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AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

BRASIL

ISSN 1414-2341

DILMA COMPLETA SEIS MESES DE GOVERNO, DESCOLA DA IMAGEM DE LULA E BUSCA IMPRIMIR SUA MARCA

No 401 JUL./2011 R$ 10,00

Nº 401 Julho/2011

Com aumento nas vendas, PETROBRAS se mantém como a maior da AL

www.americaeconomiabrasil.com.br

500 MAIORES

AméricaEconomia

EMPRESAS DA AMÉRICA

Os bons resultados de 2010 levam brasileiras a ganhar espaço entre as mais bem colocadas no ranking AE 401 capa V1.indd 1

LATINA

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Empresas com estratégias de negócios sustentáveis fazem a economia crescer.

s e Equipamen ina to u s áq

BNDES Exim

R$ 71.645.000,00 BNDES Exim

R$ 477.902.824,00 Oferta Pública de Ações

BNDES Exim

R$ 110.000.000,00 Soluções de Giro

eo

q uí m i c o etro P e

US$ 140,430,000.00 Pre-Export Finance

R$ 85.000.000,00 Soluções de Giro

ól

R$ 60.000.000,00 Soluções de Giro

BNDES Exim

US$ 95,453,204.45 Short Term Trade Finance

US$ 40,934,000.00 Import Finance

R$ 40.000.000,00 BNDES Exim

Pe tr

Conheça alguns dos principais negócios realizados pelo Banco do Brasil em 2010.

M

e Siderurgia ção a r ne Mi

ivo mot o t Au

US$ 750,000,000.00 Senior Unsecured Notes due 2020

R$ 1.400.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 47.884.800,00 BNDES Finame

R$ 75.000.000,00 Debêntures

R$ 57.000.000,00 BNDES Exim

R$ 70.000.000,00 Debêntures

US$ 25,000,000.00 BNDES Exim

US$ 100,000,000.00 Prestação de Garantias

US$ 1,000,000,000.00 CSN Resources Eurobonds

US$ 28,600,000.00 BNDES Exim

R$ 1.030.000.000,00 Debêntures

US$ 390,000,000.00 Pre-Export Finance

US$ 109,680,000.00 Pre-Export Finance

US$ 725,000,000.00 Pre-Export Finance

US$ 350,000,000.00 Soluções de Giro

R$ 1.000.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 123,802,930.38 Short Term Trade Finance

R$ 2.000.000.000,00 Long Term Export Finance

R$ 200.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 1,750,000,000.00 Bonds Co-manager

R$ 125.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 87.692.600,00 BNDES Exim

US$ 55,000,000.00 BNDES Exim

R$ 143.310.732,24 Soluções de Giro

R$ 50.000.000,00 Procap Agro

US$ 122,000,000.00 Forfait

R$ 110.000.000,00 BNDES Finem

US$ 50,000,000.00 Pre-Export Finance

US$ 115,200,000.00 Pre-Export Finance

R$ 120.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 250.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 157,661,613.00 Pre-Export Finance

US$ 159,700,000.00 Pre-Export Finance

R$ 100.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 48.400.000,00 BNDES Rural

R$ 250.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 30.000.000,00 EGF

R$ 38.400.000,00 Custeio Aquisição de Insumos para Cooperados

R$ 130.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 31.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 81.772.057,00 Soluções de Giro

R$ 200.000.000,00 BNDES Procer

R$ 50.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 600.000.000,00 BNDES Finem

R$ 1.600.000.000,00 Oferta Pública de Ações

R$ 90.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 500.000.000,00 BNDES Rural

R$ 80.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 67,169,191.21 Finimp

R$ 32.000.000,00 EGF

US$ 25,000,000.00 Working Capital

R$ 590.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 250.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 93.186.825,41 Projeto de Investimentos – FCO

R$ 220.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 265.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 100.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 21,000,000.00 Forfait

R$ 70.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 46.300.000,00 Soluções de Giro

R$ 30.000.000,00 BNDES PEC

R$ 270.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 135.000.000,00 Debêntures

R$ 422.209.760,00 Soluções de Giro

US$ 105,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 350.000.000,00 FIDC US$ 162,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 1.000.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 230.000.000,00 Crédito Agroindustrial

US$ 48,000,000.00 Soluções de Giro

R$ 50.000.000,00 BNDES Rural

o

US$ 350,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 363.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 49.897.647,20 BNDES Finame

ta cadis Ata e ta jis e r Va

Co m ér ci

Ag ro ne g

s io óc

US$ 100,000,000.00 Trade Finance

R$ 600.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 654.000.000,00 Oferta Pública de Ações

US$ 30,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 30.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 190,000,000.00 Soluções de Giro

SAC 0800 729 0722 – Ouvidoria BB 0800 729 5678 Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088 ou acesse bb.com.br/corporate

R$ 130.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 1,040,000,000.00 Export Prepayment Joint Lead Arranger

Material de caráter meramente informativo. Operações realizadas em 2010.

Pre-Export Finance

R$ 144.610.590,41 Soluções de Giro

R$ 65.635.819,00 Prestação de Fiança

R$ 120.250.000.000,00 Distribuição Primária de Ações


Empresas com estratégias de negócios sustentáveis fazem a economia crescer.

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BNDES Exim

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BNDES Exim

R$ 110.000.000,00 Soluções de Giro

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US$ 140,430,000.00 Pre-Export Finance

R$ 85.000.000,00 Soluções de Giro

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R$ 60.000.000,00 Soluções de Giro

BNDES Exim

US$ 95,453,204.45 Short Term Trade Finance

US$ 40,934,000.00 Import Finance

R$ 40.000.000,00 BNDES Exim

Pe tr

Conheça alguns dos principais negócios realizados pelo Banco do Brasil em 2010.

M

e Siderurgia ção a r ne Mi

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US$ 750,000,000.00 Senior Unsecured Notes due 2020

R$ 1.400.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 47.884.800,00 BNDES Finame

R$ 75.000.000,00 Debêntures

R$ 57.000.000,00 BNDES Exim

R$ 70.000.000,00 Debêntures

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US$ 100,000,000.00 Prestação de Garantias

US$ 1,000,000,000.00 CSN Resources Eurobonds

US$ 28,600,000.00 BNDES Exim

R$ 1.030.000.000,00 Debêntures

US$ 390,000,000.00 Pre-Export Finance

US$ 109,680,000.00 Pre-Export Finance

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US$ 350,000,000.00 Soluções de Giro

R$ 1.000.000.000,00 Soluções de Giro

US$ 123,802,930.38 Short Term Trade Finance

R$ 2.000.000.000,00 Long Term Export Finance

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US$ 1,750,000,000.00 Bonds Co-manager

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R$ 87.692.600,00 BNDES Exim

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R$ 120.000.000,00 Soluções de Giro

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US$ 157,661,613.00 Pre-Export Finance

US$ 159,700,000.00 Pre-Export Finance

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R$ 500.000.000,00 BNDES Rural

R$ 80.000.000,00 Soluções de Giro

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R$ 32.000.000,00 EGF

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R$ 250.000.000,00 Soluções de Giro

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R$ 265.000.000,00 Soluções de Giro

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R$ 70.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 46.300.000,00 Soluções de Giro

R$ 30.000.000,00 BNDES PEC

R$ 270.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 135.000.000,00 Debêntures

R$ 422.209.760,00 Soluções de Giro

US$ 105,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 350.000.000,00 FIDC US$ 162,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 1.000.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 230.000.000,00 Crédito Agroindustrial

US$ 48,000,000.00 Soluções de Giro

R$ 50.000.000,00 BNDES Rural

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US$ 350,000,000.00 Pre-Export Finance

R$ 363.000.000,00 Soluções de Giro

R$ 49.897.647,20 BNDES Finame

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R$ 600.000.000,00 Soluções de Giro

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Material de caráter meramente informativo. Operações realizadas em 2010.

Pre-Export Finance

R$ 144.610.590,41 Soluções de Giro

R$ 65.635.819,00 Prestação de Fiança

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Job: 262556 -- Empresa: Burti -- Arquivo: 262556-20406-SOBMEDIDA-SEQUENCIAL-40X266-JOB-070.401.11_pag001.pdf

Registro: 32921 -- Data: 17:48:28 20/06/2011


Job: 262556 -- Empresa: Burti -- Arquivo: 262556-20406-SOBMEDIDA-SEQUENCIAL-40X266-JOB-070.401.11_pag001.pdf

Registro: 32921 -- Data: 17:48:28 20/06/2011


Job: 262556 -- Empresa: Burti -- Arquivo: 262556-20405-SOBMEDIDA-SEQUENCIAL-20X266-JOB-070.401.11_pag001.pdf

Registro: 32926 -- Data: 17:51:06 20/06/2011


nesta edição Seções

Fotos: 1 - Marcello Casal/ABR; 2 - Agência Petrobras

12 18 20 22 24 26 52 108

38 42

Portal Cartas/Índice de Empresas Pistas

57

Negócio Fechado Opinião – Luiz Fernando Furlan Movimentos

ESPECIAL 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA Brasileira Petrobras é a primeira do ranking pelo segundo ano consecutivo

Opinião – Caio Megale Opinião – Mac Margolis

Fórum Multilatinas Celebração dos 25 anos de AméricaEconomia Instituto Rolling Stone Música como forma de inclusão social

Negócios

44

Caminhões Bom momento para o setor 1

48 Debates

48 54

Seis meses de Dilma Troca ministerial e choque com o Congresso Sucessão no Peru Campanha permanente de Humala

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Março, 2011 AméricaEconomia 35

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portal

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Teledensidade Em 17 estados já há mais de uma linha de celular habilitada por pessoa. Segundo o último levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o país tem 110,5 linhas para cada 100 habitantes. O Distrito Federal lidera, com 188,5 linhas para cada 100 pessoas. Depois aparecem São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Rio Grande do Sul, Rondônia, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco, Espírito Santo, Tocantins, Rio Grande do Norte, Amapá, Sergipe e Minas Gerais. O Brasil, conforme publicado pelo site de AméricaEconomia, chegou a maio com cerca de 2,5 milhões de novas habilitações no mês – 1,16% a mais que em abril. Os pré-pagos representam 81,96% e os pós-pagos, 18,04%. A Vivo tem 29,48% do mercado, seguida por Claro (25,46%), TIM (25,34%), Oi (19,38%), CTBC (0,3%), Sercomtel (0,04%) e Unicel (0,001%).

Siga o site da AméricaEconomia no Twitter: twitter.com/AEBrasil

LEIA NO PORTAL Medicamento popular O boom das novas classes C e D impulsionou o setor farmacêutico, que projeta crescer 10% neste ano. Isso porque, proporcionalmente, esse público compra mais esse tipo de produto. Segundo a Federação Brasileira das Redes Associativas de Farmácias (Febrafar), as classes D e E (32% da população) respodem por 5% do consumo geral e 10% de medicamentos. A classe C (53% da população) tem consumo geral de 30% e de 42% com medicamentos. Já as classes A e B (15% da população) representam 65% do consumo geral e 48% de medicamentos.

Alimentos mais caros Os preços das commodities agrícolas vão subir até 2020, puxados pelo aumento do consumo, dos custos de produção e da menor produtividade rural, concluiu o relatório Perspectivas Agrícolas 2011-2020, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A América Latina deve se beneficiar da queda da produção na Europa e dos aumentos reduzidos nos Estados Unidos. Os preços de grãos, como milho, aumentarão 20%, e de carne bovina e aves, 30%.

A forte recuperação econômica da América Latina e do Caribe em 2010 reduziu a taxa de desemprego na região ao nível mais baixo dos últimos 20 anos: 7,3% no primeiro trimestre de 2011, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). As políticas contra a crise internacional de 2008/2009 diminuíram a vulnerabilidade e reativaram as economias. Neste ano, apesar da recuperação mais lenta, a taxa deve ficar entre 6,7% e 7%. Mesmo assim, ainda há 16,1 milhões de desempregados na região.

Foto: Shutterstock

Ocupação na AL e Caribe

12 AméricaEconomia Julho, 2011

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Mais do que encomendas a gente entrega histórias. Só os Correios aproximam pessoas em mais de 5.500 municípios. São 35 milhões de objetos todos os dias. Ad SEDEX reconciliacao 400x266.indd 1

Só SEDEX é SEDEX. 6/20/11 4:42 PM


Mais do que encomendas a gente entrega histórias. Só os Correios aproximam pessoas em mais de 5.500 municípios. São 35 milhões de objetos todos os dias. Ad SEDEX reconciliacao 400x266.indd 1

Só SEDEX é SEDEX. 6/20/11 4:42 PM


carta ao leitor

Brasil: o país do presente

H

á sete décadas ouvimos que “o Brasil é o país do futuro”. Mais precisamente, desde 1941, quando o austríaco Stefan Zweig, à época

maravilhado com a América do Sul, publicou um livro com este título. A frase se tornou célebre e, de certa forma, encheu de esperança um povo que

BRASIL www.americaeconomiabrasil.com.br

teve de superar as sucessivas crises econômicas e conviver com um cenário de profunda desigualdade social. Acreditar que o país chegaria lá talvez não tenha sido muito difícil para

PUBLISHER José Roberto Maluf CONTEÚDO Diretora de Redação: Tatiana Engelbrecht Editora Executiva: Paula Pacheco Diretora de Arte/Projeto Gráfico: Janaína Diniz Repórter: Graziele Dal-Bó Editora do Site: Adriana Chaves Revisão: Assertiva Produções Editoriais Produção Gráfica: Eduardo Keppler Colaboradores: Paulo James Woodward (assistente de arte), Francisco Lobo (infografia) e Vértice Translate (tradução) COMERCIALIZAÇÃO Diretor Comercial: Eduardo Colturato – eduardo.colturato@springcom.com.br Executivos de Contas: Nagibe José Adaime – nagibe@springcom.com.br Samantha Martinez – samantha@springcom.com.br Simone Oliveira – simone@springcom.com.br

um povo que, segundo recente pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), é “recordista mundial em felicidade futura”. Ao que tudo indica, finalmente, o Brasil deixou de ser uma promessa e conquistou seu espaço entre as grandes potências mundiais. Há muito por fazer, mas os avanços são inegáveis. A 21ª edição do ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina, elaborado por AméricaEconomia Intelligence, não deixa dúvidas de que o Brasil é a grande estrela latino-americana desta década. Com desempenho invejável, a Petrobras se mantém no topo do pódio pelo segundo ano consecutivo, seguida pelas petroleiras Pemex (México) e PDVSA (Venezuela). Na quarta posição, está outro expoente nacional, a Vale, que promete incomodar as gigantes dos hidrocarbonetos nos próximos anos. Outro destaque do ranking é o Grupo Pão de Açúcar, que ficou com a liderança no setor varejista. Os tempos estão movimentados para o grupo, e não é só pelos bons resultados. A empresa dominou o noticiário econômico

MARKETING Marcia Leonardi e Elisangela Goto

nas últimas semanas por conta da provável fusão com o Carrefour, apesar

ADMINISTRATIVO/FINANCEIRO Diretor Executivo: Eduardo Colturato Gerente Financeiro: Edison Arduino

Em meio à polêmica, o BNDES, que deve injetar cerca de R$ 4 bilhões na

CIRCULAÇÃO Rafael Borsanelli e Fatima Oliveira Pré-impressão: First Press Periodicidade: Mensal (Julho de 2011) CTP, impressão e acabamento: IBEP Gráfica Circulação auditada por: SPRING EDITORA-PRODUTORA Rua Ferreira de Araújo, 202, 7o andar – CEP: 05428-000 São Paulo/SP – Tel.: 11 3097-7666 Site: www.springcom.com.br E-mail: contato@springcom.com.br AMÉRICAECONOMÍA INTERNACIONAL Diretor: Elias Selman Carranza Vice-presidente Executiva: Gloria Landabur C. Diretor Editorial: Felipe Aldunate M. Editores: Fernando Chevarría (Lima), Juan Pablo Rioseco e Carlos Tromben (Santiago), Karen Correa e Pamela Velasco (Guaiaquil) Diretor de Arte: Álvaro Araya Urquiza Editor de Fotografia: Miguel Candia Chefe de Operações: Matías Agurto AMÉRICAECONOMÍA INTELLIGENCE (Estudos e Projetos Especiais) Diretor: Jaime Contreras Soria Pesquisador Sênior: Andrés Almeida Analista: Catherine Lacourt e Rodrigo Dorn AMÉRICAECONOMIA.COM Diretor de Estratégia Digital: Rodrigo Guaiquil Editor: Lino Solis de Ovando ESCRITÓRIOS Buenos Aires: +5411 4383-8410 Cidade do México: +5255 5254-2400 Costa Rica: +506 225-6861 Lima: +511 610-7272 Miami: +305 648-9071 Panamá: +507 271-5327 Santiago: +562 290-9400 Uruguai: +5982 901-9052 Chairman: Robert R. Paradise

do descontentamento do Casino, sócio francês da empresa de Abilio Diniz. transação, e o próprio governo se declararam favoráveis à fusão. Foi o mesmo que jogar gasolina para tentar conter um incêndio. O mercado entrou em polvorosa. E a pergunta que não quer calar é: quais benefícios o povo brasileiro terá com a injeção de dinheiro público em um negócio como este? Apesar do crescimento de 27% nas vendas das empresas nacionais listadas entre as 500, nem tudo são flores para o Brasil. O país perdeu três empresas na lista, passando de 226 na edição de 2010 para 223 nesta. É a primeira vez, desde 1999, que este número não cresce de um ano para o outro. Suficiente para acender o alerta amarelo? Só o tempo dirá. Nesta edição especial de AméricaEconomia, que traça um panorama completo do mundo dos negócios na América Latina, você confere ainda as 100 maiores companhias brasileiras, as mais endividadas da região, as que mais subiram, as mais lucrativas, as maiores estatais e privadas, o número de empresas por setor, além de análises exclusivas dos dados. Aproveite a leitura. José Roberto Maluf ASSINATURAS Central de Atendimento Tel.: 55 11 3512-9492, de 2a a 6a feira, das 9h às 18h. Site: www.assineamericaeconomia.com.br. Atendimento: www. assineamericaeconomia.com.br/faleconosco. Cartas: Rua Ferreira de Araújo, 202 – 12o andar – CEP 05428-000 – São Paulo/SP Valores de assinatura: Por 1 ano: R$ 96,00 / Por 2 anos: R$ 170,90 Pagos em até 5x no cartão de crédito ou em até 3x no boleto bancário (preço válido para as vendas realizadas pela Central de Atendimento e pelo website da revista). Exemplares anteriores: solicite diretamente ao jornaleiro. Em caso de descontinuação da publicação, a Spring Editora-Produtora LTDA. garante aos assinantes desta publicação a restituição, em reais, da parte do valor já pago correspondente aos exemplares não entregues, devidamente corrigida monetariamente. Ao fazer sua assinatura, exija a credencial do vendedor e pague sempre com cheque nominal, mediante recebimento da primeira via de nosso pedido de assinatura.

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cartas

índice de empresas Os números referem-se à primeira vez em que as empresas são citadas em cada reportagem. Não inclui as empresas listadas no ranking.

QUEM CONTROLA OS CONTROLADORES? É possível confiar em uma única empresa que pode aprovar ou reprovar um carro para circular em São Paulo? É justo somente os carros registrados na cidade serem sujeitos a essa verificação, já que a cidade recebe veículos de outros locais? Em 12 de março de 2011, fui a um centro de inspeção da Controlar, dois meses depois da revisão do meu carro. Fui informado pelo técnico de que meu veículo não estava aprovado. Minha reação foi de revolta com a concessionária que tinha feito a revisão. Fui lá e, após a reclamação de que tinha sido reprovado no teste, foi feito um novo orçamento para reparos. Resultado: uma conta de R$ 1 mil. Se morasse na Grande São Paulo, dirigiria pela capital da mesma forma. Na segunda inspeção, fui aprovado. Por curiosidade, comparei os resultados nos comprovantes, para ver se o dinheiro havia sido bem empregado. Minha surpresa foi maior do que na reprovação, não só porque o conserto havia reduzido para menos da metade a opacidade (0,46 m-1), como também porque meu carro seria aprovado na primeira inspeção, se o valor de referência estivesse certo. Gostaria de alertar a todos que se informem corretamente sobre os valores limites para seus carros antes de ir à inspeção. Se forem reprovados, verifiquem se os valores indicados como limite estão corretos, já que não é possível discutir os valores medidos e muito menos os padrões de vistoria visual. Esperamos que os técnicos não confundam uma sujeira no carro ou no espelho com algum real problema, pois aí entraríamos numa discussão subjetiva. Queria sugerir que a revista AméricaEconomia abordasse temas como este. P.R.A. – SÃO PAULO (SP)

Fale com a redação: Envie sugestões e comentários para a revista AméricaEconomia Brasil:

americaeconomia@springcom.com.br

Abengoa 22 Accenture 82 Accor 28 Acinplas 87 Aeroméxico 89 Allaria Ledesma 85 Ambev 92, 95 Amgen Brasil 22 Añaños 95 Antofagasta Minerals69 Ashmore 73 Backus 94 Bain & Company 82 Banco do Chile 103 Banco Fator 65, 98 Barrick Gold 69 BMW 105 Bourbon 29 Brasil Foods 30 Braskem 73, 87 BSH Internacional 28 Bunge 108 Cargill 20 Carrefour 76 Casas Bahia 74, 77 Casino 76 Cemex 106, 108 Cemig 22 Cencosud 74 Charles River 62 Chedraui 74 Chesf 100 Chevron 62 Cisco 81 Claro 12 Coca-cola 92 Codelco 69 Comercial Mexicana 74 Consulting House 26 Corpbanca 102 CTBC 12 CTEEP 100 Cuauhtémoc Moc. 92 Deloitte 74, 78, 85, 95 Economatica 77 Eletrobras 103 Embraer 108 Enel 102 Eni 65 EOG Resources 63 EPE 96 EPR 100 Ernst & Young Terco 71 Etesa 100

Euromonitor 92 Eurotrans 45 ExxonMobil 63 ExxonMobil 65 Falabella 74 Femsa 74, 92 Femsa 92 FGV-EAESP 78 FIF-FGTS 73 Ford 45 Furnas Centrais Elét.100 Gávea 22, 73 GE 20 Geração Futuro 65, 84 Grupo Bimbo 108 Grupo Modelo 93 Heineken 92 Hidroysén 102 Holcim Apasco 106 HRT 31 HSBC Securities 75 Hypermarcas 22 Hyundai 44 IBM 20 IDC 80 Idesa 87 IE Madeira 100 Infosel 106 Intellichem 86 InterBolsa 101 ISA 100 Iveco 45 Ixe 107 JAC 44 Johnson&Johnson 87 Jorge A. & Arbe 95 JP Morgan 92 Kinea 22 La Polar 74 Lafis 98 LAN 89 Lanxes 87 Lide 30 Louis Dreyfus 22 Macrofértil 22 Magazine Luiza 20, 78 MAN 45 Maximixe 95 MaxiQuim 87 Mexicana 89 Natura 87 Nexans 100 Nissan 104 Odebrecht 72

OGX 63 Oi 12, 82 P&G 87 Pão de Açúcar 74, 76 PDVSA 62 Perdigão 30 Petrobras 63,64, 73 Petroquímica Suape 86 Petrostategies 63 Ponto Frio 77 Portugal Telecom 82 Puerto de Liverpool 74 PwC Brasil 71, 85 PwC Chile 68 Redca 100 Repsol Sinope 65 Repsol-YPF 62,87 Rinker 106 SABMiller 94 Sadia 30 SAG 22 Santander Invest. 93 Santander 84 Scania 46 Sercomtel 12 Shiseido 87 Signals Telecom 81 Sinotruk 44 SLW 71 Smart Life 31 Soriana 74 Southern Copper 69 Statoil 65 Suzuki 20 TAM 89 Tarpon 73 Telefónica Internac. 81 Temasek 73 Tetra Pak 87 TIM 12 Total Gas y Elec. 63 Total 62 Toyota 87 Trabalhando.com 27 Tsusho 87 UBS 85 Unicel 12 Unidas 22 Usiminas 84 Vale 70 Vinci 22 Vivo 12 Volvo 47

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pistas

Preço do etanol cede na safra PUBLICAMOS • Mesmo com tantas questões em jogo, o temor geral é de que a entrada da nova safra de cana-de-açúcar acalme o mercado e esfrie a discussão sobre o futuro desse setor. Seria, como afirma o ex-ministro Roberto Rodrigues, um terrível desperdício. (“O Etanol em Xeque”, AméricaEconomia, no 399, maio 2011)

O NOVO • Com o início da safra de cana-de-açúcar, o preço do etanol na bomba começou a recuar. Os valores médios do etanol hidratado caíram nos postos de 21 estados, na segunda semana de junho, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A queda semanal média nos postos brasileiros foi de 1,34%, para R$ 1,913 o litro, ou 69,06% dos R$ 2,77 cobrados pelo litro da gasolina no país. Em 30 dias, a queda acumulada do etanol, na média brasileira, chegou a 13,98%.

Magazine Luiza tem sucesso no IPO PUBLICAMOS • Já o IPO da Magazine Luiza é um exemplo que desperta mais otimismo, porque a empresa é bem conhecida, sólida e participa de um setor em crescimento e com poucos representantes na bolsa. (“Investidores Tomam as Rédeas dos IPOs, AméricaEconomia, no 399, maio 2011) O NOVO

• A varejista Magazine Luiza conseguiu, no início de maio, a segunda maior oferta pública inicial de ações de 2011, com a captação de R$ 925,785 milhões. O preço por ação definido no IPO (sigla em inglês) ficou em R$ 16 – o piso da faixa indicativa, que ia até R$ 21.

1

Brasil atrai centro de pesquisa PUBLICAMOS

PUBLICAMOS • A Suzuki anunciou a decisão de começar a produzir no Brasil. A fábrica deve ser construída em Itumbiara, Goiás. (“Hora de Aumentar a Potência”, AméricaEconomia, no 399, maio 2011)

O NOVO • A direção da Suzuki Veículos confirmou, no início de maio, a construção de uma fábrica de automóveis em Itumbiara (GO). A montadora deve entrar em operação no fim de 2012, com a produção do modelo Jimny. A capacidade de produção da fábrica será de 7 mil veículos por ano. Com investimento de R$ 100 milhões, a estimativa é de que a fábrica crie 600 empregos diretos e indiretos.

O NOVO • A Cargill inaugurou, no início de junho, um centro de tecnologia e inovação de alimentos. Localizado em Campinas (SP), o complexo está voltado a desenvolver soluções e aplicações na área de alimentos. O investimento foi de R$ 20 milhões. Foram instalados laboratórios para atender clientes nas áreas de bebidas, panificação, confeitos, comidas de conveniência e derivados de leite. Há ainda um laboratório de sabores e aromas e outro industrial, voltado ao desenvolvimento de ingredientes e aplicações para os mercados de papel, têxtil e biopolímeros.

Fotos: 1 - Divulgação; 2 - Shutterstock

Suzuki escolhe Goiás

• Robson Andrade (da CNI) defende a atração de centros de pesquisa para o Brasil, como os da IBM e da General Electric (GE), recém-anunciados, e pede que haja mais agilidade na análise dos registros de patentes pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). (“A Palavra da Vez: Competitividade”, AméricaEconomia, no 399, maio 2011)

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negócio fechado CEMIG

Estatal compra parte dos ativos da Abengoa

HYPERMARCAS

Negociação com a Amgen

A Cemig, estatal mineira do setor de distribuição de energia, acertou a compra de parte dos ativos da espanhola Abengoa no Brasil por 485 milhões de euros (cerca de R$ 1,1 bilhão). O negócio foi concluído por meio da Taesa, empresa de transmissão de energia da Cemig. Segundo a companhia mineira, com a operação, sua participação no mercado de transmissão de energia aumentará de 6,5% para 8,6% em termos de receita anual permitida (RAP) – receita obtida por meio do uso de seu sistema de transmissão por outras concessionárias do serviço público de energia elétrica, agentes do setor e consumidores livres. VALOR: R$ 1,1 bilhão

A Hypermarcas vendeu a PED Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, subsidiária do laboratório Mantecorp, para a Amgen Brasil Biofarmacêutica por R$ 35 milhões. Do total, R$ 28 milhões serão pagos à vista. A Hypermarcas comprou a Mantecorp por R$ 2,5 bilhões, em dezembro de 2010. A fabricante de medicamentos produz o antigripal Coristina, os antialérgicos Polaramine e Celestamine e o antipirético e analgésico Alivium. VALOR: R$ 35 milhões

Alívio após venda de 47,2% das ações A Unidas, empresa que atua no setor de locação de carros, vendeu 47,2% do seu capital social aos fundos de investimentos administrados pelas gestoras Kinea, Vinci e Gávea. O valor do negócio foi de R$ 300 milhões (cada companhia aportará R$ 100 milhões). O grupo português SAG manterá a fatia majoritária no capital da empresa. A negociação deve aliviar o caixa da Unidas, que estava em dificuldades financeiras desde a crise de 2008.

MACROFÉRTIL

Louis Dreyfus aposta em fertilizantes A trading e processadora de commodities Louis Dreyfus adquiriu a produtora e distribuidora de fertilizantes brasileira Macrofértil. O valor da operação não foi divulgado. Segundo a Dreyfus, a Macrofértil tem capacidade de processamento de 1,8 milhão de toneladas de fertilizantes por ano. Os objetivos da francesa para o segmento de fertilizantes são chegar a uma distribuição de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas por ano e conquistar cerca de 10% do mercado.

VALOR: R$ 300 milhões VALOR: Não revelado

Fotos: Shutterstock

UNIDAS

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opinião

s notícias mais recentes sobre a política latino-americana mostram que o ex-presidente Lula, com quem tive a oportunidade de trabalhar, fez escola e inspirou novos líderes. É o caso de Ollanta Humala, eleito para ocupar a presidência do Peru. Lula foi uma espécie de mentor do político peruano durante a campanha eleitoral. Aconselhou-o sobre a necessidade de moderar o tom e de juntar à sua equipe profissionais respeitados pelos eleitores. Era preciso passar tranquilidade para a população e, especialmente, para os investidores, que andam muito animados com a prosperidade econômica do Peru. Sua economia é a

A

que mais se expande na região. Há quase uma década, o país cresce a uma taxa média de 5,7%. A fatia da população que vive na pobreza caiu de 48% para 31%. São exemplos que mostram o quanto uma política, seja de direita ou de esquerda, tem de estar alinhada aos mandamentos econômicos e sociais para prosperar.

LUIZ FERNANDO FURLAN foi ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2003/2007).

De olho nesse cenário, Humala e outros políticos latino-americanos beberam da fonte de Lula, que durante seus dois mandatos manteve uma política econômica justa e programas sociais agressivos. Não foi por acaso que Humala começou, pelo Brasil, seu tour pós-eleição e foi a Brasília se encontrar com a presidente Dilma e propor um estreitamento das relações entre os dois países. Assim, ganhou força o Lulismo ou Lulaismo, que é uma esquerda bem-sucedida, com reconhecido progresso social e econômico e que inspira a política regional, fazendo a cabeça de nomes como José Mujica (Uruguai), Mauricio Funes (El Salvador) e Fernando Lugo (Paraguai). Pesou bastante na decisão dos eleitores, ao escolher Dilma Rousseff para presidir o país, uma economia na estrada do crescimento, com reflexos no aumento da geração de emprego e na melhoria da renda da população. Hoje, quem diria, o Brasil padece de falta de profissionais qualificados, e o que mais se ouve entre os departamentos de Recursos Humanos das empresas é o problema do apagão de mão de obra. Isso tudo me faz lembrar do protagonismo de Lula no Foro de São Paulo. O grupo foi constituído em 1990, com a participação de Fidel Castro, Lula e outros líderes, ligados a partidos e movimentos sociais latino-americanos. Os objetivos, naquele momento, eram aprofundar as discussões sobre alternativas às políticas neoliberais, que dominavam o ambiente latino, e alimentar, de forma consistente, a integração econômica, política e cultural da região. O amadurecimento dessas ideias, associado à experiência prática de oito anos de governo, fez com que Lula criasse um modelo por todos admirado. O tema do próximo encontro do foro, na Venezuela, em 2012, será “O desafio da integração política e econômica dos povos da América Latina”. É do que precisamos. A cada passo rumo à integração, melhoramos as trocas comerciais entre vizinhos. Lula, muito pragmático, sempre defendeu a estratégia de ter figuras nos postos ligados ao comércio exterior que funcionassem como mascates que vendessem o Brasil. O Brasil é hoje o destaque entre os investidores e a opinião pública internacional, e deve tirar proveito disso para continuar crescendo com sustentabilidade, inovação e produtividade.

Ilustração: Samuel Casal

Os frutos do Foro de São Paulo

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Redução de 30%* na conta de energia de suas instalações industriais é apenas o começo. Imagine o que podemos fazer em toda a sua empresa. Administrar o ambiente operacional complexo de instalações industriais não é uma tarefa fácil. Com o aumento dos custos de energia e normas ambientais, está cada vez mais difícil manter o volume de produção, minimizar o tempo de interrupção e alcançar suas metas de eficiência. A Schneider Electric™ tem a solução: a arquitetura de gestão energética EcoStruxure™, para maximizar o desempenho operacional e a produtividade com novos níveis de eficiência energética. Hoje, a base das instalações industriais; amanhã, toda a empresa. Redução dos custos de energia nas instalações industriais e mais Hoje a EcoStruxure é a única arquitetura que consegue reduzir o consumo de energia em até 30% em instalações industriais e mais: nos data centers e edifícios de toda a sua empresa. Reduzir o consumo de energia de instalações industriais em até 30% é um ótimo começo mas, graças à arquitetura de gestão energética EcoStruxure, as economias não têm que acabar aí.

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movimentos

Clima favorável para os

negócios

Em evento realizado pela Consulting House, no hotel Sofitel Jequitimar, no Guarujá (SP), em maio passado, que contou com a presença de 250 executivos, entre presidentes, vice-presidentes e diretores de empresas, a AméricaEconomia fez uma pesquisa para avaliar a confiança dos participantes em relação a temas como o cenário político e econômico. Os resultados são animadores. O levantamento apontou que 31,1% dos entrevistados esperam que 2011 termine com um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre 4,1% e 5%. Número igual, 31,1%, prevê um PIB mais acanhado, entre 3,1% e 4%. Para mais da metade, 53,3%, o ano terminará com uma taxa básica de juros (Selic) oscilando entre 12,1% e 13%. Os entrevistados estão otimistas quanto ao ambiente de negócios, e 73,3% deles esperam que suas empresas cresçam mais em 2011 do que em 2010. Isso explica o fato de 55,6% planejarem contratar mais profissionais neste ano. A maior parte, 93,3%, diz que sua empresa tem planos de fazer novos investimentos produtivos em 2011. Segundo 62,2% dos participantes da pesquisa, isso acontecerá por meio de capital da própria empresa. Apenas 31,1% dos entrevistados disseram ter planos de expandir internacionalmente os negócios em 2011. Quando o assunto é a relação comercial entre os países da América Latina, a maioria (64,5%) considera regular e apenas 24,4% avaliam como boa.

Você planeja contratar mais em 2011 do que em 2010?

Sua empresa projeta novos investimentos para 2011? 93,3%

55,6% 26,7% 17,7% Não

Igual Sim

Não

Foto: Shutterstock

Sim

6,7%

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Estimativa de crescimento do PIB em 2011, em % De 3,1 a 4%

31,1

De 4,1 a 5%

31,1

$

24,4

De 5,1 a 6% Acima de 6%

4,4

De 1,1 a 2%

4,4

De 2,1 a 3%

2,3

Não respondeu

2,3

APETITE

Você estima que o crescimento de sua empresa será maior em 2011 do que em 2010? 73,3%

Sim

15,6%

11,1%

Igual

Não

Você avalia que as trocas comerciais na Amérca Latina atualmente são: Regulares

64,5

% 24,4 Boas

4,4 6,7

Muito boas

Insignificantes Fonte: Consulting House

PELA CONCORRÊNCIA A Trabajando.com, empresa de recolocação profissional sediada no Chile, está de olho nos concorrentes do mercado brasileiro. Em recente viagem ao país para visitar a subsidiária Trabalhando.com, inaugurada há três anos, o presidente da empresa, o chileno Felippe Hurtado, disse à AméricaEconomia que a companhia tem planos de aquisição no Brasil. As possíveis transações fazem parte do planejamento da empresa de injetar US$ 50 milhões nos negócios, em um horizonte de até cinco anos. Do montante, US$ 20 milhões terão como destino o Brasil, com o objetivo de negociar a compra de outras empresas do setor. O dinheiro, segundo Hurtado, virá de fundos do Chile e dos Estados Unidos, cujos nomes não foram revelados pelo executivo. Hurtado afirma, porém, que as conversas já estão bastante avançadas. A meta inclui ainda um IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) na Nasdaq, a bolsa americana de empresas de tecnologia. Mas a tacada não seria ambiciosa demais para um startup (empresa de tecnologia ainda em fase inicial) que faturou, em 2010, US$ 6 milhões, nos 11 países onde atua? “O Mercado Livre também não tinha uma receita alta quando fez seu IPO”, rebate Hurtado. A Trabajando.com começou a se internacionalizar em 2008, ao associar-se ao Grupo Santander, por meio do portal universitário Universia. Julho, 2011 AméricaEconomia 27

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Mais hotéis para a

A REDE ACCOR TROUXE A BANDEIRA PULLMAN PARA O BRASIL

Na rota dos investimentos que diversos setores planejam até a Copa do Mundo no Brasil, o segmento de hotelaria não ficou para trás e planeja aportes de R$ 7,3 bilhões até o final de 2014. O relatório Investimentos no Brasil: Hotéis e Resorts – 2011, elaborado pela BSH Travel Research, divisão estatística da BSH Internacional, informa que há 198 hotéis com inauguração prevista para esse período, em um total de 46.296 novos apartamentos. O estudo mostra ainda que a expansão criará 31.729 empregos diretos. Essa é a terceira edição do diagnóstico. Na última, realizada em 2008, apenas 49,35% das inaugurações previstas ocorreram. A maior quantidade de inaugurações deve acontecer entre 2011 e 2013. O Sudeste lidera o número de projetos (38% do total), seguido pelo Nordeste (34%). “No mapa de investimentos 2011-2014, fica claro que o Sudeste concentra mais hotéis previstos (76); porém, é na região Nordeste que está a maior quantidade de apartamentos (25.350), já que 77% de seus projetos são de resorts, e normalmente eles oferecem maior estrutura e número de UHs [unidades habitacionais] que outras categorias, bem como necessitam de mais colaboradores”, conta José Ernesto Marino Neto, presidente e fundador da BSH International. O grupo Accor, líder mundial em operação hoteleira, aproveitou a demanda potencial para anunciar o desembarque de mais uma bandeira no Brasil. O hotel Pullman inaugurou a primeira unidade na cidade de São Paulo, com 350 apartamentos e um investimento de cerca de R$ 20 milhões. Com 54 unidades em operação, a bandeira, voltada ao turismo de negócios, já está presente em cidades como Barcelona, Seul e Berlim. Até o fim do ano, o grupo planeja chegar a 70 hotéis Pullman. Na América Latina, a Accor está presente em dez países, com 170 hotéis e cerca de 27 mil quartos.

Foto: Divulgação

Copa

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Empresas brasileiras na mira do Panamá Paraguai com gosto de feijoada A rede de hotéis brasileira Bourbon venceu a licitação para administrar o hotel da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), que será aberto no mês de setembro, em Assunção, no Paraguai. A unidade faz parte do complexo recém-inaugurado pela Confederação, onde também está localizada a sede da Conmebol. Ao todo, serão 168 apartamentos, voltados, principalmente, a representantes governamentais em missões oficiais ao país, líderes esportivos e executivos de empresas. A unidade é a primeira da Bourbon fora do país – a rede tem, atualmente, 11 hotéis, distribuídos em Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. “Já começamos a fazer um trabalho junto às agências de viagem parceiras para divulgar o destino aos viajantes brasileiros”, conta Francisco Calvo, diretor regional, que, agora, divide seu tempo entre Assunção e Foz do Iguaçu. Ele afirma que a expansão internacional não vai parar por aí. “Temos algumas negociações em curso em outros países da América Latina”, adianta. O interior do Brasil também está no planejamento da companhia. Foto: Shutterstock

O governo do Panamá quer atrair empresas brasileiras para instalar suas bases de operação no país. Em recente visita a São Paulo, o ministro de Economia e Finanças do Panamá, Alberto Vallarino Clément, anunciou uma série de vantagens e benefícios fiscais às companhias interessadas. O plano estratégico prevê investimentos de US$ 13,6 bilhões em infraestrutura até 2014. Desse total, US$ 3,8 bilhões serão destinados a programas sociais, como obras do metrô panamenho, novas escolas e hospitais; US$ 5,8 bilhões serão aplicados em desenvolvimento de estradas, construção de aeroportos e turismo; e US$ 4 bilhões irão para programas de meio ambiente, agricultura e educação. De acordo com o ministro, o Panamá é o único país do mundo onde é possível transportar contêineres do Atlântico para o Pacífico em menos de quatro horas. Para facilitar o intercâmbio entre os dois países, estão sendo lançados quatro novos voos para o Brasil, quatro vezes por semana, com destino a Brasília e Porto Alegre. “Podemos apoiar empresas brasileiras para que exportem e importem produtos pelo Canal do Panamá. Temos capacidade de atingir 56 destinos e 27 países com nossa estrutura logística”, afirmou o ministro. O plano estratégico prevê ainda a ampliação do canal para transformá-lo em uma alternativa para países em desenvolvimento, como Brasil e China, escoarem seus produtos. A expectativa é de que, a partir de 2014, empresas de navegação possam operar com linhas de navios de maior tonelagem, já que atualmente o canal está restrito, nos contêineres, a navios de 4,6 mil TEUs, o equivalente a 20 pés.

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Destino da Brasil Foods em jogo O setor alimentício passará por uma movimentação importante neste mês. Está prevista para ser votada em 13 de julho a criação da Brasil Foods (BRF), resultado da união entre Perdigão e Sadia. O processo, que se arrasta há dois anos, teve uma reviravolta no início de junho passado, quando o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão governamental antitruste brasileiro que arbitra em casos concorrenciais, começou a avaliar a formação do negócio. O clima esquentou depois de o relator do processo, conselheiro Carlos Ragazzo, dar voto contrário à transação. Segundo Ragazzo, caso a fusão seja aprovada, haverá risco de aumento de preço em produtos como carnes e frangos. O detalhe é que cerca de 40% da produção de Sadia e Perdigão na área de aves é destinada ao mercado internacional. “Uma opinião dessas é de chorar”, disse um executivo da empresa. O julgamento, suspenso pelo pedido de vista ao processo do conselheiro Ricardo Ruiz, deve ser retomado na próxima sessão do Cade, no dia 13. O órgão antitruste, no entanto, não confirma que o caso será levado a plenário nessa data. Em nota, a BRF disse estar disposta a uma solução negociada com o Cade. A companhia se dispôs a vender marcas menores, como a Excelsior, a fornecer produtos a concorrentes e dar acesso a canais de distribuição de seus produtos, mas as alegações foram rechaçadas por Ragazzo. O advogado que representa a empresa, Tarso Ribeiro, defendeu que o principal objetivo é a exportação. Nesse caso, a BR Foods concorreria de igual para igual com outras gigantes do setor, como a americana Bunge.

Inovação em debate

Foto: Divulgação

O governo brasileiro estuda diminuir a carga tributária das empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo, segundo afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante em recente encontro do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), é incentivar a inovação. Embora tenha uma economia pujante, o Brasil ainda patina nessa área, reconheceu Mercadante. Outras medidas seriam transformar a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) em banco público e criar novos fundos setoriais.

