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Kierkegaard e Hume concordam que um “dever” não pode decorrer de um “ser”. (Esse procedimento, que tenta incluir a ética na filosofia, é hoje conhecido como falácia naturalista.) Mas a crença de Kierkegaard na superioridade da verdade subjetiva (em relação à verdade objetiva) levou-o a duvidar da visão de Hume sobre a primazia do fato. Corretamente Kierkegaard percebe que mesmos os chamados fatos podem ser determinados por nossa atitude. Em considerável medida, nossos valores determinam os “fatos”. Confrontados com a mesma realidade, o cristão e aquele que busca o prazer podem ver “fatos” diferentes. (Por exemplo, diante de um bordel ou de um retiro religioso.) Dessa forma, cada indivíduo é, em certa medida, o criador do seu próprio mundo. E cria seu mundo em função dos valores que tem. Não é difícil ver nesse pensamento

01 kierkegaard em 90 minutos paul strathern