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apenas metaforicamente. Essa capacidade decorreu diretamente do acompanhamento do pai nas viagens ao redor do quarto. Num nível mais profundo, Kierkegaard pai parece ter querido assoberbar a cabeça do filho e impor-lhe sua própria visão do mundo com antolhos. Pais dominadores sempre gostaram de infligir aos filhos os objetivos que alcançaram (ou, mais comumente, os que não conseguiram alcançar), mas o pai de Kierkegaard era diferente. Ele sentia-se compelido a fazer isso, mas não tinha mais objetivos. Via-se amaldiçoado e chafurdava num desespero total. Era esse desespero forçado que queria, consciente ou inconscientemente, impor ao filho. Nos seus diários, Kierkegaard pai contaria mais tarde de maneira penetrante a história de um homem que olhava o filho certo dia e lhe disse: “Pobre criança,

01 kierkegaard em 90 minutos paul strathern