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Revista da Câmara de Comércio Americana para o Brasil Desde 1921 nº271 set/out 2011

O motor da inovação

Rio de Janeiro encontra sua vocação e acelera rumo ao desenvolvimento econômico

foto João L. Anjos/Divulgação LLX

Entrevista  Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral

Água  Desafio e avanços na gestão do recurso

BEP  A cobertura do evento da AmchamRio em Houston


editorial

A

gora é a hora de inovar. E nós, da Câmara de Comércio Americana, também estamos fazendo nossa parte. A começar por mais essa edição da Brazilian Business, que dá continuidade à reformulação gráfica e editorial, com a criação de novas seções, como a Diálogos, que abre espaço para um especialista discorrer sobre temas atuais, a seção Radar, o Perfil, sempre com um executivo que tenha feito algo inovador para o setor ou negócio, e a coluna Quatro perguntas para..., em que abordamos numa entrevista rápida um tema relevante do momento. Mas as novidades não param por aí. O conteúdo das matérias também se aproxima mais dos principais temas que permeiam as atividades dos associados. Como a produção técnico-científica consolidada do Rio de Janeiro, um dos principais propulsores de novos negócios no Estado. O assunto, como não poderia deixar de ser, é tema de nossa reportagem de capa. E falando em inovação, buscamos um dos maiores especialistas do país, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, para discorrer sobre o tema. Além disso, realizamos o Brasil Energy and Power (BEP), que reuniu empresários e líderes americanos e brasileiros na capital americana do petróleo, Houston, no Texas, para falar sobre oportunidades do insumo e também da matriz energética brasileira, tema de uma reportagem nas páginas a seguir. A vocação da Amcham Rio para catalisar negócios também aparece em outro evento promovido por esta Câmara, que reuniu quatro expoentes envolvidos nos megaeventos esportivos que o País sediará em 2014 e 2016. Boa leitura!

artigos relacionados 36 Rio de Janeiro abre suas portas à inovação Moacyr Piacenti, José Roberto Adelino da Silva e Antonio Carlos Rocca

37 Transformando ideias em lucro Mauro Terepins

38 O modelo de inovação da BG Damian Popolo 39 Inovar é fazer a diferença Rafael Veras 40 Urbes inteligentes respondem melhor aos desafios dos novos tempos Pedro Almeida 41 Design Thinking: ferramenta essencial para inovação nos negócios Maurício Vianna

Henrique Rzezinski, presidente da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham RJ-ES)

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Brazilian business é uma publicação bimestral da Câmara de Comércio Americana RJ/ES. A tiragem desta edição, de 8 mil exemplares, é comprovada pela Ernst & Young. Editora-chefe e jornalista responsável: Andréa Blum (MTB: 031188 RJ) Editora-assistente: Flavia Galembeck Reportagem: Carolina Gouveia Direção de arte: Fabio Matxado • Canal do leitor: leitor@amchamrio.com • Os pontos de vista expressos em artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da Câmara de Comércio Americana.

Em Foco

Inovar é preciso Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, em um bate-papo sobre o Brasil, suas políticas e os desafios para se manter competitivo Perfil Markus Striker, vice-presidente da A.T. Kearney

Brasil Urgente - Gestão da Água

Ponto de Vista – Licitações dos megaeventos esportivos

From the USA: Batteries

Radar: A questão da Água

Ponto de Vista – Cloud Computing

O despertar da Inovação Graças às estruturas de pesquisa, descobertas com o pré-sal e investimentos em infraestrutura, o Rio de Janeiro redescobre sua vocação para os negócios Matéria Especial Confira como foi o Brazil Energy & Power em Houston, Texas, que discutiu nossa matriz energética e reuniu lideranças brasileiras e americanas Diálogos Marco Tulio Zanini, da FGV, escreve sobre liderança baseada em valores

Amcham News

Câmara de Comércio Americana RJ/ES Praça Pio X, 15/5º andar 20040-020 Rio de Janeiro RJ Tel.: (21) 3213 9200 Fax: (21) 3213 9201 amchamrio@amchamrio.com www.amchamrio.com


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em foco

agenda Outubro

Escritórios em alta

“Infraestrutura Aeroportuária Brasileira – Desafios e Perspectivas”, com Wagner Bittencourt, ministro-chefe da Secretaria da Aviação Civil.

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“Transferência, Tecnologia e Competitividade “, com a coordenadora e diretora substituta da Diretoria de Contratos e Indicações Geográficas e Registros do INPI, Lia de Medeiros; a advogada da gerência de Propriedade Intelectual da Petrobras, Grace Salomão; e a sócia da Tozzini Freire Advogados Andreia Gomes.

Eduardo P

O mercado de escritórios de alto padrão carioca deve crescer 30% em 2011, em relação ao ano passado. Esta é a previsão do levantamento trimestral, realizado pela Jones Lang LaSalle e divulgado em outubro, sobre o mercado de escritórios do Rio de Janeiro, que monitora as regiões do Centro, Orla e Barra. São esperados mais 300 mil m² de novas áreas este ano, volume que corresponde a 53% do total de área entregue na cidade nos últimos 14 anos. De acordo com a pesquisa, no terceiro trimestre de 2011, a média geral dos valores de locação na cidade foi de R$ 120/ m², variando de R$ 75/ m² a R$ 200/ m². O total de espaços de alto padrão na cidade é de 1,125 milhão de m².

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21

“Tax Friday Tributação nas Nuvens”, com o gerente da Gaia, Silva, Gaede & Associados, Maurício Barros.  Novembro

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“Seminário Responsabilidade Social e Esporte”, com o secretário municipal de Esporte e Lazer, Romário Maia Galvão; o presidente do Instituto Bola Pra frente, Jorge de Amorim Campos e a gerente da área tributária da Martinelli Advocacia Empresarial, Rosa de Castro.

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Inglês nas UPPs O Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU) e a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham Rio) lançaram, no dia 18 de agosto, a segunda turma do programa de ensino de inglês UP with English, desta vez no Morro da Providência, no centro do Rio, que ensina inglês com foco na profissionalização dos alunos. A Case Benefícios e Seguros patrocina essa turma e vai oferecer, no final do 8_Edição 271_set/out 2011

curso, uma vaga de estágio na empresa. A ideia é estender o projeto a outras comunidades pacificadas e demanda apoio da iniciativa privada. Para a Amcham Rio, é fundamental haver o engajamento das empresas. “O projeto de levar inglês a jovens de comunidades pacificadas vai ao encontro da missão da Câmara, de contribuir para consolidar uma história de oportunidades para a cidade do Rio de Janeiro”, afirma o presidente da Amcham Rio, Henrique Rzezinski.

“Ideas Exchange: Transferência de Conhecimento, Inovação e Patentes”, com o presidente do INPI, Jorge Ávila, e o diretor executivo do Parque Tecnológico da UFRJ, Maurício Guedes.

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“7º edição do Prêmio Brasil Ambiental”, com a presença do diretorpresidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo.

Novas ideias. Novas soluções. EMPRESARIAL TRIBUTÁRIO CONTENCIOSO & ARBITRAGEM TRABALHISTA IMOBILIÁRIO FINANCEIRO INFRAESTRUTURA E PROJETOS REGULATÓRIO E CONCORRENCIAL

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em foco

Retrato da energia renovável Um recente estudo da KPMG comparou as políticas de incentivo à produção de energia renovável em 15 países. Na sexta colocação, o Brasil soma três medidas: subsídio de capital e concessão de descontos; investimentos públicos, empréstimos e financiamentos; e licitações públicas. Para Vânia Souza, sócia da área de Energia da KPMG no Brasil, o estudo é uma rica fonte de análise. No entanto, é preciso contextualizar. “O Brasil possui três políticas, mas temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Já a China e os Estados Unidos, os maiores investidores, continuam gerando parte de sua energia da queima de carvão. É preciso interpretar o estudo e alinhá-lo à realidade de cada país”, pondera a executiva. Países que mais investem em energia renovável 1. China e Estados Unidos 2. Canadá e Chile 3. França 4. Espanha, Reino Unido, Alemanha e Polônia 5. Austrália, Grécia e Holanda 6. México e Brasil 7. Nova Zelândia

Inovação à brasileira

A Liderroll, a primeira empresa brasileira a vencer o Global Pipeline Award, prêmio internacional que elege a melhor tecnologia de dutos, promovido pela American Society of Mechanical Engineers, subiu ao pódio graças à criação e à aplicação do projeto Roletes Motrizes Geração II, usado no Gasoduto Gastau. As reduzidas dimensões do túnel, em Caraguatatuba, litoral norte paulista, impediam o transporte dos tubos por caminhões e guindastes. A companhia desenvolveu roletes motrizes para levar os dutos para dentro do túnel, resolvendo o problema.

Casamento

A finlandesa Wärtsilä, líder global em soluções energéticas para mercados marítimos, e a Shell Oil Company assinaram um acordo de cooperação para promover o uso do gás natural liquefeito (GNL) como combustível marítimo. Com baixo custo e menor emissão de resíduos, o GNL será disponibilizado para operadores de navios movidos por equipamentos Wärtsilä e clientes da Shell, inicialmente no litoral sul dos EUA, mas com planos de expansão para outras regiões.

Salários aquecidos

A empresa mundial de recrutamento Robert Half acaba de divulgar a quarta edição do “Guia Salarial”, levantamento anual que revela as médias dos salários de profissionais brasileiros em seis áreas de atuação: TI, Engenharia, Jurídico, Marketing & Vendas, Finanças & Contabilidade e Mercado Financeiro. A pesquisa mostra uma valorização entre 20% e 25% dos salários, mantendo a tendência de aquecimento do mercado. São avaliados os cargos mais demandados, de média e alta gerência, de empresas de todos os portes.

IBP

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis vai realizar, este mês, dois eventos para discutir oportunidades para a indústria de petróleo e gás. O “Vitória Oil & Gas”, que vai debater os desafios tecnológicos, a geração de empregos e o aperfeiçoamento dos profissionais do setor. A terceira edição do evento terá uma rodada de negócios, mesa-redonda sobre empregabilidade na indústria e o programa profissional do futuro. Já o “Pernambuco Petroleum Business”, em Porto de Galinhas, será um encontro internacional de negócios, que chega a segunda edição com programação ampliada por conta do interesse no potencial de crescimento do polo de Suape.

Marca Registrada

Em tempo: ao contrário do que foi publicado na edição anterior da BB, foram duas as empresas escolhidas pelo ranking da World Trademark Review (WTR), que aponta dois escritórios associados desta Câmara empatados como o melhor escritório de marcas do Brasil: Dannemann Siemsen e Momsen, Leonardos & Cia. Executivos das duas empresas também foram escolhidos na categoria melhores profissionais e ocupam, empatados, o primeiro lugar. São eles: Luiz Henrique O. do Amaral, da Dannemann Siemsen; e dois sócios da Momsen, Leonardos & Cia., Luiz Leonardos e Gabriel Francisco Leonardos.

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em foco

4 perguntas para... Por Andréa Blum

Tema: Propriedade intelectual

Com Gabriel Leonardos, sócio da Momsen, Leonardos & Cia. Como a tecnologia mudou a questão da propriedade intelectual?

O paradigma mudou muito nos últimos 20 anos, quando a propriedade intelectual era uma área quase estática do Direito. Isso se acelerou muito à medida que os elementos regidos passaram a ter mais importância econômica para as empresas. Atingimos um patamar impensável com o fenômeno da terceirização, pois enquanto a lei de propriedade intelectual possibilita esta globalização é, ao mesmo tempo, desafiada por ela, com o advento da pirataria. Quais são os desafios atuais?

No momento em que o número de patentes aumenta de forma exponencial no mundo – especialmente na área de alta tecnologia – aparece um novo desafio, que é a possibilidade de ter o sistema de patentes, que privilegiava e protegia a inovação, criando obstáculos e impedindo-a. Na área de telefonia móvel, por exemplo, o guarda-chuva de patentes funciona como uma defesa de mercado entre as empresas que trocam entre si patentes, impedindo a entrada de novos players e impactando na inovação. O mercado atual traz esses desafios e ninguém sabe onde isso vai parar.

Melhores para trabalhar

Com apenas um ano e meio de existência, a Radix foi eleita a melhor empresa para trabalhar no Brasil, entre as pequenas e médias, e no Estado do Rio de Janeiro, em 2011, pelo Great Place to Work Institute.

Deloitte – 100 anos no Brasil

A Deloitte completa um século de atuação no Brasil. A companhia se instalou no Rio de Janeiro para auditar as companhias ferroviárias britânicas que aqui se estabeleceram. Hoje, seus 4.500 profissionais atuam em 11 escritórios no País e prestam serviços de auditoria, consultoria, assessoria financeira, gestão de riscos e consultoria tributária.

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As patentes são fundamentais para garantir inovação e hoje já se entende que propriedade intelectual está umbilicalmente ligada à inovação. Mas o Brasil ainda está engatinhando em número de patentes. Enquanto o País tem, por ano, 35 mil pedidos de patentes, a China tem mais de 500 mil. O Brasil faz ciência, mas não consegue converter isso em tecnologia.

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Qual o papel das patentes para a inovação?

Ele está na indústria. Precisa haver a convergência entre empresas e universidades. As companhias brasileiras precisam de um estímulo adequado para desenvolver tecnologia, um estímulo fiscal simples, principalmente para pequenas e médias, que são o motor impulsionador de todo país desenvolvido. Outro desafio política de inovação nacional é como aumentar o número de patentes. Para isso, precisamos de mais medidas governamentais para estimular as invenções brasileiras em patenteamento. Já temos ciência e capital humano, mas não estamos sabendo transformar conhecimento em dinheiro.

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O Brazil-U.S. Business Council trouxe ao Brasil, entre os dias 28/08 e 02/09, uma delegação de 20 empresas americanas do setor de “green building” liderada pela vice-ministra de Indústria e Serviços dos EUA, Nicole Lamb-Hale. No Rio de Janeiro, os executivos participaram do Rio Green Building Conference, evento apoiado pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro e realizado na Firjan, que abordou temas do setor da construção sustentável no Brasil.

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entrevista

Carlos Arruda

Coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral

biografia nPh.D. em Administração Internacional pela University of Bradford,Inglaterra nProfessor de Inovação e Competitividade e coordenador do Núcleo de Inovação na Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais nCoordenador dos estudos World Competitiveness Yearbook do IMD, no Brasil, e Global Competitiveness Report do World Economic Forum nAutor dos livros “Internacionalização de empresas brasileiras”, Qualitymark (1996), e “Em busca do futuro – a competitividade no Brasil”, Campus (1999)

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Inovar é preciso Por Flavia Galembeck Fotos Eduardo Vianna

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radicionalmente, inovação é o desenvolvimento de algo novo, que pode ser um produto, tecnologia ou serviço. Mas também pode ser um novo design, a oferta diferenciada de uma empresa ao mercado ou uma nova forma de distribuição. Muito falada e ainda pouco implementada pelas corporações brasileiras, colocar a inovação em prática requer planejamento de longo prazo, com métricas e metas bem definidas, investimentos e mudança na cultura organizacional, de forma que ela passe a fazer parte do cotidiano de todos os envolvidos com a companhia. Não é fácil. Ainda mais quando se considera a pressão por resultados, que imediatizam o dia a dia corporativo. Os desafios são muitos, mas é preciso incluir o tema na agenda das organizações. Esse é o mantra repetido pelo professor Carlos Arruda, do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, que há décadas pesquisa o tema no Brasil e presta consultoria para empresas. Para ele, as empresas brasileiras estão atrasadas no que se refere ao tema. “O cenário mudou, e hoje estou mais otimista do que há alguns anos, mas temos muito o que fazer ainda”, alerta. “O fato é que, no atual cenário, em que as mudanças são complexas e os riscos, maiores, vivemos ciclos de produtos e de serviços cada vez mais curtos. Então, para se manter competitiva, a empresa precisa, cada vez mais, antecipar o futuro”, explica. Confira a seguir os principais trechos da entrevista que ele deu, com exclusividade, à Brazilian Business. Brazilian Business: O conceito de inovação no Brasil difere daquele no resto do mundo? Carlos Arruda: Somos mais condescendentes com

a definição e incluímos as melhorias, o que não acontece nos Estados Unidos. Entendemos que a melhoria é uma inovação importante, porque ela não só gera algo a mais, um avanço em produto, processo ou tecnologia, mas cria valor, mostra que naquela empresa as coisas podem ser feitas de forma diferente. A melhoria impõe o desafio de fazer bem feito e de inovar constantemente. As inovações têm dimensões variadas – pode ser algo novo para a empresa, para o setor ou para o mundo –, por isso, esse é um conceito amplo. Edição 271_Brazilian Business_15


entrevista carlos arruda

BB: O que não é inovação? CA:  A excelência, por exemplo, não é. Fazer

bem o que deve ser feito é ótimo, é necessário, mas não é inovação. BB: O senhor poderia dar um exemplo de uma empresa brasileira que tenha feito uma melhoria considerada inovação? CA:  A Samarco, que é uma empresa de mi-

neração, desenvolveu uma tecnologia interessante para seu mineroduto. Ela transfere minério de Minas Gerais ao porto de Embu, no Espírito Santo, por uma tubulação com água. Eles tinham dificuldade em medir o fluxo de minério de ferro que passava pelo mineroduto. Alguns engenheiros da Samarco estavam visitando um alambique, viram um aparato usado por essa indústria, um medidor de fluxo e densidade da cachaça, e perceberam que a mesma lógica poderia ser adaptada ao pipeline do mineroduto. Então, adaptaram o instrumento para o minério de ferro. Esse é um exemplo muito simples de como as pessoas podem introduzir melhorias. Do ponto de vista de investimento e do cliente, isso foi imperceptível, mas a inovação trouxe mais eficiência ao processo. Sob a ótica da operação, houve um ganho significativo. BB: Que diferenciais têm as inovadoras? CA: Visitamos cem empresas, como Embraer,

