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E scola Secundaria joao de Deus Março 2012

Crónicas

Número 62

0,50 euros

Kony pág.5 Produtos embalados pág. 10 Dor pág. 21 O encarceramento das palavras pág. 22 Diário pág. 24 O livro pág. 24

Fotografias de Johnny Drumms

Parlamento dos jovens pág. 8 Visita de estudo pág. 6 Olimpíadas da química pág. 15 Gravidez na adolescência pág. 16 Vidas pág. 20 Cinema pág. 17 Voluntariado ambiental pág.12 Eco-escolas pág. 13


Exposição comemorativa do centenário do nascimento de Alves Redol

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xposição comemorativa do centenário do nascimento de Alves Redol Está patente na Biblioteca Escolar da Escola Secundária de Faro, de 13 de março a 13 de abril, uma exposição itinerante sobre Alves Redol, proveniente do Museu do Neorrealismo, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do autor. A exposição conta com 17 telas que acompanham o percurso pessoal e literário de Alves Redol, figura cimeira do neorrealismo português. Esta mostra permite uma leitura mais complexa e aprofundada sobre o trajeto de um escritor essencial para entender os valores e as ideias que marcaram o Portugal de meados do século XX. As atividades a realizar no âmbito deste evento englobam: • a visita livre à exposição; • visita orientada, através de preenchimento de um guião; • vários títulos do autor disponíveis para compra, com 40% de desconto (cortesia Leya).

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Chá de letras

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Escola

Clube de Leitura da Escola teve a sua primeira reunião durante a Semana da Leitura, no dia 7 de Março às 14.30 horas na Biblioteca da Escola. “Chá de letras”, o clube de leitura como objectivo único de incentivar o prazer pela leitura! O projecto está aberto a toda comunidade escolar: alunos, professores, funcionários e pais e encarregados de educação. O que fazemos no clube? Reunimo-nos uma vez por mês para falar sobre o que foi lido ou colocar questões sobre o que foi lido! Todos! Trocamos ideias! Sem constrangimentos! Cada um a oferecer (se o entender) a sua interpretação, o seu entendimento, a sua experiência. Cada um a apresentar (se o entender) a sugestão de um título para a sessão seguinte. O livro escolhido foi “Clarabóia” de José Saramago e a próxima reunião é no dia 11 de Abril às 14.30 horas. Lançamos o convite para participar no clube de leitura da Escola. Lançamos o estímulo de vir beber um café connosco. Lançamos a proposta de criar um ambiente de cumplicidade para que os nossos jovens sintam prazer pela leitura! Trocar ideias! Sem constrangimentos! Cada um a oferecer (se o entender) a sua interpretação, o seu entendimento, a sua experiência. Cada um a apresentar (se o entender) a sugestão de um título para a sessão seguinte. Apareça!


Escola

Páginas de Cidadania Projeto “Páginas de Cidadania na BE da ESJD” O objetivo do projeto visa desenvolver as competências argumentativas (alicerçado na leitura e na expressão oral/escrita), na defesa de ideias, respeitando os valores da cidadania e da participação activa na sociedade, incentivando o interesse dos jovens do Ensino Secundário. As turmas envolvidas são as turmas 10ºF e 10º ano C orientadas pelas professoras Maria Vilhena e Laurinda Silva

Livros para férias “O teu rosto será o último” de João Ricardo Pedro “O gato de Uppsala” de Cristina Carvalho “Escarpas” de Gastão Cruz “Como se desenha uma Casa” de Manuel António Pina

Descrição e cronograma das acções: Descrição: 1 – Primeira fase: sensibilização das turmas para o projeto e respetiva participação nos temas abordados. 2 – Numa segunda fase: debate inter turmas e elaboração de um manifesto cívico que consistirá na apresentação de um projecto de recomendação de medidas e respetivos argumentos que as fundamentem. As Linhas orientadoras são: • Definição de cidadania (direitos e deveres); • Conhecimento e discussão do Regulamento Interno da ESJD relativo aos direitos e deveres dos discentes; • Contextualização histórica e filosófica (a partir do século XIX) do conceito de cidadania, assim como dos diferentes movimentos sociais e políticos; • Argumentação/Debate e defesa de ideias e respectiva promoção de uma cidadania ativa e empenhada na sociedade actual.

“O caderno de Maya” de Isabel Allende “Constantino guardador de vacas e de sonhos” de Alves Redol “Perfume” de Patrick Suskind “O Violino de Auschwitz “ de Maria Àngels Anglada

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Escola

Escritora vem à escola

Escritor vem à escola

Cristina Carvalho

José Gonçalves J

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escritora Cristina Carvalho veio à nossa Escola no dia 8 de Março, pelas 12.00 horas, sala 202, a fim de participar nas comemorações do dia do Patrono. A Escritora falou do livro “O gato de Uppsala”, da sua actividade como escritora e foi respondendo às questões colocadas pelos alunos. Agradecemos a colaboração da Drª Fernanda Morais para a organização deste evento. A Escritora Cristina Carvalho nasceu em Lisboa, a 10 de novembro de 1949. Durante a sua atividade profissional, contactou com milhares de pessoas e visitou inúmeros países, sendo a Escandinávia e o Oeste português as regiões que mais ama e que mais influência exercem sobre a sua personalidade enquanto transitório ser humano do sexo feminino, habitante do planeta Terra e, por acaso, escritora. Publicou até à data nove livros: Até

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já não é adeus (Signo), Momentos misericordiosos, Ana de Londres, Estranhos casos de amor (Relógio D’Água), A casa das auroras (Planeta Manuscrito), Tarde fantástica (7 Dias 6 Noites), O gato de Uppsala (Plano Nacional de Leitura), Nocturno – O romance de Chopin (Plano Nacional de Leitura) e Lusco-fusco (Sextante).

osé Sequeira Gonçalves, perante uma plateia atenta, apresentou o seu livro “Cruz de Portugal” no dia 8 de Fevereiro, pelas 10.15h, na sala 202. José Gonçalves é natural de S. Bartolomeu de Messines, historiador e mestre em história contemporânea de Portugal. “Cruz de Portugal” é um romance histórico, retratando a vida de uma família de Silves nos primeiros anos do século XX. O romance inicia-se pouco depois de 1910 e da Implementação da Republica. Silves, Algarve, um menino, filho único, vive com os pais numa casa de média classe. O seu pai, dono de uma quinta e de uma mercearia, tem rendimentos suficientes para que a família viva com algum conforto. Pouco depois dá-se a implementação da república e o pai torna-se republicano fanático, aderindo ao partido e acabando mesmo por conseguir um lugar como membro da comissão concelhia do partido republicano. Tempos difíceis e confusos em que o povo se encontrava dividido entre os apoiantes da monarquia e os da republica, havendo mesmo confrontos em todo o território.


À conversa com

João Luis Gonçalves J

oão Luis Gonçalves, Procurador da República do Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé, apresentou o seu livro “Caminho da Vigia” no dia 18 de Janeiro, pelas 10.30h, na sala 202. O Escritor falou da sua experiência profissional em Timor e dos diversos livros que já editou. A palestra contou com a participação do SR. Urbano, ex-combatente na guerra colonial que contou a sua história na guerra do ultramar. O Major Henrique de Oliveira esclareceu a plateia sobre assuntos relacionados com O núcleo da Liga dos Combatentes.

