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BRASIL www.americaeconomia.com.br JULHO, 2009

maiores empresas

da AmĂŠrica Latina R$ 20


NESTA EDIÇÃO

Nº 377 / JULHO, 2009

SEÇÕES SE

AS 500

Maiores

Empresas

da América latina Começa na pág.

61

35 >MUNDOS PARALELOS

48 >LINHA DISCADA

A real situação da gigante Pdvsa é um mistério.

38 >FOGO CRUZADO

40

Petrobras vira alvo no tiroteio político brasileiro.

40 >PELO EQUILÍBRIO Embraer faz 40 anos em

50 >RALLY VOLTAICO No Chile, a Enersis tem bons motivos para sorrir.

38

44 >ASSENTOS VAZIOS Companhias aéreas latino-americanas lançam um sinal de alerta.

46 >FOCO NO BOLSO

Era agrícola do grupo Perez Companc chega com desafios.

54 >ENTREVISTA Moisés Naím defende que o hemisfério está dividido.

56 >NOVA DESORDEM MUNDIAL

Wal-Mart México agora quer conquistar seus clientes com um banco.

172 / JULHO, 2009

Quais serão os temas que dominarão o debate econômico daqui adiante?

CAPA: ÁLVARO ARAYA / EDITADA POR AMÉRICAECONOMIA

de mercados.

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

Companhias lutam para aumentar a concorrência no setor de telecom mexicano.

52 >OURO VERDE

busca da diversificação

4 AMÉRICAECONOMIA

8>ÍNDICE 10>AECOM 12>CARTAS 16>MEMO 18>EDITORIAL 20>ANIMAL POLÍTICO 24>PISTAS 28>MOVIMENTOS 159>CAPITAL ABERTO 162>CLICS & CHIPS 165>INTERFACES 167>NEGÓCIO FECHADO 177>VISÕES 178>LINHA DIRETA


NESTA EDIÇÃO OPINIÃO 154 >Marcelo Giugale reúne dez lições aprendidas com a crise.

155 > Obama não faz promessas vazias, defende Abraham Lowenthal.

70

156 >As “Multiemergentes” apontam à inovação, diz Javier Santiso.

157 >Investimento produtivo é o desafio pendente, segundo o chileno Ricardo Ffrench-Davis.

158 >Para John Edmunds,

82

divergências das moedas latino-americanas criará oportunidades.

160 >IBIZ Cloud computing, uma opção viável.

162 >CLICS Um telefone multimídia de negócios é a nova aposta da Polycom.

78

172 >TROCA DE MARCHA Os vendedores de carros de luxo não reclamam da região.

66 ALIMENTOS 68>AUTOMOTIVO 70>BEBIDAS 72>COMÉRCIO 74>ELETRICIDADE 76>MINERAÇÃO 78>PETRÓLEO E GÁS 80> PETROQUÍMICA 82>SIDERURGIA 84>TELECOMUNICAÇÕES >

6 AMÉRICAECONOMIA

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA É LATINA

72

80 / JULHO, JULHO 2009

ILUSTRAÇÕES: RODRIGO DÍAZ CARRISO

74

SETORES


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ÍNDICE DE EMPRESAS OS NÚMEROS REFEREM-SE À PRIMEIRA PÁGINA EM QUE AS EMPRESAS SÁO CITADAS. EXCLUI AS EMPRESAS QUE FIGURAM EM GRÁFICOS E RANKINGS

A-B-C-D

ABCEB .........................................................34 Accenture ....................................................183 Acciona .........................................................60 Accival-Citi ...................................................26 Aceitera General Deheza ............................143 Acer .............................................................185 Activa ............................................................64 ADK Automotive ..........................................82 Adobe ..........................................................183 Aeroméxico ...................................................51 Agora Corretora ............................................65 Agra/FNP ......................................................81 AIG Universal Processing Center ...............188 AIG .......................................................34, 188 Airbus ............................................................56 Alcaraz Cabrera Vásquez ..............................40 Alfa................................................................26 Alicorp ........................................................181 AlixPartners ..................................................30 Allergy Therapeutics ...................................191 Alpek .............................................................95 Alstom .........................................................188 Amazon .......................................................183 AmBev ..........................................................84 AMD ...........................................................183 América Móvil ................................48, 98, 181 Amoco Oil.....................................................42 Andreoli MS&L ............................................65 Andrews International .................................189 Anglo American Sur ...................................143 Antofagasta PLC ...................................91, 124 Aqua Chile ....................................................24 Aracruz Celulose .........................................128 Arce Rojas Consultores.................................93 ArcelorMittal.................................................97 Arcor .......................................................63, 81 Argos ...........................................................181 Audi.............................................................193 Aviacsa ..........................................................51 Avic ...............................................................56 Axtel..............................................................46 Azul Linhas Aéreas .................................51, 52 Azure Ventures ............................................191 B2W ............................................................137 Baja Celular Mexicana ..................................46 Banchile Inversiones .....................................60 Banco de Galicia y Buenos Aires ...............188 Banco Ibi .....................................................188 Banco Ixe ......................................................59 Banco Salvadoreño-HSBC Salvador...........188 Banco Wal-Mart ............................................59 Bancolombia ...............................................183 Bancor .........................................................188 BancoSal .....................................................188 Banorte ........................................................188 Bavaria ..........................................................85 BBVA ....................................................71, 188 Bemis ..........................................................189 Bestphone......................................................46 BGH ..............................................................34 BHP Billiton..................................................26 BMW.....................................................56, 193 Bodega Familia Zuccardi ..............................32 Boeing ...........................................................56 Bolsa de Valores de Nueva York ...................65 Bombardier ...................................................56 Bradesco......................................................188 Brasil Foods ..................................................80 Braskem ..................................26, 95, 128, 188 Braspag .......................................................188 Bristow Group .............................................191 British Telecom .............................................66 Bulltick Capital Markets ...............................71 C&A ............................................................188 Cablemás .......................................................44 Cablevisión Monterrey ..................................44 Cablevisión....................................................44 Carbones del Cerrejón.................................143 Carlyle Group..............................................189 Carozzi ..........................................................63 Carrefour ...........................................26, 78, 87 Casas Bahia ...................................................87 Cemex ...........................................24, 181, 189 Cemig ............................................................89 Cencosud .................................78, 86, 157, 181 Cervecería Cuauhtémoc Moctezuma ............85 Cessna ...........................................................54 CF Industries .................................................95 Chrysler .........................................................82 Cifra-Aurrerá.................................................58 Cisco .............................................................99 Citi...........................................................50, 72 Citrix ...........................................................182 Claro Telecom ...............................................99 Cobranzas y Servicios .................................188 Coca-Cola .....................................................85 Codelco .........................................90, 157, 188 Coignizant ...................................................197 Colbún .........................................................124 Collahuasi .....................................................91 Colombiana de Comercio .............................76 Com. Brasiliana de Energia ..........................89 Com. Luz y Fuerza del Centro ......................89

8 AMÉRICAECONOMIA

Comisión Federal de Electricidad .......................44, 89, 99, 188 Compañía Financiera Argentina .................188 Copa ..............................................................51 Copec ..........................................................181 Coromandel Fertilizers................................191 Cosan.............................................................81 CPFL Energia................................................89 Crif ..............................................................197 CSAV ..........................................................181 CSN ...............................................................97 CVC ............................................................189 D&S ..............................................................87 Danone ........................................................154 Datamonitor ..................................................85 De Martino ....................................................67 Dell..............................................................183 Deloitte..........................................................87 Delphi....................................................83, 154 Delverde Industri Alimentari ........................63 Digicel ...........................................................66 Dish ...............................................................48 Disney ...........................................................29 DN Consultores.............................................98 Dow Brasil ....................................................95 Dow Jones .....................................................80

E-F-G-H

E.ON .............................................................61 EchoStar ........................................................48 EcofysValgesta ..............................................61 Ecopetrol .......................93, 128, 140, 181, 189 EDF ...............................................................61 El Mercurio ...................................................72 El Universal...................................................22 Eletrobras ......................................................89 Eletropaulo ....................................................89 Elementia ....................................................189 Ely Lilly ......................................................183 Embotelladora Andina ..................................85 Embotelladoras Arca .....................................85 Embraer .........................................................52 EMC Corporation..........................................32 Empresa Generadora del Austro .................188 Enap ..............................................................93 Endesa España ..............................................60 Endesa ...........................................................89 Enel Green Power .........................................61 Enel ...............................................................60 Energías Ambientales Oaxaca ....................188 Energy Consult..............................................95 Enersis .....................................60, 89, 157, 181 Envirosell ......................................................87 Eratech ..........................................................67 Ernst&Young.................................................95 Euromonitor ..................................................84 Everis ............................................................30 Éxito ............................................................181 Falabella ..................................78, 86, 157, 181 Farmacias Benavides.....................................76 Femsa ....................................................85, 181 Fiat Automóveis ............................................83 Fiat ................................................................82 Financial Times .............................................72 Finca Maipú ..................................................32 Fitch Ratings .....................................62, 85, 97 Ford Motor Company....................................83 Ford .........................................................32, 82 Foreign Policy ...............................................68 Fox News ......................................................22 Frigorífico O’Higgins....................................63 Frost & Sullivan ......................................51, 98 Funai ...........................................................189 Gafisa ..........................................................189 Garda World Security..................................189 Gartner ..................................................99, 183 GE ...................................................36, 56, 191 General Motors de México ...........................83 General Motors .......................................72, 82 Genomma Lab.............................................189 Gerdau Açominas........................................143 Gerdau Aços Longos.....................................97 Gerdau ...................................................97, 181 Glencore International ................................189 Globovisión ...................................................22 Gol.................................................................51 Grupo Actinver......................................97, 188 Grupo Alfa ..................................................143 Grupo Bimbo ................................................81 Grupo Brescia ...............................................95 Grupo Carso ................................................189 Grupo Collados .............................................97 Grupo Gigante ...............................................59 Grupo Gloria ...............................................181 Grupo Imsa............................................97, 154 Grupo Industrial Lala ....................................81 Grupo Maseca ...............................................81 Grupo México .......................................91, 143 Grupo Modelo ...............................................84 Grupo Nacional de Chocolates ...................181 Grupo Pão de Açúcar ....................................87 Grupo Pegasus.............................................188 Grupo Pepsico ...............................................85 Grupo Salinas ................................................48

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

Grupo Schincariol .........................................84 Grupo Silvio Santos ....................................188 Grupo Ultra ...................................................93 Grupo Viz ....................................................154 Hainan Airlines .............................................56 Helados San Isidro Labrador ........................63 Hocol ...........................................................189 Holcim...........................................................24 Honda ......................................................54, 82 Huddle Group................................................32 Huhtamaki Oyj ...........................................189 Hylsamex ....................................................154 Hyundai .........................................................82

I-J-K-L

Iberdrola Renovables ..................................188 Iberdrola ........................................................61 IBM .............................................................183 Ibope ...........................................................191 IDC................................................................99 Ideiasnet ......................................................188 Idesa ..............................................................26 IHS Global Insight ......................................193 Imazon...........................................................26 Indura ..........................................................182 Industrias CH ................................................97 Industrias Nacobre ......................................189 Industrias Peñoles .........................................91 Infomine ........................................................91 Instituto Costarricense de Electricidad .........66 Intel ...............................................36, 183, 185 Inverseguros ..................................................61 ISA ..............................................................181 Itaipú Binacional ...................................89, 124 Iusacell ..........................................................48 Ixe Grupo Financiero ..................................188 JBS ..............................................................191 Kmine..........................................................188 KPMG ...............................................40, 66, 83 Kraft Foods ...................................................87 La Prensa.......................................................22 Lan ........................................................51, 157 LarrainVial ....................................................61 Ledesma ........................................................34 Lehman Brothers.........................................154 LG ...............................................................185 Lider Aviação ..............................................191

M-N-O-P

Mapfre .........................................................188 Marine Harvest..............................................24 Marubeni .....................................................191 Maximixe ......................................................91 Megacable .....................................................46 Mercedes-Benz ...........................................194 Mercer ...........................................................34 Merrill Lynch ..........................................84, 97 Met-Mex Peñoles ..........................................97 Métrica ..........................................................86 Mexicana de Aviación ...................................51 Mexichem......................................................95 Microsoft .....................................................182 Minera Antamina ..........................................91 Minera Barrick Misquichilca .......................................124 Minera Escondida .................91, 124, 128, 157 Minera México ..............................................91 Minera Spence ............................................157 Mintel ............................................................85 Mitsubishi .....................................................56 MMX.............................................................97 Molino Cañuelas .........................................191 Molinos Río de la Plata .................................62 Movistar ........................................................48 Multiexport....................................................24 Multiplan Consultoria Aeronáutica ...........................................54 Munchi’s .......................................................63 MVS ..............................................................48 Nacional Financiera ......................................34 Nec ..............................................................184 Nemak .........................................................154 Nestlé de México ..........................................81 Nestlé ............................................................81 Nexant ...........................................................94 Nexxo Financial Corporation ......................188 Nissan Mexicana ...........................................83 Nissan............................................................82 Nitratos del Perú ...........................................95 Occidental de Colombia..............................124 Operadora Unefón .........................................46 Organización Soriana ....................................87 OXY ............................................................124 Pão de Açúcar .......................................26, 191 Parmalat ........................................................65 Parque Arauco ...............................................86 Patagonia .............................................124, 128 PDVSA........................38, 66, 77, 93, 128, 191 Pemex Gas y Petroquímica ...........................95 Pemex Petroquímica .....................................95 Pemex Refinación .................................93, 128 Pemex ......................................77, 92, 128, 182 Pequiven ................................................94, 188

/ JULHO, 2009

Perdigão ........................................................80 Perez Companc .............................................62 Petrobras Distribuidora .................................93 Petrobras ...24, 64, 77, 93, 95, 128, 140, 181, 191 Petroecuador .................................93, 128, 191 Petrolera Pecom ............................................62 PetroMacareo ..............................................191 PetroPerú .................................................93, 95 PetroVietnam...............................................191 Philips .........................................................189 Polimérica .....................................................94 Polycom ......................................................184 Ponto Frio....................................................191 Porsche ........................................................193 Pratt & Whitney ............................................56 Propilsur ........................................................94 Prudential Financial ....................................188 Pyramid Research .........................................99

Q-R-S-T

Quattor Participações ....................................95 Química Estrella............................................63 Racsa .............................................................66 Recalcine .....................................................191 Refinería del Pacífico ..................................191 Renault ..........................................................83 Reputation Institute .......................................65 Rio Tinto ...............................................26, 188 Ripley ............................................................86 Rolls Royce ...................................................56 Sadia......................................................80, 128 Samsung ......................................................184 SanDisk .......................................................185 Santander GBM ............................................60 Santander.....................................................191 SAP .............................................................182 Select .......................................................48, 99 Siderar .........................................................181 Siemens .........................................................32 Sigdo Koppers ...............................................95 Sigla ..............................................................89 Sigma ............................................................81 SK Energy .....................................................95 Solidus...........................................................96 Sonda.............................................................31 SonicWall ......................................................30 Southern Copper Corporation ...................................91, 181 SQM ..............................................24, 157, 191 Standard & Poor’s .............................73, 89, 93 Sun Microsystems ...............................183, 197 Taca ...............................................................50 Talon Metals................................................188 Tam................................................................51 Techint...................................................97, 154 Telcel .......................................................46, 99 Teleamazonas ................................................22 Telecom .......................................................181 Telefónica Argentina ...................................181 Telefónica Brasil .........................................181 Telefónica México.........................................46 Telefónica Perú ...........................................181 Telefónica ..............................................66, 140 Telefónica-Movistar ......................................98 Teléfonos de México ...................................154 Telemar..........................................................99 Telesp ............................................................99 Televisa .........................................................44 Telmex Internacional.....................................99 Telmex.............................................44, 99, 181 Tenaris ...................................................97, 181 Ternium México ..........................................154 Ternium .........................................................97 Tigo-Amnet ...................................................66 Tim Participações ..........................................99 Toyota............................................................82

U-V-W-X-Y

Ultrapar .......................................................181 Unipar ...........................................................95 Urbi .............................................................137 Usiminas .......................................................97 Vale ...............................................91, 128, 181 Varig ..............................................................51 Viñas Santa Julia ...........................................32 Vivo ...............................................................99 Volcán..........................................................181 Volkswagen de México .................................83 Volkswagen ...................................................83 Wal-Mart de México .....................................58 Wal-Mart Supercenter ...................................87 Wal-Mart .........................................26, 87, 140 WalMex .................................................87, 181 Websense.......................................................32 Williams Cos .................................................42 WPP ............................................................191 Wuhan Street .................................................97 Xerox.............................................................32 Yara Fertilizantes ..........................................95 YouTube ........................................................22 YPF .......................................................93, 181 YPFB.............................................................93


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Ranking

A comunidade opina Comentários dos leitores de americaeconomia.com.br

O Brasil tem de agir em relação aos hermanos e não ser apenas rebocado Jonas Belchior, , sobre entrevista com o ex-embaixador José Botafogo Gonçalves

Temos que aceitar no Mercosul um golpista como Chávez que não respeita os direitos privados e os direitos da imprensa? Antonio Carlos Polato, sobre entrevista com o deputado Fernando Gabeira

Deveríamos seguir o exemplo dos EUA de respeito às instituições, e contratos. Somente dessa forma a América Latina poderá ser considerada segura para investimentos Marcelo A. Juarez, comenta a nota “Venezuela nacionaliza ativos de 60 petrolíferas”

Além disso, acesse os rankings completos de:

500 Maiores Empresas da América Latina As 500 Maiores Empresas do Chile As 500 Maiores Empresas do Peru As

OS PRINCIPAIS RANKINGS

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AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

FOI O AUMENTO DE VENDAS DA JBS-FRIBOI EM 2008. PRESENTE EM 11 PAÍSES, A MULTINACIONAL É BRASILEIRA DE MAIOR DESTAQUE DO RANKING DAS MAIORES MULTILATINAS. FOI A NOTA DE SÃO PAULO NO ÍNDICE “TAMANHO E DINAMISMO ECONÔMICO” DO RANKING DAS MELHORES CIDADES PARA FAZER NEGÓCIOS DA AMÉRICA LATINA, NO QUAL FICOU EM PRIMEIRO LUGAR.

Veja o resultado deste e outros rankings de AméricaEconomia em www.americaeconomia.com.br

PATROCINADORES:

10 AMÉRICAECONOMIA

POSIÇÕES FOI QUANTO A FGV GANHOU NO ÚLTIMO RANKING DAS MELHORES ESCOLAS DE NEGÓCIOS DA AMÉRICA LATINA. É A ESCOLA BRASILEIRA MAIS BEM-POSICIONADA, EM TERCEIRO LUGAR.

/ JULHO, 2009


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Equador

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México

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Panamá

+50.7.314.0324

Perú

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USA (Fl)

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CARTAS E COMENTÁRIOS

cartas@americaeconomia.com

Compram-se jogadores O melhor cliente!

Aqui mora o Chaves com “S”

Junk food, junk bonds EUA

China Europa

Inauguram-se embaixadas

Oceano Pacífico Bom vinho. Bom esqui

Tangódromo e muitas ofertas

Energia e meu primeiro relógio falsificado

Futura rota ao Pacífico (mas passa por Machu Picchu?) E onde fica a Petrobras nisso?

Ali, problema da Odebrecht Aqui, problema dos EUA

E outros petroproblemas

Rio Amazonas

É nossa!

Rio Paraná

Carne e cassinos

a Esta é um a gem homena , do Steinbergker, New Yor nomist Eco e à The

ILUSTRAÇÃO DA MATÉRIA “SOB A MIRARA DO TITÔ, AMÉRICAECONOMIA Nº376, DE JUNHO DE 2009

América Latina I Brasil, grande país e povo. Festa e mais festa. Com uma historia de desencontros com seus próprios vizinhos e que, nos últimos anos, tem buscado inserir-se no mundo global, tal como descreve a matéria (“Sob a mirada do titã”, AméricaEconomia N° 376, junho, 2009). Não acho que o Brasil será o país líder que a região requer. Mostra disso é o famoso Mercosul. E agora, mais recentemente, a Unasul. Em seu próprio âmbito de influência (Argentina, Paraguai, Uruguai), não conseguiu até agora unificar nem dar forma a 12 AMÉRICAECONOMIA

nada. Como poderia liderar algo maior e mais diverso? Porque essa história de que a América Latina é uma entidade comum unida por um passado e por raízes semelhantes é somente pretensão. Somos parecidos, mas tão diferentes que eu falaria de sub-regiões. Colocarnos de acordo requer vontade e compromisso e uma série de condições que dificilmente se conjugarão. O Brasil crescerá e será um jogador mundial importante, mas dificilmente arrastará a região em sua escalada ao bem-estar comum. Daniel Meza Assunção, Paraguai

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

Brasil e América Latina II Brasil, Ordem e Progresso. Tal como seu lema nacional, seus planos de liderança não deixam de ser uma boa intenção. O Brasil é como pai furtivo para os demais povos sulamericanos. Sabemos que existe, mas está longe a ausente. Se autoexclui e se refugia atrás de sua verde fronteira. Com o Atlântico no outro oposto, só se vinculava com a América pelas fronteiras com Paraguai e Argentina. Em estreita faixa territorial que atuava seletiva, quantitativa e qualitativamente como filtro. Quanta perda de tempo e de oportunidades. / JULHO, 2009

O efeito de se arrastar e de contagiar das políticas internas do Brasil repercutiam em toda a América do Sul. Mas os brasileiros pareciam não se dar conta disso. O futebol, o samba, o Carnaval, Pele, Senna e Xuxa eram suficientes. Era seu mundo. A autarquia perfeita e voluntária. A globalização os pegou desprevenidos. O Mercosul imperfeito e pequeno os despertou da letargia. Mas preferem o mundo global. Já se perfilam e têm presença nos fóruns mundiais. Já estão tomando o gosto de sair sempre na foto. Se autoclassificam como uma das dez maiores economias do mundo. Lula o cacareja. E já apresentou seu próprio roteiro à sociedade mundial. Como tateando timidamente uma praia desconhecida com a ponta do pé, apresentou uma série de interrogantes. Nem reclamações, nem protestos. Querem primeiro saber a reação de seus pares e calcular de que tamanho pode ser seu atrevimento. Em seu afã iconoclasta de parecer sério, equilibrado e neutro, não substitui Chávez, não pede descontos a Evo no preço do gás, e mantém uma atitude fria e distante com os temas sul-americanos que causam controvérsia. Oxalá seja suficiente essa indiferente política do “não ouço, não vejo”, para se tornar o líder, a locomotiva que os povos sul-americanos esperam. Sem paternalismos hegemônicos, mas com Ordem, chega o Progresso. Moisés Mesones, Lima, Peru


CARTAS E COMENTÁRIOS

Teoria do portfólio

México vs Brasil II

Sobre a nota de como existem obstáculos mentais e reais para diversificar portfólios (“Investidores Irracionais”, AméricaEconomia N° 376, junho, 2009), a Teoria Moderna de Portfólios de Markowitz supõe dois elementos muito fortes: a racionalidade nas decisões e o conhecimento total do mercado. Apesar de que esse modelo deveria ser a base para a tomada de decisões financeiras, além da irracionalidade apresentada na matéria, considero que a informação nunca é total. Porque os elementos são muitos e no momento em que se está tomando a decisão, talvez em épocas como agora, de grande instabilidade, nunca se sabe qual será o comportamento

Acho que tudo bem nós mexicanos aceitarmos a crítica contida na matéria “O espelho não mente” (AméricaEconomia Nº 376, junho, 2009) para melhorar, mas acho que sempre nos comparam negativamente com relação ao Brasil. A marca-cidade que tenho de São Paulo é a de uma cidade grande com muitos problemas de delinquência, ainda piores que os da Cidade do México. Por exemplo, as famosas favelas, com iguais problemas de narcotráfico, e a poluição. Não sabia que era um centro financeiro mundial, e isso porque procuro estar bem-informado das finanças mundiais.

do ativo. Carlos Lasso, Montevidéu, Uruguai

México vs Brasil I É verdade que o México sofre com narcotráfico, delinquência e insegurança. E isso prejudica sua imagem. Mas o México é um país de instituições. Com o elemento humano que o tem diferenciado positivamente, sairá adiante e dará o exemplo. Vejo sempre em suas matérias que são muito pró-brasileiros, quando na verdade este país sulamericano sofre dos mesmos problemas que o México, talvez até mais. Mauricio Alfaro Cidade do México

14 AMÉRICAECONOMIA

Miguel Saavedra, Cidade do México

Ética e MBA Sobre a nota do efeito da crise nas escolas de negócio (“O dia do juízo”, AméricaEconomia N° 376, junho, 2009), a reação destas foi semelhante à do que fizeram no caso Enron, quando incorporaram o tema da ética mais enfaticamente em seus programas. É certo que na origem de ambos os casos encontramos aquela parte da natureza humana que teme relação com o ético. Mas parece que ainda resistem a ver que a ética e a moral terão significados

diferentes dependendo da condição espiritual de cada pessoa, uma condição que se forja nos primeiros anos e se consolida ao longo da vida, moldada no ambiente familiar, no entorno social, pela fé, pela educação, etc. Acho que são dois os momentos em que uma instituição acadêmica pode ter impacto real e efetivo na conduta das pessoas. Primeiramente, na educação básica, quando uma pessoa enfrenta pela primeira vez um processo de ensino-aprendizagem formal e sistematizado, quando começa a preencher seu hard disk. Em segundo lugar, na etapa inicial da educação superior, quando o jovem está muito permeável, depois de sair da difícil etapa da adolescência, com todas as suas crises existenciais. Daí a importância do modelo e do conteúdo educacional, que deve ser dinamicamente coerente e estar alinhado do nível inicial à educação superior, incluindo os programas de mestrado e doutorado. Uma recomendação às escolas de negócios: não descuidem da dimensão espiritual do ser humano, em seus processos de seleção e de formação. Seria bom que estudassem e encontrassem aplicação à parábola do bom semeador. Godofredo Tapay Piura, Peru

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AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

Erratas 1- Na pág. 46 do Ranking de MBAs (edição N° 376), publicamos a foto de Olavo Setúbal no lugar da de

Ricardo E Setúbal, (abaixo). 2- Nesse mesmo especial, (pág. 35), os indicadores finais para as cinco escolas que lideram a categoria Empreendimento são: Escola Índ. final U. Adolfo Ibáñez 87,1 U. del Desarrollo 82,1 IESA 61,8 Iteso 85,3 Egade ZC 53,1 Fonte: AméricaEconomia Intelligence

3- No informe especial sobre Moçambique publicado na edição de maio de 2009, a grafia correta do nome do presidente de Moçambique é Armando Guebuza.

atencionclientes@americaeconomia.com suscribase@americaeconomia.com


MEMO CRISE COM ARTE

Q

SEBASTIÁN PÉREZ

uanta diferença em relação ao ano passado... Ao revisar nossas projeções da edição do Ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina publicado em 2008, nos damos conta de quão diferente era o mundo. O barril de petróleo estava a US$ 130, logo alcançaria os US$ 170 e países que tinham demonstrado bom desempenho macroeconômico temiam que a inflação chegasse aos dois dígitos.

Todo mundo sabia que os Estados Unidos entrariam em crise, mas as teses então comentadas do soft landing (aterrissagem suave) e o decoupling (desconexão das economias emergentes das desenvolvidas) alimentavam uma visão otimista de que a situação estaria sob controle. Mas em setembro tudo foi para o ralo. O preço do petróleo caiu

para US$ 30 o barril, o mundo começou a falar de deflação, o desemprego disparou e as moedas latino-americanas de livre flutuação despencaram. Por isso, a edição 2009 do Ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina é particularmente valiosa. É uma clara testemunha do momento em que a região começou a acusar notoriamente o golpe da crise econômica mais aguda desde a Grande Depressão. Uma história que pode ser lida nos milhares de números e resultados incluídos nesta edição. Como, por exemplo, a surpreendente

queda do lucro das empresas brasileiras e mexicanas, respectivamente de 71% e 112%. Mas os números não contam apenas histórias. Com eles também se pode fazer arte. Assim os vê Álvaro Araya, diretor de arte de AméricaEconomia, com a equipe de diagramação e fotografia (na foto). «Não buscamos nada de números no ar», diz Araya. «Queremos números com significado, números de verdade.» Números concretos para mostrar a história real das empresas e da crise.

Rafael Borsanelli (rafael.borsanelli@springcom.com.br) +55 11 3097-7666

EUA +305 648-9071 MÉXICO +5255 5254-2400 ARGENTINA +5411 4383-8410 CHILE +562 290-9400 PERU +511 610-7217

Felipe Aldunate M. Diretor Editorial

SEBASTIÁN, JENNY, ÁLVARO, RIFFKA, MIGUEL E FERNANDO

CORRESPONDENTES ARGENTINA Juan Pablo Dalmasso COLÔMBIA Lucia Valdés MÉXICO Carolina Solís PERU Fernando Chevarría URUGUAI Guillermo Peregrino VENEZUELA Doroty Kronick AMÉRICA CENTRAL Ricardo Castillo MIAMI Carlos Molina

DIRETOR Elias Selman Carranza VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO Gloria Landabur C.

DIAGRAMADORES Sebastián Caro P., Riffka Schiro-Kauer J., Jenny García S.

PUBLISHER BRASIL José Roberto Maluf

REVISORA Adriana Casaroti

DIRETOR EDITORIAL Felipe Aldunate M.

AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE (Estudos e Projetos Especiais) DIRETOR Rodrigo Díaz SUBDIRETOR Jaime Contreras Soria COORDENADORA DE ESTUDOS Daniela González ANALISTAS Paula Saavedra, Andrea Almeida

EDITOR EXECUTIVO BRASIL Solange Monteiro EDITOR BRASIL Dubes Sônego

AMÉRICAECONOMIA.COM DIRETOR DE ESTRATÉGIAS DIGITAIS Rodrigo Guaiquil EDITOR BRASIL Marcelo Galli EDITOR Marcelo García REPÓRTERES Bianca Lima (Brasil), Alejandra Clavería, Pablo Jamett, Patricia Zvaighaft, María Paz Órdenes TRADUTOR Juan Pardo WEBMASTER José Fuentes

DIRETOR DE ARTE Álvaro Araya Urquiza EDITOR DE FOTOGRAFIA Miguel Candia EDITOR ADJUNTO Rodrigo Lara EDITORES EXECUTIVOS Juan Pablo Rioseco, Eduardo Thomson EDITORES Antonio Delgado (Miami), Arly Faundes (México) REPÓRTERES Sergio Spagnuolo (Brasil), Soledad Gómez, Matías Rodo Yuricevic (Santiago)

16 AMÉRICAECONOMIA

MARKETING DIRETOR Marcelo Silva Symmes (Chile) BRASIL Elisangela Silva (elisangela@springcom.com.br)

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PUBLICIDADE GERENTE COMERCIAL Sidney Espósito (sidneyesposito@springcom. com.br) +55 11 3097-7676 EXECUTIVAS DE CONTA Andréa Tupinambá (andrea@springcom.com.br) +55 11 3097-7659 Priscila Ferreira (priscila@springcom.com.br) +55 11 3097-7664 ATENDIMENTO AO ASSINANTE +55 11 3038-1493 americaeconomia@teletarget.com.br REPRESENTANTES BRASIL BRASÍLIA Antonio Cordeiro (tonton.front@terra.com.br) +55 61 3321-9100 BELO HORIZONTE Moacir Lopes (moacir@yesbh.com.br) +55 31 3245-1163/1164 CAMPINAS Marcelo Mardegan (mmardegan@uol.com.br) +55 19 3284-4691 PORTO ALEGRE Jeferson Bucker (Xexeu) (jeferson.bucker@ pressmidia.com.br) +55 51 9976-6434 RIO DE JANEIRO Luiz Fernando Silva Novaes (lfnovaes@ig.com. br) +55 21 2226-0206 VILA VELHA Didimo Effgen (didimo.effgen@uol.com.br) +55 27 3229-1986

/ JULHO, 2009

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AméricaEconomia é uma publicação mensal da Nanbei Ltd. •Impressa na Quebecor World Chile S.A. Publicação periódica•Registro PP09-0011


AFP

EDITORIAL

ATENÇÃO AO MÉXICO É

certo: 2009 será recordado como um dos anos mais duros na história recente do México. A profunda crise global impacta mais fortemente esse país que qualquer outro da América Latina. Fala-se em quedas de dois dígitos na atividade econômica para o atual trimestre e os que vêm. Além disso, a guerra entre o governo e os cartéis do narcotráfico gerou um forte aumento da violência. O número de mortos vinculados a esse conflito já é 80% mais alto que em 2008. A isso ainda se soma a influenza A (H1N1) – que a princípio queriam batizar de gripe mexicana – pandemia global que pilhou o país no contrapé. Mas atenção, não se confunda. O México tem demonstrado que está longe de ser um Estado falido. 18 AMÉRICAECONOMIA

Ainda que a recente nomeação de Carlos Pascual – especialista em países em conflito e falidos – como embaixador dos EUA no México tenha ressuscitado em alguns grupos de Washington a tese surgida há alguns meses de que o país latino-americano seguia o caminho de outros com fracassos governamentais como Somália, Haiti ou Iraque, a realidade é muito diferente. As três crises simultâneas que afetam o maior país de língua espanhola do mundo estão sendo abordadas por um governo que ainda tem capacidade de ação. E, tal como demonstrou com o surgimento da influenza, pode ser efetiva. O governo só não tem visto o mesmo resultado em sua batalha contra os cartéis do narcotráfico e

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contra a crise econômica. Na primeira, apesar de registrar triunfos militares importantes, o poder e a capilaridade dos grupos que levam as drogas aos EUA não foram afetados de forma óbvia. E nisso tampouco ajuda a permissividade do país vizinho com o comércio de armas. Justamente o escritório de supervisão do governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês) divulgou um estudo no qual critica fortemente a falta de uma estratégia de seu país para colocar fim nesse fluxo que acaba fortalecendo os cartéis. Por sorte, o México ainda tem mais recursos para enfrentar a crise econômica. Apesar de seu impacto, o governo tem se movido na direção correta. A velocidade é que não tem sido a ideal: como em todo o mundo, a equipe econômica do ministro da Fazenda Agustín Carstens errou ao projetar a profundidade da crise e muitas medidas contracíclicas se viram bloqueadas por entraves legais. Mas o governo acudiu a uma acertada combinação

plicar um maior déficit fiscal, o que dá tranquilidade às classificadoras e permitirá manter fluxos de financiamento. Além disso, a conjuntura é uma oportunidade para que o governo promova mais fortemente uma série de reformas que estão pendentes e que devem dar mais competitividade à economia mexicana e à sua indústria, que inclusive sem crise já estava indicando esgotamento e perda de mercados. Também é preciso olhar de forma otimista o fato de que a jovem economia mexicana tenha suportado bem os embates anteriores e que a institucionalidade dos partidos continue vigente, diferentemente de outros países latino-americanos menos golpeados. Não devemos ser ingênuos. Os desafios enfrentados pelos mexicanos são enormes e o governo nem sempre tem acertado na hora de enfrentá-los. Mas acompanhando de perto o que se desenvolve em nível doméstico é fácil comprovar que nenhum dos Estados hoje considerados falidos no mundo

A JOVEM DDEMOCRACIA MEXICANA SUPORTOU OS EMBATES. SU de medidas que evitaram uma resultado ainda pior, sem a necessidade de im/ JULHO, 2009

nunca esteve à altura de uma nação como o México. Q


PUBLIRREPORTAJE

Jogando lenha na fogueira Neste momento o mundo vive uma forte recessão econômica, que se manifestou há quase um ano. A pergunta é: poderemos sair rápido da crise? Embora minha opinião soe desagradável, eu acho que não. Ernesto Chong, CFO PMC Group.

Desde o princípio da crise, os governos dos países mais ricos do mundo, tanto a OCDE como o G-20, agendaram reuniões de chefes de Estado e ministros de Economia, com a ideia de coordenar esforços conjuntos para enfrentar a crise global. A razão disso é que todos entendem que a crise tem alcance mundial, independentemente de onde se tenha manifestado. Invariavelmente, nestes congressos os representantes de cada país falam com firmeza sobre a necessidade de adotar ações conjuntas e enfatizam na obrigatória cooperação entre governos. Porém, apenas termina o congresso, cada governo toma suas próprias decisões e medidas de política econômica, abandonando totalmente o princípio da cooperação internacional. Os países estão empregando medidas protecionistas que, ao invés de ajudar, podem e vão agravar a crise e a situação do cidadão comum. Um exemplo são as políticas do atual governo estadunidense, que desde sua posse parece estar empenhado em aplicar medidas protecionistas para, supostamente, favorecer as indústrias nacionais em detrimento das indústrias de outros países, para o que se tem utilizado o slogan “Buy American” (compre o americano). Estas medidas protecionistas se vendem muito bem no plano político, e por isso têm sido sempre uma das ferramentas prediletas dos governos populistas, mas no âmbito econômico só trazem mazelas e não benefícios, começando pelo fato de que com estas políticas se inibe a eficiência.

Em virtude da lei de vantagens comparativas, o livre comércio internacional favorece todos os participantes. Como consequência dessa lei, cada um se focaliza em produzir aquilo em que é mais competente e eficiente. O resultado é mais e melhores produtos, com preços mais baixos. Todos nos tornamos mais ricos desse modo, tanto produtores como consumidores – estes últimos ao terem um amplo leque de possibilidades a melhores preços. No entanto, a lei de vantagens comparativas requer o livre comércio. No momento em que cada governo começa a colocar-lhe restrições, o livre comércio se inibe e deixa de projetar seu máximo potencial. E é precisamente isso o que está acontecendo, com cada governo tomando agora medidas para restringir as importações de certos bens. O protecionismo econômico também está se manifestando de outra forma, que é a de perseguir a concorrência tributária entre países. Neste item os países mais ricos (OCDE e G-20) parecem estar se coordenando contra países com melhores sistemas impositivos que não pertencem a seus seletos grupos. A renovada guerra contra os países de baixa carga tributária, aos que chamam depreciativamente paraísos fiscais, é o resultado do desespero que estão assistindo os governos dos países ricos frente à súbita redução das arrecadações tributárias nacionais. E em vez de se adaptarem, reduzindo gastos estatais excessivos, o que fazem é matar o mensageiro.

A verdadeira solução para as finanças estatais em época de crise é apertar o cinto (reduzir o gasto público). E, além disso, reduzir impostos. Sim, mesmo parecendo irônico, reduzir impostos traz duas coisas muito positivas: em primeiro lugar, dá um novo fôlego às empresas e aos consumidores, que também estão passando dificuldades com a crise, e em segundo lugar, se consegue estimular um pouco a economia através da oferta, pois os impostos altos são uma barreira aos negócios e ao reduzi-los, obviamente, se reduz a barreira e se beneficia o ambiente de negócios. Infelizmente, os governos parecem estar padecendo de uma séria miopia que os está levando a tomar medidas que podem ser populares em seus países, mas que realmente prejudicam os seus próprios povos e o resto do mundo, ao inibir ainda mais o comércio mundial que já, em si, está sofrendo bastante por conta da crise. Se continuarmos por este rumo, por mais que me doa dizer isso, penso que a crise vai se agravar e durar mais que o necessário.

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ANIMAL POLÍTICO [COLÔMBIA]

A negativa da Suprema Corte de Justiça da Colômbia de extraditar aos Estados Unidos Eli Mendoza – conhecido como “Martín Sombra” – proeminente carcereiro das FARC, sinaliza que o Poder Judiciário colombiano se sente forte o suficiente para lidar com a situação dos guerrilheiros capturados. Há pouco tempo, a corte também negou a extradição de outros dois insurgentes vinculados ao sequestro dos norte-americanos Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Howes. O caso do “Sombra”, de 56 anos, é um verdadeiro “caso-testemunho”: era encarregado de Ingrid Betancourt e é acusado de tratos particularmente degradantes. O fato pode ajudar o governo do presidente Uribe em seu plano de recuperação real e simbólica de soberania. A administração de Obama não considerará o caso como motivo de atrito relevante. [PERU]

VOLUNTARISMO OU ENTUSIASMO? O presidente peruano Alan García mostrou jogo de cintura e astúcia ao apoiar a revogação dos decretos 1090 e 1064, que deram origem ao levantamento indígena e o qual resultou na morte de cerca de 30 a 40 policiais e civis. Este triste episódio, em sintonia com outros, parece mostrar que o governo de García está muito mais direcionado por impulsos voluntaristas do que por uma estratégia consistente em temas de longo prazo. O Peru – assim como Equador, Colômbia, Venezuela e Bolívia – necessita de uma estratégia coerente e de longo prazo para usufruir e preservar suas selvas amazônicas. Uma na qual os indígenas sejam sócios, e não adversários. 20 AMÉRICAECONOMIA

AFP

A SOMBRA DE “MARTÍN SOMBRA”

O PERU DEVERÁ APRENDER A CONCILIAR DESENVOLVIMENTO COM DEMANDAS CIDADÃS ANTES QUE ESTAS EXPLODAM EM SUA CARA [LIBERDADE DE IMPRENSA]

PERAS E MAÇÃS

Tratando-se da mídia, são tempos revoltosos. Para os presidentes da Venezuela, Equador e Bolívia, suas estratégias de confronto direto e ameaças de fechamento contra veículos de comunicação de oposição tentam evitar que ultrapassem os limites legais e caiam na sedição. Segundo os diretores desses meios (Globovisión, Teleamazonas e o diário La Prensa) e a oposição da cada país, trata-se de uma política para amedrontar e calar os críticos. Os três casos são muito distintos. Na Bolívia a imprensa crítica está em boa situação, e no Equador se trata de um processo mais ruidoso e azedo do que perigoso. Na

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Venezuela, entretanto, efetivamente o projeto chavista tenta calar toda a oposição relevante no médio prazo. As brigas continuarão. [MÉXICO]

O “PEDÁGIO” DA REPUGNÂNCIA Enquanto a guerra com o narcotráfico continua ocupando as autoridades do México, a revelação de que quase 10 mil cidadãos de outros países foram sequestrados, extorquidos, roubados e torturados, em sua passagem pelo país em busca de morar ilegalmente nos EUA, terá efeitos de longo prazo. O número é assustador, já que inclui registros de apenas seis meses, e abundam assassinatos a sangue frio e / JULHO, 2009

estupros. A maioria das vítimas são hondurenhos (67%), salvadorenhos (18%) e guatemaltecos (13%), mas também há equatorianos, brasileiros e até chilenos e peruanos. Não é garantido que a cumplicidade aberta de policiais neste “pedágio” possa levar a atritos com os governos de Honduras e El Salvador, mas a imagem do México como país no qual reina o crime continuará crescendo. [URUGUAI]

CAMPANHA PRESIDENCIAL ACIRRADA Com sua indicação praticamente ganha, o candidato oficial José “Pepe” Mujica não tem certeza se enfrentará o ex-presidente Luis


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ANIMAL POLÍTICO Alberto “Cuqui” Lacalle ou o senador Jorge Larrañaga; embora tudo pareça indicar que o primeiro será seu concorrente. Se as eleições fossem agora, a Frente Ampla (de Mujica) teria 44% e o Partido Nacional (Lacalle), 37%. Haveria um segundo turno em novembro e ambos seriam obrigados a seduzir os eleitores do Partido Colorado (8%) e os indecisos (10%). Carismático e sagaz, Mujica tem contra ele seu passado de guerrilheiro tupamaro nestes setores. Astuto e desbocado, a pedra no sapato de Lacalle é a crença generalizada, aceita como fato, de que ele enriqueceu ilicitamente durante seu governo. O fim está aberto.

