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Disponibilização: Eva Tradução: Erika, Ma. K, Renata, Juliana, Adriana Revisão e Leitura Final: Faby, Renata Formatação: Niquevenen


Lena Wise sempre está ansiosa com o amanhã, especialmente no início do último ano. Ela está pronta para empacotar suas coisas tanto quanto possível, terminar as candidaturas da faculdade e, talvez, deixar o melhor amigo de sua infância, Sebastian, saber como ela realmente se sente sobre ele. Para Lena, o próximo ano será épico – o ano das oportunidades e chances. Até que uma escolha, um momento, destrói tudo. Agora Lena não está ansiosa com o amanhã. Não quando momentos com os amigos pode nunca mais ser o mesmo. Não quando as candidaturas da faculdade parecem quase impossíveis. Não quando Sebastian pode nunca perdoá-la pelo que aconteceu. Pelo que ela deixou acontecer. Com a culpa aumentando a cada dia, Lena sabe que sua única esperança é seguir em frente. Mas como pode seguir em frente quando a vida inteira dela e de suas amigas foram redefinidas? Como ela pode seguir em frente quando o amanhã nem sequer é garantido?


PRÓLOGO

Eu não podia me mover, e tudo doía — minha pele parecia muito apertada, os músculos queimando como se tivessem sido incendiado, e os meus ossos doíam profundamente até a medula. Confusão me inundou. Meu cérebro parecia que estava cheio de teias de aranha e nevoeiro. Tentei levantar os braços, mas eles pesavam para baixo, parecia chumbo. Eu pensei ter ouvido um sinal sonoro constante e vozes, mas tudo parecia muito distante, como se eu estivesse na extremidade de um túnel e todo o restante estava do outro lado. Eu não conseguia falar. Não... Havia alguma coisa na minha garganta, na parte de trás da minha garganta. Meu braço se contraiu sem aviso, e houve um puxão no topo da minha mão. Por que não consigo abrir meus olhos? O pânico começou a me tomar. Por que eu não podia me mover? Algo estava errado. Algo estava muito errado. Eu só queria abrir os olhos. Eu queriaEu te amo, Lena. Eu também te amo.


As vozes ecoavam na minha cabeça, uma dele a outra era minha. Definitivamente minha, e a outra... “Ela está começando a acordar.” Uma voz feminina interrompeu meus pensamentos em algum lugar do outro lado do túnel. Passos se aproximou e um homem disse: “Pegue o propofol agora.” “Esta é a segunda vez que ela acorda.” respondeu a mulher. “Ela é o inferno de uma lutadora. Sua mãe vai ficar feliz ao ouvir isso.” Lutadora? Eu não entendia o que eles estavam falando, porque eles achavam que minha mãe ficaria feliz em ouvir isso talvez eu devesse dirigir? O calor bateu minhas veias, começando na base do meu crânio e, em seguida, passando por mim, em cascata através do meu corpo, e então não havia sonhos, nem pensamentos e nenhuma voz.


ONTEM


CAPÍTULO UM

Quinta-feira, 10 de agosto "Tudo o que tenho a dizer é que você quase teve relações sexuais com isso." Puxando o meu nariz para trás, eu olhei para o telefone que Darynda Jones - Dary para abreviar - tinha empurrado em meu rosto cinco segundos depois dela entrar no Joanna's. O Joanna’s era uma parte importante do centro de Clearbrook desde que eu tinha arranhões e machucados no meu joelho. O restaurante meio que estava preso no passado, estranhamente existente em algum lugar entre bandas de roqueiros cabeludos e o surgimento de Britney Spears, mas era limpo e acolhedor, e praticamente tudo o que saia da cozinha era frito. Além disso, tem o melhor chá doce em todo o estado da Virgínia. "Oh, cara." eu murmurei. "O que diabos ele está fazendo?" "Como ele se parece?" Os olhos de Dary se abriram atrás de seus óculos brancos de plástico. "Ele basicamente é um golfinho deprimido."


Apertei meus lábios, porque sim, era isso que parecia. Afastando seu telefone do meu rosto, ela inclinou a cabeça para o lado. "O que você estava pensando?" "Ele é fofo - era fofo." expliquei vagamente enquanto olhei por cima do meu ombro. Felizmente, ninguém estava perto para escutar. "E eu não fiz sexo com ele." Ela rolou olhos castanhos escuros. "Sua boca estava na boca dele e suas mãos... " "Tudo bem." Levantei as mãos, afastando tudo o que ela estava prestes a dizer. "Entendi. Mexer com Cody foi um erro. Confie em mim. Eu sei. Estou tentando apagar tudo da minha memória e você não está ajudando." Inclinando-se sobre o balcão, eu estava de pé atrás dele, ela sussurrou: "Eu nunca vou deixar você esquecer isso." Ela sorriu quando meus olhos se estreitaram. "Mas eu entendo. Ele tem músculos sobre músculos. Ele é um tanto burro, mas divertido." Essa foi uma pausa dramática. Tudo sobre Dary era dramático, da roupa repugnantemente brilhante aos seus cabelos super curtos, cortado nos lados e um monte de cachos na parte superior. Agora seu cabelo era preto. No mês passado, foi lavanda. Em dois meses provavelmente seria rosa. "E ele é o amigo de Sebastian." Senti meu estômago se embrulhar. "Isso não tem nada com Sebastian." "Uh-huh."


"Você é tão sortuda que me faz realmente gostar de você." Eu respondo de volta. "Tanto faz. Você me ama." Ela bateu as mãos no balcão. "Você está trabalhando neste fim de semana, certo?" "Sim. Por quê? Achei que você estava indo para DC com sua família neste fim de semana." Ela suspirou. "Um fim de semana? Eu até queria. Nós vamos para DC durante toda a semana. Vamos amanhã de manhã. Mamãe não pode esperar. Juro que ela realmente tem um itinerário para nós, como os museus que ela quer visitar, o tempo esperado em cada um, quando teremos nossos almoços e jantares." Meus lábios se contraíram. Sua mãe era ridiculamente organizada, até cestas rotuladas para luvas e cachecóis. "Os museus serão divertidos." "Claro que você pensa isso. Você é uma nerd." "Não perderei tempo tentando negar isso. É a verdade." Eu não tinha nenhum problema em admitir isso. Eu queria ir à faculdade e estudar antropologia. A maioria das pessoas perguntaria o que diabos você faz com um diploma disso, mas havia muitas oportunidades, como trabalhar com medicina forense, shows corporativos, ensinar e muito mais. O que eu queria fazer realmente envolvia trabalhar em museus, então eu adoraria uma viagem à DC. "Sim. Sim." Dary pulou do banquinho vermelho de vinil. "Eu tenho que ir antes da mamãe-monstro chegar. Se eu tiver cinco minutos atrasada do meu o toque de recolher, ela chamará os policiais, convencida de que fui abduzida." Eu sorri. "Envia uma mensagem mais tarde, ok?"


"Eu vou, eu vou." Acenando um adeus, agarrei o pano úmido e corri ao longo da bancada estreita. Louças balançaram juntas, ecoando da cozinha, sinalizando que estávamos perto de fechar. Eu não podia esperar para chegar em casa, tirar o cheiro de frango frito e sopa de tomate queimada de mim, terminar de ler o último drama de Feyre e The Fae Courts1. Então estava indo para aquela leitura contemporânea sexy que eu tinha visto as pessoas falando no Clube do Livro no Facebook, era algo sobre a realeza e os irmãos quentes. Cinco deles. Participo por causa disso. Gastei metade do dinheiro que fiz como garçonete no Joanna's para comprar livros em vez de preencher minha conta poupança, mas não pude me ajudar. Depois de limpar os dispensadores de guardanapo, levantei o queixo e soprei um fio de cabelo castanho que escapou do meu coque para fora do meu rosto quando o sino acima da porta tocou e uma pequena figura entrou. Deixei cair o pano aromatizado com limão. Uma brisa poderia me derrubar se soprasse no meu rosto. Para a maior parte, a única vez que qualquer pessoa menor dos sessenta entrou no Joanna’s eram nas noites de sexta-feira após os jogos de futebol e às vezes as noites de sábado durante o verão. Definitivamente, não nas noites de quinta-feira. O Joanna's faz o seu pão e manteiga com os

Feyre e The Fae Courts - é um conto sobre uma fada http://acourtofthornsandroses.wikia.com/wiki/Faerie. 1


membros certificados da AARP, que foi uma das razões pelas quais eu comecei a trabalhar de garçonete aqui durante o verão. Era fácil e eu precisava do dinheiro extra. O fato de que Skylar Welch estar de pé dentro do Joanna's, dez minutos antes de fechar, foi um choque. Ela nunca veio aqui sozinha. Nunca. Faróis brilhantes perfuraram a escuridão lá fora. Ela deixou sua BMW e correu, e eu estava disposta a apostar que ela tinha um carro cheio de garotas tão bonitas e perfeitas quanto ela. Mas nenhum lugar tão bom quanto agradável. Passei o último milhão de anos abrigando um caso furioso de amargo ciúmes quando se tratava de Skylar. Mas a pior parte era que ela era genuinamente doce, o que tornava odiá-la um crime contra a humanidade, contra filhotes e contra o arcoíris. Andando como se esperasse que o chão de linóleo preto e branco fosse se abrir e engoli-la, ela puxou o cabelo loiro acobreado sobre seu ombro. Mesmo nas horríveis luzes fluorescentes, seu bronzeado era profundo e sem falhas. "Ei, Lena." "Ei." Eu me endireitei, esperando que ela não fizesse um pedido. Se ela quisesse algo para comer, Bobby ficaria chateado e eu teria que passar cinco minutos tentando convencê-lo a cozinhar o que quisesse. "Como você está?" "Nada demais." Ela mordeu o lábio brilhante com gloss rosa. Parando ao lado dos banquinhos vermelhos de vinil, ela respiração profundamente. "Você está prestes a fechar, não é?" Eu acenei lentamente. "Em cerca de dez minutos."


"Desculpe. Não demorarei muito. Na verdade, não estava planejando parar aqui." Em silêncio, adicionei um sarcástico Sério? "As garotas e eu estávamos indo para o lago. Alguns dos caras estão fazendo uma festa e passamos por aqui." explicou. "Eu pensei parar e ver se... Se você saberia quando Sebastian volta para casa." Claro. Apertei o maxilar. Deve ter sido óbvio no momento em que Skylar atravessou as portas que ela estava aqui por Sebastian, porque mais ela falaria comigo? Sim, ela era doce, mas não convivemos nos mesmos círculos na escola. Metade do tempo eu era invisível para ela e seus amigos. O que estava bem para mim. "Eu não sei." Essa foi uma mentira. Sebastian chegaria em casa, da Carolina do Norte, no sábado de manhã. Ele e seus pais estavam visitando seus primos durante o verão. Uma angústia invade meu peito, uma mistura de anseio e sentimento de pânico - dois sentimentos que conheço bem quando se trata de Sebastian. "Realmente?" Surpresa ilumina seu tom. Faço uma expressão em branco no meu rosto. "Eu acho que ele estará de volta esse fim de semana em algum momento. Talvez." "Sim. Eu acho." Seu olhar caiu no balcão enquanto ela se arrumava a bainha de sua camisa preta. "Ele não... Eu não ouvi falar dele. Eu mandei mensagens e liguei, mas..."


Limpei minhas mãos ao longo do meu avental. Não tinha ideia do que dizer. Isso foi tão incrivelmente estranho. Parte de mim queria ser uma cadela total e ressaltar que se Sebastian quisesse falar com ela, ele teria respondido, mas isso não era eu. Eu era o tipo de pessoa que pensava coisas, mas nunca falava. "Eu acho que ele esteve muito ocupado," eu disse finalmente. "Seu pai queria que ele visitasse algumas universidades e ele não tinha visto seus primos em anos." Alguém no BMW buzina e Skylar olha por cima do ombro. As minhas sobrancelhas se elevaram enquanto eu silenciosamente rezo para que quem estivesse no carro permanecesse nesse carro. Um momento passou, e Skylar enfiou os cabelos lisos atrás da orelha dela quando ela voltou para me encarar. "Posso fazer mais uma pergunta?" "Claro." Não é como se eu realmente fosse responder, mesmo que estivesse imaginando que um buraco negro aparecesse no restaurante e me sugasse no vórtice. Um sorriso fraco apareceu. "Ele está com outra pessoa?" Eu olhei para ela, me perguntando se eu vivia uma história diferente de Sebastian e Skylar. Desde o momento em que se mudou para Clearbrook, população Meh, ela se apegou a Sebastian. Não que alguém a culpe. Sebastian saiu do ventre de sua mãe encantadora e encanta ao seu redor. Esses dois se uniram no ensino médio e namoraram todo o ensino médio, tornando-se o Rei e a Rainha do Baile. Eu me resignei ao fato de que eu teria que fazer parte do casamento deles no futuro. Mas a primavera aconteceu...


"Você terminou com ele," lembrei-a tão gentilmente quanto pude. "Não estou tentando soar como uma puta, mas o que importa se ele estiver com outra pessoa?" Skylar enrolou um braço delgado em sua cintura. "Eu sei, eu sei. Mas importa. Eu apenas... Você nunca cometeu um grande erro?" "Toneladas," respondi secamente. A lista era maior do que a minha perna e braço juntos. "Bem, terminar com ele foi um dos meus erros. Eu pensei, pelo menos." Ela recuou do balcão. "De qualquer forma, se você o ver, você pode dizer a ele que eu vim aqui?" Essa era a última coisa que eu queria fazer, mas acenei com a cabeça porque falaria com ele. Porque eu era essa pessoa. Rolo. Meus. Olhos. Skylar então sorriu. Era um sorriso de verdade e me faz sentir como se eu fosse uma pessoa melhor ou algo assim. "Obrigada," disse ela. "Eu acho que vou te ver na escola em uma semana ou mais? Ou em alguma festa?" "Sim." Eu sorri e o meu rosto parecia quebradiço e, provavelmente, parecia meio estranho. Balançando seus dedos para um adeus, Skylar se virou caminhando em direção à porta. Ela pegou a maçaneta, mas parou e olhou por cima do ombro para mim. Um olhar estranho cruzou seu rosto. "Ele sabe sobre você?" Os cantos dos meus lábios começaram a recusar. O que há para saber sobre mim que Sebastian não sabia? Eu era verdadeira e chata. Eu li mais do que realmente conversei com pessoas e estava obcecada com o History Channel e assistindo Alienígenas do Passado. Eu joguei voleibol, mesmo que não


fosse tão boa nisso. Honestamente, eu nunca teria começado a jogar se não fosse por Megan ter-me convencido quando éramos calouras. Não que não me diverti, mas sim, eu era tão estimulante quanto um pão branco. Não havia literalmente segredos escondidos descobrir. Bem, eu tinha medo de esquilos. Eles eram ratos com caudas espessas e eram malvados. Ninguém disso, porque era super embaraçoso. Mas duvidava que sobre isso que Skylar estava falando.

para como sabia fosse

"Lena?" Ela me tirou dos meus pensamentos, e eu pisco. "E quanto a mim?" Ela ficou quieta por um momento, depois diz. "Ele sabe que você está apaixonada por ele?" Meus olhos se arregalaram quando minha boca secou. Senti meu coração gaguejar e depois cair no poço do meu estômago. Meus músculos travaram nas minhas costas e meu intestino agitou-se quando aquela parede de pânico bate em mim. Eu forcei uma risada sibilante. "Eu sou... Eu não estou apaixonada por ele. Ele é como um... como um irmão que eu nunca quis." Skylar sorriu ligeiramente. "Não estou tentando me intrometer." Meio que soou como que quisesse. "Eu vi o jeito que você olha para ele quando estávamos juntos." Não havia nenhum julgamento em seu tom. "Ou talvez eu esteja errada."


"Desculpe, você está errada." eu disse à ela. Eu pensei que parecia bastante convincente. Então, havia algo que pensava que ninguém sabia sobre mim. Uma verdade escondida que era tão embaraçosa como medo de esquilos, mas completamente desconexo. E acabei mentindo sobre isso.


CAPÍTULO DOIS

Vivo a cerca de quinze minutos do centro de Clearbrook, em um bairro que estava a uma curta distância da escola primária, onde costumava passar o meu tempo sonhando acordada. As ruas tinham um mistura de pequenas e grandes casas e todos os tamanhos no meio. Minha mãe e eu moramos em uma das casas médias - a casa que mamãe mal podia pagar por conta própria com o salário de agente de seguros. Nós poderíamos ter mudado para algo menor, especialmente agora que Lori tinha ido para a faculdade e eu estaria fazendo o mesmo em um ano, mas não pensei que mamãe estivesse pronta para deixar a casa. De todas as memórias e de tudo o que deveria ter sido em vez do que era. Provavelmente teria sido o melhor para todos nós, se tivéssemos nos mudado, mas não mudamos, e isso foi uma inundação sob a ponte agora. Puxei para a entrada, passando o Kia usado que mamãe tinha estacionado no lado da rua. Eu desliguei o carro respirando o cheiro de coco no interior do Lexus que uma vez havia pertencido ao papai. Mamãe não o queria, e tampouco Lori, então fiquei com ele. Não era a única coisa que papai tinha deixado.


Peguei minha bolsa do banco do passageiro e saí do carro antes de fechar silenciosamente a porta atrás de mim. Um grilo chilreou e um cachorro latiu em algum lugar na rua, silenciosa em grande parte, enquanto olho para a casa maior ao lado da minha. Todas as janelas estavam escuras e um galho grosso estava batendo na varanda, torcendo as folhas. A partir de um ano eu não estaria aqui, olhando para a casa ao lado como uma genuína perdedora. Eu estaria na faculdade, espero que na Universidade da Virgínia, minha principal escolha. Eu ainda me inscreveria para outras faculdades na primavera, apenas no caso de não entrar na admissão inicial, mas de qualquer forma, eu iria embora daqui. E isso seria o melhor. Sair desta cidade. Afastando-me mesmo da antiga eu. Colocando uma distância muito necessária entre a casa ao lado e eu. Afastando meu olhar da casa, subi os degraus e entrei. Mamãe já estava na cama, então tentei ser o mais silenciosa possível enquanto pego um refrigerante da geladeira e vou para o andar de cima, para tomar um banho rápido no banheiro do corredor. Eu poderia me mudar para o quarto de Lori depois que ela partiu para a faculdade. Era maior e tinha seu próprio banheiro, mas meu quarto tinha privacidade e tinha um incrível deck que eu não estava disposta a desistir por várias razões. Razões pelas quais eu não queria pensar muito. Uma vez dentro do meu quarto, coloco o refrigerante na mesa de cabeceira e depois puxo a toalha pela porta. Tiro minha camisa favorita de todos os tempos da cômoda, deslizando-a sobre minha cabeça. Depois de ligar a lâmpada na mesa de


cabeceira e inundo o quarto com luz macia e amanteigada, pego o controle remoto clicando na TV, e escolhendo o History Channel com o volume baixo. Olhei para o mapa do mundo rabiscado na parede acima da minha mesa. O mapa para todos os lugares que planejo eventualmente visitar. Os círculos vermelhos e azuis desenhados por toda parte trouxeram um sorriso, enquanto pego um enorme capa dura vermelho e preto da minha mesa, que era praticamente usado apenas para armazenar livros agora. Quando nos mudamos, papai construiu prateleiras que se alinhavam a parede onde estavam a cômoda e a TV, mas aquelas estantes de livros estavam cheias há anos. Livros estavam empilhados em cada lugar no quarto - na frente da minha mesa de cabeceira, em ambos os lados da cômoda e no meu armário, ocupando mais espaço do que o as roupas. Eu sempre fui uma leitora e eu lia muito, geralmente eram livros com algum tipo de tema romântico ou um clássico feliz, por último. Lori costumava se divertir sem parar por isso, alegando que eu tinha um sabor por livros, mas o que quer que seja. Pelo menos eu não tinha um gosto pretensioso em livros como ela, e às vezes apenas queria... Não sei, esconder-me da vida. Cair de cabeça em um mundo em que eu não precisasse lidar com questões da vida real e apenas abrir meus olhos, um mundo que fosse outra coisa, algo completamente irreal. Um com fadas em guerra ou vagar por clãs de vampiros. Eu queria experimentar coisas novas e sempre, sempre, chegar a última página me sentindo satisfeita. Porque, por vezes, felizmente, sempre existia um feliz para sempre nos livros que li.


Sentando-se na beira da minha cama, eu estava prestes a abrir o livro quando ouvi uma batida suave vindo das portas da varanda. Por uma fração de segundo, fiquei congelada à medida que meu coração acelerava. Então eu pulei para me levantar, deixando cair o livro na minha cama. Poderia ser apenas uma pessoa: Sebastian. Depois de destravar, abri as portas e não pude conter o grande sorriso no meu rosto. Aparentemente também não havia como parar o meu corpo, porque avancei através do limiar, braços e pernas movendo-se sem pensar. Eu colidi com um corpo mais alto e muito, muito mais duro. Sebastian grunhiu quando joguei meus braços ao redor de seus ombros largos e praticamente me plantei em seu peito. Inspirei o aroma fresco e familiar do amaciante que sua mãe usava desde sempre. Não houve um momento de hesitação de Sebastian enquanto seus braços me rodeavam. Nunca houve. "Lena." Sua voz profunda - mais profunda do que eu me lembrava, o que era estranho, porque ele tinha ido embora há apenas um mês. Mas um mês parecia como uma eternidade quando se via alguém quase todos os dias da sua vida e então de repente não o ver mais. Nós mantivemos contato durante o verão, enviando mensagens de texto e até mesmo ligando algumas vezes, mas não era o mesmo que tê-lo aqui. Sebastian me abraçou quando ele me levantou, então meu pé balançou alguns centímetros do chão antes que ele me colocasse de volta. Ele abaixou a cabeça enquanto o peito subia


bruscamente contra o meu, enviando uma onda de calor todo o caminho até as pontas dos meus dedos dos pés. "Você realmente sentiu minha falta, hein?" Ele disse, enquanto seus dedos passaram pelos fios molhados do meu cabelo. Sim. Deus, eu senti falta dele. Eu senti falta dele demais. "Não." Minha voz estava abafada contra o peito. "Eu só pensei que você era o cara quente que eu esperava esta noite." "Tanto faz." Ele riu contra o topo da minha cabeça. "Não havia um cara gostoso no Joanna's." "Como você sabe?" "Dois motivos. Primeiro, eu sou o único cara quente que pisa naquele lugar e eu não estava lá," ele disse. "Uau. Realmente modesto, Sebastian." "Estou apenas falando a verdade." Seu tom era leve, provocativo. "E, segundo, se você pensasse que eu era outra pessoa, você ainda não ficaria grudada em mim como velcro." Ele tinha um ponto. Eu puxei para trás, deixando meus braços aos meus lados. "Cala a boca." Ele riu novamente. Eu sempre amei suas pequenas risadas. Elas eram infecciosas, mesmo quando você estava mal humor. Você não pode deixar de sorrir. "Eu pensei que você não voltaria até sábado." eu disse enquanto entrava no meu quarto.


Sebastian me seguiu. "Papai decidiu que precisava voltar para o jogo amanhã à noite, mesmo que eu não esteja jogando. Mas ele já havia combinado com o treinador. Você sabe como o papai é." Seu pai era o pai estereotipado, obcecado pelo futebol, que empurrou e empurrou e empurrou Sebastian para jogar futebol. Tanto que estava completamente chocado quando Sebastian anunciou que estaria fora da cidade enquanto havia treino de futebol. Conhecendo seu pai, eu aposto que ele pôs Sebastian para treinar todos os dias, de madrugada e no início da manhã, correndo e pegando a bola. "Sua mãe está dormindo?" Ele perguntou enquanto fechava as portas da varanda. "Sim..." Eu me virei e olhei para ele que agora estava parado à luz do meu quarto. Por mais constrangedor que fosse admitir, e nunca o admitirei, perdi completamente o meu pensamento. Sebastian era... Ele era muito bonito. Não era frequente que você podia dizer isso sobre um cara... Ou sobre qualquer um, para ser honesta. Seu cabelo era algo entre marrom e preto, cortado nos lados e mais longo o topo, caindo para frente em uma onda bagunçada que quase atingia suas sobrancelhas castanhas escuras. Seus cílios eram grossos, enquadrando os olhos que eram da cor dos jeans mais profundo. Seu rosto era todo angulado, com maçãs do rosto altas, um nariz reto e um maxilar rígido. Uma cicatriz cortava seu lábio superior, apenas a direita do arco do cupido bem formado. Isso aconteceu no nosso segundo ano durante o treino de futebol, quando ele


tomou um golpe que derrubou o capacete. As ombreiras dele pegaram na sua boca, dividindo o lábio superior. Mas a cicatriz se adéqua. Eu não conseguia parar de olhar para seu short de basquete e uma camiseta branca lisa enquanto ele olhava ao redor do meu quarto. Quando ele era mais novo, de volta ao ensino médio, ele tinha sido alto, todo braços e pernas, mas agora ele tinha estava preenchido, em todos os sentidos, com músculos e escultura que rivalizavam com as estátuas de mármore grego. Anos jogando futebol fazia isso com um corpo, eu imaginei. Sebastian não era simplesmente o menino fofo que morava na vizinhança. Nós fazíamos isso há anos, desde que ele descobriu que era mais fácil do que ir à minha porta da frente. Ele teria que sair pela porta dos fundos e entrar no quintal através de um portão, e então era uma curta caminhada até chegar ao meu deck. Nossos pais sabiam que ele poderia chegar ao meu quarto dessa maneira, mas crescemos juntos. Para eles - e para Sebastian - nós éramos como irmão e irmã. Eu também suspeitava que eles não soubessem que as visitas ocorriam à noite. Isso não começou até os treze anos, a primeira noite que o meu pai se foi. Eu me inclinei contra a porta, mordendo o interior da minha bochecha. Sebastian Harwell era um dos rapazes mais populares na escola, mas isso não era surpreendente. Não quando ele era


lindo. Talentoso. Engraçado. Inteligente. Agradável. Ele tinha uma personalidade própria. Ele também era um dos meus melhores amigos. Por razões que eu não queria examinar muito de perto, ele fazia meu quarto parecer menor quando ele estava nele, a cama muito pequena e o ar muito grosso. "O que diabos você está assistindo?" Ele perguntou, mantendo a voz baixa enquanto olhava para a TV. Olhei para a tela. Havia um cara de cabelos castanhos espinhosos e de aparência louca, acenando as mãos. "Hum... Alienígenas do passado." "Tudo bem, então. Julgo meio mórbido o programa forense que você assiste. Às vezes eu me preocupo..." Sebastian se afasta quando ele me encara. Sua cabeça inclinada para o lado. "Essa é... minha camisa?" Oh. Meu Deus. Meus olhos se arregalaram quando me lembrei do que estava vestindo: sua velha camisa de treino. Uns anos atrás, ele deixou isso aqui por algum motivo, e eu mantive. Como uma perseguidora. Minhas bochechas coram e o rubor correu pela frente do meu corpo. E havia um monte de corpo em exibição. A camisa pendia de um ombro, eu não tinha sutiã, e lutei contra o desejo de puxar a bainha da camisa. Eu disse a mim mesmo que não ficasse maluca, porque ele me viu de toalha um milhão de vezes. Isso não era diferente. Mas era.


"É a minha camisa." Os cílios grossos abaixaram, protegendo os olhos enquanto ele estava sentado na minha cama. "Sempre me perguntei onde ela estava." Eu não sabia o que dizer. De repente, fiquei petrificada, plantada na porta. Ele achou que eu usar sua camisa para dormir era estranho? Porque sim, era meio estranho. Não podia negar isso. Ele jogou-se na cama e imediatamente se sentou. "Ow. Que diabos?" Esfregando as costas, e torcendo a cintura. "Jesus." Ele pegou meu livro. "Você está lendo isso?" Meus olhos se estreitaram. "Sim. O que há de errado com isso?" "Esta coisa poderia virar uma arma. Você poderia me bater na cabeça com isso, me matar e depois terminar em um desses programas de investigação que você assiste no Discovery." Eu revirei os olhos. "Isso é um pouco excessivo." "Seja como for." Ele joga o livro para o outro lado da cama. "Você estava se preparando para dormir?" "Eu estava me preparando para ler antes de ser interrompida grosseiramente," brinco. Forçando-me a ficar longe da porta, lentamente me arrastei para o seu lado, onde ele agora estava esticado, deitado lá como se fosse sua cama, a bochecha apoiada no punho. "Mas alguém, não mencionarei nenhum nome, está aqui agora." Seus lábios se levantaram dos lados. "Quer que eu vá embora?"


"Não." "Não penso assim." Ele deu um tapinha no local ao lado dele. "Venha falar comigo. Diga-me tudo o que eu perdi." Rezando para não agir como uma idiota completa, me sentei na cama, o que não foi fácil por causa da camisa. Então não queria piscar para ele. Ou talvez eu quisesse piscar para ele. Mas ele provavelmente não queria isso. "Você não perdeu muito," eu disse, olhando para a porta do meu quarto. Graças a Deus, eu já tinha fechado. "Keith está fazendo algumas festas-" "Você foi com eles sem mim?" Ele apertou sua mão em seu peito. "Meu coração. Isso dói." Eu sorri para ele enquanto esticava as pernas, cruzandoas nos tornozelos. "Eu fui com as meninas. Eu não fui sozinha. E então, e se eu fiz?" O sorriso passou por um ponto. "Ele fez alguma festa no lago?" Balançando a cabeça, puxei a bainha da minha camisa enquanto movia os dedos dos pés. "Não. Apenas na casa dele." "Legal." Quando eu olhei para ele, seus cílios estavam baixando. Sua mão livre descansou na cama entre nós. Seus dedos eram longos e esbeltos, a pele era bronzeada porque ele treinava fora o tempo todo. "Você fez mais alguma coisa? Saiu com alguém?"


Parei de mover os dedos dos pés, e minha cabeça voltouse para ele. Essa foi uma pergunta aleatória. "Não realmente." Uma sobrancelha se levantou quando seu olhar levantouse para o meu. Eu rapidamente alterei o assunto. "Por sinal, adivinhe quem parou essa noite no Joanna's, perguntando sobre você?" "Quem não pararia perguntando sobre mim?" Eu atirei para ele um olhar suave. Ele sorriu. "Quem?" "Skylar. Aparentemente, ela está enviando mensagens para você e você a ignorou." "Eu não a ignorei." Ele estendeu a mão, derrubando o cabelo de sua testa. "Eu simplesmente não tenho respondido." Uma careta virou os cantos dos meus lábios. "Não é o mesmo?" "O que ela queria?" Ele perguntou em vez de responder. "Falar com você." Eu me inclinei contra a cabeceira da cama e agarrei o travesseiro, empurrando-o para o meu colo. "Ela disse... Ela me pediu para lhe dizer que ela estava perguntando por você." "Bem, olhe para você, fazendo o que lhe disseram." Ele fez uma pausa, aumentando o sorriso. "Pelo menos uma vez." Eu escolhi ignorar esse comentário. "Ela também disse que pensou que romper com você foi um erro."


Sua cabeça se afastou e aquele sorriso desapareceu. "Ela disse isso?" Meu coração começou a bater no meu peito. Ele pareceu surpreso. Foi uma surpresa feliz ou ruim? Ele ainda se importa com ela? "Sim." Sebastian não se moveu por um segundo e depois sacudiu a cabeça. "Tanto faz." Sua mão se moveu rapidamente, tirando o travesseiro do meu colo. Ele empurrou-o debaixo da cabeça. "Ajude a si mesmo." murmurei, puxando a camisa de volta ao meu ombro. "Acabei de fazer." Ele sorriu para mim. "Você tem outra sarda." "O quê?" Eu virei minha cabeça para ele. Como ele podia lembrar, se meu rosto parecia foi atingido com canhão de sardas. "Não há como você saber se eu tenho outra sarda." "Eu posso dizer. Incline. Posso mostrar onde." Eu hesitei, observando-o. "Vamos." ele persuadiu, apontando um dedo para mim. Inalando uma respiração superficial, inclinei-me para ele. O cabelo deslizou sobre meu ombro enquanto ele ergueu a mão. Esse sorriso estava de volta, jogando sobre seus lábios. "Aqui..." Ele pressionou a ponta do dedo no centro do meu queixo. Eu suguei ar. Os seus cílios baixaram. "Isso é novo." Por um momento, não pude me mover. Tudo o que eu podia fazer era sentar lá, inclinando para ele tocar meu queixo


com o dedo. Era louco e estúpido, porque era apenas o toque mais suave, mas senti isso em todas as células do meu corpo. Ele baixou a mão para o espaço entre nós novamente. Eu soltei o ar dos meus pulmões. "Você é... Você é tão estúpido." "Você me ama," disse ele. Sim. Loucamente. Profundamente. Irrevogavelmente. Eu poderia encontrar mais cinco advérbios. Eu tinha amado Sebastian desde sempre, desde que tinha sete anos e trouxe uma cobra negra que ele encontrou em seu quintal como presente. Eu não sabia por que ele pensou que eu queria, mas ele a tinha carregado e a colocou na minha frente como um gato trazendo um pássaro morto para seu dono. Um presente verdadeiramente estranho - o tipo de presente que um cara daria para outro cara - e isso praticamente definiu a nossa relação ali mesmo. Eu estava apaixonada por ele, dolorosamente e embaraçosamente, e ele principalmente me tratava como um dos amigos dele. Desde o início e sempre o faria. "Eu mal tolero você." digo. Rolando em suas costas, ele esticou os braços acima de sua cabeça, juntando as mãos enquanto ria. A camisa levantou-se, revelando o estômago baixo e os dois músculos de cada lado de seus quadris. Não tive ideia de como ele conseguiu. "Continue mentindo para você," disse ele. "Talvez um dia você acredite."


Ele não tinha ideia de quão perto da verdade ele estava. Quando se tratava de Sebastian e de como eu me sentia sobre ele, tudo o que fiz foi mentir. A mentira era outra coisa que meu pai tinha deixado para mim. Era algo que ele também tinha sido tão bom.


CAPÍTULO TRÊS

Era muito cedo para essa porcaria. Atrás de Megan, eu esperava que eu pudesse simplesmente me misturar com a parede e ser esquecida. Então eu poderia deitar e tirar uma soneca. Sebastian tinha ficado até as três da manhã, e eu estava muito cansada para fazer qualquer coisa remotamente física. O treinador Rogers, também conhecido como sargento Rogers ou tenente idiota de primeira linha, cruzou os braços. Seu rosto tinha uma carranca permanente. Eu nunca o tinha visto sorrir. Nem mesmo quando nós ganhamos os playoffs do ano passado. Ele também era instrutor militar, então ele nos tratava como se estivéssemos no acampamento. Hoje ia ser diferente. "Até as arquibancadas," ele ordenou. "Dez vezes." Suspirando, eu estendi a mão e puxei o meu cabelo, apertando o rabo de cavalo enquanto Megan girou ao redor, de frente para mim. "Quem terminar por último tem que comprar um smoothie para a outra após o treino." Os cantos dos meus lábios viraram para baixo. "Isso não é justo. Você vai terminar em primeiro lugar."


"Eu sei." Rindo, ela arrancou em direção as arquibancadas cobertas. Em seguida puxei para baixo meus shorts pretos e em seguida, resignei-me à morte por arquibancada. A equipe bateu os assentos de metal. Tênis faziam barulho enquanto nós trabalhamos o nosso caminho. Na arquibancada de cima, eu bati na parede como esperado. Se nós não fizéssemos, estaríamos começando tudo de novo. Descendo, olhando focadas nas linhas em frente a mim com meus joelhos e braços em posição. Pela quinta rodada, os músculos em minhas pernas queimavam, junto com meus pulmões. Eu quase morri. Mais de uma vez. Uma vez que tudo estava acabado, minhas pernas pareciam gelatina quando encontrei Megan na quadra. "Eu gostaria de um smoothie de morango com banana," ela disse, com o rosto corado. "Obrigado." "Cale a boca," eu murmurei sem fôlego olhando para as arquibancadas. Pelo menos eu não era a última. Disse para ela. "Eu estou comprando um McDonalds." Megan bufou enquanto mexia nos seus shorts. "Claro que você está." "Pelo menos eu estou comendo ovos," ponderei. Eu provavelmente teria um inferno de pernas muito mais tonificadas e barriga lisa se eu tomasse somotthie de banana com morango após a educação física em vez do Egg McMuffin e bownie que eu estava planejando comer.


Ela torceu o nariz. "Eu não acho que esse tipo de ovos conta." "Expressar isso é um sacrilégio." "Eu não acho que você sabe o que essa palavra significa," ela respondeu. "Eu não acho que você sabe quando calar a boca." Inclinando a cabeça loira para trás, Megan riu. Às vezes eu me perguntava como nós nos tornamos amigas próximas. Estávamos em polos opostos. Ela não lia a menos que estivesse pegando dicas na Cosmo ou os horóscopos semanais nas revistas que sua mãe tinha em casa. Eu, é claro, lia todos os livros que eu tinha em minhas mãos. Eu tinha que pedir ajuda financeira, e ela tinha um fundo de faculdade. Megan só comia no McDonalds se ela tivesse bebido, o que não acontecia, muitas vezes, e eu comia tanto McDonald que eu estava em uma base de chamar pelo primeiro nome a senhora que trabalha como caixa na parte da manhã. Seu nome era Linda. Megan era mais extrovertida do que eu, mais disposta a tentar coisas novas, enquanto eu era a pessoa sempre pesando os prós e contras antes de fazer alguma coisa, encontrando mais contras do que vantagens para quase todas as atividades. Megan parecia anos mais jovem do que dezessete anos, muitas vezes agindo como uma gatinha hippie. Ela era francamente pateta metade do tempo. Mas o que parecia ser inocência era apenas aparência. Ela era um ás em matemática, mesmo sem ter que tentar. No lado de fora, ela aparentava levar nada a sério, mas ela era tão brilhante quanto era borbulhante. Nós duas planejávamos ou esperávamos entrar na UVA, orando para termos alojamento juntas e com esforço dar a Dary o mais difícil tempo possível, com amor, todos os dias de nossas


vidas. Decidi que eu iria encomendar duas batatas fritas e comê-las bem na frente de seu rosto, eu passei na frente dela enquanto caminhávamos para onde o nosso capitão estava esperando. Educação física era esgotante. Desde que era prétemporada e uma sexta-feira, todos os exercícios era de cárdio. Polichinelo. Agachamentos. Corridas suicídio. Saltos. Nada me fazia sentir mais fora de forma do que esses tipos de treinos. Eu estava arrastando minha bunda todo o tempo, suando em lugares que eu não queria nem pensar. "Meninas do segundo ano, eu preciso que vocês fiquem por alguns minutos," O treinador Rogers disse. "Todo mundo que não for do segundo ano pode ir embora. " Megan me lançou um olhar enquanto eu mirava pesadamente os nossos pés. Meu estômago doía um pouco por causa dos abdominais, então me concentrei em não me curvar e chorar como um bebê. “Nosso primeiro jogo será em algumas semanas, assim como é o nosso primeiro torneio, mas eu quero que todas se certifiquem o quão importante esta temporada é.” O treinador ajeitou o boné, puxando a aba para baixo. “Este não é apenas seu ano final. Este é o tempo que olheiros virão para os torneios. Muitas das faculdades aqui em Virginia e estados vizinhos estão procurando jogadores calouros.” Apertando os lábios, eu vagamente cruzei os braços. A bolsa de vôlei seria doce. Eu queria uma. Ia concorrer por ela, mas havia melhores meninas na equipe, incluindo Megan. A probabilidade de ambas conseguirmos posições na UVA era pequena. “Eu não posso salientar o quão importante será seu desempenho nesta temporada,” O treinador falou. Seu olhar escuro permanecia em mim de uma forma que me fez sentir


como se tivesse percebido o quão ruim meus sprints tinham sido. “Você não obterá um prêmio. Você não terá uma segunda chance para impressionar estes olheiros. Não há um próximo ano.” O olhar de Megan deslizou em direção a mim e as sobrancelhas levantaram cerca de uma polegada. Isso foi um pouco dramático. O treinador falou sobre boas escolhas de vida ou algo assim, e então ele acabou. Dispensado, o nosso grupo fez o caminho para as restantes bolsas de ginástica Borgonha e branco. Megan bateu seu ombro nos meus quando ela chegou para pegar sua água no topo de sua bolsa. “Você foi péssima hoje.” “Obrigada,” eu respondi, enxugando o suor da minha testa com a palma da minha mão. “Eu me sinto muito melhor depois de ouvir isso.” Ela sorriu ao redor da borda da garrafa, mas antes que ela pudesse responder, o treinador gritou meu sobrenome. “Oh droga,” Megan sussurrou, arregalando os olhos. Engolindo um gemido, eu dei a volta e corri até onde ele estava parado perto da rede, muitas vezes, tive que saltar repetidamente em frente. Quando o treinador usa seu sobrenome, era muito parecido com a sua mãe usando o seu nome completo. A barba bem aparada do treinador Rogers era mais branca do que morena, mas o homem estava apto e era intimidante. Ele poderia subir essas arquibancadas na metade do tempo que Megan podia, e agora parecia que ele queria me pedir para fazer um outro conjunto de dez. Se ele mandasse, seria minha morte. “Eu estava assistindo você hoje,” disse ele.


Ah não. “Não parece que sua cabeça estava no treino.” Ele cruzou os braços, e eu sabia que estava em apuros. “Você ainda está trabalhando no Joanna’s?” Tensa porque tivemos essa conversa antes, eu assenti. “Fechei na noite passada.” “Bem, isso explica muita coisa. Você sabe como me sinto sobre você trabalhar quando você tem treino,” disse ele. Sim, eu sabia. Treinador Rogers não acha que alguém que praticava esportes deve trabalhar porque o trabalho era uma distração. “É apenas durante o verão.” Isso era uma espécie de mentira, porque eu planejava trabalhar fins de semana durante o ano letivo. Era necessário para manter o fundo de lanches do McDonald, mas ele realmente não precisa saber nada disso. “Sinto muito sobre o treino. Eu só estou um pouco cansada” “Muito cansada pela aparência,” ele interrompeu com um suspiro. “Você estava forçando-se através de cada corrida.” Eu acho que eu não iria obter crédito por esse esforço. Ele ergueu o queixo e olhou sobre o nariz para mim. O treinador era um animal durante os treinos e os jogos, mas a maioria dos dias eu gostava dele. Ele se preocupava com seus jogadores. Realmente se importava. Ano passado, ele organizou uma arrecadação de fundos para um estudante cuja família perdeu tudo em um incêndio em casa. Eu sabia que ele era contra a crueldade animal, porque eu vi ele usando camisas em defesa dos mesmos. Mas agora, neste momento, eu não gosto do homem. “Olha,” ele continuou, “Eu sei que as coisas estão apertadas em casa, especialmente com o seu pai... Bem, com


tudo isso.” Cerrando os dentes até que meu queixo doeu, eu fixo uma expressão vazia no rosto. Todo mundo sabia sobre o meu pai. Uma porcaria viver em uma cidade pequena. “E você e sua mãe poderiam usar o dinheiro extra - eu entendo, mas você realmente precisa olhar para o contexto grande aqui. Leve esses treinos mais a sério, dedique mais tempo, e você pode até jogar este ano. Talvez chamar a atenção de um olheiro,” disse ele. “Então você conseguirá uma bolsa. Mais ajuda. Isso é o que você precisa, estar focada no seu futuro.” Mesmo sabendo que ele tinha boas intenções, eu queria dizer a ele que minha mãe e eu e meu futuro realmente não era de sua conta. Mas eu não disse isso. Eu só mudei meu peso de um pé para o outro, imaginando o couro cabeludo gorduroso na minha cabeça. “Você tem talento.” Eu pisquei. “Sério?” Sua expressão suavizou um pouco quando ele colocou a mão no meu ombro. “Eu acho que você tem uma chance de obter uma bolsa de estudos.” Ele apertou suavemente. “Basta manter seu olho no amanhã. Trabalhe para isso, e não haverá nada atrapalhando seu caminho. Você entende?” “Eu faço.” Eu olhei para onde Megan me esperava. “A bolsa seria... iria ajudar muito.” Muito mesmo. Seria bom não gastar uma década ou mais depois da faculdade trabalhando duro para pagar os empréstimos estudantis - Eu já tinha sido avisada sobre isso. “Faça com que isso aconteça, Lena.” Treinador Rogers deixou cair sua mão.


****

“Eu não me importo com o que você diz, Chloe foi a melhor dançarina!” Megan gritou de onde estava sentada, na beirada da minha cama. Eu esperava que seu cabelo crescesse e se transformasse em cobras a qualquer momento, para arrebatar os olhos de qualquer um que não concordavam com ela. Ok, talvez recentemente.

eu

estivesse

lendo

fantasia

demais

“Nós realmente não podemos ser amigas se você não concordar!” Ela acrescentou com veemência. “Não é uma questão de quem é uma dançarina melhor, mas eu pessoalmente acho que você vai com os 'louros têm que ficar juntos' como forma de pensar.” Abbi estava deitada em sua barriga em cima da minha cama. Seu cabelo era uma confusão de cachos escuros. “E honestamente, eu torço pela Nia.” Megan franziu o cenho quando ela levantou as mãos. “Tanto faz.” Meu telefone tocou na minha mesa, e quando eu vi quem era, eu mandei a chamada para o correio de voz sem sequer pensar duas vezes. Não hoje, Satanás. “Vocês realmente precisam parar de assistir reprises de Dance Moms.” Voltei para o meu armário e reiniciei minha busca por um short para usar no meu turno de trabalho. Sufocando um bocejo, eu gostaria de ter tempo para um cochilo,


mas Megan tinha vindo depois do treino e eu tinha apenas cerca de uma hora antes de ir para o trabalho. “Você parece péssima,” Abbi comentou, e me levou um momento para perceber que ela estava falando de mim. “Será que você não dormiu na noite passada?” “Uau. Obrigada,” eu respondi, franzindo a testa. “Sebastian voltou para casa ontem à noite, então ele parou e ficou por um tempo.” “Ooh, Sebastian,” murmurou Megan, batendo palmas. “Será que ele a manteve acordada a noite toda? Porque se for assim, eu vou ficar chateada que você não mencionou isso antes. Eu também vou querer detalhes. Todos os sujos detalhes suculentos.” Abbi bufou. “Eu duvido seriamente que haja quaisquer detalhes suculentos ou sujos.” “Eu não sei se eu deveria estar ofendida com essa afirmação ou não,” eu disse. “Eu simplesmente não consigo ver isso acontecendo,” Abbi respondeu com um encolher de ombros simples. “Eu não sei como você passa tanto tempo com ele e não quer saltar em cima dele como um leão da montanha raivoso no calor,” Megan meditou. “Eu não seria capaz de me controlar.” Eu inclinei minha cabeça para trás. “Uau.” Minhas amigas são muito estranhas. Especificamente Megan. “Você não voltou com Phillip?” “Mais ou menos? conversando.” Megan riu.

Não

tenho

certeza.

Estamos


“Mesmo se eu estivesse de volta com ele, isso não significa que não posso apreciar o belo exemplar de cara que vive ao seu lado.” “Fique à vontade,” eu murmurei. “Você já percebeu como as pessoas gostosas andam juntos? Como todos os amigos - Keith, Cody, Phillip, Sebastian. Todos eles são quentes. É o mesmo com Skylar e seus amigos. Tipo como os pássaros que migram para sul para o inverno,” Megan continuou. Abbi murmurou baixinho, “Que diabos?” “De qualquer forma, eu não tenho vergonha dos meus pensamentos não tão amigáveis para Sebastian. Todo mundo tem uma queda por ele,” disse Megan. “Eu tenho uma queda por ele. Abbi tem uma queda por ele-” “O quê?” Abbi gritou. “Eu não tenho uma queda por ele.” “Oh, eu sinto muito. Você tem tesão por Keith. Minha culpa.” Eu torci metade do caminho para ver a reação de Abbi a isso e eu não estava errada. Abbi levantou sobre seus cotovelos, virando a cabeça para Megan. Se olhares pudessem matar, toda a família de Megan teria acabado de morrer. “Eu poderia bater seriamente em você, e uma vez que você pesa, tipo, 65 kg e eu tenho cerca de 10 kg a mais que você, eu vou tirar você de letra.”


Eu sorri quando me virei de volta para o meu armário e cai de joelhos, vasculhando os livros e calças de brim no fundo do armário estreito. “Keith é bonito, Abbi.” “Sim, ele é quente, mas ele também é a moto da escola e todo mundo já teve um passeio,” ela comentou. “Eu não,” disse Megan. “Nem eu.” Encontrei o trabalho, o arrumei e levantei. “Keith tem tentado ficar com você desde que você desenvolveu seios.” “O que foi, tipo, na quinta série.” Megan riu quando Abbi jogou meu pobre travesseiro nela. "O quê? É a verdade.” Abbi sacudiu a cabeça. “Vocês são loucas. Eu não acho que Keith gosta de meninas mais escuras do que seus traseiros de lírio-branco.” Eu bufo quando caio na cadeira. A parte de trás bateu na borda da mesa, sacudindo a pilha de livros. “Eu tenho certeza que Keith está em meninas de todos os tons de pele, formas e tamanhos e, em seguida, alguns,” eu disse, curvando-me e pegando as canetas e marcadores que tinham caído do desktop. Abbi bufou. "Tanto faz. Nós não estamos falando sobre a minha atração inexistente para Keith.” Eu me virei para Abbi. “Você sabe, Skylar parou na última noite no Joanna’s e perguntou se Sebastian sabia que eu estava apaixonada por ele.” Eu forcei uma risada ocasional. “Isso é loucura, certo?” Os olhos azuis de Megan se ampliaram para o tamanho de um planeta. Não Plutão ... mais como Júpiter.


“O quê?” Abbi também prestou atenção. “Detalhes, Lena.” Eu contei sobre o que Skylar tinha dito na noite passada. “Foi realmente muito estranho.” “Bem, obviamente ela quer voltar com ele.” Abbi parecia pensativa. “Mas por que ela iria pedir-lhe isso? Mesmo que isso fosse verdade, por que você iria admitir isso para ela, a exnamorada?” “Então? Eu estava pensando sobre isso mais cedo.” Eu me encolhi em um círculo lento na cadeira. “Eu fiquei ao redor dela por muito tempo por causa de seu namoro com Sebastian, mas não é como se fossemos amigas. Eu não iria admitir meus segredos mais profundos para ela.” Abbi inclinou a cabeça para o lado e parecia que ela queria dizer alguma coisa, mas manteve o silêncio. “Oh! Eu quase me esqueci,” Megan exclamou quando ela baixou os pés para o chão, claramente para o próximo tópico. Rosa inundou seu rosto em forma de coração. “Ouvi dizer que Cody e Jessica estão se pegando novamente.” “Não me surpreende.” Cody Reece era o quarterback estrela. Sebastian era o running back estrela. Amizade feita no céu de futebol ali. E Jessica era ok... Ela não era particularmente a pessoa mais legal que eu já conheci. “Não foi Cody que tentou ficar com você na festa de Keith em julho?” Perguntou Abbi, rolando sobre suas costas. Eu atirei-lhe um olhar mortal mais poderoso do que o laser da Estrela da Morte. “Eu tinha esquecido tudo sobre isso, por isso obrigado por trazer isso de volta.”


“Não precisa agradecer,” ela brincou. “Lembro-me que na festa. Cody estava super bêbado.” Megan começou a torcer o cabelo em uma corda, que ela adorava fazer desde que éramos crianças. “Ele provavelmente nem se lembra de dar em cima de você, mas é melhor esperar que Jessica não descubra. Essa menina é territorial. Ela vai fazer o seu último ano um inferno.” Eu não estava realmente preocupada com Jessica, porque, logicamente, como ela poderia saber sobre o episódio sobre Cody dando em cima de mim em uma festa quando eles não estavam mesmo juntos? Isso nem sequer faz sentido. Megan xingou, pulando a seus pés. “Era para eu encontrar minha mãe há dez minutos. Ela está me levando para compras, o que realmente significa que ela vai tentar me vestir como se eu ainda tivesse cinco anos.” Ela pegou sua bolsa e, em seguida, sua bolsa de ginástica. “Falando nisso, é sexta-feira, e não acho que eu esqueci o meu lembrete semanal.” Eu suspirei pesadamente. Aqui vamos nós... “É hora de você arranjar um namorado. Alguém realmente, neste momento. E um real, também. Não um namorado literário.” Ela caminhou até a porta do quarto. Eu balancei minhas mãos. “Por que você está tão obcecada com a ideia de eu ter um namorado?” “Por que você está tão obcecada por mim?” Imitou Abbi. Eu ignorei. “Você se lembra de que eu tinha um, certo?” “Sim.” Ela ergueu o queixo. "Teve. Como no tempo passado.” “Abbi não tem um namorado!” Eu apontei.


“Nós não estamos falando sobre ela. Mas eu sei por que você não está interessada em qualquer um.” Ela bateu na lateral de sua cabeça. “Eu sei.” “Oh meu Deus.” Eu balancei minha cabeça. “Preste atenção a minhas palavras. Viva um pouco. Se você não fizer isso, quando você tiver trinta vai estar vivendo sozinha com uma tonelada de gatos e comendo atum no jantar, você vai se arrepender. Nem mesmo um bom atum. O tipo genérico, rico em óleo. Tudo porque você gasta a cada centavo com livros enquanto você poderia estar lá fora, encontrando o futuro pai para seus bebês.” “Isso é um pouco de exagero,” murmurei, olhando para ela. “E o que há de errado com atum genérico em óleo?” Olhei para Abbi. “Tem um gosto melhor do que quando é embebido em água.” “Concordo,” respondeu ela. “E eu não estou realmente interessada em conhecer o futuro pai do meu bebê,” eu adicionei. “Eu não penso mesmo se eu quero crianças. Eu tenho dezessete anos. E as crianças me estranham.” “Você me decepciona,” Megan afirmou. “Mas eu ainda te amo, porque eu sou tão boa amiga.” “O que eu faria sem você?” Eu dei um giro na cadeira. “Você seria uma simples cadela.” Megan me deu um grande sorriso. Eu pressionei minha mão no meu coração. “Ouch.”


“Eu tenho que ir.” Ela mexeu os dedos. “Te mando mensagem mais tarde.” Então ela saiu para fora da sala. Literalmente com a cabeça para cima, agitando os braços e empinada como um cavalo em um show.

****

“Fale sobre ser simples.” Abbi balançou a cabeça enquanto olhava para a porta vazia. “Eu nunca vou entender seu fascínio com a minha sinceridade.” Eu olhei para Abbi. “Como, em tudo.” “Quem sabe com ela.” Abbi pausa. “Então... eu acho que minha mãe está tendo um caso e ferrando com meu pai.” Meu queixo caiu. “Espere, o quê?” Abbi levantou-se e colocou as mãos nos quadris. "Sim. Você me ouviu direito.” Por um momento eu não sabia o que dizer e levou um par de segundos para obter a minha língua funcionando. “Por que você acha isso?” “Lembra-se de como eu estava dizendo que ela e meu pai haviam discutido mais ultimamente?” Ela andou até a janela que dava para o quintal. “Eles tentam mantê-lo quieto assim


meu irmão e eu não ouvimos, mas foi ficando muito alto e Kobe está tendo pesadelos agora.” O irmão de Abbi tem apenas cinco ou seis anos de idade. Rude. “Eu acho que eles estão trabalhando até tão tarde no hospital e, você sabe, por que ela está trabalhando tão tarde. E eu quero dizer tarde, Lena. Como, quantas vezes estão lá em plantão que fazem outros enfermeiros ficar? E o meu pai é tão estúpido?” Ela se afastou da janela, voltou para a cama e se sentou na borda. “Eu ainda estava acordada quando ela chegou em casa na quarta-feira, quatro horas após seu turno ter terminado, e ela parecia uma bagunça quente. Seu cabelo estava espetado em todas as direções, a roupa toda enrugada como ela saiu da cama de alguém e voltou para casa.” Meu peito apertou. “Talvez fosse apenas uma noite difícil no trabalho para ela.” Ela me lançou um olhar brando. “Ela cheirava a colônia, e não o tipo que meu pai usa.” “Isso não é... bom.” Eu me inclinei para a frente na cadeira. “Ela disse alguma coisa para você quando você a viu?” “Veja, essa é a coisa. Ela parecia culpada. Ela não me olhou nos olhos. Não podia sair da cozinha rápido o suficiente, e a primeira coisa que fez quando chegou no andar de cima era ir para o chuveiro. E a coisa toda do banho pode não ser anormal, mas quando você adiciona tudo isso juntos...” “Droga. Eu não sei o que dizer,” eu admiti, torcendo meu short em minhas mãos. “Você vai dizer alguma coisa?”


“O que eu diria? 'Oh, hey, pai, eu acho que mamãe está transando por ai, então você pode querer verificar? Não vejo como também. E se, por acaso, uma bola de neve no inferno, eu estou errada?” Eu me encolhi. “Bom ponto.” Ela esfregou as mãos sobre as coxas. “Eu não sei o que aconteceu entre eles. Eles estavam felizes, até cerca de um ano e é apenas quando veio toda a merda.” Empurrando os cachos de seu rosto, ela balançou a cabeça. “Eu só precisava dizer a alguém.” Eu chego "Compreensível.”

a

minha

cadeira

mais

perto

dela.

Um breve sorriso apareceu. “Podemos mudar de assunto? Eu realmente não quero lidar com isso mais do que cinco minutos de cada vez.” “Claro.” Eu entendo mais do que ninguém. “O que você quiser.” Ela respirou fundo e depois pareceu sacudir todos aqueles pensamentos. “Então... Sebastian voltou para casa cedo.” Isso não era necessariamente a conversa que eu queria voltar, mas se Abbi queria me usar como uma distração, eu poderia ser para ela. Dei de ombros e deixei minha cabeça cair para trás no mesmo momento que meu coração estúpido fez um pequeno salto vertiginoso. “Você estava feliz em vê-lo?” Perguntou ela.


“Claro,” eu respondi, indo para o meu tom aborrecido habitual quando se fala de Sebastian. “Onde ele está agora?” “Na escola. Eles têm um jogo de scrimmage esta noite. Ele não está jogando, mas eles provavelmente estão praticando.” “Você está trabalhando neste fim de semana?” Ela perguntou. "Sim, mas este é o meu último fim de semana por um tempo, já que a escola começou. Por quê? Você quer fazer alguma coisa?” “Claro. Melhor do que ficar presa como babá ou fazer dever em casa e ouvir os meus pais reclamando um para o outro.” Abbi cutucou minha perna com o pé. “Você sabe, eu odeio mesmo apontar isso, mas você acha que Skylar poderia estar certa perguntando-” “Sobre mim e Sebastian? Não, o quê? Isso é estúpido.” Um olhar de dúvida cruzou seu rosto. “Você não ama Sebastian mesmo?” Meu coração começou a bater no meu peito. “Claro que eu o amo. Eu te amo e Dary, também. Eu mesmo amo Megan.” “Mas você não ama Andre-” “Não. Eu não amei.” Fechando os olhos, eu pensei sobre o meu ex, embora eu realmente não queria. Nós tínhamos namorado quase todo o ano passado, e Abbi estava certa: Andre foi incrível e agradável, e eu me senti como uma idiota por acabar as coisas com ele. Mas eu tentei, realmente tentei, até


mesmo levá-la ao o próximo nível - mas meu interesse apenas não estava lá. “Nós não estávamos funcionando.” Ela ficou quieta por um momento. “Sabe o que eu acho?” Eu deixei meus braços cair para meus lados. “Algo sábio e inteligente?” “Essas duas palavras significam a mesma coisa, idiota.” Ela chutou minha perna novamente. “Se você não está sendo totalmente honesta com você mesmo sobre Sebastian, então se inscrever na UVA é uma ideia inteligente.” “O que ele tem a ver com a UVA?” Ela inclinou a cabeça para o lado. “Você está dizendo que é uma coincidência que a única escola que não é alta em sua lista é a escola que você está se aplicando?” Atordoada em silêncio, eu não tinha certeza do que dizer. Abbi nunca tinha insinuado que eu estava interessada em Sebastian além de ser amigos antes. Eu estava confiante de que eu tinha mantido esse anseio de desejo bem escondido, mas, obviamente, não tão bem quanto eu acreditava. Primeiro Skylar, que realmente não me conhecia, e agora Abbi, quem mais? “UVA é uma escola incrível e tem um departamento de antropologia incrível.” Eu abri meus olhos e meu olhar fixo no gesso rachado do teto. A voz de Abbi suavizou. “Você não está... se escondendo de novo, não é?” A parte de trás da minha garganta ardia quando eu apertei meus lábios. Eu sabia o que ela estava falando, e não tinha nada a ver com Sebastian. Tinha tudo a ver com a


chamada não atendida anteriormente. “Não,” eu disse a ela. “Eu não estou.” Ela ficou em silêncio por um momento e então disse: “Você realmente irá usar esses shorts para trabalhar? Você parece uma Daisy Duke básica neles.”

****

Estou no Keith. Você vai sair? O texto de Sebastian veio quando eu estava entrando em minha calçada depois do meu turno de sexta-feira. Enquanto eu normalmente não deixava passar a oportunidade de sair com Sebastian, eu estava me sentindo um pouco estranha depois de toda a conversa com Abbi. Além disso, eu estava exausta, então eu estava pronta para ficar sob as cobertas e me perder por pouco tempo em um livro. Ficarei em casa esta noite, eu mandei uma mensagem de volta. Ele prontamente respondeu com o emoticon do cocô sorrindo. Sorrindo, eu respondi. Os pontos triplos apareceram e, em seguida, Você vai ficar acordada até mais tarde? Talvez. Saí do carro e me dirigi para a porta da frente. Então talvez eu passe aí. Meu estômago afundou quando li. Eu sabia o que aquilo significava. Às vezes, Sebastian sorrateiramente aparecia ao longo da noite, muito tarde, normalmente quando algo estava


indo para baixo em sua casa e ele não queria lidar com isso... que algo geralmente sendo seu pai. E eu sabia, eu sabia, no fundo, que, mesmo com todos os anos que ele tinha saído com Skylar, ele nunca tinha feito isso com ela. Quando algo estava incomodando, ele me procurava, e eu sabia que não deveria ter ficado excitada sobre isso, mas eu estava. E eu sustentava esse conhecimento perto do meu coração. Segui o zumbido baixo da TV, passando pela pequena sala de entrada que estava transbordando com guarda-chuvas e tênis e da pequena mesa abarrotada de correspondência fechada. O brilho da TV bruxuleante sobre o sofá. Mamãe estava enrolada em seu lado, uma mão sob um descanso do sofá. Ela estava fria. Pisando em torno do sofá, peguei a manta das costas do sofá e coloquei cuidadosamente sobre minha mãe. Enquanto a cobria, eu pensei sobre o que Abbi tinha me dito antes. Eu não tinha ideia se a mãe dela estava traindo seu pai, mas eu pensei em minha mãe e como ela nunca teria traído o papai. O simples pensamento quase me fez rir, porque ela o amava como o mar amava a areia. Ele tinha sido o seu universo, seu sol que se levantou pela manhã e à lua que tomou conta do céu noturno. Ela adorava Lori e eu, mas ela amava mais o nosso pai. Mas o amor da minha mãe não foi suficiente. Meu amor e o da minha irmã nunca foram suficientes. No final, meu pai ainda nos deixou. Todas nós. E, Deus me ajude, eu era muito parecida com o meu pai.


Eu parecia com ele, só que eu era mais uma... Versão média. Mesma boca. Nariz forte mesmo quase grande demais para o meu rosto. Olhos cor de avelã, mais marrom do que qualquer outra sombra interessante. Meu cabelo combinava com o seu, um marrom que às vezes virava castanho avermelhado à luz do sol, e era comprido, caindo pelos meus seios. Meu corpo não era nem magro nem com excesso de peso. Eu estava em algum lugar preso no meio. Eu não era alta ou baixa. Eu só estava... na média. Não é como a minha mãe, no entanto. Ela é impressionante, os cabelos loiros e pele impecável. Mesmo que a vida tinha ficado muito mais difícil nos últimos cinco anos, ela perseverou e isso a fez ainda mais bonita. Mamãe era forte. Ela nunca desistiu, não importa o que, mesmo que houvesse momentos em que parecia que ela só queria empacotar tudo. Para a mãe, nosso amor era suficiente para continuar. Lori tem o lado abençoado de nossa genética, tendo puxado nossa mãe. Loira ao máximo, com todas as curvas e lábios carnudos para apoiá-la. Mas as semelhanças são ainda mais profundas do que o físico para mim. Eu era uma corredora também, e não o tipo saudável. Quando as coisas ficam muito difíceis, eu quero fugir, como meu pai. Fiz uma forma de arte de olhar para o amanhã, em vez de me concentrar em hoje. Mas eu também era como minha mãe. Ela era uma caçadora. Sempre correndo atrás de alguém que nem percebia que você estava lá. Sempre à espera de alguém que nunca ia voltar.


Foi como eu acabei com as piores qualidades de meus pais. Um peso estabeleceu-se em meu peito enquanto eu subi e fiquei pronta para a cama. Em novembro deste ano vão fazer quatro anos desde que meu pai deixou. Eu não podia acreditar que já tinha sido tanto tempo. Ainda sentia como ontem, em uma série de maneiras. Jogando as cobertas sobre minha cama, eu comecei a subir nela mas parei quando meu olhar caiu sobre as portas que dão para a varanda. Eu deveria trancar as portas. Sebastian provavelmente não iria parar, e, além disso, mesmo que ele fizesse, isso não... não era bom. Talvez fosse por isso que ninguém mais me interessava. Por que Andre não tinha mantido meu interesse. Esfregando as mãos pelo meu rosto, eu suspirei. Talvez eu estava apenas sendo burra. Como eu me sentia sobre Sebastian não poderia mudar a nossa relação. Não deveria. Colocar um pouco de distância entre nós, a criação de alguns limites, não seria uma má ideia. Era provavelmente a coisa mais inteligente e mais saudável de fazer, porque eu não queria ser uma corredora ou uma caçadora. Eu estava saindo da cama antes que eu percebesse o que estava fazendo. Fui até a porta e a abri com um clique suave.


CAPÍTULO QUATRO

Eu meio que acordei com a sensação de movimento na cama e o sussurro suave do meu nome. Rolei para o meu lado e fiz uma careta quando eu pisquei abrindo os olhos. Eu tinha adormecido com a lâmpada acesa e eu podia sentir as arestas do livro agora pressionando em minhas costas. Eu não estava realmente pensando sobre o livro, no entanto. Sebastian estava sentado na beira da minha cama, com a cabeça inclinada para o lado e um pequeno sorriso em seus lábios. “Hey,” eu murmurei, olhando para ele com olhos sonolentos. “O que... que horas são?” “Um pouco depois das três.” “Você está indo agora para casa?” Sebastian realmente não têm um toque de recolher. Eu tenho durante o ano letivo, mas enquanto ele estava marcando touchdowns, seus pais muito bem o deixam ir e vir como quiser. "Sim. Entramos em um jogo louco de badminton. O perdedor de cinco jogos terá que lavar os carros.” Eu ri. “Sério?”


“Claro que sim.” O sorriso foi lançado. “Keith e seu irmão contra eu e Phillip.” “Quem ganhou?” “Você realmente precisa perguntar isso?” Ele estendeu a mão, gentilmente empurrando meu braço. “Phillip e eu, é claro. Fizemos dos perdedores nossas cadelas.” Revirei os olhos. “Uau.” “De qualquer forma, a nossa vitória envolve você.” “Huh?” Eu olhei para ele. "Sim.” Levantando a mão, ele retirou uma mecha de cabelo da testa. “Estou pensando em deixar o Jeep tão sujo quanto humanamente possível, e eu quero dizer que eu quero que ele se pareça um daqueles carros abandonados em The Walking Dead. Assim, que tal nós irmos para o lago esta semana e bagunçarmos o meu bebê.” Sorrindo, eu pressionei meu rosto no travesseiro. Sebastian querendo me levar para o lago com ele não deve significar nada, mas ele fez. Isso significava muito. “Você é terrível.” “Terrivelmente adorável, certo?” “Eu não iria tão longe,” eu murmurei, furando meu braço debaixo do cobertor. Sebastian se inclinou para o lado, esticando as pernas para fora em cima das cobertas. “O que você fez com a sua noite?” “Li?”


“Sim. Tão nerd.” “Humm idiota.” Ele riu. “Como foi o treino hoje?” Enrugando meu nariz, eu gemi. “Tão ruim assim?” “O treinador acha que eu não deveria trabalhar,” eu disse a ele. “Não é a primeira vez que ele trouxe esse assunto, mas ele falou sobre o papai, e que só... bem, você sabe.” “Sim,” ele respondeu calmamente. “Eu sei.” “Ele disse que ele achava que eu tenho uma chance de conseguir uma bolsa se eu me concentrar mais no jogo.” Sebastian sacudiu meu braço. “Eu já disse um milhão de vezes que você tem habilidade em quadra.” Revirei os olhos. “Você tem que dizer isso porque você é meu amigo.” “Porque eu sou seu amigo, eu diria a você se você fosse horrível.” Eu ri baixinho. “Eu sei que não sou terrível, mas estou longe de ser tão boa quanto Megan ou metade da equipe. Não há nenhuma maneira que um olheiro vai prestar atenção em mim. E isso é bom,” eu acrescentei rapidamente. “Eu não estou contando com esse tipo de bolsa de estudos de qualquer maneira.” “Eu sinto por você.” Seu sorriso começou a escapar. A expressão dele ficou pensativa, e como eu assisti-lo, o último da sonolência desapareceu. Segurei as bordas do cobertor, puxando-a para o meu queixo. Uma pulsação passou.


