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São Paulo, 18 de fevereiro de 2011

Publicação da Câmara Americana de Comércio

Brasil-EUA Visita de Obama em março será oportunidade No final de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou seus planos de vir ao Brasil em março. O líder americano havia postergado sucessivamente uma visita ao País nos primeiros anos de seu mandato e agora não apenas assumiu formalmente esse compromisso, como fez menção a ele no tradicional discurso sobre o Estado da União ao Legislativo dos EUA. Nas palavras de Obama, a intenção é “forjar novas alianças pelo progresso na América do Sul”, uma expressão que o presidente John F. Kennedy empregou em 1961 para batizar um ambicioso plano de cooperação com a região e que é retomada em um momento de reconhecimento do Brasil como liderança global e de empenho para se dar

novo fôlego ao relacionamento bilateral. Obama havia convidado Dilma Rousseff para ir aos EUA em dezembro, antes mesmo de sua posse como presidente do Brasil, e ela se preparava para atender ao convite no mesmo mês de março, viagem que adiou para receber o americano aqui. Dilma, em dezembro, concedeu entrevista ao jornal Washington Post na qual sinalizou uma postura descolada da adotada pelo governo Lula em vários assuntos que nos últimos tempos se tornaram sensíveis para os laços Brasil-EUA, como a aproximação com o Irã. A nova presidente do Brasil também demonstrou ao periódico ver nos EUA um aliado estratégico e ter propósitos de trabalhar pelo estreitamento da relação bilateral.

Foto: Divulgação Governo dos EUA

de compromisso com relação bilateral aprofundada

Barack Obama, presidente dos EUA

Visão da Amcham Ao longo dos últimos anos, houve indicações importantes de interesse comum entre Brasil e EUA, como a assinatura de memorandos de entendimento e tratados referentes a mudanças climáticas, segurança institucional, intercâmbio de conhecimento e ações conjuntas em várias regiões do mundo. Passos significativos também foram dados com a opção por uma saída negociada no contencioso do algodão, as crescentes visitas de membros do staff direto de Obama ao Brasil e a indicação do experiente Thomas Shannon para ocupar o posto de embaixador americano no País. Por outro lado, é preciso notar que ainda há muito a se fazer para que a relação bilateral atinja todo o seu potencial. Existem oportunidades bidirecionais em praticamente todos os campos, do institucional e político ao de comércio e investimentos, com destaque para ciência, tecnologia e inovação, área que deve

ocupar espaço central na agenda comum, bem como a cooperação em temas ligados a energia. Seria extremamente positiva também a celebração de um acordo para eliminar a bitributação, processo que vem sendo construído etapa a etapa e que pode finalmente se tornar real em 2011. Outro aspecto central para levar o relacionamento a um próximo nível é a assinatura de um amplo tratado de comércio e investimentos. Neste início da gestão Dilma, com toda a carga simbólica que um novo governo carrega, é possível se marcar uma nova fase também no relacionamento BrasilEUA, imprimindo a ele uma dinâmica diferenciada, verdadeiramente estratégica e caracterizada por resultados concretos. Recentes sinalizações da presidente, como as opiniões emitidas ao Washington Post e a nomeação para o Ministério das Relações Exteriores de Antonio Pa-

triota, ex-embaixador do Brasil em Washington e detentor de um perfil pragmático no que toca aos EUA, denotam que um novo caminho pode já estar sendo traçado. Notícias de que o chanceler prepara uma reavaliação da política externa brasileira, prevendo maior alinhamento com os EUA, confirmam essa percepção. Diante desse cenário, o anúncio da visita do presidente Obama ao País ocorre no melhor momento possível. Não há que se ter expectativas exageradas quanto ao encontro dos líderes do Brasil e dos EUA em si, visto que esse tipo de situação usualmente é objeto de muitas ações protocolares sem grandes impactos práticos, mas, certamente, a reunião será um momento precioso para sacramentar um novo engajamento entre os dois países de agora em diante, em moldes aprofundados e produtivos para ambos os lados, como tão aguardado pelo setor privado.

Leia mais sobre a viagem de Obama e a relação Brasil-EUA na página 3


CURTAS São Paulo Portos

Campinas Internacionalização

A administração portuária no Brasil precisa de mais gestão e menos burocracia. A fim de eliminar a ineficiência, é essencial dar aos terminais maior autonomia financeira, operacional e administrativa, receitou Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários, em 20/01 durante palestra no comitê de Logística. “A gestão deve ser feita por administradores selecionados no mercado e avaliados pela meritocracia”, acrescentou ele.  