[BRASIL]

EMOÇÃO E PERIGO NAS GRANDES LIGAS Lula visitou a cidade russa de Ecaterimburgo em meados de junho levando estampada na camisa a letra “B”, da sigla Bric: bloco integrado pelas economias emergentes Brasil, Rússia, Índia e China. Mas sua mensagem havia sido transmitida alguns dias antes pelo chanceler Celso Amorim, em uma reunião acadêmica pouco concorrida em Paris: “O G-8 acabou como grupo de decisão política”. E acrescentou: “não sei como será enterrado, embora às vezes um enterro ocorra suavemente”. Quando se trata de política, o clube agora deve incluir Brasil, China e Rússia.

Há propostas de criar um grupo decisório no qual os quatro Bricss convivam com um só representante, para lidar com União Europeia, GrãBretanha, Japão e EUA. O Bric teve sua origem em um conceito publicitário para vender fundos mútuos e papéis de mercados emergentes. Embora Lula queira criar um bloco político a partir destas siglas, a reunião na Rússia deixa claro que não haverá conquistas concretas no curto prazo. [BRASIL]

FUTURO DESASTRE OU FUTURO ESPLENDOR? Há quem se oponha à chamada “privatização” da Amazônia. Já quem

apoia diz que é sua salvação. O certo é que a legalização e entrega de domínio de uma superfície equivalente ao tamanho da França, entre outras medidas, será uma das decisões de maior peso, no longo prazo, do governo Lula. Com o respaldo do ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e a crítica do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc esta é uma aposta forte. Seu êxito – ou fracasso – será definido nos detalhes e na implantação. Se a legalização for transformada em uma permissão de expansão pecuária, o problema será agravado de forma dramática. Se, em contrapartida, emergir um novo modelo de gerenciamento integrado da floresta e da agricultura de diversas culturas, o impacto será benéfico.

[CONE SUL]

A expansão da gripe A(H1N1) no Cone Sul não é uma surpresa; lamentavelmente tampouco é o fato de que os sistemas sanitários da Argentina e do Chile tenham mostrado escassez de recursos, ainda no marco de poucos contágios e virulência baixa. As compras atrasadas de antivirais e as políticas erráticas de fechamento de escolas são um sinal disso. Mas o pior é que ambos os governos (iguais ao resto da América Latina) não informaram suas estratégias de aquisição da vacina específica que está sendo criada, algo feito pela maioria dos países desenvolvidos. Uma possível segunda onda de contágio pelo vírus (no hemisfério Sul) deve ser esperada e, para neutralizá-la, é necessário assegurar estoques da nova vacina. Ao não fazê-lo, a região está à mercê da caridade de companhias farmacêuticas que têm assegurado que providenciarão recursos aos países pobres. 22 AMÉRICAECONOMIA

AFP

APRENDENDO COM A GRIPE A(H1N1)

UM LINDO POSTAL DE UM BRASIL QUE ATUA GLOBALMENTE. MAS SÓ GESTOS NÃO BASTAM

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/ JULHO, 2009


SEGUINDO A PISTA Sem parceiros PUBLICAMOS: Segundo projeções – conservadoras – da empresa SQM, a demanda mundial de carbonato de lítio crescerá acima de 5% ao ano no período 2008-2018. Ainda que se trate de reservas base – que ainda não foram bem-calculadas ou não foi definida sua viabilidade econômica – a Bolívia e seu salar de Uyuni registram 5,4 milhões de toneladas, mas de qualidade inferior e, por isso, mais caras de extrair. (“Os sauditas do sul”, AméricaEconomia Nº 373, 15 de março, 2009)

O NOVO: Mesmo com um panorama mais complexo do que no Chile e na Argentina, o governo de Evo Morales decidiu que irá produzir o carbonato de lítio sem parceiros. Freddy Beltrán, diretor geral de Mineração da Bolívia, afirmou que o país quer produzir o insumo de forma soberana, ainda que tenha de buscar apoio financeiro em um banco externo. Empresas japonesas e francesas manifestaram interesse na exploração do lítio na Bolívia, mas Morales afirmou só aceitar propostas para a industrialização do metal. Na Bolívia já está sendo construída uma fábrica piloto, que se espera estar pronta em 2010.

Atraso na decolagem PUBLICAMOS: Tanto no Brasil quanto na Argentina os problemas mais graves na malha aeroportuária têm sido de recursos humanos e a demora dos governos em encontrar soluções. Por estar sob concessão privada desde 1998, Ezeiza leva uma boa vantagem em relação a Guarulhos em reformas e investimentos e, teoricamente, está preparado para atender o fluxo de 6 milhões de passageiros, equivalente a 85% da demanda nacional. (“Quando sai meu vôo?”, AméricaEconomia Nº 341, 21 de maio, 2007) O NOVO: O ministro de Defesa brasileiro Nelson Jobim declarou em junho que o governo está considerando permitir que investidores estrangeiros apresentem ofertas para a construção e administração de aeroportos no País como forma de mitigar o estancamento estrutural nessa indústria. Os modelos básicos para a concessão de quatro aeroportos – entre os quais Viracopos (Campinas) e o Galeão, no Rio de Janeiro –, estariam prontos em julho.

Passo atrás PUBLICAMOS: A companhia mexicana de cimentos empreendeu o maior processo de internacionalização já realizado por uma companhia latinoamericana. Mas a Cemex tem vivido um ciclo negativo principalmente devido aos maus resultados registrados nos Estados Unidos, na Espanha e na Inglaterra – suas operações internacionais mais importantes, mas também as mais afetadas pela crise. (“Em busca do Equilíbrio”, AméricaEconomia Nº 374, abril, 2009)

O NOVO: Os maus resultados estão fazendo a mexicana perder terreno. Em junho, a suíça Holcim anunciou que compraria as operações australianas da Cemex por 2,02 bilhões de dólares australianos (US$ 1,64 bilhão), planejando um aumento de capital para financiar a operação. Com isso, a Holcim, segunda maior fabricante de cimentos do mundo, terá acesso a mercados de rápido crescimento na Austrália; e a Cemex ganhará recursos que a ajudarão a refinanciar US$ 14,5 bilhões em dívidas que vencem no final de 2011 – US$ 4,1 bilhões este ano.

24 AMÉRICAECONOMIA

Soltando as garras PUBLICAMOS: Mas os interesses de Gabrielli vão além. Não apenas quer se transformar no principal distribuidor e comercializador de etanol no mundo. Também quer começar a produzi-lo. “Estamos interessados na logística e comercialização, mas estamos discutindo como integrar o processo de produção”, afirmou Gabrielli, conservadoramente. (“O ouro verde da Petrobras”, AméricaEconomia Nº 338, 2 de abril, 2007)

O NOVO: Agora já não é mais discussão. O presidente executivo da Petrobras afirmou em junho que a companhia buscará, além de novos

negócios, a compra de participações minoritárias em usinas de etanol. “Nossa posição provavelmente não será tentar o mercado de varejo, mas ser um player importante para expandir ao mercado internacional”, afirmou. Segundo cálculos da estatal brasileira, em 2020 a gasolina representará apenas 17% do combustível usado em carros no Brasil. “Por isso, nossas cinco novas refinarias – que aumentarão a capacidade de refino da empresa de 1,9 milhão de barris/dia para 3,2 milhões de barris/dia – não produzirão gasolina, e sim diesel, GLP, combustível de avião e outros”, disse.

Em crescimento PUBLICAMOS: “A Mexichem tem desenvolvido uma estratégia que integra a operação vertical e horizontalmente”, diz Luis Vallerino, analista de Accival-Citi, no México. “Um dos pontos positivos é que isso a afasta dos riscos das commodities.” Esse plano é o que tem guiado as compras e a expansão da companhia. (“Invisíveis e globais”, AméricaEconomia Nº 356, 1 de abril, 2008)

O NOVO: O grupo mexicano Mexichem anunciou recentemente que poderá iniciar a construção de uma fábrica petroquímica no Peru nos próximos dois anos, com investimentos de US$ 2 bilhões. O presidente do grupo, Antonio Del Valle, declarou que já começaram os estudos de viabilidade. Essa planta concentraria a fabricação de insumos para a fabricação de plásticos, incluindo tubulações, e iniciaria operações em sete anos. Caso seja aprovado, o projeto contará com a associação de outras empresas, entre elas as mexicanas Idesa e Alfa e a brasileira Braskem.

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/ JULHO, 2009


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SEGUINDO A PISTA Estrangeiros bem-vindos PUBLICAMOS: A concentração nas três grandes redes de supermercados ainda é relativamente limitada, o que abre a possibilidade de entrada de novos competidores internacionais, num mercado atrativo pelo grande potencial de crescimento. Com base em estimativas do Centro de Excelência em Varejo, Parente afirma que a movimentação em vendas, apenas no segmento de alimentos, não é inferior a US$ 300 bilhões por ano no Brasil. “Com certeza há espaço para a entrada de outros estrangeiros”. (“Acelerar o carrinho”, AméricaEconomia 366, 13 de outubro, 2008) O NOVO: O Brasil ficou na 8ª posição no ranking global de oportunidade de investimento para empresas de varejo e é o primeiro do mundo em atratividade no setor de vestuário, segundo pesquisa da consultoria A.T. Kearney. Celso Durazzo, diretor da consultoria, lembra que o estudo apurou que cerca de 20 cidades brasileiras têm mais de 1 milhão de habitantes, um ponto positivo para o País. Para Durazzo, é hora de as empresas estrangeiras de varejo inovarem quando investirem no Brasil. Além do vestuário, outras oportunidades no varejo do país são os setores de eletrodomésticos e de alimentos e bebidas.

Regateio PUBLICAMOS: Uma das grandes tacadas deste ano que fizeram o mercado aplaudir foi a negociação da Vale com seus principais compradores, fixando um reajuste de 65% para o chamado minério fino. Os analistas ficaram ainda mais otimistas quando, no final do primeiro semestre, a BHP Billiton e a Rio Tinto conseguiram negociar índices ainda maiores, de 80% e até 95%. (“A todo vapor”, AméricaEconomia 361, 21 de julho, 2008) O NOVO: Em ano de crise, a negociação é outra. Depois de Japão e Coreia, agora a Vale senta-se à mesa com as siderúrgicas chinesas – atualmente seu maior mercado – para rever os preços do minério de ferro... para baixo. Este ano a brasileira está mais cautelosa, esperando o resultado de suas rivais australianas, que em 2008 conseguiram contratos mais vantajosos. No caso da negociação com as japonesas, a Vale conseguiu um acordo melhor que o da Rio Tinto, reduzindo o preço do minério fino em 28,8% e o granulado em 44,47%. Já os chineses, com maior poder de compra, pedem redução de até 50% nos preços para 2009.

Boicote verde PUBLICAMOS: Hoje, no Brasil, identifica-se que os dois principais problemas da floresta são a ocupação ilegal de terras públicas e as linhas de crédito mais baratas para a agropecuária. “Estas acabam se tornando dois tipos de subsídio: um indireto – terras exploradas de graça – e outro direto”, diz Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. (“Celeiro em risco”, AméricaEconomia Nº 373, 15 de março, 2009) O NOVO: O combate à produção ilegal na Amazônia ganhou um novo reforço. As três maiores redes de supermercado do Brasil – Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar – decidiram suspender a compra de carne derivada de fazendas que foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado do Pará envolvidas no desmatamento da Floresta Amazônica. A medida deu trabalho até para o frigorífico Bertin, que informou que continuará atendendo o Pão de Açúcar com carne proveniente de outros estados.

Descendo a ladeira

O NOVO: Em junho o governo peruano assumiu que em abril o país registrou a primeira queda da economia desde junho de 2001. A retração foi de 2,01% e deve-se sobretudo a setores vinculados à demanda interna. A manufatura, maior geradora de empregos, caiu 13,64%, e o setor de construção, que tinha se convertido no mais dinâmico dos últimos anos, contraiu-se 1,48%. Tal resultado fez com que o Banco Central peruano revisasse novamente sua estimativa de crescimento de 2009, para 3,3%.

26 AMÉRICAECONOMIA

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

AGENCIA ANDINA

PUBLICAMOS: Apesar de o Peru ser um dos poucos países que, segundo o FMI, poderá crescer, também será um dos que experimentará a maior desaceleração econômica, posto que o crescimento de seu PIB deverá cair 7 pontos percentuais – em 2008 seu crescimento foi de 9,8% – e isso poderia refletir-se no surgimento de problemas sociais. (“Nem tudo o que brilha é ouro”, AméricaEconomia Nº 376, junho, 2009)


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MOVIMENTOS

Eike Batista Eliodoro Matte

Iris Fontbona

Antonio Ermírio de Moraes

Carlos Slim

Carlos Slim perdeu US$ 25 bilhões de sua fortuna

Os ricos A

crise financeira internacional afetou os bolsos de milhões de pessoas, e os grandes magnatas latino-americanos não são exceção. A queda nos preços dos ativos, a volatilidade nos tipos de câmbio e a piora no clima de negócios no mundo os fez perder conjuntamente dezenas de bilhões de dólares. Entre os mais afetados está o magnata mexicano Carlos Slim, que viu seu patrimônio líquido cair mais de US$ 25 bilhões, embora ainda seja um dos três mais ricos do mundo. Outros que

28 AMÉRICAECONOMIA

perderam são os brasileiros Joseph Safra e Antonio Ermírio de Moraes, além da chilena Iris Fontbona. Mas nem todos viram suas contas bancárias minguar. Eike Batista elevou seu patrimônio em quase US$ 1 bilhão, o que não apenas consolida sua posição como o homem mais rico do Brasil, mas também o torna um dos poucos magnatas que conseguiu resguardar sua fortuna durante os últimos meses. Antonio María Delgado / Miami

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

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SEBASTIÁN CARO P.

também choram Fortuna à prova Patrimônio dos magnatas latino-americanos, em milhões 2008 Carlos Slim US$60.000 Eike Batista US$ 6.600 Joseph Safra US$ 8.800 Antonio Ermírio de Moraes US$ 10.000 Iris Fontbona US$ 10.000 Alberto Bailleres US$ 9.800 Eliodoro Matte US$ 7.900 Jorge Paulo Lemann US$ 5.800

2009 US$35.000 US$ 7.500 US$ 7.000 US$ 2.800 US$ 6.000 US$ 5.700 US$ 5.900 US$ 5.300

FONTE: AméricaEconomia


MOVIMENTOS

FERNANDO CARRASCO CRUCHAGA

Crescimento on-line F

Xô, influenza! A

influenza A (H1N1) afetou o México de diferentes maneiras, mas uma delas demonstrou que não é preciso ir ao escritório para trabalhar. Tradicionalmente, as empresas preferem ver seus funcionários em escritórios para assegurar que não percam tempo, mas a emergência sanitária inverteu a tendência: as companhias recomendavam ou obrigavam seus funcionários a ficar em casa para reduzir o risco de contágio. No processo, muitas descobriram as vantagens do trabalho a distância, diz Francisco Pinto, vice-presidente para a América Latina da empresa de soluções de TI SonicWall, que garante que este é apenas o começo. “As

infraestruturas urbanas não estão preparadas para o crescimento da população economicamente ativa, o aumento do trânsito e a falta de eletricidade fazem com que o trabalho remoto tenha que ser parte do futuro das companhias”. Esta modalidade de trabalho promete grandes economias no longo prazo para as empresas, mas exige certo custo inicial, já que elas devem fornecer ou garantir que seus funcionários tenham as ferramentas necessárias (como laptops, software, smartphones, acesso a internet) para cumprir suas funções.

a distância: { Trabalho { legado da gripe

Lisia González / Cidade do México

inalmente a América Latina chegou aos dois dígitos no mundo da internet. O continente já concentra 10% dos usuários da rede em nível mundial, segundo um estudo da consultoria Everis. Mas ainda há muito a crescer, comenta Marcos Vásquez, gerente de TI da empresa. “A América Latina tem 314 usuários de internet para cada mil habitantes, enquanto os EUA têm 751 usuários para cada mil habitantes”. Segundo o estudo, a região concentra 159 milhões de usuários, 76,2 milhões deles no Brasil. O país não apenas é o líder regional, mas também do mundo, em número de usuários. “A projeção é que passe dos 391 usuários de internet para cada mil habitantes em 2008, a 425 usuários em 2010, o que significará um crescimento anual de 8,6%”, assegura Vásquez. O Brasil é seguido por Chile (345 para cada mil habitantes), Peru (330), Colômbia (323), Uruguai (322) e Argentina (304). Soledad Gómez / Santiago g

dos usuários de Internet estão na América Latina, segundo a Everis

México low cost S

e você estava avaliando transferir sua fábrica para a Ásia para economizar, pense novamente. A China já não é a Meca da mão-de-obra barata. Na verdade, o México seria o país com menor valor de manufatura de componentes de baixo custo (low cost components, ou LCC), seguido pela Índia, de acordo com um estudo da consultoria AlixPartners. Esse estudo levou em conta uma cesta de componentes manufaturados, como pequenos motores, molduras e autopeças, e comparou o custo de produzi-los na China, Índia, Brasil e México, para depois analisar os dados frente ao custo nos Estados Unidos. Também levou em consideração variações nos últimos três anos de custos de trabalho, gastos gerais, tipos de câmbio, preços de transporte e de matérias-primas. Agora, o custo de produzir na china é apenas 6% inferior ao dos EUA. A consultoria prevê que os custos na China voltarão a cair na segunda metade do ano, à medida que o yuan se fortalecer e que baratear o transporte, mas não o suficiente para tirar o México do primeiro lugar ou a Índia do segundo. Eduardo Thomson / Santiago

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MOVIMENTOS De boca aberta A

Sob a lupa

H

á pouco tempo, a empresa de TI Stefanini divulgou que tinha R$ 50 milhões para sair às compras. A crise nublou seus planos, mas agora Marco Stefanini, presidente da companhia, diz que está mais perto de bater o martelo. “Já estamos avançados nos EUA; mas também buscamos uma empresa média na América Latina”, afirma. Os destinos de preferência são México, Colômbia e Argentina. “Não é difícil encontrar candidatos; o problema é identificar os que valem a pena em meio à atual situação”, diz – já que, no setor de serviços, mais do que ativos fixos, compram-se carteiras de clientes. A atenção do empresário está voltada a candidatas com menos de 30% das vendas concentradas em um só cliente, com maior parte da receita recorrente (ou seja, de serviços de manutenção, que implica um contrato de mais longo prazo); e com operação em mais de um país da região. O objetivo da Stefanini é acelerar o processo de internacionalização da empresa para, em três anos, ter mais de 50% de suas vendas vindas do exterior – em 2008, esse percentual foi de 22%. Solange Monteiro / São Paulo

s empresas brasileiras querem o sorriso de seus vizinhos latino-americanos. Isso porque os planos odontológicos do país avaliam a possibilidade de expandirse na região. Armando Rodrigues Filho, diretor-executivo da Dentalpar, por exemplo, afirma que o foco é a Argentina por ser “um mercado com muitas semelhanças com o brasileiro”. Para Luis Enrique Bernal Camacho, gerente de Odontologia da Colsanitas, na Colômbia, “formar alianças com parceiros brasileiros na região seria conveniente”, diz, acrescentando que o know-how das empresas do Brasil associado ao conhecimento de mercado dos planos locais geraria boas sinergias. É o que fez a Odontoprev no México, onde possui uma joint venture – na qual detém 40% – com o Grupo Iké. A empresa, que abriu seu capital em 2006 e já fez sete aquisições diz que, se a oportunidade surgir, continuará apostando em parcerias. “Mas, basicamente, não há alvos de compra lá fora”, garante José Roberto Pacheco, diretor de relações com investidores da companhia.

Rodrigues, da Dentalpar: foco na Argentina

A sondagem da Sonda

MIGUEL CANDIA

O

Vejar: sério na foto, mas feliz com os resultados

s banqueiros de investimentos fazem fila para lhe oferecer empresas de toda a região. E foi com os bons resultados de suas aquisições no México, Brasil e Colômbia que a chilena Sonda se tornou a opção lógica para quem quer vender um empreendimento de TI. A empresa fechou 2008 com vendas de US$ 671 milhões e um Ebitda de US$ 115 milhões, altas de 46,3% e 38%, respectivamente, consolidando-se como a maior empresa de origem latino-americana no setor de TI (hoje e tem presença direta em sete países da América do Sul, além de México e Costa Rica). Em 2009 a alta se mantém. No primeiro trimestre, registrou aumento de 6,6% nas vendas e de US$ 90 milhões em caixa. “Especialmente importante tem sido nosso de-

Sergio Spagnuolo / São Paulo

sempenho no Brasil”, diz Raúl Vejar, gerente geral da Sonda. “Daí vem a metade dos contratos que fechamos em 2008.” Novas aquisições? Vejar diz que poderiam chegar através das oportunidades que eles mesmos buscam em meio a tantas ofertas. “O mais provável é que será em um país no qual queremos fortalecer ainda mais nossa presença.” Felipe p Aldunate M. / Santiago g

foi a alta das vendas da Sonda em 2008

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 31


MOVIMENTOS

MIGUEL CANDIA

O

pagamento de bônus aos executivos ficou irremediavelmente associado aos problemas da AIG e das companhias resgatadas pelo governo dos EUA. Mas também na América Latina as companhias estão revisando suas políticas de incentivos, diz Martín Perdomo, consultor da Mercer. Não apenas porque têm menos recursos, e sim porque querem saber se seus incentivos impactam em seus resultados. Para os de curto prazo, há uma solução rápida. “Quando tudo ia bem, as avaliações de desempenhos eram iguais”, explica Perdomo. “Agora não”. E isso facilita a distribuição de incentivos. Mas, além disso, há um tema de transparência que as empresas começaram a acolher por pressão do público e dos acionistas. “Estamos assessorando empresas internacionais que estão na região para ver como comunicam suas políticas de compensações”, diz o executivo. Algo que as companhias latino-americanas eventualmente incorporarão.

Bônus na mira

Soledad Gómez / Santiago

Perdomo: novos incentivos

é em até quanto poderá aumentar o p preço dos notep books na Argentina b

Zona franca do fim do mundo

A

s medidas do governo argentino não deixam de agitar as águas. Foi enviado ao Congresso um projeto de lei para oferecer monitores, celulares e notebooks com 17% de impostos internos além do IVA, elevando a taxa em 21%. Isto se não forem produzidos na Tierra del Fuego. O pretexto? Que os setores de maior poder aquisitivo contribuam para fomentar o desenvolvimento da província mais austral. Segundo um estudo da Universidade de San Andrés, a medida provocaria um aumento nos preços de até 37% para os notebooks e aumentaria a lacuna digital. Os setores informático e comercial deram um grito. Mas nem todos protestam contra a medida. “Isso é apenas uma forma de equiparar o regime brasileiro”, diz Diego Teubal, diretor da BGH, uma das potenciais beneficiárias e que tem licença da Motorola. “O único apocalipse é para os importadores: os LCD custarão o mesmo, para os celulares os preços são fixados pelas empresas de telecom, e os notebooks vão ter um aumento de 0% a 4%, antes de deduzir o IVA”. Juan Pablo Dalmasso / Buenos Aires

Questão de critério O

emprego tem sido um dos setores mexicanos mais afetados pela crise. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Geografia (Inegi), 12,1 milhões de pessoas ganhavam a vida na economia informal no primeiro trimestre deste ano, o que representa 28,2% da população ocupada e um aumento de quase um ponto percentual frente ao mesmo período do ano passado. Contudo, alguns especialistas acreditam que o número, na realidade, seja muito maior. “Só de vendedores ambulantes na Cidade do México é dito oficialmente que há 250 mil pessoas, mas

estes são os que estão trabalhando fixo. A maioria se move”, diz Sandra Alarcón, acadêmica da Universidade Iberoamericana. “Eu calculo que há um milhão”. Além disso, a globalização tem expandido a contratação de emprego flexível, com contratos parciais e sem prestações, o que é considerado pelas autoridades como emprego formal, mas que para Sandra é simplesmente outra modalidade de informalidade. “As cifras são um engano a respeito da realidade”, conclui.

no { Informalidade México: mal de crise {

32 AMÉRICAECONOMIA

Arly Faundes B. / Cidade do México

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/ JULHO, 2009

2008: menos trabalho


MOVIMENTOS ai

em

Louise Goeser

sLouise K. Goeser foi nomeada oficialmente presidente e diretora-geral da Siemens Mesoamérica, a unidade do Grupo Siemens a cargo de México, América Central e Caribe. Antes, Louise trabalhou como presidente da Ford México, de janeiro de 2005 a novembro de 2008. sA Websense, empresa de segurança em internet, mensagem eletrônica e informação, indicou Lukas Alarcón González como engenheiro executivo de

vendas para o Cone Sul. Alarcón será responsável por dar apoio técnico aos distribuidores locais no Chile, Argentina, Uruguai e Peru. sA British Telecommunications (BT) anunciou Jacinto Cavestany como novo vicepresidente da empresa para a América Latina e Sérgio Paulo Gallindo como novo diretor geral para o Brasil. Cavestany acumula o posto com a direção geral da BT para a Espanha e Portugal. sA empresa argentina

sHuddle Group, especializada em desenvolvimento de software sob medida e consultoria, nomeou Gustavo Pais para a gerência comercial. O executivo deverá desenvolver uma estratégia comercial tanto na Argentina como na região. sA EMC Corporation, empresa de infraestrutura de informação, apontou Marcelo Fandiño como gerente regional da EMC no Cone Sul. Ele era gerente regional de soluções de tecnologia da EMC antes disso.

cresceram as exportações de calçados chineses à Argentina

Degustadores mãos de tesoura S abe-se: tomar vinho é uma deleitável experiência. Mas – verdade seja dita – a maior parte das pessoas não bebe por isso, e sim para desfrutar de outras experiências: uma conversa, um momento romântico ou... cortar seres vivos com grandes tesouras. Cortar seres vivos? Bom, esta é uma definição dura, mas correta, do que também é chamado de poda. Prática perfeitamente legítima se quem a sofre não tem cérebro. “É uma atividade que desenvolvemos de 15 de junho a 15 de agosto, na fazenda Maipú, 40 km ao sudeste de Mendoza (Argentina)”, explica Sebastián Alén Guichón, porta-voz da Adega Família Zuccardi, sobre o “Venha podar”, programa de um dia no qual os participantes são orientados por um especialista sobre as particularidades desta

tarefa vital aos vinhedos. A atividade é parte da estratégia de ecoturismo da subsidiária Viñas Santa Julia, que inclui 50 mil visitas anuais ao “Venha colher”, ao “Venha cozinhar”, ao “Venha voar” e ao

Adegas argentinas ensinam a podar “Bike and tasting”. Ganhar dinheiro com tanto “venha”? “Quando a Santa Julia foi criada, em 2002, a ideia era que fosse autossustentável aos três anos. Conseguimos isso em seis meses”. Rodrigo Lara / Buenos Aires

Pares díspares C

ristina de Kirchner disse em junho que a Argentina sofre uma “invasão de produtos brasileiros” e que as empresas locais deveriam ser protegidas. A queixa conduziu à adoção de vários acordos de redução de exportações brasileiras no segundo semestre, como no setor moveleiro (-35%). Mas, ao invés de beneficiar a Argentina, as medidas estão favorecendo produtos chineses. Enquanto as exportações de calçados brasileiros caíram 36,4% no primeiro trimestre, as compras argentinas de calçados da China cresceram 28,4%. No setor farmacêutico, o Brasil teve uma contração de 22,9%, enquanto os chineses venderam 63,2% mais. E em papel e editorial, as vendas brasileiras caíram 30% frente a um aumento de 60,1% dos chineses. Para Christian Lohbauer, ex-diretor de Comércio Internacional da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), a situação é “absurda”. “Se não há integração, que cada um vá para seu lado”, afirma. Solange Monteiro / Santiago

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MOVIMENTOS Avanço Gay E

Eduardo Thomson / Santiago

um laptop { Perder custa US$ 49.246 {

Risco portátil N

em sempre quem ocupa o cargo mais elevado em uma corporação lida no dia-a-dia com as informações mais valiosas. E isto se reflete no custo para a empresa da perda ou do roubo de computadores de seus

atribuição principal identificar tendências de mercado e definir rumos estratégicos, sem a necessidade de acesso ao mesmo nível de detalhes que quem coordena as operações no dia-a-dia em determinada área geográfica ou segmento de mercado. A velocidade de notificação da perda ou do roubo e o uso de tecnologias de proteção de dados, como a criptografia, porém, podem reduzir sensivelmente os prejuízos, segundo o estudo. Dubes Sônego / São Paulo

Menos é mais A

Petras: consumo verde 34 AMÉRICAECONOMIA

relação entre consumo e empresas frequentemente é uma fórmula simples. Quanto mais há do primeiro, mais ganham as segundas. Mas o caso da GE na América Latina é diferente. O conglomerado aposta em aumentar consideravelmente seus lucros ajudando a região a reduzir o consumo de energia. Michael Petras, presidente e diretor-executivo da GE Consumer & Industrial, diz que cada vez é maior o interesse dos latino-americanos em economizar eletricidade, graças, em parte, a programas governamentais que incentivam a conservação. E a tendência está se refletindo em um aumento das vendas de produtos dese-

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

é quanto as operações da GE na América Latina cresceram nhados especialmente para consumir menos, como lâmpadas fluorescentes e eletrodomésticos inteligentes. As operações do conglomerado na região cresceram mais de 28% em 2008, a US$ 8 bilhões e, apesar da crise, isso é só o começo. “Temos um plano: elevar o faturamento a US$ 12 bilhões em 2012, e grande parte disso tem a ver com os esforços da região de se tornar mais verde”, diz Petras. Antonio María Delgado / Miami

FERNANDO CARRASCO CRUCHAGA

nquanto a Corte Suprema dos Estados Unidos rechaçava pela segunda vez o casamento entre homossexuais, no Chile o debate se avivava. O candidato presidencial oficial Eduardo Frei anunciava que “estaria disposto a debater” a legalização de um tipo de união civil para pares do mesmo sexo. E o fato de que o tema seja implantado em um dos países mais conservadores da região é visto como um grande avanço pelas organizações de direitos de homossexuais. Em outras partes da América Latina, o tema está mais avançado. A Colômbia é o país mais adiantado em direitos para casais do mesmo sexo, segundo um relatório da Comissão Internacional dos Direitos Humanos de Gays e Lésbicas. O Uruguai tem uma lei de união concubinária para todos os pares de qualquer sexo que estejam há mais de cinco anos vivendo juntos, enquanto a província de Rio Negro e a Cidade de Buenos Aires têm leis de união civil que não fazem distinção por sexo. Em troca, a Guiana é o único país sul-americano no qual a homossexualidade ainda é ilegal.

executivos. É o que indica o estudo encomendado pela Intel ao Instituto Ponemon. Apesar de o prejuízo ser de US$ 49.246, em média – em substituição, detecção, ciência forense, brecha de dados, perda de propriedade intelectual, de produtividade, despesas jurídicas, regulatórias e de consultoria –, o valor é puxado para cima justamente por notebooks de executivos que ocupam cargos de diretoria ou gerência. O notebook de um CEO está avaliado em US$ 28.449, enquanto o de um diretor ou gerente vale US$ 60.781 e US$ 61.040, respectivamente. Segundo Edson Francisco Gimenes Rodrigues, especialista em soluções coorporativas da Intel, isso se deve ao fato de os CEOs terem como


PETRÓLEO NEGÓCIOS

MUNDOS PARALELOS

A

Para a Pdvsa, tudo vai de vento em popa. Para seus adversários, o navio faz água. E a verdade jaz em algum ponto submerso entre esses dois extremos Antonio María Delgado, Miami

AFP

CETICISMO: Especialistas duvidam que a Pdvsa encontre um tesouro no final do arco-íris

Petróleos de Venezuela (Pdvsa) vive seu melhor momento. Os ainda altos preços do petróleo, o plano de expansão da empresa e os esforços para reduzir sua dívida estão cimentando a posição da estatal venezuelana como uma das maiores potências dentro dessa rentável indústria. Um minuto. Não se trata do melhor. A Pdvsa passa por seu pior momento: a empresa não apenas mente sobre sua gestão como está destruindo sua capacidade de produção, causando a ela danos que poderão levar muitos anos para serem reparados. Ou que podem ser irreparáveis. Tudo depende de em quem se quer acreditar. Numa guerra ideológica como a que a Venezuela está submersa, a primeira vítima costuma ser a verdade. E o que realmente acontece na Petróleos de Venezuela não parece ser exceção. Oficialmente, as vendas da Pdvsa aumentaram 31% em 2008, para US$ 126,4 bilhões, montante suficiente para superar Pemex e Petrobras e retomar o primeiro lugar dentro do ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina. O lucro da companhia aumentou 50%, para US$ 9,4 bilhões, e a capacidade de produção do país encontra-se acima dos 3,2 milhões de barris diários (bpd). Mas os críticos da empresa, grupo que inclui especialistas internacionais e alguns de seus ex-executivos mais capacitados – muito dispostos a falar – afirmam que a produção da empresa é muito menor.

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 35


NEGÓCIOS PETRÓLEO

MONTANHA RUSSA CHAVISTA

Cotação do petróleo venezuelano dólares/barril FONTE: SITE PDVSA

Jan. 08 Fev. 08 Mar. 08 Abr. 08 Mai. 08 Jun. 08 Jul. 08 Ago. 08 Set. 08 Out. 08 Nov. 08 Dez. 08 Jan. 09 Fev. 09 Mar. 09 Abr. 09 Mai. 09

80,1 80,0 95,1 88,4 109,7 117,4 129,5 107,1 93,5 63,5 44,9 31,6 37,8 39,6 43,0 44,7 52,2

Quando a imprensa busca pesquisar dados da Pdvsa, bate de frente com uma nuvem impenetrável. Os esforços de AméricaEconomia para falar com um porta-voz da empresa não foram frutíferos. Membros da empresa de auditoria Alcaraz Cabrera Vázquez, representante da KPMG na Venezuela e encarregada de auditar as cifras da Pdvsa, não quiseram fazer comentários alegando confidencialidade em sua relação com o cliente. Outro fato relevante é que em 2006 a Pdvsa deixou de enviar seus dados à SEC dos Estados Unidos. “Não conheço ninguém, incluindo os membros da Opep, que esteja de acordo com esses números de produção”, diz Christopher Sabatini, diretor de Política do Conselho das Américas, em Nova York. “Esse número (3,2 milhões de barris diários) não foi confirmado por nenhuma fonte independente e até seus aliados mais próximos dentro da Opep não consideram verdadeiros tais números de produção divulgados pela Pdvsa”. 36 AMÉRICAECONOMIA

As projeções mais próximas aos dados fornecidos pela Pdvsa colocam a produção do país em um nível máximo de 2,7 milhões de bpd, enquanto a maior parte dos prognósticos obtidos para a elaboração desta matéria colocam esse nível dentro de uma estreita margem dos 2,25 milhões de bpd a 2,45 milhões de bpd. Sob esses cálculos, e levando em conta o preço médio de 2008 anunciado pela empresa, de US$ 86,49 o barril, o valor do petróleo extraído pela empresa estaria entre US$ 71,1 bilhões e US$ 85,2 bilhões. A esse valor seria preciso somar a receita derivada de atividades de refino, e descontar a produção dirigida ao consumo nacional, equivalente a mais de 400 mil barris diários. Também seria preciso descontar o subsídio que a Venezuela concede a outras nações através de sua política da petro-diplomacia, incluindo Cuba (aporte estimado em 92 mil barris diários) e os 120 mil da Petrocaribe. Com base em uma produção de 3,2 milhões diários, o valor do petróleo extraído somaria

que o governo mantém para realizar seus gastos dentro e fora do país, sem controle e sem que tenha que prestar contas a ninguém”, diz Pedro Mantellini, ex-assessor da presidência da Pdvsa. As autoridades do governo venezuelano contam uma versão muito diferente. O ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, que também é o presidente da Pdvsa, disse em reiteradas ocasiões que o plano “Siembra Petrolera”, que contempla investimentos de dezenas de bilhões de dólares para ampliar a produção do país, começa a dar frutos. “A Pdvsa está entre as quatro empresas de petróleo mais importantes no mundo”, afirmou Ramírez em uma coletiva de imprensa realizada no começo de junho. A atual fortaleza da empresa “é produto de dois fatores: o desenvolvimento do plano de investimentos e o processo de nacionalização da Faixa petrolífera do Orinoco que se completou no ano passado”. Esse processo contemplou a eliminação dos diversos arranjos que a Pdvsa mantinha

foram criados sob condições injustas para o fisco. “Menos mal que aqui existe uma revolução”, disse recentemente Ramírez, em uma entrevista para uma rádio local. “Aqui tinham fixado um royalty de 1% quando a taxa normal era 16,6%; tinham fixado o Imposto de Renda em 34%, quando a taxa do petróleo era de 50%, e tinham realizado um conjunto de negócios que tiravam o manejo soberano de nosso petróleo e o levavam às transnacionais.” Esse tipo de negociação teria permitido colocar um ponto final no processo de “descapitalização” ao qual a empresa tinha sido submetida entre 1987 e 2003. “Do ano de 1999, quando o patrimônio era de US$ 23,72 bilhões, a levamos a US$ 71,51 bilhões. Praticamente duplicamos o patrimônio da Pdvsa”, disse o ministro ao anunciar os últimos resultados financeiros da empresa. Mas os ex-executivos da petrolífera questionam a validez desse tipo de declaração. Para eles, a grande perda de talentos sofrida pela empresa

AS VENDAS DA PDVSA AUMENTARAM, OFICIALMENTE US$ 101 bilhões. A pouca transparência da Pdvsa se deveria ao uso que o governo de Hugo Chávez faz da companhia. “Está usando a petrolífera como caixa 2. Esse dinheiro já não é administrado pela empresa como acontecia antes. Ele agora vai parar em diferentes ‘missões’

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

com várias transnacionais para a extração do pesado betume de petróleo da Faixa, que deve ser processado antes de vendido. A empresa também endureceu os termos das operações conjuntas em outros projetos, medida que classificou como necessária já que, segundo o ministro, os acordos / JULHO, 2009

a partir da greve petrolífera de 2002, a decisão do governo de desviar os fundos que tradicionalmente estavam sendo usados nas necessárias obras de exploração e produção e as expropriações estão socavando ainda mais as bases da companhia. Horacio Medina, ex-geren-


na quantidade de poços inativos divulgados pela própria empresa. Em 2002, haviam 13 mil poços inativos. No último relatório lançado pelo Ministério, o número de poços inativos tinha aumentado para mais de 20 mil. Mantellini, o ex-assessor da presidência da empresa, diz que, apesar dos reiterados anúncios do governo de que a Pdvsa está investindo constantemente em ampliar sua produção – o último deles contempla US$ 13 bilhões para investir este ano –, na verdade é pouco o que a empresa está fazendo para combater esse declínio. “Todo o dinheiro está sendo usado pelo setor político. Quando um poço se danifica, porque não há recursos para executar a operação de manutenção ou recuperação deste, a empresa está optando por deixá-lo assim. por isso a produção e a capacidade de refino caem.” Mas que equipamentos, porém, o verdadeiro dano para a companhia é a fuga de

parte da oferta da empresa provém atualmente das instalações que foram construídas no país pelas transnacionais através das associações estratégicas e que foram expropriadas em maio de 2007. “Se se exclui essa produção, então vemos que a produção própria da Pdvsa ronda em torno de 1,5 milhão de bpd, que é o que realmente teria que se comparar com os 3,6 milhões de bpd que se produziam em 1998”, afirma. E a capacidade de produção não poderia ser reduzida ainda mais como consequência da recente expropriação das

realizado de forma adequada, pode conduzir à perda dessa produção.” A Pdvsa também enfrenta uma redução da produção dos estados orientais de Monagas e Anzoátegui, como resultado da expropriação das operações da norte-americana Williams Cos, que se encarregava da delicada tarefa de injetar água e gás para manter intactos os 400 mil barris diários provenientes dessa zona. Medina destaca que essa tarefa é muito complexa, requer tecnologia de ponta, e teria sido um desafio para a Pdvsa até quando estava em seu melhor momento.