“O que está acontecendo?” Esfregando uma mão pelo rosto, ele exalou pesadamente. “Papai... ele realmente está decidido sobre eu ir para Chapel Hill.” A partir da experiência anterior, eu sabia proceder com cautela com esta conversa. Ele não falava muito sobre seu pai, e quando o fazia, ele rapidamente alcançava o ponto onde ele iria apenas desligar sobre a coisa toda. Sempre achei que ele precisava falar sobre isso. O que é totalmente a ironia desde que... desde que eu não iria falar sobre o meu pai, mas o que quer que seja. “Chapel Hill é uma escola muito boa,” eu comecei. “E é realmente caro, né? Se você entrar com uma bolsa, seria bastante surpreendente. Você também estaria perto de seus primos.” “Yeah. Eu sei disso, mas...” “Mas o quê?” Ele rolou de costas e enfiou as mãos sob sua cabeça. “Eu não quero ir para lá. Eu realmente não tenho uma boa razão para isso. O campus é incrível como o inferno, mas eu apenas não quero.” Sabendo que Sebastian era tão próximo de Keith e Phillip como ele era para Cody, achei talvez que tinha algo a ver com eles. “Para onde os caras querem ir?” “Keith e Phillip estão esperando para entrar na Universidade de West Virginia. Phillip realmente quer jogar


futebol para eles. Penso que Keith quer ir para lá por causa das festas.” Ele fez uma pausa. “Eu acho que Cody está marcado para Penn State.” Durante anos, WVU tinha sido a universidade número um nos Estados Unidos, e eu tinha certeza de que ela ainda estava entre as cinco primeiras, por isso seria um grande ajuste para Keith. “Você quer ir para lá?” “Não realmente.” Eu mexi para baixo, ficando confortável. “Onde você quer ir?” “Eu não sei.” “Sebastian,” Eu suspirei. "Você tem que saber. Este é o nosso último ano. Você não tem muito tempo de sobra. Olheiros virão aos jogos e-” “E talvez não se preocupem com os running backs.” Eu bati minha boca fechada, porque lá estava ela, a coisa que eu estava sentindo sobre Sebastian desde o último ano. Ele virou a cabeça para mim. “Você não tem nada a dizer sobre isso?” “Eu estava esperando que você para elaborasse isso.” Um músculo trabalhou em sua mandíbula enquanto ele olhava para trás. “Eu... Deus, mesmo no meio da noite, em seu quarto, eu ainda nem sequer quero dizer isso. É como se meu pai fosse pular fora do armário maldito e perder a cabeça. Em vez da loira do banheiro, ele seria o sangrento Marty.” Eu respirei profundamente. “Você não... Você não quer jogar futebol na faculdade, não é?”


Seus olhos se fecharam e vários momentos e o silêncio estendeu-se entre nós. “É uma loucura, não é? Quer dizer, eu sempre joguei futebol. Eu nem me lembro de uma época em que eu não estava sendo levado para treinar ou ver minha mãe limpando manchas de grama fora de minhas calças. E eu gosto de jogar. Eu sou bom nisso.” Ele disse isso sem um pingo de arrogância. Era apenas a verdade. Sebastian tinha um talento dado por Deus para jogar futebol. “Mas quando eu penso sobre mais quatro anos de levantar de madrugada, correndo e pegando... mais quatro anos de papai baseando toda a sua existência sobre a forma como o jogo vai... Eu quero voltar a beber. Inferno, talvez até mesmo experimentar crack e metanfetamina. Alguma coisa.” “Nós não queremos isso,” eu disse secamente. Ele esboçou um breve sorriso e depois desapareceu. Nossos olhares se encontraram. “Eu não quero fazer isso, Lena,” ele sussurrou isso para mim, um segredo que ele não podia falar em voz alta. “Eu não quero passar mais quatro anos fazendo isso.” Minha respiração ficou presa. “Você sabe que você não tem que fazer, certo? Você não tem que ir para a faculdade e jogar futebol. Ainda há tempo para obter outras bolsas. Uma tonelada de tempo. Você pode fazer qualquer coisa. Sério.” Ele riu, mas não havia um pingo de humor nele. “Se eu decidir não jogar, meu pai teria um derrame.” Eu me contorci mais próximo para que nossos rostos ficassem a polegadas de distância. “Seu pai vai ficar bem. Você ainda quer estudar ciência recreativa?”


“Eu quero, mas não pelas razões que o papai acha.” Ele mordeu o lábio inferior lentamente. “Ele tem esse plano para mim. Eu jogar futebol faculdade, então, em segundo plano virar profissional. Não pela primeira vez. Ele é realista.” Seu sorriso era irônico quando seu olhar deslizou para o meu. “Eu vou jogar um par de anos e depois passar a treinar ou trabalhar com as equipes, usando a formação de ciência recreativa.” O sonho de todos os americanos ali. “E qual é o seu plano?” Seus olhos estavam arregalados, o azul surpreendente e vibrante. “Você sabe o quanto você pode fazer com ciência recreativa? Eu poderia trabalhar em hospitais, com veterinários ou mesmo em psicologia. Não é tudo sobre lesões esportivas. Eu quero realmente ajudar alguém. Sei que isto soa estúpido e clichê.” “Não é estúpido ou clichê,” eu insisti. “Nem um pouco.” Um meio sorriso se formou. Depois de um momento, parte da luz desapareceu de seus olhos e ele disse: “Eu não sei. Ele ia ficar louco. Seria como o fim do mundo.” Eu não tinha nenhuma dúvida em minha mente que Sebastian estava correto nessa suposição. “Mas ele vai superar isso. Ele tem que superar.” Suas sobrancelhas baixaram. “Ele provavelmente iria me renegar.” “Eu não sei se ele iria tão longe.” Meu olhar cintilou sobre seu rosto. “É a sua vida. Não a dele. Por que você faria algo que você não estava realmente a fim.”


“Sim.” Um breve sorriso apareceu e, em seguida, ele mudou de volta, assim ele estava de frente para mim. “Você ainda está pensando na UVA?” É evidente que ele encerrou oficialmente com a conversa. “Sim.” “Posso lhe fazer uma pergunta?” “Claro.” “É uma espécie de pergunta aleatória.” Eu sorri. “Você sempre é aleatório.” Ele concordou com a cabeça. “Por que você e Andre se separaram?” Piscando, eu não tinha certeza que o ouvi corretamente. Comecei a responder, mas ri. Ele cutucou minha perna através do cobertor com o seu. “Disse-lhe que estão comentando lá fora.” “Sim. Hum... eu não sei.” Caramba, não era como se eu pudesse dizer-lhe a verdade. Não deu certo porque eu estava apaixonada por você. O que não iria mais além. Sebastian abriu a boca, depois a fechou. Quando eu olhei para ele, seus lábios estavam pressionados em uma linha dura. “Ele não fez algo, não é? Como mexer em você ou machu-” “Não. Oh meu Deus, não. Andre foi praticamente perfeito.” Meus olhos se arregalaram quando o que eu disse realmente bateu em mim. “Espere, Você acha que ele fez alguma coisa?”


“Não cem por cento. Se eu tivesse, ele não estaria andando agora.” Eu levantei uma sobrancelha. “Eu nunca soube por que vocês se separaram. Uma segunda vocês dois estavam juntos e então você... vocês simplesmente não estavam.” Eu deixei o cobertor escorregar meus ombros. “Eu simplesmente não era para ele do jeito que eu deveria ter sido, e isso me fez... desconfortável.” Seu peito subia com uma respiração profunda. “Conheço a sensação.” Meu olhar encontrou o dele. Ele estava olhando para o meu teto. “Você sabe que eu vou perguntar isso... Por que Skylar terminou com você? Você nunca me disse.” “Você nunca realmente perguntou.” Seus olhos se voltaram para mim. “Na verdade, pensando sobre isso, você nunca perguntou sobre qualquer coisa que tenha a ver com Skylar.” Minha boca se abriu, mas eu não disse nada, porque, vamos pensar sobre isso, ele estava certo. Eu não perguntava sobre Skylar, porque eu simplesmente não queria saber. Apoiálo não significava que eu precisava saber tudo sobre seu relacionamento. “Eu... eu percebi que não era da minha conta,” eu respondi sem muita convicção. Suas sobrancelhas se juntaram quando seus lábios se viraram para baixo nos cantos. “Eu não sabia que havia alguma coisa entre nós que não seria assunto do outro neste momento.” Bem... “Skylar terminou comigo porque ela sentia que eu não estava dando meu tudo para a nossa relação. Ela pensou que eu preocupava mais com o futebol e meus amigos do que com ela.”


“Bem, esse é um tipo de chateação.” “Mesma razão por que você terminou com Andre, certo? Você não estava nele. Provavelmente não estavam dando tudo de si.” Apertei os lábios. "Tanto faz. Nós estamos na escola. Exatamente quanto trabalho temos que colocar em relacionamentos?” “Não pense que você nunca deve ter que 'colocar trabalho' em um relacionamento,” ele respondeu. “Eu acho que deve vir naturalmente.” Eu enruguei meu nariz. “Você não é tão profundo com toda a sua experiência mundana,” eu provoquei. “Eu sou experiente.” Revirando os olhos, eu chutei a perna de debaixo do cobertor. “Era verdade? Que você se preocupava mais com seus amigos e futebol do que com ela?” “Em parte é verdade,” ele respondeu após um momento. “Bem, você sabe a parte que o futebol não era.” Ponderando sobre isso, eu não tinha certeza de como se sente sobre isso. Desde que eu era uma de seus amigos, ele estava dizendo que ele se preocupava mais comigo? Um segundo depois, percebi que era uma coisa estúpida a questionar e eu meio que queria me socar. “Eu vou ficar aqui por um tempo,” Ele murmurou, levantando a mão. Ele pegou uma mecha de cabelo que tinha caído na minha bochecha. Quando ele colocou-o de volta atrás da minha orelha, seus dedos arrastaram sobre a minha pele e minha respiração engatou na garganta. Uma onda de arrepios


patinou na minha pele quando ele retirou a mão. “Você está bem com isso?” “Sim,” eu sussurrei, sabendo que ele não tinha visto minha reação. Ele nunca via. Descansando a mão entre nós, ele se aproximou, e eu senti seu joelho imprenso contra o meu. “Lena?” “O quê?” Ele hesitou por um momento. “Obrigado.” “Por quê?” Os cantos dos lábios dele levantaram. “Por estar aqui, agora.” Fechando os olhos contra uma súbita onda de lágrimas, eu falei a coisa mais verdadeira que eu poderia dizer. “Onde mais eu estaria?”

**** “Então, minha mãe me fez escrever esta lista das dez melhores coisas que eu quero fazer da minha vida, desde que ela pensa que é completamente ridículo que estou prestes a entrar em meu último ano e eu não sei o que eu quero fazer ainda,” disse Megan, bebendo seu terceiro copo de chá doce enquanto está enraizada em torno de uma cesta de batata frita. “O que é hilário, considerando que a minha mãe é como o expresso-quente da confusão.” “Será que ela não percebe que você não tem que ser especialista em algo logo de cara?” Abbi foi desenhando o que


parecia ser um jardim de rosas em seu guardanapo. “Ou você pode alterá-lo mais tarde?” “Você acha que ela sabe que, sendo um 'adulto',” disse Megan, enrolando os dedos no ar. “Você também acha que ela ficou mais tranquila, desde que terminei o penúltimo ano com um 4.0 na média final. Eu vou fazer bem, não importa o que eu optar por estudar na faculdade.” De trás do balcão do Joanna’s, eu sorri quando eu cruzei os braços e encostei-me à bancada. Felizmente, o restaurante estava praticamente morto, já que era sábado à noite. Havia apenas duas mesas, e ambas as partes já haviam acertado suas contas. Bobby saiu para algum lugar lá atrás fumar meio maço de cigarros, e eu não tinha ideia de onde Felicia, a outra garçonete, foi. “Então você fez uma lista?” "Ai sim. Sim, eu fiz.” Abbi deixando cair uma batata frita. “Mal posso esperar para ouvir isso.” “Foi a melhor lista de sempre.” Ela colocou uma batata em sua boca e limpou os dedos num guardanapo. “Eu listei carreiras surpreendentes, como stripper, stripe teasing, tráfico de drogas... e não as pequenas coisas. Estou pensando em heroína. Oh, a propósito, ouvi Tracey Sims está no açúcar mascavo.” “Ok.” Abbi virou no banco, dobrando seu corpo em direção Megan. “Eu não sei se você está falando sobre a heroína ou o açúcar real.” "Heroína. Você nunca ouviu falar que chamam assim?” Eu balancei minha cabeça. “Eu não ouvi, mas onde você ouviu isso?”


“Você sabe como meu primo costumava para sair com ela?” Ela pegou duas batatas fritas e fez uma cruz com elas. “Ele me disse que ela está usando. É por isso que eles se separaram.” Abbi franziu a testa. “Você está falando sério?” Eu me afastei do balcão. “Deus, eu espero que não.” Megan assentiu. “Estou falando sério.” “Isso é tão... tão triste,” eu murmurei, olhando para cima quando a porta abriu. Eu quase não podia acreditar no que vi. Era Cody Reece e a tripulação, incluindo Phillip, colado ao telefone em sua mão. Por que eles estavam aqui? Nenhum deles geralmente vem ao Joanna’s a menos que eles estejam com Sebastian. "Isto é, quer dizer, isso é uma situação complicada ali,” Megan continuou, batendo suas batatas para fora da borda da cesta. Pitadas de sal bateram no balcão. “Só não posso sequer imaginar realmente tomando uma agulha e injetando algo em mim.” “Eu espero que isso não seja verdade. Tracey é boa.” Os olhos de Abbi se arregalaram quando ela olhou por cima do ombro, assim como Phillip viu Megan. Ele levantou o dedo à boca, enquanto ele se arrastou para frente, parecendo ridículo quando ele andou nas pontas dos seus tênis, ele usava 43 ou 44, ou algo assim. Com sua pele marrom escura e um sorriso de flerte que ele tinha usado para ficar em apuros mais do que uma ou duas vezes com Megan, ele era tão louco e inteligente quanto ela. Sorrindo, ele parou logo atrás de Megan. “Pensando sobre isso, há um monte de coisas que eu não iria me oferecer para-” Megan continuou, deixando cair as


batatas da cesta. “Há um monte de coisas que eu não-” Ela gritou quando Phillip circulou seus braços ao redor dela. “Hey, baby.” Ele apoiou o queixo no ombro dela. “Saudad...” “O que você está fazendo aqui?” Megan perguntou a questão do século, quando ela lhe deu uma cotovelada dura o suficiente tanto que ele grunhiu. "Sério? Você está me perseguindo ou algo assim?” “Talvez.” Ele a soltou, encostando-se ao balcão e sorriu para nós. “Ei, se você não me quer perseguindo você, não faça check in em cada lugar que você visita.” Eu bufei. Ela estreitou os olhos para ele. “Eu não estou falando com você agora. Você se lembra disso?” A pele escura em volta dos olhos enrugou quando ele sorriu. “Você não teve um problema de falar comigo ontem à noite.” “Isso é porque eu estava entediada.” Olhando para mim, ela escovou as grossas tranças por cima do ombro. “Você não pode fazê-lo sair?” “Não.” Eu ri. Abbi serviu-se de mais fritas enquanto ela se inclinou para frente. “O que sua camisa diz?” Ela olhou de soslaio. “'Não há nenhum partido como o partido de George Washington, porque um partido de George Washington não para... até que as colônias sejam livres e o mundo reconheça como uma nação'”


“-oh soberano, o que o inferno?” Rindo, Ela balançou a cabeça. “Onde você encontrou essa camisa?” “Encontrei na rua, em uma lixeira.” Revirei os olhos quando os outros caras sentaram na cabine na parte de trás. “O que você quer beber?” “Grey Goose.” “Ha há,” eu respondi secamente. “Que idade apropriada de bebida que você quer?” “Coca está bem.” Phillip bateu a mão no balcão quando ele mudou o foco. “Megan, meu amor...” Dando a Abbi uma olhada, eu girei ao redor e peguei a bebida da estação de refrigerante. Então eu peguei o jarro de água gelada e fiz meu caminho até a mesa. Eu não tinha visto Cody desde a noite na festa de Keith. Calor já se arrastava de forma constante em meu rosto, mas eu inclinei meus ombros. “Ei, pessoal.” Cody olhou para cima em primeiro lugar. Os outros dois caras tinham suas cabeças inclinadas, assistindo algo em seus telefones. “Hey,” ele disse. Reboco um sorriso no meu rosto, e me ordenei a não pensar sobre essa parte. Eu tive que admitir que Cody tinha definitivamente boa aparência, o que levou a minha escolha de vida ruim naquela noite. Ele tinha uma cabeça cheia de cabelos loiros ondulados e um sorriso fácil que ele eclodia com frequência, com dentes incrivelmente brancos perfeitamente retos e uma covinha no queixo. Parecia que ele pertencia às praias da Califórnia, carregando uma prancha atrás dele, em vez de em nenhum lugar, Virginia. E Cody sabia que ele era bonito. Esse conhecimento foi gravado em cada sorriso que ele dava tão livremente.


“Então, o que vocês estão fazendo aqui?” Eu perguntei quando derramei sua água. “Essa é uma pergunta que você faz a todos os seus clientes?” Cody jogou o braço ao longo da parte de trás da cabine. "Sim. Sempre.” Gelo tilintou dentro do copo. “Minha versão de grande serviço ao cliente.” “Nós estamos entediados. Além disso, Phillip viu que Megan estava aqui.” Cody bateu o copo de água. “Queria vê-la.” Eu olhei para o balcão, onde Phillip parecia que estava fazendo serenata para Abbi e Megan. “E eu queria ver você.” Minha cabeça balançou de volta e eu levantei uma sobrancelha. “Você está bêbado?” “Não no momento.” Ele piscou. “Por que é tão difícil de acreditar? Eu gosto de você, Lena. E eu não vi você em um tempo.” “Eu estive por aí, trabalhando.” Eu dei um passo de lado quando Phillip se juntou a eles, fugindo ao lado de Cody na cabine. Eu rapidamente anotei o pedido de bebida dos outros. “Vocês precisam de menus?” “Eu quero.” Cody me deu aquele sorriso, e minha expressão ficou branda. “Eu gosto de opções,” acrescentou. “Muitas opções,” Pensando que soava como uma insinuação sexual realmente pobre, eu balancei a cabeça e me afastei. “Alguém me mate agora,” eu disse para as meninas quando eu peguei uma pilha de menus.


“Ei, não me deixe ainda.” Megan girou no banco. “Enquanto você estava ocupada servindo e eu estava ocupada ignorando Phillip, e Keith mandou uma mensagem para Abbi e pediu-lhe para sair.” “Oh, realmente?” Eu segurava os menus contra o meu peito. “Para sua festa hoje à noite,” Abbi esclareceu. “Ele quer ficar com você,” eu lembrei a ela, recuando. Abbi revirou os olhos. “Ele pode querer o que quiser, mas isso nunca vai acontecer.” “Últimas palavras famosas,” murmurou Megan, e então a ouvi dizer: “Devemos ir. Eu não fui para o Keith em um par de semanas.” “Eu não sei.” Abbi olhou para o guardanapo que ela estava rabiscando. “Eu tenho um sentimento que se eu concordar, você vai me envergonhar.” “Nunca,” engasgou Megan. “Bem, vocês resolvam isso.” Eu me virei e trouxe os menus para os caras, colocando um na frente de cada um deles. Então eu enchi os seus pedidos de bebidas e os trouxe. “Vocês sabem o que vão querer?” “Eu faço.” Os olhos castanhos de Cody brilharam quando Phillip riu, e eu me preparei, sabendo que não tinha nada a ver com o menu. “E se eu quiser um pedaço de você para o jantar?” Eu inclinei minha cabeça para o lado, não inteiramente surpresa. Cody era... Bem, ele era apenas Cody. Era difícil leválo a sério e ele poderia ser, como minha mãe diria, bruto como o


inferno. “Isso tinha que ser a coisa mais estúpida que eu ouvi nos dezessete anos da minha vida e eu não sei mesmo que ser humano ficaria impressionado com essa afirmação.” “Idiota.” Phillip soltou a palavra para fora, rindo. Cody se inclinou para frente, completamente imperturbável. “Eu tenho as melhores cantadas, quer ouvi-las?” “Não. Estou quase tonta o suficiente para isso.” “Vamos,” Cody insistiu. “Confie em mim, é um verdadeiro talento que eu tenho.” “Bem, você continua vivendo a melhor vida possível, e eu vou continuar esperando por você para me dizer os seus pedidos.” “Ouch.” Ele apertou sua mão no peito, caindo para trás contra o estande. “Você me feriu. Por que você é tão má?” “Porque eu só quero anotar seus pedidos para possa voltar a trabalhar quando eu estou realmente querendo ler,” eu respondi, sorrindo tão docemente pude. Cody riu quando ele estendeu a mão, pegando o de uma das mãos de seus amigos.

que eu apenas quanto telefone

“Bem, não vamos impedi-la de trabalhar muito duro.” Os caras finalmente me disseram os seus pedidos, e fui pelo curto corredor, passado os banheiros e pelas portas duplas, para a cozinha. Eu encontrei Bobby na parte de trás, puxando uma touca em seu cabelo, e cortando seu pão. Entreguei as ordens e, em seguida, voltei para o balcão.


“Vocês precisam de alguma coisa?” Eu perguntei as meninas enquanto eu pegava a cesta de batatas-fritas vazia. Abbi sacudiu a cabeça. “Nah. Eu provavelmente vou sair daqui logo.” “Você está andando para casa?” Olhando por cima do ombro, para os caras, Megan suspirou enquanto olhava Phillip. “Por que ele tem que ser tão bonito?” “Você tem a capacidade de concentração de um mosquito. Você me pergunta se eu estou andando para casa e, em seguida, começar imediatamente a falar de Phillip.” Abbi descansou a cabeça na bancada. “Sua amiga tem TDAH. E sim, eu estava planejando ir a pé para casa. Eu vivo, tipo, a cinco quarteirões daqui.” Megan sorriu quando ela me enfrentou. “Você percebe que eu realmente tenho ADD, certo?” “Eu sei.” Abbi levantou os braços, mas manteve a cabeça baixa. "Nós todos sabemos isso. Você não precisa ser um profissional para saber isso.” “Eu já lhe contei sobre o tempo em que minha mãe estava convencida de que eu era uma daquelas crianças índigo?” Megan pegou a trança e começou a brincar com as extremidades. “Ela queria ter a minha aura testada.” Lentamente, Abbi levantou a cabeça e olhou para ela, os lábios entreabertos. “O quê?” Deixei-as nessa conversa, levei a cesta para a cozinha e verifiquei os pedidos dos homens. Quando Recuei para o corredor, vi Cody no corredor encostado na parede em frente aos banheiros. Meus passos desaceleraram.


“O que foi?” “Você tem um segundo?” Eu olhei para ele com cautela. “Depende.” Depois de correr a mão pelo cabelo loiro desgrenhado, ele então deixou cair o braço. “Olha, eu realmente queria ver você.” “Uh, para quê?” Eu cruzei os braços e mudei meu peso de um lado para o outro. “Eu precisava falar com você sobre Sebastian.” Minhas sobrancelhas levantaram com surpresa. “Por quê?” “Sebastian e eu somos bons amigos, mas eu sei que vocês são mais próximos. Você é como sua irmã ou algo assim.” Irmã? Sério? “De qualquer forma, eu queria te perguntar uma coisa.” Ele olhou para longe. “Será que Sebastian disse algo sobre não querer futebol com você? Como eu disse, eu e ele somos próximos, mas ele não vai falar comigo sobre algo assim.” Eu endureci por uma fração de segundos e, em seguida, cruzei os braços. Não havia nenhuma maneira no inferno que eu ia trair a confiança de Sebastian. Nem mesmo com seu amigo. “Por que você acha isso?” Ele então inclinou a cabeça contra a parede. “Ele é só... Eu não sei.” Cody deixou cair o braço. “Ele simplesmente não parece ele. Como se ele preferisse estar em qualquer lugar menos no treino. Não conseguia me importar menos sobre a próxima temporada. Quando ele está em campo, ele está apenas pela metade lá. Ele tem talento, Lena. O tipo de


talento que ele não tem sequer que trabalhar. Eu tenho essa sensação de que ele vai jogar tudo fora.” Mordendo o interior da minha bochecha, eu procurei por algo a dizer e, finalmente digo, “É apenas futebol.” Cody olhou para mim como se tivesse crescido uma terceira mão para fora do centro da minha testa. “Apenas futebol? Quer dizer que é apenas o seu futuro.” “Bem, isso soa um pouco dramático.” Ele levantou uma sobrancelha quando ele se afastou da parede. “Talvez eu esteja apenas imaginando coisas,” disse ele depois de um momento. “Parece isso mesmo,” eu respondi. “Olha, eu tenho que verificar o seu pedido, então...” Cody me estudou um momento e então deu um pequeno aceno de cabeça. “Então, você está fazendo a coisa de finalizar a conversa. Entendi.” Calor invadiu minhas bochechas. Eu estava tão transparente quanto uma janela? “Vou deixá-la ir.” Enfiando as mãos nos seus jeans, ele deu a volta e voltou para frente do restaurante, deixando-me ali, olhando para ele. Limpei minhas palmas estranhamente úmidas ao longo do meu avental enquanto exalei aproximadamente. Até o momento eu tinha agarrado a comida e entregue na mesa dos rapazes, Abbi e Megan estavam prontas para sair. “Vocês estão saindo agora?” Perguntei. “Sim.” Abbi pendurou a bolsa no ombro. “Amigos não deixam amigos irem para casa por conta própria. Especialmente


se esse amigo é suscetível de fazer passeios com estranhos.” Megan revirou os olhos. “Então, eu vi Cody vindo parte de trás. Você estava falando com ele?” Eu concordei e peguei o pano de limpeza. “Ele queria falar sobre Sebastian.” “Uh-huh,” Megan murmurou. “Você sabe o que eu estava pensando?” A expressão de Abbi disse que era uma incógnita. Megan levantou as sobrancelhas e baixou a voz. “Eu me pergunto o que Sebastian pensaria se ele descobrisse que sua melhor amiga totalmente ficou com seu melhor amigo cara. Drama.” Eu respirei fundo. Rainha do drama, de fato. Mas eu estava esperando que Deus gostasse de mim o suficiente para que eu nunca tivesse que cruzar essa ponte. As meninas saíram e eu voltei minha atenção para o livro que eu tinha escondido atrás do balcão, optando por não me debruçar sobre o que Megan disse. Se eu fizesse, eu provavelmente iria começar a suar frio ou algo assim. Eu tinha deixado sobre uma página antes que eu sentisse meu celular vibrar no bolso de trás. Olhei para ele e eu já não estava pensando em Sebastian e futebol ou Cody e segredos. Eu vi de quem era texto era. Eu não li ainda. Eu o apaguei sem ler.


CAPÍTULO CINCO

Mamãe estava na cozinha quando eu finalmente fiz o meu caminho para baixo depois de um banho, meu cabelo ainda úmido nas pontas. Ela estava no balcão azul maçante, despejando café em sua garrafa térmica. Cabelo loiro no comprimento do ombro era impressionante. A blusa branca que ela usava não tinha uma única ruga. “Bom dia, querida.” Ela se virou e um sorriso curvou-se em seus lábios. “Você acordou cedo.” “Não foi possível dormir.” Eu tive uma dessas manhãs irritantes quando eu acordei às 4h da manhã e pensado em detalhes sobre tudo no mundo. Toda vez que eu tentava voltar a dormir, outra coisa aparecia na minha cabeça, desde a captura da atenção de um olheiro da faculdade para o que Cody tinha dito na noite de sábado. Se Sebastian não queria isso, ele estava realmente jogando tudo fora? “Está se sentindo bem?” Perguntou ela. “Sim, apenas alguma insônia esta manhã. Eu tenho treino mais tarde, então percebi que eu tinha acabado de me


levantar.” Fui até a pequena despensa e abri a porta, examinando as prateleiras. “Pop-Tarts?” “Acabou. Vou pegar mais na minha pausa para o almoço. Vai ser um dia de cereal para você.” Eu peguei a caixa de flocos de milho genérico e fui até a geladeira. “Eu posso pegar um pouco mais tarde.” “Eu não quero que você faça isso.” Ela me olhou por cima da borda da garrafa térmica. “Eu não quero que você use o dinheiro que você faz com compras. Temos dinheiro para os mantimentos querida.” Ela me deu um meio sorriso. “Biscoitos recheados simples, no entanto.” “Eu sei que nós temos dinheiro para isso, mas se você não gosta deles-” “Porque eles são, literalmente, uma das piores coisas que você poderia colocar em sua boca,” ela interrompeu e depois fez uma pausa, seu olhar olhando para o teto. “Bem, há coisas piores.” “Ew, Mãe!” Eu gemia. “Uh-huh.” Mamãe foi até a mesa, mas não se sentou. Ela ficou quieta enquanto eu empurrei algumas colheres de cereais na minha boca antes de olhar para ela. Mamãe estava olhando para fora da pequena janela sobre a pia, mas eu sabia que ela não estava vendo o quintal. Não que houvesse muito para ver. Era apenas grama e mobiliário de segunda mão que raramente era usado. Quando meu pai estava aqui, sentavam-se lá fora, tarde da noite durante o verão e em linha reta até o Dia das Bruxas, somente falando. Costumava haver uma fogueira, mas


tinha sido há alguns anos, e minha mãe tinha mantido um ano antes de jogá-la fora. Ela continuou segurando, mesmo muito tempo após as coisas ficarem podres e deterioradas. Lori e eu costumávamos sentar-se na varanda e escutar, mas acho que eles sabiam que ouvíamos, porque eles só conversam sobre coisas chatas. Trabalhos. Contas. Férias planejadas, mas nunca feitas. Reformas nos azulejos azuis maçantes na cozinha que nunca aconteceu. Olhando para trás, porém, eu poderia identificar o mês, quando as coisas começaram a mudar. Tinha sido agosto, e eu tinha dez anos. Foi quando suas conversas no pátio se transformaram em sussurros, que terminou com o pai passando para dentro, batendo a porta de tela se fechou atrás dele, e, em seguida, a mãe ia atrás dele. Mamãe estava sempre perseguindo o papai. Eu gostava mais da minha atual mãe. Gosto amargo de culpa engoliu-me em um gole, e eu abaixei minha colher. Era terrível pensar nisso, mas era verdade. Esta mãe fez o jantar quando podia perguntava sobre a escola. Ela brincava e passava a noite comendo sorvete no sofá comigo enquanto assistia Dance Moms ou The Walking Dead. A velha mãe estava sempre em jantares com papai, e quando ela estava em casa, então ela estava com ele. A velha mãe tinha sido tudo sobre o pai, a cada segundo de cada dia. Agora o sorriso tinha desaparecido de seu rosto, e me perguntava se ela estava pensando sobre o pai, pensando em sua vida quando ela não era uma agente de seguros vivendo de salário em salário, passando as noites sozinha. Minha colher encostou na tigela. “Você está bem, mãe?”


“O quê?” Ela piscou um par de vezes. “Sim. Claro. Estou bem. Por que a pergunta?” Eu estudei-a por alguns segundos, sem saber se eu deveria acreditar nela. Mamãe parecia bem, parecia a mesma de ontem e no dia anterior, mas havia linhas claras em torno dos cantos da boca e dos olhos. Sua testa franzida onde não havia antes, e seus olhos, a mesma cor de avelã como o meu, mas mais verde, pareceu assombrado. “Você parece triste.” “Não triste. Só pensando sobre as coisas.” Apertando a parte de trás do meu pescoço, ela se inclinou e beijou minha testa. “Eu não estarei em casa até tarde hoje, mas estarei em casa para o jantar amanhã. Pensando em fazer espaguete.” “E almôndegas?” Perguntei esperançosa com as bolas caseiras de carne e bondade. Ela se afastou, balançando as sobrancelhas. “Só se você lavar a roupa. Há uma pilha de toalhas que precisam de seu amor e atenção.” “Feito.” Eu pulei para fora do meu assento para levar minha tigela e colher para a pia. Os lavei e coloquei no balcão acima da máquina de lavar louça quebrada. “Qualquer coisa que você precisa que eu faça?” “Hmm.” Ela se dirigiu para a sala, atirando sua bolsa sobre o ombro. “Limpar os banheiros?” “Agora você está tirando proveito da minha gentil oferta.” Mamãe sorriu para mim.


“Basta lavar as toalhas e você terá almôndegas.” Eu estava muito animada sobre essas almôndegas. “E eu vou buscar Pop-Tarts com baixo teor de gordura,” acrescentou. “Você faz isso e eu nunca vou falar com você de novo!” Ela riu quando ela pegou seu blazer cinza do corrimão. “Você meio que tem que falar comigo. Eu sou sua mãe. Você não pode escapar de mim.” “Eu vou encontrar uma maneira de escapar se você andar por estas portas com Pop-Tarts com baixo teor de gordura.” Ela riu ao abrir a porta da frente. "Está bem, está bem. Eles estarão cheios de todo o açúcar e gordura que você pode querer. Vejo-te hoje à noite.” “Eu te amo.” Eu me mudei para fechar a porta, mas eu me inclinei contra a moldura, observando-a oscilar para baixo a entrada nos saltos. Mordendo meu lábio inferior, eu desloquei meu peso, tentando descobrir o mal-estar estranho mexendo na boca do meu estômago. Mãe disse que ela estava bem, mas eu sabia que ela não estava. Ela nunca poderia estar, porque, no fundo, mesmo que ela estava bem aqui, seu coração ainda estava perseguindo o papai. Eu mantive minha cabeça no jogo durante os exercícios diferentes que tivemos de fazer e durante o treino, o que significava que eu não consegui uma palestra treinador Rogers depois. Deixei o treino me sentindo um milhão de vezes melhor do que eu me senti na sexta-feira. Em casa, eu lavei a camada de suor e depois comi um almoço de bacon de micro-ondas e uma nova rodada de cereais.


Eu estava andando para a sala assim que meu telefone tocou na mesa de café. Eu gemi quando vi quem era. Enviei a chamada para o correio de voz sem hesitação, peguei o controle remoto e coloquei no canal ID. Com uma maratona de seriado tocando no fundo, eu me sentei no sofá e peguei o meu livro. Eu tinha terminado a primeira parte de uma série na noite passada e tinha feito isso por meio apenas o primeiro par de capítulos da segunda, mas eu não podia esperar para voltar a cair no mundo da Alta Corte e Alto Fae e Rhysand, eu não poderia esquecê-lo. Eu me enrolei no canto do sofá prestes a começar minha leitura, quando houve uma batida na porta. Por um minuto eu considerei ignorá-lo e me perder nas páginas do livro, mas quando houve outra batida, suspirei e me levantei, fiz meu caminho até a porta da frente. Olhei pela janela e meu estômago caiu todo o caminho até os dedos dos pés quando vi que estava lá. Sebastian. Incapaz de lutar contra o sorriso estúpido se espalhando por todo o meu rosto, Eu abri a porta. “Hey.” “Você está ocupada?” Ele colocou uma mão no batente da porta e inclinou-se. O movimento causou a antiga e desbotada camisa cinza para esticar sobre seus bíceps de uma forma que atraiu meu olhar. “Não realmente.” Eu recuei para deixá-lo entrar, mas ele ficou na porta. "Perfeito. Eu estava indo para o lago para deixar o meu carro sujo como o inferno. Você vem?” Ele piscou, e droga todos para o inferno, ele realmente ficava lindo ao fazê-lo.


“Vai ser divertido.” Eu tinha esquecido sobre sua vitória no badminton. "Certo. Deixe-me pegar minhas chaves.” Eu coloquei um par de sapatilhas velhas e peguei meu telefone e bolsa antes de seguir Sebastian para fora. “O que você está planejando fazer?” “Você conhece as estradas poeirentas que levam para a área do lago?” Ele perguntou. “Achei que deveria fazer bastante dano.” Eu fiquei no lado do passageiro quando ele ficou atrás do volante. “Não sei como eu poderia ajudar.” Ele deu de ombros com um ombro quando virou a chave. “Só queria sua companhia.” Meu estômago se agitou, e eu me sentei para trás, dobra-me em como eu ignorei desesperadamente o sentimento. A luz solar brilhante atravessava o para-brisa. Sebastian chegou por trás dele, agarrando seu boné de beisebol do chão, e o colocou, e eu... Eu suspirei. Eu não poderia fazer nada. Meninos usando bonés de beisebol era minha fraqueza, e Sebastian fazia isso como ninguém. Algo sobre aquele velho boné desgastado exaltava a linha cinzelada de sua mandíbula. Ugh. Fechei os olhos e disse-me para parar de olhar para ele. Apenas em geral. Talvez para o resto da minha vida? Ou, pelo menos para o próximo ano ou assim. Isso soou como um plano válido. Eu realmente precisava começar a agir de forma diferente. Revirei os olhos e virei para baixo o rádio para uma distração.


“Eu não fui para o lago desde que Keith tentou fazer esqui aquático com esquis de neve.” Sebastian riu profundamente. “Deus, eternidade.”

quando

foi

isso?

Em

julho?

Parece

uma

“Sim.” Sentei-me, brincando com a bainha na minha camisa. “Foi logo antes de você ir para a Carolina do Norte.” “Não posso acreditar que você não foi lá desde então. Será que é porque vai para o lago apenas por diversão quando estou com você?” Ele brincou, estendendo a mão para apertar meu braço. “Você sabe, você pode simplesmente admitir isso.” “Sim. É exatamente isso.” Bati a mão dele e cruzei os tornozelos. “As meninas não são grandes fãs do lago.” Isso não era uma mentira, pelo menos. “Então você acha que Megan e Phillip vão voltar a ficar juntos?” “Só Deus sabe. Provavelmente. Então eles vão terminar de novo. Em seguida, voltam a ficar juntos.” Ele sorriu. “Eu sei que ele quer voltar com ela. Ele é muito aberto sobre isso.” “Isso é legal,” eu murmurei. Ele arqueou uma sobrancelha para mim. “A maioria dos caras não quer admitir esse tipo de coisa aos seus amigos cara,” eu fundamento. “E você sabe disso porque você é um cara?” “Sim. Eu sou secretamente um cara.” Sebastian me ignorou.


“Eu acho que quando a maioria dos caras é realmente afim de uma menina, eles não se importam com quem sabe. Ele não tem vergonha disso.” Eu ia ter que tomar sua palavra sobre isso. O lago era a cerca de vinte minutos fora da cidade, perto da fazenda da família de Keith, após uma série de estradas de cascalho e de terra. Pelo que eu sabia, era, na verdade, nos arredores de propriedade da família de Keith, e sua família o possuía. Mas eles realmente não policiavam o lago, então as pessoas podem usá-lo. Sebastian virou para a estrada de acesso privado. As rodas bateram sobre o terreno irregular e pó subiu pelo ar, e sobre o revestimento do jipe em segundos. “Keith vai ficar tão puto com você.” Eu ri enquanto olhava para fora da janela. “Mas ele totalmente faria a mesma coisa.” “Inferno, ele teria lavado o carro com lama e, em seguida, trazido para mim. De qualquer forma eu não me sinto mal.” Depois de bater todos os caminhos de difícil acesso por aproximadamente uma hora, meu bumbum dolorido e o jipe estavam completamente irreconhecíveis. Eu descobri que tínhamos que depois voltar, mas depois tive um vislumbre do lago através das árvores, esperança provocou no meu peito. Pensei em ir para casa, para a casa vazia, silenciosa que, por vezes, me fez lembrar um conjunto de ossos que não tinham pele ou músculos. Era apenas um esboço de uma casa. Sem enchimento. Culpa agitou meu estômago. A casa tinha enchimento. Tinha a minha mãe e minha irmã quando ela estava em casa, e minha mãe fez tudo e mais para torná-lo uma casa... Mas às vezes não havia como negar o que estava


faltando. Mãe viveu uma... Ela vivia uma meia vida. Ela trabalhava todo o tempo, voltava para casa, trabalhava um pouco mais, jantava e ia dormir. E repetia tudo no dia seguinte. Essa era a sua meia-vida. “Podemos ficar por um tempo?” Perguntei, empurrando minhas mãos entre os joelhos. “Ou você tem algum lugar para ir?” “Não. Tenho mais nada a fazer. Deixe-me bater estas estradas um par de vezes mais, e nós vamos para o cais.” “Perfeito,” murmurei. Eu fiquei quieta enquanto Sebastian dirigia por mais algumas estradas antes que ele entrasse numa estrada, através de alguns arbustos. Soltei o cinto de segurança. “Fique parada por um segundo,” disse ele antes que eu pudesse abrir a porta. Eu o vi com sobrancelhas levantadas quando ele pulou para fora e correu em torno do jipe. Ele abriu a porta e se inclinou com floreio. “Milady.” Eu ri. “Sério?” Ele estendeu a mão para mim. “Eu sou um cavalheiro.” Peguei sua mão e o deixei me ajudar a sair do jipe. Comecei a pular para baixo quando a outra mão pousou no meu quadril. Surpresa com o contato, eu empurrei para frente e meu pé escorregou na grama molhada. Sebastian me pegou, sua mão escorregando pelo meu quadril e envolvendo em torno da minha cintura. Ele me puxou para ele, contra seu peito. Ar socou para fora dos meus pulmões no movimento inesperado. Nossos corpos foram selados juntos. Minha garganta seca instantaneamente enquanto eu


lentamente levantei minha cabeça. Eu não podia ver seus olhos, uma vez que estavam escondidos por trás da aba do boné. Meu coração estava batendo tão rápido que eu me perguntei se ele podia sentir. Estávamos tão perto. “Algum problema?” Ele riu, mas algo soou errado sobre isso. Foi mais profundo do que o normal, e sua risada enviou uma série de tremores apertados na minha espinha. “Eu não sei se posso confiar em você para caminhar até o cais.” “Ah, vamos lá.” Eu comecei a dar um passo atrás, precisando de espaço antes que eu fizesse algo incrivelmente estúpido, como, por exemplo, me levantar para cima, agarrar suas bochechas e trazer sua boca para a minha. Em seguida, Sebastian sorriu. Era sua única advertência. Ele caiu um pouco, enganchou seu braço atrás de meus joelhos, e um segundo depois eu estava no ar, meu estômago dobrado sobre os ombros. Seu braço apertado para baixo sobre meus quadris, me segurando no lugar. Gritando, peguei a parte de trás de sua camisa. “O que você está fazendo?” “Ajudando você a chegar às docas.” “Oh meu Deus!” Eu gritei, apertando a parte de trás de sua camisa. Meu cabelo caiu para frente como uma cortina espessa. “Eu posso andar!” Ele deu a volta e começou a andar. “Eu não sei sobre isso.” “Sebastian!”


“Se você cair e se machucar, eu nunca iria me perdoar.” Ele passou por cima de um galho de árvore caído. “E então sua mãe ficaria chateada comigo. Sua irmã teria que voltar para casa, e ela realmente me assusta.” “O quê?” Eu gritei, batendo as costas com o meu punho. “Por que Lori assusta você?” Ele pegou o ritmo, tendo longas etapas desnecessárias que me levou a saltar. “Ela é intensa. Seu olhar por si só pode murchar partes de mim que eu não gostaria que murchasse.” Eu levantei minha cabeça. Eu mal podia ver o Jeep mais. Eu bati meu punho em seu rim, causando-lhe a grunhido, e ele retribuiu o gesto, colocando um pouco de ritmo extra no seu passo. “Isso não é bom.” “Eu vou te machucar fisicamente.” “Você não faria tal coisa.” Sombra deu lugar à luz solar e a terra rochosa e galhos quebrados mudou para grama. O cheiro de terra molhada ficou mais forte. “Você pode me colocar para baixo agora.” “Só mais um segundo.” “O que-” De repente, ele jogou seu outro braço para fora e girou em torno enquanto ele cantou: “Eu acredito que posso voar. Eu acredito que posso tocar o céu!” “Oh meu Deus!” Uma risada explodiu de mim, mesmo que havia uma boa chance de que eu ia vomitar tudo sobre suas costas.


“Eu penso nisso dia e noite!” “Você é tão estúpido!” Eu engasguei outra risada. “O que está errado com você?” “Espalhe minhas asas e alguma coisa, alguma coisa acontecerá!” Ele parou de repente, e eu deslizei para fora de seu ombro. Com facilidade impressionante, ele me pegou, me puxando para baixo, de frente - ao seu corpo. Cambaleei para trás e me sentei na grama de pelúcia, plantando minhas mãos nas lâminas quentes. “Você... você não é normal.” “Eu acho que sou muito incrível.” Ele caiu ao meu lado. “Nem todo mundo começa a ouvir o meu talento secreto.” “Talento?” Engoli em seco, olhando para ele. “Você parecia um urso polar se matando.” Ele jogou a cabeça para trás e riu tanto que seu boné de beisebol caiu. “Você só está com ciúmes que você não tem a voz de um anjo.” “Você está delirando!” Eu balancei meu braço para fora. Ele era muito rápido, pegando meu pulso sem esforço. “Não bata. Jesus. Você é como uma criança de cinco anos de idade.” “Eu vou mostrar-lhe quem tem cinco anos de idade!” Tentei puxar meu braço livre, mas ele me puxou para frente, ao mesmo tempo, e eu estava fora de equilíbrio. De alguma forma, e eu não sei e nunca entenderei como acabei metade em cima dele, metade na grama. Minhas pernas entrelaçadas com as suas, eu estava quase em seu colo, e estávamos olho no olho.


Só que ele não estava olhando para meus olhos. Pelo menos ele não parece assim. Parecia que seu olhar estava focado em minha boca, e meu estômago congelou. O tempo pareceu parar e me tornei consciente de cada parte dele que estava me tocando. Seu braço ainda em torno da minha cintura, e sua dura coxa pressionada contra a minha. Sua camisa fina estava sob minha mão, e eu senti seu peito duro sob ela. “Eu sou delirante?” Ele perguntou, a sua voz rouca. Eu tremi. “Sim.” Ele levantou a mão, e eu prendi a respiração enquanto ele pegou o cabelo em meu rosto e com cuidado, tão gentilmente, o retirou do meu rosto. Ele deixou sua mão enrolada em torno da minha nuca. Segundos se passaram, apenas alguns batimentos cardíacos, e ele fez um som que eu nunca tinha ouvido antes. Era rouco e baixo e parecia vir de dentro dele. E eu estava movendo-me sem pensar, abaixando minha cabeça, minha boca... E eu beijei Sebastian.


CAPÍTULO SEIS

O beijo foi tão leve, como um sussurro contra os lábios, eu quase não acreditava que tinha acontecido, mas tinha, e seu braço ainda estava em torno de mim, sua mão ainda na minha nuca, puxando os fios de meu cabelo. Sua boca ainda estava perto da minha, tão perto que eu podia sentir cada respiração que ele tomou contra meus lábios, e eu não tinha certeza se estava respirando, mas meu pulso estava vibrando descontroladamente. Eu queria beijá-lo novamente. Eu queria que ele me beijasse de volta. Isso era tudo que eu sempre quis. Mas a surpresa me manteve imóvel. A cabeça de Sebastian inclinada para o lado e seu nariz roçou o meu, e eu sabia que eu estava respirando. Ele ia me beijar? Mais forte desta vez? Mais profundo? De repente, ele virou a cabeça para trás, e antes que eu percebesse o que estava acontecendo, eu estava na minha bunda, na grama ao lado dele. Nós não estávamos nos tocando mais. Eu comecei a falar, para dizer o quê, eu não sei. Meu cérebro havia completamente parado de funcionar. E então caiu a ficha do que tinha acontecido. Sebastian não tinha me beijado. Eu o beijei. O beijei e... E pelo momento


mais ínfimo na história de todas as histórias... Eu pensei que ele ia beijar-me de volta. Foi assim que me senti. Mas ele não tinha. Ele me jogou na grama ao lado dele. Oh meu Deus, o que eu fiz? Meu coração alojou-se em algum lugar na minha garganta quando mil pensamentos correram através de mim ao mesmo tempo. Abri a boca, embora eu não tivesse ideia do que dizer. Sebastian ficou de pé, com o rosto pálido e queixo duro. "Inferno. Eu sinto muito.” Eu bati minha boca fechada. Ele apenas pediu desculpas por eu beijá-lo? Ele bateu o boné no chão e o puxou sobre sua cabeça. Ele não estava olhando para mim quando ele deu um passo para trás. “Isso não - Não era para acontecer, certo?” Lentamente, eu levantei meu olhar para o dele. Ele estava seriamente me perguntando isso? Eu não tive nenhuma resposta, porque não era como se meus lábios tinham escorregado e caído nos dele. Respirando raso, queimando, me concentrei na grama verde brilhante. Meus dedos se enroscaram nas lâminas quando suas palavras afundaram. Uma fatia aguda de dor iluminou o centro do meu peito, que flui em meu estômago como um derramamento de óleo, cobrindo minhas entranhas. “Eu, uh, eu esqueci que eu deveria encontrar-me com o treinador antes do jantar,” disse ele, voltando-se para os lados. “Nós temos que voltar.” Isso foi uma mentira. Tinha que ser. Ele queria escapar. Eu não era estúpida, mas, caramba, isso dói, porque eu não


conseguia me lembrar de um momento em que ele quis fugir de mim. A dor em meu peito subiu para a minha garganta, me sufocando. O calor bateu no meu rosto quando constrangimento profundamente enraizado brotou. Oh Deus. Eu queria pular no lago e apenas me deixar afundar. Entorpecida, eu fiquei de pé e limpei a grama fora do meu short. Nós não falamos no caminho de volta para o jipe, e, oh, Deus, eu queria chorar. A parte de trás da minha garganta queimou. Meus olhos ardiam. Levou toda minha força de vontade para não quebrar ali, e meu coração doía de uma maneira que era muito real para não rachar e abrir. Uma vez lá dentro, eu me dobrei e foquei em tomar profundas respirações. Eu só precisava segurar até que eu chegasse em casa. Isso era tudo que eu precisava fazer. Uma vez que eu chegasse lá, eu poderia enrolar-me na cama e chorar como um bebê irritado. Sebastian virou o Jeep e o motor rugiu para a vida. O rádio ligou, e um baixo zumbido de palavras que eu não poderia fazer. “Nós estamos... estamos bem, certo?” Perguntou ele, com a voz tensa. “Sim,” eu disse com voz rouca, e limpei minha garganta. “Claro.” Sebastian não respondeu, e por alguns segundos eu podia sentir seu olhar em mim. Eu não olhei para ele. Eu não poderia, porque havia uma boa chance de eu começar a chorar. Ele colocou o jipe em movimento e seguiu para a estrada. O que no mundo que eu estava pensando? Nunca teve uma vez que eu agi sobre qualquer coisa que eu sentia por Sebastian. Pela maior parte, eu fiquei tranquila. Mas agora eu o beijei.


Eu queria voltar no tempo. Eu queria voltar no tempo para sentir esses breves segundos de novo, porque eu nunca ia ter a oportunidade de sentir isso novamente. Eu queria voltar no tempo e não beijá-lo, porque isso tinha sido um grande, grande erro. Eu sabia que a nossa amizade, a nossa relação, nunca mais seria a mesma. Na quarta-feira de manhã, minhas têmporas doíam e meus olhos doíam, mas eu realmente ainda não tinha chorado. Eu pensei que eu iria, especialmente quando eu mal tinha sido capaz de forçar para baixo as almôndegas com pães de cebola no jantar ontem à noite. Mamãe tinha notado, mas eu evitei as perguntas dela, dizendo que eu não estava me sentindo bem após a prática no início da manhã. Mais tarde, eu não conseguia nem ler. Eu só estava deitada na cama, enrolada ao meu lado, e olhando para as portas da varanda, pateticamente esperando por ele aparecer, para ele mandar uma mensagem por alguma coisa. Qualquer coisa. E não havia nada. Normalmente, isso não teria sido um grande negócio. Nós não falávamos todos os dias durante o verão. Mas depois do que tinha acontecido no lago? Era diferente. A queimação na minha garganta e o ardor nos meus olhos estava lá, mas as lágrimas nunca caíram. Em algum momento no meio da noite, eu percebi que não tinha chorado desde... Desde que tudo aconteceu com o papai. De alguma forma isso me fez querer chorar ainda mais. Por que eu não podia me deixar chorar? Tudo o que eu consegui fazer foi me dar um inferno de uma dor de cabeça. Graças a Deus eu não tinha treino na quinta-feira, porque eu teria acabado com outra palestra merecida. Após a mamãe sair, eu me arrastei de volta para a cama e olhei para o teto rachado, repetindo tudo, desde o lago,


até o momento as coisas foram para a lama. No momento em que eu beijei Sebastian. Parte de mim queria fingir que não aconteceu. Isso já tinha funcionado antes. Eu ainda fingi que meu pai não existia. Mas quando eu acordei na quinta-feira de manhã depois de nenhuma visita de Sebastian na madrugada e nem textos perdidos, eu sabia que tinha de falar com alguém. Eu não sabia o que fazer ou como lidar com isso, e não era provável que venha de repente para mim. Então eu mandei uma mensagem para as meninas naquela manhã, dizendo que precisava falar com elas. Eu sabia que elas entenderiam a urgência quando viram que eu não dei uma razão. Abbi e Megan vieram logo que puderam, e eu sabia que Dary teria vindo também, se ela estivesse na cidade. Megan sentou na minha cama, suas longas pernas debaixo dela e seu cabelo loiro solto, caindo sobre os ombros. Abbi estava na minha cadeira do computador, parecendo como se ela apenas rolou para fora da cama e pegou um par de moletom largo e uma regata. Eu já tinha lhes dado o resumo do que tinha acontecido, enquanto comíamos um pacote de Oreos que Megan tinha trazido. Posso ter comido três ou cinco, enquanto eu falava. Ok, dez. Mesmo assim, eu ainda estava planejando assassinar as sobras de espaguete com almôndegas depois que elas saíssem. “Eu só quero dizer, eu sempre soube que você tinha uma queda pelo Sebastian,” Megan anunciou. Abri a boca, não sei como sua palestra semanal sobre encontrar o futuro pai dos meus bebês poderia ter algo a ver com eu ter uma queda por Sebastian.


Megan continuou, “Desde que eu suspeitei que você tivesse uma enorme obsessão com ele por um tempo agora, eu continuei dando-lhe a minha palestra semanal na esperança que você admitisse isso.” Eu não entendi seu processo de pensamento. Não mesmo. “Obviamente, eu adivinhei, também,” disse Abbi. “Quer dizer, a última vez que conversamos, eu até disse alguma coisa.” “Não é nenhuma grande surpresa que você terminou com Andre,” acrescentou Megan. “Você queria realmente, realmente ficar com Andre, mas você não podia, porque você realmente, realmente era afim de Sebastian.” Verdade. Eu queria realmente gostar de Andre, e eu tinha gostado dele. Só que... Meu coração não estava lá, e foi provavelmente a razão mais estúpida de sempre dormir com ele, mas eu pensei que, se levássemos a nossa relação para o próximo nível, então talvez fosse mudar como eu me sentia. Não tinha e isso havia sido a chamada final para terminar o relacionamento. Eu comecei a andar para trás e para frente na frente do armário. “Por que vocês não disseram algo se era tão óbvio?” “Achei que você não queria falar sobre isso,” disse Megan com um encolher de ombros. Abbi assentiu. “Você não gosta de falar sobre qualquer coisa, realmente.” Eu queria negar isso, mas... Era verdade. É a pura verdade. Foi da mesma forma com Sebastian. Eu era uma ouvinte, não uma faladora. Eu poderia passar horas pensando


em alguma coisa, mas nunca dando voz a qualquer um dos pensamentos. “Mas vamos deixar isso de lado por enquanto. Estou tão confusa,” disse Megan. “Você disse que ele fez esse barulho, e eu sei que tipo de barulho que você está falando. E que ele tinha você. Isso soa como se ele quisesse isso também.” Minhas mãos abriram e fecharam em meus lados. Cheia de inquietação, eu continuei a andar na frente da minha cama. “Eu não entendo tanto. Quer dizer, eu realmente não sei o que eu estava pensando. Tudo estava bem. Ele estava em seu estado normal e estávamos brincando ao redor-” “Brincando?” Perguntou Megan, e quando eu lhe lancei um olhar, ela levantou as mãos. “Olha, eu só estou tentando ter certeza que tenho o quadro completo aqui.” “Não é o jeito que você está pensando,” eu respondi, esfregando minhas têmporas. “Eu fui para acertar-lhe no braço, você sabe, apenas sendo estúpida, e ele pegou meu pulso. A próxima coisa que eu sabia, eu estava em seu colo e estávamos... apenas olhando um para o outro.” “E foi ai que você o beijou?” Abbi cruzou as pernas. “Apenas um beijo?” Cobrindo o rosto com as mãos, eu assenti. “Foi apenas um beijo rápido nos lábios. Eu não tenho certeza que você poderia até mesmo considerá-lo um beijo, realmente.” “Rápido ou não, um beijo é um beijo,” disse Abbi.


“Eu não sei nada sobre isso.” Megan pegou um Oreo do pacote ao lado dela. “Há diferentes níveis de beijos. Há um rápido beijo nos lábios, e então há um mais longo com a boca fechada, e depois tem - Espere, por que eu estou explicando diferentes beijos para vocês duas? Ninguém nesta sala é um membro do desfile do hímen. Vocês conhecem os diferentes tipos de beijos.” “Oh meu Deus,” eu gemi, deixando cair os braços. Abbi revirou os olhos quando ela balançou a cabeça. “Eu não posso mesmo com você na maioria das vezes, mas desfile do hímen? Isso é... Não há palavras.” Depois de estalar o biscoito inteiro em sua boca, Megan falou em torno dele. “Então você beijou brevemente, nenhuma língua, e, em seguida, se apavorou?” Eu comecei a andar novamente. "Sim. Isso mesmo.” Ela pegou o guardanapo e limpou as pequenas migalhas pretas dos lábios. “Será que ele a beijou de volta?” “Não,” eu sussurrei. “Eu pensei que ele ia, mas não o fez.” Abbi levantou as sobrancelhas. "O que ele fez? Somente ficou lá? Enquanto você estava em seu colo?” Encolhendo-me, concordei novamente. "Isso.” As meninas trocaram olhares, e Megan foi para outro biscoito. “Eu não estou exatamente surpresa que você o beijou. Não quando você tem cobiçado ele desde que você percebeu que meninos tinha um pê-” “Eu sei que comecei a gostar dele mais do que apenas um amigo,” eu cortei. “Eu nem sei o que aconteceu exatamente.”


“Provavelmente porque você estava catalogando cada segundo, em vez de realmente vivê-lo.” Abbi recostou-se na cadeira. “Isso é o que você costuma fazer. Cismar e obcecar quando algo incrível está acontecendo.” Eu queria negar também, mas ela estava certa. Eu faço isso. Muito. “Talvez foi assim que aconteceu, mas vamos falar sério, podemos escolher um outro tempo para apontar meus defeitos de caráter?” Abbi esboçou um breve sorriso. “Claro.” “Talvez você só o pegou desprevenido,” disse Megan. “Isso poderia ser o motivo dele ter se apavorado.” “Você acha que essa é a razão?” “Talvez. Quero dizer, vocês têm sido apenas amigos desde sempre. Mesmo que ele esteja a fim de você, ele provavelmente foi pego desprevenido.” Ela escovou o cabelo sobre o ombro. “Você não disse nada para ele depois? Espere, não precisa nem mesmo responder a isso. Eu já sei. Você não disse nada.” Meus lábios franzem. Ela levanta as mãos. “Eu não estou tentando ser ignorante. Estou apenas apontando que se você não fez nada ou disse qualquer coisa, há uma chance de que ele pense que você acha que cometeu um erro.” Ela olhou para Abbi. “Certo?” “Bem...” computador.

Abbi inclinou-se

no

braço

da cadeira do

"Ok. Você sabe que eu te amo, né?” Oh, isso estava indo para algum lugar que eu não ia gostar.


“Sim?” “Eu só vou jogar uma coisa fora. Só uma coisa a considerar,” disse ela, escolhendo claramente suas palavras com muito cuidado. “Você beijou Sebastian. Vamos supor que não era apenas um beijo amigável. Tipo, vamos deixar beijar na boca somente pessoas interessadas em ser mais do que amigos.” “Concordo,” Megan entrou na conversa. “Porque isso seria apenas ser super confuso.” “Então você o beijou e ele sabe que não é porque você gosta dele como um amigo. Há duas possibilidades. Uma sendo o que Megan disse, ele foi pego de surpresa e apenas reagiu estranhamente e agora está escondido em um canto em algum lugar.” Eu não podia imaginar Sebastian se escondendo em um canto sobre qualquer coisa. “A segunda opção é que você o beijou e ele não achava que parecia certo. E quando isso ficou estranho, ele fugiu o mais rápido possível. Agora ele está esperando que você esqueça.” Ouch. Fui até as portas da varanda. “Como se ele desejasse que eu não tivesse feito isso?” “Bem, tudo bem...” Ela mordeu o lábio inferior. “Ele não está com ninguém. Nem você.” A voz de Abbi era suave, enquanto ela continuava. “Vocês dois têm uma tonelada em comum. Você é tão atraente,” “Eu ficaria com você,” comentou Megan. “Obrigada,” eu disse, rindo com a voz rouca. “E vocês sabem tanto um sobre o outro. Eu só tenho que pensar que se você o beijou e ele percebeu que ele realmente


gostou e queria isso, ele teria beijado de volta. Ou ele teria dito algo diferente do que ‘não deveria ter acontecido’.” Meu coração aperta, eu puxei a cortina para trás e olhei para fora. Uma brisa agitava o ar. Abbi tinha um ponto. Sebastian tinha dito que não deveria ter acontecido. “Porque não há realmente uma razão para vocês dois não estarem juntos,” acrescentou. “E eu tenho que pensar que, se ele estava a fim de você... Ele não teria dito que não deveria ter acontecido.” Ácido bateu no meu estômago e a dor se espalhou por dentro. Como poderia sentir tão real, como se o meu peito estivesse sendo quebrado? Eu puxei uma respiração instável. “O que devo fazer?” Eu deixei a cortina cair de volta no lugar e as enfrentei. As sobrancelhas de Megan subiram. “Eu já teria mandado uma mensagem para ele e perguntando-lhe o que diabos estava acontecendo.” Trepidação explodiu no meu intestino enquanto eu considerava fazer isso. “Eu poderia ser demasiadamente covarde para fazer isso.” “Você não é uma covarde, Lena,” Abbi me tranquilizou. “Eu entendo por que você não fez isso. Ele é um dos seus amigos mais próximos. Isso é super complicado.” Complicado nem sequer chega perto. “Eu acho que é provavelmente inteligente se você disser algo,” Abbi continuou. “Talvez apenas mande mensagem e perguntar se tudo está bem. Isso é muito discreto.”


Mesmo pensar em fazer isso me faz querer vomitar. “Eu me sinto como uma idiota.” Megan franziu o cenho. “Por quê?” “Por que... porque eu não deveria sequer estar focada nesse assunto.” Fui até a cama e me sentei ao lado de Megan. Pesquei outro biscoito, mas minha garganta estava apertada e queimando novamente. “Quero dizer, há coisas mais importantes que eu poderia estar importando mais.” “Como o quê?” Megan me desafiou. "Paz mundial? Política? A dívida da nação? Eu não sei. Tenho certeza de que há mais coisas. Assistir as notícias? Eu não sei mesmo qual canal a notícia é o melhor.” Sorrindo fracamente, eu balanço minha cabeça. “Eu deveria estar pensando no meu último ano. Eu tenho quase todas as classes AP este ano e nossa agenda de vôlei vai ser brutal. Eu preciso ganhar uma bolsa-” “Você sabe o quê, isso é tudo besteira.” Megan olhou para mim, suas bochechas ficando avermelhadas. "E daí? Você está pensando em um cara e falando conosco sobre um cara. Eu sei que você deveria pensar em outras coisas. Abbi sabe disso. Você não precisa andar o dia inteiro falando sobre todas as sérias coisas importantes para provar que você não é uma menina louca. E foda-se toda a coisa 'oh meu Deus, ela é uma menina louca', porque não podemos vencer. Nós somos meninas. Nós não podemos.” “Oh, não.” Abbi sorriu. “Alguém está prestes a reclamar.” “Droga, eu vou mesmo. Veja, se pensarmos em caras, outras pessoas, geralmente outras meninas, porque vamos ser realistas, as meninas podem ser cadelas - digo que somos


superficiais. Nós não estamos bem, qualquer que seja o inferno que é suposto dizer. E se dizemos que não se preocupe com um cara que você gosta, então nós somos acusadas de mentir. Ou de ser estranhas. E se concentrar em outras coisas, então nós somos pretensiosas. Nós literalmente não podemos ganhar. É como se nós não estamos autorizadas a ter sentimentos ou pensar sobre nossos sentimentos. É besteira.” “Eu não digo isso muitas vezes,” Abbi falou sério, mas ela tem um ponto. “Claro que sim!” Ela levantou as mãos. “E tudo o que ainda pode ser dito sobre as meninas que gostam de meninas. Apenas menino atleta louco com a menina louca. É confuso. Você pensa sobre o que está acontecendo com Sebastian porque ele é importante para você, mas assim é a escola e o voleibol, assim é o trabalho e, sim, mesmo a dívida da nação.” Eu ri. Megan respirou fundo. “Eu gosto de pensar em meninos, Phillip em particular, e sou realmente mais esperta do que a maioria das pessoas, especialmente aquelas pessoas que me chamam de garota louca. Eu posso pensar em meninos, tudo o que fodidamente quiser, e ainda ter uma vida, então foda-se. Não fique chateada porque, por agora você está focada no que é importante para você neste momento em sua vida. O que passa a ser um cara. Amanhã pode ser outra coisa.” Olhando para ela, que estava muito chocada, eu comecei a sorrir. “Uau, Megan. Eu meio que quero ter você repetindo todo esse discurso e gravá-lo.” Ela revirou os olhos. “Não, porque não vai ser tão bom na segunda vez.”


Abbi rolou a cadeira para nós. “Eu vou dizer o certo do novo, Megan.” Eu arrastei para trás na cama, quase pousando no pacote de Oreos. Olhei para o teto como o aperto em meu peito diminuindo um pouco. Tristeza ainda permanecia como uma sombra, assim como um caminhão inteiro de confusão sobre Sebastian, mas tinha diminuído. Por causa delas. Por causa das minhas amigas. “Pessoal,” Eu disse: “Eu realmente me sinto um pouco melhor. Isso significa que eu não posso comer todas as sete almôndegas enquanto fico enrolada no sofá, soluçando.” Abbi tossiu uma risada. “É bom ouvir isso.” “Posso ter uma almôndega?” cutucando meu braço com a mão.

Megan

perguntou,

“Eu sinto que eu poderia comer um pouco de carne com todo o açúcar que acabei de engolir.” Abbi suspirou. "Ok. Estou prestes a soar super brega,” Eu avisei, sem me mover. “Mas nós vamos ser melhores amigas para sempre, não vamos? Porque eu tenho um sentimento que este não será o meu único episódio de pura estupidez não editada.” Megan riu. “Isso foi extravagante, mas sim, sim, nós seremos.” “Não se esqueça de Dary,” disse Abbi, batendo o pé contra o meu. “Seremos nós quatro sempre. Não importa o quê."


CAPÍTULO SETE

Depois que as meninas foram embora, pego meu telefone e vou até a varanda. Inclinando-me sobre a grade, olho para a casa de Sebastian. Eu posso ver sua mãe no quintal, de joelhos, cavando a terra. Ela está usando um desses chapéus de palha molinhos e apenas algumas mechas de seu cabelo castanho são visíveis. Seu corpo inteiro treme enquanto ela bate com a enxadinha nas plantas que cercam seu pátio. Várias peônias azuis brilhantes e vermelhas ainda estão ao lado dela em suas embalagens. Meu olhar se volta para seu pátio de tijolinhos e para seu aquecedor que fica no meio dele. Ele não está caindo aos pedaços como o nosso. A mãe de Sebastian é quieta. Em todos os anos que eu o conheço e todas as vezes que eu estive entrando e saindo de sua casa, bem mais de mil vezes, tenho certeza que, provavelmente só tive umas poucas conversas com sua mãe. Ela sempre foi gentil, sempre disse olá, perguntava como eu estava e como minha mãe estava ou como Lori estava na faculdade, mas era só isso. O pai de Sebastian era quem conduzia todas as conversas.


