ar através da casa e... “Mallory! Acorde.” Mãos agarraram meus ombros, me sacudindo. “Acorde.” Sacudindo, puxei-me livre afundando do outro lado da cama. Minha mão direita acertou o ar. Perdendo o equilíbrio, eu oscilei na beira da cama. Uma mão segurou o meu braço esquerdo. Outro grito construiu em minha garganta. Meu olhar selvagem correu ao redor do quarto bem iluminado. O passado lentamente indo para trás, como a mancha de alcatrão e fumaça sendo lavados. Não havia garrafas de cerveja. Nenhum jornal na mesa da cozinha coberta. Eu olho nos olhos escuros de Carl. A preocupação estava estampada em seu rosto cansado. Seu cabelo em todas as direções e sua camisa cinza estava amarrotado. "Você está bem?" Ele perguntou quando arrastei respirações profundas e irregulares. "Deus, Mallory, eu não tenho escutado você gritar assim...". Em anos.


Ele não precisou terminar a frase. Com a mão tremendo, escovei o cabelo do meu rosto enquanto engolia. Minha garganta estava crua. Percebi então que Rosa estava na porta, apertando o cinto do roupão em volta da cintura. Ela disse algo, mas eu não consegui acompanhar. No meu peito, meu coração estava batendo rápido. "Tudo bem." Carl bateu no meu braço quando ele olhou por cima do ombro, na porta. "Foi apenas um pesadelo, carinõ. Volte já para a cama.” Como poderia ser apenas um pesadelo? Pesadelos não são reais. Isso... Isso foi. *** Amanheceu muito cedo, e tudo que eu poderia fazer era me arrastar ao longo do dia. Quando a aula de oratória chegou, eu fui para a aula e imediatamente fiz contato visual com Paige. Hoje o cabelo dela estava alisado em um daqueles coques bailarina e usava grandes brincos de argola de ouro. Ela parecia incrível. No entanto, a maneira como ela torceu o rosto quando me viu, não foi incrível. Arrastando meu pé esquerdo, tropecei e o estalar da minha sandália soou como um trovão. Eu não caí, mas meu quadril colidiu com uma mesa vazia. Os lábios de Paige torceram por cima nos cantos quando ela levantou uma sobrancelha para mim. Aterrorizada, congelei por meio segundo e então deixei para lá. Apressando-me para o meu lugar, me sentei. Minhas bochechas estavam fervendo. O jeito que ela estava olhando para mim antes de eu tropeçar como uma idiota me fez pensar que Rider deve ter dito algo a ela como ele tinha sugerido na noite passada. Ele não iria, eu disse a mim mesma quando abri meu caderno e vi as notas que tinha rabiscado no dia anterior. Estreitando os olhos, eu não conseguia descobrir o que a frase que eu escrevi realmente significava e...


“Mouse.” Ar ficou preso na minha garganta quando olhei para cima. Rider tinha que ser parte fantasma, porque não tinha o ouvido chegar, antes de tomar seu assento ao meu lado ou dizer qualquer coisa para Paige, mas lá estava ele. Vestindo uma camisa velha com um emblema desbotado e com os braços cruzados contra o peito largo, ele era a imagem da preguiçosa arrogância. Ao vê-lo depois da noite passada eu tinha sentido uma estranha sensação na boca do estômago. Eu não tinha dito a Carl e Rosa sobre Rider ter estado na casa. Pior, eu não pretendia. Mouse. Parte de mim odeia esse apelido, por causa do que ele simbolizava. A outra metade meio que gostava, porque era o apelido dado por ele. Eu não tinha certeza de qual sentimento tinha superado o outro. Meu coração decidiu fazer algo engraçado em meu peito. “Rider.” Seus lábios cheios enrolaram em um meio sorriso, chamando minha atenção para sua boca. Como é que um cara tem esses lábios perfeitos? Não era justo. E por que eu estava olhando para a sua boca? O rubor voltou para o meu rosto como uma respiração vermelha, e seu sorriso cresceu, mostrando a covinha. “Sentiu minha falta?” Minhas mãos estavam esmagadas em meu caderno aberto quando o meu olhar correu em direção à Paige. Ela estava olhando para algo que Hector estava mostrando a ela em seu telefone, e eu não podia acreditar que ele perguntou isso na frente dela. Ou talvez, isso não era um grande negócio e eu estava fazendo um grande negócio sobre isso? Forcei-me a dar de ombros quando olhei para cima e vi que o corte acima do olho esquerdo não estava tão feio quanto antes.


"Como está sua cabeça?" eu perguntei em voz baixa. "Esqueci

completamente

sobre

isso."

Seu

olhar

abaixou

brevemente. "Como foi o seu dia?" Algo quente mudou dentro de mim quando ouvi o barulho distante

da

campainha.

"Eu

almocei

com

Keira.

Segundo

dia

consecutivo," disse a ele, então pisquei para o quão estúpido eu soei. O sorriso de Rider se transformou em um sorriso cheio, transformando seu rosto bonito para um tipo de beleza masculina que foi como um soco no peito. "Isso é muito bom, Mallory." Sua voz caiu quando ele estendeu a mão, curvando a mão sobre meu braço. Houve uma corrente elétrica próxima do seu toque. "Eu estou orgulhoso de você. De verdade." Tontura rodeava meu coração enquanto olhava para sua mão grande, mais escura do que a minha. Ele sabia o quão grande isso era, e eu não me senti tão idiota mais. Ele percebeu. Ele compreendeu. E isso significava todo o universo para mim. Uma sombra caiu entre nossas mesas. Hector estava prestes a se sentar, e tinha parado no meio do caminho, com a cabeça inclinada para o lado. Seus olhos estavam na mão de Rider, e parecia que um monstro tinha acabado de entrar na frente dele. Rider recuou, cruzando os braços. "Você está bem, mano?" Os olhos verdes de Hector acenderam para ele. "Você está?" Não houve resposta, e eu não tinha ideia do que diabos era tudo isso, mas quando Hector se sentou, percebi que Kiera também estava nos observando de seu assento algumas filas acima. Forçando um sorriso, e rezando para que ela não tivesse ouvido que eu deixei escapar a coisa sobre o almoço. Isso seria estranho. "Ei, querido," disse Paige, ganhando a atenção de Rider. "Nós ainda vamos esta noite?” Mordi o interior da minha bochecha enquanto Rider se virou para ela.


"Esta noite?" "Sim." Seu sorriso era brilhante e grande, como tinha sido na primeira vez que a vi com ele. "Nós conversamos sobre ir para a festa de Ramon." Eu não tinha ideia de quem era Ramon, mas a inveja agitou dentro de mim. Nunca tinha ido a uma festa fora de algo organizado por adultos. Eu não tinha ideia de como esse tipo de festa seria e eu realmente não tinha pensado nisso até agora. Meu olhar se deslocou entre eles, e ocorreu-me então que, embora Rider me tenha como ninguém mais, nossos mundos não faziam mais parte um do outro. Agora Rider faltava a escola quando queria. Agora Rider tinha uma namorada. Rider era convidado para festas. E eu? Eu estava do jeito que tinha sido antes e seria para sempre. Eu nunca iria faltar à escola. Eu não tenho um namorado. Eu não ia a festas e, com exceção da festa de dezesseis anos da doce Ainsley, ano passado, eu não era convidada para festas. "Não tenho certeza," Rider respondeu. "Eu tenho que ir para a garagem. Talvez fique lá à maior parte da noite." A garagem? Eu queria perguntar sobre isso, mas percebi que não era o momento de sair da minha concha e falar. O sorriso de Paige congelou. "Eu estava realmente ansiosa para ir." "Vá," insistiu ele, e então sorriu para ela. Eu não podia vê-lo, mas eu sabia que a covinha direita estava lá. "Se eu conseguir sair a tempo, eu vou encontrá-la. Ok?"


Paige ainda pensava por um momento e depois assentiu. "Ok." Aproximando-se mais, ela dobrou a mão ao redor da nuca dele. "Eu vou sentir sua falta." Eu realmente precisava desviar o olhar. "Você vai?" Diversão aqueceu parcialmente na voz de Rider. Eu não desviei o olhar. Os dedos de Paige o puxaram... E ele estava se inclinando para ela? Desviei o olhar... Por cerca de cinco segundos antes de meu olhar estar de volta para eles. Ele estava sentado em linha reta, mas todas as partes do corpo de Paige estavam inclinadas em sua direção. Um segundo se passou. Rider se virou e me pegou olhando totalmente sua conversa. Seu sorriso era mais profundo, e agora eu vi a covinha. Baixando o olhar, voltei a me concentrar na minha própria mesa... E no meu próprio negócio. O Sr. Santos apareceu na frente da classe, como se houvesse um alçapão no teto e ele tinha caído fora dali. Isso era um talento. "Tudo bem, crianças. Nós vamos começar a aula com um pouco de exercício." Ele bateu palmas, assustando o menino na frente da sala que já tinha adormecido. "Quando se trata de falar em público, a prática é fundamental. Quanto mais você fizer isso, mais fácil fica. Confiem em mim." Um formigamento começou em meus dedos enquanto me arrumava. "Quando eu tinha a idade de vocês..." "Um século atrás," alguém murmurou. Sr. Santos atirou ao garoto um olhar divertido. "Bonito. De qualquer forma, quando eu tinha a idade de vocês, e naquela época só de pensar em falar na frente de um monte de gente me fazia querer vomitar." "Caramba," murmurou uma menina.


Havia uma boa chance de que eu estava indo fazer isso. "Por isso, foi algo que eu tive que trabalhar. Todos nós temos. Isso significa que vamos começar com uma rápida introdução." "Oh, merda," Rider murmurou sob sua respiração. Santos continuou alheio ao fato de que eu estava olhando para ele com os olhos tão arregalados que era como se eu já não tivesse pálpebras. "Cada um de vocês vai se levantar e vir em frente à classe, nos dizer o seu nome, uma coisa que você gosta, e uma coisa que você não gosta. Cuidado com a linguagem. E mais uma vez, classificação de notas." Rio em seguida, mas o sangue foi drenando da minha cabeça tão rápido que me senti tonta. Não, eu tinha semanas para me preparar para isso. Falar na frente da classe não deveria acontecer hoje ou amanhã ou na próxima semana. "Mallory." Rider chamou meu nome em um sussurro. Minhas mãos agarraram a borda da mesa enquanto meu pulso fez sua própria versão de música. Minha garganta foi se apertando enquanto meus olhos giraram em sua direção. Hector e os rostos de Paige eram um borrão. Uma cadeira riscou no chão e meu olhar seguiu o som. Um cara estava de pé, segurando as calças. Como instruído, ele enfrentou a classe. "Meu nome é Leon Washington." Um grande sorriso cobriu o rosto. "Eu não gosto de queijo. E eu gosto dos vídeos de pintos." Risos e risadas aumentaram enquanto o Sr. Santos lançou-lhe um olhar. Leon se sentou, e foi a vez de uma menina. Minha respiração estava saindo em suspiros rápidos. Paige sentou-se no final da primeira fileira, Rider na segunda, e eu no final da terceira. Havia dezessete cadeiras na frente a mim, duas vazias. Oh, Deus.


Meu olhar ampliado disparou para Rider. Entendimento foi gravado em sua expressão, no conjunto duro da sua mandíbula. Seu olhar se lançou para a garota que agora estava de pé. "Eu sou Laura Kaye." Ela escovou o cabelo castanho na altura dos ombros para trás de seu rosto quando ela se virou para a classe. "Eu... hum, eu gosto de dirigir com música alta. E eu não gosto..." Suas bochechas rosadas. "E eu não gosto de fofoca, cadelas." O Sr. Santos suspirou. A classe explodiu em risos. Laura sentou-se com um sorriso de satisfação no rosto. Houve uma boa chance de que eu teria um ataque cardíaco quando outro cara se levantou, seu rosto já na cor de tomate. "Mallory," Rider sussurrou, e meu olhar de pânico chegou até ele. Por cima do ombro, eu estava ciente de Paige nos observando. "Você pode fazer isso," disse ele em voz baixa. "Você pode." Seus olhos seguraram os meus, e ele me olhou como se suas palavras só tivessem o poder de me convencer, mas ele estava errado. Eu não poderia fazer isso. Minha garganta se transformou em um selo. Oh, Deus, não havia nenhuma maneira que eu poderia obter quaisquer palavras. Vi a pressão apertar meu peito, parecendo completamente cortar a minha via aérea. Uma queimadura gelada muito familiar espirrou em toda a base do meu pescoço. Eu não poderia fazer isso.


Capitulo 10

Não me lembro de recolher meu livro ou empurra-lo na minha mochila. Eu também não me lembro de coloca-la no ombro e ficar em pé. Eu estava em um túnel que estava escuro em torno das bordas e a única luz era a porta. Outra menina estava de pé se apresentando, mas eu não conseguia ouvir nada do que ela disse enquanto minhas pernas se moviam. Atordoada, eu corri fora da sala de aula e para o corredor silencioso. Meu peito ardia enquanto continuei andando, meio correndo, e eu não parei até que estava fora, correndo em direção ao meu carro quando o céu de espessura, nublado, ameaçava soltar com a chuva. Oh meu Deus, eu não podia acreditar. Parando ao lado do meu carro, eu deixei cair minha mochila e me inclinei, apertando meus joelhos. Eu tinha acabado de correr para fora da classe. Respirando pesadamente, eu fechei os olhos, apertei-os com tanta força que vi pontinhos de luz. Eu era tão extremamente fraca e tão estúpida. Tudo o que eu tinha a fazer era me levantar e dizer o meu nome. Dizer uma coisa que eu gostava e uma coisa que eu não gostava. Isso não era difícil, mas meu cérebro... Ele simplesmente não funciona direito. É desligado, desistiu de mim em um momento de pânico. "Mallory?" Eu me empurrei em pé e girei, quase perdendo o equilíbrio quando meu olhar fixou com olhos cor de avelã. Rider ficou na minha


frente, com o caderno frágil na mão. Claro, ele tinha deixado a classe para vir atrás de mim. Nada tinha mudado. Uma nova onda de mortificação queimou meu rosto quando me virei para longe dele, olhando para fora sobre o campo de futebol vazio. Lágrimas de frustração se formando nos meus olhos. "Eu disse que você ficou doente," disse ele depois de um momento. "Ninguém pensou nada de estranho. Inferno, você comeu lanche escolar, por isso é crível. Santos me deixou sair da aula para verificar você. Eu deveria voltar, mas..." Mas ele não ia. Fechando os olhos, eu balancei a cabeça. Minha pele se arrepiou como se mil formigas de fogo com raiva começassem a marchar em meus braços e costas. Quatro dias na escola, e eu ia correr. Eu tinha feito apenas o que Rosa e Carl provavelmente temiam. Eu tinha feito exatamente... "Mouse, você está bem?" Houve uma pausa e eu senti a mão no meu braço. Mouse. Eu não era mais ela. Eu me afastei e o encarei bem a tempo de pegar o lampejo de surpresa piscando em seu rosto. Ele baixou a mão, seu olhar procurando os meus intensamente, e tudo que eu queria... Tudo o que eu queria era ser normal. Deus, a normalidade era superestimada quando você tinha um cérebro como o meu. "Você... você não deveria ter me seguido," eu disse depois de um momento. "Por que não?" ele perguntou como se realmente não tivesse ideia.


"Paige, por exemplo." "Ela entende." Eu seriamente duvidava, porque se eu fosse ela, não entenderia. Nem em um milhão de anos. "Então... você não deveria ter me seguido por que... eu não sou mais o seu problema." Ele ergueu o queixo, seus ombros levantando em um suspiro longo. "Eu quero te mostrar algo." Eu fiz uma careta. Ele estendeu a mão e mexeu os dedos. "Posso ver as chaves do seu carro?" Meu cenho subiu. Ele ia deixar a escola? Ainda havia pelo menos trinta minutos de aula, e... E espere um segundo. Por que eu achava que ele iria se importar em sair cedo. E não era como se eu estaria voltando. "Eu tenho uma licença," continuou ele quando eu não respondi. "Eu juro. Sei como dirigir. Eu não vou roubar seu carro ou qualquer coisa." Minhas sobrancelhas voaram para cima. "Eu... Eu não achei que você faria isso." Rider inclinou a cabeça para o lado. Será que ele realmente achou que eu pensava isso sobre ele? Abaixando, eu peguei minha mochila e cavei minhas chaves, em seguida, entreguei a ele. Seus longos dedos se fecharam em torno delas. Sem dizer uma palavra, eu andei para o lado do passageiro e entrei no carro, jogando minha mochila no banco de trás. Ele me seguiu, seu longo corpo apertado atrás do volante. Com um sorriso tímido, ele estendeu a mão e puxou a alavanca do assento, ajustando-o. Ele girou a chave na ignição e ligou o carro. Depois olhou para mim quando manobrou o Honda entre as filas de carros, mas não disse nada.


Minhas mãos estavam enroladas em bolas apertadas, os meus pensamentos estavam correndo pela minha cabeça com a velocidade dos ventos e com a força de um furacão. Deixar a escola parecia loucura por toda uma infinidade de razões. Assim como quando ele apareceu na minha casa ontem à noite, se Carl e Rosa descobrisse sobre isso, eles ficariam loucos. Mas agora nada disso importava. Como eu poderia mostrar meu rosto segunda-feira? Eu me inclinei para trás contra o assento, juntas doendo. Eu lentamente forcei minhas mãos a abrirem. Olhando pela janela, eu não tinha ideia de onde Rider estava indo no início, mas rapidamente, com o tráfego crescendo em volta, e eu reconheci a estrada. Estávamos indo para fora da cidade, usando uma das estradas mais antigas que ainda era congestionada. "Você vai ficar em apuros se não voltar para casa imediatamente depois da escola?" ele perguntou. Bem, se Rosa e Carl soubessem o que eu estava fazendo e onde eu estava, seria um grande inferno sim, mas eles não saberiam. "Eles não vão estar em casa por um tempo." "Legal." Quando eu olhei para ele, eu o encontrei concentrado na estrada. "Eu não quero colocar você em problemas." Puxando meu cabelo, comecei a torcê-lo em uma corda grossa. "Por que você me causaria problemas?" Ele me lançou um olhar sem graça que eu não entendi. Um momento se passou. Seu olhar virado para a estrada. "Será que eles sabem — as pessoas que te adotaram — que nos reencontramos?" Balancei a cabeça. "Eu disse a eles." Ele arqueou as sobrancelhas, e eu pensei que ele parecia surpreendido novamente. "E eles sabem sobre mim? Desde antes?"


Comecei a acenar com a cabeça, mas me forcei a falar. "Eles sabem." "Tudo?" ele perguntou. "A maior parte," eu sussurrei. Ele balançou a cabeça lentamente. "O que eles pensam de mim e você juntos?" Rosa varreu suas bochechas. "Quero dizer, sobre estarmos na mesma escola?" Parte de mim pensava que era uma pergunta estranha para ele fazer, mas depois descobri onde ele estava indo. Ele achava que a razão pela qual Rosa e Carl não seriam felizes em saber que ele estava de volta tinha a ver com quem ele era, mas ele estava errado. Eles tinham medo pelo que ele representava. Pelo menos, eu esperava que fosse isso. "Eles... Estão apenas preocupados que eu não possa... me encaixar," eu disse a ele, o que era verdade. "Se eu posso lidar com isso, e eu... obviamente não posso." Um músculo flexionou em sua mandíbula, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele anunciou: "Meu nome é Rider Stark." Hum. "Gosto de trabalhar com as mãos," ele continuou quando diminuiu, atingindo os freios em um semáforo. "E eu não gosto de salas de aula." Ele olhou para mim, cílios baixando. "Talvez, dizer que eu não gosto de salas de aula seja uma má escolha, mas eu poderia dizer algo como eu não gosto de bananas." "Bananas?" Ele balançou a cabeça com um pequeno sorriso. "Eu descobri cerca de três anos atrás que absolutamente odeio essas malditas coisas." "Mas elas são apenas bananas." "Elas são o fruto do diabo."


Uma risada surpresa explodiu de mim. "Isso é ridículo." O meio sorriso se espalhou e a covinha apareceu. "É a verdade. Agora é a sua vez." Eu sabia o que ele estava fazendo. Tentando provar que o que tinha sido pedido na aula de oratória era algo que eu poderia fazer, mas, obviamente, isso não era o caso. Qual era o ponto de fazer isso agora? Não era o mesmo. "Mouse?" Ele disse suavemente, mas eu balancei a cabeça. Ele não respondeu imediatamente. "Ok." Deixando de lado o meu cabelo, olhei pela janela enquanto o interior do carro ficava escuro. Nós estávamos dirigindo por uma passagem subterrânea. Alguns momentos depois Rider virou à direita e chegamos a um pequeno parque de estacionamento na frente de um edifício longo, retangular que tinha mais janelas quebradas do que envidraçada. "Onde estamos?" Rider desligou o carro e soltou o cinto de segurança. "É uma antiga fábrica. Parece ruim, mas é seguro. Prometo a você." Olhei para o prédio sinistro que parecia ter saído de um dos programas de caça-fantasmas que eu gostava de assistir na TV. Veja? Programas de caça-fantasmas. Eu poderia ter dito que eu gostava deles, para responder a pergunta feita na aula de oratória. Se alguém mais me dissesse que este lugar era seguro eu teria mantido minha bunda no carro, mas mesmo com a diferença de quatro anos entre nós, eu confiava em Rider. Tirei o cinto de segurança e sai. Ele se juntou a mim no outro lado, escorregando minhas chaves no bolso. O chão onde pisamos estava rachado, e ervas daninha cutucavam através das fissuras. Grandes pedaços estavam faltando. Olhei para o céu. O cheiro de chuva era forte no ar quando nos aproximávamos das portas duplas com tinta vermelha desbotada. "Nós não estamos indo para dentro. Hoje não."


Não vamos ficar? Uma vibração estranha criou raízes no meu peito. Ignorei, pensando que era uma coisa boa que nós não íamos entrar no lugar. Principalmente porque eu realmente não precisava adicionar arrombamento e invasão à lista que já incluía matar aula no quarto dia. Além disso, eu tinha certeza de que o lugar era assombrado. Inclinando-se, seus dedos quentes encontraram os meus. Assustada, tentei não tropeçar quando ele pegou minha mão e me levou ao redor do lado do edifício. Um cheiro de mofo agarrava-se às velhas paredes de tijolo. Ele não falou enquanto me levou ao redor do lado do edifício, além de lixeiras há muito esquecidas. Dirigiu-se para a esquerda, e eu vi várias mesas de piquenique de pedra antigas, e, em seguida, a parte de trás do edifício veio à tona. Eu parei de repente. Meus lábios se separaram em choque. Eu não sabia para onde olhar; havia tanta cor. Alguém tinha transformado uma parede cinzenta decrépita em um caleidoscópio vivo de vermelho. Amarelo. Verde. Roxo. Azul. Preto. Branco. Deixando meus olhos vagarem em todos os lugares, vi letras gigantes — iniciais aleatórias e palavras que não pareciam com o Inglês. Em seguida, houve os murais. Eu podia ver pessoas e carros. Edifícios e trens. Tudo isso pintado com spray. A maior parte delas colocava minhas esculturas de sabão na vergonha. O talento implicado pela complexidade das letras e os detalhes nos rostos era incrível. E como ser capaz de fazer isso com tinta spray? Eu não poderia mesmo fazê-lo com um pincel e Diego Rivera10 guiando minha mão. Eu pensei sobre as manchas vermelhas que eu tinha visto nos dedos de Rider, e me virei para ele. Sorrindo um pouco, ele soltou a minha mão e caminhou em direção à parede decorada, suas longas pernas levando-o até a metade do comprimento do edifício. Ele parou na frente de um menino pintado. Aproximei-me mais, cruzando os braços 10

Diego Rivera foi um famoso pintor mexicano, muito conhecido por ter um casamento conturbado com Frida Khalo.


em volta da minha cintura quando ele passou a mão sobre o ombro da criança de cabelos escuros. O detalhe era surpreendente, até as mãos enfiadas nos bolsos dos jeans gastos. A camisa era branca e o olhar tão real, tão frágil, que eu esperava que fosse explodir fora do corpo frágil. O menino estava olhando para o grafite acima dele, mas era a expressão no rosto que me tinha eviscerado. Desesperança. Estava na sua luz, dos olhos castanhos esverdeados. Devastação gravada na linha da boca da criança. O caminho das suas sobrancelhas estava franzidas e levantadas. A desolação era tão forte que era tangível. Nublou o ar. Eu conhecia aquele olhar. Eu tinha visto isso. Eu tinha sentido. Dizia: seria minha vida assim para sempre? Será que não havia futuro diferente do hoje? "Eu fui preso por pintar, um par de vezes," Rider disse, afastando-se da parede. Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans desgastada, assim como a criança na parede. "Mas este é um dos lugares onde estamos autorizados a fazer isso sem ficar em apuros. Ajuda-me a limpar a cabeça. O que eu não costumo conseguir de outra forma." "Isso... Você fez isso?" "Sim." Atordoada, eu olhava para o menino. Ele tinha feito isso com algumas latas de tinta spray? Deslumbrada, eu lentamente inclinei a cabeça. Rider sempre foi talentoso. Ele tinha rabiscado em qualquer peça de reposição de papel enquanto crescia, mas isso era incrível. Eu não conseguia parar de olhar. E eu não conseguia parar a pressão apertando meu peito ou a queimadura de lágrimas entupindo a parte de trás da minha garganta. Eu sabia que as lágrimas não iriam cair. Elas nunca fizeram. Não mais, mas eu queria chorar enquanto eu olhava tudo, porque eu sabia que no


fundo, mesmo que eu não queira admitir, que o menino triste, destruído na parede era Rider. "Você já viu Grafite em becos ou em outro armazém?" Rider perguntou, referenciando os locais onde grafiteiros de Baltimore poderiam fazer seu trabalho sem acusação pela cidade. Balancei a cabeça. "Eu vi em um beco uma vez." Eu arrastei meu olhar para longe dele e examinei a parede. "É lindo... como este lugar. Isso é incrível. Que você tenha feito isso." Rider levantou um ombro. "Não é nada." "É inacreditável." Pensei de novo sobre as minhas esculturas de sabão e quase ri. "Eu não posso... fazer qualquer coisa assim." Ele inclinou a cabeça para o lado. "Eu poderia te ensinar." Engasguei com uma risada. Eu tinha certeza de que seria como entregar um lápis a uma criança no meio de um acesso de raiva e dizendo-lhes para colorir dentro das linhas. Diante de mim, ele olhou para a grossa, nuvem de chuva. "Quero dizer, se você quiser. Não há muitos outros lugares onde você pode fazê-lo sem ficar em apuros." Olhei de volta para a parede e tentei imaginar a criação de algo tão inspirador. Eu iria acabar usando o spray para estragar uma figura pintada. "Eu não gostaria de estragar nada." Um sorriso torto apareceu. "Você não faria isso. Prometo." Incerta desse fato, eu não respondi, enquanto meu olhar caminhou de volta para a criança pintada. Gostaria de saber se Rider tinha trazido Paige aqui antes. Imediatamente, eu sabia que era um pensamento estúpido. Claro que ele tinha. Eles provavelmente fizeram isso — a marcação — juntos. "É... Paige também faz isso?" Eu perguntei, meu rosto aquecido. "Esse tipo de coisa? Marcação?" O sorriso de Rider nivelou quando ele balançou a cabeça. "No começo, talvez? Quer dizer, ela


costumava vir e me ver, mas eu honestamente não acho que foi sempre a sua coisa." Olhei de volta para a parede. "Será que ela vai ficar bem com... você me mostrando como fazer isso?" "Sim." Sua resposta foi imediata. "Por que não ficaria?" Eu realmente não tinha ideia de como responder a isso. "Ela sabe que você é importante para mim, Mouse." Ele se aproximou. "E como eu disse, ela é uma menina resistente. Não gosta das pessoas facilmente, mas ela vai com você. Eventualmente." Ele fez uma pausa. "Ela não vai ter nenhum problema com eu passar um tempo com você." Lentamente, olhei para ele. Eu pensei que deveria explicar que sua namorada só pode ter um problema com isso, e eu não poderia culpá-la se ela o fizesse, mas eu tive que tomar o que ele disse no valor de cara. Ele a conhecia muito melhor do que eu, e Paige não tinha sido má ontem na sala de aula. Ela estava apenas afirmando o seu lugar nas coisas. Eu poderia respeitar isso. E Rider e eu poderíamos ser amigos — nós sempre fomos amigos. Talvez ela comesse a gostar de mim. Pelo menos esta parte da minha vida, a minha vida com esta nova versão do Rider, poderia funcionar. Voltei-me para a parede pintada. Não havia nenhuma maneira que eu seria boa nisso, mas que mal faria? Um miniciclone se formou na minha barriga. "Ok." A covinha apareceu, e o ciclone em meu estômago cresceu. Nossos olhares colidiram, e eu rapidamente desviei o meu, de repente, me sentindo quente. Eu queria puxar a gola da minha camisa, mas isso pareceria muito estranho a considerar seriamente. "Você quer voltar?" ele perguntou, e quando eu olhei, ele estava mais perto e eu não tinha sequer ouvido ele se mover. "Mouse?" Neste ponto, a aula já acabou e eu realmente deveria ir para casa, mas eu... Eu não queria sair. Ainda não. Havia algo pacífico sobre


este lugar, apesar do zumbido distante de tráfego e o som das buzinas. Balancei a cabeça. Ele olhou para mim por um momento e, em seguida, foi até a mesa de pedra para piquenique velho e sentou-se. Me juntei a ele depois de um minuto. Nenhum de nós falou por um longo momento, e foi como cair em um buraco de coelho. Quantas vezes nós nos sentamos lado a lado no passado? Minha língua se descolou no céu da minha boca. "Você acha que é estranho?" "O quê?" ele perguntou, apoiando os cotovelos sobre a mesa atrás dele. Ele se inclinou para trás, seus cílios abaixados. "Isto. Estar aqui como... como se o tempo não tivesse passado." Calor penetrou em minhas bochechas. "É estranho." Ele ficou em silêncio novamente. "Sim, é estranho, mas de um jeito bom. Certo?" "Certo," eu murmurei. Rider bateu o joelho nos meus. "Eu estou contente que nós estamos aqui, no entanto, para experimentar esta estranheza." O calor aumentou à medida que os cantos dos meus lábios se contraíram em um pequeno sorriso. "Eu também." Ele segurou o meu olhar por um instante e, em seguida, virou a sua atenção para a parede coberta de grafite. Eu desenhei uma respiração superficial. Esta foi à oportunidade perfeita para perguntar-lhe sobre como os últimos quatro anos tinha sido. Havia tantas perguntas. "Quanto tempo... você está com a avó de Hector?" Suas sobrancelhas franziram. "Cerca de três anos." "E a... casa do grupo antes, então?" "Não foi tão ruim assim," respondeu ele, esticando suas pernas. "Não havia muitas crianças." Ele riu baixinho, sob sua respiração.


"Fiquei realmente surpreso quando fui enviado para viver com a Sra. Luna. Eu estava com quase quinze anos. Entende qual é o ponto?" Eu entendi o que ele estava dizendo, mas ele teve sorte, porque muitas pessoas não queriam assumir um adolescente que tinha estado no sistema por toda a sua vida. Foi surpreendente que ele encontrou uma pessoa que quisesse. "Você está feliz com... Sra. Luna?" "Sim..." Ele apertou os olhos enquanto movia seus dedos, abrindo e fechando-os. Um pingo de chuva bateu na mesa. "Ela é gente boa." Esperei por ele dizer mais, para elaborar, mas ele ficou em silêncio de maneira que me fez questionar o que ele disse. Abri a boca, mas ele olhou para mim. Palavras queimaram na ponta da minha língua. Sua voz era tão baixa que era quase um sussurro quando ele falou. "Você pensa... Você já pensou sobre aquela noite?" Os músculos do meu estômago deram um nó, e eu balancei a cabeça, o que não era uma mentira. Eu fiz de tudo ao meu alcance para não pensar naquela noite. Exceto na noite passada, que o meu cérebro tinha decidido trazer tudo de volta. "E você?" Sussurrei, incapaz de olhar para ele. "Às vezes." Houve uma pausa quando ele deslizou as mãos pelo meu jeans. "Às vezes eu penso em outras noites, você sabe, quando aquele

idiota

ficava

bêbado

e

seus

amigos

ainda

mais."

Cada parte do meu corpo ficou tenso, e eu não ousava fazer um som, em seguida, porque eu sabia que outras noites ele estava se referindo. "E, às vezes, eu espero que cada um deles, incluindo Henry, esteja morto." Ele riu sem humor. "Isso faz de mim uma pessoa horrível, não é?" "Não," eu disse imediatamente. "Isso não faz de você uma pessoa horrível." Minha boca ficou seca quando os meus pensamentos


correram de volta para aquelas noites quando os amigos de Henry estariam na casa. Alguns olhavam para mim de uma maneira que nenhum homem deveria olhar para uma menina. Em seguida, houve alguns que olhavam para Rider da mesma forma — alguns tinham ido até ele. Os outros já teriam conseguido chegar a mim, se Rider não tivesse intervindo. "Será que eles já...?" Rider sacudiu a cabeça. "Não, eu sempre fui muito rápido e eles estavam sempre muito bêbados. Eu tive sorte." Eu não tinha certeza se era sorte. "Devemos voltar," disse ele, empurrando seus pés quando outra gota de chuva caiu no asfalto rachado. "Está começando a chover." De pé, o segui para o Honda. Meus movimentos eram rígidos. Quando Rider entrou no carro e fechou a porta, me virei e olhei para a parede de tijolos pintados. O grafite pode ter sido apenas letras, uma flor brilhante, o rosto de uma mulher ou de um menino pequeno olhando para o céu, sem esperança de um amanhã diferente, mas cada peça de arte tinha uma história para contar. Cada um deles falou sem palavras. E enquanto eu tinha tentado durante anos fazer o mesmo, eu não era uma pintura em uma parede. "Meu nome é Mallory... Dodge." Eu desenhei uma respiração profunda, sem falar com ninguém. "Eu gosto... Eu gosto de ler. E eu não gosto... Eu não gosto de quem eu sou."


Capítulo 11

No sábado, nós não saímos para encontrar Ainsley no porto até o meio-dia. Desde que Carl queria ter o café da manhã e fazer toda a rotina de compartilhamento, que era a parte mais importante do sábado, a menos que ele ou Rosa fosse chamado para o trabalho. Carl tinha feito seus famosos waffles — famosos em sua própria cabeça — mas eles eram especiais para mim. Especial porque eu nunca tinha tido isso antes deles. Waffles com amoras e morangos todos os sábados de manhã. Especial, porque eu sabia que havia muitas crianças para contar que não estavam tendo isso e nunca tiveram. No meio do café da manhã, a conversa fiada entre eles tornou-se séria e foi dirigida a mim. Foi Rosa quem falou primeiro, depois de seu segundo copo cheio de café. "Então, a escola nos chamou ontem." Com uma garfada de waffle e de morango a meio caminho da minha boca aberta, eu congelei. Tanto para a minha promessa de Rider sobre não ficar em apuros. Ela colocou o garfo no prato, ao lado das migalhas de waffle. Seu prato estava praticamente limpo. O meu parecia um lago de xarope. "Na verdade, o Sr. Santos entrou em contato conosco." Fechei os olhos. "Nós dois falamos com ele," Carl adicionou, e o waffle que eu tão recentemente empurrei goela abaixo, azedou. "Ele explicou que houve um problema ontem na sala de aula durante um exercício de falar em público."


Abrindo os olhos, baixei meu garfo. Eu já não estava com fome. E eu estava tão... Eu me mexi na minha cadeira, desconfortável. "Ele disse que outro colega falou por você, disse que estava se sentindo mal e é por isso que você saiu," Carl continuou. "Agora, ele também nos disse que foi Rider quem cobriu você." Oh Deus. Eu queria rastejar debaixo da mesa. "Vamos falar sobre isso em um momento." Rosa levantou a mão, silenciando Carl. "Você não estava se sentindo mal ontem, estava?" Mentir provavelmente seria melhor do que jogar o meu fracasso em cima da mesa na frente de nós, mas eu balancei a cabeça. O silêncio se estendeu, e eu pressionei meus lábios quando mudei meu olhar para o prato. Eles tinham que estar tão decepcionados. Uma semana na escola e eles já tinham recebido um telefonema sobre mim. "Está bem." Rosa estendeu a mão, colocando a mão no meu braço. Eu olhei para cima. "Carl e eu esperávamos que houvesse alguns solavancos na estrada. Sabíamos que a aula de oratória não ia ser fácil. Você sabia disso, também." Ela estava certa. Isso não fazia admitir minha falha mais fácil. "A escola sabe," disse Carl, chamando minha atenção. "Sabe... sabe o que?" Cruzando os braços sobre a mesa, ele se inclinou para frente. "Falamos com a administração quando fomos registra-la, deixando que eles soubessem que você pode ter algumas dificuldades." Meu queixo quase bateu na mesa. "Você fez o que?" "Nós não entramos em detalhes, Mallory, e nós só nos reunimos com seus professores, a diretora e a Sra. Dehaven, fazem parte do conselho," explicou Rosa. "É apenas para que eles pudessem manter um olho em você, apenas no caso de acontecer alguma coisa que precisássemos saber."


Apenas todos! Meu Deus. Com formigamentos na pele e coceira, sentei-me para trás na cadeira. Olhei para eles sem realmente vê-los. Tudo o que eu podia ver era todas essas pessoas que agora saberão sobre minhas dificuldades toda a semana, quando isto deveria ser um novo começo. "Eles precisavam saber," disse Carl. Isso foi afirmado como se fosse um fato, e eu implorei para discordar. Minha língua desenrolou. "Nós elaboramos um acordo com o Sr. Santos durante a chamada de ontem," continuou ele, e minha língua foi para a direita de volta para o céu da boca. "Ele compreende perfeitamente, Mallory. Eu quero que você saiba disso. Ele entende o quão difícil será para você chegar a frente da classe e falar." Eu poderia ter parado de respirar. "O discurso é um requisito para a graduação, mas eles fazem concessões para estudantes antes," disse Rosa, sua voz suave. "E o Sr. Santos está mais do que dispostos a fazê-lo neste caso." Eu endureci. "Mas..." "Ele concordou que, em vez de você ter que dar a seus discursos na frente da classe com o resto dos alunos, você terá um tempo definido para fazê-los apenas a ele," Carl explicou, e eu poderia ter tido uma experiência fora do corpo. "Dessa forma, você vai ser capaz de manterse com as avaliações, mas em seus termos." Rosa bateu no meu braço. "Esta é uma boa notícia." "Isso..." Eu balancei a cabeça, em uma perda. "Todo mundo... vai saber." Carl fez uma careta. "As crianças da minha turma vão saber... que eu não posso fazêlo e que eu estou recebendo alguma coisa... e eles não. Todos eles... terão que ficar lá em cima e eu não? Eu preciso... fazê-lo."


Ele inclinou a cabeça para o lado. "Querida, o que você precisa fazer é passar na classe.” "O que eu preciso mais é... ser normal, e dando o discurso só para o Sr. Santos não é a mesma coisa." Eu protestei quando olhei entre eles. "Eu posso fazer isso." "Nós sabemos que você pode. Eventualmente," disse Rosa, e eu empurrei de volta no meu lugar. Eventualmente. Como se não acreditassem que posso fazê-lo agora. "Mas agora é passos de bebê. Você já fez grandes avanços nos últimos quatro anos. Não há problema em proceder com cautela depois de tanta mudança. Ok?" Eu não estava bem com qualquer um, mas a queimadura da luta foi reduzindo a nada mais do que ferver quando abaixei minhas mãos para o meu colo. "Você nunca teve de intervir... como isto, para Marquette, não é?" Rosa e Carl olharam para mim. Eu não sei por que essas palavras fluíram para fora da minha boca. Nenhuma ideia. Eu queria levá-las de volta. Carl atraiu uma respiração profunda. "Nós não fizemos." Meus dedos entrelaçados no meu colo. Rosa levantou, pegando seu prato e o de Carl. "Você terminou?" ela me perguntou, e quando eu balancei a cabeça, o meu prato foi retirado da mesa. "Isso foi bom, daquele garoto cobrir para você," Carl disse, e meu olhar voou para o dele. "Aquele garoto?" Eu perguntei. "Rider," ele corrigiu, meus ombros tensos. "O Sr. Santos disse que ele deixou a classe para verificar você. Ele não voltou." Oh caramba, eu poderia apenas começar hoje e nunca mais sair da cama? Eu desejei que estivesse lá em cima, terminando a coruja que eu tinha começado a esculpir na noite passada. Nada me anestesiava


mais rápido do que trabalhar com sabão. Isso tinha ajudado depois de tudo, com a aula de oratória e Rider. Eu tinha esculpido o corpo minúsculo, gravura em pequenas penas e orelhas pequenas, planas. Eu tirei minha atenção para o tema em apreço. "Ele... Ele fez com que eu ficasse bem." Carl me estudou. "Você passa muito tempo com ele?" "Só... na aula," eu disse, sentindo um pouco culpada por não dizer a verdade. Alisei-o com algo que era verdade. "Mas eu tenho... estado com uma menina no almoço que está na minha aula de Inglês e Oratória. O nome dela é Keira." "É muito bom ouvir isso." Rosa se virou para nós quando colocava as migalhas no lixo. "Será que Rider não compartilha o mesmo cronograma de almoço?" "Não." Eu duvidava que eles apreciassem sabendo que Rider tinha pulado classe para passar o almoço comigo no início da semana. Carl ainda estava olhando para mim como se estivesse tentando ler meus pensamentos. "Ele está interessado em você, Mallory?" "O quê?" Pisquei uma vez e depois duas vezes. Rosa se virou, seu olhar fixo nele. "Ele está interessado em você como mais do que apenas um amigo?" Ele repetiu. Oh meu... Oh meu Deus... Meu rosto estava indo para derreter. "Ele tem uma namorada!" Foi a vez de Rosa piscar. "Ele tem?" Alívio colorindo o tom de voz de Carl. "Bem, então..." Ele parou quando se sentou de volta, sorrindo. "Eu acho que é hora de nós nos preparamos para pegar a estrada." Olhei para ele.


Rosa olhou para ele. Em seguida, nos levantamos e quando estávamos prontos, pegamos a estrada. Eles não trouxeram Rider ou escola depois disso, mas no momento em que vi Ainsley uma vez que chegamos ao porto e eles estavam fora do alcance da voz, esse foi o tema de discussão. Estávamos sentadas em um dos muitos bancos de frente para o porto, enquanto Rosa e Carl foram fazer a checagem dos fundos — aumentando algumas jardas de distância. Um vento frio soprou da baía, jogando o cabelo louro longo do Ainsley em seu rosto. Ainsley era linda. Como uma das meninas universalmente bonitas que ninguém iria descrever de outra forma. Com olhos azuis e um conjunto perfeito de maçãs do rosto para combinar com um nariz arrebitado, a única coisa mais bonita do que sua aparência era a sua personalidade. Sério. Ainsley poderia ser mal-humorada e bombástica, mas ela era doce até o núcleo. A menos que provocada. Então era uma história diferente. No início, quando nos encontramos pela primeira vez na classe de estudo em casa, ela tinha sido incrivelmente paciente comigo, me puxando em conversas que a maioria tinha desistido há muito tempo, mas a cada semana nós fomos trazidas para aprender juntas, ela fez o esforço. No início, tinha sido estranho ter uma amiga. Por muito tempo tinha sido apenas Rider e depois tinha sido... Não havia mais ninguém. Falar ainda era difícil, por vezes, desde que eu só tinha que vê-la uma vez por semana, às vezes duas vezes, mas ela foi, possivelmente, a melhor coisa que aconteceu para mim depois dos Rivas. Além disso, ela poderia fazer qualquer brincadeira sem ninguém olhar estranho para ela. Hoje ela usava um conjunto azul claro com um casaco de lã azul mais escuro e ela parecia adorável. Se eu colocar uma daquelas peças, eu estaria disposta a me trancar no meu próprio quarto.


"Estou feliz que você disse a eles sobre Rider," ela estava dizendo, mas eu realmente não estava entendendo por que ela estava aliviada, porque eu não estava. Inclinando em direção a mim com uma perna pendurada fora do banco e a outra enrolada, ela manteve a voz baixa apenas no caso de termos companhia. "Porque o que você teria feito se eles apareceram na escola e vissem ele?" Eu

seriamente

duvidava

que

eles

iriam

mostrar-se

aleatoriamente em Lands High, mas uma vez que já tinham chamado a escola para garantir que as pessoas estariam de olho em mim, havia uma chance de que um dos seus espiões poderia ter dito a eles sobre Rider. Quando eu disse a Ainsley sobre isso e o negócio que Carl tinha feito com o Sr. Santos, ela compreendeu totalmente a minha mortificação. "Eu meio que... desejo que não... tivesse dito a eles," eu admiti. Ainsley não ficou desconfortável nenhuma vez durante a minha longa pausa. "Dizer-lhes é melhor!" ela meio sussurrou, meio gritou, e eu sorri. "Olha, você sabe que eu não sou o paradigma da honestidade aqui, mas eu só estou dizendo que acho que é mais inteligente da sua parte estar na frente com eles." Era inteligente por uma tonelada de razões óbvias, mas também não era para ser, por que inteligente significava que eu deveria ter mantido Rider em segredo por enquanto. Ela fez uma pausa. "Embora eu não fosse dizer-lhes sobre ele estar na casa." Revirei os olhos e sorri. "Mas a parte boa, se você decidir contar, é que você pode, você sabe, convidá-lo sem ter que mentir sobre isso," ela fundamentou. Seus olhos azuis escondidos atrás de óculos de sol de tamanho grande. O sol não estava muito forte, mas ela tinha se queixado ultimamente sobre quão sensível seus olhos estavam ficando à luz. Nós tínhamos brincado


sobre ela se transformando em um vampiro. "E eu sei que você quer passar mais tempo com ele." Mordendo meu lábio, eu lancei meu olhar para a baía. A água ondulava ligeiramente. Mais adiante, barcos derivavam. Eu queria ver mais Rider, especialmente fora da escola. Não foi tanto que nós tínhamos conversado, e eu... Bem, eu só queria estar perto dele. "Mallory?" Ela cutucou meu braço com o dela. Olhei para ela, não tendo certeza de como colocar tudo isso em palavras. Seria necessário um esforço, e agora o som da minha própria voz era tão estridente como os patos selvagens grasnando na água. Um momento se passou. "Você não quer conhecê-lo novamente?" Conhecê-lo novamente. Tal frase estranha. Eu olhava. "Eu quero." Ela pegou uma mecha de seu cabelo e atirou-o fora de seu rosto. "Mas?" "Mas é... estranho." Alisei minhas mãos sobre as coxas. "Quero dizer, as coisas são... o mesmo entre nós, mas diferente. Como ele é... ele seguiu em frente e eu..." "Você mudou também," Ainsley disse suavemente. Se eu tivesse? Alguns dias eu sentia como se tivesse percorrido um longo caminho desde a vida de medo e desesperança, mas havia outros dias em que parecia que eu ainda estava encolhida no fundo do armário, ouvindo o som dos punhos batendo em carne. Eu pensei brevemente sobre o garoto pintado na parede do armazém e as coisas que Rider tinha dito. Talvez eu não fosse a única que ainda lutava uma batalha. Eu balancei a cabeça, limpando meus pensamentos. "Ele tem uma namorada." Suas sobrancelhas subiram sobre seus óculos de sol. "Ok." Houve uma pausa. "Por favor, não leve a mal, mas o que isso tem a ver


com alguma coisa? Quero dizer, vocês cara, só estão reconectado e tudo." "Eu sei, e eu não estou dizendo que ele ter... uma namorada é a questão," expliquei, e não foi. Bem, obviamente, eu estava percebendo Rider de uma forma que era mais do que apenas amigável, porque quem não iria, mas eu sabia que ele não me via assim. Nunca tinha, nunca, com namorada ou não. Eu não poderia mesmo cogitar a ideia de ele retribuir tanto uma fração ou mais — do que — esses sentimentos de amizade. "É que eu não acho que ela está muito feliz com Rider e eu... nos reconectando." "Como assim?" Eu disse a Ainsley sobre a maneira que Paige tinha falado comigo no armário e o que ela disse para mim na aula quando Rider tinha faltado pela segunda vez. "Caramba." Suas sobrancelhas franziram. "Parte de mim pode entender por que ela não seria uma fã sua. Você sai do nada e ele está todo animado para vê-la. Isso tem que ser difícil de lidar." "Eu sei." "Mas vocês são velhos amigos, então ela precisa lidar com isso. E parece que Rider quer você na vida dele. A primeira coisa que ele fez no momento que ele teve a chance não foi abraçá-la?" Quando eu balancei a cabeça, ela continuou. "E então ele apareceu em sua casa um dia, a seguiu fora da classe quando você se assustou." Ainsley não mediu palavras. "Então ele a levou para este lugar incrível e mostrou-lhe o seu trabalho artístico super legal, eu poderia apenas adicionar. Então, ele realmente quer estar envolvido em sua vida. Ela vai precisar lidar com isso." Balancei a cabeça lentamente.


Passou um momento e então ela perguntou gentilmente: "Como você está lidando com ele estando de volta? Eu sei que ele era uma grande parte de seu passado." Ela parecia tanto com Rosa. "Estou bem." "Tem certeza?" Balancei a cabeça novamente. Ela me olhou por um momento e então ela deixou para lá. Nós tínhamos sido amigas por tempo suficiente para que ela soubesse quando eu não estava com vontade de falar sobre algo. Ainsley respeitava isso. Olhei para a feira, vendo os Rivas verificando um estande de livros usados. Carl segurou a mão de Rosa em uma das suas e na outra, ele segurava um livro. Eu sorri e, em seguida, olhei para Ainsley. "Como... como é você e Todd?" Eles eram bastante sério. Bem, pelo menos eu pensava assim, uma vez tinham tido relações sexuais. Eu acho que o sexo fez as coisas oficialmente sérias. Ela me disse que tinha sido muito estranho, mas não é ruim. Não é exatamente uma garantia, mas agora que eu estava pensando em sexo, pensei em Rider. E ei, eu estava pirando. Mas enquanto eu não tinha um pingo de experiência, Ainsley tinha me dito tudo e eu tinha uma imaginação vívida. E também uma ligação à internet, por isso... Eu já estava imaginando aqueles ombros largos, mas sem camisa, e seus braços, eu poderia dizer que seria bom. Eletricidade invadiu minhas veias, e de repente eu desejei que estivesse vestindo um top e shorts. Eu estava quente e eu me perguntei se ele... Oh meu Deus, eu realmente precisava parar. Minhas bochechas estavam queimando, e graças a Deus, Ainsley estava observando uma corrida, de um cara sem camisa. Que também era quente.


"Está tudo bem. Eu não o vi muito desde que escola recomeçou." Ela deu de ombros, não soando decepcionada. "Ele está obcecado com faculdades no momento. É tudo o que ele fala." Eu sabia que Ainsley planejava ir para Universidade de Maryland, a mesma que eu. Eu já tinha começado a aceitação cedo para a faculdade, e seus pais tinham ido lá, mas eu não tinha certeza sobre Todd. "Qual... faculdade?" "Oh, cerca de um milhão delas." Mesmo que eu não podia ver seus olhos, eu sabia que ela revirou os olhos. "Eu acho que ele quer ir a algum lugar ao norte. Ele acha que vai entrar em uma Ivy League. Sei que isto soa mal, mas ele não é tão inteligente." Eu conheci Todd uma vez, e enquanto eu não tinha certeza sobre o seu estado intelectual, eu achava que ele era um cara muito bom. Também pensei que ele provavelmente pensou que eu estava na extremidade inferior da escala legal. "Urgh," ela murmurou, esticando suas pernas. "Ele quer que eu vá ao cinema amanhã com seus amigos." Caramba. Eu tinha ouvido o suficiente das falas retóricas de Ainsley para saber que isso não era bom. "E eu não posso ir com uma boa desculpa para voltar atrás, porque ele sabe que eu quero qualquer chance de sair de casa." Ela fez uma pausa, olhando para mim. "Podemos fingir que você tem catapora e eu preciso cuidar de você?" Eu ri. Ainsley suspirou. "Acho que não. Eu só... Eu odeio os amigos dele. Todos pensam que são melhores e mais inteligentes do que eu, só porque eu estou estudando em casa. Eles estão constantemente fazendo esses comentários que sugerem quão difícil deve ser eu socializar com pessoas 'normais '. Quer saber?" Levantei minhas sobrancelhas.


"É difícil eu conviver com eles, porque tenho certeza que a maioria deles pensam, sinceramente, que a Primeira Emenda, na verdade,

significa

que

eles

podem

dizer

o

que

quiserem

sem

consequências. É ruim, se você não proteger sua bunda quando disser algo ignorante no Facebook, eles acabam te expulsando da equipe de futebol ou qualquer outra coisa!" Meus lábios tremeram. Ela levantou as mãos, e eu escondi um sorriso. "Não é assim que funciona, sabe? Não é um passe livre. Você acredita que um dos amigos dele na semana passada, na verdade, discutiu comigo sobre isso? Ele estava todo sabichão, deixe-me fazer isso com você ao explicar incorretamente a Primeira Emenda. Ele estava tentando me dizer que isso significava que ele poderia dizer o que ele queria dizer, porque era sua opinião e estava protegido. A liberdade de expressão, ele gritou. Hum, talvez seja por parte do governo, mas não de qualquer outra coisa quando se trata abaixo disso. Eu estava tipo, ele está falando sério?" Pelo menos eu não estava pensando em sexo mais. "Além do fato de que nem todas as expressões são protegidas, em primeiro lugar, eu tenho certeza que nossos pais fundadores afirmam isso muito, muito claramente." Ela atraiu uma respiração afiada. "Oh meu Deus, eu sou como aquele comercial de seguros. Eu quero gritar, 'Isto não é como funciona! Isto não é como funciona!' Olha, grite suas opiniões dos telhados, mas por favor, querido Senhor, pare de pensar que a Primeira Emenda vai protegê-lo de perder o emprego ou de ser

expulso

de

uma

casa

de

fraternidade.

Ou-ou!

Se

outras pessoas tiverem uma opinião diferente." Ainsley teria um futuro em Direito. "E sim, eu posso falar três línguas fluentemente," ela continuou. "Mas eles querem me tratar como se eu fosse algum tipo de pessoa


simplória, só porque sou educada em casa." Seus ombros caíram. "Eu odeio dizer isso, mas eu... eu não gosto deles." "Sinto muito," eu disse. Ela balançou a cabeça, as costas longas e retas do seu cabelo voaram com o vento. "É o que é. Eu vou lidar com isso." Ainsley lidaria. Ela sempre consegue. Depois de alguns momentos, ela disse, "Oh, cara, estou com uma dor de cabeça." Erguendo a mão, esfregou sua testa, acima do olho esquerdo. "Eu não sei se é estresse por causa de amanhã ou são meus seios ou meus globos oculares ou o quê." Minhas sobrancelhas franziram. "Seus... Os olhos têm... te incomodado muito ultimamente." "Eles têm?" Seus lábios franziram. "Eu acho que sim. Eu só tenho uma porcaria de visão. Você sabe disso." Acho que sim. Ainsley provavelmente deverá usar os óculos mais frequentemente, já que eu não tinha ideia de como ela enxergava sem eles. Tentei usá-los uma vez, e foi como ver o mundo através de espelhos. Uma vez eu tinha perguntado por que ela não os usa, mas ela jurou que podia ver, como ela dizia, o que ela precisava ver. Colocando um braço em volta dos meus ombros, Ainsley se aconchegou, descansando a cabeça no meu ombro. "Não me odeie, porque eu estou prestes a trazer a conversa de volta para Rider, mas é por razões puramente egoístas. Espero que vocês acabem por sair mais e então podemos marcar um encontro duplo. Não que isso seria um encontro duplo, mas perto o suficiente. Você sabe por que eu quero um encontro duplo com você?" Meus lábios levaram nos cantos. "Porque você é incrível," disse ela, rindo. "E eu poderia usar mais alguns extras impressionantes quando se trata de Todd." Algo me ocorreu. "Você... realmente gosta de Todd?"


Ainsley suspirou. "Boa pergunta. Eu n찾o sei. Eu acho que gosto dele por agora, mas n찾o para sempre." Eu poderia ter dito a Ainsley que, o agora era muito bom. Que nenhum de n처s sabia o que o futuro reservava. Que sempre poderia ser arrancado fora de alcance. Em vez disso, sorri e tentei n찾o imaginar todos os encontros que ela estava planejando para Rider e eu, encontros que nunca iriam acontecer. Eu queria dar ao agora uma tentativa, eu mesma.


Capítulo 12

Os nós dos meus dedos estavam brancos enquanto eu dirigia para a escola na segunda de manhã, meu estômago torcido, agitado o tempo todo. Uma grande parte de mim não queria nem aparecer, porque, qual era o ponto? O acordo que Carl tinha feito com o Sr. Santos significa que eu não estava realmente empurrando a mim mesma. Mas eu tinha que ir para a aula. Mesmo que só estaria dando meu discurso na frente de uma pessoa, eu tinha que mostrar minha cara. Se não fizesse, eu seria essa menina que mal conseguia olhar para si mesma no espelho, muito menos manter uma conversa com alguém. Pensei em Ainsley, de quão difícil ainda era falar com uma pessoa, até mesmo com a minha amiga mais próxima. Detesto que minha timidez me levou para um nível totalmente novo, incapacitante. Envergonhada, não era mesmo a palavra certa, de acordo com Dr. Taft. Mas ainda era o que as pessoas me classificariam sempre. Mallory era apenas tímida. Mallory precisa sair da sua concha. Se eu realmente estava em uma concha, era de titânio-atado e à prova de bala. Quando virei à esquina que leva para o meu armário, meu passo falhou quando vi Paige encostada nele. Ah não.


Eu tive uma sensação de que ela esperando por mim, não era a mesma coisa que Jayden esperando por mim. Instinto queimando minha vida, exigindo que eu me virasse e fosse para a aula. Eu não peguei meus livros de manhã, mas eu poderia pegar depois, talvez, e agarrar então. Ou talvez isso não fosse acabar mal. Eu queria que não. Eu queria que as coisas ficassem bem entre Paige e eu. Ela era importante para Rider. Paige virou a cabeça, me espionando. Exageradamente tarde para ser executado. Ou não. Eu ainda poderia correr. Seus lábios vermelhos se curvaram em um sorriso. “Oi, Mouse.” O apelido de Rider pingava com ironia quando ela se empurrou do armário, permanecendo alguns pés na minha frente. "Eu estou surpresa de ver que você está aqui depois de seu pequeno incidente na sala de aula sexta-feira." Meus passos desaceleraram e eu estava andando pelo corredor. Minha suspeita inicial estava correta. Isso não ia acabar bem. Ela cruzou os braços enquanto olhava nos meus olhos, ignorando os alunos que pararam em torno de nós, observando. Talvez ela não tenha percebido. Talvez ela soubesse que estava chamando a atenção dos outros. Minha boca secou. "Eu não vou nem perguntar por que você se apavora," ela disse, levantando uma sobrancelha cor de mel. "Eu sei por quê. A pobre e pequena Mouse não gosta de falar." Alguém, uma menina, gargalhou. Houve uma risada de um cara também. Meu estômago aguardou a queda. Eu podia sentir minha garganta fechando. Corra, aquela pequena voz no fundo da minha cabeça gritou. Corra agora. Meu queixo apertou para baixo com tanta força que uma mordida aguda de dor lançou na minha bochecha. Meu coração bateu como um tambor de aço. Comecei a caminhar em torno dela. Talvez ela me deixasse chegar ao meu armário. Se ela só queria dizer porcaria


para mim, tanto faz. Eu já tinha recebido o pior. Eu me movi por ela e me dirigi para o meu armário por trás. Ela não podia dizer nada que eu não tivesse ouvido antes. "Eu sei o que você está fazendo," disse ela, virando para me seguir. "Você está atrás de Rider. E isso é patético. Realmente patético." Vacilei quando cheguei no meu armário. Eu não estava atrás de Rider. Não do jeito que ela queria dizer. Se ela me deixasse em paz, ela acabaria por ver isso. Ela não podia simplesmente ir embora? Era mesmo pedir demais? Paige não estava indo para qualquer lugar. Seus dedos frios enrolaram no meu antebraço, seu aperto era firme, mas não doloroso. Meu queixo se ergueu e nossos olhos se encontraram. Ela baixou a cabeça. “A última coisa que Rider precisa agora é a sua merda. O quê? Você acha que eu não sei sobre você e ele? Você acha que eu não sei que para Rider você ainda é a pobre Mouse que ele precisa proteger?" Meus dedos se curvaram ao redor do ar vazio, quando os músculos ao longo minhas costas ficou tenso. A torção cruel dos seus lábios desapareceu e, em seguida, ela já não estava olhando para mim como se eu mal valesse o ar que ela estava respirando. Seu olhar era firme e sério. “Ele me falou sobre você, sobre esta menina que nunca fala e como ele se sentia mal por ela. Ele falou muito sobre você." Ela exalou bruscamente. "Ele falou sobre você mais do que falou sobre si mesmo no começo — quando ele veio ficar com Hector. Ele me contou o que aconteceu." Meu estômago abriu um buraco enquanto olhava para ela. Desgosto escorria da sua voz. Meu peito ficou apertado. Eu disse a Ainsley muito sobre o meu passado, mas Ainsley nunca iria usar isso contra mim. Mas essa garota podia. Ela poderia dizer a todos. Como Rider pôde lhe dizer essas coisas sobre mim? Um sentimento maduro


de traição se elevou, obstruindo pensamentos já dispersos. Eu não sabia quem era essa menina e ela sabia coisas sobre mim que eu tinha levado meses para compartilhar com Ainsley. "Eu não estou tentando ser uma cadela," ela disse, e eu pensei que ela estava fazendo uma boa imitação para alguém que não estava tentando. "Mas Rider viveu com um sentimento de culpa desde que o conheço, e não foi até o ano passado que ele parece ter começado a seguir em frente. E agora você está de volta. Esse tipo de merda é a última coisa que ele precisa agora." Sentimento de culpa? Pisquei lentamente com a sensação de vazio se espalhando pelo meu peito. Dormência seguida, quando o que Paige estava dizendo realmente começou a penetrar. Rider tinha compartilhado material pesado com ela. Coisas impronunciáveis sobre nós dois, e ele sentia culpa — ele se sentiu mal pelo que tinha acontecido para mim. Sua piedade disfarçada de uma rigidez que não podia ser lavada. Seus olhos se estreitaram e ela balançou a cabeça, soltando meu braço. Naquele momento eu percebi que tínhamos uma audiência. Eu não acho que eles poderiam nos ouvir, mas eles definitivamente assistiram. Em um raro momento, eu estava muito assustada para sentir a humilhação. "Deus, você é tão estúpida," Paige soltou. "Você está me olhando como se você não tivesse ideia do que estou falando. Por que mais você...". As palavras saindo de mim, rompendo o selo que tinha ligado o topo da minha garganta. "Eu não sou estúpida." Paige parecia chocada. Um momento se passou, e o som dos estudantes em torno de nós desapareceu. "Você acabou de falar comigo?"


Uma voz nos intrometeu. "Não seja um cabrona11. Eu sei que é difícil e é como tudo que você tem neste mundo, mas Jesus pare com isso." Meu olhar correu para onde Jayden estava. Tomei uma respiração profunda, acolhendo o cheiro de terra que parece sempre estar com o menino mais novo. As bochechas de Paige ficaram rosa quando ela se virou para Jayden. "Do que você acabou de me chamar?" Ele inclinou a cabeça, olhando para ela. "Você sabe o que eu disse. E você sabe que é verdade, a menos que você seja estúpida." Seus olhos se estreitaram, mas Jayden levou-a para fora do caminho, me permitindo ter acesso total ao meu armário. Olhando para a pequena multidão que se reuniu em torno de nós, puxei a porta e rapidamente transferi meus livros, apenas consciente do que estava fazendo. Minha cabeça estava a milhares de horas no passado, e quando me virei, Paige tinha ido embora e Jayden estava de pé com o seu sorriso sonolento no rosto. “Andando até a aula muñeca12?” Eu tinha ouvido muñeca ser pronunciada antes. Carl chamou Rosa de vez em quando, e ela sorriu quando ouviu isso. Com as mãos trêmulas, eu concordei e ergui a alça da minha bolsa. "Meu armário é no final do corredor," acrescentou. "Eu tenho uma razão para estar neste corredor. Paige não." O movimento giratório no meu estômago aumentou desde que significou que Paige foi me procurar. Jayden andou ao meu lado, e eu mantive meu queixo abaixado, olhos no chão enquanto navegamos pelo corredor congestionado. Eu me perguntei se isso significaria que ele se atrasaria para sua aula, mas duvidava que ele se importasse. Palavra do espanhol: Pessoa agindo de má conduta e que incomoda ou prejudica os outros com suas tarefas ou truques. É usada como um insulto. 11

12

Boneca em espanhol.


"Posso te perguntar uma coisa?" Balancei a cabeça novamente. Ele agarrou a mão sobre o cacho mais próximo. "Por que você não fala? Quero dizer, você pode. Eu ouvi você. Então por que não falar, tipo, você sabe, o tempo todo?" Não fiz nenhum som. Estas quatro palavras ecoaram em meus pensamentos enquanto lutava

agora

para

obter

minha

língua

para

funcionar.

Meu

"condicionamento" faria sentido se eu desse a Jayden essa explicação, ou ele iria pensar que eu era estranha? Provavelmente estranha. Dr. Taft tinha explicado a Rosa e Carl que a minha falta de... Fala veio de PTSD13 e que eu tinha sido condicionada a ser o mais silenciosa possível.

Eu

tinha

feito

a

pesquisa

sobre

toda

a

coisa

de

condicionamento e aprendi tudo sobre o cão de Pavlov. Pelo menos eu não babava quando um sino era tocado. Eu tinha acabado por ser treinada através de reforço negativo para não fazer um som, para não ser vista ou ouvida. "Você sabe, tudo bem. Não se preocupe. Como eu disse no outro dia, eu vou fazer você falar. É uma espécie de coisa minha. Você sabe o que dizem sobre mim, muñeca? Que eu posso vender gelo para um esquimó. Eu sou apenas tão legal e encantador." Com seu sorriso, eu não poderia dizer se ele estava falando sério ou não. "Eu acho que isso é o que eu vou fazer quando eu sair deste lugar maldito. Algo com vendas. Eu arraso nessa merda." Ele fez uma pausa. "Ao contrário de Paige. Se ela estivesse tentando vender alguma coisa, ela perderia o cliente." Tomei uma respiração instável. "Como pode... Rider gostar dela?" Ele parou e olhou para mim. "Paige?"

13

Do ingês: Post-Traumatic Stress Disorder (transtorno de estresse pós-traumático).


"Sinto muito," eu disse imediatamente, pensando em como Rider explicou que Paige tinha conhecido Hector e Jayden desde que eram jovens. "Ela é sua amiga e...". "Sim, ela é minha amiga, mas ela não é actinia14. Ela não agiu bem com você, então não precisa se desculpar. Ela não é assim com Rider. E eu duvido que ela agisse assim quando ele estivesse por perto. Ela não iria conseguir fazer qualquer porcaria com ele." Jayden tirou um telefone do bolso, um telefone celular novo, brilhante e grande. Ele bateu na tela, de forma rápida digitando uma mensagem de texto. Com a sobrancelha franzida. "De qualquer forma, apenas ignore Paige. Você provavelmente já...". Jayden parou, e quando olhei para cima, estávamos perto da minha classe, mas não era isso o que ele estava olhando. Mais à frente, um cara realmente grande estava vindo pelo corredor. Tinha que ser um aluno mais velho que poderia ter repetido a classe final de um ano ou três. Ele estava olhando para Jayden da mesma maneira que o outro cara estava olhando na primeira vez que esbarrei com ele no corredor. "Mierda," Jayden murmurou, e depois começou a recuar. Ele olhou para mim. "Vejo você mais tarde, muñeca." Não havia chance de responder. Ele se virou e começou a andar pelo corredor, pegando a parte de trás das calças com uma mão. "Yo! Jayden," o menino mais velho gritou, pegando o ritmo. "A onde você vai, mano?" Olhando para trás, vi Jayden na esquina, e quando olhei para cima, seu irmão mais velho apareceu, vindo por trás do cara. A mandíbula de Hector estava apertada quando ele bateu a mão no ombro do rapaz. "O que está acontecendo, Braden?" Hector exigiu.

14

Palavra em espanhol que significa anêmona do mar.


Braden girou, tirando a mão de Hector de seu ombro. Seu tom parecia de raiva. "Você sabe exatamente o que está acontecendo. Jerome está chateado, por causa do seu irmão estúpido, e essa merda vai feder. E não vai cair em cima de mim. Ele precisa acertar...". Entrei na minha sala, assim que o meu professor da sala caminhou para o corredor, chamando dois nomes dos meninos. Eu pressionei o meu lábio inferior enquanto corri para o assento disponível na parte de trás. Quase toda vez que eu vi Jayden, problemas estavam acontecendo. Isso não poderia ser bom. Então me bateu, com o poder de um caminhão em alta velocidade quando fui ao meu assento e o sino tardio tocou, e os pensamentos de Jayden flutuaram para longe. Eu percebi que tinha feito algo que eu nunca, nunca tinha feito antes. Eu parei Paige. Eu tinha falado apenas três palavras. Mas eu tinha feito isso. Eu me levantei por mim.


Capítulo 13

Meu senso de percepção era forte, um ponto brilhante do dia, brilhou durante todo o almoço e em minhas aulas na parte da tarde. Sentei-me com Keira novamente. Eu também não queria falar, mas ninguém parecia estar incomodado com a falta de comunicação da minha parte. Levantar-me sobre Paige foi intenso. Como subir o Monte Everest e não morrer sobre o nível enorme. Tinha sido Jayden quem interveio, duas vezes agora, mas desta vez, tinha sido eu a calar ela. Poderia não ter sido muito, mas tinha sido tudo de mim. Só quando estava a caminho da última aula, o meu estômago começou a fazer cambalhotas novamente. Oratória era a última aula. A minha pequena vitória na parte da manhã parecia uma eternidade atrás. Não só eu estava indo mostrar meu rosto de novo, mas eu também ia ter que ver Paige mais uma vez. Recolhendo meu livro, o joguei em minha bolsa e me levantei. Se eu tinha pensado que andar esta manhã era como andar através de cimento molhado, isso era como marchar dentro da areia movediça atado com cimento. Mas quando olhei do outro lado do corredor, meu coração pulou no meu peito. Reação errada, tão errada, mas não havia como parar isso. Rider estava esperando no corredor, inclinando-se contra os armários em frente a uma sala, com as mãos enfiadas nos bolsos dos jeans gastos com bordas desgastadas.


Houve uma dificuldade estranha na minha garganta, e meu estômago deu cambalhotas por uma razão totalmente diferente do que tinha antes. Calor passou como corrente elétrica pelas minhas veias quando ele levantou os cílios e olhos ouro-marrom macio colidiram com o meu. Rider parecia... Meu Deus, ele parecia bom. Bom da maneira que eu não sabia que um adolescente poderia ser. Como aqueles atores da TV, com seus vinte e cinco anos. Seu cabelo castanho-escuro estava confuso, como se ele tivesse acordado, os lavou e deixou secar de qualquer maneira que caísse. A luz amarela brilhante realçou as maçãs do seu rosto saliente. Os lábios cheios ligeiramente inclinados em um canto, mas a covinha na bochecha direita era ausente. Esticado através de seus ombros largos, o emblema em sua camisa azul estava tão desbotado que eu não conseguia entender o que era. Quando ele se endireitou, levantou a mão e tirou o cabelo da testa. O novo corte acima de sua sobrancelha estava se curando, quase imperceptível. Isso me deixou feliz. Fui até ele, tentando manter um sorriso bobo fora dos meus lábios. "Oi, Mouse," disse ele, e a maneira como ele disse Mouse era tão diferente de como Paige atirou o apelido. Era suave e profundo e infinito. "Qual é o plano?" Isso me acertou então, quando atravessei o mar de estudantes, que Rider estava do lado de fora da classe, a minha espera porque ele sabia o que estava por vir para mim. Ele queria saber o plano. E ia me socorrer, e no fundo, eu sabia que ele estaria bem ao meu lado não importa o que eu escolhesse. Minhas entranhas estavam pegajosas, e eu disse a mim mesma que qualquer um se sentiria assim, mas um punhado de culpa se enrolou em torno do meu entusiasmo. Minhas entranhas não estavam


autorizadas a se transformar em pegajosas para Rider. Ele era uma zona livre. Uma segunda coisa me ocorreu então. Paige tinha dito que Rider sempre me protegeu e que eu estava de alguma forma influenciando-o a fazer o mesmo novamente. Ela acreditava que eu estava atrás de Rider. Eu não tinha feito qualquer coisa, mas ela estava certa de alguma forma. Rider tinha estado comigo quando eu saí da sala, me seguiu, e ele estava aqui agora, disposto a fazer tudo o que eu precisasse que ele fizesse. Ele ainda estava me protegendo. E isso me fez patética. "Você vai entrar?" ele perguntou, olhando para cima quando alguém bateu levemente no meu ombro. Seus olhos se estreitaram. Limpei a garganta. O impulso de correr estava lá, porque seria a coisa mais fácil de fazer, mas era de curto prazo. Eu sabia disso, e se eu não voltar para a aula, eu nunca me perdoaria. Enquadrando meus ombros, eu assenti. "Eu vou." Sua expressão era impassível, com exceção do canto dos lábios que levantaram mais. A covinha fez uma aparição, abençoando o corredor. "Vamos fazer isso, então." "Espere." Agarrei seu braço. Espanto apareceu em seu rosto. Ele não estava acostumado comigo agarrando-o. Abri a boca, preparada para perguntar a ele sobre o que ele tinha dito a Paige. Eu queria saber o que ele disse a ela. Eu queria saber se era pena o que levou à suas ações. Comecei a falar, mas as pessoas nos notaram. Nós não estávamos sozinhos, e esta precisava ser uma conversa privada. Uma que realmente não poderia ser realizada no minuto ou entre as aulas. “Mouse?” Forcei um sorriso quando deixei cair o braço. Ele levantou a mão, esfregando-a ao longo de sua mandíbula.


Tinha manchas azuis em seus dedos nesse momento. "Você... Você foi pintar mais?" Eu perguntei, tocando em terreno seguro. Ele mudou seu caderno desgastado para a outra mão. "Mais ou menos." Esperei por uma resposta mais detalhada à medida que descia a escada. Rider caminhava ao meu lado, ocupando a maior parte do espaço. Os alunos tiveram que se espremer por ele, virando-se para o lado, mas ele pareceu não notar. Ou ser cuidadoso. Ele não entrou em detalhes, então quando corri minha mão pelo corrimão de metal frio, fiz minha língua funcionar. "O que... isso significa?" Nós abrandamos o passo, "Eu trabalho à noite. Às vezes." Surpresa cintilou através do meu sistema. "Você trabalha?" "Depois da escola, um par de vezes por semana." Ele olhou para mim e depois soltou uma risada baixa. "Você parece como se eu tivesse acabado de dizer que estou pensando em comprar um barco de pesca para caranguejo." Pisquei quando descemos os degraus finais. "Eu só não... sei. Onde você trabalha?" "Não muito longe de onde eu estou ficando," explicou. "Ficando?" Eu repeti, pensando que era uma forma estranha de se referir ao lugar onde ele estava vivendo com a avó de Hector e Jayden. Ele assentiu. "Em uma garagem na rua da casa da Sra. Luna. Eu dei alguns detalhes para o proprietário. Trabalhos de pintura personalizada, esse tipo de coisa."


