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Sala dos Oceanos

Histórias da Sala dos Oceanos

“Ser criança é algo muito especial, cresçam felizes nunca esquecendo aqueles que vos ajudaram a rumar a um futuro de sonhos, de alegrias, de sucesso…” A vossa professora e amiga Ana Leite

EB de Santa Luzia 4ºC 2011/2012


Sala dos Oceanos

E

sta história fala-nos de um peixinho muito bonito, chamado Rafa. Vivia no oceano Atlântico com a sua família, a sua espécie era

peixe-palhaço. Ele era o mais rápido da sua cidade. Participava em todas as corridas e ganhava sempre. Na sua terra havia o maior tesouro de todos os oceanos. Lá todos eram simpáticos. Certo dia, um pescador, levou o Rafa para um local desconhecido, como ele era muito medroso ficou apavorado. Quando o peixito estava na rede caiu-lhe uma coisa. O pescador foi lá ver e era uma bela pérola. Sem o pescador contar, o Rafa começou a falar. Disse-lhe que a pérola era a chave de um tesouro inimaginável. Nisto o peixito saltou da rede e pediu para o seguir. O pescador atónito, lá foi atrás dele. Quando os peixinhos viram o homem assustaram-se por ver um humano no seu habitat natural.


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Os peixinhos assustados perguntaram ao Rafa: - Quem é esse humano que trazes para a nossa cidade? O Rafa explicou-lhes pausadamente: - Este senhor chama-se Rui, e é meu amigo. Deixou-me sair da rede, quando eu lá caí. Como sinal de gratidão vou mostrar-lhe o nosso tesouro. -Rui, vou apresentar-te os meus amigos-disse carinhosamente o Rafa. -O Manel é o nosso polvo, e é irmão da Ana, o Pedro é a nossa sardinha, tem sete irmãos são quatro fêmeas e três machos. A Paula é uma faneca e o irmão chama-se Ricardo... O maior tesouro da nossa querida Atlântida é a amizade que nos une. Vamos mostrar ao Rui como somos todos amigos verdadeiros e nos ajudamos mutuamente. Os nossos maiores inimigos são os tubarões e as enormes e antipáticas baleias.


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Quando as avistámos damos o alarme com as barbatanas,

fazendo

assim:Choc,

choc,

choc.Rapidamente seguimos para o nosso esconderijo e lá ficamos até ter certeza que estamos a salvo. Este abrigo é o local onde vive o peixepalhaço. Sempre que os inimigos se aproximam, os peixinhos fogem para lá o mais rapidamente possível. Certo dia, um barco ficou atracado no fundo do mar. Nesse barco havia um tesouro incalculável. Era ouro e mais ouro... Quando o pescador viu aquilo ficou de boca aberta! Ele adorou ter conhecido o peixito e os seus amiguinhos. Mas o melhor e mais verdadeiro foi poder constatar o quanto a amizade deles era valiosa e verdadeira, talvez mais valiosa que todo aquele tesouro! Ficaram amigos para a vida, a partir daquele dia fantástico, o Rui passou a fazer-lhes visitas periódicas. Um dia tiveram de se mudar porque foram atacados pelos tubarões.


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Quando o pescador os foi visitar não os encontrou no mesmo sítio. Mas o seu amigo Rafa deixou-lhe várias pistas no caminho, se ele as seguisse encontraria com toda a certeza o seu novo habitat. A primeira pista encontrava-se onde outrora fora a casa do Rafa. Era um coral vermelho marcado com uma seta que apontava para sul, para a gruta dos cristais de esmeralda. Depois a outra pista eram conchas do mar que conduziram o pescador para uma vila chamada Vila Nova. Aquele lugar era um encanto. No número 125 paravam as conchas.


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O Rui bateu à porta e perguntou: -Está alguém em casa? Ninguém respondeu. Quando olhou em redor viu o seu amiguinho Rafa. -Olá Rafa-gritou o pescador. -Olá Rui!-exclamou o peixito. -Estou a jogar à bola-disse Rafa. Logo de seguida o Rafa apresentou-lhe os seus novos amigos: Simão, Marco, Tiago e Nuno. -É este é o meu amigo Rui que pescava na antiga cidade- disse Rafa -Olá, é um prazer conhecer-vos-afirmou Rui. De repente aparece uma tartaruga. A tartaruga baloiçava ao ritmo das ondas e dirigindo-se a eles, exclamou em voz alta: -Venham, venham! Mesmo aqui perto avistei uma sereia. Então os amigos seguiram a tartaruga e à medida que se aproximavam começaram a ouvir um canto suave.


