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se libertar da influência autoritária do pai. Também parece certo que a pia confissão do velho incluiu mais do que meros assuntos teológicos. Ele pode bem ter confessado que cometeu fornicação — dormindo com a empregada (a futura segunda esposa, mãe de Kierkegaard) quando a primeira mulher jazia no leito de morte. Isso ajudaria também a explicar a dramática — ou dramatizada — mudança de comportamento de Kierkegaard (que não era tão dissoluto quanto gostaria que acreditássemos). Mas também se sugeriu que as confissões do pai continham algo mais sério que uma blasfêmia pueril e uma culpa pesada por pecadilhos. Na opinião do crítico Ronald Grimsley, abertas referências nos diários de Kierkegaard indicam que o pai visitou um bordel e contraiu sífilis, que pode mesmo ter sido passada ao filho. O comportamento subseqüente de Kierkegaard certamente não desautoriza essa apavorante possibilidade. Como parte de sua campanha de comportamento dissoluto (que incluía pecados hediondos como beber em cafés de modo desordeiro e percorrer

01 kierkegaard em 90 minutos paul strathern