Soltando pesadamente o ar, olho para o meu telefone. Durante todo esse tempo, Abbi e Megan haviam suspeitado que o que eu sentia por Sebastian era mais do que uma coisa de amigo. Eu sabia que Dary provavelmente também adivinhara. O fato de terem guardado isso para si mesmas e não terem me forçado a nada era grandioso. Elas me conheciam muito bem. Eu me afasto da grade e me jogo na minha cadeira, plantando meus pés na borda do assento. Com o meu telefone apertado em minhas mãos, considero minhas opções. Eu podia ignorar tudo e fingir que nunca aconteceu. Aquele era o meu Modus Operandi desde sempre. Eu juraria para mim mesma que eu cuidaria das coisas amanhã. Mas eu sei como eu costumo ser. O amanhã sempre está cheio de possibilidades e potencial para mim, mas quando ele chegar, eu vou empurrar as coisas até o outro dia. Eu não posso fazer isso. Mastigando meu lábio, abro minhas mensagens e encontro a última de Sebastian, aquela enviada na sexta-feira passada. Sinto um frio no meu estômago enquanto escrevo as palavras Está tudo bem entre nós? Vários momentos se passam antes que eu me obrigue a apertar o enviar, e quando faço isso, quase imediatamente desejo não tê-lo feito. Eu não posso desfazer, e então eu fico olhando para minha mensagem duas vezes mais tempo. Eu sei que o treino de futebol já acabou. Às vezes, ele sai com os caras depois. Outras vezes, ele vem direto para casa. Quando ele não responde imediatamente, coloco minha testa nos meus joelhos. Ainda estou um pouco surpresa com o fato de eu ter lhe


enviado uma mensagem de texto. Minha resposta natural teria sido não fazer nada, deixar Sebastian eventualmente chegar até mim ou deixar tudo se resolver sozinho. Mas eu simplesmente não podia fazer isso. Penso em ir ao lado para ver se ele está lá, mas acabei de mandar uma mensagem para ele, então talvez seja um pouco demais. Incapaz de me sentar levanto-me e caminho até a varanda e começo a descer os degraus. Paro no meio do caminho, sem saber o que estou fazendo. Olho novamente para o quintal de Sebastian. Sua mãe quase terminou com as flores. Apenas as cor-de-rosa brilhantes foram deixadas em suas embalagens. Dou a volta, subo as escadas, e entro, descendo para aquecer algumas almôndegas. Como quatro delas enquanto fico empoleirada no braço do sofá, assistindo as notícias. Quando termino, Sebastian ainda não enviou quaisquer mensagens de texto. De volta ao andar de cima, com o estômago dolorosamente cheio, fico no meio do meu quarto com o meu telefone na mão. Muita energia inquieta estava zumbindo em mim para que eu pudesse me sentar e ler. Talvez eu pudesse limpar algo. Estou desesperada por alguma distração. Coloco meu telefone na mesa de cabeceira e vou até meu closet. Jeans e livros estão espalhados por toda parte. Metade das camisetas e suéteres está só meio pendurada em seus cabides. Bom, eu não estou tão desesperada. Fecho a porta e me viro pra minha cama, deitando com o rosto para baixo, o que não ajuda em nada meu estômago. Eu


gemo e murmuro, "Sou uma merda," contra meus lençóis. Meu telefone vibra e eu fico de joelhos. Em um instante, arranco meu telefone da mesa de cabeceira. Sinto falta de ar. Sebastian respondeu. Finalmente. Sim. Por que não estaria? “Por quê?” Eu sussurro quando eu realmente queria gritar com todo meu pulmão. "O que você quer dizer com por quê?" Eu começo a responder exatamente isso, mas paro, com meus dedos pairando sobre a tela. Meu coração está batendo rapidamente como se eu tivesse correndo pelas arquibancadas. Eu poderia ser honesta e apontar exatamente por que eu estava fazendo essa pergunta. Eu poderia dizer um milhão de coisas, para ser franca. Perguntar o que ele achou de eu tê-lo beijado, ou perguntar a ele por que ele não enlouqueceu com o beijo. Eu poderia perguntar-lhe se ele queria que eu nunca fizesse isso outra vez. Eu poderia até lhe enviar um texto e dizer que, quando o beijei, eu me senti como se estivesse em casa. Não escrevo nenhuma dessas coisas. Meu telefone toca novamente. Está tudo bem com você, certo? Não. Não estava. Eu sou apaixonada por ele desde sempre e agora eu estou com medo de que nossa amizade tenha sido arruinada e que tudo fique estranho demais a partir daqui. Eu também não escrevo nenhuma dessas coisas. Em vez disso eu digito, Sim. Claro. Então jogo meu telefone no travesseiro. Gemo novamente e caio de costas na cama.


Eu sou tão covarde. ***** Eu estava satisfeita com o personagem Feyre por chutar forte alguns traseiros. Eu fecho o livro de capa dura e pressiono minha testa contra a capa lisa. Meu coração bate no meu peito. Os últimos cinco capítulos quase me deram um ataque cardíaco e rezo para que o terceiro livro já tenha sido lançado. Caso contrário, eu vou me jogar da varanda. Abaixando o livro no meu colo, deslizo meu peso na velha cadeira Adirondack. Não é exatamente a mais confortável, mas com o travesseiro sob meu traseiro e minhas pernas descansando na grade, era um lugarzinho de leitura perfeito. Uma brisa quente varre a varanda, tocando minhas pernas nuas e erguendo os finos cabelos ao redor da minha nuca. Outro livro descansa no chão ao lado da minha cadeira. Este era um contemporâneo. Eu não poderia pensar em uma maneira melhor de passar o sábado antes do início das aulas do que não fazer nada, além de ler e comer. Troco meu livro de capa dura pelo livro de bolso com uma coroa de ouro brilhante na capa e o descanso no meu colo enquanto eu rapidamente checo o Facebook no meu telefone. Nenhuma mensagem privada. Eu tenho algumas notificações do Snapchat, então eu assisto um dos jogadores de futebol tropeçar bêbado pela calçada na noite passada. Alguém outro postou uma foto de si mesmo tomando café da manhã. Também há um snap de Dary no Washington Monument, seguido por uma série de placas de rua. Ela tinha essa coisa com placas de rua. Mudo para o Instagram, passando de forma irrefutável


através de selfies e fotos de fim de verão na praia. Eu estou prestes a fechar o aplicativo quando eu começo a reconhecer um tema em todas as fotos recentes. Todas as meninas estão em roupas de banho. Os caras estão em roupas de piscina. Todos estão segurando copos de plástico vermelho. E todas as fotos eram à noite. Keith. Ele deve ter dado uma festa ontem à noite. Meu polegar para de se mover quando eu vejo uma foto publicada por Skylar. Meu coração para e tudo o que posso pensar é que sou muito estúpida, tão estúpida. Ela estava sentada à beira de uma dessas cadeiras de vime, com as mãos plantadas atrás dela. Ela vestia um biquíni azul royal que mostrava bastante de seu corpo sexy. Sentado em frente a ela estava Sebastian. Ele estava sorrindo. Ambos estavam sorrindo. Eles... Eles pareciam incríveis juntos. Olho para aquela foto sabe Deus por quanto tempo. Tempo demais. Por que, meu Deus, por que eu a estava seguindo? Eu sei a resposta. Eu havia começado a segui-la anos atrás, quando ela estava namorando Sebastian e, aparentemente, eu estava me punindo. De vez em quando, eu até dava um like nas suas fotos apenas para provar que eu não era uma cadela ciumenta. Mas eu era uma cadela ciumenta do tipo mais alto na


escala. Eu não consegui impedir o que fiz em seguida. Eu rapidamente fui à conta de Sebastian para ver se haviam fotos da noite passada, mas a última publicação dele foi três semanas atrás. Ele não era muito ativo nas redes sociais e, esporadicamente, entrava e saía. Agora eu queria me jogar da varanda por uma razão totalmente diferente. Sebastian havia me enviado algumas mensagens desde quinta-feira, mas eu não o via desde o beijo. Não havia como me enganar. As coisas mudaram. Sempre que Sebastian estava em casa, mesmo quando ele namorava Skylar, eu o via quase todos os dias, se não todos os dias. A única vez que eu não o via era quando ele não estava em casa. Então ele estava me evitando. Eu amaldiçoo em voz baixa, fecho o aplicativo e solto meu celular em cima do livro no chão. A ansiedade agita meu estômago, e eu balanço a cabeça enquanto eu olho para a grande árvore no quintal. Ele estava de volta com Skylar, apenas alguns dias depois de eu beijá-lo? Será que isso importa? Não deveria, mas importava. Enojada comigo mesma, abro o livro de bolso, precisando me perder em algo que não fosse relacionado comigo. Eu leio um par de páginas antes de ouvir passos na escada que leva à varanda. Levanto o queixo e fico congelada quando vejo o topo da cabeça de Sebastian, dividida entre querer mergulhar de volta dentro do meu quarto e correr para ele de braços abertos.


Não faço nenhuma dessas coisas. Com o coração batendo pesadamente no meu peito, eu lentamente fecho o livro quando ele chega ao topo da escada. Todo o ar escapa dos meus pulmões. Ah, vamos lá! Sebastian estava sem camisa. Não era a primeira vez que eu o via só meio vestido, mas cada vez era como a primeira vez. O peito era definido, a barriga era esculpida, como se estivesse sido cortada em mármore e seus quadris eram magros. Ele não era excessivamente musculoso. Oh não, ele era apenas um excelente exemplo de como o futebol podia deixar um corpo muito bom. E ele estava usando um boné de beisebol. Para trás. Eu simplesmente amoleci como geleia. Eu o odeio. Um lado de seus lábios se curva enquanto ele avança pela pequena varanda. “Ei, nerd.” Por um momento, não consigo responder. Eu sou empurrada de volta ao lago, eu no seu colo e a boca dele, tão brevemente sobre a minha. O calor cora minhas bochechas e se espalha mais para baixo, muito mais baixo. Ai meu deus. Eu precisava me controlar e fazer de conta que nada tinha acontecido. Era o que ele estava fazendo. Eu também poderia fazê-lo. Eu precisava fazer isso, porque se eu não pudesse, como poderíamos ser amigos? Ele olha para cima e seu olhar se encontra com o meu por um segundo antes de piscar. Eu penso ver um leve rosa


aparecer em suas bochechas. Ele estava corando? Talvez ele não fosse tão bom em fingir quanto eu pensava que ele era. Limpando a garganta, aperto o livro no meu peito. "Ei, idiota, você esqueceu de se vestir antes de sair de casa?" Seus olhos cintilam quando se voltam para mim. Seus ombros se afrouxam. "Eu estava tão entusiasmado de vir visitála que não queria perder tempo procurando uma camisa limpa.” “Há, há!” “Eu pensei em te enviar mensagens.” Ele se inclina contra a grade, ao lado dos meus pés. “Mas imaginei que você estivesse aqui fora.” “Eu sou tão previsível?" “Sim.” “Bem, então,” murmuro, procurando por algo a dizer. “Você... você teve treino esta manhã?” Sebastian assente. “Sim. Até as doze. Depois que voltei, tirei uma soneca.” “Acordado até tarde ontem?” Perguntei inocentemente, mas meu pulso estava aumentando. Ele levanta um de seus ombros largos. “Na verdade não,” ele responde e eu tento determinar se isso era algum código para ter voltado com Skylar ou para ter ficado com outra pessoa. Mas realmente eram apenas duas palavras que não significavam nada.


"Keith acabou bêbado e soltando uma série de fogos de artifício." Ele cruza os braços, atraindo atenção desnecessária para o peito dele. "Ainda estou surpreso por ele não ter perdido um par de dedos. Ou uma mão." "Eu também, na verdade." "De qualquer forma, estou aqui por outro motivo. Ele está fazendo um churrasco hoje. Na verdade, seu irmão mais velho está. Apenas algumas pessoas estão lá", diz ele. "Você deveria vir comigo.” Meu coração começa a dançar, gritando, sim, sim, sim! Meu cérebro recua e imediatamente diz ao meu coração para sossegar, porque meu coração é estúpido e me faz fazer coisas estúpidas. "Eu não sei…" "Venha." Ele agarra meu pé. Tento me afastar, mas ele segura, envolvendo seus dedos em torno de meu tornozelo. Eu me recuso a interpretar qualquer coisa sobre isso. “Não tivemos a chance de nos ver nos últimos dias e acabei de voltar no final de semana passado.” Sim, e eu te beijei e obviamente você não estava a fim disso. Ele está agindo de forma normal, totalmente normal, no entanto. Tanto que quase me pergunto se não tive um a alucinação no lago. “Passe algum tempo comigo. Tempo de qualidade com cheeseburguers grelhados no carvão.” Deixo meu livro no meu colo e seguro os braços da minha cadeira. "Eu não estou com fome." "Desprezando cheeseburgers grelhados? Agora eu sei que você está apenas se fazendo de difícil.” Meus olhos se estreitam


quando eu tento puxar minha perna de novo. Sebastian baixa seu queixo. "Eu vou dirigir e você vai se divertir. Tudo o que você precisa fazer é tirar sua bunda bonita desta cadeira e eu lido com o resto." Eu congelo, com olhos arregalados. Ele acha que eu tenho uma bunda bonita? O sorriso de seu rosto se espalha e um segundo depois seus dedos dançam no fundo do meu pé. Eu imediatamente grito. "Pare! Pare com isso!" Seus dedos pairam sobre meu pé enquanto levanta as sobrancelhas. "Você vai sair comigo?" Eu estava respirando pesadamente, paranoica que ele iria começar a fazer cócegas nos meus pés novamente. "Você não está jogando justo aqui.” "Por que jogar de forma justa quando eu posso fazer com que você faça o que eu quero?", Ele responde, colocando um dedo no centro do meu pé. Minha perna inteira empurra. "Então, o que vai ser, Lena-bean?" “Lena-bean?" Eu grito, os meus dedos cravando nos braços da cadeira. Quando foi a última vez que ele me chamou assim? Antes de eu precisar usar um sutiã? "Eu não tenho dez anos, Sebastian.” Os seus cílios abaixam, protegendo seus olhos. "Eu sei que você não tem dez anos." Sua voz se aprofunda. "Confie em mim." Meus lábios se separam enquanto suas palavras giram dentro da minha cabeça. Seu olhar flutua e encontra o meu.


Não há danças no meu coração, apenas uma pancada selvagem que sinto em cada parte do meu corpo. Por que você não me beijou de volta? "Venha comigo," ele diz novamente. "Por favor?" Fecho os olhos. Eu quero ir, mas... Se eu fosse, eu precisaria de backup. "Posso ver se Megan e Abbi podem ir?" "Inferno, sim," ele responde. "Keith ficará extasiado ao ouvir isso. Você sabe que ele...” "Está tentando chegar na Abbi? Sim." Inspiro profundamente, abro meus olhos e depois concordo. "Ok." "Perfeito." Ele lança um sorriso largo e depois abaixa minha perna de volta para a grade. Seus dedos demoraram por alguns segundos e depois soltam. "Sabia que você não seria capaz de resistir a mim." Decidindo fingir que não o ouvi dizer isso, deixo cair as pernas ao chão e pego meus livros e telefone. "Dê-me alguns minutos." Eu me levanto e entro pela porta, sentindo minhas faces se aquecerem. "Tenho que avisar minha mãe." "Pegue um maiô," ele ordena, abrindo o trilho e sentandose em minha cadeira. Lembro-me de Skylar em seu biquíni e decido que eu acidentalmente vou esquecer o meu. Depois de colocar meus livros na cama, eu rapidamente mando uma mensagem para Abbi e Megan e depois coloco meu celular na minha bolsa. Lá embaixo, encontro mamãe na cozinha. Papéis estão espalhados na frente dela, alguns soltos e outros grampeados. Seu cabelo loiro está puxado para cima em um rabo de cavalo


alto e ela tem óculos de leitura empoleirados no final do nariz. "O que está fazendo?" Pergunto quando paro na frente da cadeira ao lado dela. "Dando uma olhada nas novas leis de seguros." Mamãe olha para cima. "Basicamente passando meu sábado da maneira mais aborrecida possível. E você? Você não está trabalhando neste fim de semana, certo?" "Não." Eu esfrego minhas palmas sobre a parte de trás da cadeira. "Eu estava pensando em ir a um churrasco com Sebastian.” "Isso parece divertido." Mamãe descansa o queixo na palma da mão enquanto olha para mim. "isso parece tipo um encontro." "Mãe," eu aviso. "O quê?" Ela arregala os olhos. "Eu aposto cem por cento que..." “Oh meu Deus," grito, jogando as minhas mãos enquanto olho para a escada, rezando para que Sebastian não resolva aparecer. "Não é desse jeito. Você sabe disso." "Uma mãe pode torcer e sonhar," ela responde. "Ele é um bom menino, Lena.” "Abbi e Megan provavelmente estarão lá. Ou seja, mais pessoas." Afasto-me da cadeira. "Desculpe arruinar seu sonho.” "Droga." Ela suspira lamentavelmente. "Eu estava pensando em tricotar pequenas botas para o seu primogênito com Sebastian.”


"Oh, meu Deus." Estou chocada com ela, horrorizada, mas não surpresa. Minha mãe não era muito certa às vezes. "Você é ridícula e estou cercada por pessoas ridículas.” "Por que cercar-se por mais alguém?" Ela sorri quando fixa seu olhar na massa de papéis na frente dela, e eu balanço minha cabeça. "Quando você acha que vai estar em casa?" "Não antes do jantar. Talvez à noite?” “Parece bom para mim. Pelo menos eu não tenho que fazer jantar esta noite." Essa era minha mãe, sempre vendo o lado positivo das coisas, mesmo quando era impossível. "Por sinal," ela diz, olhando pra mim com aquele olhar de mãe que só de ver eu já sabia que ela diria algo que eu não queria ouvir. Eu sei que devia ser sobre meu pai. Eu fiquei tensa. "Você precisa começar a atender seu telefone, Lena. Já se passou muito tempo." Cruzando os braços sobre meu peito, eu inspiro pelo nariz. "Não é tempo o suficiente.” "Lena," alerta ela. "Você é linda, fiel, mas o que aconteceu entre o seu..." "Mãe, eu prometo que vou atender ao telefone. Ok?" Eu não quero ter essa conversa agora. "Mas eu tenho que ir. Sebastian está me esperando.” Ela parece querer dizer mais, mas inclina a cabeça para trás. "Ok. Divirta-se, mas tenha cuidado." Inclinando-me, beijo sua testa. "Sempre."


**** "Tudo que estou dizendo é que isso é ter dois pesos e duas medidas." Meus pés estão no painel acolhedor do jipe de Sebastian. O ar condicionado está ajustado no alto, mas mal diminui o calor do interior. "Você pode dirigir por aí sem camisa, mas, se uma garota andar por aí usando um biquíni e sem camisa, as pessoas perderiam a cabeça.” "E tudo o que estou dizendo é que eu apoiaria cem por cento a ideia de garotas dirigindo usando biquínis," ele responde com uma mão descansando no volante e a outra jogada sobre o encosto do meu assento. O boné de beisebol está virado para frente, bloqueando o sol e ele ainda está sem camisa, somente de shorts de natação e sandálias da Nike. Por trás dos meus óculos de sol, meus olhos rolam. "Claro." "Olha, os caras não se importam com esse tipo de coisa. Nós não seríamos contra a nudez como igualdade de oportunidades. Nunca." Ele diminui quando nos aproximamos da saída da Interestadual. "Isso são garotas que odeiam meninas.” Eu viro minha cabeça lentamente em sua direção, mas ele está focado na estrada. "Facilmente posso imaginar uma garota chamando a outra de vagabunda por dirigir seu carro usando um top de biquíni e depois dizer a um cara sem camisa que ele está muito gostoso.” Sebastian tem razão, mas o inferno congelaria antes de eu admitir isso. Eu puxo meus pés do painel e me movo no meu assento enquanto eu assisto as árvores passarem borradas.


Abbi e Megan estão vindo, pegando uma carona com primo de Megan, Chris, que joga futebol com Sebastian. Tenho a sensação de que o pequeno churrasco se tornaria uma festa maciça antes que a noite acabe. Não seria primeira reuniãozinha entre amigos que se transformaria em uma festa gloriosamente fora do controle em poucas horas. Especialmente envolvendo Keith. A luz do sol infiltra-se entre as árvores que se aglomeram na estrada estreita e curvilínea. Quem construiu essa estrada deve ter seguido uma cobra ou algo assim. Inclinando minha cabeça de volta contra o assento, assisto as árvores mais altas darem lugar a pomares de maçã. Eles continuam tão longe quanto o olho pode ver, alinhados em filas, em cada colina, e a família de Keith era dona da maior parte deles. Eu já estive nesta estrada tantas vezes com Sebastian e com meus amigos, e de repente percebi que este seria o último sábado antes do nosso último ano escolar. Eu não teria outro sábado como este novamente, e em um ano, Sebastian e eu não estaríamos andando por esta estrada familiar em seu Jeep. Ele não estaria aparecendo aleatoriamente na varanda, e Dary não estaria aparecendo no Joanna´s para esfregar minhas escolhas de vida ruins em minha cara. Eu solto um suspiro tremendo enquanto meu peito queima. Oh Deus, de repente eu queria chorar como um bebê. E não deveria chorar agora, porque tudo o que estava prestes a mudar era bom. Eu sairia de casa, e se eu tivesse sorte, Megan e eu seríamos ambas aceitas na UVA, e ela ainda me lembraria


todas as sextas-feiras que eu iria envelhecer sozinha, cercada por gatos, comendo atum enlatado barato. Dary apontaria todas as minhas futuras e terríveis escolhas através do FaceTime. Abbi iria para uma faculdade não muito longe e poderíamos nos ver nos fins de semana. Sebastian iria para qualquer faculdade que lhe oferecesse uma bolsa integral para jogar futebol se ele ainda estivesse amarrado com o futebol, e sejamos honestos, ele estaria. E ficaríamos em contato. Nós nos falaríamos ao telefone e essas chamadas acabariam por dar lugar a textos, e essas mensagens se tornariam mais esporádicas até que acabaríamos nos falando somente quando ambos estivéssemos em casa para os feriados. Nós cresceríamos e nos separaríamos, e isso é assustador, mas agora mesmo, neste segundo, nós temos o amanhã. Temos a próxima semana. Temos todo o ano. Praticamente para sempre, eu digo a mim mesma. Eu não tenho que enfrentar o inevitável ainda. Sebastian bate com seus dedos no meu joelho, me surpreendendo. Eu olho para ele. "Você está bem?" Ele pergunta. "Sim," eu digo com voz rouca. Eu limpo minha garganta. Uma expressão preocupada se instala em seu rosto. "Sobre o que você estava pensando?" Dou de ombros. "Eu estava apenas pensando em como nesta época, no próximo ano, nós dois estaremos na faculdade. Que este é o último verão antes da escola, sabe?" Sebastian não responde. Ele estava olhando para a estrada, sua mandíbula era uma linha dura. Ele ficava assim


quando estava louco ou quando tinha algo para dizer e o mantinha pra si mesmo. Começo a perguntar-lhe sobre o que ele está pensando, mas ele diz: "Você sempre vai fazer parte da minha vida. Você sabe disso, certo?” Não esperando por essa afirmação, não sei como responder. "Mesmo que acabemos em faculdades diferentes," ele continua como se houvesse qualquer chance de estarmos no mesmo lugar no próximo ano. "Nós não vamos nos tornar estranhos." Era quase como se ele pudesse ler minha mente. Mas ele só me conhecia tão bem. Bem demais. "Isso nunca vai acontecer conosco.” Eu queria dizer a ele que isso aconteceria com todos, não importando suas melhores intenções. Minha irmã jurou que ficaria em contato com todos os amigos que foram para diferentes faculdades, mas agora ela era uma caloura e tinha novos amigos e um novo namorado. Quando as pessoas deixam você e elas não se veem todos os dias, param de querer se ver. Eu, mais do que ninguém, sei que era a verdade. Mesmo que estas pessoas digam que te amam. "Nós sempre seremos amigos." Seus olhos examinam brevemente meu rosto. "Não importa o que aconteça." Caramba, eu estava apenas com um amigo? Sim. Era assim que soava. Respirando, ignoro toda a dor dolorida no meu peito enquanto eu aliso minhas calças. "Sim, capitão.”


Seus lábios se contraem em um pequeno sorriso. "Skylar estará na casa de Keith?" Eu me arrependo de perguntar assim que as palavras saem minha boca. "Não sei.” A resposta foi curta, o que era muito diferente dele. Eu mordo meu lábio inferior enquanto ele desacelera, dobrando à direita na estrada que levava à monstruosidade que era a casa de Keith, adjacente às milhas de pomares. A casa ficava em uma fazenda enorme e era o tipo de casa que ninguém precisava ter, a menos que fossem polígamos e tivessem cinquenta filhos. Sua família tinha dinheiro. Eles administram os pomares há gerações, e acho que Keith vai assumir o negócio da família em algum momento, embora eu saiba que ele planeja ir à faculdade e jogar futebol como Sebastian. Pelo que eu ouvi, ele já havia sido aceito na WVU. Ele tinha o tamanho para jogar na defesa durante a faculdade. A calçada pavimentada já tinha carros estacionados, alguns dos quais eu reconhecia. Não vi a BMW de Skylar ou, graças a Deus, o SUV de Cody. "Uma festa pequena?" Sebastian ri. "Sim, esse era o plano." "Tudo bem, então.” Ele estaciona o Jeep atrás de um Honda, deixando espaço suficiente entre os veículos para sair mais tarde. Eu pego minha bolsa no chão e depois saio. Pegamos o resto do caminho, ignorando as portas duplas de vidro e seguindo o grande caminho de pedras que leva ao redor da casa. A cada passo, o riso e os gritos ficam mais altos, junto com splashs de água. Eu posso


sentir o cheiro da carne grelhando, fazendo meu estômago vazio resmungar alegremente. Sebastian estava certo: cheeseburgers grelhados.

eu

nunca

abriria

mão

de

"Hei." Sebastian cutuca meu braço com o dele. "Quando quiser sair, me avise, ok? Não vá com qualquer um.” "Tenho certeza de que posso conseguir uma carona alguém. Não precisa se preocupar." "Não se preocupe. Vou levá-la para casa quando estiver pronta.” Ele joga a camisa sobre seu ombro. Eu acho que vesti-la seria muito esforço. Para alguém que não o conhece, Sebastian poderia parecer mandão, mas ele era apenas o tipo de cara que não trazia alguém para uma festa e, depois a deixava de lado e sozinha para voltar para casa. "Talvez eu não queira voltar para casa com você." Balanço minha bolsa. "Tenho certeza de que há uma tonelada de pessoas que me dariam uma carona.” "Isso não seria estúpido, já que vivemos ao lado um do outro?" "Não questione minha lógica." Eu ando em volta de Sebastian e passo à sua frente. "E, sério, não quero ficar aqui para sempre.” "Eu também não..." "Droga!" Eu grito quando ele chuta o fundo do meu pé


apenas quando eu o levanto. Balançando, eu bato nele com minha bolsa. Rindo, ele bloqueia o golpe com os braços. "Veja onde pisa." "Idiota," eu murmuro, voltando. "Também não quero ficar fora até muito tarde," continua ele. "Tenho um treino amanhã de manhã, mano a mano com o treinador." Ele faz uma pausa. "E... meu pai." Eu me encolho por ele. "E como anda seu pai?" "Não temos tempo suficiente no dia para essa conversa," ele responde, e antes que eu possa pressionar, ele pega minha mão e me detém. Eu o encaro. "Eu não vou ficar até muito tarde por causa do treino e por que..." seus olhos azuis vívidos fixados em mim. “... eu preciso conversar com você.” Meu coração balança. Eu quero puxar minha mão e correr gritando nos pomares... Mas isso seria estranho. "Sobre o que você quer conversar?" Eu pergunto, embora eu saiba sobre o que era. "Coisas." Eu arqueio uma sobrancelha. "Não podemos conversar agora?" "Não. Mais tarde." diz ele. Ele solta minha mão e caminha a minha volta. "Depois que eu tomar uma bebida.”


CAPÍTULO OITO

"Meu cara!" Keith salta do convés, pousando em frente a nós como Tarzan, se Tarzan usasse... Oh meu Deus, sunga? Keith era um homem grande, grande como um urso, de ombros largos e alto. Sunga não deveria ser permitida por lei para alguém como ele. "Você trouxe Lena!" Sebastian fica parado na minha frente. "O que diabos você está vestindo?" Eu tento não olhar para baixo, mas era como se eu fosse compelida por alguma magia negra e não conseguiria evitar. Eu vejo... Eu vejo demais. Eu dou um passo para trás, mas era tarde. Keith gira em torno de Sebastian, e um segundo depois meus pés são levantados do chão e eu estava sendo espremida até a morte. Eu solto um gemido como um brinquedo de apertar. "Parece que faz séculos que não te vejo." Keith move seus ombros, balançando minhas pernas de um lado para outro. "Há quanto tempo?" Ele pergunta, e eu posso sentir o cheiro da cerveja escorrendo de seus poros. "Eu não sei," eu suspiro, meus braços presos. "Um mês


ou mais?" "Não!" Ele cospe a palavra. "Tem que ser mais do que isso". "Solta ela," Sebastian late. "Jesus, você está praticamente nu, cara." Keith joga a cabeça para trás e ri e depois gira, girando-me junto com ele. Sem aviso prévio, ele me solta e eu tropeço de volta. As mãos de Sebastian pousam nos meus ombros, me estabilizando. "Vocês curtiram meus calções de natação?" Ele coloca as mãos nos quadris e fica empoleirado, e oh meu Deus, minhas retinas estão queimando. "Assim eu posso me mover mais livremente e acho que meu traseiro fica maravilhoso. Além disso, o verde combina com meus olhos, você não acha?" "Sim," eu sussurro, balançando lentamente a cabeça. Sebastian coloca a mão por baixo da aba de seu boné e esfrega a testa. "Oficialmente, agora tenho um trauma para o resto da minha vida.” "Mais como uma benção. Vocês dois foram oficialmente abençoados pela vida.” Keith baixa suas mãos, uma em cada um dos nossos ombros. Ele nos conduz pelo portão aberto. "Os hambúrgueres estão quase prontos. Estamos prestes a jogar algumas salsichas na grelha. As bebidas estão nos refrigeradores." A casa de Keith sempre foi o local da festa. Do outono até a primavera, havia fogueiras todos os fins de semana nos campos além dos gramados bem cuidados, e durante o verão, todos ficavam reunidos ao redor da piscina tão grande quanto o primeiro andar da minha casa. E isso não incluía o pátio de


tijolos de cor de areia ao redor. Uma dúzia de espreguiçadeiras pontilhava o pátio, a maioria ocupada por rostos que reconhecia da escola. Alguns acenam quando nos veem. Seus pais devem ter investido uma boa grana no quintal - do tipo que poderia pagar a hipoteca da minha mãe. Além da piscina e do pátio, havia jardins de flores e bancos em todos os lugares, um poço de ferradura atrás da casa da piscina que era maior do que os apartamentos de muita gente e havia também uma rede de badminton amarrada. Eu não vinha aqui desde a festa em julho. "Hei." Keith passa a mão pela sua cabeça, chamando minha atenção. "Sua amiga Abbi está vindo?" "Sim." Imagino o rosto de Abbi quando vir o que Keith está vestindo e quase rio alto. "Ela logo estará aqui, e ficará feliz em vê-lo." Ela vai me matar. "Demais," ele responde, parecendo um pouco satisfeito com a ideia. "Fico feliz que você tenha vindo. Já estava achando que você não queria mais ser minha amiga." Eu balanço minha cabeça. "Eu ainda te amo, Keith. Apenas estava ocupada." "Você nunca pode estar muito ocupada para mim." Keith começa a caminhar para trás, abrindo caminho para onde seu irmão mais velho, Jimmy, estava de pé diante da grelha. O irmão dele olha e ri. "Sério que você vestiu isso?” Keith empina sua bunda para trás, agitando-a na direção do seu irmão. "Acho que nunca mais vou tirar isso.”


"Deus nos ajude," murmura Sebastian. Limpando as gotas de suor da minha testa com a parte de trás da minha mão, dou uma estudada em Sebastian. Estava tão quente aqui que eu já estava começando a me arrepender de não ter trazido uma roupa de banho. "Ele é seu amigo." "Sim." Rindo, ele dá uma volta em torno de uma planta colorida num vaso. Olhando para as portas duplas de vidro que levavam à parte de trás da casa, penso ter visto movimento lá dentro. "Você acha que os pais de Keith estão aqui?" "Deus, espero que sim." Sebastian olha para a piscina. "Nada seria mais divertido do que o pai dele vir aqui e desafiar todos para um torneio de ferradura." Deixo minha bolsa junto de várias outras e digo: "Não posso acreditar que seus pais sejam tão legais com essas festas. Quero dizer, minha mãe é bem tranquila, mas também eu não dou festas todos os fins de semana." "Vai ver que Keith e Jimmy tiveram sorte no departamento dos pais." Ele inclina seu corpo em direção ao meu. O boné esconde a metade superior do seu rosto. "Antes de termos sido interrompidos pela visão perturbadora de Keith, eu..." "Oi! Seb.” Sobre o ombro, vejo Phillip aparecer de uma das espreguiçadeiras, sua pele escura brilhante na luz do sol. "Quando você chegou aqui?" "Apenas alguns segundos atrás," Sebastian responde


quando ele se vira. Phillip gira para onde estávamos de pé. Ele bate uma mão no ombro de Sebastian, enquanto ele move a cabeça em minha direção. Balanço meus dedos para ele. Os dois começam a falar sobre o jogo de scrimmage e seu primeiro jogo da temporada na próxima sexta-feira, enquanto eu fico ali cantando "It is a Small World" dentro da minha cabeça. Eventualmente Keith volta e deposita um copo de plástico vermelho na minha mão e outro na de Sebastian. "Apenas um," diz ele, sorvendo a espuma. "Tenho que dirigir de volta esta noite." Keith bufa. "Careta." "Seja como for." Sem se incomodar, Sebastian pega alguns pratos e nós conseguimos comer cheeseburgers. "Você viu o quarterback do time Wood? Ele pode jogar..." Eu me desligo da conversa, tomando minha cerveja até ver Chris vindo ao virar a esquina da casa. Deixando os caras, encontro Megan e Abbi no portão. "Graças a Deus, vocês duas estão aqui," eu digo. "Eles estão conversando sobre o futebol. Nada além de futebol. É isso aí. Apenas futebol.” "Nada de roupa de banho?" Foi a primeira coisa que saiu da boca de Megan. Ela estava usando um short jeans com a barra desfiada e um top de biquíni. Metade do rosto dela estava coberto por óculos escuros pretos. "Você e Abbi não sabem o conceito de como se vestir quando vem para uma festa que envolve uma piscina."


Os cachos de Abbi estavam divididos em dois rabos de cavalo. "De verdade, ela está xingando o caminho todo, sobre tudo e todos." "Tem sido um longo dia." Ela tira meu copo da minha mão e ergue-o até sua boca, derrubando pelo menos metade em um gole impressionante. "Primeiro, esse idiota aí," ela diz, estendendo o dedo médio na direção de Phillip, "não me enviou uma resposta noite passada, e eu sei que ele esteve aqui e também que Meg também estava, e você sabe como Meg é obcecada com ele há anos." Eu fecho meus lábios. Não acho que Meg Carr seja obcecada por ninguém, mas, sabiamente, me mantive em silêncio. Abbi não. "Preciso lembrar que vocês dois estão separados? Quero dizer, você disse que continuam se falando, mas isso não significa nada." Abbi se inclina sobre mim, descansando o braço no meu ombro. "Então, qual é o problema?" "Há um problema. Estou chegando lá." Outro gole profundo da minha bebida. "Ele diz que quer voltar comigo, e estou brincando com a ideia. Mas se ele quer voltar comigo, ele deve pelo menos responder minhas mensagens." Abbi olha para mim. Fico quieta. "Então, meu primo idiota ali," seu dedo médio vai em direção de Chris, que está com Sebastian e os caras "... que, registre aí, eu amo demais, ficou enviando mensagens de texto para Mandi no caminho até aqui. E tenho certeza de que ele já está meio bêbado. Eu achei que todos nós acabaríamos em uma


morte horrível." Meu estômago se revira ligeiramente. Mandi era amiga de Skylar. Se Mandi estava saindo com Chris, o que era uma novidade, então ela estaria aqui hoje à noite. Então, Skylar também estaria, já que essas meninas só andam em bandos. Eu também, mas quem se importa. "Essa última parte é verdade," confirma Abbi. "Eu também achei que acabaríamos mortos.” "Para completar, mamãe queria que eu fosse jantar com seu novo namorado esta noite. Que, por sinal, é apenas dez anos mais velho do que eu, e isso é nojento.” Olho para Abbi. Ela está sorrindo ligeiramente, apesar do que suspeitava que sua família estivesse passando. "Então eu tive que explicar para ela que este é meu último fim de semana antes do meu último ano e a última coisa que eu queria era gastar meu tempo com ela e com o cara que seria substituído por uma versão mais nova e mais brilhante no mês que vem." "Uh-oh," eu murmuro. Ela levanta meu copo novamente. "Isso não deu muito certo, mas estou aqui, então eu ganhei." Ela levanta o copo em um brinde e depois o oferece de volta para mim. "Você pode ficar isso." Eu aceno. "Parece que você precisa mais do que eu". "Obrigada." Megan avança, beijando minha bochecha. "Você é minha melhor amiga". Abbi inclinou a cabeça para o lado. "E quanto a mim?" "Você acabou de dizer que estava sendo malcriada. Você foi rebaixada para o segundo lugar," Megan responde sobre a


borda do copo. Eu rio. "Então Dary está em terceiro lugar?" "Quando Dary vai voltar?" Pergunta Megan, olhando ao redor. "Amanhã," Abbi lembra. Seu rosto cai. "Eu sinto falta dela. Devemos fazer uma tonelada de selfies e ficar bombardeando-a com elas.” Eu dou uma risada. “Tenho certeza que ela vai apreciar isso." "Mas antes, como estão as coisas com Sebastian?" Abbi pergunta, balançando a cabeça em sua direção. "Tudo bem," respondo rapidamente. "Vamos conversar mais tarde sobre isso. Ok?" Abbi parecia querer protestar, mas deixou pra lá. Eu queria me divertir um pouco antes de começar a me estressar sobre o que Sebastian quer conversar. Nós passamos muito tempo tirando selfies aleatórias com todos na piscina e em por toda propriedade, enviando-as para Dary de todos os nossos telefones. Incialmente ela nos enviou respostas divertidas, mas agora, conhecendo-a, ela provavelmente estava super irritada com a vigésima selfie, e, de certa forma isso fazia tudo mais divertido. Mais tarde, Keith agarrou e girou Abbi, que parecia horrorizada com sua roupa, mas eu poderia dizer que ela também estava relutantemente divertida com aquilo. Ela balançava livremente, gemendo sobre o quanto era idiota, enquanto sorria. Megan eventualmente saiu de perto, juntandose a Phillip e outro cara na outra extremidade da piscina.


"Ela realmente está pensando em voltar com ele?" Eu pergunto a Abbi. "Vai saber?" Ela suspira. "Deus, eu espero que não. Eles são como Selena Gomez e Justin Bieber de Clearbrook." "Exceto que ninguém quer que eles voltem a ficar juntos?" Uma risada alta explode em Abbi. "Verdade." Olhando ao redor do quintal, dizendo a mim mesma que não estava procurando por Sebastian, eu vejo Cody na grelha, o copo em mãos e cercado pelo resto dos caras. "Quando ele chegou aqui?" "Quem... Oh. Não faço ideia.” Abbi endireita os óculos de sol rosa. "Muitas gente apenas apareceu aleatoriamente. É louco.” Nós caminhamos até o refrigerador. Abbi pega um refrigerante enquanto eu pesco uma garrafa de água do gelo. "Então, Sebastian diz que quer falar comigo mais tarde." "Sobre?" Ela abre sua lata. "Eu não tenho ideia. Normalmente ele não é tão evasivo. Mas acho que é óbvio, sabe?" Abbi fica quieta por um momento e então ela diz: "Você viu a postagem no Instagram de Skylar na noite passada, certo?" Meu estômago enche de nós. "Sim." "Talvez ele esteja planejando voltar com Skylar," ela diz, e


eu suspiro. "Pode ser que ele queira me dizer que eles estão voltando juntos. Eu odeio dizer isso, mas depois de toda essa coisa de beijar, ele provavelmente só acha que deve te contar isso," diz ela, empurrando seus óculos para cima quando uma nuvem encobre o sol. "Bem, ele e Skylar fazem o casal perfeito." Olho para os caras. Keith está movendo seus quadris e batendo o ar com uma mão. "Você e Sebastian fariam um casal perfeito." De repente, eu quero me jogar sob os arbustos. "Eu não quero mais pensar nisso. É irritante... Estou ficando irritada. De verdade." Eu me viro para Abbi. "Estou literalmente ficando louca." "Então você precisa encontrar um cara quente para passar seu tempo até você ir para a faculdade". "Agora você parece a Megan," eu digo. "Mas talvez eu encontre alguém para matar meu tempo. De preferência, um cara quente que goste de ler e que seja interessado em história." "Isso soa como material para relacionamento. Eu estava falando sobre Netflix e relaxamento." Seu tom é seco. "Não vamos nos precipitar." Rio quando tomo um gole de água. Abbi vira-se enquanto Megan dança até onde nos encontramos. Ela para na nossa frente, empurrando os óculos escuros. "Pessoal, você não vão acreditar no que acabei de ouvir." "O quê?" Pergunto, feliz pela distração.


O entusiasmo zumbe na voz de Megan. "Griffith e Christie acabaram de sair com Steven para se encontrar com alguns caras da cidade para comprar coca." Abaixo a garrafa de água. Eu realmente não estava esperando por isso. "Não me surpreende," murmura Abbi. "Eles não fizeram isso em julho? Christie acabou misturando tudo e Keith quase chamou 911." A boca de Megan cai. "Você sabe sobre isso? É algo que eles sempre fazem?" "Aparentemente com regularidade suficiente para que façam isso agora," ela revida. Eu ainda estava fixada na história de ‘sair pra comprar coca’, como se eles tivessem saído para ir ao supermercado pegar alguns chips e molhos. Jesus, isso parece barra pesada. Eu não era ingênua, mas fiquei surpresa com o fato de que eles eram os caras que conseguiam as coisas. Na verdade, eu ficaria surpresa se qualquer pessoa que eu conheço estivesse usando coca ou heroína. "Bem, inferno." Megan olha para o copo vermelho. Ele tinha sido reabastecido. "Phillip está pensando em experimentar isso hoje à noite. Tipo, ele quase foi com eles. Você pode acreditar nisso?" Abbi enrola o lábio. "Idiota." "Não é?" Megan toma uma bebida. "Eu vou gritar com ele. Volto mais tarde."


As minhas sobrancelhas se erguem quando eu a vejo ir embora. "Isso é... Uau." "Você acha que Keith faz isso?" Eu coloco meu cabelo atrás da orelha. "Eu nem sabia que eles faziam, então eu não faço ideia." "Bem, isso explicaria a sunga," ela diz com um suspiro pesado. "Você teria que estar chapado para pensar que era aquilo é uma boa ideia." Eu rio. "Verdade." "Hei." A voz de Sebastian está na minha orelha um segundo antes que seu braço se curvasse sobre meus ombros. Um pingo de ar me deixou. Seu peito quente e duro pressionado contra minhas costas. Uma onda de arrepios passa por minha espinha enquanto o calor aquece meu rosto. "Onde você esteve?" Abbi olha para mim, com as sobrancelhas arqueadas. Eu rapidamente me concentro na piscina. "Eu estava aqui mesmo. Onde você esteve?" "Em todo lugar," ele responde, e me vira. O boné de beisebol está virado para trás. Nossos rostos estão a centímetros de distância, quase tão próximos quanto ficamos no lago. Tão perto que eu posso sentir o leve traço de cerveja em sua respiração. "Então, eu tive uma ideia. E isso me envolve. E envolve você... ficando molhada." Minha boca se abre enquanto sinto o frio em minha barriga. Meu Deus. "Sério?" Abbi pia. "Mal posso esperar para ouvir mais sobre essa ideia."


Oh. Meu. Deus. Ele sorri quando arranca meus óculos de sol do meu rosto. Ele os coloca em cima de sua cabeça. "Bem, sou mais o tipo de cara de mostrar ao invés de ficar falando.” Tudo o que eu posso fazer é ficar de pé e olhar para ele, porque me sinto como se estivesse em uma realidade alternativa - o tipo que existia nos livros de romance superadultos que leio e, onde as declarações públicas de amor são abundantes e os finais felizes são garantidos. Eu não consigo desviar meus olhos dos seus, que são tão azuis que quase parecem de mentira. Estamos tão perto que eu podia ver a pequena sarda que ele tinha sob o olho direito. "O que...?" Eu sussurro, perdendo completamente minha voz. Sebastian mergulha o queixo enquanto desliza os braços pelas minhas costas, me enganchando pela cintura. Ele me puxa contra si e meu coração está batendo em um ritmo quase mortal. Isso realmente está acontecendo. Cercados por nossos amigos, isso realmente estava acontecendo. Sua cabeça inclina para o lado, e nossas bocas estão alinhadas. "Lena, Lena, Lena," Meus olhos se fecham e sinto sua respiração quente nos meus lábios. Todos meus músculos se apertam. Eu estou sem fôlego com a antecipação, desejo e necessidade. Está acontecendo e desta vez tudo terminaria de forma diferente.


CAPÍTULO NOVE

Minhas mãos pousam em seu peito e deslizam até seus ombros. Gritos de riso e batidas de música soam há quilômetros de distância. Sebastian se move contra mim, mergulhando e deslizando um braço debaixo das minhas pernas. Ele me levanta e meus olhos se abrem. Sebastian beija a ponta do meu nariz. E então eu estou voando pelo ar, tão repentinamente que eu fico muito chocada para gritar. Minha bunda bate na água fria primeiro e meus pulmões se fecham enquanto eu desço sob a superfície, batendo os braços. Eu afundo como um búfalo. Meus pés atingem o fundo da piscina, e fico lá um segundo, totalmente descrente. O que acabou de acontecer? Meu Deus. Eu pensei que ele ia me beijar, mas foi apenas uma brincadeira. Isso era algo que Sebastian faria com um amigo. Ele estava apenas zoando, como se nada tivesse acontecido entre nós na segunda-feira, e eu... Eu era uma idiota completa. E eu sei como deve ter parecido a cena para todos os que estavam à nossa volta. Eu com os olhos fechados e as mãos nos ombros dele.


Eu era tão boba. E eu ia me afogar. Com os pulmões queimando, empurro o chão da piscina e subo a superfície, espirrando água enquanto amaldiçoo: "Você é um idiota!" "Hei, eu só estava te ajudando." Sebastian fica na beira da piscina, um sorriso presunçoso em seu rosto impressionante. "Você parecia precisar se refrescar.” "Eu não acho que esse era o tipo de ‘molhada’ que Lena estava esperando," Abbi responde com cuidado. A cabeça de Sebastian gira na direção de Abbi, e Megan, que apareceu ao lado de Abbi enquanto eu estava me afogando na minha própria imbecilidade. Megan engasga com sua bebida e gira, saindo da piscina. Sua mão bate em seu rosto. Eu me afundo outra vez, imaginando estrangular Abbi. Eu vou matá-la. Mais envergonhada do que já tinha estado em muito tempo, muito tempo, eu subo até a borda rasa da piscina e depois me levanto, arrastando-me para fora da água. Sebastian caminha ao redor da piscina, com uma toalha de praia na mão. "Você parece tão fofa molhada," diz ele. "Cala a boca.” Eu subo os amplos degraus. "Eu gosto de você assim.” Inclinando-me na cintura, levanto meu cabelo sobre o ombro e dou uma torcida nele. Gotas gordas de água pingam e se juntam sob meus chinelos encharcados. "Eu meio que quero bater


em você.” "Você é tão agressiva.” Puxo minha camiseta, mas não adianta nada. Ela se agarra à parte superior do meu corpo. Só posso agradecer por minha camisa não ser branca e meu short não ser folgado o suficiente para escorregar. "Estou prestes a ficar realmente agressiva na sua cara.” Ele inclina a cabeça para trás e ri alto. "Eu realmente poderia gostar disso.” "Oh, você não vai gostar." Me ergo e tiro meus óculos de sol da sua cabeça e os coloco. "Confie em mim." Keith chega junto. "Você realmente sabe como deixar uma menina molhada, Seb." Meu rosto pega fogo enquanto eu junto minhas mãos em punhos. "Sim, nenhum de vocês tem nem ideia," Abbi revida. As sobrancelhas escuras de Keith se erguem. "Oh, querida, eu ficaria de joelhos aqui e agora, se você me deixasse provar o quão bom eu sou fazendo as meninas..." "Isso é tudo o que preciso ouvir para saber que você não tem ideia do que está fazendo." Abbi ergue a mão, silenciando-o. "Se você soubesse fazer, não precisaria anunciar.” "Ela tem um bom argumento," comenta Sebastian. Keith ri enquanto ele estende a mão, puxando o rabo de cavalo de Abbi. "Eu totalmente posso provar que você está enganada. Dê-me cinco minutos." "Cinco minutos?" Ela bufa.


Tirando a toalha da mão de Sebastian, passo por ele e caminho até onde o pátio leva à casa da piscina e ao lugar das ferraduras para evitar fazer algo parecido com, digamos, perfurá-lo na garganta. "Isso foi meio estúpido, não foi?" Viro-me e vejo Cody de pé, com uma garrafa na mão. Por que eu não posso me esconder no meu canto e ficar sozinha na minha loucura? Isso era pedir demais? "Sim," murmuro. "Você parece muito chateada com isso," ele observa. Respiro fundo e levanto meu olhar. "Alguém já lhe disse que você é muito observador?" Ele ri suavemente, levantando a garrafa. "Ei, não fui eu que te joguei na piscina como uma bola de basquete." Colocando a toalha em volta dos meus ombros, eu mentalmente conto até dez. Cody não tinha feito nada de errado. "Então, o que você está fazendo?" "Nada demais." Ele toma um gole da garrafa. "Estou tentando decidir se estou a fim de ficar aqui ou se quero ir pra outro lugar.” Embora não estivesse com vontade de conversar, não estava fazendo nada mais. Abbi ainda estava discutindo com Keith e Sebastian estava com Phillip e Megan, junto às cadeiras. "O que mais você tem em mente?" "Nenhuma ideia. Apenas não estou muito a fim hoje, sabe?" Cruzando as pernas nos tornozelos, ele se inclina contra a lateral da casa da piscina, olhando para a piscina. "Você está sentindo falta de uma amiga, não é?"


Eu assinto. "Dary. Ela está com sua família em DC." "Parece divertido." Ele não parece acreditar nisso. "Até que horas você está planejando ficar aqui?" O crepúsculo estava começando, então eu sabia que tinha devia ser umas oito. Eu já tinha ficado aqui por mais tempo que o esperado. "Não muito mais." Eu simplesmente queria ir para casa e comer os Pop-Tarts que mamãe havia trazido. "Você também não parece muito a fim de ficar aqui." Ele move seu corpo em direção ao meu. "Nós poderíamos roubar as chaves de Sebastian e dar uma volta.” Engulo meu resmungo. "Pois é, eu não acho que isso seria muito esperto." "O quê?" Um sorriso puxa seus lábios. "Seria divertido." "Hã, hã." Eu tiro meus chinelos, esperando que a calçada de pedra estivesse com bastante calor para que eles secassem. "Primeiro, com certeza você não conseguiria roubar as chaves que estão no bolso do short dele.” "Você tem pouca fé em mim," ele responde. "Eu tenho dedos sorrateiros.” "Eu tenho certeza que você tem, mas como eu ouvi dizer que você voltou com Jessica, duvido seriamente que ela ficará feliz ao saber que roubamos o carro de Sebastian," digo-lhe. "E eu realmente não quero esse tipo de drama." "Porra, as notícias voam, hein?" Cody balança a cabeça. "Jessica pode ser... briguenta.” "Essa é uma descrição realmente apática de Jessica," eu digo, rindo um pouco. "Não tentando ser malvada ou qualquer


coisa." "Nah, eu entendo você." Ele cutuca um pouco o braço. "Estamos prestes a ter companhia.” Não tenho a chance de olhar sobre meu ombro. "Ei," Sebastian diz atrás de mim. "Estou interrompendo algo?" Ficando tensa, recuso-me a me virar e olhar para ele. "Cody e eu estamos conversando.” "Eu posso ver isso." Sebastian move-se para ficar ao meu lado, tão perto que eu posso sentir o calor irradiando seu corpo. "Sobre o quê?" "Estávamos planejando coisas nefastas," responde Cody. Sebastian ri. "Você sabe mesmo o que significa nefasto?" "Porra, Seb." Cody tosse uma risada. Dando um passo para o lado, ele aponta sua garrafa para mim. "Divirta-se com tudo isso.” Ele então aponta para Sebastian com a boca da garrafa. Ele sorri. "É bom saber que amanhã você tem um treino extra com o treinador. Você esteve longe o mês todo. Não vai querer segurar o time pra trás." "Você Sebastian.

não

precisa

se

preocupar

comigo,"

responde

"Claro, claro," diz Cody enquanto ele gira e se afasta. Olho para Sebastian. "Isso foi meio grosseiro, você não acha?" "Na verdade não. Achei que eu viria aqui e te salvaria de


ficar presa em uma conversa com ele." "Não me lembro de enviar um sinal de SOS.” "Uau." Ele se move na minha frente, no mesmo instante em que as luzes cintilantes amarradas ao longo das árvores se acendem. Suas sobrancelhas estão enrugadas. "Isso foi um pouco..." "Eu continuaria com cautela com o que você está prestes a dizer," aviso, olhando para ele. "Escolha suas palavras com sabedoria.” Ele abre a boca e depois fecha. Virando de lado, tira o boné de beisebol e enfia os dedos nos cabelos antes de colocar o chapéu de volta. "Você está brava porque eu interrompi vocês?" Ah. Sim. Esse era o motivo. Eu posso sentir minhas bochechas se aquecendo, e eu estava agradecida pelas as luzes externas não serem tão brilhantes. A frustração varre minha pele como um exército de formigas de fogo. "Que seja." "Espere." Ele ri, mas esse som estava rouco. "Você está interessada no Cody?" "O quê?!" "Você está em a fim do Cody?" Ele repete. Puxo a toalha mais perto. Eu não devo ter ouvido ele corretamente. Eu acabara de beijá-lo e ele me pergunta isso? "Por que você se importaria se eu estivesse?" Ele reage como se eu tivesse dito que estava deixando a escola para seguir uma carreira como artista de rua. "Cody é um jogador, Lena. Ele já ficou com metade da escola. Ele voltou com...”


"Eu sei o que ele é, mas o que eu não sei é por que você se importa," recordo, lutando para manter minha voz baixa. Sebastian olha para mim, descrença no rosto dele. "Você nunca se interessou por ele. Nunca. E agora você está interessada?" Ok, eu nem estava a fim de Cody, mas essa conversa era ridícula. "Por que estamos falando sobre isso? Você não estava pendurado na Skylar ontem à noite?” O queixo de Sebastian se repuxa para o lado. "O que isso tem a ver com a conversa que estamos tendo?" A respiração que eu tomei abre um buraco no meu peito, e eu posso sentir a amargura metálica e o ciúme rançoso, sentimentos que estão sob a superfície por muito tempo. Sentimentos que, há anos, eu vinha escondendo e que eu fingia não existirem. Mas agora era como se eu estivesse despida, minha pele esfolada, e não havia mais como esconder. Ele esfrega sua palma contra seu peito, logo acima de seu coração. "Na verdade, não consigo acreditar que estamos tendo essa conversa.” Eu balanço. "Você não consegue acreditar que estamos tendo essa conversa? Você começou e, sabe o que, eu não quero falar com você agora. Eu estou brava com você." "Brava comigo?" Suas sobrancelhas se erguem. "Por quê?" Deixando cair a toalha, olho para mim mesma. Uma pequena poça de água formou-se debaixo de mim. Eu sei no fundo da minha mente que ficar chateada com ele por me jogar na piscina não tinha nada a ver com a cena atual. Inferno, ele já tinha feito isso antes. Até mesmo eu já o empurrei na piscina de Keith algumas vezes. Mas eu queria estar brava, porque estar


brava era melhor desapontada.

do

que

estar

envergonhada,

ferida

e

"Você está mesmo brava comigo por isso?" Ele recua. "Que diabos? Você está!" "Eu te beijei!" No momento em que digo essas palavras, um nó se forma na parte de trás da minha garganta. Seu maxilar aperta enquanto abaixa a cabeça na direção da minha. "O quê?" "Eu te beijei na segunda-feira, e eu... eu não queria. Aconteceu e antes... antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, você praticamente fugiu. E eu pensei que você ia me beijar quando você me jogasse na piscina," eu disse, respirando pesado e me sentindo um pouco enjoada. "Foi o que eu pensei que você ia fazer.” Na luz que falhava, seus olhos parecem o oceano à noite, um azul escuro e profundo sem fim. "Lena, eu pensei...” "Sebastian!" Ao som da voz de Skylar, ele se afasta e então olha por cima do ombro, o peito subindo e descendo profundamente. Oh mais que porcaria... Ela estava descendo a calçada, usando um vestido sem alças que balançava no topo das suas coxas. Ela estava andando tão rápido que seus cabelos se erguiam dos ombros. Ela parecia estar desfilando em uma passarela. "Aí está você. Estava te procurando em todos os lugares.” Ao pressionar meus lábios juntos, luto com o desejo de apontar que não estávamos exatamente escondidos e que não era


tão difícil nos encontrar, então ela realmente não precisava procurar em todos os lugares. Skylar tinha aquele sorriso de Miss América em seu rosto enquanto caminhava até nós. Ela coloca a mão no braço de Sebastian e eu me concentro no chão. "Podemos conversar por um segundo?" Pergunta ela. Aperto brevemente os olhos, sabendo que ele iria dizer que sim e que era hora de eu encerrar essa conversa antes que qualquer dano mais grave tenha sido feito. Empurro meus pés em meus chinelos. “Eu tenho que ir...” Sebastian vira-se para mim. "Lena..." "Vejo você daqui a pouco," eu o corto, forçando um sorriso a Skylar. Ela sorri de volta, e acho que ela diz alguma coisa, mas não a ouço por causa do rugido nos meus ouvidos enquanto eu volto para a piscina, imediatamente procurando Abbi. "Você está bem?" Ela está sentada à beira de uma poltrona. Keith está recostado ali e em algum momento ele deve ter decidido que a sunga precisava sair, já que agora ele estava usando um short e uma camiseta. Foi uma melhora definitiva. "Sim." Eu limpo minha garganta. "Tudo bem.” Ela parece duvidar quando olha de volta para a casa da piscina. Ela abre a boca, mas eu a corto. "Vamos nos falar amanhã.” "Ok." Ela dá um tapinha no espaço ao lado dela. "Senta aqui comigo." Sento-me na beira da cadeira, de costas para a casa da


piscina e não olho sobre o meu ombro. Nem uma vez. E enquanto eu estou sentada lá, ouvindo Keith e Abbi se estranhando, eu digo a mim mesma que tudo o que aconteceu com Sebastian não importava. Esta noite foi uma droga. Mas amanhã seria um dia melhor. Amanhã tinha que ser.


HOJE


CAPÍTULO DEZ

Domingo, 20 de Agosto

Eu não podia me mover, e tudo doía - minha pele parecia muito apertada, os músculos queimando como se tivessem sido incendiado, e os meus ossos doíam profundamente até a medula. Confusão me inundou. Meu cérebro parecia que estava cheio de teias de aranha e nevoeiro. Tentei levantar os braços, mas eles pesavam para baixo, parecia chumbo. Eu pensei ter ouvido um sinal sonoro constante e vozes, mas tudo parecia muito distante, como se eu estivesse na extremidade de um túnel e todo o restante estava do outro lado. Eu não conseguia falar. Não... Havia alguma coisa na minha garganta, na parte de trás da minha garganta. Meu braço se contraiu sem aviso, e houve um puxão no topo da minha mão. Por que não consigo abrir meus olhos? O pânico começou a me tomar. Por que eu não podia me mover? Algo estava


errado. Algo estava muito errado. Eu só queria abrir os olhos. Eu queriaEu te amo, Lena. Eu também te amo. As vozes ecoavam na minha cabeça, uma dele a outra era minha. Definitivamente minha, e a outra... “Ela está começando a acordar.” Uma voz feminina interrompeu meus pensamentos em algum lugar do outro lado do túnel. Passos se aproximou e um homem disse: “Pegue o propofol agora.” “Esta é a segunda vez que ela acorda.” respondeu a mulher. “Ela é o inferno de uma lutadora. Sua mãe vai ficar feliz ao ouvir isso.” Lutadora? Eu não entendia o que eles estavam falando, porque eles achavam que minha mãe ficaria feliz em ouvir isso talvez eu devesse dirigir? O calor bateu minhas veias, começando na base do meu crânio e, em seguida, passando por mim, em cascata através do meu corpo, e então não havia sonhos, nem pensamentos e nenhuma voz.

Terça-feira, 22 de Agosto


Náuseas agitam meu estômago. É a primeira coisa que noto quando a escuridão sufocante e incomum diminui novamente. Eu estou muito enjoada, como se eu fosse vomitar, se houvesse alguma coisa no meu estômago. Tudo dói. Minha cabeça lateja, junto com minha mandíbula, mas a pior dor vem do meu peito. Cada respiração que entra em meus pulmões não parece fazer nada para mim, na verdade. Tenho que respirar mais para conseguir oxigênio suficiente. Há um aperto anormal, como se tiras de borracha estivessem presas ao redor do meu peito. Lutando para entender o que está acontecendo com meu corpo, eu quero abrir meus olhos. Nada acontece no início, como se eles tivessem sido costurados, mas eu me esforço e me esforço até que eu os abro. Luz brilhante me cega, me forçando a deixar pra trás todo o progresso e fecho meus olhos novamente. Eu quero me afastar disso. Eu me mexo ligeiramente, depois paro quando dardos de dor sobem e descem pelo meu corpo. O que há de errado comigo? "Lena?" A voz aproxima-se. "Lena, você está acordada?" Eu conheço essa voz - pertence à minha irmã. Mas isso não faz sentido, porque ela deveria estar em Radford. Na faculdade. Eu acho. Eu não tenho ideia de que dia é. Sábado? Domingo? Dedos frios tocam meu braço. "Lena?"


Tentando novamente, abro meus olhos, desta vez preparada para a luz. Minha visão clareia, e vejo um forro de placas de isopor, tipo o da minha sala de aula. Abaixando meu olhar, olho para a direita e vejo Lori sentada em uma das duas cadeiras ao meu lado. Era ela. Mas não era. Minha irmã parecia horrível, e ela nunca fica feia. Ela é geneticamente predeterminada para sempre parecer incrível, mesmo de manhã, mas agora seu cabelo parecia sujo e está puxado para cima em um coque casual. Os olhos dela estão avermelhados e a pele debaixo deles inchada e roxa. A camisa cinzenta da Universidade de Radford está amassada. "Ei," ela sussurra, sorrindo, mas algo é estranho nesse sorriso. Ele é fraco e tenso. "Você está acordada, dorminhoca.” Eu estive dormindo por muito tempo? Sentia-me como se estivesse. Como se eu estivesse dormindo há dias. Mas esta não era minha cama ou meu quarto. Molho meus lábios. Eles estão secos, assim como minha boca e garganta. "O que...?" Fico sem ar e as palavras são difíceis de colocar pra fora. "O que está acontecendo?" "O que está acontecendo?" Ela repete, e então fecha seus olhos com força. A pele se enruga nos cantos. "Você está na unidade de terapia intensiva em Fairfax. No INOVA," ela diz suavemente, abrindo os olhos e olhando para a porta. "Eu... eu não entendo," eu sussurro com voz rouca. Seu olhar se volta para o meu. "O quê?" Dizer as palavras é cansativo. "Por que estou... na UTI?"


Os olhos de Lori procuram os meus. "Você sofreu um acidente de carro, Lena. Um acidente..." Sua respiração falha e ela inspira profundamente. "Um acidente de carro muito ruim.” Um acidente de carro? Olho para ela por um momento e depois deslizo meu olhar para longe, de volta ao teto e às luzes muito brilhantes. Um segundo se passa e eu viro a cabeça ligeiramente, estremecendo quando uma dor de punhalada ricocheteia de uma têmpora para a outra. As paredes são brancas, revestidas com caixas e recipientes marcados como materiais perigosos. O sentimento de puxão no topo da minha mão faz mais sentido. Era um acesso intravenoso. Eu definitivamente estou em um hospital, mas um acidente de carro? Eu procuro em minha cabeça, mas... Está cheio de sombras com lembranças escondidas atrás delas. "Eu... Eu não me lembro de um acidente... de carro." "Jesus," Lori murmura. A porta se abre e eu vejo mamãe. Um homem alto e magro a segue, vestindo um jaleco branco de laboratório. Mamãe para quase que imediatamente, juntando as mãos contra o peito. Ela parece tão mal quanto Lori. "Oh, querida," grita minha mãe, e então ela se aproxima, apressando-se para a cama. Uma memória flutua na superfície. Palavras... Palavras que me foram ditas. Você me ama o suficiente para me levar para dentro da minha casa, passando pela minha mãe, para me colocar na cama? Alguém havia dito isso para mim... Lá fora, na estrada da


casa de Keith. A voz volta da escuridão, estranhamente familiar. Mas só depois de parar no McDonald's para pegar uns nuggets de frango. Nuggets de frango? A memória flutua assim que se forma, e eu não consigo identificar a voz ou dizer se era mesmo real ou apenas um sonho. "Graças a Deus." Mamãe se inclina, beijando minha testa cuidadosamente e depois meu nariz e meu queixo. "Oh! Graças a deus. Graças a Deus." Ela beija minha testa novamente. "Como você está se sentindo?" "Confusa," forço-me extraordinariamente confusa.

a

responder.

Realmente,

"Ela não se lembra." Lori levanta-se, alinhando as mãos sobre os quadris. "Ela não se lembra do acidente de carro.” "Isso não é incomum com esses tipos de lesões, juntamente com sedação pesada," diz o homem de jaleco branco. "Sua memória provavelmente voltará completamente ou com algumas falhas, uma vez que tirarmos todas as medicações do seu sistema.” Sedação pesada? Mamãe toma a posição de Lori, sentando-se mais perto da cama. Ela pega minha mão, aquela com a intravenosa. "Este é o Dr. Arnold. Foi ele que..." Abaixando o queixo, ela balança a cabeça enquanto prende sua respiração. Eu sei que o que ela não pode dizer é muito sério, e enquanto eu a encaro, eu a vejo na minha mente, sentada na


mesa da cozinha, lidando com seus contratos. Ela estava usando seus óculos de leitura, e ela me disse que quando meu telefone tocasse novamente, eu deveria atender. E ela havia dito outra coisa. Tenha cuidado. Sempre. Quando foi isso? Sábado. Sábado, antes da… O Dr. Arnold se senta na beira da cama, cruzando um joelho sobre o outro. "Você é uma jovem muito sortuda." Ao me concentrar nisso, eu decido que teria que acreditar na palavra dele, porque não tinha ideia do que está acontecendo. Mamãe aperta minha mão, e quando eu olho para ela, ela parece estar à beira das lágrimas. Seus olhos estão tão inchados e vermelhos quanto os de Lori. O médico chega à frente da cama e ergue um gráfico. "Além do cansaço, como você está se sentindo?" Engulo e isso parece como esfregar uma lixa. "Cansada. E eu... Eu não me sinto bem." "Provavelmente são os efeitos que restam da sedação," diz ele, passando os dedos pelo centro do gráfico. "Você está recebendo alguns analgésicos fortes agora, e isso pode também fazer você se sentir um pouco enjoada. Além disso, como está a dor?" "Hum... Minha cabeça dói." Olho para minha mãe, e ela sorri tranquilizadora. "Meu peito dói. Tudo... dói." "Você sofreu uma pancada forte," responde o Dr. Arnold, e meus olhos se arregalam. Uma pancada? Eu pensei que


tivesse sido um acidente de carro. Antes que eu possa perguntar, ele continua. "Você sofreu uma concussão, mas não há sinais de inchaço no cérebro. Enquanto isso permanecer assim, nós estamos fora de perigo nessa área." Ele analisa o gráfico. "Você pode ter percebido que seu braço esquerdo está fraturado. Vai ficar com um gesso por um período de três a seis semanas.” Eu pisco lentamente. Gesso? Mas meu braço não podia estar fraturado. Eu tenho os treinos e os jogos chegando. Levanto meu braço esquerdo e ele lateja lentamente. Sim. Definitivamente havia um gesso em torno do meu antebraço. Meu olhar se volta para o médico. Nada aqui parecia real. "Eu... Eu não posso ficar com gesso. Eu jogo... Voleibol.” "Querida." Mamãe aperta minha mão gentilmente novamente. "Não precisa se preocupar com o vôlei agora. Isso é a última coisa com que você deve se preocupar agora.” Como não me preocupar com isso? É meu último ano. O treinador acha que eu posso chamar a atenção de um olheiro e Megan vai ficar muito marcada se eu não puder jogar. Dr. Arnold fecha o gráfico. "Você teve ferimentos muito graves, Lena, incluindo o trauma em seu peito, o que causou um pneumotórax bilateral.” Olhei para ele sem entender. Pneumo... O quê? Ele sorri fracamente, obviamente lendo minha confusão. "Significa basicamente que você estava com ar em sua cavidade torácica, o que pressionou seu pulmão e o impediu de se


expandir. Muitas vezes é de um lado só e a punção é tão pequena que tudo o que temos que fazer é retirar o ar.” Tenho a sensação, com base nos curativos que embalam as laterais do meu corpo, que não foi bem isso que aconteceu aqui. "No seu caso, você quebrou costelas dos dois lados, perfurando seu tórax em ambos os lados, de modo que seus dois pulmões entraram em colapso e não conseguiam funcionar. Não posso nem colocar em palavras a gravidade de uma situação assim. Quando temos os dois pulmões em falência, muitas vezes não conversaremos com o paciente mais tarde.” Mamãe ergue a outra mão, esfregando-a sobre seu rosto. Ela para com os dedos cobrindo sua boca. O médico colocou um braço sobre o joelho. "Nós tivemos que abrir e fazer uma cirurgia nos dois lados." Ele gesticula para o local em seu corpo. "Para remover o ar e selar os vazamentos.” Mas. Que. Merda. "Nós queríamos dar tempo de recuperação aos seus pulmões, então foi preciso te manter fortemente sedada e deixar os equipamento realizarem sua respiração, mas não foi preciso fazer isso por muito tempo. Você já estava pronta para acordar ontem." Dr. Arnold sorri outra vez. Tenho uma vaga lembrança de ouvir pessoas falando sobre eu acordar, mas há mais alguma coisa ali nas lembranças. Outras pessoas falando. Alguém gritando... Não, os gritos não eram do hospital. "Como eu disse, você é uma jovem muito sortuda. Nós conseguimos tirar o tubo de ventilação, mas nós vamos segurar


você na UTI por mais um ou dois dias, já que sua pressão arterial está um pouco baixa. Queremos manter um olho nisso.” Eu entendo o que ele está explicando e faz sentido, mas uma grande parte de mim não consegue acreditar. "Quando entendermos que você está pronta, nós vamos te transferir à recuperação para que possamos monitorar infecções e contaminações. Nós vamos começar com os exercícios de respiração hoje mais tarde, e amanhã vamos te colocar fora desta cama, para caminhar um pouquinho.” Eu quase não consigo processar isso. "Se tudo correr bem, o que acredito que vai, você estará em casa no início da próxima semana." No início da próxima semana? "Você vai continuar com dor e ferida por algum tempo, e acho que o vôlei terá que ser paralisado por algum tempo.” Meu coração se afunda. Não. Eu precisava jogar. Eu podia... "Mas você deve ficar cem por cento curada e acreditamos que não haverá nenhuma sequela a longo prazo dentro das exceções razoáveis. Mas vamos abordar isso mais tarde." O Dr. Arnold fica de pé, e eu me pergunto o que ele quis dizer com exceções razoáveis. "O cinto de segurança salvou sua vida. Se os outros estivessem usando...” "Obrigado," mamãe entra rapidamente. "Muito obrigado, Dr. Arnold. Não posso expressar o quão grata eu estou... Quão gratas estamos... Por tudo o que o Sr. fez.” Espera um segundo. Tem alguma coisa faltando aqui.


