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São Paulo, 1 de julho de 2011

Publicação da Câmara Americana de Comércio

Competitividade

Amcham aprofunda programa iniciado em 2010, com discussões em várias cidades

Belo Horizonte

Na primeira etapa deste segundo ano, em Belo Horizonte, o foco se centrou em dois eixos-chave para a competitividade mineira: infraestrutura e mão de obra. Uma das principais conclusões do debate que reuniu cerca de 150 representantes das iniciativas privada e pública e acadêmicos é que melhorias de infraestrutura não devem se limitar a atender a necessidades pontuais, como as da Copa do Mundo, mas fazer parte de um grande projeto, com visão de longo prazo, que contribua para a maior competitividade estadual e nacional. Dentro dessa visão, governo e companhias têm papeis complementares e precisam dar novos passos, vencendo uma certa timidez (notadamente na esfera pública local e no empresariado) e incorporando um sentido de urgência. “Não dá para obter uma solução sozinho. Todos sofrerão se não acontecer de se juntarem para buscar uma saída”, resumiu Wilson Brumer, presidente da Usiminas.

Mão de obra

No que toca à mão de obra, o empresariado mineiro discutiu propostas para lidar com a escassez principalmente de profissionais técnicos, a mais sentida. Apoiam-se fortemente iniciativas como: aprovação de uma lei de incentivo fiscal às companhias que investem em capacitação, uma espécie de “Lei Rouanet”; direcionamento do ensino médio à profissionalização através da atualização de todo o conteúdo; implementação de campi avançados de cur-

Foto: Amauri de Souza

PPPs

Os participantes do evento concordam que as PPPs são parte importante para o enfrentamento das deficiências de infraestrutura em MG e no País como um todo. Para Marcos Siqueira, superintendente da unidade de PPP de MG, há necessidade de uma verdadeira revolução na forma como se promove o desenvolvimento nessa área. “É preciso mecanismos mais ágeis e efetivos, arranjos novos e mais flexíveis”, afirmou. O evento também pôs em relevo questões determinantes para propiciar condições adequadas a um maior investimento privado em infraestrutura, voltadas sobretudo a mudanças nos processos licitatórios, de modo a garantir mais agilidade, menos burocracia, mais segurança jurídica, mais clareza na divulgação dos editais e dos próprios projetos, e maior taxa de retorno. Outro ponto de destaque foi a concordância de que MG tem grande potencial para ser um verdadeiro “Estado logístico”. Para esse objetivo se concretizar, entretanto, é fundamental achar uma solução para as estradas federais no Estado, lembrando que hoje 80% da malha rodoviária são administrados pelo governo federal, com grande carência de modernização.

Wilson Brumer, presidente da Usiminas

Foto: Amauri de Souza

A Amcham acaba de dar início ao segundo ciclo de eventos do programa “Competitividade Brasil – Custos de Transação”. Criado em 2010 para promover discussões e a formulação de alternativas para enfrentar gargalos que comprometem a maior competitividade brasileira, o projeto agora está sendo levado a várias das cidades em que a Amcham está presente por meio de unidades regionais. A agenda de seminários inclui Belo Horizonte (28/06), Curitiba (13/07), Campinas (26/07), Recife (05/08) e Brasília, além de São Paulo, onde o programa teve origem. A ideia, neste ano, é ampliar o debate sobre esse tema tão premente para o País e focar em especial necessidades regionais, mantendo o caráter contributivo de busca de soluções.

Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP, senior adviser do Fórum Econômico Mundial e mediador do debate sobre mão de obra

sos superiores em cidades de médio porte; e alterações no regime de trabalho baseado na CLT. O empresariado local também considera que, se houvesse desoneração na folha de pagamento, teria condições de aumentar em muito sua competitividade. O seminário proporcionou ainda a oportunidade de compartilhamento de experiências aplicadas com sucesso em MG para lidar com o déficit de profissionais, a saber: formação de consórcios para promover capacitação, importação de profissionais especializados para setores carentes e combate à evasão de estudantes universitários especialmente das chamadas ciências duras (hard sciences).


CURTAS São Paulo Comércio exterior I

No caminho de uma maior competitividade, o Brasil precisa reduzir o tempo de permanência das cargas importadas nos terminais portuários, atualmente em torno de 16 dias, defende Caio Morel, diretor da Santos Brasil, maior operadora de contêineres do País. “Se conseguíssemos diminuir esse prazo para um patamar igual ao das exportações, de cinco dias em média, teríamos um significativo aumento da capacidade dos portos”, analisou ele no comitê de Comércio Exterior em 15/06. Para Morel, é essencial adotar o Porto sem Papel (portal único acessado por Anvisa, Ministério da Agricultura, Receita Federal, Polícia Federal, Marinha e Autoridade Portuária) em todos os terminais nacionais rumo a uma maior eficiência.  