Natura, Vale, Fiat, IBM, Siemens, Dow Química, entre outras, para descobrir o porquê de elas serem inovadoras. Descobrimos que isso está relacionado ao fato de elas terem metas bem definidas de inovação, seja de receita, de investimento ou nos movimentos voltados para a inovação. Essas corporações sabem, por exemplo, o percentual de receitas geradas por novidades, sejam em processos, tecnologias ou novas empresas, e, com base nisso, estabelecem que percentual da receita virá de produtos com menos de três anos de lançamento, no caso de um produto inovador. Incluir a inovação na agenda é o segundo passo, começando pela liderança, mas capilarizando para toda a organização. Inovar exige transformação cultural. BB: Como manter esse processo vivo? CA:  A empresa precisa se estruturar, criar

uma área dedicada à inovação que atue como animadora do processo. A Dow Química no Brasil estabeleceu embaixadores da inovação, um grupo de funcionários de todas as áreas que se encontram para discutir como fomen16_Edição 271_set/out 2011

tar a inovação. O último item é o processo, o como fazer. Mapeamos mais de 70 modos, mas existem algumas centenas. Desde os mais simples, como o “Campo de Ideias”, da Samarco, em que todos podem dar sugestões por meio de um site, inclusive terceiros e prestadores de serviço, até os mais complexos, os corporate venturing, que consistem em uma empresa investir em outras áreas consideradas importantes para seu negócio. Como o Google, que entende que o barateamento da energia é importante para seu negócio e investe bastante em companhias que desenvolvem energias renováveis. E, para finalizar, métricos, para medir a inovação, acompanhar a geração de ideias e o processamento dessas ideias em produtos, serviços etc.

tecnologias no país. Da década de 1980 para cá esse número declinou, porque muitas corporações tiraram seus centros de Pesquisa e Desenvolvimento  (P&D) do Brasil por conta da estagnação econômica e substituição de produtos nacionais por importados de baixa qualidade.

BB: O que o senhor acha do modelo de inovação nacional? CA: A inovação no Brasil vai exigir mais foco, mais reflexão. Isso já está

outros movimentos, há um efeito contrário: as multinacionais estão atraindo para cá seus centros de pesquisa, como é o caso da SAP e da Fiat. O que é muito bom. Mas as filiais de multinacionais têm dificuldade em convencer as matrizes a investir em P&D no Brasil. Ainda assim, GE, Danone, Dow Química e Siemens já fizeram isso.  Mas o mérito é dos executivos dessas empresas, que convenceram a matriz a fazer esse investimento. Teve até uma empresa alemã, cujo presidente, para convencer a matriz a investir em um centro de P&D aqui, colocou seu cargo à disposição, caso a iniciativa não vingasse. A companhia achou o discurso ousado e resolveu investir, mas veja a que ponto ele teve de chegar.

BB: O que mudou de lá para cá? CA:  Agora, graças ao pré-sal e

acontecendo. Hoje em dia sou mais otimista do que era há pouco tempo. Eu vejo o governo comprometido com o tema, colocando recursos para fomentar a inovação, reunindo-se com a comunidade empresarial para discutir o assunto. Agora, o resultado disso tudo foi traduzido com medidas de curto prazo, e a inovação, por essência, é algo que exige um planejamento de longo prazo. E isso ainda não foi feito. BB: Como o Brasil está em relação ao mundo? CA:  Não estamos bem. A inovação é mais

uma intenção, como mostra um estudo que a Fundação Dom Cabral realizou com 15 mil gestores, em 2004, do que uma prática. Nesse levantamento, perguntamos qual a importância da inovação para as estratégias das empresas. Praticamente, todos afirmaram que o conceito fazia parte da estratégia. Mas, quando indagados sobre a existência de um processo estruturado, descobrimos que apenas 9% delas o tinham. Refizemos esse estudo em 2010 e esse índice subiu para 30%, um salto fenomenal, mas nossa percepção é de que ainda se fala mais do que se pratica. As empresas precisam começar a se estruturar para inovar.

“Descobrimos, em 2010, que apenas 30% das empresas brasileiras tinham processos estruturados para inovar. Fala-se mais em inovação do que se pratica.”

BB: Por que elas não conseguem colocar isso em prática? CA:  As pessoas e as empresas estão acostumadas com rotinas bem

definidas, processos estabelecidos que buscam maximizar a eficiência, reduzir custos, melhorar resultados, em suma, elas se organizam para fazer bem feito. Buscam o presente, o resultado financeiro e atingir as metas de curto prazo. E isso é ótimo. Mas, por outro lado, a inovação pressupõe tirar as pessoas de sua forma operante, fazer as coisas de forma diferente, arriscar, lidar com algo desconhecido, como um novo mercado, o desenvolvimento de um produto ou sua adaptação para uma situação nova. A inovação lida com a incerteza, e as empresas têm dificuldades em lidar com isso. E é essa contradição que impede as empresas de inovar. As escolas de negócio precisam reeducar as empresas a revolucionarem constantemente. BB: Em termos de investimento, como o senhor analisa a posição do país no cenário mundial? CA:  No Brasil, o investimento em inovação é menos de 1% do PIB,

somando o setor privado e público, impostos etc. O País tem uma característica que constrange a capacidade de inovar das empresas,

que são os impostos setoriais, pagos ao governo e que este, por sua vez, direciona para a inovação. Mas nosso investimento em inovação é muito baixo. Nós deveríamos pelo menos dobrá-lo, chegando a 2% do total de riquezas produzidas. Entre as empresas inovadoras brasileiras, o percentual investido em inovação é de, em média, 2,4% da receita. Seus pares alemães investem quase 4%. Existe uma sinergia positiva entre os setores público, privado e a academia – todos afirmando que precisamos aumentar os nossos investimentos em inovação. BB: É possível ser otimista? CA: Esse quadro, felizmente, está sendo rever-

tido. No final dos anos 1970, investia-se muito em inovação no Brasil. Havia uma perspectiva das multinacionais de que o Brasil se tornasse polo de excelência em algumas áreas, como fibra ótica, design de automóveis e outros setores. Com a reserva de mercado, as empresas eram obrigadas a investir em novas

BB: Por que as multinacionais relutam em trazer centros de tecnologia para cá? CA:  A matriz questiona o fato

de o Brasil ter pouca capacidade tecnológica – ou seja,  universidades, centros de tecnologia e de pesquisa. Há também carência de engenheiros e cientistas. Somente 19% dos graduandos no Brasil estão se formando nessas áreas. Na China, esse percentual é de  60%. Os engenheiros brasileiros são poucos e caros. Para as empresas estrangeiras, o Brasil ainda é um país de alto risco para se investir em inovação. E nenhuma universidade brasileira está qualificada entre as cem melhores no mundo, por-

que elas nunca se interessaram em se posicionar como um centro de referência mundial. BB: Quem inova mais, as grandes ou as pequenas empresas? CA: Tradicionalmente, as peque-

nas e médias empresas inovam mais. Até por isso elas são compradas com frequência pelos grandes grupos, o que é chamado de spin-in. BB: Quais são os desafios, em termos de inovação, para os setores de óleo e gás? CA:  Se há, no setor, uma neces-

sidade premente de inovação é no entendimento da cadeia de valor. Ou seja, nos produtos gerados pelo petróleo e em como posso agregar valor ambiental a essa cadeia. Para mim, o problema com o petróleo não é com a inovação. É claro que, dada a complexidade de sua exploração, a inovação será necessária na extração do produto. O maior desafio do setor é buscar a eficiência em sua exploração enquanto ele ainda é um ativo altamente necessário. Se errarmos na velocidade, vamos acabar cheios de petróleo e o mundo não estará demandando tanto. O risco do país é não saber transformar esse ganho do petróleo em riqueza para o país no futuro. BB: E onde o senhor investiria o lucro do petróleo? CA:  Em energias renováveis, em

biotecnologia, em nanotecnologia, em novas tecnologias e nas combinações de todas essas. O que a Noruega e a Suécia fazem é investir os ganhos do petróleo nas tecnologias do futuro, o que nada mais é do que a antecipação do futuro, uma necessidade vital para empresas e países. Corremos o risco de tornar a nossa economia dependente desse produto, como acontece com os países árabes, a Venezuela e o México.  Edição 271_Brazilian Business_17


perfil Markus Striker

Do carro ao carrinho Por Flavia Galembeck Fotos Renato Parada

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arkus Striker, 46 anos, veio para o Brasil para passar três meses, no recém-aberto escritório da consultoria A.T. Kearney, em 1994. O alemão, que fala português perfeitamente, ainda que pausadamente, já soma 17 anos no País. Nesse meio-tempo, ele, que é engenheiro mecânico e industrial formado pela Universidade de Stuttgart e com mestrado pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, acompanhou de perto uma verdadeira revolução no varejo brasileiro. “Quando cheguei aqui, eu notava nas gôndolas dos supermercados apenas três ou quatro sabores de iogurte. Hoje, são incontáveis. Isso reflete a mudança do consumidor brasileiro, que se tornou muito mais exigente e catalisou a transformação do segmento”, afirma. Não por acaso, Striker migrou do setor automobilístico, sua área original, para o varejo, a fim de dedicar-se a esta área. “Tudo o que é relacionado a B2C (business to consumer) passa pelo varejo.” Há 10 anos ele é responsável por consolidar e interpretar os dados brasileiros do estudo mundial  Global Retail Development Index (GRDI). O levantamento surgiu porque as redes varejistas internacionais precisavam mapear os mercados em desenvolvimento para planejar seus investimentos. “Na Europa e nos Estados Unidos, o setor já está saturado, e as taxas de crescimento são baixas porque o mercado está maduro. Para crescer, é preciso investir em economias em desenvolvimento”, defende. Fatores como atratividade de mercado, risco-país e os entraves legais e burocráticos são analisados na pesquisa GRDI. Neste ano, pela primeira vez, o Brasil aparece no topo da lista, como o mercado mais atraente do varejo entre os emergentes. “O país está em uma curva ascendente contínua. Os dados da economia e do mercado brasileiro, em 2010, mostram o país muito bem em face da crise mundial”, aponta. Somam-se a isso o crescimento médio de renda, o aumento dos trabalhadores com carteira assinada e o hábito do brasileiro de gastar. Outros indicadores positivos de que esse crescimento deve ser perene são a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016. “Isso gera investimentos que criam postos de trabalho e renda. Trata-se de um ciclo virtuoso.” Para ele, sem dúvida, o Brasil é o País da vez. “Agora é a hora. A China, por exemplo, não desperta mais tanta atratividade para o varejo, pois quem tinha de entrar nesse mercado já entrou.”  18_Edição 271_set/out 2011

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brasil urgente

Conhecer as águas e aprimorar sua gestão para garantir o futuro Ney Maranhão_Superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas

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Brasil possui um alto índice urbano de cobertura de água, que chega a 94,7% das residências. Por outro lado, coleta 50,6% do esgoto produzido e trata apenas 34,6% desses efluentes. Esses índices têm influência direta na qualidade das águas dos mananciais, pois os parâmetros de medição refletem principalmente a contaminação pelo lançamento de esgotos domésticos. Este ano, porém, tivemos uma notícia animadora. Um dos principais resultados apontados pela última edição do “Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos”, divulgado em julho, é a constatação de que os rios que receberam significativos e continuados investimentos em tratamentos de esgotos na última década registraram importante melhora na qualidade de suas águas. O cruzamento de dados feito para a publicação, editada anualmente pela Agência Nacional de Águas (ANA) a pedido do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), revelou melhora na qualidade das águas das bacias dos rios das Velhas (na região metropolitana de Belo Horizonte), Jequitinhonha (Minas Gerais) e Paraíba do Sul (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro). Dados da Secretaria do Tesouro Nacional revelam um aumento dos investimentos no setor na última década, que passaram de 5,8 bilhões, em 2002, para 13,2 bilhões de reais, em 2009, sendo possível esperar resultados positivos para o futuro, caso o ritmo de investimentos seja mantido, pois a universalização dos serviços de saneamento é a meta básica de longo prazo a ser alcançada pelo País.

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Outra publicação da Agência Nacional de Águas, lançada em março, o “Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água”, propõe a implantação de redes coletoras e estações de tratamento de esgotos (ETE) em municípios onde o lançamento de efluentes tem potencial para poluir mananciais de captação. Mas, para isso, seriam necessários investimentos da ordem de 47,8 bilhões de reais, sendo 40,8 bilhões em sistemas de coleta e 7 bilhões em tratamento de esgotos. Para continuar avançando na melhoria da qualidade das águas, principalmente nas regiões metropolitanas, é importante caminhar, também, no sentido de aperfeiçoar os mecanismos de gestão. Ao longo da última década, muitas conquistas foram registradas nos planos administrativo e institucional. O combate à escassez foi marcado por importantes vitórias no semiárido, por obras de infraestrutura realizadas no Nordeste, por exemplo. Não obstante, muito resta por ser feito em todo o País com relação à implementação integrada dos planejamentos dos setores usuários dos recursos hídricos. A gestão dos recursos hídricos em um país de dimensões continentais como o Brasil, que dispõe de 13% de toda a água doce superficial existente no planeta, tem oferecido grandes desafios, já que envolve montar estruturas administrativas e conferir-lhes operacionalidade e efetividade sem perder de vista a diversidade climática, geológica, biótica e econômica. Além disso, é preciso implementar os instrumentos de gestão previstos em lei e identificar áreas críticas quanto à disponibilidade e às demandas, quer em termos de quantidade, quer de qualidade. Devido a essa enorme complexidade, diagnósticos como o “Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água” e a “Conjuntura dos Recursos Hídricos” são contribuições de planejamento fundamentais, pois permitem identificar um conjunto de bacias críticas onde se localizam as vulnerabilidades e onde há maior potencial para ocorrência de conflitos pelo uso da água e que, por isso, deverão merecer atenção crescente por parte dos gestores dos recursos hídricos. Esses levantamentos contribuem, ainda, para aperfeiçoar o sistema de gestão e o planejamento integrado dos órgãos de governo. Algo muito importante em uma economia diversificada, complexa e em expansão, com crescente uso dos recursos hídricos, como a brasileira. 

Imagens de diferentes pontos do rio Paraíba do Sul fotos zig koch/banco de imagem ana

“O Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água [divulgado em 2011] propõe novas redes coletoras e estações de tratamento de esgotos em municípios de risco. Para isso, seriam necessários investimentos de 47,8 bilhões de reais.”