KONY por Andry Talzin

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oseph Kony é o actual líder da LRA (Lord’s Resistance Army). Segundo estatísticas, 66.000 crianças foram convertidas em soldados e cerca de 2.000.000 pessoas foram deslocados dentro do país. Tendo dito que recebe ordens de anjos, mensageiros de Deus, Kony procura transformar Uganda num estado teocrático. Iniciando o seu movimento em 1986, Joseph Kony tem gerado imenso sofrimento entre o povo de Uganda. A sua ação baseia-se em raptar crianças e, mais tarde, obrigá-las a matar os pais e vizinhos, para que estas não tenham sítio para onde voltar. Hoje, a sua ação tornou-se popular através de um vídeo que foi lançado em redes sociais, como o Youtube, e comentado no Twitter e Facebook. Apesar de o conhecimento se ter alastrado imenso num curtíssimo espaço de tempo, especialistas perguntamse se as pessoas terão ficado com a ideia correta ao ver o vídeo. Apesar

de ser chocante, o vídeo que se tornou famoso em poucas semanas pode ter dado ideias erradas, pois quando se fala em 66.000 crianças, trata-se de um número de crianças raptadas desde o início, há cerca de 20 anos atrás. Na realidade, agora Kony tem pouco menos de algumas centenas a apoiá-lo e não tem estado em Uganda há seis anos. A isto tudo, juntam-se notícias como a descoberta de petróleo em Uganda há mais de um ano atrás ou o internamento psiquiátrico do realizador do documentário, Jason Russell, em San Diego, no dia 16 de Março de 2012, ou até mesmo a polémica da altura em que o vídeo foi mostrado a uma

população em Uganda, em que esta reagiu atirando pedras no final da apresentação. Com isto, percebemos que as coisas não são sempre pretas ou brancas, há muitas tonalidades de cinzento no meio…

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Visita de estudo do 11ºA e I

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os passados dias 1 e 2 de março, as turmas 11ºA e I participaram numa interessante visita de estudo. Começámos por embarcar numa aventura aos bastidores do Oceanário, onde verificámos como é feita a alimentação dos peixes e manutenção do aquário. Vale mesmo a pena, ainda mais se pensarmos que o preço da visita guiada é de apenas 5 € por aluno e no final desta temos a possibilidade de fazer uma visita completa e tranquila ao Oceanário! Se seguida, fomos para a Regaleira, para a mágica, mística e maravilhosa Quinta da Regaleira. Quem ainda não a visitou, não pode dizer que viveu! Todo o seu simbolismo, os jardins, o palácio, o poço iniciático, as grutas, a passagem sobre as águas levam-nos para um outro mundo. A sua visita é, nos dias que correm, uma experiência fundamental. Depois de uma passagem rápida pelo Fórum Almada para jantar fomos dormir à Pousada da Ju-

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ventude de Almada e quanto a isso… não haverá direito a pormenores… No segundo dia da visita, participámos no Percurso Queirosiano nas ruas de Sintra, pisámos as mesmas pedras que Carlos da Maia, Cruges e Alencar pisaram, quando visitaram a vila. O roteiro terminou em Seteais que, se nos posicionarmos num determinado local, nos proporciona

Escola

uma das mais belas paisagens do mundo!! Descubram-na!! Finalmente, como princesas e príncipes que somos, não poderíamos terminar a visita sem passar pelo Palácio da Pena. Encantador, fantástico, lindo, maravilhoso, enfim, um sonho!! Fazendo um balanço da visita, podemos concluir que o seu único problema foi não ter sido mais longa!


Escola

Café-concerto 2012 por Beatriz Torres e Sarah Virgi

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Café-concerto solidário já é uma tradição da Escola Secundária João de Deus. A geração 2012 dos alunos de EMRC não podia ficar-lhe indiferente. A agenda deste ano aponta para o dia 18 de Maio, um final de tarde de sexta-feira que se prolonga pela noite. Desta vez os fundos reverterão para o Refúgio Aboim Ascensão, uma instituição que em muito tem contribuído para o amparo e a protecção de crianças necessitadas na nossa realidade

local. Ora, o programa propõe um jantar aberto a todos – incluindo alunos, professores, funcionários, familiares, amigos – e, de seguida, o caféconcerto, acompanhado por Diogo Simão e Piçarra (ex-elementos da banda Fora da Bóia), Henrique Campbell, Sarah Virgi e outras surpresas. Diverte-te apoiando esta causa. Já sabes, um pequeno gesto pode marcar a diferença.

A poesia está na Escola e… em toda a parte” Recital de poesia

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artista, Afonso Dias veio mais uma vez à Escola encantar e cantar os poetas e recitar poesia. Com o propósito de prosseguir com o trabalho desenvolvido nos últimos anos e no sentido de cativar a comunidade escolar para a descoberta da Poesia como essência do belo, de conquistar adesões para o estudo da língua, de desenvolver o gosto pela leitura sublinhando o carácter lúdico e estético da literatura, de usar a música como elemento valorizador da beleza das palavras e de educar para a Cidadania pelo estímulo da sensibilidade e valores do humanismo, a Direcção Regional de Educação do Algarve e a Bons Ofícios – Associação Cultural estabeleceram um protocolo que permite continuar a desenvolver o projecto “A Poesia está na Escola… e em toda a parte”. Este projecto foi utilizado pela escola

no âmbito da integração da biblioteca escolar ao serviço do currículo. O recital teve a duração de 60 minutos e as turmas convidadas a assistir à sessão foram o 10ºC e 10ºH.

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Escola

Uma experiência gratificantes e alguma desilusão Sessão distrital do Programa Parlamento dos Jovens por Carolina Santos e Sofia Marcelino

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Sessão Distrital do Programa “Parlamento dos Jovens – Ensino Secundário” realizou-se no dia 6 de Março, no Auditório da Direcção Regional do Algarve do IPJ, em Faro. Os deputados presentes representantes da nossa escola foram: Gonçalo Santos, Sofia Marcelino, Laura Bárbara, Carolina José, Carolina Santos e Francisco Figueira como suplente. A Sessão começou pouco depois das 10h, com a chamada dos deputados das sete escolas do Algarve; de seguida, iniciou-se a cerimónia de abertura da Sessão, com a intervenção dos convidados. O que achámos mais interessante nesta introdução foi a opinião de uma das convidadas sobre o que é mais importante num deputado, afirmando que devemos ser humildes, aceitar os pontos de vista diferentes dos nossos e reconhecer aquilo que será melhor, não para si, mas para a maioria das pessoas, mesmo que isso signifique não levar adiante as suas ideias iniciais. Durante a manhã, depois de se apresentarem e debaterem todas as propostas, votámos no Plano de Recomendação, ou seja, no conjunto das propostas de uma das escolas que serviria de base para o conjunto final que seria levado à Sessão Nacional, podendo estas propostas ser substituídas ou alteradas. A nossa escola foi a mais votada para o Plano de Recomendação, com um total de 28 votos em 35. Depois do almoço, começámos a verificar que, afinal, os objectivos dos deputados de cada escola não correspondiam com as anteriores palavras da convidada, pois o que cada um pretendia era a apro-vação das suas próprias propostas, independente-