"Uau," eu murmurei, me lembrando dele mencionar uma garagem para Paige na sexta-feira. Ele abriu a porta, segurando-a quando passei debaixo do seu braço. "Isso é incrível. Quero dizer, eles devem realmente... confiar em você para fazer isso." Rider encolheu os ombros como se não fosse um grande negócio, mas um leve rubor apareceu em suas bochechas. Eu não sabia muito sobre trabalhos de pintura personalizada, mas eu sabia que tinha que ser trabalho duro com pouco espaço para erro. O fato de alguém confiar em um adolescente era surpreendente, e eu queria perguntar a ele como conseguiu o emprego, mas antes que eu percebesse, estávamos andando na sala de aula. Ele ficou ao meu lado, e enquanto me dirigia para o fundo da classe, Keira levantou a mão e mexeu os dedos. Devolvi o gesto. Durante o almoço, Keira e Jo passaram a maior parte do período falando sobre uma nova rotina que estavam aprendendo, para desgosto de Anna. Tomei meu assento e imediatamente abri meu livro. As palavras borraram quando Hector caiu no assento em frente à Rider e perguntou: "Como está se sentindo, bebita?" No início, não entendi por que ele estava perguntando e eu pensava nele perseguindo o cara chamado Braden, mas depois me lembrei da corrida louca fora da classe sexta-feira e a desculpa de Rider. Balancei a cabeça e, em seguida, olhei para Ryder. Ele estava encostado na cadeira, com os braços cruzados sobre o peito e as pernas esticadas sob a mesa, seu olhar com pálpebras pesadas centrado na minha direção. A secura na garganta aumentou a resposta dupla. Eu queria fazer uma pergunta, mas a maneira que Rider estava olhando para mim me fez autoconsciente. Mantendo o meu foco sobre ele, eu tive a minha boca em movimento. "O que... bebita significa?"


Rider piscou e seus lábios lentamente se separaram. Surpresa estampada em seu rosto. Sim, eu tinha falado na frente de Hector. Senti uma espécie de vertigem. Podem ter sido apenas poucas palavras, mas foi a primeira vez que falei com ele. Foi a primeira vez que eu tinha falado com alguém na frente de Rider, desde que nos encontramos novamente. Ele nunca tinha estado em torno antes quando Jayden esteve. Mordendo o lábio para impedir de sorrir, ousei dar uma olhada em Hector. Seus olhos verdes estavam arregalados, então ele abriu um largo sorriso. "Significa, uh, querida." "Oh," eu sussurrei, sentindo meu rosto esquentar. Isso foi bem legal. "Isso também significa algo que ele não deveria estar chamando você," Rider acrescentou, e meu olhar correu de volta para ele. Hector riu, e quando olhei para ele, ele estava sorrindo. Um braço estava jogado sobre o encosto da cadeira. "Muito ruim," ele murmurou, mas nada sobre a maneira que ele me olhou, sugeriu que sentiu alguma culpa. Meus lábios se contraíram em um pequeno sorriso. Rider inclinou a cabeça para o lado. "Uh-huh." Vi Paige entrar na classe naquele momento, suas longas pernas a curta distância. Ela sorriu para Hector quando se virou para a mesa. Paige não se sentou imediatamente. Ela colocou a mão no ombro de Rider e se inclinou para baixo, seu rosto indo para o dele. "Oi, amor," disse ela. Mantive meu foco para frente da sala de aula. Eu não tinha necessidade de vê-los se beijando e saber o que fizeram. Ainda não tinha olhado quando ouvi um arranhão da cadeira pelo chão, sinalizando

que

ela

estava

sentada.

Uma

sensação

estranha,


queimando iluminou meu interior. Eu tinha um gosto amargo na parte de trás da minha boca. Hector estava me observando. Sorri. O lado de seus lábios curvou para cima. Alguns segundos depois o Sr. Santos iniciou a aula com um bater de palmas. Fiquei tensa, e meu olhar foi para frente da sala de aula. Parte de mim esperava que ele fizesse contato visual comigo, ou acenasse com a cabeça, algo que mostrasse que ele estava a bordo para o plano de Carl. Mas ele não fez. Sr. Santos abriu sua apostila e passou para frente do quadro negro, escrevendo em cima nosso primeiro discurso, que devemos apresentar em três semanas. Um discurso informativo. Teria três minutos de duração. Meu estômago caiu no chão. Três minutos? O primeiro discurso seria de três longos minutos? Isso era para sempre! Mesmo que só tivesse que fazer o meu em frente do Sr. Santos, meu coração começou a bater contra as costelas, mas diminuí meus pensamentos. Eu tinha três semanas para surtar, então eu precisava relaxar e eu precisava prestar atenção no momento. Consegui controlar minha mente para que eu pudesse às pressas fazer as anotações. Sempre que olhava para Rider, ele parecia meio adormecido. Definitivamente não estava tomando notas. Paige estava, na verdade, anotando as coisas. Hector estava, bem, ele estava olhando para o telefone celular que havia pousado na coxa. Pensei ter visto explodindo Candy Crush na tela em algum ponto. Quando a campainha tocou, sinalizando o fim da aula, eu queria pular e empurrar meu punho no ar, estilo Breakfast Club. Consegui não fazer isso, graças a Deus, e, calmamente guardei minhas coisas.


No momento em que percebi Hector já estava fora da classe. Keira estava na frente da sala, conversando com o Sr. Santos. Rider estava envolvendo seus longos dedos sobre a parte de cima do seu caderno, esperando. Por mim. Quando joguei a alça sobre meu ombro, o sentimento vai-e-vem atingiu minha barriga novamente, e então percebi que Paige também estava esperando. Por ele. "Ei." Paige passou por cima, enrolando a mão ao redor de seu braço. Ela se inclinou para ele. Assim como tinha feito antes, eu sorri e depois tirei minha bunda de lá antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa. Ou pelo menos eu tentei. "Mallory." O Sr. Santos apareceu na porta. "Podemos falar por um momento?" A tensão escoou em meus ombros enquanto eu o segui até a mesa. Eu o vi fechar um notebook. "Eu não vou mantê-la por muito tempo. Tenho certeza de que você está pronta para sair daqui," disse ele. A pele escura plissou em torno de seus olhos quando ele sorriu. "Eu só queria que você soubesse que eu estou cem por cento a favor de você entregar seus discursos para mim." Este era o momento de falar, dizer a ele que eu queria fazer o meu discurso como todo mundo. Eu não disse nada. O Sr. Santos continuou falando. "Eu queria que você também soubesse que eu entendo. Falar em público é difícil para qualquer um e para alguns, é quase impossível. Eu não vou forçar qualquer um dos meus alunos a se levantar e fazer algo que pudesse ser potencialmente prejudicial para eles." Isso era realmente... Gentil da parte dele.


Mas eu poderia dizer ao Sr. Santos que eu poderia fazer o discurso, que não iria me prejudicar. Eu poderia encontrar a coragem e força dentro de mim para fazer. Eu ainda não disse nada. "Ok?" ele disse. Eu concordei. O Sr. Santos sorriu assentindo e, em seguida, ele falou. "Tenha uma boa noite, Mallory." Girando, saí da sala de aula e antes que eu pudesse processar minha conversa com o Sr. Santos, vi Rider sem sua namorada. Olhei em volta. "Onde está... Paige?" "Ela saiu. Não podia esperar por mim," disse ele, como se fosse algo totalmente legal da parte dela, deixando-lhe esperar por mim. Minha boca se abriu para começar a falar com ele sobre o que aconteceu esta manhã, mas imediatamente fechei meus lábios. "Você tem que ir para seu armário?" ele perguntou. Pensando sobre o trabalho de casa que eu tinha, balancei a cabeça. Ele empurrou o queixo em direção ao final do corredor. "Vamos andando até seu carro?" E foi o que ele fez. Nós saímos entre o fluxo de vários estudantes que se dirigiam para fora, suas vozes excitadas nos rodeavam. Não foi até que eu vi o teto do meu carro brilhando ao sol da tarde que Rider falou. "Estou feliz que hoje não teve complicações." Não havia como parar o meu sorriso. Espalhou-se de orelha a orelha. "Eu... eu, também." Levantando meu queixo, eu respirei fundo. Rider olhou para mim, um sorriso torto inclinando em seus lábios. Em uma fração de segundo, eu fui jogada em uma década atrás.


Eu era menor, à beira de um irregular colchão estreito. Meu estômago estava vazio, torcendo e agitando com dores de fome. No meio do verão, sem qualquer ar-condicionado, meu cabelo estava agarrado no meu rosto, e suor agrupado em áreas que não devem estar quando você estava sentado quieto. Rider tinha estado fora o dia todo. Senhorita Becky, durante um de seus raros momentos de sobriedade, tinha levado Rider ao shopping com ela, o shopping era agradável, com ar-condicionado. Rider era o favorito da senhorita Becky. Lembrei-me de chorar, porque eu queria ir, mas ela me repreendeu, dizendo-me para parar de agir como um bebê. Eu tinha ficado no quarto sem ar durante todo o dia, porque o Sr. Henry também estava em casa, e eu não queria chamar sua atenção. Foi quando Rider voltou para casa naquela noite, que ele trouxe a boneca com ele. "Eu me senti mal," ele disse, me entregando. Ele tinha usado o mesmo sorriso, em seguida, como fez agora, uma estranha mistura encantadora de incerteza e de confiança. O que Paige disse anteriormente ressurgiu com uma vingança. Eu me senti mal. Ela havia dito que Rider tinha estado em uma viagem de culpa nos últimos quatro anos, e agora eu podia ver totalmente quão claramente isso era. Fazia sentido. Rider tinha sofrido naquela casa, mas, de certa forma, ele tinha sido tratado melhor do que eu. Sua culpa estimulou a necessidade louca e às vezes fatalista para se colocar na frente dos punhos do Sr. Henry e eu. Meu reaparecimento em sua vida o levara para essa etapa imediatamente, e outra vez novamente, sobre o papel de protetor. Eu senti... De repente, me senti grosseira. Como se eu tivesse estado fora o dia todo quando estava abafado. Eu queria ir para casa, tirar as minhas roupas, queimá-las e, em seguida, tomar banho por dias. O peso da pena que ele deve ter sentido por mim e o


nível de culpa que ele carregava era sufocante. Lágrimas estúpidas queimaram o fundo da minha garganta. Deus, isso era humilhante. Dei um passo para trás, apertando o meu domínio sobre a alça da minha mochila. Agora era a hora de ter essa conversa. "Você se sente culpado?" Rider piscou. "O quê?" "Você esteve... se sentindo culpado, por causa de... por causa de mim?" Eu perguntei, forçando as palavras mesmo que fosse feri-lo. Sua boca se moveu por um momento, formando palavras que não foram faladas, e depois ele endureceu como se alguém tivesse deixado cair aço em sua espinha. "Porque está me perguntando isso?" "Por que você não me responde?" Eu soltei. "Eu nem sei que tipo de pergunta é essa, Mouse. Ou por que você iria sequer pensar nisso." Minhas sobrancelhas subiram. "Você... realmente não sabe?" Passou um momento e sua mão apertou em torno do seu caderno. Ele não respondeu, e eu respirei fundo. "Você... você conversou com Paige sobre mim." "Jesus." Olhando para os lados, ele baixou a cabeça. Um músculo pulsava na sua mandíbula. "Ela disse essas coisas para você, Mouse? De verdade?" Levantei um ombro. Ele não viu, porque não estava olhando para mim. Ele estava observando um Bug Volkswagen amarelo brilhante voltar de um local no estacionamento das proximidades. "Não," eu menti. "Não realmente, mas... Isso me fez pensar sobre as coisas." "Quando? Eu não vi vocês duas conversando."


"Eu encontrei com ela esta manhã." Isso era uma espécie de verdade e soava melhor do que dizer que ela esteve esperando por mim. "Mouse..." Eu esperei. "Eu disse a ela algumas coisas sobre o que aconteceu. Olhando para trás, eu provavelmente não deveria ter feito isso. Merda. Eu esperava que você nunca mais fosse voltar, ou que não teria mesmo uma chance de que ela pudesse ir falar com você." Eu não tinha certeza de como me sentia sobre isso desde que eu nem sempre esperava vê-lo novamente, quer dizer, mas o sentimento de traição ainda estava lá, rebaixando meu estômago. Mesmo naquele momento eu percebi que era irracional. Falar com Paige não fez Rider desleal a mim, porque não havia nada para ser leal, mas isso não muda a ferida aberta. "Eu não lhe disse tudo." Suguei uma respiração afiada. "Ela sabia que... Eu não falo muito." "Isso não fui eu. Eu nunca disse isso a ela." Ele retornou o olhar duro para mim. "Terça-feira passada, ela havia ido a casa de Hector e ele estava perguntando sobre você. Eu estava falando com ele, deixando-o saber que você era calma e não falava muito. Ela deve ter me ouvido, porque eu nunca lhe disse isso diretamente." Houve uma pausa. "Será que Paige disse que eu falei?" Embora não fosse verdade, balancei a cabeça. Seus ombros se levantaram com uma respiração profunda e, em seguida, ele usou os dedos para escovar uma mecha de cabelo que tinha caído de volta atrás da minha orelha. Um formigamento doce irradiava na minha bochecha e depois se espalhou pela minha espinha quando ele apertou sua mão ao redor da minha nuca.


Eu não sabia o que dizer quando encaramos um ao outro. Em conflito, eu tinha certeza de que, mesmo se eu não tivesse um problema com a minha voz, eu ainda não teria ideia do que dizer nesta situação. Rider segurou o meu olhar por um momento e, em seguida, usando a mão na parte de trás do meu pescoço, ele me guiou em direção a ele. Seu outro braço varreu as minhas costas quando me puxou para um abraço apertado que estava quente e sólido. Ele deu um passo para trás, sua mão firme. "Falamos mais tarde?" Sorri e acenei, mas mesmo que seu toque tivesse sido bom e o abraço ainda melhor, não pude deixar de notar que Rider não respondeu minha pergunta.


Capítulo 14

A segunda semana de escola foi muito parecida com a primeira. Bem, tipo isso. Não fugi de nenhuma aula. Ponto. Rider tinha me mandado uma mensagem na noite de ontem. Apenas um pequeno texto que dizia ‘boa noite’ e ele tinha me chamando de Mouse. Ao contrário da última vez, eu consegui não ser uma idiota total e respondi com meu próprio muito ‘boa noite’. Depois de segunda-feira, Paige não fez outras visitas surpresa ao meu armário. Ponto número dois. Respondê-la de volta segunda-feira parecia ter feito o truque. Ponto número três. Ela praticamente me ignorou na classe de oratória enquanto ocupava-se de flertar com Rider. De segunda a quinta-feira tinha comido o almoço na mesa de Keira, e ontem realmente consegui responder a uma pergunta feita a mim. Não uma, mas duas! Essa foi uma implosão de pontuação. Tinha vindo de Anna, que erguei o pulso quebrado e perguntou: "Você já quebrou um osso, Mallory?" O espaguete que estava perseguindo em torno do meu prato tinha caído em meu estômago como se cada macarrão fosse quilos de chumbo. E tinha saído um rouco: "Sim." "Qual?" Keira perguntou, seus olhos escuros, afiados. As próximas duas palavras foram um pouco mais fáceis. "O nariz." Por sorte, ninguém perguntou mais nada, provavelmente porque o namorado de Jo nos contou como seu irmão mais novo tinha quebrado o nariz com um bastão e bola, e eu percebi que levou algum


talento. O que eu disse durante o almoço de quinta-feira não era muito, um acúmulo de três palavras, mas eram três palavras ditas na frente de uma mesa cheia de pessoas. Mesmo sendo brega, eu estava tão... bem, tão orgulhosa de mim mesma, que disse a Carl e Rosa no momento em que os vi naquela noite, depois de chegarem tarde em casa do trabalho. Eles estavam orgulhosos também. E aliviados. Não havia dúvida disso, a troca rápida e sem palavras entre eles. Tentei não deixar isso me incomodar. Não era como se eles não acreditasse que eu poderia lidar com o ensino médio, mas sabia que eles se preocupavam. Eu sabia que eles estavam preocupados que seria muito, mas eu estava fazendo isso e durei mais tempo do que eu havia imaginado que duraria no ensino médio. Na sexta-feira, Rider estava saindo da entrada para o refeitório, a mão enfiada nos bolsos. Aparentemente, ele decidiu matar aula novamente, e enquanto eu não deveria promover esse comportamento, eu estava feliz em vê-lo ali. Nós não conseguimos conversar muito antes da aula de oratória ou depois, e ele não tinha feito qualquer visita improvisada. Nós fomos até a fila de almoço e ele agarrou o mesmo que a primeira vez — pizza e leite. "Você quer se sentar aqui ou lá fora?" Eu perguntei. Os lábios de Rider curvaram-se quando ele olhou para a mesa de Keira. "Onde você quiser. O mundo é sua ostra." Sorri para isso. Mas senti que se fossemos para a mesa, não teríamos a chance de realmente conversar. Além disso, estava calor, como se verão tivesse decidido fazer uma saída precoce e apressada bem antes. "Lado de fora?" Ninguém nos parou quando fomos para as velhas mesas de piquenique. Várias delas estavam ocupadas, mas encontramos uma vazia. Rider sentou ao meu lado. Não na minha frente, como alguns dos outros estudantes estavam sentados. Ele estava perto, sua coxa quase tocando a minha. Eu... eu gostava disso.


Fez-me superconsciente quando ele colocou a minha bandeja na minha frente. Notei cada respiração que ele tomou enquanto abria a caixa de leite e colocou-a na minha bandeja, e eu senti cada estremecimento no banco quando ele descansou seu cotovelo esquerdo na mesa. Tomei um gole do leite. "Você fica em apuros por matar esta classe?" Ele deu de ombros, fazendo com que seu braço escovasse contra o meu. Eu gostava, também, mas eu não gostava da resposta evasiva. "Rider?" Pegando sua fatia de pizza, ele olhou para mim. "Não importa." Eu fiz uma careta. "Por que não?" Ele deu uma mordida e uma vez que ele tinha mastigado, disse, "Eu vou ser aprovado no final. Por isso, não importa." Rider era inteligente. Mesmo Keira tinha reconhecido isso sobre ele. Quando criança, ele pegava as coisas mais rápido do que qualquer outra pessoa, mas ir para a aula tinha importância. Eu sabia que soava como uma idiota por pensar nisso, mas como ele não ficaria em apuros? Então eu perguntei quando arranquei um pedaço de pepperoni. Ele não respondeu imediatamente. "Honestamente? Eles não se importam." "Quem?" Soltei um pedaço de pepperoni em seu prato, mas ele o agarrou e o colocou na boca. "Os professores?" "Sim. Eu acho que eles esperam o mínimo de mim." Tomando um gole de sua garrafa de água, ele sorriu para mim. "Como, mostrando que o conteúdo é suficiente." Balancei a cabeça lentamente. "Eu não acho que isso seja verdade." "A escola nem chama a Sra. Luna mais. Parou quando... inferno, quando perceberam que eu era uma criança adotiva." Ele bufou, e eu


não podia acreditar. "Mesmo com Paige, e ela não é mesmo do sistema. É apenas por causa de onde ela vive. Inferno, o mesmo com um monte de outros. Eles veem um endereço como dificuldade." Confusa, balanço a cabeça. "Seu endereço?" Ele

balançou

a

cabeça.

"Seu

endereço

é,

tipo,

que

os

impressiona. Metade dessa maldita escola? Inferno, não." Parando, ele olhou para o meu prato. "Você vai comer?" Revirei os olhos. "Eu não sou uma criança. Eu posso... comer sozinha." Rider levantou uma sobrancelha e não havia dúvida sobre o escorregão lento que começou no topo da minha cabeça e viajou para baixo. Minhas bochechas queimando. "Confie em mim," disse ele, com a voz mais rude. Profunda. "Eu sei disso. Estou tentando convencer minha cabeça, mas eu sei disso." Eu fiquei boquiaberta. Agora eu não tinha ideia do que dizer. Ele olhou para a minha pizza. Ok, então. Peguei do meu prato e dei uma mordida. Melhor do que sentar ali olhando para ele como uma tola. "De qualquer forma, eu não estou em apuros," disse ele, pegando um guardanapo e limpando Os dedos. Eu pensei sobre isso, quando dei outra mordida e depois deixei cair a pizza no prato mais uma vez. "Você não vai ficar em apuros, porque eles..." Eu tirei outro pedaço de pepperoni e entreguei a ele. Seus dedos tocaram os meus desta vez, aquecendo a minha pele. "Eles não esperam nada de você? É isso que você está dizendo?" Rider levantou um ombro mais uma vez, não respondendo. Caramba, isso era o que ele estava dizendo. Inquieta, olhei para a minha pizza meio comida. "Isso é verdade?" Ele olhou para mim e seus cílios abaixados, protegendo os olhos. "Eu acho que é tipo... bom que você pergunte isso."


Dobrei minhas mãos no meu colo. "O que você quer dizer?" Terminando a pizza, ele virou para mim e me encarou. Eu me endireitei, mas havia pouco espaço entre nós. Tão perto quanto estávamos, eu podia ver as manchas de ouro em seus olhos quando seus cílios levantaram. Um pequeno sorriso estava em seus lábios, mas parecia faltar algo. "Você está em um bom lugar," disse ele. "Foram pelos últimos quatro anos. Você foi levada por ótimas pessoas. Médicos. Você não está vivendo nesse outro tipo de vida mais." "Mas... mas você não disse que a Sra. Luna era boa?" A preocupação aumentou. Se ele tivesse mentido? Ele enfiou a mão no pequeno espaço entre nós e bateu o dedo indicador da minha mão. Não havia manchas de tinta nele hoje. "Ela é. Ela é ótima, mas... olha, não importa." Seu dedo traçou a linha do osso, patinando em toda a palma da minha mão, em direção ao meu pulso. "Eu não estou com problemas. Eu não vou entrar em problemas." Ele me fez questionar, no entanto, porque isso me fez pensar que a escola não achava que Rider valia a pena. Ou pior ainda, ele não pensava que valia. E ele valia. Comecei a dizer-lhe apenas isso, mas ele virou a minha mão e enfiou os dedos nos meus. Meus pensamentos se dispersaram rapidamente. Rider estava segurando minha mão. Ele tinha feito muito isso quando éramos pequenos, mas parecia muito diferente agora. Tanto é assim que eu não poderia deixar de olhar para sua mão, e ver o quanto maior era da minha, mais áspero e mais forte. Você não está vivendo esse outro tipo de vida mais. Mas ele estava, mesmo que eu tivesse a sensação de que ele não precisava. Sabendo que deveria puxar minha mão, eu mentalmente me dei palestras quando eu não deveria. Sua mão segurando a minha parecia


inocente, mas eu duvidava que Paige fosse ver dessa forma. E não iria culpá-la se ela não o fizesse. Rider apertou minha mão. "O que você acha sobre o discurso que temos que fazer?" ele perguntou, mudando de assunto. "O seu tema é os três pontos do governo, certo?" Balancei a cabeça. Eu disse a ele sobre o negócio que Carl tinha feito com Sr. Santos, e ele tinha pensado que era uma ótima ideia. Todo mundo provavelmente pensou que era uma ótima ideia, porque ninguém pensou que eu poderia fazê-lo de qualquer maneira. Santos não iria deixar-nos escolher nossos próprios temas para nosso primeiro discurso, o que não foi surpreendente. Rider tem diferentes estilos de arte em pintura. Olhei para as nossas mãos unidas. "O tópico... deve ser fácil." "Será." Ele soltou a minha mão, os dedos se arrastaram em toda a palma da minha mão e deixou para trás um rastro de arrepios. "Você vai conseguir fazer isso." Vendo que eu tinha duas semanas para me preparar para o discurso, e mais alguns dias até que eu tivesse para dar o meu, desde que não tenho que dá-lo na frente da classe, pensei que tinha esse controle também. "Você quer praticar?" ele perguntou, pegando a água. "Sério?" Eu perguntei. Estava planejando pedir a Ainsley para me ajudar, porque, mesmo dando o meu discurso somente a Santos, ainda seria super difícil para mim. Só de pensar nisso agora deixava o meu estômago revirando. Não havia nenhuma maneira de que iria pedir ajuda a Keira. Eu ficaria muito envergonhada. Rider assentiu. "Sim. Sempre que você fizer, nós podemos." Meu coração pulou. "E o trabalho?" "É flexível." Ele olhou para o prato, e eu sabia o que ele ia dizer antes que falasse isso.


"Sim," eu intervim. "Eu vou terminar isso." Um sorriso apareceu e a covinha piscou. "Essa é minha garota." Minha respiração ficou presa, e me senti boba, mas ele entendeu. Terminei minha fatia de pizza e, em seguida bebi o leite. "Será que... Paige vai praticar com a gente?" Perguntei, pensando que era uma pergunta inteligente considerando que ela teria que praticar também. Ele me cutucou no braço, e eu quase deixei cair o leite. "Eu não penso assim." Olhei para ele bruscamente. "Por quê?" Rider deu de ombros. "Eu não falei... com ela," eu disse lentamente, sem saber o que dizer desde que não tinha contado a Rider tudo que Paige tinha dito. "Eu sei," ele respondeu. "Você..."

Então,

ocorreu-me.

Meus

olhos

se

estreitaram.

Descrença e irritação me inundaram. "Você... você disse algo a ela." Rider ergueu as sobrancelhas. "Eu... Você não pode fazer isso," eu disse, inclinando-me para trás quando uma suave brisa pegou uma mecha do meu cabelo e jogoua no meu rosto. Os olhos de Rider encontraram os meus. Eu me defendi enquanto me sentia estúpida, e eu acreditava que era por isso que ela não tinha me incomodado desde então. Eu estava errada. "O que você disse a ela?" Seus olhos procuraram os meus. "Eu apenas disse a ela que você é importante para mim, e desde que nunca imaginei que ia ter você de volta na minha vida, não queria que nada nem ninguém mexessem com isso. Ela entende." "Entende o quê?" Eu sussurrei.


O olhar de Rider encontrou os meus novamente. "Ela entende que, se eu tiver que escolher entre vocês duas, não será ela." A vibração começou no fundo do meu estômago e se espalhou no meu peito, porque, bem, isso era algo, muito doce e agradável e um pouco louco, mas ainda assim, eu não queria que ele fizesse isso — lutar minhas batalhas. E eu não queria que ele tivesse que escolher entre nós. "Isso... Eu nem sei o que dizer. Você não deveria ter que escolher entre nós e eu... não preciso de você me defendendo." "Sério?" ele murmurou. "Sim!" Eu não queria, mas gritei, ganhando um olhar da mesma ao lado. Fiquei surpresa que levantei minha voz, mas eu estava louca. Realmente louca. Aqui estava eu pensando que, sozinha, tinha conduzido Paige para longe, e não tinha sido eu. "Eu não preciso... da proteção de alguém," eu disse em uma voz muito mais baixa. Ele sorriu, largo e brilhante, mas eu não me importei. Dei um soco no braço dele. "Não é algo para sorrir." Levantei meu braço e ia bater no braço dele de novo, quando ele pegou minha mão. "Mouse!" Rider riu profundamente. "Você acabou de me bater?" Ignorei sua pergunta. "Eu não preciso que você... me defenda! Eu preciso..." Eu parei, porque ele tinha colocado minha mão sobre seu peito. Eu podia sentir seu coração batendo fortemente sob a minha mão. Seus olhos assumiram uma cobertura. "Você precisa do quê, Mallory?" Falar tornou-se difícil por uma razão totalmente diferente. "Eu preciso... eu preciso lidar com as coisas por mim mesma." As sobrancelhas de Rider franziram, enquanto olhava para mim como se eu falasse uma língua desconhecida. "Por quê?"


"Por quê?" Eu gaguejava. "Porque eu preciso fazer isso por mim mesma. Você não pode... Interferir cada vez que achar que algo aconteceu. Você não pode sempre... proteger-me." "Mas eu quero," disse ele, sua voz baixa novamente. Suave. Meu coração estava pulando no meu peito. "Você não pode." Um lado de seus lábios enrolou. Ele manteve minha mão contra seu peito. "É uma espécie de velho hábito difícil de quebrar." Esses cílios ergueram novamente e seu olhar me perfurou. "Você... você precisa experimentar." "Ok." Ele abaixou as mãos no joelho. Com a outra mão, ele afastou uma mecha do meu cabelo, prendendo-o atrás da minha orelha. "Eu posso tentar." Eu não sabia o que dizer enquanto encaramos um ao outro e eu não tinha ideia do que qualquer um deveria estar pensando, olhando um para o outro. Eu ainda estava irritada com ele. Não que não apreciasse sua preocupação, mas eu não era uma donzela que ele precisava correr e salvar. Ou eu estava tentando não ser. Porque a Mallory que eu queria ser não era fraca ou patética. Ela não era o tipo de garota que precisa que o namorado da Paige a defenda. Inalei uma respiração superficial. "Se eu precisar de sua ajuda, eu... Eu vou pedir. Ok?" Ele inclinou a cabeça para o lado, e bom Senhor, isso fez alinhar as nossas... Bocas quase perfeitamente. "Ok." "Bom," eu sussurrei. Rider lentamente baixou a mão, mas ainda segurava a minha, por alguns segundos a mais. Seus olhos não deixaram os meus, mesmo quando ele deixou minha mão ir. "Você está diferente agora, Mallory."


Eu me endireitei. "Eu estou." "Bom," ele sussurrou.


Capítulo 15

Paige rondava o corredor como se fosse sua própria pista pessoal. Confiança sangrou por cada passo dela. Inveja veio à tona. Eu nunca tive esse tipo de autoconfiança, nem sabia como ficaria na minha pele. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo apertado, e ela estava com uma menina de pele escura que nunca tinha visto antes. Segurando a alça da minha mochila, andei para frente, mantendo meu olhar nela. Parte de mim queria desviar pela esquerda, perto dos armários, mas muitas das portas estavam se fechando. Seria muito apertado. E isso me faria uma covarde. Eu não poderia fazer isso, especialmente depois do que eu disse a Rider na sexta-feira, que eu não precisava dele me defendendo. Agora era segunda-feira, e chegada a hora de provar que eu quis dizer era verdade. Meu coração passou de sapatear para fazer saltos, enquanto passava por elas. Paige não disse nada, mas levantou um braço pálido, magro e estendeu o dedo médio. Bem na minha direção. A menina que estava com ela riu. E depois, de algum lugar do meu outro lado, eu ouvi uma palavra que eu odiava com cada fibra do meu ser. "Que retardada."


Uma queimadura estampou em meu rosto. Eu sabia que a menina não estava falando de Paige, mas não pisquei um olho. Eu não olhei em sua direção, e eu não daria a ninguém a satisfação de ter a minha atenção. Continuei andando, meu queixo inclinou-se, e fui para o meu armário. Cegamente, peguei meus livros e esperava que eles fossem os certos. A última coisa que eu queria fazer era ficar entre Paige e Rider, mas se o seu dedo do meio era qualquer indicação, eu já tinha. E tudo o que ele tinha dito para ela não a tinha deixado feliz. Mas isso não era mesmo o que tem para mim. Essa palavra, essa palavra horrível, tinha queimado um buraco do tamanho de um punho em mim até o momento que encontrei Keira na mesa do almoço. Na casa do grupo e no ensino médio, eu tinha ouvido muito essa palavra. Tanto que parecia que uma etiqueta tinha sido grampeada na minha testa, e talvez uma parte de mim começasse a acreditar nela. Talvez por isso eu não falasse. Mesmo assim, eu sabia que não era a palavra certa ou o tipo certo para usar. Tinha sido a primeira coisa que eu disse ao Dr.Taft. Eu lhe perguntei se isso era verdade, enquanto Carl sentou-se na sessão comigo. Mais tarde naquela noite Carl e Rosa tinha se sentado comigo e me disseram que não era verdade, mas mesmo se eu tivesse desafios de desenvolvimento, não importaria. Eu ainda não falava. E eles ainda me amavam. Fazia anos desde que alguém tinha me chamado assim. Obviamente, alguém tenha dito coisas. Por que mais esta menina aleatória que eu mal reconheci no corredor iria me dizer isso? Eu não queria pensar que era Paige, porque ela era amarrada tão intrincadamente com Rider, mas quem mais poderia ser? Engoli um suspiro, e peguei um bife enquanto observava Anna e Keira olharem as pulseiras umas das outras. Pulseiras de ouro e prata com pingentes. Talvez fosse o que eu ouvi esta manhã. Eu não tinha


ideia, mas eu forcei minha língua para fora do céu da boca. "Elas são tão... bonitas." Anna olhou para Jo rapidamente e, em seguida, sorriu para mim, coberta de surpresa. "São Alex e Ani pulseiras. Eu tenho algumas em casa," disse ela. "Elas são as melhores." Jo estendeu o braço e apertou-lhe o pulso. Ela tinha três. "Vilma nos viciou." Eu me concentrei em cortar um pedaço de bife. "Vilma?" "Ela se formou no ano passado," explicou Keira. "Usava quando era a capitã da equipe. Ela está realmente torcendo pra Universidade de Virgínia agora." Anna assentiu enquanto pegava uma batata frita do meu prato. "Eu juro, ela iria revender essas pulseiras." Cheguei meu prato mais perto dela, e ela pegou um par de batatas fritas. A conversa mudou rapidamente, e eu comecei a pensar sobre a aula de oratória. Eu não conseguia lembrar o que Keira estava fazendo no seu discurso informativo, mas me perguntava se ela planejava praticar. Meus lábios se separaram e minha língua começou a envolver-se em torno de algumas vogais e sílabas, mas eu poderia praticar meu discurso na frente dela? Isso iria demorar uma eternidade para acalmar meus

nervos.

Será

que

ela

pensaria

que

eu

era

estranha?

Provavelmente. Eu acabaria por ter de comer o almoço na biblioteca ou algo assim. Eu me acovardei antes mesmo que conseguisse falar algo. Suspirei. Eu estava quase acabando de comer, o que eu estava esperando que não fosse carne de canguru, quando senti alguém cair na cadeira vazia ao meu lado. Reconheci o cheiro de terra antes de olhar para cima. Keira sorriu. "Ei, Jayden."


"Ei," disse ele, sentado de lado na cadeira, com o braço apoiado sobre a mesa. "Vocês belas damas pareciam solitárias. Pensei em vir e abençoa-las com a minha presença." Jo bufou. "Parece que você acabou de acordar e vir para a escola." "Talvez seja verdade." Jayden foi para as minhas batatas fritas, ignorando o olhar estreito de Anna. "Obrigado, querida." "Vocês dois se conhecem?" Jo fez um gesto entre Jayden e eu com o garfo. Antes que eu pudesse acenar com a cabeça, ele deixou cair um braço sobre meus ombros. "Ela é minha bae". Eu sorri. "Bae15?" Keira suspirou. "Eu odeio essa palavra. Sabe o que realmente significa?" "Poop," eu respondi sem pensar. "Em dinamarquês." Meus olhos se arregalaram. Puta merda. Eu tinha falado sem hesitação na hora do almoço! Puta merda! Ninguém reconheceu o meu anormal surto interno sobre isso, mas eu não podia acreditar. Eu sentei lá e falei sem nenhum problema. Eu precisava me dar um cookie. Anna riu. "Oh, cara. Eu sei. Eu sei. Ainda acho que é uma palavra bonita." Em frente a ela, Keira revirou os olhos. "Isso literalmente significa cocô." "Mallory é a merda, embora" Jayden defendeu quando ele deixou cair o braço. Eu levantei uma sobrancelha. "Onde está seu irmão, hein?" Jo perguntou. "Eu serei sua bae."

15

Bae é uma gíria nova em inglês que significa namorado.


Jayden bufou. "Por quê? Ele é um perdedor. Eu? Estou com cara de bebê fresco. Ele é velho, notícia irritante." Rindo, escovei meu cabelo por cima do meu ombro enquanto Jo franziu o nariz. "Irritante?" ela disse. "Isso não é uma palavra que normalmente associamos com Hector." "Você deveria." Jayden ia e voltava com as meninas pelo resto do período de almoço, e ele era... Ele era outra coisa. Hilário. Estranhamente encantador. Em poucos anos, eu aposto que ele seria tanto bonito como eu imaginava que Hector era. Sorri tanto ouvindo ele que eu me perguntava se teria rugas prematuras por causa disso. O sorriso não foi embora quando esbarrei em Rider na escada quando estava indo em direção à aula de oratória. Foi a primeira vez que o vi hoje. Vestindo outra desbotada camisa e jeans gastos, seu cabelo um pouco despenteado, parecia que ele poderia ter dormido durante sua última aula. Um sorriso preguiçoso puxou seus lábios. "Eu estava vindo para você." Meu sorriso, incrivelmente, aumentou um nível quando me juntei a ele no corredor. Ele se virou e caminhou ao meu lado. "Eu estava pensando sobre a coisa toda da prática do discurso," disse ele. "Você ainda quer que eu te ajude com isso, certo?" A vibração nervosa começou no fundo da minha barriga. Eu queria praticar com Rider, mas depois do que aconteceu esta manhã, isso não seria sábio. Eu respirei fundo. "Você não tem que fazer isso. Quer dizer, eu tenho certeza que... você tem coisas melhores para fazer."


"Mas eu quero ajudá-la." Ele pegou a porta de vai-e-vém e manteve aberta enquanto franziu a testa. "Se eu não quisesse, não teria oferecido." Eu atravessei, forçando as palavras. "Eu sei, mas..." "Eu quero ajudá-la a praticar," ele repetiu, sem um momento de hesitação, e a vibração no meu estômago se espalhou para o meu peito enquanto começamos a descer as escadas. "Por que você não quer praticar?" Ele fez uma pausa. "Comigo?" Olhando para ele quando desaceleramos até uma parada, vi a confusão em seu olhar cor de avelã. Mordi o interior do meu lábio. Droga. "Eu só queria ter certeza... que você não se sentia como se tivesse que fazer." Ele sorriu. "Estou livre quinta-feira." Quinta-feira? Esta semana? Meus olhos se arregalaram. Eu tinha redigido o discurso no fim de semana, para que eu pudesse fazêlo, mas quinta-feira não era tão longe. "Pelo menos você vai ter um treino antes de ter que dar o seu discurso para o Sr. Santos na próxima semana." Ele cutucou meu braço com o dele. "Eu posso ir depois da escola." Quinta-feira funcionava perfeitamente, porque Carl e Rosa estariam no hospital, e a probabilidade de qualquer um deles passar em casa, era quase zero. Ou eu poderia simplesmente perguntar-lhes se estaria tudo bem se Rider viesse para ajudar. Encontrei-me acenando com a cabeça. A aula começou com a gente se dividindo em pequenos grupos de quatro para treinar o discurso, e eu senti meus olhos se lançando em todo o lugar. Felizmente estava junto com Hector e Rider. Infelizmente, eu também estava junto com Paige. Não havia um monte de alívio... Ou um monte de prática.


Nenhum dos garotos fez seus discursos. Eu tinha um esboço que eu realmente não precisava ler em voz alta. Paige tinha um discurso, eu acho, mas ela também tinha o telefone celular em uma mão, escondido em seu colo, e sua outra mão estava na perna de Rider. Sempre que ela olhava na minha direção, ela sorria, o que era uma grande diferença da sua atitude desta manhã. Enquanto Hector anotava algo para praticar, observei Rider e Paige, mas principalmente Rider, porque eu... eu meio que não poderia evitar. Ele tinha sugado o lábio inferior entre os dentes enquanto... esboçava. O discurso-escrito estava sendo feito lá. Inclinei-me. Suas sobrancelhas

reduziram

em concentração.

Seu

pulso

jogou

em

diferentes graus de movimentos, criando movimentos curtos com a caneta.

Em

segundos

ele

tinha

uma

mecha

inteira

de

flores

desenhadas, com o início do que parecia ser a respiração de um bebê. "Você deveria estar trabalhando em seu discurso, em vez de olhar," Rider disse, sem tirar os olhos do caderno. Os olhos escuros de Paige voaram para mim e depois se estreitaram. O calor explodiu em todo meu rosto. "E você não deveria, realmente, trabalhar, eu não sei, no seu discurso?" Hector sorriu quando ele fez um gesto para o seu papel, que parecia ter palavras reais nele. "E, por favor, não olhe para ele, Mallory. Por causa de Paige, seu ego já é grande o suficiente. Ele não precisa de qualquer ajuda." "Pendejo,16" Rider murmurou sob sua respiração. Hector esticou um braço para trás e estendeu o dedo médio. "Você deseja." Eu não tinha ideia o que foi dito.

16

Estúpido


Paige levantou a mão da perna de Rider e cravou o cotovelo sobre a mesa. Seu queixo se sentou bem na palma da sua mão. "Então, Mallory, você está animada sobre o seu discurso na próxima semana?" Endureci. Supondo-se que a classe não tinha ideia de que eu não tenho que dar o meu discurso como eles iriam fizer, eu temia que eles descobrissem sobre isso. "Quem estaria animado sobre isso?" Hector perguntou. Paige levantou um ombro esbelto enquanto ela me observava. "Então, você está?" Ao lado dela, Rider levantou a cabeça. Ele abriu a boca, e eu sabia que ele ia dizer algo para distrair Paige ou ele iria responder a pergunta por mim. Eu não podia permitir isso após a conversa que tivemos. Eu forcei minha língua a se mover. "Eu não vou... dar o meu discurso... em sala de aula." Calor infiltrou em meu rosto enquanto continuei a forçar as palavras. "Eu tenho que... dar o meu durante o almoço." "O que?" Ela riu. Rider olhou para mim, surpresa brilhava através do seu olhar. Tensão ajeitou meus ombros. "Eu não... tenho que fazê-lo... como todo mundo." "Sério?" Seus olhos se arregalaram quando ela olhou entre os rapazes. "Isso não parece justo." Meu coração caiu. "Quem se importa com isso?" Hector respondeu, dando de ombros. "Não me afeta." Paige se inclinou para trás em sua cadeira. "Mas isso não é legal. O resto de nós tem que fazer isso e ela não? Por quê?"


"O porquê não importa," Rider disse, seu olhar ainda em mim. "E Hector está certo sobre isto não afetar ele ou qualquer um de nós." Comecei a responder. Lentamente, Paige virou a cabeça para ele. "E se fosse, digamos, Laura ou Leon que não tivesse que fazer o discurso, você pensaria que estava tudo bem?" Rider quebrou o contato visual comigo. "Sim. Porque não afetaria a mim. Eu não me importo." "Mas você se importa," ela atirou de volta, e eu queria escapulir sob a mesa, porque não havia nenhuma maneira de qualquer um ter perdido seu tom. "Paige," suspirou Rider quando ele balançou a cabeça. "Não vamos fazer isso." Ela se inclinou para o lado e esticou o pescoço para fora. "Não vamos fazer o que, Rider?" "Oh, cara," Hector murmurou sob sua respiração. O Sr. Santos apareceu de repente, silenciando-nos enquanto olhava o trabalho de Rider. Eu fiquei tensa, esperando que ele ficasse chateado porque Rider não estava trabalhando no discurso. Seu sorriso distraído não desapareceu quando ele se inclinou, olhos semicerrados atrás dos óculos de aros. "O detalhe e o sombreamento são surpreendentes. É como se o fio de flores fosse apenas andar para a direita, para fora da página." Meu queixo pode ter batido no chão. Rosa se espalhando por todo rosto de Rider quando ele abaixou a caneta que ele ainda segurava. "Não é surpresa, no entanto." O Sr. Santos fechou a mão no ombro de Rider. "Seu trabalho tem sido sempre no ponto."


Minhas sobrancelhas subiram. O Sr. Santos tinha visto o trabalho de Rider antes? E por que diabos ele não o repreendeu? Rider não disse nada enquanto Sr. Santos apertou seu ombro. "Mas tente trabalhar em seu discurso agora e o esboço depois? Tudo bem?" "Claro," Rider murmurou, deixando cair sua caneta sobre a mesa. O Sr. Santos voltou sua atenção para o meu papel e ele examinou a página. "Interessante," ele murmurou, e eu me encolhi. Seu sorriso não vacilou quando se aproximou da minha mesa. Eu molhava meu lábio inferior nervosamente e forcei as palavras a flutuarem na minha cabeça para chegar a minha língua. "Eu... eu não sou... muito boa em escrever discursos." Fiz uma pausa, respirando fundo. "Ou... falando." Olha! Falei com o Sr. Santos, tudo por minha conta, sem ninguém falar em meu nome. Sentei-me um pouco mais reto. "Falar em público é muito parecido com arte. Ser bom no que faz é muito subjetivo, Mallory." Pressionando meus lábios, levantei meu olhar para ele, não tendo nenhuma ideia de onde ele estava indo com isso. "Mas é tudo sobre tentar." Santos movimentou a cabeça para o meu trabalho, e de repente me perguntei se ele estava falando sobre a minha corrida louca para fora da sala de aula na primeira semana de aula e a ligação subsequente com Carl e Rosa. Eu não tinha tentado então. "Não é sobre fazer certo da primeira vez e, definitivamente, não é sobre perfeição, mas se você tentar, você pode ter sucesso. Assim como você faria na arte. Ou na vida, sobre esse assunto." Ele, em seguida, bateu no meu ombro. "E pelo que parece, você está tentando." Pisquei lentamente. Sr. Santos foi embora, de volta para frente da classe. "Que diabos," murmurou Paige.


Olhei para Rider, e seu sorriso era lento, mas a covinha na bochecha direita apareceu. "Pensamentos profundos," ele murmurou. Meu gesto foi tão lento. "Como... você não ficou em apuros?" "Eu sou dotado." Apertei os olhos para ele. "E como... ele sabe sobre o seu trabalho artístico?" Hector bufou quando levantou os olhos do papel, e respondeu antes que Rider pudesse. "Porque quando Rider estava no segundo ano, ele decidiu fazer uma decoração no exterior da Lands High." Rider revirou os olhos. "Ele decorou a entrada e foi preso no dia seguinte, porque o idiota usava a mesma camisa que ele usou quando tinha feito a marcação," Paige saltou, seus lábios se curvaram em um sorriso quando seu olhar encontrou o meu. Algo em seu olhar me disse que ela estava feliz em apontar que sabia tudo sobre isso, e eu não. "O Sr. Santos foi provavelmente o único membro da equipe que apreciou a arte." Meu olhar se voltou para Rider. Suas bochechas eram do mais profundo rosa novamente. "Eu não entrei em muitos problemas," disse ele, sem olhar para mim. "Foi uma contravenção. Tive que ajudar a limpar aquilo, eu fiz." "Contravenção?"

Olhei

para

ele.

"Como

é

que

não

são

problemas?" Hector riu, voltando-se para o seu caderno. "Contravenção não é uma acusação que você realmente tem que se preocupar." Eu não entendia nada disso. Passou um momento e o olhar de Rider deslizou na minha direção. Seu sorriso era tímido. "Ok. Eu estava com problemas, mas não foi grande coisa. Santos realmente amorteceu a pancada para mim,


então eu não tive que encontrar uma forma de pagar pelos danos. É por isso que tive que limpá-lo." "Eu aposto que você não sabe que Santos colocou um dos desenhos de Rider em uma galeria na cidade, não é?" Hector perguntou. "Essa foi a parte sobre Santos dar o bastão para ele. Disse-lhe que precisava produzir algo que poderia estar em exibição. Você sabe, não pintado numa parede, mas preso a uma." Meu queixo caiu pela segunda vez. "O que?" "Cállate, irmão." Rider se inclinou para frente, olhando para Hector. "É sério." Hector inclinou a cabeça para trás e riu. "Onde?" Eu perguntei. Um suspiro sacudiu fora de Paige. "Não é um grande coisa. Foi apenas grafite em uma tela." "Isso ainda é uma grande coisa," eu disse. Sem pausas. Ela revirou os olhos. Rider balançou a cabeça enquanto se concentrou no esboço. "Não importa." Eu pensei que importava sim. "Isso soa incrível." Algo em meu tom atraiu seu olhar para o meu, e passou um momento muito antes de ele responder. "É na City Arts. Ou foi. Não faço ideia se ainda está lá." Eu

queria

ver

se

estava,

porque

isso

era...

Isso

era

extraordinário. Portanto, muito de Rider era o mesmo de antes. A bondade, o instinto de proteção inabalável. Mas não havia tanta coisa que eu não sabia sobre esse Rider mais velho, mais recente. Balançando a cabeça, olhei de volta para o meu discurso sem ver as palavras. Pensei no que Sr. Santos disse. Fazia sentido. Como era


a vida fazendo este discurso. Não era necessariamente sobre o resultado final, mas mais sobre a tentativa. Eu podia... Eu poderia ir atrás disso. *** Quando a aula terminou, Hector anunciou: "Eu estou com fome." "Ok," Rider respondeu quando empurrei meu caderno na mochila. "O que exatamente você quer que eu faça sobre isso?" Hector sorriu quando olhou para mim e piscou. "Eu quero que você me tire daqui e me alimente." Rider bufou. "Nós podemos ir a Firehouse. Eu estou no humor para batatas fritas e hambúrgueres fritos." De pé, Rider levantou os braços e esticou-se. Sua camisa subiu, mostrando um pedaço da barriga. Meu olhar caiu e focou nele. Sua parte inferior do estômago era incrivelmente firme. Definida. Agradável. Muito agradável. Minhas bochechas ruborizaram, eu olhei para longe e peguei o olhar atento de Hector. Porcaria. Eu precisava ser melhor sobre checar caras. Discretamente. Eu nem sequer olhei na direção de Paige para ver se ela me pegou. "Você deve vir com a gente," Hector sugeriu. Pisquei. Ele estava falando comigo? Ele estava. Porque Rider baixou os braços e olhou para onde eu estava, eu ainda estava sentada na minha cadeira. "Você quer pegar alguma coisa para comer?" "É claro que ela quer," Hector respondeu. "Ela não recusaria a nossa companhia. Quem faria?"


Bom Deus, ele e Jayden eram muito parecidos. O sorriso de Rider era preguiçoso. "Então, o que você acha?" Minha mente correu sobre as possibilidades. Além de Ainsley e minha

família,

eu

nunca

tinha

ido

comer

com

ninguém.

Eu

definitivamente nunca tinha saído para comer com um cara, muito menos dois. Carl e Rosa provavelmente surtariam. Ok. Eles absolutamente surtariam. Mas eu queria. Com o coração batendo no peito, senti-me acenar com a cabeça. Rider sorriu e a covinha na bochecha direita se propagou e abençoou o mundo mais uma vez. "Perfeito. Você quer ir com a gente?" ele perguntou. "Desde que nós sabemos para onde estamos indo?" "Funciona para mim," Hector respondeu. "Eu posso deixá-la na escola mais tarde." Isso fazia sentido, então eu concordei novamente. "Boa." Rider fez uma pausa, seu sorriso atingindo os olhos. "Mas há apenas uma coisa que você vai ter que fazer primeiro." Minhas sobrancelhas subiram. "Você vai ter que se levantar daí." Eu levantei. Paige falou quando se levantou de seu próprio assento. "Eu não posso ir com você. Você sabe que eu tenho que cuidar da Penny às segundas-feiras." "Inferno." Rider esfregou os dedos pelo cabelo enquanto me perguntava quem era Penny. "Quer que eu pegue algo para você e sua irmã comerem? Eu posso guardar isso para depois?" Ela inclinou a cabeça para o lado. "Você está falando sério? Você está indo de qualquer maneira?"


Ah não. Dei um passo para trás, jogando minha mochila sobre o ombro. Isso não ia acabar bem. De modo nenhum. Rider olhou para sua namorada enquanto falava para nós. "Eu encontrarei vocês lá fora, ok?" "Claro," murmurou Hector, e quando não me movi, ele gentilmente segurou meu cotovelo. "Vamos." Deixei Hector me guiar para fora da sala de aula. Nós não falamos, não todo o caminho até o lado de fora. Eu queria falar sobre o que tinha acontecido, mas como de costume, eu não disse nada enquanto nos aproximávamos do estacionamento. Não era difícil. Eu poderia falar. Eu tinha falado na frente dele antes. Eu poderia fazê-lo agora. Era fácil. Apertando minhas mãos, me concentrei nas costas das pessoas em frente a nós e fingi que estava falando com Carl ou Rosa. Ou mesmo Rider. As palavras vieram, lentamente. Tipo dolorosamente. "Talvez... eu não deva ir." Olha. Eu disse isso. Obrigada Jesus. E animais bebê de toda parte. Se a minha fala surpreendeu, ele não mostrou. "Não há nenhuma razão para você não ir." Paramos ao lado do seu Escort, eu olhei para ele. Bolas minúsculas de energia nervosa encheram meu estômago. Em pé, aqui, falando com ele não foi fácil, não importa que apenas disse a mim mesma. "Eu... posso pensar... em uma grande razão... do por quê." Um pequeno sorriso apareceu quando ele caminhou até a traseira do carro e jogou a mochila atrás. "Paige?"


Balancei a cabeça. Ele riu, e eu não acho que foi muito engraçado. Voltando para onde eu estava, ele se inclinou contra a porta do motorista. Um momento se passou. "Eu não acho que Rider sabe o que está fazendo. Eu acho que ele nunca sabe o que está fazendo." Eu fiz uma careta. "O que isso significa?" Hector me estudou por um momento, e desta vez ele riu baixinho. "Só estou pensando em voz alta." Ele fez uma pausa enquanto coçou o queixo. "Você sabe, nesta altura, em qualquer outro ano escolar, Rider teria sido suspenso pelo menos duas vezes. Mas ele não foi, nenhuma vez até agora." Eu não gostava do som disso, mas eu estava feliz que parecia ser no passado. "Ele também costumava de fazer marcação todas as noites, quando não trabalhava," continuou ele, olhando para o caminho por onde Rider estaria vindo. "Ele realmente não gasta mais o tempo livre com Paige, você me entende?" De verdade, não entendi. "Ele é respeitoso com minha abuelita17, não me interprete mal, mas Rider sempre foi...". "Foi... o quê?" Eu perguntei, escovando uma mecha de cabelo soprada na minha cara. Seu olhar verde-musgo derivou para onde eu estava. "Ele sempre esteve aqui, mas não estava também." Eu sabia o que isso significava. Meu peito se apertou quando olhei para o asfalto manchado de óleo. Aqui, mas não aqui. Existente, mas que não vive. Eu sabia o que era esse sentimento. Vivi durante vários anos. Alguns dias parecia que eu ainda estava usando esse sentimento como

17

Vovó


uma jaqueta pesada abotoada com muita força. Eu não sabia se Rider sentia o mesmo, ou que os outros haviam notado isso sobre ele. E isso... Bem, isso me deixou triste. "Aí vem ele." Hector se empurrou para longe do carro. Olhando para cima, vi Rider movimentar-se ao longo da via. Ele diminuiu o passo quando alcançou o nosso carro. Paige não estava com ele. Procurei em seu rosto alguma pista do que aconteceu quando Hector entrou no carro. Sua mandíbula era uma linha firme. Minha garganta estava seca. "É... está tudo bem?" A testa de Rider franziu. "Sim." "Talvez eu..." "Não." Ele deu um passo em minha direção, com o queixo abaixado. "Eu sei o que você vai dizer. Não. O que aconteceu antes não tem nada a ver com você." Fiquei parada. "Isso... tinha tudo a ver comigo." Rider desviou o olhar, um músculo tremulando ao longo de sua mandíbula. Um momento se passou. "Você está certa. De certa forma, você está certa. Mas isso não muda que Hector convidou você ou que eu quero que você venha com a gente." A janela rolou para baixo e Hector enfiou a cabeça para fora. "Vocês vêm?" Olhei para Rider, ainda não tendo certeza. Por favor. Ele não falou isso. Ele murmurou. Eu estava indo. *** Vinte minutos depois, encontrei-me em um pequeno restaurante que era apenas um par de milhas da escola. A partir da aparência dele,


o jantar ao mesmo tempo tinha sido um firehouse legítimo, o que, obviamente, explicou o nome. O lugar era velho desde as fotos vintage penduradas na parede para as cabines de vinil vermelho. Tinha um aspecto caseiro nele, como se a qualquer momento você fosse ouvir a mulher mais velha atrás do registro gritando com seu filho, que estava cozinhando o alimento. Eu não tinha ideia se era esse o caso, se era uma propriedade familiar ou se o tipo de mulher infeliz — sentada em um banquinho com uma criança, mas essa foi a sensação do lugar. Eu gostei. Todos nós pedimos praticamente as mesmas comidas — hambúrgueres e batatas fritas. Rider e eu acrescentamos queijo. Hector adicionou cada condimento à vista. A comida era deliciosa, muito melhor depois de me forçar a comer a carne misteriosa do almoço. Eu estava feliz por que decidi ir. Era quase como se não tivesse havido uma razão para eu não ter ido. Eu estava tendo um bom tempo ouvindo os caras dando um ao outro um momento difícil. Às vezes, Hector começava a falar portoriquenho e Rider respondia no mesmo idioma. Tenho a impressão de que eles estavam insultando um ao outro. Eu aprendi que cállate significava calar a boca, que era algo que eles diziam um ao outro muitas vezes. Mantive o telefone na bolsa. No caminho para cá, enviei a Rosa uma mensagem que eu estava indo comer com amigos e então logo estaria em casa. O texto — um texto que milhões de adolescentes normais, provavelmente, enviavam todos os dias, mas isso era tudo novo para mim — me deixou sentindo um pouco tonta e coloquei meu telefone no modo silencioso para que não ficasse nervosa, caso Rosa tentasse entrar em contato comigo. Meu telefone tinha vibrado na mochila quinze minutos depois. Eu não precisava olhar para saber que era ela ou Carl. Quando chegasse em casa, eu diria a eles que estava dirigindo e não podia responder.


Eu me senti mal — por estar mentindo. Evidentemente, isso não me impediu de desfrutar esse momento. Hector recostou-se na cabine e bateu em seu estômago plano. "Ah, cara, estou feliz agora. Eu poderia viver desses hambúrgueres." Ao meu lado, Rider bufou. "Mais do que você come aqui? Você já vive deles." "Seja como for," respondeu ele, sorrindo enquanto se moveu para frente, deixando cair os braços sobre a mesa. "Eu como coisas diferentes aqui." "Como o quê?" Ele revirou os olhos. "Vamos ver. Eu já comi o sub hambúrguer." Sorri. "Isso é praticamente a mesma coisa que um hambúrguer regular," Rider disse e lançou-se para trás, deixando cair o braço nas costas do nosso estande. "Tente novamente." Seus olhos se estreitaram. "Também já pedi os anéis de cebola." "Isso não conta." Rider tocou meu ombro com os dedos. "Não é?" Balancei a cabeça. "Você não está ajudando," Hector respondeu quando pegou uma batata frita do meu prato. Muito. Parecido. Com. Seu. Irmão. Rider riu quando se moveu na cabine ao meu lado. "Você tem que trabalhar esta noite?" Hector balançou a cabeça. "Não. Mais amanhã sim." "Onde... você trabalha?" Eu perguntei. "Em um lugar muito legal," ele respondeu, sem perder uma batida. Olhei para ele. Ele sorriu. "No McDonalds."


"É por isso que você pensaria que ele iria comer algo diferente de hambúrgueres," Rider acrescentou. "Hambúrgueres firehouse não são o mesmo que do McDonald. Eu não posso mesmo acreditar que estamos tendo essa conversa." Hector olhou para mim. "De qualquer forma, eu comecei cerca de um ano atrás. Era o lugar mais rápido e mais fácil de ser contratado. O seguro social da minha abuelita não é cortado." Eu senti os dedos de Rider escovar meu cabelo quando ele disse, "Sra. Luna também trabalha. Por tempo integral." "Eu estou tentando fazer Jayden conseguir um emprego também." Hector levantou uma mão, esfregando os dedos pelo cabelo. "Ele pode trabalhar lá quando fizer quinze anos, desde que receba uma licença." Fazendo uma pausa, ele olhou para Rider. "Isso não está indo muito bem. Ele quer tudo fácil e rápido, além de merda, não há mais nada vindo fácil." Rider estava tranquilo, mas senti que havia uma grande quantidade de palavras não ditas. Eles estavam planejando se encontrar com alguns caras para jogar basquete, por isso, logo depois disso, Hector levou-me de volta para o carro. Havia alguns que ainda restam

no

estacionamento.

Treino

de

futebol

e

torcida

estava

acontecendo, seus gritos podiam se ouvidos à distância. Rider seguiu-me para fora do carro, caminhando em torno da volta para se juntar a mim. Ele esperou que eu abrisse minha porta. "Obrigado por ter vindo com a gente. Foi... Foi muito bom." Olhando para cima, eu estava surpresa ao ver que suas bochechas estavam... rosas. Ele estava corando novamente, mas não entendi o por que. Comecei a aprender que acontecia quando ele era elogiado ou quando a atenção era atraída para sua arte. Ele não estava confortável com isso, mas eu não consegui entender o que o estava fazendo desconfortável agora.


Ele passou os dedos em torno da borda da porta do carro quando joguei minha mochila no banco da frente. "Certo, é, obrigado." Eu sorri para ele, enquanto Hector bateu na lateral de seu carro. "Obrigada... por me deixar acompanhar vocês." Ele

inclinou

o

queixo

para

baixo.

"Você

não

estava

acompanhando. Você estava lá com a gente." Meu sorriso cresceu. Eu gostei do som disso, mas então me lembrei do que Hector tinha dito anteriormente. "Você também." Rider piscou e, em seguida, ele disse suavemente, "Sim, eu também." Olhei por cima do ombro. "Eu... sinto muito por Paige." "Eu..." Nossos olhares se encontraram e se mantiveram por um longo momento antes que ele desviasse o olhar. "Eu também." Sem ter ideia de como responder, entrei no carro e peguei o volante. "Yo," Hector gritou e depois bateu o lado de sua porta a partir do assento do motorista. "Eles vão começar sem nós." Rider começou a fechar a porta, mas abaixou-se ao invés disso. Nossos olhares ligados novamente. Uma eternidade estendeu-se, em seguida, ele se inclinou. Meu coração gaguejou quando seus lábios roçaram

minha

testa,

demorando-se

por

alguns

segundos.

"Eu provavelmente não deveria ter feito isso," ele sussurrou tão baixo que eu me perguntei se ele tinha dito ou se foi minha imaginação. Mas então ele falou mais alto. "Vejo você amanhã, Mouse."


Capítulo 16

"Mallory, você pode vir até aqui?" Meu estômago tombou ao som da voz de Carl. Ele e Rosa voltaram do hospital, e ele não perdeu tempo chamando meu nome no segundo que passou pela porta da frente. Olhei para a mesa de cabeceira e vi que era perto das nove. Parte de mim queria fingir que estava dormindo, e eu sabia que se ele viesse aqui e pensasse isso, não iria me acordar. Mas isso era um modo covarde de enfrentar as coisas, especialmente quando tinha feito a escolha de sair com Rider e Hector. Lançando-me para fora da cama, desci as escadas, os dedos torcendo meu cabelo. No meu peito, meu coração estava batendo rápido. Eu não iria mentir, disse a mim mesma. Se Carl perguntasse com quem eu estava, gostaria de dizer a verdade. Porque, tão piegas quanto parece, eles merecem a verdade. Mas eu estava petrificada. Carl estava na cozinha, tirando uma garrafa de suco da geladeira. Ele estava de uniforme. "Não vou ficar de rodeios com você, Mallory. Fiquei surpreso quando Rosa mandou uma mensagem dizendo que você estava indo comer com os amigos depois da escola." Cruzando os braços sobre o peito, o assisti tirar um copo dos armários. "É tão estranho... pensar que eu faria isso?" Ele olhou por cima do ombro para mim, sobrancelha levantada. "Com Ainsley? Não, mas nos quatro anos em que você esteve conosco, Ainsley foi à única com quem ficou confortável o suficiente para passar


o tempo." Ele fez uma pausa enquanto servia o suco vermelho no vidro. "E você não atendeu ao telefone quando liguei." "Eu... eu estava dirigindo." Eu era uma mentirosa. "E depois esqueci sobre isso. Quando cheguei em casa, comecei a minha lição de casa." Isso não era uma mentira, e enquanto ele fechou a tampa do suco, ele não demonstrou que a declaração era suspeita. "Com quem você estava?" ele perguntou. Eu queria mentir, mas eu também não queria. Estranho. Mordendo o interior da minha bochecha, me preparei. "Eu estava... com Rider." A cabeça de Carl chicoteou tão rápido em minha direção que me lembrei do filme O Exorcista. "Rider?" Ele repetiu. Eu me endureci toda e mal conseguia acenar enquanto lutava para respirar um pouco, senti como se minha garganta estivesse fechada. "Rider e seu amigo... Hector. Fomos para Firehouse..." "O Firehouse Grill?" ele perguntou, sobrancelhas batendo para baixo. "Isso não é no centro da cidade, Mallory." Eu não acho que a parte da cidade era tão ruim. "Nós apenas comemos hambúrgueres e... então eu vim para casa. Foi... divertido." Carl tomou um gole do suco e me olhou por cima da borda do copo. "Quem é Hector?" Explicando quem era Hector, eu fiquei mais e mais consciente do desagrado de Carl. "Ele é muito legal. Trabalha no Mcdonalds e tem um irmão mais novo chamado Jayden, que é realmente engraçado. Sua avó, Sra. Luna, adotou Rider," eu divagava, mudando meu peso de um pé para o outro. "E todos nós estamos na aula de oratória. Rider vai me ajudar...". “Ele está ajudando com o discurso?” Ele parecia duvidoso. Balancei a cabeça e acrescentei: "Sim. Ele... ele sabe que eu luto com estes tipos de coisas e mesmo que não tenha que fazer meu


discurso na sala de aula, eu... ainda tenho que praticar. Nós vamos praticar depois da escola na quinta-feira". O homem pareceu parar de respirar. "Você fez planos com ele sem falar com a gente?" Uh-oh. Eu me mexi nos meus pés novamente. "Eu... eu não achei que fosse tão importante. Eu preciso de ajuda." "E Ainsley não pode te ajudar?" Duplo uh-oh. "Rider é da minha classe, por isso... faz sentido praticar com ele." "E o que acontece com essa menina, Keira?" ele disparou rapidamente de volta para mim. "Ela não está em sua classe de oratória?" Droga. Ele se lembrava de mim dizendo isso. Claro que ele lembrava, mas eu tinha uma razão válida para que não tivesse perguntado a Keira. "Isso é... Isso seria muito embaraçoso, praticar na frente dela, e Rider sabe como... como eu sou." Carl abriu a boca e depois a fechou quando colocou o copo no balcão. Ele conseguiu isso. "Eu não estou exatamente feliz com isso. Você não viu esse menino em anos, mas você sai para comer com ele e agora ele está ajudando com o estudo." Engoli em seco. "Mas... mas ele é meu amigo... e isso é normal." "Não para você." Vacilei quando dei um passo para trás. Não para mim. Nunca para mim. A tontura que eu senti depois de enviar-lhes um texto tão normal desapareceu. O sentimento não foi duradouro, porque o normal nunca foi para mim. "Eu

não

quis

dizer

isso,"

ele

rapidamente

acrescentou,

estendendo a mão e colocando no meu ombro. "E eu sinto muito se soou dessa maneira, mas você não o conhece, Mallory. Não mais."


"Eu o conheço," eu insisti, olhando para cima e encontrando seu olhar enquanto empurrava a dor momentânea para longe. "Ele é uma boa... pessoa." "Eu não estou dizendo que ele não é." Carl baixou a mão e suspirou quando se virou para o lado, soltando o pager da cintura. "Pelo menos, eu espero que ele seja. Você nunca sabe tudo sobre alguém, nem mesmo a família às vezes. As pessoas mostram-lhe o que querem que você veja. Você tem que se lembrar disso." Eu não entendi o que ele quis dizer com isso. Quer dizer, eu entendi. Afinal de contas, não era como se os funcionários do caso soubessem como o Sr. Henry e a Srta. Becky realmente eram. Eles tinham escondido bem, mas o que Carl realmente sabia? Ele continuou: "Eu quero que você seja cuidadosa, Mallory." Os cantos dos meus lábios começaram a aparecer. "Eu vou." Carl me estudou por um momento e então assentiu. "Onde você vai estudar na quinta-feira?" Dei de ombros. "Eu acho que aqui?" Sua sobrancelha subiu novamente. "Eu não tenho certeza se estou confortável com você estando aqui sozinha com ele," disse ele, e me agradeci por não ter contado a ele que Rider já tinha estado aqui quando ele não estava em casa. "Então, novamente, eu não estou exatamente confortável com você estar em qualquer lugar." "Com ele?" Eu acalmei. Ele balançou a cabeça e sorriu levemente. "Com qualquer garoto, Mallory." Minhas bochechas aqueceram. "Nós estamos... indo só estudar e ele tem uma namorada, lembra?" Meu peito queimou enquanto eu falava essas palavras, porque lembrei a maneira que Rider tinha beijado minha testa antes e depois disse que ele não deveria ter feito isso.


E ele realmente não deveria ter feito. Mesmo um beijo na testa, que era tão casto como deveria, ainda não era certo. "Eu sei." Ele beliscou a ponte de seu nariz. Alguns momentos se passaram, e eu fiquei inquieta. "Eu tenho dever de casa," eu disse a ele. Carl baixou a mão. "Não fique acordada até tarde." Quando eu comecei a virar, ele me parou. "Obrigado por me dizer a verdade sobre quem estava com você hoje." Meu cérebro na verdade se encolheu, porque eu estava pensando sobre a coisa toda de não atender ao telefone, mas forcei um sorriso. E então eu praticamente corri para o meu quarto. Carl tinha me agradecido, mas era óbvio que ele não estava feliz sobre eu sair com Rider. Ou talvez fosse apenas porque Rider era um garoto. Eu esperava que fosse apenas porque ele era um garoto e não porque Carl tinha algo contra Rider. Eu não podia sequer imaginar por que ele faria, mas a verdade é que eu realmente não conheço este Rider muito bem. Carl estava certo sobre isso, mas este Rider não podia ser tão diferente do Rider que eu amei quando era criança. Eu tinha certeza disso. *** Rider me acompanhou até meu carro após a aula de oratória no dia seguinte. Ele estava quieto, embora, sem dizer muito quando eu abri a porta traseira do meu carro e joguei a mochila no banco de trás. Eu me preocupava que tinha a ver com o que aconteceu entre ele e Paige e o beijo na minha testa que eu sabia que ele tinha que se arrependido. Ou talvez tivesse a ver com o fato de que Paige não tinha comparecido na aula hoje. Chaves na mão, fechei a porta e olhei para ele. Ele deu um passo de lado e abriu a porta do motorista para mim. Murmurei meus agradecimentos e comecei a entrar.


"Ei," ele disse, olhando para o asfalto manchado. "Eu estava pensando na quinta-feira." Seus cílios levantaram e o ar vazou lentamente para fora dos meus pulmões. "Está tudo certo, Mouse?" Minha resposta foi imediata, mesmo que meu estômago tenha virado. Balancei a cabeça. "Sim." Seus lábios inclinaram para cima. "Sério?" Ele pareceu surpreso, e eu não entendia por que e não ia me deixar pensar sobre a conversa com Carl ontem à noite. "Legal. Vamos fazer isso." Eu também, mas essas três palavras foram congeladas entre o toque de antecipação e entusiasmo. Rider queria sair. Caramba, isso foi como um alerta vermelho. Por isso eu precisava falar com Ainsley imediatamente. Rider sorriu quando empurrou uma mão no bolso da calça jeans. "Ok, então." "Ok," eu consegui sussurrar. Ele baixou o queixo e começou a se afastar, mas depois parou. Como ontem, ele baixou a cabeça e apertou os lábios contra a minha testa, e também como no dia anterior, eu senti a breve varredura de seus lábios todo o caminho até os dedos dos pés. Meu coração se juntou a meu estômago, vai e vem em todo o lugar. Rider endireitou-se e deu um passo para trás, batendo com o caderno no jeans. "Eu te vejo amanhã." E ao contrário de ontem, ele não disse que não deveria ter feito isso.

***


Quando cheguei em casa, um aroma picante atraiu-me para a cozinha. Meu estômago roncou e eu poderia ter começado a babar no momento em que avistei as enchiladas18 de queijo em cima do balcão. Elas foram banhadas com queijo caseiro. Meu favorito. Deixando cair a mochila no chão, saltei para onde Rosa estava colocando os pratos na mesa. Passei meus braços em torno dela por trás e apertado. Rosa riu quando ela se virou. "É o queijo, não é?" Balançando a cabeça, deixei meus braços caírem e recuei. Minha barriga roncou novamente quando Carl levou a assadeira para o centro da mesa da cozinha. Eu queria plantar meu rosto nela e comer tudo. "Ei," disse Carl, jogando a luva de forno em uma gaveta aberta quando ele olhou para cima. "Como foi a escola?" "Boa." Eu lavei minhas mãos e, em seguida, peguei um refrigerante da geladeira. Carl estreitou os olhos para a minha escolha de bebida, mas não disse nada. Coisa boa, porque ele teria que tirar a Coca-Cola dos meus dedos frios e sem vida. Rosa sorriu enquanto colocava uma mecha atrás da orelha. "Há salada. Certifique-se de que você está comendo isso, também." Salada? Quem queria salada quando eu tinha enchiladas corpulentas envoltas em queijo? Venha agora. O olhar no meu rosto deve ter falado o que eu estava pensando, porque a tigela de salada magicamente apareceu mais perto de onde eu estava sentada. Quando me sentei à mesa, um pensamento horrível me ocorreu. Será que Rider têm jantares quentes prontos quando chega da escola ou da garagem? Hector tinha dito que a sua avó ainda trabalhava. Será que os meninos têm que cuidar de si mesmos?

18

Enchiladas são uma espécie de panqueca que podem ser recheadas como quiser, assim como a brasileira.


Rosa cortou duas enchiladas e as colocou no meu prato. Será que ele recebe refeições como esta? Alguém serve sua comida e coloca no prato para ele? Eu não ia desfrutar das enchiladas e o bate-papo entre Rosa e Carl tanto quanto eu normalmente faria, pois a facilidade e o carinho tinha amplificado o conhecimento de que eu era tão incrivelmente sortuda. Não que eu não tivesse percebido isso todos os dias desde que Carl entrou no meu quarto de hospital, mas hoje eu me senti como... Como se eu precisasse realmente reconhecê-los mais vezes. Eu tive sorte. "Você olhou os papéis que deixei em seu quarto esta manhã?" Carl perguntou. Papéis? Meus pensamentos correram até que eu percebi que ele estava falando sobre os panfletos dos departamentos de bioengenharia e biologia da Universidade de Maryland. Eu não tinha olhado para eles, então balancei a cabeça. Carl olhou enquanto levantava seu copo. "Você tem rápida aceitação na UM, então há tempo, mas declarar um curso é importante. Você realmente precisa levar isso a sério." Considerando que eu tinha vários anos antes de realmente precisar fazer isso, eu pensei que estava levando a sério. "Precisa ter a certeza de que ainda está focando no plano final," continuou ele. "Escolher o principal corretamente vai decidir o seu futuro inteiro." Meus olhos se arregalaram. Isso soou intenso. "Os primeiros dois anos de faculdade são importantes para ganhar uma garantia antecipada em programas de medicina e pesquisa da George Washington." Rosa sorriu como sempre fazia quando ela falava de George Washington. Ela era um dos ex-alunos, assim como Carl. E tinha sido o plano de Marquette. Ir para a UM e, em seguida, obter uma garantia antecipada para George Washington. "Começar em


qualquer programa de pós-graduação relacionado à Medicina ou Ciência não vai ser fácil. Mas o planejamento começa muito antes de iniciar o seu primeiro ano." Eu me mexi desconfortavelmente enquanto me concentrei no prato. Tentando me imaginar estudando bioengenharia ou química, e isso me deixou coçando. Não que eu não poderia fazê-lo. Eu gostava de pensar que era inteligente o suficiente, mas eu... Isso não me excita. Houve uma pausa e Rosa disse: "Posso te perguntar uma coisa, querida?" Eu balancei a cabeça mais uma vez. Ela colocou um braço sobre a mesa e se inclinou para mim. "É isso que você quer fazer?" Meu coração bateu mais fortemente. Esta foi a primeira vez que essa pergunta tinha sido feita para mim. Sentei-me na minha cadeira, sem saber como responder, porque eu não sabia. Se eu não seguir este plano, que plano eu teria? O que eu quero fazer? Eu sabia que queria fazer algo que ajudasse os outros. Um trabalho que significava algo no final do dia. Eu sabia que queria isso porque me foi dada uma enorme segunda chance. Eu queria que isso significasse alguma coisa. Mas gastar minha vida em um laboratório não era a única coisa que ajudava as pessoas. Havia policiais, psicólogos, assistentes sociais e professores e... Serviço social. Um movimento torceu na boca do meu estômago, algo como excitação. Serviço social? Pisquei uma vez e depois duas vezes. Algo sobre isso só parecia certo. Como se isso totalmente fizesse sentido para mim, que tinha crescido no sistema, a querer retribuir. Esse tipo de trabalho seria super difícil. Ver as coisas que os assistentes sociais tiveram que lidar, mas se eu pudesse parar com outra criança o aconteceu com Rider e eu, para ajudá-los, a saber, que eles eram reais,


eles eram queridos e amados? Isso significaria algo no final do dia. Isso significaria algo para toda a vida. Respirando fundo, eu abri a minha boca para falar. "É claro que isso é o que ela quer fazer." Carl riu. "É tudo sobre o que já falamos." Rosa arqueou uma sobrancelha. "Se isso é o que ela quer, então eu acho que ela teria olhado os panfletos." Carl olhou para mim novamente. Eu me contorci um pouco mais. "Eu... eu estou interessada nisso, mas há algumas... outras coisas que eu quero verificar." O olhar aumentou. "Como o que, Mallory?" Meus dedos apertaram ao redor do meu garfo. “Talvez, serviço social?” "Serviço social?" Carl riu novamente. "Você nunca vai ser capaz de pagar os empréstimos estudantis necessários para conseguir esse curso." Meus lábios estavam franzidos quando Rosa lhe lançou um olhar. "O que?" Ele balançou sua cabeça. "Isso não foi uma resposta séria dela. De qualquer forma, há algo mais que precisamos conversar." Cortei um enorme pedaço de enchilada quando a conversa desviou-se dos estudos universitários para outro tópico que eu queria evitar. "Carl me contou sobre amanhã," Rosa anunciou enquanto estava prestes a empurrar uma enorme garfada de enchilada na boca. Congelei com os olhos arregalados. O segundo round estava prestes a começar. "Penso que é uma boa ideia." Huh.