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ponto de vista

Anne-Catherine Brunschwig, associada sênior da Villemor Amaral Advogados

Procedimento licitatório: novas regras para os megaeventos esportivos brasileiros

A

o longo dos anos, a Lei de Licitações foi no sistema já existente no pregão, a administração pública criticada principalmente pela complexi- vai inicialmente avaliar as propostas e selecionar a mais vandade e demora no seu procedimento, que tajosa, verificando, em um segundo momento, se a empresa pode sofrer várias interrupções devido à vencedora responde às condições estabelecidas no edital. Assim, em vez de se avaliarem os documentos de todos interposição de recursos, pedidos de esclarecimentos ou impugnações. Além disso, o os participantes, conforme previsão da Lei no 8.666, de procedimento traz riscos de colusão e forma- 1993, somente os do vencedor serão avaliados. ção de cartel na busca por um preço melhor. A lei criou, também, o novo regime de “contratação Por conta dessas críticas e tendo em vista integrada”. Trata-se de um regime no qual a empresa vena necessidade de realizar vários projetos de cedora será responsável pela elaboração dos projetos básiinfraestrutura antes da Copa do Mundo de co e executivo, pela execução das obras ou serviços de 2014, uma nova lei (Lei no 12.462/2011) foi engenharia e por todas as demais operações até a entrega sancionada no último dia 5 de agosto. final do objeto licitado. Fato importante é que é vedado A Lei nº 12.462 estabelece ao vencedor renegociar o contrato uma o Regime Diferenciado de vez assinado. “O novo regime Contratações Públicas (RDC), Essa contratação diminui a superdiferenciado um novo processo licitatório posição de contratos e empresas em um pretende cujo principal objetivo é agilimesmo empreendimento e define melhor agilizar o zar o procedimento de contraas responsabilidades, mas pode gerar marprocedimento tação pública. gens de erros maiores por conta de uma de contratação Aplicável às licitações definição insuficiente dos projetos. para a realização da Copa das Tal modelo transfere os riscos econôpública.” Confederações, da Copa do micos inerentes à imprevisibilidade da Mundo, dos Jogos Olímpicos realização de uma obra para os licitantes, e Paraolímpicos e das obras nos aeroportos, porém, não garante o melhor valor do contrato ao governo a nova lei abrange boa parte das obras (e nem uma obra bem executada), tendo em vista justade infraestrutura que o país se comprometeu mente essa imprecisão na definição do objeto licitado. em realizar. Outro aspecto criticado é a obrigação de escolher como A aprovação da nova lei, contudo, não critério de julgamento das propostas o de técnica e preço, está imune a críticas e sua constitucionalida- o que introduz subjetividade no julgamento pela comissão de está sendo questionada no Supremo de licitação que deverá avaliar e pontuar as propostas. Tribunal Federal (STF). Quais são as novidaAs outras novidades, como a possibilidade de prédes que geram tantas críticas? A lei traz uma qualificação permanente dos licitantes, a fase recursal única real eficiência no procedimento licitatório ou no final do procedimento licitatório e a preferência pelo futuros problemas? leilão eletrônico, parecem ser medidas que trarão celeridaUma das grandes mudanças é a inversão de ao processo, mas, antes de mais nada, aguarda-se a manidas fases no procedimento licitatório. Como festação final do STF sobre o assunto.

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from the usa

Question: At Argonne, you work on a variety of battery technology projects and are considered an expert in lithium-ion batteries. What led you to this position? Daniel Abraham: My early research at Argonne was in the area of

Questions for a Batteries Expert: Daniel Abraham Daniel Abraham, a leading scientist at Argonne National Laboratory, shares his work on lithium-ion batteries and why he feels this work is important, and gives us a look into his melodic commitments outside of the lab. By Angela Hardin.

nuclear technology – we developed metallic waste forms to isolate and contain radioactive components from spent nuclear fuel. My tasks included the synthesis, characterization, and qualification of these alloys for ultimate disposal in a geologic repository. However, as the years passed, it became increasingly evident that our research would not have an immediate impact because of the unresolved debate surrounding the issue of nuclear waste disposal. This realization, along with the fact that I had already spent several years conducting nuclear-related work, prompted me to seek out new research areas. An opportunity arose in the then new lithium-ion battery research project and I joined the team in 2001. The impact of our work is immediate – our colleagues in industry are very interested in applying our research breakthroughs in the design and manufacturing of their battery products. Q: What projects are you working on right now? What do you hope they will lead to? DA: My main project is on developing an understanding of factors

that govern the performance and performance loss of lithium-ion battery systems. Almost every cell phone contains a lithium-ion battery; they are also in our cameras, camcorders, and computers. Our goal is to get the batteries into our cars – into the next generation of plug-in hybrid and electric vehicles. For portable electronic applications, a two- to five-year battery lifetime is sufficient – for vehicular applications, however, a ten- to fifteen-year battery lifetime is required. I hope that someday all cars will be electric vehicles powered by batteries that can be recharged in our garages or that can be swapped at your local battery swapping stations. I also hope that our work leads to high-energy density batteries that can travel 400 miles on a single charge, and deliver consistently high performance over the vehicle’s lifetime.

development of pollution-free and sustainable energy technologies that will someday be used to illuminate even the darkest corners of the globe. However, I recognize that many problems confronting humanity – such as air and water pollution, climate change – may not be solved during my lifetime. Therefore, I believe that it’s very important to mentor the next generation of scientists and engineers. Over the course of my career I’ve worked with several students and scientists both from the U.S. and other nations. And in doing so, I’ve realized that our lives can have both local and global significance – because every life we touch touches the lives of countless others whom we may never meet. Q: What projects are you watching (beside your own)? DA: I’m keenly watching the development and implementation of

other forms of energy storage technologies being considered for the “smart” electric grid. I also have a keen interest in emerging energy production technologies – these include energy from the sun, wind and tides. Energy and energy storage will remain a challenge in the coming decades, and we will need to develop solutions to these challenges that are both renewable and sustainable.

Q: What is the biggest challenge in your field? DA: I believe that developing batteries that are from renewable and

sustainable resources is the biggest challenge in my field. Many lithium-ion battery systems currently under development contain nickel– and cobalt– based oxides that depend on scarce and non-renewable resources. For example, nickel makes up only 90 parts per million, and cobalt about 20 parts per million, of the earth’s crust. We are, therefore, examining technologies for recycling lithium batteries to recover the non-renewable inorganic components and reduce the amount of waste that would otherwise burden our landfills. We are also examining new lithium battery systems that are based on high-performance organic molecules, which can be synthesized following the principles of green chemistry and should be easily recyclable.

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Q: Why do you feel your work is important? DA: The research that my colleagues and I conduct contributes to the

Ed. note: This abridged text comes from an original article cross-posted by the Argonne National Laboratory and the U.S. Department of Energy. Media Specialist at Argonne National Laboratory

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radar

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A questão da

Luiz Pimenta Bastos_Chairman do Comitê de Meio Ambiente e Supervisor de Meio Ambiente da Chevron Brasil Petróleo

A

sétima edição do Prêmio Brasil Ambiental, realizado pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro, que será entregue em novembro deste ano, tem como tema central o uso racional da água. A racionalidade desse recurso, vital para a manutenção da vida, é cada vez mais crítica em função da redução de sua disponibilidade e dos sucessivos aumentos de seu uso. Do grande volume existente no planeta (70% de sua superfície são cobertos por água), apenas 12% são de água doce e, no Brasil, ainda temos o privilégio de ter 4% de toda essa água passível de ser utilizada. Ainda assim, os volumes para uso são ainda menores, uma vez que estão intrinsecamente ligados à qualidade dessa água, fator limitante principalmente considerando os usos prioritários, como o consumo humano, dessedentação e agricultura, que têm crescido proporcionalmente ao desenvolvimento das cidades e à melhoria da cobertura de redes de abastecimento. Usos secundários, como insumos para atividades industriais, também têm maior demanda em função da implantação de novos projetos, acompanhando o desenvolvimento do País. Não há questionamento sobre a priorização da parcela relacionada à manutenção da vida humana, mas, ainda neste contexto, o conceito de racionalização do uso é premente e envolve esforços na minimização de perdas nas redes de distribuição de água tratada e também as contribuições individuais dos cidadãos (otimização do tempo de banho, lavagem de carros etc.). 26_Edição 271_set/out 2011

Projetos de lei estão sendo propostos para formalizar a participação da comunidade, introduzindo conceitos de reaproveitamento de água de chuva e metas de redução de consumo. No entanto, devem estar associados à garantia de fomento de recursos para, em um primeiro estágio, permitir o desenvolvimento de tecnologias e de sistemas que possibilitem seu sucesso. A adoção do conceito de Green Building é um grande passo nos empreendimentos que hoje estão em projeto ou em fase de planejamento. Mas, nas construções já existentes, a adoção de técnicas para a reutilização da água esbarra no elevado custo. A utilização da água em indústrias, apesar de não ser considerada tão nobre, em alguns casos, é fator determinante para a manutenção destas. E esse é o principal desafio atual da indústria: a adoção e o desenvolvimento de inovações nas formas de captação, revisão de processos para reaproveitamento, redução de consumo e até, em alguns casos, eliminação ou substituição do recurso. O perfeito mapeamento dos volumes utilizados e da qualidade da água em cada estágio do processamento permite a

avaliação de soluções tecnológicas que favoreçam desde o reaproveitamento até a consi“O uso da água é o principal desafio atual da deração de novas fontes antes não cogitadas indústria. É preciso adotar e desenvolver (captação de chuva e efluentes de estações de inovações em sua captação, rever processos tratamento de esgoto). para seu reaproveitamento, reduzir Em suma, para que a preservação e a o consumo e até mesmo eliminar utilização das águas sejam conduzidas efeou substituir o recurso.” tivamente, é necessário mobilizar todas as esferas participantes e afetadas pela questão. O poder público, na condução de estudos e avaliações de capacidade de suporte das principais bacias hidrográficas que embasem as decisões quanto às quantidades em concessões de outorga, na Sétima edição do Prêmio Brasil Ambiental redução das perdas nas redes de distribuição e na determinação de metas e diretrizes de incentivo à instalação de sistemas que permiCerimônia de premiação tem a redução de consumo; a indústria, na otimização de processos 10 de novembro de 2011 e mapeamento de oportunidades de reutilização de fontes de água, Salão Nobre da Bolsa do Rio minimizando a concorrência direta com o abastecimento das populações, e no desenvolvimento de novos equipamentos e processos Categorias que melhorem a qualidade de parcelas contaminadas da água doce; n Responsabilidade socioambiental e a própria população, com a adoção de boas práticas e conscienn Preservação e manejo de ecossistemas tização do seu papel fundamental, não só no controle, mas como n Gestão sustentável parceira nas ações a serem tomadas. n Inovação ambiental Infelizmente, estima-se que, mesmo com a mobilização de todos, n Inventário de emissões ainda haverá casos em que a disponibilidade chegará a níveis crítin Recursos hídricos n Categoria especial – texto jornalístico cos, e a tomada de decisões mais agudas será mandatória. No entanto, a adoção imediata de ações nos dará tempo para que alternativas tecnológicas possam ser desenvolvidas e testadas, amenizando esse Realização: Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro e Comitê de Meio Ambiente futuro árido.  Edição 271_Brazilian Business_27


ponto de vista

Nelson Mendonça, diretor de Operações da Alog Data Centers do Brasil

Cloud Computing: gestão de segurança na ‘nuvem’

O

tema que mais provoca discussões quando falamos de Cloud Computing é a segurança dos dados. Assim como na última grande mudança de modelo computacional (do mainframe para cliente/servidor), a questão segurança e o receio diante de uma novidade é comum e sempre existiu. Também temos acompanhado a mesma preocupação relacionada a outros temas recentes, como a utilização de smartphones e tablets em empresas, ou na exposição provocada pelo uso de redes sociais. Sempre que um novo modelo desafia as práticas de segurança existentes é importante analisar os objetivos a serem atingidos na proteção dos dados e adotar as mudanças necessárias em sua política para garantir o gerenciamento adequado dos riscos. Na abordagem de segurança da informação em cloud, temos que diferenciar nuvens públicas das privadas, assim como os objetivos de cada empresa na utilização de cada um dos modelos, já que a tolerância a riscos difere de companhia para companhia, de acordo com a área de atuação, obrigatoriedade de compliance com leis e práticas distintas. Em nuvens privadas, as políticas de segurança são facilmente adequadas às práticas já adotadas pela empresa, desde que atualizadas para suportar os novos recursos dessa modalidade computacional. “Em nuvens privadas, as políticas de segurança seguem as práticas já adotadas pela empresa. Nas públicas, ela é subordinada aos processos do provedor da nuvem.”

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Por outro lado, nas nuvens públicas, a política de segurança fica subordinada aos métodos e aos processos adotados pelo provedor da nuvem. Ainda existe a modalidade de nuvens híbridas, que permite a integração de recursos providos por nuvens privadas e públicas. Nesse caso, a principal recomendação é buscar provedores que adotem práticas mais rigorosas de segurança da informação. O correto endereçamento dos riscos relacionados à segurança da informação é primordial para a sobrevivência de qualquer provedor de nuvens públicas ou híbridas. Esse objetivo pode ser atingido empregando processos, métodos e tecnologias que garantam os controles necessários para a segurança dos dados armazenados na nuvem. Já existem diversas opções de certificações e práticas documentadas para a gestão adequada de processos e da segurança da informação em ambientes cloud, disponíveis inclusive em alguns dos maiores datacenters brasileiros, como a CCSK (Certificate of Cloud Security Knowledge), SAS 70 type II, ISO/IEC 27001 e PCI-DSS. Como visto, já existem práticas adequadas à gestão de segurança em ambientes cloud que demonstram um primeiro estágio de maturidade do mercado frente a esse novo desafio. Identificar o nível de tolerância a riscos do seu ambiente e escolher os parceiros corretos para a adoção de ambientes baseados em cloud computing é a chave para garantir o sucesso de sua operação.

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matéria de capa artigos relacionados nRio de Janeiro abre suas portas à inovação Moacyr Piacenti, José Roberto Adelino da Silvae Antonio Carlos Rocca pg. 36

O despertar da inovação

nTransformando ideias em lucro Mauro Terepins pg. 37 nO modelo de inovação da BG Damian Popolo pg. 38

Rio de Janeiro redescobre sua vocação. Graças ao pré-sal e às estruturas de pesquisa técnico-científica, o Estado se firma como um polo de P&D e atrai o interesse de empresas e de iniciativas governamentais

nInovar é fazer a diferença Rafael Veras pg. 39

Por Flavia Galembeck

nUrbes inteligentes respondem melhor aos desafios dos novos tempos Pedro Almeida pg. 40 nDesign Thinking: ferramenta essencial para inovação nos negócios Maurício Vianna pg. 41

A ponte de atracagem do Superporto do Açu, que abrigará nove berços 30_Edição 271_set/out 2011

João L. Anjos

H

á alguns anos uma verdadeira revolução silenciosa vem acontecendo no Estado do Rio de Janeiro, fruto do amadurecimento do sistema nacional de inovação e também da produção científica, especialmente na área petrolífera, sustentado pelas pesquisas e pesquisadores das três universidades públicas (UFRJ, UFF, UERJ) e de algumas privadas, que criaram um ambiente propício para a atração de diversos centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de empresas como IBM, GE, BG Group, Siemens, Baker Hughes, Halliburton, FMC Technologies e Schlumberger, entre outros.  “Mesmo com o esvaziamento da atividade econômica no Rio de Janeiro, a cidade nunca perdeu sua infraestrutura de produção de conhecimento. Chegamos ao fundo do poço, mas nossa sorte é que ali havia petróleo”, afirma o professor  de Gestão da Inovação da ESPM e da especialização em Inovação na UFRJ, Rodrigo Carvalho. E foi justamente por conta dessa estrutura voltada para a produção do conhecimento que a cidade e o Estado reencontraram sua potencial vocação. Os números comprovam isso: mais de 10% dos alunos em formação universitária são fluminenses.    

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matéria matériade decapa capa

A relação entre P&D, inovação e produção acadêmico-científica é intrínseca, já que é no ambiente de pesquisa das universidades que surgem as novas descobertas. A transformação disso em algo comercialmente aplicado acontece nos centros de P&D. “Muitas empresas inovam usando conhecimento de fora, de universidades, de fornecedores, de usuários”, explica o coordenador do centro de Inovação da Fundação Dom Cabral, Carlos Arruda.  Somam-se a esse ambiente propício o arcabouço jurídico, iniciado com as Leis da Inovação e do Bem, dois marcos legais que catalisaram a inovação no País e que surgiram em meados dos anos 2000. Para o professor  da especialização em Inovação da UFRJ, Rodrigo Carvalho, essas duas leis regulamentam a interação entre a produção de conhecimento e o meio empresarial, criando condições para que o diálogo entre os principais atores envolvidos no processo –  governo, empresas e universidade – se intensificasse. Em 2004, a Lei da Inovação definiu o tema e previu a criação de estruturas para fomentá-la. No ano seguinte, a cria “O Rio de Janeiro nunca ção da Lei 11.196, mais perdeu sua infraconhecida como a Lei estrutura de produção de do Bem,   instituiu no conhecimento. Chegamos País um modelo de ao fundo do poço, mas a incentivo fiscal à pesquinossa sorte é que ali havia sa, o que fez com que a inovação acontecesse de petróleo.” forma mais eficiente.

O Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras, na Ilha do Fundão

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De uma forma geral, a Lei do Bem traz uma série de benefícios fiscais, como deduções de Imposto de Renda (IR) e da Contribuição sobre o Lucro Líquido em despesas direcionadas às atividades de P&D; redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de máquinas e equipamentos para P&D; redução do IR retido na fonte incidente sobre remessa ao exterior resultante de contrato de transferência de tecnologia; e isenção do IR retido na fonte nas remessas efetuadas para o exterior para o registro e manutenção de marcas, patentes, cultivares etc. Antes dela, a política pública parecia contrariar a tendência mundial de investir grandes somas em pesquisa.  Foi graças à aprovação da Lei de Inovação Científica, em 2010, que o Programa de Apoio à Inovação Tecnológica, destinado a projetos de micro e pequenas empresas, cooperativas e empreendedores puderam acessar recursos da Faperj destinados à inovação. Hoje, o órgão de fomento apoia projetos inovadores em 92 municípios do Estado fluminense. Agropecuária, medicina, alimentos, meio ambiente, transporte, tecnologia da informação, comunicação, energias alternativas, biocombustíveis, naval, petróleo e gás, robótica, paleontologia, segurança pública e educação são alguns dos segmentos contemplados.

Outra mudança, essa mais recente, foi a criação do Programa Brasil Maior, lançado em agosto deste ano pelo governo federal, que tem como objetivo tornar a indústria brasileira mais competitiva frente ao dólar baixo, que estimula importações e prejudicam as exportações nacionais. Entre as medidas está a maior agilidade no ressarcimento de créditos às empresas exportadoras e as mudanças de crédito de PIS e Cofins sobre as aquisições destinadas à produção de bens e a prestação de serviços. Para Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o Brasil Maior não favorece a inovação em longo prazo. “É um começo, mas essa é uma medida de curto prazo. Inovação sempre é algo de longo prazo e que deve ser feito de forma compartilhada. Não pode ser só o governo cedendo. Ele até pode adotar medidas, como fez, para reduzir a carga tributária, mas tem que haver uma contrapartida obrigando essas empresas a investirem mais em inovação e isso, na prática, não aconteceu”, critica. A exceção, segundo o especialista,  fica por conta do setor automotivo, que teve redução do IPI, mas terá que investir mais em inovação.

Infraestrutura

Além de inovar, é preciso melhorar as condições de escoamento da produção Algumas iniciativas, como o Superporto do Açu, da LLX, de Eike Batista, combinam altos investimentos à inovação. O conceito de porto-indústria do projeto, que deve inaugurar em 2012, cria uma área industrial contígua ao porto, em São João da Barra, com cimenteiras, siderúrgicas e uma usina termo-elétrica. A previsão é de que essa infraestrutura gere R$ 300 milhões em impostos para o município. Somente em projetos socioambientais, uma contrapartida exigida pelo governo, já foram investidos R$ 70 milhões, segundo a LLX.  Outro porto que está sendo modernizado é o de Itaguaí, na Baía de Sepetiba, a 80 km da cidade do Rio. Localizado estrategicamente em um raio de 500 km dos principais centros produtores do país, o local se tornará em

breve o primeiro Hub Port do Atlântico Sul, com capacidade de receber embarcações de grande porte e de última geração. O local conta com 10 milhões de m2 de área plana, canal de acesso com até 20 m de profundidade e cais de acostagem em águas abrigadas, infraestrutura logística industrial e tecnologia em telecomunicações e suprimentos, acessos multimodais e facilidades de transportes.  Uma parceria entre a iniciativa privada e a autoridade portuária criou três novos terminais: um de minério, outro de carvão e um terceiro de contêineres, além de um píer com três novos berços de atracagem. Estão previstos ainda o aprofundamento do canal de acesso, aparelhamento do terminal de contêineres e o estabelecimento de rotas globais de navegação intermodal. Isso, somado a melhoria dos acessos rodoviários e a implantação de centros de carga devem fazer com que as metas de movimentação sejam alcançadas.

João L. Anjos

 A necessidade de envolvimento de todos os setores encontra coro no discurso de  Rodrigo Carvalho, da ESPM e UFRJ. “O esforço para inovar emerge de múltiplas relações”, resume Carvalho. Um exemplo disso é o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), criado na década de 60 e transferido nos anos 70 para o campus da Ilha do Fundão, da UFRJ. Ele foi criado para atender as demandas tecnológicas dos projetos da Petrobras. Bem-sucedido, o projeto foi ampliado com a segunda unidade do Cenpes, que demandou investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões. O projeto já está com a capacidade dos 22 novos prédios que compõem  o condomínio (em uma área correspondente a seis campos de futebol) tomada por trinta empresas de setores como energia, meio ambiente e tecnologia da informação.

“Inovação é algo de longo prazo e que deve ser feita de forma compartilhada.   Não pode ser só o governo cedendo.” Edição 271_Brazilian Business_33


matéria de capa

Retrato da Inovação no Brasil

Ali, empresários, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação convivem em uma troca rica para todos – os alunos vivenciam o empreendedorismo, as empresas têm acesso a laboratórios de última geração, profissionais de alta qualificação e novas oportunidades de negócios.  Desde 1994, há na Coppe/UFRJ várias incubadoras que apoiam a formação de novas empresas e encontram ali assessoria integral, serviços e infraestrutura para seu desenvolvimento.   A mudança de postura do governo como promotor do diálogo entre os atores envolvidos no processo de inovação, além do esforço para catalisar a inovação, é reconhecida pelos dois acadêmicos. Os recursos destinados à  Financiadora de Estudos e Projetos  (Finep), por exemplo, crescem a olhos vistos. Segundo  Glauco Arbix, presidente da Finep, em 2003, a organização tinha R$ 300 milhões para investir em inovação. Sete anos depois, esses recursos somavam R$ 4 bilhões e a meta é chegar a 2014 com R$ 14 bilhões para P&D. Boa parte desses recursos de“Sabemos transformar vem ser destinados recursos em conhecimento, para o pré-sal.  mas ainda temos “Sabemos transdificuldade de fazer formar recursos em esse conhecimento conhecimento, mas ainda temos dificulvirar dinheiro.” dade de fazer esse conhecimento virar dinheiro”, constata o professor da UFRJ. Para ele, até houve avanço nesse sentido, mas ele ocorre lentamente. Até por conta do pouco tempo que o tema inovação entrou para a pauta. “O assunto é muito recente no Brasil. Pensando na escala global, poucas cadeias produtivas e empresas têm potencial de inovação e isso se reflete   na pauta de exportação nacional, que hoje é tomada por commodities primárias. A Vale, por exemplo, está se mobilizando para inovar, mas a área focada nisso só foi criada há dois anos”. Na outra ponta, Carvalho também comenta uma outra questão. “O desafio é usar coletivamente esses recursos oriundos da inovação. Eu acredito que conseguiremos fazer isso, que estamos vivendo um novo tempo. O país despertou para a necessidade de fomentar o empreendedorismo e a inovação.”  

Dados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) 2008, divulgada em outubro de 2010, revelam que houve avanço de 38,6% na taxa de inovação da indústria e serviços (edição, telecomunicações e informática) e no setor de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Essa é a maior taxa de inovação desde que o estudo passou a ser realizado, em 2000, quando este percentual era de 31,5%. No estudo anterior, feito em 2005, esse percentual era de 34,4%. A Pintec ouviu 106,8 mil empresas brasileiras, das quais 41,3 mil disseram ter implementado novos produtos ou processos entre 2006 e 2008. As oito atividades que apresentaram maior inovação foram de alta e média intensidade tecnológica, como a automobilística, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, produtos eletrônicos e ópticos, produtos químicos, equipamentos de comunicação, informática e periféricos, máquinas, equipamentos e componentes eletrônicos. Das 100,5 mil empresas industriais consultadas, 38,1% foram consideradas inovadoras. O percentual é inferior ao do setor de P&D, de 97,5%, e também do segmento de serviços, em que esse índice chegou a 46,2%. A parcela do faturamento investido em inovação se manteve praticamente estável: 2,9% ante 3% em 2005. No setor industrial, essa taxa foi 2,5%, menor do que nos serviços (4,2%) ou no segmento de P&D (71,1%). Um dos destaques apontado pela pesquisa foi o uso da internet como fonte mais relevante do processo de inovação, usado por 78,7% das empresas.Houve também crescimento do uso de apoio governamental no processo: 22,3 % das corporações, o que equivale a 9,2 mil empresas, inovaram usando esses mecanismos de fomento. A falta de pessoal qualificado foi apontado como o principal empecilho à inovação por quase 50% das empresas ouvidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que coleta os dados da pesquisa.

Linha de produção da Fiat, em Betim, Minas Gerais. A montadora se consolidou como uma das mais inovadoras graças ao Polo de Desenvolvimento Giovanni Agnelli, inaugurado em 2003. 34_Edição 271_set/out 2011


artigos relacionados matéria de capa

Rio de Janeiro abre suas portas à inovação Moacyr Piacenti e José Roberto Adelino da Silva, sócios da KPMG no Brasil, e Antonio Carlos Rocca, consultor da empresa

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país vive um momento especial de crescimento e desenvolvimento. Para consolidar essas tendências, tem buscado reforçar seu potencial inovador, inclusive com a adoção de estímulos oficiais, como o plano Brasil Maior. Um dos expoentes deste momento, o Rio de Janeiro é lembrado por contar com grande potencial para a geração de negócios e inovação nos mais variados setores. Afinal de contas, além dos megaeventos esportivos que sediará, em 2014, com a Copa do Mundo, e, em 2016, com os Jogos Olímpicos, o Estado assistirá, certamente, a um período de desenvolvimento muito intenso em setores como os de infraestrutura, telecomunicações, energia (em especial petróleo e gás), indústria naval, saúde, turismo e serviços. Muitos têm dito que o Rio vive o seu “renascimento”. Mesmo considerando que o termo contém componentes verdadeiros, não podemos esquecer que o Estado há muito tempo é um dos motores do desenvolvimento nacional. Afinal, vem das terras fluminenses a maior parte de nossa produção petrolífera. Por isso, vem também dali expressiva produção tecnológica, que tem permitido às empresas brasileiras estarem entre as líderes na exploração de óleo cru em águas superprofundas em todo o mundo. Por isso, parece-nos mais adequado qualificar o movimento que impulsiona o Estado como o do encontro de suas potencialidades com a adequada e responsável iniciativa de gestores atentos em valorizar essas oportunidades latentes. O Rio preparou-se para estimular a capacidade de gerar inovação em suas instituições de ensino, entidades e empresas. No início de 2010, o governo fluminense regulamentou a Lei nº 5.361, que institui um programa local de incentivo à inovação tecnológica. Pela legislação, a Faperj pode ter participação minoritária no capital de empresas privadas para o desenvolvimento de projetos de produtos ou inovação. O objeti36_Edição 271_set/out 2011

vo é estimular a integração entre instituições científicas, tecnológicas e universitárias com agências de fomento à pesquisa e empresas para a produção e o uso efetivo das inovações. Outras instâncias engajam-se no estímulo às iniciativas inovadoras. A Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia lançou, este ano, edital público, no valor de 10 milhões de reais, para convocar projetos de inovação tecnológica destinados ao desenvolvimento local. Também têm surgido e se consolidado no Estado diversas entidades de apoio à produção inovadora, integrando a academia e o setor produtivo. Esse é o exemplo de um novo centro de desenvolvimento tecnológico em formação na Ilha do Fundão, que reúne dezenas de empresas e entidades de pesquisa em torno da UFRJ e vem sendo chamado de “O Vale do Silício do Pré-sal”. Pretende-se que o local seja um centro de inteligência dedicado à geração de tecnologias e conhecimento para a exploração de petróleo e gás. Há, ainda, um grande número de incubadoras de empresas de base tecnológica ligadas às universidades locais, como as da Coppe/ UFRJ, da UERJ, da UFF, da PUC-Rio e do Ibmec, dentre tantas outras. Nesses celeiros de fomento à inovação, os impulsos criativos e tecnológicos são convertidos diretamente em produtos, iniciativas ou serviços de fato inovadores, que contribuirão para movimentar a economia global a partir de iniciativas locais. Fica claro que os investimentos que fazem da economia flu“Muitos têm dito minense uma das mais imporque o Rio vive o seu tantes de toda a América Latina ‘renascimento’. tendem a redundar na produção Parece-nos intensa e efetiva de soluções e de mais adequado agentes inovadores. E são muiqualificar esse tos e diversificados os polos aos movimento como o quais se tem direcionado o aporencontro de suas te de capital: Copa do Mundo, potencialidades Olimpíadas, fortalecimento da com gestores infraestrutura, segmentos proatentos em dutivos, como as indústrias naval e petroleira, turismo, modernivalorizar essas zação das cidades e da gestão gooportunidades vernamental, educação, pesquisa latentes.” e desenvolvimento, e tantos outros setores importantes. Vale lembrar que aqueles que atuam valorizando a inovação têm ao alcance outros benefícios, que podem ser aproveitados inclusive em território fluminense, como é o caso da chamada Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005), que consolidou, em nível federal, os incentivos fiscais às empresas que realizem pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação, e do plano Brasil Maior, que amplia os benefícios de empresas que recorram à Lei do Bem. Tomando em consideração todos esses elementos, o Rio de Janeiro torna-se, sem dúvida, um Estado amplamente atrativo aos empreendedores, especialmente àqueles que investem em inovação como diferencial.

Transformando ideias em lucro Por Mauro Terepins, Vice-presidente de Mercados da Ernst & Young Terco

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or conta da acirrada concorrência global, as empresas precisam ser cada vez mais ágeis para fomentar seu crescimento e manter um sucesso duradouro. Diante desse cenário, a habilidade das organizações em inovar é essencial para um crescimento sustentável. A relação entre inovação e sucesso dos negócios não é novidade. Porém, uma abordagem pragmática do tema, que vá além de um mero discurso de conceitos vazios, torna-se, a cada dia, mais imperativa. Do ponto de vista prático, há dois grandes problemas enfrentados pelas organizações que buscam instituir a inovação como uma ferramenta estratégica em seus negócios: como transformar ideias tidas como “brilhantes” em resultados mensuráveis, convertendo criatividade em lucro, e como transformar o estímulo à inovação em um modus operandi em toda a empresa. Diversas companhias, entre as quais muitas líderes de mercado, acomodam-se em antigos processos, certas de que “em time que está ganhando não se mexe”. As melhores soluções de ontem, porém, podem não ser as de amanhã. Em um mercado cada vez mais acirrado, inovar configura-se praticamente como uma questão de sobrevivência. Inovação por si só, entretanto, não garante a liderança de mercado. Propostas inovadoras, que deveriam contribuir para o desenvolvimento dos negócios, muitas vezes acabam morrendo, em uma espécie de “momento eureca” isolado. É preciso saber inovar, encarando o processo criativo como uma questão estratégica. Criatividade também requer planejamento, gerenciamento, controle e, sobretudo, financiamento. Só assim é possível transformar novas ideias em lucro. Em diversos países, o setor governamental também pode estimular o empreendedorismo e a inovação com redução de impostos para atividades de pesquisa e desenvolvimento, proteção da propriedade intelectual e processos de patentes mais simplificados. Mas, quebrar velhos padrões de comportamento e inovar dentro de uma instituição não é fácil, sobretudo se ela for uma grande corporação. São poucas as empresas que vão além das soluções mais comuns, e a maioria centraliza o processo criativo apenas em seus líderes ou proprietários. Ou seja, pouco ou nada se faz para instituir processos inovadores ao longo de toda a estrutura corporativa. O problema se agrava à medida que o tamanho das corporações aumenta. As grandes organizações crescem e ficam cada vez mais complexas, tornando ainda mais difícil a geração de novas ideias. É natural: grandes e sólidas corporações tendem a reforçar aspectos nos quais já tiveram sucesso no passado, e, após tantos investimentos, pode ser difícil identificar novas oportunidades. Com suas estruturas mais rígidas, as grandes empresas devem estar atentas para não frustrar o “espírito” empreendedor.

Por outro lado, as pequenas e médias empresas vêm se mostrando globalmente mais abertas a novas ideias e têm apostado com mais força em inovações que não sejam apenas incrementais. Por isso, o segmento de middle market é um grande catalisador de inovações, oportunidades e novos mercados. Em ambos os casos, a forma de se estimular a inovação também precisa ser renovada – principalmente nos países americanos. Pesquisa realizada pela Ernst & Young sobre empreendedorismo e inovação mostrou que, nos países do continente americano, a maioria aposta apenas na contratação de pessoas criativas. Em outras regiões, como Ásia, Europa, Oriente Médio, Índia e África, as empresas preferem desenvolver alianças com novos parceiros ou deslocar uma parte da equipe com foco em inovação. Outras soluções citadas pelo estudo são oferecer recompensa financeira como incentivo à criatividade e trabalhar com agências e firmas especializadas em inovação. É cada vez mais imperativo descentralizar o processo criativo e fazer com que ele alcance toda a instituição e os mercados regionais, não ficando estanque, por exemplo, apenas nos setores de pesquisa e desenvolvimento. A melhor maneira de uma empresa incentivar o pensamento criativo é investir em seus próprios colaboradores. Incentivar as pessoas a explorarem ideias que envolvam riscos e recompensas, mas com a segurança e o apoio de uma estrutura mais ampla e bem estabelecida, é a essência do que significa ser um empreendedor. Inovação e empreendedorismo dentro das organizações não deve ser um ato de altruísmo, mas uma sólida estratégia de negócios – algo vital ao sucesso da companhia. Um processo criativo conectado ao lucro colabora para que a empresa sustente sua trajetória de crescimento, mantenha vantagem competitiva e garanta seu próprio futuro.