AFP

te de convênios operacionais de exploração e produção da Pdvsa, diz que não há evidência de que a empresa esteja investindo bilhões de dólares para ampliar sua produção. “Investidores dessa magnitude são difíceis de ocultar”, afirma. “Não há investimentos em exploração, nem em poços. E não se pode garantir a descoberta de petróleo se a companhia tem 40 perfuradoras a menos do que deveria ter.” Para quem busca avaliar a quantidade de petróleo que a Venezuela realmente produz, a questão das máquinas de perfuração e reparo é de especial importância, já que são uma espécie de pistola fumegante que revela o grau de atividade da indústria. Esses equipamentos, cuja existência no mundo é limitada, são essenciais para combater o natural declínio da produção petrolífera. “Todos os anos, tínhamos que repor entre 600 mil e 700 mil barris para nos manter dentro dos mesmos níveis do ano anterior”, diz Medina, em referência ao nível de produção de 3,25 milhões de barris diários que a companhia mantinha no início da década. “Para fazê-lo, era necessário ter 122 perfuradoras com mesa rotatória capazes de perfurar e reparar poços, realizar investimentos em injeção de águas e novas perfurações e reparos. Hoje, segundo a própria Pdvsa, a companhia conta com 84 desses equipamentos.” Medina acrescenta que um conjunto de 84 máquinas é consistente com um nível de produção da ordem de 2,5 milhões de bpd, mas não dos 3,2 milhões que o governo garante produzir. Outra prova desse declive na produção reside

BILHÕES DE DÓLARES É A CIFRA DE INVESTIMENTOS DA PDVSA PARA 2009. talentos. “Houve uma perda massiva de capital humano”, diz Ramón Espinaza, execonomista chefe da Pdvsa. “Foram-se dois terços do pessoal profissional, técnico e dos gerentes, e que não foram substituídos na área. A Pdvsa cresceu, mas em segmentos que não tem nada a ver com a produção e o processamento de petróleo.” Segundo Espinaza, grande

empresas de serviços petrolíferos. “O resultado disso será uma queda na produção tradicional de petróleo”, diz Jorge Piñón, ex-presidente da Amoco Oil da América Latina. “Grande parte da atual produção da Pdvsa provém da área do Lago de Maracaibo, que consiste em poços muito velhos que requerem um alto nível de manutenção e de trabalho que, se não for

“Temo – e digo isso com muito pesar pelo impacto que teria – que em poucos meses vamos ver uma perda considerável na capacidade de produção do país.”, diz Medina. “E, o que é pior, na possibilidade de eventualmente resgatar esses campos, porque o tipo de dano provocado pode ser irreparável e fazer com que parte desses depósitos se percam para sempre.” Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 37


NEGÓCIOS PETROBRAS

ABR

NO FOGO CRUZADO

Petrobras vira alvo no tiroteio político brasileiro e pode ter potencial de suas ações afetado. Mas tudo indica que só no curto prazo Dubes Sônego, São Paulo

C

ena um, setembro de 2008: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, macacão alaranjado, capacete de segurança branco, marcado pelo logo da Petrobras, mostra as mãos sujas com o primeiro petróleo extraído da camada pré-sal. Ao fundo, José Sergio Gabrielli, outro presidente, o da estatal, sorri e imita o gesto. Figurino idêntico, no limite da barba. “É o passaporte para o futuro”. O pré-sal, descoberto no governo Lula, abre caminho para que o Brasil “acabe com a pobreza”, “resgate a dívida educacional”, e torne-se um dos maiores produtores mundiais de petróleo, repercutem os jornais. Cena 38 AMÉRICAECONOMIA

dois, maio de 2009: depois de intensas manobras políticas, na manhã do dia 15, é lido no Senado o requerimento para a instalação da CPI da Petrobras, criada por solicitação do senador Alvaro Dias, do PSDB, um dos líderes da oposição ao governo. O objetivo: investigar denúncias de irregularidades na Petrobras e na Agência Nacional de Petróleo (ANP), que estariam sendo usadas em esquemas de superfaturamento e direcionamento de verbas a aliados do governo. Ainda falta um ano para que as candidaturas à presidência do Brasil para as eleições de 2010 sejam oficializadas. Mas, diante dos altos índices de apro-

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

vação do governo Lula junto à população e da possibilidade de que faça um sucessor, a oposição resolveu antecipar o debate político. E pode sobrar para a Petrobras, que desde a abertura do mercado de petróleo, no final da década de 1990, se preocupa em cultivar uma imagem de independência e profissionalismo. Mas que, recentemente, tem sido usada por Lula também como plataforma para discursos de tônica desenvolvimentista. “Por mais que a Petrobras tenha evoluído em competitividade, desde a abertura do setor, nunca deixou de ser uma estatal. O mercado nunca deixou de levar isso em conta. Porém, quando começar a CPI,

/ JULHO, 2009

pode haver certa aversão a risco”, afirma Mônica Araújo, estrategistas da Ativa Corretora. Segundo ela, é pouco provável que o preço dos papéis da companhia caia por causa da CPI no Senado. Mas, “no curto prazo, o desempenho das ações da companhia poderá ficar abaixo do potencial, mesmo com uma melhora no mercado de petróleo, como se vê agora”, avalia. A Petrobras já enfrentou outras crises sérias, como o afundamento da plataforma P-36 e vazamentos de óleo. A diferença, agora, é o grau de incerteza e relação ao que pode acontecer. Às vésperas de ser instalada a CPI, ainda não se sabia muito bem nem


o que seria investigado. “A nossa preocupação é com uma CPI que não tenha clareza do que vai investigar, que vai sair fazendo investigação para encontrar o que vai investigar. É com uma CPI que vai criar um ataque permanente sobre a reputação da Petrobras, em decorrência de acusações infundadas e generalizações de caráter particular”, disse Gabrielli, em um programa de TV. Desde que foi levantada a hipótese de uma CPI da Petrobras, já foram cogitados sete alvos de investigação: irregularidades em licitações para a reforma de cinco plataformas de petróleo, que somam contratos de mais de R$ 200 milhões; direcionamento político na distribuição de royalties da exploração de petróleo, com ajuda da ANP; possíveis irregularidades em contratos de construção de novas plataformas; utilização de artifícios contábeis para redução no pagamento de R$ 4,3 bilhões em impostos; superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e direcionamento político de patrocínio para ações sociais e culturais. “No Brasil, as CPIs tradicionalmente não têm motivação técnica. Esse processo de CPI é um processo político”, diz John Forman, da J.Forman consultoria no setor de petróleo. “E, sendo assim, deverá ter resultados políticos”. Segundo ele, da mesma forma que aconteceu com outras grandes companhias do setor que se envolveram em escândalos até bem maiores, como a Exxon, no Alasca (vazamento de óleo), e a Shell, na Nigéria (acusada de envolvimento no assassinato de ativistas), o valor das ações pode cair momentaneamente. Mas tende a voltar a crescer, uma vez que as operações da

companhia não são afetadas intrinsecamente. “Volta e meia aparecem essas coisas.” Porém, para Valdeci Verdello, vice-presidente associado da Andreoli MS&L, que acumula experiência no gerenciamento de crises do porte da quebra da Parmalat no Brasil, uma coisa são as crises tradicionais de imagem. Outra, bem mais complexa e cheia de nuances, é a “guerra de informação” na qual a Petrobras parece estar metida. “É impossível, no caso da CPI, eliminar a vertente eleitoral e ideológica”, diz. E, quando isso acontece, a faceta estatal faz sombra à companhia considerada modelo de gestão em seu setor. Não à toa, os dias têm sido

iniciativa tentativa de intimidação e desrespeito. Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de InfraEstrutura (CBIE), que defende a CPI, a questão agora é que uma eventual não realização das investigações mancharia ainda mais a imagem da companhia que a descoberta de irregularidades. “Os impactos da CPI só podem ser positivos. Caso se descubram atitudes não recomendáveis, a estatal será limpa de contratos irregulares, pelo menos em tese. Caso não se descubram, a Petrobras sairá ainda mais fortalecida. Se a gestão é técnica e não política, qual o problema?” O problema, em sua opinião, é que fica difícil sustentar

sobre outros combustíveis”, diz. “Se ela vê esse mercado como potencial, tem todo o direito de investir. Inclusive em parceria com a iniciativa privada, não necessariamente inibindo a concorrência”. Enquanto a CPI não é de fato instalada, a Petrobras se defende das acusações respondendo aos jornais e marcando posição na internet. A seu favor, argumenta que, além de prestar contas no Brasil ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria-Geral da União e à Comissão de Valores Mobiliários, lá fora segue os padrões da U.S. Securities and Exchange Commission, da Bolsa de Nova York e é auditada pela KPMG. Além disso, este ano, passou do vigésimo

BILHÕES DE DÓLARES SERÃO INVESTIDOS ATÉ 2014 agitados para o departamento de comunicação da Petrobras, responsável por divulgar informações oficiais sobre a companhia e zelar por sua imagem. Sentindo-se preterida em muitos dos veículos de comunicação brasileiros que publicaram as suspeitas de irregularidades, a companhia decidiu usar a internet para divulgar sua versão dos fatos, sem intermediários. E, no dia 2 de junho, lançou um blog chamado Petrobras Fatos e Dados, no qual chegou a postar as respostas dada aos jornalistas de diferentes meios antes mesmo de suas matérias serem publicadas. Uma atitude que provocou ainda mais críticas de alguns segmentos da imprensa, como a Associação Nacional dos Jornais e a Federação Nacional dos Jornalistas, que enxergam na

a tese da independência política diante de fatos como a nomeação de um ex-ministro da “Reforma Agrária” (Miguel Rosseto) para cargos como a presidência da Petrobras Biocombustíveis, em maio deste ano: “o que ele entende de biodiesel? Isso fere mais à imagem da empresa que uma CPI”, avalia. A atuação da Petrobras na área de biocombustíveis, aliás, tem sido outro alvo de críticos da empresa como Pires. Há quem tema que a estatal possa usar seu poder econômico para desequilibrar o jogo em proveito próprio. Mas, nem todos pensam assim. Para Luiz Otávio Broad, analista da Ágora Corretora, por exemplo, a estratégia da Petrobras é positiva. “Principalmente no Brasil, onde o etanol deverá predominar

para o quarto lugar na lista das empresas mais respeitadas do mundo, segundo pesquisa do Reputation Institute (RI), com sede em Nova York. É, ao que parece, o mais importante na visão de Gabrielli. “Enquanto não houver uma discussão mais ampla no mercado internacional, o efeito é relativamente pequeno. No plano interno, o mercado de ações considera a Petrobras um referencial importante, tanto que as ações da empresa estão entre as mais negociadas na Bolsa de São Paulo.” Algo que está diretamente associado às perspectivas do pré-sal e aos ambiciosos planos da estatal, que deverá desembolsar US$ 174,4 bilhões, entre 2009 e 2014. “Se houvesse a CPI sem o pré-sal, talvez fosse diferente”, avalia Pires. Talvez. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 39


NEGÓCIOS AERONÁUTICA

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO

Embraer completa 40 anos visando a liderar em várias frentes e mitigar riscos. E ganha fôlego antes de entrar no próximo embate no segmento comercial Solange Monteiro, São Paulo

E

m 2007, a companhia brasileira aeroespacial Embraer começou a projetar que a comemoração de seus 40 anos de vida - em agosto de 2009 -, seria feita 40 AMÉRICAECONOMIA

com um crescimento ímpar. A empresa, líder mundial do segmento de aviação comercial de 70 a 120 assentos, adotou novas práticas industriais e dimensionou suas plantas para

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

produzir como nunca. O objetivo era fechar o ano de festas com um faturamento recorde de US$ 7 bilhões. Entretanto, o mapa de navegação da companhia não / JULHO, 2009

contemplava a crise econômica do final de 2008. “Tivemos que reduzir a estimativa de entrega, de vendas, número de funcionários - que foi a pior coisa que poderia ter acontecido,


pois a gente não contrata 10 mil pessoas em seis anos, as capacita, para depois demitir 4 mil”, diz Carlos Eduardo Camargo, diretor de Relações com os Investidores da Embraer. A projeção de entrega, que era de 270 aviões, foi reduzida para 242, devido a cancelamentos e prorrogações. “Mas isso não significa que andamos para trás. A atual estimativa de receita, de US$ 5,5 bilhões - e que esperamos que se repita em 2010 -, significará o segundo melhor ano da história da empresa. Então, temos que comemorar”,

afirma o executivo. Para suportar a queda nas vendas, a Embraer recebeu de presente duas ajudas de peso. A primeira, o financiamento do BNDES para contratos de compra de aviões regionais, sobretudo os primeiros feitos em reais para companhias aéreas brasileiras: à Azul Linhas Aéreas – primeira companhia a adquirir os EJets para operar no Brasil –, de R$ 254 milhões para um jato ERJ 195 (118 assentos) e três ERJ 190 (106 assentos). E o segundo para a Trip (de R$ 199,2 milhões), que havia feito uma encomenda inicial em junho de 2008 que foi revista e cujo primeiro de quatro jatos ERJ 145, para 86 passageiros, estava estacionado na Embraer desde fevereiro esperando pagamento. Um avanço considerado importante dentro do mercado doméstico, em que a ausência da Embraer no âmbito da aviação comercial é notória, e não apenas por uma questão de mercado para os modelos regionais ou pela falta de financiamento, principal desafio da força de vendas dessa indústria em qualquer país. “Nossas companhias aéreas sofreram para comprar aviões nacionais devido a impostos altos, enquanto um Airbus, por exemplo, entrava no País isento de impostos”, diz Roberto Portella Bertazzo, membro do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. “Hoje não existe mais diferença de carga tributária entre aeronaves compradas no Brasil e no exterior”, garante Adalberto Febeliano, diretor de assuntos institucionais

PREPARE-SE PARA ATERRISSAR NÚMERO DE AVIÕES ENTREGUES FONTE: EMBRAER

250 200 150 100 50 0

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008 1T 2009

CORTE NA BASE

NÚMERO DE EMPREGADOS FONTE: EMBRAER

23.734

25.000 20.000

19.262

15.000 10.000

23.509

10.334

11.048

12.227

12.941

14.658

17.375

16.953

5.000 0

2000 2001 2002 2003

2004 2005 2006

da Azul. Segundo Febeliano, a empresa chegou a efetuar algumas operações de exportação e reimportação de aviões da Embraer, mas “porque os financiadores eram internacionais, e questões legais e burocráticas ditaram esse procedimento”. Já a segunda ajuda, na área de defesa, veio das mãos da Força Aérea Brasileira (FAB), com um projeto de construção de um avião cargueiro (KC 390) que poderá substituir o C-130 Hércules, e implicará investimentos de US$ 1,3 bilhão em sete anos. “O nosso cargueiro será mais moderno, conseguirá cobrir distância mais longa e mais rapidamente, pois é um avião a jato, com a mesma capacidade”, conta Camargo. A estimativa é de uma demanda de 22 unidades

2007

2008 1T 2009

SOBE E DESCE

Evolução anual, em R$ milhões

FONTE: EMBRAER; DADOS AUTALIZADOS ATÉ ABRIL DE 2009, CONSOLIDADOS EM LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA

RECEITA LÍQUIDA

LUCRO LÍQUIDO

2000

5.099

645

2001

6.891

1.101

2002

7.748

1.179

2003

6.571

588

2004

9.984

1.281

2005

9.046

709

2006

8.265

622

2007

9.983

657

2008

11.747

429

1T 2009

2.667

38

pelo governo brasileiro, e mais um mercado de exportações que poderia alcançar os US$ 18 bilhões. “Agora, o desafio da Embraer daqui para frente está claro: a busca do equilíbrio entre as áreas executiva, comercial e

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 41


NEGÓCIOS AERONÁUTICA

de defesa, bem como a diversificação de mercados, para superar os momentos de alta e baixa comuns nessa indústria”, avalia Paulo Sampaio, diretor da Multiplan Consultoria Aeronáutica, na capital paulista. E a atual turbulência não fez a empresa sair dessa rota. Na matriz em São José dos Campos, interior de São Paulo, o movimento é moderado, mas distinto do visto no início da década. Em junho, no hangar F-220, dedicado à montagem final das aeronaves, a fileira de caudas dos jatos estacionados era multicolorida: encomendas de companhias aéreas da Polônia, Alemanha, França e Índia. “Há sete anos, 80% de nossas vendas eram para a América do Norte (sobretudo EUA). Hoje são 45%; Ásia Pacífico saltou de 4% para 18%; há um movimento interessante do Oriente Médio que não existia, além do crescimento na Europa”, diz Camargo.

dos seis players que havia no mercado, três significativos fecharam as portas, restando Cessna e Honda. Este ano, da projeção revisada de entregas de aviões da Embraer, quase a metade (110 jatos) é do segmento executivo. “É um setor mais sensível a fatores como o preço do petróleo, e que por isso sofreu uma forte retração sobretudo nos EUA, o maior mercado. Além de que demora mais para se recuperar. Mas em 2013, quando a economia melhorar, a Embraer terá novos produtos prontos para serem lançados”, diz Respício do Espírito Santo Júnior,, professor p de transporte p aéreoo da UFRJ e presidente do Instituto ituto Brasileiro de Estudos Estratégicos ratégicos e de Políticas

42 AMÉRICAECONOMIA

NOVA GERAÇÃO Na área comercial, apesar da atual retração, a Embraer beneficia-se da tendência crescente de muitas companhias aéreas de equalizar capacidade e demanda. “Isso significa que nosso produto não é mais regional. Eles são comerciais de média capacidade, e o mercado passou a se adequar p q a isso”,, diz Camargo. Entre as últimas encomendas dessa lista, estão

Azul quer consolidar também no Brasil. “Com os E-Jets, podemos desenvolver novos mercados ainda não explorados pelas outras empresas, seja oferecendo voos diretos, ou conectando novas cidades à malha aérea nacional”, comenta Febeliano, da Azul. Uma dúvida que paira no ar é quanto ao futuro da operação da brasileira na China, onde desde 2006 a empresa possui uma fábrica com a estatal Avic para fabricar o ERJ 145 - que reduziu a estimativa de fabricação de aviões prevista em contrato de 50 para 25 -, e onde também se registrou a p suspensão de encomendas de 50 jatos E ERJ 190 pela empresa Hainan Airlines. A “Hoje só posso falar que as a entregas que temos que fazer demandam mais dois anos de trabalho. Mas, se a gente não tiver mais mercado, não faz sentido manter uma

CARGUEIROS PODEM SER COMPRADOS PELO BRASIL

FORÇA DA MARCA O balanço da carteira de produtos começou a se configurar já em 2007, com a maior participação do segmento da aviação executiva - avaliado pela em Embraer US$ 201 bilhões, ou 13 mil unidades até 2016. Antes mesmo de começar as primeiras entregas do Phenom – destacado por seu projeto e por ser de baixo custo, US$ 3,3 milhões –, a Embraer já começou a sentir o potencial do segmento. “A categoria saiu de uma participação na receita da companhia de 6% para 14% em 2008”, conta Camargo. E a crise, se implicou algumas desistências, também significou a queda de algumas concorrentes: para a categoria do Phenom, por exemplo,

quer que a aviação executiva represente em cinco anos 25% do faturamento da empresa, contra 60% da aviação comercial, e o restante divididos equilibradamente entre os segmentos de defesa e de prestação de serviços.

Públicas licas em Transporte Aéreo (Instituto Cepta), no Rio de Janeiro. Respício refere-se, além da entrada do Phenom 300 no mercado, aos novos modelos Legacy que deverão ser lançados nesse período. “Eles terão uma nova tecnologia no sistema de pilotagem, além de cabine desenvolvida pela BMW, como no Phenom”, conta Camargo. “E se a BMW consegue fazer do Mini um carro confortável, imagine o que significa num avião. Este é um segmento que valoriza marca e quer o máximo de seu investimento, e é no detalhe que se ganha o cliente.” Com isso, a Embraer

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

a KLM Cityhopper – subsidiária regional holandesa da Air France-KLM –, confirmando opções de compra que constavam de um contrato de 2007, e a Fuji Dream Airlines. “Antes você tinha muitas rotas cobertas por aviões de 150 assentos, usando 60% da capacidade. Com petróleo a 30 dólares, há lucro. A 60, ele começa a ficar comprometido. A 110, como chegou no ano passado, você tem prejuízo na certa”, diz Camargo. Com aviões que “podem ser 15% a 20% mais eficientes que outros maiores”, não se comprometem frequências. Tendência que a / JULHO, 2009

operação lá”, diz Camargo, citando a possibilidade de, se caso se consolidar uma frota mínima, transformar futuramente a fábrica em unidade de manutenção de jatos Embraer. Ainda nesse caso, o executivo garante que a empresa não terá perdas. “Desde o primeiro ano, em que entregamos três aviões, a operação foi lucrativa. Fomos reconhecidos como empresa chinesa, o que foi importante até para concretizar as outras vendas que não saíram da fábrica local”, afirma. Mas, para os analistas, o verdadeiro desafio da Embraer no médio prazo no segmento


comercial será superar a concorrência que já desponta no horizonte. “Nessa categoria já começam a surgir novos aviões no Canadá, Japão, China, Rússia - esses dois últimos, grandes mercados que certamente privilegiarão o fornecedor local”, afirma Sampaio, da Multiplan. “A partir de 2020, o mercado irá demandar modelos novos e mais eficientes - e nesse sentido, a japonesa Mitsubishi, por exemplo, já está projetando um jato que em cinco anos poderá estar voando e ameaçando o terreno da Embraer”, aponta Respício, da UFRJ. A Embraer reconhece esse risco, mas afirma que ainda é cedo para tirar conclusões. “Tanto Bombardier quanto Mitsubishi estão trabalhando com tecnologia nova de mo-

tor, da Pratt & Whitney que, na prancheta, é mais eficiente que a nossa”, diz Camargo, referindo-se ao motor GTF, cujo diferencial, a grosso modo, é uma turbina hidramática que produz um giro menor sob alta velocidade, reduzindo o consumo de combustível. “Veremos qual a resposta que GE e Rolls-Royce (outras fabricantes de motor) irão dar, para saber se será possível adaptar o produto aos Embraer 170/ 190 ou se, o que é bem provável, demandará um novo desenvolvimento - e aí sim, fortes investimento.” Esse movimento imprescindível que a brasileira em breve terá que dar em seu principal negócio faz alguns analistas avaliarem a possibilidade de a companhia futuramente fechar uma parceria com Boeing ou

Airbus para lançar uma nova família dentro da categoria que já domina, ou até compartilhar a criação do substituto do 737 ou do A320, que se aproxima dos 200 assentos. “Eles têm uma tradição de relacionamento boa com a Airbus, esta já foi acionista minoritária da Embraer, e a francesa terá que cumprir um programa de supply chain para transferir 40% de sua produção para fora da zona do euro, com o objetivo de desonerá-la”, lembra um analista em São Paulo, que pediu anonimato. Mas Camargo, a princípio, nega tal possibilidade. “Não queremos ser concorrentes do 737 e do A320. Dependendo do que for lançado de tecnologia de motor, e o que for decidido a respeito desses aviões, vamos tomar uma decisão. A gente

sempre conversou com todo mundo, não estamos fechados a nada. Mas temos que pensar em nossos acionistas e na perenidade da Embraer, e não adiantaria fazer isso para depois de alguns anos pensar que seremos dominados.” Segundo o executivo, uma parceria seria interessante sobretudo para o conhecimento de novas tecnologias. “A Airbus hoje tem a full fly by wire (pilotagem através de sensores), e ter acesso a isso pode ser excelente. A Boeing também está alguns passo à frente. Tudo depende de como o mercado vai ser desenhado. Mas, se for só para ser fornecedor, não vale a pena pra gente”, afirma, deixando claro que, quando se trata de ganhar altura, a Embraer prefere o voo solo. Q

(congelam as taxas)

Algo está mudando em...

OS NEGÓCIOS DA AMÉRICA LATINA ONLINE


NEGÓCIOS AVIAÇÃO

MOTORES DE EMERGÊNCIA

AFP

Depois de sobreviver a um ano que golpeou o setor em nível global, as companhias aéreas latino-americanas começam a acionar os sistemas de alarme. Soledad Gómez

A

queda era evidente. Embora um avião esteja com a capacidade totalmente vendida, “é esperado que apenas se apresentem ao voo, em média, entre 92% e 95% dos passageiros que compraram passagem”, comenta Eduardo Ortiz, vicepresidente comercial da Taca. Mas quando começaram a circular as primeiras notícias no México sobre a influenza humana, os aeroportos se esvaziaram. “Em maio, para os voos 44 AMÉRICAECONOMIA

ao México, só compareciam 35% dos passageiros.” Como um cavaleiro do apocalipse, a influenza A (H1N1) somou-se à alta do preço do petróleo e à crise econômica internacional para dar um golpe na indústria mundial aérea. O mais recente prognóstico financeiro da Associação de Transporte Aéreo Internacional (Iata, na sigla em inglês), indica que este ano as perdas globais da indústria chegarão a US$ 9 bilhões. “Esta cifra

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

equivale a quase o dobro das perdas estimadas em março, de US$ 4,7 bilhões, antes da influenza humana e de outros fatores”, diz Patrício Sepúlveda, vice-presidente regional para América Latina e Caribe da Iata. Até então, o mercado latino-americano estava mais bem-posicionado que o do resto do mundo. De fato, as principais companhias locais, nomes como Lan, Taca, Copa e Tam, conseguiram crescer em / JULHO, 2009

2008. Mas há muitos motivos para acreditar que, neste ano, as cifras serão piores. O ano passado certamente não foi um fácil, mas houve alta demanda, o que deu espaço às companhias aéreas da região para que se adaptassem ao crescente preço do petróleo e reduzissem custos operacionais. Mas a situação mudou desde o último trimestre do ano passado, e evitar os assentos vazios tornou-se a maior preocupação da indústria. A América Latina representa apenas 7% do tráfego aéreo internacional, cifra pequena se comparada aos 35% dos EUA. E responderá por apenas 10% das perdas mundiais neste ano. Sepúlveda espera que o declínio das empresas na região seja de US$ 900 milhões. Segundo o último relatório da Official Airline Guide, entre janeiro e junho de 2009 houve redução de 2,5 milhões de assentos em voos dentro das Américas do Sul e Central, em comparação com o mesmo período de 2008 – chegando, quase, a igualar a capacidade do mesmo período de 2007, de 55,8 milhões de assentos. A capacidade também caiu em voos dentro da região, para 109,9 milhões de assentos, após ter alcançado 111,3 milhões entre janeiro e junho de 2008. Não obstante, as companhias aéreas regionais geram melhores expectativas que suas homólogas em outros continentes, onde algumas já acumulam seis trimestres no vermelho. A demanda de viagens de negócios desmoronou quase completamente nos EUA e Europa, onde cresceu o desemprego, afetando as férias e o turismo. “Na América Latina a gente segue viajando


a negócios e, por viajarmos a negócios, as tarifas são mais altas do que nos EUA”, estima Stephen Trent, analista do Citi. A cautela, segundo Trent, fará com que na América Latina algumas pessoas adiem suas férias, mas ainda persistem destinos atraentes para viajantes de negócios, o que permite que as companhias se adaptem a uma menor demanda sem que sacrifiquem tanto as tarifas. A adaptação passa por uma bateria de soluções nada improvisadas. Ortiz, da Taca, explica que foi preciso se ajustar a um tráfego mais reduzido e buscar destinos mais rentáveis. “Abrimos uma rota Lima-Quito-Medellín, por exemplo. O mais importante para nos adaptarmos tem sido o gerenciamento de mercados e novas rotas”. Adicionalmente, foi aproveitada a fragilidade das companhias aéreas norte-americanas, que pararam de operar da América Central e Caribe a destinos como Los Angeles e Nova York. Recentemente foram incorporados aviões da Embraer de 96 lugares à frota, a fim de servir rotas de tráfego diminuído. “Voar com 65 ou 70 passageiros em um avião com capacidade para 120, ou fazê-lo em um para 96 faz uma grande diferença, faz com que o voo continue rentável”. Por sua parte, a Copa decidiu esperar. “Crescemos de 30 a 45 destinos nos últimos três anos, por isso este será um ano de consolidação”, diz Joe Mohan, vice-presidente comercial e de planificação da companhia. Para este ano, a empresa espera crescer 13% em capacidade e voltar a registrar novas rotas em 2010. Um comportamento diferente do que está sendo seguido pela

maioria da indústria em todo o mundo. Trata-se de uma das poucas companhias que contemplam um aumento de capacidade neste ano. Em 2008, a Copa registrou uma margem operacional de 17,4%, mas as perspectivas para este ano não são tão positivas. O Credit Suisse, que esperava um desempenho melhor das ação da

Gol ocupam mais de 95% do mercado, as perspectivas são mistas. Trent, do Citi, explica que “das quatro companhias aéreas da América Latina que têm baixa cobertura, a Gol é a única que não paga dividendos”. A empresa se viu pressionada pelo endividamento e pela aquisição da Varig, em 2007. E a concorrência,

de falhas em suas aeronaves e viu seu único voo aos EUA (Las Vegas) suspenso. Além disso, foi declarada insegura pela Secretaria de Transporte e Comunicações, o que resultou em um processo judicial que ainda não chegou ao fim. Segundo um analista que não quis ter o nome citado, “estamos esperando ainda ver o

MILHÕES DE DÓLARES FOI A PERDA NA AMÉRICA LATINA Copa, reduziu a “neutras” suas projeções para a companhia, devido à queda de 11,6%, em maio, na ocupação dos voos da empresa, calculada a partir da quantidade de passageiros e assentos disponíveis. Já a Lan registrou aumento em quantidade de passageiros, elevando seu fator de ocupação em 0,4% em maio, chegando a 72,1%. Contudo, como teve 30% de sua receita vinda do transporte de carga em 2008, sua situação não é muito melhor. Apesar de as qualificadoras de risco darem um bom prognóstico para a Lan, sua alta exposição ao fluxo de comércio internacional a coloca em uma situação vulnerável. “No Chile, além disso, há a queda nas exportações de salmão, o que não se deve completamente à crise”, diz Trent, do Citi. Efetivamente, o vírus ISA nos cultivos de salmão do Sul do Chile foi um fator independente da crise que diminuiu notoriamente a demanda de fretes aéreos do país. Em maio, o fator de ocupação de carga da companhia caiu 5,7%, chegando a 66%. No Brasil, onde a Tam e a

que também poderá vir de operadores menores, como a recém-criada Azul, preocupa. Segundo Matheus Salvadori, consultor da indústria aérea da Frost & Sullivan, “a briga entre Gol e Tam no Brasil poderia resultar em uma guerra de preços”, o que “pode ser bom, por um lado, mas, de outro, pode ser depredatório”. A Gol suspendeu os voos transcontinentais que operava desde a compra da Varig e substituiu por serviço em rotas regionais, onde precisamente se faz notar a força da Lan e da Tam. “É preciso lembrar que a Lan e a Tam têm uma aliança fortíssima e, embora não estejam matando a Gol, nos voos internacionais há muita concorrência”, afirma Trent. “É muita pressão contra a Gol em voos continentais como Buenos Aires – São Paulo”, nos quais a aliança Lan-Tam pode gerar frequências e preços otimizados para competir. Onde, por enquanto, não há espaço para respirar é no México. A Aviacsa, já afetada por seus déficits financeiros, foi deixada no chão por uma série

que acontece no México. É um mercado muito grande, com muitos destinos, mas a situação econômica está muito ruim para esperar que todos sobrevivam”. É esperada, além disso, uma fusão entre as duas linhas aéreas principais do país, a Mexicana de Aviación e a Aeroméxico. Esta última já anunciou a demissão de 170 pilotos entre junho e setembro de 2009, devido à redução de suas frequências de voo. Tudo indica que as companhias aéreas mundiais não vão sair da tormenta em 2009, e que desta vez o mal tempo resultará em vítimas em toda a América Latina. “É possível que, durante 2010, comece uma retomada do setor”, diz Sepúlveda, da Iata. “Mas é preciso levar em consideração que os prognósticos de 2009 são quase o dobro em perdas do que havíamos estimado anteriormente, portanto em 2010 o setor deve se recuperar mais lentamente do que o previsto”. Por enquanto, não restará opção a não ser apertar os cintos e esperar que a turbulência passe. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 45


NEGÓCIOS COMÉRCIO

O DIRETOR DOS PREÇOS BAIXOS Depois de fazer a estratégia global do Wal-Mart vingar no México, Eduardo Solórzano agora tem o desafio de transformar os consumidores em clientes do seu banco Arly Faundes Berkhoff, Cidade do México

N

icaraguense de nascimento, mexicano de formação, Eduardo Solórzano conhece a dedo o funcionamento do império que administra: os mais de mil estabelecimentos do Wal-Mart do México, ou Walmex, maior operador varejista da América Latina. Com mais de 23 anos na empresa, esteve presente quando o grupo, originalmente

46 AMÉRICAECONOMIA

chamado Cifra-Aurrerá, assinou em 1991 o acordo com a norte-americana Wal-Mart que levou ao nascimento da companhia. Começou trabalhando em diversas áreas como operações, compras e logística. Depois foi nomeado diretor e vice-presidente de alimentos no Wal-Mart Supercenter, e logo assumiu a vice-presidência executiva de autosserviços e a vice-presidência executiva e

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

direção geral de operações. No início de 2005, foi nomeado presidente e diretor geral da empresa. Durante seu período como vice-presidente de alimentos, foi responsável pela introdução da estratégia “Preços baixos todos os dias”, a mesma que caracteriza a rede em todos os países onde opera. E a estratégia em nível local continua dando resultado, apesar

/ JULHO, 2009

da crise. As vendas de 2008 cresceram 11% em relação a 2007, chegando a 244 bilhões de pesos mexicanos, apesar de a desvalorização da moeda ter derivado em uma queda de 14% da receita em dólares, para US$ 17,7 bilhões. Este ano também começou bem para a filial da maior varejista norte-americana. No primeiro trimestre, as vendas do Wal-Mart México


registraram aumento de 7,8%, e o lucro operacional cresceu 8,4% em relação a 2008. “Acho que o Wal-Mart foi feito para enfrentar esse tipo de conjuntura”, diz Solórzano. “Somos reconhecidos por oferecer os preços mais baixos e gerar economia.” Inclusive conseguiram superar o fechamento temporário de sua rede de restaurantes VIPs e das lojas de departamentos Suburbia durante a emergência da influenza A (H1N1) que afetou todo o setor comercial mexicano. “De todas as estratégias, é a mais efetiva”, diz Jorge Smeke, diretor de estudos empresariais da Universidade Iberoamericana. “Parece-me que será um dos grandes ganhadores.” Um panorama muito diferente do que hoje é vivido por outras redes de supermercados do país. A Comercial Mexicana continua preocupada em como reestruturar sua dívida, e a Soriana ainda está em processo de incorporação das 197 lojas compradas do Grupo Gigante e de posicionamento na região central do país, setor amplamente dominado pelo Wal-Mart. Tanto na empresa quanto entre analistas do setor, esse sucesso é atribuído em grande parte aos resultados do reforço da estratégia de “Preços baixos todos os dias”. Por isso, dez anos depois da introdução desse projeto, Solórzano defende firmemente sua vigência. “O entorno econômico é desafiante e nossos clientes estão cuidando de seus gastos”, diz. Segundo o diretor da rede, em 2008 esta estratégia gerou economia de US$ 515 milhões para os clientes. A Bodegas Aurrerá é o formato de lojas do Wal-Mart México que mais se foca nos preços baixos e inclusive tem

programas de produtos vendidos por 1, 2 e 3 pesos (cerca de sete centavos de dólar), voltados aos segmentos C, D e E. Além disso, é o que detém a maior participação de vendas dentro do WalMart México, com 33,7% e 455 pontos-de-venda. “A estratégia do Wal-Mart é conseguir boas negociações de preço devido ao volume

centro do país onde a renda per capita é maior”, lembra Raquel, do Ixe. Outro ponto importante no qual o Wal-Mart baseia sua atual estratégia de preços baixos são as marcas próprias como Great Value, Aurrerá (ambas de alimentos) e Equate (de cosméticos e artigos de banho, entre outros). “Sem dúvida, essas marcas são atraentes

Solórzano. “Mas este ano, com o esquema das representações bancárias definido, poderemos desenvolver um programa que o integra e veremos mais presença do banco em nossos principais mercados.” Esse esquema permitirá que cada caixa dos supermercados do Wal-Mart funcione como em uma agência bancária. “O público-alvo dessa es-

NOVAS LOJAS NO MÉXICO É A ESTIMATIVA PARA 2009 que compra”, explica Raquel Moscoso, analista do banco Ixe. “E assim gera tráfego nas lojas, e as pessoas que vão em busca de uma oferta acabam comprando mais coisas.”

SEM LIMITE E os investimentos não se detêm. Em 2008, o Wal-Mart abriu 182 unidades de todos os formatos e este ano construirá outras 252 unidades. “Temos o programa de investimentos mais alto da história”, diz Solórzano. “Será de 11,8 bilhões de pesos (cerca de US$ 870 milhões) e vai gerar 14,5 mil novos empregos diretos.” Das unidades programadas, 225 serão da bandeira Bodegas Aurrerá, 13 Wal-Mart, quatro Superama, sete Sam’s Club e três Suburbia. “O desenvolvimento fundamental será o da Bodega, já que atualmente é o formato que mais se adéqua à população”, diz Joaquín Ley, analista do Santander México. Trata-se de um movimento agressivo que caracteriza a empresa desde sua entrada no país. “Chegaram com capital forte, vinham de uma transnacional, com um volume significativo e presença no

para nossas clientes, devido à economia que representam”, afirma Solórzano. “Pois não é apenas uma questão de preço; uma marca estratégica de qualidade também gera lealdade e permite diferenciar nossos formatos”. Hoje, essas marcas têm 1,5 mil produtos fabricados por mais de 170 fornecedores. Uma das mais recentes apostas em marcas próprias do Wal-Mart é a Medi-Mart, linha de medicamentos que, segundo Solórzano, são até 50% mais baratos do que as marcas líderes. “Somente em 2008, a Medi-Mart gerou economia de US$ 1,6 bilhão de pesos (US$ 120 milhões) a nossos clientes”, afirma Solórzano. Nesse caso, são outros 1,5 mil produtos, de mais de 150 fornecedores, e 768 farmácias nas lojas Bodegas Aurrerá, Sam’s e Superama. Enquanto o Wal-Mart continua colhendo frutos de seus diversos modelos de negócio já consolidados, o maior desafio agora é conseguir fazer o Banco Wal-Mart decolar. “É um projeto de longo prazo e o desenvolvemos de forma conservadora, pois é um negócio novo para nós”, conta

tratégia tem sido descuidado pelos bancos no México e não interessa aos grandes”, diz Smeke, da Universidade Iberoamericana. O caminho ainda é longo, mas pode ser bem-sucedido. “Uma grande fatia de nossos clientes paga suas compras em dinheiro precisamente porque não conta com outros meios de pagamento”, diz Solórzano. “Diariamente recebemos 3 milhões de consumidores que são potenciais clientes do Banco Wal-Mart.” Raquel, do Ixe, concorda com o potencial de tal projeto. “É daí que pode chegar o crescimento quando a economia se recuperar”, diz. “Se você administra o crédito no próprio supermercado, tem um benefício duplo: a taxa de juros e a possibilidade de oferecer crédito para impulsionar as vendas.” Essa será uma importante tarefa, que certamente implicará transferir a habilidade e a estratégia dos “Preços baixos todos os dias” a seus bancos. “O entorno continuará desafiante, mas temos oportunidades de levar nossa oferta de valor a mais pessoas junto as quais hoje não temos presença”, conclui Solórzano. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 47


NEGÓCIOS TELECOMUNICAÇÕES

SOB A SOMBRA DE SLIM

R

AP

Novas licitações de telecomunicações no México podem fomentar a concorrência, mas não serão suficientes para assegurar maior qualidade dos serviços Arly Faundes Berkhoff, Cidade do México

48 AMÉRICAECONOMIA

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

apidamente, as companhias de TV a cabo começaram a salivar. O anúncio feito em maio pelo presidente Felipe Calderón, de licitar 20 mil km de rede de fibra ótica para transmitir voz e dados despertou o apetite dessas empresas e das operadoras de telefonia. O setor de telecomunicações no México está se movendo, sempre com a mesma finalidade: aumentar a concorrência em um setor amplamente dominado pelo magnata Carlos Slim. As operadoras de TV a cabo formam o grupo com mais expectativas. E decidiram se unir para enfrentar Slim. Enquanto a Telmex ainda não tem autorização para oferecer serviços de TV paga, Cablevisión, Cablevisión Monterrey e Cablemás (as três pertencentes à Televisa) se uniram à rival Megacable para oferecer um novo serviço triple play (telefonia, internet e TV) a US$ 37 mensais. Segundo a Câmara Nacional da Indústria de Telecomunicações por Cabo (Canitec), no México há 4,9 milhões de usuários de TV a cabo; 1,6 milhão de internet banda larga e 520 mil de telefonia fixa. Dos que possuem telefonia, 65% têm triple play. “A parte de interconexão com a Telmex tem sido tortuosa, porque ela controla 88% das linhas fixas”, diz Alejandro Navarrete, diretor do Centro de Inovação da Canitec. Uma boa solução para as empresas de TV a cabo seria, então, obter a concessão da rede troncal da CFE. “Gostaríamos que o governo avaliasse a possibilidade de fazer uma licitação nacional e regional”, acrescenta Navarrete.


Este é um dos pontos debatidos na Secretaria de Comunicações e Transporte (SCT), a cargo da licitação dessa rede. “Não se sabe se será licitada por rotas de interesse ou regiões e poderá haver mais de um operador”, diz Federico Kulhmann, acadêmico do departamento de Engenharia do Itam. E quem ganhar terá que investir em equipamentos de recepção, regeneração e transmissão de dados, o que torna viável a opção de formação de consórcios diferentes. Por isso, segundo especialistas, essa licitação é uma boa oportunidade de atrair investidores estrangeiros. No ano passado, a Comissão de Economia da Câmara dos Deputados modificou a legislação de investimento para que internet e telefonia fixa sejam somadas à telefonia móvel como exceção na lei que obriga que “a participação de investimento estrangeiro não exceda 49%”. “Desta forma, haverá capital para promover concorrência real no mercado”, diz Armando Chacón, do Instituto Mexicano para a Concorrência (Imco). A espanhola Telefónica declarou sua intenção de participar na licitação da CFE. “É hora de terminar com a imposição de tarifas e planos que colocam o usuário em uma posição passiva”, diz Fabián Bifaretti, diretor geral da Telefónica México, aludindo implicitamente à sua rival em toda a América Latina.

