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As aventuras de um Rato


I Era uma vez um rato que vivia numa casinha situada numa pequena cidade, de nome Ratilónia. Esse rato vivia com a sua numerosa família. Era pequeno, de barriga branca, castanho e com rabo comprido. Todos os dias trabalhava como carteiro. Mas infelizmente, tinha um inimigo, como aliás todos os ratos que habitavam na cidade-um corpulento gato. Preto, de estatura média, cauda muito comprida, o gato andava noite e dia a rondar a cidade à espera do momento certo para caçar o rato. Certa vez, quando menos esperava, o gato tentou ataca-lo. O ratinho fugiu, correu muito até à floresta e acabou por perder-se. Após vários dias a passar frio, chuva e fome, conseguiu encontrar um refúgio seguro onde dormiu profundamente. Acordou sobressaltado com um cão que o lambia. O cão perguntou-lhe o que fazia ali. Ele respondeu que ia a fugir de um gato, e que se perdera. O cão teve pena do rato e disse-lhe, que lhe mostraria o caminho para Ratilónia. O ratinho ficou emocionado, e contente com a atitude daquele novo amigo. Enquanto caminhavam, depararam-se com um bando de águias que os queriam comer. Fugiram e esconderam-se até que as águias desistiram de os perseguir. Só que, ao fugirem, perderam-se um do outro. O rato desanimado, prosseguiu o seu caminho pensando que o cão tinha sido comido. De repente, ouviu o chilrear de um pássaro, que sobrevoava os céus. O pássaro fazia acrobacias incríveis que o rato nunca tinha visto antes na sua vida. O passarito desceu e perguntou-lhe para onde ia ao que lhe respondeu que gostaria de encontrar a sua cidade. O pássaro não conhecia bem o caminho, mas disse-lhe que tentaria indicar-lho o. E lá foram ambos. O pássaro voava e o rato 1


andava, à espera de chegar à sua saudosa e querida casa. Ao aproximarem-se de Ratilónia, apareceu o temível gato, ar de quem os queria comer. O gato avançou para eles rapidamente. O passarito saltou e o ratinho só teve tempo de correr para o lago. O gato, como não gostava de água e nem sequer sabia nadar, parou sem conseguir caçá-los. O rato, porém, também não sabia nadar e gritou por socorro. O pássaro ouviu o grito, voou em direção ao rato, pegou nele com as duas patas e levou-o. Voou à volta e pousou ali perto. Mas, de novo, se enfrentaram com o perigo. Lá estava o gato ameaçador a olhar noutra direção. O pássaro pensou em sair dali, abriu as asas e, sem querer, tocou numa planta provocando um ruído que alertou o gato de guarida. Rapidamente fugiram para a toca das formigas. A formiga Rainha acedeu ao pedido do rato e por lá ficarem escondidos. Chegada a noite, jantaram o que conseguiram por ali. E, depois, foram dormir. II De manhã o rato e o pássaro levantaram-se cedo para tomar o pequeno-almoço. Antes de sair agradeceram a hospitalidade. A formiga chegou mais ao pé e deu-lhes algum mel para poderem alimentar-se durante a viagem. E lá foram andando. Um bocado mais à frente, encontraram uma tartaruga que estava envolvida numa corrida com uma raposa. A raposa, naturalmente, estava a ganhar à tartaruga. O rato teve pena da simpática tartaruga. Foi então que ele pensou ajudar a tartaruga, propondo à raposa uma corrida de desforra. Esta aceitou. O rato venceu a corrida e, em voz alta, disse à tartaruga: dei-lhe uma sova. A raposa, envergonhada, desapareceu das imediações. A tartaruga ficou honrada com a atitude do ratinho e perguntou-lhe se o podia ajudar em algo. O rato disse--lhe que estava a caminho de casa, mas não sabia bem como lá chegar. A tartaruga, conhecedora da região, disse-lhe que 2