Meu olhar correu para Carl. Ele estava cortando sua enchilada com o garfo em pequenos movimentos com a faca. "Mas eu tenho um favor a pedir," continuou ela, sentando-se na cadeira, e eu estava ainda, com garfo a meio caminho para boca. "Tente marcar uma data de estudo quando estivermos realmente em casa." Puta merda. Rosa sorriu para mim. Carl se manteve assassinando sua comida. E eu finalmente coloquei o garfo na boca. OK. O segundo round não estava acontecendo. Depois do jantar, limpei e armazenei as sobras na geladeira. Elas seriam perfeitas para amanhã, para quando eu — oh meu Deus — me encontrasse com Rider, e em seguida, peguei minha mochila e subi as escadas. Carl e Rosa estavam conversando na sala de estar, e eu podia ouvir a música tocando Jeopardy. Uma vez lá em cima, abri meu laptop e cliquei no app mensagem. Ainsley estava online. Clicando em seu ícone, enviei-lhe uma mensagem. Você está aí? Uma bolha apareceu abaixo e, em seguida, sua resposta: Sempre. Carreguei meu notebook até a cama e me sentei, apoiando-o no meu colo. Eu preciso do seu conselho. Eu sou seu sensei. Rider vai vir depois da escola amanhã e me ajudar com o meu discurso, e eu não tenho certeza se eu deveria ter refrigerante extra e alimentos. Faço uma pausa. E outras coisas. A bolha imediatamente apareceu. Espere um segundo. Volte. Rider vai na sua casa amanhã?


Eu sorri, porque eu podia praticamente ver seu rosto em minha mente. Sim. Carl e Rosa sabem? Aquele sorriso desapareceu e meu estômago deu um nó. Sim. Fiz uma pausa. Carl não estava muito feliz com isso, mas Rosa estava bem. Mallory Dodge!!! Eu estou tão orgulhosa de você! Você não é mais uma rebelde. LOL Meus dedos voaram sobre o teclado. Devo ter refrigerante e um pouco de comida? Você normalmente tem esse material em casa de qualquer maneira. Então sim? Eu acho. Ainsley estava certa. Eu já tinha essas coisas e eu estava sendo estúpida, mas enquanto olhava para a sua mensagem, eu me perguntava se era inteligente trazê-lo aqui. Talvez estudar em minha casa também fosse... Muito íntimo e também não é a ideia mais legal. Por mais que Paige fosse uma idiota completa para mim, ela tinha razões válidas. Rider vindo à minha casa seria apenas mais um motivo para ela não gostar de mim. Minha mente correu sobre as possibilidades. Nós poderíamos simplesmente ir à biblioteca. Eles tinham salas de estudo privadas. Ir para lá iria resolver o problema sobre que lanches servir. Não haveria nenhum retoque de maquiagem. Isso provavelmente era outra coisa boa. Eu não era tão boa em colocar maquiagem e meu rosto não poderia lidar com muita. Ainsley, por outro lado, poderia ensinar aos bloggers de beleza uma coisa ou duas. Satisfeita com a minha decisão, eu relaxei.


Eu acho que vou perguntar se podemos ir para a biblioteca. Um par de momentos se passou antes que ela respondesse. Hum. Por quê? Eu acho que é apenas o mais inteligente, enviei de volta depois de alguns segundos. Sua namorada não ficaria feliz com ele estando na minha casa. Quem se preocupa com a sua namorada? Ainsley!!! Eu estou apenas brincando, ela digitou de volta. Achei que você ia pensar que se fosse um problema, ele não teria concordado em ir para a sua casa logo de cara. Bom ponto. É apenas mais fácil ir à biblioteca. A bolha reapareceu. Você é estranha, mas eu ainda amo você e eu tenho uma pergunta para você. Uma questão séria. Totalmente séria. Minhas sobrancelhas subiram. Okay. Você gosta de Rider, tipo, realmente gosta dele? Os nós estavam fazendo outra aparição, mas por uma razão totalmente diferente. Eu gosto dele? Os nós foram aumentando, mas dizer as palavras o tornaria real e seria algo que eu não poderia voltar atrás. E eu não poderia torná-lo real. Eu gosto de Rider, realmente gosto dele, de uma forma que era tão diferente do que quando éramos crianças. Era como estar com doze anos tudo de novo, mas a queda desta vez era muito mais poderosa. E eu sabia que não era certo ter esses sentimentos. Ele tinha uma namorada e não importa o quanto eu gostava dele, isso não mudaria. Eu estava bem com isso. Eu tinha que estar. O que eu estava


começando a perceber era que o que eu sentia por ele pertencia somente a mim. Isso seria meu e ninguém mais precisaria saber sobre isso. Eu expirei lentamente. Não respondi, mas Ainsley respondeu com: Era isso o que eu pensava. Esperei que ela dissesse mais, mas quando ela não respondeu, eu digitei: Você ainda está aí? Um minuto ou dois minutos se passaram e, em seguida, sua bolha apareceu. Desculpa. Mamãe estava aqui para ter certeza que eu não estava conversando com homens de trinta anos de idade aleatórios do Facebook. Sabendo que ela não estava brincando, eu ri. Outra mensagem de Ainsley apareceu. Mande mensagem para mim e me deixe saber como será amanhã. Vou precisar de algum entretenimento enquanto espero no consultório do médico. Eu fiz uma careta e rapidamente digitei de volta. Que médico? Mamãe está me levando ao oftalmologista para conseguir óculos novos. Você não recebeu óculos novos no ano passado? Sim, mas eu não achei que a prescrição estava boa, não mais. Meus olhos são uma porcaria. Além disso, eu acho que preciso de um novo exame. O sol está tão brilhante. De qualquer forma, vou esperar, chateada, por isso espero que chegue às atualizações.


Estiquei as pernas. Eu

não

tenho

certeza

se

vão

ser

umas

atualizações

emocionantes. Oh, precisam ser. Ela acrescentou um rosto sorridente. Não será. Deixei o laptop de lado quando a conversa terminou, joguei minhas pernas para fora da cama e caminhei até onde deixei minha mochila, sobre a mesa. Peguei meu telefone e fui para as mensagens. Mordi meu lábio enquanto mandei a Rider uma mensagem rápida sobre estudar na biblioteca. Depois que fiz isso, coloquei o telefone na mesa de cabeceira e, em seguida, peguei o livro de história e comecei a estudar. Não foi até que estava perto de nove horas que o telefone apitou. Apanhei-o, vendo que era um texto de Rider. Isso é legal, ele respondeu. Por alguma razão, eu me perguntava se isso realmente era.


Capítulo 17

Quinta-feira tornou-se oficialmente o dia em que não ia acabar nunca. As horas passavam lentamente e eu senti um pequeno nervoso estranho quando saí da classe antes de oratória e Rider não estava esperando por mim. Imediatamente, meu cérebro entrou em todo o tipo de pior cenário. E se Rider não estivesse na escola? E se ele realmente não queria me ajudar com o meu discurso? E se ele foi embora? E se ele não queria pôr em risco seu relacionamento com Paige? Todas essas coisas me fizeram sentir como possibilidades muito reais. Corri para a aula e me sentei na parte de trás, meus olhos grudados na porta. Paige entrou em aula e quase não a reconheci. Ela parecia cansada, com uma camisa preta desproporcional. Seu cabelo estava preso no alto da cabeça em um rabo de cavalo, não tão elegante como antes. Enquanto ela se aproximava, eu podia ver que seus olhos estavam ligeiramente inchados. Ela tomou seu lugar e, quando deixou cair sua bolsa no chão, ela virou a cabeça para mim. "O que diabos você está olhando?" Piscando rapidamente, lancei meu olhar de volta para frente da sala de aula. "Cadela estúpida," ela murmurou, e eu vacilei. Repostas se formaram e depois fracassaram na minha língua. Pressionei meus lábios juntos, inspirando pelo nariz.


Em seguida, quem entrou na sala foi Hector. Ele entrou, sorrindo com algo que Keira estava dizendo. Meu peito apertou com a facilidade em que ela falou e riu com ele. Deus, eu queria isso. Minha garganta fechou, e eu disse a mim mesma que, se Rider não aparecesse, não era pessoal, embora eu soubesse que levaria como pessoal. Então quando eu estava prestes a desviar os olhos para minha mesa, Rider entrou, caderno na mão e sorriso sonolento nos lábios. Claro. Ele não tinha desistido. Tensão saiu dos meus ombros, e eu disse a mim mesma que precisava começar a me controlar. "Yo." Hector acenou para ele quando Ryder passou por sua mesa. Rider murmurou uma resposta e, em seguida, tomou o seu lugar. Ele inclinou-se para Paige, falando muito baixo para eu ouvir. Vi sua cabeça sacudir. Ele colocou a mão em seu braço. Surpresa cintilou através de mim quando ela se afastou. Ela bateu seu livro sobre a mesa, e eu pensei tê-lo ouvido suspirar. Ele olhou para mim. "Ei, Mouse." "Ei," eu respondi suavemente. E essa foi a extensão do que eu disse a ele toda a aula, o que provavelmente não era um bom presságio. De repente eu estava incrivelmente nervosa, e quando guardamos nossas coisas por causa do nosso estudo no final da aula, Rider estava esperando por mim. "Nós iremos direto?" ele perguntou. Balancei a cabeça, notando que Paige já tinha saído da sala de aula. Ele arqueou uma sobrancelha e não disse nada à medida que nós saímos da sala, acenando adeus a Hector e Keira. Foi uma coisa boa que eu estava dirigindo, porque poderia me concentrar nisso, em vez do surto interno que estava ocorrendo.


Estávamos indo para a biblioteca, que era cerca de vinte minutos de carro da escola, e eu estava com as juntas dos dedos brancas no momento em que parei o Honda no estacionamento. Rider notou. Claro. "Você está bem?" ele perguntou. Balancei a cabeça e depois limpei minha garganta. Eu queria perguntar-lhe sobre Paige, mas minha garganta foi ficando obstruída. Tão estúpido. Eu nunca tive esse problema com ele, mas estava muito presa na minha cabeça. Eu precisava conseguir que minha boca funcionasse. "É... está tudo bem com... você e Paige?" Foi doloroso, mas eu consegui as palavras. Um momento se passou. "Na verdade, não." "Quer... você quer falar sobre isso?" Eu perguntei. "Não." "Ok," eu respirei. "Eu quero falar sobre qualquer outra coisa que não seja isso agora," acrescentou. "OK?" Apertei meu aperto no volante quando olhei para o semáforo vermelho. Eu poderia fazer isso mesmo que estivesse mais do que curiosa sobre toda a situação de Paige agora. Mas havia tanta coisa que eu queria saber sobre ele. "Como você...?" Olhei para o semáforo vermelho, mentalmente amarrando um rosário de palavrões até minha língua desvincular. Eu estava tão nervosa como estava há dois anos "Como você começou a trabalhar na... garagem?". Ele não respondeu de imediato, porque provavelmente o peguei desprevenido com a aleatoriedade pura da minha pergunta. Eu corei e apertei mais o volante. "Eu... eu só estava me perguntando sobre isso. Então eu pensei em perguntar. Desculpe."


"Não, isso é legal." Quando olhei para ele, ele estava olhando pelo para-brisa. "Razorback Garage é cerca de uma quadra ou assim de onde eu vivo. Então eu via o proprietário — Drew — muitas vezes, falávamos sempre que a gente se cruzava, sabe? Às vezes eu ia até a garagem, porque eles tinham esses detalhes que faziam um trabalho incrível. Enfim, cerca de um ano ou assim, eu fui preso por grafite — não relacionado com a coisa da escola." "Você... teve sorte," disse eu, virando à direita. "Ha. Sim. Aparentemente. Enfim. Drew acabou ouvindo sobre isso. Então, quando o vi, ele me pediu para mostrar-lhe algumas das minhas coisas. E eu mostrei. Ele gostou. Pensei que era muito legal. O resto é história." Parei em outro sinal de trânsito. "Isso é realmente... incrível." "Eu tenho sorte," ele respondeu, sorrindo em seguida. "Drew me paga muito bem." "Porque você é realmente bom no que faz," eu disse a ele. A covinha apareceu. "Eu poderia, hum, mostrar-lhe alguns dos meus trabalhos na garagem, se você quiser? Quer dizer, não é tão emocionante e você provavelmente gostaria de fazer outra coisa, mas...". "Eu adoraria." Meu coração estava tropeçando em si. Sua covinha aumentou por isso. "Você... guarda o dinheiro do trabalho?" Eu perguntei. "Não. Eu gasto tudo em bebida e meninas." Eu atirei-lhe um olhar. Rider riu. "Sim, eu guardo o dinheiro. Eu tenho dezoito anos, vou me formar em maio. Preciso olhar para o futuro. Conseguir um lugar para mim. O grupo vai parar de me acompanhar e embora eu saiba que Sra. Luna não iria me chutar para fora, não é certo. Ela vai ter que trazer outra criança."


Na biblioteca, estacionei dentro do parque de estacionamento e procurei um espaço. "E quanto à faculdade?" "Ah, eu não vejo isso na minha lista para o futuro." "Por quê?" Eu não entendi. "Você é... muito inteligente. Faculdade, provavelmente, será muito fácil para você." Ele moveu-se no assento. "Eu não sei. Isso custa dinheiro, Mouse, e eu não estou economizando esse tipo de dinheiro." "Mas existem bolsas e auxílios." Encontrei um local no estacionamento perto da parte trás, estacionei e desliguei o carro. Olhei para ele. "Que tal?" Um músculo flexionou ao longo de sua mandíbula. "Sim, eu sei, mas... Eu só não vejo isso em meu futuro. Quero dizer, inferno, as pessoas provavelmente cairiam mortas de choque se minha bunda acabasse na faculdade." Eu fiz uma careta. "Eu não faria isso." Ele olhou para mim enquanto soltava o cinto de segurança e seu sorriso cotado acima de um entalhe. "Você mudou. Um monte. Mas ainda há coisas sobre você que são as mesmas.” Eu não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou ruim. Rider estendeu a mão e desabotoou o cinto de segurança. "Você nunca viu o que todo mundo vê quando se trata de mim," ele explicou. Agora eu só estava confusa. "O que isto quer dizer?" "Você acha... eu não sei. Que eu sou algo que eu não sou." Esticando o corpo para trás, ele agarrou minha mochila do banco de trás. "Você me vê como um cavalheiro num cavalo branco." Que diabos? Eu o vi abrir a porta do carro e sair com a minha mochila na mão. Congelada por um momento, tirei as chaves da ignição e corri


atrás dele. "Eu não acho que você é um cavalheiro em um cavalo branco." Rider me lançou um olhar de lado por muito tempo. "Você é praticamente a única pessoa que pensa no meu nome e faculdade juntos, na mesma frase." Eu tive que acelerar o passo para conseguir no mesmo passo que suas longas pernas. "Isso é estúpido." Ele me olhou com cautela quando abriu a porta. "É, tanto faz." "Não, não é." Parei no interior do conjunto de portas e olhei para ele. Ele estava suspenso em movimento, estendendo a mão para a entrada principal. "Você poderia fazer faculdade, se é isso que você quer. Seu nome e faculdade... fazem total sentido juntos." Seu olhar se levantou para o teto enquanto os lábios apertaram. O que pareceu uma eternidade se passou antes que ele dissesse "Huh". Era isso? Rider entrou na biblioteca, e depois de um momento, eu o segui. Ele foi até o balcão de circulação e nós tivemos sorte uma vez que havia apenas uma sala disponível. Enquanto caminhávamos pelos corredores abastecidos, respirei profundamente, amando o cheiro de livros. Uma memória mexeu solta. Eu me enrolei de lado, com os joelhos dobrados no meu peito. As lágrimas tinham secado nas minhas bochechas. Hoje à noite tinha sido ruim. Os amigos do Sr. Henry chegaram e eu sabia que não iriam sair por um tempo. O quarto era frio e escuro e o cobertor maltrapilho era muito fino. Encolhi-me, empurrando minhas mãos entre as pernas para mantêlas aquecidas. A porta se abriu e uma ligeira forma deslizou para dentro. Eu soltei a respiração que estava segurando. Rider rastejou para a cama. Eu deslizei para trás, de encontro à parede. O colchão tremeu quando ele se


deitou ao meu lado. Um segundo depois, uma luz amarela suave acendeu. A pequena lanterna não chamou a atenção. Rider trouxe seus joelhos para cima, pressionando os seus contra os meus quando tomou uma respiração profunda. "Era uma vez um Coelho de Pelúcia, e no começo ele era realmente esplêndido." Respirando afiado, olhei para Rider e por um momento eu o vi no passado. "Você se lembra de ler para mim?" Ele balançou a cabeça enquanto seus lábios enrolaram. "Claro." Eu não disse qualquer outra coisa até que entramos na sala. Estava gelado por dentro, e logo fiquei grata pela camisa de mangas compridas. Rider acendeu a luz e depois colocou minha mochila sobre a mesa. "Então por que você mudou para a biblioteca?" ele perguntou antes que eu pudesse começar o assunto sobre a coisa da faculdade novamente. A pergunta de Ainsley da noite passada ressurgiu e eu empurreia para fora. Eu poderia dizer-lhe que era por causa de Paige, mas eu percebi que ele não queria ouvir isso agora. "Eu pensei... que seria mais fácil." Ele balançou a cabeça em resposta. Observei-o por um momento e, em seguida, caminhei até minha mochila e abri o zíper. O som metálico ecoou na sala com paredes brancas. Não havia nada aqui, exceto uma mesa redonda e quatro cadeiras. O marcador de texto preto solitário descansou no centro da mesa. Rider sentou e recostou-se, jogando seu braço ao longo das costas da cadeira ao lado dele. Ele olhou para mim, um pequeno sorriso brincando nos lábios. Nossos olhares colidiram e não desviaram. A vibração tomou voo no fundo do meu peito. Seu sorriso se espalhou e a agitação aumentou.


"Por que você está olhando... para mim desse jeito?" No momento em que a questão saiu dos meus lábios eu meio que queria empurrá-la de volta. Era uma pergunta estúpida. A covinha apareceu. "Eu gosto de olhar fixamente para você." Minhas sobrancelhas subiram. Ele riu. "Isso meio que, soou assustador, não é? O que eu quis dizer é que... Bem, sim, eu gosto de olhar fixamente para você. Por isso, é tão assustador quanto parece." Sorrindo, eu balancei a cabeça. "Não é... assustador. Eu só...". "O quê?" ele perguntou quando eu não continuei. O que eu poderia dizer a ele? Que eu não entendo por que ele iria desfrutar de olhar para mim? Que havia outras melhores opções lá fora para ele? Isso soaria terrível. Não foi como se eu pensasse que era a pessoa mais feia do mundo. Eu estava... Eu acho que, razoavelmente bem. Mas eu era realista sobre a maneira que eu era, e eu não parecia como Paige ou Keira ou Ainsley. Balancei a cabeça, concentrando-me em outra coisa. "Você quer... começar?" Eu ofereci, tirando meu caderno. Eu o abri e tirei o discurso que tinha dobrado. "Eu adoraria." Rider inclinou-se com um sorriso. "Mas eu não escrevi o meu ainda." Meu queixo caiu. "O que?" "Eu vou chegar lá." Ele acenou com a mão com desdém. "Continue." "Mas é sério que você estava apenas desenhando na sala de aula? Não trabalhou...". "Eu vou tê-lo feito, Mouse. Prometo." Ele levantou a mão, balançando o dedo mindinho para mim. "Eu vou fazer promessa de mindinho."


Suspirei. "Eu não... preciso de uma promessa de mindinho." Rider apenas sorriu quando se inclinou para trás e cruzou os braços. Respirando fundo, eu olhava para o meu discurso. As palavras turvaram um pouco, como se houvesse algo de errado com a minha visão. Minha frequência cardíaca aumentou. Tomei uma respiração profunda que ele me viu fazer. "Você pode fazer isso," disse ele calmamente. Fechei os olhos por alguns instantes. Eu poderia fazer isso. "Os Estados Unidos da América... tem tr-três ramos da..." Eu fiz isso. Bem, eu lutei por isso, e eu tinha certeza de que a minha primeira tentativa não veio em menos de três minutos. Mais como dez. Quando eu fiquei presa a uma palavra e então eu comecei a gagueira, porque meus olhos continuavam querendo ler mais à frente, de modo que não ajuda. Por sugestão de Rider, tentei sentar-me. Em seguida, tentei de novo. Eu fiz isso tantas vezes que havia uma boa chance de que eu poderia ser capaz de lembrar-me de cor. Rider foi paciente com a coisa toda, o que praticamente o levou para o status de santo, porque quem seriamente iria querer ouvir-me parar e gaguejar durante um discurso informativo por uma dúzia de vezes. Alguém poderia gravar isso e Satanás poderia jogá-lo mais e mais, em uma repetição infinita, para torturar as pessoas no inferno. "Eu... Eu odeio que tenha que pensar em cada palavra." Senteime e deixei cair o papel sobre a mesa, os braços caindo no meu colo. "É embaraçoso. As pessoas vão tirar sarro... de mim." "As pessoas são idiotas, Mouse. Você já sabe disso." Ele fez uma pausa quando pegou um pouco do meu cabelo para trás, gentilmente jogando os fios por cima do meu ombro. "E não há nada do que se envergonhar."


Olhei para ele. Tudo sobre o seu olhar firme e a impressão séria de seus lábios disse que ele falava sério sobre isso. Mas ele estava errado. "É... embaraçoso." "Não se você não deixar ser." Sua perna escovou a minha quando ele se virou no assento, de frente para mim. Nossos olhos se encontraram. "Você tem o poder sobre isso. As pessoas podem dizer porcaria. Eles podem pensar o que quiserem, mas você controla como você se sente sobre isso." Droga. Isso foi profundo e maduro. "Você soa como Dr. Taft," eu soltei. Suas sobrancelhas levantaram. "Quem é ele?" "Ele era..." Oh. Espera. Rider não sabia que eu estava vendo um terapeuta. Ele inclinou a cabeça para o lado e esperou. "Ele era o quê?" Ah não. Eu deveria ter mantido minha boca fechada. No fundo, eu sabia que ter feito terapia não era algo que eu devesse me sentir mal. Como o meu passado — nosso — tinha sido, francamente, era esperado. Mas assim como não falar, havia um estigma feio e muitas vezes brutal anexado à terapia. E Rider? Ele pareceu sair da nossa infância relativamente incólume. Não tinha? Ele não estava vendo um terapeuta. Ele falava normalmente. Ele estava realmente ileso? Pensei em todas as aulas que ele faltou e como ele disse que ninguém realmente se importava. Rider acreditava que não havia nada para ele? "Mouse?" Ele puxou uma mecha do meu cabelo. "Quem é Dr. Taft?" Eu desviei o olhar, com foco no discurso impresso. O que importava, afinal? Eu sabia que Rider não ia me deserdar como amiga. Tomei outra respiração superficial. "Dr. Taft era meu... terapeuta. Vi-o


por cerca de três anos. Parei um tempo atrás, porque eu... Eu senti como se estivesse pronta." "Oh. Legal." Legal? OK. Quantas vezes ele ouve garotas de dezessete anos de idade admitir ver um terapeuta, e sua única resposta foi legal? Olhei para ele, e ele estava apenas olhando para mim, a expressão aberta. "Sério?" Rider levantou um ombro. "Faz sentido. Você viu algumas, sim, alguma merda pesada. Lidou com alguma coisa louca. Eu estou realmente, aliviado que viu alguém." Estudei-o por um momento. "Você... realmente acredita nisso?" Ele assentiu. "E você?" Eu perguntei, e quando ele piscou, ele parecia confuso. "Você cresceu... comigo. Você já viu algumas merdas." "Eu estou bem," ele respondeu, mudando seu olhar para os livros. Olhei para o seu perfil. "Eu estava lá, Rider. Lembro-me de alguns...". "E eu estou bem," ele interrompeu, levantando o olhar para o meu. "Eu prometo. Eu juro." Pressionando meus lábios, eu balancei a cabeça. "Você disse que pensou... sobre aquela noite." Rider endureceu e depois exalou lentamente. "Às vezes," ele repetiu calmamente e depois mais alto: "Quando lembro, geralmente estou pensando sobre o que aconteceu com você". Meu estômago se agitou, e eu estava, mais uma vez, grata que não tinha comido nada desde o almoço. "Rider...".


"Eu deveria ter estado lá," afirmou, os olhos escurecendo. "Eu deveria ter encontrado uma maneira de voltar para aquela casa. Eu sabia que o filho da puta faria algo com a boneca eventualmente." Abri a boca, mas caramba, eu tinha amado Velvet. Além do fato de que Rider tinha conseguido ela para mim no dia que a senhorita Becky o tinha levado para o shopping, ela era a única coisa, em anos, que tinha sido simplesmente minha. A boneca não era de segunda mão. Ela não pertenceu a ninguém antes de mim e eu não tinha que compartilhá-la. A boneca era toda minha e ela era linda. Era. Aos doze anos de idade, eu não carregava Velvet comigo em todos os lugares. Eu estava velha demais para isso, mas o Sr. Henry e a Srta. Becky sabiam o quanto eu guardava aquela boneca. Naquele dia o Sr. Henry tinha conseguido apoderar-se dela e... Sim, isso não tinha terminado bem. Rider enfiou a mão pelo cabelo, apertando a parte de trás do pescoço. "Se eu não tivesse respondido ele naquela noite, isso não teria acontecido. Você não teria sido deixada sozinha lá. Você não teria feito o que fez.” Soltando sua mão, ele inclinou a cabeça para trás. “É um dos maiores arrependimentos que eu tenho." "Que?" Eu resmunguei. "Não foi... culpa sua." O que aconteceu não foi culpa de Rider. "Ele jogou a boneca na maldita lareira," ele disse rispidamente. E, em um último ato de desespero e estupidez, eu tentei salvar a boneca. Se eu já não tivesse visto o que tinha visto naquela noite, eu não poderia ter feito o que tinha acontecido. O ato com Velvet me quebrou. Entrei em pânico quando vi a única coisa que eu já possuí — um presente de Rider — à beira de ser destruído. Corri passando pelo Sr. Henry e enfiei a mão no fogo. Eu lembrava vagamente do Sr. Henry rindo e então houve uma gritaria horrível e este terrível cheiro.


Os gritos tinham sido meus. Rider não disse nada quando chegou até mim e pegou meu braço esquerdo. Seus dedos eram frios contra o meu braço quando ele empurrou a manga da minha camisa até o cotovelo. Ele virou meu braço, como tinha feito no primeiro dia, no estacionamento. "Eu ainda não posso acreditar que não há praticamente nenhuma cicatriz." Ele alisou o polegar logo abaixo do meu pulso, fazendo-me chupar uma respiração suave. A carícia eletrocutou todo o caminho até a minha espinha. "Só um pouco mais rosa do que o resto do braço. Incrível." Minha boca secou. Seu polegar continuou se movendo, viajando sobre a minha pele, fazendo o seu caminho até o cotovelo. "Eu gostaria que isso nunca tivesse acontecido." Ele engoliu em seco. "Eu não teria perdido..." arrastando, ele olhou para cima pelos cílios e sorriu. "Funcionou, no entanto. Estranho como algo de bom pode sair de uma grande confusão." "Não foi culpa sua," eu insisti, e significava exatamente isso. "Você não poderia cuidar de mim vinte e quatro horas por dia. Eu não era sua responsabilidade." Seu olhar sustentou o meu e passou um momento como se ele estivesse considerando o que queria dizer. "De qualquer forma," ele puxou começou a dizer. "Nada disso realmente importa, certo? Você não tem nada para se envergonhar. O jeito de falar não é um grande negócio. E se as pessoas são idiotas, elas não são importantes. Só você pode deixar se tornar importante." "E se nada disso funcionar?" Eu perguntei. Os lábios de Rider derrubaram-se em um canto. "Então eu vou começar a bater nas pessoas." Minhas sobrancelhas voaram. "Sério."


Inclinei minha cabeça para trás, e ri — ri muito — e quando olhei para ele, ele estava olhando para mim de um jeito intenso. "O que?" Eu perguntei e meu sorriso começando a desaparecer lentamente. Ele deu um pequeno aceno de cabeça. "Nada." Ele fez uma pausa. "É só que eu não ouvi você rir assim em... muito tempo. É bom." Eu estava sorrindo novamente. "Realmente bom," repetiu ele, e nossos olhos se encontraram novamente. Ele ainda estava segurando meu braço e seu polegar ainda se movia em círculos lentos e suaves. "Eu espero que você faça isso mais vezes."


Capítulo 18

Eu sabia que isso não estava acontecendo. Nos cantos mais distantes de minha mente, eu sabia que o que eu estava vendo, o que eu estava ouvindo, não estava ocorrendo no momento. Eu sabia disso, mas não poderia me tirar dali. Não quando as vozes começaram. Alto. Afiado. Explosivo. Detonando uma bomba carregada com terror. Batendo as mãos nos ouvidos, eu recuei um passo, pressionando contra a parede. Eu queria fechar os olhos, mas eu não podia. Eles pareciam como se estivessem paralisados abertos, mantido por pequenos pinos. A dor irradiando no centro do meu rosto foi esquecida. Suas bochechas coraram um vermelho brilhante e os olhos estavam injetados de sangue, o Sr. Henry arrastou Rider pelo braço através do sujo e quebradiço piso de linóleo. Rider era quase tão alto quanto o Sr. Henry agora, mas o homem tinha uns bons cem quilos em relação à Rider. Ele estava gritando tão alto que eu não conseguia entender o que ele estava dizendo, mas Rider não estava lutando. Ele cobriu o nariz com uma mão. O sangue escorria entre seus dedos. Minha barriga torceu. Sr. Henry abriu a porta de trás. O ar frio entrou correndo quando pequenos flocos de neve caíram sobre o chão branco-amarelado. A tempestade na porta, quebrando, e influenciando instável junto com o vento. "Eu estou cansado da sua merda, rapaz. Você acha que eu sou mal? Talvez você vá perceber o quão sortudo você é depois de um par de horas lá fora."


Num piscar de olhos, o Sr. Henry empurrou Rider para fora, na varanda coberta de neve. Eu gritei, saindo da parede. Rider não poderia ficar lá fora. Ele estava usando apenas uma camisa e um jeans. Estava muito frio. A porta se fechou. Era tarde demais. Sr. Henry virou-se para mim, e agitação começou no meu coração. Punhos bateram na porta, do lado de fora, e eu comecei a fazer de volta. Nada ficou entre o olhar desfocado do Sr. Henry e eu. "Saia da minha frente, menina," ele gritou pulverizando cuspe para o ar. "Ou você vai se arrepender de verdade, e rápido!" Girando, eu corri para fora da cozinha até meu esconderijo. Apertei-me contra a parede enquanto levantei meu braço, arrastando meus dedos contra o nariz. Dor me consumiu, mas não havia um monte de sangue na minha mão quando abaixei. Por favor, acorde. Por favor, acorde. Por favor, acorde. Com o coração batendo rápido, escutei o Sr. Henry andando na sala de estar. Um segundo depois, o som soou fora da TV. Ele seriamente deixou Rider no lado de fora. Oh meu Deus, ele não iria durar lá fora no frio e neve. Eu tinha que fazer alguma coisa. À espera de alguns minutos, eu me virei e deslizei na parede. Eu subi as escadas, com cuidado para não ser ouvida, e eu andei pelo corredor. Não vá para dentro do quarto. Não vá nesse quarto. Abri a porta, a suave luz amarela piscando. Senhorita Becky estava na cama. Chamando o nome dela, eu fui até a cama e eu a toquei. Sua pele parecia estranha, e eu sabia. Eu sabia que, no fundo, algo estava muito errado. Um grito borbulhava na garganta. Não faço barulho. Houve gritos, e eu não podia ficar quieta, porque eles eram meus. Saí da sala. Sr. Henry gritou lá de baixo quando desci os degraus. Eu


tinha que chegar ao Rider e tínhamos que sair daqui. Meu coração batia tão rápido, e eu sabia o que estava por vir, e não queria ver, mas já tinha visto. Por favor, acorde. Por favor, acorde. Por favor, acorde. Cheguei à porta da cozinha e, em seguida, o Sr. Henry estava lá, gritando e cuspindo. Eu não poderia formar quaisquer palavras. Ele agarrou meu braço, arrastando-me para a sala de estar. Chamas estalavam da lareira quando ele parou na frente da sua cadeira. Ainda segurando meu braço, ele se inclinou, chegando à parte traseira da cadeira. Isso é apenas um sonho. Apenas um sonho. Acorde. Endireitei-me, ele agarrou Velvet. Eu sabia que a boneca estava lá. Ele tinha levado do meu quarto a três meses, porque eu não tinha colocado a tampa de volta no vidro do leite, como ele queria. Eu sabia exatamente onde a boneca de pelúcia estava, mas eu também sabia que não podia tocar. Ele empurrou Velvet no meu rosto quando soltou meu braço. Eu tropecei, a parte de trás das minhas pernas esbarrando na borda da mesa de café. Acorde. Acorde. Sr. Henry amaldiçoou. "Cansado dessa merda, porra. Tem um sabichão e uma retardada maldita que eu tenho que cuidar." Espremendo a boneca em seu punho, ele foi em direção à lareira. Meus olhos se arregalaram e... “Mallory!!!” Acordei, dobrada como um canivete e, engoli em seco no ar. Eu não estava sozinha. Mãos estavam em meus braços. Gritei de novo, a voz rouca enquanto me soltava. "Está tudo bem," a voz veio de novo, e eu estava meio sonolenta para reconhecer que era Carl. "Está tudo bem, Mallory. Você estava tendo um pesadelo... de novo."


"Escuro," eu consegui dizer, empurrando para trás contra a cabeceira. "Está..." A luz de cabeceira acendeu, inundando o quarto em uma luz suave, e então havia Carl, sentou-se na beira da cama. Seu cabelo uma bagunça desgrenhada, sono visível em seus olhos e sua camisa branca enrugada quando colocou a mão na minha testa. Meu peito doía. "Está tudo bem, Mallory." Carl alisou a mão sobre o meu cabelo úmido. "Foi só um pesadelo. Tudo está bem. Você está segura agora." Segura. Fechei meus olhos com força. Eu estava segura agora, mas o passado... O passado não estava seguro. E nunca estaria, e me assombraria para sempre. Carl saiu da cama e voltou alguns momentos depois com uma garrafa de água. Ele entregou. "Eu quero que você beba devagar." Com os dedos trêmulos, desenrosquei a tampa e levei a garrafa aos lábios. Tomei um pequeno gole e depois outro, refrescando o fundo da minha garganta ressecada. Ele esperou até que eu abaixasse a garrafa e disse: "Estamos preocupados, Mallory." Minha respiração ficou presa. Ele não mediu palavras. Carl nunca media. "Você não teve pesadelos em quase dois anos, mas você está voltando a ter muito regularmente desde que você começou na escola," disse ele, olhando-me atentamente. "Estamos preocupados." “Sobre?” Ele inclinou a cabeça para o lado. "Sobre você e a escola, sobre Rider estar de volta em sua vida, e talvez seja muito, Mallory. Você..." "Não é muito," eu interrompi. "Foi só..."


"Você está tendo pesadelos de novo," ele continuou como se eu não

soubesse

isso

sobre

mim

mesma.

"Nós

estamos

apenas

preocupados. Não queremos que você fique sobrecarregada." Sobrecarregada. Como se eu fosse essa criatura frágil que iria quebrar sob stress. Raiva provocou no fundo do meu peito, e era estranho sentir isso sobre Carl. "Estou bem." Forcei as duas palavras. "Eu não estou sobrecarregada. Foi apenas um... pesadelo. Não é grande coisa. E não tem nada a ver com a escola ou Rider." "Eu vou ter que discordar sobre a parte do Rider." Ele ergueu a mão quando abri a boca. "Só porque faz sentido ele estar de volta em sua vida, talvez cause..." Ele respirou fundo. "Cause um ressurgimento de sentimentos antigos, muitos deles podem ser assustadores." O que ele disse fazia sentido, mas eu balancei a cabeça. "Estou bem." Carl olhou para mim um momento e então ele concordou com um suspiro. "Ok." Ele começou a subir. "Não se esqueça que se você precisar conversar, você pode conversar com a gente." Conversar o quê? Eu não tinha ideia, mas assenti. Ele me estudou por mais alguns instantes e, em seguida, saiu do quarto, fechando silenciosamente a porta atrás dele. Eu lhe disse que não estava sobrecarregada e eu estava bem, mas eu sabia que Carl não acreditou em mim. Eu não tinha certeza se estava dizendo a verdade.

***

Rider não apareceu sexta-feira. Paige não apareceu para a aula, tampouco, e quando eu deduzi que os dois estavam juntos, um pequeno mal-estar se formou na minha


barriga. Com exceção do início do ano escolar, ele não tinha perdido nenhuma aula. Quando a aula terminou, juntei minhas coisas enquanto olhei para as costas de Hector. Perguntar a ele sobre Rider seria a coisa mais inteligente, e mais simples de fazer. Ele obviamente sabe. Com as alças da minha mochila na palma da mão forcei as palavras. "Hector?” Ele se virou na minha direção, os lábios inclinando-se. "Eu." Andei até ele. "Rider está... ok? Quero dizer, ele não veio à aula," eu disse, afirmando o óbvio. "Eu acho que... ele está com Paige, mas eu só queria ter... ter certeza que ele está bem." O sorriso caiu um entalhe quando seu olhar cintilou ao assento vazio. "Ele não está com Paige. Não hoje." Aqueles olhos verdes pousaram em mim. "Pelo menos, eu não acho que ele esteja." "Oh." Mordi o interior do meu lábio. Ele olhou por cima do ombro e depois suspirou. "Eles discutiram muito feio ontem à noite, por isso não estou surpreso que ela não veio também, mas...". Por cima do ombro, vi o Sr. Santos vindo em sua direção. "Mas o que?" "Mas ele se entornou todas na noite passada." Hector jogou a bolsa por cima do ombro. "Não havia nenhuma maneira que ele estava se levantando esta manhã." "Tomou todas?" Eu repeti em silêncio, e depois entendi. É como se estivesse bêbado. "Eu tenho que ir. Tenho que ir para o trabalho," disse Hector. "Vejo você mais tarde, bebé?" Atordoada, concordei e não me movi por um longo momento quando Hector saiu. Rider tinha brigado com Paige ontem à noite e, em seguida, se embebedado. Meu estômago revirou, comecei a andar em direção à frente da sala.


"Mallory, eu posso falar com você por um segundo?" O Sr. Santos chamou. Parei quando ele me encontrou na porta. "Acha que quarta-feira ficaria bom para apresentar seu discurso?" Com a mente um milhão de milhas de distância, eu concordei. "Ótimo." Ele bateu no meu braço. "Vamos fazer isso." Dispensada, saí da sala de aula e fiz uma parada no meu armário para que pudesse pegar livros necessários para o fim de semana. Eu não estava muito focada na caminhada para o meu carro. Isso queimando no meu estômago pareceu muito com culpa. Sexta à noite, eu passei uma quantidade indecente de tempo olhando para o meu celular, meus dedos hesitantes sobre a tela. Eu conversei com Ainsley mais cedo e ela me disse para apenas mandar um texto para Rider, antes que ela me fizesse prometer que eu iria vê-la amanhã. Apenas um texto para Rider. Como se fosse simples. Era simples. Quem eu estava enganando? Mas também parece ser um grande passo, porque eu nunca tinha iniciado contato com ele ou qualquer cara antes. E eu estava pensando sobre isso, como de costume, porque Rider era meu amigo e verifica-lo era normal. A frustração tomou conta de minha pele, me fazendo quente e desconfortável. Meus olhos se estreitaram no telefone e eu bati no nome de Rider, abrindo as mensagens. Você está bem? Fiz uma pausa e, em seguida, apaguei. Então eu digitei: Está tudo bem?


Isso soou menos dramático, então cliquei em enviar. Então eu joguei meu telefone ao pé da cama. Era perto de dez horas quando Rider respondeu. Sim. Vou vê-la na segunda-feira. Alívio me bateu forte, mas a minha cabeça estava em mil lugares e tinha sido difícil conseguir dormir. Pelo menos não tive outro pesadelo, porque a última coisa que eu precisava era Carl e Rosa em pânico e me tirando da escola. Se eles pensassem que era a coisa certa a fazer, eles iriam fazer.

***

Banners anunciando um baile na Lands High apareceram após o fim de semana. Eles estavam por toda parte. Cartazes nas paredes. Cobrindo os armários. Enquanto eu caminhava para o segundo período, eu olhava as datas. O baile da escola seria realizado durante a última semana de outubro, duas semanas a partir de agora. Eu não podia acreditar que tinha estado na escola por quase dois meses. O tempo passou rápido mesmo quando parecia que era para sempre. Rider voltou para a escola na segunda-feira, assim como Paige. Ele me encontrou fora da sala e andou comigo até a aula de oratória. Eu não tinha perguntado sobre o que aconteceu entre ele e Paige ou o que Hector tinha me dito. Ele não tinha tocado no assunto. Eu notei que Paige chegou à sala de aula segundos após o sino tocar. Ela olhou na direção de Rider, mas ele não olhou para ela. Eu não sabia o que estava acontecendo entre eles. Foi então que, na sala de aula de oratória, meus pensamentos mudaram para algo muito mais importante. Foi quando o primeiro


discurso foi dado que me bateu que isso realmente estava acontecendo. Todos na sala estavam indo apresentar seu discurso e quarta-feira que vêm, eu daria o meu durante o almoço. O pânico cresceu como uma erva daninha nociva, surgindo em minhas veias. Todo mundo ia saber que eu... Eu não podia apresentar como eles. Ouvindo os outros alunos se levantarem e apresentarem seus discursos, concentrei-me no que eu podia controlar e me lembrei do que Rider tinha falado na biblioteca. As pessoas eram idiotas e isso não deveria me atormentar. Tudo o que eu podia fazer era me certificar de que eu daria o meu discurso ao Sr. Santos, então me joguei em praticar o discurso a cada chance que eu tive, usando Carl e Rosa quando não conseguia fazer direito. Percebi que Rider ainda não tinha escrito seu discurso. Ele não parecia nada perturbado por sua falta de progresso, e sempre que trazia o assunto, ele virava a conversa e dizia: "Uma vez que você fizer o discurso, eu vou levá-la para a garagem." Olhei para ele com ironia, mas eu estava curiosa sobre a coisa da garagem. Eu queria ver alguns de seus trabalhos. Apesar de quão errada a ideia era, eu queria ver. Mas eu não era um hamster que precisava de uma recompensa. A menos que a recompensa estivesse mergulhada em queijo caseiro. Então sim, poderia me recompensar. O baile da escola era o tema de conversa no almoço na terçafeira. Parecia que metade da escola estava interessada em participar. A outra metade não poderia se importar menos. Sentei-me a mesa que caiu dentro do primeiro grupo. Para ser honesta, eu não tinha nem pensado no baile da escola até que eu vi os cartazes e outras coisas esta manhã. Isso ainda não tinha chegado no meu radar. Não porque eu era muito fria ou que as danças do ensino médio não eram minha coisa. Isso só não era algo que eu tive a oportunidade de considerar, e agora


que tive, havia uma parte de mim que pensou que seria divertido. Seria uma experiência. Mas eu não tenho um vestido. Ou um encontro. "Quando você tem que fazer o seu discurso?" Keira perguntou no almoço. Estava programada para quarta-feira, durante a aula, como uma pessoa normal. Foi a primeira vez que ela tinha me perguntado isso. Eu não queria responder, mas isso seria estranho e eu já era estranha o suficiente, sem acrescentar a ela. "Amanhã," eu disse, olhando para o meu prato. "Amanhã... durante o almoço." Keira não respondeu imediatamente, e me atrevi uma espiada nela. Cabelo escuro e sobrancelha fina. "Você só tem que dar o seu discurso com o Sr. Santos, então?" Eu balancei a cabeça, esperando que ela não pensasse como Paige. "Legal," disse ela, pegando o guardanapo quando Jô e Anna se sentaram em frente a nós. "Eu fico super nervosa quando tenho que falar em público." “Realmente?" Minhas sobrancelhas subiram. “Sim.” "Deus, eu espero que você não vomite," disse Jô, estatelando o queixo na mão. "Você viu o filme Escolha Perfeita?" Balancei a cabeça. "Ela encarnou totalmente uma Aubrey dois anos atrás, quando teve que dar sua primeira apresentação na aula de ciências," Jô continuou. Keira fez uma careta. "Eu fiz isso no banheiro."


"Ainda era grosseiro," Jô brincou enquanto esfaqueou seu macarrão com molho. Eu não consegui. "Mas você é... uma líder de torcida." Olhando ao redor da mesa, o olhar de Keira finalmente se estabeleceu em mim. "E?" Minhas bochechas aqueceram. "Você... você se levanta na frente das pessoas o tempo todo e... anima." "Sim, mas eu estou com um grupo de pessoas fazendo isso comigo," disse ela enquanto escovava cachos apertados por cima do ombro. "É mais fácil quando você não está sozinho, e não é totalmente a mesma coisa que ficar na frente da sala e falar sobre algo que você mal entende." "É verdade," murmurou Anna, que estava olhando para seu gesso. Eu não podia acreditar, enquanto olhava para Keira, que ela estava nervosa. Sua comida estava intocada, como a minha, mas ela falou o tempo todo e não gaguejou. Ela ainda estava nervosa. "Você realmente passou mal?" Eu perguntei. Jô explodiu em um profundo riso contagioso que chamou a atenção dos que nos rodeava. "Vomitar seria um eufemismo." "Não foi tão ruim assim," Keira insistiu, direcionando a Jô um olhar sombrio. "De qualquer forma," continuou ela, olhando para mim. "Eu fico nervosa, também, então vamos fazer um pacto." "Um pacto?" Eu sussurrei. Ao mesmo tempo, eu estava muito grata por Keira e suas amigas, minhas amigas. Eu estava tão incrivelmente errada sobre elas. Não que eu não tenha percebido, durante o último par de semanas, mas eu deveria me sentir constrangida com a facilidade com que acreditava no estereótipo de líder de torcida.


Ela assentiu com a cabeça. "Se eu começar a parecer como se fosse vomitar, você vai pegar a cesta de lixo para mim, e se você passar mal enquanto faz o seu discurso com o Sr. Santos, você pode me dizer e eu prometo não rir." Meus lábios se separaram. "Combinado?" ela perguntou. Eu ri sem querer, mas eu não podia parar. Foi provavelmente a coisa mais bizarra que eu já tinha feito. "Combinado."

***

Acordei quarta-feira, o dia do meu discurso, com o meu estômago em nós, um nódulo queimando na minha garganta e dor de cabeça. Rosa estava esperando na cozinha, uma tigela de cereais que eu não podia sequer começar a tocar sentada no balcão. Ela não disse nada enquanto eu pegava um copo de leite da geladeira. Ela não empurrou quando eu era incapaz de tocar o cereal. Tudo o que ela fez antes de eu sair para a escola, foi abraçar-me forte e dizer: "Você fará um trabalho incrível, Mallory." Segurei essas palavras perto de meu coração todo o dia. Segurando meu notebook, andei pelo corredor em direção a sala de oratória, ignorando a forma como o meu coração batia forte. Dobrei a esquina e diminuí o passo. Rider afastou-se da parede quando me viu. Um meio sorriso formado quando enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans. "Oi, Mouse." “O que... você está fazendo aqui? perguntei. "Você tem aula." Aquele sorriso torto se propagou, e a covinha apareceu. "E isso é importante por que...?"


Parei em frente a ele, levantando uma sobrancelha. Ele inclinou a cabeça para o lado. "Eu tinha que estar aqui. Eu tinha que deixá-la saber que você vai conseguir." Meu coração inchou no peito tão rápido e rapidamente pensei que iria flutuar até o teto. Ele tinha que estar aqui para mim. Isso não era alguma necessidade de proteger. E sim porque ele era meu amigo e ele se importava. Eu queria abraçá-lo. Meu olhar caiu para aqueles lábios carnudos. Como é que ele se sentiria... Eu cortei esses pensamentos. Eu precisava me concentrar. Essas três palavras foram um lembrete que caiu como aço na espinha. Ele estava certo. Eu cuido disso. Eu sorri para ele e, em seguida, virei-me, abrindo a porta. O Sr. Santos estava em sua mesa. Um saco de papel estava aberto. O cheiro de sopa de tomate era forte. Sacudindo as mãos, ele se levantou quando eu fechei a porta atrás de mim. “Desculpe-me, eu estava louco por uma comida." Ele sorriu quando empurrou sua cadeira para trás. "Eu tenho certeza que você está com fome também, de modo que podemos começar quando estiver pronta." Colocando minha mochila no assento de uma cadeira vazia, andei para o pódio com o meu notebook. Meu estômago se agitou. Não haveria comida para mim. O Sr. Santos sentou em um dos bancos, cruzando as mãos sobre a mesa. "Leve o tempo que quiser." Eu poderia levar uma eternidade? Com as mãos tremendo, abri meu notebook onde tinha colocado o discurso. O documento em minhas mãos era nítido e intocado. Todas as palavras borradas. Meus joelhos tremiam. Era apenas uma pessoa que eu estava de pé em frente. Não é uma sala inteira. Deveria ter sido uma sala inteira, mas não foi.


Você consegue. Meus ombros estavam tensos enquanto eu respirava o que ficou preso. Isso não era difícil. Eu poderia fazer isso. Eu tinha que fazer isso. O papel sacudiu suavemente, como ossos secos. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso. As

palavras

turvaram

novamente,

como

se

eu

estivesse

experimentando ainda outro lapso estranho na visão. Meu coração começou a bater no meu peito tão rápido que meus joelhos estavam fracos. Minhas mãos tremiam. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer isso. "Os Estados Unidos da América... tem três ramos do governo. O primeiro é... o..." Eu parei, percebendo que tinha ido longe demais e pulei uma linha. Em pânico, olhei para cima e vi o Sr. Santos esperando. Ele acenou para mim, expressão paciente. Comecei novamente. "O E-Estados Unidos da América tem três ramos do governo — o legislativo, executivo e judicial," eu forcei a sair e depois me forcei a continuar. "O poder l-legislativo supervisiona..." Eu sou horrível Deus, o discurso estava tão horrível. Aposto que havia milhares de palestrantes profissionais que estavam se contorcendo em seus túmulos, horrível é tão ruim, mas eu fiz isso. Eu terminei o discurso alguns segundos antes que o Sr. Santos dissesse o tempo. Eu terminei o discurso, o meu primeiro discurso de sempre. Eu fiz isso. E eu não queria vomitar. Keira ficaria feliz em ouvir isso.


O Sr. Santos sorriu enquanto se levantava da cadeira. "Você fez bem, Mallory. Você ficou um pouco nervosa no começo, mas você começou tudo de novo e, em seguida, seguiu em frente. O discurso soa muito bem pesquisado." Com as mãos ainda trêmulas andei, e entreguei o trabalho para ele. "Obrigada." "Você vai se formar junto com todo mundo," explicou ele, e eu assenti. "Parabéns. Você terminou o seu primeiro discurso." Fui até a minha mochila, empurrando o notebook nela. Meu primeiro discurso. Eu tinha feito isso. Mesmo que tenha sido na frente do Sr. Santos, mas eu ainda tinha conseguido fazer. Rider estava esperando fora da classe. Ele estava olhando para o seu telefone, mas colocou-o no bolso e inclinou seu corpo em direção ao meu. "Certo?" Meus lábios inclinaram-se nos cantos. "Eu fiz isso." Seu sorriso de resposta iluminou todo o corredor. "Eu sabia que você podia." "Você sabia." Nossos olhares se conectaram e o olhar em seu rosto era suave. O inchaço estava de volta, e desta vez eu deixei isso me levantar para o teto. Eu tinha feito algo que nunca pensei que poderia fazer.


Capítulo 19

"Quer pegar alguma coisa bem rápido para comer?" Rider ofereceu enquanto caminhávamos pelo corredor, longe da sala de oratória. "Você tem tempo." Meu estômago ainda estava em nós, mas desde que o discurso foi feito, eu sabia que poderia comer uma fatia de pizza. Balancei a cabeça. "Legal." Nós nos dirigimos para a cafeteria e quanto mais perto chegávamos, mais percebi que o zumbido de conversa e risadas não era tão forte para os meus ouvidos como tinha sido na primeira semana. Hoje havia algo de boas-vindas sobre o barulho e o cheiro dos alimentos não identificável. Meus passos pareciam mais leve. Eu fui... "Sr. Stark," disse uma voz profunda. "Por que não estou surpreso em vê-lo no corredor quando estou noventa e nove por cento certo de que você deveria estar na classe agora?" Parei e me virei. Rider fez o mesmo. Diretor Washington ficou parado com a porta aberta, com os braços cruzados no peito. Luz brilhou sobre sua suave cabeça careca. Uh-oh. "Você não está cem por cento certo?" Rider respondeu, para minha surpresa. "Você não acha que deve estar sempre cem por cento certo?"


Diretor Washington sorriu. "Inteligente, Sr. Stark. É uma pena você ter esse raciocínio rápido e não usá-los nos estudos, mas isso seria esperar demais, não seria?" Um músculo pulsava ao longo do queixo de Rider. "Eu acho." O sorriso forçado se desvaneceu. "Vá para a sua classe, Sr. Stark." Por um momento não achei que Rider ia sair. Ele olhou para o Diretor, um sorriso desafiador em seus lábios. Então, depois de um tempo, ele deu um passo para trás e para o lado. "Eu te vejo mais tarde, Mouse." "Tomara que não seja no corredor quando você deveria estar na classe." Diretor Washington interveio. Rider riu baixinho enquanto passou. "Eu não sei, cara. Você pode estar esperando demais." O peito grande do Diretor levantou-se com uma respiração profunda, em busca de paciência e, em seguida, ele olhou para mim. Ele apertou os olhos. "Esse não é o tipo de garoto que você quer gastar o seu tempo," ele aconselhou, e eu vacilei na suposição selvagem. Eu nem sequer penso que ele sabia quem eu era, mesmo que Carl e Rosa tenham falado com ele. "O caminho que ele está indo não é aquele que você quer estar. É melhor você seguir seu próprio caminho." Antes que eu pudesse responder, Diretor Washington estava saindo pelo corredor e em direção aos escritórios. O zumbido feliz por completar meu discurso desapareceu quando eu repeti palavras e o tom do diretor, a maneira como ele tinha tratado Rider, na minha cabeça. Nenhuma expectativa. Nenhum respeito.

***


Keira deu seu discurso em sala de aula, sem qualquer fluido corporal projétil, de modo que a ansiedade sentida no almoço parecia uma eternidade atrás. Estava feliz por Paige quando foi em frente a classe e entregou seu discurso sobre os cinco primeiros presidentes dos Estados Unidos. Ela estava de volta em si mesma. Tipo, sem as camisas largas e o rabo de cavalo bagunçado. Ela estava de volta com os jeans apertados e suéter, e seu cabelo estava liso. Ela tinha estado ignorando-me o último par de dias, então não fiquei surpresa quando ela não olhou na minha direção quando tomou seu lugar. Não tinha havido um monte de espaço no meu cérebro ultimamente para pensar sobre onde Paige e Rider estavam, mas eu notei que não havia nenhum toque ou beijo. Eles conversaram. Eles sorriram um para o outro. Bem, Paige sorriu para ele e eu não podia ver a sua resposta, mas essa era a extensão do mesmo. Quando o sinal tocou, ouvi Paige pedir a Rider para ligar para ela e, em seguida, ela deixou a classe quando Keira caminhou até minha mesa. "Como você fez na hora do almoço? Não vomitou?" "Bom... eu acho. Não vomitei." Parei quando minha mão direita apertou contra a minha coxa. "Você foi incrível." "Eu sei!" ela exclamou. "Deus, eu estou tão contente de ser feito isso." Rider levantou-se e estendeu a mão para a minha mesa, pegando o meu caderno e papel quando levantou uma sobrancelha castanha. "Um discurso feito. Apenas mais alguns bilhões virão." Bem, mesmo que tenha sido terrível. Keira riu. "Sim, mas nenhum de nós vomitou!" Ela juntou as mãos. "Viva, para nós!" Um sorriso apareceu em meu rosto.


"Houve um par de segundos onde eu pensei que ia acontecer," disse ela, observando Rider quando ele abaixou e pegou minha mochila. "Mas eu consegui não fazer isso." "Todos nós apreciamos,” Rider brincou. Ele colocou meu caderno na minha mochila. "Eu aposto," ela respondeu. "Então, e seu discurso? Tenho certeza que você vai ser incrível." "Algo assim," disse ele. De pé, peguei minha mochila. Nossos dedos escovando, o toque breve deu um solavanco estranho no meu sistema, e eu puxei minha mão de volta. Meu olhar voou para o dele e nossos olhos se encontraram. Rosa infundiu suas bochechas enquanto ele olhava para longe, decidindo sobre o que parecia ser a tarefa monumental de encontrar o local perfeito na minha mochila onde meu caderno deveria ocupar. O salto no meu pulso se transformou em um salto no peito. "Certo..." Keira murmurou enquanto olhava Rider. Sorrindo, ela começou a se afastar. "Vejo vocês amanhã." Rider deu um breve aceno de cabeça quando fechou o zíper da minha mochila. Eu mexi meus dedos em sua direção. "Você está pronta?" ele perguntou. Balançando a cabeça de novo, eu o segui em direção à frente da sala de aula, mas antes que pudéssemos sair, o Sr. Santos apareceu. "Rider," disse ele, tirando os óculos. "Você tem um momento?" Ele olhou para mim e de volta para o professor. "Sim." O Sr. Santos sorriu na minha direção quando colocou a mão no ombro de Rider e levou-o para o centro do quadro-negro. Mesmo que eu estivesse ao lado da porta e havia muita coisa acontecendo no corredor, eu ainda podia ouvi-los.


"Você está pronto para o seu discurso?" O Sr. Santos perguntou. "Claro," respondeu ele. Um olhar de dúvida cruzou o rosto do professor. "Você tem certeza sobre isso?" Um dos lados da boca de Rider enrolou, mas ele não disse nada. "Dei-lhe um monte de passes em classe. Eu sei que você se cansa e preferiria estar usando suas mãos, criando alguma coisa, mas eu preciso que você leve esta aula a sério." Rider não respondeu, e eu me desloquei onde estava, de modo desconfortável. "Você sabe que eu estou aqui se você precisar conversar," disse Santos, e o sorriso escorregou do rosto de Rider. Ele endureceu. "Não jogue seu talento no lixo. Ok?" Rider não respondeu e, em seguida foi liberado. Meu olhar estava colado a ele. Um músculo ao longo de sua mandíbula se movia quando se aproximou de mim. Por que Rider precisaria falar com Santos? O que o Sr. Santos sabe sobre Rider que eu não sabia? Eu sabia a resposta para essa pergunta sem perguntar. Tudo. Nós caminhamos para o corredor lotado. "É... está tudo bem?" "Sim, sim." Ele olhou para mim, parecendo um pouco relaxado. "Olhe para você." "Olhe para mim?" Rider estendeu a mão e dobrou sua mão ao redor da minha, causando um choque que viajou até o meu braço. Ele começou a andar, ainda segurando minha mão. "Você tinha esse enorme sorriso em seu rosto toda a aula. Eu quero ver aquele sorriso novamente." "Eu estou... apenas feliz que eu fiz isso mesmo que tenha sido terrível."


"Eu tenho certeza que você não foi terrível." Eu

discordava

sobre

isso.

O

Sr.

Santos

provavelmente

discordaria, também, mas ele era muito agradável e paciente para dizer. Meu olhar caiu para nossas mãos unidas. Isso... isso era novo, e lá no fundo, no fundo do meu coração, eu gostava da sensação e peso da sua mão, mas estava errado. Alguns amigos podem dar as mãos, mas eu sabia o suficiente para ver que não era assim que as pessoas perceberiam. Evitando seu olhar, eu escorreguei minha mão livre e cruzei os braços sobre o peito. "Você precisa parar no seu armário?" Ele perguntou depois de um momento. Pensando nisso, balancei a cabeça. Nós caminhamos para o céu da tarde nublada. Só quando paramos perto do meu carro que me permiti olhar para ele. Sua expressão era ilegível quando se inclinou contra a porta do passageiro. "Há algo que eu queria perguntar-lhe, quero mostrar-lhe a garagem — Razorback.19" Levantando uma mão, ele tirou o cabelo da testa. "Eu pensei que você ia querer ver o que eu tenho estado trabalhando. O que você vai fazer no sábado?" Meu coração começou a bater como se estivesse sendo perseguido por um assassino em série empunhando uma faca. "Hum..." Eu parei um segundo antes de gritar nada à pleno pulmões, mas isso não era verdade. Ainsley queria sair no sábado e mesmo se ela não quisesse, ainda havia a coisa toda sobre Paige. Rider arqueou uma sobrancelha.

19

Javali.


Eu podia sentir meu rosto corar. Quem sabia o que ele estava pensando enquanto eu estava ali olhando para ele. "Eu tenho que sair com Ainsley para almoçar e, em seguida... estaremos fora." Ele ficou em silêncio por um momento e, em seguida, enfiou as mãos nos bolsos. "Legal." Seu olhar virou para cima e sobre mim. Vireime um pouco, espiando o carro do Hector vindo pelo corredor central. "Eu gostaria de conhecê-la." Espere. O que? Ele queria conhecer Ainsley? Rider mordeu o lábio inferior. "Então, você sabe, eu estou meio que me convidando para ir junto." Ele realmente queria conhecer minha melhor amiga? Sua cabeça inclinou para o lado. "E se você achar que não é legal, isso está prestes a ficar realmente estranho." Pisquei, percebendo que eu precisava dizer alguma coisa. Qualquer coisa. O carro de Hector parou alguns pés perto do meu. Será que devemos fazer isso? Eu procurei em minha cabeça por regras que eu não estava muito familiarizada. Isto realmente não seria a primeira vez que estivemos juntos fora da escola. Nós compramos alimentos juntos e tínhamos ido para a biblioteca. Ele tinha ido à minha casa, mas eu não estava contando isso. Amigos saem juntos. Mas eu não olhei para Rider, pensei sobre ele, como alguém que era apenas um amigo. Embora ele não soubesse disso. No entanto, eu sabia disso. Eu estava tão confusa. "Será que vai ser legal... para nós, sair?" Eu perguntei. Suas sobrancelhas baixaram. "Sim, seria legal."


Incerta se ele entendeu o que eu estava perguntando, eu respirei fundo. Eu queria que ele conhecesse Ainsley. Ela era super importante para mim. Eu fiz a minha decisão. "Eu... eu gostaria disso." A reação de Rider foi imediata. Ele sorriu e a covinha apareceu. Minha respiração ficou presa. Eu realmente convidei Rider para almoçar comigo e Ainsley. Eu queria isso. Realmente queria isso, mas eu não tinha ideia do que fazer com isso. Independentemente disso, excitação zumbia através de mim. Sair com Rider e Ainsley era normal. Algo que um milhão de pessoas provavelmente fazia todos os dias, porque eles estavam realmente vivendo a vida, mas era novidade para mim — uma enorme novidade. Ele era meu melhor amigo e era o cara... o cara que tinha sido meu melhor amigo e que agora, apesar de tudo, parecia como algo mais profundo, mais rico e mais complexo, sair juntos. Isso parecia importante. "Perfeito," disse ele, se empurrando para longe do meu carro. "Ainda bem que não vai ficar muito estranho agora." "Ei," Hector gritou quando estendeu o braço para fora da janela. "Você está pronto, cara? Eu tenho que buscar alguém." "Sim. Fique bem ai." Rider entregou a minha mochila quando abaixou a cabeça para a minha. Eu acalmei o ar apressado fora dos meus pulmões. Seus lábios roçaram a curva da minha bochecha, enviando uma onda de arrepios apertados pela minha espinha. "Eu vou enviar uma mensagem para você mais tarde e vamos falar sobre sábado." Eu pensei que disse que tudo bem. Eu não estava inteiramente certa. Eu poderia ter apenas ficado lá e olhado para ele. Mas Rider deu aquele sorriso que atingiu profundamente o meu peito e envolveu no meu coração. Observei-o entrar no carro de Hector, acenei para Hector enquanto ele dirigiu fora do estacionamento, e então eu subi no meu Honda e me sentei ao volante.


Eu não liguei o carro. O que eu estava pensando? Sentindo? Não importava. Olhando para fora em frente ao estacionamento rapidamente esvaziando, eu percebi uma coisa extremamente importante. Quase fez a terra quebrar em sua simplicidade. Apanhada pela emoção sobre sábado, eu tinha esquecido tudo sobre o Sr. Henry e a Srta. Becky, sobre Carl e Rosa ligando para a escola, sobre o discurso e não falar. Eu esqueci tudo. Porque não era tão importante. Outra coisa era. Viver a vida era.

***

Era uma espécie de sorvete da noite, ou o modo que Rosa me disse quando entrou em meu quarto mais tarde naquela noite, carregando duas tigelas. Chocolate. Com toneladas de cobertura de chocolate. A celebração pelo meu discurso bem sucedido estava rolando. Carl tinha que trabalhar até tarde, então seria apenas nós duas. Vê-la em moletom e uma camisa de algodão parecia tão estranho, porque eu quase sempre a vi em roupa cirúrgica verde. Rosa sentou-se ao meu lado e entregou a taça. "Eu espero que você ainda tenha algum espaço no estômago para a sobremesa." Eu sorri. "Eu sempre... tenho espaço para a sobremesa."


Ela sorriu. "Tem certeza de que não estamos ligadas por sangue?" Eu ri enquanto peguei um pouco da maravilhosa, fresca e macia calda. Rosa olhou ao redor da sala, seu olhar pousando sobre a cômoda. "Isso é a sua mais recente escultura?" Balancei a cabeça. "É uma... coruja." Ela ficou de pé, equilibrando a tigela em uma mão enquanto caminhou até ele. O pegou e então olhou por cima do ombro para mim, seus olhos escuros brilhando. "Mallory, isso é muito bom." "Obrigada." "Todas as suas esculturas são boas, mas os detalhes sobre isto?" Ela colocou cuidadosamente de volta no armário. "É incrível." Ela voltou para

a

cama

e

sentou-se.

"Eu

realmente

gostaria

que

você

reconsiderasse tentar na madeira. Carl ainda tem as ferramentas na garagem." Eu não era realmente uma fã de ferramentas elétricas. Ela engoliu uma colherada. "Carl quer nos levar para jantar sábado à noite, para uma celebração mais oficial." De repente, o sorvete azedou no meu estômago. "Eu fiz planos com... Ainsley no sábado." Excitada nem sequer descreve como Ainsley se sentia sobre finalmente conhecer Rider. Meu aplicativo de mensagens começou a explodir quando disse a ela a boa notícia, depois da escola, e ela provavelmente ainda estava me mandando OMGs mesmo enquanto eu estava ali, enchendo meu rosto de sorvete. "Oh! Isso é bom." Tomei outra colherada. "Que tal domingo, então?" Balancei a cabeça, mas meu estômago ainda estava torcendo. "Hum, Rider..." Minha boca secou quando Rosa levantou o queixo. "Rider quer conhecer Ainsley no sábado."


A colher soou fora da tigela. "Ele quer?" Balancei a cabeça. "Eu... Eu gostaria que eles se encontrassem." A pele ao redor da sua boca apertou. Quando ela não respondeu, eu fiquei preocupada. "Tudo bem?" Seus ombros se levantaram. "Acho que sim." Acha? "Então, o que vocês vão fazer no sábado?" ela perguntou. "Ainsley e eu vamos almoçar, e é aí que Rider vai... conhecê-la. Em seguida, Ainsley e eu estávamos planejando ver um... filme à noite." "Soa como um dia longo e agitado." Ela bateu a colher em torno do interior de sua tigela. "Você não acha que vai ter lição de casa neste fim de semana?" Balancei minha cabeça enquanto colocava minha taça na mesa de cabeceira. Meu estômago estava enrolado agora. "Carl não está exatamente bem com você gastar o seu tempo livre com Rider," ela disse, e eu poderia ter parado de respirar. "Ele assim também Marquette," acrescentou com um sorriso triste. "Agora, eu acho que é uma boa ideia seus dois amigos se encontrarem, porque ambos são importantes para você, mas também é importante nós o conhecermos." Ah não. "Então, eu acho que devemos encontrá-lo antes de sábado. Isso provavelmente irá aliviar as preocupações de Carl, e, bem, as minhas também." Seu olhar encontrou o meu. "Então esse é o trato que vamos fazer. Você quer ver Ainsley e Rider neste fim de semana, então ele precisa vir para o jantar na sexta-feira. Nós iremos nos certificar que estaremos em casa." Oh meu. Oh, meu, meu, meu.


"Ok?" ela insistiu. Balancei a cabeça e disse: "Tudo bem," porque o que mais havia a dizer? Eu não tinha ideia se Rider ficaria mesmo bem com isso e agora eu estava pensando que realmente não deveria ter dito a ela sobre meus planos de sábado. Um sinal sonoro irradiou do bolso da sua calça. Inclinando-se para o lado, ela retirou seu pager. Eu tinha visto Carl e Rosa usá-los. Era estranho, ver que os médicos usam parecia ser uma peça obsoleta de tecnologia. Ela pegou o celular do bolso de trás e ligou. "Dios," ela murmurou, levantando-se imediatamente depois de terminar a chamada rápida. "Podemos fazer uma pausa na nossa conversa?" ela perguntou, franzindo a testa. "Eu odeio dizer isso, mas eu preciso ir. Tenho uma vítima de bala entrando. Parece um jovem garoto." Eu balancei a cabeça. "Está... bem." Rosa se inclinou e beijou minha testa. Ela estava fora do quarto e da casa em menos de dois minutos. Eu esperava que ela tivesse uma cirurgia bem sucedida. Perder pacientes não era fácil para ela, e nesta cidade, acontecem muitas vezes. Peguei meu telefone quando ouvi a porta da frente fechar. Eu digitei o texto que me fez sentir como se eu tivesse certa antes de falar mais cedo. Carl e Rosa gostariam de conhecê-lo sexta-feira para o jantar. Pronto. Não havia outra maneira que eu poderia dizê-lo, então eu cliquei em enviar. Pegando minha tigela, a levei até o balcão da cozinha. Lavei as duas e, em seguida, as coloquei na máquina de lavar. Até o momento que eu subi as escadas, havia um texto de Rider. Soa legal. Deixe-me saber que horas.


Puta merda. Soa legal? Um sorriso correu pelo meu rosto enquanto mandei uma mensagem de volta, um rápido Ok. Ele desapareceu da conversa enquanto lavei o rosto e quando voltei, o texto que ele enviou criou uma vibração no fundo do meu peito. Vamos fazer isso. Eu não estava muito certa sobre isso. No meio da noite, ouvi Rosa voltar para casa. Rastejei para o topo das escadas e ouviu Rosa e Carl falar sobre seu paciente. O garoto tinha treze anos. Baleado duas vezes. Um tiro no peito e o outro nas costas. Rosa tinha sido capaz de reparar o dano no peito, mas a coluna estava acabada. Ela desapareceu na biblioteca, e eu sabia que ela ia ficar lá até de manhã com uma garrafa de vinho. Ela não aceitava bem quando não conseguia resolver tudo, e embora este não tivesse morrido, o resultado ainda a afetava. Treze. E esse garoto não estaria voltando a andar.


Capítulo 20

Observar Rider dar seu discurso na sexta-feira foi como me sintonizar com o meu programa de TV favorito. Eu não tinha ideia do que esperar, mas eu sabia que estava apreciando a vista. Ele apareceu para a aula de oratória no último momento possível e, em seguida, fez seu discurso informativo sobre os diferentes tipos de arte como se não fosse grande coisa. Ele foi suave e quase um pouco descuidado, durante todo o discurso, mas ele parecia feliz enquanto falava. Rider sabia sobre sua arte e ele era bom em fazer isso — em pé na frente da classe e sem esforço em manter a atenção de todos. Bem, quase todo mundo. O tempo todo que ele falava, os dedos de Paige estavam voando pela tela do celular que tinha escondido no colo. Eles não se falaram em sala de aula naquele dia, e eu me perguntava se Paige sabia que ele estava vindo à minha casa esta noite. Amanhã eu ia descobrir. Nós somente tínhamos que passar essa noite. Rider também não estava incomodado com o jantar que estaria tendo com Carl e Rosa. Eu, por outro lado, mal aguentei de ansiedade ao longo do dia, e eu tomei banho depois de voltar da escola apenas para queimar o excesso de energia. Eu não tinha ideia de como esta noite seria. Mas a casa cheirava maravilhosamente.


Rosa tinha colocado um assado de panela no fogão e, embora eu estivesse incrivelmente nervosa, eu queria empurrar a coisa toda na minha boca. Isso provavelmente seria uma má ideia. Com os cabelos secos, eu não coloquei a roupa que tinha usado para a escola. Eu não tinha certeza se isso era estranho ou não, mas eu pensei que esta noite... Esta noite era especial. Três das quatro pessoas mais importantes da minha vida estariam finalmente reunidas. Eu puxei um par de jeans e suéter macio cor creme que Ainsley tinha me dado no meu aniversário do ano passado. Ele era ajustado no peito e na cintura, um pouco soltinho para fora em torno dos quadris. Virei para o lado enquanto me checava no espelho. Pressionando os lábios, alisei minhas mãos pelo meu corpo e sobre

meus

ruborizando

quadris. minhas

Um

pensamento

bochechas.

Não

inesperado

era

me

bateu,

necessariamente

um

pensamento. Mais como uma... uma imagem, um sentimento — de Rider fazendo o mesmo. As mãos dele. Um tremor ondulou no meu estômago. Tão errado — muito errado. Rider era apenas um amigo. Esse era o seu lugar na minha vida. Virei-me para o espelho, minhas mãos ao lado. Tomei um par de respirações profundas, saí do quarto e desci as escadas. Eu verifiquei o relógio de parede no hall de entrada e meu coração parou. Rider estaria aqui em breve. Rosa estava na cozinha, arrumando a mesa para quatro. Para Rider. Oh, meu Deus. Ela olhou para cima, sorrindo. Seu cabelo escuro estava puxado para trás em um rabo de cavalo baixo. Um temporizador disparou. "Você pode pegar a panela do fogão? Cuidado. Está quente." Feliz por ter algo a fazer, eu peguei uma luva de forno na gaveta e fui até o fogão para recuperar o pote de legumes fumegantes.


"Você está nervosa?" ela perguntou, voltando para os armários. Sorrindo, eu assenti. "Não fique." Ela começou a tirar os copos. "Este é um momento muito emocionante para todos nós." Isso era. Uma vez que os vidros estavam sobre a mesa, me ocorreu que Rider e eu... nunca tínhamos compartilhado um jantar como este. Nem uma única vez. Nós tínhamos comido juntos. Mas era geralmente em um chão ou... "Eu quero te perguntar uma coisa antes que Carl chegue aqui." Ela colocou as mãos nos meus ombros. Ela sorriu, mas seus olhos escuros

eram

sérios.

"Como

você

se

sente

sobre

Rider?"