TELMEX: QUEDA SUAVE

Vendas 2009 e 2008 (em pesos mexicanos) FONTE: INFORME TRIMESTRAL, TELMEX

1T 2009

1T 2008

11.546

12.693

-9

Longa distância nacional

3.716

4.144

-10

Longa distância internacional

2.009

2.095

-4,1

Interconexão

4.165

4.791

-13,1

Redes corporativas

3.270

3.001

9

Internet

3.836

2.907

32

Local

Outros Total

VARIAÇÃO (%)

1.475

1.491

-1,1

30.017

31.122

-3,6

Consultada por AméricaEconomia, a Telmex não quis comentar estes novos anúncios. Mesmo antes da licitação, porém, a companhia já começou a registrar queda em sua receita devido à interconexão com outras operadoras. O que mais preocupa o grupo de Slim é não poder oferecer serviços de TV paga e triple play. “Não lhes interessa tanto pelo dinheiro que representa, mas para proteger as linhas e garantir que elas cresçam mais em receita”, diz José Garcés, analista da consultoria Select. Enquanto resolve este impasse legal, a Telmex estuda alternativas. No começo do ano, a empresa de TV por satélite Dish entrou no México em associação com a norte-americana EchoStar e a mexicana MVS. Embora por enquanto seu acordo com a Telmex seja exclusivamente para serviços de fatura e cobrança, a empresa mexicana recentemente declarou a reguladores nos EUA que “poderia investir diretamente em uma joint venture com a

Dish”. Hoje a Dish tem 300 mil assinantes e, segundo José Luis Woodhouse, diretor da Dish no país, a meta é chegar a 6 milhões em seis anos. Não é fácil deter a gigante de telecomunicações, mesmo com a união dos players menores. E, ainda que para muitos o grande poder de Slim gere rejeição, nem todos acreditam que a solução freie o magnata. “Só 14% dos lares no México têm TV a cabo e um número muito maior não tem telefone”, diz Chacón, do Imco. “Assim, uma política voltada a incomodar a Telmex não é construtiva.” O pesquisador Marcos Ávalos, do Centro de Alta Direção de Economia e Negócios da Universidade Anahuac, concorda com Chacón. “Aqui o problema não é Slim, e sim a regulamentação que permite a acumulação de tais riquezas”, diz. A licitação das frequências de 1,9 GHz e 1,7 GHz também está gerando muita expectativa nos concorrentes de telefonia móvel e em cabeadoras que querem oferecer serviços

quatro em um. “Uma opção é se tornarem operadores móveis virtuais e usarem a infraestrutura de um operador móvel estabelecido; a outra é participarem das licitações que foram anunciadas”, diz Navarrete, da Canitec. A Cofetel já aprovou as bases de licitação para as bandas de telefonia móvel. Embora não seja feita menção explícita sobre a Telcel (da América Móvil), seu objetivo seria favorecer a entrada de novos competidores. Isto poderia beneficiar a Movistar, da Telefónica, ou a Iusacell, do Grupo Salinas com mais bandas de freqüência, embora seguramente isso pouco possa afetar os 76% que a Telcel tem de participação de mercado. De fato, a portabilidade numérica – que permite aos usuários mudar de companhia operadora fixa ou móvel sem perder seu número – beneficiou a Telcel, já que desde a implantação do sistema recebeu 197.375 novos clientes e perdeu 109.875, o saldo mais favorável dos operadores móveis. “Em todos os negócios em rede sempre haverá um agente dominante e agentes pequenos”, diz Manuel Molano, diretor-adjunto do IMCO. “É exigido, então, que o Estado atue para criar um ecossistema rico e não estático”. Assim, a solução não é derrubar o maior, mas fomentar a concorrência em benefício do usuário final: em termos de acesso e de qualidade do serviço. Q

20 MIL KM DE FIBRA ÓTICA SERÃO LICITADOS NO MÉXICO. OS OPERADORES DE TV A CABO SERÃO OS MAIS BENEFICIADOS JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 49


NEGÓCIOS ELETRICIDADE

RALLY VOLTAICO

ANTOÑANZAS E YRARRÁZAVAL: À FRENTE DO GIGANTE ELÉTRICO

A holding elétrica Enersis tem motivos para sorrir. Não apenas pelas boas perspectivas de crescimento na região, mas também pela força de seu novo controlador: a italiana Enel Matías Rodo Yuricevic, Santiago

E

ntre os executivos da holding elétrica chilena Enersis pairava um ar de incerteza antes da reunião de acionistas no dia 15 de abril. Não era para menos. O grupo estreava em sociedade com um novo e solitário controlador: a italiana Enel, que recentemente havia comprado a participação da espanhola Acciona na matriz do conglomerado, a Endesa Espanha. Mas os temores se dissiparam. O recém-nomeado vice-presidente executivo da Endesa, Andrea Brentan – mão direita do presidente-executivo da Enel, Fúlvio Conti – veio rapidamente ao Chile dar seu 50 AMÉRICAECONOMIA

apoio à administração local liderada po seu presidente, Pablo Yrarrázaval, e o gerente geral Ignácio Antoñanzas. Com justa razão. As perspectivas do grupo são mais que auspiciosas. A holding possui uma solvente diversificação de receitas, através do negócio de geração e distribuição. Os mercados do Cone Sul nos quais tem presença – Chile, Argentina, Brasil, Peru e Colômbia – são os que possuem melhores expectativas de expansão. Mas o ingrediente mais importante será o novo controlador. A Enel pisará com força no acelerador, pelo fato de o mercado latino-americano

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

oferecer taxas de crescimento bastante superiores às da Europa, um continente com um mercado elétrico maduro e altamente competitivo. As estimativas do mercado respaldam este cenário. Mesmo com a crise, os serviços da Enersis cresceram mais de 147% no último ano, chegando a US$ 1,01 bilhão. Segundo o departamento de estudos da corretora Banchile Inversiones Santiago, os resultados do grupo crescerão 6,5% em 2009 e 7,1% em 2010. A chave: a diversificação geográfica que permite atenuar a variação de fluxo de caixa frente a cenários adversos nos / JULHO, 2009

mercados em que opera. “Uma das principais forças do grupo é sua diversificação, tanto regional como de negócios”, diz Francisco Errandonea, chefe de estudos do Santander GBM em Santiago. Mas um dos fatores fundamentais de crescimento do grupo na região será o selo impresso pela Enel nas operações locais. O interesse do grupo italiano na Endesa Espanha era apenas reforçar sua posição na Península Ibérica, um mercado maduro, e no resto da Europa, onde encontra grandes concorrentes como a francesa EDF e a alemã E.ON. Seu foco é a América Latina. Segundo


o analista do departamento de análise da corretora espanhola Inverseguros, Miguel Sánchez, a Enel é uma grande geradora de caixa, e custou para encontrar investimentos atraentes. “Agora, poderá destinar seus recursos para crescer no mercado latino-americano, o qual é sumariamente estratégico para ela”, diz Sánchez. “A Enersis tem um nível de importância bastante elevado dentro das operações da italiana”. Essa experiência internacional é somada à gestão local. Um das fortalezas da holding chilena, segundo um alto executivo do setor que pediu sigilo de seu nome, é a capacidade de desenvolver uma estrutura de gestão que incorpora as diversas empresas que controla, transferindo a experiência adquirida aos países onde opera. Nesta tarefa, para muitos, o gerente-geral Antoñanzas desempenhou um papel-chave.

ATOR REGIONAL Mas o sustento da holding no futuro não é baseado apenas na musculatura da Enel para as operações regionais, mas também na diversificação dos mercados e das expectativas de crescimento nos mencionados países. Especialmente para sua principal linha de negócio: a geração. “A demanda por energia na América Latina é bastante baixa. E conforme a atividade econômica se aquece, a demanda tende a crescer a um ritmo mais rápido que o PIB”, diz Errandonea. Não à toa o grupo tem uma capacidade instalada na região de 13.893 MW, número superior a todo o parque elétrico do Chile, e que se traduz em ativos de mais de US$ 11,22 bilhões.

No Chile, país que representa 37% de seu resultado operacional, a Enersis tem excelentes perspectivas. “O país apresenta as melhores condições de preço e mercado para que o grupo cresça em geração”, diz José Donoso, analista sênior da LarrainVial, em Santiago. Há uma regulamentação que permite retribuir investimentos. Além disso, no Chile é preciso substituir grande parte da tecnologia por outra mais eficiente, diversificando a matriz dependente do gás natural argentino e assegurando crescimento nos resultados da holding. Na Colômbia (que aporta 25% do resultado operacional), a Enersis também tem uma

construção de novos projetos de geração, a holding não realizou nenhuma iniciativa nos últimos tempos, devido à intensa concorrência que tem enfrentado nas licitações, principalmente de companhias federais e estaduais. E o Peru? No país a Enersis está desenvolvendo alguns projetos utilizando gás de Camisea, adquirido a preços muito mais baixos para consumo interno, o que maximiza resultados e diminui custos. Além disso, esta é uma das nações do Cone Sul cuja economia vem crescendo mais. “Nos últimos anos, o Peru apresenta importantes taxas de crescimento, algo que sem dúvida impacta positivamente no negócio

para mais de US$ 1,3 bilhão. E se a demanda crescer mais do que o projetado, a holding poderá investir US$ 1,7 bilhão. A princípio, US$ 800 milhões serão destinados às companhias de distribuição, especialmente para reforçar redes. Para geração, poderão ser investidos US$ 200 milhões, e, em novos projetos, outros US$ 800 milhões. Mas lidar de maneira eficiente com este ambicioso plano não será fácil. Entre outras coisas, há a necessidade do manejo ambiental correto de grandes projetos. “O gerenciamento do projeto HidroAysén será chave, mesmo que em seu início não dê os melhores passos”, diz o executivo que

MW É O QUANTO A ENERSIS GERA NO CONE SUL posição interessante. Cresce no negócio de geração, através do projeto Quimbo – terá capacidade instalada de 400 MW, por US$ 600 milhões – e em distribuição, através da recente aquisição de participação na distribuidora de Cundinamarca. “A Colômbia é o segundo país com maiores oportunidades de crescimento para a Enersis, devido à regulamentação do mercado que incentiva o investimento”, diz Donoso. No mercado brasileiro (26% do resultado operacional), no entanto, a Enersis tem uma participação minoritária, tanto em distribuição como em geração. Embora haja oportunidades de crescimento nas licitações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a

elétrico”, diz Ramón Galaz, gerente-geral da consultoria chilena EcofysValgesta. Um panorama distinto é o da Argentina (que representa 5% do resultado operacional), onde o conglomerado tem tido problemas. As tarifas de distribuição são baixas e os preços de geração não refletem os custos de produção. Contudo, para Donoso, a situação é “tão complexa” que a presença da Enersis é uma oportunidade, dado que em algum momento a autoridade transandina terá que desenhar um marco regulatório que permita reativar os investimentos. “Quando isso ocorrer, os investimentos que há no país se re-valorizarão”, diz. Este cenário levou a Enersis a aumentar em 30% os investimentos de 2009 na região,

pede anonimato. E a empresa também deverá melhorar o atualmente baixo nível de investimento em energias alternativas. “A Endesa Espanha tem sido uma empresa muito voltada a energias renováveis”, diz Sánchez da Inverseguros. E, neste aspecto, novamente se sentirá a presença da Enel. A italiana tem mais experiência nesta matéria e declarou intenção de reforçar sua divisão Enel Green Power nos próximos anos. “É provável que a Enersis tenha, então, um papel fundamental neste objetivo, se a regulamentação for adequada aos critérios de rentabilidade desejados”, diz Sánchez. A tarefa de Antoñanzas será difícil. Mas já conta com o respaldo dos novos donos. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 51


NEGÓCIOS CONGLOMERADO

DO OURO NEGRO AO COMESTÍVEL

Grupo Perez Companc posiciona-se na agroindústria e em alimentos. Mas a sucessão familiar adiciona incerteza ao futuro do negócio Rodrigo Lara Serrano, Buenos Aires

Gregorio Perez Companc: patriarca de baixo perfil

P

etróleo por óleo comestível. Assim talvez se possa definir a profunda virada estratégica que, desde o início da década, foi dada pelo grupo argentino Perez Companc. O conglomerado que permitiu a Gregorio Pérez Companc tornar-se o homem mais

rico de seu país, hoje com um pé fincado na produção agroindustrial e outro em alimentos de consumo massivo, vive uma transição depois da retirada mais ou menos silenciosa de “Goyo” (apelido de Gregório), com apostas de média envergadura no Chile, Uruguai e Itália. Bem como

nos biocombustíveis. Se descontado o período em que contou com o carismático executivo do petróleo Oscar Vicente (a cargo da Pecom antes da venda à Petrobras por US$ 1,2 bilhão em 2002/3), o grupo sempre foi discreto. No setor de alimentos, uma fonte industrial que pede ano-

52 AMÉRICAECONOMIA / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA / JULHO, 2009

nimato garante que esta postura é condizente com o perfil atual do grupo, que tem muitos executivos em postos-chave oriundos da área financeira. “É algo comum em companhias do setor de commodities”, diz. Mas, não especificamente em uma famosa empresa do grupo, a Molinos Río de la


Plata, gigante dos alimentos manufaturados. “Desde 2006, quando comprou a San Lorenzo e passou a adquirir capacidade de moenda, a Molinos se tornou um negócio dividido entre moenda (50%) e marcas (50%)”, afirma Gabriela Catri, analista da Fitch. Através dessa nova unidade da Molinos, a companhia passou a ser uma grande produtora de óleo e de farinha de soja. “Esse negócio, entretanto, sofre de grande volatilidade, pois está exposto à mudança de margens, fruto da diferença entre o preço do óleo e do grão, que não necessariamente se movem no mesmo ritmo”, afirma. Em consonância com isso, “eles realizaram um pequeno investimento em diesel, que hoje é um negócio menor”, diz. Trata-se de uma fábrica com capacidade de refino de 100 mil toneladas anuais. Estima-se que o plano dos empresários do grupo é fazêla crescer. Em fevereiro, a Molinos Río de la Plata pediu autorização para ampliar seu porto de San Lorenzo, no rio Paraná, o que pode significar a intenção de ampliar sua capacidade exportadora de óleos e de biodiesel. Em 2008, a companhia obteve com óleos e farinhas quase US$ 1,2 bilhão de um total de cerca de US$ 2,4 bilhões em vendas líquidas – no mesmo período, o lucro ficou próximo dos US$ 230 milhões. Mas 2008 “foi um ano recorde que possivelmente não se repetirá”, diz Gabriela Catri, da Fitch. Mas, isso “não nos preocupa: a dívida da companhia é praticamente de pré-financiamento às exportações”. A crise poderia significar um mero tropeço tanto para a

Molinos quanto para todas as outras empresas do setor. O economista Mariano Lamotte vê um mercado de alimentos em provável recuperação. Primeiro, porque a partir de agosto se espera o fim da seca e a melhoria nas margens de lucro da soja. E, dado que “em qualquer crise o último a ser cortado é o consumo de

vendas de 28,5 milhões de euros. “É um negócio que eles conhecem bem”, diz um economista que acompanha as atividades do grupo, para quem “o mercado italiano é muito complexo e ainda está muito fragmentado”, o que é uma vantagem. Ao que parece, Perez Companc busca dois objetivos.

primogênito de Gregorio, para recompor a situação, tarefa que incluiu demissões em massa de operários e funcionários administrativos. A maior presença de Jorge Pérez Companc é considerada um sinal da mudança de gerações causada pelo afastamento de Gregorio do dia-a-dia da empresa. Mas

MILHÕES DE DÓLARES É QUANTO A EMPRESA LUCROU EM 2008 alimentos e na Argentina não houve queda de renda, nem houve migração a marcas secundárias”, afirma. E se existe algo que não falta à Perez Companc são marcas de primeira linha. “Arcor e Molinos são duas grandes carteiras para sobreviver aqui”, diz um analista do setor. E esta última melhorou ainda mais seu poder de fogo depois de ficar, em outubro de 2008, com 49,44% da então Bonafide Golosinas, pertencente ao grupo chileno Carozzi. A aposta da Molinos foi obter marcas de alto perfil no segmento de guloseimas, chocolates e biscoitos como Billiken, Bocadito, Nugatón e Costa. Em 2007, a companhia tinha feito algo semelhante ao ficar com 83% da local Química Estrella, abocanhando marcas como Gallo (arroz) e Toddy (chocolate em pó). Mas a compra mais chamativa é a da Delverde Industrie Alimentari, na Itália, fabricante do macarrão Delverde. Com capacidade produtiva de quase 50 milhões de quilos somente de pastas secas, em 2007 a empresa registrou

Fortalecer-se no mercado interno, que é temido por muitas empresas de marca devido a seus bruscos vaivéns, e tentar uma expansão regional com foco no Uruguai e no Chile. No Chile, porém, não tem sido fácil. “O Chile é um mercado complicado para as empresas argentinas”, diz a mesma fonte. Em 2006, o grupo comprou o Frigorífico O’Higgins por US$ 70 milhões e anunciou um investimento de US$ 17 milhões para a construção de um frigorífico em Aysén, na Patagônia chilena. As coisas andaram bem no começo, mas este ano surgiram problemas graves. Alguns externos, como a proibição da entrada de carne chilena no Japão e na Coreia do Sul, devido à presença de dioxinas. E outros locais, como denúncias de falha no manejo ambiental em duas plantas de processamento de suínos, que entraram em processo de fechamento. O episódio levou a substituição de praticamente toda a gerência da empresa e a entrada de Jorge Pérez Companc,

há versões desencontradas em Buenos Aires. Algumas fontes garantem que o que está acontecendo é que “não há nenhum bom nome para a sucessão”. Outras dizem que “Jorge é quem mais sabe e quem realmente tem mais interesse pelo negócio”. E há os que falam de uma profissionalização com controle familiar, através de um fundo na Ilha Gran Cayman. Por um curioso efeito de contraste, a rede de sorveterias Munchi’s, Helados San Isidro Labrador e outras operações comparativamente menores (resultado da iniciativa de María Carmen “Munchi” Sundblad, mulher de Gregorio) possuem um perfil muito mais chamativo que o das empresas do grupo propriamente ditas. Isso porque, apesar dos desejos dos Pérez Companc, a fama e os negócios caminham de mãos dadas. E o fato de uma sorveteria como a Munchi’s financiar o Munchi’s Ford Word Rally Team, que tem entre seus pilotos o herdeiro Jorge Pérez Companc, não colabora para dividir as águas. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 53


DEBATES ENTREVISTA

Moisés Naím, editor chefe da revista Foreign Policy.

“OS PAÍSES DO HEMISFÉRIO ESTÃO PROFUNDAMENTE DIVIDIDOS”

C

Anne-Marie Slaughter, da Woodrow Wilson, defende um “século das Américas”. A ideia de que os EUA poderiam voltar a ganhar potência criando uma rede que articulasse as Américas do Norte e do Sul. O senhor acredita que isso seja possível? 54 AMÉRICAECONOMIA

É possível até que alguém como Anne-Marie Slaughter deixe a academia e passe ao Executivo. Quando ela disse isso, era decana da escola Woodrow Wilson da Universidade de Princeton. Agora é chefe de Planejamento de

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

Políticas do departamento de Estado, e trabalha diretamente com Hillary Clinton. Uma vez nesse cargo, tropeça em distrações como a bomba atômica da Coreia do Norte, os problemas do Irã, a crise econômica mundial e uma / JULHO, 2009

longa lista de etcéteras que faz com que os funcionários de alto nível do governo dos EUA, que poderiam construir essa nova arquitetura das Américas acabe ficando com pouco tempo para fazê-lo, posto que estão com a agenda

RAFAEL CORNEJO

riador da divisão da política regional entre “Eixo do Lula” e “Eixo do Hugo”, Moisés Naím é um dos latinoamericanos mais influentes na arena dos analistas internacionais graças ao seu posto de editor-chefe da revista Foreign Policy, bem como a pesquisas e livros publicados por ele, entre os quais se destaca Ilícito: o ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do tráfico à economia global. Naím, um dos participantes do World Economic Forum, conversou com Rodrigo Lara Serrano, editor-adjunto de AméricaEconomia, sobre a posição global do Brasil e a dificuldade de levar a cabo iniciativas como o “século das Américas” proposta por uma alta funcionária do governo dos EUA.


cheia de emergências. Seria possível que outras instituições ou organismos abraçassem essa iniciativa ou há interesses muito contrapostos? Não se trata de interesses. Trata-se de prioridades. Não há dúvida de que se poderia avançar se os países da América Latina também abraçassem essa iniciativa, particularmente o Brasil. Mas falta que os EUA estejam diretamente e ativamente envolvidos nisso, no mais alto nível. E isso – apesar de estar seguro de que essa seja a intenção do governo Obama e de seus principais assessores –, repito, será muito difícil de encontrar tempo para fazer. Um fórum como a Organização dos Estados Americanos (OEA) não poderia ser redesenhado para buscar a criação desses laços? As instituições não existem. Existem pessoas que manejam as instituições. E para que a OEA seja reformulada é necessário consenso entre os que a manejam, que são os países e, ao mesmo tempo, quem administra a OEA, que é o staff permanente liderado por José Miguel Insulza. A OEA está, como sabemos, muito distraída atendendo o problema de Cuba, e por isso é difícil imaginar que tome a liderança sobre esse tema. Também é preciso entender que a OEA representa os países do hemisfério e, nesse momento,tais países estão profundamente divididos. Como definiria essa divisão? Quais linhas a estabeleceriam? Falei que existe um “Eixo do Lula” e um “Eixo do Hugo”. O “Eixo do Lula” é um grupo de países que se orienta para concorrer nos

mercados internacionais, é muito mais democrático, tem economias mais sólidas. Inclui países como Chile, Colômbia, Peru, etc. O “Eixo do Hugo” é formado pelos países menos democráticos e com uma atitude hostil ao investimento privado e ao investimento estrangeiro. E uma atitude muito belicosa em relação aos EUA. Enquanto o “Eixo do Lula” tem uma atitude

indispensável em qualquer coisa que faça a respeito da mudança climática não depende de quem esteja no governo, mas de que o País tem a maior superfície de florestas do mundo, cujo desflorestamento está contribuindo para a mudança climática. A presença do Brasil em temas de energia não tem relação com quem esteja no governo, mas com o fato de

ou o de Hugo Chávez, ou do próprio Alan García no Peru, estejam priorizando isso. Recentemente houve problemas também na Amazônia peruana. Acha que se não houver uma solução, veremos mais conflitos focalizados, mas intensos, como o atual? O conflito no Peru tem que ser lido com muito cuidado. Possui raízes importantes não apenas entre os indígenas do país, como também compo-

SERÁ DIFÍCIL PARA OS EUA DAR PRIORIDADE AOS TEMAS DA AMÉRICA LATINA conciliatória de trabalhar em conjunto com os EUA, o grupo de Hugo reúne claramente Nicarágua, Equador, Bolívia, Honduras, Paraguai e Cuba, naturalmente. O que acha da tentativa do Brasil de buscar um maior protagonismo não apenas na região, mas até fora dela? Não há dúvida de que o Brasil está jogando em ligas internacionais muito importantes. Há poucos problemas que hoje ocupam o mundo nos quais o Brasil não tenha um papel importante. Meio ambiente, energia, comércio internacional, luta contra a pobreza, luta contra o HIV-Aids, reformulação da estrutura financeira internacional: na mesa de todos esses fóruns o Brasil ocupa um lugar central. Você pensa que entre as elites sociais e políticas há consenso sobre a necessidade de seguir esse caminho? Ou poderia haver mudança de rota no caso de um futuro governo com outras prioridades? Não. Por exemplo, o fato de que o Brasil tem um papel

que o País desenvolveu a indústria mais dinâmica de bioenergia do mundo, com o etanol. E o mesmo acontece nos outros temas. O que acha da lei que legaliza a posse de terras na Amazônia brasileira? Pode ser o começo de um novo modelo de manejo do problema da floresta? Não resta dúvida de que é preciso buscar uma solução. É um problema que o Brasil tem há muito tempo, e com seus vizinhos também. Isso não vai ser solucionado no curto prazo, e com apenas uma lei. É um processo mais complicado que vai levar tempo, mas é preciso tomá-lo em conta. O que está faltando? Falta ter sócios no processo. O Brasil necessita de sócios com muito mais capacidade de intervir efetivamente no problema. Os sócios que o país tem neste momento, que são seus vizinhos, têm estado muito distraídos com outras prioridades. Não é nada evidente que o governo de Correa, ou o de Evo Morales,

nentes internacionais. Houve a influência de ativistas inspirados por Chávez? Só estou repetindo o que o presidente García disse. Voltando novamente ao Brasil, quais seriam os pontos que o país deve trabalhar para sustentar um crescimento permanente que o leve a se transformar em um país desenvolvido? O Brasil precisa avançar muitíssimo mais na área social. Não se pode esquecer que o Brasil continua sendo um país onde há uma profunda e ampla pobreza. E onde se continua registrando uma das principais desigualdades na distribuição de renda. Há avanços importantes, mas tem que continuar nessa direção. O segundo é que certamente está no caminho de se transformar em uma potência energética, caso se confirme que os campos de petróleo costa afora, abaixo da camada de sal, são da magnitude estimada. Se for assim, o Brasil poderá se tornar, além disso, potência petrolífera mundial. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 55


A nova

desordem mundial Quando o mundo começa a dar sinais de recuperação, apresentamos alguns dos assuntos que dominarão o debate econômico no próximo ano Eduardo Thomson

O

s últimos meses têm sido de retração, de “ops, eu estava enganado”, enganado” como o de Alan Greenspan confessando confe que havia falhas em sua ideolog ideologia de mercado. Também têm sido um período perío de dogmas jogados pela janela; de ban banqueiros centrais que até há pouco compunham com loas à grande moderação e ao fim da volatilidade, lançando-se lançando- a intervir no mercado po por meio do quantitative easing (uma forma grandiloquente que de descrever o que se classificava na América La Latina dos anos 70 de “ “usar a máquina” para im imprimir dinheiro). E c comprando e vendend moedas estrangeiras do p manter certos níveis para ca cambiais, ainda que, c oficialmente, suas moedas utu flutuassem livremente. A cr crise tem obrigado os economist e as autoridades ecoeconomistas nômicas a dei deixar para trás os dogmas e adotar medidas pouco ortodoxas, inaugurando uma era em qque o consenso parece ter desaparecido. A úni única certeza que se supõe ter restado aos econom economistas é justamente a da incerteza, em discussõe discussões que podem alcançar o pes limite da desavença pessoal.

56 AMÉRICAECONOMIA

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

Por exemplo, as respostas inusitadas dos países desenvolvidos à crise têm sido motivo de preocupação em círculos acadêmicos e da imprensa especializada. Quais serão os efeitos dos pacotes de resgate no próximo ano? Nouriel Roubini, mais conhecido como Dr. Catástrofe por suas teorias apocalípticas (que terminaram se mostrando corretas, em grande medida), afirma que as injeções de dinheiro do FED para estimular a economia poderão levar a taxas hiperinflacionárias no futuro (os exemplos que tem mencionado são os da República de Weimar, na Alemanha pós-Primeira Guerra, e o Zimbábue de Robert Mugabe). Paul Krugman, recentemente laureado com o Prêmio Nobel, diz, ao contrário, que os bilhões e bilhões de dólares de expansão monetária simplesmente não são inflacionários porque não estão indo ao mercado, mas sim descansando nos balanços dos grandes bancos. Não são debates dos quais seja simples participar. Nas últimas décadas a economia têm se tornado tão complexa que se alguém sem formação em matemática avançada se atreve a opinar corre o risco de ser fulminado pelos deuses do Olimpo econômico. Não obstante, como membros cada vez mais relevantes da cena econômica global, a América Latina não pode deixar de participar. Com este objetivo, AméricaEconomia apresenta a seguir uma lista com dez temas de debate, em discussão hoje pelos pensadores econômicos que se dedicam a prever o amanhã. Um manual de consulta para entender o mundo pós-crise.


MEDO DA QUEDA

Moedas que inflam ou murcham

FONTE: BANCO MUNDIAL

10

H

á alguns meses o principal temor dos economistas era mais o dde uma deflação global, ou seja, de uma queda generalizada de de sal salários e preços. E não de uma inflação, que tem efeito contrário. “O que Ben Bernanke B (presidente do banco central dos Estados Unidos) busca precisamente é que falemos de inflação e não de deflação”, explica Alberto Bernal, economista-chefe da Bulltick Capital Markets en Miami. “Qual das duas opções é melhor em um cenário grave? Inflação, porque é mais fácil de controlar. Creio que é uma boa notícia. O espectro da deflação foi morto.” Esta parece ser uma ideia compartilhada pelos mercados. “No curto prazo, as taxas dos bônus estão indicando expectativas de inflação levemente maior nos Estados Unidos que no presente. Mas não creio que veremos taxas de dois dígitos como as registradas nos anos 1970 e 1980, devido à grande capacidade produtiva que ainda está ociosa”, diz Peter Lannigan, ex-operador de mercados que agora atua como consultor independente para assuntos relacionados a mercados emergentes em New Jersey. Aqui está o centro do já mencionado argumento de Krugman, que apesar de tudo dizia no final de maio que a deflação era o perigo iminente do mundo desenvolvido. Por outro lado, pode-se esperar muito debate sobre se seria melhor ou não perseguir um nível maior de inflação para ajudar os setores público e privado a se livrarem de suas altas dívidas valendo-se desta forma de default disfarçado.

8 6 4 2 0 -2 -4 JAN 07

Petróleo em alta O

ESTADOS UNIDOS ALEMANHA JAPÃO CHINA

Taxa de inflação anual

nde já começa a surgir motivo para preocupação é na recente alta do preço do petróleo, qque voltou a superar a barreira dos US$ 70 por barril, apesar da recessão mundial. Neste caso, b prepare-se, porque certamente o preço continuará p a subir. “A recente queda do preço das commodities tie foi completamente cíclica, mas os fatores que explicam a alta do ano passado a quase US$ 170 o exp barril, porém, continuam aí”, afirma a economista bar Carola Moreno, analista da filial chilena do banco Car espanhol BBVA. esp Aparentemente, neste tema não há muito espaço para o debate. A tendência de alta no lonesp go pprazo parece inegável. Onde restam dúvidas é se no Ond curto prazo voltaremos a ver curt preços similares aos do ano preço passado. Predizer um preço passa exato para o petróleo não tem sentido, assim como também sentid prever o dee não tentaremos te outras commodities. Mas, vale outra ter em mente o seguinte: noo o estranho não ano passado, p ão alta, mas sim a baixa. É a foi a alt aquela ideia de investir na compra de hora de repensar re híbrido. um carro híb

MAR 08

ABR 09

O fim do padrão dólar A

instabilidade da economia dos Estados Unidos e do valor de sua moeda levantam a questão: chegou a hora do fim do dólar como reserva mundial de valor ou divisa para o comércio mundial? A China não está contente com as massivas recompras de dívida do governo dos EUA com dinheiro recém-emitido, já que isso implica a queda do valor real de suas reservas. E o Brasil faz coro à propostaa de China e Rússia de criaçãoo de uma moeda para o comérércio global. Pode ser que dentro de dez anos o dólar tenha perdido seu papel no comércio omércio mundial ou como reserva de valor. Mas, no curto prazo, é de se duvidar. “O que é surpreendente, do ponto de vista clássico, é que justamente o país com mais problemas tenha observado uma valorização de sua moeda”, diz Juan Pablo Nicolini, economista, reitor da Universidade Torcuato di Tella em Buenos Aires. Além disso, com crise e tudo, os EUA continuam a representar 30% do PIB mundial. “O que se usa como moeda não tem nada a ver como o que dizem os políticos”, diz Nicolini. “Os países do Bric estão simplesmente mostrando seus músculos políticos”, comenta John Edmunds, acadêmico da Universidade Babson, dos Estados Unidos, colunista de AméricaEconomia, a respeito das declarações de China e Brasil sobre o dólar. “Apenas lançam o assunto e esperam que nós comecemos a debater a respeito.”

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 57


PRECISA-SE DE REGULAMENTAÇÃO

Regulamentação em gotas

Valor bruto de contratos vigentes de derivativos over the counter, em US$ bilhões FONTE: BANK FOR INTERNATIONAL SETTLEMENTS

I

40 35

33,8

30 25 20,35

20 15,81

15 11,14

10

9,79

5 0

DEZ06

JUN 07

DEZ 07

JUN 08

DEZ08

Papel do Estado U

ma coisa é a ideologia, outra é a necessidade. É preciso estabelecer a diferença e não colocar no mesmo saco os Estados Unidos tomando o controle da GM e do Citi e a Venezuela intervindo em uma empresa local para promover o socialismo do século 21. Obama disse que quer colocar a GM de novo em pé e sair rápido, enquanto Chávez não afirma o mesmo do setor de serviços petrolíferos, nem de outros setores. “O debate permanecerá vigente por vários anos”, diz Nicolini, da Universidad Torcuato di Tella. “Vínhamos de várias décadas que apontavam a um Estado pouco interventor na produção, e que um pouco em regulamentação e assistência social. A crise gerou a sensação de que é importante que o Estado ocupe lugares tanto na produção de serviços quanto na de bens.” Esta discussão terá influência direta na América Latina, pois vivemos entre esses dois pólos. De um lado, Brasil, Uruguai e Chile, países com governos de centro-esquerda com um estado que se preocupa com o social, mas que deixaram o capital privado cuidar do resto, e Venezuela, Bolívia e, em menor medida, Argentina, países onde o estado avança em direção a tomada de praticamente todas as decisões da sociedade.

58 AMÉRICAECONOMIA

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

ndependente da discussão de qual o grau ideal de regulamentação, “o que está se comprovando com a crise é que não houve supervisão suficiente no passado”, afirma Allen Berger, professor da Moore Business School. O bom é que deixamos para trás a necessidade imperiosa de regular apressadamente, o que certamente traria maus resultados. Sim, veremos mudanças operacionais nos mercados de derivativos e mudanças muito específicas nos níveis de liquidez requeridos dos bancos. Este último ponto, segundo Bernal, da Bulltick, limitará o limite de aposta dos bancos e, em conseqüência, também o retorno sobre seu patrimônio, seus lucros e os salários que oferecem. Ou seja, será o fim do debate sobre salários sem limites. E um forte incentivo para que, em dez anos, volte-se a debater uma nova desregulamentação. Mas, no momento, as pressões por maior regulamentação virão principalmente da Europa que dos Estados Unidos, país que decidiu aceitar com calma os anúncios de reformas no sistema financeiro. Mas, se apostamos em algo que ficará de tudo isso, apostamos em algo similar ao que disse Larry Summers, principal assessor econômico de Obama: governos com autoridade para intervir e liquidar instituições financeiras não bancárias com problemas; reguladores capazes de avaliar que certas instituições financeiras (quais? É algo que ainda está em debate) contem com capital suficiente para suportar as crises e que os interesses dos consumidores estarão acima dos interesses das empregas reguladas.

O objetivo central do Banco Central É

um dos temas mais importantes do debate atual: o que queremos que os bancos centrais façam no futuro. Grande parte dos bancos centrais dirige a política econômica com o objetivo de alcançar uma meta de inflação baixa. Mas, como Martin Wolf, economista inglês e colunista do Financial Times, não são poucos os que no passado declararam sua simpatia pelo “Santo Gral” das metas de inflação que hoje sinaliza que está chegando a hora “de se desenhar uma nova abordagem à política monetária”. Assim, a discussão girará em torno de se os bancos centrais deveriam incluir metas de crescimento ou a busca do pleno emprego. E também se deverão zelar para que não haja inflação do valor de ativos, fator determinante no surgimento de bolhas. “Grande parte das bolhas são explicadas por fortes expansões de crédito”, afirma Alejandro Gaviria, acadêmico da Uniandes, na Colômbia. “Os bancos centrais podem controlar a expansão desse combustível através da taxa básica de juros”. Mas nem todos concordam. Um deles é o economista chileno Francisco Rosende, decano da faculdade de Economia da Universidade Católica do Chile, que escreveu em uma coluna no jornal chileno El Mercurio que “seria muito azar se como conseqüência da crise reaparecessem propostas amplamente superadas como aquelas que sugerem incorporar aos objetivos dos bancos centrais a busca do pleno emprego e, inclusive, do desenvolvimento econômico”.

/ JULHO, 2009


A solvência dos governos O

s alarmes soaram quando a Standard & Poor’s declarou que o Reino Unido poderia perder sua classificação AAA, a mais alta, devido aos montantes envolvidos em seus pacotes de resgate. Independentemente das críticas às classificadoras por seu papel na crise subprime, muitos economistas logo começaram a especular se os EUA também não poderiam perder sua classificação AAA. De fato, a empresa de administração de ativos Pimco disse que isso “não seria improvável”. Um default dos Estados Unidos a caminho? Alto lá, senhores. Mesmo considerando o poder de atração de tal exercício teórico, é uma possibilidade muito remota. Que os países desenvolvidos deverão tratar de limitar o gasto público, disso não há dúvida. Mas não significa que os EUA passarão a ter baixo grau de investimento (há 10 graus entre AAA e BB+, a partir do qual um bônus deixa de ter investment grade). Também é certo que terão que aumentar impostos. Há quem diga horrorizado que a relação dívida/PIB do país subirá a 80%. Bem, o Japão já tem uma relação de 170% entre dívida e PIB. De fato, da próxima vez que ouvir alguém falar sobre os riscos de uma crise de insolvência dos EUA, conta as rugas em sua cara. O verdadeiro risco está na falta de vontade dos governos desenvolvidos de darem o menor sinal de disposição a reformar seus sistemas de previdência social ou de assistência médica. Isso sim é um buraco fiscal sem precedentes e a maior ameaça de insolvência.

Quando pisar no freio

O

s pacotes de estímulo contracíclicos não podem ser para sempre. Se fosse assim, deixariam de se contracíclicos. O problema é decidir quando começar a restringi-los, especialmente nos países em desenvolvimento e emergentes, sem correr o risco de entrar em outra recessão. Vale lembrar que os EUA voltaram a entrar em recessão em 1937, quando Roosevelt teve que deixar os pacotes de estímulo do New Deal. O que salvou esse gover-da no foi o início da Segunda

Guerra Mundial. O risco de esticar os pacotes além do adequado, porém, é a possível geração de bolhas ao se manterem artificialmente condições de crédito mais amplas que as req requeridas pela economia.

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 59


Atenção com o Leste Europeu P ode parecer uma região distante, mas o que acontece nos países do Leste Europeu que estão à beira da falência pode ter reflexos sociais e afetar toda a região. “São países extremamente endividados em moeda estrangeira e seus sistemas de câmbio não flutuam livremente”, diz Moreno, do BBVA. A exposição dos bancos da Europa Ocidental a esses países é enorme (de aproximadamente US$ 1,4 trilhão) e pode ser um novo foco de crise, com risco de afetar ainda mais as taxas de recuperação e causar maior desemprego. “Há sinais de reação, mas muitos governos da Europa agora estão jogando pela vida”, concorda Gaviria, da Uniandes. A América Latina não está próxima de replicar uma crise como as da Europa Oriental porque as autoridades econômicas locais aprenderam com experiências anteriores e conhecem os riscos do superendividamento em moeda estrangeira, o que veio acompanhado do desenvolvimento de mercados financeiros domésticos. E disso podemos nos orgulhar. Por aumentar as cotas de financiamento do FMI, a crise no Leste Europeu e nos países da Europa Ocidental foi uma oportunidade para que o Brasil mostrasse seu novo peso mundial ao oferecer financiar o FMI em cerca de US$ 10 bilhões.

O dinheiro do bem-estar O

Brasil ditou o modelo. E foi seguido por Colômbia, México e, em parte, pelo Chile. Os bons resultados dos últimos anos levaram alguns governos da região a colocar-se em dia com planos de apoio social. Estes programas têm sido especialmente bem-sucedidos no Brasil, com destaque para o Bolsa Família. “Estes modelos são muito fáceis de replicar, mas muito difíceis de desmontar”, diz Gaviria, da Uniandes. E será correto sacrificá-los se a crise exigir novos esforços fiscais? O debate continuará, mesmo que a resposta definitiva para esta questão seja não. A dimensão destes programas está ainda muito distante dos níveis de gasto representados pelos sistemas de bem-estar social dos países europeus e, inclusive, dos Estados Unidos. E têm sido fundamentais para lidar com a questão da estabilidade, inclusive nos momentos mais duros da crise. Sua rentabilidade em uma região que mantém alguns dos maiores índices de desigualdade do planeta tem sido evidente.

60 AMÉRICA AMÉRICAECONOMIA ECONOMIA

AS 500 MAIORE A MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009


maiores empresas

da América Latina ANÁLISE E RANKINGS

SETORES Alimentos Automotivo Bebidas Comércio Energia elétrica Mineração Petróleo e Gás Petroquímica Siderurgia Telecomunicações

66 68 70 72 74 76 78 80 82 84

Introdução Índice Ranking 500 Análise de rentabilidade Análise 500 por resultado As que mais ganharam e perderam As maiores por Ebitda As maiores empregadoras Variação patrimonial As mais endividadas As maiores por ativos Análise de eficiência Análise por propriedade As maiores locais e estrangeiras As maiores estatais As maiores exportadoras As maiores por setor As maiores do Brasil As maiores do México As maiores do Chile As maiores de vários países Movimentos no Ranking As novas no Ranking Metodologia América Latina em cifras

62 86 88 108 112 114 116 117 118 119 120 121 124 125 126 127 130 135 139 142 145 147 148 149 150

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 61


COM FREIOS DE AR Em 2008 as 500 Maiores Empresas da América Latina tiveram seu primeiro retrocesso em cinco anos, colocando um ponto final no maior período de expansão da história recente das corporações da região AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE

S

e associarmos as 500 Maiores Empresas da América Latinas destacadas em nosso ranking a uma grande frota de caminhões que avançam em alta velocidade na mesma direção, 2008 seria o ano de pisar no freio e dar marcha a ré. Não se trata de uma imagem literária sem sentido. O ano passado foi a primeira vez desde 2002 que a soma em dólares das vendas das 500 Maiores Empresas da América Latina caiu em relação ao ano anterior.

Em 2008, o volume total da receita retrocedeu 3,7%, um breque ainda mais brusco se comparado à expansão de 23,7% obtida em 2007. E não é só. É a primeira vez desde 1990, ano que começamos a editar este ranking, que a empresa N° 500 registra vendas inferiores à de N° 500 do ano anterior. No ranking do ano passado, a Colombiana de Comercio era a última da lista, com vendas de US$ 821,8 milhões em 2007; no ranking atual, o último lugar

QUEBRANDO BARREIRAS

Nº DE EMPRESAS COM VENDAS ACIMA DE US$ 1 BILHÃO FONTE: AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE

500 437

419

400

334 302

300 262

200

219

204

206

2000

2001

187

167

100

0 1999

62 AMÉRICAECONOMIA

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

ficou com Farmacias Benavides (México), que em 2008 faturou US$ 719 milhões. A isso se soma que pela primeira vez desde 2002 reduziu-se a quantidade de empresas com vendas acima da barreira do US$ 1 bilhão – das 437 no ranking do ano passado às 419 deste ano. Ou seja, é oficial: 2008 foi o ano que colocou um ponto final no mais bem-sucedido período de expansão das grandes corporações latinoamericanas, cujas vendas passaram de US$ 831,6 bilhões em 2001 a US$ 1,9 trilhão em 2007. O retrocesso de nossa frota latino-americana tem uma causa sem mistério: a crise econômica global. Esta impactou diretamente nas 500 através de uma forte contração do comércio global, uma profunda queda no preço das commodities e uma desvalorização generalizada das moedas locais frente ao dólar dos EUA, usado como referência para este estudo. No caso dos caminhões que transportavam matériasprimas – os maiores e mais dinâmicos desta frota – a pista começou a mostrar-se repentinamente pedregosa. Em julho do ano passado, os preços do cobre, do alumínio, / JULHO, 2009

AS 500 NA HISTÓRIA QUANDO SE SUBIA COMO ESPUMA FONTE: AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE

Ano

Vendas

Var.

Mínimo

1991

324.069,8

3,9%

196,0

1992

375.102,7

15,7%

166,5

1993

402.867,2

7,4%

162,6

1994

512.087,0

27,1%

193,5

1995

544.318,2

6,3%

215,5

1996

553.580,3

1,7%

267,2

1997

645.180,0

16,5%

350,4

1998

629.847,0

-2,4%

316,0

1999

624.527,4

-0,8%

278,5

2000

881.208,1

41,1%

357,7

2001

855.427,7

-2,9%

331,7

2002

831.571,6

-2,8%

324,9

2003

938.208,0

12,8%

362,0

2004

1.122.496,6

19,6%

464,3

2005

1.364.398,2

21,6%

526,2

2006

1.581.618,0

15,9%

570,3

2007

1.955.734,7

23,7%

821,8

2008

1.882.521,8

-3,7%

719,0

da soja, do trigo, do petróleo e da celulose registravam máximas históricas, e somente um mês depois iniciaram uma pronunciada queda, sem prazo para terminar. A escassez de divisas, outra grande enxaqueca de 2008, afetou boa parte das 500 Maiores Empresas da América Latina. O fator câmbio foi especialmente forte nas duas principais economias da região, que aportam o maior número de empresas ao ranking. No Brasil, por


As 500 por país SOMBRA DO SUL

OITO EMPRESAS MEXICANAS SUBSTITUÍDAS POR PERUANAS E CHILENAS FONTE: AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE

RK 2008

PAÍS

NÚMERO DE EMPRESAS

VENDAS TOTAIS (US$ MILHÕES)

VAR % 08/07

PARTIC. % 2008

2004

2005

2006

2007

2008

2004

2005

2006

2007

2008

1

Brasil

203

204

207

211

212

428.755,3

534.077,5

610.088,2

825.018,2

746.786,7

-9,5

39,7

2

México

154

138

111

134

126

442.722,6

490.811,1

532.016,3

645.721,6

588.245,5

-8,9

31,2

3

Chile

48

54

63

55

60

74.838,1

103.043,9

137.953,1

158.345,4

164.322,2

3,8

8,7

4

Venezuela

11

11

12

7

7

74.638,3

98.294,2

118.360,8

109.557,5

147.586,6

34,7

7,8

5

Argentina

32

36

41

36

35

45.724,0

65.585,2

88.240,6

107.736,8

117.493,5

9,1

6,2

6

Colômbia

28

30

35

31

28

27.726,7

36.037,8

46.945,5

58.597,4

59.484,0

1,5

3,2

7

Peru

11

12

18

15

21

12.464,2

16.368,3

26.085,2

29.091,7

32.300,0

11,0

1,7

8

Equador

2

5

3

3

3

4.662,5

8.210,6

8.684,0

9.444,4

13.182,6

39,6

0,7

9

Costa Rica

6

4

3

3

3

6.642,9

6.072,0

4.640,4

5.594,2

6.180,8

10,5

0,3

10

Panamá

1

2

2

2

2

1.063,5

1.817,7

2.294,0

2.756,5

3.273,9

18,8

0,2

11

Uruguai

1

2

2

2

2

1.000,7

2.188,3

2.230,7

2.933,0

2.725,9

-7,1

0,1

12

El Salvador

1

1

1

1

1

521,0

791,7

928,3

13

Guatemala

2

1

2

-

-

1.734,8

1.100,0

3.151,0

500

500

500

500

500

Total

exemplo, o dólar passou de R$ 1,76 em 31 de dezembro de 2007 para R$ 2,41 em 31 de dezembro de 2008, o que significa uma desvalorização de 37,1% em um ano. No México, a história se repete (25,1%), bem como no Chile (26,9%). Em contrapartida, a desvalorização do dólar foi moderada no Uruguai, na Colômbia, Costa Rica e Argentina – entre 12,5% e 9,3%. No Peru e no Paraguai, observam-se as menores desvalorizações: respectivamente, de 4,7% e 4,2%.