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movimentos

Um dos desafios da vida nas grandes cidades é manter a disposição para enfrentar o dia a dia corrido. Com a proposta de aumentar a energia das pessoas, a Smart Life, empresa especializada em suplementos alimentares e funcionais, está ampliando seu portfólio. A companhia acaba de lançar o Detox, composto líquido para desintoxicar o organismo. Os planos de diversificação englobam também um emagrecedor para mulheres, produzido nos Estados Unidos. A Smart Life existe desde 2006. Dois anos depois, lançou as SmartCaps Energy, o primeiro energético em cápsulas do Brasil. Aprovado pela Anvisa na categoria “alimento novo”, o produto tem como matéria-prima a cafeína natural, obtida a partir do guaraná, em vez da cafeína artificial, mais comum nesse segmento. A substância estimula o sistema nervoso central e promete dar mais vigor ao corpo e aumentar a concentração. Na esteira das cápsulas, a empresa lançou o SmartShot, em formato shot (pequeno tubo, fácil de carregar), e o Epro 1 TR, suplemento energético e vitamínico para esportistas de alta performance. Segundo o suíço Lukas Fischer, diretor-executivo da Smart Life, o foco da empresa é o público que adota o estilo de vida apelidado de West (sigla em inglês): Work (trabalho), Exercise (exercícios), Study (estudos) e Travel (viagens e lazer). “Ao contrário de outros energéticos, que hoje são associados à bebida alcoólica, as SmartCaps são energéticos saudáveis”, explica. Fischer destaca ainda que cerca de 400 mil unidades das cápsulas foram vendidas no primeiro ano de produção, distribuídas em 10 mil pontos de venda: “Nossa meta para 2011 é crescer mais 100%, chegando a 10 milhões de unidades e 15 mil pontos de venda diretos e indiretos e manter esse ritmo até a Copa de 2014.”

e a i g r e En

Foto: Shutterstock

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PARCERIA EM PROL DO

MEIO AMBIENTE

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) recebeu um apoio importante da petrolífera HRT no início de junho. Por meio do Programa Barril Verde, a empresa destinará R$ 1 à ONG a cada barril de petróleo extraído. A previsão é de que, até 2015, a produção da companhia seja de 50 mil barris por dia. Ou seja, o acordo renderá à FAS cerca de R$ 1,5 milhão por mês no período. A Fundação Amazonas Sustentável é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 2008, a partir de uma parceria público-privada pelo Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco. Os recursos arrecadados serão destinados à redução do desmatamento e à melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas nas unidades de conservação estaduais do Amazonas. 34 AméricaEconomia Julho, 2011

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FÓRUM MULTILATINAS

or ocasião do 25º aniversário de AméricaEconomia, o grupo editorial fundado em 1986 reuniu alguns dos mais importantes empresários da América Latina que embarcaram na globalização. O objetivo foi conhecer as estratégias que essas multilatinas estão preparando para o futuro. Realizado no hotel W Santiago, no último dia 23 de junho, o Fórum das Multilatinas reuniu mais de 600 convidados de toda a América Latina e foi seguido por cerca de 2 mil pessoas ao vivo pela internet.

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1 1 Elías Selman C., charmain e fundador de AméricaEconomia, apresenta as principais mudanças ocorridas na América Latina nos últimos 25 anos e faz a abertura oficial do Fórum.

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1 Andrés Navarro, CEO da Sonda, fala sobre os desafios de globalizar os serviços de alto valor agregado. 2 Carlos Salazar, CEO da mexicana Coca-Cola Femsa, apresenta os planos de sua empresa para seguir crescendo com uma operação que já está presente em nove países da América Latina. 3 Germán Efromovich, presidente da Synergy Group (dono da Avianca-Taca), fala das dificuldades de crescer em indústrias tradicionalmente consideradas de segurança nacional. 4 Leslie Pierce, da peruana Alicorp, expõe os desafios culturais da internacionalização. 5 Lorenzo Mendoza, CEO da Empresas Polar, da Venezuela, fala sobre como transformar os trabalhadores em regiões complexas. 6 Participantes do Fórum vieram do Brasil, da Colômbia, do Peru, do México, do Equador, do Uruguai, da Argentina e do Chile.

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1 Carlos Enrique Piedrahita, CEO da Nutresa, conhecida até pouco tempo como Grupo Nacional de Chocolates. 2 Orlando Ayala, vice-presidente executivo da Microsoft, expõe sua visão sobre a inovação nas empresas da América Latina. 3 Eduardo Kunst, CEO da brasileira Artecola, explica o modelo de gestão de conhecimento de sua companhia.

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4 Arturo Condo, reitor da escola de negócios INCAE, conversa com debatedores sobre inovação. 5 Roberto Salas, CEO da Masisa, explica como é possível inovar a partir de matérias-primas. 6 A equatoriana Isabel Noboa, CEO do Grupo Nobis, conta como foi a transição de um grupo agroindustrial para uma companhia de serviços de todo o tipo. 7 O painel sobre inovação aborda os dilemas que fazem parte da rotina das empresas da América Latina na hora de dar destaque aos processos inovadores.

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1 O painel sobre integração financeira analisa as iniciativas existentes para integrar os mercados de capitais da América Latina. 2 Daniel Gamba, CEO da BlackRock para a América Latina, dá sua visão do porquê o mundo precisa de um mercado latino-americano integrado. 3 Paulo Oliveira, CEO da BRAIN, uma iniciativa brasileira para desenvolver o relacionamento no mercado de capitais da região. 4 Jorge Errázuriz, CEO da Celfin Capital; Francis Stanning, gerente geral da Bolsa de Valores de Lima; e Guilhermo Larraín, da ChileCapital, defendem o modelo de integração da MILA. 5 Juan Pablo Córdoba, presidente da Bolsa de Valores da Colômbia, dá sua visão sobre os obstáculos para a integração.

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FÓRUM MULTILATINAS

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O painel sobre Ásia-Pacífico analisa as dificuldades que tiveram as empresas da região para vender na China e nos mercados vizinhos. Juan Pablo Montero, CEO da Falabella Retail, fala de sua experiência ao fechar uma cadeia de abastecimento na China. Jaime Rivera, da Bladex, conta sobre as oportunidades que surgem no mercado financeiro chinês. Sofia Pescarmona, vice-presidente executiva da IMPSA, relata quais foram as complicações de vender produtos de valor agregado no país asiático. José Rubens de la Rosa, CEO da Marcopolo, fala sobre as estratégias adequadas para produzir na China.

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1 Felipe Aldunate M., diretor editorial de AméricaEconomia, explica ao público como funciona o sistema de votação on-line. 2 O argentino Gustavo Konisczer, da Futurebrand, apresenta as alternativas para criar uma marca regional na América Latina. 3 O ministro da Fazenda do Chile, Felipe Larraín, se encarrega de encerrar o Fórum. 4 O consultor Raúl Rivera tem uma das participações mais destacadas do dia ao apresentar as conclusões de seu livro Nuestra Hora. 5 A equipe de Um Teto Para Meu País ao lado de Elías Selman, de AméricaEconomia, do ministro do Planejamento do Chile, Felipe Kast, e de Gloria Landabur, vice-presidente executiva de AméricaEconomia, em reconhecimento à primeira Multilatina Social. 6 e 7 Jantar final: celebração reservada dos 25 anos de AméricaEconomia e entrega dos Prêmios de Excelência Empresarial 2011. Colaboração no Primeiro Fórum das Multilatinas:

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Responsabilidade social

Escola do rock REFERÊNCIA EM ENTRETENIMENTO, A REVISTA ROLLING STONE BRASIL CRIA UM INSTITUTO PARA ENSINAR MÚSICA A CRIANÇAS CARENTES E MANTER VIVA A CHAMA DO ROCK AND ROLL TATIANA ENGELBRECHT, DE SÃO PAULO

u acho legal porque aqui a gente aprende a tocar guitarra. É muito importante, pois precisamos ter atenção para poder aprender.” É assim que a pequena Giovanna, de 9 anos, descreve a descoberta de um novo e entusiasmante universo: o da música. E no que depender da energia e do empenho dos idealizadores do Instituto Rolling Stone Brasil, os acordes produzidos por Giovanna e muitas outras crianças devem ser amplificados à máxima potência. Criado em 2011 pela Spring Publicações, editora que publica a revis-

“E

universo não poderia ser mais apropriada: a guitarra elétrica. Além de ministrar aulas do instrumento, o Instituto Rolling Stone Brasil ensina técnicas de produção musical, luthieria (fabricação de instrumentos musicais de corda) e diversas outras atividades ligadas ao mundo do rock. O instituto se destaca ainda como a primeira escola de iniciação ao rock and roll no Brasil. “O projeto busca dar ferramentas para que as crianças desenvolvam seus talentos. Queremos também despertar nelas a noção de cidadania e responsabilidade pelo contato com a CRIANÇAS QUE PARTICIPAM DA PRIMEIRA TURMA DO PROJETO

São Paulo. A ideia é expandir tanto a atuação quanto o público-alvo do projeto. Em paralelo às aulas de guitarra, que acontecem semanalmente, os alunos recebem apoio pedagógico durante todo o período do programa. Na sede do instituto, que fica na Vila Madalena, em São Paulo, eles tomam café da manhã, almoçam e participam de atividades de recreação e integração assistidas. “Essas atividades complementares possibilitam aos alunos aumentar a absorção do conteúdo das aulas, fazendo com que fiquem mais comprometidos com o curso”, ressalta Belling. Para que deem continuidade ao aprendizado, os participantes levam para casa, ao final do curso, um “kit rock and roll”, composto por guitarra elétrica, amplificador e maleta, entre outros itens. Com certeza, um estímulo e tanto para que o futuro do rock e das crianças do Brasil seja promissor.

ta Rolling Stone no Brasil, o instituto é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo levar cultura musical a crianças e jovens de baixa renda. A porta de entrada para esse

música”, explica Leo Belling, gerente de Marketing da Rolling Stone Brasil. Inicialmente, o projeto tem como público-alvo crianças de 9 a 13 anos que estudam em escolas públicas de

Nascida em 1967, como um projeto do então estudante Jann Wenner, à época aluno da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a Rolling Stone tornou-se uma das maiores e mais importantes revistas de entretenimento do mundo. Atualmente, está presente em cerca de 30 países e atinge mais de 12 milhões de leitores a cada edição. A Rolling Stone aterrissou no Brasil em 2006, pelas mãos da Spring Publicações, e se tornou referência nacional quando o assunto é entretenimento.

SERVIÇO: Para obter mais informações sobre o Instituto Rolling Stone Brasil e se tornar parceiro do projeto, acesse: www.institutorollingstone.org.br.

Foto: Thais Azevedo

MÚSICA SEM FRONTEIRAS

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NEGÓCIOS Veículos

MARCO MAZZU, PRESIDENTE DA IVECO LATIN AMERICA, ESPERA VENDER 20 MIL UNIDADES NO BRASIL NESTE ANO

carga pesada

e lucrativa COM O CAIXA REFORÇADO PELAS BOAS VENDAS NA AMÉRICA LATINA, FABRICANTES DE CAMINHÕES GRAZIELE DAL-BÓ, DE BOGOTÁ* E SÃO PAULO AUMENTAM OS INVESTIMENTOS NA REGIÃO

O

ta cerca de 65% das vendas regionais, o número de unidades comercializadas cresceu 45,5% no ano passado (veja gráfico na página ao lado), segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Os números superam em dez vezes a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano, de 4,5%. E com uma frota relativamente antiga, na casa dos 18 anos, especialistas afirmam que ainda há espaço para crescer. Nem mesmo o aumento dos custos de produção (previsto em 15%), resultado dos

investimentos para adaptar os veículos a normas mais rígidas de controle de emissão de gases poluentes em países como Brasil, Argentina e Chile, desanima as fabricantes.

NOVOS MERCADOS Diante do momento promissor, os empresários disputam cada naco desse bolo. Tanto os que já estão nesse mercado quanto os que prospectam a região, como JAC e Sinotruk, da China, e Hyundai, da Coreia do Sul. E, para ganhar a corrida, vale aumentar os investimen-

Foto: Eugênio Sávio/Divulgação

crescimento da economia e as vendas de caminhão andam em ritmo compassado, quase sobre uma mesma linha. Se a saúde financeira de um país vai bem, as montadoras, automaticamente, reportam bons resultados. A tese está sendo provada pelo atual momento vivido pelo setor automotivo na América Latina. As vendas de caminhões na região somaram 280,5 mil veículos em 2010, desempenho 26% superior ao de 2009 (com 221.637 unidades comercializadas). No Brasil, país que represen-

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tos em publicidade, turbinar a rede de distribuição e até contar com o apoio de celebridades. Foi essa a aposta da italiana Iveco, do Grupo Fiat, ao escolher o ídolo do futebol colombiano Valderrama – aquele da exótica cabeleira loira – para inaugurar a primeira concessionária do grupo no país andino, em junho. A distribuição na Colômbia será feita pela importadora Eurotrans e faz parte da estratégia de expansão da companhia na América Latina, região que representa 20% dos negócios do grupo. O próximo passo da Iveco será a entrada no Equador, o que deve ocorrer até o fim deste ano. Com vendas anuais de 12 mil caminhões, a Colômbia é o terceiro maior mercado da região, atrás de Brasil e Argentina. Nessa primeira fase, a Iveco venderá no país produtos das linhas PowerDaily (veículos comerciais leves) e Trakker (caminhões extrapesados, voltados a setores como mineração, construção civil e transporte de grãos). Segundo Natale Rigano, diretor-geral da Iveco na Argentina e responsável pelo desenvolvimento da marca nos mercados andinos, os veículos serão importados da China, onde a montadora atua por meio de uma joint venture com a Saic. Já os extrapesados sairão da linha de produção de Córdoba, na Ar-

gentina. “O custo de produção chinês é muito mais baixo, o que faz com que os veículos cheguem aqui com valores até 15% menores, ou seja, bem mais competitivos”, conta Rigano. O objetivo com a operação colombiana, diz Rigano, é chegar, daqui a três anos, a uma participação de mercado de 10% nos segmentos em que o grupo atuará. Para alcançar a meta, a empresa terá de competir com os mexicanos, que, por terem um acordo comercial com a Colômbia, exportam sem a incidência do imposto de importação. Com preços mais baixos, eles dominam as vendas colombianas. Em 2010, a Iveco vendeu cerca de 25,8 mil unidades na América Latina, o dobro do volume registrado no ano de 2006. “No Brasil, devemos vender 20 mil unidades neste ano, contra 3 mil comercializadas em 2006. Passamos de um market share de 3,5% para 9%”, comemora Marco Mazzu, presidente da Iveco Latin America.

memora os bons números na região. Em 2010, a fábrica de Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro, que atende a América Latina, entregou 68 mil unidades, melhor resultado de todos os tempos. Com esse desempenho, superou em 50% os números de 2009 (45.469 veículos). As vendas foram responsáveis por uma receita regional de R$ 7,5 bilhões no ano passado e colocaram a MAN Latin America no topo do faturamento dentro do grupo. “Para este ano, prevemos um aumento de 10% tanto no número de unidades vendidas quanto em nosso faturamento”, indica Roberto Cortes, presidente da operação na América Latina. Com uma capacidade de produção de 80 mil veículos por ano na fábrica brasileira, Cortes afirma que, pelo menos no curto prazo, não haverá problemas para suprir a demanda crescente, já que a produção atual da MAN Latin America é de aproximadamente 70 mil unidades/ano. Para tornar a marca mais próxima do consumidor, a MAN estreou, em junho, sua maior campanha publicitária desde a aquisição da marca Volkswagen Caminhões e Ônibus, em 2008. A ação divide espaço com a de outro grande player do setor – a americana Ford –, que também está investindo

RESULTADOS RECORDES O otimismo com o mercado latino-americano não existe apenas entre os executivos da italiana Iveco. O grupo alemão MAN, dono da marca Volkswagen Caminhões e Ônibus e líder no mercado brasileiro, também co-

Licenciamento de caminhões novos nacionais (Brasil) Resultado desde 2000 e o acumulado de 2011, em milhares de unidades 154,9

Alta de

45,5%

Acumulado de janeiro a maio de 2011

118,2 95,2 80,9 61,6

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Fonte: Anfavea

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NEGÓCIOS Veículos

SALTO DE PRODUÇÃO O vice-presidente da Scania para a América Latina, Christopher Podgor-

FÁBRICA DA MAN NO BRASIL: RECORDE DE 68 MIL UNIDADES PRODUZIDAS EM 2010

ski, também tem muito o que comemorar. De uma média de 16 mil unidades produzidas por ano, a fábrica de São Bernardo do Campo – a única da montadora sueca no mercado latino-americano – deu um salto para 23 mil em 2010, ou 43,75% de aumento nas vendas. Podgorski atribui o crescimento ao bom momento pelo qual passam as economias da região e, no caso do Brasil, às facilidades em se comprar um caminhão novo por conta dos juros mais baixos oferecido nos financiamentos.

Evolução da produção de caminhões no Brasil

191,3

Resultado desde 2000 e o acumulado de 2011, em milhares de unidades 107,4 71,7

77,4

2000

2001

68,6

2002

118,0

167,3

Fonte: Anfavea

Acumulado de janeiro a maio de 2011

137,3 106,7

78,9

2003

O executivo refere-se a medidas como o PSI (Programa de Sustentação do Investimento), do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O projeto governamental contempla o Procaminhoneiro, plano que financia a aquisição de caminhões por autônomos e microempresários a juros de 4,5% ao ano, e o Finame, financiamento, por intermédio de instituições financeiras credenciadas ao BNDES, para produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos de fa-

76,0

123,6

2004

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Foto: Divulgação

forte em publicidade para lançar a linha 2012 dos caminhões Ford Cargo. A concorrência é tão acirrada que nenhuma das empresas revela o valor do investimento, que teve direito a inserções no horário nobre da TV Globo. A campanha da Ford está sendo veiculada ao mesmo tempo no Brasil, na Argentina e no Chile e contou com show virtual da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó no site Youtube. A companhia americana tem duas fábricas na América do Sul, uma em São Bernardo do Campo (SP) e outra em Valência, na Venezuela – esta última voltada apenas ao mercado venezuelano. Foram produzidos na região 37 mil caminhões, em 2010. Para este ano, a meta é fabricar 49 mil unidades – um aumento de cerca de 32% –, segundo Oswaldo Jardim, diretor das Operações de Caminhões da Ford na América do Sul. “Estamos vivendo a década dourada, um círculo virtuoso muito positivo”, diz o executivo. Para continuar a crescer, a Ford pretende aumentar o número de distribuidores – hoje são 134 no Brasil, 12 na Argentina, 12 na Venezuela e sete no Chile. “Queremos terminar o ano com 142 distribuidores no Brasil, nosso principal mercado na região”, afirma Jardim.

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Exportações brasileiras de caminhões

38,3 37,5

41,3

38,7

Em milhares de unidades

25,7

9,3

2000

22,9 13,5

12,8 6,8 2001

Acumulado de janeiro a maio de 2011

10,4

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2011

Fonte: Anfavea

bricação nacional. As medidas estão previstas para terminar em dezembro de 2011 e devem provocar uma corrida às concessionárias neste ano, acreditam os analistas. “Para 2012, o cenário deve ser de leve retração, até porque os veículos ficarão em torno de 15% mais caros por conta das novas tecnologias”, afirma Thiago Costa, analista de mercado da IHS Automotive, consultoria especializada no setor automotivo. Se as vendas da Scania estão em alta na América Latina, o mesmo não se pode dizer sobre o desempenho no mercado europeu. A participação da região nos negócios caiu de 50%, no período pré-crise, para atuais 45%. “A América Latina representa, hoje, 32% das nossas vendas. Há seis anos, a participação era de 16%. A região é muito importante para a meta de chegar a 135 mil unidades de caminhões produzidos até 2017/2018 no mundo todo”, afirma Podgorski. Outra sueca que está de olho em seus negócios na América Latina é a Volvo. O faturamento na região, em 2010, foi recorde. Chegou a R$ 6,8 bilhões, forte crescimento sobre os R$ 3,9 bilhões de receita obtidos em 2009. A operação brasileira ficou com a posição de maior mercado mundial de caminhões da marca pelo segundo ano seguido: foram comercializadas na América Latina 18,3 mil unidades no ano passado – 16,2 mil somente no Brasil.

Os bons resultados permitiram à subsidiária brasileira vantagens dentro de outra divisão do grupo: a de ônibus. A fábrica de Curitiba, que atende os mercados latino-americano, caribenho e o da América Central, recebeu permissão da matriz para ser a primeira fora da Europa a produzir ônibus híbridos. “Acreditamos que, em 2012, as vendas devem ficar mais estabilizadas. Mas a acomodação acontecerá em um pata-

mar ótimo”, afirma Bernardo Fedalto Júnior, responsável pelas vendas da Volvo no Brasil. Como se vê, a América Latina oferece boas perspectivas aos players que atuam na região. E, nessa corrida para ganhar mais participação de mercado, com tecnologia mais avançada e preço competitivo, os consumidores devem ser os maiores beneficiados. *A repórter viajou a convite da Iveco.

Brasil reduzirá emissões Em janeiro de 2012, entram em vigor, no Brasil e na Argentina, programas nacionais com normas de emissões de enxofre equivalentes à Euro 5, praticada na Europa, para veículos comerciais pesados. No Chile, a lei será equivalente à Euro 4, com nível de exigência de emissão um pouco menor. As mudanças determinam novas tecnologias para a purificação dos gases resultantes da combustão do diesel nos motores, com benefícios para o meio ambiente. A principal expectativa do mercado brasileiro está relacionada à disponibilidade de “diesel limpo”, já que o combustível necessário para os novos motores é diferente do oferecido hoje. O diesel brasileiro reconhecidamente não é de boa qualidade. O principal vilão é o enxofre. O diesel nacional tem 1.800 partes por milhão (ppm) de enxofre, enquanto o índice, nos Estados Unidos e na Europa, é de 10 ppm. O receio é que não exista oferta suficiente para atender a demanda. O problema foi descartado, porém, pelo consultor de negócios da Petrobras, Sérgio Fontes, durante o seminário “Diesel e Emissões em Debate”, realizado em São Paulo, no final de maio. Segundo Fontes, serão aplicados US$ 73,6 bilhões para garantir a qualidade e o fornecimento do combustível. Fontes afirmou que o país conta 11 polos de venda do S50, e 87% da demanda, em 2012, será plenamente abastecida por eles.

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DEBATES Política

Falta o

jogo de cintura COM SEIS MESES DE GOVERNO, DILMA TROCA A EQUIPE, ASSUME AS RÉDEAS, MAS AINDA BATE CABEÇA COM O CONGRESSO IZABELLE AZEVEDO, DE BRASÍLIA

GLEISI, IDELI (NO CENTRO) E DILMA, AS GAROTAS SUPERPODEROSAS DO PLANALTO

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ntes de completar os primeiros seis meses de governo, a presidente Dilma Rousseff mudou a cara e o estilo de dois dos mais importantes ministérios. O objetivo é começar uma nova fase nas relações do Executivo com outros poderes. Depois de enfrentar 24 dias de bombardeio contra o então comandante da Casa Civil, Antonio Palocci, decidiu substituí-lo pela recém-eleita senadora Gleisi Roffmann, que saltou da posição de parlamentar de primeira viagem para a de comandante da pasta considerada o cérebro do governo. Dilma também desistiu de resistir às pressões dos congressistas pela substituição de Luiz Sérgio no Ministério da Articulação Política e colocou em seu lugar a petista Ideli Salvatti, ex-senadora e candidata derrotada na disputa pelo governo de Santa Catarina. Foram os primeiros atos que confirmaram o desejo de Dilma de descolar de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente e padrinho político, e dar sua cara ao governo. Apesar de mudar os ministros na tentativa de dirimir as crises que recaíram sobre o Palácio do Planalto já nos primeiros meses de mandato, a presidente ainda sofre com ataques dos próprios aliados no Congresso Nacional e com uma insatisfação disseminada em diferentes partidos dos quais ela depende mais do que pretendia. Os aliados reclamam de falta de diálogo, da dificuldade de serem recebidos pessoalmente pelos caciques dos ministérios e – principalmente – da morosidade na distribuição de cargos do segundo escalão, que a presidente resiste em entregar nas mãos de políticos sedentos por comandar indiretamente órgãos do Executivo. Apesar de demora em substituir Palocci, afundado em denúncias de enriquecimento suspeito e possível tráfico de influência, Dilma acreditava que

Foto: Marcello Casal/ABR

A

iria zerar as dificuldades com o parlamento. Para isso, colocou na linha de frente uma senadora no posto de gerente do governo e uma ex-parlamentar com fama de linha-dura na função de articuladora política. O enredo não saiu como o esperado. As duas escolhas sofreram resistências e críticas dos integrantes do governo. Gleisi foi metralhada por ser considerada pouco experiente e não tem se limitado à função de gerir o governo, influenciando diretamente a escolha de nomes em estatais e agências reguladoras. Ideli Savatti, por sua vez, não apenas sofre com as dificuldades de relacionamento surgidas quando ainda atuava no Senado, mas também padece com a resistência de políticos que tentaram trabalhar por outros nomes para o cargo para o qual ela foi indicada. Nesse grupo de resistentes na Câmara estão, por exemplo, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), o líder do governo, Cândido Vacarezza (PT-SP), e o líder do PT, Paulo Teixeira (SP).

SEM RECEPTIVIDADE Transitar entre deputados e influenciar a pauta da Câmara, como quer Dilma, não tem sido tarefa fácil para Ideli. Dias depois de ter assumido o cargo, em 13 de junho, ela tentou duas vezes marcar uma reunião na Presidência da Casa, com as lideranças, para mostrar a pauta governista, mas recebeu um não nas duas ocasiões. Marco Maia alegou que estava com a agenda cheia e não poderia recebê-la. O encontro aconteceu uma semana depois, mas foi protocolar e não deixou a ministra satisfeita. Ela teve de ouvir que os deputados estão dispostos a votar temas que não

agradam em nada ao governo, como a aprovação da Emenda 29 – que impõe o repasse de mais recursos para a saúde – sem o item que cria um novo imposto para o Executivo bancar as despesas. A situação crítica de relacionamento entre o Planalto e o Congresso também ficou evidente com a nova rodada de negociações sobre a proposta que modifica as regras de contratação para obras da Copa do Mundo e da Olimpíada. A ideia do governo foi simplificar as licitações ao propor, entre outras coisas, o fim da exigência de empresas apresentarem um projeto inicial antes de o martelo ser batido sobre o resultado da concorrência. A intenção é colocar nas mãos da mesma companhia contratada na licitação todas as fases da obra, mantendo em sigilo, longe da opinião pública e dos eleitores, o orçamento previsto para as construções. O texto do governo foi negociado item por item com os parlamentares e sofreu constantes modificações durante as várias fases de votação no Congresso. A intimidação é a forma que os políticos encontraram para pressionar o governo pela liberação de recursos para obras em seus estados e por nomeações para os cargos ainda vagos. Uma lista de exigências que custa caro ao governo, mas cujo descumprimento pode inviabilizar os projetos da gestão da presidente Dilma. “A situação é delicada porque nenhum líder de partido está confortável para obrigar seus integrantes a seguir orientações palacianas. Não há contrapartida do lado de lá, e todo mundo está muito insatisfeito com o tratamento recebido. Mesmo depois das mudanças nos ministérios, as coisas não estão muito melhores”,

A base aliada reclama que Dilma não distribuiu os cargos do segundo escalão e, em troca, dificulta a vida da presidente Julho, 2011 AméricaEconomia 49

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DEBATES Política relata o líder do PR na Câmara, deputado Lincoln Portela (MG).

MAUS TRATOS

A DEMORA EM TIRAR PALOCCI DE CENA FOI CRITICADA TANTO PELA SITUAÇÃO QUANTO PELA OPOSIÇÃO

satisfação com o governo. Um cenário que surpreende os especialistas, considerando que a presidente iniciou seu mandato tendo a seu lado o maior número de aliados que a história política brasileira já presenciou.

GLEISI SUPERPODEROSA Gleisi Hoffman, a escolhida da presidente para comandar a Casa Civil, tem pouca experiência política. No ano passado, conseguiu se eleger pela primeira vez para um cargo eletivo, depois de ter tentado, sem sucesso, uma vaga no Senado em 2006 e à prefeitura da capital paranaense dois anos depois. Fracassou nos dois casos. Em 2010, foi a primeira mulher eleita pelo Paraná ao Senado e, nos últimos meses, vinha se destacando no parlamento – basicamente, por suas posições duras em defesa do governo e pelas críticas à oposição e aos aliados que não se enquadravam. Comportamento que deu a ela a fama de ser um “trator” quando pretende defender uma

“A gente espera que esse tratamento mude. Devemos participar das decisões importantes”, reivindica Renan Calheiros

ideia ou aprovar uma proposta. Uma postura que agradou Dilma Rousseff, que a conhecia desde os tempos em que a presidente era ministra de Minas e Energia e Gleisi, a diretora financeira de Itaipu. A nova ministra da Casa Civil recebeu a missão de gerenciar de forma técnica os programas do governo. A ideia é separá-la da função desempenhada por Palocci no mesmo cargo, que cuidava pessoalmente das articulações políticas. Em um almoço em sua casa, com a bancada do PT, 15 dias antes do anúncio das mudanças no ministério, a então senadora foi uma das poucas a fazer críticas abertas à interferência do ex-presidente Lula na defesa do então ministro. Gleisi é casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, com quem tem dois filhos. O casal mais poderoso da Esplanada administrará um orçamento de cerca de R$ 11,7 bilhões. A maior parte desse recurso está nas mãos de Gleisi, que terá a missão de coordenar os outros ministérios e comandar projetos vitais para o Executivo, como o Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Foto: Evaristo Sa/AFP

O jogo de poder entre o Executivo e o Legislativo tem sido tenso e comemorado pelos integrantes da oposição, que temiam um massacre, caso todas as legendas que integram a base de sustentação governista cumprissem as ordens vindas do Palácio. “Graças à falta de talento da presidente para negociar e tratar seus aliados, temos conseguido vitórias. Ela pode até, no final das batalhas, aprovar o que deseja. Mas não tem sido fácil como pensavam muitos. Tanto que, frequentemente, gente do governo ameaça votar conosco”, conta o deputado federal Vanderley Macris (PSDB-SP). Aliados e oposição concordam que a presidente tem cometido erros em série no que se refere às relações com o parlamento e à gestão do próprio governo. A avaliação de consenso entre parlamentares é de que Dilma falhou ao insistir na permanência de Palocci, demorando demais a exigir explicações públicas. Os aliados do governo dizem que ela errou também na condução do processo de troca de ministros. Decidida a tirar Palocci e já com o nome de Gleisi Roffman na cabeça, a presidente não comunicou a ninguém sua intenção. Até o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), reclamou que só ficou sabendo da troca poucas horas antes da divulgação pela imprensa. Uma conduta que abriu feridas e fez políticos influentes reclamarem de descaso e de “maus tratos” por parte do governo. “A gente espera que esse tratamento mude. Somos parte do governo e devemos participar de decisões importantes”, resume o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Na prática, o clima no Congresso é de in-

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opinião

crise europeia parece não ter fim. Voltou-se a debater o grau de endividamento dos “Pigs” – Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – e sua capacidade de fazer frente aos vencimentos das dívidas. Quando fazemos as contas na ponta do lápis, dificilmente Grécia, Irlanda e, provavelmente, Portugal sairão dessa sem algum tipo de reestruturação de dívida, seja um alongamento nos prazos de pagamento, seja uma redução “à vista” do volume devido. Espanha provavelmente escapará, mas precisa continuar praticando o duro ajuste fiscal que vem fazendo por mais alguns anos – um remédio amargo (será politicamente palatável?) para quem tem mais de 20% de taxa de desemprego.

A

CAIO MEGALE é mestre em Economia pela PUC-Rio e economista do Itaú BBA (megalecaio@gmail.com).

Por que o bloco europeu, que parecia um grande sucesso alguns anos atrás, chegou a esta situação? A culpa é da moeda única? Há uma lista de pré-requisitos para que uma região econômica seja considerada uma “área monetária ótima”, termo cunhado por Robert Mundell na década de 1960, que lhe rendeu o Prêmio Nobel em 1999 e serviu de embasamento para a formação da zona do euro. Entre eles, a livre mobilidade de trabalho e uma gestão fiscal coordenada. A incapacidade de preencher adequadamente esses requisitos está na raiz do problema atual. Comecemos pelo mercado de trabalho. Tome dois países com a mesma moeda e ganhos semelhantes de produtividade. Se um deles passa a ter maiores aumentos salariais, ele perde competitividade comercial. Assim, é preciso que os trabalhadores se movam em busca dos salários em alta, reduzindo a assimetria e, consequentemente, mantendo estável a competitividade entre os países. Mas o fato é que, apesar do passaporte comum, questões culturais acabaram representando uma barreira. A disparidade entre taxas de desemprego é um sinal. O outro é a forte elevação dos salários na Grécia, em Portugal e na Espanha – países que cresciam acima de seu potencial, impulsionados pelo otimismo da introdução do euro – vis-à-vis Alemanha e França. A alta dos custos laborais representou uma apreciação real do câmbio, corroendo a competitividade. Agora, restam a esses países duas alternativas: ou depreciam o câmbio nominal (o que implica sair do euro e voltar para os escudos, dracmas e pesetas), ou promovem uma recessão profunda para que caiam os salários. E há a questão fiscal. O bloco pode ser dividido entre os mais disciplinados, como Alemanha e Finlândia, e os mais “gastões”, como Portugal e Grécia (sempre eles!). Quando há um descompasso fiscal entre os estados de um país, normalmente o ente federativo faz uma redistribuição dos impostos arrecadados dos estados mais pobres para os mais ricos. E não há uma contabilidade formal de dívida entre eles. Na Europa também houve esse fluxo de transferência de recursos. Mas, como são países independentes, há uma dívida contabilizada. Quando a crise mundial foi deflagrada, em 2008, essas dívidas, que estão em níveis elevados, vieram à tona. Agora resta aos devedores um alto sacrifício fiscal para pagá-la, o que representaria um prolongamento da depressão, ou, aos credores, significaria perdoá-la. Em suma, em que pesem os pacotes paliativos e as deficiências estruturais, existem apenas três saídas aos “Pigs”: forte ajuste fiscal e prolongamento da recessão, reestruturação de dívida ou fim da moeda única. Nenhuma delas será livre de traumas.

Ilustração: Samuel Casal

As raízes da crise europeia

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DEBATES Sucessão presidencial

A campanha permanente de

Humala

FERNANDO CHEVARRÍA, DE LIMA

A MISSÃO DO PRESIDENTE ELEITO DO PERU SERÁ DOSAR AS MEDIDAS SOCIAIS E ECONÔMICAS

em bem Ollanta Humala e sua coalizão de esquerda Gana Perú triunfaram no segundo turno, a pergunta imediata, recorrente e até demandante era saber para onde iria o Peru. Vários analistas colocaram o dilema entre os modelos Chávez ou Lula. Como em política os gestos importam, ou ao menos tranquilizam, a primeira coisa que fez o líder nacionalista como presidente eleito foi se reunir com os dirigentes das associações empresariais e partiu rumo ao Brasil. Humala optou pelo Brasil na tentativa de assimilar políticas sociais inclusivas em um país que, assim como

N

o Peru, surfa entre desigualdades e a prosperidade macroeconômica. Para Marizol Espinoza, eleita primeira vice-presidente e responsável pelas equipes de transição, não é correto encapsular o modelo do Gana Perú como de esquerda, centro ou de direita. Ela repete uma frase: “É o modelo daqueles de cima e daqueles de baixo. Vamos nos preocupar em governar para todos, em especial aqueles de baixo”. O cientista político da Escola de Governo da Universidade de Harvard, Steven Levitsky, considera que Humala é pragmático e manterá as regras do jogo institucional.

Levitsky adverte que o grande desafio para Humala não está entre esses modelos, mas no fato de que terá um estado que não funciona, e é provável que aumentem os conflitos sociais em relação a conta da maior expectativa por sua gestão. Pior ainda, esses conflitos, afirma, serão mais evidenciados pela imprensa. O pesquisador de Harvard considera que os conflitos sociais serão uma primeira pedra, que colocará em dúvida a capacidade de governar de Humala, mas, se o presidente souber conduzi-los bem, pode ser que depois a mídia e os empresários se acalmem. “O gover-

Fotos: Antonio Cruz/ABR

HUMALA ESCOLHEU O BRASIL COMO PRIMEIRO DESTINO DEPOIS DE ELEITO

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no de Humala não será nem forte nem fraco, não concentrará poderes como o de Chávez, porque ele sabe que tentá-lo será um risco muito alto”, acrescenta. Um elemento importante para a governabilidade é a política de alianças estabelecida pelo futuro governo, que não conta com a maioria no Congresso, onde as representações parlamentares estão fragmentadas. Embora o Perú Posible, partido liderado pelo ex-presidente Alejandro Toledo, tenha apoiado o voto no Gana Perú no segundo turno, até agora não foi muito explícito em relação ao grau de aliança que oferecerá ao próximo governo. Para o Gana Perú, é fundamental ter o apoio do Perú Posible para contar com a maioria relativa no Congresso, que lhe permita aprovar as leis do Executivo e, principalmente, iniciar a gestão com uma mesa diretiva presidida pelo oficialismo.

CHOQUE SOCIAL Uma das especulações quanto ao novo governo é a possibilidade de desaparecer o atual Ministério da Mulher e Desenvolvimento Social (Mindes), para se criar um Ministério de Desenvolvimento Social. A crítica ao atual esquema ministerial é que ele foi partidarizado pelos diferentes governos, e existe a necessidade de gerar uma tecnocracia social. Para preencher postos estratégicos nos ministérios, são avaliados nomes de alguns peruanos que trabalham em organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Para isso, será necessário romper com o atual congelamento dos salários dos funcionários públicos, a fim de captar os melhores profissionais para a tarefa. “Queremos acabar com a política de contratar consultores, que, depois de acabarem seu trabalho, ficam apenas na memória”, afirma um dos altos quadros técnicos que preparam essa iniciativa. O porta-voz do Gana Perú, Fredy Otárola, assinala que “o partido revisará a questão dos salários dos funcionários públicos. Suas remunerações

Busca por apoio brasileiro Líderes da América do Sul se aproximam de Dilma No início de junho, Dilma Rousseff recebeu a visita de dois presidentes sul-americanos: Hugo Chávez, da Venezuela, e o recém-eleito Ollanta Humala, do Peru, que escolheu o Brasil como primeiro destino póseleição. Tanto Chávez (que enfrenta problemas de saúde) quanto Humala vieram ao Brasil, na mesma CHÁVEZ SE ENCONTRA COM DILMA EM BRASÍLIA semana, com o objetivo de colocar em prática uma estratégia de aproximação com Dilma, na presidência desde janeiro. Durante os oitos anos de governo Lula, muitas vezes se ouviu do ex-presidente que era preciso aumentar a aproximação com os hermanos da América Latina. Diante da indefinição de Dilma até agora, os dois colegas trataram de tomar a iniciativa. Segundo a análise de Charles Pennaforte, diretor do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais (Cenegri), o objetivo da visita de Chávez, particularmente, foi buscar a continuidade da relação política com o Brasil. Sobre o atual quadro, ele diz: “A eleição de grupos de centro-esquerda fortalecerá a integração latino-americana”. Para Francisco Panizza, pesquisador da Latin American Politics, da London School of Economics Political Science, é notório que o governo Lula se tornou um exemplo de esquerda moderada e exitosa. “A visita dos dois presidentes é um reconhecimento da liderança regional do Brasil. Humala também buscou aproximação com Argentina, Uruguai e Chile. Com exceção parcial da Argentina, são todos países vistos como governos integrados, com políticas sociais vitoriosas e processos políticos moderados”, opina. A forma de conduzir a Venezuela por Chávez já é conhecida. A dúvida, agora, é saber o que acontecerá no Peru, com o novo presidente. Panizza avalia: “Humala disse que o Peru seguirá seu próprio modelo, mas me parece que sua inspiração, definitivamente, será Lula”. PAULA PACHECO, DE SÃO PAULO

são tão baixas que eles migram para o setor privado porque lá ganham mais”. A dificuldade é que a política salarial do setor público sempre é assunto de debate e, em alguns casos, de grande demagogia, que estereotipa qualquer promoção de altos funcionários adequadamente remunerados como se pertencessem a uma planilha dourada. O economista e pesquisador da Universidade Autônoma do México (Unam) Óscar Ugarteche assinala que a turnê de Humala pelos países sul-

-americanos foi acertada, pois são mercados mais dinâmicos que as economias desenvolvidas, e agora é preciso olhar para eles. De qualquer forma, e como um grande desafio imediato, Humala deve gerar, a partir dos primeiros dias de governo, imagens coletivas capazes de nos fazer imaginar que estamos diante de um governo de mudança social, embora de continuidade econômica. Não haverá lua de mel – ele estará em uma campanha permanente. Julho, 2011 AméricaEconomia 55

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A o

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beisebol

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golfe

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bilhar

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t u d o

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500

MAIORES EMPRESAS ÍNDICE 500 DA AMÉRICA LATINA

500 500 5 MAIORES

5050 500 EMPRESAS DA AMÉRICA

1o LUGAR

Petrobras repete a liderança

SETORES E EMPRESAS Introdução Petróleo Mineração Vale Odebrecht Varejo Grupo Pão de Açúcar Telecom Oi Siderurgia Petroquímica Transporte Bebidas Backus Gás Energia ISA HidroAysén Indústria automotiva Cemex

PÁG.

LATINA

64

PÁG. 58 62 68 70 72 74 76 80 82 84 86 88 92 94 96 98 100 102 104 106

ANÁLISES E RANKINGS

Índice de empresas Ranking das 500 As maiores por rentabilidade As maiores por resultados As maiores por balanços As maiores por propriedade As maiores exportadoras As maiores do Brasil As maiores do México As maiores de outros países Movimentos no ranking Metodologia

PÁG.

110 114 134 138 144 148 150 154 156 158 160 162

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MAIORES EMPRESAS INTRODUÇÃO DA AMÉRICA LATINA

Clube do bilhão PELA PRIMEIRA VEZ, TODAS AS EMPRESAS DO RANKING ULTRAPASSARAM VENDAS ANUAIS DE US$ 1 BILHÃO. O CRESCIMENTO MÉDIO DO FATURAMENTO FOI DE 20,4% Evolução das 500 ANO 1991 1992 1993 1994 1995

TOTAL DE VENDAS (US$ MILHÕES) 324.069,8 375.102,7 402.867,2 512.087,0 544.318,2

VENDA VAR. MÍNIMA 3,9% 196,0 15,7% 166,5 7,4% 162,6 27,1% 193,5 6,3% 215,5

1996 1997 1998 1999 2000

553.580,3 645.180,0 629.847,0 624.527,4 881.208,1

1,7% 16,5% -2,4% -0,8% 41,1%

267,2 350,4 316,0 278,5 357,7

2001 2002 2003 2004 2005

855.427,7 831.571,6 938.208,0 1.122.496,6 1.364.398,2

-2,9% -2,8% 12,8% 19,6% 21,6%

331,7 324,9 362,0 464,3 526,2

2006 2007 2008 2009 2010

1.581.618,0 1.955.734,7 1.882.521,8 2.004.608,2 2.338.493,4

15,9% 23,7% -3,7% 6,5% 16,7

570,3 821,8 719,0 901,6 1.052,9

Faça as contas: 500 empresas acima de US$ 1 bilhão. É isso mesmo. Esta edição de nosso ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina inclui apenas aquelas companhias cujas vendas superam a fronteira de US$ 1 bilhão. Trata-se de um novo marco nessa lista preparada por AméricaEconomía Intelligence, que busca descrever o movimento da economia latino-americana por meio das tendências que seguem suas maiores corporações. O fortalecimento das moedas regionais em relação ao dólar em 2010, os bons preços das commodities – graças à demanda até agora insaciável da China – e a robustez de muitos mercados domésticos na América Latina empurraram as vendas das grandes empresas.