Brasil Comércio exterior II

As empresas exportadoras que operam no Brasil conseguiram em junho uma importante vitória, que contribuirá para a maior competitividade dos produtos nacionais no exterior. A Receita Federal devolverá a partir de setembro 100% dos créditos de PIS e Cofins àquelas que preencherem a nova declaração eletrônica do tributo, prevista para ser entregue em julho de forma voluntária e em fevereiro de modo obrigatório. Atualmente, só são restituídos com agilidade, em até 60 dias, 50% dos créditos reivindicados por companhias que tenham exportado 10% de sua produção no último ano. A devolução de créditos tributários federais é uma antiga demanda do empresariado, mensurada em pesquisa da Amcham apresentada no Café de Comércio Exterior da Amcham-São Paulo em 26/05. Ações nesse sentido também foram discutidas em 08/04 no comitê estratégico de Economia da Amcham-São Paulo.  

Belo Horizonte

Retenção de talentos

Em discussão sintonizada com o programa “Competitividade Brasil”, o “Seminário Atração e Retenção de Talentos em Tempos de Escassez de Mão de Obra Qualificada”, em 15/06, focou as melhores práticas do mercado para atingir esse grande objetivo da gestão de pessoas.  

Recife Desafios dos CEOs I

Saber engajar equipes e ter habilidade para comunicar de maneira efetiva são os principais desafios para os CEOs na atualidade, apontaram participantes do 6º CEO Fórum em 08/06. Aproximadamente 500 executivos se reuniram na ocasião para ouvir exemplos e dicas de grandes líderes empresariais, como Cledorvino Belini (Fiat), Romulo Dias (Cielo), Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza) e Viviane Senna (Instituto Ayrton Senna). “Os verdadeiros CEOs são aqueles que preparam os jovens para assumirem posição de liderança no futuro”, ensinou Belini.

Campinas e Goiânia

Desafios dos CEOs II

As duas regionais também realizaram seus CEO Fóruns em junho. Em Goiânia, no dia 14/06, Acácio Queiroz (Chubb Seguros), Danilo Talanskas (TMI Consultoria) e Alexandre Fialho (Korn/Ferry) compartilharam estratégias bem-sucedidas para a condução de equipes. Em Campinas, em 15/06, Luis Delfim de Oliveira (Coca-Cola Guararapes), Laércio Cosentino (TOTVS), Eline Kullock (Grupo Foco), Armando Valle Jr (Whirpool) e Roberto Bucker (Scholle Packaging) falaram aos mais de 600 executivos presentes sobre gestão colaborativa.   

Brasil Prêmio ECO

As inscrições para o Prêmio ECO 2011 já estão abertas e podem ser efetivadas no site http://www.premioeco.com.br/ até 08/08. Quatro empresas serão reconhecidas na modalidade “Estratégia, Liderança, Inovação e Sustentabilidade” (Elis), sendo duas de grande porte e outras duas pequenas e médias. Em cada uma das duas categorias da modalidade “Práticas de Sustentabilidade” (“Sustentabilidade em Produtos e/ ou Serviços” e “Sustentabilidade em Processos”), serão homenageadas duas companhias grandes e outras duas pequenas e médias. Os jurados farão a avaliação dos projetos inscritos entre setembro e novembro, e a cerimônia de entrega dos 12 troféus está prevista para dezembro.  

Porto Alegre Perspectivas

Mais de 200 empresários acompanharam em 09/06 o Fórum de Economia e Finanças, que destacou, em diferentes paineis, o grande potencial de desenvolvimento do Brasil nos próximos anos, além de perspectivas para o Rio Grande do Sul. Um dos pontos altos do evento foi a necessidade de que as companhias estejam preparadas para aproveitar o bom momento do País. “Foco e inovação são os principais fatores que as empresas devem seguir para receber investimentos”, indicou Rodrigo de Oliveira Esteves, CFO da Confrapar Participações.