PETRÓLEO NA CABEÇA Apesar das mudanças globais, o topo do ranking continua dominado pelas três grandes petrolíferas da região – a mexicana Pemex, a brasileira Petrobras e a venezuelana Pd-

vsa –, como acontece desde a criação deste ranking. No caso da Pdvsa, recomendamos ao leitor a observação cuidadosa dos números. Apesar de as cifras oficiais da companhia indicarem que sua receita em dólares aumentou 30,1% em 2008, é preciso lembrar que o percentual foi calculado a partir do câmbio oficial do bolívar – fixado em 2,14 por dólar, muito acima do câmbio real que há na economia. Além disso, há questionamentos bastante sólidos à contabilidade da companhia, especialmente no que se refere à certificação de seus níveis de produção e à valorização dos subsídios que a empresa oferece ao vender combustíveis no mercado interno e a países amigos (ver matéria pág. 35). Voltando à metáfora da frota de caminhões, o que

938,0

940,0

-

-

1.122.496,6 1.364.398,2 1.581.618,0 1.955.734,7 1.882.521,8

passou em termos reais não foi que a Pdvsa acelerou mais que as petrolíferas do Brasil e México, mas que seu tacômetro está mal-regulado. Por isso, apesar de a companhia venezuelana estar no ranking principal, ela não foi considerada nos sub-rankings. Além disso, a briga mais interessante para ver quem é

0,2

0,0

-

-

-3,7

100,0

a maior empresa da América Latina se dá efetivamente entre Petrobras e Pemex. Dependendo do câmbio utilizado para fazer a comparação, alguns analistas dizem que em 2008 a brasileira registrou vendas superiores às da mexicana. Mas ao usar o valor do dólar relevante para este estudo (o do último dia do ano anterior,

ESCASSEZ DE DIVISAS 2008 VARIAÇÃO CAMBIAL (US$) DE PAÍSES SELECIONADOS

FONTE: AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE, A PARTIR DE DADOS DE REUTERS E OANDA

40

37,1

30

26,9

25,1

20 12,5

11,7

10

-10

BR.$

CH.$

MX.$

UR.$

CO.$

9,6

CR.$

9,3

AR.$

4,7

4,2

PE.$

PA.$

-7,4 B0.$

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 63


tal como especificado em Metodologia, na pág. 149), a atribulada petrolífera mexicana ainda supera – por muito pouco – a brasileira. Mas essa é somente uma das histórias que há por trás deste ranking. Isso porque, voltando a nossos caminhões, pode-se dizer que 2008 apresentou-se como uma pista que superou a capacidade de algumas unidades da frota, permitindo a entrada de outras mais bem-preparadas. Os brasileiros continuam imperando na rota. E somaram uma nova máquina ao grupo, chegando a 212 em 2008. Mas todas reduziram a velocidade, pois o conjunto de suas vendas caiu de US$ 825 bilhões em 2007 a US$ 746,8 bilhões em 2008 (-9,5%). Devido à sua dependência dos EUA, epicentro da crise, a frota mexicana viu-se ressentida, pois teve que resignar-se à saída de oito caminhões. Restaram apenas 126 na rota, o que, em termos de vendas, significa que os US$ 588,2 bilhões de 2008 representam

uma queda de 8,9% em relação ao ano anterior. Quem se aproveitou da debilidade mexicana foram seis caminhões peruanos e cinco chilenos que subiram ao pelotão das 500, ampliando suas frotas nacionais a, respectivamente, 21 e 60 máquinas, o que permitiu a ambos os países aumentarem suas velocidades médias (crescimento em vendas) – em 11% no caso do Peru e em 3,8% no caso do Chile. Quanto aos caminhões argentinos, estes aceleraram 9,1%, somando vendas de US$ 117,5 bilhões. Mas o país perdeu um carro, ficando com 35. Algo parecido aconteceu com os colombianos, que registraram aumento de 1,5% nas vendas (US$ 59,4 bilhões em 2008), mas com três caminhões a menos, totalizando 28.

Com 212 empresas, o Brasil continua sendo o país que mais aporta empresas ao ranking. Mas o total das vendas das brasileiras caiu 9,5% em relação a 2007 retrocesso de 4,7%. A crise financeira teve um impacto forte no consumo e muito do que se avançou na cobertura de crédito em anos anteriores foi perdido em 2008. Mas houve empresas varejistas que de qualquer forma conseguiram resultados de peso. É o caso, por exemplo, das chilenas Cencosud e Falabella, que incrementaram sua presença regional em 2008, bem como as operações da francesa Carrefour na Argentina e no Brasil. Mais dramáticos, entretanto, foram os casos dos setores de telecomunicações e de bebidas, que registraram quedas de 12,8% e 13,9%, respectivamente, com vendas totais de US$ 148,2 bilhões e US$ 54,8 bilhões.

ROTAS DE MERCADO O setor de comércio, que em 2008 totalizou vendas de US$ 187,5 bilhões, mostrou um

No setor automotivo, o panorama geral pode ser enganador. Apesar de as vendas totais terem caído apenas 4,5%, o que é pouco em comparação com os níveis mundiais dessa indústria, 20 das 33 empresas que fazem parte do ranking sentiram a crise em suas vendas. No caso de energia elétrica, que envolve empresas geradoras, transmissoras e distribuidoras, observa-se uma queda nas vendas totais de 8,8%, sobre um total em 2007 de US$ 130,4 bilhões. Isso se explica em parte por ser um setor regulado que possui menos margem de manobra para sobreviver aos choques internacionais. Já o setor de construção curiosamente mostra um

EVOLUÇÃO MENSAL DO PREÇO DAS COMMODITIES

COBRE ALUMÍNIO PETRÓLEO CELULOSE SOJA TRIGO

ÍNDICES EM BASE 100 FONTE: REUTERS

160 140 120 100 80 60 40 20

DEZ 07

FEV 08

64 AMÉRICAECONOMIA

ABR 08

JUN 08

AGO 08

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

OUT 08

DEZ 08

FEV 09

ABR 09


As 500 por setor O IMPÉRIO DOS HIDROCARBONETOS

APESAR DA MONTANHA RUSSA DOS PREÇOS, AS PETROLÍFERAS CONSEGUIRAM EQUILIBRAR SUAS VENDAS EM 2008 FONTE: AMÉRICAECONOMIA INTELLIGENCE

NÚMERO DE EMPRESAS

RK 2008 SETOR

VENDAS TOTAIS (US$ MILHÕES)

Var % 08/07

Particip. % 2008

2004

2005

2006

2007

2008

2004

2005

2006

2007

2008

1

Petróleo/Gás

33

34

35

32

37

290.420,3

377.666,0

447.073,3

494.022,7

506.996,6

2,6

26,9

2

Comércio

76

71

72

70

74

125.495,0

140.382,6

162.591,0

196.662,9

187.507,1

-4,7

10,0

3

Telecomunicações

42

45

43

41

37

97.356,1

124.363,2

141.873,6

170.013,1

148.210,3

-12,8

7,9

4

Siderurgia/Metalurgia

43

42

36

40

36

66.444,6

90.537,8

94.909,0

147.002,5

138.910,3

-5,5

7,4

5

Energia elétrica

44

45

46

44

43

74.379,9

92.450,9

104.646,7

130.432,0

119.015,4

-8,8

6,3

6

Automotivo/Autop.

30

29

31

33

33

77.921,2

76.646,6

91.997,7

123.943,5

118.340,7

-4,5

6,3

7

Mineração

27

27

36

33

32

50.886,3

64.959,4

103.226,0

126.094,4

107.332,4

-14,9

5,7

8

Multissetor

25

25

29

14

15

71.629,3

86.221,7

108.558,0

92.377,7

88.093,6

-4,6

4,7

9

Agroindústria

16

15

14

20

19

33.543,9

26.965,8

26.685,1

58.003,6

64.640,5

11,4

3,4

10

Petroquímica

13

14

14

43.633,7

57.552,8

59.191,1

2,8

3,1

16

Química/Farmácia

17

20

18

16.502,6

29.687,9

27.610,5

-7,0

1,5

11 12

38

36

Bebidas

18

18

19

15

Alimentos

24

26

24

24

13

Eletrônica

14

14

11

14

Transporte/Logística

20

19

15

Cimento

7

17

Construção

18

Celulose/Papel

19

Manufatura

4

8

8

-

-

20

Mídia

7

7

7

6

5

7.469,5

9.403,7

21

Serviços básicos

7

8

3

6

6

8.015,1

11.125,1

22

Serviços de saúde

4

3

4

6

6

2.451,6

23

Serviços gerais

5

2

2

24

Máquinas/Equip.

2

3

4

25

Aeroespacial

26

Têxtil/Calçados Total

51.546,1

57.268,7

15

38.927,5

49.835,4

58.308,4

63.686,9

54.849,0

-13,9

2,9

25

29.859,1

38.333,2

37.604,0

52.408,6

53.102,5

1,3

2,8

20

20

20.857,3

22.359,2

18.937,8

42.521,0

44.675,7

5,1

2,4

15

17

19

25.551,1

29.761,5

23.521,4

31.737,8

35.454,1

11,7

1,9

7

8

7

6

15.797,6

23.214,1

27.952,5

33.963,3

28.096,7

-17,3

1,5

9

9

9

13

13

7.329,2

10.384,2

12.761,3

21.110,4

23.125,7

9,5

1,2

9

11

12

9

10

11.645,3

14.500,8

16.750,8

18.576,4

17.035,6

-8,3

0,9

4.006,9

13.310,4

12.037,3

-9,6

0,6

10.854,6

12.237,4

10.475,1

-14,4

0,6

4.733,5

11.526,5

9.846,7

-14,6

0,5

2.409,1

3.244,3

7.153,9

7.764,4

8,5

0,4

-

-

9.125,2

7.779,2

7.025,3

-9,7

0,4

2.652,6

4.528,6

4.543,8

5.163,1

5.989,9

16,0

0,3 0,3

-

-

-

3

3 1

1

1

1

4

5

4

2

2

500

500

500

500

500

-

aumento na receita total de 9,5% em 2008, refletindo em parte a força de sua inércia. Já o setor de cimento, associado ao de construção, mas muito mais sensível às mudanças da demanda, teve a segunda queda setorial mais pronunciada (-17,3%), depois de têxtil e calçados (-30,7%). Vale destacar a expansão do setor de transporte/logística, que envolve companhias aéreas, navais, operadores de portos e aeroportos. Desde 2001, as empresas do setor

têm desenvolvido um modelo de negócios muito mais flexível, com base no aluguel de barcos e aviões, ganhando flexibilidade para ajustar sua oferta e custos a uma contração da demanda. Isso explica a notável taxa de crescimento de 11,7%, com receita total

1.664,6

3.902,0

3.912,0

5.636,2

5.026,4

-10,8

2.969,6

3.664,8

3.130,5

2.169,0

-30,7

0,1

-3,7

100,0

1.122.494,6 1.364.398,2 1.581.618,0 1.955.734,7 1.882.521,8

de US$ 35,5 bilhões. E como será a viagem dessa nossa frota em 2009? Os resultados do primeiro trimestre indicam um ano mais complicado que 2008. Projeção que é consistente com a história deste estudo, pois cada vez que as 500 são impactadas por

uma crise – como a asiática, em 1998, seguida do atentado às Torres Gêmeas em 2001 –, registraram dois anos de retrocesso nas vendas. Será preciso esperar até 2010 para que esses grandes caminhões latino-americanos possam voltar a acelerar. Q

Por volta dessa cifra estão os maiores crescimentos setoriais: transportes e agroindústria JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 65


RODRIGO DÍAZ CARRIZO

SETOR ALIMENTOS

Primeiro a cair, primeiro a subir Setores de agronegócios e alimentos se recuperam mais rápido que os demais. Por questões políticas, situação na Argentina é ponto fora da curva Dubes Sônego

F

oram necessários dez anos de conjecturas e a perda de R$ 2,5 bilhões de reais em derivativos para inverter a ordem dos fatores e acelerar 66 AMÉRICAECONOMIA

o processo. Mas, finalmente, no dia 19 de maio, Perdigão e Sadia fundiram-se dando origem à maior empresa de alimentos da América Latina (e uma das dez maiores do

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

mundo), a Brasil Foods, com faturamento anual líquido superior a US$ 10 bilhões. O ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina de AméricaEconomia reflete as / JULHO, 2009

posições de mercado em período anterior à concretização do negócio. Mas, seria impossível ignorar a mudança no topo do ranking e os impactos do negócio, que depende agora da aprovação de órgãos reguladores de concorrência. A fusão permitirá ganhos de competitividade principalmente em logística, no Brasil e lá fora. Mas há a preocupação de que a nova companhia possa impor preços em diversos segmentos de alimentos industrializados – carnes resfriadas, carnes congeladas, massas e pizzas semiprontas. “Em média, eles são donos de 70% desses mercados. Na medida em que se fundem, ficam ainda mais fortes”, avalia Renato Prado, analista da Fator Corretora. Por conta disso, ainda que a Brasil Foods negue a intenção de usar seu poderio econômico para ampliar margens, Prado afirma que faria sentido o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) condicionar a fusão à venda de algumas marcas no Brasil. No segmento de lácteos, onde apenas a Perdigão atuava, e lá fora, porém, não deve haver restrições, diz o analista.

PANORAMA LATINO Mas não são só Sadia e Perdigão que têm motivos para comemorar. Desde o início do ano, os preços das principais commodities agrícolas exportadas pela América Latina vêm se recuperando bem. As cotações médias mensais do açúcar no mercado internacional, por exemplo, estão hoje acima do patamar máximo do ano passado, alcançado em agosto. Enquanto soja, milho e trigo acumulam, de janeiro a maio deste ano, altas aproximadas


de 28%, 13% e 10%, respectivamente. Desempenhos bem melhores que o do índice Dow Jones no período. “É óbvio que ainda existem problemas sérios, como a quebra de safra no Rio Grande do Sul, que tem impacto importante na produção brasileira. O algodão não vai tão bem e a exportação de frutas (manga, maça, uva e goiaba) foi bastante impactada pela crise. A Argentina também sofre muito”, diz José Maria Ferreira da Silveira, professor do Instituto de Economia da Unicamp. “Mas, o preço das proteínas tende a subir”, enfatiza. Algo que acontece, em parte, porque a China, menos afetada pela crise, ainda é a grande responsável pelo crescimento da demanda mundial. E, em parte também, pelo fato de se tratar de um setor de bens indispensáveis, tradicionalmente menos afetado em recessões. O risco, assim, seria apenas o de troca de produtos mais caros porr outros mais baratos.

AGROINDUSTRIA Y ALIMENTOS Nº

EMPRESA

PAÍS

VENTAS UTILIDAD VAR. VEN- VARIACIÓN ROE 2008 US$ NETA 2008 TAS 08/07 UTILIDAD (%) Millones US$ Millones (%) 08/07 (%)

SECTOR / RUBRO

1 JBS FRIBOI

BRA Agroindustria

12.982,6

11,1

62,6

111,9

0,4

0,2

0,1

18

2 BUNGE ALIMENTOS

BRA Agroindustria

9.521,1

0,9

8,4

104,7

0,1

0,0

0,0

37

3 CARGILL

BRA Agroindustria

6.853,9

-164,0

-4,1

-106,3

-134,2

-6,6

-2,4

56

4 CARGILL

ARG Agroindustria

5.970,2

N.D.

26,4

-

-

-

-

65

5 BUNGE

ARG Agroindustria

4.190,0

N.D.

44,5

-

-

-

-

97

1 GRUPO BIMBO

MÉX Alimentos

5.951,0

312,3

-11,5

-12,0

12,6

7,4

5,2

66

2 NESTLÉ

BRA Alimentos

5.369,4

N.D.

-23,8

-

-

-

-

76

3 PERDIGÃO

BRA Alimentos

4.875,1

23,3

30,2

-87,2

1,3

0,5

0,5

82

4 SADIA

BRA Alimentos

4.590,8

-1.063,3

-5,7

-373,3

-604,8

-18,2

-23,2

89

5 GRUPO MASECA

MÉX Alimentos

3.238,2

-888,6

-1,3

-534,3

-223,0

-27,7

-27,4

126

11,5

-128,5

-12,8

0,7

-0,3

4,3

-90,5

-42,0

1,3

-0,1

PROMEDIO SECTOR AGROINDUSTRIA PROMEDIO SECTOR ALIMENTOS * Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

latino-americanos no mercado internacional de carne bovina, como a Austrália, enfrentam problemas climáticos graves e tendem a manter ou reduzir embarques ao exterior. O que abriria espaço para um crescimento de exportadores da região, como Brasil e Uruguai. O que permitiria traçar um panorama geral da região “de estável para bom”, segundo Ferraz.

Rafael Tardaguila, diretor da Blasina & Tardaguila e editor da newsletter FaxCarne. “É um problema político gravíssimo”, concorda Ferraz, da Agra/FNP. “Existe a previsão de que o país (tradicional exportador de carne) possa vir a se tornar um importador líquido de carne em dois ou três anos”, afirma. “A Argentina vai desaparecer”, diz Patricia Van Ploeg, consultora independente do

bilhões de dólares ou mais é quanto fatura anualmente a nova gigante Brasil Foods. No setor N t dde carne, os úúnicos i que enfrentam mais dificuldade são os produtores de suínos, devido ao medo (até agora infundado) da “gripe suína”. “Os preços da carne de frango estão se recuperando bem. Os da carne de boi já se recuperaram e tendem a manter essa tendência”, afirma o professor da Unicamp. Além disso, segundo José Vicente Ferraz, diretor Técnico da Agra/FNP, consultoria especializada em agronegócios, grandes concorrentes dos países

ROA MARGEN RK (%) NETO (%) 2008

EXCEÇÃO Com o Chile forte na exportação de frutas e um Paraguai onde o agronegócio cresce, apesar de problemas como a insegurança jurídica, um dos poucos pontos fora da curva na região deverá ser mesmo a Argentina que, além de problemas políticos, enfrenta uma forte seca. “A preocupação do governo argentino têm sido manter os preços da carne e da soja os mais baixos possíveis, para ganhar o eleitorado”, afirma o uruguaio

setor de agronegócios no país. Segundo ela, no setor de carnes, em particular, a situação é oposta a do Uruguai, que segue aumentando exportações, nos últimos cinco anos. E já superou a Argentina, em volumes. “Lá o governo conscientizou a população a comer menos cortes exportáveis mais caros. Na Argentina, o governo incentiva o consumo interno de cortes nobres”, conta. Na Argentina, não existem, em tese, restrições às exportações. Mas dificuldades burocráticas restringem o

comércio exterior. De forma semelhante, estão em queda livre no país a produção de outras commodities, como o trigo e o milho, usado também como ração animal.

MAR DE PROBLEMAS O México, tradicional importador líquido de alimentos, é outro caso à parte. Mas por motivos diferentes. Segundo José Antonio Castiglione, professor da Universidade Iberoamericana, a retomada das commodities deverá dificultar a situação do país, que compra de fora cerca de 70% do arroz, 60% do trigo, 30% do milho e 90% da soja que consome. “Em 2008, as commodities alcançaram preços recorde, as importações do setor chegaram a US$ 6 bilhões e houve forte pressão inflacionária”, diz. Este ano, diz, não deverá acontecer o mesmo, já que é difícil que os preços voltem aos patamares pré-crise. E a inflação está em queda. Mas, destaques positivos, como a panificadora Bimbo, com várias plantas fora do país, continuarão a ser exceção. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 67


RODRIGO DÍAZ CARRIZO

SETOR AUTOMOTIVO

Força doméstica O Brasil parece não ver risco frente à reconfiguração mundial da indústria automotiva. Mas o México ainda espera Solange Monteiro

D

ia 14 de maio de 2009 foi de comemoração para o setor automobilístico brasileiro: nessa quinta-feira, bateu-se a marca de 1 milhão de carros novos vendidos no País, um dia antes do que em 2008. Graças à boa resposta dos motoristas frente ao pacote de incentivos lançado no final de 2008 – desoneração fiscal por parte do governo, juros mais baixos, prazos de pagamento mais longos e descontos extras oferecidos por montadoras e concessionárias –, o País conseguiu reagir à ameaça configurada em novembro de 68 AMÉRICAECONOMIA

2008, quando a queda de 34% na produção impediu que o setor virasse o ano com confete. “Até agora só não se conseguiu evitar essa retração em caminhões e ônibus, que demorarão mais para se recuperar”, diz Paulo Roberto Grabossa, da consultoria ADK Automotive, em São Paulo. Com baixa dependência das vendas externas (cerca de 15% são exportações) e rápida reação na venda de autos leves frente à situação em outros grandes mercados da região e do mundo, o País do flexfuel não só conseguiu afastar o fantasma do desemprego em

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

massa: também afirmou sua presença no redesenho do mapa da indústria automotiva desde que o grupo de Detroit – GM, Chrysler e, em menor medida, a Ford – acelerou sua decadência anunciada. É certo, todos estão conservadores. “Nossa estimativa para este ano é de que o mercado interno tenha uma queda de 3,9% em relação a 2008, e deveremos produzir cerca de 2,86 milhões de veículos, 11% menos que em 2008 (3,22 milhões)”, diz Jackson Schneider, presidente da associação brasileira de fabricantes (Anfavea). Até a principal montadora / JULHO, 2009

do País, a Volkswagen – que nunca conseguiu existir para o mercado norte-americano, o que pontualmente hoje chega a ser uma vantagem – tem claro que os resultados mundiais em 2009 podem ser de perdas recordes. Isso sendo uma das poucas que fechou a operação global em 2008 no azul e a única, junto com a Hyundai, que conseguiu continuar sem perdas no primeiro trimestre deste ano. “Mas o Brasil comprovou que continua rentável e nenhuma companhia vai deixar de alimentar a galinha que ainda lhe dá ovos”, diz Grabossa. Honda, Toyota e Nissan ampliaram o número de modelos fabricados no Brasil, e Ford e Fiat têm sólidas operações locais. Esse parece ser o mote também da GM no Brasil depois da concordata da matriz norte-americana. Além do anúncio de um investimento de US$ 1 bilhão que ao fe-


chamento desta edição ainda seria detalhado, a montadora também sinalizou outras novidades. Entre elas, segundo o presidente da GM do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, maior independência da operação, apoio a seu centro tecnológico e a migração do vínculo com a tecnologia europeia do Opel para a asiática, com a futura produção de carros coreanos no País. Isso sem contar um programa de investimentos prévio de US$ 2,5 bilhões entre 2007 e 2012 para Brasil e Argentina que implica a construção de uma fábrica de motores em Joinville e o lançamento de uma nova família de carros, a Viva, desenvolvida pela equipe brasileira e cujos primeiros modelos poderão sair de Rosario e São José dos Campos. É exatamente essa sinergia entre vizinhos que hoje serve de apoio ao mercado argentino. Com um primeiro quadrimestre de quedas na produção (39% em relação a mesmo período

AUTOMOTIVO Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROA MARGEM (%) LÍQ.(%)

RK 2008

1 GENERAL MOTORS DE MÉXICO (2) MÉX 12.027,0

N.D.

7,2

-

-

-

-

25

2 VOLKSWAGEN

BRA 10.702,8

N.D.

-10,4

-

-

-

-

28

MÉX 10.529,1

3 NISSAN MEXICANA

N.D.

4,0

-

-

-

-

30

4 CHRYSLER (2)

MÉX

9.120,0

N.D.

-6,5

-

-

-

-

39

5 GENERAL MOTORS

BRA

8.329,0

N.D.

28,6

-

-

-

-

45

6 VOLKSWAGEN DE MÉXICO (2)

MÉX

8.140,0

N.D.

-6,1

-

-

-

-

46

(2)

7 FIAT AUTOMÓVEIS

BRA

7.897,9

801,6

-3,4

-

133,1

25,4

10,1

49

8 FORD MOTOR COMPANY (2)

MÉX

5.885,4

N.D.

-19,4

-

-

-

-

69

9 FORD (2)

BRA

5.350,3

N.D.

-7,3

-

-

-

-

77

MÉX

3.093,5

N.D.

-40,9

-

-

-

-

131

-3,7

-59,9

33,6

8,6

4,3

10 DELPHI AUTOMO. SYSTEMS (2) MÉDIA SETORIAL

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

presidente da Renault Argentina e da associação automotiva do país (Adefa). “O único que tem resistido, nosso maior comprador, é o Brasil.” Um claro indício de que também os argentinos dependerão da reação do mercado brasileiro no segundo semestre, caso os benefícios fiscais não sejam renovados. Maciet destaca que a tensão do momento é mais mald

pior é o México. Tendo como principal montadora do país a GM e a maior parte de sua produção voltada ao mercado externo, sobretudo aos EUA, os mexicanos hoje se sentem muito mais vulneráveis quanto ao futuro das montadoras do Norte. Quando a norteamericana entrava em seus primeiros dias de concordata, em Silao, a fábrica da GM estava em sua terceira interrupção

foi a queda na produção mexicana de carros no primeiro quadrimestre de 2009 de 2008) e nas vendas internas (30%), a Argentina tem sofrido mais. No âmbito doméstico, o aumento do prazo de financiamento não surtiu o resultado esperado. As exportações, que consomem mais da metade da produção local, também sofreram sobretudo devido ao México, segundo mercado de destino. “O câmbio nos afetou muito. O peso argentino valorizou-se cerca de 30% em relação ao mexicano. E desse jeito é quase impossível vender”, diz Dominique Maciet,

ROE (%)

ab absorvida no segmento de autopeças, em que várias fábricas já ameaçam fechar devido à queda no faturamento. Entre elas está a alemã Mahle, instalada em Rosario, que deseja migrar sua operação ao Brasil. “É um movimento muito relacionado aos custos de produção, e não é raro ver essa avaliação de trocas de posição entre os dois países. Mas vejo a Argentina retomando uma condição vantajosa”, afirma. E se de relação de vizinhos se trata, quem ainda leva a

de trabalho do ano, afetando 3 mil trabalhadores e com reflexo direto nas fornecedoras locais– que enviam 60% da produção aos EUA e que só para a GM venderam US$ 7 bilhões em 2008. “Tivemos um 2008 ruim, investimentos novos vindos da Ásia, como o Geely, não se concretizaram, e neste ano já registramos queda de 42% na produção”, diz Albrecht Ysenburg, sócio de Auditoria e líder de análise do setor automotivo da KPMG no México.

E como se não bastasse isso, outra novidade poderá mover ainda mais as peças no mercado mexicano: o apoio do governo de Barack Obama à produção de carros elétricos, sejam eles híbridos ou plug and play. “Hoje essa iniciativa do governo é baseada em três fatores: na geração de emprego, na questão ambiental e na segurança energética, devido à alta dependência do petróleo”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). “E fará parte de uma tendência natural de diversificação.” No caso do México, o movimento é de alta relevância, já que seu foco dificilmente sairá do mercado vizinho. No início de junho, um executivo da GM México afirmou que a empresa deverá manter programas de investimento no país e que espera que o México seja escolhido para fabricar motores ou modelos híbridos dentro dessa nova estrutura. “Temos uma produção competitiva que comportaria muito bem tal mudança”, diz Ysenburg, da KPMG. Fortaleza fundamental para que o setor não dê marcha a ré. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 69


RODRIGO DÍAZ CARRIZO

SETOR BEBIDAS

Um brinde à liquidez Empresas vivem relativa tranquilidade em relação a outras indústrias Soledad Gómez

Q

ualquer um gostaria que lhe estendessem a mão em um momento como o atual. Sobretudo se nesta estiver uma cerveja gelada ou um refrigerante. Apesar de 2009 não ser um ano de muitos avanços, não falta liquidez às empresas do setor na região. Segundo relatório do Euromonitor, enquanto a crise durar, em nível global, também se registrará crescimento do consumo de cerveja e das 70 AMÉRICAECONOMIA

bebidas engarrafadas. Menos consumidores nas mesas dos restaurantes e bares não significa que as pessoas passem a beber menos; só sugere que o farão em suas casas. Como diz Mary Taibon, analista do Euromonitor para a América Latina, se tal projeção se replicar no continente, será um ano decente para as cervejarias da região, especialmente porque “nos próximos meses veremos uma tendência ao consumo de produtos mais baratos, e isso significará comprar

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

menos cerveja importada e preferir marcas locais”. Boa notícia para empresas como a AmBev (N° 41 no Ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina), que, segundo o Euromonitor, em 2008 dominou mais de 56% do mercado brasileiro, seguida pelo Grupo Schincariol (N° 419), com 13,6% de participação. Como este é um setor que depende da avidez dos consumidores locais, o país mais afetado deverá ser o México. Segundo Christine / JULHO, 2009

Farkas, analista da Merrill Lynch, “o consumo de bebidas cresce a um múltiplo de 1,5 a 2 vezes o PIB”. Por isso, esse país, cuja economia poderá retroceder até 5,6% este ano, de acordo com estimativas da própria Merrill Lynch, é o que tem as perspectivas mais preocupantes. Mesmo assim, grandes empresas como o Grupo Modelo (N° 74), com 51% do mercado de bebidas alcoólicas, ou a Femsa (N° 22), com pouco mais de 40%, não preocupam os analistas.


Mesmo com um cenário adverso, Joe Borman, gerente de análise corporativa para a América Latina da Fitch Ratings, acha que as companhias mexicanas do setor são suficientemente resistentes. “Se nos fixamos nos balanços, a maioria tem muita flexibilidade em um período de queda. Muito mais do que outras do setor de alimentos ou mineração, por exemplo”, afirma. Os dados da empresa norteamericana Mintel mostram que o consumo de cerveja no país alcançou os 8,4 bilhões de litros em 2008, aumento de quase 480 milhões em relação a 2007. O consumo de refrigerantes, entretanto, está sendo levemente afetado. E, nisso, parte da culpa vem do aumento do preço do açúcar e da queda na economia no último trimestre do ano passado. Estimativas apontam que a reação desse mercado só se dará em 2010. O analista

BEBIDAS Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROA MARGEM (%) LÍQ. (%)

RK 2008

1 FEMSA

MÉX 12.146,9

484,9

-10,1

-37,8

9,7

3,6

4,0

2 AMBEV

BRA

8.942,9

1.309,1

-19,4

-17,7

17,7

8,2

14,6

41

3 COCA-COLA

BRA

6.418,5

N.D.

-5,1

-

-

-

-

61

4 COCA - COLA FEMSA

MÉX

5.998,6

404,7

-5,4

-36,1

10,0

5,7

6,7

62

5 GRUPO MODELO

MÉX

5.448,2

651,7

-18,4

-25,1

14,6

8,5

12,0

74

6 GRUPO PEPSICO

MÉX

3.300,0

N.D.

-5,7

-

-

-

-

123

7 CERV.CUAUHTÉMOCMOCTEZUMA)

MÉX

3.075,7

391,4

-7,8

-20,9

-

8,2

12,7

132

8 BAVARIA

COL

1.635,1

273,6

-9,2

-21,7

12,8

6,6

16,7

263

9 EMBOTELLADORAS ARCA

MÉX

1.463,8

212,9

-14,0

-6,5

20,2

13,7

14,5

292

10 EMBOTELLADORA ANDINA

CHI

1.346,8

150,7

314

MÉDIA SETORIAIS

4,9

-8,4

27,4

15,7

11,2

-6,9

-29,7

14,2

8,5

10,7

22

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

tranquilo em outros mercados importantes da região, como Brasil e Argentina. No Brasil, espera-se que as temperaturas, que em 2008 foram mais baixas que o comum, voltem a subir, o que vai gerar mais vendas, especialmente de cerveja. Em 2009, segundo a Mintel, poderão chegar ao montante de US$ 26,7 bilhões. E, em 2010, a US$ 28,5 bilhões, frente a

espera-se que alcancem os US$ 104,82 bilhões, segundo o Euromonitor. Em bebidas alcoólicas, o aumento será de US$ 123,11 bilhões em 2008 a US$ 129,52 bilhões em 2009, acompanhado também por um aumento de volume. “Se há algo que essas empresas têm em comum é que todas estão gerando um fluxo de caixa saudável nos últimos anos e não estão muito

subirão as vendas de cerveja no Brasil em 2009, para US$ 26,7 bilhões, segundo a Mintel Michael Taylor, do Datamonitor, explica que, apesar de em nível mundial a inflação ser um fenômeno transitório, “na maioria dos mercados do mundo a queda de preço é algo que as empresas já tinham incorporado, por isso nunca transferiram todo o aumento do preço das matérias-primas ao consumidor e agora tampouco transferirão a queda desses preços para recuperar parte de suas perdas.” As empresas do setor viverão um momento mais

ROE (%)

U US$ 25 bilhões em 2008. Na Argentina, a esperança é de que as eleições no primeiro semestre ajudem a aquecer o consumo. A Mintel estima que o consumo de cerveja nesse país cresça 4,3% em 2009 e 6,9% em 2010, superando os 2 bilhões de litros em 2011. Levando em conta o conjunto da região, espera-se um aumento de vendas tanto de cerveja quanto de refrigerante. Enquanto em 2008 os refrigerantes registraram vendas de US$ 99,24 bilhões, em 2009

alavancadas”, diz Borman, da Fitch. Uma condição que as coloca de olho em qualquer oportunidade que surja no mercado. Agora, mais do que desfazer-se de seus próprios ativos, como acontece com empresas de outros setores, é evidente que as grande engarrafadoras querem aumentar sua atividade, especialmente em nível regional. Apesar de que ao longo do continente há várias empresas interessadas em realizar aquisições, há poucos

ativos à venda. “A Coca-Cola possui várias engarrafadoras das quais gostaria de desfazerse”, diz Christine Farkas, da Merrill Lynch. “Há ânimo de aquisição, mas as oportunidades não têm aparecido”, diz Borman, da Fitch. O analista concorda que as empresas locais avaliaram a possibilidade de compra das engarrafadoras da Coca-Cola. “A chilena Embotelladora Andina (N° 314) e a Femsa certamente estão interessadas em comprar alguns desses ativos, mas ainda não surgiram ofertas suficientemente interessantes na América Latina.” O importante é que as grandes empresas, sobretudo as que estão no nosso ranking, geralmente mostrem balanços saudáveis, o que lhes permite ver a crise como uma excelente oportunidade, mais do que como um período de ajustes e reestruturação. Por sorte, essas empresas não dependem do consumo externo nem do comércio internacional. Mesmo com céu nublado, a América Latina continuará com sede. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 71


RODRIGO DÍAZ CARRIZO

SETOR COMÉRCIO

Marcha lenta Os varejistas da América Latina desaceleram investimentos, enquanto o Wal-Mart estende seus tentáculos pela região Fernando Chevarría León

A

té meados de 2008, o barco do varejo na América Latina ia de vento em popa. Uma onda de fusões e aquisições, incursões em novos mercados, novos formatos e gordos lucros caracterizavam um setor em que os empresários chilenos se destacavam com milionários investimentos em base a um modelo de varejo integrado ao sistema financeiro. Mas o sonho terminou no final do ano. A crise econômica desatada nos EUA paralisou o crédito em nível internacional afetando o desenvolvimento de novos projetos, inclusive 72 AMÉRICAECONOMIA

os que estavam no meio do caminho. Logo, Horst Paulmann, cabeça da chilena Cencosud (Nº 33 do Ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina), deteve a construção do Costanera Center, complexo com três torres de escritórios – entre eles, o mais alto do Chile – e um centro comercial que demandaria US$ 500 milhões em investimentos. E também freou outros projetos menores no Brasil e no Peru. O mesmo aconteceu com outros chilenos. O Parque Arauco deteve investimentos no Peru e na Colômbia, enquanto a Ripley

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

(Nº 265) e a Falabella (Nº 67) anunciaram revisões em suas cifras de investimento divulgadas meses atrás, que conjuntamente se aproximavam a US$ 1 bilhão. No caso da Ripley, também foram colocados de molho planos de expansão ao México. “Não é que os investimentos tenham sido congelados totalmente, pois mercados como o Peru ainda são atraentes para investir. Mas foram interrompidos muitos projetos em nível regional”, diz Juan José Calle, presidente da Associação de Centros Comerciais e de Entretenimento do Peru (Accep). / JULHO, 2009

“O negócio do varejo é de alto alavancamento, e para crescer demanda muito dinheiro, principalmente de bancos, financeiras e do mercado de valores”, diz Julio Luque, presidente da consultoria peruana Métrica. “Com a crise, o custo financeiro subiu muito. Para os varejistas, não houve exceção e tiveram que parar muitos projetos.” E o aumento do custo do financiamento nem foi o pior para o setor. O último trimestre de 2008 também foi negativo quanto ao crescimento de vendas no negócio. “No Brasil, Argentina e Chile o consumo registrou queda de forma


significativa”, diz Arístides de Macedo, ex-presidente para a região andina da Kraft Foods e especialista em varejo. “Frente à crise, é natural que as pessoas gastem menos, deixem de comprar produtos mais caros e mudem não apenas de marcas, mas de lojas”, afirma. “No Chile, muita gente deixou os supermercados e voltou às feiras e mercados”, afirma Claudio Aqueveque, professor da Escola de Negócios da Universidade Adolfo Ibáñez (UAI), do Chile. Mas a crise se apresenta como uma oportunidade única para o Wal-Mart, o peixe grande do setor em nível mundial e cujas vendas não têm registrado queda com a crise: ao contrário, subiram com a estratégia de oferta de produtos de qualidade a baixos preços. No primeiro trimestre de 2008, o Wal-Mart comprou mais de 50% do D&S (Nº 118), líder no segmento de supermercados no Chile. Com

COMÉRCIO Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROA MARGEM RK (%) LÍQ. (%) 2008

1 WAL-MART MÉXICO

MÉX 17.705,9

1.060,8

-14,1

-18,6

19,8

12,4

6,0

2 CENCOSUD

CHI

9.745,8

254,5

27,8

-39,9

6,9

2,9

2,6

33

3 CARREFOUR (3)

BRA

9.614,9

N.D.

16,5

-

-

-

-

35

4 CBD - GRUPO PÃO DE AÇÚCAR

BRA

7.716,4

111,4

-8,3

-6,5

4,8

1,9

1,4

51

5 WAL-MART

53

12

BRA

7.252,9

N.D.

-14,2

-

-

-

-

6 ORGANIZACIÓN SORIANA

MÉX

6.912,6

124,6

15,7

-56,6

5,9

2,6

1,8

55

7 BODEGA AURRERÁ

MÉX

5.975,4

N.D.

-11,4

-

-

-

-

64

8 FALABELLA

CHI

5.924,5

321,1

3,6

-26,7

11,5

4,6

5,4

67

BRA

5.896,4

N.D.

-19,5

-

-

-

-

68

MÉX

4.987,6

N.D.