As pequenas companhias também estiveram em foco no “Fórum de Comércio Exterior – Internacionalização das PMEs” em 03/02. O objetivo foi ajudar a preparar melhor empresas desse porte para a competição no mercado global. Para abordar a questão, a Amcham recebeu José Meireles de Sousa, coordenador do curso de Comércio Internacional da Universidade Anhembi Morumbi, e Mauro Oliveira, diretor de Negócios da consultoria Ci&T.  

Com a consolidação da comunicação por meio da Internet, o principal canal de diálogo entre consumidor e marca passa a estar nas redes sociais. “O consumidor deixou de ser passivo para ser ativo. Ele quer interagir com a informação, tanto com os conteúdos quanto com as marcas, e as redes sociais são a forma com que essa troca pode ser realizada.”, explicou Marcelo Aimi, diretor da agência Conjunto Soul Comunicação, em 25/01 no comitê de Marketing.  

Empresários que conduziram processos bem-sucedidos de descentralização administrativa revelam que o processo é difícil por se basear em uma forte relação de confiança, mas compensador. Exemplos de sucesso vêm de Jefferson Penteado, presidente da companhia de segurança digital Blue Pex, e Janete Vaz, cofundadora do Laboratório Sabin, que enfrentaram o desafio de frente e colhem resultados positivos, como compartilharam no comitê Business in Growth em 18/01. Em quatro anos, a Blue Pex conseguiu triplicar o faturamento e expectativa é que cresça 100% em 2011 e novamente em 2012. De 2003 a 2010, as receitas com exames do Sabin aumentaram 416% e o faturamento, 365%.   Brasil Missão à China De 11 a 23/04, a Amcham promove sua 2ª Missão Comercial para a China, com destino a Hong Kong, Cantão (Guangzhou) e Xangai. A delegação buscará oportunidades de negócios sobretudo nos segmentos de máquinas, equipamentos, autopeças, produtos químicos, computadores e eletrônicos. A comitiva irá à 109ª Canton Fair, maior feira multissetorial do mundo, e a feiras de eletrônicos, informática e do setor automotivo. A agenda inclui também capacitação das empresas participantes, eventos de matchmaking com companhias asiáticas e visitas técnicas.   São Paulo Clima China e Estados Unidos, dois dos maiores emissores mundiais de gás carbônico, sofrem cada vez mais pressões internas para aderir a acordos internacionais sobre o clima, avalia José Goldemberg, físico e professor da Universidade de São Paulo que falou em 20/11 ao comitê estratégico de Energia. Ele alerta, entretanto, que, ainda que haja indícios de avanços por parte de ambos os atores, a próxima reunião da Organização das Nações Unidas sobre o clima em 2011, a COP 17, na África do Sul, tende a não trazer grandes novidades nesse sentido. “Talvez fiquem para o Rio de Janeiro em 2012, quando serão comemorados os 20 anos de assinatura do Tratado da Convenção do Clima.”

porto alegre Redes sociais

São Paulo Preços de transferência

Antiga demanda do empresariado, a atualização da legislação sobre preços de transferência pode finalmente ser efetivada neste ano. De acordo com integrantes da força-tarefa de Tributação da Amcham, que se reuniu em 18/02, vem havendo um diálogo bastante produtivo do setor privado com a Receita Federal. “Temos uma boa dose de certeza de que alterações ocorrerão em 2011 e vislumbramos que parte das sugestões da Amcham serão incorporadas”, afirmou Alexandre Siciliano Borges, coordenador do grupo de Preços de Transferência da força-tarefa.  

Recife Crescimento pernambucano

Os investimentos de R$ 50 bilhões em projetos estruturadores que são previstos para Pernambuco nos próximos cinco anos devem estimular um crescimento significativo da economia local. A perspectiva é de que, até 2020, o Produto Interno Bruto do Estado aumente a taxas que podem chegar a 15% ao ano, revela Francisco Cunha, sócio da TGI Consultoria em Gestão. “Entre 2010 e 2020, o PIB pernambucano promete dobrar, passando de R$ 72 bilhões para R$ 146 bilhões”, disse Cunha em 27/01, quando esteve no comitê de Economia & Finanças.