Algo mais importante do que o voleibol e os tubos no tórax. Como eu cheguei aqui? O que aconteceu? "Outros?" Eu suspiro, olhando para Lori. Minha irmã empalidece enquanto se senta na cadeira ao lado de onde mamãe está parada. O rosto do Dr. Arnold fica inexpressivo, como se tivesse colocado uma máscara. Ele diz algo sobre quanto tempo eu devo esperar continuar no hospital e, em seguida, ele se manda dali. Transfiro meu olhar para mamãe. "O que... o que ele quis dizer com outros?" "Qual é a última coisa que você se lembra?" Minha irmã pergunta quando mamãe não responde. Mamãe olha pra ela bruscamente. "Agora não, Lori.” "Sim." Eu inspiro superficialmente. "Sim. Agora." Eu tento peneirar as lacunas e as partes vazias. Lembro de falar com a mãe no sábado, dizendo a ela que... "Eu fui... para a festa de Keith." Ao fechar os olhos, ignoro a dor latejante na minha cabeça. "Eu lembro…" "Lembra o quê?" Mamãe sussurra, lentamente sentando de volta. Minha mandíbula bate enquanto eu pressiono meus dentes juntos. A festa na piscina. Sebastian. Pensar que ele iria me beijar novamente. Ser jogada na piscina. Conversar... Não... Discutir com ele depois, então... "Lembro de me sentar com... com Abbi junto à piscina e... Não me lembro de mais nada.” Eu te amo, Lena. Eu também te amo.


Quem disse isso? Abbi? Megan? Era uma delas. Levanto minha mão com frustração, estremecendo quando o acesso intravenoso puxa minha mão. Mamãe pega minha mão, levantando-a cuidadosamente até seus lábios. Ela pressiona um beijo contra meus dedos. "Você acabou de receber uma grande quantidade de informações agora. Você deveria descansar para que possamos te tirar daqui e voltar para casa. Podemos conversar sobre isso mais tarde." O que o médico disse? O cinto de segurança salvou minha vida, mas os outros... Ele fez parecer que os outros não usavam... Oh, meu Deus. Havia outros no carro comigo. "Não.” O bip das máquinas se eleva, combinando com minha frequência cardíaca. Tentando me sentar, sinto como se estivesse sendo arrastada pela cama. "Eu quero saber... Sobre isso... Eu quero saber o que... aconteceu. Agora.” Lágrimas enchem os olhos de mamãe. "Baby, acho que não devemos falar sobre isso agora.” Alguém gritando... Megan? "Sim," eu resmungo. "Sim nós devemos falar." Mamãe fecha os olhos brevemente. "Eu não sei como dizer isso.” "Apenas diga," imploro enquanto meu coração bate tão rápido que acho que vai rasgar meu peito. Foi Megan? Não. Abbi? Não consigo respirar. Sebastian? Deus, Sebastian me deu uma carona até a festa no seu Jeep. Meu Deus. Eu jogo minha cabeça para trás, lutando para conseguir


ar suficiente em meus pulmões. Mamãe cuidadosamente abaixa meu braço. "Você não estava sozinha no carro." Meu. Deus. Meu Deus. Minha pressão sobre enquanto meu olhar se move freneticamente de mamãe para Lori. Minha irmã olha para a pequena janela, apertando seus olhos. "Você estava no carro com Megan e... e com o primo dela... Chris. Phillip e Cody também estavam com você.” Lori pisca quando me encara e então eu vejo as lágrimas escorrendo pelo rosto dela. "Sinto muito, Lena. Eles... eles não sobreviveram."


CAPÍTULO ONZE

“Não,” eu sussurro, olhando para Lori. "Não. Isso é... isso não está certo.” Abaixando sua cabeça, ela coloca as mãos sobre o rosto. Seus ombros tremem, e um tremor percorre meu corpo. Meu coração está acelerado enquanto eu luto para conseguir ar suficiente. “Não.” eu digo novamente. “Sinto muito.” ela responde. Eu olho para a mamãe. “Ela está errada. Certo? Mãe, ela... ela tem que estar errada.” “Não, querida.” Mamãe ainda segura minha mão – segura firme. “Eles... eles morreram.” Balançando a cabeça lentamente, eu solto minha mão. Eu levanto meu braço esquerdo. Uma sensação dolorida e penetrante irradia até o meu ombro. “Eu não... entendo.” Mamãe respira fundo várias vezes e parece se recompor. O brilho de lágrimas cintila em seus olhos enquanto ela se inclina, apoiando as mãos ao lado do meu quadril. “Você se lembra de alguma coisa sobre o acidente de carro?” Tento naquele momento, realmente tento, mas tudo que eu posso compreender são partes de conversas aleatórias. Algo


sobre empanados de frango, e eu... Eu poderia, se eu tentar muito mesmo, me lembrar de estar de pé na entrada da garagem de Keith, olhando para Cody e pensando em algo e dizendo – Talvez eu deveria dirigir? Isso foi eu. Eu tinha feito essa pergunta. Eu sabia que tinha. A sensação de desconforto, hesitação e preocupação vem à tona. Vejo-me parando na porta traseira do passageiro de um SUV - o SUV de Chris. Talvez eu deveria dirigir? Não. Não. Eu fechei os olhos com força quando um nó de emoção aumenta em meu peito. Eu não entendi. Eu estava sentada com Abbi. Sebastian tinha me levado para a festa. Como eu terminei no carro com eles? Como Megan tinha – eu não posso pensar nisso. Eu simplesmente não posso. “O que aconteceu?” Eu pergunto ríspida. “Diga-me... tudo.” Vários momentos depois. “A polícia... um policial bateu na porta às onze horas. Eu ainda estava acordada. Eu estava na cozinha, e quando olhei para fora e o vi, eu sabia que algo tinha acontecido. A polícia não aparece-” Mãe para de falar, e eu abro meus olhos. Seus lábios tremem. “Ele me disse que houve um acidente de carro muito ruim e que os feridos foram transportados de helicóptero para INOVA. Que eu precisava ir até o hospital imediatamente.” “Ela me ligou quando saiu. Eu dirigi até aqui, durante a noite.” Lori passa a mão sobre a testa. “Eles não nos contaram nada no começo. Ouvimos dizer que havia dois pacientes que foram trazidos até aqui. Ambos estavam em cirurgia.” Movimento minhas pernas sob o cobertor fino. "Dois? É-”


“Era Cody,” disse Lori, balançando a cabeça enquanto olha para o teto. “Ele faleceu ontem à noite.” Na noite passada? Domingo? “Como?” “Não sabemos exatamente. Eu não falei com os pais dele desde que foram chamados ao quarto dele,” Mamãe responde, seu olhar procurando o meu. “Tudo o que sei é que ele teve um traumatismo craniano grave. Eu não acho que...” Ela exala asperamente. “Eu não acho que eles esperavam que ele acordasse.” Não, ele não poderia ter morrido. Lembro-me de falar com ele no Keith. Ele estava brincando sobre roubar as chaves de Sebastian e ir dar um passeio. Não havia nenhuma maneira que ele estava... ele estava morto. Cody era... era o quarterback. Ele estaria jogando no jogo da noite de sexta ao lado de Chris e Phillip. Rumores diziam que Cody iria jogar para a Penn State. Ele estava falando comigo, não estava? Brincando e se divertindo. Mas se Chris e Phillip estavam conosco, também, que significa... isso significava que eles não... Minha boca se move, mas eu não consigo encontrar palavras. Eu não consigo encontrar a coragem em mim para perguntar o que eu preciso. Eu não posso encarar o que eu quero saber. Um nó se forma no fundo da minha garganta enquanto eu continuo movendo os lábios, mas não há nenhum som. Mamãe toca meu braço direito, uma pressão leve, e ela solta um suspiro trêmulo. “Megan e os outros morreram... Eles


acham que eles morreram com o impacto. Nenhum deles estava usando o cinto de segurança.” “Como?” Pergunto, e eu nem sei por que eu estou perguntando. Eu tive respostas suficientes para entender o que ela estava dizendo. Cody morreu. Phillip e suas estúpidas camisas estúpidas morreram. Chris também. E Megan... Nós estávamos indo para a faculdade juntas. Talvez até mesmo jogar vôlei na faculdade. Ela era uma das minhas amigas mais próximas, minha amiga mais barulhenta e mais espontânea. Ela não podia ter morrido. Isso não era como essas coisas acontecem. Mas ela morreu. Todos eles morreram. Umidade acumula sob meus olhos. “Como?” Eu repito. Mamãe não responde. Lori responde, e ela faz isso sem olhar para mim. “O noticiário disse que eles foram lançados para fora do carro. O SUV bateu de lado em uma árvore e, em seguida, capotou algumas vezes.” Noticiário? Isso estava nos noticiários? Eu não tenho ideia do que pensar, exceto que isso não pode ser real. Pressionando a cabeça contra o travesseiro, eu ignoro a dor queimando que percorre minha espinha. Eu quero sair da cama. Eu quero sair desse quarto, ficar longe de Lori e mamãe. Eu quero estar em casa onde tudo está normal e certo. Onde o mundo ainda está girando e está tudo bem. E vivo.


Mamãe diz alguma coisa, mas eu não a ouço quando eu fecho meus olhos embaçados. Lori responde, mas suas palavras não fazem sentido para mim. Conto até dez, me dizendo que quando eu abrir meus olhos eu estarei em minha cama em casa e isso – tudo isso – seria um pesadelo. Porque não pode ser real. Isso não pode ter acontecido. Megan ainda está viva. Todo mundo ainda está vivo. “Lena?” pensamentos.

A

voz

da

minha

mãe

interrompe

meus

Ninguém tinha morrido. Megan está bem. Todos estão bem. Eu vou acordar e tudo vai estar normal e bem. Mamãe fala de novo, e não importa o quanto eu tento, eu não estou acordando. Isso não é um pesadelo que eu posso acordar. “Eu não quero mais... falar,” eu digo, a voz trêmula. “Eu não... quero.” Fui recebida com silêncio. Então, eu estou deitada lá, mantendo meus olhos bem fechados enquanto eu digo para mim mesma várias vezes que isso não é real. Nada disso é real. Isso não poderia ter acontecido conosco, porque eles não mereciam isso. De jeito nenhum.


Um segundo passou, talvez dois, e eu... Eu quebrei como se eu não fosse nada mais do que vidro. Há um som que me lembra um animal moribundo ferido, e preciso de um momento para perceber que é nisso que estou me tornando. Sou eu quem está chorando tanto que não consegue respirar, não consegue respirar em torno da dor envolvendo todos os sentidos. As lágrimas ardem nas áreas machucadas no meu rosto e fecham minha garganta, e eu não posso parar. "Querida. Amor,” Mamãe diz, com as mãos em mim. "Você precisa se acalmar. Você precisa respirar fundo.” Mas eu não posso, porque eles estão mortos, e isso é como uma tempestade de verão violenta explodindo dentro de mim, imprevisível e severa. As lágrimas continuam a cair e elas não param até que há vozes estranhas no quarto seguido por um ardor nas minhas veias, e depois não existe mais lágrimas. Não existe nada. Mais tarde, mamãe toca no meu braço novamente, e quando abro os olhos, eu ainda estou na UTI. O cheiro de antisséptico ainda entope minhas narinas. Máquinas ainda emitem sinal sonoro. Eu estou aqui, e não há maneira de escapar do que isso significa. Mamãe está olhando para mim, seus olhos já não se enchem de lágrimas. Eu não acho que ela ou a minha irmã tenham saído daqui enquanto eu estou deitada nessa maca. O sedativo, ou qualquer coisa que eles adicionaram à minha IV está lentamente deixando meu corpo. “Eu preciso perguntar uma coisa a você,” diz a mãe depois de alguns momentos.


Lori se levanta da cadeira e caminha até o pé da cama. “Mãe, agora não.” Mãe a ignora enquanto ela se concentra em mim. “Eles estão dizendo que havia álcool envolvido. Que o motorista - que Cody estava possivelmente embriagado.” Minhas sobrancelhas franzem juntas. Cody estava dirigindo? Isso não faz sentido. Eu não acho que ele estava dirigindo para a festa de Keith, porque ele tinha falado sobre pegar o Jeep de Sebastian, a menos que... “De quem... o carro que estávamos?” “Do Chris,” responde Lori. Ela cruza os braços sobre o peito. “E... e Cody estava dirigindo o carro dele?” Nada disso faz sentido. Ela assente com a cabeça. “Estava no noticiário de que se suspeitava sobre álcool envolvido. Eles ainda mencionaram a festa na casa de Keith. Aparentemente, a polícia foi lá naquela noite. Foi... ” Para Keith? Eu levanto meu braço bom e a IV puxa de volta. O abaixo sobre a cama. Por que ele estaria dirigindo o carro de Chris? Então me lembro do que Abbi e Megan tinham dito quando eu tinha chegado na festa. Elas acreditavam que Chris já havia bebido, e eu não tinha... Eu ainda não tinha pensado nisso. Não teve mesmo um lampejo de preocupação ou uma questão do que diabos ele estava fazendo dirigindo para Keith daquela forma. Eu estive... Mais preocupada com o que estava acontecendo com Sebastian.


“Eles estavam bebendo?” Pergunta a mãe. Eu tinha visto Cody com uma bebida - um copo de plástico vermelho e uma garrafa. Lembro disso. Lembro... Lembro-me de pensar Eu não tinha tanta certeza se ele estava bem ou não, mas os caras estavam olhando para mim e Megan estava me pressionando, falando sem parar sobre como ela iria devorar dez pedaços de nuggets empanados. Talvez eu pudesse falar com Abbi e pegar uma carona com quem ela fosse para casa, mas ela estava em uma conversa muito profunda com Keith, estranho, e eu tinha a sensação de que ela não estava planejando ir embora tão cedo. Havia esta pequena voz no fundo da minha cabeça, vindo do centro do meu estômago, mas eu... Eu estava sendo estúpida. Eu tinha ficado no carro. “Mãe, ela não se lembra do acidente. Como ela pode responder a essa pergunta?” Lori acrescenta, mas eu realmente não lembrava? Mamãe olha para mim, seu peito subindo e descendo rapidamente, e ela simplesmente perde o controle. Seu rosto fica lívido e ela começa a se levantar, mas logo se senta de volta na cadeira. “O que você estava pensando, Lena?” Eu abro minha boca, minha mente girando em um milhão de quilômetros por minuto. Eu não sabia o que eu estava pensando. Eu não entendi. Oh Deus, isso não poderia estar acontecendo. Isso não deveria acontecer. “Mãe,” Lori diz, voltando para perto da cama.


“Você entrou naquele carro. Isso é o que aconteceu. Você entrou naquele carro, e aquele garoto, eles disseram que ele tinha bebido. A polícia disse que podia sentir o cheiro em todos vocês. E você - você poderia ter morrido. Eles morreram.” Mamãe levanta de repente e permanece desta vez, apertando o punho no centro do peito. “Eu te amo e eu estou contando cada estrela da sorte no céu neste momento que você está viva, mas estou tão decepcionada. Eu criei você... seu pai e eu criamos você... para nunca, nunca encostar no volante depois de beber ou entrar no carro quando alguém tenha bebido.” “Mãe,” sussurra Lori, suas novamente. Assim como as minhas.

bochechas

molhadas

“Você sabia que ele estava bêbado?” Mamãe pergunta, sua voz era ameaçadora. Talvez eu devesse dirigir? “Eu não sei.” Minha voz vacila quando outra memória surge. Sério. Estou bem. Eu dirigi por esta estrada um milhão de vezes. Eu conhecia aquela voz. Esse era Cody - não, esse tinha sido Cody. Mas não poderia ser, porque ele não teria dirigido bêbado com a gente no carro, porque quem faria isso? Chris fez isso mais cedo e você não se importou, sussurrou uma voz na parte de trás da minha cabeça. Mas isso foi diferente. Eu não teria entrado no carro. Eu sabia que não teria. E eu não teria deixá-lo dirigir. Isso não é quem eu sou. Eu não sou esse tipo de pessoa. Eu não era.


CAPÍTULO DOZE

A polícia apareceu na terça à noite. E foi assim que eu percebi que era terça-feira, três dias depois de sábado. Três dias desde que os meus amigos tinham... Tinham morrido e eu estava dormindo. Eu estive viva e dormindo. Os policiais entram no meu quarto do hospital, dois deles, e medo acumula em meu estômago. Eu estou petrificada, meu olhar selvagem pulando de minha mãe para os dois homens em uniformes azul claro e chapéus estranhos. Uma enfermeira está com eles, e antes que vocês possam sequer se apresentar, ela avisa, “Vocês têm cerca de dez a quinze minutos antes de nós precisarmos aplicar nela mais uma rodada de medicação. Ela não precisa ser perturbada agora.” O policial mais velho retira o chapéu e acena com a cabeça, revelando cabelos grisalhos cor de areia. “Nós não vamos tomar muito tempo.” A enfermeira lançou a eles outro olhar severo antes de sair do quarto. Engulo em seco quando o homem mais velho se apresenta para mim e minha mãe.


“Eu sou o policial Daniels. Este é o policial Allen.” Ele aponta para o homem mais jovem moreno, que também tinha tirado o chapéu. “Estamos investigando o acidente de sábado à noite e nós temos algumas perguntas, se você estiver de acordo com isso.” “Eu não sei se ela está pronta.” Mamãe me olha cansada. “Ela acordou apenas esta manhã e descobriu sobre seus amigos...” Policial Allen abaixa a cabeça. “Realmente sentimos muito pela sua perda.” Ele segura o chapéu sobre a sua barriga, logo abaixo do umbigo. “Nós temos algumas perguntas que esperamos que você seja capaz de responder, então poderemos preencher algumas lacunas.” Eu não quero fazer isso. As lágrimas já estão ameaçando, mas eu limpo minha garganta. Eu não acho que eu realmente tenho uma escolha. “Ok.” “Ok.” O policial Daniels vem para o lado da cama. “Precisamos saber tudo o que você se lembra. Você acha que pode fazer isso?” Fechando os olhos, eu quero estar em qualquer outro lugar menos aqui, e eu não quero falar sobre o que eu estou começando a lembrar, mas eles são a polícia. Então eu falo. Enquanto eu falo, começo a chorar de novo, porque o olhar no rosto de mamãe grita desapontamento e mágoa. Os policiais tem pouca ou nenhuma reação enquanto eles salpicam o quarto com perguntas rápidas. “O álcool foi servido na festa?”


“Os pais de Keith estavam em casa na hora e eles estavam cientes de que vocês estavam bebendo?” “Você se lembra de ver Cody beber?” “Chris estava muito embriagado para dirigir seu próprio veículo?” “Quanto você bebeu?” Algumas dessas perguntas eu suspeito que eles já sabiam as respostas, mas eles estavam verificando as minhas respostas para ver se elas combinam. Quando param, eu sinto que tenho que dizer alguma coisa. As palavras festavam rastejando em minha garganta. “Nós... Eu não pensei que algo poderia acontecer,” eu sussurro, voz, alma, coração e tudo sobre mim parecendo esgotados e quebrados. “Nós não pensamos.” “As pessoas raramente fazem hoje em dia,” Policial Daniels responde, a voz pesada. “Especialmente as crianças da sua idade. Vemos isso muitas vezes.” E isso foi... Isso. Especialmente as crianças de sua idade. Como se fosse nada no final do dia. Eles saíram do quarto, e tudo que eu posso fazer é olhar por trás deles. O quarto fica em silêncio. Este silêncio horrível e enervante. Fecho os olhos, porque eu não posso suportar olhar para a mãe, ver o que eu sei que ela está pensando. Eu sou aquela pessoa. Imprudente.


Irresponsável. Em falta em todos os sentidos da palavra. Os remédios que eles administraram Mais fácil e eu sou apenas capaz de ficar ali. Eu não preciso falar. Lori e mamãe estão em em suas cadeiras, assistindo algum programa

na IV fez tudo... Eu não sinto dor. silêncio, sentadas na TV.

Meu cérebro não se cala enquanto eu estou deitada aqui. Mas eu não penso sobre aquela noite. Eu não posso pensar nisso. Enquanto estou deitada aqui, sentindo como se estivesse flutuando alguns centímetros acima da cama, lembro-me de uma noite diferente. A última vez que todos estávamos no lago, em julho. Foi no fim de semana do Quatro de Julho, e nós estávamos todos juntos - todos nós. Alguém tinha levado uma churrasqueira antiga, e Sebastian abriu a parte de trás do seu Jeep e ligou a música alta. Sentei-me com Abbi, Dary e Megan enquanto Keith tentou usar esquis de neve no lago. Todo mundo estava rindo, exceto Abbi. Seus olhos... Seus olhos estavam arregalados quando ela murmurou várias vezes, “Ele vai se matar. Estamos todos prestes a vê-lo morrer.” Mas Keith não tinha morrido. Ele tinha caído e gritado que ele tinha quebrado sua bunda ou algo assim. Ele se arrastou para fora do lago, segurando seu calção de banho. Phillip e Chris estavam esperando por ele. Eu não me lembro de ter visto Cody lá.


E na minha memória, eu estava ocupada observando Sebastian, que estava parado na doca, conversando com outro cara. Eu o observei muito naquela noite, porque eu sabia que ele iria embora em breve, então meu olhar continuava encontrálo. Eu queria mudar o que eu fiz naquela noite. Eu queria olhar para longe dele. Eu queria observar Phillip e Chris. Eu queria virar a cabeça para a direita e olhar para Megan. Eu gostaria de ter escutado com mais atenção o que ela estava falando, porque agora eu não consigo me lembrar. Mas eu sei que ela parecia feliz e ela estava sorrindo. E quando ela se levantou para se juntar a Phillip na borda do lago, eu queria chamá-la de volta. E eu queria seguilos, para sempre manter a visão deles de pé lado a lado, mas eu não fiz isso. Eu fiquei onde estava, enquanto alguém do outro lado do lago soltava fogos de artifício. Eu tentei mudar minha memória. Mas então havia Sebastian. Enquanto o céu se iluminou e o ar ecoou, ele passou o braço sobre meus ombros. Outros fogos de artifício tinham disparado no ar com um apito suave, explodindo em uma chuva de faíscas vermelhas brilhantes. Todo o lado direito do meu corpo estava quente e firme contra Sebastian. Eu descansei minha bochecha na curva de seu ombro enquanto o céu iluminava, porque não havia nada de estranho entre nós então, e lembro-me de pensar que... Que a vida não poderia ser melhor do que naquele instante, naquele momento. E eu não tinha ideia de quão certa eu estava. Quarta-feira de manhã a mãe me dá a notícia. “Seu pai está a caminho.”


“Por quê?” Eu pergunto, olhando para o teto. “Ele é seu pai.” responde ela, parecendo cansada. Isso não era uma explicação razoável. Ele é meu pai, mas ele com certeza não tinha feito muito a coisa da paternidade. Por que começar agora? Um pensamento horrível surge: se eu estive no hospital desde sábado à noite, na UTI, e hoje é quarta-feira, ele está vindo apenas agora? Soou tão parecido com o pai que eu quero rir, mas não posso. “Ele está dirigindo de Seattle,” explica ela, obviamente, pensando a mesma coisa que eu. “Você sabe como ele é. Se recusa a voar. Ele deve estar aqui esta noite, amanhã de manhã o mais tardar.” Eu não conheço mais o meu pai, e agora eu realmente não tenho espaço no meu cérebro para entendê-lo. Eu não quero vê-lo, mas eu também não tenho nada realmente para dizer sobre isso. Eu só quero ficar sozinha com minhas memórias em vez de aceitar que tudo tinha mudado. Eu não quero que essas novas memórias apaguem tudo. Mamãe e Lori estão fazendo turnos para ficar comigo. Uma delas dirigiria por quarenta e alguns minutos, verificaria a casa, tomaria banho e pegaria roupas limpas. A outra fica. Mamãe não mencionou o que tínhamos falado com a polícia. Durante uma das idas da mãe para casa, Lori me disse que o acidente aconteceu apenas cinco quilômetros da casa dos


pais de Keith. Nós não tínhamos sequer chegado à rodovia, o que foi uma bênção estranha. O caminho cheio de curvas que leva para a fazenda era raramente trafegado por alguém além daqueles que iam para a casa de Keith. Se tivéssemos entrado na rodovia, nós poderíamos ter atingido alguém. Matado mais pessoas. Matado outros além de nós mesmos. Nessas horas, quando Lori ou a minha mãe estão tranquilas, ou quando as enfermeiras estão checando meus sinais vitais, pensamentos sobre Megan e os caras me consomem, embora eu tente esquecer isso. Eu quero fazer perguntas. Como Abbi está? Alguém tinha chamado Dary ou ela voltou para casa domingo? O que Sebastian pensa? Como o treinador estava... Como o treinador estava lidando com a perda de Megan? Eu sou substituível na equipe. Megan não era. A escola tinha começado no dia que eu acordei. Como todo mundo estava? Na UTI, eles permitiram apenas que a família visitasse. Isso mudou uma vez que fui transferida para a recuperação. Pelo que eu ouvi, INOVA tem uma política de visita aberta. As pessoas poderiam vir a qualquer momento, mesmo durante a noite. Mas, por agora, eu estou grata que é apenas Lori e mamãe. Ver meus amigos me faria pensar sobre o que tinha acontecido, além do nível superficial. E eu não posso. Fazer isso tornaria tudo muito real, muito doloroso, e enquanto eu estou no hospital, longe daquela vida, eu tento fingir que estou aqui para outra coisa senão a razão que eu estou.


"O Sr. Miller tem sido incrível com a mamãe,” diz Lori quarta-feira à noite, enquanto a mãe está no refeitório, onde quer que ele fique. O Sr. Miller é o chefe da mamãe, o proprietário da agência de seguros. “Ele deu a ela esta semana e a próxima de folga sem fazê-la usar suas férias. Ele alegou que seria todo o tempo que ela tinha direito de atestado para sua própria saúde que não foram utilizados.” “Isso é bom.” eu murmuro, olhando pela pequena janela. Eu não consigo ver nada além do céu. Lori se senta no outro lado da cama, com os braços apoiados sobre o colchão, perto das minhas pernas, que estão atualmente envoltas em algum tipo de aferidor de pressão bizarro. Algo a ver com a circulação e prevenir coágulos sanguíneos. “Sebastian me mandou uma mensagem,” ela diz. Fecho os olhos. “Ele está perguntando sobre você. Todo dia.” Ela ri com a voz rouca. “Você sabe, quando eu fui para casa na segundafeira, pela primeira vez, eu juro que ele devia estar esperando perto da janela pela mãe ou por mim. Ele veio rapidamente para fora antes mesmo que eu saí do meu carro. Ele estava realmente preocupado. Assim como Abbi e Dary.” Meu peito se aperta. Eu não quero pensar sobre eles. Eu não quero pensar sobre Sebastian, Abbi ou Dary se preocupando comigo quando Megan tinha morrido. Quando os amigos dele, seus amigos próximos, também tinham morrido. Eu não quero pensar. Lori exala asperamente, e um momento de silêncio passou. “O funeral de Megan e Chris será amanhã. A família dela decidiu realizar os dois ao mesmo tempo.”


Eu paro de respirar. O funeral dela é amanhã? Parece tão rápido. Como se acabou antes mesmo de começar. E a família dela não está apenas... Não está apenas enterrando ela; eles estão também enterrando Chris. Eu não posso... Eu só não posso. “O funeral de Phillip é na sexta-feira e do Cody será no domingo. O dele está levando mais tempo por que...” Ela para. Abro os olhos. O céu é uma sombra mais profunda de azul. É quase noite. “Por quê?” Eu resmungo. Lori suspira novamente. “Eles tiveram que fazer uma... uma autópsia nele, já que ele estava dirigindo. Eles não realizaram nos outros. Não foi necessário além de retirar amostras de sangue.” Autópsias e amostras de sangue. Era tudo o que eles eram agora? “A escola vai deixar os alunos assistirem aos funerais se quiserem. A ausência deles na escola não será levada em consideração.” Isso foi... Legal da parte da escola. Eu imaginei que haveria um grande número de pessoas nos funerais. Os caras eram super populares. Megan também. Um pensamento estúpido surge na minha cabeça: Como é que eles iriam jogar futebol na sexta à noite? É o jogo de abertura deles. Estariam faltando três... Três jogadores titulares. Aposto que eles têm uma equipe de conselheiros de luto na escola. Um estudante do segundo ano morreu de câncer no ano passado e tinham conselheiros extras incluídos.


“Mamãe vai amanhã ao funeral de Megan,” diz Lori, e eu endureço. “Eu não sei se ela vai dizer antes da hora. Ela não queria me dizer sobre os funerais, mas eu pensei que você deveria saber.” Eu não digo nada. Passaram-se vários minutos. Pareceu uma eternidade, mas não o suficiente. “Você não tem que falar sobre isso agora. Você nem mesmo pensa nisso,” minha irmã diz calmamente. “Mas você vai precisar fazer isso, Lena. Em algum momento, você vai ter de enfrentar o que aconteceu. Só não precisa ser agora.”

***

Quinta de manhã eles me mudaram para a recuperação geral. Havia equipamentos que pareciam menos sérios neste quarto e mais cadeiras. No meu novo quarto, eles tinham inclinado minha cama para me ajudar com a respiração, e depois passei por várias rodadas de tratamentos respiratórios, eles me levantaram, me fizeram caminhar para trás e para frente no corredor do lado de fora. A enfermeira caminhou ao meu lado, segurando a parte de trás do meu vestido fechado. Caminhar foi exaustivo. De acordo com o médico, eu não estaria totalmente curada por cerca de duas semanas, e durante este tempo eu iria cansar facilmente, mas tinha que me manter em movimento


para se certificar de que eu não acabaria com fluídos nos pulmões ou um coágulo de sangue. Antes do acidente, eu teria ficado com medo de fluído nos pulmões ou um coágulo de sangue. Eu teria pensando que cada dor na minha perna ou meia respiração era um prenúncio de morte. Eu estaria pesquisando os sintomas sem parar. Agora? Eu... Eu simplesmente não me importo. Enquanto eu me arrasto pelo corredor, penso sobre como um coágulo de sangue seria rápido. Não seria? Como rapidamente teria se soltado e estaria tudo. Assim como o momento em que o carro bateu na árvore. Era sobre Megan, Chris e Phillip. Eles existiam em um segundo, e no próximo se foram. Lori estaria voltando para Radford naquele fim de semana, desde que o Dr. Arnold acreditava que eu seria liberada no domingo, segunda-feira o mais tardar. A vida voltaria ao normal para a maior parte. Mas não iria. A vida nunca seria normal. Mamãe me disse que ela tinha ido ao enterro de Megan. “Foi lindo, a forma como eles lidaram com ela e Chris.” Ela fez uma pausa. “Quando estiver pronta, podemos visitar o lugar de descanso deles.” Isso era tudo o que ela tinha dito sobre o funeral.


Agora ela está sentada na cadeira perto da janela. O vidro foi descoberto, como se não tivesse sido limpo em um tempo, e por algum motivo eu estou fascinada por isso. É um hospital. Como poderia haver moscas mortas nos parapeitos das janelas? Mamãe não tinha me perguntado o que eu estava pensando quando eu entrei no carro. Após a explosão na UTI, ela era um pilar de força. Cabelo loiro arrumado em um rabo de cavalo. Calça de ioga preta amarrotada. O inchaço nos olhos dela não tinha diminuído, embora, e eu suspeitava que quando ela voltava para casa ou quando eu dormia, ela perdia o controle. Ela estava chorando muito. Como ela tinha chorado nos meses depois que meu pai tinha nos deixado. “Eu chequei com a escola no caminho para cá,” ela me diz, fechando a revista que ela estava folheando. “Eles estão cientes de que você não vai começar até a terceira semana.” Ela empurra a revista em sua bolsa. “Tenho certeza que você está pronta para voltar.” Eu não me importo sobre ir para a escola. Como eu deveria me importar com isso quando Megan não ia voltar? Quando Cody, Phillip e Chris também tinham morrido? Nada sobre isso parece justo. Nada sobre o acidente era. Como... Como eu iria sobreviver? Porque entre todos eles, não deveria ter sido eu. “Os professores têm sido maravilhosos,” ela continua. “Eles estão coletando trabalho. Acredito que Sebastian os trará para casa amanhã.”


Sebastian. Como eu poderia vê-lo novamente? Como eu poderia ver Abbi ou Dary de novo, porque eu sabia... Eu lembrava o suficiente para saber que eu... Eu não deveria ter ficado no carro. Eu não deveria ter deixado Megan entrar. Eu não deveria Movendo-me na minha cama, eu olho para o teto e pisco rapidamente. Umidade acumula em meus olhos. Como eu deveria entrar nessa escola, quando todo mundo estava morto? Quando Megan não estaria esperando no meu armário para seguir comigo para o treino de voleibol? Quando ela não estaria me dando a minha palestra semanal da sexta-feira na maneira mais detestável possível? Quando eu não respondo, mamãe olha para os livros que Lori tinha trazido para mim. Eles estão em uma prateleira pequena. “Você já leu?” Ela pergunta. “Se você me der uma lista, eu posso pegar os que você não leu.” Eu não tinha tocado na pilha de livros. Eu não tenho certeza se eu tinha lido eles ou não. Respirando superficial, me concentro na TV. Mamãe tinha ligado em um canal de notícias nacional. “Os livros são bons.” Mamãe não responde por um longo minuto. “Você pode receber visitas agora. Eu sei-” “Eu não quero visitantes.” Mamãe franze a testa. “Lena.” “Eu não quero... ninguém aqui,” eu repito.


“Lena, eu sei que Abbi e Dary estão planejando vir vê-la. Assim como Sebastian.” Ela senta mais na beirada da cadeira, mantendo a voz baixa. “Eles estavam esperando até-” “Eu não quero... vê-los.” Eu viro minha cabeça em sua direção. “Eu apenas não quero.” Seus olhos se arregalam. “Eu acho que seria muito bom você vê-los, especialmente depois-” “Depois que Megan morreu? Depois que Cody e os caras morreram?” Eu respondo quando meu pulso acelerou. O monitor cardíaco estúpido igualou o seu ritmo. “Você acha que seria bom para eu ver meus amigos, sabendo... que eu deixei todo mundo entrar no carro e eles morreram?” “Lena.” Mãe levanta, aproximando-se da cama. Ela coloca a mão na cabeceira da cama e se inclina sobre mim. “Você não foi a única responsável naquela noite. Sim, você fez uma grave má escolha, mas você não é a única-” “Eu não estava bebendo,” eu digo, e vejo o sangue do rosto da minha mãe drenar. “Eu me lembro disso. Eu tomei... alguns goles no início da noite. Se eles me testaram... quando eu entrei aqui, eles teriam visto que eu... eu não estava bêbada. Então eu... Eu estava sóbria. Eu poderia ter dirigido.” Minha voz falha. “Eu deveria ter dirigido.” Mamãe lentamente se afasta da cama e senta-se pesadamente na cadeira. “Então por que você não dirigiu?” Sua voz está grossa. “Eu não sei.” Eu agarro a borda do cobertor, fazendo meu braço esquerdo doer. “Eu acho que... Eu não queria...” “Queria o que, Lena?”


A próxima vez que eu respiro machuca. “Eu não queria... ser a pessoa que exagera nas coisas.” “Oh. Oh, querida.” Mamãe coloca a mão sobre sua boca e depois fecha os olhos. “Eu não sei o que dizer.” Provavelmente porque não há nada a dizer. Lembro-me de estar de pé do lado de fora do carro agora. Lembro-me de ver Cody alcançar a maçaneta da porta e não conseguir segurar. E me lembro de perguntar se ele estava bem e depois desabar com a pressão em torno de mim. Eu lembrava. Uma batida nos interrompe. Mamãe fica tensa, abaixando a mão dela. Olho, e eu... Eu não sinto nada e tudo ao mesmo tempo. Papai está na porta.


CAPÍTULO TREZE

Eu não tinha visto meu pai em quatro anos. A última vez tinha sido na cozinha, sentado à mesa. Ele e minha mãe estavam esperando por eu e Lori chegarmos da escola, e eu acho que eu sabia o que estava acontecendo no momento em que eu entrei na cozinha. Mamãe estava com os olhos vermelhos. Lori não tinha visto isso chegando. Papai agora parece... Parece mais velho, mas bem. Há mais linhas ao redor dos olhos e os cantos de sua boca, e seu cabelo está mais grisalho do que castanho, mas ele parece como se a vida estivesse sendo boa para ele em Seattle. Papai costumava ser um desenvolvedor. Sua empresa Wise Home Industries - era responsável por mais da metade das casas construídas nas últimas duas décadas. Então, o mercado imobiliário bateu de cara no fundo do poço e papai teve que fazer cortes e os postos de trabalho diminuiu antes de parar, e então ele teve de fechar o negócio. O dinheiro parou de entrar. As coisas ficaram apertadas. E ele não podia lidar com isso.


Ele tinha deixado a mamãe e nós, mudou-se para Seattle, de todos os lugares, para encontrar-se ou alguma porcaria. A última vez que ouvi, ele começou a trabalhar para alguma empresa de publicidade. Eu pensei que eu ia sentir algo mais forte do que irritação leve ou surpresa. Eu passei anos ignorando seus telefonemas. Anos sendo incomodada por ele. E agora eu só estou vazia. Provavelmente tem algo a ver com os analgésicos bombeados através do meu corpo. Seus olhos castanhos derivam para a mamãe antes de se fixar em mim. Um sorriso torto forma quando ele se arrasta até a cama. Ele limpa a garganta enquanto ele olha para mim. “Você parece... Você parece...” Como se eu estivesse em um acidente de carro? Como se eu tive dois pulmões colapsados, mandíbula e rosto inchados, e um braço fraturado? Como se eu fui a uma festa e tomei uma série de decisões realmente ruins que eu não poderia mesmo começar a desvendar na minha cabeça? Como se eu tivesse basicamente deixado meus amigos morrerem? Exatamente assim é como eu pareço? Ele para ao lado da minha cama, sua postura rígida e pouco natural. “Eu estou contente em vê-la.” O que eu deveria dizer sobre isso? Levantando-se do seu assento, mamãe se inclina e beija minha testa. “Eu vou pegar algo para comer.” Ela se endireita, enviando um olhar irritado na direção de meu pai. “Eu estarei de volta em pouco tempo.”


Parte de mim queria exigir que ela ficasse, porque ela queria o pai aqui, não eu, mas eu a deixo ir. Lidar com o meu pai não é nem perto da punição suficiente por tudo o que tinha acontecido. Papai acena para ela e, em seguida, caminha ao redor da cama para se sentar na cadeira dela. Se Lori estivesse aqui, ela estaria emocionada ao vê-lo. Eles ainda se falavam. Nem sempre, mas eles falavam. Ele abaixa as mãos sobre os joelhos enquanto seu olhar vagueia sobre mim. Vários momentos passaram. “Como está se sentindo?” Eu começo a dar de ombros, mas minhas costelas protestam. “Ok, eu acho.” “Meio difícil de imaginar como você se sente bem depois de tudo,” diz ele, afirmando o óbvio. “Sua mãe disse que você deve ir para casa neste fim de semana e que o médico espera que você se recupere sem quaisquer complicações.” “Isso é... o que ele vem dizendo.” Eu deslizo um dedo sob o gesso, tentando alcançar a coceira. Papai fica em silêncio por alguns instantes. “Eu não sei por onde começar, Lena. Receber aquele telefonema de sua mãe foi um... foi uma das piores coisas a acontecer. Eu sei que você passou por muita coisa e eu não quero acrescentar a isso.” “Eu também não,” eu digo, voz baixa e rouca. “Mas o que aconteceu poderia ter sido evitado,” ele continua como se eu não tivesse falado, e ele está certo, muito certo, mas eu não queria ouvi-lo dizer isso. “Isto não foi apenas um acidente. Você crianças fizeram alguns-”


“Você está... de verdade me dando um sermão?” Solto uma risada, em seguida, faço uma careta. “Realmente?” Com os ombros tensos, ele respira fundo. “Compreendo. Eu entendo, Lena. Eu não estive por perto, mas eu liguei para você. Eu estive tentando-” “Você foi embora e nós não tivemos notícias suas por dois anos.” Como ele poderia ignorar esse pequeno fato? E entrar de volta na minha vida com um telefonema? “Sinto muito,” ele foi rápido em dizer, e talvez ele quisesse dizer isso mesmo, mas naquela época e agora, esse pedido de desculpas é tão vazio quanto a nossa casa. “Mas eu ainda sou seu pai, Lena.” “Sim, você é meu pai, mas eu parei de pensar em você dessa maneira no... momento em que saiu pela porta da frente e desapareceu por dois anos.” As minhas costelas doem com cada palavra. “Como... você pode dizer qualquer coisa para mim?” Os centros de suas bochechas coram. “Lena-” “Eu não quero... fazer isso agora,” eu digo a ele, apertando os olhos fechados e desejando, não, orando, para ele desaparecer. Que tudo isso simplesmente desaparecesse. Que eu poderia sair deste quarto e desaparecer. “Eu não quero falar. Estou... cansada e eu... Eu só quero ficar sozinha.” Papai não responde, e eu viro meu rosto para o outro lado, mantendo os olhos fechados até que eu ouço seus passos, até que eu tenho certeza que ele saiu do quarto como se eu sabia que ele faria. E eu sabia que não iria vê-lo novamente.


Eu tinha cochilado depois que meu pai saiu e os remédios programados foram aplicados na minha IV. Eu não tinha ideia se a mãe ou Lori tinham voltado ao quarto depois daquilo ou se elas tinham passado tempo com ele. Eu quase tenho certeza que Lori tinha, e apesar dos meus próprios problemas pessoais com ele, eu não tinha isso contra ela. Só porque a nossa relação tinha quebrado, não significava que a relação deles tinha que acabar. Eu não tinha ideia de quanto tempo eu dormi. Eu sabia que não foi muito. Dormir em um hospital era quase impossível. Havia tantos ruídos. Máquinas sendo arrastadas. Passos no corredor. Conversas distante. Códigos sendo chamados. Eu só dormia poucas horas, e quando eu acordei desta vez, cheguei a pensar sobre o tempo que Megan tinha tentado copiar uma coreografia que ela tinha visto no Dance Moms na minha sala. Ela torceu o tornozelo. E quebrou o vaso sobre a mesa de centro. O treinador ficou tão chateado. Ela ficou fora de vários jogos, e eu mal conseguia manter uma cara séria enquanto ele gritava com ela. Megan era tão idiota. Peso se instalou no centro do meu peito e não tinha nada a ver com meus pulmões colapsando ou costelas doloridas. Segundos se passaram enquanto eu estava lá e, lentamente, eu percebi que não estava sozinha. Sob o cheiro de produtos de limpeza e aquele estranho cheiro de antisséptico do hospital eu sentia um cheiro mais fresco. Não era o perfume de baunilha da minha mãe ou a loção de framboesa que Lori usava. Cheirava ao ar livre, como o pinho e cedro.


Ar entra na minha garganta, e meus olhos se abrem. Viro a cabeça apenas um pouco, e lá está ele, sentado na cadeira junto à janela manchada. O rosto de Sebastian está virado para o lado. Ele está olhando para fora da janela, e tudo que eu posso ver é seu perfil, mas é o suficiente para me dizer tudo. Uma barba leve cobre sua mandíbula. Seu cotovelo está no braço da cadeira, o queixo na palma da mão. Ele está mais pálido do que eu estava acostumada a vê-lo. Seu cabelo é uma bagunça, caindo sobre a testa. O que ele está fazendo aqui? Eu disse a minha mãe que eu não queria visitantes. Eu não estava pronta para vê-lo, ou Abbi ou Dary ou qualquer um, realmente. Eu não faço barulho, mas ele vira a cabeça em minha direção. Sombras profundas esculpidas na pele sob aqueles belos olhos cor de um céu à noite, e aqueles olhos estão cheios até a borda. Eles parecem assombrados. Nossos olhares se encontram e prendem. Por um segundo, ele não se mexeu. Eu não tenho certeza de que ele respira. Ele só olha para mim como se ele nunca esperava fazer isso novamente... E eu imaginei que ele não tinha, por um período de tempo. O olhar de Sebastian se move, analisando meu rosto, demorando-se no lado inchado e machucado. Ele abre a boca, mas não há palavras. Ele não fala por um longo momento, e eu quase desejei que ele não fosse. Que ele ficasse quieto, porque ouvir a voz dele me lembra de antes, de cada coisa estúpida que eu tinha me preocupado


até sábado à noite. De cada momento idiota que eu tinha desperdiçado. Lembro-me de por que eu tinha deixado àquela festa. “O que... você está fazendo aqui?” Eu sussurro. Seus olhos se fecham e seu rosto enruga como se ele estivesse com dor. Um momento se passou antes que seus olhos se abram, e existe dor neles que eu nunca tinha visto antes. “Deus,” ele fala. “Parte de mim quer perguntar para você que inferno de pergunta é essa, mas tudo o que posso pensar é que você está realmente falando. Que você ainda está aqui.” Cada músculo do meu corpo fica tenso. Dor maçante queima em minhas costelas. “Eu... eu disse a minha mãe que eu não quero ver ninguém.” “Eu sei que você disse.” Sebastian se inclina para frente, agarrando seus joelhos. “Por quê?” “Por quê?” Eu repito incrédula. “Como você pode sequer pensar por um segundo que eu não viria aqui no momento que eu pudesse? Abbi e Dary podem recuar, mas não há nenhuma maneira no inferno que, depois do que aconteceu, eu não estaria aqui.” Ele senta na borda da cadeira. “Eu queria - não, eu precisava - ver você, provar que você realmente estava viva. Que você vai ficar bem.” Meu pulso começa a acelerar. “Você sabe que eu estou bem. Eu sou a única pessoa que está bem.” “Bem?” Seu rosto se contorce e depois suaviza. “Você não cortou seu dedo, Lena. Ambos os pulmões entraram em colapso. Seu braço está quebrado. Você está uma bagunça e você-” Sua voz falha. “Você poderia ter morrido. Em vez de ir ao


funeral de uma garota que eu conheço há anos, hoje, eu poderia ter ido ao seu funeral.” Isso me cala. “Eu vi um do amigo meu ser enterrado hoje. Amanhã vou vê-los enterrar mais um dos meus melhores amigos,” Ele continua, sua voz grossa e os lábios apertados. “No domingo, eu vou ver mais um dos meus amigos ser enterrado. Dentro de três dias, vou ver quatro amigos serem enterrados.” Oh Deus. “Eu nunca vou ouvir Megan novamente e tentar descobrir o que diabos ela está falando,” diz ele, e minha garganta se contrai. “Eu nunca vou ouvir Cody me incomodar sobre jogar bola. Eu nunca mais vou sentar na sala de aula e observar Chris colar em suas provas, perguntando como ele nunca é pego. Não vou conseguir relaxar com Phillip e tocar 'Madden' novamente.” Sua voz treme, e eu quero que ele pare. “Eu nem mesmo disse adeus a qualquer um deles no sábado. Eu não consegui dizer adeus a você naquela noite.” Oh Deus. “Você sabe o quê? Perdê-los é algo que eu não posso nem processar agora. Inferno se eu vou ser capaz disso em algum momento. Mas perder você?” Sua volta endireita e sua mandíbula flexiona. “Eu nunca iria superar isso.” Apertando os olhos fechados, eu respiro ao redor do nó na minha garganta. “Eu não posso fazer isso.” “Fazer o quê?” Ele pergunta.


“Você...” Eu inspiro. “O que aconteceu, é... é minha culpa.” “O quê?” Ele parece atônito. Meu Deus, ele realmente ficou chocado. “Não era você que estava dirigindo, Lena. Você não sentou atrás daquele volante bêbada.” “Isso não... importa,” eu sussurro. “Lena-” “Você não entende.” Eu levanto meu braço bom, colocando minha mão sobre os olhos. Eu não quero chorar na frente dele. Eu não quero chorar novamente. “Eu não... quero falar mais.” Alguns momentos se passaram e ele diz, “Nós não precisamos.” Eu me contorço inquieta. Algo está aumentando dentro de mim. Algo feio e confuso e muito grosseiro, muito poderoso. “Você pode simplesmente sair?” Pergunto, implorando na verdade. “Por favor?” Seu olhar sustenta o meu por um momento e então ele se levanta, e eu quero afundar na cama, afundar no nada. Sebastian não sai, no entanto. Ele não é meu pai. Ele não é eu. Agarrando a cadeira, ele a pega e a coloca perto da minha cama e, em seguida, senta-se. Meu coração bate forte. Ele descansa seu braço direito na cama ao lado do meu e depois se inclina, esticando o braço esquerdo de modo que seus dedos


pegam os fios soltos do meu cabelo, colocando-os atrás da minha orelha enquanto ele diz, “Eu não vou sair. Você pode ficar chateada. Você pode ficar irritada, mas eu vou ficar aqui, porque se você percebe ou não, você não deve ficar sozinha. Eu não vou a lugar nenhum.”


CAPÍTULO QUATORZE

Sebastian ficou mesmo sem nos falarmos. Ele ligou a TV e assistiu o jornal. Eu não olho para ele, mas de vez em quando, eu posso sentir seu olhar em mim. Espero que ele diga alguma coisa, faça perguntas, mas ele não faz nada disso. E ele está lá quando as enfermeiras entram no quarto e me forçam a sair da cama para caminhar. Horrorizada que ele esteja prestes a testemunhar a luta absoluta que é sair da cama apenas para mostrar a nádegas para quem está no quarto, eu prendo meu vestido atrás quando a enfermeira me ajuda a sentar. A testa da enfermeira franze quando não me movimento. “Você está com dor?” Com minha boca fechada, eu rapidamente balanço a cabeça. Eu posso sentir o olhar de Sebastian em minhas costas. A enfermeira parece saber o que está acontecendo. “Você se importa de ir ao posto de enfermagem no corredor e pegar um copo de gelo?” Pergunta a ele. “Sem problemas.” Sebastian fica de pé, e eu olho para o chão até que eu o ouço sair do quarto. “Obrigada,” eu sussurro.


“Não há necessidade de me agradecer,” ela responde, firmando meu braço ileso. “Ele é seu namorado?” Eu balanço minha cabeça enquanto eu saio da cama. “Só... só um amigo.” Costumava doer ao dizer isso. As pessoas muitas vezes assumiam que estávamos juntos, algo que sempre secretamente me agradou no final, mas não senti nada enquanto eu coloco meus pés nos chinelos e começo a andar. Sem emoção. Nenhuma doce antecipação que normalmente fica amarga. Sem tristeza porque não é verdade. Eu estou... Eu estou apenas vazia. A enfermeira segurou meu vestido fechado enquanto nós caminhamos para cima e para baixo no corredor. Depois de alguns passos, meus joelhos não estavam tão instáveis e eu definitivamente estava respirando melhor do que antes. Eu poderia ter continuado, mas a enfermeira me encaminhou de volta para o quarto. Sebastian ainda está lá, sentado na cadeira. Ele fica de pé enquanto me aproximo da cama, um copo de plástico amarelo na mão. “Eu peguei o gelo.” “Perfeito,” a enfermeira responde, ainda segurando a parte de trás do meu vestido. “Você pode colocá-lo em cima da mesa?” Enquanto Sebastian vira-se para fazer exatamente isso, a enfermeira segura meu vestido enquanto eu subo na cama. Uma inclinação e então estou sentada. Mantendo a minha atenção sobre minhas mãos, eu posso sentir Sebastian aproximando enquanto a enfermeira pega os inaladores para o tratamento. Sebastian ficou durante isso, também.


Então, depois que a enfermeira saiu, ele ainda estava lá quando minha mãe voltou. Eu fingia dormir enquanto eles conversavam em voz baixa sobre nada. Eu finalmente adormeci, ouvindo vozes que deveria ser tão familiares quanto respirar para mim, mas soou como estranhos agora. Eu fiquei sabendo que sexta-feira não havia nenhum jogo de futebol, quando Sebastian apareceu cerca de uma hora depois da aula. Ao contrário do dia anterior, havia uma pequena faísca de algo dentro de mim quando minha mãe olhou para a porta e vi Sebastian. Imaginei que era uma melhoria do sentimento de absolutamente nada. Sebastian parecia melhor. Ele ainda não tinha se barbeado, mas as sombras profundas sob os olhos haviam diminuído e não havia mais cor à sua pele. Ele falou muito - sobre a escola e as duas aulas que vamos compartilhar este ano, sobre Abbi e Dary. Falou sobre tudo, exceto do acidente ou os funerais. Eu não falei muito. Eu só fiquei deitada lá, olhando para a TV. Ele veio novamente no sábado à tarde, e havia outra faísca, aquela aquecendo no meu peito que eu queria agarrar firme, mas... Não parecia certo me sentir assim. Eu poderia ter dito um total de cinco frases. Eu não tinha vontade de falar, colocar voz para tudo o que estava dentro da minha cabeça ou o que eu estava sentindo... E o que eu não estava. Sebastian também apareceu no domingo, com o rosto barbeado, vestindo calças pretas e uma camisa de botão branca. Ele tinha as mangas enroladas e estava carregando um saco de papel marrom. Eu sabia onde ele tinha ido.


“Você está parecendo muito melhor,” diz ele, sentado na cadeira perto da janela. O saco de papel pendia entre seus joelhos. “Onde está sua mãe?” Eu puxo uma respiração superficial e irregular. "Casa. Ela está... ela virá em breve.” “Legal.” Aqueles profundos olhos azuis prendem os meus por um momento. “Você acha que vai sair amanhã?” Mudando a inclinação da cama, eu concordo. Seus cílios grossos abaixam quando ele levanta o saco marrom. “Eu queria dar isso para você ontem. Deixei no Jeep sem pensar.” Ele enfia a mão no saco, em seguida, puxa um grande quadrado que logo percebi ser um cartão gigante. Meus lábios secos separam. “O que... o que é isso?” Um sorriso toro aparece. “É um cartão. Certeza que passou por toda a escola.” Um cartão. Um cartão para mim. Eu levanto meu olhar para Sebastian. Ele está segurando-o para mim, mas eu não posso me mover. Eu não posso pegar o cartão. Não é certo. Jesus Cristo, não é correto. Sebastian olha para mim um momento. O silêncio se estende e, em seguida, seu peito levanta com uma respiração profunda. Ele coloca o saco no parapeito da janela e se aproxima da cama. “Todo mundo esteve pensando em você.” Ele cuidadosamente abre o cartão de tamanho jumbo, segurando-o na minha frente. “Eles sentem sua falta.”


Meu olhar deriva sobre o cartão. Eu posso ver as assinaturas ao longo de todo o cartão, sob corações desenhados mensagens de ‘Fique Bem Logo.’ Eu vejo ‘Nós amamos você’ escrito em letra cursiva e em letras maiúsculas. Culpa me atinge, enchendo minhas veias com ácido de bateria. Eles não sabem? “Eu sinto tranquilamente.

sua

falta,”

Sebastian

acrescenta

Lentamente, eu levanto meus olhos para ele, e emoção obstrui minha garganta. Eles sentem minha falta e eles querem que eu fique melhor, mas eles não sabem que eu não poderia não deveria - mudar o que tinha acontecido. Sebastian fecha o cartão, limpando a garganta quando ele recua. “Vou colocá-lo na sua mesa, ok?” Sem esperar pela minha resposta, ele o coloca na mesinha ao lado da cama. Olho para ele. Ele fica em silêncio quando ele move a cadeira mais perto da minha cama e senta, descansando os braços sobre suas pernas, ele tem aquele olhar em seu rosto, como se ele não sabe o que dizer ou fazer, e está tentando descobrir isso. “Você... você não precisa ficar aqui,” eu digo a ele, voltando a olhar para as minhas mãos. “Eu sei que eu não sou boa companhia.” “Eu não quero sair,” responde ele e, em seguida, exala asperamente. “Você quer... Você quer falar sobre isso?” Meu corpo inteiro endurece. “Não.”


Sebastian fica em silêncio por um longo momento novamente. “Dary e Abbi realmente sentem sua falta. Elas estão tentando dar-lhe espaço, mas-” “Eu sei,” eu o interrompo. “Eu estou apenas... Eu não quero que eles precisem vir aqui. Hospitais são péssimos.” “Eles não se importariam.” Eu sabia que eles não iriam. "Não importa. Eu devo estar em casa amanhã.” Ele se mexe na cadeira, inclinando-se para trás. “O funeral de Cody foi hoje. Eles fizeram na grande igreja da Route 11. Você sabe aquela? Onde costumávamos fazer a coisa do ‘doces ou travessura’,” ele explica. “O lugar estava lotado até na sala de espera. Quero dizer, todos os... Todos os funerais eram assim, mas você conhece Cody.” Ele riu com a voz rouca. “Ele teria adorado. Você sabe, todas aquelas pessoas.” Apertando meus lábios, eu concordo. Cody teria... Ele teria aproveitado tanto da atenção. “Seus pais...” Sebastian para, limpando a garganta. “Você conhece seu irmão mais novo, certo? Toby? Ele tem o quê? Doze? Treze? Deus. Ele é a cara do Cody. E ele estava... Ele estava muito triste. Eles tiveram que tirá-lo no meio do funeral. Ele vai ser...” Minhas mãos apertam, olho para Sebastian. Ele está olhando para o espaço em frente da cama, sua mandíbula apertada e sua boca tensa. “Ele vai ser o quê?” Seu peito movimenta com um suspiro audível. “Ele vai ficar bem. Eventualmente.”


Eu não respondo, embora eu queira concordar. Eu quero que Toby fique bem, mas como poderíamos saber se isso iria acontecer? Ele havia perdido seu irmão mais velho. Como é que uma pessoa supera isso? Como é que a dor diminui, mesmo ao longo dos anos? Como é o buraco em sua vida, o lugar onde a outra pessoa pertencia é preenchido novamente? Como você segue em frente?


CAPÍTULO QUINZE

Ultrapassar a porta do meu quarto na segunda-feira foi mais difícil do que eu jamais poderia ter antecipado. Mãe já estava lá dentro, afofando vários travesseiros extras que ela comprou, organizando um forte de travesseiros na cabeceira da cama. Por ordens do médico, é para eu dormir reclinada pelos três primeiros dias, desde que a minha respiração não tinha exatamente voltado ao normal, mas uma vez que não temos uma poltrona, os travesseiros teriam que servir. Eu sabia que ela foi capaz de usar seu limite de atestado durante os dias de folga, mas não temos dinheiro extra para sair e comprar travesseiros. Eu tinha me oferecido pagar por eles com o dinheiro da pequena poupança que eu tinha guardado, mas a mamãe recusou. Dr. Arnold disse que eu poderia voltar a trabalhar como garçonete, uma vez eu fosse liberada pelo meu médico geral, mas ele tinha dito que retornar para o voleibol ia demorar mais tempo, obviamente, por causa da lesão no braço. Eu não tinha certeza de como eu deveria voltar para o Joanna’s. Eu não tinha certeza de como eu deveria voltar ao voleibol. Eu não tinha certeza de como eu deveria voltar para


qualquer coisa. Mamãe se endireita e olha por cima do ombro. "Você está bem?” Não. Eu ainda estou de pé na porta, presa no lugar, enquanto meu olhar deriva por todo o quarto. Tudo está como antes, exceto que sobre minha mesa está uma pilha de livros e pastas. Sebastian deve ter trazido. Eu teria o resto desta semana para organizar o que seria duas semanas de aulas perdidas. Eu também não tenho certeza se eu quero entrar nesse quarto. O meu quarto ainda é o mesmo, enquanto nada mais é, e não parece certo entrar nele quando eu ainda posso ver Megan na última vez que ela esteve aqui, sentada de pernas cruzadas na minha cama, torcendo seu longo cabelo loiro entre as mãos ou lançando uma bola de vôlei contra a parede enquanto ela falava sobre Phillip. Eu poderia voltar mais no tempo, vê-la quando ela tinha treze anos, passando pelas pilhas dos meus livros, procurando por livros adultos, procurando as cenas mais sujas para ler em voz alta para Dary, cujo rosto ficaria vermelho como um rabanete. Eu podia ouvir Megan e Abbi argumentando sobre qual dançarina foi a melhor no Dance Moms ou qual mãe que ia ganhar o jogo. Meus lábios começam a erguer nos cantos. Eu nem sequer pude ir ao funeral de Megan. Fechando os olhos, eu apoio minha mão direita no batente da porta enquanto eu balanço levemente. “Lena?” “Sim,” eu respondo, engolindo a emoção. “Eu só estou...”


Eu não sei o que eu estava mais. Eu estou em casa. Eu estou viva e eu estou em casa. Ninguém mais no carro está. Todos eles estão abaixo do chão. “Você provavelmente está exausta. Você precisa descansar e não ficar em pé.” Mamãe puxa o edredom na minha cama. "Vamos. Aqui é onde você precisa estar.” Mamãe me ajuda até que eu consigo subir na cama e ela coloca cobertas sobre minhas pernas. Então ela me deixa e sai do quarto, quando volta está trazendo um copo de água e uma lata de refrigerante, juntamente com uma bacia de batatas fritas. Só depois eu estou cercada por tudo o que eu possivelmente poderia precisar ela deixa o quarto e volta com algo mais em sua mão. “Eu não queria levar isso para o hospital, especialmente desde que você não queria ver ninguém.” Ela andou até a cama e estendeu a mão. “A polícia levou-o na quarta-feira, quando nenhuma... nenhuma das outras famílias retirou isso.” É o meu celular. “Eu mantive ele carregado para você. Eu acho que você tem algumas mensagens aí.” Ela olha para ele. “Eu não tenho nenhuma ideia de como ele ficou inteiro.” Lentamente, pego meu telefone da mão dela e ligo, abrindo a tela. Como meu telefone tinha sobrevivido ao acidente? O veículo tinha capotado, e eu... Eu estava segurando o telefone quando Cody bateu na árvore.


Lembro-me disso. Eu estava mandando mensagens para Abbi. Olho para o meu telefone, apenas consciente que minha mãe disse que ia descer para fazer algumas ligações. O telefone não está danificado. Nem uma única rachadura na tela, nada. Como isso era possível? Eu vejo as mensagens perdidas, telefonemas e notificações de redes sociais. Havia tantas muitas. Eu contorno todas elas e abro minhas mensagens, em seguida, rolo até que eu vejo o nome de Abbi. Eu não leio suas mensagens. Eu concentro na caixa de mensagem, a mensagem pela metade. Peguei carona com Megan. Não queria incomodar “Oh meu Deus,” eu sussurro, deixando cair meu telefone na cama como se fosse uma bomba prestes a explodir. Minha mensagem ainda está lá, esperando para ser enviada. Um pensamento inacabado. Uma mensagem que nunca chegou ao destino. Isso poderia ter sido a última coisa que eu digitei. Provavelmente deveria ter sido, mas um cinto de apenas cinco centímetros de largura tinha salvado minha vida. Passo minha mão sobre meu cabelo, empurrando os fios para trás do meu rosto. Eu sento lá por alguns minutos, sem movimento. Eu preciso fazer meus tratamentos respiratórios em breve. O inalador está na mesa de cabeceira. Jogando as cobertas de cima das minhas pernas, eu cuidadosamente deslizo sobre a cama. Ficando de pé me faz sentir como se alguém está me dando um aperto sobre minhas costelas, mas eu ignoro a dor enquanto eu ando a curta distância até minha mesa e pego meu laptop.


Volto para minha cama, eu abro meu laptop e vou direto para o Google para digitar o nome do jornal local. O site aparece e preciso de pouco tempo para encontrar o que eu estou procurando. Artigos sobre o acidente. O primeiro, um dia depois do acidente, tinha uma imagem do SUV. Bato minha mão sobre a minha boca enquanto eu olho para a imagem. Foi tirada naquela noite. Há um clarão vermelho e azul na foto. Como eles poderiam ter permissão para postar uma foto como essa? O veículo foi esmagado até o ponto que era quase irreconhecível. O teto desabou, portas removidas. Janelas quebradas. Um lado parecia que a lataria foi arrancada. A lona amarela cobria a parte do para-brisa. Chris estava sentado na frente. Afastando minha mão do laptop, eu fico imóvel por um segundo, me perguntando como eu sobrevivi ao acidente. Como um cinto de segurança tinha me salvado daquilo? Os nomes não foram liberados quando este artigo foi impresso. Famílias ainda estavam esperando por suas vidas serem despedaçadas. Dois pacientes foram transportados por via aérea para INOVA. O álcool era suspeito como causa preliminar. Clicando para voltar, eu faço uma varredura das manchetes e paro onde está escrito ‘Quatro Estudantes Locais Morrem em Acidente Provocado pelo Álcool’. Era de terça-feira.


Entorpecida eu leio o artigo, como se estivesse lendo sobre estranhos em vez dos meus amigos. Eles listaram os nome. Cody Reece - dezoito anos. Chris Byrd - dezoito anos. Megan Byrd - dezessete anos. Phillip Johnson - dezoito anos. Meu nome não foi listado. Fui reverenciada como uma menor de dezessete anos em estado crítico, mas estável. Todos, exceto um foi lançado fora do veículo, e outro foi parcialmente lançado para fora. Penso sobre a lona sobre o lado do passageiro da frente... E eu não quero pensar sobre isso. Eu continuo rolando a página e continuo lendo. Relatórios toxicológicos preliminares indicaram que o motorista - Cody tinha um nível de álcool no sangue duas vezes acima do limite legal. Na terça-feira, quase uma semana atrás, eles estavam à espera de um relatório toxicológico completo, e eu... Eu vejo Cody na minha cabeça, estendendo a mão para a maçaneta da porta e não conseguindo segurar. Eu o ouço dizendo claro como o dia, como se estivesse sentado ao meu lado, Jesus, você está falando sério? Eu tomei uma bebida. E eu não quero ler mais, mas eu não posso parar. Eu deslizo rapidamente sobre o artigo anunciando que a Clearbrook High tinha perdido o jogo contra Hadley na sextafeira à noite em respeito pela perda enorme para a equipe de futebol. Eles falaram sobre os garotos, sobre seus registros no campo. Como Cody tinha esperança de candidatar-se na Penn State e Phillip tinha planejando ir para WVU, a mesma que Chris. Outro artigo foi publicado ontem, anunciando que uma vigília seria realizada na Clearbrook High nesta sexta-feira à noite, após o jogo de futebol, quando Clearbrook iria lançar sua temporada ‘agridoce’. Mas esse artigo menciona algo mais acusações.