“Quebrar velhos padrões de comportamento e inovar dentro de uma instituição não é fácil, sobretudo se ela for uma grande corporação.” Edição 271_Brazilian Business_37


artigos relacionados matéria de capa

O modelo de inovação da BG Damian Popolo, gerente de tecnologia da BG do Brasil

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e muitas maneiras, o Brasil tem a oportunidade de recepcionar a próxima geração de tecnologias para a exploração e a produção global no setor de petróleo, competindo com outros países, como Noruega e Reino Unido, que estabeleceram com sucesso uma economia fundamentada no conhecimento, baseada em descobertas significativas de petróleo e através de políticas adequadas e incentivo. Isso pode ser alcançado por meio de uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que esteja plenamente integrada a um plano de conteúdo local. A BG pretende agir como catalisadora desse processo ao construir no País o seu centro mundial de pesquisa para fornecer alta tecnologia, exercendo um papel significativo de suporte ao setor de petróleo e gás no mercado global. A decisão de escolher o Brasil para instalar a operação focal da companhia está baseada em três pilares. O compromisso com o Brasil Muitos dos desafios relacionados à produção e à futura exploração são específicos do país. O Brasil será responsável por, aproximadamente, um terço da produção global da BG em 2020. Portanto, é interesse da companhia estabelecer uma forte capacidade industrial, baseada na tecnologia, por toda a cadeia de suprimentos no Brasil, e a produção dos vastos recursos do pré-sal requer uma quantidade significativa de conteúdo local. Algo entre 80 e 90% do setor de P&D da empresa estará baseado no Brasil. Não seria exagerado afirmar que, nesse sentido, a BG depende do setor de ciência e tecnologia brasileiro. O sucesso nesta área e a qualidade da tecnologia resultante determinarão grande parte da sustentabilidade global da empresa no futuro. É, portanto, do interesse genuíno da empresa ver o país produzindo pesquisa de nível internacional. O modelo colaborativo da companhia O setor global de petróleo e gás estará cada vez mais dependente do conhecimento específico

e especializado, que não pode ser desenvolvido, detido e controlado por uma única empresa. A BG não se ocupa de pesquisa e desenvolvimento internos e trabalha com um modelo de P&D essencialmente colaborativo, com entrega de projetos de tecnologia a universidades, na criação de valor e na especialização dessas instituições no processo. É através desse modelo, testado e bem-sucedido, que se deseja operar no Brasil. A vantagem efetiva de qualquer inovação está na aplicação imediata da tecnologia, e não em sua posse. A atividade da BG não necessariamente cria e possui tecnologia. Ao invés disso, compreende a aplicação da tecnologia do modo mais rápido e eficiente possível. As vantagens da posse de tal tecnologia deveriam estar com aqueles que a criaram, ou seja, com nossos parceiros, entre eles universidades, pequenas e médias empresas e demais protagonistas do setor. Isso significa que temos uma atitude bastante flexível em relação à Propriedade Intelectual. Alcance global Uma economia baseada no conhecimento não pode ser construída com base apenas na demanda de tecnologia de um país ou na especialização nacional. Nossa experiência em países como o Reino Unido e a Noruega demonstrou que a especialização de nível internacional é necessária para se desenvolver uma base industrial competitiva por toda a cadeia. Quanto mais desafios globais relevantes as empresas puderem enfrentar, mais serão capazes de operar com base em oportunidades de grande valor agregado. Devido a sua natureza global, a BG está em uma posição ideal para trazer a excelência global para o Brasil, por meio de programas de mobilidade internacionais. Este modelo de parceria pode levar o Brasil para a vanguarda do setor. Por meio dele, serão estabelecidos empreendimentos de alta tecnologia no país capazes de fornecer serviços e tecnologias de nível internacional em uma base competitiva em qualquer lugar do mundo.

“A BG quer converter investimentos em pesquisa e desenvolvimento na criação de uma cadeia de suprimentos de alta tecnologia.” 38_Edição 271_set/out 2011

Inovar é fazer a diferença Rafael Veras, Gerente de Relações Públicas da Xerox do Brasil

“As projeções futuras são promissoras. Até 2014, 115 milhões de brasileiros devem ascender à classe C. Inovar nunca foi tão importante para fazer a diferença.”

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ma análise aprofundada dos maiores eventos econômicos da civilização mercantilizada evidencia o destaque que o tema inovação sempre teve na criação de vantagens competitivas em qualquer lugar do planeta. Hoje, mais do que nunca, as organizações continuam se propondo a destacar seus produtos frente a um cenário de constante busca pela diferenciação. Pensar a inovação não é uma coisa tão fácil quanto parece. Requer dedicação contínua ao desenvolvimento de ambientes mais propícios ao surgimento da inovação e da competitividade. Nem todos conseguem. Há uma nova e evidente realidade sociocultural ávida por realizar seus sonhos, não apenas pelo nível de renda, que dá acesso a bens de consumo até então inatingíveis, mas porque esses bens têm, da mesma forma, aproximado do público tecnologias desejadas e cada vez mais baratas. TV LED ou LCD, câmeras digitais, celulares, iPad, iPod, impressoras: a nova classe média tem hoje à disposição equipamentos de boa qualidade e padrão internacional a preços mais acessíveis. No que se refere a produtos eletrônicos, sonho de consumo da nova classe média, os preços têm caído por uma série de razões, que vão desde o barateamento dos componentes, decorrente da massificação, até a maior concorrência, maior nível de nacionalização (com manufatura local), estabilização da economia e do câmbio frente ao real, entre outros aspectos. Hoje não há mais um único setor produtor de bens de consumo que atue sozinho em seu segmento, como acontecia no passado. Esse contexto, aliado ao aumento da renda e um nível de confiança muito alto na economia nacional, favorece o fortalecimento do mercado de consumo que, entre outros fatores, ajuda a deslocar o país da nuvem de pessimismo que tem contaminado as economias do hemisfério norte nos últimos meses. O mercado brasileiro segue aberto ao consumo e, em especial, àquele formado por uma nova classe média, que lutou muito para conquistar essa mobilidade social – e até por esse motivo valoriza cada centavo do dinheiro que vai gastar e não abre mão de qualidade e inovação. Os fatores de influência podem ser muitos, mas o fato é que, nos últimos dez anos, mais de 30 milhões de pessoas ingressaram no mercado de consumo no Brasil, ampliando em 48% a chamada classe C em todo o território nacional. Com esse crescimento, essa nova classe de consumo chega a mais de 103 milhões de pessoas em todo o país, de acordo com os dados da última Pesquisa de Amostra Domiciliar (Pnad), realizada pelo IBGE. Se os números já são grandiosos o suficiente para dar uma ideia do tamanho das oportunidades que se apresentam para quem desenvolve produtos de consumo – agora mais acessíveis ao bolso do trabalhador –, vale lembrar que as projeções futuras são ainda mais promissoras, apontando uma expansão continuada que formará um contingente de 115 milhões de pessoas nessa classe de consumo até 2014, considerando as atuais taxas de crescimento. Há muito que aprender com esse novo contingente de consumidores, mas a primeira lição é que inovar nunca foi tão importante para fazer a diferença. É hora de inovar e apostar nesse diferencial para não se arrepender depois. Edição 271_Brazilian Business_39


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Urbes inteligentes respondem melhor aos desafios dos novos tempos

Design Thinking: ferramenta essencial para inovação nos negócios

Pedro Almeida, Diretor de Cidades Inteligentes da IBM Brasil

Maurício Vianna, Partner/diretor da MJV Tecnologia e Inovação

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s avanços tecnológicos são sempre precursores de grandes progressos econômicos e sociais. Em seus 100 anos de vida, completados este ano, a IBM testemunhou e participou de vários desses progressos. Hoje, a tecnologia está mais que presente no dia a dia das pessoas, mas a boa notícia é que ela começa a chegar à administração pública, tornando mais inteligente o gerenciamento de uma cidade e, ao mesmo tempo, trazendo melhorias importantes à vida da população. Assim nascem as “cidades inteligentes”. Mais da metade da população do planeta vive hoje nas cidades e a previsão é que a população urbana dobre de tamanho até a metade do século. Cada cidade é única, mas seus líderes enfrentam problemas similares – dos quais a maior parte demanda criatividade excepcional e inovação. Além disso, pressões econômicas reduzem a disponibilidade de recursos necessários para que as administrações públicas ofereçam os melhores serviços. Assim, a competição global por recursos, energia e talentos exige que os líderes municipais façam mais com menos. A ineficiência é um dos maiores entraves para o crescimento. Hoje, mais da metade dos alimentos produzidos no mundo não

chega ao consumidor porque acabam danificados durante o transporte, manuseio e armazenamento. Mais de 35% da água utilizada a cada ano na agricultura é perdida. Só nos Estados Unidos são desperdiçados aproximadamente 2,3 bilhões de barris de petróleo por ano por conta de congestionamentos, volume que poderia satisfazer as necessidades de petróleo da Alemanha e da Holanda durante dois anos. A energia elétrica desperdiçada no Brasil poderia atender 17 milhões de brasileiros por ano. Em São Paulo, o congestionamento do trânsito gera um custo anual de mais de R$ 18 bilhões para os cofres públicos. A adoção da tecnologia pode ajudar a resolver esse quadro ao integrar dados de diversas entidades públicas e a antever problemas como enchentes, congestionamentos e deslizamentos de terra, agilizando a tomada de decisões. Já temos hoje condições de evitar desperdícios e aumentar a produtividade com a aplicação da tecnologia e o uso de inteligência em sua gestão. A tecnologia é, claramente, um facilitador na proposição de ideias inovadoras. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma parceria entre a Prefeitura e a IBM permitiu

“A tecnologia é um facilitador na proposição de ideias inovadoras e ações que ajudem a construir um planeta com menos desperdícios e mais produtividade.”

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que a cidade ganhasse, em dezembro passado, um centro de gerenciamento de informações públicas de todo o município. O Centro de Operações Rio, localizado no bairro de Cidade Nova, interconecta informações de diversos órgãos públicos do município para melhorar a capacidade de resposta da Prefeitura em relação a vários tipos de incidentes, como enchentes e deslizamentos. O acordo entre IBM e Prefeitura também prevê o desenvolvimento de um pioneiro sistema de Previsão de Meteorologia de Alta Resolução, que pode prever chuvas fortes com até 48 horas de antecedência, solução até então inédita. Nas cidades que implantaram soluções de gerenciamento de congestionamentos, o volume de tráfego durante os períodos de pico foi reduzido em até 18%, as emissões de CO2 caíram aproximadamente 14% e a opção pelo transporte público aumentou em cerca de 10%. Em um estudo com 439 cidades, aquelas que utilizaram soluções para reduzir congestionamentos, com implantação de sensores, monitoramento e gestão do trânsito, tiveram os atrasos em viagens reduzidos em mais de 700 mil horas por ano. Em Nova York, a taxa de criminalidade caiu 27% com o uso de soluções de análise de informação em tempo real. A polícia polonesa aumentou os índices de apreensão em 66% após ter acesso remoto à base de dados da União Europeia. Em qualquer cidade, redes informatizadas são capazes de gerenciar automaticamente a distribuição de eletricidade e reduzir o pico de demanda de energia em 15%. É um trabalho feito a muitas mãos, com esforço do poder público, das empresas privadas e também da população. Precisamos reverter o cenário atual, em que mais de um quarto do PIB mundial está sendo dizimado pelas ineficiências dos sistemas e de suas conexões. Hoje, com a tecnologia, estamos prontos para atingir esse novo nível de desenvolvimento. É hora de utilizarmos essa força em prol não apenas do planeta, mas também de nós mesmos.

o futebol, quando o time está prestes a ser rebaixado, o lema é: “vencer ou vencer”. No mercado globalizado, em que existem concorrência e competição, empresas líderes do seu segmento ou seguidoras se encontram em situação semelhante – só possuem duas opções para os seus negócios: inovar ou inovar. As que investem constantemente em inovação lideram o seu mercado e conseguem se diferenciar de tal forma que os concorrentes têm muita dificuldade em alcançá-las. Um exemplo recente aconteceu entre a Apple e a HP no mercado de tablets. A Apple, empresa considerada a mais inovadora do mundo (FastCo 2011), inovou e lançou o iPad, um sucesso absoluto de vendas. A HP, por sua vez, líder no segmento de impressoras, mas seguidora em tablets, tentou lançar o produto HP TouchPad, mas não obteve sucesso e em menos de um mês sua produção foi descontinuada. Muitas empresas que se posicionam como seguidoras optam por esperar o movimento da concorrência. O problema dessa estratégia é que, mais cedo ou mais tarde, as seguidoras têm de investir em inovação para alcançar o mesmo patamar de serviço ou produto das inovadoras, mas pode ser tarde. Então, por que não inovar logo de uma vez? Entre as empresas que já despertaram para essa necessidade, o problema é que, tradicionalmente, elas se baseiam em banco de ideias, abordagem que vem se mostrando ineficiente na maioria das empresas devido à dificuldade de manter o interesse e a participação dos funcionários. Com isso, muitas ideias acabam abandonadas ou, quando implementadas, mostram-se descasadas das necessidades do cliente.

“Como inovar, criando produtos e serviços que vão ao encontro das necessidades percebidas ou desconhecidas dos clientes? A resposta é: pensar sob a ótica deles. É o que ensina o método Design Thinking.”

Como, então, inovar, criando produtos e serviços que vão ao encontro das necessidades percebidas ou desconhecidas dos clientes? A fórmula para essa questão é pensar sob a ótica deles. É o que ensina o método norte-americano Design Thinking, que pode ser usado por companhias de pequeno, médio ou grande porte. Desenvolvido pela Universidade Stanford, na Califórnia, a metodologia tem como objetivo principal pensar em produtos e serviços com a “cabeça” do consumidor, realizar imersão no seu contexto, gerar ideias, prototipar, testar a aceitação em campo de diversas possibilidades e, a partir daí, propor soluções inovadoras e mais adequadas aos reais desejos do usuário. No Brasil, bancos, seguradoras, empresas de telecomunicações, de energia, estatais, indústrias, comércio e consultorias já estão testando o Design Thinking na geração de soluções inovadoras para seus clientes. Conceitos norteadores do Design Thinking: a) Projeto centrado no usuário: produtos e serviços são projetados pensando no cliente, utilizando o seu feedback constantemente; b) Experimentação e prototipação: um protótipo não serve apenas para validar uma ideia, mas é parte central no processo de inovação. Construímos para pensar e aprender;

c) Um viés de ação: apesar de derivar da palavra pensamento (thinking, em inglês), o método é prático. O objetivo é agir e construir o quanto antes;

d) Mostre, não fale: criar experiências e histórias, usando técnicas de visualização, são as chaves para o sucesso de um projeto inovador; e) Poder da iteração: iterar várias vezes entre imersão, ideação e prototipação é o segredo para a construção de soluções inovadoras. Com a chegada das redes sociais e a inclusão digital pelo celular – hoje, no Brasil, são mais de 210 milhões de celulares –, o consumidor passou a expressar sua opinião para as pessoas do seu relacionamento, e qualquer comentário negativo tem uma repercussão enorme, manchando a imagem da empresa. Observar esse comportamento e a relação dessas informações com a empresa, monitorando esses meios de comunicação, é fundamental nos dias de hoje. Nesse contexto, o Design Thinking torna-se o método mais transparente de comunicação entre empresas e clientes. Portanto, veremos, gradativamente, mais especialistas debatendo esse conceito e acompanharemos como os consumidores estarão mais presentes nas etapas de criação, desenvolvimento e aprimoramento de produtos e de serviços. Acreditamos que inovação é o caminho para o desenvolvimento do Brasil. Inova, Brasil! Edição 271_Brazilian Business_41


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Brazil Energy and Power: matriz energética brasileira é tema de conferência em Houston Por Andréa Blum, de Houston