Curitiba Crédito para pequenas

empresas

Linhas de crédito para micro, pequenas e médias empresas foram o tema do comitê de Finanças em 08/02. Andrezza Oikawa Rocha, coordenadora de Fomento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, e Eduardo Kossovski, responsável pelo posto de informações sobre o BNDES instalado naquela entidade, detalharam, na ocasião, diversas modalidades de financiamento e ressaltaram que captar recursos de maneira inteligente exige um bom planejamento.

São Paulo Descentralização administrativa

Belo Horizonte 11 anos de atuação

Em 08/02, a regional celebrou, em coquetel, seus 11 anos de atuação na capital mineira. No evento, também foi empossado o Conselho Regional para 2011, que tem como presidente Marcos Sant´Anna, sócio-proprietário do Grupo Sant´Anna.


Brasil-EUA Embaixador Abdenur analisa cenário

O que esperar

“Vejo a visita de Obama como algo muito importante e espero que dela resultem novas iniciativas para promoção de diálogo político, comércio, investimentos e intercâmbio tecnológico entre os dois países. Espero também que Obama e o governo americano procedam a uma reflexão muito detida nas semanas até a vinda dele sobre o apoio dos EUA a um assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas.”

Significado da visita

“Existem 23 diferentes grupos de trabalho e mecanismos de diálogo em todos os níveis e sobre todos os assuntos entre Brasil e EUA. O importante é que esses organismos tenham continuidade, deem resultados, e que

haja um novo impulso político de alto nível na relação bilateral. Esse é o maior significado da viagem.”

Aproximação na gestão Dilma

“Não há dúvida de que já está havendo uma melhora substancial na atmosfera da relação Brasil-EUA e na política externa que a presidente Dilma e chanceler Antonio Patriota estão conduzindo. Será uma política mais sóbria, moderada e pragmática, sem deixar de ser ambiciosa na busca de uma posição de cada vez maior influência para o Brasil no plano internacional. O País deve compreender que os EUA não são um obstáculo às suas aspirações. Ao contrário, deve ver os EUA como potenciais companheiros de via-

gem na trajetória nacional para um plano superior de influência no cenário global.”

Contexto pré-viagem de Obama

Como parte das preparações para a visita de Obama em março, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, veio ao Brasil em 07/02. Ele se reuniu com empresários (encontro em que a Amcham se fez representada) e estudantes e foi recebido pela presidente Dilma e um grupo de ministros, entre os quais o da Fazenda, Guido Mantega. No mesmo dia 07, Obama esteve na US Chamber, em Washington, para falar sobre temas-chave à competitividade dos EUA e reforçar a necessidade de uma parceria cada vez mais intensa entre os setores público e privado.

Secretário americano busca negócios e investimentos em infraestrutura no País Como parte de uma política mais incisiva de aproximação com o Brasil, uma delegação do governo americano liderada pelo secretário adjunto de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, José Fernandez, veio ao País em fevereiro para identificar oportunidades comerciais e de investimentos, principalmente na área de infraestrutura.  “O fluxo bilateral de negócios e investimentos apresenta imenso potencial para crescer; entretanto, esse potencial somente se tornará realidade se agirmos. Por esse motivo, trabalhamos para buscar novas e mútuas oportunidades”, enfatizou Fernandez, que participou em 11/02 do seminário “Discussão sobre Infraestrutura e Energia no Brasil”, promovido na AmchamSão Paulo em parceria com o Brazil-US

Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil nos EUA

Business Council. O interesse maior dos Estados Unidos, conforme o secretário, está nos projetos do setor energético brasileiro. As áreas preferenciais são as de petróleo e gás natural, biocombustíveis, sistema hidrelétrico e energia nuclear. Fernandez também lembrou as possibilidades geradas pelos eventos esportivos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que serão sediados no País. “A prospecção comercial tem foco em serviços de arquitetura e engenharia, telecomunicações, financeiros, jurídicos e de segurança pública, entre outros”, informou ele.

Instrumentos facilitadores

José Fernandez ainda relatou ter conversado com autoridades brasileiras sobre a ne-

Foto: André Inohara

Roberto Abdenur, embaixador do Brasil em Washington de 2004 a 2007, foi o palestrante do comitê de Comércio Exterior da Amcham-Belo Horizonte em 11/02. Em entrevista após a reunião, ele compartilhou suas expectativas sobre a vinda de Barack Obama ao País e o relacionamento Brasil-EUA no governo Dilma Rousseff. Acompanhe:

Foto: Arquivo Amcham

e impactos da vinda de Obama

José Fernandez, secretário adjunto dos EUA para Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais

cessidade de acordos para favorecer o ambiente de negócios bilaterais, com destaque para um tratado de investimentos (BIT, na sigla em inglês) e outro para evitar a bitributação (BTT) – em linha com o que defende a Amcham.