Acusações contra - Oh meu Deus. Eu leio as linhas duas vezes, atordoada e enjoada. Uma investigação do acidente está pendente. As autoridades locais revelaram que todos os ocupantes do carro eram menores de idade e havia deixado a residência de Albert e Rhonda Scott. Neste momento, acredita-se que ambos os adultos estavam em casa enquanto a festa estava sendo realizada em sua residência. Se acusados, eles poderiam ser considerados culpados de por menores em perigo, fornecendo álcool a menores, descuido e negligência criminosa. Caralho. Esses são os pais de Keith, e eu sabia que eles estavam em casa. Eu estive dentro da casa, na cozinha. E que não foi a primeira festa que eles estavam bem cientes. Atordoada, chego ao final do artigo, e eu... Eu faço algo que eu sei que não devo fazer, mas mesmo assim eu faço. Começo a ler os comentários sobre o artigo que havia anunciado seus nomes. O primeiro comentário simplesmente diz ‘Orações’. Segundo comentário diz ‘Que desperdício de potencial. Descanse em paz’. Terceiro comentário é ‘Vi o menino Reece jogar. Que maldito desperdício. Certamente ia para NFL.’ ‘É por isso que você não bebe e dirige. Que pouca vergonha.’ ‘Dirigir naquela estrada sóbrio é assustador, muito menos bêbado? Idiotas.’ Os comentários só... Só pioram a partir daí. Pessoas, completos estranhos, comentando como se eles os conhecessem - nos conhecessem. Estranhos dizendo coisas horríveis como se


eles não se importassem que Cody e os amigos de Phillip, ou Megan e a família de Chris, poderiam ler isso. ‘Eles tomaram decisões estúpidas. Eles morreram. Fim da história.’ ‘Por que estamos tendo uma vigília para quatro idiotas que entraram no carro com um motorista bêbado?’ ‘Bem, isso são quatro pessoas que não temos de nos preocupar que repovoarão a terra.’ ‘Os pais do cara que fez a festa deveriam ser acusados de homicídio!!!’ ‘Uma pessoa é má por ser grata que não mataram mais ninguém?’ ‘Graças a Deus que não matou mais ninguém. Idiotas.’ Muitos comentários, centenas deles. Centenas de estranhos pesando, seus comentários preso entre as ‘orações’ e os ‘pobres pais’. “Lena?” Mamãe aparece na porta. “O que você está fazendo?” Seu olhar se move do meu rosto para o meu laptop. Ela rapidamente aproxima da cama, olhando para a tela. Ela inclina, agarra o computador do meu colo e o fecha enquanto se afasta. Olho para ela, tremendo. Meu corpo inteiro está tremendo. Meu rosto está molhado. Eu não tinha percebido que eu comecei a chorar. “Você já leu esses comentários?” “Não.” Ela coloca meu laptop sobre a mesa. “Eu peguei um vislumbre de alguns deles e eu não preciso ler mais.”


“Você sabe... o que eles estão dizendo?” “Não importa.” Ela se senta na beira da cama, ao meu lado. “Não é-” “Isso é o que eles pensam sobre eles!” Apontando para o meu computador, eu luto para respirar. Eu sei que preciso me acalmar. “Isto é como eles serão lembrados, não é?” “Não. Isso não é como eles serão lembrados.” Mamãe envolve o braço nos meus ombros. “Porque não é assim que você vai se lembrar deles ou como as famílias se lembrarão deles.” Mas isso não é verdade, porque o mundo inteiro iria sempre vê-los de forma diferente. Isso é tudo que Megan, Cody, Phillip e Chris são agora. Quatro vidas reduzidas a níveis de álcool no sangue e más escolhas. Isso é quem eles são agora. Não como estrelas do futebol. Nem como indecisos sobre qual faculdade. Não a melhor na quadra de voleibol. Não como uma amiga que iria largar tudo e ouvi-lo se queixar sobre um garoto. Não como um cara que se preocupou o suficiente sobre o futuro de seu amigo para fazer perguntas. Não como um cara que tinha o pior gosto por camisas. Não como o tipo de pessoa que sempre pode fazer você rir, não importa o quê.


Em vez disso, eles eram duas vezes o limite legal de álcool. Eles foram imprudentes e irresponsáveis. Eram pessoas que retiraram do grupo genético. Eles fizeram isso sozinhos. Eles eram crianças estúpidas e morreram.

idiotas

que

tomaram

decisões

Eles eram uma lição para os outros. Isso é tudo que eles são agora. Suas vidas inteiras estão agora no especial depois da escola sobre os perigos de beber e dirigir. Era isso. E eu odeio isso. Porque está certo.


CAPÍTULO DEZESSEIS

Eu as ouvi no andar de baixo, cerca de trinta minutos depois da escola ser liberada. Suas vozes vinham do térreo. Eu não conseguia entender o que eles estavam dizendo, mas eu sabia que minha mãe não os estava parando. Em pânico, eu me levantei da cama e olhei para as portas da varanda. Eu poderia correr? Isso era quase risível. As minhas costelas sairiam do meu corpo se eu tentasse correr, e para onde eu iria? Eu estava presa. Abbi e Dary estavam vindo. Cada músculo do meu corpo ficou tenso conforme seus passos subiam as escadas. A dor brilhava através das minhas costelas, não mais entorpecidas pelos remédios potentes que o hospital tinha administrado. Eles tinham me dado uma prescrição, mas eu não tinha tomado ainda. Larguei a pasta cheia de lição de casa e trabalhos, a pressão no meu peito aumentando. Abbi foi a primeira a passar pela porta. Ela parou só quando estava dentro do meu quarto. Dary estava atrás dela, mas Abbi não se moveu pelo que parecia uma eternidade. Como se ela não pudesse ficar no meu quarto, porque o quarto representava tudo o que já não estava mais lá. Assim como eu tinha sentido.


Seus cachos estavam suavizados em um coque alto, apertado. A pele escura sob seus olhos estava inchada. Dary finalmente passou em volta dela, para dentro do quarto, e ela parecia tão... Quebrada. Seu cabelo preto selvagem estava preso para trás com gel. Os óculos de armação branca não faziam nada para esconder o quão inchado seus olhos estavam. Normalmente Dary estava vestindo algo bizarro. Hoje ela só estava de jeans e uma blusa com decote em V solta. Sem cores brilhantes. Sem vestido moderno ou alcinhas. “Você está um lixo,” Abbi disse finalmente, sua voz rouca. Minha boca estava seca. “Eu me sinto... como lixo.” O rosto de Dary franziu e ela veio para frente para se sentar na minha cama. Abbi sentou na cadeira conforme Dary se inclinou sobre minhas pernas, colocando seus cotovelos na minha cama e escondendo o rosto nas mãos. Seus ombros tremeram, e eu queria dizer alguma coisa para oferecer conforto. “Sinto muito,” A voz de Dary era abafada. “Eu disse a Abbi que iria me segurar.” “Ela disse.” Abbi levantou as pernas para cima, envolvendo os braços em volta dos joelhos. “Ela me prometeu.” “Eu só... Eu senti sua falta.” Ela empurrou os óculos até a testa e limpou debaixo de seus olhos enquanto se endireitava. “E quando sua mãe disse que você não queria visitas, eu tive que esperar para ver você - para me certificar que você está bem.”


“E eu estou tentando não ficar brava com isso,” disse Abbi, descansando o queixo nos joelhos. “Mas foi muito ruim ter que obter atualizações através de Sebastian.” “Eu sinto muito.” Eu me inclinei para trás, com cuidado para não deixar os travesseiros escorregarem muito para baixo. “Sebastian meio que... forçou o seu caminho aqui.” “Você queria espaço. Eu estou tentando entender isso, mas...” Dary passou as costas das mãos debaixo dos olhos. “Foi realmente muito difícil.” Houve uma pausa. “Tudo tem sido muito difícil.” “Verdade,” eu admiti suavemente. “Como está se sentindo?” Dary perguntou, soltando suas mãos enquanto ela se endireitava. “Melhor. Dolorida.” Ela deslizou seus óculos de volta. “E o seu peito? Seus pulmões? É para isso o inalador?” Ela olhou para onde ele estava ao lado da pilha de livros da escola. Eu assenti com a cabeça. “Sim. O médico acha que tudo vai ficar bem, mas eu tenho que usar o inalador algumas vezes por dia durante a próxima semana ou mais.” “E o braço?” Abbi perguntou. Levantando meu braço esquerdo, fiz uma careta. “Deve se curar bem. Provavelmente, eu devo tirar o gesso em algumas semanas.” Abbi olhou para o meu braço. “Então... o que vai acontecer com o voleibol?”


“Eu não sei.” Eu me mexi contra os travesseiros. “Eu realmente não pensei nisso.” “Quando eu quebrei meu braço, eu fiquei com o gesso por, umas seis semanas.” Dary franziu a testa. “Deus, eu me lembro de pegar hera venenosa de alguma forma sob o gesso naquele verão. Ugh. Foi uma tortura.” Olhei para Abbi. Ela não estava olhando para o meu gesso mais, mas para o pé da cama. “Vocês... vocês estão bem?” Abbi riu, mas sem humor. “Eu não sei nem o que essa pergunta significa mais.” “É que...” Dary fechou os olhos e sacudiu a cabeça. “Megan era louca - louca da melhor maneira. É só que é tão estranho não tê-la aqui, não ouvir sua voz ou vê-la ficar animada de ver um gato em um quintal ou algo assim. É tão... Nada é o mesmo.” “Você se lembra do acidente de carro totalmente?” Abbi perguntou de repente. Um tremor me percorreu. "Só um pouco. Como flashes de conversas.” “Sua mãe disse que você teve uma concussão e que você estava tendo dificuldade para lembrar,” disse Dary. Eu confirmei com a cabeça. “Então você não se lembra de nada?” Abbi perguntou de novo, e meu olhar foi para o dela brevemente. “Não muito,” eu disse, e me odiei por isso. “Mas eu... eu me lembro de que eu ia mandar uma mensagem para você saber que... eu estava saindo.”


“Eu não recebi a mensagem.” Abbi abaixou os pés no chão. “Eu não tive... a oportunidade de enviar.” Dary fechou os olhos. “Eu sei que você não se lembra, mas você acha que eles... que eles sofreram?” Alisando minhas mãos no edredom, eu deixei escapar um suspiro. "Acho que não. Eu acho que Cody também não.” “Ele nunca acordou.” Abbi disse baixinho. Eu balancei a cabeça, perdida com o que dizer quando olhei entre elas. A falta de Megan era uma presença pesada, tangível no quarto. Elas ficaram um pouco, Dary sentada na minha cama, Abbi na cadeira do computador. Elas conversaram sobre a escola e sobre Megan - sobre as músicas tocadas em seu funeral. Elas falaram sobre as acusações de que os pais de Keith poderiam estar enfrentando e como ele estava lidando com tudo. Dary foi quem mais falou. Eu segui os movimentos, balançando a cabeça e respondendo quando eu precisava, mas eu não estava lá, não realmente. Minha cabeça estava a cento e sessenta quilômetros de distância. Era perto do jantar quando elas se levantaram para sair e Dary me abraçou se despedindo. Abbi me abraçou tão cuidadosamente quanto Dary fez. “Eu sei que você precisa de algum tempo, de espaço,” ela disse, pressionando a testa contra o lado da minha cabeça. Sua voz era baixa o suficiente para que apenas eu a ouvisse. “Eu sei que isto tem sido difícil para você, mas também tem sido difícil para nós. Não se esqueça disso. Você precisa de nós agora.” Sua voz


falhou, e por cima do ombro, vi Dary abaixar a cabeça. “Precisamos de você agora.” Eu ouvi a maçaneta girar e eu olhei para cima. Uma sombra estava do outro lado das portas da varanda. Colocando o inalador de lado, meu coração pulou uma batida. A porta se abriu, e Sebastian entrou, fechando a porta atrás de si. Sebastian estava vestido para dormir, usando calças de flanela e uma camiseta branca. Ele parecia bonito. Ele sempre estava bonito, mas eu quase não queria reconhecer isso. Como se eu não devesse mais ser capaz de fazer isso. Como se eu tivesse perdido esse direito. “Eu não mandei uma mensagem para você,” ele disse, caminhando até a cama e sentando. “Achei que você não ia responder.” “Então por que você veio aqui?” Seus lábios foram para cima nos cantos. “Você sabe por que.” Eu levantei uma sobrancelha. Antes que eu pudesse responder, ele começou a se mover. Virando para o lado, ele subiu na cama e deitou de costas. Estávamos ombro a ombro. Quadril com quadril. O senso agudo de consciência que sempre acompanhava este tipo de proximidade estava lá. Uma onda de arrepio que corria sobre a minha pele. Isso não... Não parecia certo. Esse sentimento consciente. Como eu não devesse sentir essas coisas depois do que tinha acontecido. Não era certo. “O que você está fazendo?” perguntei.


“Ficando confortável,” ele respondeu, sorrindo para mim. “Planejo ficar aqui por um tempo.” Meu queixo caiu. “Não tenho certeza se você percebe isso ou não, mas eu me canso muito facilmente agora. Deveria estar descansando-” “Você se lembra de quando você tinha onze anos e teve mononucleose?” ele perguntou de repente. Eu fiz uma careta. É claro que eu me lembrava. A febre tinha sido a pior parte para mim. Eu tinha sentido como se minha cabeça fosse explodir. Eu tinha quase certeza que eu tinha pego de Dary. “Nossos pais queriam que ficássemos longe um do outro. Papai estava com medo que eu pegasse e eu perderia o treino na Liga infantil.” Ele riu baixinho. “De qualquer forma, você estava chateada porque você estava solitária e toda chorona sobre isso” “Eu não estava sendo chorona,” argumentei. “Eu estava presa no meu quarto, sozinha por dias, e quando eu não estava dormindo, eu estava entediada.” “Você estava doente e não queria ficar sozinha.” Ele fez uma pausa, esperando olhar para ele. “Você me queria.” Minhas sobrancelhas levantaram conforme o calor chegou no meu rosto. Ele estava drogado? “Eu não queria você, por ser você. Eu só queria alguém-” “Você sempre me quis.” Ele me cortou, seus olhos nos meus. “Não alguém, mas eu.”


Meus lábios se abriram, eu só consegui olhar para ele por alguns segundos. A noite da festa voltou. Nós à beira da piscina. Eu pensando que ele ia me beijar. Nós discutindo naquela noite. E eu pensei na segunda-feira antes daquela noite, no lago. Eu o tinha beijado, mas eu não tinha me permitido pensar em nada disso, porque não parecia justo. “Então, você não me querer aqui não tem nada a ver com você estar cansada. Eu sei por que você não quer. Ou pelo menos eu acho que entendo parte disso, e nós vamos falar sobre a parte de você não me querer mais tarde,” ele respondeu, vagamente cruzando os braços sobre o peito. “Mas, por agora, eu quero saber como foram as coisas com Abbi e Dary.” Nós íamos falar sobre a parte de eu o querer mais tarde? Esse era um mais tarde que eu ia ter certeza que eu não estaria por perto para ver. “Eu não vou sair.” Ele cutucou meu joelho com o dele. “Comece a falar.” Depois de alguns momentos, eu mudei meu olhar para a TV. No fundo, eu sabia que poderia fazê-lo sair. Se eu lhe dissesse que realmente não o queria aqui, ele iria. Ele não ficaria feliz com isso, mas ele iria embora. Mas enquanto eu olhava para a TV, eu sabia que eu não queria que ele saísse. Eu não queria ficar sozinha. Eu queria meus amigos. Eu o queria. “Foi bom vê-las,” eu admiti, com a voz rouca. “Como foi que você descobriu que elas estiveram aqui? Você estava vigiando a minha casa?” ‘Talvez.” Ele riu novamente. “Não, elas me disseram hoje na escola que elas iam vir e forçar a entrada, se necessário. Elas


realmente sentiram sua falta, Lena. Esta última semana foi muito difícil para elas.” “Eu sei.” Ele ficou em silêncio por um momento. “Megan era amiga delas, também.” A culpa era uma cobra contorcendo-se nas minhas entranhas. “Eu sei disso, também.” “Eu sei que você sabe, mas algo está acontecendo em sua cabeça.” Correndo a minha mão sobre o edredom, sentindo que havia tanta coisa que eu queria dizer, mas não sabia como. “Há um monte de coisas na minha cabeça agora.” “Compreensível,” ele murmurou. “Há muita coisa acontecendo na minha cabeça agora. É estranho. Como se eu fosse acordar pensando em algo que Cody tinha dito para mim. Ou alguma coisa idiota que eu disse a ele.” Eu fechei meus olhos, sentindo minha garganta queimar. “Na aula de hoje, alguém disse algo hilário, e meu primeiro pensamento foi que eu não podia esperar para contar ao Phillip. Que ele ia se divertir com a piada. Então me lembrei de que eu não poderia dizer a ele,” disse Sebastian. “Eu entrei no refeitório ontem procurando por você.” Eu não sabia o que dizer. “Eu sinto falta deles, Lena.” Seu ombro pressionado levemente no meu. “Eu sinto falta de você.”


Abrindo os olhos, deixei-me me inclinar sobre ele. "Estou aqui, no entanto.” “Você está mesmo?” Eu pisquei. “Sim.” Sebastian ficou em silêncio por um longo momento. “É bom falar sobre eles, sabe? Pelo menos isso é o que os conselheiros de luto têm dito.” Falar sobre Megan e os caras feria como uma explosão a bala no peito, então eu não podia imaginar como podia ser bom. Quando eu não respondi, ele fez a mesma pergunta que Abbi tinha feito: “Você se lembra do acidente?” Eu dei a mesma resposta que eu tinha dado às meninas. “Apenas pedaços.” Ele balançou a cabeça lentamente. “Você... Você sabe por que você saiu com eles sem vir até mim?” Meu sexto sentido me disse que ele queria falar comigo sobre alguma coisa... Sobre algo que eu estava evitando. Eu não tinha certeza como responder a essa pergunta. O raciocínio agora parecia tão estúpido. Tão incrivelmente estúpido. Mas eu estava cansada de dizer ‘eu não sei’ e exausta de dizer meias verdades e mentiras. “Você estava com Skylar e eu... eu não queria incomodálo.” Quando eu olhei para ele, ele estava olhando para mim como se ele não tivesse ideia do que eu estava falando. “Eu não vi você depois que ela apareceu. Eu não queria ficar procurando você. Imaginei que vocês queriam... um tempo sozinhos ou algo assim.”


Uma emoção que eu não conseguia decifrar cintilou em seu rosto e ele virou a cabeça. Um músculo na sua mandíbula apertou. “Inferno,” ele murmurou, enfiando os dedos pelo cabelo. Seus dedos apertaram. “Eu não sei por que você acha que Skylar e eu precisávamos de um tempo sozinhos, mas eu teria apreciado a interrupção. Pensei que estava apenas se divertindo.” Embaixo das cobertas, eu cruzei meus tornozelos. “Ok.” “Não. Sério.” Ele deixou cair sua mão e seu cabelo caiu de volta sobre a testa. “Skylar queria falar comigo sobre... sobre voltar a ficar juntos. Passei aquele tempo todo com ela tentando explicar que ficarmos juntos não ia acontecer. Ela ficou realmente chateada. Chorou e tudo.” Surpresa correu por mim. “Você não está de novo com Skylar?” “Não.” Ele riu. “Quando nós terminamos na primavera, estava tudo acabado. Feito. Sem volta. Nada contra ela, eu ainda me preocupo com ela, mas isso simplesmente não vai acontecer.” Havia uma parte de mim, a parte antiga, que queria dissecar cada palavra que ele tinha acabado de dizer. Tudo o que ele tinha dito. Essa velha parte de mim queria descobrir se ele estava dizendo a verdade ou minimizando o que estava acontecendo para não ferir meus sentimentos. A nova parte de mim não fazia isso agora. Sebastian não tinha nenhum motivo para mentir sobre isso.


“Quando eu estava falando com ela, recebi uma mensagem da Abbi, quando ela estava procurando você e a Megan.” Desta vez, ele esfregou a mão sobre sua mandíbula. “Algumas das pessoas que saíram da festa tinham visto o acidente, reconhecido a SUV do Chris e voltado para a festa, já que a estrada estava bloqueada. Foi quando eu soube que algo tinha acontecido. Tentei te ligar. Mandar mensagem.” As ligações e mensagens perdidas continuavam não lidas no meu telefone. Ele exalou asperamente. Vários segundos se passaram. “Como você está realmente?” Essa pergunta simples me cortou direto, naufragou nas paredes, abrindo uma pequena rachadura. “Eu não quero ir para a escola na próxima semana,” eu sussurrei. “Eu não sei se eu posso ver todos quando eu sou...” “Quando você é o quê?” Quando eu sou responsável pela morte dos meus amigos. Pensar nessas palavras fez meu coração saltar uma batida e minha garganta se fechou. Eu não estava pronta para voltar para a escola. E eu não estava pronta para falar sobre a agonia e a dor, e toda a culpa. Eu não estava pronta para colocar essas emoções amargas, bagunçadas em palavras. Eu não sabia como admitir aos meus amigos que eu amava, para o menino por quem eu fui apaixonada por todo esse tempo, que eu poderia ter evitado o que tinha acontecido. Que eu poderia ter feito melhor. “Tudo bem,” ele disse. “Não temos que falar mais.” Um nó se formou. “Obrigada.”


“As coisas vão ficar melhores.” Alcançando entre nós, ele encontrou minha mão esquerda e cuidadosamente trançou os dedos nos meus. “Você sabe como eu sei?” “Como?” Meus olhos estavam ficando muito pesados para ficarem abertos. Ele apertou meus dedos. “Você deixou a porta da varanda destrancada.”


CAPÍTULO DEZESSETE

Terça à tarde eu estava no meio da minha cama, olhando para o meu telefone. Mamãe estava lá embaixo, na tentativa de lidar com as poucas contas que ela era capaz de acessar de casa. Ela me disse esta manhã que ela tinha falado com o papai. Foi a primeira vez que ela o tinha mencionado desde que ele tinha estado no hospital. Ela tinha me dito que ele ia fazer um esforço para estar mais presente, o que diabos isso significava. Eu não esperava que nada fosse ser diferente. O papai ia esporadicamente ligar e eu não iria responder. Quase morrer mudou um monte de coisas, mas não isso. Olhando para o espaço na cama ao meu lado, eu pensei sobre a noite passada. Eu não tinha ideia de que horas Sebastian tinha saído, porque eu tinha adormecido até então. Tudo o que eu sabia era que quando eu acordei esta manhã, ele já tinha ido. As coisas ficarão melhores. Será? Quando acordei esta manhã, antes do nevoeiro do sono ser limpo completamente, eu quase pude acreditar que elas seriam. Até eu me mexer e dor aparecer no meu peito.


Eu tinha pensado que talvez as coisas estivessem melhores, até que eu lembrei que meus amigos estavam mortos. Até que eu me lembrei de que eu poderia tê-los mantidos vivos. Puxando a respiração, estremeci quando uma sensação de queimação passou através das minhas costelas. Engoli em seco, ficando inquieta e agitada. O treinador Rogers tinha ligado esta manhã. Eu não sabia que era ele até que a mamãe trouxe o telefone para mim, e naquele momento não havia nenhuma maneira de eu poder recusar a ligação. Eu tinha atendido com a mão trêmula, meu estômago deu um nó de medo. O treinador era rigoroso. Meninas tinham sido expulsas da equipe por muito menos do que o que eu tinha sido envolvida. Eu passei minha mão sobre a testa. O treinador tinha perguntado como eu estava me sentindo e eu lhe disse que estava ficando cada vez melhor. Ele tinha perguntado sobre meu braço, e eu disse que poderiam ser várias semanas até que eu tirasse o gesso. Ele já sabia sobre a minha situação e fiquei surpresa quando ele me disse que esperava me ver nos treinos e nos jogos. Fiquei chocada quando ele disse que eu ainda tinha um lugar na equipe. Isso não era como eu esperava que seria a ligação. O treinador ia mudar uma das meninas da equipe júnior e tentaria fazer dar certo. Eu acho que eu posso ter dito que tudo bem. Ele não perguntou sobre Megan ou os caras.


Parte de mim se perguntava se a minha mãe tinha dito alguma coisa para ele, porque como ele podia não falar de Megan? Ela era uma parte tão importante da equipe, melhor do que a nossa capitã. Megan teria lugar em uma equipe da faculdade. Teria. Megan teria conseguido um lugar. A ligação terminou com o treinador me dizendo para me cuidar e que esperava me ver na próxima semana. Quando desliguei, a mamãe pegou o telefone e eu simplesmente sentei, olhando para meu próprio telefone, sabendo que haviam mensagens fechadas e mensagens de voz não ouvidas. Mas eu não podia pensar nelas - eu só podia pensar no que o treinador tinha dito. Ele me queria na equipe, mas eu... Eu não podia me imaginar fazendo isso. Viajar com a equipe e sentar no banco, fingindo como se eu não tivesse começado a jogar vôlei por causa da Megan. Fingindo que estava tudo bem que ela não estava mais lá. Meu olhar foi para as joelheiras no meu armário, e eu soube logo em seguida. Eu saí da cama e me arrastei até elas. Eu segurei meu braço ruim contra minhas costelas conforme me abaixei e as peguei do chão. Joguei-as no fundo do armário, atrás dos livros e jeans. Fechei a porta e dei um passo para trás. Eu não precisaria delas novamente. Sábado de manhã Lori sentou-se à mesa da cozinha, com os pés no assento de uma cadeira. Se a mamãe estivesse em casa, ela estaria louca da vida, mas ela estava fazendo mil coisas. Normalmente Lori não vinha para casa nos finais de


semana, já que era uma boa caminhada de Radford para Clearbrook, mas minha mãe não queria que eu ficasse sozinha, com medo que meus pulmões fossem esvaziar ou algo assim. Duas semanas depois de sofrer uma lesão com risco de vida e, no geral, meu corpo estava começando a voltar ao normal. Eu ficava sem fôlego com facilidade e minhas costelas e o braço doíam quase cada segundo do dia, mas as contusões no meu rosto tinham desaparecido e minha mandíbula não doía. E eu estava viva. Eu estava sempre andando em círculos ao redor da mesa da cozinha, em parte porque agora eu deveria levantar e me mover tanto quanto possível e em parte porque eu estava tendo um problema em ficar sentada. Andar machucava as minhas costelas, mas era o tipo de dor que eu estava ficando acostumada.

Lori estava descascando uma laranja e o aroma cítrico enchia a cozinha. “Então, você sabe que o papai ainda está na cidade?” Parei na metade do caminho entre a geladeira e a pia. A mamãe tinha mencionado que ela tinha falado com ele, não que ele ainda estava na cidade. Eu tinha deduzido que ele tinha voltado para Seattle. “O quê?” “Sim.” Ela deixou a casca cair numa toalha de papel ao lado dela. “Ele está hospedado em um dos hotéis que têm suítes. Você sabe, aquelas para estadias longas ou algo assim.” “Quanto tempo ele vai ficar?”


Um encolher de ombros. “Não sei. Vou me encontrar com ele para jantar hoje à noite. Você deveria vir.” Eu ri e imediatamente me arrependi. A risada doeu. "Vou passar. Obrigada.” Lori revirou os olhos conforme cortou uma fatia. “Isso não é legal.” Andando de novo, eu ignorei o comentário. “Como ele conseguiu pagar para ficar em um hotel? Isso deve ficar caro.” “Ele está se dando bem,” ela respondeu. “E ele está economizando dinheiro. Você saberia disso se você realmente falasse com ele.” “Ah, então ele está se dando bem o suficiente para se dar ao luxo de ficar em um hotel por um tempo prolongado?” Irritada, parei na geladeira e peguei um refrigerante. “Isso é formidável.” Lori colocou o último pedaço de laranja na boca e olhou para mim. “E a mamãe não está se dando tão ma...” “Não tem sido fácil,” eu respondi. “Você sabe disso.” Eu fui para a sala e liguei a televisão. Deitando no sofá, eu comecei a passar os canais. Lori me seguiu para a sala, mas antes que ela pudesse se sentar, houve uma batida na porta da frente. “Eu vou atender.” Ela virou e desapareceu no pequeno hall de entrada. Não poderia ser Sebastian. Ele vem toda noite - Toda. Noite. - desde segunda-feira, mas ele ainda devia estar no treino de futebol. Toda. Noite.


“Ela está aqui,” ouvi Lori dizer. Um segundo depois, Dary veio para a sala. “Oi.” Ela acenou. “Estou entediada.” Meus lábios abriram em um pequeno sorriso que pareceu estranho, e eu percebi que eu não tinha sorrido desde... Desde a noite daquele sábado. “Então você decidiu vir para cá?” “Sim.” Ela sentou-se na poltrona. “Eu estou tão entediada que eu pensei em vir e-” ela olhou para a TV “- assistir A Batalha de Antietam com você.” Lori bufou quando se sentou no sofá. “Você vai desejar que tivesse ficado em casa.” “Não é provável.” Dary enrolou as pernas debaixo dela. “A mamãe quer organizar armários. Você pode pensar que estou exagerando, mas não, eu não estou. Ela estava esperando com uma lista quando cheguei em casa. Então, eu menti e disse que eu tinha que ajudar você com uns trabalhos da escola. Eu andei até aqui, o que, a propósito, por que está tão quente em setembro?” “O aquecimento global.” Lori pegou o controle remoto e tirou o som da TV. “Onde está Abbi?” Eu estremeci. Abbi tinha vindo apenas uma vez desde segunda-feira, na quarta-feira. Ela não tinha ficado muito tempo, deixando Dary aqui. Ela não tinha mandado uma mensagem ou ligado. “Ela está com seus pais,” disse Dary. “Eles vão fazer alguma coisa hoje.” Eu não disse nada, porque eu sabia que era mentira. Sua mãe sempre trabalhava aos sábados no hospital, e da forma


como as coisas estavam indo para seus pais, eu duvidava que eles estivessem tendo um dia em família. A banana que eu comi antes azedou no meu estômago. Abbi não queria me ver e havia muitas razões pelas quais ela provavelmente se sentia assim. Eu não podia culpá-la por qualquer uma delas. “Você vai voltar pra escola na segunda-feira ou na terça?” Dary perguntou. “Eu vi o médico ontem. Ele quer que eu volte na segunda de manhã e se tudo estiver bem como ele pensa, eu começo na terça.” Dary passou a mão pelo cabelo curto. “Eu aposto que você está pronta para voltar para a escola.” “Não exatamente,” eu murmurei. Uma bola de medo se formou. Ela franziu a testa. "É mesmo? Eu estaria ficando louca agora e você realmente gosta da escola.” Eu estava ficando um pouco louca e eu gostava da escola, mas a escola significava que eu tinha que enfrentar todos e – “Todo mundo está animado para vê-la,” Dary disse, obviamente lendo minha hesitação. “Tantas pessoas têm perguntado como você está. Um monte de gente tem pensado em você.” Eu tomei um gole do meu refrigerante enquanto eu pensava sobre o cartão que Sebastian tinha trazido para mim. Ainda estava na minha mesa, no envelope marrom. “É só que não... não vai ser o mesmo sem eles lá.” Eu admiti uma pequena verdade do que eu estava pensando. Assim como eu fiz


com Sebastian na segunda-feira à noite, dizendo a ele que não queria voltar para a escola. Dary baixou os olhos e seus ombros levantaram com uma respiração profunda. "Não será. Não realmente, mas... está ficando mais fácil.” Estava? Ela soltou outra respiração, e quando ela falou, sua voz tremeu. “De qualquer forma, você está em dia com as coisas da escola?” Feliz com a mudança de assunto, eu relaxei. "Bastante. São principalmente leitura e cálculos rápidos.” “Isso é bom. Pelo menos você não tem que ficar sobrecarregada tentando ficar em dia.” Ela descansou o cotovelo no braço da cadeira. “Então, como vão as coisas com Sebastian?” Lori bufou mais uma vez. “Ele praticamente mora aqui agora.” Eu lhe dei um olhar bravo. “Não, ele não mora.” “Eu achava que era ruim antes,” minha irmã continuou, me ignorando. “Como ter um irmão chato na casa. Mas agora ele está aqui o tempo todo.” Dary riu. “Você nem está aqui o tempo todo,” eu apontei. “Você não sabe o que está falando.” “Não está na hora de você fazer sua inalação?” ela brincou, sorrindo.


Revirei os olhos. “Eu nem sei por que você está me perguntando como as coisas estão indo com Sebastian.” Dary foi quem fez um barulho de porco agora. “Vamos, Lena. Só porque eu não estava em casa durante uma semana não significa que eu não saiba sobre o beijo e a discussão na...” Ela parou por um segundo e eu endureci. Ela se recuperou com um aceno de cabeça. “Abbi me contou.” Era provavelmente uma boa coisa que Abbi não estava aqui, porque eu meio que queria bater na sua cabeça. “Espera.” Lori sentou-se para frente, olhando para mim. “Você beijou Sebastian?” Eu abri minha boca. “Sim,” Dary respondeu por mim. “No lago, supostamente.” “Já era a porra da hora.” Lori sentou para trás, sorrindo. “Oh meu Deus, espere até que eu vê-lo novamente. Estou então” “Não diga nada a ele. Por favor, Lori. Foi um... não sei. Não era para acontecer. Ele não me beijou. Foi apenas uma coisa aleatória que meio que aconteceu-” “Beijar alguém não é algo que simplesmente acontece, você sabe.” Lori inclinou a cabeça para o lado. “Tenho certeza que você sabe disso.” “Abbi disse que vocês dois meio que se envolveram depois que ele jogou você na piscina ou algo assim? Você deveria dizer a ela sobre isso mais tarde.” Dary apoiou a bochecha no punho. “No que vocês chegaram? E vamos lá, eu sei que você admitiu a


Abbi e... e Megan que você gosta dele, e todos nós já sabíamos disso.” “Nada realmente.” Eu suspirei, olhando em volta da sala para fugir. Parecia estranho, errado mesmo, falar sobre Sebastian depois do que tinha acontecido. Mas ambas estavam olhando para mim e esperando como se não se parecesse nada estranho para elas. “Quando ele me jogou na piscina, eu pensei que ele ia me beijar. Eu fiquei brava e me afastei. Eu estava falando com... com Cody,” eu disse, perdendo o fôlego com a dor aguda de no peito. “E ele veio, e eu nem sei como começamos a discutir. Ele disse alguma coisa. Eu disse algo de volta, e então eu admiti que eu pensei que ele ia me beijar, mas depois Skylar veio, e eu fui embora.” Fiz uma pausa, olhando para Dary. “Ele me disse que ele e Skylar não estão juntos novamente.” “Não parecem estar para mim. Ele não anda com ela na escola,” disse ela, olhando para o teto. Seus lábios franziram. “Eu a vi indo até ele, no entanto. Ele não parece entusiasmado, sabe? É Como se ele estivesse sendo educado, mas estivesse desesperado para sua melhor amiga de sempre, também conhecida como Lena, viesse para resgatá-lo.” Ela sorriu quando eu balancei a cabeça. "Espere um segundo. Vamos voltar um segundo. Você o beijou, certo?” Lori perguntou. “A mamãe sabe? Porque se você acha que ela não sabe que ele se esgueira no seu quarto de madrugada, então você pode mudar de ideia.” Meus olhos se arregalaram. “Ela sabe sobre isso?” Lori riu como se ela pensasse que eu precisava levar um tapinha na cabeça. “Eu acho que ela tem suas suspeitas.”


Oh. Isso provavelmente não era bom. “Vocês dois vão se casar um dia e vai ser tão bonito,” Dary anunciou. “Eu não sei nada sobre isso,” eu protestei, levantando meu braço bom. “Nós podemos não falar sobre isso?” “Eu tinha outra razão para vir.” Dary endireitou os óculos. “Eu estava pensando se você queria ir ao cemitério... eu posso dirigir seu carro.” Ela olhou para a minha irmã. “Ou talvez Lori possa nos levar?” Eu empalideci conforme a pressão apertou meu peito. Ir ao cemitério? Para ver as sepulturas de Cody e Phillip? Megan e Chris? A terra ainda estaria mexida. A grama não teria crescido sobre ela. “Eu não sei.” Lori estava me observando. “Está muito quente lá fora e é uma longa caminhada no cemitério. Eu não acho que ela esteja pronta para tudo isso.” Dary pareceu aceitar a desculpa, que era parcialmente verdadeira, pelo menos. Ela ficou por mais umas duas horas e depois foi embora, prometendo me mandar uma mensagem mais tarde. “Obrigada,” eu disse para Lori depois que ela fechou a porta. “Pela coisa do cemitério.” Ela balançou a cabeça distraidamente, seu rosto comprimido. “Você não está pronta para fazer isso, e eu não estou falando apenas fisicamente.”


Eu peguei uma almofada caída e a apertei no meu peito, sabendo que ela estava certa. “Você nem mesmo fala sobre Megan ou os caras.” Ela veio mais perto do sofá. “Você não fala sobre o acidente ou qualquer coisa. Eu sabia que você não iria querer ir até suas sepulturas.” Sepulturas. Eu odiava essa palavra. Era fria e seca. “Você sabe que você tem que ir eventualmente.” Lori sentou ao meu lado e colocou os pés descalços em cima da mesa de centro. "Você precisa. É um fechamento. Ou algo assim.” Eu assenti com a cabeça. "Eu sei. Eu só...” Um nó torceu no fundo do meu estômago. “Posso te perguntar uma coisa?” “Claro.” “Você acha que o que aconteceu foi realmente um acidente?” Suas sobrancelhas franziram. “O que você quer dizer?” “É difícil de explicar, mas... é realmente um acidente? Quero dizer, Cody estava... Ele estava bebendo e dirigindo.” Eu segurei a almofada mais perto. “Se ele tivesse sobrevivido, ele não poderia ser acusado de homicídio ou algo assim?” “Eu acho que sim.” “Então como é realmente um acidente?” E eu não deveria ser acusada de alguma coisa, porque eu não estava bêbada? Eu não falei isso. “Para mim, um acidente é algo que não poderia ser evitado. Este poderia ter sido.”


Lori inclinou a cabeça contra o sofá. “Entendo o que você está dizendo, mas eu... eu não sei o que dizer. Ele não tinha a intenção de perder o controle e bater. Ele não tinha a intenção de matar ninguém e ferir você, mas ele fez. Ações têm consequências, certo?” “O mesmo acontece com a falta de ação.” eu murmurei. Ela ficou em silêncio por um momento. “A mamãe me disse.” Eu fiquei tensa. Uma batida do coração pulou. “Ela me disse que eles verificaram o nível de álcool no sangue quando você entrou no hospital, quando eles fizeram o resto dos testes. Os médicos disseram que você não estava bêbada. Não havia nada no seu sistema.” Fechando os olhos, eu engoli em seco. “O que aconteceu, Lena?” Ela veio mais perto de mim, colocando uma perna para cima. “Você pode falar comigo, sabe? Eu não vou julgá-la. Isso irá ajudá-la a falar.” Eu abri a boca. O desejo de dizer a ela era quase irresistível. Mas ela iria me julgar. Ela tinha que fazer isso. Então eu não disse nada.


CAPÍTULO DEZOITO

Sebastian arrastou uma das velhas cadeiras de plástico de jardim para fora do galpão dos seus pais e a colocou ao lado de minha cadeira na varanda no sábado à noite. Estávamos sentados lado a lado. Seus pés em cima da grade, os meus na parte inferior porque fazia muita pressão nas minhas costelas levantá-los tão alto. Tinha sido quente durante o dia, quase como se estivéssemos ainda no meio de agosto, mas à noite tinha esfriado significativamente. Era assim o tempo aqui. Um dia era como se o verão se recusasse a ir, o vento quente e o ar úmido, e mais tarde naquela noite, o outono entraria de mansinho, trazendo com ele um vento mais frio e folhas caindo, transformando o mundo em laranja e vermelho. Até o final do mês, as abóboras iriam começar a aparecer nas varandas. Em dois meses, conversas de Ação de Graças e Natal iriam se espalhar. A vida estava finalmente seguindo em frente, não no ritmo de uma lesma, mas a um ritmo veloz que acontecia tão rápido que parecia lento. “Você não tem nada mais interessante para fazer hoje à noite?” perguntei. Ele tinha aparecido cerca de meia hora atrás. Um mês atrás, ele estaria no Keith em uma noite de sábado. Ou


no lago com Phillip e Cody. Mas ele estava aqui, sentado na minha sacada. "Na verdade não." Mexi no travesseiro atrás de mim. “Eu acho que não há muitas festas acontecendo agora.” “Há algumas. Não no Keith, obviamente.” Ele deu uma batidinha na garrafa de água entre os joelhos. “Mas aqui é onde eu quero estar.” Meu coração se encheu em resposta, mas eu ignorei a sensação agradável que dava e coloquei um basta. “Como estão as coisas com Keith?” “Tem sido difícil. Ele não conversou realmente sobre isso. Eu não acho que ele consiga. Pelo menos isso é o que os advogados de seus pais provavelmente aconselharam.” Ele tomou um gole da sua garrafa. “Eu não sei o que seus pais vão fazer. Fala-se que a família de Phillip está planejando processar a do Keith. Que eles estiveram conversando com as outras famílias. Eu não ficaria surpreso se você acabar recebendo um telefonema deles.” Observando as folhas caírem dos galhos na brisa da noite, eu balancei minha cabeça. “Eu não quero ser uma parte disso.” “Eu não achei que você quisesse. Eu sei que Keith se sente um merda por causa disso. Se sente responsável.” Eu brinquei com a tampa do meu refrigerante. “Mas ele é o responsável? Quero dizer, seus pais sabiam das festas lá. Nós todos sabemos disso. Eles nunca tiveram problema com isso. Mas eles não fizeram ninguém dirigir bêbado.” Eu parei,


pensando por que eu estava dizendo isso. Provavelmente tentando me fazer sentir melhor. “Eu não sei o que estou dizendo. Eu só estou pensando em voz alta.” A verdade era que há um mês eu nunca teria sequer pensado em nada disso. Ir a festas, tomar uma bebida ou duas e sair - era apenas o normal. Eu nunca pensei que isso fosse acontecer, e eu sabia o quão estúpido isso soava. Quão incrivelmente ingênua essa crença era. Quão verdadeiramente trágico. Sebastian não respondeu por um longo momento, então eu olhei para ele. Ele estava olhando para o céu escuro da noite coberto com estrelas. “Você sabe o que eu acho?” “O quê?” eu sussurrei, quase com medo de saber. Ele inclinou a cabeça na minha direção. “Eu acho que todos nós somos responsáveis.” Virando a cabeça em direção a ele, eu me acalmei e fui incapaz de desviar o olhar. “É apenas algo em que eu estive pensando ultimamente. Eu fui a essa festa. Eu bebi e eu planejava dirigir para casa. Não me passou pela cabeça que eu estaria colocando você em perigo - me colocando em perigo.” “Você não ficou bêbado, no entanto,” eu apontei. “Eu nunca vi você ficar realmente bêbado e, em seguida, tentar dirigir.” “Eu não fiquei, mas há realmente uma diferença?” ele perguntou. "Duas cervejas? Três? Só porque eu acho que eu estou bem e eu ajo direito não significa que eu não estivesse


afetado e não percebesse isso. Não soando como uma droga de comercial, mas leva só um par de segundos, certo?” “Certo,” murmurei. “E eu aposto que Cody pensou que ele estava bem. Ele não pensou por um segundo que ficar atrás do volante iria acabar assim.” Ele não tinha. Meu peito doía e não tinha nada a ver com minhas lesões. Cody tinha acreditado que ele estava bem para dirigir. Assim como Chris e Megan e Phillip. "Ele está bem. Vamos lá.” Megan pegou minha mão e se inclinou, sussurrando no meu ouvido, “Eu quero nuggets de frango e molho agridoce.” Engolindo em seco, eu deixo a memória escapar, mas o significado permaneceu. Nenhum deles pensou por um segundo que haveria um problema com Cody dirigindo, porque todos eles tinham bebido. Mas eu? Eu sabia diferente. Mas Sebastian estava certo, de certa forma. Nós todos fomos responsáveis, em graus variados. Todos nós tínhamos sido tão incrivelmente descuidados, sucessivamente. Era só que ninguém pensou nesse tipo de coisa, até que aconteceu, até que fosse tarde demais. Mas no final das contas, eu era tão responsável quanto Cody. Talvez não legalmente. Mas definitivamente moralmente. E eu não sabia como viver com isso. “Dary me mandou uma mensagem mais cedo.”


Eu levantei uma sobrancelha. "Por quê? Ela esteve aqui hoje.” “Eu sei.” Sebastian colocou a garrafa de volta entre os joelhos. “Mas ela está preocupada com você.” “Ela não deve ficar.” Eu me inclinei para o lado quando a pontada nas minhas costelas aumentou. “Eu estou bem.” Sebastian riu baixinho. “Você está longe de estar bem, Lena.” “O que é que isso quer dizer?” “Isso significa que fingir que você está bem da cabeça não significa que você realmente esteja.” Tirando o cabelo do meu rosto, eu assisti uma estrela desaparecer atrás das nuvens. “Você agora está pensando em uma carreira em psicologia ou algo assim?” Ele riu desta vez. "Talvez. Eu acho que eu sou muito bom nisso.” Eu ri. “Que seja.” Ele se espreguiçou, pegou uma mecha do meu cabelo e colocou suavemente para trás. “Você é capaz de dirigir para a escola esta semana?” ele perguntou. “Eu estava conversando com meu pai sobre isso, e ele disse que um cara que ele conhece na fábrica teve um colapso pulmonar. Apenas um. Eles não queriam que ele dirigisse até que ele estivesse totalmente recuperado.” “Sim, eu não tinha chegado tão longe no meu planejamento ainda. Eu espero que eles me deixem dirigir.”


“Mas e o braço? É só o seu braço esquerdo, mas junta isso com os pulmões, talvez você não devesse.” Ele abaixou o braço e ergueu o olhar para o céu. “Eu moro bem ao lado. Eu posso levá-la até que você esteja totalmente curada.” “Isso não é necessário. Eu tenho certeza que eu vou-” “Eu não sei se é necessário ou não, mas eu quero te dar uma carona até que você esteja cem por cento.” Olhei para ele. Nossos olhos se encontraram e pararam. “Estou bem. Eu posso dirigir.” “Ou talvez você não esteja. Talvez os seus reflexos estejam lentos porque suas costelas estão matando você. Ou talvez você tenha dificuldade para respirar e um acidente aconteça.” Ele se moveu na minha direção, e apesar de estarmos em cadeiras separadas, havia de repente pouquíssimo espaço entre nós. “Eu quase perdi você uma vez. Eu não quero que isso aconteça novamente.” Minha respiração parou e não tinha nada a ver com o estado atual dos meus pulmões ruins. “Como vou voltar para casa? Você não tem treino de futebol? Eu não tenho treino de vôlei,” acrescentei, levantando o braço engessado. “Eu estou fora.” “Eu tenho quase uma hora entre a hora que acaba a aula e o treino.” Sebastian não questionou a coisa toda do voleibol. E o treinador estava provavelmente me esperando na terça-feira, mas isso não ia acontecer. “Tenho tempo para te levar para casa. Eu quero fazer isso,” Ele acrescentou, sua voz mais baixa. “E por que não faria? Se fosse o contrário, você insistiria em me levar.”


Ele estava certo, mas nunca seria o contrário, porque ele não era tão estúpido quanto me. Discutir sobre isso era idiota, no entanto. Ele morava ao lado. Ele ainda era, não importa o quê, meu... Meu melhor amigo. Embora talvez nenhuma vez ele tenha sabido sobre a minha parte no acidente. Ele fez aquela coisa que me deixava louca: morder o lábio inferior e depois soltá-lo devagar. “Há algo que temos que conversar.” “Há?” Eu estava olhando para sua boca, pensando em como seus lábios eram contra os meus. Sua cabeça inclinou para o lado. “Há um monte de coisas que precisamos conversar.” Sim. Coisas que eu tinha certeza que eu não queria me aprofundar. Afastando-me, eu cuidadosamente cadeira. “Eu estou ficando cansada e eu-”

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“Não faça isso,” ele pediu em voz baixa. “Não me exclua.” Meu coração caiu. “Eu não estou te excluindo.” “Sim. Você está excluindo Abbi e Dary, e a única razão para você não me deixar de fora completamente é porque eu não estou deixando.” “Você é meio chato,” eu admiti em um murmúrio. Ele baixou os pés no chão e colocou a garrafa ao lado da sua cadeira. “Eu tenho que dizer algo para você. Você não tem


que responder. Você não tem que me dizer nada. Tudo que você precisa fazer é ouvir enquanto eu esclareço uma coisa.” “Eu vou ser honesta agora,” eu disse, encarando-o. “Eu não tenho nenhuma ideia de onde você está indo com isso.” Um sorriso meio torto apareceu. “Você irá em alguns momentos.” Eu esperei. Seu olhar fixou no meu. “Quando nos conhecemos? Com seis anos? Sete?” “Oito,” eu respondi, imaginando o que isso tinha a ver com qualquer coisa. “Nós nos mudamos para esta casa quando eu tinha oito anos, e você estava fora, no quintal jogando uma bola de futebol com seu pai.” “Sim, isso mesmo.” Seus lábios se curvaram no canto. “Você estava fora nessa sacada olhando para mim.” Eu fiquei de boca aberta para ele. “Você viu isso?” Nós nunca conversamos sobre isso. Por que iríamos? Então, eu nunca soube que ele me viu. Tinha sido no dia seguinte, quando ele se aproximou, perguntando se eu queria andar de bicicleta com ele. “Eu vi você.” Ele estendeu a mão, batendo com o dedo no meu braço. “Eu também ouvi o seu pai dizendo para você colocar a sua bunda de volta na casa e começar a desempacotar as coisas. Eu acho que você respondeu, dizendo-lhe que desembalar caixas violava as leis de trabalho infantil.” Eu não podia lutar contra o sorriso. “Eu posso ter dito algo como isso.”


“Foi quando eu me apaixonei por você.” Estremecendo ligeiramente, pisquei uma vez e depois duas. “Oooquê?” Seus cílios foram para baixo, protegendo seus olhos da luz fraca do teto que era apenas uma lâmpada sozinha ruim. “Eu fui pego de surpresa quando você me beijou no lago.” Meus olhos se arregalaram. O que estava acontecendo agora? “Eu não me arrependi. Eu não desgostei do beijo. Eu nunca pensei que você estivesse... que você estivesse a fim de mim assim.” Ele riu novamente, mas desta vez foi autoconsciente, incerto. “Bem, isso é uma mentira. Às vezes eu me perguntava. Eu queria que eu não tivesse me apavorado depois. Eu gostaria de ter te beijado de volta. Eu queria... eu queria que eu tivesse te beijado na piscina.” Seus ombros levantaram e seu olhar também. “Porque eu vinha querendo fazer isso há um tempo agora.” “O quê?” Eu repeti silenciosamente. Sebastian não desviou o olhar. “Eu não sei quando isso aconteceu — quando eu comecei a ver você, realmente ver você. Na verdade, você sabe o quê? Isso é uma mentira deslavada. Eu sei. Eu me apaixonei por você no momento em que eu ouvi você dizer algo ridículo para o seu pai. Eu só não sabia o que aquilo significava — o que eu estava sentindo. E levou anos para eu entender o que eu estava sentindo significava. Foi até que você começou a ver o Andre. Foi assim que eu percebi isso. Eu estava... Porra, eu não estava feliz. Eu não gostava dele. Pensei


que você merecia coisa melhor. Não gostei como ele estava sempre tocando em você.” Tudo o que eu podia fazer era olhar para ele. “Eu me enganei por um longo tempo. Eu disse a mim mesmo que eu estava sendo tão duro com ele porque você é minha melhor amiga. Mas não era só isso. Sempre que eu o via beijar você, eu queria matá-lo. Quando eu via que ele estava na sua casa, eu queria interromper. Certificar-me que vocês não ficassem sozinhos.” Ele riu mais uma vez. “Na verdade, eu fiz isso um pouco.” Sebastian tinha feito isso. Muitas, muitas vezes ele vinha através da porta da varanda sem aviso prévio, e às vezes tinha sido tão, tão estranho. Andre costumava ficar tão bravo, principalmente quando Sebastian colocava seu traseiro na cama e não saía. “Mas quando você terminou com ele, não foi apenas alívio que eu senti. De jeito nenhum. Eu estava feliz. Quando eu ouvi você e Abbi aqui falando de terminar com ele, eu me lembro de pensar: 'Agora é a minha chance'.” Tudo em mim parou. Tudo. “Mas... mas você estava com a Skylar-” “É por isso que eu terminei com ela. Ela estava certa sobre eu me preocupar mais com meus amigos do que ela, mas não era da maneira como ela pensava. Era porque eu me importava mais com você,” disse ele. “Eu pensava em você do jeito que eu deveria estar pensando nela.” Meus lábios se separaram.


“Mas eu nunca acreditei por um segundo que você sentia o mesmo. Eu não queria correr o risco de arruinar a nossa amizade.” Sebastian se aproximou novamente, sua cabeça não muito longe da minha. “Quando você me beijou, eu... porra, eu entrei em pânico. Meio que me sinto um covarde agora. Eu deveria ter dito algo a você. Eu não posso voltar atrás e mudar isso, mas eu quero que você saiba que eu não me arrependo. Lamento não ter sido eu quem fez isso.” Sebastian puxou uma respiração profunda. “Eu queria falar com você sobre isso naquela noite. É por isso que eu disse que precisava falar com você. E olhando para trás, eu deveria ter dito a Skylar que ela podia esperar. Deus, eu gostaria mais do que qualquer coisa que eu tivesse feito isso, por que... porque eu acho que você não teria entrado naquele carro. Quem sabe o que teria acontecido? Mas eu gosto de você, Lena. Você sabe disso.” Houve aquela risada autoconsciente novamente. “Eu... bem, eu realmente gosto de você e eu queria que eu tivesse te beijado na piscina. Eu gostaria de ter dito a você como-” ele limpou a garganta “- Como eu queria beijá-la há muito tempo. Como eu não olho para você como apenas uma dos meus amigos.” Era um sonho? Tinha que ser, porque isso parecia um. Estas eram as palavras que eu tinha vivido pelo que parecia ser para sempre esperando ouvir. “Eu acho... eu acho que sei como você se sente, mas eu não espero que você diga nada agora,” ele disse, seus olhos encontrando os meus novamente e procurando atentamente. “Eu só precisava que você soubesse.”


Eu olhei para ele, incapaz de processar totalmente o que ele estava dizendo. Quer dizer, eu entendi. Eu fiz isso. Ele estava me dizendo que ele queria me beijar. Estava querendo antes. Que ele gostava de mim, gostava de mim. E há um tempo. Fiquei chocada, chocada em silêncio. Eu tinha ganho o prêmio máximo de fantasias se tornando realidade, mas agora? Agora? Quando eu era tão indigna de ter o que eu tanto quis entregue a mim em uma bandeja de prata? Agora, quando uma das minhas melhores amigas foi morta, e mais três amigos, junto com ela, porque eu... Eu não os impedi? Eu balancei minha cabeça. “Por que... por que agora? Por que você-” Minha voz falhou. “Por que você tinha que esperar até depois daquilo, depois de tudo o que aconteceu, para me dizer isso?” “Eu não deveria ter esperado.” “Mas agora é, como, o pior momento na história.” Abaixei os pés até o chão e levantei, tendo de colocar espaço entre nós. O movimento brusco causou uma dor nas minhas costelas. “Realmente um mau momento, Sebastian.” “Ou é o melhor momento,” ele disparou de volta, observando-me caminhar ao redor da cadeira. "E sabe de uma coisa? Esperar é muito arriscado. Não há tempo ruim para dizer a alguém que você a ama.” Sebastian me amava. Tipo me amava. Me amava? Não havia nenhuma maneira. Isso não estava acontecendo agora. Não quando deveria ter acontecido antes. Comecei a voltar de costas em direção a minha porta quando ele se levantou e me seguiu. Minhas costas


pressionaram contra a porta. Eu coloquei a mão por trás de mim, mas congelei quando ele caminhou em volta da cadeira. Parando na minha frente, ele colocou uma mão no espaço ao lado da minha cabeça. “O único melhor momento para ter lhe dito isso foi o momento em que eu percebi que eu me sentia assim,” disse ele, baixando a cabeça até a minha. Meu coração se transformou em uma britadeira. “Eu tive um milhão de momentos desde então.” “Eu não posso nem processar isso agora.” Minha voz estava grossa, meus olhos arregalados enquanto eu olhava para ele. “Você não tem que. Eu só precisava colocar para fora.” Sebastian se inclinou, pressionando sua boca na minha testa. Meu coração trovejou conforme eu fechei os olhos. “O que a espera faz? Nenhum de nós tem um amanhã prometido. Aprendemos isso, não é? Nem sempre temos um mais tarde.” Ele beijou minha testa novamente, então se afastou e seus olhos encontraram os meus. “Eu estou cansado de viver como nós vivemos.”


CAPÍTULO DEZENOVE

Normalmente eu teria ido para o telefone com minhas amigas imediatamente. A conversa com Sebastian gerou um alarme do nível de emergência de fogo que eu precisava botar para fora até que eu estivesse apenas repetindo para mim mesma repetidamente, falando em círculos. Mas as coisas não eram mais normais. Eu queria ligar para Abbi e Dary. Eu tinha quase feito isso no domingo de manhã, mas quando olhei para o meu telefone até a minha visão ficar turva, eu não consegui ter coragem de fazê-lo. Não parecia como algo que eu deveria fazer. Eu seriamente duvidava que elas quisessem ouvir sobre o meu drama com meninos, ou o que fosse que tinha acontecido com Sebastian. Sentada na minha cama na noite de segunda, roendo minha unha durante a hora do jantar, eu tinha outras coisas na minha mente. Eu tinha sido liberada para voltar para a escola amanhã. Não houve como lutar com isso, embora eu soubesse que se eu dissesse à minha mãe que eu não estava pronta, ela entraria em contato com a escola. Mas isso significaria que ela cancelaria


seu trabalho. Não havia nenhuma maneira que ela me deixaria sozinha em casa agora, e Lori estava de volta a Radford. O que deixava o meu pai, onde quer que ele estivesse, mas ela sabia que eu não iria ficar bem com isso. Seu chefe estava sendo incrível com tudo isso, mas eu não queria colocar seu emprego em risco. Então eu ia para a escola amanhã. Eu iria ver todo mundo. Não havia mais esconderijo. Sebastian iria me levar amanhã de manhã e, oh Deus, eu não queria pensar nele, porque quando eu fazia, eu pensava sobre o que ele disse na noite de sábado. Foi quando eu me apaixonei por você. Meu coração pulou uma batida. Eu não posso pensar nisso. Tentei empurrar o que Sebastian disse de lado, mas isso era tão bem sucedido como descer as escadas com meus tornozelos amarrados. Um arrepio correu pela minha espinha. Eu me virei para olhar para o mapa do mundo em cima da minha mesa. Vários anos atrás, eu tinha pego um marcador azul e circulado todos os lugares que queria para visitar um dia. Sebastian tinha pego um marcador vermelho e fez o mesmo. Um monte de lugares eram os mesmos. Tínhamos treze ou catorze anos quando fizemos isso. Ele tinha sido apaixonado por mim todo esse tempo? Eu fechei meus olhos apertados e, por alguns segundos, apenas por um par de batimentos cardíacos, deixei aquelas palavras que ele tinha falado escoarem através da minha pele, invadirem meus músculos e tatuarem meus ossos. Minha mão direita enrolou contra o centro do meu peito e meu estômago caiu como se estivesse em uma montanha russa. Naqueles


segundos, eu imaginei o que deveria ser - como que a minha vida deveria ser. Sebastian iria me dizer que me amava. Nós nos beijaríamos, desta vez mais profundo e mais forte do que antes. Eu o beijaria de volta, e talvez nós ficássemos presos no momento. Talvez as coisas fossem mais longe, e seria glorioso e perfeito. Nós sairíamos juntos. Manteríamos as mãos dadas na escola. Iríamos a festas juntos. Todo mundo sorriria e sussurraria ‘Já era sem tempo’ um ao outro. Nós não seriamos capazes de manter nossas mãos longes um do outro eLevantando a mão, eu a passei sob meus olhos, enxugando a umidade nas minhas bochechas. Eu me arrastei até o fim da minha cama e coloquei meus pés no chão. Alguns segundos se passaram e, em seguida, abri os olhos e me levantei. Uma pontada de dor disparou através do meu peito, me trazendo de volta à realidade. Eu respirei estremecendo. A culpa se estabeleceu fortemente no meu peito. Como eu podia sequer pensar sobre esse tipo de coisa? Isso era tão, eu não sei, egocêntrico. Errado. Eu não sabia como eu deveria sentir, como eu deveria seguir em frente a partir deste ponto, mas eu sabia que não merecia algo bom como isso. Agora não. Talvez uma centena de amanhãs depois. Mas agora não.

“Tem certeza de que está pronta para fazer isso hoje?”


Olhei para cima da mesa da cozinha, limpando as migalhas do meu Pop-Tart das pontas dos meus dedos. Eu não estava com fome, mas tinha me forçado a comer. O café da manhã açucarado revestiu minha garganta como serragem. "Sim." A mamãe ficou ao lado da pia, vestida para o trabalho com uma blusa azul clara e calças pretas. Tudo nela era bem cuidado na superfície, mas seus olhos estavam cansados. “Se por qualquer motivo você começar a se sentir mal ou cansada, você me liga imediatamente. Vou buscá-la.” “Eu vou ficar bem.” Eu fiquei de pé, amassei o papel toalha e joguei no lixo. “Não passe o dia todo se preocupando comigo.” “Eu sou sua mãe. É meio que meu trabalho fazer isso.” Um leve sorriso se formou em meus lábios. “Mas eu vou ficar bem. O médico disse que eu estava me curando e ele não espera que haja um problema.” "Eu sei. Eu estava lá. Mas ele também alertou que até cinquenta por cento das pessoas que já sofreu um colapso pulmonar podem ter uma recorrência.” “Mãe.” Eu suspirei, mas antes que pudesse dizer outra coisa, houve uma batida na porta da frente. Um segundo depois, a ouvimos abrir. O coração batendo forte, eu virei em direção à porta de entrada. “Ei,” Sebastian gritou. "Sou eu." A mamãe sorriu como se o sol tivesse acabado de entrar na casa. Passos se aproximou da cozinha e, em seguida,


Sebastian estava de pé na soleira da porta, o cabelo úmido e a camisa de algodão agarrada a seus ombros largos. Ele estava bonito, realmente bonito. Alisei minhas mãos em meu jeans, de repente nervosa por razões que nada tinham a ver com ir para a escola. Sebastian tinha vindo no domingo e não tinha mencionado a conversa que tivemos no sábado à noite, mas estava lá quando ele olhou para mim, em cada toque de sua mão ou na pressão da sua perna contra a minha. “Bom dia,” disse ele, caminhando para a cozinha. “Você está pronta?” Assentindo com a cabeça, eu me disse para me controlar. “Eu quero que você me faça um favor,” mamãe disse conforme ele foi até onde eu estava um pouco que petrificada na frente da pia. “Fique de olho na Lena.” “Mãe,” eu gemi desta vez. Ela me ignorou. “Eu não quero que ela se sobrecarregue. Este vai ser um longo dia para ela.” Meus olhos se arregalaram um pouco quando ele passou o braço sobre meus ombros. O peso era mínimo e ele tinha feito isso um milhão de vezes antes, mas eu tremi em resposta. Sebastian sentiu. Eu sabia que ele tinha sentido, porque um meio se sorriso formou conforme ele olhou para mim. “Não se preocupe, Sra. Wise. Meus olhos ficarão colados nela.” Oh Deus.


A necessidade de me inclinar no Sebastian, de pressionar a minha bochecha contra o seu peito, era difícil de resistir, mas eu saí dele e peguei minha mochila. Colocá-la no meu ombro não me fez bem, e eu precisava me lembrar disso na próxima vez. “É melhor irmos para não chegarmos atrasados.” “O mundo é sua ostra.” Sebastian encheu o braço de livros que eu precisava guardar no meu armário. A mamãe nos seguiu para fora pela porta da frente, me parando antes de eu descer os degraus. Ela apertou minhas bochechas. “Eu te amo,” ela sussurrou com fervor. “Hoje vai ser um dia longo.” Seus olhos procuraram os meus. “Por uma série de razões.” “Eu sei.” Aquele nó de lágrimas histéricas estava de volta. Tirando suas mãos das minhas bochechas, ela se virou e olhou para Sebastian. “Estou entregando ela a você.” Entregando-me? Eu fiz uma careta, mas nenhum deles me viu. “Eu a peguei,” ele prometeu, e havia um significado pesado naquelas palavras, como se estivesse apostando algum tipo de reclamação, aceitando a responsabilidade tácita. “Obrigada,” Mamãe disse, dando um tapinha no ombro dele. Eu mal me impedi de rolar meus olhos quando eu saí. “Nós devemos ir,” reiterei. Rindo baixinho, Sebastian desceu os degraus para se juntar a mim. Acenei adeus à mamãe e comecei a atravessar a calçada, através das sebes altas, para a casa de Sebastian.


“Sabe,” eu disse, mudando a mochila no meu ombro. “Você não me ‘pegou’, o que quer que isso signifique.” O ritmo das pernas longas de Sebastian o colocou na minha frente. “Sim, eu peguei.” Ele transferiu os livros para o outro braço, abriu a porta traseira do Jeep e colocou os livros dentro. “Eu tenho você por mais tempo do que eu percebi.” Meus lábios franziram enquanto eu olhava para ele. “Eu nem sei o que dizer sobre isso.” “Você não precisa dizer nada.” Seus dedos deslizaram sob a alça da minha bolsa. Puxei uma respiração suave conforme ele a levantou do meu ombro. “Você parece bem hoje.” Não esperando isso, eu pisquei e olhei para baixo, para mim mesma. Eu estava usando uma camisa velha, jeans e sapatilhas que estavam bem velhas. “Sério?” “Sim.” Ele colocou minha bolsa na parte de trás e fechou a porta. De frente para mim mais uma vez, ele saiu até que seus pés estavam quase tocando os meus. Estiquei a cabeça para trás enquanto ele olhava para baixo. “Não há contusões.” Eu quase não consegui captar o que ele estava dizendo. “Elas tinham desaparecido em grande parte, mas havia um pouquinho que estava aqui.” Seu polegar roçou ao longo do lado esquerdo do meu queixo, fazendo com que minha respiração parasse. Seus profundos olhos azuis escuros se ligaram aos meus. “Ela se foi agora.” “É?” Eu consegui dizer.


“Sim.” O polegar dele passou pelo meu rosto. “Era apenas um azulado fraco, mas eu vi.” Eu estremeci. Seu polegar passou pelo meu queixo e foi ao longo do meu lábio inferior. Sua cabeça abaixou. “Hoje vai ser difícil,” ele falou, sua voz mais profunda do que o normal. “Você vai se cansar fisicamente...” Seu polegar passou de novo. “Vai te desgastar emocionalmente. O primeiro dia para mim... É, não há palavras.” Tudo dentro de mim, cada célula e músculos, apertaram e soltaram de uma vez só. Era difícil prestar atenção ao que ele estava dizendo quando ele estava me tocando assim. Tocandome de uma maneira que ele nunca tinha antes. Da maneira que eu sempre quis. “Parece... parece que você esteve lendo sobre psicologia de novo,” eu forcei falar, soando sem fôlego. Seus lábios foram para cima em um lado. “Ou eu tenho falado e ouvido.” Inclinei a cabeça para o lado, as sobrancelhas se unindo. Comecei a pensar o que aquilo significava, mas de repente ele pressionou os lábios no canto dos meus. Foi breve - mais breve do que aquele beijo no lago - mas me abalou direto no estômago. “O que você está fazendo?” Eu disse ofegante. Recuando, seu olhar pesado passou por mim. “Fazendo o que eu disse que eu ia fazer.” Uma nota estava esperando por mim no momento em que entrei na sala de aula. Eu nem sequer cheguei ao meu lugar


antes que o professor acenasse para mim e me entregasse um papel. Um olhar solidário foi gravado em seu rosto fortemente alinhado. “Você precisa ir até a secretaria, querida.” Querida? Tinha quase certeza que eu nunca tinha sido chamada assim em toda a minha vida no ensino médio, mas eu assenti com a cabeça, peguei minha nota e caminhei de volta para fora da classe. Eu mantive minha cabeça para baixo - quando andei para dentro e para fora, quando saí no saguão, e até mesmo no meu armário, onde Sebastian tinha ajudado a guardar meus livros e deixar tudo arrumado antes de me beijar novamente, na minha bochecha desta vez, e seguir para sua classe. Todo mundo estava olhando, eles estavam sussurrando, e quando eu cometi o erro de olhar para cima conforme fechei a porta do armário, uma menina que nunca tinha falado comigo toda a minha vida tinha corrido para o meu lado, desajeitadamente me abraçado e vomitado um parágrafo sobre o quanto ela sentia por mim e quão feliz que ela estava que eu estava bem. Eu não tinha ideia de qual era seu nome. Eu tinha certeza que ela não tinha ideia de quem eu era antes do acidente. Eu tinha sido deixada ali de pé, totalmente confusa. Agora o bilhete na minha mão conforme segui para frente da escola e abri as portas duplas de vidro do escritório central. Um dos voluntários administrativos estava na recepção, uma senhora que tinha o batom rosa mais brilhante que eu já tinha visto em uma pessoa. Aproximei-me da mesa. “Disseram-me para vir para a secretaria. Meu nome é Lena Wise.”