Em média, todas as que fazem parte das 500 maiores empresas deste ano aumentaram suas receitas em 24,4% durante 2010. O ano passado foi altamente positivo para a região. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) regional provavelmente vá ficar acima de 6%, segundo estimativas ainda não confirmadas, a região também foi a que mais cresceu no mundo como destino de investimento estrangeiro direto (IED), cerca de 40%, superando os US$ 112 bilhões. A região também teve um recorde como origem de IED, que chegou a US$ 43 bilhões no ano. Esse é um forte sinal da atividade investidora das empresas la-

tino-americanas fora de suas fronteiras. O comércio com a China superou os US$ 183 bilhões em 2010, o que configurou uma alta de mais de 50% em relação ao ano anterior, dinamismo que ajuda a compensar o estancamento da Europa e dos Estados Unidos.

A AL foi a que mais cresceu no mundo como destino de investimento estrangeiro Ao contrário da versão de 2010 desse ranking (que foi integralmente dominada pela expansão das empresas brasileiras), neste ano, o crescimento se dividiu de forma mais balanceada. Enquanto as vendas das empresas brasileiras presentes na lista das 500 cres-

Caixa cheio Número de empresas com vendas superiores a US$ 1 bilhão 600 500 500 437

456 419

400 334 302 300 200

262 234

206

2000

2001

167

219 187

100

0 1999

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

FONTE: AMÉRICAECONOMÍA INTELLIGENCE

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ceram em média 27,1%, as chilenas chegaram a uma expansão de 30,6%, as colombianas, 24,5%, e as peruanas, 24,1%. Até as mexicanas, que tiveram um 2009 para ser esquecido (cresceram apenas 5,3% no ano), registraram crescimento médio de 20,4%. Já o rendimento das companhias argentinas desaponta. Apesar de a economia do país ter apresentado uma alta taxa de expansão em 2010, suas empresas aumentaram apenas 18,1% em vendas, que é uma taxa relativamente baixa na comparação com os países vizinhos. Em termos de quantidade de em-

que passou de 19 para 22 empresas, foi o único país além do Chile a aumentar sua presença. Ao analisar as empresas pelo setor industrial ao qual pertencem, há ganhadores evidentes. O setor automotivo/autopeças, por exemplo. As empresas desse segmento passaram de 31 na lista anterior para 40, um salto maior que o de todos os outros setores. As vendas somadas da área cresceram 38,1%, superadas apenas pela mineração, que aumentou as vendas em 47,2% (com quatro empresas a mais que em 2010), e pela construção, que expandiu 40,6% (três a mais).

Raio-x de vendas 3.500.000,0

1.100,0

3.000.000,0

900,0

Soma de vendas US$ milhões

2.500.000,0 700,0 2.000.000,0 500,0 1.500.000,0 300,0 1.000.000,0 100,0

500.000,0 -

Vendas da empresa nº 500 em US$ milhões

SOMA DAS VENDAS DAS 500 VENDA DA EMPRESA Nº 500

-100,0 91 92 93 94 95 96 97 98

99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 08 10 Anos

FONTE: AMÉRICAECONOMÍA INTELLIGENCE

presas de cada país no ranking, o que mais cresceu foi o Chile: as 65 chilenas que neste ano fazem parte das 500 maiores são dez a mais que no ano passado. O Brasil, por sua vez, perdeu três: de 226 na versão anterior para 223 neste ano. É a primeira vez desde 1999 que o número de companhias brasileiras não cresce de um ano para outro entre as 500. O México, por sua vez, perdeu dois representantes, ficando com 117. Também caíram Colômbia (-4), Argentina (-1) e Venezuela (-3). O Peru,

um retrocesso das empresas estatais, apesar do surgimento de discursos estadistas em vários países. Apenas 34 estatais tiveram vendas suficientes para se juntar ao ranking. Em 2010, foram 37, e no ano anterior, 40. Também caíram as privadas de propriedade estrangeira. Enquanto em 2009 eram 168, neste ano somam apenas 162. As ganhadoras, obviamente, são as empresas privadas de controle latino-americano: passaram de 292 em 2009 para 304.

O TRIUNVIRATO PETROLEIRO O ranking deste ano volta a ser liderado pela Petrobras (no 1), a semiestatal petroleira brasileira, seguida de suas primas estatais, a mexicana Pemex (no 2) e a venezuelana PDVSA (no 3). Contudo, o reinado desse triunvirato no pódio do ranking, que aumentou desde a primeira edição do estudo, em 1990, está sendo ameaçado por duas empresas privadas: a mineradora Vale (no 4) e a telefônica mexicana América Móvil (no 5), ambas com vendas de cerca de US$ 50 bilhões, que vêm crescendo nos últimos anos a taxas que as aproximam perigosamente das gigantes dos hidrocarbonetos. No entanto, quando falamos de crescimento, os nomes que se destacaram em 2010 são outros. A construtora e incorporadora brasileira PDG Realty (no 172) foi a que mostrou a maior taxa de expansão, com um aumento de 175% em vendas. Como geral-

As empresas do setor petroleiro, como Petrobras, Pemex e PDVSA, são as com melhor desempenho em vendas Por outro lado, as que mais perderam participação foram as empresas química e farmacêutica (com seis companhias a menos), além dos setores petroquímico e de energia elétrica (ambos com quatro a menos). O ranking deste ano mostra ainda

mente ocorre nesses casos, a expansão se deve à aquisição de sua concorrente, a Agre Empreendimentos Imobiliários, por US$ 1,955 bilhão, em meados de 2010. A companhia brasileira vem acompanhada pela fabricante de autopeças Julho, 2011 AméricaEconomia 59

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500

MAIORES EMPRESAS INTRODUÇÃO DA AMÉRICA LATINA

mexicana Metalsa (no 451), que empreendeu uma campanha internacional de investimentos nos últimos anos, incluindo uma fábrica na Índia e outra na Venezuela. A empresa de Monterrey cresceu 174%, o que elevou suas

são outros nomes de companhias que mais do que duplicaram suas vendas durante 2010. Por outro lado, a lista das que mais se contraíram é liderada por uma mexicana e duas venezuelanas. A primei-

Do total de 500 empresas com maior receita em 2010, 223 são do Brasil, 117 são mexicanas e 65 são do Chile vendas de US$ 436,7 milhões para US$ 1,196 bilhão. Ela vem seguida bem de perto pela Ipiranga Produtos de Petróleo (no 11), a distribuidora de combustíveis brasileira. A empresa consolidou, durante 2010, a aquisição realizada em 2008 da rede de distribuidoras da Texaco no Brasil, uma reengenharia societária que lhe permitiu passar de uma contabilização de vendas de US$ 8,013 bilhões em 2009 para US$ 21,795 bilhões em 2010. A petroleira colombiana Pacific Rubiales (no 343), a brasileira Samarco Mineração (no 144), a chilena Minera del Pacífico (no 422) e a colombiana Empresas Públicas de Medellín (no 119)

US$ 5,896 bilhões para US$ 3,885 bilhões, um retrocesso de 34,1%. A Bunge Fertilizantes do Brasil (no 282), a Gas Natural Fenosa de México (no 453), a filial mexicana da Chrysler (no 83) e a elétrica brasileira Equatorial (no 491) são outras que tiveram retrações em suas vendas em patamares médios de 25% durante o ano passado.

ESTRELAS DA ÚLTIMA LINHA

ra é a filial mexicana da empresa de eletrônicos americana Sanmina-SCI Systems (no 371), cujas vendas caíram 54%, recuando de US$ 3,3 bilhões para US$ 1,5 bilhão. Em seguida, vem a filial venezuelana da espanhola Movistar (no 176), que caiu 43%, vendendo apenas US$ 3,072 bilhões em 2010. Bem próxima está a CANTV (no 167), a outrora bem-sucedida empresa de telecomunicações venezuelana que foi renacionalizada em 2007 pelo governo de Hugo Chávez. Suas receitas caíram 41%, indo de US$ 5,492 bilhões em 2009 para US$ 3,217 bilhões em 2010. Ela vem seguida na lista pela varejista brasileira Casas Bahia (no 137), que recuou de

As corporações que mais geraram lucros são velhas conhecidas. O primeiro lugar é da Petrobras: US$ 21,119 bilhões. Ela vem seguida bem de perto pela mineradora brasileira Vale, com US$ 18,047 bilhões. Um pouco mais abaixo estão a mineradora chilena Codelco (no 20), com US$ 9,1 bilhões, e a América Móvil, com US$ 7,4 bilhões. A cervejeira Ambev (no 22), do Brasil, e a mineradora chilena Escondida (no 51) seguem no ranking de grandes geradoras de lucros. Por outro lado, a Pemex mantémse como a empresa que mostra maiores perdas contábeis: US$ 3,8 bilhões em prejuízos em 2010. O número, contudo, representa apenas a metade das perdas de 2009. A empresa vem surpreendentemente seguida por sua compa-

As 500 por país NÚMERO DE EMPRESAS

RK 2010

VENDAS TOTAIS (US$ MILHÕES)

PAÍS 2005

2006

2007

2008

2009

2010

2005

2006

2007

2008

2009

956.790,2 1.162.356,3 580.695,4 600.552,6 152.323,9 211.358,9 105.376,7 113.654,2 85.001,7 101.218,6

1 2 3 4 5

BRASIL MÉXICO CHILE ARGENTINA VENEZUELA

204 138 54 36 11

207 111 63 41 12

211 134 55 36 7

212 126 60 35 7

226 119 55 33 6

223 117 65 32 3

534.077,5 490.811,1 103.043,9 65.585,2 98.294,2

610.088,2 532.016,3 137.953,1 88.240,6 118.360,8

825.018,2 645.721,6 158.345,4 107.736,8 109.557,5

746.786,7 588.245,5 164.322,2 117.493,5 147.586,6

6 7 8 9 10

COLÔMBIA PERU EQUADOR COSTA RICA BOLÍVIA

30 12 5 4 -

35 18 3 3 -

31 15 3 3 -

28 21 3 3 -

30 19 3 3 1

26 22 3 3 1

36.037,8 16.368,3 8.210,6 6.072,0 -

46.945,5 26.085,2 8.684,0 4.640,4 -

58.597,4 29.091,7 9.444,4 5.594,2 -

59.484,0 32.300,0 13.182,6 6.180,8 -

2 2 1 1 500

2 2 1 2 500

2 2 1 500

2 2 1 500

2 2 1 500

2 1 2 500

11 12 13 14 15

URUGUAI BRASIL/PARAGUAI

PANAMÁ EL SALVADOR GUATEMALA TOTAL

2010

VAR % 10/09

PARTIC. % 2010

27,1 20,4 30,6 18,1 -19,3

44,6 23,4 13,0 6,4 0,6

74.797,4 40.320,3 12.057,7 7.051,9 4.400,0

24,5 24,1 13,4 9,7 14,4

5,2 4,4 0,6 0,6 0,2

2.188,3 2.230,7 2.933,0 2.725,9 3.295,8 3.851,9 3.450,5 1.817,7 2.294,0 2.756,5 3.273,9 3.253,4 3.423,2 791,7 928,3 938,0 940,0 940,0 1.100,0 3.151,0 1.364.398,2 1.581.618,0 1.955.734,7 1.882.521,8 2.004.608,2 2.338.493,4

-0,7 -0,9 6,5 24,4

0,4 0,2 0,4 100,0

65.998,8 29.782,7 10.525,2 6.624,3 4.000,0

60 AméricaEconomia Julho, 2011

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As 500 por setor NÚMERO DE EMPRESAS RK 2010 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28

SETOR PETRÓLEO/GÁS COMÉRCIO TELECOMUNICAÇÕES ENERGIA ELÉTRICA AUTOMOB./AUTOPEÇAS MINERAÇÃO SIDERURGIA/METALURGIA MULTISSETOR AGROINDÚSTRIA BEBIDAS ALIMENTOS CONSTRUÇÃO TRANSPORTE/LOGÍSTICA ELETRÔNICA PETROQUÍMICA QUÍMICA/FARMÁCIA CIMENTO CELULOSE/PAPEL SERVIÇOS BÁSICOS MÍDIA SERVIÇOS DE SAÚDE SERVIÇOS GERAIS MANUFATURA TÊXTIL/CALÇADO IND. AEROESPACIAL MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS SOFTWARE E DADOS INDÚSTRIA GRÁFICA TOTAL

VENDAS TOTAIS (US$ MILHÕES)

2005 2006 2007 2008 2009 2010 34 71 45 45 29 27 42 25 15 18 26 9 19 14 36 36 7 11 8 7 3 5 1 3 500

35 72 43 46 31 36 36 29 14 19 24 9 15 11 13 17 8 12 3 7 4 5 4 4 1 2 500

32 70 41 44 33 33 40 14 20 15 24 13 17 20 14 20 7 9 6 6 6 2 8 2 1 3 500

37 74 37 43 33 32 36 15 19 15 25 13 19 20 14 18 6 10 6 5 6 2 8 2 1 4 500

38 74 35 53 31 31 24 17 17 17 23 20 18 21 12 21 6 7 6 5 8 2 6 4 1 3 500

38 74 36 49 40 35 27 15 18 16 20 23 18 19 8 15 6 9 6 5 5 2 5 6 1 2 1 1 500

2005

2006

2007

2008

2009

2010

377.666,0 140.382,6 124.363,2 92.450,9 76.646,6 64.959,4 90.537,8 86.221,7 26.965,8 49.835,4 38.333,2 10.384,2 29.761,5 22.359,2 57.268,7 57.268,7 23.214,1 14.500,8 11.125,1 9.403,7 2.409,1 2.969,6 3.902,0 4.528,6 1.364.398,2

447.073,3 162.591,0 141.873,6 104.646,7 91.997,7 103.226,0 94.909,0 108.558,0 26.685,1 58.308,4 37.604,0 12.761,3 23.521,4 18.937,8 43.633,7 16.502,6 27.952,5 16.750,8 4.733,5 10.854,6 3.244,3 9.125,2 4.006,9 3.664,8 3.912,0 4.543,8 1.581.618,0

494.022,7 196.662,9 170.013,1 130.432,0 123.943,5 126.094,4 147.002,5 92.377,7 58.003,6 63.686,9 52.408,6 21.110,4 31.737,8 42.521,0 57.552,8 29.687,9 33.963,3 18.576,4 11.526,5 12.237,4 7.153,9 7.779,2 13.310,4 3.130,5 5.636,2 5.163,1 1.955.734,7

506.996,6 187.507,1 148.210,3 119.015,4 118.340,7 107.332,4 138.910,3 88.093,6 64.640,5 54.849,0 53.102,5 23.125,7 35.454,1 44.675,7 59.191,1 27.610,5 28.096,7 17.035,6 9.846,7 10.475,1 7.764,4 7.025,3 12.037,3 2.169,0 5.026,4 5.989,9 1.882.521,8

454.060,0 230.735,7 184.088,1 147.918,2 122.098,9 97.383,1 94.523,9 110.111,5 84.006,5 73.723,4 71.827,8 41.292,2 36.448,5 50.614,8 54.573,4 33.289,3 28.738,3 16.618,9 13.508,4 13.484,7 10.791,7 8.906,9 8.501,8 4.853,9 6.209,9 6.298,4 2.004.608,2

537.149,2 281.654,6 205.493,1 167.669,3 153.380,6 149.119,5 127.444,3 123.439,6 108.425,8 79.009,8 65.836,0 54.156,9 46.787,7 45.000,0 30.948,3 29.706,1 26.271,8 22.760,6 18.798,3 15.894,2 10.137,6 9.441,4 8.360,5 8.291,8 5.630,0 3.726,8 2.396,4 1.563,1 2.338.493,4

O maior lucro por funcionário foi obtido pela mineradora chilena Escondida, com US$ 985,9 mil por trabalhador triota, a fabricante de cimentos Cemex (no 24). O orgulho do corporativismo global do México teve de amargar números negativos de US$ 1,4 bilhão em 2010, contra um lucro de US$ 107,9 milhões em 2009. A empresa que gerou o maior lucro em relação às vendas (margem líquida) foi a chilena Minera del Pacífico, com uma relação de 71%. Também foi uma mineradora chilena que alcançou o maior nível de lucros como porcentagem dos ativos (ROA). Trata-se

da Anglo American Norte (no 269), com 87,9%. A companhia que obteve o maior lucro por funcionário é outra mineradora chilena: a Escondida, que obteve US$ 985,9 mil de lucro por cada trabalhador em seus quadros. A única que rompe o monopólio das mineradoras chilenas em termos de rentabilidade é a filial colombiana da Chevron Petroleum (no 352), que supera todas no lucro sobre patrimônio (ROE), com 91,7% em 2010. Essas empresas se destacaram em

VAR % PARTICIP. 10/09 % 2010 27,8 22,4 10,3 18,8 38,1 47,2 28,0 15,2 22,9 15,7 14,1 40,4 32,9 11,5 21,6 15,8 3,9 24,5 37,4 13,5 23,4 (0,7) 21,0 16,2 (9,3) 35,9 20,6 (0,1) 24,4

7,6 14,8 7,2 9,8 8,0 7,0 5,4 3,0 3,6 3,2 4,0 4,6 3,6 3,8 1,6 3,0 1,2 1,8 1,2 1,0 1,0 0,4 1,0 1,2 0,2 0,4 0,2 0,2 100,0

um ano em que a média geral não brilhou nas taxas de rentabilidade. Enquanto em 2009 o ROE médio das 500 maiores empresas alcançou 18%, em 2010 foi de apenas 17,2%. Em 2009 o ROA médio foi de 7,0%, em 2010 a taxa chegou a 7,9%. A margem líquida teve um avanço de 10% para 10,5% no mesmo período. Isso é consistente para empresas que avançam em alta velocidade e privilegiam o aumento de tamanho e participação de mercado sobre a melhora de rentabilidade para seus acionistas. Enquanto esse ritmo não proporciona a capacidade de gerar fluxos futuros, as contas continuarão sendo expressivas. Julho, 2011 AméricaEconomia 61

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA PETRÓLEO

Sim, o petróleo

é nosso

TANTO O PRÉ-SAL BRASILEIRO QUANTO AS JAZIDAS NÃO CONVENCIONAIS NA ARGENTINA PROMETEM TRANSFORMAR A AMÉRICA LATINA NA NOVA PROMESSA DO OURO NEGRO ão é um nome promissor: Vaca Morta. Mas pode esconder centenas, talvez milhares de milhões de dólares em ouro negro. Trata-se de uma formação geológica localizada na província de Neuquén, no sul da Argentina, onde a gigante petroleira Repsol-YPF está apostando no shale oil, ou “petróleo de xisto”. Para extrair o shale gas, é preciso fragmentar a rocha onde o óleo está, injetando água e produtos químicos. O processo é caro, mas se tornou atraente em função dos preços atuais do petróleo cru. A empresa anunciou uma novidade: a reserva da região seria de cerca de 150 milhões de barris de petróleo cru, a descoberta mais importante dos últimos 20 anos, e algo como 8% das reservas atuais do país. Apesar do ceticismo levantado, é uma mostra do grande potencial que a

N

América Latina ainda tem em recursos petroleiros “não convencionais”. Até agora, o mais conhecido era o petróleo extrapesado da Venezuela, produzido em larga escala por grandes grupos privados, como Total e Chevron, em conjunto com a PDVSA. Os subsolos de Peru, Colômbia e Equador também ocultariam esses óleos altamente viscosos, mas ainda não há comprovação quanto a possíveis reservas. Mas nem todos os hidrocarbonetos remanescentes são tão pesados. Alguns, literalmente, flutuariam no ar. Segundo um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) – publicado em abril e intitulado World Shale Gas Resources, an Inicial Assessment of 14 Regions Outside the United States –, quando falamos de gás, os recursos “tecnicamente recuperáveis” da América Latina chegam a 1,225 trilhão de pés cúbicos

(Tpc): cinco vezes o volume atual dos recursos gasosos comprovados da região e, aproximadamente, a sexta parte do total de gás de xisto no mundo. No fim do ano passado, a YPF anunciou a descoberta de 4,5 Tpc de gás de xisto na Argentina: uma verdadeira bonança, considerando-se que as reservas atuais do país são de 12,2 Tpc. Trata-se de uma exploração extremamente complexa, técnica e economicamente, com uma taxa de recuperação do minério de aproximadamente 5%, muito inferior aos 30% ou 35% que regem as jazidas convencionais. “Ajudarão a experiência já acumulada nos Estados Unidos nesse tipo de exploração, a baixa nos custos da tecnologia e a manutenção dos preços em um nível elevado”, afirma Christopher Gonçalves, vice-presidente da consultoria americana Charles River Asso-

Fotos: Shutterstock

BARBARA VIGNAUX, DE BUENOS AIRES

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ciates. “Mas podem se passar de cinco rá alcançar cerca de 6 Mbep (milhões Canadá, da Inglaterra, da Noruega ou a dez anos antes de a produção aumende barris equivalentes de petróleo) por dos Estados Unidos. tar de forma significativa.” dia em 2020, dos quais 1 Mbep/d saiUm exemplo é Eike Batista, cuja Atualmente, “falta implementar rá do pré-sal. empresa OGX não existia há quatro um verdadeiro programa nacional de E, em se tratando de perspectivas, anos. O interessante é que a OGX opincentivo à exploração e ao desenvola atual expansão do Canal do Panamá tou por uma exploração absolutamenvimento, que poderia fazer com que permitirá, em 2015, exportar não apete convencional onshore e no mar poua Argentina se tornasse, para o gás, o nas a partir do Brasil, mas sim de toda co profundo do Brasil. que o Brasil é para o petróleo: um novo a faixa do Oceano Atlântico, para saciar Mas o paraíso das juniores na Améeldorado”, afirma Alain Petitjean, gea sede asiática por hidrocarbonetos. Esrica Latina continua sendo a Argentina. rente geral da Total Gas y Electricidad, se é um dado levado muito em conta pe“Com muito esforço, mas pouco capital: na Argentina. las empresas chinesas na hora de invesde US$ 1,5 milhão a US$ 3 milhões por O “Eldorado brasileiro” são as tir no Brasil e na Venezuela. “Todos os poço, é fácil multiplicar por dois a proenormes jazidas descobertas em 2007 grandes grupos internacionais fazem dução em um campo maduro”, explica e conhecidas como “pré-sal”: entre 8,1 fila para participar da aventura do préArturo Vilas, consultor independente. e 9,6 bilhões de barris de petróleo equisal”, comenta um executivo do setor. Para Vilas, “as juniores não se devalente (ou Gbep, uma mistura de gás e dicarão à exploração não convencioNOVOS JOGADORES petróleo), soma consideravelmente sunal, salvo talvez pelo tight gas – depóNo tabuleiro também resta espaço paperior a das reservas atuais do Equasitos pouco porosos e permeáveis que ra novos jogadores de segunda divisão. dor, por exemplo. contêm gás –, cuja exploração é tec“No Brasil, é muito provável que sur“Essa descoberta, impossível de nicamente menos arriscada e custosa jam atores independentes nas pequenas imaginar há dez anos, trouxe muita que a do gás de xisto”. Gonçalves, da jazidas que a Petrobras deixará de lado esperança ao setor”, afirma Pierre TerCharles River, discorda. “Nos Estados para se concentrar na área do pré-sal”, zian, diretor da revista especializada Unidos, a revolução do gás de xisto foi comenta Terzian, da Petrostrategies. Petrostrategies, da França. Nesse sentiliderada por pequenas empresas indeEle se refere a empresas de tamado, “a América Latina aparece hoje copendentes”, afirma. nho modesto, flexíveis, reativas, nasmo uma das regiões do mundo onde tuEntre os candidatos à exploração cidas durante a década passada na Codo é possível”. do recurso na Argentina encontram-se lômbia, no Peru e na Argentina, graças Mas há um detalhe: o petróleo entanto o mastodonte mundial Exxonao elevado preço do petróleo, que ocucontra-se a 5 mil metros de profundidaMobil quanto a pequena e jovem ameparam o terreno deixado pelas grandes de no mar e coberto por uma camada ricana EOG Resources. Qual das duas operadoras. Sua capitalização em bolde sal de até 2,5 mil metros de espessuirá se impor? Não importa muito: o bolsa não supera os US$ 3 bilhões e, norra. O primeiro poço, no campo de Luso estava vazio, e agora surgiu uma carmalmente, estão inscritas nas bolsas do la (antigo Tupi), na Bacia de Santos, teira nova, cheia de energia. custou a bagatela de US$ 280 milhões, destaca Yves Mathieu, geólogo que tra- PETRÓLEO balhou por anos para o InsVENDAS VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM *** RK ROE* ROA** RK EMPRESA PAÍS 2010 US$ VENDAS 2010 US$ LUCRO DE LUCRO tituto Francês de Petróleo: 2010 (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) “Não há mais de dez em16,5 1 22,0 21.119,5 26,9 11,5 6,8 1 PETROBRAS BRA 128.000,0 presas no mundo capazes de atuar em um ambiente se-3,7 2 24,5 -3.843,3 47,0 - -3,4 2 PEMEX MÉX 103.814,2 melhante de custos”. 3,4 3 26,6 3.202,0 -27,1 4,2 2,3 3 PDVSA 94.929,0 VEN Se conseguir tornar viá2,1 6 25,4 844,8 0,6 15,2 9,6 4 PETROBRAS DISTRIBUIDORA 39.655,8 BRA vel essa exploração, o Brasil 1,8 10 22,9 459,3 71,3 14,9 5,9 5 ULTRAPAR 25.496,2 BRA poderá se tornar autossufi1,6 11 172,0 352,2 723,9 24,2 8,1 6 IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO BRA 21.795,5 ciente em termos energéticos dentro de sete ou oito anos, 19,4 12 19,2 4.194,3 61,3 20,1 12,8 7 ECOPETROL 21.610,7 COL com chance de chegar a ser, 13,1 36 22,9 1.443,9 58,6 30,4 12,4 8 YPF 11.013,0 ARG até, uma espécie de Arábia 16,0 N.D. 50 9.343,6 9 PETROECUADOR (1) EQU Saudita sul-americana, co15,3 70,1 -65,0 15,4 1,2 0,9 64 8.179,9 CHI 10 ENAP mo sonham alguns. A pro*ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral N.D. – Não Divulgado; (1) Estimativa dução da Petrobras deveJulho, 2011 AméricaEconomia 63

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA PETRÓLEO

Barris cada vez mais cheios A PETROBRAS REPETE A LIDERANÇA NO RANKING, MAS FALTA À MULTINACIONAL AUMENTAR A AUTONOMIA EM RELAÇÃO AO PRINCIPAL ACIONISTA, O GOVERNO PAULA PACHECO, DE SÃO PAULO

A PETROBRAS ANUNCIOU, NO FIM DE JUNHO, A MAIOR DESCOBERTA NA CAMADA DO PRÉ-SAL DA BACIA DE CAMPOS, NO LITORAL FLUMINENSE

udo que parecia ser promessa e excesso de otimismo quando se falava a respeito da produção de petróleo no Brasil começa a se tornar mais palpável. Segundo projeção recente da Agência Internacional de Energia (AIE), o país terá, em 2016, o segundo maior aumento na produção

T

da commodity fora do cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Assim, o Brasil terá mais consumidores dependentes de sua produção. Cerca de 70% do aumento da extração do petróleo virá do pré-sal. A estrela dessa história será a Petrobras. Seus resultados financeiros são

exuberantes ano após ano, tanto que a petroleira brasileira ficou mais uma vez com o primeiro lugar no ranking de AméricaEconomia. Em 2010, as vendas chegaram a US$ 128 bilhões – 22% a mais em relação a 2009. O resultado tem a ver com o preço do barril, que aumentou, e com o crescimento do con-

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Fotos: Agência Petrobras

sumo da commodity, segundo o relatório setorial do Banco Fator. De acordo com o estudo, a tendência mundial é que a oferta de petróleo não consiga acompanhar a alta da demanda. Ponto positivo para a Petrobras, que deverá tirar vantagem de uma provável alta da cotação. Para 2020, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, calcula que a produção será de 6 milhões de barris por dia. Hoje, são 2 milhões de barris extraídos diariamente. Se, por um lado, a produção está garantida, há problemas internos a serem resolvidos. Em 2010, ano de eleição presidencial no Brasil, o principal acionista da Petrobras, o governo, tratou de sepultar qualquer possibilidade de reajuste no preço da gasolina, mesmo com a cotação da commodity em ritmo ascendente. Graças a essa combinação de fatores – cenário internacional favorável e interferência governamental –, nem sempre o mercado reage bem ao que se passa com a Petrobras. Ao mesmo tempo em que as ações da multinacional brasileira estão entre as queridinhas dos investidores, deixam os mais observadores ressabiados. Para o professor e especialista Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), ainda que previsões como a da Agência Internacional de Energia sejam promissoras para a Petrobras, o futuro poderia ser bem melhor. “A companhia é excessivamente politizada, com o governo controlando o preço dos combustíveis. O caixa da companhia fica prejudicado pelo subsídio dado à gasolina.” Outro exemplo citado por Pires é o do etanol. Mais de uma vez o governo falou que a petroleira deveria ser protagonista na produção do derivado de cana-de-açúcar para conter a alta do preço do produto na entressafra. “A margem de lucro do etanol é bem menor. Esta não é a vocação da Petrobras. O mercado precifica essa politização da empresa, por isso as ações estão com um preço tão abaixo do que se viu há alguns anos”, opina.

DA SALA 3D, OS TÉCNICOS DA PETROBRAS ACOMPANHAM TUDO QUE ACONTECE NA BACIA DE CAMPOS

Fatos como esse fizeram com que o valor de mercado da empresa, calculado com base na cotação da ação na BM&FBovespa, caísse muito. “Em 2008, por exemplo, a ação da Petrobras valia o dobro do que vale hoje. Naquela época, o papel estava na casa dos R$ 46 e, hoje, é cotado por volta de R$ 23”, diz Pires. O preço-alvo da ação, segundo analistas do Fator, é R$ 34. Analista da Geração Futuro, Lucas Mattioni Brendler acredita que há mais motivos para comemorar do que para se preocupar. “Não enxergo no futuro uma queda acentuada no preço internacional do petróleo. No Brasil, por exemplo, contamos com o fato de a frota de veículos estar em constante crescimento, assim como a renda do trabalhador. Tudo isso eleva o consumo de petróleo, seja na bomba de combustível ou nos produtos que usam seus derivados”, avalia. No ano passado, só o consumo brasileiro de querosene de aviação cresceu 20%.

DICOTOMIA Entre as avaliações negativas sobre as interferências políticas na Petrobras e o cenário favorável ao aumento do consumo do petróleo, o fato é que muitas das apostas da companhia no que diz respeito à prospecção de petróleo têm vingado, o que deve se traduzir, no futuro,

em um aumento da geração de caixa. No mês passado, a Petrobras anunciou uma série de descobertas de áreas de petróleo e gás. De uma só tacada, comunicou ao mercado três descobertas importantes, duas de petróleo e uma de gás no Golfo do México, nos Estados Unidos, na concessão Keathley Canyon. Trata-se, segundo os especialistas internacionais, de uma das maiores descobertas da última década. O consórcio conta ainda com a ExxonMobil e a Eni. Atualmente, a Petrobras é dona de 187 blocos na costa americana, sozinha ou por meio de parcerias. Ao todo, 125 desses blocos são operados pela companhia brasileira. No mesmo dia do anúncio nos EUA, a petroleira informou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ter encontrado acúmulo de hidrocarbonetos em dois blocos exploratórios no litoral brasileiro. Apenas 20 dias depois, uma notícia ainda mais importante. O consórcio do qual fazem parte a Petrobras (com 30% de participação), a Repsol Sinopec (35%) e a Statoil (35%) encontrou óleo na camada do pré-sal da bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pelo grupo de petroleiras, trata-se da maior descoberta no pré-sal em um poço nessa bacia, com petróleo de boa qualidade. Julho, 2011 AméricaEconomia 65

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA PETRÓLEO

“A estabilidade política e o crescimento estimulam investimentos na AL” José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, tem US$ 93,7 bilhões em caixa para investir em 2011 PAULA PACHECO, DE SÃO PAULO

AE • Em 2010, a empresa não conseguiu cumprir a meta de investimentos. O mesmo deve acontecer em 2011. Isso leva a um acúmulo de caixa para investimentos futuros? Pode haver um atraso em projetos relacionados ao pré-sal? Gabrielli • Em 2010, investimos o valor recorde de R$ 75,4 bilhões, o que representou um aumento de 8% sobre o ano anterior. Para 2011, a previsão de investimentos é de R$ 93,7 bilhões. Importante lembrar que o orçamento de investimentos é uma estimativa, e a companhia faz um esforço permanente para reduzir custos e manter as metas de produção. Já estamos produzindo cerca de 100 mil barris do pré-sal em escala comercial, piloto e sistemas de testes de longa duração. Também já assinamos contrato para construção de oito plataformas de produção, destinadas aos projetos definitivos de produção no pré-sal. Não há qualquer atraso em nosso cronograma nem dificuldades de recursos financeiros para implantação dos projetos que estamos prevendo. AE • O que mais pesou no aumento da receita em 2010? Crescimento de produção ou alta do petróleo? Gabrielli • Certamente, o aumento da produção. O volume de derivados e gás natural vendido no mercado brasileiro foi 13% superior ao de 2009. Em 2010, o aumento de 17% de nossa receita de vendas e do lucro líquido, que atingiu R$ 35,2 bilhões, refletiu também a expansão da economia brasileira, o crescimento da produção de petróleo e gás natural, o aumento dos volumes de vendas de derivados no Brasil e a recuperação das cotações internacionais de petróleo.

AE • A Petrobras é líder na exploração de petróleo em águas profundas. A empresa se prepara também para liderar outras frentes? Gabrielli • A Petrobras é a companhia brasileira que mais investe em pesquisa e desenvolvimento tecnológico e caminha para ser referência mundial em biocombustíveis. Em 2010, foi aplicado R$ 1,8 bilhão nessa área, com destaque para a duplicação do Cenpes [Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello], um dos maiores do mundo. O Cenpes é fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias em todos os segmentos de atuação da companhia, inclusive a produção de petróleo no pré-sal. Além da duplicação do centro de pesquisas, participamos de projetos que ampliaram em mais de quatro vezes o espaço destinado a laboratórios de pesquisa nas dezenas de instituições, universidades e centros, em 50 redes temáticas no país. Somos, também, a empresa com maior número de plataformas em águas profundas e ultraprofundas, com cerca de 22% das atividades nesses horizontes no mundo. Temos forte presença mundial em exploração e produção de petróleo e gás natural. GABRIELLI SOBRE O PRÉ-SAL: “NÃO HÁ QUALQUER ATRASO EM NOSSO CRONOGRAMA”

Foto: Paulo Fridman/Getty Images

AméricaEconomia • Há um clima mais favorável, que justifique a aposta em novos projetos na América Latina? José Sergio Gabrielli • A estabilidade política latino-americana, aliada às significativas taxas de crescimento econômico, ao compromisso de respeito aos contratos celebrados e à busca de aproximação política entre os países, desenha um ambiente de negócios favorável, que estimula o investimento. A sustentabilidade desse ambiente, a expectativa dos retornos dos investimentos e o alinhamento estratégico das oportunidades que se apresentarem definirão, para a Petrobras, as apostas mais adequadas. A Petrobras atua na América Latina, além do Brasil, há mais de três décadas. Somente neste ano a empresa investirá US$ 1,3 bilhão na região. Os projetos da Petrobras têm foco na exploração e na produção de petróleo e gás.

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA MINERAÇÃO

Demanda a perder de

vi$ta

A ATIVIDADE MINERAL VIVE UM SUPERCICLO, E A AMÉRICA LATINA CONTA COM BILHÕES DE DÓLARES EM PROJETOS

mbora as empresas de mineração da América Latina estejam nadando em lucros recordes em função da forte demanda chinesa e dos preços estratosféricos de minérios, estão cercadas por todos os lados por adversários que querem uma fatia do bonecedoras a lo: de contratadas e fornecedoras omunisindicatos, governos e comunidades locais. xeDois anos atrás, executivos da mineração lamentavam a passagem dos superciclos das commodities, um período de preços incandescentes de metais, bombeados pela forte demanda chinesa e pela escassez de novas minas. Agora, parece que o superciclo está de volta, para ficar. Apesar dos esfor-ços de Pequim para poanda dar a inflação, a demanda nério de da China por cobre, minério ferro e outros minerais produzidos ora latino-amepela indústria mineradora ricana continua forte. A China consumia, 20 anos atrás, 300 mil toneladas de cobre. No ano passado, foram 7 milhões de toneladas. Até 2016, o consumo chinês deve

E

atingir 12 milhões de toneladas. Mesmo que a China acabe diminuindo o ritmo, outras grandes economias emergentes, como Índia, Brasil e Indonésia, estão esperando na fila. “Ninguém es-

tá disposto a dizer quando o superciclo acabará,” afirma Colin Becker, parceiro da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) Chile.

Em resposta, as mineradoras estão se preparando para gastar valores sem precedentes em novas minas e expansões. E, dos US$ 300 bilhões em investimentos planejados para a próxima década, dois terços estão focados na América Latina, afirma Alberto Salas, presiden presidente da Associação de Mineraçã da América LatiMineração O na, a Olami. A maioria será inve vestida no Brasil (US$ 7 70 bilhões), no Chile (US$ 65 bilhões) e no Peru (US$ 42 bilhões). Mas outros países estão esperando ser considerados nesse bolo. Desses, Colômbia e México talvez sejam os mais promissores. O governo de Bogotá está graduaalmente retomando o pa país do poder das guerrilha rilhas, abrindo-se mais a empres empresas. Mas, no México, a maré parece pa estar correndo no sentido co contrário, com as cidades sendo tomada tomadas por uma guerra entre cartéis de drogas. A Argentina é outra fronteira promissora, mas o país ainda não se decidiu sobre a mineração. Enquanto a Província de San Juan recebe a minera-

Foto: Yan jun/AFP

TOM AZZOPARDI, DE SANTIAGO

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ras começam a se adaptar ao novo cemil cada vez que um novo acordo de sação de braços abertos, a vizinha Mennário com a assinatura de contratos de lários é discutido. Com os preços do codoza faz o possível para bani-la. compartilhamento de riscos com granbre de volta a mais de US$ 4 por libra, as Para alguns, os enormes investides fornecedores. mineradoras acham mais barato pagar mentos planejados para a próxima déSuperar a escassez de mão de obra do que correr o risco de perder a producada não são apenas uma questão de será difícil. Depois de anos de poucos ção em função de greves. explorar a boa fase. São uma questão investimentos, a indústria mineradora Enquanto isso, a tributação sobre de sobrevivência. Essa é a situação enestá começando a buscar universidades as minas está aumentando no mundo frentada pela chilena Codelco. A maior para fornecer os engenheiros que irão todo. No ano passado, o Chile anunprodutora de cobre do mundo costuconstruir e operar as minas do futuro. ciou um elevado aumento nos royalties ra investimentos de cerca de US$ 30 Apenas no Chile, a indústria poderia da mineração, aparentemente para ajubilhões até 2020, mas, em vez de expanenfrentar uma escassez de até 14 mil dar a reconstruir o país após um terredir a produção, a maior parte do investiprofissionais, segundo o Instituto de moto devastador, mas o problema real mento será usada para substituir minas Engenheiros Mineradores do país. será após 2018, quando a alíquota máque estão perto de se esgotar. O desafio é imenso. Um nível de minas completamen- MINERAÇÃO te novo deve ser construído VENDAS VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM *** RK ROE* ROA** RK em El Teniente, que já é a EMPRESA PAÍS 2010 US$ VENDAS 2010 US$ LUCRO DE LUCRO 2010 (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) maior mina subterrânea do mundo. O último nível de36,1 4 79,3 18.047,1 206,6 26,8 14,0 1 VALE 49.949,0 BRA morou meio século para ser 11,7 20 32,3 1.876,3 48,7 41,4 9,3 2 CODELCO 16.065,9 CHI cavado. Os engenheiros da 47,1 51 30,3 4.338,2 35,6 79,6 52,5 3 ESCONDIDA 9.211,5 CHI Codelco esperam construir o próximo em menos de uma 20,4 62 65,7 1.696,2 89,5 22,9 10,6 4 GRUPO MÉXICO 8.320,1 MÉX década. E têm por objetivo 10,1 95 51,7 525,1 32,0 25,6 11,7 5 INDUSTRIAS PEÑOLES 5.202,7 MÉX construir uma mina subter23,0 112 54,5 1.051,8 57,5 14,0 9,1 6 ANTOFAGASTA PLC 4.577,1 CHI rânea igualmente grande sob 52,1 135 22,5 2.047,9 30,9 43,1 43,1 7 COLLAHUASI 3.928,9 CHI o solo da mina de poço aber36,0 144 131,7 1.349,0 59,2 - 40,5 8 SAMARCO MINERAÇÃO 3.745,3 BRA to de Chuquicamata. 50,1 164 62,3 1.646,7 72,2 46,4 46,4 9 LOS PELAMBRES 3.285,8 CHI As novas minas que a Codelco deve construir para aten41,8 1.208,0 70,9 57,0 40,3 38,3 170 10 SOUTHERN PERÚ COPPER CORP. PER 3.153,5 der a demanda por recursos *ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral serão mais profundas e mais As condições naturais voláteis tamxima quase triplicará, chegando a 14%. complexas que as do passado, com bém têm jogado duro com os mercados O Brasil e a Colômbia pensam em augraus de minério mais baixos e em locade commodities, afirma Becker, aponmentar os royalties. Desesperadas palidades que são tanto física quanto politando para as enormes enchentes no ra expandir, as mineradoras têm pouca ticamente mais difíceis. nordeste da Austrália e os fortes terreopção, a não ser pagar. Muitas das novas minas de cobre e motos no Japão. Tudo isso contribuirá Não são apenas os trabalhadores e ouro do Chile serão construídas quatro para manter a lacuna entre oferta e deos governos que querem uma fatia do a cinco quilômetros acima do nível do manda e manter os preços altos. bolo. As comunidades sabem o quanto mar. A Antofagasta Minerals está de Enquanto a indústria lida com seus vale sua aprovação para as mineradoolho no volátil Paquistão, até recenteproblemas internos, do lado de fora, ras e estão determinadas a tirar proveimente o esconderijo de Osama Bin Lamuitos estão encarando a mineração to ou não deixarão que o projeto siga den, para trazer crescimento por meio como uma solução. Sabendo que as miem frente, como mostraram os habida Reko Diq, uma joint venture com a neradoras estão desesperadas para intantes de Islay ao forçarem o governo canadense Barrick Gold. vestir, aumenta a pressão política para peruano a suspender o projeto Tia MaA expansão resulta no aumento no extrair mais de suas receitas. ria, da Southern Copper Corp. O CEO tempo de espera para novos maquináMineradores sindicalizados estão Oscar Gonzalez Rocha agora diz que a rios e pneus de caminhão. Como resulcada vez mais exigentes em suas deempresa está preparada para atender a tado, atrasos de projetos e orçamentos mandas. Nas grandes minas chilenas, quaisquer demandas da população loestourados estão se tornando a regra, os trabalhadores esperam regularmencal. Outro sinal de que a indústria concom os custos dobrando ou triplicando, te um bônus de, no mínimo, US$ 25 tinua firme no topo. afirma Becker, da PwC. As mineradoJulho, 2011 AméricaEconomia 69

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA MINERAÇÃO

Sob nova

direção A VALE DEVE DOBRAR DE TAMANHO EM CINCO ANOS E PODE SE TORNAR A MAIOR MINERADORA DO MUNDO GIULIANO AGMONT, DE SÃO PAULO

om um novo presidente desde maio, a Vale inicia uma etapa de sua história com perspectivas promissoras pela frente. A empresa, agora sob o comando de Murilo Ferreira, fez a lição de casa durante a crise financeira mundial e hoje está em condições de expandir ainda mais seus negócios. Em 2011, os investimentos da empresa devem chegar a US$ 24 bilhões, com geração de caixa superior a US$ 40 bilhões. Apesar da polêmica acerca da saída de Roger Agnelli, que presidiu a Vale por uma década e elevou seu valor de mercado de R$ 20 bilhões para mais de R$ 270 bilhões, a companhia demonstra maturidade de sobra para aproveitar as enormes oportunidades do mercado, cuja oferta de minérios limita a demanda, estabelecida principalmente pelo crescimento da China. A mudança no sistema de precificação do minério de ferro, em vigor desde 2010, passou para as mineradoras a missão de calcular trimestralmente o reajuste da commodity com base no valor dos três meses anteriores. Essa novidade foi a principal responsável pelo aumento das vendas da Vale no ano passado, de US$ 27,8 bilhões (2009) para US$ 49,9 bilhões. “O que mais pesou no aumento das vendas não foi o volume de minério, mas a mudança na precificação”, diz Guilherme Cavalcanti, diretor de Finanças da Vale.