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mente da sua utilidade ou praticabilidade. Assim sendo, as outras escolas optaram por derrubar as nossas propostas, presentes no Plano de Recomendação, apesar de muitos deputados nos terem admitido, pessoalmente, que estas eram as mais viáveis e as melhor pensadas. No final, uma das nossas propostas foi mantida, outra completamente alterada e a última (considerada por nós a melhor) eliminada por votação. No final da Sessão, foram eleitas as escolas cujos deputados iriam representar o Algarve à Sessão Nacional. Na nossa opinião, uma das escolas vencedoras, a Escola Básica e Secundária de Albufeira, mereceu avançar, pois defendeu com convicção as suas ideias. Contudo, a vitória da segunda escola pareceu ter resultado de votos estratégicos, uma vez que esta mal se pronunciou durante toda a reunião e a sua prestação foi notoriamente fraca. Era evidente, portanto, que alguns deputados votaram na sua escola e numa menos forte para aumentar as suas probabilidades de “vencer”. Concluindo, pensamos que a prestação dos deputados da nossa escola foi bastante boa e que apresentámos bons

argumentos para defender as nossas propostas. No geral, esta foi uma experiência gratificante, que nos deu pequenas mas importantes noções sobre o que é a política, embora tenha sido um pouco uma desilusão o modo como decorreu esta Sessão Distrital. 3ª Fase - NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA: Sessão Nacional do Parlamento dos Jovens onde se reúnem os deputados que representam os eleitos em cada distrito ou Região Autónoma, onde se aprova, após debate em Comissões e Plenário, a Recomendação final sobre o tema.


Escola

Nós propomos “IDENTIFICAR PARA INTERVIR E VIVER MELHOR” - PROJETO DE INTERVENÇÃO TERRITORIAL “NÓS PROPOMOS”

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omo vai sendo hábito de há três anos a esta parte os alunos de geografia do 11º ano efectuam trabalhos sobre os problemas que detectaram na nossa cidade e fazem propostas de melhoria. Este ano, há uma variante deveras interessante, os trabalhos das turmas 11º B e C estão integrados num projecto com outras dez escolas próximas de Lisboa, sendo a nossa a única do Sul do País: - O Projeto “Nós Propomos!” é promovido, patrocinado e coordenado pelo Núcleo de Estudos Territoriais (NEST) e pelo Núcleo de História e Ensino da Geografia e da Cartografia (HEGEC) do Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa (IGOT-UL). Mas que grande nome! Participam, ainda: - a empresa ESRI Portugal, responsável pela cartografia digital dos fenómenos que estamos a estudar, através do sistema de informação Geográfica (SIG). Com o Projeto Nós Propomos, pretende-se: . Familiarizar os alunos com as alterações que estão a ser efectuadas ao Plano Diretor Municipal de Faro, . Promover a colaboração com a autarquia, . Contribuir para a elaboração de propostas de intervenção a considerar contemplar no PDM, . Estimular a cooperação entre universidade, empresas escolas e autarquias. Neste sentido vieram já à nossa escola no passado dia 28 de Fevereiro, duas técnicas da CM Faro, dar formação aos alunos das turmas referidas sobre O QUE ESTÁ A SER FEITO PAR A REVISÃO DO PDM DE FARO. No dia 1 de Março estiveram cá os promotores do Projeto que para além de assinarem um protocolo conjunto com todas as entidades participantes (ver foto), assistiram à apresentação por alunos de propostas de intervenção em bairros locais, que foram elogiados por visarem um desenvolvimento local sustentável e serem reveladores do empenhamento desses alunos numa cidadania territorial mais ativa. A 4 deJunho os melhores trabalhos irão ser apresentados às restantes escolas no IGOT-UL.

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Produtos embalados

Crónica

de Laura Mariana

“E na TV, produtos embalados Entram em nós, bem camuflados Como é que eu fico, eu fico engasgado” N’América – Xutos e pontapés

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as esta geração ainda se engasgava com os produtos embalados que os media lhe enfiavam pela goela a baixo. Esta era a geração que sabia muito bem o que queria e não engolia uma regra, uma ideologia, nem uma lei só porque era ela o era assim, lei. E não, não eram as dificuldades económicas ou os conflitos de gerações que os faziam parar. As dificuldades faziam-nos dar voltas, encontrar novas saídas, usar a criatividade e desenrascarem-se num mundo cão onde os problemas aconteciam e chegavam ao pêlo de todos. Mas foi graças ao descontentamento, à raiva e força de vontade estimulada pelas dificuldades que um regime político caiu e um novo Portugal se ergueu. Graças aos ideais e ao poder crítico. Mas não se pense que isto foi algo local. Por todo o mundo nasciam músicas enraivecidas, estilos duvidosos, jovens rebeldes, correntes, cristas, Punks e Anarquistas. Tinta correu, pais endoideceram e filhos revoltaram-se pelos seus ideais, por aquilo em que acreditavam. Podiam estar errados, podiam agir de forma incorreta, mas tinham o mérito de quem questiona e se recusa a engolir tudo o que lhe põem na frente. Tinham uma opinião e lutavam por ela. Espírito crítico e raça. Tudo aquilo que a geração atual não tem.

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Podemos verificar isto ao ligar a televisão, ouvir rádio ou ao entrar numa rede social, mas sabem? Recuso-me a depositar nos media a responsabilidade total por este fracasso. Sim, eles influenciam os jovens e induzem-nos ao consumo louco e desmedido, mas sem o falhanço dos pais na educação das crianças nada disto seria possível. Eles mendigam a felicidade dos filhos, eles protegem-nos da luz, eles protegem-nos do vento, do frio, as pessoas más, dos dias quentes e das manhãs frias. Dos trabalhos de casa e dos professores maus. Dão-lhes mundos e fundos de mão beijada. Fazem deles bolas de sabão ocas que voam ao sabor do vento até encontrarem o primeiro obstáculo e se desfazerem em lágrimas. Afinal quem tem o problema? É o pai ou o filho? Os pais dão as ferramentas mas se as usam na vez dos filhos tornam-nos incapacitados, dependentes, mentes ocas. Passados alguns anos temos uma cambada de seres moldados da mes-

ma maneira, com os mesmos gostos, com os mesmos problemas, com as mesmas ideias e com o mesmo conformismo. Engolem os produtos embalados e nem se apercebem que os estão a engolir quanto mais engasgarem-se! Nem vêem que algo está mal quanto mais a fazer algo para mudar isso! São lagostas que atravessam o oceano agarradas às caudas umas das outras. Diz-me a pouca experiência que tenho que o progresso advém da necessidade e da revolta. Então qual é o progresso que esta geração nos vai proporcionar se ela nem sabe do que precisa? Nem o que quer, nem o que é isso de querer alguma coisa…? E aqueles que sabem não conhecem a famosa palavra: luta. Mas existem lobos no rebanho e talvez, só talvez, ainda haja esperança.