“Oh.” Reconhecimento queimou em seus olhos remelentos. “Você fica aqui e eu vou avisá-los que você está aqui.” Eles? Afastei-me do balcão, enrijecendo. O que estava acontecendo? Observei-a passar pelo corredor estreito que levava a todos os escritórios. Eu não tinha muito tempo para esperar. Um homem alto de cabelos prateados saiu alguns momentos mais tarde. "Senhorita Wise?” Ele se aproximou de mim, estendendo a mão. “Eu sou o Dr. Perry. Estou com a equipe que foi trazida devido aos acontecimentos recentes.” Oh. Oh, droga. “Vamos dar um passo atrás e conversar por alguns minutos, ok?” Ele foi para o lado, esperando. Não como se eu tivesse muita escolha. Engolindo um suspiro, eu andei pelo corredor e segui Dr. Perry para uma das salas de reuniões normalmente reservadas para reuniões de pais. Do tipo cheia de cartazes idiotas motivacionais de gatinhos agarrados em cordas, falando sobre trabalho em equipe. Deixei minha bolsa no chão e relaxei na cadeira de plástico dura enquanto ele caminhava ao redor da mesa para sentar-se à minha frente. Um óbvio presente de dia dos pais uma caneca falando de sua grandiosidade - estava na mesa ao lado de um arquivo fechado que tinha o meu nome rabiscado ao longo da guia. “Posso chamá-la de Lena?” ele perguntou.


Eu aceitei com a cabeça, colocando minhas mãos entre os joelhos. Isso não foi bom para o meu braço, então eu puxei meu braço para cima e coloquei sobre a mesa. “Perfeito.” Ele sorriu levemente. “Como eu disse, meu nome é Dr. Perry. Eu tenho meu próprio consultório, mas eu trabalho para o distrito escolar, trazido quando necessário em determinadas circunstâncias, onde os funcionários podem estar sobrecarregados com a necessidade de conselheiros.” Ele disparou credenciais nesse ponto, e elas eram impressionantes. Graduação na Universidade Penn State. Pós-graduação na Universidade de Brown. Uma tonelada de certificações que eram como um idioma diferente para mim. Em seguida, a conversa virou-se para mim. “Como você está se sentindo sobre começar a escola?” “Ok,” eu respondi, cruzando os tornozelos. “Eu estou... estou pronta.” Ele colocou um braço sobre a mesa. “Deve que ser duro faltar quase duas semanas e lidar com as mortes de seus amigos.” Eu tremi com a rudeza inesperada. Ele foi o primeiro a simplesmente colocar para fora assim. “Eu... tem sido...” Eu pisquei. “Tem sido difícil.” “Eu posso imaginar. As mortes de quatro pessoas jovens, brilhantes que tinham seus futuros inteiros à frente delas é uma coisa muito difícil de entender, de compreender plenamente.” Seus olhos castanhos eram afiados enquanto ele falava. “E é mais difícil para você. Você estava no carro com eles. Você ficou gravemente ferida, e de acordo com o seu arquivo, essas lesões afetarão o vôlei? Muita coisa aconteceu.”


Ficando tensa, eu estremeci quando dor correu através minhas costelas. Olhei para a porta, debatendo sobre como dar uma corrida até ela. “Nós não vamos para lá hoje,” disse ele suavemente. “Você pode relaxar.” Meu olhar disparou de volta para ele. “Hoje?” “Nós vamos nos encontrar três vezes por semana durante o próximo mês,” ele anunciou, pegando sua caneca de Melhor Pai do mundo. “Eu não tenho certeza se a sua mãe mencionou isso para você.” Mamãe tinha deixado de mencionar essa parte. Muito irritada para falar, cruzei meus braços sobre o estômago. “Normalmente as sessões serão nas segundas, quartas e sextas-feiras. Hoje é um pouco diferente, mas estaremos juntos amanhã e ficaremos dentro do cronograma.” Três dias por semana? Oh meu Deus. Exalei asperamente enquanto olhava para o teto. “Eu não acho que isto seja necessário.” Ele tomou um gole de café. “É necessário e você não é a única com quem nossa equipe tem se reunido Você não está sozinha nessa.” Meu olhar foi para ele, e eu queria perguntar com quem mais ele estava se encontrando. Era Sebastian? Isso explicaria por que ele estava tão incrivelmente no ponto com algumas das coisas que ele tinha dito. Eu não perguntei, porque eu percebi que ele não poderia responder a isso.


“Ninguém vai julgar você por se encontrar comigo.” Eu não tinha tanta certeza sobre isso, já que este era o ensino médio, afinal de contas, e todos julgavam todos por tudo. “E isso é necessário, Lena. Você pode não sentir assim, e no começo pode parecer como se estivesse fazendo mais mal do que bem.” Seu olhar era inabalável. “Você tem algumas coisas aí dentro que você vai precisar que saiam.” Apertando minha mandíbula fechada, eu não disse nada. Ele me estudou por um momento, e eu tinha essa sensação irritante que ele viu direto dentro de mim, olhando as coisas que eu não queria falar em voz alta. “A culpa de viver quando todo mundo morreu é um peso pesado para carregar sozinha, Lena. Culpa do sobrevivente não é brincadeira. Você nunca vai realmente se livrar desse fardo, mas podemos diminuir isso. Podemos torná-lo suportável.” Eu exalei suavemente. “Como?” “Eu sei que não parece possível agora, mas sua vida ainda irá em frente. Você vai ter amanhã. Semana que vem. O mês que vem. O ano que vem. Você acabará passando por isso.” Eu não via como isso era possível. “Eu... eu não esperava que isso acontecesse,” eu sussurrei, apertando brevemente os olhos fechados. “Eu sei o quão estúpido que isso soa, mas eu nunca pensei que isso fosse acontecer.” “Não é estúpido, porque ninguém nunca pensa. Ninguém nunca pensa que vai ser eles.” Quando ele parou, eu soube então que ele sabia. Ele sabia. Meu olhar foi para o arquivo na


frente dele, e meu coração começou a correr. Ele tinha falado com a polícia? Minha mãe? E quando ele continuou, eu queria levantar e sair correndo da sala, mas eu estava enraizada na cadeira. “Eu sei o que aconteceu.”


CAPÍTULO VINTE

“Você não vai ao treino de voleibol?” perguntou Dary. “Hoje não.” Eu não elaborei nada além disso. O treinador tinha me pegado logo após o almoço, quando eu estava no meu armário. Ele tinha perguntado se eu estaria no treino, e eu disse a ele que eu ainda cansava facilmente e minha mãe me queria em casa. Isso não era realmente uma mentira. O treinador me disse então que ele esperava me ver no treino na próxima semana, e eu assenti. Eu tive muita oportunidade de lhe dizer que eu não ia voltar, mas eu empurrei para outro dia. Em outras palavras, eu me acovardei. Sebastian andava vários passos à frente no corredor fora do ginásio, a mochila pendurada no ombro, a minha pendurada nas pontas dos dedos. “Não é uma vista ruim,” Dary admitiu para mim em um sussurro. Um sorriso cansado apareceu nos meus lábios. Não havia nenhuma maneira que eu pudesse negar isso, mas o que eu realmente queria fazer era rastejar na cama e tirar uma soneca. Eu estava esgotada.


Do outro lado de Dary, os dedos de Abbi estavam voando pela tela de seu telefone. “Ele está sendo um cara realmente útil, não é?” Surpresa, eu olhei para ela. Abbi não tinha sido muito falante. Nem em Química ou na hora do almoço. Todos os outros tinham conversado. Como a menina na parte da manhã, muitas pessoas tinham se aproximado de mim durante todo o dia. Eu recebi tantos abraços, tantos desejos de melhoras de pessoas que eu mal conhecia. Havia outras que não se aproximaram de mim. Jessica e seus amigos não tinham, mas eu acho que ela não o faria, já que ela estava saindo com Cody. Skylar não tinha olhado na minha direção durante a aula mais cedo. Mas eu tive a nítida impressão que Abbi não estava exatamente feliz comigo, e poderia haver uma tonelada de razões para isso. “Sim, ele tem sido muito... útil.” “É assim que eles estão chamando isso hoje em dia?” Dary brincou. “Quando os meninos estão na sua, eles são úteis?” “Isso realmente soa como uma boa maneira de colocar.” O olhar de Abbi foi para as costas de Sebastian. “Alguma coisa mudou entre vocês dois?” Eu abri minha boca, prestes a dizer-lhes o que Sebastian tinha me dito, mas eu parei. Eu tinha certeza de que não queriam ouvir. Os lábios de Abbi franziram quando saímos pelas portas duplas. O céu estava nublado, e o cheiro de chuva pairava no ar. Com os olhos arregalados, Dary olhou entre nós. “Eu estava pensando que talvez pudéssemos encontrar algo para comer mais tarde? Como nós... costumávamos fazer.”


Como nós costumávamos fazer com Megan. “Eu não sei,” eu disse com a voz rouca. “Eu tenho um monte de trabalho para pôr em dia.” O meio sorriso de Abbi era amargo e suas palavras afiadas quando atravessamos o estacionamento. “Claro.” Meu olhar disparou para ela conforme meu estômago mergulhou e Abbi suspirou. “Talvez na próxima semana você estará mais em dia?” ela perguntou. Eu balancei a cabeça e respondi com um baixo “Claro.” “Mando mensagem para vocês mais tarde.” Dary rapidamente beijou meu rosto e, em seguida o da Abbi antes de ir na direção onde ela estava estacionada. Mais à frente, Sebastian olhou por cima do ombro para mim. Ele estava quase perto de seu Jeep e eu sabia que ele não tinha uma tonelada de tempo, mas eu tinha que falar com Abbi. A questão estava borbulhando. Eu sabia que precisava apenas manter minha boca fechada, mas eu não podia. Parei, dobrando meu corpo em direção ao da Abbi. “Podemos falar por um segundo?” Suas sobrancelhas se levantaram enquanto ela lentamente ergueu o olhar de seu telefone. Seu olhar não era hostil, mas não era exatamente amigável. Havia um muro entre nós. “O que está acontecendo?” Respirando fraco, perguntei: “Você está... com raiva de mim?” Abbi baixou o telefone conforme inclinou a cabeça para o lado. Por um momento, eu achei que ela não ia responder. “Honestamente?”


Meu coração virou. “Nós sempre fomos honestas uma com a outra.” Ela olhou para as nuvens grandes e deu um aceno de cabeça. “Deixe-me lhe fazer uma pergunta.” “Ok.” “O que está acontecendo entre você e ele?” Ela empurrou o queixo na direção de Sebastian. “Nada,” respondi rapidamente. “Ele está apenas me ajudando.” “Sério? É isso o que você vai dizer?” Sua mão apertou a alça de sua bolsa. “Porque eu sei que ele não está apenas ajudando você.” “Ele está-” “Ele disse a Skylar que ele estava a fim de você,” ela interrompeu, os olhos escuros duros. Pisquei. “Ele disse o quê?” “A Skylar disse para a Daniela que ele admitiu gostar de você e é por isso que eles se separaram na primavera,” ela explicou, deslocando seu peso de um pé para o outro. “Que ele não ia voltar com ela, porque ele não podia fazer isso quando ele tinha sentimentos por você. Então você está me dizendo que você não tem ideia? Depois de todo esse tempo que você foi obcecada por ele, você não sabe que ele se sente dessa maneira sobre você? Que ele não está a fim de você?” “Eu...” dei um passo para trás, meu olhar encontrando Sebastian. Ele estava jogando minha bolsa no banco de trás.


“Eu não posso acreditar que você não me contou sobre isso, especialmente porque eu sei como você se sentia sobre ele. Quão chateada você ficou quando você o beijou e ele parecia que não estava interessado naquilo,” ela disse, com voz ligeiramente embargada. “Eu sou uma das suas amigas mais próximas e eu ainda estou aqui. Eu ainda estou viva e você não me contou sobre isso, sobre algo que eu sei que é importante.” Oh meu Deus. Meu corpo inteiro tremia. Eu não esperava que a conversa fosse sobre isso. “Eu só não queria falar sobre isso. Quer dizer, eu queria. Eu queria ligar para você e Dary no momento Sebastian me contou como se sentia, mas eu realmente não tenho sido capaz de processar isso. Ele disse que descobriu do nada e eu nem sei se ele realmente se sente assim ou se é por causa do... por causa de tudo o que aconteceu,” eu admiti. “E depois do que aconteceu, não parece certo falar sobre Sebastian como se nada tivesse acontecido.” “Essa é a coisa, Lena. O que aconteceu não aconteceu só com você. Sim, você estava naquele carro, e só Deus sabe o que você viu e passou. Eu não faço ideia. Você sabe por quê? Porque você não fala comigo sobre isso. Você não vai falar com Dary-” “Eu acabei de voltar para a escola.” Eu engoli contra o sentimento de lâminas de barbear na minha garganta. “Foram só-” “Foram duas semanas e três dias desde o acidente. Eu sei,” Abbi disparou de volta, seu peito subindo e descendo pesado. “Eu sei exatamente quantos dias desde que Megan, Cody, Phillip e Chris morreram. Eu sei exatamente quantos dias se passaram desde que eu pensei que ia morrer também.” Eu respirei forte.


“Abbi-” Sua voz vacilou quando ela disse: “Você percebe isso? Que todos nós achamos que você também estava morta naquele carro? Ou que você ia morrer como Cody tinha morrido no hospital? Que eu e Dary e Sebastian-” ela jogou o braço na direção dele “- acreditamos nisso? E então, quando descobrimos que você estava viva, nós ouvimos que você nem sequer queria nos ver?” As lágrimas nublaram meus olhos. “Sinto muito,” eu sussurrei, sem saber o que dizer. "Eu sinto Muito. Minha cabeça... é só-” Abbi levantou a mão. “Uma parte de mim mesma pode até entender que você não quer falar. Pode até mesmo entender sua relutância em falar sobre coisas normais. E eu sinto muito. Eu não estou tentando ser uma cadela. Eu entendo que você já passou por muita coisa. Assim como eu. Assim como Dary e Sebastian e Keith e todos nesta maldita escola, mas o que eu não-” Ela fechou a mão em um punho e olhou para o céu, contando baixinho até cinco. “O que eu não entendo é como você entrou no carro, Lena. Como o Cody podia estar tão bêbado e você ainda entrou naquele carro. Você não estava bêbada. Eu estava com você antes de você sair e você não estava bêbada, mas você ainda entrou no carro e deixou Cody dirigir.” Eu recuei, como se eu tivesse levado um tapa. Eu não sabia o que dizer princípio, e então, o choque deu lugar à raiva vermelha, queimando, quente, que surgiu dentro de mim como um vulcão. “Você e Megan entraram no carro com Chris e foram até aquela festa todos vocês pensaram que ele estava confuso. Você-”


“Nós pensamos que ele tinha usado alguma coisa. Nós não sabíamos definitivamente,” ela disse, as narinas dilatadas. “E ele não saiu da estrada e matou quatro pessoas, não é? Não.” Meu queixo caiu. Como eu poderia responder a isso? Ela estava certa, mas ela também estava tão errada, porque ela teve sorte - tanta sorte - que ela estava de pé onde estava e eu estava existindo onde eu estava. “Ei, está tudo bem aqui?” Sebastian apareceu do nosso lado. Sua mão pousou na parte inferior das minhas costas enquanto seu olhar focou em Abbi. Sua mandíbula estava dura, o olhar firme. “Sim.” Abbi respirou profundamente. "Está tudo bem. Eu vejo vocês mais tarde.” Com os ombros tensos, eu assisti ela virar ao redor e seguir na direção onde estava estacionada. Abbi tinha mentido. Nada estava bem. Quando cheguei em casa, meu telefone estava tocando na minha mochila. Mexi na mochila, achei o telefone e vi que era o papai. “De jeito nenhum,” eu murmurei, silenciando a chamada. Eu não tinha inteligência para isso. Arrastei-me para cima e passei a próxima hora ou mais fazendo lição de casa, o que significava que eu não fiz muita coisa, porque tudo o que eu conseguia pensar era no que Abbi e o Dr. Perry tinham dito. Quando minha mãe chegou em casa, eu me forcei a descer. Ela estava colocando sua bolsa sobre a mesa quando eu fui para a cozinha.


“Como foi a escola?” “Ok.” Eu me sentei à mesa. “Teria sido melhor se eu tivesse um alerta sobre ter que me encontrar com um psicólogo na escola.” A mamãe tirou o blazer. “Eu não mencionei isso porque eu tinha a sensação de que você ficaria chateada e eu não queria que você se sentisse assim antes de voltar. Hoje seria duro o suficiente.” “Eu gostaria que você tivesse me dito por que eu teria ido preparada.” Ela deu a volta na mesa e se sentou na cadeira ao meu lado. “A escola entrou em contato na semana passada sobre os conselheiros de luto, e eu pensei que era uma boa ideia.” “Eu não estou tão certa sobre isso,” eu murmurei. Mamãe sorriu levemente. “Há coisas que você precisa falar que eu gostaria que você falasse comigo, mas poderia ser mais fácil com outra pessoa.” Ela fez uma pausa. “Pelo menos é o que o Dr. Perry disse.” Esfregando minha testa, eu fechei os olhos. “Você... Você contou a ele o que falamos com a polícia?” “Eu disse a ele tudo o que ele precisava saber,” ela respondeu. Seus dedos dobrados sobre a minha mão esquerda. “Tudo sobre o que você precisa falar.”


Eu puxei meu braço para trás e fiquei de pé, agarrandome à onda de raiva que eu senti antes, quando eu falei com Abbi. "Eu não quero falar sobre isso. Por que ninguém entende isso? Ou respeita isso?” A mamãe olhou para mim. “Porque respeitar nem sempre significa fazer o que é certo.” “O quê?” Eu me virei e peguei minha bolsa. “Isso não faz muito sentido.” Afastando-me, eu fui para as escadas no corredor, preparada para seguir o meu caminho lá para cima. “Isso realmente não faz qualquer sentido.” “Lena.” Eu não queria parar, mas eu parei na parte inferior da escada. “O quê?” “Eu não estou brava com você.” Minha coluna travou. A mamãe ficou sob o arco. A blusa azul fina, gasta, esticada em seus ombros enquanto ela cruzou os braços. Eu pensei sobre o que Lori disse sobre a mamãe estar bem desde que meu pai foi embora. Se isso fosse verdade, então ela seria capaz de comprar uma camisa nova, embora ela tivesse um cuidado extremo com as antigas. “Eu fiquei com raiva no início. Aliviada que você estava viva e ia ficar bem, mas com raiva porque você tomou uma decisão ruim. Mas eu não estou com raiva. Estou chateada por


causa do que aconteceu e pelo que você teve que passar, mas eu não estou brava com você.” Olhando para ela, eu não podia acreditar que ela estava dizendo isso. Como ela poderia não estar brava? Ela puxou uma respiração profunda. “Eu só quero que você saiba disso. Eu acho que você precisa saber disso.” Eu não sabia o que dizer. Meus joelhos pareciam como se fossem desabar. A mamãe não estava com raiva, mas não parecia certo. Ela ainda devia estar chateada comigo. Sem consequências. Corri para cima antes de dizer qualquer outra coisa. A porta do meu quarto bateu atrás de mim. Eu me escondi no quarto, fingindo me concentrar na lição de casa, descendo as escadas apenas para jantar porque eu senti o cheiro de frango frito. Não havia nenhuma maneira que eu fosse rejeitar frango frito. Era um pouco depois das sete quando eu vesti um short de dormir e uma blusa velha. Puxando uma colcha sobre as minhas pernas, eu tinha toda a intenção de voltar para o material escolar, mas eu cochilei, mesmo sem abrir o meu livro de história. Foi um cochilo inquieto, aquele em que eu acordei a cada quinze minutos ou mais, mas a última vez eu abri meus olhos, ouvi uma porta se fechar. Virei a cabeça para a sacada. Uma explosão surpreendente de ar frio atravessou a cama. Sebastian entrou no meu quarto sem uma palavra. Gemendo, eu puxei a mão para fora da manta e esfreguei o lado do meu rosto. “Você sabe que o que você está fazendo é como invasão, não é?”


“Não, eu não penso assim.” Ele se sentou no lado da cama. “Na verdade, estou apenas sendo cortês.” Eu abaixei minha mão, franzindo a testa para ele. “Como assim?” “Você não tem que se levantar e abrir a porta.” Ele piscou, e eu odiava que era sexy. “Eu estou sempre apenas pensando em você.” Revirando os olhos, eu me ajeitei então minhas pernas estavam apontando para ele. "Tanto faz. Talvez eu não queira ver você.” “Você poderia ter apenas trancado a porta,” ele ressaltou. “Se você não quer me ver, isso é tudo que você tem que fazer.” Eu poderia. Mas eu não tinha, porque eu queria que ele me visitasse. Eu queria que ele estivesse aqui, embora eu não devesse, mas eu não ia admitir isso. “Você está impedindo a minha liberdade.” Sebastian inclinou a cabeça para trás e riu. Alto. Meus olhos se arregalaram. “Shh.” Minha cabeça girou em direção a minha porta fechada. “Minha mãe vai ouvir você.” “Tenho certeza que sua mãe sabe que estou aqui todas as noites.” Isso era muito parecido com o que Lori tinha dito. “Mas eu duvido que ela saiba que você fica, tipo, para sempre.” “Provavelmente não.” Ele se mexeu, estendendo-se sobre a cama, com a cabeça no travesseiro ao lado do meu.


“Você já estava dormindo? São só nove horas.” “Eu estava cansada. Hoje foi...” Eu parei. Como diabos eu descrevo hoje? “Foi o quê?” Quando eu não respondi de imediato, ele persistiu. “Foi o quê, Lena?” Eu suspirei pesado, em voz alta e chata. “Foi difícil. Eu sinto que tenho noventa anos de idade. Eu precisava de um cochilo na terceira aula. As minhas costelas doeram durante todo o dia, e eu não podia tomar os comprimidos que o médico me deu, porque eu teria desmaiado.” “E?” Ele perguntou quando eu fiquei em silêncio. “E... foi apenas difícil.” Sebastian não disse nada, e eu sabia que ele estava esperando que eu continuasse. Vários momentos se passaram e eu tentei novamente. “Eu deveria ter Escrita Criativa com a Megan. Foi...” Engoli em seco. “Não tê-la na classe ou na hora do almoço foi estranho. Fiquei esperando por ela se sentar à mesa. Não ir para o treino parecia errado. Como se eu estivesse esquecendo alguma coisa durante o dia inteiro.” “O mesmo com os caras.” Sebastian cruzou os braços soltos. “Eu esperava ouvir Chris jogando pesos na sala de musculação. Phillip dando trabalho para todo mundo. Cody em pé ao meu lado no treino.” Eram tantas... Tantas perdas, tantas coisas que nunca iriam acontecer novamente. Corri meu dedo ao longo da borda do meu gesso conforme deixei escapar um suspiro.


“Eu tive que me encontrar com um dos conselheiros de luto.” “Eu também,” ele respondeu. “Eu acho que metade da classe faz isso.” Dei um olhar para ele. “Eu tenho que encontrar com esse cara três vezes por semana.” Não houve um lampejo de julgamento em seu rosto. “Isso provavelmente vai ser bom.” Eu não tinha tanta certeza disso. “Você falou com eles? Tipo realmente conversou?” Ele ficou parado por um momento e depois assentiu. "Sim. Isso ajudou.” Seu olhar encontrou o meu. “Ele vai ajudar você.” Só que Sebastian não tinha o tipo de culpa sobre a qual eu precisava falar. “O que estava acontecendo com você e Abbi depois da escola?” ele perguntou, rolando para o lado de modo que ele estava de frente para mim. Meus ombros caíram. O caminho familiar de lágrimas foi se formando até minha garganta. “Nada.” “Não foi nada quando eu cheguei,” ele negou. “Parecia que vocês duas estavam irritadas uma com a outra.” Sebastian levantou o braço e gentilmente fechou os dedos em volta do meu queixo. Ele virou minha cabeça na direção dele. “Fale comigo, Lena.”


Meu olhar caiu quando a sensação de seus dedos se infiltrando na minha pele. “Ela está... ela está brava comigo.” “Por quê?” ele perguntou, deslizando os dedos do meu queixo. Eles foram ao longo da minha mandíbula, enviando um arrepio na espinha. “Porque eu tenho... eu a tenho deixado de fora,” eu admito, fechando meus olhos. Sua mão ainda estava em movimento, os dedos passando no meu cabelo. “Eu não conversei com ela.” Não era a única razão por que ela estava brava, mas era a única razão pela qual eu poderia dizer, especialmente quando ele estava me tocando. “Eu não queria fazer isso. É só que... eu me sinto responsável.” Sua mão parou. “Lena, você não é responsável. Você não estava atrás daquele volante.” Deus, ele não sabia. Ele não tinha a menor ideia. Eu comecei a me virar, mas sua mão apertou. Meus olhos se abriram. Sua mão escorregou do meu pescoço, caindo no espaço pequeno entre nossos corpos. Sebastian estava de lado ao meu lado, ligeiramente levantado em seu cotovelo então seu corpo quase pairou sobre o meu. Havia algo totalmente intimista nas nossas posições, como se tivéssemos feito isso uma centena de vezes. E nós fizemos, mas o que ele admitiu sábado à noite tinha mudado as coisas. Isso não era apenas dois melhores amigos deitados na cama, um ao lado do outro. Isso não era apenas o vizinho mais. Nós não poderíamos voltar para aquilo não importa como nós fossemos para frente, e mesmo que ele fosse o que eu quis por tanto tempo, era aterrorizante.


“Lena,” ele sussurrou meu nome como se fosse uma espécie de bênção. “Eu não quero falar mais," eu disse. “Eu... eu quero você aqui, mas eu não quero falar.” O entendimento aconteceu. O olhar em seus olhos mudou, a mudança de preocupação para algo mais selvagem, mais nítido. Ele mordeu o lábio inferior. Tudo no quarto mudou em um instante. Era tão extremo. Em um momento eu senti como se estivesse na iminência de perder isso e agora eu estava de pé em um penhasco totalmente diferente. Ele disse que me amava - estava apaixonado por mim. E eu tinha sido apaixonada por ele desde... Desde sempre. Eu não sentia que eu merecia isso. Como se eu tivesse ganho esta oportunidade ou uma segunda chance. Que eu deveria estar experimentando a aceleração na minha respiração ou o calor repentino que tomou conta de minha pele e inundava meus sentidos. E talvez ele não quisesse dizer que me amava dessa maneira bonita, sem fim que eu lia nos livros espalhados no meu quarto. O tipo de amor que era como uma corrente ligando duas almas, um vínculo inquebrável que prevalecia sobre o pior tipo de circunstâncias, as decisões mais terríveis. Ele obviamente pensava que era, mas as pessoas acreditavam e sentiam todos os tipos de coisas loucas perante a perda, mas esses sentimentos se afastavam e diminuíam uma vez que a vida voltava ao normal e a dor da perda diminuía. Mas agora, eu não queria reconhecer nada disso ou o que nos levou a este ponto onde as coisas já não eram as mesmas


entre nós. Eu não queria pensar. Eu só queria explorar o fogo crescendo no meu estômago, a falta de ar no meu peito que não tinha nada a ver com os meus pulmões ou costelas. Talvez fosse o voltar para a escola hoje. Ou fosse a conversa inesperada com o Dr. Perry e saber que ele sabia. Poderia ter sido o confronto com Abbi e encarar o fato de que ela sabia que eu saí daquela festa... Daquela festa sóbria o suficiente para... Eu sabia melhor. Poderia ter sido a conversa com a mamãe. Talvez fosse porque Sebastian tinha dito que me amava. Eram, provavelmente, todas essas coisas em uma só bola de demolição de uma confusão, mas eu não poderia... Não poderia apenas, não sei, fingir por um pouco? Deixar rolar a fantasia na minha cabeça? Meu pulso estava em todo o lugar enquanto o meu olhar ia ao longo do ângulo agudo das maçãs do rosto dele, até a cicatriz em seu lábio superior. Eu levantei a minha mão, mas parei a centímetros de tocá-lo. Um pequeno sorriso curvou os cantos de seus lábios para cima. “Você pode me tocar se quiser. Você não precisa nem perguntar.” Eu queria tocá-lo, muito, mas eu hesitei. Tocá-lo não era fingir, e como eu ia voltar disso? Seu peito subia com uma respiração profunda. “Eu adoraria que você me tocasse.” Minha respiração ficou presa. Timidamente, eu espalhei meus dedos em sua bochecha. Um choque de alegria me ocorreu quando senti o tremor que


abalou seu corpo forte. Sua mandíbula era quase lisa sob a palma da mão com apenas o toque de começo de barba. Coloquei minha mão para baixo, deslizando o polegar ao longo de seu lábio inferior. Sua respiração aguda provocou um estremecimento. Ele fechou os olhos quando eu segui a curva de seu lábio superior, sentindo sua cicatriz. Todos esses anos, e eu nunca tinha tocado nele assim. Nunca. Eu estava perdida naquele momento, no agora, conforme passei minha mão para baixo na sua garganta. Meus dedos roçaram seu pulso e eu podia senti-lo batendo tão descontroladamente quanto o meu. Eu continuei. Colocando minha mão sobre seu peito. Ele fez um som, um gemido baixo que parecia um rosnado, e foi acender um fósforo na gasolina. Um incêndio começou. Encorajada, eu fui para baixo, seguindo as ondulações tensas e planas. Seus músculos eram duros, claramente definidos como eu sempre soube que eles eram, como eu sempre vi e sempre apenas acidentalmente toquei brevemente. Mas isso não era breve. Eu aproveitei meu doce momento, traçando apenas um dedo sobre o seu abdômen e, em seguida, dois dedos, mapeando-o, guardando na memória. Eu continuei. Meus dedos flutuaram em torno de seu umbigo e mais baixo, atingindo o cós das calças de flanela que ele estava usando. Seu corpo estremeceu novamente, trazendo-o para mais perto. Sua coxa pressionada contra o lado da minha.


Isso não está certo. Eu não deveria fazer isso, mas saber disso não me impediu. Lentamente, eu levantei meu olhar para o dele. Seus olhos eram azuis como os mares mais profundos que eu nunca tinha visto na vida real, mas tinha circulado naquele mapa em cima da minha mesa. De alguma forma, nossos rostos tinham ficado cada vez mais perto durante minha exploração. Nossas respirações se misturaram. Diminuí a distância. O contato da minha boca contra a dele era tão chocante e eletrizante como tinha sido na primeira vez, talvez agora ainda mais forte. Era apenas a mais doce, e mais suave das pressões. Só a minha boca se movendo contra a dele, e então sua mão estava na minha nuca. Eu fiz um som que eu nunca tinha me ouvido fazer antes, abrindo a boca para ele, e qualquer que fosse o controle que Sebastian tinha, o que quer que estivesse segurando-o, disparou. Sebastian me beijou, realmente me beijou. Meu coração ameaçava explodir. Sua língua deslizou. Ele tinha gosto de hortelã e ele. Minha mão foi para seu quadril e flexionou, querendo-o mais perto, mas ele não podia se aproximar. Não com minhas costelas doloridas e o braço machucado. Mas ele me beijou, bebeu dos meus lábios e boca e meus suspiros. E foi para baixo, mordiscando meu lábio inferior, extraindo um gemido, e ele beijou o caminho na minha garganta quando eu coloquei a cabeça para trás, dando-lhe mais acesso. Ele lambeu e chupou, prestando especial atenção a este ponto logo abaixo da minha orelha que fez os dedos dos meus pés curvarem e meu quadril se contorcer inquieto. Então ele estava devorando os meus lábios mais uma vez, nossas línguas se


enrolando e o único som no quarto era nossa respiração ofegante. Eu não tinha ideia de quanto tempo nós nos beijamos. Continuou para sempre, e não havia falsidade ou fingimento cada vez que mergulhamos de volta um no outro, querendo e silenciosamente implorando por mais. Amigos não beijam amigos assim. Eles não agarram um ao outro como estávamos, meus dedos cavando em seu quadril e lateral, sua a mão segurando firme no meu pescoço, sem vontade de me deixar ir embora mesmo que eu não estivesse correndo. E ainda, nos beijamos e beijamos. Quando sua boca finalmente levantou da minha, eu pressionei minha testa em seu ombro. Respirando pesadamente, eu enrolei meus dedos em sua camisa. Pelo que pareceu uma eternidade, nenhum de nós se moveu e, em seguida, ele se moveu de volta para o lado dele, enrolando a mão sobre meu quadril. Sua mão se moveu, indo para cima e para baixo das minhas costas em movimentos longos, alisando, e sua respiração dançava calorosamente na minha bochecha. E nós não falamos pelo resto da noite.


CAPÍTULO VINTE E UM

Olhei para o cartaz estúpido na parede. Era uma foto de paraquedistas de mãos dadas e embaixo em letras grandes havia as palavras: trabalho em equipe. Só uma escola de ensino médio teria um pôster de pessoas querendo saltar de aviões como um exemplo de trabalho em equipe. Isso não era o tipo de equipe que eu gostaria de fazer parte. Dr. Perry estava esperando. Ele tinha me feito uma pergunta. Como ele tinha feito na quarta-feira e na sexta-feira passadas, e agora era segunda-feira, o início da minha segunda semana de volta, e nada e tudo tinha mudado. A pergunta desta semana era diferente da feita semana passada. Antes, ele tinha só realmente focado em como eu estava me adaptando de volta na escola e quando eu estava planejando começar a ir ao treino de voleibol mesmo que eu não pudesse fazer nada. Eu tinha me esquivou dessa última pergunta, assim como me esquivou do treinador Rogers. Ele tinha perguntado como eu estava lidando com a curiosidade mórbida dos outros alunos. E como eu estava nas minhas aulas. Ele tinha falado sobre o acidente. Não o que estava tão obviamente no meu arquivo, mas sobre o quão difícil era para


permitir-se deixar a culpa de sobrevivente ir e como era importante seguir em frente. Esta semana, ele perguntou se eu tinha decidido quando eu ia visitar os túmulos dos meus amigos, afirmando que isso era importante para iniciar o processo de encerramento. Eu não queria responder à pergunta, mas eu também meio que queria, porque eu não estava falando com meus amigos sobre nada disso, especialmente Abbi, que aparentemente pensava que eu era um ser humano terrível, e eu meio que pensava o mesmo sobre mim. Eu não tinha me aberto para Sebastian. Nem mesmo depois da última terça à noite - depois que passamos o tempo juntos realmente conhecendo a sensação da boca um do outro. Corri a palma da minha mão direita sobre a borda do braço da cadeira. “Eu não consigo pensar neles assim,” eu disse finalmente, olhando para os paraquedistas sobre seu ombro. Eles estavam todos vestindo macacões de cores diferentes, o que me fazia lembrar uma caixa de lápis de cor. “Quando penso em Megan, eu ainda penso nela sentada no meu quarto, falando sobre programas de TV. A ideia de ir a um cemitério, onde estão agora, eu...” Eu tremi. “Eu não consigo.” Dr. Perry balançou a cabeça lentamente enquanto levantava a caneca. A caneca de O Melhor Pai foi substituída por um que tinha uma imagem de Elvis Presley. “Você não ultrapassou o trauma do acidente. Até que você faça isso, você não será capaz de lamentar.” Minha mão parou de se mover e eu enrolei meus dedos em torno do braço da cadeira. “Eu posso fazer você passar pelo trauma. Você quer isso?”


Baixei o olhar para ele e respirei fundo. “Eu quero, mais do que qualquer coisa voltar à forma como as coisas eram.” “Mas você não pode voltar para a forma como as coisas costumavam ser, Lena. Nós nunca podemos voltar. Você tem que aceitar isso, não importa o que aconteça daqui em diante, seus amigos não vão voltar-” “Eu sei disso,” eu interrompi, frustrada. “Não foi isso que eu quis dizer.” “O que você quer dizer?” ele perguntou. “Eu... eu só quero ser quem eu era,” eu me forcei a falar, e então foi como se algo dentro de mim fosse destrancado e uma torrente de palavras saíram. “Eu não quero ser essa eu mais. Eu não quero pensar sobre isso a todo o momento, e quando eu começo a pensar em qualquer coisa, qualquer outra coisa, eu me sinto horrível, porque eu não deveria. Eu não quero olhar para a minha mãe mais e ver aquele olhar em seu rosto. Eu quero ser capaz de voltar ao vôlei, porque eu... eu realmente adorava jogar, mas eu não posso nem pensar em fazer isso, por causa de Megan. Eu não quero sentar com meus amigos e estar constantemente preocupada com o que eles realmente pensam de mim. Eu não quero que eles pensem que eu não entendo que o acidente os afetou tanto quanto a mim. Eu quero ser capaz de acreditar que Sebastian me ama e tudo ficará bem e eu posso amá-lo de volta, “eu soltei, sem ter ideia se ele sabia do que eu estava falando, já que eu não tinha certeza nem se eu fazia. “Eu não quero sentir nada disso. E eu sei que isso não vai embora. Eu sei que quando eu for para a cama mais tarde esta noite e eu acordar amanhã será igual, mas eu não quero nada disso.” Seu olhar afiou. “Você vê um futuro para si mesma, Lena?”


Eu caí para trás na cadeira, estremecendo quando senti a pontada de dor nas minhas costelas. Não era sempre que minhas costelas ainda me incomodavam, mas me jogar em uma cadeira com certeza não era bom. “O que você quer dizer?” “Onde você se vê daqui a um ano?” “Eu não sei.” O que isso importa? “Na faculdade, eu acho.” “Estudando história e antropologia?” ele esclareceu. “Eu falei com seu orientador. Eles me disseram seus interesses.” “Sim, é isso que eu vou fazer.” “Onde você se vê daqui a cinco anos?” Irritação me enfureceu. “O que isso importa?” “É importante porque se você não começar a trabalhar nisso, você ainda vai ter que lidar com isso em cinco anos.” Meus ombros caíram. Cinco anos eram para sempre agora. “Você quer superar o trauma e o luto? Você quer se sentir melhor do que você se sente agora?” ele repetiu. Fechando os olhos, eu concordei, embora eu me sentisse mal por isso, mesmo que parecesse tão errado querer se sentir melhor. “Então nós temos que superar o trauma para chegar ao luto, e eu prometo a você, uma vez que você fizer isso, você vai se sentir melhor.” Ele fez uma pausa. “Mas você tem que trabalhar comigo e você tem que ser honesta, não importa o quão desconfortável a verdade te deixe.”


Eu abri meus olhos e seu rosto borrou. “Eu não... não sei se eu consigo.” “Este é um lugar seguro para você, Lena. Nenhum julgamento,” ele insistiu em voz baixa. “E fica melhor começa voltando para o momento da festa. Começa com você falando sobre o que se lembra e que você sabe que aconteceu.” “Você não está com fome?” Piscando, eu lentamente levantei a cabeça e olhei para Sebastian. Ele estava sentado de lado no lugar ao meu lado. Um braço estava descansando sobre a mesa, o outro pendurado em seu colo. Apenas as pontas de seus dedos tocavam minha coxa. Meu corpo reagiu imediatamente ao seu toque. Uma onda de calor correu sobre a minha pele, mas meu cérebro recuou do desejo e necessidade e a ansiedade subindo pelas minhas veias. Não tínhamos nos beijado desde terça-feira, mas ele esteve na minha casa todas as noites e me levou para a escola todas as manhãs, embora eu pudesse dirigir. Ele se sentava comigo no almoço e me tocava mais, um pouco aqui e ali. Uma mão roçando no meu braço ou na cintura, um toque suave nas minhas costas ou na minha nuca. E eu fervilhava nesses pequenos momentos, embora eu soubesse que não deveria. “O quê?” eu disse, não tendo nenhuma ideia do que ele tinha acabado de perguntar. “Você não tocou na sua comida.” Ele olhou incisivamente para minha bandeja. “Bem, se você considerar salada como comida.” Salada? Eu verifiquei meu prato com uma careta. Sim. O prato de folhas verdes era definitivamente uma salada. Eu nem sequer me lembrava de pegar isso quando estava na fila do


almoço. Isso não era exatamente uma surpresa, no entanto. Depois de me encontrar com o Dr. Perry, esta manhã, sabendo que na quarta-feira eu ia ter que lembrar tudo, minha cabeça não estava onde ela precisava estar. A manhã tinha sido um borrão de movimentos. Eu ia ter que realmente falar sobre isso, e eu não sabia se eu conseguiria. Mas o Dr. Perry sabia. Abbi suspeitava também. Era tudo em que eu podia pensar quando eu olhava para os meus amigos. Era tudo que eu ouvia na minha cabeça quando Sebastian aparecia à noite e fazia sua lição de casa ao meu lado. Era o que eu via quando via Jessica nos corredores entre as aulas - a garota que estava com Cody. Ela nunca me via, mas eu a via. Dary riu agora, tirando minha atenção de volta para o presente. “Eu estava pensando o que estava acontecendo com a salada. Eu não acho que já vi você comer uma sem uma tonelada de fritura sobre ela.” “Eu não sei.” Eu olhei através da mesa para Abbi. Ela, como Dary, tinha uma fatia de pizza e o que parecia ser salada de repolho em seu prato. A pizza da Abbi estava metade comida. Ela estava desenhando uma rosa na capa de seu caderno. Ela mal tinha falado comigo na nossa aula de química e no início do almoço. Ela não estava me ignorando ou qualquer coisa assim. Eu nem estava presente o suficiente para ser ignorada, para ser honesta. Olhei ao redor da mesa. Era uma mistura estranha agora. Normalmente seria apenas nós, Abbi, Dary, eu e... E Megan. Haveria outros alunos que não conhecíamos, mas era só nós, realmente. Agora éramos nós e Sebastian e vários jogadores.


E Keith. Ele estava sentado ao lado de Abbi, tão quieto como eu nunca tinha visto. Ele tinha mudado também. Ele não falava alto e na cara de todo mundo como ele costumava fazer. Ele ainda jogava bola, e eu ouvi Abbi dizendo a Dary durante o almoço esta semana, antes de Keith sentar, que ele tinha sido repreendido durante o jogo na semana passada por ser muito bruto no campo. Agora sua cabeça escura estava abaixada, e de vez em quando, ele se inclinava para ela e sussurrava algo para ela e ela respondia. Eles estavam juntos? Eu não sabia. Eu não tinha perguntado. Sebastian se aproximou, seu joelho pressionando o meu. Sua voz era baixa quando ele perguntou, “Você está bem?” “Sim.” Eu limpei minha garganta e forcei um sorriso. “Apenas cansada.” Seus olhos procuraram os meus, e eu sabia que ele não acreditava em mim, e eu sabia que provavelmente iria ouvir sobre isso mais tarde. “Você vai trabalhar no Joanna’s neste fim de semana, já que você não vai ter jogo ou algo assim?” Dary perguntou. Eu balancei a cabeça. “Hum, não. Normalmente eu não iria, por causa do voleibol.” “Então você vai para o jogo fora neste fim de semana?”


Eu balancei minha cabeça negando novamente. O treinador tinha me dado espaço na semana passada, mas eu sabia que não iria durar muito mais tempo. Ele esperava que eu aparecesse hoje. “Uau.” Dary empurrou os óculos para cima, enquanto olhava por cima da mesa. “Eu não consigo pensar em um fim de semana que você não teve um jogo e não estava trabalhando em Joanna.” “Sim.” Eu vi Sebastian cortar o frango assado ou cozido no meio. Ele cortou-o em lascas. “Todos eles foram realmente compreensivos. Eles foram realmente bons.” “Quem?” Dary perguntou. Limpei a garganta. “O treinador - o treinador foi realmente compreensivo.” Sebastian pegou os pedaços que ele cortou e os colocou na minha salada. Meus olhos se arregalaram. Ele realmente cortou minha comida como se eu fosse uma criança de dois anos de idade? “Pronto,” ele disse. “Agora sua salada parece quase comestível.” “Ainda não é frita,” comentou Dary, sorrindo. “Mas isso é possivelmente a coisa mais doce que eu testemunhei em um muito tempo.” Era tão ridículo. Mas era doce, porque eu sabia que vinha de um bom lugar. Os cantos dos meus lábios levantaram conforme eu peguei o garfo.


“Estamos tendo que dar comida na boca da Lena agora?” Abbi perguntou. Minha cabeça levantou e calor queimou o meu rosto. Abbi estava olhando para mim, uma sobrancelha levantada. “De novo?” Sebastian disse. Abbi deu de ombros quando seu olhar cintilou para Sebastian. “Quero dizer, ela tem que ser trazida para a escola. Não pode ir a lugar nenhum sozinha. Temos que ver o que dizemos perto dela. Então, eu estou apenas querendo saber se temos que dar comida na boca também?” Eu congelei. Coração. Pulmões. Cérebro. Tudo. “Que diabos, Abbi?” A voz de Sebastian afiou. Na minha frente, o olhar duro no rosto de Abbi rachou um pouco, apenas uma fissura. Sua voz estava rouca. “Eu só acho que é uma pergunta válida e eu não posso ser a única pensando isso.” “Abbi,” disse Keith, falando alto o suficiente para eu ouvir pela primeira vez no almoço. “Sem essa.” Dary enrijeceu ao meu lado. "O quê? Ela é uma adulta, certo?” Abbi engoliu. Seu lábio inferior tremeu quando seu olhar encontrou o meu de novo. “Ela não pode falar por si mesma? Não pode intervir e parar com isso?” Encolhendo-me como se tivesse levado um soco no estômago, eu sabia exatamente a que ela estava se referindo. Ela não estava falando sobre essa conversa. Ela estava falando sobre aquela noite. E eu estava farta.


Levantando, me abaixei e peguei minha mochila do chão. Ouvi Sebastian dizer o meu nome, mas eu não parei. Endireitando-me, dei um passo para trás da mesa e virei sem dizer todas as palavras queimando através da minha pele. Corri para fora da lanchonete, a boca fechada para eu não perdê-la. Eu não tinha ideia se abri-la significaria gritar de raiva ou ter um colapso completo. Eu fui até a metade do caminho até Dary me alcançar, agarrando o meu braço bom. “Ei, espera,” disse ela, me forçando a parar. “Você está bem?” Meu olhar foi para o teto. “Eu estou bem e eu tenho certeza que a cabeça de Abbi sairia imediatamente dos seus ombros se ela ouvisse você me perguntar isso.” “Abbi está apenas sendo-” “Uma cadela?” eu terminei por ela, e logo em seguida me senti mal. Fechando os olhos, balancei minha cabeça. "Não. Isso não está certo. Ela está apenas...” “Ela só está tendo dificuldade em lidar com tudo.” Dary apertou meu braço. “Mas ela não estava sendo agradável lá.” Eu tirei o cabelo do meu rosto quando eu olhei de volta para o refeitório. “Ela te disse alguma coisa?” “Sobre o quê?” “Sobre mim e naquela noite - a festa de Keith”. Dary deixou cair sua mão. “Ela me contou sobre você e Sebastian meio que discutindo e algumas coisas sobre ela e Keith.” Ela fez uma pausa. “Por quê?”


Obviamente Abbi não tinha falado com ela sobre mim. “Eu estava só pensando.” “Existe algo que eu deveria saber sobre aquela noite?” ela perguntou. Agora. Agora eu poderia dizer a ela o que Abbi sabia e ela saberia por que Abbi estava tão chateada. Mas quando eu abri minha boca, eu não consegui encontrar as palavras. Um momento se passou e Dary deixou cair o braço em volta dos meus ombros. “Tudo vai ficar bem novamente. Eu sei que não parece agora, mas vai. Tem que ficar.” Eu não respondi, porque eu sabia que só porque você queria tanto que algo ficasse bem não queria dizer que seria dessa forma. Dary apoiou a testa contra a lateral da minha cabeça. “Eu só quero que as coisas voltem a ser como eram antes,” ela sussurrou. “Não podemos trazer Megan de volta - nós nunca mais vamos tê-la - mas nós vamos te trazer de volta. Eu acredito nisso. Eu realmente acredito.”


CAPÍTULO VINTE E DOIS

Segunda-feira foi literalmente um desses simplesmente não se enrolaria e morreria.

dias que

No momento em que o último sinal tocou e eu caminhei até o meu armário, eu já havia terminado o meu dia e quando eu vi o Treinador Rogers caminhando em minha direção, e eu queria me empurrar para dentro do meu armário. Acordando uma atrocidade bombástica de notas F, coloquei meu livro de química e esperei que ele não viesse me ver. Que ele estava apenas dando um preguiçoso passeio a tarde pelos corredores, e embalado pelo som de batidas de portas metálicas e conversas intensas. Eu estava tirando o meu texto de História quando ouvi o treinador dizer meu nome - meu nome completo, porque, claro, esse seria um daqueles dias. "Ei," respondi, empurrando o texto para a minha bolsa. "Você irá treinar?" Ele pergunta, parando ao meu lado. Desejei estar longe daqui, porque não estava tão preparada para essa conversa, balancei a cabeça enquanto pego minha bolsa. "Eu sei que você não pode treinar com essas lesões, mas eu realmente quero você lá, Lena," disse ele, e sem sequer olhar


para ele, eu sabia que ele cruzou os braços. "Isso seria bom para você - para o time." "Eu sei, mas..." Engoli enquanto fechava a porta do armário. "Eu não posso." "Você não está clinicamente bem para se sentar em um banco?" Ele perguntou, e eu não sabia se ele estava sendo sarcástico ou não. Vendo a expressão relativamente branda, eu iria com um não. "Tenho certeza de que tenho permissão, mas estou... Não vou mais jogar vôlei." As sobrancelhas escuras dele se levantaram. "Você está deixando o time?" Sentindo meu estômago afundar, assinto com a cabeça. "Sim. Desculpe-me, mas com essas lesões e ficar presa na escola, não é apenas a melhor coisa para mim." O treinador Rogers deu um pequeno brilho na cabeça dele. "Lena, você é um membro valioso da equipe. Nós podemos -" "Obrigado por dizer isso." Eu deslizei meu peso de um pé para o outro enquanto um grupo de alunos contornava a nossa volta. "E eu realmente aprecio toda a oportunidade que você me deu, mas eu vou perder tantos jogos e treinos. Estou completamente fora e é o melhor." "Se o seu braço se livrar desse gesso até o final do mês, você tem outubro inteiro para jogar qualquer torneio aos quais possamos ir," argumenta o treinador. "Você ainda tem chance de chamar a atenção de um olheiro. Lembre-se de como conversamos sobre bolsas de estudos?"


"Megan teria conseguido uma bolsa de estudos," eu disse antes que eu pudesse parar. "Ela não precisaria, mas ela teria conseguido uma. Eu não." Surpresa registra seu rosto. "Você tem uma boa chance..." "Não é mais o que eu quero fazer," eu cortei, dando um passo atrás. Por seu ombro, vi Sebastian aproximando. Senti uma respiração superficial. "Desculpe-me." Eu pisei em volta dele. "Eu tenho que pegar minha carona." O treinador Rogers se vira. "Eu acho que você está cometendo um erro." Se isso for verdade, então, apenas coloque esse ao lado do último erro que eu cometi. "Se você mudar de ideia, venha me ver," disse ele. "Nós podemos fazer isso dar certo." Eu não mudaria de ideia, mas eu acenei com a cabeça e caminhei para onde Sebastian estava esperando. Sebastian olhou para o corredor, com o olhar persistente onde o treinador estava de pé. "Tudo bem?" "Sim. Claro," eu disse, o deixando tirar minha mochila de mim. "Estou pronta para ir." Seu olhar piscou para o meu e pensei por um momento que ele ia dizer outra coisa, mas ele não o fez. Enquanto caminhávamos pelo corredor em silêncio, não conseguia esquecer o que o treinador Rogers havia dito. Meu estômago revirou novamente. Fiz o que era certo? Eu devo ter feito, porque já é era tarde demais.


Sentei-me à mesa da cozinha naquela noite, empurrando ervilhas no meu prato com meu garfo. Eu não podia acreditar que minha mãe ainda colocava no meu prato, como se eu tivesse cinco anos e pensasse que eu realmente iria comê-las. Mamãe perguntou sobre minha sessão com o Dr. Perry, e eu lhe dei a essência geral do que estava acontecendo. Ela então perguntou sobre Abbi e Dary, já que ela não tinha visto Abbi há algum tempo. Eu menti, alegando que Abbi estava ocupada. Mamãe não perguntou sobre Sebastian, que por algum motivo me fez pensar que ela sabia muito bem sobre as suas visitas noturnas, mas, por qualquer motivo, não estava dizendo nada. "Lori estava pensando em voltar para casa neste fim de semana," disse minha mãe, cortando sua fatia do pão de carne ela cozinhou na panela elétrica o dia todo. "Realmente?" Eu empurrava meu garfo na carne, com fome, mas não. "É uma viajem longa para ela." "É, mas ela quer ver você." Mamãe olhou para mim do outro lado da mesa. "Ela está preocupada." Um pedaço do meu pão de carne virou pó na minha garganta. "Papai ainda está por perto?" Mamãe endureceu apenas o mínimo. "Ele teve que voltar para Seattle. Eu acredito que ele tentou ligar e ver você antes de partir." Eu encolhi os ombros. O engraçado sobre meu pai? Nada o impedia de me ver se ele realmente quisesse. Sim, não respondi suas chamadas, mas ele poderia ter vindo. Mamãe o deixaria entrar. Então ele poderia ter me visto. Eu também reconheci que estava com raiva que ele não tentou o suficiente me ver quando não eu queria vê-lo.


Eu era uma bagunça horrível. "Ele vai voltar." Mamãe colocou o copo de volta. "No Dia de Ação de Graças. Vamos ter um jantar -" "Como se fossemos uma grande família feliz?" Eu respondi, reconhecidamente com ironia. "Lena." Mamãe suspirou, colocando seu garfo para baixo. "Ele é seu pai. Ele é um bom homem e entendo que você tem... problemas não resolvidos com ele, mas ele é, no final do dia, seu pai." "Um bom homem?" Eu não podia acreditar que minha mãe o estava defendendo. "Ele deixou você - nos deixou porque ele não podia lidar com nada. Com coisa nenhuma." "Querida." Mamãe sacudiu a cabeça quando ela colocou o braço na mesa. "Foi mais do que o seu negócio falir e nós termos problemas de dinheiro. Muito mais do que isso. Eu amei seu pai. Parte de mim ainda o ama e provavelmente sempre vai amar." Fechando minha boca, eu olho para o teto. Saber o que eu sempre suspeitei, que mamãe ainda o amo, me chateou mais. "Há algo que você precisa entender sobre eu e seu pai," disse ela, dando uma fraca respiração. "Seu pai, Alan, ele simplesmente não me amou tanto quanto eu o amei," ela disse, deixando cair uma bomba como se ela não tivesse dito nada. Eu a estudei. Ela se concentrou em seu prato, exalando pesadamente. "Eu acho - não, eu sei - eu sempre soube disso. Todos esses


anos, ele me amou. Ele realmente se importou comigo, mas não era o suficiente. Alan tentou, ele realmente tentou e eu não estou dando desculpas por ele, mas o que ele sentia não era suficiente." Eu olhei para ela, sem saber o que dizer, porque eu... Nunca tinha ouvido nada disso antes. "Nós nos casamos jovens, assim que descobrimos que eu estava grávida de Lori. Isso é o que as pessoas faziam." Então ela deixou cair outra bomba. "Seu pai não queria partir, Lena. Ele me viu - nos viu - como sua responsabilidade, e enquanto vocês duas eram sua responsabilidade, eu não era. Eu queria que ele me amasse como sua parceira, não sua responsabilidade." "O quê?" Eu sussurrei, quase deixando cair meu garfo. "Eu pedi para ele ir. Fui eu quem iniciou a nossa separação." Seu sorriso estava triste, um pouco amargo. "Eu pensei que confrontá-lo com o que eu sempre soube, que o que ele sentia não era o suficiente, e pedir para ele sair e o faria sentir o que eu sentia." Sua risada era como a queima de um vidro. "Eu posso ser uma mulher adulta, Lena, mas muitas vezes, ainda acredito em contos de fadas. Pedir para ele sair foi a última chance. Que talvez ele..." "Acordasse e se apaixonasse por você?" Perguntei com a minha voz agitada. Ela realmente acreditou nisso? Eu brevemente aperto os olhos. Se ela pensasse que, pedindo que ele fosse embora ela conseguiria o seu próprio feliz para sempre como em um livro? Mamãe assentiu. "Sim. E olhando para trás, havia uma pequena parte de mim que sabia que você não pode assustar


alguém e convencê-la a amar você. Não é assim que as coisas funcionam." Tudo o que eu podia fazer era sentar lá. "Eu o amo - incondicionalmente. Mas quando não podia mais mentir para mim mesma, eu não podia mais deixá-lo mentir para ele também, eu sabia que o nosso casamento acabou." Eu me sentei na cadeira, com as mãos caídas no meu colo. "Por que... por que você não nos contou nada disso?" Aquele sorriso fraco e triste desapareceu. "Orgulho? Vergonha? Quando nos divorciamos, você ainda era jovem demais para esse tipo de conversa. Lori também, apesar de ser adolescente. Não é algo fácil de falar, admitir para as suas jovens filhas que você ficou com um homem que não a amava como deveria amar." "Mas eu..." Mas eu sempre acreditei que meu pai foi embora. "Você o fez sair?" "Foi a coisa certa a fazer e eu sei que devíamos ter sido mais honestos com vocês, mas..." Ela olhou pela janela para o quintal. Seus dedos cruzaram a boca e ela piscou rapidamente. "Mas nem sempre fazemos as escolhas certas. Nem quando você é um adulto e você deveria saber melhor." Como um relógio, a porta da varanda abriu um pouco depois das oito. Eu não dormia. Eu estava olhando fixamente sem rumo no meu livro didático, relendo o mesmo parágrafo pela quinta vez. Nada estava ficando na minha cabeça desde o jantar.


Sebastian sorriu quando ele me viu. "Bonita camisa," ele disse quando fechou a porta atrás dele. "Minha camisa é incrível." Era uma camisa preta de tamanho grande com o bebê Deadpool. Ele caminhou em direção à minha cama mostrando suas longas pernas e meu estômago mergulhou loucamente. "Sim, mas quando você usa minha camisa velha é melhor." Coro derrubando um fio de cabelo solto do meu rosto. "Eu joguei fora." "Claro que você fez." Ele caiu na cadeira do computador, assim como Abbi costumava, quando ela realmente gostava de mim. "O que você tem feito?" "Nada demais." Eu o assisti jogar as pernas, plantando os pés ao lado do meu quadril. Ele estava descalço, sempre descalço. Deixei o meu marcador em meu caderno. "Você?" "O habitual. Treino." Ele cruzou os braços em seu peito. "Eu também tomei banho." Eu resmunguei um sorriso. "Bom para você." Derrubando a cabeça para trás, ele riu. "Eu vivo uma vida excitante." Meu olhar apareceu sobre ele e nossos olhos se encontraram e se mantiveram por um momento. Um calor líquido escorregou na minha garganta e no meu peito, então, espalhando muito, muito mais baixo. Olhando para longe, tomei uma respiração profunda e uniforme. "Então... hum, minha mãe tipo me jogou uma bomba hoje à noite."


"Sobre o quê?" "Ela me contou por que meu pai foi embora." Eu toquei o marcador. "Você sabe como eu sempre pensei que ele acabou percebendo que não podia lidar com tudo?" "Sim." Ele deixou cair os pés no chão e se inclinou para frente, totalmente interessado. "Foi por isso, certo?" Eu balancei minha cabeça. "Eu descobri que foi porque ele realmente não amava a minha mãe. Tipo ele a amava, mas não estava apaixonado por ela." Eu disse à ele o que minha mãe havia dito enquanto empurro o marcador de um lado para o outro. "Loucura, hein?" "Droga." Suas sobrancelhas se levantam. "Como você se sente sobre tudo isso, desde que você e seu pai...?" Ele não precisava terminar a declaração. Eu senti um grande rancor, obviamente, depois que meu pai tinha saído. Levantei minhas mãos para cima. "Eu não faço ideia. Ainda acho que estou muito chocada por estar com raiva, você entende? Como ela manteve isso por tanto tempo? Mas ao mesmo tempo eu me sinto terrível por ela, porque uma parte de mim pode entender não querer contar a alguém." E não querer falar sobre isso. Isso, eu poderia totalmente entender. "Tenho muito na minha cabeça," admiti. "Como se estivesse explodindo. Mamãe basicamente me deixou, e até Lori, pensar que meu pai era apenas uma porcaria. Quero dizer, ele ainda é uma espécie de porcaria, eu acho, por casar com


alguém que ele na verdade, realmente não amou, mas... não sei." "Tire um tempo para limpar a cabeça." Ele ficou de pé e caminhou. Pegando meu livro, ele o fechou e colocou na minha mesa. "Ei," eu disse. "Eu estava fazendo minha lição de casa." "Uh-huh." O caderno, caneta e marcador se juntaram ao meu livro didático. Então ele se sentou na cama, na minha frente, um joelho dobrado, pressionando contra a minha panturrilha. "Então é segunda-feira à noite." "Sim." Eu deixei minhas mãos no meu colo. "Obrigada por esclarecer isso. Eu estava tão confusa." Um lado de seus lábios levantou. "Você sabe o que isso significa?" "Eu teria uma semana inteira antes do próximo episódio de The Walking Dead, se isso acontecesse?" "Não," ele respondeu secamente. Eu o vi plantar a mão direita ao lado do joelho esquerdo. "Um. Há apenas mais quatro dias na semana?" "Bem, sim. Há isso." Ele se inclinou mais perto, e minha frequência cardíaca acelerou em resposta. O absurdo absoluto do dia desapareceu. "Mas segunda-feira à noite significa algo mais, algo muito mais importante?" "E isso é?" Meu olhar caiu em sua boca brevemente e senti o aperto na minha parte inferior do estômago.


Sua cabeça se inclina ligeiramente para o lado. "É hora de não falar mais." "Não falar mais?" Eu repeti enquanto um alvoroço começou no fundo do meu peito e se mudou para o sul. Ele quis dizer o que eu pensava que ele queria dizer? "Sim." Ele inclinou sua parte superior do corpo mais perto e senti sua respiração dançar na minha bochecha. "Eu decidi que Segunda-feira à noite é oficialmente a Segunda Sem Falar. E você sabe o que isso significa?" Minha mão direita fechou em um punho solto. "O quê?" "Nós encontramos melhores usos para nossos lábios e nossas línguas." Arregalei meus olhos, eu dei uma risada. "Você realmente disse isso em voz alta?" "Sim. Sim, eu fiz, e eu não volto atrás." Ele se inclinou, e eu me mexi quando sua testa descansou contra a minha. "Não há vergonha no meu jogo." "Eu não acho que você tenha algum jogo." "Oh, eu tenho jogo," ele respondeu suavemente. "Tanto que você nem saberia o que fazer com tudo isso." Uma risada tranquila me escapou. "Sebastian -" "Esta segunda-feira vai ser diferente." Sua mão esquerda encontrou a minha direita. Apenas as pontas de seus dedos passaram minha mão. "Posso mostrar como?" Ele pergunta, aproximando os dedos do meu braço nu, provocando um tremor agudo, parando na manga da minha camisa. "Isso ficaria bem?"


Isso seria incrível, mas eu... Pensei no que minha mãe me havia dito no jantar. Sebastian e eu tínhamos sido amigos sempre. Literalmente. Eu sabia que ele realmente se importava comigo, provavelmente me amava, mas ele me ama mesmo? Pensei em como ele me levava para a escola, preocupado com o que estava comendo e de repente isso me deu chamou a atenção. Não era exatamente como mamãe e papai. Eu não fiquei grávida. Mas eu quase morri. "Eu sou sua responsabilidade?" "O quê?" Ele perguntou. "Você sente que é responsável por mim?" "De que maneira?" O que eu mesmo perguntei a ele? "Esqueça." "Não. Estou curioso. O que você quer dizer com isso?" Porcaria. Eu deveria ter mantido minha boca fechada. "Quero dizer, você faz coisas por mim porque você por causa do que aconteceu?" "O quê? Não. Eu os faço porque quero." Essa... Foi a resposta certa, mas não mudou nada. Sua testa moveu contra a minha e sua respiração estava nos meus lábios agora, e eu queria muito cair de cabeça nisso, mergulhar bem e lidar com as eventuais consequências mais tarde. "Isso é inteligente?" "Eu acho que é brilhante." Seus dedos roçaram a manga solta da minha camisa de dormir. "Eu acho que a última coisa que você precisa fazer agora mesmo é pensar."


Eu duvidava seriamente que o Dr. Perry concordasse com isso, mas, novamente, talvez ele ficasse. Ele falou sobre viver, avançar e enfrentar o trauma, o sofrimento e ninguém me fez sentir como se estivesse vivendo profundamente como Sebastian. Embora eu não tivesse certeza de que o Dr. Perry consideraria o que estava acontecendo como um avanço. Observando-o, vi um músculo flexionar na sua bochecha. Seus olhos procuraram o meu. "Você sabe como eu me sinto sobre você." Meu coração quase saiu do meu peito. "Seb -" "Eu amo você," ele continuou, empurrando a mão para a minha nuca, minha respiração ficou presa e meu coração foi espremido com essas palavras. "Eu estive apaixonado por você por anos." "Sebastian," implorei me encontrando perto das lágrimas. "E eu sei que as coisas estão torcidas na sua cabeça agora e eu vou continuar aqui mesmo, ao seu lado, enquanto você as desenrola, pelo tempo que precisar." Seus dedos escorreram pelos cabelos. "Mas há algo em você que eu vou desatar neste momento. O que eu sinto por você é real, tem sido real..." Meu coração estava batendo tão rápido que doía. "Eu preciso te contar uma coisa." "Você não precisa me dizer nada." As lágrimas entupiram minha garganta. "Você não entende."


"Eu não preciso." Seu polegar se move para meu pescoço, confortando e me energizando ao mesmo tempo. Balanço a cabeça o máximo que posso. "Por que agora?" Perguntei novamente. "Por quê -" "Porque éramos muito estúpidos para fazer isso antes e porque estamos vivos agora." Eu não sei quem se moveu primeiro, se foi ele, eu ou os dois, ao mesmo tempo, mas nossas bocas vieram juntas em um choque. Seus lábios. Os meus. Experimentei-o, meus dedos pousando no peito e minha mão deslizando até o ombro dele. E ele me beijou de uma maneira que me consumiu, acendeu um fogo que queimou minha pele, transformou meus músculos em lava e meus ossos em cinzas. Havia língua e dentes, e Andre nunca me tinha beijado assim. Nenhum menino já beijou, e isso foi assustador e emocionante ao mesmo tempo. Sebastian beija como se houvesse uma oferta infinita e eu tinha uma grande demanda por ele e de alguma forma, sem saber como, eu estava deitada de costas, e ele me abaixou tão gentilmente, com tanta atenção. "Minha vez," ele murmurou contra minha boca. Não queria detê-lo. Sebastian refletiu minhas explorações na semana passada. À medida que seus lábios traçavam minhas curvas, sua mão veio do meu peito até no meu estômago. O alvoroço estava de volta ao meu peito, um golpe de asas que deixaram meu pulso fora de controle. Seus dedos deslizaram debaixo da minha camisa, seus dedos esticados contra o meu estômago.


Ele levantou a cabeça, uma pergunta nos olhos dele e quando acenei com a cabeça, uma promessa os encheu, uma promessa que eu mal poderia olhar porque era... Era quase demais. Eu o agarrei, puxando os fios mais longos, e sua mão subiu, seu toque como uma pena sobre minhas costelas se curando e seus dedos continuavam em movimento. Eu engasguei contra sua boca, e ele fez esse som que me tinha arqueando o traseiro apesar disso colocar pressão nas minhas costelas. Sebastian soltou uma risada baixa e rouca quando ele afastou a mão e puxei seu cabelo com mais força. "Eu não terminei." Oh senhor. Sua boca se moveu sobre a minha, enquanto os dedos inteligentes dele se dirigiam para o sul, sobre o elástico do meu short de dormir, parando apenas por um batimento cardíaco. Todo o meu corpo estava tenso com a antecipação, e depois a sua mão escorregou entre minhas pernas. Uma sensação selvagem invadiu todos os meus poros. Isso foi insano, completamente louco, mas não me importava. Meu short era fino e era como se não houvesse nada entre sua mão e eu. Cada parte do meu corpo zerou naquela mão e seus dedos. A eletricidade passou pelas minhas veias e - uma porta foi fechada no corredor. Meus olhos se abriram. Sebastian parou, seus lábios acima dos meus, mão ainda entre minhas pernas enquanto a cabeça girava para a porta. Esperei que ela fosse aberta e minha mãe para nos felicitar ou nos matar. Quando nada aconteceu e a porta ficou fechada, eu relaxei um pouco.


