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Kierkegaard não foi de fato exatamente um filósofo. Pelo menos não no sentido acadêmico. E no entanto produziu o que muitas pessoas esperam da filosofia. Ele não escreveu sobre o mundo, mas sobre a vida — sobre como vivemos e como escolhemos viver. Kierkegaard filosofou sobre o que significa estar vivo. Seu tema foi o indivíduo e a sua existência: o “ser existente”. Na visão dele, essa entidade puramente subjetiva está além do alcance da razão, da lógica, dos sistemas filosóficos, da teologia ou mesmo das “pretensões da psicologia”. No entanto, é a fonte de tudo isso. O resultado desse pensamento foi que filósofos, teólogos e psicólogos em algum momento repudiaram Kierkegaard. O ramo da filosofia — ou antifilosofia para muitos puristas — criado por Kierkegaard viria a ser conhecido como existencialismo. Levou algum tempo para o existencialismo pegar. Alguns filósofos, como Nietzsche, Husserl e

01 kierkegaard em 90 minutos paul strathern