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A diretora da ANP, Magda Chambriard, na abertura do evento

fotos George Gomes

Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham RJ-ES) realizou, nos dias 29 e 30 de agosto, em Houston, no Texas (EUA), a 9ª edição da Conferência Internacional Brazil Energy and Power (BEP), que reuniu os principais atores do setor de energia e gás, com palestras de lideranças brasileiras do setor sobre petróleo, gás e pré-sal – com representações de empresas, órgãos públicos e instituições acadêmicas –, para apresentar ao mercado internacional as oportunidades e desafios da matriz energética brasileira. A mensagem transmitida por todos os palestrantes foi unânime: o Rio de Janeiro atravessa um momento mágico para o setor, com descobertas, perspectivas, investimentos e incentivos espetaculares que se desdobrarão nos próximos anos. Para o presidente da Amcham Rio, Henrique Rzezinski, o Rio de Janeiro vive um momento de ouro, com pesquisas e investimentos em inovação e tecnologia que irão transformar o setor e responder por um forte crescimento da economia. O painel de abertura, intitulado “O setor de petróleo e gás brasileiro: destaque e oportunidades”, contou com a apresentação da diretora da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, que deu um panorama sobre a situação do setor e destacou o pré-sal como um novo paradigma, com expressivas perspectivas e oportunidades de negócios aos investidores, enfatizando ser o Brasil uma “janela de oportunidades” para investimentos. O segundo painel, “Pré-sal: Estágios atuais dos projetos de desenvolvimento e desafios tecnológicos”, contou com as apresentações do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia, Ronaldo Mota, e do gerente de Planejamento do Pré-sal da Petrobras, Mauro Yuji Hayashi, com moderação da diretora de Comunicação da BG do Brasil, Maria Luiza Paiva Pereira Soares. Segundo Mota, é preciso sensibilizar a comunidade científica para pensar em atender às demandas locais. “Sem ciência não há inovação, mas só a ciência não garante inovação”, enfatizou. Hayashi trouxe ao debate as perspectivas dessa recente fonte de energia, uma promessa, segundo ele, de desenvolvimento para o Brasil. “A produção de pré-sal não é mais um sonho. Já desenvolvemos tecnologia e consolidamos resultados extraordinários. Cerca de 90% das áreas de pré-sal no Brasil ainda não são exploradas. Há muito potencial para o Brasil”, disse Hayashi. Em seguida, o diretor do Departamento de Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente, Volney Zanardi Júnior, trouxe a perspectiva do governo federal sobre os próximos desafios regulatórios no licenciamento ambiental para a exploração offshore de petróleo e gás. No terceiro painel, “Novas tecnologias para a produção de petróleo e a realidade brasileira”, a gerente geral de Gás, Energia e Desenvolvimento Sustentável (Cenpes/Petrobras), Viviana Coelho; o diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe-UFRJ, professor Segen Farid Estefen; e o vice-

Da esq. para a dir., Ronaldo Mota, do Ministério de Ciência e Tecnologia, Maria Luiza Soares, da BG, e Mauro Yuji Hayashi, da Petrobras

presidente de Desenvolvimento de Negócios da Cameron International, Mark Carter, abordaram projetos inovadores que estão em processo de implementação no Brasil para o setor de petróleo e gás. Para fechar o primeiro dia da conferência, o gerente de Combustíveis da General Electric, Jim DiCampli, e a gerente geral de Gás, Energia e Desenvolvimento Sustentável (Cenpes/ Petrobras), Viviana Coelho, abordaram as contribuições das empresas em sustentabilidade e responsabilidade social no painel “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”. O segundo dia de evento, 30 de agosto, começou com uma exposição do ministro conselheiro Ernesto Araújo, chefe do departamento de Desenvolvimento Econômico,

Energia e Meio Ambiente, que resumiu para a plateia os principais pontos que, segundo ele, fizeram do Brasil uma excelente aposta para o setor no cenário mundial. “O Brasil está fazendo diferença por conta da visão e do desenvolvimento científico e tecnológico, pela estabilidade e eficiência econômicas e pela criação de empreendimentos, parques tecnológicos e postos de trabalho”, disse Araújo. Para o painel de abertura “Conteúdo local: barreiras e oportunidades no mercado brasileiro” estiveram presentes o superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo, Bruno Musso; o coordenador de Conteúdo Local da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Marcelo Mafra Borges de Macedo; e o diretor

do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Roberto Zurli Machado. A mesa teve a mediação do sócio da PricewaterhouseCoopers, Marcos Donizete Panassol. O segundo painel teve dois grandes expoentes do Rio de Janeiro em termos de inovação. O diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, Maurício Guedes, e o diretor executivo da agência de investimentos do Rio de Janeiro, a Rio Negócios, Marcelo Haddad. Em “Rio de Janeiro: o hub do petróleo no Brasil” ficou evidente a pujança em termos de investimentos e presença de centros de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas na cidade, num espaço de facilitação entre universidade, poder público e empresas para o crescimento de todo o mercado. “Mais de 50 empresas já foram criadas na incubadora da Coppe-UFRJ, sendo que 40% destas estão no setor de óleo e gás. Mais empresas vão se instalar no site, como Backer Hughes, Halliburton, Valourec, Siemens, BG Group, EMC e GE Global Research Center, e estamos viabilizando um terreno para 2012, disse Guedes. Haddad apresentou o portfólio de ações estratégicas da Rio

Da esq. para a dir., Jim DiCampli, Ernesto Araújo, Maurício Guedes, Marcelo Haddad e Henrique Rzezinski

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Da esq. para a dir., Mark Carter, da Cameron, Segen Farid Estefen, da Coppe-UFRJ, Jorge Alcaide, da Wärtsilä, e Viviana Coelho, do Cenpes/Petrobras

Negócios e destacou que a agência já atraiu, em pouco mais de um ano, mais de 260 empresas, trazendo para a cidade 1,2 bilhão de dólares em investimentos. O terceiro painel do segundo dia de evento, “Investimentos e oportunidades do setor de óleo e gás no governo do Rio Grande do Sul”, começou com a apresentação do presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Marcus Coester, que, após apresentar o perfil e características do Estado ao público, majoritariamente composto por executivos norte-americanos do setor, reforçou a importância do RS como polo da indústria de exploração de petróleo offshore. “O Rio Grande do Sul é o segundo maior hub no Brasil em petróleo offshore, com estrutura de produção industrial, centros de produção e pesquisa e capacidade de competição, principalmente com o advento do pré-sal, prioridade número um para o desenvolvimento”, enfatizou. Em seguida, o coordenador do Comitê de Oléo e Gás da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Oscar de Azevedo, fez uma exposição sobre as capacidades e a agenda do Estado, encorajando parcerias com empresas internacionais em busca de novos mercados e desenvolvimento de tecnologias. Para encerrar o segundo e último dia da conferência, o coordenador executivo do  Programa Nacional de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural da Petrobras, José Renato Ferreira de Almeida, apresentou o Prominp. Para fechar, o presidente da Amcham Rio, Henrique Rzezinski, finalizou o evento dizendo: “Esperamos que esse evento caminhe no sentido de avançar a agenda do Brasil em óleo e gás. Tenho uma forte convicção de que os pontos endereçados aqui, como conteúdo 44_Edição 271_set/out 2011

local, tecnologia, inovação e responsabilidade social, são críticos para o sucesso do Brasil como uma opção sustentável e economicamente competitiva de sucesso e por uma sociedade mais justa”, enfatizou. O Brazil Energy and Power teve como patrocinador ouro a BG do Brasil; patrocinadores prata a Atlantic Visa e a PricewaterhouseCoopers; patrocinadores bronze AECOM, MXM Sistemas, Schlumberger e Wärtsila; como companhia aérea oficial a American Airlines; o Apoio Institucional da Rio Negócios; e o Apoio de Mídia da Upstream. 

Bruno Musso, da ONIT, Marcos Panassol, da PwC, e Marcelo Mafra, da ANP

Sobre a Brazil Energy and Power A 9ª edição da conferência “Brazil Energy and Power” é uma realização da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham RJ-ES), em parceria com a Brazil-Texas Chamber of Commerce, e aconteceu nos dias 29 e 30 de agosto de 2011, no Hilton Houston Oak Post Hotel, em Houston, nos Estados Unidos.

áreas de atuação

Pratice Areas

Direito Administr ativo, Regul aç ão e Infr aestrutur a

A d mi ni s t ra t i ve , Regula t ion and Infra s t r uc t ur e L a w

Direito S ociet ário

C or pora te L a w

M erc ado Financeiro e de Capit ais

F i nanc ia l and C a pi t a l M ar ket s

Direito d a Concorrência

C ompet i t ion L a w

Direito d a E nergia

E ner g y L a w

Direito Tribut ário

Ta x L a w

Contencioso Judicial, Administr ativo e Arbitr age m

J ud i c ia l and Ad mi ni s t ra t i ve L i t iga t ion and A r bi t ra t ion

Contr atos

C ont rac t s

Direito Imobiliário

Rea l E s t a te L a w

Direito do Tr ab alho

L abor L a w

Direito Previdenciário

So c ia l Se cur i t y L a w

Direito A mbient al

E nv ir onment a l L a w

Direito E leitor al

E le c t ion L a w

Propried ade Intelec tu al

Inte l le c t ua l Pr o per t y

Direito Internacional

Inter na t iona l L a w

Volney Zanardi Júnior, Ricardo Peduzzi, Marcus Coester, Oscar de Azevedo e José Renato Ferreira de Almeida

Rua Dias Ferreira 190, 7º andar – Leblon – Rio de Janeiro – RJ – 22431-050 Rua Sete de Setembro 99, 18º andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ – 20050-005 T 55 21 3543.6100 – F 55 21 2507.0640 – clcmra.com.br


diálogos

Liderança baseada em valores Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Gestão de Ativos Intangíveis. Professor e coordenador do Mestrado Executivo em Gestão Empresarial da Fundação Getulio Vargas

46_Edição 271_set/out 2011

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uitos executivos e estudiosos das organizações concordam que as empresas passam por uma profunda crise de motivação e sentido para o trabalho. Atualmente, um dos dilemas mais relevantes na vida corporativa é a construção de vínculos de confiança nas relações de trabalho que se traduzam em cooperação espontânea e motivação, tarefa que geralmente é atribuída aos líderes. Mas, antes de ser um dilema das empresas, esse é certamente um dilema da sociedade contemporânea. Vivemos atualmente em uma sociedade mais individualista e egoísta, portanto, de vínculos mais frágeis (nas relações de trabalho, casamentos e amizades). A vida moderna propiciou maior independência, mas também isolamento social. Na esfera do mundo do trabalho, relações menos dependentes eliminaram os acordos bilaterais de lealdade e fidelidade eterna. A perspectiva das relações de curto prazo ameaça o sentimento de responsabilidade em relação à tarefa e ao comprometimento efetivo com resultados coletivos e, consequentemente, reduz a possibilidade de se construir um padrão de excelência para a entrega de valor. Organizações que conseguem criar um forte sentimento de pertencimento e significado para a execução das tarefas ordinárias adquirem um capital social, que é precondição fundamental para o surgimento de um diferencial competitivo. O papel da liderança, portanto, não pode ser compreendido somente como uma qualidade pessoal ou como atributos de indivíduos específicos, mas como caminhos construídos coletivamente que abrem espaço para o novo. Ela pode ser criada pela excelência da governança de uma organização ou por meio da qualidade do pacto ético estabelecido entre as pessoas, com o qual se criam processos coerentes e bem estruturados, que, uma vez implementado por um corpo técnico competente, cria vínculos em que há forte percepção de justiça, significado, motivação para o trabalho e entusiasmo. A percepção da relevância da liderança “As empresas passam baseada em valores aumentou recentemenpor uma profunda te quando os danos da meritocracia financrise de motivação e ceira que premia resultados de curto prazo, descomprometidos com a qualidade do sentido para o trabalho.” trabalho e com a perenidade das empresas, se fizeram sentir em toda a sua força. Esse fato despertou a necessidade de se encontrar o elemento, o mecanismo ou o processo que constrói, que desperta virtudes e ressignifica o trabalho coletivo. A liderança baseada em valores é exatamente o elo perdido das organizações contemporâneas, que deparam com o vazio produzido pelas novas configurações sociais e uma economia baseada em demandas de curto prazo, quebra de confiança e pelo predomínio de trocas de interesses. O líder que age baseado em valores é aquele que enxerga outras possibilidades e cria espaços de sentido, ética, realização e excelência em que a maioria das pessoas só enxerga espaços para pressão por resultados e redução de custos. É o indivíduo que, dizendo não ao fatalismo, à complacência e ao pessimismo, encontra espaços para a mobilização das pessoas na construção das alternativas possíveis e necessárias.

*BrandAnalytcs e Millward Brown.

Marco Tulio Zanini


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Copa do Mundo e Jogos Olímpicos devem trazer ao Brasil R$ 53 bilhões em investimentos privados

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fotos Luciana Areas

Da esq. para a dir., Michel Davidovich, da Coca-Cola, Hazem Galal, da PwC, Michael Charlton, ex-CEO da Think London, Maggie Sanchez, da Rio 2016, e Marcelo Haddad, da Rio Negócios 48_Edição 271_set/out 2011

om auditório da Bolsa do Rio lotado, a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham RJ-ES), por meio do Comitê de Marketing, e a Rio Negócios realizaram, em julho, o evento “Copa 2014 e Olimpíadas 2016: uma década de oportunidades para o Rio de Janeiro” para discutir as oportunidades de negócios que serão motivadas pelos grandes eventos esportivos e movimentarão a cidade nos próximos anos. Em formato de talk show, quatro importantes executivos ligados à realização dos jogos fizeram apresentações iniciais, que foram seguidas de perguntas do mediador e do público: o atual diretor internacional da agência de investimentos Rio Negócios e ex-CEO da Think London, agência de promoções de investimentos de Londres e inspiração para a experiência carioca, Michael Charlton; a diretora comercial do Comitê Organizador Rio 2016, Maggie Sanchez; o sócio e Líder Global para Cidades e Governo Local da PricewaterhouseCoopers, Hazem Galal; e o diretor geral para Copa do Mundo FIFA 2014 e Olimpíadas 2016 da Coca-Cola Brasil, Michel Davidovich. O diretor executivo da Rio Negócios, Marcelo Haddad, mediou o debate.

Expoentes de empresas internacionais e órgãos responsáveis por megaeventos esportivos no Brasil debateram, em evento realizado pela Amcham Rio e a agência de investimentos Rio Negócios, oportunidades para as empresas e compartilharam experiências de outros países Por Andréa Blum

Para Michael Charlton, as Olimpíadas de Londres foram um enorme catalisador para atrair e reter, de forma acelerada, investimentos para a cidade. “Queremos aproveitar os megaeventos, que são portas abertas em termos de oportunidades, para transformar o Rio de Janeiro em um centro internacional de negócios. O trabalho da Rio Negócios é fazer com que os investidores percebam a oferta de chances que tomarão conta da cidade e facilitar o diálogo entre empresas e lideranças públicas”, disse. Sobre o legado para o Rio, Charlton destacou a importância da sustentabilidade. “Os investimentos precisam sobreviver aos jogos. É preciso garantir que os postos de trabalho criados por conta dos eventos e as mudanças em infraestrutura e serviços sejam perenes”, afirmou. Sob o ponto de vista do Comitê Organizador Rio 2016, a diretora comercial, Maggie Sanchez, falou entusiasmada sobre os valores que pautam o planejamento da Rio 2016, destacando três elementos-chave para a realização dos jogos: amizade, respeito e excelência. Para os potenciais investidores, Maggie trouxe números que expressam a força dos jogos em termos de oportunidade. “Serão 44 campeonatos mundiais em 17 dias; 31 mil jornalistas, 200 mil voluntários, 11 mil atletas de mais de 200 países, 6,1 mil veículos de mídia transmitindo notícias para 21 países e uma expectativa de vendas de 6,5 milhões de ingressos”, afirmou. “É o momento potencial para transformar marcas e negócios”, completou a diretora. Edição 271_Brazilian Business_49


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O sócio e Líder Global para Cidades e Governo Local da PricewaterhouseCoopers, Hazem Galal, enfatizou que tais eventos esportivos devem fazer parte de um plano de desenvolvimento econômico e social sustentável de longo prazo. “Não adianta simplesmente tentar fazer um esforço para melhorar a imagem e a infraestrutura da cidade sem encaixar esses eventos numa abordagem mais abrangente para o seu desenvolvimento sustentável”, disse. “Todos os problemas do município não serão resolvidos em cinco anos. Precisamos pensar num plano que permita ao Rio de Janeiro vislumbrar crescimento em longo prazo”, afirmou. Segundo dados de um estudo da PwC, encomendado pela Rio Negócios e divulgado durante o evento, o Rio de Janeiro deve receber, segundo Galal, R$ 53,2 bilhões em investimentos privados ligados à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, volume superior aos recursos movimentados por outras cidades-sedes de eventos esportivos, e gerar mais de 90 mil empregos. “Temos que usar esses eventos esportivos para dar um salto em alguns setores da economia brasileira que estão muito atrasados, como infraestrutura, e temos a chance de redefinir setores como o turismo”, acrescentou. “Nossa projeção é que o Brasil ocupe, em 2030, a quinta posição no PIB mundial”, enfatizou Galal. Um dos patrocinadores mais antigos das Olimpíadas, a Coca-Cola, esteve representada no evento pelo diretor geral para a Copa do Mundo FIFA 2014 e Olimpíadas 2016 da Coca-Cola Brasil, Michel Davidovich. Ele enfatizou o potencial de valorização da marca ao se aliar a esses eventos. “A marca que conseguir estar nesses eventos certamente vai conquistar uma presença de longo prazo nos corações e mentes dos consumidores”, enfatizou. Para Maggie, muitas multinacionais já com operações no Brasil estão entusiasmadas com as possibilidades futuras e já têm planos de aumentar seus investimentos no País. Em termos de retorno, ela afirmou que as empresas entendem que introduzir um novo projeto ou produto na época dos jogos é uma oportunidade potencial. “É uma chance extraordinária para investidores exporem suas marcas e atingir seus consumidores mundialmente”, destacou. Ela trouxe um exemplo de uma empresa, cujo nome não foi revelado, que disse ter planos de realizar três ações ligadas à marca na 50_Edição 271_set/out 2011

“O legado é fruto de um esforço coletivo e depende da parceria com empresas privadas e lideranças públicas para conseguir endereçar os investimentos e as melhores práticas”, Maggie Sanchez

“Nossa projeção é que o Brasil ocupe, em 2030, a quinta posição no PIB mundial”, Hazem Galal

o futuro em números

“A marca que conseguir estar nesses eventos certamente vai conquistar uma presença de longo prazo nos corações e mentes dos consumidores”, Michel Davidovich

O Rio de Janeiro deve receber R$ 53 bilhões em investimentos privados ligados à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, volume superior aos recursos movimentados por outras cidades-sedes de eventos esportivos, e gerar mais de 90 mil empregos. Os dados fazem parte do estudo da PwC, divulgado durante o evento e encomendado pela Rio Negócios. A agência já atraiu, em pouco mais de um ano, mais de 260 empresas, trazendo para a cidade 1,2 bilhão de dólares em investimentos, com a geração de 2,5 mil empregos até 2015.