PROJETOS NA AMÉRICA LATINA, COMO O DE BAYÓVAR, NO PERU, ESTÃO ENTRE AS APOSTAS DA MINERADORA

Foto: Agência Vale

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Segundo o executivo, a mineradora continuará em uma fase muito favorável – em grande parte, graças à prosperidade da economia chinesa. O processo de migração da população rural para as cidades chinesas nos próximos anos deve ser muito agressivo. “Para os próximos cinco anos, a previsão é de que sejam construídas 36 milhões de casas e gerados 45 milhões de empregos nos centros urbanos. Daí a necessidade de investir em infraestrutura. O cenário é de mais demanda do que oferta de minério de ferro pelo menos para os próximos quatro a cinco anos”, explica Cavalcanti. O diretor executivo da Ernst & Young Terco, Alexandre Rangel, diz que as mudanças impostas pela chamada base da pirâmide favorecem a indústria de mineração, principalmente no longo prazo. Mas ele lembra que a demanda poderia ser ainda maior se os grandes mercados não tivessem se retraído tanto com a crise financeira e o próprio terremoto seguido de tsunami no Japão. “É claro que, se a demanda fosse maior, empresas como a Vale já estariam com problemas em seus grandes gargalos, como falta de mão de obra qualificada, dificuldade de administrar questões sociais e ambientais e as próprias questões de logística em locais como a África”, acredita Rangel. Para Ronaldo Valiño, sócio e líder de Mineração da PwC Brasil, o PIB (Produto Interno Bruto) galopante obriga a China a investir em matérias-primas minerais. E nem mesmo a desvalorização do dólar foi capaz de frear o crescimento do setor. “Houve uma redução de receita, mas a depreciação da moeda americana facilitou a compra de equipamentos e reduziu muitos custos”, afirma Valiño. O consultor diz que o setor de mineração foi um dos que mais rapidamente se recompuseram depois da crise deflagrada em 2008. Além do otimismo em relação ao minério de ferro, o diretor de Finanças da Vale acredita que a área de fertilizantes também deverá se beneficiar das transformações chinesas. “Com a

migração do campo para as cidades e o aumento do poder de compra, a população terá de consumir mais proteína, o que aumentará a rentabilidade das commodities agrícolas e o consumo de fertilizantes, setor em que atuamos”, argumenta Cavalcante. “A Vale deve dobrar de tamanho e se tornar a maior mineradora do mundo em um prazo de cinco anos”, prevê o estrategista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi.

DONA DO JOGO A Vale é a maior fornecedora de minério de ferro no mundo, e as reservas naturais brasileiras devem garantir a manutenção dessa posição por longos anos. A expectativa da empresa é a de produzir mais de 300 milhões de toneladas em 2011, chegando a 522 milhões em 2015 – um crescimento sustentado principalmente pelos ativos de Carajás, no Pará, de onde se extrai minério de classe mundial (de melhor qualidade), com teor de ferro de 65%. Na China, que possui a maior quantidade de reservas de minério de ferro do planeta, essa concentração não chega 30%. O ritmo acelerado de crescimento da produção também se estende a outros minerais e metais, como níquel, cobre, carvão e potássio. Segundo Galdi, o minério de ferro responde por 50% do negócio da Vale, e o níquel, por 30%. O principal mercado da mineradora brasileira é a Ásia, que compra metade da produção (29,1% somente para a China). A América do Sul é o segundo mercado mais importante para a Vale, com participação de 17% do Brasil, de um total de 20% do continente. Entre os principais projetos fora do país estão os de exploração de potássio na Argentina, de rochas fosfá-

ticas no Peru e de cobre no Chile. Entre 2011 e 2015, a Vale espera elevar a produção de outros minerais e metais, como níquel, cobre, carvão e potássio, a taxas anuais de 16%.

PROMESSAS Para os próximos anos, segundo o diretor de Finanças da mineradora, a América Latina e o continente africano são as regiões mais promissoras como novas fontes de geração de caixa. O minério de ferro continuará a ser a estrela da Vale, mas o cobre (que dobrará de produção em cinco anos) e o carvão também ganharão projeção. De acordo com o executivo da Ernst & Young Terco, a Vale tende a expandir sua participação de mercado, mas ainda não é possível cravar que se tornará a maior do mundo. “A BHP Billiton não perderá facilmente sua liderança. É uma empresa estruturada, com diversificação importante de produtos, o que inclui até petróleo”, destaca Alexandre Rangel. Sobre a saída de Roger Agnelli, motivada por divergências com o expresidente Lula em relação à demissão de funcionários, à falta de investimentos em siderúrgicas e à compra de navios chineses, Rangel diz que a indefinição pesou muito mais do que o mérito da questão na reação negativa do mercado. “O governo é o acionista majoritário da empresa, então é legítimo que defenda seus interesses”, ressalta o executivo da Ernst & Young. “Assim que o novo presidente mostrar a que veio, o mercado tende a se acalmar. Paralelamente, o novo governo parece priorizar mais o valor agregado da empresa do que a produção.” Com a colaboração de Paula Pacheco, de São Paulo.

Festa no mercado acionário Fes Em dezembro de 2001, a ação da Vale valia R$ 3,28. Em 2005, subiu para R$ 118,04, um aumento de 450%. Hoje, o papel da empresa vale R$ 44. Isso signific nifica que um investidor que tenha aportado recursos na empresa em 2001 terá hoje uma correção de 1.245%. Já quem tivesse comprado ações da empres presa em 2005 teria uma valorização de 144,5%. Julho, 2011 AméricaEconomia 71

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MAIORES EMPRESAS MULTISSETORIAL DA AMÉRICA LATINA

Aberta a novos negócios

COM US$ 15 BILHÕES PARA INVESTIR, A ODEBRECHT QUER AUMENTAR SUA PARTICIPAÇÃO EM SETORES ESTRATÉGICOS negócio de engenharia e construção, que colocou a Odebrecht na oitava posição no ranking de AméricaEconomia, se mantém vigoroso. Mas, com braços espalhados por todo o mundo, a gigante brasileira caminha rumo à diversificação. A natureza descentralizada de sua filosofia tem sido o grande facilitador desse movimento globalizado, pois seus diretores funcionam como garimpeiros de oportunidades. O presidente da Odebrecht América Latina, Luiz Antonio Mameri, conta que cada contrato de engenharia no exterior tem um diretor que trabalha como se fosse

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o presidente de uma empresa. “Esses homens nos trazem muitas oportunidades para avaliar”, afirma. Além de engenharia e construção, algumas das áreas em franco desenvolvimento para expansão dentro da corporação são saneamento, óleo e gás e defesa. No setor de óleo e gás, a Odebrecht atua com serviços de perfuração e manutenção de plataformas, além de ser sócia em um bloco em Angola. O segmento de defesa ganhou, neste ano, uma empresa dentro do grupo, chamada Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), para atuar na produção e no desenvolvimento de sistemas mili-

tares de conhecimento avançado, como equipamentos aeroespaciais (radares, mísseis e sistemas de comunicação, controle e comando). Além disso, o grupo tem participação em empresas que produzem submarinos convencionais e nucleares, participa da construção de estaleiros e da gestão de projetos no segmento de defesa. Outra área de interesse da empresa é a de energia, na qual está mapeando novas oportunidades para ampliar sua exposição. A Odebrecht já tem participação na usina hidrelétrica de Santo Antônio (em Rondônia), e participou de um leilão para investir nesse setor no Peru.

Foto: Divulgação

NATALIA GÓMEZ, DE SÃO PAULO

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Segundo o vice-presidente do grupo, Paulo Lacerda de Melo, as investidas da Odebrecht devem ocorrer em parceria com sócios, mas a companhia

vestimentos e bancos de primeira linha têm procurado a companhia em busca de parcerias. Entre os sócios mais recentes da Odebrecht estão a gestora de recursos Gávea Investimentos, no setor imobiliário; o fundo de investimento FIF-FGTS, na área de saneamento; a Temasek, de Cingapura, no ramo de óleo e gás; e os fundos Ashmore e Tarpon, em etanol.

SOBRA DE CAIXA

A EMPRESA INJETOU CERCA DE US$ 1 BILHÃO NO PROJETO DA HIDRELÉTRICA DE OLMOS, NO PERU

pretende ter o controle de seus empreendimentos. Hoje, a Odebrecht tem participação majoritária em todos os negócios dos quais faz parte, com exceção da Petroquímica Braskem, na qual a holding Odebrecht detém 38% do capital total, em sociedade com a Petrobras e a BNDESPar. De acordo com o executivo, grandes empresas mundiais, fundos de in-

A entrada dos sócios deixou a empresa capitalizada e adiou os planos de abrir capital das subsidiárias. Caso precise de recursos, a companhia conta ainda com o mercado de captações externas, que está muito favorável a empresas brasileiras. Recentemente, a Odebrecht emitiu bônus de US$ 500 milhões, com vencimento em 2023. Os investimentos do grupo previstos para 2011 somam R$ 15 bilhões, valor superior ao aporte de R$ 10 bilhões realizado no ano passado. Os setores que receberão a maior parte dos recursos são os de infraestrutura, óleo e gás, energia e saneamento. No front internacional, a América Latina é um dos mercados que oferecem grande potencial de crescimento. “Os governos estão fortalecidos, e existe um déficit enorme em infraestrutura”, diz Mameri. Segundo ele, o Estado está se retirando da economia e abrindo mais espaço à iniciativa privada na região. A América Latina representa 70% dos negócios da área de engenharia da empresa. Sozinho, o Brasil é responsável por 38% da receita. Um dos projetos em curso na região é a construção da Rota do Sol, na Colômbia, uma rodovia de 530 km, com investimento de US$ 1,2 bilhão. A empresa, que tem 60% do projeto, ganhou a concessão em 2009, e o prazo de entrega é de quatro anos. No Peru, a Odebrecht atua como construto-

A oferta de mão de obra tem sido a grande barreira para o crescimento dos negócios da multinacional brasileira

ra e investidora em uma hidrelétrica que começará a ser construída entre setembro e outubro deste ano, com desembolso de cerca de US$ 1 bilhão. O início da geração de energia está previsto para 2016. Outro projeto em território peruano é a construção das rodovias IIRSA Norte e IIRSA Sul, em parceria com sócios locais. Na Argentina, a empresa está construindo trechos de um gasoduto. No Panamá, o destaque são as obras do primeiro metrô do país. No mercado brasileiro, o interesse é pelas concorrências do trem-bala, que ligará os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e dos aeroportos brasileiros a serem concedidos. No entanto, a empresa aguarda definição do governo sobre como serão feitos os processos para decidir sua possível participação. A pujança da área de engenharia tem levado a empresa a ser mais seletiva quanto a novos projetos, porque existe uma limitação da capacidade de gestão. Segundo Lacerda, a companhia só atua nos países em que consegue ter vantagens competitivas. “Estamos no ponto de ser seletivos porque não há gente suficiente”, explica. Hoje, a oferta de mão de obra é a grande barreira para o crescimento dos negócios. Todo ano, a Odebrecht contrata cerca de 700 estagiários e recémformados das áreas de engenharia e administração, mas o tempo de amadurecimento desses funcionários é longo, especialmente para o trabalho no exterior, que exige mais experiência. A construtora tem 92 mil funcionários, dos quais metade trabalha no exterior. No total, os quadros do grupo contam com 119 mil pessoas, incluindo os temporários que são desligados ao fim de um projeto. “Em todo o mundo emergente, a cadeia de construção nunca esteve tão aquecida como nos últimos cinco, seis anos”, afirma Lacerda. A oferta de projetistas, fornecedores de equipamentos e tecnologia é um dos principais gargalos que o grupo terá de enfrentar para dar continuidade a seu plano de expansão. Julho, 2011 AméricaEconomia 73

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA VAREJO

A ordem é

crescer O CENCOSUD, DONO DA REDE WONG, É UMA DAS EMPRESAS COM EXPANSÃO AGRESSIVA NA REGIÃO

m 29 de outubro do ano passado, a multiloja chilena La Polar celebrava, com a parafernália de costume, sua primeira aterrissagem no exterior: uma filial no shopping Centro Mayor, em Bogotá, na Colômbia. A incursão, que incluía abrir, nos dois anos seguintes, outras cinco lojas naquele mercado, consolidava o Chile como um dos líderes regionais da internacionalização do modelo de comércio varejista, alavancado pelo negócio financeiro dos cartões de crédito próprios. Hoje, concorrentes latino-americanos e analistas desse setor devem es-

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tar acompanhando essa empresa, cuja aparente boa gestão ocultava uma intrincada operação de renegociação de créditos morosos de difícil recuperação, a taxas que multiplicavam os valores das dívidas e que estão sendo questionadas por parte das autoridades reguladoras chilenas. De expansão internacional, no momento, ninguém fala mais. Mas o escândalo da Polar é a nota dissonante em uma indústria que volta a crescer e cujos atores regionais têm peso mundial. Segundo a última versão do estudo Global Power of Retailing,

da consultoria Deloitte, oito empresas da região aparecem entre as 250 maiores do mundo: Pão de Açúcar (Brasil), Cencosud (Chile), Casas Bahia (Brasil), Soriana (México), Falabella (Chile), Comercial Mexicana (México), Femsa (México), Chedraui (México) e Puerto de Liverpool (México). Jorge Lizan, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios do International Council of Shopping Centers (ICSC), comenta que a recuperação das economias regionais se traduziu em um aumento nas vendas do varejo e na construção de novos centros co-

Foto: Ho/AFP

EMBORA NÃO SE ESPERE UMA EXPLOSÃO DE CONSUMO, O DINAMISMO DAS VENDAS ANIMA PLANOS DE EXPANSÃO DOS VAREJISTAS. O BRASIL É O PAÍS MAIS COBIÇADO SANDRA NOVOA, DE SANTIAGO

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merciais, especialmente no Brasil e no maduro da região, e às boas perspectiNa Colômbia, Parque Arauco e México, mas também no Peru e na Covas no Peru e na Colômbia. A Saga FaMall Plaza são atores importantes na lômbia. O analista do HSBC Securiconstrução e operação de centros colabella consolidou-se como a principal cadeia de lojas de departamento peruaties Francisco Chevez acrescenta que merciais, o lado imobiliário do setor. na, com uma participação de mercao setor não tem estado muito ativo em E a Falabella, o principal grupo, fortado de 54% e 15 unidades. Já a Ripley, termos de aquisições. A estratégia é se leceu sua posição mediante a abertura com uma participação de 41%, conta concentrar na retomada do crescimende lojas de departamento em Bogotá e com 15 unidades. A rede Supermercato orgânico atrasado, materializando Cali. Além disso, a companhia instados SMU, ligada ao empresário Álvaro os planos adiados em 2009. Neste ano, lou seu braço financeiro no país. Saieh (dono da Unimarc), comprou as as coisas começaram a mudar. Tudo ia bem para os varejistas da 11 unidades da Alvi do Walmart ChiNo Brasil, a recente prosperidade região até surgir o caso da La Polar, le e da família Villablanca, e, no curto nas regiões historicamente com baixo hoje na mira da justiça, dos clientes e prazo, é esperada a chegada ao Peru da crescimento, como o Norte e o Nordesde seus próprios acionistas. A maniAlmacenes París (Cencosud). te, atraiu a atenção das redes de varejo. pulação das contas (que consistiu ba“Os grupos comerciais no Peru tiSegundo Lizan, do ICSC, há mais de 40 sicamente em transformar em ativo as veram um crescimento de mais de dois centros comerciais em desenvolvimenprovisões por morosidade) não é uma dígitos, superando, em alguns casos, questão menor em uma indústria em to, e quase todas as empresas têm sócios que o crédito representa cerca de 50% os 20%”, afirma Patricia Mazuelos, internacionais com capital para continuar expandindo. Grupos estrangeiros também cobiVAREJO çam esses consumidores. VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM RK VENDAS 2010 ROE* ROA** RK*** Chevez, do HSBC, exEMPRESA PAÍS VENDAS 2010 US$ LUCRO 10/09 DE LUCRO 2010 US$ MILHÕES (%) (%) 2010 10/09 (%) MILHÕES (%) LÍQ. (%) plica que, no Brasil, o comércio está preenchendo WALMART DE MÉXICO Y 31,4 5,8 9 1 27.195,8 1.583,1 23,1 16,0 10,0 MÉX uma lacuna de anos de lenCENTROAMÉRICA to crescimento. Mas fal2,3 14 44,2 433,6 27,6 10,2 2,4 2 CBD – GRUPO PÃO DE AÇÚCAR BRA 19.260,4 ta muito para alcançar os 23 11,3 N.D. 3 CARREFOUR 14.745,6 BRA níveis de expansão regio25,7 632,5 232,6 11,3 4,7 4,8 29 4 CENCOSUD 13.226,1 CHI nais: “Em alimentos, o lí11,3 N.D. 34 5 WALMART 11.356,2 BRA der de mercado é o Pão de WALMART – BODEGAS Y 40 41,8 N.D. 6 10.446,7 MÉX TIENDAS DE DESCUENTOS Açúcar, cuja superfície de vendas é de aproximada6,7 N.D. 53 7 EXTRA 9.183,0 BRA 28,2 882,5 124,6 17,4 6,3 9,9 55 8 FALABELLA 8.923,3 CHI mente 2,8 milhões de me11,8 265,5 21,0 9,4 4,7 3,5 69 9 ORGANIZACIÓN SORIANA 7.587,3 MÉX tros quadrados, enquanto, 71 26,8 N.D. 10 WALMART HYPERMERCADOS MÉX 7.298,8 no México, o Walmart feN.D. – Não Divulgado *ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; ***Posição no ranking geral chou 2010 com 4,6 milhões de metros quadrados – o do negócio – e a confiança no sistema. sócia da Deloitte Peru. A analista afirdobro, em um país com cerca de metaDurante um jantar com a Câmara ma que, nas lojas de departamento, foi de da população do Brasil”. de Comércio de Santiago, o presidenobservado um aumento nas vendas de Em relação ao México, onde se sente chileno, Sebastián Piñera, empremais de 10 pontos percentuais. tiu mais fortemente a crise pelo contágou duros termos para se referir ao esSegundo Lizan, do ICSC, nos últigio da situação nos Estados Unidos, Licândalo. Horst Paulmann, presidente mos cinco anos, o número de centros zan afirma que ainda não há condições comerciais no Peru duplicou. Os novos da Cencosud, disse na mesma ocasião: para retomar a boa fase vista no período projetos agora se localizam em cida“Para mim, hoje, a La Polar não vale 2006-2007. Por isso, o setor se prepara des como Arequipa, Chiclayo, Piura e um peso”. O governo chileno anunciou para crescer de forma mais prudente. Trujillo. A Asociación de Centros Coa revisão de todas as contas da indúsGOLPE NO ORGULHO merciales y Entretenimiento del Perú tria, mas, mais do que isso, o que mais Não fosse o caso da La Polar, este ano (ACCEP) estima que, em 2010, o fatuincomoda o setor é a possibilidade de tinha tudo para ser de boas notícias paramento total do setor tenha subido panovas e mais rigorosas regulamentara os varejistas chilenos, devido à recura cerca de US$ 3,5 bilhões, projetando ções ao negócio creditício. É o que os peração do mercado doméstico, o mais para 2011 mais de US$ 4 bilhões. bancos locais vêm pedindo há anos. Julho, 2011 AméricaEconomia 75

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA VAREJO

Apetite

insaciável

ENQUANTO FAZ UMA MANOBRA ARRISCADA PARA SE ASSOCIAR AO CARREFOUR, O PÃO DE AÇÚCAR BUSCA SINERGIAS ENTRE AS EMPRESAS DO GRUPO NATALIA GÓMEZ, DE SÃO PAULO

egundo maior grupo varejista da América Latina e o número um com origem 100% nacional, o Grupo Pão de Açúcar foi parar no noticiário internacional como potencial sócio da operação brasileira do Carrefour. As negociações de Abilio Diniz, controlador do Pão de Açúcar, foram confirmadas em 28 de junho por meio de comunicado oficial ao mercado. A contar dessa data, os acionistas da Companhia Brasileira de Distribuição (holding do Pão de Açúcar), do Carrefour e do francês Casino, sócio da empresa brasileira, terão 60 dias para aprovar a operação de fusão. Se o negócio for fechado, surgirá uma outra em-

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presa, o Novo Pão de Açúcar (NPA). O negócio é da ordem de R$ 4,6 bilhões, com investimentos do BNDESPar (braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), de R$ 3,9 bilhões, e do BTG Pactual, de R$ 690 milhões. A oferta feita por Diniz deixou os executivos do Casino, pegos de calças curtas, bem inquietos, a ponto de os sócios trocarem ofensas pelos jornais. Confirmado o interesse do Pão de Açúcar, o Casino não economizou na munição ao divulgar uma nota em que questionou a ética empresarial de Diniz. A rede francesa é dona de 37% das ações do Pão de Açúcar. E vale lembrar

que, pelo acordo entre os dois sócios, o Casino pode assumir o controle da empresa de Diniz, caso faça essa opção, daqui a um ano. Governo, BNDES e o próprio Diniz defendem que a entrada de dinheiro público no negócio serviria para fortalecer a presença internacional de um grupo brasileiro. A mesma estratégia de apoio à internacionalização já foi usada para justificar o financiamento de grupos como o JBS. Mas no caso do NPA não é o que a matemática mostra. Caso a operação seja aprovada como foi desenhada, Casino e Carrefour terão juntos 61% da nova empresa; o primeiro com 30% e o concorrente com 31% do capital.

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Diniz terá outras pedras no caminho. Uma delas é o fato de o varejo brasileiro já ser muito concentrado. O negócio com o Carrefour só reforçaria essa realidade, o que teria de ser avaliado pelos órgãos concorrenciais brasileiros.

Fotos: Shutterstock

PERFIL ARROJADO O fato é que, seja qual for o fim dessa novela, o lance feito por Diniz mostrou o fôlego da companhia, avaliada em R$ 17,2 bilhões (em 22 de junho, segundo dados da Economática). Nos últimos anos, o grupo brasileiro, fundado em 1948, ampliou o domínio, diminuindo a concorrência. Em 2009, comprou o Ponto Frio e, num lance mais ousado, a Casas Bahia. Hoje o grupo está presente em todos os estados brasileiros e tem 1.592 pontos de venda. Agora, é o momento de enfrentar o desafio da integração e transformar tamanho investimento em resultado para os acionistas. Neste ano, a prioridade da companhia é obter sinergias depois da aquisição da Casas Bahia (feita em 2009, mesmo ano da compra do Ponto Frio), sem comprometer os pontos fortes da empresa fundada pela família Klein. O presidente do Grupo Pão de Açúcar, Enéas Pestana, está diretamente envolvido nesta etapa e pretende concluí-la até o segundo trimestre de 2012. “A integração tem o meu foco pessoal total”, afirma. Segundo o executivo, o trabalho é complexo e exige cuidado para conservar os bons processos que já fazem parte do dia a dia da Casas Bahia e melhorar as áreas menos competitivas.

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“Lidamos com uma cultura desenvolvida há 60 anos. Não é o caso de impor processos de forma generalizada”, diz. Entre as grandes “forças” da Casas Bahia, estão o gerenciamento do crédito ao cliente e as áreas comercial, operacional e de comunicação. Os setores que merecem maior atenção e investimento em tecnologia e sistemas estão relacionados à contabilidade, tesouraria, controladoria e tecnologia de informação da área administrativa. A redução de despesas e custos não ficou de fora das tarefas de Pestana. De acordo com o executivo, a Casas Bahia tem eficiência na área de compras por conta do poder de negociação e da grande escala, mas falta um trabalho estruturado na redução de despesas, que resulte em “crescimento significativo da margem Ebitda [lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização]”. Mas não basta cuidar da sinergia para melhorar o desempenho do Pão de Açúcar. Em paralelo à união dos negócios, está outra aposta do grupo: o varejo alimentar. A maior parte dos investimentos de R$ 1,41 bilhão anunciados pela empresa para 2011 será destinada ao setor alimentício. No atual cenário de resfriamento no ritmo de crescimento econômico, o setor de alimentos é uma grande aposta por ser menos suscetível a crises externas e turbulências macroeconômicas. Para isso, o Pão de Açúcar investe na melhoria e na aceleração do crescimento orgânico da bandeira Extra Fácil, que segue o modelo de mercados de bairro. Outra prioridade é a conclusão

da conversão das redes Compre Bem e Sendas em Extra Supermercados. As bandeiras Extra Hiper e Pão de Açúcar também serão direcionadas ao crescimento orgânico. Segundo Pestana, algumas regiões demandam esforços para proteção do mercado, como o Sudeste, e outras exigem ampliação, caso do Nordeste e do Centro-Oeste. A divisão de eletrônicos e eletrodomésticos receberá uma parcela menor dos investimentos porque nesta área o foco maior está na integração e captação de sinergias. Outro motivo são as expectativas menos otimistas para esta área em comparação com o ano passado, quando as vendas aumentaram em um ritmo forte graças a Copa do Mundo e aos incentivos fiscais para a linha branca. “O crescimento será menor do que 2010 até junho porque a base de comparação é muito alta”, explica Pestana. No momento, a empresa trabalha na prospecção de novos mercados, mas não deve abrir muitas lojas neste segmento em 2011.

MERCADO PULVERIZADO A situação macroeconômica do país, com temores sobre aumento de inflação e alta de juros, provocou alguma retração no consumidor neste ano, explica o presidente do grupo. “Está mais difícil vender”, reconhece. Mesmo assim, ele afirma que não houve impacto sobre o resultado da companhia e que os bons níveis de emprego do Brasil deixam o Pão de Açúcar otimista quanto ao futuro.

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA VAREJO

“Não tínhamos interesse no Baú”

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A compra das lojas do Baú da Felicidade pelo Magazine Luiza, em junho passado, colocou a empresa de Luiza Trajano no segundo lugar no ranking do varejo de eletromóveis. O avanço da concorrente, que já tinha sido deixada para trás na negociação para a compra do Ponto Frio, não incomodou o líder do mercado brasileiro. Segundo o presidente Enéas Pestana, o grupo Pão de Açúcar não estava interessado no negócio porque ele é muito concentrado na região Sul, em especial no Paraná. O tamanho das lojas do Baú também era considerado inadequado para o perfil do Ponto Frio e da Casas Bahia, especialmente porque o segmento de móveis precisa de mais espaço. De acordo com o executivo, o grupo tem uma equipe especializada em fusões e aquisições desde 2008 e chegou a avaliar os ativos, mas não se interessou. “O histórico operacional e de resultados era muito ruim, e não estávamos interessados”, afirma. A compra das 121 lojas por R$ 83 milhões foi anunciada no dia 13 de junho. “Para o Magazine Luiza pode ser bom, e respeitamos isso. Mas não acho que possa nos afetar”, diz. O negócio foi uma reação do Magazine Luiza à consolidação do mercado, liderada pelo próprio Pão de Açúcar. A segunda posição no ranking desse mercado havia sido perdida pelo Magazine Luiza para a Máquina de Vendas, criada em 2010, após a união entre Insinuante e Ricardo Eletro. Segundo Barki, da FGV, o negócio foi interessante para o Magazine Luiza porque trará ganhos de escala, ponto de extrema importância no setor varejista. As unidades do Baú estão distribuídas entre os estados do Paraná (80), São Paulo (40) e Minas Gerais (1).

COM A COMPRA DO BAÚ, O MAGAZINE LUIZA SE TORNA A SEGUNDA MAIOR REDE VAREJISTA DO BRASIL

Foto: Divulgação

O mercado varejista brasileiro, assim como os demais países latino-americanos, ainda tem espaço para consolidação. Segundo o coordenador do Centro de Excelência do Varejo da Deloitte, Reynaldo Saad, os players internacionais não têm predominância aqui, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa. A única exceção na região é o México, onde o Walmart ultrapassou as redes locais. “Nos demais países, predominam as redes regionais”, afirma. Na visão de Edgard Barki, pesquisador do Centro de Excelência em Varejo FGV-EAESP, outro entrave ao avanço das redes estrangeiras no Brasil é a predominância de lojas pequenas. “O modelo de hipermercado está em declínio porque o crescimento da classe C privilegia os mercados de bairro”, explica. O Pão de Açúcar investe neste modelo por meio do Extra Fácil. Outro movimento é o avanço do “atacarejo”, que oferece menos serviços a preços mais competitivos. “As multinacionais estão se adaptando. Conhecer o comportamento do consumidor e dos fornecedores locais é muito importante”, afirma. Segundo ele, isso explica a entrada da chilena Cencosud no Brasil por meio das redes GBarbosa, com sede em Sergipe, e Bretas, de Minas Gerais, o que facilita o avanço no mercado doméstico. A Cencosud já é a quarta maior rede de supermercados no Brasil. Recentemente, a imprensa internacional divulgou que a empresa estaria conversando com o Carrefour sobre a compra de ativos no Brasil.

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11 e 12.08.2011

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA TELECOM

A comunicação está

nos dados

O TRÁFEGO DE VOZ NA TELEFONIA PERDE ESPAÇO PARA OUTRAS FUNÇÕES. RESTA SABER, AGORA, COMO DAR CONTA DA DEMANDA ÍTALO DAFFRA, DE BUENOS AIRES

advogada Macarena Pereyra Rozas viaja constantemente entre seus escritórios de Bogotá, na Colômbia, e Buenos Aires, na Argentina, e não larga nunca seu telefone inteligente. “Há pelo menos cinco anos não uso linha fixa para tratar de assuntos pessoais”, afirma. Entre 2005 e 2009, a quantidade de linhas de telefonia fixa instaladas na Argentina cresceu menos de 7%; no mesmo período, a quantidade de celulares duplicou, passando de 24 milhões em 2005 para 49 milhões em 2009. Essa tendência é cada vez mais forte na América Latina, mas se deve a outra novidade. “Em função do meu trabalho, estou em comunicação com pessoas que têm telefones inteligentes [smartphones], o que reduz os custos. Além disso, grande parte de nossa comunicação é realizada por meio de e-mails, MSN, aplicações como WhatsApp, chamadas de Skype ou mensagens de texto”, afirma Macarena. Ou seja, os celulares transportam cada vez menos voz. No fim de 2010, a América Latina contava com aproximadamente 29 milhões de usuários de smartphones, um número que pode se multiplicar várias vezes, contanto que os usuários tenham acesso a equipamentos e planos a custos adequados. “Se não há um plano de dados para usar as funcionalidades, os smartphones se transformam apenas em um feature phone [aparelho mais sofisticado que o smartphone], afirma Jay Gumbiner, da IDC América Latina. O analista recorda que o tablet, por exemplo, continua sendo um produto complementar em uma região sensível a preço. Outra tendência da indústria é a portabilidade móvel, que chegará inexoravelmente a todas as latitudes. No Brasil, no México, no Equador, na República Dominicana e no Peru já é possível manter o número de celular e mudar a operadora. Isso está em processo de adoção no Paraguai, na Colômbia, no Chile, na Argentina, no Panamá e em El Salvador. As empresas compreendem que o poder agora é do usuário. “Não se percebe a portabilidade como um instrumen-

AS CABINES TELEFÔNICAS DEVEM VIRAR PONTOS DE WI-FI OU TOMADAS DE ENERGIA PARA CARROS ELÉTRICOS

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to de concorrência, emboTELECOMUNICAÇÕES ra os usuários possam ser VENDAS VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM RK ROE* ROA** RK*** beneficiados com políticas EMPRESA PAÍS 2010 US$ VENDAS 2010 US$ LUCRO DE LUCRO 2010 (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) de retenção de cliente por parte das operadoras que 15,0 5 13,9 7.378,6 4,3 29,6 10,4 1 AMÉRICA MÓVIL 49.220,7 MÉX desejam mantê-los em sua 5,9 19 2,3 1.050,1 -64,2 8,8 2,3 2 OI – TELEMAR 17.694,4 BRA base”, afirma Juan Gnius, 25 15,8 N.D. 3 TELEFÔNICA BRASIL 13.983,6 BRA da Signals Telecom Con10,5 38 15,6 1.136,6 130,8 18,7 8,7 4 VIVO 10.866,6 BRA sulting. “Por outro lado, costumam aparecer ofertas 15,2 49 4,2 1.439,7 15,4 20,6 12,0 5 TELESP 9.456,3 BRA agressivas para atrair clien13,5 52 0,9 1.245,7 -20,5 35,0 9,8 6 TELÉFONOS DE MÉXICO 9.195,7 MÉX tes da concorrência.” 10,1 56 15,3 872,9 607,4 14,1 7,5 7 TIM BRASIL 8.676,9 BRA A expectativa é que o 5,6 75 3,2 399,1 -42,6 5,0 2,6 8 TELMEX INTERNACIONAL MÉX 7.139,8 impacto do investimento e 12,5 77 1,7 878,7 -11,9 14,2 6,9 9 CLARO TELECOM 7.025,8 BRA o churn (conceito do marke3,5 6,4 80 10,7 433,9 -41,6 6,9 10 EMBRATEL 6.740,5 BRA ting que se refere à perda de usuários) sejam amortizaN.D. – Não Divulgado *ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral dos pelo tamanho do merPara alguns analistas, a infraestrucado. “O desejável é que essas estratéção das “rodovias” para que não entura fixa vai se transformar em uma gias sejam adotadas quando se tem um trem em colapso. Não estamos falando commodity. “A telefonia fixa manterá parque maduro de clientes. Do contrádos domínios, mas sim de endereços uma participação estável ou com tenrio, as operadoras ficam sobrecarregaIP (Internet Protocol), que cada domídência a cair. A promoção de pacotes das com investimentos que poderiam nio precisa para poder funcionar. Cocom banda larga e opções de vídeo eviser destinados a continuar aumentando mo estamos chegando ao limite, a instará uma queda maior das linhas de sua penetração”, afirma Emilio Giloltalação do novo protocolo de internet, voz”, afirma Romina Adduci, diretomo, diretor de Comunicação e Relações IPv6 (que traz para a internet um espara de Pesquisa e Consultoria de TeleInstitucionais da Telefónica Internacioço de endereçamento capaz de suporcomunicações da IDC. nal. “Em qualquer caso, a quantidade tar o crescimento da rede indefinidaA Telefónica, por exemplo, tem de clientes que fazem uso desse benefímente), é um investimento urgente que uma estratégia global para oferecer um cio está calculada em algo entre 1,5% e deve ser realizado por empresas que pacote de serviços. “Para 2013, a Tele3% do total. Normalmente, essa é uma fornecem acesso à rede e aos sites que fónica tem o objetivo de aumentar em comodidade que vem com a concorrênrecebem maior tráfego. Isso permitirá o 18% a penetração de acessos de bancia saudável”, completa. acesso a uma quantidade quase inesgoda larga sobre linhas fixas [de 32% em tável de endereços públicos diante dos O FIM DO FIXO dezembro de 2010 para estimados 50% em 4,2 bilhões de endereços que permitem Muitos veem hoje a telefonia fixa codezembro de 2013]. O objetivo no longo a atual IPv4. Em meados de junho pasmo algo anacrônico. Mas, além de ser prazo é não ter nenhum acesso de bansado, os países da região que tinham o suporte para aqueles que têm a interda larga fixa que não esteja associado maior atribuição de endereços IPv6 net por meio de ADSL (Asymmetric a um pacote de valor”, afirma Gilolmo, eram Brasil (40,7%), México (31,8%), Digital Subscriber Line, um formato da Telefónica Internacional. Argentina (6,1%), Colômbia (5,7%) e de DSL, tecnologia de comunicação de Fixo ou sem fio, o concreto é que Chile (2,4%), segundo o Lacnic, o Redados que permite a transmissão mais o tráfego global de internet continua gistro de Endereçamento da Internet rápida), a rede de cobre pode oferecer crescendo. A empresa de redes Cisco para América Latina e Caribe. outros serviços: “As cabines de telefoestima que a América Latina tenha hoAlém das disputas, o futuro cenánia pública estão sendo usadas experije 30% de sua população conectada à rio das telecomunicações tem um nomentalmente como pontos de wi-fi ou internet: 179 milhões de usuários assívo convidado, que chegou não apenas como tomadas de energia para veículos duos. Segundo a Cisco, em 2015, o núpara ficar, mas sim para transformar o elétricos; as torres e os postes podem mero global de dispositivos conectados panorama: as redes sociais. Há quem ser portadores de novos cabeamentos e, à rede será de mais de 15 bilhões, duas estime que se vive uma nova bolha da em muitas partes do mundo, são comvezes a população mundial. internet, mas os meios sociais estão repartilhados com as demais operadoras Com esse ritmo de crescimento, os volucionando o tráfego, o uso da inforpara expandir os serviços”, afirma Giendereços de internet se esgotarão ramação e a maneira com que interagilolmo, da Telefónica Internacional. pidamente, obrigando a repavimentamos com as empresas e o governo. Julho, 2011 AméricaEconomia 81

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA TELECOM

Os desafios da

liderança MAIOR EMPRESA NACIONAL DE TELECOM, A OI INVESTE NA EXPANSÃO EM UM MERCADO CADA VEZ MAIS EXIGENTE

novo presidente da Oi assume em setembro com o desafio de manter a liderança da companhia. Francisco Valim substitui Luiz Eduardo Falco em um momento decisivo para a maior empresa de telecomunicações do Brasil. Depois de um ano de geração de caixa para suportar a aquisição da Brasil Telecom Móvel (BrT), a Oi recupera o fôlego financeiro ao formalizar sua parceria com a Portugal Telecom (PT). Agora, precisará mostrar seus músculos na briga por novos mercados. O acordo com o grupo europeu, que prevê a capitalização da Oi em pelo menos R$ 8,32 bilhões, em troca de participação acionária equivalente a 22,4%, amplia a capacidade de investimento da empresa brasileira.

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RESULTADOS Os primeiros resultados da parceria já aparecem. No primeiro trimestre de 2011, a Oi superou os 65 milhões de usuários, dos quais 41,5 milhões estão em telefonia móvel, 19,7 milhões em telefonia fixa, 4,5 milhões em banda larga fixa e 311 mil em TV por assinatura. No mesmo período, totalizou cerca de R$ 830 milhões em investimentos, mais que o dobro em relação aos primeiros três meses de 2010. Paralelamente, reduziu sua dívida líquida para menos de

R$ 15 bilhões, atingindo uma razão de 1,5 em relação ao Ebitda (lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciações e amortizações). São números que sinalizam uma gradual e estratégica retomada da capacidade de investimento da empresa, em um momento de competição acentuada no setor, depois de um forte movimento de consolidações e mudanças de tecnologia. A principal tendência do mercado de telecomunicações é a consolidação dos quadruple play e triple play, que combinam pacotes de serviços conjugados, como televisão por assinatura, telefone fixo, celular e internet banda larga. A Oi é pioneira nesse processo, o que é uma vantagem competitiva. Mas isso não significa que a empresa esteja em uma situação confortável. “A Oi não tem ativos de telefonia fixa em São Paulo [principal mercado do país], é pequena no mercado de TV por assinatura, ocupa a quarta posição em telefonia móvel e tem um pacote integrado mais bonito no papel do que na operação”, ressalva Ricardo Marques dos Santos, diretor e consultor de Telecomunicações, Mídia e Tecnologia da Bain & Company. “Além disso, embora seja líder em banda larga, é uma das que menos crescem nesse mercado.” O setor de telecomunicações é um

dos mais desafiadores da América Latina, na avaliação do consultor da Bain. Segundo Santos, os investimentos são muito altos, somando bilhões de dólares para cada operador, com retornos sempre difíceis de obter, principalmente com o aumento da demanda por banda larga. “Por isso, o que determinará o resultado do jogo entre os principais concorrentes desse mercado é como cada um se portará, ou seja, o quanto eles investirão e com que velocidade”, acredita. “Nesse mercado, cada cliente representa dois, três ou até quatro usuários, o que pode ser bom ou ruim, dependendo de se ele está entrando ou saindo de uma operadora.” Para o consultor Ricardo Distler, executivo sênior da área de Mídia e Telecomunicações da Accenture, o aumento do tráfego nas redes gera uma exigência de capital, e as empresas têm

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ASSINATURA DO ACORDO ENTRE OI E PT. A PARTIR DA ESQUERDA: ZEINAL BAVA, DA PT; OTÁVIO AZEVEDO, DA ANDRADE GUTIERREZ; E PEDRO JEREISSATI, DA LA FONTE (OS DOIS ÚLTIMOS SÃO SÓCIOS DA OI)

de manter elevadas taxas de investimento. “Esse foi o motor das grandes consolidações no setor, que obrigou as teles a reduzir preços e a ampliar o acesso, além de oferecer pacotes integrados de produtos. Conseguiram isso com escala. Agora, a busca é por rentabilidade”, acredita Distler. “As empresas estão atrás de novas tecnologias e capacitação para segmentar melhor sua atuação e conhecer mais a fundo o perfil de seus assinantes.” O executivo da Accenture concorda que os pacotes quadruple e triple play deixaram de ser uma escolha para se transformar em uma demanda de mercado. No Brasil, a agenda regulatória prevê a abertura do mercado de TV paga, o que pode estimular a oferta de pacotes mais completos por parte das operadoras. Mas esse movimento intensifica o desafio da rentabilidade.