Meus olhos se arregalaram. Havia tantas maneiras que eu poderia responder a isso. Tantas coisas que eu poderia dizer ou pensar, mas a primeira coisa que veio na minha mente era o que senti quando estava na frente do espelho. "Ah, isso é o que eu pensava." Eu olhei para ela. "Eu..." "Você não precisa dizer nada." Ela colocou a mão no meu rosto quente. "Está tudo bem aqui." "Ele tem uma namorada," eu disse a ela. "Querida, isso não significa que você não irá sentir algo por alguém quando você não deve." Uh. "Você está crescendo." Seu olhar se levantou para o teto. "E eu só não estou pronta ainda para isso de novo." Hum. "Mas eu vou ter que estar, não é?" Uh.


Os olhos de Rosa procuraram os meus. "Vou...". "O que vocês duas estão fazendo?" Carl atravessou a sala em direção a nós. "Tendo uma reunião especial sem mim?" "Apenas uma pequena menina conversando." Ela deixou cair a mão e enrolou o braço em volta dos meus ombros. Eu tinha totalmente apenas me esquivado de uma bala que tinha estranho escrito sobre ela. "Não se atreva a levantar essa tampa...". Carl tinha parado no balcão, onde a carne assada estava esfriando em uma bandeja. Ele fingiu inocência. "Eu não ousaria." "Uh-huh. Nós duas sabemos, não é, Mallory?" Eu balancei a cabeça. Estamos totalmente sabendo. A campainha tocou de repente, e eu pulei. Meu olhar procurou o relógio. Faltavam cinco minutos até a hora que Rider deveria estar aqui. Carl virou em direção à porta de entrada. "Eu vou antender." Atirei, passando por ele. Deslizando até parar na frente da porta, a abri sem sequer olhar para ver quem era. Mas era ele. Rider estava na nossa varanda, e ele... Ele tinha mudado de roupa, também. Alívio tomou conta de mim, imediatamente seguido por um grande senso de consciência, porque ele parecia — ele parecia quente. Eu não deveria notar isso sobre ele, mas notei. Ele estava usando uma camisa cinza de botão e vestindo jeans escuros. Meu olhar ficou pendurado em suas mãos. Seus lábios cheios se curvaram em um meio sorriso. "Posso entrar?" Pisquei. O sorriso se espalhou. "Mouse?" "Oh, sim." Mudei-me para o lado. "Sim."


Rider entrou, seu olhar tomando conta de mim. Eu inalei, pegando o cheiro de colônia. Nossos olhares capturados por um momento e então ele olhou para a sala de estar. Suas bochechas estavam coradas num tom mais escuro. "O jantar cheira incrível." "É... é carne assada." Eu já não estava com fome. Olhei para sua boca e rapidamente desviei o olhar. "Hum, Rosa é... Ela é uma grande cozinheira." Hiperconsciente de sua presença, comecei a levá-lo para a cozinha. Nós caminhamos através da sala de estar, e Rider parou de repente na frente do armário. "O que são esses?" ele perguntou. Virei-me, seguindo seu olhar. Meus olhos se arregalaram. Ele estava olhando para as esculturas de sabão que não deveria ter notado no dia em que veio depois da escola. "Hum..." Ele inclinou-se, a cabeça para o lado enquanto estudava um gato dormindo. "São barras de sabão?" "Sim," eu sussurrei. "Uau," ele murmurou, seu olhar rastejou sobre o coração e o sol que eu tinha feito alguns anos atrás. "Foi Carl ou Rosa quem fez isso?" Balancei a cabeça. "Não. Hum. Eu... Fiz." "O quê?" Ele endireitou-se e olhou para mim, surpresa enchendo sua expressão. "Você fez isso? Por que você não disse nada?" Minhas bochechas estavam queimando. "Não... Hum, apenas Carl e Rosa sabem sobre isso." Ele olhou para mim e depois olhou de volta para o armário. "Mallory, é muito surpreendente." Eu ergui um ombro. "É só... sabão." "É sabão que você esculpiu em coisas muito reconhecíveis," disse ele. "Eu não posso fazer isso." "Mas você pode usar spray de tinta e desenhar e..."


"E eu não posso fazer isso," repetiu Rider. "Essas esculturas tem a mesma quantidade de habilidade como pintura." Eu ia ter que discordar disso. Desconfortável com a atenção, eu gesticulei em direção à cozinha. "Você está pronto?" Ele me olhou por mais um momento, em seguida, assentiu. Carl e Rosa esperavam na mesa da cozinha. "Este... Este é Rider," eu disse, torcendo minhas mãos juntas. "E estes... estes são Carl e Rosa." As sobrancelhas de Rosa levantaram e houve um ligeiro alargamento dos seus olhos. Carl olhou Rider dos dedos dos pés arrastando de suas botas para a parte superior de seu cabelo castanho-escuro confuso, e as sobrancelhas franziram. E esse foi o momento em que eu soube que este jantar seria muito estranho.

***

Tudo começou com a comida. E então as perguntas. Ambas as coisas foram relacionadas. No momento em que nos sentamos, Carl começou a grelhar Rider. Pega de surpresa pela tática, eu só consegui cortar uma fatia de meu assado e comer um pedaço de batata. Rider também não tinha tocado a maior parte de sua comida, provavelmente porque Carl aparentemente estava o entrevistando. Quando houve uma pausa na inquisição espanhola, Rider virou-se para mim. "Você vai comer?"


Concordei e espetei uma batata. Rider assistiu até que eu realmente comi, e resisti à vontade de revirar os olhos só porque eu sabia o que o levou. Quando comíamos, ele sempre me obrigava a realmente comer. Era difícil quebrar o hábito depois de anos de compartilhar pedaços e sobras. Eu comi outra batata e Rider comeu o grão de bico. Cortei a carne assada, olhei para cima e sobre a mesa. Carl e Rosa estavam olhando para nós. Sabendo que eles provavelmente não entenderam a troca, eu corei. "Então, você trabalha em algum tipo de arte?" Carl limpou a garganta. Um pedaço preparado perfeitamente de carne assada pendia de seu garfo. "Meio período?" Fechei os olhos. "Sim, senhor. No Garagem Razorback. O proprietário me chama para fazer trabalhos de pintura personalizada." Rider respondeu pacientemente. Ele tinha sido paciente durante todo o calvário. Ele respondeu a cada pergunta que Carl colocava. Quanto tempo ele ficou em uma casa do grupo? Qual bairro ele mora? Que assunto na escola ele era mais interessado? Que, não surpreendentemente, acabou por ser a classe de arte. As perguntas continuaram vindo e vindo, de modo que Rosa não conseguia dizer uma palavra. Eu estava tão envergonhada. E tão incrivelmente desapontada. "O que os seus pais adotivos fazem para viver?" Carl perguntou. Meus dedos apertaram ao redor do meu garfo enquanto eu respirava pelo nariz. Isso... isso estava ficado fora de controle. Rider estava imperturbável. "Eu só tenho um pai adotivo. O marido da Sra. Luna faleceu antes de eu vir para a casa. Ela trabalha na empresa de telefonia."


"E o que você pretende fazer quando terminar o ensino médio?" Carl continuou a disparar. "Você vai envelhecer fora do sistema e eu suponho que você não planeja ficar com a Sra. Luna. Você está indo para a faculdade?" "Eu atualmente não tenho planos para ir para a faculdade," Rider respondeu quando empurrou os grãos de bico em seu prato. "Isso custa muito dinheiro, e Sra. Luna já fez muito por mim. Eu não posso esperar que ela pague a minha faculdade." "Há subsídios e bolsas," Carl fundamentou quando ele cortou a fatia de carne assada. "Estou com a impressão de que você é muito brilhante." "Ele é," eu disse. "E ele também é muito talentoso. Ele... ele tem obras de arte exibidas em um lugar na cidade." Rider sorriu para mim. "Você tem?" Rosa respondeu suavemente. "Em uma galeria de arte?" Quando Rider respondeu a sua pergunta, eu rezei para que Carl fosse parar com o terceiro round. Rider olhou e perguntou pela segunda vez: "Você não está comendo?" Metade da minha deliciosa carne assada estava intocada. Eu estava muito frustrada para mastigar minha comida sem cuspi-la sobre a mesa. Ele cutucou meu braço e disse em voz baixa: "Coma." Suspirando, eu peguei meu garfo e esfaqueei a carne. "Feliz?" Sua covinha apareceu em seu rosto. "Completamente." A carranca perpétua de Carl diminuiu um pouco e ele abrandou nesse ponto. Tipo isso. Quando ele perguntou o que tínhamos planejado para fazer amanhã, era eu quem responderia, mas ele continuou


dirigindo as perguntas para Rider. Trinta minutos após o jantar ter terminado, eu meio que queria virar uma mesa. Fazia muito, muito tempo que não me sentia assim. "Mallory me disse que você tem uma namorada," disse Carl, e eu quase engasguei enquanto meus olhos se arregalaram. "Como ela se sente sobre você vir para o jantar hoje à noite?" Rosa olhou para o marido, as sobrancelhas levantadas. Abri a boca para salientar que sua namorada realmente, a sério, não era da conta dele quando Rider me chocou. "Eu não tenho uma namorada, senhor." Cai de volta no meu lugar enquanto minha cabeça virou em direção a ele. "O que?" "Quero dizer, eu tinha." As bochechas de Rider picaram quando seu olhar encontrou o meu. "Paige e eu... Bem, nós terminamos." Meu estômago caiu aos meus pés enquanto eu olhava para ele. Mil pensamentos giraram. Eu não poderia ter ficado mais chocada. Ele não tinha mencionado nada. Então, novamente, eu não tinha perguntado sobre ele e Paige desde a semana passada, mas como ele não poderia ter mencionado? "Bem, isso parece ser uma surpresa para todos." O tom de Carl era plano. Ele continuou a falar e Rider continuou a responder às suas perguntas, mas eu não estava prestando atenção enquanto eu olhava para o perfil de Rider. Tinha havido recentemente sinais de que as coisas não eram normais entre eles. Eles realmente não tinham estado conversando entre si. Paige não tinha me procurado. Hector tinha dito que tinha brigado e foi por isso que Rider não estava na aula de sextafeira. Ele estava bêbado. Talvez ele não tivesse bebido. Talvez ele tivesse estado triste porque tinham terminado?


Talvez Paige tenha terminado por sua amizade comigo. Rider havia dito antes, se tivesse que escolher entre nós... Oh, Deus, eu realmente esperava que não tivesse nada a ver com a nossa amizade. Eu não queria ser aquela pessoa que apareceu e só... bagunçou a vida de outras pessoas. Eu ainda estava atordoada quando a mesa foi retirada e Rider estava saindo. "Obrigado pelo jantar," disse ele aos Rivas, educado como sempre. "Estava uma delícia." Saindo da minha cabeça, levantei-me com ele. "Não... Você precisa de uma carona?" Ele balançou a cabeça quando empurrou o assento. "Foi um prazer conhecê-lo." Rosa levantou-se, colocando o guardanapo na mesa. "Não seja um estranho," disse ela, inclinando-se para dar um abraço em Rider. Carl assentiu em sua direção quando nós caminhamos ao redor da mesa. Rider parou, estendendo a mão, enquanto Carl se levantou. "Mais uma vez obrigado, senhor." Ele deu um sorriso tenso quando apertou a mão de Rider. Nenhuma palavra foi trocada, e eu andei com Rider até o lado de fora. Postes estavam acesos, com iluminação amanteigada no cimento liso das calçadas. "Você tem certeza que eu... eu não posso te dar uma carona?" Eu perguntei. Balançando a cabeça, ele parou nos degraus e me encarou. Nossos olhos conectaram, e o calor inebriante estava de volta. "Eu me diverti." Eu levantei uma sobrancelha. "Sério?" Ele riu quando enfiou as mãos nos bolsos de sua calça jeans. "Sim. Eles são pessoas muito legais."


"Carl não... Ele não foi muito simpático. Ele perguntou-lhe muitas coisas e ele... ele não foi muito gentil sobre isso." Raiva veio à tona, arranhando a minha pele. "Desculpe-me por isso." "Você não precisa se desculpar, Mouse." Eu cruzei os braços sobre a cintura, percebendo os papéis invertidos um pouco esta noite. Em vez de ele me defender, era o contrário, e isso era uma sensação estranha. "Eu sinto... sinto que preciso." Fui ruborizando. "Ele é apenas protetor com você e eu estou feliz que você tenha pessoas que tem vontade de cuidar de você." Ele fez uma pausa. "Não se preocupe comigo. Está tudo bem." Nada sobre como Carl agiu gritou estava tudo bem para mim. "Eu não me assusto com facilidade," disse ele depois de um momento. Empurrando de lado a minha raiva por Carl, eu perguntei o que eu estava morrendo de vontade de saber. "Você e Paige realmente terminaram?" Rider assentiu. "Sim. Na semana passada. Quinta-feira." Eu lentamente balancei a cabeça. "Você... nunca disse nada." "Não é realmente algo que eu queria falar," disse ele, seu olhar firme. "Paige e eu temos sido amigos desde que eu me mudei com Hector e Jayden. Eu não tenho certeza se eu... Eu ainda posso dizer isso." "Eu sinto muito." E eu quis dizer isso. Apesar dos sentimentos que eu tinha por ele, do jeito que eu respondi sempre que ele estava perto, estava ainda muito triste que ele estava sofrendo. Ele sorriu levemente. "Eu também estou. Mas estar com ela... Bem, isso não estava certo. Não mais." Bem, isso respondeu quem terminou com quem. Olhei por cima do meu ombro, perguntando por que isso não estava certo mais. Eu


queria perguntar o por que eles tinham terminado, mas não podia exatamente encontrar a coragem de falar essas palavras. "Você faltou a escola na semana passada... por causa disso?" As sobrancelhas franziram. "O rompimento foi horrível, Mouse. Eu não queria machucá-la e eu sei que fiz. Machucar era a última coisa que eu queria." Seus ombros se levantaram com uma respiração profunda. "Falaremos mais sobre isso amanhã, ok?" Amanhã. "Ok," eu respirei. Ele acalmou enquanto me observava. Em seguida, seu olhar caiu sobre o meu ombro, e ele pareceu se decidir sobre algo, porque no próximo segundo, ele estava voltando a andar. Ele parou logo abaixo de mim. "As esculturas de sabão são muito legais, e eu espero ver mais delas," disse ele, e então ele se inclinou, beijando minha bochecha. Minha respiração ficou presa. Rider se afastou, seu olhar sério. "Vejo você amanhã, Mallory." Meu rosto formigava quando assisti ele girar e caminhar até a calçada. Ele olhou por cima do ombro, me viu e sorriu antes de continuar a andar. Fiquei ali até que ele desapareceu de vista, me permiti um momento para repetir suas palavras de despedida, e então eu me preparei. O choque da separação de Paige e Rider, juntamente com o pedido de Rider para ver mais das esculturas de sabão diminuiu um pouco e eu permiti que a raiva e a frustração ressurgissem. Carl

estava

encostado

no

balcão

enquanto

Rosa

estava

colocando o último dos pratos na máquina de lavar quando entrei novamente. Pela primeira vez na minha vida, eu não estava pensando sobre as milhares de palavras diferentes que eu poderia falar. Eu sabia exatamente o que eu queria dizer. Parei em frente a ilha. "Você não foi muito bom com Rider."


Carl me encarou, sua expressão em branco. "Como?" "Você não foi muito bom com Rider," eu repeti. "Você tratou-o como se ele fosse... um suspeito em uma cena do crime." Os lábios de Rosa se separaram. Ele se endireitou e seus olhos se arregalaram. "Mallory..." "Rider não vive como nós," eu disse, sentindo ardor na garganta. "Sua mãe adotiva não é uma médica e ele não acha que pode pagar a faculdade. Nada disso faz com que ele seja... uma pessoa ruim." "Nós não dissemos que ele era uma pessoa ruim." Rosa deu a volta por Carl, uma expressão séria. "E se nós demos a impressão..." "Você deu." Falei diretamente para Carl, minha voz tremendo. "Você se manteve o interrogando e não importa... o quanto ele respondeu, não foi o suficiente." Rugas formaram em torno de seus olhos. "Se você quer falar sobre Rider, vamos falar sobre o fato de que ele não tem uma namorada." "Ele tinha uma. Eles terminaram." "Conveniente," Carl murmurou. "Veja!" Eu quase vomitei em minhas mãos. "Você acha que... que é conveniente... Como se tivesse mentido sobre isso, ou Rider tivesse... Eu quero que ele seja uma parte da minha vida... da nossa vida. E eu estava tão animada sobre esta noite... de vocês finalmente conhecê-lo." Meu lábio inferior tremeu. "Ele... Ele salvou minha vida muitas vezes e eu pensei... Eu pensei que vocês iriam respeitá-lo por isso." "Mallory," disse Carl. Virando-me, fiz algo que nunca tinha feito antes. Ignorei Carl enquanto eu subia os degraus. Eu estava cansada dessa conversa.


Capítulo 21

A luminária da mesa na biblioteca tinha sido deixada ligada, lançando luz amarela suave ao espaço. A sala tinha um leve cheiro de pêssegos. Andei pelas estantes, correndo os dedos sobre as lombadas. Parei no centro da estante e minha mão caiu ao meu lado. De alguma forma, eu me encontrei na nossa biblioteca em casa naquela manhã, após uma noite de sono de baixa qualidade na sequência de um jantar cheio de tensão. Eu tinha acordado cedo e percorrido a casa enquanto Carl e Rosa dormiam. Inquieta e incapaz de voltar para a cama. Um dos motivos era o encontro com Rider e Ainsley mais tarde. Outro tinha a ver com Rider, e a surpresa de que ele e Paige não estavam mais juntos. Ainsley tinha oferecido sua marca habitual de sabedoria quando eu a enchia sobre a catástrofe do jantar. Ela disse que a reação de Carl era normal, que quando ela trouxe Todd em casa, ela estava convencida de que seu pai iria jogá-lo para fora da porta da frente. Eu não estava certa de que era o caso. Em seguida, ela se concentrou sobre o drama Paige e Rider, convencida de que a separação significava algo para mim. Eu não poderia mesmo permitir minha cabeça pensar sobre isso, porque eu não sabia o que fazer com tudo isso. Eu pensei sobre o livro que Rider costumava ler para mim quando éramos pequenos. Uma história que sempre me fez chorar, mas também me encheu de esperança de que um dia seria real, também, que seríamos amados.


Porque era assim que eu me sentia crescendo. Como se Rider e eu não éramos reais. Ninguém pensou em nós ou se preocupou. Fomos esquecidos, deixados para trás para praticamente cuidar de nós mesmos. Agora eu tinha duas pessoas que pensavam em mim, que me defendiam e que se preocupavam. Eu deveria ser grata por isso, como Rider tinha me lembrado ontem à noite, mas agora eu só me senti demente. Carl e Rosa sabiam tudo sobre Rider, tudo sobre o que ele tinha feito por mim enquanto crescíamos. Eu tinha pensado que teria colocado Rider em um bom lugar com Carl, mas ele tinha sido cético e desconfiado. Julgando. E eu ainda não podia acreditar que tinha dito o que eu disse a Carl. Mesmo agora, meu pulso acelerou e eu meio que me senti doente. Eu sabia que Carl estava chateado comigo, o mais provável mesmo era dizer com raiva, com o que eu disse. Eu queria... Eu queria ser perfeita para ele, para eles, e eu não fui perfeita na noite passada. Eu tinha evitado os dois ontem, e esse era o plano de jogo para hoje. Suspirando, eu me movi pelas estantes. As duas prateleiras do centro estavam cheias de fotos emolduradas, começando com um bebê feliz, para mover todo o caminho em direção ao futuro, até uma adolescente bonita com cabelo escuro longo e brilhantes olhos castanhos. Eu olhei para as fotos de Marquette, e eu não pude deixar de pensar como era injusto ela não estar mais aqui. E não era justo que o garoto que Rosa fez a cirurgia nunca mais voltaria a andar. Todas as terríveis coisas que Rider testemunhou como experiência, não tinha sido justo. Não era justo que eu...


Fechando os olhos, parei os pensamentos. Se eu fosse lá agora, na minha cabeça, eu seria uma bagunça. Haveria coisas que não queria pensar. Quando reabri os olhos, Marquette olhou para mim em uma foto tirada alguns meses antes de sua morte. Ela estava na praia, vestindo um biquíni de duas peças consideravelmente preto que eu duvidava que eu tivesse a confiança de usar. Os óculos de sol rosa protegeram os olhos, e seu sorriso era enorme. Areia branca brilhava debaixo dos seus pés, e o oceano brilhava atrás dela. Marquette tinha um namorado, que ela tinha começado a namorar durante seu primeiro ano. Eu não sabia seu nome, apenas que ele tinha existido desde os pedaços de conversas que peguei ao longo dos anos. Ela também tinha um monte de amigos. Popular. Inteligente. Em todas as fotos dela, ela parecia com alguém que estava bem. Alguém como Keira. Eu pensei sobre o menino que nunca mais voltaria a andar. Qual era a sua vida? Não importava, logo percebi, se ele era indelicado e não bem quisto ou se ele era o garoto mais popular da escola. Não era justo. Recuando das imagens, eu me perguntava algo que tinha pensado um milhão de vezes. E isso era errado, uma coisa tão horrível a considerar, mas eu não poderia evitar. Se Marquette ainda estivesse viva hoje, eu estaria onde eu estava? Será que Carl e Rosa ainda teriam lutado

para

me

trazer

para

casa

deles?

Dariam-me

todas

as

oportunidades que tantos outros haviam negado? Eu não sabia as respostas para isso e elas me incomodavam, mas eu sabia duas coisas. Sua vida foi interrompida. E me foi dada uma segunda chance.


Eu continuei a olhar para a foto dela. Eu tive uma segunda chance quando tantas pessoas só tinham uma chance, e eu não poderia deixá-la passar. O que Sr. Santos disse na aula de oratória sobre a tentativa e viver? Era tudo sobre tentar, e isso era o que eu faria. Eu tentaria.

***

"Oh meu Deus," Ainsley gritou quando me aproximei do banco em que ela estava sentada. Ela apareceu, ajustando seus óculos de sol quando

eles

começaram

a

deslizar

do

seu

nariz.

"Você

está

incrivelmente adorável!" Desacelerando, olhei para mim mesma no espelho. Escolhendo a minha roupa para esse momento tinha sido um esforço muito estressante. Eu tinha terminado por me decidir sobre leggings pretas, uma camisa rendada branca e um casaco de lã azul pálido. Eu deixei meu cabelo solto e alisei com uma chapinha. Eu tinha sido surpreendida pelo fato de que eu não tinha fritado meu cabelo no processo e eu tinha lavado a maquiagem do meu rosto cerca de três vezes antes de me decidir sobre o que deveria ser um olhar “fresco” que aprendi observando no YouTube, que levou cerca de 30 minutos para aprender. Ainsley pegou minha mão e começou a me puxar em direção à porta do café que ela tinha escolhido. "Ok. Então você chegou cerca de cinco minutos mais cedo, e ele vai estar aqui a qualquer minuto, e eu quero surtar." Eu sorri. Ela queria surtar? Eu senti como se estivesse a segundos de hiperventilar.


Ela nos levou para o restaurante. O lugar não estava ocupado e estávamos sentadas imediatamente, em uma mesa grande o suficiente para quatro. Ela sentou perto de mim, deixando o assento ao meu lado aberto, e meu coração saltou. Empurrando os óculos de sol na cabeça, ela fez uma careta quando olhou para a nossa esquerda, na parte da frente toda de vidro. A luz solar brilhante derramado no restaurante. Ela trocou de cadeira para que não estivesse sentada diretamente na luz. "São os seus... olhos ainda... incomodando-a?" Eu perguntei. Rolamento seus olhos, ela suspirou. "Sim. Eu não sei o que está acontecendo com eles. O oftalmologista onde eu fui para conseguir novos óculos disse à mamãe que eu precisava ver algum tipo de especialista." Preocupação floresceu na boca do meu ventre. "Para... quê?" Ela levantou um ombro. "Ele viu algo estranho quando estava examinando meus olhos e pensa que um especialista em retina precisa dar uma olhada neles. Ele não acha que é importante." Um especialista soou como importante sim. "Será que ele pensa que algo está errado?" Ela balançou a cabeça. "Não tenho certeza. Ele realmente não quis dizer muito." “Quando é... a sua consulta?” Eu perguntei, parando quando a garçonete apareceu e encheu nossos três copos com água. "Daqui a duas semanas. De qualquer forma, é o suficiente sobre mim. Você está nervosa?" ela perguntou, envolvendo seus dedos ao redor do cardápio. Eu concordei, embora eu não tivesse certeza se Ainsley estava me contando toda a verdade sobre o que estava acontecendo com os seus olhos. "Sim."


“Você sabe o que isto significa, não é?" Ela puxou o cardápio para o peito. "Isto é como um encontro." Meu estômago caiu todo o caminho até o chão. Eu balancei minha cabeça. "Sim. Sim," ela reiterou. "É como um encontro. Como um encontro prático." Encontro prático? O que lá eram essas coisas? Comecei a perguntar a ela, mas ela continuou "Ok. Vamos olhar para a evidência aqui. A partir do momento em que vocês dois viram um ao outro, ele fez todo o esforço para chegar até você, certo? Ele está ignorado as aulas para almoçar com você. Quando você se apavorou em sala de aula, ele saiu para se certificar de que estava tudo bem e, em seguida, mostrou o material de grafite. Ele te ajudou com o discurso, e ele realmente veio conhecer Carl e Rosa. Isso significa que ele está interessado." Também significava que ele poderia apenas querer ser uma parte da minha vida, mas antes que eu pudesse apontar isso, eu o vi. Rider estava aqui. Ele se virou para o lado e examinou o restaurante. Endureci. Seu olhar se fixou no meu e um lento sorriso apareceu em seu rosto. Ele não usava o que tinha usado na noite passada. Mais como fazia todos os dias na escola. Jeans gastos. Regata preta em vez de uma camiseta e tênis surrado, mas Deus, eu não conseguia pensar. OK. Não é verdade. Eu poderia pensar, mas eu estava pensando em coisas que eu realmente não tinha noção que podia. Eu estava pensando sobre aqueles lábios cheios e ligeiramente curvados e como eles devem ser em lugares... Outros lugares ao invés da minha testa ou bochecha. Eu estava pensando em suas mãos e quão forte elas eram e os calos estranhamente agradáveis sobre as palmas das mãos. Eu estava pensando sobre... Sobre um monte de coisas, coisas que agora não me fez sentir tão mal desde que ele era realmente solteiro.


Percebendo minha posição quase propensa, Ainsley olhou por cima do ombro. "Oh, meu bom Deus todo-poderoso," ela murmurou. "É ele?" “Sim,” eu sussurrei. É ele. Ela bateu de volta ao redor, os olhos azuis arregalados. "Mallory. Uau." Eu não poderia responder, porque estava focada em Rider. Ele atravessou o centro do restaurante com uma confiança que escorria dele. Uma mulher mais velha sentada com o marido olhou para cima quando ele passou pela mesa deles. Ela sorriu e seu olhar seguindo ele. E então ele estava na nossa mesa. Eu poderia ter parado de respirar quando ele deu a volta e puxou a cadeira ao lado da minha e se sentou. "Desculpe," disse ele, olhando para mim. "Eu estou alguns minutos atrasado." Ele estava? "Hector me deu uma carona," ele continuou. "Ele está aqui em algum lugar. Não queria atrasar o nosso almoço, no entanto." Tinha Rider o convidado? Se assim for, isso mudou o fato de que Ainsley pensou que era um encontro prático? Será que isso realmente existe? Algo como isto? Ainsley se empurrou para frente, sorrindo para Rider. "Eu sou Ainsley. Oi." Rider inclinou a cabeça para o lado, sorrindo para ela. "Eu sou Rider." "Eu sei," disse ela. "Você é definitivamente o Rider." Apertei os olhos para ela. Ela me ignorou. "Estou tão feliz por finalmente conhecê-lo. Eu ouvi muito sobre você."


"Sério?" Ele levantou as sobrancelhas, olhando para mim. "O que você tem falado com ela, Mouse?" Abri a boca, mas não havia palavras. O lado direito de seus lábios chutou para cima. A covinha saiu. Oh, Senhor. "Mallory disse que você é um cara incrível," ela disse, e eu não tinha certeza de que disse isso com essas palavras. "E vocês dois cresceram juntos. Melhores amigos?" "Sim," ele murmurou, ainda olhando para mim com aquele... Aquele sorriso, droga. "Fomos melhores amigos." Fazendo uma pausa, ele finalmente olhou para Ainsley. "Mas acho que eu já fui substituído." "Você foi," ela brincou. "É uma boa coisa que eu gosto de compartilhar." Ele riu. "Eu acho." Meu coração batia rápido e eu sabia que precisava dizer alguma coisa. Qualquer coisa. "Alguma... vez você comeu aqui?" Esse tipo de sons falho. Rider balançou a cabeça, não se incomodou com a minha falha. "Não." Ele olhou para o cardápio. "Mas os hambúrgueres tem uma cara ótima." De repente, eu pensei sobre o Firehouse. O restaurante pequeno era mais seu estilo, descontraído e desgastado. Este lugar, com todo o vidro e tampos de mesa brancos e brilhantes... Era o tipo de lugar que Ainsley e eu comemos o tempo todo, mas eu nunca teria posto os pés antes de Carl e Rosa. Será que Rider se sentia fora do lugar? Será que ele se importa? Ou eu estava apenas sendo estúpida? Provavelmente estúpida. "Os hambúrgueres são impressionantes," Ainsley respondeu. "Assim é o seu húmus."


“Húmus?" Rider inclinou a cabeça para trás e riu. "Não é o meu estilo. Prefiro carne." "Você já tentou húmus?" ela perguntou. "Na carne?" Meu nariz amassou. "Não." Ele riu novamente. "Eu nunca tentei isso." "Você deveria," ela respondeu. "Você não deveria," eu disse. Quando a garçonete chegou, Rider pediu um hambúrguer sem húmus. Eu pedi o mesmo e acrescentei uma Coca-Cola. Ainsley foi para o aperitivo húmus que iria comer sozinha. Rider e Ainsley caíram em uma conversa fácil. Ela perguntou-lhe sobre a escola. Ele perguntou a ela sobre estudar em casa, e pelo tempo que tínhamos terminado o nosso almoço, estavam conversando como se eles se conhecessem há anos. Eu entrei na conversa, mas fiquei em silêncio, o que não foi uma surpresa. Eu relaxei, mas estava hiperconsciente de cada movimento que Rider fez e cada vez que ele olhou em minha direção. "Vocês estão fazendo alguma coisa depois do almoço?" ele perguntou, soltando o braço ao longo das costas da minha cadeira. "Cinema ou algo assim?" "Na verdade, eu não posso ir ao cinema. Eu tenho que... Meus pais têm algo para fazer esta noite, por isso, Mallory está totalmente livre," disse Ainsley em uma corrida. Eu parei. O quê? Ela nunca mencionou ter que mudar os planos. O olhar de Rider ficou entre nós. "Mas eu pensei que vocês duas estavam juntas fora o dia todo?" "Não," Ainsley respondeu rapidamente. "Só por algumas horas. Ela é toda sua para o resto do dia, eu garanto, mas seu toque de recolher é, tipo, onze horas."


Meus

olhos

se

arregalaram.

Meu

Deus.

O

que

estava

acontecendo? Olhei para ela e ela sorriu inocentemente para mim. Uma atualização teria sido bom. Um lado de seus lábios se inclinou para cima quando ele pegou sua bebida. "Parece bom para mim." Ele bateu os dedos na parte de trás do meu ombro. "Você quer ir para a garagem?" O ronco baixo de sua voz disparou meu coração como uma ultrapassagem. Ainsley estava olhando para o prato vazio. Antes que eu pudesse formular uma resposta, um celular tocou na nossa mesa. Rider se desculpou, puxando seu telefone do bolso. Ele olhou para a tela e se levantou. "Volto logo." No momento que Rider estava fora do alcance da voz, Ainsley se virou para mim. "Mal, ele é quente." Corei quando peguei minha bebida. Rider era quente com dois Ts20 extra. Não houve questionamento quanto a isso, mas era além da gostosura física. Debaixo de todas essas coisas boas ele era realmente um... Cara muito bom. Com um coração brilhante. "Você não estava brincando quando o descreveu." Ainsley sorriu quando ela sentou-se na cadeira. "Você está indo para a garagem com ele? Quero dizer, você meio que tem que ir porque totalmente joguei você lá, mas eu joguei você a ele porque você quer ser jogada. Você precisa ser jogada." Pisquei, eu quase deixei cair o copo enquanto olhava para ela. "Mas eu vou... sair com você o dia inteiro." "Nós tivemos o nosso tempo. Mesmo que eu não poderia convencê-lo a tentar húmus. Agora é sua chance de sair com outra pessoa. Uma pessoa muito quente, para fazer outra coisa." Meu estômago torceu, o sentimento não é desagradável, mas é muito familiar. "Mas..." 20

No inglês: Hot


"Rosa e Carl acham que você está comigo. Então, enquanto você chega a casa depois como sempre, eles nunca saberão. Não é como se eles estivessem indo falar com os meus pais." Seu sorriso era malicioso. "Especialmente considerando que estarão fazendo a sua própria coisa esta noite. Encontro de noite ou algo assim." Seu nariz enrugou. "Então, não é nenhum problema." Olhei para onde Rider estava sentado e o movimento de torção aumentou. Minha mente rodava. Eu não podia acreditar que estava realmente considerando isso. Sim, eu tinha deixado a escola sem Rosa e Carl descobrirem, e Rider tinha ido para a casa sem que eles soubessem, mas isso... Isso seria diferente. Era como uma espécie de linha invisível que eu estava ultrapassando. Os Rivas pensavam que eu estaria com Ainsley, mas eu não estaria. Eu estaria com Rider. Em uma tarde de sábado e talvez à noite. O encontro prático parecia como um encontro real. Este parecia ser um grande passo. Se eu fosse descoberta, eles iriam dizer que foi Rider, e que ele era uma má influência, mas na realidade, ele não sabia que eu não tinha autorização. Inferno, nem eu sabia se tinha autorização ou não, mas tenho certeza de que diabos não estaria perguntando. Eu não tinha certeza se estava fazendo algo errado, e eu não ia perguntar, porque isso soou como uma questão realmente estúpida a se fazer. Rider baixou o telefone, guardando no bolso. Eu poderia fazer isso? Vou sair com ele? Eu rapidamente peguei minha bebida e tomei um gole enorme. Por que eu estava pirando sobre isso? Rider e eu crescemos juntos. Claro, houve anos em que não vimos um ao outro, mas nós éramos amigos e ele tinha acabado de sair de um relacionamento. Este não foi um encontro prático. E eu poderia fazer isso. "Você... você acha que eu deveria ir?"


Os olhos azuis de Ainsley estavam arregalados de excitação. "Sim! Oh, meu Deus, sim!" Ela bateu no meu braço. "Este é o momento perfeito para ficarem sozinhos." Eu fiz uma careta. "Mas nós... nós passamos um monte de tempo sozinho." Ela olhou para mim um momento e, em seguida, revirou os olhos. "Este é um tipo diferente de tempo sozinho, Mallory. Isso é um sábado sozinho." Minhas sobrancelhas subiram. Balançando a cabeça, ela pegou sua bebida. "Confie em mim. É diferente." Eu ia ter que confiar nela com isso. "Você está interessada nele, por isso, apenas para uma atualização, eu acho que ele está interessado em você, também. Quero dizer, vamos lá, por que não ele ia estar? Mas eles são uma espécie de bobos às vezes, então ele provavelmente vai jogar frio e agir como se não estivesse interessado." Eu abri minha boca. "Isso é o que Todd fez. Ele agiu como se não estivesse interessado em mim até que estávamos sozinhos e então ele fez o seu movimento." Será que Rider ia fazer um movimento? Meu coração começou a inchar com as possibilidades e depois o meu estômago revirou novamente. Ainsley estava praticamente balançando em seu assento. "Eu sei que isto é tudo novo para você, mas basta ter um par de respirações profundas e se divertir. Talvez ele vá fazer mais do que segurar sua mão." Oh meu Deus, isso era demais. Eu nunca deveria ter contado a ela sobre Rider segurando minha mão. Eu preciso de um adulto.


"Olha," ela disse, baixando a voz quando ela estendeu a mão, colocando a mão sobre a minha. "Só vá se você estiver confortável com isso. Se é algo que você quer fazer. Se não o fizer, não é grande coisa. Eu só sei que você gosta dele mais do que um amigo. Posso dizer por causa da maneira que você olha para..." ela fez uma pausa, olhando por cima do ombro "...ele. Santo inferno, quem é esse?" Com as sobrancelhas franzidas, eu segui seu olhar e vi que Rider não estava mais sozinho. Hector estava com ele na entrada do café. A preocupação aumentou. Suas cabeças estavam baixas e a mandíbula de Rider disse que eles não estavam falando sobre algo divertido. Olhei para fora das janelas da frente, esperando ver Jayden, mas ele não estava lá fora. Não havia pensado sobre isso, eu não tinha visto Jayden na escola nos últimos dois dias. "Você sabe quem é esse?" Ainsley perguntou. Engoli quando coloquei o copo para baixo, e assenti. "O nome dele é... Hector. Ele é amigo de Rider." Um lento sorriso curvou seus lábios. "Ele é gostoso." Apenas nesse momento Hector riu de alguma coisa que Rider deve ter dito. O som era profundo e viajou, virando várias cabeças no café. Hector era gostoso. Não havia dúvida sobre isso, mas o meu olhar se desviou para Rider. Ele sorriu ligeiramente, a covinha na bochecha direita espreitou. Seus lábios se moviam e Hector olhou para a nossa mesa. Surpresa cintilou sobre seu rosto e, em seguida, seus lábios cheios inclinaram para cima quando seu olhar caiu em Ainsley e ficou. "Eu gosto," ela sussurrou. "Será que ele tem namorada?" Dei de ombros, querendo saber se ela ainda tinha um namorado. Eu não tinha certeza se Hector tinha alguém sério. Eu tinha visto ele


com um par de meninas na escola, mas eu não acho que ele estava saindo com qualquer uma delas. Rider e Hector andaram para a nossa mesa. Rider recuperou seu assento ao meu lado enquanto Hector sentou ao lado de Ainsley. "Esa chica esta bien caliente.21" Hector riu quando Rider sacudiu a cabeça. Ainsley endureceu na minha frente. Ela era muito fluente em espanhol e embora Hector fosse porto-riquenho, eu tive uma sensação que ela estava entendendo a essência geral de tudo o que ele estava dizendo e ela não estava feliz com isso. "Me gustaria a llevarla a mi casa y comermela.22" Ainsley inclinou a cabeça para o lado enquanto ela arrastava seu longo cabelo loiro por cima do ombro. “Gracias! Pero no hay ni uma parte de mi que tu te vas a comer.23” Os olhos de Hector arregalaram. Rider jogou a cabeça para trás e deu uma gargalhada. "Oh, merda. Impagável." “O quê?” Ainsley piscou os olhos grandes em um Hector atordoado. "Você acha que uma garota branca não pode entender outro idioma então você irá sentar-se na minha frente e falar sobre mim como se eu não estivesse aqui?" Seu sorriso era frágil e falso. "Idiota, não." "Cara..." Hector sentou-se, lentamente, balançando a cabeça enquanto olhava para ela. "Você é... brutal." "Droga," respondeu ela, com os olhos como lascas de gelo azul. Seja qual for à gostosura que ela tinha visto em Hector estava completamente fora da possibilidade por agora. "E você é um mal criado." 21

Essa menina é quente.

22

Gostaria de levá-la para a minha casa e comê-la.

23

Obrigada! Mas não há nenhuma parte minha que você irá comer.


Os olhos de Hector se estreitaram. "Eu realmente gosto da sua amiga, Mouse." Ainda rindo, Rider piscou para mim. "Ela basicamente o chamou de burro sem classe, e eu concordo." Oh céus. Ainsley arqueou uma sobrancelha enquanto olhava a camisa que Hector vestia. "Se os ajustes do sapato..." "Que carajo..."

Hector murmurou. "Nena24, você

não

me

conhece." Ela levantou um ombro. "E eu não quero." Oh. Oh, uau. Isso está indo ladeira abaixo rapidamente, embora Rider parecesse que queria um balde de pipoca. Ainsley se mexeu em sua cadeira e me encarou, seu rosto ligeiramente corado. "Você vai com Rider?" ela perguntou com a voz baixa, mas ainda audível. "Onde vocês estão indo?" Hector perguntou, ainda com o olhar fixo sobre ela. Ela o ignorou, e meu estômago estava fazendo piruetas novamente. "Eu estava indo levá-la para a garagem," disse Rider. Os lábios de Hector enrolaram. "Parece bom." Ele sorriu quando Rider levantou a mão e estendeu um dedo médio longo. "Você não está indo esta noite à casa de Ramon? Grande festa." O olhar de Rider encontrou o meu, e havia um engate na minha garganta. "Não se Mallory for comigo para a garagem." "Você pode trazê-la," disse ele, e então olhou para Ainsley com um sorriso. "Gostaria de convidá-la, mami, mas provavelmente não é elegante o suficiente para você."

24

Menina


"Se você está envolvido, provavelmente não," respondeu ela secamente. "Mas eu não estou interessada mesmo, então que seja." Eu mal reconheci que Hector e Ainsley começaram a discutir nesse momento, a maior parte em espanhol. Uma festa? Quão coxo parecia, eu nunca tinha ido a uma festa antes. Em lugar nenhum, muito menos perto de uma. Meu pulso vibrou no meu pescoço como um beija-flor fora de controle. Deixando cair as minhas mãos nas pernas, eu corri minhas mãos sobre as coxas. O que eu iria fazer lá? Eu estaria agarrada a Rider como um polvo. Eu teria que esperar e falar para me misturar. E beber. A única vez que eu já tinha experimentado álcool foi quando eu tinha nove anos e eu tinha acabado cuspindo. Eu mal podia falar na frente de várias pessoas agora, e muito menos ir a uma festa. O olhar de Rider encontrou os meus, e eu sabia que parecia que eu tinha entrado em pânico. Eu podia sentir o sangue escorrendo praticamente do meu rosto. "Não, eu não estou realmente me sentindo bem para ir a uma festa hoje à noite," ele disse, quando houve uma pausa nos dois discutindo. "Você está bem com isso, Mallory?" Parte de mim estava dizendo que era só por minha causa, porque eu tinha certeza que seria mais divertimento do que ele tentando me ensinar a pintar com tinta spray. Mas não havia como negar o zumbido açucarado e doce alívio através das minhas veias. Eu estava tomando passos de bebê, mas ir para uma festa parecia como um enorme salto de um penhasco. Sem corda. Engolindo em seco, eu assenti. "Eu estou bem com isso." "Bom," ele murmurou, sentando-se para trás. "Então é para a garagem que vamos." Tentando ficar calma, eu abaixei meu olhar, mas eu não conseguia parar o sorriso que apareceu nos cantos dos meus lábios. Eu era definitivamente uma pateta, muito grande e fora de controle, mas eu estava animada. Nervosa. Mas muito mais animada.


NĂŁo importa o que acontecesse esta noite, esta noite seria a primeira vez.


Capítulo 22

Rider estava dirigindo meu carro para Razorback Garage. Fazia sentido já que ele sabia para onde ir e eu estava uma pilha de nervos. No primeiro par de momentos, enquanto andamos para fora do estacionamento, nós não falamos. Levei um tempo tentando achar algo para dizer. "Será que... você gostou do café?" Eu perguntei. "Eu sei que foi... diferente." Uma vez que aquelas palavras saíram da minha boca, eu estremeci. Eu não poderia ter dito qualquer outra coisa? Tipo, como está o tempo? Urgh. Mordi o lábio inferior quando ele olhou para mim. "Foi muito legal. Você diz, diferente, como?" "Eu estava apenas... pensando que antes, eu... nunca teria colocado os pés em um lugar como aquele." Fiz uma pausa, me perguntando onde eu estava indo com isso. "Nós não teríamos." Ele deslizou a mão sobre o volante, facilmente fazendo as curvas. "Então, o que você está realmente perguntando é se eu estava confortável em um lugar como aquele?" Abri a boca, mas as palavras ficaram presas novamente. Como de costume. Calor varreu em minhas bochechas. Isso era o que eu estava perguntando, não era? “Mouse?”


Balançando a cabeça, eu brincava com a alça do meu cinto de segurança. "Eu não quis dizer isso." Fiquei quieta quando ele saiu do tráfego. "Você não quis?" Eu não sabia o que dizer. "Parece ser uma questão bastante óbvia, no entanto. Quero dizer, nós não temos mais a mesma vida não é?" Eu perguntei. Olhei para ele. Ele estava olhando para frente. Uma mão no volante e a outra descansando na coxa. Minha reação natural foi apenas ficar quieta. Se eu tivesse ficado quieta, eu sabia que Rider iria passar para outro assunto, mas eu coloquei isso pra fora. Eu o tinha só para mim. Eu não poderia ficar quieta para sempre. Com a respiração rasa, me concentrei no caminhão vermelho à frente de nós. "Nós não fazemos, mas eu... eu realmente não penso sobre isso. É por isso que eu não pensei duas vezes... o café." "Eu fico muito confortável em um lugar como esse como quando estou em qualquer outro lugar", ele respondeu, depois de alguns momentos, sua voz desprovida de qualquer nível a mais de emoção. Olhando para ele, eu me senti uma idiota completa. "Eu provavelmente... ofendi você. Eu sinto muito." "Você

não

ofendeu", ele

respondeu,

apertando

os

olhos.

"Honestamente." Eu concordei e apertei os lábios. Havia tanta coisa que Rider e eu partilhamos no passado, mas parecia que às vezes havia um abismo entre nós. Eu poderia sentar aqui e pensar sobre isso ou eu poderia tentar forjar uma ponte sobre o abismo. Forçando os dedos para relaxar ao redor do cinto de segurança, deixo cair minhas mãos no colo. "Na... na sala ontem, parecia que... você e Sr. Santos se conhecem bastante." "Ele me ajudou quando eu fui pego matando a escola", ele responde. "Eu pensei que tivesse te contado isso."


"Parece... mais do que isso." Olhei para ele. "Ele colocou... o seu trabalho artístico em uma galeria." Rider não respondeu imediatamente. "Ele meio que tem mantido um olho em mim desde o incidente de pichação. Ele é assim, você sabe. Presta atenção." Deu de ombros. "Ele sempre me observa. Não vê o que os outros veem." "O que... você quer dizer?" Seus dedos bateram no volante. "Ele não vê apenas bairros e endereços ou nenhuma dessas merdas." Fazendo uma pausa, eu olhei para ele quando nós paramos em um semáforo. "Ele tem estado na minha bunda para buscar um futuro em artes. Conversou comigo sobre, olhar para MICA." Eu ri, balançando a cabeça. "Ele tem objetivos elevados." Maryland Institute College of Art era uma escola de arte bem conhecido na cidade. Como uma das melhores. "Se o Sr. Santos pensa que você tem... O que é preciso para ir lá, e por que você não quer?" Suas sobrancelhas voaram. "Eu tenho certeza que um semestre lá custa mais do que um carro novo." "E quanto à ajuda financeira?" Ele não respondeu. E eu não o deixei ficar em silêncio. Não pelas mesmas razões que Carl estava perseguindo ele na noite anterior, mas porque Rider tinha um talento real. "Se não MICA, existem outras faculdades mais baratas... Mais fácil de entrar". "Eu sei", ele respondeu, e eu soube que isso era tudo. Eu fiz uma careta enquanto o estudava. "Quando éramos mais jovens, você falou sobre ir para a faculdade. Você falou... Quando eu não queria." Sua mão apertou o volante. "Eu era uma criança, Mouse." "Então?" "As coisas são diferentes agora."


"As coisas estão melhores agora", eu respondi. "Não estão?" Ele abrandou, entrando em uma estrada lateral estreita. "Você já reparou que quando você se sente forte sobre algo, você não toma pausas?" Eu tinha notado, e parte de mim estava emocionada que ele tinha prestado atenção o suficiente para reconhecer. Mas, falando sério, isso não era o que nós estávamos falando. "As coisas são melhores, não são?" "Sim, Mouse", disse ele com um suspiro. Meus olhos se estreitaram. "Quando você fala assim, eu não tenho certeza se acredito em você." Eu o estudei, decidindo assim se eu poderia fazer mais perguntas. "O que aconteceu... Entre você e Paige?" "Por que a faculdade?" Ele jogou de volta quando estacionou em uma vaga no estacionamento em frente da garagem. "Porque eu me importo", eu disparei. Eu estava certa agora sobre a faculdade. Eu estava meio que fazendo a mesma coisa que Carl tinha feito na noite anterior, mas pelo menos eu estava vindo de um bom lugar. A cabeça de Rider virou e nossos olhos voltaram a se fixar. Eu não me arrependo por ter dito estas palavras, porque era a verdade. Eu sempre me preocupava com ele. Sem desviar o olhar, ele desligou o motor e tirou a chave da ignição. Suas mãos ficaram no colo enquanto ele me estudou. "Não era justo para Paige", disse ele. "O relacionamento." "Como assim?" Eu perguntei. Ele olhou para mim um momento e, em seguida, um lado de seus lábios enrolou. "Eu nem sequer penso que deveríamos ter ficado juntos. Estávamos melhor como amigos, e eu..." Seu olhar deslizou para o cinza da construção. "Quero dizer, eu realmente me importava com ela. Eu me importo com ela. E talvez houvesse uma parte de mim no


início que pensou que... que poderia ser mais profundo sabe? Foi isso, não é profundo." Seus ombros se levantaram com uma respiração profunda. "Eu acho que eu sabia disso por um tempo. E acho que me convenci de que era o mesmo para Paige. Não me arrependo do relacionamento, mas lamento que esperei para acabar com isso. Eu a magoei por causa disso e, o homem, que fui. Ela é importante para mim...". Balancei a cabeça. "Depois que você e eu saímos da biblioteca, eu fui vê-la. Acabei as coisas como eu deveria ter feito antes. Então eu bebi na última quinta-feira, bebi um pouco demais." Fazendo uma pausa, ele estendeu a mão e os dedos escovaram meu lado enquanto desabotoo o cinto de segurança. "Estar com ela não era a coisa certa a fazer, sabe?" Enfiei o cinto de segurança do meu ombro. "Eu senti como se a estivesse arrastando junto. Especialmente agora." "Agora?" "Sim." Seu olhar procurou o meu. "Especialmente agora." Meus lábios se separaram em um inalar macio. Um longo momento estendeu entre nós e ele perguntou: "Você está pronta para ir?". Pressionando meus lábios, eu assenti. Abri a porta e esperei Rider vir ao meu lado. Um carro passou por nós, a música de batida pesada ecoando enquanto ele se desloca até o bloco. Olhei em volta à medida que atravessava a rua. O bairro não era ruim. Muitas empresas e mais para baixo pude ver casas com fileira de tijolos. "Você vive perto daqui?" Eu perguntei. Rider assentiu quando parei em frente a uma porta cinza sem janelas. "Sim. Cerca de três quarteirões para baixo." Ele tirou uma chave e abriu a porta. "A loja está um pouco bagunçada. Desculpe."


"Está tudo bem." Era uma loja de trabalho corporal. Eu esperava que fosse bagunçada. Abriu a porta e entrou, segurando a minha mão. Segui-o. Um perfume pesado me atingiu imediatamente, uma combinação de tinta e óleo misturado com a gasolina. Cheirava com o trabalho duro. Quando ele procurou um interruptor na parede, um zumbido baixo reverberou através do edifício. As luzes penduradas no teto se acenderam, espaçadas a cada dois pés. A luz era fraca no início, mas ficou mais forte. Rider avançou, empurrando as mãos nos bolsos. "Siga-me?" Passando os braços em volta da minha cintura, andei atrás dele quando andei em torno de um carro suspenso no ar. Pneus estavam faltando, revelando poços de roda expostas. Bancadas e caixas de ferramentas estavam por toda parte. Manchas de óleo e graxa cobriam o chão de cimento. Quanto mais nós caminhamos no edifício longo e largo, vimos mais carros cobertos por lona grossa, e quanto mais o cheiro de tinta ficava forte. Estava mais escuro lá atrás. Luz amarela tênue revelou rosto de Rider enquanto ele olhava por cima do ombro. Paramos num carro coberto. "Eu não trabalho muito em setembro. Chamam-me quando eu tenho algum serviço. Tenho tido sorte nos últimos dois meses. O trabalho tem sido constante." Esticando-se, ele puxa uma corrente, presa a uma porta. Os músculos das costas dele ficam tenso, e sua camisa esticada sobre os ombros e bíceps quando ele puxou. Isso foi quente, a sensação do peso se infiltrou em minhas veias. A luz inundou o espaço. A primeira coisa que notei foi uma grande tela envolta de toda a parede. Ela foi coberta com tinta. Como se uma centena de cores diferentes foram atiradas na tela em nenhum padrão específico.


Rider seguiu meu olhar. "É onde eu testo as cores. Às vezes tenho de misturá-las antes de colocá-las no equipamento." “Equipamento?” Balançando a cabeça, ele se vira para um banco. Várias vasilhas de prata com bicos foram dispostas na parte superior. Ele se aproximou, e escolheu. "A tinta entra aqui." Passo o dedo ao longo do recipiente montado no topo do pulverizador. "E a parte inferior conectase a uma mangueira que vai para o compressor de ar." Sorrio, soando um pouco fora de mim quando coloco o pulverizador de volta na bancada.

"Não

que

você

esteja

pedindo

uma

lição

sobre

um

pulverizador." "Está tudo bem." Eu me aproximei. "É interessante." Rider riu de novo enquanto se afastava do banco. E passou por mim, parando na frente de um carro coberto. "Eu tenho trabalhado neste carro pela última semana." Ele agarrou a lona que cobria o capô do carro e puxou. "Quase pronto." Meu queixo caiu. Eu não sabia que tipo de carro era. É branco com dois lugares. Provavelmente um conversível. Não importava. Era o que foi pintado sobre o capô e o para-choque dianteiro que me chamou a atenção. Era a bandeira americana. Agora, isso não soava muito especial, mas o detalhe da bandeira levou-a para um nível totalmente novo. Nem uma única linha vermelha passou pelas linhas brancas. As estrelas eram perfeitas rajadas de branco entre azul marinho profundo. A bandeira não era um quadrado estagnado. Ela ondulava como se fosse colocada realmente sobre o capô, drapeados o para-choque, e o vento estavam lavando sobre ele. Ele fez parecer que o carro estava em movimento. Como ele poderia fazer isso com tinta pulverizada na superfície?


"O cara queria algo americano". Dei um passo para frente, roçando a mão pelo para-choque, tirando uma bolinha imaginária de sujeira. "Acabamos decidindo por uma bandeira." Em admiração, balancei minha cabeça enquanto coloquei minha mão sobre meu peito. Eu não podia acreditar. Eu tinha visto o que ele tinha pintado no armazém, e que tinha sido inspirador, mas isso era outra coisa. "Isso é incrível." "Sério?" "Sim." Olhei para ele com os olhos arregalados. "Como você pode não ver o quão incrível é isso?" Rider deu de ombros quando lancei minha atenção de volta para o carro. "É apenas uma bandeira." "Parece real!" Minha voz pareceu aguda, mas eu não me importei. Rider veio do nada. Do nada. Foi criado na escuridão e violência, mas ele tinha esta habilidade o tempo todo. O que ele tinha experimentado não tinha apagado esse talento. "Como se ele pudesse passar por cima... e levantar." "Hã." Houve uma pausa. "Obrigado." "Você... mantém o controle de seu trabalho?" Ele balançou a cabeça. "Na verdade não." "Você deve tirar fotos deste", eu insisti. "De tudo o que você faz." Ele baixou o queixo. "Eu tenho algumas em casa. Não em conjunto ou nada. Tiro geralmente uma foto. Coloco no site." "Um portfólio!" Animada, eu balançava para frente. "Isso é o que você precisa.” O canto dos seus lábios inclinou-se e, em seguida, ele se abaixou, pegando a lona. Eu o vi amarar de volta em cima do carro, endireitando enquanto andava ao redor.


Inalei suavemente. "Eu... eu gostaria de ver mais de seu material." "Eu posso te mostrar algumas mais tarde. Juntar as fotos", disse ele, puxando o material sobre o tronco do capô. Sorrindo, desdobrei meus braços. Uma ideia formada, enquanto eu assisti ele corrigir o outro lado da lona quando ele andou de volta para mim. Rider não faria um portfólio. Por alguma razão, ele não conseguia reconhecer o seu talento, mas isso não significava que eu não poderia ajudá-lo. "Quer tentar?" ele perguntou. Meus olhos se arregalaram. "Tentar pintar um carro?" Os olhos castanhos de Rider brilharam enquanto ele ria. "Não. Não pintar um carro, Mouse". Caminhando em direção a mim, ele apontou para a tela pregada na parede. "Pintar lá." Virando-me, meu olhar se arrastou em toda a tela. Havia manchas intocadas pela pintura. Na maior parte da metade inferior. Rider caminhou até o banco e abriu a gaveta, tirando duas máscaras brancas. “Gases podem ser um pouco demais." Ele caminhou de volta para mim. "Então, o que você acha?" Sorrindo, eu assenti. O toque de seus lábios inclinou mais alto e ele colocou a máscara sobre a minha cabeça, deixando-a balançar abaixo do meu queixo. Seus olhos encontraram os meus quando ele pegou meu cabelo para fora sob a banda. Ele hesitou, olhando para mim. Ele abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas depois mudou de ideia. Ele deslizou sua

própria

máscara,

deixando-a

cair

quando

deu

a

volta,

aproximando-se um gabinete plástico de altura perto do banco. Ele abriu e pegou latas regulares com aparência de pulverização.


"Achei que seria melhor começar com este antes de nos mudamos para essas coisas", explicou ele, com um tom leve quando entregou uma lata com um top vermelho. "A cor combina com você." Senti meu rosto esquentar quando envolvi minhas mãos em torno da lata. Rider me levou para a tela, ele estava sacudindo a lata. Eu fiz o mesmo, provavelmente parecendo um pouco perturbada. "Que tal começar com apenas com uma letra M." Ele puxou sua máscara por cima da boca e, quando falou, sua voz era abafada. "Aqui." Empurrando a lata debaixo do braço, ele se virou para mim e puxou a máscara para cima, situando-o sobre a minha boca. Suas mãos permaneceram na banda, enviando um arrepio dançando pela minha espinha. "Ai está." Ele abriu a tampa da lata e bateu no chão com um ruído suave. Olhos brilhantes, ele se ajoelhou e como em uma série de filmes, ele tinha uma letra R ousada em tinta preta. "Sua vez." No começo eu só fiquei lá, congelada com indecisão. Eu não sabia o que estava fazendo. Quer dizer, spray de pintura e fazer uma letra não eram tão difíceis, mas a ideia de sequer tentar fazê-la era assustadora, porque... Por causa do que? Falhar? Como eu poderia falhar em pintar uma letra? Quero dizer, vamos lá. E se eu fizer de alguma forma e parecer ridícula, Rider não se importaria. Eu não deveria me importar. Mas eu estava com medo de apenas tentar. Um tremor passou pelo meu braço, e eu parei de pensar, parei de me estressar. Eu tirei a tampa e, em seguida, caminhei para frente. Ajoelhei-me e pintei uma gigante, borbulhante letra M em vermelho. Pronto. Nada demais.


Ninguém foi ferido ou morto por meu coxo M. Eu olhei para Rider, e mesmo que eu não pudesse ver sua boca, achei que ele estivesse sorrindo. "Então..." Ele acrescentou um I ao lado do seu R. "Você está pensando na faculdade, certo?". Comecei a acenar com a cabeça, quando pintei um A, mas me forcei a falar. "Sim. Eu quero... ir para College Park, mas eu...". “O que?” Minhas sobrancelhas juntaram enquanto me concentrei no que eu estava fazendo. "Carl e Rosa querem que eu vá para... uma que tenha área de saúde, com foco em pesquisa. Marquette, a filha deles ia tornar-se médica assim como eles." Rider ficou quieto quando trabalhou ligeiramente, à minha esquerda. "É isso que você quer fazer?" "Eu..." Eu parei, baixando a lata enquanto olhava para as três primeiras letras do meu nome. Eu já sabia a resposta, mas eu pensei sobre como Carl tinha reagido e definitivamente descartou a minha ideia de ir para trabalho social. Eu não queria que Rider fizesse o mesmo. "Eu não sei." Olhei para ele. "Você acha que isso não é o que eu quero?" Ele fez uma pausa, seu olhar de constatação. "Eu não sei a resposta para isso, Mouse. Você não é a mesma garota que eu conheci há quatro anos." Às vezes eu sentia que era exatamente a mesma garota. Ele começou a pulverização novamente e o cheiro forte de tinta inchou o ar. "Contanto que lá seja o que você está apaixonada, você deve ir." Eu não estava tão apaixonada por pesquisa, mas eu tive um sentimento que estaria quando pensei sobre o trabalho social. Eu só não queria decepcionar Carl e Rosa, e eu sabia que se eu decidisse fazer


algo assim, eu os decepcionaria. Mas no que mais eu estava apaixonada? Rider falou sobre os diferentes trabalhos que tinha feito, algumas das formas que ele pintou. Eu ri quando ele disse que uma vez teve que fazer um palhaço em uma van. Isso foi fez tudo parecer meio assustador. Nós terminamos de pintar nossos nomes. Rider tinha um efeito extravagante em ziguezague ao longo das letras. Eu tentei e parecia mais com respingos de sangue. E eu pensei mais sobre o que eu estava apaixonada. O que gritava meu nome. E eu percebi enquanto terminava de pintar o Y, que eu não tinha resposta. Tudo em mim era superficial, mal arranhando a superfície. Eu gostava de ler. Eu gostava de esculpir sabão. Eu gostava de ver Project Runway. Eu não amo nenhuma dessas coisas. Eu não queria escrever como Ainsley fazia. Entalhar sabão era mais como uma versão estranha de hobby e também minha própria meditação. E eu não poderia projetar uma blusa de algodão branco para salvar a minha vida Cara, eu estava... tipo em branco. Como as manchas na tela que tinha apenas a mais ínfima gota de tinta sobre ele. Havia coisas que eu gostava, coisas que tinham me chamado a atenção ao longo dos anos, mas na maior parte, eu estava vazia. Ao

longo

dos

últimos

dois

anos,

eu

estava

lentamente

descompactando toda a bagagem emocional do passado, todo o trauma e medo existente no fundo, mas essa confusão tinha feito mais do que apenas manter-me em silêncio. Tinha me impedido de viver. Não era isso que significava ser realmente apaixonado? Vivo? Exceto que o medo ainda estava lá e por causa disso, eu era esta coisa em branco. Estranhamente, uma pressão foi tirada dos meus ombros. Eu não me senti mal sobre isso quando me levantei. Eu era basicamente uma tela em branco e isso não era uma coisa ruim, eu decidi naquele


momento, porque isso significava que eu... Eu poderia ser qualquer outra coisa. Eu poderia ser qualquer coisa. Eu apenas tinha que fazê-la. Mas meu nome parecia um marshmallow sangrento. Eu sorri por trás da máscara. "Eu gosto disso." Rider tirou a máscara enquanto andava até o banco, deixando a lata e a mascara lá. "O que você acha?" Puxando a máscara sobre a minha cabeça, eu sorri para ele. "Eu gosto disso." Voltei a olhar para os nossos nomes. "Obrigado por me trazer aqui. Tenho certeza de que a festa... é provavelmente mais interessante...". "Não é verdade. Eu não consigo pensar em um lugar que eu preferiria estar," ele disse, trazendo seu corpo longo e magro perto do meu. "Honestamente." Minhas sobrancelhas voaram para cima. Eu não tinha certeza se eu deveria acreditar nele ou não. Ele pegou um pano. "Mostre-me suas mãos." Eu fiz. Dois dos meus dedos tinha manchas vermelhas, bem como os seus sempre pareciam. Tomando minha mão entre as suas, ele gentilmente esfregou a pintura. "Estou falando sério, Mallory. Estou feliz que você está aqui. Eu não me importo sobre uma festa." Olhando para ele enquanto diligentemente limpava o meu dedo, eu decidi deixar-me acreditar no que ele estava dizendo. Para tirar suas palavras ao pé da letra. Puxando o pano, ele inspecionou minha mão. "Você não vê o que eu vejo." “O que?” Suas sobrancelhas franziram em conjunto, quando ele passou o pano sobre o meu dedo indicador mais uma vez. Em seguida, ele deixou cair o pano atrás dele e pegou a lata de spray vermelho.


"Eu

quero poder

retribuir de alguma

forma",

disse ele,

surpreendendo-me quando andou de volta para a tela. "Eu sei que você se preocupa comigo, Mallory." Meu coração começou a bater mais rápido que a lata sacudida. "Eu me preocupo com você." Ele ajoelhou-se até a metade. Um segundo passou e ele moveu o braço, pulverizando a tela. "E eu acho que só está faltando uma coisa." Sem ter ideia do que estava fazendo ou onde ele estava indo com isso, esperei até que ele se levantou e deu um passo para trás, para o lado. Meus lábios se separaram em um suspiro suave. Rider tinha pichado um coração entre nossos nomes. Eu vi com meus próprios olhos:

*** Inclinando em direção a mim, seu sorriso era tímido. Juvenil. "Isso foi provavelmente, muito brega, não foi?" Meu coração estava fazendo horas extras, batendo tão rápido que eu pensei que eu poderia ter um ataque cardíaco. "Ou foi demais?" Ele jogou a lata em uma lixeira próxima e lentamente se aproximou de mim. Suas bochechas eram um rosa vibrante. "Foi definitivamente muito." Eu não sabia o que dizer ou fazer. Rider não estava fazendo nenhuma dessas coisas que Ainsley disse que faria. Ele não estava se fazendo de difícil. Ele estava colocando para fora, e eu... Eu estava...


"Eu gosto de você, Mallory. E Deus sabe que você merece muito mais do que eu." Ele baixou o queixo, rindo enquanto enfiou a mão pelo cabelo. "Deus. Eu disse isso. Podemos simplesmente esquecer”. Eu consegui falar. "Você gosta de mim?" Seu olhar voou para o meu. "Sim, eu gosto. E eu sei que estive com Paige e eu não vou fingir que não significava nada, mas não é assim que me sinto com você. Não é remotamente parecido com o que eu sinto por você. E não é por causa de nosso passado, por causa de você e eu conhecermos um ao outro por tanto tempo", disse ele, e as palavras continuaram a sair em uma corrida. "No início, eu pensei que era esse o motivo da atração que tenho para você. Eu pensei que era por causa de tudo o que tínhamos compartilhado. E então naquela noite eu fui para a sua casa e você me colocou para cima, eu pensei que era apenas isso, uma coisa física." Rosa correu pelo seu rosto. "E é definitivamente uma coisa física, mas não é só isso. Eu acho que parte de mim sabia desde a primeira vez que você disse meu nome." Agora meu pulso estava batendo alto. Ele gostava de mim — gostava de mim. Oh meu Deus, isso foi inesperado. Isso foi totalmente não planejado. Era um vasto mar infinito desconhecido. "Eu sei que você merece o melhor, mas eu quero ser o melhor. Eu quero ser isso para você." Sua voz ficou mais baixa quando parou na minha frente. "É por isso que eu vou perguntar o que estou prestes a fazer." A vibração era profunda no peito e no meu estômago. Eu me senti sem fôlego quando olhei em seus olhos. "Perguntar-me o que?" Um músculo cintilou ao longo de sua mandíbula enquanto seu peito aumentou. "Posso beijar você?"


Capítulo 23

Não houve uma série de momentos para onde a minha mente corresse, e analisasse cada pequeno detalhe do que estava acontecendo antes de eu tomar uma decisão. Eu não pude pensar. Eu agi. "Sim", eu sussurrei. Rider fez este som na parte de trás de sua garganta. Era profundo e masculino, em parte gemido e em parte grunhido, e isso me fez tremer. Ele pegou um lado da minha bochecha e abaixou a cabeça até a minha, mas ele não me beijou. Não. Seu hálito quente deslizava sobre minha testa quando sua mão escorregou na minha bochecha, seus dedos se espalhando para o meu cabelo na nuca. Sua outra mão pousou baixo nas minhas costas, e o peso fez coisas insanas no meu interior. Ele puxou minhas costas, deixando um rastro de fogo me acordando. Meus olhos se fecharam quando seus lábios roçaram a curva da minha bochecha. Foi a tortura mais louca. Meu corpo inteiro ficou tenso, se preparando para o momento em que seus lábios encontrassem os meus. E foi a pressão mais doce, um roçar de leves penas com seus lábios sobre os meus. Uma vez. Em seguida, duas vezes. Eu senti o toque em todos os lugares, um choque para o sistema que fechou em minhas veias, e, em seguida, a pressão aumentou. Então, Rider me beijou.


Era real, macio e bonito, e quando o beijo se aprofundou, não fiquei tímida. Ele sabia o que estava fazendo, e mesmo que eu não soubesse, um conhecimento inato me disse que não importava. Seus lábios mapearam os meus e minhas entranhas estavam em ebulição. Beijar

era

incrível.

Surpreendente.

Maravilhoso.

Eu

provavelmente poderia pensar em um par de palavras a mais para descrevê-lo. Beijá-lo me surpreendeu, e quando ele levantou a boca, nós dois estávamos respirando com dificuldade. Ele descansou sua testa contra a minha. Nenhum de nós falou por vários momentos. Eu ainda não estava pensando. Eu não tinha ideia de como as minhas mãos haviam chegado ao peito de Rider, mas seu coração batia na minha palma tão rápido como o meu. Minha mente estava em branco alegremente enquanto eu respirava seu cheiro, uma mistura de seu perfume cítrico e o leve rastro de tinta. "Você gostou disso?" ele perguntou, arrastando os dedos do meu cabelo e sobre a linha da minha mandíbula. Gritar sim, oh, Deus, sim, teria sido provavelmente um pouco excessivo demais, então eu consegui um pouco subjugado: "Sim." Rider sorriu, seus lábios roçaram os meus. "Bom. Porque eu realmente gostei." Virei o rosto em sua mão. Nada disso parecia real, como se eu estivesse sonhando e iria acordar a qualquer momento e ser empurrada de volta à realidade, em um mundo onde era apenas o passado e um presente que eu mal estava vivendo. Não esta realidade onde eu tinha sido beijada pela primeira vez. Não uma realidade onde eu estava realmente correndo a cada segundo como aconteceu em vez de correr para frente e, em seguida, ter de olhar para trás. "Nós realmente devemos falar sobre o que estamos fazendo, mas eu quero..." Rider respirou fundo e sua voz voltou a cair, tornando-se mais áspera. "Eu quero fazer isso de novo."


O inchaço estava de volta no meu peito, e eu jurei que iria flutuar até o teto. Falar seria inteligente, mas eu estava cansada de ser inteligente. "Eu... eu quero... isso também." Rider não hesitou. Ele inclinou a cabeça um pouco e seus lábios estavam a mais macia de todas as pressões contra o meu. Meu segundo beijo foi tão incrível como o primeiro, mas era diferente depois de alguns segundos. Ele demorou mais tempo, como se seguindo o caminho dos meus lábios, aprendendo e confirmando-os na memória. Eu queria fazer o mesmo. Inclinei-me, deslizando uma mão por cima de seu ombro. A mão nas minhas costas inferior moveu, e depois seu braço estava em volta da minha cintura. Ele me puxou para mais perto, até que estávamos peito a peito. Uma onda de sensações me bateu, e mesmo que os nossos corpos já estivesse se tocando, eu queria estar mais perto. Precisava estar mais perto. Eu senti a ponta da língua. O instinto me guiou. Meus lábios se separaram e... Um som alto nos fez empurrar longe do outro, quebrando, o estrondo veio da frente da garagem. Rider ergueu os olhos rapidamente, suas sobrancelhas franzindo. "Que diabos?" Meus lábios ainda estavam formigando quando ele passou o braço em torno de mim. "Será que vamos... ficar em apuros?" "Não. Mas ninguém deveria estar aqui." Ele olhou para mim, sua mandíbula estava rígida. "Eu quero que você fique aqui, ok?" "Mas..." "Tenho certeza que não é nada, mas eu quero dar uma olhada." Ele soltou a minha mão. "Basta ficar aqui atrás por enquanto, ok?" Eu cruzei os braços sobre minha cintura e assenti. Ele me olhou por um momento, como se ele não tivesse a certeza de que eu acreditava nele, e em seguida se virou. Ele caminhou até o banco e pegou um pedaço de metal longo e fino.


Uma chave de roda não era um bom sinal. Rider começou a descer os carros cobertos, e não havia nenhuma maneira que eu ia ficar aqui. Nada sobre esta situação me fazia sentir bem. Comecei a frente apenas quando uma voz soou da frente da garagem. "Yo! Rider. Você aqui?" “Jesus” murmurou Rider, e depois mais alto, “Jayden, é você?". Houve uma pausa. "Sim. Onde você está?" Rider olhou para mim, e eu corri em direção a ele. "Sua... voz soa estranha," eu disse, e ele concordou, assim quando suas palavras foram colocadas juntas. Ele concordou e, em seguida, estendeu sua mão livre e encontrou a minha. Ele não deixou cair a chave de roda no caminho para frente da garagem. "Onde diabos você esteve, Jayden?" Rider gritou quando me levou em torno de um carro que parecia estar em pedaços. "Hector e sua avó estavam ficando loucos procurando por você. Por que...?" Ofegante, bati minha mão sobre a boca. Na parte da frente da sala, Jayden estava de costas para nós. Ele estava sem camisa. Um hematoma cobria um lado das suas costas, uma mistura horrível de vermelho e azul. Jayden virou. Rider endureceu, deixando cair a minha mão. "Droga." Jayden ergueu o queixo, e ele estava pior. Um olho era de um roxo feio, inchado, quase fechando. Um corte vermelho dividia seu lábio inferior quando deu um passo adiante. "Estou com um monte de problemas, cara."


Capítulo 24

Rider escoltou Jayden para uma sala de descanso que estava na parte de trás da garagem. Era uma sala pequena, brilhante com uma mesa riscada e uma geladeira que cantarolava e ressoou parecendo que era sua última etapa. Tinha gelo guardado no congelador e envolveu-o em um pano limpo que conseguiu encontrar. "Cara, eu sinto muito." Jayden murmurou as palavras quando ele pressionou o gelo em seu olho. "Eu não sabia que você estava aqui. Eu apenas pensei que ficaria sozinho aqui e poderia me limpar." Fazendo uma pausa, ele lentamente virou a cabeça para mim, e eu me forcei a não mostrar uma reação à forma confusa como ele me olhou. Eu liguei sobre os muitos anos de experiência com Rider depois que o Sr. Henry pegou ele. "Sério, bebé. Eu não levaria essa merda para você de propósito." "Eu sei", eu sussurrei. "Mas você fez," Rider disparou de volta, me surpreendendo. "Você trouxe essa merda para mim, e para ela. Isso não é legal, cara." Meu olhar saltou para Rider. O músculo na mandíbula de Rider foi espalmado quando ele abaixou seu telefone. "Hector está a caminho. E se prepare, ele está chateado." Sentei-me ao lado de Jayden, sem saber como ajudar, então apenas me sentei lá e fiquei fora de seu caminho.


"Você não precisava ligar para ele." Jayden retirou o gelo. "Isto não tem nada a ver com ele. No te preocupes.” "Não preciso me preocupar? Você perdeu o juízo, porra? Você já olhou para si mesmo? E coloque o maldito gelo no olho." Rider sacudiu a cabeça. "Isso foi Braden, não foi?" Eu reconheço o nome do cara que eu tinha visto na escola. Jayden não disse nada. "Eu te disse para ficar bem longe dele. Assim como Hector também falou. Você desapareceu por dois dias, fazendo Deus sabe o que para aquele pedaço de merda e agora olhe para você." O menino mais novo abaixou o queixo enquanto colocava o pano de volta no olho. "Eu pensei que eu poderia recuperar o que perdi." Levantei meu olhar para Rider e eu li à pergunta no seu olhar. Eu esperava que ele não respondesse, mas ele fez. "Jayden aqui está sendo extraordinariamente brilhante." "Cara", Jayden murmurou sob sua respiração. "Jayden pensou que ele poderia vender merda para Braden. Em frente às coisas," Rider continuou, e não precisei usar muita lógica para adivinhar o que merda significava. "Só que ele vendeu o lixo e não exatamente devolveu o dinheiro nos valores que deveria." "As pessoas fazem isso o tempo todo", Jayden argumentou. "Você já fez isso!" Você já fez isso. Eu poderia ter parado de respirar. Meu olhar voltou-se para Rider. Eu sabia o que isso significava. Vender o material que lhe foi dado sob a promessa de tudo o que estava sendo vendido e o dinheiro a ser pago de volta. Eu também sabia que eles não estavam falando de óculos de sol. Eles estavam falando de drogas.