"Oh Meu Deus," eu sussurrei, o coração agora batendo por uma razão completamente diferente. Sorrindo como um louco, seu olhar se moveu para o meu e ele ergueu as sobrancelhas. "Isso teria sido embaraçoso." "Você acha?" Empurro seu peito com minha mão direita mesmo que eu quisesse puxá-lo de volta para mim. "Você provavelmente deveria ir." "Sim." Sebastian riu enquanto ele rolava em seu lado. "Mas primeiro, quero pedir para fazer algo." "O quê?" "Você sabe que não temos treino na quinta-feira à tarde antes do jogo?" Ele perguntou, e eu assenti. "Assim estarei em casa cedo e mamãe e papai querem jantar com minha nova namorada." Eu congelo. Eu o ouvi corretamente? De jeito nenhum. Mas quando eu virei minha cabeça em sua direção e vi o sorriso, esse sorriso sexy e sorridente, eu sabia que o tinha ouvido direito. Uma onda de pensamentos e sentimentos conflitantes me inundou. A excitação era como um balão que me levava até o teto, mas eu estava cheia de ar antes que eu pudesse alcançá-lo. A culpa mergulhou com as garras geladas em mim, segurando-se no meu peito. "Namorada?" Eu sussurrei, sentando tão rapidamente que a dor atravessou minhas costelas. Ele se levantou em seu cotovelo, sorrindo. "Sim, tenho certeza de que é isso que os rapazes chamam as garotas que eles beijam e querem fazer outras coisas..." Seu olhar tornou-se pesado e encapuzado. "Namorada."


Meu Deus. Como... Como eu poderia estar fazendo isso agora, deitada na cama com ele, fazendo isso e experimentando tudo isso, quando Megan foi enterrada e morreu porque não fiz... Não fiz o suficiente para parar o que aconteceu? Eu queria descascar minha própria pele, porque nunca me senti mais grosseira, mais egoísta, do que nesse momento. A minha vida inteira. "Não." O sorriso brincalhão escapou do seu rosto impressionante e quase tolo. "O quê?" Afastando-me da cama, fiquei de pé e me afastei. "Não posso... não posso ser sua namorada."


CAPÍTULO VINTE E TRÊS

Sebastian olha para mim como se estivesse falado outro idioma. "Tudo bem," ele diz finalmente. "Talvez eu deveria ter lhe pedido primeiro. Talvez eu tenha ficado um pouco animado mesmo —" "Sim, tenho certeza de que você deve perguntar a alguém se ela quer ser sua namorada." O canto de seus lábios se curvou. "Você será minha namorada, Lena?" Ele perguntou de uma maneira doce e provocadora. Meu coração pulou no meu peito como se estivesse pulando em um trampolim. Há quanto tempo eu esperava ouvir essa pergunta? Anos. Honestamente Deus, anos. E agora ele estava perguntando, depois de tudo o que aconteceu? Balanço minha cabeça. "Eu não posso." "Você não pode o quê?" "Eu não posso ser sua namorada." Por um momento, Sebastian não se moveu e então senta em um rápido movimento fluido. "Você está falando sério?"


"Sim." Eu andei ao redor da cama, derrubando um fio de cabelo do meu rosto. Abri a porta da varanda saindo, dando boas-vindas à brisa fresca. Eu andei até a grade, apertando meus olhos quando escuto seus passos atrás de mim. "Tudo bem," disse ele. "Estou tão confuso agora. Você não pode ser minha namorada?" Quando eu não respondi, ele mudou para ficar ao meu lado. "Há outra pessoa?" "O quê?" Eu quase tive que rir. "Não. Não há mais ninguém." "Você está planejando sair amanhã e nunca mais me ver?" "Não," eu disse, franzindo o cenho. "Então, por que não podemos estar juntos?" Ele inclinou seu corpo em direção ao meu. "O que aconteceu lá me diz que você está interessada - que você se sente do mesmo jeito. Como você me tocou na semana passada ... Como você ficou com raiva quando você pensou que eu iria te beijar, mas te joguei na piscina ... Você não se sente assim, a menos que você quer essa pessoa." Sua mão tocou minhas costas e eu lutei contra o desejo de me inclinar para ele. "A menos que… a menos que seja apenas para se sentir bem? É tudo o que você quer?" Eu poderia ter dito sim, porque isso teria encerrado toda essa conversa, mas não entendi. "Não. Não é sobre isso." "Então, o que é isso?"


Correndo minha mão sobre a varanda, eu não podia acreditar que realmente precisava explicar isso. "Simplesmente não me sinto bem. Nós conseguimos seguir em frente e ser felizes? Isso logo depois?" Sebastian ficou quieto por um momento. "Mas isso é ... é a vida, Lena." "Uau," murmurei. "O que? Sim, isso pareceu sincero, mas é a verdade. Você não pode parar de viver apenas porque outros ... outros morreram." Eu entendi isso, mas era, ele que não entendia. O que eu senti não era apenas a culpa do sobrevivente. Senti algo mais rançoso. Mais amargo. "Não é tão fácil." "Sim." Ele enrolou sua mão em torno do meu queixo, trazendo meu olhar para o dele. "Sim, é, Lena." Exalando pesadamente, me afastei recuando. "Você não entende." "Você continua dizendo isso." A frustração acendeu sua voz enquanto ele olhava para mim. "E eu estou tentando tudo para entender. Ser paciente. Para estar lá para você. Mas você não está falando sobre nada na sua cabeça. Na verdade não. E você continua esquecendo que estou passando por isso ao seu lado. Eu sei como você se sente." Cerrei a boca quando cruzei meus braços. "O que aconteceu com nossos amigos foi um enorme despertador para mim. Por mais incrível que pareça, não há garantia no futuro, ou no próximo ano—"


"Você me diz que eu preciso seguir em frente! Que eu preciso lidar com ... " "Isso não é o que eu estou dizendo! De modo nenhum." "Você não precisa dizer isso com essas palavras exatas, mas o significado é o mesmo." "Lena-" "Oh Meu Deus, você está brincando comigo?" Minha voz estava perto do nível estridente de código vermelho. "Você está aqui como agora está fazendo tudo o que você quer fazer, porque você tem essa nova visão da vida e isso é uma porcaria. Você sabe que é uma porcaria." "Isso não é uma porcaria." Sua voz era baixa. "Você não quer mais jogar bola, Sebastian. Certo? Você me disse que não quer fazer isso." Suas costas ficaram retas. "E sobre isso?" Minha mão se enrolou em um punho. "Você não quer jogar futebol, mas aposto que daqui há um ano você estará fazendo isso na faculdade apenas porque você não quer enfrentar seu pai. Então não fique aí e aja como se mudou muito desde o acidente, cresceu tanto e enfrentou todos os seus problemas." Ele levantou a cabeça e um momento passou como se estivesse tentando se controlar. "Não se trata de futebol. Isso é sobre nós." "Como você pode estar pensando em nós agora?" Perguntei. "Nossos amigos estão mortos. Eles acabaram de


morrer. Eles não estão voltando, tudo o que você gosta é de ficar deitado - "Eu respirei fundo. No momento em que eu disse, queria voltar atrás. Eu tinha ido longe demais. Os olhos de Sebastian brilharam com choque e depois sua mandíbula bloqueou. "Eu não posso acreditar que você disse isso para mim. Eu realmente não posso." Eu também não podia. Eu realmente não podia. Engolindo em torno do nó na minha garganta, eu queria que meu coração desacelerasse. "Sebastian, eu simplesmente ..." "Não." Ele ergueu a mão. "Eu não vou esquecer essa afirmação, muito rápido. E você vai me escutar." Fechando a boca, fiquei ali. E eu escutei. "Nossos amigos estão mortos. Sim. Obrigado por me lembrar que perdi três dos meus amigos mais próximos e quase perdi minha melhor amiga - a garota que eu amo. Não estou tentando passar cada momento de vigília pensando nisso como você ... e você sabe o quê? Isso não me faz uma pessoa terrível. Nenhum deles teria desejado isso para nós. Nem mesmo Cody, com seu ego." Ele deu um passo em minha direção. "Suas mortes não significam que eu morri ao lado deles, ou que eu coloquei minha vida inteira em espera. Sim, apenas um mês e ninguém - ninguém - está esperando que alguém acabe com isso. Mas viver sua vida e amar alguém não supera isso. Isso não significa estamos nos esquecendo deles. Eu posso viver minha vida e ainda sofrer por eles." Abri minha boca para falar, mas ele não terminou.


"E como você ousa insinuar que eu não me importo com eles ou que eu não penso neles todos os dias. O que estávamos fazendo lá - " ele gesticulou na porta " - não é um desrespeito para eles. E você sabe o que, eu tenho a culpa parcial por isso. Obviamente você não está pronta para isso. Você não estava no tempo certo e eu pensei que ... eu nem sei mais, mas sinto sinceras desculpas por isso. Me desculpe." Sua voz ficou rouca enquanto empurrava uma mão pelos cabelos dele. "O que eu sinto por você, o que estávamos fazendo lá, o que eu quero fazer com você não é sobre se deitar, e eu ... eu não posso acreditar que você pensaria mesmo de mim." Apertei os olhos contra as lágrimas. "Não tenho certeza de que você possa culpar o sofrimento por isso," disse ele, e senti meu coração quebrar. "Porque não importa o que tenha acontecido, não importa o que esteja acontecendo em nossas vidas, você deveria me conhecer melhor do que isso." Essas lágrimas queimaram, não importa o quanto eu tentei, as lágrimas escaparam. Levantei minha mão para limpar elas. Fiquei por vários momentos antes de abrir meus olhos. Sebastian já havia desaparecido. Eu nem o tinha escutado partir. Era quase como se ele nem estivesse lá. Eu não fui à escola na terça-feira. Na parte da manhã eu disse a mamãe que eu não estava me sentindo bem. Ela não perguntou as razões pelas quais, o que era bom, porque havia abundância. Eu não fazia ideia se Sebastian tinha aparecido para me levar para a escola. Eu


desliguei meu celular, não querendo lidar com o mundo. Não querendo mais do que me esconder. Se Sebastian nunca mais falar comigo, não o culpo. Olhando para o mapa acima da minha mesa, eu sabia que criei uma bagunça de coisas com ele. Eu não estava sendo honesta ou aberta, dizendo o que sentia realmente ou por que minha culpa era diferente da dele. Eu não estava sendo sincera com qualquer um, e eu era uma covarde por causa disso. Eu era como meu pai. Mas eu não queria ser, então fiquei ali por horas pensando em tudo. Foi um pouco depois da uma hora quando ouvi minha mãe subir as escadas. "Eu queria verificar você." Ela disse quando ela entrou. "Você obviamente tem seu telefone está desligado e eu queria ter certeza de que você estava bem." "Desculpe," murmurei da minha patética posição na cama. "Onde está seu telefone?" Eu gesticulei para a minha mesa com uma mão limpa e vi que mamãe andou e o pegou. Ela o ligou e jogou na cama sobre as minhas pernas. "Quando você não está se sentindo bem e fica em casa, você nunca desligará seu telefone novamente. Eu tenho que ser capaz de saber onde está." Sua voz era severa e seus olhos afiados. "Você entendeu?"


"Sim." Seus ombros ficaram tensos enquanto cruzava os braços. "Lena, eu sei por que você não foi à escola hoje." "Mãe," gemi, esfregando a mão pelo meu rosto. Ela provavelmente pensou que era tudo por causa do meu pai, embora ainda não estivesse segura do que pensar sobre isso. Ela sentou na beira da cama. "Sebastian veio esta manhã para levá-la à escola. Ele parecia que dormiu muito mal e não pareceu surpreso quando disse que você não estava bem." Meu estúpido coração inchou. Ele ainda apareceu para me levar para a escola, mesmo depois que eu o insultei. Houve uma pausa. "Você acha que eu não sei que Sebastian vem todas as noites?" Cobri meus olhos com a mão. "Vocês dois tentam ficar calados, mas posso ouvir vocês falando às vezes. Eu não disse nada porque acho que você precisa de seus amigos agora, especialmente quando não vi muito de Dary ou Abbi," explicou. "E porque eu confio em Sebastian." Eu queria me esconder debaixo da cama. "Eu confio em você para fazer escolhas inteligentes quando se trata de Sebastian," ela acrescentou e eu não tinha certeza de que acreditava nela, porque, verdade seja dita, obviamente eu fazia boas escolhas. "Mas eu ouvi uma conversa na noite passada." Oh Deus. Estremeci.


"Lena," ela disse com um suspiro. "O menino se importou com você desde o primeiro dia em que ele veio aqui, perguntando se você queria andar de bicicleta." "Eu sei, mãe." Abaixei minha mão para a cama e olhei para ela. Eu tinha pensado muito enquanto estava deitada na cama toda a manhã. "Eu acho ... acho que ele me ama," eu sussurrei, meu lábio tremendo. "Como realmente me ama e eu ... eu não sei se estou pronta para isso agora. Quero dizer, eu estou. Estive esperando por ele sempre ... mas tudo parece errado agora. " "Querida." Sua respiração estava tremeu quando ela se inclinou sobre mim, apertando minha mão. "Você está passando por muito agora mesmo. E eu sei que não é apenas Sebastian. O treinador Rogers me ligou esta manhã. Ele me disse que você desistiu do time." "É só ... não era o que eu queria fazer mais." "É o mesmo que você sente sobre Sebastian?" "Não é isso. Na verdade não. Eu apenas ... não o mereço ... ou mereço isso." "Por que você diria isso?" Eu deslizei meu olhar de volta ao mapa antes de olhar para ela. "Você sabe porquê." Seus olhos se arregalaram e brilharam com lágrimas. "Oh, querida, não diga isso. Você merece felicidade e um futuro, tudo o que você já quis. Uma noite não vai definir sua vida inteira."


"Mas fez com Megan e os outros," argumentei. "Quando as pessoas falam sobre Cody, sempre será obscurecido pelo que ele fez. O mesmo com Chris e com Phillip." E seria o mesmo sobre eu, se todos soubessem. Mamãe apertou minha mão e eu percebi com o olhar em seu rosto que ela não tinha ideia do que dizer para mim. Puxei minha mão livre e me sentei um pouco. "Eu só quero voltar a essa noite e fazer as coisas de forma diferente. Eu estava sendo tão estúpida, obsessiva por coisas tão estúpidas. Tudo o que eu me preocupava antes parece tão sem sentido agora." "Baby, nada sobre o que você se preocupou antes era inútil." Mamãe apertou minha mão de novo. "Você está apenas olhando as coisas de maneira diferente agora." Na manhã de quarta-feira, Sebastian me levou para a escola. O passeio foi silencioso e estranho e eu não podia fazer isso novamente. Eu terei que tentar pegar uma carona com Dary depois da escola, e amanhã, eu decidi, que precisava fazer eu mesma. Precisava ficar atrás do volante do meu próprio carro. Para dirigir. Para cuidar de mim mesma. Mas enquanto caminhava do meu armário para os escritórios administrativos, não estava pensando em Sebastian ou na nossa briga ou o que a mãe havia admitido. Eu sabia o que era esperado de mim nos próximos trinta minutos. Eu teria que realmente falar hoje. Eu tinha porque eu precisava tirar do meu peito. Eu precisava dizer algo, eu não


sabia se mudaria qualquer coisa ou tornaria melhor ou pior quando tudo fosse dito e terminasse, mas eu só precisava dizer a alguém com minhas próprias palavras. Minhas mãos tremiam quando entrei na pequena sala. Os estúpidos cartazes eram um borrão. Dr. Perry estava na mesa esperando por mim, uma nova caneca de café na frente dele, mas estava muito nervosa para ler as palavras. Eu só sabia que era novo porque era laranja, ao contrário dos outros. "Bom dia, Lena." Ele se sentou em sua cadeira, sorrindo enquanto eu caminhava para a cadeira em frente a ele. "Eu descobri que você não veio na escola ontem. Você não está se sentindo bem?" Depois de deixar minha bolsa no chão, sentei-me na cadeira, rígida como uma tábua. "Foi apenas um dia ruim." "Algo para falar?" Meu primeiro instinto foi dizer não, mas não era sobre o que eram essas sessões. Então eu contei o que tinha acontecido com Sebastian. Nem todos os detalhes porque, seriamente, isso seria muito estranho. Quando eu terminei, eu já me senti esgotada e emocionalmente gasta, e eu mal consegui mesmo começar. "Você acha que Sebastian está errado por querer seguir em frente?" "Sim. Não." Eu queria bater minha cabeça da mesa. "Eu não sei. Eu quero dizer não. Ele não está errado. Ele chega a ir em frente. Ele consegue ... " "E você não consegue seguir em frente?" Perguntou o Dr. Perry.


Agitando a cabeça, abri a boca, mas esforcei para dizer o que já sabia. "Por que eu deveria chegar a ir em frente?" Ele colocou a caneca para baixo. "Por que você não deveria?" "Porque é minha culpa." Eu disse, me sentindo doente. "Eu acho que o que realmente precisamos fazer agora é você me contar sobre aquela noite," ele disse gentilmente. "Você acha que pode fazer isso?" "Sim," eu disse. "Eu tenho que fazer isso. Falar sobre a noite." Lágrimas encheram meus olhos e meu coração batia descontroladamente no meu peito. "Eu sabia que Cody estava bêbado e eu ... eu poderia tê-lo parado. Eu não estava bêbada." E então, passei por tudo o que aconteceu naquela noite. Eu encontrei-me de pé no caminho com Megan. Fui com ela na festa. Tive uma dor de cabeça esfaqueando a parte de trás dos meus olhos, e a música, os gritos e as risadas não estavam ajudando. Eu só queria ir para casa e eu não estava procurando por Sebastian para lhe dizer isso. Não depois da nossa discussão / argumento e o fato de eu não o ter visto desde que Skylar apareceu. Eu realmente não precisava ver eles praticamente comendo o rosto um do outro. Um peso pesado se estabeleceu no meu estômago. Deus, eu desejei não ter dito nada a Sebastian. Agora amanhã seria diferente, eu não devia voltar lá. Não fingindo que tudo fosse o mesmo. Eu realmente queria ir para casa.


"Onde está Chris?" Perguntei. Inclinando-se fortemente em mim, Megan assentiu para onde Cody estava dobrado, um braço pendurado em um carro aberto quando ele falava com alguém. Seu primo Chris estava de pé ao lado dele. "Um deles está dirigindo para casa," disse ela devagar. "Isso é tudo que eu sei." Cody estava saindo conosco? "Estou um pouco destruída," Megan passou por um momento. "Realmente?" Eu respondi secamente, quase desejando estar no chão nesse momento. "Apenas um pouco." Suspirando, ela envolveu seu braço em volta da minha cintura. "Eu te amo, Lena." Sorri enquanto eu retirava meu cabelo úmido do meu rosto. "Eu também te amo." "Você me ama o suficiente para me levar para dentro da minha casa, passar por minha mãe e me colocar na cama?" Pergunta ela me afastando. Ela ficou momentaneamente distraída pelo zumbido dos grilos. "Depois de pararmos no McDonald's para que eu possa pegar uns nuggets de frango?" Eu ri. "Talvez eu possa ajudá-la com os nuggets, mas não tenho certeza de como fazer você passar por sua mãe." Ela riu enquanto olhava ao redor, balançando ligeiramente. "Espere ... você disse a Sebastian que você estava saindo?" "Eu não tenho ideia de onde ele está," eu disse, assistindo Cody e Chris dirigindo-se em nossa direção.


Ela bateu as mãos juntas, balançando para trás. "Vamos encontrá-lo." "Encontrar quem?" Perguntou Cody. "Sebastian!" Gritou Megan, e eu estremeci. Cody baixou o braço sobre meus ombros. "Com certeza ele está com Skylar. Provavelmente na casa da piscina." Ele me apertou. "Acho que os vi caminhando para lá." O buraco no meu peito triplicou. Cody poderia estar inventando, mas também pode ser verdade, e isso também ... Não importava. Megan se encontramos."

encolheu.

"Tudo

certo,

então,

não

o

"Parece um plano," eu disse saindo do braço de Cody. Bocejando, Chris virou-se e jogou suas chaves para Cody. Elas bateram no peito dele e caíram o chão. "Você pode dirigir?" Ele perguntou. "Estou cansado." "Sim. Claro." Curvando-se, Cody pegou as chaves. "Na próxima vez, me dê um aviso." "Há uma razão pela qual você é o quarterback e não o receptor," Chris provocou. "Nenhuma quantidade de atenção mudará isso." "Cala a boca," Cody revirou. Esta seria a mais longa viagem para casa de todos os tempos.


"Ei, espere!" Phillip veio correndo pelo lado da casa, segurando a parte de trás de seu short. "Eu vou embora com vocês." Megan suspirou ao meu lado. "E eu pensei que eu conseguiria fugir." Eu estava imaginando que a conversa anterior não tinha terminado bem. "Todo mundo dentro," disse Cody, alcançando a maçaneta da porta, apenas para soltá-la fortemente. "Ei," disse Chris do banco do passageiro da frente. "Cuidado, cara. Alguns de nós realmente respeitam seus carros." "Se você respeitasse seu carro, por que você está deixando ele dirigir?" Phillip respondeu por trás de Megan enquanto caminhava. Ela se aproximou e quase caiu, mas eu peguei seu braço quando vi Cody abrir a porta, seus movimentos estranhos e empolgados. Seu rosto parecia corado na luz interior do carro. "Você está bem? Para dirigir? "Eu perguntei. "Por que eu não estaria?" Ele começou entrar atrás do volante. Parei na porta. "Você parece um pouco bêbado." Seus olhos se estreitaram. "Jesus. Você está falando sério? Eu tomei uma bebida."


Retrocedi, perguntando."

surpresa

com

seu

tom.

"Eu

estava

"Ele está bem. Venha." Megan pegou minha mão e se inclinou, sussurrando no meu ouvido: "Eu quero nuggets de frango e molho agridoce." "Ew," eu murmuro, distraída. Mastigando o interior da minha bochecha, tentei pensar em quantas vezes eu vi Cody com uma bebida. Eu sabia que o vi com uma garrafa. Ou era um copo? Eu realmente não prestei atenção nisso. "Talvez eu devesse dirigir?" Ofereci. Chris gemeu do banco do passageiro. "Se você quer sair agora, entre no carro, Lena." Phillip estava subindo no outro lado enquanto Megan empurrava atrás de mim. "Eu não quero sentar ao lado dele," ela sussurrou. "Eu posso te ouvir." Phillip deu uma palmada no assento do meio. "E eu prefiro sentar ao lado de Lena de qualquer forma. Ela é melhor." "Ela é melhor," imitou Megan com a voz mais amena que eu já ouvi, e com suas mãos nos meus quadris. "Depressa, Lena. Eu estou com fome." "Eu estou bem." Cody levantou-se na frente do SUV. Ele olhou para mim, os olhos brilhantes na luz. "Sério. Estou bem. Eu dirigi por essa estrada um milhão de vezes." Eu não tinha tanta certeza se ele estava bem ou não, mas os caras estavam olhando para mim e Megan estava me


empurrando, falando sobre o nugget de dez pedaços que ela ia engolir. "Ele está bem," disse Megan, e depois riu. "Estou com tanta fome." "Vamos," disse Cody, batendo a mão no volante. "Você está sendo estúpida. Entre no carro." Senti meu rosto aquecer. Ele estava certo. Eu estava sendo estúpida. Entrei no carro, me mexi entre Megan e Phillip. Demorou vários momentos para retirar meu cinto de segurança de debaixo de Phillip e trancá-lo no lugar. As janelas rolaram ao meu redor enquanto eu tirava meu telefone da minha bolsa e vi vários textos de Dary. Megan inclinou-se sobre mim e estendeu a mão, afastando o dedo do lado do rosto de Phillip. "Ei, você vai me comprar nuggets?" Inclinando-me, verifiquei os textos de Dary. Ela me enviou uma foto de uma pintura que parecia algo que um velho poderia ter feito. Por baixo disso estava a legenda. Isto é arte? O que estou perdendo? "Baby, vou comprar dois pratos," disse Phillip. "E todo o molho agridoce que você poderia querer." Tão romântico. Megan suspirou. "Você me conhece. Conhece bem o suficiente para saber que o molho agridoce é o caminho para o meu coração. Por que terminamos?" Fiz uma careta no meu telefone.


O rádio ligou e, quando levantei a cabeça, a cabeça de Chris já estava tombando para o lado. Cody estava mexendo com as estações de rádio, mudando-as tão rápido que não tinha ideia de quais eram as músicas. Megan e Phillip se olharam e rezei para não tentaram começar algo comigo entre eles enquanto eu percorria os textos de Dary. Outra foto era de um vestido, com Dary dizendo que estava pensando usar. Cheguei ao fim de suas mensagens e respondi as mensagens. Você ficaria maravilhosa nesse vestido. Saindo da casa de Keith. Te ligo amanhã. Ar fresco atravessou pelas janelas, levantando as extremidades do meu cabelo. Olhei para cima. Parecia que estávamos indo muito rápido, mas não conseguia ver nada fora do carro. Eu bati em enviar e depois comecei a escrever para Abbi para que ela não se preocupe quando perceber que não estou mais lá. Peguei uma carona com Megan. Não queria incomodar "Santa ..." As palavras de Cody foram cortadas quando o SUV de repente empurrou para a direita, o movimento tão afiado que meu o telefone escorregou das minhas mãos. Alguém - Megan? - Gritou, e nós estávamos nos movendo para frente rápido. Muito rápido. A confusão me inundou. Eu não consegui respirar além da bola de medo e desorientação me sufocando. Tempo ... o tempo desacelerou e se moveu muito rápido, tudo ao mesmo tempo. Meus braços voaram. Tentei agarrar o banco da frente, mas de repente eu estava no ar. Então estávamos batendo de volta. O impacto sacudiu cada osso do


meu corpo. Ouvi um estrondo como de um trovão sacudindo o carro. Eu ouvi o vidro quebrar, quebrando como uma gelatina frágil. A dor explodiu ao longo do meu rosto quando algo bateu na minha cabeça - um braço, uma perna. Nós estávamos voando, ar nos levantando, e minha cabeça recuou para trás enquanto o cinto de segurança me prendia, o material cavando no meu estômago e no meu peito. Um fogo queimou através de mim, e minha garganta estava rasgada. Metal retorcido - o telhado. Oh Meu Deus, o telhado cedeu, e nós estávamos de cabeça para baixo e, então, de pé, então de cabeça para baixo, e eu fui jogada para frente e para trás, de um lado para o outro. Tudo o que eu podia ouvir era algo ... algo, comendo o carro, arrancando peça por peça. A dor quente deu origem a uma explosão branca, e isso era tudo o que havia. Dor. Terror. Voar. Gritos. Então não havia mais nada.


AMANHÃ


CAPÍTULO VINTE E QUATRO

Sentada na minha cama, olho para o meu telefone como fiz cem vezes desde o acidente. Era pequeno e preto. A tela era tão suave e perfeita quanto o dia em que entendi, enquanto todas as partes me faziam sentir quebrada e destruída. Fechei os olhos respirando a queimadura rastejando na parte de trás da minha garganta. A sessão com o Dr. Perry me matou. Além de quando a polícia entrou no meu quarto de hospital, foi a primeira vez que falei sobre o que aconteceu e realmente deu a essas memórias uma voz. Eu pensei que falar sobre o que aconteceu seria um tipo de epifania. Que as coisas mudariam. Que eu sentiria algum tipo de mudança. Mas falar abertamente sobre o acidente, sobre tudo o que o aconteceu, acabei querendo remover minhas lembranças. Eu sabia que Cody não deveria estar atrás do volante. Eu deveria ter escutado aquela pequena voz na minha cabeça e esse sentimento no meu estômago, mas eu não tinha. Se eu tivesse, hoje teria sido diferente. Amanhã seria como todos os melhores de dias. Eu simplesmente não pensei que qualquer coisa aconteceria. Abrindo os olhos, vi meu telefone e a pressão no


meu no peito apertou, lembrando de como me senti quando acordei do acidente pela primeira vez. Claro que eu usei meu telefone, mas ... Mas ainda não havia olhado as mensagens, as de voz que eu não tinha escutado. Elas permaneceram no meu telefone, não esquecido, mas intacto. Peguei meu telefone e abri as mensagens. Desloquei até chegar à dúzia de mensagens não lidas. Todas que entraram após o acidente. Eu abri e li o ‘OMG, espero que você esteja bem! Me mande uma mensagem. Eu abro as numerosas ‘Estou tão feliz que você está bem’. Eu leio tudo, meu cérebro completamente vazio quando eu cliquei indo para a próxima, até que meu dedo pairava sobre o nome de Abbi e a pateta foto dela com um chapéu de panda. Eu nem sabia onde ela pegou o chapéu de panda. Abri a mensagem e lentamente passei. O último texto dela foi a quarta depois do acidente. ‘Por que você não quer nos ver? Nós sentimos sua falta e estamos preocupados com você’. A respiração travou na minha garganta. Abbi sabia que eu não tinha meu telefone enquanto estava no hospital? Isso importa? Eu não queria ver meus amigos e eu nem tinha verificado suas mensagens em mais de um mês. Isto nem sequer importava nesse ponto. Continuei lendo e eu vi os textos daquela noite de sábado. Foram apenas dois deles. ‘Onde está você? E POR FAVOR ME MANDE UMA MENSAGEM DE VOLTA’.


O texto anterior era de antes de eu sair da festa. Era um selfie que ela tirara de nós e enviou para mim. Nossas bochechas pressionadas juntas e sorrindo. Sobre nossas cabeças, eu poderia distinguir parte do rosto de Keith. De jeito estranho, afastei as mensagens e depois desci para as de Sebastian. Engolindo com dificuldade, fui até seus textos e fiz o meu caminho para aqueles que eu não tinha lido. Começou exatamente como o de Abbi. ‘Onde está você?’ Havia várias mensagens, e eu podia facilmente vê-lo enviando uma após a outra. ‘Você não foi embora sem mim, né?’ ‘Ok. Por favor, envie-me uma mensagem. Estou começando ficar assustado. Alguém disse que há um acidente muito ruim não muito longe daqui.’ ‘Vamos. Atenda seu telefone. Por favor.’ Meu coração bateu pesadamente no meu peito. Eu sabia que seu correio de voz era um dos muitos que ficava inaudíveis no meu celular. Ao fechar seus textos, eu retornei, meu polegar pairava sobre os textos de Megan. Eu podia ver que o último texto que ela me enviou foi um anexo. Eu já sabia o que era. Uma foto de voleibol que ela teria desenhado. Ela tinha feito isso depois de treinar um dia. Não faz ideia do porquê, mas essa era Megan. Ela simplesmente fazia as coisas. Uma grande parte de mim queria ler suas mensagens, mas não consegui lidar com isso - ler suas palavras, ver o que


costumava ser e agora o que não poderia ser mais. Apaguei os textos e fui para as mensagens de voz. Eu as escutei. A ligação perdida de Lori aconteceu depois que mamãe deveria ter chamado ela. Em sua mensagem, ela me disse que ela estava vindo e que ela me amava. Ela parecia bem, calma mesmo, enquanto falava. Não pareceu nada como a mensagem de Abbi que tinha vindo naquela noite de sábado quando ela estava me procurando, ou a mensagem de Dary no domingo seguinte. Mal podia dizer o que Dary estava falando. Havia mais mensagens de amigos que vi todos os dias no treino de vôlei e outras mensagens de pessoas com as quais eu não falava desde que compartilhamos uma aula no ano passado. Elas eram as vozes de estranhos, mas suas mensagens eram todas iguais. Eu quase não via o botão de exclusão quando cada mensagem chegou ao fim. Lágrimas encheram meus olhos e minha mão estava tremendo quando cheguei ao último que eu passei. Era uma mensagem de Sebastian, daquele sábado à noite. Todos os músculos nas minhas costas travaram enquanto apertei ouvir. Houve apenas alguns segundos de silêncio e então ouvi sua voz. "Atenda seu telefone. Vamos, Lena. Pegue seu maldito telefone." Sua voz estava rouca com uma borda em pânico depois de uma pausa. "Você não está no carro. Deus, por favor me diga que você não está nesse maldito carro. Ligue para mim e me diga que você não está nesse carro."


A mensagem terminou. Deixando cair o telefone, pressionei minhas palmas nos meus olhos. Sebastian parecia da mesma forma quando eu acordei no hospital e o vi. Ele pareceu destruído. Porque ele sabia quando ele fez essa chamada, no fundo ele tinha que saber naquele momento, que eu não iria chamá-lo de volta. Que eu estava nesse carro junto com Cody, Phillip, Chris e Megan. Minhas mãos ficaram úmidas enquanto eu as arrastava pelo meu rosto. Tudo dentro de mim se sentia cru e ferido. A noite mudou irrevogavelmente todas as nossas vidas. Uma escolha tinha alterado o curso do que todos nós deveríamos nos tornar. O que eu teria feito de maneira diferente naquela noite, se eu soubesse que não havia amanhã? Tudo. Eu teria feito tudo de forma diferente.


CAPÍTULO VINTE E CINCO

As abóboras estavam na frente das varandas. A árvore no quintal tinha ficado laranja e vermelho queimado, assim como arcos que alinham as ruas e cercam a escola. As decorações de Halloween estavam nas janelas das lojas na cidade. Os banners do regresso a casa preenchiam os corredores da escola. A emoção zumbia nas salas de aula e na lanchonete e tudo era sobre dança, festas e vestidos e consumiam as aulas. O ar ficou mais frio. As mangas compridas e os cardigãs substituíram os tops, mas eu ainda estava vestindo minhas sandálias de dedo. Até a neve cair no chão. Duas semanas atrás, o gesso tinha saído do meu braço. Havia apenas uma pontada de dor nas minhas costelas de vez em quando, e eu conseguia dormir do meu lado agora. Eu estava respirando normalmente. Apenas um pouco mais de dois meses desde o acidente e ... E as pessoas já estavam se esquecendo. A vida estava em movimento. Falar com o Dr. Perry sobre o que aconteceu na noite do acidente, como eu suspeitava que Cody tinha bebido muito,


mas ainda entrei no carro, diminuiu alguns dos pesos sufocantes que eu carregava, mas não tudo. Quando eu disse a ele que finalmente escutei as mensagens e li os textos, ele me disse que era um progresso. Eu estava tomando alguns passos certos, mas ainda não havia um despertar súbito ou clareza sobre a noite do acidente, mas realmente forçou-me a encarar cara a cara as decisões que eu gostaria de ter feito. Eu tinha duas escolhas naquela noite. E eu escolhi a errada. Dr. Perry havia dito, na sessão na quarta-feira, "algumas pessoas podem tentar dizer ou podem até acreditar que o que aconteceu naquela noite em agosto não pode ser culpa de ninguém além de Cody porque ele estava atrás do volante. Eles podem até dizer que tudo isso não tem nada a ver com culpa, mas esse não é o caso real. Você sabe por quê?" "Por quê?" Eu perguntei. "A culpa não é fazer com que alguém se sinta terrível com suas ações, e não se trata de machucar a pessoa com sentimentos. Ações e inações têm consequências. Se não aceitássemos a responsabilidade ou a culpa por eles, então correríamos o risco de repetir essas ações," explicou. "Todo mundo que estava lá, que viu todos saírem, que sabiam que estavam bebendo e até mesmo os pais que permitiram que o consumo de álcool ocorresse. Mas também é culpa sua." Parcialmente.


Não completamente. Mas parcialmente." Parcialmente, não me fazia sentir completamente diferente, mas o que ele disse no final da sessão, o que ele teria reiterado na seguinte reunião de sexta-feira, era que eu não era a única que era parcialmente responsável. E isso ficou comigo. Não era como se as coisas mudassem. Como havia algum interruptor mágico jogado e de repente estava bem com tudo. Se mudou algo, as coisas eram mais reais, as memórias eram mais nítidas e mais claras. Mas depois, depois da quarta-feira, começaram os pesadelos. Voltei novamente ao carro, sendo jogada de um lado para o outro. Às vezes eu sonhei que estava na entrada e eu não tinha entrado no carro, mas eu sabia o que aconteceria com meus amigos. Senti como se meus pés tivessem sido cimentados no chão e continuei me dizendo para ir buscar alguém, para avisar a todos que eles estavam prestes a morrer, mas não consegui me mover. Fiquei congelada até que acordei, desesperada por ar. Muitas noites eu fiquei com a garganta crua, com a mamãe agarrando meus ombros. Só então eu perceberia que eu estava gritando. O Dr. Perry estava certo. Eu acho que esses graus extravagantes anexados ao seu nome tinham muito a ver com isso. Eu fui traumatizada pelo acidente, pelas lembranças que eu mantive para mim, e falar sobre elas empurrou o acidente à vanguarda dos meus pensamentos. E falei muita dessa conversa.


A sessão na sexta-feira e na segunda-feira seguinte foi basicamente aulas de terapia de exposição. Rebobinar. Reviver. Cada vez ficou um pouco mais fácil dizer as palavras que eu precisava, mas na próxima sexta-feira, algo finalmente clicou no lugar. Meus amigos estavam mortos. Eles realmente estavam mortos, e nenhuma quantidade de culpa iria trazê-los de volta. Nada iria trazer eles de volta ou desfazer o que os estranhos e os amigos agora pensavam deles. Nada pararia o que aconteceu com a família de Keith ou os encargos legais pendentes. Nada pararia os advogados de contatar eu e minha mãe todas as semanas. No final dessa sessão, meu rosto doía pelas lágrimas que eu tentava não deixar cair, mas não consegui parar. Eu precisei esconder meu rosto durante o resto da tarde, porque era tão óbvio que eu passei a manhã soluçando. O Dr. Perry tinha tido razão quanto ao sofrimento. Eu não tinha realmente iniciado o processo, tão cega pelo trauma do acidente, consumida pela queima da culpa. Eu não deixei nenhum deles ir. Ainda não comecei verdadeiramente. Aqueles dias, aquelas semanas, eram difíceis. Concentrar-me nas aulas tornou-se difícil por uma razão completamente diferente. Eu sentia falta de Megan e de sua hiperatividade perdi Cody e sua arrogância, Phillip e seu sarcasmo e Chris e sua estupidez. E perdi meus amigos que ainda estavam aqui. Eu senti falta deles terrivelmente. Dary ainda estava tentando desesperadamente fazer tudo normal e Abbi quase não falou comigo.


Ver que meus amigos começaram a seguir em frente enquanto eu ainda estava presa no penhasco, meio pendurada, me matava. Eles estavam seguindo a vida, enquanto eu ainda estava no primeiro pé. Dary e Abbi falaram sobre os vestidos que elas compraram durante o fim de semana, uma viagem que eu tinha sido convidada, mas não fui. Elas eram tão ... normais todos os dias, e eu não era assim, porque estava presa no sofrimento que agora eu estava experimentando. E, oh Deus, senti muita falta de Sebastian. As coisas eram difíceis entre nós. Ele estava por perto, mas as coisas não eram como se antes. Ele ainda se sentava na nossa mesa no almoço e falava comigo. Ele não me ignorou ou fingiu que eu não existia, mas todas as interações com ele eram superficiais. Fechadas, paredes intactas. Nada era o mesmo. Eu o machucaria. Eu me machucaria. E ele nem sequer conhecia toda a extensão disso. Meu coração parecia que ia cair do meu peito quando Skylar apareceu na nossa mesa na Segunda-feira. Ele estava sentado com Griffith e Keith, que era, como sempre, nos dias de hoje, ao lado de Abbi. Eu uma vez tentei perguntar a ela se eles estavam se vendo, e ela acabou de sacudir a cabeça para mim como se eu já devesse saber. Mas naquele momento eu não estava pensando nisso, porque eu podia ouvir as risadas de Skylar e as de Sebastian, risadas mais profundas e isso chamou minha atenção.


Foi quando eu me apaixonei por você. Sebastian assentiu com a cabeça com alguma coisa que ela disse, e então lentamente sua cabeça virou minha direção. Nossos olhares se encontraram, o seu tão sombreado, e então ele desviou o olhar, com a mandíbula apertada. Skylar riu de novo. Ele disse que me amava, mas parecia que ele também estava seguindo em frente. Movendo-se de volta para Skylar, e ela é bonita e com consciência limpa. Depois da escola na terça-feira, eu estava me arrastando pelo estacionamento para o meu carro. Eu cheguei lá tarde naquela manhã, então eu estava todo o caminho na parte de trás do lote, perto do campo de futebol. O sol estava fora, aquecendo-se o que normalmente seria um dia de outono mais frio, e eu estava pensando sobre como esse era clima perfeito para os treinos. O treinador Rogers gostava de nos fazer correr na pista no final, e era muito mais fácil quando você não tinha o calor do sol de verão batendo em você. Mas eu não iria juntar-me a eles depois da escola para essa corrida. Não perdi esses treinos, mas sinto falta dos jogos. Engraçado, como eu costumava me convencer de que a única razão pela qual eu jogava era por Megan. Eu sabia agora que não era verdade. Suspirei e peguei meu ritmo. Eu estava a meio caminho do estacionamento quando ouvi meu nome ser chamado, uma brisa pegando a voz de Sebastian. Eu me virei e o vi correndo em minha direção. Ele estava vestido para o treino, com calções de nylon.


Minha frequência cardíaca começou a acelerar quando eu olhei para ele. "Ei," grunhi. "Ei." Seus braços estavam ao seu lado. "Então, eu tenho uma pergunta. Eu queria perguntar no almoço, mas esqueci." "Ok?" "Você está pensando em vir ao jogo?" Ele perguntou. Pega com a guarda baixa, eu sabia que estava boquiaberta com ele. Ele iria me pedir para ir? Depois do que eu disse para ele? Depois de não falar comigo por quase um mês? Mas se ele estava me perguntando, não importa quão inesperado, eu não podia dizer não. Eu não faria, mesmo que eu não tivesse planos para ir a um baile ou qualquer coisa quando eu ... Engolindo a culpa rançosa, balancei a cabeça. "Não. Eu não tenho planos." Seus olhos azuis estreitaram ligeiramente. "É o nosso regresso para cá. Último jogo." "Eu sei." Realmente, só senti como se fosse o meu último ano para jogar voleibol e ir para o jogo. Mas não era assim. Não para mim. Mas para Megan e os outros, sim. "Então você vai ficar em casa?" Ele olhou por cima do ombro brevemente, e então seu olhar se instalou em mim. Eu sabia exatamente que ele não estava me pedindo para ir, o calor apareceu em minhas bochechas. Claro que ele não estava.


Por que ele iria? Eu engoli em seco. "Sim, eu vou ficar em casa." Sebastian olhou para mim. "Isso é tudo o que você queria me perguntar?" Eu perguntei, olhando para longe de seus olhos e depois me concentrando em seu ombro. "Sim." Sebastian começou a ir para a escola. "Eu só estava curioso." Ele começou a se virar e então olhou para mim. Um momento passou antes de ele dizer: "Eu vou te ver mais tarde, Lena." "Tchau," eu sussurrei, observando-o se virar e correr. Essa foi a nossa maior conversa em semanas. Eu estou apaixonado por você. Em pé no estacionamento, apertei meus olhos. Um carro apareceu nas proximidades. Ele me amou, e eu ... eu danifiquei nossa amizade e terminamos um futuro possível para nós ... antes mesmo que começasse.

Dary se inclinou contra o armário ao meu lado. "Você tem que se encontrar com o Dr. Perry hoje?" "Sim." Eu tirei meu livro de História. "Eu só encontro com ele segunda e sexta-feira nesta semana e em seguida. Então acredito que eu pare com ele em novembro." "Essa é uma boa notícia, então?"


Assenti com a cabeça e fechei a porta do armário. Imaginei que eram boas notícias. Quero dizer, quer o Dr. Perry pensava que eu estaria melhor até então, ou o tempo que ele poderia dedicar a mim era simplesmente o suficiente. Eu soube em uma de suas consultas de acompanhamento com minha mãe, que ele mencionou que eu poderia me beneficiar continuando a terapia, mas eu estava bastante segura de que o seguro da mamãe não abrangia isso e nós realmente não tínhamos dinheiro para gastar nisso. Espero que eu esteja melhor então. Mas essa era uma ponte que eu ainda não cruzava. "Posso te perguntar uma coisa?" Quando acenei com a cabeça, ela disse: "O que está acontecendo com você e Sebastian? Estive pensando por semanas agora, mas você sempre foi estranha quando ele está envolvido, então eu não disse nada." Eu agarrei a alça da minha bolsa sobre o meu ombro. "Nada está acontecendo." "Mesmo? Porque ele era tudo Lena, 24 horas por dia, sete dias por semana, e então, de repente ele não está sentado ao seu lado e eu não vi vocês realmente conversarem." "Ele está apenas ocupado. Eu também," eu menti quando eu me virei. Dary caminhou ao meu lado enquanto eu abri meu caminho pela escola. "Então, eu ouvi um boato," disse ela, falando cada palavra com cuidado. "Eu não sabia como dizer, porque eu não queria incomodá-la, mas eu também não queria que você ficasse cega se for verdade."


Os músculos das minhas costas ficaram tensas. Ela poderia estar referenciando tantas coisas. "O quê?" Paramos no final do corredor, pelo muro de projetos de arte realmente terríveis que eu não tinha ideia de por que alguém iria mostrar. "Que rumor?" Dary mordeu o lábio enquanto movia o peso de um pé para o outro. "Eu ouvi ... Bem, Abbi ouviu isso e depois me disse, então ... " "Espere. Abbi ouviu um rumor e disse-lhe, mas não eu?" Exasperação ergueu a voz. "Sim." Dary suspirou. "Ela não poderia simplesmente me dizer?" "Ela poderia, mas vocês duas não são exatamente melhores amigas agora, e acho que ela sabia que eu diria a você," explicou Dary, e depois apontou: "E você também não está fazendo muito esforço para reparar aquela ponte quebrada." Abri a boca para discordar, mas Dary estava certa. Eu não estava fazendo muito de nada. "OK. O que ela houve? O que ela escutou?" "Ela estava saindo com Keith depois do treino ..." "Esses dois estão juntos?" Perguntei. Dary levantou um ombro. "Quem sabe? Eu acho que sim, mas Abbi não quer que ninguém saiba, porque, bem, você sabe como é Abbi, mas eles estão indo para encontros, embora ela


esteja dirigindo comigo. Você está sendo uma perdedora por não ir, mas eu sei que Keith perguntou a ela." Ela respirou fundo e correu. "Ela estava saindo com Keith após o treino e Sebastian estava com eles. Skylar também estava lá. Não com eles com eles, mas ela estava lá." Meu coração salpicou. "Abbi ouviu Skylar e Sebastian falando sobre o jogo. Ela disse que soava como se eles fossem juntos." Dary parecia desconfortável. "Abbi disse que não podia ter certeza dos pedaços que ela ouviu, mas era assim que parecia. E a última vez que você se abriu sobre ele, você disse que ele havia dito que ele ama você. Então eu pensei que você precisava saber." Minha boca se abriu, mas eu não tinha palavras, porque isso não deveria ser uma surpresa para mim. Embora senti como se o meu peito tivesse sido pisoteado por uma bota de combate, eu fui a única que empurrou Sebastian para fora e para longe. Não é de admirar que ele me perguntou se eu iria. Agora ele poderia ir com Skylar e não se preocupar comigo vendo eles, todos vestidos e perfeitos juntos. "Isso é legal," eu murmurei, piscando rapidamente. "Sério? Isso é tudo o que você tem a dizer?" Eu assenti. "Sim, acho que é bom para ele - para eles," eu menti. Isso foi o melhor que eu poderia fazer direito então. Era tudo o que eu podia fazer.


CAPÍTULO VINTE E SEIS

"Como se sentiu voltar ao trabalhar neste fim de semana?" Pergunta o Dr. Perry na segunda-feira de manhã, como fez todas as segundas de manhã. Foi a última semana de outubro. O jogo foi neste fim de semana. O grande jogo. A grande dança. Normalmente, eu não teria começado na Joanna's até o meio ou o final de novembro, mas desde que eu não estava jogando vôlei, eu decidi que pelo menos eu poderia começar a ganhar dinheiro novamente. "Tudo bem." Meus braços estavam envolvidos em torno de meus joelhos. "Um pouco estranho estar de volta. Felicia, uma das outras garçonetes, fizeram um bolo para mim. Foi legal." "Bolo de chocolate, espero," disse ele, e sorriu quando acenei com a cabeça. Hoje não havia nenhuma caneca. Apenas uma prata. "Você fez o que eu pedi durante o fim de semana?" Pressionando meus lábios juntos, balancei minha cabeça. Paciência infinita encheu sua expressão. Não entendi como ele fazia isso. "Como foram as coisas com o seus amigos?" Ele fez essa pergunta todas as segundas-feiras, porque toda sexta-feira uma das minhas "atribuições" era me abrir para


meus amigos, e todos os fins de semana eu não consegui resolver isso. Afrouxei meu aperto em meus joelhos. "Dary é a mesma. Ela só quer que todos sejam normais, você sabe? Ela só quer que todos nós sejamos amigos. Não é como se ela quisesse se esquecer de Megan ou de qualquer um dos caras, mas eu ... eu não penso que ela quer pensar mais nisso. Portanto, é difícil pensar em arrastá-la de volta." "Falar sobre o que você está lidando não está arrastando ela para isso," ele disse, e eu não tinha certeza de que eu concordasse. "E Abbi?" "Ela não disse nada sobre eu não ter bebido desde a primeira vez, mas ela mal fala comigo." A tristeza surgiu como um aguaceiro torrencial, porque eu senti falta de Abbi tanto quanto de Megan. Eu não poderia trazer uma amiga de volta, e eu não tinha ideia de como consertar as coisas com a outra. "Eu não sei se eu disse a você, mas eu ... eu trouxe como ela veio à festa com Chris e pensou que ele já havia bebido." Eu me mudei, desconfortável. "Ela disse que não era o mesmo porque ninguém morreu quando estava no carro." "Bem, muitas vezes é difícil para as pessoas admitir isso, também, que fizeram escolhas potencialmente alteradoras da vida quando eles não receberam consequências para isso. É ainda mais difícil para as pessoas olharem e reconhecerem que eles não são perfeitos, que às vezes em sua vida eles também foram essa pessoa. Que eles também tomaram decisões que poderiam ter terminado desastrosamente."


O Dr. Perry cruzou uma perna sobre a outra. "Algumas pessoas são simplesmente sortudas. Alguns não são. Mas alguns aprendem, mesmo quando não sofreram. Eles veem situações como a sua, e isso serve como um despertador doloroso que eles poderiam estar onde você está, o que cria muitos conflitos internos. Isso é difícil de reconhecer. É sempre mais fácil apontar as falhas nos outros enquanto ignoram os seus." Ele tamborilou levemente no final de sua caneta sobre a mesa. "Então você tem aqueles que nunca aprendem uma lição em sua vida, mas serão os primeiros para julgar." Eu mordi a minha unha. "Mas o seu julgamento está em questão, no entanto. Eu poderia ter ido embora. Eu poderia tentar pegar as chaves de Cody. Eu poderia voltar para a festa e encontrar Keith ou Sebastian ou ... " "Sim, você poderia ter feito isso. Você não poderia ter cedido à pressão de seus amigos e decidir que não iria andar com ele. Você poderia ter convencido Megan a ficar para trás. Você poderia não ter, e esse acidente ainda teria acontecido. Você poderia ter pego as chaves dele ou ele poderia te ignorar e ainda dirigir. Ele fez uma pausa," suspirando pesadamente. "Cody tinha um pouco de peso em você. Você não pode saber que você poderia ter essas chaves, ou se ele tivesse pendurado enquanto você ia encontrar outra pessoa." "Mas eu poderia tentar," eu sussurrei, batendo os pés no chão. "Você poderia ter, Lena, mas você não fez. O que você fez foi perguntar se ele estava bem. Você não ouviu sua pequena voz dentro de você que lhe disse de forma diferente quando ele respondeu, mas ... " Ele suspirou. "Eu serei realmente honesto com você agora. Tudo bem?"


Enruguei o nariz. "Você não foi sincero todo esse tempo?" Um breve sorriso apareceu. "Você fez algumas escolhas ruins naquela noite. Você entende bem isso e você aceita isso. Você não está se iludindo. Você não criou um histórico revisionista de eventos. Você poderia ter se convencido de que não havia nada que você pudesse ter feito, mas você não tem. Você sabe o que aconteceu, e o que poderia ter acontecido, mas não. Isso nunca mudará. Você vai ter que aprender a viver com as decisões que você fez, aceite-as, aprenda com elas, cresça a partir delas e torne-se uma melhor pessoa por causa deles." Esfregando minha mão no meu rosto, fiquei feliz por não ter me preocupado com o rímel esta manhã, porque já estaria por todas as minhas faces agora. "Mas como faço para chegar a essa parte onde eu aceito a decisão que eu fiz? Que eu me tornei essa pessoa magicamente melhor? Quando eu parar de me sentir como o pior ser humano no planeta?" "Você não é o pior ser humano do planeta." Eu atirei-lhe um olhar duro. Ele arqueou uma sobrancelha enquanto levantava a mão. "A maioria das grandes mudanças acontecem lentamente ... e, também, tudo de uma vez." "Isso não faz sentido." "Um dia, você vai apenas perceber que você conseguiu isso por essa parte de sua vida e você aceitou o que não pode ser mudado. É quando você seguiu em frente. Parece que aconteceu de repente, mas na realidade, tem sido um trabalho progressivo." Meus olhos se estreitaram. "Isso não é muito útil."


O Dr. Perry sorriu de uma maneira que disse que um dia eu não teria a mesma opinião. "Um bom lugar para começar é se abrindo com aqueles que você gosta." Uma explosão de pânico acendeu meu estômago. "Você tem uma escolha. Ou continue do jeito que você esteve com eles, sempre se preocupando com o que eles façam se descobrirem. Sabemos que isso é cansativo, e já está prejudicando suas amizades." Ele estava certo. "Ou você pode se abrir para eles." "Mas o que ... e se eles me odiarem?" Perguntei. "Então eles nunca foram verdadeiramente seus amigos em primeiro lugar," ele respondeu. "Eles podem ficar chateados, no início, e até decepcionados, mas quando alguém é verdadeiramente amigo - realmente se preocupa com outra pessoa - eles o aceitam com todas as suas falhas." Comecei a mordiscar o dedo novamente. Eu não tinha certeza do que fiz, era algo que poderia ser considerado apenas uma lei. "Como estão as coisas com você e Sebastian?" Perguntou. Uma tristeza pesada atingiu minhas veias. Pensei em como o vi com Skylar no outro dia, o boato que Dary tinha ouvido, e eu balanço a cabeça, porque isso não era importante. Ele entrou Joanna’s para o almoço no sábado, depois do treino, como costumava fazer antes ... antes de tudo. Ele havia pedido torta e leite, mas não era como costumava ser. "Não está ótimo," eu disse finalmente. "Eu quero dizer a ele, mas eu acho... e se ele me odiar depois? Eu sei você diz que


ele nunca foi meu amigo se isso acontecer, mas ele era. Ele era meu melhor amigo e o que eu fiz ... " O olhar constante do Dr. Perry encontrou o meu. "Há algo que eu quero que você entenda. Você não matou seus amigos, Lena. Você tomou uma decisão ruim naquela noite. Eles também tomaram decisões ruins naquela noite. Você não os matou." Após as aulas, fechei minha porta do armário e coloquei minha mochila sobre meu ombro. A dor aborrecida acendeu no meu braço, mas eu mal me mexi enquanto eu girava e andava pelo corredor. As caras eram um borrão. Eles tinham sido um borrão o dia inteiro enquanto minha sessão com o Dr. Perry se repetia uma e outra vez. Como eu já sabia que eu não tinha matado tecnicamente meus amigos, as palavras de despedida do Dr. Perry realmente não me deixaram à vontade. Eu não bebi e dirigi naquela noite, mas não fiz tudo o que estava ao meu alcance para parar Cody. Então eu não era legalmente responsável. Eu não tinha feito isso tecnicamente. Eu era, no entanto, moralmente responsável. O que eu estava descobrindo era um peso pesado para transportar, porque como você retira esse tipo de culpabilidade? Eu não tinha certeza de que alguém poderia. Mas eu estava disposta a tentar. Eu não tinha ido almoçar, meu estômago também estava torcido em nós ansiosos pelo que eu planejava fazer. Dary tinha mandado uma mensagem enquanto eu estava escondida na


biblioteca, e eu tinha dito a ela que eu estava bem, só tive que estudar para um exame. Eu sabia o que eu precisava fazer quando chegasse em casa, e o simples pensamento disso me fez querer chutar tudo. Talvez fosse por isso que, quando desci pela escada e sai do salão principal indo para o estacionamento, parei pelas portas duplas fechadas para a pequena academia. Talvez eu não fizesse. Talvez fosse algo mais. Olhando através das pequenas janelas, senti os músculos do meu estômago apertarem quando assisti as garotas correrem em conjunto por toda a quadra. O treinador Rogers ficou junto à rede, gritando comandos. As paredes e as portas grossas silenciaram a maior parte da sua voz profunda. Havia apenas mais algumas semanas na temporada. Eu estava prestando atenção. A equipe teve um bom ano e elas provavelmente chegarão às semifinais. Eu deveria estar lá. No momento em que o pensamento terminou, apertei meus olhos contra a súbita onda de arrependimento. Eu poderia ter jogado as últimas semanas desde que o time retornou. Eu poderia - eu poderia ter feito muitas coisas. Mas era tarde demais para isso. Eu fiz a minha escolha deixar o time e não pude voltar, mesmo que eu sentisse falta de jogar. Quando eu estava no campo, meu cérebro tinha desligado. Eu não era obcecada por Sebastian. Eu não tinha estressado sobre a mamãe ou preocupada com meu pai ausente. Eu tinha estado lá fora, concentrando-me na bola e no meu time.


"Eu posso jogar novamente," eu sussurrei, e meu corpo empurrou. Surpresa, eu abri meus olhos. A equipe acabou nas arquibancadas. Eu poderia jogar novamente. Experimente uma equipe da faculdade. Eu não conseguiria, mas eu poderia tentar. Eu poderia - o som de passos me retirou dos meus pensamentos. Apertando a mão na alça da minha bolsa, pisei de volta e olhei pelo corredor. Era Keith. Não o tinha visto o dia todo. Ele estava vestido como se estivesse voltando de um banquete, em calças escuras e uma camisa branca. Sua bolsa de ginástica estava em seu ombro, tiras de futebol pendendo de uma de suas mãos. Nossos olhos se encontraram e seus passos diminuíram. "Ei," ele disse, olhando as portas ao meu lado. "Como você está?" Não tendo ideia de como explicar o que estava fazendo, eu encolhi os ombros. "Você está indo para o treino?" "Sim." Ele parou na minha frente, e não havia nenhuma maneira de perder a luz vermelha em seus olhos. "Eu tive uma reunião com meus pais e ... e os advogados. Aproveitei a maior parte da tarde." Meu estômago caiu quando me lembrei de que Keith estava lidando com um conjunto diferente de consequências daquela noite. Como eu poderia ter esquecido sobre isso? "Como ... como estão as coisas?" Levando a mão livre, esfregou os dedos sobre a cabeça. "Não é ... Sim, não é bom. Nosso advogado está aconselhando a fazer um acordo de súplica. Você sabe, um bom serviço comunitário para evitar a prisão." Ele puxou uma respiração


profunda, deixando cair a mão. "Há os processos civis, você sabe?" Eu acenei com a cabeça, sem saber o que dizer. "Posso te perguntar uma coisa?" "Claro," eu disse. Um músculo flexionou-se ao longo de sua mandíbula enquanto ele desviava o olhar, e então seu olhar encontrou o meu mais uma vez. "Por que você não se junta aos outros? Você ficou muito ferida. Você estava nesse carro." Não esperando essa pergunta, fiquei com palavras. "Eu ... eu simplesmente não pensei que era o certo fazer." E não foi. Eu não estava bebendo naquela noite. Eu deveria ter sido processada por mim mesma. "Eu simplesmente não quero ser uma parte disso." Ele assentiu devagar e um longo momento passou. "Meus pais não são pessoas ruins. Eles nos deixaram beber em casa porque achavam que era mais seguro. Que não estaria por aí dirigindo ..." Eu sabia tudo isso. "Cody poderia ter ficado comigo. Ele sabia que tínhamos uma política de sofá aberto. Todos poderiam ter ficado. Esse foi o acordo. Divirta-se, mas não dirija se você estiver bebendo." Keith amaldiçoou sua voz. "Cody sabia disso." Meu peito estreitou-se. Seus pais não eram pessoas ruins. Eles eram pessoas que, eu acho, simplesmente não pensavam nas coisas. Foram boas pessoas que tomaram uma série de decisões ruins quando se tratava de permitir todos em sua casa. "Eu sei." "Eu não sei ... Não sei o que vai acontecer." Seus ombros se abaixaram. "Quer dizer, eles vão perder a fazenda, os


pomares, tudo." Ele olhou por cima do meu ombro, balançando a cabeça. "Eu nem mesmo sei por que vou treinar. Tipo, qual é o fodido ponto nisso? Merda." "Desculpe," exclamei. Um lampejo de surpresa percorreu o rosto de Keith, e depois foi lavado com descrença. A boca dele moveu-se como se estivesse prestes a dizer alguma coisa, mas não o fez. Eu sabia então. Eu sabia logo que ele não podia entender por que ou como eu estava me desculpando, e me atingiu com a força de um caminhão de alta velocidade. Keith era como eu. Ele culpou sua família. Ele se culpou. Ele não viu o ponto em fazer as coisas que ele fez antes. Ele sentiu essas coisas, embora, ao mesmo tempo, quis defender sua família e ele mesmo. Não era justo, porque Keith não tinha feito nada. Ele não merecia isso, mas ele ... Ele era como eu. Nunca vi isso até este momento. Eu sabia que Abbi já havia percebido isso, mas porque eu estava tão presa na minha própria culpa, minha própria dor, nunca vi Keith. Nunca vi Abbi ou Dary. Nunca vi Sebastian. Eu nunca vi toda a escola sofrer. Eu vi apenas a mim mesma. Keith mergulhou o queixo. "Eu tenho ... eu tenho que ir." Ele esquentou-me. "Eu vou te ver mais tarde, Lena." "Tchau," eu sussurrei, virando-me enquanto ele se afastava. Observei-o ir e fiquei lá muito depois que ele


desapareceu da vista. Uma centena de pensamentos diferentes estavam correndo pela minha cabeça de uma só vez quando eu comecei a andar pelo corredor, mas uma questão se destacou entre todas as outras. Eu era uma boa pessoa que acabava de fazer uma escolha ruim? Na minha varanda, passeei de um lado para o outro enquanto esperava que Sebastian voltasse do treino. Ele não tinha enviado uma mensagem, mas eu enviei um quando estava sentada no meu carro depois da aula e perguntei se ele viria. Meu coração estava acelerado todo o caminho para casa. Ele não tinha vindo ao meu quarto desde aquela noite. Pouco depois das quatro, quando ele enviou mensagens e disse que viria, e mesmo que eu pudesse respirar um pouco mais fácil, eu agora era uma bagunça nervosa. Tirando os lados do cardigã juntos, andei até o final da varanda e olhei para a frente da casa, minha respiração parando na minha garganta. Seu Jeep estava agora lá fora. Meu olhar apareceu, e eu vi uma luz no quarto dele. Quando ele chegou em casa? Eu não fazia ideia. O treino poderia durar horas. Enquanto ficava ali, desejei não ter comido o prato inteiro de espaguete no jantar, porque agora sentia vontade de jogar tudo fora. Achei que eu deveria falar primeiro com Sebastian, porque eu o conhecia o mais tempo. E, bem, ele disse que ele me amava. Eu provavelmente arruinaria isso com a porcaria que eu vomitei para ele, mas ele merecia saber o que aconteceu.


E o mesmo aconteceria com Abbi e Dary. Elas seriam as próximas. Eu só tinha que passar por essa conversa. A luz acendeu, e eu suspirei um pouco, mas não consegui me mexer. Fiquei de pé na beira da escada que levava para o quintal até que eu vi a porta traseira abrir e Sebastian sair para o pátio de tijolos. Mesmo de onde eu estava, na luz fraca, eu poderia dizer que ele tirou um tempo para tomar banho. Seu cabelo estava molhado, penteado de uma maneira que destacava as maçãs do rosto afiadas e altas. Ele estava usando um par de calças de moletom, o tipo que ficavam baixas nos quadris e uma camisa. Deus, ele estava de tirar o fôlego, e eu desejava que ele não tivesse parado para tomar banho e, em vez disso, cheirasse a suor e tivesse sujeira e grama manchando sua pele. Quem eu deslumbrante.

estava

enganando?

Eu

ainda

o

achava

Sebastian atravessou o pátio, parou na borda e olhou para cima. Ele pareceu completamente congelado por um segundo, possivelmente percebendo que eu estava lá esperando por ele. Então ele caminhou pelo lado da casa e atravessou os portões, e meu pulso estava por toda parte lugar. Ele virou a esquina e depois começou a subir os degraus. Só então me movi. Andando para trás, juntei minhas mãos. Sua cabeça apareceu no topo e então ele estava bem na minha frente,


dominante, seus olhos azul-marinho estáticos, como haviam sido desde a última vez que ele estava aqui. Seus olhos estavam em mim. "Estou aqui." "Podemos ... entrar?" Perguntei. O olhar de Sebastian avançou para a porta e ele hesitou e doeu, porque ele nunca hesitou - mas então ele assentiu bruscamente. Caminhei até a porta e abri, deixando entrar antes que ele mudasse de ideia. De lá eu fui para a cama sentando na borda. Sebastian pegou a cadeira do computador. "Keith disse que a viu antes do treino," disse ele. "Nós ... só conversamos por alguns minutos." Sebastian esperou, e quando eu não disse mais, um músculo surgiu no seu maxilar. Boca seca, eu me concentrei no mapa, quando eu exclamei o que mais estúpido possível poderia sair da minha boca. "Como estão as coisas com você e Skylar?" Silêncio e então, "É por isso que você queria falar comigo esta noite? Sobre ela?" "Não," eu disse imediatamente. "Apenas ignore isso. Nem sei por que perguntei." "Claro que não," ele murmurou. Eu me encolhi. "Eu preciso te contar uma coisa. Bem, eu preciso primeiro pedir que me desculpe sobre o que eu disse para você, hum, na última vez que você veio aqui. Isso não foi certo,"


"Não," ele respondeu. "Não, não foi." Eu estremeci, mas continuei. "Eu sei que o que estávamos fazendo não era ... Não se tratava de ficar deitado." Eu corei. "E eu sei que você sente falta de seus amigos tanto quanto eu, e eu não deveria ter insinuado de outra forma." Sebastian não respondeu, então eu deslizei meu olhar para baixo, para ele. Ele estava me observando atentamente com esses olhos, sua cabeça inclinada ligeiramente. Então ele falou. "Você demorou um mês para se desculpar?" "Não deveria. Eu queria antes, mas ... Eu não tenho uma boa desculpa exceto que eu tenho trabalhado para colocar a minha cabeça no lugar com o Dr. Perry, e eu só preciso dizerlhe a verdade. E não sei como você vai se sentir depois. Você pode sair daqui desta vez e realmente nunca mais falar comigo. Você pode acabar me odiando." As lágrimas entupiram minha garganta. "Mas eu preciso dizer uma coisa." Uma mudança veio sobre Sebastian. Como eu o conhecia tão bem, eu podia ver isso. Uma parede caiu, e ele se inclinou, descansando os antebraços sobre os joelhos. "Eu nunca poderia te odiar, Lena." Meu coração despedaçou um milhão de peças com a doçura quase brutal dessas palavras. Ele não fazia ideia. Nenhuma. Ele poderia me odiar. Isso era real. Mas, de qualquer forma, levei uma respiração profunda e disse: "Quando estive no carro a noite que Cody estava dirigindo, eu ... eu não estava bêbada. Eu poderia detê-lo. E não fiz."


CAPÍTULO VINTE E SETE

Sebastian não se moveu. Ele não falou por um momento. Seu olhar firme não deixou meu rosto quando ele finalmente diz, “O que aconteceu naquela noite não foi sua culpa, Lena.” “Eu sou parcialmente culpada,” eu digo, usando as frases do Dr. Perry. “É por isso que eu não falei sobre o que aconteceu este tempo todo. Eu poderia ter impedido Cody. Eu deveria fazer isso. Mas eu não fiz.” Ele se endireita, sua mandíbula flexiona novamente. Outra pausa significativa que me irritava. “Me diga o que você precisa dizer, Lena.” Meus lábios se movem sem som no início, e preciso de alguns segundos para conseguir as palavras certas. Eu queria fazer o que o Dr. Perry tinha me aconselhado: rebobinar e começar desde o início, não importa o quão difícil era. “Depois que você e eu... Depois que nos falamos na festa, eu saí com Abbi e Keith. Eles estavam tendo uma conversa intensa. Eu não sei sobre o quê. Era como se estivessem discutindo e flertando ao mesmo tempo. Sentei-me com eles por um tempo, mas não bebi nada. Apenas água e eu acho que... Não, eu tenho certeza que eu bebi uma Coca-Cola. Então estava ficando tarde, e eu só queria ir embora.”