Umas das soluções, para Distler, é o compartilhamento de infraestrutura, como é o caso das estações rádio-base para celular ou das redes de transmissão de longa distância. “As operadoras já compartilham 20% a 30% da infraestrutura de telefonia móvel, mas podem alcançar até 70%, o que representaria

as opções de serviço para o consumidor e até abrir espaço para novas formas de serviço. Na Alemanha, as operadoras virtuais representam 30% do mercado”, diz Distler. Nesse cenário, o novo presidente da Oi assume com o desafio de conduzir a reorganização societária da empresa, que pretende concentrar

A principal tendência do mercado de telecomunicações é a consolidação dos quadruple play e triple play uma economia brutal e elevaria a rentabilidade sem repasse de custos para o usuário”, sustenta o consultor. Outra tendência que precisa ser regulamentada é a de operadoras móveis virtuais, que alugam as redes das operadoras tradicionais. “Isso deve ampliar

todas as ações das companhias Oi na BrT e torná-la a única das companhias Oi listada em bolsa de valores, passando a ser denominada Oi S.A. Procurada, a empresa alegou não ter porta-voz porque está em fase de transição no cargo de presidente. Julho, 2011 AméricaEconomia 83

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA SIDERURGIA

Ritmo de

recuperação DEPOIS DE SOFRER COM A CONCORRÊNCIA INTERNACIONAL, O MERCADO SIDERÚRGICO PROJETA CRESCIMENTO PARA OS PRÓXIMOS ANOS NATALIA GÓMEZ, DE SÃO PAULO

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O EXCESSO DE PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO TEVE REFLEXOS NO MERCADO BRASILEIRO

camente era superior a 30% e ficou em 11% no primeiro trimestre de 2011. A alta das matérias-primas, como carvão e minério de ferro, e a valorização dos salários contribuíram para comprimir o lucro. “O Brasil não é mais um país barato para produzir aço”, afirma o analista Felipe Reis, do banco Santander. Segundo Reis, as siderúrgicas brasileiras sempre trabalharam com preços muito superiores à média mundial. Em 2009, o prêmio praticado internamente chegou a 40%, em relação ao mercado internacional. Isso era possível porque os distribuidores indepen-

dentes de aço não tinham o costume de importar o produto e não havia uma “sobra” de aço tão grande como hoje, no mundo pós-crise. No entanto, a apreciação do real e o excesso de oferta mundial inverteram esse cenário. Atualmente, o prêmio praticado pelas usinas brasileiras não passa de 5%. “O Brasil entrou no radar dos outros países, e a competição se acirrou”, afirma o analista da corretora Geração Futuro, Rafael Weber. O setor de distribuição de aço teve papel fundamental nesse cenário. Até 2009, havia um “acordo de cavalhei-

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fraco crescimento econômico foi, por décadas, um desmotivador para a indústria siderúrgica dos países latino-americanos. As empresas tinham pouca razão para investir no aumento da produção e tecnologia. Em contrapartida, tinham como vantagem a falta de apetite dos estrangeiros pelo Brasil. Hoje, o fraco crescimento já não é mais um problema: a América Latina é um dos mercados emergentes em pleno avanço econômico. Mas o preço a pagar por essa pujança econômica é o maior interesse dos outros países, que, afetados pela crise econômica, ficaram mais agressivos nas exportações do aço e de seus produtos, como máquinas e automóveis. O Brasil – maior produtor de aço da região – é o que mais sofre com esse movimento, agravado pela apreciação do real frente ao dólar. Nos últimos dois anos, as importações ganharam força e levaram as usinas brasileiras a reduzir os valores do aço no mercado doméstico. Entre janeiro e abril deste ano, as importações caíram 52,6% ante o mesmo período de 2010, segundo o Instituto Nacional de Distribuidores de Aço (Inda), para 545,7 mil toneladas. No entanto, a rentabilidade das siderúrgicas nunca esteve tão baixa. Os preços praticados pelas brasileiras caíram e ficaram mais “globalizados”. Um exemplo é a margem Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da Usiminas, que histori-

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ros” de que a importação SIDERURGIA de aço aconteceria em caLUCRO VENDAS VARIAÇÃO VARIAÇÃO MARGEM *** RK LÍQUIDO ROE* ROA** RK sos pontuais. O acordo foi EMPRESA PAÍS 2010 US$ VENDAS LUCRO DE LUCRO 2010 2010 US$ (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) 10/09 (%) LÍQ. (%) rompido quando as grandes MILHÕES usinas investiram em seus 15 7,3 N.D. 1 TECHINT ARG 19.092,0 canais de distribuição, com 6,8 16 23,6 1.285,9 99,5 11,0 5,0 2 GERDAU BRA 18.841,2 preços mais competitivos, o 8,5 41 25,1 869,0 -44,5 11,2 5,3 3 GRUPO ARCELORMITTAL BRA 10.181,7 que gerou concorrência e in17,4 57 37,6 1.510,2 1,2 33,0 6,7 4 CSN 8.672,7 BRA comodou os distribuidores 65 24,0 943,4 32,9 9,0 4,9 12,1 5 USIMINAS 7.779,6 BRA independentes. A tendência de desaceleração indica que 68 -5,4 1.127,4 -2,9 11,4 7,8 14,6 6 TENARIS 7.711,6 ARG essa realidade deve continu70 48,9 779,5 1,6 11,1 7,0 10,6 7 TERNIUM 7.382,0 ARG ar, pois sobra aço no merca76 N.D. 8 ORGANIZACIÓN TECHINT MÉXICO MÉX 7.076,1 do externo. 105 36,0 N.D. 9 TERNIUM MÉXICO 4.893,0 MÉX Nos demais países lati19,7 108 14,0 930,0 9,9 22,0 13,8 GERDAU AÇOS LONGOS 4.721,5 BRA 10 no-americanos, a situação é menos grave porque, segun- N.D. – Não Divulgado *ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral do o chefe de análise da arencolheu de 6% para 4%. Além da imgentina Allaria Ledesma & Cia, ChrisAssociation), o consumo deve crescer portação direta de aço, há a entrada de tian Reos, os preços são mais próximos 6,6% neste ano nas Américas do Sul e manufaturados de outros países: mádo mercado internacional e têm menor Central, atingindo 48,8 milhões de toquinas, equipamentos e automóveis. volatilidade. No México, por exemplo, neladas. O avanço é maior do que o esSegundo o Instituto Latino-amerios valores estão relacionados ao merperado para o mundo, que é de 1,359 cano de Ferro e Aço (Ilafa), os países da cado americano, com um prêmio de bilhão de toneladas, uma alta de 5,9% América Latina acumularam déficit de US$ 30 a US$ 50 para refletir despesas frente ao ano anterior. Para 2012, a enUS$ 95 bilhões em exportações líquidas com importação, segundo relatório dos tidade prevê crescimento de 8,3% no de manufaturados para a China. No 22º analistas Rene Kleyweg e Marcelo Zilconsumo de aço nas Américas do Sul e Congresso Brasileiro do Aço, realizado berberg, do banco UBS. Central, contra 6% no mundo. em São Paulo, em junho, o presidente Na Argentina, os preços também No Brasil, o consumo aparente de da entidade, Daniel Novegil, alertou acompanham as tendências globais, aço será de 27,8 milhões de toneladas para o risco de desindustrialização. O com pouca volatilidade, por causa do em 2011. O volume é 6,4% maior que Ilafa lançará um estudo sobre a situapequeno porte do mercado, da posição 2010, segundo o Instituto Aço Bração regional para evitar “regressão das dominante da siderúrgica Ternium e da sil (IABr). O crescimento industrial, economias latino-americanas”. falta de uma plataforma de distribuição o investimento em infraestrutura paNo futuro, o comportamento do para os players internacionais. Mesmo ra a Copa do Mundo e a Olimpíada e a mercado siderúrgico da América Lasem um mercado muito expressivo, a maior produção de equipamentos para tina dependerá da situação internacioArgentina está entre os quatro maioo setor de petróleo justificam o avannal, que determinará o tamanho do exres produtores de aço da América Laço. A produção deve atingir um recorcedente de aço no mundo. Segundo José tina. O primeiro é o Brasil, que produde de 39,4 milhões de toneladas, 19,8% Othon de Almeida, sócio-líder da Deziu 26 milhões de toneladas em 2009. a mais que em 2010. loitte para o atendimento às indústrias Em seguida estão México (14 milhões “O Brasil está tão aquecido nos manufatureiras, a continuidade do cresde toneladas), Venezuela e a Argentina, setores de construção e infraestrutucimento asiático e o não agravamento com 4 milhões de toneladas cada. Para que haverá maior demanda para as da crise na Europa são fundamentais íses menores da região não produzem usinas locais, mesmo com as importapara que a enxurrada de aço no mercaaço e importam dos vizinhos. ções”, afirma o sócio e líder de Minerado internacional não ganhe força. ção da PricewaterhouseCoopers Brasil, EXPANSÃO ASIÁTICA Em sua visão, os preços de aço no Ronaldo Valiño. O setor tem capaciOutro fenômeno que afetou a siderurdade produtiva de sobra para cobrir a Brasil podem se recuperar no longo gia regional nos últimos anos foi o cresoferta de aço, nada menos que 47,4 miprazo, mas dificilmente voltarão aos cimento chinês. Desde 2009, a Ásia aulhões de toneladas ao ano de aço bruto. patamares anteriores. Apesar dos dementou sua participação na produção E os programas de investimento devem safios competitivos, a projeção econômundial de aço de 38% para 65%. Neselevar esse número para cerca de 55 mimica é favorável. Segundo a associação se período, a fatia da América Latina lhões de toneladas em 2015. mundial das siderúrgicas (a Worldsteel Julho, 2011 AméricaEconomia 85

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA PETROQUÍMICA

A BRASKEM TEM PLANOS DE INVESTIMENTO DA ORDEM DE R$ 1,6 BILHÃO NESTE ANO

Onda de

investimentos

GRAZIELE DAL-BÓ, DE SÃO PAULO

nquanto nas economias maduras a ordem é correr para retomar os negócios e contornar o período de estagnação, na América Latina o setor petroquímico vive uma onda de importantes investimentos – seja na inauguração de novas plantas, seja na busca por outras matérias-primas para diminuir a dependência do petróleo. “Os projetos mais importantes virão do México, da Colômbia e do Brasil. Este, aliás, deve aparecer como protagonista da região até pelo menos 2017”, afirma Rina Quijada, CEO da Intellichem, consultoria petroquímica com sede em Houston (EUA). Segundo relatório da Intellichem, o país conta com 14 projetos nessa área, previstos para o período de 2011 a 2015. Uma das principais expectativas está relacionada ao projeto da Petroquímica Suape, em

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CRESCIMENTO DA INDÚSTRIA PETROQUÍMICA NA AMÉRICA LATINA ESTIMULA O AUMENTO DE PROJETOS

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Pernambuco, que fará o Brasil voltar a grupo mexicano Idesa. O investimento, na falta de empresas com know-how produzir PTA, insumo usado na fabrito no programa, que visa criar um ponesse setor que sejam capazes de trazer cação do PET. A capacidade de produlo integrado de polietilenos no México, tecnologia suficiente para assimilar o ção será de 700 mil toneladas por ano. soma US$ 2,5 bilhões. aumento da produção e conseguir suO Brasil está caminhando para ser prir uma economia em crescimento já ALTERNATIVAS AO PETRÓLEO um dos cinco maiores mercados consudependente do gás natural. As recentes movimentações do setor midores de produtos químicos no munCom relação às fontes renováveis, petroquímico não ficam restritas a do – hoje, ocupa a oitava colocação –, a grande aposta da região é o etanol. inaugurações de fábricas ou aumento segundo estimativas da Abiquim (As“É uma tendência forte [o uso do etade capacidade nas plantas já existensociação Brasileira da Indústria Quínol], mas, hoje, ele representa apenas tes. Os avanços englobam também as mica). “O país consome, atualmente, 5% das fontes utilizadas para produzir matérias-primas utilizadas no procesUS$ 127 bilhões em produtos químio eteno, principal matéria-prima das so de produção da indústria química. cos por ano. Em 2020, a projeção é de resinas. Enquanto isso, a participação Ainda muito dependentes da oferta de que esse montante seja de US$ 260 bido nafta [subproduto do refino do petróleo] petróleo e gás natural para continuar lhões”, diz Marcelo Lacerda, vice-preé de 77%”, observa Carvalho, da Maxicrescendo, as empresas vêm estudando sidente da Abiquim. Trata-se de um Quim. De cerca de 6 milhões de tonelao uso de outras matérias-primas. Uma aumento importante, já que, além de das de resinas produzidas anualmente das fontes alternativas, segundo Otávio indicar uma demanda aquecida, repela Braskem, por exemplo, apenas 200 Carvalho, diretor da MaxiQuim, conpresenta, em termos percentuais, um mil toneladas (ou 3,3%) são de polietisultoria ligada ao setor petroquímico, avanço de mais de 100%. leno verde, obtido a partir do etanol. é o shale gas, ou gás de xisto, uma espéLacerda, que também é CEO da O produto atende clientes como Tetra cie de gás natural obtido de um outro alemã Lanxess no Brasil, afirma que Pak, Toyota, Tsusho, Shiseido, Natura, tipo de formação geológica. veio da América Latina o maior cresciAcinplas, Johnson&Johnson e P&G. Em fevereiro deste ano, a Repmento do grupo em 2010. A receita da “Existe uma demanda forte por solusol-YPF, produtora de petróleo e gás Lanxess na região, onde a multinacioções renováveis, e estamos investindo na Argentina, anunciou a descoberta nal está presente com plantas no Brasil, muito em inovação, mas também visade reservas de shale gas estimadas em na Argentina e no Uruguai e com dismos ao crescimento dos negócios com 4,5 trilhões de pés cúbicos na bacia de tribuição no Chile e no México, deu um os combustíveis fósseis”, afirma Rui Neuquina. Caso a previsão se confirsalto de 85% no ano passado, na compaChammas, vice-presidente de Polímeme, essa quantia de gás não convencioração com 2009. O faturamento total na ros da Braskem. nal será capaz de abastecer a demanda América Latina alcançou 955 milhões Vale lembrar que o projeto do préargentina pelos próximos 50 anos. Isde euros em 2010, representando uma sal no Brasil aumentará exponencialso representa um alívio para o país em fatia de 10% dentro dos negócios do mente a oferta de petróleo na região. termos energéticos, já que, segundo esgrupo. “Há seis anos, quando começaEntão, resta saber até quando o pretimativas do governo, as reservas namos a operar aqui, esse percentual era ço dessa commodity continuará alto e cionais atingiriam níveis críticos em de apenas 1%”, conta Lacerda. quão competitivo será o uso das fontes 2020. A boa nova esbarra, no entanA Braskem, companhia com 31 renováveis. plantas industriais distribuídas por Brasil e EstaPETROQUÍMICA dos Unidos, é outra que VENDAS VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM RK ROE* ROA** RK*** está otimista com a região. EMPRESA PAÍS 2010 US$ VENDAS 2010 US$ LUCRO DE LUCRO 2010 (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) Do investimento de R$ 1,6 bilhão previsto para este 7,4 21 74,7 1.137,5 115,9 18,2 5,5 1 BRASKEM 15.301,2 BRA ano, a maior parte (R$ 407 4,1 104 24,8 203,0 42,3 15,9 6,3 2 ALPEK 4.954,7 MÉX milhões) terá como desti10,7 179 25,9 316,8 40,2 19,8 7,8 3 MEXICHEM 2.953,3 MÉX no a ampliação da capaci-17,9 185 4,4 -506,5 -284,6 -39,6 -22,5 4 QUATTOR PARTICIPAÇÕES BRA 2.832,2 dade de produção de PVC na planta de Marechal De402 18,0 N.D. 5 3M DO BRASIL 1.355,9 BRA odoro, no estado de Ala-8,9 413 0,0 -117,9 -280,4 -20,8 -9,0 6 DOW BRASIL 1.323,4 BRA goas. A empresa também -0,3 467 34,3 -3,8 -103,9 -0,7 -0,3 7 QUATTOR PETROQUÍMICA BRA 1.136,2 está envolvida com o pro-9,3 552,8 28.994,7 - 82,8 50,7 486 8 YARA BRASIL 1.091,4 BRA jeto Etileno XXI, por meio N.D. – Não Divulgado *ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral de uma joint venture com o Julho, 2011 AméricaEconomia 87

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA TRANSPORTE

Turbinas ligadas IMPULSIONADO PELO BRASIL, O TRANSPORTE AÉREO DEVE CRESCER 7% AO ANO NA AMÉRICA LATINA GIULIANO AGMONT, DE SÃO PAULO

maginava-se que o Aeroporto de El Dorado, em Bogotá, seria um moderno terminal, idealizado para receber os turistas interessados em passear ou fazer negócios na Colômbia. Ao contrário disso, o que se vê hoje são instalações bem precárias, quase a ponto

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de ruir. O próprio governo admite que o projeto do novo aeroporto – o El Dorado será demolido – será insuficiente para atender a demanda quando for concluído, em 2014. O caso do aeroporto colombiano não é diferente do de Guarulhos (na

Grande São Paulo), que é inadequado para o crescente fluxo de viajantes que fizeram da América Latina um dos mercados mais pujantes para o transporte aéreo no mundo. Os principais fabricantes de aviões estimam para a região uma expansão de até 7% ao ano

AEROPORTO DE GUARULHOS, EM SÃO PAULO, É UM DOS SÍMBOLOS DA FALTA DE INFRAESTRUTURA DO SETOR

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Foto: Mauricio Lima/AFP

nas próximas duas décadas. TRANSPORTE O Brasil, que representa cerVARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM *** RK VENDAS 2010 ROE* ROA** RK ca de 40% dos voos sobre o EMPRESA PAÍS VENDAS 2010 US$ LUCRO 10/09 DE LUCRO 2010 US$ MILHÕES (%) (%) 2010 10/09 (%) MILHÕES (%) LÍQ. (%) continente, cresceu o triplo do restante do mundo no 5,6 79 20,1 382,6 -50,4 26,3 4,4 1 TAM 6.829,1 BRA primeiro trimestre de 2011. 3,1 93 79,9 170,7 125,5 12,5 5,3 2 SUDAMERICANA DE VAPORES CHI 5.448,1 Segundo a Iata (Inter9,6 118 24,7 419,4 81,5 32,4 6,2 3 LAN 4.387,1 CHI national Air Transport As4,2 124 21,6 175,5 -55,9 10,8 3,6 4 VRG – LINHAS AÉREAS 4.189,3 BRA sociation), o total de passageiros por quilômetro 3,1 125 21,7 128,6 -73,9 7,3 2,4 5 GOL 4.188,8 BRA transportado no Brasil au2,1 191 58,4 56,4 447,7 9,2 1,6 6 AVIANCA – TACA 2.728,4 COL mentou quase 21% entre ja12,2 195 19,3 329,1 43,2 20,6 12,9 7 TRANSPETRO 2.698,9 BRA neiro e abril deste ano, em 8,5 239 -4,6 192,9 - 17,3 8 GRUPO AEROMÉXICO 2.273,8 MÉX relação ao mesmo período 1,0 318 23,2 18,3 52,3 2,9 1,1 9 INFRAERO 1.745,7 BRA em 2010. De acordo com 16,4 147,6 711,0 6,5 2,0 8,9 339 10 ALL AMÉRICA LATINA 1.652,6 BRA a Infraero, foram 155 mi*ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; ***Posição no ranking geral lhões de passageiros trans- Inclui transporte marítimo e logístico portados em 2010, uma altes obriga as empresas a buscar econota de quase 20% em relação a 2009. O único país que fica de fora da tenmia de escala mediante fusões e aquisiO mercado doméstico brasileiro, que dência expansiva na região é o México. ções. O melhor exemplo é o da fusão da cresce anualmente a taxas de dois díOs problemas internos relacionados à chilena LAN com a brasileira TAM, gitos desde 2003, segundo a Iata, já é o violência, ao narcotráfico e à dependênque poderá dar origem à maior comquarto maior do mundo, depois de Escia do mercado norte-americano explipanhia aérea da região e a 11ª no muntados Unidos, China e Japão. cam o lento crescimento da demanda, do. A última palavra, no entanto, será Na América Latina, os números a falência da companhia aérea Mexicadada pelas autoridades antimonopótambém impressionam. A Associana, em 2010, e os problemas da Aerolio do Chile. ção Latino-Americana e do Caribe de méxico. Diferentemente de Colômbia “Se o acordo entre TAM e LAN for Transporte Aéreo (Alta) estima que a e do Brasil, o México já era um destino aprovado, teremos uma cascata de noregião represente, atualmente, cerca turístico e de negócios consolidado no vas fusões”, afirma Respicio del Espíde 7% do mercado mundial. São quainício da década passada, e, por isso, o ritu Santo, do Cepta. “Avianca, na Cose 100 companhias aéreas, das quais crescimento futuro será mais moderalômbia, e a Taca, na América Central, 59 operam aeronaves com mais de 40 do. De fato, o país cresceu apenas 13% já estão consolidadas, e há vários ponassentos. A entidade prevê um faturaentre 2001 e 2011, contra 150% no Peru tos de convergência entre a panamenha mento anual de US$ 21 bilhões para o e 100% na Argentina. Copa e a brasileira Gol.” setor aéreo na região. A situação é generalizada. “Até as Uma data importante, 2014, está “No curto prazo, a previsão é de taempresas de baixo custo enfrentam didesde já sob observação do setor. Será xas de crescimento saudáveis nos dificuldades no México”, afirma Respicio quando o Brasil formalizará um acorferentes mercados: 13% no Brasil, 7% del Espíritu Santo, presidente do Instido de céus abertos com os Estados Unina Colômbia e 22% no Peru”, diz Alex tuto Brasileiro de Estudos Estratégicos e dos. Este, e outro que depois será asside Gunten, diretor executivo da Alta. de Políticas Públicas em Transporte Aénado com a Europa, permitirão que as “Apesar de sermos afetados pelos altos reo (Cepta). “Para dificultar ainda mais empresas mais importantes do munimpostos e falta de reinvestimentos.” a situação, muitas empresas regionais do voem sem limites de origem e desNa avaliação do brigadeiro Alledo norte dos Estados Unidos acabam tino, tarifa ou franquia para o país. mander Pereira Filho, consultor de explorando o mercado mexicano.” Além disso, os estrangeiros poderiam projetos da Fundação Getulio Vargas, COMPETIÇÃO PELO PASSAGEIRO ampliar sua participação acionária em a infraestrutura é o ponto frágil: “A reO crescimento do mercado não é necesempresas brasileiras – a atual restrição gião ainda tem muito para crescer, posariamente sinônimo de lucro para as de 20% deve subir para 49%. “Essa nodendo chegar a 9% do tráfego aéreo empresas. Com exceção da Aerolíneva legislação se compromete a acelerar mundial em uma década. Contudo, paas Argentinas, não existem mais como processo de fusões e atrair empresas íses como o Brasil devem investir mais panhias aéreas de propriedade estatal de Ásia, Europa e Estados Unidos”, e melhor em sua infraestrutura, que es(as chamadas empresas de bandeira), e afirma Pereira Filho, da FGV. tá perto da saturação e pode gerar garCom colaboração de Jenny González, de Bogotá. a concorrência pelas rotas mais quengalos”, diz o especialista. Julho, 2011 AméricaEconomia 89

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Shopping Nestlé Market Plaza. O shopping que consegue deixar o clima de Campos do Jordão ainda mais gostoso. O Shopping Nestlé Market Plaza é parada obrigatória para quem visita Campos do Jordão no inverno. Além de ser o shopping de inverno mais visitado do Brasil, tem mais de 70 lojas, cafés, praça de alimentação, bookstore, farmácia, entretenimento e o Boulevard Nestlé. Venha conhecer. O melhor de Campos do Jordão acontece aqui.

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA BEBIDAS

Sintonia fina sso não parece uma garrafa de guaraná”, afirma o vendedor à senhora, à namorada, ao surfista e aos sucessivos personagens que chegam atraídos pela nova oferta da Ambev. Depois de 19 anos, a maior engarrafadora brasileira – e um dos destaques globais – reintroduziu a garrafa de vidro de um litro retornável para uma de suas marcas mais emblemáticas, o tradicional refrigerante à base de guaraná. A mudança não é uma questão de capricho. Conhecida por sua experiência em marketing, a Ambev tomou uma decisão que reflete o momento vivido pela indústria: um consumo expansivo, mas cauteloso, porém sensível ao preço e às ofertas. Alan Alaniz, analista do banco JP Morgan, detalha que, “no Brasil, a forte recuperação econômica do ano passado, responsável por impulsionar as rendas disponíveis, combinada com eventos que estimulam a demanda, como o Mundial de Futebol na África do Sul, somados a uma temperatura mais alta que o normal, impulsionou o consumo de cerveja e bebidas em 11% e 12%, respectivamente”. Contudo, volume não é sinônimo de lucro. Há problemas no dia a dia do setor, como o encarecimento de insumos como açúcares, edulcorantes, cevada e aqueles relevantes para os envases (resinas PET e alumínio), além do com-

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plexo cenário no longo prazo do insumo fundamental: a água, especialmente em países como México e Chile. A resposta das empresas ao aumento de custos e à possível retração nas vendas é o lançamento constante de novas marcas com diferentes formatos ou o relançamento de antigas. Além do velho guaraná retornável, a Ambev lançou o energético Fusion (feito com guaranina, a “cafeína do guaraná”) e um refrigerante da Antarctica, uma de suas marcas, que mistura suco de maçã, laranja e grapefruit e concorre com a Schweppes Citrus, da Coca. Alaniz chama a atenção para o mercado chileno: o terremoto de fevereiro de 2010 danificou a infraestrutura e as instalações produtivas, afetando o dinamismo da indústria de bebidas. O crescimento do volume vendido de cervejas baixou para 2%, enquanto os refrigerantes ficaram em 4%, ambos abaixo da expansão do PIB (Produto Interno Bruto), de 5,2%. A consultoria Euromonitor destaca que, por um lado, a falta de água potável resultante do terremoto fez disparar as vendas de água engarrafada e, por outro, os fabricantes tiveram de trabalhar duro para recuperar sua capacidade instalada. “Os principais jogadores ajustaram suas estratégias para capturar melhor o potencial de mercado e competir nas categorias mais novas ou de mais rápido

crescimento”, destaca um relatório recente da consultoria.

MÉXICO SEDENTO Como em todas as indústrias de consumo, nesses momentos se costuma contrastar o dinamismo brasileiro com as perspectivas moderadas do México. Segundo números da Euromonitor International, o mercado brasileiro faturou US$ 50,821 bilhões em 2010 e cresceu (em volume) 11% em cerveja e 12% em bebidas. O mercado mexicano movimentou US$ 25,9 bilhões durante um ano que começou com chuvas e aumento no imposto sobre o preço do produto, o que se traduziu em uma contração de 1% no volume de cerveja, enquanto as vendas de refrigerantes subiram apenas 1%. A Euromonitor destaca que o negócio da Cervejaria Cuauhtémoc Moctezuma com a Heineken (detentora da operação) e com a Femsa, que passou a ter 20% de participação na empresa, revelou algumas deficiências estruturais no setor cervejeiro no México, e, por isso, espera-se que esse ator faça alguma diferença no médio prazo, em termos de inovação e de preços, dada sua estratégia global, seus sistemas de produção e as economias de escala. A Femsa também é uma das empresas mais ativas no âmbito latino-americano em projetos ambientais, algo que tem a

Foto: Márcio Garcez/Folhapress

SANDRA NOVOA E CARLOS TROMBEN, DE SANTIAGO

ENGARRAFADORAS APOSTAM NA DIVERSIFICAÇÃO PARA ACOMPANHAR A MUDANÇA DE HÁBITO DOS CONSUMIDORES

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O CONSUMO DE CERVEJA NO BRASIL CRESCEU 11% EM VOLUME EM 2010

ver com o caráter estratégico de um recurso escasso como a água no país. Em março deste ano, a Femsa adquiriu, junto ao Fundo de Infraestrutura Macquarie México (MMIF) e à Macquarie Capital, dois projetos de energia eólica, avaliados em US$ 90 milhões, para abastecer várias de suas empresas, como Coca-Cola Femsa, Femsa Insumos Estratégicos e Heineken México.

DESACELERAÇÃO NO BRASIL Luis Miranda, analista do Santander Investment, também prevê uma recuperação no mercado mexicano, derivada de melhoras no consumo. Ele traba-

BEBIDAS RK 2010

EMPRESA

PAÍS

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

1

AMBEV

BRA

15.144,2

2

FEMSA

MÉX

13.741,5

3

COCA-COLA

BRA

10.000,0

4

COCA-COLA FEMSA

MÉX

8.377,3

5

GRUPO MODELO

MÉX

6.884,3

MÉX

4.633,9

6

(1)

MÉX

4.170,2

8

GRUPO PEPSICO CERVECERÍA CUAUHTÉMOC – HEINEKEN BAVARIA

COL

2.486,9

9

SPAL

BRA

2.223,2

EMBOTELLADORAS ARCA

MÉX

2.191,2

7

10

N.D. – Não Divulgado

lha com uma desaceleração no Brasil, embora a taxas nada depreciáveis, e uma manutenção em âmbito regional da política de repasse dos aumentos de custos aos clientes. “Em bebidas, o que pode fazer uma diferença em âmbito operacional é que as empresas que puderam fazer estoques e reservas financeiras para possíveis altas nas matérias-primas ou ajustaram as misturas de edulcorantes, como frutose, terão maiores lucros”, afirma Miranda. Outro exemplo da reativação mexicana foi dado pelo Grupo Modelo. No primeiro trimestre deste ano, a compa-

nhia aumentou suas vendas em 11,5% em relação a 2010, atingindo 8,7 milhões de hectolitros. A empresa atribuiu esse resultado a uma recuperação no consumo sobre uma base de comparação baixa. Suas exportações voltaram a subir 14,6%, impulsionadas por um aumento de dois dígitos em praticamente todos os seus mercados. Esse panorama positivo se refletiu no faturamento líquido do primeiro trimestre de 2011, que subiu para US$ 606 milhões, um aumento de 15,5%, comparado com 2010. Para 2011, Alaniz, do JP Morgan, projeta que o Brasil deverá ampliar os volumes de cerveja e refrigerantes em 3% e 5%, respectivamente, enquanto no México ambos os segVARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM *** ROE* ROA** RK VENDAS 2010 US$ LUCRO LUCRO mentos ficarão em torno (%) (%) 2010 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) de 6%. Ele estima que, no Chile, os volumes tam13,7 4.538,1 32,0 31,0 17,7 30,0 22 bém crescerão mais rapi26 12,0 3.259,3 329,8 34,3 18,0 23,7 damente que em 2010, 6% 43 2,4 N.D. e 5%, respectivamente. “A 9,5 61 6,5 793,6 21,7 13,7 8,6 conclusão é que, no Méxi78 9,9 805,2 21,9 12,9 8,1 11,7 co e no Chile, o volume de bebidas deve se acelerar 25,8 N.D. 110 neste ano, enquanto no 17,1 N.D. -100,0 127 Brasil, em grande parte 219 29,1 411,8 -61,8 14,9 8,9 16,6 por causa do aumento da 9,5 245 29,0 211,3 14,6 23,3 15,3 inflação, é provável que a 18,1 213,1 13,6 15,2 7,6 9,7 251 demanda reduza a veloci*ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral dade”, afirma. Julho, 2011 AméricaEconomia 93

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA BEBIDAS

Preferência peruana COM A BACKUS, A MULTINACIONAL SABMILLER SE CONSOLIDA COMO A MAIOR FORNECEDORA DE CERVEJAS NO PERU E TENTA AMPLIAR SEU DOMÍNIO NO RESTANTE DA AMÉRICA LATINA

NATALIA VERA RAMÍREZ, DE LIMA

uando, em 2006, o inglês Robert Priday Woodworth chegou para dirigir a União de Cervejarias Peruanas Backus y Johnston (após a aquisição da matriz colombiana Bavaria pela anglo-sul-africana SABMiller), sua mensagem aos funcionários foi clara. “Assumi o compromisso de que eles teriam apenas uma mudança nesta empresa”, afirma Woodworth, recordando os sorrisos de aprovação. “Quando anunciei que a única diferença era que esta empresa continuaria com todas as transformações que fossem necessárias, todos mudaram de expressão. Algumas pessoas estavam de acordo e continuam conosco, outras não.”

Foto: Shutterstock

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Até o momento, o executivo e sua equipe têm motivos para estar satisfeitos. Colocaram em prática 270 projetos, com investimentos de US$ 500 milhões, e os resultados dessa constante mudança merecem destaque. Segundo dados do relatório anual da empresa, em 2010, a Backus faturou US$ 973 milhões, 9,4% a mais que em 2009. O lucro líquido subiu 3,4%, alcançando um total de US$ 94 milhões. A empresa vendeu no mercado local 10,1 milhões de hectolitros de cerveja, um acréscimo de 680 mil hectolitros em relação a 2009. Isso significou um aumento de market share no mercado cervejeiro, em volume, de 88,7% em 2009 para 90,8% em 2010. A participação da Backus no faturamento do grupo atingiu 92,3%, 1,4% a mais que no ano anterior. Embora 2010 tenha sido um ano de recuperação econômica, nem todos os players do setor cervejeiro tiveram a mesma sorte da Backus. Enquanto as vendas totais do mercado cresceram 5% e totalizaram 11,1 milhões de hectolitros naquele ano, a Ajeper (do grupo Añaños), que comercializa as marcas Franca, Caral e Club Especial, reduziu sua participação de 3,2% para 0,8%. O outro ator é a Ambev (maior cervejeira do mundo), cujas marcas Brahma, Zenda e Stella Artois se mantiveram estáveis. “Entre os pontos fortes da Backus destaca-se o fato de ter 130 anos no mercado peruano e uma equipe de alto nível”, afirma César Cáceres, diretor do Programa de Administração de Empresas da Universidade de Piura. “Além disso, a empresa tem três das marcas mais fortes do mercado, Cusqueña, Cristal e Pilsen.” Segundo Patricia Mazuelos, sócia de Auditoria da Deloitte Peru, o sucesso da Backus deve-se ao fato de a cerveja ser uma bebida alcoólica acessível a todos os setores socioeconômicos. Diferentemente dos refrigerantes, em que a população das camadas mais baixas não tinha uma oferta de baixo custo (que foi atendida pelo grupo Añaños), a cerveja sempre teve um consumo

massivo popular, independentemente de seu custo. “Os consumidores das classes C e D compravam suas marcas de sempre, não importava se estavam gastando o dinheiro da comida”, afirma. “É uma questão cultural forte e de sabor. Além disso, o fato de ter adquirido várias marcas também ajudou a Backus a consolidar sua liderança.” Para César Arbe, sócio do escritório Jorge Avendaño, Forsyth & Arbe Abogados, o mercado local de cerveja tem um componente de fidelidade, não de preços. A Backus soube manter isso. “Será preciso passar uma geração para que novos consumidores escolham outras marcas, e o desafio da empresa está em atraí-los ou criar produtos diferentes”, afirma. Na opinião de Robert Priday Woodworth, da Backus, o Peru é um país basicamente cervejeiro. “Os ‘pisqueros’ dizem que o pisco é a bebida carro-che-

da consultoria local Maximixe, o consumo per capita de cerveja subiu 3,9% em 2010, alcançando 41,8 litros por ano, o que se atribui ao bom momento da economia e à melhora do poder aquisitivo dos peruanos. Ainda assim, é um nível inferior ao de vários países da região, como México (61 litros), Brasil (57 litros), Argentina (44 litros) e Colômbia (43 litros). Esse animador panorama transformou a operação da SABMiller no Peru na segunda mais importante da região, superada apenas pela da Colômbia. Prova disso é o estudo “Bebidas alcoólicas: uma tentativa de recuperação e a brecha regional dos grandes”, elaborado pela consultoria Euromonitor International. Segundo o levantamento, a indústria cervejeira peruana faturou cerca de US$ 3 bilhões em 2010, enquanto no mercado colombiano esse montante chegou a US$ 6,26 bilhões.

Marca tradicional no país andino, a Backus tem 90,8% de participação no mercado cervejeiro fe do Peru, mas as pessoas sabem que a preferência nacional é pela cerveja. Ao beber, 85% das pessoas escolhem uma cerveja”, afirma. Embora as marcas da Backus tenham mais de 90% de participação no mercado cervejeiro, no consumo total de álcool sua participação cai para 50%. Woodworth e vários analistas atribuem isso ao alto nível de consumo de álcool informal. “Existe uma grande oportunidade para continuarmos crescendo, mas primeiro devemos erradicar a venda do álcool informal no Peru, que tem uma das taxas mais altas da região (30%). Além disso, nada é tributado”, afirma o executivo inglês. Apesar de o álcool informal ser uma grande pedra no sapato dos fabricantes, o Peru abre cada vez mais garrafas e latas de cerveja. Segundo dados

Apesar disso, a região quer ter mais importância dentro da operação global da SABMiller. Segundo o relatório da empresa do último ano, a América Latina representava 30% das receitas totais. O peso do mercado peruano na estratégia regional da SABMiller foi demonstrado nas últimas eleições presidenciais. Enquanto parte do empresariado local sumia na confusão e a Bolsa de Valores de Lima experimentava a pior queda de sua história, a Backus foi a primeira empresa a dizer que o Peru teria um futuro promissor após a vitória do presidente eleito Ollanta Humala. “O economista Pedro Pablo Kuczynski afirma que, se desejamos saber a situação econômica do país, é preciso ver a venda de cerveja – um excelente barômetro”, finaliza Woodworth. Julho, 2011 AméricaEconomia 95

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA GÁS

O gás ganha destaque na matriz

O BRASIL AINDA É MUITO DEPENDENTE DA PRODUÇÃO QUE SAI DO SUBSOLO BOLIVIANO

CRÍTICAS ÀS HIDRELÉTRICAS E ÀS USINAS NUCLEARES AJUDAM A AUMENTAR AS APOSTAS NOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS clima foi incômodo durante a apresentação do planejamento energético brasileiro para o período 2011-2020, realizada em 6 de junho. Na ocasião, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, executivo de confiança da presidente Dilma Rousseff, disse que os combustíveis fósseis não tinham espaço na matriz energética brasileira. Precisou desdizer. O gás natural voltou a se destacar no cenário, o que, sem dúvida, terá repercussão na geopolítica dos países da América do Sul. “O maior obstácu-

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lo para o gás era o preço, que hoje mudou”, afirmou o presidente da EPE. Até então, entendia-se que o gás natural, o diesel e a gasolina não entravam como insumo na geração de eletricidade. Os objetivos mudaram, já que o governo brasileiro se deu conta de que não pode depender exclusivamente da hidreletricidade. “Tem havido uma crescente dificuldade na concessão de licenças”, afirmou Tolmasquim. “Se não há licenças para as hidrelétricas, é preciso introduzir termelétricas. Esse é um sinal da política energética.”

As manifestações trabalhistas contra as usinas dos rios Madeira, Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, a paralisação judicial de Belo Monte, no Pará, o anúncio de que a Alemanha fechará suas centrais nucleares até 2022, tudo isso reduziu ainda mais as opções de energia no Brasil. Em suma, a alternativa é o gás natural. “Haverá uma transição da fonte de energia mais suja para outra mais limpa. O preço do gás ainda tende a cair, o que trará mudanças à dinâmica na América do Sul”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Foto: Diego Giudice/GettyImages

CRISTINA SANTOS, DO RIO DE JANEIRO

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A EPE prevê um fornecimento potencial anual de 109 milhões de m3 de energia em 2011, que aumentará para 193 milhões de metros cúbicos (m3) daqui a nove anos, considerando a produção do pré-sal. O Brasil aposta na operação das unidades de regasificação do combustível – uma no Rio de Janeiro, com capacidade diária de 14 milhões de m3, e outra no Ceará, com 7 milhões de m3 por dia. Uma terceira unidade está em construção na Bahia. Em conjunto, as três unidades garantirão ao Brasil cerca de 35 milhões de m3 por dia, superando o volume atualmente comprado da Bolívia. A descoberta de importantes reservas no pré-sal também repercutiu na relação comercial entre Brasil e Venezuela. A Petrobras abriu mão da presença no campo de Cabrobó (PE), cuja produção era considerada estratégica. Desde 2006, quando foi surpreendido pela ameaça de suspensão do fornecimento de gás da Bolívia, o Brasil tem investido em infraestrutura e exploração em seu próprio território. A estatal Petrobras considera a possibilidade, inclusive, de instalar uma usina de liquefação em sua área de produção para transportar grandes volumes extraídos desde o pré-sal até seus principais centros de consumo. A intenção da empresa é produzir

GÁS RK 2010

EMPRESA

PAÍS

1 PETROBRAS

BRA

2 PEMEX

MÉX

3 PDVSA

VEN

4 ECOPETROL

COL

5 YPF 6 PETROECUADOR

ARG (1)

EQU

7 ENAP

CHI

8 YPFB

BOL

9 PETROPERÚ

PER

10 PAN AMERICAN E. N.D. –Não Divulgado; (1) Estimativa

ARG

202 milhões de m3 por dia em 2020, sendo 182 milhões no Brasil e 20 milhões no exterior, segundo o último plano de investimentos da empresa. Para garantir a infraestrutura e a logística no transporte de energia até o litoral, sem a necessidade de apelar para uma complexa e inflexível rede de gasodutos, a Petrobras conduz um estudo com três de suas parceiras – a espanhola Repsol, a britânica BG e a portuguesa Galp, que, em conjunto, avaliarão a viabilidade da usina de liquefação de combustível para operar perto dos campos de produção. A expectativa é que a oferta supere o consumo brasileiro e haja um excedente de até 24 milhões de m3 por dia em 2020, dependendo do consumo das centrais térmicas.