Novo governo

de Comércio Exterior em 21/01. “Embora haja muito ceticismo, parece clara a sinalização da gestão Dilma de que está aceitando controlar o gasto em geral, principalmente o corrente. Vejo que o governo está não só falando, mas agindo nessa direção”, disse. Como exemplo, ele citou a disposição da administração federal de “bancar” o desgaste de segurar o reajuste do salário mínimo aquém do desejado pela oposição e pelas centrais sindicais. Na visão de Sampaio, o fato de ter havido uma importante recuperação do nível salarial do funcionalismo federal ao longo do segundo mandato de Lula também agrega benefícios para Dilma Rousseff na tarefa de domar os dispêndios. “Essa é uma reivindicação forte que foi atendida. Agora, politicamente, é mais factível o governo segurar esse tipo de gasto. Ficou menos oneroso dizer não às demandas salariais do funcionalismo.”

Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB Foto: André Inohara

Melhor do que o esperado. Assim Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB, resume o início da administração de Dilma Rousseff, numa opinião compartilhada por outros analistas que visitaram a AmchamSão Paulo no mês de janeiro. O entusiasmo vem sobretudo de indícios de maior responsabilidade fiscal – ponto que foi reforçado dias depois, em 09/02, com a divulgação de um corte R$ 50 bilhões nas despesas previstas pelo orçamento para este ano. “Vejo uma clareza no entendimento de que moderar o ritmo de gastos é importante para permitir taxas de juros mais baixas e crescimento econômico maior”, afirmou Padovani, que participou em 13/01 do comitê estratégico de Finanças. Outro a comentar indicações de aumento da disciplina fiscal na nova administração federal foi Fernando Sampaio, sócio-diretor da LCA Consultores, que esteve no comitê

Foto: Arquivo Amcham

Economistas dizem que gestão Dilma começa bem, com importantes indícios de maior responsabilidade fiscal

Fernando Sampaio, sócio-diretor da LCA Consultores

Propriedade Intelectual

Estudo realizado pela Amcham em parceria com o Ibope revela que o meio empresarial brasileiro usuário dos serviços do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) considera que, em 2010, houve evolução da atuação do órgão. Em linhas gerais, os principais avanços apontados estão relacionados a atendimento das funções institucionais, tempo de resposta para meios não-presenciais de consultas, proatividade na comunicação e independência técnica. Em 2010, 82% das companhias que participaram do levantamento atribuíram ao INPI notas acima de três em uma escala de um (menor) a cinco (maior), sendo que essa fatia que era de 67% em 2009. Somente 18% deram nota dois (contra 27% no ano anterior) e não houve entre os entrevistados

indicação da nota um, ao passo que, em 2009, 14% fizeram essa opção. O estudo foi realizado entre os dias 21/06 e 18/07 junto a uma amostra de 71 empresas. “Verificamos uma tendência clara de melhora na avaliação geral que os usuários fazem do INPI. Quando observamos em detalhe, as áreas de marcas e software são as que mais se destacam pelo desempenho positivo. No caso de patentes, ainda há um território importante de aperfeiçoamento a ser explorado”, destacou João Sanches, presidente da força-tarefa de Propriedade Intelectual da Amcham, no seminário “A Propriedade Intelectual como Bem Estratégico de sua Empresa”, promovido pela Amcham-São Paulo em 13/12/10, data em que o estudo foi divulgado.“O re-

Foto: Arquivo Amcham

Pesquisa Amcham/Ibope mostra que setor privado vê evolução na atuação do INPI

Jorge Ávila, presidente do INPI

sultado da pesquisa demonstra que, progressivamente, o sistema está se aprimorando. A interação da iniciativa privada é fundamental nesse caminho”, complementou Jorge Ávila, presidente do INPI.

EXPEDIENTE

Editora: Giovanna Carnio (MTB 40.219) Reportagem: André Inohara, Anne Durey, Camila Cruz, Daniela Rocha, Dirceu Pinto e Mariana Pires Design: MondoYumi O noticiário completo da Amcham você encontra no site www.amcham.com.br


AmchamNews Janeiro Fevereiro 2011