Naquela noite, sentada na cadeira ao lado de Abbi, eu estava pensando sobre Sebastian, sobre ele e Skylar desaparecendo, sem ter ideia de que em questão de horas, nada disso teria importância. Inspiro novamente e olho para ele, porque ele sabe por que eu não tinha ido encontrá-lo como eu tinha prometido. “Megan estava pronta para ir para casa, também. Ela estava com fome e queria nuggets de frango. Eu nem mesmo sei como Cody acabou saindo. Megan e eu estávamos andando com Chris e, em seguida, Cody estava lá. Chris estava muito confuso. Alguém disse que ele estava bebendo desde aquela tarde, e ele disse que estava cansado demais para dirigir. Cody pegou as chaves, e ele parecia bem no começo. Eu juro que ele parecia. Mas eu me lembro de vê-lo alcançar a maçaneta da porta do motorista e não conseguir segurá-la.” Fechando os olhos, eu falo pensando nos detalhes. “Perguntei a ele se estava bem para dirigir e ele disse que sim. Na verdade, ele parecia meio aborrecido com a minha pergunta. Eu não queria entrar no carro. Foi instinto, eu acho. Eu só fiquei ali de pé, e então Chris estava me dizendo para entrar no carro e Megan estava me empurrando e Phillip estava brincando como sempre esteve e Cody disse que só tinha tomado uma bebida naquela noite, mas eu sabia... eu sabia... que não era o caso. Ele disse que estava bem, embora, e eu... Eu não queria ser aquela pessoa, sabe? A pessoa que exagera em tudo.” Lágrimas molham minhas pálpebras. “Mas eu acho que eu tornei-me um tipo diferente de pessoa, porque eu deveria ter tentado impedi-lo. Eu sabia que ele tinha bebido mais do que disse. Seu rosto estava corado. Eu não deveria ter entrado no carro, porque ele não estava bem para dirigir, e Deus... isso aconteceu tão rápido. Mandei uma mensagem para Dary e


estava prestes a enviar uma mensagem para Abbi dizendo onde eu estava. O rádio estava ligado. Música estava tocando. Lembro-me do vento entrando pelas janelas. Lembro-me de pensar que estávamos indo rápido e então ouvi Cody e Megan gritarem. E isso... foi isso.” Deixo escapar uma respiração instável. “Então, você vê, eu poderia ter feito alguma coisa. Impedido ele. Ficado atrás. Dirigir o carro. Eu apenas fiz a coisa errada, e eu sou...” Eu não sabia mais o que dizer. Eu tinha terminado, e eu queria deslizar da cama e se esconder debaixo dela, mas tudo que eu podia fazer era sentar e esperar pela raiva e a decepção. Parte de lhe dizer era lidar com a forma como ele se sentiu depois. Lentamente, eu abro meus olhos e olho para Sebastian. Seu rosto está pálido e sério. Suas mãos estão em seus joelhos, os nós dos seus dedos brancos. “Você... você se lembra do acidente?” Eu concordo. “Até eu perder a consciência. Algo me atingiu na cabeça, mas lembro-me do carro bater na árvore e capotar. Lembro-me do carro rolar… foi a coisa mais assustadora que eu já experimentei. Eu pensei...” eu interrompo minha frase, porque Sebastian tinha que saber o que eu pensava. Eu pensei que eu ia morrer. “Jesus.” Ele fecha os olhos com força. Então ele diz, “Eu sabia.” “O quê?” eu pergunto.


Ele se inclina para frente novamente, a cadeira rangendo sob seu peso. “Eu sempre soube que você não estava bêbada naquela noite.” “Eu não entendo.” Suas mãos deslizam de seus joelhos. “Eu acho que eu só vi você bêbada uma vez, e não foi em uma festa. Foi quando Megan se atreveu a beber a garrafa de vinho que sua mãe tinha esquecido no armário. Você estava muito bêbada para subir as escadas e Megan me chamou para levá-la para a cama.” Um sorriso sem graça aparece nos meus lábios. Droga Megan. Eu tinha esquecido daquela bagunça horrorosa induzida pelo vinho. “Eu fiquei tão mal.” “Sim, você ficou.” Ele inclina a cabeça, seu sorriso triste. “E logo que eu cheguei lá em cima no seu quarto, então eu tive que levá-la ao banheiro, onde você se transformou em um vulcão de vômito.” Oh Deus. Sebastian me segurou com um braço em volta da minha cintura, e Megan tinha segurado meu cabelo para trás. Isso foi há dois anos. Também foi a primeira e única vez que eu fiquei bêbada. Por alguma razão eu nunca pensei que Sebastian se lembrava isso. “Eu sei que você não bebe mais do que um gole, e a menos que você decidiu mudar isso naquela noite, eu sabia que você não poderia estar bêbada,” diz ele.


“Então...” Molho meus lábios, atordoada. “Então você suspeitava todo este tempo todo que eu estava sóbria e entrei no carro de qualquer maneira?” Sebastian assente. “Eu não sabia se você realmente se lembrava do acidente ou não. Você disse que não lembrava, e desde que você não iria falar sobre isso, eu achei que você não tinha memórias sólidas. Sabendo que você tem, embora? Inferno...” Eu estava atordoada. Seu olhar prende o meu. “Eu provavelmente teria entrado no carro.” “O quê?” Meu corpo inteiro balança, e eu começo a ficar de pé, mas meus joelhos estão fracos. “Eu provavelmente teria feito a mesma coisa,” diz ele. "Merda. Eu sei que eu teria. Eu teria aceitado o que Cody disse, e eu teria entrado no carro, assim como você fez. Eu nem sei se eu teria pensado sobre isso tanto quanto você pensou.” “Não. Você não teria. Sebastian, você teria impedido ele. Você-” “Eu tinha bebido naquela noite e estava planejando levála para casa,” ele interrompe, inclinando suas costas contra sua cadeira. “Eu lhe disse isso antes. Eu poderia ter sido Cody. Eu sei que poderia ter sido. Bebi algumas cervejas, acho que eu estava bem e, em seguida sentar atrás de um volante. Eu não posso nem contar quantas vezes eu fiz isso.” Eu começo a dizer que não era a mesma coisa, mas era, e eu não sabia o que dizer ou fazer. Eu estava esperando que ele ficasse furioso e decepcionado comigo, mas sua expressão não mostrou nada disso, nem mesmo suas palavras ou ações.


Ele se levanta, vem até a cama e senta ao meu lado. Ele não diz nada. Ele não precisa naquele momento. Percebo quando ele olha para mim que ele realmente sabia a verdade todo esse tempo. Ele sabia que eu poderia ter feito melhor, eu deveria, mas ele também tinha sido honesto consigo mesmo. Ele sabia que ele esteve naquela situação e fez más escolhas, mas, como disse o Dr. Perry, ele era sortudo. Ele nunca precisou pagar as consequências dessas decisões. Não tornava o que ele fez uma coisa certa. Não tornava o que eu tinha feito uma coisa certa. Mas ele não estava me julgando, e ele nunca tinha me julgado. Todo esse tempo eu estava com tanto medo do que ele pensaria de mim, e ele já sabia. Ele sabia e ainda estava lá para mim. Ele sabia e ainda disse que me amava. Meus ombros abaixam centímetro por centímetro. “Você não me odeia? Você não está enojado ou cha-” “Pare. Eu nunca poderia pensar essas coisas, Lena. Não sobre você.” Uma onda de alívio me domina, tingida com uma profunda tristeza que começa afrouxar suas garras afiadas. Minha voz está grossa quando falo. "Mas como? Estou tão revoltada comigo mesma. Eu me o-odeio.” “Você cometeu um erro, Lena.” Ele se inclina mais perto. “Isso foi o que aconteceu. Você não matou eles. Você cometeu um erro.” Um erro que custou a vida de pessoas. Estremeço, levantando as mãos para o meu rosto. Esfregando as palmas


das mãos sobre o meu rosto, eu desejo afastar a umidade, porque eu estou cansada de chorar. “Lena,” diz ele, a voz baixa e áspera. “Venha aqui.” Sebastian estende a mão. Eu aceito antes de pensar no que eu estou fazendo. Minha mão firme na dele, e quando ele me puxa para o seu colo, meus joelhos de cada lado de seus quadris, meus braços envolvem sua cintura. Ele segura meu rosto e, sem dizer uma palavra, ele beija meu rosto uma vez e, então duas vezes, e ele beijou secando cada lágrima que caiu, e alguns segundos se passaram. Eu desabo. Com toda força. Ele resmunga e puxa meu rosto contra seu peito. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, molhando a frente de sua camisa dentro de segundos. Seus braços me envolvem e ele me abraça forte, me segura perto enquanto eu choro por Megan, pelos rapazes, por Abbi e Dary, e por mim mesma. Ficamos deitados lado a lado na cama, nossos rostos separados por apenas alguns centímetros. Era tarde, bem depois da meia-noite, e a manhã chegava em breve, mas nenhum de nós estava dormindo. Nós tínhamos sussurrado ao outro após as lágrimas diminuírem. Eu disse a ele sobre a culpa, como pesava sobre mim, sobre como eu queria nada mais do que voltar naquela noite e fazer escolhas diferentes. Contei-lhe sobre os pesadelos e como minha mãe soube da verdade, o quão decepcionada eu sabia que ela realmente estava, mas não estava dizendo. Eu admiti desejar que eu não tivesse parado de jogar voleibol. Eu disse a ele como eu falei com Keith hoje e o que eu percebi. Eu até disse a ele sobre Abbi.


Sebastian ouviu. “Você vai falar com elas?” Pergunta ele. “Abbi e Dary?” “Eu preciso.” Meus braços estão cruzados contra meu peito. “Não vai ser fácil, mas eu preciso.” Movimento minhas pernas. “Abbi disse alguma coisa sobre o acidente?” “Não. Nada além do que todos os outros disseram. Nada sobre você.” Ele se aproxima. “Abbi ficou muito próxima de Keith, e eu acho que ela está ajudando-o a lidar com tudo.” Ele estende a mão e enfia os dedos em torno de uma mecha do meu cabelo que tinha caído na minha bochecha. “O que está acontecendo com Keith é tão diferente. Ninguém culpa você ou sua família. Eles não sabem o que você me disse, e mesmo que eles soubessem, eu acho que a maioria das pessoas iria entender que você cometeu um erro.” Um erro mortal. “Mas com Keith, todo mundo sabe que sua família forneceu o álcool. Eles eram os adultos, e está realmente afetando sua família,” Sebastian explica calmamente. “Ninguém está realmente dizendo alguma coisa para Keith, mas ele está tendo um tempo difícil. Não agindo como um idiota, mas ele está deixando seus amigos ajudá-lo e...” “E eu não ajudei,” eu termino, sentindo nojo. Eu realmente não tinha pensado sobre o que Keith estava passando. Sebastian passa um dedo sobre a minha bochecha, atraindo meu olhar para ele. Alguma coisa, eu não tenho certeza do que exatamente, havia mudado entre nós. É quase palpável, e eu acho que tinha acontecido quando ele beijou minhas lágrimas e me segurou no pior momento delas. “Você realmente não vai ao baile neste fim de semana?” Ele pergunta.


A mudança de assunto me faz pensar em Skylar. “E você?” “Eu iria com alguns dos caras.” “Não Skylar?” Suas sobrancelhas se erguem. “Não.” Ele ri. “Por que você acha isso?” Sinto meu rosto esquentar. “Vocês estavam se falando novamente.” “Nós sempre conversamos,” ele responde. “Ela está na verdade indo com alguém de Wood.” “Sério?” Surpresa me domina. “Ouvi dizer que vocês dois estavam falando em ir ao baile de boas-vindas.” Uma de suas sobrancelhas arqueia. “Nós conversamos sobre isso, mas não juntos.” Seu olhar procura o meu. “Ela sabe que eu não vou voltar com ela, e você deve saber disso também. Só porque as coisas... não deram certo da maneira que eu esperava não significa que eu vou brincar com alguém.” As coisas dando certo tinha a ver comigo. Eu sabia. Sebastian acaricia meu queixo com seu polegar. “Sempre existirá o baile.” Eu gosto de como ele diz isso. “Sempre existirá o baile.” Ele fica em silêncio por alguns instantes e depois diz, “Obrigada por esta noite.” Eu faço uma careta. “Você está me agradecendo?” “Sim.” Sua mão desliza até meu ombro e ele aperta. “Você esteve carregando isso por aí e você não está mais fazendo isso


sozinha. Você me disse. Você vai falar com Abbi e Dary. Você não está realmente sozinha nisso.” Um sorriso cansado aparece em meus lábios. “Eu não deveria estar agradecendo a você, então?” “Não. Eu não fiz nada. Eu só ouvi.” Mas isso foi incrivelmente poderoso. “Isso tudo é com você,” ele acrescenta. Sebastian falou certo. Um monte disso é meu. Meu sorriso sonolento se espalha. Esta noite... Falar com Sebastian, foi ótimo, porque ou eu poderia deixar o que eu tinha feito destruir-me ou eu poderia aprender a viver com isso. Essa foi a única escolha que eu poderia fazer neste momento, e eu tive que fazer o certo desta vez. Eu estou fazendo isso.


CAPÍTULO VINTE E OITO

Dr. Perry estava tão extasiado com o meu progresso quarta-feira de manhã que ele me deu uma missão. Duas, na verdade, sem contar a conversa que eu precisava ter com Abbi e Dary. “Há duas coisas que eu quero que você faça,” diz ele. “Ambas são extremamente importantes para o processo de luto. Primeiro, eu quero que você dedique um dia por semana para o sofrimento.” Minhas sobrancelhas se unem em confusão. “Tipo, o dia inteiro?” “Não todo o dia, a menos que você sinta que precisa disso,” ele esclarece. “Pode ser apenas uma hora ou várias horas. O que eu quero que você faça nesse dia é passar tempo lembrando-se dos seus amigos. Olhe para fotos antigas, visite suas contas nas redes sociais se elas ainda estiverem disponíveis, escreva sobre eles. Eu quero que você pense sobre eles, lembra-se deles e processe esses sentimentos. Você acha que pode fazer isso?” Eu podia. Seria difícil, especialmente olhar para suas fotos e ver suas últimas mensagens, mas eu poderia fazer isso.


“Sofrer com o luto deles não é uma coisa fácil de fazer, especialmente para você. Principalmente porque você sente uma responsabilidade com o que aconteceu. E nunca é fácil sofrer com luto pela morte de quem, em última análise desempenhou seu próprio papel em suas mortes.” Ele apoia os braços sobre a mesa. “Eu vejo um monte de raiva e incerteza quando se trabalha com as famílias daqueles que têm uma overdose. O que você precisa se lembrar, no final do dia, é que essas pessoas eram seus amigos. Não importa o que aconteceu, você se preocupava com eles e você tem permissão para lamentar por eles.” Balançando a cabeça lentamente, eu digo, “Eu posso fazer isso.” “Que dia?” Ele imediatamente pergunta. “Hum.” Eu enrugo meu nariz. “Eu poderia fazer domingo à noite?” Eu também penso que noites de domingo são deprimentes de qualquer maneira. "Parece bom. A segunda coisa que eu quero que você faça é realmente um compromisso.” Eu levanto uma sobrancelha. “Até o final do ano, eu quero que você visite seus túmulos.” Meu estômago imediatamente revira com o pensamento. Um olhar solidário enche seus olhos. "Eu sei. Quando você olhar as sepulturas, vai ser muito final, mas acho que, para você, é necessário. Você não pôde comparecer aos funerais. Visitar os túmulos dele pode fazer mais por você do que apenas fornecer o encerramento.” Pressão pressiona meu peito, mas eu concordo. “Eu posso fazer isso.”


Porque eu tinha que fazer. Porque eu tinha tomado a decisão de não deixar que as escolhas que fiz em 19 de agosto definam minha vida ou a destrua. Eu estava cheia de nervos na hora do almoço, mas eu me forcei a comer o que eu acho que foi lasanha, mas parecia um pedaço de queijo e hambúrguer de carne. Sebastian estava de volta para sentar-se ao meu lado, mas ele estava de costas. Ele estava tendo uma conversa profunda com um dos caras sobre a melhor bebida hidratante ou algo assim. Keith estava escutando. Era a oportunidade perfeita. “Então, hum, eu queria saber se vocês duas querem comer alguma coisa depois da escola?” Pergunto para Abbi e Dary, soando tão estranha como se eu estivesse chamando alguém para sair. Os olhos de Dary imediatamente se iluminam por trás dos óculos. “Eu acho que seria ótimo.” Ela olha para Abbi. “Eu não tenho planos.” “Eu não sei.” Abbi está separando sua lasanha com o garfo. “Eu não acho que vou estar com fome.” Os ombros de Dary se curvam. Eu estava preparada para isso. “Nós poderíamos ir para o lugar dos sucos,” eu sugiro, sabendo que Abbi nunca poderia recusar um suco fresco. “Não temos que ir a um restaurante ou qualquer coisa assim.”


O rosto de Abbi fica tenso, mas seu olhar encontra o meu. Meu lábio inferior treme quando eu inclino para frente e sussurro, “Por favor. Eu realmente quero falar com vocês.” Sua mandíbula relaxa, e eu prendo a respiração, porque eu realmente penso que ela iria recusar meu convite, mas então ela balança a cabeça. “Ok.” Alívio quase me faz cair da minha cadeira enquanto Dary bate palmas como uma foca super excitada. “Obrigado,” eu sussurro para ela. Abbi não responde, mas ela balança a cabeça, e isso é algo. Isso foi o suficiente por agora. Com os sucos nas mãos, encontramos uma das cabines na parte de trás do pequeno restaurante. Abbi senta na minha frente e de Dary. Eu escolhi Old Faithful – um suco simples de morango. Dary foi mais criativa e escolheu algo que tinha manteiga de amendoim. Abbi pediu um de manga. Se Megan estivesse, ela teria esquecido o suco e iria direto para os pães, alegando que ela precisava de proteína. Dary esteve conversando desde que nós sentamos, e no momento em que ela se acalma, Abbi pergunta, “Então por que você queria a gente aqui?” Eu paro com a metade do canudo na minha boca. “Precisa de uma razão?” “Não,” responde Dary ao mesmo tempo que Abbi diz, “Sim.”


Abbi continua um segundo depois. “Você não queria fazer nada com a gente durante meses, então eu estou imaginando que há uma razão.” “Isso não suavemente.

é

inteiramente

verdade,”

Dary

afirma

“Talvez para você, mas eu mal a vi.” Abbi engole um pouco do seu suco.. “Ok.” Eu levanto minha mão. “Eu mereço isso. Eu não fui uma boa amiga nos últimos meses. Eu sei disso. É por isso que eu queria falar com vocês duas hoje. Eu... eu queria falar sobre o acidente. Sobre o que aconteceu naquela noite.” Dary deixa cair o braço sobre a mesa. “Você não precisa.” Virando para mim, seus olhos já estão brilhando. “Nós não precisamos fazer isso.” “Mas eu preciso.” Meu olhar encontra o de Abbi. “Eu preciso tirar isso do meu peito.” E então eu fiz. Eu disse a elas o que eu tinha dito a Sebastian, e era mais fácil simplesmente porque esta foi a terceira vez que eu relembrei aquela noite, e foi menos doloroso me colocar de volta naquele lugar. Mas não era mais fácil olhar Abbi ou Dary nos olhos. Me obriguei a fazer isso, porque Abbi já sabia a verdade e Dary poderia também suspeitar disso, mas eu tirei esse peso amargo de silêncio e eu coloquei-o sobre a mesa entre nós, na esperança de que elas iriam entender onde minha cabeça esteve desde o acidente, mas nunca esperando perdão ou aceitação. Enquanto eu falava, Dary tinha empurrado os óculos para cima e havia coberto o rosto, e eu senti seus ombros


tremerem de vez em quando. Continuando, quando eu sabia que estava conseguindo dela era como caminhar sobre vidro quebrado aquecido. “Eu tenho tentado trabalhar com tudo isso,” eu termino, me sentindo sem energia. “E eu sei que lidar com a minha culpa não é uma justificativa para afastar vocês, e eu... Eu nem sequer espero que vocês fiquem bem com isso. Eu só precisava ser honesta.” Abbi não está olhando para mim. Ela parou quando cheguei à parte sobre perguntar a Cody se ele estava bem para dirigir. Ela está brincando com o canudo, os seus estão lábios apertados. Minha garganta queima. “Estou tão arrependida. É tudo que posso dizer. Eu sei que isso não muda nada, não reescreve o que aconteceu, mas eu sinto muito.” Dary abaixa as mãos. Seus olhos brilham. “Eu não sei o que dizer.” “Você não precisa dizer nada,” eu digo, sentindo trêmula. Ela limpa suas bochechas. “Você sabe, eu suspeitava disso. Quer dizer, eu sabia que você não bebia muito, e eu sempre quis saber por que você não estava dirigindo, mas eu... É chato estar nessa situação. Não querer chatear todos, mas fazer a coisa certa.” Abbi permanece quieta. “Eu deveria ter feito a coisa certa,” eu digo. A respiração de Dary estremece. “Sim, você deveria ter feito.”


Apoiando minhas costas no banco, deixo cair minhas mãos no meu colo. O que eu poderia dizer além disso? Além da verdade? Eu sabia que mencionar isso eu poderia perder Dary, como eu tinha certeza que eu tinha perdido Abbi. Então Abbi finalmente fala. "Você cometeu… um erro. Um grande maldito erro,” ela diz, ainda olhando para a bebida amarela brilhante. “Mas isso foi tudo o que fez. Você cometeu um erro.” Minha respiração fica presa. O que eu senti não conseguia descrever. Não era exatamente a absolvição, mas era algo poderoso. Dary olha para mim, o rosto úmido. Ela não diz nada, mas um momento passa e então ela se inclina descansando a cabeça no meu ombro. Um tremor corre através de mim, ameaçando assumir. "Ok,” Dary diz com voz rouca. "Tudo certo. Então, eu gostaria de batatas fritas agora, e este lugar não vende isso.” Uma risada sem graça me escapa. “Batatas fritas parece perfeito.” Abbi balança a cabeça, fazendo as duas tranças grossas balançar para os lados de seu pescoço. “Você acabou de beber um smoothie inteiro e você quer batatas fritas?” “Eu preciso de sal agora. Eu preciso de toneladas de sal.” Abbi revira os olhos. “Você sabe,” diz Dary, levantando a cabeça do meu ombro, “eu ainda te amo. Eu só quero que você saiba disso.”


Eu quero chorar, mas me controlo, mas ainda não confio em mim para falar, então tudo que eu posso fazer é acenar. O assunto na mesa muda, e no momento em que saímos da loja de smoothie, era quase normal. Quase como era antes. Mas eu ainda preciso falar com Abbi sozinha antes que elas procurem as batatas fritas. Eu paro perto do meu carro. “Abbi, você pode esperar um segundo.” Acenando adeus a Dary, ela vira e me encara. Como quando estávamos lá dentro, algo daquele muro está baixo. Não muito. Mas um pouco. “Eu sei que as coisas ainda são estranhos entre nós, mas eu queria perguntar-lhe sobre seus pais. Como estão as coisas com eles?” Abbi abre a boca e eu me preparo para uma resposta sarcástica ou falsa, mas ela diz, “Mamãe não esteve ‘trabalhando até tarde’.” Ela indica as aspas no ar. “E eles não estão discutindo muito mais. Eu não sei se ela está admitindo alguma coisa ou não, mas acho que eles estão tentando fazer isso funcionar.” Eu me encosto no meu carro. “Isso é bom, certo?” “Sim. Eu acho. Pelo menos não temos que ouvi-los tentando não matar um ao outro.” Ela joga uma trança por cima do ombro. "Fico feliz em ouvir isso. De verdade.” Ela balança a cabeça novamente e, em seguida, respira fundo. “Eu preciso te dizer uma coisa, ok?”


Eu fico tensa. “Ok.” “Eu sinto muito pelo que eu disse a você sobre andar com Chris, quando ele tinha bebido e não sendo o mesmo. Eu sei disso, e você estava certa... Eu apenas tive sorte.” Ela engole em seco. “E eu realmente sinto muito por dizer isso a você. Eu não deveria ter falado assim.” Eu fecho meus olhos brevemente. “Está tudo bem,” eu digo, porque está. “Eu... não estava chateada por você entrar naquele carro. Quer dizer, eu estava chateada. Eu acho que ninguém estaria chateado em primeiro lugar. Mas o que me irritou foi o fato de que você me excluiu. Você se afastou todos nós.” “Eu sei,” eu sussurro. “Eu fiz isso.” “Você tem alguma ideia de como isso nos fez sentir? Eu não sabia como ajudá-la. Você não me deixou ou qualquer outra pessoa ao menos tentar descobrir isso, e é isso que realmente me deixou com raiva. Perdi Megan, e parecia que eu perdi você, também.” “Eu sinto muito. Eu não tive a intenção de fazer isso. Eu só-” “Eu entendo. Sua cabeça não estava no lugar certo, e eu... Eu deveria ter feito o que Dary fez. Dado espaço. Dado o seu tempo.” Ela abaixa seu queixo. “Então, eu sinto muito por isso.” “Você não precisa se desculpar.” Eu dou um passo em direção a ela. “Eu não quero mais nenhum pedido de desculpas. Eu só quero que as coisas sejam... Fiquem bem entre nós.”


“Eu também.” Abbi então dá um passo e me abraça. Foi rápido, não como eles costumavam ser, mas era melhor do que nada e foi um começo. Ela dá um passo atrás. “Eu tenho que ir, mas eu vou enviar mensagem para você mais tarde e você vai responder, certo?” “Certo.” Abbi me dá um sorriso e então ela está indo embora, e eu meio que quero chorar. Mas estas lágrimas seriam muito diferentes de antes. Muito diferente.

Quarta-feira a noite Sebastian estava sentado na cama, ouvindo enquanto eu disse a ele o que tinha acontecido naquela tarde com Abbi e Dary, e então eu disse a ele o que o Dr. Perry queria que eu fizesse. “Tem sido uma grande semana ou algo assim para você,” ele disse quando eu terminei. Eu estou sentada ao lado dele, de pernas cruzadas, com um travesseiro pressionado no meu colo. “Foi.” “Como você se sente depois de falar com elas?” Dando de ombros, eu seguro o travesseiro apertado. "Melhor. Aliviada. Pelo menos agora elas sabem tudo. Eu sei que isso não muda nada, e eu sei que elas estão desapontadas, mas não está entre nós agora e, sim, é um alívio,” eu repito. “Eu entendo o que você está dizendo.” Ele inclina a cabeça para o lado. “Às vezes decepção vale a verdade.” Enquanto ele cutuca o travesseiro, um sorriso aparece em seu


rosto. “Você sabe, naquela noite em que entrei, você disse uma coisa que era verdade.” Minhas sobrancelhas arqueiam. “Eu não acho que eu disse qualquer coisa que era verdade.” “Não. Você disse.” Ele puxa o travesseiro do meu colo e coloca atrás de si. “Você estava certa sobre eu não dizer ao meu pai sobre futebol.” Oh. Inferno. Eu tinha esquecido como eu tinha jogado isso na cara dele. Eu provavelmente esqueci isso. “Eu conversei com o meu pai.” Eu fico surpresa. “Sério?” “Sim.” Ele olha para mim através de cílios grossos. “Não foi exatamente muito bem.” Ficando de joelhos, eu chego mais perto dele. "O que aconteceu? Conte-me tudo.” Uma rápido sorriso aparece quando eu me sento na frente dele. “Eu falei com ele sobre isso algumas semanas atrás, na verdade. Não existe muito a dizer. Eu apenas fui honesto.” “E você está me dizendo só agora?” Eu bato em braço. “Sebastian!” “Ei.” Ele pega minha mão, rindo. “Nós não estávamos exatamente conversando muito um com o outro, e você estava lidando com outras coisas.” “É verdade.” Mas eu me sinto mal, porque eu deveria ter me controlado tempo suficiente para apoiá-lo. Eu não poderia


mudar isso, mas eu poderia apoiá-lo agora. “Então, o que ele fez?” “Ele surtou. Disse que eu não estava pensando direito e que o acidente tinha bagunçado minha cabeça. Mas eu disse a ele a verdade - jogar futebol apenas não é algo que estou interessado agora.” Ele apoia nossas mãos unidas no joelho. “Expliquei que eu estava sentindo assim por um tempo.” “Uau.” “Ele não falou comigo por uma semana seguida.” Sebastian ri enquanto eu me encolho “Mas ele parece estar tentando aceitar isso. Ele está falando comigo pelo menos, e eu acho que mamãe esteve conversando com ele.” Eu aperto sua mão. “Isso é bom.” “Sim,” ele murmura, mordendo o lábio inferior. “Parece que o ppaai não vai entrar numa espiral descendente por causa disso, então isso é bom.” Sorrindo, eu pergunto, “Então agora que você oficialmente decidiu não fazer a coisa da faculdade-futebol, qual faculdade está pensando entrar?” “Deus, há muito mais oportunidades agora,” diz ele, seu olhar à deriva por cima do meu ombro, para o mapa em cima da minha mesa. “Posso ficar por aqui e fazer faculdade comunitária por um ano, ou talvez eu vou me candidatar no Virginia Tech ou-” seus olhos azuis voltam para os meus, “-UVA.” As cavidades de seu rosto ficam rosadas enquanto eu fico boquiaberta. “Ou em outro lugar. Quem sabe? Eu ainda tenho algum tempo. De qualquer forma,” diz ele, estendendo-se sobre a cama. Ele puxa minha mão. “Quer assistir um filme?”


Eu estudo seu perfil por um momento e depois concordo. “Qualquer coisa que você queira.” O sorriso de resposta me aquece, e deixo ele me puxar para deitar ao lado dele. Estendo a mão, pego o controle remoto da mesa de cabeceira e o entrego a Sebastian. Ele começa a procurar na seção livre de filmes. “Ei,” eu digo. Ele olha para mim com aqueles belos olhos. "Estou orgulhosa de você. Eu só queria dizer isso. Estou muito orgulhosa de você.” Ele sorri, e aquele sorriso permanece em seu rosto pelo resto da noite.


CAPÍTULO VINTE E NOVE

O Joanna’s estava sem movimento por causa do baile de boas-vindas, tanto que Felícia me empurrou para fora às nove horas naquela noite. Depois de desamarrar meu avental, eu saio e entro no meu carro. A viagem para casa foi rápida, e uma vez eu estava em minha calçada, eu verifico meu telefone e vejo uma mensagem de Dary e Abbi em seus vestidos bonitos, debaixo de um toldo florido. Elas estão se inclinando em uma pose estranha, com os braços de Abbi enrolados em torno da cintura de Dary por trás. Eu enviei mensagens para as duas no início da noite, dizendo-lhes para ter um boa festa. Dary tinha enviado uma mensagem de volta imediatamente com um coração e rosto sorridente. E uma meia hora mais tarde, depois da última mensagem, Abbi tinha mandado uma mensagem de volta com uma simples mensagem que fragmenta o peso em minhas veias. Gostaria que você estivesse aqui. Esse foi um começo - um ótimo começo - em reparar nossa amizade. E eu desejei estar lá porque eu me divertia com elas, mas eu planejava fazer algo esta noite que eu não tinha feito há algum tempo. Ler um livro.


E eu não podia esperar. Eu ia ler enquanto comeria pelo menos metade de um saco de Funyuns. Talvez até mesmo um saco inteiro. Eu não ia me punir por não ter ido esta noite. E eu não ia pensar em Sebastian no baile, mais provavelmente sendo cercado por garotas. Sebastian tinha aparecido ontem à noite, depois do jogo. Não teve beijo e nenhuma conversa sobre seu pai. Nós tínhamos apenas estudado juntos. Eu não tinha ideia onde as coisas estavam indo para nós ou onde ia acabar, se estivéssemos juntos ou separados. Provavelmente haveria sempre uma parte de mim que iria querer mais, mas eu estava emocionada por ter meu melhor amigo de volta. Isso era... Isso era bom o suficiente. Saio do carro, em seguida, caminho até a frente da casa e alcanço a porta, mas ela antes abre mesmo de ser tocada. Mamãe está na porta, indicando para entrar. “Vamos. Apresse-se.” Fazendo careta, me apresso para dentro e fico de boca aberta quando a mãe pegou minha bolsa de mim. “O que está acontecendo?” Eu olho ao redor, esperando ver meu pai à espreita no corredor mal iluminado. “Nada.” A mãe sorri, pegando a minha mão quando ela me puxou para a sala de estar. Então ela pegou uma trouxa de roupa e empurrou para mim. “Suba as escadas para o banheiro e vista isso.” “O quê?” Eu olho para o que eu estou segurando. Parece meu casaco térmico e minhas calças pretas que eu tinha quase


certeza que mãe deve ter lavado, enquanto eu estava no trabalho, porque elas estavam sujas e jogadas no chão do meu. “Eu estou confusa.” “Não faça perguntas. Apenas faça isso.” Ela me levou para a escada e eu a deixo praticamente me empurrar em cada degrau. “Eu vou esperar por você no corredor. Você tem quinze minutos.” Eu paro do lado de fora do banheiro e solto uma gargalhada surpresa. "Por quê? Isso é estranho e você está-” “Entre no banheiro,” mãe ordena com um sorriso. “Ou você está de castigo.” “O quê?” Eu digo soltando outra risada. “Você perdeu a cabeça?” Mamãe cruza os braços. “Eu vou arrastá-la aí dentro e trocar eu mesma suas roupas.” “Oh meu Deus. Ok, ok.” Pegando a trouxa de roupa, vou para o banheiro, sem ter ideia do que ela estava fazendo ou por que eu tinha que trocar de roupa agora. Eu estava cheirando frango frito? Eu mal tinha trabalhado até suar no Joanna’s, mas eu tomei um banho rápido de qualquer maneira, como eu sempre fiz quando cheguei em casa. Eu mantive o meu cabelo em um coque, então eu não preciso secá-lo. Trocando de roupa, descubro que tinha incluído um par de meias grossas. Eu as coloco, puxando-as para cima em minha perna. Mamãe está esperando por mim no corredor. “Você vai me dizer o que está acontecendo ainda?” Eu pergunto, empurrando para cima as mangas do meu térmica.


“Não.” Ela vira. “Me segue.” Além de curiosa, eu a sigo de volta para baixo e até a cozinha. “Coloque esses tênis.” Ela aponta para o par ao lado da porta. “E, em seguida, vá para fora.” “Eu estou um pouco assustada neste momento.” Eu calço meu tênis. “Como se eu estivesse prestes a cair em uma armadilha.” “Agora, por que eu faria isso com a minha filha?” Eu lhe lanço um olhar por cima do ombro, mas abro a porta de qualquer maneira e fico imóvel. Sebastian está esperando no pátio que mãe nunca mais usou, vestido como eu, com exceção das calças. Ele está com moletom e uma touca de malha cinza. Por cima do seu ombro, pensei que seu quintal parecia mais brilhante do que o normal, mas depois eu vejo o que ele tem nas mãos. Um corsage – uma pulseira de pétalas de rosa vermelhas com orvalho e em plena floração, com florzinhas brancas entrelaçadas e folhas frescas. Eu olho para ele. Um sorriso tímido surge em seus lábios. “Desde que você não foi a festa de boas-vindas, eu pensei em fazer algo melhor.” Meu cérebro pensamentos.

esvazia

completamente

de

todos

“Seja bom.” Mamãe nos dá um longo olhar. “Divirta-se.”

os


Com os olhos arregalados, me viro para Sebastian quando mãe fecha a porta atrás de nós. “Eu pensei que você iria ao baile de boas-vindas.” Ele balança a cabeça enquanto ele se aproxima de mim. “Não. Nós podemos sempre fazer o baile, certo?” Nós. A maneira como ele disse isso... “Certo,” eu sussurro. “Posso?” Ele pergunta, e em transe mudo, eu levanto meu braço. Ele desliza o corsage em minha mão esquerda e prende no meu pulso. “Parece bom em você.” Piscando “Obrigado.”

rapidamente,

eu

aceno

com

a

cabeça.

“Você não pode dizer obrigado ainda.” Pegando minha mão, ele me leva em direção ao portão entre nossos jardins. “Então, eu vim com algo que eu pensei que seria muito melhor do que uma dança.” Com um nó na garganta, eu o sigo, absolutamente atordoada. “Eu estive na verdade querendo fazer isso por um tempo e percebi que esta era a oportunidade perfeita.” Ele abre a porta e me direciona para o outro lado. “O que você acha?” Minha boca está aberta quando vejo o que está na minhas frente. Luzes cintilantes foram pendurados do galpão para as árvores, lançando um brilho suave no quintal estreito. No centro, vários metros de distância do pátio, está uma barraca. Uma luz cintila no seu interior.


“Acampar?” Eu sussurro. Sebastian solta minha mão e enfia as mãos nos bolsos enquanto ele assente. “Você se lembra de fazer isso quando era mais jovem?” “Sim.” Claro que me lembro. “Todo sábado à noite. Ou o seu pai ou o meu iria vir aqui e arrumar tudo para nós.” “Nós fazíamos s'mores.” Ele me cutuca suavemente com o ombro. “Até que uma vez você colocou seu cabelo no fogo.” “Eu não coloquei meu cabelo no fogo!” Eu ri, e foi uma risada verdadeira, profunda que me chocou em silêncio. Quando eu tinha começado a rir assim? “Eu estou corrigindo. Foi apenas alguns fios. Mesma coisa.” Ele se inclina para mim neste momento, e eu viro um pouco, apoiando o lado da minha cabeça contra seu braço. “Nós não vamos assar s'mores esta noite, mas eu tenho a próxima melhor coisa.” “O quê?” Minha voz está rouca. “Você tem que esperar e ver,” ele responde. “É uma surpresa.” “Outra?” “Outra.” Oh Deus. Levantando minha mão direita, eu esfrego sobre os olhos. Uma ligeira umidade se agarrou aos meus cílios. “Você está bem?”


“Claro.” Eu me acalmo enquanto afasto e olho para a porta dos fundos. “Onde estão seus pais?” “Eles saíram esta noite. Eles estarão em casa mais tarde.” “E eles sabem sobre isso?” Ele ri. "Sim. Mamãe queria aparecer e tirar fotos de nós em pé na frente da barraca, uma vez que ela sente que foi enganada na posição de tirar fotos do baile de boas-vindas.” Outra risada explode em mim, agitando todo o meu corpo, e quando a risada desapareceu como cinzas no vento, eu vejo Sebastian olhando para mim nas luzes brilhantes. “Eu senti falta desse som,” diz ele, inclinando seu corpo em direção a mim. "Sua risada. Eu senti falta mais do que eu percebi.” Sentindo-se um pouco ofegante, eu olho para ele. “Eu também.” “Bom.” Seus olhos procuram os meus e, em seguida, ele exala pesadamente. “Pronta para verificar a barraca?” Brincando com as flores no corsage, começo a segui-lo quando uma suspeita de repente floresceu, e eu paro e olho para Sebastian. “Você... falou com Felicia?” Ele sorri, as mãos ainda enfiadas nos bolsos, obviamente, satisfeito consigo mesmo. “Talvez.” “Você falou!” Meus olhos se arregalam. “É por isso que ela me deixou ir para casa duas horas mais cedo. Quando você fez isso?”


“Quinta-feira à noite eu passei por lá e pedi,” diz ele, os olhos brilhando à luz baixa. “E, obviamente, você falou com minha mãe.” Ele balança a cabeça mais uma vez. "Há alguns dias atrás. Ela disse, e cito, 'Você é um menino tão doce.' Não que eu precisava saber disso.” “Você é um menino doce.” Rindo, ele levanta a aba da entrada da barraca. “Você primeiro.” Eu retiro meus tênis, então abaixo e entro na barraca e sou capaz de ficar em pé. Sebastian não consegue ficar em pé quando ele entra, então ele se ajoelha ao meu lado enquanto eu inalo o cheiro de mofo, imediatamente inundada por lembranças das noites de verão longas passadas em uma barraca muito menor. Há um colchão de ar no chão, junto com dois sacos de dormir e um cobertor que eu reconheço ser da casa de Sebastian. Travesseiros estão empilhados em um dos lados do colchão. Um pequena lanterna sobre uma mesa dobrável de plástico. Uma pilha de comida acomodada no canto, batatas fritas, refrigerantes, Tupperware e até mesmo um saco de Funyuns. Isso foi muito bonito, quando eu soube que eu estaria para sempre apaixonada por Sebastian. Sebastian estende a mão para a pilha de comida, pega um recipiente e abre a tampa. “Mamãe fez bolinhos de s'more.”


Minha boca enche de água. “Bolinhos de S'more? Isso soa como o céu.” “Eles são incríveis.” Ele coloca a tampa de volta e pega outro. “A última vez que ela fez, eu comi tantos que eu pensei que eu ia vomitar.” Eu ri quando o vejo abrir outra tampa. Aquele tem morangos e pedaços de melancia nela. “Eu mesmo cortei esses,” diz ele, sentando-se na borda do colchão. “Eu acho que mereço um cafuné na cabeça só por isso.” Sorrindo, eu dou um tapinha leve no topo de sua toca e então olho ao redor da barraca novamente. Emoção fecha minha garganta. Isso é incrível, perfeito e tão incrivelmente bem planejado. Eu meio que queria chorar. “Isto é...” “O quê?” Sebastian olha para mim. “Obrigado.” Eu deito no colchão ao lado dele. Inclinandome, eu aperto suas bochechas. "Muito obrigado. Eu nunca esperei você fazer qualquer coisa como isto, e eu sei que eu não” “Não diga isso,” Ele segura meus pulsos. Nossos olhos se encontram. “Não haverá nada disso hoje à noite. De verdade. É só você e eu e uma tonelada de calorias à espera de serem consumidas. Nada mais. Sem passado. Nada.” Eu só parei de pensar. Bem ali. Nesse exato momento. Eu apenas agi.


Aproximando, eu beijo Sebastian nos lábios, jogando não só a gratidão por trás disso mas também tudo o que eu sentia por ele. Não houve um momento de hesitação dele. Uma mão se moveu para minha nuca e ele saiu do colchão, ficando de joelhos na minha frente. Sua boca é macia e dura de uma só vez, e quando meus lábios se separam, ele aprofunda o beijo. Foi ele quem se afastou finalmente, e quando fala, sua voz é deliciosamente grossa. “Nós provavelmente devemos começar a comer.” “Tudo bem.” Eu teria concordado com quase qualquer coisa nesse ponto. Nós nos separamos e começamos a vasculhar os sacos de batatas fritas e recipientes. Enquanto comíamos, falamos sobre absolutamente nada de importante, e foi glorioso, porque fazia muito tempo desde que eu pudesse... apenas ser. Desde que eu poderia falar sobre o meu programa favorito ou os livros que estavam no meu quarto, mas não lidos, e ouvir Sebastian falar do que ele gostaria de estudar na faculdade sem a minha mente vagar para o passado. Uma vez que estávamos cheios e Sebastian estava fechando as sacolas, pergunto, “Nós realmente vamos dormir aqui?” Sebastian ri. “Claro que sim.” Inclinando sua cabeça para mim, ele levanta as sobrancelhas. “A menos que você não esteja confortável.” “Eu estou confortável,” eu digo. Eu estou e não estou ao mesmo tempo, porque estar aqui a noite toda com ele não é qualquer coisa como quando éramos crianças. Ele abaixa seu olhar. “Você tem certeza disso.”


“Sim.” Eu deslizo um pouco do meu lugar. “Eu só estou curiosa como os nossos pais estão bem com isso.” “Eles confiam em nós.” Eu suspiro. Sebastian arrastou-se sobre o colchão e esticou para fora do seu lado. “Eu quero que você saiba que eu não espero que você fique aqui a noite toda,” diz ele. “Você pode sair na hora que quiser e ir embora quando quiser.” Me acomodando ao lado dele, eu não tinha imaginado em muito tempo que eu iria encontrar-me passando a noite em uma barraca novamente. Quando éramos crianças, eu não estava imaginando ele sem camisa ou pensando em algumas das coisas que estão cruzando minha mente agora. Eu rolo de lado, de frente para ele. Eu não tinha ideia de quanto tempo eu ficaria, mas eu sabia que, no fundo, não importa o que eu decidir sobre esta noite, Sebastian estaria tudo bem com isso. Sem expectativas. Exceto uma. Sinto minhas bochechas esquentarem antes mesmo de conseguir falar. “É... Está tudo bem se eu me chamar de sua namorada?” O sorriso que apareceu em seu rosto quase roubou meu fôlego. “Eu estive tentando chamar você de minha namorada desde que eu percebi que gostava de garotas.” A felicidade borbulha, e eu não deixo nada afastá-la. Nada. Alcançando o pequeno espaço entre nós, eu coloco minha mão em seu peito, acima do seu coração. Sua mão cobre a


minha. Coragem aumenta, pressionando-me para dar um grande passo, para permitir-me a fazê-lo. Eu mantenho meus olhos abertos quando eu digo o que eu queria dizer por tantos anos. Palavras que, por um tempo, eu pensei que eu não merecia. “Eu te amo,” eu digo. “Eu estive apaixonada por você por tanto tempo quanto eu me lembro.” Sebastian se move instantaneamente. Uma mão segura meu rosto, e então sua boca está na minha e nós estamos nos beijando. Não há nada artístico sobre esses beijos. Nossos lábios e bocas se unem com avidez. Ele tem gosto de chocolate e sal, e quando o beijo se aprofunda, ele fica mais perto. Ele coloca um braço debaixo de mim, e nós ficamos mais próximos, peito com peito, quadril com quadril. Quando ele me rola de costas, ele segue, e as nossas mãos estão necessitadas, deslizando sob as roupas, pele com pele em uma corrida inebriante. Minhas mãos percorrem o comprimento de suas costas e suas laterais. Sua mão desce para meu quadril, sobre a minha coxa. Ele engancha minha perna ao redor de sua cintura, permitindo ficarmos mais próximos, embora eu não tinha pensado que era possível. Sua camisa foi retirada, assim como a minha. E então estamos verdadeiramente pele com pele de uma maneira que nunca ficamos antes. Minha pele arrepia quando os pelos do seu peito esfregam contra mim. Sensação desenfreada atinge meus sentidos. “Isso não foi o porquê eu preparei esta noite,” disse ele, sua voz ao contrário do que eu já tinha ouvido antes. “Nós não temos que fazer nada. Nós não-”


“Eu sei.” Enrolando minha mão ao redor da nuca dele, eu abro meus olhos. “Eu sei.” Eu puxo sua boca de volta para a minha, e desta vez, quando nos beijamos, há algo diferente sobre isso. É desinibido e muito mais... mais proposital, e eu me sinto selvagem da maneira mais maravilhosa. Eu não tinha ideia de onde esta noite iria, onde iria acabar, mas eu confiava nele. Ele confiava em mim. “Eu te amo,” eu sussurro contra sua boca. Sebastian faz aquele som, robusto e profundo contra a minha boca, enquanto seus quadris se estabelecem entre as minhas pernas e seu peito está mais uma vez pressionado no meu. Ele se move, e eu estou caindo, nadando e me afogando em sensações. E eu vivi. Eu amei. E estava tudo bem, mais do que bem. Foi bonito. Era viver.


CAPÍTULO TRINTA

Folhas castanhas flutuavam dos galhos quase nus, caindo no chão silenciosamente. Era quarta-feira antes do Dia de Ação de Graças, e na segunda-feira tive a minha última sessão com o Dr. Perry. Eu tinha minhas tarefas. Eu estava seguindo obedientemente. Com as noites de domingo fiquei para me lembrar verdadeiramente de meus amigos e, Deus, não tinha sido divertido no início. Desde o acidente, evitei olhar o Facebook e Instagram ou qualquer uma das fotos que eu tinha deles. Eu não tinha lido suas mensagens antigas no meu telefone ou seus e-mails. No primeiro domingo fiquei apenas meia hora antes de eu jogar um antigo álbum de fotos de lado. Não chorei. Eu não tinha ideia do por que, especialmente porque meus olhos eram seu próprio parque aquático nesse ponto. O segundo domingo à noite, quando fui para suas contas nas redes sociais, eu me perdi. Ver suas últimas postagens me matou. Megan tinha postado sobre Dance Moms naquela tarde de sábado. Isso foi o que ela estava pensando, sem ter ideia de que


ela morreria naquela noite, acho que foi o que mais me incomodou. Nenhum de nós tinha até a mais ínfima ideia de que nossas vidas estavam prestes a ser irrevogavelmente alteradas. Cody tinha uma postagem do Instagram daquela noite anterior, uma foto dele segurando um copo vermelho, sorrindo para a câmera. Ele estava com Chris. Ambos eram tão brilhantes e tão felizes. Concentrei-me em seus sorrisos, porque isso era o que eu precisava lembrar. Phillip tinha compartilhado um vídeo de brincadeiras com a legenda ‘LMFAO’. Essas foram suas últimas palavras na internet. LMFAO. A pior parte de ver suas contas foi percorrer todas as mensagens deixadas em suas páginas após o acidente. Todas as palavras de luto e tristeza, os #RIPs e o choque deixado na sequência de suas mortes. Isso me quebrou de novo. Passei a maior parte da noite sentada no sofá comendo chocolate, envolta nos braços da minha mãe e conversando sobre eles. Acordei na manhã seguinte, esperando me sentir como uma porcaria, mas me senti um pouco melhor. Um pouco mais leve. Mas eu ainda não tinha ido aos seus túmulos. Quando eu deixei o quarto com os melhores cartazes motivacionais de sempre, o sorriso que o Dr. Perry me deu foi real como qualquer um do passado, mas tinha sido um pouco diferente.


Havia confiança nesse sorriso. Não é esperança ou aprovação, mas confiança. Em mim. Confiança que eu acharia o encerramento e alguma aparência de paz. Talvez eu já tenha encontrado alguma. No momento, eu estava mais pacífica do que jamais imaginei. Sebastian estava sentado na velha cadeira de madeira, com os pés apoiados na grade. Eu estava sentada de lado em seu colo, minhas pernas enroladas sobre o braço da cadeira. Um manto de chenille suave sobre nós. Estávamos lendo. Juntos. E havia algo tão perfeito sobre o que estávamos fazendo que eu poderia ter me apaixonado tudo de novo. Fechando o livro paranormal que estava lendo, o baixei no meu colo e olhei para Sebastian. Ele estava concentrado. Suas sobrancelhas juntas. Seus lábios em uma linha fina. Foi fofo. Além de fofo. Ele estava lendo uma novela gráfica, ele a manteve aberta com uma mão. O outro braço enrolado em minha cintura, embaixo do cobertor. Seus dedos se moviam continuamente contra meu quadril, vagando em um círculo lento, como se ele estivesse me permitindo saber que, apesar de estar focado na história, ele estava plenamente consciente de mim em seu colo. Eu queria mais atenção, no entanto. Pressionando meus lábios contra sua bochecha lisa, eu sorri quando o ouvi fechar o livro. O braço dele me apertando. "O que você está fazendo?" Ele pergunta.


"Nada." Eu beijei a linha dura de seu maxilar. Ele vira a cabeça para a minha. "Então eu gosto dessa ideia de nada." Eu o beijei nos lábios desta vez e ele me beija de uma maneira que me fez desejar que mamãe não estivesse em casa. Deslizando minha mão ao longo de sua bochecha, puxei para trás apenas o suficiente para descansar minha testa na dele. "Que horas será o jantar amanhã?" "Seis. Você tem certeza de que não quer vir?" Sua família estava indo para a casa de seus avós para eles comemorarem o Dia de Ação de Graças. "Você é mais do que bem-vinda. Eles adorariam vê-la." "Eu sei." Eu arrastei meu polegar através de seu maxilar. "Eu quero, mas papai estará aqui amanhã. Mamãe iria pirar se eu tentasse estar em outro lugar." Ele beijou o canto da minha boca. "Verdade." Outra pausa para que ele pudesse beijar o outro lado da minha boca. "Estou um pouco surpreso com a sua irmã não está aqui nos olhando, desenhando corações no ar com os dedos." Eu ri. "É só porque minha mãe está com ela na cozinha fazendo tortas." "Eu acho que precisamos visitar essa cozinha," ele disse depois de uma pequena pausa. "Eu acho que você mudará de ideia depois de provar a comida da minha irmã." Enfio meu braço ao redor de seu pescoço, descanso minha bochecha no ombro dele rindo. "Não


tenho certeza por que mamãe está deixando-a cozinhar. Parece um castigo." Outra risada retumbou de seu peito. "Eu vou trazer pra você uma parte da torta da minha avó." "Abóbora?" "Abóbora e pecã." "Mmm." Meu estômago resmungou. "Isso parece incrível. Você me trará um Cool Whip? Mamãe compra os ingredientes genéricos e totalmente não-" A porta da varanda se abre e eu levanto a cabeça com surpresa, meio esperando ver minha irmã ou minha mãe. Mas era papai. Papai. Era o meu pai saindo do meu quarto e entrando na varanda enquanto eu estava esparramada no colo de Sebastian. Santo inferno. Meu corpo inteiro se sacudiu enquanto me levantava. Eu quase caí do colo de Sebastian, quase batendo o rosto no chão depois que minhas pernas se enroscaram no cobertor. A última coisa que eu queria era o meu pai, mesmo que ele se destacou no show de pai ausente, entrando enquanto eu estava esparramada no colo do meu namorado. Sebastian abaixou o queixo enquanto ele me ajudava a arrumar minhas pernas do cobertor, e eu sabia que ele estava escondendo um sorriso e eu estava indo bater em sua cabeça.


Os olhos de avelã de papai se moveram de onde eu estava para onde Sebastian estava subindo. "Sua mãe mencionou que vocês estavam se vendo." Foi assim que ele me saudou - nos cumprimentou. Eu não o vi, nem falei com ele, desde a visita ao hospital e essa foi a primeira coisa que saiu de sua boca. Eu não estava exatamente surpresa. Sebastian caminhou da cadeira, estendendo a mão para o meu pai. "Oi, Sr. Wise." Meu pai apertou a mão, sorrindo fracamente. "Sebastian, meu homem, é bom te ver." "O mesmo," Sebastian respondeu, movendo a mão do meu pai para a minha. Nossos dedos entrelaçados, e ele apertou minha mão gentilmente. O calor atingiu minhas bochechas. "Eu não sabia que você estava aqui. Pensei que não viesse até amanhã." "Acabei de chegar aqui a pouco tempo atrás," explicou. "Estava esperando que pudéssemos ter um pouco de tempo juntos, enquanto sua mãe e irmã estão ocupadas destruindo a cozinha." Não estava inteiramente certa de que queria, uma vez que hesitei por um momento. Então eu acenei com a cabeça, porque eu poderia acabar com isso. Papai não ia a nenhum lugar, pelo menos não até o próximo dia ou assim. "Tudo bem." Olhei para Sebastian. "Vou te enviar uma mensagem mais tarde?"


Seus olhos procuraram os meus enquanto ele continuava segurando minha mão. Preocupação apareceu em seu rosto. "Tem certeza disso?" "Sim," eu disse a ele em voz baixa. "Está bem." Sebastian parecia relutante, não que eu pudesse culpá-lo. Ele sabia que a palavra "tempo" nem sequer começou a descreva o relacionamento do meu pai e o meu, mas baixou a cabeça, pressionando um beijo na minha bochecha. "Ok. Estarei esperando." Dando um adeus ao meu pai, ele desceu as escadas, deixando-me sozinha na varanda com meu pai. Sem ideia do que dizer ou fazer, inclinei-me e peguei o cobertor para dobrálo. Como minha cabeça estava tão envolvida no acidente e com tudo que havia trazido, eu realmente não tinha dado muito espaço para refletir sobre o que minha mãe admitiu e tudo o que significava. "Como você está?" Ele perguntou, apoiando um quadril contra a grade. "Ok." "Você e Sebastian estão realmente juntos?" Ele riu assim que ele terminou de falar. "Bem, estou esperando que esse seja o caso, considerando como eu encontrei vocês dois." Minhas bochechas coram e lutei com o desejo de apontar que mamãe já havia dito a ele, mas acabei... Acabou sendo tão irritante, tão estranho. Embora o Dr. Perry e eu nunca tivéssemos falado sobre meu pai, eu sabia o suficiente para


saber que, se eu tivesse que passar do acidente em agosto, tenho que seguir em frente, bem, com meu pai. "Sim, nós começamos, oficialmente nos vendo não muito tempo atrás," eu disse finalmente, olhando para os tênis desgastados que estava usando. "Eu estou... muito feliz com ele." Um piscar de culpa disparou através de mim como uma flecha. Admirar a felicidade ainda era difícil. Provavelmente seria difícil por muito, muito tempo. "Ele é um bom garoto. Não posso dizer que estou surpreso. Sempre pensei que vocês dois acabariam juntos." Minhas sobrancelhas se levantaram. "Mesmo?" "Bem, esperava que vocês dois acabassem juntos," ele esclareceu. "Como eu disse, ele é um bom menino. Ele será um bom homem." Mudei meu peso de um pé para o outro. "Você parece muito melhor," disse ele, mudando rapidamente o assunto. "Nenhum gesso ou hematomas. Levantando e se movendo por aí. Estou aliviado por ver isso." Segurando o cobertor no meu peito, olhei para o meu pai, realmente olhei. Parecia que ele tinha envelhecido desde que ele entrou no hospital em agosto. Um pouco mais velho e um pouco mais cansado, mas ele tinha a mesma rígida postura. A conversa ainda estava excitada. Para ser sincera, sempre foi assim. Crescendo, Lori era a pequena garota do papai. Eu fui a garota de mamãe. Lori e eu sempre tomamos partidos - indo para restaurantes, para o zoológico ou parques de diversões. Ela saia com papai. Eu


estava perto da mamãe. Papai e eu simplesmente nunca nos conectamos, e não foi tudo culpa dele. Eu poderia ter respondido o telefone quando ele ligou, especialmente depois que mamãe me contou por que ele partiu. E ele provavelmente poderia ter sido um pai melhor para mim e recusar-se a recuar quando estava sendo uma pirralha. Seus olhos, o mesmo que o meu, mantiveram meu olhar. "Eu tenho me preocupado com você." "Eu estou melhorando. Eu não estou... cem por cento, mas estou melhorando." Ele sorriu fracamente, mas a tristeza permaneceu nos olhos dele. "Eu sei que você está. Você é tão forte e eu não penso que você tenha crédito suficiente." "Eu não sei sobre isso." Sentei-me na cadeira, colocando o cobertor no meu colo. "Se eu fosse mais forte, eu provavelmente não teria terminado na situação em que estou." Ele parecia considerar isso. "Talvez essa parte seja verdadeira, mas você teve que ser forte para superar isso." Pressionando meus lábios assenti. "Você é mais forte do que eu," ele disse, e eu me afundei no meu lugar, surpresa. Papai não estava olhando para mim. Ele colocou as mãos na grade e olhou para o pátio. "Você sabe algo que seu avô dizia o tempo todo e que eu odeio? Ele sempre dizia: 'Amanhã será melhor'. Toda vez que eu estava com raiva de algo ou algo ruim aconteceu, ele diria isso. 'Amanhã será melhor'. Não detestei a princípio. De modo nenhum. Eu vivi dessa maneira por muito tempo."


Voltando lentamente, ele me encarou. "Você entende o que eu quero dizer com isso?" Mudei meu olhar para seus tênis novamente, em silêncio. "Toda vez que algo ficou difícil, ou estava quebrado ou não era o que eu queria, eu disse que seria melhor amanhã. Não fez que fosse mais fácil. Não corrigiu o que foi quebrado. Se eu ficasse desconfortável com alguma coisa, ou se eu simplesmente não quisesse fazer isso, o amanhã sempre vinha e eu ainda não fiz isto." Fechando meus olhos contra a picada repentina, exalei ruidosamente. "É um bom sentimento, porém, não é? A vida dizendo que amanhã será melhor sempre que algo ruim acontece. Sempre que estamos cheios de decepção. Mas o amanhã nunca é garantido." Ele parou para respirar fundo. "Garotinha, você aprendeu essa lição muito jovem." Nós quatro seremos sempre os nós quatro, sempre. Não importa o quê. Nós não seríamos mais quatro de nós. Sempre. Papai estava certo. Eu sabia que amanhã nunca era garantido. "Nós nem sempre conseguimos o amanhã. Às vezes não é por causa da morte. Às vezes, são as decisões que tomamos por nós mesmos." Ele ergueu a mão e esfregou-o sobre o rosto, um hábito que eu percebi naquele momento que eu peguei dele. "Eu odeio dizer isso porque é assim que lidei com você. Amanhã eu corrigiria o que está quebrado entre nós. Mas quando o amanhã veio, eu nunca fiz."


Meus olhos começaram a embaçar. "Eu... eu não acho que eu tenha facilitado para você." "Não importa." Seu tom era rude, mas ele continuou dizendo: "Eu sou seu pai. É minha responsabilidade. Não sua. Então eu quero... eu quero hoje seja o amanhã que eu continuei adiando. O que você diz?" Papai estendeu a mão e, por um longo momento, tudo o que pude fazer foi olhar e depois soltei o cobertor e coloquei minha mão na dele.


CAPÍTULO TRINTA E UM

Sentada no meu quarto, segurei meu telefone no meu peito enquanto eu olhava para o mapa acima da minha mesa. Os círculos que Sebastian e eu tínhamos feito por toda parte borrada e cada respiração que eu tomava parecia tremida e crua. Eu finalmente fiz isso. Eu consegui ler os textos de Megan. Havia muitos deles, desde que meu telefone estava configurado para manter mensagens até que eu as exclua. As lágrimas que haviam brotado e caído se misturaram com gargalhadas enquanto eu lia algumas mensagens aleatórias e absurdas. Eu queria entrar no telefone e vê-la uma última vez. A verdadeira. Não uma imagem. Não um conjunto de letras e frases. Mas eu sabia que não podia. As memórias teriam que ser suficientes. Exalando pesadamente, coloquei meu telefone na minha mesa e conectei ao carregador. Eu voltei, virando a cadeira em


direção à porta do armário. Estava aberta, transbordando de roupas e livros. Quando saí da escola no dia anterior, tomei um grande passo. Um não esboçado pelo Dr. Perry, mas que eu sentia que era uma das melhores maneiras de honrar a lembrança de Megan, ou pelo menos fazê-la por ela. E fazer sozinha. Saí da cadeira e fui até o armário, minhas grossas meias sussurrando ao longo do chão. Eu abri a porta e me ajoelhei para afastar os jeans amassados. Com cuidado, coloquei a pilha de livros contra a parede e então me inclinei para dentro. Alcançando cegamente, sabendo que encontrei o que estava procurando o momento em que meus dedos escovaram sobre eles. Com o meu prêmio na mão, sentei-me e olhei para baixo. Minhas joelheiras foram arranhadas pelo deslizamento através do chão do ginásio, mas elas duraram quase quatro anos enquanto eu joguei vôlei. Elas durariam pelo menos mais um ano. Eu tinha visitado o treinador Rogers depois da aula ontem. A temporada terminou, mas ele conheceu as diferentes ligas de recreação que existiam ao longo do ano no município. Uma estava começando em fevereiro, e eu estava planejando ir às provas, o que significava que eu precisava levar meu traseiro de volta ao trabalho, e o treinador me preparou com um plano para que isso acontecesse. Eu não conseguiria uma bolsa de estudos, mas eu pretendia fazer testes em qualquer faculdade que eu aceitasse.


Eu ainda estava esperando pela UVA, e eu ainda tinha um pouco de esperança antes de descobrir se eu tinha conseguido. Amanhã eu iria ao ginásio da escola, e eu de bom grado subiria as arquibancadas com estas joelheiras. E eu faria isso pensando que Megan seria... Ficaria orgulhosa de mim. Mas hoje não terminou. Hoje estava apenas começando. Sentei no Jeep, olhando pelas colinas, sobre os túmulos e os túmulos de pedra. Árvores de lima nuas pontilhadas a paisagem. Um leve pó de neve acariciou o chão. O inverno chegou rápido e duro, espalhando geada sobre a grama e engolindo as estradas. Era dia 19 de dezembro, exatamente quatro meses desde o dia em que tudo mudou. Eu não tinha planejado assim. Chegar ao cemitério hoje foi mais um acidente. Mas agora, enquanto eu me sentava no caloroso Jeep olhando pela janela, eu imaginei que era um pouco apropriado que eu acabei aqui, nesta data. Respirei com dificuldade enquanto olhava cemitério. "Eu encontrei minhas joelheiras hoje."

para

o

"Não posso acreditar que você não possa encontrar nada nesse armário," ele provocou, e um pequeno sorriso abriu meus lábios. "Eu irei com você amanhã." Quando olhei para ele, meu olhar imediatamente se conectou com seus brilhantes olhos azuis. "Você não precisa. Tenho certeza que estar sentado no ginásio ou correr para cima e para baixo nas arquibancadas é a última coisa que você quer fazer."


"Se eu não quisesse fazer isso, eu não me ofereceria," ele voltou. "Além disso, não estarei lá apenas para apoio moral. É muito possível que você caia e se machuque." "Ah, ok." Eu revirei os olhos, meu sorriso se espalhando e depois desaparecendo novamente enquanto eu focava no silencioso túmulo. Eu ainda lutava em aceitar uma oferta de ajuda, porque era isso que Sebastian estava fazendo. Ele estava se oferecendo para estar comigo, para mim, porque sabia que seria difícil, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Assim como sabia que o que eu estava fazendo agora, não seria fácil. E eu não o negaria. Uma das coisas que aprendi foi que quando alguém lhe oferece uma mão, você pega. E às vezes era difícil ver essa oferta ou aceitá-la, mas a vida era mais fácil quando você fazia. "Tudo bem," eu sussurrei. Então o silêncio caiu entre nós. Sebastian curvou a mão sobre o joelho. "Você está pronta para fazer isso?" Arrastando meu olhar da janela, assenti com a cabeça. Ele estava me observando de perto. "Nós não precisamos fazer isso hoje. Podemos voltar -" "Não. Se eu não fizer isso hoje, então continuarei empurrando para o futuro e nunca mais o farei." Pensei em meu pai, nas chamadas telefônicas uma vez por semana que agora tínhamos e nos mantivemos, mesmo quando nenhum de nós tinha nada para dizer um ao outro. Nosso relacionamento era realmente um trabalho em andamento. "Eu tenho que fazer isso."


"Ok." Inclinando-se, ele deslizou sua mão em volta da minha nuca e trouxe minha boca para a dele. O beijo foi doce e breve. Ele puxou para trás. "Você parece bem com o meu boné." Rindo, toquei a gola de malha cinza que eu peguei do quarto dele. Ele estava vestindo um preto. "Mesmo?" "Claro." Ele puxou os lados para baixo, alisando-o. Meu sorriso desapareceu quando meu olhar se moveu para o para-brisa. Inspirei profundamente. Um tremor passou por mim, e voltei a olhar para Sebastian. "Você não está fazendo isso sozinha," ele sussurrou, os olhos ainda estavam dispostos e corpo. "Estou aqui. Abbi e Dary estão aqui." E minhas amigas estavam. Elas estavam no carro atrás de nós, esperando que eu abrisse a porta e saísse. As coisas melhoraram entre mim e Abbi. Nós estávamos saindo de novo, conversando uma com a outra como se fossemos amigas, e eu sabia que, eventualmente, seria como antes. Eu sabia disso em todas as partes do meu ser. Só precisava de um pouco mais de tempo, porque quando eu deixei Abbi, eu realmente a machuquei. Reparar isso definitivamente levará tempo. Assim como lidar com tudo leva tempo. Viver quando outros morreram não era algo que você simplesmente acordaria e já superou, mesmo que às vezes parecia assim. Mesmo quando percebi que eu tinha passado um dia inteiro, ou talvez dois, sem pensar em Megan ou os caras. E às vezes eu ainda me senti culpada por isso. E às vezes eu ainda chorava quando pensava em tudo o que eles tinham que


viver e toda a oportunidade que tinha sido apagada em questão de segundos. Apenas demorava um tempo pra família e amigos concordarem com o fato de que a vida seguia em frente. A vida continuava e você não poderia ser deixado para trás, vivendo em um passado que já não existia. Mas a outra culpa que eu carrego em mim? Isso ainda era um trabalho em andamento, mais difícil de desenredar e muito mais confuso. Trabalhar através da minha parte naquela noite era a única coisa que ia doer por um tempo. Essa era a única coisa que eu teria que tirar de mim mesma. E ia deixar algumas cicatrizes para trás. Mas eu estava aprendendo a viver com a minha parte naquela noite, meu silêncio e eu estávamos aprendendo a viver com o fato de ser uma lição, não apenas para mim, mas para os outros. O passado e o futuro dos meus amigos foram apagados em segundos. O meu também poderia ter sido, e todos aqueles comentários nos artigos de notícias poderiam ter sido sobre mim e, de alguma forma, alguns deles eram. Eu sabia que eu nunca poderia voltar e mudar qualquer coisa naquela noite. Eu só poderia fazer melhor. Eu estava viva - eu ainda estava aqui. Eu sabia que não poderia voltar e começar tudo de novo. Não consegui reescrever o meio. Tudo o que eu poderia fazer era mudar o amanhã, desde que eu tenha um. Engolindo com força, envolvi meus dedos ao redor da maçaneta da porta. O ar frio entrou correndo enquanto abri porta e sai, cruzando os cascalhos debaixo dos meus pés. Olhei para o cemitério, deixando o ar rápido e nevado encher meus pulmões. As portas do carro foram abertas e


fechadas ao meu redor. Pelo canto dos meus olhos, vi Abbi e Dary se aproximando de mim. Um segundo depois, os dedos de Sebastian encontraram os meus, e eu sabia que tomei o primeiro passo e que enquanto o amanhĂŁ nĂŁo era garantido, nunca era certo, haveriam muitas possibilidades.

*****

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Lena Wise sempre está ansiosa com o amanhã, especialmente no início do último ano. Ela está pronta para empacotar suas coisas tanto quanto p...

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