A estratégia concentra-se no preço. A YPFB argumenta que, no Brasil, o custo de extração do gás é cinco vezes mais alto que na Bolívia. Também existe a garantia de fornecimento contínuo. “Tivemos períodos difíceis. No entanto, a negociação foi satisfatória, e nunca faltou gás para o Brasil”, afirmou Inchausti. Ele se refere a 2006, quando muitos bolivianos celebraram a nacionalização do recurso enquanto as empresas abandonavam o país. Como consequência, a disponibilidade de gás para clientes como a Argentina foi drasticamente reduzida, obrigando os consumidores a recorrer a Trinidad e Tobago. Inchausti considera a necessidade de instalação de equipamentos de compressão ao longo do gasoduto BolíviaDÚVIDA BOLIVIANA Brasil para aumentar a capacidade atuEntão, qual será o futuro da tubulação al da rede de 31 milhões de m3 por dia de 3.150 quilômetros que estreitou as para até 48 milhões de m3 diários, volume previsto no projeto original. Para relações entre Brasil e Bolívia? A pefazer frente a um possível crescimento troleira boliviana YPFB está atenta ao da demanda interna no Brasil e na Arcenário e começará a negociar com a gentina, a Bolívia está disposta a auPetrobras a prorrogação do contrato mentar sua produção de 45 milhões de de fornecimento, atualmente limitam3 diários para 70 milhões. Desse todo a 31 milhões de m3 diários, que expira em 2019. O presidente da YPFB tal, 13 milhões de m3/dia seriam consumidos internamente. O volume resTransporte, Cristian Inchausti, esteve tante seria exportado para os países no Brasil em maio deste ano, para esvizinhos. Parece muito, mas a Bolívia treitar contatos com executivos da esconfia no investimento, não apenas da tatal brasileira. YPFB, mas também da Petrobras, da Repsol, da francesa Total e da Gazprom, da Rússia. VENDAS VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM *** ROE* ROA* * RK 2010 US$ VENDAS 2010 US$ LUCRO DE LUCRO Os bolivianos apostam (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) que uma parte significativa dos fundos destinados à 16,5 1 22,0 21.119,5 26,9 11,5 6,8 128.000,0 geração nuclear migre para -3,7 2 24,5 -3.843,3 47,0 - -3,4 103.814,2 o gás natural, como conse5,3 3 16,7 4.606,7 4,8 6,1 3,2 87.534,7 quência do “efeito Fukushi19,4 12 19,2 4.194,3 61,3 20,1 12,8 21.610,7 ma”. “Com as usinas de li13,1 36 22,9 1.443,9 58,6 30,4 12,4 11.013,0 quefação, o gás se transfor16,0 N.D. 50 9.343,6 mou em uma commodity”, afirma Pires, do CBIE. Para 15.3 70,1 -65 15,4 1,2 0,9 64 8.179,9 o executivo, a palavra-chave 116 14,4 N.D N.D 4.400 é integração. “Logo os pa3,0 153 40,5 106,5 15,1 21,4 6,8 3.550,1 íses da América do Sul não 173 6,9 N.D 3.100 poderão ser vistos isolada*ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; *** Posição no ranking geral mente”, afirma. Julho, 2011 AméricaEconomia 97

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA ENERGIA

Momento de INDEFINIÇÃO SOBRE AS CONCESSÕES NO SETOR ELÉTRICO DEIXA EMPRESAS BRASILEIRAS APREENSIVAS GRAZIELE DAL-BÓ, DE SÃO PAULO

cautela APAGÃO EM SÃO PAULO, EM 2009: UM SETOR CHEIO DE FRAGILIDADES

ndefinição é a palavra de ordem, hoimportantes eventos nos próximos na comparação com o mesmo período je, para o setor elétrico brasileiro. O cinco anos. Vale lembrar que o país de 2009. De 2000 pra cá, o uso de enerpaís não sabe qual será o seu futuro, sofreu com diversos apagões ao longo gia pelo brasileiro aumentou 36%. e, até 2015, ninguém terá uma resposta desta década. O último aconteceu em O risco de futuros apagões, na avasegura, apenas palpites. É neste ano que fevereiro deste ano e deixou parte da liação de Cristiane, da Lafis, pode ser vencerão os prazos de concessões de parRegião Nordeste às escuras. dirimido com a ativação das termelétrite do parque gerador de energia do Brasil Alguns especialistas afirmam que cas que estão paradas atualmente. Oue das distribuidoras. O governo terá de a origem das falhas no fornecimento de tra boa notícia para o setor são os invesdecidir se as permissões serão renovadas energia está em investimentos menores timentos feitos em energias renováveis, ou se haverá novas licitações. do que a necessidade. Com o consumo principalmente a eólica. Dos R$ 24,9 A dúvida impacta no apetite de increscendo a taxas maiores que a geração milhões que o BNDES (Banco Naciovestir das empresas. “É arriscado fa– enquanto o primeiro aumenta 2,9% nal de Desenvolvimento Econômico e zer aportes em algo que você não sabe ao ano, o outro tem acréscimo de 2,2% Social) tem disponíveis para financiar se continuará a operar”, afirma Cristia–, a situação tende a piorar. Segundo projetos de energia neste ano, R$ 4 mine Mancini, analista de energia da conrelatório do Banco Fator, o consumo lhões terão como destino os parques sultoria Lafis. de energia elétrica no Brasil cresceu eólicos. Pode ser o prenúncio de bons Por enquanto, a única certe4,1% no primeiro trimestre deste ano, ventos para o Brasil. za no âmbito das renovações é quanto à redução de ENERGIA tarifas. Segundo o goverVARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM RK VENDAS 2010 ROE* ROA** RK*** no, como parte dos invesEMPRESA PAÍS VENDAS 2010 US$ LUCRO 10/09 DE LUCRO 2010 US$ MILHÕES (%) (%) 2010 10/09 (%) MILHÕES (%) LÍQ. (%) timentos já estará amortizada em 2015, diminuir os COMISÍON FEDERAL DE 21,9 65,5 -28,0 0,2 0,1 0,3 13 1 20.601,3 MÉX preços é uma consequênELECTRIDAD cia natural. O que é bom para 7,5 17 19,6 1.349,1 1.278,0 3,2 1,5 2 ELETROBRAS 17.893,8 BRA o consumidor, porém, signi7,9 30 10,0 1.038,1 -20,4 13,0 3,7 3 ENERSIS 13.193,1 CHI fica queda na margem de lu14,8 1.355,2 26,8 19,7 6,7 17,6 67 4 CEMIG 7.720,2 BRA cro das empresas. “Somado a 18,9 923,2 25,0 23,7 7,7 12,8 73 5 CPFL ENERGIA 7.216,3 BRA isso está um custo maior com 13,9 87 25,9 808,8 32,5 36,1 11,8 6 ELETROPAULO 5.819,9 BRA os seguros”, diz Cristiane. 19,9 94 34,3 1.067,1 17,1 17,1 9,1 7 NEOENERGIA 5.371,5 BRA A mistura é explosi7,7 1.139,2 -8,0 22,5 8,8 22,3 99 8 ENDESA 5.119,8 CHI 20,2 128,3 -42,4 5,6 1,6 3,0 120 9 CGE 4.295,2 CHI va para um país com os ní28,4 592,9 0,6 9,0 5,5 14,3 129 10 COPEL 4.141,8 BRA veis de crescimento do Bra*ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; ***Posição no ranking geral sil, que será sede de dois

Foto: Juca Varella/Agência Estado

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA ENERGIA

Alta voltagem EM DEZ ANOS, A COLOMBIANA ISA PASSOU DE UMA DISTRIBUIDORA LOCAL DE ELETRICIDADE A UMA MULTILATINA DIVERSIFICADA DE ENGENHARIA

ma viagem de 2.400 quilômetros pela geografia e biodiversidade de seis estados brasileiros começa neste mês. Trata-se do projeto do consórcio IE Madeira, que conectará, por meio da construção do linhão de transmissão, as usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, em Rondônia, à rede nacional. Segundo Jorge Tagle, vice-presidente executivo da Nexans para América do Sul (a empresa que fabrica os cabos), é a maior obra de interconexão elétrica do mundo em construção atualmente: transmitirá cerca de 3.150 MW, isto é, 9% da demanda de energia do Brasil. O consórcio IE Madeira é formado por Furnas Centrais Elétricas (24,5%), Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) e CTEEP (Companhia de

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Transmissão de Energia Elétrica Paulista). Aparentemente, trata-se de um triunvirato eminentemente brasileiro. No entanto, esta última, que possui 51% de participação, é filial da Interconexión Eléctrica S.A. (ISA), uma multinacional colombiana que vem crescendo a uma voltagem que ultrapassa seu negócio tradicional em distribuição elétrica. Nos últimos dez anos, passou de US$ 1,8 bilhão em ativos (1999) para US$ 14,3 bilhões (2010). A ISA deu de ombros ao adágio popular colombiano “o sapateiro com seus sapatos”, assumindo o desafio de transitar por negócios diferentes de sua vocação original. “Nossa estratégia contempla o crescimento e a consolidação nos negócios atuais, mas também prevê a incursão em novos negócios que garantam rentabilidades para gerar valor aos nossos acionistas”, afirma Luis Fernando Alarcón, gerente geral da ISA. “Apostamos em um crescimento ordenado e na entrada em setores em que consideramos possível desenvolver vantagens competitivas.” Com um portfólio de cinco negó-

cios, nos quais atua por meio de 28 empresas, a ISA é uma das maiores transportadoras internacionais de energia elétrica na América Latina, operando uma rede de alta tensão de 38.989 km de circuito, na Colômbia, no Peru, na Bolívia e no Brasil, além das interconexões entre Venezuela e Colômbia, Colômbia e Equador, e Equador e Peru. Por meio de sua filial Internexa, construiu uma densa infraestrutura de conectividade em telecomunicações no Brasil, na Argentina, no Peru e no México, de cerca de 18.000 km de extensão, aproximadamente. Nos países do Pacífico, Chile e Peru, seu objetivo é captar 35% do mercado não atendido. Na América Central, a ISA tem uma participação acionária de 11,11% na Empresa Propietaria de la Red (EPR), constituída pelo Sistema de Interconexión Eléctrica de los Países de América Central (Siepac), e compartilha com a Empresa de Transmisión Eléctrica S.A. (Etesa) a propriedade da Interconexión Eléctrica Colombia-Panamá (ICP). Além disso, trabalha em parceria com a rede Redca para unir as

Ilustração: Paulo Woodward

JENNY C. GONZÁLEZ, DE BOGOTÁ

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A empresa tem como meta o desenvolvimento ordenado em setores nos quais consegue ter vantagens competitivas

telecomunicações da América Central e do Sul, mediante um cabo de fibra óptica de 1.800 km, que integrará o México e a Colômbia, passando por seis países centro-americanos. O salto para a diversificação dos negócios da ISA veio com a incursão em concessões viárias, no fim de 2009, quando adquiriu 60% da Cintra Chile, principal operadora do setor viário do país austral, com 907 km de rodovias. Depois, iniciou o projeto Autopistas de la Montana, na Colômbia, composto por quatro corredores viários, que terão uma extensão de 1.251 km. Na Colômbia, há rumores sobre a possibilidade de a ISA incursionar também no transporte de gás (um dos negócios quentes na América Latina). No entanto, a empresa afirmou não ter nada de concreto sobre o assunto.

Andrés Jiménez, diretor internacional da corretora InterBolsa, sustenta que é interessante a alavancagem feita pela empresa a partir de sua experiência para chegar a outros setores. “Incursionar na construção de rodovias é extremamente positivo. Isso tem um fator grande de crescimento potencial.”

ACIONISTAS CONTENTES A ISA completou dez anos desde seu IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). Hoje, tem 51.204 acionistas. Durante esse tempo, a ação valorizou-se 1.559%, fechando o ano passado a US$ 7, ou 8,63% a mais que em 2009. A companhia obteve receitas operacionais de US$ 1,9 bilhão em 2010, um crescimento de 6,2% em relação ao ano anterior. “É uma ação que, desde que foi

emitida, tem mostrado uma tendência de alta”, afirma Jiménez. “O desempenho reflete as boas perspectivas da empresa sobre o comportamento futuro.” “O balanço positivo de nossos negócios apoia-se na gestão organizacional, que permite otimizar recursos e transferir as melhores práticas e sinergias, liderada por uma equipe comprometida com o desempenho de nossas empresas”, afirma Alarcón. Para Jiménez, o desafio do grupo em seu país de origem será a Autopista de la Montaña, em função das dificuldades enfrentadas pelo setor na Colômbia – não apenas pelos escândalos de corrupção nas contratações, mas pelos questionamentos ao esquema de concessões. Ele acredita que a empresa está depositando grande parte de seu prestígio nesse projeto, pois terá de se esforçar muito para acabar com a impressão negativa que parte da opinião colombiana tem sobre o sistema de concessões. “Conseguir reverter esse conceito e essa percepção é um desafio extremamente interessante”, afirma. Em âmbito consolidado, a meta é chegar a US$ 3,5 bilhões de receita anual em 2016, dos quais 80% deverão ser gerados fora da Colômbia e 20% em negócios diferentes da transmissão de energia. Um desafio que não é pequeno. Entre os projetos novos estão várias linhas de transmissão no Peru e investimento de US$ 1,350 bilhão no Brasil, por meio da CTEEP. São negócios de alta voltagem. Julho, 2011 AméricaEconomia 101

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA ENERGIA

O difícil financiamento

do HidroAysén ENCONTRAR RECURSOS PARA O MEGAPROJETO HIDRELÉTRICO CHILENO PODE NÃO SER UMA TAREFA FÁCIL

o dia 13 de maio, na Plaza Navona, em Roma, reluzia um enorme cartaz pintado à mão que dizia “Patagonia senza dighe” (Patagônia sem represas). Atrás dele, dezenas de pessoas pediam à empresa italiana Enel que não prosseguisse com o projeto hidrelétrico da HidroAysén, que contempla cinco centrais, com reservatórios de 5.910 hectares, no sul do Chile. Junto dos protestos, um grupo da ONG chilena Patagonia sin Represas iniciava um forte lobby com o Estado italiano, dono de 30% da empresa, além de bancos e agentes financeiros. O objetivo: convencê-los de que poderia ser contraproducente para eles financiar a iniciativa. A articulação dos ambientalistas

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aproveita uma tendência cada vez mais forte no mundo financeiro internacional. Depois da crise de 2008, da qual saíram com uma imagem bastante danificada, os grandes bancos estão cada vez mais receosos em apoiar iniciativas questionadas social ou ambientalmente. Já são 72 as instituições financeiras no mundo (o único chileno é o Corpbanca) que assinaram os Princípios do Equador, uma espécie de guia de autorregulamentação, nascido há oito anos, para que os banqueiros avaliem o financiamento de projetos a partir de critérios de sustentabilidade, incorporando a análise de risco ambiental. A HidroAysén deverá negociar essas fragilidades socioambientais para obter os US$ 7 bilhões necessários pa-

ra construir as represas na Patagônia e fazer o cabeamento elétrico que distribuirá os 2.700 MW gerados para o restante do Chile. Apesar de ter conseguido o sinal verde em todas as instâncias reguladoras chilenas, o relatório European Banks Financing Controversial Companies, publicado em 2009, elaborado pela fundação internacional Profundo, não foi nem um pouco favorável à empresa chilena. O estudo menciona o projeto da HidroAysén entre as 16 iniciativas envolvidas em problemas como abusos de direitos humanos, contaminação do meio ambiente e investimentos em países com regimes repressivos que receberam financiamento de bancos europeus desde 2005.

Foto: Martin Bernetti/AFP

XIMENA BRAVO E JUAN PABLO RIOSECO, DE SANTIAGO

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Após a crise de 2008, da qual saíram com uma imagem bastante danificada, os grandes bancos estão mais receosos em apoiar iniciativas questionadas ambientalmente

MANIFESTANTE PROTESTA CONTRA O PROJETO HIDRELÉTRICO DA HIDROAYSÉN NA PATAGÔNIA CHILENA

“Tivemos reuniões com dois dos principais bancos [os italianos Intesa San Paolo e Unicredit] que emprestam dinheiro à Enel”, afirma o coordenador internacional do Conselho de Defesa da Patagônia (CDP) e presidente da ONG Ecosistemas, Juan Pablo Orrego. “Ambos disseram que o mercado não está para projetos como o da HidroAysén”. Segundo ele, grupos ambientalistas também estão trabalhando no Canadá para dissuadir a empresa Transelec de se envolver com a HidroAysén. A companhia é a mais provável interessada em desenvolver a linha de transmissão. Por sua vez, o vice-presidente executivo da HidroAysén, Daniel Fernández, confia na solidez do projeto. Seus executivos ainda não iniciaram a etapa

de road show com financiadores, mas Fernández assegura que vários bancos internacionais procuraram a empresa para oferecer seus serviços. “Dissemos a eles que ainda não é o momento”, afirma. “Devemos ter todas as aprovações e, em 2014, os acionistas vão tomar uma decisão de investimento em função de todas as licenças do modelo financeiro que nós propusemos e também da estrutura final de custos.” O ex-presidente do The Royal Bank of Scotland Chile e atual sócio da consultoria Abaco, Víctor Toledo (que também é integrante da diretoria de AméricaEconomia no Chile), afirma que o mercado de capitais assimilou que a boa gestão ambiental e social está diretamente relacionada a um menor risco na concessão de crédito. “Uma empresa que não opera sob esses princípios gera para o banco dois riscos adicionais: de imagem e de portfólio.” Fernández, da HidroAysén, afirma que, se forem resolvidos todos os questionamentos ambientais e sociais antes de se pedir o financiamento, esse risco não deve transpassar para o crédito. “Aqui, os investidores competirão para financiar este projeto, e nós teremos a possibilidade de escolher a melhor taxa e as melhores condições.” Os bancos chilenos têm experiências recentes em financiar iniciativas pouco sustentáveis, com maus resultados para seus balanços. Um deles é o caso da salmonicultura no sul do país, uma emergente indústria exportadora que chegou a produzir 650 mil toneladas em 2008. Depois de dois anos, os produtores se viram duramente golpeados pela propagação do vírus letal da anemia infecciosa do salmão (o ISA), e a produção caiu 61,53% em 2010, pa-

ra 250 mil toneladas. Grupos defensores do meio ambiente dizem que a produção de salmão chilena foi feita com precárias condições sanitárias. A crise obrigou uma massiva e difícil renegociação com os bancos. O Banco do Chile foi uma das entidades que lideraram o processo de reestruturação dos passivos das empresas.

COMPASSO DE ESPERA É difícil prever o resultado da campanha dos ambientalistas contra o projeto hidrelétrico da HidroAysén, principalmente porque nem todos os bancos consideram sua imagem pública um ativo. “Sempre há financiadores inescrupulosos para projetos que têm impactos bastante relevantes”, afirma Orrego, da ONG Ecosistemas. E cita como exemplo a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que não é uma aposta segura, pois também experimenta um lobby ambiental de peso, com o envolvimento de entidades e personalidades nacionais e internacionais. A Organização dos Estados Americanos (OEA), em nome da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), solicitou ao governo brasileiro, que possui 49,9% do projeto por meio da estatal Eletrobras, em carta enviada no início de abril, a suspensão imediata da concessão, argumentando que a obra representa sérios riscos para os povos indígenas da região do rio Xingu. Na hora de partir em busca de financiamento, a HidroAysén e outros megaprojetos do gênero terão de enfrentar um cenário no qual tudo o que se refere a políticas de desenvolvimento sustentável chegou ao mundo financeiro e aos bancos. Julho, 2011 AméricaEconomia 103

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA AUTOMOTIVO

Um futuro

plugado? OS VEÍCULOS ELÉTRICOS SERIAM UMA SOLUÇÃO PARA A POLUIÇÃO NAS GRANDES CIDADES DA AMÉRICA LATINA. MAS SUA DISSEMINAÇÃO NÃO SERÁ TÃO RÁPIDA

eletricidade é parte fundamental de nossa vida. Basta olhar em volta e ver nossa dependência das coisas mais prosaicas, como carregar o celular ou aquecer uma lasanha congelada no micro-ondas. As baterias parecem estar dominando o mundo. Seremos nós, no futuro, dependentes da energia também na hora de abastecermos o carro? O que se sabe até agora é que sua chegada aos motores dos veículos será mais lenta.

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Os principais fabricantes já têm veículos com essas características (ou têm projetos em fase de desenvolvimento), prometendo reduzir a pegada de carbono e aumentar a eficiência e a comodidade nos traslados dos consumidores. Estados Unidos, Europa e Japão são os três principais mercados que as montadoras estão mirando. Mas o que acontece na América Latina? Já existem alguns convênios para que esses modelos desembarquem na região nos próximos meses. Por exemplo, México e Brasil têm acordos governamentais

firmados com a Nissan, para a chegada do Leaf, um hatchback elétrico lançado nos Estados Unidos em 2010. Há algumas semanas, a empresa japonesa inaugurou uma estação de recarga em Santiago, no Chile. São Paulo receberá uma frota de 50 automóveis para uso governamental. No México, o governo contará com 100 unidades a partir de outubro deste ano e se comprometeu a desenvolver a infraestrutura necessária para recarregar as baterias. No entanto, esses modelos che-

Foto: Shutterstock

MARCO ROBLES, DA CIDADE DO MÉXICO

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AUTOMOTIVO

de combustão interna e os elétricos são abissais. VENDAS VARIAÇÃO LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO MARGEM *** RK ROE* ROA** RK EMPRESA PAÍS 2010 US$ VENDAS 2010 US$ LUCRO LUCRO Enquanto com um tan2010 (%) (%) 2010 MILHÕES 10/09 (%) MILHÕES 10/09 (%) LÍQ. (%) que de gasolina é possível percorrer cerca de 11,4 N.D. 28 1 VOLKSWAGEN 13.594,4 BRA 500 quilômetros, um (1) 11,9 N.D. 31 12.850,0 2 GENERAL MOTORS DE MÉXICO MÉX pacote de baterias con4,9 970,6 2,4 82,6 13,9 7,8 32 3 FIAT AUTOMÓVEIS 12.405,3 BRA segue deslocar o auto72,0 N.D. 44 9.797,9 4 FORD MOTOR COMPANY (1) MÉX móvel por apenas 150 12,4 N.D. 47 5 GENERAL MOTORS 9.513,0 BRA quilômetros. Sem levar em conta o tempo de re7,8 63,9 3,5 1,5 0,7 59 8.605,4 6 VOLKSWAGEN DE MÉXICO (1) MÉX carga: um veículo elé-18,2 N.D. 63 8.302,3 7 NISSAN MEXICANA (1) MÉX trico conectado a uma 20,4 N.D. 82 8 FORD 6.590,0 BRA rede de corrente de 120 -28,8 N.D. 83 6.316,0 9 CHRYSLER (1) MÉX volts demora cerca de 98,7 - 113 10 MAN LATIN AMERICA 4.528,8 N.D. BRA 8 horas para carregar N.D. - Não Divulgado; (1) Estimativa *ROE – Retorno sobre Patrimônio; **ROA – Retorno sobre Ativo; ***Posição no ranking geral completamente. “A diferença entre garão à América Latina com preços de gasolina e etanol (ou apenas com gauma bateria e o combustível é que elevados, sobretudo em virtude dos solina ou etanol), dependendo do preço quase todo o combustível é energia, impostos de importação. A General e da preferência do condutor. enquanto a bateria é um dispositivo Motors já anunciou que começará a “No Brasil, o uso do etanol pode reeletroquímico que exige um controle vender o Volt na Argentina a cerca de duzir em até 90% a emissão de CO2 em delicado da temperatura e de comporelação à gasolina”, afirma Carlos EuUS$ 60 mil, enquanto nos Estados Uninentes, e que se deteriora com o passar genio Dutra, diretor de Exportações da dos ele é oferecido por pouco mais de do tempo”, afirma Agüelles, da BMW. Fiat América Latina. “Em muitos paUS$ 32 mil. “A bateria tem uma vida útil e, pouco íses latino-americanos introduzimos “Nós acreditamos que o automóvel a pouco, vai perdendo capacidade. Em o conceito de downsizing, que significa elétrico não substituirá completamente um automóvel elétrico, talvez seja prereduzir o tamanho do motor, baixar as o carro a gasolina ou o híbrido”, afirma ciso substituir o jogo de baterias depois emissões, mas aumentar a potência paJulián Argüelles, subgerente de Treinade seis ou oito anos. O custo disso pode ra manter o desempenho.” mento Técnico da BMW no México. ser mais elevado do que o valor de reEsse conceito começa a ser usado “O que esperamos é que haja uma convenda do veículo no mercado de semipor montadoras como a Ford e a BMW. vivência entre as tecnologias.” O exenovos”, completa. A ideia, com essa tecnologia, é garancutivo reconhece que até em mercados A temperatura também é uma tir a mesma potência, com menos condesenvolvidos ainda falta muito em requestão importante para os automósumo de combustível e menor emissão lação à infraestrutura de recarga. veis a bateria, já que o calor e o frio afede poluentes. A América Latina deveria ser um tam o desempenho dos acumulado“O desenvolvimento tecnológico dos destaques na utilização da eletrores. Por isso, também se deve trabalhar está no caminho de otimizar ao máximobilidade, dados os altos níveis de a fundo nos sistemas de resfriamento mo o automóvel, sem importar o tipo contaminação do ar em grandes cene aquecimento, sobretudo em regiões de motor utilizado”, afirma Argüelles. tros, como Cidade do México, Sancom invernos e verões rigorosos. “Na BMW, temos o efficient dynamics, tiago e São Paulo, as distâncias perAté agora, o Volt conseguiu unir o um programa global que atua na aecorridas diariamente, a densidade do melhor dos mundos: é um carro elétrirodinâmica do automóvel, a partir de tráfego e a topografia das cidades. Mas co capaz de rodar só com baterias por pneus de baixa resistência à rodagem, o alto preço dos modelos é incompatíaté 50 quilômetros. Para trajetos maiodireção elétrica e freio regenerativo, no vel com a renda média da região. res, ativa um motor a gasolina, que gequal o alternador recarrega a bateria Grande parte dos esforços da inra eletricidade para recarregar as batequando o automóvel está desacelerandústria automobilística se concentra, rias e percorrer mais 550 quilômetros. do. O motor a gasolina tradicional ainatualmente, na redução das emissões “Não acreditamos em um futuro X da tem muitíssimo o que oferecer em de poluentes e no consumo de combusou Y, mas sim em diferentes matrizes, termos de redução de consumo e emistível. Por exemplo, 99% dos motores alternadas de acordo com a disponibisões”, detalha o executivo. que a Fiat comercializa no Brasil são lidade energética de cada local”, afirma Já as diferenças entre os motores flex – podem funcionar com a mistura Dutra, da Fiat. Julho, 2011 AméricaEconomia 105

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MAIORES EMPRESAS SETOR DA AMÉRICA LATINA CIMENTO

A CEMEX VAI FORNECER CIMENTO PARA A HIDRELÉTRICA REVENTAZÓN, NA COSTA RICA

A Cemex

não para A FABRICANTE DE CIMENTOS MEXICANA TEM PROJETOS NO MUNDO TODO E COBIÇA ONDE MAIS SE CONSTRÓI: NA ÁSIA

á dez anos, Lorenzo Zambrano era considerado o segundo homem mais rico do México. Sua empresa, a Cemex, estava entre as cinco primeiras do país. Hoje, ocupa o 24º lugar no ranking de AméricaEconomia, tem US$ 66 milhões em dívidas que estão para vencer neste ano e deve pagar US$ 360 milhões pelos ativos de sua parceira nos Estados Unidos, a Ready Mix. Apesar disso, a empresa centenária se mantém à frente do setor, em que disputa com a Holcim Apasco o segun-

H

do lugar. Esse paradoxo é simples de explicar, segundo Alejandro Ascencio, gerente de Inteligência da empresa de informações financeiras Infosel. “Assim como todas as fabricantes de cimento do mundo, ela enfrenta uma redução mundial da demanda, resultado da crise hipotecária de 2008 nos Estados Unidos e pela instabilidade no Oriente Médio, onde a Cemex estava crescendo.” O impacto é direto, já que 22% das vendas da empresa são feitas no vizinho do norte, onde a Cemex aumentou

sua participação de mercado em 2007 – um ano antes da crise –, ao adquirir a empresa australiana Rinker por US$ 15,5 bilhões. Com 85% de suas receitas no mercado externo, a Cemex também foi prejudicada pela expropriação na Venezuela. Como disse o professor Roberto Sánchez de la Vara, coordenador do curso de mestrado em Administração da Universidade Ibero-Americana, “foi mais um roubo que a afetou momentaneamente, mas um prejuízo maior para a Venezuela”. O preço das ações da

Foto: Yuri Cortez/AFP

DAVID SANTA CRUZ, DA CIDADE DO MÉXICO

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Cemex caiu nesse período, mas voltou a subir. E a produção perdida na Venezuela foi retomada em outras fábricas.

A VOLTA AO MUNDO Apesar de tudo, a Cemex não para. Em março, a empresa foi escolhida como a fornecedora principal para a construção da primeira etapa da usina hidrelétrica Reventazón, na Costa Rica. O investimento estimado é de US$ 1,2 bilhão. Na Colômbia, a empresa fechou um contrato para pavimentar pouco mais de 28 mil metros quadrados de vias para o Usme Ciudad Futuro, um dos projetos urbanísticos mais ambiciosos de Bogotá, no sul da capital. E, no Panamá, a Cemex fornecerá 500 mil toneladas de cimento para a ampliação do canal. Além disso, segundo um relatório da corretora mexicana Ixe, a capacidade instalada de produção de cimento da Cemex na Ásia é de 5,7 milhões

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de toneladas por ano, e, em 2010, a empresa vendeu quase 4,5 milhões para a região. “Diante da expectativa de uma maior demanda de cimento no Japão [por causa do tsunami], a Cemex poderia aumentar seu volume de vendas em 21,1% na região”, afirma. Na Alemanha, a Cemex fechou um expressivo contrato para fornecer 36 mil metros quadrados de produtos de concreto pré-fabricado para a construção do novo estádio do Mainz 05 (time da primeira divisão do Campeonato Alemão de Futebol), na cidade de Mainz. O estádio terá capacidade para 33,5 mil espectadores. Na França, foram cerca de 27 mil metros cúbicos de concreto pré-misturado para uma fábrica de aviões Airbus A350, perto da cidade de Toulouse. Na China, a empresa fechou um contrato de fornecimento para o arranha-céu Gaoyin 117, na cidade de Tianjin. Com seus 598 metros de altura, se-

rá um dos edifícios mais altos da Ásia. “Continuamos fazendo os ajustes operacionais necessários”, informou a empresa em seu relatório anual de 2010. “De fato, ao mesmo tempo em que cumprimos todos os nossos compromissos financeiros, atingimos nossa meta de reduzir custos em US$ 150 milhões neste ano.” De 2007 a 2011, a Cemex demitiu cerca de 23 mil funcionários como parte dos “ajustes operacionais necessários” apontados no relatório – equivalente a 33% de seu quadro total após a compra da Rainker nos Estados Unidos. A esses números se soma uma redução global de 6%, anunciada em junho passado. “A Cemex não para, está plenamente ativa em todas as áreas que precisa”, afirma Ascencio, da Infosel. “E não estar parada significa continuar oferecendo seus produtos, mantendo uma estratégia de crescimento nos países que precisam de cimento.”

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opinião

o início da década de 1970, o economista britânico E. F. Schumacher cunhou a frase “o pequeno é belo” e sacudiu o mundo. Para uma época sensibilizada pelo meio ambiente, devota à descentralização e com ressaca do gigantismo, soou poesia. No campo de negócios, porém, ser pequeno sempre foi um suplício. Da Bunge ao Grupo Bimbo, da Cemex à Embraer, a sorte da América Latina parece cada vez mais trilhada a portentos. Mas são as empresas pequenas e médias os heróis invisíveis, o tecido conectivo das nações em desenvolvimento. Em tempos fartos, geram oportunidades, empregos aos milhões e até inovações. Nas vacas magras, escoram as famílias e geram caixa de subsistência. Capilares, levam bens e serviços até os cafundós, irrigando mercados que as grandes empresas desprezam. Empresários micro e pequenos lideram a reconstrução de Haiti e representam, talvez, a derradeira esperança para salvar a economia de Cuba. Pena que nadam na pororoca. Ser empreendedor não é fácil na América Latina. Basta analisar o caso do Brasil, o emergente titular das Américas, que está entre os piores países no mundo para se fazer negócios, ocupando a 127a posição entre 183 nações, segundo o ranking do Banco Mundial. Aos pequenos empreendedores, faltam incentivos e crédito com prazos e juros amenos, enquanto sobram burocracia, fiscalização e impostos. O BNDES pode ser uma mãe, mas não tem filho pequeno. Quando a economia patina, as pequenas e médias empresas são as primeiras a sentir. Com a inflação e os juros novamente em alta no país, as pequenas empresas lideraram o número de pedidos de falências em maio. Nos países ricos, o papel das médias e pequenas empresas está consagrado: geram metade do PIB (Produto Interno Bruto) e dois de cada três empregos. Por aqui, sua presença é ainda maior: representam 98% das 17 milhões de empresas latinas e sustentam seis em cada dez empregos, segundo o

N

BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Mas são infinitamente mais fracas. Na década de 1960, o trabalhador na América Latina produzia um quarto de seu par americano; hoje, sua produtividade é de um sexto da americana. Após uma década de reformas estruturais, a América Latina renasceu. Na ponta da pirâmide, as grandes empresas ganharam asas e viraram players na economia global. Na base, políticas sociais ousadas alçaram dezenas de milhões de pessoas acima da linha de miséria. Saudamos, com razão, a ascensão das novas classes médias latinas, mas elas despontam como consumidoras, e não como produtoras. Faltam políticas para o miolo, justamente aquela camada que é celeiro global de empreendedorismo. São ricos demais para receber bolsa família ou microcréditos e pobres demais para conseguir financiamento a prazos e termos suaves. É o dilema do “missing middle” – a lacuna do meio –, segundo Thomas Dichter, ex-consultor do Banco Mundial especializado em políticas de desenvolvimento. O problema não é a afamada alta taxa de mortalidade das pequenas empresas. Nascer, fraquejar e morrer faz parte do ciclo de negócios, um processo essencial para “selecionar” os empreendedores viáveis dos fracos. O pequeno empreendedor não precisa de um pulmão artificial. Mas os governos podem muito mais para nivelar o inóspito campo de jogo. O Brasil deu o pontapé em 2006, enxugando tributos e desatando trâmites pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, hoje com 5 milhões de adeptos. Criou ainda a figura do Empreendedor Individual, para aqueles com renda anual de até R$ 36 mil, uma boia de salva-vidas para os cerca de 11 milhões de empresários mergulhados na economia informal. É um bom começo. Para aproveitar melhor a onda de prosperidade, as promissoras economias do hemisfério precisam ajudar aqueles que podem melhor ajudar a todos. O belo também vem no manequim modesto.

MAC MARGOLIS é correspondente de longa data da revista Newsweek. Realiza reportagens sobre o Brasil, outros países da América Latina e os mercados emergentes, e já colaborou para diversas outras publicações, entre elas The Economist, The Washington Post e The Los Angeles Times.

Ilustração: Samuel Casal

Pequenas notáveis

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500

MAIORES EMPRESAS ÍNDICE DE EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

EMPRESA

PAÍS

RK

3M DO BRASIL

BRA

402

A ACEITERA GENERAL DEHEZA (1) AEROPUERTOS Y SERV. AUXILIARES AES GENER AES SUL AES TIETÊ AGROSUPER AJE GROUP ALCOA ALE COMBUSTÍVEIS ALICORP ALKOSTO ALL AMÉRICA LATINA ALMACENES ÉXITO ALPARGATAS ALPEK ALTOS HORNOS DE MÉXICO ALUAR ALUMBRERA ALUNORTE AMBEV AMÉRICA MÓVIL AMÉRICA MOVIL ECUADOR AMIL AMPLA ANCAP (1) ANGLO AMERICAN NORTE ANGLO AMERICAN SUR ANTOFAGASTA PLC ARAUCO ARCELORMITTAL ARCELORMITTAL INOX ARCOR ARCOS DORADOS ASSAI AURORA ALIMENTOS AUTOLIV MÉXICO AUTORIDAD DEL CANAL DE PANAMÁ AVIANCA – TACA AVON

ARG MÉX CHI BRA BRA CHI PER BRA BRA PER COL BRA COL BRA MÉX MÉX ARG ARG BRA BRA MÉX EQU BRA BRA URU CHI CHI CHI CHI MÉX BRA ARG ARG BRA BRA MÉX PAN COL BRA

272 257 308 478 500 314 370 464 126 465 498 339 142 408 104 194 496 349 348 22 5 436 111 289 233 269 259 112 140 240 315 209 178 336 333 497 270 191 253

B B2W - CIA. GLOBAL DO VAREJO BANDEIRANTE ENERGIA BARRICK MISQUICHILCA BASF BAVARIA BAYER BAYER DE MÉXICO BIO PAPPEL BRASIL TELECOM BRASIL TELECOM MÓVEL BRASKEM BRASIL FOODS (BRF) BROOKFIELD BUENAVENTURA BUNGE BUNGE ALIMENTOS BUNGE FERTILIZANTES

BRA BRA PER BRA COL BRA MÉX MÉX BRA BRA BRA BRA BRA PER ARG BRA BRA

224 401 447 162 219 247 468 449 85 458 21 27 277 482 157 37 282

C C. VALE CAMARGO CORRÊA CIMENTO CANDELARIA CANTV CAP CARAMURU CARBONES DEL CERREJÓN CARGILL CARGILL CARREFOUR CARREFOUR CARREFOUR CARVAJAL INTERNACIONAL CASAS BAHIA CASAS GEO CBA CBD - GRUPO PÃO DE AÇÚCAR CCR RODOVIAS CCU CEEE PARTICIPACÕES CEG CELESC CELESTICA INC. CELGPAR CELPA CELPE CEMAT CEMENTOS ARGOS CEMEX

BRA BRA CHI VEN CHI BRA COL BRA ARG ARG COL BRA COL BRA MÉX BRA BRA BRA CHI BRA BRA BRA MÉX BRA BRA BRA BRA COL MÉX

395 373 384 167 274 472 237 58 132 150 264 23 355 137 357 337 14 187 310 366 400 225 305 412 423 325 455 358 24

EMPRESA

PAÍS

RK

CEMIG CENCOSUD CENCOSUD CERV. CUAUHTÉMOC – HEINEKEN CESP CGE CGE DISTRIBUCIÓN CHESF CHEVRON PETROLEUM CHILECTRA CHRYSLER CHRYSLER CIA. BRAS. DE METAL. E MINERAÇÃO CIA. EST. DE DIST. DE ENERGIA ELÉTRICA CIELO CLARO CLARO TELECOM CMPC CELULOSA CMPC PAPELES Y CARTONES CMPC TISSUE CNH COAMO COCA-COLA DE MÉXICO COCA-COLA FEMSA COCA-COLA CODELCO CODENSA COELBA COELCE COLLAHUASI COMCEL COMERCIAL MEXICANA COMGÁS COMISIÓN FEDERAL DE ELECTRICIDAD CONSORCIO MINERO CORMIN CONSTR. E COM. CAMARGO CORRÊA CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT CONSTRUTORA OAS CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO CONTAX CONTINENTAL TIRE DE MÉXICO COOXUPÉ COPA AIRLINES COPASA COPEC COMBUSTIBLES COPEL COPERSUCAR CORPORATIVO FRAGUA CORREIOS E TELÉGRAFOS COSAN COSTCO MÉXICO COTEMINAS COTIA CPFL - CIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ CPFL ENERGIA CPFL PIRATININGA CSN CTEEP CYRELA REALTY

BRA CHI ARG MÉX BRA CHI CHI BRA COL CHI MÉX ARG BRA BRA BRA ARG BRA CHI CHI CHI BRA BRA MÉX MÉX BRA CHI COL BRA BRA CHI COL MÉX BRA MÉX PER BRA BRA BRA BRA BRA MÉX BRA PAN BRA CHI BRA BRA MÉX BRA BRA MÉX BRA BRA BRA BRA BRA BRA BRA BRA

67 29 146 127 319 120 417 165 352 258 83 466 321 488 228 230 77 389 123 407 190 200 483 61 43 20 386 202 329 135 169 114 222 13 331 181 156 266 246 382 296 489 388 281 66 129 103 327 72 39 470 351 431 168 73 377 57 404 183

D DAIMLER DANONE DEACERO DELTA CONSTRUÇÕES DOW BRASIL DROGA RAIA DROGARIA SÃO PAULO DROGASIL DRUMMOND DUPONT DURATEX

MÉX MÉX MÉX BRA BRA BRA BRA BRA COL BRA BRA

428 461 216 303 413 492 418 446 285 335 342

E E.CL ECOPETROL EDITORA ABRIL EL PUERTO DE LIVERPOOL ELECTRICARIBE ELECTROLUX DO BRASIL ELEKTRO ELEMENTIA ELETROBRAS ELETRONORTE ELETROPAULO EMBOTELLADORA ANDINA EMBOTELLADORAS ARCA EMBRAER EMBRATEL EMPRESAS BANMÉDICA EMPRESAS COPEC EMPRESAS ICA

CHI COL BRA MÉX COL BRA BRA MÉX BRA BRA BRA CHI MÉX BRA BRA CHI CHI MÉX

477 12 429 122 476 241 268 480 17 211 87 287 251 89 80 365 33 186

EMPRESA

PAÍS

RK

EMPRESAS NAVIERAS EMPRESAS PÚBLICAS DE MEDELLÍN ENAMI ENAP ENDESA ENERGIAS DO BRASIL (EDP) ENERGISA ENERSIS ENTEL ENTEL PCS EQUATORIAL ESCONDIDA EVEN EXTRA EXXONMOBIL

CHI COL CHI CHI CHI BRA BRA CHI CHI CHI BRA CHI BRA BRA COL

421 119 323 64 99 177 416 30 235 309 491 51 456 53 213

F FALABELLA FALABELLA PERÚ FASA FEMSA FERREYROS FERROMEX FIAT AUTOMÓVEIS FIBRIA FINNING CHILE FLEXTRONICS MANUFACTURING FORD FORD FORD MOTOR COMPANY FRESNILLO PLC FURNAS

CHI PER CHI MÉX PER MÉX BRA BRA CHI MÉX BRA ARG MÉX MÉX BRA

55 394 328 26 499 445 32 143 487 117 82 236 44 381 130

G GAFISA GALVÃO ENGENHARIA GAS NATURAL FENOSA MÉXICO GASCO GASPETRO GBARBOSA GENERAL ELECTRIC GENERAL ELECTRIC GENERAL MOTORS GENERAL MOTORS GENERAL MOTORS COLMOTORES GENERAL MOTORS DE MÉXICO GERDAU GERDAU AÇOMINAS GERDAU AÇOS LONGOS GERDAU COMERCIAL DE AÇOS GLOBO COMUN. E PARTICIPAÇÕES GNL QUINTERO GOL GRUPO ABRIL GRUPO ACS GRUPO AEROMÉXICO GRUPO ALFA GRUPO ALGAR GRUPO ANDRADE GUTIERREZ GRUPO ANDRÉ MAGGI GRUPO ARCELORMITTAL GRUPO BAL GRUPO BIMBO GRUPO BOSCH GRUPO CAMARGO CORRÊA GRUPO CARSO GRUPO CASA SABA GRUPO CHEDRAUI GRUPO CLARÍN GRUPO CONDUMEX GRUPO CONTINENTAL GRUPO COPPEL GRUPO ELEKTRA GRUPO EMPRESARIAL ANGELES GRUPO FAMSA GRUPO ICE GRUPO INDUSTRIAL LALA GRUPO ISA GRUPO IUSA GRUPO KUO GRUPO MARTINS GRUPO MASECA GRUPO MÉXICO GRUPO MODELO GRUPO NUTRESA GRUPO OMNILIFE GRUPO PALACIO DE HIERRO GRUPO PEPSICO GRUPO SALINAS GRUPO SANBORNS GRUPO SCHINCARIOL GRUPO SIMEC

BRA BRA MÉX CHI BRA BRA BRA MÉX BRA ARG COL MÉX BRA BRA BRA BRA BRA CHI BRA BRA MÉX MÉX MÉX BRA BRA BRA BRA MÉX MÉX BRA BRA MÉX MÉX MÉX ARG MÉX MÉX MÉX MÉX MÉX MÉX C.RI MÉX COL MÉX MÉX BRA MÉX MÉX MÉX COL MÉX MÉX MÉX MÉX MÉX BRA MÉX

242 390 453 383 215 334 210 158 47 232 361 31 16 208 108 278 84 454 125 301 391 239 35 350 60 283 41 54 48 218 42 96 189 121 286 363 459 134 145 411 442 252 97 307 387 300 311 141 62 78 238 385 434 110 90 196 326 275

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500

MAIORES EMPRESAS ÍNDICE DE EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

EMPRESA

PAÍS

RK

GRUPO TELEVISA GRUPO VILLACERO GRUPO VITRO GRUPO VIZ GRUPO VOTORANTIM GRUPO WONG GRUPO XIGNUX GUARARAPES - RIACHUELO GVT HOLDING

MÉX MÉX MÉX MÉX BRA PER MÉX BRA BRA

109 435 291 397 18 471 214 353 380

H HERINGER FERTILIZANTES HIPERMERCADOS LIDER HOLCIM APASCO HOLDING ALIMENTARIO DEL PERÚ HOME DEPOT HOMEX HONDA DE MÉXICO HYPERMARCAS

BRA CHI MÉX PER MÉX MÉX MÉX BRA

261 161 450 354 490 347 265 288

MÉX PER MÉX MÉX MÉX MÉX BRA C.RI COL BRA BRA BR/PA

J JABIL CIRCUIT JBS – FRIBOI JOHNSON CONTROLS DE MÉXICO JSL

EMPRESA

PAÍS

RK

EMPRESA

PAÍS

RK

SIDERAR SIEMENS BRASIL SIEMENS MÉXICO SIGDO KOPPERS SIGMA SODIMAC SONY DE MÉXICO SOTREQ SOUTHERN PERÚ COPPER CORP. SOUZA CRUZ SPAL SPRINGS SQM SUDAMERICANA DE VAPORES SUPERMERCADOS JUMBO SUPERMERCADOS LA FAVORITA SUPERMERCADOS SANTA ISABEL SUPERMERCADOS UNIMARC SUZANO PAPEL E CELULOSE SYNGENTA

ARG BRA MÉX CHI MÉX CHI MÉX BRA PER BRA BRA BRA CHI CHI CHI EQU CHI CHI BRA BRA

229 280 462 298 197 207 484 356 170 163 245 393 299 93 320 372 340 322 193 313

T TAM TECHINT TELECOM TELEFÔNICA BRASIL TELEFÓNICA CHILE TELEFÓNICA COLOMBIA TELEFÓNICA DE ARGENTINA TELEFÓNICA DEL PERÚ TELÉFONOS DE MÉXICO TELESP TELMEX INTERNACIONAL TENARIS TERNIUM TERNIUM MÉXICO TERPEL TIENDAS ELEKTRA TIM BRASIL TOYOTA TOYOTA TRACTEBEL TRANSPETRO TUPY