Escola

«A 20 de Novembro» de Lars Norén no Teatro Lethes a 25 de Maio «A 20 de Novembro de 2006, numa pequena cidade alemã, um jovem, Sebastian Bosse, de 18 anos entra armado na escola e mata colegas e professores, disparando de seguida sobre si próprio. Lars Norén escreve, a partir desse facto real, uma peça violenta, inquietante, questiona-nos sobre qual é a nossa quota-parte de responsabilidade no acto tresloucado desse jovem, vítima de bullying, humilhado por professores e pela sociedade. A peça de Lars Norén põe o dedo na ferida de forma cruel e desconcertante.» O Teatro dos Aloés vão fazer uma apresentação especial aberta a alunos e professores da Escola, no dia 25 de Maio, às 15 horas com o preço especial de 2,5 euros. Se pretendes ir contacta a prof. Ana Lúcia ou informa-te na Biblioteca da Escola.

LET’S ICE! Festival de Gelados No próximo dia 21 de Abril (Sábado), pelas 16 horas, realizar-se-á, na cantina da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, o LET’S ICE!, um festival de gelados. Esta é uma iniciativa de angariação de fundos para o GenFest 2012 – um evento que vai reunir em Budapeste milhares de jovens de todo o mundo, no âmbito do Movimento dos Focolares, um conjunto de pessoas formado com o objectivo de contribuir

Ficha Artística: Tradução: José Peixoto Encenação: Jorge Silva Interpretação: João de Brito Cenografia e Figurinos: Teresa Varela Desenho de Luz: Carlos Gonçalves Design Gráfico: Rui Pereira Fotografia: José Goulão

Produção Executiva: Gislaine Tadwald Produção: Teatro dos Aloés Duração: 70m Local: Teatro Lethes Dia: 25 de Maio de 2012 Hora: 15 horas Razões: Muitas, além do bullying.

por Beatriz Torres e Sarah Virgi para a realização da unidade e da fraternidade universal. Nesta tarde, terás a oportunidade de experimentar gelados caseiros, granizados, crepes e outras pequenas delícias, acompanhadas por momentos de animação e divertimento. Ajuda-nos a concretizar este sonho pela Unidade e traz a tua família e amigos. Contamos contigo!

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Escola

QUALIDADE DA ÁGUA DA RIBEIRA DA VOLUNTARIADO FONTE FILIPE AVALIADA PELA ESCOLA

Texto por Mariana Dias, Sofia Coutinho e Vanessa Santana.

Por Joana Teixeira 11ºC

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ais uma vez, este ano lectivo, a Escola Secundária João de Deus, desenvolveu o projeto “Voluntariado Ambiental para a Qualidade da Água”. Assim, no dia 25 de Janeiro deste ano, nós, as alunas Ana Leonor Fiel, Elisa Encarnação, Cristiana Bento e Joana Teixeira, da turma do 11º C do Curso Científico-Humanístico, juntamente com a Professora Anabella Vaz, docente da disciplina de Geografia A, deslocámo-nos à Fonte Felipe, no Concelho de Loulé, que é a Ribeira adotada pela escola, para procedermos à colheita, análise laboratorial e identificação dos macroinvertebrados bentónicos vivos. É através dos organismos encontrados e da sua quantidade que se avalia a qualidade da água. Um dos principais objetivos deste

PARA A QUALIDADE

projecto, é determinar o estado ecológico dos ecossistemas desta ribeira, a partir da comparação da qualidade ecológica da água em relação ao ano anterior, uma vez que o mesmo projecto já tinha sido concretizado em 2011 e 2010, com a participação de outros alunos da Escola. Ao desenvolver esta iniciativa, a docente da disciplina pretende estimular e sensibilizar a comunidade escolar, neste caso através de quem participou no projecto, para a importância do voluntariado ambiental na conservação e sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos, criando condições para que adopte a Rede de Voluntariado como sua, e possa contribuir para gestão participada da água na Região Hidrográfica do Algarve.

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abias que a nossa escola está inscrita como parceira e voluntária do instituto público Administração de Região Hidrográfica do Algarve, I.P. (ARH – Algarve) e que já há 2 anos consecutivos que temos projectos na Ria Formosa? De acordo com a Diretiva Quadro da Água, a ARH promove, em conjunto com algumas escolas da região do Algarve, uma rede de monitorização da qualidade da água, ou seja, qualificar as águas das ribeiras, rias algarvias e da Ria Formosa também. O 11º B, na disciplina de Geografia A, deslocou-se à Ria e fez

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Escola

AMBIENTAL DA ÁGUA Fotografia de Catarina Loução

uma recolha para avaliação em laboratório dos macroinvertebrados bentónicos vivos, existentes na Ria Formosa, sabendo assim, através da diversidade de espécies e sua quantidade, se nos podemos banhar à vontade! Com esta pesquisa concluímos que a qualidade da água é excelente e assim devemos, todos juntos, continuar a contribuir voluntariamente para que assim permaneça.

Eco-Escolas de Miguel Santos, Pedro Dias e Pedro Carrasqueira

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obre questões energéticas…a sustentabilidade energética da nossa escola No âmbito do projeto Eco-escolas, no qual estamos a participar e preocupados com as questões energéticas relativas à escola, entrevistámos o Engenheiro João Gonçalves. Certos de que este tema interessa a toda a comunidade escolar, elaborámos este resumo contendo as ideias fundamentais transmitidas nessa entrevista. Questionado acerca da instalação de painéis fotovoltaicos que, pensávamos nós estaria prevista, foi-nos dito que a escola possui apenas a pré-instalação destinada a este equipamento, por falta de verbas. Os painéis poderão eventualmente vir a ser instalados numa segunda fase da obra. Acerca dos coletores solares (utilização de energia solar para aquecimento da água) obtivemos as seguintes afirmações: a escola possui 16 coletores com 2 baterias de 8 painéis ligados em paralelo, cada painel possui 2m2, o que dá um total de 32m2. Estes painéis alimentam 2 depósitos de 2000 litros cada. Quando não há energia solar suficiente, a caldeira (que funciona

a gás) preenche a falta de energia dos painéis. Estão previstos 100 banhos por dia e para tal os depósitos têm uma autonomia de 5 dias. A fim da escola se tornar totalmente independente do gás (energia não-renovável), os painéis e os depósitos deveriam ser maiores (os depósitos deveriam apresentar uma autonomia de 5000 litros cada), porém o investimento seria muito avultado e não compensaria. Por último, inquirimos sobre os futuros gastos energéticos advindos do ar condicionado. Foi-nos dito que a instalação elétrica dos mesmos só estará operacional quando a reconstrução de todo o edifício estiver concluída…mas alimentados de forma convencional. Sublinhámos que a energia produzida pelos painéis fotovoltaicos poderia ser uma alternativa não poluente para o ambiente, a regulação da temperatura dentro do edifício. Foi-nos dito que, no actual contexto não é possível, por questões económicas ou seja a nossa escola, mesmo depois de requalificada e em pleno século XXI continuará a recorrer, quase exclusivamente, a formas de energia convencionais!!!