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Ao seguirem o rasto da música, depressa chegaram a um coral onde avistaram uma sereia a cantar e a tocar harpa. A sereia com os seus longos cabelos dourados era sem dúvida a mais bela dos oceanos. Os amigos dirigiram-se à sereia e o Rui, foi sem dúvida amor à primeira vista, estava realmente apaixonado. -Oh que bela que tu és!-exclamou. -Olá, eu sou a sereia Ana Maria e é um privilégio conhecer-vos. Há muito tempo fui abandonada pelos meus pais e vivo sozinha neste belo coral. -Acompanhem-me-disse a sereia. Os peixinhos e o Rui entraram no seu coral que mais parecia um magnífico palácio. Aquele coral era realmente o palácio da sereia, onde ela esperava há muito tempo o seu príncipe encantado. De repente ouviu-se um estrondoso barulho, olharam para trás e viram um cardume liderado por um lindo peixe.


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A sereia quando o viu ficou encantada e logo de seguida perguntou-lhe como se chamava. Ele disse que o seu nome era João e logo lhes apresentou todos. Os seus melhores amigos eram o André e a Ariana. Como todos estavam entretidos apareceu uma enorme baleia e...engoliu-os de uma só vez! Já dentro da barriga da baleia, estavam todos muito assustados, até que o André sugeriu que se acalmassem e cantassem uma canção. A Ariana entusiasmada começou a dançar. Por momentos todos se esqueceram onde estavam. Então a sereia Ana Maria, como era a mais responsável de todos percebeu logo que estavam em grande dificuldade e se não saíssem dali poderiam morrer. Pensava o que fazer para fugir mas estava na enorme barriga da baleia que tinha grandes canais e paredes muito espessas. Cada vez se sentiam mais sufocados. Foi quando constatou que se os peixinhos cantassem o animal tinha reações estranhas. Convocou todos os seus amigos para lhes explicar a sua ideia. O plano consistia em cantarem o mais alto possível.


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Todos obedeceram e cantaram tão alto até que sentiram que estavam a ser puxados. Momentos depois estavam a sair tipo jato pelo espirro da baleia. Nem acreditavam que estavam livres, o problema é que estavam muito longe de casa. Então saíram do espirro da baleia. Os peixinhos e o Rui foram para casa e brincaram, de repente viram uma menina a chorar. O Rui apressou-se em perguntar o que se passava. Ela disse que estava a chorar porque ninguém queria brincar com ela. -Ups! Desculpa por não me apresentarexclamou o Rui. -Eu chamo-me Rui-disse o pescador. -Então estás a chorar porque ninguém brinca contigo?-continuou o Rui. -Sim, ninguém brinca comigo-respondeu a menina toda envergonhada. - Mas porquê?-perguntou o pescador muito curioso. - Porque eu uso óculos e eles não. E como acham que tenho piada chamam-me nomes. - Já agora, como te chamas?-perguntou o pescador.


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- Eu chamo-me Ana Catarina e sou do quarto ano-respondeu a menina. -Mas quem são aqueles que estão atrás de ti?continuou a Ana cheia de curiosidade. - São os meus amigos, acompanha-nos até casa- disse o Rui. Pelo caminho viu um coral e perguntou ao Rafa quem lá morava. O Rafa respondeu: - É a sereia Ana Maria. Conversando,

concordaram

que

a

Ana

Catarina dormiria lá em casa. Quando acordou ouviu tocar a campainha. Abriu a porta, e logo viu que era a sua irmã. - Que saudades Maria-disse a Ana já com a lágrima no olho. - Posso entrar?-perguntou a Maria. - Esta é a minha mana -disse a Ana. O Rafa então, ao desvendar, o grande tesouro, que havia na Atlântida perguntou: - Vamos todos ver o coral?