BRA ARG ARG BRA CHI COL ARG PER MÉX BRA MÉX ARG ARG MÉX CHI MÉX BRA MÉX ARG BRA BRA BRA

79 15 147 25 369 273 345 204 52 49 75 68 70 105 409 302 56 279 294 221 195 475

U ULTRAGAZ ULTRAPAR UNILEVER UNILEVER DE MÉXICO URBI DESARROLLOS URBANOS USIMINAS USINA COSTA PINTO UTE

BRA BRA BRA MÉX MÉX BRA BRA URU

332 10 81 439 444 65 448 362

V V&M VALE VALE FERTILIZANTES VIAKABLE VITRO ENVASES VIVO VOLKSWAGEN VOLKSWAGEN VOLKSWAGEN DE MÉXICO VOLVO VOTORANTIM CIMENTOS VOTORANTIM SIDERUGIA VRG – LINHAS AÉREAS VULCABRAS

BRA BRA BRA MÉX MÉX BRA BRA ARG MÉX BRA BRA BRA BRA BRA

359 4 346 425 292 38 28 180 59 138 107 481 124 457

W WALMART WALMART – BODEGAS Y TIENDAS DESC. WALMART CHILE WALMART CLUBES DE PRECIOS WALMART DE MÉXICO Y CENTROAM. WALMART HYPERMERCADOS WALMART SUPERMERCADOS WEG WHIRLPOOL

BRA MÉX CHI MÉX MÉX MÉX MÉX BRA BRA

34 40 106 86 9 71 290 203 115

X XSTRATA COPPER CHILE

CHI

330

Y YARA BRASIL YPF YPFB

BRA ARG BOL

486 36 116

Z ZAFFARI E BOURBON

BRA

424

MOVISTAR MRS MRV

COL BRA BRA

460 405 304

N NACIONAL DE DROGAS NAMISA NATURA NEMAK NEOENERGIA NESTLÉ NESTLÉ DE MÉXICO NET BRASIL NEXTEL NEXTEL DE MÉXICO NISSAN MEXICANA NOKIA NORBERTO ODEBRECHT NOVARTIS NUEVA EPS

MÉX BRA BRA MÉX BRA BRA MÉX BRA BRA MÉX MÉX BRA BRA BRA COL

223 316 175 182 94 74 160 166 212 256 63 276 45 469 419

244 262 426 271 250 95 318 248 188 410 11 155

O OAS ENGENHARIA ODEBRECHT OHL BRASIL OHL MÉXICO OI – TELEMAR OI MÓVEL OLÍMPICA ORGANIZACIÓN SORIANA ORGANIZACIÓN TECHINT MÉXICO ORGANIZACIÓN TERPEL OXITENO OXXO (FEMSA COMERCIO)

BRA BRA BRA MÉX BRA BRA COL MÉX MÉX COL BRA MÉX

192 8 414 396 19 100 374 69 76 151 427 101

MÉX BRA MÉX BRA

154 7 378 440

K KENWORTH MEXICANA KIMBERLY CLARK DE MÉXICO KLABIN

MÉX MÉX BRA

493 260 249

L LA FONTE TELECOM LA POLAR LAN LEAR CORPORACIÓN MÉXICO LG LIGHT LIQUIGÁS LOCALIZA LOJAS AMERICANAS LOJAS MARISA LOJAS RENNER LOS PELAMBRES LOUIS DREYFUS COMMODITIES

BRA CHI CHI MÉX BRA BRA BRA BRA BRA BRA BRA CHI BRA

128 463 118 375 174 136 344 367 88 430 341 164 133

M M. DIAS BRANCO MABE MAGAZINE LUIZA MAGNA INTERNACIONAL MAGNESITA MAHLE METAL LEVE MAKRO MALL PLAZA MAN LATIN AMERICA MARCOPOLO MARFRIG MEGA METALSA MEXICHEM MINERA ANTAMINA MINERA CERRO VERDE MINERA DEL PACÍFICO MINERA EL ABRA MINERA SPENCE MINERA VALPARAÍSO MINERA YANACOCHA MINERA ZALDÍVAR MINERVA MINSUR MOLINOS RÍO DE LA PLATA MOLYMET MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR

BRA MÉX BRA MÉX BRA BRA BRA CHI BRA BRA BRA MÉX MÉX MÉX PER PER CHI CHI CHI CHI PER CHI BRA PER ARG CHI VEN ARG MÉX CHI PER

376 148 184 227 399 485 171 149 113 312 46 324 451 179 198 231 422 473 433 494 295 479 267 452 205 415 176 206 220 306 406

P PACIFIC RUBIALES PAMPA ENERGÍA PAN AMERICAN ENERGY PANPHARMA PÃO DE AÇÚCAR PARANAPANEMA PARIS PATAGONIA PDG REALTY PDVSA PEMEX PERNAMBUCANAS PERUPETRO PETROBRAS PETROBRAS PETROBRAS DISTRIBUIDORA PETROBRAS ENERGÍA PETROECUADOR PETROPERÚ PEUGEOT – CITRÖEN PLUSPETROL PERÚ CORPORATION PONTO FRIO – GLOBEX POSITIVO INFORMÁTICA PREZUNIC SUPERMERCADOS PROCTER & GAMBLE DE MÉXICO PROFARMA

COL ARG ARG BRA BRA BRA CHI ARG BRA VEN MÉX BRA PER BRA CHI BRA ARG EQU PER ARG PER BRA BRA BRA MÉX BRA

343 443 173 254 226 284 437 403 172 3 2 255 317 1 398 6 152 50 153 234 474 98 392 432 217 293

Q QUATTOR PARTICIPAÇÕES QUATTOR PETROQUÍMICA

BRA BRA

185 467

R RANDON PARTICIPAÇÕES RECOPE REDE ENERGIA REFAP – REF. ALBERTO PASQUALINI REFINERÍA LA PAMPILLA RENAULT RENAULT ARGENTINA REPSOL COMERCIAL – RECOSAC RIO GRANDE ENERGIA RIPLEY CHILE RIPLEY CORP. ROCHE ROSSI RESIDENCIAL

BRA C.RI BRA BRA PER BRA ARG PER BRA CHI CHI BRA BRA

243 199 131 91 159 139 438 379 420 360 263 441 368

S SABESP SALFACORP SAMARCO MINERAÇÃO SAMSUNG ELECTRONICS SAMSUNG ELETRÔNICA AMAZÔNIA SANMINA – SCI SYSTEMS DE MÉXICO SEMP TOSHIBA SHELL CAPSA SHELL CHILE

BRA CHI BRA MÉX BRA MÉX BRA ARG CHI

92 364 144 338 102 371 495 201 297

I IBERDROLA DE MÉXICO IFH PERÚ HOLDING INDITEX INDUSTRIAS BACHOCO INDUSTRIAS CH INDUSTRIAS PEÑOLES INFRAERO INTEL INVERSIONES ARGOS IOCHPE-MAXION IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO ITAIPU BINACIONAL

112 AméricaEconomia Julho, 2011

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MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2010 2009

PAÍS

SETOR

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

VENDAS 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO VENDAS 10/09 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

LUCRO LÍQUIDO 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO LUCRO 10/09 (%) 26,9

1

1 PETROBRAS

BRA

PETRÓLEO/GÁS

128.000,0

104.933,4

22,0

21.119,5

16.644,7

2

2 PEMEX

MÉX

PETRÓLEO/GÁS

103.814,2

83.417,2

24,5

-3.843,3

-7.245,0

47,0

3

3 PDVSA

VEN

PETRÓLEO/GÁS

94.929,0

74.996,0

26,6

3.202,0

4.394,0

-27,1

4

7 VALE

BRA

MINERAÇÃO

49.949,0

27.852,4

79,3

18.047,1

5.886,1

206,6

5

6 AMÉRICA MÓVIL

MÉX

TELECOMUNICAÇÕES

49.220,7

43.229,6

13,9

7.378,6

7.074,1

4,3

6

5 PETROBRAS DISTRIBUIDORA

BRA

PETRÓLEO/GÁS

39.655,8

31.635,5

25,4

844,8

840,0

0,6

BRA

AGROINDÚSTRIA

33.042,7

19.705,8

67,7

-181,7

74,3

-344,5 159,5

7

11 JBS – FRIBOI

8

10 ODEBRECHT

9 10

1 - 50

EMPRESA

RANKING

BRA

MULTISSETOR

28.203,3

20.618,3

36,8

1.672,9

644,7

9 WALMART DE MÉXICO Y CENTROAMÉRICA

MÉX

COMÉRCIO

27.195,8

20.699,0

31,4

1.583,1

1.286,3

23,1

8 ULTRAPAR

BRA

PETRÓLEO/GÁS

25.496,2

20.741,9

22,9

459,3

268,1

71,3 723,9

11

59 IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO

BRA

PETRÓLEO/GÁS

21.795,5

8.013,6

172,0

352,2

42,7

12

12 ECOPETROL

COL

PETRÓLEO/GÁS

21.610,7

18.127,4

19,2

4.194,3

2.600,5

61,3

13

15 COMISIÓN FEDERAL DE ELECTRICIDAD

MÉX

ENERGIA ELÉTRICA

20.601,3

16.904,1

21,9

65,5

91,0

-28,0

14

21 CBD – GRUPO PÃO DE AÇÚCAR

BRA

COMÉRCIO

19.260,4

13.355,3

44,2

433,6

339,8

27,6

15

13 TECHINT

ARG

SIDERURGIA/METALURGIA

19.092,0

17.786,0

7,3

N.D.

N.D.

-

16

18 GERDAU

BRA

SIDERURGIA/METALURGIA

18.841,2

15.242,4

23,6

1.285,9

644,4

99,5 1.278,0

17

17 ELETROBRAS

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

17.893,8

14.965,4

19,6

1.349,1

97,9

18

16 GRUPO VOTORANTIM

BRA

MULTISSETOR

17.705,1

16.423,6

7,8

2.923,1

2.487,4

17,5

19

14 OI – TELEMAR

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

17.694,4

17.296,5

2,3

1.050,1

2.936,3

-64,2

20

27 CODELCO

CHI

MINERAÇÃO

16.065,9

12.147,8

32,3

1.876,3

1.261,7

48,7

21

51 BRASKEM

BRA

PETROQUÍMICA

15.301,2

8.757,4

74,7

1.137,5

526,8

115,9

22

22 AMBEV

BRA

BEBIDAS

15.144,2

13.320,7

13,7

4.538,1

3.437,9

32,0

23

24 CARREFOUR

BRA

COMÉRCIO

14.745,6

13.252,5

11,3

N.D.

N.D.

-

24

19 CEMEX

MÉX

CIMENTO

14.434,5

15.138,7

-4,7

-1.337,4

107,9

-1.339,5

25

25 TELEFÔNICA BRASIL

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

13.983,6

12.073,0

15,8

N.D.

N.D.

-

26

20 FEMSA

MÉX

BEBIDAS

13.741,5

12.264,8

12,0

3.259,3

758,3

329,8 597,4

27

41 BRASIL FOODS (BRF)

BRA

ALIMENTOS

13.612,6

9.135,0

49,0

482,6

69,2

28

26 VOLKSWAGEN

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

13.594,4

12.205,1

11,4

N.D.

N.D.

-

29

36 CENCOSUD

CHI

COMÉRCIO

13.226,1

10.518,2

25,7

632,5

190,2

232,6

30

28 ENERSIS

CHI

ENERGIA ELÉTRICA

13.193,1

11.997,9

10,0

1.038,1

1.303,7

-20,4

31

31 GENERAL MOTORS DE MÉXICO (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

12.850,0

11.485,8

11,9

N.D.

N.D.

-

32

29 FIAT AUTOMÓVEIS

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

12.405,3

11.824,8

4,9

970,6

948,0

2,4 4,4

33

38 EMPRESAS COPEC

CHI

MULTISSETOR

12.150,1

9.954,7

22,1

602,5

577,0

34

33 WALMART

BRA

COMÉRCIO

11.356,2

10.202,4

11,3

N.D.

N.D.

-

35

50 GRUPO ALFA

MÉX

MULTISSETOR

11.044,5

8.849,9

24,8

398,9

154,6

158,0 58,6

36

46 YPF

ARG

PETRÓLEO/GÁS

11.013,0

8.960,8

22,9

1.443,9

910,2

37

30 BUNGE ALIMENTOS (1)

BRA

AGROINDÚSTRIA

10.899,0

11.805,8

-7,7

N.D.

69,5

-

38

40 VIVO

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

10.866,6

9.397,6

15,6

1.136,6

492,5

130,8 -23,0

39

62 COSAN

BRA

AGROINDÚSTRIA

10.842,3

8.842,9

22,6

466,1

605,2

40

63 WALMART – BOD. Y TIENDAS DE DESCUENTOS

MÉX

COMÉRCIO

10.446,7

7.368,8

41,8

N.D.

N.D.

-

41

56 GRUPO ARCELORMITTAL

BRA

SIDERURGIA/METALURGIA

10.181,7

8.139,6

25,1

869,0

1.566,4

-44,5 -17,5

42

45 GRUPO CAMARGO CORRÊA

BRA

MULTISSETOR

10.169,2

9.062,6

12,2

748,3

906,7

43

39 COCA-COLA

BRA

BEBIDAS

10.000,0

9.770,0

2,4

N.D.

N.D.

-

44

85 FORD MOTOR COMPANY (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

9.797,9

5.697,0

72,0

N.D.

N.D.

-

45

35 NORBERTO ODEBRECHT

BRA

CONSTRUÇÃO

9.728,1

10.520,4

-7,5

734,7

565,5

29,9

46

87 MARFRIG

BRA

AGROINDÚSTRIA

9.529,7

5.522,5

72,6

84,1

390,0

-78,4

47

52 GENERAL MOTORS

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

9.513,0

8.462,3

12,4

N.D.

N.D.

-

48

48 GRUPO BIMBO

MÉX

ALIMENTOS

9.487,2

8.905,1

6,5

436,8

455,8

-4,2

49

44 TELESP

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

9.456,3

9.071,8

4,2

1.439,7

1.248,0

15,4

50

57 PETROECUADOR (1)

EQU

PETRÓLEO/GÁS

9.343,6

8.056,5

16,0

N.D.

N.D.

-

(1) Estimativa; N.D. - Não Divulgado

114 AméricaEconomia Julho, 2011

AE 401 RK500 2.indd 2

01.07.11 17:42:29


Nº 12 ECOPETROL

A petroleira colombiana aumentou suas vendas em quase 20% MARGEM NO DE EXPORDE TIPO DE ROA EMPRE- PRESENÇA TAÇÕES LUCRO PROPRIE(%) GADOS NA BOLSA 2010 US$ LÍQ. DADE 2010 MILHÕES (%) 6,8 16,5 80.492 SIM E 18.186,7

% DAS EXPORTAÇÕES SITE (WWW.) NAS VENDAS 14,2 PETROBRAS.COM

VARIAÇÃO EBITDA 10/09 (%)

ATIVO TOTAL 2010 US$ MILHÕES

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

ROE (%)

34.644,5

4,7

312.069,4

184.110,7

11,5

38.663,1

34,5

112.774,1

-9.213,5

-

-3,4

-3,7

147.672

SIM

E

46.807,2

45,1

PEMEX.COM

N.D.

N.D.

-

142.000,0

76.000,0

4,2

2,3

3,4

79.000

NÃO

E

85.918,7

98,2

PDVSA.COM

27.717,9

10.818,4

156,2

128.833,3

67.289,6

26,8

14,0

36,1

70.785

SIM

P

24.042,8

48,1

VALE.COM

19.708,6

17.368,3

13,5

70.989,7

24.911,9

29,6

10,4

15,0

150.618

SIM

P

-

-

1.211,3

1.163,8

4,1

8.775,3

5.552,3

15,2

9,6

2,1

7.520

NÃO

E

806,6

2,0

BR.COM.BR

2.108,3

738,1

185,6

26.725,0

10.559,6

-1,7

-0,7

-0,5

60.000

SIM

P

1.734,4

5,2

FRIBOI.COM.BR

3.735,8

2.441,0

53,0

45.049,3

3.929,3

42,6

3,7

5,9

118.701

NÃO

P

-

-

ODEBRECHT.COM.BR

2.695,9

2.059,9

30,9

15.774,4

9.921,9

16,0

10,0

5,8

219.767

SIM

P*

-

-

WALMARTMEXICO.COM.MX

1.066,1

789,7

35,0

7.796,1

3.092,9

14,9

5,9

1,8

8.900

SIM

P

-

-

ULTRA.COM.BR

644,0

N.D.

-

4.333,5

1.454,7

24,2

8,1

1,6

2.362

NÃO

P

-

-

IPIRANGA.COM.BR

N.D.

5.304,0

-

32.728,6

20.869,5

20,1

12,8

19,4

N.D.

SIM

E

9.940,9

46,0

N.D.

N.D.

-

68.115,8

28.556,1

0,2

0,1

0,3

N.D.

NÃO

E

-

-

CFE.GOB.MX

1.225,2

794,2

54,3

17.964,7

4.260,3

10,2

2,4

2,3

96.662

SIM

P

-

-

GRUPOPAODEACUCAR.COM.BR

N.D.

N.D.

-

28.039,0

N.D.

-

-

-

54.000

NÃO

P

-

-

TECHINT.COM

3.323,5

1.488,7

123,2

25.742,0

11.685,5

11,0

5,0

6,8

45.000

SIM

P

-

-

GERDAU.COM.BR

3.603,3

3.990,5

-9,7

88.165,3

42.194,3

3,2

1,5

7,5

29.708

SIM

E

-

-

ELETROBRAS.GOV.BR

3.961,5

3.160,9

25,3

75.416,9

21.739,2

13,4

3,9

16,5

70.603

NÃO

P

-

-

VOTORANTIM.COM

6.179,4

8.557,5

-27,8

45.099,9

11.988,9

8,8

2,3

5,9

11.819

SIM

P

-

-

TELEMAR.COM.BR

N.D.

5.469,9

-

20.279,0

4.531,2

41,4

9,3

11,7

25.600

NÃO

E

14.349,7

89,3

CODELCO.CL

2.893,6

1.342,0

115,6

20.692,3

6.235,9

18,2

5,5

7,4

15.000

SIM

P

2.470,7

16,1

BRASKEM.COM.BR

6.956,1

6.314,3

10,2

25.614,2

14.621,2

31,0

17,7

30,0

44.900

SIM

P*

-

-

AMBEV.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

67.000

NÃO

P*

-

-

CARREFOUR.COM.BR

2.373,9

2.767,0

-14,2

41.709,6

15.723,2

-8,5

-3,2

-9,3

46.523

SIM

P

11.525,4

79,8

5.364,9

4.973,7

7,9

N.D.

N.D.

-

-

-

13.000

NÃO

P*

-

-

2.269,7

2.014,3

12,7

18.104,1

9.502,2

34,3

18,0

23,7

108.572

SIM

P

6.884,9

50,1

FEMSA.COM

1.395,4

392,6

255,4

16.655,6

8.179,7

5,9

2,9

3,5

57.000

SIM

P

2.127,2

15,6

PERDIGAO.COM.BR

N.D.

N.D.

-

8.646,9

2.012,1

-

-

-

23.185

NÃO

P*

1.759,0

12,9

VOLKSWAGEN.COM.BR

N.D.

801,9

-

13.563,1

5.582,6

11,3

4,7

4,8

127.000

SIM

P

-

-

CENCOSUD.CL

4.623,1

4.802,9

-3,7

27.768,3

7.975,6

13,0

3,7

7,9

13.700

SIM

P*

-

-

ENERSIS.CL

N.D.

N.D.

-

4.469,1

1.061,7

-

-

-

12.000

NÃO

P*

-

-

GM.COM.MX

N.D.

1.688,2

-

6.979,4

1.175,4

82,6

13,9

7,8

15.347

NÃO

P*

1.229,1

9,9

FIAT.COM.BR

N.D.

N.D.

-

20.117,9

6.351,7

9,5

3,0

5,0

18.300

SIM

P

65,0

0,5

EMPRESASCOPEC.CL

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

72.000

NÃO

P*

-

-

1.291,7

1.092,9

18,2

9.089,7

2.540,6

15,7

4,4

3,6

56.332

SIM

P

5.771,3

52,3

3.677,8

3.089,0

19,1

11.618,2

4.748,1

30,4

12,4

13,1

10.200

SIM

P*

-

-

N.D.

111,3

-

N.D.

N.D.

-

-

-

6.000

NÃO

P*

4.000,0

36,7

3.500,1

2.997,0

16,8

13.109,9

6.085,9

18,7

8,7

10,5

13.586

SIM

P*

-

-

1.603,2

1.258,6

27,4

11.251,2

4.072,2

11,4

4,1

4,3

35.351

SIM

P

803,5

7,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

86.777

NÃO

P*

-

-

2.160,8

N.D.

-

16.368,4

7.776,7

11,2

5,3

8,5

15.000

SIM

P*

2.030,0

19,9

1.902,7

N.D.

-

20.483,2

5.702,6

13,1

3,7

7,4

61.700

NÃO

P

-

-

CAMARGOCORREA.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

53.000

NÃO

P*

-

-

COCACOLABRASIL.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

7.680

NÃO

P*

-

-

FORD.COM.MX

1.082,9

1.018,3

6,3

9.952,4

2.354,7

31,2

7,4

7,6

92.128

NÃO

P

112,4

1,2

ODEBRECHT.COM

905,3

470,7

92,3

13.563,5

3.813,0

2,2

0,6

0,9

90.625

SIM

P

783,4

8,2

MARFRIG.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

20.000

NÃO

P*

1.468,2

15,4

CHEVROLET.COM.BR

1.252,5

1.212,1

3,3

8.022,0

3.539,4

12,3

5,4

4,6

106.545

SIM

P

5.174,3

54,5

GRUPOBIMBO.COM.MX

3.277,1

3.366,9

-2,7

11.983,1

7.002,2

20,6

12,0

15,2

6.768

SIM

P*

-

-

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

E

5.939,1

63,6

EBITDA 2010 US$ MILHÕES

EBITDA 2009 US$ MILHÕES

36.283,6 51.985,7

AMERICAMOVIL.COM

ECOPETROL.COM.CO

1 - 50

CEMEX.COM TELEFONICA.COM.BR

WALMARTBRASIL.COM ALFA.COM.MX YPF.COM.AR BUNGE.COM.BR VIVO.COM.BR COSAN.COM.BR WALMARTMEXICO.COM.MX ARCELORMITTAL.COM.BR

TELESP.COM.BR PETROECUADOR.COM.EC

Ebitda - Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; ROE - Retorno sobre Patrimônio; ROA - Retorno sobre Ativo; P = Privada; P* = Privada estrangeira; E = Estatal

Julho, 2011 AméricaEconomia 115

AE 401 RK500 2.indd 3

01.07.11 17:42:54


500

MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2010 2009

PAÍS

SETOR

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

VENDAS 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO VENDAS 10/09 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

LUCRO LÍQUIDO 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO LUCRO 10/09 (%)

51

66 ESCONDIDA

CHI

MINERAÇÃO

9.211,5

7.071,0

30,3

4.338,2

3.199,6

35,6

52

43 TELÉFONOS DE MÉXICO

MÉX

TELECOMUNICAÇÕES

9.195,7

9.115,3

0,9

1.245,7

1.566,6

-20,5

53

82 EXTRA

BRA

COMÉRCIO

9.183,0

8.610,0

6,7

N.D.

N.D.

-

54

54 GRUPO BAL (1)

MÉX

MULTISSETOR

9.033,8

8.207,6

10,1

729,3

N.D.

-

55

67 FALABELLA

CHI

COMÉRCIO

8.923,3

6.959,4

28,2

882,5

393,0

124,6

56

53 TIM BRASIL

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

8.676,9

7.527,0

15,3

872,9

123,4

607,4

57

74 CSN

BRA

SIDERURGIA/METALURGIA

8.672,7

6.305,1

37,6

1.510,2

1.492,5

1,2

58

42 CARGILL

BRA

AGROINDÚSTRIA

8.646,9

7.775,9

11,2

55,4

186,9

-70,4

59

60 VOLKSWAGEN DE MÉXICO (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

8.605,4

7.985,3

7,8

63,9

N.D.

-

60

58 GRUPO ANDRADE GUTIERREZ

BRA

MULTISSETOR

8.483,8

8.030,6

5,6

N.D.

-199,3

100,0

61

61 COCA-COLA FEMSA

MÉX

BEBIDAS

8.377,3

7.865,3

6,5

793,6

652,3

21,7

62

95 GRUPO MÉXICO

MÉX

MINERAÇÃO

8.320,1

5.021,3

65,7

1.696,2

895,0

89,5

63

37 NISSAN MEXICANA (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

8.302,3

10.150,1

-18,2

N.D.

N.D.

-

64

64 ENAP

CHI

PETRÓLEO/GÁS

8.179,9

7.097,5

15,3

70,1

200,4

-65,0

65

75 USIMINAS

32,9

- COPEC COMBUSTIBLES

66

71 CEMIG

67

51 - 100

EMPRESA

RANKING

BRA

SIDERURGIA/METALURGIA

7.779,6

6.273,9

24,0

943,4

709,9

CHI

PETRÓLEO/GÁS

7.775,4

6.320,1

23,0

N.D.

157,1

-

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

7.720,2

6.722,4

14,8

1.355,2

1.069,0

26,8

68

55 TENARIS

ARG

SIDERURGIA/METALURGIA

7.711,6

8.149,3

-5,4

1.127,4

1.161,6

-2,9

69

70 ORGANIZACIÓN SORIANA

MÉX

COMÉRCIO

7.587,3

6.783,9

11,8

265,5

219,5

21,0 1,6

70

94 TERNIUM

ARG

SIDERURGIA/METALURGIA

7.382,0

4.959,0

48,9

779,5

767,1

71

84 WALMART HYPERMERCADOS

MÉX

COMÉRCIO

7.298,8

5.754,3

26,8

N.D.

N.D.

-

72

73 CORREIOS E TELÉGRAFOS

BRA

SERVIÇOS GERAIS

7.281,1

6.306,9

15,4

496,3

67,6

634,2 25,0

73

81 CPFL ENERGIA

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

7.216,3

6.068,2

18,9

923,2

738,8

74

47 NESTLÉ

BRA

ALIMENTOS

7.200,0

5.900,0

22,0

N.D.

N.D.

-

75

65 TELMEX INTERNACIONAL

MÉX

TELECOMUNICAÇÕES

7.139,8

6.915,7

3,2

399,1

695,6

-42,6

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

7.076,1

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

7.025,8

6.906,0

1,7

878,7

997,2

-11,9

- ORGANIZACIÓN TECHINT MÉXICO

76

69 CLARO TELECOM

77 78

76 GRUPO MODELO

MÉX

BEBIDAS

6.884,3

6.265,3

9,9

805,2

660,5

21,9

79

86 TAM

BRA

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

6.829,1

5.685,9

20,1

382,6

771,0

-50,4

80

80 EMBRATEL

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

6.740,5

6.088,9

10,7

433,9

742,4

-41,6

81

72 UNILEVER

BRA

MULTISSETOR

6.723,0

6.350,6

5,9

N.D.

N.D.

-

82

90 FORD

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

6.590,0

5.473,4

20,4

N.D.

N.D.

-

83

49 CHRYSLER (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

6.316,0

8.864,6

-28,8

N.D.

N.D.

-

84

96 GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES

BRA

MÍDIA

6.241,2

4.819,4

29,5

1.647,3

1.094,3

50,5 280,2

85

78 BRASIL TELECOM

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

6.159,7

6.247,7

-1,4

1.182,9

-656,3

86

89 WALMART CLUBES DE PRECIOS

MÉX

COMÉRCIO

6.142,8

5.485,2

12,0

N.D.

N.D.

-

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

5.819,9

4.623,2

25,9

808,8

610,6

32,5

87

101 ELETROPAULO

88

99 LOJAS AMERICANAS

BRA

COMÉRCIO

5.634,7

4.786,9

17,7

185,8

87,3

112,8

89

79 EMBRAER

BRA

IND. AEROESPACIAL

5.630,0

6.209,9

-9,3

344,3

513,8

-33,0

MÉX

MULTISSETOR

5.597,2

4.620,0

21,2

N.D.

N.D.

-

BRA

PETRÓLEO/GÁS

5.541,0

5.298,4

4,6

157,3

631,7

-75,1

90

102 GRUPO SALINAS 92 REFAP – REF. ALBERTO PASQUALINI

91 92

117 SABESP

BRA

SERVIÇOS BÁSICOS

5.540,2

3.865,5

43,3

978,5

789,0

24,0

93

154 SUDAMERICANA DE VAPORES

CHI

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

5.448,1

3.027,9

79,9

170,7

-668,9

125,5

94

113 NEOENERGIA

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

5.371,5

4.000,4

34,3

1.067,1

911,1

17,1

95

134 INDUSTRIAS PEÑOLES

MÉX

MINERAÇÃO

5.202,7

3.429,8

51,7

525,1

397,9

32,0 16,9

MÉX

MULTISSETOR

5.198,2

4.338,6

19,8

572,0

489,1

97

122 GRUPO INDUSTRIAL LALA (1)

93 GRUPO CARSO

MÉX

ALIMENTOS

5.196,8

3.630,0

43,2

N.D.

N.D.

-

98

195 PONTO FRIO – GLOBEX

BRA

COMÉRCIO

5.165,1

2.392,0

115,9

-37,9

-181,2

79,1

96

99

100 ENDESA

CHI

ENERGIA ELÉTRICA

5.119,8

4.755,3

7,7

1.139,2

1.238,2

-8,0

100

110 OI MÓVEL

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

5.112,2

4.120,4

24,1

1.223,5

310,9

293,6

(1) Estimativa; N.D. - Não Divulgado

116 AméricaEconomia Julho, 2011

AE 401 RK500 2.indd 4

01.07.11 17:43:22


Nº 51 ESCONDIDA A mineradora chilena incrementou seus lucros em 35%, com uma margem líquida de 47%

EBITDA 2010 US$ MILHÕES

EBITDA 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO EBITDA 10/09 (%)

ATIVO TOTAL 2010 US$ MILHÕES

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

ROE (%)

MARGEM NO DE EXPORDE TIPO DE ROA EMPRE- PRESENÇA TAÇÕES LUCRO PROPRIE(%) GADOS NA BOLSA 2010 US$ LÍQ. DADE 2010 MILHÕES (%) 52,5 47,1 4.400 NÃO P* 6.476,3

% DAS EXPORTAÇÕES SITE (WWW.) NAS VENDAS 70,3 MINERAESCONDIDA.CL

N.D.

N.D.

-

8.264,2

5.451,8

79,6

3.720,0

4.003,9

-7,1

12.774,0

3.556,0

35,0

9,8

13,5

52.062

SIM

P

-

-

TELMEX.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

30.000

NÃO

P

-

-

EXTRA.COM.BR

N.D.

N.D.

-

12.524,0

4.519,6

16,1

5,8

8,1

40.320

NÃO

P

-

-

BAL.COM.MX

N.D.

919,6

-

14.056,2

5.076,0

17,4

6,3

9,9

86.500

SIM

P

3,8

-

FALABELLA.CL

2.516,9

1.757,3

43,2

11.625,8

6.182,2

14,1

7,5

10,1

9.081

NÃO

P*

-

-

TIMBRASIL.COM.BR

3.483,7

2.513,7

38,6

22.687,1

4.580,9

33,0

6,7

17,4

13.777

SIM

P

601,2

6,9

N.D.

N.D.

-

3.894,9

411,2

13,5

1,4

0,6

6.591

NÃO

P*

3.028,0

35,0

CARGILL.COM.BR

N.D.

N.D.

-

4.157,3

1.847,8

3,5

1,5

0,7

14.950

SIM

P*

6.288,7

73,1

VW.COM.MX

N.D.

N.D.

-

18.683,3

4.633,0

-

-

-

17.000

NÃO

P

-

-

ANDRADEGUTIERREZ.COM.BR

1.702,2

1.511,2

12,6

9.236,0

5.771,9

13,7

8,6

9,5

68.449

SIM

P

-

-

COCA-COLAFEMSA.COM

4.350,5

2.399,5

81,3

16.023,2

7.409,9

22,9

10,6

20,4

23.931

SIM

P

5.151,8

61,9

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

9.850

NÃO

P*

-

-

N.D.

546,0

-

5.733,4

456,5

15,4

1,2

0,9

3.895

NÃO

E

176,7

2,2

1.777,2

1.159,9

53,2

19.097,1

10.462,5

9,0

4,9

12,1

14.275

SIM

P

1.118,9

14,4

N.D.

215,9

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

SIM

P

-

-

COPEC.CL

2.769,2

2.319,4

19,4

20.139,1

6.887,6

19,7

6,7

17,6

8.229

SIM

P*

-

-

CEMIG.COM.BR

2.080,4

2.318,5

-10,3

14.364,3

9.902,4

11,4

7,8

14,6

21.900

SIM

P

-

-

TENARIS.COM

581,4

494,4

17,6

5.604,8

2.822,9

9,4

4,7

3,5

83.800

SIM

P

-

-

SORIANA.COM.MX

1.437,2

708,5

102,9

11.112,3

7.016,1

11,1

7,0

10,6

23.500

NÃO

P

-

-

TERNIUM.COM

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

58.867

NÃO

P*

-

-

WALMARTMEXICO.COM.MX

847,5

343,7

146,6

4.663,9

2.161,0

23,0

10,6

6,8

107.992

NÃO

E

-

-

CORREIOS.COM.BR

2.059,2

1.594,6

29,1

12.037,5

3.897,3

23,7

7,7

12,8

5.787

SIM

P

-

-

CPFL.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

19.000

NÃO

P*

327,9

4,6

2.179,9

1.694,8

28,6

15.083,9

7.942,6

5,0

2,6

5,6

25.250

SIM

P

-

-

TELMEXINTERNACIONAL.COM

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

18.000

NÃO

P*

-

-

TECHINT.COM

N.D.

1.670,1

-

12.683,5

6.190,8

14,2

6,9

12,5

10.000

NÃO

P*

-

-

CLARO.COM.BR

2.082,1

1.953,0

6,6

9.920,7

6.248,6

12,9

8,1

11,7

36.566

SIM

P

2.814,0

40,9

1.028,3

509,1

102,0

8.677,9

1.453,6

26,3

4,4

5,6

28.193

SIM

P

-

-

TAM.COM.BR

2.066,2

1.770,2

16,7

12.343,0

6.271,4

6,9

3,5

6,4

8.642

SIM

P*

-

-

EMBRATEL.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

12.000

NÃO

P*

-

-

UNILEVER.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

1.351,0

20,5

FORD.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

3.990,9

63,2

CHRYSLERDEMEXICO.COM.MX

1.500,6

87,6

1.613,0

6.896,2

2.849,8

57,8

23,9

26,4

15.000

NÃO

P

-

-

GLOBOPAR.COM.BR

2.110,4

407,6

417,8

16.136,2

6.803,8

17,4

7,3

19,2

5.300

SIM

P*

-

-

BRASILTELECOM.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

SAMS.COM.MX

1.384,3

903,6

53,2

6.839,5

2.243,0

36,1

11,8

13,9

6.600

SIM

P*

-

-

ELETROPAULO.COM.BR

729,2

581,9

25,3

4.799,3

271,7

68,4

3,9

3,3

14.244

SIM

P

-

-

AMERICANAS.COM.BR

641,6

664,7

-3,5

8.391,0

3.028,5

11,4

4,1

6,1

16.133

SIM

P

4.160,0

73,9

N.D.

830,0

-

N.D.

N.D.

-

-

-

53.150

NÃO

P

-

-

435,2

830,5

-47,6

3.461,8

977,5

16,1

4,5

2,8

909

NÃO

P

341,3

6,2

1.935,2

1.551,8

24,7

14.014,3

5.810,7

16,8

7,0

17,7

N.D.

SIM

E

-

-

297,2

-558,0

153,3

3.215,7

1.363,0

12,5

5,3

3,1

12.546

SIM

P

38,3

0,7

1.781,0

1.525,2

16,8

11.757,3

6.246,5

17,1

9,1

19,9

3.632

NÃO

P*

-

-

NEOENERGIA.COM

1.404,8

836,1

68,0

4.496,3

2.051,4

25,6

11,7

10,1

9.106

SIM

P

3.861,1

74,2

PENOLES.COM.MX

657,9

571,5

15,1

6.571,6

2.558,0

22,4

8,7

11,0

70.787

SIM

P

943,3

18,1

GCARSO.COM.MX

N.D.

N.D.

-

2.566,2

1.139,6

-

-

-

34.400

NÃO

P

-

-

LALA.COM.MX

221,7

-187,7

218,1

5.936,8

1.527,2

-2,5

-0,6

-0,7

11.429

SIM

P

-

-

PONTOFRIO.COM.BR

2.288,0

2.395,5

-4,5

12.884,8

5.074,0

22,5

8,8

22,3

2.300

SIM

P*

-

-

ENDESA.CL

1.984,6

1.009,2

96,6

9.932,7

6.390,1

19,1

12,3

23,9

N.D.

NÃO

P*

-

-

TELEMAR.COM.BR

CSN.COM.BR

GMEXICO.COM NISSAN.COM.MX ENAP.CL USIMINAS.COM.BR

51 - 100

NESTLE.COM.BR

GMODELO.COM.MX

EMBRAER.COM.BR GRUPOSALINAS.COM.MX REFAP.COM.BR SABESP.COM.BR CSAV.CL

Ebitda - Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; ROE - Retorno sobre Patrimônio; ROA - Retorno sobre Ativo; P = Privada; P* = Privada estrangeira; E = Estatal

Julho, 2011 AméricaEconomia 117

AE 401 RK500 2 V1.indd 5

01.07.11 17:21:49


500

MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2010 2009

PAÍS

SETOR

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

VENDAS 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO VENDAS 10/09 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

LUCRO LÍQUIDO 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO LUCRO 10/09 (%)

101

111 OXXO (FEMSA COMERCIO)

MÉX

COMÉRCIO

5.034,9

4.113,9

22,4

420,5

345,7

102

144 SAMSUNG ELETRÔNICA AMAZÔNIA

BRA

ELETRÔNICA

5.000,0

3.200,0

56,3

N.D.

N.D.

-

BRA

AGROINDÚSTRIA

4.967,1

2.170,1

128,9

213,4

-1,5

14.738,0 42,3

- COPERSUCAR

103

115 ALPEK

21,6

MÉX

PETROQUÍMICA

4.954,7

3.971,0

24,8

203,0

142,7

105

- TERNIUM MÉXICO

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

4.893,0

3.597,8

36,0

N.D.

N.D.

-

106

103 WALMART CHILE

CHI

COMÉRCIO

4.860,9

4.534,9

7,2

89,1

-96,5

192,3

107

108 VOTORANTIM CIMENTOS

BRA

CIMENTO

4.830,1

4.168,0

15,9

1.622,1

810,7

100,1

108

109 GERDAU AÇOS LONGOS

BRA

SIDERURGIA/METALURGIA

4.721,5

4.141,7

14,0

930,0

845,9

9,9

109

112 GRUPO TELEVISA

MÉX

MÍDIA

4.684,9

4.006,8

16,9

622,2

459,8

35,3

110

121 GRUPO PEPSICO (1)

MÉX

BEBIDAS

4.633,9

3.682,8

25,8

N.D.

N.D.

-

111

172 AMIL

BRA

SERVIÇOS DE SAÚDE

4.582,5

2.804,9

63,4

76,2

64,2

18,7

112

157 ANTOFAGASTA PLC

57,5

104

101 - 150

EMPRESA

RANKING

CHI

MINERAÇÃO

4.577,1

2.962,6

54,5

1.051,8

667,7

113

- MAN LATIN AMERICA

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

4.528,8

2.279,0

98,7

N.D.

N.D.

-

114

106 COMERCIAL MEXICANA

MÉX

COMÉRCIO

4.511,7

4.201,3

7,4

83,3

26,4

215,5

115

120 WHIRLPOOL

BRA

ELETRÔNICA

4.432,2

3.833,4

15,6

372,3

208,6

78,5

116

114 YPFB (1)

BOL

PETRÓLEO/GÁS

4.400,0

3.845,4

14,4

N.D.

294,8

-

117

169 FLEXTRONICS MANUFACTURING (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

4.399,7

2.835,8

55,1

N.D.

N.D.

-

118

127 LAN

CHI

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

4.387,1

3.519,2

24,7

419,4

231,1

81,5

119

218 EMPRESAS PÚBLICAS DE MEDELLÍN

COL

SERVIÇOS BÁSICOS

4.320,1

2.168,0

99,3

726,3

832,5

-12,8

120

123 CGE

CHI

ENERGIA ELÉTRICA

4.295,2

3.573,0

20,2

128,3

222,8

-42,4

MÉX

COMÉRCIO

4.275,0

3.666,1

16,6

115,6

103,2

12,0

- GRUPO CHEDRAUI

121 122

124 EL PUERTO DE LIVERPOOL

MÉX

COMÉRCIO

4.231,9

3.579,2

18,2

417,4

289,8

44,0

123

147 CMPC PAPELES Y CARTONES

CHI

CELULOSE/PAPEL

4.215,9

3.123,6

35,0

637,1

260,6

144,5

124

132 VRG – LINHAS AÉREAS

BRA

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

4.189,3

3.444,0

21,6

175,5

398,5

-55,9

125

133 GOL

BRA

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

4.188,8

3.441,7

21,7

128,6

493,0

-73,9

126

116 ALE COMBUSTÍVEIS

BRA

PETRÓLEO/GÁS

4.175,2

3.955,8

5,5

8,0

17,3

-53,8

127

125 CERVECERÍA CUAUHTÉMOC – HEINEKEN

MÉX

BEBIDAS

4.170,2

3.559,8

17,1

N.D.

453,3

-100,0

128

126 LA FONTE TELECOM

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

4.145,0

4.022,7

3,0

123,0

568,1

-78,4

129

141 COPEL

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

4.141,8

3.226,1

28,4

592,9

589,5

0,6

130

128 FURNAS

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

4.118,4

3.490,8

18,0

381,5

372,0

2,5

131

162 REDE ENERGIA

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

4.117,6

2.897,2

42,1

-221,4

11,7

-1.992,3

68 CARGILL (1)

132

- LOUIS DREYFUS COMMODITIES

133

ARG

AGROINDÚSTRIA

4.111,1

4.000,0

2,8

N.D.

N.D.

-

BRA

AGROINDÚSTRIA

4.097,8

3.945,0

3,9

-58,6

304,3

-119,3

134

152 GRUPO COPPEL

MÉX

COMÉRCIO

4.033,6

3.080,7

30,9

463,4

N.D.

-

135

143 COLLAHUASI

CHI

MINERAÇÃO

3.928,9

3.208,3

22,5

2.047,9

1.564,5

30,9

136

149 LIGHT

-0,6

83 CASAS BAHIA

137 138

257 VOLVO

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

3.906,2

3.119,9

25,2

345,2

347,4

BRA

COMÉRCIO

3.885,8

5.896,4

-34,1

-171,8

N.D.

-

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

3.841,8

2.203,4

74,4

N.D.

N.D.

-

139

173 RENAULT

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

3.791,9

2.755,7

37,6

139,8

-150,7

192,7

140

150 ARAUCO

CHI

CELULOSE/PAPEL

3.788,4

3.113,0

21,7

700,7

304,6

130,1 -62,5

141

118 GRUPO MASECA

MÉX

ALIMENTOS

3.773,4

3.864,2

-2,3

43,9

117,0

142

130 ALMACENES ÉXITO

COL

COMÉRCIO

3.772,7

3.454,3

9,2

128,1

73,0

75,5

143

131 FIBRIA

BRA

CELULOSE/PAPEL

3.771,1

3.445,7

9,4

359,3

320,5

12,1

144

291 SAMARCO MINERAÇÃO

BRA

MINERAÇÃO

3.745,3

1.616,5

131,7

1.349,0

847,3

59,2

145

139 GRUPO ELEKTRA

MÉX

COMÉRCIO

3.730,4

3.300,4

13,0

37,5

378,5

-90,1

146

142 CENCOSUD

ARG

COMÉRCIO

3.720,0

3.223,0

15,4

N.D.