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Dia do Patrono A

Escola Secundária João de Deus de Faro comemorou no dia 8 de Março o dia do Patrono “João de Deus”. Neste dia, a Biblioteca da Escola promoveu um conjunto de iniciativas de promoção da leitura e da cultura das quais salientamos a vin-

o Guardador de vacas e sonhos” de Alves Redol e os alunos do 11º e 12º ano leram “A arte de morrer longe” de Mário de Carvalho e “O perfume” Patrick Süskind. Após a leitura das obras os alunos realizaram a prova referente aos livros lidos.

da da escritora Cristina Carvalho, a cerimónia de entrega dos prémios dos “Jogos Florais Amílcar Quaresma”, do concurso nacional de leitura e do concurso do ditado. Durante a semana, alguns alunos ofereceram-nos momentos musicais e de leitura de poesia no espaço da biblioteca. A BE lançou mais uma edição do Concurso Literário Jogos Florais “Amílcar Quaresma” e este ano, o tema central foi a obra de Gastão Cruz. Os vencedores foram Sarah Virgi do 12ºC e Cristiana Bento do 11ºC. O Concurso Nacional de Leitura tem como objectivo estimular a prática da leitura entre os alunos do Ensino Secundário, e pretende avaliar a leitura de obras literárias pelos estudantes. O Concurso Nacional de Leitura vai decorrer em três fases diferentes: a 1ª Fase realizou-se na Escola; a 2ª Fase a realizar na Biblioteca Municipal de Olhão no dia 18 de Abril às 14 horas, as Finais Distritais e a 3ª Fase a Final Nacional, em Lisboa em Maio. Na 1ª fase, os alunos do 10º ano da nossa Escola, leram “Constantino

Os alunos apurados na 1ª fase foram: Ana Sofia Jesus – 10ºC Inês Simões – 12ºH Laura Sousa – 12ºD O concurso de Ditado foi uma iniciativa do grupo disciplinar de Português e da Biblioteca da Escola dirigido a alunos do 10º Ano. A prova decorreu no dia 7 de Março e foram seleccionados as 3 melhores prestações. O concurso de ditado tem como objectivo divulgar, promover e valorizar o conhecimento e uso correcto da língua e cultura portuguesa e despertar nos jovens a curiosidade linguística e o gosto pela leitura. Os seleccionados foram a Diana Barros do 10ºA, Andry Talyzin do 10ºJ e Henrique Coelho do 10ºG.

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Escola


Escola

Olimpíadas de Quimica +, Semifinal

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o passado dia 3 de Março os alunos Alexandre Poeira, Ana Branca Pais e Pedro Carrasqueira da turma 11ºG, acompanhados pelo Professor Rui Poeira, participaram na Semifinal das Olimpíadas de Química+, que decorreram no Instituto Superior Técnico em Lisboa. Estes alunos foram seleccionados em provas organizadas na nossa Escola pelo Grupo de Recrutamento de Física e Química. As Olimpíadas de Química têm por objectivo dinamizar o estudo e ensino da Química, proporcionar a aproximação entre as

Escolas Básicas e Secundárias e as Universidades e Institutos Superiores e despertar o interesse da Química como ciência e cativar vocações para carreiras científico-tecnológicas entre os estudantes. Os alunos realizaram uma prova teórica e tiveram a oportunidade de conhecer as instalações do Campus do IST e de confraternizarem com outros alunos de diferentes escolas, assim como assistir a palestras de divulgação cientifica . Todos os alunos tiveram um comportamento e participação excelente.

Futurália

N Propriedade: Escola Secundária João de Deus Direcção Ana Mafalda Sarmento

Redactores Carolina Roque Andry Talyzin Beatriz Torres Sarah Virgi Carolina Santos Sofia Marcelino Laura Mariana Joana Teixeira

Mariana Dias Sofia Coutinho Vanessa Santana Catarina Loução Diogo Simão Cátia Agostinho Leila Coelho Joana Rodriguez Olga Zazulinska Maria Neves

Autor do logotipo Ingo Martins Anastásiya Romaniv Joana Inácio Inês Cary Tiago Iria Santury Vagrant Vicente Lourenço Johnny Drumms Catarina Gomes Mariana Ramos Maia

o dia 16 de Março visitaram a Futurália cerca de 230 alunos da nossa Escola acompanhados por 20 profesores, funcionários e psicólogos. Futurália é um evento dedicado à educação, formação e orientação educativa. O evento contou com a presença de diversas instituições de Portugal e outros países que apresentaram suas ofertas em cursos e formação para jovens, adultos e profissionais. Cursos universitários, formação profissional, cursos no exterior, mestrados e cursos de pós graduação dividem espaço com empresas de equipamento escolar e tecnologias educativas, empresas de recrutamento, ongs e entidades financiadoras.

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Escola

Gravidez na Adolescência: uma história de vida por Cátia Agostinho, Leila Coelho, Joana Rodriguez, Olga Zazulinska e Maria Neves

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arta de 16 anos, ignorante da realidade descobriu que estava grávida. ” A minha vida mudou naquele momento..”, conta que depois de ser posta na rua por uma discussão com os pais só lhe restava o namorado qual nem quis saber, “ um adolescente como ele sempre ocupado não iria querer privar se de festas e deixar a sua vida livre de preocupações, Ele não estava preparado, e eu também não” Esta foi alvo de muitas críticas e muitos comentários cruéis mas mesmo assim escolheu ficar com a criança. Foi acolhida pelos pais da melhor amiga, depois teve de largar os estudos e após parto começou a trabalhar “Foram tempos muito difíceis.., ainda custa relembrar por tudo o que passei.” Hoje tem 18 anos e esta a trabalhar num café para sustentar o filho e estuda a noite para acabar o secundário e confessa “ Foram os anos mais complicados que passei, mas nem por um segundo arrependo me de ter ficado com esta criança” É importante apoiar as mães adolescentes, pois sabe-se que estas ultrapassam dificuldades que são um factor de risco no desenvolvimento biológico, psicológico, físico e cognitivo dos seus filhos. Actualmente, as situações de gravidez na adolescência são de tal modo frequentes e preocupantes, que devem ser encaradas como um problema de extrema importância. Cada vez há mais rapazes e raparigas que iniciam a sua vida sexual a partir dos 14 anos sem terem a consciência da própria ignorância e dos perigos e consequências que isto pode trazer e como pode mudar a sua vida.

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“Tenho dezassete anos e aos dezasseis aconteceu-me uma coisa que mudou totalmente a minha vida”, diz uma jovem mãe. As maiorias das adolescentes engravidam devido a falta de um projecto de vida, começo da vida sexual cedo, falta de dialogo com os pais acerca da sua sexualidade, falta de dialogo com namorado, e também falta de informação sobre os métodos contraceptivos e consequentemente escolha de métodos pouco eficazes. A gravidez nessa época de vida pode trazer muitos pontos negativos no futuro dos pais adolescentes, como o isolamento social que é a primeira coisa a acontecer assim que adolescente engravida. Por muitas vezes, em principio esta gravidez é escondida, por falta de coragem para enfrentar a sociedade e por receio dos seus próprios pais. Há insegurança, medo, vergonha, solidão, desespero, desorientação. As grávidas muitas das vezes deixam os estudos por vontade própria e as vez-

es por vergonha, também é frequente acontecer que o pai também ser um adolescente e não aceitar as responsabilidades e a grávida ter que enfrentar tudo sozinha como aconteceu no caso da Marta. Marta é uma das 17.4% adolescentes em Portugal a engravidar na sua adolescência.