Náusea me consumiu. Seus

olhos

permaneceram

em

Jayden.

"Eu

costumava...

Trabalhar com Jayden. Então decidi esfregar as duas células cerebrais juntas e percebi que não queria acabar morto em um maldito beco só para fazer uma centena de dólares." Rider usava drogas. Costumava. Eu não tinha certeza se eu deveria sentir alívio ou não enquanto olhava para eles. Tudo o que eu podia sentir era horror crescente. "Eu não vou acabar morto." "Eu não vou acabar morto." Rider parecia que queria acrescentar mais algumas contusões em Jayden. "Sério? O que aconteceu com seu primo? Da última vez que verifiquei, ele tinha torcido o pulso." "Cara", Jayden disse novamente, deixando cair o queixo. Rider cruzou os braços. "Por que você está fazendo isso? Hector diz que você pode conseguir um trabalho..." “No McDonalds? Fazendo um salário mínimo apenas para cheirar como gordura de ontem?". Jayden estremeceu quando balançou a cabeça. "Você sabe que eu ajudo a nossa abuelita com esse dinheiro, para que ela não tenha que trabalhar tantas horas, maldição." Ele levantou o saco de gelo. "Ela não pode se manter. Você sabe disso, e que o Estado vai parar de pagar por você.” "Eu sei disso, Jayden." "Eu não quero que ela tenha que continuar a tomar conta de crianças apenas para pagar a conta de luz. Nem todos eles têm sido como você", disse ele. Rider fechou os olhos. "E eu sei disso também, mas caramba, você... vai se matar." A torção aumentou à medida que minha respiração ficou presa. Uma rajada de ar frio varreu a minha espinha quando ouvi isso. Isso...


isso era sério. Era uma coisa muito mais grave do que qualquer coisa acontecendo na minha vida. "Não, cara. Você está forçando" Jayden respondeu quando ele começou a abaixar o gelo novamente, mas um olhar em Rider o deteve. "Eu tenho cuidado." Rider bufou. "Tô vendo." Jayden desviou o olhar, com foco na geladeira. Um momento passou e depois Rider falou novamente, a voz baixa. "Você é como um irmão para mim, Jayden. Você e Hector têm estado lá para mim. Abriu sua casa para mim. Eu não quero ver isso acontecendo com você." "Nada aconteceu", ele murmurou. Rider continuou. "Você acha que sua avó precisa vê-lo assim? O que você acha que ela vai pensar? Você acha que ela quer dinheiro com você sangrando por isso?" As coisas começaram a se encaixar enquanto eu os ouvia, e eu não gostava das peças que a minha mente estava colocando junto. Eu pensei sobre o dia que Rider e Hector tinham seguido os caras mais velhos para fora do estacionamento da escola. A noite ele apareceu com a testa com um corte. As conversas sussurradas entre ele e Hector. Rider estava envolvido em qualquer coisa que Jayden estava metido. "Eu estou bem", Jayden disse com a voz dura. "Nada vai acontecer comigo. Estou bem."

***

Quando Hector apareceu, por um momento eu pensei que Braden não seria mais o problema imediato para Jayden. Hector parecia que queria matar Jayden. Ele gritou com o irmão, alternando entre Porto Riquenho e Português a um ritmo veloz. Hector não olhou


na minha direção, nem uma vez, e eu estava bem com isso, e quando ele puxou seu irmão mais novo para fora da garagem, deixando Rider e eu sozinho mais uma vez. Rider fechou a porta atrás deles, e por um momento, ele não se virou. Seus ombros se levantaram com uma respiração profunda e, em seguida, ele lentamente me encarou. "Desculpe-me por isso." "Isso... não é sua culpa," eu disse a ele. Mandíbula apertada, ele baixou o queixo. "Sim, mas isso..." "Isso o quê?" Eu perguntei quando ele não terminou. Ele levantou a mão e esfregou-a ao longo de sua mandíbula. "Este tipo de coisa não precisa chegar até você. Você não deve se envolver com nada disso." "Não é como... se você soubesse que isso ia acontecer", eu fundamentei. Parte de mim queria se aproximar dele, tocá-lo, mas me segurei. "Eu espero... que Jayden fique bem." Ele não respondeu imediatamente. "Ele ficará se tomar juízo e parar de fazer merda." “Como que isso é ruim?” Houve outra pausa. "É ruim. É sempre ruim, Mouse. Ele está envolvido com algumas pessoas seriamente más, e uma vez que você cai na toca do coelho, não é fácil de sair." Cruzei os braços sobre o peito. "E você... Fez o que ele está fazendo?" Ele ficou tenso quando levantou a cabeça. "Eu não quero que você saiba disso." Pressão apertou no meu peito. "Eu sei agora," eu disse calmamente. "Eu fui idiota. Tão estúpido. Parecia fácil, sabe? Fazer algumas vendas. Conseguir algum dinheiro." Rider encostou-se à porta fechada e


fechou os olhos. De repente, uma vulnerabilidade infiltrou em sua expressão, e ele pareceu com se tivesse realmente a sua idade, em vez de alguém que tinha vivido o triplo. "Eu não estive tão profundo, não como Jayden. Eu saí." Eu senti que precisava me sentar. "Como... você saiu?" "O primo deles acabou morrendo, baleado na parte de trás da cabeça", ele disse, sem rodeios, e eu vacilei. "Quando isso aconteceu, eu estava saindo. E eu tive sorte. Eu sou sortudo. Eles não se misturam com qualquer outra pessoa ou se importava se eu estava fazendo ou não fazendo. Isso é tudo." "E com... Hector?" "Ele é realmente mais esperto. Ele nunca ficou envolvido em nada disso. É por isso que ele trabalha. Guarda cada centavo também, droga. Ele quer ir para a faculdade técnica. Conseguir um emprego que não seja virando hambúrgueres. Jayden é apenas uma criança", acrescentou como se ele fosse mais velho em relação a eles. "Parece que ele quer ajudar a Sra. Luna". "Ele quer, e isso é o que torna pior. Não me interprete mal. Ele pega uma parte do dinheiro e gasta com ele mesmo. É assim que ele entrou em problemas neste momento, mas ele compra mantimentos e guarda dinheiro na bolsa da senhora Luna". Rider suspirou novamente. "Todos nós fazemos." Naquele momento, eu sabia que não poderia julgar o que ele costumava fazer. Rider... Jayden... Tantas outras pessoas eram um produto do seu ambiente. Alguns saem. Outros não. Rider estava certo. Foi muita sorte. Às vezes era a determinação. Mas a maioria parte foi sorte, e eu era a mais sortuda deles todos. Forçando-me para ele, desdobrei meus braços. "Você está envolvido... nisso, no entanto." Quando ele abriu a boca, eu continuei. "O dia que você e Hector deixaram a escola depois doque Jayden fez. Você... apareceu com um corte na cabeça. Por quê?"


Rider empurrou para fora da porta e levantou a mão. Ele afastou o cabelo do meu rosto, colocando os fios atrás da minha orelha. "Jayden teve um problema." Eu esperei. Seus dedos viajaram para o lado do meu rosto, sobre a minha mandíbula. Ele curvou sua mão ao redor da minha nuca. "Ele estava indo se encontrar com Braden. Paramos ele." Seus lábios tremeram. "Os caras de Braden não apreciaram a nossa interrupção." Meu coração tombou pesadamente. "Quem é Braden?" "Ninguém que você tenha que se preocupar", ele respondeu imediatamente, e eu o imobilizei com um olhar. "Sério. Não há nenhuma razão para que você se depare com ele." "Mas você irá?" Ele levantou uma sobrancelha. "Não se eu puder evitar. Espero que Jayden aprenda com o que aconteceu esta noite." "E se não for?" Meu estômago continuou revirando. "Eu quero saber quem ele é." Por um momento eu não achei que ele fosse responder e, em seguida, ele suspirou. "Braden está na escola com a gente. Ele faz merda para Jerome, que é mais velho. Quando Jayden não tiver o dinheiro, Braden e sua tropa tem que responder a Jerome porque Braden foi quem trouxe Jayden. Claro, eles ficaram chateados com Jayden, e quando eles ficam chateados, eles não querem conversar." Eles estavam prestes a lutar. "E você e Hector tomaram o lugar de Jayden ou algo assim? É por isso que você se machucou?" "Não. Nós o persuadimos a dar a Jayden mais tempo", explicou. "Demorou um pouco para persuadi-los e a persuasão não estava ajudando."


Oh Deus. Eu não podia sequer imaginar o que era, e como estar nessa situação. "Você vai envolver-se... de novo? Essas pessoas parecem

assustadoras.

Eu

não..."

Eu

respirei

fundo

e

disse

possivelmente a coisa mais egoísta que nunca. "Eu não quero que você se envolva em nada disso." "Porque você se importa comigo?" "Claro." Apertei os olhos. "Eu não quero me preocupar com você se machucando." Ele entrou em cena e a outra mão resolvida logo acima do meu quadril. "Porque você quer ficar comigo?" "Sim." Essa palavra era fácil de falar. Rider sorriu então, e a covinha direita apareceu. "Você quer ser minha namorada." Abri a boca e então eu ri. Soou estranho após a gravidade da nossa conversa, mas a declaração era doce e tola. Suas bochechas coraram. "Não sei como me sinto sobre esse riso", ele brincou. "Mas eu amo o som dele." Minha respiração ficou presa na palavra. Amor. Oh, Deus, era o que estava acontecendo aqui? "Então, você quer? Quer ser minha namorada?" ele perguntou, e depois riu. "Provavelmente eu deveria ter trazido isso antes que eu te beijasse, mas eu quero... eu quero ver aonde isto vai, Mallory. Sinto que tenho uma segunda chance, sabe? Eu estive pensando que desde que eu sentei na sala e te vi lá. Nós temos uma segunda chance. E quem nega uma segunda chance?" Eu procurei o olhar, sentindo um aperto no meu peito. Eu tinha pensado a mesma coisa antes, sobre segundas chances. "Eu não quero perder essa." "Eu também não." Lentamente, eu coloquei minha mão em seu peito novamente. Carl e Rosa não ficariam felizes com isso. Nem Paige.


E talvez isso tudo seja um pouco louco, mas eu queria, quero isso. "Sim." O sorriso apareceu em seu rosto e ele começou a falar, mas pareceu mudar de ideia. Sem dizer uma palavra, ele abaixou a cabeça e me beijou, minha terceira vez beijando e senti que era tão certo e perfeito e completo como no primeiro e segundo. E quando ele ergueu a boca da minha, ele me puxou para o seu peito, envolvendo os braços em mim, e eu fui, segurando-o tão forte como ele estava me segurando. Eu pressionei meu rosto no seu coração, e empurrei tudo sobre Jayden de lado por um momento. Eu me concentrei em Rider e eu, e o que estava acontecendo aqui e o que isso significava. Porque isso... Isso era um começo.


Capítulo 25

Ainsley agarrou a tigela de pipoca no peito enquanto olhava para mim no pé da minha cama. Somente os grãos foram deixados, mas Ainsley gostava de comê-las. Eu não tinha ideia de como ela não quebrava os dentes roendo essas coisas. Era noite de domingo, menos de vinte e quatro horas após Rider me beijar, após Jayden aparecer e após Rider e eu irmos de amigos para definitivamente não apenas amigos. Namorado. Namorada. Mesmo que eu tivesse estado presente nisso tudo, não tinha ideia de como tudo aconteceu. Um meio guincho como um som de hiena se construiu na minha garganta e eu resisti à vontade de enterrar meu rosto no travesseiro que estava no meu colo. "Dê marcha ré", disse Ainsley, os olhos azuis brilhando. "Você me disse muito. Tudo. Mas eu tenho que voltar para algumas partes. Ele desenhou um coração entre o nome de vocês?" Eu balancei a cabeça. "Isso é real? Oh meu Deus, Mal. Isso é tão brega, mas tão bonito, isso me embriaga e me faz querer desmaiar." Isso me fez querer desmaiar, também. "Eu disse que parecia que ele realmente gostava de você. E ele nem sequer fez o que outros caras fazem, como fingir que não estão


afim de você. Ele só colocou tudo para fora," ela continuou quando tirou uma semente de pipoca e enfiou na boca. "É como um conto de fadas." Minhas sobrancelhas subiram. "Isto é!" ela insistiu, fazendo uma pausa para acabar de mastigar. "Vocês cresceram juntos, e ele era como seu cavaleiro branco. Então vocês foram separados e depois trazidos de volta juntos. Ele nem parece real." "Não." Puxei o travesseiro ao meu peito. "Eu quase não sei... o que pensar sobre isso." "Só acho que é incrível. Porque é." Ela colocou o cabelo para trás da orelha. "Isso é tudo que você tem que pensar." Um pouco da realidade penetrou dentro. "Mas Paige..." "Eles terminaram, aparentemente, há uma semana, então não é como se você os separou." Ela fez uma pausa, franzindo o nariz. "Na verdade, você meio que os separou, mas não de propósito. Eu duvido que esta menina Paige vá vê-lo dessa maneira, mas que seja. Não é problema seu." Eu temia o momento em que Paige percebesse que Rider e eu, bem, estamos juntos. "Eu disse a Rosa esta manhã que Rider e eu... que estávamos vendo um ao outro. Toda a coisa namorado-namorada." Eu corei. "Eu não acho que ela estava chateada ou realmente feliz com isso. Carl não disse nada, mas..." "Mas ele provavelmente vai e provavelmente será super estranho. Você apenas tem que dar-lhes tempo" ela respondeu sabiamente. "É a sua primeira relação real." "Eu só... Eu não sei. Ele só age como se o ele... não existisse", eu disse. Ainsley me estudou por um momento. "Não se estresse sobre Carl e Rosa." "Eu estou..."


"E não diga que você não vai insistir sobre isso. Você insiste sobre tudo." Ela sorriu quando fecho minha boca. "Às vezes você está tão preso em sua própria cabeça que você não... Bem, você não está realmente vivendo." Minhas sobrancelhas subiram. Ela olhou para a tigela de pipoca. "Por favor, não leve isso para o lado errado. É só que eu acho que às vezes você perde o que está acontecendo em torno de você, porque você está preocupada com o que os outros estão pensando sobre você e suas escolhas." Eu quis argumentar contra isso, mas eu não podia. "Você está certa." Ela estava muito certa, porque eu sempre me preocupava com o que Carl e Rosa pensavam, até mesmo Ainsley, e depois Rider e Keira, Jo, o Sr. Santos... A lista ia longe. "Eu sei", ela cantarolou, e então ela ficou séria. "É realmente triste sobre a coisa do Jayden." Típico da Ainsley, movendo-se de um tópico para o próximo. Eu brincava com a barra da minha calça. "Ele estava tão... machucado." "Não parece que Rider está fortemente envolvido em tudo o que está acontecendo." Ela colocou a tigela de lado, ao lado da sua mochila. Ela veio mais cedo, com o pretexto de estudar comigo. Nós ainda não tínhamos aberto um livro. "Ainda assim, é triste e assustador." Eu não tinha certeza se eu concordava sobre Rider não estar envolvido. Sim, não tinha nada a ver comigo, mas Rider tinha sido envolvido e eu duvidava que ele fosse ficar de fora se as coisas continuassem a ir mal para Jayden. Isso só não era da natureza dele. Ele tinha um complexo de herói suicida. Meu estômago revirou. E eu também gostava muito de Jayden. Ele sempre foi gentil comigo, mesmo quando ele realmente não tinha ideia de quem eu era.


Eu não tinha certeza de como eu poderia ajudá-lo ou se isso estava mesmo ao meu alcance. "Então me diga sobre Hector. Quero saber tudo sobre ele." Inclinei a cabeça para o lado. "Pensei que você não gostava dele?" "Eu não tenho que gostar dele para saber tudo mesmo á distância." Ainsley sorriu. Eu sorri. "Eu não sei muito sobre ele. Ele... trabalha meio período no McDonald, e ele é... agradável." "Agradável?" Ela riu quando jogou o cabelo para trás. "Você deveria ter ouvido o que ele estava dizendo sobre mim, na minha frente. Ele é um idiota — um pervertido idiota, com a mente suja." Olhei para ela. "Mas ele é quente", acrescentou com um sorriso malicioso. "Isso é." Balancei a cabeça em concordância. "Como está com Todd?" Seus olhos rolaram. "Chato. Esnobe. Eu não quero falar sobre ele, porque não é algo que precisamos falar." Ainsley olhou para a porta do quarto fechado. Carl e Rosa estavam em algum lugar lá embaixo. "Você está namorando Rider agora, certo? Vocês estão namorando, e vocês já falaram sobre ir ao baile juntos? É a sua primeira dança!" Eu estremeci. "Nós... nem sequer falamos sobre isso." "Você pode falar sobre isso agora." "Eu não sei", respondi. Ela levantou uma sobrancelha. "Você deveria, pelo menos, perguntar se ele quer ir. É uma coisa normal a fazer", disse ela, baixando a voz. Eu balancei a cabeça, gosto do som disso. "Eu quero ser normal."


Ela abriu a boca e depois amassou o nariz. "Ok. Pausa. Normal é subjetivo, e você é normal, Mal". Enruguei meu nariz. "O quê? Você não fala muito e às vezes você, ocasionalmente, surta. Como isso faz você anormal? Há toneladas de pessoas lá fora que agem assim." Ela jogou as mãos para cima. "Então, o que, você veio de um orfanato... Um lar adotivo de baixa qualidade, e mais de uma vez, infelizmente, que também não é incomum. O que não faz de você uma pessoa estranha." Eu comecei a explicar que eu era estranha, mas me contive. Ainsley tinha um ponto. Eu não tive uma infância comum e eu não falo muito, mas isso não me faz ser o tipo estranho, uma criatura desconhecida. Ainsley sabia muito sobre a minha infância. Ela sabia que tinha sido difícil para mim e Rider, e que eu tinha sido queimada, mas havia coisas que eu não tinha contado a ela. Coisas que eu só tinha falado com Dr. Taft. Coisas que Carl e Rosa sabiam, porque tinham visto os relatórios policiais e o arquivo do meu caso. Meu olhar girou ao redor da sala, estabelecendo-se na escultura de coruja feita no sabão, antes costeando sobre a minha mesa pura e o assento da janela densamente almofadado. Este quarto era muito diferente do que os naquela casa. Limpo, iluminado e arejado. Acolhedor. A parte de trás da minha garganta secou quando olhei para Ainsley. Eu queria dizer-lhe as coisas que eu nunca falei, mas a necessidade floresceu, queimando através do meu estômago e peito. Eu forcei minha língua para se descolar do céu da minha boca. "Eu tenho... um problema com barulho e sobre falar." Calor inundou meu rosto enquanto eu abaixei meu olhar para o travesseiro que eu segurava. Era difícil explicar por que uma dança pode ser demais. "Eu tinha que ficar quieta, porque o Sr. Henry não gostava... de barulho. Ele


não gostava de um monte de coisas, mas ficar quieto me mantinha fora... de problemas na maior parte do tempo." Ainsley permaneceu em silêncio. Respirando fundo, eu continuei. "Rider sempre... me dizia para ‘não fazer nenhum som’ então... eu não podia ser encontrada quando o Sr. Henry estava bêbado ou quando eu... fazia algo errado. Às vezes, ele ficava bravo se eu comesse biscoitos ou... subia as escadas muito rápido, ele nunca gostou que eu falasse e eu... eu acho... Eu sei que é por isso que eu não gosto de falar e eu não faço barulho. O terapeuta que eu vi costumava dizer que isso era síndrome de estresse póstraumático... e condicionamento". O calor diminuiu enquanto eu continuava. "De qualquer maneira, a noite... que eu me queimei, algo mais aconteceu." Ela não sabia como eu tinha me queimada, então eu disse a ela. Foi difícil e doloroso falar. O quarto ficou tão quieto, mesmo com a TV ao fundo, eu podia ouvir um espirro. Eu disse a ela sobre Velvet e o quanto eu guardava a boneca Rider tinha comprado para mim, não importava quantos anos eu tinha. Expliquei como algumas semanas antes, o Sr. Henry tinha ficado louco sobre algo insignificante e tinha tomado a boneca, e a escondeu, na verdade, apenas para me insultar. Eu disse a ela como o Sr. Henry tinha colocado Rider do lado de fora depois que ele perguntou se estávamos tendo jantar naquela noite. "Ele... jogou a boneca na lareira", expliquei, alisando as mãos sobre o travesseiro. "Eu não pensei. Eu coloquei a mão... e tentei agarrá-la. Foi assim que queimei... os braços." "Oh meu Deus", ela sussurrou. "Eu sei que soa estúpido, mas Velvet foi a... única coisa que er minha. Ela nunca pertenceu a ninguém, além... de mim. Eu só entrei em pânico." Eu balancei minha cabeça. "Mas antes disso, eu... tentei fazer com que a senhorita Becky acordasse. Ela sempre gostou... de Rider. Eu pensei que ela faria... algo."


"Ela não fez?" Sua voz era tranquila. Engoli o ardor súbito na minha garganta. "Eu fui... para o quarto, embora eu não devesse ir. Senhorita Becky bebia muito. Quando eu era jovem, eu pensei que ela estava doente. Eu... fui para o quarto e ela estava deitada na cama..." Minha respiração ficou presa quando a imagem do quarto se formou. Garrafas vazias, chão sujo. Senhorita Becky na cama, seu peito magro imóvel e sua pele, uma cor de cera estranho. "Eu pensei... que ela estava dormindo. Ela dormia muito. Eu chamei o nome dela e quando ela não acordou, eu fui para a cama e tentei sacudi-la." Encolhendo-me com a memória, eu mal ouvi o inalar suave de Ainsley. "Ela não estava dormindo. Ela... estava morta há algum tempo. Mais tarde, ouvi que teve uma overdose. Comprimidos e álcool. Sr. Henry nem sabia. Eu acho que ela morreu quando ele estava fora... era tão comum, ele... ele nem sequer viu como ela estava." "Oh meu Deus", repetiu Ainsley. "Eu tenho sonhado sobre aquela noite, sobre tocá-la. Eu não sei por quê. Por um tempo não tenho pensado nela, mas... mexeu comigo." "Isso iria mexer com qualquer um, Mal. Deus, eu estaria traumatizada se eu visse uma pessoa morta de longe, muito menos de perto e alguém próximo." Ela colocou fios loiros longos atrás das orelhas. "O que aconteceu depois que você se queimou?" "Eu... Eu estava gritando. Eu acho. Eu não... me lembro exatamente. Eu apenas lembrei de alguns pedaços, pelo que ouvi mais tarde, mas Rider ouviu meus gritos e ele... foi até os vizinhos. Demorou algum tempo... antes que alguém abrisse a porta. Eles chamaram a polícia". Obriguei-me a continuar. "Quando a polícia apareceu, o Sr. Henry abriu a porta como se... nada estivesse errado. Tão louco quanto isso seja. O Sr. Henry acabou na prisão pelo que ele fez para Rider e eu. Eu... eu duvido que ele ainda esteja na cadeia. Eu não penso sobre


isso", eu disse, e essa parte era verdade. "Eu não sei porque, mas eu... eu não sei." Levantei meu olhar bem a tempo de ver Ainsley se mover para frente. Ela colocou os braços em volta de mim, quase me sufocando. Eu congelei, não preparada para isso. Eu não abraçava muito. Na maior parte do tempo, eu não gostava de ser tocada, mas consegui rapidamente, porque o abraço era quente e bom. Diferente de Carl e Rosa. Diferente de Rider, mas tão bom. Envolvendo meus braços em torno dela, eu a abracei de volta. Eu nem sequer sei por que eu disse a ela, mas eu estava feliz que falei. Uma corrente estranha de lágrimas se formou nos meus olhos. Não tristes. Mais como alívio. Contando a Ainsley senti como se tivesse acabado de tirar uma camada de roupas volumosas. Ainsley puxou para trás, com os olhos brilhando. "Obrigado por compartilhar isso comigo." Eu não sabia o que dizer, mas pela primeira vez eu não me importava. Agora não havia nada a ser dito e estava tudo bem comigo.

***

Meu coração estava disparado na segunda de manhã, que eu me perguntei se ele iria sair do meu peito e fazer círculos em torno de mim. Hoje parecia como cada segunda-feira que veio antes, mas seria diferente. Era o primeiro dia na escola desde Rider e eu tínhamos estado juntos e eu não sabia o que esperar. Eu duvidava que as coisas fossem mudar significativamente. Não era como se eu estivesse usando um crachá que dizia "a namorada de Rider Stark", mas ir para o meu armário na manhã parecia diferente, e não foi porque Jayden não estava lá.


Eu me preocupava com ele durante o almoço. Ele estava tão machucado e sangrando, mas eu sabia por experiência anterior que, por vezes, ossos podem ser difíceis de quebrar como se estivessem atado com titânio. Outras vezes, os ossos eram como galhos secos, fácil de encaixar. Será que Jayden já quebrou ossos? Seu nariz não estava muito bom. Eu escolhi a minha salada no almoço. E eu nem sequer como saladas, mas eu não tinha certeza qual era a outra opção. No final do almoço, Keira ficou ao meu lado, enquanto Jo e Anna andaram na frente. "Certo." Ela falou. "Há uma festa na casa de Peter esta semana. Vai ser muito divertido. É uma coisa anual que acontece no fim de semana antes do jogo do regresso a casa. Eu só queria ter certeza de que você sabia que você está convidada, e eu espero que você vá." Meu passo era hesitante quando arrastei meu pé direito. Anna olhou por cima do ombro. "É claro que ela vai. Certo, Mallory?" Balancei a cabeça, quase com medo de que se falasse, eu iria estragar o momento, e foi um grande momento, porque eu fui convidada para uma festa. Uma festa real. "Legal." Keira me cutucou com o quadril. "Você pode trazer quem você quiser. Não há realmente nenhum limite." Acenei com a cabeça. Normalmente isso de ser convidada teria me forçado a falar, mas meu estômago tinha começado a fazer piruetas por uma razão totalmente diferente, e a vertigem continuou na aula de cálculo. Eu não tinha ideia do que estava sendo dado nessa classe e quando a campainha tocou, eu mordi meu lábio para me impedir de sorrir como uma perturbada. Empurrando meu livro na mochila, eu saí da minha classe e não havia como parar o meu sorriso. Rider estava esperando por mim.


Ele desencostou dos armários em frente à sala de aula, desfraldando seu longo corpo. Partindo o mar de estudantes, ele empurrou o caderno surrado sob o braço esquerdo e rondou até mim. Parei, com o sorriso alargando quando levantei meu queixo e olhei para ele. Seu cabelo estava ondulado, como se ele tivesse empurrado os dedos por ele uma dúzia de vezes e jogou sobre a testa de uma forma descuidada. "Ei," eu disse, falando pela primeira vez. A covinha na bochecha direita apareceu, e ele deixou cair o braço sobre os meus ombros quando ele abaixou a cabeça. Nós estávamos cercados por pessoas, mas nesse momento, quando ele abaixou a boca até meu rosto e me beijou, era como se estivéssemos em nossa própria ilha. Havia algo doce e familiar sobre esse sentimento. Ele apertou meus ombros. "Ei." Meu sorriso se espalhou. "Pronta?" ele murmurou. Eu estava tão pronta. Soltando o braço dos meus ombros, ele a abaixou e dobrou sua mão ao redor da minha. Não era a primeira vez que ele segurou minha mão, mas havia uma intimidade ali que não estava presente antes. Um arrepio fez enrolou seu caminho pela minha espinha, seu polegar se moveu ao longo da minha palma enquanto nós caminhamos para a aula. Ele não tinha feito isso antes. Rider soltou a minha mão quando entramos na sala de oratória, eu entrei na frente dele, caminhando em direção ao meu assento. Deixei minha mochila no chão e comecei a me sentar quando Rider desceu, beijando minha bochecha mais uma vez. Eu corei quando olhei para ele. Ele sorriu enquanto se sentava. "Não pude evitar. Seu rosto parecia que estava faltando o meu beijo."


Um largo sorriso correu pelo meu rosto enquanto eu tomava o meu lugar. Eu queria dizer obrigada, mas dizer obrigada parecia estranho. Eu queria dizer alguma coisa, mas eu não conseguia entender nenhuma das palavras que vibraram na minha mente. O sorriso de Rider cresceu até que a covinha apareceu. E eu percebi que a minha falta de palavras estava... Estava tudo bem. Neste momento, estava tudo bem. Mais que isso. O sinal de alerta soou, arrastando o meu olhar para frente da sala assim que Paige entrou. Meu sorriso desapareceu lentamente. Suas longas pernas a levaram para o fundo da classe. "Ei," ela disse para Rider. Rider balançou a cabeça em sua direção. "Olá." Ela não disse nada para mim, o que era normal, e quando a classe começou, eu me perguntei se ela sabia que Rider e eu estávamos juntos. Meu estômago se moveu. Mesmo que eu não fosse uma fã da Paige, eu me senti mal por... por ela, porque eu acreditava que ela realmente gostava dele e que isso tinha que doer. Pessoas terminam o tempo todo, mas isso não se torna mais fácil. Eu não sabia o que fazer com esses sentimentos. O Sr. Santos anunciou que nosso próximo discurso seria um persuasivo. Esperei por alguém salientasse que não tinha dado o meu discurso ainda. Ou ninguém percebeu que eu não tinha feito, ou eles não se importavam. Eu esperava que fosse ficar desse jeito. Quando a aula terminou, rapidamente reuni as minhas coisas quando Hector levantou e nos enfrentou. Ele começou a falar quando Keira caminhou até nós, mas Paige o venceu. "Podemos conversar?" Eu não tive que olhar para saber que a pergunta era dirigida a Rider. Pressionando meus lábios, me concentrei em fechar a minha bolsa enquanto meu coração batia forte no peito. Rider iria falar com ela? Isso estaria bem? Isso seria bem?


"E aí?" Rider respondeu depois de um momento, e eu olhei para cima. Ele estava de pé ao lado da minha mesa. Paige aproximou-se quando Hector virou, mas eu avistei o olhar arregalado que ele atirou na direção de Keira. Ela parou, parecendo saber que era melhor não ir mais longe. "Eu estava pensando que poderíamos falar em algum lugar um pouco mais privado. Que tal mais tarde, esta noite?" Paige perguntou. "Eu tenho que trabalhar," Rider respondeu, e eu estava de pé, balançando minha mochila sobre meu ombro. Paige passou a língua ao longo do interior da boca. "E depois?" Rider desviou os olhos, esfregando uma mão sobre o centro do seu peito. "Paige..." "O quê? Você não pode falar comigo agora? Eu pensei que nós ainda éramos amigos?" Ela cruzou os braços sobre o peito. "Amigos conversam." Ele abriu a boca e depois fechou. Um momento se passou. "Somos amigos, Paige. Você sabe disso." "Ei," Hector falou, dando um passo em direção a ela. "Caminhe comigo?" Ela bufou. "Uh. Não." "Eu acho que você deveria", Hector insistiu. "Porque você realmente não quer fazer isso agora." "Fazer o que?" ela atirou de volta. "Eu só quero falar com Rider". "Está bem." As duas palavras saíram de mim, e todos eles olharam na minha direção. Engoli em seco. "Quero dizer, está... tudo bem, se vocês dois precisam conversar. Eu estou indo para... para o carro." "Não faça isso." Rider estendeu a mão, pegando a minha. Seus dedos enfiaram através dos meus.


O olhar de Paige estava afiado em mim e, em seguida, caiu para nossas mãos unidas. Seus lábios rosa brilhante se separaram quando a compreensão atravessou seu rosto. Seu queixo se ergueu e as sobrancelhas subiram. "É sério?" Sua pergunta foi dirigida a Rider. "Você... você terminou comigo para ficar com ela?" Oh Deus. Keira franziu os lábios e começou a recuar. Hector fechou os olhos. "Eu nunca disse que não", disse Rider tão baixinho que eu quase não ouvi. Ele apertou minha mão. Paige descruzou os braços, e eu fiquei tensa, porque por um segundo eu pensei que ela poderia se deparar com aquela mesa e estrangular um ou nós dois, mas, em seguida, seus lábios se curvaram em um sorriso e ela soltou uma risada áspera. "Sim. Tanto faz. Como se eu não tivesse visto isso acontecer no momento em que apareceu." Eu queria me esconder, mas isso faria de mim uma covarde, o pior tipo de covarde, então eu me forcei a ficar lá. "Eu não sei o que dizer," Rider disse, e sua mão apertou em torno da minha novamente. "Eu realmente não sei." "Isso é bom, porque eu sei." Paige levantou o queixo mais uma vez. "Não venha rastejando de volta para mim quando ela deixar você. Porque isso vai acontecer." Meus olhos se estreitaram e as palavras saíram de mim. "Isso não vai acontecer." Paige olhou para mim e riu novamente. "Tanto faz. Você e eu sabemos como isso vai acabar." Ela mexeu os dedos enquanto ela girou. "Tá tranquilo." Estando lá, vi Paige sair da classe, enquanto Hector olhou para nós. "Merda", disse ele. "Isso foi um pouco estranho de testemunhar." "Verdade," Keira murmurou.


"Tente estar no meu lugar," Rider disse, suspirando. Ele me puxou para o seu lado. "Você está bem?" "Sim." Pisquei. "Por que... que eu não estaria?" Rider levantou um ombro em resposta. Comecei a perguntar se ele estava bem, mas as palavras de Paige tinham deixado um frio no meu peito, porque ela falou com tanta certeza. Como se ela soubesse que Rider e eu não iríamos durar. Nós não seríamos para sempre.


Capítulo 26

"Oi, bebé." As palavras vieram atrás de mim enquanto eu vasculhava meu armário na terça de manhã. Reconhecendo a voz, olhei por cima do ombro. Jayden estava ali, o rosto machucado sob o olho inchado e ao longo de sua bochecha. Enfiei meu livro de história na minha mochila, apertando-a no lado do meu caderno. "Como você está se sentindo?" "Como um milhão de dólares." Ele riu da minha expressão de dúvida. "Ok. Estou me sentindo como um quarto e talvez um níquel." Meus lábios enrolaram quando eu fechei a porta do armário. "Eu queria dizer mais uma vez que eu sinto muito por sábado." O olhar injetado de Jayden se afastou de mim, para um andar arrastado. "Eu não sabia que você estaria com Rider". "Está tudo bem." Afastei-me do meu armário. "Você está bem?" "Sim, sim." Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans. "Então, você e Rider são algo agora, hein?" Mordendo o lábio inferior, eu assenti. Rider tinha trabalhado ontem à noite na garagem, terminando o trabalho no carro que tinha me mostrado. "Nós vamos... sair hoje depois da escola." "Isso é muito bom." Ele sorriu, levantando o rosto inchado, e parecia doloroso. "Rider é um cara bom." Descemos lado a lado do salão. "Ele se preocupa com você."


"Ele sempre se preocupa." Ele fez uma pausa. "Eu... uh, eu olhei para eles, você sabe? Hector e Rider. Eles não acham que eu me importo, mas eu não os ouvi. E eu estou ouvindo. Novos planos agora." Quando chegamos às portas, ele olhou para cima. Seu olhar era distante. Fora. "Eu tenho que ir para o corredor. Apenas quis passar aqui antes. Te vejo mais tarde cariño.” Jayden estava fora, desviando das crianças mais altas antes que eu tivesse a chance de dizer outra palavra. Fiquei olhando para ele por um momento e depois deslizei através da porta aberta, esperando que Jayden não estivesse apenas ouvindo Hector e Rider, mas que ele os estivesse interrogando.

***

"Chaves?" Rider perguntou quando nós caminhamos para o meu carro depois da escola. Curiosa, eu procurei na mochila e as entreguei. Joguei minha mochila no banco de trás, e Rider deixou cair seu caderno ao lado dela. "Onde estamos indo?" "É uma surpresa." Ele abriu a porta do motorista. Um sorriso, provavelmente mudo e tonto apareceu enquanto eu caminhava para o outro lado. O relacionamento e a coisa toda eram novos e eu realmente não tinha ideia do que esperar, mas eu sabia o suficiente para perceber que as surpresas eram boas. Uma vez lá dentro, Rider virou a chave na ignição e olhou para mim. Seu cabelo escovando as sobrancelhas quando ele sorriu. "Que horas você pode chegar em casa esta noite?" "Oito", eu disse, uma vez que ambos estavam no hospital esta noite. "Perfeito", ele disse, se retirando. Ele acariciou seus dedos ao longo do volante quando saímos do estacionamento. "Eu tenho


economizado dinheiro para um carro. Eu gosto deste. Provavelmente está fora da minha faixa de preço, no entanto." Esticando minhas pernas, eu olhei para ele e por um momento fui golpeada, boba pelo fato de que nós estávamos aqui e isso estava acontecendo. Então me concentrei. "O que... você está olhando para começar?" Um ombro subiu quando saiu do estacionamento. "Não tenho certeza. Estou pensando em uma caminhonete. Não é um grande problema, mas chamam atenção e estou descartando a ideia, e as mais velhas definitivamente cabem em meu orçamento." Eu pensei sobre isso por um momento. "Eu gosto disso." "O quê? Caminhonete?" "Sim, mas eu gosto que você esteja planejando o futuro", expliquei, olhando para ele. Uma sobrancelha levantou-se e, em seguida, ele riu. "Eu não tenho certeza de como fazer isso." Eu sorri suavemente. Era difícil de explicar, mas Rider não vê muito de si mesmo. Literalmente tinha pouca ou nenhuma expectativa, mas ele estava planejando o futuro. A compra de um carro pode não ser um grande negócio, mas era algo. O meu olhar não se desviou dele muitas vezes enquanto ele dirigia e nós conversávamos. Bem, Rider falou na maior parte, e eu escutei. Foi estranho. As coisas eram do jeito que tinha sido na semana passada, mas diferente. Sempre que ele olhou em minha direção, a intensidade de seu olhar, não importava o quão breve, era infinitamente mais. Era pesado e quente. "Keira me convidou... para uma festa neste sábado," eu disse a ele, lembrando-me da conversa de ontem. Com tudo o que aconteceu na aula de oratória com Paige, temporariamente tinha esquecido. "No Peter?"


Balancei a cabeça. "Sim. Você já foi?" Ele balançou a cabeça. "Você está pensando em ir?" "Eu não sei", eu disse honestamente. Eu comentei com a Ainsley noite passada por mensagem, e ela pensou que ir seria uma ideia incrível. Em seguida, convidou-se. "Você iria?" "Se você quiser que eu vá." Ele me deu um sorriso rápido. "As festas dele são muito grandes. Muita gente aparece." Meu estômago revirou. "Eu acho... que poderia ser divertido." "Provavelmente será." Houve uma pausa. "Como Carl e Rosa vão lidar com isso?" Eu quase ri com a ideia. "Eu... não sei. Eu não acho que eles seriam totalmente contra isso. Quero dizer, eles querem que eu... seja um pouco mais social." "Uh-huh" foi tudo que ele disse, e eu não sabia o que isso significava. Mas então ele começou a falar novamente. "Falando de vida social, você já pensou no baile da escola?" "Eu..." A minha língua torceu como um pretzel. Vários segundos se passaram antes que eu pudesse fazê-la se juntar ao meu cérebro. "Não até que eu ver o cartaz na semana passada. Eu não... sei. Parte de mim quer, mas...". Mas era muito e muito tinha mudado. Para alguns, era apenas uma dança, mas era uma dança com pessoas amontoadas e música alta. Eu fiz uma careta. A festa também provavelmente vai ser assim, mas com menos pessoas. Minhas mãos estavam de repente úmidas e limpei na coxa. Havia uma parte de mim que estava animada com a perspectiva de encontrar um vestido bonito e ver Rider vestido, porque isso já seria muito uau, mas a escola era nova, a relação era nova e ir para uma festa era uma coisa. Uma dança?


"Eu só... não sei. Eu nunca fui a um baile. Alguns... bailes de escola têm danças, mas eu nunca fui a nenhum deles." Ele foi paciente enquanto forcei as palavras. "Então sobre isto? Por que não podemos esquecer o baile da escola e planejar um baile de formatura?" Formatura? Caramba, era como sempre a partir de agora, e isso significava Rider foi o planejamento para sempre a partir de agora comigo, não importa o que a dúvida de Paige tenha plantado na minha cabeça. Não havia como parar o sorriso. "Eu... eu posso fazer isso", eu disse. Ele estendeu a mão, encontrei a minha mão e apertou-a. "Bom." Sorrindo como uma maníaca, olhei pela janela e pisquei. Eu reconheci a mesma rua do fim de semana, estreito com a garagem, mas quando ele dirigiu reto, meu coração começou a bater no meu peito. "Você... vai me levar para sua casa?" Seu olhar de soslaio era malicioso. "Bem, não é realmente uma surpresa mais." O bater no meu peito mudou para minha garganta. "Embora, provavelmente não acho que seja uma surpresa. Quero dizer, é apenas a minha... É apenas uma casa. Nada emocionante", acrescentou, lançando seu olhar em frente quando ele chegou a um semáforo. O carro estava parado. "Ninguém está em casa. O Hector está no trabalho e Sra. Luna não vai voltar até por volta das sete ou algo assim. Eu não tenho nenhuma ideia de onde Jayden está, mas ele, provavelmente, está fora, fazendo algo que vai me fazer querer socá-lo mais tarde." Antecipação rodando. Eu ia começar a ver a sua casa, talvez até seu quarto, e, além disso, ser incrivelmente íntimo para mim, eu seria capaz de confirmar se ele tinha uma ótima casa. No fundo, eu sabia que as coisas eram boas, com a avó de Hector e Jayden, mas saber não era


a mesma coisa do que ver. Quando ele deixava a escola, quando ele não estava na minha frente, ele estava em algum lugar seguro. Isso era o tipo de coisa que muitas pessoas nunca tiveram que se preocupar, mas eu me preocupava – nós nos preocupávamos, porque sabemos que ter paredes e um teto sobre sua cabeça não é a mesma coisa que ter segurança. Às vezes era o lugar mais perigoso de todos eles. No bloco onde ele vivia era reservado um lugar para os residentes estacionar, por isso ele

encontrou uma vaga muito

rapidamente, e nem sequer teve que ser paralelo ao parque. Quando sai para o ar fresco da tarde, puxei as mangas do meu suéter para baixo. Logo, eu teria que sair desse casaco. Rider agarrou minha mochila do banco de trás, jogando-a no ombro. "Estamos aqui em baixo." Ele estendeu a mão e envolveu ao redor da minha e meu coração fez uma pequena dança. Descemos a rua com o vento vivo jogando com o meu cabelo, jogando fios no meu rosto. A rua era boa, alinhada com árvores nuas. Não tinha cheiro ruim, como se tivesse na casa de grupo e a casa do Sr. Henry. Era apenas normal. Não uma mistura de urina e esgoto e de escape. Ele me levou a subir os degraus de cimento rachado de um triplex mais velho, estreito. O tijolo vermelho e veneziano verdes era típico do estilo. Havia uma grinalda de outono-temático, laranja queimada e vermelha com abóboras pequenas de plástico na porta. Esperança inchou quando ele tirou as chaves. Isso era bom, muito bom. Grinaldas não equivalem à segurança, mas todas as janelas estavam intactas e alguém, estava adivinhando ser a Sra. Luna que se importou o suficiente para decorar para a temporada. Rider soltou a minha mão e abriu a porta, segurando-a para que eu pudesse entrar. Inalei, e imediatamente senti o cheiro das maçãs e canela. Meu olhar foi lançando em toda parte quando ele fechou a porta atrás de nós.


A casa de fileira de tijolos era muito parecida com a de Carl e Rosa, exceto mais velha e menor. Do outro lado da porta da frente era a escada que levava a um segundo andar. Os dois passos de fundo tinham uma matriz de tênis dobrado contra a parede. Uma velha mesa estava junto à porta, coberta com correspondência fechada. Rider andou em volta de mim. "Quer algo para beber?" Eu balancei a cabeça e o segui através de um arco arredondado e em uma sala de estar. A mesa de café estava coberta de revistas. A TV de tamanho decente tinha um suporte, em frente a um confortável sofá e poltrona reclinável. Fotos emolduradas de Jayden e Hector cobriam cada polegada quadrada da parede atrás do sofá. Havia várias fotos de um homem mais velho que muito me lembrou de Hector. Imaginei que era o Sr. Luna. A próxima sala era uma pequena área de jantar e, em seguida, entramos em uma surpreendentemente grande cozinha que parecia que ainda tinha os mesmos aparelhos que tinha quando foi originalmente construída. Armários eram escuros e a bancada uma superfície cor areia suave. "Eu acho que há um pouco de Coca-Cola aqui. Está bom?" Rider perguntou, olhando por cima do ombro. "Eu acho que o leite pode ter vencido." "Coca está ótimo." Eu o vi abrir a geladeira, e meu Deus, eu poderia ter chorado. A geladeira estava cheia de alimentos em Tupperware com sobras, ovos, casos de refrigerante, embalagens de lanchonete e até mesmo um vegetal ou dois. Olhar poderia ser enganoso. Eu era inteligente o suficiente para perceber isso. Às vezes, o chão limpo e um frigorífico abastecido eram nada mais do que uma fachada. Mas, a esperança estava crescendo.


Rider pegou dois refrigerantes da geladeira. "Vamos lá em cima para o meu quarto está bem?" Suas bochechas rosaram. "Suponho que o sótão seja um lugar assustador." Era doce que ele pediu e até mesmo mais fofo ainda quando ele corou. Eu balancei a cabeça, sentindo meu rosto corar também. "Quarto... está bem." Seus lábios tremeram quando ele me entregou a Coca-Cola. O andar superior era apenas mais bonito como o andar de baixo. Nós caminhamos passando por duas portas fechadas e um banheiro. O quarto de Rider era ao lado do último, e quando ele abriu a porta, acendeu a luz. Apenas uma janela pequena em um quarto surpreendentemente limpo. Como um louco puro. Meus olhos estavam arregalados quando olhei ao redor. A cama de solteiro estreita estava feita ou nunca dormiram aqui. A pequena mesa livre de desordem encostada até uma cômoda. Caminhando ao redor de mim, Rider colocou seu refrigerante na mesa de cabeceira e minha mochila no pé da cama quando me virei em um círculo lento. Nada nas paredes. Não há cartazes ou fotografias. No canto do quarto havia uma estante. Eu percorri até ela, tocando a aba do meu refrigerante. Ajoelhei-me e comecei a verificar os livros. Tinha um conjunto completo de Harry Potter, todos em capa dura, e um monte de suspense de autores que eu reconheci. "São seus?" Rider sentou na cama. "A maioria deles. Os livros de Harry Potter já estavam aqui quando cheguei." O meio sorriso apareceu. "Mas eu li." Sorrindo, voltei-me para os livros. Havia alguns de Stephen King, que eu não tinha lido. Na verdade, eu não tinha lido nenhum de seus livros. Eu não era uma grande fã de horror. Um dos títulos, um


livro fino, chamou minha atenção. Ele era menor, de forma quadrada. Minha mão tremeu quando um reconhecimento ocorreu. Ai meu Deus. Puxei-o para fora e me levantei, colocando a Coca-Cola sobre a mesa quando enfrentei a cama. Ele viu o que eu tinha e começou a sorrir, mas parecia ficar apreensivo. Seu rosto borrou um pouco, e eu pisquei rapidamente. "Ah, merda", disse ele com a voz rouca, começando a se levantar. "Você ainda chora quando vê esse livro." Eu ri, uma risada molhada e me engasguei. "Não. Não é verdade." Fiquei olhando para a capa. Era uma cópia antiga. Oh, Deus, parecia o exato de antes. A capa amarela estava embotada, e a ilustração de um menino segurando um coelho de pelúcia estava desbotada. O livro cheirava como um livro velho, cheirava a mofo que se agarrou a páginas desbotadas. "É o mesmo...?" Ele respirou fundo. "É." Lentamente,

eu

levantei

meu

olhar

e

nossos

olhos

se

encontraram. "Era o seu livro favorito", disse ele depois de um momento. "Eu não tenho ideia do por que, uma vez que sempre fez você chorar." Meu lábio inferior começou a tremer. "Era triste." "O coelho se torna real no final." Ele riu, mas era rouca e grossa. "Eu não sei quantas vezes eu expliquei isso para você." "Mas ele era velho e gasto e..." Eu engoli o caroço na minha garganta enquanto eu caminhava até a cama e me sentava ao lado dele. Eu olhei para a capa antiga. "Tudo que o coelho queria... era ser real e amado." Eu disse a última palavra como um sussurro e depois levantei o olhar para o seu novamente.


Eu tinha empatia com o pobre coelho. Eu tinha sido muito jovem para perceber, mas eu queria ser amada e real, porque eu não tinha qualquer uma dessas duas coisas enquanto crescia naquela casa. "Eu o levei comigo quando eu fui removido daquela casa e eu... Sim, eu o mantive comigo." Minha respiração engatou. "Isso é... Eu não sei o que dizer." "Eu nunca parei de pensar em você", ele disse em voz baixa. "Nenhum dia, Mallory. Esse livro... Eu não sei, foi algo que me ligou a você." Oh meu Deus. Meu peito apertou, e um tremor correu pelo meu braço novamente. O livro escorregou de meus dedos, caindo sobre o tapete. Ele estendeu a mão para ele, ao mesmo tempo em que eu fiz, e ambos congelamos curvados na cintura, nossos rostos a uma polegada de distância. Ele pegou o livro antes de mim. Nos endireitamos, nossos olhares se encontraram. Ele manteve um livro que eu tinha certeza que ele odiava ler, porque se lembrava de mim. Meu coração quase explodiu no meu peito, em uma poça de gosma. Pintar o coração entre os nossos nomes foi brega, mas isso? Isto significava o mundo para mim. "Depois que você se foi", disse ele, engolindo em seco quando colocou o livro de lado, "era tudo que eu tinha de você". Meus lábios se separaram, e eu nem sequer parei para pensar. Eu dei uma guinada em Rider, jogando minha parte superior do corpo em direção a ele. Foi estranho e possivelmente a coisa mais atraente que nunca, mas eu não me importava. Seus braços varreram em torno de mim o mesmo segundo em que apertou meu pescoço. Eu não disse nada. Não havia necessidade. Eu enterrei minha cabeça no espaço entre o pescoço e o ombro, ele me segurando enquanto eu o segurava. Nós tínhamos sido separados. Mas nós realmente nunca tínhamos nos separado.


Eu

não

sei

quanto

tempo

nós

ficamos

assim,

mas,

eventualmente, o abraço alterado. Nós acabamos deitados na cama bem arrumada. Rider estava de costas e eu estava do meu lado, minha cabeça descansando em seu ombro. Havia um espaço entre os nossos corpos, mas do jeito que estávamos, deixava meu pulso saltando em todo o lugar. Rider estava bem ali. Eu poderia estender a mão e tocá-lo. Qualquer lugar. E eu queria tocá-lo. Mas eu mantive minhas mãos dobradas no espaço entre nós, e ele manteve uma mão na minha cintura e a outra plantada em seu estômago. A cópia velha do O Coelho de Pelúcia descansou entre nós. Nós falamos e ouvimos uns aos outros. Eu disse a ele como eu me confidenciei com Ainsley domingo à noite. "Isso deve ter sido difícil de fazer." Seu polegar deslocado ao longo da minha cintura. "Estou orgulhoso de você." Sorrindo, eu mexi mais perto quando falei com ele sobre Jayden e como eu acreditava que ele estava finalmente ouvindo ele e Hector. Polegada por polegada, mudei-me para mais perto dele, até que deixei apenas o livro entre nós. Suas mãos ficaram onde estavam, embora eu quisesse que ele me tocasse. E eu não queria que ele me tocasse. Isso não fazia sentido, mas eu não tinha ideia do que fazer com... Tudo isso. Eu queria aprender, realmente queria, mas eu não tinha ideia do que estava fazendo. Levantando meu queixo, eu vi seus lábios se movem quando ele falou calmamente sobre o tempo que ele tinha ficado em apuros por pichar a escola. Ele tinha feito isso em um desafio. Eu estava ouvindo, mas eu também estava fascinada pela forma como seus lábios se curvaram em torno de cada palavra. Lembrei-me de como ficaram contra o meu. À noite, quando eu estava deitada na


cama, era tudo que eu pensava. Essas lembranças me fizeram sentir quente. Eu queria sentir isso novamente. Era muito cedo para beijar de novo? Ele não tinha me beijado assim desde sábado. Coincidindo, ele só tinha me visto na escola nos últimos dois dias e ele beijou minha bochecha um punhado de vezes, mas eu queria mais. Ele parou de falar e seus olhos estavam fechados. Respirando fundo, eu me desloquei para cima, colocando meu peso no meu cotovelo. Seus olhos se abriram quando o meu cabelo deslizou sobre meus ombros, cortinando meu rosto. Seu olhar procurou meu rosto quando ele levantou a mão da barriga. Seus dedos hesitaram na minha bochecha e então ele enfiou o cabelo atrás da minha orelha. “Mouse?" ele sussurrou. Houve uma boa chance de que eu ia começar a respirar ofegante, e como pouco atraente isso seria? "Eu quero..." Eu molhei meus lábios, e eu vi seu olhar caindo. "Eu quero..." Um longo momento se estendeu entre nós. "Você quer me beijar?" ele perguntou, cílios grossos reduzindo, protegendo os olhos. "É isso que você quer?" Agora eu queria enterrar meu rosto em um buraco. Eu poderia morrer, mas eu empurrei a onda de constrangimento. Rider tem que saber que eu não tinha experiência nisso mesmo que eu apostasse que ele tinha toneladas. "Sim", eu disse ofegante em quase um sussurro. "Você quer isso? Você pode tê-lo. Sempre." Sua voz era profunda, mais áspera. "Você não precisa nem pedir. Nunca." Bom saber. "Ok."


Eu não me movi. "Eu não sei o que... o que fazer." Seus olhos encontraram os meus e, em seguida, ele moveu a mão, curvando seus dedos ao redor da minha nuca. "Eu vou te mostrar." Meu coração pulou e eu assenti. Com a menor pressão, ele me guiou para baixo. Nossos lábios se tocaram, e as faíscas inflamaram em minhas veias. Ele moveu lentamente seus lábios contra os meus, e eu imitei o ato. Depois de alguns momentos eu percebi que inclinei a cabeça para o lado, a pressão aumentou, e eu gostei disso, realmente gostei. Rider parecia gostar disso também, porque seus dedos apertaram contra a minha pele. Mudando a minha parte superior do corpo para mais perto dele, eu estendi a mão para me equilibrar, colocando minha mão em seu peito. Seus lábios se separaram sob o meu e eu senti a ponta da língua. Sangue bateu através de mim de uma forma precipitada, e enquanto nossas línguas tocaram, eu estava encharcada de sentimento, na sensação. O beijo mudou, e ele tinha gosto de refrigerante e algo bom, algo que eu não podia nomear, mas sabia que queria mais. Eu não sei quanto tempo nós nos beijamos assim. Segundos? Minutos? Quando finalmente paramos, minha pele estava corada e os músculos abaixo no meu estômago se revirando. Bondade. Pisquei e abri os olhos. O que eu estava sentindo, o calor do brilho nos meus músculos e o pulsar doce em certas áreas do meu corpo? Foi emocionante e assustador. Era bonito e confuso. Rider exalou suavemente. Coloquei minha bochecha de volta no seu ombro. Seu peito subia e descia pesadamente, como se tivesse exercitado a si mesmo. Meu peito se moveu no mesmo ritmo. Ficamos


deitados em silêncio de novo, nossas mãos juntas, descansando em seu estômago. "Sim." Ele limpou a garganta. "Se você quer fazer isso a qualquer momento? Você só vá em frente." Fechando os olhos, eu ri. Eu poderia fazer isso, pensei. Ficamos ali por um tempo, e quando finalmente chegou perto da hora de eu ir para casa, Rider bateu em meu quadril. Peguei minha mochila e antes de eu sair de seu quarto, eu dei uma última olhada no O Coelho de Pelúcia. Meu coração ficou todo meloso. "Eu posso ir com você", disse ele uma vez que estávamos no piso térreo. "Agarrando..." "Isso não é necessário". Foi doce ele oferecer, porque ele principalmente ia sair do seu caminho. Eu estendi minha mão para as chaves. "Eu sei o meu caminho de volta." Um lado de seus lábios se curvou. "Eu sei." Olhei para ele quando ele deixou cair às chaves na minha mão. Em seguida, ele abaixou a cabeça, beijando-me suavemente e muito rapidamente. "Posso caminhar até o seu carro?" Ele ofereceu. Balancei a cabeça, e ambos nos dirigimos para a sala assim que a porta da frente se abriu. Uma mulher mais velha entrou com um saco de almoço azul em um braço e uma bolsa preta pendurada em seu pulso. Seu cabelo preto foi generosamente polvilhado com cinza e puxado para trás em um rabo de cavalo baixo. Imaginei que essa era a Sra. Luna, mas ela não pareceu ser tão velha. Eu acalmei quando a porta se fechou atrás dela e ela virou em nossa direção. Ela parou, seus olhos escuros arregalados. Uma sensação espinhosa rastejou sobre mim quando seu olhar mudou-se de mim para Rider.


"Oi, senhora Luna". Rider deu um passo adiante, um pouco à frente de mim. "Esta é Mallory. Ela parou depois da escola." Sra. Luna piscou uma vez e depois duas vezes. "Mallory?" ela repetiu. O olhar brilhante se concentrou em mim. "Essa é Mallory." Ai meu Deus. "Sim, essa é ela", respondeu ele. "Oh." A mulher balançou a cabeça e, em seguida, entrou na sala de estar. "É um prazer conhecê-la. Eu não sabia que você estava vindo. Eu teria a certeza de chegar aqui mais cedo." A pele enrugou em torno de seus olhos quando ela os estreitou em Rider. "Esse jovem não me disse. Eu poderia ter feito meu...". "Você não tem que fazer nada", Rider respondeu. "Mallory tem de ir para casa de qualquer maneira." Sra. Luna deixou cair o saco na cadeira. Ela olhou para Rider enquanto eu olhava para ela. Palavras corriam em volta, e eu agarrei. Ele deslizou pelos meus dedos quando o silêncio se estendeu entre nós. Ela encolheu os ombros fora de uma jaqueta leve, pendurou-o nas costas da cadeira. "Bem, espero vê-la novamente. Para o jantar na próxima vez. Eu sou famosa pelo meu Arroz con gandules." Seu sorriso era quente. "Você vai amar." "É basicamente presunto, arroz amarelo e guandu," Rider explicou com um sorriso. "É muito bom." Eu balancei a cabeça. "E você vai vê-la novamente." Rider cutucou meu ombro. "Certo?" Eu balancei a cabeça mais uma vez. Rider colocou sua mão na parte inferior das minhas costas. "Bem, Mallory precisa ir...". Minhas

bochechas

queimaram

e

irritação

aumentou

rapidamente, girando dentro de mim. Desta vez, teve um efeito diferente. Isso forçou palavras. "Foi bom conhecê-la." Meu rosto


queimando ainda mais, porque eu tropecei em todas as palavras, mas eu falei. Sra. Luna assentiu quando andou para o lado. A porta da frente se abriu e um segundo depois Jayden entrou. Um sorriso preguiçoso inclinou-se nos cantos de seus lábios quando nos viu na sala de estar. O hematoma em torno de seu olho tinha apenas uma ou duas tonalidades desbotadas, e eu me perguntava o que a Sra. Luna tinha pensado quando ela o viu pela primeira vez. "Ei, você não poderia ter o suficiente de mim? Apenas veio para casa, agora?" Jayden falou tirando o tênis, colocando-os perto da porta enquanto sorria para mim. "Ficando para o jantar?" "Não, Mallory precisa voltar para casa," Rider respondeu. "Que pena." Jayden caminhou em direção a sua avó. "Deixe-me ver isso", disse ele, levando a lancheira dela. "Eu vou fazer o jantar hoje à noite." Rider levantou as suas sobrancelhas para isso. "Sério?" Sra. Luna sorriu para Jayden. "Você é tão bom para mim", ela disse, deixando Jayden conduzi-la em direção à cozinha. "O que eu faria sem você, mi nene hermoso27?" "Você estaria perdida sem mim", ele brincou, envolvendo um braço em volta da cintura. "Assim como Mallory." Eu sorri enquanto Rider me guiou para fora. O crepúsculo foi rapidamente desaparecendo na noite. Lâmpadas de rua brilharam duplamente na calçada. Rider tomou conta da minha mão. "Posso te perguntar uma coisa bem pessoal?" Eu perguntei. "Claro", respondeu ele. "O que aconteceu com... os pais de Hector e Jayden?" "O pai dele era filho da Sra Luna. Ele morreu de câncer quando eles eram pequenos." Ele apertou minha mão quando passamos por uma árvore. "E a mãe dele está desaparecida, eu acho. Ou talvez ela


nunca estivesse nisso? Eu não sei. Ela está em drogas muito ruim. A última vez que ouvi dizer que ela estava vivendo em Washington." "Isso é... triste", eu disse, desejando que houvesse mais que eu poderia dizer. "Sim", Rider murmurou. Paramos no carro. "Tem certeza que não precisa de mim para volta com você?" Eu concordei e olhei para ele. Meu olhar procurou o seu. "Posso... perguntar outra coisa?" Rider sorriu. "Você pode me perguntar o que quiser." "Você é feliz lá?" "Lá? Você quer dizer na casa da Sra. Luna?" Quando eu balancei a cabeça, ele colocou as mãos sobre meus ombros e, em seguida, baixou a cabeça, então ficamos no mesmo nível dos olhos. "Estou tão feliz como eu posso ser. Tem um teto sobre minha cabeça e quatro paredes com comida na mesa. Depois da escola, é meu objetivo manter essas coisas." "Mas... mas a casa deve ser mais do que isso," eu disse a ele. "A vida... deve ser mais do que isso." Ele roçou os lábios na minha bochecha. "Deveria ser, mas não é para todos. Você sabe disso."


Capítulo 27

Rosa e Carl se sentaram à mesa de jantar quarta-feira em um silêncio absoluto enquanto olhavam para mim. O brócolis que eu tinha forçado para baixo da minha garganta começou a brotar raízes e cavar meu estômago. Eu fiquei tensa quando Carl olhou para Rosa. Seus olhos se encontraram, e mais uma vez fiquei maravilhada com a forma como eles faziam toda a comunicação nessa coisa silenciosa como uma ciência. Limpando a garganta, Carl colocou o garfo em cima da mesa. "Você foi convidada para uma festa?" Eu balancei a cabeça lentamente. "Eu... eu te falei sobre a Keira. Ela me convidou." "E esta festa é na casa de um rapaz?" ele perguntou. Talvez eu devesse ter mantido essa parte para mim. "Ele é um... amigo". Essa parte não era necessariamente verdade e não era uma mentira. Na realidade, nós éramos conhecidos. "Um amigo?" a voz normalmente nível de Rosa. "Que não é Rider?" "Eu tenho... amigos homens", eu respondi secamente, pensando em Hector e Jayden, e ela piscou. "Ainsley irá conosco." O que era verdade. Ainsley iria. Eu até disse a Keira no almoço hoje que a tinha convidado, e ela estava animada para conhecer minha amiga. "Eu realmente... gostaria de ir." Silêncio.


Os dois retomaram a telepatia. Eu comecei a me contorcer na cadeira enquanto olhava para o meu pedaço meio comido de costeleta de porco. Se Rosa e Carl me dessem o sinal verde para o sábado, eu ia pegar Ainsley primeiro e depois Rider. Nós três iríamos para a festa juntos. Uma festa real. Meu estômago revirou mais apertado. Carl tomou um gole de água e então disse, “Os pais desse cara vão estar lá?" Eu não fazia ideia. Provavelmente não, mas isso não era o que eu ia dizer. "Eu acho que sim." Mais olhares foram trocados. Talvez eu devesse ter soado mais certa. "Nós gostaríamos de falar com os pais dele", disse Carl. Meus olhos se arregalaram. "O quê? Isso seria... embaraçoso." “Mallory...” "Os pais de ninguém estão fazendo isso", eu insisti horrorizada com a perspectiva deles criarem uma reunião parental do jeito que tiveram com meus professores, nas minhas costas. "Se você tem que... falar com eles, então eu não deveria ir. Eu só queria...". "Eu acho que vai ficar tudo bem", Rosa insistiu, ganhando o olhar penetrante de Carl. "Eu faço", disse ela, encontrando seu olhar. "E eu acho que é maravilhoso que você foi convidada e quer ir. Eu também não acho que nós precisamos falar com ninguém." Eu quase caí da cadeira. Carl ergueu as sobrancelhas. Ela olhou para mim, por muito tempo e de um jeito concentrado. "Eu acho que você está pronta para isso." Saltei da minha cadeira e a abracei. "E eu acho que isso é bom", continuou ela, seu olhar nunca oscilando, mas ela sorriu, e eu poderia dizer que ela realmente quis dizer isso. "Você tem um toque de recolher, Mallory. Às onze horas. Esperamos você de volta em casa nessa hora e não cinco minutos depois."


Pressionando meus lábios, eu assenti. "Hã, provavelmente vão ter... coisas lá que eu preciso que você lide com maturidade," ela disse, e Carl apertou os olhos com força. "Seja responsável com Rider". Corei quando pensava sobre todas as maneiras que eu poderia ser irresponsável com ele. "Sem bebidas. Sem drogas", acrescentou. "É claro", eu imediatamente respondi, e também porque era verdade. Eu não tinha planos de participar de substâncias ilegais na minha primeira festa. Deus, eu já era uma idiota na maioria das vezes. Eu não precisava ser uma idiota bêbada ou drogada. Carl abriu os olhos, mas ele ainda parecia que estava prestes a ter um derrame. "Nós estamos confiando em você com isso, Mallory." Rosa sorriu, e eu queria sorrir, também. "E a confiança é um grande negócio. Não os deixe tristes." "Eu não vou," eu prometi, e então dei um sorriso, olhando para Carl. Ele parecia ter envelhecido uns vinte anos. "Obrigada." "Não me agradeça", ele respondeu. "Isto é tudo por Rosa." "Silêncio", ela respondeu com um sorriso e depois piscou para mim. Meu sorriso cresceu e eu não podia esperar para contar a Ainsley e Rider sobre a festa que eu poderia ir, mas... Mas um pouco de preocupação estava se formado no fundo da minha barriga. Parte de mim não esperava que eles fossem concordar, e agora que tinham, ainda havia uma pequena parte de mim que queria que eles mudassem de ideia.

***


Eu estava sorrindo quando fechei o zíper de minha mochila antes do almoço na sexta-feira. Rider tinha tomado um caminho diferente entre as aulas apenas para que pudesse me pegar fora do meu armário para me dar um beijo. Meus lábios ainda formigavam minutos depois que ele foi adiante e decidiu ir para a aula. Eu ainda poderia ter ficado um pouco constrangida com o PDA25, mas me ocorreu quando troquei meus livros de manhã que as coisas que tinham me estressado no início da escola anos atrás eram coisas como a perspectiva de estar atrasada para a aula, não ter nenhum lugar para sentar durante o almoço ou não ter ninguém para falar, coisas que eu não estava realmente mais preocupada. Agora eu me preocupava com o exame de cálculo na próxima semana e que roupa eu ia usar na noite de sábado. Pendurei minha mochila agora muito mais leve por cima do ombro e me virei. Meu passo foi hesitante quando eu vi Paige vindo pelo corredor com outra garota. O sorriso de Paige escorregou de seu rosto quando ela me viu. Porcaria. Comecei a andar, fingindo como se ela não estivesse lá. Seu passo desacelerou enquanto eu me aproximava. Então ela parou bem na minha frente. Tensão derramada em meus ombros. "Eu vou encontrar com você depois", ela disse a sua amiga enquanto olhava para mim. "Você e eu precisamos conversar." Pressionando meus lábios, eu inalei pelo nariz. Este dia tinha chegado. Eu sabia. E quanto mais tempo passava sem Paige dizendo algo para mim, mais eu esperava que ela não fizesse. Esperando que fosse estúpido. Ela cruzou os braços sobre o peito enquanto me olhava. Sem mochila. Eu me perguntava se ela deveria estar na classe. "Aposto que 25

PDA significa Demonstração Pública de Afeto.


você está feliz agora, não é? Você valsa de volta para a vida dele e se torna o centro de seu universo como antes. A pobrezinha da Mouse precisava dele e ele chutou minha bunda em um piscar de olhos." Eu não era o centro do universo dele. Eu não era mais a pobrezinha Mouse. E "chutá-la" tinha sido difícil para ele. Ele não tinha me falando o quanto ele odiava machucá-la? Eu não disse nenhuma dessas coisas, porém, porque a vedação estava na minha garganta, cortando todas as palavras. Paige riu baixinho quando balançou a cabeça. "Quer saber, isso é inacreditável. Ele me deixou por isso." Ela riu novamente. "Seja qual for. Parte de mim quer te bater, aqui mesmo." Meu estômago caiu. "E eu podia. O que iria acontecer? Eu ia ser suspensa. Grande coisa. Não seria a primeira vez. Mas eu não vou. Você sabe por quê?" Eu não sei por que, mas fiquei aliviada ao ouvir isso. "Rider nunca iria falar comigo se eu fizesse algo assim. Ele nunca...". Sua voz falhou. Um bom brilho cobriu os olhos. "Ele nunca me perdoaria. Ele pode ter me chutado, mas eu ainda me preocupo com ele. Eu não vou fazer isso com ele." Aquelas... Aquelas eram lágrimas nos olhos. Meu Deus. "Mas você sabe o que?" ela disse. "Você é muito boa para ele agora." O sinal tocou e eu não estava pensando sobre ela ter lágrimas nos olhos. "Eu não sou muito boa para ele." Surpresa cintilou no rosto de Paige. "Porque eu não sou melhor do que ele", eu continuei. "Ele não está... abaixo de mim ou qualquer um." "Não, você me entendeu mal", disse ela, baixando a voz. "Você sabia de Rider. Conhecia-o. E isso foi há muito tempo atrás para os


dois. Cedo ou tarde, você vai perceber que, provavelmente quando você está sentada em sua bela casa em sua pequena vizinhança perfeita. Ou talvez quando você estiver na faculdade e ele estiver à procura de um lugar para viver. Em algum momento você vai perceber que tudo o que vocês dois têm em comum é o passado e quando o perceber tudo isso vai quebrar o coração dele." Dei um passo para frente. Isso foi o que ela quis dizer no seu discurso, quando ela me disse que um dia eu iria arruinar tudo. "Você está errada." Ela piscou. "Eu nunca faria isso... com ele," eu jurei. "Eu nunca machucaria Rider". "Sério?" Sua sobrancelha voou. "Você está fazendo um trabalho excelente de não machucá-lo até agora." Eu não tinha ideia do que ela quis dizer com isso. Ouvi distintamente o sino final, sinalizando que o próximo período tinha começado, mas nenhuma de nós fez um movimento para sair. "Ele viveu durante anos com a culpa por causa de você", ela cuspiu, raiva marcando suas bochechas. "Ele não tinha ideia do que aconteceu com você e ele se culpava por tudo." "Isto..." "E agora você está de volta e ainda quer convencê-lo de que ele precisa protegê-la de tudo. Você acha que é a única que teve uma vida difícil?" Eu não acho isso. "Pense novamente, Mouse. Eu tenho de cuidar da minha irmã desde que ela nasceu, porque o meu pai é um inútil bêbado e minha mãe está trabalhando em dois empregos só para colocar comida na mesa. E o que você acha que acontece quando o meu pai fica chateado?" ela continuou com um rubor rosa nas bochechas com raiva.


"Eu me transformei em um saco de pancadas humano para que ele não vá atrás de Penny. Mas você me vê lastimando sobre isso? Esperando alguém cuidar de mim?" Meu Deus. "Mas você nunca poderia cuidar de si mesma e tão certo de como isso é uma merda, nada mudou. Jesus, você não pode sequer levantarse na frente de uma classe e fazer um discurso!" Sua voz tornou-se perigosamente calma quando deu esse golpe certeiro. "Por que você acha que ninguém na classe deu a mínima sobre isso? Qualquer outra pessoa te comeria viva, mas não enquanto Rider estiver lá. Oh, eles veem Rider com você e sabem que não devem mexer com você. Mas ele não estará sempre lá. Portanto, vai vir outro momento em que você não poderá lidar com qualquer coisa, quando você não poderá levantar-se por si mesma, e ele não vai estar lá. Você vai cair e ele vai ficar colhendo os pedaços, culpando a si mesmo. É assim que funciona. É assim que sempre vai funcionar para vocês dois". Minha boca abriu quando recuei. "Mesmo agora." Sua voz caiu para um sussurro. "Você não pode sequer se defender por si mesma. Quer saber? Você tem razão. Você não é boa demais para ele. Ele merece mais." Paige afastou-se, deixando-me ali de pé no meio da sala vazia, só com a verdade de suas palavras.

***

Acordei sábado de manhã cedo e recolhi o meu material de escultura. Passei por várias barras em várias horas. O meu quarto cheirava a primavera irlandesa. Após o almoço, e no meu terceiro pacote de sabão, asas tomaram forma do lado direito e depois o


esquerdo, realizada em conjunto por um centro não maior do que o meu polegar. Eu não dormi bem na sexta à noite. Pesadelos tinham me acordado a cada duas horas, e não tinha nada a ver com a festa de mais tarde hoje. Meu nervo tinha tomado às rédeas. As palavras de Paige estavam me assombrando. Elas eram médias e rancorosas, mas elas também eram verdadeiras. Eu via agora, mas eu... Eu ainda era Mouse. Eu não conseguia nem ficar de pé na sala de aula para fazer um discurso. Eu estive lá e deixei Paige me arrastar pela lama. Eu não me defendi. Nem ontem. Nem quando Carl rejeitou a coisa toda de trabalho social. Nem quando Rosa e Carl fizeram o acordo com o Sr. Santos. Paige e eu tínhamos mais em comum do que eu jamais teria pensado que haveria. Ela veio de uma má casa, ainda vivia em uma, mas ela não era como eu. Ela lidou com isso. Eu me escondi disso. Eu tinha chegado tão longe, mas eu ainda... Me sentia fraca. Como copos. Se eu caísse, eu iria quebrar, e Rider iria... Ele iria pegar os pedaços e ele iria culpar a si mesmo. Eu sabia. Paige estava certa. Isso era o que tínhamos. Mas eu não podia deixar isso ser tudo o que éramos.

***

No momento em que eu precisava parar para me preparar para a festa de Peter, uma borboleta havia se formado na barra. Eu nunca tinha feito uma coisa dessas antes. Ela ainda precisava de detalhe —


pensei, enquanto a colocava cuidadosamente em minha mesa e me virei para o meu armário. Olhei para mim mesma no espelho por alguns segundos. Isso foi tudo o que precisou para ouvir as palavras de Paige novamente. Eu pensei sobre a classe não falar e por que nenhum dos outros alunos tinha dito nada sobre mim não fazendo o discurso junto com eles. Assim que esse pensamento terminou, uma memória formou. "Você pode sair agora", disse Rider, agachando-se na frente da porta do armário. A sala estava suavemente iluminada atrás dele, mas ele não era nada mais que uma sombra. Agarrando Velvet ao meu peito, eu balancei a cabeça. As lágrimas haviam secado nas minhas bochechas. Eu não queria sair nunca. "Está tudo bem, Mouse. Eu prometo." Rider levantou os braços. "Ele se foi. Somos só nós e a Senhorita Becky. Você pode sair." Baixei a boneca. Se o Sr. Henry foi embora, então estava tudo bem. Desenrolando, eu empurrei meus joelhos e me arrastei para frente. No momento em que cheguei à porta, Rider segurou minha mão livre. Ele puxou-me e fiquei em pé. Olhei para cima e vi o rosto dele. Seu lábio estava dividido e virando um vermelho irritado. Corte fresco. Punhos do Sr. Henry. Eu tinha me escondido enquanto Rider o distraiu. "Você está segura agora", disse Rider. "Eu estou aqui. Você está segura, Mouse. E eu sei que você pode não acreditar, mas eu vou mantêla segura para sempre." Ele engoliu em seco e limpou o lábio. "Isso é uma promessa." Para sempre. Ele prometeu que estaria lá para sempre. Mas eu era da opinião de que havia dois tipos de sempre. O tipo bom. O tipo ruim.