se encontrava longe da cidade, pois estavam nas imediações da floresta mágica e que para sair dali tinha de encontrar o feiticeiro mocho azul. O pássaro ficara surpreendido e perguntou porque não podiam sair, e a tartaruga disse-lhes que tinham passado por uma porta transparente que deixava entrar os visitantes e não os deixava sair a não ser que encontrassem o tal mocho azul que sabia um feitiço para os teletransportar para a cidade da Ratilónia. O rato perguntou à tartaruga como chegariam ao tal mocho azul. A tartaruga disse que para lá chegar tinham que passar por perigos, como pela gruta das cobras, pelas montanhas bicudas, as mais altas do país, pela Ponte do Ogre e, por fim, passar o Mar Círio até chegarem à Ilha de Pérola. Sem hesitar começaram a andar em direção à gruta das cobras. Quando lá chegaram, deram com cinco cobras gigantes que se preparavam para atacar. O ratinho pensou, pensou, até que teve uma ideia: se os animais, em geral, têm medo do fogo, então as cobras também teriam. Pegou num pau, tirou do bolso um fósforo acendeu-o e com ele ateou fogo ao pau, afastando as cobras. Quando passaram a gruta, depararam-se com umas brancas montanhas que, devido à sua grandiosidade ninguém, se atrevia a atravessar. Devia existir uma solução. Então, o pássaro teve uma grande ideia, escalar a montanha pelo lado mais acessível. O rato afastou algumas pedras e começou a escalar a montanha, e o pássaro, lá do alto, dava instruções. A poucos metros de distância do pico avistaram, ao longe, uma ponte. O rato achou que devia ser a ponte do Ogre. Os dois, juntos lá em cima, começaram agora a descer a montanha. Lá em baixo havia realmente uma ponte como o pássaro tinha referido e o rato confirmado. A ponte era pequena e em cima dela estava um ogre que lhes disse que se quisessem passar tinham de adivinhar as palavras mágicas. O rato e o pássaro 3


não as sabiam e tentaram que ogre lhas dissesse. Mas da boca dele nada saía. III Foi então que o rato se lembrou de passar não pela ponte mas sim por uma escada. E, assim fizeram, construíram uma escada apropriada. Sucedeu que enquanto tentavam passar, o Ogre, do lado contrário, ao avistá-los ordenou que recuassem. Após várias tentativas para subir e atravessar, começaram a ver que não havia solução a não ser adivinhar as palavras certas. De repente, que o pássaro lembrou-se das regras da boa educação e disse as seguintes palavras: se faz favor. O ogre, ao ouvir estas palavras mágicas, deixou-os passar. Após estas peripécias, andaram alegremente um bom bocado e, mais à frente, avistaram o mar que de certeza seria o mar Círio de que o mocho azul tinha falado. Mas, para o passar, tinham de utilizar um barco. Então tiveram de construir um. O pássaro arrancava folhas das plantas para servirem de velas e o rato ficou com a tarefa de ir buscar madeira para construir o mastro e a base do barco. Depois de terem construído o barco, entraram nele. Por muitos perigos passaram, redemoinhos, tempestades, ventos fortes mas lá foram navegando até à Ilha de Pérola e assim conseguiram chegar. Esperava-os um mar calmo e silencioso que muito os tranquilizou. Passado algum tempo avistaram a Ilha de Pérola, uma ilha muito bonita, vistosa, parecida mesmo com uma pérola. Ao descer do barco viram um caranguejo que lhes perguntou de onde vinham; o pássaro disse que vinham da Floresta Mágica e que queriam encontrar o Feiticeiro Mocho Azul. O caranguejo disse que podia levá-los lá. E lá foram eles. Quando chegaram ao destino viram, no cimo de uma pedra, um mocho azul. Perguntou-lhe o 4


ratinho se ele era o feiticeiro e este disse que sim. Então explicaram ao feiticeiro o que tinha acontecido e este entendeu, fazendo nele um toque mágico e teletransportando-os para o local de origem onde imediatamente depararam com o gato. Desta vez, o rato chamou os seus amigos que tinha encontrado pelo caminho e, todos juntos, afastaram o gato, para sempre, de Ratilónia. O rato, feliz e radiante, voltou para a sua família. De repente apareceu-lhe o amigo cão que ele pensava ter morrido e todos juntos, fizeram uma grande festa; final feliz.

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Conto escrito por um aluno do 3.ยบ Ciclo Ano lectivo 2011/2012

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