Cultura

Spartacus: sangue e areia Crítica cinematográfica por Diogo Simão

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m 1960, Stanley Kubrick deu vida ao épico “Spartacus”, imortalizando Kirk Douglas, que fez viver a lenda à muito esquecida do revolucionário Trácio. E meio século passado, Steven S. DeKnight reinventa a história. Já não existe o mal fadado escravo com raiva dos romanos mauzões que sacodem o seu chicote imponentemente a uma multidão de trabalhadores forçados; as motivações do novo Spartacus são a princípio as mais “clichés” possíveis: “Vou proteger a minha nação!”, Saltando rapidamente para um “ Vou resgatar a minha mulher!”, e algum tempo depois para o já clássico “Vou salvar o Mundo!”… E embora na maior parte dos episódios, o protagonista faça questão de nos lembrar que o seu único objectivo é decapitar todos os seres vivos à sua volta (incluindo a si mesmo), apesar de todas as maquinações diabólicas nas quais os políticos romanos se envolvem, o tema central desta série é redenção. O Spartacus que encontramos na 1ª temporada (Andy Whitfield), é sem dúvida uma interpretação muito bem conseguida, mas apenas para o mais atento: os olhos são o espelho da alma, e são sem dúvida a maior arma de interiorização que este actor tinha. Para quem não sabe, Whitfield morreu em 2011. Mas falando da série em si: nem todos os actores são conhecidos, mas não por falta de talento: poderão no entanto reconhecer John Hannah de “A Múmia”, que faz um papel algo cómico inicialmente, mas o desen-

volvimento da sua personagem não poderia ser mais negro. A realização está aceitável para uma série sem grandes orçamentos que pretende ser espectacular: aliás, até está muito bem realizada quando observado do ponto de vista de um apreciador de BD. A herança de “300” está bem latente em cada frame das cenas de luta. Para série de televisão, o argumento está maravilhoso e nunca deixa de surpreender: a viagem é longa, mas os realizadores /argumentistas fizeram um bom trabalho ao nunca perderem o Norte, e continuarem a dar cartas no que diz respeito a esta intriga envolvente. Mais uma palavra de aviso a um público mais sensível: sexo explícito é recorrente, assim como mortes das mais violentas de sempre da televisão, em estilo slow-motion com enormes quantidades de sangue à mistura, tudo isto misturado para criar um espectáculo que irá certamente odiar ou amar. Não há muito espaço para meio termo no meio de tudo isto. Spartacus é uma série em continuação permanente: desde de 1960, mesmo antes de Cristo. Todos os episódios podem ser-nos apresentados apenas como uma brincadeira, um passatempo ou uma diversão: mas apenas se escolhermos olhá-los como tal. Se começarmos a olhar mais para o que não é dito com palavras mas com acções; se começarmos a ouvir mais o rugido da multidão em vez das línguas de serpente dos senadores e lanistas; se começa-

rem… Se apenas lhe derem uma chance e começarem… É fácil sonhar, mas não é fácil concretizar. É fácil ver, mas não é fácil fazer. E ao longo de muitas horas, “os romanos” provam-nos do que eram capazes: os seus costumes, lendas, crenças… E num tempo em que tudo era possível… Esperem, tudo era possível? Não me parece muito sábio contrariar o poder da sanidade humana, por isso atrevome a dizer que se vemos Spartacus é porque temos ainda dentro de nós essa centelha: o fogo de liberdade, a pujança de um povo em constante luta por si mesmo… A luta de uma pessoa pela salvação da sua alma… E daqueles que ama. Facto, história, lenda, sonho, filme, série, realidade. A tua realidade é exactamente como escolhes encará-la. Ele escolheu lutar: e tu?

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Escola – Precisas de passar menos tempo com o Orlando para chegares a horas. Saúde – As alergias de Primavera vão atacar em breve. Amor – O alinhamento dos planetas prevê surpresas agradáveis. Escola – Dedicate à pesca. Saúde – Sempre saudável, as cartas dizem que será o teu campo forte. Amor – Saiu a carta da Traição e da Morte. Ui… Escola – O alinhamento do Sol e da Lua pressupõe notas muito altas. Saúde – Não leves chinelos para a escola, sofrerás com uma pedrada no dia em que o fizeres. Amor – A tua paixão será correspondida, embora não pareça. Escola – Júpiter não me mostra nada concreto… Será uma surpresa para todos. Saúde – É necessária alguma precaução no que diz respeito a abelhas. Amor – Aqueles feitiços em que cortas cabelo da pessoa amada são assustadores. Espalha relva fresca na cabeça e grita o nome dela 3 vezes, dá melhor resultado.

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Escola – Será um período pouco relevante, o próximo exigirá grande esforço de compensação. Saúde – cuidado com as alergias. Amor – Irás aperceber-te do teu novo amor numa Sexta-feira, na Orlando’s Barraca. Escola – Os planetas aconselham mais estudo e assiduidade. Saúde – Conta com algumas constipações. Amor – As folhas do meu chá dizem que os próximos meses serão decisivos. Escola – Alguns problemas com os professores irão perturbar o teu quotidiano. Saúde – Problemas de stress. Começa a praticar yoga. Amor – O meu copo garante grandes felicidades. Há que ser paciente… Escola – Aconselho algum estudo, não te baldes. Saúde – Problemas fora da escola irão trazer-te alguns ossos partidos. Amor – A Sra. da cantina vai-te ajudar a conquistar a tua paixão.

Horóscopo

Escola – Nem será necessário qualquer tipo de esforço, as notas vão cair do céu. Saúde – Lesões desportivas, as cartas pedem-te calma nos treinos. Amor – A semana de 2 a 9 de abril é propícia a grandes acontecimentos. Escola – Feitiço: Pega nos livros da disciplina que vais ter teste e fixa-os durante uma hora por dia, com o mesmo aberto, durante uma semana antes do teste. Ficarás surpreendido. Saúde – Corres risco de levar pontos, anda com cuidado. Amor –. A Primavera traz-te grandes surpresas! Escola – O meu lápis demonstra-se apreensivo… Alguma concentração extra é necessária. Saúde – Alergias primaveris, fora isso estás seguro. Amor – Uma relação irá terminar: o alinhamento dos astros não mente. Escola –Explicação torna-se imperativa, não desanimes. Saúde – Parabéns, és o signo mais saudável esta estação! Amor – Lamento, mas apenas no verão a sorte mudará para o teu lado.


de C

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Horóscopo

Horóscopo

Receitas do nosso chefe...

de Maria João Seruca

Bolinhos de cenoura Receita aprovada pelo clube de leitura da Escola. Um sucesso!! Ingredientes 2 copo de Farinha 1 colher de chá de fermento 4 Ovos 1 copo de azeite ou óleo 1 e 1/2 copo de açúcar 3 cenouras grandes ou 4 cenouras pequenas rasca de uma laranja Preparação No copo misturador deita-se as cenouras cotadas aos pedaços, os ovos e o azeite. Mistura-se e depois adiciona-se o açucar e volta-se a misturar o preparado. Deita-se a massa numa tigela e junta-se a farinha com o fermento. Envolve a massa sem bater. Coloca-se a massa em formas de silicone e leva-se ao forno pré-aquecido. Para decorar pode cobrir os queques de chocolate. Basta derreter uma tabelete de chocolate e adicionar um pacote de natas. Cobrir os bloinhos com o preparado.