-10,7

-

-

-

-

79

-3,9

14,3

19,3

7,2

4,3

(3)

9 CASAS BAHIA

(3)

10 WAL-MART SUPERCENTER MÉDIA SETORIAL

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

Miami. Trius tem experiência, desempenhou anteriormente a mesma função na Ásia e foi o cabeça do Wal-Mart Brasil por 11 anos, período no qual a empresa cresceu até chegar a ser uma rede com 319 pontos. “Sua experiência brasileira e seu conhecimento de mercados emergentes o tornam candidato ideal para liderar as operações da América Latina”, diz Doug McMillion,

e ter um foco de marketing mais integrado, usando a loja, a internet e o telefone celular como eixos”, diz. “É preciso reconhecer quais são os melhores clientes e entender que o usuário tem um conhecimento mais profundo da marca que usa ou pensa usar. O último é reconhecer que qualquer compra pode ser influenciada durante a venda e, então, uma das ferramentas

bilhão de dólares é quanto os grandes varejistas chilenos pretendem investir na região alta penetração em grandes mercados como Brasil e México, o gigante norteamericano também passou a olhar o mercado peruano com interesse, a ponto de executivos da empresa declararem a entrada da companhia no país, ao mais tardar em 2010. O encarregado de desenvolver a estratégia para Chile e Peru será Vicente Trius, que a partir deste mês ocupará o cargo de vice-presidente executivo e CEO do Wal-Mart para a América Latina, desde

ROE (%)

presidente e CEO do Wal-Mart International. Por conta disso, os varejistas da região terão muito trabalho pela frente para manter suas fatias de mercado e garantir crescimento. Para o norte-americano Paco Underhill, fundador e CEO da Envirosell, consultoria de redes varejistas globais, será preciso “trabalhar muito a proposta de valor, ou seja, supervisionar a rede de fornecedores, ser cuidadoso no processo de fixação de preços

mais baratas é a administração e entrega de informação”, diz Underhill. Aqueveque, da UAI, destaca um ponto importante: as marcas próprias para ampliar margens de lucro. “O desenvolvimento de marcas próprias a preços mais acessíveis é uma boa alternativa, pois em épocas de crise a maioria dos consumidores opta por mudar seus hábitos de consumo”, diz. E também a questão da qualidade do serviço, que não pode ser deixada de lado

sob o pretexto da redução de custos. “O serviço é um fator crítico que as empresas não podem descuidar ainda que em época de crise”, diz Patricia Mazuelos, sócia-líder da área de Consumo Massivo da consultoria Deloitte, para quem o pior é sacrificar a qualidade da atenção dada ao cliente, pois isso redunda na imagem final que fica da marca para o consumidor. A crise e o Wal-Mart formam uma equação cujo resultado é um futuro difícil para os varejistas da região, sobretudo para os que operam no Chile e no Peru, e daqui a alguns anos, no Equador e na Colômbia. Os antídotos sugeridos por especialistas são investimentos em eficiência na cadeia de valor, sem descuidar da qualidade do serviço, e o desenvolvimento de marcas próprias. Mas, serão suficientes? Veremos. Por ora, os projetos que demandam bilhões estão parados por falta de crédito. Até quando? Até que a incerteza da crise se dissipe – mas isso ninguém sabe quando acontecerá. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 73


RODRIGO DÍAZ CARRIZO

SETOR ELETRICIDADE

Faça-se a luz Apesar da escassez de recursos, a indústria elétrica latinoamericana deve continuar a ampliar sua rede de geração de energia Antonio María Delgado / Miami

A

sensação de urgência tem diminuído. Os prognósticos de crescimento econômico na América Latina têm sido menores, e com eles a aparente necessidade que catapultou a região a empreender volumosos projetos 74 AMÉRICAECONOMIA

para ampliar sua infraestrutura elétrica. “É um cenário muito distinto do que encontrávamos há uns meses”, diz Philippe Benoit, gerente da Seção de Energia para América Latina e Caribe do Banco Mundial. “A região vinha crescendo subs-

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

tancialmente há vários anos e a demanda de eletricidade tinha previsão de aumento de 5% ao ano. Para satisfazer essa futura demanda (equivalente a 10 mil MW ao ano) eram necessários investimentos anuais de US$ 20 bilhões”. Hoje em dia essas pressões / JULHO, 2009

cederam. A crise financeira ameaça manter o ritmo de crescimento econômico da região estagnado nos próximos anos, com prognósticos de uma contração de 1,2% do PIB regional em 2009 e crescimento de igual proporção em 2010, o que reduz a pressão sobre os governos e empresas privadas para que mantenham o ritmo de investimentos dentro do setor. Mas, embora a mudança de cenário possa ser bem-vinda, especialistas advertem que a região não deve se deixar seduzir por um falso sentimento de segurança se quiser evitar uma era de apagões e racionamentos no futuro. A crise tem impactado a indústria em duas frentes diferentes. Por um lado, restringiu o capital disponível para financiar este tipo de projetos. Os mercados internacionais seguem muito restritos, as empresas privadas que operam no setor entraram em uma modalidade de preservação de caixa e os governos – ainda que alguns deles tenham prometido dar início a uma série de investimentos de infraestrutura como parte de seus pacotes de medidas anticíclicas – começaram a ver uma importante diminuição na arrecadação fiscal. Por outro lado, há a questão da menor demanda derivada da queda na atividade econômica. “Isso reduz as pressões sobre os países para investir na expansão da infraestrutura elétrica. Então, encontramonos em uma situação na qual os países possuem menos dinheiro para investir e uma aparente menor necessidade de fazê-lo”, diz Benoit. Contudo, apesar das ex-


pectativas de menor consumo, muitos países da região não contam com uma rede de segurança que lhes permita resolver algum cenário de contingência, o que em outros termos significa que, nestes lugares, os problemas de fornecimento estão a uma seca de distância. “Não é um estado de crise, mas muitos países da região vivem uma situação de emergência”, diz Ruy Varela, presidente da empresa de consultoria energética Sigla. “As reservas do sistema não são suficientes para enfrentar contingências climáticas e técnicas, nem para enfrentar um crescimento da demanda acima dos níveis esperados”. Entre os países que enfrentam maior vulnerabilidade está a Argentina, que foi golpeada por uma seca na Bacia do Paraná e que, além disso, conta com um inadequado abastecimento de gás – durante o inverno, a oferta de gás apenas cobre as necessidades de calefação. A

ELETRICIDADE Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROE (%)

ROA MARGEM RK (%) LIQ. (%) 2008

1 COMI. FED. DE ELECTRICIDAD

MÉX

19.570,0

-1.415,8

-5,3

-107,4

-4,7

-2,5

-7,2

10

2 ELETROBRÁS

BRA

12.865,4

2.625,8

1,5

200,5

7,2

4,4

20,4

19

3 ENERSIS

CHI

10.570,9

907,4

11,8

138,9

15,4

4,0

8,6

29

4 CEMIG

BRA

4.660,0

807,5

-19,4

-17,6

20,2

7,8

17,3

86

5 CPFL ENERGIA

BRA

4.153,1

545,9

-21,8

-41,2

25,4

7,9

13,1

99

6 ENDESA

CHI

3.960,5

703,5

13,7

81,3

18,7

6,2

17,8

103

7 COM. BRASILIANA DE ENERGIA BRA

3.580,0

269,1

-20,6

275,9

18,2

3,5

7,5

113

8 ITAIPU BINACIONAL

BR/PA 3.423,0

881,9

1,6

18,2

881,9

4,4

25,8

115

9 COM. LUZ Y FUERZA DEL CENTRO)

MÉX

3.359,2

-1.430,4

-21,1

-2.805,6

-

-14,3

-42,6

121

BRA

3.222,0

439,5

-20,0

9,2

31,1

8,2

13,6

127

-8,9

-92,6

38,7

4,7

5,4

10 ELETROPAULO MÉDIA SETORIAL

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

avançado muito nos processos de licitação conhecidos como de “Energia Nova” (de novas centrais geradoras). Inicialmente, estes processos estiveram orientados em direção ao aproveitamento hidroelétrico e foram concretizados acordos importantes. Mas agora foram estendidos ao emprego de fontes de energia renováveis, como a energia eólica. O país também tem reduzido sua

queda nos últimos meses nos preços do petróleo. Embora continue elevada dentro dos padrões históricos, uma cotação de US$ 60 por barril é melhor para as companhias que queimam combustíveis fósseis para gerar eletricidade que uma superior a US$ 120. “Os preços foram moderados e isto está fazendo com que a situação seja mais manejável”, diz o analista

bilhões de dólares por ano era a demanda de investimentos em geração antes da crise isto se somam as dificuldades nos esforços de integração energética no Cone Sul. “É evidente que a integração fracassou”, diz Varela. “Não se conseguiu superar a prova de ácido, na qual os provedores de energia dão maior prioridade à demanda estrangeira do que à doméstica; foi demonstrado que isso não sucede. Os países importadores se deram conta de que nem sempre podem depender do abastecimento externo”. Por sua parte, o Brasil tem

dependência na importação de combustíveis para gerar eletricidade com o descobrimento de novas jazidas de gás e petróleo. O Chile também está avançando a caminho da independência com a construção dos terminais de gás liquefeito e se esforça para diversificar sua matriz energética com usinas carboníferas. Um dos fatores que parece estar beneficiando as empresas estatais e privadas que operam na indústria tem sido a

José Coballasi, da Standard & Poor’s. “Isto varia muito de país para país, porque o impacto dos preços nos países produtores como México não é o mesmo que nos países consumidores, mas obviamente a queda nos preços tem ajudado a cortar os custos para muitas companhias”. Não obstante, um dos pontos negativos da queda nos preços do petróleo é que ela obscurece os esforços da região de preservar energia - estratégia que, na realidade, oferece

o melhor retorno, porque a energia mais barata de gerar é a que não é consumida - e de adotar fontes de energia renováveis, incluindo a solar, a eólica, a geotérmica e os biocombustíveis. “Quando os preços do petróleo estão acima dos US$ 100, é óbvio para os países nãoprodutores que é necessário investir em outro tipo de fonte, mas quando os preços caem a US$ 40, a necessidade deixa de ser tão óbvia”, afirma Benoit, do Banco Mundial. Também atenta contra estas tecnologias o fato de que a crise reduziu as fontes de financiamento. Em muitos casos, os projetos de energias renováveis requerem montantes de investimento inicial maiores que os requisitados para a adoção de tecnologias baseadas em combustíveis fósseis. “Há menos liquidez, e, dado que estes tipos de projetos exigem grandes investimentos no início, o que estamos vendo mundialmente é uma queda particularmente em investimentos em fontes de energias renováveis”, adverte Benoit. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 75


SETOR MINERAÇÃO

D

RODRIGO DÍAZ CARRRIZO

Depois do Armagedom A mineração regional deverá enfrentar uma queda nos preços das commodities, alta tributação, falta de finalização e um aumento nos custos. Mas as dores de cabeça podem acabar em 2010 Matías Rodo Y. 76 AMÉRICAECONOMIA

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

efinitivamente, 2009 será um ano a ser esquecido pela maioria das mineradoras da América Latina. A desaceleração econômica mundial golpeou diretamente a demanda por commodities do setor, afetando não apenas seu preço, mas também a receita das empresas. E as principais potências mineradoras da região – Chile, Peru, Brasil e México – ainda tiveram que enfrentar aumento em custos de produção e uma carga tributária nada favorável. A pior notícia, porém, tem sido a queda no preço dos metais devido à menor demanda internacional, avalia Eduardo Chaparro, analista do departamento de recursos naturais e infraestrutura da Comissão Econômica para América Latina (Cepal). Um exemplo: depois de longas negociações com seus grandes clientes, a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, e a Samarco, tiveram que renegociar para baixo os preços de referência do minério de ferro em pelotas para 2009. No caso da Vale (Nº 5), as siderúrgicas japonesas conseguiram uma redução de 28,2% no minério de aço fino, e de 44,5% no granulado. Já a Samarco (Nº 237) aceitou uma redução de 48,3% no preço de venda de pelotas de minério de ferro para Redução Direta (DR), num contrato que prevê a venda de 900 mil toneladas para a Krakatau Steel, da Indonésia. “No Chile, se o ano for encerrado com um preço médio do cobre em torno de US$ 1,6 a libra, a queda de receita acumulada será de 50% sobre 2008”, afirma Alvaro Merino, gerente de estudos da Socie-


dade Nacional de Mineração (Sonami) do Chile. “Para este ano esperamos um crescimento nulo do PIB de mineração, com uma produção de cobre de 5,4 milhões de toneladas, semelhante à de 2008”, diz. Além disso, os altos custos da indústria regional, que não refletiram a queda nos preços da energia, afetam os resultados. “Diversas mineradoras possuem contratos prolongados de fornecimento, o que dificulta a renegociação”, afirma Chaparro, da Cepal. “A produção em algumas minas, especialmente de zinco, se tornou economicamente inviável”, diz José Rázuri, coordenador da área de Inteligência Econômica da consultoria peruana Maximixe. De acordo com a Comissão Chilena do Cobre (Cochilco), o custo total unitário das dez grandes empresas mineradoras privadas produtoras no Chile (GMP-10), mais a estatal Codelco, aumentaram 27,1% em 2008 frente ao ano anterior.

MINERAÇÃO Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROA MARGEM RK (%) LÍQ. (%) 2008

1 VALE

BRA

30.184,4

9.105,5

-17,4

-19,4

22,1

11,5

30,2

5

2 CODELCO

CHI

14.424,8

1.566,8

-15,1

-47,5

40,4

11,4

10,9

17

3 ESCONDIDA

CHI

7.760,2

3.570,3

-24,6

-44,8

113,6

49,6

46,0

50

4 GRUPO MÉXICO

MÉX

4.681,7

1.075,5

-35,7

-36,0

24,7

12,2

23,0

85

5 INDUSTRIAS PEÑOLES

MÉX

3.833,8

489,0

-6,4

37,9

25,8

12,8

12,8

109

6 ANTOFAGASTA PLC

CHI

3.372,6

1.706,5

-11,9

23,5

26,5

21,5

50,6

119

7 MINERA MÉXICO (2)

MÉX

2.850,0

N.D.

-2,0

-

-

-

-

143

8 MINERA ANTAMINA

PER

2.846,1

N.D.

-5,6

-

-

-

-

144

9 SOUTHERN PERÚ COPPER CORP. PER

2.711,5

1.092,4

-14,7

-22,5

78,5

56,8

40,3

153

2.650,3

1.146,5

-17,9

-37,2

69,0

38,3

43,3

159

2,6

39,0

50,4

26,9

30,8

10 COLLAHUASI

CHI

MÉDIA SETORIAL

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

planos de investimento para o período 2008-2012, com um decréscimo de 21% - passando de uma previsão inicial de US$ 57 bilhões a outra de US$ 47 bilhões. Em função da queda nas vendas e nos preços das commodities do setor, as receitas das empresas têm sido fortemente afetadas. A Vale, que sozinha reduziu em US$ 5 bilhões os investimentos previstos para

movimento semelhante ao da economia mundial, tem se mantido acima dos US$ 2 a libra nos dois últimos meses. As importações de cobre refinado da China alcançaram um recorde mensal de 317,9 mil/ TM em abril, e nos primeiros quatro meses do ano somam 1,1 milhão/TM (118,3% a mais do que em 2008). Além disso, a tendência positiva é apoiada por indicadores econômicos

é quanto cairá a receita chilena de cobre se o preço do metal fechar o ano abaixo de US$ 1,60 a libra Segundo Chaparro, a alta carga tributária para o setor em vários países da América Latina e a escassez de financiamento também prejudicaram o desenvolvimento normal da indústria de mineração regional. Não à toa, no Peru registrouse queda na produção de ferro (-22,1%), zinco (-3,1%), chumbo (-6,4%), estanho (-6,8%) e molibdênio (-22%) no primeiro trimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, em termos de valor. No Brasil, as empresas revisaram seus

ROE (%)

2009, para US$ 9 bilhões, viu seu volume comercializado cair de 76,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2008, para 52,1 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas no mesmo período deste ano. Paralelamente, sua receita bruta recuou 32,6%, de US$ 8 bilhões para US$ 5,4 bilhões. Mas existe luz no fim do túnel. Vários analistas apostam em uma recuperação em 2010, apoiados pela estabilização no preço dos minerais. O cobre, commodity que passa por um

dos EUA, como o de bens duráveis, que subiu 1,9% em março, maior alta percentual desde dezembro de 2007. “Considerando a estabilização da economia mundial, o setor poderia se recuperar para o segundo trimestre de 2010”, diz Lola Rivera, gerente para América Latina da consultoria canadense Infomine. Previsão que se sustentaria em números. As projeções do FMI, divulgadas no World Economic Outlook, publicado em abril, ressaltam que a economia

dos EUA se contrairá 2,8% em 2009 e se manterá estável em 2010. O mais importante, porém, é que a China crescerá 6,5%, em 2009, e 7,5%, em 2010. “Espera-se que o país mantenha sua demanda, ainda no marco do programa anticrise”, diz Rázuri “Por isso, muitas empresas estão aproveitando para comprar títulos, reservas e projetos, o que favoreceria a reativação da indústria”, avalia Chaparro, da Cepal. Para Sergio Almazán, diretor-geral da Câmara Mineradora do México (Camimex), a região tem se situado na última década como a mais atraente para investir em exploração de minério. Países como Chile, Peru, Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Colômbia e México têm se caracterizado por contar com uma atrativa geologia. O futuro dependerá da política de mineração que cada nação desenvolver. “Será muito importante para a região transmitir que não apenas conta com recursos minerais valiosos, mas também com leis e autoridades que garantam os interesses dos investidores”, afirma Almazán. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 77


RODRIGO DÍAZ CARRRIZO

SETOR PETRÓLEO E GÁS

Volta à agitação Enquanto a Petrobras aguarda regulamentação para exploraro o pré-sal, a Pemex aposta em Chicontepec e a Pdvsa confia na boa sorte Rodrigo Lara Serrano

A

crise econômica tem um aspecto bom para a região quando se trata de petróleo e gás: é um descanso após a angustiante série de altas 78 AMÉRICAECONOMIA

de preço em 2008. Contudo, sob relativa tranquilidade estão correntes mais profundas que influirão no médio e longo prazo. E não apenas nas economias dos países produtores ou

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

compradores de petróleo bruto, mas no equilíbrio de poder político-estratégico dentro da América Latina. A principal corrente se resume a dois nomes: Cantarell e / JULHO, 2009

Tupi. O megacampo terrestre de Cantarell, no México, chegou a produzir mais de 2 milhões de barris por dia em 2004. Hoje são extraídos menos de 660 mil. E a expectativa é de que a quantidade caia, nos próximos 24 meses, para até 400 mil, produção que será estabilizada na próxima década. Contudo, para o México, a riqueza de Cantarell foi uma armadilha: “Todas as apostas estavam ali”, diz Duncan Wood, especialista em petróleo e energia do Itam. Para a Pemex (Nº 2 no Ranking das 500 Maiores Empresas da América Latina), “hoje o problema é manter a produção, que cai muito mais rápido do que pensávamos”. De toda forma, a petrolífera estatal mexicana tem um ás e um rei na manga. O primeiro é o KMZ (Ku-Maloob-Zaap), campo petrolífero na costa do Golfo do México, que Wood classifica como “um grande êxito para a Pemex”. Dali saem quase 800 mil barris por dia. O problema é que não é muito grande e “em dois ou três anos sua produção cairá”. A partir disso, a companhia terá que jogar sua segunda carta: explorar o campo terrestre de Chicontepec. “São milhares de pequenos bolsões de petróleo”, diz o especialista. “Cada um renderá entre 100 e 300 barris por dia, por seis meses”. Em uma imensa área de 3.800 km2, a Pemex deverá “perfurar mais poços a cada ano do que já perfurou em toda sua história”, se quiser retirar 500 mil barris diários no segundo ano de extração, cifra que poderá chegar a um pico de entre 550 mil e 700 mil barris por dia em 2017. As reservas de Chicontepec totalizam 139 bilhões de barris, mas apenas


18 bilhões podem ser extraídos com a tecnologia atual. São os últimos dois projéteis na cartucheira mexicana. Há outros, mas estão sob a água e ali permanecerão por muito tempo, “já que por restrições constitucionais, no México não há contratos de risco compartilhado”, diz Wood. Só podem contratar empresas de serviços como a Halliburton para perfuração. Neste ponto, o contraste com a Petrobras (Nº 3) não pode ser maior. A companhia brasileira tornou-se líder mundial de exploração e extração em águas profundas, e graças a isso descobriu o campo atlântico de Tupi, com reservas entre cinco bilhões e oito bilhões de barris. Será crucial para sua extração a nova regulamentação que deverá ser aprovada no Congresso antes do fim do ano. A proposta mais provável até o momento é a de mudança do modelo de concessões por leilão para o de “produção compartilha-

PETRÓLEO/GÁS Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROA MARGEM RK (%) LÍQ. (%) 2008

1 PDVSA

VEN 126.364,0

9.413,0

30,1

50,1

13,2

7,1

7,4

1

2 PEMEX

MÉX

96.074,5

-7.906,2

-7,9

-371,4

-408,4

-8,9

-8,2

2

3 PETROBRAS

BRA

92.049,0

14.115,4

-4,4

16,2

23,8

11,3

15,3

3

4 PEMEX REFINACIÓN

MÉX

39.733,9

-8.669,9

-8,6

-105,5

763,3

-23,4

-21,8

4

5 PETROBRAS DISTRIBUIDORA

BRA

23.930,9

551,6

15,5

16,4

17,5

10,7

2,3

7

6 ECOPETROL

COL

15.053,9

5.164,8

37,8

103,8

33,6

23,9

34,3

15

7 ENAP

CHI

12.185,2

-957,8

35,1

-581,1

-366,5

-19,7

-7,9

21

8 GRUPO ULTRA

BRA

12.095,8

167,0

7,5

62,6

8,4

4,0

1,4

24

9 PETROECUADOR

EQU

10.878,4

5.072,4

41,3

70,8

110,5

84,8

46,6

27

ARG

10.050,4

1.049,0

9,5

-18,6

17,9

9,3

10,4

31

8,6

-67,3

7,3

10,8

8,1

10 YPF MÉDIA SETORIAL

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

mercado spot de gás natural, quem consome menos não tem a quem revender”, diz o consultor brasileiro Rafael Hertzberg. A isso se soma o fato de que “é muito difícil negociar uma diminuição do volume já contratado”. Em função das dificuldades, várias companhias já estariam se interessando por alternativas de geração, como a biomassa. Embora o motivo tenha sido

Noruega, Canadá e Holanda financiarão a seleção de três consultorias privadas que farão um diagnóstico do caminho a ser tomado pela companhia. E se há outra petrolífera que esbarra em si mesma na região é a Petroperú (Nº 157). O petróleo extraído da selva é cada vez mais pesado e não pode ser bem processado pela refinaria de Talara. Por outro lado, “estão sendo importados

bilhões de barris de petróleo: essa poderia ser a capacidade da reserva de Tupi da”, com empresas privadas extraindo o petróleo nas zonas conhecidas e recebendo uma porcentagem da produção como pagamento. José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, disse recentemente que a mudança é justificável, pois “agora o risco exploratório é mínimo. O que existe é o risco de desenvolvimento”. O Brasil também descobriu gás. Contudo, por enquanto, os consumidores locais não sentiram alívio por conta disso. “Como não existe um

ROE (%)

a queda na demanda paulista por gás, quem sofre e sofrerá, ao menos neste semestre, é a Bolívia e sua estatal YPFB. As vendas ao mercado brasileiro despencaram de 31 milhões de metros cúbicos diários para entre 18 milhões e 20 milhões no primeiro trimestre. A YPFB enfrenta mais do que problemas de demanda por gás: o governo de Evo Morales descobriu que seu gerenciamento e reforma não são nada simples. O novo presidente da empresa, Carlos Villegas, anunciou que

petróleos mais baratos e que têm dez vezes mais enxofre que o permitido pela nova norma de emissões do país”, diz o ex-ministro de Minas e Energia, Carlos Herrera Descalzi. “O país necessita mais de oleodutos e de capacidade de refino”, acrescenta. Reformas paralisadas após a renúncia do chefe da estatal peruana, acusado de corrupção. Para especialistas peruanos, a Petroperú deveria imitar a colombiana Ecopetrol (Nº 15). “Ela possui um bom fluxo de

caixa”, diz David Arce Rojas, da Arce Rojas Consultores. “E acaba de comprar um projeto no oriente para produzir cana-de-açúcar para etanol”. A Colômbia, todavia, passa por um bom momento no setor: este ano, perfurou 90 poços de exploração. “Nunca tivemos estes números”, diz Rojas, acrescentando que o investimento poderá chegará a US$ 1,5 bilhão. “Há exexecutivos da Pdvsa (Nº 1) e companhias venezuelanas de petróleo investindo na Colômbia”, afirma. A Pdvsa é que é uma grande incógnita. Para alguns, como Pedro Mantellini, ex-assessor da presidência da Pdvsa, e Enrique Gómez-Tagle, da S&P México, apresenta números de produção inconsistentes. Mas, para outros, como Wood, apesar de fazer tudo errado, a companhia ficará bem: “encontraram enormes reservas de petróleo, embora não do melhor, e muito gás. São bastante fáceis de extrair. Se gastarem o dinheiro, ou subcontratarem, podem produzir muito mais, e rapidamente”. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 79


RODRIGO DÍAZ CARRRIZO

SETOR PETROQUÍMICA

Firme no timão Após resistir aos altos preços do petróleo e do gás natural e à crise internacional, as gigantes petroquímicas continuam apostando em projetos na Venezuela, no Peru e Brasil. Natalia Vera Ramírez

N

os últimos meses, o presidente venezuelano Hugo Chávez tem subido e descido do avião presidencial com mais frequência 80 AMÉRICAECONOMIA

do que nunca. Seus destinos têm sido distantes, como, Japão, Índia, China e parte do Oriente Médio. O motivo? A necessidade de criar laços e levar a cabo sua revolução

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

petroquímica (2007-2013), por conta dos atuais preços do petróleo. O plano inclui cerca de 80 projetos, que triplicarão a produção petroquímica do país a 32 milhões de toneladas / JULHO, 2009

anuais. E o foco de Chávez é claro: voltar-se a regiões não-tradicionais para obter recursos financeiros que permitam concretizar seu plano. E mais. No final de maio, a estatal venezuelana Pequiven e a brasileira Braskem assinaram um memorando de entendimentos para avaliar possíveis oportunidades de negócio no pólo de Camaçari, na Bahia, que contempla a construção de uma usina de US$ 1 bilhão. Além disso, ambas estão empreendendo um projeto petroquímico na Venezuela que engloba as empresas Propilsur e Polimérica, nas quais tanto a Braskem quanto a Pequiven possuem participações iguais. Deste modo, os projetos petroquímicos encontraram na região um bom lugar para se desenvolver. Segundo Raúl Arias, consultor sênior e gerente para América Latina da consultoria Nexant, embora a região represente apenas 5% da produção mundial de petroquímicos, o setor tem experimentado uma importante consolidação e essa participação no total da produção está aumentando. “Dentro de cinco anos, o cenário será muito diferente”, diz. Para Arias, a entrada de novos atores através de associações com companhias locais é importante neste processo. “Agora surgiram players de outras regiões buscando entrar no mercado, encontrar sócios e promover mais investimentos”, diz. “Mesmo assim, há uma pressão pelo equilíbrio mundial entre oferta e demanda que também será um fator considerado no futuro.” A empresa Nitratos do Peru, resultado da sociedade


do Grupo Brescia e do grupo chileno Sigdo Koppers, por exemplo, anunciou a construção de um complexo que produzirá amoníaco e nitrato de amônio (para a fabricação de explosivos), que abastecerá o setor de mineração. Segundo Kaime Quijandría, assessor da presidência da Nitratos do Peru, esta planta ficará na cidade de Pisco e exigirá investimentos de US$ 650 milhões. Na primeira etapa, a produção só abastecerá o mercado local, mas depois serão considerados os principais pontos do Pacífico como potenciais mercados. “Com isso vamos deixar de ser importadores de nitrato de amônio para abastecer a atividade de mineração”, afirmou. “Foram calculados entre US$ 110 milhões e US$ 120 milhões de receita por conceito de tributos e benefícios.” No momento, Quijandría diz que os trâmites e a licença estão em andamento para tocar a construção da usina, que entraria

PETROQUÍMICA Nº

EMPRESA

PAÍS

1 PEMEX GAS Y PETROQ. BÁSICA MÉX

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

ROA MARGEM RK (%) LÍQ. (%) 2008

19.675,5

164,3

-4,1

-63,9

4,8

1,4

0,8

9

2 PEQUIVEN

VEN

9.690,0

N.D.

49,1

-

-

-

-

34

3 BRASKEM

BRA

7.684,9

-1.066,4

-23,0

-445,0

-67,7 -11,0

-13,9

52

4 PEMEX PETROQUÍMICA

MÉX

5.809,5

-1.354,9

9,5

0,2

-77,7 -19,2

-23,3

70

5 ALPEK (11)

MÉX

3.723,7

93,2

-9,1

-48,6

2,5

110

6 MEXICHEM

MÉX

2.266,0

10,2

7,5

-93,9

1,7

0,4

0,5

188

7 UNIPAR

BRA

1.965,9

-65,2

23,7

-179,6

-14,8

-1,3

-3,3

220

8 DOW BRASIL

BRA

1.608,4

5,4

-26,8

-93,5

0,8

0,4

0,3

269

9 QUATTOR PARTICIPAÇÕES

BRA

1.585,8

-284,5

-

-1.529,3

-44,9

-6,3

-17,9

272

BRA

1.265,1

-152,7

336

10 YARA FERTILIZANTES MÉDIA SETORIAL

5,5

3,2

5,4

-409,1

-175,5 -17,9

-12,1

-4,7

-278,2

-34,7 -5,4

-7,1

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

e outros entre a petrolífera peruana e a Braskem, de US$ 2 bilhões. Também está na jogada o grupo coreano SK Energy, que anunciou sua intenção de investir US$ 3 bilhões em uma petroquímica no Peru. Após 2008 ter produzido efeito negativo na indústria, como consequência dos elevados preços do petróleo e do gás natural na primeira metade do ano, hoje o panorama é mais

grandes produtores da região, como a Petrobras, têm muito interesse de entrar no setor petroquímico e ser players de calibre mundial. “Isto implica aproveitar o ambiente político e econômico dos países da região, como o Peru, que favorece o investimento privado, seja estrangeiro ou nacional, e chegar a industrializar as reservas de gás que existem no país”, afirma.

da produção petroquímica mundial se concentra na América Latina em operação em 2011 2011. Este projeto é somado ao da norte-americana CF Industries, que em janeiro iniciou os estudos de engenharia de seu projeto petroquímico, que inclui uma planta de amoníaco e outra de ureia granulada em Marcona, sul de Lima. O investimento beira US$ 1 bilhão e espera-se que entre em funcionamento em 2013. Há ainda os projetos anunciados em associação entre a PetroPeru e a Petrobras, avaliados em US$ 800 milhões,

ROE (%)

f favorável. “Antes, o gás natural era cotado a US$ 14 o milhão de BTUs. Hoje, o preço é de US$ 3,83 o milhão de BTUs. O mesmo acontece com o petróleo”, diz Aurélio Ochoa, especialista em hidrocarbonetos e diretor da Energy Consult. “Esses preços elevados fizeram com que os petroquímicos se encarecessem, assim como os plásticos e outros derivados. Desestimularam o consumo e o setor não se desenvolveu”. Para Marco Antonio Zaldívar, sócio da Ernst & Young,

À medida que o Peru acaba de entrar na fase de desenvolvimento da indústria petroquímica, em outros países nos quais o setor está mais avançado os planejamentos continuam. No caso do Brasil, os planos da Petrobras terão seus prazos mantidos. No México, a Alpek, braço petroquímico o conglomerado Alfa, conta com um orçamento de gastos de US$ 59 milhões para este ano, que será destinado à conclusão de projetos em curso e à manutenção.

Para Raúl Arias, da Nexant, o setor ainda tem outro desafio. “Uma vez que a economia se recupere, se buscarão recursos para tocar os projetos, mas poderá haver dificuldades para conseguir os equipamentos rapidamente, ou os trabalhadores qualificados, porque há carência de tudo isso em nível mundial”, afirmou. “Muitos dos projetos precisam de investidores, sócios, transferência de tecnologias, incluindo um canal de entrada no mercado que lhes for de interesse, o que gera oportunidades para quem puder oferecer isso”. Além disso, estes investimentos e suas execuções são um passo para que os países da região finalmente cheguem à industrialização. “Quando se chega ao ponto de exportação, a indústria petroquímica dá um valor agregado ao gás natural de seis a sete vezes”, diz Aurelio Ochoa, da Energy Consult. “Se falamos de petroquímica média ou avançada, o valor pode se multiplicar em até 20 vezes”. E, ao que parece, muitos países da região e empresas do setor também querem ter parte neste efeito multiplicador. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 81


RODRIGO DÍAZ CARRIZO

SETOR SIDERURGIA

Horizonte plano As siderúrgicas latino-americanas não terão uma forte recuperação este ano. Mas ao menos não devem cair muito mais Eduardo Thomson

É

demais dizer que este tem sido um mau ano para a indústria siderúrgica. A produção mundial se contraiu em níveis há tempos não vistos e não existe consenso sobre se veremos uma recuperação, seja em preço, seja em produção. O panorama é incerto. Mas para quem não é especialista no setor, é preciso avaliar o tema sob dois pontos de vista: o global e o local. Há mercados e mercados, e alguns (poucos) elementos positivos que, apesar de incipientes, seriam suficientes para concluir que o setor não 82 AMÉRICAECONOMIA

cairá ainda mais. Pelo menos no curto prazo. O mercado mundial de aço não se comporta como o de outras commodities. As grandes siderúrgicas geralmente assinam contratos de fornecimento de seus principais insumos (como o minério de ferro) de longo prazo (em geral, um ano). E não há uma bolsa mundial de aço que permita a livre cotização de contratos a futuro ou compras importantes no mercado spot. Como entender que os preços do aço no Brasil sejam mais altos do que o restante dos preços mundiais senão por barreiras tarifárias

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

ou programas de apoio do setor lançados pelo governo, como as isenções de impostos à produção de carros? A produção mundial de aço caiu 24%, de 117 milhões de toneladas métricas em abril de 2008, para 89 milhões de toneladas em abril passado, segundo dados da Associação Mundial do Aço, que analisa as informações de 66 países produtores. O golpe foi mais sentido nos EUA e na União Europeia, onde os níveis de produção caíram respectivamente 53% e 49% interanuais. Na América Latina, a queda também foi pronunciada. De / JULHO, 2009

30% no México, 40% no Brasil e 44% na Argentina. O único país do mundo que manteve seus níveis de produção relativamente inalterados foi a China, com uma queda de somente 4% em abril. Quanto aos preços do aço, há diferenças. Matias Dieterich, diretor de análise da corretora de valores brasileira Solidus, explica que no Brasil os preços dos produtos planos de aço usados, por exemplo, na fabricação de carros e eletrodomésticos, sentiram primeiro o golpe da crise mundial com uma queda de aproximadamente 40%. Já os aços longos aguentaram alguns meses, graças a projetos de infraestrutura, para depois retroceder 30%. “Mas a queda teria sido mais pronunciada se não fosse por algumas medidas do governo, como a isenção do IPI”, explica Dieterich. Já o setor siderúrgico mexicano está muito mais vinculado ao dos EUA e em


particular ao setor automotivo do próprio país. Em alguns casos os preços chegaram a cair 50% em relação ao nível mais alto dos últimos anos. “Devido aos níveis de estoque nos EUA estarem baixos, é possível que vejamos miniciclos de alta de preços”, explica Felipe Hirai, analista de mineração da Merrill Lynch. “Por isso, acho que a tendência de preços no restante do ano, ao menos nos EUA e no México, é de estabilidade.” Segundo o analista, os preços não podem cair muito mais porque já estão perto do custo marginal de produção. Já no Brasil, ainda há espaço para queda, devido à desfasagem em relação aos preços internacionais, diz Dieterich, da Solidus. “Os preços locais estão muito acima dos internacionais”, comenta. Não obstante, ainda que a demanda se mantenha débil, “estamos vendo alguns sinais de recuperação em mercados emergentes, particularmente na

SIDERURGIA/METALURGIA PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUCRO Milh. Milh. 08/07 (%) 08/07 (%)

1 TECHINT

ARG

22.000,0

N.D.

-0,4

-

-

-

-

8

2 GERDAU

BRA

17.932,3

1.686,1

3,8

-15,9

19,5

6,7

9,4

11

3 TENARIS

ARG

12.131,8

2.124,8

20,8

2,3

26,0

14,1

17,5

23

4 GRUPO ARCELOR MITTAL

BRA

8.489,9

609,9

-2,0

-64,3

9,1

4,2

7,2

42

5 TERNIUM

ARG

8.464,8

875,2

50,3

-12,1

15,7

8,2

10,3

43

6 USIMINAS

BRA

6.720,8

1.379,7

-13,9

-23,0

21,5

11,7

20,5

59

7 CSN

BRA

5.991,8

2.470,8

-7,2

49,8

86,7

18,3

41,2

63

8 GRUPO IMSA (AÇO)

MÉX

4.646,1

95,0

89,4

-21,4

11,7

2,0

2,0

87

9 GERDAU AÇOS LONGOS

BRA

4.003,1

621,6

-5,0

17,9

26,3

14,7

15,5

100

MÉX

3.984,0

N.D.

-1,2

-

-

-

-

101

3,7

9,3

37,6

11,3

16,3

EMPRESA

10 MET-MEX PEÑOLES MÉDIA SETORIAL

PROTEGIDOS No ano passado, os grandes produtores siderúrgicos buscavam comprar minério de ferro por todo lado e dessa forma garantir o fornecimento de matérias-primas. A brasileira Usiminas (Nº 59 no Ranking das 500 Maiores

ROA MARGEM RK (%) LÍQ. (%) 2008

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

Empresas da América Latina) tinha comprado a J. Mendes e anunciava que manteria sua política de compras de outras empresas de minério de ferro. Sua compatriota CSN (Nº 63), também confirmou estudar aquisições. Este ano, reina uma tensa calma. “Veremos menos operações de integração, pois o que essas empresas buscaram ao integrar-se foi garantir

cionadas para suportar a crise. De acordo com uma relatório recente da Fitch Ratings sobre o setor, a margem ebitda das siderúrgicas brasileiras é de 40%, enquanto a média é de 15% entre as siderúrgicas chinesas, por exemplo. E mesmo a Gerdau (Nº 11), que não está integrada verticalmente e sofre uma alta dependência do ferro importado, tem uma margem ebitda de 24%.

44% foi a queda de produção de aço na Argentina, a maior contração da América Latina China”, diz Hirai, da Merrill Lynch. De fato, o Índice de Gerentes de Compra da China já está há três meses com leves indícios de alta, sinal de que a demanda por insumos de produção está crescendo.

ROE (%)

matérias-primas a preços razoáveis devido ao boom vivido pelas commodities no ano passado”, diz Íñigo Cossio, analista da corretora mexicana Actinver. Hirai, do Merrill Lynch, concorda parcialmente. “Poderemos ver alguns negócios, como o anúncio de uma aliança entre Wuhan Steel e a brasileira MMX, mas as grandes siderúrgicas já estão integradas”, comenta. Essa integração vertical permitiría às siderúrgicas brasileiras estarem bem-posi-

Algumas empresas não integradas, como as mexicanas Grupo Collados ou a Industrias CH (Nº 145) – os últimos que continuam controlados por capitais mexicanos – se beneficiaram da situação ao comprar matérias-primas como ferro a preços mais baixos, e dessa forma defenderam suas margens, apesar da queda na produção. Esse mesmo fator os torna possíveis alvos de compra por grandes atores internacionais, diz Cossio. Por exemplo, a ICH registrou

margem ebitda de 13% no final de 2008, e espera-se que esta baixe a 10% ao final do ano, diz relatório da Actinver.

LONGO PRAZO Mas há quem veja que o setor siderúrgico latino-americano enfrenta não só a crise econômica mundial, mas um desafio a seu modelo de negócios como um todo. Segundo o consultor industrial argentino Carlos Schwartzer, o setor siderúrgico está experimentando uma erosão na demanda, o que se reflete numa queda na rentabilidade dos projetos do setor. “É algo que temos observado desde o final de 2006”, diz o consultor. “Um movimento subterrâneo que é compartilhado pelos acionistas das empresas siderúrgicas com os quais tenho conversado.” Segundo o consultor, essa tomada de consciência sobre a perda de rentabilidade explica a mansidão com que a argentina Techint (Nº 8) atuou frente à recente nacionalização de suas operações na Venezuela. A Techint não respondeu aos pedios de entrevista de AméricaEconomia. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 83


RODRIGO DÍAZ CARRRIZO

SETOR TELECOMUNICAÇÕES

Corrida de dados As taxas de crescimento de usuários fixos e móveis diminuem, mas aumenta a oferta de serviços Arly Faundes Berkhoff

O

que buscam os usuários de telecomunicações hoje? Mais e melhor acesso à internet, em qualquer lugar. E os operadores? Receita mais alta por usuário. A chave, então, é simples: banda larga. 84 AMÉRICAECONOMIA

As grandes operadoras de telefonia móvel na América Latina, lideradas por Telefónica-Movistar e América Móvil, estão vivendo uma desaceleração nas taxas de crescimento de novos usuários e, por isso, estão respondendo com uma série de novos

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

produtos e serviços: atrativos celulares 3G com centenas de canções incluídas, touchscreen ou navegação multimídia somados a pacotes de banda larga móvel incluídos no netbook – dispositivos portáteis pequenos e de baixo custo que são usados principalmente para / JULHO, 2009

se conectar à internet. A ideia é obter mais dinheiro de cada cliente e, em países nos quais ainda há espaço, aumentar a penetração dos celulares. Tratando-se de telefonia móvel na América Latina, a penetração média chegou a 79% em 2008, segundo dados da empresa peruana DN Consultores. Estudo da 3G Américas aponta que o Brasil fica atrás nesse ranking. Em primeiro lugar, segundo a empresa, está o Uruguai, com 113%, seguido de Argentina (111%), Venezuela (103%), Chile (96%) e Colômbia (91%). O Brasil – com 80%, segundo a 3G Américas, ficaria à frente apenas do México, com 74%. O problema desses números, entretanto, é o fato de serem formados em sua maioria por planos pré-pagos, o que reduz o faturamento por usuário. “Na região, 85% das linhas móveis são pré-pagas, e isso se contrapõe ao que ocorre na Europa e nos EUA”, diz Carlos Huamán, diretor de negócios da DN Consultores. “Além disso, os preços estão caindo.” Segundo Huamán, a receita média por usuário na região (ARPU, na sigla em inglês) é entre US$ 8 e US$ 9, e antes era de US$ 10, US$ 11. É por isso que os especialistas sugerem que os recursos dos operadores móveis sejam dirigidos a criar um hábito de gasto de serviços agregados e que a população adquira cada vez mais equipamentos 3G. Segundo a consultoria Frost & Sullivan, o iPhone cumpriu bem sua tarefa e atraiu a atenção dos consumidores latino-americanos a serviços de dados. Contudo, os usuários estão sendo mais cautelosos na hora de comprar telefones


inteligentes, sobretudo por conta do preço. “Percebemos lentidão na velocidade de adoção de valores agregados por parte dos usuários de telefonia móvel”, acrescenta Huamán. “Mas, estrategicamente, a tendência de longo prazo é que irão nessa direção, porque tudo vai ser móvel.” E se tudo é móvel, a internet não pode ficar de fora. Por isso, as operadoras estão incorporando às suas ofertas banda larga móvel, tanto para clientes pós-pagos como para pré-pagos. As perspectivas são positivas. Com o crescimento das redes 3G e promoções acessíveis, os pacotes crescerão cada vez mais. Segundo dados do estudo Barômetro Cisco de Banda Larga, elaborado pela empresa de telecomunicações Cisco em conjunto com a consultoria IDC, no Brasil a banda larga móvel cresceu 50,3% no segundo semestre de 2008, alcançando 1,98 milhão de assinantes. Na Argentina, o crescimento foi de

TELECOMUNICAÇÕES Nº

EMPRESA

PAÍS

VENDAS LUCRO LÍQ. VARIAÇÃO VARIAÇÃO ROE 2008 US$ 2008 US$ VENDAS LUC. 08/07 (%) Milh. Milh. 08/07 (%) (%)

ROA MARGEM RK (%) LÍQ. (%) 2008

1 AMÉRICA MÓVIL

MÉX

24.988,6

4.345,7

-12,5

-19,0

41,9

13,7

17,4

6

2 TELEFÔNICA

BRA

11.962,3

N.D.