“Os investimentos precisam sobreviver aos jogos”, Michael Charlton

época dos Jogos Olímpicos – e já está se preparando para isso. A corporação pretende lançar uma nova linha de produtos, se reposicionar e se tornar uma paixão dos consumidores brasileiros. Sobre o legado, Galal disse que os investimentos em mobilidade urbana que estão sendo feitos no Rio de Janeiro e a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) já serão legados para a população e também agregam valor à cidade, atraindo mais investimentos, negócios, turismo e talentos. Porém, é uma ocasião que, além de oportunidades, pode gerar casos críticos. “Se os projetos não forem gerenciados de maneira adequada e não cumprirem com os prazos de realização, eventos deste porte podem se tornar uma ameaça à imagem da cidade e do País”, alertou. Para o executivo da PwC, o desafio existe, mas não é impossível de ser cumprido. “Precisamos tomar medidas decisivas e rápidas, mas o Brasil tem condições de construir a infraestrutura necessária e haverá investimentos para tal. A cidade de Barcelona recebeu 8 bilhões de dólares enquanto o Catar vai receber, em 2022, cerca de

fotos Luciana Areas

70 bilhões de dólares, patamar similar ao que será vivenciado pelo Brasil, considerando Copa e Olimpíadas”, afirmou Galal. Sobre outros eventos bem-sucedidos, Maggie Sanchez destacou a meta da Rio 2016. “Nossa inspiração é a experiência de Barcelona, que foi transformada pelos jogos, não apenas no turismo, mas também por ter se tornado uma referência para a área de negócios. Estamos nos planejando para garantir um legado duradouro para o Rio de Janeiro, mas será um esforço coletivo e dependente da parceria com empresas privadas e lideranças públicas para conseguir endereçar os investimentos e as melhores práticas”, afirmou. Para ilustrar o ânimo dos brasileiros em receber as Olimpíadas, a executiva mostrou números de uma pesquisa realizada, em 2010, pelo Comitê Organizador Rio 2016, sobre a percepção dos moradores da cidade. “75% da população do Rio de Janeiro acreditam que o impacto das Olimpíadas será positivo”. Galal encerrou sua exposição destacando a importância do projeto de longo prazo. “Esses eventos são uma etapa para transformar

a cidade e usá-la, posteriormente, como um piloto para o crescimento do País inteiro. É preciso aproveitar este momento em que todo mundo quer estar no Brasil e melhorar as condições para um legado sustentável”, disse. Para Michael Charlton, que à época do evento tinha ingressado na Rio Negócios quatro meses antes, a agência tem total clareza da força de uma retomada de investimentos para a cidade e, por isso, seus executivos estão perseguindo essas contribuições para estruturar a cidade. A Coca-Cola acredita nesse potencial e está aumentando seus investimentos no País. Segundo Davidovich, entre 2010 e 2014, a multinacional pretende dedicar R$ 6 bilhões as suas operações no país, quase o dobro do volume aplicado no Brasil entre 2005 e 2009 – de R$ 3,5 bilhões. “O desafio agora é transformar intenção em ação para aprimorar a cidade e o País”, finalizou o executivo. O evento teve o patrocínio da PwC e apoio do Mundo do Marketing, Casa da Criação e Bolsa do Rio. Edição 271_Brazilian Business_51


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Transição para a neutralidade fiscal Como as mudanças recentes no sistema tributário brasileiro impactam as empresas

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fotos Luciana Areas

ara ajudar a implantar no Brasil o Regime Tributário de Transição (RTT), uma nova ordem contábil aprovada em 2008 e inspirada em normas internacionais, foi aprovada a medida provisória 449, que garante a neutralidade fiscal, movimento que criou uma alta expectativa nas empresas. Apesar dos esforços dos órgãos públicos em tornar a mudança fácil, a preocupação com os ajustes fiscais e contábeis ainda gera muitas dúvidas e controvérsias. O assunto foi tema do evento “Tax Friday: o real alcance na neutralidade fiscal”, realizado pelo Comitê de Assuntos Jurídicos da Amcham Rio, que teve como palestrante o sócio da KPMG, Roberto Haddad, ao lado de dois debatedores, o coordenador geral de Fiscalização da Receita Federal, Ricardo de Souza Moreira; e o professor emérito da FEA/USP, Eliseu Martins; e, como moderador, um dos diretores da Câmara, Manuel Fernandes de Souza. “O impacto é significativo, porque, no Brasil, contábil e fiscal andam juntos, ao contrário de outros países. É [a mudança] mais relevante no sistema tributário brasileiro das últimas três décadas”, disse, referindo-se ao descolamento entre a apuração fiscal e a apuração contábil. Ricardo Moreira explicou como se deu o processo: “A ordem era criar a neutralidade em dois dias, o que era impossível. O regime de transição foi uma estratégia para que todos pudessem se adaptar”, destacou o coordenador geral da Receita Federal. “Não queremos criar mais um imposto, mas um cenário de mudança para atingirmos uma adaptação tranquila ao modelo internacional de tributação”, explicou. Segundo Haddad, três pontos são primordiais para entender as controvérsias: ágio, “O impacto é significativo, juros sobre capital próprio e depreciação. “As porque, no Brasil, contábil mudanças contábeis são muito significativas e e fiscal andam juntos, os impactos fiscais também podem ser, mesao contrário de outros mo com a existência de uma norma geral que busca a neutralidade. Em termos práticos, a países”, disse Haddad neutralidade pode não ser tão neutra assim e é necessário um conhecimento profundo das novas regras contábeis para uma boa avaliação dos impactos fiscais”, expôs Haddad. O professor Eliseu Martins se posicionou favorável às medidas cautelosas da Receita em facilitar a aplicação da nova lei: “É lógico que há divergências, mas temos que aplaudir a Receita Federal por essa mudança de comportamento no sentido de garantir a neutralidade”. No entanto, Martins criticou o processo. “A nova norma contábil não tem como ter efeito fiscal imediato. Tudo o que foi feito para garantir adaptabilidade às empresas ainda vai gerar problemas no futuro”, sentenciou. O evento teve o patrocínio da Dannemann Siemsen Advogados.

Roberto Haddad, sócio da KPMG e palestrante do evento

Um dos debatedores, o professor da FEA/USP Eliseu Martins 52_Edição 271_set/out 2011


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Melhoria de processos ajudam empresas a lucrar Especialistas em BPM defendem adoção do sistema como forma de reduzir custos e ganhar agilidade nos procedimentos empresariais uando as etapas produtivas de um negócio passam a ser interligadas e todo e qualquer processo consegue ser monitorado por gestores e funcionários, o resultado final não pode ser diferente: faturamento maior e custos menores. Esse é o objetivo de uma ferramenta largamente utilizada por empresas de diferentes setores no mundo inteiro. Trata-se do Business Process Management (BPM), que de tão necessário virou tema do seminário “Business Process Management: agilidade e diferencial nos negócios”, promovido pela Amcham Rio, em parceria com a IBM, Lumina, HabberTec e V&B Officeware, em agosto, no centro do Rio. Para debater o tema, foram convidados o gerente de vendas de software WebSphere da IBM, James Zisblat; o delegado regional da Association of Business Process Management Professionals do Brasil (ABPMP Brasil), Luiz Antonio Ramos Pereira; o sócio-diretor da HabberTec, Leonardo Vieiralves Azevedo; o BPM Specialist da Lumina, Luiz Fernando Cossi; e o diretor-geral da V&B Officeware, Alexandre Melo. James Zisblat, da IBM, abriu o ciclo de palestras apresentando o sistema de Gestão de Processos de Negócios (em inglês,  Business Process Management) da companhia, que, segundo ele, ajuda as organizações a otimizar o desempenho de seus negócios através da descoberta, documentação, automatização e melhoria contínua de seus processos. “O resultado é a eficiência operacional e a queda nos custos dos processos”, afirmou. Zisblat disse ainda que todos os segmentos de negócio estão aptos a adotar o sistema BPM em suas operações, mas o foco ainda está direcionado às instituições financeiras: “Os bancos ainda são nossos maiores demandantes, mas novos setores começam a entender a importância da moni“Não implantem BPM se não toração e automatização dos seus próprios for para reduzir tempo processos, como o segmento educacional”, de produção e aumentar disse o executivo.  Em seguida, Luiz Antonio Ramos Pereira, receita”, disse Melo da ABPMP, Brasil fez uma exposição sobre o panorama das certificações profissionais para aplicação de BPM, afirmando que o Brasil tem capacidade para ser a maior potência mundial em gestão de processos de negócios. “Para isso, precisamos de profissionais qualificados”, disse.  Leonardo Vieiralves Azevedo, da HabberTec, trouxe para o seminário a perspectiva da colaboração durante a execução e adoção da plataforma BPM nas corporações. Para ele, realizar o processo em conjunto com todas as áreas atingidas pela automação dos processos ajuda a melhorar o resultado final.  Dentro da temática da colaboração, Luiz Fernando Cossi, BPM Specialist da Lumina, mostrou como é possível adotar melhores práticas para obter maior retorno do investimento empregado na adoção do BPM. Segundo ele, a área de Tecnologia da Informação deve estar integrada ao desenvolvimento do processo, já que, segundo ele, metade das oportunidades de negócio passa pela tecnologia. 54_Edição 271_set/out 2011

Luciana Areas

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James Zisblat, gerente de vendas de software WebSphere da IBM.

 Fechando o ciclo, Alexandre Melo, diretor-geral da V&B Officeware, trouxe cases de sucesso após a adoção do BPM em corporações atendidas pela sua empresa, como o da Telefônica, que melhorou seus processos a partir da plataforma e conseguiu reduzir em 30% o número de reclamações de seus clientes corporativos. “Não implantem BPM se não for para reduzir tempo de produção, aumentar receita da empresa e se não houver algum gestor com poder decisório para ‘bancar’ o sistema. Não vai valer a pena”, sentenciou.


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Drawback Integrado, desafios e incentivos à economia local

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ATTORNEYS-AT-LAW

www.veirano.com.br institucional@veirano.com.br Luciana Areas

Comitê de Assuntos Jurídicos da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro realizou, em agosto, o Tax Friday “Drawback Integrado. Incentivos, mudanças e desafios”, no centro do Rio. O vice-chairman do Comitê, Richard Edward Dotoli, abriu o encontro, que teve como palestrantes Cláudio Colnago, da Oil & Gas Law Alliance, e João Taveira, da Ernst & Young Terco, e como debatedor o subsecretário de Receita da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo Pinheiro. Colnago defendeu uma legislação que prime pelo produto nacional, com isenção de tributação, para garantir ao fabricante nacional operar no mercado internacional com mais competitividade. “É preciso valorizar a atividade do exportador para haver uma paridade de armas, sem exportação de tributos”, defendeu. Taveira, por sua vez, disse ser o momento de rever a questão da tributação à mercadoria local, com uma reformulação na legislação que beneficie o insumo local, ampliando assim a margem de investimentos e desenvolvimento das empresas, com impacto direto na economia do País e na geração de novos empregos. “O momento atual do Brasil é bastante favorável, com novos investimentos e novas plantas de empresas se instalando no País”, destacou. “Mas é preciso rever os tributos e seu controle, pois o Brasil é um dos poucos países com um aparato de controle fiscal tão rígido”, disse.

Áreas de Prática | Practice Areas

O subsecretário de Receita da Fazenda do Estado, Ricardo Pinheiro, contribuiu com a mediação ao dizer não ser exclusivo do Rio tais dificuldades e necessidades de readaptação, já que, segundo ele, o regime de tributação do governo estadual reflete o mecanismo do governo federal.

Administrativo

Antitrust and Competition

Aeronáutico

Arbitration and Mediation

Antitruste e Concorrência Ambiental Arbitragem e Mediação Bancário e Financeiro Comércio Exterior

Corporate Immigration Credit Recovery & Corporate Reorganization

Entretenimento

Energy

Financiamento de Projetos

Entertainment

Fusões e Aquisições

Environmental

Mercado de Capitais Mineração Naval Petróleo e Gás Private Equity Propriedade Intelectual Recuperação de Créditos e de Empresas Seguro e Resseguro Societário Tecnologia da Informação Telecomunicações Trabalhista e Previdenciário Tributário

deltA.com

Consumer Law

Energia Elétrica

Infraestrutura

SÃO PAULO Av. das Nações Unidas, 12.995 / 18º andar Brooklin – 04578-000 – SP Tel.: (55 11) 5505-4001 Fax: (55 11) 5505-3990

Compliance

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RIO DE JANEIRO Av. Presidente Wilson, 231 / 23º andar Castelo – 20030-021 – RJ Tel.: (55 21) 3824-4747 Fax: (55 21) 2262-4247

Capital Markets

Contracts

Imigração Empresarial

para mais informações consulte seu agente de viagens ou nossa central de reservas: 4003 2121 para principais capitais e regiões metropolitanas e 0800 8812121 demais localidades. SAC 0800 880 0444.

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Presidente do TJ fala sobre perspectivas do Judiciário

Luciana Areas

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presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, falou sobre as perspectivas para o Judiciário fluminense durante um almoço organizado pela Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro, em agosto, no Salão Nobre da Bolsa do Rio. Com uma plateia bastante qualificada, o presidente apresentou sua visão e perspectiva para o órgão, tendo como foco a modernização da infraestrutura e de processos para garantir, segundo ele, mais qualidade de atendimento à população. Para Rebêlo, o tradicional modelo de gestão administrativa do serviço público não mais satisfaz as complexas exigências da sociedade moderna. “Até 2015, todos os processos serão virtuais. Isso significa economia de tempo e espaço”. A meta é ter processos compartilhados entre juízes do Estado, distribuindo-os para serem julgados por disponibilidade, e não por jurisdição. “Isso só pode trazer benefício a todos, dando mais agilidade ao sistema”, defendeu.

Amcham ES homenageia Carlos Augusto Lira Aguiar, ex-presidente da Fibria Celulose

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58_Edição 271_set/out 2011

Nós conhecemos bem a sua história. Empreender, crescer e ser líder de mercado não é uma questão de sorte. Para sobreviver e obter êxito em mercados altamente competitivos, a busca constante por eficiência e melhoria do desempenho é fundamental para atrair investimentos e conquistar novos horizontes. Qualquer que seja sua área de atuação ou estágio de crescimento, para que sua empresa consiga aproveitar as oportunidades que o mercado apresenta, colocamos, lado a lado, nosso conhecimento global e a experiência no middle market. É por isso que somos a mais completa empresa de auditoria e consultoria do Brasil.