Eu aprendi desde cedo que o tipo bom sempre era, bem, era uma mentira. Esse tipo de sempre literal e figurativamente terminou em chamas, pois não importa quão bem você tenta segurar, esse tipo de sempre escorrega entre os dedos. O tipo ruim de sempre permanece como uma sombra ou fantasma. Não importa o que. Ele ficou sempre em segundo plano. Fechei os olhos e me concentrei em respirar após a queimação. Eu não podia pensar nisso agora. Lágrimas obstruíam minha garganta, mas eu sabia que não iria chorar. Eu não chorava desde que saí daquela casa. Caramba, eu seriamente não tinha chorado desde aquela noite. Percebendo que só agora me deixei sentir como se houvesse um poço de cobras no meu estômago. Não era como se meus canais lacrimais estavam com defeito. Minha cabeça estava presa. Tudo foi preso. E eu tinha que pegar... Descolar. Começando com esta noite. Aproveitei o tempo para fazer exatamente isso no caminho para Ainsley. Ela vivia em Otterbein, em uma das muitas casas históricas perto de Inner Harbor. Eu não tinha ideia de que tipo de casas ficavam nessa área, mas eu sabia que elas tinham que custar muito dinheiro. "Você pode sentar-se... na frente," eu disse quando ela subiu na parte de trás. Ela parecia incrível, como sempre, vestindo calça jeans preta justa e uma blusa solta que escorregava em um ombro. "Esse lugar está reservado para o Sr. Gostosura Incorporada", ela respondeu, colocando o cinto e em seguida, inclinando-se para agarrar a parte traseira do meu assento. "Além disso, eu meio que gosto de ser conduzida enquanto me sento no banco de trás. Você é como minha motorista." Eu bufei. "Em... um Civic com uma década de idade."


"Tanto faz." Ela bateu o assento. "Eu tenho que admitir. Eu ainda estou surpresa que Carl e Rosa não se importaram com isso." "Eu também," eu admiti. Antes de eu sair, eles passaram as regras mais uma vez. Carl ainda não se parecia com ele, como se estivesse cem por cento contra. O tráfego era uma dor, por isso demorou um pouco para pegar Rider, e quando ele subiu no banco do passageiro, ele enviou um sorriso na direção de Ainsley e depois se inclinou, beijando minha bochecha. "Mouse." Ele se afastou, seu olhar movendo-se sobre mim, e mesmo que eu estava sentada, eu tinha a sensação de que ele estava vendo tudo. "Você está bonita." Eu corei. "Você conhece alguém como você que eu possa roubar para mim?" Ainsley perguntou, e eu lutei com um sorriso. Eu estava adivinhando que as coisas não pareciam boas com Todd. Rider se torceu em seu assento enquanto eu me afastava do meio-fio. "Sim, eu conheço. O nome dele é Hector." Meus lábios se curvaram. "Hector? O quê? Ele é um idiota", ela respondeu, sentando-se para trás. Houve uma pausa. "Será que ele vai estar nessa festa?" Desta vez eu não lutei contra o sorriso. "Não, ele tem que trabalhar esta noite." Rider virou de volta e estendeu a mão para mim, correndo o dedo ao longo da curva do braço mais próximo a ele. "Você realmente está linda." Meu sorriso se espalhou em um grande sorriso. "Você está ótimo, também." "Em outras palavras, ela está dizendo que olhar você está a deixando louca e quente," Ainsley adicionou de volta.


E isso era verdade. Era sempre verdade, mas esta noite Rider parecia especialmente quente com um jeans escuro e desgastado e camisa de botão branca. Eu não sei o que tinha na camisa que eu gostava tanto. Talvez fosse porque o material era tão fino que imaginei se ele me abraçasse, eu podia sentir o calor do seu corpo. Ou talvez fosse a maneira como as mangas estavam enroladas até os cotovelos, revelando, antebraços poderosos com pele bronzeada. Ou talvez tenha sido só ele. Provavelmente era apenas ele. A festa de Peter estava sendo realizada na casa de seus avôs desde que eles deixaram para ir à Flórida em setembro. A casa era na direção oposta do Rivas, na periferia da cidade, onde havia grandes casas com quintais. Keira tinha explicado que o irmão mais velho de Peter estaria lá como acompanhante não oficial, mas ele tinha vinte e um, ele não era ainda um adulto-adulto. "Uau," Ainsley murmurou quando a estrada estreita, fortemente arborizada aparada e a casa ficaram à vista. A casa era realmente uma fazenda, uma grande antiga casa de fazenda, e havia carros em toda parte, estacionado em linhas casuais. Meu estômago revirou enquanto entrei no mar de veículos e as pessoas em torno da moagem do lado da casa branca e vermelha. Isso... isso era um monte de gente. "Provavelmente é mais inteligente estacionar aqui atrás," Rider aconselhou. "Ao lado da estrada e manter alguma distância atrás destes carros. Você sabe, no caso de alguém estacionar..." Oh meu Deus, quer dizer que esse monte de gente estava aqui. Suor pontilhava na minha testa. O sangue martelava em meus ouvidos. Calor, eu cegamente bati contra a porta até que eu apertei o botão. A janela rolou e ar fresco entrou no carro. Isso não era tudo. Minha boca estava seca. Ácido batendo no meu estômago. O cheiro de lenha estava me sufocando. Música bombeando e o zumbido de conversa e gargalhadas ecoou nos meus ouvidos.


Eu pulei quando uma mão pousou meu braço. Minha cabeça virou para Rider. Sua boca se moveu, e por um segundo eu não conseguia entender o que ele estava dizendo. Tudo o que eu podia ouvir era o riso brusco, ruídos e vozes. Eu lutava para me concentrar no que estava acontecendo no carro. "Mallory?" ele disse. Engoli em seco. "O que?" Suas sobrancelhas enrugaram enquanto ele procurou meu rosto. "Você desorientou por um momento." "Você está bem?" Ainsley perguntou, segurando a parte de trás do meu assento no carro. "Você esta super pálida." "Você está." Rider segurou meu rosto. "Puta merda, sua pele está úmida". Nossos olhos se encontram. "Isso é... tão esmagador." Preocupação apertou os cantos de seus lábios enquanto ele se inclinou. "Nós não temos que fazer isso." "Não temos", Ainsley concordou do banco traseiro. Seu braço estendeu a mão e ela apertou meu braço. "Na verdade, eu prefiro fazer outra coisa. Esta é apenas uma festa de quinta estúpida, e eu aposto que eles nem sequer têm cavalos ou vacas. Agora que seria legal." O olhar de Rider estava no meu quando assentiu. “Ainsley tem razão. É apenas uma festa estúpida." Mas era... importante. Isso significava que eu estava tentando. E ir embora, significava que eu nem estava tentando. "Eu não quero... ser assim," eu sussurrei quando desviei o olhar, e uma vez que disse isso, eu não queria voltar atrás. Uma sensação estranha me bateu, quase como... como alívio. Isso não faz sentido. Ou não é? "Eu não gosto de quem eu sou." Meu olhar voltou para o seu, e a preocupação ainda estava lá, enchendo seus olhos castanhos e desbaste para fora de sua boca.


Lágrimas se arrastaram até o fundo da minha garganta. Na verdade, era humilhante admitir algo tão íntimo assim, mas agora eu não era a única que sabia isso sobre mim mesma. Não era mais um segredo. "Está tudo bem. Você não vai se sentir assim para sempre." Rider alisou o polegar ao longo da minha mandíbula. Fechei os olhos, querendo acreditar nele. Precisando. Ele manteve sua voz baixa enquanto falava. "Nada dura para sempre, Mouse."

***

Nós não fomos à festa. Acabamos indo ver um filme. Eu nem sequer conduzi ao cinema. Rider dirigiu. E então ele deixou Ainsley em casa, em seguida, uma vez que o convenci de que eu estava bem, eu o deixei ir para casa também. Hoje à noite tinha sido a primeira vez que tinha ido ao cinema com um menino, e eu nem estava lá com ele. Minha cabeça estava presa no fato de que esta noite tinha sido um fracasso absoluto. Eu tinha certeza que Carl e Rosa tinham esperado por mim, mas eles eram suficientemente atenciosos para não saltar em mim quando entrei na casa e calmamente subi as escadas. Meu celular tocou cerca de cinco minutos depois que eu fechei a porta do quarto. Foi à primeira vez, Rider nunca tinha me ligado no telefone assim, por razões óbvias. "Você está aí, Mouse?" ele perguntou. "Sim." Agarrei o telefone no meu ouvido. Houve uma pausa. "Há algo que eu preciso dizer a você e eu quero que você ouça ok?" Meu estômago caiu. Sentei-me na beira da cama, minhas pernas enroladas debaixo de mim. Eu não tinha chegado a trocar de roupa, apenas tirei o casaco que cheirava levemente a pipoca. Eu me preparei,


tentei, pelo menos, até Rider dizer que esse relacionamento e essa coisa toda era uma má ideia. Um milhão de coisas passaram na minha cabeça antes de falar novamente. "Você disse algo esta noite que realmente me incomodou", disse ele, e ouvi uma porta fechar-se em sua extremidade. "Você disse que não gosta de si mesma." Eu me concentrei na borboleta incompleta na minha mesa enquanto eu abria minha boca. Não havia palavras. "Eu odeio ouvir isso, Mouse. Eu não gosto de saber que você pensa dessa forma", continuou ele, e eu fechei os olhos. A queimação estava de volta, construindo na minha garganta. "Há tantas coisas sobre você que você deve gostar. Você é inteligente. Você sempre foi inteligente. Você está planejando ir para a faculdade e talvez até mesmo fazer algo relacionado a escola de Medicina." Apertei os olhos fechados, então, porque eu... Eu não acho que eu realmente queria fazer isso, e pensar que me fez sentir como se estivesse flutuando sem âncora. "Você é tipo," ele continuou quando cobri o rosto com a mão. "Você é uma pessoa doce que tem todo o seu futuro pela frente. Sem mencionar que você é uma grande beijadora. Você tipo é péssima na coisa toda do grafite, apesar de tudo. Isso é verdade." Um riso sufocado me escapou. "Mas podemos trabalhar nisso", Rider acrescentou. "E essas esculturas de sabão que eu vi? Elas são surpreendentes, Mallory. Você é talentosa. Você simplesmente não fala muito, Mouse. É isso. Você é tímida. Isso não é razão para não gostar de quem você é, porque quem você é, é maravilhosa. Você é perfeita da sua própria maneira." "Não é isso", eu disparei. "O que?"


Eu respirei e... tudo acabou saindo. "Não é apenas que eu não falo. Eu estou presa." "Você não está presa, Mallory." "Eu estou." Empurrei-me para fora da cama e comecei a andar. "Eu estou presa e não posso passar por isso." Minha voz falhou e então eu estava falando mais rápido, expelindo mais palavras em um minuto do que eu normalmente fazia em cinco horas. "Esta noite foi à primeira vez para mim. Deveria ter sido divertido e grandioso, e eu nem sequer tentei me divertir. Eu nem experimentei. Eu não tentei. Não é verdade. Eu sou tão incompleta." “Mallory...” "Com você e eu tem sido sempre assim. Preciso de ajuda. Você... Você está certo lá. Eu estava desmoronando. E você me arruma, coloca tudo junto. Eu nem sequer tento mudar isso." "O quê? De onde diabos isso está vindo?" ele perguntou. "Isso é besteira." Eu balancei minha cabeça. "E você está tentando. Você está na escola. Você está fazendo amigos. Você está falando com as pessoas", ele persistiu. "Você só teve um revés. Isso é tudo." Era mais do que apenas um revés. "Estou com medo de tudo", eu admiti em voz baixa. "Tudo. Meu maior medo é o para sempre. Que eu vou ser sempre assim." Ele amaldiçoou. "Aquele desgraçado fez isso com você. A maneira como ele tratou você". "Ele te tratou da mesma maneira e você não está dessa maneira." "Eu não sou perfeito, Mouse. Nenhum de nós é, mas porra, eu odeio ouvir você dizer essas coisas, porque eu..." Sua visão veio através do telefone, soando muito cansada. "Eu não sei como fazer isso melhor." Nem eu.


E talvez... talvez ele nĂŁo iria fazer melhor. Rider tinha me dito, nada dura para sempre, mas algumas coisas, algumas cicatrizes, sĂŁo muito profundas para nunca desaparecer.


Capítulo 28

Quarta-feira

Ainsley

tinha

me

enviado

mensagens

no

computador.

Você está aí, estranha?

Enviei um sim rápido. Eu mal falei com ela desde a minha falha na festa, muito envolvida na minha própria cabeça para apreciar o fluxo de mensagens instantâneas cada vez mais ultrajantes que ela enviou nos dias que se seguiram. Desde aquela noite, eu sentia coceira e incômodo na minha pele. Eu queria tirar as camadas, mas não sabia como ou onde começar. O sentimento tinha permanecido até o início da semana. Eu não conseguia lembrar o que foi abordado em sala de aula. Keira tinha perguntado sobre a festa na segunda-feira, e eu tinha mentido, dizendo alguma coisa que não lembro. Eu sabia que Rider estava preocupado. Havíamos passado algumas horas juntos depois da escola na quartafeira, e eu senti como se tivesse tomado vários passos para trás. Eu estava hiper consciente de tudo o que ele fez e disse, o que significava que eu disse e fiz muito pouco quando nós andamos até Harbor. Rider me olhou como se ele estivesse com medo de que eu quebraria em qualquer momento, o que provavelmente era o que ele esperava. Ele só segurou a minha mão e me beijou na bochecha quando foi para a garagem trabalhar.


Eu fiquei no meu quarto desde que eu cheguei em casa, afastada, fazendo escultura em um novo pedaço de sabão. Eu não podia tocar a borboleta. Ela ficou na mesa, meio transformada. Nada que eu tinha criado com as novas barras de sabão parecia certo. Eu não poderia começar as pétalas direito sobre a rosa que floresceu. Eu tinha quebrado acidentalmente a orelha do coelho que eu estava trabalhando, e o gato parecia algo saído de um filme de Tim Burton, mas não tão interessante. Eu não estava concentrada. Não conseguia me concentrar. Talvez Ainsley pudesse me distrair. Uma nova mensagem apareceu.

Posso te ligar? Eu sei que você odeia falar ao telefone, mas quero ligar. Eu me endireitei, franzindo a testa. Para Ainsley realmente chamar significava que algo estava acontecendo. Algo mais do que apenas o meu silêncio e a falta de vontade de conversar por mensagem durante toda a semana. Claro, eu digitei Claro e meu telefone tocou poucos segundos depois. "Eu sei que os telefones não são sua coisa, mas eu só... Eu preciso de alguém para conversar", disse ela, com a voz quase um sussurro. "E você é a minha melhor amiga e eu..." Sua voz falhou, e meu peito apertou. "Eu só estou realmente em pânico." "É... é Todd?" Eu perguntei, movendo o meu laptop para fora do meu colo. A risada dela estava cortando. "Não. Eu queria que fosse apenas sobre ele." Dobrei meu braço sobre meu estômago. "O que... o que está acontecendo?" a respiração profunda de Ainsley era audível através do telefone.


"Você

lembra

quando

eu

disse

que

tinha

que

ir

ao

oftalmologista? Um especialista em retina por causa do que o médico viu quando eu estava fazendo os exames para os óculos novos". "Sim, eu... Eu me lembro." "Bem, eu vi o especialista esta tarde e eu... eu não entendo. Eu realmente pensei que ele ia dizer algo como você tem a visão de baixa qualidade ou você tem uma toupeira em seu olho. Sabia que você pode ter toupeiras em seus olhos? Você pode". "Eu não sabia disso." Mordi meu lábio inferior. "O que o... especialista disse?" "Eles dilataram os meus olhos e então verificaram a pressão neles. E estava um pouco mais alto do que o normal, mas não era grande coisa. Em seguida, eles fizeram imagens dos meus olhos... Você sabe, quando você tem que olhar para o X na tela? E então eles fizeram outra série de testes que eram os raios X, eu acho. Eles colocaram iodo em mim e, em seguida, passei por todas aquelas luzes nos meus olhos enquanto tiraram fotos. Foi muito estranho e isso mudou a minha visão para o vermelho e depois azul por alguns segundos”. Ela respirou fundo outra vez. "E então o especialista, finalmente, entrou e examinou meus olhos." Ainsley limpou a garganta antes de continuar. "Ele se sentou no banquinho, colocou essa geringonça na cabeça, que me fez lembrar de algo que os mineiros iriam usar, e ele... ele disse que tinha certeza que eu tinha essa coisa chamada retinite pig-ma-algo-coisa-tosa, mas ele precisava agendar um teste de visão de campo para ter certeza. Ele também disse que não estava inchando meus olhos. E era algo bom, então o que temos que fazer?" "Ok." Agarrei o telefone apertado. "E ele disse que para o inchaço ia prescrever um colírio. Algum tipo de esteroide. E fez soar como se o inchaço fosse bastante grave.


Algo chamado edema macular ou algo assim e que, se as veias ou algo rompessem, seria verdadeiramente ruim." Oh meu Deus. "Mas o... o colírio vai ajudar com isso?" "Sim." A voz de Ainsley parecia tensa. "Eu perguntei como ele iria tratar a coisa da retina e ele disse que não havia nada que pudesse fazer sobre isso. Não havia cura. E eu fiquei tipo ok, não é grande coisa, porque eu sempre tive menos do que uma visão perfeita, mas ele estava olhando para mim como se se sentisse mal por mim, e eu não consegui entender." Eu tive um mau pressentimento sobre isso. "Foi quando ele me disse que eu seria... Eu provavelmente ficaria cega ou quase completamente cega". "Ainsley," Engoli em seco, chocada. "E eles nem sequer sabem quando isso vai acontecer, mas isso vai acontecer. Há mais testes que tenho de fazer, mas ele começou a me dizer que eu poderia ou perder a minha visão periférica ou algo chamado visão de rede e..." ela parou com uma respiração profunda. "Ok. Eu não vou pirar." "É... não há problema em surtar sobre algo como isso", eu a tranquilizei. Esta era uma aberração oficial – situação fora de controle. "Eles têm certeza de que é realmente isso?" "Eu acho que sim, Mal, eu realmente penso assim. Até o assistente estava olhando para mim como se quisesse me abraçar e eu estava apenas sentada ali sem nenhuma reação em tudo. E eu vim para casa e ainda não tenho... não caiu a ficha. E se eu vou acordar amanhã, cega? Eu tenho talvez poucas semanas, ou um par de anos? Eu nem sequer sei o que pensar. Um par de horas atrás, tudo estava normal." Eu pressionei minha mão no meu peito. "Ainsley, eu... Eu sinto muito. Eu não sei o que dizer." E pela primeira vez não foi porque eu


estava presa na minha cabeça, mas porque eu honestamente não sabia o que dizer. Isto era grandioso. Esta era uma mudança de vida. "Eu espero... Eu espero que eles estejam errados." "Eu também," ela murmurou. "Há uma chance, sabe? Eles têm que fazer um teste de campo e eles estavam mencionando algum tipo de teste genético para confirmar, mas ninguém na minha família é cego. Eu não sei." "Há alguma coisa que eu possa fazer?" "Encontre-me novos olhos?" Ela riu, e por um momento, ela soou como se estivesse no seu estado normal. Quando dissemos boa noite, meia hora depois, eu ainda estava sofrendo com a notícia. Eu deixei cair o telefone na cama ao meu lado e olhei para o meu computador. Fechando meu laptop, empurrei-o do travesseiro e longe de mim. Ele deslizou para o meio da cama, parando quando chegou na minha mochila. "Oh meu Deus", eu sussurrei, fechando os olhos com força por um momento. Balançando as pernas para fora da cama, eu estava de pé e me dirigi para a porta, mas parei. Eu nem sabia onde eu estava indo. Ainsley estava ficando cega? Como isso era possível? Como você acorda uma manhã pensando que tudo estava bem, que hoje seria como qualquer outro dia, e depois te dizem algo parecido como isso? Eu não sabia o que pensar. Sentando-me na beirada da cama, eu lentamente baixei a cabeça. Eu não tinha ideia do que Ainsley deve estar passando, o que ela deve estar pensando. Ninguém nunca considerou a possibilidade de não tê-la. De não realmente saber o que parecia a cor vermelha ou como


o céu muda ao anoitecer. Se eu fosse ela, eu estaria em pânico. Eu estaria em uma bola fetal em algum lugar, balançando... Eu provavelmente nunca saberia. Porque eu não estou perder a visão. Pelo menos, tanto quanto eu saiba. Minhas mãos caíram dos joelhos enquanto eu me acalmava. Eu provavelmente nunca levaria um tiro nas costas e perderia a minha capacidade de andar. Eu provavelmente, e espero nunca mais sentir o que era ir para a cama com fome à noite, meu estômago tão vazio que doía. Eu não precisava me preocupar com todos tendo baixas expectativas de mim. Eu tinha Carl e Rosa, que se importavam comigo profundamente. Eu tinha grandes amigos, que estavam passando por algo sério, algo que mudaria sua vida inteira. Eu tinha Rider. Eu tinha todas essas coisas por causa da segunda chance que tinha sido dado a mim. Eu pensei sobre todas as pessoas que nunca teriam o privilégio de uma segunda chance de nada. Eu tive sorte. Minha vida tinha sido difícil, mas o passado... Era uma parte de mim, mas não quem eu era. Eu tinha um futuro, possivelmente, um bonito onde eu não seria uma... uma vítima, e ainda, quando eu me perdia na minha cabeça ou deixava que o Sr. Henry moldasse as minhas decisões, eu não estava abraçando o futuro . Eu não estava reconhecendo tudo o que tinha. Isso... Isso tinha que mudar. E

eu

pensei,

percebendo

consciente, que eu estava mudando.

exatamente

isso,

tornando-me


Capítulo 29

Rider sorriu quando olhou para a porta aberta do quarto, de onde ele estava sentado no assento da janela. Eu estava sentada no meio da cama com o meu livro de oratória aberto na minha frente. Nós deveríamos

estar

trabalhando

no

nosso

próximo

discurso,

que

estávamos prestes a entregar, algo que era importante para nós. Eu tinha dado o meu discurso persuasivo durante o almoço na semana passada, que não tinha sido difícil escrever embora ainda fosse doloroso de entregar, mas este era mais complicado. Havia tantas pessoas que eu poderia escrever sobre. Como eu poderia escolher apenas um? Respirando fundo, eu comecei a escrever novamente. Há várias pessoas importantes na minha vida, as pessoas que tiveram uma mão em mudar quem eu sou. Parei, suspirando. Parecia óbvio que eu ia escrever sobre Carl ou Rosa, mas colocando isso num papel, do porquê eles eram importantes para mim, era mais difícil do que eu imaginava. Eu não queria ir muito fundo em por que eles eram tão importantes, mesmo que o Sr. Santos provavelmente já soubesse parte disso. Rider puxou uma folha de caderno livre, amassou-o e, em seguida, jogou-a para mim. Eu não tinha ideia de quem era a pessoa que ele estava escrevendo em seu discurso. Quando eu perguntei, ele disse que iria escrever sobre Peter Griffin de Family Guy, e eu estava adivinhando — esperando — que ele não tinha sido sério, porque eu duvidava que o Sr. Santos iria apreciar isso.


Eu sorri quando pousou entre os pedaços de papel que eu tinha meticulosamente endireitado. Eu sabia que, mesmo sem abri-lo, seria um desenho de algum tipo. Este se tornou seu hábito durante o mês passado, quando estudamos juntos. Gostaria de estudar. Ele gostaria de chamar. Eu diria a ele para fazer sua lição de casa. Ele iria me distrair das melhores maneiras possíveis. As coisas ficaram... Diferentes, nas semanas seguintes à noite da festa de Peter. O teste de visão de campo de Ainsley tinha confirmado o que o médico havia diagnosticado. Ela estava perdendo a visão periférica, na verdade, ela já perdeu cerca de trinta por cento sem perceber. O doutor tinha dito que ela ainda teria vários anos de visão em funcionamento e que, com todos os avanços nesse campo da medicina, provavelmente haveria uma cura. Provavelmente. Ainsley realmente não fala sobre isso. Eu queria que ela falasse, porque eu sabia melhor, que ficar em silêncio nem sempre era a resposta. Havia algumas coisas que você precisava falar, e esta era uma delas. Carl realmente não se esquivou de Rider, nem mesmo quando ele tinha ido jantar na nossa casa, pelo menos uma vez por semana, mas pelo menos ele não tinha interrogado Rider novamente. Ele havia se tornado silencioso durante as refeições, enquanto Rosa manteve a conversa. Então isso foi ótimo. E as coisas com Rider estava indo mais do que bem. Estava sendo... Novo e excitante e fresco. Divertido. E quando eu fiz algo meio louco, há duas semanas, ele não tinha ficado louco ou desconfortável.


Como sêniores, tivemos uma reunião com o orientador para discutir faculdades e planos para o futuro, e enquanto eu tinha estado no escritório, eu escolhi uma aplicação SAT26. Não para mim. Eu já tinha pegado a minha já. Eu o peguei para Rider. Nesse mesmo dia, depois da escola, parei em uma loja de artigos de arte e comprei um genérico portfólio barato. Eu tinha dado as duas coisas para Rider naquela noite, depois do jantar, e ele olhou por tanto tempo para eles, no começo eu temia que tivesse cometido um erro. Mas então ele sorriu e me agradeceu. Eu só queria que ele visse que havia opções para ele e que ele devia estar orgulhoso do trabalho dele. Faculdade não deve ser deixada de fora se ele quisesse ir. No dia seguinte, ele tinha me levado para a galeria de arte na cidade onde sua pintura ainda pairava. E assim como no dia que ele tinha me levado para a fábrica abandonada, eu me vi transportada. Cinco pés de altura e quase tão largos, a pintura me lembrou da primeira que ele havia me mostrado. Era um menino, mas desta vez ele não estava olhando para o céu. Ele estava olhando para fora, olhando todos na cara enquanto caminhavam, desafiando-os a não apenas olhar para ele, mas para vê-lo. Fiquei maravilhada novamente no fato de que ele tinha feito isso com tinta spray. Como antes, tinha sido difícil desviar o olhar da pintura, e mesmo depois que saímos da galeria, eu não poderia esquecer o olhar de... Desesperança. O tipo de olhar que dizia que ninguém esperava que nada mudasse. Isso ficou comigo, então quando eu peguei a bola de papel que Rider tinha jogado. O primeiro desenho que ele tinha feito, enquanto nós tínhamos estudado foi para o horizonte de Baltimore. Eu o tinha feito colocá-lo no portfólio e seu rosto estava vermelho o tempo todo. Foi bonito. Havia 26

SAT é um teste de habilidades acadêmicas do estudante, utilizado para admissão em faculdades dos EUA.


pelo menos mais dois em cima da minha cama agora, o que seria perfeito para adicionar ao livro — o rascunho — que ele tinha desenhado, de um Golden Retriever adormecido em um mustang. Eu cuidadosamente abri a bola de papel. Minha boca ficou aberta de espanto e eu olhei para ele. "Você desenhou isso em dois minutos?" Ele deu de ombros quando ele girou a caneta. "Foi mais como dez." "Dez minutos? Isso ainda é inacreditável." Espantada, eu levantei o pedaço de papel. No tempo que tinha me levado a escrever uma única frase, ele esboçou a mim enquanto eu estava certa que levou um segundo. Ele havia capturado o coque bagunçado em cima de minha cabeça e replicado meu perfil enquanto eu olhava para o discurso que estava trabalhando. A testa franzida em concentração. Eu devo ter mordido meu lábio inferior. Havia até mesmo as sardas debaixo do meu olho direito. Cada detalhe gravado em tinta azul. Era eu, mas não se parecia comigo. Esta menina aparecia mais velha e mais madura. A inclinação dos ombros sofisticados. Soou estranho, mas quando eu olhei para o esboço, foi como ver uma versão diferente de mim mesma. Uma versão melhor de mim mesma. Será que eu realmente parecia com isso aos olhos dele? Debruçada sobre o meu ombro estava uma borboleta. Eu pensei que era uma adição estranha até que meu olhar se levantou do desenho e viajou para a mesa. A escultura da borboleta que eu tinha começado bem mais de um mês atrás ainda inacabada lá. Depois de olhar seu esboço. Eu coloquei o pedaço de papel no meu livro e cuidadosamente alisei a maioria das rugas. Este não iria para o portfólio. Eu manteria isso para sempre. "Você gosta disso?" ele perguntou.


"Eu amo isso." Ele riu, e quando olhei para ele, a caneta estava se movendo sobre seu caderno. "Você já escreveu alguma coisa para o discurso?" "Claro." "Você está mentindo." "Talvez." "Rider", eu suspirei. Ele olhou para cima através de seus cílios. "Não vai me levar tanto tempo escrever algo. Além disso, este é um modo melhor de usar meu tempo." "Como assim?" "Os desenhos fazem você sorrir", ele respondeu com um sorriso. "Trabalhar no discurso não faz nada." Isso... isso foi tão doce, eu queria abraçá-lo apertado, beijá-lo, também. "Trabalhando no seu discurso vai me fazer sorrir também." Suas sobrancelhas levantaram e, em seguida, ele virou seu caderno fechado. "Eu sei o que mais vai fazer você sorrir." "O quê? Você realmente fazendo algum trabalho de casa?" "Não." Ele olhou para a porta novamente e, em seguida, levantou-se. "Eu acho que eu me sentando mais perto de você vai te fazer sorrir." O menino me conhecia bem. Ele deu um passo mais perto. "Eu acho que segurando a sua mão vai fazer você sorrir." Me ajeitei para olhá-lo. "E eu acho..." Ele se sentou na beirada da cama e girou o corpo para o meu. "Eu acho que te beijar, você vai fazer sorrir também." Oh céus. Eu tinha perdido totalmente o controle desta conversa, mas eu gostei. Os cantos dos meus lábios inclinaram-se. "Eu acho que você está certo."


"Eu sei, mas..." Ele colocou a mão sobre a minha e baixou a voz. "Se Rosa vier até aqui e me pegar fazendo você sorrir dessa maneira, isso vai acabar mal". "Você não está preocupado com Carl chegando aqui?" A covinha direita apareceu quando ele sacudiu a cabeça. "Rosa me assusta mais." Rindo, eu empurrei o braço dele. "O quê? Ela é muito assustadora. Como uma fodona assustadora," ele respondeu. "Parece que ela sabe lutar estilo ninja". "Estilo ninja?" Eu ri novamente. "Posso garantir que... ela não sabe caratê." "Isso é um alívio." Inclinando-se, ele beijou minha bochecha. "É sobre esse tempo." Mal-estar enrolou abaixo no meu estômago. Partindo para uma segunda rodada. Essa ia ser uma festa muito diferente, não tão grande como a de Peter. Estava apenas saindo da casa de alguém, um cara da escola com quem Hector e Rider jogava basquete. Ainsley não iria com a gente, mas eu ainda estava nervosa. E se eu só corresse novamente, incapaz de fazê-lo? E se eu não falasse com ninguém? E se eu estiver tão preocupada em não fazer a coisa errada que eu nem sequer tentar? Ele inclinou a cabeça para o lado, os olhos procurando os meus. "Nós não temos que ir. Nós podemos ficar aqui. Ou ir ao cinema." Ficar aqui seria bom. Filme seria fantástico, mas o que isso seria pra mim? Balancei minha cabeça. "Não, eu quero ir." "Mouse..." "Estou falando sério." Eu abaixei meu queixo enquanto pegava o esboço de mim e fechei meu notebook. Lançando-o na beira da cama, levantei e fui até minha mesa. "Eu quero ir para a festa." "Não é realmente uma festa", disse ele. "Lá só vai ter um par de pessoas. Não é grande coisa que se perca. Vai ter mais."


Abrindo uma gaveta da minha mesa, eu encontrei o rolo de fita. "Estamos indo." Houve uma pausa. "Sim senhora." Eu esbocei um sorriso quando gravei o esboço na parede acima da minha mesa. "Espere aqui?" Seus olhos estavam sobre o esboço. "Não vou lugar algum." Caminhando para fora, peguei minha bolsa de maquiagem e levei para o banheiro do corredor antes de eu perder a cabeça e acabar mudando minha mente. Eu retirei o grampo de cabelo e, em seguida, passei uma escova nele. Eu rapidamente retoquei a maquiagem — batom, blush e acrescentei rímel. Imaginei que o vestido de malha e as meias finas eram bons o suficiente. Rider estava esperando por mim como ele disse, e quando eu entrei, seu olhar fez uma varredura lenta que deixou um rastro de arrepios. "Eu realmente amo quando seu cabelo está solto." Meu coração deu um pequeno salto para a palavra amor e eu disse ao meu coração para parar de ser estúpido. "Obrigada." Rider se levantou e com três passos ele estava na minha frente, levantando um fio pesado do meu cabelo. "Está uma cor linda agora. Não me interprete mal, o laranja era bonito..." Revirei os olhos. "O laranja não era bonito." Ele ignorou isso. "Eu não tenho ideia de que eu teria de misturar a cor certa para obter essa sombra, mas eu vou descobrir isso." Em seguida, ele abaixou a cabeça e beijou a sarda abaixo do meu olho. Eu comecei a me inclinar para ele, mas a voz de Carl ecoou pela casa, e eu percebi que não seria a melhor ideia. "Vamos fazer isso." Na saída, peguei meu telefone e uma pequena bolsa. Nós descemos as escadas até a cozinha, onde eu peguei as minhas chaves do balcão. "Vocês vão sair?"


Nós nos viramos ao som da voz de Carl. "Sim." Carl cruzou os braços, o olhar fixo em Rider. "E onde você está indo?" Eu respondi antes que Rider pudesse. "Nós estamos indo para casa de um amigo." "Eu pensei que vocês dois estavam estudando." Suspeita nublou o tom de voz de Carl. "E estávamos, mas já terminamos." O que não era uma mentira. Ele não pareceu acreditar em nós, mas antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, Rosa entrou na sala de estar. "Nenhum de vocês tem um casaco?" "Nós não vamos estar fora por muito tempo." Olhei para Rider. Ele estava vestindo apenas uma regata sob a camisa. Pelo menos o meu vestido de malha era grosso. Ele enfiou as mãos nos bolsos de sua calça jeans. "Obrigado mais uma vez pelo sanduíche, Sra Rivas." Rider tinha agradecido Rosa tantas vezes pelo sanduíche de presunto e queijo que ela nos fez quando ele chegou, que eu estava seriamente começando a acreditar que ele estava realmente com medo dela. Carl olhou Rider friamente. "Seu toque de recolher é as oito." "O que?" Meus olhos se arregalaram quando meu aperto aumento sobre as chaves. "Meu toque de recolher sempre foi às onze." Rosa deu um passo adiante, colocando uma mão no ombro de Carl. "Certifique-se que ela estará em casa antes das onze." "Eu vou trazê-la de volta as oito", disse Rider, e minha boca ficou aberta. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele acrescentou: "Eu prometo". Os lábios de Carl estavam pressionados em uma linha fina, e eu esperei que ele agradecesse a Rider ou algo assim, mas tudo o que fez


foi assentir bruscamente. Raiva picou na minha pele. Rosa estava tentando, mas Carl não estava. Em tudo. Abaixei, envolvendo minha mão na de Rider. Um músculo pulsava junto da têmpora de Carl, e eu apertei a mão de Rider. Eu não disse nada até que estávamos fora, à luz do sol brilhante. "Sinto muito sobre Carl," eu disse. "Ele é só... realmente muito protetor." "Está bem." Rider soltou minha mão quando nos aproximávamos do meu carro, e eu sabia que ele realmente não estava bem. "Eu entendo." Eu fiz uma careta. "Entende o quê?" Ele levantou um ombro quando pegou as chaves da minha mão. "Tudo."

***

O grande e degradado edifício industrial em frente às antigas casas de linha recordou-me um pouco da fábrica abandonada de Rider. Janelas foram tapadas e o tijolo vermelho desbotado estava coberto do chão ao teto de grafite. Eu sabia que não eram de Rider, porque esses não eram tão bonitos, mas criou uma estranha combinação de tons maçantes e brilhantes, cor em sua face. Rider parou em um estacionamento que estava parcialmente fechado com uma grande corrente como vedação. Metade do muro havia caído, e alguém tinha empilhado as seções quebradas em um canto do lote. O pavimento branco sujo ameaçou desmoronar sob nossos pés quando nós caminhamos para fora. "Está tudo bem parar o carro sem estacionados aqui?" Eu perguntei. Eu nunca tinha vindo a este bairro, mas eu sabia que não era muito longe de onde ele morava.


Rider assentiu quando eu deixei cair as chaves na bolsa. "Nada acontecerá com ele." Eu não estava necessariamente preocupada com qualquer um brincar com ele. Mais sim com ele ser rebocado devido a todos os sinais Não estacione preso em toda parte. Rider pegou minha mão enquanto atravessávamos a rua estreita. "Este é o lugar do Rico. Não é o mais agradável, mas não vai incomodar a senhora Luna quando ela chega em casa do trabalho." Minha garganta secou enquanto subíamos os degraus largos. Rider nem sequer bateu. Apenas abriu a porta e nós entramos à direita. Risos ecoaram pela entrada escura e havia aquele aroma rico, terroso. "Ei, cara", disse um cara mais velho. Ele estava sentado em uma poltrona, uma garrafa alta em sua mão. "E aí?" "Nada grande", respondeu Rider. Ele apertou minha mão. A sala estava cheia de gente. Meu olhar correu nervosamente enquanto Rider começou a me apresentar os caras na sala. Eu reconheci Rico, mas eu não tinha visto mais ninguém antes de hoje. "Esta é..." "Mallory", uma voz familiar disse atrás de nós. Paige. Eu fiquei tensa quando Rider virou no meio do caminho. "Ei você aí", disse ele quando ela lhe entregou um copo. Para mim não. Só ele. "Obrigado." "De nada." Seu olhar cintilou sobre mim. "Bonito vestido." Eu tinha a sensação de que não era necessariamente um elogio. Ela parecia incrível, como de costume, em jeans pretos apertados e um top de tiras brilhantes, cor prateada. Como ela não estava com frio? Talvez fosse porque ela era o diabo. O diabo que falou a verdade.


"Obrigada," eu murmurei de qualquer maneira. Aqueles eram praticamente as únicas palavras que ela tinha falado para mim desde o dia no corredor quando me disse que eu iria quebrar o coração de Rider. Eu sabia que eles ainda, por vezes, se falavam. Eu estava bem com isso, desde que eu não fosse arrastada para conversas com ela. Paige arqueou uma sobrancelha. Ela não ficou em pé como nós na sala de estar. Ela escorregou, balançando os quadris e tudo. Ela se sentou no sofá, entre dois caras mais velhos que acenaram para Rider. Eles estavam concentrados na TV, os dedos voando sobre os controladores de jogos. "Há bebidas na cozinha." Rico balançou a cabeça em minha direção. "Se ela quiser alguma coisa." "Legal." Rider me puxou ao redor e nós andamos pelo corredor, em uma cozinha escassa. Caixas de cerveja vazias foram empilhadas ao lado de uma lata de lixo transbordando. Ele colocou o copo que Paige lhe entregara em cima do balcão e, em seguida, caminhou até a geladeira. Um cheiro forte bateu no ar quando ele abriu a porta. "Há um pouco de Mountain Dew aqui. Esse está bom para você?" Balancei a cabeça. "Então Paige vem muito aqui?" Ele deu de ombros, enquanto entregava uma lata para mim, em seguida, pegou uma para si mesmo. "Às vezes. Rico é um amigo da família dela." "Você não vai beber... o que Paige lhe deu?" "Não." Por alguma razão infantil estúpido, e mais provável, eu estava feliz por ouvir isso. Rider fechou a mão ao redor da minha nuca e baixou a cabeça. Quando ele falou, sua respiração quente dançou sobre meus lábios. "Como você está se sentindo?" "Bem", eu murmurei. "Acabamos de chegar aqui."


"Eu estou verificando, no entanto." Sua cabeça inclinou ligeiramente, e eu tremi. "Eu vou fazer muito isso, e quando você quiser sair, basta me dizer. Certo?" "Ok." Ele me beijou suavemente e depois se afastou. Eu senti meu rosto quente enquanto caminhávamos de volta para a sala de estar. Rider parou na porta. "Onde está o Hector?" "Andar de cima." Rico tomou um gole da garrafa. Rider olhou para mim. "Quer ver o que ele está fazendo?" "Claro", eu disse, tentando falar mais alto, mas ele veio transversalmente como um sussurro. Ele sorriu de qualquer maneira e, em seguida, abriu o caminho. O andar superior era um pouco mais frio do que o de baixo, e Rider parecia saber para onde estávamos indo, porque ele foi direto para a segunda porta e bateu os dedos nela. "Ei", veio em resposta. "Sou eu. Você está ocupado? Mallory está comigo." "Sim, me dê um segundo." Houve um som de algo rangendo e, em seguida, uma menina riu. Minhas sobrancelhas subiram, e Rider estremeceu. "Ei, voltamos depois", ele gritou, sorrindo para mim. "Não queremos..." A porta se abriu. Hector estava endireitando sua camisa com uma mão. Tínhamos então interrompido alguma coisa. "Não. Não tem problema. Vamos entrar." "Tem certeza?" Hector balançou a cabeça quando abriu ainda mais a porta. Uma menina de pele escura se sentou na beirada do sofá. Ela sorriu quando entramos.


Uma vela estava queimando em uma cômoda, e lembrou-me de bolinhos de açúcar. Eu me perguntava que quarto era esse. Então, novamente, ele não se parecia realmente com um quarto. "Você conhece Rider?" Hector perguntou à menina, e ela concordou com a cabeça. "Legal. Uh, esta é Sheila e essa é Mallory." Sheila sorriu. "Oi." "Oi," eu murmurei. Hector foi até um pufe vermelho escuro e se sentou nele. "Então, quando é que vocês chegaram aqui?" Ele perguntou quando nos sentamos no pufe ao lado de Sheila. "Faz pouco tempo", Rider respondeu. Hector olhou para mim antes de continuar. "Todo mundo ainda está lá embaixo?" Ele assentiu. "Rico e os caras estão jogando Assassin’s Creed. Parece bastante intenso." Rindo, Hector estendeu a mão e agarrou um vidro transparente fora da mesa final pequena. "Soa como normal. Vocês planejam sair por um tempo?" "Talvez." Rider bateu o joelho dos meus. "Podemos pegar um filme ou algo assim. Não tenho certeza." "Parece bom. Você foi ao jogo mais cedo?" Hector perguntou, e como os meninos começaram a falar sobre um jogo de basquete, olhei para Sheila. Ela estava olhando para o telefone, digitalizando o que parecia ser o Facebook. Havia tanta coisa que eu poderia dizer agora, tantas perguntas que eu poderia fazer. Minhas opções eram ilimitadas, mas minha língua estava pesada. Comecei a olhar para longe, mas me contive. Isso não era o que eu precisava fazer. Eu precisava falar. Eu precisava não fazer o que eu normalmente fazia, o que só foi encerrado.


Eu forcei meus lábios e língua se mover. "Então... você vai para Lands High?" Pronto. Consegui fazer isso. E eu consegui não sorrir como uma tola, também. Sheila olhou para cima. "Não." Ela sorriu. "Eu realmente estou na Universidade de Howard. Estou apenas visitando no fim de semana." "Oh." Surpresa, olhei para Hector, mas nenhum dos caras estavam prestando atenção em nós. "Hum, o que... o que você está estudando?" Ela enganchou uma longa perna sobre a outra. "Pedagogia. Este é o meu primeiro ano." "Isso é... isso é legal. Você... sempre quis fazer pedagogia?" "Praticamente", ela respondeu, e eu estava com inveja, porque eu não tinha certeza do que eu queria fazer. Ou talvez eu tivesse, mas Carl e Rosa não estavam exatamente entusiasmados com a ideia. "E você? Você está planejando ir para qual faculdade?" Eu concordei e coloquei meu refrigerante no chão. "Universidade de Maryland. Eu não sou... Não tenho certeza do que vou estudar ainda." "Você vai descobrir isso. Há calouros na minha faculdade que ainda não sabem o que querem fazer." O telefone dela apitou. "Então, vocês todos vão para a mesma escola?" Eu balancei a cabeça. A conversa entre nós abrandou e eu foquei no que os caras estavam falando. Tinham mudado de basquete para futebol, e eu perdi a noção do tempo. Talvez uma hora tenha se passado quando Hector levantou-se e Sheila fez o mesmo. "Nós estamos indo lá para baixo," Hector anunciou, caminhando para a porta. "Vamos descer em um minuto."


O sorriso de Hector era astuto quando fechou a porta atrás deles. "Claro. Claro. Leve o seu tempo." Torci para Rider. "Por quê..." Eu não tive a chance de terminar de falar. Sua boca estava na minha em um beijo doce, rápido demais. "Estou orgulhoso de você", ele murmurou contra os meus lábios, e eu sorri, porque eu sabia do que ele estava falando. A pequena conversa que mantive com Sheila não era muito, mas era algo importante. Eu estava fora do meu elemento, mas eu não tinha apenas ficado lá, paralisada. Colocando minhas mãos em seu peito, eu sorri contra seus lábios. "Ela parece muito legal." "Sim." Ele beijou o canto da minha boca. "Eu tenho certeza que nos os interrompemos totalmente." Eu ri. "Sim. Acho que fizemos, também." "Nós somos amigos tão terríveis." Ele segurou meu rosto. "Mas você sabe o que?" "O que?" "Eu com certeza vou tirar proveito do fato de que estamos sozinhos." Ele fez uma pausa, e meu estômago mergulhou como se eu estivesse em uma montanha russa. "O que você acha disso?" Baixei a mão ao joelho. "Eu acho... Eu acho que eu gostaria disso." "Boa." Ele inclinou a cabeça. "Porque eu acho que eu vou realmente, realmente gostar disso." Rider me beijou então, e foi lento e suave, e aqueceu meu sangue. Eu não sabia quanto tempo o aveludado, macio beijo continuou, mas depois de intermináveis momentos isso mudou, se aprofundou. Sua língua se moveu contra a minha, e eu... Eu nunca tinha sido beijada assim antes. Nunca senti nada assim antes.


Ele fez esse barulho na parte traseira de sua garganta, e meu coração estava trovejando no meu peito enquanto ele se inclinou para mim. De alguma forma, eu acabei de costas e Rider estava ao meu lado no pufe. Sua mão deslizou pelo meu braço, e era só ele e eu. Não estava pensando sobre este quarto estranho ou as pessoas do andar de baixo. Eu não estava pensando em nada que não fosse como ele me fazia sentir, como ele me beijou, me tocou, como se eu fosse algo precioso e inestimável para ele. Minhas mãos tinham mente própria, e o estava tocando de maneiras que nunca tinha feito antes. Eu puxei sua camisa e Rider respondeu imediatamente. Ele levantou-se e colocou a mão ao redor da nuca. Agarrando um punhado, ele puxou a camisa e retirou em um movimento suave. Chupei o ar quando tive uma boa visão de Rider sem camisa. Foi... Uau. Com exceção de TV e filmes, ele foi o primeiro cara que eu tinha visto sem camisa na vida real. Carl não contava, porque isso era, bem, estranho. "Você pode me tocar se você quiser", ele ofereceu. Eu queria. Mordendo o interior da minha bochecha, coloquei minha mão no centro de seu peito. Pelos rijos fizeram cócegas na minha palma. Eu podia sentir seu coração batendo. Lentamente, eu arrastei minha mão para baixo, sobre os músculos bem firme da sua barriga. Ele empurrou quando minha mão alcançou a banda em seu jeans. Eu tirei minha mão de volta, meu olhar piscando para seu rosto. "Está bem." Sua voz soava áspera. "Mais do que bem." Toquei novamente, eu deslizei minha mão sobre a barriga dele, evitando seu jeans neste momento. Eu amei a sensação dele. Tanta força sob a pele macia. Rider volta para o meu lado e colocou a mão na minha cintura. Ele me beijou novamente, e rapidamente me distraiu das minhas explorações. Eu me perdi nos beijos e na forma como meu corpo estava


respondendo a eles. Os músculos baixos da minha barriga apertaram. Minha cabeça girava enquanto sua mão moveu para meu pescoço, demorando-se e descendo pelas minhas costas, de forma que causou a mudança na minha respiração. Então ele foi descendo, deslizando sua mão debaixo da bainha do vestido de malha e ao longo da meia calça. Sua mão deslizou sobre a minha coxa e, em seguida, entre elas. Todo o meu corpo parecia que estava pegando fogo. A tensão construída dentro. Foi quente e apertada e eu não entendia. Mal-estar enrolou para baixo no meu estômago enquanto eu segurava seu braço. Parte do calor desapareceu quando meus olhos se abriram. "Rider", disse eu, e ele me beijou novamente, e por um momento, eu me perdi naquele beijo, perdido no que sua mão estava fazendo. Era bom, mas eu... Oh, Deus, eu não estava pronta para isso. "Podemos... ir mais devagar?" Eu sussurrei, minha mão apertando ao redor de seu pulso. Sua mão imediatamente se acalmou quando ele levantou a cabeça. "Sim. Sim." Ele limpou a garganta quando aliviou mais, puxando sua mão para longe de mim. Eu fechei meus olhos com força contra a queimadura súbita de lágrimas. Deus. Eu nem sequer sei por que eu não estava pronta ou se eu deveria estar. Eu não tinha ideia, e agora eu temia. "Eu machuquei você?" Meus olhos se abriram. "O que?" Ele estava me olhando atentamente. "Fiz algo de errado?" Eu não podia responder. Nada do que ele tinha feito parecia errado. Muito pelo contrário. "Se eu fiz, eu realmente quero saber. Eu prometo que eu vou..." "Você não me machucou", eu disse. "Eu só... Por que você acha isso?"


Ele baixou o olhar. "Eu... Eu não fiz um monte de coisa." Suas bochechas ficaram coradas e meus olhos se arregalaram. "Quero dizer, eu fiz algumas coisas, mas não muito. Eu não tenho... tido relações sexuais." Por um momento longo eu não pude responder. Tudo que eu podia fazer era olhar para ele. "Você é virgem?" Um lado de seus lábios moveu para cima. "Sim. Você parece surpresa." "Eu estou. Eu pensei... eu não sei. Você estava com... Paige. Eu apenas assumi que você teve relações sexuais antes." "Isso é definitivamente um não", respondeu ele, pegando minha mão. "Você está me olhando como se não entendesse como é possível." Ele poderia realmente ler mentes. "Chegamos perto, mas eu só nunca — eu não quis ir tão longe." Ele encolheu um ombro nu. "Eu não fiz isso, também," eu soltei. "Quero dizer, é super óbvio, já que... você é o primeiro garoto que eu beijei, mas sim, eu nem sei... O que estou dizendo é que eu vou só para calar a boca." Rider riu. "Não. Eu adoro quando você divaga." "Somente você iria gostar disso." Eu enrolei meus dedos nos seus. "Você quer... ir tão longe comigo?" Seus

cílios

e

os

olhos,

com

as

manchas

esverdeadas,

encontraram os meus. "Sim. Sim, eu quero. Algum dia." Calor varreu meu rosto enquanto eu sussurrei, "Eu... eu quero isso também. Algum dia". A covinha na bochecha direita apareceu. "Então queremos as mesmas coisas." "Sim." Ergui a cabeça e beijei-o. "Sinto muito sobre parar. Era bom, mas..."


"Mallory, por favor, não se desculpe." Rider sentou-se, puxandome junto com ele. "Nós podemos fazer o que você quiser, ir tão longe quanto você quiser e vamos sempre parar quando quiser, não importa o que. Você me entende? Não há nada para se desculpar e essa é a forma como deve ser sempre." Meu Deus. Rider não era perfeito, mas ele estava bem perto. Na verdade, ele estava perfeitamente imperfeito. A corrida vertiginosa me atingiu, e eu sorri para ele. "Devemos ir até lá, hein?" ele perguntou, e eu assenti. Rider pegou sua camisa e vestiu-a, fazendo uma pausa para sorrir para mim. "Desculpe. Eu vou ter que me cobrir. Eu sei que não é justo." Eu ri quando ele deu de ombros já vestido. "Realmente não é." Ele pegou o telefone enquanto sorriu para mim. "Merda. Minha bateria está prestes a morrer." "O meu está carregado." "Legal. Podemos usar o seu mais tarde para ver se existem bons filmes em cartaz." Ele me ofereceu sua mão e eu peguei. A vertigem me seguiu no caminho para baixo. De volta à sala de estar, Rider sentou em uma das cadeiras de plástico perto do sofá e me puxou para o seu colo, enrolando os braços em volta da minha cintura. Eu não vi Sheila ou Rico. Foi então que eu percebi que tinha deixado as nossas bebidas no andar de cima. "Agradável da parte de vocês, se juntar a nós", Paige comentou, enquanto olhava por cima do ombro. Os braços de Rider apertaram em torno de mim quando Hector riu. "Metete en tus asuntos"27.

27

Tradução: Cuide da sua vida.


Ela lançou-lhe um olhar sujo quando ouvi a porta da frente ser aberta. Alguns segundos depois Jayden entrou. Ele nos viu e sorriu largamente. "Ei! Não sabia que vocês estavam aqui." Ele arrastou-se. "Impressionante." "Ei," eu disse, sorrindo para ele. As contusões há muito desapareceu, e Jayden me olhou da maneira como fez no dia que eu o conheci. "Nós provavelmente estamos saindo em breve", disse Rider. "Para assistir um filme." Jayden se inclinou contra a parede enquanto olhava ao redor da sala. "Eu vejo como é. Você faz cena, pois sabe que não tem chance com Mallory agora que estou aqui para mostrar-lhe como um homem de verdade se parece." Ele piscou quando Rider apenas balançou a cabeça. "Tudo

bem,

saiam.

Mas

nenhum

filme

mudo

será

tão

interessante como ‘Jayden Show’. E eu não cobro entradas." Rider riu. "Tanto faz, homem." "Rico está aqui?" Jayden perguntou. "Ele estava. Não tenho certeza de onde ele está agora." Ele balançou a cabeça lentamente enquanto enfiou as mãos nos bolsos. "Qual filme vocês vão ver de qualquer maneira?" "Eu não... sei", respondi quando Rider permaneceu quieto. Uma ideia se formando. "Você quer vir?" Jayden piscou como se fosse surpreendido. "Ah, isso é doce, mas eu não sou bom sentado em um cinema." Minhas sobrancelhas franzidas. "Por quê?" "Porque ele ia falar," Paige respondeu do sofá. "Ele literalmente fala durante o filme todo." "Verdade," um dos outros caras respondeu. Eu sorri.


"É verdade. Sabe, eu gostaria de adicionar um comentário de vez em quando", explicou Jayden. "Mas, por alguma razão as pessoas se chateiam com isso." "Eu posso imaginar," Rider respondeu secamente. "Eu gosto de pensar que adiciono a verdade ‘iluminando a experiência’", disse Jayden. Paige bufou. "Eu não acho que iluminar é a palavra certa." "Minha presença inteira ilumina", ele respondeu. Hector olhou por cima do ombro, sobrancelhas levantadas. "Eu posso soltar algumas palavras que descrevem a sua presença. Iluminada não é uma delas." Jayden sorriu para seu irmão. "Você sabe o que dizem." "O que?" Hector esperou. Ele piscou. "Odeie o jogo, não o jogador." Hector balançou a cabeça enquanto olhava. "Isso nem sequer faz sentido nessa conversa." "Isso é porque é muito intelectual para você", Jayden replicou. Seu irmão revirou os olhos. "Tanto faz. Você preencheu o requerimento?" Jayden assentiu. "Sim, pai. Está sobre a mesa de café em casa para você pegar amanhã." "Requerimento?" Eu repeti, esperançosa. "Hector não consegue ficar um minuto sem mim, então eu vou tentar dar certo com ele no Mac Donald's", disse Jayden. "Tem que conseguir uma autorização e outras coisas." "Sim." Hector riu. "É exatamente por isso que eu quero que você trabalhe comigo."


Estava feliz em saber que ele estava fazendo algo que seu irmão tinha pedido para fazer, eu sorri para Jayden. "Fantástico." Seu olhar encontrou o meu. "Realmente," eu repeti. "Sim." Jayden abaixou o queixo enquanto seu rosto se aprofundou na cor. "Tem que começar em algum lugar, sabe?" "É um bom lugar para começar...", eu disse a ele. Nós ficamos para relaxar por mais uma hora, e qualquer nervosismo do início desapareceu com Jayden lá, tirando sarro de si mesmo e fazendo piadas entre brincar com seu telefone. Suas mensagens seguiam um fluxo louco, e pelo tempo que nos despedimos e caminhamos para fora, eu juro que ele tinha enviado cerca de vinte mensagens. Jayden nos seguiu para fora, os dedos voando sobre o teclado. Rider passou o braço sobre meus ombros quando começamos a atravessar a rua. "Qualquer ideia de que filme — Uau!" Ele me puxou de volta contra um caminhão estacionado quando um carro rugiu na rua, parecendo vir do nada. Houve um som gritando e avistei a janela do passageiro rolando. Fogos de artifício explodiram, do tipo que estalou e bate quando você se joga no chão. Só que não eram fogos de artifício. Aquele som. Não era... Ar socou para fora dos meus pulmões enquanto eu batia no chão, um peso caiu em cima de mim. Horror me sacudiu quando meu cérebro registrou o que era esse som. Eram tiros.


Capítulo 30

Pneus derrapando, levantando cascalho. Seixos minúsculos pulverizando o ar, atirando nas minhas bochechas. Minhas mãos ardiam sobre o asfalto, mas a dor mal se registrou. Comecei a levantar a cabeça. "Rider?" Eu sussurrei. "Estou aqui." O peso deslocado de cima de mim, e ele disse algo mais, mas o bombeamento de sangue em meus ouvidos fez a voz dele vir e esmaecer. "Você está bem?" "Sim." A adrenalina corria em minhas veias, empurrando a descrença de lado. Meu olhar voou pelo parque de estacionamento e, em seguida, parou na pessoa deitada de lado. "Meu Deus..." Rider subiu rapidamente. "Não, não." Ele saiu em disparada em frente ao estacionamento. Eu congelei. Não acreditando no que estava vendo. Eu não podia me dar ao luxo de acreditar. Meu coração gaguejou no meu peito. Meu estômago se retorceu dolorosamente. Oh, Deus, isso não estava acontecido. Isso não estava acontecendo. Esses tipos de coisas não acontecem em plena luz do dia. Elas não acontecem bem na minha frente. Elas não acontecem com alguém que eu conhecia. Elas não... Esses pensamentos eram tão estúpidos, porque isso aconteceu. Isso estava acontecendo com Jayden. Jayden estava deitado de lado.


Isso estava acontecendo com Jayden deitado de lado com poças de líquido escuro no chão debaixo dele. "Oh, merda. Oh, merda." Rider caiu de joelhos ao lado de Jayden. "Puta merda. Jayden? Não. Que diabos. Não!" Sua voz quebrou na última palavra e ele gritou de novo, a palavra arrancando dele, rasgando todo o barulho. "Não!" Com os braços trêmulos, me coloquei de joelhos e, em seguida, me levantei. Balançando, tropecei para frente, movendo minha boca, mas não havia palavras. Rider olhou para mim, os olhos arregalados. Ele ergueu as mãos. A mesma substância escura cobriu suas mãos. Eu dei uma guinada para o lado, pressionando a palma da mão contra a minha boca. Horror bateu em mim com a força de um trem de carga, como um boliche. Um milhão de pensamentos se passaram na minha cabeça quando olhei ao redor. As pessoas estavam se reunindo, saindo das casas nas proximidades. Alguém estava chorando. Gritos ainda rasgaram o ar frio. Tudo estava correndo em torno de nós, mas parado ao mesmo tempo. Eu precisava de ajuda. Nós precisávamos de ajuda. Eu sabia o que fazer. Peguei meu telefone e ouvi sirenes ligadas. Ajuda já estava chegando. Olhei de volta ao redor, e Jayden estava agora deitado de costas. Eu sabia que ele não se mexia, porque eu vi seus olhos. Eu já tinha visto olhos assim antes. Eles estavam fixos em nada, sem brilho e cegos. Oh Deus. Oh Deus. Rider estava tocando a garganta de Jayden e ele estava balançando a cabeça. Os dois manchados. Andei ao redor das pernas imóveis de Jayden, meus passos irregulares. Eu me ajoelhei e caí de joelhos ao lado Rider. Coloquei a mão tremendo em seu braço. Ele estremeceu enquanto seu olhar se voltou para o meu.


Alguém gritou e o pequeno semicírculo de pessoas se separou quando alguém alto afastou para entrar. Rider se pôs de pé quando Hector tropeçava. Ele deu um passo para trás e, em seguida, dobrou, batendo as mãos nos joelhos. "Não. Não. Não. Isso não, não. Meu...". Então Hector saltou para frente. Rider passou os braços ao redor da cintura. "Você não quer ver isso, cara. Você não...". "Cara, esse é meu irmão?" Ele lutou para passar por Rider, voz embargada como um chicote. "Cara, é meu irmão?" Rider andou, segurando Hector de costas enquanto ele gritava: "Esse é meu irmão?" Mais e mais, ele perguntou e cada vez era como ouvir os tiros pop. "Ah, cara, não. Não. Não! Esse não é Jayden. Não é ele. Esse não é ele no chão!" Meu coração desabou. O som das sirenes se aproximava, abafando tudo, exceto, a voz quebrada de Hector, o som de desgosto absoluto.

***

Vermelho. Azul. Vermelho. Azul. Horas mais tarde, e eu ainda podia ver as luzes girando e piscando. Não importava se os meus olhos estavam abertos ou fechados. Eu ainda podia ver e o mar de uniformes azuis que tinham invadido a rua e o estacionamento. Tudo tinha sido um borrão de perguntas e rostos, e eu não sabia quanto tempo se passou. A polícia me fazendo perguntas que eu não podia responder. Em seguida, dois homens de terno estavam lá, fazendo as mesmas perguntas. Eu estava separada de Rider, empurrada para trás pelos paramédicos e depois pela polícia. A multidão havia sido rígida, e levou uma eternidade para voltar para o meu carro e encontrar


minha mochila. Eu tentei ligar para Rider, mas minhas mãos tremiam tanto. Ele tinha me encontrado, porém, espreitando para fora da multidão. Eu gritei quando o vi e ele se moveu até me tocar, suas mãos pairando em cada lado do meu rosto, mas ele não o fez. "Eu tenho que ficar com Hector," ele disse. "Vá para casa e fique lá." "Mas..." "Por favor, apenas vá embora daqui. Por favor", disse ele de novo, com o rosto mesclado em várias cores. "Basta sair daqui. Vá para casa e fique lá, ok? Eu te ligo quando puder." Meu coração tinha estado trovejando no meu peito. "Eu não quero deixá-lo. Não agora...". Eu comecei a olhar à minha esquerda, onde uma lona amarela foi colocada. "Eu..." "Não olhe. Deus, já é tarde demais, não olhe." Ele tinha se movido, bloqueando minha visão. "Por favor, Mallory. Por favor, saia daqui." Essa era a última coisa que eu queria fazer, mas ele estava me implorando e eu nunca tinha ouvido Rider implorar antes, nem mesmo quando ele foi para cima do Sr. Henry. Então, eu balancei a cabeça, e Rider me beijou, em seguida, um segundo beijo, quase brutal que provei com raiva e medo. Quando ele foi embora, eu queria segui-lo. Mas entrei no meu carro e fui para casa quando ele teve que implorar. Atordoada, dormente, eu estacionei meu carro e peguei minha mochila. Sentindo-me como eu estivesse andando através da areia, eu fui para dentro e estremeci com os ruídos familiares, normais. Carl estava estudando, à minha esquerda, falando ao telefone. Rindo. Vivo. Na cozinha, eu podia ouvir a água corrente. "Mallory?"

Rosa

chamou.

"Você

não

respondeu

minha

mensagem. Rider está vindo para o jantar?" Uma risada seca, quase


inaudível raspou a minha garganta. Rosa estava tentando. Ela realmente estava, mas Rider não estava vindo para o jantar. Eu não respondi. Arrastei-me até as escadas. Ouvi Rosa chamar meu nome de novo, mas eu continuei andando. Uma vez dentro do meu quarto, eu parei no meio do cômodo e virei em um círculo lento. Eu vi tudo, mas realmente não vi nada. Sentei-me na beira da cama, me forçando a tomar profundas respirações, até mesmo enquanto eu esfregava as mãos nas meias. Pressionando minhas mãos no rosto, cobri meus olhos e abri minha boca. Eu gritei, mas não havia nenhum som. Doeu, no entanto, rasgando garganta à baixo. Tentei processar o que aconteceu, mas tudo que eu conseguia pensar era Jayden andando até o meu armário no meu segundo dia de aula. Ele tinha puxado a trança de Paige, chamando-a de Katniss do gueto e, em seguida, falou como se me conhecesse há anos. Tudo o que eu conseguia pensar era em Jayden no carro no primeiro dia de escola. Eu podia ouvir sua risada e se eu respirasse profundamente o suficiente eu tinha certeza que ainda podia sentir o cheiro de terra que se agarrava a ele. Eu não veria, ouviria ou sentiria o cheiro de nada disso novamente. Para sempre. Eu não entendia. Ele disse que tinha objetivos diferentes agora, e ele tinha finalmente ouvido seu irmão e Rider. "Oh meu Deus", eu sussurrei. "Mallory?" A voz de Rosa estava mais perto, no topo das escadas. "Você não respondeu..." Ela apareceu na porta, com os olhos arregalados. "Mallory!" Ela correu para o quarto. "Meu Deus, o que aconteceu?" Olhei para ela por um momento e, em seguida, olhei para baixo. Tirei minhas mãos das pernas. A meia calça estava manchada, embebido em um vermelho escuro. "Oh meu Deus..." Só poderia ser


quando me ajoelhei na direção de Jayden do... Meu estômago virou. "Mallory." Ela apertou meu queixo com os dedos frios, inclinando minha cabeça para trás. "O que aconteceu com você? Seu rosto? Você está bem?" Em uma parte distante do meu cérebro, eu percebi que este era o maior pânico que eu já tinha ouvido na voz de Rosa. Ela sempre foi tão calma e serena. Sempre tão responsável, mas ela estava me tocando, alisando meu cabelo para trás do meu rosto e ela parecia o que eu sentia por dentro. Fora de controle. "Fale comigo, querida." Ajoelhando, ela agarrou minhas mãos e segurou. A pele era crua e vermelha. "Diga-me o que aconteceu?" Eu balancei minha cabeça. A dor física que eu sentia era nada. "Eu... Jayden está morto." "O que?" Ela piscou, e só então me dei conta de que ela não sabia sobre Jayden. Não pelo nome. "O que você está dizendo?" Eu sabia pelo seu olhar escuro e as palavras saíram. "Eles atiraram nele. Ele estava andando pelo estacionamento e eles chegaram num carro e eles só... Eles simplesmente atiraram nele. Ele estava parado lá e então ele se foi." Eu balancei minha cabeça. "Eu não entendo. Eles apenas chegaram e começaram a disparar. Ele é... ele tinha apenas quinze anos, Rosa. Ele era...". "Oh Deus." Ela alisou as mãos pelos meus braços. Alguns momentos se passaram antes dela falar. "Como isso aconteceu?" ela perguntou quando ergueu as mãos. "Rider. Ele... se jogou." Eu olhei para minhas mãos arranhadas em cima. "Minhas mãos rasparam no asfalto." Engoli em seco, olhando para os arranhões vermelhos brilhantes. "Pedaços de rocha estavam voando por toda parte." "Você estava com Rider? Onde ele está agora?"


Eu balancei minha cabeça. "Ele está com Hector. Ele é... é o irmão de Jayden." Rosa gentilmente me colocou de pé. "Comece desde o início, e diga-me tudo." Enquanto eu falava, sua mandíbula endureceu. Ela me levou para o banheiro e abriu a torneira. Ela tinha me sentado e ficou em silêncio enquanto limpava minhas mãos e bochechas, assim como eu tinha feito no dia que Rider tinha vindo para a casa. As mesmas pessoas que tinham machucaram Rider tinham provavelmente sido os que fizeram isso... Que mataram Jayden. O peróxido picou na minha pele, mas eu ainda estava sentada. Em algum momento, Carl enfiou a cabeça para dentro do quarto, mas Rosa mandou-o embora. Quando ela saiu, pegou bolas de algodão e as jogou no lixo. Ela se ajoelhou na minha frente novamente. "Por que você não se limpa? Deixe as roupas no corredor. Eu vou jogá-las fora." Concordei com a cabeça. Seu olhar procurou o meu e então ela me abraçou apertado. "Sinto muito sobre seu amigo e que você teve que passar por isso." Ela se afastou, deixando as mãos nos meus ombros. "Eu sinto muito. E eu estou tão feliz que você está segura." Meu lábio inferior tremeu. Rosa segurou o meu olhar quando se levantou e, pela primeira vez, ouvi a vibração da voz. "Era por isso que Carl não queria você com Rider. Este era o motivo."


Capítulo 31

O que Rosa disse antes de sair ecoou enquanto eu tomava banho e me vestia rapidamente. Sujeira se agarrou em um pedaço de pele no meu joelho esquerdo, mas eu ignorei enquanto caminhava para o meu quarto. Pegando minha bolsa, abri o compartimento lateral e tentei ligar para Rider. Nenhuma resposta. Abrindo a tela de texto, eu digitei: você está bem? A mensagem foi enviada completamente e debaixo dela mostrou entregue. Eu esperei. Nenhuma resposta. Virei-me de lado, tirando o cabelo úmido do meu rosto. Eu não deveria ter deixado Rider. Eu deveria ter ficado com ele, com Hector. Eu não poderia ter ajudado qualquer um deles, mas eu poderia estar lá para eles. Só que eu os tinha deixado. Eu fiz o que me foi dito, como sempre, e eu deixei. Eu não tinha certeza se o deixando estava certo ou errado. Olhei para o meu telefone e comecei a ligar para Ainsley, mas parei. Eu não sabia como dizer a ela o que aconteceu especialmente com tudo o que ela estava passando. Sentei-me

na

cama

e

eu

não

me

mexi.

Minutos

se

transformando em horas. O céu escureceu fora da janela. Deitei-me, segurando o telefone perto. Minha cabeça estava estranhamente vazia, exceto por um zumbido baixo, como se fosse quando a gente tem um resfriado. Devo ter adormecido, porque quando pisquei e a luz solar estava atravessando as cortinas. Minúsculas partículas de poeira dançavam nos córregos. Com a boca seca, me sentei e desviei o olhar.


Olhei para a porta fechada, sabendo que eu tinha deixado aberta ontem. Por alguns minutos eu não conseguia lembrar exatamente por que houve essa agitação horrível na boca do estômago. Jayden. Meu corpo idiota estremeceu quando girei à cintura para procurar meu telefone na cama. Aqui! Estava entre os travesseiros. Peguei e bati na tela. Sem chamadas ou textos perdido. Olhando para o telefone, falei para mim mesma que a razão de Rider não ter ligado ou mandado mensagem era que ele estava com Hector. Tranquilizar-me não era sua prioridade. Eu entendi isso, mas o medo floresceu na boca do meu estômago e náusea subiu. Rider estava bem. Não havia nenhuma razão para ele não estar. O medo deu lugar ao medo na profundidade do osso. Eu joguei minhas pernas para fora da cama e corri para o corredor, no banheiro. Fechando a porta atrás de mim, caí de joelhos e vomitei. Nada veio à tona. Na verdade veio. Eu vomitei em seco, quando levantei até minhas costelas doíam, e eu me sentei lá, respirando pesadamente. Lentamente, dolorosamente, eu estava de pé e agarrei minha escova de dente. Girando sobre a água, escovei os dentes e depois lavei o rosto, fazendo uma careta quando a água quente atingiu meu rosto. Quando olhei para cima, vi meu reflexo. Pequenas marcas salpicavam minhas bochechas. Sombras foram pintadas na pele sob os olhos. Meu cabelo ainda estava um pouco úmido por dormir com ele molhado, e no momento, era da cor vinho, e indo para qualquer outra direção. Eu me afastei da pia e caminhei de volta para o quarto. Cada passo parecia imensamente lento. Nada parecia... Nada parecia real quando peguei meu telefone novamente. "Mallory?" Carl chamou do andar de baixo. "Você pode vir até aqui?"


Eu apertei o telefone na minha mão e desci, encontrando os dois sentados à mesa da cozinha. Diminuí meu passo enquanto me aproximava da ilha. Eles pareciam que não tinham dormido muito na noite anterior. A camisa cinza dele estava amassada. Cabelos dispersos escapavam do rabo de cavalo curto de Rosa, abanando o rosto como pequenos dedos. "Por que você não vem se sentar?" Carl aconselhou gentilmente. Caneca estava na frente deles e o cheiro era pesado no ar. Sentindo que essa não ia ser uma conversa que eu queria ficar, eu fiquei onde estava. Ele olhou para Rosa e depois continuou. "Como você está se sentindo?" Eu pensei... Eu pensei que era uma pergunta estúpida. "Eu sei o que você acabou de ver era muito a lidar. Um monte, e Rosa e eu queríamos que você nunca tivesse que experimentar algo assim de novo." De novo? Então eu percebi. Como eu poderia esquecer? Ele estava falando sobre a senhorita Becky. Além dos olhos parados, isso não era nada como encontrar a senhorita Becky em sua cama, morta há muito tempo e fria ao toque. Eu não sei os detalhes, mas a morte dela havia sido pacífica em comparação com Jayden. A morte dela não foi nada como a de Jayden. "E sabemos que agora é um momento difícil", Carl continuou, e eu pisquei, perguntando se eu tinha perdido a metade do que ele havia dito. "Mas essa conversa não pode esperar." "O que...?" Olhei entre eles quando coloquei meu telefone na ilha. "O que não pode?" "Rider." Rosa pegou a caneca de café. "Nós precisamos falar sobre Rider". Minhas sobrancelhas explodiram. "Por quê?"


"Eu acho que é bastante óbvio", afirmou Carl, seu tom de voz suave, mas firme. "O que aconteceu ontem...". "Não tem nada a ver com Rider", interrompi. Surpresa cintilou no rosto de Carl e depois foi embora tão rápido que não tinha certeza se eu realmente vi. "Eu vou ter que discordar com isso." "Nós dois discordamos", Rosa juntou-se. "Você nunca teria ido a qualquer lugar perto daquele bairro, se não fosse por Rider". "O que há de errado com o bairro?" Eu exigi, e Carl ergueu a sobrancelha. "Sim, não é o maior, não é Pointe ou o bairro onde Ainsley vive, mas não é o pior nesta cidade." "Não é um bom lugar, Mallory." Carl cruzou as mãos em torno de sua caneca. "Agora, eu sei que você não viu um monte desta cidade, mas nós temos. Nós...". "Eu vi o pior da merda que esta cidade tem para oferecer e não tem nada a ver com a vizinhança." A raiva brilhou através de mim, brilhante como o sol, e eu vagamente percebi que eu não tinha parado de falar uma vez só. Eu estava muito chateada para me importar. "Mallory" alertou Rosa. "Olha a língua." "Minha linguagem? Eu vi alguém receber um tiro" Minha voz falhou. "Eu vi um amigo morrer ontem e você está culpando Rider por isso?" "Nós não estamos culpando Rider", Carl respondeu. "Nós só não achamos que sua amizade com ele é a melhor coisa para você agora." "Eu não sou só amiga dele." Minhas mãos se fecharam em punhos. "Ele é meu namorado." Carl murmurou sob sua respiração enquanto beliscou a ponta do nariz. "Mallory..." "O quê? Você sabe que ele é meu namorado."