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Mas a Maria desviou-se e perdeu-se de todos. Muito assustada, Ana Catarina, foi procurála. Rafa quando se apercebeu do dia que era, foi em seu auxílio e lá estavam elas em perigo, frente a frente com os enormes e esfomeados tubarões. Então ele e os amigos, conseguiram, para que as manas se conseguissem esconder, entreter os bichos. Quando se encontraram mais tarde, e já a salvo, a Ana Catarina agradeceu ao Rafa e a todos: -Muito obrigada pelo que fizeram por nós, afinal o vosso tesouro não é o coral, mas sim a grande amizade que vos mantem fortes e unidos. O Rafa respondeu: - Os amigos são para isso mesmo, ajudar os outros quando eles mais precisam de nós. De seguida perguntou-lhe: - E não queres ir com a tua irmã ver o coral, conforme tínhamos combinado?


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- Vamos sim mas desta vez não me afasto de vós-disse a Maria. Então, seguiram todos em direção a uma gruta acolhedora, mas quando lá chegaram, estava um imponente cavalo-marinho a impedir a passagem. O Rui decidiu entretê-lo e assim o Rafa e todos os outros aproveitaram a ocasião e entraram na gruta. Ficaram realmente surpreendidos com aquilo que viram! De boca aberta a Maria disse que tinha visto ouro na gruta. O Rafa perguntou: - O que foi? - Vi ouro na gruta-respondeu a pequena Maria. O Rafa foi até lá e os outros foram atrás. Todos ficaram contentes, mas logo ali apareceu um horrível tubarão negro. Ficaram com tanto medo, que fugiram dali a sete pés. A sereia Ana Maria sugeriu: - Venham para a minha casa, tomaremos um chá de tília para acalmar.


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Todos aceitaram. Tomaram o chá comeram umas bolachinhas de limão e dormiram a sesta. Quando acordaram, os peixitos, decidiram organizar o cardume e regressar à gruta para ver o ouro. Rui, o pescador, teve então uma ideia brilhante. -E se nós fossemos todos disfarçados com as nossas fantasias de Carnaval? - Eu com a minha espada mato logo o tubarão-disse prontamente o Rui. Ficaram todos entusiasmados e partiram para a gruta. Quando entraram lá, não viram ninguém, até que de repente o tubarão apareceu vindo do nada. Rui, com a sua espada e Marco, disfarçado de Diabo, enfrentaram o tubarão. Os peixitos nem queriam acreditar ao verem o tubarão a recuar nos seus movimentos. - Por favor não me façam mal -suplicou o tubarão. Os peixitos ao verem tal situação começaram todos a avançar na direção dele.


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- Mas, mas tu é que nos queres comer, não é?perguntaram em coro os peixitos. - Comer? Não, eu quero apenas proteger esta gruta valiosa dos malfeitores. Apesar do meu aspeto robusto e assustador, eu não vos quero fazer mal. Começaram todos a conversar e chegaram à conclusão que quem via caras não via corações e na comunidade oceanária todos precisavam uns dos outros. Quanto ao ouro dialogaram sobre o destino que deveria ter tamanha fortuna, poderia reverter

para

as

comunidades

mais

desfavorecidas. Um dia os peixitos e o pescador pegaram no ouro e procuraram os peixitos que não tinham casa nem comida e ofereceram-lhes uma parte do tesouro. Eles muito emocionados, nem sabiam como lhes agradecer, com lágrimas nos olhos e com os seus filhos ao colo ficaram gratos do fundo do coração. Os peixitos ficaram amigos deles para sempre. A partir daí eles tiveram uma vida melhor.


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O Rui disse: Nesta vida não interessam os bens materiais. O que importa realmente é sermos solidários e ajudar as pessoas que mais precisam. Quando os peixitos e o pescador foram visitar o tubarão aconselharam-no a não assustar mais ninguém porque assim teria mais amigos. Mas o tubarão não lhe deu ouvidos e continuou a fazer maldades aos outros peixitos. Mas um belo dia o tubarão apercebeu-se que estava sozinho, não tinha ninguém para brincar, nem para falar com ele. Então foi ter com o pescador Rui para ele o ajudar a fazer amigos, pois sentia-se muito só. O pescador já o tinha aconselhado a não assustar ninguém, tinha perdido todos os amigos. O Rui disse-lhe para ir falar com todos os peixitos e pedir-lhes desculpas. O tubarão assim fez, os peixitos não queriam nada com ele porque tinham-lhe muito medo.O Rui mais uma vez deu provas de uma amizade fantástica, ajudando o Tubarão a convencer todos a dar-lhe uma segunda oportunidade.

Realmente o tubarão conseguiu ser melhor e amigo de todos, percebeu que a amizade é o tesouro mais valioso que alguém pode ter.

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