São Paulo Multinacionais brasileiras

Treze multinacionais sediadas no Brasil, como Embraer, Petrobras e Odebrecht, estão transformando a ordem econômica global. Elas fazem parte de um grupo de 100 corporações nascidas em 16 países emergentes que desafiam a dinâmica das multinacionais maduras de EUA, Japão e Europa. É o que mostra o relatório da consultoria The Boston Consulting Group apresentado em 08/06 ao comitê estratégico de Business Affairs. “Essas empresas são chamadas desafiantes globais porque modificam o território das multinacionais estabelecidas. Elas têm um conjunto de estratégias para alavancar vantagens estruturais dos países de origem, construindo inovação e diferenciação competitiva”, explicou Marcos Aguiar, diretor-gerente do BCG no Brasil.


Compliance Leis anticorrupção ganham força globalmente

A tendência mundial de intensificação das legislações para combater práticas de corrupção, com endurecimento das penalidades aos infratores, está levando as companhias em todo o globo a aperfeiçoarem suas estruturas de compliance, isto é, o conjunto de esforços para atuação em conformidade com leis e regulamentações inerentes às atividades, assim como elaboração e compromisso com códigos de ética e políticas de conduta internos. A avaliação é de Mona Clayton, sócia da PricewaterhouseCoopers, que participou do “Seminário Compliance” promovido pela Amcham-São Paulo em 21/06. “Globalmente, vêm surgindo mais legislações anticorrupção, com punições severas aos infratores e que estão criando outro patamar de compliance por parte das companhias”, ressaltou Mona. Segundo a consultora, a internacionalização dos negócios torna o tema ainda mais relevante porque é preciso prestar atenção

aos riscos das atividades corporativas que podem estar fora dos países de origem. Ela salientou também que as multinacionais têm impulsionado as pequenas e médias empresas fornecedoras de produtos e serviços a adotarem estruturas de compliance adequadas a seus ambientes normativos. Esse cenário faz da compliance uma necessidade, ressaltou Luis Carlos Dias Torres, sócio do escritório Demarest & Almeida Advogados. Para ele, as companhias que não conduzirem negócios de forma ética e em conformidade com a lei, além de punidas, perderão credibilidade e clientes.

Brasil

A Transparência Internacional, organização não governamental que monitora e combate a corrupção no mundo, dá ao Brasil nota 3,7 (alta percepção de corrupção), numa escala que vai até 10 (extremamente ético). “O risco de corrupção no Brasil é real. Podemos acompanhar pelas notícias

Foto: Exact

e modificam estruturas das companhias

Mona Clayton, sócia da PricewaterhouseCoopers

nos jornais”, comentou Mona Clayton. Quando se olha para o bloco Bric, o Brasil está no geral em patamar semelhante ao dos demais integrantes (Rússia, Índia e China), mas o enforcement (cumprimento das leis) tem sido maior no território chinês. “A realidade na China é diferente pela grande participação estatal”, explicou Mona.

Governança corporativa Práticas são acessíveis também

Comuns às grandes companhias, as práticas de governança corporativa envolvem um grau de complexidade tal que limita sua adoção por parte das pequenas. Mito ou realidade? Mito, dizem os especialistas que ministraram o Workshop de Governança Corporativa da AmchamSão Paulo em 16/06. As pequenas empresas podem aplicar os conceitos de governança corporativa – transparência, equidade entre acionistas, prestação de contas e responsabilidade corporativa – de maneira simplificada, porém estruturada e efetiva em termos de ganhos de competitividade. Para isso, devem abandonar a percepção equivocada de que essas práticas são relacionadas apenas às médias e grandes companhias, orienta Luiz Marcatti, sócio e diretor de Gestão da consultoria Mesa Corporate Governance. “No Brasil, as médias empresas já apresentam uma evolução em termos de gover-

nança corporativa. Já as pequenas ainda estão tentando conhecer mais o tema porque no fundo acreditam que está relacionado às maiores. Entretanto, essa estrutura pode ser criada sem a sofisticação de uma organização grande”, disse Marcatti.

Foto: Daniela Rocha

a pequenas empresas

DICAS

Ele considera que não existe uma receita para adoção das boas práticas de governança e, nesse sentido, cabe a cada organização descobrir como adaptar os conceitos à sua realidade. De todo modo, algumas dicas podem ajudar esse grupo de companhias a dar os primeiros passos, passando por construção de um acordo de sócios, com regras que guiarão a relação societária, criação de um conselho de administração e adoção de mecanismos de diálogo que garantam transparência, especialmente junto aos colaboradores. Tratando-se de negócios familiares, os

Luiz Marcatti, sócio da Mesa Corporate

conselhos de família semelhantemente podem ter um importante papel, funcionando como um ambiente para discussão e direcionamento de interesses, conflitos e expectativas dos membros do clã, como lembrou Josenice Blumenthal, também sócia da Mesa.