"Sim, mas..." Ele olhou para Rosa, impotente. "Olha, querida, nós, de todas as pessoas não somos o tipo que julga, mas Rider não é o tipo de pessoa que você precisa estar envolvido." Rosa colocou sua caneca de lado. "Isso é o que estamos tentando dizer." Olhei para ela, pasma. "Que tipo de pessoa você está falando?" "O tipo que não tem futuro. O tipo que nem sequer se preocupa com o fato de que não tem o futuro planejado." O tom de Carl endureceu, e eu vacilei. Era isso o que eles achavam de Rider? "O tipo que leva você a um bairro onde jovens de quinze anos levam um maldito tiro na rua." Meu queixo caiu. "Carl." Rosa estendeu a mão, colocando uma mão em seu braço. "Não. Nós confiamos em você para tomar decisões inteligentes, mas não confio nele. Temos sido tolerantes o suficiente com todo esse negócio sobre Rider porque sabíamos que ele significa muito para você, mas vamos traçar limites para isso." Suas bochechas coradas ficaram com uma cor avermelhada. "Você poderia ter saído ferida ontem ou pior. Isso é inaceitável e não vou passar por isso novamente." "Não é culpa dele!" Eu gritei. Rosa piscou surpresa. Nos quatro anos em que estive com eles eu jamais tinha levantado a voz ou os respondi. "Nós sabemos que não é culpa dele, Mallory, mas isso não muda o que aconteceu." "Ok, vamos falar sobre o Sr. Stark." Os olhos de Carl brilharam. "O que ele está planejando fazer uma vez que ele se considerar graduado? Pintar carros com tinta spray para o resto da sua vida?" Minha pele quente corou. "O que há de errado com isso, se ele fizer essa escolha? Ele é bom no que faz. E ele é brilhante." Eu coçava para pegar alguma coisa e jogar. Não só por causa do que eu estava ouvindo, mas porque Rider deixava essa impressão nas pessoas. Para


todos. Que ele não se importava, mas ele se importa. Agora eu estava... Eu estava chateada com eles e com ele. "Rider tem um futuro." "Ele sai com pessoas que...". Rosa apertou seu braço, impedindo-o de terminar a frase. Carl parecia que estava prestes a vomitar tudo. "Eu não estou tentando te chatear, Mallory, mas ele não é bom...". "Não diga isso." Eu levantei minha mão e meu dedo tremia quando eu apontei para eles. "Ele fez com que me sentisse segura ontem e ele estava lá para mim, antes de tudo, até mesmo quando vocês não sabiam que eu existia. Ele era a única pessoa lá para mim, e só porque ele acha que não está apto para a faculdade, você acha que ele não é digno?" "Mallory." Os olhos de Carl se arregalaram. "Eu sei Rider estava lá para você. Eu sei o que ele fez para você, e eu não estou descontando isso, mas isso não muda o que aconteceu ontem. Isso não é apenas sobre o seu passado como um todo, ou sobre a faculdade. Eu sei o tipo de pessoas que ele passa o tempo. Eu sei como essas histórias acabam." Eu não estava parando agora. A tampa tinha sido arrancada de mim. Emoção reprimida se soltou. Tudo o que aconteceu ontem. Tudo o que tinha acontecido nos últimos dois meses, nos últimos quatro anos, uma vida inteira. Lágrimas queimaram meus olhos. "Rider é uma boa pessoa. Hector também. E Jayden... Também era. Só porque eles não têm dinheiro ou não vivem em uma casa como esta não os torna pessoas más." "Nós sabemos isso." Rosa levantou-se, sacudindo a cabeça. "Nem Carl nem eu temos muito dinheiro. Você sabe disso. Não tem nada a ver com dinheiro." "Então, com o que isso tem a ver?" "Ele não é bom para você", repetiu Carl.


"Por quê?" Minha voz se tornou estridente aos meus próprios ouvidos. "Só porque eu não estou concordando com tudo o que todos estão dizendo? Ele é o culpado por isso?" "Você viu alguém levar um tiro e morrer porque você estava com ele!” A voz de Carl era tão afiada como uma lâmina. "Não é culpa dele!" "Você pode fazer melhores escolhas do que isso, Mallory. Escolhas mais inteligente", argumentou. "Você tem a vida inteira pela frente perfeitamente definida. Não jogue fora. Não jogue fora tudo, porque você está cometendo um erro." Eu endureci. De jeito nenhum eu considero Rider um erro, mas Deus, eu estou sujeita a cometer erros. Eles iam acontecer. Eu não era perfeita. Eu não sou perfeita. Algo dentro de mim se encaixou. Rosa e Carl sabiam que eu estava longe de ser perfeita. Eles tinham de saber que eu cometo erros. Que eu precisava fazê-los. Querendo ser perfeita para eles já não tinha a mesma intensidade, porque eu não podia ser assim. Meus ombros se endireitaram. "Se ele for mesmo um erro, então... então eu estou bem com isso." Olhando para longe, Carl esfregou a palma da mão pelo rosto. "Nós nunca teríamos que ter essa conversa com Marquette." Meu queixo desequilibrou como se eu tivesse sido empurrada um passo para trás. Mágoa rolou dentro de mim, abandonando minha raiva como o vento faz com um incêndio. Nos quatro anos desde que tinham me levado para sua casa e sua vida, eu nunca os ouvi dizer algo assim, pelo menos não na minha frente. "Carl" suspirou Rosa. "Eu não pedi..." Eu respirei raso. "Eu não sou ela. Eu nunca vou ser ela."


Baixando a mão e, em seguida, a cabeça pendendo para onde eu estava. O desbotamento da cor de seu rosto. Arrependimento encheu seu olhar imediatamente. "Mallory..." "Eu não vou fazer as escolhas dela", eu disse com as mãos tremendo, e tudo isso só saiu novamente. "Eu não quero passar o resto da minha vida em um laboratório. Eu não quero fazer nada no campo da medicina. Eu não sou perfeita como ela. Eu não quero ser". Rosa colocou a mão no peito. "Querida, nós". Cansada. Eu estava tão cansada dessa conversa de que eu nem sequer precisava de palavras para dizer-lhes isso. Eu não tinha a necessidade de ser ficar cheia de dedos nesse momento. Eu não preciso ouvir qualquer coisa que eles estavam dizendo. Eu precisava estar com Rider, estar lá para ele, como ele esteve para mim tantas vezes no passado. Isso me atingiu com força. Era minha vez de cuidar dele e ser a mais forte. A única a segurá-lo para que ele pudesse desmoronar um pouco. Eu não iria me desmanchar agora e confiar em ninguém para colocar tudo junto. Estava cansada. Dando meia volta, saio da cozinha e corro para cima. Uma vez dentro do meu quarto, bato a porta e, em seguida, arranco minha camisa larga. Abro uma gaveta e olho até que encontro um sutiã e em seguida, uma camiseta. Pego um capuz e puxo-o na cabeça. Coloco o cabelo para trás em um nó frouxo enquanto caminho até minha cama. Empurrando o telefone na minha bolsa, jogo sobre o ombro e, em seguida, giro. Saio do meu quarto enquanto busco minhas chaves. Desço dois degraus de cada vez e quando chego na entrada, Rosa apareceu. "Ele não quis dizer isso." "Não importa." Caminho até a porta. Ela segue. "Aonde você vai?"


"Sair", eu respondo, o meu coração acelerado. "Mallory..." Abrindo a porta, paro na porta e olho para ela. "Eu preciso estar lá para ele. Hector e Jayden são como irmãos para ele." O ar frio toma conta de mim e rola para dentro da casa. "Eu preciso ir." "Você não pode..." "Eu preciso ir." Minha mão aperta o botão quando Carl apareceu em segundo plano. "Estou indo." Então faço exatamente isso. Saí de casa sabendo que Carl e Rosa não aprovavam, sabendo que eu ficaria em apuros. Sabendo que eu estava deixando-os triste. Que eu já tinha deixado.

***

Eu tentei ligar para Rider novamente, mas a chamada foi direto para o correio de voz e a mensagem que enviei não mostra que foi entregue. Eu sabia que provavelmente significava que seu celular estava desligado. Eu tentei não me deixar assustar muito mais, porque eu estava pirando por causa de Carl e Rosa. Nós nunca teríamos que ter essa conversa com Marquette. Deus. Deus, que tapa. Isso machuca. Mas também, eu não achava que eles enxergavam Rider assim, e até mesmo Hector e Jayden. Nunca achei que seria assim. Eu estava tão louca, tão desapontada que meus dedos doíam enquanto apertava o volante. Eu não poderia pensar em Carl e Rosa agora. Eu ia lidar com as consequências quando chegasse em casa, e seria uma enorme precipitação, porque eu sabia o que eu estava fazendo era certo. E ele também estava errado.


O primeiro lugar que verifiquei foi à casa da senhora Luna . Eu tinha encontrado um local cerca de dois quarteirões para baixo e corri até o bloco, contra o vento forte batendo na mesma rua. Vi o Escort de Hector. Pessoas vestindo casacos volumosos e tampões de ouvido, sentados nos degraus das casas quando corri por eles e caminhei até a porta da frente. A grinalda do outono temático na porta tinha sido substituída por sempre-viva e visco. Raiva renovada bateu-me quando me lembrei o que Rider tinha dito sobre a administração da escola. Que viam determinados endereços e, em seguida, nem sequer tentavam. Eu nunca pensei que Carl e Rosa seriam do mesmo jeito. Sirenes soaram ao longe quando bati na porta da frente, lembrando-me de ontem. Um arrepio percorreu minha espinha. Passos pesados foram ouvidos dentro e eu fiquei tensa. A porta se abriu e um homem alto, mais velho estava lá. Ele deu uma olhada para mim e franziu a testa. "Quem é você?" "Estou procurando por...". Outro cara apareceu atrás dele. Eu o reconheci de ontem. Ele tinha estado naquela casa, mas eu não sei o nome dele. "Você é a menina do Rider." Ele empurrou o outro homem de lado. "Você está procurando por ele?" Concordei. "Ele está aqui?" "Sim. No andar de cima. A última vez que eu o vi foi no sótão." Ele deu um passo para o lado, me deixando entrar. Engoli em seco quando olhei ao redor. A sala estava lotada. Olhei para o cara. "Eu sinto muito sobre Jayden. Eu...". Seus olhos brilharam quando fechou a porta. "Eles não vão fugir com isso. Ah, não. De jeito nenhum eles vão fugir quando pegaram meu sangue", ele prometeu, e eu tremi novamente. O outro homem balançou a cabeça, esse cara, que eu estava adivinhando ser da família, apontou para as escadas.


"É um pouco apertado lá em cima." Eu pensei que era um pouco estranho, porque mesmo que eu não estivesse no sótão, eu tinha a impressão de que era muito grande, mas eu me virei e subi as escadas, passando por uma mulher muito alta, de cabelos escuros, que estava esfregando um tecido nas bochechas. Eu não vi a senhora Luna, mas tudo que eu conseguia pensar era o que Jayden tinha dito a ela antes. Que ela não saberia o que fazer sem ele. Meu peito apertou. No segundo andar, andei pelo corredor, passando pelas portas abertas. Não deixei que meu olhar corresse, porque eu não queria ver se algum deles era o quarto de Jayden. Eu não podia ver as coisas dele. Passei pelo quarto de Rider. No final do corredor, abri a porta. A estreita escadaria era pouco iluminada, e havia um cheiro velho, de terra que me fez lembrar do Jayden. Segurando o corrimão, subi até o topo da escada. A luz solar lutou para atravessar as janelas empoeiradas do sótão, lançando luz suficiente que sem as lâmpadas diante, eu ainda podia ver. E eu vi. Vi os colchões e travesseiros empilhados. Eu vi a mesa coberta com garrafas e latas de refrigerante. E lá estava o telefone de Ryder, nessa mesa. Eu vi a TV que não foi ligada. Vi o sofá. E meu coração parou e depois caiu. Caiu como as estrelas que caem do céu. Meus lábios se separaram em um inalar macio. Eu tinha encontrado Rider. Ele estava dormindo, a cabeça apoiada no encosto do sofá. Ele não estava sozinho. Minha bolsa deslizou pelo meu ombro e bateu no chão com um baque. Paige estava lá, enrolada no sofá ao lado dele.


Capítulo 32

O som da minha bolsa batendo no chão não os acordou. Paige se agitou. Ela enrolou mais, pressionando-se ao lado de Rider. Vendo isso era como levar um soco no estômago. Eu não podia acreditar no que eu estava vendo. Pelo que parecia ser a centésima vez em vinte e quatro horas, eu estava absolutamente muda, e meu cérebro teve um tempo difícil para recuperar o atraso com o que estava acontecendo. Abri a boca, mas um sentimento de afundamento me cortou enquanto eu olhava para os dois. Então meu olhar foi para a mesa, onde o telefone de Rider estava. Ele não tinha respondido a nenhuma das minhas mensagens ou as ligações. Eu acreditava que era porque ele estava com Hector, e ele estava aqui, em casa, mas ele não estava com Hector. A sensação do meu estômago sendo perfurado aumentou. As palavras do cara do andar de baixo voltaram para mim. É um pouco apertado lá em cima. Agora eu sabia o que ele queria dizer. Meu Deus. Dor iluminou meu peito, e foi tão real. Tal como se o meu peito tivesse sido quebrado e aberto. Por mais horrível que fosse, eu não estava pensando em Jayden naquele momento. Eu estava pensando sobre o tempo que Rider e eu tínhamos passado juntos antes de termos andado para fora. Como ele me segurou. Como ele me beijou. Como ele me tocou. O que ele confessou para mim.


E agora ele estava aqui com ela, dormindo juntos? Eu tinha que sair de daqui. Pegando

minha

bolsa,

eu

me

virei.

Desci

as

escadas,

estremecendo cada vez que o assoalho rangia. Eu tinha que sair daqui antes que Rider acordasse, porque eu... eu não poderia lidar com isso agora. Tranquilamente fechando a porta do sótão atrás de mim, tudo que eu podia focar era sair de lá e depois? Eu não sabia. Eu não podia ir para casa. Ainda não. Eu não sabia o que ia fazer. Eu estava no meio do corredor quando uma porta se abriu. Hector saiu, esfregando uma mão no cabelo. Seu corpo estremeceu quando me viu. "Ei," ele disse, a voz grossa quando deixou cair sua mão. "Eu não sabia que você estava aqui." Olhei para trás e, em seguida, reorientada para Hector quando desliguei o turbilhão de emoção crua dentro de mim. "Eu... hum, eu parei para verificar Rider e... Você. Eu sinto muito sobre... sobre Jayden." "Eu também." Seus olhos vermelhos se fecharam brevemente. "A parte confusa? Eu não estou surpreso, sabe? Mesmo depois do que aconteceu com o nosso primo, eu não estou surpreso. Ele estava fazendo mudanças. Conseguiu um emprego comigo, mas... mas já era tarde demais. Ele entrou muito fundo com as pessoas que você simplesmente não deve andar por aí. Eu apenas pensei que... Eu nem sei o que eu pensei". Eu não sabia o que dizer e não achava que havia qualquer coisa que eu pudesse dizer. "Ele..." Os ombros de Hector caíram. "Ele não merecia isso. Eu não me importo com quanto dinheiro ele devia." "Não", eu sussurrei, e eu pensei sobre o dia na garagem e o que Rider tinha dito a Jayden. Você vai se matar. Oh, Deus, Rider estava certo. "Ele não merecia."


Ele levantou uma mão e esfregou os dedos pelo cabelo bagunçado. "Eu não... Eu nem acredito que a polícia vá pegá-los... Aqueles que mataram Jayden" "Eles precisam pegá-los." Meu peito apertou. Recusei-me a acreditar em qualquer outra coisa. "Elas vão." Hector balançou a cabeça e o ato parecia que levou um grande esforço. "Minha abuelita está dormindo. Ela... Eles a sedaram." Eu ainda não tinha as palavras certas, mas sabia que este era um dos momentos onde não havia nenhuma a dizer. Só uma ação importava em tempos como estes, eu percebi. Foi por isso que eu vim para confortar Rider. Para estar apenas lá por ele. Exceto que ele obviamente já tinha alguém o confortando. Um passo à frente, eu fiz a única coisa que eu realmente podia. Passei meus braços em torno de Hector e os apertei. Ele endureceu no início e depois um suspiro saiu dele. Ele cruzou os braços em volta de mim. "Obrigado", ele sussurrou com voz rouca. Eu concordei e recuei. Hector piscou rapidamente várias vezes. "Então, hum..." Ele limpou a garganta. "Você viu Rider?" Um movimento sinuoso no meu peito ameaçou roubar a minha respiração. "Ele está dormindo. Eu... eu não queria acordá-lo." "O quê? Podemos acordá-lo. Você veio todo o...". "Não, está tudo bem." Comecei a passar por ele. "Vou ligar mais tarde." "Mas..." "Não é nenhum problema." Forcei um sorriso quando parei, de frente para ele. "Estarei pensando em você." Um traço de um sorriso apareceu em seus lábios e, em seguida, ele acenou mais uma vez antes de virar em direção à porta do sótão.


Virei-me então, correndo para fora da casa o mais rápido que pude, sem correr. Uma vez que estava no meu carro, dei partida e eu... Eu só comecei a dirigir. Meu telefone começou a tocar quando já tinha ultrapassado três quarteirões de distância, mas eu não olhei para ele. Eu apertei o volante com mais força. Meu telefone tocou novamente. Quando parou, apitou alguns momentos mais tarde, sinalizando que uma mensagem foi recebida, mas eu não olhei. Eu apenas continuei dirigindo.

***

Eu não parei de dirigir sem rumo. Trinta minutos mais tarde, eu me vi caminhando até a casa de Ainsley depois que saí do Hector. Felizmente, ela abriu a porta... vestindo shorts de algodão, meias até o joelho e um moletom com capuz de tamanho desproporcional. De alguma forma, ela ainda conseguiu estar bonita. "Ei, o que você...?" Ainsley parou quando olhou para mim. Ela veio em frente e agarrou a minha mão, me puxando para dentro. O pouco calor aliviou a minha pele gelada. Puxando-me para as escadas, ela gritou: "Mãe! Mallory está aqui. Vamos lá em cima". "Tudo certo." Houve uma pausa e a TV foi silenciada da sala de estar. "Vocês duas querem um pouco de chocolate quente?" Chocolate quente, ela murmurou para mim, revirando os olhos. "Não, mãe. Nós não temos dez anos!" Chocolate quente soou bem real agora. "Você tem certeza?" A voz da mãe dela estava mais perto e nós estávamos

no

meio

da

escada.

"Eu

tenho

marshmallows que vocês duas gostam tanto."

aqueles

pequenos


"Meu Deus." E então mais alto: "Sim, mamãe. Temos certeza." "Só verificando," sua mãe respondeu. "Em vez ter alguma tequila," Ainsley murmurou no topo das escadas. Sua mãe apareceu na parte inferior. "O que você disse?" "Nada!" Ainsley deu um sorriso rápido e, em seguida, arrastoume para o quarto, fechando a porta atrás dela. "Jesus Cristo, a mulher tem a audição de um morcego. E eu não sei se os morcegos têm uma boa audição, mas eu acho que tem." Ela afastou-se da porta. "O que está acontecendo? Parece que você está com gripe ou algo assim." "Eu não estou gripada." Deixei minha bolsa no chão e, em seguida, caminhei até a cama, me jogando de cara nela. Ainsley se embaralhou na cama. "Você tem certeza sobre isso? Eu espero que você esteja, porque eu realmente não quero ter que usar Lysol28 no meu edredom." Abri um sorriso e rolei para o lado. "Sim, tenho certeza." Ela correu o resto do caminho e, em seguida, saltou sobre a cama, fazendo-me saltar. "O que está acontecendo? E eu sei que alguma coisa está acontecendo, porque o quanto te conheço, você não vem aqui aleatoriamente." Seus olhos se arregalaram. "Oh! Espera. você e Rider tiveram uma briga? Será que vou ter que bater nele?" Meu peito apertou. "Não. Não é verdade." "Não é verdade?" Ela cutucou minha perna quando não respondi. "Isso não me diz nada." Sentando-me, peguei um travesseiro e abracei-o. "Eu... eu ia ligar para você ontem, mas você já está passando por muita coisa." Ainsley arqueou uma sobrancelha. "Eu posso ou não ficar cega, Mallory. Isso não significa que eu esteja passando por muita coisa."

28

Lysol é um desinfetante que é uma mistura de cresóis e sabão macio.


Olhei para ela com ar de dúvida. Ela pode agir como se não estivesse insistindo sobre seu diagnóstico, mas o aperto da boca dela e a forma como olhou para longe mostrou algo totalmente diferente. "Fale comigo", ela exigiu. Respirando fundo, contei tudo, começando com o que aconteceu com Jayden ontem, a briga com Carl e Rosa esta manhã e terminando com encontrar Paige e Rider dormindo juntos no sofá. As emoções de Ainsley estavam em todo lugar, muito parecidas com as minhas. Ela não tinha encontrado Jayden, mas seus olhos se encheram de lágrimas. "Oh meu Deus, ele é muito... Eu nem sei o que dizer." Ela colocou a mão contra o peito. "Como está Hector? Ok. Essa é uma pergunta idiota. Como você está? Você viu...? Ok, isso também é uma pergunta idiota" Saltando para frente, ela bateu no meu braço. Eu empurrei, puxando para trás. "O que foi isso?" "Você deveria ter me ligado ontem!" ela sussurrou-gritou. "Você passou por um evento extremamente traumático. Você viu alguém... Deus, eu não posso nem colocar em palavras. Depois de tudo o que você passou, você vê isso acontecer?" "Nada... nada que eu já passei pode se compara ao que aconteceu com Jayden." A parte de trás da minha garganta queimou. "É tão... É tão sem sentido, sabe? Eu não me importo com o que ele fez ou deixou de fazer, isso não vale uma vida." "Não", ela concordou enquanto limpava sob os olhos com as costas da mão. "Você sabe se a polícia prendeu o cara que fez isso?" Balancei a cabeça. "Não sei. Hector... pensa que não vão pegá-lo, mas eles precisam encontrar. Todos sabiam que... esses caras, Braden e Jerome estavam atrás... dele." Ainsley estremeceu. "É tão horrível."


A queimadura na minha garganta não diminuiu, mas um edifício de lágrimas nas costas dos meus olhos não caiu. Elas nunca caem. Não importa. Os meus canais lacrimais estavam com defeito. Eu estava com defeito. "Pobre Jayden." Ela cruzou os braços em torno de si mesma. "Pobre Hector. Deus, eu não posso sequer imaginar o que é isso. Eu não quero. Você sabe quando é o funeral? Ou é cedo demais?" "Muito cedo, eu acho", eu disse, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto. "Eu não perguntei a Hector quando o vi. Eu tenho certeza que vou descobrir. E vou deixar você saber." Nenhuma de nós falou por um longo momento e depois Ainsley suspirou. "Ok. Agora, esta coisa toda com Rider". A pressão no meu peito apertou novamente. "Eu nem sei o que dizer sobre isso." Ela balançou a cabeça. "Quero dizer, isso poderia ser completamente inofensivo." Eu levantei minhas sobrancelhas. Ainsley estremeceu. "Ei, vamos olhar para isto logicamente por um momento. Eles estavam vestidos, certo?" Oh Deus. Imediatamente uma imagem de Paige e Rider nu se formou e eu queria vomitar. "Sim, eles estavam vestidos." "Agora, isso realmente não significa nada. Quando Todd e eu tivemos relações sexuais não ficamos completamente nus e tudo o que poderia dizer era que eles colocaram as roupas de volta mais tarde." Pensei no que Rider e eu tínhamos feito ontem, enquanto nossas roupas tinham permanecido. Na maioria das vezes. Espere. Voltei a me concentrar no que Ainsley estava dizendo. "Você acha que eles fizeram sexo?" "O quê? Não. Quer dizer, isso é como o pior cenário. Que em sua dor e tudo, ele ficou com ela." Ela olhou para mim. "Não é onde sua mente estava indo com isso?"


"Eu..." A verdade era que eu não sabia o que eu estava pensando. Mas eu não acredito que eles tiveram relações sexuais depois do que Rider tinha me dito no dia anterior. Meus ombros cederam. "Eu os vi e eu me apavorei. Eu não sei." Eu apertei o travesseiro. "Eu só... o defendi para Rosa e Carl, sai de casa para ir até ele e... Queria estar lá para ele, e ele nem sequer precisava de mim. Ele tinha...". Minha respiração ficou presa. "Ele tinha Paige, e não atendeu o telefone quando liguei ou mandou uma mensagem. Ele estava com Paige, Ainsley, e ontem nós... fomos muito longe e eu...". Apertando os lábios, eu parei de falar. "O que?" ela perguntou em voz baixa. Eu não queria dizer, porque isso fez a dor no meu peito muito pior e isso me assustou tanto. Isso me aterrorizava, porque eu sabia que o que eu estava sentindo era algo importante e reconhecer só fez torná-lo mais real. "Você o ama, não é?" ela disse. Fechei os olhos com força, e forcei uma respiração superficial. Ontem, a simples ideia de me apaixonar, estar me apaixonado, era tão aterrorizante quanto era emocionante. Agora era apenas uma daquelas coisas. "Sim. Eu acho que sim." Abri os olhos e encontrei o olhar de Ainsley. "Não, eu não acho que sim. Eu sei que sim. Estou apaixonada por ele. Eu acho que eu estive apaixonada por ele toda a minha vida. E eu amo o Rider crescido ainda mais do que eu amei o menino quando éramos mais jovens." Meu ritmo cardíaco aumentou. "E isso é assustador". "Droga, claro que é", ela concordou, um lado de seus lábios se enrolando. "É por isso que estou certa com tudo o que acontece com Todd. Eu não o amo. Eu nem sei como estar apaixonada é, mas eu sei que tem que ser assustador."


Eu a estudei por um momento e o nó expandido. "Eu pensei que Rider sentia o mesmo." "Não vamos pirar muito. Ok? Não sabemos o que estava acontecendo lá. Eles estavam dormindo no sofá, não aconchegados". "Ela estava pressionada contra ele." Dizer isso me fez sentir mal, mas eu tive que tirá-lo de mim e o ar entre nós. "Ele não estava segurando-a ou qualquer coisa, mas não havia espaço entre eles. Nenhum". "Isso ainda não significa nada." Minhas sobrancelhas subiram. "Tudo bem, ele vai ter que ter uma boa desculpa para isso, mas nós realmente não sabemos o que estava acontecendo lá. Paige é amiga dele e de Hector, certo? Ela sabia sobre o irmão de Hector?" Balancei a cabeça. "Pode ser inofensivo." Eu queria que fosse inofensivo. E uma parte de mim não concordava. Que loucura foi essa? Mas se não era inofensivo, então seria doloroso e seria péssimo, mas a minha vida voltaria ao normal. Eu não teria que me preocupar com coisas como esta. Ou com o que Carl e Rosa pensavam sobre Rider. Eu não teria que lutar por ele. Ou lutar em geral. Eu me contorci desconfortavelmente com o caminho que meus pensamentos estavam indo. Ainsley colocou a mão no meu braço. "Será que ele tentou ligar para você desde que você saiu?" Olhei para a minha bolsa. "O telefone tocou algumas vezes, mas eu... não olhei." Ela olhou para mim como se eu tivesse metade de um cérebro em funcionamento. "Você deve olhar. De verdade."


"É provavelmente Rosa ou Carl." Mas eu deslizei para fora da cama de qualquer maneira e peguei minha bolsa, trazendo-o de volta para mim. Sentei-me e abriu o compartimento. Bati na tela e decepção bateu em mim. "Não é Rider. É um número desconhecido." "Oh." Ela suspirou profundamente. "Quem quer que seja, deixou uma mensagem. Deixe-me ver quem é." "Talvez Carl e Rosa contrataram um investigador particular para encontrá-la." Apesar de tudo, eu ri quando apertei o botão de mensagem. "Isso seria, hum... Muito exagero!" Eu parei de falar quando eu reconheci a voz. "O que?" Seus olhos se arregalaram quando ela balançou para frente. "O que?" Balançando a cabeça, eu estendi minha mão quando bati no alto falante no meu telefone. Nós olhamos para ele quando a voz profunda de Rider encheu a sala. "Mallory, é Rider. Estou usando o telefone de Hector. Eu esqueci que a bateria estava acabando e o meu morreu. Nem sequer percebi isso. Eu estou carregando-o agora. Merda. Nada disso importa. Ele disse que você esteve aqui. Que você esteve no sótão. Por que você não me acordou?" Houve uma pausa e Ainsley murmurou: "Boa pergunta". Atirei-lhe um olhar quando Rider continuou. "Merda. Eu sei por quê. Mallory, me ligue. Tente este número ou tente o meu. Ligue para mim." Houve o som de um fechamento da porta e, em seguida, ele disse: "Por favor, Mallory. Ligue para mim." A chamada foi encerrada e ambos nos sentamos lá, continuando a olhar para o telefone. Ainsley foi a primeira a falar. "Você vai ligar?"


"Eu..." A esperança aumentou, doce e açucarada em comparação com a amargura da decepção e frustração. "Ele disse que o telefone estava morto. Isso explica por que ele não respondeu quando você ligou", ela argumentou. "E ele nunca mentiu para você antes, certo?" Balancei a cabeça. Sua bateria estava baixa. Lembrei-me disso agora. "E chamou, obviamente, logo depois que você deixou a casa", ela continuou. "Isso tem que significar algo." Eu penso que significa, mas eu sinceramente não sabia mais o que pensar. "Ligue para ele," Ainsley pediu. "Dê-lhe uma chance de se explicar." Quando eu olhei para ela, ela sorriu levemente. "Eu não sou uma especialista em toda a coisa do amor, mas se você o ama, vai darlhe uma chance de se explicar. E você o ama, certo?" Meu coração gritou sim. "Ligue para ele."


Capítulo 33

Eu não sabia o que fazer. Bem, eu sabia que tinha que ir para casa e encarar a situação, mas quando se tratava de Rider eu não tinha ideia. Eu queria falar com ele e eu não queria. Agora eu não quero que ele tenha que se preocupar... sobre todo o drama de relacionamento. O menino que ele considerava um irmão tinha acabado de ser morto. Ele não precisa lidar comigo, e o que estava ou não acontecendo com a gente. Mas eu também estava com medo do que ele tinha a dizer. Medo de como isso me faria sentir de qualquer maneira. Ele, aparentemente, não tinha precisado de mim. Eu vacilei. Eu odiava esse pensamento, porque era rancoroso e doeu. Ele estava agarrado em torno do meu peito, porque quando chegou a hora dos papéis serem invertidos — para que eu estivesse lá por ele — alguém tinha chegado antes. O sentimento parecia ridículo, mas era assim que eu me sentia. Isso era real. E eu senti que falhei de alguma forma. Quando cheguei em casa pouco antes do jantar, eu esperava Rosa e Carl estar onde estavam, na cozinha, esperando para atacar-me no minuto em que entrei pela porta. Isso não aconteceu.


A porta da biblioteca estava fechada, e eu podia ouvir alguém se deslocando em torno da cozinha, provavelmente Rosa. Parei na escada, sabendo que eu deveria simplesmente acabar com isso, ir até a cozinha e encarar a situação. Corri até as escadas em vez disso, e fechei a porta do quarto atrás de mim. Puxando meu telefone, me deixei cair no assento da janela. Meu telefone tocou enquanto eu estava andando de volta. Era Rider, desta vez do seu telefone. Ele tinha deixado uma mensagem novamente. Nós se formando na minha barriga quando eu levantei o telefone até meu ouvido e ouvi a mensagem. Houve um silêncio e, em seguida, "Droga". Ele não disse mais nada. A mensagem terminou. Sentei-me no assento da janela e olhei para o telefone. Estômago revolto, eu mordi meu lábio. Eu amo Rider. Oh Deus. Eu estava apaixonada por ele. Eu sabia que era verdade. O amor era um inchaço, a sensação de esperança no meu peito cada vez que eu o via. O amor era a maneira que eu poderia esquecer tudo quando estava com ele. O amor era a captura da minha respiração quando ele olhava para mim em sua forma intensa. O amor era o nó na garganta que ele poderia tirar de mim com o mais simples dos toques. O amor era a maneira que eu poderia... eu poderia ser eu mesma em torno dele, saber que eu não tinha a necessidade de ser perfeita ou me preocupar com o que ele estava pensando, porque ele me aceitou. E tudo isso? O amor me assustava pra caramba. Eu não queria o desgosto. Eu sabia que Rider se importava comigo, até me amava de uma forma que seria como amar o seu amigo de infância, mas eu não sabia se era a mesma emoção que eu sentia por ele. Porque havia uma diferença entre amar alguém e estar apaixonado. E ele não tinha dito que estava apaixonado por mim.


Ele tinha feito muito, muito... por mim, mas essas palavras nunca tinham sido ditas. Ao vê-lo com Paige, me senti ferida de um jeito que não conseguia colocar em palavras, um sentimento que eu estava muito familiarizada. Eu me senti mal e ansiosa, como se eu estivesse esquecendo de fazer alguma coisa, mas não havia nada para eu fazer. O desgosto só piorou. Eu não quero perdê-lo um dia, e Deus, havia tantas maneiras que você pode perder alguém. Eu não quero desapontá-lo. Eu não quero que ele me decepcione. Inquieta, eu me levantei do assento da janela e caminhei até a porta. Parei antes de abri-la. Onde eu estava indo? Se eu descesse, eu teria que enfrentar Carl e Rosa, então eu recuei para minha cama e eu... Eu não os enfrentei. Eu não liguei para Rider. Como a Mallory de doze anos, eu fiz o que fazia melhor. Eu me escondi.

***

Hoje iria ser sugada. Isso era tudo o que eu poderia pensar enquanto me arrastava pela entrada dos fundos da Lands High. Jayden não me surpreenderia no meu armário. Ele não apareceria aleatoriamente no almoço e flertaria com as meninas ao roubar as batatas fritas delas, e eu imaginei que todos estariam falando sobre o que aconteceu no sábado. Cada parte de mim doía enquanto eu subia as escadas para ir até meu armário. O suéter pesado que eu usava não fez nada para aliviar o frio sedimentado no fundo dos meus ossos. Eu quase não tinha dormido na noite passada, e Rosa deve ter percebido isso, porque tudo


o que ela tinha dito no café da manhã, foi para eu me vestir com roupas quentes, uma vez que deveria ter neve. De alguma forma, ela estar cheia de dedo em torno dos acontecimentos de ontem tinha sido mais assustador do que me confrontar. Sentindo como se eu precisasse de um cochilo, comecei a abrir a porta do meu armário. "Mouse." Meu corpo estremeceu e então eu virei. Pensamentos dispersos quando olhei para Rider. Ele parecia... ele parecia exausto de pé lá. Sombras escuras tinham florescido sob seus olhos. Seu cabelo estava bagunçado, como se ele tivesse empurrado as mãos através dele várias vezes. Tinha um punhado de pelo na mandíbula dele, e eu queria correr até ele e envolver meus braços ao seu redor. Eu queria abraçá-lo, porque, quando aqueles olhos castanhos encontraram os meus, eu vi uma riqueza de tristeza em suas profundezas. Fiquei parada. Rider deu um passo à frente, ignorando a pessoa que ele cortou. "Podemos conversar?" Meu coração batia forte no peito. "Eu tenho..." "Você tem que ir para a aula. Eu sei", disse ele, dando um passo ainda mais perto. Então fechou a distância, nossos sapatos se tocando. "Eu não posso esperar até o almoço. Quer dizer, eu vou, mas, por favor, me dê uma chance de falar com você." Eu abri minha boca e eu não sei mesmo o que eu pretendia dizer, por que o que saiu de mim me surpreendeu. "Podemos conversar agora." "Agora?" Alívio cintilou em seu rosto. "Você vai sair da escola?" Concordei com a cabeça, fechei o armário e, em seguida, olhei para ele. Eu não tinha ideia do que estava fazendo. Na noite passada eu


não estava pronta para falar com ele. Eu não tinha certeza se eu estava pronta agora, e deixar a escola era uma má, má ideia. Mas eu fiz isso. Rider me estudou por um momento, como se não acreditasse em mim. Eu nem sequer acreditava em mim mesma, mas começamos a caminhar. E nós continuamos andando, certo para o ar frio e direto para o meu carro, indo de encontro ao mar de estudantes. Ninguém nos parou. Ninguém olhou duas vezes. Entramos no carro e eu me virei para ele, acionando o aquecedor. Eu não me deixei pensar sobre o que estava fazendo ou no quanto de problema eu iria causar se a escola entrasse em contato com alguém da minha casa. Olhei para ele e percebi então que ele estava vestindo apenas uma camiseta preta e jeans. Sem jaqueta. "Você não está congelando?" Seu olhar vagou sobre o meu rosto. "Eu nem mesmo senti o frio até agora." Olhando para longe, eu coloquei o carro em movimento e sai do espaço de estacionamento. "Para onde?" "Podemos ir à casa de Hector", ele ofereceu. "Ninguém está lá agora. Eles estão na tia dele." Eu pensei sobre o seu teor. "Por que você não... nunca fala da sua casa?" Ele não respondeu e quando olhei para ele, ele estava olhando para fora da janela, sua mandíbula bloqueada. "Rider", insisti. "Você... você quer falar. Vamos conversar." "Eu queria falar sobre o que você viu ontem," ele respondeu. Os nós em meu estômago se multiplicaram. "Eu quero falar sobre isso primeiro."


Rider chutou a cabeça contra o assento e vários momentos se passaram antes que ele falou. "Ela não... Ela não parece como uma casa, Mallory. Não a minha casa." Eu me concentrei na estrada. "O que significa isso? Sua casa parece uma casa." "A sua parece uma casa. Você está lá. Na sala de estar e na cozinha. Em seu quarto," ele explicou. "Mas eu estou apenas dormindo lá." A sensação de mal estar torceu meu interior. "Será que a senhora Luna... faz você se sentir desse jeito?" "Não", ele suspirou. "Claro que não, mas eu não sou... Eu sou uma criança adotada, apenas um dos muitos que Sra Luna pegou. Eu não sou neto dela. Deus sabe que eu não sou um substituto para Jayden, e não importa o quanto eles me fazem sentir bem-vindo, e logo estarei formado. Não tenho sangue. Eu sou apenas uma boca para alimentar. Eu tenho que me lembrar disso. Eu sempre tenho que me lembrar disso." Pensei no que Carl tinha dito ontem e eu entendi esse sentimento, mas eu não tinha certeza se Rider estava dando a Sra Luna crédito suficiente. Ou dar-se crédito suficiente. "Não é grande coisa", acrescentou. "Eu acho que é." Eu desacelerei no tráfego e olhei para ele. Ele ainda estava olhando para fora da janela, traçando os dedos ao longo do vidro. Eu respirei e, em seguida, dei voz aos pensamentos que eu tinha mantido para mim mesma. "Eu não acho que... você percebe o quanto o Hector e Sra Luna se preocupam com você... O quanto Jayden se importava com você e eu não acho que você acredita que você vale a pena. É o mesmo com o seu trabalho artístico e a arte... para a faculdade". Minhas mãos apertaram ao redor do volante e certeza me encheu. "Você já desistiu de si mesmo antes de qualquer outra pessoa ter uma chance."


O silêncio me cumprimentou. Eu podia sentir o olhar de Rider em mim. Vários momentos passados. "Isso é besteira, esse tipo de valor inestimável vindo de você. Você desistiu de mim ontem." Comecei a me defender, mas eu não podia. Engoli em seco. "Eu sei. Você está certo sobre isso, mas eu também estou certa." "E como seria isso?" Desafio endureceu seu tom. "Porque eu desisti de mim em uma base diária," eu admiti. Minhas bochechas aquecidas, mas eu continuei. "Eu sei." Ele sugou uma respiração audível. "Mallory..." Eu balancei minha cabeça enquanto pensava sobre todas as emoções e necessidades conflitantes e desejos. "É verdade. É o que eu faço. Eu não quero. Ou talvez... Seja... Seja mais fácil estar com medo de tudo." "Como... como pode ser isso?" Sua voz suavizou. "Como isso pode ser mais fácil?" Meu sorriso era fraco. De repente, eu realmente desejei que eu estivesse em casa, com a minha cabeça sob os cobertores. "Você não pode falhar quando realmente não tentar, certo? Você deveria saber disso." Rider amaldiçoou em voz baixa, e ele não disse nada depois disso. Quando parei dentro do estacionamento algumas casas para baixo, achei que a conversa era uma má ideia, então não desliguei o carro. O clique de Rider desafivelando o cinto de segurança ecoou. Olhei por cima. "Talvez devêssemos... devemos falar mais tarde." "O que?" Ele parou com a mão na porta. "Não. Não depois do que você acabou de dizer. Você não está desistindo sem sequer falar. Especialmente depois que você acabou de colocar para fora."


Bem, ele tinha um bom ponto de lá, mas eu hesitei. "Nós estamos aqui. Está bem? Vamos conversar." O desejo de correr de volta para a escola ou para casa veio com força. Eu realmente não conseguia nem acreditar que eu tinha deixado a escola e estava sentada do lado de fora da casa de Rider — a casa que não sente como se fosse um lar. "Ok", eu sussurrei. Rider esperou até que eu pegasse minha mochila e saísse do carro antes dele fazer o mesmo, quase como se esperasse que eu corresse no momento em que ele saísse. Eu o segui até o bloco, tremendo quando o vento levantou o cabelo dos meus ombros. A casa estava em silêncio, enquanto caminhamos para dentro, e cheirava mais como abóbora do que maçãs neste momento. Antes que eu pudesse me parar, eu olhei para a parede atrás do sofá. Para todas as fotos emolduradas, vi Jayden imediatamente. Era uma foto de Natal, possivelmente do ano passado. Ele estava na frente de uma árvore festivamente iluminada, com um largo sorriso para a câmera enquanto segurava uma bandeira porto-riquenha na frente do peito. Meu peito ficou apertado, espremendo até que achei que meu coração fosse parar. Eu não podia acreditar que ele se foi. Meu olhar se arrastou através da parede de fotos, e eu os vi — imagens de Rider misturadas com Hector e Jayden, como se ele fosse da família. Porque ele é da família. Eu não tinha notado antes, mas Rider vive aqui. Como ele não podia ver isso? Rider não foi para a cozinha. Ele foi direto para o andar de cima e eu o segui para o quarto que ele dizia passar um tempo.


Ele acendeu a luz. A primeira coisa que vi foi o exemplar de O Coelho de Pelúcia. Ele estava na mesa de cabeceira. Deixei minha mochila no chão. Rider sentou na cadeira em frente de uma mesa limpa, provavelmente não utilizada. "Meu telefone morreu em algum momento no sábado à noite", começou ele, e eu lentamente olhei para ele. "Você se lembra que nós falamos sobre isso naquele dia? Estava dez por cento antes... Antes que tudo acontecesse." Sentei-me na beira da cama. "Eu não estava ignorando suas chamadas e eu pretendia pegar o telefone de outra pessoa para ligar, mas as coisas estavam loucas aqui. Alguns dos rapazes estavam tentando fazer com que todos fossem atrás de Braden e Jerome, e eu estava tentando... Eu estava mantendo Hector em casa, porque eu não podia..." Ele limpou a garganta. "Eu não posso perdê-lo também." "Eu sabia que você estava ocupado. Eu não surtei sobre você não retornar minhas chamadas. Eu... Eu vim porque eu queria estar lá para você. Eu precisava... estar lá para você. Foi por isso que eu vim." "Eu não sabia que Paige estava vindo ficar aqui." Seus olhos encontraram os meus e ele não desviou o olhar. "Eu não tinha ideia. Eu te juro, eu não tinha ideia que ela ia estar aqui." Ele fez uma pausa, seus ombros subindo. "Ela estava realmente chateada. Paige conhece Jayden e Hector há muitos anos. Ela e Jayden entendiam os nervos um do outro, mas eles se preocupavam muito um com o outro." Fechei os olhos. Eu entendo. Eu realmente entendo. Imaginei irmãos e irmãs discutindo como eles faziam. Jayden e Paige eram muito mais próximos do que Jayden e eu tínhamos sido, e apesar de tudo, eu me senti mal por ela. Mas nada disso muda a forma como eu me senti quando a vi com Rider. "Ela deve ter caído no sono depois que eu", explicou. "Nós não começamos daquela forma."


"Eu... Ela estava enrolada em você. Como se vocês já tivessem feito isso antes", eu disse com voz baixa. "Isso me assustou e eu acabei saindo. Eu não poderia ficar lá." "Isso te machucou", afirmou. Abaixando meu olhar, eu assenti. "Eu não estava esperando por isso. Eu só queria estar lá para você." "Eu queria você lá. Eu queira", disse ele, e, em seguida, levantou-se. Meu olhar seguiu. Ele enfiou a mão pelo cabelo. "Eu queria você lá, mas eu também não queria que você visse tudo vindo a baixo... O que poderia estar vindo a baixo. Você já tinha visto o que aconteceu com Jayden". "Você viu o que aconteceu com Jayden, também." "Sim, mas eu...". "Sem

mas.

Isso

não

era...

Não

é

fácil

para

ninguém.

Especialmente não para a pessoa que era como um irmão." Escovei o cabelo do meu rosto enquanto Rider parou alguns pés na minha frente. Tendo essa conversa agora parecia errado. "Não quero que você se concentre em nós agora. Jayden...". "Ei sei, mas nós precisamos endireitar isto", ele interrompeu. "Você é tudo para mim, e quando Hector me acordou e disse que tinha estado lá? Porra. Meu coração parou. Eu sinto muito. Droga, Mallory, eu sinto muito. Nós estávamos falando sobre Jayden quando adormeci. Eu não tinha dormido durante todo o dia e quando cochilei, não tinha passado muito tempo antes de você aparecer. Não foi planejado. E eu te juro, não aconteceu nada entre nós. Eu não faria isso com você, e Paige sabe disso." Ele se aproximou e sentou-se na cama, com o corpo inclinado para mim. "Ela sabe como me sinto sobre você. Ela pode não estar enviando cartões de felicitações para nós tão cedo." O meio sorriso apareceu e, em seguida, desapareceu. "Mas ela sabe." Meu ritmo cardíaco acelerou. "Como... como você se sente sobre mim?"


"Eu acho que é bastante óbvio." "Vamos apenas dizer que eu preciso de uma explicação detalhada." Seus cílios levantaram e seus olhos encontraram os meus. "Eu posso fazer isso por você." "Ok." Inclinei-me para ele. "Eu nunca, uma única vez, parei de pensar em você quando foi tirada de mim. Quatro anos. Tudo o que eu podia esperar era que você estivesse em um bom lugar. Nunca esperava que você fosse vir para a escola. Nem sequer me permiti sonhar com isso. E... então você apareceu, e vê-la me surpreendeu porque você simplesmente como eu me lembrava, mas diferente, os traços da menina que eu vi em você quando éramos mais jovens estavam agora bem em frente a mim no momento em que você disse meu nome — no momento em que você me abraçou eu sabia." Rider alcançou entre nós, dobrando sua mão ao redor da minha. "Eu sabia que ia me apaixonar por você e eu... Eu te amo, Mallory." Meus lábios se separaram em uma inalação. "O que?" "Eu te amo, e não o tipo de amor que tínhamos um pelo outro quando éramos mais jovens, sabe? Paige sabe disso. Hector também sabe. E Jayden também sabia. Eu te amo." Meu Deus. Eu acalmei enquanto suas palavras afundavam em mim, as absorvi

enquanto

elas

viajaram

para

longe,

através

dos

meus

pensamentos confusos, por baixo da minha pele e músculos, e todo o percurso até o osso. Rider Stark me amava. Agi sem pensar. Saltando, eu passei meus braços em torno dele. De alguma forma, e eu nem sequer sei como, acabei em seu colo, meus joelhos em


ambos os lados das suas coxas. No início, eu apenas o agarrei, e ele me segurou. Eu queria chorar. Eu queria rir. Eu queria fazer um milhão de coisas diferentes. Eu queria beijá-lo. Isso foi o que eu fiz. Quando levantei minha cabeça e inclinei-me, ele sabia o que eu queria e ele deu para mim. Seus lábios tocaram os meus, e mais uma vez eu estava perdida nele, em nós. Nossas respirações se misturavam. Nossas mãos se moviam. E eu queria isso. Eu queria mais disso. Isso me acertou. Sábado eu não estava pronta, mas agora eu estava. Eu não sabia o que me fez tão certa, tão sem medo, quando eu tinha sido tão hesitante apenas dois dias atrás, mas esses dias pareceram uma eternidade. Talvez tenha sido os acontecimentos deste fim de semana, vendo o que aconteceu com Jayden. Vida sendo extinta. Algo sobre isso me fez querer viver, experimentar tudo. Poderia ter sido o que aconteceu depois. Discutir com Carl e Rosa e perceber que eu iria cometer erros e que eu não era perfeita — que eu não podia ser. Havia algo sendo libertado. Encontrar Rider com Paige tinha me forçado a enfrentar o quão profundo meus sentimentos eram sobre ele em vez de evitá-lo. Falando com ele agora e ser sincero sobre tudo. Ouvi-lo dizer que me amava. Seja qual for a razão, eu sabia em cada parte de mim que isso agora — aqui — era o que eu queria. Eu o beijei de volta, e eu não estava pensando se eu estava fazendo a coisa certa ou não. Eu provei seus lábios, toquei sua língua quando deslizei minhas mãos em seu peito. Eu senti seu coração batendo. Meu corpo se moveu sobre ele, e as loucas sensações que ondulavam sobre a minha pele. Enfiei a mão sob a camisa, impressionada quando todo o seu corpo estremeceu quando a palma da minha mão deslizou sobre sua barriga nua. Eu queria sentilo, senti-lo mais.


Inclinando-me para trás, eu estendi a mão e agarrei a barra da minha camisa. Seu olhar encapuzado seguiu minhas mãos, e seus lábios se separaram quando passei o tecido por cima da minha cabeça e deixei cair. "Inferno..." Sua voz estava grossa, áspera. "Mallory, você está..." "O que?" Eu sussurrei, sentindo meu corpo queimar por duas razões muito diferentes. "Você é linda." Seu olhar mergulhou, acompanhando as bordas rendadas do meu sutiã. "Nunca pensei que eu iria vê-la assim. Estou estupidamente feliz por consegui. Você é tão bonita, Mallory." Meu coração inchou tão rápido que eu pensei que iria me inflar até o teto. "Mas acho que..." Seu aperto apertado em meus quadris. "Nós... nós devemos parar." Parar era a última coisa que eu queria fazer. Coragem foi se movimentando através das minhas veias. Pressionei meus quadris para baixo, e o gemido dele tirou um tremor de consciência aguda através de mim. "Eu não quero." "Mallory." Meu nome soou como uma oração e uma maldição quando ele deslizou as mãos até minha cintura. "Nós dois passamos por muita coisa. Eu não quero que você se arrependa." "Eu não vou." Eu descansei minha testa contra a dele. "Eu estou pronta para isso — para isso com você." Meus dedos se enroscaram em sua camisa. "Eu quero isso — eu te amo. Eu estou apaixonada por você.". Eu não sei se era exatamente o que eu disse que fez isso, mas suas mãos apertaram minha cintura e então eu estava de costas, debaixo dele, e sua boca estava em mim. Os beijos eram duros e merda — eu sabia — o beijo dele estava dizendo. Rider estava pronto também.


Capítulo 34

Tudo acelerou e depois abrandou. Sua camisa saiu, e mesmo que eu o tivesse visto sem camisa antes, me preparei para vê-lo assim novamente. Ele tinha a pele toda lisa, dura sob meus dedos. Seu corpo era tão diferente do meu. Eu era suave sob suas mãos, mas ele parecia ser tão impressionante. Ele explorou. Eu explorava. Havia poucas palavras quando primeiro sua calça jeans saiu e depois a minha. O sutiã deslizou pelos meus braços. Eu estava nervosa. Minhas mãos tremiam. Ninguém nunca tinha visto tanto de mim, quase tudo. O desejo de me cobrir era difícil de ignorar, mas quando seu peito tocou o meu, e não havia nada entre nós, eu não estava pensando. Tudo era sobre o sentimento, e ao contrário de antes, não havia um tom amargo de pânico batendo o calor maravilhoso e tensão curiosa. Eu estava nervosa. Eu não sabia o que esperar, mas não afoguei a paixão, não me faz querer fugir. Eu joguei para fora enquanto minhas mãos se moveram mais abaixo, enquanto suas mãos seguiam. Nossos corpos estavam se movendo um contra o outro, inquieto e em busca. Sua mão deslizou por cima do meu quadril, seus dedos seguindo o cós da minha calcinha. Eu tremi quando minhas costas arquearam. O som que ele fez enrolou os dedos dos meus pés. Usando os cotovelos, ele empurrou seu corpo sobre o meu. Rider beijou-me profundamente, completamente, quando se empurrou para baixo. Minha perna dobrada sobre a dele. Meus dedos agarram seu cabelo. Sua boca deixou a minha enquanto seus lábios se moveram ao


longo do meu queixo e, em seguida, na minha garganta. Meus sentidos giraram enquanto ele foi descendo, percorrendo um caminho. "Merda," ele gemeu, levantando a cabeça. Meus olhos se abriram sentindo o lábio maravilhosamente inchado. "O que?" "Nós... nós temos que parar." Ele moveu-se, segurando meu rosto. Parar? Eu não queria parar. Ele fez um som áspero, obviamente pensando a mesma coisa. "Eu não tenho proteção." "Você não tem?" Surpresa me inundou. Ele descansou sua testa contra a minha. "E estou supondo que você não tem, também." Eu quase ri. "Não... todos os caras têm preservativos, tipo, na carteira?" Meu rosto queimou quando fiz a pergunta. Rider riu. "Deus. Eu desejo que esse fosse o caso. Eu só não tenho... Bem, você sabe. Eu nunca tinha ido tão longe." "Eu sei." Enfiei minha mão no seu peito enquanto tentava obter o controle da minha respiração. "Você não comprou quando você... quando você estava com Paige?" Seu olhar encontrou o meu. "Comprei. Uma vez. Não usei." Ele virou a cabeça, beijando o centro da minha palma. "Realmente não planejei isso acontecendo hoje." "Nem eu." Mordi o lábio. Parte de mim queria esquecer o fato de que nós não temos proteção, mas isso seria incrivelmente, bem, imprudente. E um tipo de mudança, também. Ser responsável, mas se nós não poderíamos fazer isso... "Há... há coisas que podemos fazer." Seus lábios se curvaram. "Oh sim, há definitivamente outras coisas que podemos fazer." E nós fizemos algumas dessas coisas. Coisas que tínhamos iniciado no sábado. E desta vez, quando sua mão escorregou sobre minhas coxas, entre elas, eu não entrei em pânico. Quando os


sentimentos desconhecidos e quase esmagadores construídos dentro de mim, eu me acolhi com eles, com o desconhecido. Toquei-o sem medo de não saber o que fazer, e eu aprendi rapidamente, não havia muito que eu poderia fazer de errado com ele. Os únicos sons no quarto que podiam ser ouvidos por cima do meu coração batendo forte eram os profundos gemidos e os mais ásperos gemidos. Quando acabou, eu estava despedaçada de uma maneira feliz, de um jeito incrível que eu nunca poderia ter imaginado. Eu mal podia descrever como me sentia. Era como ser puxado muito forte, mas de uma maneira muito boa, e quando tudo isso era estranho, tensão inebriante chegou, ela me bateu em ondas. Parecia ser o mesmo para Rider, porque quando ele desabou ao meu lado, ele estava respirando tão rápido e pesado. Passou um enorme tempo antes que eu pudesse falar. "Isso foi..." Eu rolei para o meu lado, encarando-o quando eu cruzei os braços sobre o peito. "Perfeito?" ele murmurou, curvando a mão ao redor da minha nuca. "Foi perfeito." "Sim." Mexi mais perto, encaixando a cabeça sob o queixo, e sua mão escorregou do meu pescoço enquanto ele colocou seu braço em volta de mim. Eu não podia sequer imaginar como o sexo real seria, se comparado com o que tinha acabado de fazer seria tão bom. Então, novamente, eu percebi que sexo, pelo menos pela primeira vez, provavelmente doía um pouco. E eu estava muito satisfeita que a primeira vez que eu experimentei algo cheio de prazer não foi marcada por um momento de dor. "Obrigado", disse ele depois de um momento. Eu levantei minha cabeça. "Pelo quê?" Ele sorriu um pouco. "Por confiar em mim com isso. Por tudo?"


Meu sorriso correu pelo meu rosto. Eu o localizei, fechando os olhos. Cada parte do meu corpo estava relaxada, e eu sabia que poderia cair no sono, até que ouvi Rider dar uma risada. Levantei meu queixo e olhei para ele. “O que?” "Eu só estava pensando." Suas bochechas coraram. "Cara, isso vai soar brega, mas eu estava pensando que esta é a primeira vez que este quarto pareceu como... meu." "Não", eu sussurrei. "Isso não é brega." Rider roçou os lábios na minha bochecha quando rolou em seu cotovelo. "O que nós vamos fazer?" “Agora?” "Sim. Você deve voltar para a escola. Já está na hora do almoço." “E você?” "Eu acho que vou para a casa da tia de Hector. Eu quero estar lá hoje. Eu sei que eles vão começar todo o processo do funeral." O peso da dor voltou. Não era como se tivéssemos esquecido Jayden, mas a dor havia diminuído durante esses breves momentos. Sentindo-me como se tivesse acordado de um sonho, eu assenti. "Se eu tiver sorte, a escola não ligou para minha casa ainda. Carl e Rosa já estão irritados o suficiente comigo." Suas sobrancelhas baixaram. "Por quê?" Foi difícil manter o meu olhar fixo em seu rosto quando ele estava nu. Eu olhei minhas falhas, mas eu queria ver mais. "Mallory?" Ele riu. Eu estava procurando e eu precisava me concentrar. Minhas bochechas aqueceram. "Eles ficaram irritados depois do que eu disse a eles sobre o que aconteceu no sábado." O sorriso lentamente sumiu do seu rosto. "Isso é compreensível."


"Não é verdade", eu disse a ele. "Eles... querem que eu pare de ver você." Suas sobrancelhas levantaram quando ele se sentou e balançou as pernas sobre a cama. Ele olhou para a porta, mandíbula dura. "Sério?" "Sim, eu entrei em uma briga com Carl e Rosa", eu expliquei quando ele se levantou, puxando a cueca, e por um momento me distrai com os músculos rígidos ao longo da sua espinha. "O que aconteceu com Jayden não foi culpa sua." "Mas você viu que isso aconteceu porque te trouxe para essa casa." Ele pegou a calça jeans do chão e, em seguida, puxou-as. "Isso é verdade." Discordo. "Você não sabia que ia acontecer." Rider me encarou, e eu percebi que ele segurava meu sutiã. Eu corei quando o entregou. "Isso não muda o que aconteceu." Ele desviou o olhar, quando o coloquei. "Quão ruim foi à briga para começar?" "Eu saí de casa. Foi quando eu fui à sua procura." Lançando-me à beira da cama, encontrei a minha camiseta e passei pela cabeça. Quando me levantei, caiu até minhas coxas. "Eles estavam... apenas exagerando." Seu olhar se voltou para mim e, em seguida, fez um escorregar lento, fazendo com que os meus dedos dos pés enrolassem contra o tapete fino. Ele não disse nada quando encontrei meu jeans e o puxei. Sentei-me na beira da cama, me preocupando quando ele terminou de se vestir. "Eles simplesmente não entendem. É como se eles esperassem que eu seguisse todas estas escolhas, escolhas que fariam, escolhas que Marquette faria, e eu não sou eles. Eu não sou ela." "Eles sabem que você não é ela." Rider caminhou em direção à cama, parando. Sorri quando vi os pés descalços que espreitava para fora da bainha da calça jeans. "Eles só querem o que é melhor para você."


"Eu sei." Eu olhei para ele. "Carl... Ele disse algo que eu realmente nunca pensei que ele diria. Ele disse que ele e a Rosa estão combatendo coisas que, não teriam que se preocupar com Marquette." "Merda," Rider murmurou, passando as mãos pelo cabelo. "Ele não quis dizer isso, Mouse." Dei de ombros. Talvez ele quisesse sim. Eu tinha sido muito maleável nos últimos quatro anos. "Eu nunca... Eu nunca discordei deles sobre qualquer coisa, você sabe. Devo-lhes muito, então eu sempre concordo com o que eles querem. Tudo o que eles achavam melhor. Como quando eles foram empurrando essa coisa toda de escola de medicina, e eu não quero fazer isso. Mas eu concordei em olhar os panfletos de qualquer forma. Eu nem sei por quê. Eu acho que quero...". "Você quer o que?" "Eu penso que eu quero ir para a faculdade de Serviço Social." Esperei que ele risse. Ele não o fez. Sentei-me um pouco mais reta. "É algo que faz sentido para mim. Eu poderia ajudar pessoas como você e eu, mas Carl riu e perguntou se eu estava falando sério. Ele disse que eu não iria fazer dinheiro com isso." "Nem tudo é sobre dinheiro." "Exatamente." "O dinheiro ajuda, no entanto." Ele fez uma pausa. "Carl parece ser um bom homem. Ele estava zangado. As pessoas dizem porcarias estúpidas

quando estão

bravos."

Um músculo

pulsou

em

sua

mandíbula. "Mas eu..." "O que?" Eu perguntei quando ele não terminou. Rider abriu a boca e, em seguida, sacudiu a cabeça. "Devemos voltar para a escola. Eu não quero que você entre em mais problemas." Deslizei para fora da cama e encontrei minhas meias. Quando terminei, Rider estava puxando um gorro. Tufos de cabelo ondulados ao


longo das bordas. Ele ficou em silêncio quando fomos até o térreo e até o meu carro. Pequenas bolas de desconforto tinham se formado no meu estômago. Virei à chave e olhei para ele. "Está tudo bem?" "Sim. Está tudo bem." Ele olhou para mim. "Você pode me deixar na tia do Hector? É no caminho para a escola." Estudei-o por um momento e depois assenti. Eu precisava parar de ser paranoica, eu disse enquanto seguia suas instruções para a casa da tia. Uma vez lá, eu saí do carro e Rider me encontrou no meu lado. Ele colocou as mãos no meu rosto e deslizou seus polegares ao longo da minha mandíbula. Baixando a cabeça, ele me beijou suavemente, com ternura, um longo beijo, que me deixou sem fôlego. Eu não sabia o que era, mas algo sobre o beijo parecia diferente do que ele compartilhou anteriormente. Algo sobre ele parecia um pouco triste.


Capítulo 35

Assim

que

entrei

pela

porta,

Rosa

atacou.

"Sente."

Completamente, mas arrastando-me para a cozinha, ela apontou para uma cadeira. Duas canecas estavam esperando na mesa, e eu podia sentir o pau de canela, ela sempre gostou de colocar no chá. Respirando fundo, eu fiz exatamente como ela ordenou. Eu não acho que a escola tinha ligado já que eu tinha ido para a maioria das minhas aulas, e eu não estava prestes a perguntar. Enquanto eu esperei que ela falasse, eu não pude deixar de pensar que a manhã com Rider parecia uma eternidade atrás. Eu estava ansiosa para a próxima vez, revivi cada detalhe quando eu falei com Ainsley, mandei uma mensagem para ela mais cedo e foi um milagre que a erupção de apertos não tinha quebrado o meu telefone. "A primeira coisa que eu quero dizer é que Carl e eu te amamos", disse Rosa. "Nós te amamos tanto quanto nós amávamos Marquette, e eu espero que você perceba isso. O que Carl disse ontem não estava certo. Ele estava zangado e preocupado com você. E isso não é uma justificativa para suas palavras. Ele lhe deve um grande pedido de desculpas." Colocando o pé na cadeira, abracei o joelho contra o peito. Pelo menos não aparece que a escola tinha ligado. "Eu não... quero que ele peça desculpas." "Ele precisa."


Balancei a cabeça. "Eu só quero que ele... Quero que as coisas voltem..." Eu parei, percebendo o que eu estava prestes a dizer. Eu quero que as coisas voltem a ser como eram. E isso não era verdade. Eu não queria que nada voltasse à forma como tinha sido. "Você está certa", eu disse, levantando meu queixo. "Ele precisa se desculpar." "E ele vai." Ela me estudou. "Há algo que você precisa entender sobre Carl. Não é algo que eu devia te contar. Eu só espero que você lhe dê uma chance." Pensei em algumas das coisas que Carl tinha dito ontem, coisas que fez parecer que ele tinha experiência com o que aconteceu neste fim de semana. Apertei meu joelho. "Eu vou." "Bom." Ela tomou um gole de chá. "Carl e eu conversamos muito enquanto você estava fora ontem, sobre você e sobre Rider". Oh, eu não gosto de onde isso ia. Atingindo mais, peguei minha caneca e tomei um gole. O líquido quente atingiu minha garganta, mas não afrouxou os nós no meu estômago. "Nos quatro anos desde que tivemos você, nunca, uma vez que você levantou a voz para nós. Você sempre concordou com o que queríamos, não importa o que era." Ela fez uma pausa, e meus olhos atiraram para ela. Seus dedos estavam brancos quando ela colocou seu copo sobre a mesa. "Você não quer ir para a escola de medicina, não é?" Isso saiu sem mais nem menos. O instinto imediato foi aliviar suas preocupações, queria dizerlhe que sim, porque eu sabia que era o que ela queria ouvir, mas eu... Eu não podia mais fazer isso. "Não", eu admiti calmamente. "Eu não quero fazer isso." Rosa fechou os olhos por breves instantes e, em seguida, assentiu. "Ok."


"Está... realmente tudo bem?" Eu perguntei, trazendo outro joelho e circulando meus braços em torno de ambos. "Eu sei que não é isso que você quer ouvir." "Eu sempre fui honesta com você, Mallory, e eu vou ser honesta agora. Não é o que eu queria ouvir. A carreira de medicina vai deixar você definir o seu futuro, mas é o seu futuro." Ela exalou bruscamente. "E a coisa mais importante é que você esteja feliz. Carl pensa da mesma maneira." Eu meio que duvidava disso. Ela pegou o copo. "Você realmente estava pensando em Serviço Social?" Sementes de emoção se enraizaram profundamente dentro de mim. "Sim." "Porque isso significa algo para você?" Eu balancei a cabeça. "Faz sentido." Ela levantou a xícara aos lábios. "Com o seu passado, faz sentido que você esteja apaixonada por fazer a diferença, e eu estou orgulhosa de você querer fazer isso. Não vai ser fácil para você." A excitação aumentou rapidamente, embora Rosa estivesse certa. Seguir uma carreira no Serviço Social não seria fácil para mim. Eu sabia que iria trabalhar com casos que seriam dolorosamente semelhantes ao meu. Eu sabia que seria um trabalho que eu levaria comigo para casa no final do dia, mas seria um trabalho que eu me preocuparia. "Nós vamos apoiá-la, Mallory. Eu só quero que você saiba disso. Quer se trate escola de medicina ou Serviço Social ou voar para a lua, vamos apoiá-la." Um pouco de peso se foi do meu peito. "Obrigada." Rosa ficou em silêncio por um momento. "Esta situação com Rider...".


"Eu o amo", eu disparei. Seu olhar afiado, então, mas uma vez eu disse as palavras em voz alta, eu não queria pegá-las de volta. "Eu o amo. Eu não vou parar de vê-lo." "Querida, eu..." Ela se inclinou, colocando a mão no meu joelho dobrado. "Eu sei que você pensa que está apaixonada, mas vocês dois têm um passado onde era só você e ele contra o mundo. Eu posso entender porque você pode pensar que se sente assim, depois de tudo o que têm compartilhado." O que ela disse não parecia loucura em tudo. Parte de mim poderia até mesmo entendê-la. "Como você sabe quando você está realmente apaixonado por alguém?" Rosa abriu a boca, mas ela não falou quando retirou a mão. "Como você sabia que você estava verdadeiramente apaixonada por Carl? Como é que alguém realmente sabe?" Balancei minha cabeça. "Eu não acho que você pode... mas eu sei como me sinto agora. Talvez isso vá mudar. Eu não sei, mas não...". Dei de ombros. "Não me diga que eu não sei o que estou sentindo ou o que sinto." Ela sentou-se reta. "Porque eu sei que o que sinto por ele é forte. Eu sei que é amor. Ele... ele me aceita, sempre aceitou, mas ele não espera que eu fique na mesma, e quando eu falho em algo na frente dele, ele não me faz sentir mal com isso", eu disse, tentando colocar em palavras como me sentia. "Ele me faz sentir bem comigo mesma, e sobre ele." Os olhos de Rosa ampliaram enquanto eu falava. "Ok", disse ela depois de um momento. "Eu não vou dizer como você deve se sentir." Eu estava em um fluxo agora, não ia parar tão cedo. "Eu sei que ele faria qualquer coisa para ter certeza que eu esteja feliz e segura, e confia em mim, ele odeia que eu vi o que aconteceu no sábado. Carl não tem que culpá-lo por isso. Ele já se culpa, mas não era culpa dele, e eu odeio, absolutamente odeio, que o que aconteceu com Jayden, de


alguma forma tornou-se algo sobre Rider e eu. Isso não está certo. Isso está ofuscando o que aconteceu com Jayden e isso é errado." Suas sobrancelhas subiram. E eu ainda não estava satisfeita. "Eu sei que vocês realmente não confiam em Rider e vocês não acham que ele tem um futuro, mas o que vocês não sabem é que ele está tentando. Ele realmente está, e mesmo se ele decidir que não quer ir para a faculdade, isso não o torna menos que uma boa pessoa. Isso não significa que ele não merece o respeito de vocês. Ele é brilhante e ele tem um talento tão absurdo. A última coisa que ele precisa é que outra pessoa não acredite que ele vale a pena." Ela desviou o olhar quando apertou os lábios. "Eu não acho que ele não vale a pena, Mallory. Eu só... não sei o que pensar." Meu coração estava batendo forte, algumas batidas bem loucas. "Eu só quero que vocês realmente tentem ver o que eu vejo nele". Rosa sorriu levemente. "Nós só queremos o que é melhor para você e às vezes em querer é que, erramos." Mais uma vez ela colocou a mão sobre a minha e apertou. "Nós podemos tentar, querida. Nós vamos." Fechei os olhos. "Obrigada." Havia um sorriso em sua voz quando falou novamente. "Eu não sei se você percebe isso ou não, Mallory, mas você não é a mesma menina que nós trouxemos no primeiro dia para casa. Isso é uma coisa boa." Sua mão apertou a minha novamente. "Isso é uma coisa muito boa." Ela estava certa. Eu não poderia colocar o dedo sobre o momento exato em que eu havia me tornado uma Mallory diferente. Talvez porque isso não era apenas um momento, mas eram mais como uma combinação de centenas, talvez milhares deles. Eu não estava apenas indo para a


escola pública ou me sentado com Keira no almoço. Não foi a decisão consciente de me fazer desconfortável, na classe oratória. Não foi apenas sobre eu finalmente me abrir sobre o meu passado para Ainsley. Não era apenas o dia que eu estava no corredor e olhei para além da maldade nas palavras de Paige ao ver a verdadeira razão afiada por baixo. Não era só o que aconteceu com Jayden e ver a vida arrebatada. E não foi apenas me reencontrar com Rider, ou me apaixonar por ele. Foi tudo. Foi tomar a decisão de fazer coisas que me assustavam. Foi encontrar a coragem de, no terceiro dia de escola, caminhar até a mesa de Keira. Eu estava fazendo um discurso durante o almoço, e depois outro, mesmo que só tivesse a audiência de uma pessoa. Eu tinha falhando na festa de Peter, mas percebendo que estava tudo bem. Foi aceitar que meu passado seria sempre uma parte de mim e uma parte dos que estavam perto de mim. Foi encontrar algo que eu estava apaixonada, algo que me faz feliz. Foi perceber que eu não devia a Carl e Rosa minha vida. Que o meu amor por eles era suficiente. Que eu não tenho que me tornar uma cópia carbono da filha deles. E saber que Jayden tinha me mudado de uma forma que eu sabia que eu ainda estaria tentando descobrir uma vida a partir de agora. Foi encontrar Rider novamente, e me permitir me apaixonar por ele. E foi saber que eu poderia ainda ter... Ainda ter medo de tudo, mas não deixar que o medo me impedisse de viver. A percepção não foi por causa de algum tipo de epifania de parar terra. Foi sutil e lenta, uma combinação de um milhão de momentos em um só, mas quando eu estava sentada na mesa da cozinha com Rosa, eu sabia que era verdade. Eu mudei.

***


Keira olhou para seu prato intocado. "Eu ainda não consigo acreditar", ela estava dizendo. A mesa estava em silêncio. "Ele estava aqui, sabe? Na semana passada, ele entrou nessa cafeteria e ele me chamou para um encontro." "Enquanto ele roubava as minhas batatas fritas do meu prato", acrescentou Jô. "E então se ofereceu para me levar em um encontro." "Ele estava sempre fazendo coisas assim." Keira soltou uma risada abafada. "É apenas um saco. Ainda não há outras palavras para isso." Isso era verdade. "Ouvi dizer que a polícia pegou Braden na tarde de ontem", disse Anna, mantendo a voz baixa. "Eu não sabia que Braden bem, mas ele tem tipo, o quê? Dezoito? Como você pode matar alguém quando você tem dezoito anos? Isso é simplesmente insano." "Como você pode ser morto quando tem quinze anos?" murmurou Jô. Keira e as meninas não sabiam que Rider e eu estávamos lá quando Jayden foi morto. Surpreendentemente, isso não era algo que tinha sido informado, e não era algo que eu estava realmente disposta a compartilhar além da Ainsley. Era estranho ver as vidas afetadas por Jayden, sabendo que ele provavelmente não tinha percebido o quanto tinha impactado os outros. E depois havia o outro lado; as pessoas que só sabiam que alguma criança tinha morrido, mas que não podiam dar um rosto. Não era que eles não reconhecerem a perda. Isso só não afetou suas vidas. Hoje era apenas uma terça-feira normal para eles. Quarta-feira não seria diferente. No sábado, eles não iriam para o funeral de um menino de quinze anos de idade. Em suas mentes, eles ainda o tinham para sempre.


Mas nós sabíamos melhor. O para sempre era algo que todos nós tomamos como concedido, mas o problema com o para sempre era que ele realmente não existe. Jayden não tinha acreditado que seus dias estavam contados. Ele tinha feito planos, tinha outros objetivos, e ele provavelmente acreditava que tinha tempo. Ainsley tinha assumido, justamente por isso, que ela sempre teria sua visão. Ela não pensou, algo que a maioria de nós tomou tempo para perceber, que não temos o para sempre. Em seguida, havia eu. Pensei que ia ficar presa do jeito que eu era para sempre, sempre com medo, sempre precisando de alguém para falar por mim. Eu aprendi a lidar com os meus medos, encontrei a minha voz, e percebi que Carl e Rosa me amavam mesmo que eu não fosse perfeita. Para sempre não era real. E eu imaginei, por mim, que eu tinha sorte de que não era. Mas para outros, eu desejava que fosse real, que eles tivessem o para sempre. Tomando meu assento na parte de trás da sala de oratória naquela tarde, encontrei-me olhando para a cadeira vazia de Hector. Quando ele vai voltar? Eu não podia sequer imaginar o que ele deve estar passando. Quando Rider e eu tínhamos sido separados, eu me senti como se tivesse morrido. Esses meses imediatos tinham sido solitários e nunca terminavam, mas eu sabia que Rider ainda estava vivo. Minha própria dor e perda não tinha sido nada como isto. Surpresa cintilou através de mim quando eu vi Rider entrar na classe. Ele e eu tínhamos mandado mensagens na noite passada, e ele disse que estaria na aula hoje, mas eu realmente não achei que ele iria vir quando sabia que ele queria estar lá com Hector. Rider ainda não tinha feito a barba e usava a mesma roupa de ontem. O medo de ontem, quando eu o deixei na casa da tia de Hector, ressurgiu. Rider parecia destruído.


"Oi," eu disse quando ele se sentou ao meu lado. O velho caderno atingiu a mesa. "Você... Meu Deus, é uma pergunta tão estúpida, mas você está bem?" Ele balançou a cabeça lentamente enquanto olhou para mim. "Sim, apenas cansado." Mas era mais do que isso. "Podemos ficar juntos depois da escola?" Ele perguntou quando a campainha tocou. "Por um instante?" "Sim. Claro," eu disse, sorrindo, mesmo que não fosse real. O temor que eu senti cresceu durante a aula, e eu apenas vagamente ouvi o cronograma de discurso da próxima semana que o Sr. Santos falou. Eu teria que dar o meu durante o almoço na próxima terça-feira. Rider faria o seu na quarta-feira. Eu ainda não terminei meu discurso. Mas eu realmente não estava focada nos exemplos de discursos que o Sr. Santos foi dando. Eu estava muito ocupada observando o fato de que Rider não me olhava nos olhos. Não quando ele se sentou. Não quando ele não olhou para mim nem uma vez durante a aula. Quando o sinal finalmente tocou, pulei do meu lugar, assustada. Eu mesma me pedi para relaxar quando arrumei minha mochila. Rider esperou na minha mesa, o olhar fixo na frente da sala. "Você está pronta?" ele perguntou sua voz estranhamente plana. Meu estômago revirou enquanto balancei a cabeça, e eu só consegui um meio aceno para Keira no caminho para fora. Nós não falamos até que estávamos fora, caminhando lado a lado sob os céus nublados. "Rosa e Carl não vão estar em casa por um tempo", eu disse, torcendo os dedos em torno de minhas chaves. "Você quer ir ficar um pouco lá?"