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José Ferreira – Um pequeno GRANDE fotógrafo por Anastásiya Romaniv, Joana Inácio, Inês Cary e Tiago Iria

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osé Ferreira, um fotógrafo profissional farense, de 25 anos, mostrou-se interessado pelo fotojornalismo e lançou-se num projecto audaz em Moçambique, numa das maiores lixeiras do mundo. “Trash Land” é o nome do projecto que destina-se a mostrar ao mundo uma das maiores realidades da atualidade. Também realizou um outro projecto bastante marcante e interessante, chamado “Olhar Nómada” feito em acampamentos de ciganos. “Body Language” inspirado em representar o corpo da mulher livre de preconceitos também foi um dos projectos bem sucedidos do fotógrafo. José, nascido em Lisboa em 1986, formou-se em artes visuais e começou a sentir um forte interesse e gosto pelo mundo da fotografia. Acabou por se tornar assim um fotógrafo português requisitado por vários adolescentes para realizar vários trabalhos fotográficos desde 2007 até à atualidade. Desde então, José Ferreira tem vindo a mostrar o melhor do seu trabalho, nomeadamente, com a sua “musa” Manuela Luz, uma antiga aluna que estudou na nossa escola. A partir de 2008 começou a ser reconhecido pela participação em revistas e concursos, das quais foi quatro vezes, a foto do mês da revista “O Mundo da Fotografia Digital”, em Setembro de 2008, ganhou o primeiro lugar em "cores" da categoria "fotografia artística" concurso em Faro, Novembro de 2008, ficou em 1 º e 3 º lugares do concurso de fotografia "Algarve Gentes e Lugares" de Vila Real de St º António, em Junho 2009, foi vencedor do concurso de fotografia "Missão - Fotografar los casa" da revista "O Mundo da Fotografia digital" em Outubro de 2009, também recebeu o primeiro e segundo lugar do "Portugal - Gentes e Lugares" concurso de fotografia realizado pela organização "UM QUARTOESCURO" de Vila Real de St º. António e em Setembro de 2010, ficou em 1 º lugar do "B & W" categoria do concurso de fotografia de Corroios - Portugal, realizado pela Camara Municipal do Seixal.

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Cultura


Crónica

DOR de Santury Vagrant

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dor perpetra-nos, sentimo-nos como se nascêssemos dela. Nós somos a dor, ela vive-nos e mata-nos. As nossas lágrimas são o seu sorriso. Vemo-la a dirigir-se a nós, como um predador sedento que anseia pelo que sabe que obterá. Cambaleamos e ela torna-se mais confiante, mais dolorosa. Por vezes não sabemos se vamos aguentar o próximo minuto. Não sabemos se haverá realmente, um próximo minuto, se há algo para além da dor. Oh, e depois ouvimos o grito, o grito que nos sufoca. O grito que significa a força da dor e que ressoa nos nossos ouvidos como se mais nada houvesse para se ouvir. Tudo o que existe só lá está para alimentar a dor, o mundo funciona em volta desse mesmo centro. A liberdade da dor, cada vez mais ágil, mais galante, a crescer sem estribeiras, derrubando o que a limita. O crescimento desenfreado da morte. Vem em todas as formas, a dor vem na serenidade, na paz e sobretudo na beleza. Quanto mais bela é a dor mais se torna insuportável. A arte da dor é um total e completo homicídio. A arte que não nos deixa desviar o olhar, que nos faz amá-la, amar o que nos mata… E depois, vemos que o mundo a incita, aplaude-a, ergue-se num círculo de lágrimas e aplaude-a, com toda a força. Ouvem-se gritos na plateia, pessoas que choram a beleza da dor, tão bela é que ninguém suporta olhá-la sem emoção. As vozes tremem, os narizes fungam, a dor persiste. Pois, ora, não é dentro deles que ela está. É dentro de mim. Por fim, há um momento, em que ela já nos destruiu, já nos derrotou. A sua melodia triste e comovente já não comove a própria tristeza. Chega

a um ponto em que esgota as lágrimas da plateia. Ninguém a incita mais. E eu já não morro por ela, porque já não existo. Talvez exista, não sei, já não a ouço de tanto que ela me cantou a sua triste cantiga, esta tornou-se nos meus pensamentos. A dor comoveu o mundo e o mundo morreu. Ouviu-se o aplauso final, estridente, que ecoou pelos cantos do que não existe, mas agora só se ouve o silêncio. A dor vive sozinha, matou todos, por dentro ou por fora. Quer saibam que estão mortos quer não, não interessa, já não têm o poder de combater, por isso vivos, já não estão. A dor espraiou-se pela população mundial, entrou nas mentes dos homens, levou-os a ver a luz, o escuro, as cores todas que existem, levou-os a ver o mundo vivido e o mundo do artificial. O natural e o que não merece respeito. Levou-os a ver os pobres e a esquecer a injustiça. Existe um momento, em que deixamos de pensar na dor e olhamos em redor, tudo se cobre de um manto negro que nos envolve as mãos. No escuro, já não temos que nos lembrar do nosso rosto. Só existe o que se vê e não se vê nada senão as mãos. Nunca tinha visto as minhas mãos, sempre tive mais para ver. Pareciam feitas de farinha, viam-se todas as pequenas rugas e todos os pequenos vincos do cansaço da pele, viam-se os poros e as veias quietas e impassíveis. Se a dor não me matasse, seria a ausência

do todo a fazê-lo. Não há tal coisa como um final, há um momento em que ouvimos um som. Ouvimos um som que nunca se ouviu. Um som que sempre esteve connosco, sempre se manteve constante e neste último momento, é desenfreado e leva-nos a reparar nele. Parece que nos vai implodir com a sua magnitude, o nosso corpo começa a saltar ao seu som, um som inconstante, que não obedece ao ritmo, limita-se a soar, descoordenado e desapercebido de si mesmo. Parece que nos vai enlouquecer, o som que nunca nos deixa, só o ouvimos a ele, como um relógio a contar os segundos da nossa vida. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete… Entramos em pânico, tapamos os ouvidos e percebemos que isso não o silencia, soa dentro de nós. No momento em que voltamos a sentir a dor física, que nos abstraímos do som e nos voltamos para o mundo racional, percebemos que o som é o som do nosso coração. Silêncio. Não se ouve nada. O corpo relaxa, as mãos deixam de se ver. A paz, por fim, o repouso da agonia. O repouso de mim mesma. Fiquei com a última expressão que vivi, a testa relaxada, um olhar perdido no silêncio tão desejado, os cantos da boca contraídos num sorriso e o suspiro de quietude que expirou pela primeira vez, a felicidade.