Brasil-EUA Movimento americano na direção

de eliminar subsídios agrícolas favorece o País

Divulgação Consulado dos EUA em São Paulo

Em meados de junho, os Estados Unidos deram três importantes passos em áreas que impactam diretamente o futuro das relações com o Brasil. O Senado dos EUA aprovou em 16/06 uma emenda que prevê o fim do incentivo de US$ 0,45 concedido por galão de etanol americano e a eliminação da tarifa de US$ 0,54 imposta sobre o galão de álcool combustível importado. Simultaneamente, a Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA votou favoravelmente à suspensão dos pagamentos de US$ 147 milhões ao ano para o Brasil que integram o pacote de compensações definidas na saída negociada para o contencioso do algodão que envolve os dois países no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Por fim, em 17/06, os EUA desistiram de recorrer da decisão da OMC favorável ao Brasil em outra disputa comercial, a respeito de medidas antidumping aplicadas pelos americanos sobre a importação de suco de laranja brasileiro.

visão da amcham

Essas notícias, exceto pela do suco de laranja, ainda dependem de novas etapas para aprovação final e concretização, mas representam uma evolução positiva para o Brasil, uma indicação de avanços na relação com os EUA, ao permitir que se desatem nós relevantes entre os dois países. No que toca ao etanol, o resultado da votação revela uma enorme mudança de atitude no Congresso americano quanto ao produto brasileiro, o que poderá abrir as portas para futuramente expandirmos nossas exportações e criar espaço para que Brasil e EUA aumentem sua cooperação e atuem juntos para fazer do etanol uma commodity no mercado global. Na questão do algodão, embora de início se tenha a impressão de que se trata de uma má notícia, fica claro que se dissemina a noção de que o melhor a ser feito pelos EUA é eliminar os subsídios concedidos a esses produtores em vez de adotar paliativos que evitem a retaliação brasileira autorizada pela OMC. A opção quanto ao suco de laranja, por sua vez, indica que os EUA não querem

entrar em outra briga com o Brasil. É preciso destacar que o que motiva a nova atitude americana nos três casos �� a constatação de que o governo dos EUA não pode continuar a gastar tanto com subsídios agrícolas, que consistem num dispêndio enorme, com efeitos limitados do ponto de vista de geração de empregos e estímulo à economia do país como um todo. Essa é a linha de raciocínio que a Amcham vem defendendo em seus esforços para ajudar na eliminação de entraves a um maior progresso da relação bilateral e que a entidade fez questão de endereçar ao próprio presidente Obama em sua visita ao Brasil em março. A Amcham seguirá trabalhando para apoiar a continuidade desse movimento em prol da eliminação dos subsídios agrícolas americanos que impactam o Brasil, por compreender que o País tem muito a se beneficiar com esse processo, inclusive no sentido de que se acelerem negociações e acordos entre os dois parceiros vistos como essenciais pelo setor privado de ambos os lados.

“Nosso Congresso está promovendo um diálogo interno sobre o tema dos subsídios ao etanol. Teremos de esperar para saber qual será o desfecho, mas o mais importante é que há um compromisso no Congresso e no Executivo dos EUA para o aprofundamento da cooperação com o Brasil na área de energias renováveis e também petróleo e gás”, disse Thomas Shannon, embaixador dos EUA no Brasil, na comemoração do 4 de julho, realizada antecipadamente em 01/07 na Amcham-São Paulo. Na foto ao lado, Shannon (esq.); Todd Chapman, novo encarregado de Negócios da Embaixada Americana; Marcos Oliveira, presidente da Ford Brasil e vice-presidente do Conselho da Amcham; e Gabriel Rico, CEO da Amcham, durante o evento.

EXPEDIENTE

Editora: Giovanna Carnio (MTB 40.219) Reportagem: André Inohara, Anne Durey, Daniela Rocha e Dirceu Pinto (Para esta edição, Giovanna Carnio e André Inohara foram enviados especialmente a Belo Horizonte) Design: MondoYumi O noticiário completo da Amcham você encontra no site www.amcham.com.br Acompanhe o conteúdo da Amcham também em www.facebook.com/amchambrasil e www.twitter.com/amchambr


AmchamNews Junho 2011