Suas sobrancelhas franziram e por um momento eu pensei que ele ia dizer não. "Sim, isso é legal." Nós

não

falamos

no

carro

e

meus

nervos

estavam

sobrecarregados enquanto entramos. Larguei minha mochila perto da porta. "Hum, você quer alguma coisa para beber?" Eu perguntei, caminhando em direção à sala de estar. "Não." Ele seguiu lentamente, parando na prateleira para verificar as esculturas de sabão. "Eu estou bem." Deixei minhas chaves na ilha e fui até a geladeira, pegando uma Coca-Cola. Um tremor percorreu meus braços enquanto voltei para a sala de estar. Sentei-me no sofá e comecei a pegar o controle remoto. "Nós poderíamos assistir a um filme ou..." "Na verdade, eu quero falar com você." "Oh." Eu brinquei com a aba do meu refrigerante. "Ok." Ele andou em volta da mesa e sentou-se no sofá na terceira almofada, colocando uma almofada inteira entre nós. Meu dedo se deteve no controle. "Eu não sei como dizer isso", disse ele, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Ele balançou a cabeça lentamente. "Eu realmente me importo com você, Mallory. Eu realmente me importo." Oh Deus. Eu coloquei o refrigerante no final da mesa antes que eu o deixasse cair. "E eu realmente me importo com você. Eu... Eu te amo, Rider." Sua mandíbula flexionou. "Ontem foi um erro." Meus lábios se separaram em uma inalação afiada. Eu não ouvi direito. Não havia nenhuma maneira que eu o tenha ouvido direito. "Não é que eu não gostei do que... o que fizemos. Eu gostei, mas isso não pode continuar. Não podemos ficar juntos. Não gosto disso", disse ele no mesmo tom plano. "Eu sinto muito."


Por vários momentos tudo o que eu podia fazer era olhar para ele. Tentei processar o que ele estava dizendo, mas o sangue latejando em minha cabeça tornou isso difícil. "Eu... eu não entendo." "Nós não podemos ficar juntos", ele repetiu, ainda não olhando para mim. Uma rachadura fissurou meu peito, e eu suguei o ar, porque parecia tão real, uma linha de dor ardente. "Nós podemos ser amigos, mas isso é... isso é tudo." "Eu não quero que sejamos apenas amigos, eu quero ficar com você," eu soltei quando me empurrei para frente. "Você disse que me amava. Ainda ontem." Minha voz ficou presa quando o nó expandiu na minha garganta. "Tipo, foi há um pouco mais de vinte e quatro horas atrás. Eu não entendo." Ele colocou a mão na testa. "Eu te amo." "Então por que você está dizendo que você não quer ficar comigo?" Pus a mão no sofá, segurando a mim mesma, porque parecia que eu estava me movendo. Como se o mundo inteiro estava tremendo. "Isso não... faz qualquer sentido." "Eu simplesmente não posso estar com você. É o fim." Então a coisa mais estranha aconteceu. Uma sensação estranha, quase sufocante de alívio me bateu. Tinha acabado. Eu poderia simplesmente voltar para o caminho... Eu parei. Tudo parou. Isso não era mais eu. Eu não ia desistir e ceder apenas porque era fácil. Eu não era mais ela. "Isso é o melhor, Mouse." "Não me chame de Mouse," soltei quando a fúria inundou o meu sistema, ultrapassando a dor rodando, e me afastei. "Eu não sou a Mouse. Aquela menina não existe mais." Rider recuou como se eu tivesse lhe dado um tapa. "Mallory..."


"Não. Não olhe para mim como se eu tivesse me machucado." Eu me levantei do sofá, com as mãos enrolando em punhos. "Você precisa me dar uma explicação melhor do que apenas isso. Você me deve isso." Ele ergueu o queixo, os olhos brilhantes quando finalmente olhou para mim. As sombras abaixo deles eram mais profundas, mais escura. "Você não entendeu?" "Não. Obviamente, eu não." Rider olhou para mim por um momento. "Você merece alguém melhor do que eu." Meu queixo caiu. "E você não deveria estar brigando com Rosa e Carl por minha causa. Eles pegaram você, te deram o mundo, e eu não vou ficar entre vocês", disse ele, e acho que ele continuou falando, mas eu realmente não estava ouvindo. Você merece alguém melhor do que eu? Não era a mesma coisa que Paige tinha dito antes, só que o contrário? Era isso. "Você está falando sério?" Eu o interrompi. "Você está falando sério agora?" Ele engoliu em seco. "Sim, Mou... Mallory, estou falando sério." Eu ri, mas não havia nenhum humor em som algum. "Então me deixe ver se entendi. Você está terminando comigo, porque isso é o que você acha que é melhor para mim. Porque você não quer ficar entre mim, Rosa e Carl?" Não houve pausas em minhas palavras agora. "É por causa do que aconteceu neste fim de semana." Endireitando, ele levantou as mãos. "É mais do que isso, Mallory. Você e eu não somos os mesmos. Nós costumávamos ser, mas não mais. Você está indo em uma direção e eu vou ficar na mesma. É assim que vai ser." Minhas mãos se abriram. Engraçado. Durante muito tempo parecia que todos ao meu redor estavam indo a lugares, enquanto eu


estava sentada, imóvel e presa, mas esse tempo todo eu realmente tinha estado em movimento e tinha sido Rider quem não estava. "Você está tão errado", eu respirei. Suas sobrancelhas se ergueram. "Sério?" "Sim. Sério." Suas

bochechas

ficaram

rosadas.

"Você

sabe

o

que

costumávamos ser? Nós éramos apenas lixo descartado. Isso é como fomos tratados. Não há beleza na merda. Nossos pais de merda não nos queriam. Ou talvez eles simplesmente morreram em algum acidente de carro trágico ou não poderiam nos manter. Quem sabe né? Eu pergunto. Você sabe o que? Não responda. Ninguém se importava o suficiente para descobrir. E senhorita Becky e o Sr. Henry? Nós nem sequer temos que falar sobre essa besteira", continuou ele, olhos piscando. "E a casa do grupo de apoio onde eu estava mais tarde? Eles tentaram. Eles realmente fizeram, mas não podiam manter os olhos sobre tudo. Até o momento que a Sra. Luna veio, e que diabos era o ponto?" Eu paralisei. Uau. Eu não estava esperando tudo isso. Ele não tinha terminado. "Você ficou fora de tudo isso. Eu não. O que você tem é real. Eu não tenho isso. Eu só estou fingindo." Eu vacilei. "Eu não entendo. A família de Hector são boa gente. Como você pode dizer que eu saí e você não fez?" "Não é o mesmo. Eu sou apenas temporário. Não é nada parecido com o que você tem com Carl e Rosa." Olhando para ele, eu balancei a cabeça. "Isso é absoluta... Estupidez." Ele piscou. "Você acabou de xingar?" "Sim. Sim, eu fiz, porque isso é estúpido," eu repeti. "A família de Hector se preocupa com você. Não conheço a Sra. Luna muito bem, mas levou apenas dois minutos em volta dela para eu ver que ela pensa em você como um dos seus filhos. Todos eles se preocupam com você. Eles


não vão tratá-lo de forma diferente, ou como se você fosse um fardo para eles." Rider não disse nada. "Ou não é?" Eu exigi. "Será que eles te tratam como um fardo?" O músculo ao longo de sua mandíbula latejava. "Eles não, mas...". "Mas nada!" Eu gritei, e ele estremeceu novamente. Foi provavelmente o mais alto que eu já tinha falado em toda a minha vida, mas caramba, descrença e frustração bateram em mim. "Eles te amam, Rider. E eles precisam de você agora, mais do que nunca. Hector acaba de perder seu irmão. Sra. Luna está enterrando seu neto mais novo, um menino que uma vez me disse que você era um segundo irmão para ele. Ontem você disse que queria estar lá para eles, mas como você pode estar lá quando você se recusa a reconhecer que você é a família deles e que eles são a sua?" Respirei, mas não deu em nada. "Você sabe o que eu disse a você ontem? É verdade. Tudo maldita verdade. Você desistiu de si mesmo antes que eles sequer tivessem uma chance!" "Mallory...". "E você está fazendo isso conosco! Você está desistindo de nós antes mesmo de começar. E pior ainda, você está me usando como uma desculpa. Você vai fazer o que você sempre fez — me proteger quando você não deve fazer." "Isto não é como antes", afirmou calmamente. "Sim. É, sim. Você não tem o sentido de autopreservação." Dei um passo em direção a ele, mas parei. Se eu chegasse perto o suficiente, eu poderia bater nele com uma almofada. "Eu sempre achei que você tinha assumido este papel como um cavaleiro de armadura brilhante, mas eu estava errada. Você é apenas um mártir". Ele olhou como se eu tivesse pegado uma almofada e batido nele.


"O que há com você, Rider? Você é estupidamente inteligente e tão extremamente talentoso, mas você — você...". Eu levantei minha mão e apontei para ele, "Você não tenta, e no momento em que algo se torna difícil, você corre. Você desiste. Esse não é o Rider que eu conheci enquanto estava crescendo. Você era um lutador na época, mas quando é mais importante, como a sua maldita vida, você simplesmente desiste". "Eu não..." "Você desiste." Lágrimas arranham seu caminho até a parte de trás da minha garganta enquanto olho para ele. Deus, isso não era justo. Isso era tão extremamente injusto. "Eu estava sentada na cozinha ontem e eu disse a Rosa que te amava. Eu disse a ela para não me dizer como eu me sentia e pedi a ela para lhe dar uma chance. Ela prometeu que o faria. E agora você está aqui de pé me dizendo que o que você tem não é real. Você não pode simplesmente dizer isso sobre o seu lar adotivo. E também sobre mim, sobre nós. Você está dizendo que o que tínhamos nunca foi real.” Rider faz uma careta quando fechou os olhos. Tomo uma respiração instável. "Alguma vez você preencheu os formulários que eu peguei para você?" Ele não respondeu. "Você preencheu?" "Não", ele sussurrou. Meu coração despedaçou. "O menino que você desenhou no armazém e na galeria de arte? Esse menino é você, não é?" Rider não disse nada. "Não é você no passado", eu sussurrei. Seu belo rosto borrado. "Isso ainda é quem você é." Ele fechou os olhos. "E você sabe o quê? Esse tempo todo eu pensei que eu era a única que estava confusa. Que eu era a única que se afastou daquela maldita casa danificada e


despedaçada. Pensei que era eu." Minha voz se quebrou quando eu recuei. "E não era. Era você. Sempre foi você." Seu olhar subiu para o meu e a dor em seus olhos era um soco no meu estômago, porque ele estava fazendo isso para si mesmo. E Deus, isso doeu mais do que qualquer outra coisa. Isso era sobre ele. Não sobre mim. Foi sempre sobre ele. Ele colocou o peso em seus ombros; ele encontrou culpa e responsabilidade sempre que podia e abraçou essa confusão. Isso não estava desistindo por mim. Ele estava desistindo por causa de si. Ocorreu-me então, e levou tudo para engolir o soluço. "Você está preso," eu sussurrei. Rider endureceu. "É verdade." Alisei minhas mãos sobre meus quadris. "Você esteve por anos — dezoito anos sentindo-se dessa maneira. Essa conversa não irá desfazer anos de sentimento, quando você não faz nada além de ignorar todos aqueles em torno de você dizendo que você é importante. Os Lunas não poderiam corrigir isso. Oh meu Deus, eu não posso desfazer isso. Eu não posso corrigir isso. Eu já tentei". Minha respiração ficou presa novamente. "Eu tentei, porque eu te amo, eu te amo muito, mas você tem que ser o único a mudar isso. Não eu." "Mallory." Ele se levantou e deu um passo em minha direção. "Não." Eu estendi minha mão para cima e tentei não ver quando ele deu um passo. "Você, você precisa sair." Ele empalideceu. "Eu estou..." "Por favor. Basta ir. Vá." Eu podia sentir meu rosto começar a desmoronar. "Não há nada mais que eu possa dizer. Vá." Rider hesitou, e por um doce segundo, esperançosa, eu pensei que ele ia me ignorar. Eu pensei que talvez algo do que eu disse o alcançou, desencadeou algo nele e ele começaria a lutar por nós, por ele.


Mas ele não fez. Ele se virou e caminhou em direção à porta, e em transe, eu o segui. Eu queria continuar a segui-lo. Eu queria gritar com ele. Eu queria que ele visse o que eu via nele, o que eu sabia que Rosa e Carl veriam se tivessem a chance. Mas eu não fiz, porque como no mundo eu poderia lutar por ele quando nem sequer lutava por si mesmo? Então eu fiz o que eu nunca pensei que faria. Fechei a porta na cara de Rider.


Capítulo 36

Meu peito era uma concha oca, vazia. Ok, talvez eu esteja exagerando um pouco, pensei, enquanto olhava para o teto do meu quarto. Mas foi assim que me senti desde que eu tinha fechado a porta na cara de Rider ontem. Eu tinha me escondido no quarto. Eu não fui para a escola na quarta-feira. Ridículo, mas eu simplesmente não podia fazê-lo. O último par de dias tinha sido demais. Cada alta e cada baixa que poderia acontecer tinha sido experimentado. Amor. Perda. Amor. Perda novamente. Eu precisava de uma pausa. Eu precisava de um tempo tranquilo. Então eu tomei meu tempo. Isso era algo que eu aprendi com meu tempo com Dr. Taft. Quando

as

coisas

ficassem

esmagadoras,

quando

você

estava

estressada, e muito esticada, era hora de tomar um fôlego. Isso era sobre dias de saúde mental. Lembrei-me dele falando uma vez sobre como se alguém estivesse gripado, e recebiam uma folga do trabalho, mas se alguém estava mentalmente cansado, era esperado que fizesse também. Eu disse a Rosa que eu não estava me sentindo bem, e desde que ela não mediu minha temperatura ou forçou remédios pela minha garganta, eu percebi que ela sabia que o que me manteve na cama não era algo que ela poderia tratar.


Meu peito doía. Ele parecia vazio, mas como um vazio ferido. Eu odiava que Rider tenha feito isso agora, quando estava ferido tão profundamente pela perda de Jayden e eu não poderia estar lá para ele. Agarrando o travesseiro no meu peito, eu rolei para o lado e fechei os olhos com força. Finalmente percebi que eu tinha mudado e, ao mesmo tempo eu descobri que Rider não tinha. Eu enrolei meus joelhos contra o travesseiro quando pensei em voltar para o primeiro dia de escola, a primeira vez que eu vi Rider. Eu repassei todas as vezes que ficamos juntos e as coisas que tínhamos dito um ao outro. Os sinais tinham estado lá. Eu tinha notado, no entanto, não sabia quão profundas eram as cicatrizes que corriam em Rider. Eu tinha estado tão envolvida em tudo o que estava passando e como Rider me fazia sentir. Havia algo que eu poderia ter feito semanas, ou meses atrás? Eu não tinha certeza. Levou quatro anos para eu começar o processo de mudança e mesmo que eu não fosse a mesma garota que eu costumava ser, eu ainda era um... Um trabalho em andamento. Rider ainda não tinha dado o primeiro passo. Keira mandou uma mensagem na parte da tarde, perguntando se eu estava bem. Eu a deixei saber que não estava me sentindo bem e, em seguida, deixei meu celular na cama ao meu lado. Amanhã. Amanhã eu iria me levantar e ir à escola. Eu não podia ficar na cama para sempre. Sábado, eu iria para o funeral de Jayden, e eu estaria lá para Rider se ele precisasse de alguém para conversar. Eu não podia deixar de fazer isso, mas isso era o máximo que eu poderia ir. Eu estava disposta a lutar para estarmos juntos, mas não podia ser unilateral. Rider teria que lutar também. E ele tinha escolhido não lutar.


Meus olhos estavam úmidos, mas as lágrimas não caíram enquanto eu passava o dia na cama. O sol tinha começado a se pôr quando houve uma batida tranquila na minha porta antes que abrisse. Sentei-me quando Carl entrou, usando uniformes azuis pálidos. "Como você está se sentindo?" ele perguntou, parando a poucos pés da cama. Parte de mim queria mentir, porque eu não tinha certeza se eu conseguiria falar com Carl, se era isso que ele queria fazer. Eu não fiz. "Estou me sentindo melhor." "Até para uma um pouco de companhia?" Eu balancei a cabeça e, em seguida, me encostei na cabeceira da cama. Eu trouxe meu travesseiro comigo, embalando-o no peito. Carl sentou-se na beira da cama, sua parte superior do corpo inclinada em direção a mim. "Tem sido uma longa semana, hein?" Eu balancei a cabeça mais uma vez. "E estamos apenas no meio dela", ele meditou, sorrindo ligeiramente. Ele virou a cabeça e notei que o cinza em torno da sua têmpora estava se espalhando, salpicando o lado. "Você vai para a escola amanhã?" "Sim." Limpei a garganta. "Esse é o plano." "Isso é bom. Com a pausa de férias chegando, você não quer ficar muito para trás", disse ele, enganchando a perna sobre a outra. "Eu sei que você falou com Rosa na segunda-feira, e eu falei com você antes, mas o hospital tem estado um pouco louco. Com o tempo frio e o querosene utilizado indevidamente nos aquecedores, eu tive várias cirurgias". Ele olhou para mim e um momento passou. "Mas eu tenho vontade de falar com você. Eu preciso pedir desculpas pelo que eu disse." Essa necessidade inerente de lhe dizer que estava tudo bem era difícil de ignorar, mas não fiz isso. Eu esperei em silêncio. "Rosa e eu


sabemos que você não é Marquette. Nós não a adotamos para substituíla", ele começou. "No momento em que decidimos adotá-la, você se tornou a nossa filha, tão importante quanto Marquette e cada parte tão incrível como ela era." Meu peito apertou, então eu segurei o travesseiro perto. "Nós somos seus pais, e os pais... se atrapalham. Eu sei, o meu se atrapalhou. É inevitável, e eu errei no domingo. Eu disse algo na hora da raiva e frustração que eu não deveria ter dito. E eu sinto muito. Sei que feri seus sentimentos e você está chateada, e eu realmente sinto muito por isso." Pressionando os lábios, eu concordei e desejei tirar a pressão no meu peito. Parecia expandir em vez disso. "Eu te perdoo", eu disse, e eu perdoei. "Estou feliz em ouvir isso." Ele sorriu de novo quando seu olhar encontrou o meu. "Rosa me disse o que você disse a ela sobre Rider, e eu quero dizer que você está certa. Eu realmente não estava dando-lhe uma chance." Rider era a última coisa que eu queria falar. "Nós não...". "Não. Nós fazemos. Ouça-me, ok?" O pedido genuíno em seu tom tinha me feito calar a boca. "Eu tenho sido muito crítico com Rider. Eu deixei meus próprios preconceitos e experiências ficarem no caminho e isso não é certo." Pensei no que Rosa havia dito ontem sobre Carl ter sua própria história para contar. "Eu tinha um irmão", disse ele, surpreendendo-me. "O nome dele era Adrian. Ele era apenas dois anos mais velho do que eu. A cidade não era como é hoje, mas houve problemas na época. A violência nestas ruas era nada, assim como agora, elas sempre tiraram muitas, muitas vidas. Para alguns mais intimamente do que outros". Ele esfregou os dedos pelo cabelo. "Nem sempre eram armas. Às vezes tinham facas e bastões de beisebol, qualquer coisa que poderiam ter em


suas mãos, e às vezes eram apenas as próprias mãos. Qualquer coisa, até mesmo os punhos, podem ser armas mortais." Oh, droga, eu tinha a sensação de onde essa história estava indo e eu me senti mal. "Adrian estava sempre com problemas. Ele abandonou a escola quando eu era calouro. Para ser honesto, eu não sabia o que ele estava fazendo. Erámos opostos de muitas formas, mas ele sempre parecia ter dinheiro e eu conhecia o suficiente para saber que não estava vindo de qualquer lugar bom. Voltando, nos anos setenta, os postos de trabalho já estavam começando a secar e havia pouca oportunidade", explicou. "De qualquer maneira, eu me lembro de Adrian estar em casa na quarta-feira. Lembro-me de minha mãe ficar chateada e chorar. E eu me lembro do nosso pai dizendo-lhe para ir embora. Não tenho certeza o que exatamente aconteceu, e meus pais nunca realmente conversaram comigo sobre isso. Eu acho que eles culparam a si mesmo. Se eles não tivessem lhe pedido para sair, ele ainda estaria vivo". Carl inclinou a cabeça para trás e suspirou. "Ele foi morto uma semana depois. Bastão de beisebol na cabeça. Não era um lugar errado ou hora errada. Não sabemos o porque dele ser morrido, mas... A polícia suspeitava de drogas, mas eles realmente não tinha investigado muito. Adrian era apenas mais um menino que estavam tirando das ruas ". "Isso é... isso é horrível." Será que eles pensaram o mesmo, quando foram chamados para Jayden? Eu já sabia a resposta para isso. Eu só não queria pensar, o que não disse coisas muito boas sobre mim. Seus olhos escuros brilharam. "Adrian fez algumas más escolhas. Assim como eu imagino que esse jovem amigo seu tenha feito. O que não torna mais fácil de lidar. E isso não impede ninguém de querer saber como a vida poderia ter sido se não tivesse sido desperdiçada." "Oh meu Deus", eu sussurrei, olhando para ele. "Eu não sabia."


"Você não tinha como saber. É algo que eu não tive razões para falar." Ele fez uma pausa, sua expressão pensativa. "Ou talvez eu devesse ter encontrado algumas razões." Mas tinha havido sugestões ao longo dos anos, as coisas que ele disse que, de repente fez sentido. "Eu sinto muito." "Foi há muito tempo, mas obrigado." Ele estendeu a mão, acariciando minha perna coberta de cobertor. "Quando Rider veio junto, eu não podia deixar de pensar em Adrian. Ele me lembra dele — o descuido na forma como ele aborda a vida, como se ele não desse a mínima." Baixei meu olhar, odiando a verdade dessas palavras. Eu não tinha certeza se Rider dava a mínima para si mesmo ou não. Eu costumava pensar que ele pensava. "E com o que aconteceu com aquele menino, isso realmente me deixou amedrontado. Eu deixei minhas próprias experiências ficarem no caminho. Eu não conheço Rider. Talvez eu esteja errado. Espero que eu esteja, e de acordo com o que Rosa disse para mim, eu provavelmente estou." Meus olhos encontraram os dele, e eu sabia o que ele estava dizendo, e eu não tive forças para dizer-lhe que não importava mais. Seu olhar sustentou o meu. "Eu vou tentar. Vai haver momentos em que parecerá que eu não estou, mas vou. Eu quero que você fique segura e eu quero que você seja feliz. Você é inteligente o suficiente para fazer boas escolhas. Eu me esqueci disso." Oh, meu Deus. Oh droga. Lágrimas ardiam nas costas dos meus olhos. "E há outra coisa que eu queria te dizer. Eu sei que tenho sido muito duro com você sobre ir para a escola de medicina. Eu estava errado sobre isso também. Rosa disse que você realmente queria o Serviço Social, e eu deveria ter ouvido quando você trouxe isso pela primeira vez", disse ele, e eu deixei de lado o travesseiro que eu estava


segurando como uma preciosa vida. "Eu acho que é um caminho admirável, e com isso aí, você provou que vai fazer escolhas inteligentes. Eu vejo isso agora." Vários segundos se passaram onde eu estava congelada e não havia nada, apenas as suas palavras se repetindo mais e mais. Então, algo rachou dentro de mim, e foi uma quebra boa. Saltei para frente e passei meus braços ao redor dos ombros de Carl, quase derrubando-o para fora da cama. Ele se conteve e a mim, e me abraçou de volta. Pela primeira vez em anos, o nó na minha garganta não ficou preso. Emoção não me sufocou. As lágrimas não desapareceram. Elas saíram livremente.


Capítulo 37

A borboleta estava me provocando. Olhei para o esboço que Rider tinha feito de mim no dia que Jayden havia sido morto, não, ele não tinha sido morto. Ele tinha sido assassinado. Havia algo sobre essa palavra que tornava difícil pensar e falar, mas eu me forcei a rotular o que aconteceu com Jayden corretamente. Ele não tinha morrido como Marquette, de uma causa trágica, natural. Ele não tinha sido morto em um acidente de carro inesperado. Ele tinha sido assassinado em um ato de violência sem sentido, como o irmão de Carl. Meu olhar se desviou para a escultura de sabão da borboleta e, em seguida, de volta para o esboço. Um estava completo. Outro não. Fechei os olhos e me afastei enquanto minha mente flutuou através do longo dia na escola. Rider parecia uma bagunça na sala de aula e mal tinha murmurado um Olá, e era como se houvesse um milhão de milhas entre nós. No final da aula eu tinha pensado que ele estava prestes a dizer algo para mim, mas ele tinha mudado de ideia. Tudo o que ele disse foi um adeus e então tinha deixado a sala. Keira tinha notado a diferença entre nós imediatamente e não demorou muito para ela descobrir que Rider e eu... Que não estávamos mais juntos. "Poderia ser apenas o que está acontecendo com Jayden e outras coisas. Você não está pedindo o meu conselho, obviamente, mas... não desista, Mallory. Qualquer um pode ver que vocês pertencem um ao outro." Eu sabia que o assassinato de Jayden tinha sido algo muito forte para Rider, mas que não era a única coisa que ele estava lidando.


O que havia de errado com Rider era algo que não só eram profundo, mas também estava gravado em seus ossos e enraizado nas fibras dos seus músculos. Eu não sabia o que poderia mudar a maneira como ele se via ou se alguma coisa podia. Tudo o que eu sabia era que levou anos para eu chegar onde estava hoje e eu ainda tinha um monte de trabalho a fazer. Tanto quanto eu queria ter esperança de que a mudança era possível para Rider, eu sabia que não iria acontecer até que ele estivesse pronto. E ele não estava.

***

"Nós precisamos conversar." Minhas costas ficaram tensas quando eu estava na frente do meu armário na sexta-feira antes do almoço. Nada de bom acontecia quando Paige dizia essas palavras. Eu não tinha ideia do que ela pensava que tinha para falar, mas eu fechei a porta do armário e encarei-a quando comecei a enfiar meu texto do oratória na mochila. Parei quando a vi. Os olhos de Paige estavam inchados e vermelhos. O cabelo dela estava penteado para trás em um rabo de cavalo baixo, e as roupas que ela usava eram um tamanho ou dois muito maiores que ela. Ela respirou fundo enquanto ela olhou para mim. "Você e eu realmente não nos damos bem e só temos, como, uma coisa em comum." Ela afirmou o que pensava ser o óbvio, mas não tínhamos mais nada em comum, o que percebi que talvez fosse por isso que não havia um indício de animosidade em seu tom. "E essa coisa é Rider". Eu fiquei tensa.


"Eu não sei o que diabos está acontecendo entre vocês dois, mas eu acho que é muito fodido que você acabou com essa porcaria depois do que aconteceu com Jayden." Meu queixo caiu. "Acabei com essa porcaria?" Um lampejo de surpresa apareceu em seu rosto. Provavelmente porque essas quatro palavras foram ditas sem um momento de hesitação. Ela escondeu a surpresa rapidamente, no entanto. "Não banque a idiota. Você rompeu com Rider logo depois que ele assistiu o amigo... Um amigo que ele considerava um irmão... morrer." Eu estava vivendo em um universo alternativo? "Eu não rompi com Rider". "Besteira." Ela baixou o queixo, estreitando os olhos. "Ele já estava infeliz com o que aconteceu com Jayden e agora ele está enlouquecendo, deprimido com um inferno." Confuso além da descrença me fez balançar a cabeça. "Eu não sei o que Rider lhe disse, mas eu... eu não rompi com ele." Paige riu com escárnio. "Eu sei que você está mentindo, porque a última coisa que ele faria seria chutar a preciosa Mouse." Minhas sobrancelhas subiram. "Deus, você sabe quantas vezes ele falou sobre você ao longo dos anos? Como perfeita e gentil e doce e inteligente você era? Para mim? Tipo, a garota com quem ele estava até que você voltou para a foto?" Eu me perguntava quão rude seria se eu batesse na cabeça dela com um livro. Eu me segurei. "Então, eu sei que é besteira. Ele nunca faria isso. Você fez isso depois de chegar na casa dele no domingo e nos encontrar dormindo no sofá", ela acusou. "Nada aconteceu entre nós. Não que eu não teria ficado feliz se algo acontecesse." Meus olhos se estreitaram, e minhas mãos cerraram em torno do livro. Era um livro muito grosso.


"Eu sabia que você iria quebrar o coração dele. Ele ama você e..." "Se ele disse que eu terminei com ele, então ele é o único que está mentindo." Irritada, eu empurrei o livro na bolsa e puxei o zíper. "Eu não rompi com ele por causa do que vi no domingo... ou por qualquer motivo, porque eu não fiz isso. Olhe, eu sinto muito se você não acredita nisso. A última... a última coisa que eu quis fazer era ferir Rider e eu não.... Ele terminou comigo". Descrença penetrou em seu rosto quando ela olhou para mim. "Ele não me disse que você terminou com ele, eu só presumi que foi você desde que eu sabia.... Que eu pensei... Que ele não faria isso" "Bem, você pensou errado." Eu comecei a me afastar, porque admitindo à ex de Rider que ele tinha me chutado não estava iluminando exatamente o meu humor. Claro, ela deu um passo na minha frente. "Por que ele terminou com você?" Com mandíbula doendo, eu lancei meu olhar para o fim do corredor. Realmente não era eu que iria dizer, mas deixando de lado a frustração, falei a verdade. "Porque ele acha que é melhor assim, por mim. Que eu posso fazer melhor sem ele." "Isso é... isso é estúpido." "Concordo," eu murmurei. "Isso é super estúpido." Paige fez uma pausa. "E você vai deixá-lo acreditar nisso?" "Deixa-lo? Eu tentei, mas eu não posso mudar a maneira como ele pensa sobre si mesmo." "Você deve tentar mais", ela disparou de volta. "Não é tão simples assim", eu disse a ela. "Você... você sabe o que ele passou, certo? Ele lhe disse... algumas coisas. E a porcaria que ele tem na cabeça é muito profundo. Eu posso dizer-lhe um milhão de


vezes que ele merece o mundo, mas ele tem que acreditar nisso. Não eu". Paige piscou. Um professor saiu de uma sala de aula, franzindo a testa quando nos viu paradas no armário. "Vocês duas precisam chegar onde estão indo, que não é aqui no corredor." Paige revirou os olhos quando se afastou do professor. "Você precisa se esforçar mais", disse ela novamente, recuando. "Se você realmente se importasse com ele, você o deveria fazer." Eu não disse nada enquanto Paige girou e caminhou na direção oposta. Tente mais? Como se fosse assim tão simples.

***

Foi um dia absolutamente bonito, e eu não sabia se era justo ou não para um funeral. Parte de mim pensava que a manhã não devia ser tão linda. Eu não tinha certeza se Hector ou a Sra Luna queriam ver o sol brilhando tão forte. Ou talvez o dia lindo os ajudou a lembrar da beleza do mundo. Talvez algum tipo de significado poderia ser anexado ao céu sem nuvens. Eu não sabia. Este foi o primeiro funeral que eu participei. Ainsley tinha me encontrado na igreja e nós ficamos na entrada por algum tempo antes que o serviço funerário fosse iniciado. Meus pés, principalmente os dedos dos pés, estavam beliscando dentro do sapato. Sapatos que eu nunca tinha usado antes. Eu tinha pego emprestado da Ainsley já que eu percebi na última hora que não poderia usar calças de lã e blusa preta. Eu não tinha visto Hector ou Rider. Não até que as portas se abriram. A primeira coisa que eu notei foram as cadeiras, e mesmo que


eu não quisesse olhar, meu olhar tinha viajado pelo grande corredor e o tapete marrom até os vasos com ramos de flores, e ao caixão. O caixão estava aberto. E eu podia ver apenas a ponta do nariz de Jayden e o declive suave da testa. Ainsley e eu desviamos para o fundo da sala. Eu não poderia ir mais perto. Eu não queria ver Jayden assim, porque eu sabia que não era assim que eu iria vê-lo para sempre. Quando as pessoas começaram a se dirigir para os bancos, vi Hector e Rider. Eles estavam sentados na frente. Os dois estavam pálidos. A avó de Hector já estava sentada, de costas para nós, sua postura pesada. Rider estava vestido muito parecido com Hector. Camisa branca dobrada por dentro da calça. Não sei quanto tempo olhei para eles, mas Rider virou de repente, e com uma enervante precisão, seu olhar colidiu com o meu. Tomei uma respiração profunda quando olhamos fixamente um para o outro através da sala. Nenhum de nós desviou o olhar por alguns instantes e, em seguida Hector falou com ele. Rider virou, e eu fechei os olhos, exalando bruscamente. "Você vai falar com ele?" Ainsley perguntou em voz baixa. "Não." Eu torci meus dedos ao redor da alça da bolsa. "Quero dizer, se ele quiser falar comigo, eu vou, mas... Eu não quero criar qualquer drama. Ninguém precisa disso agora." Ainsley se inclinou para mim. "Você acha que ele poderia causar drama?" Eu balancei a cabeça. "Eu não sei, mas eu só... não estou disposta a arriscar." O lugar foi rapidamente enchendo, e eu vi Keira e Jô se sentar em bancos opostos a nós. Elas não podiam nos ver e não era como se eu fosse gritar o nome de Keira.


O serviço funerário começou com um pastor recitando versículos da Bíblia e quando ele começou a falar sobre a morte, a minha atenção vagueou até caixão. Levantando a mão, limpei debaixo dos meus olhos com a palma da mão. Eu não entendia como isso poderia acontecer. Como alguém poderia matar outra pessoa a sangue frio, e sobre o que, exatamente? A algumas centenas de dólares? O fato de que eu não podia compreender tal ato, mostrou que, apesar da minha educação, eu era incrivelmente privilegiada. Eram coisas que eu não tinha que me preocupar, não da maneira como outros precisavam. O meu olhar mudou-se para onde sua família se sentava, nas três primeiras filas. Rider estava sentado ao lado de Hector, e eu não era a única pessoa que assistia o irmão de Jayden. Ainsley também assistia. O momento em que eu vi o rosto de Hector começar a mudar, eu queria me levantar e abraçá-lo. Eu não dava bons abraços, mas eu queria naquele momento, porque os ombros dele tremeram e ele quebrou. Quando o serviço chegou ao fim, eu esperei até que a maioria da sala tinha dado seus cumprimentos antes de me aproximar de Hector. Não parecia que ele me viu quando se inclinou para o meu abraço desajeitado. Era como se ele estivesse lá, mas não estivesse, e quando eu falei com ele, ele murmurou de volta palavras que eu não conseguia entender. Entristecida, virei-me e fiquei cara-a-cara com Rider. Dei um passo para trás, assustada, e estava prestes a contorna-lo quando eu parei. Isso não seria o certo ou o tipo coisa a fazer. Rider não falou quando me virei de costas para ele. Endireiteime e passei meus braços em torno dele. Eu apertei forte, colocando no ato tudo o que eu não poderia dizer. Ele não me abraçou de volta.


Talvez eu tenha me afastado muito rapidamente. Talvez eu o tenho chocado. Talvez ele simplesmente não queria. Fiquei em pé reta e olhei para ele. Havia mil coisas que eu poderia ter dito a ele naquele momento. Eu não sei por que, de todas as coisas, eu disse essa. "Jayden me disse uma vez, após o dia na garagem, que ele tinha olhado para você e Hector. Eu... Eu apenas pensei que você deveria saber que era real." A pele ao redor dos olhos e da boca dele se apertaram. Eu fiz uma coisa que realmente não pensei direito. Inclinei-me mais uma vez e beijei sua bochecha. Senti sua inspiração afiada e, com um último olhar para ele, eu virei. Ainsley estava esperando na metade do corredor. Ela não tinha vindo comigo, mas seu olhar estava focado onde Hector estava com sua avó. "Eu quero falar com Hector por um minuto." Ainsley me abraçou rapidamente. "Eu te ligo mais tarde?" Eu a abracei de volta. "Ok." Eu não vi Keira ou Jô na massa de pessoas quando saí da igreja, e eu não tinha certeza se o que eu disse a Rider tinha ajudado ou prejudicado. A única coisa que eu sabia quando entrei no meu carro, era que o brilho forte do sol ainda estava lá e o céu azul profundo ainda estava impecável e sem fim. Entrando no meu quarto quando cheguei em casa, meu olhar caiu sobre a borboleta inacabada na minha mesa. Enquanto eu olhava para metade da escultura pronta, pensei sobre tudo o que eu tinha dito a Rider, tudo que Paige tinha dito para mim, e eu sabia que havia algo mais que eu precisava fazer, algo que eu precisava provar para mim mesma. Peguei meu caderno e caneta da mesa e fui até minha cama. Era hora de escrever meu discurso, e desta vez eu sabia o que queria dizer.


Capítulo 38

Eu não iria ficar com o estômago revirado. Se eu repetisse o mantra o suficiente, talvez ele se tornasse realidade. Fiquei com vontade de vomitar durante toda a quarta-feira, mas pelo menos eu não era a única. No almoço, Keira se sentou do meu lado, com a comida intocada, o rosto pálido enquanto lia seu discurso muito, muito baixinho. O papel sacudia em suas mãos trêmulas. Tomei meu assento na sala de oratória, sem me lembrar de como eu tinha chegado lá. Como se através de um túnel, vi Paige entrar. Ela tinha estado ontem, com Rider e, obviamente, Hector. Peguei meu papel e passei as mãos sobre ele enquanto eu focava em tomar respirações profundas e até então não desmaiei. Havia uma boa chance de que eu fosse desmaiar. Então, quando o último sinal tocou, Rider entrou na classe e meu coração deu uma guinada no peito. Eu não estava esperando que ele fosse estar aqui. Oh minhas palavras, eu não estava esperando por isso, que ele estaria aqui para isso. Minhas mãos tremiam enquanto as deixei cair no meu colo. Os olhos de Paige o seguiram enquanto ele se dirigia para o assento entre nós. Seu sorriso era triste, e eu não sabia se ele devolveu o gesto, mas, em seguida, ele se sentou e olhou para mim. Ele tinha raspado a barba e sua roupa não estava enrugada. Seu cabelo era uma bagunça, no entanto, como sempre.


Eu não o tinha visto desde o funeral no sábado. Eu não tinha ouvido falar dele. E eu não podia pensar nisso agora. O olhar de Rider caminhou sobre o meu rosto. "Oi." "Oi", eu sussurrei. Seus cílios baixaram conforme seus ombros ficaram tensos. "Você acha que...". "Tudo bem, classe". O Sr. Santos bateu palmas, nos cortando. "Nós temos um monte de discursos a ser feitos no decorrer do dia de hoje, por isso temos que começar. Então, bem-vindo ao discurso de número três — A pessoa mais importante para mim, um dos meus favoritos do ano. Espero que ao escrever sobre alguém que te influenciou, você tenha aprendido um pouco sobre quem você é. E eu espero que quando fizer seu discurso aqui hoje, você vá se lembrar de valorizar a pessoa que está nos contando. Porque, como nos foi recordado recentemente..." Seu olhar cintilou brevemente para cadeira vazia de Hector. "A vida pode ser muito breve." Seja o que fosse que Rider estava prestes a dizer, começou a desaparecer no fundo quando o Sr. Santos chamou o primeiro aluno para frente da classe. Então, o próximo estudante subiu. Em seguida, Keira, que deu seu discurso segurando o pódio. Nesse ponto eu deslizei para a borda da minha cadeira, preparada para fazer uma corrida louca para a porta ou cair para fora da minha cadeira. No caminho para sua mesa, ela me lançou um polegar para cima. Eu tentei sorrir, feliz que ela tinha conseguido, mas eu estava fazendo de tudo para me impedir de correr para fora da classe. Ao meu lado, Rider estava apoiado na borda do seu assento, sua postura um estranho espelho da minha. "Leon Washington, a palavra é sua", disse o Sr. Santos. "Tenho certeza que todos nós estamos morrendo de vontade de saber sobre as influências que o moldaram."


Eu não ouvi uma única coisa que Leon disse. As pessoas riam, porém, o Sr. Santos parecia que estava considerando a reforma antecipada, de modo que eu gostaria de ter sido capaz de prestar atenção. "Mallory Dodge?" O Sr. Santos me chamou lá da frente, na borda de sua mesa. Seus olhos eram amáveis quando encontraram os meus, tão amável como tinha sido quando fui até ele na hora do almoço de ontem com o meu pedido estranho. "Sua vez." Ouvi a risada aguda de Paige pega de surpresa. Eu não me lembrei de levantar, mas vi o choque no rosto de Rider conforme levantei e saí da minha mesa. No meio do caminho, eu percebi que não tinha o meu papel, e eu tive que voltar e pegar. Meu rosto estava quente. Alguém, um cara, riu. Ele sentava na frente de Paige. Paige chutou a parte de trás do seu assento. Talvez eu tenha batido muito forte a cabeça, porque eu não podia acreditar que ela tinha feito isso, mas ninguém riu, ou se fizeram, eu não os ouvi sobre o som do sangue correndo em minhas orelhas. Eu fiu para frente da sala e me virei, em pé diante do quadro-negro e atrás do pódio. Meu olhar vagou sobre a classe. Metades deles sequer olharam para mim. Eles estavam olhando em seus colos ou em suas mesas. Ou os seus olhos estavam fechados. O que deixou a outra metade. Que estava definitivamente olhando para mim. Olhei para Keira e ela sorriu, apontando para cima seu polegar novamente. "Assim que você quiser, pode começar", disse o Sr. Santos. Balançando a cabeça, eu tentei engolir. Eu vi um mar de rostos olhando para mim. Um selo começou a se formar na parte de trás da minha garganta.


Alguém tossiu. Isso era... Era horrível. Lágrimas começaram a entupir minha garganta. Olhei para o Sr. Santos por que... Porque eu não sei, e então eu estava olhando para a sala novamente. Fora de todos os rostos, meu olhar caiu em Rider, e ele... Ele concordou. Eu praticamente podia ouvir a sua voz na minha cabeça. Você consegue fazer isso. E, em seguida, tornou-se a minha voz. Ele estava

certo.

Eu

tinha

razão.

Eu

poderia.

Seria

doloroso

e

constrangedor, provavelmente, não, não seria embaraçoso, porque só eu tinha controle ou eu não seria tímida. E eu poderia fazer isso. E eu não teria vergonha. Mesmo que eu tivesse, apenas um pouco, isso não importa no grande esquema das coisas. Este discurso não era para sempre. Ser tímida não era para sempre. Nada disso era para sempre. Mas tentar seria. Viver seria. Meu olhar caiu para o meu papel e o selo escorregou da minha garganta. Algumas pessoas têm uma pessoa que é a mais importante para elas. Que está influenciando você mais do que ninguém. Nossa tarefa era escrever sobre quem é essa pessoa, mas quando eu escrevi este discurso, percebi que não poderia escolher apenas um. E quando a minha história acabar eu espero que você vá entender o por que. Mas para a minha história fazer sentido, eu preciso começar antes do início. Com a boca seca, eu não olhei para a sala quando comecei de novo, com as três frases mais difíceis que já tinha escrito ou tive de falar em voz alta. Quando eu era uma garotinha, eu costumava me esconder no armário. O espaço era coberto de poeira e escuridão, e cheirava a naftalina. Mas era o meu santuário contra os monstros lá fora. Quando fiquei mais velha e eu deveria me esconder, costumava fantasiar que eu morava em uma casa onde os armários prendiam todos os monstros e onde eu estaria mais segura seria na minha cama. Que eu vivia em uma


casa com pais que eu poderia olhar e admirar, e um dia eles se tornariam o tema de um discurso que escreveria, sobre como eles mudaram a minha vida para melhor. Eu não vivi nesse tipo de casa. Mas os monstros, eu escondi na forma que me tornei, ensinando-me que a bondade e amor são coisas que devem ser dadas livremente. Eles me ensinaram o que eu nunca quero ser. É por isso que eles são importantes para mim hoje. Duas pessoas me adotaram quando eu tinha quase treze anos. Eles não viram uma criança assustada que não falava. Eles viram uma filha, a filha deles. Dedicaram cada momento livre para apagar as más recordações e apagar os pesadelos. Abriram portas que nunca estiveram disponíveis para mim antes, e acreditaram em mim. Eles provaram que o amor e bondade podem ser dados livremente e sem expectativa. Eles me ensinaram a confiar e mostraram que eu já não precisava ter mais medo. Quando eu estava estudando em casa eu conheci uma menina que nunca tinha tido um problema em falar ou conhecer novas pessoas. No começo eu estava com inveja de como ela era aberta e simpática. Conhecer pessoas e fazer amigos era algo que eu não era boa. Estávamos em polos opostos, e eu nunca esperava que um dia ela se tornaria minha melhor amiga. Ela provou que você pode encontrar seu melhor amigo quando menos se espera. E, recentemente, ela tem me influenciado em não pegar por não pegar o que não aguento. As partes realmente difíceis estavam chegando, por isso, tomei uma breve pausa e respirei lentamente antes de continuar. Apenas alguns meses atrás, eu conheci um menino que foi bom para mim mesmo quando ele não me conhecia. Ele sempre tinha um sorriso e charme de sobra. Eu não sabia muito sobre esse rapaz, mas a sua influência foi possivelmente uma das maiores, porque ele me ensinou a não tomar nada como garantido, mas o mais importante, a ter um sorriso de um estranho. Ele ofereceu bondade quando eu mais precisava, e eu espero fazer o mesmo para os outros. A última pessoa importante na minha vida esteve lá desde que me lembro. Ele viveu na casa onde os monstros percorriam o corredor. Ele me


manteve segura quando chegavam muito perto. Ele leu para mim quando eu estava com muito medo de dormir. Por causa dele e tudo o que ele sacrificou para se certificar de que estava segura, eu sou capaz de levantar todas as manhãs na minha própria cama. Por causa dele, eu tenho uma segunda chance na vida. Parei, respirei fundo e olhei para cima, meio que esperando que a maioria da classe estivesse dormindo. Alguns estavam. Somente alguns. O resto da turma parecia um borrão. Eu vi Paige. Choque estava gravado em seu rosto bonito. Vi Rider, e ele... Seus lábios se separaram e ele estava sentado rigidamente em seu assento, o braço mole ao lado. Obriguei-me a continuar. Mas a razão dele ser importante para mim é que ele provou que ajudar aqueles que precisam dele, mesmo quando não querem ajuda, valia a pena o risco. Ele moldou quem eu sou hoje, porque ele foi a primeira pessoa a reconhecer que eu tinha uma voz que valia a pena ser ouvida. Algumas pessoas têm uma pessoa que os influenciaram mais do que ninguém. Eu aprendi ao escrever este discurso e estou feliz de poder escrever outro. Que é uma série de pessoas e eventos que moldam quem você se torna. Eu aprendi que mesmo os monstros podem ter um impacto positivo. Aprendi que existem pessoas lá fora que irão abrir suas casas e corações por nada em troca. Eu aprendi que os estranhos podem ser tolerantes e gentis. Eu aprendi que há sempre aqueles que estarão ajudando os outros e a si mesmos. O mais importante, por causa de todos eles, eu aprendi que eu poderia fazer o que eu pensava que era impossível, que era estar aqui hoje. A sala estava em silêncio, e eu não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou ruim. O Sr. Santos limpou a garganta. "Obrigado, Mallory." Olhares me seguiam enquanto eu caminhava de volta para o meu lugar. Keira parecia que estava a poucos segundos de chorar


quando me lançou um sorriso enorme. Até Paige me olhou quando me sentei. Olhei para Rider. Seu rosto tinha a mesma expressão que tinha usado todo o tempo em que esteve sentado durante o meu discurso, sabendo que mais ninguém, com exceção de talvez Paige, percebeu que era sobre ele. Ele parecia atordoado. E eu... Eu poderia ter flutuado até o teto. Eu tinha feito isso. Pressionando os lábios para esconder um sorriso estúpido, eu enfrentei a frente da sala. Eu tinha feito isso. Caramba, eu realmente me levantei na frente da classe e dei um discurso. Eu tinha tropeçado em algumas palavras e havia um monte de pausas estranhas, mas eu tinha feito isso. Lágrimas, o tipo bom de lágrimas, queimaram no fundo da minha garganta. Eu queria dançar e gritar. Levou tudo que eu tinha continuar sentada lá no meio do discurso de Laura Kaye sem saltar do meu assento, gritando. O Sr. Santos me chamou quando a campainha tocou. Eu ousei uma espiada na direção de Rider conforme juntava minhas coisas e caminhei até a frente da sala. Sr. Santos sorriu quando apertou a mão no meu ombro. "Você fez realmente algo bom, Mallory." Meu coração estava batendo. "Sim, eu fiz." Ele assentiu. "Eu só quero que você saiba que eu sei o quanto isso era importante para você, especialmente com um assunto pessoal. Eu estou orgulhoso de você." Engoli em seco. "Obrigada." "Agora eu espero que você venha até aqui em cada discurso", disse ele. "Você acha que pode lidar com isso?" Posso? Eu não sabia, mas eu sabia que eu iria tentar. Balancei a cabeça. "Ótimo." Ele bateu no meu ombro. "Tenha uma boa noite."


Murmurei algo, tipo ‘Você também’, quando eu me virei. Rider já tinha ido embora, e apesar de que tudo tinha ido por água abaixo entre nós, isso me surpreendeu. Muito. Eu pensei que ele teria esperado para me felicitar, porque ele, de todas as pessoas, sabia que isso era importante. Mas ele não estava à vista. Saindo da classe, disse para mim que não ia deixar seu desaparecimento estourar minha bolha felicidade e realização. Era uma merda ele não estar lá, mas... Mas o que eu tinha feito hoje era mais importante, e eu sabia exatamente como eu queria celebrar. Assim que cheguei da escola naquele dia, fui direto para o meu quarto e joguei minha mochila no chão ao lado da cama. Abri a gaveta da minha mesa, retirando os suprimentos. Peguei a borboleta meio completa e a levei para o assento da janela. Sentando-me, e finalmente terminei a escultura. Ela estava totalmente transformada com asas delicadas abrangendo em ambos os lados do seu corpo pequeno. Eu até adicionei um pequeno sorriso abaixo dos travessões nos olhos. Coloquei-o de volta na mesa, logo abaixo do último esboço que Rider tinha feito de mim, e então peguei meu livro de história. Eu tinha uma prova para estudar.

***

"Mallory?" Carl chamou. "Você pode vir aqui embaixo?" Empurrando o cartão de perguntas no livro de história para marcar o lugar, fechei o livro e saí da cama. Meus pés cobertos de meias bateram no chão. Era muito cedo para o jantar naquela noite, então eu não tinha ideia de por que estava sendo convocada. Eu coloquei uma mecha solta de cabelo a trás da orelha enquanto descia as escadas. Carl estava na sala de estar. Rosa estava de pé ao lado dele, mas meu olhar estava colado no que ele tinha em


mãos. Era um pacote pequeno e retangular embrulhado em papel pardo. Meus passos desaceleram. "O que é isso?" "É para você." Ele estendeu o pacote. Olhei para ele por um momento antes de chegar mais perto e pega-lo. "Hum, por quê?" Rosa inclinou-se para Carl. "Não é nosso, querida." "Oh." Virei o pacote sobre a luz. Não havia nada escrito sobre ele, e o papel marrom me fez lembrar um saco de compras. "De quem é?" "Por que você não abre o pacote?" Carl aconselhou. Hã. Boa ideia. Enfiei o dedo sob as bordas e tirei a fita. O embrulho saiu e no momento em que eu vi o que estava por baixo, meu coração saltou para fora da garganta. Era um exemplar de O Coelho de Pelúcia. Não era a velha cópia que Rider costumava ler para mim, mas um novo e brilhante. A edição de capa dura azul com o coelho que está acima em um pequeno monte de erva. A embalagem marrom escorregou dos meus dedos e caiu silenciosamente no chão. Havia um pedaço de papel saindo das páginas. Com as mãos trêmulas, eu cuidadosamente abri o livro. O deslizamento de papel fino não era nada mais do que uma folha de papel rasgada de caderno, mas uma grande parte da impressão estava destacada em azul. "O que é REAL?" o Coelho de Pelúcia perguntou ao Cavalo de pele um dia. "Será que significa ter coisas que zumbem dentro de você e uma alça para pegar?" "REAL não é como você é feito", disse o Cavalo de pele. "É uma coisa que acontece com você. Quando uma criança o ama por um longo,


longo tempo, não apenas para brincar, mas realmente o ama então você se torna REAL." "Dói?" perguntou o Coelho de pelúcia. "Às vezes", disse o Cavalo de pele, pois ele era sempre sincero. "Quando você é REAL você não se importa de se machucar." "Isso não acontece de uma vez só", continuou o Cavalo de pele. "Para você se tornar é preciso um longo tempo. É por isso que não acontece muitas vezes para aqueles que se quebram facilmente, ou têm bordas

afiadas,

ou

que

têm

de

ser

cuidadosamente

mantidos.

Geralmente, no momento em que você se torna Real, a maior parte de seu cabelo já foi arrancado, e seus olhos caem e você fica solto nas articulações e muito desgastado. Mas essas coisas não importam em tudo, porque uma vez que você é real você não pode ser feio, exceto para pessoas que não entendem. Mas uma vez que você é real você não pode tornar-se irreal novamente. Ela dura sempre." Rider tinha traçado uma linha na última frase, onde ele havia escrito, ela dura para sempre. "Oh meu Deus", eu sussurrei com a voz rouca. Fechando os olhos com força, eu segurei o livro contra o peito. Essas linhas destacadas eram tudo. Elas resumiam como eu me sentia, como eu tinha mudado. Nada disso aconteceu tudo de uma vez, mas uma vez que aconteceu, não poderia ser desfeita. E isso aconteceu porque eu fui amada. Por Carl e Rosa, por Ainsley e até mesmo por Rider, mas o mais importante, por mim. Carl limpou a garganta. "Eu acho que você deve abrir a porta." Meus olhos se abriram e meu olhar saltou para eles. "O que?" Rosa acenou com a cabeça na porta com uma pequena curvatura dos lábios. "Vá em frente, querida." Eu fiquei lá por um momento e então eu virei. Correndo para a porta, girei a maçaneta e abri. Minha respiração ficou presa.


Rider estava na varanda e ele se virou lentamente. Ele estava vestido como hoje cedo na aula. Suas mãos foram empurradas para os bolsos da calça jeans. Ele usava uma camisa real pela primeira vez, uma de lã grossa em azul marinho. Seu olhar vagou sobre o meu rosto e depois para o livro que eu ainda tinha contra o peito. "Eu sou real." Essas duas palavras. Sou real. Ninguém mais poderia ter conseguido o significado delas, mas eu sabia que significava o mundo. Lágrimas nublaram meus olhos enquanto dei um passo para trás e para o lado, segurando a porta aberta para ele. Alívio cintilou sobre o seu rosto e ele entrou. Fechei a porta, incapaz de falar, e não pelos motivos típicos. "Mantenha a porta aberta lá em cima", Carl aconselhou, e então ele girou sobre os calcanhares e entrou na cozinha. Rosa sorriu para nós. Olhando para mim, Rider esperava, e eu assenti. Ele me seguiu até as escadas para o meu quarto. Deixei a porta aberta. Do tipo que havia pelo menos uma abertura de uma polegada entre a porta e a moldura. Rider foi até a janela e sentou-se. Seu olhar cansado me seguiu. Eu andei até o lado da cama de frente para ele e me sentei no canto. Um sorriso cansado puxado em seus lábios. "Eu não sei por onde começar", disse ele. "Por qualquer lugar", eu sussurrei, segurando o livro quando esperança e cautela grudaram dentro de mim. Ele baixou o queixo. "Eu acho que vou começar com o discurso. Isso foi... Foi lindo. As palavras, o que você disse e o que você quis dizer? Mas o fato de que você chegou lá e fez, isso foi a mais bela de todas essas coisas. Quero dizer isso, Mallory." "Obrigada", eu sussurrei.


"Eu... eu queria falar com você antes da aula, mas eu estou feliz que eu ouvi esse discurso antes. Porque eu sabia que você estava certa antes, mas agora eu sei que está ainda mais." Tomei duas respirações. "Você estava certa sobre o que disse sobre mim, sobre como eu e outros me veem, você estava certa. Eu não dei às outras pessoas a oportunidade de desistir de mim. Eu realmente nunca pensei nisso dessa forma antes, mas você estava certa." Ele deixou cair os braços sobre os joelhos. "É estranho. Você sabe, o que você me disse no funeral de Jayden e sobre o que é ser real? E... Deus, eu só poderia dizer isso a você, porque você entende, mas eu não me sento real. Em certa forma, eu ainda não sinto." "Eu entendo." Eu segurei o livro mais apertado. "Eu realmente sei." Seus cílios levantaram e seus olhos perfuraram os meus. "Eu sei.

Nós

dois

estávamos

nessa

maldição

do

coelho."

Ele

riu

asperamente. "Eu estava sentado naquele funeral no sábado e eu... Eu estava pensando sobre tudo. Pensando em como essa porra era injusta porque Jayden estava naquele caixão maldito e algo me atingiu naquele momento. Eu tenho vivido como se não se tivesse nada. Nenhuma família. Sem oportunidades. Ninguém que realmente se importasse se eu estava aqui ou não, e eu estava olhando para Jayden, sentado ao lado do irmão dele e da avó dele e eu...". Sua voz cortou meu peito. "Jayden teve uma família. Ele teve oportunidade. Sabe? Ele tinha muitas pessoas que se preocupavam com ele estar aqui, e, no entanto, ele ainda acabou morto nas ruas, maldição." Rider passou a mão pelo cabelo. "E eu estou aqui. Eu sou tão sortudo, porque eu não era tão cuidadoso. Henry poderia facilmente ter me matado." Tomei uma respiração afiada. Ele estava certo. Muitas vezes eu pensava que Henry estava indo atrás dele.


"Quando os amigos de Henry vinham... atrás de mim, eu costumava pensar que tinha feito algo, sabe? Que era de alguma forma as minhas falhas...". "O quê? Isso não foi culpa sua, Rider. Nada disso era." "Eu sei, mas às vezes a minha cabeça fica... Eu fico confuso." Ele fez uma pausa. "E quando eu estava naquela casa de apoio, eu não me importava. Eu estava entre os mais velhos, as crianças maiores. Então a merda me atingia várias vezes e eu não me importava. No momento em que a Sra. Luna veio, parecia tarde demais para mim. Ela tentou. Ela realmente tentou, e ainda tenta, e eu fiz tantas coisas estúpidas que deveria ter acabado com a minha vida." Eu odeio ouvir isso. Ele me matou de susto. "Jayden cometeu um ou dois erros, e ele está morto. Eu, eu ainda estou aqui." Ele colocou a cabeça para trás e suspirou. "Eu tinha recebido todas as oportunidades que outros não tinham e eu fui perdendo, e agora eu tenho que realmente me perguntar se é tarde demais." "Não é", eu sussurrei, realmente acreditando. O pomo de adão subiu e desceu. "Depois do funeral, fui para casa e peguei esse livro. Eu... Eu comecei a lê-lo. Nem mesmo sei por que, mas eu vi essa parte, e eu... Deus, isso me atingiu, sabe? A verdade nessas malditas palavras que o cavalo de pele falou. Ser real poderia machucar. Ser amado poderia machucar. Isso é o que... o que a vida realmente é e o oposto é inimaginável." Abaixando o livro no meu colo, passei a palma da mão sobre a superfície dura e brilhante enquanto eu pensava sobre as palavras do Cavalo de pele. Elas poderiam ser interpretadas de muitas maneiras. Para mim, elas eram tudo sobre deixar de lado o medo de ser imperfeito. Aceitando que não havia problema em ser desejado e necessário e amado, de ser ouvido e visto.


Rider e eu estávamos muito parecidos com o menino e o coelho que queria ser real. Nós dois passamos tanto tempo confiando apenas em si. Nós tínhamos sido deixados de lado, indesejados. E nós não queríamos nada mais do que ser valorizado, estimado e amado. Nós queríamos nos sentir real. Nós dois estávamos com medo do oposto. Para alguns o oposto era a morte, mas para mim, para nós, ela estava em ser preso para sempre. Nunca mudando. Nunca ver a nós mesmos ou aos outros em torno de nós de forma diferente. "Eu me importo", continuou ele, com voz rouca. "Eu me importo. Eu não quero ser assim para sempre." Meu olhar subiu até o seu. "Eu terminei com você, porque eu pensei que seria melhor assim. Que você acabaria encontrando alguém que é melhor, que tem um futuro e não está preso. As coisas foram se confundindo na minha cabeça. Eu estou tentando, tentando realmente, mudar isso." Eu me acalmei. "Eu sei que você pode nunca me perdoar por ferir você. Eu posso entender isso. Eu também posso entender se você não quiser ter que lidar comigo enquanto estou tentando fazer melhor, ser melhor, mas eu... Eu quero ser a pessoa que acho que você merece." Oh, meu... "Eu quero ser o cara com um futuro, sem merdas e que tem esperança", ele admitiu, fugindo em direção à borda do assento da janela. Seu olhar encontrou o meu e aqueles belos olhos tinham um brilho que rasgou meu coração. "Eu quero ser o cara digno de seu amor, e eu juro, se você me quiser, eu vou fazer tudo ao meu alcance para ser esse homem. Eu nunca vou parar de tentar. Nunca." Oh, meu, meu... "E eu quero que você saiba que eu ouvi o que você disse no seu discurso," Rider disse, em sua voz áspera. "Eu poderia ter te salvado todos esses anos atrás, mas agora você me salvou."


Meu coração gaguejou e depois acelerou. Reagi sem pensar. Colocando o livro sobre a cama, eu me lancei sobre Rider assim como ele saiu do banco de janela. Nós colidimos. Eu cruzei os braços ao redor dele, quando nós fomos para o chão, eu parcialmente em seu colo e os braços apertados em volta da minha cintura, seu rosto se enterrou contra o meu pescoço. Eu senti um tremor percorrer seu corpo e, em seguida, ele balançou em meus braços. Eu o abracei mais forte quando ele quebrou em pedaços, com todos os anos em que se manteve forte estava se despedaçando. Abracei-o por todos eles. Então fui eu quem o recolheu.


Epílogo

O controle remoto estava bem ali, me provocando onde descansava nas almofadas grossas do divã. Ao lado da bandeja que continha dois copos e uma tigela de pretzels mal tocados. Tudo o que eu teria que fazer era sentar um pouco e me esticar. Conseguir pegar e eu não teria mais que ver esse jogo de basquete. Sentar e alongar, o que não era exatamente fácil naquele momento. Um pesado braço estava enrolado em volta da minha cintura, e se eu me mexesse muito, eu acordaria Rider e isso era a última coisa que eu queria fazer, especialmente quando ele estava tão exausto nos últimos dias. A sombra cada vez mais profunda sob seus olhos nessas duas últimas semanas me preocupou. Ele estava fazendo um monte de horas extras na garagem, por causa de uma pintura personalizada que terminou na quinta-feira. Ontem depois da escola, eu tinha ido verificá-la, e como cada criação de Rider, tinha ficado incrível. Surpreendente. Eu ainda não tinha ideia de como ele poderia fazer pintura e pulverizá-la em qualquer superfície, projetar algo tão incrível e intrincado. Este trabalho personalizado tinha sido feito em um carro que o proprietário veio de Frederick até aqui. Sobre o capô, Rider tinha pintado um dragão, com escamas verdes e roxas detalhadas. Chamas laranja-avermelhado saiam da boca aberta do dragão e se arrastou ao longo dos painéis laterais dianteiros. Eu tirei uma foto dele com uma câmera real, para adicionar ao portfólio cada vez maior com os trabalhos de Rider. Como antes, ele


havia agido estranho sobre nisso, como se ainda não soubesse como processar reconhecendo seu próprio talento. Eu ainda não tinha ideia de como ele não via isso, mas ele estava ficando cada vez melhor no que fazia. Como tantas outras coisas, como eu, que era um trabalho em andamento. Rider tinha me dito há algumas semanas que às vezes ele abria o livro de fotos que eu tinha pegado na loja de artesanato e apenas folheou as fotos de seu trabalho. Suas bochechas tinham ficado vermelha brilhante quando admitiu. Eu pensei que a reação tinha sido adorável. Às vezes a gente sentava e olhávamos para sua arte juntos, e ele corava, em seguida, eu também. Mas o trabalho personalizado não era o que deixava Rider desgastado ao ponto de ter adormecido no minuto em sua cabeça tinha atingido a almofada do sofá. Esta manhã tinha sido muito importante para ele. Ele tinha usado cada momento livre das últimas semanas se preparando para o vestibular que tinha feito esta manhã. Um sorriso avançou no meu rosto. Estudar para o exame era algo que ele nunca tinha pensado que faria. Ter conseguido fazer o exame provavelmente havia chocado a administração da escola inteira, num silêncio atordoado. Bem, exceto o Sr. Santos. Um gol foi marcado, e a multidão na TV aplaudiu. Ou era um ponto? Uma cesta? Eu realmente não tinha ideia. Por que eu não poderia ter poderes tele cinéticos? Mover coisas com minha mente seria fantástico. Olhando para baixo onde a mão de Rider estava colocada na minha parte inferior do estômago, eu me congratulei com a sensação de imersão. A sensação de vibração que dava cada vez que eu sentia o toque de Rider não era algo que se desvaneceu com o tempo. Eu acho que isso nunca ia acontecer.


Tinta azul estava manchada no interior do seu dedo médio. Ele nunca pareceu ficar com toda a pintura de seus dedos. Inclinei a cabeça para trás e olhei para a minha direita. A vibração se transformou em milhares de borboletas saltando nas minhas costelas enquanto o meu olhar caiu sobre o rosto marcante de Rider. Sentindo-me um pouco como uma trepadeira, eu continuei a checá-lo. Uma mecha de cabelo castanho escuro, cor de café, caiu na testa. Cílios grossos, muito mais escuros do que o seu cabelo, espalharam

em

suas

bochechas.

Seus

lábios

cheios

estavam

entreabertos. Parecia estranho agora que havia um ponto na minha vida, um ponto que durou vários anos, onde eu acreditava sinceramente que nunca veria Rider novamente. Quando estar deitado assim, em meus braços, era uma fantasia. Eu ainda não tinha me permitido sonhar. Agora era uma realidade. A vida era estranha. "Se você tirar uma foto, ela durará mais", ele murmurou. Meus olhos se arregalaram quando calor derramou em meu rosto. "O que?" Seus cílios levantaram-se lentamente, revelando olhos que pareciam ser nem totalmente marrom, nem verde. "O quadro vai durar mais tempo do que você olhando. Então você pode ter uma imagem para abraçar à noite, quando eu não estiver com você. Você pode segurar sempre perto. Bem apertado." Revirei os olhos enquanto meus lábios se contraíram em um sorriso. "Tanto faz." "Uh-huh." Levantando o braço, ele o esticou acima da cabeça enquanto bocejou. "Quando Carl e Rosa vão chegar aqui?" Olhei para o relógio de parede cinza pálido. "Provavelmente em uma hora."


"Ainda bem que eu estou acordado, em vez de babando em você quando eles andarem através da porta." "Sim", eu disse séria. "Bom ponto." Rider sorriu, mas brincadeiras à parte, nem Rosa nem Carl ficariam encantados de voltar para casa e nos encontrar aconchegados no sofá. Não era como se esperassem que Rider e eu não ficássemos juntos, perto um do outro. Mas eles ainda estavam... Se ajustando ao meu relacionamento com Rider. Era outro trabalho em andamento, e eles estavam indo bem. Eles estavam tentando, o que era muito melhor do que o medo que pensavam originalmente que Rider simbolizava. Além disso, ajudava o fato que Rider estava se tornando mais sério sobre o seu futuro, e estudar para o vestibular o tinha ajudado há ter uns pontos sobre as expectativas de Carl. Ganhar completamente era mais difícil, mas eu poderia dizer que Carl estava começando a respeitá-lo. Ele estava começando a vê-lo mais do que um menino sem futuro que ia me levar para o caminho errado como o Pied Piper of Hotness29, mas sua ideia sobre nós, nos encontrar embrulhado, provavelmente, não ia ajudar. Comecei a me sentar. O braço de Rider apertou ao redor da minha cintura e ele me rolou

ligeiramente,

me

deslocando

debaixo

dele.

Minhas

mãos

levantadas até os ombros, e quando eu olhei para cima, meu coração gaguejou com a visão de seu meio sorriso. "Aonde você vai?" ele perguntou. "Levantar." Meus dedos fecharam, reunindo o material de sua camisa. "Carl vai... expulsá-lo de casa... se ele nos encontra assim e você nem quer saber o que Rosa vai fazer." "Verdade." Ele baixou a cabeça, correndo o nariz sobre o meu. "Rosa ainda me assusta." Eu ri. "Você acha que isso é engraçado, mas ela realmente me assusta." Inclinando a cabeça para o lado, ele beijou

29

É um desenho animado.


meu rosto. "Estou convencido de que ela sabe como fazer o máximo de dano possível com um único soco. Ela é médica. Ela sabe coisas." Ri de novo, e tentei imaginar Rosa perfurando qualquer coisa e falhei. Eu dei um tapinha em seu ombro. "Você ficará bem." "Eu poderia precisar que você me protegesse." Ele beijou minha outra face novamente. Os cantos dos meus lábios curvaram. "Eu... eu posso fazer isso." Desta vez, seus lábios roçaram minha testa. "Desculpe por adormecer logo que cheguei aqui. Nós não temos sido capazes de gastar muito tempo juntos, e a primeira vez que não estou estudando ou trabalhando em um carro, eu durmo." Eu meio que gostava dele dormindo aqui. "Está tudo bem. Você estava... trabalhando duro. Como você acha que você foi?" Rider levantou a cabeça. "Eu acho que fui muito bem. Apenas algumas perguntas realmente me pegaram." Emocionada ao ouvir isso, eu sorri. "Você está animado?" "Eu acho. Quero dizer..." Ele parou de falar, sobrancelhas franzidas. "Ainda há muita coisa que tem que estar no lugar. Eu tenho até junho para conseguir o formulário da ajuda financeira, mas vai ser difícil ficar com as minhas notas. Eu teria que ter sido muito bom no vestibular." "Mas você tem até a primavera. Se você não entrar no segundo semestre... não significa que acabou", fundamentei. "Antes que você perceba, você estará na faculdade comigo, estudando artes visuais." "Você está certa." Um pouco de um sorriso maroto surgiu em seus lábios. "Acho que devemos comemorar." Fazendo uma pausa, ele balançou as sobrancelhas para mim. "Temos cinquenta minutos agora. Eu só preciso, tipo, de cinco minutos." "Oh meu Deus", eu ri, empurrando seus ombros. "Você é terrível."


"Eu não sou terrível." Seus olhos encontraram os meus, e a vibração estava de volta, mais profunda e mais vertiginosa. "Estou apaixonado." Oh, meu Deus. Meu coração inchou como um balão, e tudo que eu podia fazer era olhar para ele durante vários segundos antes de consegui sussurrar: "Eu também te amo". "Eu sei." Rider baixou sua boca na minha, e o beijo espalhou meus pensamentos. Eu ainda ficava chocada que um beijo tivesse esse tipo de poder, que, quando sua língua tocava a minha, eu poderia esquecer tudo no mundo. O beijo terminou muito rápido. Rider mudou de cima de mim e sentou-se, levantando minhas pernas para que elas estivessem em seu colo, e eu meio que estava ali, braços moles ao meu lado enquanto eu olhava para ele. Um sorriso pateta dividia os meus lábios, e eu não me importava. Eu estava pensando em como poderíamos utilizar os restantes dos cinquenta minutos. "Como estão as coisas com o Dr. Taft?" ele perguntou quando trocou as pernas, espalhando-as um pouco. "Eu não tive a chance de te perguntar ontem." Hã? Comecei a franzir a testa. Eu estava aqui pensando sobre voltar para beijos e outras coisas, coisas muito boas, e ele apenas mencionou o nome de meu terapeuta? Rider bateu na minha perna levemente e riu. "Foco." Apertei os olhos para ele, mas foco era difícil quando meu corpo parecia estar fora da órbita, deitado ao sol. "Foi... bom. Nós conversamos sobre como eu estava me sentindo e como eu estava... lidando com o estresse." Eu comecei a ver o Dr. Taft uma vez a cada duas semanas novamente. Principalmente porque eu senti que precisava de alguém que não era uma parte da minha vida cotidiana para só... Falar as coisas, porque eu ainda tinha um trabalho em mim mesma a ser feito.


Tinha sido muito deprimente em primeiro lugar, porque tinha sido dois anos desde que eu tinha passado um tempo no consultório dele. Como se eu estivesse, de alguma forma, voltando para o passado ao invés de progredir, mas o Dr Taft perfurou alguma coisa na minha cabeça que era muito importante. Algo que eu já sabia, mas realmente precisava entender. O passado nunca ia embora e ele não era projetado para fazer isso. Estaria sempre lá, e ele deve ser reconhecido. Dr. Taft insistiu que a tentativa de apagar o passado só levaria a uma crise no futuro, e ele estava certo. Meu passado não poderia ser cortado cirurgicamente. Ele não pode ser removido de Rider. O que aconteceu com Jayden não poderia ser esquecido. Meu passado era uma parte de mim e molda quem eu sou hoje, mas não era a soma de quem eu era para o que eu me tornei. Não me controla. Rider se inclinou e encontrou minha mão. Ele enfiou os dedos nos meus e apertou. "Eu não quero te perder." Pressão apertou no meu peito e eu apertei sua mão de volta. Pensei que Jayden morrendo, tinha feito Rider ficar por um fio. O tapa na cara da mortalidade fez isso. "Você não vai." "Bom." Rider sorriu quando me puxou para ficar sentada. Sua outra mão segurou meu rosto, e ele me beijou mais uma vez, doce e suave. Ele se afastou apenas o suficiente para que seu hálito quente dançasse

pelos

meus

lábios.

"Eu

acho

que

eu

quero

beijá-la

novamente." "Estou mais do que bem com isso", eu disse a ele, e sorri. Sinceramente, eu estava bem com... Comigo mesma. Eu não estava cem por cento que estava tudo bem, porque eu era um trabalho em andamento. Houve momentos em que as coisas pareceram muito intensas, como no outro dia quando eu tinha de me levantar e fazer


outro discurso. Houve outras situações, especialmente quando eu pensei sobre o fato de que eu estaria na faculdade em menos de um ano. Ou quando eu encontrei a minha mente vagando até Jayden. A morte era assustadora e esmagadora. Às vezes, quando eu pensei sobre o que Ainsley estaria enfrentando no futuro, eu me estressei por ela. Eu ainda tinha um monte de trabalho a fazer e era o meu trabalho a ser concluído. Era a minha voz que precisava ser ouvida quando eu precisava falar. Ninguém mais. Era eu que tinha de levar-me até a linha de chegada, e tudo que eu precisava me lembrar quando eu tivesse medo de tentar, era que esse sentimento não duraria para sempre. Para sempre. Eu costumava acreditar que não existia. Uma palavra que tinha me aterrorizado quando criança e me assombrado. Mas agora eu sabia que, de muitas pequenas maneiras, ele era real, mas isso não me assusta mais. Para sempre não era a menina encolhida no armário. Para sempre não era a sombra sentada no fundo da classe. Para sempre não era fazer o que Carl e Rosa queriam em vez do que eu precisava fazer com a minha vida. Para sempre não era acreditar que eu era algum tipo de filha substituta e que eu os estava deixando tristes. Para sempre era não ser aquele que precisava de proteção. Para sempre não era dor e sofrimento. Para sempre não era um problema. Para sempre era o meu batimento cardíaco e era a esperança do amanhã sendo feito. Para sempre era o forro de prata brilhante de cada nuvem escura, não importa o quão pesado e grosso era. Para sempre era saber que momentos de fraqueza não equivalem a uma eternidade deles. Para sempre era saber que eu era forte. Para sempre era Carl e Rosa, Ainsley e Keira, Hector e Rider. Jayden seria sempre uma parte do meu para sempre.


Para sempre era o dragĂŁo que cospe fogo dentro de mim que havia derramado o medo como uma pele de cobra. Para sempre era simplesmente uma promessa de mais. Para sempre era um trabalho em andamento. E eu nĂŁo podia esperar para sempre.

The Problem With Forever - Jennifer L. Armentrout  

Para algumas pessoas, o silêncio é uma arma. Para Mallory "Mouse" Dodge, é um escudo. Ao crescer, ela aprendeu que a melhor maneira de sobre...

The Problem With Forever - Jennifer L. Armentrout  

Para algumas pessoas, o silêncio é uma arma. Para Mallory "Mouse" Dodge, é um escudo. Ao crescer, ela aprendeu que a melhor maneira de sobre...

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