6,2

-

-

-

-

26

3 TELCEL

MÉX

9.816,7

4.532,5

-15,6

-

-

-

46,2

32

4 TELÉFONOS DE MÉXICO

MÉX

8.972,0

1.458,7

-25,1

-55,1

51,3

10,8

16,3

40

5 TELEMAR

BRA

8.017,1

493,9

-19,3

-62,3

12,0

2,8

6,2

47

6 TELESP

BRA

6.837,4

1.035,5

-17,8

-22,4

24,1

12,1

15,1

57

7 VIVO

BRA

6.619,5

166,7

-6,1

397,1

4,7

1,6

2,5

60

8 TIM PARTICIPAÇÕES

BRA

5.597,3

77,1

-20,4

99,7

2,3

1,1

1,4

72

9 TELMEX INTERNACIONAL

MÉX

5.494,6

400,2

-

-

7,1

4,2

7,3

73

BRA

4.932,6

418,0

4,2

-

13,1

5,7

8,5

81

1,9

19,9

-91,0

5,9

10,4

10 CLARO TELECOM MÉDIA SETORIAL

* Corresponde à média de todas as empresas do setor no Ranking das 500

e será protagonista da indústria de telecomunicações. Segundo dados da Gartner, sua penetração será de 20% em 2009, 5% a menos do que em 2008, mas falar em dois dígitos confirma um percentual importante. Em 2011, este dado deve cair a 16%, em função de um “amadurecimento do mercado e, também, em parte, do impacto da crise econômica mundial”, diz Elia San Miguel, analista

Jorge Garcés, analista da consultoria Select, no México, afirma que no país ainda há muito espaço para crescer em banda larga e que pouco ajuda o fato de que muitos operadores estão se preocupando mais em oferecer uma convergência de serviços do que em fomentar o próprio acesso à internet. “O triple play é importante, mas o serviço âncora segue sendo a banda larga”, diz. Segundo

é quanto a penetração da banda larga móvel poderá alcançar na América Latina em 2009 50,2% nesse mesmo período, chegando a 227,31 mil conexões. No caso da Colômbia, o crescimento foi ainda maior, de 349%, alcançando 246,7 mil assinantes. Já no Chile, esse percentual foi de 89%, com um registro total de 223 mil em dezembro de 2008. A consultoria Pyramid Research, de Boston, também faz as contas e afirma que, regionalmente, a banda larga móvel passará de uma penetração de 0,7% em 2008 a 2% neste ano. A banda larga fixa também é

da Gartner em São Paulo. Na hora de comparar países, segundo Huamán, da DN Consultores, tanto em telefonia móvel como em banda larga a lacuna tem sido reduzida. “Os que estão mais ao meio, como Peru e Colômbia, estão ficando mais próximos dos de cima, como Chile, Argentina e Brasil.” Por outro lado, afirma o consultor, a concorrência é cada vez mais forte e as operadoras estão disponibilizando maior velocidade de acesso pelo mesmo preço.

o analista, em 2008, o total de assinantes de banda larga era de 6,5 milhões, e apenas 2% deles tinham serviço de banda larga móvel, que hoje cresce a taxas de, em média, 106%. Para muitos, o problema particular do México é a excessiva concentração do mercado nas mãos da Telmex e da Telcel, as regulamentações que não permitiram o desenvolvimento de uma indústria de telecomunicações competitiva, e, o mais importante, um acesso real a serviços de qualidade por parte

dos usuários (ver página XX). Embora seja uma questão de difícil solução no curto prazo, especialistas no setor acreditam que será fundamental a nova licitação de uma rede tronco (os chamados backbones) de fibra ótica, que pertence à Comissão Federal de Eletricidade, e de frequências de banda larga de 1,9 e 1,7 gigahertz para a prestação de serviços de telefonia móvel e internet 3G. Contudo, no resto da América Latina, não há um só ator dominante como no caso do México, mas sim dois. A América Móvil e a Telefónica-Movistar, que juntas possuem mais de 70% do mercado móvel na região e 50% do de banda larga fixa, o que torna difícil o crescimento de operadoras menores. Segundo San Miguel, da Gartner, frente à atual crise, as empresas terão que enfrentar uma maior concorrência e convencer os usuários da qualidade de seus serviços e de que têm os melhores preços. Terão, ainda, que fazer isso acima da velocidade da banda larga que eles mesmos oferecem. Q

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 85


ÍNDICE 500 3M DO BRASIL

A

ACEITERA GENERAL DEHEZA ACINDAR AÇOS VILLARES AEROMÉXICO (CINTRA) AEROPUERTOS Y SERVICIOS AUXILIARES AES GENER AGROSUPER AJE GROUP ALBRAS ALCOA ALICORP ALL AMÉRICA LATINA ALMACENES COPPEL ALMACENES ÉXITO ALPEK ALPURA ALTOS HORNOS DE MÉXICO ALUAR ALUMBRERA ALUNORTE AMBEV AMÉRICA MÓVIL AMERICEL AMIL AMPLA ANCAP ANDRADE GUTIERREZ CONCESSÕES ANDRADE GUTIERREZ PARTICIPAÇÕES ANGLO AMERICAN NORTE ANGLO AMERICAN SUR ANTOFAGASTA PLC ARACRUZ CELULOSE ARAUCO ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL (EX-CST) ARCOR ARTHUR LUNDGREN - PERNAMBUCANAS AURORA ALIMENTOS AUTORIDAD DEL CANAL DE PANAMÁ AVIANCA AVON AXTEL

B

B2W - CIA. GLOBAL DO VAREJO BANDEIRANTE ENERGIA BARRICK MISQUICHILCA BASF BASF DE MÉXICO BAVARIA BAYER BAYER DE MÉXICO BLACK & DECKER DE MÉXICO BODEGA AURRERÁ BOSCH BP EXPLORATION COMPANY BRASIL TELECOM BRASKEM BRETAS SUPERMERCADOS BRIDGESTONE FIRESTONE BUENAVENTURA BUNGE BUNGE ALIMENTOS BUNGE FERTILIZANTES

C

C. VALE CAMARGO CORRÊA CIMENTO CANDELARIA CANTV CAP CARAÍBA METAIS CARAMURU CARBONES DEL CERREJÓN CARGILL CARGILL CAROZZI CARREFOUR CARREFOUR CARREFOUR CASAS BAHIA CATERPILLAR CBA CBD - GRUPO PÃO DE AÇÚCAR CCR CCU CEG CELESC CELG CELPE CEMENTOS CRUZ AZUL CEMEX CEMEX MÉXICO CEMIG

86 AMÉRICAECONOMIA

BRA

406

ARG ARG BRA MÉX MÉX CHI CHI PER BRA BRA PER BRA MÉX COL MÉX MÉX MÉX ARG ARG BRA BRA MÉX BRA BRA BRA URU BRA BRA CHI CHI CHI BRA CHI BRA ARG BRA BRA PAN COL BRA MÉX

170 374 428 203 165 262 326 384 444 331 358 393 162 128 110 436 163 414 350 324 41 6 286 231 404 225 451 206 476 214 119 274 111 161 210 315 368 218 260 254 460

BRA BRA PER BRA MÉX COL BRA MÉX MÉX MÉX BRA COL BRA BRA BRA BRA PER ARG BRA BRA

317 449 310 224 409 263 293 380 394 64 245 425 83 52 483 376 488 97 37 117

BRA BRA CHI VEN CHI BRA BRA COL BRA ARG CHI ARG COL BRA BRA BRA BRA BRA BRA CHI BRA BRA BRA BRA MÉX MÉX MÉX BRA

478 371 365 88 217 401 457 175 56 65 447 129 303 35 68 189 340 51 361 344 453 282 484 434 364 13 107 86

CENCOSUD CENCOSUD CERVECERÍA CUAUHTÉMOC MOCTEZUMA CESP CGE CGE DISTRIBUCIÓN CHESF - HIDROELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO CHEVRON PETROLEUM COMPANY CHILECTRA CHRYSLER CHRYSLER CIA. BRASILEIRA DE METALURGIA E MINERAÇÃO CIA. BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA CICSA CLARO TELECOM CMPC CELULOSA CMPC PAPELES Y CARTONES CMPC TISSUE COAMO COCA-COLA FEMSA COCA-COLA CODELCO CODENSA COELBA COELCE COLBÚN COLLAHUASI COMCEL COMERCIAL MEXICANA COMGÁS COMISIÓN FEDERAL DE ELECTRICIDAD COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA COMPAÑÍA LUZ Y FUERZA DEL CENTRO COMPREBEM CONECEL CONFAB CONSORCIO MINERO CORMIN CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORRÊA CONSTRUCTORAS ICA CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO CONTAX CONTROLADORA MABE COPA AIRLINES COPASA COPEL COPERSUCAR CORPORACIÓN DURANGO CORPORACIÓN GEO CORPORATIVO FRAGUA CORREIOS E TELÉGRAFOS COSAN COSIPA COSTCO MÉXICO COTEMINAS CPFL - COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ CPFL ENERGIA CPFL PIRATININGA CSN CTI CVG VENALUM

D

D&S DANONE DANONE DEACERO DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DESARROLLADORA HOMEX DISCO DMA DISTRIBUIDORA DOE RUN DOUX FRANGOSUL DOW BRASIL DOW QUÍMICA DRUMMOND DUPONT BRASIL DUPONT MÉXICO DURATEX

E

EASY ECOPETROL EDITORA ABRIL EL PUERTO DE LIVERPOOL ELÉCTRICA DE CARACAS ELECTRICARIBE ELECTROLUX DO BRASIL ELEKTRO ELETROBRÁS ELETRONORTE ELETROPAULO EMBOTELLADORA ANDINA EMBOTELLADORAS ARCA EMBRAER EMBRATEL

AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA

/ JULHO, 2009

CHI ARG MÉX BRA CHI CHI BRA COL CHI ARG MÉX BRA BRA MÉX BRA CHI CHI CHI BRA MÉX BRA CHI COL BRA BRA CHI CHI COL MÉX BRA MÉX BRA MÉX BRA ECU BRA PER BRA MÉX BRA BRA BRA MÉX PAN BRA BRA BRA MÉX MÉX MÉX BRA BRA BRA MÉX BRA BRA BRA BRA BRA ARG VEN

33 122 132 399 141 405 209 298 248 420 39 270 36 421 81 375 139 446 230 62 61 17 373 318 470 366 159 164 108 250 10 113 121 382 396 427 415 238 277 216 377 492 104 330 450 178 253 495 338 351 93 212 147 413 312 229 99 467 63 207 417

CHI MÉX ARG MÉX MÉX MÉX ARG BRA PER BRA BRA ARG COL BRA MÉX BRA

118 247 354 267 131 311 234 499 342 473 269 306 308 383 458 471

ARG COL BRA MÉX VEN COL BRA BRA BRA BRA BRA CHI MÉX BRA BRA

480 15 468 124 456 474 403 392 19 258 127 314 292 78 98

EMPRESAS BANMÉDICA EMPRESAS COPEC EMPRESAS ICA EMPRESAS NAVIERAS EMPRESAS PÚBLICAS DE MEDELLÍN ENAMI ENAP ENDESA ENDESA BRASIL ENERGIAS DO BRASIL ENERSIS ENTEL ENTEL PCS EQUATORIAL ESCONDIDA ESSO EXTRA EXXONMOBIL

F

FALABELLA FALABELLA PERÚ FARMACIAS BENAVIDES FASA FEMSA FERREYROS FERROMEX FIAT AUTOMÓVEIS FLEXTRONICS MANUFACTURING FORD FORD FORD MOTOR COMPANY FOSFÉRTIL FURNAS

G

GAFISA GASCO GASPETRO GBARBOSA GENERAL ELECTRIC GENERAL ELECTRIC GENERAL MOTORS GENERAL MOTORS GENERAL MOTORS COLMOTORES GENERAL MOTORS DE MÉXICO GERDAU GERDAU AÇOMINAS GERDAU AÇOS LONGOS GERDAU COMERCIAL DE AÇOS GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES GOL GRUPO ABRIL GRUPO ALFA GRUPO ANDRÉ MAGGI GRUPO ARCELORMITTAL GRUPO ARGOS GRUPO AUTOFIN GRUPO BAL GRUPO BAVARIA GRUPO BERTIN GRUPO BIMBO GRUPO CAMARGO CORRÊA GRUPO CARSO GRUPO CASA SABA GRUPO CLARÍN GRUPO COIMEX GRUPO CONDUMEX GRUPO CONTINENTAL GRUPO CORVI GRUPO DE SUPERMERCADOS WONG GRUPO ELEKTRA GRUPO EMPRESARIAL ÁNGELES GRUPO FAMSA GRUPO GLORIA GRUPO IC GRUPO IMSA (AÇO) GRUPO INDUSTRIAL LALA GRUPO ISA GRUPO KUO GRUPO MASECA GRUPO MÉXICO GRUPO MODELO GRUPO NAC. DE CHOCOLATES GRUPO OMNILIFE GRUPO PALACIO DE HIERRO GRUPO PEPSICO GRUPO SALINAS GRUPO SALUDCOOP GRUPO SANBORNS GRUPO SCHINCARIOL GRUPO SIMEC GRUPO TACA GRUPO TELEVISA GRUPO ULTRA GRUPO VILLACERO

CHI CHI MÉX CHI COL CHI CHI CHI BRA BRA CHI CHI CHI BRA CHI BRA BRA COL

430 20 219 316 252 285 21 103 199 204 29 251 360 418 50 95 106 176

CHI PER MÉX CHI MÉX PER MÉX BRA MÉX BRA ARG MÉX BRA BRA

67 424 500 289 22 497 452 49 140 77 233 69 291 173

BRA CHI BRA BRA BRA MÉX BRA ARG COL MÉX BRA BRA BRA BRA BRA BRA BRA MÉX BRA BRA COL MÉX MÉX COL BRA MÉX BRA MÉX MÉX ARG BRA MÉX MÉX MÉX PER MÉX MÉX MÉX PER C.RI MÉX MÉX COL MÉX MÉX MÉX MÉX COL MÉX MÉX MÉX MÉX COL MÉX BRA MÉX ELS MÉX BRA MÉX

496 461 290 402 120 166 45 236 332 25 11 177 100 335 125 150 334 44 416 42 243 442 48 180 146 66 58 75 211 257 297 197 443 322 435 134 304 395 469 307 87 137 356 256 126 85 74 239 345 437 123 92 319 179 419 168 438 114 24 305


ÍNDICE 500 GRUPO VITRO GRUPO VIZ GRUPO VOTORANTIM GRUPO XIGNUX GUARARAPES - RIACHUELO

H

H-E-B SUPERMERCADOS HERINGER FERTILIZANTES HEWLETT - PACKARD MÉXICO HOCOL HOME DEPOT HONDA HOSPITALES ÁNGELES HP BRASIL HUACHIPATO

MÉX MÉX BRA MÉX BRA

205 327 16 191 472

MÉX BRA MÉX COL MÉX BRA MÉX BRA CHI

432 281 71 431 201 136 423 186 325

I

MÉX IBERDROLA DE MÉXICO BRA IMCOPA - IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E INDU. DE ÓLEOS MÉX INDUSTRIAS BACHOCO MÉX INDUSTRIAS CH MÉX INDUSTRIAS PEÑOLES BRA INFRAERO C.RI INTEL CHI INTEROCEÁNICA BRA IOCHP-MAXION BRA/PAR ITAIPU BINACIONAL BRA ITAMBÉ BRA ITAUTEC MÉX IUSA - INDUSTRIAS UNIDAS MÉX IUSACELL

J

JBS FRIBOI JUMBO

K

KIMBERLY CLARK DE MÉXICO KLABIN KRAFT FOODS

L

LA FONTE PARTICIPAÇÕES LAN LG LIGHT LIQUIGÁS LOCALIZA LOJAS AMERICANAS LOJAS RENNER LOS PELAMBRES LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL

M

M. DIAS BRANCO MADECO MAGAZINE LUIZA MAHLE METAL LEVE MAKRO MALL PLAZA MARCOPOLO MARFRIG MARTINS DISTRIBUIÇÃO MASISA MC DONALD´S MEGA MET-MEX PEÑOLES MEXICANA DE AVIACIÓN MEXICHEM MINAS PEÑOLES MINERA ANTAMINA MINERA CERRO VERDE MINERA EL ABRA MINERA MÉXICO MINERA SPENCE MINERA VALPARAÍSO MINERA YANACOCHA MINERA ZALDÍVAR MINERVA MOLINOS RÍO DE LA PLATA MOLYMET MOSAIC FERTILIZANTES MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR MOVISTAR MRS

N

NACIONAL DE DROGAS NATURA NEMAK NEOENERGIA

184 372 294 145 109 410 208 422 481 115 459 490 172 477

BRA CHI

18 349

MÉX BRA BRA

255 321 433

BRA CHI BRA BRA BRA BRA BRA BRA CHI BRA

299 90 130 183 408 482 138 441 198 194

BRA CHI BRA BRA BRA CHI BRA BRA BRA CHI BRA MÉX MÉX MÉX MÉX MÉX PER PER CHI MÉX CHI CHI PER CHI BRA ARG CHI BRA VEN MÉX ARG CHI COL PER BRA

440 381 400 479 228 215 390 158 276 397 301 273 101 240 188 328 144 232 378 143 362 363 266 454 445 182 171 261 105 185 192 329 367 398 337

MÉX BRA MÉX BRA

196 278 174 156

NESTLÉ NESTLÉ DE MÉXICO NET BRASIL NEXTEL NEXTEL DE MÉXICO NISSAN MEXICANA NOKIA NOKIA NORBERTO ODEBRECHT

O

OCCIDENTAL DE COLOMBIA ODEBRECHT OI CELULAR OLÍMPICA ORGANIZACIÓN SORIANA ORGANIZACIÓN TERPEL OXITENO OXXO (FEMSA COMERCIO)

P

PAN AMERICAN ENERGY PÃO DE AÇÚCAR PARANAPANEMA PARIS PATAGONIA PDVSA PEMEX PEMEX GAS Y PETROQUÍMICA BÁSICA PEMEX PETROQUÍMICA PEMEX REFINACIÓN PEQUIVEN PERDIGÃO PERUANA DE COMBUSTIBLES - PECSA PERUPETRO PETROBRAS PETROBRAS PETROBRAS DISTRIBUIDORA PETROBRAS ENERGÍA PETROECUADOR PETROPERÚ PEUGEOT - CITROËN PHILIP MORRIS DE MÉXICO PHILIPS MEXICANA PIRELLI PNEUS PONTO FRIO - GLOBEX POSITIVO INFORMÁTICA PREZUNIC SUPERMERCADOS PROCTER & GAMBLE DE MÉXICO PROFARMA

Q

QUATTOR PARTICIPAÇÕES QUATTOR QUÍMICOS BÁSICOS (EX-PETROQUÍMICA UNIÃO) QUIÑENCO

R

RANDON RECOPE REDE ENERGIA REFAP - ALBERTO PASQUALINI REFINERÍA DE CARTAGENA RENAULT RENAULT ARGENTINA REPSOL YPF PERÚ RHODIA RIPLEY

S

SABESP SADIA SALFACORP SAMARCO MINERAÇÃO SAM’S CLUB SAMSUNG ELETRÔNICA AMAZÔNIA SANMINA - SCI SYSTEMS DE MÉXICO SANTA ISABEL SCANIA SEARS SENDAS DISTRIBUIDORA SHELL SHELL CAPSA SIDERAR SIEMENS BRASIL SIEMENS MÉXICO SIGDO KOPPERS SIGMA SIVENSA SODIMAC SONY DE MÉXICO SOTREQ SOUTHERN PERÚ COPPER CORP. SOUZA CRUZ SQM SUDAMERICANA DE VAPORES SUPERAMA

BRA MÉX BRA BRA MÉX MÉX BRA MÉX BRA

76 142 275 320 200 30 160 295 54

COL BRA BRA COL MÉX COL BRA MÉX

498 14 195 387 55 148 466 116

ARG BRA BRA CHI ARG VEN MÉX MÉX MÉX MÉX VEN BRA PER PER BRA COL BRA ARG ECU PER ARG MÉX MÉX BRA BRA BRA BRA MÉX BRA

242 296 283 463 412 1 2 9 70 4 34 82 455 279 3 494 7 94 27 157 244 213 259 264 268 465 491 202 388

BRA BRA CHI

272 370 359

BRA C.RI BRA BRA COL BRA ARG PER BRA CHI

323 154 249 96 149 221 439 102 348 265

BRA BRA CHI BRA MÉX BRA MÉX CHI BRA MÉX BRA BRA ARG ARG BRA MÉX CHI MÉX VEN CHI MÉX BRA PER BRA CHI CHI MÉX

151 89 429 237 84 155 135 343 353 313 339 38 226 181 300 347 352 227 357 241 341 485 153 187 235 80 448

SUPERMERCADOS LA FAVORITA SUZANO PAPEL E CELULOSE SUZANO PETROQUÍMICA

T

TAM TECHINT TELCEL TELECOM TELEFÔNICA TELEFÓNICA CHILE TELEFÓNICA COLOMBIA TELEFÓNICA DE ARGENTINA TELEFÓNICA DEL PERÚ TELÉFONOS DE MÉXICO TELEMAR TELESP TELMEX INTERNACIONAL TENARIS TERNIUM TIENDAS COMERCIAL MEXICANA TIENDAS SANBORNS TIGRE - TUBOS E CONEXÕES TIM PARTICIPAÇÕES TOYOTA TOYOTA TRACTEBEL TRANSPETRO TUPY

U

UCP BACKUS & JOHNST ULTRAFÉRTIL ULTRAGAZ UNILEVER DE MÉXICO UNIPAR URBI DESARROLLOS URBANOS USIMINAS USIMINAS IPATINGA UTE

V

VALE VITRO ENVASES VITRO VIDRIO PLANO VIVO VOLKSWAGEN VOLKSWAGEN VOLKSWAGEN DE MÉXICO VOLVO VOTORANTIM CELULOSE E PAPEL VOTORANTIM CIMENTOS VRG - LINHAS AÉREAS

W

WAL-MART WAL-MART DE MÉXICO WAL-MART SUPERCENTER WEG WHIRLPOOL WHIRLPOOL MÉXICO WHITE MARTINS GASES INDUSTRIAIS

X

XSTRATA COPPER CHILE S.A.

Y

YARA FERTILIZANTES YPF

Z

ZAFFARI E BOURBON

ECU BRA BRA

346 246 489

BRA ARG MÉX ARG BRA CHI COL ARG PER MÉX BRA BRA MÉX ARG ARG MÉX MÉX BRA BRA ARG MÉX BRA BRA BRA

91 8 32 133 26 385 223 309 190 40 47 57 73 23 43 407 411 487 72 280 288 287 271 493

PER BRA BRA MÉX BRA MÉX BRA BRA URU

475 462 379 369 220 389 59 112 464

BRA MÉX MÉX BRA BRA ARG MÉX BRA BRA BRA BRA

5 302 355 60 28 193 46 152 333 167 386

BRA MÉX MÉX BRA BRA MÉX BRA

53 12 79 222 169 391 426

CHI

284

BRA ARG

336 31

BRA

486

Notas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

Holding Estimado Vendas bruta Vendas anualizadas a junho Vendas anualizadas a setembro Filial do Grupo Carso Filial do América Movil Filial do Techint Filial do Wal-Mart México Filial do Ternium Filial do Grupo Alfa Filial da Telmex Filial da CPFL Energia Filial da CBD Filial da Petrobras Filial da Empresas Copec Filial do Grupo Bal Filial do Antofagasta Holding Femsa Cerveza

JULHO, 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 87


MAIORES EMPRESAS M

AS S

DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2008 2007

SETOR

VENDAS 2008 US$ Milh.

VENDAS 2007 US$ Milh.

126.364,0

VARIAÇÃO VENDAS 08/07 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

LUCRO LÍQUIDO 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO LUCRO 08/07 (%)

EBITDA 2008 US$ Milh.

EBITDA 2007 US$ Milhões

VARIAÇÃO EBITDA 08/07 (%)

3 PDVSA (1)

VEN Petróleo/Gás

97.118,0

30,1

9.413,0

6.273,0

50,1

9.356,0

6.172,0

51,6

2

1 PEMEX (1)

MÉX Petróleo/Gás

96.074,5 104.368,6

-7,9

-7.906,2

-1.677,2

-371,4

47.776,4

61.035,4

-21,7

3

2 PETROBRAS (1)

BRA Petróleo/Gás

92.049,0

96.300,9

-4,4

14.115,4

12.144,6

16,2

26.601,7

27.232,9

-2,3

4

4 PEMEX REFINACIÓN

MÉX Petróleo/Gás

39.733,9

43.494,0

-8,6

-8.669,9

-4.218,0

-105,5

-19.617,7

-9.239,3

-112,3

5

5 VALE

BRA Mineração

30.184,4

36.562,7

-17,4

9.105,5

11.294,3

-19,4

13.912,0

18.904,1

-26,4

6

6 AMÉRICA MÓVIL (1)

MÉX Telecomunicações

24.988,6

28.544,2

-12,5

4.345,7

5.367,3

-19,0

10.008,4

11.613,7

-13,8

7

8 PETROBRAS DISTRIBUIDORA (15)

17,6

BRA Petróleo/Gás

23.930,9

20.721,9

15,5

551,6

474,0

16,4

820,3

697,7

8

12 TECHINT (1)

ARG Siderurgia/Metalurgia

22.000,0

22.087,0

-0,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

9

11 PEMEX GAS Y PETROQUÍMICA BÁSICA

MÉX Petroquímica

19.675,5

20.514,0

-4,1

164,3

455,0

-63,9

248,8

986,2

-74,8

MÉX Energia elétrica

19.570,0

20.665,9

-5,3

-1.415,8

-682,7

-107,4

N.D.

617,8

-

11

15 GERDAU (1)

BRA Siderurgia/Metalurgia

17.932,3

17.283,1

3,8

1.686,1

2.005,7

-15,9

4.236,7

3.461,1

22,4

12

10 WAL-MART DE MÉXICO (1)

MÉX Comércio

17.705,9

20.610,3

-14,1

1.060,8

1.303,5

-18,6

1.726,9

2.051,9

-15,8

MÉX Cimento

17.581,8

21.681,5

-18,9

164,7

2.391,8

-93,1

3.524,1

4.591,1

-23,2

13

9 COMISIÓN FEDERAL DE ELECTRICIDAD

7 CEMEX (1)

14

16 ODEBRECHT (1)

BRA Multissetor

15.193,5

14.885,0

2,1

-357,8

254,0

-240,8

2.005,6

2.083,0

-3,7

15

29 ECOPETROL

COL Petróleo/Gás

15.053,9

10.924,7

37,8

5.164,8

2.533,9

103,8

6.554,5

7.128,0

-8,0

16

13 GRUPO VOTORANTIM (1)

BRA Multissetor

15.011,9

17.144,6

-12,4

N.D.

2.708,5

-

N.D.

N.D.

-

17

14 CODELCO

CHI Mineração

14.424,8

16.988,2

-15,1

1.566,8

2.981,6

-47,5

N.D.

3.816,2

-

18

50 JBS FRIBOI

BRA Agroindústria

12.982,6

7.983,7

62,6

11,1

-93,2

111,9

479,4

295,8

62,1

19

19 ELETROBRÁS

BRA Energia elétrica

12.865,4

12.676,3

1,5

2.625,8

873,9

200,5

3.356,1

2.563,9

30,9

20

20 EMPRESAS COPEC (1)

CHI Multissetor

12.818,2

12.331,8

3,9

603,1

1.014,4

-40,5

1.394,2

1.726,8

-19,3

21

40 ENAP

CHI Petróleo/Gás

12.185,2

9.019,3

35,1

-957,8

199,1

-581,1

N.D.

429,4

-

22

18 FEMSA (1)

MÉX Bebidas

12.146,9

13.517,8

-10,1

484,9

779,7

-37,8

2.223,2

2.562,4

-13,2

23

34 TENARIS (8)

ARG Siderurgia/Metalurgia

12.131,8

10.042,0

20,8

2.124,8

2.076,1

2,3

3.560,8

3.472,0

2,6

24

26 GRUPO ULTRA (1)

BRA Petróleo/Gás

12.095,8

11.246,7

7,5

167,0

102,7

62,6

465,9

444,2

4,9

25

27 GENERAL MOTORS DE MÉXICO (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

12.027,0

11.216,1

7,2

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

26

25 TELEFÔNICA

BRA Telecomunicações

11.962,3

11.261,5

6,2

N.D.

N.D.

-

4.669,0

4.498,7

3,8

27

53 PETROECUADOR

EQU Petróleo/Gás

10.878,4

7.700,4

41,3

5.072,4

2.969,5

70,8

N.D.

3.331,9

-

28

22 VOLKSWAGEN

BRA Automotivo/Autopeças

10.702,8

11.949,7

-10,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

29

38 ENERSIS

CHI Energia elétrica

10.570,9

9.452,4

11,8

907,4

379,9

138,9

4.045,3

3.390,3

19,3

30

32 NISSAN MEXICANA (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

10.529,1

10.124,2

4,0

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

31

39 YPF

ARG Petróleo/Gás

10.050,4

9.181,1

9,5

1.049,0

1.289,0

-18,6

3.296,8

3.405,7

-3,2

32

24 TELCEL

MÉX Telecomunicações

9.816,7

11.628,8

-15,6

4.532,5

N.D.

-

5.144,6

6.196,8

-17,0

33

54 CENCOSUD (1)

CHI Comércio

9.745,8

7.623,2

27,8

254,5

423,8

-39,9

709,8

656,8

8,1

VEN Petroquímica

9.690,0

6.500,0

49,1

N.D.

240,5

-

N.D.

N.D.

-

34

P: PRIVADA LOCAL, P*: PRIVADA ESTRANGEIRA, E: ESTATAL

PAÍS

1

10

1 - 50

EMPRESA

147 PEQUIVEN

35

47 CARREFOUR

BRA Comércio

9.614,9

8.254,1

16,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

36

23 CIA. BRA. DE PETRÓLEO IPIRANGA

BRA Petróleo/Gás

9.605,6

11.753,0

-18,3

137,2

214,7

-36,1

258,1

235,6

9,6

37

41 BUNGE ALIMENTOS

BRA Agroindústria

9.521,1

8.780,1

8,4

0,9

-19,3

104,7

415,4

91,0

356,5

38

30 SHELL

BRA Petróleo/Gás

9.185,7

10.277,0

-10,6

-209,9

69,6

-401,5

337,8

281,1

20,2

39

37 CHRYSLER (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

9.120,0

9.753,3

-6,5

N.D.

700,6

-

N.D.

542,2

-

40

21 TELÉFONOS DE MÉXICO

MÉX Telecomunicações

8.972,0

11.979,8

-25,1

1.458,7

3.250,8

-55,1

4.171,9

5.708,3

-26,9

41

28 AMBEV

BRA Bebidas

8.942,9

11.092,5

-19,4

1.309,1

1.590,0

-17,7

3.869,7

4.902,9

-21,1

42

43 GRUPO ARCELORMITTAL

BRA Siderurgia/Metalurgia

8.489,9

8.665,6

-2,0

609,9

1.709,3

-64,3

2.716,7

2.992,1

-9,2

43

48 TERNIUM (8)

ARG Siderurgia/Metalurgia

8.464,8

5.633,3

50,3

875,2

995,8

-12,1

N.D.

2.152,3

-

44

36 GRUPO ALFA (1)

MÉX Multissetor

8.399,8

9.787,1

-14,2

-687,7

325,3

-311,4

757,5

980,0

-22,7

45

68 GENERAL MOTORS

BRA Automotivo/Autopeças

8.329,0

6.477,0

28,6

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

46

42 VOLKSWAGEN DE MÉXICO (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

8.140,0

8.673,0

-6,1

N.D.

-93,3

-

N.D.

401,3

-

47

31 TELEMAR

BRA Telecomunicações

8.017,1

9.934,6

-19,3

493,9

1.309,5

-62,3

2.596,5

3.681,9

-29,5

48

52 GRUPO BAL (1) (2)

MÉX Multissetor

7.930,0

7.773,6

2,0

N.D.

528,0

-

N.D.

N.D.

-

49

49 FIAT AUTOMÓVEIS

BRA Automotivo/Autopeças

7.897,9

8.173,2

-3,4

801,6

N.D.

-

1.257,0

1.560,8

-19,5

50

33 ESCONDIDA

CHI Mineração

7.760,2

10.289,7

-24,6

3.570,3

6.467,0

-44,8

4.619,6

8.367,7

-44,8

(3)

(Notas na pág. 87)

88 AMÉRICAECONOMIA AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA / JULHO, 2009


E ECOPETROL A ESTATAL COLOMBIANA É UM CASO RARO ENTRE AS PETROLÍFERAS. RREGISTROU AUMENTO DE VENDAS DE 37,8% E DUPLICOU SEU LUCRO. JAVIER GUTIÉRREZ, PRESIDENTE Da ECOPETROL

ATIVO TOTAL 2008 US$ Milh.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

Presença EM BOLSA

Tipo de PROPRIEDADE

EXPORTAÇÕES 2008 US$ Milh.

EXPORTAÇÕES COMO % DAS VENDAS

131.832,0

71.513,0

13,2

7,1

7,4

88.696,4

1.936,0

-408,4

-8,9

-8,2

77.292

Não

E

122.488,0

96,9

pdvsa.com

1

161.158

Sim

E

46.763,4

48,7

pemex.com.mx

125.016,6

59.206,4

23,8

11,3

15,3

2

74.240

Sim

E

19.299,2

21,0

petrobras.com.br

37.050,0

-1.135,9

-

-23,4

3

-21,8

48.100

Não

E

35,3

0,1

pemex.com.mx

79.494,9

41.195,8

22,1

4

11,5

30,2

62.490

Sim

P

13.531,2

44,8

vale.com

31.676,4

10.370,3

5

41,9

13,7

17,4

52.879

Sim

P

-

-

americamovil.com

5.159,9

6

3.157,3

17,5

10,7

2,3

6.930

Não

E

1.123,8

4,7

br.com.br

7

28.208,0

N.D.

-

-

-

53.075

Não

P

-

-

techint.com

8

11.569,0

3.450,2

4,8

1,4

0,8

13.000

Não

E

12.126,5

61,6

56.950,1

30.196,4

-4,7

-2,5

-7,2

82.012

Não

E

-

-

25.267,7

8.629,2

19,5

6,7

9,4

42.133

Sim

P

1.962,6

10,9

8.564,2

5.369,7

19,8

12,4

6,0

170.014

Sim

P*

-

-

45.083,9

13.785,8

1,2

0,4

0,9

67.800

Sim

P

17.500,0

17.799,4

945,0

-37,9

-2,0

-2,4

94.000

Não

P

21.629,1

15.374,9

33,6

23,9

34,3

6.776

Sim

E

56.909,1

10.239,8

-

-

-

60.000

Não

P

13.706,7

3.875,7

40,4

11,4

10,9

19.300

Não

E

6.887,6

2.624,9

0,4

0,2

0,1

60.000

Sim

P

1.265,5

9,7

59.073,1

36.636,0

7,2

4,4

20,4

23.522

Sim

E

-

-

11.855,9

7.656,3

7,9

5,1

4,7

14.792

Sim

P

104,9

0,8

empresascopec.cl

20

4.872,1

261,3

-366,5

-19,7

-7,9

3.382

Não

E

728,6

6,0

enap.cl

21

13.377,2

4.975,3

9,7

3,6

4,0

122.981

Sim

P

4.205,0

34,6

femsa.com

22

15.100,7

8.176,6

26,0

14,1

17,5

23.530

Sim

P

-

-

tenaris.com

23

4.136,6

1.989,8

8,4

4,0

1,4

9.469

Sim

P

-

-

ultra.com.br

24

N.D.

N.D.

-

-

-

12.669

Não

P*

-

-

gm.com.mx

25

ROE (%)

ROA (%)

MARGEM EMPREGADOS LÍQUIDA (%) 2008

SITE (www.)

RK 2008

pemex.com.mx

9

cfe.gob.mx

10

gerdau.com.br

11

walmartmexico.com.mx

12

99,5

cemex.com

13

6.129,8

40,3

odebrecht.com.br

14

4.218,1

28,0

ecopetrol.com.co

15

1.023,4

6,8

votorantim.com

16

13.772,7

95,5

codelco.cl

17

friboi.com.br

18

eletrobras.gov.br

19

N.D.

-

-

-

75.800

Não

P*

-

-

telefonica.com.br

26

4.592,3

110,5

84,8

46,6

N.D.

Não

E

6.914,6

63,6

petroecuador.com.ec

27

6.599,6

1.713,2

-

-

-

22.018

Não

P*

2.001,9

18,7

volkswagen.com.br

28

22.888,9

5.876,9

15,4

4,0

8,6

12.733

Sim

P*

-

-

enersis.cl

29

N.D.

N.D.

-

-

-

8.889

Não

P*

-

-

nissan.com.mx

30

11.262,0

5.866,3

17,9

9,3

10,4

8.476

Sim

P*

-

-

ypf.com.ar

31

N.D.

N.D.

-

-

46,2

14.500

Não

P

-

-

telcel.com.mx

32

8.773,6

3.705,0

6,9

2,9

2,6

96.000

Sim

P

-

-

cencosud.cl

33

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

E

-

-

pequiven.com

34

N.D.

N.D.

-

-

-

67.900

Não

P*

-

-

carrefour.com.br

35

1.959,3

1.095,2

12,5

7,0

1,4

2.083

Não

P

-

-

ipiranga.com.br

36

4.270,4

934,2

0,1

0,0

0,0

5.389

Não

P*

5.023,4

52,8

bunge.com.br

37

4.018,8

923,3

-22,7

-5,2

-2,3

1.630

Não

P*

1.320,4

14,4

shell.com.br

38

N.D.

N.D.

-

-

-

11.100

Não

P*

5.762,6

63,2

chryslerdemexico.com.mx

39

13.527,9

2.843,3

51,3

10,8

16,3

80.000

Sim

P

-

-

telmex.com.mx

40

15.947,8

7.393,3

17,7

8,2

14,6

39.300

Sim

P*

-

-

ambev.com.br

41

14.537,4

6.714,5

9,1

4,2

7,2

18.780

Sim

P*

2.679,1

31,6

arcelormittal.com.br

42

10.671,1

5.561,4

15,7

8,2

10,3

16.000

Não

P

-

-

ternium.com

43

8.022,4

2.136,4

-32,2

-8,6

-8,2

50.992

Sim

P

4.546,9

54,1

alfa.com.mx

44

N.D.

N.D.

-

-

-

21.000

Não

P*

1.571,0

18,9

chevrolet.com.br

45

N.D.

N.D.

-

-

-

15.000

Sim

P*

5.948,6

73,1

vw.com.mx

46

17.571,7

4.104,0

12,0

2,8

6,2

10.982

Sim

P

-

-

telemar.com.br

47

N.D.

N.D.

-

-

-

39.000

Não

P

-

-

bal.com.mx

48

3.152,6

602,4

133,1

25,4

10,1

14.097

Não

P*

1.030,6

13,0

fiat.com.br

49

N.D.

N.D.

-

-

46,0

3.100

Não

P*

7.436,5

95,8

mineraescondida.cl

50

JULHO 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 89

1 - 50

N.D. 5.982,3


MAIORES EMPRESAS M

AS S

DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2008 2007

SETOR

VENDAS 2008 US$ Milh.

VENDAS 2007 US$ Milh.

126.364,0

VARIAÇÃO VENDAS 08/07 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

LUCRO LÍQUIDO 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO LUCRO 08/07 (%)

EBITDA 2008 US$ Milh.

EBITDA 2007 US$ Milhões

VARIAÇÃO EBITDA 08/07 (%)

3 PDVSA (1)

VEN Petróleo/Gás

97.118,0

30,1

9.413,0

6.273,0

50,1

9.356,0

6.172,0

51,6

2

1 PEMEX (1)

MÉX Petróleo/Gás

96.074,5 104.368,6

-7,9

-7.906,2

-1.677,2

-371,4

47.776,4

61.035,4

-21,7

3

2 PETROBRAS (1)

BRA Petróleo/Gás

92.049,0

96.300,9

-4,4

14.115,4

12.144,6

16,2

26.601,7

27.232,9

-2,3

4

4 PEMEX REFINACIÓN

MÉX Petróleo/Gás

39.733,9

43.494,0

-8,6

-8.669,9

-4.218,0

-105,5

-19.617,7

-9.239,3

-112,3

5

5 VALE

BRA Mineração

30.184,4

36.562,7

-17,4

9.105,5

11.294,3

-19,4

13.912,0

18.904,1

-26,4

6

6 AMÉRICA MÓVIL (1)

MÉX Telecomunicações

24.988,6

28.544,2

-12,5

4.345,7

5.367,3

-19,0

10.008,4

11.613,7

-13,8

7

8 PETROBRAS DISTRIBUIDORA (15)

17,6

BRA Petróleo/Gás

23.930,9

20.721,9

15,5

551,6

474,0

16,4

820,3

697,7

8

12 TECHINT (1)

ARG Siderurgia/Metalurgia

22.000,0

22.087,0

-0,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

9

11 PEMEX GAS Y PETROQUÍMICA BÁSICA

MÉX Petroquímica

19.675,5

20.514,0

-4,1

164,3

455,0

-63,9

248,8

986,2

-74,8

MÉX Energia elétrica

19.570,0

20.665,9

-5,3

-1.415,8

-682,7

-107,4

N.D.

617,8

-

11

15 GERDAU (1)

BRA Siderurgia/Metalurgia

17.932,3

17.283,1

3,8

1.686,1

2.005,7

-15,9

4.236,7

3.461,1

22,4

12

10 WAL-MART DE MÉXICO (1)

MÉX Comércio

17.705,9

20.610,3

-14,1

1.060,8

1.303,5

-18,6

1.726,9

2.051,9

-15,8

MÉX Cimento

17.581,8

21.681,5

-18,9

164,7

2.391,8

-93,1

3.524,1

4.591,1

-23,2

13

9 COMISIÓN FEDERAL DE ELECTRICIDAD

7 CEMEX (1)

14

16 ODEBRECHT (1)

BRA Multissetor

15.193,5

14.885,0

2,1

-357,8

254,0

-240,8

2.005,6

2.083,0

-3,7

15

29 ECOPETROL

COL Petróleo/Gás

15.053,9

10.924,7

37,8

5.164,8

2.533,9

103,8

6.554,5

7.128,0

-8,0

16

13 GRUPO VOTORANTIM (1)

BRA Multissetor

15.011,9

17.144,6

-12,4

N.D.

2.708,5

-

N.D.

N.D.

-

17

14 CODELCO

CHI Mineração

14.424,8

16.988,2

-15,1

1.566,8

2.981,6

-47,5

N.D.

3.816,2

-

18

50 JBS FRIBOI

BRA Agroindústria

12.982,6

7.983,7

62,6

11,1

-93,2

111,9

479,4

295,8

62,1

19

19 ELETROBRÁS

BRA Energia elétrica

12.865,4

12.676,3

1,5

2.625,8

873,9

200,5

3.356,1

2.563,9

30,9

20

20 EMPRESAS COPEC (1)

CHI Multissetor

12.818,2

12.331,8

3,9

603,1

1.014,4

-40,5

1.394,2

1.726,8

-19,3

21

40 ENAP

CHI Petróleo/Gás

12.185,2

9.019,3

35,1

-957,8

199,1

-581,1

N.D.

429,4

-

22

18 FEMSA (1)

MÉX Bebidas

12.146,9

13.517,8

-10,1

484,9

779,7

-37,8

2.223,2

2.562,4

-13,2

23

34 TENARIS (8)

ARG Siderurgia/Metalurgia

12.131,8

10.042,0

20,8

2.124,8

2.076,1

2,3

3.560,8

3.472,0

2,6

24

26 GRUPO ULTRA (1)

BRA Petróleo/Gás

12.095,8

11.246,7

7,5

167,0

102,7

62,6

465,9

444,2

4,9

25

27 GENERAL MOTORS DE MÉXICO (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

12.027,0

11.216,1

7,2

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

26

25 TELEFÔNICA

BRA Telecomunicações

11.962,3

11.261,5

6,2

N.D.