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O encarceramento das palavras

Crónica

Texto de Vicente Lourenço Fotografia de Johnny Drumms

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utra vez um tema para escrever a composição e um número limite de palavras!? Outra vez a imposição de paredes para a imaginação e liberdade de escrita?! Qual é o mal de os professores não darem tema para a composição e deixarem o aluno escrever sobre aquilo que quer? Porque é que existe um limite máximo de palavras para a composição?? Eu até compreendo a existência de um limite mínimo de palavras, para evitar que os mais preguiçosos façam uma coisa “às três pancadas” e a “despachar”. Mas porquê o limite máximo? Qual é o mal de uma pessoa escrever, escrever e escrever até esvaziar o seu tanque de imaginação?! As pessoas de hoje em dia admiram-se e constatam que as crianças não gostam de escrever, não gostam de ir às aulas de português ou fazer testes porque têm de escrever; pois não me surpreende, visto que, desde pequeninos, foram obrigados a escrever sobre aquilo que outros querem. Onde reside a antiga alegria de escrever? De pegar numa caneta, lápis ou pena e dançar com eles ao som de linhas estreitas e muito direitinhas, num chão branco de papel que espera impacientemente por ser pisado, por vezes com voraz fúria nos movimentos mais intempestivos da tinta que valsa sem parar de um lado para o outro; outras vezes, delicadamente,

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quando a pena é uma bailarina prima que, com elegância e formosura, vai calcorreando aquela brancura sem fim com um sorriso nos lábios e a letra mais bonita que é possível encontrar…? Como esperam os professores ser surpreendidos se os alunos que lhes passam pelas mãos, ano após ano, se limitam a fazer coisas que os seus antecessores já fizeram? Eu adoro

recendo-lhe um pergaminho de ouro com a mais refinada escrita criativa! Mas não! …. “Não fizeste as 250 palavras requeridas, fizeste apenas 249! Não fizeste um texto argumentativo pois trocaste a ordem dos exemplos com a dos argumentos! Tens ideias interessantes, mas não fizeste o que era pedido! A minha escala só vai até ao bom – não existe espaço para o brilhantismo ou para a anormalidade.”

escrever e contudo sinto um peso no coração de cada vez que sou obrigado a entrar nesta prisão de palavras que não são nem sentidas nem o melhor que consigo fazer. Esta minha alegria e vontade de escrever é tal que daria para percorrer o infinito Universo e voltar. Ah! Quem me dera poder escrever para os deuses! Escrever composições com um tal perfeccionismo e nível que entretivesse os deuses! Ah! Que maravilha caminhar pelo Olimpo e prostrar-me de joelhos com os braços erguidos para Júpiter, ofe-

Que me importam as 200 ou 300 palavras? Que me importam os três parágrafos? Que me importam os exemplos concretos? Que me importa que não possa fazer um parágrafo a meio de uma frase? Irra! Dêem-nos a oportunidade de ser mais! De brilhar, de surpreender… O que é feito da antiga alegria de escrever? De pegar numa caneta, lápis ou pena e dançar com eles ao som de linhas estreitas e muito direitinhas num chão branco de papel?


Páginas do passado

Escola

D

. Francisco Gomes de Avelar, Bispo Governador Interino das Armas, escrevia assim sobre as obras públicas em 1809. “Instrucções” foi impresso na cidade de Faro por José Maria Guerreiro a 10 de Abril de 1809. “D. Francisco Gomes de Avelar nasceu em 1739, e morreu em Faro, em 15 de Dezembro 1816. De condição humilde, aos 14 anos de idade foi para a companhia de um tio, Cura da Igreja patriarcal, que o mandou seguir os estudos públicos da Congregação do Oratório na Real Casa de Nª. Sª. das Necessidades. Em 1788 foi escolhido pela Rainha D. Maria I para Bispo do Algarve. Foi sagrado bispo em 1789. O hospital da Misericórdia de Faro é obra sua, assim como outros hospitais do bispado. Nas Caldas de Monchique mandou construir novas acomodações. Fundou o museu lapidar do Infante D. Henrique; chamou de Itália o arquitecto Fabre e outros artistas, que deixaram obras no Algarve: acabou o Seminário, e reformou o ensino, fazendo com que se lhe reunissem as escolas públicas de educação secundária que o Estado mantinha em Faro.

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Crónica

Diário

O livro

de Catarina Gomes Dia 1 Hoje, decidi ler o primeiro livro que propus para o meu PIL, é de Florbela Espanca. Prometi a mim mesma que leria o primeiro soneto inteiro,nem que me tivesse de deitar às tantas da manhã! E assim o fiz, este primeiro livro chama-se Livro de Mágoas, é constituído por 32 poemas escritos em 1919, tinha Florbela Espanca cerca de 25 anos, suponho eu. Bem, para uma pessoa que não está habituada a ler poesia como eu, é um bocado estranho ler logo Florbela Espanca, que desde os seus 7 anos escrevia poemas, na minha opinião, um pouco deprimentes.

Dia 2 Ultimamente não tenho tido muito tempo para a leitura do livro devido à acumulação de testes, trabalhos de casa, e também porque me tem dado imensa preguiça pegar-lhe. Dia 3 Continuei a ler o livro, tive de deixar a minha melhor amiga (a preguiça) de parte e agarrar-me à tão inspirada Florbela Espanca. Estranhamente, consegui ‘’devorar’’ três dos cinco sonetos do livro, para compensar aquela semana que nem me passou pela cabeça tocar-lhe. Nestes sonetos está retratada a vida da poetisa, o seu sofrimento e angústia. O meu poema preferido é ‘’Ser Poeta’’, atualmente

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convertido numa música de Luís Represas. Para mim, só os melhores poemas são convertidos em músicas que a minha geração e as gerações seguintes recordam, algumas com mais sentimento que outras. Dia 4 Hoje acabei de ler o livro, e apesar de todos os altos e baixos que tive ao longo da leitura, agora, fico bastante contente por ter resistido, pois Florbela Espanca é uma das melhores poetisas que existiram. Tenho pena que uma mulher, embora frágil e um prodígio autêntico como Florbela, tenha partido tão cedo. Mais importante é que esta grande mulher deixou

de Mariana Ramos Maia

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meu livro não caiu do céu, pelo menos não daquele céu azul que observamos todos os dias pela janela, que nos recorda o mar e a luz do bem ou a escuridão do mal. O meu livro caiu duma prateleira simples, de uma biblioteca antiga, vazia, apenas com corredores e corredores de livros. Bem, isto é, se considerarmos uma prateleira apenas uma prateleira, mas se a considerarmos algo mais, como um céu, então podemos dizer que o meu livro caiu do céu. Um céu que apenas nuns meros centímetros contém a vida de milhares de pessoas e inúmeros universos, cada um diferente do outro. O livro não caiu do nada, chamou-me. Estava sentada sozinha na biblioteca, apenas com mais uma senhora de idade, que já pouco ou nada ouvia, a bibliotecária. Estudava, rodeada de apontamentos espalhados pela mesa velha de madeira. Decidi ir procurar mais um livro de história sobre o inía sua marca para que, para além de cio da Idade Média. Mas perdi-me, mim, haja mais apaixonados pela sua perdi-me nos inúmeros corredores e estantes. Ouvi uma voz, fina e delicapoesia. da, a pedir socorro. Segui a voz, esta veio por detrás de um livro, tirei-o da estante para espreitar para o outro lado. Tinha o livro numa mão e a curiosidade no outro, espreitei, mas a voz mudou de direção, agora vinha do livro que tinha na mão. Decidi abrilo e folheá-lo. Era um livro bastante antigo, já com as folhas castanhas e as letras manchadas. Não resisti, li a primeira frase que dizia: "Domingos José Correia Botelho de Mesquita Meneses, fidalgo de linhagem e um dos mais antigos solarengos de Vila Real de Trás-os-Montes(...)".


Preto no Branco