190,0

-

147

145 TELECOM

ARG

TELECOMUNICAÇÕES

3.660,6

3.192,2

14,7

454,1

366,8

23,8 -

148

104 MABE

MÉX

ELETRÔNICA

3.655,5

4.325,3

-15,5

-47,6

N.D.

149

216 MALL PLAZA (1)

CHI

COMÉRCIO

3.653,0

2.180,0

67,6

N.D.

N.D.

-

150

140 CARREFOUR

ARG

COMÉRCIO

3.635,0

3.267,7

11,2

N.D.

N.D.

-

(1) Estimativa; N.D. - Não Divulgado

118 AméricaEconomia Julho, 2011

AE 401 RK500 2.indd 6

01.07.11 17:43:57


Nº 103 COPERSUCAR A brasileira ficou em primeiro lugar em aumento de vendas: 128%

EBITDA 2010 US$ MILHÕES

EBITDA 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO EBITDA 10/09 (%)

ATIVO TOTAL 2010 US$ MILHÕES

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

ROE (%)

MARGEM NO DE EXPORDE TIPO DE ROA EMPRE- PRESENÇA TAÇÕES LUCRO PROPRIE(%) GADOS NA BOLSA 2010 US$ LÍQ. DADE 2010 MILHÕES (%) 8,4 N.D. NÃO P -

% DAS EXPORTAÇÕES SITE (WWW.) NAS VENDAS OXXO.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

8.000

NÃO

P*

159,6

3,2

SAMSUNG.COM.BR

244,3

23,1

959,2

1.436,1

219.386,9

0,1

14,9

4,3

530

NÃO

P

136,6

2,8

COPERSUCAR.COM.BR

N.D.

N.D.

-

3.215,7

1.274,5

15,9

6,3

4,1

4.076

NÃO

P

2.725,0

55,0

ALFA.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

8.500

NÃO

P*

-

-

TERNIUM.COM

302,3

95,6

216,2

3.711,8

1.235,6

7,2

2,4

1,8

37.500

SIM

P*

-

-

DYS.CL

N.D.

N.D.

-

9.591,6

2.743,8

59,1

16,9

33,6

12.000

NÃO

P

-

-

VOTORANTIM-CIMENTOS.COM

N.D.

N.D.

-

6.727,5

4.228,4

22,0

13,8

19,7

N.D.

NÃO

P

195,8

4,1

GERDAU.COM.BR

1.794,5

1.537,3

16,7

11.050,6

3.649,1

17,1

5,6

13,3

24.739

SIM

P

696,0

14,9

TELEVISA.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

55.000

NÃO

P*

-

-

PEPSICO.COM

221,2

60,0

268,7

2.742,1

824,8

9,2

2,8

1,7

1.152

SIM

P

-

-

AMIL.COM.BR

N.D.

N.D.

-

11.587,8

7.525,8

14,0

9,1

23,0

2.470

SIM

P

-

-

ANTOFAGASTA.CO.UK

N.D.

N.D.

-

3.008,5

N.D.

-

-

-

916

NÃO

P

304,7

6,7

MAN-LATIN-AMERICA.COM

349,6

307,2

13,8

3.710,6

1.217,6

6,8

2,2

1,8

38.930

SIM

P

-

-

COMERCIALMEXICANA.COM

534,0

366,5

45,7

2.912,1

982,3

37,9

12,8

8,4

867

SIM

P*

674,0

15,2

N.D.

N.D.

-

#N/A!

3.528,6

-

-

-

N.D.

NÃO

E

-

-

YPFB.GOV.BO

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

FLEXTRONICS.COM

N.D.

N.D.

-

6.780,7

1.295,8

32,4

6,2

9,6

20.900

SIM

P

318,9

7,3

1.484,7

N.D.

-

15.591,0

9.421,0

7,7

4,7

16,8

N.D.

NÃO

E

0,4

-

EEPPM.COM

N.D.

N.D.

-

8.031,9

2.299,4

5,6

1,6

3,0

7.300

SIM

P

-

-

CGE.CL

273,3

238,0

14,8

2.752,8

1.285,2

9,0

4,2

2,7

33.018

SIM

P

-

-

CHEDRAUI.COM.MX

708,3

526,5

34,5

5.528,7

3.062,3

13,6

7,5

9,9

35.254

SIM

P

-

-

LIVERPOOL.COM.MX

1.187,3

645,4

84,0

12.866,6

7.659,5

8,3

5,0

15,1

17.540

SIM

P

1.022,4

24,3

N.D.

N.D.

-

4.846,6

1.631,6

10,8

3,6

4,2

N.D.

NÃO

P

-

-

587,8

300,6

95,5

5.439,8

1.758,0

7,3

2,4

3,1

19.000

SIM

P

-

-

VOEGOL.COM.BR

98,9

104,0

-5,0

631,2

86,3

9,3

1,3

0,2

951

NÃO

P

-

-

ALE.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P

381,9

9,2

N.D.

0,0

-

10.614,4

2.237,1

5,5

1,2

3,0

N.D.

SIM

P*

-

-

LAFONTE.COM.BR

945,4

1.006,9

-6,1

10.718,7

6.619,9

9,0

5,5

14,3

6.664

SIM

E

-

-

COPEL.COM.BR

816,3

709,2

15,1

15.889,5

8.004,0

4,8

2,4

9,3

4.906

NÃO

E

-

-

FURNAS.COM.BR

731,1

666,2

9,7

7.586,3

788,1

-28,1

-2,9

-5,4

N.D.

SIM

P

-

-

GRUPOREDE.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

4.600

NÃO

P*

3.700,0

90,0

N.D.

0,0

-

3.252,7

410,6

-14,3

-1,8

-1,4

N.D.

SIM

P

316,1

7,7

N.D.

N.D.

-

3.708,5

2.023,0

22,9

12,5

11,5

68.960

SIM

P

-

-

2.859,0

2.136,0

33,9

4.754,6

4.754,6

43,1

43,1

52,1

N.D.

NÃO

P*

2.298,7

58,5

COLLAHUASI.CL

957,2

689,9

38,7

5.758,6

1.998,6

17,3

6,0

8,8

1.629

SIM

P*

-

-

LIGHT.COM.BR

N.D.

N.D.

-

3.181,3

695,4

-24,7

-5,4

-4,4

51.891

NÃO

P

-

-

CASASBAHIA.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

471,6

12,3

VOLVO.COM.BR

N.D.

N.D.

-

2.331,0

750,6

18,6

6,0

3,7

8.488

NÃO

P*

1.068,1

28,2

RENAULT.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

10,2

-

18,5

9.619

NÃO

P

1.379,6

36,4

CELARAUCO.CL

350,2

417,5

-16,1

3.181,8

558,4

7,9

1,4

1,2

19.825

SIM

P

-

-

GRUMA.COM

N.D.

N.D.

-

3.337,1

2.219,8

5,8

3,8

3,4

N.D.

SIM

P

-

-

EXITO.COM.CO

1.646,7

901,3

82,7

18.103,2

9.231,4

3,9

2,0

9,5

12.979

SIM

P

1.579,3

41,9

FIBRIA.COM.BR

2.244,0

728,7

207,9

3.326,7

826,5

-

40,5

36,0

2.856

NÃO

P*

3.213,6

85,8

SAMARCO.COM.BR

548,7

431,3

27,2

9.712,4

2.958,9

1,3

0,4

1,0

39.429

SIM

P

559,3

15,0

ELEKTRA.COM.MX

N.D.

800,8

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

JUMBO.COM.AR

1.135,9

1.018,3

11,5

2.983,5

1.555,4

29,2

15,2

12,4

18.300

SIM

P*

-

-

TELECOM.COM.AR

N.D.

N.D.

-

2.484,8

491,7

-9,7

-1,9

-1,3

19.400

NÃO

P

2.707,7

74,1

MABE.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P

-

-

MALLPLAZA.CL

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

13.900

NÃO

P*

-

-

CARREFOUR.COM.AR

WHIRLPOOL.COM.BR

LAN.COM

101 - 150

CMPC.CL VOEGOL.COM.BR

CCM.COM.MX

CARGILL.COM.AR LDCOMMODITIES.COM.BR COPPEL.COM.MX

Ebitda - Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; ROE - Retorno sobre Patrimônio; ROA - Retorno sobre Ativo; P = Privada; P* = Privada estrangeira; E = Estatal

Julho, 2011 AméricaEconomia 119

AE 401 RK500 2.indd 7

01.07.11 17:44:31


500

MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2010 2009

PAÍS

SETOR

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

VENDAS 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO VENDAS 10/09 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

LUCRO LÍQUIDO 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO LUCRO 10/09 (%)

151

156 ORGANIZACIÓN TERPEL

COL

PETRÓLEO/GÁS

3.606,2

2.970,6

21,4

110,6

98,0

12,9

152

148 PETROBRAS ENERGÍA

ARG

PETRÓLEO/GÁS

3.601,5

3.125,8

15,2

152,1

241,5

-37,0

153

187 PETROPERÚ

15,1

- JABIL CIRCUIT

154

PER

PETRÓLEO/GÁS

3.550,1

2.527,4

40,5

106,5

92,6

MÉX

ELETRÔNICA

3.516,5

2.955,0

19,0

N.D.

N.D.

-

155

129 ITAIPU BINACIONAL

BR/PA ENERGIA ELÉTRICA

3.450,5

3.482,3

-0,9

466,5

596,3

-21,8

156

166 CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT

BRA

CONSTRUÇÃO

3.450,2

2.868,4

20,3

714,8

565,5

26,4

ARG

AGROINDÚSTRIA

3.440,9

3.279,6

4,9

N.D.

N.D.

-

MÉX

ELETRÔNICA

3.386,1

2.833,6

19,5

393,7

N.D.

-10,4

97 BUNGE (1)

157 158

170 GENERAL ELECTRIC (1)

159

185 REFINERÍA LA PAMPILLA

PER

PETRÓLEO/GÁS

3.349,0

2.607,9

28,4

44,0

49,1

160

138 NESTLÉ DE MÉXICO (1)

MÉX

ALIMENTOS

3.319,9

3.283,3

1,1

N.D.

N.D.

-

CHI

COMÉRCIO

3.319,5

2.793,3

18,8

N.D.

N.D.

-

- HIPERMERCADOS LIDER

161 162

182 BASF

BRA

QUÍMICA/FARMÁCIA

3.317,2

3.019,7

9,9

-56,7

151,5

-137,4

163

136 SOUZA CRUZ

BRA

AGROINDÚSTRIA

3.312,3

3.326,8

-0,4

654,9

852,8

-23,2

164

231 LOS PELAMBRES

CHI

MINERAÇÃO

3.285,8

2.024,5

62,3

1.646,7

956,2

72,2

165

188 CHESF – HIDRELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

3.261,1

2.438,3

33,7

1.306,8

439,3

197,5

166

181 NET BRASIL 88 CANTV

167

151 - 200

EMPRESA

RANKING

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

3.244,3

2.649,5

22,4

184,3

422,7

-56,4

VEN

TELECOMUNICAÇÕES

3.217,5

5.492,0

-41,4

560,0

990,6

-43,5 58,8

168

175 CPFL – COMP. PAULISTA DE FORÇA E LUZ

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

3.216,9

2.745,8

17,2

417,6

263,0

169

164 COMCEL

COL

TELECOMUNICAÇÕES

3.214,6

2.882,7

11,5

589,5

596,7

-1,2

170

209 SOUTHERN PERÚ COPPER CORP.

PER

MINERAÇÃO

3.153,5

2.223,3

41,8

1.208,0

706,9

70,9

171

180 MAKRO

BRA

COMÉRCIO

3.153,4

2.658,9

18,6

22,9

60,6

-62,3

172

415 PDG REALTY

BRA

CONSTRUÇÃO

3.138,8

1.139,3

175,5

473,9

194,2

144,0

173

160 PAN AMERICAN ENERGY (1)

ARG

PETRÓLEO/GÁS

3.100,0

2.900,0

6,9

N.D.

480,0

-

174

165 LG

BRA

ELETRÔNICA

3.100,0

2.873,6

7,9

N.D.

N.D.

-

175

189 NATURA

BRA

QUÍMICA/FARMÁCIA

3.082,9

2.436,3

26,5

446,6

392,8

13,7

VEN

TELECOMUNICAÇÕES

3.072,1

5.408,0

-43,2

N.D.

229,1

-

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

3.021,4

2.669,6

13,2

349,6

359,0

-2,6

91 MOVISTAR

176 177

179 ENERGIAS DO BRASIL (EDP)

ARG

COMÉRCIO

3.018,1

2.665,5

13,2

106,3

80,4

32,3

179

200 MEXICHEM

- ARCOS DORADOS

MÉX

PETROQUÍMICA

2.953,3

2.345,6

25,9

316,8

226,0

40,2

180

197 VOLKSWAGEN (1)

ARG

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.950,0

2.362,9

24,8

N.D.

N.D.

-

181

168 CONST. E COMÉRCIO CAMARGO CORRÊA

BRA

CONSTRUÇÃO

2.947,9

2.837,9

3,9

11,1

376,1

-97,1

182

242 NEMAK

178

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.946,7

1.974,0

49,3

75,1

-194,1

138,7

183

- CYRELA REALTY

BRA

CONSTRUÇÃO

2.934,9

2.347,7

25,0

360,3

418,9

-14,0

184

290 MAGAZINE LUIZA

BRA

COMÉRCIO

2.885,6

1.618,4

78,3

41,3

29,0

42,4

185

176 QUATTOR PARTICIPAÇÕES

BRA

PETROQUÍMICA

2.832,2

2.714,0

4,4

-506,5

-131,7

-284,6

186

198 EMPRESAS ICA

MÉX

CONSTRUÇÃO

2.831,3

2.362,7

19,8

73,6

45,6

61,4

187

270 CCR RODOVIAS

BRA

SERVIÇOS BÁSICOS

2.795,1

1.774,3

57,5

403,1

364,4

10,6

COL

CIMENTO

2.773,3

2.250,0

23,3

199,1

N.D.

-

MÉX

COMÉRCIO

2.772,9

2.280,1

21,6

21,9

21,5

1,9

- INVERSIONES ARGOS

188 189

202 GRUPO CASA SABA

190

215 CNH

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.736,3

1.933,1

41,5

218,3

N.D.

-

191

279 AVIANCA – TACA

COL

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

2.728,4

1.722,8

58,4

56,4

10,3

447,7 -159,7

BRA

CONSTRUÇÃO

2.711,3

2.192,1

23,7

-67,6

113,2

193

204 SUZANO PAPEL E CELULOSE

- OAS ENGENHARIA

BRA

CELULOSE/PAPEL

2.709,1

2.270,1

19,3

461,5

504,2

-8,5

194

232 ALTOS HORNOS DE MÉXICO

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

2.700,2

2.013,5

34,1

52,3

72,2

-27,6 43,2

192

195

205 TRANSPETRO

BRA

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

2.698,9

2.262,7

19,3

329,1

229,8

196

184 GRUPO SANBORNS

MÉX

COMÉRCIO

2.693,3

2.570,6

4,8

259,1

236,0

9,8

197

213 SIGMA

MÉX

ALIMENTOS

2.679,5

2.187,0

22,5

120,3

87,0

38,4 -

198

245 MINERA ANTAMINA

PER

MINERAÇÃO

2.663,9

2.219,9

20,0

N.D.

1.010,7

199

178 RECOPE (1)

C.RI

PETRÓLEO/GÁS

2.660,8

2.701,4

-1,5

125,3

N.D.

-

200

191 COAMO

BRA

ALIMENTOS

2.658,0

2.416,8

10,0

172,7

166,4

3,7

(1) Estimativa; N.D. - Não Divulgado

120 AméricaEconomia Julho, 2011

AE 401 RK500 2.indd 8

01.07.11 17:45:02


Nº 178 ARCOS DORADOS A força do fast-food na América Latina

EBITDA 2010 US$ MILHÕES

EBITDA 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO EBITDA 10/09 (%)

ATIVO TOTAL 2010 US$ MILHÕES

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

ROE (%) 13,2

MARGEM NO DE EXPORDE TIPO DE ROA EMPRE- PRESENÇA TAÇÕES LUCRO PROPRIE(%) GADOS NA BOLSA 2010 US$ LÍQ. DADE 2010 MILHÕES (%) 7,7 3,1 1.396 NÃO P -

160,2

N.D.

-

1.439,2

840,9

675,8

605,0

11,7

5.675,6

2.487,3

6,1

2,7

4,2

1.250

SIM

P*

203,6

188,8

7,9

1.564,8

498,5

21,4

6,8

3,0

2.000

SIM

E

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

10.000

NÃO

N.D.

N.D.

-

19.429,4

100,0

-

2,4

13,5

3.186

347,9

121,6

186,1

5.101,2

2.354,7

30,4

14,0

20,7

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

N.D.

N.D.

-

8.544,1

3.414,0

11,5

74,8

59,4

26,0

902,6

270,7

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

N.D.

-

N.D.

% DAS EXPORTAÇÕES SITE (WWW.) NAS VENDAS TERPEL.COM

-

-

428,4

12,1

PECOM.COM.AR

P*

-

-

JABIL.COM

NÃO

E

-

-

ITAIPU.GOV.PY

92.128

NÃO

P

112,4

3,3

-

1.250

NÃO

P*

3.200,0

93,0

4,6

11,6

10.700

NÃO

P*

-

-

16,2

4,9

1,3

N.D.

SIM

P*

799,4

23,9

N.D.

-

-

-

6.500

NÃO

P*

-

-

NESTLE.COM.MX

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P

-

-

LIDER.CL

PETROPERU.COM

ODEBRECHT.COM BUNGEARGENTINA.COM GE.COM.MX RELAPASA.COM.PE

N.D.

-

2.427,4

885,0

-6,4

-2,3

-1,7

5.000

NÃO

P*

364,8

11,0

BASF.COM.BR

1.168,0

7,7

2.685,2

1.257,7

52,1

24,4

19,8

788

SIM

P*

541,6

16,4

SOUZACRUZ.COM.BR

2.334,2

N.D.

-

3.549,4

3.549,4

46,4

46,4

50,1

6.490

NÃO

P

2.816,1

85,7

LOSPELAMBRES.CL

2.006,3

N.D.

-

13.246,8

10.333,7

12,6

9,9

40,1

5.638

NÃO

E

-

-

CHESF.GOV.BR

935,8

713,4

31,2

5.126,2

2.289,4

8,1

3,6

5,7

3.322

SIM

P

-

-

GLOBOCABO.COM.BR

797,8

1.298,7

-38,6

4.137,0

1.665,8

33,6

13,5

17,4

N.D.

SIM

P

-

-

CANTV.COM.VE

713,8

492,3

45,0

2.851,1

485,3

86,0

14,6

13,0

3.130

SIM

P

-

-

CPFL.COM.BR

N.D.

1.422,4

-

4.516,5

2.410,8

24,5

13,1

18,3

3.903

NÃO

P*

-

-

COMCEL.COM.CO

2.034,9

1.233,8

64,9

2.998,6

2.118,1

57,0

40,3

38,3

12.000

SIM

P*

2.844,0

90,2

N.D.

N.D.

-

1.017,6

302,9

7,5

2,2

0,7

8.300

NÃO

P*

-

-

MAKRO.COM.BR

525,5

202,1

160,0

9.234,4

3.533,6

13,4

5,1

15,1

N.D.

SIM

P

-

-

PDGREALTY.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

10.900

NÃO

P*

-

-

PAN-ENERGY.COM

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

5.500

NÃO

P*

134,6

4,3

754,3

579,2

30,2

1.933,7

754,7

59,2

23,1

14,5

6.950

SIM

P

-

-

NATURA.COM.BR

N.D.

500,0

-

N.D.

N.D.

-

-

-

7.000

NÃO

P*

-

-

MOVISTAR.COM.VE

912,7

829,6

10,0

7.688,2

2.733,5

12,8

4,5

11,6

5.304

SIM

P

-

-

ENERGIASDOBRASIL.COM.BR

265,1

261,0

1,6

1.784,3

549,2

19,4

6,0

3,5

N.D.

SIM

P

-

-

ARCOSDORADOS.NET

644,1

472,6

36,3

4.059,5

1.597,1

19,8

7,8

10,7

10.839

SIM

P

-

-

MEXICHEM.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

4.600

NÃO

P*

-

-

VOLKSWAGEN.COM.AR

N.D.

N.D.

-

3.114,8

1.909,6

0,6

0,4

0,4

22.000

NÃO

P

-

-

CAMARGOCORREA.COM.BR

151 - 200

N.D. 1.257,4

SOUTHERNPERU.COM

BR.LGE.COM

N.D.

N.D.

-

3.050,0

793,2

9,5

2,5

2,5

18.067

NÃO

P

2.689,8

91,3

485,1

587,5

-17,4

7.227,6

2.596,6

13,9

5,0

12,3

N.D.

SIM

P

-

-

ALFA.COM.MX

192,0

178,9

7,3

2.357,3

28,5

-

1,8

1,4

21.000

NÃO

P

-

-

MAGAZINELUIZA.COM.BR

N.D.

307,2

-

2.252,0

1.278,4

-39,6

-22,5

-17,9

N.D.

NÃO

P

-

-

QUATTOR.COM.BR

BRAZILREALTY.COM.BR

336,9

284,6

18,4

6.072,1

1.412,2

5,2

1,2

2,6

29.674

SIM

P

-

-

ICA.COM.MX

1.212,8

1.093,9

10,9

7.662,7

1.865,8

21,6

5,3

14,4

N.D.

SIM

P

-

-

CCRNET.COM.BR

833,5

N.D.

-

12.457,7

5.322,3

3,7

1,6

7,2

N.D.

NÃO

P

-

-

ARGOS.COM.CO

84,0

90,2

-6,9

2.561,2

556,1

3,9

0,9

0,8

9.157

SIM

P

-

-

CASASABA.COM

N.D.

N.D.

-

2.129,2

721,9

30,2

10,3

8,0

3.750

NÃO

P

357,1

13,1

344,0

N.D.

-

3.584,1

613,5

9,2

1,6

2,1

N.D.

NÃO

P

-

-

CNHBRASIL.COM.BR AVIANCA.COM.CO

N.D.

0,0

-

2.993,4

400,0

-16,9

-2,3

-2,5

N.D.

SIM

P

-

-

OAS.COM

1.006,7

586,2

71,7

11.351,3

5.185,9

8,9

4,1

17,0

10.939

SIM

P

1.248,0

46,1

379,0

268,1

41,4

4.550,1

1.648,5

3,2

1,1

1,9

20.958

SIM

P

-

-

N.D.

N.D.

-

2.548,0

1.596,1

20,6

12,9

12,2

5.115

NÃO

E

-

-

TRANSPETRO.COM.BR

N.D.

N.D.

-

2.229,2

1.190,9

21,8

11,6

9,6

N.D.

NÃO

P

-

-

SANBORNS.COM.MX

N.D.

N.D.

-

2.160,0

579,7

20,8

5,6

4,5

29.197

SIM

P

361,0

13,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

2.153,3

80,8

ANTAMINA.COM

N.D.

N.D.

-

1.027,8

730,9

17,1

12,2

4,7

N.D.

NÃO

E

-

-

RECOPE.GO.CR

N.D.

N.D.

-

2.282,6

1.181,7

14,6

7,6

6,5

5.000

NÃO

P

771,4

29,0

SUZANO.COM.BR AHMSA.COM

GRUPOSIGMA.COM.MX

COAMO.COM.BR

Ebitda - Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; ROE - Retorno sobre Patrimônio; ROA - Retorno sobre Ativo; P = Privada; P* = Privada estrangeira; E = Estatal

Julho, 2011 AméricaEconomia 121

AE 401 RK500 2.indd 9

01.07.11 17:45:34


500

MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2010 2009

PAÍS

SETOR

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

VENDAS 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO VENDAS 10/09 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

LUCRO LÍQUIDO 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO LUCRO 10/09 (%)

201

228 SHELL CAPSA (1)

ARG

PETRÓLEO/GÁS

2.650,0

2.062,8

28,5

N.D.

N.D.

-

202

244 COELBA

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

2.637,3

1.924,4

37,0

567,6

464,8

22,1 -1,0

203

190 WEG

BRA

MÁQUINAS/EQUIPAMENTOS

2.635,9

2.418,2

9,0

312,0

315,0

204

186 TELEFÓNICA DEL PERÚ

PER

TELECOMUNICAÇÕES

2.630,2

2.521,4

4,3

306,0

280,9

9,0

205

224 MOLINOS RÍO DE LA PLATA

ARG

AGROINDÚSTRIA

2.629,5

2.098,0

25,3

93,8

62,0

51,3

206

199 MOVISTAR

ARG

TELECOMUNICAÇÕES

2.622,0

2.354,9

11,3

N.D.

229,1

-

207

221 SODIMAC

CHI

COMÉRCIO

2.618,5

2.130,9

22,9

167,7

67,4

148,7

BRA

SIDERURGIA/METALURGIA

2.610,0

1.688,7

54,6

-74,4

317,2

-123,5

209

212 ARCOR

ARG

ALIMENTOS

2.600,0

2.200,0

18,2

N.D.

N.D.

-

210

155 GENERAL ELECTRIC

BRA

ELETRÔNICA

2.600,0

3.000,0

-13,3

N.D.

N.D.

-

211

239 ELETRONORTE

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

2.594,7

1.973,3

31,5

83,9

174,7

-52,0

208

- GERDAU AÇOMINAS

212

277 NEXTEL

BRA

TELECOMUNICAÇÕES

2.591,3

1.734,6

49,4

N.D.

N.D.

-

213

192 EXXONMOBIL

COL

PETRÓLEO/GÁS

2.572,3

2.414,2

6,5

21,5

29,0

-25,9

214

220 GRUPO XIGNUX

MÉX

MULTISSETOR

2.566,5

2.132,5

20,4

46,0

90,2

-49,1

215

230 GASPETRO

BRA

PETRÓLEO/GÁS

2.561,3

2.046,4

25,2

820,0

763,5

7,4

216

296 DEACERO (1)

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

2.558,8

1.582,7

61,7

N.D.

N.D.

-

217

227 PROCTER & GAMBLE DE MÉXICO (1)

MÉX

QUÍMICA/FARMÁCIA

2.542,6

2.065,7

23,1

N.D.

N.D.

-

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.542,4

2.183,9

16,4

N.D.

N.D.

-

218

201 - 250

EMPRESA

RANKING

- GRUPO BOSCH

219

243 BAVARIA

COL

BEBIDAS

2.486,9

1.926,3

29,1

411,8

1.078,1

-61,8

220

208 MOVISTAR

MÉX

TELECOMUNICAÇÕES

2.486,2

2.224,5

11,8

N.D.

229,1

-100,0

221

234 TRACTEBEL

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

2.460,9

2.008,2

22,5

727,2

651,5

11,6

222

207 COMGÁS

BRA

PETRÓLEO/GÁS

2.457,9

2.230,9

10,2

348,1

211,3

64,7

223

219 NACIONAL DE DROGAS (1)

MÉX

QUÍMICA/FARMÁCIA

2.453,5

2.151,6

14,0

N.D.

N.D.

-

224

217 B2W – CIA. GLOBAL DO VAREJO

BRA

COMÉRCIO

2.444,8

2.178,3

12,2

20,2

27,3

-26,0 124,6

225

222 CELESC

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

2.422,7

2.102,0

15,3

164,2

73,1

226

214 PÃO DE AÇÚCAR

BRA

COMÉRCIO

2.422,0

2.185,0

10,8

N.D.

N.D.

-

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.404,4

1.422,7

69,0

N.D.

N.D.

-

227

- MAGNA INTERNACIONAL

228

- CIELO

BRA

SOFTWARE E DADOS

2.396,4

1.986,4

20,6

1.098,0

884,4

24,2

229

287 SIDERAR

ARG

SIDERURGIA/METALURGIA

2.382,5

1.665,3

43,1

445,8

186,5

139,0

230

210 CLARO

ARG

TELECOMUNICAÇÕES

2.380,0

2.219,8

7,2

N.D.

N.D.

-

231

272 MINERA CERRO VERDE

PER

MINERAÇÃO

2.369,0

1.757,5

34,8

1.054,4

708,5

48,8

232

262 GENERAL MOTORS (1)

ARG

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.360,0

1.831,8

28,8

N.D.

N.D.

-

233

246 ANCAP (1)

URU

PETRÓLEO/GÁS

2.327,8

2.603,6

-10,6

74,6

102,9

-27,5

234

256 PEUGEOT – CITRÖEN (1)

ARG

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.320,0

1.842,4

25,9

N.D.

N.D.

-

235

241 ENTEL

CHI

TELECOMUNICAÇÕES

2.313,5

1.948,6

18,7

369,3

280,5

31,7

236

255 FORD (1)

ARG

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.300,0

1.844,8

24,7

N.D.

N.D.

-

237

300 CARBONES DEL CERREJÓN

COL

MINERAÇÃO

2.292,6

1.564,4

46,5

524,2

364,5

43,8

238

206 GRUPO NUTRESA

COL

ALIMENTOS

2.286,0

2.261,4

1,1

135,4

105,1

28,8

239

196 GRUPO AEROMÉXICO (1)

MÉX

TRANSPORTE/LOGÍSTICA

2.273,8

2.383,5

-4,6

192,9

N.D.

-

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

2.251,7

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

240

- ARCELORMITTAL

241

253 ELECTROLUX DO BRASIL

BRA

ELETRÔNICA

2.237,8

1.861,2

20,2

141,3

117,4

20,4

242

276 GAFISA

BRA

CONSTRUÇÃO

2.233,1

1.735,8

28,6

249,7

122,6

103,7 87,6

243

340 RANDON PARTICIPAÇÕES

BRA

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.232,0

1.418,3

57,4

149,7

79,8

244

193 IBERDROLA DE MÉXICO (1)

MÉX

ENERGIA ELÉTRICA

2.227,0

2.412,7

-7,7

N.D.

N.D.

-

245

278 SPAL

BRA

BEBIDAS

2.223,2

1.723,8

29,0

211,3

184,3

14,6

246

211 CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO

BRA

CONSTRUÇÃO

2.211,7

2.216,5

-0,2

161,4

277,0

-41,7

247

229 BAYER

BRA

QUÍMICA/FARMÁCIA

2.204,0

2.054,5

7,3

-40,3

23,9

-268,3

248

223 INTEL

C.RI

ELETRÔNICA

2.200,0

1.995,0

10,3

N.D.

N.D.

-

249

282 KLABIN

BRA

CELULOSE/PAPEL

2.198,6

1.700,1

29,3

336,0

191,2

75,7

250

284 INDUSTRIAS CH

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

2.194,3

1.696,5

29,3

84,2

-49,9

268,7

(1) Estimativa; N.D. - Não Divulgado

122 AméricaEconomia Julho, 2011

AE 401 RK500 2 V1.indd 10

01.07.11 17:22:49


Nº 248 INTEL A planta costarriquenha é responsável por milhares de chips

EBITDA 2010 US$ MILHÕES

EBITDA 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO EBITDA 10/09 (%)

ATIVO TOTAL 2010 US$ MILHÕES

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

ROE (%)

MARGEM NO DE EXPORDE TIPO DE ROA EMPRE- PRESENÇA TAÇÕES LUCRO PROPRIE(%) GADOS NA BOLSA 2010 US$ LÍQ. DADE 2010 MILHÕES (%) 4.100 NÃO P* -

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

808,8

674,0

20,0

3.225,4

1.427,4

39,8

17,6

21,5

2.600

SIM

P*

472,1

470,0

0,4

4.508,0

2.073,3

15,0

6,9

11,8

2.396

SIM

P

1.054,7

1.014,4

4,0

8.746,0

1.265,1

24,2

3,5

11,6

7.000

SIM

218,4

201,4

8,4

1.226,0

289,9

32,4

7,7

3,6

4.500

N.D.

500,0

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

138,9

-

1.193,0

564,4

29,7

14,1

N.D.

0,0

-

4.440,6

2.520,3

-3,0

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

356,5

658,7

-45,9

11.848,8

777,0

475,0

63,6

N.D.

N.D.

N.D.

% DAS EXPORTAÇÕES SITE (WWW.) NAS VENDAS SHELL.COM.AR

0,0

-

586,5

22,3

COELBA.COM.BR

P*

-

-

TELEFONICA.COM.PE

SIM

P

-

-

MOLINOS.COM.AR

4.200

NÃO

P*

-

-

MOVISTAR.COM.AR

71,0

18.880

NÃO

P

1,7

0,1

-1,7

-2,9

16.000

SIM

P

1.018,9

39,0

-

-

-

25.500

NÃO

P

-

-

ARCOR.COM.AR

-

-

-

6.000

NÃO

P*

-

-

GE.COM.BR

6.192,5

1,4

0,7

3,2

3.852

NÃO

E

-

-

ELETRONORTE.GOV.BR

N.D.

N.D.

-

-

-

5.600

NÃO

P*

-

-

NEXTEL.COM.BR

-

608,7

252,0

8,5

3,5

0,8

N.D.

NÃO

P*

-

-

EXXON.COM

180,1

-

1.798,6

729,2

6,3

2,6

1,8

19.000

SIM

P

1.352,5

52,7

XIGNUX.COM

1.197,5

N.D.

-

14.164,5

4.497,0

18,2

5,8

32,0

N.D.

NÃO

P

-

-

GASPETRO.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

6.700

NÃO

P

-

-

DEACERO.COM

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

12.500

NÃO

P*

-

-

PG.COM.MX

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

11.400

NÃO

P*

496,6

19,5

1.000,2

528,7

89,2

4.629,0

2.763,5

14,9

8,9

16,6

N.D.

NÃO

P*

-

-

BAVARIA.COM.CO

N.D.

500,0

-

N.D.

N.D.

-

-

-

2.838

NÃO

P*

-

-

MOVISTAR.COM.MX

1.567,3

1.250,7

25,3

7.712,3

3.044,5

23,9

9,4

29,6

9.976

SIM

P

-

-

TRACTEBELENERGIA.COM.BR

709,4

478,2

48,3

2.309,4

826,1

42,1

15,1

14,2

N.D.

SIM

P*

-

-

COMGAS.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P

-

-

NADRO.COM

280,0

244,4

14,6

1.927,7

135,6

14,9

1,0

0,8

N.D.

SIM

P

-

-

B2WINC.COM

257,9

200,2

28,8

3.002,0

1.164,6

14,1

5,5

6,8

3.906

SIM

E

-

-

PORTAL.CELESC.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P

0,0

-

PAODEACUCAR.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

MAGNA.COM

1.539,0

1.305,1

17,9

2.263,7

708,2

-

48,5

45,8

360

SIM

P

-

-

CIELO.COM.BR

425,0

278,0

52,9

3.139,9

2.497,0

17,9

14,2

18,7

7.500

SIM

P

-

-

SIDERAR.COM.AR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

2.100

NÃO

P

-

-

CTI.COM.AR

1.753,5

1.198,3

46,3

2.285,2

1.550,5

68,0

46,1

44,5

N.D.

SIM

P

1.848,3

78,0

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

GM.COM.AR

N.D.

N.D.

-

44.146,2

1173,52

-

0,2

3,2

N.D.

NÃO

E

-

-

ANCAP.COM.UY

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

5.000

NÃO

P*

-

-

PEUGEOT.COM.AR

943,1

781,6

20,7

3.179,7

1.540,2

24,0

11,6

16,0

N.D.

SIM

P

0,7

-

ENTEL.CL

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

3.700

NÃO

P*

-

-

FORD.COM.AR

950,0

N.D.

-

2.052,1

1.701,9

30,8

25,5

22,9

7.034

NÃO

P

2.106,8

91,9

275,9

N.D.

-

4.126,5

3.242,1

4,2

3,3

5,9

26.284

NÃO

P

38,5

1,7

N.D.

N.D.

-

1.116,9

-26,1

-

17,3

8,5

10.433

NÃO

P

-

-

AEROMEXICO.COM

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

ARCELORMITTAL.COM

N.D.

N.D.

-

1.537,2

408,8

34,6

9,2

6,3

N.D.

NÃO

P*

0,0

-

ELECTROLUX.COM.BR

357,0

283,9

25,7

5.731,3

2.234,0

11,2

4,4

11,2

N.D.

SIM

P

-

-

GAFISA.COM.BR

319,5

172,8

84,9

2.227,4

703,4

21,3

6,7

6,7

1.094

SIM

P

-

-

RANDON.COM.BR

N.D.

N.D.

-

2.504,4

2.096,1

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

IBERDROLA.ES

N.D.

N.D.

-

1.384,9

908,3

23,3

15,3

9,5

N.D.

NÃO

P

-

-

-

N.D.

N.D.

-

1.765,6

1.267,1

12,7

9,1

7,3

N.D.

NÃO

P

-

-

QUEIROZGALVAO.COM

N.D.

N.D.

-

2.116,1

645,5

-6,2

-1,9

-1,8

3.900

NÃO

P*

-

-

BAYER.COM.BR

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

NÃO

P*

-

-

INTEL.COM

829,5

429,1

93,3

7.358,8

2.997,3

11,2

4,6

15,3

5.004

SIM

P*

395,5

18,0

218,9

81,1

169,9

2.638,2

1.723,8

4,9

3,2

3,8

4.993

SIM

P

-

-

WEG.COM.BR

SODIMAC.CL GERDAU.COM.BR

BOSCH.COM.BR

201 - 250

FCX.COM

CERREJONCOAL.COM NUTRESA.COM

KLABIN.COM.BR INDUSTRIASCH.COM.MX

Ebitda - Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização; ROE - Retorno sobre Patrimônio; ROA - Retorno sobre Ativo; P = Privada; P* = Privada estrangeira; E = Estatal

Julho, 2011 AméricaEconomia 123

AE 401 RK500 2.indd 11

01.07.11 17:46:12


500

MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

251 - 300

RK RK 2010 2009

EMPRESA

RANKING

PAÍS

SETOR

VENDAS 2010 US$ MILHÕES

VENDAS 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO VENDAS 10/09 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2010 US$ MILHÕES

LUCRO LÍQUIDO 2009 US$ MILHÕES

VARIAÇÃO LUCRO 10/09 (%)

251

254 EMBOTELLADORAS ARCA

MÉX

BEBIDAS

2.191,2

1.854,8

18,1

213,1

187,6

13,6

252

264 GRUPO ICE (1)

C.RI

SERVIÇOS BÁSICOS

2.191,1

1.822,0

20,3

339,3

127,1

167,0

253

266 AVON

BRA

QUÍMICA/FARMÁCIA

2.182,8

1.817,0

20,1

N.D.

N.D.

-

254

238 PANPHARMA

BRA

COMÉRCIO

2.175,7

1.991,4

9,3

68,4

119,5

-42,8

255

265 PERNAMBUCANAS

BRA

COMÉRCIO

2.164,9

1.821,3

18,9

97,5

36,5

167,0

256

- NEXTEL DE MÉXICO

MÉX

TELECOMUNICAÇÕES

2.161,8

2.039,4

6,0

N.D.

N.D.

-

257

183 AEROPUERTOS Y SERVICIOS AUXILIARES

MÉX

SERVIÇOS GERAIS

2.160,2

2.600,0

-16,9

-59,7

N.D.

-

258

225 CHILECTRA

CHI

ENERGIA ELÉTRICA

2.141,5

2.092,4

2,3

322,3

400,9

-19,6

259

280 ANGLO AMERICAN SUR

CHI

MINERAÇÃO

2.122,5

1.707,7

24,3

900,3

733,0

22,8

260

248 KIMBERLY CLARK DE MÉXICO

MÉX

CELULOSE/PAPEL

2.121,2

1.890,6

12,2

341,9

317,8

7,6

261

260 HERINGER FERTILIZANTES

BRA

QUÍMICA/FARMÁCIA

2.113,5

1.833,4

15,3

37,1

34,2

8,5

262

318 IFH PERÚ HOLDING

PER

MULTISSETOR

2.090,3

1.700,7

22,9

139,3

155,5

-10,4

263

273 RIPLEY CORP.

CHI

COMÉRCIO

2.082,8

1.751,1

18,9

77,1

12,9

498,0

264

259 CARREFOUR

COL

COMÉRCIO

2.076,6

1.834,4

13,2

43,8

44,0

-0,4

265

- HONDA DE MÉXICO

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

2.072,9

1.787,0

16,0

N.D.

N.D.

-

266

- CONSTRUTORA OAS

BRA

CONSTRUÇÃO

2.068,8

1.877,7

10,2

30,0

41,5

-27,6 -66,9

267

315 MINERVA

BRA

AGROINDÚSTRIA

2.045,5

1.494,4

36,9

12,5

37,8

268

307 ELEKTRO

BRA

ENERGIA ELÉTRICA

2.021,9

1.529,0

32,2

270,3

278,9

-3,1

269

401 ANGLO AMERICAN NORTE

CHI

MINERAÇÃO

2.009,8

1.175,6

71,0

550,5

298,7

84,3

270

236 AUTORIDAD DEL CANAL DE PANAMÁ

PAN

SERVIÇOS BÁSICOS

2.008,4

2.000,3

0,4

981,7

1.026,5

-4,4

271

269 INDUSTRIAS BACHOCO

MÉX

AGROINDÚSTRIA

2.001,3

1.780,4

12,4

160,6

61,0

163,3

272

163 ACEITERA GENERAL DEHEZA (1)

ARG

AGROINDÚSTRIA

2.000,0

2.100,0

-4,8

N.D.

N.D.

-

273

249 TELEFÓNICA COLOMBIA

COL

TELECOMUNICAÇÕES

1.996,9

1.884,3

6,0

-408,3

-450,3

9,3

274

349 CAP

CHI

SIDERURGIA/METALURGIA

1.992,1

1.386,3

43,7

589,9

-14,8

4.085,8

275

322 GRUPO SIMEC

MÉX

SIDERURGIA/METALURGIA

1.990,1

1.471,9

35,2

73,2

-24,7

396,4

276

247 NOKIA

BRA

ELETRÔNICA

1.986,0

1.757,0

13,0

N.D.

N.D.

-

277

447 BROOKFIELD

BRA

CONSTRUÇÃO

1.971,0

1.040,7

89,4

218,3

115,9

88,4

278

302 GERDAU

BRA

COMÉRCIO

1.960,1

1.536,1

27,6

0,5

29,1

-98,2

279

337 TOYOTA (1)

MÉX

AUTOMOB./AUTOPEÇAS

1.959,6

1.430,5

37,0

N.D.

N.D.

-

280

275 SIEMENS BRASIL

BRA

ELETRÔNICA

1.958,1

1.742,2

12,4

53,7

N.D.

-

281

250 COPASA

BRA

SERVIÇOS BÁSICOS

1.943,4

1.878,4

3,5

402,0

301,7

33,2 -44,0

282

153 BUNGE FERTILIZANTES

BRA

QUÍMICA/FARMÁCIA

1.940,9

3.038,1

-36,1

68,8

122,8

283

235 GRUPO ANDRÉ MAGGI

BRA

AGROINDÚSTRIA

1.927,5

2.008,1

-4,0

N.D.

56,0

-

284

332 PARANAPANEMA

BRA

MINERAÇÃO

1.915,7

1.442,6

32,8

28,5

111,4

-74,4

285

292 DRUMMOND

COL

MINERAÇÃO

1.905,6

1.602,8

18,9

101,1

89,8

12,6

286

274 GRUPO CLARÍN

ARG

MÍDIA

1.903,2

1.743,8

9,1

133,1

75,8

75,6

287

325 EMBOTELLADORA ANDINA

CHI

BEBIDAS

1.897,5

1.465,4

29,5

221,2

171