N.D.

-

4.669,0

4.498,7

3,8

27

53 PETROECUADOR

EQU Petróleo/Gás

10.878,4

7.700,4

41,3

5.072,4

2.969,5

70,8

N.D.

3.331,9

-

28

22 VOLKSWAGEN

BRA Automotivo/Autopeças

10.702,8

11.949,7

-10,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

29

38 ENERSIS

CHI Energia elétrica

10.570,9

9.452,4

11,8

907,4

379,9

138,9

4.045,3

3.390,3

19,3

30

32 NISSAN MEXICANA (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

10.529,1

10.124,2

4,0

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

31

39 YPF

ARG Petróleo/Gás

10.050,4

9.181,1

9,5

1.049,0

1.289,0

-18,6

3.296,8

3.405,7

-3,2

32

24 TELCEL

MÉX Telecomunicações

9.816,7

11.628,8

-15,6

4.532,5

N.D.

-

5.144,6

6.196,8

-17,0

33

54 CENCOSUD (1)

CHI Comércio

9.745,8

7.623,2

27,8

254,5

423,8

-39,9

709,8

656,8

8,1

VEN Petroquímica

9.690,0

6.500,0

49,1

N.D.

240,5

-

N.D.

N.D.

-

34

P: PRIVADA LOCAL, P*: PRIVADA ESTRANGEIRA, E: ESTATAL

PAÍS

1

10

1 - 50

EMPRESA

147 PEQUIVEN

35

47 CARREFOUR

BRA Comércio

9.614,9

8.254,1

16,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

36

23 CIA. BRA. DE PETRÓLEO IPIRANGA

BRA Petróleo/Gás

9.605,6

11.753,0

-18,3

137,2

214,7

-36,1

258,1

235,6

9,6

37

41 BUNGE ALIMENTOS

BRA Agroindústria

9.521,1

8.780,1

8,4

0,9

-19,3

104,7

415,4

91,0

356,5

38

30 SHELL

BRA Petróleo/Gás

9.185,7

10.277,0

-10,6

-209,9

69,6

-401,5

337,8

281,1

20,2

39

37 CHRYSLER (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

9.120,0

9.753,3

-6,5

N.D.

700,6

-

N.D.

542,2

-

40

21 TELÉFONOS DE MÉXICO

MÉX Telecomunicações

8.972,0

11.979,8

-25,1

1.458,7

3.250,8

-55,1

4.171,9

5.708,3

-26,9

41

28 AMBEV

BRA Bebidas

8.942,9

11.092,5

-19,4

1.309,1

1.590,0

-17,7

3.869,7

4.902,9

-21,1

42

43 GRUPO ARCELORMITTAL

BRA Siderurgia/Metalurgia

8.489,9

8.665,6

-2,0

609,9

1.709,3

-64,3

2.716,7

2.992,1

-9,2

43

48 TERNIUM (8)

ARG Siderurgia/Metalurgia

8.464,8

5.633,3

50,3

875,2

995,8

-12,1

N.D.

2.152,3

-

44

36 GRUPO ALFA (1)

MÉX Multissetor

8.399,8

9.787,1

-14,2

-687,7

325,3

-311,4

757,5

980,0

-22,7

45

68 GENERAL MOTORS

BRA Automotivo/Autopeças

8.329,0

6.477,0

28,6

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

46

42 VOLKSWAGEN DE MÉXICO (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

8.140,0

8.673,0

-6,1

N.D.

-93,3

-

N.D.

401,3

-

47

31 TELEMAR

BRA Telecomunicações

8.017,1

9.934,6

-19,3

493,9

1.309,5

-62,3

2.596,5

3.681,9

-29,5

48

52 GRUPO BAL (1) (2)

MÉX Multissetor

7.930,0

7.773,6

2,0

N.D.

528,0

-

N.D.

N.D.

-

49

49 FIAT AUTOMÓVEIS

BRA Automotivo/Autopeças

7.897,9

8.173,2

-3,4

801,6

N.D.

-

1.257,0

1.560,8

-19,5

50

33 ESCONDIDA

CHI Mineração

7.760,2

10.289,7

-24,6

3.570,3

6.467,0

-44,8

4.619,6

8.367,7

-44,8

(3)

(Notas na pág. 87)

88 AMÉRICAECONOMIA AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA / JULHO, 2009


LAN O AUMENTO LAN AUM DE 30,1% EM SUAS VENDAS A TRANSFORMOU NA MAIOR COMPANHIA AÉREA DA AAMÉRICA LATINA E NA QUE MAIS GANHA: US$ 339,7 MILHÕES DE LUCRO.

ATIVO TOTAL 2008 US$ Milh.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

ROE (%)

ROA (%)

MARGEM EMPREGADOS LÍQUIDA (%) 2008

Presença EM BOLSA

Tipo de PROPRIEDADE

EXPORTAÇÕES 2008 US$ Milh.

EXPORTAÇÕES COMO % DAS VENDAS

5.795,5

2.314,0

4,8

1,9

1,4

70.656

Sim

P

-

-

9.714,1

1.574,6

-67,7

-11,0

-13,9

4.300

Sim

P

1.223,8

15,9

N.D.

N.D.

-

-

-

70.000

Não

P*

-

-

6.141,5

1.074,1

23,5

4,1

3,6

81.991

Não

P

551,3

7,8

SITE (www.)

RK 2008

grupopaodeacucar.com.br

51

braskem.com.br

52

wal-martbrasil.com

53

odebrecht.com

54

2.106,0

5,9

2,6

1,8

44.000

Sim

P

-

-

soriana.com.mx

55

122,2

-134,2

-6,6

-2,4

26.622

Não

P*

2.205,2

32,2

cargill.com.br

56

8.554,6

4.298,5

24,1

12,1

15,1

6.057

Sim

P*

-

-

telesp.com.br

57

N.D.

N.D.

-

-

-

59.500

Não

P

-

-

camargocorrea.com.br

58

11.801,5

6.430,9

21,5

11,7

20,5

29.784

Sim

P

450,9

6,7

usiminas.com.br

59

10.177,6

3.537,7

4,7

1,6

2,5

8.386

Sim

P*

-

-

vivo.com.br

60

N.D.

N.D.

-

-

-

38.000

Não

P*

-

-

coca-cola.com

61

7.081,7

4.042,1

10,0

5,7

6,7

68.065

Sim

P

-

-

cocacola-femsa.com.mx

62

13.477,7

2.850,9

86,7

18,3

41,2

16.200

Sim

P

538,4

9,0

csn.com.br

63

N.D.

N.D.

-

-

-

60.038

Não

P*

-

-

N.D.

N.D.

-

-

-

4.400

Não

P*

5.671,7

95,0

4.229,5

2.477,0

12,6

7,4

5,2

81.320

Sim

P

1.959,4

32,9

7.025,2

2.786,6

11,5

4,6

5,4

67.271

Sim

P

3,7

0,1

N.D.

N.D.

-

-

-

58.000

Não

P

-

N.D.

N.D.

-

-

-

5.300

Não

P*

-

7.050,0

1.742,9

-77,7

-19,2

-23,3

N.D.

Não

E

1.856,0

31,9

N.D.

N.D.

-

-

-

5.750

Não

P*

-

-

hp.com.mx

71

6.948,9

3.333,5

2,3

1,1

1,4

10.296

Não

P*

-

-

timbrasil.com.br

72

walmartmexico.com.mx

64

cargill.com.ar

65

grupobimbo.com.mx

66

falabella.cl

67

-

casasbahia.com.br

68

-

ford.com.mx

69

pemex.com.mx

70

9.607,5

5.624,1

7,1

4,2

7,3

N.D.

Sim

P

-

-

telmexinternacional.com

73

7.640,7

4.469,2

14,6

8,5

12,0

38.402

Sim

P

2.298,1

42,2

gmodelo.com.mx

74

6.585,9

3.314,3

14,3

7,2

8,7

81.000

Sim

P

884,9

16,3

gcarso.com.mx

75

N.D.

N.D.

-

-

-

17.670

Não

P*

347,5

6,5

nestle.com.br

76

N.D.

N.D.

-

-

-

10.200

Não

P*

1.341,1

25,1

ford.com.br

77

9.199,5

2.554,8

7,2

2,0

3,7

23.509

Sim

P

5.020,0

99,9

embraer.com.br

78

N.D.

N.D.

-

-

-

47.060

Não

P*

-

-

walmartmexico.com.mx

79

1.884,1

833,9

-4,7

-2,1

-0,8

7.187

Sim

P

50,0

1,0

7.303,6

3.190,3

13,1

5,7

8,5

8.700

Não

P*

-

-

csav.cl

80

claro.com.br

81

4.800,8

1.758,9

1,3

0,5

0,5

58.000

Sim

P

1.841,3

37,8

perdigao.com.br

82

7.561,1

2.670,5

16,5

5,8

9,1

5.217

Sim

P*

-

-

brasiltelecom.com.br

83

N.D.

N.D.

-

-

-

23.039

Não

P*

-

-

sams.com.mx

84

8.828,4

4.351,2

24,7

12,2

23,0

19.230

Sim

P

3.255,2

69,5

gmexico.com

85

10.415,7

4.001,6

20,2

7,8

17,3

11.000

Sim

P*

-

-

cemig.com.br

86

4.718,6

809,9

11,7

2,0

2,0

N.D.

Sim

P

863,0

18,6

grupoimsa.com

87

5.534,6

2.059,4

33,0

12,3

14,8

N.D.

Sim

P

-

-

cantv.com.ve

88

5.844,7

175,8

-604,8

-18,2

-23,2

52.000

Sim

P

2.424,2

52,8

sadia.com.br

89

4.962,1

1.131,0

30,0

6,8

7,4

15.797

Sim

P

333,9

7,3

lan.com

90

5.658,5

268,8

-216,5

-10,3

-12,8

24.315

Sim

P

-

-

tam.com.br

91

N.D.

N.D.

-

-

-

45.000

Não

P

-

-

gruposalinas.com.mx

92

2.907,5

1.328,5

25,8

11,8

7,7

112.000

Não

E

-

-

correios.com.br

93

6.665,7

2.578,4

8,7

3,4

5,1

5.000

Sim

P*

-

-

pecom.com.ar

94

N.D.

N.D.

-

-

-

2.000

Não

P*

427,3

10,0

esso.com.br

95

2.487,8

99,4

-612,0

-24,5

-14,3

832

Não

P

528,2

12,5

refap.com.br

96

N.D.

N.D.

-

-

-

1.100

Não

P*

3.771,0

90,0

bungeargentina.com

97

6.497,8

3.572,2

7,3

4,0

6,3

16.288

Sim

P*

-

-

embratel.com.br

98

6.950,4

2.147,5

25,4

7,9

13,1

7.200

Sim

P

-

-

cpfl.com.br

99

4.222,5

2.359,6

26,3

14,7

15,5

N.D.

Não

P

482,5

12,1

gerdau.com.br

100

JULHO 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 91

51 - 100

4.799,4 2.490,5


MAIORES EMPRESAS M

AS S

DA AMÉRICA LATINA

51 - 100

RK RK 2008 2007

PAÍS

SETOR

VENDAS 2008 US$ Milh.

VENDAS 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO VENDAS 08/07 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

LUCRO LÍQUIDO 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO LUCRO 08/07 (%)

EBITDA 2008 US$ Milh.

EBITDA 2007 US$ Milhões

VARIAÇÃO EBITDA 08/07 (%)

51

45 CBD - GRUPO PÃO DE AÇÚCAR (1)

BRA Comércio

7.716,4

8.413,5

-8,3

111,4

119,1

-6,5

561,2

579,2

-3,1

52

35 BRASKEM

BRA Petroquímica

7.684,9

9.981,0

-23,0

-1.066,4

309,1

-445,0

1.052,1

1.672,3

-37,1

53

44 WAL-MART (3)

BRA Comércio

7.252,9

8.456,3

-14,2

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

54

92 NORBERTO ODEBRECHT

BRA Construção

7.092,2

4.827,0

46,9

252,0

253,5

-0,6

989,9

497,6

98,9

55

73 ORGANIZACIÓN SORIANA

MÉX Comércio

6.912,6

5.972,2

15,7

124,6

287,2

-56,6

439,8

497,4

-11,6

56

58 CARGILL

BRA Agroindústria

6.853,9

7.146,5

-4,1

-164,0

-79,5

-106,3

N.D.

N.D.

-

57

46 TELESP

BRA Telecomunicações

6.837,4

8.314,5

-17,8

1.035,5

1.334,0

-22,4

2.780,0

3.509,9

-20,8

58

74 GRUPO CAMARGO CORRÊA (1) (2)(3)

BRA Multissetor

6.791,0

5.955,6

14,0

N.D.

677,0

-

N.D.

1.077,2

-

59

51 USIMINAS

BRA Siderurgia/Metalurgia

6.720,8

7.804,9

-13,9

1.379,7

1.790,7

-23,0

2.503,7

2.914,9

-14,1

60

59 VIVO

BRA Telecomunicações

6.619,5

7.052,7

-6,1

166,7

-56,1

397,1

1.935,7

1.706,6

13,4

61

64 COCA-COLA (3)

BRA Bebidas

6.418,5

6.764,0

-5,1

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

62

70 COCA-COLA FEMSA

MÉX Bebidas

5.998,6

6.344,2

-5,4

404,7

632,9

-36,1

1.237,5

1.322,3

-6,4

63

69 CSN

BRA Siderurgia/Metalurgia

5.991,8

6.459,1

-7,2

2.470,8

1.649,8

49,8

4.470,3

2.663,5

67,8

64

65 BODEGA AURRERÁ (9)

MÉX Comércio

5.975,4

6.742,0

-11,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

65

94 CARGILL

ARG Agroindústria

5.970,2

4.721,9

26,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

66

67 GRUPO BIMBO

MÉX Alimentos

5.951,0

6.723,8

-11,5

312,3

354,8

-12,0

710,6

801,0

-11,3

67

78 FALABELLA (1)

CHI Comércio

5.924,5

5.718,6

3,6

321,1

437,8

-26,7

689,3

742,1

-7,1

68

55 CASAS BAHIA (3)

BRA Comércio

5.896,4

7.327,7

-19,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

69

56 FORD MOTOR COMPANY (2)

MÉX Automotivo/Autopeças

5.885,4

7.303,0

-19,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

70

83 PEMEX PETROQUÍMICA

MÉX Petroquímica

5.809,5

5.305,0

9,5

-1.354,9

-1.358,0

0,2

-1.323,8

-1.192,2

-11,0

71

88 HEWLETT - PACKARD MÉXICO

MÉX Eletrônica

5.704,8

5.052,1

12,9

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

72

61 TIM PARTICIPAÇÕES (1)

BRA Telecomunicações

5.597,3

7.029,2

-20,4

77,1

38,6

99,7

1.240,7

1.621,4

-23,5

73 74

- TELMEX INTERNACIONAL (12)

MÉX Telecomunicações

5.494,6

N.D.

-

400,2

N.D.

-

1.293,4

N.D.

-

66 GRUPO MODELO

MÉX Bebidas

5.448,2

6.678,0

-18,4

651,7

870,6

-25,1

1.646,8

2.193,2

-24,9 -40,5

75

62 GRUPO CARSO (1)

MÉX Multissetor

5.430,0

6.868,4

-20,9

473,2

1.782,7

-73,5

628,0

1.056,0

76

60 NESTLÉ

BRA Alimentos

5.369,4

7.045,8

-23,8

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

77

76 FORD (2)

BRA Automotivo/Autopeças

5.350,3

5.770,4

-7,3

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

78

79 EMBRAER

BRA Aeroespacial

5.026,4

5.636,2

-10,8

183,5

370,9

-50,5

641,8

501,6

28,0

79

81 WAL-MART SUPERCENTER (9)

MÉX Comércio

4.987,6

5.583,8

-10,7

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

80

105 SUDAMERICANA DE VAPORES

CHI Transporte/Logística

4.943,9

4.150,3

19,1

-39,1

116,9

-133,4

-97,2

93,3

-204,2 -17,5

81 82

80 CLARO TELECOM 119 PERDIGÃO

BRA Telecomunicações

4.932,6

4.732,0

4,2

418,0

N.D.

-

1.165,6

1.413,0

BRA Alimentos

4.875,1

3.744,9

30,2

23,3

181,4

-87,2

469,3

453,2

3,6

440,7

450,1

-2,1

1.677,0

2.153,4

-22,1

83

71 BRASIL TELECOM (1)

BRA Telecomunicações

4.833,9

6.243,2

-22,6

84

77 SAM’S CLUB (9)

MÉX Comércio

4.789,3

5.733,8

-16,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

85

57 GRUPO MÉXICO

MÉX Mineração

4.681,7

7.282,2

-35,7

1.075,5

1.681,7

-36,0

2.413,1

4.501,8

-46,4

86

P: PRIVADA LOCAL, P*: PRIVADA ESTRANGEIRA, E: ESTATAL

EMPRESA

75 CEMIG

87

185 GRUPO IMSA (AÇO)

88

111 CANTV

89

91 SADIA

BRA Energia Elétrica

4.660,0

5.784,4

-19,4

807,5

979,8

-17,6

1.754,2

2.299,3

-23,7

MÉX Siderurgia/Metalurgia

4.646,1

2.453,4

89,4

95,0

120,8

-21,4

759,4

271,9

179,3

VEN Telecomunicações

4.594,3

3.869,6

18,7

679,6

476,2

42,7

493,9

790,9

-37,6

BRA Alimentos

4.590,8

4.868,3

-5,7

-1.063,3

389,0

-373,3

485,5

562,7

-13,7

90

124 LAN

CHI Transporte/Logística

4.587,2

3.524,9

30,1

339,7

308,3

10,2

727,3

563,6

29,0

91

96 TAM

BRA Transporte/Logística

4.532,3

4.601,8

-1,5

-582,0

72,8

-899,5

508,8

188,6

169,8

92

87 GRUPO SALINAS (1)

MÉX Multissetor

4.463,2

5.185,9

-13,9

N.D.

N.D.

-

906,4

1.118,3

-19,0

93

84 CORREIOS E TELÉGRAFOS

BRA Serviços Gerais

4.449,2

5.251,2

-15,3

342,8

467,4

-26,7

N.D.

N.D.

-

ARG Petróleo/Gás

4.373,2

4.245,4

3,0

223,6

240,4

-7,0

925,6

868,5

6,6

94

101 PETROBRAS ENERGÍA (15)

95

86 ESSO (2)

BRA Petróleo/Gás

4.279,0

5.197,0

-17,7

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

96

93 REFAP - ALBERTO PASQUALINI

BRA Petróleo/Gás

4.242,3

4.726,3

-10,2

-608,4

69,7

-973,3

-175,9

259,9

-167,7

97 98 99 100

172 BUNGE

ARG Agroindústria

4.190,0

2.900,0

44,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

90 EMBRATEL

BRA Telecomunicações

4.183,7

4.869,2

-14,1

262,2

474,7

-44,8

1.042,2

1.222,3

-14,7

82 CPFL ENERGiA

BRA Energia Elétrica

4.153,1

5.312,2

-21,8

545,9

927,8

-41,2

1.241,3

2.015,3

-38,4

BRA Siderurgia/Metalurgia

4.003,1

4.212,8

-5,0

621,6

527,1

17,9

N.D.

N.D.

-

102 GERDAU AÇOS LONGOS

(Notas na pág. 87)

90 AMÉRICAECONOMIA AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA / JULHO, 2009


GENERAL ELECTRIC BRASIL É UM EXEMPLO DE QUE AS MULTINACIONAIS ENCONTRAM NA AMÉRICA LATINA O CRESCIMENTO QUE NÃO REGISTRAM NO RESTO DO MUNDO.

JEFFREY IMMELT, CEO DA GE

ATIVO TOTAL 2008 US$ Milh.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

ROE (%)

ROA (%)

MARGEM EMPREGADOS LÍQUIDA (%) 2008

Presença EM BOLSA

Tipo de PROPRIEDADE

EXPORTAÇÕES 2008 US$ Milh.

EXPORTAÇÕES COMO % DAS VENDAS

SITE (www.)

RK 2008

N.D.

N.D.

-

-

-

2.250

Não

P

-

-

penoles.com.mx

101

885,2

221,2

-35,8

-8,9

-2,0

N.D.

Sim

P*

824,4

20,7

relapasa.com.pe

102

11.353,1

3.758,5

18,7

6,2

17,8

2.240

Sim

P*

-

-

endesa.cl

103

N.D.

N.D.

-

-

-

22.350

Não

P

2.925,8

74,1

mabe.com.mx

104

N.D.

N.D.

-

-

-

6.700

Não

P*

-

-

movistar.com.ve

105

N.D.

N.D.

-

-

-

26.292

Não

P

-

-

extra.com.br

106

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P

-

-

cemexmexico.com

107

3.659,0

1.077,5

-49,3

-14,5

-13,8

40.500

Sim

P

-

-

comercialmexicana.com

108

3.810,7

1.895,1

25,8

12,8

12,8

7.870

Sim

P

2.778,1

72,5

penoles.com.mx

109

2.890,0

1.701,0

5,5

3,2

2,5

4.087

Não

P

1.957,6

52,6

alfa.com.mx

110

8.853,8

5.623,2

8,5

5,4

13,0

36.000

Não

P

1.573,7

42,7

celarauco.cl

111

9.821,5

6.465,9

21,5

14,2

38,1

8.000

Não

P

-

-

usiminas.com.br

112

7.790,4

1.482,3

18,2

3,5

7,5

N.D.

Sim

P

-

-

energiapaulista.com.br

113

8.883,8

3.039,4

18,6

6,4

16,3

17.810

Sim

P

419,6

12,1

20.060,6

100,0

881,9

4,4

25,8

1.500

Não

E

-

televisa.com.mx

114

-

itaipu.gov.br

115

N.D.

-

17,9

6,5

18.531

Não

P

-

-

oxxo.com.mx

116

2.830,6

1.014,6

8,0

2,9

2,4

3.800

Não

P*

136,0

4,0

bunge.com.br

117

2.690,2

989,0

3,4

1,2

1,0

34.891

Sim

P

-

-

dys.cl

118

7.954,9

6.432,6

26,5

21,5

50,6

1.755

Sim

P

-

-

antofagasta.co.uk

119

N.D.

N.D.

-

-

-

6.490

Não

P*

-

-

ge.com.br

120

9.973,4

-658,1

-

-14,3

-42,6

43.500

Não

E

-

-

lfc.gob.mx

121

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

-

-

jumbo.com.ar

122

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

-

-

pepsico.com

123

3.784,4

2.182,3

11,7

6,7

7,8

3.100

Sim

P

-

-

liverpool.com.mx

124

3.517,7

1.433,0

14,8

6,0

6,5

12.000

Não

P

-

-

globopar.com.br

125

3.210,3

398,4

-223,0

-27,7

-27,4

17.300

Sim

P

-

-

gruma.com

126

5.372,9

1.411,6

31,1

8,2

13,6

4.224

Sim

P*

-

-

eletropaulo.com.br

127

2.646,5

1.512,7

4,5

2,6

2,2

N.D.

Sim

P

-

-

exito.com.co

128

N.D.

N.D.

-

-

-

12.052

Não

P*

-

-

carrefour.com.ar

129

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

141,7

4,6

//br.lge.com

130

N.D.

N.D.

-

-

-

61.000

Não

P*

-

-

delphi.com

131

4.756,7

N.D.

-

8,2

12,7

25.991

Não

P

281,7

9,2

ccm.com.mx

132

2.780,7

1.158,5

23,9

10,0

9,1

15.621

Sim

P*

-

-

telecom.com.ar

133

7.422,8

2.381,9

28,5

9,1

22,2

37.121

Sim

P

375,9

12,3

elektra.com.mx

134

N.D.

N.D.

-

-

-

15.000

Não

P*

-

-

sanmina-sci.com

135

N.D.

N.D.

-

-

-

2.600

Não

P*

285,8

9,4

honda.com.br

136

N.D.

N.D.

-

-

-

30.000

Não

P

-

-

lala.com.mx

137

2.814,7

137,6

36,3

1,8

1,7

13.459

Sim

P

-

-

americanas.com.br

138

7.655,9

5.166,9

4,0

2,7

6,9

12.567

Sim

P

1.584,5

53,2

cmpc.cl

139

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

-

-

flextronics.com

140

4.790,1

1.243,8

13,6

3,5

5,8

6.224

Sim

P

-

-

cge.cl

141

N.D.

N.D.

-

-

-

6.500

Não

P*

-

-

nestle.com.mx

142

N.D.

N.D.

-

-

-

8.420

Não

P

-

-

mineramexico.com

143

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

2.846,1

100,0

antamina.com

144

2.577,9

1.546,9

12,1

7,3

6,6

5.315

Sim

P

-

-

industriasch.com.mx

145

4.565,2

1.357,3

-22,7

-6,8

-10,9

35.000

Não

P

1.204,6

42,5

bertin.com.br

146

4.145,6

2.191,1

23,3

12,3

18,0

5.500

Não

P*

636,9

22,5

cosipa.com.br

147

1.069,3

528,8

10,4

5,1

1,9

1.050

Não

P

-

-

terpel.com

148

1.381,5

1.155,4

-1,2

-1,0

-0,5

N.D.

Não

E

-

-

reficar.com.co

149

2.820,8

558,0

-106,2

-21,0

-21,6

16.000

Sim

P

-

-

voegol.com.br

150

JULHO 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 93

101 - 150

1.247,1


MAIORES EMPRESAS M

AS S

DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2008 2007

P: PRIVADA LOCAL, P*: PRIVADA ESTRANGEIRA, E: ESTATAL

PAÍS

SETOR

VENDAS 2008 US$ Milh.

VENDAS 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO VENDAS 08/07 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

LUCRO LÍQUIDO 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO LUCRO 08/07 (%)

EBITDA 2008 US$ Milh.

EBITDA 2007 US$ Milhões

VARIAÇÃO EBITDA 08/07 (%)

151

130 SABESP

BRA Serviços básicos

2.717,9

3.370,9

-19,4

431,4

592,1

-27,1

1.168,9

1.523,7

152

223 VOLVO (2)

BRA Automotivo/Autopeças

2.713,4

2.029,2

33,7

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

PER Mineração

2.711,5

3.178,9

-14,7

1.092,4

1.409,3

-22,5

1.611,2

2.241,8

-28,1 -

153

151 - 200

EMPRESA

72 SOUTHERN PERÚ COPPER CORP.

-23,3

154

210 RECOPE (2)

C.RI Petróleo/Gás

2.706,8

2.189,4

23,6

107,2

88,4

21,3

N.D.

N.D.

155

218 SAMSUNG ELETRÔNICA AMAZÔNIA (2)

BRA Eletrônica

2.699,0

2.100,0

28,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

156

132 NEOENERGIA

BRA Energia elétrica

2.691,9

3.354,3

-19,7

630,8

756,5

-16,6

1.117,1

1.545,9

-27,7

157

143 PETROPERÚ

PER Petróleo/Gás

2.664,3

2.489,7

7,0

91,3

109,8

-16,9

N.D.

N.D.

-

158

241 MARFRIG

BRA Agroindústria

2.654,6

1.885,6

40,8

-15,2

48,0

-131,7

378,4

214,7

76,2

159

139 COLLAHUASI

CHI Mineração

2.650,3

3.228,3

-17,9

1.146,5

1.824,9

-37,2

1.410,0

2.411,3

-41,5

160

364 NOKIA

BRA Eletrônica

2.647,0

1.850,0

43,1

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

161

129 ARCELORMITTAL TUBARÃO

BRA Siderurgia/Metalurgia

2.634,3

3.373,3

-21,9

496,3

1.015,6

-51,1

N.D.

N.D.

-

162

154 ALMACENES COPPEL

MÉX Comércio

2.632,9

2.913,3

-9,6

257,3

250,8

2,6

433,1

389,4

11,2

163

183 ALTOS HORNOS DE MÉXICO

MÉX Siderurgia/Metalurgia

2.581,5

2.508,1

2,9

354,2

181,3

95,4

808,4

549,4

47,1

164

168 COMCEL (7)

COL Telecomunicações

2.580,6

2.700,8

-4,5

483,8

366,7

31,9

1.185,1

1.315,4

-9,9

165

179 AEROP. Y SERV. AUXILIARES

MÉX Serviços gerais

2.576,1

2.528,0

1,9

-6,2

48,1

-112,9

-8,4

65,2

-112,9

166

190 GENERAL ELECTRIC

MÉX Eletrônica

2.569,0

2.388,0

7,6

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

167

137 VOTORANTIM CIMENTOS

BRA Cimento

2.567,8

3.257,4

-21,2

234,3

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

168

206 GRUPO SIMEC

MÉX Siderurgia/Metalurgia

2.543,8

2.208,4

15,2

145,2

140,1

3,6

293,0

246,4

18,9

169

144 WHIRLPOOL

BRA Eletrônica

2.535,1

3.151,7

-19,6

283,6

268,5

5,6

442,5

492,6

-10,2

170

317 ACEITERA GENERAL DEHEZA (2)

ARG Agroindústria

2.506,0

1.396,3

79,5

N.D.

28,5

-

N.D.

N.D.

-

171

171 MOLYMET

CHI Siderurgia/Metalurgia

2.505,9

2.653,3

-5,6

71,2

151,1

-52,9

161,3

233,4

-30,9 -

172

181 IUSA - INDUSTRIAS UNIDAS (2)

MÉX Manufatura

2.484,0

2.520,9

-1,5

N.D.

-48,0

-

N.D.

N.D.

173

160 FURNAS

BRA Energia elétrica

2.469,7

2.877,6

-14,2

194,5

381,3

-49,0

N.D.

N.D.

-

174

153 NEMAK (11)

MÉX Automotivo/Autopeças

2.379,4

2.961,1

-19,6

-298,9

105,0

-384,7

248,9

306,9

-18,9

175

481 CARBONES DEL CERREJÓN

COL Mineração

2.367,0

1.499,3

57,9

600,7

309,6

94,0

1.056,3

614,3

72,0

176

188 EXXONMOBIL

COL Petróleo/Gás

2.366,6

2.437,2

-2,9

25,4

17,4

46,0

N.D.

N.D.

-

177

267 GERDAU AÇOMINAS

BRA Siderurgia/Metalurgia

2.365,7

1.747,4

35,4

289,9

241,3

20,1

N.D.

N.D.

-

178

148 COPEL

BRA Energia elétrica

2.335,8

3.061,1

-23,7

461,6

624,7

-26,1

792,1

1.145,7

-30,9

179

162 GRUPO SANBORNS (6)

MÉX Comércio

2.335,5

2.843,8

-17,9

154,1

216,2

-28,7

317,1

444,8

-28,7

180

186 GRUPO BAVARIA

COL Bebidas

2.322,0

2.452,0

-5,3

266,8

339,8

-21,5

842,0

1.177,8

-28,5

181

224 SIDERAR

ARG Siderurgia/Metalurgia

2.320,3

2.021,0

14,8

393,9

427,9

-7,9

514,5

489,8

5,0

182

235 MOLINOS RÍO DE LA PLATA (1)

ARG Agroindústria

2.307,8

1.784,3

29,3

59,8

101,7

-41,2

190,6

181,6

5,0

183

163 LIGHT

BRA Energia elétrica

2.304,9

2.818,5

-18,2

417,0

608,2

-31,4

652,8

623,8

4,6

184

189 IBERDROLA DE MÉXICO (2)

MÉX Energia elétrica

2.300,0

2.428,9

-5,3

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

185

219 MOVISTAR

MÉX Telecomunicações

2.298,9

2.088,4

10,1

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

186

225 HEWLETT-PACKARD BRASIL (2)(3)

BRA Eletrônica

2.292,7

2.002,0

14,5

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

187

166 SOUZA CRUZ

BRA Agroindústria

2.268,1

2.736,3

-17,1

534,7

512,7

4,3

740,7

771,6

-4,0

188

215 MEXICHEM

MÉX Petroquímica

2.266,0

2.108,6

7,5

10,2

167,0

-93,9

381,0

398,9

-4,5

189

243 CATERPILLAR (2)

BRA Máquinas/Equip.

2.251,3

1.870,0

20,4

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

190

299 TELEFÓNICA DEL PERÚ

PER Telecomunicações

2.246,7

1.469,1

52,9

156,6

-30,3

616,8

877,8

454,5

93,1

191

120 GRUPO XIGNUX (1)

MÉX Multissetor

2.234,7

2.691,4

-17,0

24,3

96,2

-74,7

222,2

312,4

-28,9

192

226 MOVISTAR

ARG Telecomunicações

2.234,1

1.991,4

12,2

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

193

217 VOLKSWAGEN (2)

ARG Automotivo/Autopeças

2.233,4

2.101,0

6,3

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

194

202 LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL BRA Agroindústria

2.228,6

2.235,8

-0,3

27,7

269,8

-89,7

N.D.

N.D.

-

195

192 OI CELULAR

BRA Telecomunicações

2.228,3

2.364,0

-5,7

261,5

257,1

1,7

726,6

652,0

11,4

196

191 NACIONAL DE DROGAS (2)

MÉX Química/Farmácia

2.200,0

2.380,2

-7,6

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

197

159 GRUPO CONDUMEX (1) (6)

MÉX Manufatura

2.199,1

2.883,3

-23,7

58,6

250,0

-76,6

N.D.

N.D.

-

198

170 LOS PELAMBRES

CHI Mineração

2.170,3

2.656,8

-18,3

1.020,9

1.741,4

-41,4

1.426,6

2.171,8

-34,3

199

165 ENDESA BRASIL

BRA Energia elétrica

2.170,1

2.798,3

-22,4

244,0

323,0

-24,5

736,6

975,2

-24,5

200

245 NEXTEL DE MÉXICO

MÉX Telecomunicações

2.133,2

1.792,7

19,0

540,8

489,9

10,4

49,6

70,6

-29,7

(Notas na pág. 87)

94 AMÉRICAECONOMIA AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA / JULHO, 2009


MEXICHEM A PETROQUÍMICA MEXICANA MANTEVE A ONDA DE AQUISIÇÕES DOS ÚLTIMOS ANOS. CRESCEU 7,5% EM UM SETOR QUE DECLINOU.

ATIVO TOTAL 2008 US$ Milh.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

ROE (%)

ROA (%)

MARGEM EMPREGADOS LÍQUIDA (%) 2008

Presença EM BOLSA

Tipo de PROPRIEDADE

EXPORTAÇÕES 2008 US$ Milh.

EXPORTAÇÕES COMO % DAS VENDAS

SITE (www.)

RK 2008

4.489,7

9,6

4,9

15,9

16.941

Sim

E

-

-

sabesp.com.br

151

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

908,6

33,5

volvo.com.br

152

1.921,6

1.391,4

78,5

56,8

40,3

11.494

Sim

P*

2.700,0

99,6

southernperu.com

153

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

E

-

-

recope.go.cr

154

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

187,9

7,0

samsung.com.br

155

6.776,8

3.455,6

18,3

9,3

23,4

5.100

Não

P*

-

-

neoenergia.com

156

N.D.

389,0

23,5

-

3,4

1.754

Não

E

479,6

18,0

petroperu.com

157

3.917,5

1.168,1

-1,3

-0,4

-0,6

39.000

Sim

P

333,0

12,5

marfrig.com.br

158

2.991,2

1.662,7

69,0

38,3

43,3

N.D.

Não

P*

2.388,5

90,1

collahuasi.cl

159

N.D.

N.D.

-

-

-

8.557

Não

P*

457,6

17,3

nokia.com.br

160

N.D.

112,7

440,4

349,9

18,8

4.600

Não

P*

1.786,8

67,8

arcelormittal.com/br/tubarao

161

2.586,2

1.302,7

19,8

9,9

9,8

51.235

Sim

P

-

-

coppel.com.mx

162

3.816,2

1.347,9

26,3

9,3

13,7

19.031

Sim

P

-

-

ahmsa.com

163

3.343,6

1.856,9

26,1

14,5

18,7

3.459

Não

P*

-

-

comcel.com.co

164

965,0

504,3

-1,2

-0,6

-0,2

2.232

Não

E

-

-

asa.gob.mx

165

N.D.

N.D.

-

-

-

11.686

Não

P*

-

-

ge.com.mx

166

5.700,0

1.302,3

18,0

4,1

9,1

11.000

Não

P

-

-

votorantim-cimentos.com

167

2.206,8

1.343,3

10,8

6,6

5,7

4.500

Sim

P

-

-

gsimec.com.mx

168

1.645,7

672,8

42,2

17,2

11,2

12.000

Sim

P*

709,4

28,0

whirlpool.com.br

169

N.D.

N.D.

-

-

-

2.109

Não

P

1.225,0

48,9

agd.com.ar

170

1.162,6

497,9

14,3

6,1

2,8

1.300

Sim

P

1.687,0

67,3

molymet.cl

171

N.D.

N.D.

-

-

-

8.500

Não

P

-

-

grupo-iusa.com

172

8.681,8

5.854,3

3,3

2,2

7,9

4.724

Não

E

-

-

furnas.com.br

173

3.158,7

993,3

-30,1

-9,5

-12,6

15.000

Não

P

2.199,9

92,5

alfa.com.mx

174

1.813,3

1.299,3

46,2

33,1

25,4

4.970

Não

P

2.175,2

91,9

cerrejoncoal.com

175

492,9

210,0

12,1

5,2

1,1

N.D.

Não

P*

-

-

exxon.com

176

N.D.

N.D.

-

-

12,3

5.650

Não

P

1.480,1

62,6

acominas.com.br

177

5.671,2

3.445,9

13,4

8,1

19,8

8.518

Sim

E

-

-

copel.com.br

178

N.D.

N.D.

-

-

6,6

38.500

Não

P

-

-

sanborns.com.mx

179

4.638,9

2.237,8

11,9

5,8

11,5

8.647

Não

P*

34,3

1,5

bavaria.com.co

180

2.814,1

2.076,0

19,0

14,0

17,0

5.364

Sim

P

-

-

siderar.com.ar

181

1.068,4

337,3

17,7

5,6

2,6

3.647

Sim

P

-

-

molinos.com.ar

182

4.048,8

1.199,7

34,8

10,3

18,1

3.732

Sim

P*

-

-

light.com.br

183

N.D.

N.D.

-

-

-

500

Não

P*

-

-

iberdrola.es

184

N.D.

N.D.

-

-

-

16.600

Não

P*

-

-

movistar.com.mx

185

N.D.

N.D.

-

-

-

N.D.

Não

P*

-

-

hp.com.br

186

1.546,3

910,7

58,7

34,6

23,6

6.000

Sim

P*

564,0

24,9

souzacruz.com.br

187

2.397,5

592,3

1,7

0,4

0,5

8.250

Sim

P

-

-

mexichem.com.mx/

188

N.D.

N.D.

-

-

-

5.145

Não

P*

1.394,0

61,9

caterpillar.com.br

189

3.695,0

1.281,1

12,2

4,2

7,0

N.D.

Sim

P*

-

-

telefonica.com.pe

190

1.659,2

393,0

6,2

1,5

1,1

35.000

Sim

P

1.895,8

84,8

xignux.com

191

N.D.

N.D.

-

-

-

3.654

Não

P*

-

-

movistar.com.ar

192

N.D.

N.D.

-

-

-

3.621

Não

P*

-

-

volkswagen.com.ar

193

1.933,1

589,2

4,7

1,4

1,2

16.050

Não

P*

1.759,1

78,9

ldcommodities.com.br

194

5.173,1

3.768,5

6,9

5,1

11,7

N.D.

Não

P*

-

-

telemar.com.br

195

N.D.

N.D.

-

-

-

5.250

Não

P

-

-

nadro.com

196

N.D.

N.D.

-

-

2,7

31.000

Não

P

-

-

condumex.com.mx

197

2.866,0

1.826,1

55,9

35,6

47,0

N.D.

Não

P

2.077,6

95,7

lospelambres.cl

198

5.010,5

1.794,2

13,6

4,9

11,2

3.000

Não

P*

-

-

endesabrasil.com.br

199

N.D.

N.D.

-

-

25,4

6.455

Não

P*

-

-

nextel.com.mx

200

JULHO 2009 / AS 500 MAIORES EMPRESAS DA AMÉRICA LATINA AMÉRICAECONOMIA 95

151 - 200

8.781,8


MAIORES EMPRESAS M

AS S

DA AMÉRICA LATINA

RK RK 2008 2007

P: PRIVADA LOCAL, P*: PRIVADA ESTRANGEIRA, E: ESTATAL

PAÍS

SETOR

VENDAS 2008 US$ Milh.

VENDAS 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO VENDAS 08/07 (%)

LUCRO LÍQUIDO 2008 US$ Milh.

LUCRO LÍQUIDO 2007 US$ Milh.

VARIAÇÃO LUCRO 08/07 (%)

EBITDA 2008 US$ Milh.

EBITDA 2007 US$ Milhões

VARIAÇÃO EBITDA 08/07 (%)

201

197 HOME DEPOT (2)

MÉX Comércio

2.120,0

2.280,9

-7,1

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

202

200 PROCTER & GAMBLE DE MÉXICO (2)

MÉX Química/Farmácia

2.110,0

2.250,9

-6,3

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

203

230 AEROMÉXICO (CINTRA) (2)

MÉX Transporte/Logística

2.100,0

1.945,4

7,9

N.D.

-155,5

-

N.D.

-61,0

-

204

177 ENERGIAS DO BRASIL

BRA Energia elétrica

2.098,5

2.548,1

-17,6

166,4

248,3

-33,0

583,4

634,0

-8,0

205

174 GRUPO VITRO

MÉX Manufatura

2.097,5

2.619,3

-19,9

-409,2

N.D.

-

229,9

377,0

-39,0

206

126 ANDRADE GUTIERREZ PARTICIPAÇÕES(1) BRA Multissetor

2.083,4

2.233,0

-6,7

29,1

117,7

-75,3

N.D.

N.D.

-

207

248 CTI (7)

ARG Telecomunicações

2.076,3

1.845,1

12,5

558,9

N.D.

-

704,1

506,0

39,1

208

220 INTEL

C.RI Eletrônica

2.074,0

2.465,0

-15,9

N.D.

N.D.

-

N.D.

N.D.

-

209

201 CHESF - HIDRO. DO SÃO FCO.

BRA Energia elétrica

2.065,2

2.243,8

-8,0

615,0

367,9

67,2

1.321,1

1.319,6

0,1

210

247 ARCOR

ARG Alimentos

2.064,7

1.846,4

11,8

56,4

62,6

-9,9

N.D.

N.D.

-

211

195 GRUPO CASA SABA

MÉX Comércio

2.051,9

2.314,1

-11,3

52,9

82,9

-36,2

83,2

104,9

-20,7

212

262 COSAN

BRA Alimentos

2.038,2

1.772,5

15,0

-187,8

175,7

-206,9

206,1

144,1

43,0

213

212 PHILIP MORRIS DE MÉXICO (2)

MÉX Agroindústria

2.035,0

2.164,4

-6,0

N.D.

276,8

-

N.D.

N.D.

-

214

198 ANGLO AMERICAN SUR

CHI Mineração

2.000,3

2.292,9

-12,8