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Antônio Heron

executivo Carlos Augusto Lira Aguiar, ex-presidente da Fibria Celulose, foi homenageado pela diretoria da Câmara de Comércio Americana do Espírito Santo, em um almoço-palestra, promovido pela instituição, em agosto, no Cerimonial Itamaraty. O executivo se prepara para ingressar como membro do Conselho de Administração da empresa. Com a presença do vice-governador do Estado, Givaldo Vieira, e empresários de diversos segmentos na plateia, Aguiar falou sobre a infância no Ceará até chegar ao Espírito Santo e comandar a Fibria Celulose. Aguiar é engenheiro químico e iniciou sua carreira no setor de celulose e papel em 1970. Em 1981, começou na Aracruz Celulose, tendo assumido, em 1998, como CEO da companhia. Após a fusão da empresa com a Votorantim Celulose e Papel, em 2009, assumiu a presidência da Fibria Celulose, onde se aposentou em julho de 2011. O evento teve o patrocínio de Fortes Engenharia, Vix Logística e Portocel.

Crescer em mercados altamente competitivos.

O homenageado Carlos Augusto Lira Aguiar (quarto da direita para a esquerda) com parte da diretoria da Amcham-ES

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por dentro da cÂmara

Novos Sócios

A. Repsold Assessoria e Marketing (LIDE RIO - Grupo de Líderes Empresariais do Est. do Rio de Janeiro) Andréia Repsold - Diretora Executiva Rua Visconde de Pirajá, 407, s/902 - Ipanema 22410-003 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 2113-0492/ 0493 arepsold@lideriodejaneiro.com.br

Esporte Interativo (Topsports Ventures S.A.) Edgar do Valle Chagas Diniz - Presidente Rua Visconde de Ouro Preto, 75 - Botafogo 22250-180 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 2103-7700 Fax: (21) 2103-7701 www.esporteinterativo.com.br

Business Partners Recrutamento e Seleção Ltda. (Business Partners Consulting) Marcos Schmitz - Diretor Regional RJ/ ES Av. das Américas, 3500, s/605 Condomínio Le Monde - Barra da Tijuca 22640-120 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3282-5610 www.businesspartners.com.br

G-Comex Óleo e Gás Ltda. Carlos Eduardo Paes Leme - CEO Rua Victor Civita, 66, Bl. 5/ 3º - Barra da Tijuca 22775-044 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3485-9182 fernanda.vega@gcomex.com.br www.gcomex.com.br

MyGuidance Agente Autônomo de Investimentos Ltda. (Guidance) Fernando Augusto B. Rodrigues - Sócio Diretor Praia de Botafogo, 501, Torre Corcovado/2º Botafogo 22250-040 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 2546-9843 frodrigues@guidance.com.br www.guidance.com.br

Distribuidora de Equipamentos Médicos Hospitalares Vipmed Ltda. (VIPMED LTDA.) Janaina Amorim Amaral - Sócia Administradora Rua Siqueira Campos, 143, Bl. E, s/1037 - Copacabana 22031-071 Rio de Janeiro, RJ Tel: (32) 3084-5036/ (21) 8503-3221 Fax: (32) 3232-3138 vendas@distribuidoravipmed.com.br www.distribuidoravipmed.com.br

GLBL Brasil Oleodutos e Serviços Ltda. (Global Industries) Francesco Santoro - Diretor Executivo Av. das Américas, 3434, Bl.2, s/406 - Barra da Tijuca 22640-102 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3431-1120 herical@globalind.com www.globalind.com

Robert Half Assessoria em Recursos Humanos Ltda. William Monteath – Gerente, Rio de Janeiro Praia de Botafogo, 440/ 3º 22250-040 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3523-0100 laura.nardelli@roberthalf.com.br www.roberthalf.com.br

Engenet Soluções Integradas Ltda. Hermano Nascimento Gomes - Gerente Rua Visconde de Inhaúma, 38, s/702 - Centro 20091-007 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 2103-9001 ricardo.lima@engenet.com.br www.engenet.com.br

Lobo & de Rizzo Sociedade de Advogados (Lobo & de Rizzo Advogados) Adriana Astuto - Sócia - Contencioso & Arbitragem Rua Lauro Müller, 116/ 43º, s/4301 - Botafogo 22290-906 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3299-7100 Fax: (21) 3299-7101 vera.bizinover@loboderizzo.com.br www.loboderizzo.com.br

Naibert Consultoria Empresarial Ltda. (Rosa Naibert Projetos e Consultoria) Nelson Terres Naibert - Diretor Presidente Av. Marechal Câmara, 160, conj. 1002/03 - Centro 20020-907 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 2240-3904 naibert@rosanaibert.com www.rosanaibert.com

60_Edição 271_set/out 2011

MXM Sistemas e Serviços de Informática S/A. Maurício Tavares Felgueiras - Diretor Rua do Carmo, 71/ 10º - Centro 20011-020 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3233-2300 Fax: (21) 3233-2300 www.mxm.com.br

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Novos Sócios

Oil States Industries do Brasil Instalações Marítimas Ltda. Marcio Robles - Diretor de Vendas e Desenvolvimento de Negócios Claudia Monte - Engenheira de Vendas Senior Rua J 1, nº 205 - Novo Cavaleiros 27930-490 Macaé, RJ Tel: (22) 2763-4300 Fax: (22) 2773-5625 ricardo.pinton@oilstates.com www.oilstates.com

Radix Engenharia e Desenvolvimento de Software Ltda. (Radix Engenharia e Software) Luiz Eduardo Ganem Rubião - Presidente Av. Nilo Peçanha, 11, s/704/705 - Centro 20020-100 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 3722-0198 Fax: (21) 3722-0198 radixeng@radixeng.com.br www.radixeng.com.br

X-Com Tecnologias em Comunicação Convergente Ltda.(TELMART) Adriana Lima - Diretora Executiva André Ceciliano - Diretor Executivo Rua Primeiro de Março, 23/ 22º - Centro 20010-000 Rio de Janeiro, RJ Tel: (21) 2111-8300 Fax: (21) 2111-8303 www.telmart.com.br

Perícia contábil e financeira com a DPC

Alteração no Quadro de associados André Luiz Gomes de Oliveira Gerente Sucursal Rio de Janeiro Chubb do Brasil Cia. de Seguros

Fabio Lins de Castro Presidente Prudential do Brasil Seguros de Vida S.A.

Antenor Barros Leal Presidente Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ)

Fábio Martins de Andrade Sócio Diretor Andrade Advogados Associados

Arnaud Pierre Monchy Diretor Financeiro CGG do Brasil Participações Ltda. (CGGVeritas) Byron Alexander Church Gerente Geral MI Swaco do Brasil Comércio, Serviços e Mineração Ltda. Carlos Vivas Sócio Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes Cícero Venício Barreto de Souza Diretor Comercial Omint Serviços de Saúde Ltda. Claudio Alves dos Santos Diretor TOTVS Rio de Janeiro Daniela Christovão Gerente de Comunicação Corporativa Cosan Lubrificantes e Especialidades S.A. (MOBIL) David Zylbersztajn Engenheiro Ernesto Carneiro Rodrigues Diretor CDN Comunicação Corporativa Ltda. (CDN - Companhia de Notícias)

62_Edição 271_set/out 2011

Gabriel Viégas Neto Superintendente Itaú Unibanco S.A. Guillermo Quintero Presidente BP Energy do Brasil Ltda. João Alfredo de Noronha Viegas Diretor de Marketing e de Meio Ambiente Concremat Engenharia e Tecnologia S. A.

Marcelo Soares Diretor Geral Comercial Fonográfica RGE Ltda. (RGE) Michael H. Seidner Presidente ExxonMobil Química Ltda. Murilo Ferreira Presidente VALE S/A. Nelson Gomes Presidente Cosan Lubrificantes e Especialidades S.A. (MOBIL)

Leduvy de Pina Gouvêa Filho Diretor Geral Queiroz Galvão Óleo e Gás S.A.

António Diogo Diretor Geral Chocolates Garoto S.A.

Luiz Fernando Pinto Vice-Presidente de Operações Prudential do Brasil Seguros de Vida S.A.

Apuração de Lucros Cessantes Apuração de Haveres e Dissolução de Sociedade Revisão de contratos com Previsão de Cobrança de Juros Prestação de Contas

FILIAL ESPÍRITO SANTO

Luiz Claudio Salles Cristofaro Sócio Chediak, Lopes da Costa, Cristofaro, Menezes Côrtes, Rennó, Aragão - Advogados (Chediak Advogados)

Reposição dos Expurgos Inflacionários dos Planos Econômicos

Empréstimos Compulsórios – Eletrobrás

Josh Rundle Superintendente Sociedade de Nossa Senhora da Misericórdia (Our Lady of Mercy School)

Luiz Affonso Otero Junior Sócio Diretor Estúdios Mega Ltda.

A Domingues e Pinho Contadores, especialista em outsourcing contábil para médias e grandes empresas, agora também é sinônimo de serviços de perícia. Ela somou sua expertise e eficiência em contabilidade para oferecer aos mercados jurídico e corporativo LAUDOS PERICIAIS PARA CÁLCULOS EM PROCESSOS DE:

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expediente COMITÊ EXECUTIVO PRESIDENTE Henrique Rzezinski _ Vice-presidente de Assuntos Corporativos, BG E&P do Brasil Ltda 1º. VICE-PRESIDENTE Fabio Lins de Castro _Presidente, Prudential do Brasil Seguros de Vida S.A. 2º VICE-PRESIDENTE Pedro Paulo Pereira de Almeida _ Diretor IBM Setor Industrial e Diretor Regional, IBM Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda. 3º. VICE-PRESIDENTE Rafael Sampaio da Motta _ CEO, Case Benefícios e Seguros DIRETOR SECRETÁRIO Steve Solot _ Presidente & CEO, LATC - Latin American Training Center DIRETOR TESOUREIRO Manuel Domingues e Pinho _ Domingues e Pinho Contadores CONSELHEIRO JURÍDICO Julian Fonseca Peña Chediak _ Sócio, Chediak Advogados EX-PRESIDENTES Robson Goulart Barreto, Sidney Levy e João César Lima PRESIDENTES DE HONRA Mauro Vieira _ Embaixador do Brasil nos EUA Thomas Shannon _ Embaixador dos EUA no Brasil DIRETORES Benedicto Barbosa da Silva Junior _ Diretor Presidente, Odebrecht Infraestrutura Carlos Henrique Moreira _ Presidente do Conselho, EMBRATEL

Patricia Pradal _ Diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações Governamentais, Chevron Brasil Petróleo Ltda. Pedro Paulo Pereira de Almeida _ Diretor IBM Setor Industrial e Diretor Regional, IBM Brasil Petronio Ribeiro Gomes Nogueira _ Sócio Diretor, Accenture do Brasil Rafael Sampaio da Motta _ CEO, Case Benefícios e Seguros Roberto Castello Branco _ Diretor de Relações com Investidores, VALE S/A Roberto Furian Ardenghy _ Diretor de Assuntos Corporativos, BG E&P do Brasil Ltda. Roberto Prisco Paraíso Ramos _ Diretor Presidente, Odebrecht Óleo e Gás Ltda. Rodrigo Tostes Solon de Pontes _ Diretor Financeiro, ThyssenKrupp CSA Siderúrgica do Atlântico Ltda. Rogério Rocha Ribeiro _ VP Sênior e Diretor de Área América Latina e Caribe, GlaxoSmithKline Brasil Steve Solot _ Presidente & CEO, LATC - Latin American Training Center Yoram Levanon _ Presidente, Xerox Comércio e Indústria Ltda. DIRETORES EX-OFÍCIO Andres Cristian Nacht | Carlos Augusto C. Salles | Carlos Henrique de Carvalho Fróes | Gabriella Icaza | Gilberto Duarte Prado | Gilson Freitas de Souza | Ivan Ferreira Garcia | João César Lima | Joel Korn | José Luiz Silveira Miranda | Luiz Fernando Teixeira Pinto | Omar Carneiro da Cunha | Peter Dirk Siemsen | Raoul Henri Grossmann | Robson Goulart Barreto | Ronaldo Camargo Veirano | Rubens Branco da Silva | Sidney Levy PRESIDENTES DE COMITÊS

Cassio Zandoná _ Superintendente, Amil Assistência Médica Internacional

Assuntos Jurídicos Julian Chediak

David Zylbersztajn _ Engenheiro

Cultura, Negócios e Turismo Alícia Perez

Eduardo de Albuquerque Mayer _ Private Banker, Banco Citibank Fabio Lins de Castro _ Presidente, Prudential do Brasil Seguros Fernando José Cunha _ Gerente Executivo para América, Africa e Eurásia - Diretoria Internacional, Petrobras Guillermo Quintero _ Presidente, BP Brasil Limitada Henrique Rzezinski _ Vice Presidente de Assuntos Corporativos, BG E&P do Brasil Humberto E. Cesar Mota _ Presidente, Dufry do Brasil Italo Mazzoni da Silva _ Presidente, IBEU Ivan Luiz Gontijo Junior _ Diretor Gerente, Jurídico e Secretaria Geral, Bradesco Seguros

Energia Roberto Furian Ardenghy Logística e Infraestrutura Valdir Dall’Orto

Gerente de Comunicação Andréa Blum Gerente Comercial e Marketing Felipe Levi Gerente de Comitês e Eventos João Marcelo Oliveira

Um verdadeiro Triple A. Entregue em 2011.

história da cidade.

Vice-Presidente Maurício Max _ Diretor do Departamento de Pelotização, Vale DIRETORES António Diogo _ Diretor Geral, Chocolates Garoto Bruno Moreira Giestas _ Diretor Comercial Mercado Externo, Realcafe Solúvel do Brasil Carlos Fernando Lindenberg Netto _ Diretor Geral, Rede Gazeta João Carlos Pedroza da Fonseca _ Superintendente, Rede Tribuna Marcos Guerra _ Presidente, FINDES Márcio Brotto Barros _ Sócio, Bergi Advocacia – Sociedade de Advogados Paulo Ricardo Pereira da Silveira _ Gerente geral industrial, Fibria Celulose Simone Chieppe Moura _ Diretora Geral, Metropolitana Transportes e Serviços Ricardo Vescovi Aragão _ Diretor de Operações e Sustentabilidade, Samarco Mineração Rodrigo Loureiro Martins _ Advogado – Sócio Principal, Advocacia Rodrigo Loureiro Martins Victor Affonso Biasutti Pignaton _ Diretor, Centro Educacional Leonardo da Vinci Negócios Internacionais Marcilio Rodrigues Machado Relações Governamentais Maria Alice Paoliello Lindenberg ADMINISTRAÇÃO DA AMCHAM ES

Marketing Noel De Simone

Diretor Executivo Clóvis Vieira

Meio Ambiente Luiz Pimenta

Coordenadora de Associados Keyla Corrêa

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Propriedade Intelectual Steve Solot

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Recursos Humanos Estratégicos Claudia Danienne Marchi Relações Governamentais: João César Lima

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Administração e Finanças: Victor Cezar Teixeira (21) 3213-9208 | victorcezar@amchamrio.com

Seguros, Resseguros e Previdência Luiz Wancelotti

Comercial e Marketing: Felipe Levi (21) 3213-9226 | felipelevi@amchamrio.com

Manuel Fernandes R. de Sousa _ Sócio, KPMG

Tecnologia da Informação e Comunicação Álvaro Cysneiros

Comitês e Eventos: João Marcelo Oliveira (21) 3213-9230 | joaomarcelo@amchamrio.com

Mauricio Vianna _ Diretor, MJV Tecnologia Ltda.

ADMINISTRAÇÃO DA AMCHAM RJ

A TISHMAN SPEYER é uma das maiores

Michael Seidner _ Presidente, ExxonMobil Química Ltda.

Diretor-superintendente Helio Blak

Comunicação e Publicações: Andréa Blum (21) 3213-9240 | andreablum@amchamrio.com

de investimentos imobiliários de alto

Ney Acyr Rodrigues de Oliveira _ Vice-presidente Embratel Leste Nordeste e Sul, EMBRATEL

Gerente Administrativo Victor C.S. Teixeira

Espírito Santo: Keyla Corrêa (27) 3324-8681 | keylacorrea@amchamrio.com

64_Edição 271_set/out 2011

pronto para ser um marco de modernidade na

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Saúde Gilberto Ururahy

Manuel Domingues e Pinho _ Presidente, Domingues e Pinho Contadores

do Rio de Janeiro em seu DNA, está novamente

Presidente Otacílio José Coser Filho _ Membro do Conselho de Administração, Coimex Empreendimentos e Participações Ltda

LINHA DIRETA COM A CÂMARA DE COMÉRCIO AMERICANA

Luiz Ildefonso Simões Lopes _ Presidente, Brookfield Brasil

Galeria Sul America. O Edifício, que traz a história

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Responsabilidade Social Empresarial Silvina Ramal

Julian Fonseca Peña Chediak _ Sócio, Chediak Advogados

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Edição 271_Brazilian Business_65


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Brazilian Business - 271